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Aluno – Rafael Oliveira Sousa – Matrícula – 21113175

Professora – Marinalva Vilar de Lima

Hegel, Georg Wilhelm Friedrich

Filosofia da História / trad. Maria Rodrigues e Hans Harden.

“Entre nós alemães, a reflexão e a inteligência são muito diversificadas, e cada
historiador construiu para si mesmo a sua própria metodologia. [...] Nós, alemães, nos
contentamos com isso, mas os franceses, ao contrário, forjam uma realidade atual de
forma engenhosa e relacionam o passado às condições presentes.” (Páginas – 13 e 15)

[Nesse excerto é possível perceber que para Hegel, o centro da Historiografia do século
XIX era a Alemanha, existia nesse mesmo período um consenso entre boa parte dos
escritores alemães, que as práticas de estudo e pensamento desenvolvidas pelos mesmos
eram as mais corretas que outras desenvolvidas por demais autores, é perceptível a
crítica que Hegel tece a respeito da historiografia francesa.]

“Manifestação do pensamento de que a razão governa o mundo está ligada a uma outra
aplicação, que conhecemos na forma da verdade religiosa, vale dizer, que o mundo não
foi abandonado ao acaso e a causas externas aleatórias, mas que é regido por uma
providência” (Página – 19)

[Para Hegel, a força externa que governa o mundo, representa também a razão, destarte,
a verdade religiosa e a razão complementam-se concomitantemente, sem a existência de
um embate regido por questionamentos e refutações.]

“Explicar a história significa descobrir as paixões do homem, seu gênio, suas forças
atuantes.” (Página – 20)

[Neste excerto fica esclarecido através das ideias de Hegel, que as ações do homem,
explicadas pela História Universal, são resultados das vontades presentes no íntimo do
ser humano, dessa forma os acontecimentos são regidos primordialmente por ideias. O
dito corrobora com a ideia de Razão e “Força superior” reger o mundo, pois ambos
fazem parte do íntimo do homem, a razão resultado do pensamento e das ideias
humanas e a fé em uma “Força superior” presente na cresça do ser humano.]

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“A história universal, situa-se no campo espiritual. [...]. Como a substancia da matéria é
o peso, assim devemos dizer que a substância, a essência do espírito, é a liberdade.”
(Página – 22)

[É possível visualizar o caráter espiritual da História Universal, Hegel, ao apresentar o
caráter espiritual da mesma, afirma que a essência do espírito é a Liberdade, que ele
define como sendo fundamental nas relações do pensamento humano, Hegel a partir
deste “conceito” tece uma crítica as sociedades Orientais, onde segundo ele só um é
livre.]

“Os Orientais ainda não sabem que o espírito, ou homem como tal, é livre em si mesmo;
porque não sabem, eles não o são. [...] Entre os gregos é que surgiu a consciência da
liberdade, e por isso eles foram livres; mas eles, bem como os romanos, sabiam que só
alguns eram livres, e não o homem como tal. [...] Só as nações germânicas, no
cristianismo, tomaram consciência de que o homem é livre como homem, que a
liberdade do espírito constitui a sua natureza mais intrínseca.” (Página – 24)

[Hegel afirma, que os Orientais por não saberem da liberdade do espírito, não são livres.
Para o mesmo, as sociedades Orientais são compostas por um único homem livre, o
Déspota, que governa seu povo, Hegel, esquece que o conceito de liberdade varia de
povo para povo e de momento histórico, ele como alemão do século XIX, tende a
afirmar que somente as nações germânicas cristãs, é que tiveram consciência da
liberdade do homem, nem gregos nem romanos, foram totalmente livres, pois entre eles
existia ainda a capacidade de encarcerarem alguns semelhantes. Nesse ponto Hegel tem
razão, existia nas sociedades Orientais, na Grécia e em Roma a presença do advento da
escravidão, dessa forma nem todo homem era livre.]

“Porém, quando observa-se a história como esse matadouro onde foi imolada a sorte
dos povos, a sabedoria dos estados e a virtude dos indivíduos, perguntamo-nos
imediatamente, pra quem e para quais objetivos finais esses extremos sacrifícios foram
feitos.” (Página – 27)

[Esse questionamento de Hegel é facilmente respondido com um de seus pensamentos
“Explicar a história significa descobrir as paixões do homem, seu gênio, suas forças
atuantes.” Destarte, esse matadouro onde foi imolada a sorte dos povos, a sabedoria dos
estados e a virtude dos indivíduos, foi obra da vontade humana e de seus desejos, tudo
isso validado pela sua ideia de liberdade e razão.]

“Nada tinha haver com a causa inicial da vingança –, custando até a vida de muitos.
Isso não fazia parte da ação em si, nem tampouco da intenção daquele que a praticou”
(Página – 31)

[Ao fazer essas sucessivas afirmações, Hegel deixa claro que a determinação do homem
para cumprir dados objetivos pode levar a efeitos negativos, que o mesmo não
intencionara. Destarte o matadouro onde foi imolada a sorte dos povos, a sabedoria dos
estados e a virtude dos indivíduos fica justificado pelo falta de controle que algumas

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todo espírito é livre. da submissão dos povos. de uma constituição para esse estado.] “O homem livre não é invejoso. Hegel de forma implícita diz que o estado é o reflexo da família. ou seja. somente ao seu inimigo.” (Página – 34) [Ao afazer tal afirmação. como tal. pois o homem Ocidental é um homem livre. representa o ideário de liberdade presente no espírito. longe disso. onde a família mostra-se regida pela figura masculina. são objetivamente morais. De forma análoga a situação Oriental nos é apresentado os gregos e os romanos. recebemos ilustrações da liberdade dos povos.] “O estado é a ideia moral exteriorizada na vontade humana e liberdade desta. segundo a ótica Hegeliana.3 situações provocadas pelo homem se reveste. a intenção de Hegel é mais uma vez fazer comparações abruptas entre o Ocidente (em especial a Alemanha) e o Oriente. o cerne da História Universal. semelhante à instituição do estado. espiritualmente livre.” (Página – 39) [Tendo em vistas que a História Universal situa-se no campo espiritual. o mesmo se alastra e incendeia as demais. Ao mencionar que o estado deve ter o maior respeito a instituição da família. de onde se recebe as ilustrações da liberdade dos povos.o homem não intencionava prejudicar todos.] “Na história universal só se pode falar dos povos que formam um Estado. comandada pela figura masculina. e rejubila-se de que algo assim exista.” (Página – 46) [Hegel apresenta um Oriente patriarcal. gosta de reconhecer o que é grande e sublime. a falta de liberdade. mas difere em um único ponto.” (Página – 42) [Hegel valida a ideia de um estado patriarcal a partir do comportamento familiar. a partir desse pressuposto Hegel afirma que a História Universal só pode abordar povos que formem estados.] 3 . tentando de qualquer forma descredenciar a figura do Oriental. ou seja. pois esse patriarcalismo Oriental é baseado no despotismo. Dos gregos e romanos.] “Do Oriente são-nos transmitidas belas imagens da situação patriarcal. Hegel tenta mostrar que o Oriental é um povo dotado de inveja. a mesma só pode abordar e tratar de povos que formam estados. pois o mesmo não é livre. como ele afirmara anteriormente. do governo paternalista. Pois o estado é a expressão máxima da liberdade. e a mesma é o cerne do espírito. destarte o homem Ocidental preza pela criação do estado.” (Página – 45) [O estado representa a vontade humana. como seria o caso de um incêndio provocado para atingir uma casa de um inimigo de algum homem. onde Hegel afirma existir e prevalecer à submissão do povo.] “O estado deve ter o maior respeito pela família: é graças a ela que ele tem como seus membros indivíduos que.

apenas este possui a liberdade – e só por ser pensante. não só do ponto de vista daquele resultado intrínseco do qual eles não tinham consciência. Ao mencionar que o progresso surge como um avanço do imperfeito.” (Página – 59) [Hegel negligencia. representadas em séculos e milênios. e com elas a claridade de sua conscientização. nem tampouco da intenção daquele que a praticou”. a marcha gradual. pois. mas sem os documentos históricos (escritos) produzidos por um estado não se pode ter a comprovação de tais fatos. o cerne da História Universal. o que não o é. porque não apresentam narrativa subjetiva.] “As ações dos grandes homens. do espírito livre do homem. essa evolução trilha um caminho que leva ao estado. pois como o mesmo não é 4 .4 “A história universal representa.] “As épocas que transcorreram para os povos antes da história escrita. desenhos.] “Como o animal não pensa. Hegel afirma que existe sempre a busca pela mudança. destarte é livre. justificam- se. mas nós não os temos porque eles não puderam existir. aqueles que lideram revoluções e guerras. Isso não fazia parte da ação em si. são justificadas não só a partir do ponto de vista das ações que eles causaram sem a intenção. ou melhor. ornamentos podem ser utilizados na pesquisa histórica. o homem busca sempre o aperfeiçoamento.] Na existência real. o progresso surge como um avanço do imperfeito para o mais perfeito. podem ter sido cheias de revoluções.. como foi exemplificado outrora no excerto: “Nada tinha haver com a causa inicial da vingança –. [. como o próprio Hegel. pois para ele só o estado e seus documentos são fontes históricas. custando até a vida de muitos. Hegel tenta passar o lado animalesco do povo Oriental. Mais tarde a escola positivista cometeria o mesmo erro.” (Página – 55) [Esse excerto trabalha a questão da evolução. ou seja. Hegel afirma que só os documentos escritos podem ser fontes históricas. o erro de identificar a história com a história política. migrações e transformações muito violentas. manifestação da liberdade do espírito. Apenas no estado. destarte tais ações humanas são justificadas também pela ótica secular. como também do ponto de vista secular. o mesmo diz que nas civilizações sem escrita inúmeros eventos como migrações e revoluções podem ter ocorrido.. conferindo a capacidade e mostrando a necessidade de registros duradouros. com a consciência das leis. exclui a historiografia das sociedades ágrafas. portanto. mas não têm história objetiva. a denomina.” (Página – 63) [Hegel afirma que as ações dos grandes homens. uma evolução em direção a consciência da liberdade. para justificar essa sua afirmação. a marcha gradual da evolução do princípio cujo conteúdo é a consciência da liberdade.” (Página – 65) [De forma indireta. pela modificação. que são os indivíduos da história universal. ocorreram as ações claras. Não é que os documentos dessas épocas tenham desaparecido acidentalmente. só o homem. peças de roupas. narrativa histórica. ao afirmar que como o animal não pensa só o homem.

