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Brasília, 24 a 28 de novembro de 2008 Nº 530

Data (páginas internas): 3 de dezembro de 2008
Este Informativo, elaborado a partir de notas tomadas nas sessões de julgamento
das Turmas e do Plenário, contém resumos não-oficiais de decisões proferidas pelo
Tribunal. A fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo das decisões, embora seja
uma das metas perseguidas neste trabalho, somente poderá ser aferida após a sua
publicação no Diário da Justiça.
SUMÁRIO
Plenário
Recebimento de Denúncia e Afastamento de Magistrados
Art. 129, § 3º, da CF: Atividade Jurídica e Excepcionalidade
Serviços Notariais e de Registro: Reorganização e Concurso Público - 1
Serviços Notariais e de Registro: Reorganização e Concurso Público - 2
Reprovação no Estágio Probatório e Vitaliciedade - 4
1ª Turma
Repasse de Verbas Federais e Convênio Cumprido - 1
Repasse de Verbas Federais e Convênio Cumprido - 2
Livramento Condicional e Exame Criminológico - 2
Pirataria: Duplicidade de Procedimentos e Coisa Julgada - 1
Pirataria: Duplicidade de Procedimentos e Coisa Julgada - 2
2ª Turma
Tribunal do Júri e Desaforamento
Arquivamento do Feito e Competência
Repercussão Geral
Clipping do DJ
Transcrições
Inovações Legislativas

PLENÁRIO
Recebimento de Denúncia e Afastamento de Magistrados
O Tribunal concluiu julgamento de inquérito em que se imputava a magistrados (Ministro do STJ,
dois membros do TRF da 2ª Região e um juiz do TRT da 15ª Região) e outros (um procurador regional da
República e um advogado, este irmão do aludido Ministro do STJ) a suposta prática dos crimes de
quadrilha, corrupção passiva e prevaricação (CP, artigos 288, 317, caput e § 1º, e 319, respectivamente).
Alega o Ministério Público Federal que os denunciados compõem, em níveis diversos, uma organização
criminosa voltada à exploração ilegal das atividades de bingos e máquinas caça-níqueis no Estado do Rio
de Janeiro — Informativos 464 e 529. Quanto ao Ministro do STJ, o Tribunal, por maioria, rejeitou a
denúncia em relação ao crime de quadrilha, vencidos os Ministros Cezar Peluso, relator, Carlos Britto,
Ellen Gracie e Celso de Mello, e recebeu-a relativamente aos crimes de corrupção passiva, vencidos os
Ministros Cármen Lúcia e Marco Aurélio, e prevaricação, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Gilmar
Mendes, Presidente. Quanto a um dos membros do TRF, a denúncia foi recebida pelos crimes de
quadrilha e corrupção passiva, vencido o Min. Marco Aurélio (em despacho de 26.9.2008, o relator
declarara extinta a punibilidade quanto ao outro membro do TRF, nos termos do art. 107, I, do CP). No
que tange ao procurador regional da República, recebeu-se a denúncia pelo crime de quadrilha, vencido o
Min. Marco Aurélio. Quanto ao juiz do TRT, recebeu-se a denúncia pelo crime de quadrilha. No que se
refere ao advogado acusado, recebeu-se a denúncia pelo crime de corrupção passiva, vencido o Min.
Marco Aurélio. Em seguida, o Tribunal rejeitou o pedido de prisão preventiva, por reputá-la
desnecessária. Por fim, o Tribunal deferiu o pedido de afastamento dos magistrados, com base no art. 29
da Lei Orgânica da Magistratura - LOMAN (LC 35/79), e, por maioria, rejeitou o pedido de afastamento
do procurador, por entender não se aplicar a ele tal situação, ante o silêncio da Lei Orgânica do Ministério

no seu curso. desde o julgamento da ADI 1040/DF (DJU de 1º. como tal.2008). 129. que.1 O Tribunal. em 3. como aditamento à inicial. com prazo máximo de 6 meses para que fossem regularmente ocupadas. dispõe sobre a reorganização dos serviços de notas e de registros das comarcas de entrância intermediárias e final. Min.6. sem alterações significativas. Asseverou-se que. de plausibilidade jurídica das alegações deduzidas. o Min. da CF: Atividade Jurídica e Excepcionalidade Ante as peculiaridades do caso concreto. com o que lhe faltariam 45 dias para atender ao aludido requisito temporal. nos termos da Resolução CNJ 7/2005. e tendo em conta a data de aprovação do impetrante no exame da ordem. Na espécie. Reportou-se. que havia se pacificado no sentido de que requisitos ligados à experiência somente poderiam ser exigidos no momento da posse do candidato e não quando da sua inscrição no concurso público. MS 26690/DF (j.6. Em razão disso. Cármen Lúcia que indeferia a ordem. é norma editada em favor do próprio réu.2005). Asseverou-se. já ter obtido sua habilitação no exame de ordem em dezembro de 2003. pela Resolução 4/2008. em parte. não viola a regra constitucional da proibição de prévia consideração da culpabilidade. Por fim. o Procurador- Geral da República somente admitira como atividade jurídica aquela desempenhada pelo impetrante entre a data de sua inscrição na OAB e a data final da inscrição definitiva no concurso. Vencido. reputou-se preenchido o requisito temporal.9.2008. e. mas medida preordenada à tutela do conceito público do cargo ocupado pelo paciente e. o Tribunal. e regulamenta o concurso público unificado para ingresso e remoção nos serviços notariais e de registro do referido Estado-membro —. concedeu mandado de segurança impetrado contra ato do Procurador-Geral da República. o impetrante poderia ter sido inscrito meses antes como advogado.9. Ademais. 129. não fossem circunstâncias fáticas menores. MS 26681/DF. editadas pelo Conselho Superior da Magistratura do Estado de Goiás — que. indeferiu o pedido de cautelar formulado em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil . independentemente do tempo de duração do processo. estar-se diante de um período de transição da jurisprudência dos tribunais.2008) e MS 26682/DF (DJE de 27. em 60 dias. e publicasse. Min. Portanto. o arrazoado da autora que informou que a Resolução 3/2008 fora posterior e integralmente substituída. § 3º). ou seja.2008.2007). em situação semelhante à do impetrante. Inq 2424/RJ.11. § 3º. Marco Aurélio que. art.LOMP (LC 75/93) a respeito. respectivamente. 26. 26. nem a garantir-lhe resultado útil. no sentido de que o afastamento do magistrado não é medida destinada a acautelar o processo-crime. considerou-se a ausência do perigo na demora e. o Plenário já havia terminado com a incerteza quanto ao momento em que se deveria comprovar o período de experiência profissional. teriam logrado êxito em mandados de segurança impetrados perante o Supremo.11. levou-se em conta o fato de o impetrante. rel. promovida mediante desacumulação de serviços. primeiro. ressaltou-se haver de se homenagear o princípio da igualdade. deferia também o pedido para afastar o procurador. já que outros três candidatos. Entendeu-se que o Conselho Superior da Magistratura do Estado de Goiás editara as resoluções impugnadas para dar efetivo cumprimento à deliberação do Conselho Nacional de Justiça - CNJ. ainda.2007). apesar de inscrito na OAB somente em 7. companheiros ou parentes de magistrados. tendo em conta o princípio da igualdade. como a demora na realização ou no processamento do pedido de inscrição na ordem. em reverência ao prestígio deste e ao resguardo daquele. No mérito.2004.ANOREG contra as Resoluções 2/2008 e 3/2008. o paciente deve permanecer afastado do cargo. ao que decidido no HC 90617 QO/PE (DJU de 6. a situação concreta e a condição de co-réu em crime de quadrilha. Menezes Direito. por maioria. mesmo antes de adentrar o exame da . Os Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello não acompanharam o relator quanto ao primeiro fundamento. se o impetrante tivesse obtido a sua inscrição na OAB com pelo menos 45 dias de antecedência. declarasse a vacância das serventias ocupadas por interinos. ou seja. e assentou que o concurso somente poderá abranger cargos criados por lei.Público . ou seja. visto que. Vencida a Min. por não potencializar o silêncio da LOMP a ponto de afirmar estar excluído esse afastamento. (MS-26681) Serviços Notariais e de Registro: Reorganização e Concurso Público . rel. sobretudo. por maioria. edital de concurso para ingresso e remoção em serventias extrajudiciais. que indeferira a inscrição definitiva do impetrante no 23º concurso para provimento de cargos de Procurador da República por falta de comprovação do requisito de 3 anos de atividade jurídica (CF. Acolheu- se. Afirmou-se que.6. (Inq-2424) Art. ainda que apresentasse as mesmas petições que anteriormente apresentara à comissão do concurso. Cezar Peluso. inicialmente. Precedentes citados: ADI 3460/DF (DJU de 15. por não-concursados que as assumiram após a CF/88. considerando que o período faltante (45 dias) corresponderia a prazo razoável para a expedição da carteira de advogado após o seu requerimento. no julgamento do Pedido de Providências 861. sua inscrição definitiva no certame teria sido deferida. determinara que o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás afastasse imediatamente das serventias extrajudiciais todos os interinos cônjuges. no ponto.4.

