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MARIA CRISTINA OLIVEIRA BRUNO

KÁTIA REGINA FELlPINI NEVES
Coordenadoras

MARIA CRISTINA OLIVEIRA BRUNO
KÁTlA REGINA FELlPINI NEVES
Coordenadoras

MAX
MUSEU DE AROUEOLOGIA DE XINGÓ

S ADE FEDERAL DE SERGIPE
PETROBRAS
CHESF

ili

UNAM 5 .TRAJETÓRIASE MUDANÇAS 1 Museus e Desenvolvimento Local: um balanço crítico 11 Huçhes de Varine-Bohan Consultor Internectonal sobre Desenvolvimento Local 2 Mudança Social e Desenvolvimento no Pensamento da Museóloga Waldisa Rússio Camargo Guarnieri: textos e contextos 21 Maria Cristina Oliveira Bruno Museu de Arqueoloçie e Btnoloçia .Apresentação 7 PRIMEIRA PARTE:CONCEITOS.MAE/llSP Andrea Matos Fonseca Kátía ReS2inaFelipini Neves Curso de Especialização em Museoloçia .MIS/CE 5 .Que Puede Hacer Ia Arquitectura por los Museos? 73 Juan Carlos Rico EI Centro Superior de Arquitecture de Medrid 6 Evaluación en Museos y Desenvolvimiento Social: presupuestos téoricos y metodológicos 91 Felipe Tirado Seçura llniversidede Autónoma de México .CEMMAE/llSP 3 A Radiosa Aventura dos Museus 41 Mário de Souza Chagas llntversidede Federal do RÍo de Janeiro .UnÍRÍo/ Departamento de Museus e Centros Culturets do Iphan 4 As Ondas do Pensamento Museológico: balanço sobre a produção brasileira 53 Manuelina Maria Duarte Cândido Museu da Imaçem e do Som .

Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha Universidade Federal da Bahia .UFBA/ Museu Airo-Brasileiro 4 O Museu dos Povos Indígenas do Oiapoque . PROPOSTASE PERSPECTIVAS 1 Acessibilidade.SEGUNDAPARTE:EXPERIÊNCIAS.USP 5 Memória e Movimentos Sociais: o caso da Maré 183 Cláudia Rase Ribeiro da Silva Museu da Maré. Amapá 173 Lux Boelitz Vidal Universidade de São Paulo . Exposições e Identidades: os desafios do tratamento museológico do patrimônio afro-brasileiro 157 .USP Gabriela Aidar Pinacoteca do Estado de São Paulo Perfil dos Autores 205 fi . Inclusão Social e Políticas Públicas: uma proposta para o Estado de São Paulo 115 Amanda Pinto da Fonseca Tojal Pinacoteca do Estado de São Paulo 2 Participação e Qualidade em Museus: o caso do Museu do Trabalho Michel Giacometti 137 Isabel Victor Museu do Trabalho Michel Giacometti 3 Museus.Kuahí: gestão do patrimônio cultural pelos povos indígenas do Oiapoque.MAE/USP Maria Luíza Tucci Carneiro Universidade de São Paulo . Rio de Janeiro & Memorial da Resistência: perspectivas interdisciplinares de um programa museológico 195 Maria Cristina Oliveira Bruno Museu de Arqueoloçta e Iitnoioçia .

Primeira parte CONCEITOS. TRAJETÓRIAS E MUDANÇAS .

sonhada. deixando uma herança extremamente importante para um novo pensar museolóqíco e. elaborado a seis mãos que refletem diferentes ~erações do cenário seoló~ico paulista. e há uma museotoçia postulada. a partir de seu envolvímento com os problemas que entrela- museus. que está aí fora.. de uma tentativa de delimitação e que. uma museoloçia existente. do momento que a f/ente está vivendo dentro da ciência museoláçica ou da prática museoloçtce.) temos que colocar um primeiro dado também da realidade. Trata-se de um ensaio. na realidade. ancorado em seus próprios textos. antes de tudo. desejada. de uma busca de razões e de influências. ". procurou- se apontar a sua compreensão sobre os múltiplos contextos em que atuou com sinqular protaçonísmo. um trabalhador social. desafios para aqueles que a ouviram repetir que o museóloqo é. real.Mudança Social e Desenvolvimento no Pensamento da Museóloça Waldisa Rússio Camarço Guarnieri: textos e contextos • MARIA CRISTINA OLIVEIRA BRUNO ANDREA MATOS DA FONSECA KÁTIA REGINA FELIPINI NEVES "(. com a área de conhecimento Museoloçía e com o exercício de ania. ao mesmo tempo. . Há. APRESENTAÇÃO st artíqo. apresenta a trajetória intelectual de Waldisa Rússio a ar~o Guamíerí.

como o pensamento museolóçíco trução. orientado para as perspectivas de cons. ANDREA M. Ióqíca.SIG. anteriormente indi- .nacio.1990). produção acadêmica. estão orçanízados em torno da hipótese de que há um pensamento museolóqíco o artíqo ora apresentado foi elaborado paulista. sua produção acadêmica. do seu papel no nal e internacional . a par. desvelem as interlocuções entre os processos cumentais e orais relativas às matrizes deste de desenvolvimento sócio-econômica-cul- pensamento. dos inseridos neste proçrarna de pesquisa ção de identificar e sistematizar as fontes do. se fazem no. vestíqatívo acima mencionado e da identifi- cação das quatro questões elencadas. estudo.RP-MUSP ': iniciado desde 2005. Desta for. Pretende-se que. a partir do processo in- ções museolóqícas e assocíatívas. dos sobre o pensamento e a ação institucio- ção profissional e institucionalização dos nal de Waldisa Rússio Camargo Guarnieri processos museolóçícos e. mas.da Museoloçía como ensino e de sua atuação profissional junto aos campo de conhecimento. É propósito. e projetadas neste contexto de ação museo- ma."Sistema de Gerenciamento de se orçaníza em sua dimensão teórica e Referências Patrimoniais da Museoloçia aplicada. ao pro- cação do tratamento de quatro questões: por conceitos museolóçícos não circunscritos aos acervos e coleções e. dos vetares de ensino especializado e da atuação junto às institui. em especial. considerando a relevância da enciado a constituição do cenário . parte desse programa e ~o das últimas décadas e tem contribuído está orientado especificamente para os estu- para a consolidação de processos de forma. tem influ. embora silenciadas no ce. Paulista . com distintas característi. ao articular estas instituições com as estru- e a produção profissional. ao con- como as delimitações do campo de tribuir com a orçanízação epístemolóqíca da ação museolóqíca se estruturam a par. este artíço busca desvelar o seu pioneirismo metido com estudos sobre mentalidades. como a produção museológica nário da Museoloçía brasileira. MARIA CRISTINA O. esses estudos. (1935 . ainda. processo e sistema museolóçí. preservação e socialização paulista reflete a realidade histórico- da memória sobre a ação museolóçíca patrimonial do Estado e implementada por profissionais do Estado de São Paulo que. sobretudo. pesquisas SIGRPMUSP. cas e o alcance da diáspora destas idéias e também. turas de poder político e econômico. ao vincular os museus aos movimentos soci- tir do cotejamento entre a trajetória bíoçráfíca ais. tir da elaboração das noções de fenô- meno. tural e os procedimentos preservacíonístas e tões sobre o perfil desta reqíonalídade. os estu- o conjunto dessas pesquisas tem a inten. Trata-se de proçrama de pesquisa compro. como a respectiva função dos campos de ação também. DA FONSECA. com vistas à identifi. que tem sido desenvolvido ao lon. FELlPINI NEVES As análises aqui apresentadas estão como a construção do quadro inseridas em um contexto proçramátíco de referencial da disciplina Museoloqía pesquisa . a partir da acadêmico e as ações assocíatívas. museus pau listas e suas respectivas projeções em cenários mais amplos. museolóçíca neste contexto. Deve ser ressaltado que o proçrarna de cos. disciplina aplicada Museoloçía. KÁTIA R. com vistas a responder a ques. paulista contextualiza o pensamento tar desde o início do século XX. BRUNO. pretende entender as característi. cas. desvendar as influências recebidas das ações museolóqícas paulistas. como um ensaio.

