Aluna: Gabriela Valente Nicolau Editora Jogare per timen MED 08.

1 2ª Fase
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Respostas Imunes Humorais -
Ativação dos Linfócitos B e produção de Anticorpos
Capítulo 7 - Abbas

Fases e tipos de respostas humorais
Os linfócitos B virgens identificam os antígenos e, sob a influencia das células T auxiliares e de outros estímulos,
são ativadas para se proliferar dando origem à expansão clonal, e para se diferenciar em células secretoras de anticorpos.
Algumas células sofrem troca de cadeia pesada e maturação da afinidade possuindo a partir daí maior capacidade de se
ligarem e de neutralizarem microorganismos e suas toxinas (somente as dependentes de LT auxiliar).
Existem dois tipos de respostas imunes humorais: as dependentes de linfócitos T auxiliares e as independentes de
linfócitos T auxiliares.

Resposta Independente de Linfócito T auxiliar – àquelas que têm microorganismos de natureza não protéica –
como polissacarídeos e lipídios – e que, portanto, não são processados nas APC’s e identificados pelos linfócitos T
auxiliares.
Acredita-se que antígenos polissacarídeos e lipídios têm variedades multivalentes do mesmo epítopo, tais
antígenos são capazes de fazer uma ligação cruzada com diversos receptores de antígenos da célula B especifica e induzir
uma resposta suficiente para estimular a proliferação e diferenciação dos linfócitos B sem a participação do Linfócito T
auxiliar.
Essa resposta induz fracamente a troca de cadeia pesada e a maturação da afinidade, pois se acredita que estas são
induzidas na interação com o Linfócito T auxiliar.

Resposta Dependente de Linfócito T auxiliar – àquelas que têm microorganismos de natureza protéica e que,
portanto, são processados nas APC’s e identificados pelos linfócitos T auxiliares.
Na ausência de T auxiliares, os antígenos protéicos desencadeiam uma resposta fraca ou inexistente dos anticorpos
– isso ocorre porque microorganismos protéicos não têm muitas variedades multivalentes do mesmo epítopo, logo não são
capazes de fazer uma ligação cruzada com diversos receptores de antígenos numa célula B específica –.

As respostas dos anticorpos as primeiras e subseqüentes exposições a um antígeno (primarias e secundarias)
diferem de maneira quantitativa e qualitativa de forma que no segundo momento são mais efetivas e maiores (menor
tempo, mais anticorpos, melhor ligação).
Nas primárias, as células B virgens nos tecidos linfóides periféricos são ativadas de modo a se proliferarem e
diferenciarem em células secretoras de anticorpos e de memória.
Nas secundárias, as células de memória são ativadas de modo a produzir quantidades cada vez maiores de
anticorpos além de aumentarem a troca de cadeia pesada e maturação da afinidade.

Estimulação dos linfócitos B pelos antígenos
As respostas imunes humorais têm início quando os linfócitos B específicos para antígeno nos folículos linfóides
do baço, linfonodo e nos tecidos mucosos linfóides reconhecem a presença de antígenos, para isso os antígenos do sangue
são levados a esses órgãos (por mecanismos não conhecidos) nos locais de folículos ricos em células B. Uma vez lá os
linfócitos B específicos para um antígeno usam seus receptores de imunoglobulina ligados à membrana (Ig) para
reconhecer um antígeno na sua conformação nativa (sem processamento), o que gera sinalização para ativar a célula B.
- Sinalização as células B induzidas por antígenos
O agrupamento de receptores de membrana Ig induzidos pelos antígenos dá origem a sinais bioquímicos que são
transduzidos pelas moléculas de sinalização associadas ao receptor.
A união (ligação cruzada) de duas ou mais moléculas receptoras que ocorre quando duas ou mais moléculas de
antígeno num agregado ou a repetição de epítopos de uma molécula de antígenos se ligam às moléculas de Ig adjacentes
na membrana de uma célula B, a partir daí o sinal sofre transdução por meio de proteínas associadas ao receptor. Assim
existe um Complexo Receptor das células B (BCR) formado por Igα e Igβ (proteínas) e IgM e IgD (receptores). Os
componentes das cascatas de sinalização induzidas por receptores não são tão bem compreendidos como nos Linfócitos T,
mas os eventos de sinalização são essencialmente os mesmos nas duas populações de linfócitos.
O resultado é a ativação dos fatores de transcrição que ligam os genes cujos produtos protéicos estão envolvidos
na proliferação e diferenciação das células B.
- O papel dos complementos protéicos na ativação das células B

