Colóquio de Metafísica (Lógica é Metafísica

)

QUINE – Sobre o que Há
“Suponhamos que dois filósofos, McX e eu, discordem em ontologia. Suponhamos que McX
sustente haver algo que eu sustente não haver. McX pode, inteiramente de acordo com seu
próprio ponto de vista, traçar nossa diferença de opinião dizendo que eu me recuso a reconhecer
certas entidades. Devo, naturalmente, objetar que sua formulação de nosso desacordo não é
correta, pois sustento não haver nenhuma entidade, da espécie que ele alega, para que eu as
reconheça; mas julgar incorreta sua formulação de nosso desacordo é irrelevante, pois de
qualquer modo sou obrigado a considerar sua ontologia incorreta.
Quando, por outro lado, tento formular nossa diferença de opinião, parece que me vejo em
embaraço. Não posso admitir que há coisas que McX sustenta e eu não, pois ao admitir que há tais
coisas, eu estaria contradizendo minha própria rejeição delas [...] Esse é o velho enigma platônico
do não-ser. O não-ser deve em algum sentido ser, caso contrário o que seria aquilo que não é?”

QUESTÃO:
● É possível discutir ontologia? É possível afirmar a não existência de algo sem nos
comprometermos com a existência desse algo que afirmamos não existir?
● Quando em nosso discurso, em nossas teorias, estamos comprometidos com a existência
de algo?

DEUS E PAPAI-NOEL:
● Quando digo que Papai-Noel não existe, não quero me comprometer com a existência de
Papai-Noel. Não quero admitir novos sentidos, talvez subjetivos, ou culturais, ou mentais
de existência, não quero confundir Papai-Noel com o conceito de Papai-Noel.
● Um teísta não se conformaria em confundir Deus com o conceito de Deus. Para Deus,
existir no entendimento não é um modo de existir.

SINAIS DE COMPROMISSO ONTOLÓGICO:
● Quais são os sinais das verdadeiras imputações de existência de nossas teorias?
● Não devem ser os nomes gramaticais, caso contrário, “Pégaso jamais existiu” seria uma
contradição.
● Quando se deve sustentar que uma teoria assume um dado objeto, ou objetos de uma
certa espécie (números, conjuntos, unicórnios, propriedades, deus, pontos, papai-
noel, ...) ?

● ENSAIO DE RESPOSTA:
■ Uma teoria se compromete com a existência de certos objetos quando
a teoria seria falsa se a classe daqueles objetos fosse vazia.

■ QUESTÃO FUNDAMENTAL: Como verificar isso?

■ Mas nesta formalização.] [F]icamos atados a uma ontologia particular se e somente se o pretenso pressuposto tiver que ser reconhecido entre as entidades que nossas variáveis percorrem a fim de tornar uma de nossas afirmações verdadeiras. ou ser formalizados como PREDICADOS: ■ Ex EhPapaiNoel(x) . Há uma boa razão para isso.. o mesmo que afirmar que os nomes gramaticais não podem ser formalizados por constantes individuais (nomes lógicos). qualquer modelo para a linguagem destas sentenças tem que OBRIGATORIAMENTE ter um objeto que seja a referência da constante papai-noel. pois. ser reconhecido como valor de uma variável. ● Ex (x = papai-noel) – SIGNIFICA: “Papai-Noel existe”. o argumento da barba de Platão é logicamente válido. ■ Isso inviabiliza qualquer discussão racional sobre ontologia!! ● Quine então sugere que os nomes gramaticas não podem ser nomes lógicos. ● Os nomes gramaticais devem. pura e simplesmente. ● Podemos agora discutir ontologia! ● Em geral.Papai Noel não existe. pois.QUINE – Sobre o que Há CRITÉRIO DE COMPROMISSO ONTOLÓGICO – “ser é ser o valor de uma variável” “ser assumido como entidade é. papai-noel é uma constante individual (um nome lógico) e portanto. ■ Afirmar que os nomes gramaticais não têm imputação de existência é. afirmações de existência são sentenças do tipo ExP(x) e afirmações de não existência são sentenças do tipo ~ExP(x). ■ ~Ex EhPapaiNoel(x) . qualquer afirmação de não existência (sentença da forma ~Ex (x = c) onde c é um nome) seria uma CONTRADIÇÃO: falsa em todos os modelos para a linguagem. sob pena de tornarmos qualquer afirmação de não existência falsa e com isso proibirmos qualquer discussão racional sobre ontologia. [.Papai Noel existe. ● ~Ex (x = papai-noel) – SIGNIFICA: “Papai-Noel não existe”.. ou ser substituídos por descrições. ■ Como consequência. onde P(x) pode ser um predicado ou qualquer fbf com uma única variável livre que descreve a entidade em questão. . ■ Também na lógica os nomes pressupõe a existência e o argumento da barba de Platão é válido: c=c (= Introdução) Ex (x = c) (E Introdução) ■ Logo.” SER É SER O VALOR DE UMA VARIÁVEL: Quine está utilizando a formalização lógica como ferramenta para identificar imputações de existência em nossas teorias.

