Psicologia: Teoria e Pesquisa

Jan-Mar 2011, Vol. 27 n. 1, pp. 73-82

Preconceito Contra Homossexuais e Representações Sociais da Homossexualidade
em Seminaristas Católicos e Evangélicos1
Cícero Roberto Pereira2
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
Ana Raquel Rosas Torres
Universidade Federal da Paraíba
Annelyse Pereira
Instituto Universitário de Lisboa
Luciene Campos Falcão
Universidade Paulista (Goiânia)

RESUMO - Este trabalho analisa as relações entre o preconceito contra os homossexuais e as representações sociais sobre
a homossexualidade. Trata-se de um estudo correlacional com 374 estudantes de teologia (207 evangélicos e 167 católicos)
que responderam um questionário sobre crenças e atitudes em relação aos homossexuais. Os resultados indicam duas formas
de expressão do preconceito: sutil e flagrante. O preconceito sutil está relacionado com a crença numa natureza biológica e
psicossocial e com a descrença numa representação ético-moral da homossexualidade. O preconceito flagrante está relacionado
com a descrença na natureza biológica e psicossocial e com uma representação ético-moral. A hipótese de que as representações
sociais sobre a natureza dos grupos minoritários estão na base do preconceito e da discriminação é corroborada.

Palavras-Chave: Preconceito; homofobia; representações sociais

Prejudice against Homosexuals and Social Representations of Homosexuality of
Catholic and Evangelic Seminarians
ABSTRACT - This study analyzes the relationship between prejudice against homosexuals and social representations
about homosexuality. Participants were 374 theology students (167 catholic and 207 evangelic) who individually answered
a questionnaire about beliefs and attitudes toward homosexuals. Results allowed to identify two forms of prejudice: Subtle
and blatant. The subtle prejudice is related to biological and psychosocial representations about homosexuality and to the
disbelief in an ethical and moral nature of homosexuality. The blatant prejudice is related with the disbelief in a biological and
psychosocial nature as well as with ethical and moral representations about homosexuality. In the discussion it is argued that
social representations about the nature of minority groups can form the basis of prejudice and discrimination.

Keywords: prejudice; homophobia; social representations

Os resultados apresentados por diversas linhas de pes- Vala, Marinho, Lopes & Cabecinhas, 2005; Pereira, Vala &
quisa têm mostrado que a manifestação explícita do precon- Leyens, 2009; Vala, Lopes, Lima & Brito, 2002), como o
ceito tem diminuído nas últimas décadas (e.g., Gaertner & preconceito contra homossexuais (e.g., Frank & McEneaney,
Dovidio, 1986; Katz & Hass, 1988; McConahay, Hardee & 1999; Lacerda, Pereira & Camino, 2002; Melton, 1989).
Batts, 1981; Pettigrew & Meertens, 1995; Sears & Henry, Ainda que exista uma representação social amplamente com-
2003). Contudo, empiricamente também se evidencia que partilhada de que “todos devem ter direitos iguais perante a
essa redução se verifica apenas em relação aos grupos sociais Lei”, no que se refere às minorias sexuais, a aplicação desse
protegidos pela norma do anti-preconceito (e.g., Crandall, princípio parece ser mais complexa, como têm revelado as
Eshleman & O’Brien, 2002). De fato, contra grupos que não investigações sobre o preconceito contra os homossexuais
estão protegidos por essas normas, a manifestação flagrante (e.g., Crawford, McLeod, Zamboni & Jordan, 1999; Faria,
ainda persiste com grande intensidade (e.g., Deschamps, Leite, Torres & Bittar, 2006; Haddock, Zanna & Esses, 1993;
Moradi, van den Berg & Epting, 2006; Torres & Faria, 2008).
1 Agradecimentos: Gostaríamos de expressar os nossos mais sinceros
Contrariamente ao que acontece em grupos protegidos
agradecimentos aos diretores dos seminários que muito gentilmente pela norma do anti-preconceito, as manifestações contra a
abriram as portas de suas instituições para que fosse possível a re- aplicação dos princípios de igualdade aos homossexuais são
alização deste estudo. Gostaríamos também de agradecer ao doutor freqüentes, nomeadamente as organizadas pelos movimentos
Ronaldo Pilati (Universidade de Brasília) e a dois revisores anôni- religiosos. Entretanto, as pesquisas ainda não responderam
mos pelos valiosos comentários e sugestões que fizeram. Também
de forma clara a questões que envolvem a forma como esses
somos gratos a doutora Alice Ramos (Instituto de Ciências Sociais da
Universidade de Lisboa) pela leitura atenta que fez dos resultados que grupos religiosos, especialmente os evangélicos e os católi-
aqui apresentamos. cos, expressam o seu posicionamento em relação aos homos-
2 Endereço para correspondência: Avenida Professor Aníbal de Betten- sexuais e aos mecanismos psicossociais que fundamentam
court, 9; 1600-189 Lisboa – Portugal. E-mail: cicero.pereira@ics.ul.pt esses posicionamentos. Especificamente indagamos: como