DJU de 11. quando a receita ou volume de serviços justificarem a medida”. não se permitindo que qualquer serventia fique vaga. tendo em conta que uma profunda reorganização.11. que dispõe sobre os serviços notariais e de registro. parcialmente. haja vista que o TJGO apenas promoveu a desacumulação (e posterior reagrupamento) de serviços que. nesse exame perfunctório. criação de novas serventias e redefinição de circunscrições de registros. ADI 3331 QO/DF. nenhuma serventia. Ellen Gracie. Min. Informativos 326. 1º da Resolução 2/2008 à lei estadual que versa a existência ou não dos cartórios. já que a Resolução 2/2008 não impôs prazo algum aos titulares efetivos das delegações. concluiu-se ser mais prudente manter-se o concurso em andamento. para dar interpretação conforme. estando o fumus boni iuris do lado do interesse da sociedade em se ter respeitado o art.alegada usurpação. porque a reorganização de serventias dependeria de lei formal. a qualquer tempo. será procedida a desacumulação.935/94. por sua vez. Assim. por caber realmente à Corregedoria avaliar. Asseverou-se que. a resolução atacada. concedeu mandado de segurança para anular ato do Procurador-Geral da República que determinara a exoneração de procuradora do Ministério Público do Trabalho. Esclareceu-se. extinto ou desmembrado. muitas delas ocupadas.”). por isso. diferentemente. por imperativo legal. propor ao Conselho Superior da Magistratura novos desmembramentos. 49. fixaram prazo exíguo para que os titulares optassem por algumas das serventias desmembradas. nesses precedentes.4 Ante a singularidade do caso concreto. o Tribunal. dos serviços notariais e de registro. nos termos do art. a implementação das mudanças somente depois da vacância das serventias da antiga estrutura. anexações e desanexações de serviços. Aduziu-se não haver necessidade sequer de suspensão do art. relatora. “quando da primeira vacância da titularidade de serviço notarial ou de registro.11. DJU de 18. quase que imediata. em princípio. mostrar- se-ia evidente que o verdadeiro propósito da requerente seria o estancamento dos esforços daquela Corte estadual em atender plenamente às determinações do CNJ. até hoje. Ellen Gracie. 27. no ponto. demandas e deficiências dos serviços delegados que estão sendo prestados no Estado. Vencida a Min. Acrescentou-se que. sem abertura de concurso de provimento ou de remoção. que prescreve que “o Corregedor-Geral da Justiça poderá. o mérito do writ. (ADI-4140) Reprovação no Estágio Probatório e Vitaliciedade . (ADI-4140) Serviços Notariais e de Registro: Reorganização e Concurso Público . 27. a Corte suspendera a vigência de alguns dispositivos de resoluções editadas por tribunais de justiça que. pelo TJGO. 5º da Resolução 2/2008. no presente caso. ADI 4140 MC/GO. da CF. qualquer inconstitucionalidade formal ou material na atividade normativa de um tribunal de justiça de estipular regras gerais e bem definidas para a promoção de concurso unificado de provimento ou remoção de serventias vagas no respectivo Estado-membro. e § 1º. 26”. tendo previsto. a reorganização dos serviços extrajudiciais se dera com a criação e a extinção de serventias. e estabelece. 337 e 389. na reestruturação dos serviços extrajudiciais.2005. no sentido de jungir a observância do art. direta e permanentemente. que indeferia a ordem. cautela que estaria em consonância com a Lei federal 8. Considerou-se o fato de a impetrante já se encontrar na carreira há quase 10 anos por força de liminar deferida pela Corte. da CF (“O ingresso na atividade notarial e de registro depende de concurso público de provas e títulos. caput. ADI 3705 QO-MC/PI. com inevitáveis dificuldades e transtornos. esse flagrante perigo na demora não existiria. que. por respondentes interinos. Vencido.2008. o Min. em razão de sua reprovação no estágio probatório — v. a ser editada pela Assembléia Legislativa daquela unidade da Federação.935/94.2. em função do território. reputou-se não ser plausível a alegação de que a Resolução 2/2008 violaria os artigos 2º e 236.6.2 Em seguida. traria em si o risco de uma eventual necessidade de desfazimento das mudanças implementadas. tendo a autoridade requerida agido no estrito cumprimento do que disposto nos artigos 5º e 26 da Lei federal 8. que.2. rel. DJU de 30. em seu art. não poderiam estar concentrados numa mesma serventia. 236 da CF. Não haveria. § 3º. Também seria isenta de vício. que concedia a liminar. há vários anos. Marco Aurélio. o que também não ocorrera na espécie.2005. em conclusão de julgamento. visto que diversas irregularidades existentes há muitos anos nessas serventias estariam sendo sanadas. ADI 4140 MC/GO. e concluiu-se que seria ofensivo à segurança jurídica denegar-se a ordem para efeito de perda do cargo numa situação absolutamente diferente dos casos materiais em que é sempre possível reverter à situação jurídica anterior. não teria criado. o desempenho. da competência legislativa para a edição da Resolução 2/2008.2008. nesta ótica do controle concentrado de normas. conforme decidido pela Corte (ADI 3319 QO/RJ. Por fim. . a decisão mesma pela realização de concurso quando reconhecida a vacância de mais de 300 serventias extrajudiciais. que. 236.2006). antes do julgamento de mérito das ações diretas. buscaram a fiel observância do art. por maioria. Ellen Gracie. em tais precedentes. rel. Min. por mais de seis meses. que não conseguira examinar.

