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ARTIGO

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TREINAR FUTEBOL RESPEITANDO A ESSÊNCIA DO JOGO: O EXEMPLO DO SALTO
COMO AÇÃO TÁTICA E NÃO SOMENTE TÉCNICO-FÍSICA

Pedro Miguel Silva
Pedro Manuel de Oliveira Santos
Nelson Kautzner Marques Junior

Resumo
O objetivo da revisão foi de exemplificar a metodologia de treino do salto de impulsão vertical no futebol
assente em premissas táticas. O treino das capacidades físicas, desprovido da sua relação com o
verdadeiro significado do Futebol, tem sido bastante utilizado nos últimos anos. Este tipo de trabalho
esquece, frequentemente, a relação que deveria existir com o modelo de jogo do treinador, não
maximizando a sua utilidade para a forma de jogar que se pretende cultivar na equipa. No caso do salto,
este só existe no Futebol enquanto habilidade aberta, pertencente a um sistema termodinâmico de não-
equilíbrio, dentro do qual o jogador deverá tomar deliberada e oportunamente a decisão de saltar. Neste
sentido consideramos oportuno estabelecer uma relação entre o treino do salto e o modelo de jogo.

Palavras-Chave
Futebol; Modelo de jogo; Salto de impulsão vertical; Periodização; Tática.

COACHING FOOTBALL RESPECTING THE GAME´S ESSENCE: THE EXEMPLE OF
JUMPING AS A TACTICAL SKILL AND NOT JUST TECHNICAL-PHYSICAL

Pedro Miguel Silva
Pedro Manuel de Oliveira Santos
Nelson Kautzner Marques Junior

Abstract
The objective of this review was to justify the methodology of training vertical jump in soccer according
to tactical aspects. Coaching football regarding only physical parameters is a coaching model that has
been used often in the last years. Coaches frequently prescribe exercises that are not related with their
pattern play. Vertical jump is used in soccer by players to respond to coaches’ tactics and strategy, so we
believe that there must be a connection between exercise prescription to improve vertical jump and the
coaches’ model of play. We believe that practicing exercises regarding only physical demands is not
attempting the so desired coaching specificity in soccer.

Key-Words
Soccer; Game model; Vertical jump; Periodization; Tactical.

Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 7, n. 2, p.38-63, maio/ago. 2009. 38
ISSN: 1983-930.

ARTIGO
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INTRODUÇÃO

O salto de impulsão vertical aparece no futebol sob a forma do cabeceio ou na técnica do salto do goleiro
para realizar a defesa ou na saída do gol. Poderá também surgir apenas como uma forma de pressionar ou
dificultar a ação do jogador adversário que vai cabecear a bola. O salto de impulsão vertical aparece no
treino e no jogo com grande evidência. De acordo com Oliveira, Amorim e Goulart (2000), o número de
saltos de impulsão vertical durante um jogo de futebol varia conforme a função do jogador (9,5 para os
defensores, 6 para os meio-campistas e 19,5 vezes para os atacantes). Porém, de acordo com a
importância da partida, as características das equipes, o país onde se desenvolve o jogo e outros, a
quantidade de saltos de impulsão vertical tende diferir dos valores dos pesquisadores anteriores,
Rahnama, Reilly e Less (2002) encontraram em 10 jogos um total de 1723 cabeceios. Marques Júnior
(2004) afirmou que os jogadores fazem durante as partidas uma quantidade de 5 a 14 cabeceios. Muito
desses cabeceios podem resultar em sucesso ofensivo (PAPADIMITRIOU et al., 2001). Geralmente
ocorre dentro da área (RAMOS; OLIVEIRA JUNIOR, 2008). Para alguns autores, essa análise do jogo
referente o volume de cabeceios é um indicador para a prescrição do treinamento (BLOOMFIELD;
POLMAN; O`DONOGHUE, 2007; BRAZ; BORIN, 2009).

Esta quantificação dos componentes técnicos servirá apenas para que o técnico tenha uma referência do
número de ações que são utilizadas no jogo (REILLY, 2001). Essa análise é meramente quantitativa não
informa em qual situação da partida ocorre o cabeceio, outro problema, não determina o setor do campo
onde aconteceu a jogada e por qual motivo foi efetuado esse fundamento. Este fato constitui-se como um
forte indicador da complexidade do jogo de futebol. Mas muitos técnicos prescrevem os números do
cabeceio durante um circuito (ESPOSITO et al., 2004), na sessão de força reativa (GAUFFIN;
EKSTRAND; TROPP, 1988), no treino técnico de cabeceio e no treino situacional desse fundamento
(LEAL, 2001). Apesar dessa estrutura de treino, essa sessão está desprovida da sua relação com o
verdadeiro significado do futebol, não se preocupa em treinar o cabeceio conforme o modelo de jogo da
equipe (BATISTA, 2006). A escolha dos exercícios que objetivem o treino do salto, só tem sentido
partindo da premissa que o enquadra enquanto ação tático-técnica concreta ao critério já que, ao contrário
do que se passa noutras modalidades, aqui não há necessidade onde, o atleta que salta mais alto é,
efetivamente, aquele que tem a melhor performance durante o cabeceio, resultando em um gol ou
afastando o perigo da área. Esse tipo de treino sem estar conforme o modelo de jogo, comum no treino

