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O budismo é um sistema ético, religioso e filosófico fundado por

Gautama (Shakyamuni), na Índia, por volta do século V a. C. O
princípio básico é a Lei Mística da Causa e Efeito, a lei da causalidade.
Existem inúmeras escolas ou seitas originadas das ramificações do
budismo de Shakyamuni espalhadas principalmente pela China, Tibet,
Mongólia, Coréia e Japão, para onde seus ensinamentos se
propagaram após seu falecimento.

Nichiren Daishonin viveu no Japão, no século XIII, e é considerado o
Buda Original.

Do ponto de vista Budista, sua época foi denominada de Últimos Dias
da Lei, um período que iniciara dois mil anos após o falecimento de
Shakyamuni. Ele examinou minuciosamente os ensinamentos Budistas
que se desenvolveram na Índia e na China até os seus dias e
restabeleceu o Budismo retornando ao seu ponto de origem.

Visando esclarecer e estruturar os ensinamentos, Nichiren Daishonin
valeu-se do Sutra do Lótus, o ensino conclusivo do Buda Shakyamuni,
e das obras de Tient’ai, filósofo Budista da China, os quais se baseiam
também no Sutra de Lótus. Essa corrente de Shakyamuni a Tient’ai e
destes a Nichiren Daishonin constitui o que o Budismo de Nichiren
Daishonin denomina de corrente ortodoxa do Budismo.

Esses três Budistas ensinaram que os mortais comuns podem atingir a
iluminação neste mundo e que para tanto não é necessário exterminar
os desejos nem tampouco mudar sua identidade.

O propósito fundamental de seu ensinamento é possibilitar às pessoas
manifestarem a natureza de Buda, ou seja, a iluminação. Por meio da
manifestação dessa digna e inabalável condição de vida todos, sem
exceção, podem vencer os sofrimentos e dificuldades, gerando uma
mudança profunda em sua vida, uma verdadeira “revolução humana”.

Essa revolução interior, por sua vez, desencadeia a transformação do
ambiente familiar, da sociedade, da nação e do mundo.

Esse grande movimento humanístico que parte do individual para o
global é chamado de Kossen-rufu, ou movimento pela paz mundial
através da criação de valores.

O Sutra do Lótus afirma que Shakyamuni percebeu que todos os
fenômenos manifestam a verdadeira entidade da vida que
metaforicamente é definida como joia preciosa oculta sob a roupa.

Nos Primeiros Dias da Lei, além da dificuldade de compreensão, havia
a dificuldade da prática.

Nichiren Daishonin, na maior realização da história do Budismo,
expressou o conteúdo do Sutra do Lótus de Shakyamuni na forma em
que todas as pessoas pudesse praticá-lo. Essa forma é a invocação de
Nam-myoho-renge-kyo que ele expôs como o ensino correto para ser
propagado nos Últimos Dias da Lei.

A declaração Nam-myoho-ren-ge-kyo tornou efetivo o estabelecimento
de um novo Budismo, baseado na iluminação de Daishonin.

As práticas de Shakyamuni e as virtudes que ele consequentemente
obteve estão todas contidas nas simples palavras Myoho-renge-kyo.

Com o poder da fé e do poder da prática, os quais são inerentes em
nossa vida, poderemos manifestar o poder do Buda e o poder da Lei.
O Budismo de Nichiren Daishonin possibilita todas as pessoas a
manifestarem a natureza de Buda de dentro de sua própria vida.

Em termos práticos, a manifestação da natureza de Buda nos dá força
para vencer problemas e situações difíceis da nossa vida e ao mesmo
tempo realizar uma mudança dentro de nós.

A prática dos ensinos do Budismo de Nichiren Daishonin é a recitação
do Gongyo e do Daimoku. Gongyo é a recitação de partes do 2º e 16º
capítulos do Sutra do Lótus; e Daimoku é a recitação de Nam-myoho-
renge-kyo.

A prática diária do Gongyo e Daimoku representa a cerimônia na qual
nossa vida entre em harmonia com o Universo. Vigorosamente
colocamos em fusão o microcosmo de nossa existência individual com
a energia vital do macrocosmo, de todo o Universo. Se realizamos isso
regularmente a cada manhã e noite, nossa energia vital – nossa
“máquina” – é fortalecida.

