Coração cigano

That Holiday Feeling
Emma Jane Spenser
Darling 10

Nem mesmo o amor tem força para domar a alma selvagem de Blair?
As mãos dele exploram seu corpo, acompanhadas pela boca faminta, descobre seus
segredos, desvenda seus mistérios femininos... Uma revelação de prazeres que Blair nunca
imaginara possível. Quando Nick a toca, o desejo se torna irresistível, mágico. Mas a afinidade
maravilhosa entre seus corpos não existe em seus mundos, que são muito diferentes e isso ameaça
destruir impiedosamente esse incomparável amor!

Digitalização: Tinna
Revisão: Alice A.

Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser

Título original: That holiday feeling

Copyright © by Emma James Spenser

Publicado originalmente em 1989 pela
Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá
Tradução: Lena Bastos

Copyright para a língua portuguesa: 1991

EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2000 — 3º andar
CEP 01452 — São Paulo — SP — Brasil
Caixa Postal 2372
Esta obra foi composta na Editora Nova Cultural Ltda
Impressão e acabamento no Círculo do Livro S.A.

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Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser

Capitulo 1

De pé, no fundo da grande sala do albergue no alto dos Alpes, Nick prendeu a respiração
quando ela sorriu. O sorriso que lhe iluminava os olhos, fazendo-os brilhar à luz das velas, não foi
dirigido a ninguém em particular. Então, como que adivinhando que ele precisava respirar, ela
baixou as pálpebras, escondendo sua alegria das pessoas a seu redor.
Ele inspirou devagar, saboreando a tensão que o sorriso dela havia provocado. Já tinha
acontecido antes. Tanto o sorriso quanto a tensão. Havia apenas alguns minutos, ao levantar os
olhos do jornal, ele a tinha surpreendido rindo de mansinho, como se tivesse acabado de contar uma
piada para si mesma, indiferente à reação das outras pessoas. Percebeu que ela estava sonhando
acordada. Ou, talvez, apenas sonhando.
O sorriso o tinha atingido em cheio, como um não esperado soco no estômago. Desta vez,
ele tinha se preparado, achando que, sem o elemento surpresa, o efeito seria minimizado.
Puro engano.
O choque foi ainda maior do que o anterior. Todos os seus sentidos foram tomados de
assalto, fazendo-o desejar abraçá-la. E, uma vez que fizesse isso, não pararia mais.
Nick olhou-a fixamente, como que a desafiando a encará-lo, mas ela não desviou os olhos da
pequena chama que dançava no candelabro de metal. Talvez fosse melhor mesmo, pois o coração
dele ainda não estava preparado para outro choque.
Ela havia chegado sozinha e, pelo que parecia, pretendia continuar só. Muitos dos homens
presentes tinham tentado se aproximar: era uma mulher adorável. Não era bonita com uma modelo.
Era graciosa, com feições finas e bem desenhadas, lindos olhos e cabelos um tanto despenteados,
loiros, que lhe desciam até os ombros. Combinavam com ela e Nick já podia sentir a maciez dos
fios escorregando-lhe pelos dedos.
Era difícil imaginar seu corpo dentro das grossas roupas de esquiar, mas Nick deixou que a
imaginação trabalhasse horas extras. Mais um homem tentou se aproximar, sendo repelido com um
balançar de cabeça.
Talvez alguém a estivesse esperando, no hotel, ou em outra cidade.
Talvez não houvesse ninguém.
De qualquer modo, Nick pretendia descobrir tudo a respeito dela. Mas primeiro teria de se
aproximar. Considerando o número de homens que haviam sido repelidos naqueles últimos minutos,
não teria muita chance.
Nick jamais se deixava abater. Cruzando os dedos para que ela falasse inglês, depositou a
caneca de cerveja vazia sobre o bar e dirigiu-se até onde ela estava sentada. Esperou que o notasse.
Era como se batesse à porta, antes de entrar.
Finalmente, depois de um momento que pareceu uma eternidade, ela virou a cabeça e
levantou os olhos. Nick hesitou. Não era fácil lembrar-se do que pretendia dizer enquanto ela o
olhava em silêncio. Sentiu-se como se fosse a única pessoa no mundo. Talvez tivesse mesmo uma
chance.
— Eu gostaria de... — começou a dizer.
— Mãe!
O som foi alto, claro. Ele parou de falar e procurou pelas mesas uma criança que combinasse
com a voz. Ficou confuso. Não havia nenhuma criança no bar.
Seus olhos se voltaram para a moça, que tirava do bolso um objeto de grande tamanho.
— Desculpe-me — ela disse educadamente, empunhando o walkie-talkie. — Não há

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ele ficou três dias dentro da minha sacola de tênis. — Ele está gelado. Blair fechou os olhos. Blair olhou para o teto enquanto pensava. só na outra sala. seguindo o traçado dos lábios. dar impressão de a estar dissecando. do ponto de vista de Blair. com ternura. Surpresa. O cabelo castanho e liso era curto atrás e mais comprido em cima. — Vou ver já — respondeu a menina. — Qual é o problema. um marido. Taylor? — Não consigo encontrar Peter Rabbit. — Boa noite. do jeito de olhá-la demoradamente sem. — Ele estará bem já. doçura. Bem cortado. descobrindo que gostava da voz do estranho. — Pelo menos. dando início à conversa. Blair ficou tão surpresa que quase esqueceu Taylor no outro lado da linha. Mas o que a deixou realmente fascinada foi a boca sensual. então. consegui lembrar-me. mãe. Parecia também que lutaria para preservar o status conseguido. — De pelúcia.. — Imagino que ele tenha ficado aliviado ao ser encontrado — continuou. mãe — respondeu a voz. Nick ficou profundamente desapontado. Puxou uma cadeira e sentou-se.. Sabia. Atraente sem ser bonito. um coelho? — perguntou o estranho. mas não preocupada. — Boa noite. Tinha um rosto interessante. Lembrava-se de ter colocado o bichinho de brinquedo em algum lugar para tirar a tampa do leite. provavelmente. Taylor — respondeu ela. já. — Ficou com um cheiro horrível e tive de lavá-lo — admitiu ela. Agora vá para a cama. Era bom checar. — Peter Rabitt será. Ele não vai pegar nenhum resfriado. a partir de 3 . Infelizmente. embora não usasse aliança. Blair não parecia embaraçada. mãe! — disse Taylor. doçura. — Confie em mim. — Na geladeira? — tornou a perguntar ele.. Enquanto esperava. Cuidaria dele assim que terminasse de falar com a filha. Blair continuou: — Peter me ajudou a pegar o leite para você. isso não era uma qualidade. — Se ele pegar um resfriado. Maxilares altos e barba cerrada fizeram-na imaginar como seria a sua aparência se não fizesse a barba todos os dias. guardando em seguida o receptor no bolso. Diminuiu o volume de seu walkie-talkie e perguntou: — Já olhou na geladeira? — Na geladeira? Mais confiante. até o encontrarmos.. tentando fazer a imaginação parar. desafiando-a a contar o resto da história. Deixou que seu olhar se demorasse na boca do desconhecido. no entanto. Não estou em outro planeta. Da última vez. Gostou dos olhos dele. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser necessidade de gritar. Ele parecia ser um homem bem-sucedido. As sobrancelhas bastas e escuras chamavam atenção para os olhos igualmente escuros. sabendo que seriam firmes e exigentes. Taylor. — Abaixe o volume. desviou o olhar para o estranho sentado a seu lado. Mas você poderá pegar umas palmadas se não estiver dormindo em dez minutos. Tinha uma filha e.

Blair gostava do modo como a olhava. Estava. A pergunta estava em seus olhos. Como seus olhos brilhavam ao falar da filha. A persistência dele a surpreendeu pelo fato de ter deixado claro que tinha uma filha. — É importante para mim. — Eu sei. Ele sorriu. como usava as mãos para enfatizar as palavras. Meus amigos me chamam de Nick. A atração era mútua. que para ter sucesso e preservá-lo era necessário tornar-se um viciado em trabalho. Sensação deliciosa. Entretanto. Acho que quando ele descobrir que Taylor é uma menina. — Isso não responde à pergunta. e como tinha rapidez intelectual. da corredora mais rápida da turma e da melhor jogadora de vôlei de Bruges — respondeu Blair. apesar de saber que a resposta seria negativa. foi o namorado que ganhou na rifa e lhe deu de presente. não. meio rouca. — Blair Forrest. — Não sabia que meninos dessa idade já se interessavam por meninas. que ela apertou. descobrindo uma porção de coisas a respeito de Blair.. — Namorado? Nessa idade? — Começou a duvidar do bom senso da mãe. — É um hotel pequeno. também. Estendeu-lhe a mão. Não sou casado e não tenho o hábito de convidar mulheres casadas para jantar. ao saberem da existência de Taylor. A voz era profunda. Blair notou que o olhar dele focalizava sua mão esquerda. sentia-se embaraçada e optou pela saída mais fácil. Inclinando-se. — Como? — Estamos falando da heroína do time de futebol. — Você nos viu chegar? — perguntou. acho que ele queria ficar com o bichinho. Mas não era isso que queria. Descobrira que os homens perdiam o interesse. Nick relaxou um pouco. — Taylor e eu estamos aqui sozinhas. Parecia que lamentava o fato. — Onze? Não está um pouco crescida para brincar com bichos de pelúcia? — Não exatamente. na qual deveria haver uma aliança. compreendendo o tipo de relacionamento entre Taylor e André. mas teve vergonha. Nick sorriu. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser sua própria experiência. — Não. — O que acha de jantar comigo? 3 . Minha filha e eu chegamos hoje. acrescentou: — Na verdade. como se fosse contar um segredo. — Não sei se é importante — tentou esquivar-se. finalmente. Blair engoliu em seco. — Infelizmente. Era quente e forte. — Melhor do que se apaixonar por um homem mais velho. — Correto — concordou ela. rindo. Ela podia ignorá-la e ele se afastaria. aquele sorriso preguiçoso que a esquentava inteira. com evidente orgulho. É minha filha de onze anos. — Não sou casada — admitiu ela. — Meu nome é Nicholas Dalton. — Tínhamos de fazer algumas compras e Taylor descobriu uma pizzaria. Além disso. mesmo. Não a vi ontem à noite nem no jantar de hoje. Ela sentiu que seu corpo reagia àquele timbre. Queria conhecê-la muito melhor.. Os sinais podiam ser facilmente reconhecidos por uma ex-viciada em trabalho. como se quisesse beber cada uma de suas palavras e expressões. — André tem nove anos — respondeu Blair. Ele balançou a cabeça. — Ela só agora está começando a descobrir as diferenças entre meninos e meninas.

não saberia se estava interessada. Está preocupada? — Não — respondeu a filha. — E o jantar? — voltou a perguntar Nick. "Por que não disse sim?". A filha. com precoce sabedoria. — Quer que faça um para você. pela manhã. também? Assim. Taylor — respondeu Blair. Os lençóis a enregelaram. debruçando-se sobre o mapa da região. Esta é a melhor hora para esquiar porque todo mundo está dormindo. Ainda bem que Taylor não acordou. Os músculos seriam firmes e fortes Mesmo com a grossa malha de esquiar. É um dos nossos maiores segredos. antes de cair no sono.. nada exagerados. fale baixo. passou os braços ao redor dos joelhos. antes que ele pudesse discutir. E. embrulhando-o em um guardanapo. "Por que você não aceitou?". — Estou atrasada. mas não posso mesmo. — Eles não sabem que esta é a melhor hora para esquiar? — Pense um pouco. — E eu estou morrendo em pé. comentara que. pediu uma cerveja e. doçura. tremendo ao imaginar o corpo alto magro. Olhou o relógio e tomou o último gole de vinho. mas transmitiam uma masculinidade que a excitava. Nick não tentou segui-la. — É mesmo — respondeu ela levantando-se. — Você acha que vamos nos perder hoje. Taylor vai ficar preocupada. A filha sempre lhe perguntava por que não saía com alguém e ela não conseguia explicar- lhe que não havia quem a interessasse. — Taylor deve estar dormindo — ele a lembrou. Blair escovou os cabelos com vigor e jogou a escova sobre a penteadeira. se não saísse com alguém. perguntou-se Blair pela décima vez. Apagando a luz despiu-se e entrou debaixo do acolchoado. Capítulo 2 — Onde está todo mundo? — perguntou Taylor. — Sinto muito. Pela primeira vez em muito tempo. Nick a aqueceria rápido. uma vez que eram as suas férias. outra vez. Poderia convidá-la. Tremendo. sentindo sua voz ecoar pela sala vazia. Vou deitar cedo hoje. decidiu o percurso que faria na manhã seguinte. As cobertas a tinham aquecido e. Blair desejou que ele a convidasse outra vez no dia seguinte. — Nem todos se levantam com as galinhas. Taylor riu e passou uma grossa camada de queijo cremoso no pão. se a gente se 3 . ela se foi. outra vez? — Provavelmente. Acomodou-se na poltrona. pudera notar os ombros largos. enquanto preparava um sanduíche com queijo e salame. enquanto também se levantava. grudado ao dela. Ela sentiu-se tentada. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Indecisa. fez de conta que não o tinha ouvido. tentando se esquentar logo. Por isso. Mas tinha de levar Taylor em consideração. pensou. Taylor era desculpa que não valia.

Seus movimentos eram precisos. mas a ansiedade de Taylor fez com que terminasse logo o café. Estava totalmente concentrado na montanha. mãe! Nem se machucou. Acompanhando com facilidade o relevo da montanha. em vez de lutar contra a lei de gravidade. planejando cada curva. Poderiam comer os sanduíches e almoçar depois que a maioria voltasse a esquiar. mãe. outras pessoas carregando esquis. Algo verde surgiu do nada e passou por cima das pontas de seus esquis. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser perder. qualificou com uma série de palavrões o responsável pela sua queda. estavam prontas para enfrentar o frio. apontando para baixo. atravessou as elevações com perícia. — Se conseguirmos encontrá-la — respondeu-lhe a mãe. as luvas e. controlados. e tentou se agarrar em algo. apertando os olhos contra o sol. assim. onde encontraram botas. Não queria ficar esperando uma hora inteira. à medida que rolou montanha abaixo. — Eu vi o horário dos ônibus. esquis e bastões. — Vamos para o outro lado da montanha. Esquiar sem mapa tinha suas inconveniências. rolando naturalmente. o silêncio foi quebrado por uma voz conhecida. E havia o perigo de não encontrarem nenhum restaurante. Blair concordou. Blair aceitou a brincadeira. Os esquis e os bastões voaram cada qual para um lado. Permaneceu deitado. surpreso. não deixando que seu pensamento se desviasse para a mulher que havia conhecido na noite anterior. Ele gritou. Só pensava nela quando parava. Enquanto continuava a cair. Ele se forçou a relaxar. quase perderam o ônibus. Subitamente. nem que seja amanhã. Havia nas montanhas inúmeros chalés que vendiam comida e bebida. Desceram para a zeladoria. cada impulso. Começou a pensar que nunca ia parar. mas funcionando. Eram as únicas passageiras e Blair só teve certeza de que as pistas estariam em funcionamento quando viu. — Sim. o sol estaria daquele lado. — Sim. — Parabéns. primeiro — sugeriu. — Vamos logo. se conseguirmos encontrar o outro lado — brincou Taylor. Nick examinou o mapa e o terreno a sua frente. — Você está bem informada. Devia-se estar sempre preparada para qualquer eventualidade. Foi perdendo velocidade e terminou de bruços na neve. não poderia esquiar com ela. na esperança de encontrar Nick. testando cada uma das articulações. verificou se alguém vinha descendo naquela direção e deu o impulso. pegou os casacos. sabendo. Taylor estava toda em azul. Ou caia. mas estavam sempre muito cheios na hora do almoço. Logo estavam suspensas no ar. e ele prestava muita atenção aos desafios do caminho. Nick conhecia aquela voz! Sentou-se e. Vestia um conjunto de esqui verde-limão. Blair entrou no quarto. à procura de fraturas e torções. não morrerá de fome. Uma nuvem de flocos de neve o envolveu. através do gelo que recobria a janela do veículo. em virtude das pesadas botas. Adorava esquiar e fazia-o muito bem. imaginando que àquela hora da manhã. O ônibus para o teleférico vai chegar já. quando perdeu o equilíbrio. — Podemos descer por aquela pista? — perguntou Taylor. como ontem. Quem teria sido o idiota que lhe tinha cortado a frente? Como queria ter visto Blair antes de sair do hotel! Se quebrasse a perna. mocinha! Ela preferia demorar mais um pouco. respondendo com ar de superioridade: — Eu encontrarei. Andando com dificuldade. que não teriam muitas chances. O teleférico que as levaria até o topo da montanha estava deserto. cada parte do corpo. Enfiou as mãos enluvadas pela correia dos bastões. balançando suavemente e olhando a lindíssima paisagem das pistas. tentou enxergar 3 .

— Não me diga que você prefere a parte de cima à debaixo? — Ninguém jamais me acusou disso — murmurou ele. sem necessidade de palavras. Ele está todo branco. ela disse: — Desculpe.. Taylor quis descer por essa pista e eu. mocinha? Peter Rabbit? — perguntou ele. Tentou levar a conversa para o assunto anterior. da próxima vez serei mais cuidadosa. outro esqui. Uma criança encantadora e uma mulher excitante. depois. mas a voz era inconfundível. Era uma réplica de Blair. com os olhos grudados na roupa verde que vinha descendo a colina. Nick. — Espero que sim — respondeu ele com os olhos brilhando.. Não haveria mais jantar. Blair corou violentamente. Tem um restaurantezinho logo ali. só com frio. mas aliviada ao ver o esquiador se sentando. — Ele está bem. — Esse não é o problema! — exclamou Nick. mãe. — Você acreditaria? — E Taylor nem piscou. — Ele não está bravo. Bendito acidente que lhe permitia tocá- lo. Poderia até ter causado a morte de alguém. — Porque eu vi no mapa. antes de se abaixar para pegar os bastões. Blair sentiu um choque ao ouvir a voz dele. percebendo que se levantava. Você sabe que detesto pistas estreitas. bem. A raiva se transformou em alegria.. Afinal. — Não foi culpa da minha mãe. mensagem transmitida e recebida. Era muito embaraçoso causar um acidente. mas de pé! — respondeu Taylor. Não o tinha reconhecido debaixo da neve que ainda o cobria. Respirou fundo várias vezes. dois bastões e. — Como você sabe que tem um restaurante lá? — perguntou a menina.. Não estou bravo. Mais importante que tudo. — As marcas estão na parte de cima dos meus esquis. pensou. entregando-lhe suas coisas. Por que não vão comigo? — perguntou enquanto ajustava os esquis novamente. Acho que preciso tomar alguma coisa quente. Quem é? — Nick Dalton. Olharam-se sem conseguir falar. Viu Blair piscar. surpresa ao perceber que ele não tinha medo de expressar seu desejo. — No mapa? Mas isso não é honesto. Blair tentou tirar uns flocos de neve da cabeça dele. Blair aproximou-se. ele viu Blair. A pista é estreita e cheia de buracos. — Foi perigoso. — Desviou os olhos e observou a menina a sua frente. — Provavelmente não. principalmente porque ela nem tinha caído. miniatura da mulher que tinha povoado seus sonhos na noite anterior. com ironia. — Como não é honesto? 3 . acima dele. Os cabelos loiros brilhavam ao sol e Nick gostou de descobrir que os olhos eram tão verdes e expressivos quanto os da mãe. Sinto muito. Pelo menos ele não estava ferido. mas perdi o controle. mãe e filha. mãe. Viu um esqui. Não sei por que permiti que me convencesse a descer. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser quem estava na colina. Preferia que tivesse sido um estranho. saindo do meio das árvores naquela velocidade. Concentrada em equilibrar a carga que carregava.. Tentou ensinar alguma coisa à filha enquanto ia pegando o equipamento do rapaz. — Bem. — Isso não foi engraçado — disse ela. nervosa. — Sente ter descido a pista ou ter me derrubado? — Eu não o derrubei.. Nick via as duas. Qual seria o gosto de sua boca? Seus olhos se encontraram. — E quem você vai culpar.

— Vai ter lombo de porco à milanesa. feliz por ficar quieto. ajustando a bota no esqui. Qualquer coisa é melhor do que tio Chester! Blair não queria ver o ar de triunfo estampado na cara dos dois. — Que horror. com molho alemão.. 3 . Nick aceitou o sanduíche sem responder. — E como sabem para onde esquiar? — Todas as colinas levam para baixo. Saímos de manhã e esquiamos até cansar — falou Taylor. Pensei que podíamos jantar juntos lá mesmo.. como não usam mapas? Blair sacudiu os ombros. Nick. — Feito! — E o meu voto não conta? — perguntou Blair. apesar de ser viciado em trabalho. — Como sabem onde estão? — Normalmente não sabemos. Blair fechou os olhos e deixou que o sol banhasse seu rosto. D. — Ou tio Nick? — Ou sr. — Vamos esquiar juntos hoje à tarde? — Tem certeza de que aguenta? — desafiou Blair. — Assim é mais divertido. mais interessada em encontrar os sanduíches dentro da sacola do que em explicar. Mas com Taylor a seu lado. — Quer um sanduíche? — ofereceu Blair. — E não se perdem? — Lógico. sabendo-se observada. dizendo: — Jantar? Comemos pizza ontem. Dalton! — bradaram juntos Nick e a menina. Você tem algo que se compare? Blair quase rosnou ao perceber que a filha se julgara convidada. E Peter também está convidado se você dividir com ele a sua sobremesa e não a minha. Que coragem em lhes dizer o primeiro nome. — O que você quer dizer. Dalton para você. Nick não poderia fazer nem dizer nada. — Sr. — Digamos que eu me sinta melhor sabendo onde estão para não ser atropelado outra vez. Enganou-se. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Taylor trocou um olhar com a mãe e tomou a direção indicada por Nick. mocinha — corrigiu a mãe. — Nós não usamos mapas — explicou. Comeu devagar. não é. — Só se votar sim. — Ganhou. Desta vez foram mãe e filha que falaram em uníssono: — Chester? E quem é Chester? — Eu. — O que há de errado com Nick? — perguntou ele. Chester Nicholas Dalton. — E o jantar desta noite — perguntou ele de mansinho. A bebida quente os aqueceu. Enquanto ela pensava no que responder. Blair riu da expressão indignada de Nick e seguiu a filha. Revelava que tinha senso de humor. Mesmo porque achava que Nick não entenderia. Detestava perder uma discussão para uma garota de onze anos. É meu primeiro nome. Pode chamá-lo de Nick. — Sr. sabendo que a filha ficaria discutindo por horas e horas. Taylor adiantou-se. Ou até mesmo Chester — sugeriu Nick. no hotel. Taylor? — Lógico.

Ela observou o seu rosto. imobilizou-a enquanto sua língua a invadia. Não lhe ocorreu questionar sua sanidade mental: ela desaparecera no instante em que vira Blair. querendo conhecer a forma. porque eu sempre venço. Afastou-se de Nick. Blair acompanhava seus movimentos. Passando a língua ao longo da dele. — Vamos esquiar! — E deslizou montanha abaixo. tomava posse. — Não me desafie. abrindo mais a boca. Estou aqui há uma semana e tenho certeza de que consigo voltar. — Mas você paga o táxi. Capítulo 3 — Devemos estar a quinze milhas de Kirchberg. O beijo e tudo que acontecera naqueles breves momentos. começou a fazer as suas explorações. Ela esperou impacientemente pela pressão mais forte. o gosto de seus lábios. a textura. mas não perdeu a promessa contida em seu olhar. lhe dava prazer. Era difícil falar e pensar. Agarrando-a pelos cabelos. admirou os olhos sorridentes. — E o que está em jogo? Blair umedeceu os lábios. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Pensei que tivesse ficado com medo depois da queda.. está bem? — Negócio fechado. A realidade estava de volta e Blair não se sentia preparada para encará-la. desafiou para Nick e a menina que ainda se aprontavam. Nick riu e. lutando contra a tentação de se derreter ao contato daquelas mãos. passou a língua pelos lábios. Estava pronta. — Mãe! Tinha acabado. Gostaria de tocá-la. — Isso é fácil. vendo que Taylor estava entretida. a marca ao lado da sobrancelha. Ele a tocou muito de leve. — Isso é divertido — retorquiu a moça. Blair queria tudo. Nick pensou um pouco e concordou. ela fechou os olhos. brincando com outras crianças. deliciando-se com a resposta obtida. sabendo que a filha jamais perderia uma refeição. Era isso que desejava desde a noite anterior. Era terrivelmente excitante estar tão perto dele. pela quentura molhada da boca dele. — Hum. E para selar o trato ele a beijou. — Isso é suicídio. Acabando de prender os esquis. Quando o viu inclinar-se. se acabarmos do outro lado da Áustria. doçura. convidando-o a participar da excitação que ele mesmo criara. então deixaremos que Taylor nos guie. pegou o queixo de Blair. Nick deu tempo suficiente para que a menina saísse em sua perseguição e partiu em seguida.. — Aposto que não consegue sair do lugar sem o seu mapa — continuou a moça. Só isso explicava o fato de ter lhe contado seu primeiro nome. — Você paga o almoço de amanhã se conseguirmos voltar ao hotel antes do jantar sem usar o mapa. 3 .

Com uma importante diferença: o olhar que lhe dirigia era escaldante. Taylor havia escolhido as passagens mais difíceis. Comunicava. Estavam esquiando sem gorro. E mais nervoso ficou quando ela pegou o caminho à direita. não estaria assim deserta. Nick. mas o olhar que ele lhe lançou deixou claro que tinha percebido o convite e que o aceitaria mais tarde. Por um breve instante ela se sentiu desapontada. Já fizemos. pensou Nick. pondo-se em movimento. esconder o rosto entre as ondas macias. — Faça os pedidos. uma vez que percebia o quanto ele estava se divertindo com elas. mas não ele. pelo vento e também pela neve. continuou a distância. — Como você sabe que Taylor veio por aqui? — Não sente o cheiro? — Cheiro? Ah. Era do mesmo modo que tratava Taylor. deixando que ela removesse o resto da neve sozinha. Taylor. — Estou achando que sua filha escolheu uma trilha errada na última intersecção. — Aposto que seu problema é fome — continuou ela. o maior número de subidas e descidas. Qualquer coisa poderia acontecer se ele se aproximasse. Olhando a seu redor não conseguia ver nenhuma indicação de onde estavam. 3 . vinte milhas de subidas e descidas — respondeu Nick. Afinal. Ela riu. deserta. Eu só estou perdido. — Alguma reclamação? — perguntou Blair. Não queria nem pensar em ter de subir a montanha outra vez. sim. — Seu mapa não seria de nenhuma valia. Temos muito tempo para pensar nos detalhes — disse. desejando que o duplo sentido levasse a outro beijo. — Você realmente acredita que estaremos de volta ao hotel. mas lembre-se de que o jantar não demora — disse Blair. sentir a textura de seda. pois não fazia tanto frio naquele início de primavera. Entretanto. Strudel de maçã. Seguindo-a pelas colinas. Mas isso não importava porque eram lindos. sem necessidade de palavras. Nick teria cruzado os dedos caso suas grossas luvas o permitissem. sem parar um momento sequer. A pergunta era força de expressão. batidos pelo sol. no entanto. Assim seria mais seguro. deliciada com o modo brincalhão de ele tratá-la. enquanto Blair tirava a neve acumulada em sua cabeça. Só havia a estreita pista de esqui. — Por que você não me deixa consultar o mapa? — Não confia em nós? — Decididamente. — São só quatro horas. e árvores cobertas de neve. — Bobagem! Taylor jamais faria um erro desse perto da hora do jantar. Taylor já tinha tirado os esquis e entrava no pequeno restaurante quando eles chegaram. Ele duvidava da lógica daquele raciocínio. não — respondeu ele sem. antes do jantar? Não sabemos sequer onde estamos quanto mais como chegar ao hotel — comentou Nick enquanto a ajudava a se livrar dos esquis. estamos na Áustria! — Rindo do espanto dele. ela acelerou em direção ao delicioso aroma. pelo menos. As duas eram incansáveis. Se esta trilha estivesse no mapa. E Taylor estava presente. Nick já tinha admirado seus cabelos agitados pelo vento e pela velocidade. Pareciam ter vida própria e jamais seriam domesticados. torta de maçã? — Não. Queria tocá-los. prendia-a pela excitante intensidade. — Sei porque estamos esquiando há horas. sempre na mesma direção. rindo sozinho. — Taylor tem fome. tirar o mapa do bolso. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Como você sabe disso? — perguntou Blair.

