CÍNTIA PORTUGAL VIANA

ESTRATÉGIAS URBANAS
DO BANCO MUNDIAL E
POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE PESQUISA E PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PLANEJAMENTO
URBANO E REGIONAL

RIO DE JANEIRO

2004

ESTRATÉGIAS URBANAS DO BANCO MUNDIAL
E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL

CÍNTIA PORTUGAL VIANA

ESTRATÉGIAS URBANAS DO BANCO MUNDIAL
E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Planejamento Urbano e Regional
da Universidade Federal do Rio de Janeiro para
obtenção do Grau de Mestre em Planejamento
Urbano e Regional.

Orientador: Prof. Dr. Carlos Bernardo Vainer
Doutor em Desenvolvimento
Econômico e Social pela
Universidade de Paris I,
Panthéon-Sorbonne, França.

Rio de Janeiro

2004

ii V614e Viana. . Política urbana – Brasil. Orientador: Carlos Bernardo Vainer. Estratégias urbanas do Banco Mundial e políticas públicas no Brasil / Cíntia Portugal Viana. Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional. 30 cm. I. Rio de Janeiro. III. 130 f. Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional)–Universidade Federal do Rio de Janeiro. ix. II. Bibliografia: f. Vainer.1532 . Título. Cíntia Portugal. – 2004. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Carlos Bernardo. 1. Banco Mundial 2. CDD: 332. 2004. 123-127.

Dr. Fundação Ford .Frederico Guilherme Bandeira de Araújo IPPUR/UFRJ __________________________________________ Prof. iii ESTRATÉGIAS URBANAS DO BANCO MUNDIAL E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL CÍNTIA PORTUGAL VIANA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro para obtenção do Grau de Mestre em Planejamento Urbano e Regional. Aprovada por: __________________________________________ Prof. Dr. Carlos Bernardo Vainer IPPUR/UFRJ __________________________________________ Prof. Dr. Aurélio Vianna da Cunha Lima Jr.

bem como identificar e analisar o impacto dessas estratégias nas políticas urbanas nacionais através da recuperação de documentos de projetos urbanos do Banco Mundial no Brasil. Às custas de um pequeno volume de empréstimos para infra-estrutura urbana. de diretrizes urbanas dos documentos de assistência ao país e diretrizes urbanas dos Planos Plurianuais (PPAs) do governo brasileiro. verifica-se uma ampliação dos projetos urbanos com o financiamento do Banco Mundial. presentes em suas agendas urbanas. há uma ampliação do raio de influência do Banco Mundial para a difusão de diretrizes para as cidades como um todo. iv RESUMO O Banco Mundial tem se convertido progressivamente no principal promotor de discursos sobre a urbanização mundial. . o que na realidade se configura como o sentido estratégico maior da mudança anunciada. quando confrontados. Nesta dissertação busca-se identificar e recuperar as estratégias urbanas deste ator. Verifica-se que as respectivas estratégias de redução dos obstáculos à elevação da produtividade urbana e desenvolvimento urbano sustentável presentes nas agendas urbanas do Banco Mundial apenas se diferenciam discursivamente. ao menos com os projetos representativos dessas estratégias no Brasil. No Brasil. essa especificidade estratégica entre os objetivos não se verifica. e os programas do recém-criado Ministério das Cidades.

. In expense of a small volume of loans to urban infrastructure. as well the impact of its strategies in national urban policies trough the recovery of urban projects documents World Bank in Brazil. it has been an enlargement of influence scope the World Bank to the diffusion of policies the cities as whole. In Brazil the urban projects with the Bank lending has increased. the strategic specificity among the objectives don’t is verified. This dissertation search to identify and recover the urban strategies of this actor. It verifies that the respective strategies of the obstacles reduction to increase urban productivity and sustainable urban development in World Bank urban agendas is scarcely differentiated in terms of discourse. as well the programs of new created Ministery of Cities. This fact is the greater strategic sense of announced change. v ABSTRACT The World Bank has been progressively the main discourse maker of the world urbanization. urban policies present in the Country Assistance Strategies (CAS) and in Multiyear Plans (PPAs) of the brazilian government. when confronted with the representative projects of these strategies in Brazil.

. vi À minha avó Hildeth (em memória). Graças por tudo o que sou. Ao meu avô Dálvaro (em memória). por saber conjugar amor e sabedoria. minha eterna gratidão por todo o seu amor e dedicação.

a minha querida e eterna professora Nanci. Geraldo Browne Ribeiro Filho. aos colegas pesquisadores das agências multilaterais de financiamento. a minha mãe Lêda Maria Portugal Viana e aos meus irmãos Hugo e Camila Portugal Viana de Lima. Vainer. à Joana Angélica e Natalie Viana Mota da Silva. ao professor e amigo Frederico Guilherme Bandeira de Araújo e a Aurélio Viana Júnior. a Luiza Miriam Ribeiro Martins e a Arquimedes Edições pelo apoio. . a Arquimedes Martins. aos amigos da turma de mestrado 2002. vii AGRADECIMENTOS Ao orientador Carlos B. pelo companheirismo. a Jussara Viana de Genaro. incentivo e amor. Pedro Fiori Arantes e Ana Claudia Cavalcanti. pela disposição de contribuir e avaliar este trabalho.

) Sólo le pido a Dios que la guerra no me sea indiferente. Autor:León Gieco Fragmento de canção interpretada por Mercedes Sosa . (. que la reseca muerte no me encuentre vacío y solo sin haber hecho lo suficiente. es un monstruo grande y pisa fuerte toda la pobre inocencia de la gente.. viii Sólo le pido a Dios que el dolor no me sea indiferente..

...........3 Consideração holística do desenvolvimento urbano (2000-) .................................................10 1......4 Eugene Black (1949-1963).............................2 Articulação da cidade ao contexto macroeconômico: Estratégia de produtividade urbana (1990-1999) ................................111 Referências Bibliográficas ..............................................................................................................................................................................9 Lewis T.................................................. 123 Apêndice Projetos Urbanos do Banco Mundial no Brasil..................3 John McCloy (1947-1949) ...........26 2.............................................67 3. 1 Introdução................... Conable (1986-1991) .................................2 Country Assistance Strategy (CAS)....21 1...........................................................6 Robert S..........40 Capítulo 3 Orientações e diretrizes do Banco Mundial nas Políticas Urbanas brasileiras: Documentos de Projeto e de Assistência ao País do Banco Mundial e documentos correlatos do Governo Brasileiro ..........................27 2.....................................................................22 1..........................................................................................................................2 Eugene Meyer (junho a dezembro de 1946)............................................................1 De projetos setoriais (1972-1981) a multisetoriais (1982-1989).18 1...........3 Capítulo 1 Panorama histórico do Banco Mundial da fundação aos dias atuais....................................................................... 129 ......................................... ix SUMÁRIO Apresentação.................................................................................................................................... social e político ............................................................................................................................9 1...........................................................................8 Barber B...............................................35 2................................................109 Conclusão.13 1...........................76 3............................................................................................. Preston (1991-1995).....................3 Plano Plurianual (PPA) ........................................................57 3..............................................................1 Antecedentes ............. McNamara (1968-1981) ................................57 3..............................10 James Wolfensohn (1995-).............22 Capítulo 2 Políticas Urbanas do Banco Mundial.............15 1.......................5 George Woods (1963-1968)................................................................................................................................................................17 1......................92 3.....................................................................4 Criação do Ministério das Cidades e a Construção de uma Nova Política Urbana Integrada........................................................... Contextos macroeconômico........................................................................5 Síntese......................................................14 1....................................................7 Alden Clausen (1981-1986) ...........20 1.....................................1 Documentos de Projeto do BM no Brasil .........................................................................................................

APRESENTAÇÃO .

devidas principalmente ao caráter de atualidade conferido a tal recorte. Posteriormente. Nos países em desenvolvimento. especificamente no caso brasileiro. na Bahia. diagnosticado a partir da disciplina de Agências Multilaterais e Planejamento. Vainer no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ). oferecida pelo Professor Carlos B. desde o início de seu setor urbano. Para verificar o rebatimento de conceitos do Banco Mundial nas políticas urbanas nacionais optou-se pela recuperação das diretrizes urbanas contidas nos respectivos documentos de projeto e documentos de país do Banco Mundial (documento estratégico relacionado ao plano geral de atividades e respectivamente às operações de empréstimo nos países membros). O primeiro passo dado foi o mapeamento das agendas urbanas do Banco Mundial. A identificação deste objeto se dá também em um contexto de relevância e significado que a problemática urbana constitui no país. As dificuldades de pesquisa inerentes ao tratamento de tal objeto foram muitas. bem como nos programas do Ministério das Cidades. para que pudéssemos identificar suas respectivas estratégias. pode-se notar a crescente influência de tal discurso nos últimos anos. Os documentos de projeto escolhidos dizem respeito ao Programa de Gestão e Desenvolvimento da Infra-Estrutura Urbana (PRODUR). 2 APRESENTAÇÃO O discurso das agências multilaterais de financiamento acerca das questões urbanas tem tido um papel central na difusão de modelos de política e planejamento das cidades em escala global. buscamos pesquisar o total de projetos urbanos brasileiros com financiamento do Banco Mundial. Este trabalho é fruto de um esforço de síntese e compreensão da política urbana do Banco Mundial. nos Planos Plurianuais do governo brasileiro. principalmente com a recente criação do Ministério das Cidades. e o Projeto .

optou-se pelo exame dos documentos de projeto (appraisals). Esperamos que este trabalho possa servir como uma modesta contribuição para a compreensão do papel desempenhado pelo Banco Mundial nas políticas públicas urbanas. 3 Prometrópole. Apontamos uma direção. não menos relevantes para a compreensão da problemática proposta. Inicialmente. porém. pensou-se na ida a campo. . mas muitas outras articulações deixaram de ser feitas neste curto espaço da dissertação de mestrado. no Recife. em especial o caso brasileiro. dadas as respectivas limitações de tempo e recursos financeiros.

INTRODUÇÃO .

Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos – NERU. Programa de Modernização do Setor de Saneamento II – CEF. dos quais oito destes estão em andamento no ano de 20041. Projeto de Desenvolvimento Urbano e Gestão de Recursos Hídricos PROURB – CE. é paradigmático2.C. As Políticas urbanas das agências multilaterais de cooperação internacional para países em desenvolvimento. sobretudo. Programa de Modernização do Setor de Saneamento II. um dos países que tem visto uma ampliação cada vez maior dos projetos urbanos do Banco. São Paulo. Moura Alexandrina Sobreira de (coord. 1996. 2 Melo. alguns estudiosos da questão urbana têm se dedicado a ela nos últimos anos. e ressalta os problemas decorrentes da generalização das políticas urbanas desenhadas internacionalmente para os países em desenvolvimento. Fundação Joaquim Nabuco. mas. Nele temos um ponto de partida e uma contribuição para a reflexão que traz à luz o rebatimento da estratégia urbana do Banco Mundial nesse período sobre as políticas públicas brasileiras. Edmundo. nesse contexto. Dada a importância desta problemática. Cátia Wanderley .). Também merece ser citado Edmundo Werna3. sem dúvida o trabalho de Marcus André B. Desde os anos 70 até os dias atuais o Brasil executou cerca de 37 projetos urbanos junto com o Banco Mundial. 1 Os projetos atualmente em atividade são: Projeto Prometrópole.C. Projeto Integrado de Desenvolvimento Municipal de Betim e Projeto de Gerenciamento da Poluição Costeira e Hídrica do Espírito Santo. Segundo Projeto de Água e Saneamento para a População de Baixa Renda – PROSANEAR II. que tem trabalhado há vários anos em pesquisa e consultoria sobre desenvolvimento urbano em países do Terceiro Mundo. Departamento de Ciência Política. Maio de 1991. Lubambo. Marcus André B. Cidades: Estratégias Gerenciais. não apenas do montante de empréstimos. Instituto de Pesquisas Sociais. Destes. Programa de Administração Municipal e Desenvolvimento de Infraestrutura Urbana – PRODUR (BA). Fundação Ford. 5 INTRODUÇÃO Desde o início de suas operações urbanas o Banco Mundial tem se convertido progressivamente no principal promotor de discursos sobre a urbanização mundial. Artigo da Revista Espaços e Debates número 39. O Banco Mundial e as Políticas Públicas Urbanas no Brasil : 1974-1990. Cátia Vanderley Lubambo e Alexandrina Sobreira de Moura. . de Melo. do ponto de vista da qualidade e densidade políticas dessas intervenções. de . 3 Werna. bem como a política urbana em geral do Banco vis -à- vis às instituições brasileiras de política urbana. essencial para que se compreenda a recente estratégia. Recife. O Brasil tem sido.

. A Cidade-Região. inseriu. da fundação aos dias atuais. 6 O recente documento “Cidades em Transição: Estratégia do Banco Mundial para os Governos Urbanos e Locais”4. ao menos. O capítulo 2 busca mapear e identificar as estratégias urbanas do Banco Mundial. Assim. Cities in Transition . na realidade. Regionalismo e Reestruturação no Grande ABC Paulista. DP&A Editora. Posteriormente. Jeroen Johannes. a especificidade dos mecanismos políticos que estão no centro das relações de poder no âmbito da coalizão local tendem a desaparecer. bem como a relação com outros setores da sociedade civil. o interesse comum entre os agentes que compõem as coalizões locais voltadas para o crescimento econômico local proclamado nessa nova estratégia urbana do Banco Mundial significa.18. a cidade como novo objeto de estudo da teoria neoclássica e da administração de empresas. pretende indicar uma grande mudança operada na estratégia do seu setor urbano para esse início de milênio: a passagem de uma estratégia que enfatizava a produtividade urbana para o que é qualificado como visão holística do desenvolvimento urbano. 2001. pp. Essa démarche estratégica. de acordo com Klink5. Os capítulos subseqüentes dizem respeito a esses dois momentos: O primeiro capítulo pretende fazer um breve panorama histórico do Banco Mundial. analisar como se conformou o perfil da intervenção do estado brasileiro nessa área. para num segundo momento. O termo produtividade urbana nunca foi claramente definido na literatura desde a sua introdução no começo da década de 1990 pelo Banco Mundial. a proclamação do fim ou. Rio de Janeiro. apesar de sua transformação em conceito central. a redução da importância dos conflitos intra-urbanos entre as diferentes classes sociais. sendo o primeiro sub-período caracterizado pelo apoio a projetos específicos e o 4 The World Bank Infraestructure Group Urban Development. a análise do papel desempenhado pelo Banco Mundial exige que se identifiquem as estratégias perseguidas ao longo do tempo. assinalando uma série de novas preocupações do gerenciamento urbano com a eficiência e o estilo empresarial na condução das políticas urbanas. de modo sutil.World Bank Urban and Local Government Strategy. No caso brasileiro. configura o nascimento do seu setor urbano. elaborado pelo grupo de infra-estrutura e desenvolvimento urbano do Banco Mundial em 2000. 2000. Washington. que de acordo com a periodização aqui utilizada. o primeiro item diz respeito à política urbana do Banco Mundial de 1972-1981 e 1982- 1989. Assim. por ser complexa a trajetória das políticas públicas urbanas. 5 Klink.

onde os projetos tendem a ser cada vez mais multisetoriais. O capítulo 3. Sendo o Plano Plurianual o instrumento de governo para a orientação do planejamento e a gestão da administração pública para o período de quatro anos. que é um documento estratégico relacionado ao plano geral de atividades e às operações de empréstimo do Banco Mundial nos seus países membros. analisar alguns documentos que possibilitem essa identificação: 1) Dois projetos urbanos do Banco Mundial no Brasil – Programa de Gestão e Desenvolvimento da Infra-estrutura Urbana (PRODUR) e Projeto Recife Prometrópole. algumas questões são suscitadas nesse trabalho: Seria a nova estratégia urbana do Banco Mundial uma forma de enfrentar a realidade cambiante ou de produção de um novo formato de legitimação e difusão de práticas e conceitos produzidos por esse ator? Nesse sentido. criado em 2003.identificando o impacto das orientações e diretrizes do Banco nas políticas urbanas nacionais. cuja estratégia central refere-se à consideração holística dos problemas urbanos. seriam encontradas nessa recente estratégia. onde estão definidas as metas físicas e financeiras dos orçamentos anuais. O segundo item refere-se ao período de 1990-1999. 2) Diretrizes urbanas dos Documentos de Assistência ao País (Country Assistance Strategy-CAS) do Banco Mundial. buscando associar cada vez mais a performance macroeconômica e sua correspondência no nível urbano. propondo a superação do recorte territorial da habitação. por fim. num contexto de difusão de conceitos. do saneamento e do transporte (mobilidade) e trânsito para integrá-los levando em consideração o uso e ocupação do solo. A partir daí. associado à entrada em cena da estratégia de produtividade urbana do Banco Mundial. idéias e modelos de política e planejamento urbano sob a lógica neoliberal. Busca para tanto. O último item apresenta a nova política urbana do Banco Mundial e seus instrumentos de implementação. 4) As ações e programas do Ministério das Cidades. continuidades e referências concernentes a produtivização das cidades? Qual o significado a ela associado? De que forma? . com o objetivo da construção de uma nova política urbana integrada. que correspondem respectivamente às agendas urbanas associadas à estratégia da produtividade e à da consideração holística dos problemas urbanos. 3) Diretrizes urbanas dos Planos Plurianuais (PPAs) do governo brasileiro. 7 segundo por uma transição. está relacionado ao segundo momento .

por conseguinte. bem como as ações e programas do Ministério das Cidades. Documentos de País CAS 1998 CAS 2003-2007 do Banco Mundial Planos Plurianuais do PPA 1996-1999 PPA 2004-2007 Governo Brasileiro e PPA 2000-2003 Ações e Programas do Relatórios do Ministério das Ministério das Cidades Cidades Acredita-se que a recuperação e análise das concepções e ações do Banco Mundial permitirão iluminar muito dos aspectos do que têm sido as políticas urbanas dos governos brasileiros nos últimos anos. a partir da articulação de duas questões relacionadas ao perfil de intervenção urbana do Banco Mundial no Brasil: 1) Existem indícios de mudança de orientação estratégica da agenda urbana do Banco Mundial nos projetos propostos e em execução no Brasil? 2) Em que medida as definições de política urbana do Banco Mundial estão presentes e se difundem na política urbana brasileira? A primeira questão será baseada na análise da correspondência entre as agendas urbanas do Banco Mundial e os documentos de projeto – chamados Appraisals – no Brasil. recém-criado em 2003. relaciona as diretrizes urbanas do Banco Mundial contidas em seu Documento de País (Country Assistance Strategy-CAS) aos Planos Plurianuais (PPAs) no Brasil. 8 Em seguida pretende – se verificar os limites e possibilidades de aplicação dos conceitos do Banco Mundial na realidade brasileira. . Estratégia de Tipos de Documentos Produtividade Estratégia Holística Analisados Urbana Agenda Urbana do Banco Agenda dos anos 90 Agenda 2000 Mundial (Cidades em Transição) Documentos de Projeto Programa de Gestão e Recife Prometrópole (Appraisals) no Brasil Desenvolvimento da Infra- Estrutura Urbana (PRODUR) A segunda questão.

CAPÍTULO 1 .

os investidores americanos – grandes ou pequenos – eram os únicos que poderiam investir além de suas fronteiras. empresas e fundos de instituições religiosas. A depressão global dos anos 30 se aprofunda com a retirada dos investidores americanos do mercado mundial. mantendo altas tarifas. 10 CAPÍTULO 1 PANORAMA HISTÓRICO DO BANCO MUNDIAL DA FUNDAÇÃO AOS DIAS ATUAIS. e forçando o pagamento das dívidas de guerra. “entre 1914 e 1918. sendo o golpe fatal para o comércio de títulos estrangeiros. CONTEXTOS MACROECONÔMICO. SOCIAL E POLÍTICO 1. Segundo Catherine Caufield6. além de dificultar – quando não impossibilitavam – aos devedores o pagamento de seus empréstimos.1 Antecedentes A Primeira Guerra Mundial representa um marco para a comunidade financeira internacional. O período inicial que se segue à emergente ascensão americana na comunidade internacional. Os Estados Unidos começaram a adotar irresponsáveis vendas de títulos. que prejudicavam a solvência dos investimentos privados que estavam encorajando. Enquanto o resto do mundo necessitava de dinheiro para sua reconstrução. Os Estados Unidos emergem da guerra como a única nação industrializada com sua base manufatureira intacta. entretanto. . mais de 17 bilhões de dólares válidos dos títulos estrangeiros se localizava nos Estados Unidos”. não se dá sem conflitos. O colapso de investidores privados tornou-se inevitável. títulos estes que se tornaram populares pelas altas taxas de retorno. sendo emitidos tanto por governos nacionais. Em face destes acontecimentos. como pelas províncias e cidades. entre outros.

que em 1934 havia deixado uma carreira de professor de Harvard para juntar-se ao Departamento do Tesouro. Existia um medo propagado de que a paz pudesse trazer um retorno às ruinosas batalhas de comércio. 11 seguem-se desvalorizações de moedas e barreiras de comércio por parte dos países como danosas medidas de retaliação. John Maynard Keynes. Este livro é usado como bibliografia principal na construção deste capítulo. Começa a se tornar visível. não eliminou suas causas. Assim. Entretanto os Aliados – em particular os Estados Unidos e a Inglaterra – estavam convencidos de que sua segurança futura dependia em muito da reforma do comércio internacional sob o comando dos vencedores de guerra 7”. em um esforço para manter seu conjunto do curto mercado mundial. 6 Caufield. devendo também.39 8 Ibidem pp. Em 1941 ele propôs um plano para o estabelecimento de um “fundo de estabilização” para auxiliar no equilíbrio da taxa de câmbio mundial.41 . as quais tem uma história de atalho para batalhas de outra natureza. Henry Holt and Company. The World Bank and the Poverty of Nations. emitir sua própria moeda. proeminente economista da época. Para White o fundo e o banco necessitavam um do outro. e o segundo no aumento da capacidade destes para o comércio. que nenhuma nação industrial poderia se isolar da economia global. Keynes possuía a esperança de que ela pudesse ser o “início do futuro governo econômico do mundo” 8.32. para Caufield. Começam a surgir então as primeiras propostas para uma nova ordem econômica do pós-guerra. Masters of Illusion. 7 Idem. entre outras coisas. 1996. De acordo com Catherine Caufield. que seria chamada bancor. e um “banco para reconstrução e desenvolvimento” para investir nos países destruídos de guerra e nos países pobres. então. pp. com um banco central para as nações do mundo. New York. O primeiro ajudaria a criar um clima estável para o comércio internacional pela harmonização das políticas monetárias de seus membros. “apesar da II Guerra Mundial ter interrompido este espiral. Mais radical que White. elaboradas inicialmente por um economista americano chamado Harry Dexter White. Pp. também possuía um plano. Catherine. e que havia servido como conselheiro do Tesouro Britânico. a proposta de Keynes referia-se a uma cooperação econômica global através da união monetária internacional.

Em seguida conduzindo a proposta para um banco mundial9”. devendo apenas conceder empréstimos de alto risco. os países com excesso de moeda estrangeira por um longo tempo contribuíam tanto para o desequilíbrio internacional como aqueles que não podiam restituir seus parceiros de comércio. O governo do Banco seria feito por seus membros. com votos proporcionais à sua contribuição financeira. ou apenas Banco Mundial. BIRD. o próprio Banco Mundial achou que deveria oferecer empréstimos com as mais baixas taxas de retorno que as dos financiadores privados. A convite do presidente americano Franklin Roosevelt. Assim. ou seja. muitos bancos relutavam em emprestar. para discutir o proposto Fundo Monetário Internacional. Porém. próximo ao resort de Bretton Woods em New Hampshire’s White Mountains. A tese de Keynes. então desapontado pela não aceitação de sua proposta de união monetária. como narra Caufield. Os outros 80% restantes apenas seriam necessários na situação de cobertura de déficits. 12 Em 1943 autoridades americanas e britânicas encontraram-se em Washington para discutir as propostas de White e Keynes. De acordo com Caufield. Keynes. ou seja. Originalmente. quando a taxa de câmbio não fosse razoável a estes bancos. apesar de este já haver sido debatido nos anos anteriores. gerou um grande mal-estar entre os americanos – então os maiores credores do mundo – ao sustentar que o desequilíbrio no comércio era responsabilidade tanto das nações devedoras quanto das credoras. Ele deveria começar a vida com aproximadamente 10 bilhões de dólares. durante esta conferência o banco provou ser menos controverso que o fundo. mesmo com a garantia. O resultado do encontro fundiu os dois planos dentro de uma proposta – dando mais ênfase ao plano White – para o “estabelecimento de uma ‘instituição permanente para cooperação monetária internacional’ a ser conhecida como Fundo Monetário Internacional. o Banco Mundial não possuía a intenção de competir com bancos privados. sendo Estados Unidos e Inglaterra seus maiores contribuintes. mas garantir empréstimos feitos por esses financiadores. Além 9 Ibidem pp. contribuindo para sua inserção no programa de Bretton Woods. Planejou-se então que viria a ser chamado de Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento.41 . para uma conferência no Mount Washington Hotel. os Aliados se reúnem em 1944. aderiu à proposta do banco com entusiasmo e tornou-se seu porta-voz. 2% da subscrição de cada membro seriam colocados em ouro ou em dólar e 18% em sua moeda nacional.

a responsabilidade diária do Banco ficaria com um conselho executivo a ser composto de doze executivos de dedicação integral. Geórgia. Como relata Caufield. África do Sul e Venezuela haviam assinado o acordo. usualmente o ministro da fazenda de um país e o presidente do seu banco central. Este encontro. Como cita Caufield um pesquisador dos primeiros anos do Banco. Ibidem pp. como a poucos dias do término do prazo apenas os Estados Unidos. onde essa abordagem é predominante. o Banco e o Fundo – não sem controvérsias11 – formalmente começaram a funcionar. 10 Todas as ratificações posteriores dos países encontram-se na cronologia completa do Banco Mundial. a reunião inaugural do Conselho de Administração do FMI e do Banco Mundial. http://www. sendo que esta junta deveria se encontrar apenas poucas vezes ao ano. 13 disso. firma-se acordo para posicionar as sedes do FMI e do Banco Mundial em Washington e são eleitos os primeiros diretores executivos das duas instituições. Em março de 1946 é realizada em Savannah. entretanto. na cerimônia de assinatura do Departamento de Estado Americano. como Keynes julgava essencial. com isso. o Banco seria controlado por uma junta de governadores composta de um representante de cada nação membro. forma aqui utilizada devido à literatura norte-americana. e os americanos fortemente descontentes.org/about us/history/archives/chronology 11 Estas controvérsias se deram particularmente com os Britânicos. São adotadas leis complementares. 1.worldbank. Porém. “os Britânicos retornaram de Savannah sentindo que o Banco e o Fundo eram nada menos do que esquemas dos Estados Unidos para ganhar controle do comércio mundial. Eles se opuseram à seleção de Washington como lugar para o Banco e o pagamento de altos salários para as autoridades e diretores executivos e foram sobrepujados pelos Estados Unidos em ambas as questões”.2 Eugene Meyer (junho a dezembro de 1946)12 Não foi tarefa fácil inicialmente encontrar um americano disposto a ser presidente do Banco Mundial. Também foi acertado que a localização do Banco seria nos Estados Unidos e que o Inglês seria sua linguagem oficial. estava assentado sobre um número de questões não resolvidas dos Britânicos liderados por Keynes. muitas outras nações deveriam ratificar o acordo antes que o Banco e o Fundo começassem a operar oficialmente. Entretanto. assinado pelo Presidente Harry Truman em 31 de julho de 1945. a seguir. Na seqüência dos acontecimentos o congresso americano aprovou o Bretton Woods Agreement Act. No centro estava a questão de se o Banco deveria ser livre de toda interferência política.47 12 A cronologia do Banco Mundial. se dá a partir da sucessão de seus presidentes. Um dos problemas de que nos fala Caufield é o ceticismo do mundo financeiro a respeito da nova instituição. as adesões restantes foram feitas no decorrer do funcionamento das instituições10. nenhum financista de estatura estava disposto a nela arriscar sua reputação. em 27 de dezembro de 1945. Então. .

freqüente na literatura do Banco Mundial. Meyer renuncia.3 John McCloy (1947-1949) Com todos esses acontecimentos. insistia em um procedimento cauteloso. John McCloy. o que trazia para o Banco um escrutínio de cada projeto para assegurar o retorno do seu investimento. e em dois meses havia feito o seu primeiro financiamento – 250 milhões de dólares para a França. o que preocupava os Estados Unidos. que desejava condições mais flexíveis para as economias avançadas da Europa. Os Estados Unidos pressionavam o conselho14 para que o Banco começasse imediatamente a disponibilizar o fluxo de investimentos e Meyer. Esta postura de Meyer entrou em conflito com a administração Truman. Em um cenário não menos desesperador que o anterior. . além da imediata disponibilização dos fundos. Sua convocação se deu com um certo grau de desespero. sendo seu primeiro presidente e aquele que terá o mais curto mandato. Dinamarca e Luxemburgo. editor do Washington Post.50 14 “Conselho” é aqui utilizado como tradução do termo “staff”. aceitou o convite para presidir o Banco Mundial. em dezembro de 1946. um jurista de Wall Street e assistente de guerra. 1. 14 Em junho de 1946. não conhecia o que era um conselho internacional” 13. para Holanda. após seis meses apenas no cargo. seguido por três mais. Com isso. mas apenas para projetos ou programas 13 Ibidem pp. ao contrário. pairava uma aura de falência sobre o Banco. para que fosse adquirida confiança de Wall Street. ele também insistia que não deveria ser feito nenhum empréstimo para países em desenvolvimento devedores até que estes negociassem o pagamento fixado com seus credores. Dados a frustração e os conflitos existentes. Devido ao pouco capital financiável. Eugene Meyer. McCloy assumiu em março de 1947. pois “ele não possuía nenhuma das condições. é nomeado pelo então presidente americano Harry Truman para a presidência do Banco. Ele continuou emprestando dinheiro para Europa e Japão durante os anos 50 e 60. ficou imediatamente claro que o Banco não possuía meios para financiar a reconstrução européia.

Eugene Black. um programa com 12 bilhões de dólares de ajuda para a Europa Ocidental. Com ele. Quase todo empréstimo do Banco era então condicionado à adoção de uma ou mais reformas pertinentes. assim. e América Latina. Ásia. O primeiro empréstimo do Banco para o desenvolvimento foi feito para o Chile – 13.5 milhões de dólares para uma barragem – em março de 1948. 1. McCloy deixa a presidência do Banco. recusava-se a emprestar dinheiro até que fossem pagos os débitos existentes no exterior. não apenas restringia “seus próprios investimentos à infra-estrutura industrial. mas também desencorajava países em desenvolvimento no empreendimento de projetos sociais com seu próprio dinheiro15”. assume a presidência do Banco Mundial. Sua preferência por projetos de infra- estrutura tinha uma profunda influência sobre os países clientes. o Banco começou a impulsionar reformas nessas áreas. com apenas dois anos do seu mandato de cinco. os países em desenvolvimento necessitavam de políticas eficientes e competentes burocracias. É nesse clima que a Subcomissão das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Econômico sugeriu que as Nações Unidas 15 Ibidem pp. como se sabe. e sob sua direção. O Banco.4 Eugene Black (1949-1963) Em junho de 1949. isto porque McCloy. A reconstrução européia. Já no início dos anos 50 o Banco estava enfrentando problemas com os países pobres que haviam exaurido seu potencial de crédito. ficou a cargo do Plano Marshall. A moderna infra-estrutura era vista pelo Banco como essencial à industrialização e como a chave para o crescimento econômico. como Meyer antes dele. Em 1949. Para Black. um dia depois que o Chile alcançou um acordo com seus credores estrangeiros. o Banco finalmente possuía mais do que um líder transitório. passou a se concentrar no desenvolvimento da África. então. que havia sido nomeado diretor executivo americano.64 . assim como de moderna infra-estrutura. 15 específicos.

