e Guerra i Prelados . de que sas mençaô á Historia. ÊM PARÍSi E se vende em Lisboa. e Pays de Fatrà-r. M. corri i noticia dos mais consideraveis . Abbadejfas * Medicos . edos ultimos que se sintiraô naEuropi desde o 1 de Novembro 1755. TRATADO / 1 DA CONSERVAÇÃO DA S AUDE D O S P O V O SiWf 0 B R A util * e igualmente necejfaria à os Màgistrados i Capitaens Generais * Capitaens de Mar . D C C. x C O M HUM ApP END IX ConsìDeraçoins sobre os Terremotos . . LVIi . em casa de ÈonárdèS e du b eux. hast . Mercadores de Livros.

.

Duque de Lafoens . £ excellentissimo Senhor.E EXCEL LENTISSIMO SENHOR. Pertencefomente a V. E x* € ELLENCI A dedicar-Je lhe ejU a»/ . TAVARES. &c. LLUSTRISSIMO. MASCARENHAS. Regedor das Jujliças da Reynof &c. SOUSA. a o illustrissimo . DA SYLVA. "4 * DOM PEDRO HENRIQUE DE BRAGANÇA.

que teve nelles a minha obrigação mais parte do que o meu arbítrio . mas também por quesempre quis amparar taô be nignamente todas aquellas Sciências . para imprimi/ia . E se tiver a ven tura de huâ taô grande proteção . serd esta para a Obra o mayor credito . Estes mo tivos meparecerão taô poderosos . e augmentaros Povos Por tugueses . como para o meu reverente obsequio X> mayor merecimento . que tem o mesmo objeão. com tanta uti lidade e applauso delle . e dedicalla a V. naô fo por que goça do Primeyro do Reyno . por que es pero das Heróicas virtudes de V.Obra que contem os conheclmentoí de que necejjitaô os Magi/Irados para conservar. E X* . E X- C ELLEN Cl A.

.С ELLE N С i А . О mais obediente \ e humilde creado. IENTISSIMO SENHOR . De Vossa Exceliencia. qucyra aceita-la com о mais cabal refpeiro. E EXCEL-. Déos guarde a V. EXCEL- l EN Cl A muitos annos. Pedro Gendron. 2LLUSTRISS1M0 .

pelo menos es pero . que lhe pûs . os Capitaens Çenerais nos seos exercitos . o a outra qualquer doença . era huâ cidade . difcul- pará a temeridade de escreve-lo. e o seu terreno alagado. adonde ò Ar for corrupto . e experimentados . nem os mais acertados conhecimentos nes tas artes produzirao os effeitos dezejados . e os Capi taens de mar e guerra . Somente os Magistrados . e conservar a Saude dos subditos . ainda doutos . SE este Tratado naô desempenhar o titulo . Nem a boa dieta . curar huâ Epidemia . e impedir os seos estragos. seraô aquelles que pello vigor das leis decretadas poderao remedear em semelhantes occurrencias a . e de regramentos para pre servasse de muitas doenças . que ò intento de ser util à aquelles a quem eítaô encarregados os Povos. *»*»**» * «r^^At^^^H^ * **»»*»* -PROLOGO. se estas faltarem toda a Sciencia da Medicina sera de pouca Utilidade : por que sera impoffivel a os Medicos . e a os Chirurgioens . Nelle pre tendo mostrar a necessidade que tem cada Estado de leis . sem primeiro emmendarse a malignidade da atmosfera .

para sa tisfazer o intento que me propûs de ser util aquem ò quizesse ler. ainda que vejamos nos Reynos mais civi- Hfados delia manterem-se alguâs leis para a iv . como devèra . Nesta consideraçao he que me atrevi escrever desta Ordem Politica . Ate gora pareçe que esta sorte de Me dicina Politica naô entrou . vìj destruiçao da quelles . Ajuntei aqui todos aquelles . como para sirvirem de bafe às leis . e nos incontestaveis conhecimentos que temos da boa Fisica. retirarem toda a uri- idade . PROLOGO. Estes motivos me obrigarao a compor este Tratado em estilo taô claro . tanto para poupar o tra balho dos fe quizerem instruir . Poderao taôbem ser uteis a os Prelados dos Conventos . que o meu estudo . Abbadessas . e a cada Pay de famílias. e a os Ins pectores dos Hospitais . que devem decre tar aquelles. taô attendida dos Le gisladores . e experiên cia me fugerio . que delle conçebi. que estiverem a feu cargo. desta Me dicina Universal. bem premiado ficarei. e se naô adque- rir por este trabalho os applauzos de eru dito. fundada nas leis da Natureza. que todos ò podessem entender . se aquelles fiara quem escrevo . na consideraçao dos Tribunais da Europa . aquem está encarregada a conservaçao e o augmento dos Povos.

hum templp . mas naô vemos que os Architectes instruidos nel- las . e os Çhir-uç . hç certo serem defeituosas.blico com toda a magestade . Con- yento. mas ainda indicarei os meyos para jfe conserva- rem saudaveis. f çomo deyiaô os MedjcQS. Igreja . Esta mefma razaô me obri- gon a tratar da Confervaçap da Saude dos Soldados .viij PROLOG O. e prnatp . como em campanha . Fundaraô-íè as Escolas de Architecture Civil e Militar . a Conservaçaô da Saude dos Povos . e como o Dominio Por- tugues fe estende nas tres partes do mundo fpime preciso . que contribuem à Conservaçaô da Saude. fjospital . . distripuiçaô . Aprendem com perfeiçap co mo deye fer edificada huâ çidade . comp dos nave- gantes. o que mostrará tpdo este Tratado. o methodo de estudar a Medicina . faffao cazo da Fisica geral na practica destas artes. Este defeito gerai * he o que se pretende remedear . por que naô so tratarei do mais saudavel ou perni- ciosq (ìtio de huâ Cidade . mas naô vemos practicadas as regras . ou outro qualquer edifiçio pu. huâ praça . tanto nas guarniçoens . Na mefma çonsideraçaô poderia pre-? tender o Leitor que indicasse neste Tra tado. pu Prisaô publica. como agrádavel tratar com ajguâ diligencia da Conservaçaô da Saude çlos Marinheyros .

. Sect. sem haverem dado provas evidentes que sabem curar hum enfermo. e argumentando . e sciencias raras vezes arruinaô mais do que a fazenda . e que íb seja licito a os Medicos exercitar a sua arte sem haverem aprendido a curar as doenças ! Seis ou sete annos gastaô nas Universidades orando . parece ser da íua obrigaçao orde narem o mais açertado . H gioens aprendela nas Escolas . Comparou Hippocrates ( 1 ) a ( 1 ) De veteri Medicina. por que tanto que estas artes naô contribuírem a Conservaçao dos Po-. E como naô somente pertence a os Magistrados conservarem aíalubridade dos quatro Ele mentos . vos . e effe6Hvo me- thodo para que os Medicos . e em outros exercícios literarios . e vem por ultimo esta sciencia mal administrada a mais perniçioza de hum Estado. e nas Uni-» versidades . e os Chirur- gioens aprendaô a curar as enfermidades: He cousa notavel que nenhua Republi ca consinta que official algum exercite a sua arte sem have-la aprendido . Van- derlinden. PROLOGO. mas ainda por todos os meyos velarem na Conservaçao da Saude dos Povos . he força que lhes seraô fatais : os erros das mais artes . e no fim delles ficaô autorizados a tratar toda a sorte de enfermidades . Edit. mas quem erra na Medici^ mata . XVII.

como o Medico a Anatomia . e mui util para os Povos .x PROLOGO. e que desta origem resultaô as suas forças . a Physiologia . começasse logo a visitar enfer mos em hum Hospital . po der . he certo que por este methodo alcançaria mayores conhecimentos na sua arte que aquelles que hoje se aprendem nas Uni versidades. e a Pathologia : mas o Piloto no mesmo tempo aprende a practica navegando j se o Medico desde o primeyro dia que entrasse nas aulas . . e ali aprendesse a conhecer os seos males . que se entregasse à disoosiçaô de hum Piloto . se aprendesse a imi taçao da arte Nautica : nesta a theoria se aprende no mesmo tempo que se adquere a practica. como da. e a Astronomia . e magestade : nenhum recea tanto no tempo da pas . ainda que fosse o mayor Astronomo conhecido ! Seria logo na verdade mais decorozo para os Médicos . em quanto aprendia a theoria da Medicina . e quem seria taô temerario . que gamais tiveíie navega do . grandeza . arte Medica a arte de navegar . Tanto necessita o Piloto saber a Cosmografia . Todos sabem que a mais solida base de hum poderoso Estado consiste na multidao dos subditos . como taôbem a Chirurgia . e a curallos . e taô negligente da sua vida. e no feu augmento . que a Medicina .

Acade mias . e a curar as suas enfermida des ? Mas he ja tempo de satisfazer à aquel- les que notaraô as faltas deste Tratado : todos ò accusaraô de publicar-se em huâ lingoa sem a elegancia . e naô tem outro fim estas immenses dispezas do que ò augmento da Religiao . e mages- taae de que he dotada : todos estes defei tos confesso . e Pilotos . Militares . e curar as enfermidades a que estaô expostos ? Admirome muitas vezes do excessivo numero de Collegios . adon- de se aprendem naô somente as Letras hu manas . Jurisconsultos . Mas como poderá augmentarse sem leis. que naô sa- tisfariaô o Leitor. PROLOGO. e que nenhuâ destas ate gora se fundasse de pro posito para ensinar a conservar a Saude dos Povos . Escolas . mas ainda todas as Sciencias . que servem para a defensa . a santi* dade dos costumes . e a conservaçao . e regramentos a Conservaçao" da Saude dos Povos . por que me foi impoffivel evitalos . e Universidades que se estableceraô na -Europa depois do Seculo XVI . por muitas causas . e ornato da vida civil . com- modidades . e Artes . se as relatasse : se ò que adquiri nas Lingoas estrangeiras compen . Xj guerra diípender a mayor parte dos seos rendimentos na educaçao de Theologos . ornato . e o augmento dos bens.

Mas naô foi descuido . podera fer .xlj PROLOGO. foi de Çropositõ . Naô duvido por tanto que muitos louvarao este traba lho . e exi- periencias. e que pellas mesmas palavras refiro as vezes . Taôbem me accuzaraô das frequentes repitiçoins . por naô obrigar ler todo este 'ratado a toda a forte de pessoas. que tenho de ser util a huâ terra adonde naci. sem embargo que tudo o que pude indagar a este intento procurei em pregar nesta obra . me absolverao do crime de plagia ria : como na Lingoa Portugneza nacV . os mesmos cazos . e os grandes conhecimentos na Fisica . para quem ò dediquei : quis que cada qual acha£ fe no Capitulo que escolhesse tudo aquillo que era necessario para comprehendello. os meos Censores satisfeitos : mas nem ainda da materia . e amorozo patriota. ficarao . por que a douta conversaçao . que lhe considero . e Ma- thematicas de Joze Joachim Soares de Bar* ros tem a mayor parte do acerto . Naô me persuado que mereci censura por haver traduzido muitos lugares que contem este Tratado : as citaçoins a mar gem . que trato pretendo escrever fim erros . para ver fe podia hum dia satisfazer o dezejo . sar de algum modo os defeitos que con- trahi na minha . e feria ingratidao criminoza occultar ò que benignamente me eommu- liicou este honrado .

qui difficultatibus victis . naó reparei valerme do que achei escrito delia . xiij Kajà Livro ate gora impresso desta maté ria . espero achar ainda algum amante do bem commun. que ap- provará pelo menos o trabalho e a fatiga que tomei para publicar este Tratado.. o que estava disperso em muitos Autores : e como preferi com Plinio ( 1 } fer mais util a o Publico do que agradar- lhe com a amenidade do estilo . 1 . placendi. PROLOGO. . ( 1 ) Ego ita sentio . peculiaretn in studiis causam eorum esse . comprehendendo em hum volume . In Presatione Librl jprimi Historia naturaliu -\ ï" . e pro priedade da Lingoa . utilkatem ju- vandi praetulerunt gratia.

34 Cap. Precauçoins contra os danos . V. e exhalaçoins . e das doenças . 4 Cap. Males que caufaô as agoas encharcadas na quelles lugares adonde se cultiva ò arrós . que vem a padecer . Das qualidades do Ar. I Cap. Segunda causa da elevaçao dos vapo res . XI. Causas da elevaçao dos vaports t e dai exhalaçoins . Dos bosques . IX. Capitulo TT\ primeiro. X. e maispovoaçoins . e dos arvoredos considera dosfavoráveis . que caufaô as inundaçoins . III. Da podridao dos corpos . 25 Cap. 65 SEÇAô I. e meyos para remedia-los . Da transpiraçao insensível . VII. IO Seçaô I. 48 Cap. Da influencia do Ar corrupto na cons tituiçao do corpo humano . Dossítios mais sadios parafundar cida des . e como devem . 66 Cap. JLr A natureza doAr. no corpo humano . ou podre . Dos effeitos da aemosfera alterada. e dos seos es feitos t 17 Cap. Effeitos da temperatura do Ar entre os trópicos . II. Do interior das cidades. 4X Cap. IV. Dos ventos . zz Cap. VIII. 13 Seçaô II. e dosseos effei tos . pag. e meyos para prevenilos . ou prejudiciais à Saúde . INDEX DOS CAPÍTULOS. Iç Cap. 70 Cap. VI. e dos seos effeitos. XII.

&c. XIV. para o bem publico . XXII. XVIII. Conjideraçoins sobre eftas tres sortes de Hospitais . 107 . XV. suas utilidades para os enfermos . 113 Cap. Da limpeza . Da pureza do Ar que se deve conservar nas caças . &c. Dofummp cuidado quese deve ternas prifoins phra purificar o Ar nellas . Index dos Capítulos. Seçaô I. Do ocio. Da pureza do Ar. XX. e nas caser nas. e da limpeza que se deve guardar nas Igrejas . 97 CAP. XXIII. Meyos para preveniras doenças refe ridas . e do exercício dos Solda dos . que de-. os rios . &c. XIX. 16J Cap. XXVI. 130 Cap. e a bebida dos Soldados . Da limpeza necefiària nas villas. Da necessidade de renovar o Ar fre quentemente nos Conventos . 178 Cap. Da cauça das doenças dos Solda dos 3 154 CAP. * izi Cap. XXIV. XIII. 88 Cap. e da limpeza que nelles se deve conservar . XVI. &c-. 20Î CAP. nos Hospitais . e como se devem entreter os poços . e nas cidades para conservar ò Ar puro. 77 Op. XXV. 188 Cap. XXI. e os portos do mar para a Conservaçao da Saude . 72 CAP. t do affeo .83 Cap. . Remedios para emmendar o Ar dos Hospitais t corrigir a infeçaô dos moveis . Digressaosobre a comida . 140 Cap. Meyos para prevenir a corrupçao do Ar no campo . ser os seos edifícios para a Confervaçaó da Saude . Das qualidades das agoas saudáveis. XVII. Da necessidade de renovar frequente mente o Ar nos Hospitais . e dos vestidos.

XXVIII. DÁ . XXXI. Precauçoins para impedir a cor rupçaô do Ar dos Navios . 273 Noticiados Terremotos quefefintio na Europa. i/tria obfervaro Soldado . &c. io4 Cap. z8j( F IM. dos alimentos . Aß- frica . Da corrupçaô do Ar dos Navios . с bebida . e eßado da Saude dos Marí- nheyros . Metodos para confervar o Ar puro dos Navios a vela t г39 Cap. e America defdt do 1 ds Novembro »766. t dos mtyospara prevenila t 21ö Cap. Index dos Capítulos. XXX.248 Cap. 26 1 Confideraçoinsfibre a caufa dos Terfemotos. XXIX. Meyos para occorrer a eßes ma les . z1 5 Cap. 25 t Consideraçoins fibre ós Terremo- íoj. Situagaó. XXVII. com a noticia 3 &c. e dos Navegantes no Navio a vela .

e comprime . e tem tanta parte nella. que se comunica pel tos bofes . que nos abraça .|XXXXXXXXXXXX^XXXXX)ÕOeCXXX DA CONSERVAÇÃO DA S AU D E DOS POVOS. que cerca todo ( 1 ) Libro de Flatibus. e pella superficie delle : estamos ro deados do Ar . Da natureza do An O DO s sabem que ninguem pode viver sem Ar : mas poucos sabem que entra no nosso corpo misturado com os alimentos . APITULO PRIMERIO. taô excellente Medico como Filosofo ò considerou como o soberano Se nhor . A . e arbitro detudo o que experimentava o nosso corpo de salutar ou de nocivo ( 1 ). como a quelle que estivesse de bayxo da Agoa : he taô necessario à vida . Ao Effay coneerning Air. He o Ar hum corpo fluido . que Hippocrates .

Ninguem se persuadira de tal se ■aô comprehender à demonstraçao seguinte. ou carrega sobre o nosso corpo em differentes tempos* - N«« lUÚm^f «ste pezo porque fomos. ou apodrece . invisiveí* elastico . comprimidos iguaUnçntj . nos dará O pezo da parte da atmosfera. ma base . Mas a variaçao da atmosferaindicada pella graduaçao do baró metro he de tres polegadas Inglezas com pouca differença : e esta variaçaô correspondera ahum pezo ^ da dita columna de Mer. que he igual a disterença de pezo com que a atmosfera (♦mprime ..&: De ConservaçaS o globo terraqueo : he transparente . pella mesma comprime to do o nosso corpo com hum pezo . quand» o barómetro está 330 polegadas. • de huà bafe determinada he igual ahuui cylindro de agoa da mes. O pezo do Ar com- foarado com ò da agoa he como I a jooo com pouca differença. e sonoro. que por alguns instan tes. Foi creado pello Altislimo para que quafi todas as operaçoens da natureza îe firessem com sua assistentia. crece . cahe com impulso à terra. iabe-se que opezo de hum cylindro de Ar da altura da atmosfera . que be igual ahua columna de Mercurio jeta mesma base. e de altura de 5 5 pes : logo o producto continuado destes tres numeros 35 .. e de altura de 30 polegadas.etaôbem de ser clajlko : todos saberá o que se entende pella gravidade : huâ telha . nenhum fogo arde . isto he — — fj^ arrateis = 3990 arrateis ou libras Inglezas . 15 e 76. que se despega do telhado .. e com huâ força incrivel . nenhum Vegetal fermenta sem à ajuda deste elemento. mas cada pe cubica de KM peza 76 arrateis . se naô fora demonstrado pellas experiençias ("1 ). Nenhum vivente pode conservar a vida. pes quadrados de bafe . As suas propriedades saô as de pe\ar sempr» para à terra. nenhum animal se gera . E este serà tanto mayor quanta mayor for a altura de donde cahir : por esta proprie dade he que o Ar penetra todos os mais ínti mos seyos da terra . ou libras Inglezas. nenhum mineral se augmenta . nenhuâ planta crece . ( I ) O peio do Ar sobre o nosso corpo he de 39900 ft. e de altura de 35 pes Inglezes . pes quadrados de superfície : logo este homem deve soster hnm pezo igual ao de hum cylindro de agoa dei. «urio . Sem Ar . e hum homem de huà estatura bem proporcionada tem 1. ou superficie . . que este homem sustenta igual a 39900 libras Inglezas .

principal-: mente aos achacados . he o que se ehama elajlicidade : esta virtude tem o Ar . e vem vermelha . redurirse ha o seu vo lume à terça parte pello menos : tiremos lhe o pezo . veremos agora as variaveis. Lis boa em 8o. mas taôbem provem varias utilidades . Estas propriedades saô as constantes desta elemento. este poder de restituirse aoseu antigo estado . Quem quizer informarse scien- tisicamente destas propriedades recorrerà a ex cellente obra . essa he a cauza porque muitas vezes observa? mos existir sem alguâ dellas. e desta variedade de pezo da atmosfera provem muitas molestias aos nossos corpos . '» - . adqui rirao por si mesmas o volume que tinhaô anter de comprimidas. como sa ve quando seapplicaô as ventozas . tarde XIII. Pello Pe. portodo o nosso corpo . ou se exerce desigualmente em algira parte da superficie do nosso corpo . e seguintes. humidade . da Sâúde dos Povos* ^ Temos hum arratel delaâ . ou de algodaô postos emsima de huâ mesa. do frio . Almeida . e hum grande pezo. Comprimase qual quer destas materias com huâ taboa.emsima . pode pôr si so adquirir o mesmo vo lume que tinha. Que chamaô qualidades : estas conhecemos pellas sensaçoins do calor . tom III. Recreaçao Filosófica . « gue tudo se exporá neste tratado. Esta virtude. como a sua origem naô procede do Ar . a carne se incha . da mesina forte que ò naô (íntimos » Îiuandonos achamos dentro da agoa : logo que esta compreiiad alta . e fe~ cura . e deixado em li* herdade . e deixemolas na sua liberdade . po- dese comprimir como alaâ .

e os corpos que se contem nelle . traduites 4t . e occu paô menor espaço . edilatar todos os cor pos . Considerados em si mesmos : e à atmosfera ordinariamente nunca he taô quente como o nosso corpo ( 2 ). ou agoa ardente nos mezes do estio occupaô mayor espaço que no inverno : o ferro em braza . e por todo o globo terraqueo. e os liquores espirituosos ( 1 ). Somos dotados de mayor calor do que à at mosfera : quanto mais o homem està perto do nascimento mais particulas de fogo tem : hum moço de vinte e cinco annos naô tem tanto deste calor elemental como hum menino. e os sais tem o mesmo ca- or que o da atmosfera. que jâ mais se vio variavel : o espirito de vinho . os metaes . e todos os metaes na fornalha aceza adquerem mayor volume. tom . os ve- getaes . Martine . dé 'Jgne per toeum. { 1 ) Dissertationsfur la chaleur par M. tract. P Ellas obfervaçoins astronomicas se sabe que aluz desce do sol a te a terra pello tem po de oito minutos com pouca differença : pa- reçe que âluz he o mesmo que aquelle fogo de mental espalhado por toda à atmosfera . £lementa Chemis. ( I ) Herman Boerhaavc. Das qualidades do Ar e dos jeos ejfeitos. Pelo contrario . esta propriedade he taô constante em to dos. As i§ves tem mais deste calor que os homems . as {>lantas . o mesmo Mercurio sendo taô solido . ou fogo elemental he aquelle que faz mover . do mesmo modo que os corpos humanos . I. e pezado se encolhe com elle . esta luz. to dos os corpos com o frio se encolhem . 4 Da Conservação CAPITULO II.

* i7J4pag'. vo mitos pretos .. I4J. da Saude dos Povos. e mesmo as vezes frio. pag. mas entaô he nocivo . 17jo tom. ficarà na mesma altura que estava : se sintimos o vento frio .. os calores iad insopportaveU: Aiij . ou doenças : dissipaô se os humores mais subtis . de Fahrenheit a 96 graos de calor. Succedeo que o calor da at mosfera chegou a 103 graos .7l9.. languidos . lepra . ( 1 ) Relacion histórica dei viage a la America Meridional por D.. Madrid 1748 . A baixo trataremos com mayor distin çao o que he a nossa atmosfera.. par M. 1. ou dos lugares taô quentes como o nosso corpo saô cauzar enfermidades . 59 & 62. 17JI. Na Ilha de Bourbon entre os trópicos o calar naô excede 85 graos. ou do occidente fresco. e se applicou ímmidiatamente ao nosso corpo. sahem pella transpira- faô . e febres ardentes ( z ) . Paris. sintiremos o vento . Ali se lè que eavCattsgena a gr. Ordinariamente o calor da atmosfera naô excede o aalor do corpo humano: este he de 96 a 98 no thermometro de Fahrenheit. camaras de sangue . tom. pello snor . q O calor que sintimos naôheamedidado calor da atmosfera : nas calmarias de bayxoda linha equinocial a penas podem os navegantes respi rar .' 444 .. se este calor demasiado se ajun- CAnglois. Mg. a causa he por que facudio a nossa atmos fera . pag. lat. terreo e espesso . a S. ou do ful . por tanto o thermometro que estiver ao lado naô mostrarà diminuiçao de calor . O thermom. vem fracos . Antonio de Vlloa. Vide Mémoires de L'Académie des Sciences t 17Ì3 PaS. a°. Maty . e nauseam : por tanto na quella altura o calor da atmosfera naô he taô grande como em Peterburg naô obstante ficar tanto para o norte a quella cidade ( 1 ) t* Estejamos no tempo do estio assentados a huâ varanda . ge- raô se enfermidades melancholicas .58o. 9 latit. 89. e pella ourina em abundan cia : fica o sangue seco . ( I ) Journal Britannique . principal mente se o Ar estiver sustocado ao mesmo tempo. . Os effeitos do grande calor do Ar . Pererburg a 60 deer.

meçou agente amorrer de calor : aos primeries dias poucos . os metais .. Bifpo pella remarcavel ebfervacaô que conten. .epor iffo crecendo cada dia mais o calor . . e judiciofa relacaô a todas as que li nefta materia . e os ve getais . os minerais . a carta feguinte datada do 30 de Julho 1743 . de experimentar a calamidade que nulles dias padece— и mos nefta corte por caufa dos calores exceffivos. . к depots inmuneraveis . ja diffemos eftava eípalhado por toda a atmosfera. o peyor foi que co- y. » tes. repi car os linos quando о Ar eftiver inilamadoe embichorno : о façu» dir . que actefeenrouo mal . o calor grande começou ao principio de Julho > po- „ rem dos 1$ ate os a 5 foi intoleravel. efte fogo elemental que conhece- mos por aquella fenfaçaô de nos alumiar. nem havia refrigerio em lugar „ algum . &c. que cahiaô mortos pellas ruas . e agitai »Ar fera entaô 0 nais faufUvel rçniedie» . ». äqual me communicou о mefmo Exmo. Bifpo Polycarpo de Souza «fiando em Macao . e „ poucos depois morriao denique na noite do dia de S. ea « lepra ali he commua -. E todo o globo terraqueo . que ordinariamente cañera * пeЛe tempo com abundancia . dille Profpero Alpino das doencas do Egypto .. e confirma tudo o que . e queymar muita polvora .. fe accendeo tanto o ñ Ar . e pode cauzar mefmo a pef- Efta luz . Dis eilen a Providencia Divina livrou щ an Ena. os calores „ tem o unico refrigerio das chuvas . erefrefeou o tempo. . (começou agente a refpirar . . e aillo attribuoeu „ a mayor parte da mortandade que houve. E aquecer.. e os cañaveres tem igual calor a o da ali começaraô «quelles febres chamadas » vomito prieto . 6 Da Confervaçaô tar com fuffocaçaô do Ar entaô apodreçem to dos os humores . e que ceflao logo que appare- eem as primeyras pingas de chuva. . Anna de repente fe levantou hum vento к com ta} furia que parecia hum tutaô . e efte he o mo st do comquedavaefta Epidemia . cahiraô alguas poucaspinguas de chu va . elogo ceffaraô as mor. . . . Andre Pereyra Mandarim do Tribunal das Mathe-» snaticas de Pekim efereveo ao Exmo. e muitci „ mais nas cazas e da corrupcaó fe levantou taô peftilente »cheiro pellas ruas. ti mas aforça do dito vento baftou para mover o Ar . enomefmo ndia. mas -jps vegetais . Thiago para o de S.. os fais . Defla obfimacavft pedera соя- jiderar obemqucfara. ficavaô logo fem fentidos . e os ani mais tem diferentes graos de calor : a terra na fua fuperficis .. etaô quente que aífava . que parecia queymava . as pedras .„ preferri efta veridica . Difparar pecas de artelharia no tempo das calmarias debayxo da iinha . ( i ) O P. eftas porem faltaraó efte anno .

о azeite ainda muito mais . as aves. Farif. ou mayor irio conforme a fua denfidade. debayxo o.45 gr. e os peixes tem alguns graos mais de calor que о Ar. o chumbo. o chumbo derretido . o Mercurio» fervendo . Os quadrupedes tem mais calor que os homems . Quando o dito thermometre defcer ao grao 3 1 entaô a agoa começa a gelar. porque as pedras . como fe fofle feita com leite : a quella ( i ) O calor da atmosfera до climat temperados entre 53 & . Aiy . O corpo humano ordinaria mente fempre tem mais que o da atmosfera . e as arvores adquerem mayor calor que o da atmos fera . os montes . lat. no thermometrode Fahr. Os mininos o fazem fubir a 99 e . O calor da agoa fervendo muito mais. Mas o que he mais particular na natureza he que cada corpo retem mais calor . e aprata. e mais que todos . Veja fe defta materia Botrhaavc Chemia .: o mayorconhecidoategorafoi. hum feixo . fe exceder cahirà enfermo. EJfa'ufur Uchaltur. E o mefmo fucede com o frio : no eftio as pedras . e os bofques adquerem mais frio do que pro- duz a quella fefaô : da qui vem que huâ queima- dura feita com agoa fervendo naô he taô peri- goza .de iío gr. adquerem à proporçaô dos feos pe- zos muito mayor calor. trait. de igne i 6c Martine . a 100 gr. O calor do corpo humano he de 96 a 98. e pezo. O mayor friо na Europa Meridio nal foi а б gr. ainda no tempo do eftio. torn. e os metais faô mais pezados que o Ar ( i ) : o ferro ex pofto agea- da. da Saucíe dos Povos. gr. 17$ i . fe crecer с feu ardor cauzarà doencas. Na primavera he ordinaria mente de 50 a 65 : no eftio chegou rouitas vezes a 90 gr. do dito therrn. como os rochedos . defde apag. A agoa pofta a ferver adquere o calor dobrado de hum homem em Saude : о leite fer- vendo muito mais . abayxo de o. I. y atmosfera : nos animais porem he mui differente: os infectos . O mayor calor do eftio conheçido naô excecedeo a te agora ó do corpo humano . Eu o íofri de 2.

. . todos perdem o movimenro . em algums lugares perto das altas serras cobertas de neve. Conheçidos os effeitos do calor . principio da gangrena . . Maty observou que o thermom.80 sel. . iól.S Da Conservaçaô feita com azeite serà peyor. se moderaô pello fresco das noites . . estas fubitas mudanças saô as per- niciozas .» . e rios caudelozos . as noi tes saô mais frias mais humidas . de Fahrenh. e altissimos arvoredos.. abrigado do norte junto da parede. regradas e sucessii- vas de calor e frio daô vigor a o nosso corpo : ass fubitas e as grandes mudanças o destroem.. p. » . easim applicados huma ves a o nosso corpo produzem majores effeitos.. abrigadodovento norte çontra huaparede. e a prata gelarse de tal modo que quem lhe pegava sintia huâ viva dor logo na maô . posto ao sol. comferro deure- iiâo . ficárà ofendido até morrer apopletico : posto à sombra naô sofrerà ametade do calor ( z ) : os dias entre os tropicos quentes. JO . mais facil- mente se conhecem os do frio : com esta quali- dade do Ar todos os corpos occupaô menor lu- gar na sua massa. Nos lugares citados astima. ( 2 ) M. . ou com chumbo sera muito peyor . j8 gr... Vi eu o ferro . 76 Ea 19 do mesmo mes od. 44 grj . 6} hwnaí ticonçmijue dt Paris. Juin 17J4 .. à que succede se amaô ficar pegada nas quelles metais alïìm ge- lados ( i ). por que aquelles corpos retem o fogo a proporçaô do feu pezo . de vastos . 67 . . se naô houver reparo contra ellas. thermom. a 8 d» Bies de Abril em Inglatçrra posto a sombra marcava.. . . .. ou catadupas . ( I ) Boerhaavt *'Sitrtent.. . o orvalho he abundante .. .. Abaixo daremos o uzo destas leìs da natureza. Perto de la- goas . . posto a sombra.. . O homem ex posto a os rayos do fol no estio de pé ou deitado . estas mudanças continuas . .

do mesmo modo que o fumo . o mais duro . e corrup çao de todos os corpos creados. 8: . em toda a superficie della à observamos : nenhum corpo conheçido .nts . pag. ia Saude dos Povos. pleurises. ( I )Botrhaave . seco por muitos annos. e na índia a doença Morde- chim. des S(km. 1754. 14. A mayor parte do nosso globo consiste de agoa . 9 :Âs subitas mudanças do calor para o frio exces- sivo . lagos. tom. mas em sei*. Daqui vem. No interior da terra existem cavernas . cap. o mais seco tratado chimicamente pella distilaçaô se izenta desta lei : quem dissera que do tronco do guaiaco. I. esquinençias . catarros . que conhecemos pello nome de Mar. A chuva . que tanto mais humidas e bayxas saô as terras principalmente cobertas de arvoredos . Nenhum ha conheçido que naô vapore . e Helmontio afirmarao com muitas provas que a agoa era o principio universal da geraçao : he certo que este elemento com o fogo elemental . ou na sua super ficie pella quantidade de materias que apodre- çem. tanto mais frequentes saô as chuvas . e reumatismos . ou alus saô aqueles agentes primarios da geraçao . de aqua. os relampegos . Chemia . formadas ordina riamente no centro da terra . e mais abundantes se ficaô perto de al tas serras. 1742 . No Peru naô chove. e o orvalho naô saô mais que os vapores condensados em mayor quantidade . í » ) Histoire de l'Aead. EJfai fur Us wton- t*i. do frio calor cauzaô doenças in flamatorias. sahe huâ agoa volatil azeda pella destilaçao ( 1 ) ? Thaïes . par Bertrand. conservaçao . nenhum que naô exhale ( 2 ). e os rayos saô as exhalaçoins que sayem das materias sulfureas . A Zurich . 18» . e rios .

io Da ConservaçaS
lugar as exhalaçoins no centro da quellas terras
íàò em taô grande abundancia , que cauzaô es
tragos infinitos pellos contínuos terremotos.
Se estas se communicarem a atmosfera entaô se
dissipaô edesvanecem por relampegos , e por
rayos.
Todos os vapores e exhalaçoins se depositai
por hum certo tempo no Ar, que nos rodèa :
cheyo desta diversidade de particulas, entaô he
que the chamamos aemosfera.
. Vejamos agora qual he a cauza da elevaçaô
dos vapores , e das exhalaçoins.
.'- ■ i"

CAPITULO III.

Causas da elevaçaô dos vapores e das exha
laçoins.
Vlmos que a lus , ou o fogo elemental está
espalhado por toda a atmosfera , e que en
tra na composiçao de cada corpo , ou seja sensi*
vel , ou insensivel. Este he o agente primario
de todos os vapores e exhalaçoins , como taô-
bem os ventos. Edmundo Halley para saber a
quantidade de vapores que se levanta ô do mar
com o calor do estio ses a experiençia seguin
te ( 1 ) , tomou hua certa quantidade de agoa ,
por exemplo , trinta e nove arrateis de agoa
^commua, desses nella hum arratel de sal, por
que sabia , que 40 arrateis de agoa do mar dey-
xaô no fundo hum arratel delle , depois de
evaporada , à pos em sima do fogo na quelle
calor do mez de Julho, regrado pello thermo-

( I ) Philosophie. Transact. n°. 189. As. deMairan, Difertatio/tf
ferla glace , de l'Imprimerie Royale , cap. % , pag. 12 e 13. .

da Saude dos Povos. I1
metro. Por meya hora de tempo nem fumo ,
nem vapor se observava levantarse della. Me
dio depois esta agoa , e achou que em 24 hon
ras que evaporava huà polegada cubica de
agoa , de des polegadas quadradas que tinha a
superfície da agoa salgada ; e que cada pé qua«
drado da mesma superfície deveria no mesmo
tempo evaporar hum quartilho, ou hum arra
tel com pouca differença. Pelo que concluio ,
calculando a superfície do mar, das lagoas, e
dos rios , juntamente o calor do estio , com o
do Inverno, que se levantavaô tantos vapores,
que bastavaô para abundar a terra com fontes ,
lagos , e rios.
Esta lei da evaporaçao he taô universal que
a te a mesma neve , ate o caramelo evapora.
Na força do Iaverno quando morrem os ani
mais expostos a o frio , vi eu que posto o ca*
ramelo no braço de hua balança e no outro»
pezo igual para ficar em equilibrio , des arra
teis em hua noite evaporarao , hum : por tanto
naô estava exposto a o vento. Era huma ca
mara fechada sem fogo, nem perto o havia :a
neve exposta a o Ar livre evapora muito mais:
sinal ç^rto que na neve e no caramelo ainda re
side o fogo elemental.
He çerto que no centro da terra existe este
fogo. Sabemos que no subterraneo do Obser
vatorio Real de Paris , feito de proposito para
as experiençias da Fisica , o thermometro de
Fahrenheith sempre se conserva 353 graos ;
nem de veraô nem de Inverno ha mudança
neste calor ; e por tanto a adega naô tem mais
que oitenta e quatro pes de profundo : este
calor he semelhante a o da primavera : se a
rieve , eo caramelo evapora , quando o ther

li Da Conservaçaâ
momctro esta a trinta e dous graos , quanta
mais evaporara aterra, as agoas das cavernas,
as arvores , e os bitumes ( 1 ) ?
Que a terra evapore muito mais que as
agoas, o mostraô as experiençias de M. Ba
zin ( 2):encheo dous vazos de igual abertura
de boca , hum delles com agoa , outro de terra
ordinaria : cada dia lançava partes iguais de
agoa pura em ambos ; em poucos dias , o vaso
com agoa naô podia conter nenhuma mais >
mas a quelle com terra , podia reçeber agoa
nova sem ficar ensopada , nem feita em lodo :
continuando a experimentar o mesmo , concluio
que a terra evaporava muito mais que a agoa.
Tantas cavernas subterraneas que recebem
agoa da chuva, das neves, e os orvalhos , tan
tos rios subterraneos daô materia a terra para
evaporar por meyo do fogo elemental que nejla
existe.
Estevao Haies ( 3 ) por muitas, e varias ex
periençias concluio que todas as plantas e ar
vores transpiravaô a proporçao do calor da at
mosfera ; e que comparadas com a transpira
çao do corpo vivente achara que os vegetais
transpiravaô duas terças partes menos do que
os animais. De Gorter ( 4 ) depois de calcular a
transpiraçao inseníível nos habitantes de Italia,
( I ) Dissertation fur la glace de M. de Mairan de CImprimerie
Royale , cap. II , pag. J7. O thermom. de Fahrenh. ficou a f}
■o subterrâneo do obsérvatio real , prosundo de 84 pes. E nas
minas de Alsacia prosundas de 222 pes o mesmo thermometro mar-
cara jS graos : indicio que tanto raais se penetrar na terra mayor
íerà 0 calor.
f 2 ) Histoire de VAcadèm. Royale des Sciences , 1741 , pag. 17.
( j 1 Statical , Essays vol. 1 , London 1731 , 8°. cap. I..
( 4 ) De perspiratione iusensibli , Lugd. Batav. 1736 , 4*. cap.
x, pag. ij. „ Quotidie corpora perspirant in Italia ft> V. siva
„uncias sexaginta; in Britannia 31 & 41 unciasj in HoUandia
1» inter 46 & 56 ».

dá Saude, dos Povos. 1j
tnglaterra e Hollanda achou pello menos ser de
30 onças : em vinte e quatro horas. He força
que em Portugal transpirem muito mais os ho-
mems.
Logo hua planta , ou huâ arvore de igual
superficie a de hum homem transpirará sendo o
calor da atmosfera igual, dès onças e alguâ cou-
za mais no mesmo tempo.
Naô quaro insistir na immensidade das ex-
halaçoins que se levantarao continuamente dos
fais , bitumes , e minerais , por que pella fuá
natureza mais apta para evaporar devem ser
mais consideraveis. Devemos logo considerar o
Ar como o almazem universal do nosso globo,
adonde se deposita tudo o que se exhala delle.
Vimos asima que os animais tem mais calor de
mental do que os vegetais ; transpirarao logo a
proporçao do calor que os anima.

S- L
I}a transpiraçaô insensível.
Tantas vezes seremos o brigados fallar da
transpiraçaô insensivel dos corpos viventes,
que me parece neçessario dàla a conhecer a os
leitores- sem conheçimento algum da Física , ou.
da Medicina. Se hum homem mosso e robusto
depois de fazer algum exerçiçio , mas sem suar,
se puzer diante de hum grande espelho concavo,
que augmentará os objectos seis vezes mais ,
vera sahir de toda a sua superficie hum fumo
que sobe em ponta , como alus de huâ vela a
íobe esta , e achama, por que o Ar contíguo
se rarefas , e adelgaça ; a quelle que esta mais
distante he mais frio e pezado , e vem acahir
60 lugar da quelle mais ligerio, e quente y deste
1 .

14 Da Conservação
modo he força que comprima a transpiraçaó1
pellos lados , e que suba para donde o Ar tem
menor resistencia , que he na parte superior.
Hum homem suando ponha a sua maô perto
de hum pedaço de caramelo , vera sahir della
hum fumo continuo : este fumo , que sahe por
toda a nossa superficie , he o que chamamos
transpiraçao insensível. O bafo, ou transpiraçao
do bofe he taô consideravel como a quella da
pelle : de Inverno quando o Ar esta mais frio
que de ordinario , a vemos fahir em forma de
nuvem a cada expiraçao.
Esta transpiraçao e bafo saô os ultimos excre
mentos do nosso corpo : saô tantas partes po
dres separadas do sangue ; saô acres , salinas ,
c rodentes , mais ou menos conforme a natu
reza de cada corpo. Deste modo he que estamos
sempre cercados de huâ nuvem de exhalaçoins
podres , e fetidas : as quais se pello Ar naô se
sacudissem e alimpassem , se naô se depozitas-
sem no Ar , em poucos instantes sintiriamos a
perda da Saude.
Mas os animais quadrupedes tem mais calor
do que os homems : as aves ainda muito
mais ( 1 ). Logo he força que transpirem muito
mais ; mas a quelle fumo , a quelle bafo hade
fer mais acre , mais podre , mais contrario a
nossa vida , do que o dos homens. Daqui se po-«
dera conjecturar quanto mal fazem a quelles que
dormem com gatos , e gozos , e que conçervaô
no apozento a donde dormem passaros , bujios
e cains.
( I ) Marlene. Dijsert.surla chaleur , pag. 188. O calor humart*
no thermom. de Fahrenh. he de 96 a 98 : nos caens , nos gatos i
cirneyros , bois , e nos porcos hedelol a I02 , pag. 189 e 190.
m as aves saô os animais mais quentes de todos , que se conhecem j
ff tem mais calor que os quadrupedes de tres aquatre graçs », .>

da Saúde dos Povos, 1j
Taôbem todas as materias apodreçendo, ou
podres, como saô os excrementos dos animais,
t as suas partes , todas as matérias vegetais
apodreçendo , e podres , expostas a o Ar livre
transpiraô continuamente , e em mayor quan
tidade do que as substançias incorruptas.
Deste modo vemos que todos os corpos
transpiraô mais ou menos a proporçao do calor
que tiverem; e que todos estes vapores e exha-
laçoins fícaô depositadas na atmosfera , que
ferve de amazem universal a o nosso globo.
S- II.
Segunda causa da elevaçao dos vapores , e cxJia-
laçoins.

Os ventos alem dos muitos benefícios que
cauzaô a todo o globo terraqueo saô os segun
dos agentes da evaporaçao dos líquidos , e dos
solidos. Pello vento conheçemos hum movi-
jnento do Ar impetuozo , o qual dilatandose ,
passa de hum lugar mais apertado , para outro,
a donde fe estende com mais facilidade.
Podemse contar tantos ventos como ha de
graos no Orizonte : em favor dos marinheiros
se determinou oseu numero a trinta e dous :
mas como neste tratado os consideraremos fa
voraveis , ou contrarios a Saude , seguiremos
a divisao dos ventos cardinais : saô o Oriente ,
Sul , Occidente , e Norte , e vulgarmente Nor
te , Sul , Eeste , Oeste.
Se em todo o nosso globo naô houvesse mon
tanha alguâ , e que todo fosse coberto de agoa
naô haveria mais que o vento Leste , ou do
Oriente. Mas o nosso globo tem muitas irregu-
Jaridades^ na quella medida. Nelle se levanlaô

mas para os conhecer melhor necessitamos de conhecer toda a forte de vapo res e de exhalaçoins. juntos com os varios terrenos.. ou da terra . e exhalaçoins levará consigo. Quando qualquer vento pasta sobre o mar . altas ferras . ou se alimpaô por este movi mento impetuozo do Ar. a sua veloçidade he de correr o espaço de 24 pês em hum segundo de tempo . ou sulfu reas . estes obstaculos a o vento do Orien te. Abaixo trataremos da cauza dos ventos e dos seos effeitos . que vem a ser 216 braças em hum minuto. ebarre as suas atmosferas parti culares : como cada corpo trans pira sempre . O vento agitado leva os vapores e exhala- çoins para lugares mais distantes da quelles de donde sahiraô . ou a o fol : com o calor se adelgaça . que o vento leva comsigo e as depoem no Ar por ultimo . Mas a quella agoa convertida em vapores fica depozi. rochedos . deste modo todos os corpos ou se diminuem. lago . a sua cauza . ou do mar produzem a varidade de ventos . arvoredos dilatados . e quantas partículas dos vapores . quando he ja bastante mente forte . que observamos . e rarefas a hu midade . CAPITULO' . e està rodeado de particulas humidas . Podese ver a violençia deste liquido. e com agitaçao se dissipa logo. » Da Conservação montes . e exhala çoins . ou rio . tada no Ar : do mesmo modo vemos se levanta a poeira nos caminhos. começa mos afacudilo e movelo diante do fogo. e que reduzimos a quatro principais para milhorintel- ligençia do que trataremos. Quando queremos en xugar hum pano molhado de pressa . ou outro qualquer corpo sacode . e a donde fica por ultimo. arvoredos .

e volatis . . A alteraçaô he . instrumen te da natureza pello qual se renovaô as obras della . . hum corpo vi- vente ou vegetal podre perdeo a vitalidade . se»defvaneçem no Ar . é corrorripeose. e corrupçaô. huâ maçaâ alterada . mas começa a apodre- cer. porque fallando com propriedade silosofica de via fer podridaô. a corrupçaô presupoem a destruiçaô da forma. pello qual se dis solve o corpo . e hum fal volatil alcalino caus- ( 1 \ Baço deVerulamiosylva sylvar. outro fica em feu lugar ( 1 ). A podridaô he o segundo . A podridaô he hum movimentointestinopara o exterior . e a geraçaô de outra . a cor rupçaô se segue . gerandofe ó mao cheyro . continuou com vigor. quando hum corpo apodreçeo . e as partes delle mais activas . IV. 17 « JL çaô . dizemos que a agoa se corrompe quando nella observamos insectos novamente gerados . que he o mesmo que dizer . * dd Saúde dos Povos. ou to- cada .oprimeiro graò da destruiçaô de qualquer corpo . naô està podre . huâ pèra . podridaô . cent. Neste sintido he que muitas vezes se achará neste tratado esta palavra corrupçaô . Pella fermentaçaô e podridaô se desfazem e defvaneçem todos os corpos : mas a fermen taçaô he huâ operacaô puramente do artificio dos homens : a podridaô he o único . mas naô està corrupto . a podridaô preçedeo . ou peripheria .

tom. os corpos incorruptos das caravanas. que nunca apodrece . como as mumias . l8 Da Conservaçaô tico . da cera . II . ou area sequissima. ou no fundo da terra . No vacuo da pompa Boyleana nenhum corpo apodrece . o Ar de Cusco no Reino do Peru he taô seco e frio que seca a carne como se fosse pào. se obranco dos olhos se untar com huâ gota deste sangue os inflamará . acre. ou fica alterado . e o calor seme-: lhante à do mes de Mayo . tom. Os Tarta ros secando as carnes postas entre a sella do Ca vallo a secaô de tal modo . nam se sintirá dor nem ardor. I \ )Rtíuv( 4* Voyages au J%rf. 79. a dor fera picante . e ingratíssimo : destilese este (sangue sahe hum espirito ardente <jue se infla ria . vem salino . cheyro . fera no toque semelhante a o leite : fique exposto a o Ar por finco ou seis dias no. As carnes secas . e violenta . e os cadaveres in corruptos ( 3 ). I. De baixo de montes de area seca em Africa se conservaô . mes de Mayo . que nellez perecerao ( 2). O frio extremo de Spitzberg a setenta e nove. e o.e oitenta graos lat.Rou«n 1716-. ou em calor semelhante a o deste mes. do azeite . e rodente : a humidade . saô as condiçoins necessarias para se gerar a podridao. pag. tom. ou podre.fy ' . ' . e hum sal volatil alcalino. e deste modo preparavaô as provisoins de guerra como refere Gàrcilasso de la Vega ( 1 ). Qualquer corpo vegetal ou animal gelado naô apodrece . e rodente . í 1 ) Historia dei Peru. fumadas » ou embalsamadas nunca apodrecem. nem metido dentro do mel . untese obranco dos olhos com elle . conserva o paô . mas tanto que se degela . fetido . jl) Toyages de Shaw. Ponhase a o Ar hum prato de sangue ainda quente sahindo da vea do animal .

a podridao que contrahir naô fera taô fetida. remedios os mais soberanos contra a podridaô . quente . e puzerent dentro de hum barril bem tapado . semen tes . e ficaô por ultimo algumas partes solidas . e pegá fogo. ò naô ventilado apodrecem ordinariamente : a mesma madeyra molhada muitas vezes e outras tantas fecandoa vem a apodrecer mais depressa. seca-1 los e enduíecçlos » embalsamados he q mais Bij . Pouco . jO feno ainda húmido posto em rolheyros . e do calor semelhante a o da primavera . da Saúde dos Povos» i£ Àsomese hum boy ^ fique exposto à © Ar do mez de Abril ou de Mayo . a pouco se vai exhalan- do tqda a quella corpulençia . e com o fumo das chemines . se desvaneçe no Ar. e por ultimo arde . ' As carnes nos fumeiros perdem toda a humi dade . em poucos dias rebentará. e o acceío do Ar livre . Todas as plantas j arvores j frutos. deste modo lè confervaô por mui tos annos em quanto se conservarem assim se cas. e os ossos por ultimo hé tudo que deixaô. em vinte e quatro horas começerá a inchar o ventre. naô apodreçerá taô de pressa . nem taô acre. Por essa razaô todas as carnes destinadas para as provifoins deviaô ser bem sangradas. limoins . As mesmas azedas . e laran jas bicais . exhalafe com o fogo . Matese outro boy . he necessario impedir a humidade . se os machucarem . bem acalcado apodreçe . Do referido se ve claramente que para per severar os corpos da podridaô. apodrece rao. e degolese exponhasedo mesmo modo . encerrados em lugar humido . e hua pouca de terra .

10 Dd Conservacaô certo remedio . e de carvaô existe hum vapor taô venenozo que mata em hum instante : os mineiros experimentados eri- traô na quelles subterraneos sempre com huâ vela a cesa . s * . cobre . tom. e malignas que taôbem acabaô do mesmo modo. 1714 . Lond. se logo que sahir da vea se puzer a secar no calor da agoa fervendo . e sua elastiçidade . e sobre tudo vintilar . I. Assim a humidade. o Ar temperado continuamente. e pello pezo do Ar . '( a ) Thevcnat. apo- dreçerá facilmente. e Abri4f sèment Philoíophical Transact. pag. Voyages . . II . Do mar se levantaô exhalaçoins semelhan- tes. e principal- ( 1 ) Joan. e fumo taô imíìipporta- vel . tanto que começa a encurtaríe a ílama em forma de globo tornaô para tras . vol. dissipasse toda a humidade . se temerariamente vaô a diante morrem ( i ). como ve-r remos em outro lugar. nem as pe- dras : dissipaô-se e disfazem-se pello calor . O mesmo sangue que vimos alïïma apodrecer taô depressa . .! . No anno 1630 perto da Ilha Santorini lançoit o mar fora hua immensidade de pedras ponçes com ruido horrendo . Nas minas de chumbo . vem duro . fetidas . Vimos de que modo apodreçem os viventes . Caii de Ephemera Britanica . .he o agen- te principal da podridaô : por essa razaô naô vemos que os metais apodreçem . e como desfeitos em exhalaçoins se desvane» cem na atmosfera : veremos agora a variedade das substancias podres . que muitos morreraô de febres pestilen- tes : a prata mudou de cor . e os mais me lais ( 2 ). conservar seha incorrupto por mui- tos annos : se o mesmo sangue se desfizer na agoa . e se expuzer outra ves a o Ar livre . O Ar no fundo des poços sujos .

cap. Schenkius . quanto os calores forem mayores : entaô infectaraô o Ar que po dera cauzar mcsmo a peste. e de infinidade dellas se podera verLeonardo de ca- poa no feu raro livro de Mofete ( 2 ). ií mente perto das latrinas . da Saúde dos Povos. cahent em febres pestilentes . 1733 . Temos mostrado que na atmosfera naô fo fi- caô todos os vapores que se levantaô da agoa . a transpiraçaô da varia sorte de animais . pag. das Scienc. e cavernas que mataô todos os ani mais emhum instante . lib. e os feus danos. St. II. Masjamostramos aquantidade de corpos se convertem em exhalaçoins feitas por està operaçaô universal da natureza taô contraria a conservaçaô da vida. tanto mais de pressa apodreceraô os cadaveres .- Em muitos lugares da Natolia e principal- mente da Italia sahem exhalaçoins de muitas "fontes. e a sua quantidade se veraô por todo este tratado . da Grota dd cane . a donde se deraô batalhas . Todos fabemque os habitantes vezinhosdos campos . London . mais ainda das plantas : temos mostrado a pro- digioza evaporaçaô da terra . e exha laçoins naô faô taô noçivas ainda . ( I ) Histor. em quanto naô apodreçem. estes vapores . cobertos de animais apodrecendo. obser vât. e taôbem em Arbuthnot ( 3 ). de suffocatione. Acad. aquellas que se sentem quando se passa pellos lugares immundos . 17. vem taô pestilente que mata a quem o respira . an Essay concerning the essects of Ai» inhuman bodieS. ( 2 ) Lezzione intorno alla nature de Mofete in Napolí » 16Í3 » 4°- ( 3 ) John Arbuthnot . milhares de cazos confirmaraô estas funestas experiençias ( i ). Biij . As exhalaçoins que fayemquando se abrem as sepulturas . 1716. faô as mais pestilentes.

e as serras . perto das Ilhas Molucas . e quam rapidamente correm tantos es paços. e seis mezes da outra como se expe rimenta no mar da Arabia . pellos nomes que dissemos a sima vento do Norte. Agora trataremos. Por que o fol aqueçendo o Ajimjrudiatçi . que chamamos ventos gerais : ventaô do Oriente para o Occidente entre os tropicos. A terçeira saô os ventos variaveis que ordinariamente se observaô na terra . . de Leste . e destes a primeira saô os ventos conf iantes . e os seos danos. nos mares da China e do Japaô. A. e da sua irregularidade saô ararefaçaô do Ar cauzada pello calor do. e ef- feitos quanto nos for neçessario para compre- hender a salubridade do Ar.1% Da Conservação* CAPITULO V. ventaô seis mezes de huâ parte . e arvoredos que se leva ntaô sobre a terra. e da sonda . no golfo de Ben gala. do Sul . que so haveria o vento do» Oriente. Dos ventos . da sua natureza . ou hum globo perfeito de agoa . e dos seòs effeitos. càuza dos ventos. Ja dissemos a sima que se fosse perfeitamente esferica . que ficaô na a{jnosfera . A segunda saô periodicos . e se chamaô Monfoìns. ali vimos que naô saô mais que hum Ar agitado violenta mente. e de Oeste. rochedos . e uniformes que ventaô sempre do mes mo lado . sol. Tres sortes de ventos conheçem os navegan tes respectivamente a os differentes tempos do anno . e das exhalaçoins-. Vimos assima que os ventos saô huâ da» cauzas da elevaçao dos vapores .

pezado e comprimido . por agora basta saber que do mesmo modo que en tra o Ar em forma de vento pello postigo do forno . vai com força restableçer o equi» librio perdido pello calor do forno. e que igualmente o Ar menos quente vem a encher aquelle lugar para fazer o equilíbrio . pre abusear e a encher o Ar adelgaçado e quentej © que conheçemos pello nome de vento ou vira çao. e subtUizado estando contiguo a aquelle fora do fornô . Toda a difierença que se observou ater Biv . que vemos caminhar em ondas : resistem lhe os mesmos bordos . Movemse as agoas para os borcos do tanque . e como o sol se move acada irWante rapidissimamente . perdeose a igualklade delle pello golpe. e fique nella hum postigo aberto . deste modo con- tinuaô ate que fique toda em equilibrio : arde hum forno com fogo violento . que nas grandes latitudes do Norte . que he frio . que fica detras do sol vem a cahir e occupar aquelle lugar mais quente. como se foffe vento : por que o Ar dentro do forno adelgaçado . ij debaixo delle o estende . da Saude dos Povos. da qui vem Siue no mesmo tempo tanta parte da atmosfera e aqueçe e se adelgaça . ou do Sul. mas mais subtil e ligeiro mil vezes : lançamos huma pedra em hum tan-» que. este movimen to rapido he o vento . e mais raro . fechese a porta . por que o Ar he hum corpo fluido como a agoa . e o adelgaça : o Ar mais frio . Abaixo ve remos o uzo immense desta lei da natureza . e mais denso por consequençia . e torna a agoa a cahir na quelle vazio que ses a pedra . Os ventos entre os tropicos saô mais cons tantes . veremos que por elle entra o Ar taô violentamente . a sim o Ar frio da atmosfera vem sem.

TraUti de Physique . Paris.Est e do Sud-Est. que chamamos Tornados . II. no tom. achando obstaculo nas montanhas . Ve- jaô se os Autores allegados abaixo por aquelles que quizerem instruirle desta materia mais am plamente ( 1 ). Vi mos a sima que na atmosfera le contem todos os vapores e exhalaçoins que se levantaô do nosso globo : e que cada corpo ou vivente . e que quasi todas as naçoins mercantes adoptarao este nome. Troai Mi rmtf . serras e arvoredos . e geralmente mais violentos : por que aquelle vento geral do Oriente para o Oc- cidente . Dcflandts . Depois dos trinta e tres graos latitude dp Norte ate oitenta e quatro os ventos saò mui varios . Transact. e qualquer Ar agitado barrem. que levava : como toda a terra està formada com estes obstaculos em todas as dimençoins .ï4 Conservação gora nos ventos gerais he ventarem do Nord. e saco dem aquellas atmosferas particulares . 1756 . e deste modo renovandose o Ar conservaô o seu estado todos os que transpiraô. Todos assentarao ategara que o movimento he o que preserva as agoas da podridao : do mesmo modo que a çirculaçao do sangue no ( I ) Philosophie. in S?*. Mas os navios que navegaô perto da costa da Affrica depois do deçimo grao de la titude para o Norte experimentaô ordinaria mente calmarias . da qui provem a diver- sidade dos ventos que experimentamos nella. reflecte para a parte o posta do curso ou corrente. n«. 1976321. e ventos taô inconstantes que em hum quarto de hora observtfc toda a sorte de ventos . oit insensível tem a sua atmosfera particular : os ventos . . Veremos agora os effeitos dos ventos tantos na atmosfera como nos corpos particulares.

e mu dança da transpiraçao he que consiste a conser vaçao dos corpos. deste modo morre . e por tanto apodreçe : se hum homem tivesse a cabeça dentro de huma talha . e por tanto morreria antes do que a circulaçao aca basse. outro puro vem em seu lugar . Effays . a8j. he a que lhe conserva a vida» Mas he falso : a agoa no poraô do navio he agi tada continuamente . e aquel- le Ar embebido com ella . e oleozas para evapora rem .. mas taôbem ajustada a o pescoço que o Ar da quelle vaso naô tivesse communicaçaô al guma com o Ar que o rodeava . e naô morrera .só ( x ) Statical . que naô serve mais que para adel gaçar as partes que haô de servir a nutriçao e lançar pello bofe e pella pelle o superfluo . e os ventos barrem e alimpaô aquella transpiraçao . o Ar respirado muitas vezes fica incapaz de barrer e a limpar as particulas podres que se separaô no bofe . j . pag. naô lhe bastavaô para respirar sem can- sasso meyo minuto . . o Ar agitado . e por hum inteiro sem pe rigo de lossocarse. de que consiste o seu bafo o matarao .cap. e exhalarem . Deste modo se ve claramente que o movi mento das agoas naô ferve que para adelgaçar as partes grosseiras . he força que morrese em mui pouco tempo sossocado. da Saude dos Povos. e este o respira muitas vezes : as particulas po dres . ±j corpo humano . mas porque o bafo que sahio do bofe ficou no Ar . Estevao Hales ( 1 ) observou que respi rando com a cabeça dentro de hum vaso que continha setenta e quatro polegadas cubicas de Ar . e neste movimento continuo . Do mesmo modo o homem que se soffoca dentro da quelle vaso naô he porque lhe falte a circulaçao .

ou o Ar agitado barresse aquellas particulas . e todos esses se. desfazem em chuvas. A atmosfera dos lagos . e de exhalaçoins : tantos animais mortos neste elemento . mas prinçipalmente pellos ventos . e fogos . e paules j ou feitos por enxurradas dos caudelofos rios . em re- lampegos . e rayos. ê os rochedos de dia tem mais calor que o Ar junto delles : de noite tem mayor frio taôbem . tantas exhalaçoins ge radas dos bitumes . Estes sempre retem mayor calor e mayor frio que a atmosfera : no estio as montanhas . e os arvoredos. que dissipaô e alimpaô da sua superficie imménsidade de ma» terias podres .t6 Da Confèrvaçaê o vento . relampe- gos . he força que apodreçesem se naô se desvaneçessem estas exhalaçoins impellidas dos ventos. sempre mals quentes que a mesma agoa. formaôse nuvens . Logo as agoas do mar se conservaô incorru- tas . Deste modo he que a atmos fera vai reçebendo toda a forte de vapores e exhalaçoins ate que nella se ajuntaô em tanta quantidade que se desataô em chuvas . ou pellas agoas salgadas do mar. naô so por aquellas regradas marés . charcos . formaôfe fumos . se naô fosse sacudida e ventilada pellos ventos causariaô a mayor. trovoins e rayos. chega a atmosfera agitada pellos ventos . . condensaôse. podridao. carregada de vapores e exhala çoins batem contra as montanhas e arvoredos mais frias de noite do que oAr. que nelle se contem . e outro fresco e puro viesse no seu lugar para continuar na mesma operaçao do primeyro. O que determina mais de pressa alimparse a atmosfera delles saô os montes. tan tos e taô vastissimos animais que transpiraò continuamente .

como tambem os relampegos os trovoins movendo e sacudindo o Ar . e os montes conserva ô mayor calor . da terra cuberta de montes pedras . metais . outros corpos mais densos que a agoa naô se levanta tanta quanti dade de vapores . do que o Ar. de ve rao os fintimos quentes . como da superficie do mar : . e a agoa. Vimos a sima que os corpos retem o calor e o frio a proporçao da sua densidade. podridao do Ar : elles saô cauza deste circulo admiravel pello qual se conserva a natureza. e começa aventar de* pois do meyo dia : no Inverno tempera o Ar e o fintimos quente e humido. mas taôbem para for marem as chuvas . e trovoins . A cauza he como ja dissemos que no tempo do estio a terra . os vapores que se levantaô entaò della pareçeraô frios a quem os respirar no con tinente : do mesmo modo no Inverno a terra e os montes saô mais frios . que o Ar e agoa . e os vapores que desta se levantarem se sintiraô quentes por aquelles que estaô na terra. Ainda que por sua natureza nenhum vento seja quente ou frio . os relampe gos . os orvalhos . ' Todos os ventos da terra saô secos . %j Mas as chuvas alimpaô o Ar e o depuraô das particulas podres . à cada hum dos quatro cardinais damos alguâ destas qualidades. e de Inverno frios : as mesmas cauzas a sima referidas mostraô a evidencia destes effeitos . e no Inverno quente» Em Lisboa o vento do mar depois do mes de Mayo refresca . deste modo os ventos naô so servem para barrer as particulas podres de tudo o que se exhala no nosso globo . o puri- fiçaô . O vento que vem do mar sempre he humido : no tempo do estio o fintimos frio. da Saude dos Povos. que consomem e dissipaô a . e.

da qui vem que experimentamos em Lis boa os ventos de Castella no estio ardentes . hade conservar mais calor no tempo quente . Como a terra he corpo mais denso que a agoa . barrendo as exhala- çoins que delles se levantaô ( i ). tomo das suas viagens ques os ^ne vaô de cayro a sues . e de Vizeo o vento do Sul he frio e seco . por seco e quente . 2S Da Conservação os ventos que levarem estes vapores parecerao secos. e o Ar . por que vem da terra : mas nas comarcas de Pinhel . como aquelle do Occidente por sima do mar. ou Perfí- cana ordinaria ques dizer vento pestileate . Tratou esta materia exceU . Assim os ventos tem as qualidades dos vapo res e dos lugares por donde passaô . e que sepulta as vezes carava nas de 6000 homens principalmente da quellas que vaô a Meca : chamaô a este vento Samyel. por que vem . todo o anno co berta de neve . passa este sobre a ferra da Estrella . ( I ) Refere Thevenot no 1°. { 1 ) Levinus Lemnius de miraculis occultis naturae. ltntemente. cap. . e conforme for a situaçao assim conheceremos a qualidade do vento ( 1 ). e mais frio no tempo de Inver no . O vento Nord- Est . affim o vento leva consigo as qualidades do terreno por donde passa. «taô ibffocantes que impe dem a respiraçao : augmentase o perigo pella immensidade de área que se levanta em nuvens . III . que em lingoa Tartara. ou que viajaô pella Arabia . 8°. 1 574» Antuerpiae . Conhecemos em Portugal o vento do Sul quente e humido . j. lib. encon trao as vezes ventos taô ardentes . e no Inverno frios. e do Oriente . e toma a sua qualidade : assim os ventos teraô sempre as qualidades dos luga res pellos quais passarem .