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Campinas. MESQUITA. 2002. KRUSTRUP. 2005). 2003). o atleta vivência apenas a biomecânica da cabeçada e não trabalha a ação desportiva num contexto da partida (GARGANTA. 2006). essa metodologia difere da maioria dos trabalhos efetuados no futebol. Então. 2009. 2006). Entretanto. mas sendo praticado de acordo com o modelo de jogo (CAMPOS. 2006). 2005). tornando inadequado. NIELSEN. SCAGLIA. mas infelizmente é muito prescrito. TORRES. REILLY. atualmente no Inter de Milão. n. essa maneira de treinar o cabeceio do futebol é comum na periodização tática (BATISTA. 2006). Treinar o cabeceio conforme o modelo de jogo e ao mesmo tempo se preocupar com o salto de impulsão vertical não é uma atividade indicada na maioria das sessões do futebol (COMETTI. sendo evidenciado na literatura desse desporto (BANGSBO. precisamente na Universidade do Porto e um dos técnicos portugueses que utiliza esse modelo de periodização é José Mourinho (GAITEIRO. DE ROSE JUNIOR. v. O objetivo da revisão foi de exemplificar o treino do salto de impulsão vertical. LEITÃO. GRAÇA. 2002). Esse tipo de treino é recomendado por vários especialistas no ensino dos jogos desportivos coletivos (COSTA. enquanto que a memória declarativa atua no pensamento tático a fim de resolver a situação problema da jogada e para o atleta realizar suas ações conforme o modelo de jogo da equipe (GRECO. WILLIAMS. Por esse motivo que a metodologia de treino da periodização tática é adequada para os jogadores do futebol. 2009) e outros autores. a sessão centrada na partida e de acordo com o modelo de jogo permite que as adaptações neurais sejam conforme o jogar (GOMES. Treinar o cabeceio de acordo com o modelo de jogo torna-se vantajoso porque é exercitada a técnica numa situação problema da partida e ao mesmo tempo o atleta trabalha a tática no momento do jogo. 2. BALBINOTTI. LEONARDO. Durante a execução do cabeceio a memória de procedimento é mais solicitada. MARSTRAND. 2002). A periodização tática possui uma metodologia de treino pouco conhecida no mundo. Neste tipo de periodização a tática é a componente central (SANTOS. Fato que não ocorre com o treino técnico de cabeceio porque a memória mais solicitada é a de procedimento. ARTIGO ______________________________________________________________________ físico e/ou técnico de cabeceio migrou do desporto individual para o futebol (GAYA. No Brasil a periodização tática começou a ser divulgada através dos trabalhos de Marques Júnior (2006. 2006. 7. 2005. . GILBOURNE. 2009. ela é difundida na cidade do Porto. NASCIMENTO. MOHR. 2007. maio/ago. enquanto que as outras variáveis (físico e técnica) lhe estão subordinadas. em Portugal. 2006). 2004. como Leitão (2008). 2007. 2002). Para alguns autores o treino do futebol só é adequado se ocorrer no jogo ou no treino situacional (FREIRE SILVA. HODGES. 2007). 2008). ROTH. considerando-o uma ação tática de Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. o tipo de treino ocasiona uma plasticidade neural própria para aquela tarefa (JENSEN. REVERDITO. 40 ISSN: 1983-930. KRÖGER.38-63. p.

rompe o complexo do mundo em fragmentos disjuntos. a ciência corre o risco de implicar numa condição de tal distância e exterioridade que conflite com a representação objetiva da prática (GARGANTA. Depara-se frequentemente com um cientificismo que penaliza a subjetividade e desencoraja a abordagem qualitativa em nome duma objetividade e de um pseudo-rigor que frequentemente se enredam numa teia de erros de paralaxe (TURATO. entendido como uma complexidade. disjuntiva. Parece emergir uma nova realidade metodológica para o futebol. 2. que isola todos os objetos daquilo que os envolve (MORIN. Urge a necessidade de assumir um novo paradigma científico. Por mais prático que seja o técnico. a ela própria. separa o que está enlaçado. XX. ARTIGO ______________________________________________________________________ jogo. o paradigma da complexidade. permitindo grandes progressos do conhecimento científico e da reflexão filosófica embora as conseqüências nocivas só comecem a revelar-se no séc. “Os modos simplificadores do conhecimento mutilam mais do que exprimem as realidades ou os fenômenos que relatam”. 2009. por extensão. que afaste a noção cartesiana na qual “a inteligência parcelada. p. compartimentada. dando lugar a uma nova ignorância ligada ao desenvolvimento da própria ciência. e não somente um gesto técnico-físico desprovido de significado contextual. Afastemo-nos do paradigma da simplificação que controla a aventura do pensamento ocidental desde o séc. 41 ISSN: 1983-930. 2007). é irredutível a soma das partes (TAMARIT. O treino do salto de impulsão vertical no futebolista deverá obedecer a determinados princípios nos quais se encontrem subjacentes o respeito pela complexidade do fenômeno futebol. 7. 2001). e portanto precedente de uma tomada de decisão relacionada com uma forma de jogar. 2003). 1990). maio/ago. 2003). Campinas. e nos quais a totalidade dos conjuntos e dos sistemas não seja reduzida a parcelas (fatorização) para posterior interação. XVII. n. fraciona os problemas. costuma adorar o rigor quantitativo e não pode viver sem ele (MAGUEIJO. em que o jogo de futebol. CIÊNCIA A ciência. unidimensional o multidimensional” (CARVALHAL. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. a uma inteligência cega que destrói os conjuntos e as totalidades. aprisionando-se naquela que tem constituído a sua mais incômoda e irresolúvel armadilha tautológica. ao impor a neutralização e o isolamento do sujeito como critério de cientificidade. reducionista. 2001). mecanicista.38-63. . v. que encare a realidade com uma visão unificadora. Na procura quase obsessiva de objetivar o objeto de estudo. neutraliza- se e isola-se.