— É claro que não. Um único toque e ela se entregava. Não estava muito interessado. levando o último pedaço de doce à boca enquanto olhava as prateleiras de madeira entalhada que circundavam a sala. — Cansado? — Quem. Era tão bom saber que podia despertar nele as mesmas sensações que tinha. Será que tinham se conhecido apenas na noite anterior?. — E. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser enfiando o braço no dele. Quando sentiu a carícia. Taylor. — Mas fica do outro lado de Kitzbuhel! — Na verdade. talvez tenhamos tempo até para uma sauna! Pensar em esquiar por mais um quilômetro fez Nick soltar um gemido. — Blair respirou fundo e tentou demonstrar normalidade. principalmente para juntar energias para uma longa viagem de volta. — Então. Se nos apressarmos. depois de duas xícaras de chocolate quente e um enorme pedaço de apfelstrudel. estamos perto de Jochberg. segurando a xícara quente com as duas mãos. ela permaneceu imóvel. seu coração começou uma corrida louca e desritmada. vendo que Taylor continuava a cochilar. pensou ela. sem se importar com obstáculos no caminho. Ele encostou só um dedo e. quando fiz o cross-country que vai até Pass Thurn. Ouviu a risada de Blair. especialmente porque Nick continuava com os olhos fixos na sua boca. E o beijo tinha sido igualmente devastador. — Se partirmos agora. Blair. um vilarejo na parte mais elevada do circuito de esqui. esperando ser tocada. provocou um verdadeiro incêndio no corpo de Blair. — Vamos entrar e tomar uma bebida quente. continuava cheia de energia. estaremos de volta ao hotel antes que você morra de fome. Agora. a suspeita de que ele fosse um viciado em trabalho. estou com fome. — Estamos em Jochberg. apesar de leve como uma pluma. Prendendo a respiração ao vê-lo mover a mão em direção ao seu rosto. eu? — respondeu. aumentando a distância. ele estremeceu e pareceu voltar à realidade. — Não estou cansado. Ele tentava esconder seu cansaço da melhor maneira possível. Nick se inclinou para trás. As duas esquiavam em alta velocidade. — Não está no mapa. Não ainda. Acha que 3 . entretanto. chegaremos à estrada principal e poderemos pegar o ônibus de volta para o hotel. — A comida daqui é maravilhosa. — Posso comer mais um pedaço de strudel? O dedo parou e se afastou. O garçom disse que se esquiarmos montanha abaixo mais um quilômetro. — Já conseguiu descobrir onde estamos? — perguntou Nick. O contato. — Viu por que não o usamos? Não descobriríamos estes lugares lindos. vê que não estamos assim tão longe. Deixando de lado. tentando visualizar o mapa e seus olhos se arregalaram quando se deu conta de onde estavam. mas ignorou-a. Será que era a isto que as pessoas se referiam quando falavam da "química" entre um homem e uma mulher? E será que "química" basta? Blair não conseguia responder essa pergunta. As surpresas só acontecem quando não estamos amarrados a rotas nem a horários. Ela queria outro. Depois de uma eternidade. sustentando o olhar dela. O garçom disse que poucas pessoas passam por aqui — esclareceu Blair. — Passei por aqui. Foi difícil. desenhou o contorno do rosto dela. outro dia. com ele. sentindo-se aquecer frente ao olhar francamente sensual que lhe foi lançado. Considerou a possibilidade de pedir mais uma bebida. ajuntou com voz macia: — Jamais ficarei cansado de você. Mas havia Taylor. mas seria bom saber. — Jochberg — repetiu ele. Taylor parecia cochilar. por instantes. Blair imaginou se ousaria continuar a explorar aquela atração mútua.

fazendo uma careta.. Taylor olhou para a mãe e achou prudente não continuar a discussão. Até Peter concorda comigo. Era necessário muita habilidade. — Sim — respondeu a garota. Numa estação de esqui não havia muitas atividades para as crianças. Era pouco tempo. mas não teve coragem de se mexer. — Buraco? — perguntou Taylor fazendo uma careta.. Dando uma olhada pela sala. Lembre-se de que isso aqui não consta do mapa e que você não conseguirá voltar sem a nossa ajuda. Ficou imaginando como Blair tinha conseguido educar Taylor sozinha. — Talvez elas combinem. — Até eu terminar de ler o meu livro. não são? — Sim. para ver se tinha sobrado alguma comida nos pratos. — Ainda com fome. A mamãe está certa — confirmou Taylor. notando o ar de satisfação da filha. Restava convidá-las para um jogo de buraco. Só faltam dois capítulos.. divertido com o apetite dela. — As minhas estão machucando os dedos. — Se voltarmos mais cedo poderá — respondeu Blair. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser dá para aguentar? — brincou. — O que mostra que ele não entende nada de moda — respondeu a menina. — Nesse caso vou precisar. — Posso ficar acordada até mais tarde? — Até que horas? — perguntou Blair. Não podemos deixá-lo aqui. — Elas são lindas. Mas lembre-se de que precisamos acordar cedo para comprar as suas botas. olhando ao redor. — Por que não pôquer? 3 . não é? — disse Blair. você comeu metade do meu sanduíche. Nem mesmo no teleférico. — Não estavam até que você viu aquelas botas turquesa na vitrine — comentou a mãe. Sua irmã tinha quatro filhos e reclamava que no seu vocabulário só tinha uma palavra: não. Você acha que a loja estará aberta logo cedo? — Tenho certeza. — Vamos. enquanto passava manteiga no pão. Blair? Sobrou um pedaço de pão — ofereceu Nick. viu várias famílias jogando cartas ou outros jogos. Turquesa e azul combinam maravilhosamente bem. — Precisar de nada. Nick as viu levantar e se aprontar. E ele só tinha mais um dia. pois um deles sempre dividia o assento com a menina. Chester. poderemos tomar aquela sauna. dirigindo-se ao bichinho em cima da mesa. — É isso mesmo. muito melhor. Queria conhecê-las melhor. — Você pode desistir das botas. — Botas novas? — perguntou Nick. A baixinha não estava dormindo! — Posso experimentar a sauna amanhã? — Taylor perguntou à mãe. se nos apressarmos. A menina gritou e correu para a porta do restaurante no momento em que Nick tentou agarrá-la. entusiasmada. — Você esquiou conosco só de tarde. Além disso. Chester. mas não combinam com sua roupa de esquiar. — Tudo bem.. Ou será que não tinha sido sozinha? Não tinha havido nenhuma oportunidade para conversarem. Talvez houvesse alguma cama vaga no restaurante e ele pudesse pernoitar ali mesmo. Eu passei o dia todo esquiando. Uma estação de esqui vive do turismo no inverno e não vão perder a oportunidade. Nick apreciava a facilidade com que Blair conseguia o que queria com a filha. — E.

— Se você jogou em Monte Carlo. E naquela noite esperava que ela voltasse. Nick entrou na brincadeira. E. Divertido. ela não tinha esperado por aquilo. antes de encontrar os olhos. Agora começava a entender algumas das tensões surgidas durante o jogo. estragou o efeito causado. Contavam as aventuras do dia. Mas isso ficaria para depois. — Não precisamos dar a impressão de que levamos uma vida louca. bebiam e riam. Mas. Taylor resmungou baixinho e Nick tirou um baralho do bolso. Não contou. lá estava ela. Nada tinha mudado desde a noite anterior. deu o jogo por encerrado. As mesmas pessoas conversavam. entretanto. Então. você estragou tudo. finalmente. era importante ficar frio e controlado. até chegar ao rosto dela. Ela não tem idade para jogar a dinheiro. infelizmente. muito séria e. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Porque se eu perder não poderei comprar suas botas amanhã — interferiu Blair. Ela sabia que devia dar muitas explicações. Em outras noites. — Lembra-se de quando você me deixava vencer? — perguntou. deixando as outras perguntas para mais tarde. Foi a mãe que disse: — Não seja bobo. detendo-se nos lábios. abraçando a filha. Sobre Monte Carlo. Ele parecera tão frio durante 3 . sentindo-se em férias. Ele achou muito divertido ensinar alguns dos jogos para Taylor. tenho medo de não conseguir parar. Olhava o bar do hotel e se sentia muito distante. por que não ganhou o suficiente para comprar as suas botas? Taylor ria tanto. Naquele momento não queria dizer nada que pudesse estragar a noite. Nick ficou esperando. admirando seus movimentos dentro do jeans justo e do macio suéter azul-marinho. Nenhuma mãe se gabaria disso. — Não me diga! — Ah. desviando de mesas e de pessoas. que a menina jogava sete-e-meio muito bem. — Vê por que eu não queria jogar pôquer? — brincou Blair. — Voltando-se para Nick. em primeiro lugar. — Jogando buraco não se pode perder muito. quando levantou os olhos. As palavras só conseguiram aumentar o desejo despertado pelo olhar que ele lhe dera. explicou: — Alugamos um apartamento de um homem que trabalhava em um dos cassinos locais. De alguma forma. mamãe. Blair engoliu em seco. baixinha? — Monte Carlo — respondeu ela. — Passei a noite inteira querendo beijá-la. Saber a verdade era outra coisa. podia deixar que Blair soubesse o quanto ele apreciava o que via. Uma coisa era suspeitar que seus modos de vida fossem muito diversos. Blair aproveitou a oportunidade para admirar-lhe os movimentos das mãos. caindo na risada. Sentia prazer em olhá-la. Taylor. Blair olhou firme para a filha. agora que a menina estava na cama. Acho que vou esperar um pouco mais — disse ele lentamente. depois que a garota tivesse ido para a cama. Jogaram durante uma hora. Mas na noite anterior tinha estado muito ocupado observando Blair. fazendo durar a cerveja que havia pedido depois que Blair arrastara Taylor para o quarto. E isso mudaria tudo. Observou-a atravessar a sala cheia. Deixou seu olhar passear vagarosamente. é muito boa mesmo. Na presença de Taylor. — Se eu a tocar. Nick tinha se juntado a elas. que não conseguia responder. Ela não tinha dito que voltaria. Olhou outra vez o relógio. Blair perdeu todas as partidas e. Tinha passado o jantar inteiro tentando não encará-la. — Isso poderia ser perigoso — falou Nick. — Onde aprendeu a jogar cartas tão bem.

ignorando o último comentário. O caminho estava escorregadio e sentiu-se em segurança quando Nick lhe deu o braço. Ela fez um gesto afirmativo. se caísse. Sacudiu o casaco. — E depois disso? — continuou a perguntar. — Você me espera até que eu pegue um casaco? — perguntou. sabendo que. Blair suspirou e decidiu que queria descobrir a verdade sobre ele. Seu quarto estava aquecido e. — Eu. chegando até o hall de entrada. — Bruges — repetiu ele. Nick observou-a por um momento. concluiriam que não tinham nada em comum. que esquecera do que ele conseguia fazê-la sentir com um olhar. Desejando estar errada. onde você mora? — Em Nova Jersey. estremeceu quando percebeu que ele dirigira o olhar para o movimento de seus seios. E. de muito ar. continuou: — Deixe-me adivinhar. A neve não estava perfeita hoje? — ela tentou mudar de assunto. cautelosamente. Por quê? — Por favor. sairia sem casaco. Blair não entendia. Deram-se as mãos. responda: por que mora em Nova Jersey? — Porque trabalho lá. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser o jantar. Um único olhar e ele conseguia o que homem nenhum jamais tinha conseguido com a carícia mais ardente. também. — Não se esconda de mim. tudo o que seu corpo pedia. Blair. — Para que o casaco? — perguntou Nick. Se a resposta fosse não. não queria entrar nesse assunto. Não. Já tinha se sentido atraído por outras mulheres. brincando com Taylor. Conduziu-a para fora do bar. Também ele ficava intimidado com a avalanche de sensações excitantes. Já tinha se sentido excitado e cheio de paixão. vestiu-o e colocou o walkie-talkie no bolso. Não é justo. Estava confusa.. Perguntas sobre suas viagens levariam a outras sobre sua vida. Não permitiria que ela se afastasse dele. Estamos em Bruges desde agosto. Você é um executivo de uma grande companhia. Beijara-a apenas uma vez. Precisava de ar. O que sentia era intenso demais. Tinha medo de não saber lidar com essa enxurrada de sensações novas. com beijos e carícias. sentindo a depressão se aproximando.. finalmente. Fez tudo isso sem olhar para Nick. como ela. Mas nunca tinha desejado uma mulher como desejava Blair. Blair respirou fundo e. — desabafou ela. pensei em dar uma volta — gaguejou. — Diga-me. Haveria comparações e.. fazendo piadas. não conseguiria se conter. Nick não gostava de perder o controle. mas se a levasse até o quarto. depois na França. — Eu sabia. Fazia ideia da razão pela qual ela não o encarava. depois.. sentia medo. como se os lugares onde estivera não tivessem a menor importância. — Mas é na Bélgica! Estava determinado a saber de tudo. faria com que ela ficasse fervendo. — Passamos algum tempo em Portugal. 3 . com um toque. A moça sacudiu os ombros. Colocou a outra mão também no braço dele. Não queria deixá-la ali. mas sabia que seria assim. deliciando-se com o fato de ela estar aconchegada a ele. Ela certamente não precisaria de casaco onde ele a queria levar. não iria sozinha. Nick. Blair era tudo o que tinha imaginado. — Por quanto tempo ficaram em Monte Carlo? — Por volta de dez meses — respondeu ela. incapaz de dominar os arrepios que lhe desciam pelas costas.

— Não discuta. sentindo-se incrivelmente aliviada por ter contado seu pecado. Tinha de fazê-lo compreender. consigo tirar um fim de semana para visitar alguns amigos. — Mas. Aquilo que tinha sido tão traumático em sua vida devia parecer apenas melodrama. Ele abriu as mãos para aninhar a sua cabeça e um novo tipo de quentura tomou conta de seu corpo. estudando cuidadosamente suas feições. Levou as mãos até a nuca de Blair. Era ainda pior do que tinha imaginado. — Com que frequência sai de férias? Mentalmente ele fez a conta dos anos em que não tinha tido férias. Nick fez a única coisa cabível naquele momento. aquecendo-a com ternura. Blair abriu os olhos e sustentou o olhar dele. E ninguém sabia disso melhor do que ela. a ouvira. — A companhia é minha. uma vez por ano saio para esquiar. — Há quantos anos foi isso? — Mais ou menos doze anos — respondeu. — Nick. Ele cobriu sua boca com vagar. E. gemendo de felicidade.. Ele tinha de se dedicar integralmente. a sensação mudou. Às vezes. o que significa esse interrogatório? Ela ignorou a impaciência dele. segurando-a por cima dos cabelos sedosos. Ela estremeceu. Um homem não chegava ao sucesso brincando em serviço. Deixou-se dominar pelo sentimento. queria desaparecer. finalmente. então. talvez trinta e sete anos. mas tenho estado muito ocupado desde que fundei a companhia. — Eu diria que você tem trinta e seis. Podia ver a confusão em seu rosto. Isso é um vício como outro qualquer e faz muito mal. Capítulo 4 — Você era uma viciada em trabalho ou foi casada com um homem viciado em trabalho? Blair fechou os olhos com força. percebendo que. Ela o observou ao luar. tentando encontrar a razão das perguntas no rosto dela. O silêncio do lugar dava mais magnitude ao momento. Arrependida. A boca exigia mais do que ternura. A princípio. agora.. inclusive a delicada emoção que ele criava. — Em geral. ficando mais surpreso do que ela: já tinha passado tanto tempo? As respostas dele confirmavam seus piores receios. Durante nove anos minha vida toda esteve voltada para o trabalho. — admitiu ele. Blair deu outro suspiro mais profundo. você é um viciado em trabalho. Você não consegue esconder isso de mim. — Trinta e oito. Blair 3 . Era o proprietário. enquanto ele massageava suas costas. Inclinou-se devagar. viver como se a vida se resumisse a trabalho. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Quase certo. Tudo era novo. Houve um longo silêncio. ela se assustou mas logo se perdeu naqueles lábios. — Eu fui uma viciada em trabalho. Mais excitante. Mas ele precisava compreender. — Blair.

Com a graça de um elefante.. então. — Que pena. Taylor — instruiu Blair. — Vamos esquiar juntos. mãe? Acho que comi alguma coisa que não me fez bem. Amanhã é meu último dia aqui. compartilhado. Ela errara.. Prazer dividido. mãe. — Ai? Vai dizer só isso? — perguntou Nick... — Acho que não. a fria noite esquecida. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser agarrou-se a ele no momento em que sentiu a invasão em sua boca.. Blair enfiou o receptor no bolso e Nick deu-lhe o braço para voltarem para o hotel. Vou esperar. O calor era intenso. mas ficou à distância. garota? Fale-me sobre a dor de estômago — disse tentando ignorar as mãos que continuavam a limpar suas pernas. Na verdade. Deixar toda esta neve. — Você sabe que não pode tomar remédio sozinha. mas. Seus joelhos tremiam e ameaçavam dobrar. Nick abraçou-a forte pela cintura. Lembrando-se. — Não me importo de esperar. Esquecida do gelo. mas não queria dar mais uma razão para que Nick risse dela. — E aí. de Taylor.. esquentando as mãos nos bolsos do casaco. Precisava ir embora. Havia se esquecido de tudo e de todos. Não sei quanto tempo levaremos e não quero que fique nos esperando. Exigente. colando-a a seu corpo e convidando-a a explorá-lo. Só tinha sido um beijo. tão como deveria ser. segurando Nick pelos cabelos. — Posso tomar aquele remédio cor-de-rosa. antes que ele percebesse sua reação. Nick. cheio de suspeita. Nick abaixou os braços. Sabia praguejar tão bem quanto qualquer estivador. A menos que esteja nevando em Nova Jersey. Blair obedeceu. executando uma dança erótica. Deixou que sua língua encontrasse a dele e a perseguisse. Blair tirou o walkie-talkie do bolso. da dor que sentiria quando ele fosse embora. estatelou-se no chão. Blair deu um pequeno sorriso. Não esta noite. Tudo parecia tão certo. Fingiu que não sentia nada. Nick. A dor já estava lá. — Tudo bem. obrigando-o a ficar de pé. enquanto a ajudava a levantar-se. amanhã? — perguntou ele. virando-se para a escada. exceto de Nick. — Você me encontra no bar. desapontado. — Mãe! — a voz metálica cortou o silêncio. — Ai! — gritou enquanto mentalmente fazia a lista das exclamações menos educadas que gostaria de usar e conseguiu se controlar porque estava habituada a segurar a língua na presença da filha. Era inegável e incrivelmente forte. tinha medo de voltar depois de saber como reagia a ele. Tinha medo da perda. e lançou-lhe um olhar que contava o quanto aquelas mãos "inocentes" a tinham perturbado. 3 . sem demonstrar arrependimento. — Mãe! Meu estômago está doendo. — comentou. feliz por ver que não o havia quebrado. depois de cuidar de Taylor? Acho que ainda temos algumas coisas para conversar. abriu-lhe os lábios e introduziu a língua por todos os recantos. Ela gostava muito de andar daquele jeito com ele. ele não lhe dava trégua. — Espere até eu chegar aí. deixando-os desorientados. Nick ria. Blair pulou para trás e perdeu o equilíbrio. Nunca tinha sido assim. Bastava o fato de que ele estava limpando a neve de seu traseiro. — Precisamos ir comprar as botas de Taylor. saboreando-a. mesmo assim.

você não tem tido muita experiência com homens. pensando que. Mesmo que a dor de estômago não fosse uma emergência. deixando o desafio no ar. o que está tramando. especialmente sabendo que a menina tinha tido educação sexual na escola. desde pequena. comia uma banana. não em Nova Jersey. pode ir encontrá-lo no bar ou em qualquer outro lugar. segurando os biscoitos e a banana fora do alcance da menina. se quiser. Abriu um pacote de biscoitos e já tinha a mão cheia quando Blair obrigou-a a largá-los: v1 — Você está com dor de estômago! — Não. a menina respondeu. olhou-a bem nos olhos e disse: — Esquiarei sozinho se não houver outro jeito. Mas pode sempre usar a minha dor de estômago como desculpa. Ela mesma tinha incentivado o amadurecimento precoce da filha. Ao abrir a porta. Talvez a montanha não fosse assim tão grande. Sentiu-se desconfortável ao saber que a filha havia testemunhado um momento tão íntimo. mocinha? Com o ar mais inocente do mundo.. Blair quase sorria. eu a esperarei na sauna no fim do dia. Fingi a dor de estômago porque pensei que as coisas estavam saindo do controle. antes que entrasse. se quisesse. — Não. assim. — Nem mas. nem meio mas. afinal. que Taylor a espera. Taylor. Um desafio. — E quem lhe deu o direito de tomar decisões por mim? — perguntou. nos últimos tempos. de camarote. Assim. dando-lhe uma palmada no traseiro para fazê-la continuar a subir. já era quase uma adolescente e fora só um beijo. você teria uma desculpa. Senão. Só quis lhe dar uma saída. Blair seguiu Taylor até a geladeira e fechou a porta antes que a filha pegasse mais alguma 3 . com firmeza. conhecendo a realidade.. — Parece-me que o adulto aqui sou eu. Taylor — disse. Nick levantou-lhe o queixo. por que foi ficar bem na frente da minha janela? — A lógica era irrefutável. se esquiassem em alta velocidade. mãe. mocinha — comentou a mãe irritada. recostada confortavelmente na cama. Mas acho que a Sicília ainda é parte da Itália — respondeu. Não precisou mais do que um olhar para ver que tinha sido alarme falso.. — Quero vê-la amanhã.. — Você anda muito sabida. — protestou ela. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Provavelmente ele se divertiria em saber o quanto sua partida a afetava. — E então. Blair — disse ele. — Não devia ter ficado olhando. — Se você não queria que eu visse. — Mas. Chegaram ao quarto mas. mãe. ele se foi. sabendo que as chances de encontrá-lo naquela enorme área eram contra ela. A menina tentou pegar a banana e não conseguiu. Tenho uma reunião em Érice. já sabia que estaria lá. À luz do luar. Mas era difícil ficar brava. — Érice? — E Blair parou. tirando o resto de banana da mão da filha. Mas não é o que quero. Blair olhou a paisagem e não teve dificuldade em encontrar o ponto exato onde Nick e ela tinham estado. Gostava daquilo. Confesse. Tudo que conseguia pensar era que não veria Nick outra vez. ela estaria mais protegida dos perigos do mundo moderno. Blair se sentiu culpada por não ter ainda atendido à filha. um pouco antes. Agora. E. — Ficarei lá mais ou menos por uma semana. Taylor tinha assistido a tudo. voltando-se para ele. — Érice. Agora vá. Tente se encontrar comigo no caminho. não é? Será que você tem mais experiência do que eu? — Você está sem prática. enquanto tentava resolver o problema geográfico. Itália? — Na Sicília. apontando para a janela: — Eu só achei que as coisas estavam saindo do controle. Mas.

Tinha ou não tinha ganhado a corrida imprevista? — As botas são fantásticas. Mas ela se recuperou rápido e. Era seu modo de escapar de uma conversa sobre a interferência na vida dos outros. enterrando os bastões na neve com fingida seriedade. Teriam de levantar muito cedo. — Vai mesmo ter uma dor de estômago se não parar de comer. evitaremos as filas. — Vamos precisar esquiar com o mapa. ela estava gostando muito de sentir aquele braço a seu redor. E minhas pernas poderão descansar. as duas deslizavam suavemente a seu lado. foram para Nick. com elas. embora não tenha enganado ninguém com sua aparente obediência. — Se almoçarmos cedo. Provavelmente riam dele. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser coisa. Descendo como um raio. Deu impulso com os bastões e iniciou a perseguição. também. Será que. no meio das árvores. Mas conseguiu e fez questão de levantar uma nuvem de flocos de neve que as envolveu. não estava a fim de discutir Nick. Blair e Nick se entreolharam e levantaram a menina. baixinha! Taylor estava pronta para se vingar. completou. baixinha. Tudo que ganhou com essa demonstração foi uma gargalhada de Taylor e um palavrão de Blair. As duas figuras no horizonte o pegaram de surpresa. esta tarde? — perguntou. derrubando-a na neve. A sua frente. coberta até a cabeça. elas jamais o teriam encontrado. Seus últimos pensamentos. O olhar de Taylor foi da mãe para Nick e para a bola em sua mão. elas cruzaram com ele num pedaço particularmente difícil da trilha. empurrando Taylor para o lugar a sua frente e passando o braço pelos ombros de Blair. Não era culpa dele cansar-se tão facilmente. vai ter de pagar seu próprio almoço — ameaçou ele. — Se atirar essa bola em mim. Ela. você não consegue ir mais depressa? — Já vou mostrar o que é velocidade. já é mais do que hora de estar na cama. virando-se para poder olhar o casal atrás 3 . Ainda bem. Na próxima descida você não terá tanta sorte. Mais uma noite como aquela e sua dignidade seria reduzida a farrapos. Ele ignorou a provocação. Tomou a decisão mais acertada. olhando mil vezes para trás. Blair se preparou para dormir. Nick! Quando aprendeu a ser tão corajoso? — brincou Taylor. — Tem um pequeno restaurante no topo da montanha — informou Nick. atirando uma bola de neve. pensou desgostoso. no momento em que ele parava junto ao teleférico. Quando saiu do banheiro. enquanto desabotoava os esquis e mostrava as botas novas. — Chega de gracinhas. a dupla disparava. ziguezagueando da esquerda para a direita. — Não foi tão ruim assim. mãe — replicou Taylor. Apesar de ter passado a manhã de sobreaviso. se ele não tivesse deixado na mesa do café da manhã o mapa com o caminho que pretendia seguir marcado. Blair olhou para ele sem dizer nada. depois. Riam. — Belíssima descida. Como fariam para encontrá-lo? Não poderiam deixá-lo ir muito longe ou não teriam chance. antes de dormir. tentando não pensar no desafio que a aguardava no dia seguinte. E. Além disso. mesmo assim o surpreenderam. Ultrapassá-las talvez tenha sido a coisa mais boba que podia tentar. ainda. fazendo a descida parecer uma brincadeira de criança. quando esta se viu obrigada a sair da trilha. encontrou Taylor na cama. sabendo que. quanto Blair interveio. Alcançá-las não foi fácil. Estava só levando a sua idade em consideração. Nick riu abertamente e deu-lhe um empurrão. seu tonto. Ainda bem que estava parado.

Tinham esquiado em tal velocidade que só por acaso não o encontraram mais cedo. Nick ouvia tudo encantado. já estava rindo. Nick tentou dar o assunto por encerrado. que foi ver o que acontecia." Nick não tentou dizer mais do que o seu "Bom esquiar. brindaram à queima dos dois mapas: o de Nick e o que ele deixara para elas na mesa do café. — O que você andou contando para ela? — gritou Blair. faminta demais para continuar a brincadeira que podia deixar para mais tarde. Vendo que Blair continuava imóvel. fossem mais devagar. sim!" e "Filha loira dá muito trabalho. com o bom humor restaurado. será muito bom. dizendo: — Obedecer papai. Nick tentou controlar a expressão do rosto que resultou numa mistura de pura inocência e vontade de rir. esforçando-se por alcançá-los. o garçom se retirou. Blair com sua cerveja. A pequena fogueira chamou a atenção do garçom. — Claro que estavam! — disse Taylor enquanto se dirigia ao restaurante. — E nós só estávamos discutindo o tempo. Enquanto esperavam pela sua vez de subir. Depois de acomodados. Blair e Taylor quase caíram do banco de tanto rir. finalmente. Nick? — perguntou seguindo a senhora alemã com o olhar. resolveu simplesmente dizer: — Bom esquiar. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser dela. contaram histórias. só torcia para que fosse logo. sacudiu o dedo para Taylor. os dois deram a guerra por terminada e entraram no restaurante. antes que Blair pudesse acertá-lo. Trouxemos sanduíches. — Obedecer papai? — repetiu Blair. sua expressão mostrava que não perdia nenhum detalhe e que adorava o que via. Taylor esperou até o último momento para lançar o desafio: 3 . Suas pernas não estavam muito firmes. Enquanto o pobre homem tentava entender seu interlocutor. Nick fez o melhor que pode mas. Talvez. e não disparar morro abaixo. — Se ele não tivesse deixado o mapa teríamos levado só mais uma hora para encontrá-lo — jactou-se ela. sim? — E apoiou a cabeça na mesa para esconder o divertimento. mas se forem acompanhados de sopa. — Este é o seu tio Nick. imitando a mãe. Finalmente. seguiu Taylor. sorrindo ironicamente. Entendendo o teor das ameaças." Assim. Sacudindo a cabeça. sim?" e "Loira magrinha faz boa esposa. Limpou as lágrimas de tanto rir e observou Blair e Taylor se ajeitaram novamente no banco. chegou ao restaurante e encontrou a filha e Nick no meio de violenta guerra de bolas de neve. Mas tudo o que Nick podia dizer com o pouco que sabia de alemão era: — Mapa acabou. ainda rindo com o incidente. chegou a vez deles. Àquela altura. aprontaram-se sem pressa alguma e saíram. — Anda fazendo charme para mulheres mais velhas. em silêncio. Fervia de raiva quando. agora. vendo que o garçom ficava cada vez mais confuso. — Almoçar agora é uma ótima ideia. Após a refeição. no final. Taylor e Blair embarcaram em uma gôndola e Nick dividiu outra com uma gorda senhora alemã que repetia: "Bom esquiar. — O que eu posso fazer se ela não sabe que não se fica grávida só por causa de um beijo? — E. incrédula. Blair suspirou. Blair e Taylor não entenderam a piada quando a senhora. Nick não o viu afastar-se. Seu esforço foi em vão. Abaixou-se para não se tornar um alvo fácil e ameaçou os dois de não lhes dar nenhuma refeição pelo resto da semana. Taylor com seu chocolate quente e Nick com avinho quente. — Obedecer papai? — repetiu Taylor. desafiando Nick a contradizê-la. desconfiando que Taylor devia estar certa. rindo dos desastres e acidentes que lhes tinham acontecido. ao descer da gôndola. fofura! — respondeu ele alegremente.

querida. Sabia que reconheceria a voz de Blair em qualquer lugar do mundo. Nick. Mesmo assim.. vamos lá — pediu a menina. Só viu a cerca quando já era tarde demais. Nick tomou a liderança e. Mantiveram-se na trilha já usada pelos esquiadores que haviam passado por ali. Turquesa. Nick desejou não ter queimado o mapa. Blair e Nick se olharam e gritaram em coro: — Comer a sua poeira?! A corrida tinha recomeçado. — Não seja um desmancha-prazeres. tentando avisar Blair e Taylor. dessa vez. — Nick! Ele ouviu o grito enquanto caía. já estava adaptado ao ritmo imposto pela neve mais fofa. Na última página havia a tradução de uma série de palavras úteis. E pense nas vantagens. Vai comer a minha poeira! — Assim dizendo. mas. deu impulso com os bastões e se dirigiu para o suave declive. Jamais faria piadas 3 . sem ter de esperar pelo ônibus. — É você quem sempre diz que precisamos experimentar coisas novas. — Ah.. mas não têm velocidade. Nick respirou fundo e abriu os olhos. — Ainda acho que é má ideia — disse Nick. Não tinha nenhuma fratura. tontão. E esta aqui tem até um nome — continuou. Ele foi jogado de ponta-cabeça. A placa sobre a qual discutiam tinha uma única palavra escrita: Verboten. dando-lhes tempo para parar. E. Até começava a gostar da facilidade do caminho. apontando a placa ao lado.. Foi um milagre. ele se achava responsável e apressou-se em juntar-se a elas. no entanto. com uma sensação esquisita na boca do estômago. então. notando que havia poucas marcas de passagem por ali. Bateu contra o barranco. Só quer dizer que não tem sido bem conservada — contrapôs Taylor. Seu esqui entrou numa volta do arame farpado e a bota ficou presa. — Acho que está bem. Gritou. — Veja. olhando Blair com ressentimento. Nick! Taylor apareceu ao atravessar a zona de perigo e habilmente esquiar até a garganta. A pista que descemos ontem não estava no mapa e foi esplêndida. Taylor viu as marcas dos outros esquiadores. não somos os únicos a usar essa trilha. — Mas a placa significa que essa trilha está fechada — E Nick olhou cuidadosamente a elevação.. não. Nick — disse Blair. iam devagar. — Possivelmente nos mataremos. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Então. Estava vivo e uma pequena pesquisa lhe forneceu uma outra informação auspiciosa. — Você está de ponta-cabeça. atravessada por uma faixa vermelha. — E aquele homem com quem conversamos disse que dá direto no hotel. Seu pé continuava preso no arame farpado. — Não significa. O sol estava se escondendo atrás das montanhas e projetava longas sombras que tornavam mais difícil enxergar o caminho. — Talvez não devamos. Sentia-se cansado demais para enfrentar uma pista que não estivesse bem conservada. — começou a dizer Blair. As botas novas estavam na altura de seus olhos e pôde admirá-la bastante. em pouco tempo. não é? Pois bem. Taylor não esperou que a mãe acabasse de falar. Gritando de alegria. mãe. Chegaremos direto no hotel. você acha que minhas botas são só bonitas. disparou montanha abaixo em alta velocidade. — O pior que pode acontecer é eles tirarem o nosso passe para o uso do teleférico.