onde inicialmente o mesmo afirmara que só os germânicos tiveram a primeira noção de liberdade de todos os homens. “Só as nações germânicas. onde o mesmo diz: “Quando as necessidades imediatas são satisfeitas. ou seja.] “Inicialmente. irrefletido.” Destarte nessas regiões muito extremas as necessidades imediatas nunca são satisfeitas. e comer carne humana é considerado algo comum e permitido.] “A tirania não é considerada uma injustiça. em si e por si. pois a essência humana é a liberdade. pois os hábitos culturais não podem ser comparados.] “A escravidão é. Hegel. injustiça. Hegel por fim. destarte é mais viável esperar o homem amadurecer que abolir de forma abrupta a escravidão. elege como sendo as áreas temperadas como sendo as propícias para o desenvolvimento da História Universal. onde a prática do escravismo era comum. no cristianismo. onde a ótica da formação de um estado deve vir anexada a uma constituição. onde os seus componentes são denominados assim por ele de Negros. para ele a Europa central era o palco da História Universal. Hegel afirma que para chegar ao patamar da liberdade o homem necessita amadurecer. Essa visão hegeliana mostra-se preconceituosa e ofensiva para com os Orientais. verdadeiramente tal comparação tornar-se-á impossível. ele exclui tais áreas pois as mesmas são impróprias para um total desenvolvimento do homem. e toda evolução dessa consciência é um reflexo do próprio espírito em oposição ao caráter imediato. da natureza.] “Então só poderia existir uma ligação deles com o resto da história se esses povos fossem buscados e pesquisados por outros” (Página – 90) 5 . pode ser comparado a um animal em termos de liberdade. devemos apontar as condições naturais que devem ser excluídas de uma vez do grande drama da história universal: as regiões frígidas e tórridas não são o solo propício para os povos históricos.5 livre. cercada apenas por influências naturais. também elabora uma crítica ao modelo tirânico.” para trabalhar o contexto de escravidão ele transfere-se para as civilizações africanas.” (Página – 73) [Hegel elege as regiões frigias e tórridas como sendo áreas impróprias para o desenrolar da História Universal. Hegel disserta sobre as sociedades africanas fazendo comparativos com a ótica Ocidental européia. pois a consciência que desperta surge. e é só com esse amadurecimento que se cessa a escravidão. tal crítica esta validada e baseada em estados Europeus. como é o exemplo da antropofagia.” (Página – 85) [Nesse excerto Hegel tece uma crítica as sociedades africanas. o homem volta-se para o universal e superior. O ser humano fica quase que sempre voltado para a natureza buscando sua sobrevivência. ou despótico de governo. Hegel justifica suas ideias a parti do pensamento de Aristóteles. tomaram consciência que o homem é livre como homem.” (Página – 88) [Hegel disserta sobre a escravidão a partir da ótica germânica. inicialmente.

e consistia dessa forma em um dos palcos onde atuava a História Universal. pois a Europa é o fim da história universal e a Ásia é o começo. a Europa é considerada por Hegel como o palco final devido à consciência da liberdade presente nas civilizações Ocidentais (européias). ou seja. pois o mesmo diz anteriormente “A história universal é o progresso na consciência da liberdade”.] “A história universal vai do leste para o oeste. e como a sociedade analisada faz parte do continente africano.6 [Nesse excerto vemos que Hegel reafirma que as sociedades sem estado não podem está na linha da História Universal. destarte segundo Hegel a História Universal se manifesta inicialmente nas possessões asiáticas e finda sua atuação no palco europeu. possuidor de constituição e onde “todos” têm consciência da liberdade do homem. ele retorna à unidade consigo.] 6 . pois em seus povos está presente a razão divina. Hegel afirma que o conceito de liberdade está presente nas civilizações Ocidentais.. o povo que vem estudar são os Europeus. o mundo germânico representava a forma absoluta da maturidade. induz-se que o modelo de governo é despótico. mas não está presente a consciência de liberdade. em especial aos germânicos cristãos. esse povo segundo Hegel. em seu caráter totalmente desenvolvido como espírito. e neste caso determinado.históricas da Ásia: a Ásia alta – na medida em que os nômades não penetram no solo histórico – e a Sibéria..] “As partes a . a Ásia é o início. pois a nação germânica que Hegel se refere é um estado formado.] a velhice do espírito é a perfeita maturidade e força. destarte. como o mesmo já mencionara anteriormente “A história universal representa..] “Então se apresenta o mundo germânico [. sem constituição. nesse a Ásia alta corresponde às regiões próximas e a Índia e a Sibéria a área mais gélida do continente. a razão de uma força superior. Portanto para a mesma se inserir na história é necessário que outro povo venha e o faça. que tiveram consciência da liberdade do homem em si. Por isso o mesmo afirma que a Ásia é o início da História Universal e a Europa o fim. que outro povo venha e estude tal sociedade.” (Página -100) [Pode-se ver que Hegel retoma a questão climática relacionado ao desenvolvimento da História Universal.” (Página – 97) [Nesse excerto vemos que para Hegel.” (Página – 93) [Ao fazer tão categórica afirmação. nela.] correspondente a velhice [. ou seja. Hegel mostra o caráter de evolução presente na História Universal. esta mesma só se apresenta nas civilizações européias. a liberdade. e tais áreas ele taxa como sendo a – histórica. o mundo germânico já chegara ao auge do espírito. destarte para Hegel tal sociedade não está no palco da História Universal. a marcha gradual da evolução do princípio cujo conteúdo é a consciência da liberdade. pois.” Destarte. ele destaca locais em que as condições naturais são adversas ao desenvolvimento humano.. figura no palco da História Universal.

tendo em vistas que suas ordens e pedidos eram acatados por todos. negativos. tal descrição é seguida por uma análise baseada na ótica européia. onde o mesmo não buscava “vê-lo antes da hora”. ou seja. e para o qual tudo retorna. é o que os chineses procuram deduzir e alcançar pelas mágicas. ao mencionar que o bem estar do povo depende do imperador.] “São ídolos horríveis. (Página – 117) [Hegel direciona sua crítica para as estátuas veneradas pelos chineses. para o Ocidente o destino era resguardado por uma força superior. horríveis. tendo em vistas que a família patriarcal é base para um governo em mesmo molde.] 7 . pois desrespeita a cultura de outros povos. ou antes. por não existir o real interesse científico.] “Joga-se uma quantidade de varetas para o ar e pela forma como elas caem. a partir de um governo patriarcal. pois nada de espiritual está representado neles. tal complexidade é tida por ele como sendo fator de dificuldade no desenvolvimento da ciência na China.” (Página – 113) [Nesse excerto vemos que o império chinês era regido pela figura do imperador. revelando assim a sua falta de espiritualidade. os chineses não possuem nenhum instrumento melhor para a reparação e a comunicação do pensamento. que o imperador é o centro em torno do qual tudo gira. a estrutura familiar é refletida na estrutura governamental chinesa.” (Página – 118) [Nesse excerto Hegel descreve a forma de como os chineses previam o seu destino. o que a ótica Ocidental não permite. vê-se que o bem-estar do país e do povo depende do imperador. destarte Hegel mostra-se preconceituoso e a certo modo irracional. a ótica que o mesmo utiliza para fazer tais afirmações estão baseadas no estilo de arte européia.” (Página – 118) [Hegel direciona sua crítica para a complexidade da escrita chinesa. Tal prática cometida pelos chineses era baseada no acaso. mas a própria atitude de se fazer tal prática. que não chegam a ser objetos de arte. Hegel deixa implícito que na sociedade chinesa todos eram iguais abaixo da figura do imperador. irmãos mais velhos e irmãos mais novos e a mãe como a eterna conselheira. destarte o mesmo verdadeiramente era responsável pelo bem estar social da China. a ordem de respeito dava-se entre pai e filhos. análoga do modo artístico chinês.] “Já a natureza da linguagem escrita é um grande obstáculo para o desenvolvimento das ciências. Um contexto natural. de forma mais abrupta Hegel chega a afirmar que a existência de escrita tão complexa seja resultado de eminente desinteresse desse povo pela ciência.7 “Depois de tudo isso esclarecido. não só pelo modo de como os chineses buscavam prever seu destino. dessa forma Hegel os taxa de sem espiritualidade. prevê-se o destino. O que para nós é acidental. Esse poder presente na figura do imperador reflete-se na família chinesa. a ordem de respeito familiar repete-se no império. ou melhor. são apenas assustadores.