SILVA. mas também organizacional/informacional. Refere ainda que neste estado. Assim. a qual o rigor e o determinismo absoluto dos métodos científicos. Silva e Jardim (2004). pois só assim é possível desenvolver mecanismos de auto-organização que criem estruturas e sentidos a partir da aleatoriedade. 42 ISSN: 1983-930. Este não pode ser considerado como um gesto técnico isolado. constante e no entanto frágil – steady-state – as estruturas permanecem as mesmas. não apenas material/energética. 1999). Não é desejável conceber o salto no futebol (assim como qualquer outra ação tático-técnica) através de uma perspectiva exclusivamente técnica ou exclusivamente física. evitando que as componentes mais belas do jogo se amenizem estudo após estudo. v. No jogo "as equipes funcionam num registro de uma termodinâmica do não-equilíbrio. O sistema aberto está na origem de uma noção de termodinâmica cuja existência e cuja estrutura depende de uma alimentação exterior. O futebol é um sistema aberto e esta noção deve emergir nos seus diferentes estudos. n. e este aparente equilíbrio só pode degradar-se se for abandonado a ele próprio. ARTIGO ______________________________________________________________________ O salto. e. CUNHA. (…) As equipes são "estruturas dissipativas" na medida em que se desenvolvem longe-do-equilíbrio" (GARGANTA. A verdadeira contribuição da ciência para o futebol dependerá de uma perspectiva filosófica de entender sistemas termodinâmicos e complexos (onde se inclui o futebol) caracterizados Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. . a ciência no futebol deverá ter o objetivo de não matar o jogo de futebol. Ele é. não poderão dar respostas. postulados da perspectiva cartesiana. da noção de sistema advêm de uma unidade complexa. para além de uma perspectiva biológica e/ou técnico-analítica. Campinas. um todo que não se reduz a soma das suas partes constituintes. entre muitas outras ações tático-técnicas. uma ação táctica. aparece no jogo de forma imprevisível e não pré- programada (SCAGLIA. 2009. 2003). Segundo Morin (2003). num sistema fechado. haveria desregulação organizacional provocando rapidamente enfraquecimento". ou seja. firme. se houver fecho do sistema. maio/ago. nem sequer mesmo exclusivamente físico-técnica. em estado de estabilidade e de continuidade. quer dizer. 7. um sistema fechado está em estado de equilíbrio e o futebol enquanto sistema aberto implica um "desequilíbrio do fluxo energético que o alimenta. e esta deverá ser a dimensão mais importante do futebol. Silva e Jardim (2004). 2. sabendo-se a priori que "no futebol não é possível estandardizar as ações dos jogadores e muito menos a sua sequência" (GARGANTA. sem esse fluxo.38-63. p. O salto não é apenas uma ação motora levada a cabo pelos vários músculos intervenientes de acordo com um padrão motor considerado mais eficiente. o desequilíbrio que alimenta permite ao sistema manter-se em aparente equilíbrio. Segundo Santos. nem de capar propriedades da sua natureza. De acordo com Santos. mas os constituintes são mutáveis. 2000). este autor refere que num primeiro sentido.

evitando neste. no entanto. No futebol não é possível estandardizar as ações dos jogadores e muito menos a sua sequência (GARGANTA. Campinas. surge um outro tipo de organização. no momento em que se torna instável. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. aperceber-se que a máxima estereotipia. uma abordagem linear e determinista . SILVA. não obstante a vontade unânime de todos os jogadores envolvidos numa partida. ORDEM VERSUS CAOS: A IMPREVISIBILIDADE NO JOGO DE FUTEBOL Não existe nenhum treinador que não pretende conseguir prever com uma certeza infinitesimal a evolução do jogo. 7. correspondendo a mínima variabilidade. e ações aparentemente ilógicas ou incorretas produzem resultados satisfatórios. v. situações aparentemente lógicas e corretas geram resultados negativos. onde em muitos casos a ordem parece nascer do caos. Não raramente.tal como é requerido pela atual visão cartesiana da ciência). p. ARTIGO ______________________________________________________________________ pela sua complexidade. Neste sentido. os estudos orientados por normas científicas no intuito de prever ou estimar o número de saltos que executam os futebolistas. provocando o aparecimento espontâneo de estruturas que apresentam uma certa ordem (GARGANTA. O universo está submetido a dois princípios opostos: ordem e desordem (MORIN. adaptabilidade. 2000). 2006). 2. É impossível que um treinador preveja o momento em que um dos seus jogadores vai realizar um salto e que preveja o número de saltos que poderão ocorrer durante um jogo. de que as propriedades topológicas do movimento que eles manifestam fossem as menos variáveis. 2009. (mas. Por isso talvez ele preferisse substituir a variabilidade pela estereotipia na expectativa de que as atitudes dos seus jogadores fossem previstas e articuladas com máxima certeza. Joga-se na fronteira entre o caos e a ordem. ou não perder. controlar esse sistema multivariável. 1997). n. podem acarretar consequências incontroláveis para a equipe (GARGANTA. 1999). têm a sua grande relevância na quantificação da sua ocorrência no futebol. 2000). no tipo de ação tático-técnica bem como a importância a ser contemplada no processo de treino. 43 ISSN: 1983-930. auto-organização e constante alternância entre ordem e caos (WALDROP. a mínima adaptabilidade (GARGANTA.38-63. CUNHA. No jogo de futebol “em muitos casos. corresponde também. Este tipo de acontecimento caótico está bem presente no futebol. Ele deve. maio/ago. o que significa que. os comportamentos dos jogadores que procuram a todo o custo ganhar. . a ordem parece nascer do caos” (LEBED. 1992). 2001). Consoante o tipo de perturbação aleatória que o sistema sofre.