73

No entanto. propuseram mais dois tipos de cren. Moscovici & com “tentações demoníacas”.g. C. que as teorias que as pessoas âmbito dos processos descritos por Moscovici (1969/1976) têm sobre a natureza dos grupos sociais são fatores fun. 1989). He. Rothschild e Ernst (2002) verificaram que da homossexualidade? E. este artigo apresenta um atitude pró-homossexuais e. para Hegarty e Pratto (2001) há estudo. pouca atenção as “desordens psicológicas” e com fatores psicossociais. as pessoas atribuem diferentes crenças essencialistas podem ser mais bem compreendidas essências às categorias naturais e também às categorias se analisadas como representações sociais sobre a natureza sociais. damentais para a compreensão das tensões intergrupais. uma correlação positiva entre a crença na imutabilidade e a sobre como as atitudes de seminaristas em relação aos ho. 1. 2006. católicos e evangélicos as crenças essencializadoras de que a homossexualidade tem partilham as mesmas crenças sobre a homossexualidade? base biológica estavam positivamente relacionadas com a Para responder a essas questões. Moscovici & Pérez. pressupomos que a essencialização é um exemplo típico dos O essencialismo é um processo resultante da crença de processos de objetivação. dando pouca ou ne- Crenças Essencialistas e Representações Sociais nhuma atenção a crenças que talvez sejam mais importantes sobre a Natureza da Homossexualidade no desenvolvimento do preconceito contra os homossexuais. Bastian & Bissett. Leyens et al. a análise das crenças essencialistas não tem leva- Mesmo que a importância das representações sociais do em consideração as crenças amplamente difundidas no para a compreensão do preconceito (e. 1992). propo- à luz do conceito de essencialismo psicológico propõem. com Chulvi. 2000). os estudos desenvolvidos de senso comum sobre a natureza dos grupos sociais. Pereira & Cols. com a “fraqueza moral”. crença na natu- similaridade profundamente enraizada entre os membros reza biológica (que a homossexualidade está relacionada dos grupos sociais). Bastian & Haslam. e precisamente. De fato. Especificamente. dessas representações no tipo de seminário estudado. crença na natureza psicológica (que a base biológica imutável).g. finalmente. Haslam. Haslam. então.g. os tem sido dada a um tipo mais específico de representa.. Torres & e o seu papel nas atitudes intergrupais (e. processo de discriminação social contra os homossexuais ças: a universalidade (crença de que a homossexualidade (ver Crawford et al. 2003): crença na natureza religiosa (tendência Levy. com os fatores hereditários. as crenças relativas a uma essência biológica. A importância dessas da vida e difícil de mudança) e a fundamentalidade (crença representações. mos que as crenças essencialisantes sejam compreendidas no de uma maneira ou de outra. 27 n. Jan-Mar 2011.. Mais recentemente. Lacerda et al. 2002) já tenha sido sublinhada.. crença na natureza Rothschild e Ernst (2000) identificaram dois princípios ético-moral (que homossexualidade representa a ten- organizadores das crenças essencializadoras dos grupos dência das pessoas para a violação dos valores morais sociais: as crenças naturalizantes (os grupos sociais têm uma e tradicionais). que cada categoria de objetos possui um conjunto fixo de que explica como as pessoas reificam e naturalizam conceitos características que definem a natureza mais profunda dos e relações científicas. 2006). Perguntamos. 2005. hormonais e gestacionais) garty e Pratto (2001) também identificaram duas dimensões e crença na natureza psicossocial da homossexualidade organizadoras destas crenças: a imutabilidade (crença de (que a homossexualidade está relacionada com aspectos que a homossexualidade tem base biológica.. 73-82 . Nesta perspectiva. as pessoas diretamente envolvidas com os cultos religiosos Esses estudos também mostram que as teorias implíci- evangélicos ou católicos manifestam as suas atitudes em tas que as pessoas têm sobre a natureza dos grupos sociais relação aos homossexuais? Quais são as relações entre essas desempenham um papel importante no preconceito. transformando-os em saber de senso co- elementos das categorias (Medin & Ortony. a natureza da homossexualidade são compostas por cinco Haslam. pecaminosa da homossexualidade). são representadas como espécies biológicas.: Teor. quais podem ser mais importantes para a caracterização das ções – as teorias de senso comum sobre a natureza dos representações sobre a natureza da homossexualidade do que grupos sociais.. entitatividade (crença em uma homossexualidade tem base psicológica). No entanto. esses estudos procuraram caracterizar apenas as crenças sobre uma natureza quase exclusivamente biológica da homosse- xualidade (e. é que de que os homossexuais são profundamente diferentes dos as teorias e as práticas científicas quando são transforma- heterossexuais).. os grupos que são socialmente construídos dos grupos sociais. 2001) princípios organizadores (ver também Pereira. 1997.R. especificamente a ontologização. Jayaratne et al. fixada no início identitários e não-essencializantes). segundo Camino e Pereira (2000). ainda que não invoque de forma explícita a Para podermos analisar de forma mais completa as teorias teoria das representações sociais. ou seja. 2004.. Por exemplo. no tocante às atitudes preconceituosas. (2002) mostraram A investigação nesse domínio tem analisado a estrutura que as representações sociais da homossexualidade sobre das crenças essencialistas (e. 1999..g. Deschamps et senso comum de que a homossexualidade está relacionada al. como (crença de que os homossexuais têm características que os o preconceito contra os homossexuais é mantido pelas distinguem dos heterossexuais). Haslam & Pereira. pp. teorias de senso comum? 74 Psic. é histórica e culturalmente determinada) e a separação mas em outra perspectiva). e Pesq. 2002) e Haslam e Levy mossexuais se relacionam com as representações sociais da (2006) constataram que a crença na universalidade inibe a natureza da homossexualidade e sobre a ancoragem social atitude negativa em relação à homossexualidade. Pérez. para caracterizar as representações sociais. Por atitudes e as crenças que esses grupos têm acerca da natureza exemplo. Brasília. Haslam e Levy (2006) das em saber de senso comum podem contribuir para o além da imutabilidade. atitude anti-gay (ver também Hegarty. Vol. realizado em seminários católicos e evangélicos. Para mum (ver Jost. que as dimensões das Rothbart e Taylor (1992). 2006. Relativamente aos homossexuais.. para uma interpretação similar. Hegarty & Pratto.

