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Educação Especial e

Inclusão Escolar

Ana Paula Fischer Hort
Ivan Carlos Hort

Uniasselvi-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD

Editora

CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (047) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Dr. Malcon Tafner

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Janes Fidélis Tomelin

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Profa. Elisabeth Penzlien Tafner
Prof. Norberto Siegel

Revisão de Conteúdo: Julianne Fischer

Revisão Gramatical: Marcilda da Cunha Rosa

Diagramação e Capa: Cristiano Horst Teske

Copyright © Editora ASSELVI 2008

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri – Grupo UNIASSELVI – Indaial

Professores - Autores

Ana Paula Fischer Hort

Possui graduação em Normal Superior, pelo Centro Universitário
do Vale do Itajaí (2003). É pós-graduada em Psicopedagogia, pelo
Instituto Catarinense de Pós-Graduação (2005), e mestre em Educação
(2008), pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universida-
de Regional de Blumenau. Atualmente trabalha como Psicopedagoga na
Clínica Estruturar, no município de Blumenau, SC. Tem experiência na área
de Educação, nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental e no Ensino Superior, com ênfase em
Educação Inclusiva, Problemas de Aprendizagem, Alfabetização e Informática na Educação.
Publicou os artigos: “Escola regular e escola especial: reinterpretando papéis” e ”Prática
pedagógica inclusiva: possibilidades e desafios”.

Ivan Carlos Hort

Possui graduação em Bacharelado em Educação Física, pela Fun-
dação Universidade Regional de Blumenau (1999), e pós-graduação em
Educação Física Escolar, pelo Instituto Catarinense de Pós-Graduação
(2002). Atualmente é coordenador acadêmico do Instituto Catarinense de
Pós-Graduação, professor da disciplina Educação Física Adaptada nesta
mesma instituição de ensino, professor da disciplina Fundamentos da Educação
Inclusiva (Educação Física Adaptada), no Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI)
e professor de Educação Física no Colégio Sagrada Família. Tem experiência na área de Edu-
cação, com ênfase em Educação Física, atuando principalmente com os seguintes temas:
Educação Física e Inclusão. Publicou os artigos: “Repensar a educação física para
uma prática inclusiva” e “Inteligências múltiplas: avaliando os alunos a fim de
desenvolver suas diferentes habilidades”.

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............47 .................29 CAPÍTULO 3 Aspectos Necessários para Construir uma Escola Inclusiva.... Fundamentação Teórica e Políticas Inclusivas.....................9 CAPÍTULO 2 Inclusão Escolar: Definição.............. Sumário APRESENTAÇÃO........7 CAPÍTULO 1 Histórico e Evolução da Educação Especial......................................................................................

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Dessa forma. o capítulo III explicita sobre os aspectos necessários para promover a inclusão nas instituições de ensino. para colocar uma proposta em prática. Isto porque as mudanças nas políticas públicas brasileiras em relação ao atendimento educacional às pessoas com necessidades especiais têm causado impacto e inúmeras dúvidas no meio escolar e nas instituições especializadas. o segundo capítulo nos fornece um amplo panorama a respeito das propostas teóricas e dos documentos nacionais e internacionais que norteiam as políticas brasileiras de inclusão. Convidamos você a desvelar as muitas facetas da inclusão por meio das informações contidas em cada página deste caderno. ou seja: fazer uma sociedade mais inclusiva! . desde o Projeto Político-Pedagógico até a prática do professor em sala de aula. indo além do saber. Dessa forma. Além disso. com o objetivo de contribuir com esclarecimentos e tornar possível a prática da inclusão escolar. um fenômeno que vem sendo pesquisado e que é fruto das mudanças provocadas pelas propostas de inclusão. você estudará ainda sobre as transformações que vêm ocorrendo nas funções das instituições de ensino regular e especial. O primeiro capítulo objetiva descortinar a história e a evolução da educação especial diferenciando cada fase para que você compreenda como ocorreu o processo que desencadeou o movimento de inclusão nas escolas. intitulada Educação Especial e Inclusão Escolar. Sabemos que. que apresentamos neste Caderno de Estudos. é necessário conhecer profundamente em que se baseia sua filosofia. Nesse capítulo. Para finalizar e complementar os estudos feitos nos capítulos I e II. tem fundamental importância principalmente para quem trabalha na área da educação. como também laçamos a você o desafio de se incluir nesta tarefa. elaboramos este material que está dividido em três capítulos. APRESENTAÇÃO Caro(a) pós-graduando(a)! Esta disciplina. estudaremos sobre o Burnout docente.

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você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 33 Conhecer a história da educação especial.C APÍTULO 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva A partir da perspectiva do saber fazer. 33 Diferenciar as fases históricas da educação especial. 33 Distinguir as funções da escola especial e da escola regular. 33 Compreender a mudança dos papéis da escola especial e da escola regular. . neste capítulo.

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segregação ou separação. não ocorram de maneira contínua. em que as políticas garantem a todos o direito à educação na escola regular. é essencial que você faça uma análise das acepções e práticas que a ele servem de base. este capítulo pretende esclarecer quanto aos modelos de educação oferecidos às pessoas com deficiência. Trajetória da Educação Especial: da Exclusão à Inclusão Escolar Antes de conhecer o modelo de educação inclusiva. Isto porque a escola especial recebeu novos papéis após a implementação de leis que garantem a inclusão de todos na escola regular. principalmente o de cooperar com a educação inclusiva. conforme Sassaki (1997). esta pode ser dividida em quatro fases: exclusão. você conhecerá um breve histórico da trajetória da Educação Especial. Em relação a isso. Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva Contextualização Neste capítulo. 16) nos explica que 11 . Sassaki (1997. já que cada população tem seu próprio momento cultural e histórico. por se tratar de mudanças de paradigmas. essas fases não ocorreram ao mesmo tempo para todos os grupos sociais. Embora os fenômenos históricos aconteçam de forma não-linear. ou seja. é importante saber que a mesma se derivou de uma longa trajetória historicamente produzida. Ressaltamos que. a Educação Inclusiva é fruto de mudanças históricas que foram constituídas socialmente. p. Conhecer os caminhos e a evolução da Educação Especial é importante. de acordo com os valores morais e éticos de cada época. no que concerne à história da Educação Especial. integração e inclusão. Além disso. desde o período em que eram preteridas no que se refere a qualquer forma de educação escolar até os dias atuais. Para entender a gênese histórica desse modelo. Por último. Em outras palavras. cujo ensino não é mais substitutivo da escola regular. hoje almejada nas escolas de todo o país. pois fará com que você reflita e compreenda os vários enfoques atribuídos pela sociedade às pessoas com deficiência. você refletirá sobre as funções da escola especial.

na morte dos “débeis”. as pessoas com deficiência tiveram acesso à educação. a educação. que é uma dessas práticas. integração e exclusão nesse texto. Em seguida. essas pessoas. Em outras oportunidade de ensino que o sistema palavras. até. Institucionalização da deficiência: significa. Esse reconhecimento da deficiência aos poucos transformou a fase de exclusão em fase de segregação ou separação. pois dessa forma. se comparado com os demais – da segregação. situadas longe da localidade de suas famílias. das mesmas em instituições residenciais segregadas ou em escolas e sim para dar a especiais. desenvolveu o atendimento segregado dentro de instituições. as quatro fases se referem às práticas sociais. portanto. passou para a prática da integração social e recentemente adotou a filosofia da inclusão social para modificar os sistemas sociais gerais (grifos no original). mais especificamente no século XIX. era natural pensar em abandono e. mas regular negava a de forma segregada. necessita ser socorrido. Além disso. atravessou diversas fases no que se refere às práticas sociais. quando ocorreu a institucionalização da deficiência. Portanto. segregação. neste caso. o sujeito deficiente não contaminaria o resto da sociedade. Educação Especial e Inclusão Escolar A sociedade. quando falarmos em exclusão. O modelo de exclusão. Essa maneira de pensar modificou-se à medida que o Cristianismo se difundiu. da integração e da inclusão –. Nessa fase. estaremos nos referindo ao acesso à educação. oferecer ensino às pessoas com deficiência em locais especializados. está diretamente atrelada a essas mudanças. fora das escolas regulares. foi o que predominou por mais tempo no que diz respeito à história social das pessoas com deficiência. Escola Especial não foi criada para A fase de segregação ficou caracterizada pela retirada das pessoas segregar as pessoas com deficiência de suas comunidades de origem e pela manutenção com deficiência. que a escola especial passou a exercer um papel importante para as pessoas 12 . em todas as culturas. não podemos pensar nas fases mencionadas por Sassaki (1997) desvinculadas de seus momentos históricos. Ela começou praticando a exclusão social de pessoas que – por causa das condições atípicas – não lhe pareciam pertencer à maioria da população. gerando o pressuposto de que o deficiente é um indivíduo dotado de alma e que. Foi nessa época. Entretanto. Dessa forma. pois as mesmas foram norteadas por políticas públicas que enfatizavam as visões de mundo concebidas em tais momentos.

p. devendo ficar ao cuidado das famílias ou internado em instituições ‘protegidas’. Cabe lembrar que a integração mencionada por Beyer (2005) é diferente da fase de integração em escolas regulares. sociais. que descreveu como: situacionais. Diferentemente do que imaginamos. pela primeira vez. 15) adverte que “as escolas especiais foram importantes historicamente. nas quais os alunos da unidade convivem com as outras crianças e. em 1978. Desinstitucionalização: foi o processo que marcou a transferência gradual das pessoas com deficiência das instituições especiais para as escolas regulares. a Escola Especial não foi criada para segregar as pessoas com deficiência. segregado do resto da população. No entanto. pois. 13 . Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva com deficiência. e sim para dar a oportunidade de ensino que o sistema regular negava a essas pessoas. que pouco poderia contribuir para a sociedade. Dessa forma. segundo Beyer (2005. apesar de as pessoas com deficiência estarem integradas em um sistema de ensino. Baseado em um modelo médico. Note: Na citação de Beyer (2005). Glat (1998. Sobre a escola especial. precisamos estar cientes de que foi uma solução passageira. mas uma solução transitória não tem ou não deve ter caráter permanente”. se possível. esse sistema funcionava separado do convívio social. p. a deficiência era vista como uma doença crônica e o deficiente como um ser inválido e incapaz. essas escolas “integraram. dando um novo rumo à educação de pessoas com deficiência. deu o seu apoio ao princípio da integração para alunos com necessidades educacionais especiais. como um meio de acesso à educação pelas pessoas com deficiência. as crianças com deficiência no sistema escolar”. 14). A Comissão de Warnock. aparece o termo “integraram”. em que unidades ou turmas especiais se encontram ligadas a escolas do ensino regular. Em relação ao exposto por Glat (1998). 11) explica que Tradicionalmente o atendimento aos portadores de deficiências era realizado de natureza custodial e assistencialista. que aconteceu em Londres. p. pois. é essencial termos consciência da importância histórica da Educação Especial. distinguindo três formas principais de integração. Beyer (2005. O processo de desinstitucionalização teve início com as mudanças socioeducacionais que ocorreram nos anos de 1970.

a inclusão visa que a escola se molde para atender as necessidades de cada aluno. tornou-se claro que seriam necessárias alterações substanciais no pensamento que se refere às três dimensões citadas.Os processos de exclusão. 1978). Figura 1 . sociais e funcionais. Diferente da proposta da integração que almejava modificar os alunos até que pudessem se encaixar no perfil das escolas regulares. p. A figura 1. Além disso. passando a ser usado o termo inclusão em vez de integração. Educação Especial e Inclusão Escolar partilham atividades organizadas fora da sala de aula. ou seja. 14 . A insatisfação com uma interpretação estreita da integração enquanto problema da minoria. e funcionais. situacionais. ilustra as quatro fases mencionadas nos parágrafos anteriores: exclusão. separação e integração e inclusão sob a ótica de Beyer (2006) Fonte: Beyer (2006. integração e exclusão. 279). o princípio da prática educativa inclusiva se aplica a todos os alunos. elaborada por Beyer (2006). nas quais aqueles que têm necessidades educacionais especiais assistem às aulas da escolaridade regular em regime de tempo inteiro ou de tempo parcial. na qual o sucesso significava adequar uma criança a um sistema que não fora concebido tendo em conta as suas necessidades. (RELATÓRIO WARNOCK. ou seja. o termo inclusão implica o reconhecimento de que todos estão abrangidos. conferiu um impulso significativo a uma mudança na utilização da terminologia. Nos anos subsequentes à publicação do Relatório Warnock (1978). segregação ou separação.

os alunos estavam excluídos do ensino regular. ficam excluídos dos O modelo de grupos de alunos ditos normais. respectivamente. Isto quer dizer que as pessoas com deficiência tinham acesso à mesma escola que as pessoas ditas normais. dentro de uma mesma escola. esta era separada das escolas comuns. as pessoas com necessidades especiais estão inseridas em escolas especiais e as pessoas ditas normais. Com isso. pois. pois pessoas ditas normais. nessa fase. as pessoas com necessidades que o modelo de especiais estão inseridas na mesma escola e no mesmo grupo das integração. podemos considerar que a integração seja uma forma de exclusão. representam. Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva A figura 1 contém círculos e “pontinhos” que. as pessoas com deficiência estavam excluídas de todos os tipos de educação. Na fase de segregação ou separação. podemos compreender que o modelo prevê um ensino que de inclusão requer mais da escola do que o modelo de integração. as pessoas com necessidades especiais não estão inseridas em nenhum tipo de instituição de ensino. Note: Será que podemos considerar que a segregação e a integração são formas de exclusão? Sim. Da mesma forma. mas em grupos separados. na fase de inclusão. Na fase de integração. 15 . inclusão requer mais da escola do Finalmente. as pessoas com necessidades especiais estão na mesma instituição de ensino que as pessoas ditas normais. Com essa figura. no ensino regular. Beyer (2006) procurou esclarecer quanto aos diferentes momentos históricos que marcaram as ações do sistema de ensino. nessa fase. Isto significa que. o ensino tanto na escola regular quanto na escola especial e as pessoas com necessidades especiais e as ditas normais. mesmo incluídos na escola regular. mas que ficavam separadas do convívio social. conforme a legenda. mas frequentavam classes separadas. Vamos entender melhor a figura 1? Na fase de exclusão. apesar de os alunos com deficiência estarem em uma instituição de ensino. foram criadas as primeiras instituições de ensino para pessoas com deficiência. pois abranja todos em prevê um ensino que abranja todos em uma mesma classe dentro de uma mesma classe uma mesma escola. ou seja. Podemos compreender então que. A segregação pode ser considerada uma forma de exclusão. já que os alunos.