maio/ago. p. em função das circunstâncias desenvolvidas pelo nosso jogo. Isto prende-se com o tipo de estímulo que é usado no treino para que os jogadores executem o salto. 2005). Também no treino o estímulo deve ser preferencialmente imprevisível e aleatório obedecendo as características do futebol. GRECO. Estes autores sugerem que quando a dinâmica é caótica surge a necessidade de ultrapassar a abordagem analítica. o treino do salto de impulsão vertical centrado no jogo. neuroquímicos e metabólicos-corticais referentes ao tipo de treinamento. desencadeando o armazenamento na memória de longo prazo (FERRARI et al. n. . 2006). Cunha e Silva (2000). esses esportistas para resolverem as situações problemas da partida costumam ser inferiores aos jogadores onde a prioridade é treinar durante a partida (RAAB. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. conforme Tubino e Moreira (2003) determinaram. é provável que os jogadores tenham de realizar saltos de impulsão vertical para conseguirem os seus objetivos. ARTIGO ______________________________________________________________________ Segundo Garganta. Deve-se privilegiar o tipo de estímulo (qualidade) em detrimento do número de estímulos (quantidade). não preparando o atleta para a partida. um sistema caótico pode ser isoladamente imprevisível. 44 ISSN: 1983-930. GARGANTA. Atletas que treinam com ênfase na técnica possuem pensamento tático inferior aos jogadores onde a sessão é centrada no jogo (PÉREZ MORALES. ao apito o jogador salta 3 barreiras e retoma o seu lugar na fila) (GARGANTA. MAXWELL. e centrar na descrição qualitativa dos padrões de comportamento. a especificidade do estímulo desencadeia mudanças nos circuitos neurais. mas. 2005). Campinas. Então. e ainda gera adaptações neurais.38-63. 2007). a pequena escala. ou não. 2. e deverá também ser assim que terá de aparecer no treino (LEITÃO. v. Isso ocorre por causa da plasticidade neural (mudanças ocorridas no sistema nervoso central) (AZOUZ.. 2003). a grande escala. e mais concretamente. segue o princípio da especificidade. MASTERS. Treinar o salto de impulsão vertical baseado apenas em valores quantitativos sem se preocupar com a situação de jogo ocasiona adaptações neurais próprias para esse trabalho. no entanto estes surgem. 2006). as características do modelo de jogo do treinador. centrada na causa/efeito. 2008b). Simplesmente exercita a técnica do cabeceio e a força reativa dos membros inferiores para o futebolista efetuar o salto (MARTINS. O processo de treino não deve ser sempre imposto de forma simplista e linear numa relação de causa-efeito (por exemplo. mas globalmente estável. referentes à memória de longo prazo. 2001). Portanto. o que permitirá afastar o nosso futebol de um caráter abrangente mais abstrato (SANTOS. denunciam uma certa regularidade. Durante as diversas fases do jogo. 2002). Nesta situação irrompem padrões que denunciam o comportamento caótico. 7. própria para a situação da partida e de acordo com o modelo de jogo (GOMES. 2009.

” Neste sentido. 1994). Focar o objeto de estudo apenas numa perspectiva do esforço físico ou da preparação física. 2001). v. Treinar de forma exclusivamente analítica (entenda-se isolada) o salto de impulsão vertical implica perder de vista a importância desta ação no jogo (RÉ. 2009. 2007). ARTIGO ______________________________________________________________________ MODELO SISTÊMICO Tradicionalmente. A perspectiva mais recente assume de uma forma unificadora e não reducionista (BRAZ. maio/ago. mas em modelar. vemos que. p. encontram-se descritos na literatura. de acordo com Tavares e Frade (2003). 45 ISSN: 1983-930. Não devem falar de decompor. Isto faz os treinadores de saltos e não treinadores de futebol. 2006). um mero entendimento da realidade agregada segundo uma perspectiva simplista. De acordo com Frade (1985) “a ordem ou organização de um todo ou sistema transcende aquilo que pode ser “oferecido” pelo conjunto das suas partes. . empobrece a inteligibilidade do conhecimento construído pela interação deliberada destes conceitos. “a modelação da complexidade permite aos jogadores interessados entenderem-na. integrando todas as variáveis) (CARVALHAL. Não pode- se deixar de equacionar a noção globalizante do conjunto. O pensamento de Maguejo (2003) seguiu essa idéia: “ao contemplar o todo (leia-se os componentes de rendimento unificados). 7. Os treinadores precisam relacionar com os componentes de rendimento de uma forma articulada. Permite conceber o treino focando sem reduzir. quatro componentes do rendimento desportivo: tática. olhando para a “parte” sem perder de vista a complexidade do “todo” e a sua relação complexa com este. o universo (leia-se jogador/equipe enquanto sujeitos multidimensionais) é muito mais que o mecanismo que governa as partes que constituem o todo”. 2006). A modelação sistêmica permite o tratamento de fenômenos complexos sem que seja necessária a sua decomposição analítica (MOIGNE. A esta alternativa “reducionismo – interação” corresponderá uma alternativa “decomposição – articulação” Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. não se pode isolar as componentes do rendimento sob pena de amputarmos o processo de treino (se bem que seja impossível prever e controlar o comportamento do jogador segundo o rigor científico. do sujeito multifacetado. Os componentes de rendimento são uma abstração. pois só a ação intencional é educativa. constituindo-se a sua inteligência intencional”. É necessário um conceito menos singular e mais geral de interatividade (interações todo–parte e parte–partes). Campinas. BARBANTI.38-63. tal qual cada um de nós. A inteligibilidade de um sistema complexo deve ser modelado sistemicamente. 2. n. físico e psicológico (TELES. Assim. na abordagem do processo de treino do futebol. técnica. quando estas são consideradas isoladas umas das outras. que responde em todas as situações com a sua essência total.