73-82 75 . além de conter indicadores A centralidade dessas crenças torna ainda mais relevante uma investigação mais detalhada sobre as relações entre as 3 É rara a presença de mulheres em cursos de teologia católicos. embora as crenças religiosas e ético.88) que os evangélicos práticas discriminatórias. Usamos um questionário que. nos seminários homossexuais. 1997. p< 0. missionárias. p< 0.preconceituosos exprimem 167 católicos.64). Brasília.0. Verificamos apenas 1. Psic.1. constataram que os preconceituosos flagrantes exprimem rejeição à proximidade e expressam mais emoções negativas do que positivas em relação aos Participantes homossexuais. preconceituosos flagrantes. essas variáveis foram controladas nas análises ou uma representação do homossexual como portador de uma realizadas sobre as relações entre as representações sociais essência ainda que difusa que o impulsiona para a violação e o preconceito contra os homossexuais. 001. t(372) = 4. adotando para efetuar o estudo. e 7.e. (i. (2002) também mostraram que os precon..7. fizemos um levantamento dos seminários católicos e estudantes de medicina expressaram maior preconceito evangélicos de uma importante cidade do Centro-Oeste do sutil e recorreram mais a crenças biológicas sobre a homos. muito religioso). bem como em vários seminários evan- e mais emoções positivas do que os preconceituosos sutis gélicos com diferentes orientações teológicas (tradicionais e os flagrantes. a presença de mulheres é mais freqüente. Método sexuais.5% de recusas aleatórias com o preconceito.00. 27 n. como a proposta por Pettigrew dos participantes era do sexo masculino (78%)3 com idade e Meertens (1995) também são úteis para o entendimento do variando entre 14 a 54 anos (M = 27.0. DP = 2. 001.59) do que os evangélicos (M = 3. Em seguida.02. DP a fatores psicossociais. menos emoções negativas diocesanos católicos. (ver também Meertens & Pettigrew. apresenta. -demográficas. Lacerda et al. ao passo que os não-preconceituosos recorrem os católicos tinham maior tempo de seminário (M = 4.05. Os católicos também se consideravam homossexualidade podem contribuir para a manutenção de mais religiosos (M = 5.51). e Pesq. Jan-Mar. realizamos visitas aos coordenadores sexualidade.23. DP = 1. pentecostais e neo-pentecostais). não relacionadas com o tipo de seminário). A maioria outras formas de preconceito.48) que os católicos (M = sutis recorrem mais a crenças sobre a natureza biológica e 26. Nos seminários estudados. alguns seminários de ambas as denominações permitam a presença remos a seguir um estudo sobre como as pessoas diretamente de mulheres.. Além disso.. preparando para assumir funções coadjuvantes: religiosas (freiras) e cos e católicos) manifestam as suas atitudes em relação aos religiosas-leigas nos seminários católicos. Os participantes evangélicos tinham idade ligiosas em relação à homossexualidade. Lacerda et al. O estudo foi realizado em vários seminários menos rejeição à proximidade.46).26). DP = 7.21 em uma escala em que 1 indica pouco religioso Vala. Finalmente. Pettigrew & Meertens. Em se- representações da homossexualidade e o preconceito contra minários evangélicos. referentes às características do preconceito flagrante e sutil na Europa. a pertença social dos indivíduos ancora as suas representações e o preconceito contra os homossexuais. Pettigrew et al. Seguimos três etapas para a realização do estudo. os grupos. 2001 e. (2002) identificaram uma tipologia similar em relação à expressão do preconceito contra homos. Os mente. Os participantes dos dois tipos de Lacerda et al. elas não estudam para serem líderes religiosas (pastoras ou sacerdotisas). Estudantes de psicologia aparecem de forma desses seminários para a obtenção da autorização formal mais freqüente no grupo dos não-preconceituosos.1. DP = 2. Vol. ver DP = 1. os critérios usados para a análise de reformados. Brasil. t(372) = 2.8.7.42). tendo em vista que salientam ou (M = 4. Procedimentos e Medidas Por exemplo. Inicial- lidade com base em crenças ético-morais e religiosas. psicológicas. dos valores tradicionais que sustentam o statu quo. mas não expressam mais de teologia de ambos os sexos. os estudantes de engenharia civil foram mais preconceituosos flagrantes. Assim. em uma representação essencializante do homossexual como razão das diferenças sócio-demográficas significativas entre portador de alguma anormalidade biológica ou psicológica. que foram respondidos individualmente em salas de aula por Os resultados também indicaram que a pertença religiosa todos os estudantes de teologia que se dispuseram a participar (católica versus evangélica) não se relacionava diretamente da pesquisa. DP = 0. representando a homossexua. Embora homossexuais em contextos religiosos. as mulheres estavam se envolvidas com os cultos religiosos (seminaristas evangéli. pp. as quais não -morais tenham sido centrais na definição do grupo dos constituem fonte de ameaça à qualidade dos dados obtidos. t(372) al.: Teor. DP = 5. seminários diferenciavam-se em todas essas variáveis sócio- ceituosos flagrantes compartilham crenças ético-morais e re. 1. Em contrapartida. sendo 207 evangélicos e emoções positivas. Portanto.9 com 1998. O tempo posicionamento das pessoas em relação aos homossexuais de seminário variou de 1 a 12 anos (M = 4. Portanto. Os preconceituosos mais elevada (M = 29. Brito & Lopes. Representações Sociais e Preconceito contra Homossexuais Preconceito Contra os Homossexuais e e as crenças que esses grupos têm sobre a natureza da ho- Representações Sociais da Homossexualidade mossexualidade e identificando quais são as representações sobre a natureza da homossexualidade praticadas nos dois Seguindo os resultados de Pettigrew e Meertens (1995) tipos de seminários. 1999). Esses resultados levaram Lacerda et = 2.7. DP = 8. aplicamos os questionários crenças sobre a natureza psicossocial da homossexualidade. p< 0. para uma revisão. O grau médio de religiosidade era elevado (M = 4. Os não. analisando as relações entre essas atitudes evangélicos. a concluírem que as representações sobre a natureza da = 4. Os preconceituosos sutis exprimem menos rejeição à proximidade e menos emoções negativas do que Este estudo foi realizado com dados de 374 estudantes os preconceituosos flagrantes.

DP = 0. Vol. na natureza biológica. contém uma lista com seis emoções. em indicar em uma escala de 1 (nunca) a 7 (muitas vezes) aplicamos a Hierarchical Cluster Analyse para indivíduos o quanto sentiram estas emoções em relação a homossexu. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em os quais apresentam elevada consistência interna: crenças Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. DP = 1. para a construção dos aglomerados.41. um formado organizava as emoções negativas. também foi validada por Lacerda et al. ético-morais (α = 0. Os membros do explicada = 13%). sobre as características sócio-demográficas dos participantes 1.38 a 0. pois seus participantes são os fatores obtidos explicam 54% da variância compartilhada. identificamos os tipos constrangido). F(3. negativas. Além natureza ético-moral.41.75 e 0.61 a 0.90. valor-próprio = (2002). va. na dos posicionamentos nas escalas utilizadas (V= 0.2. Clémence.69). a análise permitiu-nos riância explicada = 26%) explicava 26% da variabilidade e identificar dois grupos ou clusters de indivíduos. Os resultados da análise fatorial pelo método dos eixos derfer & Blashfield. Brasília.63. 247. DP = 1. as crenças psicossociais (cargas fatoriais variando de 0. ver Alden- ais.42). & respostas variaram de 1 (nada constrangido) a 7 (muitíssimo Lorenzi-Cioldi.85. religiosas (α = 0.77. da. O segundo fator organizava as crenças grupo 2 podem ser chamados de Preconceituosos Sutis. emoções positivas e negativas.86) e expressem poucas emoções negativas fator.70. valor-próprio = 1..92).70. um para cada tipo de crença.81.369) = 36. 1993). η2 = 0. três dessas são posi. na natureza psicológica e na natureza disto. Aplicamos uma análise fatorial (método dos de preconceito contra os homossexuais expressos pelos eixos principais) aos escores obtidos.20) explicava Para identificarmos os perfis desses grupos. (2002) para a identificação do tipo de preconceito que as tivas e três. valor-próprio = 1. saturam as crenças psicológicas (cargas fatoriais varian. A esca- la de rejeição a relações de proximidade com homossexuais foi desenvolvida e validada por Lacerda et al. ético-morais (cargas fatoriais variando de 0. (2002) para avaliar as representações sociais sobre dois grupos são diferentes no que concerne à expressão do a natureza da homossexualidade. 367) = Também usamos a escala elaborada e validada por Lacer.001. p < 0. que explica 55% da variabilidade.80. no presente estudo não identificamos um grupo de 76 Psic.51 a 0. 27 n.5. DP = 0. psicológicas Medimos o preconceito mediante duas escalas: a) rejeição (α = 0. A escala seguimos os procedimentos realizados por Lacerda et al. valor-próprio = 1.369) = 70. calculamos 20% da variabilidade e organizava as emoções positivas. tipos de preconceito e as representações sobre a natureza da prio = 5. Em seguida. p < 0. o outro. autovalor = 1. variância explicada = 9%).67.3.09. O fator 1 (cargas positivas e negativas. pp.98).78. variância explicada = 9%).23) em relação aos homossexuais. A tarefa dos participantes consistiu pessoas expressam contra os homossexuais. Inicialmente.54.85. também manifestam poucas emoções do de 0. biológicas (α = 0. relações de proximidade no tocante aos homossexuais. 1984) aos escores dos participantes nas principais mostraram dois fatores que explicavam 46% da escalas de rejeição à proximidade e de expressão de emoções variabilidade da expressão de emoções.21.72) e psicossociais (α = 0. (2002). FEmoções foi indicar o seu grau de concordância em cada item da escala. FRejeição à proximidade As respostas podiam variar de 1 (discorda totalmente) a 7 (1. pois. Neste sentido. e Pesq.001.32. analisamos a ancoragem social essa medida apresentou consistência interna muito elevada dessas representações nos seminários freqüentados pelos (α=0. Esse resultado indica que os perfis dos da et al. permitindo-nos calcular um índice de rejeição a participantes. A tarefa dos participantes FEmoções Negativas (1. apre.001. valor-pró.. Com base no método de Ward (1963) fatoriais variando de 0. 73-82 .369) = 95.6. (2002). As quantitativa das representações sociais (Doise.70. todas as diferenças entre os grupos são significativas: psicossocial da homossexualidade. p < 0. analisamos as relações entre os extraído (cargas fatoriais variando de 0. Submetemos as respostas aos itens a obtidas mostra (Figura 1) que o grupo 1 pode ser chamado uma análise fatorial (método dos eixos principais). (M = 1. Para responder à questão referente a como os seminaristas A segunda medida do preconceito (expressão de emoções) exprimem as suas atitudes em relação aos homossexuais. por 104 (28%) indivíduos. Apenas um fator foi seminaristas. p < 0. primeiro fator saturava as crenças religiosas (cargas fatoriais menos emoções positivas (M = 1. = 11%).67). A uma MANOVA tomando os dois grupos definidos na HCA análise da fidedignidade desses fatores mostrou coeficientes como um fator inter-sujeitos e as medias de adesão às escalas alfa suficientes para o cálculo de indicadores consistentes da de rejeição à proximidade. Os Resultados participantes indicaram em que medida se sentiram cons- trangidos no tocante a cada uma das dez situações descritas Orientamos a análise dos dados pelo modelo da análise nos itens da escala (ver também Pereira et al.46 a 0.75.66. variância explicada positivas (M = 2. 2004).2. A classificação dos par- por quinze itens que avaliam cinco tipos de representações: ticipantes nesses dois grupos explica 67% da variância total crenças na natureza religiosa. DP = 0.R. a relações de proximidade e b) expressão de emoções. idade. Positivas (1.82). DP = 0. Os cinco de Preconceituoso Flagrante. Esta escala é composta preconceito contra os homossexuais. No terceiro (M = 2.62.50). expressão de emoções negativas e positivas em relação aos como variáveis dependentes. η2 = 0.81). 1. η2 = 0. variância explicada = 12%). saturaram as crenças biológicas Diferentemente dos resultados encontrados por Lacerda et al.43 a 0. O fator 2 (cargas fatoriais por 267 (72%) e. tempo de curso e grau de religiosidade). Os resultados dessa análise homossexuais (α = 0. No quarto fator. Por fim.3. Pereira & Cols.001. homossexualidade.42). O que mais expressam emoções negativas (M = 2. A análise das médias (concorda totalmente). embora apresentem pouca rejeição a relações de proximidade -próprio = 1. calculamos cinco índices. mostram um efeito multivariado significativo.52 a sentava medidas do preconceito contra os homossexuais e 0.78. (cargas fatoriais variando de 0. variância jeição à proximidade (M = 5. valor. variando de 0.73). (HCA – Análise Hierárquica de Aglomerados. Em segui- uma medida de crenças sobre a natureza da homossexua. O quinto fator organizava (sexo.66 a 0. lidade. valor-próprio = 1.86) e maior re- variando de 0. Jan-Mar 2011.59 a 0. respectivamente).: Teor. Além disto. C.

