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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE DE
RIBEIRÃO PRETO

SIGISMUNDO BIALOSKORSKI NETO

Economia das organizações cooperativas:

uma análise da influência da cultura e das instituições

RIBEIRÃO PRETO

2004

SIGISMUNDO BIALOSKORSKI NETO

Economia das organizações cooperativas:

uma análise da influência da cultura e das instituições

Tese apresentada a Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade de Ribeirão
Preto da Universidade de São Paulo, para
obtenção do Título de Livre Docência em
Economia das Organizações

RIBEIRÃO PRETO

2004

Dedico,

a Clê,

minha esposa, e

ao Yuri, a Isis, e ao Igor

meus filhos

Desculpando-me pelo tempo que roubei em mais uma entre tantas tarefas.

por ter me recebido em Columbia. e pela troca de idéias que gerou este trabalho. pelo apoio quanto a forma e aos estagiários. Faculdade de Economia.UM. Aos Professores Michael Sykuta e Harvey James. pelo convite. Aos professores e alunos de pós-graduação participantes do CORI por todas as contribuições e críticas recebidas durante meu seminário. e em particular ao Departamento de Economia. por amparar financeiramente este esforço. Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto. Mariana e Juliana pelo apoio mais do que providencial. Aos professores do Departamento de Economia da FEA-RP que durante a minha ausência se dispuseram a me substituir no desenvolvimento das atividades acadêmicas do departamento. AGRADECIMENTOS Agradeço a Universidade de São Paulo. pelo carinho em suas aulas e por terem tido a gentileza não só de ler. Instituto de Pesquisa em Agronegócios – ARI e o Instituto de Estudos de Organizações e Contratos – CORI da Universidade do Missouri . Daniel. Agradeço ao Professor Michael Cook. como também de comentar parte deste trabalho. de igual forma ao Departamento de Economia Agrícola. pela possibilidade de desenvolvimento de meu pós-doutoramento. Também. . A FAPESP – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo. Ferreira bibliotecária de referência da Biblioteca Central do Campus Ribeirão Preto. por esta oportunidade. A Maria Cristina M.

Palavras-chave: Economia das Organizações. Ribeirão Preto. RESUMO BIALOKSORSKI NETO. 2004. . Cooperativas. profissionalização e intercooperação. sendo os contratos formais de pequena ocorrência. Ainda. É possível observar que o ambiente institucional no Brasil influencia o arranjo de contratos nas organizações cooperativas. 2004. Tese (Livre- docência) – Faculdade de Economia. procede a recomendações quanto a gestão de cooperativas agropecuárias no Brasil. Este trabalho procura então analisar os contratos informais e relacionais nas cooperativas agropecuárias brasileiras. Verifica-se um comportamento dos associados para com a organização cooperativa de maneira mais relacional e informal. Assim. Economia das organizações cooperativas: uma análise da influência da cultura e das instituições. Nova Economia Institucional. Estes direitos ocorrem em função de contratos relacionais e informais que podem minimizar custos de transação e ser considerados como um incentivo contratual à participação. e discutir a sua lógica. Universidade de São Paulo. ao final. Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto. considerando que é necessário observar as características culturais e institucionais quanto aos processos de autogestão. 178 f. S. procede a uma modelagem matemática bem como a análises estatísticas que possibilitam concluir que os direitos de propriedade vagamente definidos nas cooperativas brasileiras possibilitam a existência de direitos residuais à influência.

At the end. and Contracts. conclude recommendation that is necessary to observe cultural and institutional characteristics to analysis cooperative administration. in Brazilian cooperatives. Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto. and it is possible to conclude that vaguely defined property rights. permit the existence of influence residual rights. Key words: Economics of Organizations. can minimize transactions costs. and incentive the member participation. more informal and relational behavior and not frequent formal contractual relations. 178 f. . In Brazil. New Institutional Economics. This paper tries to explain why this informal and relational contract occurs and searches for logic on informal contracts in producer’s owned and controlled organizations. an institutional environment influences the contractual design of producers-owned-and-controlled organizations – cooperatives. Ribeirão Preto. profissionalization and inter-cooperation process in Brazil. It is also possible to observe. Cooperatives.Faculdade de Economia. 2004. ABSTRACT BIALOSKORSKI NETO. 2004. These rights occur in function of informal and relational contracts. S. There are a mathematical model and statistical analysis for this approach. Thesis . Universidade de São Paulo. Economics of cooperative organizations: an analysis of culture and institutions influence. in cooperative organizations.

......... 134 ............ Modelo de regressão....... da proporção de assistência técnica por cooperado....... onde o logaritmo da proporção da participação do associado em comitês educativos é a variável dependente e o logaritmo da proporção da atividade econômica do associado.... ponderadas pelo número de associados para 16 cooperativas agrícolas no estado do Paraná em 1999....................... 94 Tabela 3....... Participação de cooperativas agropecuárias em Centrais no estado de São Paulo em 1992 e 2000...... Resumo das tendências verificadas nas estratégias das organizações cooperativas agropecuárias no Estado de São Paulo.. e o índice financeiro de Kanitz são variáveis independentes... LISTA DE TABELAS Pág.. onde o logaritmo da proporção da participação do associado em assembléia geral é a variável dependente e logaritmo da proporção da participação em comitês... de 1992 a 2000.. 134 Tabela 8...... Sistema da Cooperativa de Cotia Central de 1992 a 2000.............. Participação de cooperativas agropecuárias em outras empresas não cooperativas no estado de São Paulo em 1992 e 2000.. Tabela 1. equação 2. 131 Tabela 5........ da proporção de cooperados no total de produtores no local......................... 131 Tabela 6..em 1999..... Matriz dos componentes principais – rotacionados pelo método VARIMAX..... Sistema da Cooperativa Central Sul Brasil de 1992 a 2000.............. ponderadas pelo número de associados para 16 cooperativas agrícolas no estado do Paraná ... 136 Tabela 7.. ....... que apresenta os três componentes extraídos e as respectivas relações com as variáveis..... equação 1............. da proporção da produção agrícola entregue.. e o índice financeiro de Kanitz são variáveis independentes........ da proporção da produção agrícola entregue.. da proporção de cooperados no total de produtores no local.... ............. 92 Tabela 2.. 100 Tabela 4.. da proporção de assistência técnica por cooperado..... da atividade econômica do associado................. Modelo de regressão............................

000 associados atuantes no ano de 2000........Tabela 9........ Variação do número de cooperados ativos por cooperativas em 1992 e 2000....000 associados atuantes no ano de 2000..........001 até 2. 137 Tabela 10........ 138 ..... para o extrato das cooperativas de mais de 1.... Variação do número de cooperados ativos por cooperativas em 1992 e 2000....................... para o extrato das cooperativas de mais de 2......

....... Representação e plotagem das variáveis no espaço tridimensional criado pelos três componentes principais extraídos e rotacionados pelo método Varimax...................... 101 .......................... 77 Figura 3.. ........... Representação da árvore de decisão – jogo – entre cooperativas e associados................... LISTA DE FIGURAS Pág... Figura 1....... caracterizados como fontes de distância de poder... 33 Figura 2..................... Representação de fontes de poder e influência em cooperativas................

....... de benefícios e custos para os associados.............. Características culturais e impactos na governança das organizações................. LISTA DE QUADROS Pág....................................... do modelo proposto...... aplicados ao caso do Brasil............ 74 Quadro 3................ baseado em Hofstede (2001)............. Quadro 1....... Comparação de diferentes ambientes institucionais e sua influência em contratos entre associados usuários e organizações........................... 32 Quadro 2........................... Definições de variáveis....... 156 .......................

.. Relação entre a participação do associado na cooperativa e o número de associado em cooperativas agrícolas do estado do Paraná.............. II....................... A linha de tendência é uma função logarítmica.. Fonte: PDICOOP I.........Participação de cooperativas singulares em outras cooperativas singulares no estado de São Paulo em porcentagem em 1989..... 106 Gráfico 4... e transferência do poder de decisão – delegação de poder............ Representação do número de associados em cooperativas.....Respostas a pergunta de confiança em justiça em países escolhidos do mundo em 1995........ Gráfico 1..... participação....................................... III (SÃO PAULO..... 107 Gráfico 5............... 1992 e 2000............... World Values Survey (2003)…… 26 Gráfico 2 Respostas a pergunta de confiança em outra pessoa em países escolhidos do mundo em 1995.............. 135 .. World Values Survey (2003)…… 27 Gráfico 3....... 1992 e 2002) ... LISTA DE GRÁFICOS Pág..........................

........... instituições e governança corporativa..... Objetivos e hipótese................... Decisões e fidelidade....1.........................3.................1. INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES.............................24 3...... INTRODUÇÃO...........60 4.......... Cooperativas e a dependência do passado......21 2..14 1..............1.............4.......3.................... Igualitarismo...2....................... Cooperativas.................................... governança e contratos relacionais.....80 ....... Eficiência econômica e contratos............................................................................................... Direitos de propriedade: referencial teórico......................17 2.................................73 4..... CULTURA.......54 4........65 4............................................................75 4...............2. .......................... Referencial teórico: contratos informais relacionais..1....................40 3... Governança e direitos de propriedade em cooperativas...............35 3........................... Modelando a lógica dos contratos relacionais.......................................2............. SUMÁRIO Página 1...........................45 3......... CULTURA E ORGANIZAÇÕES: AS RELAÇÕES ENTRE COOPERADOS E COOPERATIVA.......................... incentivos e direitos de propriedade....................60 4...............3...35 3.......1..................... ORGANIZAÇÕES COOPERATIVAS E DIREITOS DE PROPRIEDADE...............3......

1........................................................98 4........... A evolução das organizações e a intercooperação...............................................3.3..................... Análise de regressão............ Considerações quanto ao cooperativismo paulista... Considerações......1...129 5....4....85 4..3................................ Análise e evidência da influencia da cultura na intercooperação: o caso das cooperativas paulistas.3..2............................................................................ A teoria da intercooperação.2............115 5........ Considerações sobre os resultados estatísticos.........2.141 6.... Participação e números de cooperados................3...............136 6.........85 4...............1..................................112 5........144 6...3......... Conclusões......................4.. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES...4........3......1..........112 5....126 5.......148 6........1........1.141 6.........1....................................1............. Governança corporativa e indivíduos......89 4.... Recomendações para o movimento cooperativista...1.........................152 .... CONSIDERAÇÕES..... A importância da cultura para a intercooperação... 4...... Participação e desempenho econômico......................................................4..................141 6...........................................3........... Cooperação e estratégias................126 5............................................104 5...................2..2........... Análise empírica e estatística.......119 5.4...122 5..... Hierarquias e autogestão. Alianças entre firmas ou indivíduos: a questão da cultura.................. Considerações quanto a instituições e cultura...1...150 6....................... Análise fatorial pelos componentes principais................................................................................1....................................4...2..... AS RELAÇÕES ENTRE ORGANIZAÇÕES COOPERATIVAS ..................

...............................REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..............................................171 ........................................................................................................154 APÊNDICE...............................................................................................167 ANEXO.............

a lógica da arquitetura organizacional está também em função. da cultura predominante em uma sociedade que irá influenciar as particulares formas de organização. é necessário estudar o ambiente institucional. No Brasil. as instituições. além das variáveis acima. implicam . implica instituições. as quais tem influência em contratos e nas transações. a herança de hierarquia e burocracia característica da cultura e da colonização ibérica. as características de direito latino. 14 1 INTRODUÇÃO Para analisar a eficiência econômica e a eficácia social em organizações. North (1990) compara diferentes países e seu ambiente institucional e conclui que instituições são determinantes para se definir as bases das organizações e das transações. bem como na arquitetura organizacional. de direitos de propriedade. Cultura. Mas. bem como as relações de contrato entre os agentes econômicos. segundo o mesmo autor.

que exercem o direito de decisão de forma igualitária e participam de forma proporcional a suas atividades econômicas nos resultados econômicos da organização. diferente das organizações transnacionais com atuação direta em diferentes nações. são organizações que podem ser comparadas entre países. as influências culturais e institucionais em organizações. Como as cooperativas obedecem a esses princípios organizacionais gerais em todos os países. quando comparadas a cooperativas da América do Norte. As cooperativas agropecuárias na América Latina. apresentando uma dependência do passado . uma vez que sua arquitetura depende de princípios gerais definidos como organizações de propriedade e controladas por produtores rurais. refletem características culturais de uma sociedade .path- dependence . e assim uma organização de mesma lógica pode refletir. em particular no Brasil. como as instituições financeiras. em particular dos Estados Unidos da América. estas organizações refletem de forma intensa as características culturais e institucionais em uma sociedade. embebidos em uma mesma comunidade e em uma mesma nação. Como as organizações cooperativas são empreendimentos locais.com o modelo organizacional que surge em Rochdale na Inglaterra em 1844. que estarão então sob influência de uma lógica contratual internacional de padrão dominante anglo- saxão. As cooperativas também são organizações particulares. de modo mais nítido. 15 um determinado arranjo organizacional para as organizações e em particular para as cooperativas.

sendo que estes ocorrem como fortes relações informais. de direito latino e com ambiente institucional particular. Ainda. quando comparada aos Estados Unidos que apresenta uma maior diversidade organizacional uma vez que o ambiente legal anglo-saxão é mais flexível . Bialoskorski Neto (2000). assumindo as funções de gestores enquanto na América do Norte as cooperativas são geridas por um profissional contratado que assume essas funções. e alianças estratégicas entre empresas o que não se observa com intensidade no Brasil. Assim. 1989). Por último. no Brasil. ou a formação de networks. . Nas cooperativas agropecuárias brasileiras não há presença de obrigatoriedade de transação por meio de contratos clássicos formais. os próprios produtores rurais administram diretamente estas organizações. e formas mais intensas de organização entre cooperativas. encontram-se formas diferentes de transação em cooperativas como os contratos formais na Nova Geração de Cooperativas. de confiança e reciprocidade. nos Estados Unidos. encontram-se organizações que obedecem a uma lei nacional única e rígida que permite a formação somente de um padrão organizacional. Há também uma relação mais informal. entre os associados e a cooperativa. e entre cooperativas e empresas não cooperativa.commom law. no Brasil. não ocorrendo com freqüência a presença de contratos clássicos (WILLIAMSON. 16 de comportamento social mais coletivista.

a descrição dos determinantes institucionais que influenciam na lógica da arquitetura organizacional destes empreendimentos. entre estes e a organização. e de valores e comportamentos sociais que tendem mais ao individualismo ou ao comportamento social coletivista. Após. tendo-se como foco de discussão uma comparação da cultura e instituições em sociedades de direito anglo-saxão e de direito latino. Faz-se o uso de análise de variáveis de valores culturais da World Value Survey (2003) para descrever as características culturais e de valores. Pretende-se. no capítulo 3 deve-se situar o leitor quanto à lógica organizacional específica das sociedades cooperativas. 17 1. e entre organizações em networks. Para isto faz-se inicialmente uma leitura . uma contribuição teórica aplicada ao entendimento das organizações cooperativas na agropecuária brasileira de forma a contribuir para com a análise e recomendação quanto às relações de contrato e às estratégias organizacionais. de forma comparativa. Para tanto. e em particular os contratos relacionais informais. as relações de contratos entre atores econômicos. especificamente. no capítulo 2 deverá haver uma descrição teórica sobre cultura e instituições e sua influência na lógica das organizações. no Brasil.1 Objetivos e hipótese O objetivo geral desse trabalho é a análise da economia das organizações cooperativas no Brasil e. A hipótese deste trabalho é de que os padrões institucionais brasileiros influenciam as formas de governança das organizações e. em particular. portanto.

Em continuidade. 18 econômica e histórica do aparecimento do movimento cooperativista. para detalhes consultar Hugon (1970) . Neste terceiro capítulo. faz-se uma análise aplicada ao cooperativismo agropecuário brasileiro. Neste capítulo. descreve-se também as características organizacionais gerais das cooperativas agropecuárias. no capítulo 4. nesta seção. sob o referencial de Direitos de Propriedade e da Nova Economia Institucional. principalmente quanto às formas com que o capital é considerado nestas relações em abordagem teórica diferente. de forma a permitir o entendimento da governança em cooperativas sob o ponto de vista teórico. trabalho e o capital. pois é referência na lógica dos empreendimentos cooperativistas em todos os países. e quanto às relações entre os fatores de produção. discutindo-se as implicações contratuais do envolvimento emocional entre o cooperado e a organização cooperativa. Em continuidade. na questão do igualitarismo e suas conseqüências. Faz-se então uma descrição de contratos e das formas de participação. detalha-se também os conceitos e a lógica dos direitos de propriedade em cooperativas. discutem-se principalmente os contratos relacionais informais. uma revisão de literatura que compare esta lógica em ambientes institucionais diferentes. Esta discussão sobre o capital é importante para referenciar a percepção dos direitos sobre a propriedade. importante. ou seja. estudam-se então as principais características de governança corporativa de 1 Owen e Fourier são pensadores da doutrina cooperativista. de acordo com Owen ou Fourier1.

Aqui se faz uma abordagem de teoria dos jogos e modelagem matemática para explicar a lógica de influência e contratos. 19 cooperativas agropecuárias no Brasil. Este capítulo mostra que a influência pode ser um elemento importante de incentivo contratual para a participação em organizações cooperativadas. que lastreiam a lógica de governança nestas organizações. por fim. que impedem o aparecimento destas estratégias. Neste capítulo. conglomerados. no capítulo 5. holdings e networks entre cooperativas agropecuárias. com foco nas relações entre os membros cooperados e a organização cooperativa. faz-se uma análise do cooperativismo agropecuário. Descreve-se a relação contratual entre o associado e o empreendimento cooperativado. há a hegemonia da lógica social e de relação emocional. entre cooperativas e não cooperativas. em particular discutem-se as razões para a não ocorrência freqüente de contratos clássicos e a presença dominante de contratos relacionais e informais. Após. e os processos de incorporação e fusão. pois há interesses sociais e emocionais em jogo que não permitem que a lógica econômica prevaleça e. buscando-se evidências quanto à governança. amplia-se a discussão para se entender o fato de relação entre organizações cooperativas e a formação de redes de contratos – networks – que acabam por não ocorrer com freqüência no Brasil. à participação do associado na gestão e. É importante salientar que o envolvimento emocional dos agentes econômicos em sociedades de comportamento dos individuos mais coletivista pode não favorecer o aparecimento de fusões. procurando-se analisar a formação de redes entre cooperativas. assim. . característica de sociedades de comportamento individuais mais coletivistas.

ao final. um referencial de características de contrato nas cooperativas brasileiras. no capítulo 6. Por fim. . uma vez que estas implicam a padronização de relações e contratos segundo a lógica predominante no mercado financeiro. oriundas do padrão cultural e que deveriam ser respeitadas para se manter o sucesso das estratégias de negócios. apresentam-se considerações a respeito destes aspectos e uma discussão se estas características gerais do cooperativismo agropecuário no Brasil estão em transformação em função da maior influência da cultura dos países anglo-saxões e a intensificação da lógica ética do capitalismo. 20 Por último. uma indagação final se as características em função do comportamento social mais coletivista das organizações cooperativistas brasileiras se mantêm ou se transformam em relações de contratos de caráter mais próximo às sociedades individualistas. portanto. fazem-se considerações para uma possível trajetória de entendimentos de contratos no cooperativismo brasileiro. em decorrência do processo de internacionalização das relações econômicas. Procura-se contribuir para este debate indicando. Há.

c) apresentam uma intensa relação dos empregados com a organização – paroquial . b) são orientadas aos empregados – pessoas .ou orientadas ao trabalho – tarefas. facilitam a .profissional. pode-se considerar que procedimentos de tomada de decisão dependem. portanto. como redes de contratos. isto é.ou uma relação apenas de trabalho . de cada ator econômico. em nível individual. de como as organizações: a) são orientadas a processos ou orientadas a resultados. d) são abertas a novos integrantes. e estas podem apresentar oportunidades ou limitações para as organizações. também da cultura. de acordo com North (1990). ocorrem para usufruir oportunidades em um particular ambiente institucional. 21 2 INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES As normas sociais moldam instituições. As organizações. As diferentes dimensões de cultura organizacional são definidas por Hofstede (1991) como a amplitude de características nas firmas que variam de acordo com a prática e. e estes são importantes elementos para o comportamento organizacional. como também.

Diferentes análises são importantes para se entender o ambiente institucional e sua influência nas organizações cooperativas. Assim poderá haver diferentes arranjos em formas organizacionais. 22 adaptação de novos empregados de forma rápida. não facilitam esse processo de adaptação. segundo o mesmo autor. A arquitetura organizacional apropriada às limitações e oportunidades das instituições e aos valores culturais da sociedade pode minimizar custos de transação. atendem aos interesses do mercado. Neste debate é importante notar que a cultura e os valores individuais são importantes para a construção da arquitetura organizacional. aquelas que fazem referência à intensidade de orientação a processos. assim é necessário discutir também o ambiente legal de forma a entender as limitações e restrições das organizações cooperativas. e. ou onde há controle intenso de recursos. como em horários ou em controle de custos. As dimensões restantes estariam relacionadas particularmente a cada uma das organizações de forma independente. são correlacionadas com os valores e a cultura. f) são normativas. particularmente para cada diferente cultura. Destas dimensões. ou são mais pragmáticas. e) apresentam problemas de perda de controle. isto é. por parte dos empregados. ou de intensidade de relação dos empregados para com a organização. tempo e eficiência. aquela dimensão que mostra o grau de abertura da organização a novos ingressantes. ou são mais fechadas a esses novos ingressantes. e ainda. isto é dependem de normas internas mais rígidas que independem do mercado. . para minimizar custos de transação.

North (1990) aponta que. permitindo a evolução do sistema legal na Inglaterra que foi importante para o desenvolvimento do capitalismo. a qual apresenta um maior desenvolvimento econômico em razão das instituições e do sistema legal. Os Romanos foram criadores de um sistema de leis e construtores de instituições que objetivavam o controle. Glade (1969) explica que a cultura Norte Atlântica .North Atlantic Cultural Continuum . A moderna tradição democrática inglesa é originária de conceitos de direitos autônomos sujeitos a uma lei geral. em decorrência dos problemas do imenso império. segundo o mesmo autor. mas. a constituição foi uma herança da Inglaterra complementada por um consistente modelo ideológico. que apresentava uma forte similaridade com a organização das instituições Romanas. as regras impostas foram uma herança estrangeira de um sistema centralizado e burocrático. O constitucionalismo descentralizado desenvolveu um princípio flexível de ordem em que a harmonia de interesses pré-estabelecida foi uma importante base. Os Estados Unidos da América foram estabelecidos sob os princípios de uma lei com autonomia para incrementar o desenvolvimento econômico. 23 North (1990) discute sobre a evolução da economia Latino-Americana. no caso da América Latina. no caso dos Estados Unidos da América.Iberian Cultural Continuum . elaborando um paralelo com a economia Norte-Americana. O mesmo autor discute a herança cultural Ibérica . . os colonizadores eram livres para desenvolver sua própria economia sem restrição aos direitos de propriedade. tanto na lei – direito – como na burocracia. No caso da América do Norte.promoveu um diferente senso de lei.

Este sistema foi caracterizado por uma centralização do poder e um amplo complexo burocrático profissional para garantir a colonização do Novo Mundo.1 Instituições e governança corporativa Pode-se descrever características gerais de governança corporativa de empresas como uma conseqüência do ambiente institucional.o mesmo sistema meticuloso de organização burocrática administrativa. Também o autor descreve que o poder estava presente na América Latina por meio da hierarquia civil. estabilidade. controle e hierarquia. os países ibéricos construíram no Novo Mundo – América Latina . as instituições e as leis permitem um rápido desenvolvimento capitalista com leis e organizações flexíveis. 2. a estrutura institucional na América Latina foi desenvolvida baseada em uma forte tradição legal. 1969). legal e cultural. Shleifer e Lopez (1998) discutem organizações e mostram que . La Porta. No segundo caso. e assim a arquitetura organizacional reflete também este ambiente de inflexibilidade. Assim. Desse modo. os Estados Unidos da América e o Canadá apresentam ambientes institucionais diferentes dos países da América Latina. No primeiro caso. 24 Desta forma. com ordem. que não apresentava maior flexibilidade. o desenvolvimento depende dos controles burocráticos e de uma rígida hierarquia. ou valores conservadores associados com uma matriz institucional inflexível (Glade. religiosa e militar. Este ambiente é também responsável pelo processo de desenvolvimento e por características na arquitetura de organizações.

Em países de fraca proteção legal. 25 países de tradição do direito francês apresentam uma menor proteção ao investidor. há dificuldades para a abertura da propriedade – ou capital . não há maiores garantias ao direito de propriedade. a proteção ao direito do acionista estimula o mercado de ações. Nesses países. como a . uma concentração desta propriedade em mãos de poucos controladores. também há a possibilidade de haver. as organizações tendem a apresentar uma estrutura de poder concentrada. pois. Este fato não seria benéfico. Onde a legislação e o direito permitem maior proteção aos direitos de propriedade.nas empresas. a possibilidade de controle implica a probabilidade de que este acionista venha a se beneficiar deste controle. de tradição do direito latino. Pedersen e Thomsen (1997) dissertam sobre a estrutura de propriedade de empresas na Europa e correlacionam a dispersão de propriedade. No Brasil. ou seja. no futuro. há maior pulverização destes direitos nas empresas e maior segurança. que oferecem níveis mais altos de proteção. há uma maior concentração de poder em poucos acionistas nas empresas e um menor número de empresas com capital aberto em mercados financeiros. uma vez que há uma estrutura legal fraca. em empresas de estrutura de propriedade pulverizada. uma vez que a proteção contra a expropriação. como este nível de proteção e de garantias aos investidores não ocorre. uma menor proteção ao credor e também uma menor proteção quanto à aplicação da lei e. quando comparados com países de outras tradições do direito. isto é. assim.

26

colocação de ações em mercados ou a divisão de poder em alianças estratégicas,

ao índice de individualismo na sociedade. Sociedades de cultura mais

individualista tendem a apresentar uma estrutura de direitos de propriedade mais

dispersa, em decorrência da garantia sobre os direitos de propriedade.

Shane (1995) analisa a formação de networks entre firmas e mostra que

esse fato está correlacionado de forma negativa com o índice de aversão ao

incerto, isto é, em países onde esta aversão é mais intensa é menor o

desenvolvimento de networks interfirmas em razão da incerteza. Analisando-se os

dados da World Values Survey (2003), observa-se que, no Brasil em 1995 as

pessoas não expressam confiança no sistema judiciário. Ainda também não há,

entre pessoas, confiança, isto é, os agentes econômicos são muito cautelosos em

confiar em outros. Estes resultados podem ser observados nos gráficos 1 e 2.

