Olga Magalhães Português, 11.

° ano
Fernanda Costa

Recursos de Apoio ao Programa – II

Texto argumentativo / O discurso político

Oo

que ela ainda não definiu bem a si própria. errar por 2 . da nossa história. da nossa civilização própria. Qual pode ser essa outra coisa? Que soluções se apresentam? Por um lado. e. não seria compreendida pela Nação irreme- diavelmente impregnada de liberalismo e que nessa concentração de força só veria uma restaura- ção do absolutismo e do poder pessoal. E se a Espa- nha […] se convertesse numa república conservadora – um movimento paralelo em Portugal. e nas classes governamentais ou burocráticas que o encarnam. tendo readquirido por esse nobre regeneramento o apoio da maioria sã do País. triunfante ou semitriunfante. 30 Que resta pois? Resta.° ano Oo FICHA DE AVALIAÇÃO Lê. O interesse de quem tem o poder […] está todo e unicamente em acertar. errar em tudo. Por outro lado. de tudo aquilo que nos é tão caro como a própria vida. a crise económica. por vantagem própria e individual. se lançassem à obra patriótica e exclusiva de reor- ganizar a Nação administrativa e economicamente. durante séculos. da nossa língua. Não há exemplo na História dos séculos de que uma classe conservadora. e por que temos. uma concentração de força na Coroa (que a muitos espíritos superiores. Que resta no meio destas duas soluções? Restaria ainda a solução quase milagrosa de que as classes conservadoras e parlamentares. Olga Magalhães e Fernanda Costa Português. Uma parte importante da Nação perdeu totalmente a fé (com razão ou sem 5 razão) no parlamentarismo1. Mas este milagre não é provável. a bancarrota. E se os que estão no poder porfiarem5 sempre em cometer a menor soma humanamente possível de erros e realizar a maior soma humanamente possível de acertos. uma “revolução feita de cima”. por uma lenta evolução da consciência. Um movimento insurreccional2 em Lisboa. seria no dia seguinte um exército de intervenção marchando sobre nós da fronteira monárquica da Espanha. Novos Factores da Política Portuguesa […] Assim viemos expondo. se depure e se moralize. por um impulso que irresistivelmente a trabalha. A situação é esta. a República não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas. os elementos da crise política que se desenha. procedes- 25 sem heroicamente à sua própria depuração4 e moralização. apoiado por ela e coroado de êxito. seria o fim da nossa autonomia. Ela seria a confusão. o esforço constante de um governo deve ser acertar. errar sempre. se apresenta como a nossa salvação). se vai ajuntar a ela ajudando a agravá-la por diversos modos. derramado sangue e tesouros. tal como os compreendemos. e que o nosso Portugal tem a vida duríssima. cônscias3 enfim dos perigos que as envolvem. a si mesma se regenere. mas de política externa. o texto. ao menos por egoísmo. Além disso (é de urgente patriotismo falar com fran- 10 queza) a República entre nós não é uma questão de política interna. muitos perigos podem ser conjurados6 e a hora má adiada. como esperança. e que. o sabermos que as nações têm a vida dura. 11. a substituí-las por outra coisa. 15 da nossa nacionalidade. concentra- ção. e tende. Se não já por dever de consciência e de patrio- 35 tismo. Entre nós têm-se visto governos que pare- cem absurdamente apostados em errar. nascendo da nossa crise crónica. a anarquia. por ambição mesmo do poder. apoiada na parte mais inteligente e mais pura das classes conservadoras. procedesse às 20 grandes reformas que a consciência pública reclama. e que vêem claro. que. errar de propósito. atentamente.