O Universo é composto por um incalculável número de partículas
elementares: prótons, elétrons, nêutrons, fótons; e também por
átomos que compreendem os elementos químicos, tais como
hidrogênio, oxigênio e cálcio. Essas mesmas partículas e elementos
constituem nosso corpo. Um estudioso sugeriu que " o corpo humano é
feito do mesmo material que das estrelas", e denominou os seres
humanos de "filhos das estrelas". Nosso corpo não somente é feito da
mesma composição do Universo como também é governado pelos
mesmos princípios básicos de geração e desintegração e pelo ritmo de
vida e morte que permeia o cosmos.

Quando fazemos a nossa prática diária, o microcosmo de nossa vida
individual entra em fusão com o macrocosmo do Universo.

O Budismo desta era é o ensino que torna possível às pessoas comuns,
como nós, evidenciarmos nossa condição interior de iluminação, a
budicidade.

Buda não é nenhum ser, pessoa especial ou diferente.

Buda é um Estado de Vida : o “Estado de Buda” é a própria energia
criativa (energia vital).

Na verdade, o único meio de realmente despertar para essa
maravilhosa prática é experimentá-la na própria vida. É impossível
compreender a fé ou a vida somente por meio da teoria. A vida não é
algo abstrato. Deve ser vivida e sentida. É a história que construímos
com nossos esforços e lutas em meio a nossa realidade.

O budismo de Nichiren segue a filosofia budista conforme descrita e
objetivada por Shakyamuni. As pessoas estão sujeitas à Lei de Causa
e Efeito, não como punição, mas como um efeito normal da natureza e
portanto são pura e exclusivamente responsáveis pelos seus próprios
atos. O budismo portanto está para leigos, monges, bandidos e
presidentes da mesma forma, porque todos possuem a capacidade de
manifestar o Estado de Buda, não há preconceito ou discriminação,
senão não é budismo.
Qual foi o início...?

Qual é o ponto de vista budista a respeito de nossas origens? As
antigas tradições da Índia indicam que os budistas entendiam que o
universo era ordenado por ciclos recorrentes de mundos que se
manifestavam e desapareciam. Cada ciclo tinha seu término em dilúvio
ou fogo. Estes ciclos de formações e destruições de mundos duravam
bilhões de anos e ocorriam em todo o universo. Das cinzas ou lodo que
resultavam da destruição, um novo ciclo nascia. Este ciclo não tem
início nem fim. Mundos e universos eram criados e destruídos como
parte de um ciclo interminável de nascimento e morte que operava em
escala cósmica.

Para os budistas, então, não existe uma criação no sentido da história
bíblica. O universo se formou quando as condições necessárias se
deram, baseadas na lei de causa e efeito inerente na própria natureza
do universo.

Da mesma forma como surge, desaparece. Mas não há uma causa
original, como não há um final. O universo é infinito, sem limites de
tempo e espaço. “O universo em si mesmo é um ser vital que contém
o potencial da vida que desenvolve-se de diferentes formas; é,
portanto, definido como a entidade de vida mais grandiosa”.

Os cosmólogos, hoje em dia, postulam a teoria de um universo
dinâmico, em fluxo constante. Onde, num ponto, o universo parece ter
nascido da causa do “big bang” original e encontra-se em constante
expansão, em tanto que, em outro ponto parece encontrar-se num
processo de contração e extinção. Mas o universo em si não tem
começo ou fim. Este ponto está de acordo com a perspectiva budista.

A Lei Mística é o nome que damos a esta lei de causalidade subjacente
que opera eternamente através do universo inteiro. Quando as
condições são propícias, surgem planetas. Quando as condições são
adequadas, a vida evolui. O oceano gera ondas. O universo gera vida.
A vida evolui para o despertar e a iluminação.

O potencial para a vida, para a vida iluminada, existe na própria
essência do universo – é uma lei mística natural. Dado que o ritmo
universal apoia a vida, podemos descrever a natureza do universo
como benevolente.

Há os que dão, a esta capacidade inerente criadora para construir o
mundo, ao potencial de gerar o universo, o nome de Deus; nós o
chamamos Lei Mística de Nam-myoho-renge-kyo.