60

50

40
%

30

20

10

0
USA Canada UK Irlanda Holanda Espanha Italia Mexico Argentina Brasil
Nação

Sim Bastante Não m uito Não

Gráfico 1. Respostas à pergunta de confiança em justiça em países escolhidos
do mundo em 1995. World Values Survey (2003)

27

No Brasil, 25,7% dos entrevistados não acreditam ou confiam na justiça, e

outros 24,6% confiam muito pouco na justiça. Esses resultados podem ser

comparados com pesquisa da OAB – Organização dos Advogados do Brasil em

2003, (FOLHA DE SÃO PAULO, 2003) que mostra os mesmos resultados, ou

seja, a não confiança nas instituições judiciárias. Foram consultadas 1700

pessoas, 38% declararam não confiar no sistema judiciário e apenas 33,9%

declararam confiar no Congresso Nacional e no sistema político.

100

90

80

70

60
%

50

40

30

20

10

0
USA Canada UK Irlanda Holanda Espanha Italia Mexico Argentina Brasil
Nação

Confia Cautela

Gráfico 2. Respostas à pergunta de confiança em outra pessoa em países
escolhidos do mundo em 1995. World Values Survey (2003)

28

Desse modo, o World Value Survey como também pesquisa da OAB no

Brasil apresentaram resultados coerentes e semelhantes. Também foi analisada

pelo World Value Survey (2003) a confiança de pessoas em outras pessoas. O

gráfico 2 mostra que 94,9% dos brasileiros responderam, em 1995, que são muito

cautelosos em confiar em outros agentes econômicos.

Este resultado mostra que a grande maioria da população desconfia de

outras pessoas, o que pode ser um entrave e um maior custo de transação para a

consecução de transações econômicas entre agentes e organizações ou entre

firmas para a formação de networks.

Assim, deverá haver, segundo La Porta et al. (2000), dificuldade maior para

estratégias empresariais de acesso a mercados de capitais em países onde há

menor proteção aos direitos de propriedade e aos investidores e, por

característica, uma pequena confiança no sistema judiciário e em outras pessoas.

No Brasil, isso ocorre, inclusive, agregando-se a morosidade do sistema judiciário

como agravante.

Também em nível da governança de empresas, a falta de confiança pode

influenciar as relações de contrato. Em ambiente de menor confiança, os contratos

relacionais passam a ser mais importantes que os clássicos, pois apresentam uma

auto-regulação - self-enforcement - e maiores garantias do que a regulação –

enforcement - pelo sistema judiciário, fazendo-se uso do direito.

A justiça e as instituições têm também a função primordial, na economia

das organizações, tanto de garantir os direitos de propriedade como de decisão.

coloca o Brasil em 54º lugar entre 133 países quanto à intensidade de problemas de corrupção. Transparency International (2004). em firmas com dispersão desse direito. Hellman e Kaufmann (2003) em estudos para o Banco Mundial mostram que as desigualdades de influência. ou obrigados. diversos estudos mostram os problemas com fraudes e corrupção. há de se ter estruturas de propriedade eficientes sob o ponto de vista relacional. Instituições. . para garantir os contratos no longo prazo. Blonski e Spagnolo (2002) mostram que entender a interação entre o rígido. em parte devidos às instituições e a problemas com o poder judiciário. neste caso. No Brasil. pela justiça e os contratos relacionais que completam estes de forma flexível e auto-regulada é importante para se entender a lógica das organizações. incompleto e explícito contrato de direitos de propriedade sobre ativos de produção que são controlados. 29 Esta segurança ocorre pela garantia da lei quanto à impossibilidade de concentração de poderes nas mãos de atores com poderes majoritários ou garantindo-se transparência de governança. de empresas nas instituições e na elaboração de políticas ocorrem em países com problemas de confiança no poder judiciário e contribuem para a ineficiência econômica das empresas. Global Corruption Report. são subvertidas em uma situação de desigualdade de influência entre firmas. Desse modo. KPMG (2000) em pesquisa em empresas brasileiras sobre a existência de fraude mostra que 81% das empresas vivenciaram fraudes e 64% acreditam que as fraudes devem aumentar. em não se havendo garantias para os direitos de propriedade e decisão.

licitações públicas e fiscalização tributária como principal fonte de corrupção. descritas anteriormente. Portando. mas também quanto à garantia ao comportamento de agentes econômicos internamente à empresa.9. e menos intensos de individualismo. Entende-se aqui a corrupção segundo Mackinsey & Company e Korn/Ferry International (2001) como um processo envolvendo um administrador público e um agente privado em que estes auferem vantagens indevidas. 30 Portanto. também ocorra um maior grau de corrupção. está em qüinquagésimo quarto lugar e apresenta um índice de 3. o sistema judiciário é importante não só na garantia de direitos de propriedade. portanto. a exemplo dos problemas com fraudes. a exemplo dos problemas com corrupção. Desse modo. . com maior probabilidade de corrupção. Segundo Lambsdorff (2004). devem determinar o escopo de governança e contratos no Brasil. é explicada a falta de confiança no poder judiciário e no sistema de leis que aparecem em pesquisas da World Values Survey e OAB. a Finlândia. Em decorrência destas relações espera-se que. com menor corrupção. assim. o primeiro país listado. como também externamente a estas. em países onde há valores culturais mais intensos no índice de distância de poder e de aversão ao incerto.7 enquanto o Brasil. pode-se considerar que auferir vantagens de alguma forma em relações ou em formas relacionais de contratos pode aparecer associada a características institucionais. apresenta um índice de 9. e que. Quanto à corrupção. o relatório da Transparência Brasil (2003) mostra que o próprio poder judiciário aparece seguido de itens como fiscalização técnica. os menores índices de percepção de corrupção estão associados a um maior nível de corrupção.

. “.”. Por último. em geral. sendo indicados pelo controlador por laços familiares ou pessoais. Em censo nas cooperativas agropecuárias brasileiras. Assim. p. é revelado que há uma estrutura informal de funcionamento dos conselhos.66% tomadas pelo conselho de administração. Assim. já as decisões de investimento são em 64. 31 Pode-se também fazer um paralelo entre estas evidências. quem toma as decisões na cooperativa. produtor rural..27% dos casos é o presidente. O mesmo autor ainda menciona as pesquisas e cita que não há uma divisão de funções entre os conselhos e a diretoria e que há ainda uma escassez de profissionais nos conselhos das empresas. Silveira (2002) cita pesquisas mostrando que há nas empresas brasileiras uma alta sobreposição entre a propriedade e as funções de gestão. os membros do conselho podem representar de forma forte os acionistas controladores. pode-se considerar a proximidade dos resultados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (2003) e as inferências nas organizações cooperativas em decorrência das características culturais da sociedade e de cultura organizacional descritas.45) escreve. a Fundação Getúlio Vargas (1997) mostra que em 41. Assim. Silveira (2002. os conselheiros não são profissionais.. baseadas nas discussões anteriores e evidências de pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC (2003). há nas empresas no Brasil uma forte concentração de poder que ocorre pela indicação de conselheiros pelos acionistas controladores.. também formado . e as empresas não cooperativas no Brasil.

56% são remunerados e estes são em média associados a cooperativas a mais de 10 anos. 54. nas organizações cooperativas. Comparação de diferentes situações institucionais Brasil USA Não World Values Survey Confiança na Justiça Confiança na Justiça + + Não World Values Survey Confiança no Outro Confiança no Outro Relação Contratual Contrato Relacional Contrato Clássico Presumida Self-Enforced Third Part Enforced Quadro 1. Estes dados confirmam que. ocorre uma situação semelhante às empresas e diagnosticada por pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (2003). Apresenta-se duas representações de possíveis influências das características de comportamento cultural nas relações de contrato e governança em cooperativas. com relações recorrentes suficientes para atestar a confiança. O quadro 1 mostra que a situação de aversão a situações incertas no futuro aliada à desconfiança na justiça e em outros atores econômicos influenciam para prevalecer contratos baseados em relacionamentos e que seriam estabelecidos se conhecidas previamente as pessoas em determinada comunidade.33% não apresentam formação universitária. 32 exclusivamente por produtores rurais cooperativados. 76. Comparação de diferentes ambientes institucionais e sua influência em contratos entre associados usuários e organizações. Dos dirigentes. .

a reduzidos custos de transação. incrementado pela relação emocional entre o membro e a sua organização. não havendo a necessidade de existência de contratos clássicos. caracterizados como fontes de distância de poder. Distância de Poder Dirigentes Influência Conselho Cooperativa Funcionários Distância de Poder Membros Influência Usuários e Proprietários Figura 1. A figura 1 mostra em forma gráfica as duas fontes possíveis de exercício de poder e influência. Neste caso. supõe-se que nas sociedades cooperativas ocorra um fluxo duplo de influência. dada a distância de poder presente culturalmente na sociedade brasileira. Representação de fontes de poder e influência em cooperativas. 33 Dessa forma. Supõe-se que esta situação ocorra no Brasil em sociedades cooperativas. . esta relação seria monitorada pelas próprias partes.

como também devido às falhas de definição e distribuição de direitos de propriedade em sociedades cooperativas. nota 4.86. Isso ocorre em função de falhas de monitoramento e controle nas relações de agenciamento. Em pesquisa no estado de São Paulo em 2004. . sendo parte por meio de vantagens em atenção e serviços e parte por meio de melhores preços. os contratos relacionais.14. que os dirigentes de importantes cooperativas agropecuárias atribuem uma nota de alta de importância e afirmam que o maior relacionamento do associado com a cooperativa torna este mais fiel. há o esforço de se intensificar as relações. neste momento. de que a distância de poder é elemento de fundamental importância para se compreender a possibilidade de uso de direito residual na decisão presente nos funcionários das organizações cooperativas. para introduzir o conceito. o que ocorrerá na próxima seção. para se entender esta situação é necessário detalhar estas características e se proceder a uma análise de direitos de propriedade e de decisão nas sociedades cooperativas. apêndices A e B. Ainda 75% declaram que incentivam a fidelidade. torna este mais influente nota 4. 34 Esta figura é importante. Isto é. atribuindo uma nota de 1 a 5. descrito nas próximas seções.14 e propicia maiores vantagens nota 3. e mais a fidelidade e a freqüência de atividade do cooperado são conscientemente premiados em parte das cooperativas agropecuárias paulistas. mostra- se. Mas.

de transformar e de transferir determinado bem ou ativo. 35 3 ORGANIZAÇÕES COOPERATIVAS E DIREITOS DE PROPRIEDADE 3. esses direitos possibilitam ao proprietário a decisão sobre o . Hart (1995) define que.1 Direitos de propriedade: referencial teórico Eggertsson (1990) define direitos de propriedade como o direito de usar. a propriedade é uma fonte de poder. Grossman e Hart (1986) explicam que nas firmas os direitos de propriedade sobre um ativo são mais bem descritos pela existência de direitos residuais de controle. isto porque contratos incompletos podem indicar problemas de assimetria. entendidos pelos proprietários e pelo estado. na presença de contratos incompletos. Desse modo. O valor de direitos de propriedade exclusivos depende também do custo de se excluir outros do uso ou benefícios deste direito. ambigüidades ou situações não claras no uso de ativos.

que podem implicar direitos. estes direitos. Portanto. Os mesmo autores definem os direitos de propriedade em uma empresa pela existência de direitos em resultados residuais. como as relações sociais. protegidas ou não pela lei. como créditos ou direitos de compra ou venda. 36 uso e disponibilidade de um ativo. a firma pode ser entendida como um arranjo de contratos e ainda sob o ponto de vista de distribuição e definição dos direitos de propriedade. resultados ou retornos que sobram como resíduo após o pagamento de todos os fatores de produção. outros direitos e convenções. muitas vezes. não estão explícitos em contratos escritos. a decisão e o controle deste uso pode ocorrer diretamente por diversos empregados. isto é. que poderão ser exercidos. os absolutos fazem referência a direitos de uso. afiliação nacional ou religiosa são exemplos destes direitos. isto é. O conceito econômico de eficiência no consumo e em firmas está associado à possibilidade de maximização de utilidade e/ou resultados que irá . a propriedade se expressa pela possibilidade de se apropriar destes resíduos. assim contratos relacionais. segundo os mesmos autores. Furubotn e Richter (2000) descrevem os direitos de propriedade como absolutos ou relativos. transformação e transferência de ativos enquanto os direitos relativos fazem referência a direitos contratuais. Ainda em firmas grandes há problemas de que nem sempre o proprietário é aquele quem decide ou tem controle sobre o uso de ativos. Nesta situação. como relações com consumidores freqüentes. Mas. associações políticas. Há. dos direitos a decisão e aos resultados residuais. mas há problemas se estes não ocorrem.

ou marginais deste uso. ou de obrigação - enforcement . sem definição privada de propriedade. Nesse segundo caso. North (1990) explica e conclui que a regulação – enforcement . Dessa forma.desses direitos para internalizar as externalidades e excluir outros agentes fazem com que seja preferível a manutenção de uma propriedade comum. portanto a definição de propriedade passa a ser importante para evitar situação como a tragédia dos comuns. 37 ocorrer se houver claros direitos de propriedade sobre a riqueza inicial. que é função do estado. . A existência desses direitos de forma perceptível e garantida possibilita a eficiência da economia e desenvolvimento. Por outro lado. pode haver a chamada tragédia dos comuns. que deverá ser maximizada. Furubotn e Richter (2000) explanam que a situação de recursos não escassos ou ainda de recursos comuns. ou de monitoramento desses direitos. é diferente. 1996). Essa situação ocorre quando não há uma limitação para uso de determinado recurso. ou de acesso fechado ou restrito como em associações ou grupos. Nesse caso. provocando um sobre-uso e uma má alocação de recursos (LICHBACH. os direitos de propriedade comuns podem ser de livre acesso. fazendo com que todos os atores interessados possam usufruir determinada propriedade sem relevar os custos sociais. sem a definição de direitos privados sobre a propriedade. em uma situação de ausência de custos de transação. é uma força de coerção e habilitada ao monitoramento dos direitos de propriedade. Isso pode ocorrer em organizações com os direitos de propriedade não plenamente definidos. os altos custos de definição de direitos. ou sobre os fatores de produção.de uma terceira parte.

a eficiência e a produtividade. THOMAS. de uso comum de recursos. na agricultura. p. uma idéia de evolução desses direitos de propriedade. que são justificados para não permitir uma 2 NORTH. FURUBOTN e RICHTER. portanto.. argumentam que a maior revolução na história da humanidade foi a agricultura. 229-241. e modificações. evolui para a situação em que deverá haver uma necessária definição de direitos de propriedade. R. possibilitando assim a maximização do uso dos fatores de produção.C. Os autores ainda consideram que a emergência de direitos de propriedade implica maior e mais rápido desenvolvimento econômico. Economic History Review. North e Thomas2 (1997 apud. 38 pois impede o crescimento da incerteza entre os atores econômicos. The first economic revolution. estas atividades são de difícil mensuração e fazem crescer os custos de governança. são influenciadas pela necessidade de eficiência econômica. que não incentivava o desenvolvimento tecnológico e o aprendizado. Os direitos sobre a propriedade podem definir a distribuição de riqueza e de poder político. Mas. . pois ocorre uma evolução em que a exploração de recursos comuns. Eggertsson (1990) discute que a dissipação de renda causada por recursos muito divididos pode ser eliminada por arranjos organizacionais coletivos. v 30. bem como a minimização de custos de transação. que incentiva e exigi o desenvolvimento. 1977. como a caça. 2000).P. nesta estrutura. Há. D. bem como pelas instituições de forma a propiciar este desenvolvimento.

39

superutilização de recursos – tragédia dos comuns - e que por sua vez, por sua

dificuldade e dimensão - podem anular as vantagens da ação coletiva.

O mesmo autor também evidencia que o principal problema de eficiência

em regimes socialistas foi a ausência de direitos privados de propriedade que,

aliada ao monitoramento e aos custos de agenciamento – agency – entre o

estado, os gestores e os trabalhadores para que o sistema pudesse funcionar, não

foi eficiente o suficiente para proporcionar desenvolvimento.

Deve-se ressaltar que, neste caso particular, não ocorre uma co-

propriedade de fatores de produção, mas sim a ausência de direitos privados

sobre a propriedade, causando um problema grave de governança e

agenciamento.

Uma vez que a estrutura de direitos de propriedade está associada à

eficiência da firma é importante definir as suas características e implicações. No

caso das sociedades cooperativas, objeto desta seção, há uma definição de

direitos em co-propriedade – ou de propriedade comum, que poderá ser restrita ou

não.

Neste caso específico, há também segundo Cook (1995) problemas de

gestão e governança advindos de uma estrutura de propriedade vagamente

definida e, segundo Bialoskorski Neto (1998), uma estrutura de propriedade que

apresenta uma forte path-dependence com as bases de idéias igualitárias e

socialistas deste movimento.

Assim, para o caso das cooperativas, deve-se também recorrer a uma

abordagem histórica para se entender a emergência, distribuição e definição de

direitos de propriedade nas sociedades cooperativas.

40

3.2 Cooperativas e a dependência do passado

As organizações cooperativadas surgem no auge de uma profícua

discussão econômica durante a Revolução Industrial. Os socialistas advogam as

premissas de que a livre concorrência, a propriedade privada dos meios de

produção e o lucro eram os principais problemas da economia e, em conjunto,

estas características conduziam a economia a uma situação de concentração de

riqueza e de exploração do trabalho, assim, fazem com que alternativas

organizacionais a este sistema pudessem ser arquitetadas (BIALOSKORSKI

NETO, 1994)

Entre os socialistas científicos, a obrigatoriedade da sociedade em comum

e a obrigatoriedade da cooperação eram pré-condições fundamentais do sucesso

pós-revolucionário. Entre os utópicos, as cooperativas aparecem como uma forma

viável de organização do setor produtivo que respeitava a básica ordem de

liberdade de escolha e de livre organização, substituindo a propriedade privada

pela co-propriedade de meios de produção e pela co-operação destes meios

(HUGON, 1970).

A organização cooperativa é então idealizada também como uma resposta

às condições econômicas vigentes durante a revolução industrial e por influência

direta do pensamento socialista utópico. A organização da produção e a

distribuição de riquezas em um ambiente sem concorrência e lucro eram o objetivo

principal. De acordo com os socialistas, a supressão da propriedade privada seria

de fundamental importância, uma vez que os direitos de propriedade privada sobre

41

os fatores de produção é que possibilitavam a geração da mais valia, a exploração

do fator de produção trabalho e, portanto, permitiam a concentração de riquezas.

A cooperativa de consumo em Rochdale, que serviu de modelo

organizacional para o cooperativismo moderno e para o modelo chamado de

Rochdaleano, era organizada de forma a diluir os direitos de propriedade

individuais em uma organização socializada. Essa foi idealizada por alguns

tecelões de forma a permitir a internalização para a sociedade cooperativa dos

excedentes gerados pela intermediação do consumo, para em um momento

posterior permitir também a socialização da produção. Essa era a base

revolucionária socialista utópica de transformação da economia iniciando-se pela

via do consumo.

Dessa forma, a organização passa a ser construída de forma a não

reproduzir os erros capitalistas da propriedade privada, do lucro e da livre

concorrência. Tem-se na organização a base igualitária de a cada membro um

único voto, ou uma única parcela de direito de decisão, independente de seu

tamanho econômico ou de participação. Ainda, tem-se a idéia básica da

distribuição pro-rata de resultados econômicos aos membros, proporcionais,

então, à atividade – trabalho – de cada um e não proporcional ao capital, subscrito

de forma igualitária. Este princípio implica que o direito de propriedade ao resíduo

das operações somente ocorrerá se existir sobras, e se estas não forem re-

investidas na sociedade ou orientadas a fundos comuns.

Fato é que a organização cooperativa tem como lógica econômica

fundamental a não definição de direitos de propriedade individuais, de forma a

manter o escopo socialista da organização, e a idéia também básica da ausência

free rider . Esse problema é importante uma vez que.em que os benefícios da cooperativa acabam por beneficiar também membros não cooperativados que não têm atividades e custos para com a organização. também pode causar problemas de incentivos de participação. Neste caso. há possivelmente menor participação econômica na cooperativa. segundo o mesmo autor. se percebido por outros agentes. mas que se beneficiam dos resultados econômicos desta organização. Cook (1995) define as cooperativas como organizações com uma arquitetura contratual que apresenta direitos de propriedade vagamente definidos. o que. há problemas do carona . e os benefícios são públicos e comuns. é o problema do horizonte . 42 de lucro. já que a participação gera custos de participação. . os benefícios econômicos aos membros Bm menos os custos de participação Cp tem que ser maiores que os benefícios econômicos de externalidades aos não membros Be. assim. não produz incentivos à participação na cooperativa. em uma análise neoclássica. ou de forma fiduciária ou em atividade econômica. Formalizando-se. Onde este problema é significativo. O segundo problema de direitos de propriedade não definidos. por outro lado. se ocorre Be>Bm-Cp há incremento no problema de carona e uma tendência da cooperativa apresentar menores participações e assim também problemas de eficiência econômica. fazendo com que aquele que investiu na organização.Horizon Problem – no qual há uma perspectiva temporal diferente entre os resultados gerados pela organização cooperativa e de participação econômica de seu membro. Bialoskorski Neto (1998). não se beneficie integralmente de seus resultados.

de cada um dos membros. 43 Assim. Desse modo. . e tenderá ser menor que os investimentos fiduciários ou em atividades. tem-se que a organização cooperativa gera benefícios ao longo do tempo de Bm e parte destes são incorporados em fundos comuns ou sociais Fs em que não há direitos de propriedade individuais. poderá haver investimento realizado com fundos comuns. Assim. modelando-se. uma vez que estes fundos indivisíveis são comuns. e este pode não ser um resultado ótimo para a coalizão de interesse. que irá gerar um resultado para o associado de Bmt+1 – Fs que poderá ser assim ao longo do tempo menor que o valor esperado. há custos pelo fato de que determinado grupo tem o incentivo de exercer influência na geração e distribuição de riqueza. o valor do capital social subscrito pelo associado novo entrante. em conseqüência dos problemas de definição de direitos de propriedade. igualitários. Por último. Assim. e as que são efetivamente adotadas pela sociedade cooperativa. que pode não espelhar o montante de retorno e risco que determinado membro tem como expectativa. poderá não espelhar por inteiro o valor da empresa. poderá haver uma diferença entre as expectativas de portfólio individuais. indivisíveis. O problema de portfólio – Portfolio problem – ocorre pelo fato de que como os direitos de decisão são igualitários e deve haver uma representação. Dessa forma. feitos pelos sócios mais antigos. há problemas de custos organizacionais de influência que ocorrem em função da distribuição de riqueza em conseqüência das atividades econômicas da organização. a geração de benefícios de um determinado agente ao longo do tempo Bmt0 (1+r)n = Bmt+1.

permitiu a existência da propriedade individual. e acabam. bem como o direito sobre os resultados oriundos desta. o membro é proprietário de uma quota- parte. A forma cooperativada de Rochdale. como de modo semelhante também ocorreu na experiência da New Harmony (KNAPP. portanto. Em outras palavras. que se diluem no processo de crescimento econômico. Esse problema de definição é conseqüência de direitos igualitários à decisão na organização. no horizonte temporal poderá não representar uma reserva de valor. não são transferíveis e. não permite um processo de valoração. dependem de decisão. portanto. 1969) . também não sofrem valoração. uma vez que os usuários são ao mesmo tempo proprietários. em essência importante para manter os incentivos à produção e o senso de direitos de propriedade individual ao agente econômico. por isso. como também sobre as decisões desta organização. 44 Esses problemas ocorrem em conseqüência da não definição precisa de direitos de propriedade na organização. O não sucesso dos falanstérios de inspiração Fourierista na experiência Norte Americana foi exatamente por problemas relacionados à distribuição de resultados e à falta de incentivos e prêmios de desempenho. portanto não há de modo transparente o direito sobre a propriedade. e os direitos sobre o resíduo das operações não são definidos claramente. que não poderá ser transferida livremente em mercados e. permanecendo as formas coletivas puras que não permitem o aparecimento de incentivos individuais. enquanto na opção de Fourier esta desaparece. que não irá refletir o real valor da organização e. como uma cooperativa de consumo. também por não incentivar a própria cooperação.

orientadas aos usuários e geridas pelos usuários sem respeitar. 45 Esses problemas tendem a ser resolvidos pela adequação dos direitos de propriedade em cooperativas. principalmente. A cada membro. apontam a chamada Nova Geração de Cooperativas como uma forma organizacional capaz de definir de forma mais precisa os direitos de propriedade e. por exemplo. que podem ser perfeitamente substituídas por outras formas societárias. ou de decisão ou ainda quanto aos resultados. como as sociedades anônimas ou organizações que. que estas tentativas de definição da propriedade privada em organizações cooperativas passam a romper com a lógica socialista e não justificam a presença dessas formas organizacionais. determinando os direitos de propriedade privada. portanto. Esses pressupostos são diferentes das idéias socialistas científicas – . as idéias igualitárias socialistas. e a cada membro uma participação nos resultados de acordo com seu trabalho. incentivos e direitos de propriedade A idéia igualitária nas organizações cooperativas é um legado das discussões utópicas socialistas. no entanto. Mas. Isto é o que pode ocorrer em sociedades por ações. a todos os membros as mesmas oportunidades. o mesmo direito de decisão na organização. Chaddad e Cook (2002) mostram uma tipologia de cooperativas em que alguns desses problemas são resolvidos pela proporcionalidade de investimentos.3 Igualitarismo. participação econômica. 3. fato é. possam continuar sendo de propriedade de usuários. de minimizar estes problemas. Cook e Iliopoulos (1998) também discutem como estes problemas podem ser resolvidos e.