1 2ª Fase Página 2 Quando o complemento é ativado por um microorganismo (protéico). As células B e T auxiliares são específicas para o mesmo antígeno. expresso pelo LB. este é revestido pelos produtos de ruptura da proteína mais abundante.proliferação dos LB B .diferenciação dos LB C . a C3 que tem o subproduto C3d. Numa célula B secretora de IgM. a transcrição primária da cadeia pesada do gene VDJ rearranjado é reunida no RNA μ para produzir a cadeia pesada μ e a anticorpo IgM. As células B também expressam co- estimuladores que desempenham papel de ativação do LT – como a B7 –. . Subsequentemente.Apresentação de antígenos pelos linfócitos B às células T auxiliares Os LB que se ligam aos antígenos protéicos por meio de seus receptores específicos para antígeno realizam a endocitose destes antígenos. Ao mesmo tempo os LB através de receptores Ig reconhecem o antígeno específico. Os sinais das LT auxiliares (CD40 ligante e citocinas) podem induzir uma recombinação das regiões de troca (S) de modo que o gene rearranjado VDJ se aproxime mais de um gene C abaixo de Cμ – mudança nos introns e exons em que uma parte do DNA é deletada e por isso a outra é expressa –. os processam em vesículas endossômicas nas quais as proteínas são processadas em peptídeos que se ligam a moléculas do MHC de classe 2 e exibem tais peptídeos associados do MHC da classe II para a sua identificação pelas células T auxiliares CD4. mas as células B reconhecem os epítopos nativos e as células T auxiliares reconhecem os fragmentos de peptídeos do antígeno.Os antígenos que estimulam as células T auxiliares CD4 derivam de microorganismos extracelulares e de proteínas que são processados e demonstrados em ligação com moléculas do complexo de histocompatibilidade do MHC da classe II das APCs As células T auxiliares que foram ativadas de modo a se diferenciar em células efetoras começam a migrar para borda de folículos linfóides ao mesmo tempo em que os LB estimulados estão começando a migrar para fora.Conseqüências funcionais da ativação das células B mediada por antígenos As conseqüências funcionais consistem A .as células podem começar a sintetizar mais IgM sendo uma parte numa forma secretada.Troca de classe de cadeia pesada (isotipos) As células T auxiliares estimula a progênie de IgM + IgD quando expressam linfócitos B para produzir anticorpos de classes de cadeias pesadas diferentes (isotipos). como resultado da identificação de antígenos nas APCs profissionais nos órgãos linfóides. Aí o receptor para uma proteína do sistema complemento.preparação dos LB para a interação com os LT auxiliares (se o antígeno for protéico): 1) Aumento da expressão dos co-estimuladores B7 que fornecem sinais secundários para a ativação de células T. o RNA primário do VDJ se reúne com o . . D . porque o gene μ é o mais próximo do gene VDJ. A necessidade de tal interação assegura que apenas os LT e LB em contato físico se envolvam nas interações produtivas. Em conseqüência as células B ativadas migram para fora dos folículos e na direção do compartimento anatômico em que se concentram as células T auxiliares. a troca de classe de cadeia pesada é iniciada com sinais mediados por CD40L e a troca para classes diferentes é estimulada por citocinas distintas. Ao mesmo tempo.Ativação e migração das células T auxiliares Os linfócitos T auxiliares CD4 virgens são estimulados a se proliferar e diferenciar em células efetoras produtoras de citocinas. as citocinas produzidas pelos LT auxiliares se ligam aos receptores de citocina nos LB e estimulam uma maior proliferação de células B e produção de Ig. O CD40L nas células T auxiliares ativadas se liga ao CD40 expresso nos LB. o envolvimento do CD40 fornece sinais para os LB que estimulam a proliferação dos LB. que são os secretados pelas funções das células T auxiliares e 3) Redução da expressão de receptores de quimiocininas que são produzidas nos folículos linfóides e cuja função é manter as células B nestes folículos. síntese e secreção de anticorpos. de forma que o antígeno fornece o primeiro sinal e o complemento fornece o segundo. que fornece sinais para a ativação das células: o receptor de complemento tipo 2 (CR2 ou CD21) se liga a C3d. Aluna: Gabriela Valente Nicolau Editora Jogare per timen MED 08. . as células B e T se encontram nas bordas dos folículos linfóides nos órgãos periféricos. A função dos linfócitos T auxiliares nas respostas imunes humorais aos antígenos protéicos . .Mecanismos de ativação dos linfócitos B mediados pelas células T auxiliares Os LT auxiliares que identificam antígenos apresentados pelas células B ativam as células B por meio da expressão do ligante CD40 (CD40L) e da secreção de citocinas. 2) Aumento da expressão para a expressão de receptores citocinas.