mas sempre condicionado pelas exigências “tático-técnicas” e de “tática-individual”. Desta forma. 1999). GRÉHAIGNE. 46 ISSN: 1983-930. De acordo com Morin (1999). 2009. Este componente “físico”. Campinas. Maia e Marques (1996) afirmaram que existe uma necessidade de construção de um corpo de conhecimentos ao nível do ensino. O conhecimento das características anatofisiológicas e neuromusculares dos membros inferiores permite ao técnico construir mais eficazmente e com mais segurança exercícios de treino com vista ao desenvolvimento desta ação tático- técnica. 1994). A interação “todo – parte” e “parte – partes” deverá orientar todo o processo. segundo estes autores. TÁTICA: O COMPONENTE MAIS IMPORTANTE Alguns autores referem que não basta que se desenvolvam os componentes de rendimento de uma forma integral. e para pensar globalmente é necessário pensar localmente. mas sempre por arrastamento. Deve haver preocupação durante todo o momento em tornar presente as premissas do técnico. p. mas do futebol referenciado ao modelo de jogo adotado. n. o que indica que a estruturação do componente “físico” está referenciada ao esforço específico. o princípio deverá ser o da “decomposição – articulação”. surge em paralelo com a tática (tático-técnica e tática-individual). ARTIGO ______________________________________________________________________ (MOIGNE. v. sem nunca perder a visão global do fenômeno (pensamento global). É ela que dá coerência construtiva aos comportamentos. maio/ago.38-63. Uma primeira abordagem para contextualizar o treino do salto de impulsão vertical passa por um conhecimento mais microscópico (pensamento local). A educação tática dos futebolistas é o elemento mais importante para uma equipe ter sucesso (GARGANTA. a contribuição das ciências da vida só poderá ser equacionada numa perspectiva sistêmica e nunca parcelar. Garganta (1997) informou que é através destes comportamentos que ocorrem durante uma partida são consubstanciados. não do futebol em geral (abstrato). 7. . as interações dos jogadores e que confere ou retira sentido a sua atividade durante o jogo (GARGANTA. 1999). Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. 1999). 2003). Garganta. Devemos desenvolver em nós próprios a aptidão para contextualizar e globalizar os saberes criando um laço indissolúvel entre as ciências da vida e as ciências humanas (MORIN. 2. para pensar localmente é necessário pensar globalmente. GARGANTA. destacando-se a necessidade de se elaborar um modelo de treino capaz de fazer frente a toda a problemática conceitual e metodológica inerente ao jogo de futebol (MARTINS. Oliveira e Frade (1991) salientaram que o componente “físico” assume um papel igualmente importante. treino e da competição em futebol na qual a matriz organizacional deve considerar a tática como núcleo diretor. No entanto.

são duas ordens de problemas que estão implicadas no processo de aprendizagem (entenda-se treino): (1) os problemas da seleção da resposta adequada a situação (o quê. 1996). o treino do salto de impulsão vertical deve ser prescrito durante o jogo. maio/ago. no entanto a sua importância estará sempre dependente da importância que o treinador lhe atribuir. ou seja. GRECO. A idéia central desse trabalho é a tática (OLIVEIRA. 2009. Estes exercícios também são importantes. Portanto. Normalmente o objetivo do jogo de futebol é ser superior ao adversário em número de gols. Não adianta apenas prescrever o salto de impulsão vertical durante o jogo se o atleta não tiver praticando essa sessão de acordo com o modelo de jogo (OLIVEIRA et al. quem corre durante mais tempo ou quem é mais rápido. mas o componente tático da periodização”. p. TREINO DO SALTO NO FUTEBOLISTA E MODELO DE JOGO DO TREINADOR: UMA ABORDAGEM MAIS COMPLEXA (ENTENDA-SE ESPECÍFICA) De acordo com Graça (1994). TJEERDSMA. O modelo Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. Campinas. Outros autores concordaram com essas afirmações (GASPAR. 2008) para ocorrer o armazenamento do conteúdo na memória de longo prazo (ROBERSTSON. torna-se evidente que. v. 2004). 2006. do tipo de sessão ou da finalidade dos próprios exercícios. 2. 2006). RINK. 2007). melhorar a sua capacidade de realizar o salto num qualquer momento do jogo de forma deliberada e oportuna. ARTIGO ______________________________________________________________________ ou seja. FERREIRA. Desta perspectiva de treino. MIALL. mais importante do que tentar melhorar a altura do salto dos futebolistas é melhorar a sua capacidade de decisão em relação ao “quando” e “como” saltar. GODBOUT. da sua real importância com aquilo que se passa no nosso jogo que é o requerido pelo modelo de jogo. ou seja. 47 ISSN: 1983-930.. PÉREZ. BOUTHIER. ou seja. o modelo de jogo (OLIVEIRA. LEITÃO. 2001. 2005). o quando e o porquê) e os problemas relativos a realização da resposta motora (o como). PASCUAL-LEONE. n. 2006. dependendo da fase da temporada. Então. e de uma forma mais particular. marcar mais e sofrer menos […] Certamente que o mais importante não é a componente físico. 2004). . Faria e Frade (1999) explicaram que “[…] no futebol não ganha quem salta mais alto. merecendo que o ato do cabeceio esteja conforme a maneira de jogar da equipe. GRÉHAIGNE. Neste sentido. treinar o cabeceio de acordo como a equipe vai jogar necessita de uma sessão na partida ou no treino situacional (FILGUEIRA.38-63. FRENCH. o treino do salto também deve ser contextualizado no modelo de jogo do treinador. Os tradicionais exercícios de salto em profundidade ou os exercícios de agachamento balístico na sala de musculação estão desprovidos do específico-sistêmico que tanto são procurados no treino de futebol. precisamente. NUNES. MONTAGNER. conforme o modelo de jogo adotado pelo técnico (BRAZ. FANTATO. 2005. a filosofia de jogo. 7.