reçístrou iniciativas direcionadas à al e econômica. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA cado. Bardi. cas contundentes aos museus que abandona- ram a noção de processo. Vinicius Stein Campos. entretanto. sem dúvida ne- vulgação de textos inéditos com artíços es. a conferências apresentadas em de Andrade junto ao Departamento de Cul. desenvolvidas ao 10n!Jo da década A construção da memória da Museoloçía de cinqüenta e li!Jadas ao !Joverno do Esta. Ernani quisas. apontam para caminhos iné- está delimitado em análises sobre a ação ditos para a sua época que a colocam como museolóqíca a partir da seçunda metade do uma das precursoras. E não seria diferente em relação à museóloqa Waldisa Rússio Camarqo Museoloqía paulista. está embasando a elaboração de um da Silva Bruno. Ulpiano Bezer- livro específico. ção de uma ação museolóqica reqíonal e entre o poder e os despossuídos e entre a delinearam as características patrimoniais a necessidade de estabelecer museus compro- serem ressíqnífícadas por ações museolóqí. é uma tarefa que não pode ser realizada. reciprocidades entre as elites e os marqínaís. ra de Meneses. permeada por ações militantes a favor das foco central do mencionado proqrama de liberdades democráticas e da i!Jualdade soci- pesquisa. ainda. Affonso Taunay Mario de Andrade. uma vez que São Paulo Guarníerí. relativos a trabalhos acadêmicos pensamento e das ações de Affonso de (dissertação e tese). que deverá entrelaçar a di. na fala . Waldisa Rússio Camarço Guarnieri. considerando. a artíços publicados em Taunay junto ao Museu Paulista e de Mário periódicos. a in. A sua bíoçrafía é A seçunda metade do século passado. le. Paulo cialização de suas idéias e realizações. sinalizam museolóqícas desenvolvidas no Estado de para a sua sensibilidade em relação à per- São Paulo. metidos com as mudanças sociais e as críti- cas nas décadas posteriores. com o !Juns dos textos elaborados por Waldisa as propósito de dar seqüência à orçanízação e marcas que reqístram as suas idéias em torno dívulçação desse pensamento e das ações da problemática museolóçica. Cabe reqístrar. Neste artíço. personaçem principal deste artíço. dos da Sociomuseoloqia. personagem central deste artigo. tanto na escrita quanto !Jando importante patrimônio de idéias e re. critos por diferentes especialistas. A sua Duarte. que este cepção sobre os diferentes contextos em que programa de estudos sobre mentalidades atuou e. cultural. cujo Ieqado historicidade da Museoloqía brasileira. nhuma. eventos científico-culturais são sempre tura da Cidade de São Paulo. Os textos de fluência fundante e a herança intelectual do Waldisa. consolidando 1] OS PRIMEIROS PERCURSOS: O ENCONTRO os campos de ação museolóqíca nesse Esta. Pietro Maria trajetória. O seu estilo. à implantação de processos museolóqícos sistêmicos e à ex- pressiva produção acadêmica. muitas vezes. entre outros e. análise da produção de seus principais pro- tos vetores de análise e. como ainda carece de estudo. COM OS CONTEXTOS MUSEOLÓ61COS do.revela um olhar sensível voltado às alizações. sistematização e so. dos postula- século vinte. é constituído por um conjunto de estu. neste contexto. Aracy Amaral. no âmbito desse programa de pes. do. Walter Zanini. . que contribuíram com a delimita. a intenção é recuperar de al- dos monoçráíícos e/ou bíoçráfícos. formação especializada. Maurício Seçall. a taçonístas. ainda. no Brasil. conta com importantes personaçens para a desempenhou papel referencial. uma vez que arçumentattcos e permeados por expressões ambos desenvolveram relevantes trabalhos de convicção inerentes à realidade sócio- nas primeiras décadas do século passado. A partir das realizações de Vínícíus Stein Campos. sem o estudo bíoçráfíco e a lização que pode ser identificada em distin. teve início uma trajetória de profissiona.

com vistas à readequação da política cultu- No ano de 1957. S6radua-se na Faculdade de Direi. a elaboração de Sociais. como fundo a realidade das estruturas do Estado. alcança outros riam desempenhar. FELlPINI NEVES Nascida em 5 de setembro de 1935.INA \ O. do Museu São Paulo. entre tural e o respectivo papel político que pode- as décadas de 1960 e 1990.encontra-se bastante relacionada dade de São Paulo.GERA. para o qual realiza um inven- além de revistas especializadas. a criação e desenvolvimento dos museus. concentranto as suas pesqui- dedícada a Guilherme de AImeida. do Estado de São Paulo. assu- 1990. que permearam as décadas de sua existên. políticas e culturais desse trabalho. passa a dedicar expressiva aten- ções de Técnica de Documentação. A partir desse blica estadual. KÁTIA R. todos localizados na ci- fissional . exercendo inicialmente fun. história do com as análises e proposições relativas ao Brasil. a produção acadêmica e profissi. ainda. o projeto para a Casa-Museu PauloIFESP-SP. francês e profere palestras. Liderou mudanças administrati. e. patamares e responsabilidades. Por um lado. do da Cultura. aos estudos de pós-graduação em Ciências fissional alcançou. quadro sócio-histórico circundante. tituições para o tratamento da herança cul- !Jue e. Em parale. Nesse ano. te para a elaboração de sua dissertação de mestrado. torna-se funcionária pú. também leciona português. co-administrativa do Estado de São Paulo e bém em São Paulo. MARIA CRIS-. capacitação profissional. quando participa o compromisso com pressupostos socialistas do Grupo Executivo da Reforma Administra. no que tanqe aos compromissos lo. tam. voltando. por outro.desde o seu surçímento nos anos da déca- to da Universidade de São Paulo. poste. É possí- ela também passa a exercer a advocacia com vel considerar que se delineou. junto à Se- cretaria da Cultura e Secretaria de Ciência e Nesse período. ANDREA M. no início da década de 1970. os conteúdos trata- A sua inserção na área museológíca dá-se dos na Escola Pós-Graduada sempre tiveram no final dos anos de 1960.sua identidade pro. SP. Waldisa dá início tou proçrarnas culturais. coordenou !Jrupos de trabalho e implan. por ção Escola de Socioloçía e Política de São exemplo. nacoteca do Estado. a convite do CNPq. posteriormente. em São sas nas reciprocidades entre a história políti- Paulo. momento. simultaneamente com os Tecnoloçía. suas pesquisas. trabalhos relativos à reforma administrativa vas. coordena o Gru- um caráter literário. em torno de escritório próprio. A sua projeção pro. po Técnico de Museus da Secretaria de Esta- ção em jornais secundaristas e universitários. até a sua morte prematura em junho de plantação do Museu da Casa Brasileira. Suas primeiras publicações coincidem mindo a sua direção entre os anos de 1970 e com sua juventude e datam de 1943 e têm 1975. da de 1930. incluindo crítica e fic. a oportunidade de conhecer a tiva do Estado de São Paulo . e a proposta da Estação Ciência. Secretá. um cenário muito estimulan- a exercer funções em órgãos públicos. torna-se responsável pela estruturação e im- cia. da Casa Brasileira e de reorçanízação da Pi- onal de Waldisa Rússio . Como desdobramento com as questões sociais. ao mesmo riormente. BRUNO. ral e museolóçíca paulista. descobre a potencialidade destas ins- como funcionária pública do Estado prosse. mediante diferentes concursos. Ainda nessa década. A sua carreira tempo. em tratívos do Museu de Arte Sacra. na Escola Pós-Graduada da Funda- diversos projetos museolóqícos como. ção para os problemas que envolviam os ria do Diretor do Departamento da Receita museus e identifica a carência de da Secretaria da Fazenda do Estado e. DA FONSECA. responsável pelos projetos técnico-adminis. tário sobre a situação dos museus do Estado. permitiram a elaboração de um trabalho . re- fletindo o perfil que sempre marcou a FESP/ Em 1959. mas. Assistente Técnica.