Enfatizou-se. Min.11.2008. 25. rel. já desvinculado de finalidade relativa ao acordo. e as subjetivas.792/2003. a realização do exame criminológico revelar-se-ia extemporânea e inócua. rel. HC 89523/DF.2 A Turma concluiu julgamento de habeas corpus em que se discutia se o exame criminológico constituiria. em proveito próprio. Ademais. Por fim. que os sentenciados têm direito à razoável duração dos processos administrativos e judiciais (CF. A Corte de origem confirmara esse contexto fático e assentara que o Tribunal de Contas da União – TCU aferira a legalidade e legitimidade da avença. porquanto o paciente já teria cumprido mais da metade da pena imposta — v. deferiu-se o writ para assegurar a liberdade condicional ao paciente.4. rel. o que afastaria a alegação de ofensa a bem. porque a ela incumbe processar e julgar ações quando o detrimento refere- se a bem da União. 168. 25. (HC-93108) Pirataria: Duplicidade de Procedimentos e Coisa Julgada . o cumprimento integral do que pactuado com a União. Informativo 525.11. apartamentos. HC 89523/DF. teria sua origem provável em superfaturamento de preços. desde que fundamentada a decisão. Entendeu-se que. Ricardo Lewandowski indeferiu o writ ao fundamento de que a matéria demandaria dilação probatória. orig. Na espécie. ou não. Precedentes citados: RE 232093/CE (DJU de 28. rel. depois do cumprimento do mencionado convênio. conforme indícios apontados pelo tribunal local. orig. habeas corpus impetrado em favor de denunciado por suposta apropriação de valores repassados pela União. Carlos Britto. LXXVIII).6.1 Compete à justiça comum estadual processar e julgar crime de apropriação indébita (CP. a impetração alegava constrangimento ilegal decorrente da ausência de motivação idônea na determinação desse exame. declarava a competência da justiça federal. bem como sustentava o atendimento do requisito de ordem objetiva. nos termos que vierem a ser estabelecidos pelo Juízo da Execução. acrescentou-se que a aludida sobra. requisito para a obtenção do benefício de livramento condicional. por reputar configurado dano concreto à coisa pública. Assim.11. Min. uma vez que essa exigência fora revogada com o advento da Lei 10. por maioria. o paciente efetuara saque de vultosa quantia que sobrara na conta bancária da entidade. tendo em conta que o desvio envolvera metade do valor do objeto contratado. informando que o objeto do contrato fora realizado em sua totalidade. p/ o acórdão Min. asseverou-se que. No caso. Min. salientando a possibilidade de sua adoção para a concessão do livramento condicional.2 Salientando a jurisprudência do STF sobre desvio de verbas da União transferidas para outros entes federados ou pessoas jurídicas de direito privado. em princípio. adquirindo. V. art.99). art. Ricardo Lewandowski. reconhecidas pelo STJ.1 . e Menezes Direito que denegavam a ordem ao fundamento de não haver ilegalidade na imposição do exame criminológico. do CP) e que o laudo daquele resultante. (HC-89523) Repasse de Verbas Federais e Convênio Cumprido . Vencidos os Ministros Cármen Lúcia. presidente. RHC 71419/MT (DJU de 16. 27. Com base nesse entendimento. IV). Carlos Britto. o que acontecerá dentro de poucos meses. (HC-89523) Livramento Condicional e Exame Criminológico . na espécie.2008. 25. Joaquim Barbosa. rel. a Turma indeferiu. não seria concluído antes do cumprimento integral da pena restritiva de liberdade. Ante o empate na votação. à época.11. 5º. incabível na sede eleita. 83. ainda.4. asseverou-se que o dinheiro remanescente não estava mais sujeito a qualquer fiscalização pelo TCU nem tampouco se destinava a custeio de serviço ou atividade de competência da União.2008. bem como a titularidade da conta corrente da qual efetuado o saque.2008. representadas por atestados de boa conduta carcerária. relatora. § 1º. p/ o acórdão Min. haja vista que já cumprida mais de ¾ da pena a que condenado o paciente (tempo superior ao que estabelecido no art. serviço ou interesse da União. entendeu-se que somente houvera lesão a direito de fundação de direito privado. carros e outros bens. rel. o paciente preencheria as condições objetivas. art. Vencido o Min. III) de quantia pertencente a fundação de direito privado. Ellen Gracie. HC 78728/RS (DJU de 16. em decorrência de convênio firmado — para implantação de projeto de ensino de informática em estabelecimentos prisionais em todo o país — entre o Ministério da Justiça e a fundação da qual. A impetração sustentava a competência da justiça federal para apreciar o feito (CF. (MS- 23441) PRIMEIRA TURMA Repasse de Verbas Federais e Convênio Cumprido . Min.MS 23441/DF. HC 93108/SP.95). a indicar outro possível crime não impugnado neste processo. 109. Marco Aurélio que. Cármen Lúcia. O Min. tendo em conta a situação do sistema carcerário do Estado.2000). uma vez que o delito imputado ao paciente tivera por objeto numerário existente em conta dessa mesma entidade.

o que fora acolhido pelo magistrado. relatora. ressaltou que. Ricardo Lewandowski. Cármen Lúcia. em síntese. mas sim divergência quanto a sua classificação jurídica e a natureza da ação penal. Cármen Lúcia. e V. original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor. todos do CP.719/2008. sob a alegação de ofensa à coisa julgada. com o intuito de lucro direto ou indireto. 184. sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.11. Ademais. como hipótese de absolvição sumária (CPP. esse inquérito fora arquivado. que: a) a referência a tipo penal diverso não elide a coisa julgada por idênticos fatos. Aduziu-se que. em virtude da extinção da punibilidade do fato. nos moldes do art. conforme manifestação do órgão do Ministério Público pelo arquivamento do aludido inquérito. deferiu o writ para determinar o arquivamento da ação penal em relação ao paciente. art. 184. o paciente fora pronunciado pela prática dos crimes tipificados nos artigos 121. e que a circunstância de a extinção da punibilidade ter sido feita por decisão que reconhecera a decadência (CP. não admitida em nosso ordenamento. adquire. o Ministério Público requerera fosse desaforado o julgamento para comarca diversa da qual praticado o delito. no caso sob exame. do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma. mas deve ser resultado de decisão do órgão judicial competente. rel. HC 94982/SP. introduz no País. em razão da superveniência da Lei 11. no exercício de sua independência funcional.2008. (HC-94982) SEGUNDA TURMA Tribunal do Júri e Desaforamento A Turma indeferiu habeas corpus em que se sustentava a nulidade de acórdão que deferira o desaforamento do feito. oculta. No caso. destacou-se a grande influência . distribui. sob alegação de comprometimento da imparcialidade do Conselho de Sentença. requerendo. em conseqüência. quando se baseie na extinção da punibilidade. ou. Acrescentou. Entretanto. art. HC 94982/SP. pediu vista dos autos o Min. pela extinção da punibilidade do fato. sob pena de se efetivar revisão criminal contrária ao agente. do CP (“Art. o promotor oficiante pronunciara-se sobre os mesmos fatos e reputara. Cármen Lúcia. Min. uma vez que eminentemente formado por funcionários públicos municipais nomeados pelo paciente. não existiria dúvida quanto à identidade dos fatos. o paciente fora surpreendido expondo à venda produtos com marca falsificada e. na espécie. Daí observação de que. aluga. bastando o fundado receio de que ela reste comprometida. vende. a impetração aduz que o processo em curso possui como objeto os mesmos fatos examinados no inquérito arquivado e sustenta. De início. Desse modo. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos: § 2º Na mesma pena do § 1º incorre quem. o arquivamento do feito. A Turma iniciou julgamento de habeas corpus em que se pleiteia. 189). No caso. e) a eventual nulidade da decisão extintiva da punibilidade não poderia afastar a coisa julgada. expõe à venda. No transcorrer da ação penal. Enfatizou-se que a jurisprudência desta Corte está alinhada no sentido de afirmar a não imprescindibilidade da certeza da imparcialidade dos jurados para decretar-se o desaforamento. 397). Assim. ainda. pouco importando se a decisão tenha sido proferida por órgão jurisdicional incompetente ou se entre membros de diversos Ministérios Públicos. o trancamento de ação penal instaurada em desfavor do paciente pela suposta prática do delito previsto no art. Min. d) o próprio parquet pedira a declaração da extinção da punibilidade. o Ministério Público requerera a instauração de inquérito policial para apurar possível crime contra registro de marcas (Lei 9. Citou. I. que o reconhecimento da coisa julgada inspira-se no princípio da segurança jurídica. Por fim. Por esse motivo. (HC-94982) Pirataria: Duplicidade de Procedimentos e Coisa Julgada . tem em depósito. sem prejuízo da continuidade da ação penal já em trâmite. jurisprudência do STF no sentido de que o pedido de arquivamento de inquérito policial. não é de atendimento compulsório. c) o juiz que extinguira a punibilidade tinha amplos poderes para apreciar a conduta do paciente.”). dada a possibilidade da formação de coisa julgada material. 211 e 288 c/c os artigos 29 e 69. Após.2008.11. o acórdão concessivo do desaforamento apontara circunstâncias aptas à justificação da modificação da competência territorial. no ponto. a partir de reinterpretação e nova qualificação dos mesmos fatos. rel.2 A Min. 107) não alteraria a ocorrência da coisa julgada. IV. 427 do CPP (antigo 424). independentemente de sua causa. enfatizou que. b) a coisa julgada se sobrepõe à discussão relativa à litispendência e à prevenção. o qual tem peculiar relevo no campo penal. o pedido de arquivamento fora solicitado por membro do mesmo Ministério Público. passou-se a reconhecer a extinção da punibilidade.279/96. § 2º. asseverou que se tem concluído pela ocorrência da coisa julgada material ainda que o arquivamento tenha ocorrido após manifestação de novo representante do parquet. aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma. no curso do processo criminal. ainda. 25. na qualidade de prefeito. 25. § 2º. art. que a tipificação dos fatos e a natureza da ação penal seriam outras. pois não ajuizada queixa-crime no prazo legal.