— A sua cara está ficando completamente vermelha. — Tem alguma ideia melhor? — perguntou Blair com um pouco de irritação. — Talvez você não devesse esquiar tão rápido. Seu sarcasmo ficou perdido. com ar solene. Capítulo 5 Estava tão quente que Nick quase podia sentir o corpo derretendo e o suor escorrendo entre as ripas de madeira do banco. na verdade. mamãe? — acrescentou. — Obedecer papai. A última coisa de que precisavam era um acidente. descendo para lhe entregar os esquis. Só que. de uma certa distância. agachando-se para ver-lhe o rosto. Taylor — disse Blair. — Você deve estar muito bem para se preocupar com a porcaria dos esquis — resmungou Blair. Na verdade. Mas não se importava. amorteça a queda para ele. levantando-se e livrando-se do peso. recolocando as botas. ficou à mercê da força de gravidade. — Eu disse para ficar atrás de mim e falei sério — retrucou ele. dando uma olhada no arame farpado. — Taylor. Nick — suspirou ela. Vamos ter de tirar a sua bota. — O arame está todo emaranhado. — Puxa. Estava a uns trinta centímetros do chão e não pretendia despencar de cabeça. cuja braveza escondia. — Parece que estou sempre recolhendo os seus pedaços. — Nós esperaremos por você. Nick — sugeriu Taylor com bondade. Caiu nos braços de Taylor. Ainda estavam rindo quando ele colocou os esquis e disse: — Fiquem atrás de mim e vão devagar! — Não quer que eu vá na frente? — perguntou Taylor. pois as duas estavam ocupadas demais. — Sim. pegando a bota que Blair acabara de livrar do arame. Nick — juntou Taylor. — Você está bem? — perguntou ela. E. não lhe dando tempo de discutir. observando a situação em que ele se encontrava. mas acho que estou preso.. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser outra vez. — Nick. Nick se juntava à alegria delas. ainda trêmula de medo. desta vez. quase morreram de rir. Vou abrir o fecho da bota — instruiu Blair. — Tem certeza de que está bem? — Os meus esquis não quebraram? — perguntou ele. não é. Nick ouviu o barulho dos dois fechos se abrindo e. 3 . preocupação. — replicou ele. — Eu sabia que esta trilha era uma ideia de jerico. novamente.. — Talvez não devesse esquiar tão rápido — imitou ele. você deveria ser mais cuidadoso — sugeriu. em seguida. rindo. em vez de responder. — Mamãe vai dar um jeito nisso — consolou-o Taylor enquanto tirava os próprios esquis. levando-a consigo na queda. — Tirar a minha bota e me fazer cair de cara! — reclamou Nick. você é pesado — reclamou a menina. — O arame está todo enrolado na sua bota — explicou Blair. também não conseguia pensar.

Não há nenhum lugar que não seja visível — comentou. Tentou ignorá-lo. com o coração acelerado. Como que hipnotizada. no entanto. nos olhos dele. Blair não se entregou ao convite para relaxar de todo na sauna. Nick tinha permanecido imóvel. lembrou-se que tinha feito a mesma coisa com ele. esperando. Mudar de posição dava muito trabalho. Nick. mas logo rejeitou a ideia. — Só se tivesse muito vapor — sugeriu Taylor. para a filha que tinha sucumbido ao calor e dormitava. só para saber se conseguia. O divertimento fora substituído por um olhar quente e faminto que passeava pelo corpo dela. fê-la baixar os olhos novamente: ele mantinha uma expressão de divertimento. Seu corpo respondia ao olhar dele com uma descarga elétrica. virou o corpo em sua direção. E ele a convidava a fazê-lo outra vez. Os ombros largos eram 3 . Olhar e não tocar. o pensamento saltando da nudez dele para a presença de Taylor e para suas próprias reações. Blair engasgou. Tentou não pensar no desapontamento que acompanhou a descoberta. Olhou para o teto. sempre que ele estava presente. Ela estremeceu. Escutou o barulho da porta da sauna se abrindo. Queria que ela tivesse prazer em olhá-lo. Sabia que ele a estava observando. Estava lá. o desafio para olhar. ergueu os olhos para ele. sem levar em consideração lugar e hora. da mesma forma que ele tinha em olhá-la. Já estava quase considerando essas sensações como normais. Tinha tanto para ver em Nick que a experiência era avassaladora. trazendo o ar frio e as vozes familiares. mas ele fingiu não ouvir. viu as pernas e os braços se moverem para revelar o calção de banho. Se ficasse mais quente. Olhou outra vez para a área protegida pela perna dobrada e pelo antebraço. ele não conseguiria andar. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Optou por deitar-se. eu disse que ele estaria escondido aqui. Taylor resmungou algo como "desmancha-prazeres". ainda enrolada na toalha. Sentiu-se incrivelmente aliviada ao focalizar aquele pequeno pedaço de pano que cobria tudo o que deveria estar coberto. — Tem vapor suficiente — cortou Nick e a menina voltou ao seu lugar. Blair olhou para ele pela primeira vez. Foi a sensação do proibido que fez com que Blair abaixasse os braços e se deixasse ser olhada. incapaz de afastar o olhar. Não conseguia. A toalha na qual se enrolava caiu. do lado oposto de onde se encontrava. Ela ficou tensa e passou os braços ao redor do corpo. para a decoração inexistente. movendo-se em direção ao balde de água. Um único olhar. O fogo interno a mantinha bem desperta. Estava sentado. Ele era incrivelmente bonito. Sentia-se magnânimo só pelo fato de estar vivo. Pelo menos. E. Podia sentir o peso do seu olhar através da nuvem de vapor que se elevava das pedras. Sabia que nós viríamos — disse Blair. — Vê. viu Taylor subir no banco mais alto. não enquanto a baixinha estivesse ali. arregalando os olhos e tentando descobrir se tinha visto direito. encostado na parede. Não era um jogo mas uma exigência. ouvindo o ruído. sentando-se em um dos bancos mais baixos. Estava completamente nu. Através das pálpebras semicerradas. para ver como era o corpo que carregava sua alma. — É impossível se esconder numa sauna. finalmente. dividida entre a expectativa e o medo. com uma das pernas ligeiramente dobrada e a outra esticada. mãe. Então. Achava que não ia aguentar saber que ela ficava tão bem de maiô quanto imaginava. Forçou-se a subir o olhar até o rosto de Nick. — Ele não está se escondendo. Chocante. Concentrou o olhar na menina para não olhar a mãe.

E algo lhe dizia que uma noite com Blair não seria suficiente. Na noite anterior. temia que já fosse tarde demais. recostou-se outra vez na parede.. Essa não era lógica. Depois que elas saíram. nem controlável. desde o primeiro encontro. Imediatamente. de alguma forma. — E Monte Carlo? — continuou ele.. — É para estar quente. desafiando-a a ficar. Mas bem no fundo do coração sabia que devia ir. Intimamente. Qualquer coisa poderia acontecer. Só não consigo entender por que você escolheu esse lugar. mas fora a experiência mais excitante de sua vida. Taylor tinha saído logo que terminara de comer. suponho. utilizando-se do seu trabalho e modo de vida para não responder... pondo a toalha nos ombros. A outra parte era a "química" entre eles. Tudo tinha levado menos que um minuto. cheia de vida. Tinham escolhido continuar ali em vez de ir ao bar.. quase nua. Estava muito interessado em Blair. sentir os olhos dela sobre ele. Ele a desejava. porém. Não poderia sair da sauna antes que toda evidência física de sua excitação desaparecesse. ele puxou a toalha e se cobriu. Como ela ganhava a vida? Não havia muitas pessoas que podiam bancar férias na Áustria. Na verdade. na silenciosa sala deserta. — Mãe. Isso era outra coisa que o deixava desconcertado. Ele era um estranho. Antes que a emoção substituísse a lógica. Estava sozinha com Nick. Aquela era a última chance de saber mais a respeito dela.. os pelos eram mais densos. Eu vou sair. Tinha pensado sobre isso na sauna. Era uma mulher que chamava a atenção. Taylor — respondeu Blair. Mas os beijos que tinham trocado não haviam sido beijos entre estranhos. Blair tinha evitado as perguntas. Ouviu-o tossir e observou o movimento dos músculos sob a pele. Blair suspirou e pegou a jarra de vinho tinto que a garçonete levara junto com a refeição. está muito quente aqui. era muito perigoso.. Os braços e o peito eram recobertos por finos pelos claros. cobertos de suor. — Por que Bruges? — Porque gostamos de lá. Aquilo o levou de volta às perguntas sobre Bruges e Monte Carlo. Entendia por que se sentia atraído. desejando esquecer o fogo que Blair acendera em seu corpo. Seus dedos queriam tocá-lo. Com ela tão perto. Naquele momento. desejava um pouco de ruído para mascarar a tensão. com quem gostava de estar. Era excitante estar perto dela e o bom senso não poderia ser levado em conta. Não me parece que seja a escolha mais óbvia. Como poderia conviver com uma cigana? Era melhor descobrir essas coisas agora do que quando estivesse mais envolvido. Mas isso 3 . Blair ficou fascinada pelas gotas de suor que traçavam caminhos pelo peito e alcançavam o tufo de pelos na barriga. Blair riu quando percebeu a situação. está quente demais. A menos que.. Blair e Taylor não tinham saído de sua cabeça. Ele podia esperar. Talvez a família dela a sustentasse. evitando encará-lo. — Vocês chegaram há apenas três minutos — comentou Nick. sabendo que encontrariam músculos rijos. — Nada. a menos que seu trabalho a tenha levado até lá. Olhar Blair. — O que há de errado com Monte Carlo? — perguntou. conseguisse vê-la outra vez. especialmente por causa de Taylor. — Mas tem razão. com a determinação de conseguir algumas respostas. Nas pernas... Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser lisos e brilhavam.

Na verdade. As chances de vê-lo novamente eram nulas e Blair queria que ele entendesse. com os olhos marejados pela lembrança da primeira vez em que Taylor tinha dito aquelas palavras. Não era eu quem decidia o que comprar de presente para um amiguinho. — Parece-me que você fez o melhor que podia. incapaz de acreditar. sairia de sua vida para sempre. eu tinha de trabalhar muito para sustentá-la. — Eu perdi a maior parte da infância de Taylor. dando o assunto por encerrado. — Sei que ela não precisa de coisas. Dava-lhe uma sensação maravilhosa de segurança. — Não estou agressiva! — Por que não me conta tudo. precisa de mim. Taylor tinha quase nove anos quando percebi o que estava fazendo com nossas vidas. Pensei que estivesse compensando-a por só ter mãe. Nick segurou suas mãos trêmulas. E a razão. — Eu fui uma viciada em trabalho. quando preciso. como ganha a vida? — Uma coisa e outra. Como poderia ter acontecido em apenas dois dias? — E agora que deixou o terrível mundo dos negócios para trás. — É muito simples — começou ela. como já lhe contei. pelo menos podia dar todo o resto. Que diferença tudo aquilo poderia fazer para ele? Por que tinha querido saber? Mas. — Essa é a melhor parte — respondeu Blair. virando-se para encará-lo. nem o que ela devia comer. durante todos os anos em que viveu solitária e infeliz. Acreditou que um dia eu seria uma verdadeira mãe para ela. Levei nove longos anos para perceber que ela não tinha família. De forma alguma contaria a ele o que já tinha feito. surpreso com a veemência da resposta. O trabalho era tudo para mim. reconhecendo a mágoa que ela ainda sentia por ter perdido todos aqueles anos. duvidava de sua sinceridade. nem assim. Toda minha concentração ia para o trabalho. Se não podia dar a ela um pai. sentindo-se invadida por todo o amor que tinha por Taylor. mas agora eu aprendi — disse ela. — Ela a ama — assim dizendo. Na verdade só ficava em casa o tempo suficiente para pagar a empregada. Quase não via minha filha e nem tomava as decisões do dia-a-dia que toda mãe tem de tomar. Na minha cabeça. ela se perguntou. — Além de não ser da sua conta. Só então notou a mão de Nick cobrindo a sua. — Ela guardou amor para mim. Um bico aqui e ali. — E nem isso a menina tinha — disse Nick. Mas não acho que tenha sido assim tão simples — respondeu Blair. Porque ele não ia entender? Ou porque não ia aprovar? Nick partiria no dia seguinte. Blair tomou consciência da falta que sentiria dele. e ninguém com quem pudesse contar a qualquer momento. sempre quisera descobrir como Taylor soubera de seu amor. — Nenhuma atividade regular? — perguntou ele. — Nenhuma. para provar ao mundo que eu podia fazê-lo sozinha. então? "Por que não?". Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser não parecia próprio de Blair. quando partisse. — Sim — admitiu ela. Era obcecada pela ideia de conseguir resultados. a desculpa para tudo isso era Taylor. — Talvez ela sempre tenha sabido que você a amava — sugeriu ele. você não sabe nada a respeito das nossas vidas! Quem é você para fazer julgamentos sobre como ou onde crio a minha filha? — Por que está tão agressiva? — perguntou ele. Era quadrado demais para compreender 3 . — Talvez. Subitamente. — Muitas crianças são criadas sem um dos pais — comentou ele. quando ela mesma não o percebera. ou melhor. de promover. — E como vocês se arranjam? — Arranjando — respondeu ela. de ser promovida. — Sim.

enquanto pensava. Era feliz. desejando não ter feito a pergunta. continuando a acariciá-la. — Sinto muito. de país para país. — Não. Eu queria uma mudança radical e. de Estado para Estado. A carreira militar do pai fizera com que mudassem de cidade para cidade. baixinho. especialmente por causa da escola bilíngue que Taylor tinha frequentado. — O seu conceito de lar é diferente do meu — retrucou ela. — Entendo por que fica na defensiva e por que imaginou que eu a condenaria — comentou ele. quando descobrimos o erro. Contou. — Ela teria ido com você até para Timbuktu. que sempre ficava em um só lugar durante o ano escolar e que viajavam durante as férias. não é? Blair riu. E também não diria que não tinha nenhum problema com dinheiro: não queria precisar se defender. — O que você acha do nosso modo de viver? — perguntou. — Eu lhe dou um lar. A Europa é um lugar maravilhoso para se viver e eu queria que Taylor tivesse a oportunidade de conhecer outras culturas. uma vez que ele não tinha mostrado desaprovação. mais relaxada. Com um balanço no quintal e um monte de amiguinhos no quarteirão. Grace Kelly morava em Mônaco. ocorreu a ela que ele podia ter compreendido. passando os dedos de leve no braço dela.. mas não podia. Este tinha sido seu sonho de infância. dividindo a vida com a filha e as duas adoravam conhecer novos lugares e novas pessoas. — Falo de um lar estável. Ela ficou muito entusiasmada.. esse ano tinha custado muito caro. Ainda acho que uma criança precisa de um lar — respondeu. — Talvez a gente ainda vá — brincou Blair. As duas semanas durante as quais tinha alugado guarda-sóis na praia o deixariam horrorizado. 3 . ficaria tentada a voltar a trabalhar. Sei que não lido muito bem com as críticas. Mas o sonho tinha permanecido e era o que desejava dar a seus filhos: um lar. já tínhamos nos apaixonado pelo lugar. contando sobre a opinião dos amigos e familiares que não aprovavam o seu modo de criar Taylor. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser sua necessidade de experimentar coisas diferentes. — Ah. Valera a pena. enquanto vendia a casa e terminava o meu contrato de trabalho. Mas agora ela falava correntemente o francês e tinha feito muitas amizades. — Eu me confundi ao comprar as passagens e. Nunca fui muito boa em geografia. sorrindo com as lembranças. Um lugar para o qual possa sempre voltar — explicou ele. se continuasse em Nova York. vendo que ela retirava a mão. Subitamente. Queria dizer que aprovava o que ela estava fazendo. teria feito a mesma coisa? Nick demorou um pouco a responder. não em Monte Carlo. mas não tinha dito que aprovava. Discuti com ela. — Está querendo dizer que não é assunto meu? Ela apenas sorriu e Nick perguntou: — E o que tudo isso tem a ver com Monte Carlo? — Tem a ver com Nova York. Por que fazia tanta diferença o que ele pensava do seu modo de vida? — Certamente é mais tradicional. finalmente. Entretanto. — Nas mesmas circunstâncias. — E qual de vocês duas escolheu Monte Carlo? — Taylor. Ela viu um filme sobre Grace Kelly e achou que era um lugar saído dos contos de fada — respondeu Blair. provavelmente não. também. Ela continuou. Blair se sentiu arrepiar com o contato. — comentou ele.

embora ela se mostrasse relutante. Não estavam com pressa. Não se encontrariam outra vez. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Tudo que conversaram nas últimas duas horas mostrara as diferenças que havia entre os dois. sustentando-lhe o olhar. mas isso não fazia diferença. Não vou demorar. Gostava de mostrar o desejo que se alimentava do dela. Você me faz perder a razão.. que o fazia esquecer do tempo e do espaço. sem senti-la embaixo do seu corpo. mas. 3 .. Mas. — Telefonema internacional para o sr. — Acho que não conseguiria partir se. mais apertado. Deixou que Blair retirasse a mão. outra vez. massageando os músculos tensos do pescoço dela. Precisavam um do outro já. — E o seu modo de vida é tudo o que não quero — falou ele. O amanhã não tinha importância. Conhecia o poder da sensualidade de Blair. — Me dá muito medo — admitiu ela. Ficou imaginando quem sairia mais machucado. — É por isso que está sempre colocando nosso modo diferente de vida entre nós? — Não vai funcionar — sussurrou Blair. Ele partiria porque precisava e ela o deixaria ir. Não eram adequados um ao outro. Queriam que tudo fosse bem devagar. Dalton. O frágil clima tinha se desvanecido. me espere aqui ou no bar. respirando fundo. Era um lugar sensível. Sabia que o melhor seria partir para Érice e não ver mais Blair. Estendeu a outra mão e tocou-lhe a face. afastando a mão. De repente as palavras e razões lógicas não importavam. procurava uma resposta de bom senso. frustrado. — Vamos — sussurrou. — Você me dá medo — ajuntou. Nunca me senti assim antes. — Mas eu desejo você — completou. Ainda não ia beijá-la. — Por favor. mas isso não tinha importância. — Pegue o recado — retorquiu ele. Sabia que seu toque a inflamava.. segurando a mão dela com força para manter o contato. ajudando-a a se pôr de pé. se entregando inteira? — Nada disto tem importância — murmurou ela. Mas ambos sabiam que não seria assim. Nick não desejava se esquecer de nenhum detalhe. nesse momento. Blair gostaria de memorizar cada segundo. embora soubessem que o seu tempo era limitado. Sabia que doeria no dia seguinte. — Por que não podemos passar por cima de tudo? Nick segurou sua mão. Sorriu. — Vamos para o seu quarto — disse ela baixinho. insistindo no contato. — Acho que importa exatamente porque o que existe entre nós é forte demais. Continuou. chegando até a curva da orelha. deixando a sensualidade falar mais alto. Nick enfiou a mão entre os cabelos. contornando a parte de trás e levando o dedo finalmente para a concha interna. ia arriscar. Blair tinha coragem. — Acho que só o verei no café da manhã. segurando-lhe a mão. mesmo assim. — Você parte amanhã. — Já terei partido — respondeu ele. Mas conseguiria partir sem conhecer a sua maciez.. antes de levantar-se. mesmo assim. Acho que não conseguiria deixá-lo partir se. Ele a desejava e ela o desejava. Ele sorriu. Entrelaçou os dedos nos dela. Imaginou como ela reagiria se fizesse o mesmo carinho com a língua. outra vez. — Disseram que é importante. — Você representa o mundo que eu deixei para trás. Ficou excitado só de pensar. Nick fechou os olhos. A interrupção destruiu a ilusão de privacidade e o clima sensual. O resto era o resto.

Porque eu gosto dele. embaraçada. Ia levar a discussão até o fim. temendo incriminar-se. — Creta? — Sim. O lugar para onde iríamos a seguir. mãe. não conhecemos ninguém em Creta. — Boa! Vai ser uma surpresa e tanto! Blair deu um pequeno sorriso e cruzou os dedos embaixo dá mesa. — Por quê? — Porque ele é divertido. Porque gostamos dele. mas nenhuma palavra em italiano. Prometi sol e praia. Podemos cancelar. mãe? — Creta. Você não me levou a Veneza no ano passado porque teve de fazer aquele trabalho para Frankie. Não havia nada a ser dito. — disse. Só tentou colocá-la em termos mais suaves. Não Creta. — Só estava pensando que. baixando os olhos.. — Mas você prometeu! — Não. talvez. Não tem a menor ideia. percebendo que as férias na praia não estavam mais tão seguras. Pensei que você até gostasse de lugares novos. Itália — respondeu a mãe. Blair não respondeu. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Acho que não. colocando o pão com geleia sobre o prato. Blair imaginava o quanto deveria dizer a Taylor. — Você está correndo atrás dele! Blair se irritou com a acusação.? — E Nick estará lá a semana toda. — E quem conhecemos em Érice. — Ah-ah! — exclamou a menina. — Mas temos até reservas no hotel! — Isso não é problema. onde não conhecemos ninguém. Segurando a xícara de café com as duas mãos. — Isso não é razão para não ir. não. — Digamos que o estamos seguindo. Nick — E Blair afastou-se para não se sentir tentada a procurar o calor da mão dele.. por fim. — Nick sabe que vamos? — Na verdade. Afastar-se de Nick não tinha sido difícil. voltando a morder o pãozinho. — Iríamos? — perguntou Taylor. Nick não discutiu. Creta.. 3 . mas não tinha como refutar a conclusão da filha. Érice fosse uma escolha melhor.. — Érice? — retorquiu Taylor... — E. — Sobre o que está pensando. Além disso. O que você acha? — Tudo bem — concordou Taylor. Capítulo 6 — Mas eu pensei que você soubesse falar um pouco de italiano! — Falo francês e flamengo. Um pouco doído mas não difícil. onde quer que fique isso! — Na Sicília.

— Oi. Odiaria vê-lo tentar comer toda essa comida sozinho — comentou Taylor. mas observou a comida antes de olhar para ele. Blair. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Oh! Eu tinha me esquecido. Mais difícil foi mudar o curso de seus pensamentos. — Pensei que não falasse italiano — comentou Blair enquanto estudava o antepasto à frente de Nick. Elas o estavam procurando. tentando afastar os olhos da 3 . — Parece mesmo que tem comida demais — admitiu ele. puxando uma cadeira para sentar-se. — Não falo.. Nada tinha mudado. Naquele momento. indiferente ao olhar das outras pessoas. segurou-o pela cauda e enfiou-o inteiro na boca. Esse é o nosso verdadeiro problema. Era uma sensação selvagem e real que nenhum deles podia controlar. Tentou se concentrar no assunto "comida". afastando os olhos de Blair. Mas. Vou tentar de qualquer jeito — falou a menina. Inesperadamente. mas bem-vinda. — Absolutamente ninguém. Blair respirou aliviada ao ouvir a voz grave e abriu a cortina para ver Nick sozinho a uma mesa repleta de iguarias. — Verdade. Nick ouviu. passou a executar as ordens. mas a língua universal da comida é o francês. como pretendíamos. atrás da cortina: — Se eu fosse você. mais tarde. — Mas você não fala grego. a troca de palavras desconhecidas entre Taylor e o garçom que. Deixe-me tentar — interpôs Taylor. cheio de salinhas e cubículos. imediatamente. acabaríamos com uma bacia e pauzinhos. Blair também se sentou. — respondeu ele. Está me parecendo uma armadilha. atento aos movimentos que ela fazia. As duas ainda discutiam as táticas a serem usadas quando ele falou. que podiam estar procurando por qualquer outra pessoa. — Vamos tirar na moedinha. querendo se enganar. como saberemos se ele está aqui? Este lugar mais parece um labirinto. Ainda bem que chegamos aqui. A vencedora fica distraindo o garçom enquanto a perdedora sai gritando o nome do Nick. Taylor. — Imagino que o problema de quantidade tenha sido criado pelo meu italiano e não pelo meu apetite. Os últimos quatro dias tinham parecido uma eternidade. — E se não conseguirmos fazer o garçom entender o que queremos. Mas não estaríamos procurando por Nick em Creta. Nem a excitação por estarem próximos. baixinha. antes de pegar um camarão. examinaria a moeda antes. nem o calor que um despertava no outro. — Se tivéssemos ido a Creta. Era o quinto restaurante em que entravam e o aroma da comida finalmente vencera. sentindo-se superior. interessado. Teriam tempo para o resto. Procuravam por ele. bem-humorada.. — Posso pedir um prato para você? — Com o seu italiano. da sua mesa. Blair não admitira isso. não teríamos esse problema. estava com fome. — E por que não tentou antes? — Acho que não estava com tanta fome. Blair estava ali. — Você não está esperando ninguém? — perguntou. Nick. Suas reações foram retardadas pelo choque. Tinha vergonha de admitir. a figura masculina a sua frente chamou-lhe a atenção. — Você entendeu tanto quanto eu? — perguntou a Blair. dizendo a si mesma. — Bingo! — gritou alegremente Taylor. não. separando a parte comestível com uma mordida. Nick encarou-a com o mesmo desejo estampado nos olhos. Afinal.

começando a comer um dos tipos de macarrão. tentando afrouxar o cós da calça. engolindo em seco para conter a onda de desejo que a ação dela havia provocado. Felizmente havia uma criança de onze anos que era capaz de acabar com o encantamento sem perceber. talheres e tudo o mais para que as duas comessem. Afinal. segundo a tradução de Taylor. Também nado muito bem. decidimos esperar até acharmos você. ao ver que as duas comiam com vontade. engraçadinho. ele não tinha se preparado para alimentar a turba faminta e em pequenos restaurantes. cutucando a menina. seguiu-lhes o exemplo. que não precisavam nem mesmo se tocar para produzir efeitos elétricos. como aquele. Blair suspeitava que ele tivesse desejado "boa sorte". Blair. pensando se teria dinheiro suficiente para pagar tudo o que ela parecia estar pedindo. O difícil era ignorá-la. Depois. usasse um guardanapo — sugeriu ele suavemente. Surpresa. — Quantos dias você disse que ficou sem comer? — brincou Nick. Pouco faltou para que os três dessem cabo de tudo o que tinha sido trazido. Considerando a quantidade de comida que havia. Nesse momento. lambendo o outro dedo. Depois de colocar o resto do vinho nos copos dos adultos. perguntou algo a Taylor que recusou enfaticamente. mãe. se você não me dá o exemplo? — O problema é que não tenho um guardanapo. — O que ele disse? — quis saber Nick. pela expressão dele. 3 . Ela riu e o cutucou de volta. embora embaraçada. não aceitavam cartão de crédito. O garçom retornou. — Eu teria batido nele — comentou Blair. pegando um pedaço de pão e passando a cesta para Nick. — Disse. imagino — respondeu ela. Nick esperou que Taylor terminasse as negociações em francês. Blair gemeu e desejou ter vestido uma saia com elástico na cintura. para aprender línguas e geografias. você é horrível para jogar baralho. por que você não aprendeu? — Eu tentei. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser imagem dela lambendo o molho dos dedos. mas descobri que sou incapaz. — Seria melhor se você. A tensão sexual estava sempre entre eles. — Eu pedi que ele trouxesse o que já estava pronto — explicou Taylor. Imagino que tenha ficado com pena. interrompendo a conversa. achou que a tática tinha dado resultado. — Em suma. pelo menos. — Se queríamos sobremesa. Arranjou-os sobre a mesa e saiu dizendo "bom apetite". com uma bandeja cheia de pratos exóticos. Blair levantou a cabeça e percebeu. Não seja uma porcalhona. O garçom voltou e não escondeu a sua admiração. — Menos. No que é boa? — Sou muito melhor do que você em cima de um par de esquis. Nick. — O serviço aqui é muito rápido — comentou Blair. também. Como posso aprender boas maneiras. o garçom retornou com pratos. Você quer que eu limpe os dedos na calça? — Boa ideia — disse Nick. — Se Taylor aprendeu francês. lambendo os dedos. Qualquer coisa seria melhor do que a imagem erótica que ela tinha apresentado. — É isso aí. — Não almoçamos porque o avião estava atrasado e o ônibus para Palermo demorou muito para chegar. que fazia dias que você não me alimentava.