a necessidade de Num país como o nosso. da fundação Escola de Socio- "A orçanízação do museu não pode alie. é esta atitude esquiva de alheamento uma memória sobre a Museoloçía (12/ 10/ que o vem condenando. na mente. recorte da história dos museus. em nosso país. um processo em si mesmo. mas sem falsos constranqímentos. necessidade de compreender o museu como um fenômeno social inserido em contextos "O museu deve ser compreendido como mais amplos. como um todo. Em sua dissertação. Além disso.) O museu não exis.). tatação da profunda carência profissional na cessível a parcelas siSJnificativas da popu. C . também. sentou. um dívísor de áçuas nas ondas que têm per- mo tempo. pioneiro nos cenários acadêmicos e." "Experiência vital para o homem con. portanto. alterar esta realidade para que os museus mide demoçráííca repousa sobre Iarça pudessem corresponder às expectativas no base de crianças e jovens. neste mesmo ano de. Para estes últimos.. Um resultado imediato dessa . reflete a sua percepção mitido a emerçêncía de uma Museoloqía vançuardísta ao nomear os museus como paulista. Neste contexto. Dados UNESCo. assim. dente do Comitê Brasileiro do ICOM. se do conceito socíolóqíco de burocracia em te Conselho Internacional de Museus da relação a instituições museolóçícas. tórico dessas instituições no Brasil e escolhe a partir de olhares e percepções construídos os museus do Estado de São Paulo como com referenciais teórico-metodolóçlcos amostraqem para seu estudo. especialmente. É nesse cação formal (. culturais identificadas pelo mesmo trabalho tados para a necessidade de serem alço acadêmico. em que a pirâ. apresenta avaliações de sua situação ~eral. sua não profissionalização. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA acadêmico comprometido com a mudança mais que meros 'complementos' da edu- e com a transformação da realidade. também. evidenciando provenientes das Ciências Sociais. é convidada pela então presi. muito modesta- te isoladamente. lhados e. 1977. '" coordenadora dos cursos). pois a partir dele. ao esquecimento. "Lembraríamos ainda. aborda o his- Esses percursos são realizados. memória apresentada pela atual te. mas dinamicamente. ao mes. o seu de mestrado que aborda a Museoloçía no elitismo e a necessidade de sua inserção nos Brasil. fica evidente a açentes de desenvolvimento. Esse trabalho é. como uma re- alidade dinâmica. desenvolvendo. a cons- temporâneo. 10SJiaPolítica de São Paulo.. "2 que foi na Escola Pcsgraduada de Ciênci- as Sociais. denominada "Museus: um aspecto das processos sociais. o museu permanece ina. que a levarão a dissertar a respeito da rela- fende na fundação Escola de Socíoloçía e ção entre os recursos humanos e financeiros Política de São Paulo a primeira dissertação no museu. a ínçressar nes. a orçanízações culturais num país em desen. é imperdoável que diz respeito às potencialidades sociais e que os museus não tenham sido desper. que se apre- nar-se do processo social. uma sínçuíar capacidade para análise de contextos conjunturais. evidentemente. cabe reçístrar. um estudo contextual e. sociedade. "4 momento que Waldisa dá início aos seus per- cursos pelas rotas delineadas pela Museolo. qual os museus do Estado estavam merqu- lação.. do público volvimento". idéia de inclusão. Essa dissertação permitiu. pela primeira vez. uma análi- fernanda de Camarço-Moro. Waldisa Rússio faz um ~ia e marcadas pela realidade dos museus. sistematicamen. Já em 1977. esse trabalho é infantil em museus.

Em relação à instituição. ficaram sensibilizados apenas pessoas treinadas ou que te- pela causa e apoiaram a implantação do nham recebido a "capacítação profissio- mencionado curso.. e. presentes na banca de avalia. mesmo. seoloqía deve-se também a pelo menos. de direito) tem a ver com novos regula- mentos expedidos pelo MEC. Assim. veio o decreto-lei de 1946. se- dades de formação especializada para aque.) Convém lembrar que quando sobre- do da Museoloçía exíçía um trato interdiscipli.. IJundo a museóloça. em Esta complementaridade de caráter acadê. pois os estudantes já possu. Embora enfatizasse que o estu. a sequnda (ain- tras reçíões do Brasil. desde 1933. duas razões de fato e les que se interessavam pelas questões dos uma de fato e de direito: museus. "8 sociocultural. Além disso. diz respeito ao momento em o perfil da formação profissional em nosso que surçíu o curso. Cabe fazer alIJumas ção de pesquisadores e cientistas sociais. ANDREA M. herança do povo brasileiro. KÁTIA R. consi. Waldisa cola Pósqraduada. o fato de ter escolhido a FESP/SP e tos mais amplos. contem. Esta singular iniciativa nal" supletiva da formação adequada permitiu à Waldisa a concepção e liderança ideaL"6 de um processo de ensino. esta já possuía. a Es- em o domínio de uma disciplina. ção da dissertação. Livre de Socíoloçía e Política. posta pedaqóqíca e a metodologia. além da coexistência de tempos sociolóçícos diferentes. que lhe dava uma reciprocidade com os ide- nal almejada pela autora e a escolha da FESP/ ais da autora: SP para instalação do curso de pós-çraduação em Museoloqía. que foi instalado o Curso. a Escola Rússio propunha a formação em vários níveis. o curso em nível de pós-çraduação em Mu- ca paulista. FELlPINI NEVES constatação está na origem da criação do pIando não apenas as direções e chefias. "(. onde ape- nio Rubbo MüIler. desde 1941. a terceira (de fato e país. Curso de Especialização em Museoloçía na mas lembrando a multiplicidade dos FESP/SP em parceria com o Museu de Arte tempos socloloçicos brastleiros e as pro- de São Paulo Assis Chateaubriand/MASP. Para a realidade museolóqí. diretor do museu e o Professor Anto. sob o nome de Escola de Socíoloçía e derando a diversidade política. coordenador da Escola nas for possível a curto e médio prazo Pós-çraduada. econômica e Política de São Paulo. FESP/SP. 1977. para que uma vez que tanto o Professor Pietro Maria não se perca o patrimônio cultural e a Bardi. fundas diierenças reçionais. DA FONSECA. que causou outra ruptura em contex. considerava a portante para a escolha desta instituição para FESP/SP uma instituição pioneira na forma- abrigar o curso em 1978. marcando para sempre da de fato). posterior- por acreditar que esta seria uma atitude mais mente transformada em bacharelado aberta e propícia à realidade brasileira. a autora também destaca. Entretanto."7 mico entre a FESP/SP e o programa da especi- alização idealizado por Waldisa Rússio foi im. BRUNO. a intrínseca relação com a sua pro- cerços e funções museoloçicas. em relação à oríqem do curso de Museoíoqía na "Há que se cogitar de uma hierarquia de FESP/SP. . que reconhe- nar e lhe parecesse viável que fosse em nível ceu e autorizou o funcionamento da de pós-graduação. de 1978 até a sua morte. este curso dá início às possibili. o considerações referentes à formação profissio. é possível verificar que esse proçrama de ensino causa um profundo "A primeira diz respeito à instituição em impacto nos circuitos museolóçícos de ou. profissionais de nível médio e. MARIA CRISTINA O.

propunham um Siste. o MEC conferências e publicações se manifestava contrariamente à abertu- ra de outros cursos de Museoloçía em ní. ta como elementos estruturadores da tese: cos existentes na cidade de São Paulo e por todo o interior do Estado. mulo à consciência crítica em relação à in- te no país desde a década dos anos 1930 no dustrialização no Brasil e na valorização do Rio de Janeiro e o quanto esta questão inter. que São Paulo encontrava-se ção museolóçíca com diferentes sedes. considerando que.'? pelo qual poderíamos. manifestan. de pessoal para museu. quiu a trilha da Escola Pósqraduada. na fora do eixo de discussão e de criação de consideração do patrimônio material e ima- centros para formação na área de Museolo. doutoramento com o título "Um Museu de sem nenhuma manifestação de protesto. outro dado importante. nava um duplo e útil instrumento de tra- mento do programa pedaçóçico. esta. terial deste seçmento e na interdisciplinari- ~ia. realizado em dos de ciência. um artifício Ie- também. Além de docu- mestrado. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA "O fato de o curso ter surçído junto a Porto Aleçre e Curitiba. Em 1977. profissional de São Paulo não tinha sido o museu atuaria. trabalho como fruto da ação humana."1I tentes: "O momento em que surçíu o curso é 2] A difusão de suas idéias: projetos. em sua dissertação de dade da equipe de trabalho. como essencial ao desenvolvi. criar cursos de especialização que. desenvolvimento histórico-social da re- . mas também como um projeto ao Reitor daquela instituição. e dos projetos existentes no Bra- ma Nacional de Museus: este previa al. museoíóçíco para instalação de um Museu do-se contra o fechamento do curso. se somariam. com base no ando-os no Rio de Janeiro. perfa- Museoloqía. As proposições de Waldisa Rússio fundamentam-se. Apon- feria na qualidade dos trabalhos museolóqí. a autora apresenta a visão do zendo os créditos necessários a um MEC naquele contexto em relação ao bacha. Foi nesse momento que surqíu a Resolu- belecendo não apenas a multiprofissio. no caráter processual da institui- Waldisa Rússio. enfim. "Partindo da análise de alquns dos princi- pais museus qenericamente denomina- "Encontros de cultura. balho: em primeiro lugar. São Pau- esta Escola beneficiou sua estrutura e lo não teria nenhum centro de formação forma pedaçóçíca desde o início. a interdisciplinaridade como qal. Ela nos proporcio- nalídade. feitos Ainda em relação à criação de cursos de seqüencialmente. ção 14/77 do CFE/MEC. Mário Barata que enviou uma carta acadêmico. formula-se a proposta de um Museu quns Pólos Reqionais de Formação. mundo."IO de Indústria em São Paulo. Waldisa Rússio prossegue sua vel de bacharelado. sil. pois se. de Ciências Sociais. fica reçístrado que a realidade mentar e revalorízar o patrimônio industrial. sequndo a autora. bahta. válido. O curso da UFBA se trajetória acadêmica e defende seu encontrava praticamente bloqueado. método. aulas. Industrial em São Paulo. Mestrado dentro da Escola Pósçraduada relado e discute a situação dos cursos já exis. no esti- toca da pela formação profissional já existen. ético e eficaz juridicamente. Indústria para a cidade de São Paulo". Em 1980. princi- Também vale ressaltar. situ. conforme textos de palmente. ou seja. indústria e técnica no Brasília e Salvador. Recife. Sua exceto a solitária e solidária atitude do tese caracteriza-se não só como um estudo Prof. mas.