Caracterizada a essência socialista da organização cooperativa. proporcional ao trabalho e. A segunda. Desse modo. para os socialistas. mais eficiente. se o membro A tem um produto mais eficiente ou de mais qualidade que B. esta premissa socialista pode conter princípios de exploração. menos eficiente. se X. bem como as decisões tomadas neste sistema de votos podem ser viesadas e . menor economicamente ou menos participativo e ativo seu poder é proporcionalmente menor e injusto. e recebe o mesmo em sua participação econômica pro-rata das operações ocorre que A recebeu proporcionalmente menos que B e que B recebeu proporcionalmente mais. Segundo Roemer (1996). para os comunistas. O mesmo pode ocorrer quanto aos direitos de decisão. ou economicamente maior ou ainda mais participativo e ativo. O primeiro é que para os comunistas há a obrigação da cooperação. diferença importante. e para os utópicos. portanto há a exploração de A – mais eficiente – por B menos eficiente. poderia ser entendida como segundo as necessidades de cada membro. o igualitarismo nas oportunidades e no direito a participação proporcional aos resultados não é economicamente benéfica e pode indicar uma exploração socialista no sistema. mas de cunho igualitário nos benefícios e nas decisões. nas cooperativas deverá haver um tratamento igualitário aos associados. a participação econômica é proporcional ao trabalho. é aceita a cooperação livre – voluntarismo. é que a participação nos resultados é. segundo Roemer (1996). Nesse sistema. tem o mesmo peso e proporção de voto que o membro Y. 46 comunistas – por dois aspectos relevantes.

tornando-se. para minimizá-lo. há a tendência de se viesar o processo decisório para soluções não ótimas para a sociedade. se a eficiência de seus membros apresenta uma distribuição normal. com a conseqüente aplicação destes em prestação de serviços. estes terão logicamente um menor número de votos e. por meio de remuneração adequada e. 47 orientadas aos menores economicamente e/ou menos eficientes e/ou menos ativos. assim. Desse modo. também igualitário. Se em uma organização cooperativa. acabam por haver a participação diferenciada na participação pro-rata quando a qualidade também é levada em consideração. Quanto ao processo de tomada de decisão. continua havendo a exploração dos mais eficientes uma vez que estes geram excedentes de eficiência na organização que são apropriados pelos menos eficientes. nos . há a tendência destes serem utilizados em maiores proporções pelos menos eficientes. alterando a participação proporcional aos resultados. ainda neste sistema. há 100% de participação no processo decisório. os mais numerosos são os menos eficientes. Esse fato é conhecido das organizações socialistas e. Mas. os não eficientes serão majoritários. Mas isto não considera a participação. e se aqueles que se encontram à margem direita do desvio padrão desta distribuição são os mais eficientes. portanto. Esse igualitarismo. Na hipótese de não distribuição fiduciária pro-rata de resultados. a forma igualitária não contém incentivos contratuais aos eficientes. neste processo. assim se. mais uma vez injustas. assim. este não leva em conta tanto a eficiência como o tamanho econômico.

3. idealizado por Fourier. mas permitia algumas diferenças como a presença do capital e a remuneração ao talento. cujo controle é efetuado pelo fator de produção trabalho e não capital. este sistema permite entender como remuneração ao talento. cuja distribuição de benefícios se dá pela . O Falanstério. se os mais eficientes se sentem explorados pelos menos eficientes e abandonam a coalizão de interesses há uma tendência das cooperativas caminharem em direção à ineficiência. Lauschner (1993) define cooperativas como organizações cujo objetivo principal é possibilitar condições de trabalho para os seus membros. Assim. e não objetivos econômicos de lucro ou receitas. pode haver alternativas. Encontra-se aqui uma forma de tornar o igualitarismo mais justo e de não permitir a exploração socialista na organização. o talento do associado. a atividade e. era organizado de forma similar à cooperativa Rochdaleana. pode impedir o incremento da eficiência econômica da organização. 48 direitos de decisão. uma vez que a participação do fator de produção capital é remunerada.4 Os fatores trabalho e capital e direitos de propriedade As cooperativas são organizações diferentes das empresas com objetivo de lucro. logicamente. um sistema de remuneração que tenha em conta a participação. Nesse caso. permitindo a diferenciação daqueles que investem de modo diferenciado. entre estas. e ainda. havia idealmente a remuneração proposta de cinco doze avos ao trabalho. 1901). de quatro doze avos ao capital e de três doze avos ao talento (FOURIER.

pagar por riscos. tanto que a conta de capital social e de fundos indivisíveis expressa a idéia de um capital coletivo voltado à organização coletiva. 49 proporção de trabalho e não pela proporção de capital na empresa e. por último. por apresentar abundância do fator de produção trabalho. influenciado diretamente pela discussão socialista utópica. o lucro e a propriedade privada. necessariamente. economicamente lógica. o capital – como fator de produção – sempre apresentou a característica de estar subordinado ao fator de produção trabalho e assim aparece como elemento secundário da estrutura. Nessa experiência. ou seja. Nesta definição. segundo Lambert (1975). ou ainda aceitar a presença de investidores. no entanto. o capital acaba por não representar mais algum direito de propriedade privada por parte do membro. A idéia foi de que o capital deveria ser gerado na organização e redirecionado para o seu crescimento. um tipo de organização que. do privado ao comum. como arrendar capital sem. arrenda o fator de produção capital. há o tratamento do fator de produção capital em níveis coadjuvantes na organização e sem um lugar de destaque. faz . por uma economia igualitária. organiza-se de forma a substituir a concorrência. O movimento Rochdaleano. mas somente um direito coletivo. Nesse sentido. Nesta migração de função. pode-se encontrar um dos principais problemas dos empreendimentos cooperativados. Essa caracterização. A idéia de fundos indivisíveis e de um capital social não remunerado de acordo com o mercado financeiro – ou em essência taxas de juros limitadas – conduzem a parte privada de capital no empreendimento a uma constante depreciação e migração deste para a apreciação da parte coletiva e comum do capital. ceder controle.

ou seja. por conseguinte. por outro lado. com a diferença de que os investimentos são alocados na proporção de utilização e uso apenas pela parte dos membros da sociedade que irão usá-lo no futuro. as chamadas cooperativas tradicionais. segundo os mesmo autores. 1901). 50 com que somente aquele agente econômico interessado na produção encontre incentivo de participação. organizadas como as cooperativas tradicionais. isto é. As cooperativas podem ser classificadas. ocorre na forma de organização. A diferença. os benefícios serão alocados pro-rata da utilização e proporcionalmente ao investimento. na verdade. Como o investimento é proporcional. cooperativas de investimentos proporcionais que são. como em outras oportunidades o capital resultante das operações é distribuído pro-rata ou preferencialmente reinvestido na cooperativa. em decorrência da alocação dos direitos de propriedade e do capital. mas também é permitido a presença e o tratamento diferenciado ao fator de produção capital (FOURIER. Na lógica organizacional de Fourier. em que os investimentos ocorrem de modo coletivo. A . inicia-se a classificação com as cooperativas de propriedade exclusiva de membros. que substituiriam as transações de mercado. do lucro e do mercado por um sistema mais justo e igualitário e deveria ocorrer por meio do incentivo a organizações econômicas cooperativadas. de acordo com Chaddad e Cook (2002). a utilização prevista e os benefícios gerados são distribuídos pro-rata. Porém. Assim. o desejo da substituição da concorrência. os princípios básicos de cooperação são expressos da mesma forma que em Rochdale. O fator de produção trabalho é importante. há também.

que esta diversidade é possível em países onde a flexibilidade da legislação e o entendimento da organização cooperativa permitem o aparecimento destas formas híbridas. Esses direitos são transferíveis e valorados em mercado. por exemplo. o aparecimento destas formas flexíveis. 2004b). o membro recebe também a dimensão de investidor na cooperativa e não somente de usuário (BIALOSKORSKI NETO. 51 seguir. dos Estados Unidos da América ou do Canadá. ou como as cooperativas que transformam o seu capital social de modo a abri-lo em ações transacionáveis em mercado de capitais. sendo que essas cooperativas mantêm um quadro fechado de associados (BIALOSKORSKI NETO. em essência. . ou seja. toda forma de relação entre os fatores de produção capital e trabalho tem apenas que obedecer a este princípio geral. Deve-se notar. como também. Assim. as cooperativas de membros- investidores que são aquelas que acabam por remunerar as quotas e a distribuir resultados econômicos em proporção às cotas e não somente às operações. por último. um sistema de direitos econômicos que permite ao sócio operar com a cooperativa. as cooperativas de quadro associado não restrito exclusivamente aos membros são organizações classificadas a partir de alianças estratégicas de cooperativas com empresas não cooperativadas. e cujos benefícios gerados são para os membros. onde o controle é efetuado pelo membro. 2000). onde a organização cooperativa é definida como organização de propriedade do membro. é definido um terceiro tipo de cooperativa. Ainda. Esse é o caso. no entanto. permitindo. A chamada Nova Geração de Cooperativas apresenta por sua vez não só investimentos proporcionais.

referem-se à diferença entre os pagamentos fixos e aqueles dependentes da performance na remuneração dos agentes. espera-se que o nível de monitoramento e participação deste membro associado possa ser maior. como há um contrato incompleto. que na sua forma tradicional acabam por ser não propriamente definidos (COOK. é necessária a determinação tanto dos direitos ao resíduo como da alocação dos direitos de decisão. Hart (1995) descreve os contratos incompletos e a teoria da firma e atenta para os direitos residuais de controle dentro de uma organização. Pode-se observar que há uma discriminação inicial do capital de investimentos. A definição deste conceito pelo autor é de que os direitos de uso de determinado ativo . 1995). ou uma sobra de poder de decisão para uma das partes. para então permitir que a transação econômica entre o membro e a cooperativa seja valorada e ganhe também uma dimensão econômica nítida. pode também aferir a sua dimensão de proprietário e investidor em uma organização coletiva. sujeitos. Fato é que os direitos de propriedade em uma cooperativa. Para tanto. Dessa forma. passam a ter uma definição cada vez maior. Os direitos ao resíduo – residual claims . uma vez que há como mensurar os seus direitos e sua participação econômica. assim o membro inicialmente usuário. a uma variação estocástica do fluxo de caixa da organização. Se isso ocorre. portanto. poderá haver um direito de decisão não- especificado. 52 Essa classificação permite uma ampla visão de como há flexibilidade de diferentes tratamentos para o capital nas organizações cooperativadas. para então evoluir para a discriminação do direito a dividendos sobre o capital alocado cooperativamente. em nível contratual.

Ainda. Assim há um diferencial entre o valor de $50 devidos inicialmente e o valor de $20 mais os juros. Quando a empresa de capital. onde o participante detém 1% dos investimentos iniciais de $2000. Há. quando se trata de perceber e se apropriar dos direitos ao resíduo. se a cooperativa cresce com sucesso e ganha maior valor de mercado. No cooperativismo. neste caso. uma maximização imediata do associado que pode ocorrer em detrimento dos resultados de seu empreendimento. os direitos a decisão são igualitários. ou seja. um desaparecimento da propriedade privada sobre o capital referente à diferença entre $ 50 e os $ 20 mais os juros. na mesma situação. Em uma cooperativa. o diferencial aumenta e a perda de direitos de propriedade é maior para o associado. de alguma maneira. mas nestas organizações o associado busca a estratégia do maior preço possível de forma imediata. Nas organizações cooperativas. e os resultados dependem das transações. crescer e após um período for valorada a $5000 este mesmo investidor terá $50. aqueles especificados inicialmente no contrato entre as partes. 53 excedem. de . ou seja. não há uma percepção clara sobre a remuneração do capital social envolvido no investimento. o associado terá apenas os $20 iniciais de sua quota-parte acrescidos da remuneração a uma taxa de juros módica durante o mesmo período. Dessa forma. há alguns problemas de percepção e arquitetura para serem resolvidos no cooperativismo. que será certamente menor quanto maior for o sucesso de mercado da cooperativa.

Este valor deve ser subtraído do aumento de capital social por distribuição de sobras que porventura ocorra. por ser este uma organização comum – coletiva – e uma vez que não há mercado para as quotas-partes nesse caso. por parte do membro associado. A lei cooperativa permite a organização de cooperativas com um número mínimo de membros e não permite a negociação de quotas-parte ou relações diferentes com o capital. tornando esta situação comum. há uma única lei nacional que rege as sociedades cooperativas. de sua propriedade na sociedade cooperativa. Mas esta situação ocorre também porque um determinado valor migrou para os fundos indivisíveis.91% das cooperativas agropecuárias remuneram o capital social da cooperativa. mostrou que apenas 40. 3. não se prima por uma definição dos direitos de propriedade. 54 aproximadamente $ 30. que não foi considerada. Pesquisa no estado de São Paulo.4 Governança e direitos de propriedade em cooperativas No Brasil. apêndice A. que entende as . desde o início do século XX. ou ainda porque não é considerado o mercado para o calculo do valor do empreendimento cooperativo. bem como não se incentiva a percepção. ao contrário do que ocorre em outros países. Essa situação não permite novos modelos organizacionais nem a presença de investidores ou do capital de risco nas organizações cooperativadas. Diferentemente das sociedades por ações. No Brasil. nas cooperativas no Brasil. há uma única legislação. em que as bolsas de valores apropriam aos proprietários os direitos ao valor de mercado da empresa. Dessa forma.

em preços ou serviços. mas é contrário e reticente em estabelecer relações formais de contratos. (KRUEGER. com uma parte do capital social indivisível e que tem por objetivo prestar serviços aos seus membros. a responsabilidade do membro é limitada a sua participação de capital na organização. Nesse sistema de contratos informais e relacionais. para a atividade ou para prevenir ações oportunísticas. as organizações cooperativas são edificadas em uma base relacional e informal. é importante que o membro proprietário compreenda as vantagens da cooperação como também os serviços e benefícios. Esse contrato relacional não implica uma obrigação formal do membro associado. de acordo com dados de pesquisa. O risco econômico do negócio cooperativado. mas em direitos desse membro em usar o empreendimento e o negócio cooperativo. O membro recebe os benefícios no mesmo tempo das suas atividades econômicas com a cooperativa. O membro recebe o melhor preço possível pela sua commodity agrícola ou serviços. e não há comumente uma política de distribuição de sobras ou de distribuição futura de resultados capitalizados. não admitindo que ocorra uma participação própria nos riscos do negócio cooperativado. Nas sociedades cooperativas. Não há usualmente obrigações comerciais ou incentivos para a participação econômica. 2003) No Brasil. no Brasil. sem fins lucrativos. é uma responsabilidade da organização cooperativa e não do membro associado usuário. O produtor membro associado é freqüentemente risco averso. 55 cooperativas com base nos princípios Rochdaleanos. apêndice A e B . como uma sociedade simples. admite a relação informal de contrato. Como este capital – como exposto .

No caso de organizações cooperativas no Brasil . este usuário não espera por distribuição de sobras ou redistribuição futura de seu capital social. variável importante em uma nação onde a confiança em outras pessoas é cautelosa. Furubotn e Richter (2000) explicam que o sistema Romano de leis utiliza o termo de direito de propriedade apenas para bens tangíveis – ou objetos físicos – direitos de propriedade absolutos. O membro entende unicamente a dimensão de usuário de uma organização de características públicas – comuns. ocorre um senso de coisa pública comum a toda a coletividade. os quais podem inclusive se constituir como uma limitação à participação do associado em sua cooperativa. inclusive sendo ao longo do tempo proporcionalmente diminuída se o empreendimento apresentar crescimento econômico e eficiência. e não uma dimensão de propriedade privada e exclusiva. As cooperativas no Brasil incrementam como estratégia a dimensão do associado usuário. essas características são reforçadas pelo fato de que nesse tipo de relação de contrato. As características das organizações e da cultura não incentivam relações formais e contratos clássicos. a função do sistema judiciário é diminuída e este contrato baseia-se na confiança mútua entre pessoas. 56 anteriormente – não é valorado proporcionalmente ao crescimento do empreendimento no mercado. Assim. baseado principalmente em contratos relacionais e informais. Assim. não permite a intensa percepção de direitos de propriedade privados. Esse arranjo contratual. Essa situação pode ser benéfica para atores econômicos com aversão ao risco como ocorre freqüentemente com os produtores rurais. Desse modo. também a responsabilidade do associado não é aumentada.

uma sociedade de características culturais de comportamento social mais coletivista. uma vez que as devoluções ou a participação em capital. Isso pode ser melhor para o membro cooperado. menores preços pelos insumos. Os cooperados tendem a não confiar plenamente na liquidez futura da cooperativa. . ou um maior leque de serviços de análise de solos. uma vez que a organização pertence a todos da mesma maneira igualitária. em um senso de propriedade comum ou bem público. Há cooperativas que não remuneram o capital próprio do cooperado e assim os direitos privados ao capital social apresentam a tendência de diminuir quando comparados ao mercado financeiro. Freqüentemente. a organização cooperativa é percebida como um bem público. poderá ser pior que os benefícios imediatos mesmo que menores. o membro não espera por devoluções de capital em razão da função objetivo das cooperativas de maximizar a prestação de serviços e preços. o membro não tem porque esperar a devolução futura de seu capital pelas cooperativas. em tempo. em um futuro incerto. fertilidade. principalmente em uma sociedade que apresenta como traço cultural a aversão ao incerto no futuro. recomendações e outros. assistência técnica gratuita. mais uma vez. 57 pode não ser claro o que são bens tangíveis. melhores condições de crédito. em decorrência das taxas de juros e do processo inflacionário na economia. comum à comunidade. No Brasil. Cooperativas não têm atenção especial a programas de devolução de capital e os membros focam a sua atuação em serviços imediatos e vantagens de maiores preços pelos produtos agrícolas. Portanto.

onde se percebe essa movimentação. possivelmente como lógica e estratégia organizacional. assume a dimensão de direitos públicos sem uma definição clara dos direitos de propriedade privados sobre o capital. há um contrato inicial de associação do membro. No Brasil. Mas. Mas. Há uma relação livre e uma intensificação de Direitos de Propriedade Vagamente Definidos – Vaguely Defined Property Rights - definidos por Cook (1995). 58 A cooperativa. há evidências de que as cooperativas no Brasil continuam na direção da permanência e do fortalecimento da não definição de direitos privados de propriedade. as cooperativas não se movem na direção da definição de direitos de propriedade privados por limitações institucionais. Isso garante a dimensão do cooperado usuário e a estrutura de capital da cooperativa. 2000). observa-se uma maior proporção de contratos relacionais e informais. como no caso dos Direitos de Entrega na Nova Geração de Cooperativas passa a haver um compromisso entre o membro e a cooperativa que implica obrigações e na maior incerteza quanto ao futuro para o associado (BIALOSKORSKI NETO. diferentemente de cooperativas em países de tradição anglo-saxão como a América do Norte ou o Norte da Europa. as relações são informais e livres. mas não há outros contratos que o obrigam a transacionar na cooperativa. por outro lado. não há exigência de fidelidade ou de compromisso de entrega. Nas cooperativas tradicionais. por estratégia cultural. quando a cooperativa define os direitos de propriedade e se move em direção de contratos formais. .

reflexo de uma ambiente cultural particular e uma estratégia organizacional. até que as instituições se modifiquem. ou se é uma lógica específica dessas organizações. tem-se que recorrer à lógica exposta anteriormente dos padrões culturais e das instituições (HOFSTEDE. MILLER. e o foco embebido no capital social na comunidade – embeddedness . 2001. como será exposto na seção seguinte. informais e relacionais. 2002a). inclusive aquelas advindas de direitos residuais a influência que ocorrem como incentivos contratuais à participação e possibilitam. 2002b). Como essa situação de não definição de direitos de propriedade pode implicar problemas organizacionais em cooperativas. . NORTH 1990) ou.self-enforcement . segundo Cook (1995). a informalidade. aos agentes econômicos. pode- se ainda colocar a questão se a base de contratos relacionais nas cooperativas brasileiras é uma questão temporária inerente a um estágio evolutivo da organização.em contratos formais (LAZZARINI. 1985) são apenas algumas das importantes e particulares características. ou à função de contratos relacionais de incrementar a auto-regulação . A hipótese é de que há uma lógica organizacional particular em que a confiança. a intensidade de relações sociais.(GRANOVETTER. MILLER. obter maiores benefícios das organizações cooperativas. deve-se recorrer à lógica social de incerteza de valor de troca (LAZZARINI. pois em decorrência da não definição de direitos de propriedade há comportamentos informais que permitem uma maior flexibilidade de relações. ZENGER. 59 Para explicar essa diferença de necessidade de definição de direitos de propriedade ou de entendimento e presença de contratos formais. ZENGER.

1 Referencial teórico: contratos informais relacionais Coase (1937) discute a importancia da consideração dos custos de transações para explicar as relações internas e externas à organização. organizações são criadas em decorrência direta das oportunidades geradas pelo ambiente institucional. 60 4 CULTURA E ORGANIZAÇÕES: AS RELAÇÕES ENTRE COOPERADOS E COOPERATIVAS 4. nas organizações. Hart (2001) analisa a firma como uma . Instituições podem oferecer oportunidades para a sociedade. North (1990) discute a importância de instituições para diminuir a incerteza e estabelecer uma base estável para as relações. Assim. Por outro lado. Instituições são as regras do jogo e. e organizações são criadas para tirar proveito dessas oportunidades. os custos de transações aumentam se há uma ineficiente distribuição dos direitos de propriedade (NORTH 1990).

ou ainda. nos contratos formais. Essa situação acontece devido à racionalidade limitada dos atores econômicos e à impossibilidade para se prever. ou obter renda deste ativo. ocasiona direitos residuais ao controle e direitos residuais aos resultados (HART 2001). os direitos para transferir este ativo para outros atores econômicos. quando os empregados ou outros agentes podem decidir sobre como usar os ativos sem uma clara regra contratual formal. bem como de problemas de alocação de direitos aos resultados residuais (COOK. 61 organização na qual também ocorre a incompletude de contratos e assim há a alocação de direitos residuais de controle e decisão. Em especial. e assim esta não definição implica intensos direitos residuais de controle e decisões. criando dificuldades para a edificação de um arranjo contratual eficiente. e se não há direitos claros para a apropriação dos resultados ocorrem também direitos residuais à renda gerada pelos ativos cooperativados. A distribuição dos direitos de propriedade. todos os . ocorrem direitos residuais ao controle. Eggertsson (1990) define direitos de propriedade como sendo os direitos para se usar um ativo. nas organizações cooperativas. A falta de programas de distribuição de sobras ou de retorno do capital social ao cooperado fazem intensificar a situação de direitos residuais aos resultados. 1995). Ainda. Há problemas para se definir os direitos de propriedade em organizações cooperativas. esses problemas podem aumentar com a incompletude contratual. Quando os recursos ou os direitos são transferidos entre os agentes econômicos. na presença de racionalidade limitada e na incompletude contratual. ocorrem custos de transações.

Assim. é que os contratos informais e relacionais facilitam a auto- regulação das dimensões não contratuais. Essas transações. mas os contratos relacionais baseiam-se em resultados que são observados apenas pelas partes contratantes. Gibbons e Murphy (2002) tratam os contratos relacionais como acordos informais e códigos não-escritos de conduta. estes contratos informais de baixo custo são um mecanismo importante para incentivar a cooperação. Miller e Zenger (2002b) abordam que há uma função complementar entre regras formais e informais. Baker. Porque é impossível prever e acordar antecipadamente em todas as eventualidades futuras. também possuem uma relação intrínseca com a dependência bilateral das partes contratuais. Há uma terceira parte para verificar. Nesses tipos de contrato. 62 eventos futuros. esta situação. Lazzarini. contratos informais. Esses autores explicam que é necessário entender a racionalidade limitada para analisar as imperfeições contratuais. Essa imperfeição oferece a chance de expor relações contratuais ao oportunismo. monitorar e regular os contratos formais. Outro fato importante. sendo auto-regulada. e assim não se tem evidência de que contratos formais possam substituir normas sociais. há um grau implícito de características informais e não-obrigatórias. de não previsibilidade. que afetam o comportamento de indivíduos dentro das organizações. causa altos custos de transações. ou que contratos informais complementam os contratos formais incompletos. . Furubotn e Richter (2000) estabelecem que contratos relacionais podem ser entendidos como contratos que não tentam levar em conta todas as contingências futuras.

Por outro lado. Para contratos informais e relacionais. a primeira é a confiança calculada – calculative trust . Nesse caso. respectivamente as primeiras são garantias na execução de regras não escritas. Por outro lado.mensurada.é usada no ambiente de contratos incompletos e é tanto autocriada como auto-aplicada e auto-regulada. já que não apresentam uma elaboração formal.que . que tem origem nos contratos formais. tribunal. por sua vez. MILLER e ZENGER 2002a). mas o cooperado. a expectativa social de que as pessoas em geral não agirão de maneira oportuna no futuro. tem direitos de negociar com a cooperativa e ainda. 63 Contratos relacionais podem ser entendidos como acordos de longo prazo entre as partes contratantes. portanto não são regulados por terceiras partes como na presença da justiça. há também a confiança baseada em um conhecimento prévio e relacional e refere-se à expectativa de que determinadas pessoas conhecidas não agirão de maneira oportuna (LAZZARINI. as organizações cooperativas não obrigam o associado a manter relações formais ou informais. Williamson (1996) discute que esta ordenação privada – private ordering . e a segunda é garantia da transação em tempo futuro. Williamson (1996) refere-se a três tipos diferentes de confiança. a segunda refere-se à confiança pessoal -personal trust . a auto-regulação e a confiança mútua são ferramentas importantes. isto é. incerto. Esses contratos são regulados pela comunidade e pelos grupos em uma ordenação privada e. direitos de propriedade sobre esta organização. confiança pode ser entendida como uma característica geral da sociedade.