reabilitar. Romeu Kasumi Sassaki. serviços. o qual citamos no início desta seção. Na próxima seção. ambientes físicos etc. vem seguindo o modelo social da deficiência. segundo o qual a nossa tarefa é a de modificar a sociedade (escolas. escolar. Fala-se muito também na integração do portador de deficiência.educacaoonline. Leia um trecho da entrevista concedida por Sassaki na qual aborda o tema que estamos estudando. poderão ter atendidas em suas necessidades. 16 . programas. tanto especiais quanto regulares.) para torná-la capaz de acolher todas as pessoas que. principalmente nos anos sessenta e setenta. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ Independente de sua resposta. ambiental). Existe diferença entre inclusão e integração? Sim. A prática da integração. existe. porém consolidada nos anos noventa. justificando sua resposta. educar) a pessoa com deficiência para torná-la apta a satisfazer os padrões aceitos no meio social (familiar. empresas.pro. é consultor e atua há 43 anos na promoção e na inclusão social de pessoas com deficiência. comuns e especiais. baseou- se no modelo médico da deficiência. profissional. embora ambas constituam formas de inserção. Educação Especial e Inclusão Escolar Atividade de Estudos: Você considera que a escola como está configurada atualmente está preparada para se encaixar nos moldes do paradigma da inclusão? Aproveite este momento de reflexão e responda de acordo com as experiências vivenciadas em sua realidade. Já a prática da inclusão. Essa entrevista está disponível no site www. podemos considerar que novos projetos requerem mudanças e que isso não é diferente quando tratamos do ambiente educacional. segundo o qual tínhamos que modificar (habilitar. incipiente na década de oitenta. uma vez incluídas nessa sociedade em modificação.br. discutiremos sobre as mudanças que a última fase – inclusão – trouxe para as escolas. recreativo.

independência. Como o Senhor vê o problema? Os preconceitos em relação à inclusão poderão ser eliminados ou. as principais resistências têm como origem o desconhecimento e/ou as informações equivocadas a respeito do paradigma da inclusão. entre os professores comuns e especiais e entre famílias e alunos com e sem deficiências. deverá ser garantido aos professores o seu acesso à literatura (livros. além de mudanças nos critérios de avaliação do rendimento escolar e de promoção nas séries. reduzidos por meio das ações de sensibilização da sociedade e. rejeição zero e vida independente). dos programas de lazer inclusivo. equiparação de oportunidades. a Declaração de Salamanca. Serão imprescindíveis os treinamentos dos atuais e futuros professores comuns e especiais. Durante e após os treinamentos. em sua maioria. os preceitos constitucionais brasileiros pertinentes ao direito à educação no ensino regular. manuais. pelo menos. inclusão social. das autoridades educacionais e dos alunos das escolas comuns e especiais e de seus familiares. Onde se encontram as principais resistências no sentido de se conseguir uma efetiva inclusão? Tanto no âmbito escolar como em outros setores. relatórios e outros materiais impressos e/ou audiovisuais) sobre educação inclusiva. no lar e na comunidade. Resultados já existem que comprovam a eficácia da educação inclusiva em melhorar os seguintes aspectos: comportamentos na escola. das empresas inclusivas. Será necessária uma ampla e contínua campanha de esclarecimento do público em geral. mediante a convivência na diversidade humana dentro das escolas inclusivas. as resistências estão presentes entre as autoridades educacionais de todos os níveis. Esses treinamentos deverão enfocar os conceitos inclusivistas (autonomia. Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva Que tipo de ação o Senhor sugere no sentido de tomar eficaz a inclusão do aluno com deficiência na escola regular? As ações são de vários tipos e devem ser. em seguida. resultados 17 . empowerment. os princípios da inclusão escolar. Quanto à inclusão escolar. implementadas simultaneamente. modelo social da deficiência. os procedimentos em sala de aula e as atividades extracurriculares que constituem as melhores práticas de ensino-aprendizagem já comprovadas por escolas inclusivas bem-sucedidas. Uma das grandes barreiras a serem derrubadas está nos preconceitos em relação ao tema. Deverá também ocorrer uma série de modificações nos ambientes escolares e nos materiais de ensino-aprendizagem. apostilas.

Educação Especial e Inclusão Escolar

educacionais; senso de cidadania; respeito mútuo; valorização das
diferenças individuais e aceitação das contribuições pequenas e grandes
de todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem,
dentro e fora das escolas inclusivas.

Atividade de Estudos:

1) Sugiro a você que aponte os aspectos mais interessantes da
entrevista de Sassaki e comente sobre eles.
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2) Diferencie, com suas palavras, as fases de exclusão, segregação
ou separação, integração e inclusão.
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Escola Regular e Escola Especial:
Reinterpretando Papéis
A Escola Especial
deve trabalhar de Na seção anterior, vimos que as escolas especiais surgiram para
forma cooperativa com oferecer ensino às pessoas com deficiência, já que estas, até o final da
as escolas regulares década de 1980, não tinham o direito de frequentar as escolas regulares.
e auxiliar no processo Nesse sentido, as escolas especiais inicialmente possuíam um caráter
de inclusão de alunos substitutivo do ensino regular. Você pode estar se perguntando: Se todos
com necessidades os alunos devem estar incluídos nas escolas regulares, qual o papel
especiais da escola especial nesse processo? As escolas especiais deixaram de
existir?

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Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva

Após a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – Educação Especial, Lei nº 9.394/96, a qual previu, no art.
58, parágrafo I, que, quando necessário, haveria “[...] serviço de apoio
especializado, na escola regular, para atender a peculiaridades da
clientela de educação especial” (BRASIL, 2008) –, as escolas especiais
ficaram encarregadas de assumir um novo papel na educação:
trabalhar de forma cooperativa com as escolas regulares e auxiliar no
processo de inclusão de alunos com necessidades especiais. Dessa
forma, as escolas especiais não deixaram de existir, mas assumiram
uma nova tarefa diante das pessoas com deficiência ou síndrome.

Deficiência ou Síndrome: É importante destacar que deficiência e
síndrome são duas patologias diferentes. Uma pessoa com síndrome
pode ter uma deficiência, mas isso não é uma regra e vice-versa.

De que forma isso vai acontecer?

A escola especial, serviço de apoio especializado ou atendimento
educacional especializado, passará a oferecer serviços diferentes
do proporcionado pelo ensino escolar, tendo como função atender
às peculiaridades dos alunos com necessidades especiais, estando
disponível como complemento, e não como substitutivo do ensino
regular. Mantoan (2004) nos lembra de que, no Ordenamento Jurídico
Brasileiro, o atendimento prestado pela escola especial “existe para
complementar e não para substituir o ensino escolar comum e para que
os alunos com deficiência tenham acesso e frequência à escolaridade,
em escolas comuns”. Isto significa que a escola especial deve
complementar o ensino regular, oferecendo suporte tanto para os
alunos com deficiência ou síndrome quanto para as escolas regulares.

Quando falamos em suporte aos alunos com deficiência ou
síndrome, não nos referimos à aula de reforço ou a atendimentos que
preencham as lacunas deixadas pela escola regular. Segundo Batista
(2006, p. 17), o suporte existe “[...] para que os alunos possam aprender
o que é diferente do currículo do ensino comum e que é necessário para
que possam ultrapassar as barreiras impostas pela deficiência”. Por
exemplo, quando um aluno com deficiência visual é incluído na escola
regular, o atendimento especializado da escola especial, além de outras
atividades, pode ensinar o Braille. Dessa forma, o aluno terá acesso à
linguagem escrita, podendo participar das atividades na escola regular
que, por sua vez, adaptará o material didático e as avaliações para o
Braille.

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Educação Especial e Inclusão Escolar

O suporte oferecido pela escola especial às escolas regulares pode
acontecer de várias maneiras. Uma delas é a orientação oferecida aos
professores e aos gestores educacionais por profissionais itinerantes
que esclarecem sobre como garantir a permanência e a aprendizagem
de todos os alunos. Sobre isso, Mantoan (2003, p. 55) argumenta que
“Não adianta, contudo, admitir o acesso de todos às escolas, sem
garantir o prosseguimento da escolaridade até o nível que cada aluno
for capaz de atingir”. Neste sentido, podemos considerar que a inclusão
não termina na garantia de matrícula aos alunos com deficiência ou
síndrome, mas também requer a garantia da continuidade do aluno na
escola.

No tocante à itinerância, Mantoan (2003, p. 87) chama a atenção
para o seguinte:

O professor itinerante/especialista tende a acomodar o
professor comum, tirando-lhe a oportunidade de crescer,
de sentir a necessidade de buscar soluções e não aguardar
para que alguém de fora venha regularmente, para resolver
seus problemas. Esse serviço reforça a idéia de que os
problemas de aprendizagem são sempre do aluno e de que
O professor itinerante só o especialista consegue removê-lo com adequação e
tem o papel de orientar eficiência.
os profissionais das
escolas regulares quanto A autora nos alerta que, ao contrário do que muitos pensam, os
à inclusão de seus alunos, professores itinerantes não estão na escola para resolver os problemas
e não de assumir as dos professores regentes e acomodá-los, mas para auxiliá-los, criando
responsabilidades do a autonomia necessária para desenvolver um trabalho inclusivo.
professor comum. (MANTOAN, 2003). Conforme já mencionamos, o professor itinerante
tem o papel de orientar os profissionais das escolas regulares quanto
à inclusão de seus alunos, e não de assumir as responsabilidades do
professor comum.

Ante o exposto, perguntamos: qual o papel da escola regular diante
do modelo de inclusão?

Assim como a escola especial, a escola regular também deve
reinterpretar seu papel diante do paradigma da inclusão, assumindo as
responsabilidades impostas pelas leis e modificando seu sistema de
acordo com as orientações propostas pelas políticas de inclusão. Nos
próximos capítulos, discutiremos mais atentamente as questões legais
e teóricas que embasam a inclusão de pessoas com deficiência nas
escolas regulares.

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Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva Atividade de Estudos: 1) Complete o quadro a seguir de acordo com o que você estudou a respeito das características das escolas especiais e das escolas regulares. novaescola.com. 21 . Nessa entrevista. 2) De que forma a escola especial pode cooperar com a escola regular para promover a inclusão dos alunos com deficiência ou síndrome? Crie uma situação para exemplificar sua resposta. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ Sugiro que você leia a entrevista intitulada “Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças” que Mantoan concedeu ao site www. a educadora comenta sobre a importância de conviver com as diferenças na escola.br.

Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro. Um bom projeto valoriza a cultura. por direito. Educação Especial e Inclusão Escolar INCLUSÃO É O PRIVILÉGIO DE CONVIVER COM AS DIFERENÇAS Maria Teresa Eglér Mantoan O que é inclusão? É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema. Que benefícios a inclusão traz a alunos e professores? A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina. de acordo com as suas condições. É para o estudante com deficiência física. o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação. para os superdotados. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas. ocupem o seu espaço na sociedade. pela classe social ou pela cor que. para todos. que começa pela reflexão. assim. mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados. 22 . Se isso não ocorrer. Além disso. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. O que faz uma escola ser inclusiva? Em primeiro lugar. de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. professores. inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. Diferentemente do que muitos possam pensar. E isso vale para os estudantes com deficiência ou não. Se os estudantes não passam por isso na infância. para os que têm comprometimento mental. é viver a experiência da diferença. no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. valorizando o que ele é e o que ele pode ser. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência. ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente. a história e as experiências anteriores da turma. Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo. essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. O grande ganho. para nós. muitas escolas diversificam o programa. mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. sem exceção. é interagir com o outro. um bom projeto pedagógico. Já inclusão é estar com.

a escola precisa oferecer atendimento educacional especializado paralelamente às aulas regulares. de preferência no mesmo local. para fazer contas. que não substitui o ensino regular. No Canadá. no entanto. Para 23 . sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado preferencialmente na escola. apesar do raciocínio comprometido. A inclusão não admite qualquer tipo de discriminação. treina mobilidade. A nossa Constituição garante desde 1988 o acesso de todos ao Ensino Fundamental. Há outra questão. Como garantir atendimento especializado se a escola não oferece condições? A escola pública que não recebe apoio pedagógico ou verba tem como opção fazer parcerias com entidades de educação especial. por exemplo. Na particular. vi um garoto que ia de maca para a escola e. Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva Como está a inclusão no Brasil hoje? Estamos caminhando devagar. que dão ensino adaptado. principalmente em deficiência mental. era respeitado pelos colegas. Tudo isso ajuda na sua integração dentro e fora da escola. integrado à turma e participativo. a direção tem que continuar exigindo dos dirigentes o apoio previsto em lei. em que a criança não consegue interagir porque está em surto e precisa ser tratada. locomoção. e os mais excluídos sempre são os que têm deficiências graves. Estudantes com deficiência mental severa podem estudar em uma classe regular? Sem dúvida. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. uma criança cega. manter as crianças em escolas especiais. no contraturno. Assim. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir. Mas já avançamos. Estamos num processo de conscientização. Há casos. disponíveis na maioria das redes. uso da linguagem braile e de instrumentos. o serviço especializado também pode vir por meio de parcerias e deve ser oferecido sem ônus para os pais. um movimento de resistência que tenta impedir a inclusão de caminhar: a força corporativa de instituições especializadas. A escola precisa se adaptar para a inclusão? Além de fazer adaptações físicas. Enquanto isso. O maior problema é que as redes de ensino e as escolas não cumprem a lei. como o soroban. assiste às aulas com os colegas que enxergam e.