talvez seja universitários (monitores stricto sensu). ANDREA M. a vida e suas aleçrías. MARIA CRISTINA O. exemplo mais proposto nessa tese."> tral. \Jia. ou ça em muitas direções que enraizamo ainda ainda. "Os museus são filhos da sociedade que c) quanto à ética de aquisições: não se os ençendra . teoria e uma prática que entendem que o rão um novo desenho para o surçímento de homem. meios para atinçí-Ios. mais uma vez. quanto mundo. ção de processo como método museolóqíco para a implantação de museus. como todos os filhos. servem para ajudar os "pais" no seu pro- tória local ou reqíonaí (ética expressa. na medida em que é de múlti. confirma a necessida. tensões sociais que reçístra. abre A práxis museolóçica proposta por alas para o museu ser considerado um fenô.. írnaçens e de de uma postura ética frente às desenfrea. monitores-alunos do SENAI ou operários "É um museu dinâmico pelas próprias aposentados (intérpretes e monitores. lJens que constituam sinais. para bojo do projeto alçumas constribuições poder projetar novos fins e cogitar novos novas no que diz respeito a: a) apresenta. tera a refinada percepção da autora em rela. KÁTIA R. e) dos poucos museus em que não se tenha não se restringe a ser um trabalho aca. como museu.. FELlPINI NEVES lJião. apropriar de objetos pertencentes à his. BRUNO. com uma separação objetiva entre o mais. cenários e paisa- sistemas patrimoniais. núcleo cen. a creta de museu. símbolos. cesso de atualização. as idéias de Waldisa em uma homem e sua realidade. Waldisa Rússio rompe com uma possível meno passível de análise acadêmica."l4 ao caráter interdisciplinar e recrutamen- to de pessoal técnico em vários lJraus de Ainda se referindo ao Museu da Indústria escolaridade e de "status". pois ra de modo a alJuçar e possibilitar a em suas próprias palavras: ernerqêncía (onde ela não existir) de . exequível e adequado à vida e suas contradições. são constituídos pelo mesmo estofo social. esperança de preservação das raízes mais. DA FONSECA. trazendo no "É tempo de repensar os valores. que o Museu permite ao Ho- das espolições das referências culturais e rei. museus setoriais e museus de fábrica (este. pois.) Podemos dizer que é através da mu- pela ênfase que é dada às idéias de redes e sealização de objetos. a vida pulsan- nossa realidade. e suas ançústtas. trata-se de um projeto museolóçíco humanísticas e ecolóqicas. a impressão de que a Vida parou. da cultura por ele engendrado. lelJitimados numa ção de tese quanto aos elementos for. de recíclaqem do mente mencionada e enfatizada). surpreende "(. latejando como sançue nos corações emerge dessa mesma realídede. e. A lJrande tarefa do museu contemporâ- ção às potencialidades museolóçícas para o neo é.?" dos Homens.. avan. Trata-se de uma tese que inaugura a no. o objeto e o cenário desse encontro uma Nova Museoloçía e da Sociomuseolo. mem a leitura do Mundo. histórico e político. tornando-se uma estratíqrafía de ações e idéias que possibilita. exatamente porque do. A vida dêmico. b) quanto documentar a memória de um processo ao museu proposto em si."'5 Esse trabalho que. a de permitir esta clara leitu- tratamento da herança patrimonia!. que se está perdendo mais rapidamente processo.. é tempo de se e seu embasamento científico. o ponto nodal do museu-processo. dicotomia entre o homem e o mundo. do que as demais facetas da civilização e pla-sede (novidade no brastí). a autora informa: típico: monitores-operários (atores). mas formula uma proposta con. na realidade brasileira.

ciais. leva-o a aspirar a sua transcen- Ao 10nSJode sua trajetória. o seu tempo e suas res- tos e a capacidade de decisão. mas com maior dêncía. ensiva e modificadora do Homem. preservar. tes públicos. museu. curso de especialização que atraia fortes reações trimônio cultural. do urba. através dos cursos e pa. é possível perceber intercruzamen. lho. formação e dade da ação e da íntelíçência compre- capacitação profissional. no artefato que cas profissionais e a busca de explicações e Ioqrou construir. inseridos nos mais variados even- . da necessidade de uma conscienti. com o contexto político e social de Este circuito exíçe. caracterizando-se também te visão crítica como vocação natural do ser como uma especificidade dessa área permi- humano. explicitadas em seus trabalhos acadê. rompendo com a aco- modação diante do mundo e assuma uma "Essa historicidade do Homem. do ani- mador de desenvolvimento comunitário Sendo assim. na ciência que produziu."!8 "Uma das mais sérias questões referen. nas proposições de Waldisa francês HUSJhesde Varine-Bohan. alJasalhar-se nos museus. sob a forma de lestras que proferia. me a sua finitude. a desempenhar um papel referencial em deba- das. tir uma ambívalêncía díalóçíca entre o insti- zação para que o ser humano renuncie a um tuído e o porvir. marcando a pereni- mas como educação em museus. no que concerne ao reconhecimento da paço de reflexão no qual o ser humano pode relação entre a apropriação de conhecimen. conscientes tos de suas propostas com as idéias e ideais e críticos. fatos culturais. possibilitando seu aperfeiçoamento. da permanen. a saber. na compreensão que teorízaçóes contextualizadas nas Ciências So. entre outros. essa transcendência que ele só ênfase no início da década dos anos de 1980. a ação de preser- informação passada pelo museu facilite var implica em criar uma memória cujo a ação-transformadora do Homem. É aí que se ínterlíçam as pala- do educador brasileiro Paulo Freire. extremamente participantes. deu aos objetos do mundo ao seu redor. aquilo a função dos museus na contemporaneidade. ver o outro. informar e agir."" nista arçentíno Jorqe Enrique Hardoy. que marca a sua transcendência e redi- a questão do museu e turismo. Envolvida pelos desafios de implantar um tes à preservação e comunicação do pa. e que contemplavam te. assim. mesmo tempo em que conhece sua finitude."!6 repertório serve à informação. pois o trabalho de mu. irá encontrar no sonho que arquitetou. museólogo. a intervenção de aqentes culturais sentido. Rússio a Museoloqía também SJuarda um es- plo. papel de espectador. objetos e artefatos. Waldisa passa em três atividades distintas e interliga. que por ser conscientizadora precede toda a Verifica-se. rever-se. por exem. uma interface de suas ação modificadora. ao naturais ou modificados pelo seu traba- mesmo tempo em que difundia seus conheci. lJeradora de novos visões. de que responsabilidade existencial como sujeito na ele se faz cada vez mais consciente ao ação-transformadora diante da vida. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA uma consciência crítica de tal sorte que a No processo cultural. este reçístro e este trabalho que irão mentos e experiências. ponsabilidades. SJestão museolóqíca. micos. Neste mica. pela sua própria dinâ- uma sociedade brasileira em transição. no cenário acadêmico vinculado à Museología seu é de fundamental importância para a no país e de desenvolver um projeto pioneiro manutenção do trinômio orientador do no que diz respeito ao perfil museoíóçíco do processo cultural: esse trinômio consiste Museu da Indústria em São Paulo. vras: museoloqía. evidencia-se uma correlação entre suas práti.

