ConfederaçãoGeral dos Tabaihadores PoRugueses

Exmo. Senhor
Eng.' António Guterres
Secretário-Geral das Nações Unidas

N/Ref. 02 19/A.C00RD/NR/Usboa. 20-03-20 17

Senhor Secretário-geral das Nações Unidas
Engenheiro Antónío Guterres

Prossegueo julgamento político dos activistas Saharauísdetidos durante o
desmantelamento
do acampamento
de protestode Gdeímlzíkde Novembrode
2010

O acampamento em defesa do direito à auto-determinação do povo Saharauífoi
brutalmente desmantelado pelo exército e polícia Marroquina que,
indiscriminadamente,atacaram civis Saharauís,entre eles centenas de crianças e
idosos

A República Árabe Saharauí Democrática vive, desde há várias décadas, impedida
de existirpela continuada ocupação do seu territóriopor parte do Reinode barrocos.
Esta ocupação viola o direito à auto-determinação de um Povo, direito esse
reconhecido pelas várias instâncias internacionais, entre elas a ONU.

Os 24 activistas que estão a ser julgados exigiam o respeito pela auto-determinação
do Povo Saharauí, e o respeito de barrocos pelo Povo e os trabalhadores do Sahara
Ocidental.

Estejulgamento está marcado por inúmerasilegalidades à luz do direito internacional.
Osjulgamentos primários foram realizados num tribunal militar de forma imparcial e
onde não foram ouvidas testemunhasde defesa. Não foi apresentado, em momento
algum os nomes, identidades ou relatório das autópsias dos agentes À/marroquinos
supostamente mortos pelos activistas Saharauís.

Estejulgamento foi considerado nulo pela comunidade internacional por se basear
apenas em confissõesobtidas sob tortura como o relatório do grupo de trabalho para
as detenções arbitrárias da ONU atesta.

No final de 2016,e depoisde 3 anospresos,
iniciou-se
um novo processo
de
julgamento no tribunal civil em que os activistasSaharauísestiveramisoladosda sala
por uma jaula de vidro impedidosde ouvir, falar ou mesmotomar notas. Os
advogados de defesa têm sido impedidos de intervir, são interrompidosnas suas
intervenções durante os julgamentos e o tratamento dos juízes favorável ao lado
Marroquino, não mantendo a imparcialidade.

F
RuaVitor Cordon. 1-2.o - 1249-102 Lísboa - Portugal - Tel.: +351.21.323 65 00 - Fax: +351.21 .323 66 95 - e-mail:cgtp(@cgtp.pt

CGTP
Nosjulgamentos mais recentes tem sido comum as afirmações do juiz em afirmar que
não terá em conta o direito internacional,nem a convenção de Genebra,nem a
recente decisão do comité contra a tortura das Nações Unidas.

É neste contexto que têm sido julgados os activistas saharauís, têm sido submetidos a
actos de tortura, à hostilidade dos juízesmarroquinos, sem a possibilidade de acusados
e advogados de defesa falarem abertamente.

Estesactivistas saharauís defendem o direito reconhecido do povo saharauí à auto-
determinação do Sahara Ocidental, assim como o respeito pelos direitos humanos
garantidos na Carta dos DireitosHumanosdas Nações Unidas.

Vimospor este meio solidarizar-noscom o grupo de presosde Gdeim lzíke apelar que
intervenha para a libertação dos presospolíticosSaharauísque. como explanámos,
estão a seralvo de perseguição política por defenderem a causa do seu povo à auto-
determinação e contra a ocupação Marroquina.

Com os melhorescumprimentos,-+n-.,b.e«"

Arménio Carlos
Secretário-Geral