como pirâmide e faraó. gravuras e vídeos sobre o assunto. é importante manter vínculos com os atendimentos clínico e especializado. o material de apoio visual. mostram o quanto assimilaram um conteúdo. A avaliação de alunos com deficiência mental deve ser diferenciada? Não. e não especialista em deficiência. O professor de L2 dá o significado de novos vocábulos. Se na turma há uma criança surda e o professor regente vai dar uma aula sobre o Egito. A função do regente é trabalhar os conteúdos. porque ela tem que entender a língua portuguesa escrita. Educação Especial e Inclusão Escolar que o professor saiba o momento adequado de encaminhá-la a um tratamento. pedir para que eles próprios inventem uma prova. em que o aluno aprende a analisar a sua produção de forma crítica e autônoma. Uma boa avaliação é aquela planejada para todos. O papel do professor é ser regente de classe. Um professor sem capacitação pode ensinar alunos com deficiência? Sim. Como ensinar cegos e surdos sem dominar o braile e a língua de sinais? É até positivo que o professor de uma criança surda não saiba libras. Não pode haver confusão. Avaliar estudantes emancipados é. Para ser alfabetizada em língua portuguesa para surdos. conhecida como L2. Na hora da aula. Aplicar testes com consulta também é muito mais produtivo do que cobrar decoreba. textos e leitura labial facilitam a compreensão do conteúdo. Esse mérito vem do esforço pessoal para vencer as suas limitações. Ele deve dizer o que aprendeu. a criança é atendida por um professor de língua portuguesa capacitado para isso. Essa responsabilidade é da equipe de atendimento especializado. o especialista mostra à criança com antecedência fotos. por exemplo. por exemplo. A função da avaliação não é medir se a criança chegou a um determinado ponto. e não da comparação com os demais. o que acha interessante estudar e como o conhecimento adquirido modifica a sua vida. mas as parcerias entre os profissionais são muito produtivas. aprende com o especialista libras (língua brasileira de sinais) e leitura labial. Ter 24 . mas se ela cresceu. Uma criança surda. Assim.

Só não acho necessário ensinar libras e braile na formação inicial do docente. por exemplo. O professor pode se recusar a lecionar para turmas inclusivas? Não. Há fiscalização para garantir que as escolas sejam inclusivas? O Ministério Público fiscaliza. Ele pode até aprender. onde legalmente expõem como estão sendo prejudicados profissionalmente. mas há a opção de pedir ajuda ao especialista. porque quem escreve é o aluno. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 25 . se achar que precisa para corrigir textos. Mas eles têm que recorrer à ajuda que está disponível. As redes de ensino não estão dando às escolas e aos professores o que é necessário para um bom trabalho. geralmente com base em denúncias. mas levar as escolas a entender o seu papel e a lei e a agir para colocar tudo isso em prática. Os pais e os líderes comunitários também podem promover um diálogo com as redes. O Ministério da Educação. fazendo pressão para o cumprimento da lei. o sindicato. por meio da Secretaria de Educação Especial. No caso de ter um cego na turma. mesmo que a escola não ofereça estrutura. mas não é essencial para a aula. para garantir o cumprimento da lei. Atividade de Estudos: Sugiro a você que aponte os aspectos mais interessantes da entrevista de Mantoan e comente sobre eles. o professor não precisa dominar o braile. Muitos evitam reclamar por medo de perder o emprego ou de sofrer perseguição. Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva noções de libras facilita a comunicação. atualmente não tem como preocupação punir.

Sinopse: Um homem com Síndrome de Down cuja mãe morreu e um ocupado homem de negócios. • as mudanças requeridas pela inclusão escolar tanto nas escolas regulares quantos nas escolas especiais. o filme trata do preconceito existente no contato e no relacionamento de pessoas com deficiência com pessoas ditas normais. O OITAVO DIA. segregação ou separação. divorciado e sem a posse dos filhos que não querem mais vê-lo. integração e inclusão. Os dois acabam desenvolvendo uma amizade especial quando se encontram acidentalmente. 1 filme (118 min). você conheceu a história da educação especial. Além disso. antes mesmo de seu surgimento. 1996. refletimos sobre: • as quatro fases da inclusão escolar: exclusão. compreendeu a mudança dos papéis da escola especial frente aos desafios da inclusão escolar. • a diferença entre as propostas de integração e de inclusão escolar. Da mesma forma. Em suma. Direção de Jaco van Dormael. Algumas Considerações Caro(a) pós-graduando(a)! Neste capítulo. legendado. O filme retrata a época em que pessoas com deficiências ou síndromes eram deixadas por suas famílias em instituições separadas do convívio social. 26 . Educação Especial e Inclusão Escolar Sugerimos que você assista ao filme “O oitavo dia”. França: Polygram / Europa Carat Home Vídeo.

2003. RELATÓRIO WARNOCK. ______. oferecer suporte às escolas regulares para promover a inclusão de todos. BRASIL. Cristina Abranches Mota. In: Ensaios Pedagógicos. ed. 2005.280. GLAT. receber. 2008. que era acolher e oferecer ensino às pessoas com deficiência ou síndrome. Disponível em: <www. BEYER.mec. A integração social dos portadores de deficiência: uma reflexão. Disponível em: <www. Educação inclusiva ou integração escolar? Implicações pedagógicas dos conceitos como rupturas paradigmáticas. Rosana. ou seja. 27 . Porto Alegre: Mediação. 2007. Santa Maria.ufsm. Revista Educação Especial. Rio de Janeiro: Sette Letras. Special educational needs report of commite of enquiry into the education of handicapped children and young people. legislação.. Educação inclusiva: atendimento educacional especializado para a deficiência mental. 1998. Brasília: MEC – SEESP. p. MANTOAN. 23.gov. 2004. • o desafio lançado às escolas regulares. 1978. Brasília: MEC – SEESP. Educação Especial. 2006. Acesso em: 22 out. n. Capítulo 1 Histórico e Evolução da Educação Especial Inclusiva • o antigo papel das escolas especiais. Londres: Her Magestys Office. ______.br> Acesso em: 15 out. 2006. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna. • a atual função das escolas especiais. isto é. acolher e ensinar a todos os alunos. Hugo Otto. Maria Teresa Égler. 277. O direito à diferença nas escolas – questões sobre a inclusão escolar de pessoas com e sem deficiências. Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades educacionais especiais. Referências BATISTA. 2.br/ce/revista>.

Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 28 . 3. 1997. Rio de Janeiro: WVA. Educação Especial e Inclusão Escolar SASSAKI. ed.

Fundamentação Teórica e Políticas Inclusivas A partir da perspectiva do saber fazer. neste capítulo. . 33 Conhecer os documentos nacionais e internacionais que guiam as políticas de inclusão. você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 33 Compreender as propostas que fundamentam a inclusão escolar. 33 Fundamentar a prática escolar inclusiva.C APÍTULO 2 Inclusão Escolar: Definição.

Educação Especial e Inclusão Escolar 30 .

Para compreendermos melhor a filosofia da inclusão escolar e conseguirmos colocá-la em prática. discutiremos de maneira mais aprofundada as A inclusão escolar propostas teóricas que fundamentam o modelo de inclusão escolar. Dessa forma. este capítulo tem o objetivo de definir. a inclusão a aprendizagem de escolar prevê um ensino que abranja todos os alunos em uma única alunos com e sem escola. o significado da inclusão escolar. 21) chamam a atenção quando afirmam que “[. p. é fruto de uma evolução decorrente de mudanças culturais e sociais.] o ensino inclusivo é a prática da 31 . Inclusão Escolar: Definição.. a inclusão escolar traz benefícios para a aprendizagem de alunos com e sem deficiência. ou seja. Stainback e Stainback (1999. respeito desse paradigma. por meio de estudos teóricos. conheceremos os documentos nacionais e internacionais mais importantes que guiam as políticas de inclusão. Mittler (2003). Atividade de Estudos: Mittler (2003) sugere que a inclusão traz benefícios para todos os alunos. Neste sentido. As Propostas da Educação Inclusiva Nesta seção. considera que as salas de aula inclusivas podem possibilitar aos alunos que se situem em contextos de aprendizagem funcional e significativa. Além disso. Isto quer dizer que. por exemplo. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas Contextualização O modelo de inclusão escolar não surgiu repentinamente. é necessário sabermos em que se baseiam suas propostas. Você saberia pontuar alguns desses benefícios? ________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ Também Karagiannis. o traz benefícios para qual você conheceu no Capítulo I. conheceremos a concepção de alguns autores a deficiência.. para Mittler (2003). Conforme já estudamos.

os pressupostos de Vygotski – (que já considerava importante que as crianças com deficiência frequentassem ambientes sociais. Sócio-gênese: Para Vygotski. é a idéia de que as interações sociais são fundamentais para a criança desenvolver estruturas humanas. escolar provedoras. origem A palavra “todos”. De acordo com Beyer (2008). etc. escolar se refere a pessoas.] as funções psicológicas superiores (o pensamento em conceitos. não à evolução biológica. Para um bom a escola). para condição fundamental. sem exceção. Neste sentido. p. mas todos os demais. a memória lógica. deficiência. p. socioeconômica ou origem cultural – em escolas e salas de aula na inclusão. considerado por Beyer (2008) um dos primeiros estudiosos desenvolvimento cujas idéias abordaram conceitos centrais do projeto de inclusão escolar infantil e humano em e a importância de a criança com deficiência frequentar ambientes geral. inclusive a escola –. independente de seu nível de comprometimento.) se formam durante o período histórico do desenvolvimento da humanidade e devem sua origem. Educação Especial e Inclusão Escolar inclusão de todos – independente de seu talento. Os se refere a todas as autores definem que a palavra “todos”. um bom desenvolvimento infantil e humano em geral.. [. a linguagem racional. 24) igualmente defende a permanência de todos os alunos nas escolas e sugere uma re-elaboração das filosofias educacionais quando afirma que “a inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional. colocava o esforço em compreender de que modo o ambiente social e cultural poderiam mediar as relações entre as pessoas com deficiência e o meio.. Beyer (2008) cita que Vygotski... onde todas as necessidades dos alunos são satisfeitas”. 214-215) afirmava que: [. Vygotski (1997. 32 . Você pode estar se perguntando: Isto significa que uma pessoa com deficiência severa também tem o direito de se matricular na escola regular? Sim! As leis garantem que todos têm o direito de frequentar a escola regular. ao invés de centrar a atenção na noção de defeito ou lesão. na inclusão. como o pensamento e a linguagem.] mas a seu desenvolvimento histórico como ser social. a atenção voluntária. todas as pessoas. a sócio-gênese é sociais. pois não atinge apenas alunos com deficiência e os que apresentam dificuldades em aprender. entre eles. Na mesma linha de pensamento dos autores mencionados. já apresentava o conceito de que. a sócio-gênese é condição fundamental. para que obtenham sucesso na corrente educativa geral”. sem exceção. Mantoan (2003.

menos sobre seus princípios e mais sobre as formas de efetivá-la. mais discussões surgem em relação a essa nova filosofia. e Vygotski – sobre a educação inclusiva. Karagiannis. seus destinos seriam a segregação e o isolamento. teoria escrita por Vygotski (1997). Além da preocupação e da concepção dos estudiosos mencionados – Mittler. podemos compreender que. Stainback e Stainback. Beyer (2008) foi um pesquisador da inclusão escolar. isto é. Ao mesmo tempo em que o ideal da inclusão se populariza e se torna pauta de discussão obrigatória para todos os interessados nos direitos dos alunos com necessidades educacionais especiais. ou seja. Em um de seus trabalhos intitulado “Por que Lev Vygotski quando se propõe uma educação inclusiva?”. outro aspecto que cabe ressaltar. principalmente. Inclusão Escolar: Definição. girando em torno. Neste sentido. Se você tiver interesse por esses estudos. grupos com tendência a se homogeneizarem a partir particularmente dos critérios de condição intelectual e de desempenho acadêmico. se refere a quais iniciativas a escola deve tomar para que possa tornar a inclusão uma realidade de seu cotidiano. p. compreendemos. da forma de realizá-la. sugerimos que leia esses dois materiais: o artigo de Beyer (2008) e o livro de Vygotski (1997) sobre os Fundamentos da Defectologia. Mendes (2001. com base em Vygotski (1997). Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas Vygotski sempre combateu uma proposta de formação de grupos com igualdade nos perfis. 17) explica que. que a segregação de uma escola especial representaria a perpetuação do déficit. o que desfavoreceria seu desenvolvimento. Antes de colocarmos qualquer proposta educacional em prática. o autor fez um estudo sobre a Defectologia. pois. se não houvesse essas oportunidades de participação. Mantoan. também considerava fundamental que houvesse a promoção de acesso e permanência dessas crianças com deficiência no âmbito social. Vygotski (1997). além de ressaltar a importância das relações sociais entre pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência. da questão prática. 33 . quanto mais a inclusão se torna parte da realidade escolar. precisamos conhecer profundamente sua base teórica! Este conhecimento evita que aconteçam distorções e que o trabalho fique comprometido. Sob a perspectiva de Mendes (2001). da perda e da deficiência. surgem as controvérsias. Beyer.