”. bondade paternal e carinho ao povo.” (Página – 123) [É possível visualizar que Hegel afirma que a sociedade indiana e chinesa permaneceram fechadas ao longo dos séculos. essa frase carregada de inveja.] Eles também descobriram a pólvora antes dos europeus. que acabou sendo explorado pelos jesuítas que foram os responsáveis por fundir os primeiros canhões. Hegel utiliza como exemplo a pólvora.” Corrobora.] “A Índia. a que está ligada a maior das superstições.. uma das invenções chinesas até hoje muito conhecida. gosta de reconhecer o que é grande e sublime. atingindo o mais perfeito desenvolvimento para dentro de si mesma.] Os chineses são muito orgulhosos para aprender algo dos europeus. apesar de antigamente terem se destacado nessas áreas. e acredita ter nascido só para puxar o carro do poder da majestade imperial. o imperador. longe disso. tal tentativa atinge seu ápice quando Hegel afirma que os chineses se recusam a buscarem auxilio com os europeus.. um espírito não livre. Eles conheciam muitas coisas que os europeus ainda não tinham descobertos. apesar e frequentemente terem que reconhecer a superioridade dos últimos. denota o caráter espiritual do povo chinês. dessa forma podemos ver que o preconceito e a análise baseadas nos costumes europeus do século XIX permeiam os discursos hegelianos. Se é possível chegar a tal afirmação baseando-se no que o próprio Hegel mencionara “Acredita ter nascido só para puxar o carro do poder da majestade imperial. é uma formação ao mesmo tempo antiga e presente. só possui os piores sentimentos para consigo mesmo. onde só um é livre. uma sociedade sem liberdade.] “O imperador sempre fala com majestade. física e astronomia. Hegel em todo tempo busca depreciar o desenvolvimento e as práticas cientificas presentes na sociedade chinesa. e rejubila-se de que algo assim exista. mas não souberam utilizar ao máximo os mesmos.. ao analisar o funcionamento do 8 .. que é o que ele faz quando afirma que a medicina é uma prática empírica baseada ou ligada as superstições.” (Página – 121) [Esse excerto corrobora o que outrora fora dito por Hegel “O homem livre não é invejoso. Por fim Hegel conclui seu objetivo que é tentar sobrepor a Europa perante as civilizações Orientais. mas não souberam usufruir desses conhecimentos. um dos principais é o petrificamento/engessamento que essa sociedade possui devido ao sistema de castas. mas o mesmo busca não negligenciar a historicidade do Oriental e menciona que os chineses já dominaram de forma excelente tais conhecimentos. pois afirma e dá embasamento que o povo chinês não é livre. mas foram os jesuítas que fundiram os primeiros canhões. destarte.. que por sua vez. [. mas apenas como algo empírico.” (Páginas – 120 e 121) [Hegel inicia seu pensamento afirmando que os chineses estão atrasados nos conhecimentos concernentes a matemática. mesmo esses últimos sendo superiores. que permaneceu estática e fixa. como a China.8 “Os chineses estão muito atrasados nos conhecimentos de matemática.. [. no caso da Índia. esse fechamento é propiciado por vários fatores. mas afirma que apesar de tal domínio os chineses não souberam aproveitar seu potencial.] Também a medicina é praticada pelos chineses. física e astronomia. [.

(Páginas – 126. Essa visão hegeliana a respeito dos impérios asiáticos ganhou força e se perpetuou não só na Ásia. só depois da segunda metade do século XX é que essa ideia perde força e os movimento reacionário a essas dominações ganham mais impulso. Como exemplo dado para essa dominação asiática pela Europa. as práticas infanticidas. podendo ascenderem a vida eclesiástica. Seria impossível estudar a sociedade indiana utilizando como parâmetro um Europa de século XIX. manejar a alma como tal e fazê-la surgir livre... 127 e 129) [Nesse excerto vemos que Hegel retoma a questão do petrificamento/engessamento social presente na sociedade indiana. [.] 9 . [.] Todos tinham liberdade de passar para a classe eclesiástica. desse modo ascender “financeiramente” e espiritualmente na sociedade indiana torna-se uma missão quase impossível. os indivíduos estavam ligados a uma determinada classe. agora considerada mais uma possessão do império inglês. por ser o contexto a qual Hegel estava inserido.] “É o destino inevitável dos impérios asiáticos serem subjugados pelos europeus. esse sistema indiano representava nada mais nada menos. a mesma não compreende as manifestações espirituais e culturais de uma Índia governada pelas castas. que Hegel menciona. compreende-se o desenvolvimento para dentro de si.] No feudalismo da Idade Média. as políticas expansionistas eram validadas por um estado militarista. onde apesar da servidão todos eram livres espiritualmente e iguais perante Deus.] “A moral que reside no respeito à vida humana não existe para os hindus. que é o que Hegel faz e acaba reincidindo no erro.] “Como na vida orgânica..9 sistema de casta indiano. essa mentalidade centralizadora é bastante forte no pensamento europeu do século XIX. ela se petrifica e se solidifica. mas na África como um todo. e a China.” (Página – 131) [Esse discurso preconceituoso de Hegel é baseado em uma ótica de humanidade européia e cristã. terá também que se submeter a esse destino. ele vai mais além da questão social/material. cedo ou tarde.” (Página – 125) [Para Hegel o destino dos impérios asiáticos era que todos eles sucumbiriam ao domínio europeu. que um atraso. Análoga a questão dos hindus Hegel expõe a realidade feudal do medievo cristão. São fatores culturais que devem ser respeitados. os afogamentos no Ganges entre outras práticas culturais somente explicadas pela ótica cultural da sociedade indiana. a servidão espiritual. Hegel destaca o mandato britânico na Índia. neste caso destaca-se o alemão. condenando com sua firmeza o povo hindu à mais humilhante servidão do espírito. mas para um europeu do século XIX com a visão ainda eurocêntrica.. e afirma que o povo hindu foi submetido à mais humilhante servidão. atitudes de mulheres que colocavam fogo ao próprio corpo com a morte do marido ou do filho. Ao mencionar que os hindus não tinham respeito à vida humana Hegel buscava criticar as práticas comuns de sacrifícios presentes nessa sociedade.

” (Página – 141) [Hegel transmite a falsa ideia de que tal civilização só pode ter história se a mesma for estudada por outras. Quando se é mencionado que quanto mais humilde for uma casta menor serão suas regras de conduta. Tem-se que analisar a partir de que ótica Hegel tece tal crítica.. o grande abrir caminho para a Índia. mas o que vemos é uma tentativa de sobreposição do discurso histórico “predominantemente europeu” sobre o hindu.” (Página -143) [Esse excerto faz alusão a Índia como terra dos sonhos. destarte poderá compreender a visão do mesmo.] “As fontes mais antigas e seguras da história hindu são. ou por termos próprios da cultura). a crítica está também 10 . depois de Alexandre.. menos regras ela tem que observar. quer seja por preconceito ou pela dificuldade de compreensão (seja pela língua. os mesmos se voltariam para obedecê-las. pois Hegel afirma que nesse mundo não existe nenhum objeto real “bem-delimitado”. que vieram. para evitar um “contágio” das castas mais elevadas. dessa forma a desvalorização da vida humana mostra- se um desrespeito e algo inaceitável. como significação para a consciência sensata. isso seria proposital. mas negligencia a fome de peregrinos. que não possa ser trocado por seu oposto.] Em contrapartida. esta comparação serve de base para a crítica hegeliana a respeito do caráter humano presente no povo indiano. pela força da imaginação. não se encontra em todo país uma única instituição para pessoas doentes e idosas. os registros de escritores gregos.” (Página – 137) [Nesse excerto Hegel compara o valor da vida humana a vida de um animal. neste caso aborda-se a segunda interpretação.. como sendo tais escritos os mais dignos de confiança e segurança. que tem duas interpretações. portanto. ironicamente Hegel taxa de incapaz os indianos de fazerem sua própria história.” (Páginas – 133 e 134) [Hegel direcionará a sua critica mais uma vez para o petrificamento/engessamento social causado pelas castas indianas.10 “O amor entre uma casta mais elevada e uma mais humilde é expressamente proibido. terra dos sonhos como algo desejado e disputado e terra dos sonhos na figura da fantasia. mas.] “Característico da humanidade hindu é que ele não mata nenhum animal.. onde o mesmo não seria capaz de matar se quer uma formiga.] Quanto mais humilde. deixa morrer de fome peregrinos. [. onde Hegel afirma que na mesma não existiam leis que regulamentavam os casamentos. Tais discursos são voltados sobre o estudo da civilização indiana. mantém bem equipados os hospitais para animais. Neste caso o mesmo destaca os estudos feitos pelos gregos que acompanhavam Alexandre em suas incursões militares sobre território indiano. pois com maior quantidade de regras. destarte. indiferente.] “No mundo hindu não existe nenhum objeto que seja real e bem-delimitado. esse mesmo exemplo será mais a frente retomado na análise da sociedade persa. [. O hindu não pode pisar em formigas. Hegel negligencia as produções culturais e historiográficas do povo hindu.