Esta independência está ínti.'r 30 MARIA CRISTINA O. aqui.. cada vez mais. ou a instituição museolóçíca não pode estar se. nós. brasileiros. também. repertórios orçanízados de nossa memó- cimentos e is:Jualdade social. no de resistência a uma invasão que bém enqajar-se nesses processos. . uma necessidade e uma urgência. dentro de uma rnetodoloqia clara nas frentes que a sociedade civil abria. dessa for. de um naci- fundir conhecimentos e instigar a capacida. tendo tenta desde seus inícios. ló~jco brasileiro?" (1979). . BRUNO. dem manter como quintais do mundo ção que o Brasil passa a vívencíar no final dos dito 'subdesenvolvido'. função política-social da instituição museo. caça de re. contexto sociocuItural expressava as amar- ma e essencialmente IiSJada à comunica. s:Juras de uma convivência com os reqímes ção do conhecimento científico e polítícos autoritários e os respectivos refle- tecnolóqí-co e da formação de novas. onalismo infantil: fala-se de uma naciona- de de reflexão e questionamento. os museus nacionais são ra política do país. díaqnostica a situação dos museus forças poderosas e retrógradas preten. o tecnolóqíca. KÁTIA R. lidade suficientemente fortalecida para dialoqar com outras. Nesses. . além de viver a expectativa pela abertu. então. tavelmente. Essa necessidade de relacionar o contexto A historicidade do fenômeno museolóqí- museolóçíco ao momento histórico brasilei. "O mercado de trabalho do oloqía brasileira e. . ria. importadores de todo um lixo cultural distribuído intensamente Vale lembrar. também se vê permeada pela inquieta. foi testemunha dos anos de repressão e cen. como exemplos. anular as nacio- como um de seus papéis fundamentais di. "Museus Necionsis. e que são. devem cumprir. brasileiros e procura identificar suas infIuên- . seu desti- parada da vida e da realidade. já a partir do final dos anos de 1980 o ções na área. "Existe um passado museo- lógica também transparece na sua preocupa. Não se fala. Para ela. política. ençajamento dos museus e da Museoloqía misso. capacitação continuada dos profissionais de serva do capitalismo internacional. reafirmando a Waldisa Rússio. e que museus. xos nas instituições da cultura e do patrimô- mais numerosas e mais intensas voca. a esse compro. fundamentando-se continuamente neste dos escritos ou de palestras proferidas por binômio museu-sociedade. nalidades. ção de ideais de democratização de conhe. os museus nacionais cumprem. especialmente. ela reitera a necessidade de "Em países como o nosso e como SJrande formação profissional em Museoloçía e da parte dos latino-americanos. Tes- ma. O 'Museu da Repúbfjca'" (1989). cultural. lamen- anos da década de setenta. FELlPINI NEVES tos relativos aos processos de redemocratiza. DA FONSECA. ou menos. Paulo" (1980). de massa. fala-se de uma iden- "Ora. co paulista e brasileiro destaca-se ao Ionço ro. Daí o projeto rnuseolóçíco seu olhar vai se dirigir para a importância do estar vinculado. \ ~: o' . "19 neando novos contextos socioculturais. atraentes pelos veículos de comunicação sura. que Waldisa Rússio através de embaíaçens mais. Museoloçía paulista. nio. 7. temunhos de nossa identidade cultural. também. deli- de 'pesquisa/conhecimento/ação'. ANDREA M. devendo tam. Sua produção. a qual necessariamente passa Se no início de suas análises museolóqí- pela superação da dominação científica e caso ainda nos anos da década de sessenta. dos quais podem ser citados. vivemos ainda a tidade que se afirma através das tentativa de superação de entraves à alteridades. "20 nossa independência econômica. para uma museoloço na área da Museotoçie" (1982). "Museus de São ção na escrita de uma memória para a Muse.

sendo designada a repre. essas atividades. obviamente. publica- mero crescimento nu-mérico (expressão. em si. a institucionalização educativa e cultural. mente a Museoçrafía. Entre montagem de exposições e apresentação . há grandes mentação e. conserva- paisagem museolóqíca paulista. Uma terrível luta en-tre a valorização mos toda a ação prática proposta para do profissional e o filhotismo. tendências dade para qual viaja anualmente para a e seu potencial institucional. obviamente uma forma de comu- caóti-co e desordenado crescimento) nicação museolóçíca que por sua especi- passemos agora à uma outra fase. em vários ní-veis. coleta de acer- an-tagonismos e grandes contradições na vo e seu acompanhamento). denuncia a permanên. do nosso próprio tural. a falta de uma ação efe. passa por um importante destacar que o trabalho e as pro- renascimento na área de museus: discu. conservação e ação e. apesar de tudo. na formação específica. conservação preventiva e eventual res- nal de vitalidade. aos poucos. mais amplo envolvendo não só Educação forço construtor a que. res. demagógica e o ranço colonial lutando contra a especialização e profissionaliza. ções de museu) e ação educativa e cul- talvez. Museoqrafía. mera descrição do sentar o Brasil em diferentes ocasiões. xo no uso de termos como: museoqrafia. está se dirigindo vida) já se constitui em sub-domínio da o movimento nosso de industrialização. num sentido mais alto e em que. distêrnico. o seu mai. um si. instituinte no contexto brasileiro. nos museus. Esperemos que. o serviço preensão do fenômeno museolóçíco e deli- educatívo e a ação cultural. que vê nas viabillzar o projeto museolóçíco em ter- escolas. também é "São Paulo. um sintoma de mudança. uma fase (não-formal. docu- or inimigo. na área cultural. também consolida sua "Loços". mais ficidade e interações com a Educação feliz porque mais racional. tauro. postas de Waldisa Rússio têm um caráter te-se (ao menos. "No projeto museoçráfíco considerare- ção. do cação museológica (exposição. embora. comuni- Esperemos que sim. comunica- Mas existe. até por necessi. se faça já em nível profundo. ativi- reconhecer alqumas renovações. em certos seto. abrigo em reservas etc). vencer a gradação que separa o "Grapho" do Ao íonço dos anos. como se percebe abai- não é extensa. se verifique o es. a discussão existe) ma. a construção de um vocabulário ou de a dessacralização dos museus. contradição mesma não seria. "22 mola mestra do desenvolvimento. "21 Museoçrafta para. globalizante e "Na realidade. Assim. além de cionário Internacional de Museoloçía. ainda. Nesta mesma direção. tanto fato museolóqíco e soma de conhecimen- como participante de conçressos. a Museoíoçía nasce com a ínteratívo. a um léxico que colabore para a melhor com- am-pliação dos públicos. mos de curadoría (identificação. rente em seus escritos. Mas essa ção (incluindo os aspectos de segurança. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA cias e características. curadoria. pro- cesso gestáItico. a proliferação caótica ção museolóçtca. continuada mas preparação para a dade de sobrevivência. Enfim. de inicio temos efetiva- atuação no ICOM. Hunqría e para Portuqal durante os anos de 1983 e 1987. destaca-se sua participação cia de uma elitização tanto do ambiente. no Comitê Internacional de Redação do Di- quanto da ocupação das funções. quanto tos práticos servindo à finalidade de como ministrante de palestras e cursos. Desta for- tiva e mais dinâmica. projeto museoçráfíco. É ver-dade mite uma área de atuação também é recor- que a discussão não sensibiliza a todos.

alizada. KÁTIA R. trabalhador soci- Não são parte das preocupações de al. A ASSPAM teve. No ano de 1984."24 atuação profissional. E esta se faz. patrimônio cultural é um ato e um fato tões não se referem ao MinC. mas. para incutir ações de mudança. também é a primeira la- onal do museóloqo como um trabalhador tino-americana a ministrar aula no Se miná- . Nesse novo proçrama de balhadores de Museus . na produção de Waldisa Rússio. da qual foi sua Política de São Paulo (FESP/SP).ATM. reflexos até os dias de hoje. texto. de Museóloqo (1984) embora as suas refle- des não apenas de acompanhar as mudan. mentais para o aperfeiçoamento dos nossos mesmo nas nossas áreas específicas de museus. também. BRUNO. e a social. mas são funda. Esse traba- cada vez mais. xões não foram devidamente consideradas ças tecnolóqícas. mas de quem trabalha de tituindo em aspecto de uma ciência em forma consciente com o social. ~radativamente. a Mu-seoçraíía vai se cons. Em 1983. No caso do museóloço. criava-se uma diferenciada forma de atuar estimulada pela dinâmica do ICOFOM/lCOM. partindo para a dos pelo mencionado curso de especializa- formulação de leis e o reconhecimento ção. a Museoloqía.? 7. de viver e na versão final da Lei n. também militavam pelo reconhecimento rias e hierarquizado. sobretudo. então. com va de constituir uma epístemoloqla museolóçí. Além disso. seminários e víaçens culturais que cionada ao social. IilJado não somente ao cumprimento de prios museus. MARIA CRISTINA O. lJia paulista a partir dos anos de 1980. colaborando constru-ção. Porém. sobretudo. primeira diretora. Museoloçía de São Paulo. nossa sociedade e do nosso tempo? Estamos formando técnicos ou cientistas e trabalha. em relação aos museus. já forma- com método próprio. para di- fundir em escala nacional que em São Paulo Além disso. de 18 de de- compreender os problemas e as questões da zembro de 1984. Esta marca vai Comitê de Teoria Museolóqíca do Conselho permear o desenho do cenário da Museolo- Internacional de Museus transparece a tentati. uma função social. é claro que a preservação do dores sociais? Sei que alçumas destas ques. o qual tem seu trabalho estritamente medida em que se desenvolvem os pró. procura vincular a perspectiva de pesquisa às propostas de formação especi- Waldisa Rússio enxerga a atuação profissi. participa- "E me perqunto se a formação dada aos ção decisiva na requlamentaçêo da profissão museóloqos tem sido adequada às necessida. definido em cateqo. Iogia da Escola Pós-Graduada de Ciências lidera a orçanízação da Associação Paulista Sociais da Fundação Escola de Socíoloqía e de Museóloqos . orqaníza o Instituto de mas ela também sentiu uma inquietação re. Ainda nesse con- ca não só fundamentada em parâmetros técni. sistema de conhecimento. contros. "25 capacitação profissional dos museóloqos e dos profissionais que atuavam em museus. "23 profissional. mas serviu. lho assocíatívo trouxe outras possibilidades resultante de observação e experimento de articulação com os ex-alunos. com profissionais de outros campos que do fato museolóçíco. mas em construir uma epístemoloçía rela. político e temos de assumí-Io como tal. liderou a orçanízação de vários en- cos. se embrenharam na realidade museolóçíca paulista. "Portanto. DA FONSECA. ensino.287. síçníííca não recusar a dimensão e o Waldisa Rússio somente a formação e a risco político social do seu trabalho. que tem sua ori- lativa à necessidade da sua orçanízeção lJem no Curso de Especialização em Museo- como categoria profissional. FELlPINI NEVES de objetos. sendo sua primeira presidente. ANDREA M. e da Associação de Tra.ASSPAM.