Por Greg Martin,

Retirado de Living Buddhism, edição de julho de 2004

Tradução: Ariel Ricci ahricci@gmail.com

Revisão: Marly Contesini mcontesini@estadao.com.br
Uma rápida introdução à prática do Budismo de Nichiren Daishonin

A base do Budismo de Nichiren Daishonin é a Lei Mística de Causa e
Efeito. Nam-myoho-renge-kyo (pronuncia-se Nãm miôrrô renge kiô)

O significado literal de Nam-myoho-renge-kyo nos oferece uma idéia
da profundidade da filosofia budista. Não vamos nos ater a isso, nesse
primeiro momento. A verdadeira compreensão do Nam-myoho-renge-
kyo só pode ser alcançada com sua prática. Não é por meio de
erudição, estudo e entendimento, mas sim pela prática e fé.

Com a sincera recitação do Nam-myoho-renge-kyo elevamos nossa
condição de vida, pois ao recitarmos o Daimoku entramos em contato
com o Estado de Buda, a nossa energia vital. Esse estado passa a nos
acompanhar no dia a dia e assim ficamos quase que automaticamente
em sintonia com estados mais elevados de vida, sem mesmo notarmos
as suas variações e mudanças.

O budismo nos diz que pensamento, palavra e ação são os
responsáveis por cunharmos nossa vidas. Com o nosso Daimoku diário
elevamos nossa condição de vida e passamos a pensar, falar e agir
com uma positividade que o universo registra... e responde!
Negatividades, reclamações, falta de estímulo e outras situações do
tipo passam a quase não mais fazer parte do nosso dia a dia.

Bem, vamos a parte prática...

Nessa primeira fase, se você ainda não pratica e/ou não frequenta um
grupo de estudos (não existem templos... as reuniões são em casas de
budistas mais antigos, é assim ao redor de todo o mundo) sugiro que
faça um "test drive" para você comprovar a eficácia do Nam-myoho-
renge-kyo.

O Gongyo, que é a recitação do Sutra, fica para uma outra fase.

A prática em si...Vamos lá!

Escreva num papel uma ou duas coisas que você quer que aconteça.
Nada de muito gigante...pelo menos no início, depois você vai ver que
tudo é possível! Você não está pedindo que isso aconteça e sim
DETERMINANDO que aconteça, OK?

Duas vezes por dia, de manhã e ao anoitecer, de preferência, pegue
essa sua lista, abra, leia, feche e guarde em qualquer lugar. Aí, você
vai se sentar de frente a uma parede lisa, sem quadros, desenhos ou
distrações.

Fixe o olhar num ponto na parede, e procure relaxar a mente e o
corpo. Junte os 10 dedos da mão, como em prece (na verdade os
dedos representam os 10 estados da vida) e comece a recitar Nam-
myoho-renge-kyo, com convicção e voz firme, sem gritar, berrar ou
sussurrar.

Os seus pensamentos vão pular como macaco de galho em galho, não
lute contra eles. Concentre-se no ponto da parede e escute a sua voz
repetindo Nam-myoho-renge-kyo. Cada vez que os pensamentos
vierem, foque na sua voz repetindo Nam-myoho-renge-kyo com
clareza, ouça o Nam-myoho-renge-kyo saindo da sua boca, deixe que
ele seja o seu "guia".

Uma boa idéia é baixar o mp3 do Daimoku e colocar para tocar e fazer
junto. (Daimoku é o ato de se recitar o Nam-myoho-renge-kyo)
Pegue aqui o mp3 com 6 minutos de Daimoku:
http://www.macjams.com/song/

Faça isso 2 vezes por dia por alguns minutinhos pelo menos, (6 min,
10 min, 15 min...), e em pouco tempo você poderá sentir uma
diferença na sua sintonia com o Universo e comprovar os resultados da
prática na sua vida!

O significado de Nam-myoho-renge-kyo

NAM

Nam, contração de Namu, que deriva do sânscrito NAMAS, significa
"devotar" ou a relação perfeita da vida da pessoa com a verdade
eterna. Ou seja, dedicar a própria vida ou relacionar- se com a
verdade eterna da vida. Também significa acumular infinita energia
através desta fonte e tomar atitudes positivas aliviando o sofrimento
dos outros.