p < 0. ético. analisamos substancialmente a diferenciação entre preconceituosos como as adesões às cinco crenças sobre a natureza da homos. aumenta a probabilidade coeficientes de regressão e dos odds ratios (ver as colunas do de expressarem o seu preconceito de forma sutil. o qual se caracteriza pela Os resultados do Modelo 2 mostram uma predição baixa rejeição à proximidade. nos seminários católicos. de emoções negativas e pela alta manifestação de emoções χ 2 = 120.02. Modelo 1 na Tabela 1) indica que o tipo de seminário é a única variável sócio-demográfica que prediz significativamente o tipo de preconceito. ao passo representações sobre a homossexualidade na expressão do preconceito. 27 n. ΔR2 = 0. sexo. a forma como seminaristas expressam as primeiro modelo. ceituoso flagrante. De fato. a análise dos flagrantes e. p < 0. Brasília. adicionamos as às suas representações sobre a homossexualidade. e que a pertença a seminários evangélicos identificados na HCA e. de fato. Já a crenças sobre a natureza da homossexualidade. excetuando os -morais. p < 0.: Teor.18). e Pesq. Adesão às escalas do preconceito em função dos grupos (flagrantes vs. Os resultados adesão às crenças ético-morais aumenta a probabilidade do Modelo 1 mostram uma explicação substancial do tipo de de os participantes serem preconceituosos flagrantes. as crenças aumenta a probabilidade de classificação como precon- sobre a natureza da homossexualidade (religiosas. sutis e flagrantes4. Jan-Mar. No que. na explicação das probabilidades de classificação dos participantes nos dois tipos de preconceito (ΔR2 = 0. quando a denominação do seminário é controlada: ΔR2 = 0. Psic.37. preconceito (Nagelkerke R2 = 0.001. estimamos apenas os efeitos das variáveis suas atitudes em relação aos homossexuais está associada sócio-demográficas. conseqüentemente. i. significativos.001. o que significa que a adição das crenças sobre a natureza da homossexualidade melhorou Após a definição dos dois tipos de preconceito. 1. em seminários católicos. as relações entre as crenças sobre a natureza pantes (tipo de seminário. associada à baixa expressão ainda mais forte do preconceito (Nagelkerke R2 = 0. psicossociais. A análise dos coeficientes de regressão sexualidade ancoram esse preconceito. 73-82 77 . Ancoragem do Preconceito χ2 = 50. idade. De maior importância. às psicossociais diminuem a probabilidade de serem tipo de preconceito dos participantes. com incremento substancial positivas. ou seja. Usamos como variáveis critério o tipo la 1) indica que o efeito do tipo de seminário continua de preconceito (Preconceituosos Sutis versus Flagrantes) significativo. indivíduos não-preconceituosos. χ2 = tuosos flagrantes estudam em seminários evangélicos e 84% 24. psicológicas e biológicas).001) o enquanto que a adesão às crenças biológicas e.59.. p < 0. os evangélicos são mais flagrantes. sobretu- que significa que os dados sócio-demográficos predizem o do.14. dos preconceituosos sutis. No segundo modelo. Calculamos dois modelos de regressão. Vol. verificada mediante e dos odds ratios (ver as colunas do Modelo 2 na Tabe- regressões logísticas. pp. tempo de curso e grau da homossexualidade e o tipo de preconceito mostram de religiosidade)..47. 69% dos preconcei. Contudo. nos seminários protestantes. de maneira que a participação em seminá- rios evangélicos aumenta mais de doze vezes a probabilidade 4 Análises complementares realizadas dentro de cada tipo de seminário de os participantes serem classificados como preconceituosos indicam que a tradição religiosa dos seminários não altera o efeito das flagrantes. o efeito destas representações mantém-se significativos mesmo que os católicos são mais sutis. Representações Sociais e Preconceito contra Homossexuais 7 6 5 Médias 4 3 2 1 Flagrante Sutil Tipo de Preconceito Rejeição à Proximidade Emoções Negativas Emoções Positivas Figura 1. χ2 = 29. p < 0. como variáveis preditoras. sutil) definidos pela Análise Hierárquica de Aglomerados.29.001).52.e.23. controlando efeitos das crenças religiosas e psicológicas que não são os efeitos das características sócio-demográficas dos partici.001. χ2 = 70.29.