Organizações de cooperativas podem ter a vantagem desse elo social. parentes. Também. 64 tem origem no conhecimento prévio entre as pessoas de determinado local. . Granovetter (1985) discute a sombra do passado que ocorre quando as partes das relações interagem por longo prazo e. mantêm-se as relações no presente confiante nas mesmas relações no futuro. e a terceira e última é a confiança de instituições . avós. portanto. existe uma geração de confiança e um não encorajamento de malevolência ou do comportamento oportunístico.que ocorre devido à confiabilidade do arranjo institucional. como as leis e o sistema judiciário. criam normas para a confiança. bem como o comportamento passado e as possíveis necessidades sociais no futuro. Por outro lado. porque alguns dos membros de uma comunidade específica conhecem a árvore familiar. pais. se organizações têm uma imersão social – embeddedness - definida por Granovetter (1985) como um amplo conhecimento social e elo entre atores. Esse é o caso de redes e também pode ser o caso de cooperativas. em contratos informais e relacionais freqüentes. Miller e Zenger (2002a) descrevem a importância da sombra do passado e da sombra do futuro na preservação das relações e na cooperação entre os contratantes. existe a sombra do futuro que ocorre em um compromisso no presente devido à incerteza das relações no futuro e às necessidades de ambas as partes contratuais em continuar com as relações. Assim. a reputação de agentes econômicos ocorre em conseqüência da informação do comportamento passado.ïnstitutional trust . Lazzarini.

reduz a assimetria de informação e os custos de transação na comunidade (BIALOSKORSKI NETO. existem relações formais e informais em diferentes proporções. uma lógica contratual específica e assim as relações entre a organização e seus cooperados também é imersa em valores individuais e na cultura da sociedade. Portanto. No Brasil. segundo Glaeser. podem criar capital social. neste caso particular. podem criar sólidas e fortes bases sociais em organizações cooperativas. como também colabora para incrementar este capital e. as cooperativas aumentam as externalidades econômicas . governança e contratos relacionais Nas cooperativas. a cooperativa não é só uma conseqüência do capital social. os membros de uma organização. Esse argumento permite uma redução nos custos de transações. Laibson e Sacerdote (2000) e. 65 Assim. portanto. As cooperativas têm uma forma de arquitetura organizacional particular. 4. hold up e seleção adversa. Do mesmo modo. risco moral. nestas condições de estreitas relações sociais.2 Cooperativas. Essas organizações permitem que produtores tenham poder de mercado e poder de barganha para controlar níveis de preços em mercados específicos. como oportunismo contratual. como a exemplo das cooperativas que compram insumos em grandes quantidades ou quando colocam no mercado commodities e produtos com valor agregado. 2001). essas organizações estão baseadas em contratos relacionais informais com uma lógica específica.

a subscrição da quota-parte que representa o aceite por parte do novo associado aos estatutos e regimentos da sociedade cooperativa. por outro lado. além de receber benefícios da associação. as financeiras são limitadas pelo montante de capital social. por exemplo. ou seja. como de voto. segundo o princípio de um membro um voto. no entanto. tanto para os cooperados como para não cooperados. têm alguns direitos. por outro lado. os novos membros devem concordar com os regulamentos da cooperativa e. podem também adquirir os insumos transacionados por essas associações e entregar a sua produção. as CPR’s Cédula de Produto Rural – em que os cooperados se obrigam à entrega futura da produção a um determinado preço ou recebem insumos para . 66 positivas em mercados agrícolas. Todos os cooperados têm o direito igualitário de dispor dos serviços. apenas um primeiro e insipiente contrato é realizado. entre outros direitos. O cooperado é tanto dono quando cliente da cooperativa. informações e assistência técnica fornecidos pela cooperativa. Freqüentemente. e o direito de participação. ter atividade econômica com a sociedade cooperativa. haver novos contratos somente em casos especiais. eletivos e temporários. podem ou não. Os cooperados. e os resultados da organização cooperativa são distribuídos em serviços e preços ou pro-rata das operações. Para a entrada na sociedade. O cooperado poderá ter diversas atividades econômicas. independentemente de novos contratos. conforme já discutido. Os cooperados têm também algumas responsabilidades dentro da organização. como. Poderá.

ou em outras palavras. 2000) . a cooperativa objetiva um melhor e máximo resultado financeiro no mercado. estratégias diferentes para seus associados. Nas cooperativas brasileiras. e a cooperativa oferece preços e serviços. ainda o conselho de administração é formado somente por produtores rurais cooperados. sempre um cooperado. Nesse caso. Assim. ou seja. também produtor rural. visando redistribuir as sobras no futuro pro-rata da atividade econômica do cooperado. O conselho representa uma parte dos membros ativos e pode decidir a favor de seus próprios interesses ou de acordo com os objetivos de seu grupo de apoio e coalizão. Essa função objetivo é característica da Nova Geração de Cooperativas nos EUA (BIALOSKORSKI NETO. Não há obrigatoriedade de transações. O cooperado é livre para entregar ou não sua produção para a cooperativa ou para adquirir ou não insumos pela cooperativa. pois o objetivo é maximizar os resultados financeiros para distribuir posteriormente entre os cooperados. Assim. o gestor é o presidente. a cooperativa não objetiva serviços ou melhores preços imediatos para os produtores. A governança na cooperativa é baseada em contratos relacionais de longo prazo entre os cooperados e a organização. não há uma separação entre propriedade e gestão. Uma função objetivo é a maximização de resultados econômicos. A cooperativa pode ter duas funções objetivo. não existe separação entre a propriedade e a gestão dos negócios. 67 pagamento futuro por meio da entrega de parte da produção.

Os benefícios para os cooperados ocorrem nos preços. Nesse caso. e com a falha de controle e monitoramento entre o conselho de administração. apêndice A. a exemplo. é a de oferecer benefícios aos associados por meio de melhores preços para as commodities agrícolas ou para a aquisições de insumos nas lojas. crédito. A outra importante função objetivo. e deste para a esfera dos funcionários. entre outros. apoio técnico. programas especiais de desenvolvimento rural. e sem limites entre a propriedade e a gestão.73% das cooperativas agropecuárias capitalizam as sobras e não distribuem nenhum resultado econômico em dinheiro aos associados. a cooperativa investe no ganho imediato dos membros e não faz distribuições de sobras ou a restituição futura do capital social investido. serviços. informações e tecnologia em tempo. e assim permite ao empregado o direito . funcionários e gerentes profissionais. recente pesquisa. que é freqüente no Brasil. no estado de São Paulo. Relações importantes ocorrem entre o cooperado e os empregados da cooperativa. como análises químicas do solo. informação de mercado. produção de monitoramento por satélite. 68 Deve-se ressaltar que essa primeira função objetivo praticamente não ocorre no Brasil. oferecer benefícios por meio de uma ampla gama de serviços. a cooperativa pode apresentar significativos direitos residuais de decisão em nível dos funcionários prestadores de serviços. e mais. Esses direitos residuais se movem da esfera do membro para o conselho. assim há um retorno da participação econômica em qualidade e em diferentes serviços. mostrou que cerca de 72.

com a presença constante em assembléias gerais. controle e gerência. aliado ao pouco monitoramento dos processos. participante. monitoramento. só ocorre quando o cooperado assim o desejar. . por outro lado. entre outros. Assim. a dimensão de usuário do cooperado representa benefícios. pode influenciar a aplicação dos direitos residuais de decisão sobre os ativos. o comportamento de cooperação nas relações contratuais. o cooperado pode se beneficiar e receber serviços diferenciais. conselhos ou comitê educativo. portanto custo de oportunidade do tempo. sem um significativo e eficiente controle. O livre compromisso nas relações de cooperação . se o cooperado é ativo. isto é. custos de participação e custos para criar relações sociais.entre o membro e a sua organização . Essa situação gera uma lógica de uso dos direitos residuais de decisões e controle dos ativos comuns. mas. Isto é. ou informação. essa ação de comprometimento tem custos para o associado. e está presente na cooperativa. Nas cooperativas. o membro tem a vantagem dos benefícios da dimensão de usuário que não implica custos de participação. atenção.isto é. prioridade. as dimensões de membro proprietário e de membro investidor representam custos de participação. 69 residual de decisão sobre o uso de ativos. Por outro lado. ele gera a possibilidade de criação de contratos informais e relacionais e adquire um direito a influência. Essa lógica econômica determina que os benefícios de influência e os direitos residuais de decisões sobre os ativos devem ser significativos para incentivar o cooperado a ter esse comportamento e custos. como custos de transações. Desse modo.

porém. Esse custo ocorre pelas decisões em conseqüência da influência. por outro lado. O segundo foco. 70 A lógica econômica determina o objetivo do membro na dimensão de usuário. particulares e não em função da organização ou do objetivo de eficiência organizacional e. com o objetivo de obter benefícios adicionais da alocação dos direitos residuais de decisão sobre ativos na . refere-se ao fato de que o membro associado mantém relações informais e relacionais. definida como os direitos de poder influir para usar os direitos residuais na decisão de uso dos ativos passa a ser um incentivo contratual importante no processo de participação e de contratos relacionais. o primeiro é o custo de influência. os benefícios de direitos residuais à influência. descrito neste trabalho. que está sendo conceituado como direitos residuais à influência. assim. a atenção e o privilégio no processo de informação e de distribuições dos serviços. os custos de monitoramento são altos e a distribuição de serviços para o associado pode apresentar maior complexidade. dois focos distintos no problema e na discussão da influência que devem ficar claros. de interesses próprios. conseqüência característica dos problemas com a definição não-clara dos direitos de propriedade. Nesse caso. Custos de influência são escolhas ineficientes na organização em decorrência de grupos de pressão ou de interesses próprios da direção. Há. Assim. Essa característica pode ocorrer com mais intensidade se a cooperativa possuir um maior número de sócios. descrito por Cook (1995). são decisões que têm benefícios para só uma parte dos membros. os direitos residuais à influência são importantes para aumentar a prioridade.

Parada Júnior e Moglia (2004) apresentam uma pesquisa com mais de mil membros da CAROL. e a sua decisão de escolher e manter as relações de transação com a cooperativa.mostra um compromisso especial entre os associados.auto-regulada . desde que ambas as partes das relações contratuais estejam esclarecidas disso. a maior cooperativa de grãos no estado de São Paulo. portanto. Os cooperados podem ter confiança na cooperativa. se for necessário. pode ser uma característica contratual na particular arquitetura de governança. e este tipo de relação contratual de longo prazo . entre outros. . Este. 71 organização. Os contratos relacionais informais permitem ao cooperado minimizar os custos de transações. A presença de direitos residuais a influência é crescente na situação de uma estrutura de governança com alta proporção de contratos relacionais informais. na qual os membros declaram que o principal motivo para manter operações econômicas com a cooperativa é a confiança na qualidade da pesagem e a confiança na informação. Assim a razão principal para não se manter relações econômicas e o compromisso com a cooperativa são os melhores preços dos intermediários competidores. o cooperado poderá procurar preços e oportunidades melhores e até transacionar seu produto com o mercado. Confiança também é importante para incentivar a relação do associado com a sua cooperativa. mas essa confiança não representa uma obrigação para que ele tenha transações para com a cooperativa e.

Algumas cooperativas agrícolas promovem comitês educacionais em comunidades de produtores rurais para incentivar a participação do associado. em sociedades de traços culturais de um comportamento social mais coletivistas. podendo conturbar a gestão da cooperativa. 72 Assim. em função de problemas de definição dos direitos de propriedade. Talvez. em maioria. não permitem essa estratégia e argumentam que os comitês educativos incentivam somente as relações sociais que implicam o crescimento do poder político na comunidade. em outras palavras. contratos relacionais informais podem promover um compromisso diferente em proporção aos direitos residuais a influência. isso possa causar uma nova distribuição de direitos residuais a influência entre associados e essa é a razão de distúrbio. sucesso. Se a cooperativa mostrar eficiência no desempenho econômico. o cooperado não necessitaria investir seu tempo e seus recursos em participação ou incrementar a sua influência. Por outro lado. há aquelas que. e maior compromisso com a eficiência. Por outro lado. por exemplo. desligar da organização o produtor rural ineficiente. algumas cooperativas preferem o risco de liquidação e tentar a ajuda incerta do governo que romper com contratos relacionais informais entre os associados e. Essa situação pode ser modelada e analisada. A hipótese principal é que a lógica de influência existe por causa da presença dos direitos residuais de decisão em organizações coletivas. o fluxo de informação e promover contratos relacionais. Os contratos relacionais e o compromisso social têm uma lógica particular e diferente também. .

portanto. 4. os benefícios dos resultados financeiros. . os benefícios dos direitos residuais a influência nos resíduos. os benefícios de bem-estar. é possível considerar esta lógica como um arranjo específico para minimizar os custos de transações. Direitos residuais a influência na presença de direitos para cooperar são importantes para garantir a participação do associado nas cooperativas e melhorar as relações informais estáveis. provavelmente.3 Modelando a lógica dos contratos relacionais Antes de modelar o problema e a lógica dos contratos relacionais informais em cooperativas. Assim. distinguir a idéia de direitos residuais a influência. permitir que o contrato relacional informal flua livremente e também podem ser descritos como um incentivo contratual à participação dos membros na organização cooperativa. é necessário definir as variáveis principais em condições qualitativas. é também necessário descrever as definições dos diferentes benefícios criados nas cooperativas para distribuir aos cooperados ou à comunidade. os custos de participação e os custos de influência. para entender os modelos. quadro 2. Esse quadro mostra o tipo de variável. e diferenciá-los dos custos de influência que é um problema de governança nas organizações com bases democráticas de decisões. Somente os contratos relacionais informais podem permitir esta situação de incentivo e assim. 73 Então. fazer parte de uma lógica organizacional distinta. os benefícios econômicos. também podem.

benefícios seu incrememnto de interesse tem objetivo sejam ótimos pode diminuir os público e econômico e de Pareto se benefícios aos coletivo nos de mercado.das clara para os quando o benefícios contrato organização de cooperativas. Não é um mercados. na do tempo e atenção na de todos. participação informais. necessidades de outros membros.mas em participar da aos direitos a coletivo particular de melhores resultado diferentes cooperativa. e intensidade de possível que particular dentro presença de quando a não só o de participação estes da cooperativa. serviços. em não no interesse políticas distribuição transações. a atividade associados em um contrato influenciar e membros do em uma econômica cooperativas. influência nas democrático instancias de decisão Esta é uma Este Estes Custos Estes Estes custos são Características externalidade benefício é benefícios são exclusivos do benefícios só de toda a econômica um direito oferecidos membro. distribuições. Definições de variáveis. em em contábil. do modelo proposto. Este ocorrem aos organização. estes não outros. na definidos ocorrem como: nas decisões poder de em caixa – qualidade dos quanto ao em prioridade. Ocorrem em Ocorre com bem-estar do função da informal. de econômico serviços. Possível por confiança em oportunidade adicional. estratégicas. cooperativas em barganha e dinheiro. afetam as ótimo de Pareto. e também do do sistema direito de sistema cooperativo. Estes Este Esta é uma Estes custos Estes Estes custos de Caráter benefícios são benefício é política ocorrem se há benefícios influência Específico inerentes do mensurado especial da incentivos para ocorrem em ocorrem em caráter público de forma cooperativa. mas que afeta a exclusivo do somente aos é um custo cooperados os benefícios todos cooperado e produtores individual para que têm freqüentemente integrantes do proporcional rurais criar e manter direitos de exclusivos aos mercado local. objetivo é o diferenciais em relacional ação coletiva. e relacional mantêm grupo de pressão. privilégio em problema de específicas exercício ou nas políticas tempo das governança. exclusivas aos informações decorrência conseqüência cooperados. de benefícios e custos para os associados. econômica. Este é um públicas no final do informações. estar de outros. se ter função de um termos de – comum . Quadro 2. relacionais diminuir o bem- aberta. política de de cada pode não ser informal na contratos Estes Podem sociedade membro proporcional a cooperativa. É para um grupo função da intensidade associado. 74 Benefícios e Custos para os Membros Diferenças entre Benefícios de direito residual à influência e custos de influência Be Er Bw Cp Bi ou (Bw+i) Co Tipo Benefícios de Resultados Benefícios ao Custos de Benefícios dos Custos de Externalidades Econômicos membro Participação direitos influência Econômicas residuais a influência Benefícios Este termo Benefícios não Custos para Os benefícios Quando um grupo Definições econômicos significa o caixa . . influência pode influenciar preços. na custo de em qualidade causa própria e mercado. agrícolas de resultados confiança das transportes. membros. O organizações cooperativa mercado.

4. Esse quadro é importante para se compreender os modelos posteriores. isto é. nos quais a análise de benefícios para o membro da cooperativa e para o não membro pode explicar a participação e a fidelidade dos associados. 75 Neste quadro. é descrita para cada variável a definição usada. os benefícios são pensados em várias formas. desde aqueles de externalidades positivas pela presença da cooperativa. apresenta somente contratos relacionais e informais. até os específicos e particulares para cada um dos membros mais relacionados. é inicialmente possível entender o problema por meio esquemático de uma árvore de decisão. Por outro lado.1 Decisão e fidelidade Considerando a importância da cooperação e das relações do cooperado com a cooperativa. O associado. . o beneficiário em cada situação – os benefícios e os custos .3. ou seja. uma vez que o cooperado tem o direito da ação de cooperação a cooperativa obrigatoriamente sempre terá uma ação compromissada e não oportunística. por pressuposto este não tem obrigações de atividades econômicas com a organização. O pressuposto inicial é de que a cooperativa – integrada por associados – sempre tenha uma ação de compromisso. por sua vez.e o caráter especial da variável. Pressupõe-se que há também custos de participação para os associados de forma que esta participação deve também apresentar um ponto de ótimo.

refletidos no nível geral de preços. no caso de distribuição futura de sobras – residual clains. em dinheiro posteriormente na distribuição de sobras ou em preços e serviços de forma imediata. somente para o cooperado i se este escolhesse negociar com a organização cooperativa. pois as relações ocorrem ao longo do tempo. em função da presença cooperativa na economia. que deverá existir. Di é a renda diferencial. mas o resultado desse jogo não irá depender desta recorrência. Os . cooperar. Então. a não-cooperação no tempo t -1 não influencia nos resultados do jogo no próximo período t 0 ou t +1. mostrado na figura 2. Er(i) é o resultado econômico da cooperativa criado por causa da atividade econômica do associado i. Assim. portanto. seja qual for a sua atitude de relação econômica no presente. O associado. No jogo. poderá obter seus direitos aos benefícios desses dois modos diferentes. no caso do associado encontrar melhor negócio e optar por transacionar com um agente privado. as cooperativas podem ter estratégias diferentes. e não com a cooperativa. Cpi é o custo de participação na cooperativa para o cooperado i. e mais. P é a esperança matemática dos benefícios em dinheiro Rci. ou o objetivo de oferecer melhores preços e serviços imediatos e assim não prever este reembolso futuro. Bwi são os benefícios também em serviços e fatores não pecuniários. 76 Essa é uma arvóre de decisão ou jogo recorrente. os direitos para operar com a cooperativa. uma vez que o cooperado tem direitos de propriedade na cooperativa. isto é. ou seja. Be são os benefícios das externalidades econômicas. no presente e no futuro. objetivo de renda e reembolso posterior para o associado por meio da distribuição de sobras e proporcional à atividade econômica.

como a distribuição de sobras. mas também do número de associados. Nesse caso (0.0) Membros Oportunismo Compromisso (Confiança) (-Eri . Cooperativa Não Comprometimento Comprometimento (Não ocorre) (0. a saída do jogo não ocorre para a organização cooperativa. O modo de não-comprometimento da cooperativa nunca ocorre porque o associado tem direito para cooperar. Os benefícios totais da cooperação para os membros dependem do desempenho econômico das cooperativas. . [Be + Di]) (Eri . [Be + Bwi – Cp + P {Rci /(1+r)t}] t . Representação da árvore de decisão – jogo – entre cooperativas e associados. são descontados pela taxa de juros r no tempo t. ]) Figura 2. até o reembolso para o associado em dinheiro no final do período financeiro. da estratégia cooperativa para compartilhar os benefícios e o tempo entre o ato econômico dos associados e o efetivo reembolso da atividade econômica em dinheiro . 0). da confiança entre eles. 77 resultados futuros prováveis.descontado dos custos de oportunidade e taxa de juros.

se a cooperativa opta. No caso do ambiente institucional particular do Brasil. Be e Bwi são importantes. assim a cooperativa não muda de posição no futuro. que é o caso freqüente das cooperativas brasileiras. Esse é o caso das cooperativas no Brasil. essa expressão poderá resultar em baixo valor ou até zero no limite. e Be e Bwi podem ser minimizados. pelo aumento de valor do denominador da expressão. em conseqüência das taxas de juros do mercado e.Cpi + P[Rci/(1+r)t] o cooperado pode não ser fiel com a cooperativa nesse período e transacionar com um agente externo. 78 Nesta situação Di> Bwi . as taxas de desconto poderão ser muito altas. e a expressão inicial pode ser minimizada ou até desaparecer na situação de ausência de distribuição de sobras. no longo prazo. O valor do P[Rci/(1+r)t] depende da probabilidade de sucesso. também depende do horizonte t para receber os benefícios da distribuição de sobras e a taxa de desconto r. Se a cooperativa tem a função de maximizar os resultados econômicos para reembolsar a atividade econômica no futuro. esta expressão P[Rci/(1+r)t] é muito importante. do desempenho econômico cooperativo P e assim. Então esse jogo é recorrente. maximizar preços e os serviços aos associados. mas os resultados não dependem desta recorrência. Mas. . mas conserva os direitos de propriedade para cooperar em um próximo momento no futuro. para uma posição não-compromissada deixando de atender o cooperado. uma vez que o associado tem a propriedade da organização e os direitos para cooperar. no futuro. por estratégia. de instabilidade em algumas variáveis macro-econômicas.

se os benefícios são compartilhados. esta é a lógica econômica. Ainda os benefícios principais nos serviços Bwi. mostra-se que 75. ou seja. como os serviços prestados aos cooperados. sendo ainda que. que não sofrem a taxa de desconto. Mas. em parte via melhores preços imediatos e em parte declararam incentivar a fidelidade via serviços e atenção no atendimento. é a função objetiva para maximizar Be e Bwi. no Brasil. maiores benefícios que custos de participação. a lógica para a cooperativa. mais considerações sobre Cpi. os direitos residuais a influência que podem qualificar . e o seu compromisso – fidelidade. Isto é. No apêndice B.73% das cooperativas. obteve-se um resultado que mostra que somente 36. Em pesquisa no estado de São Paulo. em 72. também os melhores serviços e atenção. o benefício em melhores preços dos insumos e dos produtos Be. Mas. Então. Na incerteza do ambiente econômico com taxa de juros alta. melhora o caixa imediato para o produtor rural e cuida de diminuir o diferencial Di. podem melhorar a atividade econômica do cooperado. Por outro lado. apêndice A. é necessário que o associado perceba Bwi.36% das cooperativas declaram ter alguma política de distribuição de sobras. Essa situação reduz a discussão do jogo apresentado como uma comparação entre o valor de Di e Bwi.00% das cooperativas declararam ter incentivos à fidelidade do associados sendo destas. as eventuais sobras são capitalizadas e não distribuídas em dinheiro. mas terão que ser maiores que Cpi. no tempo presente. 79 devido ao nível das taxas de juros e da legislação cooperativista que determina o reembolso das sobras somente ao término do período contábil. este jogo não está completo uma vez que há a presença de contratos relacionais.

ou seja.3. e com função objetivo de prestação de melhores preços. em conseqüência do ambiente institucional e da incerteza econômica. Di. apresenta um equilíbrio econômico em que Be é o preço de equilíbrio no mercado e referencial entre empresas. Pc é a probabilidade de que a organização cooperativa tenha um bom desempenho econômico suficiente para criar um vetor Be de benefícios econômicos em níveis de preços de commodities ou insumos que é um benefício público devido às externalidades econômicas. As bases dos contratos relacionais são incentivadas pela situação de direitos de propriedade vagamente definidos. serviços e bem-estar. com a obrigação de distribuir este bem-estar e serviços. e para as outras empresas a renda se iguala ao nível de Be. com a organização cooperativa maximizando Be e Bwi. Para completar o modelo. Também considere que o ambiente econômico. sem contratos formais rígidos. e esta situação pode criar um alto nível de direitos residuais à decisão de uso dos ativos. há Bfi como um vetor de benefícios também composto . com funções que maximizam o bem-estar imediato do cooperado. por causa do mercado. e um vetor Bwi de benefícios de serviços exclusivos ao membro i ativo. então.2 Eficiência econômica e contratos Considerando uma organização cooperativa com lógicas contratuais relacionais e informais. também considere a organização cooperativa. 80 o cooperado a usar os direitos residuais são importantes para o modelo e devem ser considerados como incentivos contratuais. 4. no limite é zero.

custos de participação Cpi (n) gerados pela participação necessária na cooperativa para criar o compromisso relacional de contrato informal do membro i com a cooperativa. Os benefícios cooperativos podem ser entendidos como um vetor formado pela soma de todos os benefícios em proporções diferentes em cada caso. não podem ser considerados como uma situação de custos ou de não correta aplicação de recursos.exclusivos para associados que têm um compromisso relacional especial com a cooperativa ou direitos residuais a influência. proporcional a sua participação econômica. de acordo com as definições do quadro 4. 81 de benefícios econômicos que ocorrem em função de direitos residuais a influência que qualificam o cooperado ao uso dos direitos residuais de decisão sobre os ativos . só há direitos para o cooperado na distribuição de resultados. sobras. Assim. mas sim apenas como uma conseqüência da não definição de direitos de propriedade. proporcional e em função do número de cooperados n e Cpi (n-m) em função também por diferença do número de membros m não comprometidos relacionalmente. é possível escrever o modelo. . por outro lado. Também há. como parte da lógica organizacional e incentivo à participação. pela existência de direitos residuais à decisão e. O contrato é informal e relacional e não é uma obrigação econômica entre os associados e a cooperativa.isso pode ser escrito como Bwi + fi onde fi são os benefícios diferenciais dos direitos influentes . no caso da cooperativa não apresentar um bom desempenho econômico. É importante notar que esses direitos influentes ou direitos residuais a influência. finalmente. em conseqüência da figura 3.

nesse caso. o primeiro termo esquerdo Pc representa a probabilidade da cooperativa oferecer benefícios econômicos para toda a comunidade mais benefícios de serviços e bem-estar para os membros. Se a cooperativa não gera um bom desempenho econômico. representa a probabilidade da cooperativa estar em situação não eficiente e. Para o compromisso dos membros e a estabilidade social da cooperativa. que representa a probabilidade de que a cooperativa tenha um bom desempenho econômico e ofereça benefícios como uma externalidade econômica para todos os . menos os custos do compromisso relacional informal especial para cada associado. que ocorrem somente se a cooperativa tem um bom desempenho econômico. o termo do lado esquerdo. deve ser maior que o termo do lado direito. só estar oferecendo benefícios diferenciais para aqueles que apresentam direitos influentes ou direitos residuais a influência. todos os benefícios relacionais para os associados comprometidos com a cooperativa. ou não. O segundo termo. 82 Pc (Be+Bwi-Cpi(n)) + (1-Pc) (Bfi – Cpi(n-m)) > Pc (Be) + (1-Pc) (0) (1) Esse modelo representa. e do lado direito. se a organização cooperativa apresentar um bom desempenho econômico. menos os custos de participação para cada n membro. os benefícios para os produtores não-associados. é impossível que esta crie externalidades econômicas. o número n da totalidade de associados menos m da totalidade de associados que não são fiéis ou compromissados. que representa todos os benefícios para os associados nos contratos relacionais. no lado esquerdo da desigualdade. ao lado esquerdo. Nesse modelo. ou seja.