MYOHO

Myoho literalmente significa Lei Mística. Myo significa "místico", mas
elimina qualquer sombra de milagre. É assim chamado porque o
mistério da vida é de inimaginável profundidade por tanto está além
da compreensão do homem.

Ho significa "lei". A intrínseca natureza da vida é tão mística e
profunda, que transcende o âmbito de conhecimento humano. Por
exemplo: o ser humano nasce como um bebê, cresce e torna-se um
jovem, depois um idoso e por fim morre. Isso é obviamente, uma
inquebrável lei regulando cada espécie de vida. Ninguém jamais pode
nascer adulto ou escapar desse ciclo, por mais que deseje.

RENGE

Renge é a Lei de Causa e Efeito. O budismo esclarece essa lei em
todos os fenômenos do universo, e é simbolizada pela Flor de Lótus
(Ren, flor

e Gue, lótus), pois produz a semente (Causa) e a flor (Efeito)
simultaneamente. Uma quantidade enorme de todas as causas
passadas formam os efeitos da condição presente. Ao mesmo tempo, o
momento presente é a causa do futuro. Assim, a vida é a continuação
dos momentos combinados pela corrente de causa e efeito.

KYO

Finalmente kyo que é a tradução do sânscrito Sutra, significando
ensino, o ensinamento do Buda, que é eterno. A “voz” do Buda, função
e influência da vida, assim como a transformação do destino,
simbolizando a continuidade da vida através do passado presente e
futuro.

Saddharma Pundarika Sutra é título original do Sutra de Lótus em
Sânscrito

Ele foi traduzido no ano 406 por Kumārajīva recebendo em chinês o
nome de Myoho-Renge-Kyo - onde:

Sad torna-se Myo,

Dharma, vira Ho
Pundarika, que é flor de lótus, vira Renge

e Sutra, que é ensino, passa a ser Kyo.

Myoho-renge-kyo é o título do Sutra do Lótus, como foi traduzido para
o chinês, que Nichiren Daishonin nos aponta como o Sutra que contém
o caminho para a iluminação.

O "Nam" antes do título do Sutra do Lótus, significa devoção.

Essa frase que recitamos diariamente, o Nam-myoho-renge-kyo, numa
tradução livre seria o algo como: Devotar-se ao Sutra do Lótus, ou
Devotar-se à Lei Mística da Causa e Efeito (exposta pelo Buda no Sutra
do Lótus ).

Claro que isso é apenas uma tradução extremamente simplista dos
caracteres que compõe o Nam-myoho-renge-kyo, e não expõe toda a
profundidade da Lei Mística, que é a expressão da verdade última da
vida.

O Nam-Myoho-Renge-Kyo cobre todas as leis, toda a matéria e todas
as formas de vida existentes no Universo.

Em outras palavras, é a vida do Buda que alcançou a suprema
Iluminação. Se expandirmos ao espaço ilimitado, é idêntica à vida do
Universo, e se condensarmos ao espaço limitado, é igual a vida
individual dos seres humanos.

A natureza de Buda está exatamente dentro de cada um de nós.

É o Nam-myoho-renge-kyo.

Quando entoamos o Daimoku a natureza de Buda dormente dentro
das nossas vidas é convocada. Invocado deste modo, o que desperta é
o Buda. Quando um pássaro numa gaiola canta, os pássaros voando
no céu vêm para baixo. Quando os outros pássaros se reúnem ao
redor, o pássaro engaiolado tentará escapar. Do mesmo modo se
recitarmos a Lei Mística, o Nam-myoho-renge-kyo em voz alta, a
natureza de Buda se revela e se alegra e nos acompanha.

Se praticarmos corretamente, não haverá beco sem saída na vida.
Uma vez que nos baseamos na Lei Mística, podemos definitivamente
transformar as nossas vidas para o melhor e ultrapassaremos qualquer
impasse.

Em qualquer situação, seguir essa lei absoluta com fé absoluta é, na
verdade, a base da nossa prática.

Texto: Cesinha Chaves, compilado de matérias de estudo da BSGI do Bloco Mandala,
Barra, RJ, 2008

Para mais informações sobre o Budismo de Nichiren Daishonin acesse
http://www.bsgi.org.br/

Cesinha Chaves - @cexa - cexa21@gmail.com - 21 98898-8474