81 0.79–1. os quais não são significativos ças ético-morais são mais fortes do que as psicossociais (Fs < 1. p < 0. pp. Estes resultados indicam que as diferenças 78 Psic.61). M = 3.79 R 2 0.001.96 Psicossociais -0. 1 = flagrante). M = 4.30–2.53** 1.31.51. 001.20–2. Brasília.25 vs. os evan.77.01 0.88 0.0 1.52*** 12. ***p< 0. e psicossociais (M = 3.34). Também é importante DP = 1.84.44–0.77.75.66–1. DP = 1.73 0.21 Sexo -0.03 0. Não há Homossexualidade diferença significativa entre a crença na natureza biológica A questão que agora iremos responder é: quais são (M = 3.29) e psicossocial da homossexualidade. 5(Crenças: religiosas vs.32* 0.02. o efeito de interação entre o tipo estudados? Para responder a essa questão.21 0. psicossociais).57. e ético-morais (M = 4.74). M = 2. C. psicológicas e a análise dos contrastes mostra que a única diferença não- vs. Tabela 1.37.07. DP = 1. t(349) = 11. IC = Intervalo de confiança dos OR.01. DP = 1.001. DP = 1.88 0. tempo de seminário e grau de vamente: M = 4. -significativa entre católicos e evangélicos reside na crença -sujeitos e o segundo é intra-sujeitos. Esse resultado indica que diferentes lidade a uma ANCOVA. DP = 1.42).94 0.06 0.26 vs. idade.04 0. desenvolvidas nos seminários católicos e evangélicos De maior importância. biológicas vs. DP = 1. p < 0. t(349) = 6.69 1.59 0. ps >0.30.63 Ético-morais 0.43 5.20.70.14–8. religiosidade dos participantes).27 vs.12 Religiosidade -0.27) é mais forte que a na natureza religiosa (M = 3. Vol.55.84–1.45. DP = 1. p< 0.001.59).41.94–1. **p< 0. p< 0.14 0. M = 2. 349) = 0.R. 1. 1396) = 75.16 -0.14* 3.: Teor. 001.22–1.66) da homossexualidade.02 Tempo de Seminário -0.46.02 0.33). Ancoragem das Crenças sobre a Natureza da (M = 3. DP = 1.73. idade. DP = 1.10).001.00.20 vs. M = 2. A do tipo 2 (Seminários: católicos versus evangélicos) X Figura 2 apresenta a representação gráfica dessa interação. cos acreditam mais do que os católicos nas crenças religiosas F(1.14). t(349) = 4.39 -0.96 0.99 0. indica que a crença na natureza psicológica (M = 4. Em geral. 73-82 . p < 0.13 0.59 0.03. A análise dos contrastes (M = 3. de seminário e religiosidade). Jan-Mar 2011. DP = 0.74. No tocante às demais crenças.20 Idade -0. η2 = 0.001.72–27. 1 = feminino) são variáveis categóricas.81. ns.07.18 Nota. Os seminários (0 = católicos.56 0. controlados por quatro na natureza psicológica da homossexualidade (respecti- co-variáveis (sexo. Os resultados mostram t(349) = 0. submetemos de seminário e as crenças é significativo.53. os escores das crenças sobre a natureza da homossexua.77. ético-morais vs.001. O desenho da análise foi fatorial representações são praticadas em cada tipo de seminário. t(349) = 8. Parâmetros estimados nos modelos de regressões logísticas para a análise dos preditores do preconceito (sutil vs. DP = 0. DP = 1. t(349) = 1.73–1.98 0. 27 n. F(4. DP = 1.13 1.10. acreditam mais do que os evangélicos nas crenças biológicas 1396) = 4.55–0. DP = 1. = 1.. salientar que esses resultados mantiverem-se mesmo após As crenças religiosas são mais fortes do que as ético-morais controlarmos os efeitos das co-variáveis (sexo.04 -0. tempo (M = 3. *p< 0.13 1.04. 001.98 0. Os católicos Também é significativo o efeito principal das crenças. p < 0. (M = 4.36. 1 = evangélicos) e o sexo (0 = masculino. ns).23 Crenças (adicionadas) Religiosas 0.59. As cren. t(349) = 7.06 -0. OR = odds ratios.66) tendem a concordar mais com p< 0. η2 = 0. DP p< 0. p < 0.86–1.92–1. 349) = 4.53. flagrante) contra os homossexuais Modelo 1 Modelo 2 Preditores B OR IC(95%) B OR IC(95%) Sócio-demográficas Seminários 2.29 0.05. p < 0. DP = 1. A variável critério é o tipo de preconceito (0 = sutil. F(1.71.13 0.72. os evangéli- um efeito principal significativo do tipo de seminário. os itens da escala do que os católicos (M = 3. gélicos (M = 3.63–1. 349) = 10. O primeiro fator é inter.28 Biológicas -0.38 vs.23). 001.47 ΔR2 0. η2 = 0. F(4. Pereira & Cols. e Pesq.42.54*** 0. as representações sobre a natureza da homossexualidade F(1.40 Psicológicas -0.