— Estou tentando imaginar o que vieram fazer aqui — comentou. — Tinha prometido uma semana de sol e praia para Taylor — respondeu ela.. Acho que. Ele apenas balançou a cabeça.. Sustentando o olhar de Blair. Só o tempo poderia dizer. — Estou muito feliz por ter vindo — murmurou Nick. ela estava mais bonita do que nunca. completou: — Acho que deixamos algumas coisas no ar. Blair não tinha como responder. segurando-lhe a mão com mais força ainda. Porque nada tinha sido tão importante. correndo atrás de você. esperava que fosse certa. Hesitante. — E eu precisava ver você outra vez. — Além disso — insistiu Nick. Queria ouvir as palavras. Mas elas deveriam estar em Creta. — Qualquer outro diria que eu agi de forma descarada. como se fosse feito do mais fino cristal. Blair Forrest. Seus olhos brilhavam. Nunca tinha sido tão aberta com um homem. Desde que partira da Áustria. entrelaçando os dedos nos dele. deixando o casal sozinho. sem coragem de olhar para Nick. Logo depois de paga. Tudo nela era selvagem. Pronto! Tinha saído. embora ele não conseguisse dizer o por que. acabando com seus medos e lhe transmitindo uma sensação de conforto. Ele sorriu. baixinho. colocando distância entre nós. silenciosamente ele pediu que fosse honesta. As duas tinham conseguido fazer de uma refeição um grande evento. Os cabelos estavam tão despenteados quanto sempre e ele não os conseguia imaginar bem arranjados em um penteado. Não adiantava ficar só adivinhando e se enchendo de esperanças. À luz da única vela. recostando-se na cadeira. mãe e filha o faziam sentir-se vivo. mas acontece que mamãe ficaria vermelha e depois me mataria — respondeu Taylor. ou como um par. Tem certeza de que não pensa isso? — perguntou ela. Estudou com cuidado o contraste entre seus dedos. — Eu até contaria. talheres e guardanapos — lembrou Taylor. sempre que possível. E bonita. Era hora de fazer algumas perguntas. Tentou não parecer preocupado. nós não teríamos conseguido pratos. para que só ela ouvisse. disse: — Você é uma mulher corajosa. O garçom chegou com a conta antes que os adultos pudessem discutir. Tinha feito a sua parte. Precisava saber. esperando que Taylor dissesse a verdade. esperando pelo resto. Ficou examinando o copo de vinho. — Essa seria uma boa ideia — retorquiu Blair. esforçando-se para convencê-la. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Nick tinha sentido saudade delas. não em Érice. o resto ficaria para o destino. — Sem esta criança. Taylor resolveu que precisava ir ao banheiro. Ele fez um gesto de assentimento e segurou a mão dela. acrescentou para si mesmo. — Você gastou os dois dias em que estivemos juntos mostrando quão pouco temos em comum. — Preciso saber por que está aqui. Nick não perdeu tempo. Pelo menos. — Crianças são para serem vistas e não ouvidas. 3 . com a cara mais inocente do mundo. Havia seguido seus instintos e fizera a coisa certa. Consideradas separadamente. precisava ter tudo muito claro. — Comer — responderam Blair e Taylor ao mesmo tempo. — Infelizmente você não me contou que Érice ficava no topo de uma montanha. isso não tinha tanta importância quanto você acreditava. seus dias tinham sido enfadonhos e vazios. E mesmo assim você veio. E. no final das contas.

. acredita que tem uma fonte. — E Nick ficaria realmente muito bem de saia! Nick deu-lhe um olhar que prometia vingança e mudou de assunto.. Para responder. no entanto. Sustentou o olhar dele. sem conseguir saber de que país eram. o que veria. um lugar que serve para aulas e reuniões. sabendo. fazer amor. não teria sido tão fácil. mas agora é um centro de convenções. pavimentada de pedras. distraída. — No pátio interno. compartilhar uma paixão. aqui? — irrompeu Taylor. Não sabia apontar a diferença. a sensualidade que ele a habituara esperar. Era mais que isso. Não funcionou. Taylor aparentemente ficou desiludida porque Nick não estava em meio a frades e padres. encontrar você no restaurante foi o mais 3 . Obviamente não acreditava em mantê-las separadas. — Onde? — perguntou Blair. Mas estava errada. recomendando cuidado ao fazer o desejo. mas escondeu o novo sentimento. mesmo quando sentiu a cortina sendo aberta. Precisava pensar mais a respeito. dando o braço para Blair para descerem a rua estreita. — Era um convento. Assim. desaparecendo atrás da cortina. Antes que pudesse se resolver por uma delas. Talvez até mais do que atraída. havia poucos turistas pelas ruas. Ele a fazia experimentar uma coisa nova. Pensou que a palavra sexual a faria recobrar o bom senso. observou Taylor. continuou a sorrir para Nick. Nick — gritou a menina. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Você não ficou chateado? — Pareço estar chateado? — perguntou ele. Encantado com a noite. perto dos banheiros. — Mas você só pensa em comida. nada diminuía a chama que se acendia em seu coração quando estava perto dele. — Que pena! Gostaria de vê-lo usando um hábito com capuz e mangas tão largas que podem esconder o almoço e o jantar. como os hotéis ficavam na parte baixa da cidade. viu prazer e deleitou-se com o calor do sorriso dele. com a voz grave que mexia com ela. Fascinada. — Mãe. Nick? — Não é bem um convento. Você me dá uma moeda para eu jogar nela? É uma fonte de desejos! Blair procurou entre as moedas do fundo da bolsa. — Obrigada. Não. — Que sorte a sua — brincou ele. — completou pensativo. feliz por não ter de enfrentar mais aquele obstáculo. sexual. não era só sexo. pulando um pouco à frente. É só alugar. — Se fosse em Roma. baixinha — respondeu ele. — Como sabiam onde me encontrar? — Fácil! Você disse que ia a uma convenção e o único lugar em Érice para convenções é o convento. — retorquiu Blair. outra vez. Em vez disso. não teria atravessado a metade da Europa para encontrá-lo. dobrar uma esquina e se embarafustar por uma ruela escura.. mas não queria chegar a nenhuma conclusão prematura. Pensou que veria desejo. — Na verdade. — Como é ficar num convento. atirando-se pesadamente na cadeira. mas estava lá. E não era só no plano físico.. Blair se conhecia o suficiente para saber que por mais forte que fosse a atração sexual. Sexo. o passeio e a mulher a seu lado. Sabia que se sentia atraída por Nick. Nick estendeu uma moeda italiana para a garota. Era mais que isso. não teria conseguido persuadir Taylor a ir — admitiu Blair. Puxou a mão e pegou o copo de vinho. As lojas já estavam todas fechadas e. — Se fosse em Roma. Blair tinha de olhar para ele. As pedras estavam escorregadias por causa do sereno e Nick usou essa desculpa para puxá-la para mais perto de si. uma vez que certamente lhe seria concedido.

Nick sabia só uma das razões de ter ido a Érice. — Temo que não. Também marquei uma reunião com pessoas interessadas nas fibras óticas que fabricamos. nós vamos à praia amanhã. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser difícil. — Em que hotel vocês estão? A neblina estava se tornando mais espessa e ele achou que seria melhor levá-las antes que perdesse o senso de direção. me convidando para vir. Estamos contando com isso. querida — respondeu Blair desatenta. Ela fala muito pouco inglês. — Ei. Nick — forçou Blair. achando estranho que elas tivessem saído sozinhas. Não chegou nem a considerar a possibilidade de ir. batendo de leve na cabeça. Nick. ontem. Ele se virou para ela. baixinha — respondeu ele com grande pesar. trabalho era trabalho e lazer era lazer. — E se eu sou chato. Acho que desta vez vão se casar — foi dizendo Blair. teríamos de comer antes que a fome nos fizesse desistir. — A gente vira à esquerda.. Não se preocupava por estarem na casa de um homem: se Blair dissera que se tratava de um amigo é porque era mesmo. O resto não estava claro nem mesmo para ela. Taylor. mãe? — É o assistente de Sherlock Holmes. por que não foi para Creta? — Isso foi um golpe baixo. Quer ir junto? — perguntou Taylor da porta da frente da casa. achando difícil de acreditar. — Aquela lista deve ter uns dez ou doze restaurantes. não tinham vindo da Áustria para estar com ele? O pensamento mexeu com ele que desejou estar na privacidade do seu quarto. Taylor voltou para junto deles. por outro lado. — Por que não trouxe seu amigo para jantar? — perguntou. Começamos do primeiro. meu caro Watson — disse ela. sorrindo para a menina. — Encontramos você no quinto restaurante. — O centro de convenções nos deu a mesma lista de restaurantes que deu a você. — Vão ser apresentados alguns trabalhos importantes amanhã que preciso ouvir. Como me encontrou? — Elementar. — Vim aqui a trabalho. Quando telefonei. Vocês planejavam ir a todos? — perguntou ele. — Parece que não — respondeu Blair tentando esconder a mágoa que lhe causava a rejeição dele. Para ele. Se tivéssemos que continuar. pôs os ombros para trás e se preparou para a luta. Pelo menos. sem se preocupar com o fato de que ele não sabia do que estava falando. — Eu vim aqui para trabalhar e sua presença não muda esse fato. — Há dúzias de restaurantes aqui. para sugerir complexos processos mentais. na sua primeira noite no lugar. Mas. Sabia que queria conhecer Nick melhor e era ótimo ver que a única pessoa que era sua família também queria. Agora tenho de ganhar a vida — respondeu ele com firmeza. A semana passada foi de férias. Nick! 3 .. — Só trabalhar é muito chato. se quiser continuar no topo da carreira. — Ele deve ter ido para Paris. Blair ficou feliz por ver que a presença dele era vital para a filha. de qualquer quarto! — Quem é Watson. no próximo quarteirão. Não teve coragem de olhar para ele. ele me disse algo sobre encontrar Cinda depois que a temporada dela tivesse acabado. — Mas a empregada de Frederico disse que podemos ficar quanto tempo quisermos. Mas só parte. Estamos na casa de um amigo. acho que foi isso que disse. — Você tem de vir.

parecia pronto para um dia de descanso. Tocá-la. se não experimentar. — Alguém aqui tem de trabalhar. Nick. Olhou-a de alto a baixo. que faziam sua imaginação correr desatinada. se sentido à vontade. Os restos da sua refeição matinal ainda estavam sobre a mesa e a garrafa térmica estava quase vazia. é em inglês — respondeu ele. especialmente se uma mulher bonita me acompanhar. 3 . — Você é teimoso como uma mula! — explodiu Blair. — Sim — sussurrou ela. — Não faz o meu estilo. levantando os ombros. O choque que sentira ao vê-lo ali foi rapidamente substituído por uma sensação prazerosa na qual se misturavam surpresa e esperança. realmente. Vou trabalhar amanhã e vocês vão à praia. — Nunca vai saber. silenciando em seguida. mas era um começo. — Quem é você para dizer uma coisa dessas? — Vamos brigar por causa disso? — Não há nada sobre o que brigar. Taylor sabia quando bater em retirada. entretanto. — Isso já é alguma coisa — concordou ela. nem na porta da frente. puxando a cadeira a seu lado para que ela se sentasse. beijá-la e até mesmo ficar próximo diminuíam sua força de vontade. deliciando-se com a visão do short curto e da camiseta larga. Levantando uma das mãos. — Eu vejo você por aí. Resmungou um boa noite e entrou. acariciando o lábio inferior com o dedo. — Às vezes preciso comer. Jantar não era muito. atravessando a sala e postando-se ao lado da mesa. — Pelo menos. A companhia não anda sem mim. — Não era isto que você queria? — perguntou. Talvez houvesse esperança. ele segurou-lhe o queixo e obrigou-a a olhá-lo. A voz grave era uma tentação e despertava sensações adormecidas. Estava sentado à mesa tomando café da manhã lendo o London Times. — O jornal é de ontem — comentou da porta. E não seria bom deixá-la ver o quanto o tentava. — Eu não sou só isso. Ele tinha. — Não podemos jantar juntos? — Pensei que tivesse de trabalhar — respondeu amuada. — Taylor e eu pensamos que poderíamos mostrar o que está perdendo por levar a vida tão a sério. Concordou. — Quer apostar? Nick estava esperando por elas no dia seguinte. então — disse Blair. O coração dela disparou ao compreender por que ele estava ali. se retraiu e decidiu pressionar um pouco mais: — Que tal misturar um pouco de prazer às reuniões. aproximando-se para tocá-lo. — Durante o jantar você me conta sobre o seu trabalho? — Está mesmo interessada? — Você é o que o seu trabalho o faz ser. Vestido em roupa esporte. Ele não a tocou nem mesmo quando ela se aproximou muito. Não no portão. — Já experimentou? — perguntou Blair. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — É só uma pergunta.

Seu tom indicava claramente que o assunto estava encerrado. — E como fez isso? Quase não conseguimos que ela entendesse o que queríamos para o café da manhã! — Trapaceei — explicou ele.. imaginando que a cesta de piquenique que havia levado não seria suficiente para satisfazê-las. — Você não tinha uma reunião? — Não me deixaram entrar quando apareci de sandálias e toalha de praia. trêmula. sem coragem de encará-lo.. Os lábios eram macios e ele introduziu o dedo dentro da boca de Blair. E ela sabia que não devia mostrar que havia saído vencedora. Aparentemente. a comilança da noite anterior não tinha afetado em nada seus apetites. bem disposta. Era tão gostoso. Além disso. Haveria uma hora e um lugar para tudo. — Isso eu posso facilmente entender! — exclamou ela. decidido a mudar o rumo de seus pensamentos. presunto e torradas. sem nenhum vestígio de remorso. Nick recostou-se e ficou observando Blair e a filha encherem os pratos com ovos. quis tocá-la outra vez. Blair levantou os olhos e entendeu o esforço para mudar de assunto. — Pensei que vocês se levantassem cedo. — A gente não deve usar de esforço para se divertir. — O recepcionista do hotel escreveu para mim. — Estou cabulando aula. Estavam cheios de desejo. concentrando-se nas sensações provocadas pelos dedos dele no seu queixo. Taylor entrou na sala. Logo Taylor estaria com eles e o dia apenas começava.. ocupando uma cadeira no momento em que Maria Elena entrava. Ele poderia comprar mais comida. Prendendo a respiração. Mas não estariam longe da civilização. Aliás. Consolou-se um pouco com isso. são só oito e meia. entregando-se ao prazer que o toque proporcionava.. Relutante. Gemeu baixinho e Nick teve de se controlar para não exigir mais. o que fez para que Maria Elena o deixasse entrar? — Disse-lhe que tínhamos um encontro. Os barulhos da cozinha o detiveram. E dos dela. Como ele consegue isso? Como conseguia fazê-la sentir-se assim? Será que sentia o mesmo? Nick limpou a garganta. — Mudou de ideia? — Mudei de ideia. Blair afundou na cadeira. experimentando-lhe a umidade e o calor. retirou a mão e viu-a abrir os olhos. Estavam só indo à praia. Capítulo 7 — E onde é a praia? 3 . Ficou preocupado. Marquei a reunião para uma outra hora e lerei à noite os trabalhos que estão sendo apresentados. Sentiu o toque da língua dela e soube que tinha de parar naquele exato momento. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Fechou os olhos. nos seus lábios. — O que você está fazendo aqui? Pensei que estivesse acorrentado a uma mesa de trabalho no convento.

Gosto de vê-lo à luz do sol. menos íngreme que o verdadeiro plano inclinado percorrido pelo trem. O táxi os tinha levado de Érice até Trapani. — De nada. — Porque eu queria passar pelo mercado — declarou Blair. Onde pensou que íamos? — À praia. passando a fazer 3 . no sopé da montanha. — Obrigada. não tinha visto nada que se assemelhasse aos cartões-postais que tinha visto nas lojas. Se iam andar. Além disso. empurrando o chapéu um pouco para trás. Ela sabia muito bem onde estavam. sem lhe contar que tinha estudado cuidadosamente o mapa antes de saírem de casa. sem saber se tinha entendido. Taylor saiu correndo. Até então. batendo no ombro do motorista. passando a cesta de piquenique para a outra mão. Vamos pegar a balsa para Levanzo — explicou Blair. Ela ficara parecida com Tom Sawyer. — O que foi que você disse? "Amor?" Uma sensação deliciosa percorreu todo o seu corpo. segurou a mão de Blair.. antes de voltar sua atenção de novo para Blair. Então. — O porto? — repetiu. pagou por ele. com um olhar cheio de promessas. Ele parou o veículo ao lado de uma barraca cheia de frutas e verduras. E das velas — ajuntou. E a descrição do lugar é belíssima. baixinha — respondeu ele. Nick — agradeceu a menina. antes que Nick o fizesse. sorrindo. impulsivamente. — É daquele lado — apontou Blair. Nick levantou os ombros e. mas ele não mencionou o fato. piscando o olho. queria uma desculpa para segurar a mão dela. — Mas o guia que eu li dizia que as praias das ilhas são menos cheias. para poder ver melhor o rosto dela. vendo um chapéu do qual gostava. Como se tivesse ficado embaraçada com a demonstração de afeto. Nick repetiu a pergunta a respeito da praia e Blair o olhou como se fosse uma criança impaciente. — O que há do outro lado do mercado? — perguntou. correu para comprá-lo. — Correto — concordou Blair. Contra todo bom senso. à procura de um pouco de areia. Nick esperou até que ela tivesse se perdido na multidão. por uma estreita estrada sinuosa. Nick pagou o motorista que partiu em seguida. mas o guia turístico tinha convencido Blair de que seria mais seguro pela estrada. — Gosto mais de você sem o chapéu — disse ele. feliz por não ter dito nada acerca de Tom Sawyer. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Nick olhava para fora da janela do táxi. Enfiando o chapéu de abas largas na cabeça. amor. — Dá um tempo. os três desceram. Pensei que tinha um monte delas na Sicília.. também sorrindo. Seria sempre assim com Nick? Qual a magia que ele usava? — Eu falava do seu cabelo à luz do sol ou das velas — murmurou ele. — Você tem o cabelo lindo. — E por que paramos aqui? — perguntou. admitiu para si mesmo. É uma ilha. Temos o que fazer antes de chegar à praia — disse ela. sem saber onde estavam. Talvez ainda estivessem longe. pelo menos caminhariam lado a lado. — A balsa para onde? — Levanzo. depois de pagar o chapéu que Taylor escolhera. que atravessava o movimentado mercado de Trapani. Naquele momento. Taylor queria experimentar o trenzinho que ligava as duas cidades. fez um sinal para que ele se abaixasse e beijou-o no rosto. com ar inocente. — O porto. agarrando-o pela camisa e obrigando-o a seguir Taylor que já desaparecia na confusão de pessoas.

Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser

pequenos círculos no ombro dela.
— O senhor também quer um chapéu?
Algo sempre se interpunha entre eles. Nick suspirou, disse não ao vendedor e apanhou a
cesta de piquenique do chão. Pegou a mão de Blair, concentrou-se no caminho.
— É melhor encontrarmos Taylor, antes que ela se perca.
— Taylor nunca se perde — replicou Blair, visivelmente infeliz com a interrupção.
Quando teriam a oportunidade para terminar o que estavam começando? Suspirou, ajeitou o
chapéu e pensou que a ideia de uma praia deserta estava ficando cada vez mais sedutora. Mas
sempre havia Taylor.

— Estamos quase chegando, mãe.
E não eram os únicos. Olhando para frente, podia ver um movimento constante de pessoas
que tomavam a balsa. Apressaram-se e embarcaram no momento exato em que a balsa partia.
— Mário sabe que nós estamos indo, mãe? — perguntou Taylor, sentando-se entre os dois
adultos e pegando biscoitos da cesta.
— Quem é Mário? — perguntou Nick, tirando um biscoito da mão da menina.
Mastigando devagar, pensou em como Blair transformara um piquenique em um grande
passeio.
— Mário é o primo em segundo grau de Maria Elena ou é casado com a irmã de criação da
cunhada dela. Não consegui entender muito bem e desisti.
— E provavelmente não tem importância.
Blair sorriu, satisfeita em ver que ele estava começando a entrar no espírito da coisa.
— De qualquer modo — explicou ela —, ele tem um barco de pesca que aluga para turistas
que queiram explorar a ilha. E fala inglês — completou, cruzando os dedos para que o inglês dele
fosse melhor do que o da empregada.
— Então, é ele que nos levará à praia? — perguntou Nick.
— Se conseguirmos encontrá-lo. Ele não tem telefone e Maria Elena não pôde avisá-lo da
nossa vinda.
Como Blair não parecia nem um pouco preocupada, Nick resolveu guardar suas perguntas a
respeito de outro plano, caso não conseguissem localizar o tal Mário.
Chegando à ilha, desembarcaram com o resto dos turistas. Examinaram o pequeno porto,
Blair viu uma variedade de barcos de pesca misturados a uns poucos barcos a vela e duas ou três
belas lanchas a motor. Dirigiram-se, imediatamente, para os barcos de pesca..
— Como fazemos para encontrá-lo?
— Fazemos perguntas até encontrar alguém que fale inglês. Se o nome dele for Mário,
estamos feitos.
O homem do primeiro barco só falava italiano.
O do segundo barco falava francês e Taylor tentou convencer a mãe e Nick a esquecerem o
Mário e alugarem o barco do francês. Blair fez pé firme, embora prometesse voltar, caso não
encontrassem quem estavam procurando. Nick respirou aliviado, pois ficava aflito de não entender
o que a menina falava. Não que não confiasse nela, mas não queria ter de passar a noite na ilha só
por Taylor achar engraçado. Podia se dar ao luxo de estar ausente um dia da convenção, mas não
dois.
Tiveram sorte na terceira tentativa. Mário cumprimentou-os em um inglês quase perfeito,
perguntou por Maria Elena, sobrinha de sua madrasta, e apresentou seu filho Jimmy.
— Jimmy? — espantou-se Blair, tentando conter a curiosidade.
— A mãe dele é inglesa — explicou Mário, rindo. — Ele tem o nome do avô.
3

Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser

— Claro — aceitou Blair; o nome inglês no menino italiano fazia sentido. — Taylor também
tem o nome do avô.
— Mas ela é uma menina — contestou Jimmy. — Por que tem nome de homem?
— O que há de errado com o meu nome? — desafiou Taylor, assumindo uma postura
agressiva.
Blair rapidamente afastou Nick, aceitando a mão oferecida por Mário e pulando para o
barco.
— Pode deixar que ela sabe se defender — avisou, quando Nick hesitou em acompanhá-la,
pois a voz das crianças tinha subido de tom. — Se você interferir, ela perderá a autoconfiança.
— Não acha que ela é muito criança para enfrentar aquele marmanjo? — perguntou com voz
acusadora, enquanto mantinha os olhos grudados na discussão. — Só porque você é tão
independente não quer dizer que ela tenha de ser igual. Ela ainda é criança — continuou, um tanto
agressivo.
— Ela é minha filha, Nick. Não interfira.
Embora as palavras tivessem sido ditas com suavidade, transmitiam uma decisão
irrevogável.
De repente, ele percebeu que o pai de Jimmy também não tinha se metido. Não conseguia
mais ouvir o que os meninos discutiam. Sua atenção estava fixada em Blair. Sabia que era forte,
mas não tanto.
Sabia também que ela amava a filha. Mas, até agora, não tinha entendido quanto. De pé, a
sua frente, Blair se afirmava. Estava decidida a viver a seu modo e a deixar que a filha fizesse o
mesmo. Era certo que Taylor ainda era criança, mas crescia em um mundo que exigia muito das
crianças. Blair lhe dava a chance de conquistar um lugar nesse mundo. Um lugar seguro, pleno de
amor materno mas que, ao mesmo tempo, lhe permitia crescer a aprender.
— É difícil fazer isso? — ele perguntou, finalmente, apertando-lhe a mão.
— Sim, muito — respondeu ela, dando um suspiro de alívio ao ver que ele entendia. — É a
coisa mais difícil que um pai ou uma mãe têm de aprender a fazer.
— Acho que eu não conseguiria.
— Precisa um pouco de prática — admitiu Blair, notando que as crianças tinham chegado a
algum acordo.
Trocou um sorriso com Mário, que demonstrava o alívio de ambos. As crianças passaram a
conversar. Taylor contava algo sobre Kirchberg e Jimmy se oferecia para ensiná-la a pilotar o barco.
Mário curvou-se para dar partida no motor. O barco cheirava a peixe, mas ninguém
reclamava. Blair e Nick sentaram-se no velho banco enquanto Taylor seguia Jimmy, que dava conta
de suas várias tarefas. Ao terminá-las, tomou o timão, pilotando com a mesma segurança do pai.
Mário sorria, orgulhoso do filho.
— Para onde, precisamente, ele está nos levando? — perguntou Nick.
Blair tinha discutido os detalhes do passeio enquanto Nick e Taylor tinham ido comprar
frutas. Tendo terminado de descascar uma laranja, ele destacou um gomo e o ofereceu a Blair.
Antes de ver o tamanho do gomo, ela, que estava com sede, enfiou-o inteiro na boca. Nick,
fascinado, contemplava o fio de suco que escorria de sua boca. Ela levantou a mão para enxugar a
evidência de sua gula, mas ele a impediu.
Pegou outro gomo da laranja e colocou-lhe na boca.
Outra vez, sendo muito grande, parte do suco da fruta escorreu-lhe pelo queixo. Ele pensou
em lambê-lo até chegar aos lábios. Queria fazê-lo, mas não se atreveu. Ela, porém, entendeu seu
desejo.
— Mãe!
A voz outra vez. Nick estava começando a chamá-la de "voz da razão".

3

Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser

— Mãe! — gritou Taylor, de novo, dirigindo-se a eles que tentavam limpar o rosto de Blair
na fralda da camisa. Observou e comentou: — Não têm guardanapo, hein?
Com certa relutância, Nick se afastou um pouco para que a menina sentasse.
— Jimmy quer que eu vá com eles depois de deixarmos vocês na praia. Há algumas
pequenas baías onde eles mergulham e Mário disse que posso ir — disse ela, pegando um gomo da
laranja.
— Lógico que pode ir — assegurou Mário, antes que qualquer um dos dois falasse. — E há
uma praia linda no caminho, onde deixaremos vocês. Desde que não precisem comprar nada, pois é
bastante isolada.
— Isolada? — perguntou Nick, interessado.
— Não poderão sair de lá até que eu vá buscá-los. O único acesso é por barco. Na verdade,
nunca vi ninguém lá — continuou o outro homem.
— Talvez seja melhor não... — começou a dizer Blair, menos preocupada em deixar Taylor
do que em ficar sozinha com Nick. Sozinhos, sem possibilidade de interrupções.
— Ah, mãe, eu quero muito ir. Jimmy diz que as baías são lindas e que podemos nadar o dia
inteiro. E vou comer com eles.
— Mário, é muita bondade sua oferecer, mas não acho que queira passar o dia bancando...
— Blair não queria usar a palavra babá, mas não sabia como evitá-la.
— Gostaria muito que Jimmy tivesse companhia.
— Parece-me ótimo para todos — interpôs Nick, sem olhar para Blair.
A ideia de ficar sozinho com ela o deixava sem ar. Com Taylor longe, nada os deteria.
Queria explorar aquela tensão que havia entre eles.
Será que sexo com ela seria tão selvagem e erótico quanto ele imaginava? Quase gemeu alto,
de tanta excitação. Ajeitou-se no banco, fitou o mar e tentou contar as ondas.
Blair olhou demoradamente para Nick, comparando a reação dele com a sua. Não fazia
sentido recusar. Taylor estaria bem com Mário e Jimmy, se divertiria com alguém quase de sua
idade.
Decidiu concordar:
— Está combinado, Mário. Mas não diga que eu não o avisei.
— Deixaremos vocês na praia em aproximadamente quinze minutos e voltaremos para
buscá-los por volta das quatro. Não se preocupem com Taylor. Ela estará bem conosco e os lugares
onde vamos são seguros.
Nick pensou na laranja que tinha posto na cesta e sorriu.