Transformando e reduzindo este modelo. os benefícios de influência para o membro comprometido relacionalmente com a cooperativa devem ser mais altos que os benefícios de atenção e serviços para todos os membros. assim podem-se considerar as seguintes proposições. também Bi>(Cpi(n-m)) ou os benefícios de influência devem ser mais altos ou iguais. assim i>0 . Segunda proposição: Para. Pc >0 positivo é necessário que Bi>Bwi . é possível considerar a expressão (2): Pc > {-Bfi + (Cpi(n-m))} / (Bwi-Bfi) + (Cpi(n-m) – Cpi(n)) (2) Bfi. O modelo também assume que os benefícios são maiores que os custos. 83 produtores rurais da comunidade. aos custos de participação e de manter compromisso relacional quando a cooperativa não apresenta uma situação economicamente satisfatória. Bwi e Cpi são >0 e m <n. Primeira proposição: Para. então Cpi(n-m)> Cpi(n). o que é aparentemente coerente com a teoria organizacional.ou de outro modo Bwi+fi> Bwi. .nesse caso. Pc=0 ou próximo de zero. No modelo (2) {-Bfi+(Cpi(n-m))} é uma expressão negativa e (Cpi(n- m) – Cpi(n)) é uma expressão positiva. de acordo com a lógica econômica. no limite.

Assim. os benefícios dos direitos residuais a influência está próximo de zero. deverá haver um benefício positivo e maior dos direitos residuais a influência. Contratos relacionais permitem um compromisso social nas organizações cooperativas e as lógicas dos direitos residuais a influência beneficiam o uso de direito residual à decisão. Quarta proposição: Para n muito alto. implica a possibilidade de existência. de relações não compromissadas para com a cooperativa. e para Pc>0 deve ocorrer Bfi>Bwi. A segunda implica a presença de direitos residuais a influência para obter benefícios do uso do direito residual de decisão. a cooperativa está muito bem em seu desempenho econômico. A primeira. então Bwi>(Cpi(n)) ou os benefícios em serviços devem ser mais altos que os custos de participação para criar um compromisso relacional na organização cooperativa. que ocorre em função dos direitos de cooperar dos associados. a baixo custo de transação. Nesse caso. os custos do compromisso relacional estão no limite próximo de zero. Esses modelos mostram que existem diferentes lógicas de compromisso relacionais em organizações cooperativas. Portanto. 84 Terceira proposição: Para Pc=1 ou muito alto e próximo de um no limite. o valor de compromisso relacional informal depende dos benefícios de influência em função do grau de controle e dos direitos residuais de decisões. .

há a possibilidade de haver a sustentação da lógica de direitos residuais a influência. que valora de modo intenso a perda. esta também pode apresentar maior intensidade de direitos residuais e. é muito importante. Assim. 85 Como as organizações coletivas em sociedades de cultura com traços de comportamento coletivistas apresentam mais intensos direitos de propriedade vagamente definidos. a lógica de influência. membro associado à cooperativa. ou de direitos influentes. 4.4. do associado com aversão ao risco. os custos de participação podem ser mais elevados já que há uma função de utilidade. a proporção entre n e m influencia o . No caso dos modelos (1) e (2). se a cooperativa não está bem em seu desempenho econômico (Cpi(n-m)>(Cpi(n)). geralmente tem um perfil de risco-averso e assim pode apresentar um valor mais alto de utilidade pelas perdas e custos. 2003). nesse caso. aparentemente. de que o valor de utilidade dos benefícios (HENDRICKSE. Somente para as cooperativas em que exista uma proporção principal de contratos relacionais informais.4 Análise empírica e estatística 4. é importante manter uma não definição de direitos de propriedade.1 Participação e desempenho econômico O produtor rural. para que essa particular lógica de relacionamentos possa ocorrer com intensidade e assim incentivar a participação do cooperado em sua cooperativa. Portanto.

aumenta a intensidade dessa situação e também incentiva a presença da lógica relacional. enquanto o compromisso relacional apresenta custos de . a organização cooperativa tem que estar mostrando um Bfi também mais alto. e os custos de participação podem ser mais altos que os benefícios de participação. há um aumento das externalidades econômicas e de serviços e assim o cooperado não encontra incentivo para criar um compromisso relacional informal para gerar e exercer os direitos residuais a influência com o objetivo de usar os direitos residuais às decisões de uso de ativos. Para tentar explicar a evidência desse problema. no caso do Brasil em decorrência da incerteza macroeconômica. A hipótese é que se a cooperativa tem um melhor desempenho econômico. no caso da aversão ao risco do produtor rural (HENDRICKSE. Esse valor tem que ocorrer diretamente em proporção à diferença do valor da função de utilidade. 86 tamanho necessário de Bfi. foi analisado um modelo de regressão seguido de uma análise fatorial pelos componentes principais. A dimensão de simples usuário tem somente benefícios. Nesse caso. 2003). como também a diferença entre (Cpi(n-m) e (Cpi(n)). que representa o não comprometimento nos contratos relacionais. A maior instabilidade no ambiente econômico e a maior aversão ao risco. O compromisso social marginal na cooperativa. implica a existência também de melhores benefícios marginais de i. os benefícios dos preços e serviços aliados ao bem-estar criado pela cooperativa são suficientes. Para um alto valor de m. A perda apresenta mais valor de utilidade que o valor de utilidade do ganho.

Essa lógica explica as correlações entre os desempenhos econômicos das cooperativas e a intensidade da participação do associado. entre outros. Nesse caso. por causa dos custos de participação. o cooperado prefere a dimensão de usuário e não participa das atividades sociais da cooperativa. mas outros intensificam a participação e. apesar de a atividade econômica ser alta. Nessa situação. o associado tem apenas duas opções. A participação também pode ser uma função da atividade econômica do associado na cooperativa. os benefícios necessários dos direitos influentes incentivam o contrato relacional informal e a participação do associado. Se a cooperativa obtiver melhor desempenho econômico. Dessa forma. a participação social é baixa. 87 participação. a organização melhora os benefícios para cada custo marginal extra de compromisso. se a cooperativa piora o seu desempenho econômico. Por outro lado. o cooperado não tem razões para gastar recursos para melhorar ou criar compromissos relacionais informais. na assembléia geral ou em comitês educacionais ao nível da comunidade. Isto é explicado pelo segundo termo no lado esquerdo do modelo (1). em outras palavras. como assembléias e comitês. Mas. ou se desliga da cooperativa ou tenta participar mais e assim utilizar seu tempo para encontrar soluções ou informações. pode ocorrer devido à intensidade de assistência . o associado que acredita na organização coloca seu esforço na cooperação. se a organização cooperativa apresenta um fraco desempenho econômico. ou são criados mais intensamente benefícios para os direitos residuais a influência. alguns membros saem da organização. o compromisso relacional é necessário para o soerguimento da cooperativa.

Assim pode-se propor o seguinte modelo: Participação (assembléia geral e/ou o comitê educacional) do cooperado. Se esta proporção é alta. o poder de mercado da cooperativa também é alto e pode influenciar na participação. Outra função importante para a participação pode ser a proporção dos membros associados na cooperativa entre todos os produtores rurais regionais. portanto. proporção de assistência técnica. Esses são responsáveis pelas relações diretas entre a organização e seus associados nas áreas rurais. e uma correlação negativa com o desempenho financeiro. Essa característica mostra como a cooperativa é localmente importante e também pode indicar a distância entre o associado e a organização cooperativa. proporção de produtos agrícolas entregues e desempenho financeiro) Então. a proporção de membros entre os produtores rurais da região. menor as necessidades para participação. melhorar a participação e os compromissos relacionais. . Também uma importante função é a proporção da produção agropecuária regional entregue na cooperativa. isto é. 88 técnica por meio de agrônomos. Quanto maior o poder de mercado. e podem. em função da (atividade econômica. espera-se um sinal positivo de correlação entre a participação e a atividade econômica do associado. melhor desempenho financeiro espera-se uma menor necessidade de participação. proporção de membros entre os produtores rurais regionais. a presença de assistência técnica.

somente foram consideradas as cooperativas singulares. como também somente foram consideradas as cooperativas que apresentaram uma série total de dados. participaram da análise cross-section para dados do ano de 1999. representam as cooperativas agrícolas mais importantes do estado do Paraná. bem como isolar o efeito de tamanho das cooperativas sobre os números considerados. efetuadas com informações do Sistema de Autogestão e Monitoramento da OCEPAR . isto é. no entanto.2 Análise de regressão A análise estatística foi elaborada com dados provenientes do Projeto de Políticas Públicas de Monitoramento da Autogestão de Cooperativas Agropecuárias3 e assim. Por outro lado. Para a análise. Nesta série de dados. Essas cooperativas agrícolas. Esse é o sistema de coleta de informações de maior experiência no monitoramento das cooperativas agroindustriais. pondera-se a regressão pelo número de associados de forma a possibilitar uma maior relevância para as cooperativas que apresentam um 3 Projeto de pesquisa coordenado pelo autor e desenvolvido em conjunto com o sistema cooperativista com o apoio institucional da FAPESP no âmbito dos projetos de políticas públicas.4. uma série coerente.Organização das Cooperativas do Estado do Paraná. excluindo todas as cooperativas centrais. de forma a propiciar a normalização das variáveis. 16 cooperativas apresentaram dados coerentes em todas as variáveis escolhidas e. portanto. levando-se em consideração as relações logarítmicas de proporções. após a eliminação da influência do tamanho. O modelo foi construído. 89 4. . para todas as variáveis escolhidas. pelas proporções.

d) Lptpdac representa o logaritmo da proporção da produção agrícola regional entregue na cooperativa. ou assistência técnica oferecida pela cooperativa aos produtores. 90 número maior de associados que. b) Lptecass que representa o logaritmo da proporção de agrônomos. Os modelos de regressão utilizados.Lpassago .e o logaritmo da proporção de participação do associado em comitê educativo - Lpasscmt. é importante variável para se analisar a participação. As variáveis independentes são: a) Lpassatv que representa o logaritmo da proporção do número de associados ativos economicamente com a cooperativa. conforme o modelo anterior. foram: Lpassago = a + bi passcmt + b2 Lpasstv + b3 Lptecass + b4 Lpasspdt + b5 Lptpdac + b6 Bknt + e (1) e: Lpasscmt = a + b1 Lpasstv + b2 Lptecass + b3 Lpasspdt + b4 Lptpdac + b5 Bknt + e (2) As variáveis dependentes são o logaritmo da proporção de participação do associado em assembléia geral ordinária da cooperativa . . c) Lpasspdt é o logaritmo da proporção de associados no número de produtores rurais totais na área de atuação da cooperativa.

A matriz de correlações e a estatística F completa estão nos anexos de A a D. Neste caso.ou em outras palavras. Os resultados foram obtidos. Optou-se pela seleção de variáveis efetuadas por meio do Backward Elimination Method.teste F . de forma a se obter um modelo mais descritivo possível.foi representada pelo índice financeiro de Kanitz. 4 Índice de Kanitz é um índice financeiro obtido e ponderado de variáveis que representam a liquidez. o endividamento e eficiência financeira. Marion (1991) . Esse processo permite conhecer não somente o modelo originalmente proposto. a cooperativa tem uma situação financeira melhor e a variável assume valor 1. utilizando-se o programa estatístico SPSS e estão representados na tabela 1 e 2. Variável binária. e esta variável assume valor 0.variável independente . inicia-se com todas as variáveis. As matrizes de correlação e covariância mostram que não ocorreram problemas de multicolinearidade entre as variáveis e estão expostas em conjunto com a estatística F completa nos anexos. Quanto ao índice de Kanitz4. 91 e) Bknt é o desempenho econômico da cooperativa . se este for alto. quando este índice é baixo a cooperativa tem uma pior situação financeira. de menor capacidade de explicação. das cooperativas agropecuárias. e é removida para os próximos passos a variável cujo coeficiente tem menor significância . Para detalhes consultar. mas também uma seqüência lógica de eliminação de variáveis e de ajustes.

272 -.003 3 LPASSPDT 1.344 (Constante) -2.324 .536 2. Modelo B Erro (Constante) -4.271 4.203 .776 .581 -2.658 LPTPDAC -1.000 5 LPTPDAC -1.071 .563 2.491 3.259 .652 -. da atividade econômica do associado.233 -.416 .241 .049 LPASSATV -.759 .615 .869 .387 .548 .687 BKNT -.363 (Constante) -2.436 -3. da proporção da produção agrícola entregue.452 -3.017 BKNT -.379 .422 .043 LPTPDAC -1.404 (Constante) -1.392 1.656 .007 continua .401 .382 LPASSATV -.229 .613 .952 .751 -.558 .803 .714 .572 .585 -2. ponderadas pelo número de associados para 16 cooperativas agrícolas no estado do Paraná em 1999.635 .456 -4.008 BKNT -.797 1.021 -2. da proporção de cooperados no total de produtores no local.170 .337 1.152 .615 .191 LPASSCMT -. Modelo de regressão.108 .977 1.187 (Constante) -2.067 -2.302 -.506 3.218 LPASSCMT -.543 .003 4 LPASSPDT 1.301 .391 -1.288 .623 .447 . em que o logaritmo da proporção da participação do associado em assembléia geral é a variável dependente e logaritmo da proporção da participação em comitês.444 -1.700 .017 LPTPDAC -1.024 BKNT -.030 LPTECASS -.762 .024 2 LPASSPDT 1.878 -.464 -1. da proporção de assistência técnica por cooperado.442 .436 -4.456 .674 -2. e o índice financeiro de Kanitz são variáveis independentes.653 .999 .195 LPASSCMT -.421 .918 . 92 Tabela 1.401 .520 . Coeficientes t Sig.395 -1.699 .615 LPTPDAC -1.930 -.064 1 LPASSPDT 1.514 2.545 . equação 1.001 LPASSPDT 1.

519 4 . em que o logaritmo da proporção da participação do associado em assembléia geral é a variável dependente e logaritmo da proporção da participação em comitês. da proporção de assistência técnica por cooperado. e o índice financeiro de Kanitz são variáveis independentes.435 2 . da atividade econômica do associado. . pois essas mostram determinada condição independentemente do tamanho da cooperativa em questão.789(d) . da proporção de cooperados no total de produtores no local.809(b) .805(c) . Os modelos foram ponderados pelo número de associados de forma a captar de forma ponderada as variações em cooperativas maiores em termos de quadro associado.661 . 93 Tabela 1. A forma logarítmica normaliza os dados.482 3 .655 .813(a) . apresentando coeficientes das variáveis como elasticidades. continuação Modelo R R Quadrado R Quadrado Ajustado 1 .647 .494 Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS Foram escolhidas variáveis proporcionais.749(e) . Modelo de regressão. equação 1. da proporção da produção agrícola entregue.562 . ponderadas pelo número de associados para 16 cooperativas agrícolas no estado do Paraná em 1999.529 5 .623 .

94 Tabela 2. da proporção de assistência técnica por cooperado.658 (Constante) -8.167 (Constante) -2.458 1.472 .437 .576 -.212 -1.712 -1.000 5 LPASSATV -3.098 2 LPTPDAC .482 -.552 -.220 .808 1.400 .916 1.917 -1.em 1999.658 -1. e o índice financeiro de Kanitz são variáveis independentes.879 -1.674 .507 -1.200 .063 LPASSATV -2.142 .685 .196 .960 -2. da proporção da produção agrícola entregue.621 .069 .694 .156 -2.087 .422 .446 3.047 .646 LPTECASS -1.372 .047 LPTECASS -.845 .464 .792 .237 .119 -2.964 .811 .736 . em que o logaritmo da proporção da participação do associado em comitês educativos é a variável dependente e o logaritmo da proporção da atividade econômica do associado.191 3.280 BKNT -.077 3 LPTPDAC .242 (Constante) -8. ponderadas pelo número de associados para 16 cooperativas agrícolas no estado do Paraná .514 LPTECASS -1.193 .035 -3. da proporção de cooperados no total de produtores no local.551 -1.457 .099 .497 LPASSPDT -.503 LPTECASS -1.703 .934 .180 (Constante) -7. Coeficientes t Sig.851 -2.208 1.844 -1. Modelo de regressão.095 LPASSATV -3. equação 2.049 LPASSATV -2.103 LPTPDAC .447 1 LPASSPDT -.796 .369 .260 .034 4 LPASSATV -2.543 .475 3.865 .074 1.194 -14.771 4. Modelo B Erro (Constante) -7.550 .008 continua .

ponderadas pelo número de associados para 16 cooperativas agrícolas no estado do Paraná .em 1999. em que se esperava que este apresentasse uma correlação positiva e significativa. da proporção da produção agrícola entregue.412 5 .375 4 . Modelo de regressão. para explicar a variável dependente de participação em assembléias gerais ordinárias AGO’s. O mesmo ocorreu com o comportamento dos coeficientes da variável de proporção de associados ativos.364 Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS Na primeira regressão. e o índice financeiro de Kanitz são variáveis independentes.500 . o resultado inicialmente não esperado é que a participação em comitês educativos em nível da comunidade não foi uma variável cujo coeficiente apresentasse um valor significativo para explicar a participação nas AGO’s como era anteriormente esperado.728(a) .407 . em que o logaritmo da proporção da participação do associado em comitês educativos é a variável dependente e o logaritmo da proporção da atividade econômica do associado.707(c) .701(d) . tinha-se a expectativa de que maior número de membros ativos economicamente e um maior número de . em que também se esperava a mesma correlação positiva.638(e) .345 3 . e de proporção de assistência técnica.295 2 . da proporção de cooperados no total de produtores no local. equação 2.530 . Isto é.520 .721(b) . da proporção de assistência técnica por cooperado. 95 Tabela 2. continuação R Quadrado Modelo R R Quadrado Ajustado 1 .491 .

nesse caso. Talvez. 96 técnicos. se a cooperativa está em dificuldades financeiras a participação aumenta. também. Por último.412.529. Nessa análise estatística. apresentando um R quadrado ajustado de 0. prestando assistência em campo. a variável de proporção de associados entre o total de produtores da área de ação apresentou um coeficiente significativo e de correlação positiva para com a participação em AGO’s. favorecendo a participação. Nesse modelo. porque a proximidade local favoreça a participação. corrobora a hipótese apresentada de que uma situação de melhora neste índice. O modelo de melhor explicação foi o modelo 4. assim se cresce o poder de mercado da cooperativa. desestimula a participação. decresce a presença em AGO’s. portanto. o que. é verdadeiro. pode-se observar que o coeficiente da variável de proporção de produção regional entregue na cooperativa apresentou um coeficiente significativo. mas isso não ocorreu. e em que as variáveis de proporção de associados ativos. Por outro lado. os resultados são diferentes. mas negativo. pudesse originar uma maior participação nas AGO’s. Esse é o pressuposto do modelo matemático anterior. talvez como não há alternativas de mercado também não há porque participar. R quadrado ajustado de 0. o modelo 4 apresentou uma maior capacidade de explicação. e de proporção de assistência técnica por . o contrário. deve-se observar que a variável binária do índice de Kanitz apresentou um coeficiente negativo. Isso pode ser interpretado como a concentração de associação. ou intensidade de associação. ou na situação financeira da cooperativa. Quanto à proporção de participação em comitês educativos em nível das comunidades.

os comitês educativos tem a função de suprir deficiência na relação com os associados em função também da pequena presença de assistência técnica. Mas. aqui mensurada pela variável binária do índice de Kanitz. Também. também haverá uma menor participação em comitês. e de atividade econômica do associados. e se reduz. Portanto. e assim a participação do cooperado na organização aumentará. não apresentou coeficiente significativamente diferente de zero. quando não há a presença de fortes relações com o corpo técnico. se há mais atividade como também maior presença da cooperativa por meio de sua assistência técnica. . Assim. em serviços e preços. a presença e a participação em comitês educativos passa a ser muito importante para criar relações e aumentar a participação. Por outro lado. nesse nível de participação. se a cooperativa apresenta problemas de desempenho econômico. aparentemente. a participação dos associados apresenta maiores custos que benefícios. para os cooperados. aparentemente. Essa situação. e a probabilidade do desempenho econômico é alta. deve gerar benefícios de direitos residuais a influência no presente. Quando a cooperativa possui melhores condições financeiras. em razão dos custos de participação. a condição de desempenho financeiro da cooperativa. Essas observações podem explicar parcialmente as bases de proposições. engenheiros agrônomos e veterinários. provavelmente sofrerão uma diminuição. 97 associados. os benefícios totais. apresentaram coeficientes significativos e de correlação inversamente proporcional. os benefícios são provavelmente altos.

. e. c) o incentivo a relações em comitês e recuperação da atividade da cooperativa – componente 3. 98 4. dessa forma. entre as variáveis. b) a eficiência econômica e financeira da cooperativa – componente 2. Ainda. Foi também agregada a análise a variável Pins. extraem-se componentes que podem mostrar inter- relações. O componente 1 foi composto por variáveis que representam a proporção de associados da cooperativa no universo dos produtores rurais do local de atuação. que indica a proporção de participação da cooperativa no mercado de insumos regional. por componentes principais. mas com variáveis proporcionais e juntando-se variáveis como Retkpla retenção de capital por associado e Retsbra retenção de sobras por associado. a variância e a co-variância. O que esta análise expõe são três componentes que estão associados com: a) a atividade econômica e o poder de mercado e de barganha da cooperativa – componente 1.3 Análise fatorial pelos componentes principais Para se explorar o assunto de uma outra ótica. seja analisada e. Essa análise permite que as correlações. Utilizou-se para esta análise a mesma base de dados. optou-se por complementar a investigação por uma análise fatorial. o índice de Kanitz foi utilizado em sua forma original.4.

Deve-se levar em conta também que estas duas variáveis são indicadoras do nível de atividade. A terceira variável que colaborou para compor o componente 1 foi a proporção de associados ativos economicamente com a cooperativa. ou seja. essa proporção pode indicar também um provável poder de mercado da cooperativa. 99 Essa variável mostra a representatividade da cooperativa. . o poder de mercado. A quarta e última variável a participar do componente foi a proporção de técnicos de assistência técnica pelo total de associados da cooperativa. As variáveis de atividade dos associados e de assistência técnica são importantes também para caracterizar o nível de atividade e preocupação tecnológica da cooperativa. A segunda variável foi a proporção da produção agropecuária regional entregue na cooperativa. as variáveis que compuseram o componente 1 mostram uma relação positiva e serviram para caracterizar este componente como indicador da atividade econômica e do poder de mercado e de barganha da cooperativa. Essas duas variáveis expressam claramente o poder econômico e de associação. Sem exceção. o poder de recebimento da produção e. a representatividade no poder de associação regional. assim.

452E-02 PINS -.555E-02 PASSATV .161 .380 2.453 RETSBRA .278 RETKPLA .827 .219 -. Matriz dos componentes principais – rotacionados pelo método VARIMAX.815 PASSCMT -.241 7.106 . Matriz de Componentes Rotacionados(a) Componentes 1 2 3 PASSPDT .829 -7.128 .180E-03 1.128 PTECASS .773 -.584 -.660E-02 PTPDAC .564 PASSAGO -6.126 KNT -. que apresenta os três componentes extraídos e as respectivas relações com as variáveis.663 -.865 3. Método de Rotação: Varimax a Rotação com convergência em 4 interações Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS .949E-02 .480E-02 -.206E-02 .630 -8.160 . 100 Tabela 3.803 .206 .809 Análise dos Componentes Principais.

0 1.5 passago 1. 101 Componentes Plotados no Espaço Rotacionado 1.0 retsbra pins ptpdac knt .0 0.5 0.5 -.5 retkpla passpdt passcmt ptecass Componente 2 passatv 0.5 . Representação e plotagem das variáveis no espaço tridimensional criado pelos três componentes principais extraídos e rotacionados pelo método Varimax.5 Componente 1 Componente 3 Figura 3.0 . .0 -.0 -.

garantem uma significativa parcela do faturamento estável das cooperativas agropecuárias. e a retenção de sobras por associado. e o que é relevante com uma relação de forma inversa – negativa – assim o componente está associado com a menor participação proporcional. que representa primeiro a existência de sobras e. geralmente. Nesse componente. freqüentemente. Deve-se ressaltar que. neste mesmo componente. isto é. Mas. a participação no mercado de insumos para as cooperativas esta associada com o desempenho econômico e financeiro. 102 O segundo componente apresentou um interessante resultado para essa análise e foi composto por variáveis de retenção de sobras por associado. foi justamente composto por variáveis que indicam a relação positiva para a situação de liquidez e de resultados econômicos da cooperativa. também. essa variável apareceu associada a duas outras também importantes. a relação positiva que mostra uma maior existência de sobras por associado. esse componente 2 – que pode ser caracterizado pela eficiência econômica e financeira da cooperativa. o índice de Kanitz. Todas essas variáveis mostraram uma relação positiva com o componente. o que é resultado esperado pelo modelo matemático . segundo. uma vez que os preços praticados neste mercado têm uma variabilidade menor que os preços praticados no mercado de commodities agropecuárias e assim. Assim. participação proporcional no mercado de insumos regional e índice de Kanitz. é importante notar que. que representa a saúde financeira da cooperativa. foi associada a variável de proporção de participação em assembléias gerais ordinárias nas cooperativas.