Perto das Ilhas de Cabo verde todos os na vegantes sabem se gera no mar huâ sorte de erva . Vimos affima quam potente seja a humidade . e por tanto espaço . Brazil . cubertos de altissimos arvore dos . que chamaô Sarguajfo em taô grande quantidade . e Junho . e a mais hú mida . costa da Mina . logo fera facil persuadirse que na quellas terras as enfirmida- des teraô todas a origem desta qualidade ad quirida. ou fedo . as vezes sepa rados por lagos : vese claramente que deve ser a sua temperatura a mais calida . CAPITULO VI. âa Saúde dos Povos. que retem muitas vezes o curso dos navios . se naô fosse por aquelle* . Moçambique . Mayo . e o calor para gerar a podridao . ENtre os tropicos estaô sitas as colonias de Portugal depois das Ilhas de Cabo verde ate a China : aquellas mais habitadas saô as do Marahaô . saô cortados por caude- losissimos rios . bordados todos pello mar . os dias saô por todo o anno quasi iguais as noites . niais tarde . se as velas naô fossem cheyas de vento : esta immensidade de vegetais pellos calores continuados vem por ultimo a apodrecer : levantaôse delles pes tíferas exhalaçoins que fazem taô mal sadias aquellas Ilhas : e se riaô fosse pellas chuvas con tinuas desde o mes de Abril. e na índia : nestes sitios o calor he continuo . Efeitos da temperatura do Ar entre os tró picos. Angola . de todas aquellas que o sol allumea.

quando as agoas entraô no alveo dos rios os campos ficaô cheyos de charcos . ficaô nos bordos .: alem destas continua-* <las chuvas ate o mes de Agosto . Mas infinidade de rios menores entraô por todos os lados nestes principais nomeados : com as continuas chuvas depois do mes de Março todos fahem do seu alveo . e rayos. . e en tra no rio da Prata. 146 . pag. tom. edieaó <fy . Mas estas inun-* daçoins naô faô simplesmente de agoa . que ventaô do Sud-Est. dos quais os mais famozos con- heçidos saô o rio da Madeira . inundaô muitas terras a roda a distancia muitas vezes de tres e quatro Iegoas. Entra pellos domínios de Portugal na Ame rica hum dilatado . AustraL. e outra parte dila- tadissimos rios .3O Da Conservação ventos eerais . e consideravel ramo da ferra CordilUra na altura de 22 graos lat. Francisco que corre quasi do Sul a o Norte. levando o curso do Norte a Sul . o clima he in constante. por todo o anno chove. e o segundo no de Guanapu nos Esta dos do Marahaô : os dous rios que naçem no Brazil de huâ e outra parte desta ferra . a o> Nord-Est. ( 1 ) Histoire dtt Voyagu . hum he o de S. ninguem poderia viver por muito tempo na quelías paragens ( 1 ). como todas levaô comsigo immensidade de arvores . mesmo no dia mais sereno \ o ceo tempestuozo com tor- voins . com o calor apodrecem . juntamente com immensi dade de peyxes e animais terrestes . e dosTocantins : o primeiro vay cahir no dilatado rio das Ama zonas. continua Sud-Est ate quasi a Capitania do Espi- rito-Santo : naçem de huâ . III . relampegos . e o outro da parte opposta chamado Paraná .

t| jnorrem nelles os peixes . e os orvalhos taô ' corrosivos que geraô bichos nos vestidos . tudo se inunda de hnâ e outra parte : ficaô as dilatadas prayas cober- tas de infinidades de peyxes . »<$>ts &í loçis ërasili* . Desta podridaô provem aquellas febres pes- tilentes . pellos ardores do fol tudo apodreçe. Da melma origem vem outros males taô communs a todo O Brazil . mais (a fubtilizaô cada dia ate . . que todos vem a apodre- cer . e outras molestias vulgares. «xperiençia quotidiana o naô ensinara . geraôse entaô immen-» . B>t 1 1 dj A^ie . se os fechaô antes de secaremse . I. no reyno do Congo . eGuayazes. insectos . Na costa de Guiné . e exhalaçoins podres se defva- «eçe na atmosfera ( î ). Cuyabá. e o Quança : chove nellas depois do oies de Abril ate Agosto . Aquelles. He tal a immensidade de exhala çoins podres com que a atmosfera esta carre- gada . sida de de insectos . toi. que chamaô carneyradas nas minas do matto grosso. o Zaïre. com os corpos dos mais animais e vegetais . animais terrestres . como saô os insectos mais noçivos a Saude . e vegetais . e como o calor he quotidiano . se a. e taôbem a morte. he que o mesmo orvalho gera bichos nos corpos da quelles que dormem descubertos a o sereno. que muitas vezes se observaraô as pri- meyras chuvas vermelhas . e o que parece incrivel . que tudo convertido em vapores. cap.' Amste- ^daiw . que se expoem nûs debayxo da linha equinocial as primeiras chuvas contrahemhuâ forte de sarna çom comichaô intoleravel. Com pouca diffe- ( I ) Guilhplmi Pesonis de utrtusque Indise libri IV. daSaudedosPovos. . era Angola atravessaô aquellas terras multidaô de «os dos quais os mais caudelozos saô o Quilla.

e pellos calores continuados se gera a podridaô da atmosfera ( i ). pellos ventos saô impellidas contra as montanhas . atmosfera està carregada de vapores . lib. e os calores ardentes . saô osTemedios com que a natureza sas aquelles lugares habitaveis. os trovoins . d . Lugd. pois que tanto contribuem para a conservaçaô do Universo. VI . I . e na Ilha de Java . como se persuadio a antiguidade . e de orvalho : alimpasse deste modo o Ar da podridaô que tinha : alem deste primeiro modo . 9% . pello feu proprio pezo os vemos ca- hir na forma de chuva . & seq. naô so para admirar a summa Providençia . tom. suspeitando os ardores do fol . Alpinus de Medicina jEgyptior. mas taôbem para saber imitalos . relampegos \ e rayos : os ventos constantes . cap. p.31 Da Conservaçaô rença se observa a mesma podridaô em Sofala í Monbaça . 2)'Prosper. Tanto que a. as mesmas en- fermidades geradas pella mesma cauza ( 2 ). e a immensidade das exhalaçoins aromati<- cas . . Se a natureza naô tirasse della meímo o re- medio seriaô aquelles lugares inhabitaveis . os abundantes orvalhos . '. a donde a humi- dade cauzada pellos muitos rios . As grandes e continuadas chuvas . e as vezes furio-* zos. Discorramos de que modo prodns a natureza estas operaçoins . mas a podridaô que se gera cada dia seria a cauza da destruiçaô de todos os viventes . 386. e charcos . 4S. . a atmosfera cheya de exhalaçoins ou proçedida das materias sulfureas. ou podres . se no mesmo tempo naô se dissi passe. e os arvoredos : as noites entre ÍI ) Histoire des Voyages . Ainda que o Egypto fique fora dos tropicos se observaô pelas inundaçoins do Nilo . Ba- fcv.

e das exnalaçoins . tanta mayor será a quantidade das chuvas. e oí arvoredos o scraô muito mais que a atmosfera : tanto que chegar perto dellas . Assim a atmosfera menos fria que as montanhas de noite . a humidade . e a podridao he excessiva ï vemos de que modo a natureza procura dissipar. trovoins. fecodem delle as exhalaçoins. por que na quelles lugares o ca lor . e se formaô as nuvens . hua e mais vezes ate que appareçe em gotas de agoa. como sempre està em movimento perpe tuo toca a garrafa fria . formaôse nuvens que se desataô em chuvas . dos re« lampegos . trovoins. e humidas : logo as montanhas. relampegos. e relam pegos . que se desataô em rayos» Se no tempo do Inverno puzermos huâ gar rafa tirada na quelle instante de huâ adega fria. e as exhalaçoins igual mente . 3 )' Òs trópicos como saô taô longas como os dias . e ali se apega a humi dade . mas o que em- jnenda o Ar mais que tudo saô os trovoins. como os rayos . igualmentô as trovoadas. e deste modo se desataô em chuvas . ou pello seu proprio movimento . formaôse relampegos. ou pellos ven tos. e dos orvalhos. chegando a elles a humidade se condensa. rayos. restituiselhe por . que naô saô mais que exhalaçoins fei tas em chama . pellas chuvas . saô frias . e por tantos mezes . da Saude dos PoVos. agitada e movida . e em abundan- tissimos orvalhos : quanta mayor for a eleva çao dos vapores . e alimpar a atmosfera. em huâ camera quente veremos logo muitas gotas de humidade a roda della : por que no Ar quente da camera nàda a humidade da atmos fera . Essa he a razaô por que entre os tropicos as chuvas saô taô abun- dantilîimas . se condensarao.

a nos noscada . entra no» bofe para alimpar as particulas podres que se separaô ali do sangue . e toda a sorte de especiarias : he admiravel a Providençia do Altissimo que na quelles lugares a donde se gera cada dia . entra no estomago com os alimentos . o mesmo fas transpirar as plantas e as arvores aromati cas : sabemos por experiençias certas que os aromas saô hum potente correctivo da podri dao : tantas exhalaçoins destes arvoredos que daô a canela . e humidade exorbitante. que vemos sahir em forma de bafo. Abayxo veremos o uzo destas observaçoins universais de que modo a natureza remedea a podridao da atmosfera. e cada hora a podri dao pello calor. os balsamos . a almecega . na quelles somente se geraô os aromas os mais fra- gantes . e os vegetais ."54 Da Conservação esta agitaçao violenta a elasticidade que se" perde as vezes pellas calmarias .Vejamos primeiro os effeitos do Ar puro n$ . e outros infinitos corrigem a o mes mo tempo a podridao da atmosfera. communicasse a o mais intime» ido nosso corpo pella superfície delle. CAPITULO VIL Dos effeitos da atmosfera alterada ou podre no corpo humano. O Ar nos cerca por todos os lados . Somente entre os tropicos naçem os aromas. . e grandes ca lores. e na mayor abundancia : da quellas arvores com o mesmo calor que dispoem a apo drecer os viventes .

sobem pella agoa. ftias existe nelles do mesmo modd que existe na agoa : està taô summamente di vidido que naô le mostra como Ar . sahem destes frutos immensidade de Ar : mas as substancias animais saô aquellas nas quais entra muita mayor quantidade de Ar que nas preçe* dentes : deste modo consideramos que em todos os corpos existem os elementos do Ar. com hum nabo . e naô terit delle nenhuma propriedade : se se meter a agoá na pompa Boyleana. O Ar entra na composiçao de todos os corpos . assim aquelles alimentos no estomago en- çerrados se dissolverao taô intimamente . que * Cij . logo que muitos estaô unidos formaô borbullas de Ar . de que modo entra ali com a bebidá e a comida. 3$ Cstótnago . e será maïs façil a desgestaô : entraô no estomago . Sabesse que o Ar se pode dilatar prodigiozamente pello calor . naô como o Ar que respiramos . mas nelle o calor sempre he hua terca parte ( ordi nariamente ) mayor que na atmosfera. e na podri dao . o Ar exterior que res piramos misturase com os alimentos que come-4 mos . àa Sáúde dos Povos. o azeite . como vemos se dilata a agoa . como se faz na fermentaçao . farao hum movimento do centro para a circonfereiv çia . O mesmo sucede com huâ maçaa . nem com as suas propriedades* Quando mastigamos . e o leite : logo aquelle Ar amassado com os ali mentos se dilatará no estomago : a o mesmo tempo as partes dementais do Ar que compin nhaô os alimentos se dilatarao taôbem . quanto mais mastigamos mayor quanti dade de Ar se amassará com elles . como se fervesse. começaô â unirse huns a os outros . faltandolhe o pezo dâ atmosfera aquelles elementos do Ar que naô apareçiaô .

esta he a que chamaô os Medicos chylo . naô digo do estomago . 242. igual . e horrendo a o gosto : taô activa he a minima particula de qualquer substancia podre ! Entra o Arno bofe acada inspiraçao. liquida J e espirituoza . a sua digestao o sera taôbem e por consequen cia o chylo . estas se depofitariaô no Ar : se co mer este homem. huâ adega com portas . e desta he que se formaô todos os liquores do nosso corpo y e as partes solidas. este mesmo Ar entraria no esto mago com os alimentos : mas este Ar he podre . e se pu- zer em hua panela de caldo no calor . apodre cerá todo . e a prolongar a vida e a Saude» Estevao Hales ( 1 ). polegadas a. ». . por que da terra e das paredes . Essays . A qual he mayor dès ve- „ les do que a superfície de hum homem ordinmo . esta he a que nos sustenta . » Pello que a soma da su it perficie interna dos bofes humanos he iguala 4163. nem abertura algua por donde pudesse entrar o Ar . que se auHJ g ter ij pes quadrado.56 Da Conservação se converterao em huâ nata . quadradas ou a 289 pes quadrados. todos os feos humores por ultimo rete rao aquella qualidade : se se tomar huâ linha e se passar por huâ gema de ovo podre . virá fetido . observou que a superficie interna dos bofes he muito mayor que toda a externa do mesmo corpo : todo o sangue que entra nelles fica exposto as impressoins do Ar que respiramos : alh he que o Ar fas dois esseitos ( I ) Statical . ' Supponhamos agora que hum homen vivesse em. fetido . pag. o pavimento e as paredes humidas. e do corpo do mesmo homem fahiriaô exhalaçoins continuas . he certissimo que feria humido . mas deste se formaô todos os hu mores . sem lus . e serve a conservar . e janellas fechadas . mas do mez de Mayo . e podre .

pois o bafo he a transpiraçao do bofe . elastico com hu midade. pellos quais unicamente vive mos. mais acres . a proporção do fogo elemental . e da pelle : estes saô os çsseitos do Ar destinado à resperiçaô . e apaga : vimos que huâ vela acesa* se apaga pellas exhalaçoins podres das minas que des* troem a elasticidade do Ar e encerrada em ( 1 ) A materia do bafo he taô subtil . agi tado . como. e ja mais ventilado . $f tonsideraveis . O primeiro he de comunicar a o sangue aquelle fogo elemental . que sahem dos corpos viventes. como tantos excrementos do nosso sangue . da Saúde dos Povos'. em quanto o Ar for natural. humido + cheyo de particulas podres . como dissemos assima . ou lus . a segunda absorber . porque estando ençerrado. aquela vi talidade com que anima as plantas . e os ani mais . e sacudido pellos ventos. e embeber as exha- laçoins que sahem do sangue . como o sumo ou à exhalaçaô do espirito de vi nho em flama : bafeje hum homem sobre hum espelho bem limpo . pêllas particulas podres e humidas . aquela lus . do mesmo modo Î[ue elle absorbe a transpiraçao insensível que ahe pella superfiçie do nosso corpo : mostramos a sima que a transpiraçao saô as particulas mais subtis . e he da mesma natureza ( 1 ). turvar-se ha logo : mas em poucos instantes ficara claro como da antes : mas se no mesmo espelho puzer ajpnta da lingoa ficara huâ nódoa nelle que naô se dissipara pell^Bifaçaò do Ar . Mas consideremos o Ar encerrado. W . como he ò de huâ enxovia: nelle entaô naô existirá aquelle fogo elemental . He ne cessario para viver que se separe do sangue esta transpiraçao interna do bofe . como aquelle de huâ adega . e conservarse ha a vida do vivente. e taô espirituosa que se absorbe no Ar . ou peyor ainda . Jt dissipou o bafo. ou insensiveisfe consome. e sua propria elastiçidade fará constantemente estes esseitos.

cheyo de particulas bodres naô absorberá aquellas que se separ. profanda de trinta braças. aquellas nauseas sem po- pèr vpmitar : estes saô qs effeitos da podridaô tìp sa'ng'uè no bofe . mais ou menos £gudàs conforme for a actividade do veneno . Tojjach . depois de alguns minutos comeca a observar a pulsa$aô das arterias . Da qui vem aquel- jas ançias mortais . nenhum final de vida no pulso . aquelle cançasso . cjualquer vaso . corre ò sangue gota. part. a cor da. JI. co- {neça a respirar. mas la ficava 0 primeìro) Sue. e determinouse a sangralo . logo que Ihe faltar a commu-» jiicaçaô com o Ar livre . Resolvemse os tompariheyros ir buscar o compa- nheyro. começa a assoptarlhe na boca . aquelle querer respirar . para que por èllas naô sáhùTe b Ac que assoprava . ton. e 3 b mesmo palîo a sua mesma. as terçans per- fuciozas . que«trazem com trabalho morto nos braças . V. dq Ar( i ).. tornafá aihspirar ip mesmo Ar ja chèyo dás particulas da transpi- ràçaô irilènsivel e do seii bafo . as fëbres pestilentes .dia . ^8 ' Da ConservaçaS . e no coraçaô mesmo : assim começa a peste . o escorbúto . ' ( i ) lïas' differtaçoins da Academia de Edimburgo se resert que delceraô alguns mineiros a apagar huâ mina de carraô dej pedra que ar. Chirurgiaô deytassa p fima delle .:. quai) soffocados . . Sobem logo os ulti-5 ínô? que deìcerao. tara era nátural . jjue he ô mesmo que a corrupçaô. tapando con» pua màô as vent'as do haris . aquelle fogo élemèrital que nelle existe natuíaìmente : se Hum hbmem respiras este Ar ficará privado da quella vitalidade que nelle reside : como o mes- jno Af està ja corrupto . è hao poder .adfl^B agoa depoii les com bom succesld|R'"ide cessaP^i. aquellas pungen- |es dores decabeça. a cada inspira sse} logo augmentará a corrupçaô do Ar . > au e adc .defcera. As. entaô manda esfregar todo o eorpo . a boca aberfa .' Médical Essays . mas como he obrigado reípirar para viyer. e íìcarâô nelle . p muito menos na respiraçaô. do mesmo modo se èxtingùirà no Ar ençefrado alus .aq oo feu sangue .

e agradavel dos scos habitantes : aquelles que vivem nos lugares humidos . O Ar entra taôbem pella superficie do nosso corpo . Veremos abaixo que se conheçe o. fallar . com- pacto . rir . como de qualquer outro . que entra pella boca. pezada . mais denso . Cyclopaedia .'. e ^arizes . metal o mais denso . posto dentro de hum vaso deste metal . terras al- lagadas tem a vos rouca.bom terreno pella vos clara. que conheçemos. da Saúde dos Povos. escarrar .v C iv 1 . . sorver . mas sahirá pellos poros do vaso em forma de orva- lho : quem se imaginaria que o Mercurio". e se com- primir igualmente com acoberta aforça de huâ imprensa . naô se comprimirá a agoa . Os corpos dos animais saô tantas esponjas yiventes que lançaô de si . tem immen- sidade de poros taô grandes . e engolir : todas estas seraô viçiadase diminu- tas.ar- dores de ourina. e inflamaçoins : os emplastros de cantharidas produzem ordinariamente . As folhas do tabaco pizadas d » ' ( 1 ) Charnière . para respirar mas ainda para outras muitas àçoins da vida. sonora. paûles . Espirrar. chorar . . tulïïr . vetbo Père» . que pode por el les sahir agoa ( 1 ) r Se hum vaso cylindrico feito de ouro estiver cheyo de agoa . e que sahirà em for* ma de orvalho por todos os lados ? Todos os dias vemos o Mercurio applicado a o corpo hu- mano em unçoins mover a salivaçaô . e reçebem tudo aquillo que nada na atmosfera. e igual. 3g Naô fomente serve o Ar . e pezado do que aprata . Quem se per- suadirá que o ouro . naô como Ar . afioar. que o atravessará . cauzar febre violenta . mas attenuado e des- feito pellas particulas humidas ou podres de que estiver carregada. charcos . e bayxa.

0 Da Conservação com mîolo de paô e algumas gotas de vinagre applicadas na boca do estomago cauzaô vomi tos. Todos os sais tem a virtude de atrahirem a humidade : ponhase hum prato com sal com mun bem seco . quanto mais de noite estiver o corpo esquentado. Admiremos o instinto dos na turais do Brazil para se preservarem da humi dade e do sereno da noite . ficará mais apto para absorber aquelle sereno . o calor nella será de aograos menos : de noite o calor será ainda menor . ja vimos que estas se com- densaô pello frio . como saô os malhadores. em poucos dias o sal commun virá humido . se na atmosfera existerem muitas exha- laçoins . todos ordinariamente . outro com sal tartaro . e vapores. huâ esponja .4. e o de tartaro desfeito cm hum licor que chama ô oleo de tartaro. A humidade da atmosfera tem mayor activi dade de noite que de dia para communicarse a o corpo humano : hum homem exposto a o sol no mes de Julho sofrerá o calor de oitenta graos : ponha-se a sombra . mais apto para atra-* hir a humidade : se dormirem a o sereno atra- hiraô mayor quantidade de humidade da atmos fera . e da natureza da ourina : vem mais acre . e pode dar acceîb a muitas substancias para o penetrarem ate o mais intimo delle. dentro de huâ adega fechada . do que lè estivesse o seu sangue no estado natural. Aquelles homens que se exerçitaô violenta mente. Logo o nosso corpo todo he como hum ràlo . e que de noite seraô mais activas para entrarem no nosso sangue : quanto -mais estiverem os poros abertos. e çegadores /azem o seu sangue salgado . e aquelle orvalho.

por temor dos bi chos . ou da chiminé a donde fazem a cozinha . ou dotado de algua quali dade venenoza . e com todos os liquores . ffi { j ) Statjcal . 1731 . Sciene. entra a humidade pura . Pellas experiençias que referimos a sima . e na China da peste. Mémoires . da Saude dos Povos. taô abundante . p. Petit ( 1 ) &Reaumur ( 2 ) observaras que o Ar se absorbe e amassa com a agoa . ( I ) Hist. p*ge première. e naçoins seme lhantes dormem nas hamacas sempre com fogo de bayxo . porque na quelle dilatado Imperio nunca se observou este temendo flagello. e serpentes venenozas : a experiençia lhes mostrou que so dormindo levantados da terra . 173 1 . 41 se persuadem que os tapuyas . como por carta do Illustrissimo Bispo-Polycarpo de Souza fui instruído . . Effays . cap. ou infectada do Ar : saô taô pequenos estes poros. Acad. os lavradores . MM. chamados dos Medi cos veas bibulas . l8l . e taô constante em toda a Ame rica Meredional : em Pekim todos dormem em sima do forno . humido. se forem salinos : fica entaô nelles como parte constituente : se o Ar for podre . p. e pellos lados . na pelle humana se obser- vaô poros pellos quais sahe a transpiraçao s e por outros semelhantes . e villoins em todo o dilatado Imperio da Russia dormem do mesmo modo : por esta precauçao se livraô de muitas queixas . com fogo continuo podiaô conservar a Saude dissipando a humidade da atmosfera . j. que Lewenhoek observou com o microscopio . o liquido a donde entrar he força que adquira aquellas qualidades. & annO I74J . Estevao Hales ( 3 ) observou por repetidas experiençias que as plantas embebem e chupao de noite a humidade do Ar. ( 1 ) Ibidem .

efe movem os homems : destetrataremos agora naô fo no Capitulo feguinte . Acad. todos ficaraô nella. mas por todo estetratado. CAPITULO VIII. Da influençìado Ar corrupto na conjlituiçaô do corpo humano . . e do estanho. mostrava çento cin- coenta mill poros : por esta infinidade he por donde sahem as exhalaçoins . M. e vegetais que apodre- çem . Sçienç. e apodreçeraô defde a creaçaô . entraô em forma de fumopor elles a humidade . e de noite . Bouìllet ( i ) mostrou a cauza de muitas doenças observando fomente as varias altera- çoins do calor.41 Dcl ConservacaS que o espaço da pelle humana coberta com hum graô de area ordinaria . e as exhalaçoins da atmos- fera. outros a donde o ferro o mais polido fe enfer-j ( i ) Hist. Hafitios que exhalaô tais vapores que mudaô a cor da prata lavrada . como no tempo do sono . TOda a fuperfiçie da terra de altura mesmo de alguns pés consta totalmente de materia podre : tantos animais . ou comprimindosse alteraô consideravelmente a nosta Saude : mas poucos foraô os Medicos que consideraraô osi effeitos do Ar podre ^ fuffocado no qual respi- raô. considerando os effeitos que produziaô nos elementos do Ar constituentes dos nossos humores : estes dilatandofe. e do pezo da atmos- fera. e das doenças que rem apadeçer. ou quando estamos mais deseansados. do frio .

putredinis effectrices. íita debaixo da li- nha equinoçial . 183 & 184. çtun Prpsperi Alpini 4e Med. da SauJe dos Povos. escrita pello judiçiofo Medico Bontius ( 1 ^ como taôbem da temperatura do ( I ) De Medicina Indorum . e produzem effeitos differentes . a vivaçidade . tum propter stagna . Temos a historia das doenças ordinarias da Ilha de Java . qua. in <|ei . as inclinaçoiris . . dicam propter multitudinem insectorum .. as . tem sua natureza particular : da qui vem a complei-* xaô . ac ita aërem inficiunt. Vimos assima as cauzas da podridaô : agora veremos os effeitos que produs nos corpos : a donde houver a mayor quantidade de humi- dade . e Reyno . . que fe podiaô esperar dos lugares donde chegaô . feiçoins da cara . e quç e Ievantaô da terra . da quelles . ne f. . cada distrito . Pekim a quarenta graos latitude do Norte he fria por extremo quando experimenta os ventos do Norte : pa£ íaô estes por terras e por altissimas serras co- bertas de neve . . . o que tudo provem da différente sorte de fais Spe nadaô continuamente na atmosfera . lib. tum quod calor ac „ humiditas . ». . II. ali ser4 mais violenta. elevaô configo as particulas frigoriferas. fœtidos ac craslbs . 43 ruja : as cores vermelhas . ac loca paludosa hîc frequentia. Beribery. Itaque ve'ntus hic e Continent! oriundus . ac genitrices Physicis dir oanttr . „ Aër in circumvicina n regione hic non admodum salubris existit . hinc gravedines : penetrabi- „ lis aëris natura mîserabilem illam Paralyseos speciem produ it cit'. a forma do corpo. Editiones Lugd. serio nobis cavendus est. propter subtilem ac penerrantem quali- v tatem corpus afficiunt. Ça- tiy. Vejamos agora os effeitos da grande frumidade e do calor. . asim cada porçaô della . ^Egyptior. e o mais preduravel calor .. e da sua cor . . pag. cada comarca . » dum igitur venti e montíbus spirantes . ou à estupides do natural : destas qualidades do . ^ . . venenatos vapores „ supra urbem nostram adigunt . terreno partiçipaô os ventos : levaô comfigo os vaporese exhalaçoins. e azuis desinaijaô .

deste modo se gera tal podridao . e a atmosfera adquere tanta corrosao . os que se lhe faltasem naô seria habitavel : que o terreno da Ilha he fertil . As doenças ordinarias he huâ sorte de parle- lia que chamaô Berìbery ou Bereberìum : a causa he que o corpo esquentado. o resto dq dia ardente. e que ninguem sahe fora de caza . e qu$ . e noçivos. Dis Bontius citado que aquella Ilha he extremamente humida naô so pellas chuvas de seis mezes continuos cada anno . e forte . e o mesmo se deve entender de todas aquellas habitaçoins que bordaô aquel- les caudelozos rios. como as noites . exhalaçoins taô acres . mas taô- bem pellos muitos rios com que he regada.saô insuppor- taveis . he a minha intençao mostrar por ella as doenças que devem reinar em toda a colonia do Marahaô . e relaxado a O mesmo tempo pello calor foi penetrado subita mente pello sereno da noite . que se manifestaô pellas doenças . como de todas semelhantes . os or valhos abundantissimos . ♦ 44 Dã Conservação Ar . e veremos que confirma tudo ò que temos relatado . que de tarde . e os metais se enferrujaô. que os calores depois das nove horas. a terra negra . quasi na mesma latitude taô hu mida como Java . que nomearemos logo : todo o anno se divide em duas sessoins huâ que contem o Inverno que consisté em chu vas abundantíssimas : o resto saô calores ex cessivos : mas as manhaâs. que della se levantaô . Que quando ventaô da terra certos ventos alimpaô a atmosfera . que os vestidos fechados apodreçem . que travessao os estados do Brazil. acomete aquel- les principalmente que se descobrem. e as tardes depois do sol posto saô frias . e a fazem sauda vel .

pintas . especie de catalepjis. da $aúde dos Povos. os dentes fechados . e estaô ja todas taô íìibtilizadas . e espalhadas pella at- mosfera . ou expostos a o sereno : outra infermidade semelhante reyna nos melmos habitantes . No tempo dos caíçres as diarrheas e as dysen- terias appareçem . naô longe de |Goa quanclo o vento vem dos. e carbunculos. e vomitando sem cessar ate morrer : reynaô taôbem febres intermittentes . 4| dorment com as janellas abertas . em poucas horas. lados do Occi- £ i ) WftUsfk íwk. que ninguem se pode preservar da sua violençia : no mesmo tempo reyna aquella ter- rivel e funesta doença choiera morbus na qual os doentes em poucas horas acabaô a vida purgando . por- e fo ellas tem o leite oleozo . e a margo que as mays saô o bri- gadas dar a criar os feus silhos às negras . muitas vezes se convertem em febres ardentes com delirios . 1707 1 ?. e morrem nesta convulsaô universal . que he a mesma que reyna em Goa . e mtorrem por paroti des . e doce capaz nutrir os meninos a o peito ( i ). No Forte de S. mayores estragos fazem aquellas doenças . e saô mortais . que se terminaô ordi- nariamente por hydropesias . aqual chamamos o Ar : provem da mesma cauza : £ca o corpo rigido . e immo- vel como hum marmote . e em todo aquelle reyno. e estas eom a morte . Na mesma Ilha o leite das molheres brancas he taô acre . ou teta nos dosGregos . mas de natureza taô maligna . George na India oriental na altura de quatorze graos de latit. I9í . e quanto mais a lesaô dos calores estiver avansada . por<- que os ardores do fol tem apodreçido ja todas aquellas materias das enxurradas.

em pintas . e produz semelhante podridao nos corpos : manifestasse por toda a forte d. e citar no lugar conve niente os Autores que se poderaô ler desta ma teria. e continua entre Norte eEstj entaô começaô as 'chuvas . Tanto em Portugal. e insuporta* vel . em Angola a donde inundaô tantos rios aquelle Reyno . o Ar se infecta . e as infermidades sej guem aquella temperatura ( 1 ). saô cahirem no cho* lera morbus . taô seco . que se naô fora pella viraçaô do Sud-Est depois do Meyo dia .0 febres podres . como em toda a America . e sobre tudo por dysenterias $ terminaô-fe em suores frios . pagj . logo que as materias das enxurradas começaô a apodreçer . nem vintilarse . An Estay conceraing the effects of Air . secando o sangue . depois das inundaçoins . e dissipando ò mais subtil delle . em todos Os lugares que borda o Tejo. e ainda minhas : bastará para o intento deste tratado asentar na univer salidade desta cauza . na doença da terra chamada Beribery . os habitantes naô pode- riaô viver na quelle Ar : os eíFeitos destes caj lores . Da Conservàçaè dente desde o fhes de Abril ate o fim de /uíhd j o Ar vem taô ardente . e nesta sesaô he que i-eynaô as diarrheas e dysenterias : o resto do anno o Ar he temperado . desde a meyada de Outubro ate o principio de Dezembro o Vento começa. Mas a cauza mais universal e a mais pesti- lente das doenças . con-» ( 1 ) Atbuthnot. febres com frenezis . e Epedimias saô as inunda-* çoins : se escrevesse este livro somente para os Medicos poderia relatar a qui muitas e mui par ticulares observaçoins . 4<5 . fazendo-o apodreçer por naô poder circular .

logo que a hu midade e ô calor for excessivo . como devemos em tudo . e vegetal . e rayos . carbunculos . por que de outro modo deyxand# a apodreçer cahi- remos em toda a forte de doenças. . íèm ventos . ainda que naô seja instruido na Fisica . que eseapaô a vida. quanto nos pareceo bastava para a intelligençia do que vou escrever : naô foy o meu intento escrever tudo o que se podia dizer nesta masteria . Pareçeme que qualquer . da Saude dos Povos. afim como cada corpo vivente . e que nòs imitando*a . ou animal tem a sua : e que a podridao della sabe vencer a natureza pellos ventos . como taôbem pellas exhala- çoins aromaticas . e muito mais raras por liiores abundantes . pellas chuvas. e uni versais . torvoins . mas particularmente entre os tropicos : vi mos taôbem que do mesmo modo o globo ter raqueo tem a sua atmosfera . Temos tratado da natureza do Ar. suas qua- lidades naturais ou adventiçias . raras vezes em paroti- das . humido. frio . adquere aquella de ser corrupto. ou seco. de quente . alem das qualidades naturais . devemos conservar a nossa atmosfera particular pella ventilaçao do Ar . 4^ Vulíoins . relam- pegos . Fa cilmente se comprehende que adquirirá esta ul tima logo que ficar ençerrado . e por todos os meyos que se descreverao neste tratado. porque de terminei dar somente os princípios necessarios parauzar dos remedios que proporemos contra a corrupçao do Ar. e bubons que suppuraô benignamente . compre- henderá pello que fica dito que o Ar. pella humidade . nem ventilaçao da atmosfera : vimos os effei- tos desta podridao naô so em todos os climas . e secura regrada .

e cor- rentes . que naô feja humido por extremo . humidos . que pellos do ful . e quentes . nem arido como faô os rochedos : que feja ventilado antes pellos ven- tos frios . nem pello Magistrado. Porque os habitan- ( i } PçUtKQrumjlib. poderá fer evita- ria por este meyo muitos inconvenantes . tes . n. persuadome que Por tugal tem mais neceffidade destes conheçimen- tos. e Occidente . porquetendo cada dia occaziaô de fundar novas povoaçoins nos seos dilatados dominios . Dos Jiùos mais fadios para fundar cidades . sitio que tenha muitas entradas . do que outra qualquer rìaça ô . VII . e a fegunda a sua utilidade ( i ). a donde as agoas sejaô vivas .48 Da Conservaçaô CAPITULO IX. Oíìtiomais adequado para fatis fazer estas intençoins . e carros f tanto de veraô como de Inverno . achei seria util ajuntar tu- do aquillo que li nos Autores allegados abay- xo para evitar os danos que se observaô em muitas villas e cidades . A primeira a conservaçaô dos habitantes . Aristoteles quer que para fundar hua cidade duas couzas se devem attender. e mais povoaçoins. cap. pellas quais possaô entrar embarcaçoins . fera aquelle virado para o Oriente . e muito menos pellos architectos para fundar qualquer povoaçaô . ordinariâmente. como faô os do Oriente . que necessariamente redundaraô na perda dos feos yassallos. P Orque me pareçeo que ja mars se consul- taraô os Medicos . e do Norte.

e fogo façilmente se defendem do frio : que estes lugares sempre devem fer pre- feridos a os quentes . pellos vestidos . que os ventos frios as naô offendaô. da Saude dos Povos* 49 tes pella fabrica das cazas . na intençaô que naô haja in- terfupçaô nas funçoins publicas. com agoas enchar- cadas devem as ruas fer viradas com talprecau- çaô. outras em lugares taô aridos que nem produzaô alimen- tos. em lugar que os na- çidos em climas suaves saô de ordinario oçio- zos . e por extremo deliçiozos. e robustos . negligentes . e as praças publicas . Dissemos asima que os ventos communicaô as qualidades dos lugares por donde passaô. exerciçio. e humidos por extremo . 1 1 cap. Por essa razaô as ruas naô devem ficar viradas para aquelles lugares cobertos de neve : devem as cazas reparar os ventos que dali asoprarem : como taôbem as igrejas . . que impidaô os ventos que passaô por aquelles lugares taô mal fadios. nem dem agoas* para o commun uzo da vida : taôbem em valles dominàdos de serras . porque os naturais saô fortes . Mas succede as vezes que por razoins de Esta- do he neçessario fundar huâ cidade em lugar stienos conveniente à confervaçaô dos habitan tes : talvez frio pella vezinhança de serras co- bertas de neve por todo o anno. e lagos. ma- gnanimos . ou campos alagados. e mais frequentamente em lugares bayxos perto de rios . e industriozos. 6. lib. Entaô he que a arte deve suprir estes defleî- tos da natureza : devem-fe entaô fabricar as cazas de tal modo . Tanro quanto ( íj Vitruvius . Se for preçizo fundar huâ povoaçaô perto de la gos . nem no tra- balho dos habitantes ( 1 ).

e canais pello meyo das ruas como fe ve em Toledo. que em çertos tempos tudo alagaô . e terras alagadas : accu* aiulaô a qui os ventos tantas qualidades coa-^ . quando qualquer delles ventar ferá violento. ou os vapores dos lagos . ficaô as terras cobertas de agoas torvas . ordinariamente trazem comsigo ou as particulas da neve do alto das ferras . A humidade ferá continua : os vestidos fechados se roem pella traça : as fementes nas tulhas . outros mayores faô muitas vezes irremediaveis. que por hum ou outro vento . devemfe plantar nelles tantas quantas arvores permetir o sitio : abrìr poços . e que por ultimo vem apodreçer . com regos . ou pello terreno fer de area . e inundados por rios . de cascalho ou de pedra viva . 5o Da Conservaçaô for poflivel seja a cidade de tal modo constrnida que fiquea mayor parte della exposta a osrayos do fol do meyo dia. Raras vezes fe vem valles dilata- dos fem que fejaô regados. fontes de repuxo . e tempestuozo . e ferras al- tas : as chuvas os inundaô . Raras vezes os ven- tos faô puros . e mais comidas . e felleiros fe perderaô pello gorgulho : as carnes . cascadas de agoa . Nos lugares aridos. ou pello mofo ou basio : naô havendo na quelles lugares a constante ventilaçaô do Ar todos os vapores . podres . ou em todos os lugares desiguais. os nevoeyros naô se deíîìpaô . como taôbem o paô . Alem destes incon- venientes . fazer cisternas . ou nas ade- gas. porque leva a#força de hum li- quido agitado . como fe fosse por hum cano. e peyxes naô se conçervâraô . que bordaô aquellas torrentes. e exhala- çoins lhe ficaraô por tecto. Mas nenhum sitio he mais mal fadio que ò dos valles dominados por montes .

no estio ardentes pello re- flexo do fol . apodreçeraô. que ò da atmosfera. Se nestes sitios houver bosques espessos . tem taôbem muitas incommodida- des : tanto mais humido for o terreno. e todas as doenças mortais que produs huâ tal atmosfera. as fontes faô raras . e pesti- lençiais. que dominarem a povoaçaô : da qui mesmo naçerá o Ar soffocado . os ventos regulares faô raros : taôbem as agoas seraô de ma qualidade . A corrente das agoas . Abayxo indicaremos osremedios con tra o Ar humido das campinas e campos razos . à humidade . os bichor- nos. a atmosfera será sempre humida . e se alguâ existe naôhe de propriadades louvaveis : mas as agoas da chuva naô tendo corrente . e podre. e o frio será mayor : porque os ventos traraô comsigo a nu- midade continua que evaporaô . e naô sendo ventiladas peh los ventos . e o frio . Por experiençia fei que femelhantes lugares faô infestados cada anno com febres intermittentes da peyor forte . No Inverno estes sitios seraô sempre frios . nem outeiros . As povoaçoins plantadas nas vastas campi nas . da Saude dos Povos. -yt trarias a Saude . e os fogos continuados faô os unie. fem vezinhança nem de montes nem de arvoredos . ar- voredos altos . ficaraô encharca- das. e os mesmos poderaô servir a emmendar o Ar corrupto dos valles. a donde naô ha montes .os remedias que podem remediar e Dij . e os bosques. que adquerem mayor fempre . como nos lugares levantados se diíîìpaô as»nocjvas. mais difficilmente le diffiparaô Os vapores delle : por que faltando os montes. que vier de huâ e da outra parte dos montes . com febres ardentes.

mas taôbem purificar o Ar. e secar o terreno : dissemos a fima que o Ar se mistura e se amassa com a agoa : se esta for cor rente .5A . que he tanto mais sadio . quanto elle for mais rapido. Gerase pello curso das agoas hum vento artifiçial . a coluna de Ar que lhe tocar levará o nrcsmo curso e por este movimento se ventila € se renova . quando se abre a terra a certa altura sempre íè encontrao olhos de agoa. levando comsigo os vapores . e taô abundantes que podem ser^ . està de huâ e outra parte bordado de dous cais fortiflimos . como por ser levado pella corrente da agoa : deste modo no meyo de huâ cidade taô habitada existe continuamente hum vento arti fiçial que ventila e renova a sua atmosfera e he çauza em parte da sua salubridade. e dos yzos domesticos da vida : ainda que o terreno seja seco . he força que se renove a cada instante » tanto para vir fazer o equilíbrio da quelle da cidade . Atravessa o rio Sena a populoza cidade de Paris . e os nevoeyros taifto das povoa- çoins fitas nos valles como. e como a coluna de Ar que cobre a agoa do rio he mais fria. e muitas yezes fontes . e a humidade da quelle lugar. que augmentent a veloçidade da sua corrente : naô somente re dunda em utilidade summa prevenir por elles as inundaçoins . a os rios . A corrente das agoas se adquere por canais . he neçessidade indispensavel mandar abrir canais para dar cor rente pello menos as agoas da chuva. Da Conservação Ar humido . ou fazendo tais reparos . correm as agoas forçadas com tanta veloçidade como se fossem por hum canal : os fogos de huma taô populoza cidade aqueçem e agitaô a atmosfera della . Se faltarem rios nestes sitios . nas» campinas.

e de dilatadissimos bosques . e aquelle vizinho mais frio .: Poderia fer util esta introduçaô na America prínçipalmente ha queilas povaçoins situadas Diij .de traves . agitandose . dissi- pandosse a transpiraçaô insenfivel. como dos moveis de caza. ff inr a «mitas fabricas. ou cheminé a donde co- zinhaô : secandosse cada dia os vestidos. he summamente humido. e contra a humidade exorbitante do ter-: reno defendemse fomente dormirido de veraô e de Inverno sobre as chiminés . da Saúde dos Povos. rarissimes saô os mon tes . « O scgundo meyo de remedar a os males que cauza a grande humidade saô os fogos conti- nuos. ( a neve evapora muito mais que a agoa ainda na força das geadas ) to- dos os habitantes da quelle dilatado Imperio vivem em cazas terreas. e raras saô entre elles as enfermidadeè. e rarefas o Ar . Por este artifiçio a Repu- blica de Hollanda . e renovandose o Ar cada dia pello menos huâ ves por alguas horas emmendaô a má qualidade do terreno. que dissipa. pello feu fitio . Saô robustos . e mais pezado vetn fazer eqúilibrio com elleí . vigurozos . Veneza . e se gera hum vento artifiçial . Todo o fogo attenûa . ou mui baxas. e ventila a humidade tanto dos vestidos . o terreno he humido : o que pre serva esta naçaô de muitos males he dormirem sempre sobre o fogaô . por serem feitas. e Batavia e o Im- perio da China íìzeraô habitaveis lugares. Està a popolosissima cidade de Pekim plan- tada em huâ vastissima campina : todas as cazas saô terreas . Em Russia o terreno coberto de neve por oito mezes . feitas como os nossos fornos. deste modo se agita- continuamente . perniçiosilîìmos a Saude.

e na secura : logo que houver excesso em algua dellas he força que altere a nofla constituiçaô . . com tijolo . sem embargo haver devastado todas as provinçias circumviítnhas : todo o feu terreno està cheyo de fontes. se a neçessidade obrigar seria melhor a:sobradada . nem lagea- das . ou pedra . VA.. ttmii I . basta meter hum bordaô na terra . ( i ) Vide Kemfer. se resistem mais a os ardores do fol . e alagados spria necessario viver em cazas altas . aquosos . na humidade. Seï euyque na Provinçia de Báku em Persia fìta a o Sud-Est do mar Caspio ja mais se vio a peste . e Kemfer que visitaraô estas maravi- lhas da natureza connrmaô esta relaçaô ( i ). sempre seraô mais humidas . que çhamaô Naphta . antes no segundo . e. ou carvaô feito cmpo . mos- trandolhes ja os Tapuyas o exemplo de dormi- rem nas hamacas sempre com fogo debayxo. ÍYt . quanto mais espessas . perto dellas. Rela tion du voyage d. fascicul. e as varandas deviaô ficar viradas para os ventos mais sadios . no frio . . Ha neste ponto hua regra geral : que o íìtío a donde se hade sundar a povoaçaô naô tenha qu alidade alguâ com exçesto no calor .'Adam OUarius . para começar a arder como se se puzesse em huâ formalha. Oleàrius. II. . efrios. com o fun- damento de ostbs queimados . e terras bayxas . e area grossa. o que embebe fortemente a humidade : as paredes . Nestes sitios humidos . de azeite de Bitume . que seriaô ali os íecos. mais dissiçilmente se secaô : as janellas. gerada com tal harmonia . muitas cavernas ardendo con- tjnuamente . Amœmtates Ëxoticae . e terçeiro andar que no primeiro : evitar a morada de cazas terreas . a fincallo .Da Conservaçaô junto dos grandes rios .

I . saô mais leves. dis que hua ci dade terá toda a dignidade e formosura se se fundar em sitio mediocremente levantado . çj que naô consente para conservarse . a qui os habitantes saô de boas cores . e entoada : saô mais activos e engenhozos . Hippocrates ( 1 ) quer que as povoaçoins este- jaô viradas para o Oriente . Leao-Baptista Alberti ( 1 ) pode fer o mais judiciozo Autor nesta materia . alem disto as agoas expostas a os rayos do sol logo que naçe se depuraô . a primeyra as qualidades do terreno. de bella estatura . e transpa rentes . que possa ser lavada de todos os ventos . e a sua ma qualidade ( 1 )D« Àëribus . a donde haja agoa . mas ainda para cam par : expunhaô a o mesmo tempo os fígados dos animais da quelle sitio . excessos. lib. cap. VIII » edit. e aclaraô . e quando obscrvavaô que os dos naçidos fora delle apodreçiaô em primeiro lugar ò mudavaô . Argento- fati. aquis & locis . in4« . Costumavaô os antigos expor os fígados dos animais a o Ar da quelle lugar. sect. que sirva como de Atalaya a os campos ferteis vizinhos . ( 2 ) De re sedisicatoria . 4& cap. e a segunda a bondade das agoas. e os frios feraô mode rados . naô so para fundar alguâ povoaçao. e lenha . da Saude dos Povos. à vos he clara . do que aquelles que vivem expostos para o Norte : a fecundi dade das moíheres he mayor . e parem com menores perigos. ij4i. j. tendo aquelle lugar por suspeito : devese considerar taôbem se a quantidade de insectos . antes que para o Norte . e que para se deter minar o seu asento duas couzas se devem antes ' investigar . sem sabor. antes para p Sul que para o Occidente : nestes fitios os calores . Vander- linden. suaves.

inchadas. e de sementes : a grandeza . o reflexo do fol ( I ) Plutarchus . e belleza dos homens . ( i ) I4bi I V . e a os seos semelhantes. todo de areal. No . . nisi quod putabatur aëris „ temperies veneno infecta . ç6 Da Conservaçaô poderaô impedir viver com segurança. Japaô pella minima a fronta qualquer se mata. qua de causa incertum . de serpentes . com chagas . Naô convem. ou a falta de frutos . cap. II . nos Alpes papos na garganta : mas o que he mais extraor- dinario que haja sitios que indusaô os homems a fer crueis a si . que affectaônaôsoocorpo. de formigas . fundar taô perto do mar . tom. dis Baptista Alberti ( 2 ) cita- do . a. que em breve tempo vem apodreçer . augmentar-se haô os damnos se o sitio for bayxo . em muitos Iugares do Norte a sarna . e das arvores da quelles contornos. Ja se vio despovoaremse Provinçias e Ilhas inteiras pella immensidade de ratos . <« Mils- » fias virgines quodam tempore atrox animi & absurda inceslìt „ perturbatio . cidade ou villa . & ad insaniam excitandam paiata „. t ôc cap. como taôbem dos animais . ou com codeas : em outras como em Egypto infinidade de çégos : em Cartagena na America a lepra . e o que he mais de admirar pella immensidade de coelhos. que possa reçeber delle o menor dano : pella violençia dos ventos ficaô as' vezes as prayas cheyas de limos . de virtutibus mulierum. Ha sitios infectados com ex- halaçoins malignas. Alem destes inconvenientes os habitantes seraô molestados dos olhos . Devese taôbematten- der a abundançia . mas ainda ò animo : he natural a muitas Pro vinçias terem a mayor parte doshomems asper- nas tortas . e plantas marinhas . Ali os castigos saô os mais horrendos : houve ja huma Epidemia na qual todas as moças e ra- parigas le matavaô sem cauza manifesta ( i ).

e detídas pellas cortaduras . infestarâ todos os habitan tes muitas Iegoas a roda com febres intermitten tes perniciozas . e dos regatos sicavaô enchar cadas . lib. e que as agoas do mar agitadas as vezes pella violençia . ainda ue doces de antes . I . M. e alguns tanques para guardarem peixe e tinhaô feito muitas covas : fucçedía que as agoas da chuva . cap. pag. e praças expostas para a praya. e achou que por haverem feito cortaduras na quella Îiraya . Se disgraça- damente sucçeder que as agoas do mar por al- guâ tormenta . observou com a tençaô a causa . Pitot . Mas a este intento ò que succedeo nas prayas de Languedoc he mais digno de se fazer mençaô.dos ventos vinhaô misturarse com as melmas . J . e febres ardentes da mefma natureza. e paûles . todos os officiais loffreraô este damno : a mes- ma cautela se deverá ter quando for neçessario fundar povoáçoins perto dos grandes rios . in 4e. Succede muitas vezes que pellas inundaçoins dos caudelozos rios ficaô muitos campos ala- gados : secaô-se no mes de Julho e Agosto . formaô-íe atoley- ros immenses . la- gos y oii tanques dilatados. e ( 1 } De paludibus . prin- çipalmcnte no tempo do estio e do outono . entaô se formará a mais orrenda podridaô . Devastavaô muitos lugares nas prayas do mar de Languedoc toda a ibrte de febres . e ncaô entâô muitos charcos . da SauJe dos Povos. (ienevae . earumque effluviis . entaô apodreçem . 57 dará nas janellas. Joaô-Maria Lancisi ( i ). . ou outra qualquer cauza vierem a misturarse com aquellas encharcadas . . edit. e geraô-se immensidade de inlectos. Veja-fe nesta materia o que elcreveo a quelle doutissimo Fisico morde Clemente XI.

j8 Da ConservaçaS
desigualdade do terreno apodreçiaô pellos ca
lores, que saô na quellas para^ems , excessivos :
o remedio que se propos foi o que experimen
tou efficas a villa de Aigue-Mortc fazendo hum
canal de communicaçaô com o mar que defe
cou todos os campos a roda ; e se continua nos
nossos dias esta obra digna do mayor louvor.
Vejaô-fe as Memorias da Academia das Scien-
çias de Paris anno 1746. pag. 182.
O que se deve notar de mais particular nesta
mistura das agoas doçes , e salgadas , he que a
àgoa das enxurradas ainda que apodreça , nem
he taô depressa, nem a podridao que cauza he
taô horrenda , como quando fe mistura com a
agoa salgada , e que fica encharcada igualmen
te com à doce : entaô he que produzem aquella
pestilente atmosfera, que causa febres mortais,
que ou mataô logo , ou se terminaô por quar-
tans perniçiozas , por Ictericias , por hydrope-
£as , e por cursos de sangue mortais.
Estes effeitos devem experimentar e experi
mentat) aquelles lugares perto de Lisboa ala
gados pellas agoas doçes dos rios que se de-
faguaô no Tejo , como saô ode zatas perto de
Salvaterra , e outros muitos de huâ e outra
parte : alagaôse aquelles campos no Inverno
e na primavera, ficaô as agoas encharcadas,
e misturadas com as salgadas produzem na quelle
deliçiozo clima as mais horrendas febres per
niçiozas que fe experimentaô em todo oReyno.
A vista do referido procurese quanto for pos
sível a praya a donde houver penhascos, a don
de o fundo do mar, naô for mui alto, que seja
de greda , ou de area viva ; a praya mais le
vantada quebayxa , sem rochedos asperos, que
impedem desembarcar com façilidade : que nà

da Saude dos Povos. 5 ç>
quebrada de encpstados montes se levante no
meyo delles co*m bastante campo razo para
nelle fundar a cidade , ou fortaleza ; que naô
fique dominada pellos circomvezinhos montes :
deste modo nem as vagas do mar poderao lan
çar na praya ervas ; nem matérias que apodre-
çaô , nem os vapores que se levantarem das
agoas offenderaô os habitantes , porque se dissi-
paraô antes de chegar aos edifficios. Funestas
experiençias monstraraô que ainda o mar tem
inconstancia nos seos limites : muitas prayas e
terras vizinhas foraô alagadas , como se ve hoje
em muitas costas de Bretanha em França, e
em Hollanda , e em outras o mar se retirou, e
ficarao prayas novas , o que se ve cada dia no
Reyno de Sueçia. Plataô conheçeo estas mu
danças quando a conçclhava fundar as cidades
perto do mar sempre na distançia de quatro le-
goas.
Como nos valles tudo saô extremos , ou de
humidade ou de calor, e de frio, afim as povoa-
çoins fundadas nos montes tem a violençia , ea
variedade dos ventos : se nelle ô Ar for puro ,
e ventilado , se nenhuma enfermidade cauzada
de podridao se deve temer , se naô tem a mo
lestia das moscas , moscardos , lesmas , sapos ,
e ratos com excesso, como saô infestados os lu
gares humidos e bayxos, tem perigo os traba
lhadores , e todos aquelles que vivem sempre
expostos a o Ar, de cahirem eminfirmidades
inflamatorias , como saô , esquinençias , pleu-
rizes , e todos os males do peito. Ajuntarse ha
a esta intemperança do Ar frio , seco, e ventozo,
a insuportavel molestia do dissiçil acesso , tanto,
por agoa , como por embarcaçoins , tanto a Ca
vallo , como por carros.

6o Da Conservação
Todas as naçoins conheçidas buseaô sempre
os bordos dos rios para fundarem povoaçoins :
tiraô os homems delles o sustento ; poupaô na
vegando muita fatiga , e trabalho : conduzem
para a fertilidade das terras ; e he certo que se
íoubessem a proveitarse de semelhantes sítios ,
que a natureza lhes offreçe taô liberalmente ,
íariaò as suas habitaçoins, e a vida, deliçiozas:
mas ordinariamente pella negligençia , e igno
rancia de quem os habita , fervem os rios , e
principalmente os caudelozos , mais para a sua
ruina , que para a sua conservaçao.
Como todos querem uzar da conveniencia
dos rios , todos fundarao as povoaçoins em
campos razos ; fe alguâ villa ou cidade tem a
fortuna de ficar izenta das inundaçoins , será
a mais bem situada , se estivesse virada para
o Oriente e Sul , como està Coimbra , e o rio
ficasse do mesmo lado , os ventos Nortes e do
Oriente dissipariaô os vapores della, sem ja
mais offenderem gravemente os habitantes.
Tem taôbem muitos danos as povoaçoins si
tas junto dos rios : corrompense por muitas
cauzas as fias agoas, e as mais ordinarias saô
as seguintes , se à corrente for taô amena e
branda , e os seus lados forem taô cobertos de
arvores que fasaô sombra a todas as agoas do
rio, ja maisferaô ventiladas : no estio viraô tur
vas , e por ultimo corruptas : neste cazo feria
necessario desbastar estes arvoredos , e ter lim
pos os lados naô fo dos troncos e raizes po
dres , mas taôbem das agoas que ficarem nelles
retidas e encharcadas. Todos sabem que pellos
, mezes de Agosto, e Setembro apodreçem os.
juncos, as canas, e outras plantas aquaticas
nos bordos dos lagos ainda de agoa viva , como

da SauJe dos Povos. 61
dos rios , e que desta cauza as agoas vem ver-
des , fctidas , e corruptas e que iaô cauza das
febres do outono na quellas povoaçoins , mais
vizinhas, e mais çercadas da quellas exhal.içoms.
Nèfle mefmo tempo costumaô os -habitantes
pòr o linho a cortir no meyo dos rios fazendo
de propofito no meyo delles huâ elpecie de
tanques , impidindo a corrente por reparos
de pedra , ou de madeyra : ali começa a apo-
dreçer , e je se vè que as agoas partiçiparaô da
* quelle viçio. Disputaraô muitos Medicos se esta
operaçaô infecta va as agoas , e se contribuiria
para infectar a atmosfera. Joaô-Maria Lancisi,
citado ( i ) depois de haver examinado muitos
pareçeres differentes nesta materia asentou,
que se ò linho se cortir nas agoas correntes a
podridaô gerada naô seria nociva , porque logo
se dilîìparia pella sua corrente ; mas se ò linho
ficar em tanques , ou covas feitas de propofito
em agoas encharcadas e mortas, que esta opera
çaô seria perniçioza a Saude dos Povos circum-
vezinhos , que lempre semelhante modo de cor
tir devia fer prohibido por autoridade publica.
Pello que vì em varios lugares obfervei , que ja
mais ò linho se pode curtir em agoas correntes ;
he neçessario que fiquem retidas, e omais çerto
para cortìlo he que fiquem encharcadas : Asim
íeria boa precauçaô se o Magistrado prohïbisse
absolutamente esta operaçaô perto das povoa
çoins , ou nos rios que Ihe daô agoa. Em alguns
. lugares de Flandres naô se curte ò linho na agoa ;
ò lecaô fomente nas relvas , estendendo-o fe-
vera , a fevera , ate que começe a abrandar-
íe , que he o primeiro graô da podridaô, e com
(esta operaçaô fica em eltado de o tascarem. , e
(1} De noxiïg paludum effluviis , cap. 8.