seria a solução para todos os problemas do país. a Espanha está atenta ao que se passa em Portugal e interviria de imediato. que tem um parlamento. Um espectador Eça de Queirós. Toda a dúvida está em saber se ainda há. não se ressente.4. o país 10 pontos o a. I 115 pontos 1. que cada acerto. para cada ponto. atravessa uma grave crise política. conjurado: evitado. 1. cada erro. Segundo o autor.” (l. poderia ser uma forma inteligente de mudar a situação. o c. Olga Magalhães e Fernanda Costa Português. A alternativa seria o a. caso a situação não lhe agradasse. Eça considera que “[…] a República entre nós não é uma questão de 10 pontos política interna. 8.” (l. Há períodos em que um erro mais ou um erro menos realmente pouco conta. in Revista de Portugal. sólida e duradoura. 7. 5. o aparecimento de um herói que salvasse a nação. sofre de uma crise crónica que se vai agravar com a crise econó- mica que se avizinha. o c. que as classes detentoras do poder se renovassem de forma a ganharem a confiança dos portugueses. 4. 17) 10 pontos o a. 3. o b. do ponto de vista político. vivemos na “[…] confusão. a realização de eleições. em Portugal. o c. O autor acredita que “[…] uma revolução ‘feita de cima’ […]” (l. 19) 1. cada bom acerto. consciente. 1. 6. o b. é um novo golpe de 40 camartelo7 friamente atirado ao edifício das instituições. esteiar: apoiar. porfiar: disputar acaloradamente. o b. insurreccional: movimento contra o poder estabelecido. para esteiar8 as instituições. ou se já não há. por mais pequeno. Centauro (com supressões) 1. Nenhuma das soluções apontadas nos parágrafos três e quatro satisfazem 10 pontos o autor. mas. parlamentarismo: regime parlamentar. [n]a bancarrota. o c. mas ao mesmo tempo tal é a inquietação que todos temos do futuro e do desconhecido.3. um governo capaz de sinceramente se compenetrar desta grande.2. é uma estaca mais. 10) porque o a. temos séculos de história e de nacionalidade que nos protegem. mas de política externa. Das afirmações que se seguem. in Eça de Queirós. [n]a anarquia. porém. camartelo: instrumento de demolição. cônscio: intimamente convencido. identifica. 1. limpeza. 2. aquela que completa a frase de acordo com o sentido do texto. vive em plena crise económica. No momento histórico a que chegamos. não é o caminho a seguir.1. depuração: purificação. 11. Textos Políticos. 3 .° ano Oo frio sistema. desta irrecusável verdade. Abril de 1890. o b.

15 pontos 3. Relê o texto. 15 pontos 4.1. repetição d. 15 pontos 3. um exemplo de: a. do texto de Eça de Queirós. in Visão. Relaciona a crítica que aqui é feita com o texto de Eça de Queirós.1. 4 de Novembro de 2010 3.Olga Magalhães e Fernanda Costa Português. Descreve-o objectivamente. Observa o cartoon. enumeração c. 20 pontos Copia. 2.2. Uma das marcas do texto argumentativo é a utilização de artifícios retóricos. metáfora 4 . 11. Identifica o tema debatido. Sintetiza a tese defendida pelo autor. Gonçalo Viana.° ano Oo 2.2. 10 pontos 2. interrogação retórica b.

III 50 pontos 1.° ano Oo II 35 pontos 1. Para fundamentares o teu ponto de vista. Faz corresponder a cada um dos cinco elementos da coluna A um elemento da coluna B. um diplomata. um pregador da Capela Real. o autor exprime oposição em rela- muitos espíritos superiores. um lutador pelo respeito da dignidade humana. se apresenta mente. dores discursivos “Por um c. b. escreveu Guilherme d’Oliveira Martins no Jornal de Letras. na forma verbal “Restaria” g. de modo a obteres afirmações verdadeiras. Com o parênteses “(que a e. pando-as e ordenando-as. pelo menos. um conselheiro avisado. como a nossa salvação)” (ll.a Fase. da palavra dita e escrita. f. finalidade. à frente do seu tempo. e um artífice. h. Com o uso da conjunção “Mas” remota. e ção à ideia apresentada anterior- que vêem claro. nas linhas 4 e 5. 8 e 17). o autor introduz um comentário ao o 2. nal. Com a utilização dos marca. apresenta uma reflexão sobre a temática da dignidade humana e do respeito pelos direitos humanos no nosso tempo. um humanista. (Prova Escrita de Português 639. o autor exprime ironia. um exemplo significativo. (l. o autor exprime concordância. 17-18).” Num texto bem estruturado. no mínimo. com um mínimo de cento e cinquenta e um máximo de duzentas palavras. a. como houve muito poucos. 1. 23). agru- (ll.Olga Magalhães e Fernanda Costa Português. frase como uma possibilidade o 5. 11. 27). Artes e Ideias (13-26/Fevereiro/2008): “Foi um visionário. o 3. Com o recurso ao condicio. recorre. a dois argu- mentos. 2008 – adaptado) TOTAL: 200 pontos 5 . A propósito do Padre António Vieira. o autor organiza as ideias. Com o recurso aos parênte. lado […] Por outro lado […]” d. assunto que está a desenvolver. ilustrando cada um deles com. o autor estabelece uma lógica de o 4. A B o 1. o autor articula ideias de restrição. o autor apresenta o conteúdo da (l. ses.