O princípio da especificidade preconiza que sejam treinados os aspectos que se prendem diretamente com o jogo (estrutura do movimento. não treinando o modelo de jogo elaborado pelo treinador. Campinas. 1995). dependendo das circunstâncias em que as imagens foram assimiladas e estão a ser acedidas. Ao articularem-se entre si. Uma sessão com ênfase na técnica prepara o jogador para executar bem o fundamento naquele contexto de treino (DAOLIO. 2002). maio/ago.38-63. mas não melhora o atleta para praticar o mesmo fundamento numa situação de jogo (TURNER. Damásio (2001) informou que as imagens mentais “são construções momentâneas. Esta não deve ser indutora de limitações individuais ou coletivas. Modelo de jogo e especificidade articulam-se de uma forma simbiótica nos jogos desportivos coletivos e. 1998). 48 ISSN: 1983-930. natureza das tarefas. os comportamentos e padrões de comportamento identificam uma identidade de equipe denominada de organização funcional. Assim. ARTIGO ______________________________________________________________________ de jogo imposto pelo treinador condicionará fortemente as decisões dos jogadores. uma grande parte do conhecimento geral é armazenado no encéfalo sob a forma de imagens. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. 7. tentativas de réplica. n. comportamentos e padrões de comportamentos que o técnico pretende que a equipe/jogadores revelem durante diferentes momentos do jogo. onde devem ou não estar. organização defensiva. Os princípios de jogo representam um conjunto de características. mas produtora de comportamentos criativos balizados pela lógica dos padrões de comportamento que o treinador entende como relevantes. (…) no sentido de viabilizar a maior transferência possível das aquisições conseguidas no treino para o contexto específico do jogo (GARGANTA. as imagens sobre as quais o ser humano raciocina não só devem estar em foco como também devem ser mantidas ativamente na mente – algo que é realizado pela memória em constante trabalho através do treino. Ainda de acordo com Damásio (2001). O mesmo autor refere que “o fato de um organismo possuir uma mente significa que ele forma representações neurais que podem tornar em imagens que são 1 Segundo Oliveira (2003) o modelo de jogo representa uma idéia sobre o jogo baseada em princípios de jogo e seus derivados (sub-princípios) no que se refere as quatro fases do jogo de futebol: organização ofensiva. particularmente. 2.” Se o técnico pretende que a equipe reveja um modelo de jogo que o treinador deseja. Por exemplo. p. transição defesa-ataque e transição ataque-defesa. sob pena do responsável pela sessão de reduzir substancialmente a diversidade de imagens que a equipe poderá assimilar. nunca se dando por concluído. durante a competição. tipo de esforços. 2009. O modelo de jogo adotado parte da idéia de jogo do treinador (concepção de jogo) e dos comportamentos que quer que a sua equipe/jogadores manifestem (individual e coletivamente) bem como no conhecimento que o treinador tem dos seus jogadores. ou como deverão cabecear. . capacidades e características especificadas de cada jogador e do nível de entendimento e conhecimento que eles têm do jogo. v. Representa um pressuposto para o jogo e como tal está sempre em reconstrução. Desta forma o modelo de jogo e seus princípios1 enquanto conceito teórico assume grande relevância na orientação do processo de treino. de padrões que já vivenciados pelo menos uma vez e para os quais a possibilidade de se obter uma réplica exata é baixa […] a probabilidade de ocorrer uma réplica substancial pode ser superior ou inferior. no futebol. onde deverão colocar-se para saltar. a prescrição das sessões não podem se basear em estímulos que estereotipam os tipos de imagens. prescrever demasiadamente o treino técnico e exigir dos futebolistas um modelo de jogo de alta complexidade durante a competição (GARGANTA. MARTINEK. 1999).

físicos e coordenativos. maio/ago. 2002). ou seja. a especificidade deve traduzir-se na construção dos exercícios de treino. Isto só será possível se o técnico utilizar exercícios que simulem situações de jogo ou que simulem aspectos relacionados com a organização do jogo da equipe (RAAB. isto é. 1991). Campinas. 2003). 2003). mais apto se tornará um jogador/equipe na sua capacidade de antecipar um estímulo (associando-o a uma imagem previamente adquirida) e de elaborar uma resposta/ação. Castelo (1994) explicou que cada pessoa trás dentro da sua cabeça um modelo mental do mundo. ARTIGO ______________________________________________________________________ manipuladas num processo chamado pensamento. FRADE. De acordo com esta perspectiva. tático-técnicos. a adequabilidade/adaptabilidade de um exercício em função do modelo de jogo pretendido. mas sim treinar para tentar reduzir as diferenças entre aquilo que é a situação atual dos jogadores (a sua atual concepção do modelo de jogo do treinador) e aquilo para onde se quer que eles caminhem (o verdadeiro modelo de jogo do técnico). 2009. que derivem do modelo de jogo determinado pelo técnico (CARVALHAL. 49 ISSN: 1983-930. Assim. v. 2007). “Mas para que a pessoa consiga agir… é indispensável que o modelo tenha alguma semelhança nas suas linhas gerais com a realidade […]” (CASTELO. Na seleção dos exercícios deve introduzir a noção de especificidade: “só se poderá chamar ESPECIFICIDADE a especificidade se houver uma permanente e constante relação entre as componentes psico-cognitivos. Refere ainda que ao utilizar as imagens evocadas. Estes deverão ser específicos uma vez que “proporcionam uma maior adaptação e geram um maior rendimento na prestação durante o jogo” (OLIVEIRA. que consiste em dezenas de milhares de imagens. em correlação permanente com o modelo de jogo adotado e os respectivos princípios que lhe dão o corpo” (OLIVEIRA.38-63. O treinador induz um pensamento coletivo nos jogadores através dos exercícios que seleciona. 2005. É importante referir que. o qual acaba por influenciar o comportamento em virtude do auxílio que confere em termos de previsão do futuro. p. a qual foi formada quando ele planejar qualquer coisa que ainda não aconteceu. mas que espera que venha a acontecer. pode recuperar um determinado tipo de imagem do passado. Para tal os atletas não devem apenas treinar por treinar. 7. n. Um exercício deve possuir a faculdade de proporcionar aos jogadores/equipe o maior número de imagens para as tomadas de decisões serem adequadas na resolução do problema do jogo (TAVARES. 1994). uma representação subjetiva da realidade externa. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. que procuram induzir nos jogadores a forma mais aproximada possível de pensar o jogo do treinador. quanto mais “rico” for o treino na diversidade de imagens induzidas aos jogadores/equipe. de planificação deste de acordo com essa previsão e da escolha da próxima ação”. 2. . dentro desta diversidade de imagens o treinador deve procurar os exercícios que se relacionam com a maneira ou intenção de jogar da equipe.