6x Da Conservaçaô
espadanarem. Se os juncos , as ervas , e troncos
das arvores que apodreçem nos bordos dos rios,
como taôbem cortir ò linho nelles, saô taô no
cives a Saudfe , quanto mais o será mandar lan-
çar as immundiçias das villas , ou das çidades
nas prayas e nas ribeyras ?
Naô bastaria hum grande volume para mof-
trar os males que causaô as inundaçoins dos
caudelozos rios. He çerto que ja mais peste , ou
Epidemia consideravel delolou cidade ou Pro-
vinçia, sem preçederem inundaçoins extraor-
dinarias. Lea-se Thomas Short ( i ), Autor In--
glez , que ajuntou na obra citada a historia de
todas as Epidemias conheçidas , e cada qual fî-
cara persuadido do referido. Alem deste vejaô-
se os Autores çitados abayxo , porque com efpe-
çialidade trataraô esta materia ( i ) os males que
cauzaô as inundaçoins naô consistem so na hu-
midade ; o prinçipal he apodreçerem as agoas
dasenxurradas : trazem consigo os rios, quando
sahem fora do feu alveo , toda a forte de ma*
terias que por ulsimo apodreçem , ou fejaô ve-
etais ,ou animais ; ficaô pellos campos, quan-
o orio entrou no feu custumado curso ; o peor
he que fîquem estas agoas nas adegas , nos po-
ços , e nas cisternas. Ordinariamente na Euro-
pa as inundacoins fucçedem na primavera ate
o mes de Mayo : aindaque os calores do mes de
( I ) A General chronological History of Air , Weather ,
Seasons , &c. London , 1749, 2 vol. 8°.
( 2 ) Frosperus Alpinus de Medicin. ./Egyptior. Lugd. Batav.
in 4 . líb. I , cap. z;.
Lancisii de noxiis paludum , & tractatu de nativis & adven-
titiis que Cœli Romani qualitatibus. Intel ejus opera Genevx,
Vander Mye de morbis Bredanis , Antuerphe , 1617 , per to—
tum in 4°.
Kloekhof. Opuscuîa rnedica. Trajecti ad Rhenum , 1747 a

da Saude dós Povos, ^ 6"j
Junho sejaô grandes , ainda naô se sente a po
dridao ; mas continuando pellos mezes de Julha
e Agosto evaporaô pouco a pouco , e por ul
timo vem a apodrecer todas aquellas agoas en
charcadas , e o que nellas se contem ; geraô-se
immensidade de insectos , cheyro insupporta-
vel, as agoas vem verdes, turvas , e cada dia
augmentaraô na malignidade quanto mayor for
a vehemençia dos calores , entaô aquelles Po
vos cahem em toda a forte de febres principal
mente intermittentes perniçiozas,continuas com
dillÉos , e parotidas , que raras vezes fuppuraô ;
dysenterias , choleras , quartans , que se termi-
naô ou por Icteriçias , ou hydropesias. Em toda
a Holianda se observa o referido e para naô ir
mais longe, observemos o que se passa nos bor
dos do Tejo na Golegaâ, Santarem , e os luga
res circ umvizinhos como Salvaterra, Beneven
te , Coruche , e Çamora. As inundaçoins do
Tejo e dos rios que se desaguaô nelle nestes lu
gares, alagaô os campos , e pello outono to
das vem a apodreçer ; se desgraçadamente se
vem a misturar agoa salgada naquelles charcos,
entaô a podridao será mais intoleravel ; mas
pareçe que de fesenta annos a esta parte as inun
daçoins saô mayores da parte do Alemtejo ;
porque diminuindosse o alveo. do Tejo pella
quantidade de immundiçies que reçebe da parte
de Lisboa , he força que as agoas debordem do
Outro lado : pode ser , que esta seja a cauza
porque as febres intermittentes continuas e per-
niçiozas naô se observarao em Lisboa senaô de
pois da quelle tempo , como hum experimen
tado Medico me disse em Lisboa no anno 1725.
Mas continuarei o começado , e mostrarei
todas as consequencias das inundaçoins ; todos

efleito. Appendix Tract. he verdade que as depura. 1 Silvio de le Boe atribuîo a peste que devastou Leyde no anno 1660 à agoa do mar que se mis turou com as agoas encharcadas-dos Canais de Leyde ( 1 ) aquella horrenda Epidemia de Bois- le Duc em Flandres foi pella mesma cauza no anno 174Z (2 ). a mesma agoa . 1750 . e com a peste : vivem ordinaria mente em cazas terreas. m 8^. e a chimica ensinarao ò contrario. e os mais po-' bres della saô os primeiros infestados com as Epidemias . a donde a limpeza. Mas naô somente as agoas do mar faraô este ( I ) Praxis medica. na at mosfera : mas nesta respiraô os viventes. e as conveniençias da vida tem a menor parte : saô estas as primeiras que se alagaô. Amstelodam^ in4e- ( a ) Pringley Discascs of the Army. . e purifica : a expe- riençia . cauzàraô mayor podridao . e se naô for ventilada por ventos fortes poderá cau- zar a peste mesmo. infectaseo Ar e saô as primeiras victimas da quella corrupçao. Pella chimica se sabe que logo que se mistura o espirito de sal commun com al gum licor podre . vegetal ou animal . mas a podridao que tinhaô se levanta e fica . ^ Poucos se persuadirao que as agoas salgadas misturandose com as encharcadas . A grande limpeza com que vivem os Chinas he huâ das cauzas que os preserva da peste. que as partrculas sulfureas em hum instante se desva necem depois de huma leve effervesçençia : quando a agoa do mar se mistura com as agoas encharcadas. ficaô humi das . porque todos vivem na quella fe que ò mar tudo alimpa . X . Londoa . alem das immundicias . edit. apodreçem nellas . 64 Da Conservação observarao ate gora que a plebe .

i ■n-niff i ju C APITULO X. Precauçoins contra os danos que cau^ao âi inundacoins . e meyos para prevenilos. Em outro lu- gar indicaremos outras mayores precaUçoins. e pateos . logeas . e logeas. perfumando- as com loureyro murta . eventilar O Ar . ou por outra qtìalqUer cauza : so fe alagarem estes lugares se sêguiraô os damnos que refirimos î pôlld que deveria o Magistradò mandar aplanar 'aquelles desiguais terrenos . ou ca* varem barro . Se aoxiis paludum. que se alim pem os poços. Y r pag.d& dos PoVos» (S f' êfeito . volatisaraô a podridaô das agoas encharcadas e nunca à corrigiraô. Vejase Lan* ciíì no tratado tantas vezes citado ( i )i » . e alecrim .* . e sobre tudo em cada quarto queymaf ' hua leve porçaô de polvora. 3J4 & . ( I . àa Sàu. ate sicarent secas . Epidem. que se de exito e curso as agoas . as adegas . EM muitos lugares custumaô os habitantes deixarem cOVas no campo aroda das po- voaçoins depois de arrancarem pedra . deve taôbem o Magistrado or- denar efficasmente se alimpem cada dia àS mas. e rosma- ninho . ou quèntës fa- raô o mesiho . as agoas minerais frias . ade- gas . O summo Pontifr. . 6 seria melhor fazer os reparos contrà todas as inundaçoins nos bordos dos rios. Dentro da cidade a donde ficaraô as agoas depois da inundaçaô pellas ruas . com summa inspeçaô que rtaô íîquem estes lugares humidos nem sujos i no mësmo tem po seriaô obrigados os moradores açenderem e cortservarem fogoem suas cazas feito de pro- pozito para secar .

entaô ficaô expos tas a os ardores do estio nos mezes de Agosto e Setembro . Nenhua villa ou cidade poderá ja mais ser sadia se nos arredores houver paules . qus Rpm» pervagata annç . e alagar os campos a donde está semeada se os lavradores naô tive rem a precauçao de dar curso á estas agoas . em Guilaô em Persio . em hua inundaçao extraordi naria do Tibre ordenou semelhantes disposi- çoins em Roma . logo que se acabar a sementeira. S- Males que causaâ as agoas ençharcadas na quelles lugares a donde se cultiva o arrós . he constante que necessita a quella planta para dar íruto cobrirse de agoa . por Canais. e digues. e agoas encharcadas . mas ainda os lugares circumvizi- nhos : os ventos traraô comsigo a quellas exha- ' ( I ) Epidemia Rhçumatica . atoley- ros . infectase o Ar . porque naô fomen te a atmosfera da quelles lugares será sempre perniçioza . pontes levadiças . e das enxurra das . e no Reyno de Siaô na Afia a donde se cultiva o arros em abundanica. como se poderaô ler nas obras de Lancisio ( i ). mas aquellas que ficaô nos campos depois da cultura do arros saô as mais perniçiozas .66 Da Conservação ce Clemente XI. ou doenças que duraô por toda a vida . e isto mesmo succede nos Esta dos de Veneza . o que pagaô os ha bitantes com toda a forte de febres que se ter- rninaô ou pella morte. e meyos para remedealos. Temos dado a conheçer basta ntemente os effeitos das agoas encharcadas . .

pag. ctua nOQ amplius ita vigeant i „ bíc vagentur ». 130. plurima. ou fonte abundante . e saô os mais consideraveis da vida . e fazendo os reparos neçessarios para impedir as inundaçoins dos Rios. que pellos ardores dos mezes de Ju- lho . circa'cujus mœnia stagnabant aquœ in foíBs y. ou lago de agoas vivas . his exsiccatis . se se quizesse corrigir hum charco . ut in w fine œstatis & autumni . saô fazer as agoas correntes misturandolhes agoas vivas. Pedro Salio Diversus refere que na Italia ha- via huâ praça de armas com profundos fossos que cercavaô as muralhas . publicis . da Saude dos Povos. deste modo rezul- tariaô dous bems a os habitantes . vel eis íuperinducere aquas fiusntes . £y iaçoîns . e o segundo a fertilidade da quellas terras novas . abrindo canais . e que atra- vessasse o lugar destinado . deviase abrir hum canal que começasse em al- gum ribeiro . e taô podres que todos os habitantes della cahiaô em febres pestilentes : felismente houve quem pensasse pello bem piiblico . o primeiro a Saude . b bordadas por Canais. 1586. experientia & rei eventus com- » probavit recte consilium fuisse .. O segundo meyo he mandar entupir as co- ( I ) De febre pestilente Tractatus. como se estives- semsitas junto dos paûles . vçl easdem exsiccare . cheyos de agoa . in 8^. da chuva . e Agosto vinhaô taô fetidas . e as communicaraô a todos os Iugares por donde passarem : e as villas ou cidades se- raô taô molestadas por ellas . singulis annis vigerent pestfc- „ lentes febres . terminandose em rio . unde ha? sestace putrescentes erant in causa . e charcos. mandando secar aquelles fossos : e foi tal o effeito que jamais na quelle lugar se observaraô semelhantes febres ( i ). Francosurd. . Os remedios certiflìmos. " Si autem vitiatus suerit ( Aër ) a susceptis intra sq „ pravis exhalationibus Si occasiohe aquarum stagnan- „ tium ha» genitas fint . ou paul . Por exemplo. cujusmodi consultum suit in patria mea v ( Faventia .

mas taôbem pellas agoas cor- ruptas . e outras sortes de arvores . augmentando-fe a podridaô cada dia naô sôpello Ar encerrado. que levantaraô a humidade fuperflua . ou arrancar todas as arvores > ou deyxallas atravessando canais por todo elle r a boa Fizica fundada na experiençia a confelhou a refoluçaô seguinte. de tal modo que possaô dar corrente as agoas : deste modo remedeou Clemente XI. de tal modo que entre huâ e outra arvore fique o terreno taô exposto a os rayos do fol. com gastos immensos a campanha de Roma destruida athe o feu tem po com charcos e paûles pella representaçaô do feu Physico mor Joaô Maria Lancisi. e plantas que sica impenetravel : a os rayos do Sol. Agitouse a questaô entre os Naturalistas se seria mais conveniente para secar semelhante terreno cortar. nem cortar todas as arvores da quelles terrenos : devemse cortar parte dellas. ramts. do que os animais : de tal modo que huâ arvore de igual superfiçie jao tronco . e as arvores que ficarem ferviraô como de pompas . e folhas. nem pellas chuvas. fazen- do transportar dos outeyros vezinhos pedra . obser- vou estevaô Hales que as plantas e as arvores embebem pellas raizes quarenta vezes mais hu midade para feu alimento . e terra . e lugares deíìguais dos campos sujeitos as enxurradas . fem ventilaçaô alguâ nem pellos ventos. Achaô-fe campos cubertos combosques de pinheyros . ou infestados com charcos .68 Da ConservaÇaô vas . que possa sintir a sua força : deste modo evaporará o terreno . gerase nelles toda a forte de insectos no tempo do estio . para aplanar os campos . mas o fundo taô cheyo de troncos . a superfiçie dç . Naô se devem arrancar .

mas o seu terreno era firme . mais humidade . e abebida de hum homem ordinariamente he de oito arrateis em vinte e quatro horas . . logo huâ arvore de igual super» fiçie embeberá trezentos e vinte arrateis de hu midade pellas raizes no mesmo tempo. e a mais deserta esterilidade . atrahirá quarenta vezes. tfçj torpo htimano . da. do que o homem tomar por ali mento : a comida . Saude dos Povos'. o que sucçedeo a nossa Ilha do Porto. e alagado . ou paul . Se o terreno destas Ilhas fosse alagado. Estas reflexoins pode rao talves fer uteis a aquelles habitantes das. ainda que todas ellas se- cortassem ou arrancassem o terreno ficaria sem pre humido . Por este meyo se secará o terreno . que conservaô qs bosques . Quando se descobrirao as Ilhas das Bermu das estavaô todas cobertas de espessos bosques : começarao os habitantes a cortar sem econo mia todos elles. sem ficar arvore algua.Santo perto da Madeyra. vieraô pel- los ardores do sol areais. colónias. o que cauza summos calores . co berto com arvores. nem sadio . e al- guas da quellas Ilhas vieraô todas hum puro' areal . e de terra forte : faltandolhe a humi dade . como quando ficaô estes campos atravessados de canais com decida bas tante para dar corrente as agoas. mas nunca virá taô enxuto .

70 Da Conservaçaô

CAPITULO XI.

Dos bosques e dos arvoredos confìderados
savoraveis } ou prejúdiciais a Saúde.

P Or bosques entendemos hum dilatado
campo a donde toda a forte de arvores , e
plantas nace , mas taô juntas huâs das outras ,
que o fol ja mais penetra ateofeu tronco ; por-
que aquelleespasoque medêa entre huâe outra
arvore eftà coberto de tojos, e carrascos, é
outras plantas : da qui vem ficar fempre humi-
do aquelle terreno , e o Ar taô disposto a apo-
drecer. Os vapores , e exhalaçoins que fe le-
vantarem destes bosques he certo feraô fempre
humidas e podres, e os ventos que por elles
passarem teraô as mesmas qualidades.
. Por arvoredos entendemos hum campo ,
monte, ou ferra da qual o terreno està coberto
de arvores, ou de fruto, como faô as olivey-
ras., castanheyros, &c. ou para madeyra ,
mas com tal ordem que entre huâ e outra me-
dee hum çerto espaço exposto a os rayos do
íol ; entaô o terreno he ja feco , creçem nelle
varias plantas, e erva para pasto de differentes
gados. Estes arvoredos nos climas qnentes ,
naô fo faô fadîos mas ainda mui uteis a os Po-
vos , e a sua plantaçaô, e conservaçaô se devia
promover por autoridade publica.
Naô convem logo em campos rasos mandar
arrancar , nem cortar totalmente os bosques :
huâ aldea , ou hua quinta seria fujeita a mil
achaques se fosse fundada entre bosque s espes-
íbs, e em lugares humidos , prinçipalmente

da Saude dos Povos,
junto dos rios ; situaçao que S. Bernardo pro
curava sempre para fundar os seos Conventos ,
na intençao de fazer os seos Religiozos acha
cados , para se lembrarem mais a miudo dá
salvâçaô. Mas para satisfazer o intento deste
tratado, huâ tal situaçao se deve evitar abso
lutamente. E se os bosques , ou arvoredos fica
rem a huâ çerta distançia da povoaçao fundada
em montes , ou ramo de ferras , como disse
mos, he çerto que no estio lhes servirao de
refrigerio, e no Inverno de abrigo, se ficarem
para a parte do Norte.
Na campanha de Roma se vè hum dilatado
bosque , que se estende pella praya do golfo de
Astura , chamado de Cisterna , e Sirmineta.
Determinou o Duque Caetano mandallo cortar
totalmente , como leu legitimo Senhor ; e quem
dissera que o Physico mor se havia de oppor ,
por fer prejudiçial a Saude dos Povos ? Joaô-
Maria Lancisi , tantas vezes citado , diante de
huâ junta de Cardeais delegados para dicide-
rem esta cauza , mostrou que o dito bosque naô
se devia cortar totalmente , se naô com as con-
diçoins que propôs , e foi taô poderoza a sua
oppoziçaô , e taô piadozo o animo da quelles
Eminentissimos Cardeais pello bem Commun
que çedeo o Duque do direito que tinha sobre
o seu bosque.
Allegava Lancisi que os lugares círcumvezí-
nhos do bosque estavaô alagados , e cheyos de
charcos , e que ficando da parte do Sul servia
de reparo a os ventos da quella parte , impe
dindo as exhalaçoins das agoas podres : que o
bosque somente se havia de desbastar , fazendo
cortaduras , ou caminhos , que ò atravessassem
para que o terreno ficasse enxuto : o que por

y g- Da ConservaçaS
liltlmo se executou , e hoje existe cortado dq
modo referido : vejase este notavel processo ,
monumento do zelo do bem Commun , no lu-,
gar citado abayxo ( 1 ),

CAPITULO XII.

J)o {nterior das cidades , e como devem Jçp
qs seos edifícios para a conservação
da Saúde,

S O as naçoins civilizadas fundaraô cidades \
naô so para se utilizarem pella soçiedade ,
mas taôbem para se defenderem das injurias da
tempo , e dos inimigos ; mas como todas as
çrtes useis a vida sempre começaô com muitas
faltas , cauzadas , ou pella ignorançia , ou pre-
çipitaçaô dos que as exerçitaô : afim as primei
ras ppvoaçoins partiçiparap de muitos deffei-
tos , como ainda hoje vemos os restos nas mais
^ntiguas cidades da Europa , a donde as ruas
faô mui estreitas , sem direçao, nem termo nos
lugares mais frequentados delléi : fomente de
pois de trezentos annos começarao a cobrir às
ruas de calçadas ; nenhuâ limpeza , nenhum
gqueducto para se evacuarem as agoas ou dg
chuva , ou do uso dos habitantes ; as cazas
çraq cobertas de colmo , de ramos , ou de ta-r
ljoas \ o que tudo contribuía antes par^ infec-;
íar q Ar , que para çoqservaçaô , e vigor dos
habitantes : essa era 9, cauza das frequentes
çjestes ? e Epidemias que desolavas a. Europa,

( 1 ) Joh, Maria Lancisii , de íylva Cisterrjfe <k Sirminetfl
pon nisi per partes exciderida. , eeílsiliiím. ^Vd Çalçeip traílati^j '

»

da Saúde dos Povos. 73
Bte-o fim do Seeulo passado , e prinçîpalmente
nas cidades situadas nos valles , como Marse*
Jha , parte de Genova , e Florençia : alem def
ies deffeitos , as cazas eraô de taypa , ou de
argamaça outras de madeyra encruzilhada ; a
mayor -parte dellas eraô terreas : aquelles que
moravaô no primeiro, e segundo andar naô
tinhaô nem claridade nem ventilaçaô do Ar ,
por cauza da pequenhés das janelas , e portas-i'
e desta forte de edifiçios uzaô ainda hoje os
Turcos em Constantinopola , no GraôCayro,
e na mayor parte do dominio Mahometano, a
donde a peste sas horrorozos estragos taà
amiudo.
Mas depoîs que nas cidades e villas mais
cultas começaraô os Magistrados a reformar
aquelles deffeitos , ordenando fabricar as ruas
largas, e direitas que fe terminaô a grandes
praças , depots que as mandaraô cobrir de cal-
çadas consistentes , como taôbem as cazas de
pedra e cal com telhados taô firmes que resistem
achuva, e com aljarozes, e aqueductos para
dar fahida as agoas , juntamente com alimpeza
das ruas , corregiofe em muita parte a corrup-
çaô do Ar das cidades , de tal modo que depois
de cento e cincoenta annos raras vezes se obser-
vou ò estrago da peste na Europa.
Contribuio taôbem para purificar o Ar das
cidades o estrondo dos carros , e prinçîpalmente
das carrossas , introduzidas geralmente de cem
annos a esta parte; tantos sinos que dobraô, e
repicaô , tantos ofRçios inventados depois da
descuberta do novo mundo , que neceffitaô de
fogo dia e noite , com agitaçaô dos instromen-
tps : alem disso augmentouse o luxo da meza , e
3 ò mesino p^ffp q fogo continu© , e violente*

74 Da Conservação
das cuzinhas , como taôbem em cada quarto
para defenderse do frio : todos estes estrondos
agitando o Ar o ventilaô, e augmentaô a sua
elasticidade ; os fogos ventilaô o Ar cauzando
a cada instante hum vento artificial.
Bacon de Verulamio ( 1 ) observou que o es
trondo dos sinos rompia ò Ar e dissipava as
trovoadas, e que devia diminuir a peste nas
cidades populozas, agitando o, e sacudindo-o
violentamente. Na Historia da Academia Real
das Sciençias de Paris se prohibe tocar os sinos
quando a trovoada apareçerem sima do mesmo
campanario , porque por infaustas experien-
çias se sabia que a nuvem se rompia pello es
trondo, lançando de si logo o rayo : pello que
somente deviaô tocar os sinos quando a pare
cesse mui distante do lugar a donde se tocava.
Estes faô os defeitos mais notaveis das cida
des antigas, e as ventagens das modernas. Indi
caremos agora a melhor forma de huâ povoa
çao , ou cidade , para fer a mais util , e a mais
sadia; e quantas menos qualidades tiver das
que lhe determinarmos , mais nociva será à
Saude e à conservaçao dos habitantes.
Ja indicamos a sima fundados na doutrina de
Vitruvio e de Leaô-Baptista Alberti que as ruas
haviaô de servir naô so para conservar o Ar
incorrupto , mas taôbem de reparo contra os
ventos que infestassem aquelle sitio. As villas ,
e as cidades situadas nos lugares bayxos , e hu
midos , ou nos valles sempre deveriaô ficar
viradas para o Norte , se da quella parte naô
ficassem serras cobertas de neve , charcos , ou
paûles : porem fe estiverem plantadas em sitio
elevado , deveriaô estar viradas para o Sul ,
( r-) Sylva sylvarum , cent. II , exper. 117.

da Scotie dos Povos.
no cazo que da quella parte naô houvessem
agoas corruptas , ou serras cobertas de neve.
Os Romanos faziaô as ruas , das cidades da
mesma largura que tinhaô as vias militares , ou
estradas reais ; terminavaô-se nas portas dellas,
ou nas praças : a segunda sorte de ruas era
mais estreita , e correspondia a sua largura à
dos caminhos de travessa , que sahiaô das vias
militares.
He hua villa , ou cidade, dis Leaô-Baptista ,
huâ grande caza ; e huâ caza , huâ pequena
villa , ou cidade : necessita esta de praças , co
mo aquella de dispensas, vxarias , sellèiros ,
adegas, e guarda roupas. As praças devem ser
os lugares para guardar , e distribuir as couzas
neçeflarias a conservaçao dos habitantes. De
vem estes edifíçios ser fabricados naô so com
magestade e grandeza proporçionada à povoa
çao , mas taôbem com as conveniençias neçef
larias a os cidadaens.
Ponderarao muitos Autores se as cidades
devfàô ser fundadas com tal termo , que fosse
prohibido naô exceder os muros , ou as colu
nas de demariacaô. A resoluçao mais bem fun
dada se achou ser aquella que determina a cada
Reyno,a cada| Provinçia e a cada Comarca,
hua Capital proporçionada a os habitantes da
quelles territorios : porque he certo que o Ar
das grandes povoaçoins sempre he contrario a
conservaçao da Saude, e a o augmento dos
PoVos. Thomas Short ( 1 ) concluio pellas listas
dos enterros das freguezias de Londres , das
aldeas , e lus;ares de Inglaterra , que nestes de
cem que nascem nos primeiros dous annos mor-
( I ) New Observations Natural. & Politicai. London ,
»7jo, in 8?.

e as praças fèjaô cobertas de boas . e rapido por canais e cloacas. „ dictu maximum suffossis montibus . e a ter ceira das cloacas . Pellos livros dos Cazamentos do mesmo Reyno concluio que nas aldeas saô mais ferteis . XXXVI . uibe pcnsili íubter navigata ». Antiquitatum Romanar. operam omnium. ou lu gares bayxos da cidade. Naô conheçeo Dyonisio Halicarnasso ( 1 ) a grandeza . e as pra ças de forma differente da quella que refirimos: mas todas as dissiculdades se devem vençer para que as ruas que atravessarem os valles . que nas cidades : deixo outras concideraçoins politicas . ainda cultas . atque ut paulò ante retij- x limus . ( I ) Lib. se admirarao. morrem or dinariamente trinta e tres. sejaô mais largas do que aquellas plantadas nos lugares levantados : todos os obstaculos devem dissolverse para que as ruas . A pri meira da grandeza . . Poderá ser muitas vezes obrigar a irregula ridade do terreno fabricar as ruas . das quais dis Plinio ( 2 ) que podia navegarse por bayxo da cidade de Roma. e o poder do Imperio Romano que por tres sortes de edifiçios dos quais todas as naçoins . " Cloacas .j6 Da Conservação rem de vinte a vinte e oito : mas em Londre* de cem crianças no mesmo tempo . e firmes calçadas . alheas deste tratado .. que todas persuadiriaô o Magis trado ordenar hum certo termo de fabricar nas cidades ou villas.lj. III . como taôbem de ferem os edifícios e as ruas conformes a o plano que deve estar depositado em cada caza do Senado. ou da Camara. cap. como todos os lugares pffbli- cos : que as agoas da chuva . ( 2 ) Lib. tenhaô curso livre . e da solides dos caminhos publicos : a segunda dos aqueductos . como as que sir- viraô a os habitantes .

. Se as ruas . e taô grandes que possaó resistir por muitos annos a agitaçao dos animais . Nimguem duvidará da neçessidade que tem ainda a menor villa . greda . do que reffere algúâs fu nestas experiençias.. POuco sirviria todo o cuidado do Magistrat do na fabrica das ruas . como vimos assima bem claramente. pedras de cantaria . e cloacas . ou valles a donde se va- ziarem : porque de outro modo . daraô exito as agoas. de cloacas . impidiraô quasi todas as exhalaçoins da terra . da Sâude dôs Povos . refluirao as immundiçias . carvaô em pó . se naô insistisse no quotidiano cuidado de conservar a Cidade limpa : ja os Jurisconsultos concordarao com os Medicos nesta materia . e podemse alimpar mais facilmente. mar . Leaô-Baptista quer que sejaô fabricados de tal modo que a sua abertura fique sempre mais alta . Da limpeza necessária nas villas e cidades para conservar o Arpuro. Quando avistamos de longe huâ grande ci dade começamos a observar huâ espessa nuvem. e a ò pezo dos carros . e se conservarao secas . 77 Levantaôse continuamente vapores da terra . do que os rios . e cauzaraô nos conductos a mayor corrupçao. e as praças forem cubertas primeyramente de cascalho . e carretas . praças . aqueduc- tos . CAPITULO XIII. para ter credito com todos alle- garei o que determinarao Bovadilla e Dela mare. e de canos que dem exito a toda a forte de agoas.

outras a dis soluta vida . se deitasse os olhos para as exhalaçoins que fahem das cazas dos tripeiros . Veria tanta immensidade de ex halaçoins dos excrementos de tantos . que decretará leis para se conçervar as cidades limpas por todos os meyos poffiveis. e taô constantemente que flca vi íível no dia mais claro. que fahem dos corpos viventes. des tantas mortes subitas . e taô <lifferentes animais . e deímayamos com o íheyro dellas. outras de naô menor po dridao. huas vezes acuzando o luxo . ley inviolavel que cada morador ti vesse limpa cada dia pella manhaâ a fronteira da sua caza. como vemos nas cida des . ou que refultaô das artes neçessa- rias avida civil : haveria em cada cidade .ou que fahem dos animais . Mas as mais fetidas seriaô as dos cadaveres . o mais commun as paixoens vio- lentas. limpas e immundas : de tantas exhalaçoins das ortali- ças. que nemhuâ sorte . e de outras a donde fe fabricaô mil sortes de artes mecha- nicas . furradores . Permadome que ie algum Magistrado comprehender estes da nos . e frutos que apodreçem. ou lugar . Devem-fe considerar as ruas como os repo sitorios de todas asimmtindiçies.78 Da Coriférvaçaâ que à cobre . se admiraria como pudessem viver na quelle lugar tantos homems juntos. e dos hospitais . com tanto rigor. das prizoins . villa. e ja mais pensamos à dar por cauza de stes estragos o Ar infectado e corrupto que res piramos nellas a cada instante. Seria hum admiravel objeto para quem observasse nos ares à atmos fera desta povoaçao. tintureiros . Queixamc- nos cada dia de tantas doenças chronicas . passamos por hum mercado de Couves . Veria levantarem-se im- mensidade de vapores de tantas agoas .

e que fazem a cal. e despejalos na praya como se fazia em Lisboa. . ( I ) Hyeronimo dei Castillo Bovadilla. cap. regala . esta hê a cauza por que no Egypto ha immensidade de Cegos . que naô he de taô pouca consequençia em Portugal nos mezes de Julho . I . 553 . no espinhaço de machos . que regassem as ruas na quelle tempo : naô sô esta precauçao impediria o dano da poeyra . a custa do publico teria carros com pipas de agoa . nem ainda Ecclesiastico ficaria isen to desta o brigaçaô ( 1 ). lib. e se o Magistrado achase impossibilidade na execuçao . Por evitar estes danos. Politica para corri gido res Midina dei campo . quanto menos nelles se cuida . os canos . 1608 . jp foi. tom. se puede esto execu- „ tar en sus bienes por la Justicia seglar ». e a os bofes . e perpetuo ter à sua ordem hum certo numero de carros feitos ao modo de coffres para nelles as transportarem fora da cidade nas covas . feria necessario mandar a cada morador depois de haver limpo a fron teira da fua caza . tom. pag. Dclamar* 1 Traité de Pçliee . II . No tempo do Estio quando os calores saô insopportaveis . 6 . in fol. e muitos males do peito . 79 2e estado . ou aqueductos da cidade. 12. z vol. a poeira vem a ser perniçioza aos olhos . lama. 1713 . que saô tanto mais funestos . ou immundiçies bar ridas se deviaô ajuntar contra a parede da mes ma caza : naô no meyo da rua . edit. e de Agosto. para que as agoas levando as consigo naô en tupissem . ou no rego . A quelle çisco. da Saude dos Povos. Na mesma deveria hum official autorizado . pag. como tem aquelles que lavraô as pedras . 30. mas ainda refrescaria a atmosfera .S. " A un que sean 'clerigos . ou lugares bayxos a roda : o que feria mais façil do que transportaremfe as lamas em çeyroins .

trapos * ou que cauzaffe fumo ingrato feria prohibido com igual rigor i e efta mefma limpeza fe devia oblervar com efpecialidade nos lugares dos mercados . e outros minerais peítilentes . os que vendem peyxes falgados . elevado para exerçitalos : os carniçeiros que degollaô . ou cidade : omais perniçiozos faô os bichos da Seda : he о cheyro о mais intoleravel . de- via-fe determinar nella lugar alto. e lançallas contra a parede da mefma caza . patos. ou outra qualquer couza fetida e hedionda. Nenhum officio que cauzaffe podridaô ou mào cheyro deveria permiterfe na cidade . e permiti-los dentro das povoaçoins pel las ruas . os que lavaô . os que fazem vellas de febo . e a fua podridaô a mais aâiva : criar pombos . ou que cauzaffe afco» O queymar palha . Bem fei que houve Medicos ignorantes que a confelharaô entrar . cortidores . e os mais altos e ventilados da ci dade. bagaços. e nas praças publicas. a mefma fe* veridade le devia ter com aquelles que lançaf- fem nas ruas efterco. queijos . os louçeyros que vidraô louça com chumbo . todos eftes deviaô viver nos arrabaldes em lugares deter minados. ou qualquer outra materia : todos feriaô obrigados trazereftas immundiçies . Nenhum animal fe devia criar dentro da vil la. e trabalhaô e fabricaô as lans . azeite. calcinas . por- cos . ou que cada noyte fe recolha dentro da villa ou cidade infectaô о Ar . e as exhalaçoins dos animais fempre faô noçivas. borras devinho. cifco . os tripeyros .йе> Da Cohfervaçdô Seria prohibido lançar pellas janellas de día Oudenoite agoa mefmo limpa. ouimmünda. gado de laâ . cafcalho . coelhos . ou de pelo.

Tanto os Romanos como os Françe- zes obrigarao os proprlatarios de cada caza fazer latrinas . remendoins . com tanto rigor que por autori dade publica se fizeraô a custa dos mesmos pro prietarios : o modo de fazer estes depositos taô neçessarios sabem ja os architetos : devem ser com chiminés fabricadas a o lado do suspiro. e certos lugares reti rados para os ferradores. Sangraô os ferradores os cavallos no meyo das ruas . que ler ò que dissemos nos principios deste tratado. he. He verdade que vem desta fabrica insuportavel cheyro quando se afimpaô . que aquelle de . e praças a donde se vende todo o comestivel os pessimos cheyros que fa nem das carnes e do pelxe . para ficar convencido . Nos mercados . Em cada caza existem duas origens de conti nua podridao . a primeira que provem dos ex crementos dos animais . ou com epidemias pestilentes na inten çao de corrigir o Ar déllas : mas he erro . determinando os selleiros das ca- zas para a morada destes . he notorio quam insopportaveis . e a segunda das agoas da cozinha . e hediondos sejaô estes officios : merecia bem esta desordem remedearse . e que servio a outros uzos da vida. da Saude dos Povos» ÍJi entrar gados nas villas e nas cidades afflictas de peste . adegas . faltando canos reais : roas o dano que rezultará de lançar nas ruas as immundiçies . muito mayor . e das ortaliças he muito mais necessaria â limpeza : todos os dias sedeviaô lavar os bancos com agoa e vinagre ou pello menos com agoa a donde tivesse fervido cal : esta he o mayor corretivo da podridao tanto do peixe como das mais fubstançias. que naô necessita . daôlhes fogo nos seos males : nas es quinas consentemse calçeteyros .

e mostrar com evidençia os danas de viver sâm asseo . As agoas corruptas taôbem se podem gerar nos poços e cisternas cheyas de lodo . He em fuma o que determinou Bovadilla ( i ) e Delamare (2) nesta materia . e sem agrado : mas reíer- vattios esta materia para quando tratarmos da limpeza dos soldados. ) Traité d< U Polife . 126 . ConservaçaS alimpalasÌNiâ ves por anno . 5 J3 . e agoas . pag. Medina del campo . podendose deteN minar o tenipado Inverno para esta operaçaô. A bayxo veremos os vdanosque rezultaô doArhumido e ençe. e de ou tras materias excrementiçias . ou por estarem perto das latrinas . II . edit. infecçaô que podem cauzar. circunstançias que diminuiraô -a. lib. fi . que por encharcadas se corrompem . e ainda com mayores particularidades. Seria aqui ò lugar de tratar da neceffidade da limpeza. ( I ) Tom. livre. ou dos cimirerios. tem. e da alta noite .rrado. pella má fa- brica dellas : ha terrenos que brotaô agoa. in fol. pag. 6. e como devem confer- var a Saude. I . Da. que cada qual he obrigado ter do feu corpo . naô zombem dos Medi- cos pora conçelharem o mesmo . 30. e se estas autorida- des naô forem poderozas no animo dos que lerem estas determinaçoins . ou chiminé que communi- cassem com o Ar . To- dos estes defeitos se deviao remedear por auto- ridade publica . Taôbem nos adegas existem muitas vezes agoas . 17IJ i . e pello Ar en- çerrado vem pestilentes : vertem muitas vezes as paredes humidades . (2. e deveria haver sempre nel- les hua janella . elegendo o Magistrado hum Architecto destinado a visitar estes Iugares subterraneos . cap. Se alguem se quizer.

e quaô mal edisicadas sejaô ali as ca zas : todos attribuîaô aquella mortandade a ò contagio. edos arredores. CAPITULO XIV. III . e Lente de Mediçina na Universidade de Leipsick( 1 ). turos . SE naô podemos viver sem Ar que por alguns momentos . e naô obstante vemos que rarilîìmas vezes ou Magistrados re- medeara© estas desordens. pella negligençia dos mun- . mostrou sua violençia nos lu gares bayxos da cidade desde a rua nova ate o Roçio : nos lugares altos della raras foraô as familias que sentiraô aquelle flagêlo. Das qualidades das agoasfaudaveis t e coma se devem entreter os poços . Tantas villas ecidades devastadaspella immundiçie das ruas . e a outras chimericas causas. Ja houve quem viveo fomente com agoa por tres ( 1 ) Opuscul. I. o Celso de Alemahha. Aquella Epidemia que desolou Lisboa no anno 1724 pellos mezes de Agosto e Setembro. que a ignoran- çia . e das cazas . He noto- rio a todos a immundiçie e a estreiteza da quel- las reas . He couza notavel que nem os maos successos podem fazer mudar o costume . os nos . de morbis ex immunj 4ítiis Lipsise. Diiì'ciiat. masnin- guem pensou na corrupçaô do Ar da cidade . pellas agoas encharcadas . 1749» in 4'» . asim mesmo scm agoa naô po demos viver que por hum ate o outro dia. e os portos do mar para a confervaçaô do Ar sadío. 83 înstruir dellas. tom. lea a Joaô-Zacharias Platner. da Saúde dos Povos. e os maos exemplos introduziraô.

Platner ( *). nem raizes . naô sò pello que ò Ar barre dellas 9 1 ) Elysius campus . as agoas dos rios . preferem as agoas das fontes. em terreno aspero . e por iflb aquel- las que faô correntes por muito espaço . lib. de motbis ex immunditiis citât. 3 ) De te ruftica . nem sabor. sem cor. sem ma les dos rins. que naô tenhaô gosto . in fol» * ) Dissertât. LVIII . nem sarro bran- co . iib. expos- tas a ò Ar faô as milhores : a cada instante se depuraô . . vos clara. com bons dentes. Todos os Autores tanto Medicos. « . .ou de area .&c. 4. que sejaô agoas vivas . Esta hé a prinçipal cauza da salubridade das agoas . e ja se vio viver huâ molher setenta e dous dias com agoa fomente como afirma Caspar dos Reys Franco ( i ) : naô he este o lugardetratar das varias propriedades das agoas salobras . se este for puro . Vimos a sima que ò Ar se communica . se forem de boa cor .f4 Da Confirvaçaò semanas . e a- massa com a agoa . e por consequençia ó Ar taôbem. claras . I . I . correntes . nem cheyro . cap. ou salgadas. nem de qualquer outra cor : que fervidas naô fique pé no fundo . sau- guesugas . que cozidas naô fique nos lados dos vazos a donde ferveraô por muitos tempos . 2 ) De rerustica . conterme ei a mos- trar fomente as qualidades que as fazern sau- daveis. e Palladio (3 ). titul. quasst. 16ÓI . e das cisternas. senrtés na superfiçie : que nella naô naçaô insectos . como Eco- nomicos com Hippocrates. . f. nem ervas : conheçesse taôbem abondade das agoas pellas Saude dos habitantes . Bruxell. saô indiçios que as agoas faô boas. dospoços. com tanto que naçaô junto dos si- tios levantados. lhe cotn- znunicarà a melma bondade. sem ventre tumido . Colu- mella (i) .

e raspar particulas da quelles metais : nesta duvida os canos de pedra se de vem preferir . se contem . ferro . e de seixos. pello temor que óverdete. em terceiro de ferro . He certo que as agoas puras. ou naô . Pella chimica se podem indagar as agoas. vitriolados . ( I ) Dissolvesse hua ostava de prata finistima na agoa sorte ï quando toda estiver desfeita . ou cobre poderiaô communicar as suas qualidades as agoas que correrem por elles. co mo de pinho . eos de cobre muito mais. sais . porque tem vigor bastante para desfazello : os de chumbo sempre devem ser suspeitos . em segundo lugar os de pào . metal o mais benigno a o nosso corpo . e de carvalho . nem desfazer particula algua da quel les metais . da Saúde dos Povos» 85 J«as taôbem pello que reçebem do mesmo ele mento : já se vé que as agoas dos poços . e vier branca como se fas> MM misturada com oleyte . neutros . que se gera taô façilmente se misture com a agoa. deste licor se deytaôduas ou tre* gotas em hum copo da quella agoa que sequer examinar : Ce com aquellas pingas mudar de cor . Agitouse muitas vezes se os canos de chum bo . para o co nhecimento das quais naô temos instrumenta certo que as possa indicar ( 1 ). saô in feriores as correntes por lugares limpos . de qualquer natureza que forem : mas sempre ficaremos na duvida se conterao particulas arsenicais. he sinal que tem *1{TU* forte F iii . como saô aquelles cubertos de casca lho . e logo que estiverem nella poderá mui facil mente desfazer . que existem na terra. mas he impoffivel que estejamos çertos da pureza das agoas em todo ó tempo : poderá em certos tempos adquirir sais alcali nos . e de siguais . e das cisternas faltandolhes estes requisitos . ja mais poderaô embeber .

continuamente . conservaô a Magestade da quelle Imperio. na pureza . e fica(? poqio estava antes da prova . bebendo agoa cozida . como saô as de Lisboa . Todos sábem os perniçiozos effeitos de beber agoas cncharcadas : e naô obstante . a da chuva guardada em cisternas cada anno limpas : em feu lugar a dos poços com a mesma cautela mas seria util antes de bebelas oumandar darlhe huâ unica fçrvura . que a Portugueza : as naçoins de quem a sua bebida ordinaria saô varias sor tes de Cervejà . e por essa razaô de- vem pór todo o cuidado em procurala . mas porque se a charaô muitos lugares desti- tuidos da quelle singular berìefiçio . pouco cuidado jîal . he pura. Nen- huá naçaô necemta mais de imitar nesta mate- ria a Romana . fundando com gastos . Quando faltarem as fontes . e na bon- dade das agoas . e correntes . na abundançia . caffé . agoa misturada com vinho . mis rarislìmas vezes se avìaè agoas çQm. que tiveraó os R o» manos . Da qui se poderá conjecturar os danos que rezultaraôlançar todas as immundiçies na quel-. ou serein passadas por pedras ponçes. Estas cautelas saô escuzadas nas agoas das fontes claras . ejsej. achçi a pro- posito indicar estes remedios. e fera nocivo ò bebela : mas se naô mudar de cor. naô necesiitaô taô grande cuidado na eleiçaô das agoas : mas a Portugueza a sua bebida or dinaria he este elemento . xà. proya . ltes rios dos quais bebem os habitantes. e a mais apurada. . He verdade que se nella e^istêrem espiritos acscnicais que naô se manifestaraô por çsta. em abundançia . a agoa dos rios poderá suprir esta falta .$6 Da Conservaçaô Foi notavel o cuidado . como se costuma em Castella nos pilones. e tra- balho immenso dos seos exerçitos aquellas ma- gnificas obras . das quais ainda hoje arruinadas.

da Saude dos Povos. 1733 . porque cada hum perçeberá ô summo descuido que tem nelles o Magistrado. pag* 351» F iv. Naô quero applicar estas reflexoins a certos lugares . ja podres . os poços . E naô se deve esperar a mesma infecçao se no mar se lançarem materias podres . lodos . 87 temos de mandar a limpar frequentemente as somes . Vimos a sima que se as agoas do mar se mis turarem com as encharcadas . per- tençe a o Magistrado com todo origor mandal- las conservar de tal modo que sirvaô a íua con servaçao. e que infectem a at mosfera. . e que pellos mezes do estio apodreçem. com que omar está coalhado. calçinas . e outras plantas aquaticas que naçem nos bordos dos rios . e lamas das villas e das cidades que de ( 1 ) Mémoires de VAwdémie Royale des Sàences . como mostramos pellas fu nestas experiençias do Languedoc em França. He força logo que todas as majerias podres se ex- halem da agoa salgada . nas agoas salgadas ? Vimos taôbem asima que as Ilhas de Cabo-Verde saô taô doentias por apo drecerem perto das costas tanta immensidade de Sarguastb. e a indolencia dos mora dores for cauza da immundiçie das agoas . e principalmente as cisternas. que produzem os juncos. e infectaô a agoa. que a podridao se exhalará na atmosfera . Se a ignorançia . como saô as immundiçies de huâ popolusissima cidade . mas que à fará perniçioza . Mas devem vence-lo outras consideraçoins de mayor importançia. O lodo que se ajunta no fundo adquer as mes mas qualidades. O alveo dos rios e dos pon tos seentupe cada diapellos estercos. No lugar a- legado abayxo ( 1 ) se leraô estes mesmos da nos. as canas .

façilmente conçedere- mos que nenhum lugar publico contem mayor. os arcos se somem. o que he positivamente falso : naô he força que tanta materia saya nas prayas. como taôbem da quellas das sepulturas . e dos lu- gares que ò bordaô. e em charcos ve nenosos ? Naô feria mais util que as immundi- çies de huâ cidade servissem a aplanar o terre no a roda e fertilizar os campos com ellas ? Naô feria este proveito bastante para recompensar o gasto que se fizesse para transportalos ? CAPITULO XV. Se considerarmos que a mayor parte do dia natu ral estaó fechadas . e destruiçoins do Mondego naô pro vem da area que tras consigo o rio . JDa Conservacaâ Í>ropozito mandao lançar neHes : da qui vem a aguarem-se qs campos . a mayor parte saò as immundiçies das villas . e a ponte por ultimo se arruina : aquellas inun- daçoins. e os incultos converterem-se em char cos : as pontes se entupem. X tanta ventilaçao com ò ardas Igrejas. destruirem-se os cul tivados. se considerarmos a immen- sidadede exhalaçoins que nellasficaôpella mul tidao dos que as frequentaô . . ou que con verta os incultos em paûles . e que ou alague campos cultivados . Mas demos que pella agitaçao das mares aquellas materias excrementiçias naô entupaô o fundo do porto : demos que naô corrompaô a atmosfera .

e a exerçitavaô publicamente. e a todos os mais da sua espeçie : na meditaçao e exerçiçio destas excellentes maximas . nem a regrala : esta imcumbençia tinhaô os Phi- losofos . da Soúde dos Povos. * 1 $9 quantidade de exhalaçoins . que todas as potencias internas da alma. e os . ou ruina dos tectos . e soçegadas : este estado he o primeiro que induz à melancholia. cisco . e nelle he que ò corpo ficará mais susceptível as impressoins da atmosfera. inventadas para ljgar os Povos na sociedade e obedecerem sem repugnançia : naô se estendia a obrigaçao do seu cargo a ensinar os dictames da conçiencia . e omais ventilado . e imitalo conservandose a si .ltos das abobedas. jogos . Estas confideraçoins induziriaô os Medicos a conselhar o Ar das Igrejas o mais claro. todos os seos actos saô tantas reflexoins de amar o Soberano Creador . Naô creyo que se augmentaraô ja mais pella poeira . porque sei quanto cuidado tem os Parrochos e os Prelados da limpeza . e compostura de accoins. a hum recolhimento de animo. Por tanio vemos que os Architectos affectaô . ja se vé que todos dis porao o entendimento dos fieis à tranquilidade . ficarao taô activas . ou humidade das paredes . n. como na dos seos santos misterios consiste toda a sua essencia. or dem e ornato destes lugares sagrados. Pello contrario na Religiao Cbristaâ. A Religiao Gentílica toda coníistia em actos exteriores. e jantares : todo o ministerio dos seos ministros se reduzia a re grar estas sunçoins publicas . andando ter abertas sempre as janelas . Como as Igrejas saô os lugares destinados a estes santos exerçiçios . e de vapores po dres. em sestas . como as corporais inertes.

ninguenr sahiria dali com vida. eaug- inentadas . correr ascortinas : se considerarmos a molestia que sofrem os que ouvem hum sermaô no tempo do estio. O pavimento das Igrejas de grandes pedras de Cantaria . man- dando fechar as janellas. e ca- çoletas corrigem a podridaô do Ar : as cupo- las . as ve- zes de milîaô. se os obstaculos a cor- rupçaô do Ar que ali le achaô . e lampadas . dos vivos e dos mortos . servem para refrelcar o Àr das Igrejas . taô juntos. fará exhalar a terra com mayor exçelso . e apertados . pello repique dos sinos . por tantas luzes das velas . subindo nellas as exhalaçoins que fe levantaô do fundo. juntamente com aquellas . e abobedas altas . e por este circulo de exhalaçoins continuadas . he força que seja bem consideravel em prejuizo da Saude : à immensidade de exhalaçoins . por alguas horas. e que neçessaria- mente devem respirar aquelle Ar por tanto tempo. A agitaçaô do Ar conti nua pello canto Gregoriano . ou de campás às sepulturas impe- dem miiito as exhalaçoins dos cadaveres : os suaves cheyros que sahem dos turibulos . naô nos admiraremos de ver cahir des- mayadas muitas vetes as peflbas de constitui- çaô delicada : o calor da atmosfera excitado portantos corpos juntos . naô remedias- iem tanto dano. ainda que edificadas fora deste intento. agitao . e Pregadores tem cui-. que a piedade augmentou . que se levantaraô das sepulturas . dado antes de administrarem aquelles santos exerçiçios diminuirem alus dos Templos . * Da Conservaçaô fabricar os Templos mais escuros que claros J os mesmos Saçerdotes . que sayem dos seos corpos em lugar encerrado . pello estronda dos orgaons .

Divi Laurentii. . „ cap. Hune morem n Chrístiani religiosè fervârunt. 35. e os sirios. e da Religiaô mais conf iante . e autorizado pella devoçaô : mas considerando que tinha por mim alguns Conçilios . sed in communi cœ- „ miterio . ut observatum est in multis l> SasiUcis Hispani*. feu dormitorio sepeliantur Concilium Mogun- „ tinum cap. ut non in Ecclesia . Nam » si firmissimum hoc privilegium usque núnc manet civitates ut «nullo modo intrà ambitus murorum cujuílibet desuncti corpus h humetur . usque adeo non abhorret. aut in muro n Ecclesia. Abbates.i estent pr»ceres . 91 6 Ar. anno tertio Ariamiri Regis anno Christi DLXI . foris circa murum Basilica:. Roma.Nunc verò tantaontnes homines ambitio Cc . ut inter alia ejus decreta legi in' „ libro manuscripto Bibliotheca. 292 & scq. destinados a o concurso dos fieis : como me fundo nas autori- dades que copeo abaixo ( 1 ) naô receyo fer ( 1 ) Concilium Bràcarense primum eurrente Aera DCCIX . e apurada . Ibidem . 17 . í da Saúde dos Povos. quanto magis hoc venerabilium Martyrum debebit „ reverentia obtinere „. J2 excipit Episcopos . e sobre tudo pello continuo fogo . & principes viri . sed si neceffe est n deforis circa murum Basilics . ut in cappellis . Duvidei muitas vezes se devia mostrar neste tratado os danos que cauza à Saude enterrar nos Templos . e lhe restitue a sua elastiçidade . 298 . & dignos Presby- » teros. " Deforis circa murum. Item placuit . he certo que fica bastante materia de exhalaçoins e vapores podres para mereçer de quem tem a feu cargo a Saude das almas . inter variorum notas . « sed si neceffe est . Naô obstante estes remedios. diminuilas pellos meyos poffiveis e practicaveis. pag. . & non intrà Ecclefiam . nacidos da devoçaô . Pelagius II sic statuit . com que ardem as velas. Canon XVIII « item placuit ut corpora desunctorum nullo n modo in Basilica Sanctorum sepeliantur . Conciliorum omnium Hifpania. Cardinalis de Aguirre . » ut corpora desunctorum nullo modo intrà Basilicam sepeliantur . previa o costume inveterado . n°. ed. e em todos os lugares sagrados . e deçi- soins dos Emperadores Christaqs .. humarentur . quamvis' . de Laicis . pag. in tomo II collectionis maxima. Idem statuit Cencilium Tibnrienlè . atrevime apropor que se prohibisse enterrar nas Igrejas.

vel in atno . qu. de sacro-santis Eccles. . alei das doze ta- boas ò prohibe claramente « ìntra urbem mor ts tuum ne sepelito » cuidaraô aquellas cultas naçoins na pureza do Ar . ut Fidelium corpora intrà Tem- „plorum ambitum sepelirentur . e conçe- deo se estagraça fomente a os Bispos. e na confervaçaô da Saude dos Povos. exçeptuando aquel- les dos fantos Martyres . . vel in exedrìs . . Pedro. Episcopum tamen . foi enterrado em fa- grado : o mesmo Constantino ó foi fo no vesti- bulo da Igreja de S. seriùs in Ec- „ clesiarum usum receptum est . ut in sacris vestibulis . cod. in »S ». Nem os Gregos nem os Romanos enterraraô ta mais dentro das cidades . II. .. „ . qu«e claustra vulgò appellantur. lib. aut in Templorum atriis conde- wbantur. Ate o tempo do Emperador Constantino he certoque nenhum cadaver .92 Dcl Conservaeaô censurado. superbe collocentur ». Introduziofe em Roma quey- mar os cadaveres . citatum cap. Abbades e a todos aquelles que tinhaô fundado Igrejas. przcipiendum I j. &c. CabaiJutius ».. todo o dano que podia rezultar das ex- halaçoins ingratas. ou que tinhaô sido Protectores dellas : a pie- » fastus ccepit . quos Ec- »clesia cuitu publico veneratur. J7. Paulo que tinha edeficado: correraô os tempos . Reliquorum enim Fidelium cer- w pora in publicis cœmiteriis . 2 . putres forma» „ prope Christi Dei veri sacramentum adhibitis marmoreis ima- » ginibus . " Et n°. ultimo in ipsis Ecclesiis » tumulari Episcopum moi suit . e de S. vetans intrà Ecclefias „ sepulmras mandari Fidelium cadavera . cap. sendo o primeiro ó do Dic- tador Scilla e foi bastante este exemplo autori- zado para fe introduzir universalmente . lib. impe- dindo-se pella quantidade de aromas com que ardiaô . I74J . prarerquam illorum . ibidem. artus. trunci . Taôbem se poderaô 1er " Lettres fur la sépulture dans l'Eglise 4 pMoasieur leC*. 2 . fi Sazo- „meno fidem habemus. Caïn . y. sed vel in porticu . ut lacera corpsra .. quando o animo comque escrevo naô he mais que de fer util a o publico. Huic plané consonat Concilium Vasenso r. qui voce intelliguntur Ecclefia- » rum contigua loca .

e o ardente zelo de repouzarem as suas cinzas nos lugares . e prohibiraô nesta materia . ou dos danos. ou pello nafçi- mento . firbitrios sò com os pobres se executarão» . Em França de pois de dois Seculos a esta parte raras laô as pessoas . depois que na Igreja se fizessem as exequias. Varios arbitrios se tem dado tanto para com pensar aquelles emolumentos . se naô forem illustres . Seculo se introduzio sem dis tinçao enterrarem <è todos os fieis nas Igrejas : portanto percebendo-feem Italia. da Saude dos Povos. e tudo o mais que a Santa Madre Igreja ordena com os cada veres . e ventilados dos ventos se erijaô cimiterios cercados de muros altos . No IX. ou riquezas . 9j dade dos fieis . ja inveterado . que se enterraô nas Igre jas. coineçaraô nestas partes da Christandade a destruilos . Em Italia depois de alguns Seculos a esta parte depositaô os cadaveres nos lugares subterra neos das Igrejas . como saô que custe mais dinheiro dobrar os finos : que a roda das villas e cidades em lugares altos . antes de ferem enterrados : mas estes. que causava este costume . ou do abuzo . mas louvavel na intençao. a donde jaziaôas dos Martyres . lembrando-íe do que muitos Conçilios ponderarao . e a remedealos. a Saude dos viventes . como para oc- correr as diffiíuldades de enterrar fora da ci dade . contrario . prevaleçeo para introduzir hum costume . e no X. e em França. mas ò proveito que ti rao delle as fabricas das Igrejas tem sido a cauza deperseverar ainda com bastante frequençia. que chamaô Çampo-Santo fora das cidades. na verdade . e depois de algum tempo os transportaô a certos cimiterios . Varios escritos contra este costume se pu blicarao neste Seculo .

Refere Ricardo Mead ( 1 ) doutilíimo Me- . tanto mayor será a transpiraçao da terra : o Ar das Igrejas sempre he mais quente . as quais respirarao os viventes por muitas horas no mesmo sitio. £4 Conservação Asim se verifica .enterrar nas Igrejas he contra certos Conçilios .425. . e espeçialmente contra ode Braga. . espeçial mente he mais perniçiozo a os Sacerdotes. Dis que se hum homem jmprudentemente se assentasse ( 1 A Meçhaniaal Account of Poisons. A podridao dos animais que se sustenta ô com erva naô he taô activa nem taô perniçioza. será ordinariamente cheyo de partículas humi das j de exhalaçoins corruptisiimas . Lpndon . como a da quelles que se sustentaô com carnes : como o sustento dos homens consiste muita parte de materia animal. e para que os Ecclesiasticos tomem a sua conta des truir . taô volatil que-se desvaneceria pellos ares se ficasse aberto . mas mais pezado . in 8°« pïg. Estes danos saô evidentes . e as Constituiçoins dos Emperadores : alem de fer perjudiçial a todos os fieis . quero mostrar aqui que elles saô aquelles que sossrem mais por estas exhalaçoins que o resto dos fieis. ò vapor que se exhalava era imper ceptível. taô corrozivo. que o exterior : ordinariamente encerrado . que à rolha comque se tapava se consomia : posto emsima de huma mêza junto da lus de hua vela . . 174j . dico Ingles que tivera em seu poder hum vaso cheyo de hum licor taô claro como agoa . que se gerar delle seja a mais perniçioza de todas : j a vimos que tanto mayor for o calor da atmosfera. este abuzo . he força que a podri dao . como se ve nos lugares abayxo . e todo hia parar na flama. que .

Garlos Pringley ( i ) taôbem Medico Ingles.& Gure of Hospital Si Jaylj . e que como ali estaya o Ar mais quente. os Juizes que estavaô assenta- dos diante de muitas velas acesas . Aquelle saga- cifíimo Medico sicou persuadido fer esta a cauza da morte da quelles Magistrados por ficarem junto das vêlas . as quais mostraraô a sua violençia na quelles que estavaô ali assentados. entaô junto da vela que ficaria envenenado. da Saude dos Povos. com hua pequena janela detras para refrescar o tribunal. para ali hade correr de todas as partes o que estivera roda . que estaô apodreçendo ? Pois a estas he que estaô fujeitos os Ecclesiasticos que administraô os fantos _Misterios do Altar : ali o Ar esta mais quente . e para ali vinha dar aquelle mais frio . antes em enxovias . e que ò resto dos circon- stantes cahiraô na mesma febre. e que pello bem do genero hu- mano à sepultàra no esquecimento. Se as exhalaçoins que fayem dos corpos vi- ventes faô taô venenozas. . e cheyo de exhalaçoins humidas e podres . e este he o de todaa Igreja . refere que julgandose na Relaçaô de Londres certos prezos . da qual coqi muito trabalho escaparaô a vida. a donde se enterraô os mor- itos . a donde cada dia se abrem as. Ípe quatro delles morreraô em poucos dias de ebre pestilente cauzada pello cheyro horrendo que de fi exhalavaô aquelles prezos . que tinhaô sahido da prizaô na quelle instante. c que perderia a vida lentamente : que sabia a compoziçaô . sepulture. (l) Observations ou Nature . por consequençia estava mais raro .ali he mais ligeyro . detidos de . queeffeitos naôpro- duziraô aquellas dos cadaveres .

ou cazas de ossos . e molles se desva- rieçeriaô pellos Ares . com cazas a roda ? Que diremos da quelles carneyros . domando a .iás levantar a cal depois de consu mir as partes mais liquidas . por ter o seu fundamento em jhjuâ piedade exemplar. ficaôbs ossos . ainda -que escuzavel . he somente dissipando a e fazella subir mais de pressa nos Ares . cerca dos de moradas de cazas . Logo esta precauçao naô tem todos os requezitos de que necessitaô aquelles lugares sagrados. junto das Igrejas. e as cartilagens que pouco a pouco vaô apodreçendo : mas que diremos da quelles cimiterios sem campas . Bem sei que estes danos foraô previstos em Portugal porque ordinariamente . e as vezes dentro dos mosteyros ? Naô ficaô nelles bastante materia para infectarem os lugares a roda ? Destes con hecimentos evidentes . 96 Da Conservaçaâ a donde entraô tantas pessoas que transpiraô J c que podem transpirar exhalaçoins taô vene- nozas como as da quelles prezos. Alem disso nem tudo se dissipa com a cal . jCAPITCJLQ . costumaô lançar cal nos cadaveres tanto que os metem/nas sepulturas : metodo excellente . nem embotando a. e ja" mais cauzariaô o nunimo dano a os viventes : mas desgraçada mente consomense os cadaveres à força de cal nas Igrejas . autorisados com os Con- çilios . mas esta fica dentro da Igreja encerrada. norma das nossas acçoins . tanto quanto me lembro . a cal se he o correctivo da podri dao naô he. he que sahio ò atrevimento de censurar este abuso. fora tá \ ílla ou cidade exposto a todos os ventas : entaô aquellas exhalaçoins podres que. se foss^^m operaçao feita em hum cimiterio.

EM quanto as ordenas Monasticas naô de dicarao quasi todos os seos Religiozos a tomar Ordens Sagradas . Como o seu exerçiçio con sistia na oraçao . e na meditaçao . . da Saude dos Povos. da dia . Da necessidade de renovar o Ar frequente' mente nos Conventos e em todas as com- munidades. e a renovalo. e veados : Duvidei muitas yezes se naô eraô superfluas todas aquellas ri .. foraô preçisados fundarem os conventos nas villas . He notorio que se nas coitadas se multiplicar a cassa com excesso . he o que succede nas lebres . e nas cida des : ordinariamente poucos se achaô fundados favoraveis a Conservaçao da Saude : raros os que pella sua structura interior conservaô o Ar seco e ventilado . e muita parte do dia no trabalho corporal cultivando a terra estes eraô os lugares que escolhiaô para em pregar aquella santa vida. como se a peste de solasse aquelles animais . sempre desvia dos do povoado. e a administrar os santos Sacramentos.CAPITULO XVI. Mas depois que quasi todos vieraô Sacerdotes e começarao a administrar os Sacramentos. yj . e entre bosques . se naô suprir a arte a purificar o Ar ca. destes defeitos resultaô mui tas enfermidades habituais . fundavaô os conventos nos campos . que morre muita parte 4ella a hum certo tempo .. e a gudas : mas mui tas mais poderao cauzar o excessivo numero de Religiozos a proporçao do lugar que habi tarem . coelhos .

a pezar dos mirantes e jardins . nos hospitais . a clauzura . e encerrado . he força que naça entre elles huâ peste . jcteriçias . e corrupto destes lugares. e naô vi nem li author que accuze ó Ar encerrado . Observaô-se nestes conventos tantas queixas habituais. como na quel- les dos Frades r se ó Ar hlimido . e o-folido conheçimento da natureza nos mostraô que lo- g'o que em hum districto . e nos na- vios de Guerra. arthriticos . buscaô mil causas chimericas . ordinariamente as payxoins da alma . Nos conventos das freyras a donde a clauzurahe mais estreita. e que persevere até que se dissipe . ou comarca houver tanto gado . e muito mais ò das sellas . se à multidaô das Religiozas seria a cauza da . e ventile a quelle Ar. como saô os males hypochondriacos. ò Ar dos dormi- torios está sempre suftbcado . histericos . Deveriaô considerar aquelles que cu- raô nelles com mayor indigaçaô . 9$ Da Conservaçaô gurozas penas impostas pello Magistrado contra aquelles que trespassaô gados das terras a donde existe mortalidade nelles : Arazaô. como lcirrhos . Enaô se ensoberbeçao os homems . que os mesmos animais venhaô a relpirar as suas exhalaçoins . estes danos saô mais consideraveis . pello estreito espaço e pequenhex das janelas com que estaô edificadas. e rheumaticos : tantas ehfermidades originadas das obstruçoins das glandulas . que a dos Frades . que as suas exhalaçoins chegarem a infectar o Ar . febres hec- ' ticas . tanto que o Ar estiver taô cor- rup.to dellas . cançers . todos accuzaô . o mesmo Ihes sucçederá logo que viverem tantos juntos que venhaô a reípirar o Ar infetado com a sua propria transpiraçaô : a bayxo veremos o que succede nas prizoins .