ao mencionar que na Pérsia a luz é para todos/nasce para todos.] “Os mongóis. que se espalhavam por toda a Ásia central até a Sibéria. que só conseguiram aumentar o sectarismo entre sua sociedade. essa atitude busca validar sua teoria de sucesso dos povos que cultuam o lama...” (Página – 149) [É característico de Hegel. mas sim com o que seria mais europeu no continente asiático (Oriente). desde as castas até a surrealidade deste mundo.. que era o modelo de estratificação predominante naquela sociedade.] Ele é mais concentrado em si mesmo. que a partir de uma observação mais profunda vemos que Hegel os coloca como centro de origem dos atrasos e problemas indianos.] “As nações da Ásia Menor têm raízes caucasianas.. que se manifesta em todos os traços da sociedade. ao fazer tal análise (parcial..] Veneram o lama. ou seja.] Ao atravessar o Indo ele. ao dizer “Chegou o momento de abandonar o Estado-sonho que caracteriza o espírito hindu. encontra neste último império. Os mongóis demonstram um estabilidade e uma vida patriarcal. o Budismo e o Hinduísmo..11 direcionada para os cultos hindus. uma afinidade não com o que seria a Pérsia. [. este ponto é a estabilidade política e sucesso das nações que seguem a prática religiosa do budismo.] A luz não faz distinções. o maior dos contrastes.” Hegel valida às práticas budistas dando chancela as mesmas através da “negação” ao hinduísmo. origens européias. e para todos difunde igual bondade e prosperidade. ou seja.. para superiores e inferiores. [. o que pela ótica hegeliana só foi possível graças ao culto do lama.” (Página – 145) [Hegel mais uma vez direciona sua crítica ao estado de sonho que ele diz está presente no íntimo do povo indiano. sua religião é mais simples e sua situação política mais calma e comedida.] Enquanto no primeiro país ele ainda se sente como que em casa. onde os membros 11 . e a essa adoração está ligado um estado político simples. destarte ele busca assimilar características européias na sociedade persa.. a esta última Hegel atribui o seu “atraso” ao petrificamento/engessamento social causado pelas castas. diferente dos hindus e suas divindades. [. européias [. uma vida patriarcal. o sol nasce para justos e injustos. sucesso este “disputado” na ideia de Hegel pelos hinduístas e os budistas.. figura que vagueia na forma mais dispersa em todas as formações naturais e espirituais. como são quase todas as análises hegelianas) ele localiza mais um ponto para desqualificar o hinduísmo.] “Chegou o momento de abandonar o Estado-sonho que caracteriza o espírito hindu. para fazer tal crítica ele faz agora à comparação entre as duas distintas religiões. é notório que Hegel destacou que o império persa era composto majoritariamente por pessoas de raízes caucasianas.” (Página – 147) [É possível ver que Hegel demonstra o sucesso e estabilidade dos mongóis em suas conquistas.. Hegel faz mais uma vez alusão com a Índia. Essa afinidade com os persas não se repete com os chineses e muito menos com os indianos. [. ele analisa politicamente a situação dos povos que seguem o budismo como prática religiosa.

Referindo-se a religião indiana. com um pé no próprio território no exterior. seus costumes diretos. destarte ele aproxima ainda mais estes dois mundos. um sopro do espírito. as mesmas eram administradas pelos sátrapas que prestavam obediência ao grande imperador.” (Página – 152) [Nesse excerto pode-se ver mais uma vez as comparações sistemáticas entre a Pérsia e a Índia. pois de acordo com as observações de Hegel. ao mencionar que a sociedade persa não tinha nenhuma restrição de casamentos. o rei era amigo e vivia como um 12 . férteis e exuberantes.12 das castas mais inferiores vivem nas sombras dos demais. tendo. apesar de dependentes entre si.. um povo montanhês e nômade livre. mas individuais culturalmente. foi o caso de Alexandre O grande. o de Carlos Magno (768 – 814). [. essa atitude é análoga a da dos persas. vem ao nosso encontro a pura representação persa. a intenção de Hegel ao “fazer ressurgir” essas satrápias é compará-las com as possessões “submissas” ao império de Napoleão (1799 – 1814) e ao antigo império alemão. [.] Não encontramos castas. pois diferente do hinduísmo.] Ao contrário da infeliz escuridão do espírito dos hindus. Para Hegel o elemento espiritual mais elevado em toda pérsia era o povo Zenda. Hegel ao mencionar que o império persa era formado por muitos estados dependentes entre si. se é interessante destacar que ele menciona riqueza exterior. mantido traços de seu antigo modo de vida. o napoleônico e o germânico. mantiveram sua própria individualidade. dominavam as terras mais ricas. e que não existem proibições de casamento entre diversas classes.” (Página – 159) [Nesse excerto pode-se ver que Hegel compara o império persa a antigos impérios europeus. a crítica de Hegel está fortemente atrelada ao petrificamento/engessamento da sociedade indiana. transformou a Babilônia em capital do seu império.. que eram possessões de terra que compunham o império persa.] “Os persas. muitos reis nutriram interesses por uma delas.. todavia. fazendo alusão à riqueza passageira aos tesouros dessas cidades. Hegel a chama de infeliz escuridão que se contrasta com pureza da representação persa.] “As leis e instituições desse povo trazem a marca da simplicidade. levando-se em conta o pensamento hegeliano sobre a índia “A luz não faz distinções”. da abundância e do comércio. Zoroastro abençoa a todos sem distinção. ele faz “ressurgir” a figura das satrápias e dos sátrapas. só classes. Hegel de forma indireta faz alusão ao sistema de castas indiano que somente permitia o casamento entre indivíduos do mesmo círculo social. ou seja. constituído por muitos estados que.” (Página – 155) [Hegel destaca a opulência financeira das cidades da Babilônia e Assíria.. o zoroastrismo não possui restrição.] “O império persa é um império no sentido moderno – assim como antigo império alemão e o grande império de Napoleão –.] “Na Assíria e na Babilônia encontramos o elemento da riqueza exterior. Em seu território. que nela se da unidade substancial da natureza.

” (Página – 160) [Hegel nesse excerto retoma a questão do “Fundamento Geográfico da História Universal”.] “A história torna-se. mais anteriormente fora à indiana e agora a que sofre a crítica é a escrita hieroglífica dos egípcios. porque não alcançaram a compreensão de si mesmos. Falta uma obra nacional da língua.13 deles. diante das ruínas de Cartago.] “O império persa se foi. porque se baseia em relatos gregos. os pensamentos e as ideias dos egípcios foram expressos. fica claro que os mesmos estavam presentes no palco da História Universal. destarte forma o povo egípcio possui sim.. e o que resta dos mesmos é a lembranças de seus feitos ou a repulsa de seus atos. mas também para os próprios egípcios. essa é a antítese dos impérios. [. destarte ao dizer que os persas habitavam terras férteis e ricas. verdadeiramente Hegel estava correto em sua afirmação.” (Página – 167) [Hegel defende a „tese‟ da transitoriedade dos impérios. que vivia entre os seus súditos e os presenteava no lugar de ser presenteado. tão potente e rica?”. Hegel menciona que o rei persa era figura amiga. é notório que ele negligencia um fato histórico de grande importância. Hegel afirma que falta a historiografia egípcia uma obra na língua local que traduza os pensamentos e ideias de tal povo. não apenas para nós. de Persépolis ou de Roma. mais precisa. diferente do afirmado por Hegel. traduzida em 1822. pois o petrificamento/engessamento social que existia na Índia impedia esse contato entre súditos e “realeza”. a partir daqui. não foi levado a reflexões sobre a transitoriedade dos impérios e dos homens. textos que transmitam seus pensamentos em sua língua nativa. nesta pedra encontra-se um decreto promulgado por Ptolomeu V. os hindus não eram “beneficiados” com a igualdade. de Palmira.] “Pelas construções e hieróglifos. a se lamentar pela perda dessa vida de outrora. pelo francês Jean-François Champollion. ao fazer tais menções ele compara mais uma vez à Índia com a Pérsia.” (Página – 168) [Neste excerto percebemos a crítica direcionada para a escrita Oriental.] Levava-lhes presentes enquanto em todas as outras nações eram eles que tinham que presentear o rei.” (Página – 170) [Hegel reafirma a ideia de incapacidade da produção historiográfica por parte de algumas civilizações Orientais.. se assim posso dizer. os impérios são transitórios. que foi a Pedra de Roseta. o excerto que se seguirá agora demonstrará a ideia dessa transitoriedade: “Que viajante. pois de maneira análoga a situação que ocorria com os persas. e tudo o que restou dele foram tristes ruínas de sua glória. tal visão é corroborada neste excerto “Então só poderia existir uma ligação deles com o resto da história se esses povos fossem buscados e pesquisados por outros” no caso acima o outro que torna os relatos do antigo Egito 13 . Eles não puderam ter. onde o mesmo afirma que as condições climáticas são fundamentais para o desenvolvimento da História Universal.