quando são incluídas crianças em escolas regulares que ainda seguem um modelo baseado na integração. sociais e emocionais. técnicos de secretarias. Rodrigues (2005. é preciso ter a clareza de que não ocorrerá uma mudança instantaneamente. p. em que todas as crianças devem seguir o mesmo método pedagógico. p. pois. o que é inclusão? A inclusão é um processo que requer muito mais do que transferir crianças da escola especial para a escola regular. ‘uma manobra de diversão’ face aos reais problemas da escola. não conseguirá ser inclusiva. diferentemente de outros países em que a proposta de inclusão iniciou com ações conjuntas de pais e professores. Neste sentido. uma mera retórica e outros. Pensar que a inclusão escolar pode ser utópica é compreensível. andamento. numa sociedade excludente. propiciar a inclusão é participar de um processo de mudança. p. outros. Geralmente ouvimos pessoas envolvidas com a escola afirmarem que é impossível incluir alunos com deficiência na escola regular. independente das condições físicas. Beyer (2008. No Brasil. com imediata inclusão foi reversão em ações de implementação e adaptação das articulado por escolas e dos professores na direção do projeto inclusivo. De certa forma. estudiosos e ocorreu um movimento deslocado das bases para o topo. pois enquanto a escola não compreender os fundamentos da inclusão e esperar que os alunos se moldem às suas metodologias. Salientamos que a palavra processo é originária do latim processus e significa. mas também fazer parte dela. avançar no mesmo ritmo e serem avaliadas da mesma maneira. não pode haver uma escola inclusiva. Educação Especial e Inclusão Escolar Afinal. 08) salienta que. o Em vez de se constituir como um movimento gradativo de movimento de decisões conjuntas entre pais e educadores. ressaltando que. A respeito disso. Portanto. alguns grupos de pessoas consideram a educação inclusiva utópica por diversos motivos. esses profissionais têm razão.” Neste sentido. 2001. lingüísticas. segundo o dicionário (HOUAISS. o movimento de inclusão foi articulado por estudiosos e técnicos de secretarias. 46) afirma que “A inclusão encontra-se hoje conceitualmente situada entre grupos que a consideram como utópica. intelectuais. desenvolvimento”. 2303). no Brasil. “uma ação continuada e prolongada de uma atividade. onde estar incluído significa ter o direito de aprender junto. ou seja. fazendo parte da reorganização da escola. 34 . ainda.

étnicas ou culturais. de maneira diferente do que já ficou estigmatizado. intelectuais. conforme mostra a Declaração de Salamanca (1994): [. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas Da forma apontada por Beyer (2005). se. emocionais. e crianças de outros grupos desavantajados ou marginalizados. sociais. emita sua opinião diante da discussão lançada nos parágrafos anteriores. no Brasil..] escolas deveriam acomodar todas as crianças. talvez nunca houvesse uma mudança nessa direção. crianças pertencentes a minorias lingüísticas.] incluir crianças deficientes e superdotadas. independentemente de suas condições físicas. o que seria de extrema importância. esclarece o motivo pelo qual a deficiência é destacada quando falamos em inclusão escolar: 35 ... as escolas estariam caminhando espontaneamente nessa direção? Baseado(a) nesses questionamentos. também. os pais e educadores não puderam refletir e participar das diretrizes político-pedagógicas da educação inclusiva. lingüísticas e outras. Por outro lado. crianças de rua e que trabalham. A falta de conhecimento e de experiências concretas de inclusão e a sensação de obrigatoriedade imposta pelas autoridades podem ter contribuído mais para a exclusão do que para a inclusão. o projeto de inclusão não fosse de certa forma imposto pelas autoridades e dependêssemos de movimentos de pais e professores. de alguma forma e por algum motivo.. não abarca só as pessoas com deficiência ou necessidades especiais. já que eles atuam diretamente com essa questão. os sujeitos que. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ A inclusão à qual fazemos referência neste caderno de estudo. A Declaração de Salamanca (1994) elucida que a inclusão engloba. estão sendo deixados de fora das instituições regulares de ensino. em entrevista concedida ao Portal Educacional. Inclusão Escolar: Definição. Atividade de Estudos: Inclusão escolar é utopia? A obrigatoriedade de implementação da proposta de inclusão pode ter causado o efeito oposto? Se a inclusão escolar não tivesse sido imposta por lei. Werneck (2008). crianças de origem remota ou de população nômade. [.

. apontam aspectos variados que ratificam princípios da escola inclusiva e a fundamentam: importância das amizades e da convivência nas relações sociais entre pessoas com e sem deficiência. Werneck (2008) e os demais autores que mencionamos. a diversidade.. Educação Especial e Inclusão Escolar [. a jornalista esclarece sobre os Direitos Humanos. descobri que isso tinha um nome.. bem como a Declaração de Salamanca (1994).br. no dia em que ela for boa para uma criança com deficiência. escrevi o primeiro livro publicado no Brasil sobre sociedade inclusiva. iniciativas da escola para torná-la inclusiva. ajudamos a construir e que tem de mudar. o que preconiza a ONU no que se refere à sociedade inclusiva? A principal característica da inclusão é propor uma sociedade para todos. A inclusão propõe 36 . certo? Esse é o fim da linha [. A propósito. uma escola para todos. Sugiro que você leia parte da entrevista intitulada “Inclusão reflete riqueza humana” que Werneck (2008) concedeu ao site www. de forma incondicional. o de sociedade inclusiva ou sociedade para todos. Mas. esse que é um conceito da ONU. educacional.] A escola inclusiva nada mais é do que uma escola de qualidade para todos. não é mais inclusão. ela vai ser boa para todo mundo. um dia. não porque não é boa para a criança com deficiência. [.com. Em 1997.. É uma instituição que todos nós..educacional.] Ainda na mesma entrevista.] se eu ponho uma criança com deficiência na escola. Para ler mais. Mas um ‘todos’ que seja tudo. inclusão como processo e articulação da inclusão por pais e professores. É como se você negasse a característica mais típica da humanidade. É para todos mesmo! Se alguém ficar de fora.com.. acesse www. Comecei a querer ir além nos meus trabalhos e. eu acelero o processo de mudança.br/ entrevistas/entrevista0073. Werneck (2008) explica sua opinião sobre a inclusão e defende a idéia da escola inclusiva afirmando que “[.. inclusive eu. Nessa entrevista.asp. inclusão.] tenho uma preocupação muito grande quando falo da escola.. O que a incomodou e a fez abraçar a inclusão? Eu acho que não dá para você escolher as condições humanas que vão estar com você nos ambientes. Um ‘tudo’ sem exceções”. mas porque não está boa para ninguém.

. de quem não tem onde morar”. é isso que acontece. Cláudia. você tem que colocar a deficiência como meta quando se fala de sociedade ou escola para todos.. É comum as pessoas falarem assim: “Nossa. um novo lazer. por que em certos discursos dão a impressão que as duas coisas são uma só? Quando pessoas que pensam como eu — ainda são poucas no Brasil — falam de inclusão. É por isso que ela é tão importante: a deficiência é o fim da linha. lógico. achar que ela é uma proposta restrita aos deficientes. usam a deficiência como estratégia. as pessoas falam de uma coisa pensando que é outra. Eu repito: não são propostas exclusivamente para pessoas com deficiência. Com integração e inclusão. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas uma ruptura dos paradigmas que já existem. de alto refinamento para os relacionamentos humanos. São propostas que vão melhorar a vida de cada um de nós porque são de alta qualidade. uma nova escola.. Eu noto que o avanço tecnológico nos empurra tanto que deixamos de dedicar o tempo e a reflexão que novas questões sociais merecem. que também vive uma 37 . onde quer que eles aconteçam. Muitas das discussões acontecem simplesmente porque as pessoas não percebem de que conceitos estão falando. percebe que eles também não englobam a deficiência. no fundo. A minha inclusão era outra. era a de quem passa fome. podem estar a favor. da parte de militantes de esquerda — se é que ainda dá para usar essa expressão —. podem estar contra. Como o social não avança com a velocidade do tecnológico. Ou seja. Se a inclusão não se aplica apenas a pessoas com necessidades especiais. Como desfazer esse nó na escola e ajudá-la a trabalhar por uma sociedade inclusiva? Esse é o problema central: vivemos numa grande crise de comunicação. Às vezes. Aparentemente. as reflexões não podem ser assim tão apressadas. a vítima do sistema. só agora eu entendi. senão acabamos nos atropelando entre conceitos e começamos a não nos comunicar mais. vou a uma empresa. Na maioria das vezes. converso horas com as pessoas sobre inclusão e aí espero. mas. a construção de um novo trabalho. É como se você chamasse marxismo de capitalismo e ficássemos horas discutindo (risos). Por isso. é o que sempre fica de fora. Inclusão Escolar: Definição.. Até quando você ouve os discursos mais atualizados sobre inclusão social. Confundir integração com inclusão. É preciso muito tempo e esforço para desfazer esse nó. a hora certa para mostrar que estou me referindo a outra inclusão.

. que as pessoas não são sérias. porque não representa o humano como ele é. ela vai ser boa para todo mundo. Educação Especial e Inclusão Escolar situação horrível. onde os profissionais não estão atentos às minorias. Mas como que eles vão conseguir? Existe essa mágica. se não enxergar como é a vida dessas crianças. o que ele tem de deficiente. em relação aos portadores de deficiência. em uma humanidade que não existe. está criando uma farsa. que somos um país pouco ético. a escola. ajudamos a construir e que tem de mudar. quando entram no ambiente de trabalho. na maioria das vezes. mas que a instituição “escola brasileira” é baseada. se você não acrescenta a deficiência. sensíveis. Agora. articulados. Eu sou filha de professores e tenho uma preocupação muito grande quando falo da escola. com capacidade de trabalhar em equipe. que o diretor é mau. lógico. mas porque não está boa para ninguém. não falou do problema ainda. A inclusão diz o seguinte: cada pessoa tem o direito de contribuir com o seu talento para o bem comum. Se você tira algumas dessas condições. É uma instituição que todos nós.. além dessa proposta segregadora ser muito bem disfarçada. então. a minha meta principal. onde as leis não são cumpridas. o meu objetivo. competição a qualquer preço e. Você também pode discutir três horas sobre crianças com deficiências. um comportamento que beira a discriminação? Reclamamos o tempo todo que somos um país corrupto. mas. É um ambiente anômalo. E se eu ponho uma criança com deficiência na escola. Essa coisa tem de estar muito clara: 38 . A senhora diria que certas escolas adotam. tem um ambiente que não é real. inclusive eu. no dia em que ela for boa para uma criança com deficiência. você não vai ao final da sua reflexão. que sejam atentos às minorias. Os jovens crescem nesse ambiente e. de um dia para o outro você dormir e acordar diferente? Essa segregação de que a senhora fala não acontece porque a escola ainda segue o modelo de apontar o que o aluno tem de errado. certo? Esse é o fim da linha. em vez de incentivar o que ele tem de bom? Exatamente. com raras exceções. mas a escola que temos é uma escola não ética! É uma escola que gera segregação. que não comporta todas as condições humanas. e as crianças e jovens vivem nessa espécie de farsa do ponto de vista humano — não estou querendo dizer que o professor. eu acelero o processo de mudança. não porque não é boa para a criança com deficiência. o que se exige deles? Que sejam profissionais éticos. Mas. Talentos que todos nós temos e que a escola não está preparada para perceber ainda.

à liberdade. a Conferência Mundial sobre Educação para Todos (1990). Mas um “todos” que seja tudo. Todos mesmo. Todavia. Atividade de Estudos: Sugiro a você que aponte os aspectos mais interessantes da entrevista de Werneck e comente sobre eles. fazemos uso desse termo neste capítulo. 17). à igualdade e direitos humanos: direito à dignidade. à integridade física. Inclusão Escolar: Definição. 39 . a Declaração de Salamanca (1994) e a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência (1999). Todas as pessoas devem ter respeitados os seus direitos as pessoas devem ter respeitados os seus humanos: direito à vida. Essa Declaração. Todas indivíduos. à integridade de não especificar o local. (GIL. Note: Atualmente. à educação. “Os direitos humanos são os direitos A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) estabeleceu fundamentais de todos que “Os direitos humanos são os direitos fundamentais de todos os os indivíduos. igualdade e à dignidade. apesar à vida. 2005. à liberdade. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas nós estamos propondo uma escola melhor para todos. à educação”. garante que todas as pessoas têm direito à física. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ Documentos Internacionais e a Legislação Brasileira Destinamos esta seção à apresentação dos documentos nacionais e internacionais que guiam as políticas da inclusão escolar. p. Destacamos alguns dos mais importantes documentos referentes a essa temática: a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). É fundamental conhecermos esses documentos para podermos buscar junto aos órgãos responsáveis os direitos e os deveres dos membros que fazem parte das instituições escolares. à educação”. não é mais utilizada a palavra “portador(a)”. Um “tudo” sem exceções. pois assim consta nos documentos pesquisados. A escola inclusiva nada mais é do que uma escola de qualidade para todos.