Se o Convento naô estiver fundado em sitio alto : se for dominado por outros edifícios . lagos . claustros . Entramos as vezes em semelhantes lugares naô estando costumados a habitallos . viradas para ó Oriente . acu- zamos logo o cheyro de huâ rosa . sintimos hum naô sei que de ansiado na boca do estomago . cozinhas e adegas forem humidas . cada dia . ou Religiozas viverem nos quartos bayxos do Convento : se o refeitorio . e sinti- mos logo como se nos apertassem as fontes da Cabeça . e ficarem abertas por alguas horas . será a cauza da quellas doenças . de huâ pas tilha . mostrandose por differente» symptomas . » para o Norte . ou que proçedera da mesma origem . ou. ou quinta parte das que ali habitaô ca- hiaô na mesma enfermidade . oa por arvoredos . de hum lenço com agoa de flor . mas ja mais pensamos nos effeitos do Ar encerrado e íuffocado por tantas grades . e guardalo puro e seco jua . que os poços . feriaô a cauza. se os Religiozos . dd Saude dos Povos* lnfecçao do Ar. tan tos ràlos : estes innumeraveis impedimentos à yentilaçaô do Ar . deveriaô logo ponderar se a infec çao do Ar ou as suas perniçiozas qualidades ad quiridas . montanhas . custanos respirar. ou terras alagadas : se os dormitorios naô estiverem edi ficados de tal modo . forem húmidas . Quando observassem' que a quarta . entaô poderá o Me dico persuadirse que a atmosfera . cisternas * e fontes de repuxo fejaô cauza da humidade por estarem entre paredes que impedem a ventilaçao do Ar : se as paredes dos dormitorios e especialmente das sellas . que se terminem em ja- nellas rasgadas . tantas portas . . ou que pello menos às fará rebeldes.

e em poucos dias cessou a Epidemia. e observou que a fonte da qual bebia todo o povo . e bayxas. ou Abadessa ter summo cuidado das agoas tanto para beber como para cozinhar . Lembrome que em hum lugar perto de Coimbra devastava os seos habitantes huâ Epi- demia mortal : despois de haverem tentado va- rios remedìos chamaô por ultimo aquelle cele bre Medico de Buarcos . e taô estreitas . mas taôbem os telhados. se lhe faltar. A lim- peza das fontes e das cisternas . Da Conservaçaô lamente com a infecçaô delle cauzada pellas exhalaçoins dos viventes taôbem encerradas. ou ci-j . eos aljarozes. Duarte Lopes : infoç- masse da cauza da Epidemia. V IOO . e o tanque ou arca donde idescançaô as agoas . e passaô. O mesmo se deve entender da Origem das a goas . mas hé necessario evitar que naô se infectent ou pellas latrinas . hé huâ das cir- cunstançias que fazem as agoas conservar a bon- dade natural. sobre o qual estava fundada a Igreja : sus- peita a corrupçaô das agoas pella infeçaô que the communicariaô os cadaveres : prohibio que -ninguem bebese da quellas agoas. Deve ranto o Medico como qualquer Prela- do. saô a cauza que os Conventos vem a fer por fim tantos Hof- pitais. ou que fer- visse para cozinhar . por donde correm . tudo pondera . e dos canos por donde passaô. Daqui vemos que naô fo se devem ter limpos os canos. e o peyor de tudo nas sellas taô piquenas. naçia a ó pe de hum oitei- ro. como taôbem dos vazos a donde se cozìnha. he o mesmo que beber agoas encharcadas : naô so as cisternas se de vem mandar a limpar nofim de cada estio' «ntes que começem as chuvas . tudo examina. os canos.

e Alemaô . in 4?. IOI tniterios vizinhos : e esta seriá taôbem hua ra zao demais para que os cadaveres naô se en terrem nas Igrejas junto das quais houver fon tes . entaô he que daô qualidades vene- nozas a comida : as mesmas daraô as comidas feitas com a zeite . . O fazer doçes em ta chos de Cobre pareçe naô tem mostrado quali dade perniçioza : mas defpois de feitos fe por ignorançia . porque o fogo as dissipava : pello que feria mais seguro desterrar de todas as cozinhas. que experimentarao muitas communidades e cazas particulares. i . nestes vazos . ou negligençiâ . A pezar de estanharem cada mes os vazos de cobre. Halx. se as deixarem esfriar nelles : gerar fe ha verdete . a pezar que seja o cobre amarello . que cau za vomitos até morrer. ou chafarizes. que naô atrahia em quanto fervia . Os funestos sucessos . os deixarem esfriar nelles . he certo que sem pre communicaô à comida qualidades mui no civas a o nosso corpo : mas o que he de summo perjuizo he ò cozinhar com vinagre. ou por cozinhar em panelas de cobre . ou outra qualquer forte de vazos deste metal . Françes . ainda mesmo estanhados . em toda a Europa. e confeytarias ( I ) Schulze Dissertatio de morte ia oUa. veneno horrendo . ainda que seja para tempero . certamente que o a sucar ainda que fi que em ponto alto atrahirá particulas do co bre . da Saúde dos Povos. como hé aquelle das nossas caldeyras . e bem frequentes . tem sido a cauza que em Sueçia por autoridade publica naô fe cozinha nelles : em França vaife introduzindo cozinhar somente no -barro e no ferro : tantos escritos contra este costume se tem publicado em latim. que acho superfluo çitar mais que hum dos primeiros Autores ( 1 ).

e da quelle metal para comer . ou salmouras com vinagre . server o caldo . ou naô deyxar esfrîar os doces nelles.J02 Da ConservaçaS esta sorte de vasos. ò sal delle. e outros males chronicos. sal . ou summo de limaô . Elia Bucnero. formarse ha no fundo hum pé que terá as mef- mas qualidades do sal de Saturno : vidraô os louçeyros com chumbo . o estanho falsificasse com o chumbo . speciatim ex ovis conficiendorum . destas para cozinhar . 1753 » in4°' Neste escritp se lem muitas obiervaçoins que mostrjô o jpeygo 4e Cozinhar . ciborumque . ainda mefmo plpite fervido nelles . adquere qualidades venenofas : e tenhaô pjdps por-terto que nenhum vafp de estanho he sem mistura de thwttbp f pu 4e fegulo 4e antimop»p . ou oves com vinagre e lai em yasos de estanho . mas tem estas vaixe- las feu perigo . çoipo (e fa. prae- parationem neçeffarìo. como das panelas vidradas . Todos uzaô do estanho sem temor . asmas. em ín|U» tsm» - . e dores de todo o ventre. que se mostraô por flatos. he venenozo : aflm se deviaô absolutamente desterrar das cozinhas esta forte de vasos. naô peçestito cítar Authores para provar a verdade do que digo . enunca uzar delles para fazer caldas. ò qual se sas com vinagre . e ( i * Dislertatio de circunfpecto usu vasorum stanneorum ad jwtaum . e logo que ò vinagre . porque oslicores açidos saô osqueroem e desfazem estes metais . e communicados asim produzem coliças. Quando se cozinhar em panelas vidradas com vinagre . Hais Magdeburgicz . toda a utilidade consistiria em a temorizar os animos dos Leitores lendo os funestos effçitos destes metais nas cozinhas . e peito . no estanho mesmo que sahe da mina se achaô muitas particulas arse- necais ( i ). A. ou sumo de limaô. ou fazer salleiros deste metal . dores de estomago. ou summo de limaô tocar os pratos deste metal falsificado cauzaô muitos males .

capellas. O milhor meyo para fazer hum vento arti- fíçial he o fogo : devesse em cada corredor . creyo Convençidos os Prelados C as Abadessas da necessidade de ventilarse o Ar cada dia . e com mayor efficaçia que o vinagre. e nella conservar fogo de veraô. Se dentro das sellas se sintir bolor . ou dormitorio fazer huâ cheminé da qual da- femos abayxo ( i ) huâ circonstançiada discrip- çaô. da. IOj «îestinados a guardaremse nelles salmouras. Abayxo no lu- gar citado daremos a razaôdesta operaçaô quo- . e humidos . ou naô tiver sido habitada por muito tempo se devia fazer o mesmo . como faô pimentos . Ficaraô . que sem- pre fica nos lançois . mas ainda para renovar o Ar de toda a roupa. de Veraô e de Inverno. e tomates. coro . ou lugares encerrados . claustros . ficando abertas em quanto fervesse o vinagre. coro . como em cada sella : quando o Convento sor edifi- cado em lugares bayxos . e ervas a cortir com vinagre . a'meyxas. expor nellas as camas . sera fer vidrado posto em sima de hum grande foga- reyro de fronte das janelas dos dormitorios . O mesmo (l ) Ho Capitula que tiata <da renovaçaôdo Ar nos tíospitaia. naô fp para secalas do suor . ou mandar queymar polvora dentro porque o feu fumo corrige mais depressa . e que pellos ventos naô se possa renovar o Ar . entap íe deve fazer artisiçial pello meyo do fogo . Saúde dos Povos. e transpiraçaô .tidiana . azedas . ou mao cheyro . e a o mesmo tempo cada dia mandar abrir as janel- las das sellas . e renovasse tantonos dormitorios. G iv . Em sua falta se devia mandar server vi- nagre em hum grande alguidar de barro. e£- cabeches . e oratorios. e de Inverno pello menos pellas manhaâs por algua$ boras.

jiaô habitada por muito tempo. ficaô fechadas para sempre : varios defumadouros se inven* taraô . mas para purificar qualquer habitaçao. por aquellas operaçoins repetidas cada dia. sacudir . e as febres pestilentes . naô so nestes cazos-. ou quarto pequeno . Sucçede muitas vezes que as sellas a donde morrerao Freyras Tisicas . por estar ali o Ar mais en- çerrado . que em outra qual quer parte. agitasse . ou Religioza morresse na sua sella . todos os moveis delle . taôbem renovar as muralhas de çimento . atravessa das pello quarto : as janelas deviaô fecharse de tal modo que por ellas naô podesse sahir nem entrar o Ar : logo depois se devia meter dentro hua panela de ferro . Taôbem contribue muito para a salubridade do Ar mandar barrer . e infectado pella transpira çao de quem ali habitar. e mandalas cayar de novo muitas vezes . . ainda que naô pareça necessario . humido . adquere a sua elastiçidade : e este cuidado deve ser mayor nas sellas . e de bayxo das camas . secasse o Ar . e por dentro hua bala de artelharis . e esfolinhar cada dia os sobrados . e tudo de que se compusesse a cama se devia pendurar em cordas . e tectos . ou caldeyra forte do tnesmo metal com hum arratel de enxofre feito em pó . ou com cançers . tanto dos dormitorios e sellas . a donde o Ar sempre ficava suffocado . mas o mais seguro e efficaz remedio. obscuros . paredes . ou outros males contagiozos . e sem ventilaçao do Ar . como saô as bexi gas . como dos mais luga res encerrados . j'Ó4 Da Conservação je deve entender mas enfermarias dos Con- /Ventos. Se sucçedesse que Religiozo. he o seguinte.

Mau- riçio de Tolon inventou hum difumadouro com ó qual purificava tanto os moveis. e tendo antes cuidado de pòr a panela de ferro em tal lugar. da SauJe dos Povos. A o mesmo tempo se depura- vaô os apozentos . Ninguem considerava purificar os moveis . Abayxo quando tratarmos dos Hospitais daremos o uzo e a compoziçaô delle. e as enfermarias . e camas . e foraô taô poderozos aquelles difumadouros que aba- teraô aquelle terrivel flagello ( 1 ). de Lisboa . Devastava a peste a cidade de Genova pel- los annos de 1656 : queymavaôse os vestidos . nem os apozentos empes- tados . l66ï. nem a purificar os moveis delle. e o mesmo tempo se cometiaô mil roubos . ate que dito lugar se podesse habitar e uzar dos moveis do defunto . que naô pegasse o fogo aroda : este difumadoiiro se poderia repetir îres je quatro vezes . fem receyo. por tantos dias continua- dos. o que augmen- tava mais o contágio. e da qui resultava espalharse mais a in fecçaô. Bem sei que por lei publica se queymaô as camas e os vestidos dos que morrem de mal contagiozo na cidade. como os ves tidos . mas naô chegou abon- dade desta lei mandar corregir a infecçaô do apozento a donde morreo ò enfermo . e ali se poderaô ver as precauçoins que se devem ter para que naô cauze incendio. sa- hindo fora por temor de naô suffocarse pello fumo. de tal modo que naô era neçes- sario queimalos. e fechar immediatamente a porta. ( 1 ) Tratato Político da prattiçarse ne teropi de U peste Ge» Oova. 105 ou hum pedaço de huâ barra de ferro . . in 49. . feîta era braza. e as camas dos que morriaô della . . Hum Frade Capucho chamado Fr.

e diversidade de objectos o enfermo : naôhedeste lugarpropor. de tal modo que se sintaô os effeitos da humi- dade . e os regatos de agoas vivas . fem sicarem humidos com excesso. lavados dos ventos podem fer uteis . do que as de îinho . e de adquirir pella. e bayxos naô con- vem fontes de repuxo . huas vezes para os lugares mais al tos . e preseveraremse . e tantas arvores que sirvaô de refrigerio . igualmcnte ò será aquelle mais humido . e intro* duzir nos Conventos das Religiozas muitos exe. comforme fossem favoraveis às enfermidades j ua intençaô de mudar de Ar . se nelleshouver cercas . ou de sella a estes enfermos . to6 Da Cônservaçaô Naô deçidìmos que as camas . nestes fitios humidos. tanques . sem primeiro mandar lavar a lam . arvoredos taô altos . sua mudança vigor .r- çiçios honestos para curar . que fejaô mats bofques que pomares : nos lugares altos . fecos . e de algodaô faô mais aptos para reterem as particulas podres da infeccaô . colchoins . e eípalhala em forma de velo . ou de feda . todos os vestidos de lam . e espessos . entaô devia fer perfumada com as cobertas e lançois. e fufibcado cjentro dos Conventos he taô noçivo . e arvoredos . da quelles que morreraô de mal con*- tagiozo ficariaô purificadas com os difumadou- ros do enxofre. e ventassem os ventos mais frios. e xnollientes . Se o Ar encerrado. e colchas . outras para donde houveffe milhor vista . e pendu» sala sobre cordas . ou jardims com muitas agoas . e por essa razaô se de» via ter mais cuidado na sua depuraçaô. roborantes. e antifepticos seria necessario man dar mudar de enfermaria . Nas queyxas chronicas que os Medicos tra- taô com remedios a margos. ou quentes.

He verdade que esta instituição he digna do nome Christaô . que íe podia esperar da caridade . e tido por inutil . e da experiençia dos Medicos . e a mais piadoza . alem do exerçiçio moderado . J)a necessidade de renovar o Ar frequente mente nos Hospitais . ainda que a sua geral introdu çao fosse somente no Seculo XII : porque ate aquelle tempo a Europa se governava do modo que hoje se governa Polonia : em quanto naô houve mais que duas condiçoins de vida . e bemfeitores. e regramentos muitos defeitos . e da limpeza . que te rao introduzido os (fcais saudaveis . e de reçeber o bofe aquelle espirito vital da terra ( que naô deve ser estercada de novo ) o animo se distrahe . naô havia Hos . para a consola çao e conservaçao dos habitantes pobres . cavar a terra . 1 07 de muitas enfermidades : persuadome da capa cidade. naô tirando delles o Estado ò proveito . da Saude do? Povos. oude escravo . quero duer de Senhor. * CAPITULO XVII. e piedade dos seos fundadores. e se recrea na nova applicaçaô e deversidade dos objetos. Ainda que os Hospitais gerais -de todas as cidades da Europa scjaô a fundaçao a mais necessaria . con forme as forças com instrumentos de ferro fei tos a propozito nas queixas asthmaticas . Naô callarei hum destes mui vulgar. e que per- mettir o estado da Clauzura. ve mos por tanto na sua fundaçao . e he mon dar as ervas nos jardims . que nelles se deve conservar.

pellas cazas da Misericordia estabaleçidas nas villas . introduziraôse geralmente os Hospitais 'gerais . ou porque augmentandose o numero dos habitantes . Confervaçao pitais gQfaîs : cada Nobre tinha cuidado de cu- tar os seos escravos . Todos perçebem os danos destes defeitos. e nas cîáades. naô fica sensivel a os feos novos effeitos. Estaô ordinariamente fundados no meyo das cìdades. io8 . logo o ingrato cheyro nos offende . Chirurgioins . que as agoas que passaraô a o lado do Hospital vem a servir toda a cidade. vivem por muitos annos fem molestia : porque costumado o corpo a ò estimulo venenozo . e em Portugal mais piadozamente que em Reyno algum da Christandade . ou a enfermidade. huâ leve dor . todos nos primeiros seis mezes cahem em febres. depois que recla- maraôos bens Ecclesiasticos parafoccorrer apo- breza . Da. e Enfermei- ros . porque cada Nobre era foberano da sua villa ou aftea que lhe perten- çia. ou pella façilidade de transportarem aîi os enfermos. se acha hoje no meyo dellas : pella commodidade dos enfer mos estaô fundados perto dos rios . ou pezo de cabeça : sei por experiençia certa que íodos os Medicos . Entramos ém hum Hos pital . que vivem dentro nos Hospitais . logo se fente huâ leve nausea . ou em sitios bayxos : as vezes com taô pouca precauçaô . o edifiçio que estava antiguamente nos arrabaldes . Mas depois que os Reys pouco a pouco deraôaliberdade a os Povos. e as vezes mortais : se escapaô . Mas a stia vastidaô he o defeito mais consi- deravel : e por consequencia o numero dos en fermos desde a sua entrada nelles ate a cabarse a vida . .

mas de feridas . No Hofpital Real de Pariz . e nem à força de cheyrar vinagre podemos supportar o fetido da quellas exhalaçoins : mas todas estas sicaô en- çerradas na quelles espaçiozos edeficios . e das pessoas destinadas a o ferviço interior de hum Hospital achei que a cada quatro ou çinco enfer mos correspondia hum fervente delle . . destinadas a servillos dia e noite. ou na Enfermaria . Tanto quanto pude calcular entre o numero dos enfermos . Deste modo à cada mil enfermos cor- respondem duzentas a duzentas e çincoenta pessoas . e barre . respiraô . e outras doenças de infeçaô. e botica. e dor- mem os enfermos : he força lógo que adquira nos Hospitais á podridaô ò degraó mais acre . contan- do desde o Confessor ate ultimp que lava . chamado Hâtd - . Aísim fe augmenta ainda mais a corrupçaô do Ar da quelles edefiçios. e na quelle Ar comem . e o mais perniciozo. da Saúde dos Povos. ou na Cozinha . He certissima obfervaçaô . Naô fomente fe infecta o Ar pello demaziado numero dos' enfermos . de cha- gas . proporçaô guar- dada . Desmaya- mos muitas vezes aodesatar hua chaga . muito mais . naô sò com fe- bres . mas taôbem pello nu mero dos que o fervem. se curaraô nelle. mais activo . de dysenterias . ou gan grena com ossos podres . bebem . que quantos mais enfermos estiverem em hum Hospital muitos mais morreraô : e que quanto mais os Hospitais forem pequenos . I0«? Vimos asima a immensidade das exhalaçoins Îpe sahem do nosso corpo. e quam noçivas ejaô se as respirarmos muitas vezes : ponde- remos agora quanto mais noçivas seraô aquel- las que exhalaô os enfermos .

e que ja mais as curaraô nos Hospitais gerais . quatro çen- tos : a cinco mil enfermos. e se sucçede as vezes he com grandissima dificul dade. O Hospital dos Frades de S. Da qui le ve que as mortes nos Hospitais le augmentaô a proporçao do mayor numero dos enfermos. porque os Chirurgioins sabem evidentemente que podem curar nas cazas particulares da ci dade feridas da cabeça . He dissiçil mudar os costumes introduzidos . e mui poucos saô aquelles dotados do genio a jeflectir no que vem introduzido . Joaô de Deos da mesma cidade tem constantemente sesenta camas oceupadas : no espaço de hum anno en traô ordinariamente nelle de 2200 a 2300 en fermos : commumente naô morre mais que a oitava parte . quero dizer de quatro mil e. e chagas das pernas . e enfermeiros de 200 a 250 : he força logo que cada anno pereça nelle a quarta parte dos enfermos . Huâ taô gran de differença naô provem de outra cauza do que da mayor . entre assistentes. porque a mayor parte dos homens vivem imi tando o que viraô depois da mais tenra idade . quero dizer de 275 a duzentos e noventa e hum enfermos. pouco mais ou menos. Se Pariz a donde se contaô quasi hum milhaò de habitantes necessita de dois Hospitais publi cos que contém 1360 camas he certo que se ò Hospital Geral de Lisboa necessitar taôbem de 1300 camas . que lhe seraô necessarios .HO Da Conservaçaô de Dieu y ha constantemente 1300 camas oc- cupadas : no espaço de hum anno entraô nellc ordinariamente de 18000 a 20 : 000 enfermos : commumente morre a quarta parte deste nu mero . ou da menor corrupçao do Ar . sem embargo .

ou ella pode curarse commais vagar. Por exemplo : cahe hum homem enfermo de hum pleuris . persuadome que avista dos danos que pa- tenteo. concorrerá a mefmapiedade quefundou os Hoípitais a remedeallos.febres intermittentes . Ou a doença re- quer immcdiato socorro . Logo que as suas doenças fossem examinadas . pleuris . com ó feu numero . deviaô fer mandados a hum fegundo Hospital fora da cidade. O Hospital ja estableçido na villa . que ameaça morrer tisico : neste cazo passados os vinte ô hum dias da doença aguda no vinte e dous . Naô so aquelles enfermos que chegaô cOm queyxas chronicas a o Hospital da cidade de viaô fer transportados a o fegundo Hospital ditto . fractura. quartans. à entrada haveria nelle a despoziçaô seguinte. queymadura grave . huâferida. dislocaçaô. dos quais as queyxas se convertesem em chronicas. e todas aquellas que o Medico julgasse podiaô curarse sem immediato socorro . e outras doenças que chamaô agudas . da Soude dos Povosi jf 1 1 da opposiçaô que encontrará o que vou a pro- por . como as hydropefias. deviaô fer trata- das no Hospital da cidade que suppomos jafun- dado.Huâquedamortal. ou na cidade devia fer comO ò porto a ò qual haviaô de abordar todos os enfermos. febre conti nua . Porem se a queyxa fosse chronica . mas todos aquelles curados no Hospital prinçipal . he levado a o Hospi tal da cidade : requer cura immediata a íù* queyxa : curase ali mesmo : mas este pleuris ter- minouse em abscesso do peito. apoplexia. « a relaçaò da doença feita pelfa . chagas . ou- ▼inte e tres da doença devia fer transportado a o fegundo Hospital fora da cidade .

e naô . huâ icteriçia . so para os Medicos e Chirurgioins. . v. fora da cidade . determinado fora da cidade : do mesmo modo aquelle enfermo cu rado de queyxa chronica no segundo Hospital. destinado somente para os convalescentes. destinado a curar as quey xas chronicas : deste modo feria o Hospital da cidade ó porto . g. differente da quelle segundo . Deveria haver nestes tres Hospitais hum re gimento exactamente observado . e comprehendida dos bem-fei- toíes dos Hospitais . Neste se deviaô receber os en fermos dos dois Hospitais por exemplo : curouse hum enfermo de pleuris com que entrou no Hospital da cidade : entrou no estado de conva lescente no vinte e dous ou vinte e tres dias . ou a porta da quelles dous Hospitais nomeados tantas vezes. o que seria façil : naô seria permitido a os dois Hospitais fora da cidade reçeber enfermo algum sem ser mandado pello Hospital da cidade . Ja considero as dissiculdades que me oppo- raô . mas o Hos pital dos Convalesçentes havia de reçeber os enfermos tanto do mesmo Hospital da cidade .til Da Conservaçaô Medico . havia ser logo mandado para o terçeyro Hospi tal dos Convalescentes . entrou no estado da conva- lesçença devia ser transportado a o Hospital dos Convalescentes. . e prinçipalmente quando vou a propor ò terçeyro Hospital . como do segundo . Escrevo esta materia no intento que possa ser entendida . e da mesma forma devia fazer o Chi- rurgiaô nas queyxas de Chirurgia : chegado o enfermo a aquelle segundo Hoípital ali devia ser curado ate o tempo que determinaremos logo.

e que occupem o lugar da quelles en fermos de queyxas agudas . para obtm publico . H . mas como hade convaleçer en- çerrado em hum vasto Hospital a donde as ex~ halaçoins causaô outra segunda enfermidade ? Como recuperará as suas forças ? E no cazo que as recupere será por muito tempo : daqui mayor gasto : occupa pella sua demora a cama que outro poderia occupar. Se os Medicos fossem consultados pellos fun dadores . da Saude dos Povos. e para os bemfeitores. Os danos saô patentes . do que errt humpequeno : vejamos agora os danos que sof- frem aquelles mesmos que escapaô : todas as queyxas chronicas tratadas cm hum Hospital ate o fim dellas he força que augmentem o nu mero . a quem sangrarao por exemplo nove vezes : fica exhausto e fraco : fica convallecente depois de duas semanas . *. Confideraçbins sobre ejlas tres sortes de Hospitais > suas utilidades para OS enfermos . ou dormirem por terra sem cama apropriada . e com muito dezaranjo : convalesçerem no mes mo Hospital he a mayor destruiçao da vida doS doentes . e bemfeitores dos Hospitais he certo que evitariaô accumular muitos enfermos em hum mesmo lugar. ou que sejaô obri gados deytarem dois. 1 1j . e tres na mesma cama . Mas demos que saya este enfermo do Hoípi-. e dos cábedais dos bemfeitores : cu rasse em hum Hospital geral hum pleuritico . e saô os seguintes : a infecçao do Ar sempre he taô grande como o numero da quelles que o respi- raô no mesmo lugar : daqui vem que morre ame- tade mais em hum grande Hospital .

Mas estes naô saô os mayores danos dos Hof- pitais gerais : os mayores . recahe : e que suc- çede ? He tornar a o Hospital : todos sabem as consequençias das recaídas . e o escorbuto . por exemplo . por ultimo vem acabar a vida . Doutissimo Medico In- glez . que queixarse o enfermo de arripios vagos : huâ fenfaçaô de frio . chega a sua caza. porque tenho della toda a experiençia . ficart- do por este meyo frustada a intençaô do fun- dador. 114 Da Conservaçaô tal . 17} I . loS. pag. outras de calor . cauzada forçozamente pellamiseria. ou lava- redas . e cheyo das suas exhalaçoins : poucos Medicos conheçeraô estas duas doenças e a sua cauza : e por istb poucos procuraraô o remedio conveniente : queroaqui tratardestamateria . e veraô quanto as suas experiençias con- cordaô com asminhas'( i ). Digo pois que nos Hospiftis gerais . mas leaô a Joaô Pringley . Lendofl . Começa esta febre sem outra mayor moles- tia .creaô fomente pello que digo . e os mais mortais he a febre pestilente . mas passageiras. como enfermo . com huâ ferida . com hua febre intermittente. prinçí- palmente no tempo do Estio. e como Medico. com a minima desordem . ou feptimo dia que vivem no Hospital nasce nelles huâ febre . ou do Outono os enfermos entraô .mas he obrigado ou a tra- balhar para viver . e proveito do Estado . ou mal de Loanda que se gera nelles pella corrupçaô do Ar respirado pellos enfermos . com hua frac tura e que depois do quinto . e inconstantes : no { i )Diseascs os the Army. . in 8°. que podera escapar commenor custo do Hospital . ou destituido dos socorros humanos . da qual os symptomas saô os seguintes. Naô me.

e todos de huâ ves se mostraô assim : o fastio he mayor . ainda que os possaô mover : tem summo fastio . e profundo . mais duro. deî- tasse na cama . Mas de noite o calor he acre. deste modo passaô os primeîros çinco . perguntados respondem a proposito . prinçipalmente na testa : o juizo turbado de noyte . mais pequeno. e nestas alternativas passa al- guns dias: este he o primeiro estado desta fe bre. da SauJe dos Po vos* \t^ pulso nenhuâ febre : masobservaôse nasmaôns hums leves tremores . se naô he no fim da doença . o que so indicaô pellas ançias . os dentes e beyços com codeas negras : quando mostraô a lingoa se observa tremula . de dia nenhuâ febre appareçe : queixaôse de hum naô sei que . depois a marela . ou sette dias . e sahe de hum . o pulso entaô he mais fre quente. Augmentaóse todos estes symptomas equivo- cos . pequeno . e naô podendo applicarse pello cansaffo a couza alguâ . mas logo cahem na quella demençia . ou tras vezes naô os sentem . com gretas . quandò appareçem turvas . ou do outro lado : a sede he toleravel . o pulso frequentissimo . como se apertassem o coraçaô : alingoa noprin- 4 çipio he branca . can- sasso na respiraçaô . os braços vem pezados :t e taô fracos que apenas os podem levantar. e com sedimento semé-* . e mais fu- mido : as ourinaspouco differentes das do estado de Saude . pezo na bocadoestomago. nos quais o Medico nem conheçe a quey- xa nem o enfermo considera estar doente : por- que múitas vezes se levanta . dores de cabeça nas fontes. tem nauseas : dores de cabeça mais vivas e continuas . os tremores das maôns saô mayores quando se lhes toca o pulso retiraô o braço . deliraô levemente .

por suores de todo o corpo . e ardente : quem apertar com toda amaô todo o pulso do enfermo ( naô por alguns mi. mas estes sympto mas saô mayores depois das onze da noyte ate a madrugada : suaô de meyo corpo : os olhos saô turvos .* nutos ) sentirá hum calor ardente . entaô os suores saô pro- fusisiîmos . II. o que jaobservou Galeno ( i ). veiuti fjamulam quam- y. nas polpas dos dedos por algum tempo . os symptomas augmentaô pordegraós : universalmente a pelle he aspera. e vermelhos. o que indica a gangrena dos intesti- nos. in medio Comment. dura . cahiaô nesta febre ( 1 ) Lib. e adurente . sed etiam superiores partes diliJenter animadverten- w tes . " C^terùm convenít » immorari diutius attrectando omnem manum . como eu meímo a tive . e quando a doença he mortal acabaô por dysenteria feti- dissima . iruà cutem aegri continu » g* » ieijue iafiiwMtem jierip. Como esta febre dura muitas vezes ate os trinta e cinco dias .-'Cíusdum ». si non solùm achorem . Se o delirio for con- tinuo entaô as façes vem vermelhas . sed etiam substautijp copiam . Projjn. e que escapei por huâ icteriçia chronica .tuè m . una secum & quHem corpulentam reportet. Lamentei muitas vezes que os enfermos que entravaô feridos nos Hos pitais . e huâ sorte de sarampaô : entaô a cara he cadaveroza e morrem pláçidamente : se estes symptomas naô saô taô mortais esca- paô por icteriçias . fui mais di- fuso na sua descripçaô. Como vi e tratei esta febre nos Hospitais muitas vezes . levanta-se pello corpo como brotoeja. e fetidos . e se a dysenteria começar . sem outra queixa alguma. dam piirvadentem cutem tua? m :\û . outros fo mente com febres simples . . Ordinariamente o ventre no prinçipio he constipado . non solùm cor- » pussgn. n6 Da Conservaçaô lhante a polme defarinha. e por excreçoins erisipelatosas.

H iij . das doenças . querem sempre dormir . no peito . e vem a ser o escor buto. as vezes por toda a vida : mas nos climas do Norte esta enfermidade he mais terrivel. e dos braços ficando estropeados . independente mente . morrem por fluxos de sangue . todo o corpo he fraco > apareçem nodoas royxas nas pernas. alguâs vezes os visitava . mas estaô torpidos . por dysenterias » e pella gangrena da boca. que nos chamamos mal de Loanda. doença mais conhecida dos navegantes ( 1 ) que dos que habitaô em Portugal. e que se gerava pella corrupçao do Ar . e em tres semanas de tempo todos securaraô a excepçao de dois que morrerao pella grandeza das feridas . se ò acazo naô mo ensinasse : havia no campo de Azos tantos feridos que no Hospital naô ha via ja lugar para admitilos : propus mandar oitenta delles com hum bom Chirurgiaô para hum lugar-duas legoas distante do campo prin- çipal : cada dia tinha a relaçao destes enfermos . Em todos os Hospitais que vi . Conçiderei logo que era força que no Hospital naçesse aquella febre podre . ( que chamaô maligna ) depois de cinco ou sete dias : ignorei por muito tempo a cauza . e beyços . nem sede . as vezes com symptomas horrendos. Estes saô os danos que rezultaô dos Hospitais gerais a donde se accumulaô muitos enfermos» ( 1 ) Abayxo faliaremos outrât ves nesta materia. observei esta doença. como saô a contractura dos tendoins dos joe lhos . Outra doença mais se gera nos Hospitais cau sada pella podridao do Ar . que eraô de bala. da Saude dos Povos. i 17 podre . comque entravaô os en fermos no Hospital. sem limpeza . Nesta doença apodreçem as gingivas . sem renovaçao de Ar . naô tem febre .

a or- dem mais bem observada . e ferem curados mais depressa. Esta he a primeira utilidade que tiraria o mesmo Hospital e o Estado . porque tudo com mayor façilidade se poderia ver . que feria imposiyeí . mas ainda as seguintes : todos sabem que o Ar do campo he mais pro prio para curar ag enfermidades chronicas do que o das povoaçoins : naô haveria tantos en» trevados . do modo que propuzemos allima. e observar. • porque os Medicos e Chirurgioins adquiririaô conheçimentos mais determinados e çertos por aquella practica constante das queyxas. tempo como por preverem naô haver perigo presentaneo . daqui vem que muitos seriaô neste fegurido Hospital curados . tanto por que a sua practica lhes leva a mayor parte do. e que seriaô mais bem curados . ' Quando o Hospital da cidade fosse como porto a donde todos os enfermos haviaô de tocar. os maÍ6 mal atendidos dos Medicos . que se redus a salvar a vida a muitos enfermos . pouparia o Hospital tantos gastos . e que so nelle ficassem aquelles que requerem sor corro immediato he força que o numero havia 4e ser menor . como de duas legoas fora da cidade naô se des- trahirjaô por outra practica que pella do Hospi tal : e como estes enfermos ordinariamente laô. Quando fora da cidade houvesse hum Hospi tal destinado unicamente para curar os ma1 es çhronicos naô so rezultariaô as mesmas utilida des que no da cidade . '.agudas: a confuzaô feria menor : o Ar mais puro . 11& Da Conservação Vejamos agora as utilidades da separaçao destes mesmos enfermos em tres Hospitais . que foô hoje inevitaveis nos Hospitais gerais : os Medicos e Chirurgioins vivendo em huâ aldea.

e na quelle donde se curariaô as enfermidades chronicas : todos ficarao persuadidos quam mais facilmente convalefçeriaô aqui os enfermos . em lugar que os conva lescentes nos Hospitais de hoje cometem mil desordens . e prover às necessidades da vida . que sempre se queyxa da fome : es tando no campo este Hospital ficava preservado deste mayor dano. Com tanto que neste ultimo Hospital naô pudesse entrar convales- çente algum sem haver passado pellos dois Hof- tais nomeados. e que ame- tade dos que hoje morrem poderiaô salvar a vida por este meyo. evitando as re caídas . Quando sahissem deste Hospital seriaô em estado de trabalharem . e doçes para consolar. e quam de pressa . com ali mentos apropriados . e alimentar o con valescente . e salvaria muitas vidas. dentro do Hospital sem maos cheyros . que tantos por ellas acabaô a vida : neste Hospital haviaô de convalesçer todos os que fossem curados . e do Hiv. a molher . e pellas suas doenças. yi c> curallos no primeyro : aqui naô se geraria ja mais infecçao . O terçeiro Hospital destinado somente para os convalescentes pouparia muitas despezas. porque o amigo . e estes enfermos se ficassem no Hospital da cidade he certo que à gerariaô pello seu numero . com tanto que íe fosse fora dos arrabaldes da cidade huâ legoa de distancia he çerto que o gasto feria muito menor. e a May. . levaô nas aljabeyras alimen tos . Mas a mayor utilidade feria de preservasse da quella febre originada nos hospitais . considerando viverem no Ardo campo. a Ir- máa. da Saude dos Povos. no da cidade . Outras muitas conçidera- çoins deixo . porque qualquer instruido dos Hos pitais as podera considerar.

nos na vios. e mostrar . Boticarios . o que aqui suprimo : respondamos por agora somente às dificuldades que me fa raô os fundadores e Beinfeitores dos Hospitais. para ali deixo de referir. ou das r^eparaçoins que seriaò neçessarias para concertar 05 edifi. quando as rendas delles saô destinadas a favoreçer os pobres. O que se propõem he para ser ponderado por pessoas que naô vivem por imitaçao do vulgar: quanto a os gastos de fabricar ainda dous Hos pitais he terror panico : qualquer quinta velha. he de taô pou ca coníideraçao esta despeza. Cozinheiros . e corrupto nas prizoins . considerando o proveito de tantos como escaparao . Boticarios. e naô a fazer edifiçios. Iîô Da. he chimerica : porque em nenhuá parte da Europa se pratica : diraô que os gastos íeraô exçessivos para fundar tres Hospitais. naô incluindo o primitivo gasto dos dois novos edifiçios . Conservaçaô escorbuto. e nas Cazernas . cio§ velhos destinados a este. que naô ynereçe reparo . qualquer palaçio nos arredores da Cidade poderá servir : no que toca a os sal- larios dos Medicos . fim. Medicos. So fundando os tres ditos hospitais he que se pode conservar ó Ar puro e ventila do : por todo este tratado veremos os effeitos do Ar podre . . ou Convento. estes tres Hospitais regrados como devem ser haviaô custar menos hya quarta parte cada anno do que custa o ac tual Geral . Chirurgioins . eu me persuado que sese fizer bem a conta . Alem disso. ainda que com dependençia tal que fazem hum com posto . Dirao que esta ideade tres Hospitais . e Enfermeiros : em fim que nossos Pays fizeraô assim . e tudo o mais que lahe deste pensamento. e a sustentar Cap- pellains .

e pellas janelas principalmente das enfermarias : he ja superfluo determinar o sitio . ficará incapaz para absorber e ventilar aquelle dos Hospitais ja por si podre pellas exhalaçoins dos enfermos. e que he mais dissiçil introduzirse huâ couza util . porei aqui aquelles ipeyos que pareçem efficazes para conservar o Ar pu ro . entaô se poderá esperar . Por tanto se o edefiçio for tal como indicaremos que pello fogo . e que o Ar destas sempre está carregado de particulas hu midas e podres . CAPITULO XVIII. da Saude dos Povos. ou chimines. canais . que como estaô sitos no meyo das Cidades . depois que trata mos asima do melhor das Cidades : deve se com mayor Cuidado secar o terreno dos Hospi tais j e a o mesmo tempo por Canos . que aquella febre pestilente . Remediospara emmendaro Ardos Hospitaxs^^^^^^ e corregir a infecçao dos moveis evejlidos. se inventar vento artificial dentro de cada enfermaria . e ventilado nos Hospitais gerais do modo que hoje existem . ou pello menos para que nel- les se naô origine aquella febre pestilente . fornos. IiI Porem considerando o curso das couzas hu manas . Logo todo o cuidado do Architecto deve ser quando edificar hum Hospital fazello perspi- ravel . e areado por todos os lados . do que trinta que servem de perda aobem da soçiedade. . e o escorbuto naô tenha lugar. A Dificuldade de corregir e renovar o Ar dos Hospitais gerais consiste . e o buto.

e o Ar frio naô ossenda os doentes quando esti- yerem deitados . e taôbem os correspondentes das ou tras janellas para que ó Ar barresse as exhala- coins dellas : as janellas nos Hospitais deviaô ier abertas mui differentemente que nas cazas particulares . que deveriaô chegar a o tecto da enfermaria : cada dia pella manhaâ os postigos mais altos deviaô abririe . e ' íahir pello outro : tendo por maxima prinçipal nestes edisiçios. a donde estaô as cozinhas . O primeiro . e correspondentes para que ó Ar e ò vento pudeíTe entrar por hum lado . a botica. ou a o primeiro serviço da Caza . todas as janelas e escadas de- viaô fer claras . nestas faô para dar claridade . as dos Hospitais baó de fer sò para dar claridade . pella mà architectura das ja- nellas. e pode fer o ter- ceyro andar. deviaô ler destinados para os en- fermos : todos os quartos . a caza de lavar. e a pozentos terreos. e que a lus . deveriaô fer rasgadas . ornato . asalubridade doAr para a con servaçaô da Saude . e taô altas . e portas.122 Da Conservaçaô e cloacas dando corrente asagoas tanto da chu- va como às que sirviraô a ò uzo do Hospiral para conservalo sempre seco. escadas. aqual deve fer preferida nelles à elegançia . As janellas das enfer- marias . Mefmo aquelles Hospitais ja fabricados se poderaô remedear no cazo que nelles o Ar ti que ençerrado. e fumptuo sidade. ou affentados na Cama : por isso deviaô fer mais altas do fobrado até a sua abertura. e yer o que se passa nas ruas . e espeçialmente dos corredores princi- pais . devia ier deltinado para habitarem as pessoas destina- das a o serviço do Hofpital : ja repetimos tan . Tanto quanío permetir o sitio . e o segupdo .

hum as febres . naô ha duvida que se renovaria . saô indi car os meyos de conservar o Ar puro nelles. e alto seria destinado à hua sorte de doenças : por exemplo . e o Ar frio entrando pella janella lançaria o vapor do vinagre por toda a fala. E a o mesmo tempo no tempo quente abrir to dos os postigos das janellas correspondentes . em quanto ar dem dois grandes fogareyros diante de Cada ja- nella . ou a pozento grande . e no frio os postigos de sima. e mais elastico será ò Ar e por consequençia seco. e a metade vinagre. 113 tas vezes que tanto mais o sitio para habitar for alto . mais puro . outro as dysenterias . mover ó Ar . e esfolinhar as paredes. Cada enfermaria. da Saude dos Pvvos. e como pello fogo se geraria hum vento artifiçial . e Chirurgioins . fas lhe adquirir a elastiçidade que perde por ficar encerrado : lo go depois deviaô todas as fallas . e exhalaçoins della . deixaremos esta mate- ria aquem pertençer : o que prometi . so bre os quais estariaô alguidares de barro cheyos de vinagre branco fervendo : b vento . Todos os dias se deviaô mandar barrer as fallas das enfermarias . e os enfermos se curaô mais facilmente : mas como o nosso intento naô he escrever regra- mentos para hospitais. agitando-o . e corrigiria os vapo res . . e prevenir aquella febre pestilente. alguns passos dentro da enfermaria . outro à os males chronicos : esta distribuiçaô convem muito a os Medicos . e os tectos . e enfermarias tanto de veraô como de Inverno ferem borri fadas com a metade agoa . e ventilaria ó Ar : em todas as falas dos Hospitais estas precauçoins saô ne-. ainda que pareçesse superfluo pella limpeza da quelles lugares : este trabalho faz.

e se for mais exten sa do dobrado . se fará outra. Mas no tempo de Inverno saô os frios as ve zes taô penetrantes que feria temeridade man dar abrir as janellas cada manhaâ ainda com fogareiros aceíos : por essa razaô indicarei aqui a invenfaô de M. pri- foins . Hospitais . ficando deste modo. e leco. ou canudo de la drilho quadrado até sahir fora do telhado . no canto correspondente do la do mais comprido . ou abertura vai subindo até sahir fora do telhado. dos dysentericos . al .1 24 Conservação cessarias : mas saô inevitaveis nas falas dos feridos . pellomeyo da parede mas estas che mines que propomos . Supponhamos huâ enfermaria comprida de sessenta passos e larga de dez : em hum canto della se fará huâ cheminé . como pompas do Ar in secto haô de ser feitas do modo seguinte. Seraô juntas por outra ombreyra de ladrilho de altura de tres palmos . e todos os lugares a donde se neçellita do Ar puro . como se fosse huâ grande cheminé de cozinha de cam panha. Na quelle canto ja determinado se levantarao duas ombreiras feitas de ladrilho desde o sobrado até o tecto da enfermaria da largura de dous até tres palmos e meyo . e renovar o Ar dos conventos . e o seu canu do . e dos febricitantes. As chemines ordinarias se abrem na parede . Todo aquelle espaço do tecto que fi casse comprehendido por estas ombreiras se ha via de Cortar e ficar aberto : e sobre os quatro lados levantar hua piramide. e que che garà a o tecto. e que fiquem pegadas a parede. Duhamel para purificar. E consiste na machina se guinte que he de pouco custo ( 1 ).

que se ria entaô coberto de pedra . logo o Ar quente subirá por esta razaô . que correspondesse à boca do forno . como este canudo de ferro sobe . virá mais li geiro . ou pompa se aqueçerá . entaô o Ar das enferma rias estando mais frio e mais pezado . ou abertura de la drilho . àa Saude dos PoVos. huâ vara. ou enfermarias taô frias as vezes . e mais que o canudo . que o Ar quente sempre sobe . no sobrado . e que leva o fumo . junto da parede se poria hum forno de ferro : o qual se deveria açender pella parte de fora . he força que venha todo dar ali : mas o Ar do tecto da quella cheminé ainda estará mais quente . e deveria ser taô alto que subisse pella abertura quadrada da cheminé até sahir por ella fora do telhado de altura de duas va ras . con forme fosse neçessario . que fera ne çessario mandallo apagar. e deste forno. Dentro desta cheminé . 12< tura de huâ vara : bem se vé que este Canudo ou abertura será mais larga tres ou quatro ve zes . ou com huâ taboa de ferro . O Ar da quella nova cheminé . e que fará as falas . que os canudos das chemines ordinarias. Nenhum se persuadirá que hum for no acezo refrescará o Ar . Aquella abertura do tecto da enfermaria feria fechada com hum alçapao à registros» na in tençao de podello abrir mais ou menos. pello calor do canudo de ferro que fahe do forno . e mais raro . Vejamos agora os effeítos desta chemine . e o canudo de ferro pello qual havia de sahir o fumo seria posto de fron te da porta . refrescar o Ar da en fermaria. alem da quella . por esta abertura se meteria a lenha T ou o carvao . fazendo huâ janella ou abertura na parede da enfermaria .

logo o Ar das enfermarias irá subindo até se . e se ria o melhor remedio contra tantas queyxas chronicas que padessem ordinariamente : Po- diaô se introduzir nos selleiros de trigo . e sò elles podem uzar dellas. e sobre tudo as Abadessas. nem abrir as janellas . até la o Ar estará quente a roda . porque estou certo se acharao em Lisboa duas mil almas pello menos . Aoque se responde que he muy fa- çil haver em Lisboa destes fornos . E que sabemos nos . Perfuadome pello que fica referido da natu . e os rendeyros . ou no inverno mandar fechar hum . e as particulas po dres que se geraô continuamente como os infe ctos na quellas materias. de fornos de ferro . pollos em seu lugar. e das fardas. os Provedores dos almazems . e terreos . mesmo no tempo do estio . dissiparse hia a humidade . e sera neçessario as vezes . prinçipaimente das Freyras . que saberao mos trar este simples artificio. mandando- os vir de qualquer porto de Franca . ou de canudos de ferro ? Isso faô couzas de Estrangeiros . tl6 Da Conservaçao até o telhado . Mas vejo' ja quantas dissiculdades me faraó Os Governadores dos Hospitais . ou de Hol- landa. nos almazems das armas . ou dois postigos do grande alça pao que tapar a grande abertura do tecto da cheminé. diraô elles .desvanecer nos ares. humidos . e mesmo de noite : estas cheminés seriaô neçessarias nos dormitorios dos Conventos . Deste modo se gerará hum vento artifiçial . e se mentes . se poderá re novar o Ar cada dia . e taôbem das provisoins de mar e guerra . e em todos os lugares bayxos . e conservallos a ce- 20S . Por este meyo mesmo no inverno sem difu- madouros .

Entramos em hum Hospital. e as exhalaçoins sempre sobem. e às partículas podres que sem pre saô mais leves . mais fetido fera o cheyro e mais quente : sinal certo que os vapores . e animo as man em fazer . e à abraçe. e quentes e na quellas al- turas Saô . enfermarias . huâ ansia . e o lugar corhprehen- dido por ellas estando quente hé força que to das ali venhaô dar. ou. e nos grandes edifícios saô taô saudaveis . e por ultimo diísiparem . e a terra sempre estaô mais frios do que o lugar superior. i 27 reza do Ar . livrando-fe o Ar inferior deste mo do daTnfeçaô. e de taô pouco custo para se conservarem : mas para ue com mayor promptidaô . ou a falla .com hum desmayo . porque o sobrado . que introduzirao nos lugares referidos as ditas chemines . enfermaria. e deitasse de modo que todo o seu corpo a toque. Seja asaltado hum homen de repente com huâ violentissima dor . e là no simo naô poderá sofrer o maô cheyro . e exhala çoins que nellas houver. Esta he a razaô porque as abobedas nas Igrejas . ou dormitorios haô de attrahir todos os vapores . Logo estas chemines postas no canto das grandes fallas . hum naô sei que nos impede respirar : suba hum homem por huma escada de maô até o tecto della . deitasse logo por terra. que todos os que dezejarem con servar a Saude das pessoas em communidade . e quanto mais alto for o apo- zento . e sobre tudo o calor . servem de pompa às exhalaçoins . taô façeis de fazerem-se . quero fazerlhe comprehender obem conçideravel que cauzaô. da Saude dos Povos. a natureza busca refri gerio. ou lugar ençerrado com muita gente logo sintimos hum cheyro ingrato .

Pode fer que esteja introduzido nos Hospi- tais Gerais de Portugal lavarem e purificarem as camas . e sal. Gimeibre Incenso „ . Em cada Hospital .Xomaô-se las a donde estiveraô enfermos de maies contagiosos. ou apozentos a donde morreraô . Dfi Enxofre A . os leitos . ou contagiozos. ou de _ _ . mercancias na quarentena . Vimos asima como por hum difumadouro inventado por hum Frade Capucho se abateo a peste de Genova . os vestidos .128 Dà Conservaéàô se . e taôbem ò modo de pu rificar : abayxo daremos a composiçaô deste difumadouro ( i ) que consiste a mayor parte (i)Receita dospòs Correçaô dos dittoi para purificar ò Ar corrupto. aristelochia redonda. e desvaneçerem-se pella abertura que sahe pello telhado. Tomao-ie De Enxofre doze arrateis. Folhas de tabaco Rennadepinho Pimento em pó. se com razaô . A Folhas de tabaco Pimento seco De cada hum tres arrtieis . e os mais moveis . e . os leitos . ou dos defuntos . e piedade Christaâ. os vestidos e meímo os quartos . ou viveraô enfermos com malcs de chagas . quartos . . rate. carbunculos. ou dos que padeçeraô males pe- stilentes . ou em cada communida- de a donde houvesse enfermaria . FaSaffe tudo em P*' De cada hum destes simples hum arratel . can cers . por saber naô se cura nelles esta queyxa . Sal ammoniaco meyo arratel > Fagaiïe tudo em pó^ .s» Rais de erva bicha . haveria hum quarto determinado para purificar as camas . de menQr custo# os vestidos. camas. Cuminhos Bagas de zimbro Folhas de alecrim quatro ar-. e outras semelhantes quey- xas : naô digo de Galico . deci- daô a humanidade .

deviaô todos ser transporta dos a camara . Logo que o Medico . ou defunto . e simples antisepticos.estivessem os pos . ou hum pedaço de barra de ferro est»r feita em braza em hum fogareiro a porta do apozento : este ferro em braza se lançaria dentro da caldeira a donde . para que ficasse bem segura somente . ou quatro palmos. ©u baçiâ . e con tinuará o difumadouro . immediatamente devia-se fechar a porta . por temor de naô soffocarse pello fumo . tiçf de enxofre. ou a pozento destinado a esta funcaô : estender sobre cordas penduradas to das as cobertas . ainda por duas vezes . (depois de lavados ) e do mesmo modo o leito. e para que naô se communicasse a o tecto se mandou pòr por sima aquella grande caldeyra. e que naô tocasse o sobrado : dentro se meteriaô dous ou tres arrateis dos pos ditos para o difumadouro e sobre esta caldeyra se pendurariá huâ ordinaria . colchoins . e os vestidos . rou . da Saude dos Povos. elles cau- zaô flama . mas mui to mayor . ou baçia ) a o mesmo tempo devia huâ balla de artelharia . ou baçia pendurada na altura de hum covado . os ditos moveis. se poria hua caldeira de ferro forte em sima de hum foga- reyro . ou Chirurgiaô tiverem determinada a natureza da doença e que neçessitaô de puri- ficarle a cama . roupa de linho . com abertura inclinada para a pri meira na altura de hum covado ( logo veremos o uzo desta segunda Caldeyra . que por ellas naô pudeste entrar nem sahir Ar . huâ relha .. sem fogo . da quelle enfer mo . Depois de vinte e quatro horas se abrirá este a pozento. e se suspeita-se que ò mal pello qual se pu rifica era contagioso deveriaô difumar por sete dias e continuados. e cortinas : fechadas as janellas .

. Do summo cuidado queJe deve ter nasprifoins para purificar o Ar delias . poderia ser fosse superfluo mandallos queymar : he certo que nenhum insecto resiste á força deste difumadouro . mais commodos. tudo por autoridade pu blica . e penetrado deste sumo : se o ficar he impossível que conserve a minima particula de infecçao . e renovallo cada dia. e criminais ainda que nel las haja lugares . CAPITULO XIX. todos se conyençeraô da miséria da. nenhum veneno pestilente . ou pella forma longa . ou pella multidao dos delitos . Se estes difumadouros se introdusissem nos portos do mar na quelles lugares a donde se fazem . e mais assea dos . MUitas leis tem cada estado para castigar os delinquentes . taô inadvertidamente . nem ainda ò da peste : todo o ponto està que o vestido ou movel fique embebido . e mui poucas para pre venir os crimes : daqui vem a neçessidade das prifoins publicas . e a lus . ' pa e vestidos . sese fizessem nos vestidos dos que morrem tísi cos . e enfadonha de proçcf- sar as cauzas eiveis . ou de veneno vaporozo. e a limpe za sempre he pouca : como hé preçizo tapar as aberturas por donde havia de entrar ó Ar pu- ro . nos apozentos a donde viverao . pendurados do modo que dis semos. e a montoaremse nellas in finitos prezos . t$0 Da Conservação . e em todos os seos moveis . em todos o Ar està ençerrado . as quarentenas . nem vapor.

I. como regularmente es . Se confideramos a limpeza da quelles luga- res admirome que na Christandade se tolerô tanta tyrania. e das cidades . y en occasion de en- » fermidades ( i ) ». ou pella segurança da sua guarda : a Architectura naô falta ncsta parte de fazer o edifiçio o mais mal sadio : as parcdes saô groflas . I . para guarda y » seguridad de los prezos . Muitos Juriscon sultes condemnaraô o tirano uzo do9 tratos . ò masmorras escuras . 411. e portanto Jeronismo Castillo de Bo- Vadilla dis dellas o sequinte « y siendo la car-» » cel . e tm alguns Potendados da Europa ja estaô abo* ( i ) Locotitato | tgm. sepultados no Ar corru- pto . Muitos delles seriaôbastan* temente castigados fomente por viverem nestas prisoins . de custodia Reo- » rum ) privados de lus . II. e faltos as vezes eom tpie possaô sustentar aquella vida de cadavervivente. nem secalo. ou por commodo dos Juizes . ja faô castigados com à perda da Saude . consi- dere-a quem entrou na quelles lugares * où poí obrigaçaô . sem refrigerio . j . da. e naô fallemos das enxovias » a donde nem ha a piedade de ttiandarem lagear o terreno . ou para fal- lar mais çerto sempre perto dos Tribunais . SauJe dos Póvos. no deven fer metidos en ca- » labossos foterraneos . fetido j sem lus . y pena . E que diíFerentemente faô tratados os prezos hoje ? Antes de serem julga- dos . as janellas pequenas t os tectos bayxos > e de abobeda . lib. n lobregas y fetidas t como le previno el Em- » perador Constantino (£. ou por piedade» Vivem os prezos * e ainda nos Aljuves . "H i quelle estado : estaô ordinariamente asprizoinS ho meyo das villas . Naô quero representala . e muitas vezes . y no para grave tor- » mento . com a vida. pag.

o que tudo confirma o perniçiozo Arda quelles luga- res . para que pello menos sejaô os Juizes mais cautos tratar com aquelles taô de- semparados da humanidade . neque supra memo- H riam meam cum tam Judicum non/ulli .914. sendo superfltìo indagar a cauza desta in fecçaô por fer patente . Francisco Baco de Verulamio ( i ) dis que no feu tempo naô so os Juizes que julgaraô certos prezos em Inglaterra morreraô da infecçaô que cxhalavaô . Centur. e notoria. cheyô das exhalaçoins da quelles cadaveres viventes : como nos Hospitais se gera aquella febre pestilente que vimos . assim nas prisoins pella mesma cauza se geraô a mesma sorte de febres contagiozas. exper. quare prudentec . Vimos asima no capitulo que trata de renovar o Ar das Igre- jas de que modo morreraô os Juizes que julga- vaô na Relaçaô de Londres os prezos que ti- nhaô sahido de antes da prizaô publica .i omninò talicasu carcer ventilaretur . respirala . naô tive* raô outra cauza que o Ar podre . da justiça ( z ). terve notabili . { z ) Ibidem lgco modò citato. qui negotio intererant . qui carcerî consede- (i rant . « Pernîciosiflimu» * est fœtor carceris . mas ainda muitos circumstantes : Citarei abayxo as palavras do*Aristoteles dos nossos tempos. expenentia apud nos bis . . aotequam captivi proda« ^ cetentur „. quamplurimi ex iis . aut exspec- » tatoribus ingruentemorbo excellerunt è vita . mui differente das doenças conique entraô . e misturada com os mi- seraveis alimentos . arctè & squalidè habuit .1Jí Da Conservaçaô lidos : mas que tratos mais crueis que viver na immundiçie . ençerrado . X . ( 1 ) Sylva sylvar. e com Bovadilla posso dizer . que cauzaraô a morte ainda a muitos ha bitantes vizinhos da quella prizaô . qui captivos diu . ou agoa fetida ? Aquellas febres pestilentes nacidas no Limoeiro de Lis- boa .

Seria loucura ridicula propor de que modo se devia construir hua prifaô publica . e o excellente Filozofo . Estevao Hales de que modo se deve ria purificar habitualmente : visitarao estes dous Filozofos aquelle lugar : aísentarao em fabricar ( I ) De re edificar. e ò amor do bem commun que devem ter aquelles aquem. A piadade . Considerando o Senado de Londres a infec çao da prifaô publica . & fœtoris injuria u* I iij . O terçeyro para os malfeytores pestes vivas da sociedade ï mas que feria tyrania . e ventilado. e ventilado . pello menos . V . ou cauzado pellas immundi- çies. e castigo : que deviaô ser tra tados com humanidade . IJ. lib. a o mesmo tempo com as condiçoins de conservar nella ò Ar puro . cap. con sultou o Medico Joaô Pringley . da Saude dos Povos. ou corrupçao . o que se fez em Londres na prizaô publica daquella cidade . e o vigor . tudo consiste em conservar o Ar puro . estiverem as prizoins a cargo poraô em execu çao . que se hade em pregar hum dia no ser viço do commun : que contra o frio deviaô ter fogo . e injustiça darlhes a pri sao por tratos . ou pellas exhalaçoins dos feos corpos. que possaô conservar as forças . mais remarcaveis . chamada AW- gate . contra o calor refrigerio . e commodidades tais da vida . O segundo seria para os que por di vidas mereçem castigo publico. « Sed nos Veterum mo- 11 res íecuti carceribus adefle oportere uhi ventri pa- h reant . y Leaô-Baptista Alberti*( 1 ) dis que na mesma prizaô haveria tres lugares differentes para as tres sortes de prezos . o pri meiro feria destinado para os crimes contra os costumes. como vimos asima . sem maô chey- ro . ut foco refoeiUentur absque fun\i . conî a segurança publica a o mesmo tempo.

com ranta violencia que alguns delles morrerao. 1744 » fp " ( ? J Vol. Feito este moinho com o ventilador. succedeo que o carpinteiro que traba lhava na boca do canudo . terminados no mayor . par TA. e publicou a -Historia nas Transaçoins Philofo- ficas ( ï ) ali se poderá ver com energia . Hales . que trazia o Ar cor rupto das enxovias. pag. ajuntandolhe o moinho de vento. art. traduit de l Anglais. cahio em hyâ febre mali gna . j 34 Conjervaçaô hum moinho de vento em sima do telhado . e pello outro sa- hisse o Ar corrupto das enxovias . 6 . 41. o Ar entra poj hum cano ate as enxovias . e atravessando os tectos . e se ccwnmunica a o moii nho de vento : a o lado deste està outro o qual atrevessa todos os sobrados ate as enxovias: fogo que o moinho de vento rodea . par le moyen duquel on peut re- ìtouveller í'air des Mines . com tal artificial que por hum cano entrasse o Ar da cidade movido pello moinho . des Prisons . &c. e a renovar o Ar da prizaô . e sobrados viessem a ferminarfe em hum grande cano no telhado: este era de madeyra . chef Poirion . que publicou a sua discripçaô em Ingles . prt. e se acha traduzido em Frances \ ï ) . des Hôpitaux .. e sahe por to dos os outros canos menores . 1 . e de cada lugar da prizaô íahisse hum canudo de metal . por donde sahe o Ar podre misturada çom o puro que entrou pello dito cano : por esta circulaçao se conserva a Saude da quelles prezos. XyVIH . Esta machina naô he mais que ò venti lador inventado por Estevao Hales referido . O Doctor Pringley teve particular cuidado delles . e a mais yiridica Fisica eTtfedecina a natureza do ( I ) Description du Ventilateur. . que se communicou à sua familia . e con- tinuandofe ja a alimpar . saris .

e de que modo operará. e quam pouco os Ma gistrados . Suton Ingles para puri ficar . por exemplo . He certo que para renovar o Ar dos Hospi tais aquelle moinho de vento junto com ò ven tilador he o mais efficas : mas prevendo as diffi. do qual darei a descripçaô . que o Ar entrará por elle com zonido como se fosse vento. receyo que ò tratem da chimerico e de invençao es- trangeyra. A razaô he . e mais particularmente quando tratarmos abay- xo da pureza e ventilaçao do Ar dos JNa- vios. tanto seculares como Ecclesiasticos . da Saúde dos Povos. de cozer paô . Naô temo ser notado de prolixo se me demo rar em fazer comprehender de que modo o somo que vou a descrever a limpará o Ar cor rupto das prisoins . e se deyxar hum postigo ou buraco nella.- culdades de mandar vir de Inglaterra obreyros para fazerem esta machina . Juis. estou certo que mandará fa bricar o fogaô . Diziamos asimaque quando arde hum forno. pensarao ate agora na salubridade dellas. pensei que em Portugal será dissicil a sua introdução : pello que imaginei que seria mais façil introduzir o forno . impropria para se vzar della nas pri soins do Reyno : permitaô me os leitores que lhe renove a memoria como o fogo produs huâ forte de vento ou agitaçao. e renovar o Ar da quelles lugares : se o Magistrado for taô amante do bem publico e quizer preservar parte de Lisboa da quellas fe bres do limoeyro . prevendo que he necessario reparalla muitas vezes. ou fogaô de M. se cada Magistrado . e mesmo o carcereyro naô ficar persuadido da sua efficaçia. se se lhe tapar a boca. 13 j pestilente Ar das prisoins . porque o Ar dentro da .

o Ar de huâ adega que esteve fechada por muitos annos . e pezado. se apagará o fogo . e encher aquelle lu gar a donde estiver mais leve. do modo ordinario : mando acen der fogo vivo . e do respiro ate o telhado virá taô quente. e as portas desta adega de tal modo que por ella naô possa entrar hum a sopro de vento : neste cazo logo que ò Ar da adega estiver taô quente como o que estiver dentro da cheminé . do que aquelle dentro do forno . entaô o Ar pezado vai cahir no lugar a donde ò Ar estiver mais leve . pois logo virá o Ar do meyo da adega a compensalo. e mais ligeiro . por exemplo . mas este ie aqueçerá logo . E deste modo he que se alimpa e purifica o Ar da humidade . quanto mais quente estiver o Ar dentro do forno : daqui vem que entra pello postigo asoprando . e das particulas podres : que ro secar . e com tanta força. 136" Da Conservacaô forno estando ardente vem mais raro . como estava aquelle do forno asima : logo o Ar da adega mais frio hade ir a cahir . com as janellas abertas : que succede ? O Ar dentro da cheminé . quero tirar- lhe o mao cheyro e a corrupçao que nella se gerou : o que devo fazer he mandar fazer huâ cheminé nella . hum vento artifiçial do Ar daquella ade ga . pello me nos sempre muito mais . e fazendo hum estrondo como se fosse vento verdadeyro. e com lenha seca que fassa flama continuamente . e raro . todo virá a sahir pellachiminé : mas feche mos as janelas . e deste modo geran- doze . que succede ? O Ar defora i e pellos lados do forno fica frio . porque ja o Ar estará igualmente quente em toda a parte : sup- ponhamos que se abra hum postigo de fronte da cheminé entaô entrará por elle o Ar com tanta .

arderá o fogo violentamente . atravessando a grelha . que succedera ? O Ar mais frio e mais pezado do selleiro vira com força occupar aquelle vazio . e deste modo se secará por ultimo . que he o lugar a donde cahem as finzas : com estas duas portas abertas acendasse fogo na quella grelha . ou lenha : no simo teria hum carnido assas largo pello qual fahiria o fumo. neste lar que lupomos fera huâ boa taboa de ferro. arderá pouco : fechese a porta de sima . Pois o forno de ferro . e ligeiro dentro do fogaô. ou tres polegadas . da Saúde dos Povos. e todo o Ar do selleiro ainda que estivesse podra e humido se mudaria . No selleyro da prizaô o mais solido . O vaô deste fogaô devia fer fepa- rado por huâ grelha de ferro sobre aqual havia de arder o carvaô . su birá pella grelha . fahiria pella chiminé. e o fogo . entrará pella porta aberta dolar. e fahiria com viqlençia . mas taô longos . e subirá pello sospiro . como pello suspiro de huâ cheminé. como saô os fogoins dos Navios. e lhe meto a cada hum canudos de cobre. irá buscar o Ar leve da chiminé . Pois no fundo deste fogaô . e alimparia . ou de chumbo. ou fogaô que descre- veremos sas o mesmo effeito que a chiminé. e sicarà à adega sem cheyro algum. a donde cahem as cinzas . 137 força como se fosse vento . perto do telha- do tres ou quatro varas se havia de pòr huâ cayxa de ferro quadrada . que atravessem os sobrados do . fasso quatro buracos do diame- tro de duas . Aquelle fogaô havia de ter duas portas de ferro bem á^ustadas : a primeira seria taô grande como a ametade da abertura da grelha para sima : a outra taô grande como a abertura da grelha para bayxo .

