Guia de Nutrição para o Fisiculturismo

Outra ação importante da insulina é sobre o mecanismo da síntese protéica. A insulina
tem um efeito anti-catabólico e anabólico, porque aumenta o transporte de aminoácido,
principalmente os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), para dentro do músculo,
prevenindo a quebra de proteínas intramusculares. A síntese de glicogênio intramuscular
também depende da insulina para carregar a glicose para dentro do músculo a fim de
promover recuperação tecidual após exercício. Estes efeitos da insulina criam um perfeito
ambiente metabólico para crescimento e reparação tecidual, enquanto o corpo se recupera de
intenso treinamento.
Como vimos, a insulina pode trabalhar em nosso favor promovendo significantes
efeitos anti-catabólicos e anabólicos. Ocorre que a insulina também pode ter efeitos
devastadores sobre o seu treinamento e aparência. Quando há um rápido aumento dos
níveis de glicose na corrente sangüínea pela ingestão de alimentos de alto índice glicêmico,
como é o caso dos açúcares, o pâncreas libera grandes quantidades de insulina na corrente
sangüínea para retirar o excesso. Em decorrência desta ação, 3 problemas cruciais podem
ocorrer:
Primeiro, rápido aumento dos níveis de insulina durante o dia afeta os centros de
controle do apetite no cérebro através de respostas hormonais. Em decorrência, a pessoa
sentirá mais fome e muitas atacam a geladeira imediatamente e comem o que vier à frente.
Isso pode se tornar um círculo vicioso e o primeiro passo para a obesidade.
Segundo, a ingestão de alimentos de alto índice glicêmico faz com que a insulina
liberada por estes retire a maior parte da glicose do sangue, sobrando pouco para a produção
de energia para o seu treinamento, causando um fenômeno conhecido como hipoglicemia,
ou seja, queda de glicose na corrente sangüínea. O próximo passo de um organismo em
estado hipoglicêmico é reagir imediatamente nos centros nervosos que provocam a fome e
sinalizar para que este se alimente e repare o débito energético. Provoca também o sono
para que se conserve o pouco de glicogênio restante. É muito comum ver atletas bocejando
durante o treino; provavelmente, estão experimentando sintomas de hipoglicemia por não
terem se alimentado convenientemente antes do treino.
Terceiro, a insulina pode estimular o armazenamento de gordura e a produção de
lipoproteína lipase (LPL), enzima que trabalha no armazenamento de gordura. Quando
aumentam os depósitos de gordura, insulina e LPL são liberadas mais facilmente e em maior
quantidade. Desta forma, quanto mais gorda uma pessoa se torna, mais insulina e mais LPL
são liberadas e mais apto se torna o corpo em armazenar gordura.

Por outro lado, a ausência de níveis adequados de glicose no sangue promove a
liberação de um outro hormônio denominado glucagon. Insulina e glucagon são
denominados de hormônios contra-regulatórios, que se opõem um ao outro. Eles se
alternam em fases anabólicas/catabólicas para manter os níveis de glicose plasmática
normais. Desta forma, hipoglicemia e hiperglicemia (baixa ou alta concentração de glicose
no sangue) pode ser evitado. Quando a concentração de insulina cai, a de glucagon se eleva,
ou seja, quando os níveis de glicose no sangue ficam muito baixo, o glucagon se eleva. Este
é um hormônio catabólico que irá quebrar tecido para fornecer a energia que o corpo
necessita para se manter. O glucagon irá promover a degradação do glicogênio restante e
das gorduras e como a construção de músculos é secundária para o corpo, tornar-se-á muito
difícil o aumento de massa.
Pessoas que ingerem muitos alimentos de alto IG (doces) podem desenvolver
resistência à insulina, pois acabam por degradar os receptores de insulina. Em pessoas
neste estado os níveis de glucagon permanecem elevados, o que pode ocasionar doenças

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