no máximo. buscar resposta à pergunta: ■ O que conta como evidência para as quantificações existenciais? ■ Quando a afirmação da existência de algo é verdadeira? ■ Quais são as condições de verdade para afirmações de existência? QUANDO UMA AFIRMAÇÃO DE EXISTÊNCIA É VERDADEIRA? ● Quando Ex P(x) é verdadeira? ● Não há resposta simples geral para esta questão. (a matemática responde) ■ a evidência para “Ex P(x)” estará na computação/cálculo. ● Quine apela à linguagem lógica para identificar imputações de existência em nossas teorias. ● Não tem cabimento exigir uma explicação da existência em termos mais simples. ● Podemos. perguntando-se: O QUE É A EXISTÊNCIA?: QUINE – Existência e Quantificação ● A existência é aquilo que a quantificação existencial exprime: ■ Há coisas da espécie F se e somente se Ex F(x). ■ Falta evidência empírica e evidência computacional: ○ O número 7 existe ? ○ O vermelho existe ? ● Que evidência temos para responder a estas perguntas? ● Quais as condições de verdade de Ex P(x) neste caso? . e vai além. ● Quando P(x) é 'x um número primo entre 10 e 20'. (a empiria responde) ■ a evidência para “Ex P(x)” será o testemunho dos sentidos. Mas ele não se limita à questão sobre as imputações de existência. ● A evidência empírica basta para responder a questão. (a metafísica/ontologia responde) ■ a evidência para “Ex P(x)” é muito mais difícil de precisar neste caso. ● Quando P(x) é 'x um número' ou 'x é uma propriedade'. ● Quando P(x) é 'x um coelho' ou 'x é um unicórnio'. mas há evidência computacional. ● Falta a evidência empírica. ■ Esta afirmação é tão estéril quanto indiscutível.

Ela vai MUITO além: ● São os princípios lógicos da identidade que fornecem o padrão da evidência (as condições de verdade) para as afirmações de existência mais gerais. constituindo um aspecto fundamental de nossa metafísica.” ● O bom comportamento com relação à identidade seria a principal evidência para as quantificações existenciais e. nossa metafísica. . ● Nosso sistema lógico da quantificação (incluída a identidade) expressa exatamente nosso conceito de existência. constituem os nossos princípios mais básicos sobre o ser. mero instrumento técnico a serviço da Ontologia ou Metafísica. ■ Propriedades são mal vistas por apresentarem um comportamento um tanto irregular. portanto. isto é o melhor sinal que podemos ter de que não existem tais objetos. ■ Números são bem vistos pelo poder e pela facilidade que emprestam às ciências e a outros discursos sistemáticos sobre a natureza. para a admissibilidade ontológica: ■ Quando os supostos objetos de uma determinada categoria não se comportam bem mediante os nossos princípios lógicos de identificação e diferenciação (ou seja. ou seja. em conexão com a identidade e a substituição: ○ A propriedade “ser animal racional” é ou não é idêntica à propriedade “ter polegar opositor” ? ○ A propriedade “não ser um cavalo” é ou não é um cavalo? Está ou não em sua própria extensão? PADRÃO DE ADMISSIBILIDADE ONTOLÓGICA QUINE – Falando de Objetos PADRÃO DE ADMISSIBILIDADE ONTOLÓGICA – “nenhuma entidade sem identidade” “a suposição de objetos primeiros não faz sentido algum se ela não se prende à identidade. ● Para Quine. os princípios lógicos da identidade. ao indicar quais devem ser os modos de ser daquelas entidades que estamos dispostos a considerar como existentes. juntamente com o restante de nossa lógica. as leis da identidade). ● Nossas regras lógicas da identidade exprimem (representam) nossos padrões de admissibilidade ontológica. há razões objetivas para excluirmos propriedades do domínio de nossas variáveis e para incluirmos números a estes domínios. Sendo assim. então. LÓGICA É METAFÍSICA ● A Lógica não é.