Postos estes canudos. e de todos os quartos . e que ve nha a occiipar aquelle lugar vazio . e pouco custozo. e tac hem da cidade . ou de mayor numero le tantas aberturas estiverem no lar a donde fe terminarem. e as exhala- çoins dos prezos . a humidade . que succedera he força que ò Ar entre pella boca da quelles canudos. porque naô fe gerará a febre do limoeyro. ainda que com grades. do carvaô . ou enxovia . ou enxovias. em quan to houver fogo no fogaô . 138 Da Conservação edefiçio ate as adegas . bem ajustados à cada canto do lar . Huâ ves que ó Ar destes lugares bayxos subir . e a Saude dos prezos . levará comsigo as ' particulas podres . e fallas a donde se terminarem aquelles quatro canudos. e jane las. Deos queyra que haja tanta pie dade com os prezos das prifoins civis eEccle- siasticas de todo o Reyno que queyraô enten der os efieitos desta machina taô simples . • Bem sei quejne opporaô o custo dos canudos de cohre . naô reparou no« gastos para foccorer os Povos : e este custo de conservar o Ar das prifoins sadio he para. e este Ar fe renovará pello Ar da cidade que entrara pellas portas . he força que suba das enxovias. do mesmo modo . dos Juizts . a cada falla . . ou de chumbo que atravessarao desde o selleyro. fundando as Mize- ricordias em cada villa e cidade. cotidiano : mas a piedade exem plar del Rey Dom Manoel . que está cerrada a porta da gre- lha para uma. cerro a porta da grelha para bayxo . e quente do fogaô. bem lei que me opporaô o custo do fogaô . fe salvará a vida. e que cada dia vemos e experimentamos na cozinha do mais pobre rustico. do que naô ha duvida . da prifaô : por este artifiçio façil. e da lenha .

como se exer-. sustentando os . ainda que presos. cita com os prezos . 139 salvar as vidas de muitos subditos. nos Conventos . mandando cada dia lançar agoa nellas para este effeito : abayxo fallaremos de que modo devem ser fabricadas. saô taô effi-. Naô so nas prisoins se deviaô introduzir estes fogoins. que podem preservar a Saude dos pre zos . e sobre tudo na construçaó das latrinas . ou cloacas . e dos vezinbos. o bri-* gando a barrer cada dia os lugares a donde ha bitassem os prezos . e vestin. he que se requer este refrigerio con tinuo. as vezes ino centes . e mesmo nas Igrejas que saô pU quenas e mui frequentadas : e em Portugal a donde o clima he mais quente pella mayor parte do anno . borrifar o sobrado com agoa e vinagre . e o milhor seria com vinagre puro : pendurar em cada falla panos molhados nelle . caces . Persuadome que haverá tanta piedade para conservar o Ar puro das pri soins. e os effeitos saudaveis . da Saude dos Povos.i do-os. Ja se poderá considerar o summo cuidado que se deve ter na limpeza das prisoins . Seria necessario haver em cada prizaô huâ constante ordem da limpeza . . para que o fumo penetrasse ate prizaô : saô estes difumadouros faceis e pouco custozos . mas ainda nos Hospitais. e nas entradas de fronte das grades quei- marse cada dia sem intermissaô certa porçao de polvora. e livre dos maos cheyros . ou tais canosque dem corrente as immundiçies.

em parte compensa hoje a Saude . Alargarao as ruas das cidades . em lu gar que este flagello destruía cada vinte e fin co. e o comerçio. mas ainda cobertas de lagens : cresçeo a industria . que tinhaô conservado por muitos seculos. ou decima parts» . vieraô a fer de dois e tres . e por consequençia com mayor limpeza : o sexo . e mudaô mais frequen temente de roupa de linho que nos tempos an tigos . De todas estas cauzas provem que raras ve zes se observa hoje a peste na Europa . e à chuva : os tectos naô so saô de telhas iostidas com cimen to . capazes de rezistirem a o frio. ou trinta annos a oitava. Da pureza do Ar que se deve conservar nas caras. e de taboas vieraô cazas de pedra . as cazas de pobres choupa nas . a o calor . e ainda os rusticos usaô . 1 40 Conservaçao CAPITULO XX. toda a Europa até quazi o seculo XIV. dos quais uzou. co- meçaraô os i abitantes da Europa a mudar parte do estado de vida . e se renovarao as sciencias . as artes. e cresçeraô taôbem as riquezas . que remedea- raô com calçadas . que cauzavaô os banhos publicos . e as artes pella destruiçaô do Imperio Grego. que nos tempos antiguos eraô mui estreitas: eraô na quelle tempo tantos atoleyros . cobertas de palha. e ainda mais andares : de taypa que eraô . DEpois que se descobriaô as índias Orien tais . daqui se seguio viverem os homens com mayores conveniençias . como ainda hoje se vem em Polonia .

o c. ou por luxo . «dit. Por effa razaô exporemos aqui o que acharmos fer neçeffario para quehuâ caza naô cauze doenças agudas . ou por habito rem mudado a dieta quetinhaô os (eos antepaflados . Porque a arte da cozinha prepara os alimentos de tal modo que fe áigerem mais facilmente : introduzii aô-je tantas bebidas qtientes . Alem da milhor fabrica dos edificios . tanta variedade de doces : e como por evperien- çias certas fe fabe hoje que o a fucar refute a pochidaô dos noflos humores . ou chronicas .civililados da Eu ropa . 141 dos habitantes ate os feculos XIV. como faô 6 Xa . conjo leve era Conftantinopo- la . pag. Stephan. Dizia ( i ) De faôii & diftis Soccat. para outra mais fadia. he ainda a antigua. III . deftruir à pefte taô amiudo muita par te daqtiellas naçoins. . Nao obfbnte eflas ventagens do feculo em que vivemos he certo que os Magiflrados nao decretaraô até gora todas aquellas leis que faô neceffarias para a confervaçaô da Saude dos Povos. e no grao Cayro .. e XVI : como na dominaçaô Mahometana eíle modo de fabricar as cazas. lib. e outros muitos da quelle dilatado Imperio . os habitantes mai. daqu: fe ve na queües lugares . e menos lujeita a corrupçaô. a donde ó a fúcar íerve de adubo abundante . e de limpeza.iffc e o chocolate . e que relata Xenophonte ( 1 ). Naô achei na antiguidade concelho maïs acertado para conftruir huâ caza do que ó de Socrates . daqui provem em parte que raras vezes obfervaô aquellas ter- riveis ep' demias de febres peftilentes. 33г. e que cada qual faiba о que lhe convem para con- fervar no feu domicilio a Saude. e entrefer as mas . da Saude dos Povos.

qui tiet crudo latere 5. 14 . porque de inverno ò sol as aquece . e no estio ficaô . mas o edifiçio deve fer mais alto do que ó da quellas que estiverem viradas para o Norte : sirva a caza pella alegria . per biennium ante exsiccato . consiste a utilidade que ijo estio seja fresca . pag. X . de divertimento . e de recreo . e pella vista della . e os vapores da cal e particularmente do»jesso. e de inverno quente . stupores . « ParieS 91 omnium erit commodilíunus valetudim . Viraô-se parle- sias . a pri meira que sejaô uteis. e a segunda a gradaveis . apoplexias : e eu mesmo vi qi- hir a huâ molher sam e robusta em huâ lepra por haver habitado em hua caza novamente fabricada. crusta ex gypso induta aèram Ss jj pulmonibus 8í cerçbio . a donde possa contentarse com todo ò estado que lhe offereçer a fortuna. e que naô sejaô calfetradas de jesso porque offen- de o bofe . lib. ou de jesso . e an tes que as paredes calfetradas com o cimento feito de cal e area . o que se alcançará se ò edi- fiçio estiver virado para o meyo dia . cap. a sombra . e a cabeca : pello menos ninguem devia habitar caza novamente fabricada .. quem quizer construir huâ caza deve con* siderar duas couzas na sua construçao . e poderá ser que daqui lahio o ( I ) De re aedificator. noxium reddit n» 1 . Ainda que os Architectes cuidaô fo da construçao de huâ caza * raras Vezes houve tais que nos seos edifiçios consi* derassem o que deviaô fazer para conservar à Saude : se estivessem instruídos nos importan tes avízos que nos deixou Leaô-Baptista Alber ti satisfariaô a utilidade > e a elegançia da Ar- chitectura ( 1 ) quer este autor que as paredes sejaô de ladrilho seco a o sol por dois annos . I42 Conservação elle . 163. estivessem secos : sabesse quantos ma^ les cauzaraô as exhalaçoins . e os tectos das cameras .

como para evi- tarem os ardores do fol. a peyor de panos ençerados .que as de Cantaria : pintadas de Negro. e o bofe .devem-fe considerar estas circunstançias para habitallas constantemente deveraô . O milhor seria sempre a o primeiro andar : mas quem naô tiver com- modo para viver que nos quartos bayxos man- deos construir pello menos de modo seguinte. depois à de panos de lam elinho . cu- berto taôbem com area. ou de carvaô de altura de hum palmo . as mui espessas como muralhas deCastello. nem reíìstem a íucçessaô do tempo . As paredes das cazas ou de ladrilha . ou de boa pedra devem fer mediocramente eípessas i as mui estreitas nem defendem do caldr. saô ordinariamen- te frias . da Saúde dos Povos» Î45 Proverbio Portugues . e huâ camada por sima de Greda ou de barro amasiado . o segundo he de lagens. O peyor pavimento para a Saude he aquelle que sas pó . ou de Inverno. e por ultimo o sobra do de madeyra. e se naô forem mui ventiladas saô hu- midas : a mais sadia tapessaria he de madeyra sempintura . e poeira . 011 amarelo . ca^a feita . pega morta. tanto para habitarem . as cazas cayadas por fora saô mais frescas. ou pedra de Cantaria. ou por necefíidade construirem quartos bayxos nas entradas das cazas . Custumaô em Portugal etn algumas partes do Reyno ou por diliçia . Que em caza alguma naô haja adega sem fuspiro assas grande para que por elle poissa est . offen- de avista . O sobrado delles feja sempre forrado de Ma deyra : serià milhor que de bayxo houvesse hua a bobeda que cubrisse huâ adega : se à naô hou- ver seja o primeiro affento de ossos queyma- dos . depois #rea das bordas de rio . e.

por dois annos. como a farinha . ou selleiros para conservar as sementes : . daremos aqui o methodo de os guardar por muito tempo se os possuidores quizerem exe cutar o que aqui exporei tirado de varios Au- thores . Por arti^io po- desse secar . e nas mais comidas . e convertelos com menos mal . e dissipar a humidade . raros faô aquelles nos quais se conserva o tri go . que nellas se conserve a limpeza . para pre venir a corrupçao âas sementes : mas nenhum feria bastante como todos sabem . e as carnes salgadas . Deste modo todas as semen tes que se devem guardar devem secarse bem . Varios modos se achaô nos Autores que tra- trataô da economia para impedir a corrupçao do Ar das tulhas e dos selleyros . fendo a negligen- çia dellas á que fas perder aquelles bens. ou purisicando-o . ou renovando 9 Ar . a Cevada. para im pedir os calores do estio. sem humidade superflua . que nenhuâ seja humida J nem tenha vertente . Poucas cazas se vem nas provinçias sem tu lhas . naô somente antes que se re- colhaô nas tulhas ou sclleyros mas ainda de pois de estarem encenados. ou ser comida de gorgulho. e da minha experiençia. 144 Ba Conservaçao irar . e sem calor semelhante a o do mez de Mayo. e na renovaçao . como taôbem a farinha . na humidade . as ervilhas . aqui porei taôbem al guns . e pureza do Ar . Nenhuma forte de sementes poderá ja mais criar insectos. e a secura do Ar : ha adegas com tal propriedade que sempre fazem tornar o vinho de mil modos . e sahir o Ar . e poucos repara ô no sitio . em vinagre : outras como taôbem as cazas a donde apodreçem todas as carnes salgadas : mettese o bolor no paô .

quando estiver podre entaô selhe dei tara dentro cinco maós cheyas de losna piza- da . e depois se lhe ajuntarao borras de azeite parte igual da ourina podre . mas requer mais circunspeçaô - a sua fabrica : devia nelles haver huâ separa çao por hum taboado entre a parede . e outro?. como saô o gorgulho . e com esta mistura se lavará todo o so brado . seis maôs cheyas de arruda pizada . pimento em po hum arratel . 14 j gllns a o mesmo intento. tudo fica rá por alguns dias coberto. ou de lagens : taôbem pode ser de madeyra . Esta mistura impede que se naô gerem insec tos. e todo o espaço que tiver a tulha ou \ selleyro untando a parede até a altura de hum homem . ou pimentos vermelhos feitos em pedaços o mesmo pezo : hua duzia de cabecas de alhos machucados . que serviria de andar : devia sempre haver hum lugar na quelle selleyro vazio para ali se volverem . e que haja communicaçaô entre o Ar dos selleyros e o Ar exterior. Tomasse huâ grande quantidade de ourina que se meterá em huâ talha ou tonel ate apo drecer . Consistem que a hu midade que contrabem as sementes ençerradas se dissipe . e repassarem as se mentes : antes que se uzase destes lugares de- viaô estar bem secos . dá Saude dos Povos. Mas a o mesmo tempo se requer bandejar e mover as sementes passando-as de hum lugar para o ou . e o dito taboado . O sobrado da tulha ou selleiro devia ser sem pre ou de ladrilho .que se fará cada mes contan do desde o prinçipio de Abril até o mes de No vembro . joeyrarem . e logo depois untallos com a mistura seguinte. o. na quelles lugares que naô estiverem occupados pellas sementes.

Mas o mais certo modo de prefervar os fel- leyros da podridaô seria abrir nelíes huâ. se uzarem delle a muiclo como dis- semos. ou o forno com canudo$ . ou bandejar as sementes : todas estas precau- çoins concorrem para preservallas dos infectos. do modo seguinte : tomaô qua- tro ou cinco arrateis de pès e o poem a der- reter em huâ caldeyra : entaô ali metem as pontas das pas ate o meyo : quando aquella uníura estiver scca entaô começaô a padejar . Custumaô brear as pas com que bandejaô as sementes . e iìca ençerrado no saco . e a mayor parte della vem outra ves a cahir nelle : por cssa razaô custumaô em Franca fazer huâ forte «le joeyra plana e inclinada composta de fios de ferro . deste modo o pó se separá do trigo . taô juntos que deitandosse o trigo com a pá em sima naô paí£a para bayxo . e escorregando até cahir no mesmo selleyro a donde està o mais . Duhamel . quem conçe- ber este modo taô facil de conservar as femen- tes sem poeira as guardará incorruptas por mui- tos annos . ou duas chimines de M. ou os pedreyros a cal . das quais de mos a descripçaô quando tratamos da pureza do Ar dos Hoípitais . Bem sei que será dissiçil comprehender està sorte de joeira aquem nunca vio aquelles ral- los nos quais os jardineyros e ortelains joeiraô a terra . passa fomente o pò que cahe em hum faco de couro pregado a os caibros da ditta joeyra. e o trigo pouco a pouco vem deçendo . do qual se lança fora façilmente.I4<> D& Conservacao tro : pello menos cada semana no tempo dos calores afima ditos : he verdade que movendo asim o trigo a poeyra se levanta .

he enxofralo . que entre elles apodrecerá . mas naô he bastante para im pedir a alteraçao . Diífertat. Paris. e que este levando consigo humidade podre altera as sementes : aquella mistura prevem que se naô gerem insectos. ï 47 posto no selleyro perto do telhado . ou difumalo como disse mos asima se deviaô purificar os vestidos e as camas dos enfermos nos Hospitais. III . e que nellas te gerarao insectos : pello que deve por todos os meyos cuidar que aquelle Ar se mude e se renove . o pó sahiria por ella : seriaô taô necessa rias estas chemines como he necessario guar dar sempre as janellas e as portas da quelles lu gares fechadas. seco . pag. se senaô mover e expuzer a ò Ar livre . 11. expolo a ó Ar puro . Deve comprehender quem quizer guardar os seos felleyros * sem corrupçao .chez Rollín fils. e sem insec tos . e outros in sectos . dos ratos . Outro modo ha mais facil de preservar as sementes do gorgulho . e apodre cendo ja se ve que alterará as sementes . quando se passaria .. se requerem aquellas cheminés que dis semos. Kij . e que o pò que sê gera nas tulhas e felleyros que cada dia se augmenta . 1741$ BiS°. com estas chimines ou fogoins se renovaria o Ar dos fel- leyros . por isso he necessario movello . da Saúde dos Povos. e muito mais efficazes seriaô para preservalas se no alto delles se mandasse fazer fogo no forno que descrevemos na quelle lugar. ou o principio da podridao . e puro . e para renovarse . ficando as janellas fe chadas . que ò Ar que fica entre as sementes . e bandejaria o tri go . Mas he ne cessario saber que Estevao Hales ( 1 ) observou (1) Expériences Physiques traduit de VAnglois.

caibros . e outras se mentes que tinha de antes defumado com enxofre . dl quelle que se publicou no mes de Outubro 175 j . taô cerradas . 2. se devem jun car com bastante quantidade des ramos . ou'selleiros estiverem vazios . fechar portas e janellas . naôsomataô ò gorgulho. e folhas da arvore Buxo . e portas muitos ramos da mesma arvore . que se publica cada mes em Paris . mas ainda preservaô as tulhas delle : o Autor affirma que por seis annos tivera experiencia deste ef- fectivo remedio . porque o paô que della se fizer será taô bom como outro qual quer. pendurando das traves . depois de limpos . Revel cura de Ternay contra os danos que cauza o gorgulho : le. 148 Sa Conservação que as sementes defumadas com enxofre que perdem a vertude de produzir : semeou trigo . ou vazio. na pag. semeando . naô fendo mais neces sario que por dentro da caldeyra de ferro o en xofre em pó .as depois . avea . Com esta advertencia quem quizer defumar com enxofre huâ tulha 011 selleyro pode uzar do modo que dissemos asima se purificavaô os vestidos dos enfermos . . ( X ) Depois de estar escrito este tratado li . no Journal dc Ver dun . Devese renovar cada anno os ra- ' mos e tolhas da dita arvore . levada . e que fiquem sempre na tulha ou se^ Jeyro «heyo .se no lugar citado . e que naô necessitara de outro para conservar o seu trigo isento destes insectos. ò que commu- nicou a ò publico M. que ò vapor do enxofre penetre por tudo : tendo cuidado de sahir quanto arites da quelle lugar para naô suffocarse.81 e 281 . e deyxallas assim ficar ate o tempo de enche-las : entaô se amon toarao a o longo das paredes . nenhuâ naçeô . e meter dentro huâ bala de arte- lharia ou hum grande ferro em braza . que quando as tulhas . da qui concluio com razaô que aquelle que quizer semear que naô deve enxofrar as sementes do modo que disse- mos : mas no cazo que as queyra mandar fazer em farinha que poderá seguramente defumalas huâ e muitas vezes com enxofre sem lhe cauzar a minima alteraçao . e entupir ai fisgas e buracos das paredes com as folhas verdes : as suas exhalaçoins . pello fumo referido ( i ).

conceberá facilmente que tud<| ( I ) Traits de U ?olkt% t«m. e deste modo se conservará qua si limpa por todo o anno : quem considerar que os excrementos dos Carneynos . faô muito mayores aquelles de perder a Saude . como huma chiminé. ou dois . advertindo porem que sfejaô feitas de modo Î[ue dellas se levante hum canudo quadrado eito de ladrilho e que suba afé o telhado . para que sirva de suspiro. e que suba até o telhado . He taô neceísaria . e o modo he mui facil. 149 M. K iij . naô sô para sahir por elle ò mao cheyro . detidos ainda nas tripas naô faô mais que erva . Quaisquer in convenientes que esta limpeza tenha . naô total mente alterada pello animal . ou cheminé que saya do lugar mesmo. e taô util a limpeza em cada caza que naô necefíitaria o Magistra do cuidar nesta materia se cada Pay de famí lias cuidasse tanto na Conservaçao da Saude da sua como em governala. nem agoas fujas. e o vigor. cada dois ou tres dias . 530. e fubtilifarse. Delamare ( 1 ) tras os decretos que obrigaô os proprietarios de cada caza em Paris a fazer latrinas e outros mais para que ninguem deite das janellas immundicie alguâ . mas taô* bem para se a limpar . I . ou pello menos cada semana : toda aquella materia se converte em poucos dias em exhalaçoins que sahiraô pella cheminé . Quem tiver a peito a sua conservaçao e da sua familia deve mandar fazer latrinas em sua caza : qualquer pedreiro as saberá fazer . da Saude dos Povos. e que misturan- dofe com materia podre que ha de ferver logo . Quando huâ tal latrina for construida com suspiro . naô ha mais que lan çar dentro da quelle lugar a donde se ajuntaô as immundicies hum bucho de carneiro. pag.

mas taôbem para refres car e renovar o Ar : no graô Cayro . 8. He impossivel que obom ou mào Ar de huâ caza naô contribua para a boa . que pa- recerá indigna de nomearse. e as camaras com chemines . clima ar dente naô ha caza sem huâ sorte de chiminé para renovar . ou communicaçoins . ellas naô fo podem iervir para aqueçer. Da Conservação se dissipará em exhalaçoins : mas a experiencia he aque decide . de outro modo le soffocariaô os habitantes : ja dissemos para ( 1 Histoire & Memoires de VAcadémie des Scientet . . Se a Academia Real das Sciencias naô con- siderase a utilidade immensa que retira o' pu blico da limpeza . e que ha de ser mais estreyto do que ó outro que communicará com á cheminé que sahir da mesma cova. hum com o buraco do assçnto . considerando os Architectos naô fe rem necessarias . Deste rhodo ó mao cheyro naô se fará sentir . e por experiençia he que me a trevo a escrever esta noticia. quando o clima he taô tem perado : mas he engano . e no Inverno agazalhada : ordinariamente em Portugal poucas saô as falas. chemines . nem molestará ja mais aquem habitar mui perto. e portas que possa no estio fazer a caza prespiravel . 1748 « |>9g. ou ma saude : deve ter tantas janellas . e refrescar o Ar . Duhamel soçio illustre della lhe communicou nesta materia . No lugar citado a bayxo ( 1 ) se veraô as pre- cauçoins que se devem ter quando se manda rem construir as latrinas : tudo consiste que ò baraco do afljpnto dellas naô corresponda em llnha direita com a cova : que a cova hade ter dois buracos . e da pureza do Ar naô man daria imprimir o que M.

corrupto . e que pella res piraçao e supperficie do corpo se communiquera estas perniçiozas qualidades. apro* porçao das fallas e com o tecto a proporçao da grandeza do quarto : fe forem piquenas e de tecto bayxo . ainda que seja por huâ semana . rios. sacode . e chimines abertas : ja fe ve quam erradamente fazem aquelles que entraô em huâ caza que esteve por algum tempo cerrada . e habitar naô saô proporcionadas as fallas : to dos por se repararem contra o frio as querem pequenas e bayxas : o que he nocivo . do que feonaô fosse . ou mar . . mais puro . e suffocado . Ijï que lado de viaô estar as janellas viradas para fer a caza quente .ou fe nellas habitar muita gente. ainda que seja no tempo dos mayores calores . a humidade fe dissipa . ou pella' limpeza ou pellas janellas. sem primeiro amandar a limpar fazer fogo nella . portas . Tanto mais pernicioza será hua caza que esteve ençerrada . poços . e taô perto . que o refle xo da lus do sol dè nos olhos dos moradores . quantas mais adegas . Ordinariamente as camaras para dormir . o Ar sempre se move . ou fresca : ja dissemos que naô convem estarem viradas para tanques de agoa . por que ò frio ja mais pode cauzar tanto mal como o Ar foffocado : devem fer as camaras princi palmente para dormir assas espaciozas. em quanto fe ha bita huâ caza os habitantes fazem fogo nella . e mais seco . e renova . he impossivel que o Ar naô fe corrompa . he força que ali o Ar seja hu mido . principalmente no tempo de doen ça . A caza que for continuadamente habitada o Ar será nella mais quente . a limpeza he mayor . o que fas grande prejuizo a vista. da SauJe dos Povos.

e poi»esta razaô se edificaô sempre com negligencia para conservar a Saude : como tenha varandas . quam perniciozas fejaô estas venta- jens artificiais. fontes de repuxo . ou perfumalas com enxofre. se as dilicias contribuissem igualmente para a Saude : mas vimos afima quando falla- mos dos fitios mais aptos para fundar villas . fontes de repuxo e arvore- dos tiver dentro ou perto della : aquelles que tem quintas sem precauçaô alguâ vaô morar nellas na intençaô muitas vezes de restableçer a sua Saude : e ordinariamente nellas ganha© f'ebres intermittentes . eirados. ena verdade o fera . lavar os sobra- dos .cazas ou pa- laçios. como tenha rios . ef- folinhar paredes . e cidades. e lagos nos quais se possa pescar . Servem as quintas para devertimento e de- zenfado. esta quinta passara por delicioza . ou ver pescar das varandas . manclando acender . de mattos para a caça . tanques .Iç1 Da Conservaçaô cisternas . Se tiveffem a precauçaô de mandar abrir todas as janellas de dia . Londi^i . e os tectos . e esfregalos . jardims com tanques. mandalas a lim- par desde as adegas até os ultimos quartos . Refere Cheyne ( i ) que passeando Guîlhel- jno terceiro R«y de Inglaterra em hua delicioza ( i ) Tractat us de inf. ou da nar^ireza para preservarse de doenças. 1714 f . he certo que naô deviaô temer os certos damnos que cauzaraô sem estas precauçoins. de pomares . scndo a cauza o Ar corrupto da quellas. como esteja cer- cada de bosques . e outros males . ou queymar pulvora cada dia em cada quarto. fogo por todo odia nos lugares a donde se pudefle acender.rmorum sanitatç tuçndi. e cascadas .

mais faceis para conservar a Saisde dos seos compatriotas no tempo da pàs e no tempo da guerra . e o Me dico como quem so tinha a peito a Saude. que he o mesmo que tratar do prin cipal ponto da conservaçao da Saude dos Povos no tempo da pàs : mas como o legislador deve dar leis a os seos subditos com que sepossaô go vernar .Fallava o Rey como quem naô pensava mais que no devertimento . das cidades . e das cazas par ticulares . dos Conven tos . das Igrejas . prisoins . como a precauçao . que aquelle sitio era o mâis admiravel do mundo : e que o Medico respondera « se en fora o Senhor como vos . Deste modo se podera responder a todos aquelles que amarem as quintas por diliçia . da Saude dos Povos'. dos Hospitais . e fazer delle hum » bom jardim ». e sustentar tanto no tempo da pàs como no da guerra . para naô cahir no precipi teia : por esta razaô tratarei de que modo se dev^ 1 . dissera para o seu Medico chamado Ratíieff . entupir o canal . assim o Medico como legislador do corpo humano deve indicar os meyos mais efficaces . mas ainda aquellas ca- zas de campo de Luculus . olhando para hum dilatado canal de agOa todo coberto de arvores pellos lados . e com razaô porque a primeyra da vida he a Saude vigoroza : sem ella que servem naô so as quin tas dos nossos tempos . Iy3 . deve sempre estar preparado como se a tivesse : porque a defensa he de todo o tempo. ainda que hum estado viva muitos annos sem este flagello do genero hu mano . ha- » via de mandar cortar aquellas arvores deïtalas » dentro . Crassus .quinta na Haya em Hollanda sua patria . e Cicero ? Temos ate agora mostrado aquelles meyos com os quais se pode conservar o Ar puro das villas .

ou por humanidade. a pri meira que produs os males cauzados pellas alte- raçoins do Ar . As mu danças continuas do Ar quente e humido pello espaço de vinte e quatro horas fazem augmen- tar . Destas duas cauzas procedem as doenças que os destroe . ou nos quarteis sempre he differente da dos mais vassallos de hum estado. como em campanha. ou vivem juntos. Verei se posso indicar os meyos . A temperatura do Ar que reyna ordinaria mente na primavera em quasi toda a Europa he Îjuente e humida : pella manhaâ . CAPITULO XXI. e a ó por do bl ordinariamente fria : daqui provem as doen ças inflamatorias . e a segunda as febres do conta gio. c estou certo que os Medicos ou Directores dos Hospitais . se naô o remedio dos inales que virem ? e experimentarem . e se me permitirem os mesmos Ge- iierais .154 Da Conservaçao conservar a Saude dos Soldados . m ' A Vida dos Soldados tanto em campanha XTL guarniçoins . febres inter mittentes inflamatorias . tanto na? guaf* niçoins . e supprimir no mesmo tempo a transpira . Da cau^a das doenças dos Soldados. Ja que tive bastante experiençia da vida mi litar como Medico permitaseme que seja mais difuso relatar os perigos della : ou porque sofri parte delles. pello menos as advertençias de os evitarem. e esquinençias. rheumatismos . acharao aqui . que os fassa mais toleraveis . Geralmente ou estaô expostos as inclemençias do Ar .

ou chuvosos . ou meada de Junho. e nas patrulhas . Ijç çaô dos corpos humanos. o calor naô he mistnrado com humidade notavel . nas rondas . Como o Ar na quella quadra do anno esta cheyo de vapores. da Saúde dos Povos. e se os enfermos forem tratados com méthode» . Daqui se sabe quanto màis sedo sahir hum exercito em campanha . ate quasi os fins do mes de Julho : os calores entaô saô continuados . daqui vem que estas continuadas al- teraçoins tanto do Ar como dos corpos. preci- pitaô os Soldados em doenças inflamatorias. nem podridaô. he certo que a atmos- fera adquirirá qualidades nocivas. mas sem malignidade . perto de paûles. ainda mesmo as camas nos quarteis. Daqui vem que nestes mezes os exercitos saô os mais sadios . As doenças nestes mezes saô ordinariamente febres . nas sintinellas . tantos mais enfermos havera nelle ate os fins de Mayo . mais ca- pazes de fatigas . A segunda temperatura do Ar que experi- mentaô os Soldados continuamente he aquella depois dos principios do mes de Mayo. Como se estes mezes fossemTrios . como as barracas sempre estaô humi- das . poderá haver mais doenças do que refirimos : como taôbem se camparem em lugares alaga- dos. nas guardas . as noites por piquenas naô saô frias : nesta sesaô nuncase observaô nevoey- ros : bs orvalhos saô moderados . ou agoas encharcadas. e aquelles que cayem entaô naô saô ordinariamente noci- vos . ou de bayxo de bosques . ou cazernas . como os Soldados estaô dia e noite expostos a elle. rheumatismos . e de sofrer todos os trabalhos da guerra : por accidentes extraordinarios . que quanto mais tarde começar mais raros seraô os enfermos.

mas ò Soldado he obrigado dormir e respirar aquelle mesmo Ar. esta humidade. relaxase o corpo. mas rarissimas vezes se observaô. e fatais a os exercitos. e exhalaçoins que se levantaô da terra cuberta dellas. e em Portugal os princípios de Outubro . que as de Junho-. Os grandes calores . e com a humidade . As noites dos mezes Agosto . Setem bro . e Outubro faô ja mayores. e frio depois de por fe o fol ate amadrugada . e fa tigado se deytar em sima das relvas a sombra ^ . sereno. com a transpi raçao . mas pou cos a humidade que reyna nas barracas . os maos su cessos. que saye dos corpos dos Soldados . siiprimife a transpiraçao. os va pores . sica detida e encerrada na mesma barraca . faô os mais doentios . sem ferem acompanhados de humidade considera vel : por esta razaô os mezes de Agosto . Vimos asima quando falíamos das qualidades do Ar que duas couzas eraô potentissimas para gerar a podridao : a primeira o calor taô inten so como o do corpo humano . ou grandes frios continuados por si fos naô faô taô nocivos como se cré vulgar mente. e orvalho. a segunda a hu midade. faô mais frias e humidas à proporçao do calor dos dias da quelles mezes : em vinte e quatro horas sofre o Soldado hum calor ardente. Setembro . Muito peyor sera se o Soldado suado . Estas duas cauzas vemos constante mente juntas em hum exercito nesta quadra do anno em campanha : todos sabem os ardores que experimentaô entaô os Soldados . como os grandes frios sempre começaô depois dos solsticios : os gran des calores .1^6 Da Conservação c sciençia pouco se podem temer.

junta com os ardores do sol. Em quanto os campos conservarem a verdura . febres ardentes . e O corpo ex posto a o sol : vimos asima que a terra e prin cipalmente com erva .a penas podemos respirar. naô disporá os corpos a apodrecer. sempre se le vantarao assas de vapores que fassaô à atmos fera humida . se o terreno for de area . doenças . dysenterias . fochedos . mas que faô sempre acompanhados com a podridao dos humores. choiera morbus . fendo a cauza que a atmosfera naô se ventila . sem ladeyras. sintimos huâ grande fraqueza . nestes mesmos mezes do Estio causaô ou tros males mais violentos . poderao diminuir em parte as impressoins que fazem nos corpos hu manos os ardores do sol com à atmosfera hu mida. como se fossem torradas . como se vem no Alentejo . ou lagoas conservarem agoas frescas . ou podridao . Se os campos vierem secos . i . logo que os bichornos comecaô. se a terra se abrir com gretas taô profundas as vezes . em quan to os rios . aparecem en taô pellos fins de Julho . e as arvores folhas verdes . transpira huâ terça parte mais do que a agoa exposta a o mesmo calor da atmosfera. e as serras a donde ordi nariamente reynaô os ventos ou pella manhaâ . ou depois do meyo dia . da Saude dos Povos. entaô começap os nossos humores a apodrecer . que parecem abismos . e os lagos . to das as arvores sem folhas \ ou taô secas . nem montes. Os sítios le vantados os montes . ou principios de Agosto febres intermittentes . Logo que faltaô os ventos . todas filhas da podridão dos humores. i^ y c muito peyor com a cabeça . e sem serem altera das pellos insectos . e o calor da quella quadra do anno. A secura do clima . rios. as fontes .

Ou que o exerçitcr sitie hua praca . ou ainda mesmo em guarniçao nesta quadra do anno hé força que se gere muita corrupçao no Ar . Nos desertos da Arabia . como cada dia se vai augmen- tando ate os fins de Agosto a podridão fera mayor : as agoas por se haver dellas evapora do o mais subtil vem turvas . é destroem a fabrica dos nossos corpos. e em algums lugares do Golfo da Persia saô os ardores do fol taô acti vos que se gera hum Ar . todo o terreno cuberto de barracas. daqui vem que cada dia se augmenta a podridao . como saô o resto da comida de hua armada. a donde o Ar sempre he impuro . a o passo que os calores acharem as disposiçoins que re latamos. muitas vezes se suffocaô em hum instante . os seos excre mentos. naô recebe delles a atmosfera a humidade necessaria à respiraçao salutar do corpo humano. limosas . ou vento pestilente : como to dos aquelles lugares saô secos aridos . e ou tra infinidade de materias animais que nellas se ajuntaô . Ja vimos os esseitos do calor e da humidade da atmosfera . ou se fazem congestoins mortais no cerebro e nos bofes : cada dia se vem desas tres nos cegadores . os animais mortos.f j8 Da Conservaçaô nem lagos . com os excrementos da roupa que se lava nellas. apodre cem por ultimo . ou que esteja campado . e malhadores que se deitaô a dormir expostos a o sol : morrem apoplecticos . e por consequencia doenças c enfermidades. os habitantes lhe chamaô Samicl. . dissipasse o mais subtil dos humores. a mayor parte areais . entaô os ardores do fol secam . ou vento taô adurente que mata em hum instante . vem acres. ou com huâ inflamaçao violenta do bofe.

e abundantes : os nevoeyros as vezes se ajuntaô a augmentar a humidade e a podridao da atmosfera . Neste tempo os dias e as noites saô com pouca differença iguais : daqui vem que as noites saô sempre mais frias que os dias : a o passo que os dias saô mais quentes . ou junto de bos ques. ouquaíi podres : neste tempo digo a mortandade de hum exercito sempre he mayor : neste tempo poderá calcular o General que tera pello menos a de cima parte enferma e incapas depelejar : as vezes se vio mais da quarta parte de todo o exercito. e a os orvalhos . o sereno . junto de lagos ou agoas encharcadas . As chuvas moderadas por hum dia . pellos finis de Agosto ou princípios de Setembro todas as doenças que reynaô sao cauzadas da podridao dos humores . quero dizer. dormir . e estar ex posto a o sereno . dos sapatos . renovase e purificase : mas as chuvas continuadas augmentaraô mais a podri dão dos humores. todas estas alteraçoins aug . ou ou tro refrescaô o Ar e prinçipalmente depois de algua trovoada . e longe de montes ou serras . as vezes obrigados os soldados dormirem por terra. Neste tempo. dos vestidos . de bayxo . em campanhas razas . A quàdra do anno mais fatal para hum exer cito he a do outono. Começa desde os fins do mes de Agosto ate os principios de Novembro. prin- çipalmente se ó exerçito estiver campado nos bordos bayxos dos rios . as feridas as fracturas e disloca- ^oins vem mortais porque os humores do cor po ou estaôja summamente alterados. da Saude dos Povos. e molhada. hu~ jnida. e os orva lhos saô a proporçao mais frios . A humidade das barracas .

Soldados . charcos . que militaraô contra os Turcos na quelle Reyno. Poderá considerar o Medico do exercito a fa- cilidade . que os frutos verdes . tercans dobres . Mas fomente Joaô Pringley Fi- sico mor do Exercito Ingles na Guerra de Flan dres em 1741. in 8". ou falta delles . paules . mas a dif ficuldade ou facilidade de os curar. a grande quantidade de yinho e de agoa ardente . Flandres. Foi aquelle que delta materia com fummo proveito do genero humano escre- veo o lìvro citado a bayxo ( 1 ). e em Italia que a mayor parte dos exercitos pereçem depois do meyada de Agosto ate os principios de Ou- tubro pellas febres ardentes . de que uzavaô os ( 1 ) Diseases of the Araiy. ou dissiculdade que tera para curar as feridas pella disposiçaô que tera ô os humores para apodreçer : quando observar calores con- tinuados por tres mezes com humidade exce- dente . bosques . e da cura das doenças que os destruiô. e dos feridos. 1751 . entaô podera calcular naò so o numero dos enfermos que terá neste tempo . ou das doenças que destruiraô os Exercitos Imperiais . London. Ate gora foi opiniaô constante dos Officiais Gerais. Eoucos foraô os Autores que escreve'raô com applauso da Confervaçaô da Saude dos exer citos. e que o numero def ias doenças fempre excede de ametade a aquel- les dos mortos na guerra. ou maduros . Muitos Medicos escreveraô da febre Hungari- ca . e podridaô da atmosfera .I éo Da Confervaçaô mentaraô as enfermidades e doenças que difle- mos assima. Russia . agoas . e mesmo dos Medicos militares . He notorio a todos a quelles que militaraô em Hungria . pello terre- no. perniciofas e dyfenterias .

o que he engano manifesto . e febres remittentes mortais a terça par te do exercito Russo sem haver comido na quelle deserto o minimo fruto do outono. Eu vi no anno de 1736 no íìtio de Azoff cahir em dysen- terias . e que a experien- çia me fez ver evidentemente. mas sò pello tempo que ò exercito fi- fcar nos quarteis . da Saude dos Povos. estendefle ordinariamente ùepois dos quinze de Outubro . saô antes con-. e febres podresi Augmentará a mortandade dos Soldados * heste tempo do Outono camparem no mesmo lugar por muitas semanas . Sei que nas duas campanhas pellos bordos dos rios Niepper e Neister ate quasi os bordos do mar Negro . tra a podridaô dos humores que para produzi- la . e muito mais pro«- longar a campanha ate começarenuas chuvas . He falsiflìmo que o vinho . principalmente comidos com paô. mas ja mais dylen» terias . e febres castrenscs : estas bebidas to- madas com moderaçaô saô o milhor remedio contra ellas . e acabala o mais fedo . que fizeraô os Russos . e se com exceflb se beberem po- deraô cauzar outros males . i6t Soldados erao a cauza da quella mortandade . e as noytes frias : sendo huâ regra geral para a confervaçaô dos exercitos sahir em campanha o mais tarde . Naô consideraremos o Inverno pella quadrá do. nem ainda bebida com exceflb cauzem dy senterias . Se considerarmos attentamente na natureza e effeitos dos frutos do outono . mais da terça parte dos Soldados .anno . ate os quinze . quero dizer pellos fins de Setembro. sem haverem to- cado fruto algum do outono. e a agoa arden te . ou morreraô ou adoece- raô de dysenterias mortais .

ou que fe expuzeraô a o vento e a chuva . Agora vçremos as doenças a que estaô expostos j . l6i Da Conservaçaô . Temos mostrado a que doenças estaô ûijeitos os Soldados em todas as quadras do anno . que apparecem no Inverno de bayxo da forma de diarrheas . ictericias e hydropesias : destas duas sortes de doenças . quais faô os pleurizes . tosses e catar rhes inflamatorios . mas misturadas com as enfermidades do Outono . ças complicadas de inflamaçaô cauzadas do frio e de podridaô que ficou adormecida com a mu: dançadoArdo Inverno : entaô fuccedem tosses continuas que se terminaô em fuppuraçoins do bofe . as vezes em febres in termittentes . ou estendemfe ate o mes de Mayo. em hydropeíias . quero dizer agudas. Aquelles enfermos com dyfente- rias . ficaô fempre dis- postos arecahirem no Inverno logo que se es- sriaô subitamente . com ò calor constante da primavera por todo o mes de Abril e Mayo. que escaparaô no Outono . e se curaô as vezes pello vigor da na- tureza . entaô apparecem estas doen- . que apparecem pellos fins de Fe- vereyro . de Março ou de Abril. As enfermidades neste espasso de tempo faò geralmente inflamatorias . A temperatura enta ô do minante do Ar he fria e humida : mas saudavel se for moderadamente fria e seca . ou elles estejaô em campanha . efquinencias . e febres intermittentes . Terminaô fe ordinariamente estas doenças por fucceflbs furrestos . . sendo a hu- midade dominante em todas as sesoins a quali- dade mais contraria a Saude dos Soldados. ou em quarteis. muitas faô recai- das das febres intermittentes ou quartans . febres ardentes . e chronicas estaô os Hof- pitais militafes occupados entaô.

comona campanha embarracas. fica os animais : morre porque as particulas po-» : dres comque está o Ar enibibido augmentaô a podridaô do animal quandp as tprna a respiras.e sobre tudo dianjte dos Generais o estadp inìmjrtente da mçr^a que estaô taq fujeitos os Soldados .e naô de acceso a o Ar exterior que naô respi- rará sem ansia por hum minuta de tempo : se contifiuar a respirar o mesmo Ar morrerá suffo- cadoem. respirar segunda ves : morre porque o sangue . A segunda queo Ar que foi huâ ves respirado trouxe consigp o bafo. de tal modo que fica ìncapàs de prolongar a vida a o animal . Vimos asima que o Ar . dàSaudédosPoVbsi. que se separaô no bofe . perdoeme quem 1er este caçitulo . epor ultimo nos Hospitais. se o . t4t Ê que se geràô por estarem jimtos^tanto noa qrarteis. no bofe naô se depura dos halitos podres que a / cada pulsaçaô sahem do bofe : morre porque no Ar ja naô ha aquelle espirito de vida que vivi- . ainda mut longe do inimigo : mas çomo o vi e lamentei muitas vezes .dos Chirurgioins. Morre o homem suffocado por duas cauzas . . Vimos que se hum homem respirar deç* tro de hua talha taô tapada pello peîcoço qu. quô hua ves foi ref- pirado por hum animal . Quizera sem commoverme por diante d1?* Medicos. e que serve para prolongar a vida. dois ou tres minuíos* As experiences relatadas de Estevaô Hales confirmaô o que ve- nho de dizer. sica destituido daquella rVitalidade que tem .. trouxe consigo aquellas particulaspodrçs . . a primeira porque o Ar huâ ves respirado fica destituido da quelle fogo elemental que está es- palhado por toda a atmOsfera. íe nelle tiyer mais parte a humanidade dp qu? a .

de ma teria . consideremos o Ar da quella barraca. e janellas fechadas . nem de Ar . de poeira. se nelles houver muitos feridos . naô se neces- . que insoportavel será o cheyro por toda a noyte . cheyo de suor . enjoando a cada instante . Quem vio mil enfermos meti dos em quatro ou cinco fallas . nausear ainda aquem estiver custumado a semelhante vida. he força que considere que na . sem mudar nem de sitio . com sangue coalhado das feridas .sita de outra doença . com çapatos molhados . e as vezés hua campanhia enteyra de Soldados dormindo em hum apozento . î6*4 Da Conservaçaô sciençia. Consideremos des. consideremos os ha litos e vapores que se levantarao da quelles cor pos . as vezes misturada com os excrementos de todo o corpo . ingra tas . depois de haver cumprido de dia as obri- gaçoins de Soldado . robustos . nem de cama . que respirar aquelle Ar. com as por tas . ordinariamente mossos . ou cazerna . Mas o mais lamentavel he ver e tratar os Hos pitais tanto nos quarteis . e das materias podres dellas . meyas . em lugar taô estreito . sem limpeza do suor . : quasi todos febricitancso . quelle lugar para acabar a vida . e que faraó. nem descubrir parte alguâ do seu corpo. com camizas fujas . vinte. que cada hum toca a o outro . que hediondo pella manhaâ logo que fe abrem as janellas ? Consideremos na campanha des ou doze Sol dados encerrados em hua barraca abotoada . Quem considerar attentamente que o Ar huâ yez respirado fica naô so incapas de continuai? . e as vezes os vestidos . es tará cheyo de exhalaçoins fetidissimas . sem mudar . como da campanha í estes saô sempre com excesso infinito mortife- ros . e reyna- rem dyfenterias.

dotSaúde dos Povosi 1 6*ç M vida de quem o respira . se gera aquella indomavel. Do Ar respirado . ou pel las neves : he certo que destas cauzas poderaô rezultar muitas doenças . e comerem mui- tos juntos . que sas apodrecer o mais sub til. do Ar ja podre . do qual demos a historia no capitulo como se devia corregir o Ar das prisoins. por exemplo que a farinha era podre . e mortifera febre de conta- gio . regulares > e conforme a sua natureza 2 Liij . do Ar destituido da vitali- dade . ou Hospitais como vivem ordinariamente os Soldados. que pellas fatigas. tem outro que he fazer apo- dreçer tudo o que tocar . pellos ardores do fol. mais facilmente a apodrecer. verá logo como os humores dos Soldados estaô expostos por esta unica causa. que as mar chas foraô forçadas . hum Soldado com huâ tercaâ . e pellas neves. O que sas perecer tantos Soldados desta febre he o naô fer conhecida pellos Medicos . Lamentei muitas vezes que naô tinha palavras assas energicas para persua- dir este dano de dormirem . mas nenhuma tem . ou pellos calores . fechadas as portas e as janelas : la mentei que naô apprendiaô evitar estes danos pellos funestos fucessos. mas que alem da quelle defeito . . por exemplo . ou transpiraçaô que sahe de toda a pelle humana . que opaô era mal cozido . que sempre attribuiam a outras cauzas . e o mais activo <jfs nossos corpos . nem terá ja maisamalignidade doAr respirado. das particulas podres que se levantaô das feridas . e chuvas. barracas . e principalmentc dos excrementos dos dysentericos . observa o Mcdico dois accessos della . se vive- rem em quarteis . do Ar embebido do bafo e vapores do bofe como do fumo . entra no Hospital .

porque o Ar refpirado . que começa a tremer . e depois do quinto ou sexto dia repara que este énfermo està mui abatido. produ- íîo nelle em quatro pu cinco dias outra febre differente da primeyra . como ella he mortal . hor&ini pliirim. Pareceme que qualquer sicará perfuadido do summo dano que cauza o Ar respirado . e convalece- rem os Soldados ou nos quarteis ou na campa*- íiha . e podre tudo converte em po- dridaô. miferavel enfermo ? En- rrou com hua febre benigna . e que naô mudaô ft primeira indicaçaô . vem a morrer della . ex hç-roioe fugt piala ! Ub« . e o chi-> furgiaô e ò official acuza a letalidade da ferida. parecem feridas ervadas . que Ihe convem . e naô dormio . Assim entraô os feridos fem perigo de vida : mas no Hofpital o vem adquirir por esta febre contagioza cauzada pello Ar respiradò e podre : depois dos primeyros dias cahe na febre da pri faô ou contagio . que aquelles fympto- rhas mostraô fer perniciol'a . pensou o Me* dicò em febre contagioza ? Naô. ou da prifaô . He verdade que as feridft nestes Hospitais a donde reside esta febre . e taô differente . e fe univerfalmente no moral heverda- deiro o judiciofo reparo de Plinio ( i ) com fnàyar rezap fe pode dizer»Meo Pcos quantos l 1 ) At Hercule. e a primeira benigna. os osibs descubertosdopericraneo. Cuida que he huâ febre intermittente . podre fc enceTrado para viverem nelle. Ou do periosteo . facilmente cayem em gangrena .i66 ^'DaConservacaô appllcalhe os remedies . do campo . como os tendoins fe cariaô em |joucos dias . e o Ar corrupto do Hospital . que delirou . e prin- cipalmente aquellas de tiros de bala .

se ò exercito naô tiver regramentos de guerra determinados a este esteito. Naô será ja mais bastante toda a diligençia e capacidade dos Medicos . executados pello poder da disciplina militar . sem o vigor dos Soldados . e Chi- rurgioins . da Saude dos Povos. Meyos paraprevenir as doenças referidas» HE supperior a toda a precauçao regrar hua multidao de homems . ate as cinco da tarde. como ti- nhaô os Romanos e tem hoje alguâs ifacoins que conheço ( 1 )» Nem estes bastarao ainda se os Capitains Generais naô insistirem na obser vancia . 1 iy . mas ainda ò ordenaô a os Soldados : por essa razaô exercitaô-se . ou conseguir . e enfermidades. e a ( I ) Ordonnance ãu Rolportant Règlement concernant les Hôpi taux militaires . ih ««. a mayor parte delles fique izenta dos mayores males p ou. sem que nelles haja doenças . sem conhecer em que tempo . de rioiprimerie Royale » 1747 . em que sitio . nascidos dp mes? » mo homem »! CAPITULO XXII. da morte. ou menos combatentes. considerando que nenhuâ empreza po derao intentar . em que clima . Ja todos os Officiais militares tem cuidado naô so de evitarem o ardor do sol depois das nove horas da manhaâ. ainda na mais es- tricta disciplina . terá o exercito mais.dui Janvier 1747. O que se pode pretender he que pellos meyos mais a proposito . 1 67 * males provem a o homem . e marchaô depois de nas cer o sol ate que seja molesto o seu calor. Paris .

non sine tentoriis . exercitio .ou exercitarse violentamente . ou descuberto a o vento e Ar fresco . esquenta . e mesmo o vinho . suando . aut collibus . & sine opacitate arborum . ou nas relvas. tempore . vindo fatigado e suado . aquis . a-state milites com- h morentur. Copia rei Vegecio ( 1 ) . Che- gaô a hua villa daô lhe obilhete de quartel .. III . Mas os ardores do sol ainda que sofridos por poucas horas sempre saô mais insuportaveis nas marchas que no campo : o pezo das armas . Ne aridis .. locis . . z. Mas o que/ucçede cada dia a os Soldados na* marchas he de igual prejuízo a sua Saude. do que tradu- zindo-o. mais do que algua colher de agoa ardente. cap. nesta parte pertencente a conservaçaô da Saude .. he taô nocivo como beber frio na quella postura.. pof precauçao a certada seria melhor naô beber na quelle estado . Ne tardiùs egreffi. Lib. e mochila . se immidiatamente deixar de caminhar .Conservaçaô mesma temperatura de Ar observaô de tardei Ja castigaô levemente a aquelles que se deitaô nas marchas» pellos caminhos. bandoleyras . e fatiga tanto o Soldado como o Ar do mes de Abril ou «Je Mayo : todo o cuidado entaô consiste que o Soldado naô se esfrie de repenté : ja se sabe o dano que causa beber agoa fria. ou que dormem fora das suas barracas. ou misturada com agoa : abayxo fallaremos mais largamente da bebida dos Sol dados.. ja (i)Nunc . & fatigatione ù ítineris contrahant morbum . & calore solis .. "qucmadmodum sanitas custodiatur exer- « citûs admonebo . mais commentando-o neste tratado . ccepto '„ ituiere ad desinata perveniant „. Parar de repente . medi- w cinâ . como judiciozo . D campis .. luce . ï 68 Da. desabotoar os vestidos expor todo o corpo cuberto. Autor taô instruído das leis militares de Roma . hoc «st . sed potiùs in xstate .

ou immunidade . hum ou dous Regimentos com tantos Soldados . ou Regimentos mar chando . e Officiais . e que deve ficar izento da passagem : o que succede he que ò miseravel Soldado ganhâ huâ febre diaria pello menos . e do mesmo modo os Officiais. e o tempo . villa . as vezes huâ febre continua . e dá outro a os Soldados . Vi eu taôbem em outro Estado que logo que da Capital da Provincia se ordenava a o Juiz do lugar . e outras hum rheu- matismo. ou cidade a quartelar por huâ ou duas noytes . ordinariamente a o sereno por huâ. ja vai requerer do Juis a sua preemísençia . com o nome do Regimento. cansado . Tanto quanto o serviço militar o permitir se ria conveniente que todoo trabalho militar co meçasse antes de nascer o sol : aquelle fresco da manhaâ fortifica o corpo . ja por valia muda obilhete entregue . em lugar do quartel em primeiro lugar asignado. da Saúde dos Pt>yos'. como estavaô escritos nas por tas . ja relaxado no dia antecedente pello calor. que se aquartelariaô nellas . do pobre e fatigado Soldado. sari» gado . Deste modo se poupava a Saude . Entrava na villa . 169 • patraô nomeado ó aceita. e *sem desfilar hiaô entrando tantos em cada caza . e suado . Todo ò trabalho entaô ainda que penozo será mais supportavel que no . que o Juis era obrigado dous dias antes de chegarem escrever cm cada porta principal de cada caza com hum pedaço de greda branca o numero dos Soldados e dos Officiais . ou cidade o Regimento . em quanto o patraô prova que he nobre .e as vezes mais horas. Por todo este tempo está o pobre Soldado deytado ou assentado na rua .

aflìm taôbem seria neceflario dar taischa- peos forrados de barretes de couro . ou lam para fora . Nenhua forte de vestido defende ipais o corpo do exceflìvo calor doque ò cou ro . como faô os das Efpanhas . Esta será pode fer a razaô porque diiparaô hua peça de artilharia . se defendem dos ardores do Sol com ves- tidos de pelles com o cabçllo. que vive pellos tordos do rio Volga . 170 Dà Coìisetvaça. ou pelles cortidas . e de Italia meridional.6 resto do dia. e na negra se concen. doque passeando ou caminhando.lores faô intensos.daô capotes as fintinellas contra a inclemencia do frio. alsim seria neceflario mudallas taô amiudo nos climas austrais . c Como nos climas feptentrionais se mudaô as fintinellas cada quarto de hora nos rigores do Inverno. Os rayos do fol se espalhaô na cor branca . clima ardentiffimo no fstio . Nacaô. Hum homem vestido desta cor naô fente tanto calor . e o carnás para dentro . Naôhe so por honra que os Orientais cobrem a cabeca com aquelleavultadoturbante branco. como aquelle que estiver vestido de ne- gro ou de outra qualquer. Como taôbem nos mesmos climas frios . todos fabem quam esti- mddos faô para este effeito os colletes de anta : os Calmucos. quando os ca. |raô. e a cabeca d» . ou feitos - de papel branco em pasta . e soaô a alvo- rada a o romper da alva nos campos militares. óque defende a cabeça admiravelmente dos rayos ardentes do fol. he taôbem para defendela dos ardores do fol. e immovel sintirá os ardores do Sotcom muito mayor dano da Saude . Tartara. que firvissem de caf- quete. O Soldado de sintinella que estiver parado .

Para occorer a esta taô ingrata . ou forrada de pelle como dissemos assima . <jui algere compellitur Fegttius . que trariaô ( I ) " Ne fsEvâ hyeme iter per nives ac ptuòias nostibus ^ faciant . fázen- do esteyroins della torcida. aut^ piinor illis vefc v tium suppetat copia. e esquinençias. seja ne» cessario que o exercito fique por todo o Inver* ao em campanlia. estas mudanças cauzaô os pleurizes . No campo se deveriaô cobrir as barra- cas com ramos de arvores . ou outra qualquer importante operaçaô militar . da 'Saúde dos Povos. ou carneyro cor- tidas . taô iong'a que entrasse nos calçoins . . aut lignorum patiantur inopiam . males inflama- torios do peito . subitamente começaô aventar os ventos Nortes e Nord-Estes . o que defenderia. e valero- zo he capas de empreza alguma tremendo de frio ( 1 ). çfficasmente os ardores do Sol. Ainda que em Portugal e nos seos dílatados dominios poucas precauçoins sejaô necessarias contra a severidade do frio. forte de vestido que o defenderia taôbem contra . nec expeditioni ido* „ neus miles est. \ 71 mesiïKMnodo. ifritUa.0 frio do In- veruo. sem nevoey- ros nem chuva naô he taô prejudicial a Saude como vulgarmente se considera : o que ostende sensivelmente saô as liibitas mudanças de calor para o frio . seria necessario que cada Solda do tivesie huâ almilha de baeta forte simples . e sen- íivel molestia . Seria mui pouca despeza se cada Soldado tivesse à sua vestia forrada ate as ca- deyras de pelles de Cabra . Nenhum Soldado ainda que forte . e surradas em branco. e de frio para o calor . com erva . e principal- mente quando depois das chuvas estando a atmosfera temperada . Nec sanitati emm . podera succeder que pello dilatado sitio de hua praça . O frio começando por graos .

ljl Da Conservação vestida ate o fim da Primavera. o frio penetra entaò mais profun damente o nosso corpo e geraô se todas as doenças inflamatorias tanto do peito . Os çapatos deviaô ser de sola forte. mais de pressa . como no Estio. Nas marchas se poderao na retaguarda mandar acender fogos. quero dizer nos fins de Abril ou Mayo. e por consequencia que a atmosfera se infecta : no Inverno a humidade he igualmen te nociva . fera mais fensivel e perniciozo : depois de molhado aquelle que ficar quieto exposto a o frio . Se o frio for junto com a humidade. Assim ter a cabeça coberta com casquetès de couro para defenderse do frio . ou de abas de chapeo para defenderse da humidade. se o serviço militar naô permitir encubrilas. Nem os Officiais nem os Soldados se com- fiem nas botas . que se gera po dridao . do que se esti vesse coberta so de pano . e deyxallos o mais tarde . ou com huâ cara puça. com tanto que naô seja dobrada de baeta . tanto no Inverno . ou pano . ou borzeguins de Couro para defenderse do frio : qualquer parte do nosso corpo cuberta de couro . que naô possa ter nesta alteraçao a sua origem. O tempo humido sempre he o mais nocivo de todos . ou a o vento Norte naô ha doença . coma . ou baeta. he angmentalo : devese cobrir com outro de pano . Sendo constan te observaçao dos Medicos que para conser var a Saude vigoroza se devem vestir sedo os vestidos que defendem do frio . principalmente do peito . com palmilhas ou de palha teçida . ou se gela. Vimos asima que logo que o calor se ajuntar com a humidade demaziada . sofre mais frio .

nem sobrado. a donde saô mais fre quentes. dá Saude dos Povos. e que he engano considerar serem mais sadias por estarem reparadas do frio pellas portas . Naô (o no tempo das chuvas a humidade he notoria. do que o frio dos quartos a o primeiro e segundo andar . sem calçadas . ou de geada . mandando pu rificar . e quam mal sadios saô os bordos dós rios. terreas e sem serem forradas.1 73 '<3e todo o corpo . naô se ignoraô os danos dos nevoey- ros . e de janellas : os palheiros devem ser preferidos as cazas dos lavradores ordinarios.mais quente e seco do que em qualquer outro tempo . e que naô se devia dormir nem habi tar nellas. porque o Ar entaô he extremamente humido . a humidade destes lugares bayxos he mais pernicioza . de portas . ou nas guarniçoins que possaô os Soldados preservar- . e dos campos alagados . e o vestido . Vimos assima os danos das habitaçoins bay- xas . e dormir nas adegas. se da humidade dos quarteis . entaô he que se requer o quarto . diffumandoas com muita polvora . secar . a cama . desguarnecidos . ou enxofre. Com estes conhecimentos poderaô dar tais ordens os Officiais ou nas marchas . e conservarem hum Ar corrupto e in fectado . como saô os rheumatismos. . e alimpar de antes as cazernas. por ferem hú midas . . mas muito mais quando os campos estap cobertos de neve . Vimos affima que as cazas. . e janellas . sem primeyro mandar de antes acen der fogo . como viver. em cazas terreas. e todos edifícios que naô foraô habitado/ por muito tempo que saô os mais contrarios a Saude . escolhendo os lugares mais altos para habitar .

. como vivem ençerrados .. ou ò levero frio : mas raras vezes pertsaô a humidade se naô he quando chove : o que he engaoô porque a hú . daqui nacem doenças . e que haja abundancia de vinagre . ordenada com vigor . e sobre îudo ainda que seja no estio fazer fogo pella manhaâ em cada quarto adonde dormirem mui tos Soldados juntos . Quando os quarteis saô os mais incomma- dos . seraô mais destruidores do feu exerçito doque a espada do inimigo. como naô podem ter limpeza alguá . estenderem panos . borrifarem a miu- do o sobrado com elle . O vina. ou des- cobçir algùâs tëlhas no telhado. entaô se gera a podridaô do Ar . O commun dos homens quando vivem iìo Campo naô consideraô outros inimigos da Sau- de .encerradòs-. que ò calor exeessivo . e noçivos he quando o numero dos prisio- neyros augmenta ò numero de quem os occu pa : como lhes faltaô camizas . gre para lavarem as maons . Queyma»porçoins de polvora pa ra difumar dtias-. ou tres vezes por dia . ou buracos . . e de polvora. e das prisoins os perniciozos effeitos de viverem en çerrados muitos juntos : se os Generais naô tiverem a providencia de prevenir estes males nos qírárteis . Vimos assima fallando dos Hospitais .* mandar abrir chimines etti cada quarto. que vem contagiozas a os mesmos vencedores.174 -' DaConservaçaô e outros edisicìos naô habitados . que de ordi- nario servem para a quartelar os Soldados. no feu tecto. e castigo . Consiste na limpeza da quellas cazas a donde estiverem . e que sejaô obrigados vd* vererri. oulam ensopados nelle con- tinuamente. meas e çapatos para se mudarem . ou farrapos deLinho. e por consequençia a dos seos humores .

porque eva pora mais pello calor dos corpos } mais he mais perniciosa porque fica no Ar encerrado . Cada dia deveriaô expor a secar a o Sol tudo aquillo quesirvisse de cama. como do in verno gerase continuamente pellas exhala- çoins de muitos corpos viventes encerrados no mesmo lugar. ou qualquer outra materia . da Saude dos Povos. pellas exhalaçoiná dos corpos dos Soldados e pella sombra que aá mesmas fazem. que pu desse servir de cama . e a terra". 17 j midade tanto no tempo' do estio . e se ven tilasse. mas taôbem para dissipar as particular podres da transpiraçao . que fechaô e a botoaô . : Logo que os Soldados forem obrigados dor mir por mais tempo . e pella por ta . ou de feno . e bem guardadas com sinti- pelas. ou a area que delle cavassem deveria servir para aplanar e cobrir o terreno que a barraca cobre : este mesmo ha via ser coberto de palha . e impedisse a humidade éa terra. de feno . contentaô-se com mandar abrir so. para que o Ar passase livremente . Dentro das barracas a humidade he notavel pella evaporaçao do terreno. ele* . e res* piradò muitas vezes. naô so para seca-la . contra o frio ou contra a chuva . e do suor . ramos . que ò de huâ ndyte erri hum lugar . que se lhò communicasse. entaô naô so a humidade do terreno he mayor . renovando* a ou fosse de palha . Dormem oito até doze Solda dos em cada barraca . de taboas . deveriaô fazer hum rego a roda dé cada barraca . de. A o mesmo tempo por todo o dia deveria estar a barraca aberta por bayxo . Custumaô os Officiais terem as suas barracas sempre fechadas .

semelhante » do mez de Mayo. como a concelhamos na quellas dos Soldados . com as portas abotoadas . ou torroins com os quais erradamente mandaò igualar o terreno . mas aquem pertençer fica a considerar se o custo desta provisao he taô pre« judiçial como a perda do Soldado. O pobre Soldado molhado de dia tem por cama entaô o lodo e a humidade : para prevenir a destruiçao certa desta forte de vida . a mesma precauçao de man datas abrir por todo o dia se devia ter .-. ou espiritos .. e o augmen- to dabagagem .lj6 D& Conservação vantar as marquezas : naô cuidando que da> terreno coberto por ellas se levantaô vapores . e as vezes em sima da agoa mesma.^ Os Officiais que quizerem soffrer menos ffia^ dentro das barracas poderao fazer queymar huâ pequena porçaô de agoa ardente de cabeça . ò Ar se modéra a huâ temperatura tal . como a experiencia nos con- vençe cada dia . . deveria entrar na despeza das barracas mandar fazer huâ certa quantidade destes panos ençerados sobre os quais dormiriaô os Soldados dentro dellas. Nos sitios das praças . e mesmo de mui pouco custo . Todos accularaô a despeza . da repugnançia que tem a agoa para misturarse com o azeite. ou com a cera. he obrigado as vezes o exerçito campar sobre atoleiros . se mandarem meter alguas varas de pa no grosso de estopa em cera derretida com pou co azeite : estes panos assim ençerados resis tem efficaçissimamente a os vapores e exhala- çoins do terreno . o que feria mais acertado com area grossa . e man dando cobrir toda a àréa a donde habitarem com panos ençerados . campos ala gados . e prinçipalmente se estiver coberto com erva .

e escolher aquelles para este effeito . tudo saô tantas esponjas inuteis para se ensoparem na chuva . e a chuva : quanto mais cova- dos depanotiversuperfluos emsima desimayor pezO . ou a nado. os mais enxutos . como os Çapatos . da Saúde dos^ PoVas. mais por costume que por sciencia militar. e em todo o serviço militar esta o pobre Soldado exposto a nere . e fardados a Franceza . Parece que devia entrar na considera- çaô taôbem o vestido dos Soldados . e ribeyras bayxas e humidas. e bordos de rios . e mayor provizaô de doença e de pena ganhará : aquellas pregas da Cazaca. taô estreito . nem adorno. dobrando as para tras e atando-as com cor- chetes > aquellas mangas desgarradas . e fazello taô curto . fazendo exerciçio . aquellas abas della tao inuteis para aquecelos* ou réparal* los . nas sintinelas . com os taloins que viessem ameya perna . e aper- tado . paûles . Na» marchas . enaô para luxo . . Vemos hoje todos os re* gimentos vestidos . Da qui se ve quam necessario he o conheçi- mento dos lugares a o General para mandar campar nelles. nas agoas dos rios que passaô ape . ou taô longo . os mais distantes dos espeflbs bosques . campos alagados . ijy Q Imperio da moda se estendeo ainda aquel- íes que naô devem ter outra destinaçaô que defender a sua patria. os mais areados. os mais lecos . que sirvissem adefender o corpo do frio .

ainda ò mais sadio . He bem natural pensar que hum campo habitado por qualquer exercito por hum . o que temos por todo este trata do ja repetido muitas vezes. Meyos para prevenir a corrupção do Ar no Campo . ou do terreno se ajuntar com o calor.Ì78 Da Conservação CAPITULO XXIII. e como fas apodreçer os humo res do corpo . ó frio. ardentes . prinçipalmente se a humidade ou da atmosfera . se quizer con servar o exercito com Saude . nos Hospitais . Parece supérfluo repetir aqui como se gera o Ar corrupto . e a humi dade : mas mui poucos conhecem como se corrompe o Ar . que nesse cazo he impoA sivel que naô sofra o exercito enfermidades cauzadas da podridao dos humores . quanto mais tempo estiver ex posto pellos mezes de Julho . e dyfenterias. como faô febres remittentes . ATe gora consideramos prevenir os danos que rezultaô somente da intemperie das sefoins : todos se persuadirao prevenilos . e nas Casernas. por ques cada hum fente ó calor. Por essa razaô deve considerar o General mudar a miudo o campamento . e como se gera a corrupçao delle nos lugares mencionados no titulo deste Capitulo. se o naô fizer fera obrigado fazello depois de estar ja p contagio radicado nos Soldados . He certo porem que tanto mais tempo esti ver hum exerçito campado em hum sitio . Agosto e Setem bro a os ardores do Sol . que se mostrará pella mortandade.

nascitur morbus . deste modo ie emmendaria aquella podridaô. grossas . e por ultimo per- niciozo a todo aquelle que o respirar. que hade cahir enferme» na quelles mezes do estio : considerem-se as im- mundiçies qu© contrahetrt as agoas tanto dos rios . que as obrigaô a evapo- rar . de tantas ma- terias vegetais . fa ô nocivas . e entaô qualquer se persuadira que aquelle Ar vira corrupto . limosas e de cor verde : seria entaô bem conveniente a la- gar todos aquelles lugares com agoas vivas . o que merece a mayor reflexaô do Gene ral que quizer conservar o feu exercito. os tanques . como das fontes de que uzaô aquelles Soldados : considere-se a podridaô da quelles cadaveres . das feridas . 2. e animais que cada dia apo- dreçem na quelle campo . M ij . quando a terra està ja seca e a berta com gretas . daSauâe dos PoVos* íììès ou seis semanas . Vege* çio ( i ) dis que estes males naô se podem ré médear que pella frequente mudança do cam po . As chuvas moderadas mas repetidas antes que as fontes . entaô vem turvas . depois de servirem a o uzo delle . e os rios se sequem e as agoas venhaô podres refrescaô o Ar. qui prohiberi aliter non potest aisi fret ^ ijueslti mutatione çastromm^. ex contagione aquarum & odoris „ ipsius fœditate vitiatis haustibus & aere corrupto peraiciosiflì- „ mu. ò cheyro que se levanta entaô da terra he ingra- ( I ) « Si autumnali sestivoque tempore diutius in iisdem locis „ militum multitado consistât . Lib. e que as agoas começaô a apodreçer . III « cap. As agoas encharcadas . dos animais . dos ex- crementos do corpo humano. e os la- gos jamais começaô a podrecer sem que prece- daô calores intensos . e dissipaô as ex- halaçoins delle prinçipalmente depois das rro- voadas : mas aquellas primeyras chuvas que vem depois dos prolongados calores .