Min.8.833-DF RELATOR P/ O ACÓRDÃO: MIN. inicialmente. ELLEN GRACIE .OBJETO.2006) Repercussão Geral do tema. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. Destarte. o procedimento original.exercida pelo réu na comarca (onde fora prefeito durante vários anos). Recurso improvido. arquivara. HC 96785/ES.2006. Precedentes do Plenário (RE nº 346. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÕES SUFICIENTES PARA A RECUSA DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Art. que deferira medida cautelar de quebra de sigilo telefônico. * noticiado no Informativo 453 ACO N. ORD. o Juízo Federal da 2ª Vara do Estado do Rio de Janeiro. bem como a complexidade do feito. DISPENSA IMOTIVADA DE SEUS EMPREGADOS.ECT. 3º. 585. REs n os 357. 589.235-MG RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI EMENTA: DIREITO DO TRABALHO. A alteração da Carta inviabiliza o controle concentrado de constitucionalidade de norma editada quando em vigor a redação primitiva. Rel. com base em relatório da Polícia Rodoviária Federal. deveria ter sido dirigido ao Tribunal responsável pela Seção Judiciária em que instaurada a ação penal contra os pacientes. COFINS. 358. MARCO AURÉLIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE . 25. Min. fora determinada. Reconhecimento pelo Plenário. a requerimento do Ministério Público Federal. CEZAR PELUSO EMENTA: RECURSO. Decisões Publicadas: 2 CLIPPING DO DJ 28 de novembro de 2008 MED. CAUT.273/RS e 390. MARCO AURÉLIO. § 1º. que muitos magistrados.11.950/RS. IMPOSSIBILIDADE.2008. da Lei nº 9. orig.840/MG. aduziu-se que o habeas corpus impetrado perante o TRF da 1ª Região buscava impugnar procedimento já encerrado.718/98. DJ de 15. qual seja. Inconstitucionalidade.718/98. EM RE N. a investigação iniciada no Distrito Federal fora desmembrada e as informações repassadas às Seções Judiciárias do Rio de Janeiro e de São Paulo (CPP. Concluiu-se que o pedido de anulação da interceptação telefônica.11. (HC-96785) Arquivamento do Feito e Competência A Turma negou provimento a recurso ordinário em habeas corpus no qual se pleiteava fosse declarada a competência do TRF da 1ª Região para julgar writ lá impetrado contra ato do Juízo da 10ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. que o mencionado Juízo da 10ª Vara Criminal Federal da 1ª Região. Ressaltou-se. RHC 87198/DF. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS .9. da Lei nº 9. Tributo. 25. Min. Extraordinário. Rel.11.2008 —— 183 REPERCUSSÃO GERAL DJE de 28 de novembro de 2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. a mencionada quebra de sigilo telefônico de diversos suspeitos de prática de crimes contra a Administração Pública. ITEM II DA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL 247 DA SBDI-1 DO TST. EM ADI N. após remeter todo o conjunto probatório recolhido. Contribuição social. 889-RJ RELATORA: MIN. 3º. Min. daí não ter o TRF conhecido da impetração. consideraram-se impedidos de participarem do julgamento. DJ de 1º.998-PI RELATOR: MIN. REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.084/PR. Eros Grau. PIS.11. cuja irregularidade se alegava. em seguida. inclusive. art. (RHC-87198) Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos Pleno —— 546 1ª Turma 25. Cezar Peluso. rel. ILMAR GALVÃO. rel. 70). No caso.2008.2008 —— 2ª Turma 25. de primeiro e segundo graus. Alargamento da base de cálculo. ressaltando-se. sob o fundamento de que não haveria ato de Juízo Federal que se encontrasse sob a sua jurisdição a implicar ameaça ou lesão ao direito de locomoção dos pacientes. Diante do caráter interestadual dos fatos apurados. § 1º. pelo juízo supra. 3.

Trânsito. 2. PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA. CPP.. e do art. O art. cabendo- lhe participar das investigações. Inquérito judicial. * noticiado no Informativo 523 HC 94. 22. Aparenta inconstitucionalidade. 7). Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente. devendo tomar todas as decisões necessárias ao bom andamento das investigações.671-DF RELATOR: MIN. O Pacto de São José da Costa Rica. Competência legislativa. CAUT. ART. Superior Tribunal de Justiça. da Carta Magna. Os autos demonstram tratar-se de inquérito que tramita no Superior Tribunal de Justiça. 5°. Interpretação do art. sem reserva. da CF. * noticiado no Informativo 510 HC N.DIREITO PROCESSUAL PENAL. COMPETÊNCIA DO STF. 4. I. §2°. A matéria em julgamento neste habeas corpus envolve a temática da (in)admissibilidade da prisão civil do depositário infiel no ordenamento jurídico brasileiro no período posterior ao ingresso do Pacto de São José da Costa Rica no direito nacional. entendido como um tratado internacional em matéria de direitos humanos. DA CONSTITUIÇÃO DE RORAIMA . f. porém acima da legislação interna. ao qual caberá dirigir o processo sob a sua relatoria. expressamente estabeleceu que os direitos e garantias expressos no caput do mesmo dispositivo não excluem outros decorrentes do regime dos princípios por ela adotados.212/91. também não há falar em sigilo das investigações relativamente ao autor de eventual ação penal. NORMA CONSTITUCIONAL EMENDADA DO ESTADO DE RORAIMA QUE POSSIBILITA EXTENSÃO DE MANDATOS DOS DEPUTADOS ESTADUAIS POR PERÍODO SUPERIOR A QUATRO ANOS. AUSÊNCIA DE DECISÕES DO PODER JUDICIÁRIO. colide. EM RE N. 3. 105. 560. EM ADI N. A autonomia estadual tem os seus limites definidos pela Constituição da República. ao afirmar que o inquérito transformou-se em procedimento da Polícia Federal. 2. ORD. f.278-SP RELATOR: MIN. Ofensa aparente ao art. 102. do Decreto-Lei nº 1. da Constituição da República. Arts. 3. torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante. frontalmente. Trancamento. 2. 3. 3. CARACTERIZAÇÃO. parágrafo único. no Direito brasileiro. por delegação e sob as ordens do Poder Judiciário. HABEAS CORPUS. só admite.Pacto de San José da Costa Rica (art.) CONTRÁRIA AO § 1º DO ART. Determinação de suspensão do envio ao STF dos RE’s e AI’s que versem sobre a constitucionalidade dos referidos dispositivos. * noticiado no Informativo 517 ADI N. Os fatos indicados no inquérito apontam para possível configuração do crime de extorsão. Juiz Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. 2. Habeas corpus denegado. em virtude da suposta participação do paciente. 7°.626-RS RELATOR: MIN. 70. Precedentes. e se comprovada a materialidade dos crimes. § 4º. 1º e 2º da Lei nº 3. 95. Trata-se de conflito negativo de atribuições entre órgãos de atuação do Ministério Público de Estados-membros a respeito dos fatos constantes de inquérito policial. 1. A remessa dos autos do inquérito ao Superior Tribunal de Justiça deu-se por estrito cumprimento à regra de competência originária. 102. sob o comando de Ministro daquela Corte Superior de Justiça. a lei distrital ou estadual que dispõe sobre obrigatoriedade de equipar ônibus usados no serviço público de transporte coletivo com dispositivos redutores de estresse a motoristas e cobradores e de garantir-lhes descanso e exercícios físicos. CONFLITO NEGATIVO DE ATRIBUIÇÕES. PRISÃO CIVIL DO DEPOSITÁRIO INFIEL. Investigado com prerrogativa de foro naquela Corte. de 19 de outubro de 2005) permite a extensão do mandato pela alteração da data de posse dos eleitos em 2006.680/2005. 4. Inadmissibilidade. prevista na Constituição Federal (art. Conflito de atribuições conhecido. 33. cabendo a formação da opinio delicti e eventual oferecimento da denúncia por parte do órgão de atuação do Ministério Público do Estado de São Paulo. A norma que. I. Competências legislativas exclusivas da União. expressamente. 1. estando abaixo da Constituição. O conflito negativo de atribuição se instaurou entre Ministérios Públicos de Estados-membros diversos. cabendo ao Relator dirigir o inquérito. Não se sustentam os argumentos da impetração. LOCAL DA CONSUMAÇÃO DO CRIME. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil.E EM 15 DE FEVEREIRO PARA POSSE. cabe ao Ministério Público oferecer a denúncia ao órgão julgador. Veículos. 30.825-RR RELATORA: MIN. parágrafo único. 1. com declaração de atribuição ao órgão de atuação do Ministério Público onde houve a consumação do crime de extorsão. Provisão de dispositivos redutores de estresse e cansaço físico a motoristas e cobradores. no .. no ano de 1992. 2. * noticiado no Informativo 521 QUEST. 129. incisos I e VIII. 5º. alterando a regra da Constituição Estadual de Roraima (Emenda n. CF. Com base nos indícios de autoria. ALTERAÇÃO DE ORIENTAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STF. Transporte coletivo urbano. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 5. Não há intromissão indevida do Ministério Público Federal. Precedentes. da Constituição Federal) a investigação dos fatos tidos como delituosos a ele é destinada. deve ser conhecido o presente conflito de atribuição entre os membros do Ministério Público dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro diante da competência do Supremo Tribunal Federal para julgar conflito entre órgãos de Estados-membros diversos. seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação. MENEZES DIREITO EMENTA: Habeas corpus. 3. Com fundamento no art. Ausência de constrangimento ilegal. Por essa razão.4ª Região.967-MS RELATORA: MIN. inc. CEZAR PELUSO EMENTA: INCONSTITUCIONALIDADE. 3. alínea “a”). POSSÍVEL PRÁTICA DE EXTORSÃO (E NÃO DE ESTELIONATO). Liminar concedida. Ação direta. CONCESSÃO DA ORDEM. ratificados. ART. para efeito de liminar. é a do devedor de alimentos. O § 1º do art. 1. Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8. Na atualidade a única hipótese de prisão civil. porquanto esta apenas exerce a função de Polícia Judiciária. 11) e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos . CÁRMEN LÚCIA EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. 16. EXPRESSÃO QUE PERMITE A EXTESÃO (ART.569/77 declarada pelo Plenário do TRF . ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL. A esses diplomas internacionais sobre direitos humanos é reservado o lugar específico no ordenamento jurídico. I. 27 DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA. I e XI. 27 da Constituição do Brasil define em quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais. pelo Brasil. incs. Serviço público. não sendo necessária a deliberação prévia da Corte Especial daquele Superior Tribunal. porque como titular da ação penal (art. Há o caráter especial do Pacto Internacional dos Direitos Civis Políticos (art. Obrigação das permissionárias de garantir descanso e prática de exercícios físicos. * noticiado no Informativo 519 MED. NA FORMA PREVISTA NA CONSTITUCIONAL DO BRASIL. com aquela regra. do Distrito Federal. da LOMAN. GILMAR MENDES EMENTA: Questão de Ordem. 3. nos fatos investigados.