desde que existem. Mas.” (p.QUINE – Existência e Quantificação “alguém poderia perguntar ainda.115) “a teoria clássica da quantificação desfruta de uma extraordinária combinação de profundidade e simplicidade. [. É luminosa interiormente e ousada nas suas fronteiras.. e que simplesmente estou em desacordo com o intuicionista tanto num ponto como no outro.] uma realidade que existe tão independentemente de nós quanto o mundo físico.118) ● Nossos sistemas lógicos com quantificação expressam os nossos conceitos de existência.] [Q]ue dizer da teoria intuicionista da quantificação ou de outras teorias divergentes? Uma resposta então é a de que seria justo dizer que o intuicionista tem uma doutrina do ser que. na suposição dos realistas. mas é justamente Michael Dummett que convidarei para a continuidade desta reflexão iniciada com Quine. juntamente com elas. como os fenomenalistas acreditam ?” MATEMÁTICA (platonismo x formalismo. ou as nossas experiências sensíveis são constitutivas da realidade. se não estamos concebendo o ser de uma maneira indevidamente provinciana quando o equiparamos estritamente com a nossa própria teoria da quantificação. é diferente da minha. intuicionismo) ● “Aqui os realistas (chamados de platonistas) [. teorias dela divergentes tendem mais a parecer arbitrárias.. beleza e utilidade. DUMMETT – As Bases Lógicas da Metafísica ● É difícil encontrar dois filósofos analíticos mais divergentes do que Quine e Dummett. ■ Diferentes teorias expressas em uma mesma lógica (ou teoria da quantificação) representariam diferentes ontologias admissíveis em um mesmo sistema metafísico (segundo um mesmo conceito de existência).” (p. Em contraste. parece mais claro e simples dizer que. mas são os sentidos canais de informação sobre uma realidade que existe independentemente de nós.] acreditam que uma proposição matemática descreve [. existem divergentes conceitos de existência. ■ Diferentes lógicas (ou teorias da quantificação) representariam diferentes sistemas metafísicos com diferentes conceitos de existência. como os realistas supõem. A oposição aos platonistas toma várias formas. como a sua teoria da quantificação. ● Na introdução de “As Bases Lógicas da Metafísica”. Dummett lança uma questão tradicionalmente entendida como questão metafísica: ● Devemos ou não ter uma atitude realista com relação a esta ou aquela classe de entidades? DEBATES SOBRE O REALISMO MUNDO FÍSICO (realismo x fenomenalismo) ● “Nosso conhecimento do mundo físico é dado pelos sentidos. excluindo teorias de quantificação de algum modo divergentes... . e isso foi feito por Hao Wang...

em qualquer uma destas instâncias certamente farão uma diferença profunda em nossa concepção da realidade. desejos. TEMPO.. sentimentos). ainda.genuinamente possuem uma referência. tanto quanto a altura de uma montanha. REINTERPRETAÇÃO SEMÂNTICA DAS DISPUTAS METAFÍSICAS [Dummett – Realismo – 1963] ○ Uma disputa sobre realismo pode ser expressada perguntando-se se entidades de um tipo particular (universais. ● Mas quais os meios que temos para chegar a estas decisões? ■ Nenhuma observação de objeto físico ou processo ordinário nos dirá se eles existem ou não independentemente de nossa observação.termos gerais. propósitos. mas se elas estão entre os constituintes últimos da realidade. ● subjetivista: uma afirmação ética tem o mesmo status que uma afirmação sobre se algo é interessante ou entediante. desejo.. ou nomes de objetos materiais . Entre elas a dos formalistas e a dos construtivistas. Formalistas: não há proposições matemáticas genuínas.. como sendo sobre a questão de se certas expressões . QUE MEIOS TEMOS PARA DECIDIR TAIS CONTROVÉRSIAS? ● Dummett busca uma estratégia para estudá-las comparativamente e solucioná-las. Atribuir a alguém uma crença. ● Dummett argumenta que nenhuma destas formulações é geral o suficiente: .[.. ● Nossas decisões em favor do realismo ou contra ele. pode ser perguntado não se elas existem.] ○ Uma disputa sobre realismo também pode ser descrita linguisticamente. ÉTICA (realista moral x subjetivista) ● realista moral: uma afirmação ética é objetivamente verdadeira ou falsa. ● anti-realistas: behaviorismo. dor ou qualquer outra sensação é simplesmente falar sobre o padrão de seu comportamento. . Construtivistas: os objetos das proposições matemáticas são mentais” MENTE (realismo x anti-realismos) ● realista: comportamentos são evidências para estados mentais internos (crenças. ou objetos materiais) existem ou não: ou. CIÊNCIA .