Em resposta a essas reivindicações. cujo objetivo principal era centralizar e coordenar as ações de política educacional voltadas para as pessoas com necessidades especiais. de a “[. exclusão ou restrição baseada em deficiência [.] Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de 1994. foi criado. impulsionou o direito à especiais na rede educação para pessoas com necessidades educacionais especiais na regular de ensino. todos passaram a ter o direito de frequentar a escola. p. O Brasil começou a pensar em um modelo educacional de integração a partir da década de 1970. no Ministério da Educação.. 40 . se transformou em Secretaria da Educação Especial (SEESP). p. necessidades educacionais A Declaração de Salamanca. de 1994. 18). Educação Especial e Inclusão Escolar A Declaração de A Conferência Mundial sobre Educação para Todos. determinou como um dos princípios para o ensino “a igualdade de condições de acesso e permanência na escola”.. o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP). rede regular de ensino. 2008).] universalização para pessoas com do acesso à educação”. define o termo “discriminação” que significa “[. “reconhece a necessidade de providenciar educação para pessoas com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino”. portanto. de 1990. bem como promoveu a “[. aprovou Salamanca. que atuou até 1986 e. Também define que não constitui discriminação a diferenciação ou preferência adotada pelo Estado Parte para promover a integração social ou desenvolvimento pessoal dos portadores de deficiência desde que a diferenciação ou preferência não limite em si mesmo o direito à igualdade dessas pessoas e que elas não sejam obrigadas a aceitar tal diferenciação. (GIL. A Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência.. inciso I.. 2005. em seu art. (BRASIL. Os movimentos e a reivindicações iniciados na década de 1970 foram intensificados nos anos de 1980.] toda a diferenciação.. (BRASIL. posteriormente. gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais”. a partir dessa lei. O termo “igualdade” refere-se a todos. com a Constituição Federal de 1988 que. 18).. em 1973.] que tenham efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento. impulsionou o Jomtien. pois. após reivindicações de grupos de pais. 2008). profissionais e pessoas com deficiência pelo direito e pela oportunidade educativa igual para todos. Tailândia) e o Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades direito à educação Básicas de Aprendizagem”... segundo Gil (2005. 206.

. sempre que. a Constituição garantiu. grifo nosso). 2008). De acordo com o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular (BRASIL. entrou em controvérsia com a Constituição. esse serviço não pode ser substitutivo do ensino da escola regular. Isto significa que o atendimento especializado não substitui a educação oferecida pela rede regular de ensino. pela Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência. já que se refere a direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. em 1999. a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência “tem tanto valor quanto uma lei ordinária. p. Segundo o documento intitulado O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular (BRASIL. A Constituição de 1988 garante atendimento especializado aos alunos com necessidades especiais. Em 1996. e promulgado pelo Decreto nº 3. 2004. “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. estando acima de leis. resoluções e decretos”. 2008. 208. o advérbio grifado “refere-se a ‘atendimento educacional especializado’. em seu capítulo V. inciso III. no art. pois determinou que o atendimento educacional especializado fosse feito em classes. p. igualmente em 2001 (BRASIL.956. preferencialmente na rede regular de ensino” (BRASIL. tendo em vista que somente o atendimento educacional especializado pode ser oferecido fora da rede regular de ensino. ou seja. 58. O referido artigo. Inclusão Escolar: Definição. Porém. após ter assumido o compromisso com a Declaração de Salamanca (1994). àquilo que é necessariamente diferente do ensino escolar para melhor atender às especificidades dos alunos com deficiência”. o Brasil se tornou signatário do documento expedido. ao determinar que o atendimento educacional especializado seja feito em escolas ou serviços especializados permite o entendimento de que a substituição do ensino regular pelo especial seja possível. de 2001 (BRASIL. em função das condições específicas dos alunos. art. 2008). realizada na Guatemala. Esse documento foi aprovado pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 198. Em 2001. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas Ainda sobre o atendimento aos alunos com necessidades especiais. 11). inciso II. 9.394/96.] como norma constitucional. 2008). não fosse possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular (BRASIL. 2004.. 41 . o que constitui uma interpretação equivocada. ou até mesmo [. o Brasil promulgou a Lei n. escolas ou serviços especializados. 8). denominada Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN) – Educação Especial que.

(BRASIL. Educação Especial e Inclusão Escolar Dessa forma. Para conhecer os documentos e a legislação brasileira de educação especial e inclusiva. assumiu o compromisso de apoiar os estados e municípios em sua tarefa de fazer com que as escolas brasileiras se tornassem inclusivas. acesse o site: www. expomos uma lista com documentos 42 . p. ao de estudar na escola regular.gov. Mesmo assim. criou o Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. por meio da Secretaria de Educação Especial. A seguir. ou seja. então podemos interpretar que esse direito se refere. 10). estudaremos. como e com os alunos sem deficiência. tendo como pressuposto os direitos humanos. Para tanto. quais mudanças são necessárias para começarmos a tornar as escolas inclusivas.mec. No próximo capítulo. sabemos que apenas a promulgação de leis não garante a implementação de um modelo inclusivo. Se as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos humanos que outras pessoas. que sugere que a substituição do ensino regular pelo ensino especial seja possível. informações e metodologias por meio de uma fundamentação filosófica que afirma uma concepção da educação especial. Neste sentido. que respalda e garante a educação para todos no ensino regular. o Projeto Político-Pedagógico até as metodologias de ensino utilizadas em sala de aula. emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano. os Estados Partes da Convenção da Guatemala reafirmaram que as pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos. novos conceitos. a Convenção da Guatemala contribuiu para dar um rumo aos desconformes legais entre a Constituição Federal de 1988. também. começando pela filosofia da escola. com todos os estados brasileiros. inclusive o de não ser submetido a discriminação com base na deficiência. Em 2003. mas é necessário criar meios que suscitem mudanças no sistema educacional. “toda lei nova revoga as disposições anteriores que lhes são contrárias ou complementa eventuais omissões”. que tem por objetivo compartilhar. o Ministério da Educação. e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Isto porque.br e clique no link ‘Educação Especial’. conforme o documento O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular (BRASIL. 2004. além de outras questões. 2008). como prevê a Convenção.

298. • 1993 – Normas sobre Equiparação de oportunidades para Pessoas com Deficiência (ONU). • 1975 – Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes (ONU).048. Legislação Nacional: • 1854 – Instituto Benjamin Constant (IBC). de 02 de dezembro. • 2002 .098. • 2002 – Congresso Europeu de Pessoas com Deficiência. • 2001 – Parecer CNE (Conselho Nacional de Educação)/CEB (Câmara de Educação Básica n° 17 e • 2004 – Decreto n° 5296. • 2002 – Declaração de Caracas. • 1983-1992 – Década das Nações Unidas para as Pessoas com Deficiência. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas internacionais e nacionais referentes a essa temática. • 1989 – Lei nº 7. • 1998 – Parâmetros Curriculares Nacionais. • 1980 – Carta para a Década de 80 (ONU). • 1999 – Decreto nº 3. responda: A inclusão é uma proposta educacional direcionada para quem? Justifique sua resposta. • 2001 – Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 43 . • 2001 – Plano Nacional de Educação. • 2000 – Lei nº 10. Documentos Internacionais: • 1971 – Declaração dos Direitos das Pessoas e Mentalmente Retardadas. Atividade de Estudos: 1) Com base nas leituras realizadas neste capítulo. • 1994 – Declaração de Manágua. • 2001 – Decreto nº 3. • 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Inclusão Escolar: Definição. • 1999 – Declaração de Washington.Declaração de Sapporo. • 2003 – Ano Europeu das Pessoas com Deficiência e • 2004 – Ano Iberoamericano da Pessoa com Deficiência.956. Japão.853. • 1857 – Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). • 2000 – Lei nº 10.

retomaremos os principais aspectos estudados no referido capítulo. Preencha o quadro que segue. os documentos mais importantes referentes à inclusão escolar são: a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948). A seguir. a Conferência Mundial sobre Educação para Todos (1990). Documento O que garante Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) Conferência Mundial sobre Educação para Todos (1990) Declaração de Salamanca (1994) Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência (1999) Algumas Considerações Neste capítulo. a Declaração de Salamanca (1994) e a Convenção Interameri- cana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência (1999). você compreendeu as propostas que fundamentam a inclusão escolar. você conheceu os documentos nacionais e internacionais que guiam as políticas brasileiras de inclusão. Educação Especial e Inclusão Escolar 2) Conforme estudamos neste capítulo. Além disso. relembrando o que cada um desses documentos garante. 44 .

] que tenham efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento.. novos conceitos. 2005. 2008. • a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência. tendo como pressuposto os direitos humanos. • a Conferência Mundial sobre Educação para Todos de 1990 promoveu a “[. intelectuais. lingüísticas. Porto Alegre: Mediação. Em relação às leis e documentos que embasam as políticas públicas de inclusão compreendemos que: • a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) garante que todas as pessoas têm direito à educação. _________. Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades educacionais especiais. • a Declaração de Salamanca de 1994 impulsionou o direito à educação para pessoas com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino. 45 . informações e metodologias por meio de uma fundamentação filosófica que afirma uma concepção da educação especial. define o termo ‘discriminação’ que significa “[. (BRASIL. exclusão ou restrição baseada em deficiência [. Acesso em: 10 ago. Fundamentação Capítulo 2 Teórica e Políticas Inclusivas A respeito do conceito de inclusão escolar vimos que: • propiciar a inclusão escolar é participar de um processo de mudança. você estudou como os órgãos governamentais brasileiros vêm se posicionando diante das propostas da educação inclusiva e quais ações estão adotando para implantá-las nas escolas. Referências BEYER. reorganizando a escola.] toda a diferenciação. sociais e emocionais. Hugo Otto.. Ao final. que tem por objetivo compartilhar. Disponível em: <www. (GIL. 2005.. sem exceção...br/ce/revista>. Por que Lev Vygotski quando se propõe uma educação inclusiva? Educação Especial.] universalização do acesso à educação”. com todos os estados brasileiros. • a inclusão escolar é para todos os alunos.ufsm. onde estar incluído significa ter o direito de aprender junto. p. entre elas a implantação do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. independente das condições físicas. Inclusão Escolar: Definição.. 2008). gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais”. 18).

WERNECK. Obras escogidas V: fundamentos de defectología. L. legislação. agosto de 2001. 2003. Educação Inclusiva: O que o professor tem a ver com isso? São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. S.br/ entrevistas/entrevista0073. 1997. 21-34. Peter. 1994. Soraia. Rio de Janeiro: Objetiva. ed. STAINBACK. Disponível em: <www.br> Acesso em: 26 maio 2008. Porto Alegre: Artmed. Brasília: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. Madrid: Visor Distribuiciones. STAINBACK. O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. Trad. G.gov. HOUAISS. p. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna. 2005. 2008. KREBS. 1999. Educação Especial. Disponível em: <www.educacional. In: FREITAS. 2004. 2005. Marta (Coord. Construindo a Escola Inclusiva. Ruy (Orgs). RODRIGUES David. 2001. Educação Inclusiva: mais qualidade à diversidade. RODRIGUES. Trad. Magda França Lopes. Acesso em: 20 mar. Willian. 2008. Portal Educacional. Ministério Público Federal: 2.). Acesso em: 15 out. Trabalho Apresentado. VYGOTSKI. _________. Willian. nos Seminários Avançados sobre Educação Inclusiva. Anastasios. MITTLER.). Educação inclusiva e necessidades educacionais especiais. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. In: STAINBACK. GIL. Cláudia. Antônio. 46 . UNESP de Marília. direitoshumanos. Fundamentos do ensino inclusivo.com. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA: Princípios. 45-63. MANTOAN. Santa Maria: UFSM. MENDES.p. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. Susan. Windyz Brazão Ferreira. Fundação Procurador Pedro Jorge de Melo e Silva (Org.br>.usp. Educação inclusiva: contextos sociais. Susan. Política e Prática em Educação Especial.mec. Educação Especial e Inclusão Escolar BRASIL. 2003.asp>. E. Inclusão: um guia para educadores. STAINBACK. David. Maria Tereza Égler. Disponível em: <www. KARAGIANNIS. A humanidade como ela é.

. neste capítulo. 33 Reconstruir a prática pedagógica a fim de abranger todos os alunos. 33 Orientar a comunidade escolar a respeito da proposta de educação inclusiva. 33 Compreender o sentimento do professor diante da inclusão escolar. você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 33 Conhecer os aspectos necessários para promover a inclusão do ensino básico ao superior. 33 Identificar aspectos inclusivos e aspectos não-inclusivos no âmbito escolar.C APÍTULO 3 Aspectos Necessários para Construir uma Escola Inclusiva A partir da perspectiva do saber fazer.

Educação Especial e Inclusão Escolar 48 .

ou seja. sobretudo. que “os estabelecimentos de ensino. deve elaborar o Projeto Político-Pedagógico com educacionais. em seu art. Nas escolas. por meio da criação de redes de apoio. discutiremos sobre a importância da equipe de gestão educacional que é responsável por encabeçar e realizar a filosofia prevista no Projeto Político-Pedagógico. o objetivo de organizar-se a partir de uma filosofia norteadora da prática 49 . Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva Contextualização Chegamos ao último capítulo deste Caderno de Estudos que objetiva.394/96. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB). resultou de muitas mudanças ocorridas na história da educação brasileira. Esse regulamento sustenta- responsável por se no conceito de que a escola é responsável por suas propostas suas propostas educacionais. motivadas pela busca de melhorias na qualidade de ensino. a implementação do Projeto Político-Pedagógico. Ao final. Lei nº 9. Em seguida. terão a incumbência de elaborar e executar sua A escola é proposta pedagógica. nesta seção. Além disto. Para tanto. explanaremos a respeito do Burnout docente. 12. do acolhimento da comunidade escolar e das orientações para uma prática pedagógica inclusiva. sobre a importância do Projeto Político-Pedagógico (PPP). também denominado Proposta Pedagógica. convido você a refletir. primeiramente estudaremos a constituição de um Projeto Político-Pedagógico. documento norteador das práticas educacionais da escola. prevê. O Projeto Político-Pedagógico Caro(a) pós-graduando(a). inciso I. 2008). veremos o que um Projeto Político-Pedagógico precisa contemplar para que a referida filosofia esteja ancorada na proposta da educação inclusiva. fenômeno relacionado ao sentimento do professor frente às mudanças requeridas pelas novas propostas educacionais. justamente por ser o documento que determina toda a filosofia de uma instituição de ensino. de modo que abranja as mudanças previstas pelas políticas de inclusão.” (BRASIL. respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino. orientar as pessoas que trabalham em instituições de ensino a como proceder para colocar em prática a proposta de inclusão que estudamos no Capítulo I e no Capítulo II.