a produção de anticorpos aumenta. Essa é “uma das razoes” de as células sofrerem a maturação de afinidade. portanto.Imunidade neonatal .Maturação da afinidade A maturação da afinidade ocorre nos centros germinativos dos folículos linfóides e é o resultado da hipermutação somática dos genes Ig nas células B em divisão seguido pela seleção de células B de alta afinidade pelo antígeno exibido pelas células dendríticas foliculares. portanto. Como conseqüência. que se expressa nas células B. Aluna: Gabriela Valente Nicolau Editora Jogare per timen MED 08. por esse motivo a mutação Ig é chamada de hipermutação somática –. morrerão por apoptose. aquelas que não têm não se ligam e sofrem apoptose –. e. Esse receptor Fc envia sinais negativo que suspendem os sinais induzidos pelo receptor do antígeno terminando assim as respostas das células B. Ao mesmo tempo a extremidade Fc do anticorpo IgG ligado pode ser identificada por um receptor Fc. ou com imunização repetida. Aquelas células que têm maior afinidade se ligam mais facilmente e. . *** À medida que a resposta imune se desenvolve. o anticorpo se liga ao antígeno que ainda está disponível no sangue e nos tecidos.Primárias. melhor ligação). IgM IgG IgE IgA Principais . As células B específicas para o antígeno podem se ligar à parte antigênica do imunocomplexo por meio de seus receptores de Ig. Existem dois tipos de respostas imunes humorais: Resposta Independente de Linfócito T auxiliar – microorganismos de natureza não protéica – como polissacarídeos e lipídios – e não são identificados pelos linfócitos T auxiliares. formando imunocomplexos.Resp. produzindo uma cadeia pesada com uma nova região constante. 1 2ª Fase Página 3 RNA do gene C abaixo. o que é também uma regulação da resposta imune. uma nova classe de Ig. mas ao mesmo tempo isso significa que as células menos afins não terão sinais de sobrevivência e. de fagócitos dependentes de Fc . . a quantidade de antígenos disponível diminui. Resposta Dependente de Linfócito T auxiliar – microorganismos de natureza protéica e que são identificados pelos linfócitos T auxiliares. portanto. mais anticorpos. recebem o sinal para continuarem vivas. Resumo do Resumo!!!! (não aconselho estudar somente este ) Os linfócitos B virgens identificam os antígenos e.Ativação do complemento . Durante a proliferação. os genes Ig das células B se tornam suscetíveis aos pontos de mutação por meio de um processo que envolve a enzima desaminase induzida pela ativação – a taxa de mutação fica cerca de 1000 vezes maior que a dos genes normais. são desviadas para a função de células de memória.Ativação do . Os antígenos são capazes de fazer uma ligação cruzada o que induz uma resposta suficiente. sob a influencia das células T auxiliares e de outros estímulos. Dessa forma a afinidade dos anticorpos produzidos em resposta a um antígeno protéico aumenta com uma exposição prolongada ou repetida ao antígeno. elas. são ativados para se proliferar dando origem à expansão clonal e para se diferenciar em células secretoras de anticorpos. Esta mutação extensiva resulta na geração de diferentes clones de células B cujas moléculas de Ig podem se ligar com afinidades muito diversas ao antígeno que iniciou a resposta. Os microorganismos protéicos não são capazes de fazer uma ligação cruzada.Imunidade funções complemento . as células de memória são ativadas de modo a produzir quantidades cada vez maiores de anticorpos (menor tempo. as células B virgens nos tecidos linfóides periféricos são ativadas de modo a se proliferarem e diferenciarem em células secretoras de anticorpos e de memória.Desgranulação de mastócitos mucosa efetoras . em vez de se diferenciarem em células de secreção de anticorpos ativas. *** As Células de memória freqüentemente são derivadas de células que sofreram troca de classe de cadeia pesada e maturação de afinidade. Regulação das respostas Imunes Humorais: Feedback de Anticorpos À medida que o anticorpo IgG é produzido e circula pelo corpo.Secundárias.Imunidade contra helmintos . Alem delas podem ser classificadas também como: .