Este também aparece associado de forma inversamente proporcional à boa situação econômica financeira. operacionais e financeiros. melhor situação econômica e financeira. foi a retenção de capital por associado que mostra o capital retido nas transações com a cooperativa para cobrir os custos operacionais da organização. a proporção de assistência técnica e. De maneira menos intensa. o índice de Kanitz. podemos caracterizá-lo então pelo incentivo a relações em comitês. também será maior a retenção de capital e. com uma relação positiva. Assim este componente esta associado. estruturas de participação em nível local e da comunidade e incentivadas pelas cooperativas para incrementar a participação do associado. A primeira. com o esforço de se incrementar novas formas de participação como as atividades dos comitês . duas outras variáveis também apresentaram uma relação com este componente. desta forma. pela recuperação da atividade da cooperativa. e associar este componente ainda ao esforço de maior retenção de capital. Isto é. Pode-se esperar que. isto é. 103 anteriormente exposto. pode-se esperar também que esta situação ocorra possivelmente em função de desajustes provenientes de problemas organizacionais. Na análise deste componente 3. menor participação do associado. em resumo. quanto maior o custo operacional. de forma negativa. O último componente extraído pelo modelo foi composto por duas variáveis. A segunda variável relacionada de forma positiva foi a proporção de participação em comitês educativos.

inclusive pelos custos de deslocamento. a divisão dos direitos de decisões também é alta.4 Participação e o número de cooperados O número de membros também é importante. b) ao fato de que se a cooperativa tiver grande número de associados. como também usadas nas regressões e. tem uma linha de tendência em função logarítmica. as regressões foram ponderadas pelo número de membros associados de forma a indicar com uma ênfase maior o que ocorre nas cooperativas de maior número de associados. entre outros fatores. o que impede de considerar de modo particular o tamanho da cooperativa em termos de números de associados. Essa situação provavelmente é devida. cada membro . maior é o número de associados e mais difícil é participar. Os gráficos 3 e 4 apresentam as relações entre o número de associados nas cooperativas e a participação relativa na assembléia geral ordinária. A relação apresentada a seguir. isto é. a dois mais importantes: a) ao fato de que quanto maior a área geográfica de atuação. assim. no gráfico 4.4. mostram que. ou seja. 104 educativos. ou incrementar contratos relacionais e informais. resolveu-se elaborar uma análise particular para discutir este assunto. de regressão e fatorial. Por causa da importância do tamanho da cooperativa para a participação dos associados. 4. a tendência da participação proporcional é reduzir. quando a cooperativa apresenta uma quantia maior de associados. de criar relacionamento com os associados. Como as variáveis usadas nestas duas últimas análises. foram logarítmicas e/ou proporcionais.

que mantém o compromisso. mas este voto não tem o mesmo valor como o voto de um associado em uma cooperativa menor. e menores os incentivos à participação. existe a probabilidade de ocorrer problemas sérios com o monitoramento da ação dos respectivos membros. As decisões residuais e os problemas de controle são maiores e os benefícios de direito residual à influência também podem ser mais altos e ainda para uma parcela proporcionalmente menor e exclusiva dos membros da cooperativa. mas em uma cooperativa com 1000 associados. podendo haver uma maior expressão nas assembléias gerais. Em uma cooperativa com 20 associados. Nesse caso. deve ter mais benefícios compensatórios para a opção de participar. 105 tem somente um voto. e de propriedade em cooperativas com um número muito alto de associados. ocorre em termos de transferência de poder de decisão – delegação de poder . Nesta situação. também é maior a transferência de poder de decisão. . o voto de cada um deles vale 1/20 de poder de decisão.em função do número de associados e da participação destes. poder de voto. Essa situação está representada no gráfico 3. ela. Esses benefícios também devem compensar a maior divisão de direitos à decisão. com poucos membros. No caso das cooperativas com um maior número de associados. uma menor participação pode criar um menor compromisso relacional informal com a cooperativa e o associado. cada voto tem 1/1000 do poder de decisão e uma pequena expressão em uma assembléia geral em que todos os associados participem. provavelmente.

106 Delegação de poder/Concentração de poder no conselho Participação Número de associados Gráfico 3. Os direitos residuais a influência ao direito residual de decisão sobre o uso de ativos podem gerar uma classe especial de associados. só é possível estabelecer essa ordem social especial se a base relacional se caracterizar por contratos informais. e assim é capacitado a receber benefícios diferenciais. Representação do número de associados em cooperativas. ocorrer direitos de propriedade vagamente definidos e não ocorrer contratos formais de obrigações de entrega ou atividade econômica. o que diz respeito ao tratamento igualitário. A cooperativa tem os mesmos serviços e facilidades para todos os membros. tanto no voto quanto ao acesso ao direito aos benefícios. Mas. . Assim. residuais em serviços. participação. e transferência do poder de decisão – delegação de poder. atenção ou informações. só o membro comprometido relacionalmente pode apresentar direitos residuais a influência.

5 .aos seus membros em dinheiro. em termos de melhores preços imediatos. 107 Proporção de Participação em Assembléias Gerais Ordinárias . a diferente função objetivo de distribuir o bem-estar. Contratos formais impõem obrigações e direitos nas relações econômicas. Assim.4 .0 Tendência -10000 0 10000 20000 30000 40000 Logarítmica Total de Membros Gráfico 4.2 . Relação entre a participação do associado na cooperativa e o número de associado em cooperativas agrícolas do estado do Paraná. Nessa situação de maior .6 .1 Observado 0. A linha de tendência é uma função logarítmica. é criada uma situação transparente para o membro que monitora o comportamento da organização cooperativa. na presença de direitos de propriedade vagamente definidos origina um nível mais alto de decisões residuais sobre o uso de ativos. Se a função objetivo da cooperativa é distribuir resultados – sobras . condições e serviços.3 . sem contratos formais.

Isso ocorre em diferentes proporções para uma classe especial de membros que apresentam um compromisso relacional informal especial para a organização cooperativa. essas organizações entendem e incentivam a não definição de direitos e assim podem incentivar os contratos relacionais informais. as relações passam a ser importantes. Essas organizações cooperativadas apresentam direitos de propriedade vagamente definidos aliados a incipientes e poucos contratos formais. sentimental. Isto é. As instituições têm influência nas transações. os contratos informais também e. Mas. há uma cultura particular e um ambiente institucional que também podem ter influência nos contratos nas organizações. As cooperativas no Brasil são construídas em bases contratuais relacionais com insipientes contratos formais embutidos num ambiente de incerteza. e de relacionamento para com as organizações. . situação que é favorecida pelo tipo de arquitetura organizacional das cooperativas. por outro modo. No Brasil. assim. em uma sociedade caracterizada pela mais intensa aversão ao incerto no futuro. 108 indefinição. um maior e mais intenso envolvimento emocional das pessoas para com as suas organizações. ou seja. de acordo com o autor. cria-se um envolvimento moral. também. e a arquitetura contratual organizacional é uma conseqüência também das instituições (NORTH. há direitos residuais a influência para que este direito possa possibilitar um incentivo pelo esforço de participação e atividade do membro para com a cooperativa. aparentemente. Hofstede (2001) aborda o fato de que em sociedades que apresentam um comportamento de traço mais coletivistas há. 1990).

portanto. 109 A pergunta é se esta situação é um estágio temporário até que a cultura na sociedade brasileira seja modificada pelo individualismo e pela ética capitalista. e direitos residuais a influência. são importantes para incentivá-los no processo de participação. Nas cooperativas. como também. custos de tempo e custos de transações. se há uma lógica específica cultural. A hipótese inicial é que existe uma lógica particular nos contratos relacionais informais. entre outros. Nesse caso. Por outro lado. que sobreviverá às pressões culturais externas e mantenha nessas organizações a lógica dos contratos relacionais informais. a lógica organizacional das cooperativas no Brasil ou. os custos de monitoramento são altos. A lógica econômica atribui o objetivo da dimensão de usuário do cooperado. que permitem benefícios organizacionais para os cooperados. modificando as instituições e. Esse problema é elevado se a cooperativa for maior e tiver mais membros. confiança e imersão social são somente duas das características importantes. incerteza. a distribuição . como os direitos de cooperação. o controle. agência. As livres relações de compromisso nas cooperativas possuem a vantagem dos benefícios de dimensão de uso do associado e não implicam custos de participação. os benefícios dos direitos residuais a influência para usar as decisões residuais de controle e uso dos ativos. mas as dimensões da propriedade deste. são importantes para entender contratos relacionais. Outras. a dimensão de usuário do associado representa apenas benefícios. que permitem relações não comprometidas. controle. e o membro/investidor têm custos de participação.

Por outro lado. Se a cooperativa apresenta um pior desempenho econômico. Contratos relacionais permitem o compromisso social nas cooperativas e a lógica dos benefícios de influência para usar decisões residuais. direitos para relações comprometidas com direitos residuais a influência para obter benefícios de uso dos direitos de decisões residuais. O modelo também explica que o valor de compromisso relacional dependerá dos benefícios de influência e do grau de direitos de decisões residuais. os direitos residuais a influência são importantes para garantir a participação na cooperativa e melhorar as relações estáveis. com direitos para cooperar e. O modelo de regressão apresenta que se a cooperativa tem um melhor desempenho econômico e financeiro. direitos de controle e problemas com definições e distribuição de direitos de propriedade. por conseguinte. Nessa situação. os direitos residuais a influência são mais importantes para garantir a prioridade. 110 de serviços e bem-estar podem ser mais complexas. . A lógica de direitos influentes só existe por causa da presença de decisões residuais. o contrato relacional informal é uma importante parte da lógica contratual. a participação do associado diminui. o cooperado deveria gastar o seu tempo e recursos para participar ou melhorar sua influência. Os modelos determinam que existem lógicas de compromisso relacional informal. contratos relacionais podem promover um compromisso diferente em proporção aos direitos residuais a influência. assim. Para esses associados. a atenção e o privilégio no processo de informação e nas distribuições de serviços. Apenas os contratos relacionais podem permitir essa situação.

É possível estabelecer essa ordem social relacional especial. atenção. que é um pagamento não pecuniário pelo compromisso relacional especial para com a cooperativa. no futuro. A cooperativa oferece os mesmos serviços e facilidades para todos os membros. os benefícios para os membros provavelmente diminuem. apenas na presença dos direitos de propriedade vagamente definidos e de direitos residuais de decisão podem surgir os direitos residuais a influência para uma classe especial de cooperados. Assim. mas somente o compromisso relacional tem os direitos residuais a influência e os direitos de receber diferentes benefícios nos serviços. prioridade e informação. Essa é uma classe especial de associados. melhora o compromisso relacional informal. presteza. 111 Por outro lado. se a cooperativa não apresenta um bom resultado em seu desempenho econômico. porque existe um contrato relacional sem os constrangimentos de obrigação e direito formal. mas a participação dele na organização aumenta. Essa situação cria benefícios para direitos residuais a influência no presente e. .

1 A teoria e a intercooperação O comportamento cooperativo interfirmas. 112 5 AS RELAÇÕES ENTRE ORGANIZAÇÕES COOPERATIVAS 5. WILLIANSON 1996. Geralmente.C-form – pode apresentar uma importância estratégica importante em mercados. não é freqüente a observação de formação de redes entre cooperativas. o comportamento cooperativo se refere a uma ação entre firmas de forma ampla e não se refere exclusivamente como estratégia de organizações também cooperativadas (FAULKNER. FURUBOTN e RICHTER 2000) . o que Madhok (2000) define como forma colaborativa entre firmas . Não obstante a importância dessas análises. ROND 2001. Karantininis (2003) atenta para o fato de que as cooperativas da Dinamarca apresentam grande vantagem em decorrência da rede formada entre essas organizações.

ou ainda pela resolução de um jogo com um maior valor para os jogadores. A racionalidade econômica para explicar a eficiência de arranjos cooperativos entre firmas se baseia na idéia de que essa cooperação tem custos. pela hierarquia. fato é. 113 A possibilidade de integração horizontal e vertical para a agregação de valor ao produto. como a formação de redes que possam otimizar os negócios. 2002). da Teoria de Agenciamento. mas que estes deverão ser menores que os benefícios que esta deva gerar. Furubotn e Richter (2000) destacam que estratégias deste tipo substituem a mão invisível do mercado pela mão visível da hierarquia. seja esta direta ou uma forma de governança híbrida (MILLER. que nestes arranjos cooperativos há a substituição do mercado e da simples barganha. A estratégia entre diferentes firmas com o objetivo de substituir a transação em mercado por forma hierárquica. A cooperação entre firmas pode ser eficiente em função da redução de custos de transação para o sistema. Destacam-se aqui as análises da Economia dos Custos de Transação. Mas. HASENCLEVER. de Networks e aplicações da Teoria dos Jogos. 1992). isto é. ou pela complementaridade de funções e redução de custos. Os mesmos autores também descrevem que esse fato ocorre uma vez que os indivíduos podem . ou pela governança mais eficiente. são assuntos detalhados pela organização industrial (KUPFER. diretamente na fronteira de uma mesma firma ou por meio de forma híbrida. e para visar objetivamente o poder de mercado. ou pelo ganho de poder de mercado. para possibilitar o crescimento econômico da firma. é algo que é tratado por algumas correntes teóricas diferentes.

bem como os métodos que auxiliam em fazer com que essas informações sejam confiáveis (FURUBOTN. que possibilitam as regras da economia e gerais de operação. à cooperação entre empreendimentos cooperativos. a idéia de intercooperação e de contratos relacionais. no caso deste capítulo. “Note que o conceito de contratos relacionais acorda com muitos tipos de transações: transações de mercado. não se verifica com intensidade no movimento cooperativo brasileiro o estabelecimento de redes de negócios. deverá se referir à cooperação entre firmas e. e transações políticas” (id.. A necessidade de uso. transações de administração. Também se tem como pressuposto que. Mas. A própria firma pode ser entendida como uma rede de contratos relacionais. ou no sistema cooperativo.271) Assim. entre diferentes proprietários de recursos. 114 cooperar na base de contratos formais protegidos pela lei. caracterizada pela substituição de relações de mercado por relações em uma mesma forma . RICHTER. neste conceito. por outro lado. mesmo porque há também uma nítida coalizão de interesses para a influência em políticas públicas. redes de contratos relacionais. especificamente. A estrutura de governança de contratos relacionais determina a produção e a transferência de informação. redes relacionais de obtenção e transferência de informações existam entre cooperativas. ou informais auto- regulados e protegidos por contratos relacionais. 2000). Ibid. p. e a conseqüente disponibilidade de informações confiáveis incentivam a formação de coalizões voluntárias.

Essa redução de custos pode ser de produção. Para garantir a manutenção da competitividade das empresas que se envolvem nesta estratégia. ROND.1. O mesmo autor explica que. Williamson (1996) explica que. ou ainda custos contratuais de governança e incentivos. de logística. como definidas por Williamson (1996). estas formas de governança podem ser compostas por arranjos híbridos em que as alianças e a intercooperação entre organizações também podem ser importantes. conforme será discutido na próxima seção. as firmas não cooperativas mas sob controle de diferentes cooperativas e a participação de uma cooperativa singular em outra singular não ocorrem com freqüência e tem inclusive diminuído proporcionalmente nos últimos anos. como ainda organizações de forma híbrida. ou de aproveitamento de estruturas ociosas. de acesso a mercados. em situações intermediárias. As vantagens do comportamento intercooperativo podem ser explicadas também pelo fato de que esses arranjos são eficientes para a redução de custos de transação. que são discutidos por importantes autores (FAULKNER. em dependendo da especificidade de ativos e da freqüência das transações. 115 hierárquica ou meso-hierárquica.1 Cooperação e estratégias A primeira estratégia é a de estabelecer alianças para possibilitar a redução de custos. há opções mais eficientes de governança que passam de arranjos autônomos em mercado até a formas de integração vertical completa em uma mesma fronteira de eficiência da firma. Assim. a . 2001). 5. As cooperativas centrais.

uma governança de mercado acompanhada. Há. No caso da intercooperação. 116 intercooperação também dependeria de características dos ativos das organizações e das características das transações. assim. características da governança bilateral ou unificada. há uma tendência de se estabelecer contratos clássicos – formais – no qual a natureza do acordo está especificada e clara. a contratação relacional de longo prazo. no entanto. p. “. 80). há incentivos de monitoramento e acompanhamento do contrato em função dos investimentos realizados e. Geralmente. .contrastando com o sistema neoclássico. neste caso.. também poderá haver uma contratação trilateral – neoclássica. O mesmo autor ainda descreve que. Nesse caso. é importante e tende a ocorrer sempre que há níveis significativos de investimentos e ativos específicos.... e onde termos mais formais. como é o caso de vários investimentos nos agronegócios. podem se tornar necessários. para se aferir as condições de cumprimento do contrato. em situação de maior intensidade de especificidade de ativos. há uma forte recorrência de relações – freqüência – e assim esta relação pode assumir a propriedade de uma organização com um vasto conjunto de normas distintas daquelas que se tem em processos imediatos. Nesse caso. de uma contratação clássica.” (WILLIAMSON. Williamson (1989) explica que. quando necessário. recorre-se a terceiros e árbitros. em que o ponto de referência para a realização de adaptações segue sendo o acordo original. 1989. A contratação relacional pressupõe uma relação flexível oriunda então da recorrência e das adaptações que podem ocorrer ao longo do tempo. se necessário.. escritos. neste caso não há significativa especificidade de ativos e a freqüência pode ser recorrente. nos mercados.

o comportamento de cooperação entre firmas poderá ocorrer para evitar as perdas futuras de comportamentos oportunísticos. segundo Lichbach (1996). ou seja. Além dos custos de incentivo para que isso ocorra de forma completa. também explana que o comportamento cooperativo pode ser oriundo de jogos. assim. em que se não ocorrer a cooperação o resultado para os jogadores é inferior ao resultado que possa haver com um comportamento previsível destes. como no Dilema do Prisioneiro. Lichbach (1996) discute que as firmas estabelecem a cooperação no presente com confiança. isto é. Nos jogos que não apresentem soma zero. A intensidade deste problema pode incentivar e implicar que seja mais razoável o estabelecimento de uma forma de cooperação entre firmas para que esses custos sejam minimizados. o principal se encontra obrigado a acompanhar e monitorar as ações do agente para evitar que este venha a agir em interesse próprio. A Teoria dos Jogos. 117 A teoria do agenciamento – Agency – pode explicar a ocorrência de alianças entre firmas em função também de problemas entre um principal e um agente em relações contratuais. Jensen e Meckling (1976) explicam que em determinadas situações há custos para que o principal incentive o agente a agir em seu interesse. a lógica é a de minimizar custos. em decorrência de uma sombra do futuro. . o receio de perder benefícios futuros esperados por causa de um comportamento não cooperativo no presente. e onde há repetidas jogadas. há custos de monitoramento em que. mais uma vez. novamente.

118

Assim, pode-se cooperar no presente, mesmo em uma situação não

plenamente favorável, esperando-se no futuro os benefícios da futura cooperação

recorrente.

Nesse caso, há a idéia de ganhos de produção, benefícios, e não somente

redução de custos. Assim, acordos operacionais temporários, alianças

estratégicas e joint-ventures, com determinados objetivos que compreendem

ganhos de tamanho, escala ou escopo são exemplos de comportamentos

cooperativos com o objetivo de maximizar resultados, por meio do uso mais

eficiente de fatores de produção e tecnologia (KUPFER; HASENCLEVER, 2002).

As firmas podem estabelecer alianças entre elas se há necessidade de

ativos ou de capacitação que não são disponíveis livremente e, portanto, são

incentivadas a negociar uma aliança com outras firmas. Podem fazer parte desta

cooperação ações que promovam o dinamismo e agilidade em mercados, ou

ainda em situações de diminuição de spread, riscos financeiros ou de preços,

como no caso da atuação de tradings ou esforços conjuntos nos mercados

financeiros (FAULKNER; ROND, 2000)

Há ainda autores que desenvolvem suas análises considerando um

processo de aprendizado das empresas ou de ciclo de vida, em que as

organizações estabeleceriam estratégias em função de um aprendizado nos

mercados e um amadurecimento em seu ciclo de vida empresarial. Esses

advogam que há um reconhecimento da firma de que seu desempenho depende

do meio ambiente institucional em que esta vive e que, portanto, deverá existir

uma predominância do comportamento cooperativo sobre o comportamento

predatório e em concorrência. (LYNALL; GOLDEN;HILLMAN, 2003)

119

Mas, deve-se ter em conta também, as razões econômicas que poderiam

influenciar um comportamento cooperativo entre firmas. Em outras palavras, há

situações de lógica econômica e não somente de vontade empresarial, que fazem

com que a autogestão nos mercados seja substituída por uma situação diferente

de coordenação hierárquica, podendo compreender também novas organizações

(MILLER, 1992).

5.1.2 Hierarquias e autogestão

A substituição da competição de mercado pela hierarquia da cooperação

tem várias razões para ocorrer. A primeira e mais forte destas são as falhas de

mercado e conseqüentemente a perda de vantagens para os atores econômicos,

advindo dessas falhas. A hierarquia e a cooperação podem permitir o poder de

mercado, e ganhos extras aos participantes, também em decorrência de

diminuição de custos de transação e governança. (MILLER, 1992)

Enquanto a competição influencia positivamente a eficiência econômica das

empresas e os preços para o consumidor, esta também não perdoa as empresas

competidoras que não acompanham o processo e pode sinalizar a sua falência e

expulsão do mercado, se esta não acompanhar o desenvolvimento tecnológico e a

inovação organizacional (MADHOK, 2000).

Nesse caso de mudança tecnológica ou organizacional, há duas soluções,

continuar no mercado, tendo os resultados econômicos ameaçados pelo poder da

concorrência e o desenvolvimento tecnológico ou cooperar de forma a internalizar

120

também os ganhos possíveis de tamanho, escala e escopo que porventura

poderão ocorrer.

Outra razão econômica importante é a assimetria de informações. Quando

um ator econômico detém informações mais completas que outro, isso poderá

significar perda econômica para um desses e, por causa desta, são necessários

instrumentos que propiciem a melhoria de condições de fluxo informacional. Nesse

sentido, a hierarquia e a cooperação podem ser importantes.

Essas razões iniciais que justificam a hierarquia podem ser

complementadas pelas externalidades. Há ações que causam externalidades

positivas para todos os atores, mas custos somente para um deles. Se essas

ações forem efetuadas em cooperação, gerarão menores custos coletivos e

maiores externalidades positivas para todos os membros. Mas, estas ações

somente poderão ser coordenadas por uma forma hierárquica (MILLER, 1992).

Assim, se uma cooperativa mantém uma associação de interesse privado

que traz benefícios a todas as cooperativas, não há estímulo ou incentivo para que

as outras organizações também participassem desta manutenção já que são

beneficiárias deste processo, e sem custos. Esse é o caso típico de dificuldade de

se manter estruturas de representação que geram benefícios de externalidades

para todos, independentes de associados ou não. Nesse caso, há de se ter algum

tipo de obrigatoriedade.

Miller (1992) exemplifica essas situações por meio de jogos e explica que,

nesses casos, há custos de percepção do problema, de organização de grupos,

de negociação multilateral entre grupos, bem como de manter e monitorar o modo

1992). uma vez que estes não prevêem todas as situações futuras possíveis e. Desse modo. b) a incompletude de contratos. a opção de autonomia nos mercados sem uma hierarquia . para monitorar as atividades da hierarquia e se certificar de que esta estará de acordo com as expectativas iniciais de cooperação. a cooperativa A aceita a intercooperação de forma W com a cooperativa B. Há ainda problemas para se iniciar um processo de cooperação que pressuponha substituição da autonomia em mercado pela hierarquia. é uma solução que deve ser tratada com uma análise de benefícios e custos. há ainda custos advindos de problemas que são característicos deste arranjo organizacional fora do mercado. Esse é o caso de jogos em que não há um equilíbrio ótimo. desse modo. mas sim equilíbrios sub-ótimos. Nesse caso particular. e assim a barganha tem que ser substituída pela hierarquia (MILLER. 121 hierárquico. há problemas como: a) os custos de transação e de governança do processo de organização e da organização hierárquica. Assim. mas é a melhor opção para A e a segunda melhor para B. mesmo que a hierarquia ou cooperação se prove mais vantajosa que situações autônomas de mercado. em termos em que esta situação traz benefícios para ambas. Já a cooperativa B aceita a intercooperação de forma M com a cooperativa A. c) custos de agenciamento para os cooperantes. que é também tão boa quanto a forma W só que representa a melhor opção para B e a segunda melhor para A. poderá então haver oportunismo contratual dos agentes envolvidos no processo. Portanto.

Mais uma vez. como já descrito anteriormente. sem que uma cooperativa tenha a sua melhor opção e a outra apenas a segunda melhor opção. Mas. pois mesmo sabendo que será melhor que a situação anterior terá que aceitar uma segunda melhor opção. estas podem garantir um resultado maior. Esse oportunismo ocorre principalmente se os resultados são compostos também de externalidades e entre agentes que têm incentivo a não arcar com os custos não pecuniários. no entanto. 122 de intercooperação não é boa nem para a cooperativa A e nem para a cooperativa B. Se as duas cooperativas A e B se esforçam da mesma maneira. Dessa forma. com as cooperativas pode-se esperar um . diferente de firmas transnacionais. mesmo consciente da importância da intercooperação. O outro problema é quanto ao trabalho de intercooperação entre os cooperantes. nenhuma das cooperativas permite a solução por meio da barganha.2 Alianças entre firmas ou indivíduos: a questão da cultura A cultura. para a hierarquia da intercooperação. continua a haver um resultado a ser dividido pelas duas sem. como de participação e esforço. ter causado maiores custos a uma delas. sem que a outra perceba isto. que podem refletir as dimensões culturais do país de origem em seus processos. e não há como escolher entre as opções W e M. é outro determinante importante para a existência ou não da intercooperação. O problema é que há dois equilíbrios neste jogo. deve-se lembrar que. se uma dessas não se esforça a contento. 5.

Nesse ambiente. ou seja. e essa dimensão é de fundamental importância para explicar a intercooperação. dificilmente um dirigente é receptivo ao compartilhamento de poder ou à perda do poder de decisão apenas por argumentação estratégica ou por idealismo. portanto. poderá haver a perda de poder de decisão oriunda do necessário compartilhamento de decisão. os benefícios econômicos divididos por todos os n membros são Bw/n que será sempre menor que os benefícios não pecuniários do poder P divididos agora em uma situação de intercooperação pelo número de empreendimentos intercooperantes. Em alguns casos. presidente de uma cooperativa. esta particular situação faz que este tenha que ceder parte de seu poder em troca de benefícios econômicos para a organização como um todo. 123 comportamento que reflita as dimensões culturais de determinada sociedade. há nesta jornada a concentração do poder em suas mãos em justificativa da flexibilidade e agilidade no processo de tomada de decisão. Os benefícios são de todos e. O dirigente. para alcançar esse posto. Deverá haver uma nítida contrapartida de benefícios econômicos para que possa haver a intercooperação. Como esses benefícios são mensurados para a sociedade cooperativa. alianças estratégicas e redes. é um indivíduo que. mas o custo de ceder o poder é apenas de um. Ou seja. exclusivamente para o . gestores. o dirigente. divididos pelo montante de membros. em proporção ao reconhecimento. Na intercooperação. tem que passar por um árduo trabalho social e uma jornada de luta pelo poder. assim há uma equação matemática delicada. e não para seu dirigente. A intercooperação depende de decisão de indivíduos.

no particular das cooperativas. característico do comportamento oriundo de uma tendência mais coletivista. o conselho pode entender que o próximo presidente terá menores benefícios do poder e. um acréscimo de vantagens para o dirigente na diluição de sua responsabilidade financeira. não entende que o objetivo de maximização do capital seja único. se o dirigente perceber a sua função social e considerar o total de benefícios para toda a sociedade. também passa a ser um objetivo relevante. pela divisão do poder. b) há. além dos benefícios para todos os membros. Essa lógica só é diferente em duas situações: a) há acréscimo de benefícios sem a perda de poder. como na criação de joint-ventures. há benefícios sociais que devem ser relevados e. manter a organização com a personalidade da sociedade local. como na questão de avais e endividamento. que nem sempre são eficientes. o que não permite pela lógica do bem estar individual que ocorra incentivos por parte do dirigente para a intercooperação. por outro lado. portanto. Nesse particular caso. . uma vez que. o envolvimento emocional para com a organização. Se não há esta situação. 124 dirigente Bw/n<< P/2 . ou. também não há incentivos para a intercooperação. esta poderá não ser uma estratégia adequada de médio prazo para aqueles que almejam o poder. tem que haver investimentos em educação. Poderá haver incentivos para a intercooperação. não se importando com a sua perda de bem estar não pecuniário e prestígio. pela alternância do poder. Ainda.