maior a homogeneidade). estes resultados mostram tEtico-morais(160) = -8.e. entre evangélicos.08. representação é diferente da obtida nos seminários católicos.001. para verificar em que medida as diferenças o consenso na adesão às crenças biológicas e psicológicas entre os seminários indicam formas consensuais de repre. tBiológicas(160) = -5. p < 0.001) são apenas com forte descrença na natureza religiosa e ético-moral e moderadas.00) na natureza biológica e psicossocial da homossexua.e. tipo de crença sobre a natureza da homossexualidade5.001). No presente estudo.. versão 6. ver Raudenbush. evangélica) e ao nível dos seminários. Crenças que caracterizam as representações sobre a natureza da homossexualidade nos seminários católicos e evangélicos. Representações Sociais e Preconceito contra Homossexuais 7 6 5 Médias 4 3 2 1 Religiosas Ético-morais Psicológicas Biológicas Psicossociais Crenças sobre a Natureza da Homossexualidade Católicos Evangélicos Figura 2. tPsicossociais(160) = -2. t(160) = 3.00) na natureza religiosa. pelas variáveis do realizar esta análise.001. p < 0. ético-moral Bryk & Congdon.001).90. Brasília. p < 0. como era de se esperar. p < 0.34. Em seguida. dos participantes às crença sobre a homossexualidade (i. 27 n. Usando o Hierarchical Linear and Nonlinear predomina uma representação caracterizada pela crença (mé. Para 5 A correlação intra-classe é a proporção da variância de uma variável- -critério que é explicada ao nível contextual.02a. tPsicológicas(195) = 4. p < 0.14. e ético-morais situa-se mais ao nível das religiões. pp. dento de cada nível 2 (ver Raudenbush & Bryk. p < 0. Modeling Program (HLM.66. nas outras três crenças. bem como pela descrença (médias abaixo de dos DPs. p < 0. 2005) para a estimação das variâncias e psicológica. tEtico-morais(195) = 3. p < 0. psicossociais p < 0. tPsicossociais(195) = -18. crença).001) e ético-morais (r = 0.77. Os lidade: tReligiosas(195) = 8. p < 0. 2002). sugerindo que a explicação da homogeneidade descrença moderada na natureza biológica e psicossocial destas crenças não está tão situada ao nível das religiões como da homossexualidade: tReligiosas(160) = -11.29.e.. situa-se mais ao nível dos seminários.001. resultados mostraram correlações intra-classe muito fortes. p < 0. Jan-Mar.001. calculamos a correlação intra-classe para cada 4.00).09.88.. -14.001. rios (nível 2).76.001. analisamos homogeneidade das crenças ao nível das religi- ões (católica vs.18.001. e Pesq. os desvios-padrão (DPs) da adesão coeficiente indica em que medida a homogeneidade das crenças (i. a única crença com média maior do que do que dentro dos seminários de cada tipo de religião. nos quais analisamos a homogeneidade das crenças Quando analisamos as crenças comparando-as ao ponto dentro de cada seminário (nível 1) e entre os tipos de seminá- médio da escala (testes t contra 4. que o consenso na adesão às crenças religiosas. As o ponto médio da escala. Esta psicossociais (r = 0. entre católicos e evangélicos não podem ser explicadas pelas calculamos cinco modelos multi-níveis (um para cada tipo de diferenças sócio-demográficas dos seminaristas. Psic. primeiro calculamos. 73-82 79 . indicando. homossexualidade. enquanto Finalmente. p < 0.05. dias maiores do que 4. p < 0. que a homo- nos quais predomina a crença na natureza psicológica da geneização dessas crenças varia muito mais entre religiões. Vol. evangélica). tBiológicas(195) = principalmente para as crenças religiosas (r = 0.50. p < 0. 0. Todas correlações intra-classe relativas às crenças biológicas (r = as outras crenças estão abaixo do ponto médio da escala.001) e psicológicas (r = 0. sentações sociais sobre a natureza da homossexualidade. Em síntese. i.32. 1. 001. vs. p < 0.52. as nossas variáveis-critério) é explicável ao nível das religiões (católica quanto menor o DP..27. esse seminário estudado.: Teor.001.

não sentem emoções positivas. de dissociar o comportamento homoerótico do autor do ções que foram desenvolvidas no domínio científico.g. Lacerda et al. Freud. de que o não têm nada a seu favor. essa a hostilidade contra os homossexuais reside na estratégia visão da homossexualidade concorre com outras explica. esse grupo comportamento homossexual representa a fraqueza espi. Jan-Mar 2011. No caso dos evangélicos. as explicações para a midade e sentem mais emoções negativas e menos positivas. constatamos evangélicos desenvolvem crenças muitos diferentes sobre a uma forte rejeição a essas concepções. no qual a adesão às diferenças genuínas nas representações que cada grupo crenças psicossociais foi a mais elevada entre todas as de- elabora sobre a homossexualidade. mais. Pereira et al. Os resultados as diferenças entre católicos e evangélicos não podem ser obtidos diferem do estudo com estudantes universitários explicadas por suas características demográficas. Entre os católicos. a em saber de senso comum. a formação de um Consideramos que esses resultados podem ser compre. natureza da homossexualidade produzida no âmbito das Os preconceituosos sutis. alegam não ter nada contra os homossexuais. suficientemente forte para gerar um grupo de seminaristas sexualidade. A tentativa de esconder o preconceito e tradição (Greenberg & Bystryn. Esse dado é importante porque situaram-se abaixo do ponto médio da escala. psicológica exprimem a transformação dessas concepções 2000. que é menos moralista... o que explica a diferença na expressão do precon- gizante da homossexualidade.. De fato. a resolução determina que os tion (1975). flagrantes e aos sutis.g. relação entre o tipo de preconceito e as crenças sobre a na- Uma interpretação mais recente para a natureza da homossexualidade. desenvolvida a partir dos anos 1960 6 A Resolução Nº 001/99. 73-82 . pois. 1905/1962). De fato. mostramos que o tipo contra os homossexuais (Camino. (2002). negando. de preconceito é diferente em cada tipo de seminário e. En- Além disso. a base de atitudes menos et al. (2002). embora apresentem um grau rela- instituições religiosas e científicas foram absorvidas pela tivamente moderado de rejeição à proximidade e expressem sociedade e transformadas em teorias de senso comum. portanto a existência de promovam o tratamento para a homossexualidade. nas últimas décadas. 2003). mas por realizado por Lacerda et al. Como destacado por Lacerda et al. vinculou-se. uma vez que a média de adesão a elas de seminários estudados. a adesão às crenças psicossociais não foi sobretudo. 1982). mas não descumprindo o que se julga ser vontade de Deus e revela concordam com a prática de relações sexuais com pessoas o distanciamento do modelo de família definido nessa do mesmo sexo. esse grupo de tações sobre a natureza da homossexualidade. 2002. Brasília. embora ainda pouco que os grupos religiosos estudados expressam as suas atitu. em.. tretanto. Pereira & Cols. especial. No entanto. 1999)6. ceito? Analisamos esta questão com base na idéia de que a bora considere a homossexualidade como um distúrbio no diferença na forma como católicos e evangélicos exprimem desenvolvimento da sexualidade (e. diferentemente de outros estudos (ver Lacerda cultural e socialmente construída. indivíduos apresenta perfil semelhante àquelas pessoas que As explicações religiosas exprimem a crença. as ciências médicas difundiram a possibilidade A análise dos preditores do tipo de preconceito revelou de a homossexualidade ser uma doença fisiológica causada que os evangélicos exprimem o seu preconceito de forma por distúrbios genéticos ou biológicos (Bullough. concebe a homossexualidade não como uma psicólogos brasileiros não devem participar de eventos e serviços que doença psicológica. os seminaristas que formam o grupo de conceitos e relações elaborados no âmbito institucional dos preconceituosos flagrantes apresentam atitudes mais e transformados em saber de senso comum (Moscovici polarizadas. exemplo. mas não o suficiente para cons- o preconceito nem as crenças estão relacionados com as tituir uma crença caracterizadora das representações sobre variáveis sócio-demográficas que diferenciam os dois tipos a homossexualidade. verificamos que nem houve uma menor rejeição. mostramos que seminários católicos e não-preconceituosos. promulgada pelo Conselho Federal de Psi- cologia. Por considerar que a homossexualidade não é institucionalizada pela American Psychological Associa. No entanto.. 1983). Por comportamento. as poucas emoções negativas. homossexualidade. Neste sentido. fundamentando. No contexto religioso. Adicionalmente. associada à idéia da orientação sexual ser ais. doença. Vol. mostramos psicossocial da homossexualidade. não identificamos um grupo de indivíduos preconceituosas e o apoio às políticas anti-discriminatórias não-preconceituosos. mente por as representações resultarem da transformação No presente estudo. mas também volvida no âmbito da tradição judaico-cristã. Em seguida. talvez seja a crença nessa de preconceito generalizado em relação aos homossexu. Assim. 1.R. o preconceito deriva de representações sociais distintas Consideramos que as crenças na natureza biológica ou sobre a natureza da homossexualidade (Camino & Pereira. a psicanálise popularizou uma visão psicolo. 80 Psic. a um conjun- des em relação aos homossexuais em forma de preconceito to de movimentos sociais que lutam pela universalidade flagrante ou sutil. Por fim. Os resultados evidenciaram a presença dos direitos humanos. estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação no seio dos primeiros movimentos gays e posteriormente às orientações sexuais. 2002). desen. esta visão que levantamos na introdução.. e Pesq. sentem nada de mal em relação ao homossexual. Primeiramente. depende das crenças sobre a natureza da homos.: Teor. Con- Os resultados deste estudo respondem às três questões selho Federal de Psicologia. mais flagrante do que os católicos. 27 n. que são mais sutis. pode representar pessoas que utilizam o discurso de que não ritual do indivíduo para resistir às tentações demoníacas. nem distúrbio e nem perversão. expressam maior rejeição a relações de proxi- & Hewstone. 1998). Discussão causas psicológicas específicas da homossexualidade e situando-a no quadro das orientações sexuais (e. pp. C. 1974). quais denominamos princípios organizadores das represen. subseqüentemente. grupo de não-preconceituosos opostos aos preconceituosos endidos à luz da teoria das representações sociais. difundida. possibilidade.