) uma força na academia. Entretanto. Sendo uma entidade separada e distinta do Banco. criada em 1988 para oferecer aos investidores privados em países em desenvolvimento seguro contra perdas devidas a instabilidades políticas. Vale ressaltar que o conceito de desenvolvimento do Banco Mundial estava intrinsecamente relacionado ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países através da promoção de mais rápido crescimento da produção da média e larga escala manufatureira e da agricultura comercializada. contornando o mais novo e emergente campo da teoria do desenvolvimento. sendo dirigida pelo presidente do Banco Mundial. que também escolhe o chefe executivo da CFI. a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). para concessão de empréstimos para países pobres sobre mais fáceis condições. (. coordenando o financiamento de outras agências prestadoras de auxílio17”. designando-lhe a tarefa de promoção do desenvolvimento econômico através de empréstimos e investimentos em companhias privadas. AID e CFI. fundado em 1966 para arbitrar disputas entre governos e investidores privados. possui seu próprio chefe executivo e seu próprio corpo administrativo. 17 Ibidem pp.73 . Apesar de inicialmente ser contrário à idéia. No entanto.. Oito dos seus vinte e um maiores projetos foram também para estradas de ferro ou rodovias. Além disso.) tornou-se a agência não oficial de planejamento para o terceiro mundo. Black devotou a ela mais do que um quarto do seu financiamento. o Grupo do Banco Mundial é composto além do BIRD. seu corpo de diretores é composto dos mesmos indivíduos que estão no BIRD e AID. de duas agências menores: o Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (ICSID). (. e Agência Multilateral para Garantia de Investimentos (MIGA).. 16 considerassem o estabelecimento de uma nova agência que deveria conceder empréstimos sob condições mais razoáveis para países que não estavam aptos a obter empréstimos do Banco Mundial. 16Atualmente.16 Sob a liderança de Black. em 1958 Eugene Black aceitou a inevitável proposta de que o Banco estabelecesse uma agência associada.. Em 1956 o Banco já havia criado a Corporação Financeira Internacional (CFI). a AID não foi a primeira ramificação do Banco Mundial. o Banco foi mais do que um financiador: “tornou-se um mediador em disputas entre nações. como ressaltado por Caufield.. Sendo a construção de barragens a mais popular forma de desenvolvimento do mundo.

entrou na presidência com uma maior compreensão do Banco e do Terceiro Mundo do que qualquer predecessor seu havia tido18”.88 19 Lichtensztejn e Baer. 17 sob sua direção.89 21O controle demográfico também tem sido um dos pontos estratégicos mais conhecidos do Banco Mundial. “por ter participado de várias missões delicadas para o Banco enquanto ainda era um cidadão privado. a ponto de haver fundado um departamento de projetos demográficos em 1969. especialmente na África. proeminente banqueiro de Nova York. estava ganhando sua independência e juntando-se ao Banco. 18 Ibidem pp. Entre 1954 e 1964 o número de membros salta de 56 para 102 nações. em janeiro de 1963 Black deixou a presidência.5%. o Banco também fez centenas de pequenos empréstimos. Woods. Ao assumir o cargo. Em duas décadas de desenvolvimento. Outro problema era que. Em seu relatório “Parceiros no Desenvolvimento” editado em 1969. o mais longo da história do Banco. Durante esse período uma grande quantidade de territórios coloniais. 20 Caufield. apesar do crescimento dos países em desenvolvimento ter alcançado a média de 5% ao ano. Estratégias e Políticas do Poder Financeiro. .5 George Woods (1963-1968) O sucessor de Eugene Black foi George Woods. a Comissão Pearson questionou a atenção exclusiva conferida ao crescimento econômico dos países subdesenvolvidos e “preveniu quanto às necessidades de redefinir as funções do Banco e de torná-las mais atentas aos desequilíbrios sociais internos e à marcha da economia internacional19”. entre outros assuntos. Geoge Woods constituiu uma comissão internacional de alto nível liderada pelo ministro canadense Lester Pearson para estudar. quando confrontado ao crescimento populacional21 resultava um incremento da renda per capita de 2. o abismo entre os mais ricos do mundo e os pobres estava sendo ampliado.pp. Além disso. Após um mandato de treze anos. destacou que países em desenvolvimento estavam usando uma imensa proporção dos seus empréstimos simplesmente para pagar empréstimos anteriores20. Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial. o tamanho da dívida dos países em desenvolvimento. ainda antes de seu discurso de redução da pobreza. bem como numerosos financiamentos para países industriais. 1.

18

Outro fato relevante é o maior envolvimento do Banco na vida econômica dos países
tomadores de empréstimos, o que se verifica, entre outras coisas, pelo aumento do seu
conselho econômico de vinte para mais de duzentos durante a presidência de Woods. Para
Woods, em virtude da crise do pagamento das dívidas que se avizinhava, o futuro do grupo do
Banco Mundial estava condicionado a que a Associação Internacional de Desenvolvimento
(AID) se tornasse mais importante que o financiamento convencional do BIRD.

1.6 Robert S. McNamara (1968-1981)

Em junho de 1968 Robert Strange McNamara assume a presidência do Banco. Ele
havia sido presidente da Ford Motor Company e Secretário de Defesa dos Estados Unidos
durante a guerra do Vietnã.22
Para McNamara, o Banco deveria investir primariamente em serviços sociais
básicos almejados pelos pobres. O novo slogan do Banco passa a ser “Redistribuição com
Crescimento”. É importante ressaltar, contudo, que McNamara não estava propondo uma
pauta revolucionária para o Banco. Caufield sugere que seu entendimento era de que o
Banco deveria colocar sua ênfase primária não sobre a redistribuição de renda e riqueza,
mas sobre o aumento da produtividade dos pobres, providenciando desse modo uma mais
justa divisão dos benefícios do crescimento. Dessa forma, o Banco não buscaria
prosperidade para os pobres às expensas dos ricos.
Através de sua insistência sobre os empréstimos, o Banco ajudou a assegurar que
seus clientes deveriam manter os pagamentos. McNamara acreditava que dado suficiente
investimento, o Terceiro Mundo experimentaria um crescimento nos ganhos com
exportação que ajudariam no pagamento dos seus débitos e a escapar do círculo vicioso no
qual estava enredado. Assim, elevou o empréstimo anual do Banco de menos de um bilhão
de dólares em 1968 para mais de doze bilhões em 1981. Em treze anos, McNamara
emprestou mais de 77 bilhões, e para acompanhar o passo do aumento de empréstimos, ele
duplicou o tamanho do conselho em um ano, e triplicou em três.

22 Interessante filme a ser visto sobre esse período é “ Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições de Robert
McNamara”, Oscar de melhor documentário em 2004. Dirigido por Errol Morris, o filme traz em seu elenco,
além do próprio Robert McNamara, Fidel Castro, Barry Goldwater, Lyndon Johnson, Jonn F. Kennedy,
Curtis LeMay e Richard Nixon. Baseado em A Arte da Guerra, de Sun Tzu, o filme também é dividido em
“lições” do próprio McNamara, que vão desde ter empatia com o inimigo até reconhecer os próprios erros.
O filme ainda examina a psicologia dos tomadores de decisão do governo americano responsáveis por enviar
homens para a guerra do Vietnã.

19

Segundo Caufield, apesar da retórica apaixonada de McNamara ter criado a
impressão de que o Banco estava agora se concentrando em lutar contra a pobreza, suas
estatísticas, entretanto, mostravam outra coisa. A maior parte dos 77 bilhões de dólares
emprestados durante sua presidência foi para a industrialização através de tradicionais
projetos de infra-estrutura como rodovias, barragens, gasodutos, portos, entre outros; e
menos de 10 por cento para educação, saúde, planejamento familiar, suprimento de água e
esgoto, e outros problemas que deveriam ajudar os pobres diretamente.
No final do mandato McNamara, um terço do financiamento do Banco havia ido
para a agricultura, promovida ao estilo ocidental, de capital intensivo, onde se requer mais
terra e mais acesso ao crédito do que o possuído pelos pequenos agricultores. Data desta
época a tristemente famosa Revolução Verde, tendo os pesticidas representado 10 por
cento do financiamento da agricultura do Banco. Além disso, em muitos casos, os
empréstimos do Banco deveriam ser usados apenas para aquisição de maquinarias
modernas, fertilizantes e outros escolhidos pelo Banco ou seus conselheiros técnicos.
Com relação ao problema da pobreza urbana, o Banco fez pouco nos seus
primeiros trinta anos. De fato, quando começou a operar, os países em desenvolvimento
eram predominantemente rurais; no entanto, uma conseqüência do desenvolvimento havia
sido uma dramática mudança do campo para a cidade. Os empréstimos urbanos anteriores
do Banco haviam sido concentrados sobre grandes projetos industriais e de infra-estrutura,
sem quaisquer benefícios diretos para os pobres ou aumento na capacidade das cidades
para absorver essas populações. A partir de 1972 é que o Banco começa a elaborar um
programa para o conjunto das questões especificamente urbanas.
Com o avanço da década de 70 a dívida externa dos países em desenvolvimento
aumentava cada vez mais. De menos de 100 bilhões de dólares em 1972 ela se eleva para
mais de 600 bilhões em 1981. Segundo Caufield, a maior quebra no sistema apareceu em
junho de 1976, quando o Zaire parou de fazer pagamentos sobre os seus mais de 700
milhões de dólares de dívida aos bancos privados. Em seguida foi a vez do Peru, crises na
Turquia em 1978, Irã em 1979, e Polônia em 1981.
Para os banqueiros, então como agora, o relevante não era a capacidade de um
governo para pagar seus empréstimos, mas um constante suprimento com novos
empréstimos que pagariam os velhos. Em 1982 a situação tinha se tornado
verdadeiramente absurda, com a América Latina obtendo em empréstimos centenas de
bilhões de dólares ao ano, e gastando tudo no pagamento de seus débitos passados.

20

No final de seu mandato, McNamara reconheceu que seus doze anos de ataque à
pobreza não haviam tido o impacto esperado, e que o Banco possuía um papel central
nisso. Por décadas ele havia absolutamente ignorado toda a evidência de que a dívida no
mundo em desenvolvimento estava ficando fora de controle; tendo encorajado seus
clientes a assumir cada vez maiores empréstimos, alcançando sucesso através do aumento
do seu financiamento.
A partir daí, o Banco decidiu fazer grandes empréstimos emergenciais para ajudar
os países no impedimento de uma crise da balança de pagamentos. Estes chamados
empréstimos de ajuste estrutural estariam disponíveis apenas para países que aderissem à
reforma de suas economias, conforme as diretrizes do Banco.
De acordo com os Articles of Agreements do Banco Mundial, os empréstimos para
não-projetos apenas seriam permitidos em “circunstâncias especiais”; contudo, ao contrário
dos outros financiamentos para não-projetos anteriores, os empréstimos de ajuste
estrutural eram uma peça central de sua estratégia de desenvolvimento.
O conselho do Banco assegurou que apenas países que já tivessem adotado um
programa de estabilização do FMI seriam elegíveis para empréstimos de ajuste estrutural
assim que a crise da dívida irrompeu.
McNamara não presidiu o Banco sob a política dos empréstimos de ajuste durante
muito tempo, retirando-se em junho de 1981.

1.7 Alden Clausen (1981-1986)

Em 1981 Alden Clausen, líder do Banco da América, o maior banco comercial do
mundo, é escolhido pela recém – instalada administração Reagan para suceder Robert
McNamara.
Segundo Caufield, Clausen mudou o foco do Banco do problema da pobreza para o da
promoção do crescimento econômico, especialmente através do setor privado, tomando como
caminho a liberalização econômica. Assim, o Banco estava convencido de que os mecanismos
de mercado poderiam resolver muitos problemas enfrentados por seus tomadores de
empréstimos – inflação, desemprego, pouco investimento, pobres serviços públicos,
ineficientes burocracias públicas, insustentáveis débitos e ausência de liberdade pessoal.
Como parte de sua estratégia de desenvolvimento, os empréstimos eram
condicionados à adoção de reformas tanto legais como econômicas. Se apenas países nas

Em junho de 1986. Também é no período de sua gestão. Segundo Caufield. Durante os anos de Clausen na presidência do Banco foram feitos mais de 10 bilhões de dólares do valor de empréstimos de ajuste para trinta e oito países. Em sua estratégia para recuperar a imagem do Banco. que emergem ativistas ambientais em todo o mundo em oposição ao Banco. Conable começa reconhecendo publicamente a validade das muitas críticas sobre os impactos sociais dos empréstimos de ajuste. Conable (1986-1991) Barber Conable. além de criar um departamento ambiental central para conduzir políticas ambientais e diretrizes para o resto do Banco. de fato o Banco havia criado uma repartição ambiental em 1970. que em um curto espaço de tempo passara a ser visto como um inimigo dos pobres e do meio ambiente. um antigo e popular congressista do oeste de Nova York. . a presidência de Barber Conable foi pouco expressiva. deixou muitos países nessa posição. 21 mais desesperadas circunstâncias poderiam aceitar intrusão em sua soberania.8 Barber B. existia uma grande expectativa sobre Conable de que pudesse melhorar a imagem pública do Banco. 1. e retorna ao Banco da América. Assim. sendo possível então ao país alcançar uma sustentável balança de pagamentos. Conable expandiu e reestruturou o minúsculo departamento de ambiente. Para Caufield. denunciando os altos custos sociais e ambientais de seus projetos. Inicialmente. ele sustentava que os danos teriam sido piores sem a sua participação. a crise da dívida. bem antes que qualquer outra instituição de desenvolvimento o tenha feito. porém apesar de o Banco começar a admitir os altos custos sociais e ambientais de seus projetos. De acordo com Caufield. é convocado pelo então presidente americano Ronald Reagan para suceder Clausen. A previsão era de que o ajuste para qualquer país requeria não mais que cinco empréstimos e deveria ser completado em três a cinco anos. Clausen deixa a presidência do Banco Mundial onde havia estado por cinco anos. tornando-o um pouco mais “agressivo” na divulgação de suas atividades ambientais. as manifestações do Banco sobre ajuste estrutural foram otimistas. no entanto. ele apenas serviu por cinco anos e retirou-se em agosto de 1991.

1. Preston passa a condenar veementemente as ONGs críticas do Banco. Quando ele assume. Entre 1990 e 1994 o Banco Mundial adquiriu 25 novos membros23. sucedeu Barber Conable na presidência do Banco em setembro de 1991. o Banco começava a mudar seu enfoque de financiador. grande banqueiro internacional. sendo criado um Centro de Informação Pública (Public Information Center – PIC). Além disso. De acordo com Caufield.9 Lewis T. . por meio do qual o público poderia obter simplificados sumários de projetos preparados especialmente para publicação. o compromisso público inicial de Preston foi assegurar que os empréstimos do Banco produzissem os benefícios que anteciparam aos devidos países no momento de sua aprovação. Em agosto de 1993. numerosas avaliações internas nos últimos vinte anos haviam apontado que o avanço de carreira no Banco dependia quase inteiramente da quantidade de dinheiro que um funcionário havia ajudado a emprestar. Preston (1991-1995) Lewis Preston.10 James Wolfensohn (1995-) 23 Fato ocorrido também trinta anos antes com os novos países independentes da África e Ásia. 22 1. que iam desde o excesso de viagens de funcionários do Banco na primeira classe à subestimação do número de pessoas deslocadas compulsoriamente pela construção de barragens bem como de seus numerosos danos e a sua não-reparação. sobretudo da qualidade do desenho do projeto ou de sua implementação. e não. É feita também uma revisão de sua estratégia de Relações Públicas. quase todos da antiga União Soviética ou seus satélites do leste. para se converter em uma instituição cada vez mais baseada no conhecimento. Além disso. Assim. É desse período também um expressivo aumento do número de membros do Banco devido à queda do Muro de Berlim em 1989. o Banco enfrentava escândalos denunciados por ONGs. o conselho aprovou uma nova política de informação comprometida com uma maior abertura.

banqueiro de investimento australiano naturalizado americano. queriam dar a Wolfensohn uma chance. o mais imediato problema enfrentado pelo Banco quando Wolfensohn assumiu era o possível colapso da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). especialmente os mais pobres” – é desta maneira que o Banco pretenderá ver-se e ser visto. é escolhido pelo presidente Clinton para suceder Lewis Preston. Wolfensohn teve um dramático início na presidência. Entretanto. “O Banco Mundial: Um parceiro no fortalecimento das economias e expansão dos mercados para aumentar a qualidade de vida de toda a população. o que para Caufield tornou muito mais difícil a sustentação das contínuas críticas feitas pelas ONGs ao Banco Mundial.15%. e a mais baixa dos membros da OCDE. Conforme relata Caufield. Com Wolfensohn o Banco passará a declarar-se firmemente comprometido com o combate à pobreza. Em discursos públicos e aparições perante o congresso. e outras. ele enfatizou que através de cortes nos fundos da AID. James Wolfensohn havia solicitado uma moratória sobre o criticismo para o resto daquele ano. informando que planejava dedicar seus primeiros meses em visitas aos países clientes do Banco. Ele reiterava. sendo uma das ferramentas fundamentais a reestruturação burocrática. a contribuição americana para ajuda externa equivale a aproximadamente 0. . Como todos os presidentes do Banco Mundial. Em encontro com ONGs de vários países um pouco antes de assumir a presidência. 23 Após quatro meses de presidentes interinos. mas ao contrário. e formando sua visão sobre o caminho a ser tomado. De acordo com Caufield. Vale ressaltar que como porcentagem do seu PIB. freqüentemente bloqueava as parcelas. destruindo. menos da metade do que era em 1970. além disso. O problema envolvia o congresso americano. O Banco passa assim a empreender a tarefa de obter apoio do congresso para a AID. o Congresso não estava reformando a instituição. quando logo após tomar posse decidiu unilateralmente não financiar a controversa barragem Arun Dam no Nepal. por mais que a administração americana se comprometesse com as contribuições. ser a base social da AID as três bilhões de pessoas mais pobres do mundo. que apesar de sua história de apoio aos fundos para AID. James Wolfensohn. algumas ONGs diminuíram suas críticas. Wolfensohn iniciou seu trabalho determinado a trazer mudanças.

juntamente com o Fundo Monetário Internacional. 24 Este fundo refere-se ao Programa de Alívio da Dívida chamado Iniciativa pelos Países Pobres Pesadamente Endividados (Heavly Indebted Poor Countries Initiative – HIPCI). quatro bilhões de dólares. onde o pagamento das dívidas deve facilitar a sucessão de novos empréstimos. mas para suas populações. das quais o Banco e o Fundo eram as maiores Como os empréstimos feitos para o propósito da redução da dívida não estavam incluídos nos específicos projetos de investimento a que se referem as cláusulas dos Articles of Agreements. sendo 10 bilhões apenas para o Banco Mundial. declara que o problema da dívida dos países mais pobres havia chegado ao seu limite. Porém. De acordo com Caufield. No ano de 1991. o Fundo e os bancos de desenvolvimento regional. Em 1994 líderes religiosos de todo o mundo. o peso da dívida nos recentes anos havia crescido tão fortemente. uma vez que o contínuo financiamento. foram usados para pagar dívidas à agências multilaterais. Entre 1990 e 1995. a maior parte na África. mantém uma situação estática. Novos empréstimos são uma espécie de seguro de pagamentos para o Banco. No ano seguinte o Banco Mundial. foi exatamente pelo fato de que dívidas perdoadas encorajam mais empréstimos que o Banco havia sempre se recusado a isso. não apenas para os governos devedores. Um memorando nomeou vinte e quatro países. sendo esse um duplo caminho. 24 O problema da dívida externa é central. que são o Banco. ao contrário de serem investidos produtivamente. a maioria localizada na África. incluindo o Papa. o Banco justificava esses empréstimos em termos de crescimento e acréscimo do investimento. . que possuíam pesadas dívidas – juntos eles deviam mais de 115 bilhões de dólares a seus credores estrangeiros. assim é possível assegurar que apenas países com um programa de ajuste sejam elegíveis para estes empréstimos. aumentam o peso da dívida para os países devedores. lançado em 1996. não sendo usado produtivamente. marcaram o 50º aniversário do Banco com um apelo para o cancelamento ou substancial redução da dívida dos países mais pobres. que o Banco Mundial se encontrava sobre fortes pressões para cancelar algumas dessas dívidas dos países mais pobres. mais de 188 milhões de dólares dos empréstimos eram equivalentes a dívidas. e propõe um novo fundo24 para pagar algumas das dívidas daqueles países devedores às instituições multilaterais de desenvolvimento. Estes ao contrário de aliviar.

institucional e ambiental. e infraestrutura que afeta não apenas o nível do investimento de capital mas também a produtividade dos investimentos xistentes . de acordo com ele. World Bank Group Working for a World Free of Poverty. 27 A noção de clima de investimento é apresentada como parte da “nova estratégia do Banco Mundial” em Stern. e 8) Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento. ou pelo menos influenciar.na verdade. malária e outras doenças. A título de observação final desta rápida recuperação histórica. 6) Combater HIV/AIDS. A Strategy for Development. 26 países tem reduzido suas dívidas projetadas em aproximadamente 40 bilhões de dólares. conforme os objetivos26 da Declaração do Milênio assinada por uma série de países no encontro das Nações Unidas em 2000. o Banco passou progressivamente a assumir-se como uma espécie de governo mundial. sendo o objetivo redirecionar a prioridade do seu orçamento para setores centrais como o social e de desenvolvimento humano25. de todos os fatores de produção. 25 De acordo com o próprio Banco Mundial. mais recentemente traduzido na noção de assegurar um bom “clima de investimento.e a disposição para fazer investimentos produtivos a longo prazo” (pág145). 2) Realizar educação primária universal. Se o Banco havia sido criado para financiar projetos específicos.144). The World Bank. o que define o apoio do Banco hoje é sua conformidade com as linhas mestras do pensamento neoliberal: liberalização e privatização. 2000. não sem também passar por um escrutínio cada vez maior por parte do congresso americano. 2003. território tradicionalmente exclusivo do FMI. de acordo com Caufield. vale ressaltar que apesar de seus Articles of Agreements enfatizarem que apenas considerações econômicas deveriam ser relevantes para suas decisões. 3) Promover igualdade de gênero e aumentar o poder da mulher. Mais que a viabilidade deste ou daquele projeto específico. aprendendo assim a trabalhar juntas. 27” 25 World Bank. estabilidade. as duas instituições estavam convencidas de sua própria superioridade. . propondo-se a atacar o que designa de “crise de governança” dos países de Terceiro Mundo. ele é cada vez mais um financiador de políticas. “ ‘clima de investimento’ compreende o comportamento politico. hoje. Nos últimos anos o Banco tem dado outro passo para intervir diretamente. 26 Oito objetivos compõem a Declaração do Milênio: 1) Erradicar a extrema pobreza e a fome. com a entrada do Banco no financiamento à balança de pagamentos. a agenda do Banco privilegia atualmente o objetivo de redução da pobreza. políticas. 7) Assegurar sustentabilidade ambiental. o Banco Mundial gradualmente expandiu a extensão de sua interferência nas questões domésticas dos países sobre ajuste estrutural. Washington. Além disso. Durante a década de 90. Oficialmente. Nicholas. presente e esperado. governança. de estratégias de governo. 4) Reduzir a mortalidade infantil. que influencia os retornos e riscos associados com investimento”(pág. 5) Melhorar a saúde materna. E ainda “a noção de clima de investimento focaliza-se sobre questões de instituições. nos negócios internos dos países tomadores de empréstimos.

26 CAPÍTULO 2 .

As missões investigarão não apenas os problemas tradicionais.1 De projetos setoriais (1972-1981) a multisetoriais (1982-1989) O Banco Mundial iniciou seu programa de financiamento urbano em 1972. com a configuração da questão urbana como alvo de atenção da instituição.. distribuição de renda. saúde pública e conservação do meio ambiente. ou.) auxiliarão o governo membro a traçar uma estratégia geral de desenvolvimento. Grifo meu. Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial. as quais “(. O início das operações urbanas do Banco é diretamente ligada à entrada de Robert McNamara na presidência da instituição.”28 28Lichtensztejn e Baer. Esta percepção. Estratégias e Políticas do Poder Financeiro. Sob a administração de McNamara o Grupo Banco Mundial ampliou o escopo de suas atividades.. quando o aumento da importância da urbanização nos países em desenvolvimento começa a ser percebida por seus especialistas em desenvolvimento no início dos anos 70. McNamara falava de novas maneiras de utilizar as missões do Banco nos países membros. reforma agrária. duplicou seus empréstimos e quase dobrou seu pessoal. não estava assentada sobre uma homogeneidade de interesses. 27 CAPÍTULO 2 POLÍTICAS URBANAS DO BANCO MUNDIAL 2. urbanização. pp. incluindo os principais setores da economia. todavia. 557. mas também outras facetas do desenvolvimento: questões relacionadas com o crescimento da população. de outra maneira. . Em 1970 o desenvolvimento da consciência dos especialistas em desenvolvimento do Banco Mundial acerca das necessidades urbanas estava ocorrendo concomitantemente à emergência de um consenso internacional de que o setor rural deveria ser a prioridade para a assistência. Os investimentos urbanos foram largamente desencorajados pelo medo de desvio de recursos necessários do setor rural.

51 de Transporte (3) (6) 30.00 8.93 700.00 2.00 4.00 1.00 1.62 216.71 Saneamento – – (1) (5) (3) – 455.00 2.00 0.40 22.00 Total (13) (36) (62) (61) Fonte: IBRD (1989) Statement of Loans.71 Energia (10) (15) (10) (6) 12.00 5.72 – 50.40 20.40 13.20 3.30 7.72 704.99 304.00 8.40 0.50 1.89 – Mineração – – (1) (1) 8.00 3.49 617. O número de projetos está indicado entre parênteses. Nota-se uma ausência de empréstimos específicos de desenvolvimento urbano antes do início da década de 70.76 Desenvolvimento Regional – – (1) (1) – 295.70 0.00 3.20 0. pode-se citar alguns argumentos enunciados a favor de uma mais abrangente consideração dos problemas urbanos: .50 5.00 7.51 Saúde – – (2) (4) 50.50 15.79 200.08 220. pp.25 300.2.33 Transporte Urbano – – (3) (1) 32.77 1576.70 42.09 100.27 1179.80 100.00 357.09 90.58 Controle da Poluição – – (1) (1) Outros – – – – 607.00 8590.94 – 109.73 Desenvolvimento Rural – – (12) (13) 264. vol.69 134. como demonstrado no quadro abaixo.00 1674.20 9.35 Agricultura – – (1) (4) (10) 293.49 Banco de Desenvolvimento – – (1) (1) (1) – 26.341-360.40 531.50 87.41 708.15 Indústria – – (6) (8) (2) 66.93 Desenvolvimento Urbano – – (4) (5) 58.30 100.57 Educação – – (1) (3) (3) 6.46 455.40 10.00 3.50 100.00 5173.07 292. De uma maneira geral.00 0.32 813.00 8.32 1140.80 5.04 1779.50 1.27 Pecuária – – (2) – (1) 85.79 662.00 21.51 65.00 17.00 11. 28 O início das operações urbanas do Banco Mundial pode ser visto também em sua evolução na distribuição setorial dos empréstimos no Brasil.00 0.00 2.72 337. Distribuição Setorial dos Empréstimos no Brasil 1949-1989 período período período período Setor % % % % 1949-64 1965-73 1974-82 1983-89 Infra-estrutura 28.00 8.20 18.40 0.79 195.00 3.

a aproximação com as questões urbanas marcou a adoção de uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento que. desenvolvimento urbano integrado. Com o nascimento do que se pode chamar setor de desenvolvimento urbano do Banco Mundial. Ainda de forma embrionária. 3) Para manter alta produtividade. e desenvolvimento regional. Estes investimentos prévios eram feitos na área urbana de forma não distintiva na estrutura do Banco. 2) A urbanização oferece a promessa do desenvolvimento econômico. mas preparados fundamentalmente para responder a problemas imediatos nos campos de habitação. elas têm se tornado cada vez mais importantes centros de indústrias e comércio. Elas têm atraído grandes investimentos de capital. os projetos passaram a ser propostos prioritariamente para a gestão do urbano como um todo. Apesar da preocupação inicial com a gestão integrada. não existia um setor urbano. Já nas origens desse setor nota-se uma forte preocupação com a idéia de gestão integrada dos vários subsetores que o compõem. as cidades requerem coerentes políticas e eficientes investimentos em serviços urbanos. diferia marcadamente dos investimentos anteriores em políticas de serviços urbanos. Esse aparente paradoxo entre a preocupação inicial que permite o nascimento do setor urbano do Banco Mundial. e a subseqüente elaboração de objetivos operacionais para projetos urbanos gerou um grande debate no interior do Banco sobre a possibilidade da contribuição dos projetos para a gestão do setor urbano como um todo. nota-se claramente a origem da estratégia urbana associada à formação de uma agenda integrada do urbano. 29 1) Países que eram predominantemente rurais estavam experimentando um enorme aumento da urbanização. segundo o próprio Banco. a década de 70 ficou marcada por projetos elaborados em resposta à diversidade do recorte urbano. assim como os serviços oferecidos aos pobres urbanos precisavam e podiam se pagar. transporte. e têm oferecido oportunidades de emprego. ou seja. e maiores rendas para os migrantes das áreas rurais. Num primeiro momento. Transformação que traz ambos promessas e problemas. Como as cidades têm crescido. . 4) Era essencial encontrar uma nova abordagem que considerasse que o setor urbano poderia e deveria autofinanciar-se. como o de infra-estrutura e outros serviços.

essencial para a replicação29 dos programas em uma escala compatível com o crescimento urbano. a tradução de projetos no interior de programas requer. 3) Projetos Urbanos Integrados: investimentos em projetos multisetoriais. combinando-as às estratégias setoriais de longo prazo. Os projetos iniciados em algumas cidades antes da formalização da estratégia em questão começam a se expandir para incluir temas como gestão urbana e finanças municipais. também começa a ter um maior impacto no tratamento das questões urbanas. capacidade institucional. 29 Replicabilidade para o Banco Mundial significa aqui mais do que apenas repetir projetos sobre larga escala. por exemplo. de sua experiência com os sessenta e dois projetos desse período. 2) Transporte Urbano. refletindo a centralidade da formação da estratégia para o financiamento do desenvolvimento urbano. A gestão interna de operações urbanas começa a ser revista nesse período. Os projetos urbanos iniciais enfrentaram problemas na implementação. pela necessidade de incorporação do desenvolvimento institucional em sua estratégia . 30 Levado pela diversidade das condições urbanas e políticas públicas nas diferentes regiões. os sessenta e dois projetos que haviam sido aprovados somavam aproximadamente dois bilhões de dólares em financiamento. o Banco Mundial conclui que as operações urbanas teriam de ser desenhadas para as condições locais. quais sejam: 1) Projetos de Habitação: divididos em duas subcategorias: projetos de melhorias nas favelas (slum upgrading). elevando os padrões de habitação existentes pela provisão da propriedade da terra aos seus residentes e melhor acesso ao crédito para construção e melhoria de infra-estrutura. Nesse mesmo período começa a se esboçar uma convergência da estrutura do Banco para provisão de habitação e infra-estrutura e a de outros financiadores bilaterais e multilaterais. e 4) Projetos de Desenvolvimento Regional: objetivando ampliar a aproximação multisetorial dos projetos urbanos integrados além das cidades individuais para as regiões como um todo. diferentes estratégias de financiamento e tipos de projetos foram desenvolvidos em resposta à variedade de problemas urbanos nos países financiados. Desta forma. foram desenvolvidas diferentes estratégias de financiamento e tipos de projetos. o Banco concluiu. Nesse sentido. nesse primeiro momento. No período em questão. devido à novidade de suas avaliações e à dificuldade de coordenar as muitas agências que sempre trabalham com áreas urbanas. equipes bem treinadas e o setor público-financeiro fortalecido. dotação de lotes infra-estruturados para construção de moradias. No final do ano de 1981. . O financiamento do Banco. conseqüentemente. e projetos sites-and-services.