A disputa. em alguns casos que quero considerar. Os anti-realistas opõem a isto a visão de que as afirmações da classe em disputa devem ser entendidas apenas por referência ao tipo de coisas que contamos como evidência para uma afirmação da classe. que os significados para estas afirmações são diretamente ligados ao que conta como evidência para elas. ao contrário. e isso significa que é uma disputa concernente ao tipo de significado que estas afirmações têm. deve ser verdadeira ou falsa. ○ A afirmação “A terra é o centro do universo”. se for verdadeira. que tenha um centro).] pode ser verdadeira apenas em virtude de alguma coisa que nós possamos conhecer e que deveríamos contar como evidência para a sua verdade”. então. que ela é ou verdadeira ou falsa. pode ser verdadeira apenas em virtude de alguma coisa que nós possamos conhecer e que deveríamos contar como evidência para a sua verdade. independentemente dos nossos meios de conhecê-lo: elas são verdadeiras ou falsas em virtude de uma realidade que existe independentemente de nós. só pode ser verdadeira na medida em que haja evidência favorável a ela e só pode ser falsa na medida em que haja evidência desfavorável a ela. à nossa revelia. ○ A afirmação “A terra é o centro do universo”. . para um realista científico. de modo algum. de tal modo que uma afirmação da classe em disputa.. a questão não é. admitindo que o universo seja finito (ou seja. ou sobre o futuro. o do platonismo em matemática. para um anti-realista científico. do que como a abordagem na qual não há tais coisas como objetos materiais. concerne à noção de verdade apropriada às afirmações da classe em disputa. Os anti-realistas insistem. independentemente de se jamais venhamos a ter qualquer tipo de evidência a favor ou contra esta afirmação. a questão concernente ao platonismo diz respeito não à existência dos objetos matemáticos. sobre o caráter referencial de quaisquer termos. os realistas sobre uma certa classe consideram que as afirmações desta classe “são verdadeiras ou falsas em virtude de uma realidade que existe independente de nós”. Mais ainda. mas consistem no modo de sua determinação como verdadeiras ou falsas através de estados de coisas cuja existência não depende do que possuímos como evidências para elas. ● REALISTAS: Como disse Dummett. Ou seja. mas à objetividade das afirmações matemáticas. e pelo menos num outro [caso]. tais como como o realismo sobre o passado. Não há uma realidade independente de nós que decide. ● ANTI-REALISTAS: Já para os anti-realistas. ou na qual os nomes dos objetos materiais de fato não se referem a nada. focalizar a referência dos termos me parece desviar a disputa do que realmente ela concerne. “uma afirmação da classe em disputa [. ○ O fenomenalismo [por exemplo] parece ser melhor descrito como a abordagem na qual os objetos materiais são reduzíveis a (construções feitas de) dados dos sentidos. conforme Kreisel tem comentado. os realistas sustentam que os significados das afirmações da classe em disputa não são diretamente ligados ao tipo de evidência para elas que nós podemos ter. ● Então ele reformula o problema concernente ao realismo nos seguintes termos: ○ Eu caracterizo o realismo como a crença na qual as afirmações da classe em disputa possuem um valor de verdade objetivo..