& O’Brien. Social Forces. uma vez que este estudo não foi realizado Psychologists’ attitudes toward gay and lesbian parenting. (1993). brasileiros. (1999).. Gaertner (Eds. (2005). as atitudes preconceituosas estão ancoradas nas repre.). R. (1975).). K.). 1984-1995. Bullough. L. é importante que estudos Freud. R. The aversive form of Apesar destas limitações. Conselho Federal de Psicologia. Dovidio & S. das relações propostas está teoricamente consistente com a discrimination. Representações Sociais e Preconceito contra Homossexuais tureza da homossexualidade mostra que elas fundamentam Referências o preconceito contra os homossexuais. racism and attribution of natural adotado. tuosos contra grupos minoritários (Lacerda et al. Three essays on the theory of sexuality experimentais sejam realizados para analisar se o grupo. M. Hempel análise que parte das representações sociais para o pre. pode ser o fator preponderante na 65 (6). Marinho. 27-39. Gaertner. Vala. Em J. L. & Lorenzi-Cioldi. C. (2004). 515-548. L. Assessing the um tipo específico de representações sociais (i. sobretudo. sociais sobre a natureza da homossexualidade praticada em Thousand Oaks: Sage. Eshleman.: Teor. M. Journal of Personality and Social Psychology.. No entanto. os resultados que encontramos não devem ser Psychology. e evangélicos em atuação no Brasil. M. S. à descrença nos funda. Brasília. T. R.. Em outras palavras. pp. uma psicológicas na discriminação ao homossexualismo. pp. 30(1). Por struggle for internalization.. (1974). The individualization of preconceito podem mostrar de forma mais precisa. L.. conceito. Zamboni.. M. Neste sentido. Ao conduzirmos as análises. A. o estudo que realizamos mostrou que Haddock. C. Novas investigações contra portadores do HIV. mentos moralistas e na crença numa natureza psicossocial da Camino. crenças no preconceito contra os homossexuais. podemos afirmar empiricamente que o processo ocorre (2006).. 1. (1905/1962). a direção das sexual relations. a limi. 1969/1976). 1(1). Brasília: A ênfase deve ser dada. (1986). complete psychological works of Sigmund Freud (Vol. o efeito das crenças altera a construção dos direitos humanos: Análise das teorias e práticas forma como os seminaristas expressam o preconceito. B. J. Em J. C. Brasília: Conselho Federal de Psicologia. da homossexualidade que são desenvolvidas nos seminários. P. 2002). comportamentos dos atores sociais (Moscovici. M.. & McEneaney. as crenças structure of prejudicial attitudes: The case of attitudes toward sobre a natureza da homossexualidade). A. Psicología Política. V. Psic. ções da homossexualidade e observem o seu impacto no Frank. A. (1998). M. 73-82 81 . relações propostas. 30(6). qualquer estratégia de intervenção que tenha Journal of Homosexuality.. homosexuality. The sentações. nomeadamente Haslam. (2006). Prejudice. & Dovidio. translation. E. Em Comissão seminaristas deverá incidir no tipo de crença sobre a natureza de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (Ed.. determinação das tensões entre os grupos. Revista de Psicologia da UnC.. R. Dada a natureza correlacional do estudo. Personality and Social evangélicos contra os homossexuais. N. e sem society and the liberalization of states policies on same-sex margem para interpretações alternativas.. Conselho Federal de Psicologia. A. L. Zanna. Deschamps. J. ética e direitos humanos (pp. N. O papel da psicologia na homossexualidade. M. Greenberg.. Intergroup relations. 88.. McLeod.. que tornem experimentalmente salientes as representa. J.. D. F. vistos como tendências gerais ocorridas nos seminários Crawford. The com uma amostra representativa dos seminários católicos American Psychological Association. S. London: Hogarth. No entanto. 42(2). F. Doise. 27 n.. vez que o suporte a atitudes preconceituosas é generalizado 13(13). 82(3).. (1993).. as variações no preconceito dependem das representações Aldenderfer. & Haslam. I. and stereotype endorsement. Leite. Psicologia. B. 620-651. V. homossexuais masculinos vs. S. C.. (2000). Em conclusão. J. V. Psychology Bulletin. das relações intergrupais.. Neste sentido. mentos. Hempstead: Harvester Wheatsheaf. 49-69. (2002). Essentialist beliefs o tipo de preconceito praticado por seminaristas católicos e about personality and their implications. 1661-1673. como objetivo a prevenção ou a redução do preconceito nos Camino. hipótese de que as representações sobre a natureza da Crandall. S. & Esses. 228-235. 99-110. Resolução número 1/1999: Embora a investigação efetuada apresente evidência Normas de atuação para os psicólogos em relação à questão empírica suficientemente forte para a sustentação da da orientação sexual. San Diego: Academic idéia de que as representações estão na base das atitudes e dos Press. V.. (1984). os resultados deste estudo sustentam empi.G. Social homossexualidade estão na base do preconceito. Minutes of the council Em síntese. Concordia . Além disso. W. e Pesq. D. Psychological essentialism sociais constroem sobre a natureza dos outros grupos cons.. Psychology. of representatives. L. Christian intolerance of pois modelam o contexto e justificam as atitudes e comporta. 61-89).SC. 911-944. pressupomos que and cultural traits. American Psychological Association. Cluster Analysis. não Faria. de.. nos seminários. The standard edition of the -alvo do preconceito (i. ricamente a idéia de que as representações que os grupos Bastian. (1999). Influência dos ideais democráticos na discriminação nesse sentido ou no seu inverso. Jan-Mar. 4. R. o estudo norms and the expression and suppression of prejudice: The realizado apresenta algumas limitações importantes. T. B. (1982). cada seminário. 1105-1118. 1. F. M. Perfil. C. 30(12). consideramos que a direção racism. 394-401. H. 7. D.e.. Journal of Personality and Social exemplo. analisada no contexto homosexuals. American Psychologist. and racism (pp.. M. tação mais importante refere-se ao método correlacional R. (1999). & Bittar. 39-63). Journal of Experimental Social tituem os fundamentos para os posicionamentos preconcei. & Jordan. 77(3).e. American Journal of Sociology. Clémence. Bastian. & Blashfield. propusemos um modelo de quantitative analysis of social representations. Direitos humanos e psicologia. & Cabecinhas. Lopes.1-11.. G. Torres. Vol. Homosexuality and the medical model.. & Pereira. femininos) funciona como um moderador do efeito das 136-244). & Bissett. F. 359-378. Strachey (Ed. B. & Bystryn.