31 A primeira operação de financiamento urbano do Banco Mundial foi feita no Senegal. os quais foram preparados para providenciar amplos melhoramentos na cidade como um todo. a América Latina não foi muito receptiva aos projetos no Banco. concentrando-se assim. . primariamente. transporte. suporte aos negócios. infra-estrutura. Apesar dos projetos do período inicial do financiamento urbano estarem mais concentrados em habitação. sendo desenhados de uma 30 The World Bank. embora em menor escala. um projeto do subsetor de habitação denominado sites-and-services. saúde. De acordo com o “Urban Transport Sector Policy Paper” de 197530. de ciclistas e pedestres. do desenvolvimento institucional e do manejo das soluções. Os projetos urbanos integrados compreenderam várias combinações de habitação. o transporte urbano é em muitos aspectos a principal influência na determinação do modelo urbano. o número de agências envolvidas no interior da estrutura de toda a extensão da cidade. tanto físico quanto social. e os esforços para integrar investimentos. em junho de 1972. e para facilitar os tráfegos comerciais. os objetivos iniciais do Banco Mundial aproximavam-se da necessidade de colocar os elementos físicos dos projetos de transporte urbano no contexto das avaliações políticas. nutrição e educação. Como não podia deixar de ser. Estes projetos foram distinguidos dos projetos de habitação pela escala dos componentes individuais. resíduos sólidos. o setor de transporte urbano. gestão dos esgotos. Washington. em providenciar transporte público de baixo custo para aumentar o acesso às oportunidades de emprego. aqui também neste subsetor são feitas referências à estratégia e objetivos do setor urbano como um todo. e reduzir a pobreza. também recebeu uma grande quantidade de financiamento. May 1975. dois terços eram sites-and-services. os projetos iniciais demonstraram que tanto os sites-and-services quanto os slum upgrading (melhorias nas favelas) representaram alternativas para o crescimento incontrolado de assentamentos não servidos. A estrutura desses projetos foi elaborada para ser flexível e não implicar noções pré-concebidas sobre arquitetura. cujo objetivo está em encorajar os pobres a construir suas próprias casas sobre loteamentos que foram dotados com serviços básicos. Dos trinta e oito projetos do período de 1972-1986. Urban Transport Sector Policy Paper. Para o departamento de operações urbanas do Banco Mundial. assim como projetos e políticas também influenciam no desenho deste campo diretamente no interior de políticas gerais e planos para aumentar a estrutura e a produtividade urbana. Ainda de acordo com o mesmo documento. Nesse período. custos ou materiais de construção.

aprovado no ano de 1975. . 1983. Learning by Doing. Os empréstimos de ajuste estrutural começam a se tornar mais freqüentes. o segundo projeto incluiu habitação.2. Learning by Doing. corroborando. foi aprovado em 1981 e envolveu uma aproximação multisetorial com problemas de dez cidades na região. tomando a liberalização econômica como caminho. de 1977 a 1979 foram iniciados apenas três projetos urbanos com o auxílio do Banco: 1978 – Transportes Urbanos (01) em Curitiba. 1972-82. Os projetos de desenvolvimento regional do setor urbano do Banco Mundial foram desenvolvidos em resposta a um maior interesse pelo crescimento regional. 32 O primeiro projeto foi o Secondary Cities Region Project in Korea. assumindo Alden Clausen. infraestrutura. 1972-82. 1983. Em contrapartida. estando condicionados à adoção de reformas tanto legais como econômicas. MacNamara deixa a presidência do Banco. em resposta ao crescente aumento de projetos de habitação deslocados para fora das capitais das cidades em direção aos centros urbanos secundários. acesso a estradas. que a estratégia continua a ser sensível. No Brasil. Projetos relativos às multicidades representavam nesse período 50 por cento da carteira de financiamento urbano. estes projetos raramente tinham explícitos objetivos de desenvolvimento regional. de acordo com o Banco. pp. há muito mais a aprender e muito a ser feito33” 31 The World Bank. Em fins de 1982. contudo. localizado na região Gwangju. Washington. e assistência técnica para melhorar o planejamento regional na área. zona de desenvolvimento industrial e assistência técnica. uma indústria pesqueira. e o terceiro. localizado no sudeste do México. principalmente através do setor privado. 1979 – Sites and Services em São Paulo e 1979 – Desenvolvimento de Cidades Médias (projeto integrado). O projeto inclui habitação e infraestrutura em três cidades. a estratégia começa a sofrer algumas variações. correspondendo cada um a um tipo de projeto de desenvolvimento urbano do Banco. World Bank Lending for Urban Development. World Bank Lending for Urban Development. três projetos. Washington. um mercado da cidade. 32 perspectiva conceitual que buscou alcançar uma visão urbana compreensiva. Clausen traz a mudança de foco do Banco do problema da pobreza para o da promoção do crescimento econômico. O crescimento do número e escala dos componentes individuais e a inclusão do suporte institucional resultaram em projetos que foram. de acordo com o Banco31 foram explicitamente projetos de desenvolvimento regional. com componentes desenhados para ter um amplo impacto multisetorial sobre as regiões como um todo32. Ainda em 1981. assim como apoio na melhoria do abastecimento de água. 33 The World Bank. pois “depois de passada a primeira década de experiência no setor. maiores que os projetos urbanos de habitação. algumas vezes.

De acordo com ele. aquisição da terra e posse. Essas ineficiências do setor público aumentam os custos da atividade econômica no interior das áreas urbanas e reduzem as oportunidades para geração de emprego e renda. Os projetos do Banco começam a privilegiar o baixo custo de soluções técnicas e sólidos critérios financeiros. muitos dos constrangimentos sobre o desenvolvimento do setor privado e a produtividade das cidades resultam de ineficiências do setor público que incluem desde inadequações técnicas na implementação e distribuição dos serviços e distorções econômicas associadas a políticas incorretas de preços. pois para o Banco. Por esse motivo é dada maior importância à eliminação de constrangimentos impostos pelo setor público no lugar do suporte direto ao setor privado como componente dos objetivos estratégicos. Os aspectos de implementação que tem especiais implicações para a replicabilidade dos programas. uma vez que a tendência anterior nos projetos urbanos excluía componentes para crédito. assim como haviam se tornado parte de projetos preparados pelas outras divisões do Banco. 33 O emprego e a produtividade passam também a serem associados ao desenho do projeto. É também importante ressaltar a consideração do Banco Mundial a respeito dos setores público e privado. Ainda no subsetor de habitação. Por esse motivo. treinamento e outras formas de suporte. ou as denominadas áreas problemas. Com relação aos projetos de habitação essa visão fica evidenciada. o setor público estaria cada vez menos apto para providenciar mais que um pequeno número de serviços essenciais de habitação. A experiência na implementação de projetos estava mais desenvolvida em outros setores do Banco. mudanças nos padrões. uma das mais significativas questões sobre projetos urbanos referia-se à sua sustentação como modelos replicáveis para um desenvolvimento urbano financeira e tecnicamente saudável. custos e retorno. é reconhecido como papel das instituições financeiras criar condições para o mercado imobiliário trabalhar mais eficientemente. gestão de . referem-se ao arcabouço institucional do projeto. É interessante notar que os projetos em preparação para todas as regiões usam as vantagens comparativas dos setores público e privado. Crescia a compreensão de que também o emprego urbano deveria ser considerado no interior dos objetivos estratégicos do aumento da produtividade urbana. de modo a ajudar o setor público no setor de habitação e a encorajar no futuro a efetivação de mercados privados de habitação.

Reconhece-se aí. nutrição e desenvolvimento da comunidade. denunciando o alto custo ambiental e social dos seus projetos. No setor urbano ocorre uma dispersão dos peritos do staff técnico de . começando pelo reconhecimento da validade das muitas críticas sobre os impactos sociais dos empréstimos de ajuste. contendo principalmente indicadores financeiros e indicadores de gestão do projeto. O Banco começou suas operações urbanas em 1971 com apenas dez profissionais membros do seu staff. concomitantemente ao aumento do número de empréstimos de ajuste estrutural e suas condicionalidades legais e econômicas aos países conforme citado anteriormente. Em 1986 assume Barber Conable. entre outras coisas. começam a emergir ativistas ambientais em todo o mundo. surgindo um Departamento Ambiental Central com o objetivo de produção de diretrizes de políticas de políticas ambientais para os outros setores do Banco. Apesar da existência de questões não resolvidas no desenho do projeto e implementação. como impactos do financiamento urbano: 1) a importante contribuição das áreas urbanas para o crescimento econômico nacional muda a idéia de que o setor urbano deveria ser um enclave privilegiado no interior das economias nacionais. principalmente na Ásia e América Latina. O staff de peritos urbanos do Banco também cresceu significativamente nesse período. o financiamento urbano tornou-se expressivo. em 1987 o Banco Mundial passa por uma reforma de sua estrutura administrativa. em julho de 1981 eles eram oitenta e três. como saúde. A pequena repartição de meio ambiente do Banco Mundial criada em 1970. e experiência com componentes especiais. 34 projetos. 3) mudanças e reorientações de agências e instituições nos níveis nacional e local dos países devido ao envolvimento com o Banco. Nesse contexto. e 4) o desenvolvimento institucional começa a converter-se em prioridade para o Banco. que passa a ter como uma das ações prioritárias a tentativa de recuperação da imagem do Banco. é então reestruturada. Reconhece-se ainda no período a idéia de que os desafios do crescimento urbano não vinham sendo suficientemente dimensionados. Durante o período da gestão Clausen (1981-1986). O Banco Mundial começa a produzir mais detalhadas avaliações da implementação dos projetos urbanos. 2) os projetos sites-and-services têm se tornado a nova ortodoxia em muitos países. bem como para divulgar melhor suas atividades ambientais.

A partir da década de 80. cidades. 35 projetos urbanos centrais. os empréstimos passam a ser condicionados a reformas setoriais (sector adjustment loans) ou a ajustes estruturais (structural adjustment loans). tornando o cumprimento destes ajustes pelos países tomadores de empréstimos a variável central para a concessão de empréstimos. abandonando gradativamente as intervenções esporádicas. 2. o Banco Mundial passa a impor ajustes às economias dos países endividados. O grau de complexidade aumentou com o número de países. onde os projetos tendem a ser cada vez mais multisetoriais. estados. inicialmente apenas foram executados projetos específicos e com pouca disposição de integração dos respectivos problemas urbanos. idéias. na medida em que passa a criar e difundir conceitos. A agenda urbana do Banco passa cada vez mais a articular as questões urbanas tradicionais com o quadro mais amplo da política macroeconômica. O Banco Mundial também muda sua atuação no campo das políticas públicas e do Planejamento Urbano. . que gerou um grande debate no interior do Banco sobre a possibilidade da contribuição dos projetos para a gestão do setor urbano como um todo. A ênfase inicial dos financiamentos do Banco foi dada aos projetos setoriais. A origem da estratégia urbana está associada à formação de uma agenda integrada do urbano. passando para projetos multisetoriais. assim. surgindo conseqüentemente um aparente paradoxo entre a preocupação inicial34 que permite o nascimento do setor urbano do Banco Mundial. A partir da década de 70. modelos de política e planejamento urbano sob a lógica neoliberal. em seus primeiros anos de existência o Banco Mundial financiou principalmente projetos de infra-estrutura e energia. no sentido da incorporação de questões mais amplas e de maior impacto nas economias 34 Esta preocupação seria exatamente o desenvolvimento de uma agenda que contemplasse projetos comprometidos com a maior quantidade possível de questões urbanas. Contudo.2 Articulação da cidade ao contexto macroeconômico: Estratégia de produtividade urbana (1990-1999) Como visto anteriormente. Este se configurou num período de transição para uma nova agenda do setor. agências e setores envolvidos. e a subseqüente elaboração de objetivos operacionais para projetos urbanos. começa a operar com projetos urbanos. de uma maneira integrada.

Os anos 90 experimentam uma retomada destas pesquisas. Esta constatação é importante. Lewis Preston assume a presidência da instituição. pois mesmo com a proposição de uma estratégia inicial objetivando a gestão integrada do urbano. como resultado também de uma reestruturação do setor urbano do Banco Mundial e o aumento do número de projetos. Em um contexto maior. mas apesar disso torna-se um conceito central. Na verdade. constatável na composição do PIB de todos os países. cerca de 600 milhões de pessoas se somam à população urbana já existente- equivalendo à cerca de 45 a 50 milhões de pessoas chegando às cidades todos os anos. Também é nesse período que o Banco Mundial começa a mudar o seu enfoque de financiador para se converter em uma instituição cada vez mais baseada no conhecimento. 36 nacionais e na produtividade35 das cidades. desde a sua introdução no começo da década de 1990 pelo Banco Mundial. Esta pode ser caracterizada como sendo a primeira agenda específica para o setor urbano. o que acabou ocasionando a dispersão do “staff” técnico de projetos urbanos. através da criação do Centro de Informação Pública (Public Information Center - PIC). as intervenções anteriores não configuravam unidade estratégica. Depois de extensivos investimentos em pesquisa urbana durante a década de 70. revelando que a produtividade da economia urbana terá pesada influência no crescimento econômico. comprometida com uma maior abertura. principalmente nos trinta anos anteriores. nos anos 90. o Banco continua enfrentando fortes críticas das ONGs em todo o mundo. e em 1983 é aprovada pelo conselho uma nova política de informação. e dando forte ênfase às questões institucionais e aos entraves associados à regulação estatal em escala nacional. devido principalmente à reforma administrativa ocorrida no Banco. 35 A produtividade urbana não é um termo claramente definido. pois está no coração da estratégia urbana do Banco Mundial para os anos 90. denominada de “uma estratégia para os países em desenvolvimento”36. A agenda urbana para os anos 90 começa por mostrar a ocorrência de um processo de urbanização muito rápido. Em 1991. consolidando-o institucionalmente na estrutura organizacional em igualdade de condições com os demais setores. assinalando uma série de novas preocupações do gerenciamento urbano associadas ao estilo empresarial e eficiência na condução das políticas urbanas. de forma que. . sendo lançada uma nova agenda urbana para os anos 90. a heterogeneidade de estratégias associadas a projetos específicos ainda caracterizava o período anterior. a quantidade destas pesquisas diminui consideravelmente nos anos 80. Somado a estes dados demográficos está o fato do crescimento da atividade econômica urbana.

Entre os desafios estão: a) enfatizar a produtividade da economia urbana e a necessidade de reduzir os constrangimentos que pesam sobre a produtividade da cidade. das atividades urbanas. Assim. Contudo enfatiza-se que para muitos países estas mudanças políticas requerem um correspondente ajuste urbano para sustentar objetivos de ajuste econômico nacional. Washington. Este processo deveria 36The World Bank. avaliando a década de 70. 37 A agenda em questão constrói uma análise para propor uma estrutura política e uma estratégia que redefinam o desafio urbano nos países em desenvolvimento. começando por distinguir as políticas macroeconômicas que são conduzidas no nível nacional e as políticas urbanas que são principais. a boa gestão macroeconômica de longo prazo é necessária para estabelecer os parâmetros para o crescimento da economia urbana. tornando-a solidária do ajuste estrutural e da reforma econômica neoliberal. sendo uma das mais graves deficiências desses esforços prévios a insuficiente atenção dada à questão da produtividade no interior da economia urbana. o primeiro objetivo estabelecido pela nova agenda dos anos 90 é o aumento da produtividade urbana. 1991. verificamos a introdução da reversão da deterioração do ambiente urbano entre os desafios da agenda urbana do Banco Mundial nos anos 90. que as operações urbanas anteriores privilegiavam intervenções de engenharia. Urban Policy and Economic Development – An Agenda for the 1990s. Desta perspectiva. . Para o Banco Mundial. como sites and services e slum upgrading (melhorias nas favelas). o desenvolvimento municipal e financiamento de habitação nos anos 80. reconhecendo que as políticas macroeconômicas estabelecem o principal ambiente econômico para atividades econômicas urbanas. como visto no capítulo anterior. As políticas de ajuste estrutural no nível macroeconômico são necessárias em longo prazo para criar um ambiente político saudável para economias urbanas mais produtivas. b) combater a pobreza urbana crescente aumentando a produtividade do pobre urbano. ao mesmo tempo. 38Após um período de forte criticismo de ONGs ativistas ambientais em todo o mundo. mas não exclusivamente conduzidas no nível da cidade. denunciando o alto custo ambiental dos projetos do Banco. as mudanças no ordenamento do crescimento macroeconômico têm importantes conseqüências para as cidades. A World Bank policy paper. c) devotar mais atenção à reversão da deterioração do ambiente urbano38. e d) incrementar a pesquisa urbana. 37 A inserção da cidade como componente de uma política macroeconômica. Avaliações do Banco Mundial concluíram que estas operações tinham escassos impactos na cidade como um todo e no crescimento urbano. Reconhece-se ainda. isto é. buscando unir as atividades econômicas urbanas à performance macroeconômica37. é talvez a mudança mais importante de todas.

a melhoria da gestão macroeconômica não é suficiente para assegurar o aumento da produtividade urbana. O Banco reconhece que este é um processo complexo e politicamente difícil.7 40 Idem pp. A World Bank policy paper. Em conseqüência. que são os benefícios da concentração da população urbana e das atividades econômicas. as políticas macroeconômicas devem ainda considerar as dimensões espaciais da economia urbana. 38 resultar então. também geram custos. Com ele o Banco retoma o seu foco no combate à pobreza. a qual requer uma reforma política sustentada e reforço das instituições urbanas. Executive Summary. cujos efeitos cumulativos pode acabar prejudicando a produtividade da economia urbana e sua contribuição à performance macroeconômica. devendo afetar a produção de bens e serviços e o amplo contexto para investimento. atribuindo às municipalidades a gestão das finanças urbanas e da infra-estrutura. faz-se necessária a descentralização de responsabilidades. 39 The World Bank. economias. mobilização de recursos. deficiências técnicas e financeiras de instituições municipais – o papel predominante do governo central no planejamento e financiamento de infra-estrutura urbana tem prejudicado governos locais para obtenção de recursos financeiros -. e a inadequação de serviços financeiros para o desenvolvimento urbano. em regimes institucional e regulatório mais flexíveis no nível da cidade para sua adequação às novas realidades macroeconômicas. que requer o estabelecimento de um balanço sustentável e produtivo entre autonomia local e controle central.39 A agenda dos anos 90 enfatiza a necessidade da redução dos obstáculos à elevação da produtividade urbana. em conseqüência.40 O segundo objetivo da agenda dos anos 90 diz respeito ao alívio da pobreza urbana. alto custo de políticas regulatórias urbanas.pp. e formação de capital em áreas urbanas. Urban Policy and Economic Development – An Agenda for the 1990s. com adequados mecanismos de segurança para assegurar prestação e controle de contas – “accountability”. É importante lembrar que em 1995 James Wolfensohn assume como novo presidente do Banco Mundial. criando um ambiente regulatório e financeiro no qual empresas privadas e grupos da comunidade tenham um papel mais efetivo no provimento de suas próprias necessidades. Economias de escala e de aglomeração.8 . envolvendo uma troca no papel dos governos centrais de provedores diretos dos serviços urbanos e infra-estrutura para “habilitadores”. Apesar de necessária. São citadas quatro restrições principais: deficiências de infra-estrutura. 1991. Washington.

as eficiências internas das cidades e a produtividade urbana. Como visto anteriormente. e ainda de acordo com o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial 1990. como resultado do crescimento demográfico e restrições à produtividade. a redução da pobreza é possível em parte através do aumento da produtividade dos indivíduos. enquanto os impactos dos problemas globais são de longo prazo. saúde e nutrição. se na década de 70 foram realizados extensivos investimentos em pesquisa urbana. o papel do governo no processo do desenvolvimento urbano. firmas e níveis urbanos. ao crescimento do emprego e renda e restrição de acesso aos serviços. a pobreza urbana e o setor informal. De acordo com o relatório. menos de 60 por cento da população urbana tinha acesso a adequados serviços de saneamento. nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A proteção do ambiente urbano é o terceiro objetivo da agenda dos anos 90. contribuindo para aumentar a equidade. O desafio da gestão urbana no ambiente econômico dos anos 90. . na elaboração do que veio a ser chamado de “agenda marron” (brown agenda). Há o reconhecimento de que a pobreza urbana se havia agravado nos países que implementaram o ajustamento macroeconômico. o número de pobres urbanos continua a crescer. Em 1987. tendo grandes impactos sobre os ambientes locais. o financiamento dos investimentos urbanos. De acordo com o Banco. O quarto e último objetivo desta agenda referem-se ao aumento da compreensão das questões urbanas. especialmente os mais pobres”. dizia respeito ao aumento da produtividade ao mesmo tempo em que combate ao crescimento da incidência da pobreza urbana. os impactos dos problemas ambientais urbanos são de curto prazo. introduzindo também medidas para moderar o declínio do consumo privado. e apenas um terço estava conectado a serviços de esgotamento sanitário. as áreas prioritárias para pesquisa seriam a relação entre a economia urbana e os agregados macroeconômicos. O documento também propugna medidas como a criação de uma rede de assistência (safety net) aos mais vulneráveis. Na década de 90 assiste-se a uma retomada dessas pesquisas. e o ambiente urbano. reconhece-se que muitos problemas ambientais com implicação nacional e internacional têm sua origem na indústria urbana e no transporte. 39 utilizando como slogan: “O Banco Mundial: um parceiro no fortalecimento das economias e expansão dos mercados para aumentar a qualidade de vida de toda a população. a quantidade destas pesquisas declinou durante a década de 80. do aumento da intensidade dos investimentos produtivos no trabalho e do incremento capital humano dos pobres através de melhor educação. Além disso. De acordo com o Banco Mundial. Segundo o Banco Mundial.

40 Em termos gerais. prenunciados sempre por uma crise. maior aproximação com as instituições municipais e incentivo à reforma regulatória como uma parte integral dos empréstimos para o financiamento à habitação. A estratégia dos anos 90 tentava ainda integrar questões como pobreza urbana e degradação ambiental no interior do contexto do desenvolvimento político e das políticas de reforma do estado e ajuste macroeconômico. A estratégia dos anos 90 é reconhecida pelo Banco como uma estratégia mais custosa que a anterior. As reformas políticas têm aqui como foco principal as cidades. a nova estratégia do Banco concretizou-se através de dois tipos principais de empréstimos: a) Empréstimos para desenvolvimento municipal – incluindo componentes políticos. social e política são tidas pelo Banco Mundial como uma chamada para reavaliação de sua estratégia de desenvolvimento. A estratégia de operações urbanas aumentou seu conteúdo político e arcabouço institucional. enredando-se assim em um . Do ponto de vista operacional. Em ambos os tipos de empréstimos as relações entre os níveis nacional e local são colocadas como condições essenciais para o sucesso do investimento. Como se ocorresse uma mudança nos paradigmas. fomentando a reforma das relações financeiras centro-local. bem como o desenvolvimento institucional. mas não só elas. Políticas setoriais nacionais tais como aquelas que afetam o financiamento de habitação e investimento no abastecimento de água também são partes da agenda urbana. institucionais e investimentos. a agenda proposta para os anos 90 enfatizava políticas nacionais e da cidade como um todo. estando condicionados os empréstimos aos municípios à melhoria da relação centro-local. b) Empréstimos para financiar habitação – incluindo a avaliação do mercado de terra e de habitação e auditorias constantes nas cidades. Os papéis dos setores privado e informal na provisão de habitação e infra-estrutura são entendidos e explicitamente apoiados dentro da estrutura de operações de investimento.3 Consideração holística do desenvolvimento urbano (2000-) Mudanças nas realidades econômica. 2. o Banco Mundial procura afinar seu discurso com essas mudanças.

. Comparative Urban Studies Project Policy Brief. Urban Brief. De qualquer modo. No final dos anos 80. Em sua trajetória urbana. sendo a cidade vista antes como consumidor do que como produtor. . acontecimentos como a descentralização governamental. O financiamento urbano do Banco se concentrou na provisão de infra-estrutura. na avaliação agora realizada. “foram as severas recessões econômicas (1973-4 e 1979-81) que terminaram os vinte e cinco anos de crescimento econômico do pós-guerra. começou a desenvolver consultas nas cidades em países em desenvolvimento como um mecanismo para a reorientação e reforma de governos locais. aconteceram na América Latina nas décadas de 80 e 90. de acordo com Nigel Harris. 41 círculo que também é o da produção de uma retórica que procura sempre legitimar seu papel e intervenções..(. E em 1997 uma nova estratégia do Banco Mundial propôs que as cidades deveriam desenvolver City Development Strategies (CDS) – Estratégias de Desenvolvimento da Cidade – considerando. em primeira instância. O Programa de Gestão Urbana das Nações Unidas. Nigel. agora com novos e crescentes poderes do nível local. incluindo prefeitos de grandes cidades com interesses na competitividade de suas cidades em um contexto internacional. mas. os gestores da cidade tornam-se incrivelmente importantes na gestão da economia. Neste sentido. Com a nova agenda proposta para os anos 2000 não é diferente. sendo obrigados a trazer para a arena do planejamento outros atores. e a emergência de novos atores políticos. Desta forma. uma das justificativas para mudanças na agenda anterior de financiamento urbano do Banco. Desta vez o discurso estará centrado nas mudanças como o aumento da globalização – leia-se integração das economias nacionais – e a descentralização governamental resultante. de acordo com o próprio Banco. serviços. Woodrow Wilson International Center for Scholars. tais estudos tiveram pouco impacto sobre a ação pública ou política. Cities as Economic Development Tools. Habitat (UNCHS). e os efeitos das políticas limitados. Nas cidades da Europa e América do Norte os planejadores foram obrigados a colocar o foco sobre a recuperação da economia da cidade. a pobreza. Ainda de acordo com Harris.) Essa mudança de cenários substituiu o estatutário Master Plan”41. No entanto. o 41 Harris. e vários modos de habitação. o conceito de produtividade da cidade em sua agenda foi tardio. o Banco Mundial havia financiado vários estudos sobre a economia urbana. que teria obrigado os governantes a tratarem seriamente a economia da cidade. novas tendências foram desenvolvidas nos anos 90. da University College London. December 2002. o Banco Mundial alinha-se a estas tendências em uma nova realidade política.

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desenvolvimento econômico, o ambiente, gestão da cidade, e finanças – para chegar-se a
cidades habitáveis, competitivas, sustentáveis e financiáveis.
A agenda do Banco Mundial para os anos 2000, denominada Cidades em Transição
– Estratégia Urbana e de Governos Locais do Banco Mundial –reconhece as cidades como
ferramentas do desenvolvimento econômico no século XXI. Aproximadamente 4/5 do
PIB mundial tem origem nas áreas urbanas. De acordo com o documento, a transição
urbana oferece significativas oportunidades aos países para a melhoria da qualidade de vida
de todos os seus cidadãos, bem como para que o Banco realize sua missão central de
redução da pobreza. Mas a efetivação do potencial existente depende criticamente da
qualidade da gestão urbana e das políticas nacionais e locais. Entre 1970 e 1980 os projetos
do setor de desenvolvimento urbano do Banco Mundial tendiam a focalizar aspectos
específicos dos serviços urbanos e seu funcionamento. Apesar destes esforços trazerem
benefícios, de acordo com o Banco, eles falharam no reconhecimento de que o
desenvolvimento urbano sustentável requer uma avaliação integral – além do ambiente
físico, infra-estrutura, finanças, instituições, e atividades sociais.
Os projetos urbanos nos anos 80 e início dos anos 90 concentraram-se freqüentemente
na reforma política e mudança institucional, estendendo o diálogo do Banco para questões de
regulação, sistemas de incentivo e parcerias – entre governo local, o setor privado, organizações
informais, e famílias – que determinam como as cidades atuam.
De acordo com o Banco Mundial a democratização, a descentralização, e a parceria
público – privada, estreitam a comunicação e colaboração entre estes atores, sendo necessária
uma avaliação holística do desenvolvimento urbano. Desta forma, a atual estratégia do Banco
passa a reconhecer as cidades como uma arena de desenvolvimento dinâmico onde a
convergência de atividades setoriais, a colaboração entre comunidades, níveis de governo, e
outras instituições dos setores público ou privado podem criar um microcosmo de
desenvolvimento sustentável para o país. O Banco ainda afirma a necessidade de aplicar às
economias urbanas e aos governos locais a mesma qualidade e rigor na análise, conselhos e
estratégias que aplicam às economias nacionais e governos centrais.
A nova estratégia constrói então objetivos nacionais da transição urbana e suas
aplicações posteriores para a ação pública e privada, dirigindo-se para a correção de fontes
das falhas de mercado na economia urbana – como deficiências de informação que
impedem o trabalho eficiente do mercado imobiliário – assim como as fontes das falhas de
governo – como regulações inapropriadas ou comportamentos que criam excessivos custos
de transação e riscos para os investidores locais. Esta estratégia urbana propõe também
auxílio a todos os níveis de governo, ao setor privado (lucrativo ou não-lucrativo), grupos

43

de comunidades e aos cidadãos, para que “as funções da economia urbana possam ser mais bem
requeridas para eles42”.
A estratégia propõe ainda uma agenda de auxílio ao desenvolvimento das
cidades ao longo de quatro inter-relacionadas dimensões:
1) Cidades Habitáveis: Melhoria das condições de moradia, assegurando aos
pobres condições dignas de vida que lhes permita acesso aos recursos da
sociedade;
2) Cidades Competitivas: Definição de estratégias ativas para o crescimento
econômico e o desenvolvimento no mercado global (desafio relativamente
novo para o Banco);
3) Cidades Bem Governadas e Administradas: Inclusão e representação de todos os
grupos na sociedade urbana – e responsabilidade, integridade, e
transparência das ações do governo local na definição de objetivos. Aqui, o
Instituto do Banco Mundial deverá disseminar instrumentos de gestão para
as práticas urbanas; e
4) Cidades “Bancáveis”: Maior vigor no tratamento das fontes de receita e gastos;
e para algumas cidades, um nível de crédito de maior valor permitindo
acesso ao mercado de capital.
A nova estratégia urbana e local de governo objetiva alcançar maior
replicabilidade, relevância e alcance. A operacionabilidade da estratégia, ou o
alcance destes objetivos estratégicos se encontra, de acordo com o Banco Mundial,
em sua capacidade de “estrategizar holisticamente e intervir seletivamente” no apoio
às cidades, requerendo para tanto uma perspectiva que conceba a cidade como
unidade integral em um contexto específico – espacial, social, político, ambiental,
financeiro e econômico –, e levando em consideração as contribuições do sistema
urbano à macroeconomia.

2.3.1 Implementação

De acordo com o Banco Mundial, a implementação da chamada nova estratégia
tem requerido o estabelecimento de alianças ativas para além da unidade freqüente entre o
Banco e a Corporação Financeira Internacional.

42 The World Bank Infrastructure Group Urban Development. Cities in Transition - World Bank Urban
and Local Government Strategy. Washington, 2000, pp.11.