Principalmente para os associados uma vez que não há uma perspectiva de ganhos econômicos. com plantas agroindustriais. Quando se considera a perspectiva econômica exclusiva da intercooperação. de perda de benefícios não econômicos em serviços e atenção que podem ser menores que os benefícios econômicos advindos da intercooperação. portanto. entre estes. os processos de crescimento e intercooperação podem afastar a gestão da organização cooperativa de seu convívio. Quanto aos membros associados à cooperativa e a sua relação econômica e social. Assim. ou de investimentos. há empregados – também chamados de colaboradores – estes podem entender os processos de intercooperação como ganho de eficiência econômica. 125 Como nas sociedades cooperativas. há . o que é lógico. de atenção e de influência e convívio – característicos de sociedades com comportamento mais coletivista e organizações de cultura paroquial – sejam maiores que os pressupostos de possíveis benefícios econômicos no futuro. pela perda da dimensão utópica do movimento cooperativo. também os custos com os funcionários pela maximização de funções administrativas. também os membros não entendem de modo transparente os benefícios da intercooperação. A inexistência da distribuição de sobras e de retorno de seu capital social investido no longo prazo fazem com que a dimensão não tangível de bem estar. ou de capital em sua cooperativa. mas que este mesmo processo em médio prazo deve reduzir custos e. Há a perspectiva emocional de perda de influência e.

elaborar considerações.1 Governança corporativa e indivíduos Consideraram-se alguns importantes pressupostos. inicialmente caracterizando os objetivos das cooperativas. 126 dificuldades inerentes de se compreender a lógica econômica tanto para dirigentes. se externos de mercado ou internos de prestação de serviços. Deve-se também verificar o papel do associado membro na estrutura de poder da organização.3. A dimensão econômica é por si não suficiente nas culturas cujo comportamento social é mais coletivistas para justificar a intercooperação. Isso ocorre principalmente em processos de intercooperação e fusão. diferentes dos processos de acordos operacionais. sobre a importância dessas questões. o primeiro foi quanto à função objetivo da cooperativa no Brasil que. quanto para os empregados e fundamentalmente para os membros. Para verificar essas questões teóricas aplicadas à organização cooperativa podem-se analisar os números do cooperativismo no estado de São Paulo. 5. ao final. com grande freqüência. para após analisar o que ocorre com a intercooperação e assim. . é a prestação de serviços e preços imediatos e não os resultados econômicos para serem distribuídos posteriormente na distribuição de sobras da cooperativa.3 Análise e evidências da influência da cultura na intercooperação: o caso das cooperativas paulistas 5.

127 Assim. e que 59.09% não remuneram o capital investido do associado. além das estatísticas já apresentadas. sendo que fazem isso por meio da prestação de serviços e da melhor atenção e atendimento ao cooperado. é clara a função objetivo de maximização de serviços aos associados e não de resultados econômicos para futura distribuição. 75. quando essas existem. os dirigentes entrevistados nas cooperativas declararam que aqueles cooperados mais relacionados são também os que apresentam maior fidelidade. Quanto à governança descrita nas cooperativas. tem amior influencia e podem receber mais vantagens. levantamento de dados da Fundação Getúlio Vargas (1997) mostra em um Censo do Cooperativismo no .32% das cooperativas agropecuárias. Em pesquisa no estado de São Paulo. ou incentivam por meio de melhores preços pelos produtos agrícolas recebidos e pelos insumos transacionados. Portanto. consultando-se cerca de 17. há evidências empíricas. Portanto.e gerentes profissionais. apêndices A e B. e ouvindo dirigentes – associados . inclusive para a influencia e para receber vantagens. há uma visão predominantemente interna à organização e não externa e de mercado. Quanto aos contratos relacionais e às relações informais entre cooperado e a organização cooperativa. verificou-se que a maioria das cooperativas agropecuárias capitalizam as sobras.00% das cooperativas declaram que incentivam a fidelidade e as relações entre cooperados membros e a organização cooperativa. da importância de contratos informais relacionais. Ainda.

segundo a Fundação Getúlio Vargas (1997). nas cooperativas agropecuárias.17 anos de associação na cooperativa.14% dos dirigentes de cooperativas agropecuárias apresentam uma origem profissional exclusiva como produtor rural.6 anos em mandatos e não apresentam curso superior em 51. Fronzaglia (2003) demonstra o mesmo em seus estudos sobre a separação de propriedade e controle em cooperativas agropecuárias. há probabilidade de ocorrência de interesse em causa própria e problemas de separação entre a propriedade e a gestão.24 anos. Em pesquisa no estado de São Paulo a média de associação dos conselheiros fiscais é de 15. apêndice A e B. que já foram discutidos. Ainda. esses são decididos em 64. podem ser considerados associados experientes e influentes uma vez que apresentam uma media de 11. Assim.48% dessas. que consultou cerca de 10% das cooperativas brasileiras uma realidade já esperada de governança corporativa para as cooperativas agropecuárias. segundo esta pesquisa. Especificamente. o presidente. em 90. 128 Brasil. 6. por outro lado. formado exclusivamente por produtores rurais associados e influentes na cooperativa. são os responsáveis pelo exercício da direção. 66. Assim. Mas.66% dos casos pelo conselho de administração.97% dos casos. pode-se considerar que o componente relacional está fortemente presente pela função objetivo da cooperativa como pela relação informal . ou a diretoria – presidente e vice-presidentes – também membros associados e produtores rurais. recebem remuneração e benefícios para o exercício do cargo. Quanto aos investimentos nas cooperativas agropecuárias. Os presidentes de cooperativas estão. Ainda.

Por outro lado. 129 estabelecida. Em 2000. esse número se reduz para 127 cooperativas formadas por 90. também. O mesmo ocorre com as áreas de atuação. 81 dessas articuladas em 5 centrais e uma federação.3. uma vez que as cooperativas estavam presentes em 1992 em 242 municípios paulistas e passaram a atuar em . São os indivíduos que na gestão do empreendimento decidem pelas estratégias. analisados a seguir.2 A evolução das organizações e da intercooperação O Programa Integrado de Desenvolvimento do Cooperativismo de São Paulo PDICOOP II e III do Instituto de Cooperativismo e Associativismo. apresentam informações relevantes dos empreendimentos cooperativos. a decisão e gestão dos negócios estão centradas em produtores rurais membros. São Paulo (1992 e 2002).4 associados por cooperativa em 2000. Em razão dessas evidências. A média de associados por cooperativas se modificou de forma significativa.220 produtores rurais associados. elaborados com dados respectivamente de 1992 e 2000.207. e assim aspectos de interesse individual e particular podem ser relevantes. 5.486 associados.5 associados por cooperativas em 1992 para apenas 712. descrito na seção anterior como componente importante na decisão ou não de intercooperar. As cooperativas agropecuárias em 1992 eram em número de 136 constituídas por 164. passou de 1. pode-se considerar a importância do componente individual e relacional. e apenas 19 dessas articuladas em 3 centrais.

por último.803 membros em 2000. tem-se uma redução de 12 municípios. O mesmo pode ser afirmado pelo desaparecimento da Cooperativa Central Sul- Brasil e de 12 de suas singulares. se manteve a mesma tendência. tabelas 4 e 5. a formação de novas cooperativas em assentamentos para fins de reforma agrária.45%. uma redução de 43. avestruz. associadas à Cooperativa Central de Reforma Agrária do Estado de São Paulo. tem-se que o número de cooperativas agropecuárias se manteve constante em 110 cooperativas constituídas por 154. ou seja. nas atividades de piscicultura e. Devido ao desaparecimento de importantes sistemas cooperativados. Nesse caso. excluindo-se esses sistemas para se aferir essas tendências. portanto. Cotia- CC e CC-Sul-Brasil. 130 apenas 191 municípios em 2000. e 4 de suas cooperativas singulares.20 membros em 2000. uma diminuição relativa em número de cooperativas. Essas novas cooperativas são constituídas em novos sistemas agroindustriais – SAG’s como a criação de ostras. Também a média de associados por cooperativa diminuiu e passou de 1. Essa variação ocorreu em parte pelo desaparecimento da Cooperativa Agrícola de Cotia – Cooperativa Central. .064 associados em 1992 e por 87. Há.58 membros em 1992 para apenas 798. uma diminuição de 51 municípios. e uma diminuição em área geográfica de atuação. fez-se essa mesma análise. Quanto aos municípios atendidos por cooperativas.400. Portanto.01%. de 6. É importante notar também que ocorreu a organização de 45 novas cooperativas na década de 90.

Miguel 65 CSB-S. Situação em 1992 Situação em 2000 Singulares associadas à Central. Capão Bonito 63 CAC-Oeste Paulista 2724 Coop Agríc.Norte Paulista 1146 Coop. Associados Novas Singulares Associados CAC. 131 Tabela 4. Agríc. Situação em 1992 Situação em 2000 Singulares associadas a Central Associados Singulares ativas em 2000 Associados CSB-Araçatuba 392 CSB-Bauru 353 CSB-Promissão 81 CSB-Atibaia 201 CSB-Atibaia 318 CSB-Campinas 75 CSB-Jundiaí 142 CSB-Jundiaí 153 CSB-Mairiporã 43 CSB-Grande SP 352 CSB-Bastos 121 CSB-Marília 456 CSB-Marília 940 CSB-Alta Sorocabana 376 CSB-Alta Sorocabana 417 CSB-Dracena 662 CSB-Osvaldo Cruz 403 CSB-Jales 339 CSB-Jales 361 CSB-Mogi das Cruzes 175 CSB-Vale do Paraíba 86 CSB-Vale do Paraíba 99 CSB-Itapetininga 70 CSB-Itapetininga 33 CSB-Piedade 117 CSB-Pilar do Sul 65 CSB-S. PDICOOP II e III (SÀO PAULO. Sistema da Cooperativa Central Sul Brasil de 1992 a 2000. Agrop. Região Bragantina 61 Coop. Agríc. Agríc. Tatuí 20 CAC-Cinturão Verde 298 Coop. Guatapará 22 CAC-Sudoeste Paulista 1172 Coop. Pilar do Sul 23 Coop. Ibiúna 37 Total 5340 Total 258 Fonte dados de pesquisa. Mista de Pindamonhangaba 32 Coop Agríc. Agríc. Sistema da Cooperativa de Cotia Central de 1992 a 2000. Reg. 1992 e 2002) . PDICOOP II e III (SÀO PAULO. 1992 e 2002) Tabela 5.Miguel 70 CSB-Paraguaçu 120 CSB-Guapiara 122 CSB-Guapiara 34 Total 4816 Total 2425 Fonte dados de pesquisa.

cerca de 39. com um também menor tamanho médio em termos de associados. uma menor presença geográfica nos municípios paulistas. Destaca-se que estas centrais ou federações são atualmente apenas três. 132 Mas. são apenas 6 cooperativas que apresentam esta participação.000 associados. .70% das cooperativas existentes em 1992. um novo arranjo.45% das cooperativas existentes em 1992. nesse período. excluindo-se os sistemas Cotia-CC e CC-Sul-Brasil. decresce também a participação das cooperativas em empresas não cooperativas. ainda. apesar da constituição de novas cooperativas. que passaram de 14 cooperativas em 1992 para apenas 5 cooperativas em 2000. Quanto ao grau de intercooperação aferido por meio de cooperativas de terceiro grau ou de participação em outras cooperativas. há um aumento de número e relativo das cooperativas menores de até 1. Pode-se aferir essa tendência de trajetória de diminuição da intercooperação nas cooperativas agropecuárias de São Paulo entre o período de 1992 a 2000. um menor número de cooperativas. quanto à participação em central ou federação. de 72 cooperativas em 1992 passaram para apenas 19 cooperativas em 2000. Nesse mesmo período.000 associados. eram 11 cooperativas com participação em empresas em 1992 e. tem-se que desapareceram cerca de 25. atualmente. Nessa mesma análise. portanto. Em 2000. ou seja. de 79 para 31 cooperativas com participação em outras singulares e. percebe-se que o saldo é negativo e desapareceram cerca de 54 cooperativas. analisando-se as tabelas 6 e 7. Há. e uma diminuição de número e relativa das cooperativas maiores com mais de 2. A participação em singulares também decresce. nota-se uma menor articulação em redes e.

1992 e 2002) Pode-se.CONCRAB 1 5 Fonte: PDICOOP II e PDICOOP III (SÀO PAULO. decresce de maneira abrupta. 1992 2000 Cooperativas Centrais Número de Cooperativas Número de Cooperativas Cooperativa Agrícola de Cotia Cooperativa Central 4 - Cooperativa Central de Fertilizantes Cooperfertil 5 3 Cooperativa Central de Lacticínios do Estado de São Paulo . que pode indicar alianças estratégicas. 133 Tabela 6. considerar que o cooperativismo agropecuário paulista provavelmente se desarticula. como em centrais.Paulista 20 11 Cooperativa Central Sul Brasil 22 - Federação Meridional de Cooperativas Agropecuárais – 29 - FEMECAP Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária . que indicam acordos e estratégias conjuntas. portanto. Tanto a participação de cooperativas em outras singulares. Participação de cooperativas agropecuárias em cooperativas centrais no estado de São Paulo em 1992 e 2000. também decresce. . Mesmo a participação em outras empresas não cooperativas.

45% Cooperativas com participação em empresas . Variação de 1992 a 2000 Do total Excluindo-se Cotia-CC e CC-Sul- Número de: Brasil Cooperativas .70% 25.44. 134 Tabela 7.09% Associados por cooperativa .00% -43.60. 1992 e 2002) .73. Participação de cooperativas agropecuárias em outras empresas não cooperativas no estado de São Paulo em 1992 e 2000.21.45% Associados .60% 0. Quadro resumo das tendências verificadas nas estratégias das organizações cooperativas agropecuárias no estado de São Paulo.01% Municípios paulistas com presença de cooperativas . PDICOOP II e III (SÀO PAULO. Cooperativa Singular Empresa Empresa Cooperativa Agrícola Rio Transriograndense _ Grandense Holambra Polpa de Frutas Brasileiras _ Cooperativa Agrop. _ FRUTESP COMMODITY S/A Cooperativa de Pesca Nipo COMPESCA – Companhia COMPESCA – Companhia Brasileira de Brasileira Brasileira de Pesca Pesca INAP – Industria Nacional de _ Pesca _ CODIPESCA – Companhia Distribuidora _ FRIGORIA – Industria e Comercio de Frio COONAI SOCOOP – Corretora de _ Seguros _ SOCOOP – Assessoria _ Técnica de Seguros AR FRIO S/A COPERCANA COPERCANA Seguros Fonte: PDICOOP II e PDICOOP III – ICA/SAA 1994 e 2002 (SÀO PAULO.61% - Fonte dados de pesquisa.00% Cooperativas liquidadas ou incorporadas 39. 1992 e 2002) Tabela 8. Pedrinhas Transpedrinhas Transpedrinhas Paulista Cooperativa São João Coopersan – Corretora de _ Seguros CAROL Dinamilho _ CAROL – Assessoria técnica _ de Seguros EXINCOOP – Exportadora _ CAROL – Corretora de CAROL – Corretora de Seguros e Locação Seguros de Veículos COOPERMOTA Transcoopermota _ COOPEMAR Transportadora COOPEMAR Transportadora COOPEMAR COOPEMAR – Corretora de Seguros COOPERCITRUS Auto Posto CITROCOOPE _ Coopercitrus industrial .06.45.07% -06.75% - Cooperativas com participação em centrais e/ou federações .45% - Cooperativas com participação em outras singulares .89% -43. de 1992 a 2000.41.

ou na industrialização.00% 20. 1992 e 2000. 135 60. Fonte: PDICOOP I.09% 24. II e III (SÃO PAULO. Isso não espelha uma estratégia de ação mais abrangente em mercados nacionais e internacionais. 1992 e 2002) Nesse particular.41% Gráfico 5. .00% 1989 1992 2000 31. e nas empresas não cooperativas ocorre em empresas de seguros e transporte de forma localizada. Participação de cooperativas singulares em outras cooperativas singulares no estado de São Paulo em porcentagem em 1989.00% 0.00% 30.00% 50. mas ocorre somente como uma ação complementar.00% 40.45% 58.00% 10. verifica-se que a participação em outras singulares ocorre na participação de cooperativas agropecuárias nas de crédito rural.

Assim.3 A importância da intercooperação Algumas importantes evidências empíricas podem ser consideradas. na melhor das hipóteses.3. mas nos extratos de 1. o número de cooperativas passou de 107 em 1992 para 111 cooperativas em 2000.400. 136 5. não se considerando o caso das cooperativas centrais liquidadas. em função de seu relacionamento com a cooperativa. a segunda é que os contratos relacionais e informais são importantes. apresentando um ligeiro aumento. neste ambiente institucional. não permitiriam.000 associados passa de 15 para 11 . uma vez que há interesses de dirigentes e problemas de divisão de poder e. que desapareceram.20 associados por cooperativa em 2000. ainda.58 associados por cooperativa em 1992 para apenas 798. pode-se esperar que as cooperativas. A primeira é de que as cooperativas mantêm uma função objetivo de maximização de serviços. pode-se aferir que a formação de redes entre cooperativas não seria. ou seja. como foi discutido anteriormente. Verifica-se também que o número de cooperativas no estado de São Paulo diminui ou.001 até 2. que os membros associados. a terceira é que os membros produtores rurais são os gestores e tomadores de decisão.000 associados. no extrato de cooperativas agropecuárias com até 1. uma estratégia deste tipo. Como o número médio de associados por cooperativa é menor. passaram por um processo de fusão ou incorporação ou ainda de liquidação. Como há a organização de 45 novas cooperativas. possivelmente. é estável. passou de 1. incentivada. e como há uma diminuição de número de cooperativas nos estratos de maior número de associados.

1992 e 2002) . CAMDA.500 1. 137 cooperativas entre os mesmos anos.092 CAROL 1.880 1. no âmbito da COOPERCITRUS. Variação do número de cooperados ativos por cooperativas em 1992 e 2000. 1992 2000 COOPERVAN 983 1. Ainda. e CAZOLA somente esta última e a primeira é que apresentam uma elevação expressiva no número de associados.049 CAFENOEL 1. verifica-se que.000 associados há uma brusca diminuição de número de 14 cooperativas em 1992 para apenas 5 cooperativas em 2000.860 COONAI 2. Tabela 9. tabela 9 e 10. apenas duas.001 até 2.000 associados atuantes no ano de 2000. analisando-se especificamente as onze cooperativas integrantes do extrato intermediário.479 Fonte: PDICOOP II e III (SÀO PAULO. apresentaram aumento significativo de associados.936 1. a CANACAP e a CASUL. COPLACANA. COOPEMAR. enquanto a maioria das outras apresentaram uma redução no número de associados.705 1.900 CANACAP 650 1. e no extrato superior de mais de 2.580 1. Das cinco cooperativas integrantes em 2000 do extrato mais elevado.523 1.200 Coop Laticínios Vale Paranapanema 1.801 CAPP 2.868 COPERCANA 1.160 COOPERMOTA 2.076 1. para o extrato das cooperativas de mais de 1.287 CASUL 669 1.959 1.515 CAMAP 1.

138 Tabela 10. Como há condicionantes de minimização de custos. pode ocorrer de forma estimulada também pelas condições gerais da economia do período. apesar das vantagens expostas as cooperativas não apresentam uma estratégia nesta direção. Pela diminuição do número de cooperativas envolvidas em centrais. Essa tendência.874 COOPEMAR 3. 1992 2000 CAMDA 3.200 4.000 associados atuantes no ano de 2000. de formação ou não de redes e alianças.286 3. ou em firmas não cooperativas ou ainda com participação em singulares. mas sim se pode esperar por um processo significativo de liquidação. pode-se inicialmente também supor que há uma diminuição da formação de redes e alianças estratégicas. como os de transação e governança que apontam no caminho das vantagens da articulação de redes e alianças estratégicas.802 CAZOLA 517 2. pode-se discutir que. para o extrato das cooperativas de mais de 2. Variação do número de cooperados ativos por cooperativas em 1992 e 2000. e que as prováveis . possivelmente. assim não há.850 11.117 COOPERCITRUS 7. mas pressupõe-se que a necessidade de crescimento e articulação das organizações ocorra como um estímulo do crescimento econômico. 1992 e 2002) Pode-se aferir que nos dois extratos de maior número de associados ocorreu uma redução significativa no número de cooperativas. sem que ocorresse um significativo aumento de associados.047 Fonte: PDICOOP II e III (SÀO PAULO.080 COPLACANA 4. um amplo processo de fusão ou incorporação.140 2.

bem como o papel dos dirigentes com um intenso foco de gestão interno na organização. uma estratégia e um esforço conjunto na direção da formação de redes ou fusões. a título de exemplo. identificar a dificuldade e a inexistência histórica de uma articulação em rede e significativa nos Sistemas Agroindustriais – SAG’s do leite. mas diferenças regionais. impediram. . e do café. as centrais de lacticínios nos estados vizinhos de São Paulo. políticas e. 139 razões para isto são possivelmente de ordem comportamental e cultural. historicamente não apresentaram um esforço no sentido da formação de redes entre as centrais. como discutido anteriormente. Minas Gerais. não permitiriam o estabelecimento de estratégias em redes. e a direção da cooperativa realizada por produtores rurais. até este momento. a visão interna na estratégia de gestão. impedem ainda hoje. de cultura organizacional. também as cooperativas vizinhas nos estados limítrofes de São Paulo e Minas Gerais não conseguiram estabelecer. aliadas a maior aversão ao incerto. Deve-se relevar que essa situação é histórica e muito debatida no âmbito das lideranças do sistema cooperativista brasileiro. No segundo caso. Os contratos relacionais entre os membros e a organização. são justificativas que. Além dessas evidências numéricas. diferenças em função do envolvimento relacional do associado com as cooperativas. apesar do grande número de cooperativas e da lógica econômica dessa estratégia. principalmente. e Paraná. alianças estratégicas. ou mesmo fusões e incorporações. e ao envolvimento emocional na organização. bem como. a existência dessas estratégias. pode-se. No primeiro caso.

o sucesso dessas estratégias estaria em função de um comportamento culturalmente diferente tanto de dirigentes como de associados em cooperativas agropecuárias. . 140 Portanto.

bem como na . 141 6 CONSIDERAÇÕES. o ambiente institucional e legal é de fundamental importância. reflete-se na Lei 5764/71 que regulamenta o cooperativismo .atualmente em vigor .1 Considerações quanto a instituições e a cultura Pode-se considerar inicialmente que. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 6. o segundo quanto aos resultados obtidos pela análise estatística.1 Considerações Quanto às considerações pode-se separar em três blocos importantes. 6. O primeiro quanto às condições institucionais e culturais. e o terceiro quanto aos números do cooperativismo analisados no estado de São Paulo.1. A tradição legal brasileira inflexível do direito Romano. para a análise da governança dos empreendimentos cooperativos no Brasil.