Educação Especial e Inclusão Escolar educacional em um contexto local. enquanto o segundo menciona apenas um aspecto – o pedagógico. o ideal com algo irrealizável. ao nascer. Optamos por utilizar o termo Projeto Político-Pedagógico ao invés de Proposta Pedagógica. Machado (2000) ainda cita e analisa três ingredientes que caracterizam a palavra projeto: a referência ao futuro. um projeto pode ser equiparado a um ideal. utópico. particípio passado de projícere. Sob a perspectiva apresentada por Machado (2000). 1982. significando algo como um jato lançado para frente. o que é diferente de impossível de ser alcançada. e de lançar-se em busca das mesmas. tendo em mente um ideal. como um jato de vida. grifo nosso) Na concepção de Rios (1982). O ideal é. No que diz respeito 50 . sim. ou seja. ambos designam algo que ainda não foi realizado. Cada ser humano. que significa na verdade não algo impossível de ser realizado. podemos considerar que. ao nascer. a uma meta que ainda não foi alcançada. pois entendemos que o primeiro engloba uma dimensão maior que o segundo.. já que se refere a três expressões – projeto. de eleger continuamente metas a partir de um quadro de valores historicamente situado. inequadamente. na medida em que desenvolve a capacidade de antecipar ações. vivendo.. Entretanto.] deriva do latim projectus. a abertura para o novo e o caráter indelegável da ação projetada. considerando suas especificidades e transformando-as em um projeto educativo. político e pedagógico –. a própria vida como um projeto. Paulatinamente. o ser humano dá o primeiro passo para planejar as suas ações futuras e que. 2) explicita que “Etimologicamente. constituiu-se como pessoa. Vamos entender melhor estas três expressões? No que se refere à palavra projeto. p. mas é preciso recuperar o sentido autêntico de utopia. é lançado no mundo. torna sua vida um projeto. Nesse sentido. que se classifica de utópico. Machado (2000. às vezes. 2-3).” Neste sentido. ainda nas palavras de Machado (2000. mas algo ainda não realizado. ao lançar-se em busca da realização dessas ações. [. assim. p. Confunde-se. os termos “ideal” e “utópico” possuem o mesmo significado. (RIOS.

este é “relativo a ou próprio da pedagogia”. ao elaborar um projeto. projeto e futuro estão atrelados. 6) afirma que “Não se faz Três ingredientes projeto se não há futuro – ou não se acredita haver. simetricamente. pois dependem um a abertura para o do outro para se concretizarem. mas uma ação a ser realizada pelo sujeito que projeta individual ou coletivamente” (grifos no original). fechando as portas para o novo. pode-se afirmar também palavra projeto: a que o futuro não existe – ou não existirá – sem nossos projetos”. p. 7). Além do termo pedagógico. mas já está totalmente determinado. “Não se faz projeto quando só se tem certezas. Machado (2000. não devemos estar inundados de certezas. p. essa perspectiva. 51 . Ainda na concepção de Machado (2000). Em referência ao termo “político”. na nomenclatura Projeto Político-Pedagógico. envolvendo o novo em algum sentido. ou quando se está imobilizado por dúvidas”. “A dimensão política se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica”. p. Atividade de Estudos: Crie uma situação em que uma escola contemple em seu projeto as três dimensões mencionadas por Machado (2000). p. segundo Ferreira (1999. 6) nos explica que “Se o futuro existe. que caracterizam a sendo a realidade uma construção humana. também não se faz projeto”. mais duas dimensões a serem entendidas – a política e a pedagógica – expressas. pelos termos “político” e “pedagógico”. Em relação ao adjetivo pedagógico. Em outras palavras. o projeto é de quem o projeta. p. pois. p. nem imobilizados pelas dúvidas que nos condenam ao fracasso. 93). novo e o caráter indelegável da ação projetada. Em relação ao segundo ingrediente – a abertura para o novo – Machado (2000. Sob referência ao futuro. Para Saviani (1983. p. segundo o autor (2000. 170) explicita que é uma “visão do ideal de sociedade e de homem”. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ Além das dimensões trazidas por Machado em relação à palavra projeto. Vasconcellos (2000. Isto significa que a novidade faz parte do processo de criação de um projeto. respectivamente. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva à referência ao futuro. 7) – o caráter indelegável – significa que “um projeto é a antecipação de uma ação. sendo que não podemos realizar o projeto do/pelo outro. A terceira característica de um projeto apontada por Machado (2000. temos. 2162).

nesta “reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola. 15) referentes à escola. que estuda os problemas relacionados com o seu desenvolvimento como um todo” (FERREIRA. buscando alternativas um constante afins com a efetivação de sua intencionalidade. 23). conforme o referido autor. Conforme concebe Veiga (1998). 1999. mas é constitutiva” (MARQUES. p. p.. p. segundo Veiga (1998). esclarece que “construir um projeto pedagógico significa enfrentar o desafio da mudança e da transformação. Para Vasconcellos (2000. elabore seu parecer a respeito do valor atribuído ao Projeto Político-Pedagógico em sua realidade. Veiga (1998. concebemos que todas as propostas apresentadas pelo Projeto Político- Pedagógico constituem. significa “ciência que trata da educação dos jovens. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ 52 . bem como um ideal a ser alcançado. que “não é descritiva ou processo de reflexão constatativa. responsável. Complementando o que expressa a autora. Educação Especial e Inclusão Escolar pesquisamos o significado da palavra pedagogia que. um desafio para a escola como um todo. p. pedagógico significa “definição sobre a ação educativa e sobre as Os termos político características que deve ter a instituição que planeja”.. os termos político e pedagógico possuem uma significação significação indissociável. compromissado. 170). [. construir o Projeto Político-Pedagógico constitui. que é a formação do cidadão participativo. 2162). cada qual. Quanto à dimensão expressa pelo termo pedagógico. 1990.] o que implica o repensar da estrutura de poder da escola”. sendo um constante processo de reflexão e indissociável. Atividade de Estudos: Qual a importância dada ao Projeto Político-Pedagógico da instituição de ensino com a qual você está envolvido (a)? Este projeto foi construído coletivamente? Os itens previstos no Projeto Político- Pedagógico dessa instituição são explorados nas reuniões pedagógicas? Baseado(a) nesses questionamentos. crítico e criativo”. um desafio para mudar e transformar. e discussão das problemáticas Ainda sobre o Projeto Político-Pedagógico. sendo discussão das problemáticas referentes à escola. e pedagógico possuem uma Em suma. por si.

..]”. em seu art. técnicas. 53 . num dado espaço de tempo. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva O que diz a LDB (1996)? Embora não mencione o Projeto Político-Pedagógico. p. p. Ainda no que se tange a currículos. a avaliação. com o objetivo de assegurar que todos os alunos possam ter acesso a todas as gamas de oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola. da equipe de professores. “o primeiro passo para a criação de uma escola inclusiva e de qualidade é estabelecer uma filosofia da escola baseada nos princípios democráticos e igualitários da inclusão [. 25) se posiciona esclarecendo que. referência a quesitos a ele relacionados. 2008). inciso I. Isto inclui o currículo corrente.. 12). Os currículos. afirmam que as escolas inclusivas “[.394/96 faz. Por onde os sistemas de ensino devem começar a mudança a fim de assegurar o que está previsto na LDB (1996)? Para Schaffner e Buswell (1999. os registros e os relatórios de aquisições acadêmicas dos alunos.. p. objetivos. Assim. 70. 33). recursos e organizações devem estar previstos no Projeto Político-Pedagógico que. [. Stainback e Stainback (1999. métodos. para atender às suas necessidades” (BRASIL. a pedagogia e as práticas de sala de aula. etc. 59. com objetivo de estabelecer prioridade de atuação. em seu capítulo V. no que se refere aos princípios inclusivos. segundo o documento do Ministério Público denominado O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular (BRASIL. e.. as decisões que estão sendo tomadas sobre o agrupamento dos alunos nas escolas ou nas salas de aula. técnicas.. No campo da educação. métodos. metas e responsabilidades que vão definir o plano de ação das escolas.] partem de uma filosofia segundo a qual todas as crianças podem aprender e fazer parte da vida escolar e comunitária”.] implica em um estudo e um planejamento de trabalho envolvendo todos os que compõem a comunidade escolar. no qual delega que “Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais currículos. de acordo com o perfil de cada uma: as especificidades do alunado. o ano letivo. 2004. no qual prioriza o atendimento dos alunos com deficiência no ensino regular. recursos educativos e organização específicos. grifos no original). a inclusão envolve um processo de reforma e de reestruturação das escolas como um todo. funcionários e. métodos. Mittler (2003. a LDB nº 9.. p.

. sendo que os indivíduos com diferentes especialidades trabalham juntos para atingir os objetivos propostos. 93). a aprendizagem de grupos necessariamente muito diferentes. os alunos.. vai ao encontro das palavras de Lima (2005. Educação Especial e Inclusão Escolar bem como as oportunidades de esporte. o desenvolvimento da cooperação. mudam esse cenário educativo. em consonância com a perspectiva de grupos heterogêneos. 68) incentiva a importância do trabalho em grupo quando enfatiza que: Experiências de trabalho coletivo. Vygotski A diversidade em (1997. exercitando: a capacidade de decisão dos alunos diante da escolha de tarefas. Granemann (2005. a divisão e o compartilhamento das responsabilidades com seus pares. Mantoan (2003. acrescentamos o que afirmam O’Brien e O’Brien (1999.. com sucesso. quando define o ponto de partida para uma escola inclusiva: A escola inclusiva parte já do pressuposto da heterogeneidade e leva em consideração as capacidades. 38) também afirma que “o processo inclusivo em sala de aula regular parte do princípio de que a heterogeneidade favorecerá o seu desenvolvimento. p.] grupos de sala de aula propicia níveis mistos como uma condição para promover o desenvolvimento a cooperação entre cognitivo”. trazida por Mantoan (2003) na citação anterior.]. em grupos pequenos e diversificados. a diversidade em sala de aula propicia a cooperação entre os alunos. p. 88) passa a idéia de que é necessário formar “[. Além dos benefícios citados pelos autores – o enriquecimento das interações e o desenvolvimento cognitivo –. A exemplo de Lima (2005). A idéia de diversidade. Tendo em vista que o documento que norteia as ações citadas por Mittler (2003) nas escolas é o Projeto Político-Pedagógico e compreendendo o seu sentido para as escolas. conheceremos os fundamentos de um dos princípios mais importantes da filosofia de uma escola inclusiva: o princípio da heterogeneidade. ritmos. p.. Por sua vez. e o reconhecimento da diversidade dos talentos humanos [. podendo promover e enriquecer todas as interações em sala de aula”. lazer e recreação (Grifo nosso). o sentido e a riqueza da produção em grupo. Em relação a isso. p. aquisições e modalidades de aprendizagem dos estudantes de forma a poder organizar. 60): “Uma aula organizada para promover aprendizagem cooperativa pode promover relacionamentos sociais 54 . p.

pelo fato de ser um movimento que prolifera. A seguir. De acordo com Silva (2000). Para o autor.. Silva (2000) nos traz outra perspectiva a respeito da diversidade. 55 . a diversidade é um termo que designa algo estático. um mundo morto” (SILVA. quando estabelece uma comparação com o termo “multiplicidade”. bem como a prática. as redes de apoio. é estéril. São eles: a função da gestão educacional. a participação da comunidade escolar e a prática pedagógica. ao contrário da multiplicidade que. A diversidade reafirma o idêntico. é produtiva. 100- 101). Atividade de Estudos: Qual a importância de a escola basear sua filosofia no princípio da heterogeneidade? _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ Além do princípio da heterogeneidade. p. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva positivos. discutiremos mais detalhadamente cada um desses aspectos. prolifera. A multiplicidade é uma máquina de produzir diferenças [. um estado. “Educar significa introduzir a cunha da diferença em um mundo que sem ela se limitaria a reproduzir o mesmo e o idêntico. um mundo parado. 2000. A diversidade limita-se ao existente. No tocante às palavras de Silva (2000). A multiplicidade é ativa. dissemina. A multiplicidade estimula a diferença que se recusa a se fundir com o idêntico (SILVA. outros aspectos devem ser revistos no Projeto Político-Pedagógico para que a escola acolha todos os alunos. o desafio e o apoio necessários para todos os alunos desenvolverem habilidades acadêmicas importantes”. é um fluxo. A diversidade é estática. O autor defende a importância da diferença e afirma que ela.]. ao contrário de outras concepções. A diversidade é um dado – da natureza ou da cultura. 101). se encontra no múltiplo e não no diverso. valorizar a diferença na escola é educar para um mundo ativo e produtivo.. já existente. A multiplicidade estende e multiplica. A multiplicidade é um movimento. p. pode produzir e incentivar a diferença. 2000.