44

Em maio de 1999 foi formada a Cities Alliance (Aliança das Cidades), em
conjunto com o Centro das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (United
Nations Center for Human Settlements – UNCHS/Habitat). A Aliança das Cidades é,
de acordo com o Banco Mundial, uma aliança global de cidades e seus parceiros do
desenvolvimento, um fórum político, reunindo governos de 10 países – Alemanha,
Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e
Suécia –, quatro organizações mundiais de autoridades locais – a União Internacional
de autoridades Locais (UIAL), Metrópolis, a Federação Mundial de Cidades Unidas e a
Coordenação das Associações Mundiais de Cidades e Autoridades Locais (CAMCAL) –
e três organizações multilaterais – o Centro das Nações Unidas para os Assentamentos
Humanos (UN/HABITAT), o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento.
O compromisso anunciado da Aliança das Cidades43 é a redução da pobreza nas zonas
urbanas, melhorando a eficiência e os resultados das atividades de cooperação em matéria de
desenvolvimento urbano em relação a duas esferas fundamentais: promoção da formulação de
estratégias participativas e integrais de desenvolvimento urbano e ampliação dos programas de
melhorias nas favelas – que correspondem respectivamente aos programas Estratégias de
Desenvolvimento das Cidades (CDS) e Melhorias nas Favelas dos espaços da cidade e
nacional (Cidades Sem Favelas).44

2.3.2 Estratégia de Desenvolvimento das Cidades – CDS

O plano de ação proposto pelo Banco Mundial para a implementação de sua
nova estratégia pretende-se uma chamada para mobilizar a comunidade global a tomar
parte em uma nova visão para o desenvolvimento urbano. A idéia principal é que os
esforços tenham impactos que ultrapassem a dimensão quantitativa.

43 A Aliança das Cidades administra um “fundo básico” com pequenas doações para fomentar o alcance de

seus objetivos estratégicos, e “fundos complementares”, geralmente destinados a atividades, países, ou regiões
específicas. Os fundos básicos oscilam em volume de doações entre US$ 40.000 e um máximo de US$
500.000.Todas as propostas dos solicitantes de financiamento devem incluir co-financiamento, combinando o
capital proporcionado pela Aliança com o financiamento proveniente das próprias cidades, que deverá
representar no mínimo 20% do total, assim como de outras fontes.
Fonte: www.citiesalliance.org. Pautas para la Presentación de Propostas, pp.1-2.

44 The World Bank Infraestructure Group Urban Development. Cities in Transition- World Bank

Urban and Local Government Strategy. Executive Summary. Washington, 2000, pp.24.

A revisão do potencial econômico das cidades e o corrente pensamento sobre o desenvolvimento encontram-se na Estrutura Compreensiva do Desenvolvimento do Banco Mundial (CDF – Comprehensive Development Framework). o aumento da velocidade da mudança econômica demanda o desenvolvimento de uma “nova forma de contrato social” baseado na participação e inclusão. a obtenção de uma massa crítica de pessoas pensando estrategicamente é uma das definições de sucesso de uma CDS. com ênfase na importância do líder cívico. governo e comunidade. United Kingdom. Como parte de sua estratégia nacional (CDF) a iniciativa CDS também é baseada em quatro princípios básicos: cidades habitáveis. e como atores políticos no estágio mundial”45. “aumentando a participação de todos os atores no processo”. nesse nível a recomendação é atentar para as vantagens comparativas das cidades em um caminho que sustente as vantagens competitivas de seus negócios. De acordo com o Banco. – Construção de capacidades cívicas e competências – atores interessados.5 . competitivas. estratégia nacional endereçada aos países em desenvolvimento. De forma geral. como o sucesso da cidade depende do sucesso de seus negócios. A proposta principal advém da “transformação da sociedade urbana” baseada na construção de capacidades cívicas. pp. envolvendo a (re) criação da sociedade civil. A cidade é vista aqui como o motor da economia. A Estratégia de Desenvolvimento das Cidades (CDS). sendo assim. 1997. objetivo último do Banco Mundial. as características -chaves e resultados da CDS envolvem: – Participação dos atores interessados – A CDS como um mecanismo de inclusão social. 45 A Estratégia de Desenvolvimento das Cidades (CDS) é elaborada a partir do conceito de cidades-regiões como “unidades espaciais fundamentais da economia global. City Development Strategies (CDSs) – Taking Stock and Signposting the Way Forward: A Discussion Report for DFID (UK) and the World Bank. – Mudança na natureza do pensamento sobre o desenvolvimento – de acordo com o Banco Mundial. e a cidade como uma arena da inclusão social e redução da pobreza. como parte dessa estrutura maior. bem governadas e financiáveis. sendo a Estratégia de Desenvolvimento das Cidades o processo de construção dessa forma de contrato que viria contribuir para a geração de substantivas “liberdades e capacidades” para um sustentado alívio da pobreza. a cidade como o locus do crescimento econômico. ou do setor produtivo. 45GHK Group of Companies. tem o seu foco em três principais resultados: a cidade como motor do crescimento econômico.

. Barcelona (Espanha). que ao todo formam 20 iniciativas. alguns dos resultados e aspectos estavam presentes. formulando e implementando práticos Planos de Ação. Ruhr (Alemanha). e Região Metropolitana do Recife (2003). No Brasil. Mesmo se. no passado. o Banco reconhece que iniciativas CDS já vinham sendo empreendidas em países desenvolvidos antes das suas propostas – quais sejam: Wellington (Nova Zelândia). apesar disso e de forma paradoxal. principalmente Santo André. Em parte. Até dezembro de 2003. No entanto. em São Paulo. 46 – Direção da complexidade do desenvolvimento – A CDS é o instrumento usado para realizar uma visão estratégica coordenada. haviam sido desenvolvidas iniciativas CDSs em 73 cidades em todo o mundo. três propostas começam a ser estudadas e implementadas: Região Metropolitana do ABC (1999). etc. Região das Missões no Rio Grande do Sul – 24 cidades (2001). o estímulo para o encorajamento ao envolvimento de um maior número de atores no processo de planejamento é justificado pelo crescimento da necessidade de mobilizar o setor privado e os recursos da comunidade para sustentar o desenvolvimento da cidade em tempos de crescentes restrições aos financiamentos. Toronto (Canadá). – Prioridades Definidas e Planos de Ação – Auxílio aos atores na determinação das prioridades do desenvolvimento. eles são vistos como não tendo constituído a unidade e articulação que ora se busca e que seria a novidade da CDS. Nos países em desenvolvimento (principalmente em cidades africanas) há um crescente aumento da carteira de investimentos para as CDSs. Brisbane (Austrália). sendo o foco inicial sempre sobre uma questão prioritária – Papéis e Responsabilidades Definidas para os Atores – Foco no Alívio da Pobreza – Riscos de financiamento reduzidos e melhora no clima de investimento As fases de uma CDS são quatro: 1) Fase Preparatória 2) Fase Consultiva 3) Formulação da Estratégia 4) Implementação É interessante notar que a definição de uma CDS é dada pelo conjunto do processo e seus resultados.

a estratégia de desenvolvimento nacional. Há também uma autocrítica do Banco de que pela falta de transparência e participação. em alguns casos. O plano foi elaborado pelos consultores. O monitoramento do progresso é feito através de. sendo papel dos governos municipais a obtenção da participação de outros setores da sociedade para uma atmosfera de confiança com a sociedade civil e o setor privado. .3. a CDS assemelha-se aos masterplans com novas roupagens46. 2. o Banco geralmente age como um facilitador. respeitadas as peculiaridades das cidades pertencentes a nações desenvolvidas ou não. até 2020. o processo de construção de participação e consenso requer tempo. No marco dessas definições. O conceito de favela utilizado pelo Plano de Ação Cidades sem Favelas é o de que “favelas são partes negligenciadas das cidades onde as condições de vida e habitação são 46Um exemplo interessante dado é o Programa Estratégico de uma cidade africana em que em todos os encontros para discutir o Planejamento Estratégico. A condição imposta é a de que os clientes CDS devem ver o produto como o significado do aumento de acesso ao crédito de suas cidades. significativas melhorias nas condições de vida de no mínimo 100 milhões de habitantes de favelas. grande ênfase é conferida à prevenção da formação de futuras favelas. não como um mecanismo direto de acesso aos fundos do Banco Mundial. principalmente onde não existe cultura e tradição entre os atores.3 Cidades sem Favelas O objetivo principal do Programa Cidades sem Favelas. de acordo com os objetivos de Desenvolvimento do Milênio (que atua junto com a iniciativa CDS) é alcançar. entre outros critérios. As projeções indicam que os resultados de uma CDS devem se fazer sentir em prazos que variam de 5 a 15 anos. Com relação aos estudos de casos de cidades com CDS. Além disso. 47 O passo inicial da CDS é freqüentemente dado em função das necessidades como percebidas pelos atores da cidade. pois o ônus da CDS deve recair sobre a cidade e não sobre o Banco. apenas o prefeito da cidade falou. o da proporção de pessoas com acesso a adequadas condições de saneamento e à propriedade do terreno. e a consulta pública foi uma mera cerimônia de aceitação. A CDS pode ainda ser considerada como uma expressão urbana ou reflexo da CDF.

mas. principalmente por três aspectos: 1) a melhoria faz uma grande e imediata diferença na qualidade de vida dos pobres urbanos. os esforços pretendem a extensão para além de poucos locais favorecidos. a contribuição dos indivíduos moradores de favelas para a economia mais ampla é julgada considerável. ao contrário de serem o resultado inevitável da rápida urbanização seriam o produto de políticas inadequadas. mercados de terra disfuncionais. De acordo com essa lógica. mercados de infra-estrutura que devem remover obstáculos para o acesso aos pobres. 3) a comunidade internacional tem tido uma experiência de sucesso no apoio às melhorias. corrupção. sistemas financeiros irresponsáveis e uma fundamental ausência de planejamento político. tal se deveria a que suas vidas estão inseguras pela ausência de intervenções públicas-chaves que deveriam catalisar e facilitar o investimento privado. alcançando todas as áreas não servidas da cidade. é também uma estratégia baseada na comunidade que as agências de desenvolvimento sabem como apoiar. as melhorias necessitam ainda ser complementadas por outras medidas para reduzir a pobreza urbana. . Cities Alliance for Cities Without Slums. má governança. Special Summary Edition. Assim.1. 48 assustadoramente pobres” 47. pela grande experiência com projetos desenvolvidos com essa filosofia. Para o Banco Mundial. e capacidade de obtenção de capital privado. regulação inapropriada. Se isto não tem ocorrido devidamente. para assegurar que os moradores possuam esses benefícios. com potencial para contribuir significativamente para a formação de capital doméstico por meio da construção de suas próprias casas. Estas. Washington. 47 The World Bank and UNCHS (Habitat). 2) o investimento em bens públicos locais através das melhorias catalisa o investimento privado pelos residentes. terra. 2003. A melhoria dos assentamentos não servidos (slum upgrading) é justificada como peça central de uma estratégia global para melhoria das condições de vida dos pobres urbanos. tais como: – Reformas Setoriais – Reforma regulatória e regimes políticos para habitação. Action Plan for Moving Slum Upgrading to Scale. não atrelado à sua vasta energia produtiva. pp. pois eles constituiriam o centro da força de trabalho urbana. de acordo com o Plano de Ação Cidades sem Favelas. A urbanização de favelas não apenas traz benefícios consideráveis.

tendências como democratização. ajudando seus membros a negociar com o poder público da cidade e as companhias privadas soluções que vão ao encontro de suas demandas. – Empregos – Medidas para apoio de empreendimentos de pequena escala e remoção de outros obstáculos regulatórios para o crecimento do setor informal. – Mobilização mais efetiva dos recursos locais. de clara inspiração em Hernán de Soto48. que possuem um papel central na estratégia de inserção das comunidades de favelas em um mercado propriamente dito. com amplos benefícios também para a redução da violência. tais como: – Planejamentos básicos de uso do solo (a fim de desencorajar assentamentos em áreas ambientalmente frágeis). Na estratégia atual. De acordo com o Banco Mundial. serviços e desenvolvimento de negócios. da produtividade. descentralização e aumento da dinâmica do setor privado – onde o governo não é visto mais como o único e principal provedor de serviços – representam um desafio para a comunidade internacional ao criar nova coerência de esforços com governos central e local. e do investimento privado entre os pobres urbanos. defensor da tese da regularização fundiária como forma de transformar uma “riqueza oculta” em capital. estes esforços referem-se – dado o desencanto do Banco com os programas sites-and-services que marcaram o início de suas operações urbanas – aos programas de melhorias (upgrading) e regularização fundiária. especialmente financiamento para o desenvolvimento de infra-estrutura e micro-crédito para os moradores. 49 – Financiamento – Engajamento de instituições financeiras privadas para extensão do acesso ao crédito aos pobres para habitação. devem ser acompanhadas por políticas de contenção do crescimento de futuras favelas. – Governança – Capital Social e Conhecimento – Medidas para facilitar e fortalecer as capacidades organizacionais dos grupos de cidadãos e governos que estão relacionadas ao acesso à informação nas comunidades das favelas. O Plano de Ação Cidades sem Favelas contém seis elementos centrais para alcançar estes objetivos: 1) Fortalecimento da capacidade interna do país 48Economista Peruano. o setor privado e as próprias comunidades das favelas. como já destacado. que deverá contribuir para o aumento do emprego. As melhorias em favelas. Existe uma forte ênfase em que os programas de melhorias estimulam o surgimento de um fórum efetivo para ação da comunidade. .

mas apenas financiamento opcional para melhorias nessas casas. dos vários obstáculos para melhorias nas favelas a questão de mercados de terra disfuncionais é a mais perversa. o que permitiria aliviar a pressão dos assentamentos muito povoados e antecipar futuras necessidades. como inapropriados padrões e regulações. A chave para a sustentabilidade financeira do plano é buscada no desenho desses programas. da cidade e do país. Para o Banco Mundial. Entre os maiores desafios para a cidade e os governos nacionais está a criação das condições nas quais o setor privado assuma parte ou todo o . incluindo crédito providenciado pelo setor privado. Em muitos países há significativos obstáculos para a identificação dos proprietários e seus direitos à terra. ainda. Freqüentemente. sem o ativo engajamento dos moradores de favelas e do setor privado existem poucas chances de um programa de melhoria nas favelas sustentável ser realizado em uma grande escala. estes e outros fatores. desde que os próprios residentes possam providenciá-las.diferente dos projetos sites-and-services que marcaram o início do setor urbano do Banco Mundial . esta resulta em significativo investimento privado nessas comunidades – US$ 7 de investimentos privados para US$ 1 de fundo público. o financiamento para melhorias nas favelas vem de uma combinação das seguintes fontes: 1) Impostos Nacionais 2) Contribuições do governo local 3) Contribuições beneficiárias 4) Investimentos do setor privado. Geralmente. quanto para a economia nacional. Para o Banco Mundial. Nesse discurso. o título de propriedade da terra traz contribuições positivas tanto para as perspectivas econômicas dos pobres. para que autoridades locais possam disponibilizar uma quantidade suficiente de terras utilizáveis e bem-localizadas.não envolvem construção de casas. Quanto à regularização fundiária. de acordo com o plano de ação. 50 2) Preparação de programas de melhorias nos nível nacional e da cidade 3) Apoio ao conhecimento e aprendizado global e regional 4) Investimento nas favelas 5) Fortalecimento da capacidade de parcerias 6) Liderança e comprometimento político Estes projetos de melhorias nas favelas . conspiram para inviabilizar o funcionamento dos mercados ou. de modo a adequá-los à renda da comunidade.

. Os governos necessitam redobrar também seus esforços para prevenir o que é conhecido como “captura pela classe média dos subsídios governamentais”. São citados sete fatores essenciais de melhorias nacionais de favelas: 1) Demonstrar vontade política 2) Estabelecer objetivos nacionais e da cidade 3) Colocá-los no financiamento 4) Implementar reformas políticas 5) Assegurar abertura e transparência nos mercados de terra 6) Mobilizar recursos do setor não-público 7) Prevenir o crescimento de novas favelas No Relatório Anual do Plano de Ação Cidades sem Favelas 2003. Sendo os maiores impactos. pp.Cities Without Slums Annual Report 2003. na vida dos moradores de favelas em geral e na vida de mulheres e crianças em particular. um exemplo de best practice: “(.49 Grande destaque é dado à criação do Ministério das Cidades e à aprovação do Estatuto da Cidade pelo Congresso Federal em 2001. esperanças e medos que os moradores de favelas enfrentam diariamente.. oportunidades.) aumento do poder e novas vozes emergiram dos moradores de favelas em 2002 com a eleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cities Aliance. 51 risco do desenvolvimento. Lula falou com conhecimento dos obstáculos. Próximo do melhor rígido. a má regulação dos mercados de terra permanece como maior obstáculo à realização de sua estratégia. O Banco Mundial adiciona ainda ao conceito de melhoria das favelas o argumento de que este se constitui em um bem público.4 . de acordo com a terminologia utilizada pelo Banco Mundial. em 08 de abril na cerimônia de lançamento da campanha de regularização fundiária para moradores de favelas”. o Brasil é citado como o grande exemplo. e do pior disfuncional. além da sociedade como um todo. incorporando um número de 49 World Bank. deixando de agir meramente como fornecedor para projetos financiados pelo governo. ou.

Este estudo foi contratado pela Aliança das Cidades a fim de identificar as lições que se podem extrair da prática de urbanização de favelas em dez cidades selecionadas. O Favela Bairro.ibam. com boa parte do recurso vindo do Fundo Municipal de Habitação e apoio do Banco Mundial no uso de 300 mil dólares de fundos da Aliança das Cidades para ajudar 50 Com o intuito de capturar essa experiência foi realizado o “Estudo de Avaliação da Experiência Brasileira sobre Urbanização de Favelas e Regularização Fundiária”. O Estatuto da Cidade é considerado pelo Banco Mundial como inovador. lançado pelo Ministério das Cidades em junho de 2003. é citado como exemplo de melhoria abrangente nas favelas. providenciando uma estrutura para melhorias nas favelas. De acordo com o Banco Mundial. – Usucapião Especial Urbano – que traz a regularização para as famílias (incluindo famílias de baixa renda. que está sendo conduzido pelo Banco Mundial com a cooperação do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). . sobre uma base coletiva) que tem ocupado terras residenciais por cinco anos ininterruptos. investimentos em melhorias estão planejados para o Programa Bairro Legal. O desafio da implementação é reconhecido como requerendo significativo treinamento e capacidade. de acordo com o Banco Mundial: – Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) – que são áreas demarcadas pelas autoridades locais tidas em conta para a aplicação de padrões mais flexíveis para promover melhorias e proteger o direito à habitação. – Direito de Superfície – Regularização da habitação através da transferência do direito de superfície do proprietário da terra para o seu morador por um certo número de anos.org. Em São Paulo. 52 instrumentos que facilitam ambos a regularização fundiária e melhorias. – Dação em Pagamento – Permite ao dono da terra não tributada doar a terra para a municipalidade em troca pelo débito. desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM). as cidades brasileiras são internacionalmente reconhecidas como incubadoras de inovação política em uma série de tópicos50. incluindo. Fonte: www. assim como comprometimento político das municipalidades e também do sistema judiciário. vinculado ao Ministério do Planejamento e Gestão do governo brasileiro.br. mas como fazer. Também é citado o Programa Nacional de Regularização Fundiária Cidade Legal. definindo não apenas o que fazer. no Rio de Janeiro. com vistas a colher subsídios para o projeto Building an Enabling Strategy for Moving to Scale in Brazil.

Entre os anos 60 e 80. suas políticas de desenvolvimento econômico local têm passado por três grandes transformações nos últimos quarenta anos. voltando suas políticas de desenvolvimento econômico local para o fomento de parcerias público-privadas. privado e não governamental trabalham coletivamente para criar melhores condições para o crescimento econômico e geração de emprego”51. e monitorar o programa de melhoria das favelas da cidade. pp. 51 The World Bank Urban Development Unit. aperfeiçoamento da mão de obra local. Local Economic Development.LED Quick Reference. dentre as quais: – Assegurar um clima de investimento local para implantação de negócios.4 Desenvolvimento Econômico Local (LED) De acordo com o Banco Mundial. O desenvolvimento econômico local do Banco Mundial é definido como “a construção da capacidade econômica de uma área local para melhoria de seu futuro econômico e a qualidade de vida para todos. assegurando que o mesmo seja inclusivo. direcionados agora a setores produtivos e regiões específicas da cidade. 53 a desenhar. sendo usada ainda para muitos investimentos em projetos substanciais em São Paulo. economia e marketing. a atuação se concentrou no fomento a empreendimentos já existentes. Do início da década de 80 a meados dos anos 90. Contando com a assistência técnica da Aliança. as administrações locais devem buscar o aumento da competitividade e o crescimento sustentável. É ainda em São Paulo que ocorreu o Encontro Consultivo da Aliança das Cidades em outubro de 2003. informada por boas práticas globais e a experiência das redes da Aliança. o LED deve incorporar diferentes áreas de planejamento. privatização e aumento das vantagens competitivas locais. o foco de atuação esteve voltado para o financiamento de investimentos externos diretos e para a execução de infra-estruturas urbanas. cinco milhões de dólares foram providenciados pela cooperação Italiana na Aliança.1. Bahia. Em Salvador. 2003. recomendando várias iniciativas. 2. É um processo pelo qual os setores público. . planejar. Já na segunda metade dos anos 90. Washington. Para o Banco Mundial. o Banco Mundial passa por outra transformação. bem como no incentivo para atração de investimentos.3. Assim. para ajudar a implementar seu novo programa.

4) Implantação da Estratégia. dentre os quais os governos municipal e estadual. Recomenda-se ainda a definição de propostas para melhoria dos serviços de transportes. como por exemplo. – Apoio ao mercado informal e aos grupos desfavorecidos da cidade. habitação. contribuído assim para o dinamismo nacional. 3) Desenvolvimento da Estratégia de Desenvolvimento Econômico Local. lei de propriedade e investimento em infra-estrutura. da cidade ou de uma área rural. meio ambiente (agenda 21) e controle da poluição. e a desregulamentação das telecomunicações. as autoridades e os estabelecimentos de saúde e educação. do município. segurança pública. – Favorecimento ao crescimento de “clusters” específicos. . área metropolitana. e 5) Revisão da Estratégia. considerando também que o poder local deve atuar afinado com as políticas do governo central. regulação financeira. ou uma região do país. A primeira etapa deve identificar os principais stakeholders – atores sociais que têm interesse na questão local -. A iniciativa LED do Banco Mundial objetiva a criação de um consenso na adoção de iniciativas de desenvolvimento local. no apoio institucional e criação de sistemas de regulação. Cinco etapas são propostas. devendo seguir uma agenda de atividades que incluem a realização de um plano estratégico da cidade. a estratégia de implantação do desenvolvimento econômico local deve fazer parte do processo do planejamento estratégico regional. recreação. – Estímulo à regeneração de regiões da cidade. definição de padrões ambientais. no aprimoramento de recursos humanos. O Banco Mundial recomenda ao governo nacional a realização de políticas que possibilitem a condução da estratégia LED nos planos regional e local. como cidade. Ainda de acordo com o Banco. educação. – Investimento em infra-estrutura física. – Atração de investimentos nacionais e internacionais. nesta definição do Banco Mundial. e que devem ser adaptadas à necessidade de cada comunidade52: 1) Organização dos Esforços. lazer. as associações industriais e 52O termo comunidade pode ser entendido. políticas antipobreza. 54 – Apoio a pequenos e médios negócios. – Estímulo a novos empreendimentos. o governo local deve evitar conflitos com investidores locais. Segundo o Banco Mundial. impostos. vila. definindo regras e políticas. 2) Avaliação Competitiva.

nações. A segunda etapa. apresentando uma avaliação dos recursos financeiros e humanos que cada stakeholder pode contribuir ao desenvolvimento econômico local. É proposta ainda a criação de Agências de Desenvolvimento Econômico Local. sul da Ásia. e planos de ação responsáveis pela implementação da estratégia – que deve ser incorporada nas atividades e no orçamento dos governos locais e de outros stakeholders. 55 comerciais. A etapa de implantação da estratégia deve variar. avaliando os projetos iniciais e corrigindo eventuais desvios. Ele recomenda a criação de estruturas para avaliar o desenvolvimento de cada projeto específico a fim de que estejam de acordo com os objetivos do LED. promover uma cultura empreendedora. de desenvolvimento da estratégia. Os estudos de caso e projetos apresentados pelo Banco Mundial estão localizados na sua grande maioria em países subdesenvolvidos da África. com a função de integrar e coordenar os stakeholders. distribuídos entre Argentina. No Brasil. Chile. Colômbia. esta estratégia deve ser revista pelo menos anualmente. E por último. o Banco não apresenta ainda nenhum caso de LED. entre outras. . identificar os grupos mais vulneráveis. Na terceira etapa. propõe a identificação das potencialidades e fragilidades da comunidade. Na América Latina há um total de 12 casos de estudo. definindo programas. de três a oito anos. e as organizações comunitárias. para responder a mudanças no ambiente competitivo. objetivos. De acordo com o Banco Mundial. ou supranacionais. prazos. México e Peru. e leste Europeu. esta etapa deve ser conduzida preferencialmente pelo Prefeito. devendo desenvolver comparações de competitividade com setores econômicos concorrentes de comunidades de outras regiões. o Banco enfatiza a necessidade da criação de uma visão econômica para a comunidade. de avaliação competitiva. de acordo com o Banco Mundial.

CAPÍTULO 3 .

Após . procura-se identificar a seguir. e documentos do Ministério das Cidades. O projeto foi identificado em abril de 1993.especificamente os três últimos Planos Plurianuais-. em primeiro lugar. para posterior análise de sua correspondência.1 Programa de Gestão e Desenvolvimento da Infra-Estrutura Urbana (PRODUR) O Programa de Gestão e Desenvolvimento da Infra-Estrutura Urbana (PRODUR) é considerado pelo Banco Mundial o sétimo projeto de desenvolvimento municipal baseado no Estado. 57 CAPÍTULO 3 ORIENTAÇÕES E DIRETRIZES DO BANCO MUNDIAL NAS POLÍTICAS URBANAS BRASILEIRAS: DOCUMENTOS DE PROJETO E DE ASSISTÊNCIA AO PAÍS DO BANCO MUNDIAL E DOCUMENTOS CORRELATOS DO GOVERNO BRASILEIRO Conforme visto inicialmente. Após a recuperação destas estratégias nos capítulos anteriores. desenhado para o apoio à descentralização brasileira. e sua preparação assistida por três missões do Banco no estado da Bahia. as estratégias perseguidas ao longo do tempo. documentos do governo brasileiro correlatos.1 Documentos de Projeto do BM no Brasil 3. 3. identificar o impacto das orientações e diretrizes do Banco nas políticas urbanas nacionais.1. recém criado em 2003. a complexidade da trajetória das políticas públicas urbanas no Brasil exige que a análise do papel desempenhado pelo Banco Mundial identifique. como os documentos de projetos e de assistência ao país do Banco Mundial. alguns documentos que possibilitem essa identificação do impacto das orientações e diretrizes do Banco nas políticas urbanas nacionais. para num segundo momento.

tais como os efeitos negativos da inflação endêmica. e um claro componente de foco na pobreza. tendo levado à degradação do ecossistema urbano. Além disso. desenvolvimento institucional. a maior diferença nesse projeto é a explícita introdução de um componente de reforma para estímulo às municipalidades no aumento de rendas geradas de suas próprias fontes. Desta forma o documento enfatiza a importância da eficiência e gestão financeiras.2 . os serviços têm sido cada vez mais providenciados de uma maneira informal e desregulamentada. colocando como desafio para as municipalidades o estabelecimento de seus próprios mecanismos de oferta de infra-estrutura. seguiu-se uma avaliação do padrão de credibilidade do Estado da Bahia. apontando diversas questões. construídos sobre as lições de melhorias urbanas nos programas do Banco Mundial. incluindo também a simplificação de procedimentos de avaliação de subprojetos. baseado no aumento da autonomia fiscal. estes seriam fatores indicativos da necessidade de melhor gestão dos recursos e maior responsabilização dos municípios. Pp. criando um vácuo institucional e de recursos. 53The World Bank. as municipalidades continuam financeiramente dependentes de transferências federais e do estado. Para o Banco Mundial. particularmente em áreas de favelas. January 28. dentre as quais: 1) baixa produtividade do conjunto da infra-estrutura. A justificativa do projeto é dada através de um diagnóstico realizado pelo Banco Mundial acerca das dificuldades enfrentadas pelas municipalidades. melhorias na administração municipal são vistas como passíveis da ocupação do espaço deixado pela diminuição dos programas nacionais. com previsão de encerramento para março de 2004. Staff Appraisal Report Brazil. particularmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. bem como relatórios consistentes e informações financeiras para além das municipalidades com os quais monitorar o progresso sobre a implementação de política e impacto sobre a macroeconomia do país. De acordo com o Staff Appraisal Report do Banco Mundial para o Produr53. bem como a privatização dos serviços de distribuição municipal. Bahia Municipal Infrastructure Development and Management Project. 58 avaliação em abril de 1995 e reavaliação em maio de 1996. 1997. 5) apesar da descentralização. que há alguns anos têm se confrontado com importantes conexões com a macroeconomia. 4) a crise econômica tem acarretado a falência de programas federais de distribuição de infra- estrutura. 2) com a pressão da população e a volatilidade econômica. A aprovação oficial do projeto ocorreu em março de 1997. a possibilidade de uma crise da dívida municipal se os empréstimos não forem contratados em uma escala prudente. 3) a pobreza no Brasil tem se tornado cada vez mais um problema urbano.

8 . 6) Começar a planejar e financiar mais efetivamente ao mesmo tempo em que explicitamente monitora a performance financeira. A estratégia do Banco no setor urbano do Brasil está direcionada primariamente para o apoio às reformas de descentralização que se seguem à Constituição de 1988. sendo os principais objetivos do Projeto de Gestão Municipal da Bahia: 54 Idem pp. o projeto proposto também é parte de uma estratégia que transfere gradualmente as lições da experiência urbana do Banco Mundial no sul do Brasil para o Nordeste. os principais desafios colocados para as municipalidades nesse contexto são: 1) Mobilização mais efetiva dos recursos possuídos. o projeto está diretamente relacionado à Estratégia de Assistência ao País de 1996. 3) Aumento da eficiência no uso de recursos para gastos correntes através da melhoria do dia-a-dia da administração. e ao fomento entre as municipalidades brasileiras da associação da gestão financeira ao aumento da responsabilidade fiscal. principalmente devido ao aumento da importância dos mesmos na provisão de serviços centrais e de infra-estrutura. De acordo com o Staff Appraisal Report do Banco Mundial. para aqueles investimentos municipais e serviços que podem ser providenciados mais eficientemente. eficiente alocação de recursos e maior eficiência no setor público. Neste contexto. 5) Tomar emprestado prudentemente recursos no mercado para financiar prioritariamente operações com altas taxas de retorno econômicas e financeiras. e à idéia de que os projetos são sucesso primariamente em estados com posições fiscais viáveis”54 Assim o Banco tem estabelecido empréstimos diretamente apenas para estados com potencial de crédito. 2) Alocação mais eficiente dos recursos através de rigorosa avaliação de novos investimentos. através da privatização e contratação externa. Quando da negociação do projeto. havendo uma “re-orientação de ênfase sobre financiamento aos estados. o estado da Bahia é considerado um estado com crédito. direcionada para o apoio às reformas estruturais no nível federal e do estado. Além disso. 4) Engajamento do setor privado. 59 Em suma. espera-se também um maior papel das cidades no futuro crescimento econômico do estado. bem como de uma estratégia de alívio da pobreza para o Brasil.