— E agora? — perguntou Blair.
— Acho que tiramos a roupa — respondeu ele, acompanhando as palavras com a ação:
desabotoou a calça e deixou-a cair.
— Você está de maiô, por baixo, não está? — perguntou, indicando o short e a camiseta que
ela usava, enquanto se livrava dá camisa.
Blair moveu afirmativamente a cabeça e começou a tirar as roupas. Ele sempre a
surpreendia. Mesmo quando brincava era impossível ignorar o fogo que sua voz rouca acendia.
E agora ele brincava... ou será que não? A pequena praia ficava numa baía isolada, como
Mário havia dito. Circundada por penhascos e recifes, seu acesso por mar também era difícil.
Decidiram deixar as roupas no barco para poder descer no meio da baía e chegar à praia andando
com a água pela cintura. Mal tiveram tempo de abanar a mão e o barco já desaparecia.
— Ainda acho que deveríamos ter deixado alguma comida com Taylor — disse Blair,
contemplando a passagem entre os recifes, por onde o barco tinha saído.
3

Juntos. Mário disse que tinham bastante comida a bordo — falou Nick. também. Se não da praia. — Sim. fazendo-a sorrir. areia e privacidade era quase atordoante e o clima de sensualidade que haviam compartilhado no barco estava se desvanecendo rápido demais. — Não? — Blair repetiu a palavra. tentando ver as coisas dentro dessa nova perspectiva que ele apresentava. que queria estar com ele. Ela não estava à vontade. — Não. das coisas que tinha querido fazer. grata pela sensibilidade dele. porém. E. disponibilidade emocional. certamente. — Quero fazer amor com você — ele declarou abertamente. com uma filha crescida. — Sexo é algo que pode ser feito em qualquer lugar. exige envolvimento. nervoso ou preocupado. não funciona. — Como você sabia como eu estava me sentindo? — perguntou. Colocou as mãos nos ombros dele. como se tentasse saber o que ela significava. hesitante. antes de colocar a cesta na areia. Blair dirigiu-se até a beirada da água. reconheceu que a descrição era verdadeira. a água verde e a areia que brilhava ao sol. espantada com a análise da atmosfera que se instalara na praia. recordando os mesmos momentos. Mas a sensação era de primeira vez. Será só sexo e isso não é suficiente. não era imune a elas. Sua reação emocional não tinha nada a ver com lógica. Não quero que a gente se sinta como se tivesse ido a um motel barato. concentre-se — sugeriu ela. Que era tão vulnerável quanto ela. — Imagino que Jimmy também seja um saco sem fundo — argumentou Nick. Vamos fazer do meu jeito — disse ele. sedução dos sentidos. enquanto a olhava de biquíni. — Porque também me sinto assim — respondeu Nick. 3 . não era a primeira vez que fazia amor com um homem. — Então. abriram as toalhas e organizaram tudo. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Pare de se preocupar com Taylor. onde ele se encontrava. Blair o viu afastar-se. Não importava o fato de ser uma mulher madura. querendo que ele lhe transmitisse segurança. escolheu as palavras com cuidado. com cama vibratória e filmes pornô na televisão. eu estava pronto — continuou ele. segurando-lhe a mão. — No barco. Olhando a seu redor. — E. Fazer amor. para agarrar a oportunidade de estarem a sós. A combinação de sol. deixando de lado a preocupação e caminhando pela praia de areia fofa. — Do seu jeito? — perguntou. antes de encará-la. pelo menos do modo apressado com que tinham se livrado de Taylor. nervosa. Nick observou Blair esticar e reesticar a toalha várias vezes. Ela riu. do meu jeito. — Não. mas. — E quando se está inseguro. Ela estava trêmula. olhando os dedos que descansavam nas mãos dela. — E como a gente faz para funcionar? Era ótimo ouvir Nick admitir que também tinha inibições. vendo o céu azul. Não se sentia imune à pele ligeiramente bronzeada e às curvas delicadas Aquele não era o momento. pensou ele. se eu me concentrar naquela fantasia. A espontaneidade tinha desaparecido. porque era importante que ela o compreendesse. Determinada a mostrar a Nick que ela sabia o que estava fazendo ali. — E você não quer fazer só sexo comigo? — perguntou ela. inseguranças. — Ele não sabe o quanto ela come! — retrucou Blair. lembrando-se da imagem das gotas de suco de laranja na pele clara. estarei pronto outra vez. a qualquer hora.

para que não pudesse fugir. — E se eu quiser mais? — perguntou ela. fazendo um comentário picante. acompanhando-o passo a passo. Olhou cada detalhe. umedecendo os lábios com a língua. Nick se distanciou ainda mais. Fechou os olhos. que lhe diziam que ela era uma mulher. Soltou uma gargalhada quando percebeu que ele falava sério. — Por favor. — Muito sol? Por quê? Duvida que eu possa vencê-la? — Deveríamos ter-lhe comprado um chapéu. vamos tentar uma outra coisa. Podia ouvi-lo se aproximando. aproximou seu rosto do dela. Aproveitando-se disso. Blair — ele olhou por sobre o ombro — lembre-se de Taylor. Estava pronta. confundindo o inimigo e tendo tempo para levantar uma cortina de água que o atingiu em cheio. podemos voltar a brincar e nos divertir. Simplesmente a ultrapassou e chegou aos recifes antes. Blair sabia que aquela era a sua oportunidade. — Você está mesmo falando sério! — percebeu ela. — Conte-me. — Taylor diz que me empresta o dela — continuou ele. Seus lábios estavam perigosamente próximos. com um dos braços. Nick desta vez não se preocupou em agarrá-la. no tom mais tentador que pôde encontrar. — Vamos fazer de conta que Taylor está aqui. Taylor. querendo ver como ela refutaria a sua lógica. Estava começando a sentir um calor em todas as partes do corpo. Saiu da água e ficou esperando numa clara imitação da atitude dela e de Taylor quando o venciam 3 . — Claro que sim! Vamos. ele mergulhou e agarrou-a pelas pernas. Taylor! — gritou Blair. Balançando o dedo em sua direção. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Mais tarde — disse ele com firmeza. Finalmente. vamos apostar uma corrida até a água! — disse ele. — Aonde. de repente. Mesmo sabendo que não venceria. ele deu dois enormes passos para trás. sem no entanto desatar na corrida. segurando-o firmemente e puxando-a de encontro ao seu peito. — Eu acho que a sua imaginação precisa de um bom banho — retrucou ela. Segurando- a pela cintura. Blair deu um passo para frente e se aproximou. obrigando-a a nadar para alcançá-lo. invadida pela emoção. Esta vai ser uma nova experiência para você. tentando manter a cabeça fora da água. — Agora. não convencida de que a primeira não funcionaria. Já estava com água pela cintura e ela continuava avançando. sorrindo. e iniciou o movimento de braços. como que para boiar. Ouvidos inocentes e tudo mais! Largou a mão dela. fez um semicírculo na superfície do mar jogando água nos ombros dele. conseguiu dominá-la e virá-la de costas. como se estivesse considerando por onde começar a beijar. — Uma outra fantasia? — perguntou ela. — Que bom. Blair não conseguia lutar porque estava ocupada. — Uma pequena fantasia. Pensou ver um indício de malícia nos olhos dela. — Nunca compartilhei uma fantasia com um homem — murmurou ela. continuou a nadar. pois queria ver qual seria a reação de Blair. de vez em quando. — Pule em cima dele. isso nos levará? — Com Taylor aqui. Subindo as mãos. Não era o que ela esperava. Conseguiu escapar e nadou com braçadas fortes em direção aos recifes. — Pegou muito sol? — continuou ela a perguntar. precisamente. encontrou o biquíni. Medindo a distância que os separava. Acho que vai gostar — respondeu ele.

. pois ele já ia longe. Vendo-o nadar de volta. estendendo a mão. A única coisa que tenho é sede. Reclamou. Ele estava lhe dando a oportunidade de escolher. outra vez. — Este é um dos produtos fabricados por minha companhia. viu Nick atirar-se de novo na água. esperando com impaciência pelo resultado. Queria tocar a garrafa e refrescar-se com o líquido gelado.. Sacudiu a água dos cabelos e voltou o rosto em direção ao sol. Não sabia se obedecia ou se ignorava o aviso. Blair decidiu usar a fantasia que ele próprio havia criado. Uma laranja? Riu. pondo as mãos em cima do estômago. — Blair. Algumas reações químicas. — Fome? Como poderia? — Você disse que estava faminta. Blair reclamou. — Vocês duas podem descansar. ao lado dele. Depois disso. portanto. mas sentia-se grata do mesmo modo. Blair decidiu não discutir. — Ainda não pode tocar. — Por que demorou tanto? Vendo que ele não ia ajudá-la a sair da água. Assim que recobrou o equilíbrio. — Laranjas? Blair não obteve resposta. Blair sabia que já tinha feito sua escolha. Blair parou indecisa. Segurou a mão estendida e subiu. depois do concurso de mergulhos. Fazia tempo que ela não nadava. Mas champanhe quente é a última coisa que gostaria de beber. Ajoelhou-se na areia. Pensei que um de nós devia estar ao lado dela. — Que coisa mais maravilhosamente decadente para se trazer num piquenique. — Champanhe? — repetiu ela. Estava cansada e queria sentar-se. nadando em direção ao lugar onde haviam deixado as toalhas e a cesta de piquenique. Estendeu a mão em direção à garrafa. — Suponho que agora queiram subir na minha rocha — disse ele. tirando a garrafa envolvida em um saco de tecido grosso. Quero ter certeza de que está bem alimentada. — Tive de esperar Taylor. mas engoliu o bombom antes que derretesse. enquanto eu vou buscar as laranjas. mas ele interrompeu o seu gesto. O que você trouxe. no momento. um pouco de termodinâmica e tchã!.. Estava com sede e sentia gotas de suor se formando sobre os lábios. Esperou. — Quem falou em champanhe quente? — perguntou ele. Enquanto falava. mas certamente tinha conseguido fazê-la sentir-se à vontade. mais uma vez se perguntou o que uma laranja tinha a ver com o caso. tentando enxergar dentro da cesta de piqueniques. decidiu ir até a água para se lavar. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser no esqui. levantou- se e. de dentro da cesta. ainda nadamos por quinze minutos antes do almoço. mas fez o que Nick pedira.. 3 . além de café? — Champanhe para nós e soda para a baixinha. — Pronto. não conseguindo remover a areia das pernas. Não se podia predizer o que Nick faria. — Sua rocha? — Não vejo as suas pegadas aqui em cima. eu quero ter certeza de que você não está com fome. champanhe gelado! Blair ficou curiosa. Nick apertava o tecido grosso e Blair ouviu o ruído de pequenos vidrinhos se partindo dentro do tecido. — Pode ter certeza.

Blair deixou que as pálpebras se fecharam. sem tocá-los. com a voz que era. fazendo-a repousar entre os seios. O coração começou a bater mais rápido. Lembrou-se de quando brincavam na água. lentamente. Mediu a reação dela pela expressão de seus olhos. o fogo que sentia entre as pernas não diminuiria. sabendo que. séria e provocante. Tinha-a desejado naquele momento. antes que ela pudesse atar os olhos para saber o que estava acontecendo. para cima e para baixo. Sentindo os dentes dele no seio. Blair — ordenou ele com doçura. pressionou a garrafa de champanhe contra a pele nua da barriga dela. Aproximou-se ajoelhou-se com as pernas dela entre as suas e. olhou-o nos olhos. Estava feliz por terem esperado. deixando que seus dedos traçassem o contorno do sutiã do biquíni. Estavam plenos pelo desejo. de como o corpo dela tinha se enrijecido no momento em que deslizara as mãos pelas suas coxas. Parou. Erguendo a cabeça. Esqueceu-se da sede. Ele continuava a encará-la e parecia que seu olhar penetrava até os cantos mais remotos da sua alma. Quase contra a vontade. Nick não esperou nem um segundo. mas esperava. Entregou-se ao calor que subia pelos seios. — Agora. esticavam o tecido. que vinha do mais íntimo do seu ser. Enterrando as mãos na areia. Ele a observava. seu mundo foi reduzido ao prazer: seu e dele. deliciando-se com as reações dela. Nick aproximou a garrafa. Feche os olhos. Ouviu a respiração se acelerar e se perguntou se teria sido causada pela temperatura fria ou pelos dedos que apenas tocavam a curva dos seios. O contato da garrafa gelada com sua pele nua criara uma chocante sensação erótica. endurecidos. 3 . — Por quê? — Por que estou pedindo. Ele mal podia conter a excitação. diante de seus olhos: os mamilos. agora. e pediu: — Feche os olhos. Blair não conseguiu reprimir um gemido. até alcançar o biquíni. — Você está tão quente que o champanhe está ficando morno — murmurou. abaixando a cabeça e tomando um dos mamilos entre os dentes. Capítulo 8 Aquela fantasia era bem menos inocente. Mas não tanto quanto a desejava agora. Ela prendia a respiração cada vez que os dedos se aproximavam deles e só soltava depois que passavam. Blair quase parou de respirar. arqueou outra vez o corpo. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Devagar. estava pronta. tornando-os pesados. ao mesmo tempo. encarando-a. Deslizou a garrafa alguns centímetros. atirou a cabeça para trás e arqueou o corpo. Desta vez. A evidência da excitação estava ali. — E Taylor? Também tem de fechar os olhos? — Taylor não está mais aqui. Soltou a respiração. Esfregou a garrafa. Seus olhos se abriram.

manipulando-o com habilidade. enquanto sua mão avançava em direção ao seio e tomava o mamilo enrijecido entre os dedos. Mas ele estava de tal modo envolvido em dar e ter prazer que não ouviu. Ela seguia o ritmo imposto por ele. Foi uma revelação de prazeres sensuais que ela nunca teria imaginado possível. Blair engoliu. sugando-o e causando-lhe uma sensação tão forte que varreu todo o resto de sua mente. E bem devagar. Jamais tinha tido experiência semelhante com outro homem. As promessas que ele fazia eram inacreditáveis. Fascinada. desejando intensamente sentir a mão. afastou- a. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Alcançou as costas dele com as mãos e. contar a ele.. descansando a outra mão sobre o seu quadril. conhecer o seu gosto. demorando-se no baixo-ventre. entrou por dentro do maiô. um em um milhão destinado a compartilhar com ela essa maravilhosa descoberta. — Eu quero a mesma coisa que você quer. E o olhar dele. — Você não precisa esperar. a boca dele sobre os seios nus... sim — disse baixinho.. Deixando a garrafa de champanhe rolar para a areia. Com delicadeza. Com a respiração entrecortada. hoje. Gritou ao sentir que a boca abandonava o seio. sem permitir-lhe pensar em qualquer outra coisa. Queria dizer a ele.. puxou a cabeça dele de encontro ao peito e. Não queria atingir o clímax sozinha. em segundos apenas.. e. A conversa poderia esperar. inebriada pelo crescente prazer que ele provocava. passando depois para os braços e chegando ao peito. mas as palavras não saíam. desvendava seus mistérios femininos e deixava sua própria marca no corpo quente. levando-a à loucura. — Ainda temos um longo caminho. Podia sentir as batidas do coração dele. massageou-lhe os músculos. Blair estremeceu. gemendo quando não se continha. vê-la toda. A declaração honesta quase o descontrolou. Nick era seu par natural. Tentou falar. Eu preciso. a fazia derreter-se. ele continuou: — Quero-a inteira. Com a outra mão. Mas também quero isto: olhá-la inteirinha. tudo estaria acabado. Movimentou a cabeça. Poderia acabar de despi-la. quase perdendo o equilíbrio. Ele descobria seus segredos. para voltarem em seguida a acariciar a parte interna das coxas. Subindo o olhar lentamente. Sabia que não conseguiria sequer continuar ajoelhada a sua frente se ele não a estivesse segurando. Quero levá-la a uma viagem intergaláctica. O protesto se transformou em gemido de prazer quando ele se dirigiu para o outro mamilo. esfregando os lábios nos dela. mas você não — disse ele baixinho. — Ninguém disse que chegaria às estrelas só uma vez. Nick se determinara a conhecê-la toda. Ela sentiu uma contração no estômago quando o primeiro dedo. Não parou aí. depois. Nick era o homem que ela poderia amar. — Não consigo mais esperar — murmurou. se entregassem ao redemoinho de emoções que ameaçava absorvê-la. imaginou como ele conseguia se controlar quando tudo o que ela queria era senti-lo dentro de si para que. tocá-la e saboreá-la 3 . A excitação a tomava toda. traçou o contorno da calcinha do biquíni. descendo as alças do sutiã. — Não sei quanto tempo consigo esperar. As mãos dele exploravam todo o seu corpo. — Consegue. Introduziu a língua tão fundo na boca de Blair que ela julgou estar se afogando no gosto dele. juntos. a respiração entrecortada. viu-o baixar a cabeça e abocanhar seu seio. depois outro. fazendo pequenos movimentos circulares. Arqueou o corpo outra vez. ele a enlaçou pela cintura. ele brincava com a parte de cima do maiô. cheio de fogo e desejo. para facilitar-lhe o acesso e enterrou as unhas nos músculos fortes dos seus ombros. penetrá-la. tocá-la. acompanhadas de perto pela boca faminta. — Desabotoou o sutiã e deixou-o cair.

Ela o queria duro. feliz por tê- la tão juntinho. Ela tentava se esquivar. rápido e quente. Que a queria outra vez. também. encontraram o órgão masculino. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser toda. até de uma soneca. Mas os mamilos já tinham se enrijecido e ela os esfregou no peito peludo. mas ele a segurava e seus dedos não lhe davam paz. levantou os quadris. absorveu todo o calor que ela irradiava. finalmente. Ela sentiu a risada dele e teria rido. — Tem razão. — Vamos nos queimar. Blair sentiu um arrepio ao considerar as implicações do que ele havia dito. no momento em que ela tocasse seu membro. gostando da sensação. Nem mesmo quando ela gritou.. Ela. Precisava de um descanso. desafiando-o a parar. especialmente nos locais nos quais não passamos bronzeador. — Eles deveriam estar aqui às quatro horas. E ela o teve assim: duro. com as pernas entrelaçadas nas suas. porém. Percebeu que o que acontecera tinha sido apenas o começo. se conseguisse dormir. se não estivesse tão completamente exausta. — Não entendo por que está preocupado. A ereção que se iniciava deixou-o surpreso. — Comecemos passando o bronzeador — sugeriu. Não estava pronto ainda. Blair fez um sinal afirmativo com a cabeça. já. Fazendo uma pausa. dirigindo o movimento de sobe e desce.. Repetidamente. — Perder o controle também pode ser muito excitante. rápido e quente. Aceitou-as como um lembrete da presença dele. pensou. Ele parou de pensar. Não estava preocupada. túrgido com a cruel demora. Nick sabia que. — O que terá me dado a ideia de que eu estava no controle? — perguntou Nick. Acomodou-se no meio das coxas macias e penetrou o corpo quente e receptivo desvendando. Estava cansada e feliz. não queria que ele parasse.. Tinha-lhe ensinado a fazer suas próprias exigências. mantendo-a em tal grau de excitação que o suor corria por todo seu corpo. Nem mesmo as carícias das mãos dele nas suas costas conseguiram acender o fogo da paixão. Estava exausta demais para desejá-lo outra vez. Colocando a palma da mão sob o queixo dela. mas ele se afastou. Ela investiu contra ele e venceu. Queria prolongar esses momentos antes de entrar em queda livre. Ela se deitou sobre a toalha para facilitar e para não cair. Contraiu os músculos ao redor dele. respirando fundo para falar a frase seguinte. Nick tirou o que restava de suas roupas e surpreendeu-a com sua orgulhosa masculinidade. o último segredo. ao mesmo tempo. sentiu um repentino frio. gentis e exigentes. ajeitando-se como uma gata sobre ele. Nick lhe havia ensinado uma coisa e iria usar esse novo conhecimento.. beijou-a delicadamente. Sentia-o no mais profundo do seu corpo. Tinha aprendido a confiar em seus instintos e não teria permitido que Taylor fosse com Mário e Jimmy se tivesse a menor dúvida a respeito do 3 .. Puxou-a para cima de si. Suas mãos. ele a fez tocar o céu com a ponta dos dedos. cuidarei para que você não se queime nos lugares indevidos. Não tem nenhum pedaço do seu corpo à mostra para ser queimado pelo sol — retorquiu Blair. — Controle é uma ilusão — respondeu ela baixinho. estaria perdido. se alcançar o bronzeador. saindo de cima dela. O instinto a tinha feito confiar em Mário e não via razão para mudar de ideia. antes que a esmagasse com seu peso. Controlou-se e se preparou para levá-la até o orgasmo final. descobrindo como era esse contato de corpo inteiro. ao atingir as estrelas. Quis tocá-lo. mas. Abraçou-a com braços e pernas.. Mesmo sob o sol escaldante.

— Finalmente saiu o que queria dizer. — Mas já estão atrasados uma hora — insistiu ele. Eles provavelmente estão se divertindo e não olharam o relógio. voltando o olhar para os recifes. E. Blair não gostou do rumo da conversa. voltou a andar de um lado para o outro. — Logo eles estarão chegando. Nick. ele voltou a andar de um lado para outro. — E Taylor é minha filha. — Ele disse quatro horas e já são quase cinco. Ele usara a palavra "amor" várias vezes. Blair suspirou e apoiou-se nos cotovelos. Tem alma de cigana! — Isso não faz sentido. eles podiam estar atrasados. em frente à toalha. que se o seu estilo de vida fosse mais convencional. para ter um pouco mais de altura. — Não me parece que você se incomode muito com o bem-estar da sua filha. Blair. pensou Blair. eu estaria. — Verdade. Blair achou que ele precisava ser reassegurado de que tudo estava bem. O que tem o lugar onde moro. No meio tempo. Ele não estava bravo com ela. — E eu achei que você já está se preocupando por nós dois. por que me incentivou para que deixasse Taylor ir? Ele abriu a boca para responder. — Pensei que estaria um pouco mais preocupada com sua filha e menos em me criticar — respondeu ele. Era esse o problema. mas teve de fechá-la novamente. eram parte de um estilo de vida que tinha de acabar! Blair já começava a planejar as estratégias para erradicar as tendências ao vício do trabalho que Nick apresentava. mas consigo mesmo. — Ou não se preocupar faz parte do seu estilo de vida. — Quem está preocupado é você e não eu. Blair tinha razão. sorrindo ao notar que a palavra deixava-a com a pele arrepiada. Mesmo porque o tempo aqui não significa a mesma coisa que significa em Nova York. Amor. não teria problemas como este com que se preocupar. poderiam conversar. resistindo à tentação de passar os dedos pelas pernas dele. Não. pensou. Irado. ficando nas pontas dos pés. Olhando o relógio pela décima vez em dez minutos. Mas você não para em lugar algum. na esperança de que o barco aparecesse. Se houvesse razão para ficar preocupada. desde que abandonou o emprego e o lar? Aquilo foi a gota d'água! Não era mais uma discussão. outra vez. Se ele sentasse. mas uma batalha. Nick. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser bem-estar da filha. contendo-se para não esbofeteá- lo. Mas nem toda mãe acha uma boa ideia despachar a filha com um pescador siciliano. mas aqueles pequenos hábitos. a ver com o que está acontecendo hoje? Estamos em férias. Todo mundo sai de férias. Estava virando uma briga. a minha vida. Blair levantou-se lentamente. Certamente não era o tipo de homem que a usaria se não quisesse dizer exatamente isso. na qual Blair estava deitada. mal-humorado. Crianças conhecem outras crianças e saem para brincar. — Não há com o que se preocupar. Sentou-se. — Por que você não relaxa e toma o resto do champanhe? — sugeriu. mas chegariam logo. não é? — vociferou. na toalha e se perguntou quanto tempo ele levaria para perceber o que 3 . gostaria que Nick se acalmasse e sentasse a seu lado para que conversassem sobre aquela coisa maravilhosa que descobrira sentir por ele. como ser escravo do relógio. com as duas mãos nos quadris e o olhar acusador. Ela podia estar apaixonada por ele. — E ele parou em frente a ela. — Admita. se achou que não se podia confiar em Mário.

Perguntou-se. Culpa era uma emoção forte demais. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser acontecia. O resto não me importava. — Sacudiu os ombros. porém. Não consigo encarar o fato de que se Taylor estiver em perigo eu sou o culpado. incapaz de se livrar do medo. O sentimento de culpa persistira durante um tempo. eu soube logo. havia muito tempo. — Já lhe disse antes que ela é minha responsabilidade. tudo o que eu queria era ficar sozinho. A loja não tinha entregado. Mas pode ser a única oportunidade que tenho de pedir desculpas e seria um tolo se a deixasse passar. tomando conta deles. Não a culpo. se 3 .. voltara para casa mais cedo. Estou sendo devorado pelo sentimento de culpa. sem tocá-la. Nick seria um pai maravilhoso. — Confio em Mário e você também. fazer amor com você. Não só ela não tinha se lembrado como nem sequer era esperada. Ela não o tinha visto se aproximar e não pôde controlar o tremor que a assaltou quando ele se ajoelhou a seu lado. mas tinha. Ela está bem. além disso. neste momento. A filha a amava o suficiente para mentir às amigas. Desde então. Caiu de uma árvore e. Blair sabia como ele estava se sentindo. também. — Não tenho para onde ir e. Chegara bem no meio da festa do nono aniversário de Taylor. dedicara sua vida a Taylor. fora a própria menina quem dera a desculpa. mas não havia nada mais a ser dito. — Eu não quis dizer nada daquilo. Era tão fácil amar Nick. quando lhe perguntaram qual o presente que ia dar à filha. Baixou os olhos e terminou o que tinha a dizer. Sabia que Nick passava por algo semelhante. mas. O difícil ia ser não contar a ele. — Não posso ter certeza absoluta. — Não conseguiu continuar encarando-a. — Não aconteceu nada com Taylor. — Vá embora — pediu ela. — Como pode ter tanta certeza? — pressionou ele. Mas não mudava as coisas. — Queria ter a sua confiança.. quero que me escute. Já lhe tinha acontecido algo semelhante. Terminado o último projeto. — E você não deve ter nenhuma vontade de ouvir o que tenho a dizer. E ela o amava o suficiente para tentar ajudá-lo. conseguiu. Podia até entender. Precisava de tempo para armar suas defesas. Podia vê-lo com filhos. Ele sentou-se a seu lado. Tinha estado trabalhando sem parar por muitas semanas e não tinha visto Taylor acordada por um mês. Mas a única vez em que ela realmente se machucou. — Mereço ouvir isso — disse ele. eu sabia que tinha acontecido alguma coisa. quanto tempo levaria para esquecer as acusações que ele lhe fizera e se queria esquecê-las. Por outras razões. Disfarçou a mágoa com raiva e hostilidade: — Você está menos preocupado com o bem-estar de Taylor do que com sua carona de volta. Estava a ponto de chorar. O que decidira a mudança em sua vida. No momento está se sentindo por demais culpado para admitir isso. Mas tinha de ser forte. Taylor ficara sem jeito com sua chegada. — Mas eu forcei você a permitir que ela fosse com Mário. sabendo que ele não poderia compreender. — Eu não quis dizer nada daquilo. Mal conseguia controlar suas emoções e aquela súbita gentileza a abalava ainda mais. antes que a escola me telefonasse. Vai me ouvir? — Não tenho escolha. — Realmente. — Tentei jogar a culpa sobre você para que se sentisse tão mal quanto estou me sentindo. tomando-lhe o queixo gentilmente entre as mãos. sido ultrapassado. Naquele momento. antes de iniciar o seguinte. Quebrou o braço. nesse momento — murmurou ele. finalmente. O silêncio se prolongou entre eles.

sem reparar no silêncio que pairava entre os dois adultos. Blair observava o mar azul. Vou lá na frente que o Jimmy está me ensinando a fazer nós de marinheiro — disse a menina. Se. feliz quando Nick a levantou do chão. 3 . Taylor. — Podemos sair com eles outra vez. das cavernas que tinham descoberto. outra vez. Os olhos dela brilhavam tanto que Blair não teve coragem de dizer não. O capitão e Mário estabeleceram um longo diálogo que levou pelo menos cinco minutos. Quando Mário aparecer. enguiçado. Tinha feito amor com Nick também porque queria. num abraço apertado. Foi um sonho. — Fazer amor nunca foi assim. — Tá bom. Mas tinha ido porque queria. para se permitir amá-la. — A marinha está chegando para nos salvar — gritou Taylor. antes. Ao fazer a volta na ilha. Ela não queria ouvir. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser preocupando com eles. — Tudo bem. das entranhas do barco. Teria de se acostumar com isso. deixando os dois a sós. Nick pulou primeiro e. mas podemos esperar até que encontremos Taylor. imaginando quanto tempo teriam de esperar. — Não tem importância. Não havia escolha. como se estivesse pedindo carona em uma estrada. E não sei como consertar. forçou-a a olhar para ele. Salvamento à vista. mas a diferença de língua foi uma barreira intransponível. tentou se aproximar de Blair que fez de conta que ele não existia. até que o primeiro resolvesse rebocar o barco. ajudou uma relutante Blair a pular para o barco de Mário. Mário e Jimmy. sim. aliviado. Blair olhou para ele sem entender. Blair tentou desesperadamente dizer algo que o fizesse parar. O bando de turistas bronzeados deu-lhes as boas-vindas a bordo. mas se ficarmos até o outro sábado. Pegaram as coisas e entraram na água. O capitão tentou descobrir o que acontecera. atraídos pela gritaria. Talvez ele se importasse com ela. — Sinto muito por ter estragado tudo. sentada na proa. Ele se levantou e tirou a areia das pernas. Estendeu a mão para ajudá-la a levantar-se e ficou surpreendido porque ela a aceitou. — Conversaremos depois. Fazia muitas restrições ao seu estilo de vida. ele prometeu me levar às cavernas. Falou sem parar do dia maravilhoso que tinha passado. com mais ninguém. querida. Talvez nunca viesse a saber. tudo que quero é um banho e um copo de água. quando os reconheceu. fazia sinal com a mão. — Há. mãe? Jimmy tem de ir à escola amanhã. Taylor atirou-se sobre eles. — Vamos nadar até os recifes e tentar pegar uma carona. Segurando o seu queixo.. Nick pulou e começou a fazer sinais com a toalha. abraçando-os e beijando-os. E tinha se apaixonado. E eu estraguei tudo. Arrependia-se do impulso que a levara à Sicília. Nick. Nick levava a cesta em uma das mãos. acima da água. Perguntou-se se ele lembraria deste dia e da primeira vez que tinha se preocupado com uma criança.. Nick não desistiu. encontraram o barco de Mário. Mas ele pressionou: — Temos mais coisas para conversar. e logo chegaram às rochas. Tinha visto um barco. mas não a amava. depois. Neste momento. vai perceber que já fomos. surgiram. — Não há mais nada a dizer.