. o modelo de jogo. Campinas. de acordo com os mesmos autores. Decorre também deste postulado a idéia que a especificidade se assume como um “conceito dinâmico e não absoluto e estático” (OLIVEIRA. 2. 2006). v. VIDAK. Atividades que não exercitam o pensamento tático (RAAB. 2009). 1991). com o objetivo de aumentar o rendimento (físico) num determinado espaço de tempo. Assim. sobre o treino físico. 2008). atendendo a tensão. fruto da lógica do processo de treino. 2001). Barbanti (2001.38-63.. . Deste modo. a velocidade de contração. “resistência” e “velocidade” assumem contornos diferentes de uma perspectiva estritamente fisiológica (científica). atribuindo-lhe um sentido” (TAVARES. que serão determinados pelo propósito de jogar conforme uma maneira. simplesmente desenvolverá o físico e/ou o técnico durante o cabeceio. Caso essas diretrizes não sejam respeitadas o treino de salto de impulsão vertical não vai melhorar a inteligência de jogo do atleta (CARVALHAL. subjacente a um contexto que o define em determinado momento. SANTOS SILVA. 2001). baseadas na produção de força pelos músculos monoarticulares e sua transferências inter-segmentar pelos Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. de não estimular o raciocínio tático através da seguinte definição: O treino físico é uma repetição sistemática de movimentos que produzem reflexos de adaptação morfológico e funcional. 2009. a duração da contração. ARTIGO ______________________________________________________________________ articulando/modelando de forma sistêmica os 4 componentes do rendimento desportivo. FRADE. COUTINHO. 2003). 3) reforçou uma dessas afirmações. Quando o técnico planeja o treino de acordo com esta ESPECIFICIDADE. 2007). o treinador após verificar quais os comportamentos realizados no seu jogo que requisitam o tipo de contrações musculares que pretende treinar. 2008. FLANAGAN. maio/ago. podem-se dividir os exercícios por pacotes de tipos de contrações musculares. Então. 50 ISSN: 1983-930. GHAHRAMANI. o treino das capacidades físicas “força”. mas estando de acordo com o modelo de jogo para acontecer um adequado trabalho tático (TRNINIC et al. a elaboração dos exercícios do salto de impulsão vertical deve ocorrer no jogo ou no treino situacional (SINDIK. Os saltos promovem a realização de grande tensão muscular e de contrações musculares excêntricas. 7. p. Conclui-se que o treino de salto de impulsão vertical deve estar inserido no modelo de jogo da equipe de futebol para gerar a ação tática na partida indicada pelo treinador (OLIVEIRA et al. a fim de proporcionar um armazenamento na memória a respeito do “o que fazer” e “como fazer” (WOLPERT. n. FRADE. A CONSTRUÇÃO DOS EXERCÍCIOS Ao longo desse estudo de revisão foi defendido que “um exercício só é verdadeiramente específico se seguir uma orientação intimamente ligada ao modelo de jogo adotado pelo treinador. p. deve solicitar esse tipo de comportamentos nos exercícios de treino. ou seja.

sub-princípios e sub-princípios dos sub-princípios do modelo de jogo caracterizados pelo uso de ações de “Força-Específica”. um exercício no qual o salto de impulsão vertical é trabalhado de acordo com a noção de ESPECIFICIDADE. ou seja. e tendo em mente a noção de ESPECIFICIDADE que foi apresentada anteriormente. 2. diferentes jogos e diferentes formas de jogar […]”. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. Baseado nessa metodologia de treino. é necessário compreender que “existem diferentes ‘futebois’. maio/ago. . 2004). ZATSIORSKY. são apresentados 4 exemplos de exercícios para o leitor entender como é estruturado o treino de salto de impulsão vertical centrado no modelo de jogo: Exemplo2 1 Tema / Momento3: 2 A representação do exercício foi organizada de acordo com o modelo de Oliveira (2003). Estes exercícios promovem alta tensão muscular. mas apenas exemplificar. Campinas. 51 ISSN: 1983-930. a maneira de jogar da equipe. recomendar exercícios sob pena de estes se encontrarem fora da esfera do próprio modelo de jogo do leitor. v. sempre arrastado pela organização de jogo. De acordo com Tavares e Frade (2003). num determinado espaço de tempo definido. sub-princípios e sub-princípios dos sub-princípios do modelo de jogo do treinador que será dosada a dinâmica das cargas. BAER.38-63. É de acordo com o treino dos princípios. pelo trabalho tático. ROWE. serão elaborados exercícios de treino que requeira. no sentido próximo-distal (DURWARD. sugerir nenhum exercício. entre 9 a 30 dias porque Marques Junior (2009b) afirmou que essa duração acontece significativo armazenamento do conteúdo na memória. A própria forma de condução. Deve prevalecer sempre a idéia de que as características físicas de determinado exercício surgem sempre por arrastamento daquilo que pretende ser o modelo de jogo. 2009. de um mesmo exercício varia se mudar o treinador que o orienta. de acordo com a sua forma de entender o jogo. torna-se impossível dar receitas para o treino. Não se pode portanto. p. O exercício só é específico se for construído pelo próprio treinador. para um determinado sub-princípio de um hipotético modelo de jogo. Os saltos podem ser incluídos nas sessões de treino dedicadas ao treino de princípios. A seguir. de acordo com os seus princípios e filosofia. na prática. 1994). uma maximização das repetições do aspecto a que esteja a ser dada mais importância (neste caso treino do salto de impulsão vertical). pois cada um foca determinados aspectos. PRILUTSKY. Assim sendo. ARTIGO ______________________________________________________________________ músculos biarticulares dos membros inferiores. 7. Tudo se relaciona com a forma de entender o futebol e com as idéias que cada treinador possui. n. 3 O exercício também pode ser organizado focando um momento defensivo. tem curta duração e apresentam uma velocidade moderada/alta (OLIVEIRA. 2001.