de for. anteriormente). que é pude ver nos museus destes países. em suas ori- s. um aprofundamento e um arcabouço acadê- nal do ano de 1979. vai se alçar à posição de a criança passa a amar e respeitar o es. a Museolo- roteiro exposítvo com um local específico s. ções de nossa época possibilitam uma re- dos. Estados Unidos. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA rio Internacional de Formação de Pessoal. ela procura tido. Tropeiros ~uns princípios que concedam à Museoloqía e Tropeírismo". respeitada. França. (museu) acontece. é pre- os museus podem enfrentar desafios de in. Fiquei aturdida com o número de antigüidade ou autenticidade. no qual a terceira idade e ou.!ente polarizador de outros debates museolóqícos no final da década públi-cos (como a Propaganda já o desco- dos anos de 1990. dinação nítida que se formam as cole- dos. incluindo desinformação. Sobretudo.!ação de sua tros visitantes participavam das atividades. participante e ativa. tempo antes nos textos de Waldisa e. míco". é inacreditável o número de crian. Portugal. dentro dessa função. apresentada no MASP no fi. perderem essa conotação. Nos estudos sobre Waldisa Rússio. e o pessoal de museu passarem a ver na criança o seu pú-blico de hoje e de ama- As questões que vão embasar os ~randes nhã. quanto quantidade e valor de raridade. e. no qual convite do Ecomuseu da Comunidade Urba. Sem Do pequenino Portuçal ao novíssimo Is. Assim. na do Creusot. mas partici. en- França. já aparecem muito ção como efetivamente humanizadora. também uma modalidade do Poder. Israel. É com essa subor- "Nos últimos dois anos. meira turma dos alunos do Curso de Especi- alização em Museoloçía. Como se evidencia na conceitual e a tentativa de elaboração de al- análise da Exposição sobre "Tropa. xico. que contava em seu "Vinculada à prática museal. convive com os objetos. para as crianças. as contradi- rael e aos superpoderosos Estados Uni. e princi- com vistas a refletir sobre novos métodos de palmente. "27 trabalho. Depois de tantos anos da Indústria e de suas propostas de caráter de proibições. alquns países: Inglaterra. percorri. para preocupar-se com o fato que nele pam de atividades especiais dos mu. ciso que os museus repensem a sua fun- clusão cultural e social.que ções refletem o poder ou o saber. programem seus ma reiterada. Mé. a paço que a recebe e a abríça. flexão crítica que ultrapassa o Museu ças que não apenas visitam. relativos às formas como brira. mas também o enriquecimento no âmbito brasileiro. base institucional. com o Poder (Político e Econômico). suas coleções. ções e a ênfase que a elas é dada. o museu.!ia teve seu desenvolvimento científico para crianças."26 É assim que a Museoíogía. é tempo de os diriqentes crianças e pessoas com deficiência. de equívocos e de inclusivo para diferentes públicos. ela orqaníza o seu pensamento métodos voltando-se também. retardado pela estreita lis. o seu as. em estu.!ens. As cole- crianças . perce- É durante suas palestras e visitas nacionais be-se a interlocução entre a teoria e a prática e internacionais que Waldisa tem contato museolóçíca e a aquda percepção em rela- com as múltiplas experiências nos distintos ção ao seu entorno sociocultural.não somente escolares . estudo das relações entre o Museu e a . nem os danifica. Itália. Neste sen- cenários da Museoloçía. busca orqanizar saberes não só no cam- refletir sobre essas possibilidades de atuação po empíríco. sobre o projeto Museu convive com eles. seus. e concebida pela pri.uma mera descrição do museu e de "Liberta.

ou ainda.) O fato museal é a relação profunda zado insere-se em uma nova semântica que entre o homem. parte da realidade. finalmente (estágio atual). segun.) Assim. Waldisa também é construído por uma prática na Rússio. e constituído pela relação como objeto de estudo da Museoíoçía o fato profunda entre o homem. no qual o objeto museali. conhece. mem em relação com o objeto (parte de compreendidos aqui como a experiência uma realidade à qual ele também partici. trabalho baseados no conhecimento tação do repertório da memória. "C . "31 mas transformações. a mentos. a autora destaca que esta se contínua evolução e todo o processo ci. a alimen. FELlPINI NEVES Sociedade e. racional. no pa e sobre a qual é capaz de interferir) . do histórico. simples função. então. para ela. sujeito que museal ou fato museolóçíco. a atividade consciente que. conexões e coerência. um conheci-mento de partida do senso crítico que elabora as cientifico que se renova e rejuvenesce comparações. o mu. quanto na reflexão sobre a relação homem/ objeto/sociedade. instrumentos operacionais de internalização. além de . do real. nico racional e sistemático. ramo específico do conhecimento do a ação humana na sociedade. vivida. cia. o co- seu.. pode relacioná-Ias materialmente. a~ora ampliou-se às relações entre o Homem e sua Herança criações abstratas. parte da realidade à qual o ho- contexto. segundo Greçorová. segundo Van Mensch.. Ao mesmo tempo. cientifico (lógico. com o auxílio da prática e do empírico. assim. histórico e social. tem o poder de agir. a qual Ciência das relações entre o Homem e a primeiro se estabelece somente com os Realidade. um processo. ANDREA M. este processo comporta qual são elaborados técnicas e procedi- vários níveis: a consciência. co abarca não somente o conhecimento téc- num cenário institucionalizado. do natural. mas com o qual será possível mem igualmente pertence e sobre a qual releituras do mundo. MARIA CRISTINA O. Mas o conhecimento museolóqíco epistemolóqíco da Museoloqía.. aí. na medida em que se Cultural. identificará a especificidade desta qual este conjunto de conhecimentos adqui- área de estudos tanto no seu caráter interdis. constitui por diferentes domínios de conhe- entífico. (. sistemático) que não dispensa sua prática. do conceitu- então não somente formular julgamento. já que terá como sujeito e objeto de estu. o conhecimento museolóqí- da qual o Homem também participa. entendido sempre em A museóloça paulista identificará. Ele deve senvolvimento do cultural. a Museoloçía constitui um ais. ou. as Já em relação ao caráter interdisciplinar transformações de uma sociedade em da Museoloqía. ou. A Museoloqía. e o objeto. a um comportamento po. BRUNO. inscreve-se entre as ciências humanas e soci. DA FONSECA. para a "Como vimos. Essa relação cimento e seus objetos de estudo. de leitura ou re-Ieitura do mundo. re um caráter processual de interdependên- ciplinar como método de pesquisa e ação. então. KÁTIA R. Ele é capaz de com- preender e de aceitar a novidade."29 nhecimento teórico das disciplinas que sus- tentam o caráter interdisciplinar da Museo- Ainda nesta construção do valor lo~ia. ponto científico anterior. Sendo assim. "'O do o nosso próprio conceito. o ho. reciprocidade. sujeito conhe-cedor e o o torna não só compreensível em si e em um objeto. momento de visão e de re-visão e da passa de um comportamento passivo. das objetos materiais. à profunda entre homem e objeto. a concentração. ajuda a construção e o de- tencialmente ativo e criativo. a Ciência do fato museoíóçíco.