o anticorpo se liga ao antígeno que ainda está disponível no sangue e nos tecidos. os LB exibem os peptídeos exógenos associados do MHC da classe II para a sua identificação pelas células T auxiliares CD4 ai os LT auxiliares que identificam antígenos apresentados pelas células B ativam as células B por meio da expressão do ligante CD40 (CD40L) e da secreção de citocinas o que provoca proliferação dos LB.A Troca de classe de cadeia pesada (isotipos) é uma mudança nos íntrons e éxons em que uma parte do DNA é deletada e por isso a outra é expressa de forma que se produza uma nova classe de Ig. . Os linfócitos T auxiliares CD4 virgens proliferam e diferenciam em células efetoras produtoras de citocinas após terem contato com APCs. formando imunocomplexos que se ligados aos LB enviam sinais negativos que terminam a resposta do LB. o receptor de complemento tipo 2 (CR2 ou CD21) se liga a C3d (segundo) –. e migram para borda de folículos linfóides ao mesmo tempo em que os LB estimulados estão começando a migrar para fora. À medida que o anticorpo IgG é produzido e circula pelo corpo. as células B e T se encontram nas bordas dos folículos linfóides nos órgãos periféricos. o resultado é a ativação da proliferação e diferenciação das células B – ao mesmo tempo em que os LB através de receptores Ig reconhecem o antígeno específico (primeiro sinal). o que gera sinalização para ativar a célula B. . 1 2ª Fase Página 4 Nos folículos linfóides do baço. enquanto as citocinas produzidas pelos LT auxiliares estimulam uma maior proliferação de células B e produção de Ig. síntese e secreção de anticorpos. os linfócitos B específicos para um antígeno reconhecem um antígeno na sua conformação nativa (sem processamento). linfonodo e nos tecidos mucosos linfóides. pois conseguem se ligar ao antígeno enquanto as outras não se ligam (e sofrem apoptose).A maturação da afinidade e é o resultado da hipermutação somática dos genes Ig nas células B em divisão seguido pela seleção de células B de alta afinidade pelo antígeno de forma que as mais aptas sobrevivem. . Aluna: Gabriela Valente Nicolau Editora Jogare per timen MED 08.