] “A morte. bem em meio a estupidez africana. destarte pode-se afirmar que a causa para o sucesso egípcio e o declínio indiano (como assim dizia Hegel) foi a flexibilidade do modelo de castas em cada uma dessas sociedades. todavia. mas o mesmo tenta não cai em contradição com o que ele disse anteriormente neste mesmo livro sobre o continente africano. gregos. que originalmente eram pastores. eles preferiam deixar seres humanos morrer de fome a matar os animais sagrados ou consumir os alimentos destes.] Encontramos israelitas.” (Página – 178) [A critica agora é direcionada a zoolatria. destarte se tornaria algo impensável a um egípcio matar um gato e a um indiano uma vaca. ao destacar que existiam no Egito pastores sendo artesão e artesãos sendo guerreiros. empregados como artesãos. tanto egípcios como hindus veneravam animais considerados por eles sagrados. não eram tão rígidas como as dos hindus.] “Os egípcios. Hegel mostra essa flexibilidade aparente. mas com um sistema de estratificação social semelhante. a veneração de animais. Hegel questiona o conceito de humanidade de ambos os povos. portanto. e os filhos sempre assumiam a profissão e os negócios dos pais.. são europeus. em continentes diferentes.] “Assim. mas exalta a “estupidez” do povo que habita aquele continente. bastante difundida no antigo Egito. a crítica de Hegel aborda duas civilizações distintas. Hegel anteriormente já havia feito tal crítica para com os indianos.... cabendo ao leitor tira-la das entrelinhas.14 confiáveis e plausíveis.. estavam divididos em castas. o alvo dessas comparações é o sistema de estratificação social bastante conhecido no mundo indiano. com a mesma essência e com o mesmo fulgor. ele a partir dessa semelhança começa a dissertar sobre o porque as castas indianas levaram sua sociedade a um atraso gigantesco e o mesmo modelo adotado pelos egípcios não cometeram tal erro. Hegel busca concordar. Destarte Hegel estimula a crença em de uma historiografia plausível e confiável aquela feita por outro povo que não seja o Oriental. para ser mais exato. formou um exército só com artesãos.. a partir dessa atitude. as castas.] A hereditariedade não resultou em desvantagem como na Índia. e um rei como já foi dito.” (Página – 172) [Neste excerto Hegel justifica a afirmação contida nas obras de Heródoto sobre a sapiência dos egípcios. [. em períodos de privações. [. a respostas para essa pergunta Hegel deixa implícita. nesse caso o outro povo na maioria das vezes é europeu.] As ocupações.” (Página – 182) 14 . era para eles muito mais uma chamado para desfrutar a vida. mas era aceitável deixar padecer por fome peregrinos e os necessitados.” (Página – 172) [Hegel faz comparações da civilização indiana com a egípcia.] “Também nos surpreende encontrar entre eles. ele concorda. assim como os hindus. [.

15 [Hegel analisa ideia de morte na sociedade egípcia. e a passagem histórica surge quando o mundo persa entre em contato com o grego.. porém tornou-se uma província do grande império persa. tais jogos foram denominados de Olimpíadas. Helios.. Oceano.] “Esse é o início subjetivo da arte grega. através de hieróglifos e ilustrações ele chega à conclusão que a morte era um convite para o egípcio desfrutar da vida. sem inveja ou má vontade.” (Página – 184) [Nesse excerto vemos mais uma vez a ideia de transitoriedade dos impérios. [.] Os gregos entregaram aos romanos o cetro e a cultura. como era o caso da Índia e do Egito.] Nem por necessidade expressa de um governo legal. gregos por romanos e por fim romanos por germânicos. mas sim pela necessidade de manter-se unido e de obedecer ao senhor que está acostumado a mandar.. sobre essa transitoriedade. mas sim pela necessidade de manter-se unido e obedecer ao senhor que está acostumado. em habilidade vigorosa. mas sobre todos os outros impérios que ainda estão de pé. pois de toda e qualquer forma todos chegariam a esse caminho inevitável. e os romanos são subjugados pelos germanos.” (página – 204) [Nesse excerto destaca-se o culto corporal grego. mais forte em algumas cidades da hélade que em outras..” (Página – 194) [Hegel faz mais uma vez alusões sistemáticas ao sistema de governo e de castas presentes em algumas civilizações Orientais. Hegel referia-se aos Orientais. Selene. a „efemeridade‟ do poder..” (Páginas – 205 e 206) 15 . ao analisar o modelo de governo. onde o homem exercita o seu corpo em movimento livre e belo. pois em capítulos anteriores o mesmo havia afirmado que os povos que não são livres. onde devido ao ideal militarista era íntimo dessa sociedade prestar culto ao próprio corpo. a busca pela perfeição levava muitos pais a cometerem o crime de infanticídio quando a criança apresentava alguma má formação que o impedia de ser aceito socialmente. tem a inveja e a má vontade ligadas a si. não por estarem subjugados numa relação patriarcal. que têm significação espiritual e são espírito. persas por gregos. mas tais alusões não são de maneira depreciativas. etc. egípcios foram englobados por persas. ele finda dizendo que os gregos obedecem a tal príncipe sem inveja ou má vontade.] Zeus surge como o líder dos novos deuses.] “Os titãs são poderes naturais: Urano. transformando-o numa obra-de-arte. O culto corporal foi validado através dos jogos populares que ocorriam na hélade. [. Ao findar com o império germânico ele tem a certeza da supremacia dos germânicos não só na Europa. destarte ele re-afirma que os gregos são livres espiritualmente. como é o caso de Esparta.] “O Egito. destarte confirma-e a tese inicial de Hegel. Géia..] “Os povos lhe eram subordinados não por uma relação de castas. [. Hegel afirma que os gregos não seguiam o príncipe por medo de sua autoridade.

] “Condição necessária a uma bela democracia. o direito de expor seu pensamento estava salvaguardado pela Isegoria. morre. onde todo cidadão tinha direito e o dever de discursas em praça pública sobre a administração estatal.] “Quando uma colônia deveria ser fundada. com destaque para a poleis de Atenas era praticada única e exclusivamente por cidadão atenienses. para uma religião de significação espiritual.” (Página – 209) [Apesar da personificação dos deuses gregos. era necessário que o cidadão estivesse isento dessas ocupações manuais. entre outras propriedades eles não podem ser caracterizados como mais humanos que o Deus cristão. mostrando dessa forma que os fatores religiosos interferiam no andamento das poleis. Para atender a essas atividades. seres com poderes da natureza incorporados a sua personalidade.” (Página – 213) [A democracia grega. Zeus representa a divindade máxima nesse novo círculo religioso grego. morre e sofre a morte.” (Página – 212) [O conceito de democracia grego apesar de bastante avançado para a época. eram aprovadas ou desaprovadas de acordo com a opinião dos oráculos. como todo homem. suas virtudes humanas. destarte a ideia de beleza corporal presente nas divindades da hélade são muito menos humanas que o sofrimento de cristo. e essa mão de obra era a escrava. exercitar-se em ginásios. sofre a morte na cruz. mostrava-se ainda arraigado aos costumes religiosos. mas agora esses poderes estão nas pessoas dos deuses e não em elementos naturais personificados. de forma análoga a anterior a ela. Hegel afirma que o conceito de liberdade só virá mais a frente com 16 . quando um general queria travar uma guerra. filhos de pai e mãe ateniense. maior de 18 anos. suas vontades.16 [Hegel mostra a “transição” entre a religião grega que cultuava os titãs. Hegel neste mesmo livro havia dito que os orientais não eram espiritualmente livres e por não serem espiritualmente livres eram sem liberdade. o que é infinitamente mais humano do que a idéia da beleza grega. onde todas as divindades verdadeiramente são espíritos. chamadas de Eclésia. na Grécia do período clássico o escravismo era o modo de produção bastante forte e atuante. as novas divindades apresentam ainda poderes da natureza. como declarações de guerras. Cristo é muito mais humano: ele vive. e também assistir a esses discursos. suas paixões. participar de festas.] “Os deuses gregos não devem ser vistos como mais humanos que o Deus cristão. mas para tal isenção era necessário uma mão de obra que os substituísse. Hegel destaca que decisões importantes para as poleis da hélade. fundação de novas colônias. não tinham conhecimento que o homem era livre. quando se propunha que um deus estrangeiro fosse aceito e venerado. Hegel verdadeiramente afirma que Cristo vive. agora a natureza da religião grega é espiritual. todos os cidadãos tinham o direito de discursas nas assembléias populares. em todos esses casos consultavam-se oráculos. Mas para que os cidadãos atenienses fossem discursas nessas assembléias era necessário que os mesmos estivessem isentos das atividades manuais. entre outras decisões de relevância.

mas de tal forma que a atividade e a liberdade do indivíduo são preteridas. [. indústria (artesanal) e o comércio (diferentemente de Esparta). os persas enviaram a Grécia um contingente militar gigantesco com o objetivo de subjugar os gregos e atender o interesse expansionista do império persa. indústria.. que se apresentaram de forma esplendida como verdadeiramente diz Hegel. destaca-se a agricultura. o esforço fora inútil.17 gregos e romanos. Destarte a cidade ateniense era aberta economicamente e politicamente. pois segundo o mesmo em grandes impérios existiriam interesses antagônicos. nas chamadas guerras médicas. a partir desse modelo econômico social o governo ateniense variava entre o modelo democrático de governou ou o aristocrático. essa peça fora encenada por persas e gregos. Ásia e Europa.] A situação política pendia da aristocracia para a democracia. diferente nos estados menores. [. e pertencem a vida intima do lar. os espartanos faziam as refeições em comum. o que depreciava a vida familiar. a vida em prol do estado. mesmo com um regime democrático é possível ver que nem todos se enquadram no mesmo. pois a comida e a bebida são coisas privadas.] “O poderio de contato com o povo histórico-mundial precedente deve. [..] Para manter a igualdade de costumes e para que os cidadãos se conhecessem melhor. em um estado que não ultrapasse o tamanho de uma cidade. comércio e. tendo em vistas a existência de grandes propriedades rurais que dominavam a cena política e economia. é interessante dar destaque ao controle exercido na cidade pelo campo. Destarte. só os cidadãos que compunham dada sociedade eram os beneficiados por tal estilo de governo.” (Página – 213) [Nesse excerto Hegel afirma que o estado democrático só seria viável em sociedades que limitassem seu espaço territorial ao tamanho de uma pequena cidade.” (Página – 215) [Hegel mostra o contanto entre os dois mundos. certamente.. destarte a o contato entre Ásia e Europa fora vencido pelos gregos..] “As diversas atividades humanas.. reuniam-se em Atenas.” (Página – 217) [Hegel faz uma breve explanação sobre a poleis de Atenas. principalmente.] “Contrário de em Atenas. Para os gregos. e a Grécia apresentou-se nele de forma esplêndida. as de natureza marítima. ser considerado como o segundo na história de toda nação.] No que diz respeito à 17 ..] “Tais constituições democráticas só são possíveis em pequenos estados. como exemplo a própria Atenas. esse contato foi com os persas. os gregos triunfaram e conseguiram a custo de inúmeras perdas barras e vencer os persas em sua última batalha em território grego. como agricultura. a virtude rígida e abstrata. onde os interesses da população seriam praticamente o mesmo devido a uma maior interação entre eles. na batalha das Termópilas. mas nessas civilizações ainda existirá a escravidão e só no império germânico é quando o homem tem noção que é livre em si. onde 300 (trezentos) espartanos e 700 (setecentos) téspios derrotaram o exército de milhares de soldados de Xerxes.