inicialmente. pois.. espaço possível reservado ao mistério. Ao dessacralizar o segredo. 128.consagrou a publicidade dos atos e das atividades estatais como expressivo valor constitucional. Habeas corpus concedido. a Carta Federal. Paz e Terra). 09). não admite mais a possibilidade de prisão civil do depositário infiel.Publicidade (Transcrições) HC 96982 MC/DF* RELATOR: MIN. se admitida. não podem privilegiar o mistério (MS 24. consoante adverte NORBERTO BOBBIO. ou. a obtenção de provimento jurisdicional que assegure. ao ora paciente. Analiso. CPI . não há. repudiou o compromisso do Estado com o mistério e com o sigilo. 09). enunciou preceitos básicos. 09). Conflito aparente de normas entre o art. CELSO DE MELLO. p. em princípio. em plenitude. ou. conseqüentemente. CELSO DE MELLO DECISÃO: Trata-se de “habeas corpus”. que deverá ser ouvido . deve prevalecer a cláusula da publicidade. que a exigência de publicidade dos atos que se formam no âmbito do aparelho de Estado traduz conseqüência que resulta de um princípio essencial a que a nova ordem jurídico-constitucional vigente em nosso País não permaneceu indiferente. 1986. na lição expressiva de BOBBIO (“O Futuro da Democracia”. cautelarmente. ao proclamar os direitos e deveres individuais e coletivos (art. numa República fundada em bases democráticas. Busca-se. em lição magistral sobre o tema (“O Futuro da Democracia”. mas a Tribunal Regional Federal. notadamente no Supremo Tribunal Federal. eis que. quanto à inquirição. ao princípio democrático da publicidade. deste processo de “habeas corpus” (fls. representaria claro (e inaceitável) ato de censura judicial à publicidade e divulgação das sessões dos órgãos legislativos em geral. como “um modelo ideal do governo público em público”. divulgamos neste espaço trechos de decisões que tenham despertado ou possam despertar de modo especial o interesse da comunidade jurídica. 08/09) e de “(. 86. cc. tanto à tramitação. . Recurso provido. 377. cuja compreensão é essencial à caracterização da ordem democrática como um regime do poder visível. 5º). d. CEZAR PELUSO EMENTA: COMPETÊNCIA CRIMINAL. que fora tão fortemente realçado sob a égide autoritária do regime político anterior. 09).“em sessão secreta e em local cuja entrada e saída também possa assegurar o sigilo de sua identidade” (fls. É preciso não perder de perspectiva que a Constituição da República não privilegia o sigilo. a. Tenho por inquestionável.ABIN . nos modelos políticos que consagram a democracia. III. I. por isso mesmo. 09 .Depoimento . convertido. 4. resguardando-se.. Passo a apreciar o pedido de medida liminar formulado nesta sede processual. Membro do Ministério Público da União.. A Assembléia Nacional Constituinte. 09). RE N.grifei). I. que. 108. a tramitação. Inquérito policial.. a pretendida imposição do regime de sigilo. impetrado contra a “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”. Habeas corpus. “in” Informativo/STF nº 331). 96.que rejeita o poder que oculta e que não tolera o poder que se oculta . caso se lhe recuse essa postulação. pois . incluindo-o.725-MC/DF.segundo pleito formulado por ele próprio . Precedentes. Min. E no que concerne ao pedido de “que seja resguardada a imagem e a pessoa do impetrante. * noticiado no Informativo 523 Acórdãos Publicados: 765 TRANSCRIÇÕES Com a finalidade de proporcionar aos leitores do INFORMATIVO STF uma compreensão mais aprofundada do pensamento do Tribunal. a Assembléia Constituinte restaurou velho dogma republicano e expôs o Estado. O novo estatuto político brasileiro . de qualquer procedimento que tenha curso em juízo. também entendo que tal postulação. a possibilidade de prisão civil do devedor de alimentos e. Aplicação do princípio da especialidade.) firmar termo de compromisso junto à Comissão Parlamentar de Inquérito” (fls. alegadamente ameaçado de iminente violação por ato imputável a referido órgão de investigação parlamentar. Incompetência do Juízo estadual. assegurando-se sua oitiva em sessão secreta e em local cuja entrada e saída também possa assegurar o sigilo de sua identidade” (fls. nem permite que este se transforme em “praxis” governamental. todos da CF. Não cabe a Juízo da Justiça estadual. “a imagem e a pessoa do impetrante”. As razões que me levam a assim decidir apóiam-se na compreensão de que os estatutos do poder.356-SP RELATOR: MIN. tal a magnitude desse postulado. Na realidade. 1986. na matéria. (a) o direito de não comparecer à audiência de sua inquirição pela “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”. Rel. em regime de sigilo. no Supremo Tribunal Federal. em sua expressão concreta.nada deve justificar.seu bojo. designada para o dia 26/11/2008 (fls. Requisição por Procurador da República. Feito da competência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. inclusive das Comissões Parlamentares de Inquérito. Paz e Terra).) não prestar informações sobre assuntos de inteligência” (fls. objetiva preservar o “status libertatis” do ora impetrante. pela “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”. com a presente ação de “habeas corpus”. ainda. (b) o direito de não “(. Indefiro tais pleitos. e o art. em fator de legitimação das decisões e dos atos governamentais. que deseja ser ouvido “em sessão secreta e em local cuja entrada e saída também possa assegurar o sigilo de sua identidade ” (fls.segundo entendo . conhecer de pedido de habeas corpus contra ato de membro do Ministério Público Federal. do ora impetrante. em momento de feliz inspiração. sob pena de grave ofensa ao princípio democrático.