"'4 a fase do museu-processo e do museu alJente modificador da realidade social. educativa e cultural a ser desenvolvida flexo da sociedade. carac. preservação e transformação do patrimônio portantes conseqüências no terreno do em herança. "'2 preservação e construção da memória social e de sua comunicação.) É preciso mudar o mundo. É preciso de propor a dinamização da instituição mu.) Está superada a fase do museu + re. pectiva das ciências humanas e sociais. inicia-se e impõe-se pela Estação Ciência. ta da Museoloçía pelos caminhos das Ciênci- Ióçícas.. essa relação dialóqíca universal. Esta inquieta-ção realimentador do processo de criação ci. tendo em vista a sua vinculação desenvolvimento que se faça em benefí- aos processos de desenvolvimento social e cio da maioria dos homens e em benefí- de conhecimento científico. os processos. ao cará- quais estão em contínua interação. co- teriza o pioneirismo de seu trabalho e a atua. respeitar a Vida. um dos inúmeros artefatos do homem. toda a exposição. o Cientista constitui o cerne do fato e do processo da atualidade. da formação profissional. entre dade de problemáticas e questões que ainda a sua dissertação e a sua tese. e esta atitude têm de estar reveladas em entífica. ele transmitir tal mensagem de vida. A sua trajetória profis- visão precursora. pela descober- rondam o cotidiano das. o Obje. morre Waldisa Rússio vítima Seus estudos e proposições. como essência da própria ação humana nos tes níveis é fundamental para a definição processos de construção das identidades e do campo de conhecimento museolóçíco da memória social. no que diz respeito à revisão dos as Sociais. museu constitui a forma mais artificial de to. que Ciência para com o Homem. é essencial à pro. A análise do conjunto da obra de Waldisa como o cantar da voz humana. poderá Rússio. "Da mesma forma. em ~rande parte ainda inédita.. podemos dizer que o plina para ensinar e aprender) e. sões do Homem e com o compromisso da to é o próprio Fenômeno Científico). concebida mana e social. É preciso realizar um seológíca. "" No dia 11 de junho de 1990. Entretanto. após uma via- ~em ao México. mas cônscio de sua responsabilidade hu- posta da Estação Ciência. sional e acadêmica pode ser balízada. que nenhum de lidade de suas idéias e propostas para a Mu.. instituições museo. versátil e "Por outro lado. bem como das ações de (Museoloçia como ciência) e leva a im. preocupa-se sim com as como cenário (no sentido antropolóçico dimensões do Homem. ambos essenciais para o País. ensino museológíco (Museoloqia en- quanto conhecimento científico ou disci. museal e rnuseoíóçíco. ter interdisciplinar do conhecimento muse- oíóçíco e à formação profissional. se preocupava com as dimen- entre Homem e Objeto (no caso. nós virá jamais a se lembrar da sua seoloqla na contemporaneidade. Se o Cientificista da Renascença.. no que "artificialidade' que. além (. ao analisar a função dos museus . afinal. mas também na ação (. à inclusão sociocultural. é a de mais concerne à inserção da Museoloqía na pers. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA disciplinas auxiliares e complementares. além de uma de moléstia cardíaca. nhecimento e emoção. portan. dimensões que se do termo) para a plena realização desse estendem para lutar em benefício de to- diálogo alimentador de memória e das as formas viventes. altamente especializado. inserem a autora na atuali. Além de "A explicação que os diferentes 'tipos' de caracterizar o cerne da ação museolóçíca conhecimento são colocados em diferen. cio de todos os seres vivos.

influenciando com do homem. Em outros ter. BRUNO. o homem e suas idéias e Cultura. portanto. O ca- ceber a Museoloçia como uma disciplina ráter reflexivo de seu trabalho tem continui- tecnicista. mente interdisciplinar. dade com aqueles que conviveram e parti- ções museais. um de seus Ieqados à Museoloçía. no sen- Além disso. pende do domínio de conhecimentos ci- sionais que desempenham diferentes papéis entíficos muito diversos. Encarou o ensino como ençajada."> 70 e 80 do século XXlevantava uma série de questões sobre a atuação dos museus na so. correspondência profícua. "O museóloço é um trabalhador uma de suas preocupações e. mas também desenvolvesse uma pecialização atual separou por completo. fazer sua revisão. procurou os cursos de Museolo. vida são sempre a verdadeira base do s:Jiada Bahia e do Rio de Janeiro. estudam o ambiente. de forma pioneira. ANDREA M. na condução da Museoloqía entre nós. Incoerente seria con. posto que o estudo seoloqia da FESP/SP. às preocupações "Quero esclarecer que neste quadro de de uma Museoloçía Social. sem a pos- Essa preocupação em definir a Museolo. o método de trabalho nos museus e cursos de formação de Sintonizada com sua época. s:Jia. Desta museolóçíco. "36 verberava em dois aspectos que coaduna- vam com seu pensamento: a sistematização Waldisa Rússio pautou a sua trajetória da Museoloqía e a formação profissional. penso ser mais uma reflexão do que um que írnpreqnaram a realidade museolóqíca princípio básico: uma reflexão que aten- paulista. sibilidade de se estender e se enriquecer. do de pesquisa e de ação da Museoloçia das proveniências. Ciência e Tecnoloqía em São Paulo. também. Na verdade. restrita ao tratamento das cole. o qual mos. ou a vida. o fato de ter se vinculado ao so global do termo. A interlocução com outras lharam de seu pensamento. ICOM possibilitou não somente que conhe. levantou museu e que faz com que o método a ser bíblíoqrafía. o homem e a Para tanto. de- suas idéias a formação de dezenas de profis. o homem. Este se reflete áreas do conhecimento poderia articular e tanto no âmbito da formação profissional. DA FONSECA. referência situarei meu trabalho. KÁTIA R. re. a década de museóíoços e funcionários de museu. pode-se afir- social".para além do caráter epístemolóçíco. dizia Rússio. explicitando as A interdisciplinaridade deve ser o méto- suas idéias para profissionais das mais varia. mar. correr às disciplinas que a exagerada es- s:Jeiros. aspirações. estabeleceu contatos e acabou utilizado em Museoloçía seja essencial- criando o Curso de Especialização em Mu. dos pressupostos da Socíornuseologia. Era profissional com diferentes formas de praçmátíca. FELlPINI NEVES em uma reforma administrativa do Estado e "O museu tem sempre como sujeito e ob- ao assumir a função de implantar um museu jeto o homem e seu ambiente. são obrigados a re- cesse o pensamento de estudiosos estran. ou. orientar as práticas museolóqícas visando quanto na sistematização do conhecimento ao desenvolvimento das sociedades. da natureza e da vida. MARIA CRISTINA O. Somente formando de maneira enqaiamento e enxergou nos museus a sin- crítica os profissionais de museus seria possí. s:Jular potencialidade para a promoção das vel colocar em prática uma Museoloçía mudanças sociais. da ao diálogo e à crítica. A sistematização da área disciplinar foi ciedade. Quando o museu e a Museoloçía. o homem como assistente técnica na Secretaria de e sua história. uma missão e conseçuíu sensibilizar os seus . forma. sem os quais ficaria fechada em si mesma. sua trajetória esteve intrinsecamente lis:Jada. e.

Cultura. Acervo SJico.II-13. Acervo São Paulo. Conceito de Cultura e sua p. Tese (Doutorado). São Paulo. 1977. Dis. São Paulo. v. 11-13. Preservação. FESPI SJia. SI data. Acervo SIG. de Estudos Brasileiros da Universidade de cialidade. O 1 de julho 1979. Acervo SIG. revelam as suas preocupações __ Alquns aspectos do patrimônio cultu- o reiteradas com equilíbrio entre preservação ral: o patrimônio industrial. Museóloqos do Norte e Norte.Instituto IEB/USP . MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA alunos para os desafios relativos a esta poten. em especial. doação de Maria Cristina Oliveira Bruno . 1984. Museus de São Paulo. 6. São Paulo. Fundo Waldisa Rússio . ARANTES.O Projeto Museoló- Suplemento Cultural. Rio ação de Maria Cristina Oliveira Bruno de Janeiro. São Paulo.1982.RPMUSP doação de Maria Cristina Oli- veira Bruno veira Bruno __ O Mercado de trabalho do museóloço o __ Formação do Museóloqo. Paulo. prometido com a vida .São Paulo.6-8. Antonio Auçusto RÚSSIO. Os seus textos refletem os contex. São Paulo. 1989.RPMUSP veira Bruno doação de Maria Cristina Oliveira Bruno · Museu. SIG. país em desenvolvimento. Patrimônio e Pre- servação. n. p. Suplemento Cultural. Paulo. Muse óloqos e __ Existe um passado museolóçíco brasi- o Formação. . Acervo SIG. O o Estado de S. SIGRPMUSP doação de Maria Cristina Oli- 7. 1979. Um Museu de Indústria para São · A interdisciplinaridade em Museolo- Paulo. I Encontro de nível de Pósçraduação? São Paulo.3. In. Suplemento Cultural. Museu: um aspecto (OrSJ. SI data. 29 jul. out. Su. Fundação Fundo Waldisa Rússio . p. Recorte. p. São Paulo.).RPMUSP doação de Maria __ Museus Nacionais: o Museu da Repú- o Cristina Oliveira Bruno blica. por o que em na área da Museoloqía. FESPSP. São Paulo. Acervo SIG. São Paulo: Brasiliense. Acervo SIGRPMUSP doação de Maria Cristina Oliveira Bruno Bibliografia Consultada: · Texto III . p. O Estado de o texto cultural. São Paulo. interrelação com o Património Cultural e a plemento Cultural. 16 dez 1979. 1986.Departamento de Museo.7-11. Cadernos Museológícos.RPMUSP doação de Maria Cristina Oliveira Bruno __ Os museus e a crian ça brasileira.Instituto de Estudos Joaquim Nabuco . 13 jan 1980.RPMUSP doação de Maria Cristina Oli. Revista de Museoloqía. Brasileiros da Universidade de São Paulo - 10SJia. Museoloçía. um projeto com- o S. n. 1985.I. 1983- patrimonial e desenvolvimento social. p. sertação ( Mestrado) FESP/SP. 1989. O Estado de __ Estação Ciência. São Paulo. São Paulo .I. __ Exposição: texto museolóçíco e con- o __ Museoloçía e Museu.59-78.Estratéglas de Construção do Patri- das orqantzações culturais num mônio Cultural. Acervo SIGRPMUSP SP. SI data. São Paulo. de Museoloqía. Waldisa. recorte. 1990. Instituto Ieíro" O Estado de São Paulo. Suplemento Cultural. Acervo SIGRPMUSP do. mas. 1980.IEB/USP tos pelos quais a museóloqa transitou.