18 constituição política de Esparta.] “Atenas manifesta-se de forma esplendida. governado por um déspota onde só ele era livre. que é o que Hegel destaca com os chineses que obedecem as ordens imperiais a contra gosto. ele mesmo. todo cidadão espartano era livre e tinham seus direitos salvaguardados pela figura do estado. como ocorria em Atenas. a unidade do espírito estava ligada à realidade. os escravos eram os hilotas. Também era notório a presença de mão de obra escrava nessa sociedade. Este conflito se iniciou em razão contrária ao expansionismo ateniense e a reação de Esparta a tal atitude de Atenas. com grandes modificações que quase transformaram numa aristocracia e oligarquia. apresenta os meus momentos de pura particularidade. com seu espírito aprisionado não teria a pátria como interesse. Hegel taxava o povo Oriental de sem liberdade. formado por dois reis. dessa forma o governo das poleis da hélade como sendo de base democrática era composto por cidadãos espiritualmente livres.” (Página – 228) [Nesse excerto Hegel explicita que a política grega era baseada na defesa da pátria e da família. à família. à pátria.] “A guerra do Peloponeso era uma luta basicamente entre Atenas e Esparta. Hegel utilizou-se dos relatos históricos feitos por Xenofonte e Tucídides. seu funcionamento era democrático. destarte. Esparta assumiu a hegemonia. democrático. Destarte. os mesmos eram antigos moradores da lacedemônia que foram subjugados pela força espartana. ou seja. a análise de Atenas e Esparta gira entre as comparações e as distinções entre elas. liberal. porque se mostra livre.] “Na beleza. Atenas e Esparta.” (Página – 229) [Atenas mostrava-se livre devido ao seu sistema de governo. Como já mencionado. este contato foi deflagrou o conflito conhecido como guerra do Peloponeso. o cidadão serve ao estado.” (Páginas – 221 e 222) [Nesse excerto Hegel descreve a sociedade espartana. Ao destacar o espírito do povo Hegel mostra que os mesmos eram livres.” (Página – 225) [Hegel descreve o contato mais violento entre as duas cidades de maior destaque na hélade.” (Página – 231) 18 . etc. o mesmo destaca que o que prevalece em Esparta é a figura do estado. O governo era diárquico. como princípio dos gregos. pois o Oriental. Hegel critica a atitude que o povo espartano tinha de se alimentar em banquetes comuns aos cidadãos.] “Depois da queda de Atenas. tantos os interesses espartanos quanto atenienses apesar de suas diferenças convergem para os mesmos pontos de interesses. Hegel diz que as refeições deveriam ser intimas da família. todavia. mas a base era democrática. a função disso era aproximar os moradores e os tornarem íntimos. propriedade estatal. na forma como eles são. mencionando sempre que a mesma é análoga a ateniense. abusou dela de uma forma tão egoísta que foi odiada por todos.

igualmente. tornando-se reis autônomos. ao retomar estes dois modelos administrativos o mesmo intenciona explanar o modelo romano de administração. também conhecido como Helenismo. no Oriente. destarte. em território helênico. onde ele somente a toca e seus objetivos ficam inconclusos. estes mesmos são. são cíclicos. re-afirmando a ideia de liberdade espiritual desse povo. Oligarquia.. é uma rígida aristocracia que se coloca perante o povo. travaram longas guerras uns contra os outros. Ele divulgou. O modelo autocrático é o modelo despóticos. aristocrático e o democrático. seus generais sedentos por poder não conseguiram manter a unidade e muito menos o legado do Helenismo. como era.] Retribuindo a maldade do Oriente nessa luta. e quase todos sofreram as mais aventurosas revoluções do destino. é notório perceber que Hegel afirma que Roma retroage ao ponto da aristocracia. primeiro ele arrebata a pérsia das mãos de Dário III na batalha de Gaugamela. e a Democracia. Monarquia. depois da derrocada ateniense Esparta assume a liderança na hélade.] “Os ex-generais de Alexandre. pode-se fazer uma relação com Políbio.19 [Nesse excerto está explícito o imperialismo espartano. o amadurecimento e o sublime da cultura.] “Alexandre liderou os helenos. [. desse modo a evolução deu-se no interior da Grécia. destarte a Grécia padece com o fim do reinado alexandrino. depois parte rumo à Índia.. vemos presentes o modelo monárquico. Aristocracia. ele ao mesmo tempo devolveu ao Oriente o bem. presente na Grécia.” (Página – 234) [Este excerto explicita a decadência e embates internos com o fim do reinado de Alexandre. 19 . por ele ocupada. os inícios da cultura e da formação que vieram do Oriente para a Grécia. Na história da Grécia. onde o mesmo afirma que os modelos administrativo (de governo). é necessário mostrar que este foi o período do declínio grego. iniciam-se com a Autocracia. Hegel refere-se de forma direta ao modelo alexandrino de dominação e de fusão cultural. e passa a oprimir as poleis da mesma maneira como Atenas havia feito. isto é. a democracia era a determinação básica da vida política. pois a partir daí sucederam-se derrotas e anexações por parte dos Romanos. Ao mencionar que Alexandre paga o mal que Oriente fez a Grécia com o bem. presente em todo o Oriente.” (Página – 240) [Hegel retoma dois modelos de “governo” (mais correto chamar de „modelo administrativo‟). o despotismo. Democracia e por fim a Oclocracia. transformando a Ásia.” (Página – 232) [Hegel nesse excerto mostra o início das campanhas alexandrinas rumo ao Oriente. após a derrocada persa na hélade Atenas assumiu a confederação de Delos e passou a exercer um expansão e opressão sobre as demais poleis. ou seja.] “Na Grécia. A visão hegeliana defende que os Orientais se sentissem privilegiados em passarem a fazer parte da hélade após a dominação de Alexandre. essa maldade que a Grécia tinha recebido. destarte o Oriente inicia esse modelo de governo. para levar a Grécia à Ásia. Aqui. o Despotismo.

os auspícios e os livros sibilinos.” (Páginas – 243 e 244) [Hegel mostra as relações iniciais dos romanos com os povos vizinhos.] “Aqueles pastores ladrões aceitavam todos os que se juntassem a eles. destarte a rigorosidade romana era empregada para os membros da família. [. Os mesmos eram tachados de ladrões e violentos... déspota do outro.. e era bastante apropriada para tornar-se asilo de todos os criminosos.] Estados vizinhos não queriam arriscar casamento com ele. [. destarte todas essas atitudes e práticas dos romanos contribuíram para a visão que os povos vizinhos tinham dos mesmos. e que só lhes interessavam 20 . Hegel faz alusão as campanhas militares romanas e aos espetáculos sanguinário de luta de gladiadores.. tudo isso devido às atitudes e ações.] “Basta mencionar os augúrios. Suevos. ambos os irmãos eram ladrões. chegara um tempo em que Roma não conseguia mais assegurar as suas fronteiras. destarte temos um governo patriarcalista e centralizador. [. mas o fato de roubar e o local geográfico a qual se estabelecera a cidade não agradavam aos olhos dos povos circunvizinhos. Ao mencionar que o estado romano se baseia na violência e precisa ser mantido com violência. Roma passou dia após dia a mover suas fronteiras. eram violentos e cercadores de liberdade. Ostrogodos. com a qual nenhum outro estado queria manter relações. O rapto de mulheres Sabinas veio a corroborara com essa visão de ladrões e homens violentos. desse modo Godos.. devido à grande sede por territórios.20 ou seja. eles roubavam e distribuíam com os necessitados.] “O rigor imposto ao romano pelo Estado era compensado pelo rigor que ele exercia sobre sua família – criado. à beira do rio – foi muito bem escolhida.] Os historiadores mencionam que essa localização – Em cima de uma colina. desse modo ela angariou inúmeros povos contrários a sua política expansionista. como exemplo pode-se destacar a vida de Rômulo e Remo. para lembrar como os romanos estavam ligados a superstições de todos nos tipos. Visigodos. Essas duas circunstâncias caracterizaram esse estado como uma liga de ladrões.” (Página – 246) [Neste excerto vemos que a aspereza do estado romano para com seus subordinados também se refletia na família romana. A rigorosidade e aspereza eram tantas que os filhos necessitam do reconhecimentos dos pais para serem criados dentro de seus lares e também para concorrer a cargos eletivos.] Um estado que se autoformou e se baseia na violência precisa ser mantido com violência. mas segundo Lívio. verdadeiramente o mesmo tem razão.] “O império romano atingiu um expansão significativa que preparava sua queda. entre outros povos pressionaram e romperam o cinturão chamado fronteira romana. diferente dos gregos os romanos não eram totalmente livres espiritualmente...” (Página – 241) [Nesse excerto vemos de forma indireta que Hegel culpa a grande expansão romana por sua queda. de um lado.