4) Aumento da recuperação dos custos de desenvolvimento municipal.0 4.0 pobreza Total 222.0 4.5 84. de acordo com o Banco. 3) Suporte à privatização e concessão de serviços de distribuição. operações de mercado e habitação56. e equipamentos para as municipalidades e a Companhia de Desenvolvimento e Ação 55 Ibidem pp. ou bolsões de pobreza (pockets of poverty).5 7. financia reformas básicas que reduzirão o papel do governo municipal na distribuição de infra-estrutura urbana e serviços sociais onde apropriado. especialmente para controle de gastos efetivos e financiamento de capital. bem como de um programa de melhorias urbanas objetivando a pobreza em áreas urbanas criticamente pobres. e 5) Aumento da capacidade de gestão financeira municipal. treinamento. .14 O componente de Reforma Municipal. ônibus e outros transportes. conforme relacionados no quadro abaixo: Componente do Projeto US$ Milhões % do total dos custos Reforma Municipal 10.0 Melhorias urbanas baseadas na 15.5 Desenvolvimento 10.5 Institucional Infra-estrutura urbana 186.0 Mundial Fonte: Staff Appraisal Report PRODUR pp. coleta de esgoto. 2) Aumento da eficiência do setor público municipal e sustentabilidade do financiamento para serviços municipais centrais. O Desenvolvimento Institucional consiste de assistência técnica. 60 1) Melhoria das condições de vida dos pobres urbanos através do desenvolvimento de detalhados sistemas para mapeamento de pobreza urbana no estado para guiar estratégias de investimento local e do estado. Como um dos pontos principais está a privatização ou uso de concessões privadas para serviços municipais como água e saneamento.0 Financiamento do Banco 100.14 56Elemento interessante nesse processo é a indicação no appraisal da possibilidade do financiamento do custo da transferência para a entidade privada ser efetuada através dos recursos do empréstimo.55 O projeto conta com quatro componentes primários.

e c)treinamento.agência executora do projeto – assim como estudos associados com a modernização e reformas administrativas das municipalidades. As necessidades serão avaliadas em três áreas: a)fiscal e administrativa. b)Desenvolvimento Urbano. gestão de limpeza urbana. a CAR. sobre a base de diagnóstico foram realizados a Reforma Municipal e o Plano de Desenvolvimento Institucional . . atuando para possibilitar aos municípios a elaboração de seus planos diretores urbanos.ou Plano de Reformas e de Modernização Institucional Municipal (PRIM) . o objetivo é providenciar um pacote de investimentos em infra-estrutura urbana integrada para residentes de baixa renda nas periferias da cidade. de acordo com o documento.em conjunto com a agência executora. onde a maioria dos pobres está localizada. tornando-se claramente complementares. 61 Regional (CAR)57. Os componentes de infra-estrutura elegíveis descritos no documento são: água. Os investimentos em infra-estrutura estão relacionados no documento a específicas intervenções de desenvolvimento institucional e/ou reforma municipal. b)planejamento. O componente de Melhorias Urbanas baseadas no alívio da pobreza tem como alvo áreas com renda abaixo de três salários mínimos por mês. esgoto. resíduos sólidos. é estimado no documento que aproximadamente 77 participem de ambos os componentes de Reforma Municipal e de Desenvolvimento Institucional. De acordo com o documento. Das 415 municipalidades no estado da Bahia. Os critérios de elegibilidade incluem: a) áreas beneficiárias de um máximo de 57 A CAR foi criada pela lei do Estado como uma “autarquia” pública em 1983 e depois transformada em uma companhia pública para providenciar mais flexibilidade na implementação de suas responsabilidades. O terceiro componente dos investimentos está focalizado sobre infra-estrutura urbana básica para aquelas municipalidades que não possuem suficientes recursos e dependem de financiamento externo. estabelecendo padrões e normas para facilitar a aproximação institucional das municipalidades. e outros investimentos complementares. investimentos regionais. criando procedimentos. os planos do Banco Mundial para a CAR incluem a sua reestruturação em três departamentos: a)Desenvolvimento Regional (para programas orientados para o setor rural). Staff Appraisal Report pp. de informática. que são a chave para a entrada desses municípios no Produr. com o objetivo de estabelecer um plano de trabalho de longo prazo para aproximação dos governos locais.21. e c) Ação Municipal (para apoio institucional aos governos locais). Além disso. De acordo com o Banco. desenvolvendo uma estratégia. cadastro técnico e códigos tributários. pavimentação de ruas e drenagem.

A CAR servirá também como secretária executiva do board. que será chefiado pela Secretaria de Estado de Planejamento.25. e d) os residentes não necessitarão fazer prova de propriedade da terra. o programa político será gerido por um board de diretores. Em seu aspecto financeiro. e 3-estabelecimento de um conjunto de ações de institution building. “as práticas e procedimentos têm sido revisadas e 58 Encontrados esses critérios. 3) Apenas licenciamento – avaliações ambientais sobre o projeto serão preparadas por consultores privados e revisados pela CRA. 2-finalização de uma avaliação do potencial para reforma municipal. .000 habitantes em 1991. incluindo como membros os representantes da secretaria de finanças. outros requisitos são exigidos pelo Banco às municipalidades que desejarem participar do PRODUR. outras agências governamentais. assim como corpos de auditores do governo do Estado. de infra-estrutura ou turismo. os próximos passos para as municipalidades são: 1-assinatura de um Convênio de Adesão. Estas diretrizes são comparáveis a similares em outros estados e devem ser compatíveis com as leis do governo federal e as diretrizes do Banco. assim como um diagnóstico institucional e financeiro. c) a participação da comunidade e a organização devem ser demonstradas. enquanto a CAR fica responsável pela gestão do dia-a- dia das atividades do PRODUR. ou relatório de controle ambiental (RCA) – para projetos de pequeno impacto e tamanho. e 2) Ser um dos 33 centros urbanos estratégicos como definido na Estratégia de Desenvolvimento Urbano da Bahia. Os custos do projeto são estimados em 222 milhões de dólares. tais como: 1) População urbana de aproximadamente 15. De acordo com a avaliação do Banco. Aliado ao critério de credibilidade. devido a seu potencial para desenvolvimento econômico relacionado a maiores projetos industriais. Segundo o Banco Mundial. as contas da CAR serão examinadas anualmente por auditores privados externos. com objetivos claramente definidos. Centro de Recursos Ambientais (CRA). Staff Appraisal Report pp. sendo o proposto empréstimo de 100 milhões de dólares do Banco Mundial equivalente a 45 % do total dos custos (50% dos custos menos as taxas). b) os investimentos devem ser integrados.58 A responsabilidade pela produção de diretrizes específicas de projetos municipais com impacto ambiental fica com a agência ambiental do Estado. 62 três salários mínimos por mês por morador. de acordo com o censo do IBGE. e a Associação de Municipalidades. e divididas em três categorias: 1) Avaliação de Impacto Ambiental e relatório EIA/RIMA – para projetos de significativo impacto e tamanho 2) Avaliação de controle ambiental simplificada.

1. e de entidades cívicas para planejar a distribuição e manutenção de um conjunto de serviços urbanos básicos para a baixa renda de forma coordenada e sustentável”61. dentre os benefícios esperados do projeto está: trazer ao Estado da Bahia o modelo de municipalidades que combine política de privatização dos serviços urbanos (onde possível) e o aumento da eficiência do setor público através de programas pilotos de reforma municipal. Assim. melhoria integrada das vizinhanças pobres urbanas de forma sustentável.2 . 63 consideradas satisfatórias. 59 Idem pp. de acordo com o Project Appraisal Document é: “Melhoria da saúde e do bem-estar dos pobres urbanos da Bacia do Rio Beberibe na Região Metropolitana do Recife através do aumento da capacidade institucional pública (estado e local). e com previsão de encerramento para março de 2009. o objetivo de desenvolvimento do Projeto de Melhorias Urbanas do Recife. Project Appraisal Document on a Proposed Loan in The Amount of US$ 46. melhor funcionamento dos mercados de terra urbana e habitação. e criação de mecanismos sustentáveis para financiamento da infra-estrutura urbana. O contexto estratégico no qual está inserido o projeto relaciona-se ao objetivo do CAS de Redução da Pobreza Urbana e o foco no Nordeste do Brasil. chamado Recife Prometrópole. a estratégia de desenvolvimento está direcionada para as seguintes questões: aumento do acesso à água e saneamento .59 Para o Banco Mundial. Brazil with the Guarantee of the Federal Republic of Brazil for the Recife Upgrading Project.0 Million to the State of Pernambuco. 2003. Pp.34 60 Ibidem pp.bem como a modernização do setor -. Os benefícios econômicos referem-se a que os governos locais “façam mais investimentos eficientes em infra-estrutura e serviços urbanos.39 61 The World Bank.60 3. O Tribunal de Contas do Estado da Bahia tem sido avaliado pelo Banco como tendo necessária independência”. Assim o projeto pode contribuir para melhorias que tornarão as cidades mais atrativas para investimentos do setor privado”.2 Recife Prometrópole Aprovado em abril de 2003.

o Banco aproveita-se da experiência das Zonas Especiais de Interesse Social62 (ZEIS) – estabelecidas pelos governos de Recife e Olinda devido à alta concentração de assentamentos informais e pobreza na Bacia do Rio Beberibe. Nesse sentido. a Bacia do Rio Beberibe possui uma das mais altas concentrações de pobreza na Região Metropolitana do Recife. criando bases legais para intervenção nessas áreas. representando aproximadamente 50 % da população da bacia. Um dos objetivos do Prometrópole é a expansão do PREZEIS para o nível metropolitano. que providenciou cerca de 50. de acordo com o Banco Mundial. em meados dos anos 80. com aproximadamente 40% das famílias com renda inferior a dois salários mínimos.9 . Para fins deste projeto. “o PREZEIS e o programa de titulação da COHAB têm os ingredientes com os quais estabelecer um grande programa de infra-estrutura baseado no alívio da pobreza”63. o chamado Plano de Regulação das Zonas Especiais de Interesse Social (PREZEIS). Para o Banco Mundial. e três municipalidades: Recife. 64 O projeto tem como alvo a população de baixa renda da Bacia do Rio Beberibe – particularmente a parte da população que. com uma população total de 550 mil habitantes. Em termos quantitativos.000 títulos para a população da Região Metropolitana do Recife. Ainda de acordo com o Banco. 7. 63 Ibidem pp. além de viver na pobreza usando uma medida convencional de renda. agência estatal de habitação do governo do Estado de Pernambuco -. o qual definiu o processo para regularização fundiária e promoveu instalação de infra-estrutura integrada. Uma outra best practice considerada pelo Banco nessa área é o programa de titulação da Companhia de Habitação do Estado (COHAB) – agora Empresa de Melhoramentos Habitacionais de Pernambuco (EMHAPE). O projeto encontra-se também relacionado no nível do estado de Pernambuco a um ambiente de Reforma onde uma quantidade de programas de ajuste começa a ter 62 No Recife existe um total de sete ZEIS. esta região representa 18% da população da Região Metropolitana do Recife. também sofre a ausência de um número de serviços básicos urbanos que magnificam os impactos da pobreza. Idem pp. a municipalidade do Recife iniciou a implementação de um programa de melhorias de favelas considerado exemplar (best practice) pelo Banco. junto com a consulta e participação da comunidade. Olinda e Camaragibe.

a coordenação dos esforços e a capacitação institucional focalizarão as seguintes questões: – Olhar Metropolitano – Descentralização do planejamento e execução do trabalho local através das municipalidades – Participação da comunidade – Real análise e definição de opções apropriadas de habitação – Mobilização de recursos e procura de parcerias privadas 64 As duas mais notáveis. O projeto focaliza-se assim na melhoria das condições físicas existentes dos assentamentos de baixa renda através da introdução de serviços. Recife Prometrópole Project Appraisal Document Pp. companhias estatais de energia e água respectivamente. 65 impacto em todos os aspectos da provisão de serviços.10. sendo um programa integrado e com abordagem compreensiva dos serviços urbanos. . neste Appraisal são a CELPE e a COMPESA. de acordo com o Banco. o Projeto Prometrópole é uma das quatro operações de crédito externas propostas pelo Estado. e um programa de privatização do estado pelas empresas64. tais como: o Programa de Reestruturação e de Ajuste Fiscal do Estado de Pernambuco (PRAFEP).10. infra-estrutura. 65 Ibidem pp. Além disso. enquanto a privatização da segunda está sendo modelada pelo BNDES. a criação de um fundo de pensão para empregos do estado. a regularização fundiária e o reassentamento das famílias que vivem em áreas de alto risco geotécnico ou de sensibilidade ambiental. como compensação ao PRAFEP. a Lei Camata (que limita os gastos pessoais). enquanto ao mesmo tempo estimula a cooperação intergovernamental na provisão de planejamento urbano básico e a provisão de serviços na Região Metropolitana do Recife” 65. De acordo com o documento. além de “inserir políticas setoriais e programas no interior de um pacote coerente. A primeira já está privatizada.

14 3. associando os interesses intergovernamentais. 66 O projeto Recife Prometrópole está assim estruturado: Financiamento do Custo Indicativo Componentes Banco Mundial (US$ Milhões) (US$ Milhões) A. Distribuição de água e Setorização A-3. as municipalidades de Olinda e Recife.64 A-4. O tomador de empréstimos do projeto é o Estado de Pernambuco.60 de Urbanização C. Dois sub-projetos pilotos em áreas de baixa renda: Campo Grande e Passarinho66 69.05 5. e Campo Grande representa um assentamento irregular no Recife. formar pacto metropolitano com 66Passarinho é representativa de assentamentos irregulares na municipalidade de Olinda. dentre os quais vale destacar o Projeto Metrópole Estratégica.30 e Institution Building Total dos Custos do Projeto 83. Adicionais sub-projetos em áreas de baixa renda Áreas adicionais no Recife Áreas adicionais em Olinda B. Ações complementares 10. articulando. potencializando e redirecionando iniciativas isoladas. Além do Prometrópole. assim como o macro nível dos investimentos no Beberibe.54 Fonte: Project Appraisal Document Recife Prometrópole pp.54 45. A justificativa do Banco Mundial para a escolha das 13 áreas em torno do Rio Beberibe em Olinda e em Recife é a da melhor alternativa em face de sua direta focalização sobre os mais pobres e a realização de um maior impacto de melhorias urbanas integradas. e a Companhia Estadual de Água e Saneamento (COMPESA). identificar ações de caráter estruturador. integrando. Macro-investimentos no Rio Beberibe A-2.35 36. . aumentar a eficiência e a eficácia na aplicação de recursos públicos e privados e orientar o direcionamento de novos recursos. o Banco Mundial financia mais alguns projetos no Recife. Em 1994 a área foi designada como uma ZEI. Infraestrutura A-1. tendo como agências responsáveis respectivamente. De acordo com o documento. Gestão de Programa 4. a Fundação de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife (FIDEM) – agência estadual para coordenação e planejamento metropolitano. com indicação de propostas transformadoras da sua realidade social. estas áreas respectivamente servirão como laboratório de aprendizado antes do avanço da urbanização das 11 áreas remanescentes de um total de 13 áreas de intervenção. sobre lei municipal. responsável pelo programa de desenvolvimento da capacidade institucional e a assistência técnica para as municipalidades. que tem como objetivos contribuir para a construção de um projeto coletivo regional.14.

3. saúde. saneamento. meio ambiente. Envolve uma parceria da FIDEM. o Banco Mundial justifica o projeto como parte das operações de crédito externas concedidas como compensação ao programa de ajuste fiscal em andamento no estado que. no limite. pobreza. habitação. dinâmica populacional. as taxas de retorno dos investimentos aplicados no município equivalem aos custos do capital emprestado.3 Financeirização da ação pública municipal Destes projetos apresentados. 3. já começa a ter impacto sobre todos os aspectos da provisão de serviços. Banco Mundial e Programa Cities Alliance. IPEA.2 Country Assistance Strategy (CAS) A Estratégia de Assistência ao País do Banco Mundial (CAS) é um documento estratégico relacionado ao plano geral de atividades e às operações de empréstimo do . pois. resíduos sólidos. o Recife Prometrópole está relacionado a um ambiente de ajuste no Estado de Pernambuco. 67 uma agenda mínima.1. é encorajado pelo Banco Mundial que o financiamento dos custos da transferência dos serviços públicos municipais à iniciativa privada sejam efetuados através dos recursos do empréstimo. uso e ocupação do solo. serviços municipais. finanças municipais. como se observou. trabalho. – Definição da Estratégia de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife – 2003/2015 (versão técnica) e Projetos Territoriais: uma proposta de priorização – 2003/2007. de acordo com ele. segurança. educação. As ações executadas de 1999 a 2002 foram: – Estudos Temáticos nas áreas de crescimento econômico. Fórum dos Secretários Municipais de Planejamento. com uma concepção da ação pública cada vez mais financeirizada. No Produr. Com a mesma lógica perversa. transporte. CONDERM. Dessa forma. pode-se perceber a princípio a intervenção do Banco Mundial configurando um sistema de financiamento destinado a tornar as municipalidades “autosustentáveis” e autofinanciáveis no mercado privado.

Quanto à divulgação do documento. Neste caso. o Banco Mundial enfatiza: “Embora o CAS seja elaborado em consulta próxima com o governo e com outros interessados importantes. como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. inclusive o desempenho econômico e social mais recente. para cada tomador de empréstimos.org/index.php/content/view_folder/646. trabalhos analíticos e assistência técnica. – Os objetivos do Governo e os desafios por ele enfrentados. inclusive das que fazem parte do diálogo do Banco com o governo a respeito das políticas públicas. Pensar Localmente. In Vianna Jr.. Como um documento estratégico e confidencial. a Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais69. como o caso do CAS Brasil.2 ou 3 anos. O CAS é elaborado a cada 1. com a combinação proposta de projetos (de empréstimos). – A Estratégia de Assistência do Grupo do Banco Mundial. Pp. No início do ano de 1997. – A matriz do programa do país. No Brasil.13 . 68 Fonte: http://www. os documentos do CAS incluem temas como: – Antecedentes. sendo submetidos ao exame da Diretoria Executiva do Banco. articulando também as demandas das entidades brasileiras frente à direção dessas instituições em Washington e também participar de coalizões transnacionais de Organizações da Sociedade Civil que trabalham com vistas à reforma das Instituições Financeiras Multilaterais”. quando então “elaborou uma tradução parcial e encaminhou a um conjunto razoavelmente 67 O CAS também pode ser elaborado conjuntamente por todo o Grupo do Banco Mundial (inclusive a IFC e MIGA). atuou no sentido de tornar público o CAS. Dezembro/Fevereiro de 1998/1999. problemas de implementação e indicadores de referência. – Diagnóstico das questões chaves. apesar de sua grande influência nos investimentos do Banco nos países tomadores de empréstimos. avaliação dos riscos. trata-se de um documento do Banco. A razão disso é que há necessidade de facilitar e salvaguardar o intercâmbio livre e franco de idéias entre o Banco e seus países membros”68. o CAS tornou-se objeto de campanhas internacionais de Organizações Não Governamentais que lutam pela reforma do Banco Mundial refletidas em uma maior abertura (disclosure) à participação política e transparência em suas ações. Nº 79.html 69 A REDE BRASIL “é uma organização não governamental que busca contribuir para o debate nacional em torno das Instituições Financeiras Multilaterais. – Perspectivas. a Rede Brasil conseguiu uma cópia de uma versão preliminar do documento. Aurélio. 68 BIRD e IDA nos seus países-membros67. De acordo com o Banco. Revista Proposta. A política de divulgação de informações do Banco determina que o CAS seja tratado como um documento confidencial. Agir Globalmente: a construção de uma agenda nacional para atuar frente às Instituições Financeiras Multilaterais.obancomundial. ele também inclui uma estratégia para o setor privado. ONG fundada em 1995.

apenas um teve uma iniciativa singular. pois apesar do reconhecimento da importância do documento. O documento somente poderia tornar-se público com a autorização do governo brasileiro. enviou o requerimento à mesa da Câmara.13-14. que autorizou sua publicação. do Partido da Frente Liberal e do Partido Popular Socialista) da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e da Câmara Federal”70. O Deputado Ivan Valente (PT-SP). A Rede Brasil solicitou o documento ao Deputado Ivan Valente. o requerimento foi encaminhado aos Ministros da Fazenda e do Planejamento e Orçamento.vista e a assistência da sociedade mais ampla. “O Banco adotou uma abordagem participativa. No dia 5 de agosto. a resposta parlamentar foi quase nula. não identificaram o que deveria ou poderia ser feito. . não solicitando que fosse mantido em sigilo. pela primeira vez no mundo. então. o Ministro da Fazenda respondeu ao Deputado negativamente. 69 grande de ONGs e a cerca de vinte parlamentares (basicamente do Partido dos Trabalhadores. 71 Ibidem pp. objeto de inúmeros pronunciamentos na Câmara dos Deputados. empreendendo consultas não só com o governo mas. não obstante as dificuldades que ainda se fazem sentir em relação a essa questão. Assim. Depois de aprovado.de. porém inicialmente. o CAS de um país. onde os parlamentares realçavam a necessidade de um estudo aprofundado de um documento que prescreve políticas para o Brasil e tem efeitos sobre o Orçamento da União. buscando também os pontos. bem como reconhecendo a necessidade de sua divulgação pública. era publicado. O CAS foi. Para tal. o Ministro do Planejamento e Orçamento atendeu o pedido. Pouco tempo depois. consultam-se também 70 Idem. argumentando que este seria de propriedade do Banco Mundial.71” Atualmente. fazendo uso de sua prerrogativa de requerer informações ao Executivo. cada vez mais. o Banco Mundial tem procurado adotar um processo de consulta para a elaboração do CAS. solicitando o CAS. “Dos parlamentares que receberam o material. de acordo com o Banco Mundial. Em março de 1998. No entanto. de acordo com Vianna.

. na medida em que possibilitam uma melhor incorporação da experiência e os conhecimentos locais. – Realçam as iniciativas do governo no sentido de aumentar a transparência..) Não obstante. o CAS pode ser divulgado publicamente pelo Banco. a pedido do governo. que permanece muito limitado.2. Recomenda-se uma estratégia mais 72 Fonte: http://www.org/index. Os interlocutores normalmente são entidades com experiência em discussão e de negociação sobre políticas públicas nos níveis nacionais e subnacionais. sindicatos e a comunidade acadêmica. A mudança de política também indica que. e se o governo consentir.”72 3. depois de ser discutido publicamente pela Diretoria. movimentos sociais. o entendimento do público e a participação dos cidadãos no processo de tomada de decisões.. Depois das discussões da sua Diretoria sobre o CAS. Este é o caso do Brasil.. – Promovem os objetivos do Banco de realçar a participação dos interessados. Tendo em vista a natureza do CAS. 70 ONGs. O principal alvo do apoio do Grupo do Banco Mundial para o desenvolvimento social nesse CAS continua sendo o alívio da pobreza.obancomundial.1 CAS 1998 Na Estratégia de Assistência ao País 1998. as consultas são feitas com consciência das necessidades e sensibilidades dos diversos interlocutores e com assentimento geral prévio do governo. A administração do Banco terá que notificar à Diretoria a intenção de divulgar publicamente o CAS. o Banco Mundial enfatiza a necessidade de um melhor entendimento sobre os determinantes da pobreza urbana. a despeito da consideração de seus empréstimos municipais como bem-sucedidos. – Ajudam a assegurar que as preocupações dos pobres e dos grupos mais vulneráveis sejam consideradas.php/content/view_folder/646. (.) O Banco Mundial reconhece que as consultas públicas: – Melhoram a qualidade do CAS.html . o Banco pode emitir uma Notificação de Informação Pública sobre o CAS. grupos empresariais. (. houve recentemente uma mudança nos termos e divulgação do CAS. a pedido do governo.

e a “construção de um modelo de trabalho para tratar diretamente essa questão”. março de 1998. através de dois elementos: 1) Serviços Urbanos Básicos 2) Pobreza Urbana 73Vianna Jr. melhorias nas favelas e a busca de fundos municipais para o desenvolvimento da infra-estrutura. De acordo com o Banco. 125 . 75 Idem pp. que incluem projetos em transporte urbano e saneamento básico. a consideração dos problemas urbanos está inserida neste EAP como parte do Desenvolvimento Social. A avaliação independente do ESW é construída como parte das avaliações do CAS e do setor. o Banco baseia a elaboração do presente CAS nessas experiências e lições aprendidas para apoiar esforços adicionais ao aumento dos serviços de infra-estrutura oferecidos aos pobres por meio de novos projetos de abastecimento de água. A Estratégia dos Bancos Multilaterais para o Brasil: Análise Crítica e Documentos Inéditos. Com uma consideração positiva da estratégia anterior. assim como uma ESW74 para “desenvolver uma melhor compreensão sobre o que pode ser feito para reduzir a pobreza urbana”. Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais. Brasília.. Pp. No campo urbano. propõe um “novo trabalho para identificação e implementação de um marco para tratar do alívio da pobreza urbana”73. seu apoio anterior esteve focalizado no aumento da produtividade dos pobres por meio de uma maior disponibilidade de serviços urbanos básicos. 71 ampla para aliviar a pobreza que inclua intervenções tanto no sentido do desenvolvimento de regiões pobres quanto aquelas que tenham como alvo direto a pobreza rural e urbana. Aurélio (org). saneamento e transporte urbano.123 74 Economic and Sector Work (Trabalho Setorial Econômico) é a principal ferramenta analítica e de aconselhamento do Banco Mundial.75 Em suma.

gerenciamento. concessões e companhias e de (63%no geral. moram em áreas de risco. estradas. estruturação de concessão do 35% e 66% das famílias financiamento inadequado de reestruturação dos licitações para concessões. (ii) Recife). ambiente eficiente e âmbitos estaduais e Áreas de empréstimo a público. esgoto) e ao transporte serviços básicos. (iii) No transporte urbano: Saneamento. renda média alta. Desenvolvimento Municipal metrô de São Paulo. Falta fornecedores de serviços de estabelecer as estruturas em Cidades de Porte Médio. no sentido de remoção da população de Urbano (Salvador. O déficit de moradia Déficits de moradia estão A estratégia é aumentar o Implementação de urbana é de 4 milhões de concentrados na população acesso à moradia por meio de Empréstimos Prévios: residências novas e 2. aumentar Questões de Pobreza Urbana água.5 com renda de até três salários (i) urbanização de áreas Transporte Urbano (São milhões de melhorias. e horário de pico. reduzir Piloto de Pobreza Urbana. Ceará). (ii) realizar municipais. reduzir subsídios e regulatória. acesso ao abastecimento de melhorar cobertura e Fornecimento de Serviços de financiamento direto para acesso ao saneamento estrutura levou a custos água. Minas). desses serviços e ao modernização e competitividade e eficiência. Fonte: A Estratégia dos Bancos Multilaterais para o Brasil . mínimos. urbanos para os municípios. prover acesso à serem consideradas: relação ao acesso da licitações com vistas a serviços para a população Modernização do Setor de população de países de contratos de concessão e como um todo. Transporte descentralização dos serviços Aumentar a capacidade no Urbano. (iv) melhorias na estrutura de acidentes e fatalidades. Isto exige um ocupadas por habitações Paulo. Serviços de consultoria e de básicos. Consultoria para a tanques sépticos em 1991. Melhoria das favelas. melhorar a construção de áreas de risco. Desenvolvimento públicos. Rio. reassentar populações que políticas de subsídios. 72 A matriz do CAS 1998 para o setor urbano conta com os seguintes itens: Objetivos de Desempenho Questões Diagnóstico Estratégia / Ações Instrumentos do BIRD Instrumentos do CFI do Governo do Brasil Acesso aos serviços Gerenciamento público A estratégia é aumentar o Em água e saneamento: ESW: Tarifas de Água. urbanas de baixa renda não novos investimentos. (iii) construção Desenvolvimento Municipal padrões de moradia e de novas habitações. financiamento direto de têm acesso à água e regulamentação adequada de abastecimento de água em um regulatórias e as agências nos portos. Abastecimento de Água. particularmente precário de serviços de infra. Belo Horizonte. e Segurança. incluindo elevados no fornecimento público por meio de (i) saneamento. e (iv) (Bahia. o congestionamento. precário em competitivo. redirecionamento dos fundos abaixo do padrão. saneamento e transporte qualidade de água e do Infra-estrutura aos Pobres.

repasses de empréstimos utilizando intermediários inter-regionais. O documento destaca então. De acordo com o parágrafo 154 da estratégia.2 CAS 2003-2007 Esta Estratégia de Assistência ao País traz o conceito de sustentabilidade para redução da pobreza e melhoria da qualidade de vida das áreas rurais e urbanas. diretamente relacionado à sétima meta de desenvolvimento do milênio. que são voltados para as cidades secundárias estratégicas-. em vez de empréstimos diretos.83 . 76 The World Bank. município de grande porte na área metropolitana de Belo Horizonte.76 Nesse CAS é enfatizado que a estratégia operacional do Banco para os municípios urbanos ainda está sendo discutida e a previsão é de que esteja concluída no final de 2004. com uma integração setorial em colaboração com outros parceiros. a estratégia do Banco prevê uma abordagem ampla. e empréstimos para municípios consorciados por meio de cooperativas de crédito. “a assistência do Banco para um Brasil sustentável se destina a melhorar a qualidade de vida mediante o aprimoramento dos serviços locais nas áreas urbanas e rurais. 2003 (Versão em Português) Pp. e a gestão meticulosa das riquezas naturais brasileiras e da dimensão espacial do desenvolvimento”. 2) Para as cidades de médio porte. and Competitive Brazil. Os exemplos destacados pelo Banco abrangem intervenções nos estados - como os projetos integrados na Bahia e no Ceará.2. como iniciativa que servirá como projeto piloto para futuras operações nos municípios. repasses de empréstimos nacionais por meio de intermediários financeiros domésticos. Memorandum of President of the International Bank for Reconstruction and Development and The International Finance Corporation to the Executive Directors on a Country Assistance Strategy 2003-2007 for the Federative Republic of Brazil in Support of a More Equitable. Sustainable. 73 3. inclusive o Banco Interamericano de Desenvolvimento. suas prováveis linhas de ação: 1) Empréstimos a diversas grandes cidades ou municípios que façam parte das regiões metropolitanas. O Banco destaca o exemplo de um empréstimo que está preparando para Betim.

através de diversos instrumentos nos níveis federal e estadual. compilar informações e criar um banco de dados. (. Financiamentos da IFC estão contribuindo para a realização de um estudo destinado a avaliar a demanda local. o Banco propõe. e por intermédio de assistência técnica ao governo federal sobre as questões relativas à gestão urbana e aos governos locais. interessada em questões municipais.. o Banco está analisando as oportunidades de trabalho com os governos locais por meio de programas de transferência de financiamentos federais para os municípios. Além disso. bases de dados. De acordo com o Banco. O objetivo dessa iniciativa é a vinculação dos programas municipais de combate à fome às companhias interessadas em prestar ajuda.. quando possível. Segundo o Banco.) Além de projetada para atender as necessidades de quem administra os municípios.obancomundial. em parceria com a Aliança das Cidades e outros colaboradores. em continuidade à assistência aos sistemas de metrô nas grandes cidades.org/index. etc”. 4) Além do desenvolvimento de estratégias para atuação direta junto aos municípios. no contexto de uma estratégia integrada nas zonas urbanas. concentra-se no incentivo às parcerias públicas e privadas. Fonte: http://www. o prosseguimento do seu apoio seletivo ao transporte urbano. uma página na Internet. a promoção de maior acesso aos serviços básicos nas áreas urbanas e rurais é o principal elemento dos programas planejados e em andamento. a encontrar uma variedade de informações úteis: sítios de diversas instituições nacionais e estrangeiras. trocas de experiências. principalmente através da Rede Brasileira de Informação Municipal (Muninet)77. O fornecimento de água e saneamento está planejado para complemento a um maior aporte aos serviços básicos urbanos. 5) A assistência da IFC. por meio de ações voluntárias do setor privado. a rede está sendo planejada nacionalmente com o objetivo de beneficiar todos os municípios brasileiros. “o objetivo central da rede de informações é promover a capacitação institucional e o desenvolvimento profissional das autoridades e funcionários das administrações municipais.php/content/view_folder/1405. estudos de casos. sendo priorizada no nível federal a elaboração de políticas e programas. e nos níveis estadual e municipal. exemplos de boas práticas. De acordo com o Banco. planejada ou em andamento no nível municipal. uma central de chamadas e um manual de instruções para as empresas privadas. governamentais e não-governamentais. 74 3) A assistência aos pequenos municípios estará concentrada na gestão do conhecimento. de 77 A Rede está sendo formada pelo Banco Mundial em parceria com a Associação Brasileira de Municípios e o Banco do Brasil. a rede deverá também possibilitar qualquer pessoa.html .