principalmente. Segundo o documento do Ministério Público denominado O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular (BRASIL. tomar seja cumprida. enfrentar educação inclusiva implica a existência de uma ‘direção líder’. segundo filosofia de inclusão Lima (2005. assunto é inclusão e mudanças educacionais. enfrentar os desafios. fechar os olhos para as mudanças e perpetuar a idéia de que a escola é para quem se molda a suas metodologias de ensino. 86) adverte que “Uma decisões. explanaremos a primeira opção. de pessoas que compartilham e co- oferecer apoio participam de uma mesma comunidade educativa”. ou seja. isto é. Neste sentido. 2004. p. 56 . a autora da escola seja quer dizer que existem atitudes diferente a serem tomadas quando o cumprida. A construção da filosofia que embasa o Projeto Político-Pedagógico requer a participação de todos os membros da escola. é necessário. A última opção da gestão escolar é sumir. Educação Especial e Inclusão Escolar A Função da Gestão Educacional No contexto escolar. tomar decisões. A primeira – assumir – se refere à atitude de encarar o desafio e buscar ferramentas para lidar com os inúmeros obstáculos que surgiram junto a essa difícil tarefa. pois não podemos conceber uma escola inclusiva em que a direção não se dispõe a assumir suas responsabilidades. p. a equipe de gestão tem três opções. além de focar a atenção nos professores e nos alunos. “é primordial que seja revista a gestão escolar e essa revisão implica em substituir os papéis de teor controlador. repensar o papel da gestão escolar. aos profissionais e fazer com que a Diante desse desafio. a orientação. Lima (2005. de processos e. onde se busca a inclusão de todos os alunos. sobretudo. A segunda alternativa é fingir assumir. dizer que está engajado a tornar a escola inclusiva. fingir assumir ou sumir”. p. Com isso. mas não oferecer nenhum tipo de apoio aos profissionais para que isso aconteça. Frente às três alternativas expostas por Lima (2005). Qual o principal papel do gestor educacional? O gestor exerce um papel importante ao O gestor exerce um papel importante ao delimitar os objetivos da delimitar os objetivos escola conforme as leis. 36). 97): “assumir. gestora os desafios. a coordenação e a direção educacional. que abrange. oferecer da escola conforme apoio aos profissionais e fazer com que a filosofia de inclusão da escola as leis. fiscalizador e burocrático dos gestores por um trabalho de apoio e orientação ao professor e a toda a comunidade escolar”.

apud RODRIGUES. usar os recursos disponíveis para apoiar a aprendizagem. a resolução de problemas e a prática e de reflexão. conhecimentos existentes. a gestão escolar precisa conhecer profundamente as políticas de inclusão. conforme ser destinada a nos explicam Schaffner e Buswell (1999). burocráticos. 96). Reunião pedagógica que. O’Brien e ser um momento de O’Brien (1999. desenvolver uma linguagem voltada à prática. para que os direitos da escola sejam garantidos e os deveres cumpridos. as práticas e os políticas de inclusão. além de ser destinada a discutir assuntos burocráticos. a gestão A gestão escolar escolar poderá: precisa conhecer profundamente as 1. justificando troca de experiência que “À medida que a discussão. trocar idéias. Uma delas é a reunião discutir assuntos pedagógica que. como ponto de partida. ver as diferenças como oportunidades para a aprendizagem. para a escola ter uma filosofia inclusiva. técnicas e atividade para ajudar os professores e/ou os alunos a conseguirem o apoio de que necessitam para serem bem- sucedidos em seus papéis (SCHAFFNER. 4. O que são redes de apoio? [. assumir. além de As redes de apoio podem acontecer de diversas maneiras. p. 1999. pode pode ser um momento de troca de experiência e de reflexão. métodos. Após ter garantido o primeiro passo para reorganizar a escola. 2003. vimos que. 6. inventariar as barreiras à participação. criar condições que incentivem a criar riscos. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva Que estratégias podem ser utilizadas pela gestão escolar para assumir o desafio da inclusão? Segundo Ainscow (2000. Além dos seis itens mencionados. a gestão escolar desenvolva redes de apoio. p. Redes de Apoio Na seção anterior. 74). 3. é fundamental que a gestão garanta os outros três expostos na seção anterior: as redes de apoio. p. é necessário que. 2. 57 . resolver problemas. entre outros. 5.] é um grupo de pessoas que se reúne para debater.. 54) incentivam as trocas de experiência.. BUSWELL. a participação da comunidade escolar e as orientações para a prática pedagógica inclusiva.

que contemplem a participação equilibrada dos seus alunos. 106) elucida que o planejamento contínuo “[. p. podemos compreender que. além de facilitar a diferenciação de estratégias de ensino e a organização da aprendizagem [. “[. finalmente. Ruy (Orgs. Esse diálogo entre a orientação escolar e os professores pode auxiliá-los a prosseguir e a fazer com que o planejamento esteja de acordo com o que está previsto no Projeto Político-Pedagógico. repensar e. pois o aluno passa a ser um “problema” apenas do professor de sala.. RODRIGUES.]”. Santa Maria: UFSM.. 2005. Schaffner e Buswell de acordo com o (1999. Soraia. 58 . Após essas reflexões. 79) afirmam que “Para promover uma visão compartilhada dos que está previsto objetivos da escola e como atingi-los. os professores passam a enxergar suas salas de aula e sua atuação de novas maneiras que aprofundam a avaliação do propósito do seu trabalho”. esclarecendo sobre temas planejamento esteja sugeridos pelos pais e profissionais da escola. Isto quer dizer que o movimento gerado pelas socializações propicia aos profissionais. a Pedagógico. p. dialogar. Lima (2005. então todos os membros da escola devem estar envolvidos no processo. Se o objetivo é a inclusão escolar.. David. replanejar que permanece a prática pedagógica capaz de englobar todos. Quer saber mais? Então leia o artigo de: LIMA. Educação inclusiva e necessidades educacionais especiais. Educação Especial e Inclusão Escolar expandem suas capacidades. e não da escola toda. p. Em outros termos. é no exercício constante de planejar. a gestão educacional pode fornecer orientações aos profissionais por meio de considerações realizadas sobre os Planos de Ensino dos professores. Dessa forma. gestão educacional pode fazer com que todos se envolvam e caminhem na mesma direção. De acordo com Lima (2005. KREBS. In: FREITAS. oferecendo uma sistemática de suporte ao professor para que este siga adiante com suas estratégias de ensino. Apertem os cintos. todas essas pessoas precisam no Projeto Político. não é possível promover a inclusão.] permite ao professor estabelecer práticas efetivamente inclusivas. um novo olhar sobre seu trabalho. sem uma rede de apoio criada pela gestão educacional.] o planejamento contínuo ‘obriga’ os professores a refletirem com mais cuidado sobre as suas ações educativas”. ter a oportunidade de obter as mesmas informações”. p... Luzia.. Prosseguir e a Outra forma de apoio é oferecer cursos ou palestras regularmente fazer com que o aos professores e à comunidade escolar. 85-110. a direção (as)sumiu! Os desafios da gestão nas escolas inclusivas. 106).). Além das reuniões pedagógicas e das palestras para a comunidade escolar. observar. principalmente aos professores.

nas festividades. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva A Participação da Comunidade Escolar Quando falamos em comunidade escolar nos referimos a todas as pessoas que estão ligadas direta ou indiretamente à escola. ou seja. os pais dos alunos e as pessoas que estão inseridas nessa realidade. Assim. além dos profissionais da escola. Partimos. pois estes também devem se responsabilizar pela escolarização de seus filhos.. 104). a peça-chave para tornar realidade a inclusão escolar. então. Essa seção se destina a discutir a importância do envolvimento da comunidade escolar. 416). os pais não são chamados: eles estão na escola”. 59 . muito raramente quando ocorria alguma grande mudança estrutural na Educação ou na escola. mais eficaz.. p. para saberem dos problemas de seus filhos. De que forma pode ocorrer essa orientação? Os pais auxiliarão Segundo Sommerstein e Wessels (1999. os pais devem ser incluídos na escola. para a seção que trata sobre a prática pedagógica.. pois somente são chamados para serem comunicados de algo que já foi previamente decidido pelos profissionais da escola. da mesma forma que os alunos. A presença dos pais na escola é fundamental para auxiliar e orientar os professores na tarefa de inclusão. Isto inclui. 2005. Então.] nas reuniões de professores.] na escola inclusiva. p. geralmente os pais são chamados na escola em três situações: [. Segundo Lima (2005). principalmente dos pais dos alunos. Para Lima (2005. o que deve ser feito? Primeiramente. eram chamados para uma reunião com a Direção.. deve ser repensado o papel dos pais no âmbito educacional. os planejamento de pais auxiliarão os professores a elaborar seu planejamento de forma forma mais eficaz. 104). a fim de serem informados sobre quais seriam as alterações na rotina à qual estavam acostumados (LIMA. Isto porque. “[. p. Isso indica que não há participação efetiva dos pais na escola. e. “A maneira mais os professores eficiente dos pais realizarem isso é usando sua própria experiência na a elaborar seu identificação dos resultados que mais valorizam seus filhos”.

Educação Especial e Inclusão Escolar Orientações para a Prática Pedagógica Inclusiva Provavelmente esta seção. para o professor.. enfim. [. na LDBN. são constitutivas de sua identidade e farão parte de sua formação. livre dos preconceitos que nos foram incutidos pelo meio social no qual fomos educados. p. que embasaram sua formação. luto de uma parte de sua história pessoal e escolar que.] tolerância à frustração. de exclusão. Desconstruirmos o que construímos Para iniciarmos nossa reflexão a respeito da prática pedagógica em nossa trajetória inclusiva. desde 1996. pois são conhecimentos advindos de recursos didáticos uma época em que não se pensava nem se fazia uma escola para todos. é necessário estarmos cientes de que esse processo envolve discente. ou seja. dos saberes tradicionais e unilaterais. Naujorks (2003. A respeito da referida desconstrução. a refletir sobre as mudanças pedagógicas expostas nesta seção com um novo olhar. que incluam todos Quando sugerimos que o professor se desfaça dos saberes tradicionais os alunos. de um modelo de escola e de ensino.. ter a clareza de que o trabalho do professor só obterá sucesso se todos os itens discutidos até agora estiverem em consonância.. pois deverá trabalhar também com suas perdas. do professor idealizado. Luto do mundo acadêmico. elaborar um tipo de luto. querendo ou não. o de desconstruirmos o que construímos em um paradigma em nossa trajetória discente. mas a repensá-los de modo que não o paralise diante das mudanças requeridas pelo paradigma da inclusão escolar. do aluno perfeito. e de e de reconstruirmos práticas educacionais que se encaixem no perfil da reconstruirmos inclusão. com base muitos desafios.. Convido você. 83) práticas elucida que trabalhar com alunos com necessidades especiais exige do educacionais que se professor. e dentre eles. entre outros. contudo. com base em um paradigma de exclusão. 60 . É necessário. não nos referimos a esquecê-los. O termo “luto” utilizado por Naujorks (2003) está relacionado ao ato É necessário que o do professor se desfazer dos saberes acadêmicos que fizeram parte professor busque por métodos e de sua história enquanto discente. ou seja. O planejamento de atividades pedagógicas inclusivas deve ter como objetivo propiciar o que está garantido. que discute e orienta a prática pedagógica. Isto porque a prática pedagógica está diretamente ligada à forma como a gestão educacional conduz a filosofia prevista no Projeto Político-Pedagógico. encaixem no perfil da inclusão. seja a mais esperada para quem trabalha diretamente em sala de aula. caro(a) pós-graduando(a).

[. para atender às suas necessidades” (BRASIL. as práticas pedagógicas contemplam e atingem todos os alunos. As aulas expositivas ficam em segundo plano. é necessário que o professor busque por métodos e recursos didáticos que incluam todos os alunos. Mantoan (2003.. recursos educativos e organização específicos. Por isso. são estratégias de ensino eficazes. Dito de outra forma. em seu artigo 59.. que nada mais são do que atividades individuais realizadas ao mesmo tempo pela turma. 70) afirma que “A inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar para esta ou aquela deficiência e/ou dificuldade de aprender”. principalmente quando se trata de alunos que possuem alguma dificuldade. segundo ela. 106) salienta que “não são absolutamente todos os alunos que estão incluídos em 100% das tarefas”.] métodos. na inclusão. Além disto.. Lima (2005. quanto mais variadas forem as atividades. 61 . técnicas. 70). a interação e a comunicação verbal e não-verbal. algumas práticas devem ser revistas para que a inclusão escolar seja possível.] são muitas as metodologias e estratégias de ensino adotadas. p. e que encontre maneiras de fazer com que superem os desafios escolares. Neste sentido. é importante que o professor acredite na capacidade dos alunos. uma prática pedagógica inclusiva deixa de lado as aulas em que o professor só expõe conteúdos. p. p.. Igual destaque é dado aos jogos estruturados e semi- estruturados. De acordo com Lima (2005. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva Lei nº 9. 2008). maiores serão as possibilidades de aprendizagem dos alunos. 107).. interativas e dialogadas.394. a autora elucida a importância dos jogos e da expressão artística que. • ensinar com ênfase nos conteúdos programáticos da série. p. No entanto. assegurar aos alunos com necessidades especiais “[. à expressão artística e às dramatizações. Isto significa que. Segundo Mantoan (2003. Uma prática pedagógica inclusiva é aquela que engloba todos os alunos.. sem exceção. Na concepção de Lima (2005). 2003. cedendo lugar às aulas dinâmicas.] é fundamental que o professor nutra uma elevada expectativa em relação à capacidade de progredir dos alunos e que não desista nunca de buscar meios para ajudá-los a vencer os obstáculos escolares” (MANTOAN. p. ou seja. Mantoan (2003) ainda elucida que “[. 73-74). que são eficazes vias de acesso ao saber dos alunos em geral e principalmente daqueles que têm dificuldades de expressão falada ou escrita. São elas: • propor trabalhos coletivos. Neste sentido. dando lugar às técnicas ativas que alavancam o diálogo.

p. práticas pedagógicas mais efetivas.. p. 106). assim. Isto significa que a avaliação. Se você é professor (a). Para o referido documento do Ministério 62 . Nesse momento. E a avaliação? Segundo o Documento do Ministério Público denominado O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular (BRASIL. também deve ser revista pela escola. Cabe salientar que o planejamento deve estar atrelado aos conteúdos programados para cada série. pois. 41). Esta maneira de agir é compreensível. mesma está ou não contribuindo para que • organizar de modo fragmentado o emprego do tempo do dia todos os seus alunos letivo. porém perguntas.. adotando. “A avaliação do desenvolvimento dos alunos também muda para ser coerente com as demais inovações propostas”. provavelmente utiliza ou utilizou alguns dos itens criticados por Mantoan (2003). para apresentar o conteúdo estanque desta ou daquela aprendam. cabe a ele refletir • propor objetos de trabalho totalmente desvinculados das sobre sua prática experiências e do interesse dos alunos. “[. mas de forma contextualizada com a realidade da turma. Esse planejamento deve ser direcionado ao perfil da turma e maleável de acordo com as mudanças desse perfil. parte da constituição • servir-se da folha mimeografada ou xerocada para que todos os da identidade do alunos as preencham ao mesmo tempo. Educação Especial e Inclusão Escolar Os saberes • adotar o livro didático como ferramenta exclusiva de orientação tradicionais fazem dos programas de ensino. é possível traçar objetivos para a turma toda e para cada aluno. disciplina e outros expedientes de rotina das salas de aula. Com o planejamento. conforme vimos no início desta seção. com as mesmas respostas. que só servem para e questionar se a demonstrar a pseudo-adesão do professor às inovações. respondendo às mesmas professor. os saberes tradicionais fazem parte da constituição da identidade do professor. como todos os outros fatores. o professor poderá rever se os objetivos traçados no planejamento feito para a turma e para cada aluno foram alcançados e o que poderá ser feito caso não tenha atingido esses objetivos.] o planejamento contínuo ‘obriga’ os professores a refletirem com mais cuidado sobre as suas ações educativas”. 2004. Por onde podemos começar? Toda prática pedagógica requer um planejamento contínuo. porém cabe a ele refletir sobre sua prática e questionar se a mesma está ou não contribuindo para que todos os seus alunos aprendam. De acordo com Lima (2005. • considerar a prova final como decisiva na avaliação do rendimento escolar do aluno.