Devesse ter particular cuidado que os Solda dos sequem e enxuguem . se montanhas ou fer ras . do saudavel . Estas chu vas se devem evitar. ou de fronte do campo. como taôbem ò mal. Ainda que nos campos militares raras vezes se poderá a proveitar quem tiver omando de campar . com tudo feria util que o General tivesse este conhecimento . bosques ou alagoas estiverem detras . i8o Da Conservaçaô to . e tudo que lhes servir de cama . ou do noçivo dos ven tos . ou como de fumo de Carvao . A disciplina exacta na limpeza seria o reme dio efficas contra a corrupçao do Ar. tanto para sinal . ate que as covas ficassem quasi cheyas . c ultimamente deviaô fer a montoadas de terra . a limpando . como para impedir a exhala- çaô : em seu lugar entaô se abririaô outras. * . Na introduçao deste tra tado pareceme dissemos o que he necessario fa tie r para tirar deste conhecimento alguâ utili dade. '. sulfureo . Hum leve castigo a todo o Soldado que evacuasse fora das latrinas que se deveriaô abrir de proposito nos lugares convenientes a proporçao dos Sol dados . tanto quanto permitte avida do Soldado do mesmo modo que o sere no da noite hua ou duas horas antes e depois do Sol porto. e exponhaô a o Sol tudo o que tem nas barracas . e renovando o Ar « o mesmo terreno da barraca. e todos os que cuidaô da sua Sande em Portugal naô sahem fora de caza na quelle dia. feria necessaria precauçao : aquellas 1 que se abrissem depois do mes de Junho ate o fim de Setembro deveriaô ser mais profundas que nos outros mezes : hua ves cada dia teriaô cuidado mandar deytar huâ cama de terra por íima . ou ò bem que lhe redundará .

e das prizoins . temo. e ain da das guarniçoins se forem numerozos : ainda que tenha por mim o suffragio de meu con« discipulo Joaô Pringley citado tantas vezes nesta obra .. e enfermeiros . mas ainda de todos os assisten tes delles . da Saude dos Povos.J} mais façer bem à sua pátria . naô obstante ò referido que tudo ficará como co meçou. . que so os cazos de premura se de viaô ali curar . persuadindo dividilos . e na razaô com que demostro esta necessidade. e que os convalescentes destes dois Hospitais .{ey que a mayor parte dos homems tudo o que obraô hé por imitaçao : nunca ate gora viraô nem ouvirao que em huâ cidade devia haver hum Hospital Geral como porto no quaí entrassem todos os enfermos que se deviaô cu rar nelle . fundado na experiençia que tenho . tais . seriaô mandados aresta- blecerse em hum terçeyro taôbem fora da po« voaçaô : como isto naô tem exemplo. do que fa^erlhe mal. he perdelos. 18 1 Quando considero os meyos que proponho para prevenir a febre contagioza dos Hospi«. a pezar da demonstraçao que amontoados todos em hum Hospital Geral. ainda que demostre naô so aperda dos Soldados. Lembrome entaô do celebre dito da quelle excellente e illustre Medico Ricardo Mead Ingles "que cujla muito . Confessores . naô me persuado que haverá Ge neral que consinta que cada regimento tenha seu Hospital particular. e o resto mandalos para o Hos pital fora da cidade. como Chirurgioins . Mas ficarme-ha a satis façao que pensei na conservaçao do genero hu mano . O mesmo temor me acompanha em declamar contra os Hospitais gerais dos exercitos . e augmentar o numero delles .

a quatro mill homens pouco mais ou menos. e oitava parte de enfermos . e dous. Eu tenho experiencia que nenhum Me dico .1. seraô necessa rios : ja vimos assima quando tratamos dos Hospitais Gerais das cidades o numero compe tente dos domesticos . ros da sua arte . e com muita pena. ò mais zelozo . e todos qs mais Officiais com a . ou villa de Provincia que tenha edifício taô espa- cioso que possa conter mil e quinhentos enfer mos somente. e actif vo pode ver com reflecçaô das cinco da man* haâ ate as onze horas . a morte parece o mais doce . Mas omal he que o Medico zelozo . e o mais dezejado tormento. cuzinhei- TOS . Tenho experiençia que nenhum Chirur giao com iguais vertudes pode dar os soccor-. e todos os feridos : podemos contar que hum exerçito de vinte e cinco mil homens depois da meyada de Julho ate os fins de Setembro . e Chirurgioins . ou tres ordinarios . ò mais deligente . quero dizer entre tres . . mais que a sesenta por dia. mais do que çem enfer mos. o Chirur-» giaô diligente. criados . Determinaô a este Hospital Geral hum Me» dico somente : hum Chirurgiaô mayor . Medicos .8* Da Conservaçaô He o costume dos exercitos em campanha establecerem hum Hospital Geral para o qual mandaô todos os doentes . Veremos logo a impossi- Ijilidade de ferem bem assistidos os enfermos que sahem de hum exerçito . se todos se amon toarem em hum Hospital : na quelle estado. e ate hua duzia de apren dizes. Considere mos quantos enfermeyros . e offiçiais a cada certo numero de enfermos. terá entre a sexta . fia quella confusao . Consideremos agora qual será a cidade .

mas pella importançia da matéria indica- rei*de passo do que tenho experiençia. e para elles naô será novidade. naô perten ce a este tratado tratar do governo dos Hospi tais . com o Ar corrupto do Hospital . e o modo he que cada regimen to deve ter hum particular com humChirurgiaô Mayor. e os instru mentos de cada Hospital . elle poderia determi . Cada Colonel havia de ter huâ copia destas listas . Toda a difficuldade será indicar em que lugar do regemimento se deve estableçer o seu Hospital . Antes que começasse a campanha se devia dar ordem a os Medicos . todos eayem enfermos . e Chirurgioins que sizissem huma lista de tudft o que fosse necessa rio para hum Hospital Geral . e raras vezes eícapaô avi da : morrem os Confessores. e qualquer se persuadirá se leo com mediocre attençaô o que está escrito neste tratado. tuidos de todo o socorrohumano. Em alguns Potentados da Europa este me todo esta ja introduzido . da Saude dos Povosï. 185 fatiga . morrem os en fermeiros eficaô os mizeraveis enfermos desti-. O remedio consiste em augmentar o numero dos Hospitais . quem será aquelle que o gover nará . e quem terá cuidado da sua economia e transporte de hum lugar a outro . e para hum par ticular a cada regimento. e o mesmo ter ò dinheiro que fosse necessario para conservar dés carretas com os machos necessarios nos quais se transportariaô as camas . Quaque ipse miserrima vidi : Este he o retrato formidavel dos Hospitais Ge rais da Campanha . e dois ordinarios com alguns aprendi zes.

Supponhamos o regimento . podiaô fer destinadas para estes Hospitais particulares : e em campanha . se nelle todos os enfermos se ajuntassem. 184 &a ConservdÇaô nar hum official que tivesse cuidado da econo- mia de tudo o que neceffitaria o dito Hospital ì cada regimento seria provido com huâ cayxa dé remedios. e quem tinha cuidado del les tinhaôfocorro dos inimigos . . he o perigo de ferem assaltados pello inimigo . Na guerra de Flandres entre os Francezes no anno 1742 e os Inglezes se fez huâ convençaô entre o Duque de Noailles . turajs. enfermos . para que os Hospitais de hum e outro fossem priviligiados de todo o infulto militar : de tal modo que os Soldados . selleiro dentro das villas . Toda a dissiculdade de establecer estes Hos pitais particulares nos campos militares . e Milord Stairs . e fi- carem expostos a mayores desolaçoins . pa- lheiro . é dos seos na. ou males chronicos. naô deviaô os Soldados enfermos dellas ' passar a o Hospital Geral : fomente se manda» riaô aquelles os quais ou neceflítassem de ope- raçoins mais complicadas de Chirurgia . ou na campanha . Generais de ambos exercitos . todo o Soldado que cahisse enfermo iria para o feu Hospital particu- lar : as queixas que requerem immediato so- corro . cuja lista seria determinada pellos Medicos e Chirurgioins do exercito. e todas aquellas que se pudessem ali curar . quero dizer o mais perto que pudeste fer do corpo do exercito. ou lugar sirvi- ria a o mefmo fìm : estableçendo o Hospital Geral no centro destes Hospitais particulares . qualquer aldea . ou em guarni- çaô . que aquellas do Hospital Geral . Qualquer caza espaciofa .

ou 'madeyra se mandao tirar . A necessidade a mais potente das leis obrigou muitas vezes uzar de todas aquellas Igrejas para este effeito que naô iaô Parro- çhiais. 18j Naô he taô alhea deste lugar a digressao que venho de fazer . nesse cazo se busca o edi- fiçio mais espacioso . nem a precipita . "Sucçede muitas vezes que se naô acha edifí cio a propoíito na quellas villas . ladrilho . mais secos mais areados . e todas as paredes do meyo . ainda que as janelas . naô se deve reparar nesta falta nas quadras do anno quentes : mayor damno pro vem a hum Hospital establecerse em cazas ter reas . ainda que pareçaô mais agazaihadas . Nem o tumulto da guerra . porque levo sempre no pen samento impedir a corrupçao do Ar dos Hospt tais . separaçoins feitas de taypa . Ja vimos assima como se devem entreter limpos . ou lugares perto do Campo Geral para establecer nelle hum Hospital Geral . ou o vento que poder. e livralos da quella febte pestilente que nace nelles . Saúde dos Povos'. e logeas . do que o frio. em adegas . e»palheyros : buscando sempre os lugares mais altos . e perfumados os Hospitais Gerais das cidades . da . e villas .u f offrer os enfermos nos lugares se cos. e que se ajunta de novo as doenças primitivas. repitjrei summariamente o referido. e fazer fallas es- paciozas : o mesmo se deve fazer nos selleyros . como taôbem as prisoins publicas : parece superfluo repitir aqui as mes mas precauçoins : naô obstante haver ditto bas tante. nas grandes estrivarias . e as portas naô íervaô de reparo íufficiente contra as injurias do tempo. e acomodando tudo a o tempo de guerra. e altos.

esta feria a regra de meter as camas tanto nos Hospitais gerais . e herdades : ali fera necessario mandar . Mas nestes se requer mais conhecimento como se devem remedear os defeitos que se acharao nas aldeas . e que insistia que ainda podiaô entrar nella outras des camas : o Me dico . por exemplo . que occupaô tres Soldados no campo : naô so para haver espaço para ser- vilos. ou com muita polvora queymada . fendo necessario as vezes no tempo das dyfenterias . cada dia pello menos huâ vez . des enfermos em huâ camara : sup- ponhamos que entrava a velos o offiçial que cuidaria da economia . e vinagre fervido. O numero dos enfermos que deverá conter cada fala . ou o Chirurgiaô representaria que os en fermos devem occupar em cada Hospital pello menos tres lugares . e perfumalos antes de entrarem nelles os enfermos como de pois que nelles estiverem. camara . e quatro vezes. sem primeiro se alimparem . Operaçoins que se deviaô continviar por regramento expresso ' em cada Hospital Geral ou particular . nos gerais . mas taôbem para que as exhalaçoins dos feos corpos naô ossendaô mutuamente. A mesma ordem se havia de observar para establecer os Hospitais de cada regimento . ou apozento se deverà de terminar do modo seguinte : metemse . ou que ò faraó interpolladamente . e quando houver feri dos tres . que ja dissemos se havia de observar . e nos lugares . como nos dos regimentos.i86* Da Conservação çaô de buscar estes lugares seraô bastantes parat metter os enfermos em lugares que nunca foraô habitados . e se perfumarem com os perfumadou- ros asima. tanto no que pertence a limpeza . barrerem . esfoli- nbarem .

naô so para someter os Soldados a estes re^ gramentos . e pello menos o economico . mas os habitantes . naô so para dar curso a o Ar . Com esta precauçaô nenhum dano fe poderia feguir que cada regimento tivesse o feu Hofpital par» ticular. por ferem cauzadas de podridaô : mas qualquer movimento he nocivo as enfermidades inflama- torias . Os Hospitais gerais dissemos que devem estar fìxos . de canas . da Saude dos Povosl 1 87 alimpar o terreno de hum palheyro i mandalo cobrir de palha > de taboas . e taô- bem os Officiais . rheumatifmos . e por esta razaô os enfermos dos Hof pitais dos regimentos naô deviaô feguilos : de- veriaô sicar no lugar a donde adoecefem. e de ca- vallo naô he nocivo as enfermidades do estio . tudo isto serà necessario que conheça . por naô haver janelas . in flamaçoins de rins . ou cha- miços : fera necessario mandar abrir o telhado . Somente depois do principio do mes de Julho ate começarem osfrios e as chuvas doOutono: o movimento de carros . e contribuaô com tudo o que for necessa rio para o provimento dos ditos Hospitais. inflamaçoins dos olhos . efquinencias . o Chirurgiaô . Italia. peripneumonias . e Flandres a se saba . Por repetidas experiencias feitas nas campa- nhas de Hungria. como faô catarrhos ferinos . estas enfermidades reynaô depois do mez de Novembro ate os íins de Mayo . e ferem como o centro dos Hospitais dos regimentos : os enfermos do principal naô ne- ceíîitaô feguirem os exercito . o Medico . mas taô- bem para aclaralo . e renovalo . a que consin- taô . mas os doentes dos menores devem feguir os feos regimentos. de carretas . pu fazer trapeiras. tosses con- vulsivas . pleurifes .

Nesta supposiçaô devese considerar mais como se haô de remedear os danos da mà dieta » do que pre screver lhe huâ saudavel. a os seos appetites. e naô lem razoins appa rentes. . Do referido poderá escolher o General man dar executar o que aqui se propoem fundado em muitas experiençias . Pella observaçao do Doutor Pringley Fisico mor do exercito Ingles em Flandres depois do anno 1742 ate 1746 achou que so a decima parte dos Soldados morrerao . na quelles annos quando a campanha comecou pellos principios de Mayo . DaConservaçaô que no flm dellas se acha hum exercito diminuto» de quarta ou quinta parte somente pellas doen ças : o que succedeo principalmente quando co mecou a campanha ledo . seguirao apezar dos castigos a fuá inclinaçao . Digressao sobre a comida e a bebida dos Soldados. o que foi de summo proveito a todo ò exercito : como se poderá ler no seu doutissimo Livro tantas vezes citado neste tratado.. e que o exercito se pos em quarteis quando comecavaô os frios : como taôbem quando todos os enfermos se amontoavaô em hum Hospital geral. e que acabou pellos fins de Setembro : cada regimento ordinariamente tinha seu Hos pital . OUem tiver experiencia dos costumes dos Soldados ja mais se persuadirá que se con formem a boa ordem de comer e beber . l88 . » CAPITULO XXIV. que lhe for ordenada .

e que nellas apparece o numero excessivo de mortos . enfermidades que levaô a sepultura tantos Soldados nas campanhas do outono. e de agoa ardente que bebem . nem ainda o vinho. nem a agoa ardente. ou quinze dias . ou comendo o que accidentalmente en contraô. da Saude dos Povos'. quais saô os pepinos. outra qualquer desor dem contraria a sua conservação.ou fur tando . como íaô todas as do outono : do mesmo modo o yinho e a agoa ardente saô hum excellente re . os Officiais Ge rais accusaô entaô ordinariamente os frutos do outono . e que destas desor- dems se originaô as febres ardentes . Outras vezes accuzaô a quantidade de vinho. Mas he engano manifesto que os frutos . ou. Se o Soldado cada dia for provido de paô de muniçao . he força que dispenda a sua limitada paga no seu . 189. e as dy- senterias . ebolsa commua. provendo ò campo. ver des ou maduros do outono sejaô a cauza da destruiçao dos exercitos . Mas necessita entaô o estado pargarlhes mui regularmente cada mes . porque de outro modo sempre vivem em delordem. como cauza da mortandade. por este meyo fica impossibilitado a dispender em viçios . Se bem se confiderar a natureza dos frutos elles saô preservativo con tra as doenças cauzadas da podridao. ou as guarniçoins com mercados regulares a donde ie vendaô carnes e ortaliças . Quando nos campos militares se examinaô as listas dos Hospitais . meloins. e as uvas . de oito ate des em sociedade . O meyo mais efficas que se achou ate gora em França e Alemanha tem sido o brigar os Sol dados comerem por ranchos . se viver em ranchos. co mendo de oito ate doze de hua Caldeyra . sustento .

Lib. como nas conquistas com pouca differença. como do terreno . e se ó bebe- rem com demasia ja mais produzirá as enfer midades mortais do outono . e aquel- le das suas conquistas . e do vinagre se con- servaô incorruptas : naô fo refistem a podri* daô . O principal da Comida e bebida do Soldado devia fer agoa-ardente . tôma-» do com medida . mas fortificaô . pimento . vinho. se de repente o deyxaraô . j . e as enfermidades que provem dos calores continuados e ardentes. Todos os licores fermentados refistem a po- dridaô : as carnes frescas metidas dentro de vinho . e paô ( i )/ Obfervaô os Politicos que depois que o vin* ho começou a fer mais commun o feu confumo. fal. aceti. e em feu lugar lhe substituem agoa que cahem em febres mortais cauzadas de po- dridaô. . para naô contrahir esta qualidade des- truidora. Considerando o clima de Portugal . 1IÍ . çap. porporçionarei a dieta que convem tanto a os Soldados Por- tugiìezes no Reyno . juntos com a humidade indispenfavel tanto da atmosfera . da agoa ardente .1^0 JDa ConservaçaS medio para prevenir estas enfermidades. Largaraô com pouca reflexaô os Me- dicos dos nossos tempos o costume louvaveí dos Medicos Gregos de dar vinho puro. vinagre. e a feu tempo . e embalsamaô . ( I ) " Frumenti verò vini . ainda que pode- raô produzir outras. de algum modo . que as epidemias . ou. e as pestes faô mais raras entre as naçoins que uzaô delle cotidianamen- te : he certo que aquelles homems que estavaô costumados a beber vinho ..nec non etum salis omn^ j» tempère vitaada neetffitas n.

ou que ja mais o gostasse : e por tanto cada dia daô infusoins e cozimentos da quina .' . da Saúde dos Povos. He erro introduzido vulgarmente nos Medi cos ignorantes da chimica . ou algua porçaô . a zeite . (e as vezes mais conforme a qualidade das uvas ) vem vinho perfeito : este mesmo vinho movi do . nem ainda a guado nas febres . Mas este naô he o lugar de notar esta pouca attençaô da mayor parte dos. e prinçipalmen- te no fempo do estio e outono. excitasse nelle nova fermenta çao vem vinagre. He erro que o vinagre he o vinho podre ou corrupto. A provizaô de vinagre em hum exerçito ha via de ser taô consideravel que igualase a da farinha . ou desfeito na agoa.jle agoa ardente. O vinagre naô he mais que ò mesmo vinho fermentado huâ ves mais : o mesmo mosto fresco metido na pipa fermenta : em seis ou sete semanas . ou que ò enfermo esteja costumado a bebelo . ò coalhaô : o vina gro misturado com o vinho . He certo que o Soldado naô tem paga suffi- ciente para beber vinho cada dia : o offiçial po derá uzar delle com moderaçao sempre. feitos com toda a forte de vinhos : toda a virtu de atribuem a quina . e sal. aquecido . e ninguem reparou na virtude do vinho. na quantidade que sabiaô determinar em toda a sorte de febres . ou sò . e quanto mais forte for. que o vinagre coa lha o sangue : pello contrario ó dissolve . e o do aûme . e enfer midades : erradamente condenaô todos hoje dar vinho .. &c. íb os efpiritos acidos minerais . mais o vinagre o será. e nas feridas . e mui to milhojr misturado com agoa . como faô o de vi tríolo . jyt misturado com agoa . Medicos.

que he obriga- do beber por todo o tempo da campanha .i<j2 Da Conservaçáô he o mais universel e soberano remedío em to* dos os males que trataô os Chirurgioins . ou qualquer Xarope para beber- íe a colheradas : nas dores de Cabeça . Edit. 21 . Os exerçitos Romanos usavaô do vinagre misturado com agoa por bebida ordinaria que chamavaô Posca. he íudorifico prinçipalmente misturado com alcanfor ajun- tandolhe mel . cap. asim por lei militar como refere Spartiano (4). fluxos de sari gue . Stmplicium . dislocaçoins . 6. cap. e corrigir as agoas as vezes encharcadas . alem de fer taô util e neçessario para a bebida lhe strviria taôbem de alimente Custumaô os nossos cegadores . ( 2 ) Lib. Deveria o Soldado levar com- íigo nas marchas hum frasco de vinagre como leva ordinariamente outro com agoa : Ihe fer- viria para refrescarse . e dos mais humores . . tom. erpes . processu L. I . ( 3 ) Elementa Chemia . . e nas prizoins para corrigir ó Ar . interiormente resiste a podri- daô do sel . fracturas . e impuras . Nigro " Idem juslit vinum in » expeditione n*minejn bibete . 19. Vimos a sima quam necessario seja o feu uzo nos Hospitais . as quais chamaô osCastelhanos Guajpackopodc fer que ( I ) Lib. sed acet» univeisec cententos S esse». Sarraceni. (4 ) jEHus Spattianus in Fiscen.c. II . nas feridas . V . agora veremos as suas virtudes como ali- mento : quem quizer inítruir-fe de todas as me- decinais que poilue lea Dioscorides ( i ) Gale- no ( 2 ) e prinçipalmente Boerhaave ( 3 ). Piscenius Niger Emperador ò ordenou. e malhado- res refrefearem-fe com migas frias . ou ou tras quais quer violentas dores applicado em- panos todos sabem os seos saudaveis effeitos.

como dos intestinos. e principalmente misturado com vinagre : todos sabem que se comem com gosto. abranda . em bota a acrimonia dos nossos humo res . se con- servaô dentro do azeite : resiste as impressoins do Ar . Estas saô as propriedades do azeite fresco . principalmente meyas assadas . ou o bis coito estiver ensopado na agoa . Depois que o paô. e sem dano as carnes salgadas com azeite e vinagre como taôbem o peixe. e resistir a podridao. ou seja de azeitonas . e causar inflamaçoins da mesma parte. ou de semente de nabos . para que se dissipe parte da humidade que tem . Naô sò o vinagre ferve aqui de remedio a refrescar . e a moleçido em hum alguidar . Se comessemos . amendoas doces . da Saude dos Povósl 193' naé» seja o seu uzo conhecido nas Provinçias da Beyramar . Todas as car nes . ou bebessemos o azeite por si só pello calor do esto mago poderia vir ranço . como vemos no toucinho. de tal modo que uzando della tres e quatro vezes por dia . de ave- lans . e amollece as fibras do nosso corpo . escorre se a agoa . e da gar ganta : sabe-se quantas molestias sofrem aquel . podem trabalhar ô resistir a dissipaçao cauzada pelho trabalho . mas todas as sortes de azeites que servem na comida pello calor desmasiado vem ranços e causticos : e aquecem e destroem tanto o nosso corpo . he necessario considerar as virtudes do azeite. adobasse como a salada com sal azeite e vinagre : com esta comida se fortifiçaô os lavradores contra os ardores do Sol . e por essa razaô direi que se fazem do modo fequinte. e pello calor da atmosfera. como lhe he saudavel em quanto estiver fresco : a gor dura dos animais tem a mesma propriedade.

Conservaçaô les que comem muita gordura. ou nas suas colonias j àinda que nestas. . .corpo. íc)4 Da. Sabesse pella anatomia demonstrativamente que os negros tem entre aquella primeira pelle .preservem da podridao : a o mesmo tempo toda a pelle estando embibida com ó azeite . e a pelle do nosso corpo . e ingrato . e que saô obrigadas dalos a criar às ne gras que tem o leite doce que as crianças naô refusaô. Mas quando se comer o azeite misturado com vinagre naô se teme que venha ja mais ranço no estomago .fibras. que naô podem criar seos fi lhos . A Providencia Divina pos na pelle dos negros aquelle correctivo contra a acrimo- nia que se gera dos continuos calores do clima a donde vivem. ou particulas oleozas resistirá as impressoins da atmosfera. servelhe de yehiculo para communicarse a ò sangue . principalmente se for temperado com sal : ó vinagre resiste aque venha ranço . da qual saô privados os brancos.' Estou persuadido que se os brancos uzarem em todas suas comidas tanta quantidade de azeite sempre misturado com vinagre que em balsamarao os seos humores de tal modo que se . ou gordura ne gra. Quis por experiencias mostrar o bem que -fará o azeite misturado com vinagre a todos 0$ Soldados Portuguezes ou militando no Rey- no . ou tès . e a segunda que cobre todo o nosso . huâ especie de unto. Vimos asima que em Java o leite das brancas he taô acre . e a o mesmo tempo impedir que as impressoins do orvalho e do Ar podre naô penetrem a pelle. . amolecer as . . ou manteiga J que naô se digirió no estomago. e cir cular por todas as arterias e veas . .

e sabem fazer muitas sortes de vinagres igualmente do assucar. como de outras plantas e frutos . . biscoito. mas poucos sabem as suas virtu des : o commun dos homens accuzaô as car nes . e nos continentes. farinha . entaô resiste a podridao dos humo res : he verdade que cauza fede . da Saude dos Povos. os nativos e habitantes dellas tiraô muita sorte de azeites naô so dos fructos . e o vinagre de vinho naô sejaô communs . e adubadas com azeite. e peyxes salgados ferem a cauza das en fermidades dos marinheiros e de outras mui tas que sofrem os Soldados nos sitios das praças : por experiencias certas se -sabe que o sal nos comeres por adubo.. sei que mui poucos Me- Nij . e para temperar agrada- -velmente as comidas . mas ainda dos peixes . e mesmo pode cauzar íèvres de fervor. e de acrimonia . ou das minas . Dissemos assima que devia fer a provizaô de - hum exercito. Quando tratarmos do sustento dos marinheiros seremos mais extensos nesta materia. misturado . paô . ou dos lagos . uzaô de cinzas nas quais sempre se acha sal commun . ítj| 'G azeite de azeitona . com tanto que naô este- jaô ranças . vinagre. ferve para digeriremfe mais facilmente os alimentos no estomago : to mado em mayor quantidade . que ainda as naçoins barba- ras naô podem viver sem elle : quando naô po dem havelo ou do mar . ou com biscouto . e agoa ardente . O sal commun he hum a dobo taô universal mente conhecido . a que se poderá prevenir se as carnes salgadas forem sempre cozidas com algua porçaô de vinagre. ou mandioca os Solda dos que milltarem nas Ilhas . como nas carnes salgadas ou nopeyxe . dos quais por ferem baratos poderao uzar por alimento . azei te .

co mo nas Occidentais . logo que passavaô o tropico e em quanto'fe dilatavaô na quelles lu- gares perto da linha equinoçial . que embebedao . amem com tanto excesso os licores fermenta- dos e espirituozos .I<)5 Da Conservaçaô dicos aprevaraô este ultimo artigo . com semelhantes agoas ardentes. tomada em demazia . consideremos todas aquel las terras a donde se gera a podridaô mais íìi . como do ventre : citarme haô aquelles homens deforde- nados que encurtaô a vida com estes licores . e de corromper as entra- nhas. e de cana . que inventaraô os homens. porqué atribuem a todos os espiritos ardentes a quali- dade de queymar. com *ò arrac . naô se podiaô abster de beberem espiritos ardentes : voltavaô para a sua patria . He certo que a agoa ardente por si só considerada he o mais foberano correctivo . e ja lhes eraô ingratos . Bem sei que ó uzo da agoa ardente poderá fer taô perniciozo . He digno de reparo que todos os naturais da quelles climas a donde a podridaô he mayor . como podera fer utililîima para preservarse de muitos males . e espiritos fermenta- dos : muitos Europeos . e contraries a Saude. bebida com moderaçaô. tomadas com demasia : he certo que todas as naçoins sitas entre os tropi- cos saô aquellas que mais amaô . Todos ategora convieraô em òreparar bebidas espirituozas . que ja mais beberaô em Europa agoa ardente . e em toda a Costa de Áffrica . e que mais uzaô das agoas ardentes . Citarme haô os exemplos dos negros do Erazil que bebem aquellas agoas ardentes feitas das borras do assucar . tanto nas Indias Orientais . e preservàtivo da podri- dflô . e que mor- rem de gangrenas tanto das pernas .

e mais saudavel à distillará dellas. e fizer dellas hum milhor vinho . e impòs tanto amor. do arros . e ali veremos que todos os nativos dellas tem por íbberano bem abun- darem de varias sortes de agoas ardentes. Quem milhor souber a arte de fermentar . outras do mel e do a sucar e a mayor parte de varios fru- tos . da Saude dos Povos'. e da qual quis o Altiflìmo dar conheçimento a quaíì to- das as naçoins : huâs fazem espiritos ardentes que embebedaô . outras do leyte das egoas . e a agoa ar dente saô os produtos da fermentaçaô . puzessem o mosto em vazos a donde fermenta- íe . milhor agoa ardente . mas a fermentaçaô he hua operaçaô puramen- te do artificio dos homens. e Turcos . A po- dridaô he hua acçaô espontanea da natureza . Nenhuma bebida fermentada . 197 nesta . a buzá dos Tartaros . Vemos claramente pello uzo de todas as na çoins que os licores sermentados saô o remedio mais efficas contra a podridaô dos humores . as borras do assucar. feita de milho . vinho de palma . por exemplo . sahio das maons da natureza : foi ne- cessario que os homems espremessem as uvas . e do summo da ar- vore do coco . sendo ò principal as uvas. e taô depressa . . vinho . e por este artificio vem a alcançar . o licor. aqual he huâ acçaô totalmente artificial . ousumodo Î[ual se fes : nenhuâ agoa ardente le pode fazer em que preceda a fermentaçaô do licor do qual se destilla. e va- cas misturado com certas plantas. eque adivina Providencia parece deu este con hecimento taô universal . o vinagre . e ater vinho : nenhum vinagre se ses ate gora sem pri- meyro haver fermentado. De tal modo que o vinho . corrio cerveja .

Jodos sabem que as carnes . mas ainda nas eryfìpe- as e outras queyxas da pelle : mas a ignoran- cia dos Chirurgions á fes perniciofa : ouzaô la- "var as feridas com agoa ardente pura . e cansado . tincturas . e de erva cideyra com posta. Todos concordaô que resistem a podridaô . e a os orvalhos da manhaâ . fazer della fomentacoins nas contusoins. e outras immenses.exposto a ofereno da tarde. e do vinagre : as experiençias que tenho relatado me parecem fufficientes pa ra quem destinei este tratado : a agoa ardente he hum foberano remedio na Chirurgia naô fo nas feridas . o que he erro digno de castigo : a agoa ardente entaô queyma e . e a os ardores do Sol por todo odia. Conjervaçaô delle aquellas naçoins sujeitas as doenças eau- fadas da podridaô. e nas erysipelas . e peyxe se con- servaô incorruptos dentro da agoa ardente por muitos seculos : todos sabem que hum homem cansado . apoplectica . . como taô- bem do vinho . de sequioso . fracturas . e da agoa ardente . e que promoyem a transpiraçaô eo suor. e cozimentos feitos com agoas destilladas do vinho . recupéra . if)8 Da.angrena e o esfacélo . como faô a agoa theriacal . e renova as suas forças : todos os dias ordenaô os Medicos cordeais . nas gan grenas . e suando . quan- do viverno campo. E sem embargo de orde- narem cada dia estes remedios.. Seria inutil mostrar aqui pella chimica a vir- tude antiscptica da agoa ardente. sente huâ frescura por todo o corpo em hum instante : ò suor para . se beber huâ colher della. fomentaçoins contra a f. prohibem que hum homem em perfeita Saude tome pella man- haâ huâ ou duas onças de agoa ardente .

e algua porçaô de vinagre ou sal ammoniac'o. impede a natu- reza a formar a materia purulenta. seria o remedio mais universal de toda a Chirurgia. bebendo agoas encharcadas . e que na quelles tempos quando for obrigado a campar em Iugares humidos . as vezes em a toleyros . Este seria o re medio de. quando os nevoeyros da tarde e da manhaâ insestaô o campo . prevenir aquellas mortais dysente- rias . atomat. x. ou de bayxo de bosques . Séria bem util que cada exercito tivesse tanta provizaô de agoa ardente como de azeite e de vinagre . seria este adubo excellente para o mesmo intento. I seca a carne viva das feridas . o que succede muitas vezes nos sitios das praças . da Saúde dos Povos. ou biscouto com sal por adubo. e de enxurradas . e á resolu- çaô . co* mendo antes ou depois hum pedaço . bay- xos . I . ou em muitas outras operacoins militares . Lib. que na quelles tempos digo . taô forte que gostada fassa huá impressaô na lingua . de paô . e se houvesse provifaô de pimento . eficase huâ bebida agro-doce animada com o gosto de agoa ardente desfeita em muita agoa. cap. e a bebida nas febres podres mais efficas se nella a quantidade de assucar predominasse. e do mesmo modo queymando e secando as partes do nosso corpo prodûs muitos males . a agoa ardente misturada com cozimentos fei- tos com agoa ou destemperada com agoa. se peìlo resto do dia fosse o feu alimento muitas migas trias feitas com sal azeite e vina gre . ou nos bor- dos dos rios . ou de veraô ou de inverno tivesse cada Soldado hua porçaô cada dia pella manhaâ deste licor . Niy . taô agradavel-como o vinho . Garcia de Orta Fisico mor da India ( i ) obr ( I ) Histor.

£©0 Da Conservaeaô servou que os Indios usavaô da assa fetida por adubo . o vinagre. esfregando com ella os pratos adonde punhaô os alimentos que comiaô : o meímo observou na Persia Kemfer ( i ) e he ainda o custume da quellas naçoins orientais exportas a os violentos ardor'es do Sol. e o sal commun.aromaticas provaô o que tantas ve- zes insinuei neste tratado. os aromas . Por esta razaô seria convenîente que entrasse ria provizaô de hum exercito Portugues o pi mento por adubo . como nas carnes de salmou- ra. As experiencias que fes O judicioso Medico Joaô Pringley com estas suflancias. e a agoa ardente. sem saberem a cauza uzaô to- dos aquel'es Povos sitos de bayxo dosTropi- cos . Sem razaô. III» 0k ' . Em toda a costa da Affrica uzaô os Negros de huâ sorte de pi- tnento taô acre por aduho nas suas comidas que ïiaô he comparavel a o nosso na força com que arde. e da humidade podre. como he precizo que entre o azeite . Fascicul. saô os remedios mais potentes contra aquella podri- daô que provem do Ar suffocado . e o pimento . Todos os habitantes de Castella a velha . e Estremadura a donde os ardores do Sol saô exceffivos uzaô do pimento em abundancia tanto nos caldos . ç penetrantissimos : o Instinto lhes mostrou que a affa fetida . - ( i ) Amoenitates exoticx. e ardente . e lugares meridionais destes aromas acres.

As leis militares de Roma decretarao o exer cício nos seos exércitos como Medecina para fortificar os corpos . O officio de Soldado principalmente de in- fanteria está dividido em dois tempos . Por todo o anno. ramos de arvores . ou de palha para ali se exercitarem sem ficarem expostos as injurias do tempo : esta . e endurecelos contra todas as injurias do tempo. e veremos ó que poderá contribiur para regrar aquelles dous modos de viver. e os meyos de o depurar e re novar. mal regrados . acahir na quelle estado. E como o ocio. como em campanha : destes excessos viciozos he que trataremos agora . e o exercicio poderao contribuir . principalmente quando coníidero naô haver Autor Portugues ategora tratado da Conservaçao da Saude dos Soldados. como na campanha : no Inverno fa- bricavaô edificios cubertos de taboas . tanto nos quarteis. com tudo de paflb. 201 CAPITULO XXV. da Saude dos Povos. Do oçio e do exercido dos Soldados conjide- radospara a Conservação da Saude. Alnda que o principal intento deste tratado seja somente de indicar as causas da cor rupçao do Ar . e outro c!e prolongado oçio . . hum de excessivo trabalho. e por toda a vida cada dia se exercitavaô tanto nos quarteis. naô deyxaremos de indicar tudo o que poderá impedir a cor rupçao do corpo humano. pareceóme naô sahiç fora éo meu objecto se delles indicasse alguâs propriedades .

202 Da Confefvaçaô lei era inviolavel principalmente pellos Solda" dos bisonhos ( i ).: naô so ainfanteria se exercitava continua- damente mas ainda a cavallaria . e na li- berdade de governarem a sua Saude . e os banhos . Lib. & in castris sanitatem . pellas doenças . ( 2 ) Rcimiiitaris periti plus quotidiana armorum exercitia ad sanitatem militum putaverunf prodesse quam Medicos : itaque pedites sine intermislìone . as pontes . vel nivibus sub tecto reli- onis diebus exerceri in campo voluerunt . dos quais edi- fìçios. cap. admiramos ainda hoje os restos . Veget. Raras ve- zes se consumiaô os seos exercitos . Ja nos naô pareçerá incrivel tudo o que lemos nas historias da quelle formi- davel Imperio . cum ei laboris consuetudo . e a majestade Roma- na. imbribus . penedos . e disiguais pellos barran- cos . Em Iugar que os Sol dados que vemos criados mais no ocio. Assim contrahiaô o habito a o trabalho . similiter equites non folùm in planis . mas lhes servia de divertimento ( z ). como os dos roflbs tempos . por que aquel? les corpos endureçidos pello trabalho quotidia- no resistiaô a todas as injurias do tempo . sed etiam in abruptis . ( I ) Junióres quidem & novi milites & post meridiem ad omne genus exercebantur armorum. temdocendus sit scmper exercìtus . a menor mudança de vida os sas cahir enfermos. yegetius . « a todas as fatigas militares. os theatros publicos . naô so corren- do e escaramuçando nos campos raseos . II . e inca- pazes de resistir as molestias do feu officio. & foslbrum hiatu . 23. II . . Lib. Alem dos exerciçios ínilitares occupavaô-fe em fazer os caminhos publicos . 23. cap. e ladeyras. & in conslictu poffit praestare victoriam». que mostraô bem a grandeza . seque & equos suas assidue exercere jusse- xunt ex quo intelligitur quanto studio armorum ar-. mas ainda* nos cubertos . e o mais rudo da campan- ha naô so os naô alterava. quando concebermos de que modo eraô criados os seos Soldados. diffi- cillimis semitis .

. he necessário que cuide de fi . a carretar fachina . vigiar na sintinella . e canais . e de geito . e o andar a cavallo os livre das molestias da chuva . he certo que a sua obrigaçao contribue muito para conservar a Saude. e ar mas com que milita : em lugar que o Soldado infante logo que acaba a funçaô militar passa a mayor parte do tempo adormir . que nella ou tudo íaô extremos de fatiga nas marchas . sempre enerva o seu cor po . se dormir mais do que convem aboa or dem . e do seu ca vallo : gasta muito tempo do dia em nutrilo . a o Sol e outras ainda que a coberto . se cada dia fossem obrigados por desenfado exerçita- rem-se em jogos de força . levantar trincheyras . he certo que ó corpo se custumaria a o trabalho . Ja que o Estado naô acha a propozito em pregar os Soldados a fazer caminhos . as botas. e prinçipalmente nos quarteis. supraô os Officiais em occupa-los cada dia . como faziaô os Romanos . huas vezes exposto a o frio . do frio . oecupando o resto na limpeza. de tal modo que estejaô sempre empregados conforme re quer a disciplina militar : se cada dia fossem obrigados fazer por algum curto espaço de tem po ó exerciçio . e das suas armas. a chuva . nem murmuraçao as fatigas subitas da campanha. de tal modo he dividida hoje avida des tes Soldados . da Saude dos Povos. ou pas sar o resto do tempo na mais culpavel ociosida de. aoj Sensivelmente vemos que os Soldados de Ca vallo naô cahem taô amiudo enfermos . pontes . e da fatiga . e se endureçeria para resistir sem molestia . O Soldado de Cavallo ja mais está ocio- zo . e a limpalo . e asseo do seu corpo . . em concertar os petrechos . como os infantes": ainda que os capotes.

e de tudo que lhe serve de defen sa . e de ornato. mas ainda para se lavarem do suor. Para empregar o tempo comvem muito que a disciplina mili tar tome em consideraçao a limpeza . exerciçio taô util e necessario na guerra . e o de masiado oçio . e que acaba do aquelle exerciçio passavaô a nado o rio Ty- bre na intençao naô so de se exercitarem ana- dar. 104 Da Conservação Como o nosso corpo he feito com ordem é medida nenhuâ açaô feita por elle deve' ser de masiada : se conlelhamos tanto o exerciçio deve ser moderado . LEmos na historia Romana que a mayor parte da miliçia que vivia em Roma se exercitava no campo de Marte . mas estas occasioins saô raras . afim propomos que deve o Soldado dormir tanto que repare por este descanso as forças abatidas : somente nos sitios das praças he que o Soldado he obrigado vi giar mais do que requer a Conservaçao do cor po . e os exerciçios militares ou outros quaisquer que propuzemos asima : do mesmo modo se reprovajnos o muito sono . e no campo militar raras vezes tem necessidade o Soldado por obrigaçao vigiar muitas noites sem intermissaô. e o asseo do Soldado . porque nos quarteis . Naô des- . e sempre feito na quellas horas mais appropriadas para supportallo : ja todos sabem que so pella manhaâ e de tarde se devem fazer as marchas . CAPITULO XXVI. Da limpeza e do ajjeo que deveria observar o Soldadopara a Conservaçao dasua Saude..

se nel- les se conservasse por autoridade publica a mo- destia. 20< írlenharaô exercitarse na quelle campo o Graô Pompeo . conservando-íe limpos . como hoje t como os seos vestidos eraô de lam . e a poey- ra . devia a disciplina militar introduzir em feu lugar o asseo . que saô os Soldados . e publica taôbem . e evitan- do toda a occasiaô de accumular immundiçies . que o uzo dos banhos seria mui salutar . ou por piedade Christaâ. nem Mftrio . em Franca . ainda na declinaçaô da idade : o summo cuidado que tinha aquella na- çaô invicta de exerçitarse os obrigava taôbem abanharse cada dia : como naquelles tempos o pano de linho naô era commun . e a mortifîcaçaô : em Espan- ha . e ainda mesmo antes de comer : deste modo fortificavaô o corpo . e le perservavaô de achaqut. e o suor os obrigava a uzar do bariho cada dia . e Italia foraô prohibidos por autoridade Eccleíiastica. e todo o homem he obrigado naô mostrarse as- coroso. » Mas ja que estamos distituidos deste soccor- ro . e prinçipalmente . He certo porem . como Soberano remedio para conservarem a Saude : mas a santidade da Religiaô Christiaâ naô podia consentir hum custume contrario as vezes a modeítia . e he o mais effectivo meyo de conservar . A mayor parce das Naçoins barbaras conser- vaô ainda hoje o uzo dos banhos e estusas. nem desagradavel a aquelles com quem trata . e a lim- peza quotidiana : ella he huâ vertude moral . que ha- bitavaô na quelles Reynos. o uzo delles .s. ou para destruir a superstiçaô dos Sarracenos . que saô cauza de muitos males. da Saúde dos Povos. e aordem que requer a Religiaô sa- grada.. quem delle necessita mais .

suaô pellas exhalaçoins dos qpmpanheyros : da qui vem fer a sarna taô com mua entre os Soldados . e outras cauzas de immundi- çies obrigassem a mudar de roupa O que entretem a nossa Saude he a transpi raçao continuada tanto do bofe . e como clla naô hé mais que as partes podres e acres do nossos sangue . que le lavem . e por ultimo que ò destrua. e ja mais esta enfadonha e afeo- roza doença se poderá extinguir em quanto . mas esta limpeza se fosse possível se havia de estender taôbem a o resto do corpo.20Ô Dd Conservação a Saude. suaô . que ò corrompa . e principalmente entre os bisonhos . e pe trechos . he força que a transpiraçao se impida . e o vestido assea do e limpo. detidas nelle .'que tenhaô a garavata . como taôbem as suas armas. como de toda a superfiçie do corpo : se este estiver cuberto de suor. e naô tendo a fa cilidade .militares . e a camiza branca . he força que soffraô os males da transpiraçao retida : ajuntasse a estes exerçicios o dormirem muitos juntos . e que fique dentro do corpo . se as camizas . e o«vestido estiver em bebido nelle . Pello menos feria necessario mandar lavar pes e maons com agoa a donde se misturasse al- guâ porçaô de vinagre a todo o Soldado que entrasse nos Hospitais . respiraô o Ar ja respirado . Naô sem razaô feô taô austeros os Officiais militares obrigando os íeos Soldados que se penteem . e principal mente . e de camizas para se mudarem logo que pellos suores e feridas . he força . na quelles de campanha : nelles taôbem haveria provisao de barretes de pano de linho . Como os Soldados na sua obrigaçao se exer- çitaô violentamente . nem a conveniençia de mudar a miu do de roupa lavada .

como da Affrica acho que saô extre mamente necessarias : aquelles que habitaô nas minas . Francisco e Paraná. Supra . Logo que o exercito está campado por dous ou tres dias cada seis ou sete Soldados fazem hum banho domodosequinte : buscaô as barran- £eyras altas do rio. a vigilançia dos Officiais militares orde nando a limpeza . fal larei somente da quelles que os Soldados fa- jtem em campanha . e dos vestidos. nas Colonias Portuguezas tanto da America . Bem sei que he façil em campanha guardar esta limpeza do corpo : o Soldado mais negli gente se lava e se banha no primeiro rio que encontra : toda a dificuldade consiste nos quar teis das guarniçoins. Relatarei aqui o que vi fazer a os Soldados Russos para se conservarem livres de muitas en fermidades pella limpeza que lhes cauzaô os banhos de que uzaô cada dia : naô fallarei dos banhos Russos . adonde raras vezes se achaô rios ou ribeyraspara este effeito. S. e junto da quelles rios Caudelozos das Amazonas. das villas . ou ribeyra perto da qual . de que uzaô os senhores para conservarem a Saude pelía limpeza. ou lavarse a miu do seria util para conservara Saude de hum exercito. . experimentaô calores excessivos . 207 naô se promover a transpiraçao pella limpeza universal do corpo . na intençao de conservar a Saude dos Sol dados. Se em Portugal os banhos . pois . e das cidades . da Saude dos Povos. e do qual uzaô taô amiu do como lhes permite o servico militar. e a o mesmo tempo com excessiva humidade : a mayor parte da quelles habitantes saô escravos destituídos dos socçrros . e o asteo quantÔ for possi- vel . Tocantins.

Sobre estas pedras aflím deytaô muita quantidade de agoa por duas ou tres vezes : toda aquella agoa' se con verte em vapor . aqual fazem arder ate que . e vermelhas como o ferro na fornalha. lenha . Nesta cova poem cinco ou seis grandes pedras por terra . que poderaô es tar dentro della sete ou oito bem commoda- mente. sahem e se deytaô no rio . ferrao aporta hum pouco. se naô fosse criada do mesmo modo desde a mais tenra idade . outros para nadar : sayem por ultimo a limpaôse e no mesmo ins tante se vestem : o que he particular a esta na çao . a conselhara a qutra . que quasi entupem a cova. que quando sahem da quella estusa ardente que seja no tempo do estio. he . Poem fogo a esta lenha . e taô espaciosa . tanto que tem suado o que lhes pareçe bastante . e dentro da cova tudo esta cheyo de huâ nuvem espessima. sobre el- las poem muita. e as vezes mais . ou com os vesti dos 4 ali íuaô furiosamente por hum quarto de hora . de ou tro modo fazem o banho de vapor . huns para lavarse .XQ% Da Conservação estaô campados . e cavaô na quella que lhes parece mais a proposito huâ cova de altura de hum homem . ou bordos de rios altos para fazer aquellas covas . Quando naô achaô barranceyras . ou co mo estaô as agoas no tempo quente. e que eu naô. ou que elle esteja gelado . mas quasi ar dente : tanto que podem supportar o calor da cova entraô todos nûs dentro . e em sima dellas poem tanta lenha . ou no inverno mais rigorozo sempre se deytaô no rio vezinho . ou com ramos . e quando toda esta reduzida em brasas as pedras ficaô ardentes. e he o se- quinte : no meyo de qualquer campo perto de algum rio poem juntas muitas pedras .

e se lavaô no rio .' que civil.a fatiga . toda se converte em vapor . que buscaraô para este effeito. . m as ainda a os senhores que habitaô aquelles certoins com tantos riscos. e as cobrem com hua barraca . sarna. e outros males proprios da vi da do Soldado : vivem ordinariamente robus- tos . iàhem . contra acomichaô. contra.1 na quelles lugares alagados por aquelles cau- delosos rios . 9 . que naô fo seria util a o escravo. e pella nu- dés . ou com os seos proprios ves- ûàos amarrados em paôs de tal modo que fa- zem huâ choupana . o cansaço do suor. que poderiaô conservai1 muitas vidas . da Saude dûs PovùSé 209 que as pedras venhaô ta ô vermelhas como o ferro na fornalha : tiraô entaô todas as brazas. capazes de todo o trabalho . ou agoa viva . Considero que se na America . tanto militar. e pouca commodidade de mudar de linho e de vestido . ainda que miseraveis . entaô deytaô agoa emsima da quellas pedras . uzassem desta forte de estusa ou banho prinçipalmente os escravos dedicados a o trabalho das minas . rheuma- matismos. e na Afrrica . Este he o remedio contra. e alimpaô todo o terfeno a soda . tanque . que fica detido dentro da barraca : entraô nûs nella e a li fuaô pello tempo que lhes parece . conside» rando que este seria o mais a propriado reme dio cohtra a podridaô dos humores cauzada pello calor e humidade do terreno : cauzada pello cansaço e fatiga do trabalho ..

que indispensavelmente se- gera nos navios cada dia : como o meu intentO. e Passageyros . como a os Marinheyros . seria obrar çontra. a caridade escrever de modo que naô. fosse entendido por quem naô estivesse înitjrui-. corrupçaô do Ar dos Navios t e dos meyos para pnvimla. e taô- bem noslivros que citarei.^ mas espero que suprirá à esta faltaò que inda- guei de pessoas intelligentes. he fer utiltanto a os Capitains e Pilotos . e requifïìmos dpminios nas tres partes do mundo com muitas e poderozas Ilhas he força que innumeraveis> dos seos fubditos. Da. por que he certo que fem se capacitarem della . e praticas . naô repa . * }io Da Conservaçaô C APITULO XXVII. NEnhuâ Potençia tem mayor neceffidade de conservar a Saude dos navegantes y <jo que à Portugueza : considerando a sua si- tuaçaô he hua Potencia maritima : considérant do os diíatados . repugnaraô sempre a fazer alguma des- peza mais da quella que custumaó . Qui-. quanta tive nos exerçitos. dojios'principios da Fisica e da Medicina. zera taôbem que p£ Mercadores SenhorejS) de Navios comprehendessem a neceffidade de fazer as provizoins do modo que proporei abay- xo . passem avida navegandp : pello que achei ne- cessario indagar tudo o que me foi pofsivel parat preservar os meos compatriotas das doenças» dos navios : quizera nesta mareria haver tido tanta experiençia . Naô mostrarei scientificamente a natureza: do Ar corrupto .

e apodreçem. e a sua superficie feria mortal. e por ficar suffocado dentro delle . Consideremos agora hum Navio a vela e to da a sua carga . Considerando a continua evaporaçao do mar. em todos' estes lugares vai Ar metido e encerrado : pelto" movimento do Navio. he impossivel que destes corpos' nao se levantem immcnsidade de vapores . que se geraô . as quais . Dissemos asima quando tratamos das quali dades do Ar que s Divina Providençia deter» minou aquellas marés. a ardtr ? yàporaô os li£9* . e pipas de agoa.' e o calor constante da atmosfera he certo . d& Saúde âos Povosi il f rártdo nos riscos que correm os marinheyros t e por consequencia o navio . se naô fossem barri das e sacudidas pellos ventos . tantos lugares cheyos de provizoins animais. por ha ver poupado algum trabalho e despeza. e de plantas. que ò respi-. tantos fardos.extériór : tantos' barris . todo o mar se infectaria.1 rarem. como taôbem as agoas que en- traô nelle e que ficaô no fundo. Veremos ser ' como hua caza com portas e janellas fechadas sem communicaçaô cOnt Ò Ar. tanta forte de bitumes. tudo começa a esquentar-se e como nos dizemos. que saô as mais potentes causas da podridaô do Ar . e* por conscquençia dos viventes . que esta fera sempre muito mais humida do que à da terra : vimos pello discurso de todo este tra-' tado que ó calor semelhante a ó do mes de Mayo acompanhado com humidade .ea carga . e tantas sortes de Vert» tos para que o mar se depurasse de tantas par tículas podres que nelle se geraâ cada dia r'tan* tos animais que nelle vivem . e morrem . e vegetais. e de exhalaçoins . ecay-" xas cheyas de Fazendas.

e pella boca . ali respiraô hade fer misturado com exhala- çoins . se consideramos o numero dos ma- rinheyros . mais que huma prisaô . vaporaô as sementes . os fructos . e dos Hospitais : e que he hum navio avêla . Mas este està cheyo de milhai es de parti culas podres que se levantaraô de tudo que en- cerra o navio . e passageyros que respiraô . infecta o Àr da quellas particulas podres que íahiraô de todas as substançias . que o Ar delle feja taô pernicioso . e co mo esta evaporaçaô fica encerrada . ou pipas . dor- ihindo . Vimós aílìma os perniciosos effeitos do Ar ençerrado das prisoins . e ultima- mente pellas exhalaçoins de todos os viventes ençerrados na quelles lugares cubertos do navio. óu hum Hospital ? Vimos assima que a transpi- raçaô . que fazem a carga . como ò das psiíbins. do do navio : he esta taô noçiva que os mari- nheyros quando à pompaô cahem as vezes des mayados pello inlupportavel cheyro que os ostende. dos . e vapores seguintes. veremos logo como aquelle Ar que . Pella evaporaçaô das agoas nas pipas. ja podre ordinariamente no alto mar : pella- evaporaçaô de todas as provisoins . he força logo . ou trabalhando de bayxo das cubertas do Navio . ainda que sejaô fal- gadas . vapo-^ raô o peyxe e as carnes .. He força enta ô que hum homem respire ca- da dia muitas vezes o mesmo Ar que ja respi* rou. he o mesmo que o fumo exhalado pella pelle . e a provizaô do Navio. li î Da Conservaçaô res ainda metidos em vazos. peza pello menos a de hum home m com Saude trinta onças em vinte e qua- tro horas . Pela evaporaçaô da agoa corrupta do fun.

mastiga . e como o das minas de Cobre r e de chumbo. aquellas particulas acres que sahem pella ou- rina . . e muitas vezes . e veremos que naô so fará a podreçer os humores de quem o respirar . hum Ar agitado . e rogaô a Deos pai. Mas este navegante come . he força que va ali o navegante sepultado na podridao. por toda a nossa pelle . e reterá as partí culas podres do nosso sangue : aquelle fumo . bebe na quelles lugares . Todos os marinheyros sabem a necessidade de renovarse o Ar quando navegaô : logo que passaô as Ilhas de Cabo-Verde . + . da qui vem que todos vaô enfermos . ainda que conservem for ças bastantes para ó trabalho . alimpe e barra todas estas particulas . com pouco acesso a ó Ar livre . he força que com os ali mentos mastigados engula muita parte da quelle Ar corrupto do navio : ali dorme . e puro. mas para sahirem fora delle he força respirar hum Ar puro . e do calor dos corpos . começaô a so frer calmarias . encerrado . e na corrupçao de tudo o que come » e que' bebe. que ja respi rou muitas . ou viventes pousem sintimento .. subterraneas ordinariamente . que sahe pello bafo . cada ves mais quente pello movimento do navio . mas que impedirá . como vaô encerrados » e que dentro do navio naô haja este movi mento do Ar .. sua . nenhum estàem- perfeita Saude. Consideremos agora os effeitos deste Ar cor rupto. e por toda apelle entre muito da quelle Ar . clamaô . e tran spira : he força que pella respiraçao . Piij . ou vento que sacuda . da Sàúde dos Povos! 21 t Hospitals . saô tantas particulas podres que se sepa- raô do nosso sangue*. nem renovaçao delle .

Mas nos nayios naô se podem uzar muitos destes remedios çomo nos Hospitais . q\i persumando . e nos alimentes. ou lavando os lugares habita» dos . polvora quey- mada . nenhuâ accaô fa- zem com alegria : entap começaô as febres po» dres. Vimos pello discurso de todo este tratado os temedios mais efficases p^:a purificar o Ar nas prisoins . e nos Hospitais . naô sepodem mover sem pena . por esta razaô indicaremos differentes meyos para preservar os navegantes da corrupçaô do Ar . porque so nestes sabem que acharaô o remedio a os males que sofrem né> . . perdem o appetite . o mal de loanda * que 05 Povos do Norte chamaôescorbuto : todas estas doenças naô sap mais que os effeitos da podri» daô dos humores .*x4 Da Conservaçaô los ventes gerais . e os segun- 4os para corregir .. e renovar o Ar. e ventilado. ou uzando destes acidos na bebida . quellas suffbcaçoins do Ar : vaô desmayados . cauíada pella corrupçaô do Ar encerrado . apenas podem respirar . todos se reduzem a renovar o Ar continuamente . e das enfermidades que della dependem. e ja mais renovado por outro Ar puro . as dysenterias. e em fim por todas as substancias azedas. Os primeiros scraô deprecauçaô . e a corregilqi pello vinagre . fumo de enxofre .

e dos alimentes e bebida. e principahnente aquelles lugares occu- pados pellos enfermos : seria mais efficas esta limpeza se depois fossem esfregados com vina* . 17J0 . 394 & 40J. marinheyros . he precizo uzar delle para purificar o navio : naô fomente este fumo faria . pag. I g pag. morrer ( I ) Memoires de Mathématique & de Physique présentés' à t'Â~ tadénue Royale. TRalladarei aqui o que a char dìgno de at- tençaô. e ou- tros insectos . M. e começarei a propos o que pode prevenir o Ar corrupto do navio delde o instante que se aprestar para navegar. e quando o navio estiver a veia uzar fre^ quentemente deste licor . Paris . C A PI TU LO XXVIII. ( 2 ) Recueil de différent Traités de Physique. tom. Qiy . mas taôbem para embeber panos de linho nelle estendidos em cordas nos lugares a donde aíïïstem os. JPrecauçoins paru impedir a corrupçaô do Ar dos Navios . como nos Inglezes . Nas DhTertaçoins deFisica e Matematica(i) se lè que he necessario raípar todo o interior do navio . escrito tanto nos aurores France- zes . ou gerados da podridaô dos ali- anentos . $3 & î4. ou das immundiçies . e os paíTa- geyros. Paris . Deslandes ( i ) Commissario Geral da Marinha de Franca quer que todos os navios que vem de grandes viagens se perfumem com enxofie : ordinariamente vem infcctados do Ar corrupto .gre . naô so para lavar os sobrados . e como todo o vivente conhecido morre com o fumo do en- xofre . com imnaensidade de ratòs . in 49. da Saúde dos Povos. I7JO.

se poria outra de igual grandeza sobre a caldeyra ná distancia de algums palmos. e estreita que de ordinario . M. mas o maô cheyro que fé conserva ordinariamente nos navios se dissipa- ria . Tendo summo cuidado de sa- hir quanto antes da quelles lugares . tem- ( I ) Memoires de Mathtmtijue & Physifte. e toda consiste em^pòr a Caldeyra em sima de hum monte de area de altura de hum ou dous palmos. ar- -rateis de enxofre em hua grande caldeyra de ferro J mais alta . posta sobre huâ grande folha de Flandres . ou flama naô acendesse o tecto . como quando sahe da forja : e a o mesmo tempo tapar todos os postigos e escotilhas com couros frescos para que o mmo penetrase tudo c se consumisse.it6 Da Conservação todos os infectos . nb fundo do navio . posta em sima de hua grande quantidade de area . e o maô cheyro persistir depois do primeiro difumadouro . ou em sima de hua grande trempe. depois de desar mar todo o navio . citadas a£m« . immediatamente aquem ali ficasse encerrado . po- oerse ha repetir ainda por duas. e os insectos . Necessitasse grande cautela para que o fogo se naô communique a o navio . Se os ratos . ou três. e outras semelhan tes caldeyras . entaô se me teria dentro hua bala de artelharia feita em bra- za . O modo de perfumar seria . de meter dois . com os postigos fechados. e para que as fais- ms . tanto que se lançasse a balla de artelharia em brasa em íima do enxofre : por que o seu fumo suffocaria. ou tres vezes. e corrigiria por este diffumadouro. e ainda no. entre cada ponte . Bigot de Morogues nas Dissertacoins ci tadas ( 1 ) quer que no porto .

em tanta quantidade que fique misturada com a corrupta da quelle lugar . barrendo . e afim posta serve de muita utilidade. o buraco que se » abrir para pòr a torneyra sera a quatro ou » cinco pes de bayxo de agoa . por me parecer mui util nesta materia # diselle » para alimpar o fundo » de cale . e no tempo de calmarias borrifar aquelles lugares mais frequentados cora Vinagre. e que se communica por todo o navio. Naô quero omitir huâ nota deste autor que se lè na pagina citada . deste modo ficará aquelle lugar lavado . aqual se deverá pompar logo . da Saude dos Povos. uzaô alguns navios Inglezes de hua » grande torneyra de cobre posta no lado do » navio mais largo e forte . esta torneyra assim » feyta . e la vando o navio . » e sem ò menor perigo . e navegando se o tempo o permitisse . e expor os fatos a o Ar pendu rados sobre cordas . quando se quer a lim- » par aquella agoa fetida se fas com a mayor » presteza . abrindo a chave : c » taôbem ferve para encher as pipas vazias de » agoa salgada que se mettem na quelle Iu- »gar». e facilidade . se cor- regeria a sua corrupçao. o qual a traves- » fará o navio de tal modo que corresponda » a o fundo delle : nesta abertura se encayxa- » rá hua torneyra de cobre . ficando a chave » dentro do fundo do navio . Em quanto o navio estiver anchorado sem pre os postigos e escotilhas deviaô estar aber tas . e por consequencia ò inlùpportavel ej?erniciozO cheyro que ali re side . . se devia uzar da mesma cautela : como taôbem «le mandar cada dia a limpar . 117 fc)o da navegaçao se introduzaô no fundo do navio muitas pipas de agoa do mar . .