Propõe-se também o início de um programa federal de fornecimento de água e saneamento em 2004. representam uma abordagem em parceria em prol de programas amplos.3 Redução da Pobreza Urbana Ao contrário dos documentos de projeto do Banco Mundial (appraisals). mas uma abordagem usada para apoiar um setor de maneira coordenada e abrangente. 75 acordo com o Banco. os Swaps. para levar um SWAp78 maior para esse subsetor. que trazem orientações e informações específicas. incluídas as diretrizes para as questões urbanas. Ainda outras atividades em andamento. O Banco também propõe continuar a cooperar com o governo no aprimoramento das concessões de títulos de propriedade da terra. Os instrumentos usados nos SWAPs são geralmente os empréstimos de investimento. os documentos que se seguiram até 2002 permaneceram sobre forte escrutínio do Banco Mundial. como o nome sugere. objetivando o apoio para melhorar a eficiência e o direcionamento dos programas habitacionais do governo às famílias pobres. seriam discutidas as abordagens da prestação de serviços no contexto de estratégias mais amplas de desenvolvimento local ou regional. da Rede Global de Aprendizagem para o Desenvolvimento (GDLN) e de outras fontes. Os SWAPs não são instrumentos de empréstimo ou de doação. planejando-se receber assistência do Instituto do Banco Mundial. com a sua publicação em 1998. 3. Os SWAPs normalmente usam mecanismos tradicionais de desembolso. uma operação de assistência técnica e outra de SWAp ao setor de habitação. executados pelo país. que só então em 2003 o torna 78 Sector Wide Approaches (Programas com Enfoque Setorial Amplo) são mecanismos que buscam apoiar programas de reformas setoriais baseados em objetivos de desenvolvimento de longo prazo. Apesar da conquista obtida pelos movimentos que lutavam pela publicização do CAS – considerado um documento estratégico e de grande impacto na formação da agenda política nacional-. Eles normalmente abarcam um setor inteiro.2. abrangem a incorporação de uma perspectiva de prevenção à criminalidade e à violência nos projetos de desenvolvimento urbano e de infra-estrutura. De acordo com o Banco Mundial. de acordo com o Banco. . mas cresce o uso de financiamento em fundos únicos. mas também na infra-estrutura. podendo incluir parcerias. os documentos de assistência ao país (CAS) traçam diretrizes gerais. especialmente as áreas sociais. mas também é possível usar empréstimos de ajuste. O fortalecimento da capacidade institucional e técnica no nível local também é uma prioridade. referentes ao contexto macroeconômico e político do país.

seguramente para a “identificação e implementação de um marco para tratar do alívio da pobreza urbana”. no qual o governo do Estado irá orientar o planejamento e a gestão da administração pública para o período de quatro anos. Enquanto o CAS 1998 tem como elemento fundamental o trabalho para a identificação e implementação de um marco para tratar do alívio da pobreza urbana. ambos os documentos de país enfatizam a redução da pobreza urbana.3 Plano Plurianual (PPA) O Plano Plurianual é o instrumento requerido pela Constituição de 1988. ambos pertencem ao mesmo universo discursivo do Banco Mundial. inclusive o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). embora distintamente. está relacionada ao aumento das pesquisas urbanas.conforme visto no capítulo anterior. A configuração do terceiro objetivo desta agenda -combate à pobreza urbana crescente através do aumento da produtividade do pobre urbano . demonstrando uma nova política em relação ao documento. Em termos comparativos. o Projeto de Lei do PPA deve conter as diretrizes. uma vez que a despeito da diferença da tipologia de documentação. 3. objetivos e metas da administração pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada. Os programas são executados conforme as ações realizadas objetivando transparência na alocação de recursos e avaliação na aferição de resultados. o CAS 2003-2007 relaciona o conceito de sustentabilidade para redução da pobreza. Do mesmo modo. . referente à consideração holística do desenvolvimento urbano ao conceito de sustentabilidade para redução da pobreza urbana. Nele estão definidas as metas físicas e financeiras para fins de detalhamento dos orçamentos anuais. 76 acessível ao público. pode-se associar a agenda dos anos 2000. Fato que justifica a dificuldade da obtenção dos documentos referentes a este período. a associação do primeiro CAS à agenda urbana dos anos 90. O PPA é organizado por programas que devem ser estruturados de acordo com as diretrizes estratégicas de governo e a disponibilidade de recursos. contando também com a disposição de uma maior abertura a integração setorial com outros parceiros do Banco Mundial. Pode-se notar também. claramente. De acordo com a Constituição Federal. como destacado pelo CAS 1998.

1 PPA 1996 .” As questões urbanas neste Plano Plurianual se encontram consolidadas no grupo temático referente ao Desenvolvimento Social. apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas. Assim. que tinha como principal atribuição formular e coordenar as políticas nacionais de desenvolvimento urbano. O plano é.gov. Planejamento e Investimentos/Publicações/ PPA 1996-1999. e a contribuição para a construção de um Estado moderno e eficiente.br. portanto. com vistas à sua operação em um ambiente marcado pela escassez de recursos fiscais. financeiras e operacionais. 77 3.1999 (Brasil em Ação) Os projetos e ações apoiados pelo governo durante a vigência deste PPA estão relacionados a investimentos que visam. um instrumento balizador da ação governamental e demonstrativo das intenções do Governo para as agências de financiamento público e externo”79. Os programas urbanos do Brasil em Ação deveriam ser geridos pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República (SEDU/PR). 80 Fonte: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – www. sendo o grande desafio a reorganização do setor. www.snis. O principal critério para a seleção dos projetos e ações estruturadores desse PPA foi a magnitude do impacto nos chamados fatores sistêmicos ou redução do “Custo Brasil. “a elevação dos níveis de investimentos no País nos próximos anos deverá se dar.planejamento. a Habitação e o Desenvolvimento Urbano estão vinculados. de acordo com o documento. do setor privado e das organizações não-governamentais para implementar programas nos setores de habitação.gov. saneamento básico.br .3. o aumento da competitividade da economia. ao qual o Saneamento. a redução das desigualdades sociais e espaciais. municípios e o setor privado para a realização das ações propostas. pela maior presença da iniciativa privada na recuperação da infra-estrutura e ampliação dos serviços públicos básicos. 79 Ministério do Planejamento. de acordo com o plano. articulando-se com as diversas esferas do governo. Nota-se claramente o direcionamento das propostas do PPA para parcerias com estados. urbanização e transporte coletivo80. A principal consideração para o saneamento urbano nesse Plano Plurianual é a da convivência do setor com sérias dificuldades institucionais. Orçamento e Gestão. principalmente.

– Integração das ações de saneamento entre si e com outras políticas afins: desenvolvimento urbano. – Ampliação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário – Prosaneamento. para atender às diversidades geográficas. meio ambiente e recursos hídricos. tais como: – Modernização do setor de saneamento. – Flexibilização da prestação dos serviços. de acordo com o documento. e – Aperfeiçoamento do programa de qualidade das águas e combate da poluição hídrica (PQA). – Abertura do setor para a área privada reunindo capacidade de gestão e possibilidade de financiamentos adicionais. No setor de habitação. – Saneamento em áreas urbanas para população de baixa renda. e – Fortalecimento da função regulatória do Estado sobre os prestadores de serviços. – Gestão do sistema de coleta e disposição de resíduos sólidos. a primeira pré-condição para uma nova política habitacional supõe a consolidação da estabilidade de preços. necessariamente. reforçando o papel dos Estados. 78 As principais diretrizes da Política Nacional de Saneamento do Plano Plurianual 1996-1999 são: – Descentralização das ações. sociais e econômicas do País. saúde. a . pois “a solução de grande parte dos problemas do setor pressupõe. dos Municípios e do setor privado. – Saneamento básico para a redução da mortalidade na infância. Estas diretrizes estão relacionadas a específicas ações e projetos de saneamento. – Participação dos diversos agentes envolvidos na gestão dos serviços. – Ampliação do programa de ação social em saneamento (PROSEGE).

gov. destaca-se o de Carta de crédito e o de propriedade cooperativa. . parcela dos valores dos financiamentos com recursos do Fundo de Garantia. para subsidiar. As principais ações previstas na área de habitação são três: _ melhoria das condições habitacionais para a população de baixa renda. 81 Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão. Entre esses programas. – acesso a financiamentos de alternativas habitacionais especialmente para famílias com renda de até 12 salários mínimos.81” A partir daí. seja pelo maior estímulo à oferta seja pelo decréscimo dos custos institucionais. com o objetivo de reduzir os custos de acesso à moradia. em conjunto com as contrapartidas das demais esferas de Governo. Distrito Federal e Municípios) na execução de programas habitacionais flexíveis.planejamento. descentralizados e executados em parceria com a comunidade. Os recursos orçamentários da União serão utilizados. Planejamento e Investimentos/Publicações/ PPA 1996-1999. temporária e individualizada. que permitam soluções para a aquisição ou melhoria de unidades habitacionais. uma vez que o mercado é dependente de financiamentos de longo prazo. – revisão do marco regulatório do setor habitacional. por meio da utilização de recursos do Orçamento da União e do FGTS. www. – programas específicos voltados para as populações com faixa de renda entre 3 e 12 salários mínimos. 79 redução de incertezas quanto ao futuro. quando for o caso. destinados a apoiar o Poder Público local (Estados.br. de forma transparente. – aperfeiçoamento da legislação e normas do sistema financeiro da habitação. do ponto de vista individual e de conjuntos de indivíduos. utilizando basicamente recursos do FGTS e de contrapartida locais. são dadas as seguintes orientações para o setor nesse Plano Plurianual: – melhoria das condições habitacionais das populações com rendimentos de até 3 salários mínimos.

gov. e metodologia e concepção dos programas com recursos do FGTS. Para alcançar esse objetivo. Orçamento e Gestão. 80 No setor de desenvolvimento urbano.planejamento. segundo as quais várias modalidades de intervenção podem ser combinadas para atender clientelas específicas. além de definir as competências específicas das três esferas de governo em relação à matéria e dispor sobre o ordenamento institucional do setor82.br Planejamento e Investimentos/ Publicações/ PPA 1996-1999 . – Articulação da descentralização e modernização da gestão do desenvolvimento urbano. os princípios e as diretrizes dessa política. infra-estrutura. Distrito Federal e Municípios no período 1996-99. além da coordenação pelo governo federal das ações setoriais de habitação. especialmente os voltados às populações de baixa renda. As principais ações de desenvolvimento urbano desse PPA são: – Aperfeiçoamento da legislação do uso e ocupação do solo urbano. www. bem como custeio dos projetos e ações segundo áreas de aplicação e as fontes de recursos. – Descentralização da gestão dos serviços de transporte ferroviário urbano de passageiros. o Plano Plurianual 1996-1999 afirma a pretensão do governo de instituir as diretrizes gerais para o desenvolvimento urbano por meio da aprovação de um Projeto de Lei que disporá sobre os objetivos. Os valores estimados para os investimentos. que constam desse Plano Plurianual. estão nas tabelas a seguir 83: 82 De acordo com o plano. 83Fonte: Ministério do Planejamento. – Articulação de ações para a melhoria das condições das regiões metropolitanas. cabendo à União um papel predominantemente normativo. transportes e serviços urbanos. mediante financiamento e prestação direta ou indireta dos serviços. com o objetivo de produzir ganhos de escala no equacionamento de problemas urbanos. regulador e indutor das demais esferas de governo. propõe a aceleração da tramitação no Congresso de um substitutivo a projetos de lei que fixam normas gerais para a aplicação de instrumentos de regulação do uso do solo urbano. Em paralelo. o plano propõe a extensão de transferências voluntárias da União para Estados. saneamento ambiental. a Constituição Federal de 1988 definiu os papéis das três esferas de governo na execução da política de desenvolvimento urbano.

743 0 33.743 recursos hídricos 6.737 40.289 15.594 431 10. recursos privados e de Estados e Municípios.909 saneamento* 9.390 305. exterior 3.355 meio ambiente 1.025 habitação* 8.137 28.831 2.513 9. financiamentos externos e internos para a União. recursos diretamente arrecadados e FGTS.389 332 85.916 indústria e com.963 (1) Recursos fiscais e da seguridade.971 6. .277 68 2.838 270.559 comunicações 33. 81 INVESTIMENTOS E CUSTEIO(1) R$ milhões(2) Discriminação Investimentos Custeio(3) Total infra-estrutura econômica 85.424 ciência e tecnologia 9.868 infra-estrutura 3.627 22.925 14.917 10.921 11. desporto.742 920 7.072 39 8.295 cultura.735 774 2.988 6.721 transporte 13.016 3.091 333 1. segurança e cidadania 1.610 agricultura 7.509 desenvolvimento social 29.347 72 13.638 previdência 12 184.111 desenvolvimento urbano* 2.706 turismo 1.299 260 38. *Grifo meu.573 458.662 gerenciamento r. 60 124 184 irrigação 3.958 2.430 4.h.419 energia 38.5I3 saúde 4. justiça. (2) Valores médios de 1996 (3) Exceto despesas de pessoal e encargos sociais e custeio administrativo.767 184.924 45.616 defesa nacional 5.800 300.661 educação 4.735 2.779 assistência social 0 9.517 93 3.569 TOTAL 153.345 trabalho 158 28.652 4.165 703 3.847 estado e administração pública 658 1.

386 TOTAL 96.232 agricultura 7.315 23 6.651 4.602 1.921 11. (3) Exceto despesas de pessoal e encargos sociais e custeio administrativo.616 defesa nacional 5. segurança e cidadania 1.635 450 2.953 comunicações 17.648 3. financiamentos externos e internos para a União e recursos diretamente arrecadados.705 saúde 4.630 3.776 403 2.338 desenv.847 6.735 10.563 0 17.789 45.964 4.909 saneamento* 5.952 25 1.779 assistência social 0 7.552 186 47.839 114 20.705 7.222 energia 20.132 28.477 meio ambiente 1. desporto. 82 INVESTIMENTOS E CUSTEIO RECURSOS DA UNIAO(1) R$ milhões(2) Discriminação Investimentos Custeio(3) Total infra-estrutura econômica 47.958 2.823 388.619 13. exterior 1.064 268.169 (1) Recursos fiscais e da seguridade (inclusive FAT).977 trabalho 148 28. urbano* 1.174 58 2.528 turismo 700 257 957 ciência e tecnologia 2. * Grifo meu . justiça.250 estado e administração pública 658 1. 51 104 155 irrigação 1.h.341 educação 4.552 40.001 565 4.329 habitação* 6.594 291.738 transporte 9.179 Infra-estrutura 2.767 184.658 previdência 12 184.085 desenvolvimento social 23.566 gerenciamento r.908 indústria e com.289 6.564 2.346 291.280 cultura. (2) Valores médios de 1996.150 72 9.563 recursos hídricos 4.097 232 5.988 6.

Dois programas principais são propostos: a) Nosso Bairro – Com um público-alvo constituído pelas famílias com renda mensal de até três salários mínimos. mas também busca definir políticas para o setor. O Plano insere a questão urbana na temática “Justiça Social e Qualidade de Vida”. sendo executados projetos nas áreas de transportes. Propõe para tanto a articulação entre governos e a iniciativa privada. que vivem em assentamentos subnormais nas aglomerações urbanas. integrando. 2) Ampliar a oferta de habitações e estimular a melhoria das moradias existentes Os princípios básicos da política habitacional do governo federal explicitadas no plano estão relacionados à descentralização. recuperação ambiental.2 PPA 2000-2003 (Avança Brasil) Neste Plano Plurianual.3. drenagem fluvial. “visões e interesses de estados e municípios. de acordo com o plano. ao longo de quatro itens: 1) Melhorar a qualidade de vida nas aglomerações urbanas e regiões metropolitanas A meta prioritária do plano nesse ponto é a centralização dos esforços da política urbana do governo para melhorar a infra-estrutura das áreas ocupadas pela população mais carente. considerados elementos de vital importância para tornar possíveis as soluções demandadas pela sociedade com ênfase crescente84”. bem como a participação ativa da comunidade. objetivando a transformação desses assentamentos em bairros residenciais. democratização de acesso ao . entre outros. a política urbana está relacionada não apenas à mobilização dos recursos para os investimentos necessários à ampliação da oferta de equipamentos e serviços às comunidades. saneamento e infra-estrutura urbana. assim como a modernização do aparato regulatório para viabilizar parcerias entre as diferentes esferas do setor público e setor privado. 83 3. o programa atua por meio do financiamento a estados e municípios e ações integradas de habitação. b) Reestruturação de Regiões Metropolitanas – tem como objetivo a revitalização da infra-estrutura das capitais.

cada vez mais. o plano propõe que governos estaduais e municipais. Planejamento e Investimentos/Publicações/PPA 2000-2003. o próprio cidadão possa construir ou melhorar sua casa. 84 crédito.gov. em sistemas de condomínio. apoio ao setor privado no planejamento e execução da produção e. é a de que o governo. estabilidade e continuidade operacional. b) Minha Casa – Reforma e dotação das casas com infra-estrutura básica. apoio às famílias na solução dos seus problemas habitacionais.planejamento. incentivos ao setor privado para a aplicação de recursos na área habitacional. complementaridade. . A justificativa presente no incentivo aos investimentos na área habitacional. a política habitacional proposta pelo governo no plano propõe a simplificação da legislação federal. em todos os tipos e financiamentos de carta de crédito. uma política de subsídios para famílias com renda de até cinco salários mínimos. construção ou reforma da casa própria para famílias com renda mensal de até 12 salários mínimos. Para realizar esse objetivo. De acordo com o plano. Por outro lado. O público- alvo do programa está referido às famílias com renda de até seis salários mínimos. de acordo com o plano.br. incluindo o estímulo à qualidade e à produtividade na construção civil para reduzir custos. e o aumento do número de linhas de crédito dos bancos oficiais para facilitar o acesso à casa própria. foi criada ainda com recursos do FGTS. São propostos os seguintes programas: a) Carta de Crédito – financia a compra. que vivem em sua maioria na periferia de cidades com mais de 100 mil habitantes. na modalidade individual. A principal ação do programa é o Arrendamento Residencial. ao ampliar a 84Ministério do Planejamento. empresas privadas e a própria sociedade participem do esforço para a eliminação do déficit habitacional. principalmente. sendo as taxas de juros cobradas no Programa Carta de Crédito inferiores às taxas de mercado de tal modo que o programa ofereça um subsídio direto significativo. estadual e municipal para permitir que. Orçamento e Gestão www. ou até de 20 salário mínimos. para arrendá-las aos moradores com opção de compra futura.

destinando recursos para a construção de redes de abastecimento de água e esgoto. incentivando para tanto a modernização das empresas estaduais e municipais de saneamento. 4) Melhorar a qualidade do transporte e do trânsito urbanos Nesse setor é proposta a implantação de uma política de transportes urbanos integrada a uma política de uso e ocupação do solo. até a construção de conjuntos habitacionais para famílias em áreas de risco. b) Morar Melhor – promove ações integradas de desenvolvimento urbano em áreas que exercem pouca ou nenhuma atratividade para a iniciativa privada. indução a eficiência dos operadores públicos. asfalto. estabelecimento de novos arranjos regulatórios e estímulo à ampliação de parcerias com o setor privado. energia elétrica. e em apoio às prefeituras municipais. Conta com os seguintes programas: a) Saneamento é Vida – objetiva o reordenamento do setor e a indução da melhoria dos níveis de eficiência e eficácia dos prestadores de serviços. que detêm a competência constitucional para organizar e prestar serviços de transporte coletivo urbano. São desenvolvidos dois programas: . o programa prevê desde a implantação de serviços de saneamento. ampliação e melhoria dos sistemas de saneamento básico. Voltado às famílias que recebem até três salários mínimos ao mês. coleta e tratamento de lixo em comunidades carentes das cidades com menos de 75 mil habitantes. uma vez que a construção civil é um dos setores com maior capacidade de absorção de mão-de-obra com pouca qualificação profissional. Garante ainda financiamento às concessionárias para a implantação. 3) Ampliar os serviços de saneamento básico e de saneamento ambiental das cidades O plano considera que apesar dos avanços obtidos. O programa adota como estratégia a implementação das seguintes ações: ampliação da cobertura dos serviços de saneamento. ainda é necessário universalizar o atendimento à sociedade. assim como as pequenas cidades do interior. 85 oferta de imóveis para a parcela mais pobre da população contribui também para a geração de empregos.

– Lei nº 10. sendo utilizados os recursos para a compra de ônibus novos. e da qualidade e produtividade na produção de serviços de saneamento básico e transporte urbano através do apoio aos governos estaduais e prefeituras para solucionar os problemas do transporte urbano. além estar prevista também a adoção pelas prefeituras de índices urbanísticos mínimos. como uma proposta de diretrizes nacionais para o saneamento básico. Assim. assim como incentivos à participação de empreendedores privados na produção de loteamentos de interesse social e a autorização para a regularização de loteamentos já consolidados. que inclui o acesso à moradia como um direito social. que estabelece diretrizes gerais de política urbana e regulamenta o uso da propriedade sob a ótica do interesse público. dos projetos de parcelamento encaminhados ao Poder Legislativo. constituindo-se o mais importante marco regulatório na história do país no que se refere às nossas cidades. sendo realizados estudos para a modernização dos sistemas existentes e oferecendo treinamento para que as secretarias estaduais e municipais de transporte possam melhor gerir o setor. aprovada em fevereiro de 2000. o Plano Plurianual 2000-2003 cita os esforços feitos pelo governo federal para modernizar a legislação aplicável ao desenvolvimento urbano: – Lei nº 9785 de 1999. 86 a) Transporte Rodoviário Urbano – O programa visa reduzir as deficiências dos sistemas de transporte rodoviário urbanos nos centros de médio e grande porte. o Estatuto da Cidade.147. que geram perdas na qualidade de vida da população urbana. b) Gestão Urbana – Tem como objetivo o aumento da eficiência e eficácia da gestão urbana.257 de 2001. prevê a concessão de financiamentos às empresas de transporte coletivo para a melhoria da qualidade dos serviços. – Encaminhamento ao Congresso Nacional do Projeto de Lei nº4. Além dos programas estruturais. que alterou a Lei de Desapropriações e do Parcelamento do Solo Urbano. visando à universalização dos serviços. . de 2001. – Emenda Constitucional nº 26. tornando mais ágil o processo de expropriação e permitindo que as prefeituras promovam o registro de parcelamentos com a titulação da terra por meio da cessão da posse aos beneficiários. assim como para o aperfeiçoamento dos sistemas de gestão dessas empresas.

em tramitação no Congresso Nacional. como o limite máximo de financiamento de R$ 180 mil. sem necessidade de execução judicial ou extrajudicial. para a classe média. passam a ser assinados no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI)85. Serão mantidas as mesmas condições básicas vigentes nos novos contratos. capacitação de profissionais e promoção de testes de qualidade.estadao. – Programa de Arrendamento Residencial – PAR 85 Fonte: O Estado de São Paulo. Assim. que a propriedade do imóvel seja transferida para o agente financeiro através do processo administrativo.br/economia/financas/noticias/2000/out/31/282. Para ampliar a garantia ao investidor que compra esses títulos. tais como: – A instituição do Sistema Financeiro Imobiliário – SFI Os contratos de financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal. 31 de outubro de 2000.514. permite. elaboração de normas técnicas. 87 – Projeto de Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A maior diferença em relação ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH) anterior é que a Lei 9. prazo de amortização de até 240 meses e Sistema de Amortização Crescente (SACRE). O objetivo da implantação do SFI é a atração de mais recursos para a construção através da securitização dos créditos. perde o imóvel.htm . http://www. eles serão transformados em títulos e oferecidos no mercado financeiro.com. Com o processo decorrente do contrato com base na hipoteca. que criou o SFI. entre outros. busca melhorias no setor da construção e infra-estrutura urbana. – Implementação do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade de Habitat Trabalhando em parceria com diferentes entidades. São citadas também ações anteriores do governo federal. bem como qualificação de empresas. a Caixa demorava longos prazos para conseguir reaver o imóvel. o SFI determina que o contrato seja firmado com base na alienação fiduciária e se o mutuário ficar inadimplente por três meses consecutivos. Caderno Finanças Pessoais. no caso de inadimplência por três meses consecutivos. e não havendo negociação amigável. taxas de juros de 12% ao ano.

629.491.00 Nosso Bairro 649. reproduz-se o total dos recursos previstos (recursos fiscais somados aos demais) no ano de 200286 para alguns programas do Plano Plurianual 2000-2003: Programas PPA 2000-2003 Recursos Previstos/2002 (R$ Milhões) Morar Melhor 520.(www.snis.gov.557.000. destinados ao atendimento da necessidade de moradia da população com renda familiar mensal de até 6 salários mínimos.br . para arrendamento residencial.667. – Implementação do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento(SNIS) O SNIS consiste de um banco de dados administrado na esfera federal e contém informações sobre a prestação de serviços de água e esgotos.037.00 Carta de Crédito 3.946. com a parceria do Programa de Modernização do Setor de Saneamento – PMSS/SEDU. de balanço contábil e de qualidade dos serviços.00 86 Fonte: http://www. com opção de compra ao final do prazo contratado.000.br) – Apoio ao Prêmio Nacional de Qualidade em Saneamento – Conclusão da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico no final de 2001.00 Saneamento é Vida 870.289. um retrato detalhado das condições de saneamento de cada município do País. realizada pelo IBGE. 88 É uma operação de aquisição de empreendimentos futuros. de caráter operacional. concentrada nas regiões metropolitanas e nos centros urbanos de grande porte.500.00 Minha Casa 742. Abaixo. gerencial.abrasil. financeiro. em construção ou a recuperar/reformar. junto com o Censo 2000 e com os dados do SNIS.gov. que permite.000. da CAIXA e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Avança Brasil/Relatório de Situação/Setembro de 2002. . – Programa de Infra-Estrutura Urbana – Pró-Infra Melhoria da qualidade de vida nas cidades mediante a reestruturação de sua infra-estrutura urbana – Ações executadas pelo Programa de Gestão Urbana no contexto do projeto Estudos para a Modernização e Reordenamento Institucional do Setor de Saneamento – Componente Institucional do Programa de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS) com recursos do Banco Mundial.

0% Saúde 121.851.314 2.529.2% Educação 53. Orçamento e Gestão. à necessidade do desenvolvimento de programas regionalmente diferenciados. .610. o acesso desigual e a deficiência dos serviços de saneamento ambiental e de transporte coletivo e a falta de segurança no trânsito.776 70.710. 88 Ministério do Planejamento. * Grifo meu. Plano Plurianual 2004-2007.715 0. de acordo com as características da população.289.023.0% Fonte: Ministério do Planejamento.976 12.794. 89 3. “a cidade é o lugar por excelência de materialização de direitos coletivos de cidadania.1% Habitação * 28.4% Assistência Social 38.42. Pp.3. a habitação precária.83.731. Mensagem Presidencial. acessibilidade e de mobilidade urbana. www.566. ainda. suas condições urbanas.204. 2003. reconhecidos pelo plano.br Planejamento e Investimentos/ Publicações/ PPA 2004-2007 Pp. com ênfase na qualidade de vida e no meio ambiente”. Brasília.206.611.748.3 PPA 2004-2007 (Brasil de Todos) O Plano Plurianual 2004-2007 é constituído em sua estrutura por três megaobjetivos. a distribuição espacial dos déficits de moradia.907 3.511 5.259.087 1.153.818.9% Transferência de Renda 30.7% Urbanismo* 4. de saneamento ambiental. num contexto de perversa distribuição de renda. Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos. Os obstáculos para a obtenção da cidadania urbana. De acordo com o plano. seriam a irregularidade fundiária. com prioridade de aplicação de recursos nas áreas de maior vulnerabilidade.4% Total 993. desafio seis: “Implementar o processo de reforma urbana.715 0. democráticos e dotados de qualidade de vida adequada”88. A questão urbana está inserida no primeiro megaobjetivo87 – dimensão social -.planejamento.gov.894 3.565.895 100. São propostos neste PPA sete programas urbanos: 87Programas do Megaobjetivo I por setor : Setor Valores em R$ Percentagem Previdência Social 695. Por outro lado.390. tal como estabelecido no Estatuto da Cidade.068. Orçamento e Gestão. melhorar as condições de habitabilidade. ambientais e econômicas. suas formas de organização. de transportes coletivos e de regularidade fundiária remete. tendo ainda um longo caminho a percorrer para transformar as cidades brasileiras em espaços socialmente mais justos.5% Outros 3.9% Saneamento* 16.584.

recuperar o estoque habitacional e a dinâmica econômica. 4) Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais Objetiva a reabilitação urbana e o adensamento de áreas centrais desocupadas. além do apoio a projetos de assistência técnica à autoconstrução e ao mutirão e aqueles que visem o aumento da qualidade e da produtividade da cadeia da construção civil. 90 1) Fortalecimento da Gestão Municipal Urbana O principal objetivo desse programa é o fortalecimento da gestão metropolitana e intermunicipal. de forma a otimizar a infra-estrutura instalada. reduzindo o desperdício de materiais e os custos finais de produção da moradia e da infra-estrutura urbana. execução e avaliação da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. na implementação dos instrumentos preconizados no Estatuto da Cidade. . melhorias habitacionais. 2) Urbanização. reforma ou melhoria de unidade habitacional e aquisição de material de construção. o governo tem a tarefa de obter e divulgar informações sistematizadas sobre a rede urbana e as características intra- urbanas. conservando o patrimônio. por meio do apoio a estados e municípios na modernização do seu aparato institucional. Distrito Federal e municípios na realização de intervenções objetivando a segurança. obras e serviços de infra- estrutura e outras. na elaboração de planos diretores e na capacitação de equipes técnicas e atores sociais sobre legislação e gestão urbanística e ambiental com vistas ao aperfeiçoamento do planejamento e da gestão urbana. conclusão. Regularização e Integração de Assentamentos Precários Ações de apoio aos estados. que servirão de substrato para a elaboração. 3) Habitação de Interesse Social e Financiamento Imobiliário Habitacional Realização de ações de apoio ao cidadão para aquisição ou construção de unidade habitacional ou lote urbanizado. salubridade e habitabilidade da população localizada em áreas inadequadas à moradia. por meio da regularização fundiária. sob a forma individual ou associativa. De acordo com o plano. ampliação.

manutenção e aperfeiçoamento dos sistemas de informação. esse programa deve proporcionar à população de centros urbanos meios metro-ferroviários de transporte. 6) Mobilidade Urbana Objetiva o aumento dos deslocamentos e da acessibilidade urbana. que amplie a mobilidade e democratize o acesso às oportunidades do meio urbano. integrados aos demais modos. 7) Segurança e Educação de Trânsito: Direito e Responsabilidade de Todos Focaliza ações como campanhas educativas. a melhoria da qualidade de vida e a redução do tempo e do custo dos deslocamentos. de acordo com os padrões de segurança. reduzindo os efeitos negativos da circulação urbana como os congestionamentos e a poluição. favorecendo os deslocamentos não motorizados e priorizando o transporte coletivo. conforto. . regularidade e pontualidade. 91 5) Trilhos Urbanos De acordo com o plano. de forma sustentável. proposição de melhorias nos modelos de gerenciamento e fortalecimento da gestão e da atuação integrada dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito. rapidez. treinamento.