possam acarretar-lhe grave dano (“Nemo tenetur se detegere”). Min. a propósito da prerrogativa constitucional contra a auto-incriminação (RTJ 176/805-806. 22/301-304) . NECESSIDADE DE DESSACRALIZAR O SEGREDO.no rol dos direitos. a pessoa convocada por uma CPI para depor tem um tríplice dever: (a) o de comparecer. 5º. das respostas. p. em nosso ordenamento jurídico. Rel. Rel.g. A ESSENCIALIDADE DA LIBERDADE DE INFORMAÇÃO.em virtude do exercício legítimo dessa faculdade . não se justificando a interferência . a ações ou diligências eventualmente executadas no curso de operações meramente policiais. Em suma: o direito ao silêncio .832-MC/DF.. Saraiva. tal como enfatizei em julgamento proferido nesta Suprema Corte: “PRETENDIDA INTERDIÇÃO DE USO. o Supremo Tribunal Federal (RTJ 139/712-713. CELSO DE MELLO) . tecnicamente. então.g. “Comentários à Constituição Brasileira”. “constitui uma decorrência natural do próprio modelo processual paritário.814/PR. CELSO DE MELLO). 1992. no entanto.” (MS 25. o direito de se ver assistido. v. 111. CARLOS VELLOSO . p. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO INDEFERIDO. CELSO DE MELLO – RTJ 180/1125. CELSO DE MELLO) Não cabe. CARLOS VELLOSO . DE DADOS SIGILOSOS A QUE TIVERAM ACESSO. também reconheceu que o réu não pode. fiel aos postulados constitucionais que expressivamente delimitam o círculo de atuação das instituições estatais. 7. inciso LXIII. em função do legítimo exercício desse direito. Rel. no julgamento do HC 3. em que tal órgão parlamentar procederia à inquirição de certa pessoa. Não vejo como atender esse pedido. É por essa razão que o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu esse direito também em favor de quem presta depoimento na condição de testemunha. nesse domínio. INADMISSIBILIDADE.). RT). Rel. a qualquer pessoa. desse modo.qualifica-se como instrumento viabilizador do exercício da fiscalização social a que estão sujeitos os atos do poder público.apoiando-se em valioso precedente histórico firmado.)”. ainda que compromissada. Min. Tenho enfatizado.que é plenamente invocável perante as Comissões Parlamentares de Inquérito (UADI LAMMÊGO BULOS. p.HC 78. em decisões proferidas no Supremo Tribunal Federal. Min. advertindo. representado pela exposição. interditar o acesso dos meios de comunicação às sessões dos órgãos que compõem o Poder Legislativo. Rel. “Do Inquérito Parlamentar”. Min. das sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito compete. em 05/06/1914. CELSO DE MELLO). dentre as várias prerrogativas que lhe são constitucionalmente asseguradas. no ponto em que objetiva garantir.e o de não produzir provas contra si próprio (HC 96. 1. Rel. que assiste. ao escrutínio público. MARCO AURÉLIO. . como o reconheceu. Ícone Editora. CELSO DE MELLO). Fundação Getúlio Vargas. Min. 1964. que “Não configura o crime de falso testemunho. PAULO BROSSARD. quando a pessoa. no entanto. 65 e 73. em julgamento plenário. v. consoante tem proclamado a jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal (RTJ 172/929-930. restrições que afetem o seu “status poenalis” (RTJ 176/805-806. INVIABILIDADE. 290/294. 1997. ILMAR GALVÃO (DJU de 02/04/93). de estatura constitucional. item n. o direito de se manter em silêncio. muito menos privá-los do conhecimento dos atos do Congresso Nacional e de suas Comissões de Inquérito. É que indiciados ou testemunhas dispõem. Min. 1999. proferida no MS 24. “Comissões Parlamentares de Inquérito”. OLIVEIRA RIBEIRO (Revista Forense. bem por isso. salvo se puder resultar. SEPÚLVEDA PERTENCE . INCLUSIVE DAS CPIs. do regime de sigilo.RTJ 169/511-514. “Comissão Parlamentar de Inquérito”. ainda. ‘Nemo tenetur se detegere’.530-MC/PA.832-MC/DF. Min. POSTULAÇÃO QUE TAMBÉM OBJETIVA VEDAR O ACESSO DA IMPRENSA E DE PESSOAS ESTRANHAS À CPI À INQUIRIÇÃO DO IMPETRANTE. v. a concessão de medida liminar que o dispense da obrigação de comparecer perante a CPI em questão. aos trabalhos da CPI. das garantias e das liberdades fundamentais. que. em virtude do princípio constitucional que protege qualquer acusado ou indiciado contra a auto-incriminação. aqueles que se referirem.g. Rel. Rel. Min. exclusivamente.. 3. Min.RDA 196/197. unicamente. 2001. também. Rel. Na realidade. Rel.grifei). Trata-se de prerrogativa. Rel. auto-incriminação do ora impetrante. Min. Rel. 126-127. por entender que a liberdade de informação (que compreende tanto a prerrogativa do cidadão de receber informação quanto o direito do profissional de imprensa de buscar e de transmitir essa mesma informação) deveria preponderar no contexto então em exame.que seria indevida . por esta Corte. às indagações que lhe venham a ser feitas. regularmente convocada para depor perante Comissão Parlamentar de Inquérito. excluídos. PRECEDENTES (STF). Esta Suprema Corte. no qual seria inconcebível que uma das partes pudesse compelir o adversário a apresentar provas decisivas em seu próprio prejuízo (.742/DF. ao julgar o HC 68. dos processos decisórios e investigatórios em curso no Parlamento. eis que. 47/48 e 58/59. Min. os meios de comunicação social . ou não.a qualquer restrição em sua esfera jurídica. p/ o acórdão Min. Cumpre rememorar.traduz direito público subjetivo. 635. havia impedido o acesso de câmeras de televisão e de particulares em geral a uma determinada sessão de CPI. Cabe acentuar que o privilégio contra a auto-incriminação . por Advogado. v. CELSO DE MELLO. Rel. o direito de não firmar termo de compromisso e o de não prestar informações sobre assuntos de inteligência. Inacolhível. da prerrogativa contra a auto-incriminação. ESPECIALMENTE QUANDO EM DEBATE O INTERESSE PÚBLICO. enfatizou que qualquer indivíduo “tem. POR MEMBROS DE CPI. a postulação cautelar.do Supremo Tribunal Federal na imposição. e com apoio na jurisprudência prevalecente no âmbito desta Corte. NELSON DE SOUZA SAMPAIO. Embora não expressamente postulado. que o Pleno do Supremo Tribunal Federal. a pretendida decretação do regime de sigilo. sem se expor . Min. que. assegurado a qualquer pessoa pelo art.) . CELSO DE MELLO . ao Supremo Tribunal Federal. o direito de permanecer calado.219-MC/SP.não referendou decisão liminar. Rel.536. da nossa Carta Política. A PUBLICIDADE DAS SESSÕES DOS ÓRGÃOS DO PODER LEGISLATIVO. p. (b) o de responder às indagações e (c) o de dizer a verdade (RTJ 163/626.g.). Impende assinalar. vol.a que fazem jus os cidadãos e. ninguém pode ser constrangido a confessar a prática de um ilícito penal (HC 80. tal como foi postulado pelo ora impetrante. Rel. Saraiva.constitui prerrogativa individual que não pode ser desconsiderada por qualquer dos Poderes da República. Min. O ora impetrante busca. como se sabe. INACEITÁVEL ATO DE CENSURA JUDICIAL. pois. Min. p. deixa de revelar fatos que possam incriminá-la” (RTJ 163/626. COMO CONCRETIZAÇÃO DESSA VALIOSA FRANQUIA CONSTITUCIONAL.). Rel. Desnecessário afirmar que a definição do caráter reservado. que o direito de acesso às informações de interesse coletivo ou geral . vol. Ninguém pode ser constrangido a confessar a prática de um ilícito penal” (RTJ 141/512. desde que as suas respostas. no autorizado magistério de ANTÔNIO MAGALHÃES GOMES FILHO (“Direito à Prova no Processo Penal”. Defiro. PINTO FERREIRA. ainda. Não foi por outra razão que o Plenário do Supremo Tribunal Federal . sofrer. asseguro. a esse mesmo órgão de investigação legislativa. item n. há de preponderar um valor maior. Min. depondo como testemunha. ao ora paciente. CELSO DE MELLO). ao ora paciente. JOSÉ LUIZ MÔNACO DA SILVA.

