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Lamounier. O ‘Brasil autoriário’ revisitado.

[PARTE INICIAL]

Questões. Institucionalização do regime. Oposição ao regime. A transformação
liberalizante. “(...) a dificuldade de se institucionalizar um regime autoritário e a
viabilidade de um processo de descompressão baseado na reativação gradual de
mecanismos eleitorais e pluralistas” [94]. “Interessa-me, em particular, a formulação de
um modelo mais atento à possível efetividade dos mecanismos eleitorais e
representativos, como veículo de um processo de descompressão e eventual
democratização” [96].

Institucionalização. “(...) quando o sistema político é visto por seus súditos e pelos
protagonistas relevantes como um fim em si mesmo, vale dizer como uma forma com
vocação de tornar-se duradoura. Trata-se, pois, de uma coerência tendencial entre a infra
e a superestrutura; melhor dizendo, entre recursos e símbolos, ou entre uma matriz
social (e organizacional), de um lado, e uma fórmula viável de legalização e
legitimação, de outro” [84-5]. Institucionalização: uma correlação entre uma
infraestrutura (por exemplo, aumento dos recursos de controle e coerção) e uma
superestrutura (legitimação do regime, por exemplo, quando o regime é um fim em si
mesmo).

O CONTEXTO INTELECTUAL E POLÍTICO DAS ANÁLISES ORIGINAIS

Crítica I. Os autores argumentavam que o processo de liberalização viria de uma
dissenção no meio militar, de setores empresariais, etc. que eram contrários às políticas
econômicas e sociais do governo e não por via eleitoral e por militares alinhados com
essas propostas. Esses autores desconsideram o pluralismo (das forças armadas?
Existência também de componentes liberais e as dissenções no meio militar?) e as
tendências liberais do Brasil (oposição a regimes autoritários e populistas e apoio a
formas democráticas de competição?

Essas tendências liberais existiriam até nos meios militares que buscavam demolir a
máquina getulista e instalar um governo democrático). De uma lado, a análise desses

. e que esta se dispôs a jogar esse jogo em grande parte devido à própria estrutura da competição. Schmitter argumenta que o modelo de Estado que se formou no Brasil deriva de uma industrialização tardia e da necessidade de adequar o Estado brasileiro às formas de capitalismo global. a menos que uma das duas grandes doutrinas (liberalismo- pluralismo e autoritarismo) recebessem a ênfase principal. inicialmente batizado de distensão e mais tarde de abertura ou redemocratização” [102]. a distribuição do votos era competitiva. no Brasil. Crítica: a ideologia dominante era bem variada e.autores foca nos aspectos infraestruturais (aumento do poder de coerção) e. Os dados eleitorais do período apontam: apesar dos casuísmos. Modelo de Schmitter: apesar de reconhecer os elementos pluralistas e liberais como barreiras à institucionalização do governo militar. em aspectos superestruturais. de outro. por isso. Gostaria agora de sugerir que essa viabilidade é também função do comportamento da oposição. em virtude dos antecedentes pluralistas do sistema político e do elevado grau de controle que o governo era capaz de exercer sobre a agenda política. NOTAS COMPLEMENTARES SOBRE A MECÂNICA DA DESCOMPRESSÃO Abordagem de Linz: ênfase em aspectos ideológicos. à distribuição das changes eleitorais. como as tednências liberais e pluralistas. A ESTRUTURA DA COMPETIÇÃO ELEITORAL “Os argumentos da seção anterior sugerem que a descompressão pela via eleitoral permanecia viável. fica difícil argumentar que existia uma doutrina política e econômica mais articulada. “Minha hipótese geral é portanto que se criou um grau aceitável de comprometimento dos contendores com as regras institucionais na medida em que quaisquer mudanças passavam a ser vistas como parte de um horizonte móvel. baseada na composição sociogeográfica do eleitorado e na distribuição das preferências partidárias” [102]. vale dizer.

a abertura via eleições foi possível em grande parte porque as forças político- partidárias ‘reativadsa’ em 1974 estavam na realidade disputando o controle de um poder legislativo enormemente esvaziado em suas funções e prerrogativas” [123].) tornava-se indispensável recuperar a credibilidade dos mecanismos representativos. “Ou seja. que eles se transformassem num dos mais importantes parâmetros da estratéguia global do governo” [110]. 3) O governo patrocinou a iniciativa da abertura e pôde controlar as iniciativas das mudanças. Esses dois fatores também afetaram a abertura de forma imprevisível pelo regime militar. . que encontrava resistência nos setores mais intransigentes do regime” [122]. CONCLUSÃO “Os resultados de 1974 sinalizaram o desejo de mudança que se vinha formando no seio da sociedade. Outros fatores de importância: voto plebiscitário. Sendo assim. por conseguinte.Dada as condições do fim do regime militar. identificação dos eleitores com o sistema bipartidário. a alternativa da abertura parecia a mais viável.. 2) Estrutura social: possibilidade da existência de oposição nas grandes cidadades. Outros fatores: 1) Imperativo eleitoral : aspéctos liberais do sistema eleitoral brasileiro. impulsionaram a organização de oposições variadas em um partido político (o MDB) e reforçaram a disposição inicial do governo Geisel de implantar um projeto de liberalização controlada.. admitindo. “(.

Isso foi possível graças ao pluralismo do sistema partidário e ao controle do regime militar a agenda política. . porque achava que qualquer mudança que poderia provocar seria mais um passo para a transição do regime. e demonstrava que era possível existir competição política. [Contrastar as posições I e II criticadas pelo autor]. a distribuição dos votos em si não era tão afetada. Fatores que favoreceram a adoção do regime da abertura pela via eleitoral: situação do regime militar e as eleições de 74 (voto plebiscitário e identificação da população com o bipartidarismo). Embora os casuísmos afetassem a proporção entre os votos e o poder concedido aos partidos. assim como a vontade da oposição de continuar no jogo político.Argumento Mecanismos eleitorais e competitivos foram veículos para a transição democrática do regime.