da nossa história. metáfora – seguinte: no momento histórico que se está “…que cada acerto. “Que Conclusão: retomar da reflexão do parágrafo resta pois?” (l. 7). em direitos.. 1. gal dos nossos dias (2010). o que significa que o ‘paciente’ terá – artigo 1. dade de direitos dos homens e das mulhe- res são factores de desenvolvimento do 4. melhores condições de vida dentro de uma ções se apresentam?” (l. 2. no final. c. é uma a viver – de grave crise política e com uma estaca mais. No canto oposto.2. sólida e duradoura…” (ll.4. último 1. 6 .1. repetição – “…que parecem 2. 36-38). meio destas duas soluções?” (l. vemos a inscrição Direitos Humanos: “Todos os seres huma- “Fim da linha”. 1.” (ll. a continua. sinal de que o coração pre a par do respeito pelos direitos humanos. propósito. a morte. c. interrogação retórica – progresso social e ajudam a instaurar “Qual pode ser essa outra coisa? Que solu. crise económica no horizonte – a única solu- ção para o país é que o governo seja capaz de deixar de cometer erros políticos e II comece a governar com ‘acerto’ (Cf. h. da homem e das suas liberdades fundamentais. errar sempre. A tese defendida pelo autor é a por frio sistema. dade. 14-15).° da Declaração Universal dos morrido. 9). nos nascem livres e iguais em dignidade e 3. cada bom acerto. 30). e. b. “…seria o fim da nossa autonomia. isto é.2.. O tema do texto de Eça de Queirós é a absurdamente apostados em errar..2. Por exemplo: a. a. b. poderia ser o – da Declaração às práticas – que diferenças?. 3. lugar para os erros políticos que. 11. Desenvolvimento: constituído por três pará- podemos ver que os batimentos estão a grafos. a igual- rem. “Que resta no liberdade mais ampla. g. retrato do País feito por Eça no seu texto: – bons e maus exemplos de cumprimento um Portugal moribundo em que já não há deste artigo da Declaração. 4.1. – a dignidade da pessoa humana. O cartoon representa a imagem do III registo de um electrocardiograma – registo Sugestão de organização do texto: da actividade eléctrica do coração – cuja linha que marca os batimentos cardíacos Título tem a forma de Portugal.. 5. No canto superior esquerdo. 1. […]”. obedecendo aos seguintes tópicos: zero. enumeração – “Ela inicial – necessidade de fazer cumprir o res- seria a confusão. da nossa língua…” (ll. errar 2.. a anarquia.1. 41-42). 23). 3. parágrafo). observa-se Introdução: a dignidade humana anda sem- uma linha contínua. errar de crise política que Portugal atravessa. Embora este cartoon se refira ao Portu. d. da nossa nacionali- 1. errar em tudo.. a.. 1.” peito universal e efectivo dos direitos do (l.3.Olga Magalhães e Fernanda Costa Português.° ano Oo TÓPICOS DE RESPOSTA I nossa civilização própria. o fim. a bancarrota. 1. parou de bater. b. d. poderão conduzir o país à ‘morte’.