p. ou seja. acontece um treino situacional. colocar rapidamente um grande número de jogadores em posição de cabeceio. Sub-Princípio:  Organização ofensiva intersetorial/grupal – setor de meio-campo ofensivo e ataque: baseado em Hughes e Franks (2005). 7. FIGURA 1: Os laterais em preto devem cruzar a bola para área para ocorrer o cabeceio. v.  Executar bons cruzamentos. Objetivos:  Explorar os corredores laterais. a bola recomeça no meio- campo pela equipe atacante. 2009. sendo que o terceiro toque o lateral vai efetuar um Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. as maiores chances de gol acontecem com quatro toques na bola. tendo um goleiro (G). O espaço é o de um meio-campo. Forma/Descrição: 6 + (2) x 5. maio/ago. colocar dois jogadores em posição adequada para efetuar o chute para a meta (2ª bola). Sempre que houver um gol ou uma interceptação. n. Sub-Princípio:  Organização ofensiva intersetorial/grupal – setor de meio-campo ofensivo e ataque: explorar os corredores laterais para efetuar cruzamentos para o cabeceio dos atacantes e meio-campistas.  Procurar os espaços para o cabeceio e para a 2ª bola. os jogadores deverão praticar dois passes. 52 ISSN: 1983-930. Os zagueiros em vermelho que se encontram a defender tentam impedir a equipe adversária de marcar o gol. Ninguém pode entrar na área delimitada para os laterais. ARTIGO ______________________________________________________________________  Organização ofensiva intersetorial/grupal. Campinas. Veja na Figura 1.38-63. Exemplo 2 Tema / Momento:  Organização ofensiva intersetorial/grupal. . A equipe atacante em azul de 6 + (2) tenta colocar a bola nos seus laterais que efetuam o cruzamento para o cabeceio dos seus colegas de equipe. 2.

Sub-Princípio:  Finalização com a cabeça em salto após entrada ao primeiro poste. O treinador lança uma bola para o ar e o segundo jogador. Exemplo 3 Tema / Momento:  Organização defensiva indi  vidual. n. acontecendo o quarto contato com a bola durante o cabeceio. ou seja. antecipando-se ao seu colega que tenta dificultá-lo tentando ganhar a posição.38-63. Ninguém pode entrar na área delimitada para os laterais. Descrição:  Grupos de dois jogadores colocados um diante do outro e voltados para o treinador. Campinas. Exemplo 4 Tema / Momento:  Organização ofensiva coletiva. o terceiro toque é o cruzamento para área e o quarto contato com a bola é o cabeceio dos atacantes ou meio-campistas. Sempre que houver um gol ou uma interceptação. Forma/Descrição: 6 + (2) x 5. p. Para a bola chegar nos laterais deve acontecer no máximo dois passes. 2009. 53 ISSN: 1983-930. 2. gerando um ataque veloz e com alta chance de gol. a bola recomeça no meio- campo pela equipe atacante. Sub-Princípio:  Antecipação e agressividade no duelo aéreo. Objetivos:  Aperfeiçoar a precisão do passe com poucos toques na bola. 7. O espaço de treino num meio-campo ofensivo. Os poucos toques na bola permitem que a defesa não tenha um adequado posicionamento. deve interceptar com a cabeça. Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. A equipe atacante tenta colocar a bola nos seus laterais que efetuam o cruzamento para o cabeceio dos seus colegas de equipe. acontece um treino situacional.  Procurar os espaços para o cabeceio. nas costas do primeiro. ARTIGO ______________________________________________________________________ cruzamento para o cabeceio dos atacantes e meio-campistas. . Objetivos:  Aperfeiçoar a técnica de intercepção da bola no ar. Os zagueiros que se encontram a defender tentam impedir a equipe adversária de marcar o gol. maio/ago.  Executar bons cruzamentos. v.

o físico. recomendando que o treinamento seja predominantemente tático. atualmente o treino do cabeceio do futebol onde ocorre o salto de impulsão vertical. CONSIDERAÇÕES FINAIS Realizar prescrição do cabeceio apenas por valores quantitativos desse fundamento durante o treino técnico e/ou treino físico torna-se desprovido das características do futebol porque esse esporte acontece num contexto de imprevisibilidade onde a tática é o principal componente de rendimento dessa modalidade. ou seja. o técnico e o psicológico vão estar subordinados a tática. n. v. 2. 2005. p. ARTIGO ______________________________________________________________________ Objetivos:  Aperfeiçoar a técnica de finalização através de cabeceio. a metodologia de treino da periodização tática se preocupa como os conteúdos das sessões são armazenados na memória dos futebolistas. GRECO. Campinas. costuma ser elaborado fora da realidade do jogo. a construção dos exercícios do salto de impulsão vertical terá que ser balizada pelo modelo de jogo. Veja na Figura 2. 2006.  Aperfeiçoar a técnica de passe/cruzamento. Apesar de vários autores afirmarem que a tática é a variável mais determinante na performance do futebol (BATISTA. 2009. O grande problema dessa sessão é que gera adaptações neurais próprias para esse trabalho. 2002. ou seja. . SILVA et al. Descrição:  Movimentação dos atacantes em vermelho do segundo para o primeiro poste em diagonal. Mesmo quando o treinador deseja Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. SILVA. FIGURA 2: Os laterais em azul devem cruzar a bola para área ao primeiro poste para ocorrer o cabeceio pelos atacantes em vermelho. o salto de impulsão vertical é trabalhado no cabeceio conforme o modelo de jogo. técnico.38-63. não preparando o futebolista para o jogo. numa sessão estão inseridos todos os componentes de rendimento do futebol (físico. Porém. psicológico e tático). 7. 54 ISSN: 1983-930. GARGANTA.. 1996. para receber cruzamento e cabecear para gol (variar o lado do cruzamento). precisamente ao modelo de jogo do treinador. Então. MATTA. Com essa perspectiva de treino. 2006). 2006. maio/ago.

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