” (Página – 254) [Hegel inicia uma justificativa para o fim da monarquia romana. destarte nada poderia ser votado e nenhuma matéria será discutida. decretavam as greves e revoluções ofensivas as divindades e decretavam dias nefastos. apelavam para o lado supersticioso do povo. 179) Sexto fora o responsável por tal prática atroz que levou ao fim da monarquia romana. os patrícios articulavam-se com os sacerdotes e declaravam dias Nefastos. para que viessem cada um com amigos fiéis. No fato de que o povo foi mantido sob o controle por tanto tempo. P. intitulado a monarquia. o qual Tito Lívio narra da seguinte maneira: “Desolada por tamanho mal. um mensageiro.” (LÍVIO. Lucrecia enviou a Roma. mas é notório que o senado e os governantes romanos conseguiam se sobressair.” (Página – 252) [Nesse excerto Hegel inicia a mostrar o contato entre Roma e a civilização de Cartago. que os augúrios. os pássaros determinaram quem sairia vitorioso na disputa entre Rômulo e Remos. O ritual dos animais. vitoriosamente.21 os seus próprios objetivos. justificativa esta que é quase que um consenso entre ambos os historiadores. Essa tática de paralisação surtia efeito tendo em vistas que os trabalhos braças e pesados eram feitos pelos mesmos. pois a principal luta durou mais de cem anos. ao marido. de que foi culpado o filho do rei. foi o estopim. manifesta-se o respeito pela ordem jurídica e pelos sacra.] “Roma adquire o poder para entrar. ao pai e a Árdea. ao mencionar que a mesma era antecedia a civilização romana na historicidade mundial. mas essa característica não determina a vitória desse povo. (Página – 256) [Neste excerto vemos que o senado romano sofria pressões por parte da plebe oprimida. Tudo isso estava nas mãos dos patrícios.] 21 . a penetração nesse santuário mais íntimo. que disso se utilizavam conscientemente para os seus objetivos e contra o povo.” (Página – 251) [Hegel explicita o caráter supersticioso a qual o povo romano fazia parte. em guerra com o povo que a antecedeu na história mundial. assim era necessário e urgente. tendo em vistas que dela se era exigido muito e concedido quase nada. pois utilizavam de „táticas especiais‟. essa prática dava tempo aos patrícios para articularem-se e derrotar a plebe nas votações. os ditos sibilinos decidiam os negócios os empreendimentos do estado. para influenciar no meio político. o mesmo refere-se ao tão „famoso‟ estupro de Lucrecia. em dias de votação de “projetos” que beneficiassem a plebe. desde o culto a práticas de observação de animais.] “A violação da honra de uma mulher. é extremamente notável que o senado tivesse de resistir a pressões de uma maioria irritada pela opressão e experimente na guerra. Hegel destaca a utilização dessas práticas supersticiosas. revoltados com a situação o patriciado expulsa o rei e seus descendentes.] “Entretanto. Lívio mostra em seu primeiro livro. o voar dos pássaros. os raios. 2008. acontecera uma coisa atroz.

.. como já foi dito. perante ele. pois resta a agitação precedente. ligava a Europa ao norte da áfrica. externas e guerras as quais se levantavam contra Roma. mesmo que isso custasse em uma opressão por parte da guarda particular do imperador. pois é com as expansões que se dar o crescimento romano e o próprio declínio. tudo era igual. [. já que o homem contém a consciência desse espírito em sua universalidade e infinitude.” (Página – 271) [Hegel ao mencionar “Esse espírito contém a reconciliação e a libertação do espírito” faz alusão direta ao Cristianismo. como exemplo destaco o modelo chinês.] “Roma parecia agora estar bem segura. Destarte o Cristianismo veio como libertador.22 “Quando os povos se voltam para fora. destarte consolida-se a política do Mare Nostrum. nenhum poder estrangeiro podia fazer-lhe frente. procurando-o fora. onde Hegel afirmava outrora que a sociedade chinesa funcionava ao redor do imperador. mas o poder militar daquele estado conquista a vitória sobre todos.] A vontade do imperador reinava sobre tudo e.” (Página – 261) [Nesse excerto pode-se perceber a consolidação do início expansionista de Roma. No caso romano difere-se pela presença de um senado que em algumas vezes poderiam intervir nas decisões desse imperador. deste modo pode-se perceber o caratê militar e violento do estado romano. esse modelo de centralização assemelha-se com o modelo despótico Oriental. A soberania do mar mediterrâneo tornar-se o centro de toda cultura. mas eram sumariamente sufocadas devido ao grande poderio militar romano que subjugava a força do inimigo.” (Página – 258) [Hegel refere-se ao início das expansões romanas. erguerem-se contra Roma os poderes mais terríveis e perigosos.] “Vemos. e é deste modo que Roma chega ao seu máximo e ao seu mínimo.” (Página – 268) [Esses fragmentos mostram o poder centralizado na figura do imperador romano.] 22 .” (Página – 264) [Hegel explicita a série de revoltas internas. depois de inquietações civis.] “Esse espírito contém a reconciliação e a libertação do espírito. pois só com ele que todos os homens tiveram consciência de sua liberdade em si. após o domínio de toda península ibérica sucedeu-se do domínio e a subjugação de Cartago. que agora não tem mais um objetivo no interior. primeiramente os romanos tem a missão de subjugar a península itálica e consolidar o domínio e hegemonia. área comercial e de contato cultural de extrema importância.] “O poder do imperador. domínio de mar mediterrâneo. assim. baseava-se no exército e na guarda pretoriana que o cercava. eles aparecem mais fortes. protegido pela guarda pretoriana. posteriormente partem para as conquistas fora da península itálica.

” (Página – 272) [Nesse excerto percebe-se que em Roma nem todos eram agraciados com a liberdade. tendo em vistas que ainda se podiam colocar os semelhantes em situações inferiores e humilhantes.] Cristo nasceu – um homem que é Deus e Deus que é o homem.] “A natureza de Deus.] “Todavia. caracterizando o espírito romano como não livre em totalidade.” (Página – 281) [Nesse excerto vemos que a democracia sede espaço para a aristocracia..] Assim. tendo em vistas que não eram validados a todos os romanos. cujo fim é a realização da verdade absoluta como a infinita autodeterminação da liberdade. destarte finda-se o paganismo romano que durou séculos e entra o cristianismo. este está contido é referenciado e exemplificado na figura humana e unificadora do universal e o natural.” (Páginas – 274 e 275) [Pode-se afirmar que a religião Cristã aproximou Deus ao homem. essa religião foi desaparecendo por si mesma.. em posterior essa característica livre do espírito será reforçada pela presença do cristianismo em território germânico. o puro espírito em si. essa democracia logo se transforma. e a pessoa das pessoas tem direito à posse de todos.” (Página – 291) [Hegel mais uma vez retoma a ideia de povo espiritualmente livre para caracterizar os povos germânicos. figura esta é Cristo. e esse estar contido pode ser expresso da seguinte forma: a unidade do homem e de Deus está colocada na religião cristã. deste modo pode-se afirmar que o homem está contido no próprio conceito de Deus. Pouco a pouco. o direito individual é ao mesmo tempo abolido e tornado ilegal. pois segundo os preceitos básicos 23 . assim. que tem pó conteúdo a sua própria força absoluta. só tem direito a uma propriedade. aproximação esta devida ao nascimento em forma humana do Messias. [. ou seja.] “O espírito germânico é o espírito do mundo moderno. os sacrifícios e cerimônias abolidos e a própria religião pagã proibida. O sujeito. destarte eles se diferenciavam dos demais cidadãos graças a benéfices que possuíam devido aos postos por eles ocupados.” (Página – 285) [Vemos nesse trecho a aceitação e oficialização da religião cristã por parte do império romano. [. manifesta-se para o homem na religião cristã. em aristocracia.. o homem está contido no próprio conceito de Deus.23 “Essa antinomia é a miséria do mundo romano. segundo o princípio de sua personalidade. onde nasce um homem que é Deus e Deus que é o homem. tal oficialização é acompanhada pelo desmantelamento e crise dos templos e da religião pagã como um todo. por causa da ordenação sacerdotal. devido a ascensão social de membros que compunham o sacerdócio Cristão. destarte Hegel constata que oi direito individual do ser humano era de uma forma geral abolido..] “Os templos pagãos foram fechados.

refugiando-se na comodidade e sossego orientais. o caminho da luz e da retidão.24 cristãos todos os homens são livres e iguais perante Deus. mostrando que a igualdade e o respeito pelos iguais permeiam o domínio islâmico. os germânicos eram fiéis e livres.” (Página – 292) [Nesse excerto pode-se perceber que o mundo germânico incorporou elementos da sociedade romana. pois do mesmo modo como os germânicos os persas eram “iguais” perante a figura de um ser superior.” (Página – 303) [Nesse excerto Hegel faz uma alusão a igualdade do rei no império Persa para com seus súditos e a igualdade entre „todos‟ os sarracenos e os califas. tal comparação é feita baseadas na espiritualidade e unidade ambos os povos. na alma. pois alguns poderiam deter posse sobre outros. para os persas era Ahura-Mazda. um poder central. aonde o domínio muçulmano chegou até as „portas‟ do império franco. como ocorria nas poleis gregas e no império romano.” (Página – 299) [Vê-se destacada nesse excerto a fidelidade presente nas alianças formadas pelos germânicos. no caso dos súditos de Carlos Magno era o Deus cristão.] “Pode-se comprar o período de Carlos Magno ao império persa.” (Páginas – 293 e 294) [Hegel compara o império de Carlos Magno com o Império persa. Hegel afirma que do mesmo modo como a liberdade espiritual é o primeiro lema dos germânicos ele taxa a fidelidade como sendo o segundo. e que é ainda ingênua no que se refere à relação do espiritual com o temporal. assim como a liberdade era o primeiro. unidade na figura central de um único no poder. e a fidelidade é o segundo lema dos germanos. Hegel já afirmava que o conceito de liberdade desses povos eram „limitados‟. ferindo dessa forma o direito individual do ser humano.] “A união aqui se dá pela fidelidade. deste modo não teria espaço para a aceitação da escravidão.] “O mais simples dos sarracenos e a mais humilde das mulheres dirigiam-se aos califas como um de seus pares. Nesse excerto também se evidencia a retirada islâmica do Ocidente.] “O mundo germânico adotou a cultura e a religião romanas já formadas.” (Página – 304) [Hegel reafirma a Europa como sendo centro da Historia Universal. mas a questão de igualdade vê-se destacada neste momento. É o período da unidade substancial baseada no interior.] 24 . deste modo. essa incorporação em posterior fará o mundo germânico mais tarde ser chamado de Sacro Império Romano Germânico.] “O islamismo há muito desapareceu do solo da história universal. pois ao afirmar que o islã retirou-se do solo da História Universal ele elava o continente europeu como sendo o responsável pela difusão da história universal.