defiro. o súdito estrangeiro contra a instauração de persecuções penais eventualmente arbitrárias. 91. do Estatuto do Estrangeiro. ao Presidente da “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”.A pessoa extraditada pelo Governo brasileiro não poderá ser processada.cuja observância também se impõe aos Magistrados (e a este Supremo Tribunal Federal. O ofício de comunicação deverá ser encaminhado. consentimento para instaurar nova persecução penal contra o súdito estrangeiro em questão. tem reconhecido a possibilidade jurídica de qualquer Estado estrangeiro requerer a extensão da extradição a delitos que. a possibilidade de extensão ou de ampliação do ato extradicional a fatos delituosos anteriores e diversos daqueles que justificaram a formulação do pedido original de extradição.apreciando pedido de extensão que lhe foi dirigido -.assim se pronunciou sobre o tema em questão: “. Min.815/80 não impede que o Estado requerente de extradição já concedida solicite sua extensão para abranger delito diverso. Min. .11. o pedido de medida liminar. em ordem a assegurar. anteriormente cometido. Precedentes. OCTAVIO GALLOTTI – RTJ 168/48.906/94. O postulado da especialidade. que instituiu o “Estatuto da Advocacia”. a partir da interpretação da norma inscrita no art.O princípio da especialidade . o teor desta decisão ao eminente Senhor Presidente da “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”. Rel.tem admitido.. qualquer medida restritiva de direitos ou privativa de liberdade. não foram incluídos na postulação extradicional originariamente deduzida. que. ao dar aplicação ao princípio da especialidade .A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Brasília. revele-se diverso daquele que motivou o deferimento da postulação extradicional originária. desde que observado o “due process of law”. Pedido de extensão. OSCAR CORRÊA .que não se reveste de caráter absoluto . na concreção do seu alcance.”. O Estatuto do Estrangeiro. cautelarmente. faço aplicável. 91. 7º da Lei nº 8. perante a referida “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”. desde que o fato delituoso. I. Comunique-se. sem que se lhe possa impor a obrigação de assinar o termo de compromisso e sem que se possa adotar.que acolhe. EROS GRAU VOTO O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: Trata-se de extradição supletiva promovida pelo Governo do Reino dos Países Baixos. Convenção Européia Sobre Extradição (Artigo 14) . em suas relações com os Advogados. Rel. em parte. legitimando. Min. ao consagrar o princípio da especialidade (art.g. na data de amanhã (26/11/2008).2008 Extradição Supletiva . com fundamento em outros fatos delituosos. mediante telex. neste deixaram de ser incluídos pelo Estado requerente. Publique-se. que pretende obter. com este expressamente concordar.somente atuará como obstáculo jurídico ao atendimento do pedido de extensão extradicional. Sendo assim. no caso) expressamente o autorize. que consagra o princípio da especialidade ou do efeito limitativo da extradição. em nosso sistema de direito positivo. ao caso. tal como tive o ensejo de proclamar em decisão proferida nesta Suprema Corte (HC 88. Advogados por estes constituídos e Comissões Parlamentares de Inquérito em geral. MAURÍCIO CORRÊA). com urgência. Rel. e sem dispensar o ora paciente de comparecer perante a “CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas”. I. orientação jurisprudencial que esta Suprema Corte firmou no tema das relações entre indiciados/testemunhas. como garantia indisponível do súdito estrangeiro. O Plenário do Supremo Tribunal Federal. 2. da Lei nº 6. veicular pretensões estatais eventualmente destituídas de legitimidade. o mesmo dever de respeito . anteriores ao pedido que a motivou. CELSO DE MELLO. A presente medida cautelar prevalecerá em sua integralidade.RTJ 144/121. mesmo que o ora paciente não seja inquirido. salvo se o Brasil . precisamente em função das razões de ordem político-jurídica que justificam a sua formulação e previsão em textos normativos. pois destina-se a proteger. . portanto. a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. a utilização do instituto da extradição supletiva (RTJ 115/529.autorizando. desde que o Estado requerido (o Brasil. CELSO DE MELLO) Na realidade. e (b) o direito de ser assistido por seu Advogado e de com este comunicar-se durante o curso de seu depoimento perante a referida Comissão Parlamentar de Inquérito. em ordem a permitir a sua imediata cientificação quanto ao teor da presente decisão. em conseqüência. Min. nos precisos termos expostos nesta decisão.RTJ 136/504. presa ou punida pelo Estado estrangeiro a quem foi entregue. quando este. a utilização do instituto da extradição supletiva . Min. o princípio da especialidade . formulado com evidente desrespeito ao postulado da boa-fé que deve informar o comportamento dos Estados soberanos em suas recíprocas relações no plano da Sociedade interna- cional.Possibilidades (Transcrições) (Informativo 523) Ext 1052/Reino dos Países Baixos* RELATOR: MIN. do Governo brasileiro. I. embora anteriores ao pedido original de extradição. Questão de ordem. (a) o direito de exercer o privilégio constitucional contra a auto- incriminação.015-MC/DF. contra o paciente em questão. interpretando o alcance da norma inscrita no art. do Estatuto do Estrangeiro. não obstante cometido antes do pedido de extradição. como conseqüência do regular exercício de tal prerrogativa jurídica. 91.815/80 . I. Rel. 25 de novembro de 2008 (23:50h).que constitui postulado fundamental na regência do instituto da extradição . “fax” ou qualquer outro meio ágil de comunicação. tendo em consideração as razões expostas. I) . Ministro CELSO DE MELLO Relator * decisão publicada no DJE de 28. assume inegável sentido tutelar. Ao assim decidir.permite que a pessoa já extraditada venha a sofrer persecução estatal ou punição penal por qualquer delito praticado antes da extradição e diverso daquele que motivou o pedido extradicional. Inteligência do art. a esse mesmo paciente. (RTJ 165/447-448. da Lei nº 6. Isso significa reconhecer. 91. FRANCISCO REZEK . que se aplica. às Comissões Parlamentares de Inquérito.às prerrogativas profissionais previstas no art. v.. Rel. inclusive) . O princípio da especialidade que é adotado no artigo 91.). . Min. desse modo. como salientado no julgamento da Ext 462-QO/República Italiana: “Extradição. Rel.

posto em liberdade. Senhor Presidente..” (Inq 731-QO/DF. para que. Senhor Presidente. 9. ADMISSIBILIDADE DO PEDIDO DE EXTENSÃO EM MATÉRIA EXTRADICIONAL.). Publicado no DJE/CNJ de 24/11/2008. mesmo achando-se sob o domínio territorial de uma soberania alheia. que o Supremo Tribunal Federal. ora objeto da denúncia em exame..Calendário – 2009 Portaria nº 403. finalmente. de 11. o extraditado. no primeiro semestre de 2009. 2. Questão de Ordem apresentada pelo Relator que se resolve no sentido de ordenar a suspensão do procedimento criminal.” (RTJ 131/1053. UTET. ‘ ou se. defrontando-se. ele também. relativamente ao co-denunciado. *acórdão pendente de publicação INOVAÇÕES LEGISLATIVAS 24 a 28 de novembro de 2008 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ) . ou se o próprio indivíduo. non sarebbe forse stata concessa ”. DJU de 17/02/2000) Registre-se. p. pelo fato de o processo penal aqui em curso não haver sido incluído. p. e promulgado pelo Decreto nº 62. Publicado também no DJ de 21/11/2008. O Plenário desta Suprema Corte. MOREIRA ALVES . CARÁTER RELATIVO DESSE POSTULADO. Ação penal originária. inclusive. Primeira Parte. em razão de fatos diversos dos descritos na denúncia. (. se quiser. “Estradizione”. entendeu necessário suspender a tramitação de ação penal originária ajuizada perante esta Suprema Corte. serão realizadas nas seguintes datas: Mês Sessões Janeiro 77ª Sessão Ordinária: dia 27 Fevereiro 78ª Sessão Ordinária: dia 10 Março 79ª Sessão Ordinária: dia 03 80ª Sessão Ordinária: dia 17 81ª Sessão Ordinária: dia 31 Abril 82ª Sessão Ordinária: dia 14 . vol. Rel. NÉRI DA SILVEIRA . com fundamento no artigo 22 do Regimento Interno. ao resolver tal incidente processual. 6. portanto.. Min. acompanho o voto do eminente Relator.). mas aqui processado criminalmente. POSSIBILIDADE JURÍDICA.7. o indivíduo extraditado não poderá ser processado nem julgado por qualquer outra infração cometida anteriormente ao pedido de extradição. sejam adotadas as providencias necessárias em ordem a solicitar à República Argentina a extensão da extradição em apreço. contados da data em que tiver sido solto’. Min. nos termos do artigo XIV do Tratado de Extradição entre Argentina e Brasil. no primeiro semestre de 2009. com situação que envolvia brasileiro extraditado por outro País. Denúncia que envolve. em acórdão assim ementado: “Inquérito. ao pedido de extensão da extradição. Possibilidade de solicitar à República Argentina a extensão da extradição. 3. Torino).” (Ext 444-Pedido de extensão/Itália. 5. Na realidade. proferiu decisão que se acha consubstanciada. Rel. 4. não será possível prosseguir no procedimento criminal contra o referido co-denunciado. pela República Argentina. a estrito controle jurisdicional de legalidade a ser efetuado pelo Supremo Tribunal Federal em benefício do súdito estrangeiro.Sessão de Julgamento . Extradição supletiva. ele próprio. no pedido de extradição que dirigiu à República Argentina. artigo XIV. Rel.1968. Questão de ordem que se resolve pela rejeição da preliminar de não-conhecimento do pedido de extensão. ao impor rígido controle sobre a legalidade do pedido de extensão. no exterior..9.1964.insista-se - essa tem sido a orientação que o Supremo Tribunal Federal firmou na matéria: “EXTRADIÇÃO SUPLETIVA. expressa e livremente.Dispõe sobre as datas das Sessões Ordinárias do Plenário. JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em virtude desse Tratado. Enquanto não houver o atendimento. tem por objetivo essencial evitar que essa prerrogativa “sia in pratica frustrata da postume incolpazioni. 1025. para.. PORTARIA Nº 403. de 29 de outubro de 2008 .Plenário . per le quali l’estradizione. a garantia jurídica que deriva do princípio da especialidade. Sua admissibilidade.979.. pois . CELSO DE MELLO. Revela-se plenamente legítima. quanto aos fatos constantes da denúncia. salvo se nisso convier o Estado requerido. pelo Governo brasileiro. sendo interrogado. “in” “Novissimo Digesto Italiano”. como co-acusado por corrupção ativa.) la base sicura che valga a cementare la loro armonia e li difenda dalle insidie di eventuali malintesi” (UGO ALOISI/NICOLA FINI.1. em ordem a protegê-lo. É o meu voto. constituir advogado para defendê-lo no Brasil. permanecer voluntariamente no território do Estado requerente durante mais de trinta dias. relativamente aos fatos anteriores. de 29. brasileiro recentemente extraditado da República Argentina. ao mesmo tempo em que busca “imprimere ai rapporti internazionali la maggiore precisione di contenuto affinchè i diritti e i doveri degli Stati abbiano (. o qual deverá ser processado. RESOLVE: As Sessões Ordinárias do Plenário. Tratado de Extradição entre Argentina e Brasil aprovado pelo Decreto Legislativo nº 85.grifei) Sendo assim. contra procedimentos penais abusivos ou eventuais punições de caráter arbitrário. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. e tal como salienta o magistério doutrinário. no ponto. VI/1007-1028.2. a formulação de pedido de extensão em sede extradicional. (. DE 29 DE OUTUBRO DE 2008 O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. e em face das razões expostas.grifei) Não constitui demasia assinalar que o pedido de extensão da ordem extradicional sujeita-se. quiser ser processado e julgado por outra infração. no uso de suas atribuições. Min. se richiesta.