Ela ouviu as palavras. pensou ela. Teve sorte na segunda tentativa e o fogo pegou. As janelas recuadas tinham muito a ver com isso. Tinham tido sorte de encontrar um lugar perto do centro. — Mãe! Blair continuou a tirar a roupa da mala e respondeu sem levantar os olhos: — Sim. Taylor sempre conseguia reduzir tudo a um único tópico: comida. As malas estavam pesadas. para facilitar as coisas. Taylor? — Quando é que vai me contar o que aconteceu em Érice? Apesar de saber que a pergunta seria feita. Tinham passado os dias nadando e tomando sol. Um dos problemas de morar na parte antiga de Bruges era que as ruas não tinham sido construídas para carros. também. Nick seria seu padrasto. Sabia que ele falava a sério. — Isso a deixa surpresa? — Podemos jantar fora? Blair suspirou e deixou as malas caírem ao lado da porta do seu quarto. Queria que Taylor soubesse. Nick teria gostado de ver. Uma vez aceso. O avião partiu do Aeroporto Internacional de Creta na hora. enquanto vou estacionar. Blair gostava do apartamento. se tudo tivesse dado certo. as plantas brotariam e floresceriam. A rua era tão estreita que impedia Blair de abrir a porta do carro e ajudá-la. — Não vou desistir. três quarteirões mais adiante. o aquecedor funcionaria continuamente se ela não se esquecesse de abastecê-lo de carvão. Fora. Precisava responder. e eu. — Somos obrigadas a jantar fora. Em seguida. às compras. Quando chegou ao apartamento. Blair estava exausta. Deixe-as na porta. Encher a cesta de carvão era tarefa diária durante o inverno. — Pode deixar que eu levo os esquis — ofereceu Taylor. — Não tem nada na geladeira. As lojas estão fechadas e só poderei ir ao mercado amanhã. Os habitantes estavam sempre lutando com as estreitas passagens paralelas aos canais. a filha tinha conseguido levar quase tudo para cima. Você vai à escola. — Eu também — sussurrou ela e com certeza sentia mais do que ele poderia saber. Taylor não queria partir de Érice e não entendia a súbita vontade da mãe de ir a Creta. Taylor reclamou. embora fosse pequeno. Depois eu levo para cima. — Pode levar as malas. no entanto. Afinal. querida? 3 . — O que você acha que aconteceu. Blair pegou as duas malas que restavam e subiu os vinte e três degraus para chegar em casa. Para chegar a Bruges. Precisava respondê- la. Tirou o casaco e começou a trabalhar. Acendeu algumas luzes. O hotel era pequeno e tranquilo. Assim que o tempo esquentasse. ajustou as persianas e tentou se familiarizar outra vez com o lugar. Creta era incrivelmente quente e bonita. puxando as cortinas para olhar o canal. atacou o antiquado aquecedor a carvão que fornecia água quente e aquecia o apartamento. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Sinto muito — repetiu. mas em um canal tranquilo. Havia sido uma semana relaxante. mas virou as costas e se afastou. eram mais sessenta quilômetros de carro. mas era de se esperar. mas chegou em Bruxelas atrasado devido ao mau tempo e ao tráfego aéreo. porém. ainda não estava preparada. Taylor fechou o porta-malas e Blair seguiu para estacionar em um lugar alugado.

entretanto. E todos falavam inglês. Taylor era muito criança para entender. boba. Tentou. Taylor. o que facilitava as coisas. para que possa ter o seu próprio quintal e amigos na vizinhança. — Gostamos um do outro. colocando a cabeça no ombro de Blair. terão a mais bonita vista de Belfry. — Por exemplo. — E Nick acha que eu deveria dar um lar a você. — Sobre o que discutiram? Pensei que gostassem um do outro. — Não. Discutimos na praia e resolvi que seria melhor não vermos Nick outra vez. Há um monte de coisas sobre as quais não concordamos. — Muitas crianças gostariam disso. como eu fazia. Taylor pensou um pouco e perguntou: — Foi por isso que brigaram? — Mais ou menos. certamente quererão subir os trezentos e sessenta e seis degraus que levam ao topo. ele passa muito tempo trabalhando e se preocupando com pequenos detalhes. — Gosta de Bruges? — perguntou a mãe. não está. Taylor. Capítulo 9 — Se olharem para trás. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Taylor pensou um pouco antes de responder. naquele outro barco. você tem razão. não é mesmo? Blair logo percebera que aquele grupo preferiria a sua versão pessoal das visitas e sons de Bruges àquela já gravada para turistas. tentando segurar as lágrimas. Gosto daqui — disse. mãe. De você. mas não eu. — Eca! — Taylor atravessou o quarto e abraçou a mãe. A nossa discussão não teve nada a ver com isso. sabe? — Não. Discutimos a respeito delas. Blair balançou a cabeça. para o lado esquerdo. Mas quando voltaram. Não para nós. esconder a mágoa. — Foi isso mesmo. — Sei que tudo estava bem quando os deixamos na praia. filha — respondeu suavemente Blair. Aqueles que estiverem usando tênis. concordando. de preferência nos Estados Unidos. — Por exemplo? Blair se sentia passando por um moedor de carne. pois fazia com que não se concentrasse em dirigir o 3 . abraçando-a e passando a mão no seu cabelo. Eu amo você. algumas delas. havia uma diferença. O que ele diz faz sentido para uma porção de pessoas. — Sobre isso. importantes. — Pena mesmo. — Nick está errado. estão precisando de exercício. — Que pena acabar com uma amizade por causa de uma coisa tão boba. — Eu também amo você. Era um pouco perigoso ter de falar. Depois de ficarem sentados no barco por uma hora.

um sinal civilizado de surpresa. Blair relaxou. Blair não sentia o frio. embora sua pele estivesse arrepiada. à espera do golpe seguinte. Faltava só uma ponte. rápido. voltou o rosto para o sol. estava errada. Antony a tinha avisado bem para não ficar de pé. a não ser Nick. caiu dentro do canal. Permitia até que Blair ficasse de pé. — Eu sei. baixando os olhos. Blair se lembrou do que lhe contara a respeito de sua vida e dos bicos que fazia. tremendo dentro das roupas molhadas. Alguns turistas tinham lhe oferecido ajuda. Blair lhe dirigiu um olhar fulminante. depois de dois meses. segurando o timão com destreza. e algumas das pontes. com tanta dignidade quanto possível. Depois de uma semana fazendo esse trabalho. sentia-se confiante para tentar. mas esta era alta o suficiente para que os passageiros não tentassem alcançá-la com as mãos. contemplavam o canal. afastou os pés. Dando partida no motor. Lutou para não se enternecer com a lembrança das horas passadas juntos. como era a única pessoa de pé no momento da colisão. tarefa que exigia habilidade. Blair foi menos sutil. Era preciso ser honesta. passou pelos turistas que a agradeciam o passeio pelos canais de Bruges e caminhou decidida em direção a ele. mas já era alguma coisa. pois os canais eram muito estreitos. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser barco de seis metros de comprimento. Sentou-se na cadeira do capitão. antes que ela tivesse a chance de abrir a boca. Podia vê-lo parado um pouco depois de onde se formava a fila para as excursões. despediu-se de Anthony e saiu da administração da empresa de turismo. Seus olhares se cruzaram no mesmo instante. Engoliu uma grande quantidade de água não potável antes de conseguir subir no barco outra vez. É simples. Nick só deixou o queixo cair. mas a maioria havia ficado intimidada com os avisos anteriores e com a própria queda. fez uma careta para Antony que se aproximava em outro barco. ou você estaria despedida — comentou ele. — O que está fazendo aqui? — Você está aqui. em arco. para ter melhor equilíbrio. O dia estava bonito e. — Ainda bem que o chefe sou eu. Tinha sido culpa dele. — Até o instante em que o vi. Tinha coisas muito mais importantes em que pensar. seguindo o barco dele para o pequeno cais. Podia ter fechado os olhos. enquanto desprendia a proa do barco das pedras da ponte. Mais uma vez. Eu tinha de vir. no entanto. Foi um beijo ligeiro. Seu primeiro acidente e por culpa dele. Depois de desembarcar os passageiros. Mas não. bastante baixas. Nick pigarreou 3 . Dirigiu o olhar para a fila de pessoas que. Nada mais importava. repetia para si mesma. debruçadas no parapeito. Blair? Enxugando os cabelos. segundos antes de se inclinar e beijá-la. — É isto que chama trabalhar para se manter? — perguntou Nick. — Obrigado por me dizer — sussurrou ele. — Precisa de ajuda. Eram inimigos íntimos e se situavam fora do mundo dos transeuntes ao redor. Nick a esperava. em vez de ter de se agachar para passar embaixo. Bateu na lateral da ponte e. não é? Ficaram parados um em frente ao outro. Em vez de ir embora. — Demorou bastante tempo para vir. não sabia que queria que viesse — murmurou ela.

. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser e disse: — Você pode não querer que eu fique aqui. em meio a almofadas e cobertores. espirrou e pegou outro lenço. Checou a hora no relógio dele e deu-lhe instruções para chegar até a escola. indo um para cada lado. — Por isso mesmo é que ela está tomando vinho do porto — explicou ele. por enquanto — falou ele. tampouco.. embora continuasse a beber o vinho.. Discutiam sobre as panelas que deviam usar e como fazer o molho. — Mas não temos uísque em casa — replicou Taylor. Ele era um bom homem. Separaram-se na esquina. considerando que o estou deixando todo molhado — brincou ela. admitiu Blair ao ouvir os barulhos que vinham da cozinha. — Pensei que uísque fosse melhor. Isso não tinha mudado. Ela precisava disso. — Talvez mais tarde a gente possa resolver as diferenças. colocando o paletó sobre os ombros dela. atchim! — Bem feito! — disse Nick. Era um pouco convencido. puxando a menina da cadeira de balanço onde estava comodamente instalada. Ele sorriu. — Somos diferentes — disse ela. O arrepio que percorreu Blair de alto a baixo não tinha nada a ver com o frio. O vazio das últimas semanas tinha desaparecido com a chegada de Nick. — Só irei embora se tiver certeza de que não há razão para ficar. também. Eram amigos. pois se sentirá muito melhor amanhã. — A. — E que pessoa irresponsável vai fazer o espaguete do jantar? — Suponho que tenha de ser eu e Taylor — suspirou ele. a. o fato de que Taylor gostava dele. "Que pena pegar um resfriado logo agora". entregando-lhe mais um lenço de papel. continue a tomar o vinho do porto. E ele estava tentando dar uma nova chance ao relacionamento. Blair suspirou feliz. sabendo que o problema continuava a existir. Não podia ignorar. — Por que não espera até depois de eu ter tomado um banho quente? — E por que não a ajudo a lavar as costas? — Taylor estará me esperando. Eles se davam bem. Ela não era boba o suficiente para negar o fato. — No caminho de casa. baixinha. mas. às quatro horas. Mas isso daria uma oportunidade para Taylor ficar sozinha com Nick. cobrindo os pés de Blair com o cobertor. — No meio tempo. — Vamos lá. agora só preciso abraçar você — completou. Prometi fazer espaguete para o jantar. sacudindo a cabeça e percebendo que estavam começando a se entender outra vez. passem no mercado e tragam tomates e pão. Eu a pego na escola. 3 .. Temos trabalho a fazer. Queriam estar juntos para sempre. Amava-o. — Deixe-me ir buscá-la. Senti falta dela. sem dúvida. — Acho que devemos esquecer isso. mesmo com todas as diferenças que existiam entre eles. — Jamais ouvi falar em curar resfriado com vinho do porto — comentou ela. mas a realidade se interpunha entre eles. um bom homem. — Iria embora se eu lhe pedisse? — Não — respondeu. Servindo-se de mais um pouco de vinho do porto. Blair não pensou duas vezes. puxando-a para junto de si. — É muito corajoso de sua parte. acomodando-se melhor no sofá. — Dirigir um barco de pé é irresponsabilidade.

roncando baixinho. podemos tratar do assunto com você aqui. — Eu sei. Naquele momento. Queria ouvi-lo dizer. baixinha? Taylor acabou de mastigar. atrapalhando-se um pouco ao se lembrar de que a menina tinha apenas onze anos. com sua voz grave. Afastou os cabelos de seu rosto e ajudou Taylor a cobri- la bem. Isso era exatamente o que tinha acontecido da última vez. mas. É por isso que estou aqui. Obviamente. suponho que teremos de comer o espaguete sozinhos. Não podia acreditar que Blair contasse tudo o que tinha acontecido naquela tarde. ahn. que entendia o sentimento de culpa dele. antes.. bem. — Acho que foi isso mesmo — concordou ela aliviada. mas a culpa foi minha. que também a amava. 3 . ao perceber que a menina estava tentando encontrar desculpas para o comportamento da mãe. — Posso até ajudar. Ela se alegrou: — É isso mesmo. eu mesmo lhe teria dito isso. E se vocês tivessem ficado mais algumas horas lá. Ela balançou negativamente a cabeça e continuou sorrindo. Nick levantou-a nos braços e seguiu Taylor até o quarto de Blair. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Confiava na intuição da filha. Blair tinha pensado em um milhão de coisas que queria dizer a ele e outras que gostaria de ouvir. — Faz a gente ficar um pouco tonto. desejando poder deitar a seu lado. Só mesmo Blair conseguiria transformar uma cena tão complicada em algo simples. engoliu e disse: — Só que vocês tinham discutido e que seria melhor partirmos sem tornar a vê-lo. — Não. gosto dela? — perguntou. depois de um momento de hesitação. mas estava disposta a correr o risco. desaparecendo amanhã. discutimos. porém. — Mamãe não está acostumada a tomar álcool — explicou Taylor. Desde a partida de Érice. Queria explicar como sabia que nada tinha acontecido a Taylor. mãe e filha eram muito chegadas. — Você não fica chateada se eu tentar convencer sua mãe de que. começou a pensar nas possibilidades de uma vida a três. Tomando mais um gole do vinho. Blair não tinha contado os detalhes da discussão. Acomodou-a entre os lençóis. com a voz de adulta que reservava para falar com os professores. baixinha. Quero consertar as coisas. — Mamãe me contou o que aconteceu. Fizera um pacto de não dizer a ela que roncava.. Levou Nick de volta para a sala e disse: — Nunca a vi assim. fomos para Creta — explicou Taylor. Mamãe não vai nem notar se comermos a parte dela! — Quando partimos de Érice. Porém. — Então. — Acho que foi a mistura dos comprimidos com o álcool — falou ele. Nick levantou as sobrancelhas.. Não era sua intenção discutir esses fatos com Taylor. Elas aparecem de vez em quando para lembrar-nos que as pessoas não são todas iguais. — Realmente. por outro lado. Ainda não tinham tido a chance de conversar. Encontraram-na adormecida. não queria mentir.. Maria Elena me contou — respondeu ele. Nick enrijeceu. Queria dizer que o amava. Sabia que poderia vir a se machucar outra vez. queria dormir. — E o que ela lhe contou. — Que bom! Mamãe sempre diz que brigas não são permanentes. ao mesmo tempo em que pegava mais um pedaço de pão. olhando para Nick com incerteza. Taylor ficou radiante. Precisava também descobrir se Nick a procurara apenas para uma visita ou se estava pensando em algo mais permanente.

Fazia sentido. a mãe dele fará biscoitos de canela — insistiu Taylor. Abrindo primeiro um olho. se quiser café — gritou ao ouvir o barulho da porta se fechando. — Vai me levar para a escola. embora tivesse certeza de que a viagem tinha algo a ver com negócios. Será que deveria levantar para se arrumar um pouco antes da volta de Nick? Como tinha certeza de que ele voltaria? Claro que voltaria. Blair acordou e sentiu o cheiro de café e de pão fresco. peça a mamãe para me deixar ir. Não era a situação ideal. hoje — respondeu Taylor. caindo sobre os travesseiros de pena. e só volto na hora do jantar — gritou da sala. Para Taylor. mas desistiu. Taylor beijou a mãe e correu para a porta. naturalmente — respondeu docemente a menina. Blair tomou o suco de laranja e pegou outra torrada. também. — Não ouse! — vociferou Blair. 3 . impaciente. — Já tomei bastante café. Havia ido até lá para vê-la. Disse que eu devia preparar o café e trazer-lhe na cama. — E por que Nick vem aqui? Não quero vê-lo. é claro. — Você está pedindo porque quer ir ou porque quer que fiquemos sozinhos? — Pelas duas razões. — Eu vou à casa do André. viu a bandeja que Taylor lhe trouxera. Ser sarcástica com Taylor era uma perda de tempo. Mas teremos tempo para ficar sozinhos enquanto você estiver na escola ou depois que for dormir. A campainha soou. um segundo antes de sair batendo a porta. mas ele precisava provar para as duas que Taylor não era uma peça do mobiliário que podia ser afastada quando se tinha vontade. não. — Ele disse se eu podia levantar para ir ao banheiro? — perguntou a mãe. Só o fato de estar lá já bastava. — Mas se eu for à casa do André. depois o outro. depois da escola. Por favor. — Por que não me acordou? — perguntou. — Traga uma xícara. jogando as cobertas para o lado e tentando levantar. Taylor devia ter-lhe dado a dela. café na cama significava grandes ocasiões. Estou doente. numa inútil tentativa de clarear as ideias. Tinha acabado de se servir de uma segunda xícara. — Desde sexta-feira que não como os biscoitos dela. depois da escola. O café não estava ruim. — Ele quem? — perguntou Blair. pondo a bandeja na cama e impedindo-a de levantar-se. Mas não tinha importância. — Porque você está resfriada e ele disse que deve ficar na cama. Mas vou perguntar-lhe assim que chegar. hoje:— respondeu ele da porta do quarto. Blair considerou a ideia de ir até a janela para dar sua permissão. O tratamento com o vinho do porto só tinha resultado numa grande bebedeira. — As xícaras estão no armário da cozinha. daí o requinte na arrumação da bandeja. — Tenho de ir para a escola. — Ele não mencionou nada. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Quer dizer que você vai beijá-la e tudo o mais comigo aqui? — Provavelmente. — Nick. Pegou uma torrada e notou que a filha tinha usado toalhinhas de linho e a melhor louça da casa. quando ouviu a chave na porta. Espirrou e assoou o nariz pelo menos meia dúzia de vezes. não sabendo se gostava de receber ordens. Blair olhou o relógio e se assustou com a hora. esgotada pelo esforço. sacudindo a cabeça.

— E acha que adiantaria? — brincou ele. as pessoas discutem e isso não me perturba. chegava ao limite do incontrolável. poderia ter dado um desconto. Sexy? Nunca pensara nisso. em geral. A sua preocupação. pensei que tinha sido a melhor solução. suas esperanças tinham renascido. adiantando-se e sentando-se na beirada da cama. não sabendo o rumo que a conversa tomava. na praia. — É. Foi uma das primeiras coisas de que gostei em você — comentou ele. Então. — Eu estava envergonhada demais para ficar por lá. Precisei de algumas semanas para me convencer. — Acertou — admitiu ela com a respiração difícil. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Ele a fazia sentir-se à vontade. Nick. era com a minha filha. Blair teve. — Quer dizer que não está apaixonada por mim? — continuou a perguntar. observando-a em detalhes. sentindo o coração dar um pulo. Não foi por isso que saí de Érice. então.. — Eu sei. — Acho que preciso me pentear. — O seu cabelo é sexy. Como podia ela tratar daquela maneira algo tão importante quanto o que existia entre eles? — Pode me explicar. Quando partiu de Érice sem se despedir. ontem? — Senti muito a sua falta — respondeu ela. não estava muito diferente. suspirando. — Pareceu-me que sim — respondeu ele. então. E descontei em você — completou ele. mesmo estando despenteada e desarrumada. fiquei furioso comigo mesmo. pensei que havia algo especial entre nós. Blair era assim de manhã. afinal. então. Aqueceu-se por dentro. o amor acabou. Depois que fizemos amor. Não se sentia assim desde que partira de Érice. E. Mas depois de sua reação com relação ao problema de Taylor percebi que você não me amava ou não teria me dito tudo aquilo. — Agora que sei não estar apaixonada. O cabelo revolto sempre lhe dera a impressão de que ela acabara de sair da cama. preferindo não encará-lo. — Preocupação e culpa — interrompeu ele. — E por que saiu. mas teria vindo ver você independente disso. A raiva.. fico muito contente em 3 . sem conseguir compreender o que sentia. Exceto pelo nariz vermelho. — Eu teria dado qualquer coisa para estar com você a sós. então. Blair? Naquela tarde. acabando de beber o café. que não espero mais a lua e as estrelas. criando coragem para a próxima pergunta.. — Parte por isso e parte porque descobri que você não me aceita como sou. E. pensou ele. tentando descobrir a verdade. E como eu sabia de parte do seu passado. — Sim ou não? — Parece que não — respondeu ela. Mas. E não poderia culpá-la. certeza de que o seu cabelo estava despenteado. — De quê? — Temia que não quisesse mais me ver. provavelmente não — admitiu ela. quando percebi que Taylor poderia estar enfrentando algum problema. tentaria ser superficial.. ou está só dando uma passadinha? — Um pouco de cada coisa — respondeu ele. — Não parti por causa da nossa briga. retirando a bandeja da cama e segurando as mãos dela. — Estou aqui a negócios. no entanto. mas ele o escondeu.. por que ficou tão feliz em me ver. — Você partiu porque estava envergonhada? — inquiriu ele. O desapontamento foi enorme. — Não tem importância. Não queria que ele percebesse a profundidade de seus sentimentos. — Você tinha alguma razão especial para querer me ver.. imaginei estar apaixonada por você.

Conversamos e chegamos à conclusão de que não daria certo. mãe? — perguntou a menina. Não havia nada que pudesse dizer para trazê-lo de volta. mas ele já tinha ido. Blair colocava rodelas de pepino nos olhos inchados para que Taylor não percebesse que passara o dia chorando. Sua única chance era convencê-lo de que só estava interessada em um caso. tentando lavar a dor com as lágrimas. pegando uma uva do prato da mãe. percebeu que tinha errado. Fez um esforço sobre-humano para não chorar quando ele soltou suas mãos e se afastou dela. sem compromisso. desejando que ele acreditasse no que tinha dito. — O que a fez acreditar que vim oferecer-lhe alguma coisa? O coração dela quase parou. — Gostei de ter vindo vê-la. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser vê-lo sempre que puder. Blair permaneceu sem conseguir falar. Capítulo 10 No fim da tarde. por que ele está esperando que eu saia para poder jantar com você? — O quê? Onde? 3 . em direção à porta. Blair? Parecia que ele considerava a proposta. acabaria sem nada. O que houve? Brigaram outra vez? — Não foi bem assim. — Reduzimos ao básico. — É melhor do que ficar brigando a respeito de tudo — esclareceu ela. não é? — murmurou ela. lembra-se? — Hum — fez a filha. física e emocionalmente. desconsolada. Levantando as defesas para conseguir encará-lo. Soluçou. Se quisesse tudo. excluímos o "foram felizes para sempre" e me sentirei muito feliz em vê-lo de vez em quando. Nick não a amava e não continuaria a vê-la se pensasse que ela o amava. Doía tanto quando não dava certo. sem mais nada? Está falando em termos um caso. Blair suspirou. — Tem sempre isso. — Certamente não viajei toda esta distância para uma transa de uma noite. Ela sussurrou algo. Um caso com Nick jamais seria apenas sexo. pensou ela. — Estou resfriada. Estava ficando tão sofisticada. — Sexo. Esperança. porque odeio questões mal resolvidas — disse. uma bola de sabão. jogando os livros no pé da cama. Era surpreendente como tinha se tornado fácil dizer coisas nas quais não acreditava. enquanto ele atravessou o quarto. — Parece que você andou chorando. — O que há com os seus olhos. — Então. O coração de Blair disparou. olhando-a pela última vez. mas ele não precisava saber disso. — Talvez eu só quisesse ter certeza de que chegaria bem em casa e pedir desculpas por ter estragado suas férias — improvisou ele. Ouviu a porta da rua batendo e enterrou a cabeça no travesseiro. sabendo que tinha sido um sonho. enquanto as palavras jorravam da sua boca. uma tênue esperança. Blair prendeu a respiração e cruzou os dedos.

Blair viu que teria só dez minutos para se aprontar. — Não me importo com a minha cara — retrucou ela. Ele vai me levar até a casa do André e eu vou jantar lá. — Como? — Mãe. Sabia que a melhora seria temporária. Nick — sussurrou. beijou-a e disse: — Não voltarei muito tarde. E seria bom lavar o rosto. não poderia desperdiçar nem um segundo. Olhando a hora. Estava mesmo um pouco tonta. beijou-a na testa e empurrou-a. — Como você está doente e não pode fazer amor. não sei qual é o problema. Ele estava de volta e ela queria que ficasse. foi para o banheiro. deu um passo para frente. mas não finja que não quer vê-lo porque eu sei que quer. — Por que não se senta? Parece um pouco tonta. como se estivessem calculando a distância emocional que existia entre eles. até encontrar o que queria. — Alô. Taylor abraçou- a. disse: — Se não quiser fazer por você. e ia usar a chave de Taylor — explicou ele. se estava tão horrível quanto Taylor havia dito. Não importava que tivesse passado o dia chorando sua perda. Veja se não a perde — aconselhou Taylor. — Dê o nome que quiser. Ficou satisfeita com a imagem que viu refletida. Jogando a combinação de seda sobre a cama. diga que eu posso ir e comece a se arrumar. não estaria procurando uma roupa bonita para vestir. Blair encolheu-se na ponta do sofá. Surpreendida com a evidência nas mãos. O seu cabelo está horrível. — Parece que ultimamente tudo o que fazemos é brigar ou fazer amor — continuou. Vou levar as compras até a cozinha e já volto. A voz dele tinha uma sonoridade que a fazia tremer. — E como você sabe? — perguntou Blair. enquanto tentava equacionar as razões da vinda de Nick. Blair não pôde continuar negando. — Pensei que talvez pudéssemos passar algum tempo juntos sem brigar. delicadamente. para a sala. — Alô. O frio na barriga se tornou mais forte. mas ele está aí e é a sua grande oportunidade. A campainha tocou outra vez a ela apressou-se em abrir a porta. — Isso é chantagem — acusou a mãe. colocando a chave no bolso. E. Não disse mais nada porque esquecera de tudo. Estendeu-lhe o copo de suco de frutas e começou a bebericar do seu. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Lá embaixo. — Fiz isso por sua causa e não por causa dele! Como poderia adivinhar que ele voltaria? — Olhe. Uma centelha passou pelos olhos de Nick e o clima se quebrou. como se fosse difícil continuar. A campainha tocou doze minutos mais tarde. assim que entrou na sala novamente. E. Já não tinham dito tudo o que havia para dizer? — Se não se importasse. Blair. examinando a roupa de baixo de seda. hesitante. — Se não quisesse vê-lo. Era sempre assim. pensei que poderíamos passar umas horas 3 . mãe. Olhou- se no espelho e viu que o tom pêssego do suéter tinha lhe dado um colorido às faces. faça-o por mim. A irmã do André me trará para casa. Ele começou a falar. Blair assoou o nariz e reaplicou o pó-de-arroz. mas não em virtude do resfriado. Está com cara de quem passou o dia na cama chorando. saindo da cama e abrindo as gavetas da cômoda. não teria usado pepino para disfarçar o inchaço. — Pensei que tivesse adormecido. Eu acho o Nick bárbaro. Olharam-se longamente.

e como sentia falta! O corpo dele colado ao seu. Era onde ela queria estar. deliciando-se com a urgência com a qual ela se grudava a ele. nada tinha importância.. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser conversando. Sua vontade era abraçá-la apertado. Podiam construir a partir daí. Queria outro. tudo seria mais fácil. — falou ele mansamente. mas não é uma briga — respondeu ele sorrindo e acalmando-a. — O que me faz lembrar.. Paralisava-a e a deixava completamente indefesa. porque eu não quero ir embora e você não quer que eu vá. puxando-a delicadamente.. — Não use essa palavra comigo! — gritou ela. Ela se voltou e a luz de fora refletiu em seus cabelos. até que seus corpos se tocaram. pondo o copo sobre a mesa. Blair. Se ela estivesse grávida. a loucura quando ele a fazia atingir as estrelas. 3 . pegou um lenço de papel e espirrou. "Amor". sem encontrar resistência. Será que a vida tinha de ser sempre tão complicada? — Não vamos. antes que derrubasse o suco no sofá. afinal. O desejo inicial tinha sido satisfeito e. Tocado pela delicadeza de seu rosto. Chegamos perto. — Nós bem que tentamos e pelo que vi você não estava nem um pouco preocupado com isso naqueles momentos! — Não se irrite.. formando um halo. pelos quadris. — O que quer dizer com "ultimamente"? Faz quase dois meses que fizemos amor. contemplar a paisagem tão conhecida. Deixando de lado todas as brigas. Doía. a umidade e relembrou o gosto. O Nick de quem se lembrava era muito menos direto. Era só inclinar-se. Doente demais para fazer amor? E ele dizia isso com toda a calma. Isto é o que o tinha trazido de volta. refletiu ele. — Você está grávida? — repetiu Nick. Nos braços dele. — Você está grávida? Blair engasgou outra vez. Blair levantou-se e foi até a janela. — Como sabe? A tensão estava lá. Talvez não fosse um sonho absurdo. Sentiu a quentura. mais doce. — Não vamos brigar. não. Engoliu seus gemidos. mas precisava dizer algo antes. mas.. lá vamos nós para mais uma briga — lamentou ela. não esta noite — disse ele com firmeza. disputas e diferenças. Segurando-a pelos cabelos. — Porque eu a estou abraçando e você está me abraçando — respondeu ele. irritada. Examinou a imagem que tinha na memória. — Que palavra? Grávida? — perguntou ele confuso. Chegou tão perto que. numa entrega total. quase podia tocá-la. Combinava com o homem a sua frente. escondendo o desapontamento. quando estavam assim próximos. a excitação. — Estou o quê? — perguntou ela. Engasgou outra vez. tocá-lo. Ah. O beijo se tornou menos exigente. Nick. — E por que acha que não quer dizer nada para mim? — Oh. dando e recebendo o primeiro beijo depois de muitas semanas. Pelo menos. Ela ficava tão agressiva.. outra vez. — Amor! Não a use já que ela não quer dizer nada para você. sempre teriam isto. ainda sob a ação da lembrança do primeiro beijo. agora. Este era o homem a quem amara na escaldante praia siciliana e não importava que ele não a amasse. amor. Ela balançou a cabeça. Não quero brigar com você. e aconteceria. Blair quase engasgou com o suco. Nick introduziu a língua na sua boca. Nick pôs-se de pé e caminhou em direção a ela. pacientemente.