atitudes como curar doenças e práticas religiosas diferentes do cristianismo eram consideradas bruxaria e infidelidade religiosa. cabendo penas como a morte e torturas pelo santo tribunal da inquisição. deste modo Hegel supostamente negligenciara as possessões territoriais que posteriormente formariam Portugal e Espanha. a mais conhecida foi a tentativa de separação de Henrique VIII. o mesmo pode considerar só a Europa os domínios dos francos e germânicos. tem que expor toda a particularidade de seus atos perante a opinião de seu confessor e descobre. essa afirmação é inverídica.” (Página – 315) [Nesse excerto vemos que as relações entre igreja e estado se aproximaram ao ponto de cargos clericais serem negociados entre reis e clérigos. o título de patrício pelo povo e pleo senado romanos. mas não expulsou por completo os muçulmanos do território europeu. era feito um verdadeiro negócio com os bispados e abadias. Frequentemente. que hoje em dia concernem à França e Alemanha. Mas o que Hegel se interessa em mostrar era o grande poder de barganha que os clérigos da igreja católica possuíam.” (Página – 305) [É possível evidenciar que Hegel comete um erro ao afirmar que Carlos Martelo ou Carlos Martel expulsou os mouros da Europa.] 25 . podendo receber inúmeras concessões em trocas de realizar favores como os divórcios. pois Carlos Martel impediu a continuidade do avanço em 732 A.25 “Depois de haver libertado a Europa da ocupação dos sarracenos.] “Quem quisesse um bispado tinha que procurar o rei. precisavam da autorização da igreja.” (Página – 318) [Hegel disserta sobre a “intromissão” da igreja na vida particular do individuo. Carlos martelo obteve.” (Página – 316) [A questão das separações geraram muitas consequências. para tal. A afirmação de Hegel também está passiva a outra interpretação. o rei pratica e a igreja endossa tal prática e assim vice e versa. os príncipes queriam se separar de suas esposas.] “O indivíduo tem que confessar. onde resultou na criação da igreja anglicana. se iniciou ai uma relação de cumplicidade entre ambos.D na batalha de Poitiers.” (Página – 309) [É possível ver que a igreja assumiu o controle de fiscalização sobre as práticas mundanas presente no medievo. então como deve se comportar. Assim.] “O que melhor mostra a intromissão da igreja nos assuntos seculares é o que diz respeito ao casamento dos príncipes. para si e para e para os seus descendentes.] “A brutalidade mundana foi combatida pela igreja e adestrada. ditando regras aos cidadãos e maneiras de condutas. é possível a partir deste excerto se dar conta do tamanho da intervenção católica no quotidiano medieval.

a igreja completa a sua autoridade. mas ganha depois de tal atitude a oportunidade de viver e cultivar as terras cedidas a ele pelo seu senhor. onde o principal produto chamava-se salvação e expiação de pecados. tal prática mostrava o caráter comercial que a igreja católica medieval adquirira com os passar dos tempos. chegou a influenciar invasões. a igreja concede uma indulgência.] “Com as cruzadas. tal intervenção fora responsável pelo atraso a qual a Europa medieval cristã ficou submetida. equipamentos como a bússola e o astrolábio mostraram-se muito úteis nas navegações que efetivaram o domínio Ocidental perante as Américas. a igreja interferia no íntimo do lar. vitimaram inúmeras mulheres e crianças. essas campanhas foram atrozes.” (Página – 341) [Nesse excerto vemos o acordar europeu para a modernidade.] “Essa situação de proteção possibilitou o nascimento do principio da livre propriedade. para todo sacrilégio. Essa foi uma das razões que tornaram a igreja uma das mais poderosas senhoras/senhor mais poderoso da Idade Média. violentas e sangrentas. que finalmente surge depois da longa e terrível noite da Idade Média.” (Página – 322) [Hegel destaca o sistema de vassalagem presente no medievo. distorceu o princípio da liberdade cristã para transformá-lo em servidão injusta e imoral das almas. pois a partir de um momento em que um servo se sujeita ao seu senhor ele não é mais livre (mas não é um escravo). chegando ao ponto de se tornar um mercado. quando solicitada.” (Página – 327) [Nesse excerto vemos que a posse de Jerusalém e outros territórios sagrados para o cristianismo em mãos dos Islâmicos geram uma mácula sem tamanho. onde a partir da não- liberdade surge a liberdade. empreenderam-se campanhas militares com o objetivo de reconquistar tais territórios sagrados. e a maneira de reparar esse infortúnio é pela força. e inúmeras outras. apenas um único: conquistar a Terra Santa. A necessidade de exploração faz o Ocidente Cristão retrógrado incorporar elementos científicos Orientais. Ela chegou à distorção da religião e do espírito divino. e por isso ela empreendeu as cruzadas.] “Esse sentimento unificou a cristandade. depois de uma longa noite de trevas dominadas pelo medievo. não tendo este ou aquele objetivo. nas praticas sexuais. o “velho” continente abre os olhos para enxergar os avanços da ciência e as maravilhas proporcionadas pelo mesmo.” (Página – 329) [Esse foi o ponto auge da igreja católica medieval.] 26 . deste modo a obediência era tamanha. para todo o vício.] “Esse dia é o dia da universalidade. de não-liberdade surgiu a liberdade.” (Página – 321) [O excerto trabalha claramente as vendas de indulgências no medievo. deste modo. higienizas. transformou os seus seguidores de fiéis a vassalos. ou seja.26 “Pois para toda arbitrariedade.

” (Página – 353) [Nesse excerto é possível perceber que Hegel destaca as transformações que acontece com o estado. nas leis da natureza e em seu conteúdo que é justo e bom. e é nessa teódiceia que os muitos das ações humanas tornam-se justificadas. à validade dessas leis chamou-se de iluminismo. baseadas na consciência presente. mencionei a personificação. pois mesmo com a 27 . seriam quebradas as amarras da igreja que prendiam a sociedade medieval. Lutero foi um dos padres que se sentiram enganados e envergonhados com as indulgências e simonias praticadas pela igreja católica. Já vimos anteriormente o surgimento do poder real e a futura unidade dos Estados.” (Página – 346) [A reforma protestante tinha o caráter libertador do espírito. vemos inicialmente a monarquia solidificar-se e os monarcas revestirem-se do poder estatal. destarte é plausível uma associação com Políbio sobre os modelos cíclicos de governos. com os princípios básicos de Liberdade. a justificação de Deus na história. Deste modo também se destaca o conceito de teódiceia. Outro ponto que se destaca e enquadra é a questão da transitoriedade. ou seja. porque em 1789 essas ideias ganhariam força e romperiam com as amarraras da monarquia.] “A essas determinações universais. Lutero veio pra contrastar as doutrinas da igreja com as novas mudanças propostas por ele na reforma protestante.” (Página – 362) [Hegel associa de forma brilhante os princípios universais de Liberdade e Igualdade e os „personifica‟ na figura das ideias iluministas. a corrupção eclesiástica na igreja descontentava vários seguimentos da própria. destarte viam-se assegurado o direto individual e básico do homem. pois em todos os acontecimentos históricos narrados por Hegel pode-se ver essa coexistência entre Deus o divino e repleto de bondade com o mal. desde a igualdade Persa contrastada com o petrificamento/engessamento da sociedade Hindu ao espírito de liberdade que está arraigado no íntimo do povo germânico. por mais „sólido‟ que fosse o sistema feudal ou o monárquico ele não resistiria ao tempo cronológico. chamou-se de razão. Igualdade e Fraternidade. a presença divina na ótica hegeliana mostra-se nos acontecimentos da historiografia.] “No que tange à formação do estado.27 “A reforma surgiu da decadência da Igreja.” (Página – 373) [Nesse excerto vemos que Hegel justifica a existência de Deus por meio dos acontecimentos históricos.] “Este é o conteúdo essencial da reforma: o homem está determinado por si mesmo a ser livre.] “A história universal é o processo desse desenvolvimento e do devenir real do espírito real do espírito no palco mutável de seus acontecimentos – eis aí a verdadeira teódiceia.” (Página – 345) [Hegel explicita de uma forma geral a razão que deu início a reforma luterana. deflagrando o que conhecemos como Revolução Francesa.

] 28 . o que pode tornar as atitudes mais benevolentes e justas em verdadeiros desastres que fogem do controle humano.28 bondade infinita do todo poderoso Deus ele coexiste com a maldade.