A seguir. • propiciar várias formar de avaliação.] de ser dinâmica. 2004.. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva Público (BRASIL. Você pode até aprender algumas frases em italiano. listamos algumas sugestões para realizar uma prática pedagógica inclusiva: • elaborar objetivos que respeitem o tempo e as condições para que cada aluno possa aprender. ou seja. 63 . é elaborado para a realidade escolar para o qual for planejado. O Davi de Michelangelo. 41). dificuldade e progressos”. p... dando preferência às aulas práticas. pois cada prática possui um planejamento único. • oferecer formas diversificadas de ensino. • valorizar a autonomia dos alunos e as diferenças na sala de aula.] a avaliação terá. Atividade de Estudos: Elabore uma prática pedagógica para uma turma heterogênea. • estimular o pensamento crítico. retrocessos. mapeando o processo de aprendizagem dos alunos em seus avanços. Lembre-se de fazer um planejamento com objetivos e atividades que englobem todos. • incentivar o diálogo. Você pode criar o perfil da turma ou escolher uma turma que faça parte da sua realidade. _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ O Burnout Docente e a Escola Inclusiva BEM-VINDO À HOLANDA! Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias – para a ITÁLIA! Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. Em suma. a cooperação e a criatividade.. “[. [. As gôndolas em Veneza. É tudo muito excitante. gostaríamos de salientar que não há receitas prontas de uma prática pedagógica inclusiva. contínua.

Porém. desagradável. 2008) expressa os sentimentos de pais que concebem um filho com deficiência. começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento. estando entre eles a dor pela perda de um sonho – o nascimento de um filho sem deficiência –. você deve sair e comprar novos guias. É apenas um lugar diferente. Mas após alguns minutos. A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível. 1). nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais sobre a Holanda (KNISLEY. Logo. era onde eu deveria estar. fome e doença. Era tudo o que eu havia planejado! E a dor que isso causa nunca. cheio de pestilência. 2008. Mas todos que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália. Algumas horas depois você aterrissa. Assim como a família possui sentimentos de tristeza ao receber a notícia do nascimento de um filho com deficiência. Toda a minha vida eu sonhei em conhecer a Itália! Mas houve uma mudança de plano vôo. – O que quer dizer com Holanda!?!? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. O texto Bem-Vindo à Holanda (KNISLEY. simbolizado no texto por uma viagem à Itália. Educação Especial e Inclusão Escolar Após meses de antecipação. estão sempre comentando sobre o tempo maravilhoso que passaram lá. você pode respirar fundo e olhar ao redor. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa. o professor também pode 64 . O comissário de bordo chega e diz: – BEM VINDO À HOLANDA! – Holanda!?! – Diz você. E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes. nunca irá embora. se você passar a sua vida toda remoendo o fato de não ter chegado à Itália. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. tulipas e até Rembrants e Van Goghs. finalmente chega o grande dia! Você arruma suas malas e embarca. E por toda sua vida você dirá: – Sim. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar. p. Deve aprender uma nova linguagem. É apenas um lugar diferente.

2003. mas é fruto de uma desistência inconsciente daquilo daquilo que o abala que o abala emocionalmente.. isso leva a pensar em uma inadaptação do mesmo a essa nova realidade. carinho e afeto para com seus alunos e também de negação de seus sentimentos de tristeza e sofrimento”. 82) a concepção de que O professor. 85). de sua própria mas sem crença. [. [.. sobretudo. Independente da atitude que o professor terá diante da proposta de inclusão. A falta de preparo faz com que o professor se sinta incapaz de trabalhar com alunos com deficiência e. O que significa Burnout Docente? As atitudes dos De acordo com a autora (2003. Burnout Docente é. buscamos em Naujorks (2003. se sentem angustiados com a probabilidade de não conseguirem colocá-la em prática. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva ter sentimentos negativos ao receber em sua classe um aluno com deficiência.] quando o mesmo se depara com o ‘não aprender’ e com suas próprias limitações. O conjunto desses sentimentos reprimidos. p. três tipos de atitudes dos professores em relação à proposta inclusiva: os que aceitam. sem ideal”. podemos vontade. 85). O trabalho continua. “Burnout é um termo que professores (ou a vêm do inglês e. falta delas) diante Assim. Para compreender melhor o sentimento dos professores diante dos alunos que apresentam necessidades especiais. Dessa forma. todos eles. mas é fruto compreender que as atitudes dos professores (ou a falta delas) diante de de uma desistência alunos com necessidades especiais muitas vezes independem de sua inconsciente própria vontade. adaptados ao contexto escolar. Sabemos que a proposta de uma escola inclusiva trouxe inúmeras discussões ao meio educacional. sem sonho. pode desencadear o que denomina de Burnout Docente. Segundo Naujorks (2003...] são exigidas do professor atitudes de humanismo.. em algum momento. p. Junto a essas discussões vieram. emocionalmente. existe uma ambivalência no sentido de que “[. para Naujorks (2003). na sua origem burn – out significa queimar para fora”.. conforme Vasques-Menezes e Ramos de alunos com necessidades (apud NAUJORKS.].] a expressão dessa sensação de especiais muitas impotência frente aos problemas que se acumulam onde o professor vezes independem perde a ilusão pelo trabalho que realiza [. os que são indiferentes e os que a rejeitam. gerando angústia e sofrimento. 65 ..] foi preparado para trabalhar com alunos que ‘aprendem’ e. “[.. desmotivado com sua profissão. Essa seção se destina a compreender o sentimento e as atitudes dos professores frente às propostas de inclusão escolar. consequentemente.. portanto.. p. p. 87).

Uma tentativa de solucionar esta questão são os cursos de formação continuada oferecidos pelo governo que objetivam esclarecer e “preparar” os profissionais para que atendam todos os alunos. Dal-Forno e Oliveira (2008) relembram que “A inclusão é a novidade que veio para nos fazer pensar que não estamos prontos.]”. p. durante a sua formação profissional.. em suas salas de aula. é comum ouvirmos os professores justificarem sua resistência à mudança. O que falta para esses professores. pois segundo Mittler (2003. formados. No entanto.. pois a maioria dos professores já tem muito do conhecimento e das habilidades de que eles precisam para ensinar de forma inclusiva”. 2008). Note: A Portaria nº 1.. p. uma disciplina que abrangesse a educação inclusiva. o professor tem capacidade para lidar com alunos com necessidades especiais.793/94 reconhece “a necessidade de complementar os currículos de formação de docentes e outros profissionais que interagem com portadores de necessidades especiais” (BRASIL. 2004. “Esta tarefa não é tão difícil quanto pode parecer. corremos o risco de nunca darmos o primeiro passo. pois essa é uma medida trazida pela Portaria nº 1. e que sempre temos algo para aprender”. mesmo diante dos problemas gerados pelo Burnout. criada com as políticas de inclusão. Mesmo com a preparação oferecida por meio de cursos. Isto significa que.] oportunidades para refletir sobre as propostas de mudança que mexem com seus valores e com suas convicções [. alunos com ou sem necessidades educacionais especiais”. 66 . se ficarmos esperando uma “preparação” para trabalharmos na perspectiva da inclusão. devem dar- lhes a consciência e a preparação necessárias para que recebam.. eles só se concretizam ou se modificam com a prática. do Magistério às Licenciaturas. já que professores graduados antes de 1994 não tiveram. Educação Especial e Inclusão Escolar É essencial sabermos que. A oportunidade de refletir mencionada por Mittler (2003) deveria começar nos cursos de formação de professores. Essa afirmação é compreensível. são “[. dizendo que não foram “preparados” para trabalhar com alunos com deficiência. O documento do Ministério Público intitulado o Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns na Rede Regular prevê que “todos os cursos de formação de professores. por mais que os estudos teóricos sejam importantes para a prática. 184). segundo Mittler (2003. p. (BRASIL.793/94. Então. 184). 20).

tomar decisões. p. Nele você encontrará todas as edições da revista a partir do ano 2000. Algumas Considerações Chegamos ao final deste Caderno de Estudo – Educação Especial e Inclusão Escolar! No Capítulo III. Assim. • Desenvolvimento de redes de apoio a fim de debater sobre os problemas da escola. Pelo contrário. diante de uma encruzilhada.ufsm. onde.br/revce/. você estudou sobre os aspectos necessários para promover a inclusão escolar. caro(a) pós-graduando(a). ou retrocedemos e estagnamos. baseando sua filosofia nos princípios democráticos e igualitários da inclusão. buscarmos alterar gradualmente nossas práticas pedagógicas. como educadores. 124). se você se deparar com o desafio de receber em sua classe um aluno com deficiência. Vamos relembrá-los? • Reelaboração do Projeto Político-Pedagógico. tome cuidado para não passar todo o ano letivo desmotivado – como os pais que não chegaram à Itália – e procure enxergar e valorizar as potencialidades do seu aluno. Isto demonstra que a falta de preparação dos professores não pode contribuir para que retrocedam ou fiquem estagnados em relação às novas práticas. assim. técnicas e atividades que auxiliarão os professores e os alunos a serem 67 . trocar idéias. rever nossas práticas. construir novas competências e aproximarmo-nos de outros colegas que estão abertos ao projeto da educação inclusiva. métodos. 2005. Aspectos Necessários para Construir uma Capítulo 3 Escola Inclusiva Encontramo-nos. que exerce um papel importante ao delimitar os objetivos da escola conforme as leis. ou aceitamos o desafio que tal projeto nos traz e procuramos. e. • Envolvimento do gestor educacional. no acolhimento do aluno com necessidades educacionais especiais nas escolas em geral (BEYER. Acesse os artigos da Revista Educação Especial pelo site http:// coralx. a falta de preparação deve instigar o professor a buscar materiais que supram as necessidades e contribuam para a prática pedagógica inclusiva. oferecer apoio aos profissionais e fazer com que a filosofia de inclusão da escola seja cumprida. enfrentar os desafios. perpetuando práticas sociais e pedagógicas de segregação. sim. para não correr o risco de perder a oportunidade de “apreciar as coisas belas e muito especiais sobre a Holanda”.

DAL-FORNO. 68 . _______. 2008.br> Acesso em: 15 out. Acesso em: 29 nov. 2008. Hugo Otto. A atitude de rejeição à mudança pelos professores é compreensível. ed. Josiane Pozzatti. 5. FERREIRA. Bem-vindo à Holanda! Disponível em: <http://www. Inclusão e avaliação na escola: de alunos com necessidades educacionais especiais. LIMA.br/holanda. • Reflexão sobre a prática pedagógica. ed. Disponível em: <www. Campo Grande: UCDB. conhecemos a respeito de um fenômeno que está sendo estudado e que tem relação com o sentimento de incapacidade dos professores diante das propostas da inclusão: O Burnout Docente. Porém. 2004. Luzia. Brasília: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.br> Acesso em: 25 maio 2008. Aurélio Buarque de Holanda. para que atenda às necessidades de todos os alunos. BRASIL. Educação Especial e Inclusão Escolar bem-sucedidos em seus papéis. Porto Alegre: Mediação. O professor na escola inclusiva: construindo saberes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. KNISLEY. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. OLIVEIRA. Emily Perl. Disponível em: <www. O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. Jucélia Linhares.mec.htm>. 1999. principalmente. Fundação Procurador Pedro Jorge de Melo e Silva (Org.org.org. legislação. GRANEMANN.gov. Ministério Público Federal: 2.).anped. Por último. Apertem os cintos. vimos que não pode ser motivo para que desistam de se engajar na busca por uma educação inclusiva. dos pais dos alunos para auxiliar e orientar os professores sobre as condições físicas e emocionais dos seus filhos. Escolas inclusivas: práticas que fazem diferença. Referências BEYER. 2005. Educação Especial. Valeska Fortes de. 2005.defnet. RODRIGUES. Soraia. • Participação da comunidade escolar e. a direção (as)sumiu! Os desafios da gestão nas escolas inclusivas. In: FREITAS.

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