Disser tât. par M. e lançar dentro balas da artelharia ardendo : aquelle fumo que se levan- taria seria o mais seguro correctivo do Ar cor- rupto : se seguramente se se pudifíem queymar muitas vezes por dia piquenas porçoins de polr vora . como taôbem de que modo se devem extinguir os insectos . Autor Ingles . do ( I ) Expériences Phyjîquesfur la manìen de conserver Veau doua » lc iifiuit . ja traduzido em Frances ( i).li8 Da Conservaçaô Nem ja mais se devia permettir jantar od çear entre «s pontes . se tivelsem servido a agoa fomente deviaô fer primeyra mente ras- padas por dentro . Hales . nem cerveja . e depois de íecas . Agora trataremos de que modo se haô de fa* zer as provilbins para se conservarçm sem al- teraçaô . e de paflb como se deve pellos mesmos meyos con« íervar o Ar puro do mesmo navio navegando. Paris. com as gingivas inchadas e negras . ou podridaô. Deve-ie ter grande cuidado na bondade . entaô seria neceflario em todos os lugares encerrados do navio pòr hua caldeyra de ferro com vinagre . diffi* culdade de respirar . como as pipas novas de viaô fer bem perfumadas com enxofre . pag. . ou cubertas. II . agoa ardente . traduit de L'Anglois. tanto estas . e na limpeza das pipas que haô de servir para fa- zer a provisaô da agoa para çs navios : naô de veriaô ter servido nem a vinho . e bem lavadas . vinagre . ou os marinheyros começarem a sintir ansias . seria o feu effeito mais efficas. Crc. Ate qui dissemos de que modo se deve puri- fìcar o navio e dilîipar as particulas pedres que ficaô pegadas na madeyra. Se ò maô cheyro vier infupportavel . Traduzirei o que acho na quelle excellente Filozofo Estevaô Hales . 99.

ou de vitríolo. tis mesmo modo que se perfumaô para meter neU las vinho. Estes Autores . como taôbem o seu espirito : Glauberus ( 3 ) e outros Chimicos dos nossos tempos a concelharaôomesmo. Glauberus. 598. in 8% . a donde acusavaô asagoas corruptas que cauzaraô tanto destrago no exercito da quella Monarchia. Mas o mais seguro remedio. mas ainda o graô Boerhaa» ve. Naô somente M. ( Z Chemise . e deste modo augmentan- do a agoa . ( 4 ) An Effay 00 th« Scurvy . 1753 . . que se conservará por seis mezes sem corrup çao : acada doze almudes de agoa se poderá misturar nella huâ onça de pezo de espirito de vitriolo. pag. Logo que estiver hua pipa bem difumada se vai pouco a pouco enchendo da agoa pura > e a milhor que se achar no porto : naô se en» cherá toda de huâ ves . e tapa rá. t telodam. e taô bem o mais facil he o que experimentou o Medico Antonio Addington no livro ( 4 ) que compos e que dedicou a o Almeirantado de Inglaterra . in 8Q. 1722 . mas logo que estiver raeya . e deste modo a porporçaô do que levar tua pipa. O certo he que se se misturarem de cinco a seis gottas de espirito de vitríolo a cada canada de agoa . e principalmente Boerhaa- ve (2). . deve se tapar a boca . tom. 1657 . quando foi consultado de Vienna no anno I737 . - da Saude dos Povos. Consolatio navigantium Amf. conselhaô metter na agoa o oleo de enxofre. II . ( I ) Memoires de FAcadémie Royale des Sciences . . London . . ( 5 ) Joh. e movendo-se se encherá . Redolph. Deslandes ( 1 ) a consel- hou este methodo . e mover de'hum lado para o outro para que a agoa se penetre do fumo do enxofre .

ou hua onça a cada do ze almudes .zio Da Conservaçaô consiste cm deytar duas ate tres gotas em cada meya canada de agoa .augmentar a quantidade do dito es pirito. « des- h tas experiencias se ve que a agoa de cal pode *» ser utilissima nas dilatadas viagens do mar . e cozinhar com ella sem ò minimo dano : publicou hum trata do desta descuberta no anno 1752 . e sem despeza : hum arratel de cal viva >» Fresca . pag. Mas o mais facil e o mais barato de todos os preservativos da corrupçao da agoa he a cal vi~ va. 1 . traduit de VAnglo'u. aqual poderá servir de bebida or- » dinaria tanto a os enfermos como a os faons » por precauçao : e por bebida ordinaria feria ( I ) Dissertation sur leau de chaux . » como para destruir os insectos que se geraô » nella . e conforme a mayor ou menor corrupçao se poderá. e se perfumarem com enxofre r e quando se naô uzar desta precauçao com a agoa fresca . Parit t Ï7V4» »n8?. sem peri- » go . e que se acha traduzido em Frances ( 1 ) : ali dis . Carlos Alston Lente da Universidade de Edimbourg em Escocia » achandose enfermo da pedra bebia a agoa de cal contra esta queyxa : a o mesmo tempo observou que preservava a agoa da corrupçao . e que naô era contraria a o gosto. que se podia beber. 340. e do mesmo modo para curar as enfer- » midades . de espirito desal logo que se enche rem as pipas . fe poderá uzar da mesma quanti dade* de espirito de sal quando a podreçer no mar. às quais os marinheyros estaô sujei- » tos : esta experiencia he mui facil . » tanto para prevenir a corrupçao da agoa . . bem calcinada basta para hum moyo » de agoa ( que fazem doze almudes da nossa » medida).

Traduzirei aqui os lugares mais uteis a este intento pella utilidade de quem naô entende . alem de que naô » augmenta a fede . . e ficará semelhante em tu- » tudo a agoa doce. . Na pagina 349 dis . em cada huâ pus hum pedaço de carne » de vaca fresca : e as tapei mui bem immedia- » tamente. da Saúde dos Povos. aquella com a agoa de cal naô tinha » cheyrô algum . Na pagina 3 58 . e o » costume de bebella por muito tempo fez que » me he ja agradavel ». 221 !» necessario darlhe primeiro huâ fervura . e impidi- » ria aquellas horrendas exhalaçoins. Na pagina 3 87 dis .as. e » a carne lançava hum cheyro podre insuppor- »» tavel. com aqual se poderaô co- » zinhar todas as comidas ainda as mais deli- * cadas ». » e desaltera taôbem . nem o Ingles . A 21 de Janeiro 175 1 pus agoa de cal » em huâ garrafa . Fes este Autor as mesmas experiências como peyxe fresco . « pensei muitas vezes que se » se metesse no fundo da pompa do Navio cal viva » que corrigiria a podridao da agoa . pello contrario à extingue . que infec- » taô de tal modo ó Ar que vem fatal a os ma* » rinheyros Esta agoa . « naô pensei ja mais que »». e em outra agoa commua e » pura. nem o Frances. como à agoa pura . No 1 de Mayo abri as garrafas : k »> que enchi com agoa pura estava corrupta . . « a agoa de cal impede ou retarda por » muito tempo a podridao das substancias ani- #mais. e a carne estava taô fresca » como no instante que ameti dentro deste se- » gundo vaso ». mas quando a expe . e com o mesmo successo. virtudes da agoa de cal consistiaô somente » a corjigir a putrefaçaô . e » expòla a esfriar .

espirito de sal ou pella cal viva : sem embargo considerando a facilidade. principalmente quando se pode cozinhar com ella . Se eu tivesse experiencia destes differentes metodos de preservar a agoa . o que contribuirá à » Conservaçao da Saude desta porçaô do genero » humano . . como a agoa fresca. decidiria ou pello espirito de vitriolo . e bem calci- » nada impedia a corrupçao de huâ grande h quantidade de agoa . Alem disso ferve a cal deytada no fundo da pompa principal a corrigir a podridaô da agoa . que infesta de tal modo .. da qual depende a prosperidade * da nossa naçaô . o que naô poderao fazer sempre os marinheyros. e o espi rito de sal. e para quem publiquei prin- » cipalmente esta dissertaçao ». que sicaô fuffocados e mortos os que dcçem a alimpar aquelles lu gares. fora de parecer de fazer com esta agoa assim preparada a provisao dos Na vios . dandolhe hua fervura prnrièyro . e pondoa á esfriar. e por consequencia que » leria utilissima a os marinheyros nas dilata- » das viagens do mar . Outros mais uzos daremos da agoa de cal . e o mini mo custo de preservar a agoa pella cal. Outra mayor conveniencia se ad quirirá uzando da agoa de cal para este effeito . o que naô fera taô façil com a agoa na qual se misturarem os espiritos acidos . . como saô o oleo . e a o mesmo tempo . e o espirito de vitriolo . 211 Dá Conservação » riencia me confirmou esta propriedade fiquel » summamente satisfeito Observei com » igual contentamento que huâ piquena quan- » tidade de cal viva em pedra . e perda de tempo. em lugar de perfumar as pipas com enxofre : requer esta operaçao trabalho . que he taô potavel .

Tomáo-fe de cinzas graveladas (ci- neres clavellati ) que he hum fal que vem de ( I ) Philosoph. confor me a composiçaô da Pharmacopea de Londres pag. por exemplo às mesmas qua^ renta canadas de agoa a juntara oito onças da pedra infernal . . yag. Chimico Jngles. 1754.Transact. {1 ) Journal açonamijue. Matty ( 2) . & da qual uzou M. pedra infernal da Pharmacopea de Londres seis onças : ossos calcinados atesicarembiancos seis onças . trinta canadas de agoa . A composiçaô desta pedra infernal . «juando falarmos da provisaô das carnes saï ga das. & 44. edalndia. deve a crecentar mais hua terca parte dos dit- tos ingredientes. da SauJe dos Povos. tom.. e bituminofa. M. premiando o Autor grandemente : valerme ei taôbem do que disse para a sua intel- ligençia do que publicou M. por fer mais (algada . descobrio este segredo noanno 1753(1): aqui porei o modo de fazer esta operaçaô mui £içil. 161. mas quem des- tillar esta agoa do mar Mediterraneo . pag. destillemfe a fogo lento ate fahirem. Appleby. 69. sobr» este invente Metemse em hum alambique dos mayores- de cobre quarenta canadas de agoa do mar. Paris» in S?. Estes ingredientes faô bastantes para desal- gar a agoa dos mares do Norte . Por muitos annos procuraraô ijiuitos Filoso- fos e Chimicos fazer a agoa do mar potavel . 48 . e ferá pura e capas de servir de bebida sem dano. Juin . prevendo que poderia faltar a agoa doce nas navegaçoins dilatadas. Appleby he a íequinte. e outras oito onças dos ossos calcinados. que foi aprovada pello Almirantado de Inglaterra . Oceano.

ainda que fique livre de todo o sal e todo obi- tume que tem a agoa do mar : ficalhe sempre hum certo alkali volatil . ou calda delle como diremos em seu lugar. filtra- se por papel de estrassa : e chamasse o lixivio das savonarias : hum quartilho deste lixivio deve pezar desaseis onças : se pezar menos farse ha evaporar ate que fique.214 &a Confervacâô Russia . dos ingre dientes ditos. ourinoso . ficando a agoa entaô agrada vel . o qual se poderá corregir . mexesse toda esta infusao ate que ò sal da Russia esteja incorporado na agoa .Este segredo he somente no cazo de necessi dade . e de cal viva partes iguais : deitasse agoa pura em sima ate que toda a cal esteja a pagada. Quando se quer fazer a pedra infernal tomas se deste lixivio a quantidade que quizerem . Oh . .na medida dita. Esta he a pedra infernal : poderá ser que fosse sufficiente somente a mistura do sal de Russia. aqual se conservará em vaso de vidro bem ta pado . em quanto estiver fervendo se deytará pouco a pouco cal viva em po ate que fique huâ massa espessa . ou cinzas graveladas ( que he o mesmo ) com a cal viva para deytala na agoa salgada . . com duas gotas de espirito de sal a cada quartilho . com os ossos . ede carvaô para destilarem agoa do mar. ja ditos para produzir o esseito de defalga-la. para que naô pereçaô os navegantes por falta da agoa por isso os Capitains dos navios fazem provisao de hum alambique . Esta agoa naô he em tudo semelhante a agoa pura . e se evapora ate ficar a quarta parte . para que ò Ar naô penetre. sempre lhe fica hum gosto desagradavel . ou summo de limaô .

No cazo que se determinasse por longas expô- riencias que naô era necessario fazer provisaô de àgoa doce em barricas . geraô-se quantidade de inscctos . Porque meyo alqueire de carvaô occu- paria no navio fomente o lugarde oito canadas de agoa . ou em arcas . he certo que seria de grande conveniencia para a nave- gaçaô. asim ganharia o navio quasi tres quar tos de lugar. III . Piffertat. e o peyxe seco salgado serve taôbem para provisaô . Que custo. e de que modo se devem embarcar as provisoires . que se guarda nos mesmos Iugares : todas estas provisoins apodrecem pello discurso das longas viagens . Traduzirei aqui o que Estevaô Hales ( 1 ) acon- celha nesta materia. e farinba ou se mete em barris . 1741 . arros . âa Saúde dos Povos» 11 5 Ôs alambiquês mayores contem quarenla Canadas . ou que trabalho se deveria poupar para ( I ) Expériences Physiques . 117. quepossaô servir incorruptas por toda a viagem. pag. taô digna de serattendida por quem tiver a cargo conservar a vida dos navegantes. da- qui vem naô so faltarem . que gasto . mas aquellas que û- caô fervent mais para destruir a Saude. Consideramos ainda o navio no porto . de tal modo que o custo destas trinta canadas de agoa naô excede a 120 rz. porque esta destil- íada firviria com a mesma salubridade. . e em duas horas e meya se podetn destiílar trinta canadas de agora pura como dissemos : nestas duas horas e meya se quey- mará meyo alqueire de carvaô pouco mais ou fnenos . Paris. traduit de VAnglais. e o biscoito ordinaria mente em almazems : o bacalhaô . As provisoins de legumes . doque 'para sustentar os navegantes.

Dis o ditto Hales na pa gina citada : « Antes de encher os ditos toneis . » ou pipas . e / » bem limpas. e decerá livremente pello barril » ou pipa. » no outro tampaô do tonel ou pipa superior » antecedentemente bem raspadas as pipas . oú » a farinha naô faya por estes buracos . I 12(5 Da Conservaçaô conservar estas provisoins incorruptas . os naô ta- » pem para impedir este effeito se prégaraô den- » tro do fundo de cada barril tres vaquetas de » paô da grossura de dois dedos sobre as quais » se pregará hum pedaço de pano de linho raro . Para impedir que as sementes . e da largura v de pé e meyo ? e a roda tres ou quatro pe . que he o mesmo que conservar a vida dos marinhey- ros ? • Estas barricas . e dois ou tres. Logo » se prepará huâ boa quantidade de mechas de » enxofre feitas de trapos de linho. >» profunda de dois ou tres pes . em hum dos tam- » poins . Deste modo as » sementes naô taparaô os sete ou oito bura- » cos . mais ou menos . farinha ou biscoito. » fera necessario fazer sete ou oito buracos da » largura da quelles que tem a boca das bore- » lhas que fervem a o vinho . como as sementes. » tudo bem embebido no enxofre derretido : » abrir se ha "hum burraco ou cova na terra . de sementes . toneis ou arcas que distemos se haviaô de perfumar do modo seguinte . an tes de se embarcarem.. » Quando estiverem afim preparados entaô » se encherao com as dittas provisoins. ou que » ella mesmo. » ou hum sedaço de tal modo que naô chegue » a o fundo interior do tampaô. con- » forme a experiencia mostrar for necessario . e daraô entrada a o fumo de enxofre » que subirá . e papelao .

dá Saude dos Povos» iij »> dras . Dito Autor a concelha que no mar mesmo Pij . e o bicho naô se meterá nellas. naô ficando Ar entre ella . Mas naô he crivel que o paô feito com ella possa fermentar bem . Pello que fica dito naô creyo que a farinha se poderá perfumar deste modo . e ò almazem do biscoito em » quanto o navio estiver no porto : naô se » deve temer que este fumo seja nocivo a » Saude . pega-se lhe ó fogo : o fumo subindo » entrará pellos fette ou oito buracos do tam* m paô do barril . e deste modo se poderá enxofrar a farinha . assim continuará a arder e a fumar ate » que fava o fumo pellos tres . mas podemse inventar canudos feitos de lata . ou quatro bu- » racos do tampaô superior do barril : quando » tiver sahido o fumo por elles por algum tettj- » tempo. como fica entre as sementes . entaô se taparao com rolhas. a o tampaô superior . como saô os ralos . » pello qual entrará o Ar que fará arder as me- » chas . nem que mude o gosto das provisoins » assim perfumadas ». e guardarse isenta de todos os insectos. Do mes- » mo modo se poderao perfumas . toda a precauçao seria secala . furados . e para que possa arder fica » aquelle vasio entre as tres ou quatro pedras . que sirvaô de assento para pòr em » sima ò barril : entaô se meterao as mechas na » cova . e por isso se naô conselha absolutamente perfumala com enxofre . e enxofrar » os almarios . e que atraves sem o barril de hum buraco do tampaô infe rior . e vol* » tando o barril se taparao taôbem os sete ou » oito buracos do tampaô inferior : quanto mais » bem e fortemente ficarem tapados estes bu- » racos por mais tempo se guardarao as semeh- » tes .

2lS Da Conservação » em tempo socegado se poderao perfumar a$ provisoins ditas se ncllas apparecerem infectos : mas he necessario considerar no perigo do fogo. o que mostra milhor a experiência doque os concelhos. de tal modo que a salmoura fique dentro das veas e das arterias do animal do mesmo modo que estava o sangue em quanto vivia : ali descreve a sorte de siringa com aqual se ha- viaô de encher os vazos sanguineos do animal . . injectando ò animal degolado pella arteria a orta . e se continuarao a sal gar as provisoins que fas cada anno aquelle Al- mirantado do modo antigo e ordinario. Tanto que se publicou em Londres este modo de salgar as carnes para aprovizaô dos navios. pag. e verdes e de cheyro cadaverozo. 131. IV . e co- réacea que era impossível servir de alimento nem ainda a os marinheyros . e evitar todas as occasioins destes accidentes . . alguns Capitairts de navio que estavaô a o ser- ço de Russia ó propuzeraô a o Almirante Conde deGallowin : elk mandou immidiatamentepòr em execuçao a proposta . No mesmo tratado ( 1 ) propoem salgar as carnes com huâ forte salmoura . Proporei por tanto algum meyo mais façil e efficas para preservar as carnes salgadas da po dridao que as fàs azuis . pello que revogou. e peyxes salgados ferem a (i)Ne Lívio citado Dissertât.a ordem que tinha dado . e se ses a provisao de alguns navios com as carnes assim salgadas : mas o mesmo Almirante me disse no anno 1739 que a carne vinha deste modo taô dura . e vea ca va . Ainda que pella mayor parte todos accuzem as carnes . e bem se vé que a meditaçao naô vale tanto co mo a experiencia.

viaô ser bem degoladas . he o Ar podre . e vimos asima que o sangue he ò liquido do nosso corpo que apo-'' ií drece mais depressa depois do fel. ja citado dis que os Inglezeslevaô a índia oriental carne fresca me tida em talhas de azeite. e os Officiais fazer a provisao . A carne fresca • 5 em pedaços se devia espremer em hum lagar (i a donde se espremem as uvas . e sem qualidade nociva. logo que estivesse espremida se devia meter feita P iij . Desta sorte de carnes poderao os passageiros . os assaô quasi a metade . e os metem dentro de talhas de azeite : fca esta forte de carnes fresca por mui to tempo. Os caçadores da comarca de Castello Braneo no tempo da quaresma naô deyxaô de caçar coe lhos e perdizes . se ellas naô forem corruptas : porque o sal naô he ja mais causa da podridao . mas feria mui ciistoza fazella para os marinheyros .ti proposito a este fim : podiasc meter a carrie em ffi ceyroins ou pòlla a espremer entre taboas . poderá conservar a carne incorrupta . nem das doenças . M. As carnes meyas assadas se conservaô incor ruptas taôbem metidas em barris de gordura ou de cebo deretido. Logo que ficarem privadas da humidade do Ar conservaô-se por muito tempo. *Ê da Saude dos Povosi lz$ cauza das enfermidades dos marinheyros he engano . e para conservallos . quem souber esgotar a humidade da carne e impedir que fique Ar dentro do tonel a donde estiverem . e encerrado com a humidade que fica dentro dos barris que as faz apodreçer . ou fabricado a . e por essa razaô proporemos o modo mais façil e mais fa- c dio de falgallas. Deflandes . < O modo mais façil he salga-la de salmoura : todas as carnes para fazer dellas provisao de- i.

. podera fazella do modo que a concelha Columella ( 1 ). peyxe e carne por niuito tempo. Quem quizer fazer a salmoura com menor trabalho . de tal modo que fique coberta desta salmoura. como pepi nos . Enchesse de agoa da chuva . pimentos . sal ficar enteyro dentro da cesta . ou condesa . mas que appa- reça pouca parte delle . a(i. . e que a salmoura està feita. e se lhe deita tanto sal dentro . mpterse-ha dentro da mesma cesta putra tanta quantidade .' azeitonas . e dentro delles a carne esprimida . e na qual se cortiraô frutos . çay.hum pouco de vinagre. zer . Quando se quer cozi- npar entaô se desalga. a salmoura està feita : se ó ovo ficar na agoa . e quando estiver fria se meterá hum ovo inteiro . ou ò peyxe dentro ( l ) W>. quando todo estiver desfeito . e fresco . . ' . e a desalgará. . he final que neceísita ainda de sal . ainda que se/a por mais tempo. he final que na agoa naô se pode desfazer mais sal . ou condesa cheya de sal branco. o que se acrecentará fazejido fer ver agoa outra ves : e quando vier aMostrarse a metade fora da agoa entaô se deyxara esfriar. o que asara ifiais tenra . e que o. quanto se possa desfazer nella : entaô se tirará. metella em barris lavados e puros . fora do fogo . ou de qualquer fonte purissima huà gtande talha de barro : metesse nella huâ cesta . se nadar e a metade ficar fora da agoa . logo que se naô dessi. e bem limpo. ficara ate se desfazer .2$o . . Ain" da que vulgarmente seja notorio como se sas quero pòr aqui aquella da qual tenho experien cia .JDa Conservação em pedaços em barris cheyos de salmoura. Poemse hua grande quantidade de agoa a ferver. Nesta se meterao as carnes . XII . . e em quanto ferver se lhe deytara. dentro .

entaô tomasse huâ taboa. e batela . Entaô íe deve rá meter em barris bem acalcada . e confistencia. e arterias adonde ainda ficou o sangue : a segunda he que ò sal penetrará a carne pello menos a altura de hua polegada . Mas quem quizesse conservar esta carne por muito tempo o milhor modo seria malhala . mas taôbem porque adquerem bomcheyro. A carne que se deve salgar devesse pòr em huâ grande maseyra ou taboleyro no qual deve estar o sal espalhado . e o fogo e o fumo saô os agentes mais poderosos . na qual estejaô prega dos pregos bastantes de tal modo que as cabe ças fiquem iguais . quem achar penivel esta pre paraçao poderá manda-la por no fumeyro so mente : e se o tempo fosse ardente bastaria polla a ò vento em lugar elevado ate que deyxasse de escorrer a rhinima gota de humidade. da Saude dos Povos. e quasi seca. e o barril bem tapado. e resultarao dous be neficos para a conservaçao da carne : a pri meira he que pello movimento e agitaçao da carda se dissipa muita humidade . e se for com força será ate duas. e em pouca distancia huâs das outras : com esta carda se vai esfregando a carne juntamente com ò sal. Quem quizer insiltir no modo ordinario de salgar as carnes . ate que viesse correenta . Secan- dosse as carnes a corrupçao naô tem lugar . e depois pola a secar no fumeyro como se fas com os prezuntos . Esta operaçao devesse fazer com força . pella menor despeza e facili dade o poderá fazer de modo seguinte. 231 de barris . e se rompem muitas veas . do feitio de hua carda . para que fique bem penetrada delle. e se deverao expor a ò sol tapados . naô so para ficarem bem corticfas . e actividade . para que naô fique Ar dentro .

como os seos escravos . ou outro dia. consideran do que se matarem algua rès que naô poderaô conservar a carne na quelles climas que por hum . e borralho que estava de parte . ou de qualquer outra erva . que cobrem com a mesma erva bem a calcada . da grossura de huâ maô travessa . Depois de terem a carne fresca feita em pe daços . e de baytapte grossura . entaô co- brem toda a boca da cova com as brazas . e altura a proporçao da carne que querem pre parar. fica toda esta. Nella fazem fogo ate que fique cheya de prasas vivas . por muito tempo. e depois de limpo da cinza e do carvaô . as quay tiraô logo .13 2 Da Conservação ara resistirlhe ç em segundo lugar os rayos do ol do estio adonde houver viraçao. tanto elles . em estado de cp- nierse fria ^ou como achaô a proposito. que ps cavallos comem. e que saô obrigados viverem somente de frutos . e poem de parte } entaô à forraô por todos os lados de junco verde . Tudo fica nestç estado ate que observaô que a altura da cova se abayxa : entaô tiraô fora da cova todo aquelle junco com a carne juntamente em forma de torraô . quis taôbem aqui pòr de que modo alguás naçoins conservaô a carné por muito tempo sem sai . nem adobo algum. e sobre elle fa zem hum piqueho fogo de flama viva. Quem naô quizer conservar o couro da re| . e Affrica por muitos me xes . Massa capas de conservasse nella a carne quafi estofada . certoins da America . Considerando que saô os Portuguezes obri gados fazerem muitas vezes expediçoins pellos. metem entaô a carne dentro feita em pedacos . que deyxaô esfriar . ou de algum milho grosso que semeaô . fazem huâ cova na terra da grandeza .

sem » cheyro algum . da Saude dos Povos. e assan do : continuasse o fogo ate que naô saya da quelle couro a minima gota de humidade entaô he sinal que a carne esta seca . ou pelle cheya de carne se pendurará taô alto . « Misturei huâ parte de salmoura de » harenques ( peyxe semelhante as nossas sar- » dinhas ) ja velha de dez mezes . toda a mistura veyo turba . e dentro delle se meterá a carne feita em peda ços : o cabello ficará para dentro . e por ultimo veyo clara : dis- » sipousse aquelle volatil do sal . do modo sequinte. . O mesmo fis com a salmoura da car- ( 1 ) Na Dissertaçao citada sobre a agoa da cal. e que se pode comer entaô sem a minima alteraçao relata as experiencias íequintes. de cor parda. Mas quem quizer perzistir no antigo modo de salgar as carnes poderá corregir em parte . misturei mais outras duas par- » tes de agoa de cal . e comecei a sintir hum » cheyro semelhante a o do espirito de sal amo- » niaco . do mo do que se esfolaô os bodes para fazer odres . í^j mie matar poderá conservar a carne do modo íequinte : esfolarse-ha o couro inteyro . Carlos Alston ( 1 ) depois de relatar as experiencias que o peyxe fresco se conserva por muitos tempos incorrup to na agoa de cal . » tirando para à vermelha com duas partes de » agoa de cal . e ficou a mis- * tura com o gosto e cheyro do peyxe fresco » salgado. que contra- hirem . ou pode ser que toda a podridao . que se possa fazer fogo de brasa forte de bayxo : o que succede he que o couro pouco a pouco se vai encol hendo e a carne de dentro espremendo . entaô a mistura precipitou huâ subs- » tancia branca . e capas de con- servarse muito tempo incorrupta. e ò carnàs para fora : entaô este saco .

para se lavarem aquellas que apodre cerem no navio com agoa de cal . Devia entrar no numero das provisoins bas tante quantidade de vinagre . cauzada ou pella corrupçao do Ar . e a os marinheyros : vimos que ò azeite . convem terem hum remedio taô facil e barato como ó referido para corri girem em parte a corrupçao do que lhe hade iervir de alimento forçado. . e principalmente de vinho branco : vimos pello discurso de todo este tratado os seos effeitos para corrigir o Ar corrupto : vimos o continuo uzo que delle se requer naô so fervido na quelles lugares encer rados adonde habitaô os enfermos . o que succede nas calmarias. saô por tanto dignas de reparo . Se nos campos militares . e he certo que tratando as deste modo sempre sera mais comestivel do que podre . e me succedeo o mesmo » que com a salmoura do peyxe ». muito mais o a concelhamos a os navegantes . ou paô amoleçido. poderá succeder no fim das largas na- vegaçoins naô terem os marinheyros outro ali mento do que as carnes salgadas a o ordinario. . e adobado com pi mento . feita em pi- quenos pedaços . ou sem elle . e os ro bustos . Ainda que por estas experiencias naô se veja claramente que a agoa de cal corrige a podri dao da carne salgadà .234 Da Conservação » ne de vaca salgada havia muito tempo . fis » o mesmo com ella . mas ja podres . e nas marchas no tem po das calmarias a concelhamos tanto o uzo das migas frias . com vinagre e sal misturado com o bif- couto. mas ainda para misturalo na comida. he o mais excellente cor rectivo contra a podridao dos nossos humores. ou pella suf- focaçaô delle . e meterem-se nella a desalgar por algum tempo .

e que me allegaraô mil exem plos dos perniciozos effeitos desta bebida : ja vejo que me a legarao que queyma as entran has . ou logo depois de comer biscouto humedeçido . da Mina . Devia taôbem entrar por provisao dos na vios bastante quantidade de agoa ardente para ter della cada marinheyro no tempo dos gran des calores . que determinamos assi- ma : mas he engano persuadirse que a agoa ar dente seja noçivà a o nosso corpo : por todas as experiencias ate gora feitas ou nos viventes . e das calmarias hum copo de duas. este de veria ser o seu alimento . Ja vejo que todos gritarao contra ami- nha temeridade. e cada hum ter huâ porçao de agoa ardente. e por ultimo hydropesias. A o que respondo que he verdade q. Alem do uzo que delle se faria na be bida . . da Saude dos Povos. e nos alimentos ferve tanto na Chirur- gia . ja relaxado no tempo das calmarias. vimos asi- jna como as carnes se conservaô nella : toma da °a quantidade que determinamos fortifica tpdas as fibras do corpo e principalmente as do estomago . e a do bado com sal principalmente no tempo das cal marias. que poucos faô os cazos nella adonde se naô necessite deste licor. ou tres onças cada manhaâ .ue produs todos estes males tomada emmayor quantidade da quella . que produs chagas mortais nas pernas . em jejum . 011 em outra qualquer substancia se sabe incon testavelmente que a agoa ardente defende os corpos da podridao . que cauza ictericias incuraveis . e de An gola os navios carregados de escravos . e que a corrige huâ ves que for gerada em qualquer parte . ou pello menos toda agoa que bebessem deveria ser misturada com vinagre . 235 Quando sahissem dá Costa .

recusou sempre de tomalas hum velho piloto . e dizia a o Almirante mostran- dolhe hua botelha de agoa ardente . e outras confei- çoins cardiacas. e como os Chi- rurgioins tratavaô estas febres de malignas. Pareceme saô ja superfluas mayores razoins . que ali ti- nha o mais soberano remedio contra todas as queyxas nacidasno mar : que elle tomando huâ onça cada dia por muitas vezes se tinha asini preservado em cazos semelhantes . Ouvi dezer a o Graô Boerhaave que hum Almírante Hollandes lhe dissera . nem auctoridades : a experiencia por tanto conservará aqui como sempre o feu va- lor. 2} 6 Da Conservaçaô e calores excessives : embalsama os nossos hu- mores. E poucos remedios cordeais é confor tantes se achaô que naô sejaô compostos deste precioso licor para a Conservaçaô da Saude nos climas ardentes. os calores entaô eraô excessivos. Eu naô conheco remedio mais excellente nà cura de todas as febres como saô os limoins aze . que saô contra as molestias do mar. a os faons por precauçaô e a os enfermos por re- medio davaô a todos triaga . e quanto rçsistem a podridaô dos humores : mas poucos saberaô uzar destes frutos e do feu fu- mo . e taôbem conservallo. e de cama- ras . Bem me parece fer superfluo indicar as virtu- des dos limoins e laranjas azedas a os Portugue- ses intelligentes : todos sabem o soberano re medio . e quenella reynava hua Epidemia de febres . mortal na mayor parte da equipagem . como saô aquelles entre os tropicos. que se achava defrontede Cadizcom a sua frota. e que alîìm esperava na quella preservarse : o que com ef- feito succedeo porque ja mais sintio a minima molestia.

divertiaôse a o mesmo tempo tirando com as cascas hums a os outros . e os mais se persevaraô delle . o qual he juntamente azedo . %yj dos : parece que a Summa Providencia fez taô abundantes delles todas as terras meridionais e entre os tropicos . Mas nem sempre se poderá fazer hua provi sao taô abundante para todos os marinheyros : ( I ) Dissertaçao sobre o Escorbuto anexa a o tratado. nem em nenhum espirito mineral destilado . par As. de sal . que havendo feito em Liorne huâ grande provisao de limoins e de laranjas . de tal modo que todo o convés estava coalhado dellas : o effeito desta profusao foi taô excellente . e promovem a transpiraçao . com permissao que cada marinheyro pudesse comer delles : estes naô somente os comiaô . Nou velle míthede de pomper l'air . nem nos tamarindos. estas duas propriedades unidas refrescaô . e de enxofre : consiste pois em que a o mesmo tempo he aro matico : no limaô existe hum oleo aromatico penetrante . emmendaô a podridao dos nossos humores . . mas esprimiaô o sumo na cerveja que bebiaô . ordenàra que trouxessem cada dia hum cesto em sima do convés . que os enfermos do Escorbuto se curaraô . da Saúde dos Povos. ou mal de Loanda . mais na casca que no sumo . Refere aquelle Il lustre Medico Mead ( 1 ) que lhe contara o Vice Almirante "Wager . Suttoa. com tal maravilha que tanto mais o clima he ardente . mais azeda he esta fruta : o seu azedo tem huâ excellencia que naô se acha nem no vinagre . como saô os de vitriolo . e to dos chegarao a porto dezejado com Saude. que achandose com a esqua dra que governava no mar mediterraneo todos os marinheyros cahiraô em hum terrivel Escor buto . e a evacuaçao das ourinas.

2} 8 Da. Fui confultado por hum illustre navegante que partia para a India . e a mais falutifera contra todas as doenças que se expe- rimentaô navegando principalmente entre os tropicos. as quais misturaô com agoa que bebem no tempo dos calores. Depois de esprimidos estes sumos deviaô fer coados . e na India. misturando a o mes- mo tempo alguâs gotas de agoa ardente : seria a mais saudavel bebida sobre o mar . e huâ leve porçaô de agoa ardente de tal modo que a bebida ficasse agro-doçe . para fìcarem taô espeffos como xarope ou calda de arrobe encorpada. Os Turcos costumaô prepa- rar dos sumos das a meyxoas . Conservaçaô pello que se poderia compensar esta pefda fa» zendo a provisaô de sumo de limaô e de laran- jas metido em barris com as precauçoins seguin- tes para conservarse sobre o mar rstesmo ate as Indias orientais. e morangos esta forte de caldas . defmayos . ictericias com febre : desfeitos em agoa com a fucar .agro-doçes que ali nacem em abundancia. e nas Ilhas naô se poderiaô talves preparar destes sumos apurados de li- moins . faindo dos mares do Norte . e Ihe a concelhei fazer hua grande pro visaô de sumo de limaô do modo dito . em Angola. e postos em sima do fogo a donde fer- vessem ate mingoar quasi huâ terça parte . mas de muitos outros frutos. No Brazil. com o gosto de agoa ardente : seria taôbem para cor- regir a podridaô da agoa . Destes sumos se poderiaô fazer excellentes bebidas contra as febres . camaras. e laranjas azedas . e de uzar delle como fica referido : avizoume do Rio de Janeyro que elle fora o unico que na viagem de tres mezes naô padecera no navio .

Varios metodos se procurarao ate gora por todas as Potencias Maritimas . » Todos atribuem o preservarem-se os Hollan- dezes do escorbuto nas suas navegaçoins. e outros do Algarve secar o peyxe como se fas com as pescadas de Buarcos. PAreceme que satisfizemos a o fumo dezejo que nos moveo escrever este tratado pro pondo tudo o necessario para conservar as pro- vifoins dos navios . Fora façil nos portos do mar em Portugal . e incorrupto. Peniche . como em Buarcos . e indicar aquellas que pre- servaô a Saude dos Navegantes. por be bida ordinaria em toda a viagem. o que attribuia a o con tinuado uzo do sumo de limaô misturado na agoa com alguas gotas deagoa ardente. muitos na viagem a cabaraô a vida pella mesma doença . Agora com o mesmo procuraremos indicar tudo aquillo que poderá contribuir a conservar o Ar dos navios avela puro . e que. CAPITULO XXIX. Metodospara conservar o Arpuro dos Navios a vela. da Saude dos Povos. Figueyra . e que compraô a os Estrangei ros. 139 o escorbuto do qual mal ficavaô todos enfer mos . e deste fazerem taôbem os navios a sua provisao : he certo que seria mais saudavel que o Bacalhao de que uzaô . mais façilmente do que as outras naçoins a o grande uzo que fazem navegando do peyxe seco sem ser salgado antes. e destes escolhe rei os mais faceis de praticar e os mais effecti .

Em segundo lugar. que vinha ate entre as pon tes . a polas . 69. como da corrupçao da agoa po dre : mas a o mesmo tempo dis que nas calma rias este grande fûnil he inutil : que pode ter alguma serventia em quanto o navio estiver anchorado . Primeiramente cada navio tem ordinariamen- » te tres destes funis . Bigot de Morogues ( 1 ) refere que o en genho de que uzaraô os marinheyros ate gora para renovar o Ar dos navios era hum grande funil feito de pano de Lona . subi tamente vem frios pella corrente do vento co mo de tormenta que se communica pello dito funil. ou pello seos maos effeitos. (ï. Guilhelmo Watson ( % ) refere desta sorte de funil de lona o sequinte : « Esta sorte de vèla » feita a o modo de funil he mui incomoda . e as vezes suando . e à ajus- » tallas para sirvirem. e que deste modo se alimpava da podridao do Ar . so ( I ) Memoires de Mathématique Sr Physique . e a doecer os marinheyros pella subita mudança do Ar : por que estando quentes . citadas assima j pag. ate chegar a ò fundo do navio . tem as difficuldades sequintes.vos : e naô deixarei de indicar aquelles que naò approvo ou pella sua diíHculdade . citada pag.24ô &a Conservação . . a boca mais larga atada a hum masto virada para o vento . Nouvelle méthode depomper Vair . mas que indo a vela os Capitains observarao que por elle entra huâ tormenta de vento taô forte que fas resfriar . 406. e #» cauza infinitos embarassos no navio : alem » de que ò Ar naô se renova no navio quando » he necessario . e a boca mais estreita . » fervem . os marinheyros conso- » mem hum tempo infinito . M. e do maô cheyro .

dos Hospitais . M. fundado na experiencia que teve dos feos bons effeitos : mas he certo que este instrumento tem os inconvenientes fe- guintes : fomente se pode uzar delle no tempo sereno : nos navios adonde naô ha gente bas- tante para a manobra delles . e<x uzo do ventilador de Estevaô Hales : este instru mente he huâ forte de moinho de vento pelkx qual entra o Ar por hum buraco que eommu- nica a differentes canos que fe distribuem por todo O navio : o Autor publicou desta inven- çaô hum livro em Ingles . chez Çharles Pçtrion . e sem vento . . Bigot approva o uzo deste instrumento chamado ventilador . porque » esfriaráde repente os doehtes. introduzindo por hum buraco delle Ar puro. Hales (f traduit par M. M. noite em quanto dormem os marin- » neyros. tla Saúde dos PovoS. ja traduzido em Fran- ces ( 1 ) por donde le ve que o Ar dos navios . ou adonde houver muitos enfer- » mos . Bigot no lugar citado dà à descripçaô . mas nunca chega a puri- » ncar o Ar do fundo de cale nem da pompa* » principal : Qtiinta : naô he de serventia al- » guâ de. tra por este fûnil fica fomente ms partes íii- » periores do navio . Demçyj-s. » Terceiro de bayxo da linha equínoçial vem to- » talmente inutil . Sexta : nos navios que servem de » Hospital . das priloins . ■ Paris . porque reinando ali as cal- » marias naô ha vento para diíatar e afoprar » por este instrumente Quarto : o Ar que en- ». elhes augmen- » tará so feus males ». e dos felleyros fe pode renovar . sorte" . ±4 f a fervem no tempo sereno . in-li. pello outro. par M. faltaraô maons ( I ) VentilatcMr . e encerrado . este engenha será perniciozo . e o brigando a fahir o Ar cor- rupto .

. 1749 . esfria de repente o Ar . O mesmo inconve niente que tem a vela feita em forma de funil . e sem a minima corrupçao. Samuel Suton oblèrvando os inconvenientes referidos pellos duos engenhos determinou re novar o Ar corrupto dos navios pello fogo . considerando que farei gosto a os meos Leitores.Lgndon . e nos a pozentos estreitos a donde ha- » bitaô muitas pessoas expostas a o mesmo ca- ( I ) An Historical Account of a neu metbod for extracting &e foui airoutof shrips. e o modo mais facil de remedialo copiarei traduzindo . O celebre Medico Ricardo Mead presentou a Sociadade Real a exposiçao sequinte em fa vor desta invençao « os funestos effeitos do » Ar ençerrado nos poços profundos nas pri- » foins . ou nos lugares delles adonde houver emfermos : este instrumento oc cupa muito lugar no navio : o Ar corrupto da pompa principal nunca se renova por elle pelló que o seu uzo naô está universalmente intro duzido nos navios . delle o que achar mais a proposito . in-SÎ. nem de guerra . e cauza mayores danos que beneficio nos Hospitais dos navios . Publicou deste invento hum livro ( i ) que se acha traduzido em Francês : como nelle se lem muitas particularidades tocantes as en fermidades dos marinheyros cauzadas pello Ar corrupto que respiraô . e com tanta sagacidade e parcimonia que o mes mo que serve na cozinha fas o effeito que pro curava. 24 2 &a Conservação para pomparem hua ou duas vezes por dia nestá lorte de moinhos a braços. nem mer cantes : he verdade que na prisaô publica de Londres chamada Newgate ferve com summo beneficio a conservar aquelle lugar areado . tem taôbem o ventilador .

que pello . enfermidades insuperaveis » por todos os soccorros da Medicina . an-> . Nenhuâ couza rarefas mais o Ar do que o calor : quanto mais o Ar for quente mais li- geyro será : segue-se logo que como o Ar hç . se naô » se destruir a causa destes males : consiste o ré- » medio a renovar aquelle Ar encerrado desde » o fundo do navio .» caçaô entre o Ar encerrado com o Ar livre . todas ficaô » na quelle Ar que respiraô os marinheyros . alma- » zem dos alimentos . e por este Ar corrupto » cayem enfermos com dores de cabeça . da Saude dos Povos» 14$ » loi") e ordinariamente a pouca limpeza . » tendo se ja gerado insectos nellas. da pompa principal . saô » conhecidos de todo o mundo. » mao cheyro do navio . » que o primeiro se corrompa : os vapores e as » exhalaçoins que se levantaô da agoa podre » do fundo do navio . pello Ar livre e puro » que cercar o navio a roda. » alem das exhalaçoins que sahem dos seos cor- » pos continuamente : daqui vem . pompa principal . nos poços . e por ultimo febres podres . mas ainda nas cazas » particulares . fraqueza de todos os mem- » bros . nas prisoins . Mas elles saô » muito mais perniciosos nos navios a donde se » acha sempre agoa podre no fundo delles * >> adonde os marinheyros vivem mui estreita- » mente . &c. que ordinariamente apodreçem . suores frios . » fias . e mui juntos huns dos outros : he lei » da natureza que tanto que faltar a communi- . para » impedir as exhalaçoins das latrinas e princi- » palmente nos Hospitais ». das » provisoins . o qual naô somente he ex- » cellente nos navios . » Samuel Suton a chou este remedio pello » meyo do fogo . dysenre- » rias e o escorbuto .

outro a pompa principal. ou nos cantos do fundo do fogaô. Ainvençaô consiste agora que em lugar que o Ar que acende o fogo vai da parte íuperior do navio . adonde o Ar he puro e ventilado . e deste modo o Ar se move . Para acender o fogo tapaô com huâ porta de ferro a ametade do fo gaô . e ajusta nelles outros tantos canudos . que á aquelle pegado mais fri<3 fendo mais pezado irá cahir adonde o outro estiver mais ligeiro. da grelha para sima : o Ar entra por bay- xo da grelha e fas. de chumbo . os quais atravesando o navio . que so o Ar encerrado no navio acenda o fogo : e ò fas facilmente deste modo.arder o fogo . se agita . ou raro. na adega que puzemos por exemplo asima . Por hum artificio semelhante Samuel Suton purifica o Ar dos navios que se devem considerar como huâ adega encerrada cheya de Ar corrupto. 144 \ ^a Conservaçao hum líquido. e se renova. ou de cobre . e logo se apagará o que estava ace so : do mesmo modo que se apagaria o fogo da chimine . que fas o dito Suton ? Abre quatro ou seis buracos de duas ou tres polegadas de dia metro . Cada navio a proporçao da gente que leva tem hum fogaô para cozinhar e servir a tudo que serve o fogo de huâ cozinha : este fogaô ' he huâ arca de figura cubica de ferro separada pello meyo por huâ grelha do mesmo metal : em sima desta arde o carvaô . nos lados . Se da grelha para bayxo se tapar o fogo com huâ porta de ferro naô entrará Ar algum para acendello . hum vai dar a o fundo delle . ou lenha . dito Suton fas . e as cinzas cahem no fundo. outro no quarto a donde est* . o fumo sahe por hum canudo que está pegado no simo do mesmo fogiô.

outro entre as pontes . que he força que outro Ar fique no lugar do corrupto : mas este Ar re parado entrará pellas escotilhas . e verà logo que se apaga : íinal que o Ar sobe pello canudo para ir fazer arder o fogo do fogaô. e que estes fossem dar em outra adega mais abayxo . he força que se apague logo. o Ar que està no fim dos canudos sobe por elles e vem a fazer arder o fogo . logo que se fecha esta segunda abertura . Que suc cede ? Como o fogo esta aceso no fogaô . he o Ar da atmosfera . E deste . e deste mo* do a o lugar que querem purificar. Continuemos a semelhança do fogaô com à chiminé da adega que puzemos asima por exemplo : estava nella o fogo aceso : se se tapar a chiminé com hua porta de tal modo que nen hum Ar da adega possa entrar nella para acen der o fogo . Ja se sabe que se de toda a parte do fundo do navio subir o Ar encerrado para vir a fazer ar der o fogo do fogaô . pellos posti gos do navio. mas este Ar he puro. ou nos cantos estivessem dois buracos com tcanudos . e da pompa ipal : naô tem mais que por huâ vèla acesa de fronte da boca do canudo que estiver neste lugar o mais profundo do navio . do mesmo modo que fa zia c Ar do convés do navio com a segunda porta aberta : quaíquer se convencerá entaô que ò fogo continuará a arder pello Ar que vem dp fundo do navio . entaô della subiria o Ar pellos canudos para fazer arder o fogo da chiminé. da Saude dos Povos» Mi <6 biscoito . Mas se no lar da chiminé . este entrará no fundo do navio . e qua ardia pello Ar que entrava por bayxo da grelha . em todos os lui çanudos e iahirá pella chiminé do fogaô.

Da Conservação
modo se alimpará o navio do Ar corrupto cadí
dia, porque cada dia se sara de comer 3 e acen
derá fogo no fogaô.
E naô somente subirá o Ar do fundo do na
vio pellos canudos em quanto arder o fogo
mas ainda sem fogo, com tanto quenelle fiquem
brasas , ou tanto calor que seja mayor , que o
calor do fundo do navio : porque o Ar o mais
frio e pezado sempre vem buscar o Ar mais
quente e ligeiro.
A utilidade desta invençao he taô vizivel
nos piquenos , como nos grandes navios : por
que tanto mayor fera o numero dos marinhey-
ros e navegantes , tanto mayor serà o fogaô : e
no mesmo tempo que se alimpar o piqueno na
vio do Ar corrupto , se alimpará huâ naô de
guerra.
Naô he necessario especificar o numero dos
canudos , nem a sua grossura ; quanto mais lar
gos forem , e em mayor numero com menor
Ímpeto entrara o Ar encerrado por elles , e q
fogo naô ardera taô violentamente rpello con
trario se forem estreitos e em menor numero
. entaô o fogo ardera com mayor violencia , e a
flama sahirá pella chiminé : aqual nunca se ve
sahir em quanto a porta inferior do fogaô estU
ver aberta , e por ella entrar o Arpara acender,
e arder a lenha em sima da grelha,
Naô faltara quem oponha que he multiplicar
os gastos dos navios mercantes ; que os canu
dos serao' de infinitos embarassos no navio, q
que quando se carregar, e descarregar , que se
faraô frequentemente em pedaços ; que occu-t
;paraô muito lugar principalmente nos navios
de carga, o que será de grande detrimento para
0 ÇoriíerçuV

da Saúde dos Povos. Í47
O que se poderá remediar do modo seguintes
Bastafá hum canudo assas largo que fique ajus
tado na parte inferior do fundo do fogaô , e
que a sua abertura fique de bayxo da grelha de
ferro : este canudo lego que atravessasse o con-
véz devia espalmarse hum pouco, (a figura
redonda ficaria mais exposta a offenderse ) e
logo ali dividi-lo em quatro ou cinco canudos
que siguiriaô os lados dos caibros , e junturas
do navio, para por estes ficarem amparados do
rebolisso dos marinheyros..
' A despeza destes canudos dis o Autor que naô
excederia ò valor trinta libras estertinas , que
seraô 1 14 mil rs, pouco mais ou menos, pello que
considerando o simples desta invençao, e a faci
lidade de executala , o pouco embarasso que
cauza , e o pouco lugar que occupa no navio ,
sem trabalho dos marinheyros , e sem despeza
para entreterse cada dia no seu exerçicio , faô
poderosos motivos para que cada navio tanto
de guerra como mercantil vze della em todo o
tempo.
M. Duhamel ( ,1 ) a conselha a mesma sorte
de fogaô com canudos que vaô dar no fundo
do navio , e entre as cobertas , e toda a diffe-
rença doque dis consiste em adaptar os canu
dos no fogaô a o modo das cozinhas Francezas
nos navios de guerra. He certo que este meyo
de renovar o Ar nelles , ou em outro qualquer
que apontamos asima he o mais efficas , o mais
façil , e menos dispendioso , e seria hum graô
bem da sociadade humana que se introduzissem
taô vulgarmente como se introduzirao as chi-
minés em cada caza particular.
( 1 ) Memoires de VAcadémie des Sciences , 1748 , p. r.

248 Da Conservacaâ

CAPITULO XXX. y

Situaçaô e efìado da Saúdc dos Ma.rinhe.yros y
e dos Navegantes no Navio a vela.

SEria ja superfluo tratar desta materia con*
distinçaô , considerando o que fica dito por-
todo este tratado : mas como me propus darme
a entender a os mesmos marinheyros ninguem,
me accusará de prolixidade.
Queni leo com attençaô as relaçoins das via-
gems observou sempre nas dilatadas , cahirem
os marinheyros em varias doenças , como saô-
febres ardentes , eamaras de sangue,. e mal de
Loanda : cahem em chagas das pernas , varias
comichoins , e por uhimo com sarna : e que
estas doenças saô tanto mayores e perigosas
quanto mayor for o navio , e o numero da gen
te que riavegà. Ja se deve considerar a cauza
quando consideramos que hum navio a velahe
kuâ prizaô adonde todos respiraô o Ar , que
muitas , e muitas vezas respiraraô ; vimos que
tudo se dispoem a apodrecer dentro delle : apo-
drece a agoa nQjporaô, e como fica encerrada
fiaô se diflìpaô aquellas exhalaçoins , e a cada
momento vem mais acres , fetidas , e corrosi-
vas : começa a agoa nas pipas a apodrecer ,
como taôbem as provisoins a arder : o Ar que
fica encerrado nos cofres , entre os fardos , nos
almarios , cabinetes vemhumido, suffoçado ,
quente tanto pello movimentp do navio , como
pella transpiraçaô dos animais , contemos neste
rjumero os ratos , milhares de insectos que to
dos transpiraô exhalaçoins acres , e podres.

da Saude dos Povos, 249
-Atem destas cauzas continuas da podridao ,
inseparaveis da quelle estado ha outras ainda de
mayor destruiçao : os marinheyros nem mudaô
roupa de linho , nem o calçado tantas vezes
como requer aquella vida dura , e laboriosa ,
apodrece o suor na roupa e nos vestidos ; mui
tas vezes molhados se mettem a dormir , pello
calor do corpo a humidade se exhala ; mas ella
he misturada com a transpiraçao , que a fas fe
tida e podre : as camas dos mais passageiros
nunca se' secaô , nem ainda os seos vestidos.
Se no navio houver enfermos , com feridas
chagas , mal de Loanda , as exhalaçoins destes
corpos augmentaraô ainda muito mais a podri
dao da quelle lugar. Ordinariamente todos os
que navegaô tem o corpo constipado ; daqui
vem que a sua transpiraçao sempre sera mais
acre, e mais podre, que aquella de quem vive
na terra.
Mas todos estes males augmentaô de huâ
ves logo que começaô a beber agoas fetidas y
logo que comerem alimentos que começarao ,
a arder e apodrecer : entaô he força que a trans-
iraçaô seja pestilente : com pouca differença
e hum homem na quelle estado hum cadaver
vivo : o Ar que respira he podre , como tudo
o que come ebebe : tudo o que entra nelle he
podridao , he força que tudo o que sahir , e ex-
halar do mesmo corpo seja podre e pestilente.
Vimos assima que todos attribuem às frutas
,do outono , e as bebidas de agoa ardente , e vi
nho as doenças dos Soldados nos exercitos;
opiniao errada que demonstramos. Do mesmo
modo todos attribuem as-doenças sobre ò mar
as carnes salgadas , e as agoas podres ; mas nin
guem ate gora , ( exceptuando os Medicos In*

:I

2jo Da Conservação
glezes ) pensou na humidade excessiva ; e ná
podridao a mais activa que reyna nos na
vios.
Outros deraô por cauza das enfermidades
do mar, ò Ar salgado que se respira no navio :
o que he ignorançia. He certo que ò Ar do
mar he mais humido , que ò da terra : taôbem
he mais quente, e como do mar se levantaô
mais exhalaçoins dos animais viventes , e mor
tos , que da terra , daqui vem , que causa mais
a miudo enfermidades podres , e pestilentes.
Na viagem do Lord Anson ( 1 ) se relata que
naô obstante que todos comiaô carnes frescas ,
e peyxe fresco que todos adoecerao mortal
mente do mal de Loanda : pello que accuzavaô
o Ar do mar ; porque navegando no mar paci
fico muitos graos distantes da terra , daqui vi
nha que naô fendo refrescados pellos ventos
della , que todos adoeciaô , e morriaô.
Nenhum vento do mar he ja mais taô seco ,
nem taô puro como ò da terra : os que sahem
desta sempre saô mais secos, sempre levaô con-
figo particulas dos vegetais , ou fragantes :
pello contrario os ventos do mar sempre vaô
carregados de humidade, e ò peyor de tudo
he da quella immenfidade de exhalaçoins que se
levantaô dos peyxes , e de tantas materias po
dres que existem no mar : pellas marés sempre
se exhalaô , tudo ali esta em movimento , ou
gerandofe , ou apodreçendo : e neste circulo
admiravel se conserva aquelle limitado Uni
verso.
Este he o mayor inconveniente do mar, ç
vem a ser que o remedio contra a podridao a
. . •
( I ) Voyâge round the World, by George Anson. London ,
1746 , pag- 396 , inr8°.

da Saude dos Povos, ïj 1
he o mesmo que à augmenta. Os ventos saô so
aquelles que fazem desvanecer as particulas
podres que se geraô continuamente dentro do
navio : mas estes mesmos , naô fendo da terra ,
estes mesmos passando por sima das agoas do
mar por muitas legoas vem ja carregados de
humidade e de particulas podres , e ja vem in
capazes de absorber, e de alimpar o Ar do na
vio , sempre infectado com mayor humidade
e podridaô.
Mas o mais lamentavel estado dos marinhey-
ros he no tempo das calmarias : vimos asima os
efíeitos do Ar suffocado em Pekim ; considere
mos quanto mais horrivel fera a mesma suffo-
caçaô em sima do mar, e sobre a linha equino*
cial entaô he força que tudo apodreça , e que
tudo se desfaça , se naô houver toda a precau
çao para ventilar , e mover o Ar , se pella be
bida , e alimentos naô se resistir aquella podri
daô , e aquelle calor continuado , e sem refri
gerio.

CAPITULO XXXI.

Meyos para occorrer a ejles males.

Vlmos pello discurso de todo este tratado
que o fogo he o soberano , e unico reme
dio para renovar o Ar.
Vimos que os fumos acidos, como saô do
enxofre , do vinagre , e da polvora saô os uni
cos , e potentes remedios para corrigir a podri
daô delle.
Taôbem mostramos como o vinagre, o fumo
de limaô fervido e feito em arrobe , ou de quatr

saô os que preservaô os noffos humo res mais efficaímente da podridao. V 2J2 Da Conservação quer fruta madnra . e a mesma ordem se po deria estender a os proprietarios dos navios mercantes. e fatos dos quais uzaô os marinheyros e passa geiros . o pimento . almarios . ventilasse . quando o Ar estiver ardente . ordenando a limpeza de todos os gabi netes . e gerasse hum vento artificial. Estes saô os quatro remedios universais dos navegantes : ë para que qualquer saiba uzar delles os farei conhecer com toda a clareza. e esfolinhando : agita .e dos bichornos. Naô somente a limpeza conserva o Ar seco. e mais a miudo das calmarias . a- çafraô . Pertence mandar renovar continuamente ò> Ar dos navios pello fogo a ò Almirantado orde nando em todos os navios de guerra . xestituindose por estes repetidos movimentos a elasticidade do Ar. sacudindo . podridao. fazendo lavar . Pertence a ò mesmo no tempo das calmarias . mandar construir os canudos adaptados a o fogaô do modo referido asima . e move ò Ar. Taôbem pertenceria a o Cappitaô mandar se car. e sem infeçaô. e a pimenta . e no tempo dos ca lores . e borrifar com vinagre todos os lugares cuber- tos e encerrados do navio. Agoa ardente . expondo a o Ar livre todas as camas . preservaô os noffos corpos da. mandar /estender panos ensopados no vinagre nos mes mos lugares. e dispensas . e azeda naturalmente J juntamente com ò azeite tomados como ali mento . a gimgibre . como adubo em piquena quantidade . mas ferve de igual benefício aquella agitaçao que se fas barrendo .

e sacode ò Ar e lhe restitue a sua elasticidade : ò mesmo faraô . fera azedo . e que este licor branco . e fer mentado . he final. e que se ò beberem em quantidade que em bebedarâ. e da maô gosto. tendo cuidado de doyxar as borras do melasso desfeito e ja fermentado no vaso a donde se desses . como dissemos : ser . naô tem mais que deyxallo mais por alguns dias no. ainda que com menos effica- cia o estrondo de muitas pôssas de artelharia. ou do Reyno. ou feita no Brasil das borras do aflucar ( 1 ) . Entao se metera dentro hum ovo inteiro . P. ou coberta de lai : deyxar-se ha ficar assim por vinte e quatro horas . Quem quizer fazer vinagre do mesmo licorcom espuma . ficando a terça parte delle vazia . que as borras do assucar .de vinho . que logo que ventara hum violento vento depois de hum bichorno de muitos dias que a malignidade do Ar se applacou : vemos que depois das trovoadas o Ar fica sereno. ou melasso saô em sufficiente quantidade : deve este vaso ficar em lugar taô quente como he o calor do mes de Mayo . . ou do melasso . e ficar ametade fora do licor. jpesmo calor constante . Tomasse a quantidade que quizerem destas duas sortes do residuo do assucar em hum grande vaso de pào . da Saude dos Povos. e das calma rias o modo de viver dos marinheyros feria o seguinte : cada hum pella manhaâ devia ter a sua porçaô de agoa ardente. Andre Pereyra . e fresco . que se deitara dentro do mesmo vaso. coberto ou com hum lanfol . entaô he sinal que ja esta com gosto. he o seguinte. para se desfazer em agoa quente . 8 que cada ves se va» augmentando em borbulhas . hum licor semelhante a o soro de leite : final que ja sahio todo o espirito . ou { I ) O modo de fazer agoa ardente das borras do assacar . No tempo dos grandes calores . nadando. sem de trimento da defensa do mesmo navio : vimos assima na quella celebre relaçao do R. e fermentou : e por se lhe ha ò fogo do modo que todos sabem como se destilla a agoa ardente : deyxasse destillar ate que say a pello bico do alambique . 1y5 € soffocado mandar tirar tam a miudo tantas pessas de artelharia como for possivel . e íintimos huâ certa alegria que nos alenta : aquelle estrondo que fazem as trovoadas agita . e quando ap- parecer no simo do licor huà certa espuma . se nadar. ç sempr» coberto . Quem quizer destillar agoa ardente tomara deste licor coma sua espuma e ò metera no alambique . ou turvo .

ou vinagre fera de qualidade diferente . mas ainda de muitos sumos de todas as frutas doces e maduras .4 DaConservaçaô de cana da mesma planta . devia fer ado- bado com bastante vinagre. merenda . vira este licor vinagre . . ate vi rent a ter o eosto do vinho . ameyxoas reinois. e de calmarias a comida de carne e peyxe . ou carrapata . quanto o vinho ó for de antes. e vinagre . Sabemos que das macans . tanto mais sorte . e O azeite da mamona . e da melalib se podera fazer agoa ardente. e cea . e todas as impuridades do assucar ficaraô no sundo do vafo a donde fermentaraô . entre duas a tres on- ças : e o feu almoço seria biscouto amolecido em agoa e depois de eícorrida.îj. que dissemos do melasso . nem azeite de mamona . que deytaô na caldeyra para purificar e coalhar a assucar : este azeite he caustico e adurente . os naturais da America . Nestes tempos ardentes . cerejas . Se sas agoa ardente . sempre he menos favoravel a tnentado por tanto tempo . e 6 azeite da mamona . e este devia fer todo o alimento da aquelles mifera- veis escravos que vaô da costa da mina . ainda frefco . azeite a propor- çaô . e pella fermentaçaò continuada ò vinagre. e de Angola para o Brasil. e que a agoa ardente . o quai fera. Primeiramente naô asfermentaô antes de as meterem no alambique : estas borras. Alem disso he notono que a agoa ardente destillada do sumo da cana do assu car he faudavel . quem souber preparar este . alguns pos de pimento . e todos se persuadiraó que se uzarem da agoa ardente feita como insinuei asima que ningucm podera te rnes uzar delia. e da AfFrica se poderaô aprovestar delies do modo que reíinmos. Naô fo das borras do assucar . e chagas nas pernas. ou gimgibre . pimenta . e communica estas perniciosas qualidades a agoa ardente que destillaô . mas em taô píquena quantidade que naô excedesse a medida de hum copo de vinho piqueno . ou melasso levaô consigo as cinzas . s o vinagre : tudo consiste em saber fermentar os sumos . preparados do mefmo modo . ( em pouca quantidade ) e este seria o feu almoço . e faudavel. A agoa ardente que destillaô no brazil das borras do assucar e do melasso he nociva pellas razoins feguintes. e que sas enflamaçoins nas entra* nhas . fal . e destillandofe fobe pello alambique . tantas íngenkocas na America tem consumada expe- riencia do que refiro . nella naô entraô nem cinzas . Ja fève que do modo que propuzemos asima que as cinzas . podera alcancar pella destilaçaô a agoa ardente .

da quelle oleo que lhes cobre toda a su perficie da pelle . e adobos aromaticos pellas razoins que apontamos asima quando tratamos da dieta dos Soldados : vemos que os nativos da Affrica resistem a aquelles exceffivos calores. e outros frutos semelhantes. que nos poderia mos conservar por este meyo : porque o azeite resiste a podridao . e a po dridao da atmosfera . do qual os brancos naô tem o minimo vestigio : persuadome que se comes semos muito azeite e vinagre na quelles climas. Insistimos tanto na comida com azeite vina gre sal . relaxado pellos calores . e para que naô venha ranço no corpo se deve sempre mis turar com tanto vinagre . asima propuzemos muitos . teria com que corrigir tooa . 2j J Saude . e cozinhada com muito vinagre . Muitos modos se propuseraô para corrigilha . agora proporei aquelles dos quais qualquer navegante podera fazer a sua provisao. e à dar vigor a o nosso corpo . como dissemos. que fique agradavel quando se come : os adubos aromaticos contri buem a embalsamar . ainda que vaô nus . Se nos portos do mar houvesse tal Providen cia que se achasse espirito do sal ordinario em abundancia cada qual com hum frasquinho de crystal que levasse de quatro ate seis onças . da Saude dos Povos. ou arrobe agro de limoins e laranjas . por que a Summa Providencia os dotou da quelle unto . com tampaô da mesma materia em huâ cay- jrinha de paô . e a corrigir a podridao . e humidade no tempo das calmarias . se naô for cozida . O mayor martyrio na quelle tempo he naô ter outra agoa do que a podre para apagar a se de que na quelle tempo calorozo deverá ser in toleravel.

mis turando nella sempre a cada quartilho huâ ou duas colheres de agoa ardente. Aquelles que tiverem meyos .. s. como para che. porque entaô o fumo he mais azedo penetrante . mais ou menos. e sirviria de remedio a todas as queyxas que sobrevem no mar. tan to interiormente do modo que dissemos . Em seu lugar cada qual poderia fa zer provisao de vinagre azeite e agóa ardente igual quantidade . para que evapore pello menos a terca parte . e a fizesse potavel ..pagina 207 e seguintes". Mas podera ser naô se achar em Portugal a quantidade necessaria. à faraô taôbem de sumo de limaô ou de laranjas azedas digo bicais : devem ser estas frutas maduras . e com vigor e gosto agradavel . sem ser vidrado . ou das laranjas bicais saô o mais soberano . Lind impreffo em Londres 1744. e com ò vinagre corrigir a agoa lançando nella aquella quantidade que lhe tirasse o maô cheyro . e que o preço seja excessivo : o qual seria mediocre se se fi zesse no reyno. ( 1 ) de ou- (1) Depois de haver a cabado este tratado recebi o Tratado . do Escorbuto de M. alem da pro visao de vinagre . remedio n. ou tres gotas. se a o mesmo tempo deytasse huâ co lher de agoa ardente na mesma agoa ficaria hua bebida levemente azeda . Hum arratel de espirito de sal se poderia vender com lucro do chimico por 1 200 r. . 1 2^6 Da Conservação agoa que bebesse pello espaço de seis mezes j metendo a cada quartilho duas . e o mais certo preservativo . deste livro que o sumo do limaô . nus cpntra todas as doen tio . e a gradavel e em mayor abundancia : devesse ferver sempre era alguidar de barro. conforme fosse necessario para em mendar o maô cheyro .yrar. E vejo na. e a podridao desta bebida .aô so contra o Escorbuto. O espirito de sal he o soberano remedio para corrigir e emendar a podridao dos navios .

mas evaporar por tanto tempo ate se consumir a terça parte. e a toda a forte de doenças procedidas da podridao dos humores. ou de laranjas bicais . Quem navega pella primeira ves ordinaria mente sofre a molestia da constipaçao do ven tre : naô so por si he molesta . ou misturados . Lind falia com experiencia . Ja dissemos asima que na índia .cahir em febres podres . Efpremen-se os fumos de limaô. r. Nenhum espirito acido mineral . que custumamos fazer com mosto. e ficar este sumo da consistencia de xarope espesso . em dysenterias . Cada marinbeyro deveria ter cada dia huâ porçaô deste sumo para misturar na agoa podre que bebesse. e no Brasil se achaô frutas agra doces. cada hum por si . e misturalo na agoa (porque he muito milhor ' »do que o espirito de sal . nem ainda o do sal se podera comparar na efHcacia . das quais os fumos fervidos ate evaporarem huâ terça parte poderao fazer o mesmo que o fumo de limaô. ou ja alterada . emfim para misturalo em tudo quecomese ou bebesse. ï5y tro modo ferverá no mar e se corromperá : deve ficar como xarope espesso : e com este de vera adobar toda a carne e peyxe que comer . ou por huà baeta branca usada : esta coadura se pora em alguidares de barro sem ferem vidrados . ou do nosso arrobe. mas pellas con sequencias he muito mayor : porque ficará o corpo mais disposto a . Porei aqui o modo como se deve fazer aprovisaò destes sumos em toneis ( ou em barris. da Saude dos Povos. Assrica . para misturar na suai comida principalmente se fosse salgada . ou foga- reyros acesos com fogo vivo de carvaô . nem no saudavel com os ditos sumos : M. e seporaô em sima de fogareyro . e o mesmo vinagre ). porque foi Me dico da frota de Inglaterra. e fazello fluido : sei que estes effeitos observarao muitos em Inglaterra . Os Autores Inglezes que escreverao da Conservaçao da Saude dos marinheyros a concelhaô beber duas vezes na semana agoa salgada pella manhaâ na intençao de abrir o ventro . R. e no mal de Loanda . . ( o milhor he sempre o de limaô ) coaô-se por pano de linho ralo.aô aevem server. naô so con tra esta queyxa mas taôbem na cura das alpor- ças dos navegantes.