ONGs. o “movimento social formado por profissionais.gov. Documento consultado no site www. pesquisadores e professores universitários. quando todos os setores que lutavam por cidades justas. em 2000.Realizações do Ministério das Cidades janeiro/2003 a junho/2004. democráticas e sustentáveis produziram uma plataforma que propunha uma ampla Reforma Urbana e uma estrutura institucional que previa a articulação das temáticas urbanas: seria o Ministério da Reforma Urbana. Esse movimento alcançou várias conquistas nos últimos 15 anos tais como a inserção inédita da questão urbana na Constituição federal de 1988. intelectuais. o Instituto Cidadania convidou alguns especialistas e líderes sociais envolvidos com o Movimento da Reforma Urbana para a elaboração de um projeto que buscasse apresentar soluções para o problema da habitação. no contexto da discussão das reformas de base. Pp. foi fundamental para a criação do Ministério das Cidades. 90Ministério das Cidades. 92 3.br em 07 de julho de 2004. principalmente. também de 2001”. Sob a coordenação de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com recente documento90 do Ministério das Cidades. Seis anos depois. 89 O subtítulo é uma referência ao título do capítulo I do documento de realizações 2003/2004 do Ministério das Cidades. no encaminhamento da emenda popular pela Reforma Urbana à Assembléia Constituinte. O primeiro momento ocorreu na campanha à presidência em 1994.4 Criação do Ministério das Cidades e a Construção de uma Nova Política Urbana Integrada89 Iniciada na década de 60. em 1987. a lei federal Estatuto da Cidade de 2001 e a Medida Provisória 2220. teve início a elaboração do Projeto Moradia.Governo Federal.cidades. cujo foco central é a instituição da função social da propriedade e da cidade. A mobilização conquistou o capítulo urbano da Constituição Federal e de muitas Constituições Estaduais e Leis Orgânicas Municipais. . lideranças sindicais e sociais. Brasil.7. a luta do Movimento Nacional pela Reforma Urbana foi retomada a partir da articulação dos movimentos populares urbanos com outros setores da sociedade civil e se traduziu. pelo Movimento Nacional de Reforma Urbana teve dois momentos importantes que originaram a criação do atual Ministério das Cidades. A articulação das temáticas urbanas defendidas. A proposta incluía também o Conselho Nacional de Política Urbana e Regional e a formulação do Plano Nacional de Política Urbana e Regional.

Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2002 para a Presidência da República é criado o Ministério das Cidades. “garantir o direito à cidade a todos os seus habitantes. além de uma rede de agentes que comporiam o Sistema Nacional de Habitação. o Projeto Moradia propõe a criação do Ministério das Cidades e do Conselho das Cidades. transporte. É definida então como missão do Ministério das Cidades. poderes do Estado (legislativo e judiciário). promovendo a universalização do acesso à terra urbanizada e à moradia digna. lazer. por meio da gestão democrática. à água potável. . saneamento ambiental e transportes e trânsito (as principais áreas de demanda popular) seriam estruturadoras do desenvolvimento urbano. Como parte desse último item. O direito à cidade implica na formulação e implementação de uma política de 91 Idem. especialmente em meio urbano. ao saneamento ambiental. etc. do saneamento e dos transportes (mobilidade) e trânsito para integrá-los levando em consideração o uso e ocupação do solo”91. “a criação do Ministério das Cidades constitui um fato inovador nas políticas urbanas. 93 O Projeto Moradia adotou o conceito de que a habitação não se restringe à casa e exige. educação. abastecimento. O Projeto desenvolve uma proposta baseada em três eixos estruturadores principais: a questão urbana ou fundiária. coleta de lixo. e ao ambiente saudável. saúde. esgoto. bem como “a participação da sociedade visando a coordenação e a integração dos investimentos e ações nas cidades do Brasil dirigidos à diminuição da desigualdade social e à sustentabilidade ambiental”92. Soma-se a isso a busca da definição de uma política nacional de desenvolvimento urbano relacionada aos demais entes da federação (municípios e estados). a questão do financiamento e a questão institucional. trânsito. na medida em que propõe a superação do recorte territorial da habitação. Assim. 92 Ibidem. em 01 de janeiro de 2003 o Ministério das Cidades começa formalmente a funcionar. De acordo com o recente documento de realizações do Ministério das Cidades. ao trânsito e à mobilidade com segurança. A proposta de integrar as áreas de habitação. drenagem. serviços e obras complementares indispensáveis à vida coletiva: água.

Brasília. Pp. no BNDES e em outros Ministérios do Governo Federal.Realizações do Ministério das Cidades janeiro/2003 a junho/2004. Existe uma herança institucional que foi levada em conta. o Ministério das Cidades tem como objetivo fundamental “instituir uma política de longo prazo.Governo Federal. Dentre os muitos desafios a vencer. Segundo o documento94.br em 07 de julho de 2004. de forma sustentável para as gerações presentes e futuras”93 O Ministério das Cidades também está buscando o desenho de novos sistemas e políticas para viabilização de investimento coerente e integrado.gov. assim.cidades. Governo Federal. temas que estão na base da autonomia municipal. a cautela nas mudanças a serem empreendidas. pretende fortalecer essas competências. apoiando a capacitação técnica de quadros da administração pública municipal ou dos agentes sociais locais. projetos e obras.8. . Todos esses organismos com seus programas e ações em andamento foram incluídos na formulação do Ministério das Cidades e justificam. Brasil. 94 desenvolvimento urbano e regional. 23-26/11/2003.95 Para formular o papel do Ministério das Cidades não se partiu do ponto zero. de acordo com o documento. bem como programas e ações em andamento na Caixa Econômica Federal. de ambos os setores público e privado. definidos por lei estadual) o planejamento e a gestão urbanos e metropolitanos. mas principalmente. indicadores de desempenho e posturas (nacionais/gerais e locais/específicas) definidos de forma democrática. Brasil. Tratava-se.7-8. o Ministério das Cidades está consciente de que cabe ao Governo Federal definir as diretrizes gerais da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (Estatuto da Cidade). com a garantia de respeito aos direitos humanos relacionados à vida urbana. Documento consultado no site www. não apenas por meio do financiamento de planos.cidades.2. nos 93Ministério das Cidades.br em 07 de julho de 2004.Conferência das Cidades – Resoluções I. Pp.gov. 94 Ministério das Cidades. mas cabe ao município (ou aos gestores metropolitanos. Documento consultado no site www. 95 Idem pp. que tenha continuidade e seja sustentável (como exige a mudança da dramática situação das grandes cidades) e subordinar os financiamentos às diretrizes da política de desenvolvimento urbano buscando evitar os erros do passado”. Capacitação essa que envolve especialmente a modernização administrativa em especial e a atualização e o registro das informações municipais sobre o ambiente construído. de modo a racionalizar os recursos de acordo com as prioridades e necessidades previstas em planos. portanto.

“esse período deve corresponder à transição desse conjunto de ações dispersas para um conjunto de ações coerentes e complementares pactuadas com entes federativos e a sociedade”. que opera o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). aperfeiçoando-as. A idéia de novo marco regulatório e novo modelo tarifário perpassam todas as áreas e ações do Ministério das Cidades. 3. “todos os participantes do corpo de funcionários. O Ministério das Cidades utiliza a estrutura da Caixa Econômica Federal. a Secretaria Nacional da Habitação. de encaminhar a formulação da política nacional de desenvolvimento urbano e das políticas setoriais sem paralisar as ações em andamento e se possível. o orçamento de 2004.cit. saneamento e outros serviços urbanos. bem como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES – e a Fundação Nacional de Saúde (Ministério da Saúde). e algumas parcerias público-privadas.4. a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental e a Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana. 97 Op. ainda de acordo com o documento. a Secretaria Nacional de Programas Urbanos. pp. além de um Pacto Federativo com estados e municípios envolvendo a participação social – padrão integrado de gestão para transporte.14 . além das tarefas de formação das equipes e implementação da sua estrutura administrativa e financeira. estando também integrados a essa estrutura 96 Ibidem pp. Assim. estão operando a Secretaria Executiva.96 A institucionalização do Ministério das Cidades no início de 2003 exigiu a elaboração de decreto e regimento de criação do Ministério.9. como parte do aparelho executivo do Ministério das Cidades. o Plano Plurianual (PPA) 2004-2007. bem como a equipe dirigente e o Ministro Olívio Dutra se envolveram no extenso processo que culminou na Conferência Nacional das Cidades e na eleição do Conselho Nacional das Cidades”97. Paralelamente a essas tarefas.1 Ações e Programas do Ministério das Cidades Atualmente. 95 primeiros momentos da existência do MCidades.

centralizado no que se refere ao planejamento. para a construção de quadros técnicos competentes e a articulação e mobilização de sujeitos políticos que garantam a implementação da nova Política de Desenvolvimento Urbano. associativos e cooperativos. mas descentralizado na operação. tanto do ponto de vista técnico quanto social.00 por mês. e na modalidade Carta de Crédito Associativo disponibiliza financiamento para a construção de moradias a pessoas jurídicas com renda mensal de até 20 salários mínimos. c) Arrendamento Residencial (PAR) . b) Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH) Beneficia pessoas físicas com renda de até R$580. a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e Trensurb. Os recursos emprestados são do FGTS e o programa prevê contrapartida dos mutuários em todas as modalidades. 96 o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN). tentamos descrever brevemente o papel de cada um destas secretarias e seus respectivos programas: – Secretaria Executiva Tem a competência de integrar os organismos do Ministério das Cidades e promover a capacitação dos governos e da sociedade para a Política Urbana. financia a pessoas físicas a aquisição de imóvel novo ou usado. de modo a potencializar ações e investimentos. e subsidiando também a aquisição de moradia para quem ganha até R$ 1000. normas e regulação. beneficiando famílias com renda mensal de até 12 salários mínimos. valorizando iniciativas locais de governos. O principal componente da estrutura do Ministério é o Conselho Nacional das Cidades (CNC).00. – Secretaria Nacional de Habitação (SNH) Cabe a ela a definição do Sistema Nacional de Habitação. complementando o valor de compra da moradia. A seguir. Programas da secretaria: a) Carta de Crédito Na modalidade Individual. a construção em terreno próprio e a reforma de moradias. promotores públicos e privados.

O financiamento pode ser contratado pelos governos estaduais. com contrapartida dos Estados. O financiamento do programa é feito com recursos do Orçamento Geral da União e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. d) Habitar Brasil/ BID (HBB) O programa financia ações integradas de habitação. com população igual ou superior a 100. principalmente do FGTS e administrado pela Caixa Econômica Federal. mediante a produção de moradias e a urbanização de áreas. Distrito Federal ou órgãos das respectivas administrações. O programa também financia. municípios de regiões metropolitanas. infra-estrutura e saneamento básico. cujos recursos provêm de vários programas e fundos federais. com contrapartida dos estados. a compra de cesta básica de materiais para a construção de moradias. Municípios. tendo como público-alvo preferencialmente famílias com renda de até três salários mínimos. e) Pró-Moradia Financiamento de obras e serviços de melhoria das condições de moradia. municipais e do Distrito Federal. e com o objetivo de atender famílias com renda mensal de até 6 salários mínimos. além do apoio à modernização institucional dos municípios para que atuem na melhoria das condições de moradia.000 habitantes. De acordo com o programa. sendo os recursos do Orçamento Geral da União. saneamento. em caráter complementar. . trabalho social. com recursos do FGTS emprestados a Estados. f) Morar Melhor Beneficia grupos de famílias com renda mensal de até três salários mínimos residentes em localidades urbanas e rurais. moradoras em assentamentos subnormais. empresas e entidades podem ter acesso aos financiamentos. municípios e Distrito Federal. 97 Disponibilização de crédito para aluguel com opção futura de compra e para a construção de moradias destinadas a arrendamento em regiões metropolitanas. infra-estrutura. cursos profissionalizantes e geração de trabalho e renda. capitais e centros urbanos. Distrito Federal. aglomerados urbanos e capitais.

além do Governo Federal. O objetivo geral do programa é elevar os patamares da qualidade e produtividade da construção civil. – Secretaria Nacional de Programas Urbanos (SNPU) Tem como atribuição formular e propor programas que induzam a expansão urbana brasileira para um outro modelo de desenvolvimento. Formalmente inserido como um dos programas do Plano Plurianual 2004-2007 (PPA). contribuindo para ampliar o acesso à moradia para a população de menor renda. O PBQP-H é também um dos instrumentos do Governo Federal para cumprimento dos compromissos firmados pelo Brasil quando da assinatura da Carta de Istambul (Conferência do Habitat II – 1996). capaz de reverter o quadro de exclusão territorial hoje existente. fabricantes de materiais e componentes. Programas da Secretaria: a) Programa Nacional de Apoio à Regularização Fundiária Sustentável . A ênfase principal de atuação da Secretaria de Programas Urbanos deve ser a política de prevenção da formação de novos assentamentos precários e irregulares e de regularização dos já existentes. Fazem parte do programa diversas entidades representativas de construtores. transformando em regulares e legais os assentamentos humanos produzidos e ocupados pela população de mais baixa renda e ampliando as possibilidades de formação de assentamentos legais. fornecendo estratégias para atender a diversidade atual e possibilitando o planejamento e a construção de políticas customizadas para os municípios. fornecedores. por meio da criação e implantação de mecanismos de modernização tecnológica e gerencial. A formulação dos programas deve levar em consideração todos os aspectos específicos da configuração da rede urbana brasileira e de sua dinâmica. comunidade acadêmica e entidades de normalização. projetistas. 98 g) Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP – Habitat) Propõe organizar o setor da construção civil em torno de duas questões principais: a melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva.

o Ministério das Cidades. a identidade cultural e a vitalidade econômica dessas áreas. Municípios e entidades sem fins lucrativos para realização das ações necessárias à formulação e/ou implementação de programas de regularização fundiária sustentável.29. O apoio pode se dar em três modalidades distintas: mapeamento de áreas de irregularidade fundiária. propiciando a permanência de população residente e a atração de população não residente por meio de ações integradas que promovam e sustentem a diversidade funcional e social. nos termos do Estatuto da Cidade.br em 07 de julho de 2004. iniciativa de âmbito nacional de Apoio à Regularização Fundiária Sustentável em áreas Urbanas. . Documento consultado no site www. e moradores de assentamentos precários em localidades urbanas. lançado pelo governo federal em 2003. 99 Visa a democratização do acesso da população de baixa renda a terra regularizada e urbanizada. Distrito Federal. por meio do treinamento e capacitação de equipes municipais. c) Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais Tem como objetivo promover o uso e a ocupação democrática das áreas urbanas centrais. In Ministério das Cidades. Pp. b) Prevenção e Erradicação de Riscos em Assentamentos Precários Tem como objetivo realizar a prevenção e a erradicação de riscos sócio-ambientais que atingem famílias de baixa renda. do planejamento das ações de redução de risco e da articulação das ações dos três níveis de governo. De acordo com o Ministério das Cidades. formulação de programas de regularização98 e atividades de regularização fundiária. a Associação dos Notários e Registradores (ANOREG) e do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB) estabeleceram compromissos comuns no sentido de garantir a gratuidade do primeiro registro e a simplificação dos procedimentos cartorários”.220/01 e outros marcos legais. da Medida Provisória n 2. d) Apoio à Elaboração de Planos de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais 98 Merece destaque nesse item o lançamento do programa Papel Passado. o programa “reconhece a dimensão. Permite prover apoio técnico e financeiro aos Estados. O programa está dirigido exclusivamente aos municípios que podem se habilitar em duas modalidades: capacitação de equipes municipais e elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos.Governo Federal. Brasil. urbanísticas e administrativo-institucionais para que Estados e Municípios possam formular e implementar seus programas de regularização. a gravidade e as implicações dos processos de desenvolvimento urbano informal e cria condições jurídicas.Realizações do Ministério das Cidades janeiro/2003 a junho/2004.gov.cidades. Nesse contexto. financeiras.

visando a universalização dos serviços do setor. Meio Ambiente e de Recursos Hídricos. Os recursos do programa referem-se às diferentes etapas: realização da leitura da cidade. adequar a situação fundiária dos imóveis. f) Sistema Nacional de Indicadores Urbanos (SNIU) Elaboração de um sistema com estatísticas e informações relacionadas a: ƒ Caracterização Municipal ƒ Demografia ƒ Perfil Sócio-Econômico ƒ Habitação ƒ Saneamento Básico ƒ Transporte Urbano ƒ Gestão Urbana ƒ Eleições – Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) É de sua responsabilidade formular. . recuperar moradias localizadas em áreas de risco e insalubres. Distrito Federal e Municípios na elaboração dos Planos de Reabilitação que visem estimular a utilização de imóveis urbanos vazios ou subutilizados. por meio do apoio e da capacitação dos municípios na elaboração ou atualização do Plano Diretor. 100 Esta ação objetiva apoiar Estados. e elaboração e encaminhamento do projeto de lei do plano diretor. de forma a reduzir as desigualdades territoriais e promover a inclusão social. e) Programa de Fortalecimento da Gestão Municipal Urbana Tem como objetivo geral reforçar a capacidade de gestão territorial e urbana. bem como seu respectivo Plano Nacional. readequar áreas centrais e equipamentos urbanos e estimular o aproveitamento do patrimônio cultural nas áreas centrais. assim como promover a compatibilização da Política de Saneamento Ambiental com outras políticas públicas. propor e acompanhar a implantação da Política Nacional de Saneamento Ambiental. formulação de propostas e definição dos eixos estratégicos. em especial as de Saúde.

de acordo com as etapas do empreendimento executadas e comprovadas. Os recursos do programa. O programa é operado com recursos do Orçamento Geral da União. b) Pró-Infra Tem como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de vida nas cidades mediante a reestruturação de sua infra-estrutura urbana. algumas das ações previstas no programa são financiadas com recursos do Orçamento Geral da União e/ou de instituições internacionais. resultado de um acordo de empréstimo com o Banco Mundial. . e realizado em parceria com o governo local e a comunidade. esgotamento sanitário e drenagem. O financiamento oferecido pelo PAT PROSANEAR é integral. c) Programa de Assistência Técnica ao PAT-PROSANEAR O foco principal do programa é a urbanização de favelas e o saneamento integrado em áreas de baixa renda. bem como o aumento da eficiência dos prestadores de serviços de saneamento públicos. O PAT PROSANEAR financia a elaboração de Planos de Desenvolvimento Local Integrado (PDLI) e Projetos de Saneamento Integrado (PSI) para favelas e áreas de baixa renda. De acordo com o Ministério das Cidades. Distrito Federal e Municípios. habitacionais e da qualidade de vida em geral. estados e Distrito Federal sem a necessidade de contrapartida financeira. É uma iniciativa do governo federal. das condições sociais. na elaboração de planos e projetos sustentáveis para favelas e áreas de baixa renda. repassados aos Estados. são repassados a municípios. e a outra parte dos recursos deverá vir do FGTS.000 habitantes. Os PDLIs visam à melhoria da infra-estrutura urbana. destinada a apoiar técnica e financeiramente municípios brasileiros com mais de 75. Programas da Secretaria: a) Saneamento é Vida Este programa objetiva o aumento da cobertura dos serviços de abastecimento de água. 101 A Secretaria de Saneamento Ambiental deverá ainda acompanhar em curto prazo a regulamentação da prestação de serviços de saneamento ambiental e a readequação de programas financiados com recursos externos.

no âmbito da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. estabelecimento de instrumentos e estruturas de regulação e controle. como um projeto piloto. coleta de resíduos sólidos. abastecimento de água. bem como prestadores públicos de serviços. Sua concepção deve estar baseada nas diretrizes do PDLI. incluindo estudos tarifários e sobre subsídios. de acordo com o Ministério das Cidades. O PMSS foi concebido originalmente em 1993. capacitação e disseminação. o então Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) transformou o PMSS . do financiamento sem ônus. Visa beneficiar as entidades federadas. apoio ao desenvolvimento técnico. 102 articulando diversos níveis de governo com a participação da comunidade local. reestruturação da prestação dos serviços. quer no apoio a estados. principalmente os formuladores das políticas públicas concernentes e os reguladores da prestação dos serviços. prestadores e reguladores dos serviços. d) Programa de Modernização do Setor Saneamento . que conduzisse à universalização do atendimento a toda a população.PMSS II O programa se constitui em um instrumento central de desenvolvimento e implementação da nova Política Nacional de Saneamento Ambiental. particularmente às camadas mais pobres. O benefício advém. A partir de 1996 foi aprovada pela Comissão de Financiamento Externo (COFIEX) a preparação do PMSS II. visando à melhoria da eficiência e o aumento da capacidade de financiamento da prestação de serviços. tendo por objetivo geral a modernização do setor de saneamento. posteriormente denominado PMSS I. e os PSIs visam a elaboração dos projetos de infra-estrutura urbana: esgotamento sanitário. por meio de um processo de seleção baseado nas diretrizes do Banco Mundial. drenagem e contenção de encostas. sistema viário. excluídas do acesso aos serviços. A elaboração do PDLI e PSI é contratada diretamente pelo Município ou Governo Estadual beneficiário do Projeto. quer por meio de ações nacionais. e desenvolvimento de modelos de financiamento. além de estudos e ações de caráter nacional. municípios. Em 1997. para a elaboração de estudos e trabalhos de consultoria técnica especializada para implementação de políticas.

Nesse sentido. Programas da Secretaria: a) Programa Brasil Acessível . além de coordenar ações para integração das políticas de mobilidade urbana e destas com as demais políticas de desenvolvimento urbano. de acordo com as etapas do empreendimento executadas e comprovadas. e) Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) O SNIS foi concebido e vem sendo desenvolvido pelo PMSS. de caráter permanente. vinculado à Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. através da priorização dos modos de transporte coletivo e os não-motorizados. acondicionamento. – Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana (SNTU) Tem como atribuição o estabelecimento de um conjunto de políticas de transporte e de circulação destinadas a proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano. Distrito Federal e municípios. disposição final e tratamento de resíduos sólidos urbanos nos bolsões de pobreza crônica do País. regulatório e de gestão do setor. que são repassados aos estados. de forma efetiva. gerencial. O programa é operado com recursos do Orçamento Geral da União (OGU). e sobre a qualidade dos serviços prestados. de balanço. coleta e transporte. 103 em um programa do governo federal. socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável. de caráter operacional. f) Programa de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (PROGEST) Tem por objetivo promover o desenvolvimento de ações integradas de limpeza pública. onde o PMSS II é a segunda etapa desse programa. Desde 1995 essas informações são atualizadas anualmente para uma amostra de prestadores existentes no Brasil. constituem tarefas da secretaria apoiar o desenvolvimento institucional. O SNIS consiste de um banco de dados administrado na esfera federal e contém informações sobre a prestação de serviços de água e esgotos. de forma a contribuir para universalizar a cobertura e aumentar a eficiência e a eficácia da prestação destes serviços. financeiro.

Órgãos Gestores ou empresas concessionárias de serviços de transporte coletivo urbano. . o objetivo destes Seminários é aprofundar o diagnóstico e apresentar as suas ações para a política nacional de acessibilidade das pessoas com restrição de mobilidade. gerido pelo Ministério das Cidades e operado pela Caixa Econômica Federal. b) Seminários Regionais do Programa Brasileiro de Acessibilidade Urbana De acordo com o Ministério das Cidades. c) Pró-Transporte Programa de financiamento de infra-estrutura para o transporte coletivo urbano com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). segue- se um cronograma com as secretarias que o compõem. bem como a eliminação de barreiras arquitetônicas. O público alvo do programa é constituído pelas Prefeituras. Para facilitar a identificação da estrutura do recém criado Ministério das Cidades. envolvendo o transporte público. aos equipamentos urbanos. bem como seus respectivos programas. a circulação em áreas públicas. governos estaduais e municipais a estabelecerem ações que garantam a acessibilidade das pessoas com deficiência e idosos aos sistemas de transporte público. 104 O programa visa estimular empresas públicas. Governos Estaduais. a eliminação de barreiras arquitetônicas e o papel da sociedade civil para o desenvolvimento e implementação do Programa Brasil Acessível. buscando um desenho universal para o mobiliário urbano.

105 Organograma Ministério das Cidades Secretarias Secretaria Nacional de Secretaria Nacional de Secretaria Secretaria Nacional de Secretaria Nacional de Programas Saneamento Ambiental Transporte e Mobilidade Executiva Habitação (SNH) Urbanos (SNPU) Programas (SNSA) Urbana (SNTU) Carta de Crédito Programa de Assistência Arrendamento Residencial (PAR) Técnica ao PAT – Recursos Morar Melhor PROSANEAR Previstos nacionais Programa de Gestão de Programa Brasileiro da Qualidade e/ou Resíduos Sólidos Urbanos e Produtividade do Habitat lançados (PROGEST) (PBQP-Habitat) durante a vigência Recursos Habitar Brasil/BID (HBB) Saneamento é Vida do externos PPA em geral 2000-2003 Recursos Programa de Modernização do do Setor Saneamento – PMSS II Banco Sistema Nacional de Mundial Informações sobre Saneamento Subsídio à Habitação de Interesse Regularização Fundiária Pró-Infra Programa Brasil Acessível Social (PSH) Programa Nacional de Apoio à Pró-Transporte Pró-Moradia Regularização Fundiária Sustentável Prevenção e Erradicação de Riscos em Assentamentos Precários Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais Novos Apoio à Elaboração de Planos de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais Programa de Fortalecimento da Gestão Municipal Urbana Sistema Nacional de Indicadores Urbanos (SNIU) .

gov. movimento popular. Pp. dos governos e das casas legislativas vão expor e debater o presente e o futuro das cidades. desenvolvidos pelos governos federal. “todos os Estados da Federação organizaram suas Conferências Estaduais das Cidades. Estiveram reunidos na conferência representantes do poder público federal. Mais de 1200 propostas originárias das Conferências Municipais e Estaduais estiveram sob exame e votação. estaduais e nacionais da sociedade organizada. com base nos princípios e diretrizes definidos. Estaduais. 99 Ministério das Cidades. Brasil. Realizações do Ministério das Cidades janeiro/2003 a junho/2004. em resumo. 3) Identificar os principais problemas que afligem as cidades brasileiras trazendo a voz dos vários segmentos e agentes produtores. regionalização e/ou municipalização) no processo de formação do Conselho das Cidades. com os seguintes objetivos: 1) Definir as formas de participação (representação. 6) Definir as prioridades de atuação do Ministério das Cidades.457 municípios aderiram ao processo de conferência.br em 07 de julho de 2004. 8) Avaliar os instrumentos de participação popular presentes na elaboração e implementação das políticas. 5) Avaliar e propor os programas e legislações nas áreas de habitação. Precedida de conferências municipais e estaduais. 2) Propor a natureza e as novas atribuições. consumidores e gestores. saneamento ambiental. A I Conferência Nacional das Cidades ocorreu no período de 23 a 26 de outubro/2003.cidades. eleição de delegados (as). empresários. nas suas respectivas etapas.Governo Federal. bem como eleger os membros do Conselho das Cidades. trânsito. Municipais e Distrito Federal. as diretrizes e as prioridades da política de desenvolvimento urbano do governo Lula” 99. programas urbanos. De acordo com documento do Ministério das Cidades. Foram definidos os princípios. que definiu princípios e diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano e das políticas setoriais. . do grande espaço em que representantes municipais.Documento consultado no site www. Trata-se. estadual e municipal. 3. 4) Definir princípios e diretrizes das políticas setoriais e da Política Nacional das Cidades. trabalhadores.4. entidades acadêmicas e de pesquisa e organizações não-governamentais. 106 3. 7) Avaliar o sistema de gestão e implementação destas políticas intermediando a relação com a sociedade na busca da construção de uma esfera público-participativa.17. transporte e mobilidade urbana.2 I Conferência Nacional das Cidades O componente da participação democrática na estrutura do Ministério das Cidades foi implementada por meio da I Conferência Nacional das Cidades. a Conferência teve como lema “A Cidade para Todos”.

gov. Territorial • Estrutura de Apoio Controle Social Institucional • Mobilidade Urbana com Segurança • Gestão Supra Municipal • Inclusão Social e Redução das • Diversidade Urbana. Pp. 107 As resoluções100 da I Conferência das Cidades incluem: I – Princípios da Política II -Diretrizes da Política III – Objetivos da Política IV – Ações da Política de V-Conselho Nacional das Nacional de Desenvolvimento Nacional de Desenvolvimento Nacional de Desenvolvimento Desenvolvimento Urbano Cidades Urbano Urbano Urbano • Direito à Cidade • Políticas Nacionais • Redução do Déficit • Caracterização • Institucionalização e • Moradia Digna • Política Urbana. Regional Desigualdades e Cultural • Qualidade Ambiental Urbana • Sustentabilidade Financeira e • Políticas Abrangentes e • Planejamento e Gestão Sócio-Ambiental da Política Massivas Territorial Urbana • Rede de Cidades mais • Diversificação de Agentes • Combate à Discriminação de Equilibrada Promotores e Financeiros Grupos Sociais e Étnico.Conferência das Cidades – Resoluções I.2-13. Governo Federal. • Estatuto da Cidade Raciais • Democratização do Acesso à • Combate à Segregação Urbana Informação • Diversidade Sócio-Espacial • Geração de Emprego. . 23-26/11/2003.Documento consultado no site www. Brasil. Trabalho e Renda 100 Ministério das Cidades. Social e de Habitacional Implementação da Política de • Atribuições • Saneamento Ambiental Público Desenvolvimento • Acesso Universal ao Desenvolvimento Urbano • Estrutura • Transporte Público • Estrutura Institucional Saneamento Ambiental • Informação e Monitoramento • Composição • Função Social da Cidade e da • Participação Social • Gestão Integrada e Sustentável • Conselhos Estaduais e • Participação e Controle Social Propriedade • Políticas de Desenvolvimento e da Política de Saneamento Municipais Ambiental • Planejamento e Gestão • Gestão Democrática e Capacitação Técnico.cidades. Brasília.br em 07 de julho de 2004.

articulado com as câmaras setoriais e os conselhos estaduais e municipais101”. permanente. cabe à Conferência Nacional das Cidades definir as formas de participação (representação. acadêmicas e de pesquisa. O Conselho é formado por representantes dos seguintes segmentos: 1) Executivo e legislativo . O CNC tem por finalidade assessorar. e trânsito. estaduais. regionalização e/ou municipalização) no processo de formação do Conselho das Cidades. 2) Movimentos sociais e populares. Assim. saneamento ambiental. De acordo com o documento de resoluções da Conferência das Cidades. o Conselho Nacional das Cidades “é um órgão colegiado que reúne representantes do poder público e da sociedade civil. em especial as políticas de habitação. a legislação em vigor. normas e prioridades da política nacional de desenvolvimento urbano. ocorrida na I Conferência Nacional das Cidades. 3) Propor a edição de normas gerais de direito urbanístico e manifestar-se sobre propostas de alteração da legislação pertinente ao desenvolvimento urbano. 5) Empresários (as) relacionados ao desenvolvimento urbano. O CNC é o responsável pela formulação da política urbana nacional. atribui ao Conselho Nacional das Cidades as seguintes competências: 1) Propor diretrizes. e integrante da estrutura do Ministério das Cidades. municipais. transporte e mobilidade urbana. estudar e propor diretrizes para o desenvolvimento urbano e regional com participação social e integração das políticas fundiária e de habitação. de saneamento básico e de transportes urbanos. através de suas entidades sindicais. e recomendar as providências necessárias ao cumprimento de seus objetivos. formada pelas medidas provisórias 2220/2001 e 103/2003. 2) Acompanhar e avaliar a implementação da política nacional de desenvolvimento urbano.federal. conforme suas atribuições.13. deliberativo e fiscalizador. eleição de delegados (as). 3) ONGs. entidades profissionais. 4) Trabalhadores (as). 101 Idem pp. e 6) Operadoras e concessionárias de serviços públicos Segundo o Ministério das Cidades. 108 Destaque especial deve ser dado à eleição do Conselho Nacional das Cidades. e do Distrito Federal. instrumentos. .