142 nova legislação em consideração no Congresso Nacional que. impede-se que a organização cooperativa no Brasil possa vir a ter uma re-ordenação na estrutura de direitos de propriedade. Assim. Dessa forma mantêm-se os mesmos critérios anteriores da não negociação em mercado da quota-parte. pode-se considerar que. tornando estes mais claros para os associados e. mantém os mesmos pressupostos da legislação anterior e do cooperativismo Rochdaleano. da Nova Geração de Cooperativas nos Estados Unidos. a impossibilidade de abertura de capital e de emissão de títulos. assim. bem como quanto principalmente à relevância da dimensão de investidor do associado. como é o caso. em termos gerais. Dessa forma. Portanto. muito provavelmente. sem uma participação de maior relevância. A segunda consideração importante é quanto à percepção e à confiança da população na justiça no Brasil. O capital continuará. reduzindo os direitos residuais às decisões. por exemplo. sendo tratado de forma subserviente ao fator de produção trabalho. inclusive com preocupação quanto à morosidade do sistema. em dependendo da legislação em vigor e provavelmente também da futura legislação. não há uma consideração diferente na legislação para as relações entre os fatores de produção capital e trabalho. A revisão de literatura e as pesquisas indicam que há pouca confiança no sistema judiciário. Essa evidência de não confiança na justiça pode indicar . a presença de fundos indivisíveis. não haverá modificações fundamentais no cooperativismo brasileiro quanto à percepção e consideração dos direitos de propriedade em cooperativas.

o Institito Brasileiro de Governança Corporativa (2003) descreve no Brasil organizações que são caracterizadas por uma sobreposição entre a propriedade e a gestão. concentração de poder. que dependam de uma terceira parte como arbitragem. Em pesquisa. como também. . um envolvimento grande em processos e uma visão mais interna. Para o entendimento. Dessa forma. de modo geral. deve-se salientar que. nos membros associados. do que externa em mercados. Também se deve considerar que estas influências não ocorrem exclusivamente nas cooperativas. já descrita.oposto dos países de cultura anglo-saxônica e de língua inglesa como a América do Norte .apresentam características de maior dependência do passadocom a burocracia e a centraliização do poder. além de se esperar pouco esforço em planejamento de médio e longo prazo. não ser aquele arranjo contratual que minimize os custos de transação e. pode-se esperar no Brasil organizações cooperativas com uma hierarquia intensa. em condições específicas. os contratos relacionais auto-regulados self-enforced poderiam ser aqueles que espelhariam um arranjo mais eficiente de menores custos de transação. como no caso de cooperativas agropecuárias. com conselhos controlados pelos acionistas majoritários e funcionando com uma estrutura mais informal. em determinadas condições. as empresas não cooperativas também são influenciadas em sua governança. a exemplo dos contratos clássicos e neoclássicos definidos por Williamson (1985) e Macaulay (1963). os países de cultura latina . assim. apresentando uma tendência à concentração de poder. podem. ou a existência de planejamento e gestão estratégica. 143 que as relações de contrato. burocracia.

um forte relacionamento entre o associado e a cooperativa. o jogo apresentado como uma árvore de decisão mostra que deverá haver um diferencial de preços pagos pelo mercado para que incentive o cooperado a não transacionar com a sua cooperativa e que este. 6.2 Considerações sobre os resultados estatísticos O segundo bloco importante de considerações é quanto aos resultados das análises estatísticas. em que o funcionamento também é caracterizado por um grau elevado de informalidade. que podem se manter no poder por longos anos. o que pode ser considerado também como estratégia da organização. há o fato de que há. O outro fato importante é que as cooperativas no Brasil apresentam a função objetivo de oferecer serviços imediatos e benefícios aos membros. por último. Dados esses fatos.1. Tem-se como fatos para estas considerações que as organizações cooperativas apresentam no Brasil uma estrutura de direitos de propriedade pouco definidos sem apresentar esforços para defino-los melhor. e ainda com grande concentração de poder em presidentes. sem se preocupar com uma distribuição futura de resultados econômicos – sobras e. por motivos culturais. 144 Essas características também podem ser encontradas nas organizações cooperativas nas quais há problemas. de separação entre a propriedade e a gestão. em que os conselhos são majoritariamente representados pelos associados mais antigos e influentes. .

independe dos resultados anteriores. quanto maior é o sucesso de mercado e econômico da cooperativa. ainda. em conseqüência de uma estrutura de direitos de propriedade muito pouco definida. pode-se ter maior quantidade de serviços e benefícios disponíveis e assim. que incentive este agente econômico a continuar transacionando com a cooperativa. isto é. a segunda proposição que. na qualidade de prestação deste serviço. e a possibilidade de haver também um acesso diferenciado a este direito residual de uso de ativos e serviços. considera-se que. Mas. 145 apesar de ser um jogo recorrente. intensificada pela distância de poder entre o associado membro e proprietário e o funcionário prestador de serviços. como característica de governança. e que o incentivos para tanto são as vantagens obtidas por meio do exercício de direitos residuais a influência. os direitos residuais a influência podem não ser exercidos e assim não há incentivos para a participação. perceptível ao cooperado. O modelo matemático mostra que os direitos residuais a influência são importantes diferenciais e. A primeira proposição considera a existência de direitos residuais à influencia maiores que zero. Considera-se que a participação ocorra em cooperativas agropecuárias com o objetivo de gerar e de intensificar contratos relacionais e informais. o acesso aos serviços e benefícios da cooperativa poderá ser diferencial também. na quantidade ou. há uma proporção significativa de direitos residuais à decisão de uso dos ativos. comumente. uma vez que o cooperado – mesmo oportunista – mantém o direito de cooperar. Assim se tem que considerar que a organização cooperativa deverá apresentar um diferencial de benefícios e serviços. quando a organização . Isso poderá ocorrer na forma.

ao contrário. considera que quando a cooperativa apresenta um significativo sucesso. que se refere à pressão de grupos organizados em causa própria com o objetivo de obter decisão que beneficie apenas parte dos associados da organização é caracterizado como um custo. parte das considerações dos pressupostos do modelo matemático podem ser consideradas verdadeiras. A terceira proposição. 146 cooperativa tem uma probabilidade não alta de sucesso em negócios. há maior probabilidade de ocorrer os direitos residuais a influência e estes passam a ser mais importantes. E. Os modelos de regressão permitem considerar que há uma relação negativa entre o desempenho econômico e a participação em assembléias gerais – AGO’s – e. Há a consideração dos direitos residuais a influência como parte integrante da lógica organizacional em nações cujo padrão cultural permite a intensa relação entre membros de uma organização. Mas. quando o número de associados é muito alto. esses direitos perdem a importância e portanto não são exercidos. permitindo a consideração que estes comitês possivelmente . os direitos residuais a influência são importantes na lógica dos contratos relacionais informais entre os associados e a cooperativa e um incentivo à participação do membro na organização cooperativa. Este não pode ser considerado apenas custo. estes direitos são exercidos em maior intensidade. Para a participação em comitês educativos em nível da comunidade há relações negativas com a proporção de assistência técnica e a proporção de associados ativos. assim. estes são diferentes do custo de influência. Assim. mas sim como parte de incentivos contratuais à participação neste caso particular. por último.

ou ainda. uma relação de tendência logarítmica que mostra que. assim aqui maior deveria ser a importância dos direitos residuais a influência. menor é o poder de decisão de cada cooperado e maior deverá ser o estímulo à participação. menor é a proporção de participação. obteve-se. analisando graficamente os dados. quanto maior é a cooperativa em número de sócios. A análise fatorial. E mais. O primeiro característico da atividade econômica e poder de mercado da cooperativa. há possivelmente maiores problemas de controle. 147 existam para intensificar a participação e as relações sociais em organizações com problemas de atividade do quadro associado. pelos componentes principais. o segundo relacionado com o sucesso econômico. a variável. Assim. e o terceiro fator relacionado com problemas de desempenho financeiro e o incentivo a participação em comitês educativos. está negativamente correlacionada com a variável dependente proporção de participação em comitês educativos. pode-se também considerar a corroboração dos pressupostos anteriormente apresentados pelo modelo matemático. Na leitura dos resultados do modelo. poder-se-ia considerar que esta situação estaria relacionada com uma provável estratégia de reforçar os contratos relacionais informais em comitês educativos na situação de baixa atividade dos cooperados. mostra como os mesmos dados estavam correlacionados com três fatores. uma vez que. quanto maior o número de sócios. mesmo que existam benefícios. Quanto às considerações a respeito da influência do número de sócios na participação em assembléias gerais. . independente de proporção de atividade dos associados.

A primeira consideração importante neste bloco é a corroboração da função objetivo das cooperativas agropecuárias. possivelmente. as decisões de investimentos centralizadas no âmbito do conselho. função de prestar de serviços aos cooperados e de oferecer melhores preços e não de distribuir sobras dos resultados financeiros. ou seja. incrementando a presença de direitos residuais de decisão para o uso de ativos e/ou serviços. propiciando problemas de controle e. uma vez .3 Considerações quanto ao cooperativismo paulista O terceiro bloco de considerações deve ser quanto às evidências analisadas nos números do cooperativismo no estado de São Paulo.1. a não separação entre a propriedade e a gestão. A segunda é que não há controle de auditoria externa na maioria das cooperativas. Assim a decisão gerencial centralizada no âmbito do presidente. 148 6. Os problemas de governança discutidos teoricamente como conseqüência da cultura puderam ser considerados em números. a não remuneração do capital social do membro ou presença de contratos não permite uma melhor definição da dimensão do associado membro como investidor e isso colabora na manutenção de direitos de propriedade vagamente definidos. portanto. como anteriormente pressuposto no trabalho. Ainda. A primeira consideração importante é que os principais pressupostos dos modelos apresentados são verificados na análise de dados do cooperativismo agropecuário em São Paulo.

As evidências também permitem considerar as dificuldades no Brasil para a formação de redes entre cooperativas. O fato de que o presidente tem um horizonte mais prolongado de mandato. tanto que número expressivo considera importante a cooperação como função de relações sociais. Essa foi mensurada pela presença de cooperativas centrais. a tendência de uma menor intensidade de articulação em redes continua sendo a mesma. e mesmo pelo estabelecimento de outras organizações não cooperativas como empresas. Também os dados permitem considerar que a relação entre os associados e a cooperativa é importante. e este e o conselho são geralmente membros antigos da cooperativa. de diminuição. Esse fato ocorreu mesmo se descontando a influência. permanecendo no poder. do desaparecimento de duas importantes centrais. expressam a centralização do poder no âmbito dos associados mais antigos e influentes. 149 que os presidentes e conselheiros são também membros associados. bem como atestam e reconhecem que os associados mais relacionados são atuantes. são exemplos. que também apresentam tendência de diminuição em número. pela participação em outras cooperativas singulares. fiéis e mostram a maior influência desses associados na organização. descontado o efeito. como esperado pelo modelo apresentado. . no caso de São Paulo. essas mostram a diminuição de intensidade da articulação das cooperativas em redes.

2 Conclusões Conclui-se então que: a) As instituições são elementos fundamentais de análise da arquitetura organizacional e da lógica dos arranjos contratuais. intensificam os contratos relacionais e informais. ou ainda de redes e acordos. Esta . essa lógica pode ser percebida com intensidade e. b) No Brasil. que não permite o estabelecimento de estratégias de fusão. Deverá haver uma análise que considere a cultura e as instituições. 150 Esse fato é considerado como um problema advindo do relacionamento emocional entre o membro da cooperativa e sua organização. 6. portanto. ainda seu relacionamento emocional pode impedir essas estratégias. em cooperativas agropecuárias. Assim. ou mesmo de organização de centrais. pode-se considerar que os pressupostos utilizados são corroboráveis e podem-se aferir as principais constatações teóricas deste estudo. c) Os direitos de propriedade pouco definidos permitem a existência de direitos residuais de uso de ativos em maior intensidade e. as estratégias das cooperativas no Brasil não podem ser implementadas a exemplo das estratégias de cooperativas agropecuárias em outros países com diferente característica cultural. O cooperado não permite que sua organização possa se distanciar de seu relacionamento. portanto.

e alianças estratégicas não são incentivadas em decorrência também de contratos relacionais informais. g) Estratégias de fusão. assim. propiciar o aparecimento de uma organização que não seja compatível com o padrão cultural brasileiro. e) A gestão dos empreendimentos cooperativos deve ser exercida por membros associados uma vez que somente esses membros têm condição de compreender a lógica relacional e informal na organização. formação de redes. esses podem fazer parte da estratégia de organização. desta forma. e o envolvimento emocional que são característicos entre os membros das sociedades cooperativas e. A excessiva profissionalização da gestão sem critérios pode desestabilizar o sistema social e a lógica contratual. f) A definição clara de direitos de propriedade e da dimensão de investidor do associado pode induzir tanto a perda da dimensão comum das organizações cooperativas como a quebra da lógica relacional e informal e. são incentivos contratuais importantes para a participação dos cooperados. . incorporação. essas estratégias devem ter nova abordagem no Brasil. d) Os direitos residuais a influência. e podem fazer parte integrante da lógica organizacional destas organizações. portanto. nas cooperativas agropecuárias. 151 situação implica no aparecimento de direitos residuais à influencia.

c) Não estimule a excessiva profissionalização sem critérios. promovendo a sua influência em conselhos e estruturas de participação como modo de incentivar a fidelidade e a atividade econômica do cooperado. resguardando a função de gestão de presidentes e conselheiros. principalmente no tocante à compreensão das necessidades do quadro associado e da lógica informal de relacionamento. se afastar das exigências relacionais dos cooperados.3 Recomendações ao movimento cooperativista Recomenda-se ao movimento cooperativista brasileiro que: a) Perceba a arquitetura contratual relacional entre a organização e os associados e assim incentive essa particular lógica como estratégia de gestão. . d) Perceba o mercado e suas vantagens. com este estudo. b) Diferencie o tratamento dos membros que apresentem maior participação. 6. 152 h) Não se pode afirmar. no entanto. sem. para com sua organização. se esta é uma característica permanente das cooperativas agropecuárias brasileiras ou se esta lógica particular está sujeita a uma evolução em direção ao padrão de comportamento anglo-saxão em decorrência do processo de relações internacionais.

g) Objetive uma forma própria e independente de desenvolvimento. de distância de poder e de ética não estritamente capitalista. de forma a não permitir que a cooperativa perca a sua função pública e suas características de organização comum. bem como. 153 e) Nos processos de formação de rede. ou fusão não se deve permitir a perda de poder dos dirigentes locais. aliança estratégica. tendo como base a compreensão dos determinantes culturais e da lógica de cooperação existente em sociedades de características comportamentais e culturais mais coletivistas. promovendo o convívio. de aversão ao incerto. uma vez que esta poderia implicar uma estratégia organizacional e de capitalização nem sempre compatíveis com o padrão cultural brasileiro. f) Cautela na direção da definição de direitos de propriedade aos associados. estimulando a influência e a participação. . a perda de identidade da cooperativa singular com seus sócios.

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167 APÊNDICE .

.................................................A Cooperativa tem auditoria interna? Sim ....... 72................................ 168 APÊNDICE A ................................................................................. 36..... Entrevistas em 22 cooperativas agropecuárias do estado de São paulo Porcentagem de entrevistas pelo total de cooperativas do estado de São Paulo.............. 17.........82% 1........Há distribuição efetiva de sobras em sua cooperativa? Sim ..Resultados de Pesquisa aplicada em Cooperativas Agropecuárias do estado de São Paulo................... 45......................................82% 2....................................32% Entrevistado – Dirigente e associado ............... 81...................18% Entrevistado – Gerente e profissional ................................................................................ 68.................... 40..............45% 3................91% 6.................82% ...................Há capitalização de sobras em sua cooperativa? Sim .....................A Cooperativa tem auditoria externa? Sim ...........................................A cooperativa devolve ao cooperado o seu capital social ao final do período de associação? Sim ............... 31..A cooperativa remunera o capital social anualmente? Sim ..............73% 5......................................................................................36% 4............................... 31............................................

50% 6.14 ) Os cooperados mais relacionados/atuantes influem mais ( 4. 169 APÊNDICE B . Entrevistas em 8 cooperativas agropecuárias do estado de São Paulo Porcentagens de entrevistas pelo total de cooperativas agropecuárias no estado de São Paulo 6.Você acredita que contratos de obrigação de entrega de produto funcionam no Brasil? Sim 62.00% 3.71 ) Há incentivos a fidelidade do cooperado? Sim 75.75 ) Os cooperados mais relacionados/atuantes tem mais fidelidade ( 4. eleitos são associados / Por que propicia poder político 8.50% 7.Você acredita que contratos de obrigação de entrega de produto seriam bons para a cooperativa? Sim 87.Porque na cooperativa não há a separação entre a propriedade (dono/membro) e a administração (gestão/presidente)? (Respostas mais freqüentes) Por que a responsabilidade financeira é do presidente / Por causa da lei.Quais as vantagens de um profissional não associado na Direção Geral da Cooperativa? (Respostas mais freqüentes) .5% 1.86 ) Os cooperados mais relacionados/atuantes tem mais vantagens ( 3. 37.Quanto a Fidelidade do associado para com a cooperativa: (nota de 1 a 5) Qual é o grau de Fidelidade do cooperado com a cooperativa ( 3.50% 5. e porque estes não são comuns no Brasil? (Respostas mais freqüentes) Difícil execução judicial / Flutuação de preços / O cooperado não gosta de estar preso a compromissos formais 4.Resultados de pesquisa aplicada exclusivamente com presidentes e diretores de cooperativas agropecuárias do estado de São Paulo.Quais são as dificuldades de contratos de obrigação de entrega entre o associado e a cooperativa.2% Porcentagens de entrevistas entre as cooperativas paulistas integrantes das 50 maiores do Brasil em 2003.Há contratos na cooperativa de obrigação de entrega de produto do associado em quantidade e qualidade? Sim 25.00% 2.14 ) Há oportunismo contratual do associado (Infidelidade) ( 2.Você acredita que contratos de obrigação de entrega de produto seriam bons para o cooperado? Sim 87.

desvio padrão 10.00% Superintendente-gerencias e departamentos 13.Quais são as vantagens para a cooperativa de um Presidente/Gestor e ao mesmo tempo associado? (Respostas mais freqüentes) Empatia com o associado / Conhece os sócios / Possibilita credibilidade ao negócio / Promove o equilíbrio entre os interesses do associado e da cooperativa / Melhor relacionamento / Maior comprometimento com a cooperativa 11.Na sua cooperativa quem toma as decisões do dia a dia? 50.Na sua cooperativa quem toma as decisões de investimentos de médio e longo prazo? 100% Conselho de administração 14.14) 17.43) Conselho é representativo da experiência dos produtores da cooperativa (4.O associado percebe a dimensão (de uma nota de 1 a 5) Usuário da cooperativa (4.29) Conselho é representativo da composição de idade dos produtores da cooperativa (4.50) Investidor na cooperativa (2.Quantas pessoas formam o Conselho de Administração? Media de 7.Porque no Brasil são raras as alianças estratégicas entre cooperativas e não cooperativas? (respostas mais freqüentes) Dificuldade de legislação/ as cooperativas não percebem a atividade com um valor/ Interesse por cargos/as empresas de capital tem interesse por lucro diferente da cooperativa/ desconfiança do negócio/ .Quais são as dificuldades de um processo de fusão em cooperativas e porque esses não ocorrem no Brasil? (respostas mais freqüentes) Interesse por cargos/ problemas culturais regionais/ vaidade de presidentes/ medo dos funcionários perderem os cargos/ portes desiguais entre cooperativas/ restrição do corpo associado pelo medo de distanciamento da cooperativa 19.54 anos 16.Quais são as desvantagens para a cooperativa de um Presidente/Gestor e ao mesmo tempo associado? (Respostas mais freqüentes) Política no cargo / Não ser um bom gestor / Possibilidade de abuso e influencia no cargo / Conflito de interesse / Relação cliente e gestor / Não há desvantagens 12.88 associados 15. 170 Neutralidade / Evita conflito de interesses/ Independência / Foco em negócios / Menor objetivo político 9.25) Proprietário da cooperativa (3.Quais as desvantagens de um profissional não associado na Direção Geral da Cooperativa? (Respostas mais freqüentes) Não busca os interesses dos associados / Desconhece a realidade do produtor rural / Gera conflitos com associados / Não entende o cooperativismo 10.20 anos Média de tempo de associado 15.De uma nota de 1 a 5 para a representatividade do Conselho Conselho é representativo das regiões de atuação da cooperativa (4.28 anos .24 anos – desvio padrão 6.Descreva os membros do Conselho de Administração Média de idade 48.57) Conselho é representativo do tamanho dos produtores da cooperativa (4.50) 18.00 % Presidente/diretoria 50.

171 ANEXO .

280 .444E-02 .914E-02 .338 continua .340 -.108 Covariances LPASSPDT 3.108 -.230 1.639E-02 9.317 -5.Tabela de Correlações.167 .363 -.938E-02 -. Regressão.000 -.383 .454 .735E-02 3.112 BKNT .363 .128 1.216 -1.567 -.317 -.128 .601 .003E-02 .772E-02 -5.132 1.003E-02 3.567 LPASSOTV .000 .385E-02 2.735E-02 -.865 .000 -.214 .639E-02 3.216 3.055 .298 7.444E-02 -1.772E-02 -.112 -.064 -.618 LPTPDAC -.528 -.109 . ponderado por Assot.041 -.000 2 LPASSCMT 7.420 Correlations LPASSPDT .435 -. b) Model LPASSCMT BKNT LPASSPDT LPTECASS LPASSOTV LPTPDAC LPASSCMT 1.698E-02 .460 Correlations LPTECASS .000 .177 LPASSOTV . Coefficient Correlations (a.143 1.000 -.000 .017E-02 3.175 Covariances LPTECASS 9.197 3.000 .175 -.273 LPASSOTV .772E-02 .243 BKNT .454 -.269 .938E-02 BKNT 2.402 3.591 1.317 5.177 -.280 -4.214 .782E-02 -.782 LPTPDAC -4.017E-02 .460 -.782 .052E-02 . 172 ANEXO A .591 LPTPDAC -. equação 1.618 1.914E-02 3.000 .402 -.113 LPASSPDT 3.109 1.055 -.494 .230 -.243 -.000 1 LPASSCMT 9.000 .454 LPASSCMT 1.494 -.143 .420 -.528E-02 .772E-02 BKNT 2.782E-02 .360 LPASSPDT .287 7.101E-02 2.082 -.052E-02 .298 -.216 .383 -.601 LPTPDAC -1.698E-02 5.041 .269 .113 -.082 1.435 LPASSOTV .340 .528E-02 -1. variável dependente Passago.360 -.273 -.132 -.167 1.

150 .165 Covariances LPTPDAC -.111 1.000 4 BKNT . Regressão.217 BKNT -.009 . continuação LPASSCMT 1.000 LPASSCMT 5.510E-02 Covariances LPASSPDT 2.105 -.126E-02 2. ponderado por Assot.903E-04 .645 1.217 -.744 1.126E-02 2.286E-02 -4.746 1. equação 1.111 -.260 Correlations LPASSPDT .135E-02 -4.744 LPTPDAC -. variável dependente Passago.264 Correlations LPASSPDT .265 -.242 -.009 1.261 .440E-02 -7.150 LPTPDAC 2.204 BKNT 1. 173 ANEXO A .638E-02 -.134E-02 .105 1.190 a Dependent Variable: LPASSAGO b Weighted Least Squares Regression – Weighted by ASSOT Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS .000 -.261 .000 5 LPASSPDT .Tabela de Correlações.165 .000 -.156 2.000 .645 3 LPTPDAC .153 2.746 Correlations LPTPDAC -.000 -.160 .135E-02 .191 LPASSPDT 1.000 .264 -.903E-04 3.638E-02 Covariances LPASSPDT 3.510E-02 -.260 -.000 -.286E-02 BKNT -7.256 -.134E-02 -4.160 LPTPDAC -4.

327 . LPASSPDT.442 6 6922.035(b) 2 n Residual 21704. BKNT. LPASSCMT. variável dependente Passago.046 Total 62828. equação 1. LPASSPDT.054 Total 62828.926 . LPTPDAC c Predictors: (Constant).Weighted by ASSOT Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS . LPTPDAC b Predictors: (Constant).790 .035 3 13051.927 15 Regressio 40674. 174 ANEXO B . Regressão.927 15 Regressio 41124. LPASSOTV.723 Total 62828.927 15 a Predictors: (Constant). ponderado por Assot.678 6. LPASSCMT.525 2 17642.Tabela de Estatística F. LPASSCMT. ANOVA (f. Squares Square Regressio 41534. BKNT.005(e) 5 n Residual 27543. BKNT.927 15 Regressio 39155.762 8.007(d) 4 n Residual 23673. g) Sum of Mean Model Df F Sig.402 13 2118.072(a) 1 n Residual 21294. LPASSOTV. LPTPDAC e Predictors: (Constant).972 3.862 5 8224.485 9 2366.605 5.507 11 2014. LPTPDAC f Dependent Variable: LPASSAGO g Weighted Least Squares Regression . BKNT.065 10 2170.927 15 Regressio 35285.407 Total 62828.015(c) 3 n Residual 22154. LPASSPDT.049 .892 12 1972. LPTECASS.616 .407 2. LPASSPDT.420 4 10168.824 Total 62828. LPTPDAC d Predictors: (Constant). LPASSPDT.

145 .431 LPTPDAC -.232 .190 1.096 .112 -.422 LPTPDAC -.339 LPASSOTV . ponderado por Assot.159 .773 -9.060 -.769E-02 -9.940E-02 -.105 -.190 -.060 -.096 .769E-02 -.332 -.448 -. 175 ANEXO C .243 -.904E-02 -.422 1.117 -. equação 2.280 -4.280 2.000 -.076 -.000 .104 .102 -.537 LPTECASS .692 -.245 Covariances LPASSPDT -8.406 .000 .692 Covariances LPTECASS -4.076 1.339 -.448 Correlations LPASSPDT -.120 .Tabela de Correlações.000 .252E-02 .245 -.904E-02 -5.940E-02 -.198 -.470 LPASSOTV 1.243 LPASSPDT 2.841 -.340 -.590 Correlations LPTECASS -. b) Model BKNT LPASSOTV LPTECASS LPASSPDT LPTPDAC BKNT 1.387 -.159 -8.590 -.340 1.145 LPTPDAC -. Regressão.102 -.931 .202E-02 -.170 LPTPDAC -.000 -. Coefficient Correlations (a.000 -.387 LPASSPDT .198 1.517 -.431 1.305 -.252E-02 2.120 -5.117 1.112 LPASSOTV .170 .000 -.000 1 BKNT .000 2 LPASSOTV 2.386 continua . variável dependente Passcmt.105 -.537 -.202E-02 .104 -.517 LPTECASS .

593 LPTPDAC -. 176 ANEXO C .275 LPTPDAC -.434 Correlations LPASSOTV 1. ponderado por Assot.Tabela de Correlações.457 1.275 . continuação LPASSOTV 1.457 Correlations LPTECASS -.000 -. variável dependente Passcmt.127 -.071 a Dependent Variable: LPASSCMT b Weighted Least Squares Regression . Regressão.593 1.127 .Weighted by ASSOT Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS .100 -.100 1.000 3 LPASSOTV 2.303 LPASSOTV 1.000 -.643 Correlations LPTECASS .272 .253 -.712 -.000 5 Covariances LPASSOTV 1.533 -.533 Covariances LPTECASS .337 . equação 2.643 -.000 .337 Covariances LPTECASS -.000 4 LPASSOTV 1.

equação 2.388 12 2303.603 .098 13 2165.282 Total 55281. Squares Square Regression 29282.631 14 2342.808 11 2412. LPTPDAC c Predictors: (Constant).Tabela de Estatística F. BKNT. LPTPDAC d Predictors: (Constant).035(c) 3 Residual 27639.826 4 7184.957 2.978 .904 Total 55281.536 2 13564. LPTECASS.634 15 Regression 27129. LPTPDAC b Predictors: (Constant).520 2.000 .g) Sum of Mean Model Df F Sig.264 . LPTECASS. variável dependente Passcmt.003 1 22491.634 15 a Predictors: (Constant).768 6.892 Total 55281.036 10 2599. Regressão.188 Total 55281.245 3 9214. LPASSOTV.129(a) 1 Residual 25999.634 15 Regression 27642. LPTECASS e Predictors: (Constant). LPTECASS. ponderado por Assot.008(e) 5 Residual 32790.253 .012(d) 4 Residual 28152. LPASSPDT.068(b) 2 Residual 26541.634 15 Regression 22491. LPASSPDT. LPASSOTV. LPASSOTV. ANOVA(f.634 15 Regression 28739.598 5 5856.082 4. LPASSOTV f Dependent Variable: LPASSCMT g Weighted Least Squares Regression – Weighted by ASSOT Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS .003 9. 177 ANEXO D .546 Total 55281. LPASSOTV.

380 81.421 49.845 2 2.170 89.340 23.401 50.316E-02 .938 26. 178 ANEXO E .518 68.332 100.Tabela de total da variância explicada pelos componentes.339 2.584 25.342 23.959 19.694 26. Total Variance Explained Initial Eigenvalues Rotation Sums of Squared Loadings % of Cumulative % of Cumulative Component Total Total Variance % Variance % 1 2.317 97.677 99.104E-02 .591 68.658 95.938 2.852 18.238 12.857 4 1.668 10 3.566 5.817 8. Fonte: dados de pesquisa – tabela gerada pelo programa estatístico SPSS .236 5 .857 1.407 6 .232 2.168 1.610 99.266 3 1.845 25.058 9 6.381 8 .064 7 .000 Extraction Method: Principal Component Analysis.