p. de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. venda e distribuição de pornografia infantil. Publicado no DOU de 28/11/2008. Produzir. bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet. pelo Ministro de Estado da Integração Nacional. quando a comunicação for feita por: I – agente público no exercício de suas funções.Alteração . e multa.Altera a Lei no 8. LEI Nº 11. por qualquer meio.INDE. ou ainda quem com esses contracena. cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo. possuir ou armazenar. passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. empregador da vítima ou de quem. 241-D e 241-E: “Art. facilita. curador. a Infra-Estrutura Nacional de Dados Espaciais . § 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia. 240 e 241 da Lei no 8. Seção 1. Oferecer.Proteção à Infância - Pedofilia Lei nº 11.069. ou por adoção.Estatuto da Criança e do Adolescente.57.663.Aferição Decreto nº 6. para aprimorar o combate à produção. trocar. fotografia. Vender ou expor à venda fotografia. Seção 1.069. passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. tenha autoridade sobre ela. vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena – reclusão. DE 25 DE NOVEMBRO DE 2008. . bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet. de 13 de julho de 1990 .1. fotografar. o acesso por rede de computadores às fotografias. Seção 1. aliada à impossibilidade de o problema ser resolvido pelo ente da Federação. por qualquer meio. § 1o Nas mesmas penas incorre quem: I – assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de que trata o caput deste artigo. 241-A. no âmbito do Poder Executivo federal. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 2o A Lei no 8. da caracterização do estado de calamidade pública ou da situação de emergência. venda e distribuição de pornografia infantil. transmitir. 241. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo. II – prevalecendo-se de relações domésticas.1. e multa. 1o Os arts. Art. 241. § 1o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se refere o caput deste artigo. por qualquer meio. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. cena de sexo explícito ou pornográfica. de coabitação ou de hospitalidade. inclusive por meio de sistema de informática ou telemático.666. de tutor. e multa.Regulamenta a aferição sumária. disponibilizar. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena – reclusão. vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena – reclusão. distribuir. p. de 3 (três) a 6 (seis) anos. ou III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou afim até o terceiro grau. para aprimorar o combate à produção. publicar ou divulgar por qualquer meio. p.” (NR) Art. 241-C. ou com seu consentimento. § 2o As condutas tipificadas nos incisos I e II do § 1 o deste artigo são puníveis quando o responsável legal pela prestação do serviço. 241-A e 241-C desta Lei. 241-B. de 25 de novembro de 2008 . § 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime: I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la. Decreto nº 6. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA) . cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo. de 27 de novembro de 2008 . oficialmente notificado. MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (MI) .829.” (NR) “Art. 241-B. de 13 de julho de 1990. envolvendo criança ou adolescente: Pena – reclusão. § 2o Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. preceptor.Institui. Publicado no DOU de 27/11/2008. de 13 de julho de 1990.069.Calamidade Pública . filmar ou registrar. de 26 de novembro de 2008 . 240. e multa. dirigir. Adquirir. e dá outras providências.Criação.829. recruta. Publicado no DOU de 26/11/2008.069. II – assegura. coage. 240. a qualquer outro título. fotografia. reproduzir. 241-A. 83ª Sessão Ordinária: dia 28 Maio 84ª Sessão Ordinária: dia 12 85ª Sessão Ordinária: dia 26 Junho 86ª Sessão Ordinária: dia 09 87ª Sessão Ordinária: dia 23 Ministro Gilmar Mendes Presidente INFRA-ESTRUTURA NACIONAL DE DADOS ESPACIAIS (INDE) . Altera a Lei no 8.

p. e multa. 2° O protocolo de petições funcionará apenas para as medidas urgentes das 12h às 18h. instigar ou constranger. Parágrafo único.Preservação Ambiental Decreto nº 6. Art. dos Santos informativo@stf. entre suas finalidades institucionais. ficarão suspensos a partir de 20 de dezembro de 2008.2. PORTARIA Nº 416. adquire. Incorre nas mesmas penas quem vende. Art. Aliciar. § 3o As pessoas referidas no § 2o deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido.º 5.1.010. Art.gov. assediar. ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário. 62 da Lei n. o recebimento. no inciso I do art. O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. 25 de novembro de 2008. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração. III – representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de rede de computadores. o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo. que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica. R E S O L V E: Art. 29 do Regimento Interno. distribui.Regulamenta dispositivos da Lei n o 11. Parágrafo único. Art. Brasília.” Art. p. criança. no âmbito do Conselho Nacional de Justiça. II – pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a se exibir de forma pornográfica ou sexualmente explícita. disponibiliza.Recesso Forense Portaria nº 416.Comunica a suspensão dos prazos processuais durante o recesso forense do final do ano. de 1 (um) a 3 (três) anos. DE 17 DE NOVEMBRO DE 2008. 241-D.94. voltando a fluir em 07 de janeiro de 2009. e na Resolução CNJ n° 8. Publicado no DOU de 24/11/2008. de 17 de novembro de 2008 . que inclua.428. 241-C. 241-E. publica ou divulga por qualquer meio. 187o da Independência e 120o da República. com o fim de com ela praticar ato libidinoso: Pena – reclusão. montagem ou modificação de fotografia. Assessora responsável pelo Informativo Anna Daniela de A. ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Tarso Genro Dilma Rousseff CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ) . nos dias 24 e 31 de dezembro de 2008. até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial. vídeo ou qualquer outra forma de representação visual: Pena – reclusão. Publicado no DJE/CNJ de 25/11/2008. expõe à venda. de 1 (um) a 3 (três) anos. a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas. possui ou armazena o material produzido na forma do caput deste artigo.660. por qualquer meio de comunicação. II – membro de entidade. de 22 de dezembro de 2006. reais ou simuladas. legalmente constituída. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Nas mesmas penas incorre quem: I – facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com o fim de com ela praticar ato libidinoso. de 21 de novembro de 2008 . 1º Os prazos processuais. no uso de suas atribuições e com base no inciso XXXIV do art. de 30 de maio de 1966. Ministro GILMAR MENDES MATA ATLÂNTICA . de 29 de novembro de 2005. n.br . nos dias úteis dentro do período compreendido entre 22 de dezembro de 2008 e 06 de janeiro de 2009. e das 8h às 12h. M. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei. Seção 1. e multa.