— Sim. Pôs uma manta leve sobre os ombros dela. hoje de manhã? — perguntou. — Não estou e aposto que você também não está. — Voltei na esperança de que você não tivesse falado sério. inclusive do jantar e do resfriado. Desde que partira de Érice. Agora que o tinha visto. mesmo que seja só um pouquinho. Passei o dia todo pensando e tudo isso só pode fazer sentido se você me amar. Havia problemas entre eles. — Foi por isso que voltei esta noite. — Perdi o controle e não me ocorreu que você estivesse fingindo — disse. Perto de Blair. sabia que jamais poderia esquecer. — Tenho alguns dias livres antes de precisar voltar ao escritório e. com cuidado. Nick deu a volta na mesa e. que o tinha beijado. a forma como Blair o retribuíra. não havia nada mais a fazer. Nick aparentava calma ao falar. no queixo. Blair sentou-se no banco alto.. Precisava beijá-la antes de responder. Ele tinha ficado tão enraivecido com a ideia naquela manhã! E ela precisava saber até onde poderia sonhar. não conheço ninguém em Amsterdã. querendo ver a reação dela. sorrindo. Blair engoliu em seco. O beijo. Morria de medo que ela não concordasse. — Jantar? — perguntou ela. Pela primeira vez notou o leve inchaço dos olhos e se recriminou por ter esquecido que ela estava doente. dera-lhe coragem e esperança. Não queria ir embora sem vê-la outra vez. você precisa se alimentar para sarar logo. indo para perto dela.. pegou a caixa de lenços de papel e empurrou-a até a cozinha. Beijou-a com ardor. e 3 .. Não fazia sentido. na testa. nada tão grave. desejando dizer algo que não fosse a confissão de como sentiria sua falta. mas que precisavam ser discutidos e resolvidos. segurou-lhe o queixo e obrigou-a a encará- lo. Amava-o. — Eu tinha esperança de poder voltar para cá. As mudanças não poderiam ser só de sua parte. Mas não tinha deixado de amá-lo só porque queria. ao lado da mesa. ainda fora do ar. hoje de manhã. depois afastou-se um pouquinho. Muitas noites sonhara que ele estava a seu lado. tornava-se difícil pensar com lógica. — E o que o leva a pensar que o amo? — Porque eu te amo e a mulher que conheço e que amo jamais teria feito essa proposta. Bem. depois das reuniões na Holanda — disse ele. — Pensei que não estivesse interessado em ter um caso comigo — falou Blair devagar. — Acho que precisamos providenciar o jantar — murmurou. Sonhos nunca duravam. Abraçá-lo a tinha feito esquecer de todo o resto. dividindo a vida e o amor.. esperando que ele buscasse os copos de suco. perto das orelhas. Nick gostaria de rever alguns deles e precisava convencer Blair a ajudá-lo. mas mantinha os dedos cruzados. dando-lhe um último beijo na ponta do nariz. Nas pálpebras. Tremia e seus olhos se encheram de lágrimas. enquanto seus lábios se aproximavam. — Amanhã cedo preciso ir a Amsterdã — contou ele. Mas sabia que nem tudo podia ser resolvido com um beijo. porém não alimentava mais a ilusão de que ele também a amasse. Blair deu um pequeno grito que apagou toda a dor. vinha tentando afastá-lo de seus pensamentos. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser ele se contentava em espalhar pequenos beijos pelo seu rosto. Sabendo que não iria vê-lo outra vez. Ele a amava e tinha coragem suficiente para admiti-lo! — Por que não me contou isso.

os olhos brilhando. — Celebraremos quando você estiver melhor. fingindo não ver que ela enrubescia e se embaraçava. Fazia sentido. mas achava que Blair ainda não estava pronta para discutir casamento e filhos. — Eu te amo — disse ela. toda a ansiedade. A cena era engraçada. Blair deixou que cinco minutos se passassem e. Vai levar ainda uma hora. Vamos comer a minha deliciosa sopa de cebola. Serviu a salada e. Sabia disto esta manhã. Teremos muitos problemas para enfrentar e gostaria de deixá-los de lado por um tempo. resfriada. Será que ela quereria ter outros filhos? Colocando a faca sobre a pia. abriu o saco do supermercado e tirou as verduras para preparar uma salada. mas as bobagens que você disse me confundiram. Então. finalmente. — Quer dizer que você me ama? — Lógico que sim! Nick deixou. mas não tive coragem de comprar uma galinha no mercado. Queria dizer-lhe outras coisas. não notará a diferença. E. voltando ao assunto inicial: — Acho que deveríamos comemorar. Apoiou-se na mesa e respirou fundo várias vezes antes de conseguir falar. talvez seja mais fácil resolvê-los. mais ou menos. — Que bom! — exclamou Nick. o que fazemos? Nick não parou de trabalhar. talvez seja bom não pensarmos no assunto. — A última coisa que queria era que você soubesse que o amava. respondeu: — Acho que primeiro precisamos alimentar as coisas positivas. até lá. Até lá terá de se contentar com uma salada. não aguentando mais. — Nada. finalmente. De qualquer jeito. — Podia ter dito isso há cinco minutos — falou. — Isso não equivale a fugir dos problemas? Nick limitou-se a sacudir a cabeça ao mesmo tempo em que pegava pratos e talheres e os levava para a mesa. escapar um suspiro que levou toda a tensão. Com isso. perguntou: — E agora. todo o desespero que sentira. — Aquelas com a cabeça e tudo? — Exatamente. — O que quer dizer com "não fazemos nada"? — perguntou ela. exceto jantar. — Foi essa a ideia — admitiu ela. Pensei em fazer uma canja. Pensei que isso o amedrontaria e preferia ter só um pouco de você do que perdê-lo por completo. e gostou tanto de dizer essas palavras que resolveu repeti-las: — Eu amo você. finalmente. Nick. — Ou até consumar o nosso amor — brincou ele. Nick continuou ocupado com o preparo do jantar e levou algum tempo para voltar ao assunto. — Sopa de cebola em uma hora? Não vai estar cozida! — Espere para ver! Vai adorar. por que tinha a sensação de que não seria assim tão fácil? 3 . abrindo uma gaveta de talheres e pegando a faca de que precisava. Tinha certeza de que ele não percebera que estava com a faca no ar. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser deixando-a maravilhada ao repetir as palavras mágicas: — Eu te amo.

pensou que talvez Blair enfrentasse problemas econômicos. viu-a estender as mãos para o vaso que estava mais no alto e pegar uma única violeta. — Peguei um voo mais cedo. Parecia uma eternidade. apontando para o outro lado da rua. Nick esperou um pouco mais. — É do irmão de Léo. para ganhar tempo. Provavelmente não tornarei a fazê-las. arrumando algumas flores. outra vez. Nick beijou-a na testa. A um sinal dos passageiros. Nick afastou-se um pouco e deixou os olhos correrem pelo lugar. — A proprietária do seu apartamento me disse que a encontraria aqui. Blair virou-se. Mas não fez menção ao fato de que vendia flores. — Não tem de ficar o dia inteiro? — Não foi isso que planejei. transportavam turistas. A praça estava cheia de turistas que passeavam entre as várias barracas. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Capítulo 11 Ouviu-a antes de vê-la. porque sabia perfeitamente bem que ela não gostava de interferências. pois havia gente demais ao redor para que pudesse fazer outra coisa. Contou até dez. porém. Mas. Vou pedir a Léo que me substitua. o cocheiro parou e a menina entregou as flores. puxadas por parelhas de cavalos. O mercado era o centro da cidade velha e era cercado por construções históricas. Ouviu a risada. — Nick! Pensei que só chegasse à tarde — exclamou a menina. — Você voltou! — exclamou. Blair foi engolida pelo redemoinho refletido nos olhos dele e fechou os seus. — Mamãe planejou um jantar maravilhoso e vamos arrumar uma mesa linda para ficar bem romântico. Nick avistou uma menina correndo ao lado de outra. em dias bonitos como hoje. — E as excursões pelo canal? — perguntou ele. Nick rezou para que não a chamassem mais. tentando escapar da sensação vertiginosa. Nick aproximou-se mais um pouco e ficou observando-a. Só percebeu que era Taylor quando a garota se virou. recebendo umas poucas moedas. — Estou feliz por você ter vindo antes. Blair estava cercada por flores e. E eu vou ajudar a fazer a sobremesa! 3 . prefiro trabalhar aqui. Dou uma mão quando não tenho outro serviço. aparentemente. Com a chegada de mais um freguês. enquanto embrulhava um maço de flores e o entregava a um rapaz. a menos que precisem de mim nos dias com muito movimento. enquanto mentalmente tentava encontrar uma boa razão para que ela não estivesse na escola em vez de vender flores. antes de chegar perto da barraca de flores. — Pensei que só fosse chegar mais tarde — murmurou ela. Estava rindo e ele seguiu o som da risada até distingui-la em meio à multidão. correndo para ser acolhida pelos braços que se abriam. Também trabalho na loja de camisetas — esclareceu. Carruagens. — É um emprego temporário. vendendo flores. Pela primeira vez. prontamente. debruçando-se sobre o balcão e oferecendo o rosto para um beijo. com os olhos brilhantes. para podermos ir almoçar. as vendia. Os beijos teriam de esperar. Não disse nada. Não conseguia esperar mais para vê-la. Ele disse alguma coisa que a fez rir antes de aceitar as moedas que lhe eram entregues. Fazia dois dias que tinha partido para Amsterdã.

Resultado de bons investimentos e da venda da casa. Taylor reapareceu. está bem? — recomendou a menina. franzindo a testa. — Não trabalho mais hoje. — Eu acho que um buquê de flores é mais do que suficiente como agradecimento. Na verdade. que a esperava. Ajudo quando não tenho outra coisa para fazer.. alisando a mão dele. 3 . Blair riu do embaraço dele. há uns dez anos. veja se consegue encontrar o Léo para mim — pediu Blair e a menina saiu ziguezagueando pela praça. entrelaçando os dedos nos de Blair.. imaginando como Blair planejava uma noite romântica se teriam a presença de Taylor. Ela o levara a pensar aquilo e seria uma boa hora para esclarecer tudo. no entanto. — Viva! E se mamãe não se importar. Não fez nenhum comentário. — Combinado — concordou ele. então. Léo deu-lhe um beijo e um maço de flores. flores? — E o que mais você esperaria? — Dinheiro — respondeu ele. Disse-lhe que poderia ficar por umas duas horas. Nick ficou pensando se Blair estaria contando com aquele dinheiro. — Algo me diz que vou precisar de um bom almoço — comentou ele. dirigindo-se para perto da mãe.. uma vez que ela não parecia preocupada. — Tinha muito dinheiro economizado quando Taylor e eu partimos dos Estados Unidos. Jamais chegamos a mexer nele. se não tinha um trabalho que lhe gratificasse financeiramente. Nick esperou até que tivessem terminado a refeição para perguntar-lhe a respeito da barraca das flores. acompanhada de um homem que usava uma camiseta na qual estava escrito "Eu amo Bruges".. — Talvez fosse mais apropriado uma bebida forte — sugeriu Blair. guiando-o até o restaurante. Taylor tem aula hoje à tarde e André trará alguma coisa para os dois almoçarem. Nesse momento.. Pensava que tinha problemas econômicos. em direção ao correio onde Taylor tinha visto André. Herdei-a de meus pais. abraçando-o. Despediu-se da mãe e perguntou a Nick: — Você vai me buscar na escola? — Posso fazê-lo. — Não vou lhe contar para não estragar a surpresa — respondeu a menina. — Não sou tão irresponsável quanto imagina. o pai dela estabeleceu um fundo para sua educação. atravessaram a praça. Blair fez as apresentações e prometeu que voltaria em outro dia para ajudá-lo. para que a garçonete retirasse os pratos. — Taylor. saindo correndo para encontrar o amigo. aspirando o perfume das flores que ganhara. desviando dos turistas.. Nick — disse ela. Não devia ser muito. — Imagino que não ganhe o suficiente para que valha a pena — comentou ele. — Quanto tempo teremos para o almoço? — perguntou Nick. Nick tomou um longo gole de cerveja. Os três. — E quem disse que eu preciso de dinheiro? — perguntou ela.. mas. eu o levarei ao meu lugar preferido em Bruges — completou. sem ter muita certeza do que o esperava. — Você ganhou só as. antes de falar. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — E como vai ajudar para que a sobremesa seja tão especial? — perguntou. — Use tênis. — Isso depende do que se considera o suficiente — respondeu ela em tom brincalhão. — Já lhe disse. imaginei que estivesse com dificuldades financeiras. E quanto ao futuro de Taylor. endireitando- se na cadeira. — Quando vi Taylor ajudando.. imaginando como Blair poderia se sustentar. só estava fazendo um favor para Léo.

Agora sabe que. — Por isso também leva turistas para passearem de barco? — Exatamente. Se não quiser. Caminharam pelo mercado e viraram no canal que levava à casa de Blair. Suponho que deva ter lido sobre o nascimento de Taylor nos jornais. Ele gostou da ideia de ter um filho. desejando que Nick não levasse tudo tão a sério. nossos caminhos já tinham se separado. mas compreendeu que as coisas deram certo desse jeito. Nick pagou a conta. poderá devolvê-lo. feliz por ele começar a entender a vida que levava. quando ele voltou ao assunto: — Então. não podia aceitar. — Devo perguntar a respeito dos outros bicos que você faz? — Talvez não — respondeu ela com voz doce. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Você nunca falou do pai dela — comentou ele. porque logo depois mandou um advogado explicar-me sobre o fundo para o bebê. — Podia ter feito uma tragédia. Contentaram-se em andar. mesmo então. — E você? — Vendo flores porque é divertido. levantando-se. Tudo tinha acontecido há tanto tempo e. Taylor jamais o viu. não é? — perguntou Blair. feliz por não ter mais segredos. a sua maneira. nem eu o amava. sugeriu: — É melhor pôr as flores na água. — Nem tanto. Sobre a proposta de casamento e sobre o fundo. — Casar foi um dos erros que não fizemos. Ela é parte do que temos juntos. mas que era melhor contar a verdade. — Imagino que ele tenha ficado aliviado. por que Taylor estava vendendo flores? — Porque não tinha aula esta manhã e gosta de praticar as línguas que sabe. ele é um bom sujeito e que tomamos a melhor decisão para todos os envolvidos. sentindo o calor do sol. Sabia que ele não conseguiria entender. — É uma atitude bastante madura. Eles pensavam que eu queria o dinheiro de Larry. não havia sido tão ruim. falando com os turistas. Mas ele não me amava. entregou o buquê de flores para Blair e. suspirando. De qualquer jeito. percebendo o quanto ela falara de sua vida naqueles poucos momentos. — E como ela sente o fato de não ter pai? — Você quer saber realmente de tudo. Não tenho sequer certeza de que ele sabe se ela é um menino ou uma menina. Blair suspirou. achei que o mínimo que podia fazer era contar-lhe a respeito do bebê. — Estou só querendo saber mais a seu respeito e a respeito de Taylor. portanto. Já estavam quase em casa. como éramos amigos. Quando descobri que estava grávida. sem conseguir acreditar que um homem pudesse ser tão cruel. — Contei-lhe toda a história há alguns anos. — Minha filha é bastante madura — concordou Blair. — Quer dizer que se divorciaram enquanto você estava grávida? — perguntou Nick. pois pensava que o pai desaparecera quando soubera que eu estava grávida. — E ele não lhe propôs casamento? — Lógico que sim. tínhamos nos separado e não imaginava ter mais notícias dele. Quanto aos pais dele. Mas. — E você aceitou? — Lógico! O dinheiro é de Taylor e quando ela quiser estará lá. — Não há muito a ser dito. Ela ficou feliz em saber. 3 . tenho certeza de que ficaram aliviados.

Lembrando-se de onde estavam. com voz rouca. 3 . Beijou-a. apoiando-se no braço dele para se equilibrar. Nick soltou a respiração. Podia sentir os seios intumescidos. O momento estava carregado de erotismo. uma visão excelente do que estava dentro delas. esperando que ela desse um sinal. Ele tem duas carruagens na praça do mercado. sensual. Nick engoliu em seco e perguntou: — Você está tentando me seduzir? — Está funcionando? — retorquiu Blair. absorvendo os tremores que percorriam o corpo de Blair. introduziu a língua na sua boca. na verdade. Não tinha mais a saia e a blusa de verão que vestia há pouco. ansiosa. no seu pescoço. As línguas se encontraram. saboreando-o. — Então. fazendo-o recordar-se de como os mamilos dela eram sensíveis. sentiu o calor. Enquanto ele a contemplava. afastou-se um pouco e disse. apertados contra o seu peito. ele ouviu o barulho da porta e a viu. se reconheceram. As peças eram tão pequenas. engolindo os gemidos. dirija a carruagem. Flores. que ele desse o passo seguinte. esperando. estreitando o contato. as que estavam nas mãos de Blair. excitá-la como ela o estava excitando. subiu a escada até seu apartamento. o telefone tocou. O perfume das flores invadia suas narinas. mulher. direi a ele que não vou. Não sei ainda se você estará aqui amanhã. Sim. Ofereciam. outra vez. — Sim. Então. Era mágico. Sentia-se feliz por ter cedido ao impulso de tirar a roupa e ficar só de calcinha e meia combinação. conduzo uma para ele. Queria tocá-los. depois. estava excitada. antes? Será. enquanto ela se dirigia para a cozinha. Quer que eu dirija para ele amanhã. Ela o atendeu e. e procurou-lhe a boca. Nick se controlava. Mas vou precisar ir a Bruxelas de tarde e esperava que pudesse ir comigo. — Dirija para ele? — Sim. imagino que estou tentando seduzi-lo — respondeu ela. Sentou no sofá. vestia-se de seda. Será que Blair se importaria de fazer amor ali. Nick adiantou-se para abri-la. — Sim. Tinha temido sentir-se ridícula. o sabor doce. ela levantou o rosto sorridente para agradecer e seus lábios ficaram muito próximos. Vamos entrar? Blair custou a entender. baixinho: — As flores precisam de água.. — Vou colocar as flores na água e depois pensaremos em alguma coisa com que ocupar à tarde. mas. — E você vai? — Disse que daria a resposta mais tarde. Foi irresistível. Um beijo gentil como a brisa da primavera.. estarei. Tinha medo de aprofundar o contato. deixando a ambos sem respiração. — Então. quando não tenho outras coisas para fazer. Segurou-se com mais força nele. de tarde? Será que preferiria dar um passeio. Ela levou as mãos até a nuca dele. no apartamento que dividia com a filha? E. acompanhando sua respiração através dos movimentos de subida e descida dos seios. está funcionando. Às vezes. pedindo uma resposta mais decidida. que não poderia dizer ao certo. Surpreender Nick era quase tão excitante quanto beijá-lo. entrou e só então respondeu. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Subiram os degraus e chegaram à porta da frente. Blair queria muito mais. Ele estava tão perto e ela o queria tanto. porém. quente. Abriu finalmente a porta. Nick cedeu ao apelo feminino. Os lábios se tocaram. Ficou na ponta dos pés. ainda por cima. pois sabia que a queria inteira. explicou-lhe: — Era Frankie. Ou ele achava que era seda. Ele lhe mordeu o lábio inferior.

Só percebeu que ele tinha se movido. Nick estendeu a mão. pele contra pele. voltou-se para as duas fazendo uma careta ao perceber a inesgotável energia que emanava da menina. Era quase uma outra dimensão da intimidade criada pelo amor. até que seus corpos se estreitaram. A posição era sugestiva. obrigando-a a se entregar mais e mais. Juntos. Estava perdendo o controle. Nick queria prolongar o mais possível o ato de amor. Blair seguiu-o por intermináveis aventuras até que as estrelas explodiram e eles se uniram no abraço vibrante do amor consumado. como só os jovens podem ter. Ele a fazia sentir-se maravilhosamente viva. ele conseguiu! Subiu todos os trezentos e sessenta e seis degraus! — exclamou Taylor alegremente. de frente para ele. — Porque pensei que preferisse o conforto do sofá. com voz rouca. Ir devagar não fazia mais sentido. sabendo que seu coração lhe pertencia. mesmo assim. pronta para recebê-lo dentro de si. sem sair do sofá. Beijou-a com vagar. para sentir a rigidez do membro masculino. Não fazia sentido sair dali se logo teriam de voltar para poder deitar. Pressionou o corpo contra o dele e se reclinaram sobre as almofadas. Tudo era novo e mais excitante que da primeira vez. a quentura no meio das pernas. ele esperava. convidativo. Murmuravam palavras sensuais. deleitando-se com cada centímetro e sabendo que. Olhos nos olhos. deliciada em ver a expressão de frustração que apareceu no rosto dele. Esperou. Nick tinha levado os dois ao ponto mais alto do amor físico. dentro em pouco. onde tomou um enorme copo de água. sentindo o volume dos seios. Estava vulnerável. Nick enveredou para a cozinha. A seda não constituía barreira. Suas mãos dirigiram-se para a beirada rendada da calcinha. — Você podia ter me avisado — disse ele com certa agressividade e Blair percebeu que 3 . enquanto sua boca procurava os mamilos eretos. a união física tinha se tornado ainda mais preciosa. Pôde. vendo o rosto da mulher que amava refletir a sensação gloriosa. Olhar já não bastava. mas se quiser fazer amor de pé. Parou a poucos centímetros de Nick. sentou-se no seu colo. lentamente. mas. Nick livrou-a da calcinha. Cheio de carinho e paixão. certamente não precisa vir. — E por que você não vem até aqui? — brincou ela. então. porém acrescentava em erotismo. explorando-lhe a boca. Taylor vinha cheia de energia. e Nick arrastava-se escada acima. fechar os olhos e deixar seu corpo livre para acompanhá-la. começou a caminhar. seus dedos estariam percorrendo a pele acetinada. Blair prendeu a respiração frente ao quadro sugerido. quando sentiu as mãos quentes sobre os seus quadris. sugando-lhe a saliva e os gemidos. com os joelhos apoiados sobre o sofá. correndo para beijar a mãe. Blair precisou de toda sua concentração para desabotoar-lhe a camisa uma vez que as mãos dele tinham deslizado por debaixo da pequena combinação e acariciavam os seus seios. conscientes só do que sentiam e faziam sentir. Penetrou-a com a língua. Deixou seus olhos passearem pelo corpo dela. não se aguentando mais de pé. Quando matou a sede. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Nick não se apressou. Blair riu ao vê-los. — Mãe. acariciando-os com pequenos movimentos circulares. acariciando-a de leve sobre o tecido macio. até que Blair. Tinham a tarde toda. Porque se amavam. removeram as roupas dele. Nick se deteve longamente nos quadris. em direção ao sofá. Uma onda de excitação percorreu seu corpo esguio. — Venha aqui — murmurou. O modo como se amavam era intenso e selvagem. além de excitante. Seu desejo aumentava.

dizendo: — Volte as sete e não se atrase. Fazendo um carinho nas costas de Taylor. ouviu os gritos. — Se tivesse usado tênis como eu avisei. não. O cheiro estava ótimo. Blair dirigiu-se para o seu quarto. pegando uma maçã. — Pensei que podia queimar umas calorias — respondeu ela. — E traga umas flores. Taylor parou. Estavam na cama fazendo amor outra vez e. mamãe! Pegou fogo e não consigo apagá-lo! As lágrimas corriam-lhe pelo rosto. ele tinha ido. agarrou-a pela mão gritando: — É um incêndio. jamais se pede flores a um homem. apagando o fogo e tampando as panelas. Fogo é perigoso e deixaremos que Nick faça essa parte. beijando o rosto de Blair e saindo depressa. — Mudou de ideia quanto a me deixar acender o fogo? — Absolutamente. — Taylor. 3 . para verificar o molho. — Talvez Léo ainda tenha algum buquê bonito — interpôs Nick. — Sobre o Belfry? — perguntou. Desligou a água a tempo de ouvir o barulho dos pés de Taylor. Conduziu a mãe para fora do quarto. Estas estão murchas. pensando no novo perfume que havia comprado. com ar inocente. — Lógico. O coração de Blair batia descompassado. lembrando-se que quase o tinha obrigado a levantar-se a tempo de pegar Taylor na escola. Quando Nick pôs a cabeça sobre seu ombro para conferir o que tinha nas panelas. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser descontaria nela. Acho que mamãe demorou muito para pô-las na água. Abaixou o fogo. não teria escorregado tanto — ajuntou Taylor. Tinha prometido deixar que Taylor a servisse e queria ter certeza de que ela saberia a quantidade exata de conhaque para que o resultado final fosse ótimo. Será que Nick notaria? Capítulo 12 Primeiro. embora relutante. — E a sobremesa? — Depois do banho. sobre as tábuas do chão de seu quarto. Blair sorriu e destampou uma panela. enrolando-se em uma toalha antes de abrir a porta. — Mas não estou pedindo para mim. Continuava gritando e Blair saiu atabalhoadamente do chuveiro. mais tarde. ela lembrou que o jantar seria uma surpresa e empurrou-o para fora da cozinha. Fez a menina parar e encará-la. Incêndio! Sentia o cheiro da fumaça e via-a enchendo o corredor. Estou lembrando que ele deve trazê-las para você. referindo-se à sobremesa que exigia que se pusesse fogo no conhaque que a acompanhava. ensino você a flambar — respondeu a mãe. — Vou tomar um banho — disse Blair. Você sabia que ela me levaria lá. para deixá-lo engrossar mais um pouco.

e preste atenção. Taylor. Amaldiçoou as mãos trêmulas. depois foram todos os outros inquilinos do prédio. — Foi tudo culpa minha. onde? Para poder se salvar e salvar a filha. sentia o calor abrasador. — Na cozinha — soluçou Taylor. conseguiu acioná-lo. atravessando a fumaça e atingindo o carvão em brasa. — Tudo que tiveram de fazer foi abrir as janelas para que a fumaça saísse. o grupo de pessoas que viera ajudar arrastou-a para a sala. felizmente. para descobrir como funcionava. ouviu bem? Empurrou a filha porta afora. Ela mantinha o extintor suspenso e virado na direção do aquecedor. vestiu um roupão e investiu para dentro da cozinha enfumaçada. na cozinha. tentando correr naquela direção. — Você tem de respirar oxigênio para conseguir tirar a fumaça que está depositada em seus pulmões. Taylor ficou perto da mãe. Finalmente. precisava saber onde o fogo tinha começado. não havia mais labaredas. Rabineau agradecer por Blair ter se arriscado. quando necessário. mãe — continuou informando Taylor. Blair tossia muito. tinha apenas um cilindro vazio. Blair não ia permitir que a filha voltasse à cozinha. Blair se preparou. inclusive você. Blair subiu a escada com o braço sobre os ombros de Taylor. mamãe — explicou Taylor. tossiu. De onde estava. mas não quis sair da cozinha antes de ter certeza de que o fogo não recomeçaria. Primeiro foi a vez da sra. afinal. para sua sorte. Vá à casa da sra. Agarrou-a pelo braço e disse: — Ouça. Vinham ruídos da cozinha e para lá se dirigiram. A espuma branca espirrou. tentando tirar a fumaça dos pulmões. ou assim lhe pareceu. O crepitar tinha aumentado de intensidade e ela não ousava se aproximar mais do aquecedor. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Onde é o incêndio. — Eles estão dizendo que você dominou o fogo sozinha. Rabineau e peça para chamar os bombeiros. Em seguida. A fumaça tinha tomado conta de seus pulmões e ela tossia incontrolavelmente quando os bombeiros. na esperança de que o fogo não tivesse espalhado. 3 . Fiquem todos na rua. Fora a tossinha persistente. por causa da fumaça. Deu dois passos em direção ao aquecedor e. O crepitar parecia vir só do aquecedor. O extintor era pequeno e se esvaziou rapidamente. deu uma cuidadosa olhada. avise a todos para saírem do prédio. Um dos bombeiros lidava com o aquecedor. Estava um pouco envergonhada por se encontrar de roupão em pleno jardim do prédio. Tentando controlar o nervosismo. Não conseguia ver nada. Colocaram uma máscara em seu rosto e disseram algo ininteligível. portanto. à medida que ouvia as conversas a seu redor. Blair afastou a máscara para tossir e sentiu-se aliviada por estar conseguindo limpar os pulmões. exceto pela pouca fumaça. ajudaram-na a chegar à rua. as pessoas tiveram permissão para voltar para seus respectivos apartamentos e mãe e filha as acompanharam. Blair se sentia bem. — Respire. mas. não havia indícios da quase tragédia. Ouviu passos na escada e. à procura de labaredas e fagulhas. curiosamente. Em suas mãos. traduzindo. finalmente. tentando inalar o ar da tarde. acertou a mira e apertou o botão. — E estão desapontados? — Ao contrário. Levou uma eternidade. Mentalmente. Tinha horror de incêndios e a possibilidade de perder Taylor a deixava apavorada. Abriu a porta do apartamento e. e respirava fundo. embora a fumaça continuasse densa. querendo sentir sua proximidade. pensou que poderia chegar até o extintor que estava embaixo da pia. Taylor? No seu quarto. mas o crepitar tinha diminuído. ia traçando as possíveis rotas de fuga. O sistema de aquecimento pegou fogo.