Urbanização de Favelas. e dos demais atos normativos relacionados ao desenvolvimento urbano. . e 7) Propor as diretrizes para a distribuição regional e setorial do orçamento do Ministério das Cidades. Manejo de Resíduos Sólidos. 109 4) Emitir orientações e recomendações sobre a aplicação da Lei 10. e a ausência de padrão integrado de gestão para transporte. 6) Elaborar o regimento interno. promovida por meio do Programa Nacional de Capacitação das Cidades (PNCC). Cadastros Municipais. tem o objetivo de articular as intervenções nas Regiões Metropolitanas críticas. Prevenção de Ocupação de Áreas de Risco. estados. a dispersão e a desarticulação dos investimentos nos diversos níveis de governo. traduzidas na ênfase posta na definição de princípios e diretrizes setoriais e da política nacional das 102 Idem.3 Capacitação dos Municípios para a Política Urbana Importante é também ressaltar que a qualificação e capacitação de quadros para a política urbana são algumas das ações centrais do Ministério das Cidades. Ainda de acordo com o mesmo documento “dada a concentração de problemas urbanos e sociais nessas áreas.257. Educação para o Trânsito.4. propõe-se um Pacto Federativo. do Distrito Federal e dos municípios e a sociedade civil na formulação e execução da política nacional de desenvolvimento urbano. Recuperação da Gestão para o Saneamento.5 Síntese O Plano Plurianual 2004-2007 e o programa do Ministério das Cidades buscam a efetivação de um marco regulatório para as políticas urbanas brasileiras. de 10 de julho de 2001. 5) Promover a cooperação entre os governos da união. e tendo como temas: Planos Diretores Participativos. 3. a fim de enfrentar conjuntamente os graves problemas dos centros urbanos102”. Composto de estados e municípios e envolvendo participação social. entre outros. 3. a falência do modelo instituído em décadas anteriores. saneamento e outros serviços urbanos.

possuem a mesma matriz discursiva do Banco Mundial. não verificados na mesma proporção nos Planos Plurianuais 1996-1999 e 2000- 2003 anteriormente expostos. a fim de identificar o impacto das orientações e diretrizes do Banco Mundial nas políticas urbanas nacionais. É justamente pelo fato de ser um documento estratégico que é possível a articulação do Plano Plurianual do governo brasileiro ao correspondente Documento de Assistência ao País do Banco Mundial. O conjunto de documentos do Banco Mundial apresentados neste capítulo – como os documentos de projeto e documentos de país –. organizam-se por programas que devem ser estruturados de acordo com as diretrizes estratégicas de governo e a disponibilidade de recursos. e conforme visto anteriormente. apesar do pertencimento a tipologia de documentos diferenciada. assim como suas respectivas agendas urbanas. . 110 cidades. Os Planos Plurianuais configuram-se em documentos estratégicos do governo brasileiro. como se segue na conclusão.

111

CONCLUSÃO

112

CONCLUSÃO

“Os dominantes (...), vendo-se impossibilitados de restaurar o ‘silêncio da doxa’, esforçam-se
por produzir um discurso puramente reativo como substituto de tudo aquilo que ameaça a
própria existência do discurso herético. Não encontrando nada de novo para redizer ao mundo
social tal como ele é, os dominantes se esforçam por impor universalmente, mediante um
discurso inteiramente marcado pela simplicidade e pela transparência do bom senso, o
sentimento de evidência e necessidade que este mundo lhes impõe; tendo interesse no laissez-
faire, eles trabalham para anular a política num discurso político despolitizado, produto de um
trabalho de neutralização (...) que visa restaurar o estado de inocência originária da doxa (...),
estando orientado para a naturalização da ordem social (...).”
Pierre Bourdieu

Nesta dissertação procurou-se recuperar as estratégias urbanas perseguidas pelo
Banco Mundial ao longo do tempo, bem como suas orientações e diretrizes gerais para as
políticas urbanas brasileiras, expressas em seus documentos de projeto e documentos de
país; objetivando contribuir para a verificação dos limites e possibilidades da aplicação dos
conceitos do Banco Mundial na realidade brasileira, através dos três últimos Planos
Plurianuais e dos programas e ações do recém criado Ministério das Cidades.

Conforme visto no capítulo 2, a criação do programa de financiamento urbano do
Banco Mundial deu-se no início dos anos 70, quando o aumento da importância da
urbanização nos países em desenvolvimento começa a ser percebida por seus especialistas em
desenvolvimento como uma questão a ser enfrentada.

A ênfase inicial dos financiamentos do Banco foi dada aos projetos setoriais, passando
para projetos multisetoriais. A partir da década de 80, o Banco Mundial passa a impor ajustes às
economias dos países endividados; assim, os empréstimos passam a ser condicionados a
reformas setoriais ou a ajustes estruturais.
Durante a década de 90, o Banco muda sua atuação no campo das políticas públicas
govenamentais e do planejamento urbano, na medida em que passa a criar e difundir conceitos,
idéias, modelos de política e planejamento urbano sob a lógica neoliberal. A agenda urbana do

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Banco passa cada vez mais a articular as questões urbanas tradicionais com o quadro mais
amplo da política macroeconômica, abandonando gradativamente as intervenções esporádicas
no sentido de incorporação de questões mais amplas e de maior impacto nas economias
nacionais e na produtividade das cidades.
Nesse contexto, o objetivo central da agenda dos anos 90 é a redução dos obstáculos à
elevação da produtividade urbana, definidos como as deficiências de infra-estrutura, o alto
custo de políticas regulatórias urbanas, as deficiências técnicas e financeiras de instituições
municipais, bem como o papel predominante do governo central no planejamento e
financiamento de infra-estrutura urbana. O Banco propõe, então, aos governos centrais a
mudança do status de provedores diretos dos serviços urbanos e infra-estrutura para
“habilitadores”, criando um ambiente regulatório e financeiro no qual empresas privadas e
grupos da comunidade tenham um papel mais efetivo no provimento das próprias
necessidades.
A estratégia setorial do Banco Mundial para realizar este objetivo durante os anos
90 foi a união das atividades econômicas urbanas à performance macroeconômica,
redefinindo com isso, tal o força de seu discurso, a própria questão urbana nos países em
desenvolvimento.
Nos anos 2000 o discurso do Banco Mundial está centrado nas mudanças como o
aumento da globalização e a descentralização governamental resultante, bem como a
emergência de novos atores políticos, incluindo prefeitos de grandes cidades com interesses na
competitividade de suas cidades em um contexto internacional, que teriam magnificado a
importância dos gestores da cidade na gestão da economia.
O objetivo central anunciado pela nova agenda é o desenvolvimento urbano
sustentável, reconhecendo para tanto as cidades como ferramentas do desenvolvimento
econômico do século XXI, e como um microcosmo de desenvolvimento sustentável para o
país. Associado a este objetivo, a estratégia anunciada pretende tomar a cidade como uma
unidade integral – além do ambiente físico, infra-estrutura, finanças, instituições e
atividades sociais -, o que vem qualificado como avaliação holística do Desenvolvimento
Urbano. Ainda a operacionabilidade desta estratégia, de acordo com o Banco, passa por sua
capacidade de estrategizar holisticamente e intervir seletivamente no apoio às cidades.
Com o objetivo de verificar os limites e possibilidades de aplicação destes conceitos
do Banco Mundial na realidade brasileira, buscou-se, em primeiro lugar, analisar a
correspondência entre as agendas urbanas do Banco Mundial e seus documentos de projeto
(appraisals) no Brasil. Os projetos escolhidos foram o Programa de Desenvolvimento da

e de entidades cívicas para planejar a distribuição e manutenção de um conjunto de serviços urbanos básicos para a população de baixa renda de forma coordenada e sustentável. e o Projeto Prometrópole. como compensação ao Programa de Ajuste Fiscal do Estado de Pernambuco (PRAFEP). no Recife. de um total de 222 milhões de dólares (incluindo recursos do Banco e a contrapartida financeira de estados e municípios). 114 Infra-estrutura urbana (PRODUR). na prática. desenvolvimento institucional e melhorias urbanas baseadas no alívio da pobreza. Em outras palavras. Os componentes de melhorias urbanas baseadas na pobreza (Produr). por último. e ações complementares de urbanização (Prometrópole) ficam em segundo lugar no montante dos investimentos e. . O projeto Prometrópole objetiva o aumento da capacidade institucional pública (estado e local). iniciado em 1997 no estado da Bahia. Ambos os projetos possuem como componentes centrais ações de infraestrutura urbana. estando a maior parte dos recursos direcionada para o componente de infra-estrutura urbana. direcionada para o apoio às reformas estruturais no nível federal e do estado. propostas pelo Estado de Pernambuco. O Produr tem como objetivo uma política de privatização dos serviços urbanos onde possível e o aumento da eficiência do setor público no nível local através de programas pilotos de reforma municipal. ambos são bastante similares em seu arcabouço. o Desenvolvimento Institucional e Reforma Municipal (Produr) e Gestão de Programa e Institution Building (Prometrópole).54 milhões do projeto. O Prometrópole está relacionado ao objetivo do CAS 2003-2007 de redução da pobreza urbana e foco no Nordeste do Brasil. uma mudança de orientação estratégica da agenda urbana do Banco Mundial. não chega a configurar-se. Após recuperação feita desses projetos no terceiro capítulo. O Produr está diretamente relacionado à Estratégia de Assistência ao País de 1996. iniciado em 2003. 186.5 milhões correspondem a investimentos em infra-estrutura urbana.35 milhões correspondem aos mesmos investimentos. e que correspondem respectivamente às agendas urbanas associadas à estratégia da produtividade e à da consideração holística dos problemas urbanos. de um total de 83. No Produr. assim como investimentos em infra-estrutura e serviços urbanos para tornar as cidades mais atrativas para investimentos através do setor privado. enquanto no Prometrópole 69. pode-se verificar que apesar das pequenas diferenças. É interessante notar que esse projeto é uma das quatro operações de crédito externo.

o que na realidade se configura como o sentido estratégico maior da mudança anunciada. atuam em um sentido de ampliação de seu raio de influência na produção de diretrizes urbanas em proporção inversa ao montante de recursos de seus empréstimos. Ambas.do Banco Mundial. ao menos com os projetos representativos dessas estratégias no Brasil. buscou-se relacionar as diretrizes urbanas do Banco Mundial contidas em seu Documento de País (Country Assistance Strategy-CAS) aos Planos Plurianuais (PPAs) no Brasil. há uma ampliação cada vez maior do raio de influência do Banco Mundial para a difusão de diretrizes para as cidades como um todo. Às custas de um pequeno volume de empréstimos para infra-estrutura urbana basicamente. operada pelo Banco Mundial. observa-se que os empréstimos para infra-estrutura terminam por justificar os componentes diretivos de desenvolvimento institucional e reforma municipal . não por acaso. No Recife Prometrópole. que fundamentam o discurso do Banco Mundial na redefinição de seu papel e objetivos em relação às cidades. Tomamos como referências os respectivos Documentos de País (CAS) 1998 e 2004-2007 do Banco Mundial. 115 Ambos os objetivos do Banco Mundial de redução dos obstáculos à elevação da produtividade urbana e desenvolvimento urbano sustentável apenas se diferenciam no discurso de suas agendas urbanas. essa especificidade estratégica entre os objetivos não se verifica. Ainda com o objetivo de verificar os limites e possibilidades de aplicação destes conceitos do Banco Mundial na realidade brasileira. No Produr. e os Planos Plurianuais (PPAs) do Governo Brasileiro 1996- 1999. o que corrobora inclusive que a instituição tem se transformado e se autodefinido cada vez mais como uma instituição de conhecimento antes do que de financiamento. CAR e FIDEM. Desta forma. . social e política. da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) do Estado da Bahia.leia- se privatização dos serviços urbanos municipais . As referidas mudanças na realidade econômica. a condição é a reestruturação da Fundação de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife (FIDEM). quando confrontados. bem como à explícita reestruturação. são também as agências executoras dos projetos. Acredita-se que a recuperação e análise das concepções e ações do Banco Mundial permitirão iluminar muitos dos aspectos do que têm sido as políticas urbanas dos governos brasileiros nos últimos anos. 2000-2003 e 2004-2007. os recursos para infra-estrutura urbana estão condicionados à adoção destes respectivos componentes. em segundo lugar. bem como as ações e programas do Ministério das Cidades. recém-criado em 2003.

ao qual o Saneamento. e incorporação de uma perspectiva de prevenção à criminalidade e à violência nos projetos de desenvolvimento urbano e de infra-estrutura. por meio de ações voluntárias do setor privado. e elaboração de estratégias integradas setorialmente urbanas e rurais. a competitividade da economia e a construção de um estado moderno e eficiente. Os PPA s 1996-1999 e 2000-2003 são bastante similares por trazerem como objetivos centrais a redução das desigualdades sociais e espaciais. com ênfase na qualidade de vida e no . ambos os documentos de país enfatizam a redução da pobreza urbana. não definido ainda pelo Banco Mundial. saneamento e transporte urbano. melhorar as condições de habitabilidade. gestão do conhecimento como assistência aos pequenos municípios . No PPA 1996-1999 as questões urbanas se encontram consolidadas no grupo temático referente ao Desenvolvimento Social. dentre as quais: empréstimos a diversas grandes cidades ou municípios que façam parte das regiões metropolitanas. ao que tudo indica. a Habitação e o Desenvolvimento Urbano estão vinculados. acessibilidade e de mobilidade urbana. embora distintamente. No PPA 2004-2007 a questão urbana está inserida no primeiro objetivo – dimensão social -. Conforme visto no terceiro capítulo.principalmente através da Rede Brasileira de Informação Municipal (Muninet)-. focalizando assim. parcerias com estados. elaboração de propostas para a reforma financeira e da concessão de títulos de posse da terra. 116 As diretrizes urbanas do Banco no CAS 1998 são basicamente duas: o alívio da pobreza urbana e o aumento dos serviços de infra-estrutura oferecidos aos pobres por meio de novos projetos de abastecimento de água. uma abordagem ampla em vez de empréstimos diretos para as cidades de médio porte. desafio 6: “Implementar o processo de reforma urbana. com destaque para quatro itens: elaboração de uma proposta de direcionamento dos programas habitacionais aos mais pobres. e principalmente maior presença da iniciativa privada na recuperação da infra-estrutura e ampliação dos serviços públicos básicos urbanos. o CAS 2004-2007. municípios. enquanto o CAS 2004-2007 enfatiza o conceito de sustentabilidade ambiental para redução da pobreza e melhoria da qualidade de vida das áreas rurais e urbanas. incentivo às parcerias publico- privadas. apresenta uma estratégia operacional para os municípios urbanos com linhas de ação mais definidas em seu discurso. Enquanto o CAS 1998 está centrado basicamente no trabalho difuso de identificação e implementação de um marco para tratar do alívio da pobreza urbana. enquanto no PPA 2000-2003 a questão urbana está inserida na temática “Justiça Social e Qualidade de Vida”. estabelecimento de uma estrutura para programas integrados.

Entretanto. o Brasil é citado como exemplo de best pratice pelo Banco Mundial. provam ser possível a existência de ao menos algum protagonismo no país na definição de sua política urbana. Estas diretrizes e ações brasileiras foram imediatamente capturadas pelo Banco Mundial. o acesso desigual e a deficiência dos serviços de saneamento ambiental e de transporte coletivo e a falta de segurança no trânsito. muito mais do que através do montante de seus empréstimos. o objetivo do PPA 2004-2007 de “Expansão e melhoria de esquemas de transferência de renda para famílias pobres” é novo. mesmo o Banco Mundial reconhece que. e ilustra o uso do PPA para a promoção dos objetivos centrais do novo governo. Conforme referido no segundo capítulo desta dissertação. de acordo com o Plano. para o qual os obstáculos considerados seriam a irregularidade fundiária. comparativamente ao PPA 2000-2003. cuja responsabilidade de elaboração foi parte das tarefas de institucionalização do Ministério das Cidades no início de 2003. 117 meio ambiente”. no reconhecimento como best practice em sua hierarquia de classificações. de transportes coletivos e de regularidade fundiária que remete. não pode ser invalidado o sentido inovador e de protagonismo dessas ações. dentre as diferenças existentes. com algumas ações consideradas inovadoras. assim como a aprovação do Estatuto da Cidade pelo Congresso . a habitação precária. As definições de política urbana do Banco Mundial estão presentes e se difundem cada vez mais na política urbana brasileira através de suas diretrizes urbanas. à necessidade do desenvolvimento de programas regionalmente diferenciados. e ao lançamento do Programa Nacional de Regularização Fundiária Cidade Legal em 2003. mas algumas diretrizes elaboradas pelo último PPA. 103” Outro elemento diferenciador considerado nesse PPA é a distribuição espacial dos déficits de moradia. No cenário macroeconômico. bem como a criação do Ministério das Cidades. apesar dessa armadilha discursiva. o que “reflete a ênfase do novo governo em um esquema unificado e mais amplo de transferência de renda como um componente central de sua estratégia de proteção social. A obtenção da cidadania urbana em um contexto de perversa distribuição de renda talvez seja o maior elemento diferenciador desse PPA. de saneamento ambiental. sendo dado grande destaque à criação do Ministério das Cidades. ferramentas e programas.

comparando ambos os CAS 1998 e 2003-2007.Pp. quando então passa a ser alvo de campanhas de ONGs que lutam pela reforma do Banco Mundial pela maior abertura à participação da sociedade civil. A elaboração do CAS 2003-2007 se dá.”104 É interessante notar que as mudanças na realidade econômica. Assim. incluindo a eventual criação de um fórum de intercâmbio de informações e soluções.. no sentido de um maior protagonismo do governo brasileiro. Além disso. Como demonstrado no capítulo 3. de organizações de jovens.) a equipe do País realizou consultas para esta EAP com parlamentares. de acordo com o Banco Mundial. Sustainable. 118 Federal em 2001. and Competitive Brazil .Country Assistance Strategy 2003-2007. de acordo com o Banco Mundial. e 103 The World Bank. mais que atender a uma solicitação da sociedade civil. 61 . elaborado sem consulta ou participação à sociedade civil. ou de uma rede de desenvolvimento. Uma conclusão importante resultante dessas consultas foi que um processo participativo de consultas. “(. em 1998 o CAS era um documento confidencial. situando-o em um nível de permanente renovação discursiva A construção formal de seu discurso relaciona diretamente três elementos: pode-se dizer que a cada identificação de mudança na realidade segue-se um novo objetivo. representantes sindicais e da Igreja Católica (CNBB). Podemos ver esse avanço.. Esses encontros ocorreram de junho a outubro de 2003. A More Equitable. durante a elaboração da Estratégia da EAP para o Setor Privado. serviria também para fortalecer o programa e suas respostas às necessidades do Brasil. da sociedade civil. da comunidade internacional (embaixadas e outras agências multilaterais de assistência). social e política são tidas pelo Banco Mundial como uma chamada para reavaliação de sua estratégia de desenvolvimento. incorporando. governadores e secretários de vários estados. um número de instrumentos que facilitam ambos a regularização fundiária e melhorias urbanas. membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). bem como das associações industriais. as equipes do Banco Mundial e da IFC entrevistaram representantes da iniciativa privada e do setor financeiro. representantes dos círculos acadêmicos. em concordância com o governo brasileiro.

A estratégia da produtividade urbana configura-se como o primeiro formato de legitimação e difusão de práticas e conceitos produzidos pelo Banco Mundial para a esfera urbana. infra-estrutura. estabilidade. sua estratégia de avaliação holística do desenvolvimento urbano constrói um discurso totalizador. Apesar de haver sido feita de uma forma menos secreta. e pouca menção ao empreendimento ou inclusão social. Nas décadas de 50 e 60. Não obstante.php/content/view_folder/1792. eliminando as contradições e conflitos inerentes ao campo urbano pela sua pronta e contínua incorporação. já na estratégia atual. pode-se citar a mudança de ênfase na noção de investimento no interior dos objetivos estratégicos do Banco. pois “novos consensos” podem ser instituídos através de novas agendas que substituam as anteriores. mas. mais recentemente traduzido na noção de assegurar um bom “clima de investimento. Pp. Anexo 6. 119 conseqüentemente.111. a elaboração dos últimos CAS e PPAs. governança. retirando o caráter de um discurso de um ator da esfera urbana mundial . a noção de investimento focaliza-se em questões de instituições.org/index. investimento evocava o crescimento através da acumulação de capital. a chamada nova estratégia urbana traz não apenas a dimensão ideológica de uma instituição. instituições e atividades sociais –. enredando-se em um círculo que também é o da produção de uma retórica que procura sempre legitimar seu papel e intervenções. a produtividade dos investimentos existentes e a 104 Tradução de partes do documento oficial em inglês da Estratégia de Assistência ao País. O Banco procura assim afinar seu discurso com essas mudanças. É necessário não cair em sua armadilha discursiva da construção do consenso. à qual se poderia contrapor alguma crítica. discutido pela diretoria do Banco Mundial em 9 de dezembro de 2003. ao considerar a cidade como uma unidade integral – além do ambiente físico. que assinala uma série de novas preocupações do gerenciamento urbano com a eficiência e o estilo empresarial na condução das políticas urbanas.para apresentá-lo como o único portador de sentido. existindo uma desconfiança do setor privado.” Como exemplo. o que define o apoio do Banco hoje é sua conformidade com as linhas mestras do pensamento neoliberal: liberalização e privatização. universal. e infra-estrutura que afetam não apenas o nível de investimento de capital. e no sentido aqui recorrentemente destacado de ampliação do seu raio de influência na construção de diretrizes urbanas. finanças.html . uma nova estratégia. Fato este que toma qualquer análise crítica desacreditada ou desatualizada.obancomundial. de acordo com o Banco. mas também. políticas.mesmo com seu peso e relevância no cenário . consensual. Fonte: http://www.

dentre outras formas.argumento enfatizado na estratégia atual para redução da pobreza -. bem como a entrada dos pobres na dinâmica do mercado . onde a redução da pobreza passa a ser considerada como um bem público global. pois o Senado previu que tão logo percebessem que constituíam maioria. e é uma das razões. principalmente a partir da década de 70 e associada ao início da gestão McNamara. No caso do Banco Mundial podemos notar atitude semelhante no interior de seu discurso estratégico. E é justamente aí que se encontra a chave para a teorização e pesquisa de soluções verdadeiras. encontra-se a luta contra a pobreza. porém. ou entre a economia moderna e a população pobre. como a que admite que as pessoas podem mudar de condição através de soluções isoladas. essa assimilação teórica da pobreza esteve presente em todas as estratégias desenvolvidas pelo Banco Mundial no setor. é vista como parte da equação clima de investimento-crescimento- redução da pobreza. que deu a idéia de exigir que todos os escravos passassem a usar as roupas iguais para distingui-los dos homens livres. que se configura cada vez mais 105 Santos. os escravos se revoltariam. ao contrário. integra-se a ele. A partir da década de 90. Considerada uma das missões centrais do Banco. sua proposta não chegou a ser votada. ela fica mais clara com a direta associação entre aumento da produtividade urbana e alívio da pobreza urbana. sempre que não comprometam o processo e estilo de crescimento propriamente ditos. educação ou capacidade empresarial. 120 disposição para fazer investimentos produtivos de longo termo – em outras palavras. o Banco Mundial empreende tarefas que permitam a melhoria das condições de vida das camadas mais pobres. senão único. como um estratagema usado para fugir do problema real da pobreza. evoca a idéia de assegurar um bom clima de investimento. No campo urbano. . Essa é uma preocupação que existe atualmente. para a redução da pobreza. Milton. Também relacionada à sua estratégia discursiva. ou a chamada “globalização pró-pobres”. onde o crescimento do setor privado é visto como o caminho central. e na agenda atual. de acordo com Milton Santos. Nesse sentido. Concordamos assim com Milton Santos que “ainda está por completar-se a análise das relações entre o “exército industrial de reserva” ou “ superpopulação relativa” e a economia global. pp. Milton Santos faz uma alusão a uma história sobre Sêneca. Tentando ilustrar o problema. o senador romano. iniciativa individual bem orientada.”105. da permanência do problema como obscuro. Pobreza Urbana. não deriva automaticamente do crescimento econômico.33. A assimilação teórica da pobreza pode ser vista.

‘os governantes’. a crise urbana seria resultado também da explosão demográfica. todos submissos ‘a forças abstratas que lhes dirigem’ ”. 121 através da implantação de programas compensatórios e focalizados em substituição às políticas universais. sobre os circuitos internacionais. 2002. Uma e outra estão ligadas – direta ou indiretamente – a influências ‘externas’ ao país” 106. tanto nos países desenvolvidos como nos países subdesenvolvidos. Les Mots du Pouvoir. Gilbert (org.13 . Citando Polanyi. ao preço de fórmulas vazias. De acordo com Gilbert Rist. pode-se falar do aspecto consensual que os relatórios do Banco Mundial obtém. No entanto. um verdadeiro caso de ostentação estatística. concordamos com o argumento de que “a limitação do crescimento demográfico é considerada como indispensável à eficácia da manutenção do crescimento econômico. assim “o universalismo é instaurado independente das realidades históricas concretas”. tendo sido fundado um departamento de projetos demográficos em 1969. Nouveaux Cahiers de L’IUED-Genève. Presses Universitaires de France-Paris. Sens et Non-Sens de la Rhétorique Internationale. o universalismo.107 106 Id. O controle demográfico também tem sido um dos pontos estratégicos mais conhecidos do Banco Mundial. A expansão demográfica é encarada como um verdadeiro ‘sinal de alarme’ e provocaria um verdadeiro desastre nos países subdesenvolvidos. ainda antes da construção de um discurso contra a pobreza. A pobreza atual das massas do Terceiro Mundo não é explicável pela explosão demográfica.). a preocupação maior seria a de evitar agitações e seus perigos políticos. ‘universal’.34 107 Rist. Estas constituem assim uma maneira de reduzir ao silêncio as opiniões dissidentes. se passando em toda parte e momento sobre a grande cena do mundo. Preocupação clara de inspiração malthusiana. baseado no fetichismo das taxas de crescimento. ‘os ricos’ ‘os países menos avançados’. ‘as regiões desfavorecidas’. pp. Esquece-se que em outras fases da história. ‘os Estados’. este discurso se apresenta como “‘mundial’. e não de reduzir a pobreza. Com uma forte ênfase nos perigos da rápida urbanização. a colocação entre parênteses da história e a afirmação do poder. Genève. de regra. ‘planetário’. ainda de acordo com Milton Santos. Finalmente. pela criação de um desequilíbrio no plano dos recursos. animada por seus pseudo-atores coletivos que são os ‘pobres’. o crescimento demográfico foi contemporâneo do crescimento econômico. pp. através do uso repetido de fórmulas convenientes.

finalmente. derivando. negando a crescente tecnificação política. . de uma sorte de “estado do mundo”. À estratégia do consenso faz-se necessário contrapor uma estratégia que recupere o valor da política na cidade como espaço do conflito e discussão de modelos e alternativas. 122 Nesse sentido. as estatísticas emanadas do discurso do Banco Mundial são vistas como o único elemento que confere aos diversos relatórios um elemento de atualidade e de historicidade. No curto espaço desta conclusão. Este tipo de discurso transmite a uma sociedade dada os valores que têm por legítimos a um momento dado de sua história. inserida em seu contexto histórico e espacial específico. acredita-se que a batalha não está perdida. procura-se adotar a perspectiva bourdiesiana de que o poder das palavras depende essencialmente do poder acordado entre aqueles que o pronunciam. à sua maneira. Deste modo.

123 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .

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APÊNDICE .

Suprimento de Água e Esgoto Urbano em Minas Gerais (02) • *1978.Suprimento de Água Urbana para Comunidades de Baixa Renda e Municipalidades • 1989.Suprimento de Água e Esgoto Urbano • 1983.Transportes Urbanos (01) • 1979.Melhoria das Cidades Comerciais do Paraná • 1985.Suprimento de Água e Esgoto Urbano em Múltiplos Estados • 1982.Desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife • 1982.Projeto de Suprimento de Água Urbana e Controle da Poluição em São Paulo.Transporte Urbano (02) em Porto Alegre • 1981.Suprimento de Água e Esgoto Urbano em Minas Gerais (01) • *1976.Desenvolvimento de Cidades Médias • *1979.Suprimento de Água e Esgoto Urbano em Minas Gerais (03) • 1980.Desenvolvimento Municipal do Paraná • 1989.Suprimento de Água e Esgoto Urbano nos Estados do Sul • *1980.Desenvolvimento de Pequenas Cidades de Santa Catarina • 1986.Coleta de Esgoto e Tratamento em São Paulo • *1971.Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador • 1987.Preparação de Programas de Desenvolvimento da Região Metropolitana para Salvador e Fortaleza • *1983.Suprimento de Água e Esgoto Urbano nos Estados do Nordeste • *1980.Sites and Services • 1979.Transporte Urbano (04) • *1988. • 1978.Desenvolvimento Municipal no Estado do Rio Grande do Sul . 129 APÊNDICE PROJETOS URBANOS DO BANCO MUNDIAL NO BRASIL Período 1972 – 1981 e 1982-1989 • *1974.Transporte Urbano (03) • *1981.

Projeto de Desenvolvimento Urbano e Gestão de Recursos Hídricos do Ceará – PROURB-CE z 1997.Descentralização do Transporte Metropolitano em São Paulo z 1992. nem sempre fizeram parte do Setor Urbano do Banco Mundial. 341-360. Organização e Modernização dos Municípios de Minas Gerais – SOMMA z 1994. Statement of Loans.Programas de Saneamento Ambiental da Região Metropolitana de Curitiba – PROSAM z 1992.Projeto de Gerenciamento da Poluição Costeira e Hídrica do Espírito Santo TOTAL: 37 PROJETOS Fontes: – Banco Mundial (www.org ) – World Bank.Projeto Integrado de Desenvolvimento Municipal de Betim z 2004. esgoto e saneamento.Projeto Prometrópole – Recife z 2004.Descentralização dos Trens Metropolitanos do Rio de Janeiro z 1993.Programa de Administração Municipal e Desenvolvimento de Infra-estrutura Urbana – PRODUR z 1998.Programa de Despoluição e Saneamento do Espírito Santo – PRODESAN z 1994.89.worldbank. 2 vol.Segundo Projeto de Água e Saneamento para a População de Baixa Renda – PROSANEAR II z 2002.06.Programa de Modernização do Setor de Saneamento II Período 2000 – 2004 z 2000. Posição em 30. 130 Período 1990 – 1999 z 1992.Projeto de Saneamento Ambiental.Programa de Saneamento Ambiental da Bacia do Guarapiranga z 1993. . * Os projetos referentes à suprimento de água.Programa de Modernização do Setor de Saneamento II – CEF z 2003.