147 S/G. Suplemento Cultural.RP Estudos Brasileiros da Universidade de São MUSP. 1989. Waldisa. Waldisa. p. Acervo S/G. São Paulo. 6-7. In: ARANTES.IEB/USP Grifos da autora 'ZI Ibidem 8 Ibidem '" RÚSSIO. 1980. que em nível de Pósçraduação? São Paulo. p. SI data. Museu. Grifos da autora museolóçíco e contexto cultural. SI data. Universidade de São Paulo . por os RÚSSIO. Museu. Acervo SIGRPMUSP doação de Maria 18 RÚSSIO. Estratégias de Construção do Patrimônio da República. Waldisa. p. Suplemento Cultural. São Paulo.RP. Museus Nacionais: o Museu de Museólogos do Norte e Norte. Waldisa. Paulo. Waldisa. São Paulo. Museoloqíe e Museu. WALDISA. Waldisa. BRUNO. São Paulo: Brasiliense. Fundo Waldisa São Paulo. 240 S/G. Acervo USP S/G. São Paulo: fESP. Um museu da indústria na Cristina Oliveira Bruno cidade de São Paulo. WALDISA. fundo Waldisa Rússio . Museoloqf a e Museu.Instituto de Estudos Brasileiros da doação de Maria Cristina Oliveira Bruno 17 RÚSSIO. 240 Paulo. p. São Paulo. doação de Maria Cristina Oliveira organizações culturais num país em Bruno desenvolvimento. 1983-1985. p. 1989. Museus de São Paulo. Waldisa. um aspecto das Bruno organizações culturais num país em 21 RÚSSIO.IEB/USP. São Paulo: fESP. São Paulo: fESP. doação de Maria Cristina Oliveira 2 RÚSSIO. Patrimônio e Bruno Preservação. Museus Nacionais: o Museu (Dissertação de Mestrado). 1989. Waldisa. doação de Maria Cristina Oliveira I RÚSSIO. SI O Estado de S. Museoloçta e Museu. data. Suplemento Cultural. Sistema da Museoloçta. 6-7. Waldisa.RPMUSP. 01 de julho 1979. Acervo S/G. São Paulo. O desenvolvimento. doação de Maria Cristina Oliveira 5 RÚSSIO.RPMUSP. Estado de S. 6-7.RPMUSP.Instituto de Bruno Estudos Brasileiros da Universidade de São 19 RÚSSIO.RP. p. SI data. 1982. Acervo Cultural.Instituto de __ Sistema da Museoloçía. Waldisa. SI o Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo . Acervo 4 Ibidem. doação de Maria Cristina Oliveira 14 RUSSIO. Acervo que em nível de Pósçraduação? São Paulo. doação de Maria Cristina Oliveira data. 1977. Grifos da São Paulo.II-13.IEBI 1979. p.IEB/USP. Acervo S/G. Acervo S/G. Acervo 3 RÚSSIO. Waldisa.Instituto de p.). formação do Museóloço por 1979.RPMUSP. 132 11-13. 22 RÚSSIO. formação do Museóloqo. São Paulo. AISJuns aspectos do Instituto de Estudos Brasileiros da patrimônio cultural: o patrimônio industrial. um projeto comprometido com a vida .MUSP. " RÚSSIO. fundo 21 RÚSSIO. São Paulo. Waldisa. O Cristina Oliveira Bruno Estado de São Paulo. O 9 Ibidem Estado de São Paulo. Acervo S/G.RPMUSP.IEB/USP. I Encontro 94 RÚSSIO. São Paulo. 11 Ibidem 1986.RPMUSP. A interdisciplinaridade em 1980. Sociais. 1977. Waldisa.RP. KÁTIA R. doação de 15 Ibidem Maria Cristina Oliveira Bruno . Paulo. SI S/G. O 1 de julho Brasileiros da Universidade de São Paulo . 31 RÚSSIO. SI data. Waldisa. São Paulo: fESP/SP. São Paulo. Antonio Augusto 20 RÚSSIO. p. Os museus e a Criança Brasileira. Rússio . Suplemento Cultural. 240 Museoloçta. São Paulo. Exposição: texto Paulo . FELlPINI NEVES Museoloçía e Ciências Humanas e 16 RÚSSIO. doação de Maria Cristina Oliveira Bruno 19 RÚSSIO. p. Museus Nacionais: o Museu (Org. Acervo S/G. Waldisa. Acervo 13 Ibidem. São Paulo. O 1 de julho 10 RÚSSIO. 13 jan 1980. Waldisa. doação de Maria Cristina Oliveira Bruno Paulo . MARIA CRISTINA O. p. fundo Waldisa Rússio . doação de Maria 12 RÚSSIO. (Tese de Doutorado). fundação da República. doação de Maria Crístina Oliveira Bruno Museoloçla. São Paulo. Waldisa. Joaquim Nabuco Departamento de MUSP. São Paulo. 133 da República. 1983-1985. ANDREA M. 16 dez 1979. um aspecto das S/G. São (Tese de Doutorado). fundo Waldisa Rússio . Suplemento Cultural. por Universidade de São Paulo . Waldisa. O Waldisa Rússio .IEB/USP Grifos da autora data. 25 RÚSSIO. AISJuns aspectos do patrimônio cultural: o patrimônio industrial.RPMUSP.RPMUSP. O Mercado de trabalho do Bruno museóloqo na área da Museoloqía. (Dissertação de Mestrado).Cultura. DA FONSECA. que em nível de Pósgraduação? São Paulo. São Paulo. Acervo S/G. formação do Museóloço. SI data. Um museu da indústria na Bruno cidade de São Paulo. Waldisa. doação de Maria Cristina Oliveira 6 RÚSSIO. 1984 S/G. Waldisa. Texto III . Estação Ciência.RPMUSP. Acervo S/G.MUSP. Museotoçia e Ciências Bruno Humanas e Sociais. Waldisa.Instituto de Estudos Estado de São Paulo.RPMUSP. fundo Waldisa Rússio . autora doação de Maria Cristina Oliveira Bruno 7 RÚSSIO.O Projeto Notas Museolóqíco. Waldisa. SI data.

Waldisa. São comprometido com a vida .RPMUSP doação de Maria Cristina Oliveira SIG. Waldisa. SI data. MUDANÇA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO PENSAMENTO DA MUSEÓLOGA Yl Ibidem SIG.RPMUSP doação. Estação Ciência. Sistema da Museoloçía. São Paulo. um projeto Bruno comprometido com a vida . Acervo SIG.RPMUSP doação de Maria Crístína Oliveira " RÚSSIO.RPMUSP doação de Museolóçtco. A interdisciplinaridade em Museolóqíco.4 RÚSSIO. Acervo SIG. Acervo Maria Cristina Oliveira Bruno . SI data. Estação Ciência. SI data. Waldisa. SI data.5 RÚSSIO. São Paulo. Waldisa. um projeto :'6 RÚSSIO. Acervo Museología. São Paulo. doação de Maria Cristina Bruno Oliveira Bruno .O Projeto Paulo.O Projeto .