pode sim haver alguma sentença B para a qual a afirmação B v ~B não é verdadeira. ○ INTUICIONISTAS: matemáticos construtivistas da escola de Brower.. Em particular o “dilema construtivo” (A>B & ~A>B) |. pois é uma diferença sobre o modo mesmo de existir. Para estes. (A Lógica Intuicionista) ● REALISMO / L. que são mais restritivos que os padrões clássicos. com ela. ● DIVERGÊNCIA LÓGICA: Ma então os realistas e os anti-realistas divergem quanto a aceitação ou não de um famoso princípio lógico conhecido como ■ Princípio do Terceiro Excluído: para qualquer proposição A. então. Pois para o realista afirmações sobre a realidade física não devem seu valor de verdade à nossa observação de se são verdadeiras ou falsas. mais profunda.. Vp (p=V ou p=F). ● ANTI-REALISMO / L. então não há fundamento para assumir que toda afirmação matemática deva ser verdadeira ou falsa. Para o anti-realista não. rejeitamos junto todos os argumentos que ela ajuda a demonstrar como válidos. mas dependentes desta. estabeleceram novos padrões bastante precisos para a validade das inferências. nem as afirmações sobre a matemática devem seu valor de verdade a nossas provas ou refutações delas. ○ Se uma afirmação matemática é verdadeira apenas se formos capazes de prová-la. ■ Os realistas aceitam este princípio. ● A lógica que um realista está disposto a admitir é diferente da lógica que um anti-realista está disposto a admitir. ● Os INTUICIONISTAS foram os primeiros a perceber que a rejeição do realismo exigia a rejeição da lógica clássica. . sobre o que significa mesmo existir. ○ Os intuicionistas. PRINCÍPIO DA BIVALÊNCIA [Dummett – Bases Lógicas da Metafísica] “Uma característica comum das doutrinas realistas é uma insistência no princípio da bivalência: que toda proposição do tipo em disputa é determinada como verdadeira ou falsa. Os anti-realistas o negam. razões igualmente convincentes para rejeitar a bivalência e.B. É uma diferença metafísica. INTUICIONISTA: as condições de verdade das asserções não são transcendentes à verificabilidade. a lei do terceiro excluído”. CLÁSSICA: as condições de verdade das asserções são transcendentes à verificabilidade. de fato. eles têm. Pode haver p para o qual não há como afirmar que é verdadeiro ou falso. Estas afirmações serão verdadeiras ou falsas conforme concordarem ou não com tal realidade. [. 9) *** ==> explicar melhor o caso dos anti-realistas ● A v ~A ● Ao rejeitar a lei do terceiro excluído. nos casos mais típicos. ■ Metafísica diferente – Lógica diferente ● E a diferença aqui não é apenas uma diferença ontológica. mas a diferença entre realistas e anti-realistas é. (p. Para o realista a existência é independente do sujeito. quanto a se determinadas coisas existem ou não. a proposição A v ~A é sempre verdadeira. Mas em ambos os casos os valores de verdade das afirmações são devidos a uma realidade que existe independentemente de nosso conhecimento dela.] O que os anti-realistas estão aos poucos descobrindo é que conversamente.

que para ambos. como algo que representa a evidência para as nossas diferentes concepções do ser e imputações de existência ● Eu diria. à primeira vista. ao fazer isso. ○ Ele está afirmando que: Metafísica é Lógica. usa a lógica. QUEM VEM ANTES. a única maneira que temos para fazer metafísica é lidando com os nossos próprios pensamentos. Mas antes de fazermos esta conclusão. o que fizemos aqui? O que nós estamos fazendo quando estabelecemos ou rejeitamos padrões para a validade das inferências? ● Obviamente. para obter esta visão clara dos conceitos através dos quais pensamos sobre o mundo é através de uma teoria do significado que é baseada e fundamentada na lógica. ● Então Dummett. estamos fazendo lógica. ● E para Dummett. me parece que vai além: ○ Como ele critica todas as outras tentativas de solução dos dilemas sobre o realismo e propõe que seu método pode resolver o problema. ● A base desta crítica é a sua visão restritiva (analítica) com relação ao poder da filosofia: ■ A filosofia não consegue nos levar além de habilitar-nos a obter uma visão clara dos conceitos através dos quais pensamos sobre o mundo e. ● Mas Dummett. devemos nos lembrar das críticas que Dummett faz aos modos tradicionais com os quais a metafísica tenta decidir as controvérsias sobre o realismo. pode parecer. [nos levar a] alcançar um esboço mais firme sobre o modo como representamos o mundo em nosso pensamento. para não ultrapassarmos os limites da própria filosofia. . Lógica é Metafísica. LÓGICA OU METAFÍSICA ● Então. a melhor maneira que temos para fazer isso. tanto quanto Quine. Estamos propondo sistemas lógicos. em especial. (p. É apenas neste sentido que a filosofia é sobre o mundo. que temos uma doutrina metafísica produzindo consequências para a lógica. então. ● Dummett critica os métodos a priori tradicionais que a metafísica historicamente tem empregado para tentar resolver estas questões. 1) ● Sendo assim. ○ Então. a reflexão sobre as formas de inferência que aceitamos como válidas. ele está então afirmando algo ainda mais forte.