Ali se lera douta e nervosamente em que males podera fer util a agoa salgada. e a judas. e outras militas doque se podera ver <S Appendix da materia Medica escrita pello Dou ter J. e bebello logo immidiamente : quanto mais falgado for este caldo bebido sobre os referidos frutos co zidos . e figos . e dos ligeiros remedies se- quintes. Quem navega naô pode ter outro foccorro para esta queyxa que dos frutos fecos . todos estes frutos fecos . qu por huâ ves . cozidos na agoa e beber o caldo adoçado com mel . e sô pro- ponho beber cada femana por duas ou tres manhaâs interpoladas hum quartilho desta agoa. àzeite . nefle cazo poderia comer os frutos cozidos simples mente.este remedio . mais certo fera o feu effeito. ou por parcellas dentro de hum quarto de hora na constipaçaô de ventre : po- derá fer que haja constituiçoins que repu- gnem a. do mel. confi erai que nenhum remedio seria mais facil ft . Mas naô he o meu intento neste tratado tratar du cura das queyxas . Nesse cazo poderaô uzar dos alimentos . todos os dias pella manhaâ . passas de vuas . e hum pouco de fal . uando estiver enfermo ou molestado. maçans . Prudentemente faria aquelle que se embarcasse fazer provizaô de ameyxoas. i$8 Da. e a dobar o caldo com fal. Mas con- siderando que quem està vigoroso raras vezes pensa nos remedios que lhe seraô necessarios. Conservaçaô cas . seria o remedio mais a propriado para confervar o corpo flui- do : bem sei que os doces promovem a doença de enjoar aquem naô estiver costumado . ainda que innocente aquem viver com Saude. ginjas. de Castro Sarmento impresso em Londres 1753 depois da pagina 107.

e os achaques . como taôbem o sal. ou a mollecendo os intesti nos refresca . principalmente quando for acom panhado do vinagre e do sal . ou com agoa . impede a podridao . He tudo o que pude ategora considerar mais a proposito para este tratado . ou com caldo de earne ou de peyxe e adobado com muito a \úu -e vinagre. do que as migas frias . ou gingibre. como taô- bem o sal . e alguns pos de pimento. e refresca igualmente . feitas com biscou- to amolecido . da SAude dos Povos» îjt) toda a sorte e qualidade de navegantes para conservar a Saude . pimenta . com sal . . O azeite relaxa . o vinâgre impede que naô se fassa ranço no estomago . porque naô me propus escrever remedios para curâr achaques» foderà ser que se o Publico aceitar com satis façao este trabalho . tantas vezes recomendadas .deste modo o azeite na intençao de relaxar o ventre entaô se deve comer em mayor quantidade. mas o mesmo vinagre resiste a podridao . e lubrificando . de mais disso corruga o estomago . e fas lançar de si mais depressa o azeite . Mas quando fe comer. que empregarei o resto da vida a completar este tratado . e que Deos me quizer con servar a pouca Saude que deyxaô as fatigas . F I M. e livrarem-se da queyxa da constipaçao do ventre . escrevendo da Medi cina para os Medicos Praéticos. e abrin do .

que nace taô liberalmente nas suas colo nias . e a fa cilidade que tem Portugal de proverse do cam peche . 2 6o P. como as Conjideraçoins seguintes devem muitas noticias . merece do Magistrado a mayor attençaô . bem tapada. . e agradecimento dos seos Naturais. se hum arratel delle preparado do ditto modo se metesse den tro de hua pipa della . e advertencias . alem de preservar os navegantes das queyxas . me communicou benignamente que o pào de campe che cortado miudamente preservava a agoa da corrupçao por muito tempo. Fica agra davel a o gosto . O pro veito que resulta deste descubrimento . que pro vem das navegaçoens : o que tudo alcancou por experiencias . e capas de cozinhar. que ses com este vegetal. s. J O z e Joachim Soares de Barros aquen» este Tratado .

e a Historia da Aca- demia Real das Sciencias de Paris. e que deprime. Natural. Quaerenda sont trepidis solatia. como dos nossos tempos trataraô della com tanta evidencia. Senec. & demendus ingens timor. VI. aquella solicita admìraçaô . Plinio. Q. que copear oqne se lê em Aristoteles. Seneca. ou fo- perfluidade tratar agora da causa dos Terre- motos . tanto da douta antiguidade. llb. he de dar a conhecer aquella universel ordem da Natureza . Newton . e consome o . A intençaô de publicar estas Consideraçoins . e temerozos. para desterrar dos animos afîlictos. I. que augmenta os males do futuro. e dejle ultimo que se Jìntio na Europa no i de Novembro zjò5.CONSIDERAÇOINS OS TERREMOTOS. Transa- çoins Filosoficas . quando os mayores SÊngenhos . cap. que naô ficamaispor toda indagaçaô. P A r e c E R A curiosidade ocioza . Com a noticia dos mais conjìderaveis de que sas mençaô a Historia .

e aquellas que à ignorarao nos tempos passados .ô nos admiramos dos relampegos . e fragil . e por pro dígio os Terremotos \ Borbulha de Ar em tudo he o homem. que todos elles fuccederaô a este sim.i6*2 Confderaçoíns pouco de animo que deyxou o terror causado. naô accmamos a nossa vida oeioza . pela polvora . ou naô re paramos. pelo fogo. O que raras ou rarissimas vezes vemos . mas taôbem ninguem feria taô temerario que affirmasse . tinhaô estes fenomenos por . estragada . que os Terremotos naô foraô ja instrumentos de que se sirvio a Omnipotencia para castigar os homens . e mais consumidoras . como a mais potente cauza da nossa destruiçao . do que as naturais : consideramos que saô acasos as trayçoins que os malvados homens acharao practicaveis para se destruirem pela espada . ou observamos . e desolaçao. pello desastre . e deleitoza. em tudo pequeno. ainda que seja digno da mayor attençaô . Ninguem será taô ousado sem impiedade. nem de hum Scilla . e so temos por castigo . mais atrozes . as naçoins . ou Cesar Borgia . limitado . que affirme . para considerar . pestes do genero hu mano . naô nos maravi lhamos das guerras destruidoras. que à naô eon- heçem ainda . e as tormentas que precipitaò no mar tantas embarcaçoins . ou por mila gre. e contemplar as obras do Altíssimo Deos. isso he ò que temos por prodígio . por que sabemos a cauza . O que vemos cada dia . dos trovoins . e dos rayos que consomem . e pelos venenos . Na. e ò temos por castigo . isso he ò que nos atemoriza . naô temos por prodígios as tempestades . e des troem tantos viventes . Hoje hum eclipse da Lua ou do Sol naô nos atemoriza . ou ò despresamos.

como contemplames a Jupiter . Citarei fomente aquelles fuccessos mais cir- cunstanciados dos Autores . Sed . pensava eran senales del » cielo . Antes de dois leculos todos os cometas eraô tantos agouros de mortes de Principes . y prognojlicos de los danos que temia ». olhamos hoje para estes corpos celestes com a mesma serenidade . ou vemos foffrer : Non quia vtxari quemquam 'Jljocunda voluptas. e Astronomo Isac Newton . e dos trovoins . quitus ipse malis careas . ediz. como a sabemos dos ventos . de guerras . de Toledo. por que naô he o meu intento eferever a Historia dos Terremotos . nem ainda as particularidades deste taô nota- vel que experimentou quasi tpda a Europa e ( 1 ) Historia de Espana . 26$ prodigios . e por castigo do ceo. naô teriamos . das trovoadas . relatando os estra- gos que causaraô. Ora começemos a suavizar os animos da quelles mesmo turbados ainda pellas calamida- des do ultimo Terremoto . ou a Saturno. es tes notaveis movimentos da Natureza por cas tigo do ceo . e da def- truiçaô dos Estados adonde se observavaô : conheçida a cauza por aquelle insigne Filosofo. 6 . Joaô Mariana depois de relatar o Terremoto succedido em Valençia no anno 1395 dis « ( 1 ) El Pueblo » como agorero que es . cap. XIX . quia cernere suave 'fi. lib. que ouvimos . sobre os Terremotos. Se soubeflemos raôbem a cauza dos Ttrremotos . e dos quais sas mençaô a Historia . Riv . nem tirariamos delles prognosti- cos para a nossa total ruina. O P. pode fer . por que he certo que sintimos hum interior contentamento em estar fora da afliçaô .

e reedificar as cazas. Refere aquelle Autor que succedeo de noite . N. doze famosas cidades na Asia foraô totalmente destruidas por hum violen- tisiìmo Terremoto .' Todo o Imperio Romano ( l ) Annal. ^îjHïtiouin. e nestes preci- picios achavaô a sua mayor ruina . como refere Tacito ( 1 ) . Seneca . e de Plinio . tempo em que reynava Tiberio Cesar . de que havia memoria na Historia . . que o duro. II . muitos valles . i j. foffreo Antiochia hum dos mais memoraveis terremotos mencionados na historia profana. por que nem ainda tive- raô o recurso de escapar a vida fugindo para as praças . e planices vieraô empinadas serras . ou campo raso : abriofe a o mefmo tempo a terra em muitas partes. N. muitos montes naceraô dos abismos . Foital a desolaçaô. cap. Lib. 10. n?. Desta louvavel ?.çaô existe ainda hua medalha do mesmo Emperador com ò letreiro « civitatibus Afi<z rejlitutis » por haver restituido a o feu antigo efplendor as cidades da Asia ( z ). ad cap.2 64 Confìderaçoins parte da Affrica no primeiro de Novembre *7ï5- No anno 19 a C. 84 Plintì . in notis. cuja descripçaô pre- ferimos à de Strabo . e que os danos e a def- truiçaô de todos os habitantes da quellas cida des foraô inevitaveis . No anno 1 1 5 a C. e cruel coraçaô de Tiberio se abran- dou com tanta piedade . o mais notavel ate aquelle tempo . por íer mais circunstanciada. que naô fomente isen- tou as cidades arruinadas depagarem tributo algumpor cinco annos . e por entre estas horrorozas mudanças da terra se viraô sahir flamas consumidoras. mas mandou distribuir consideraveis somas para reparar as perdas .

Dion Cas- sio ( 1 ) que tudo isto relata. e com mui pouca intermissaô. e as tor- res a balancear como os navios agitados no mar tempestuoso. ajunta que o monte JLison junto de Antiochia se inclinàra de tal jnodo que parecia vinha a arrasar a cidade : que outras montanhas cahiraô . mostraraô a mayor confufaô . ventos furiozos . 781. sendo Consules Gal- lieno e Faustino se ses sentir o terremoto mais universal de que fassa mencaô a historia. e o mais universal estra- go. apenas escapou saltando pela janella do apozento adonde estava. . sen- do as concussoins da terra a causa da taô duro impulfo : ajuntavasse a impoffibilidade de evi- íar o perigo peila cegueyra cansada por huâ . Co- jneçou na Asia . îe encontravaô huns contra os outres de forte . Trajano mesmo maltratado por este desastre . se achava ali o Emperador Trajano com todo p feu exercito. LXV1II . No anno 262 a C. que novas ribeyras appareceraô . hiaô junîo com os roncos fubterraneos . Precederaô a este terremoto. sobre os Ttrremotos.espefîìma nuvem . 16 5 lamentou com lagritnas esta disgraça . que se maltratavaô . pag. e que outras. ou praças . e os alaridos dos que fe despedaçavaô . que eraô caudelo- sas se secaraô. porque . que foi no mes de Dezembro . Os que fugiaô pellas ruas . Entaô o ruido das cazas que ca- . e feriaô . trovoins espantosos com ruidos medonhos de- bayxo da terra : começaraô as cazas . estendeose por toda a Costa do mar Mediterraneo : muitas Cidades destes con tinences defapareceraô fovertidas nas aberturas <ia terra . por muitos dias continuaraô estes rriovimentos da terra . N. apparecendo lagòas de agoa saígada ( 1 ) Lib.

entaô os ventos eraô furio sos . e Dalmacia. que sahiraô do fundo da terra : apezar de tanto destrago ainda ficariaô vivos muitos habitantes. Ponto ( hoje Natolia ) e em Macedonia foraô destruídas por hum terremoto ao mesmo tempo. pag. Ammiano Mar- cellino ( 2 ) refere que a 24 de Agosto comeca ra o ceo a cobrirse de nevoas negras .l66 Conjìctkraçoins no lugar adonde estavaô. No anno 358 aC. com tanta vehemencia. como se fosse todo o tempo alta noite .XVII. A 19 de Julho a C. A Cidade de Nicomedia ficou taô ar ruinada que o Emperador Juliano Apostata pas sando por ella no anno 362 . 261 . e outra parte appareceo cober ta de montes . Palestina e a Cidade de Nicea .N. vivendo os habitantes de Nicomedia . com tanta mortandade que em hum dia morriaô cinco mil ( 1 ). Nenhuâ parte do Imperio Romano ficou il- Iesa do terremoto que sofrerao Sicilia . se as Jlamas que sahiraô da terra naô os consumissem totalmente. . No mesmo temptf huâ terrível peste desolava Roma. etaô es pessas quo tolhiaô toda a lus do Sol . que se abrirao . cento e cincoenta Cidades na Afia . ainda dos que viviaô na mesma caza. ( 1 ) Trehell. Cansa- honi . naô pode conter as lagrimas avista da destruicaô total da mais florecente cidade do mundo. etoda a Gre cia . Pouco depois desta universal confusao comecarao as concussoins da terra. que huâ parte della se soverteo nos abismos. e os estrondos subterraneos taô medonhos. que naô era poílivel conservar o conhecimen to . in-40. reinando o Emperador Constancio .Germa no Hellesponto . e. (l)Lib. edit. Candia. Pollio in vita Gallieni .

e destruindo-a mais que toda a inclemencia que nella mostraraô as Nacoins da Scithia. que os peyxes . mais de tres legoas . e navios sobre os montes . An universel History . com tanto impeto . sobre os Terremòtos» 26 7 N. Hilariô . ad ann. pag. da terra . Du- raraô por muitos dias estas calamidades. dis que neste ter- remoto os mares sahiraô fora dos feos limites. e ostro- voins cegavaô e aturdiaô de tal modo os que queriaô escapar . vol. pois que pellos mezes de Junho . . e muitas villas a roda. VII. j6j. As circunstancias que acompanharaô o ter- remoto no tempo do Emperador Justiniano no anno 5 5 8 ò fazem hum dos mais memoraveis : por que o mar fahio fora dos feos limites . Sigon. ou reduzi- lo ao feu primeyro cahos ( 1 ). que pereciaô pasmadados de- bayxo das ruinas . fendo Constan tinopola a mais mal tratada de todas as Villas . de Imper. defolando- a . no mesmo tempo que os tre- mores da terra destruiaô Constantinopola . o mar Mediterraneo começou a dezamparar as prayas com tanta furia . Naô pa- raraô aqui os furores do mar . ja». Occident. e do Ar : no principio do Inverno comecaraô de novo femelhantes terremotos . adonde foraô despedaçados. que os experimentaraô : como prin- cipiou de noite com ventos taô impetuosos que ( I ) Carol. ou afogados. e Julho quasi fem intermissaô se sintiraô com igual ruina.XYI . eos monstros- marinhos ficaraô a feco : com igual vehemen- cia o feu refluxo lançou barcas . Lib. 365 reinando o Emperador Valënte . e Cidades . S. que parecia que Deos que- ria acabar o mundo pello diluvio . Je- ronimo na vida de S. fendo Roma a principal Cidade que fofreo a mayor violencia deste terremoto. Toda a Italia. Osrelampegos .

ad ann. XVII . nenhum remedio . XX de Imper. pag. que o Emperador Constantino IV. vol. Os animos atemorizados prognosticavaô ainda mayores males . e Grecia sofrerao cala midades tais naô pensadas pellos terremotos . por que Constantinopo- Ia . & Aga- riiia. . ( 1 ) An universal History .68 Confìieraçoin? parecia se despedacava o firmamento J com horrososos nevoeyros . ex Procopio . nem alivio ficava aquelles misera-» veis mais do que acabar avida com brevidade. Palesti na . O terremoto que se ses sentir em Baviera ( I ) Sigonius . 626 . 2. Historis . Desde o mes de Agosto ate o principio de Outubro ninguem distinguia odia da noite . jjS. Se Nicephorus . edit. mustas Cidades em Syria . Mas a peste nestes mesmos luga res desolou muita parte dos viventes ( 2 ) co mecando em Calabria e espalhandose por toda a Grecia . ou duas le- goas. N. foi forçado largar o frusto das victorias que tinha alcançado contra os Sarracenos . mostrando a sua mayor furia em Constantinopola . vol. Sicilia . ò naô confirmarao . lib. adonde os que ficavaô vivos naô bastavaô para sepultar os que morriaô. por que hua espessima nuvem suffocava toda alus. que escreveo a historia destes succeffos . XVI . frio . e sem embargo que os fucces- sos . eo que he digno de espanto. Occident. com tudo huâ violenta peste que se seguio. he digno defe . servio para recear sempre as consequencias dos grandes males ( 1 ). sem dano. e as principais Cidades do Imperio Romano chegarao a o ultimo da sua ruina. Calabria . outras mudaraô de lugar na distancia de seis milhas . Toda a Syria. e neve . nem ruina dos habitantes. 44 . No anno 742 à C. e Pales tinas foraô totalmente sepultadas nos abismos . An univers. consideravel. pag. in-8?.

os ga dos tremendo. 16. toda a artilharia do mundo naô igualaria a o estrondo que faziaô : as aves fugiaô espantadas. inundada depois pello mar com perda de infi nidade des habitantes . artic. Se naô temesse ser enfadonho . tom. e mugindo na carreyra para- vaô . e Ci dades foi sovertida no mar . I . London. e a Cidade de Cathina em Sicilia. pararao de repen te tremendo. o cavallo em que montava o dito Padre e os dos feos companheyros . e na distancia de pouco mais de huâ legoa começou a distinguir huâ obscura . Damasco na . p»g. . ficando de 189 14 almas que continha . Mas parece feria omissao esquecer a disgracada Cidade de Ca- tanea em Sicilia . . e quatro Villas.Natolia. 269 por todo hum anno nô de 121 2 havendo no mesmo tempo assolado Veneza . I. taô illustrada pela residencia de tantos Monarchas . taô celebre pella sua antigui dade . pudera ainda augmentar a lista da destruiçao dos homens por semelhantes succes- sos. e taô famosa pela sua Universida de que com cincoenta. lea a Historia Natural escrita em Fran ces por M. parece foi o de mayor duracaô de que fassa mencaô a Historia ( 1 ). relatando tan tos estragos . e densa nuvem que cobria toda a Cidade : sahiraô logo do monte Mongibelo rapidissimas flamas : as ondas do mar visinho pareciaô tocar as nuvens . IJJ. sobre os Terremotos. &c. E eis aqui que se levanta a terra (1) General chronological Historií os Air. 1 2 ) Volum. de Buffon (2). somente o numero de 914 que escaparao. 1749. Quem quizer instruir-se na historia dos ter remotos. Antonio Serrovita para aquella Cidade . A 16 de Janeyro de 1693 ca minhava na vespora da quelle fatal dia o P.

ad ann. e Italia fo- raô os lugares no mundo mais mal tratados dos terremotos. y por los ordinarios temblores de tierra. T)o- inin. 4 . Do referido se collige claramente que Asia Mayor . 405. y hundiô en el mar ». Para persuadir o Leitor relatarei . 6 . que foi no anno 536 foraô ( 1 ) Philosoph. No anno de 405 da fundaçao de Roma ha vendo precedido inundaçoins exorbitantes com incrivel dano nos gados . de 1'edic. dis Ma riana ( 3 ) « sue este ano defgraçiado para Es» » pana . 171S. Abridged .aquelles que sofreo Portugal e Castella de que sas mencaô o P. Quando Annibal sahio de Espanha para if conquistar Italia . Meffanse . y falta de » agoa . » con los quales una parte de la Isla de Cadix . Grecia . que co bria o lugar adonde estava a Cidade . por la seca que padeeiô . como a principal Ci dade a mayor ruina (2). No anno 507 da fundaçao de Roma . se abriô . (3 ) Ibidem . e edifícios houve violentos terremotos em todas as cida* des que bordaô os mares Oceano. . Joaô Mariana. VjQ Conjìderaçoins de altura de dois palmos . affirmar que ja mais sofrerao destruiçoins taô notaveis . Poderia fer que augmentaria alista . tom. e Mediter raneo. e Menor . cap. Transact. na quelle instante lovertida ( 1 ). General de Espana . sofrendo Sagunto . ( 2 ) Mariana Histor. Sicilia . e quando deita os olhos sobre Catanea naô vè mais que huâ negra e espessa nuvem defumo -. in-8°. campos .. delles se tivesse comi go os Historiadores destes dois Reynos. » dizen . Mas com probabilidade podemor. como aquellas que vimos de relatar. cap. 402 . ede poeyra . Boitoni de immaiii Trinacria: Terrœ-motu. 79 . II . de Toledo. lib. II . pag.pag.

( j ) Summario de la Historia de España .' cap. peste. No anno 1344 dis Mariana lib. 8 . y descomunal ruido tembló » la tierra de Lisboa . iib. « Este ano temblo en muchas partes » la tierra con grande daño de las Ciudades ma- » ritimas . fe hinchio de tal manera que apartan- >> dose las agoas de la una .La madre por donde corre el Rio » Tajo .. tremores de terrai e tormentas ( 1 ). wm. ( 2 ) Ibidem . y con mucho espanto » de las gentes temblaron los edificios . cap. todos los diques . ) por que no le ro- » masse la cafa debaxo por muchos . XIX . Alfonso o Qúarto. 16. 755 » $diçaô de Tolcd». « Con temeroso. y pavellones » en elcampo. e edificios . II .. pag. pag. y fe » cahió el Cimborio de la Iglesia mayor» Rei nando entaô el Rey D. tanto que el » Rey ( Dom Joaô o III. muchos » lugares enteros quedaron anegados con las » olas de la mar. que » estavan en lo alto de la torre de Sevilla . y » en Lisboa derribo este terremoto la Capilla » mayor que pocos dias antes fe acabara de la- » brar por mandado del Rey Don Alonso ». sobre os Terremotos. que era muravilha y lasti ma ( z). No mes de Dezembro do anno 1395a mayor parte do Reyno de Valencia foi arruinada por hum terremoto . la mayor fuerça deste mal h cargo en la Ciudad de Lisboa . 27 1 afflictas as Espanhas com varias enfermidades. cahieron las manzanas de hierro. 21. pag. No anno 1356 o mesmo Autor no livro 16 capit. capit 12. . y otra parte parecía ( I ) Ibidem . com tanta desolaçaô dos vi- ventes . 6 . * No anno 1531 dis Mariana (3)" En mu- » muchas partes temblô la tierra : en Flandes » prinçipalmente . 92. dias fue < » forçado a alojarse en tiendas . 247. .

ly i Confìderacoìns m resultar una manera de Isla ( i ). que consumio o que os mais elementos enfurecidos deyxaraô em fer. eque militas Igrejas ficaraô por terra ( 2 ). pag.. 252. edos Meteoros escrita em In- gles se le que no dito anno 1531 mil e quatro- centas cazas foraô totalmente arruinadas por hum violento terremoto em Lisboa . . nem a ameni- dade dos teos campos. I . Mas tanto mais lamentavel que os prece dentes. Histor. Disgraçada Lisboa que mal te decoraria agora Augusto CesarcomonomedeDITOSA(3)! Que mal te chamaria agora Plinio MEMO- RAVEL CIDADE ROMANA (4)! Nem a suavidade dos teos ares . anno 1530. (J )Gruterus. nem abondade das tuas agoas ( 5 ) te priviligiaraô de ficar sepultada em poucas horas nas tuas ruinas ! ( 1 ) Paul. como disiemos hoje Agoas Bellas lugar perto de Lisboa. ad libri caleera . lib. 21. lib. e que 600 mais ficaraô incapazes de se habitarem . e que o penultimo de 1531 foi acompanhado das mesmas circunstancias que o ultimo do primeiro de Novembro passa- do. XXIX . Jov. felicitas Julia cognominatum. ( 2 ) Tom. Inscript. » Na Histo ria Geral do Ar . quam dignos saô do eterno esqueci- mento aquelles malvados homens que atiçaraô o fogo nesta Cidade . cap 22. ( j ) Lix palavra antigua Larino quer dizer agoa : daqui Lix- lona ou Lishoa que quer dizer Boa Agoa . Plin. Do rererido se ve que Lisboa depois do anno i344temfido maltratada por quatro terremo- tos consideraveis . IV . ( 4 ) Oppida memorabilia a Tago in ora Olisipo Mu- nicipium civium Rom. pag. 2Ó1 : FELICITAS JVL1A OLISIPO.

adquiriraô hum taô violento grao ( 1 ) Hist.1. mas comoparece que estes fenomenos ate gora naô tem chegado a sua ul- tima fim . Experiencias com os ticores chimicos . e depois a puzermos em simáde fogo de cinzas. Pareceome superfluo copear aqui a bella e ju- <diciosa descripçaô que Plinio ( r ) sas dos terre motos . 79 & 89. Se dentro de huâ retorta . Nat. S . tudo o que dissermos delles será por analogia. se deitar alternativamente agoa simples . e se nesta indagaçaô esque- çer a minha magoa . Naô se pretende demonstrar evidentemente a causa dos terremotos . e oleo de vitriolo .273 s. Se enchermos ate omeyo huâ garrafa de agoa adonde se desfes huâ porçaô de salitre . sobre os Terremotos» . espero que alguns acharaô nesta lectura semelhante alivio. tratarei entretanto das suas causas . II . suavisando deste modo a affliçaô que o animo deprimido sente . lib. e a sellarmos . come* cará a encherse de borbulhas de Ar . : Cònjìdtraçoihssobre a causa dos Terremotos. e que causou tantos estragos em Portugal . ou garrafa grande. e outroi corpos. Este seria olugar para descrever este ultimo que atemorizou quasi toda a Europa . e nas Costas da Aftrica Occidental . por que julguei ficaraô bem conheci- dos pella relaçaô que delles démos asima. cap. e conti- nuando aficar em sima do fogo virá a estalar a garrafa em mil pedaços.

R. e sara o recipiente do qual se tinha tirado o Ar. em lugar que ò da polvora he para todos os la dos igualmente . 1701 . mas o seu impulso he para bayxo . Os pòs chamados Pulvis Fulminans saô com postos unicamente de enxofre . ou espirito de vitriolo ordina rio . ou outro qualquer oleo destil lado de sangue . tormarseha huâ effervescencia taô violen ta . Se dentro de outra retorta . e se deitar em sima oleo de vitriolo feito de partes iguais de salitre. e lhe cahir emsima o oleo de vitriolo asima. ou garrafa se meterem limaduras de ferro . ou de canela. de salitre .mistura se inflamara logo . e de caparroza. quantidade de oleo destillado de cravos da ín dia ou de terebenthina . des Seitnc. no mesmo instante que se mistu raô produzem tal calor que sahe delles hua viva chama que queyma e abrasa mesmo ainda de- bayxo da agoa ( 1 ). e se deitar em si- ma agoa forte . ou de ossos . como se estivessem sobre o fogo ardente. Se dentro de outra retorta se puzer certa . ( 1 ) Hist. Se dentro da pompa Boyleana se puzer hum vaso com verdadeyro oleo destillado dos cra vos da índia . em mil pedaços com perigo da vida dos circunstantes. pag. engrossado com balsa mo de enxofre . 4íl'Ac. e senaô achar exito . 66. que se ovaso naô for mui grande se sara em mil pedaços : formase infinidade de Ar novo pella mistura destes dois corpos .274 ConJìderaçoinS de calor no tempo que se misturaô . esta. e de sal tartaro : pouco tempo depois que lhe pegaô fogo fazem hum estrondo mais horrendo do que a polvora . ou espirito de nitro fortissimo . . . tudo despedaçará. como vemos nos arrebentar das minas.

qua- tro mil vezes ( 2. com tanta violencia. pag. e comprimido . depois de oito ou nove horas que adita pasta esteve enterrada . occupa entaô hum elpaço mayor do que o corpo da mesma polvora . sobre os Terremotos. e defata aquelle Ar ligado . e aenterrou na terra de al- tura de hum pè : era no tempo do estio . que vi em minha ( I ) Hist. 12) Hist. 101. Todos fabem os effeitos da polvora nas mi nas : todos fabem que se compoem de salitre . R. 1700 » pag. edepois flamas. enxofre . des Sùenc. e de enxofre com agoa . e abrirse em gretas . e espeííìssima se levan- tou em piramide a esses ares. e asolará . Eu vi e senti os effeitos de 500 barris de polvora . huâ nuvem negra. ). se rarefas . que en- contrar despedacerá . A polvora naô he mais que ò Ar condeniado fu- mamente no salitre . comecou a terra a inchar . M. do peso de cincoenta arrateis . derribará . pelas quais sahiraô exhalaçoins com cheyro de enxofre . que tudo. Lemery ( i ) fes huâ pasta de limaduras de ferra . senti tremer a terra . de l'Acad. 1707. immediatamente hum estrondo. e asombroso . que naô poderei jamais expli- car*. & Memi pag. que pegaraô fogo de huâ ves . o que succederá igualmente se o mesmo metal em fuzaô cahir na agoa. j2$u Si) . por huâ bomba que arrebentou dentro do almazem da praça de Azof . espetìacuio o mais admiravel . des Scient. Todos os fundidores íabem que fe na forma adonde estiver qualquer metal em fuzaô . tanto que ò enxofre se acende . & Mtm. 51 . rfí l'AtaA. R. lhe cahir huâ gota de agoa que todo faltara pellos ares. e carvaô de qualquer pào ligeiro. quando os Ruflbs no anno 1736a fuiavaô : estava distante meya legoa .

que ferve a sua mesma composiçao. Mas a elasticidade do Ar . que ò da mesma agoa ( 1 ). quando se desata delle. animais . Todos os corpos conhecidos contem muitas particulas de Ar : mas naô he semelhante a aquelle que respiramos. ò veremos fahir delles em borbulhas. 27. e taô dividido . como se fer- vesse. e as sulfúreas con tem ainda muito mais Ar do que os corpos ve getais. \ 2 ) Hales Statieal . pag. Qnasi todas as cazas da ditta praça cahi- Forca do Ar encerrado. Mas as substan cias bituminosas. pag. O Ar que compõem a pedra da bexiga . Conjìderaçoins vida. A quantidade de Ar que sahe desta agoa he oito . ( I ) Hales Ssftiastaticks . e a sua expansao sempre he igual à compressaô . ou des vezes mayor em volume . e começa o Ar que naô apa recia a fahir della em borbulhas . por que existe nelles taô desfeito . Vimos asima a immensidade de Ar que se gera de novo quando sepoem agoa a aquecer. que tiver : o Ar que cerca a superficie da terra he mais elastico. Essays . 19c . tira- fetodo o Ardelle. occupa hum espaço 540 vezes mayor do que a mesma pedra ( 2).. Logo que houver huâ causa que desate estas particulas. na qual se desses salitre : e quanto mayor quan tidade delle se gera taôbem quando se mistura o espirito de vitriolo com limaduras do ferro : o Ar que se gerou de novo he o que ses arreben tar os vasos adonde estavaô. Metefe hum vaso de agoa dentro do recipiente da pompa Boyleana .

9. por que este naô està com-' primido como aquelle que toca os valles. dis Stienc. M. pag. como veremos abayxo . sobre os Terremotos. e compa rarmos o pezo deste Ar com ò da quelle do inte rior da deterra na profundidade de 18 legoas . He certo que no interior da terra existe Ar nas ca vernas de que he composta . Amontons demonstrou ( 1 ) que o Ar que estiver no interior da terra na profundidade de dezoito legoas . Í703 . Acad. que o volume de donde fahe. R. Do referido fe ve que basta para causar ter remotos que o Ar no interior da terra se rare- fique : se considerarmos a infinidade de corpos no mesmo lugar que contem 400 vezes mais Ar. que será taô pezado como o azougue. estas con* (1 ) Mijl. ficaremos persuadidos que os seos effeitos seraô mais poderosos do que os da polvora. Se assentarmos por experienças certas que o Ar da nossa atmosfera no tempo do estio se ra- refas 3 3 vezes mais que no Inverno . e princi palmente debayxo das montanhas . e que ficará taô comprimido como for a profundidade do lugar em que estiver. acharemos que a sua expansao será de 462000 vezes mayor do que o seu volume : mas no in terior da terra o calor he muito mayor . Forca dos vapores e das exhalaçoins no interior da Terra. Todos os Autores da Historia Natural obser varao cavernas no interior da terra . juntamente com o calor central . ijj e podese rarificar mais do que aquelle no simo da ferra da Estrella . e por consequencia a ex pansao do Ar. .

ou 14 braças medida de França. lagos . -g ( 2 ). 1. o calor central na profundidade detreslegoas fera igual a aquelle. mui tas vezes em forma de rios. ou pella cahida dos rochedos ( 1 ). Taôbem se tem por certo que no interior da terra existe fogo . tratados chimicamente contem este elemento . o qual augmenta a sua activi dade à medida que se penetra mais abayxo. que nòs conhecimos pela sen saçao do calor . ( I ) Histoire naturclUdu cabinet du Roi. Como saô de varias formas e que se estendem as vezes a grandes distancias em todas as dimensoins . C. O ferro se funde com o calor de 800 pello thermometro de Fah renheit. Mas os Terremotos ordinariamente se ge- raô debayxo do mar . A proporçao que se penetrar mais a terra para o seu centro. tom. ainda mesmo os metais . se observará mayor calor : por que na profundidade de 52 braças o thermometro estava des gràos asima do ponto da geada : na profundide de 222 chegou a subir a 18 gr. do qual a sua profundi dade naô he menor de hua legoa : se continuar mos na mesma proporçao . No soterraneo do Observatorio de Paris profundo de 84 pes . de Maii^n» . que se manifesta por vapores. Guardada aqui a proporçao .pag. edit. par M. com que se fundem os metais. II. e que todos os corpos . in-4c- (2) Dissertation fur la glace . 544 .'pag. e vapores . he forca que na profundidade de huâ legoa de 3000 braças . ijS Confìderaçoins cavidades se formarao ou por terremotos . que o calor na quelle lugar seja de 244 gràos : calor muito mayor que ò da agoa fer vendo. o thermometro se conserva por todo o anno no mesmo grào de temperatura como no mes de Março. I. achouse por experiencia que contem agoa .

ferro . como taôbem aquellas que sahirem das limaduras do ferro misturadas com agoa . e enxofre. Haiiskbee mostrou que o vo lume do vapor da agoa fervendo he mayor que ò da polvora acesa 63 vezes ( 1 ). nS. A Sociedade Real de Napoles analysou a materia que sahio do Vesuvio t que chamaô Lava no anno 1737. £ z ) Philos. Transact. . e dos oleos destillados . 296.455 > §. que tanto con tribue a fusaô dos metais . tres vezes muito mayor que ó espaço que occupaô as exhalaçoins da polvora. Elementa Physicœ . Exis tem taôbem por todo interior da terra sais al calinos. he certo que pro duzirão ali mayores effeitos . e movimento que se gera quando se mistura agoa com o oleo de vitriolo. neutros. bitumes de toda forte da natureza da terebenthina. e que este metal parece ser a principal causa dos terremotos . sobre os Terremotos. da natureza do sal mirabile Glauberi. existem pedras que naô constaô mais que de enxofre . Vimos asima o demasiado calor . logo os vapores . do enxofre. e he sem duvida que todas estes corpos hume- ( I ) Mussenbroek . e quando as limaduras de ferro se misturaô com o mesmo : se succeder encontrarem-se estas subs tancias no interior da terra . e achou que a mayor parte della consistia de ferro (2). Siv. pag. ou cobre . e dos Vulcanos. 279 O espaço que occupa o vapor de agoa fer vendo he mayor 14000 vezes que ò que oc cupa a mesma agoa . halaçoins que se levantarem destas substancias misturadas seraô mais potentes. Por que he certissimo que no interior da terra se acha ferro em toda a parte . ali o calor sempre será mayor do que ò da atmosfera : o Ar està ali mais comprimido. e o Borax . Mas M. e ex-. acidos .

e aberturas da terra.28o Considera coins decidos pellos vapores . e a agoa : os vapores que della se levantarem des farao . agitados pello fogo central entrarao no conflicto continuo de con- verteremse em vapores . e exhalaçoins copio» ssissimas . c este Ar multiplicado . que despeda cem rochedos . e dissolverao muitos corpos . comprimido . e a o mesmo tempo capazes dos mais estupendos effeitos. da natureza he força que se gere immensidade de Ar. pellos dois agentes mais universais e constantes da natureza . de que consta. e que correrao todas as costas do mar mediterraneo eraô desta natu reza . ate achar fahidapel- las gretas . e encer rado do mesmo modo que os licores alima den tro das garrafas : se aboca da cavidade adonde se formaô for menor que o seu assento . e de exhalaçoins sulfureas. quando taô- bem considerarmos a prodigiosa quantidade des tas materias que contem o interior da terra. as ve zes por espaços immensos . as quais se naô acharem respiradouros ate a superficie da terra . agita rao todos os lados que 6 cercaô : e naô nos ad miraremos que levantem a terra . e vapores eleva . que saô o fogo . como este ultimo que vem de experi mentar Europa. Os Terremotos que começarao na Asia . Se as mesmas exhalaçoins. No interior da terça continuamente se com poem . e que arruinem edifícios : por que vimos os terriveis effeitos que causa ô as límaduras do ferro . e se dissolvem varios corpos . Obraô estas exhalaçoins. e os oleos destillados mis turados com o oleo de vitriolo . dos quais muitos novos se formarao : nestas operaçoins. he precito que penetrem e corram pel- las aberturas e cavidades subterraneas.

e taô notorios na Asia . I . causando ao mesmo tempo os mais espantofos terremoros provera ( I ) Hift. 16. se cahirem na agoa . e America ( i ). na Affrica . e que appareçaô flamas . logo que che- garem a nossa atmosfera . e destruam muitas legoas a roda . peiroleo. Europa . o borax. 18 1 dos das materias sulfureas . e vitrifica- dos. Vimos asitpa o estrondo horrendo que causa o oleo de vitriolo misturado com o verdadeiro oleo de cravo dentro da pompa Boyleana fem Ar . e que fassa disparecer pellos ares cinzas de Napoles a Cohstantinopola . e outros mais fais acidos . equam facil feja fundiremfe no interior da terra toda a forte. faltando Ihes exito para se dissiparem que segerem as explosoins dos Volcanos . calcinados . que vemos saô taô communs . art. e fayam aquellas torrentes de materias em fufaô que os Napoli- tanos chamaô Lava. ou asphalto. como huâ vastissima mina . Aquellas Ilhas Santorini. e penhascos em fogo . ou alcalinos . e salifias huâ ves postas no conflicto naô acharem exito dentrode alglia vastissima cavidade . Vimos como os metais em fusaô fazem ainda mayores effeitos . com pedras pyrites . borax nativo . e a variedade de fais de que consta a terra : he fa cil conceber que se dentro de qualquer caverna subterranea se misturarem semelhantes mate rias . tom.de metais pello fogo central. sobre os Terremotos. . he força que arrebente . femelhante a huâ abobeda cimentada por todas as gretas com bitumes . du caHmt du Roi . e como quebra . nat. acidas . ou esta cahir nelles . que queymem . e dos Açores que Sahiraô do fundo do mar . naphta. edespedaça o mesmo reci- piente com incrivel impulfo. que fayam della pedras .

1700 . causaô fla- riia que conhecemos pellos relampegos . ou mortos . Lib. dos re- lampegos . vem estas exhala çoins a agitarse . que chamamos caldas . nat. Hist. e dos rayos. effeitos que conhecemos pello no me dos rayos. cap. e das ma- terias oleosas que se exhalaô das plantas aro- maticas . ( 2 ) Aurum& ies & argentum liqnaturìntùs saculisípsis null( (hodo ambustis. e fazem arder todas as ma- terias inflamaveis. e minerais . * As mesmas causas dos terremotos e dos Vol- canos saô as mesmas das auroras boreais . dos globos de fogo . M. dos trovoins . como nas cavernas no interior da terra : entaô com a may do salitre . e outras Ilhas na Historia Na- tural citada ( i ). espirito universal acido espalhado pella atmos fera e todo o globo terrestre . des Scienc. ou poem em fusaô . Lemery ( 3 ) imitou o trovaô e o rayos meíendo dentro de hua retor- limaduras de ferro com espirito de vitriolo . e naô se dissiparem totalmente na sua deflagraçaô to- caô os corpos terrestres que destroem . das estrellas cadentes . e com avaria di- reçaô e impullo dos ventos . 17. concebem calor . das fontes sulfureas . nestas ficaô encerradas as exhalaçoins sulfureas . todas estas exhalaçoins vem aparar na atmosfera . causaô estrondo que conhecemos pellos trovoins. dos animais viventes . art. io7t . II . pag. ( 1 ) Ibidem . ( 3 ) Mem. e como hella existaô infinidade de vapores . de que se fbrmaô as nuvens . Acad. j. Plin. da defla- graçaô de tantos metais . nevoeyros . Estes derretemos metais ( 2 ) der- ribaô os edificios . dos bitumes . Todos estes meteoros provem do enxofre . R. 282 Conjìderaçoins de semelhantes causas : vejase a historia da ap- pariçaô destas . dos volcanos . e se as exhalaçoins sulfureas saô densas e pefadas.

e dos relampegos e tro- voins he huâ mesma. o qual se acendia com huâ vela . sobre vs Terremotos. os relampegos. aceíà e tanto que chegava no fundo da retorta adonde estava alimadura de ferro dava hum estalo que se a semelhava a o trovaô. nâô tiver exito algum . e na atmosfera . ou com o da atmosfera. Ou que no interior da terra. e do conflicto se augmen- taô cada ves . ou menor abalo na terra . penedos . confor me for a refistencia que acharem : e como as causas da agitaçaô . nesta agitaçaô produzem immenlidade de Ar e de exhalaçoins . levantará a terra de huâ ves . A causa dos Terremotos . trovoins. que os terre motos . e tempestades . procedem da mesma origem. e exhalaçoins acharem ca-' . e por esta abertura fa- hiraô torrentes de cinzas que foverteraô cida- des . ou na nossa atmosfera as materias sulfureas . os volcanos. cujas materias vimos asima chamarem os Napolítanos Lava. bitumi- nosas . Do referîdo se ve claramente . e ferruginosas se misturem eom os fais acidos . e vitrificados . e vapores . Se estes vapores . daquí provem taô violentos ef- feitos. como vemos no vesuvio. juntamente com o calor central. rayos . como fuccedeo a de Herculaneum perto de Napoles . agitado pellos ventos . 283 desfeito na agoa : sahia pella boca da qtielle vaso fumo . como se ve nas minas . epenhasos inflamados . acabando pella evacuaçaô delles . o que sas mayor . muitas vezes com rios de agoa que se levanta pella mistura dos metais eiíi fu- saô . Se a cavidade ou mina adonde estive- rem estas materias asim agitadas .

Veiase o"n°. agitando os rios . semelhantes as que Lisboa experimentou com tanto estrago das embarcaçoins nos annos 1724 e 173 1. com agitaçaô dos ventos emais cauzas que mostramos asima produzem relampegos tro- voins e rayos : pello que parece evidente que estes fenomenos taô consideraveis .2&4 nais subterraneos que communiquem com a ca* verna . arruinando edificios . e os mares ate acharem porta para se diflìparem na atmossera. quim in nube toni- truum . ou cavernas adonde se geraraô . e ordina- rios da natureza saô tantos terremotos da noffa atmossera . ( I ) Neque aliud est in terra treraor . 79. e redemoi- nhos. As mesmas exhalaçoins mais aug- mentadas . cap. nec hiatus aliud . Hist. montes . como os terremotos . Estas mesma exfralaçoins . II . quàm cum sulmen erumpit : incluse spiritu luctante & ad libertatem exire nitente. e os rayos do interior da terra. e avultadas pellas materias sulfu- reas encerradas nas nuvens . nat. Lib. ou que provenhaô do interior da terra. la- (les. 157 das Transaçoins Filosoficas em. . entaô correm por debayxo della muitos espa- ços como vimos asima . ou que se exhalem dos corpos que existem na sua superficie . saô os trovoins . como nas caver nas . cm me- nor quantidade faraô tempestades . e os volca- nos . mas que naô tem sahida pella superficie da terra . o que ja notouPlinio ( 1 ) com admira- vel sagacidade. e principalmente neste ultimo que fintiraô ja tres partes do mundo conhecido : nesta agitada corrente levantaô terras .

do Terremoto que se Jintìo na Europa J Affrica. com os feno menos mais notaveis tanto da terra . naô fomente por me faltarem rela- çoins circunstanciadas . e America depois do 1 de Novembro ijSÒ. e a dilîìpa-las . tempo no qual ainda parece que estes movimentos da Na tureza naô se terminarao. de 175 5 . Servem as trovoadas. e volcanos . como da mar . que conhecemos pel- los terremotos .I I. 285 S. e a limparem a atmosfera das exhalaçoins . e que por este be nefício compense a natureza os estragos que cauzaô. e nas Gazetas de Paris t e de Hoí- landa no 1 de Novembro . mas taôbem . estando o ceo claro* . Noticia. escritas por pessoas in telligentes . Relatarei somente os lugares adonde se ses sentir . sirvaô taôbem a confumillas . Conforme as relaçoins impressas em Cadix+ Puerto de S. Naô pretendo dar a perfeita historia do ter remoto que principiou no primeiro de Novem* bro do anno pastado . e que se observou com effeitos taô funestos na Europa. entre as nove e as dès da manhaâ. osrrovoins. Maria . deyxando aquem tiver os foccorros ne cessarios escrever a circunstanciada relaçaô que merece hum dos mais universais terremotos que leraô os Vindouros nas historias. no Journal Etranger. e na America . e os rayos para depurarem . por que escrevo esta noticia delle a 19 de Janeyro 1756 . fibre os Terremotos. Affrica . Oc conomique. e vapores superfluos » ou mali gnos : poderá fer que as explofoins das exhala çoins no interior da terra .

adonde ainda vive a mayor parte. taô medonha . e com tanta vehe- mencia que se levantou muitas varas sobre a terra . e alagou tudo ate onde che garao. começou o terremoto em Lis boa taô violento que em sete minutos ou deri- bou . e animais pelía ruina das cazas. havendose ja todos os que escaparao retirado para o cam po. No mesmo dia e hora muitas villas . e a atmosfera mais quente do que re queria a sesaô . e no Reyno dos Al- garves. por que . aquella das fazendas foL im mense . mas Sauval mais que todas . por que alem do violento terremoto . As agoas do Tejo que bordaô a cidade se retirarao da praya com impeto . Santarem . continuando a sua violencia por quatro dias. logo pello meyo dia appareçeo toda a ci dade em flamas . lepultandose deste modo muitas pessoas de ambos os sexos. que ornavaô aquella capital. ou abalou a mayor parte dos magestosos edificios .286 Conjîderaçoìns e sereno . a o mesmo tempo o mar se retirou rapi- diffamamente da praya. Até as des horas da noite se sintiraô aba los da terra com menor violencia . sahiraô no seo terreno olhos de agoa de grossura ex traordinaria . ou por acazo . e tomo ò lugar mais estreito da sua corrente tem ali huâ legoa de largo . Como era dia de todos os Santos a mayor parte dos ha bitantes se achava nas Igrejas . Alem da perda de tantas vidas . e principalmente aquellas sitas na Província da EJlremadura . e muitas villas até Abrantts íbfferaô muito . para aqual tinha vin . o refluxo das ondas ca- hio com tanto impeto na parte bayxa da cida de . ou de propo- sito . que destruio. que sofrerao mais que o resto dos edificios . e cida des de Portugal sofrerao notavelmente por este terremoto .

pereceraô na quella hora multidaô de homens . Cordova até Grenada . Tanger . e na mesma hora . e ala- gau e asolou aquelle riquiíïïmo porto com os habitantes que se refugiaraô na praya : ne- nhum edificio publico nem particular resistio a taô extraordinario impeto. Cajìro Marin. Fa- ro . Marrocos . e alguns lugares da quella Hha sintiraô violentas concuffoins da terra. que soverteo des mil almas com muitoç cavallos . imi- tando nas ruinas a Cafcaes. Tavira . Maria. e camellos : medonhos roncos do h>( terior da terra acompanhavaô tanta destruiçaô. Ceuta fi> raô deste numero . refluio logo o mar com amais protentosa furia . Fés Tetuan . mas Mequìnés sobre todas . : em muitos lugares da quella costa pereceraô pellas ondas do mar furiosamente agitado . e outras mais villas tanto da Costa Septentrional . ficaraô destruidas pello mesmo Terremoto muitas villas e cidades. . 287 do buscar amparo a mayor parte dos habitan tes turbados de ta ô estranho successo. Artilla. e perda de vidas. S. -OReyno de Marrocos . sobre os Terremotos. Cafcaes . Lucars Xeres Puerto Real. Puerto de S. como da Austral ficaraô no mais miseraveJ estado . perto desta cidade se abrio a terra por taô largo espaço . Silves. Em Cadix . Saffy . que sofreo a mayor destruiçaô nos edificios. Lagos . Ayamonte. muitos viventes. e toda a costa occi dental da Affrica desde Salé ate Ceuta no pri- jneiro de Novembro do mesmo anno . Algeçiras . As prayas de Irlanda no mesmo dia viraô as agoas do mar agitadiíïïmas . 5e- vilha . e Alicante se sintiQ o mesmo terremoto no mesmo dia e hora : em Sevilha com bastante estrago dos mais consider raveis edificios .

ou alterasse. e crecimento das agoas do mar nas prayas das Ilhas Barbados e Antigoa fim America . e Berne . Muhlgafi . o que augmentou a inundaçaô. misturadas com muita area vermelna . Milaô em Lombardia. e HoU /tf/î</ízobservado na mcTma hora e dia. e refluxos . Fenomeno que se observou taôbem nas fontes perto de Tanger em Affrica. de Stoora-Lced começaraô a agitarse . tresbordaraô com ruido espantoso . e em Pomerania a o mesmo tempo se fintissem manifestàmente os effeitos deste potentissimo Terremoto. Na pro- vincia de Dalecarlia as agoas dos lagos Frixem . se perdefle . a os seos antigos limites. e de iguaí àdmiraçaô ne que em Suecia . Na Pomerania as ïagoas de Netço . mas quando viraô que dos pòços das caldas sahiraô as agoas turvas . A 9 de Novembro em Toeplis em Bokemìa huâ leve commoçaô da terra excitou os habi tantes . recolhendose depois de seis horas . e as principaes ci- 8ades . e isltíitos mais íugares destes Estados sintiraó . A Republica dos Suijsos. entre as onze e o meyo dia do i de Nov. inun- dando os campos a roda . 288 Conjîderaçoìns Mas o que he digno de reparo . com fluxos . Libtfè distantes de Berlin doze legoas e trinta do mar Baltico . abayxandose a terra a roda . A agitaçaô extraordinaria . e a inun- dar os bordos . em Inglaterra . com crescimento xiota- vel. como saô Bafitea . Reddelin . pella qual abertura sahio huâ torrente de area vermeíha. merecem taôbem particular attençaô. entaô ficaraô comopezar que a vìrtude taô celebrada da quellas agoas . Perto de Angoulême em Franca se abrio a terra com eftrondo .

e de Cadix 1 50 . a Provincia de Frißa . dey- xando cavidades . A 18 em Whiteliaaven erfl Inglaterra. e Dijon . e o mefmo fufto. fe fintio em Compoßella . A 17 do mefmo mes fe fintio em Franca naá cidades de Befançon . mas fem ruinas- confideraveis . e em Maubege em Flandres le fundio a terra . e nas coftas de Mary-Land na America Septentricr. Perto de Cifieron em Daupkiné de Franca . fen tiraô . i8cj¡ fíiitirao concuffoins da terra fem perda confi- deravel dos edificios : Ausburg. e par ticularmente Donawert . cafos taô extraordinarios que fuccederaô no mes paflado. Os navios a vela no mar Oceano na diíhn- cia de Lisboa 50 legoas . A 27 com femelhante fucceffo obfervaraô o mefmo Cologne . os effeitos do terrivel Terremoto do 1 de Nov. em Italia .. A 1 8 do mefmo em Bofion . e em Outros mais lugares da quelle Reyno fe fmtiraô concuffoins violentas da terra. e Strasburg шeл raô a mefma felicidade . e Aix-la-Chap'tlle. ainda que fem mor- tandade dos viventes. conforme os avizos de Londres fe fintio Terremoto confideravel. Brujjelles . mas taôbem pello fluxo. nao fd pelo Terremoto. nem perda das vidas. e na Corunha com baftante dano . que parecem abifmo : perto de Cifieron duas montanhas huâ de fronte da outra defceraô tanto dentro da terra que hum rio que paflava pello meyo formou hum lago . nal . /obre os Terremotos. pello extraordinario movimento do mar. e Ingolfiaad fentiraô fem eftrgo abalos da terra. A onze de Dezembro toda a Bâviera. Philadelphia . cauzado . A 16 de Nov. T . . Bolonia. t fefluxo extraordinario do mar.

que communicaô com as ca vidades . que sempre se mostrarao mais terriveis . íàô cobertas de rochedos . Como em toda a superfície della existem gretas . Agojla . e os orvalhos condensados . Parece que a codea da terra da grossura de huâ ou duas legoas . melhantes à aquelles que vimos de relatar. Taôbem se observou que as terras que conf- taô unicamente de pedreyras . pagando assim a preeminencia que tinha sobre todas as cidades que sintiraô semelhantes tremores. Sy- ra(usa3 e Noto em Sicilia. e ferverem . ainda que sem a violencia dos primeyros que experimentou . e cavernas do seu interior . o que basta para se agitarem . obfervafe . Leontìni . que saô as mais sujeitas a os terremotos . O que se confirma pellas ruinas de Catania. e mais funestos. bitumes . depois da sua creaçaô tem sido alterada muitas vezes por phenomenos se- . e vem por ultimo a desfazer as materias sulfureas . Considerando os lugares que foraô até gora maltratados pellos terremotos . e os rayos saô mais ordinarios . e exhalaçoins que cauzaô laô estupendos e fa tais effeitos. que. ou serras. penedias. zyo Conjîderaçoins Mas parece que nenhua cidade sofreo ate gora mais que à de Lisjboa por que depois da quelle fatal dia do 1 de Novembro ate os aide Decembro . entraô por elles as agoas das chuvas . marmore . comprehendidas entre os 45 graos de latitude do Norte e do Sul. que saô abundantes em metais . e mais fre quentes nas terras . e respiradouros . edificadas de antes . e que 'na atmosfera que as cobre os trovoins . gerandole neste conflicto vapores . mate- rias de que se tira ò enxofre. naô cessarao os abalos da terra .

mais ligeyro . Abridg. depois de edi ficadas. de areal . para sundallas . Servem as arvores . e do Hecla tem por sinal certo que haô de experimentar terremotos . tom. de escolher o terreno . sobre os Terremotos. em lugar que Mejjina tem sido menos maltratada por elles . e ò mais igual . todo mi nado de cavidades . que se vem ordinariamente : a experiencia os con- venceo . dis- paraô de repente com furia . que detidos no interior da terra . e das exhalaçoins . logo que cessaô de exhalar aquelles fumos negros densos . que vem rece ber a atmosfera ( 1 ). e cspongioso . Vesuvio. Parece. Os que vivem perto dos Volcanos . por estar edificada sobre terreno brando . part. principalmente os pinheyros . nas terras meridionais . e os olmos a pompar . e passeos . adros . ou cidades consideraveis nos lugares . os vapores . que tudo aquillo que impede a trans piraçao dos vapores . su jeitos a os terremotos . e com desolaçao. que se geraô no interior da terra. ï . VI . que logo . e dilatados. todo furado por suspiros . Parece que deveria entrar na consideraçao dos Legiíladores quando quizessem edificar Vil las . 291 sobre rochedos . que daô exito as exhalaçoins . e exhalaçoins . dos frios exceíîivos . mais espongioso . como indicàmos no tratado pre cedente. como tantas esponjas . pap . Etna . e a chupar da terra . Transact. Naô se affirma que estas precauçoins ( I ) Philosophie. que serve de causa para gerar os terremotos. e que estas se deviaô plantar em to das as praças . ou pouco de pois foraô infestadas com tremores da terra. Obfervou-se que de pois das grandes secas . adonde crecessem arvores . depois das continuadas chuvas.

mcreceria á mayor ponderaçaô. . e das Cidades junto dos rios caudelosos . sirvindo hua porta principal .-. e as Cidades que bordaô o mar Mediterraneo . lugares infestados mui a miudo de ter remotos . se nas suas prayas estiverem fundadas. ou por evitarem os ardores do Sol . que naô distasse delle quatro legoas. Todos fabem que no'Peru . enlaçait . pella vizinhanca do mar. que foraô as mais maltratadas dos tremores da terra. principalmente do lado do Sul. e taôbem na Ja. X9 % Conjìderaçoins seriaô baíîantes para impedir os terremotos J nias he provavel que diminuiriaô a sua vio- Jencia . a hurri ou a muitos rnoradores conforme as suas ricjuezas g estado.. que' dà na rua . espe- çialmente os Mahometanos . edificar as suas cazas na forma de claustros . ou por se precaucionarem contra os abalos da terra . ' A fabrlca das cazas em semelhantes lugares « a multiplicidade das praças . e se se compoem do segundo he de madeyra naô pe- zada : servem de aliçcrces longas . as cazas saô de hum so andar . A mesma pre- cauçaô se devia observar na sundaçaô das Vil las . ou a lua frequencia.' e rolhiças {rayes que se estendem pellos cantos . Vimos asima que as Villas . As cidades sujeitas a os terremotos . maica . Parece tnôbem que devia entrar na mesma consideraçaô o concelho de Plataô que nenhuâ Ciclade se edificasse taô perto domar . o que vimos asima provado com muitos exemptas. Costumaô os seos habitantes . ainda que naô seria necessaria tanta distancia delies. sempre soffreraô considera- velniente . e dos pateos . ou por outras ra- ioins que nos saô desconheçidas .

de fundar . Em Pekim . e taô estupendos da Natureza . mas ainda . e fabri car. Deyxo à ponderaçao de quem perten cer escolher omethodo naô so o mais seguro de fabricar . 293 do a cantaria com mayor firmeza. e em muitas partes daquelle dilatadíssimo Im perio raras saô as cazas que excedem hum andar . E se este trabalho firvir ao Leitor de es quecer por alguns momentos a affliçaô e a ma goa que cauzaô estes movimentos taô extraor dinarios . acha rei por bem empregado o tempo que nelle em' preguei. . sobre os Terremotos.

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