Mesmo que não seja feita para suportar altas temperaturas. agradecendo. você cometeu dois grandes erros. encheu um copo de água e tomou-o todo. Ficou surpresa.. como você disse. Tentou aparentar calma. pois parecia que tinha passado muito tempo desde o início do incêndio. Só para isso. Blair abraçou a menina. que prometeu mandar alguém para cuidar do conserto e limpeza do aquecedor e. acho que dei um pulo e parte do conhaque deve ter caído dentro do aquecedor. E não pensei no aquecedor. Mas o principal é que já lhe disse um milhão de vezes que não pode brincar com fósforos.. brincou com fósforos. As labaredas se formaram na parte de cima. Antes que ele pudesse responder. Fechando a torneira. — Eu queria ver se o conhaque da sobremesa realmente pegaria fogo. tentando ter em mente que o apartamento não tinha praticamente sofrido danos. Segundo. joguei umas toalhas em cima. no canto. aquecedores a carvão pertenciam ao passado. teria passado para os armários de madeira. Agora é só chamar alguém para limpar o aquecedor. — Mãe. Nos Estados Unidos. Ele ainda a lembrou de recarregar o extintor de incêndio. depois. provavelmente não teria havido 3 . A gente sempre põe coisas lá em cima e não tinha outro lugar! — Usamos o aquecedor para conservar a comida quente. hoje — começou. lembrou-se que Taylor lhe tinha dito algo. mas só piorou. para tentar tirar o cheiro de fumaça dos cabelos. Tossiu outra vez. — Primeiro. não sei. Aí. tentando confortá-la. sabendo que não deveria. eu fiz uma grande confusão. — A culpa foi minha. Blair deixou-a refletir sobre o assunto e foi abrir algumas outras janelas que os bombeiros não tinham visto. mamãe. — Aconteceu tão depressa. enquanto na Europa podiam ainda ser encontrados em muitas casas. entre lágrimas e soluços. Blair orientou-a sobre o que fazer com a comida estragada e como remover a fuligem dos armários e das paredes. não estragou. Voltando para o quarto. Voltou-se e viu que ela chorava. — Filha. e fê-la sentar. Blair admitiu que. Não teria acontecido em Nova Jersey. Tossiu ao inspirar o vapor quente e percebeu que seria difícil tirar a fumaça dos pulmões. querida — suspirou Blair. muito pouco. — explicou Taylor. Blair acompanhou-o até a porta. Pus um pouco numa tigela e joguei o fósforo dentro. se não fosse o aquecedor. mãe. — E teve sorte. agora? Taylor baixou a cabeça e suspirou. Se a senhora não tivesse apagado o fogo logo. O bombeiro limitou-se a erguer uma sobrancelha. relembrando a cena aterradora. ao ver que ele falava inglês. Fez um bom trabalho. A fumaça ficou presa do lado errado do aquecedor e se espalhou pela casa toda. não foi? — O que acha? — Que vou passar o resto do ano de castigo. Consegue fazê-lo? Taylor abraçou a mãe e correu para a cozinha. desta vez. Entende por que. Decidiu tomar outro banho. pensou. sentou-se ao lado de Taylor. tomou mais água e perguntou ao bombeiro: — Estragou muita coisa? — Não. — Levei um susto quando as labaredas apareceram e. Levou-a até o banquinho alto. — Mas eu não sabia que ia derramar — respondeu ela recomeçando a chorar. viu que ainda tinha trinta minutos até a chegada de Nick. — Eu fiz uma coisa horrível. Acho que limpar a cozinha é um bom castigo. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — O senhor tem alguma ideia de como começou? — perguntou Blair. Taylor. — E podemos bem imaginar o que aconteceu depois. Telefonou para a proprietária. lidou com um líquido inflamável em cima do aquecedor.

E ainda está cheirando a fumaça. vá se lavar. Mas sabia também que. só blush e rímel. depois. passou-o para Nick. Blair esquentou água para que a menina se lavasse. Sabia que não estava sendo racional. Queria ficar ali para sempre. soube que esse era o seu lugar. Por que não faz um pouco de companhia para Taylor? Creio que ela está precisando. o aquecedor sempre representaria um perigo. ameaçando atirá-la em Nick. — Usei toda a água quente no meu banho. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser incêndio. na causa e em como poderia acontecer outra vez. Levou a panela de água para o banheiro. Enquanto desembaraçava os cabelos. Portanto. Contrariando a expectativa de Nick. Decidiu usar pouca maquiagem. — Pode ficar sossegado. independente da lógica. — Por que não me chamou? — Porque estava combinado que você viria de qualquer jeito — respondeu. voltou a pensar no incêndio. A toalha que segurava os cabelos caiu e ela se afastou um pouco. Blair não se opôs à sugestão de não ficar no apartamento naquela noite. se perguntando o que Taylor teria achado de Nick ir direto para o quarto dela. Embora soubesse que Taylor jamais cometeria o mesmo erro. não conseguiria continuar a acendê-lo sem ficar preocupada. não é? — Posso ficar na casa de Katherine? Aí vou poder contar-lhe tudo sobre o incêndio e sobre como você foi uma heroína. Teriam de mudar para um lugar no qual não houvesse aquecedor a carvão. Telefone para saber se pode ir e. — Taylor me contou tudo — disse Nick. mesmo. Venha aqui me dar um abraço.. — Ela disse que eu posso ir — informou Taylor. Algum lugar como Nova Jersey. Estava fechando as janelas. Enquanto isso. — Quarto vago. — Mas eu não estou. que fez uma referência a sua cara suja. Isso era um problema. — Talvez você pudesse ligar para o seu hotel e ver se eles têm um quarto vago. em seguida. Sentou-se em frente ao espelho e começou por aplicar uma generosa camada de creme hidratante no rosto. Sentiu-se segura e protegida. Taylor usou o telefone e. está tudo bem. estava encostado na parede oposta à porta do banheiro. Mas duvido que a aceite suja como está. — Terminei por hoje. mesmo.. então. Blair sorriu. tudo bem. que ele deixara a porta do quarto aberta. foi só um susto. Muitas pessoas usavam o aquecedor a carvão e jamais tinham tido um acidente como aquele. Enrolou-se na toalha de banho. — Se a mãe dela concordar. — Você está bem. quando sentiu os braços dele ao redor de seu corpo. uma vez que não temos água quente. Percebeu. esperando que a porta do banheiro se 3 . — Nick sugeriu que fôssemos para um hotel. ao mesmo tempo em que a examinava dos pés à cabeça. Você já está terminando a limpeza? — perguntou ao ver o estado calamitoso da filha. onde? — perguntou Taylor da porta da cozinha. enrolou outra nos cabelos e abriu a porta do banheiro. recusando-se a se sentir culpada pelo banho prolongado que tinha tomado. — Reservei um quarto para você — falou ele. amor? — perguntou. Blair adiantou-se e. Está levando muito tempo porque preciso esquentar a água no fogão. — Estarei pronta em pouco tempo. — No hotel de Nick. não temos escolha. esperando que ela saísse. Acho melhor passarmos a noite em algum hotel. pois a noite tinha esfriado.

até que ouviu o barulho da porta do banheiro. Contar a Blair não ousava. Nick pensou tê-la ouvido dizer "mudar para Nova Jersey" e sacudiu a cabeça para afastar a ilusão. — Não acha que tive emoções demais para um único dia? — brincou ela. depois deslizou a mão pela nuca e acariciou o pescoço. sentindo um começo de excitação. Blair. Peter Rabbit estava acomodado no alto da mochila e a menina aceitou prontamente o oferecimento de Nick de levá-la. porque já sei disso — disse Blair. finalmente. só tinha cabeça para a reunião que teria em Bruxelas. Esta é só mais uma das coisas com que os habitantes de Nova Jersey não precisam se preocupar. um incêndio pode acontecer em qualquer lugar e. Não continuou o assunto. então. pensando que.. 3 . — Ao contrário. aconchegando-se a ele. Enfiou os dedos nos cabelos escuros. — Não deixa de ser verdade. procurando aliviar um pouco a tensão. vá sossegada. com carinho e ternura. correu para encontrá-lo. lembrou-a da presença de Taylor na casa. massageando-lhe os músculos. Começou. saboreando a sensação do seu corpo. Quando ouviu os passos de Nick na escada. ele estaria dizendo essas mesmas palavras. O garçom se aproximou com o carrinho das sobremesas. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser fechasse. Não precisa me dizer que não teria acontecido se não morássemos na Europa. pode substituí-lo por um elétrico. — Estive pensando em tomar medidas mais drásticas — disse. Queria sair muito depressa de lá. no dia seguinte. Blair ficou na ponta dos pés. precisando senti-lo inteiro. — Preferiria. no entanto. antes de sorrir indulgentemente para ela. pelo que Taylor me contou. — Tem certeza que está bem. Isto é. — Tais como? — Mudar para Nova Jersey. se está planejando continuar em Bruges por algum tempo — disse ele. Nick. Seus nervos ainda estavam à flor da pele e via imagens do incêndio. não faça um sermão. dando-lhe mordidinhas leves. Fechou os olhos e deixou-se ficar nos braços dele. a aprontar suas coisas e a checar se tudo estava em ordem no apartamento. antes de soltá-la. Se o aquecedor a preocupa tanto. porque ninguém usa aquecedor a carvão em casa — continuou ela. mas teria de esperar. Não conseguia se concentrar. beijou-a devagar. antes de chegar até a boca. mas precisa se lembrar que não houve dano algum. — Sobre o incêndio. — Mas este tipo de incêndio não teria acontecido nos Estados Unidos. se lhe desse uma chance. — Não precisa me dizer nada porque já sei de tudo isso. Apoiando a cabeça contra a dela. — Temos a noite toda a nossa frente — murmurou na sua orelha. Ela riu e passou a ponta da língua pelo lábio inferior dele.. porque achava que ela realmente gostava de Bruges. Seria melhor surpreendê-la com o resultado. que você ficasse comigo. desejando se aproximar mais. Nick soltou um gemido e agarrou-a pelas nádegas. Ainda não. ele a abraçou longamente. mas ambos recusaram e ele se afastou. mas estar perto de Nick ajudava. Blair suspirou. Compreendendo sua necessidade. você se saiu muito bem. apertando-a contra si. Blair fez algumas recomendações e eles foram. — Por favor. mãe? — Sim. sem saber por que Nick não a entendia. porém. Taylor estava pronta para ir. A cozinha ainda precisava de limpeza. — Não precisa responder agora. lembrando-se de como ela gostava de mudar. filha. Depois.

Surpresa. — Quero me casar com você. A saia rodada era agitada pelo vento e o deixava entrever as curvas das pernas. Não podia. Faz sentindo. distante dela. Blair. sentiu vontade de retirar o que dissera. Agora. — Blair. Um dia só e as coisas não estariam acontecendo desse modo. obrigando-o a repensar os planos. Pensara que tudo estava sob controle e lá vinha ela surpreendendo-o. que ele ficasse bravo ou dissesse que não. Era óbvio. De pé. Se ele tivesse percebido antes. ele a encarou. amor. Agora já não tinha certeza de nada. talvez até um certo embaraço. Soltou-a e deu alguns passos para trás. — É tão difícil de acreditar? Você sabe que o amo. — E a parte sobre Nova Jersey? O que quis dizer com aquilo? — Exatamente o que disse. Caminhavam pela rua e.. 3 . Olhou-a novamente e percebeu que ela falara a sério. por decisão dele. Presa entre a parede de pedra que ladeava o canal e Nick.. consertar o que já tinha acontecido. Pareceu-me que era o que tinha de fazer. Viu-a virar-se. — Disse que quero me mudar para Nova Jersey... que talvez o convencesse. Nick era do tipo tradicional e. poderia ter evitado que a ansiedade a dilacerasse. Nick. mudava de opinião e o pedia em casamento! Se tivesse esperado só mais um dia. Tinha de tentar. Mas isso não era possível mesmo porque era o que queria dizer. Nick não dissera uma palavra desde que haviam saído do restaurante. teria preferido fazer ele o pedido. conseguia pensar melhor. chegou a temer que não conseguisse mais consertar nada. Ele não respondeu. De repente percebeu por que ela o tinha pedido em casamento. Não tinha esperado essa reação. ao ver que ele não ia bombardeá-la com perguntas. Nova Jersey? Talvez fosse uma piada. apoiando-se no parapeito para contemplar o canal. provavelmente. passando a mão no rosto dele. Ele estava bravo. ele a fez parar e pediu: — Diga outra vez e bem alto. Blair mordeu o lábio para que não tremesse. Nick — respondeu ela. — Disse que estou pensando em me mudar para Nova Jersey. Não faz sentido nenhum. Tudo estava saindo errado. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Desculpe-me. naquele momento. sim. Quero ter certeza de que não estou imaginando tudo isso. com uma risada nervosa. Blair suportou o olhar dele e. — Disse — respondeu ela irritada. Enfiando as mãos no bolso. por que tinha escolhido logo aquele dia para se comprometer. Estava pensando em outra coisa. respirou aliviada. porém. não faz? — Não. A descoberta deixou-o sem palavras. Não lhe ocorreu. Desta vez ele registrou.. Pensei que também me amasse. acariciando-lhe os lábios com as pontas dos dedos.. Não respondeu imediatamente porque era a última coisa que esperava ouvir de Blair. Tinha mais uma coisa para dizer-lhe. Casar com você e morar em Nova Jersey. Mas ela decidira resolver as coisas entre eles e não tinha tempo para esperar que tudo fosse feito da forma convencional. — Não compreendo. e disse o que precisava dizer. Por um momento. Blair sentiu medo. encarou-o. Blair tinha sido tão veemente sobre querer morar na Europa. entretanto. Poderia jurar que você disse algo sobre mudar para Nova Jersey. Respirou fundo. — Eu disse que quero me casar com você — repetiu.

— Quero que você pense sobre uma coisa — disse ele devagar. como nunca tinham feito antes. Alguns deles talvez fossem bom material para um estudo. A vida com ele. Impediu-a de falar. Não precisava de um analista para saber o que significavam. perturbadores. Os sonhos todos tinham sido sobre Nick. — Do que está falando? — Sobre o que você disse e sobre o que não disse. Blair caiu sobre os travesseiros. pensou ela. percebeu como devia ter parecido desesperada. absorvendo as palavras de protesto. de mão dada com ele. Mesmo amando Blair. aproximando-se dela. O xis do problema. Foi um momento muito íntimo e inocente. Ao pensar sobre o assunto. Era isso. onde é o seu lugar". É o que mais quero no mundo. Não precisa me dar nenhuma resposta antes de amanhã à noite. com um beijo. Durante toda a noite seu sono tinha sido povoado por sonhos e fantasmas. acariciou-a. porque precisava tocá-lo para saber que não era um sonho. — Quando tiver uma resposta ela precisará me convencer. fazendo desafios um para o outro. então. cobriu-lhe as faces de pequenos beijos antes de voltar para os seus lábios. não permitindo que dissesse o que implorava para ser dito. — Eu quero me casar com você. Percebeu que tinha sonhado outra vez. outros. Acendeu a luz. Como aquele em que Nick e Taylor atravessavam a praça do mercado de esqui aquático. Por causa disso. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser Ela se virou para olhá-lo de frente. Nick tinha acertado em questionar a sua motivação. foi muito cuidadoso. sentindo um enorme alívio sobrepor-se à dor e à confusão. "Não precisaria sonhar se ele estivesse aqui. abaixou os olhos e começou a andar em direção ao hotel.. com o coração ainda disparado. Nick fez o último pedido. Alguns tinham sido bons. embora seus dedos continuassem agarrados às pedras do parapeito. Beijaram-se. Certamente o incêndio tinha motivado o pedido de 3 . Capítulo 13 Esticou o braço para tocá-lo e não o encontrou. Sentou-se na cama e viu que ele não estava. Sentindo-se encabulada. Ela soltou a respiração. E Blair não tentou mais falar. — Quero que leve o tempo que precisar. Acabou tão docemente como tinha começado. precisava saber que ela também o amava. ou se está tentando fugir do incêndio e do seu tipo de vida. Segurou-a junto a si com braços ternos. Observou as emoções que cruzaram o rosto dela e teve consciência de que ela realmente não sabia. afofou o travesseiro e pensou algumas coisas nada delicadas sobre Nick. Quando ela correspondeu. a vida sem ele e variações sobre o mesmo tema. carícias. Nenhum tinha sido sobre o incêndio e isso a surpreendeu mais do que qualquer outra coisa. é claro. trocaram juras de amor.. Dominou-a. que insistira em que passassem a noite em quarto separados. Mas ele não a deixou falar: — Preciso saber se você quer mudar para Nova Jersey porque me ama e quer estar comigo.

quatrocentas. ficava tão feliz ao vê-lo e ele tinha estado fora o dia inteiro. Queria. sentindo a presença de Blair antes mesmo de vê-la. — Oi. — Deve haver de duas a três centenas de pessoas usando essas camisetas — disse alto. surpreendendo-se quando ele se ajoelhou. estava completamente ruborizada. Desta vez ela entregava a mercadoria. Estava mesmo preocupada. Havia um enorme número de pessoas usando camisetas com os dizeres "Eu amo Nova Jersey" escritos na frente. rindo do desconforto dele. — Provavelmente. Ela vendia alguma coisa outra vez. iria ter uma grande surpresa. A multidão se tornava mais densa à medida que se aproximava da praça. molhado. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser casamento. na cidade mais romântica da Europa. mas não recebia dinheiro. Léo fez uma mesura e presenteou Blair com um enorme buquê de flores e um abraço apertado. Mas será que as pessoas já não tinham adivinhado? — Lógico que contei a elas — disse Blair. Se ele esperava que ela retirasse o pedido. Cruzou os braços sobre o peito e saiu em disparada. tinha de ser porque o amava e só por isso. Não precisava dizer nada. Agora. ela o fez ler "Amarei Nova Jersey" na parte de trás. Tinha lhe dado um ultimato. Taylor gritou e. Sentia-se como se estivesse em um palco e isso não era lugar apropriado para declarar seu amor. especialmente num dia de primavera. até aquele momento. Por outro lado. Talvez estivesse passando por uma daquelas fases de adolescência. — E o que vem em seguida no roteiro? Devo ajoelhar-me a seus pés? — Não tinha planejado. em geral. Que estranho. Até o cavalo da carruagem usava uma. Os espectadores se divertiam bastante. já não podia ignorar que havia algo estranho. continuou a andar. observando a facilidade com que ela aceitava demonstrações de afeto e sabendo que jamais se interporia entre Blair e sua vida ali. Ele estava louco para contar-lhe as novidades. — E imagino que não lhes tenha contado por que deveriam usá-las — observou segurando- lhe a mão e continuando a contemplar a multidão. mas acho que gosto da ideia — brincou ela. Só então viu a camiseta que ela usava e um sorriso apareceu em seu rosto. Essa era a sua promessa e pretendia cumpri-la. Mas Nick não permitiria que ela fosse para Nova Jersey. parando um pouco para considerar o caso. um pouco antes de chegar à praça do mercado. baixinha. Talvez esta fosse sua grande chance. gritando algo ininteligível. Sacudindo os ombros. Esperava que o comportamento estranho de Taylor não atrapalhasse sua conversa. fazendo suas próprias sugestões com versos tirados dos melhores poemas de 3 . ele não lhe tinha dado oportunidade de mostrar sua criatividade. Se casasse com ele. virando-se. "Eu amo Nick" estava estampado na frente e. De qualquer jeito não teria sido possível. Nick esperou. Nick viu Taylor ao virar a esquina. Não. Tudo que tinha a resolver era como convencê-lo de que sabia perfeitamente o que fazia. tinha de acertar as coisas. quando virou para olhá-lo. Ela enfiou a mão pelo seu braço e empurrou-o em direção à barraca de flores de Léo. Taylor. saber a que conclusão ela chegara. marcando um encontro na praça do mercado. pensou ele. — Todo mundo adora uma história de amor. Ao chegar. fazendo o papel de bufão e se divertindo muito. também. Tinha recebido um bilhete de Blair. Tomou-lhe a mão e deu-lhe um beijo estalado. Fizemos quatrocentas camisetas.

dando-lhe um cutucão nas costelas. acariciando-lhe o rosto. segurando-lhe o queixo. Aquele pelo qual tinha esperado o dia inteiro. O problema era o princípio maior. para chamar sua atenção. não com força. ela conseguiu ajudá-lo a levantar-se sob os aplausos da multidão. o nervosismo foi embora. — Não foi tanto o desafio. passando o braço sobre os ombros dela e fazendo-a recostar-se no assento de couro. ela ficou nervosa. Ela ergueu o rosto para o primeiro beijo. — Pensei que talvez Bruges fosse um local melhor para morarmos. — A reunião que tive em Bruxelas. não. — Então. — Devia ter me lembrado de que você leva os desafios a sério — murmurou ele. — Princípio maior? — repetiu ele. Aconchegada nos braços dele. A carruagem os levava pelas ruas estreitas. tentando entender o que ele dizia. de qualquer jeito. não vamos precisar mudar para Nova Jersey? — Pelo menos por agora. Precisava explicar tudo para Nick. segurando as flores como se fossem uma arma. — Tenho certeza de que. redescobrindo os segredos. — Como pode fazer negócios aqui? Você não fala nem francês. Beijou-a. E pela primeira vez. vou 3 . Mas poderemos morar em Bruges. a beijá-la. — Claro que não. Blair agia mecanicamente. Afinal de contas. margeando o canal. Depois de muita gritaria e gozação. — Você realmente acha que vai amar Nova Jersey? — perguntou ele. Nick aproximou a boca da dela. Tem? — Isso tem importância? — riu ele. isto é. foi a última de uma série de reuniões com uma companhia belga. que é suficiente para o que preciso. Blair suspirou deliciada. — O princípio maior é que eu te amo e que o lugar onde vamos morar não tem a menor importância. Puxou uma rosa do buquê e passou-a delicadamente sobre os lábios dela. Era tão macio! Mas toda a pele dela era macia. com sinceridade. Nem sequer me importo se na sua casa tiver um aquecedor a carvão. conseguiu apresentar sua explicação lógica para o que chamava de "A Grande Exposição de Camisetas". lá fora. Já lhe disse que vou amá-lo em qualquer lugar. porém. tocando-lhe os lábios muito de leve e perguntou: — Você se importaria se eu resolvesse não levá-la para Nova Jersey? Seu coração sobressaltou-se e ela temeu ter perdido a parada. ensinando-lhe que o amor é tudo. mas a única coisa que queria era ficar aninhada nos braços dele enquanto o mundo passava. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser amor. obrigando-a a entreabrir os lábios e receber a língua faminta. Blair mordeu-lhe a língua. nem flamengo! — Mas falo inglês. Por enquanto. Blair. não teria mandado fazer quatrocentas camisetas — respondeu ela. se eu resolver gostar. Ele continuava. perto de Bruxelas. hoje. — Tentarei — respondeu ela. Concordamos em abrir uma filial da minha companhia aqui. acariciando o céu da boca com a língua. enrubescendo. é a língua da ciência. — Fale ou morra — ameaçou. desde que Taylor a avisara de que ele estava chegando. outra vez. Talvez daqui a alguns anos seja necessário. Com um esforço supremo. — Parece-me que é o mesmo que Taylor sente com relação a você — comentou ele. vai ser fácil. desde que possamos estar juntos. onde cisnes deslizavam nas águas tranquilas. — Se tivesse me dito isso ontem. conduziu-o através das inúmeras pessoas que queriam desejar-lhes felicidade até a carruagem que os esperava.

E. pensou. uma criança arteira fosse tudo o que Nick precisasse na vida. A menina havia considerado que os dois tinham tido bastante tempo sozinhos e resolvera participar da comemoração. — Não! — gritaram mãe e filha em coro. no coro. seu mundo ficou completo. — Quer dizer que fiz tudo isso sem necessidade? — perguntou Blair. minha querida. Quando começou a lamber entre os dedos. — Se vocês realmente quiserem morar em Nova Jersey. Você precisava descobrir algo sobre você mesma e sobre nosso relacionamento. não está ficando mais jovem. um grupo de amigos de Blair apareceu. Será que Nick se incomodaria se tivessem de alimentar mais umas duas crianças? Continuou. não é? — perguntou Blair. poderemos repensar — disse Nick. aproveitando a sensação de paz e segurança que ele lhe dava. e fizeram uma serenata para a nova família. na verdade. Recebera bem a notícia de que continuariam a morar em Bruges e concentrou-se em aspectos ainda não discutidos. Blair puxou a mão e escondeu-a sob o travesseiro. antes de fazê-lo com Taylor. EPÍLOGO — Você. A carruagem diminuiu a marcha e Taylor pediu ao cocheiro que desse mais uma volta. Ela não protestou quando ele lhe tirou o buquê das mãos e a puxou para os seus braços. Nick e Blair quase sufocaram. Nick rolou na cama. — E o que acha do método que usei? — É o amor. — Idade e ter bebês são dois problemas diferentes. Não é que não quisesse pensar em filhos. Blair chegou ainda mais perto de Nick. Descobriu. antes de beijá-la mais uma vez. Filhos? De onde Taylor tirava essas ideias? — Você pensa que eu já estou quase com o pé na cova. Cercaram a carruagem. — É bom que se casem agora. 3 . Mais uns dois anos e estará muito velha para ter filhos. é o amor — sussurrou ele. Talvez. Bebezinhos. mas achava melhor discutir o assunto com Blair. mas o sorriso que aparecia nos cantos da boca a traiu. quando ele puxou Taylor para o seu lado e abraçou-a com o braço livre. imaginando Nick tentando dar mingau de aveia para um nenê de cabelos encaracolados e sorriu. mãe. O cocheiro traduziu a letra da música de amor e juntou-se a eles. Nesse momento. E Nick é ainda mais velho do que você! — atacou a garota de novo. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser começar as minhas pesquisas aqui. Todos vestiam camisetas com a inscrição "Eu amo Bruges". — Bem. olhando a camiseta que usava. segurou-lhe a mão e levou-a à boca para uma mordidinha. Não foi um esforço desperdiçado. com o ar mais sincero do mundo. Já perdera a conta do número de voltas que tinham dado. — Quer dizer que fizemos tudo isso sem necessidade? Taylor escarrapachou no banco da frente e tentou fazer cara de desgosto. baixinha — interferiu Nick. nunca me pediu em casamento — disse ela sem tirar os olhos da aliança de ouro que usava no anular da mão esquerda. dando-se as mãos. — Claro que não.

calculando a força que deveria usar para puxar o lençol e descobri-la. Só muito mais tarde ela se lembrou de que ele não a havia pedido em casamento. — E um anel de noivado também seria apropriado. atenta que estava ao desejo expresso nos olhos dele. entretanto. fora do seu alcance. — Quero que você o use porque eu a amo — murmurou colocando o anel em seu dedo e se deitando sobre ela. tirando o anel da caixa. enquanto com a outra exibia o conteúdo da caixinha. em voz macia. puxou o lençol e empurrou Blair sobre os travesseiros. ajoelhando-se na cama. demorada e profundamente. se der algum valor ao seu casamento — retorquiu ela. — Você é linda — disse ele. selando o compromisso de amor que havia entre ambos. — Fiquei até de joelhos para declarar o meu amor — insistiu ele. Nick se apoiou no cotovelo. — Interesseira! — acusou. mantendo o lençol preso em uma das mãos. enquanto deslizava a mão na pele nua. Fim 3 . — E a sua parte está terminada? — O que mais você quer? — perguntou ele. ela a tocou com um dedo. — É lindo — sussurrou sem coragem para pegá-lo. Por alguma razão. lembrou-se de se cobrir com o lençol. hesitante. enrolando a ponta do lençol na mão. Com um único e rápido movimento. — Não. Beijou-a. Ao ver o olhar de desejo que ele lhe lançou. Quero ouvir você dizê-las — continuou ela. Blair não percebeu seus movimentos. pegando uma caixinha da gaveta do criado-mudo. Seus olhos se arregalaram ao ver a joia e. não tinha mais importância. — As palavras. Darling 10 – Coração Cigano (That Holiday Feeling) Emma Jane Spenser — Não acha que é um pouco tarde para pedi-la em casamento? — perguntou ele.