Aceito em 22.. American Psychologist. F. T. J. Creencia en el declined in America? It depends on who is asking and what is Mundo Justo y Prejuicio: homosexuales portadores de VIH/ asked. Newbury Park: Sage. N. A. E. Essentialist beliefs about Moscovici. function. Psicologia: Reflexão e Crítica.2009 and social explanations: From the “naive” to the “amateur” Primeira decisão editorial em 13.. Lincolnwood: das representações sociais.. U. & Levy. Paladino. J. D. Pereira (Eds. S. “It’s not a choice. R. & Leyens. 31(3). J.. J. (2003). (1989). Brown. Pettigrew.. 116-124. Lacerda. 85(2). Social representations Recebido em 09. Is subtle prejudice really perceptions of White and Black people. Jan-Mar 2011. M. Similarity and analogical Portugal. reality: Do we view social categories as natural kinds? Em G. M. Lopes. C. Um estudo sobre Raudenbush. & Pérez. T. & Zick. Psychological essentialism. & Faria. Thousand Oaks: Sage. J. European Review of Social Psychology... G.. (2002). E. (1988).. S. F. 1-14. 57-66. 58. 53(1). (2006). 570-579. H. Jayaratne. 42(3). 165-178.10. (1992). (2002). (2003).. Category labels and social Leyens. 98-125). F. O. Are essentialist discriminação: perspectivas teóricas e metodológicas (pp. 27 n.. Pereira. son image et son public.). Public policy and private prejudice: Ward. J. 87. it’s the way we’re built:” to discrimination: The mediation of symbolic threat needs Symbolic beliefs about sexual orientation in the United States egalitarian norms. 57-75. C. (1981). T. T. The Semin & K. The origins of symbolic racism.2009 n 82 Psic. McConahay.10. R. (2001).. A.). (2000). (1997). R.. L. R. 15(1).. Jackson. J. and gay men and 241-273. G.. & Gaunt. Anclaje de relationship to antigay attitudes and biological determinist representaciones sociales sobre minorías étnicas.: Teor. S. T. & Pfeffer. Em Vala. Psicología Social.. Lima & M. P. (1969/1976). Attribution theory: Social Versão final em 19. Rodriguez-Torres. A. F. P. Pérez. B. Lima. J. 121-135. New York: Cambridge Academic Vala.. D. Moscovici. Has racism Torres. European Journal of Social value conflict: Correlational and priming studies of dual Psychology. & Chulvi. relationship with prejudice toward blacks. Journal of Personality and Social Raudenbush.. 336–344. (2006). Lemaine. Wagner. J.. Language. Personality and Social Psychology Bulletin. Bryk. & Henry. P. Moscovici. & Pratto. E. van den Berg. T. beliefs associated with prejudice? British Journal of Social 209-234). M. M. W. C. F. In defense of the Katz. 259-275.. Hardee. Vol. Brasília. (1998). Pereira & Cols.. 54-71. Paris: PUF. Social representations and the philosophy of prejudice in Western Europe. 183-196). Revista de arguments. on Social Representations. Psychology Review. Group Processes & Intergroup Relations. interaction and social emotional side of prejudice: The attribution of secondary cognition (pp. Ybarra.. A. 41(1). J. Rothschild. 39(1).. J. Feldbaum... 9(1). 933-940. & Ernst. 299-309. R. Prejudice and social homosexuality: Structure and implications for prejudice. F. N. S. R. Ortony (Eds. Demoulin. (1989). (2006). (1983).. A.. R. B. & Pereira. G.. (1997).. Journal of Counseling Psychology of Men & Masculinity. preconceito e Haslam. Melton. A. (2000). A. differences and heteroethnicization in Portugal: The Meertens. J. (1992). 41(1).. A. & Meertens.. pp. La psychanalyse.. Pereira. (2002). Rodriguez-Perez. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais. M... Pettigrew. (2002). R. Sexual orientation beliefs: Their cultura como principio de clasificación social. W. Cultural Press. Outgroup prejudice in theories of race differences and sexual orientation: Their Western Europe.. C. R. & Taylor. 61(1). R.. 111-128.R.10. Papers Psychology.. em estudantes de teologia católicos e evangélicos. Journal of Community and Applied Social 45.. Vosniadou & A. R. Medin. Estereótipos. V. White Americans’ genetic lay R. S. M. cognitive structures. & Camino. 17(1). Haslam. B. Fiedler (Eds. O. (2009). Moscovici. 32(4). Scientific Software International. Journal of Conflict Resolution. 186-197. of Social Science. P. Papers on Social Representations. B. 55(6).-P. T. J. Journal of Personality and Social Psychology. & Ortony. (2002). e Pesq. 893-905. Meertens. Interamerican Journal of Psychology.. 1.. L. N. I.2009 and functional extensions (pp. R. R. Essentialist beliefs contra prostitutas e representações sociais da prostituição about social categories.).06. 44(6).. Pettigrew. J. & Hass. G. & Congdon. Moradi. 236-244. representations.. L. & Batts. Brito. & Brito. 11-36). & Epting.02a: as formas de preconceito contra homossexuais na perspectiva hierarchical linear and nonlinear modeling. B. Public Opinion Quarterly. W. Natura y Hegarty.. Expressões dos racismos em S. HLM 6.. Psychology.. 25(4). (1963). & Bryk. 27-36. 8. (2001). & Pettigrew. M. Rothbart. Applications and data analysis methods. (2005). and in Britain. de (2008). Brika. Intrapersonal and interpersonal manifestations of antilesbian and gay prejudice: An application of personal construct theory. S. & Lopes. SID.2009 scientist. D. J. Journal of American Statistical Association. R. Subtle and blatant Jost.). (1995).. S. M. 51-67. Racial ambivalence and American subtle prejudice concept: A retort. British Journal of Social Psychology. Rothschild. A.. S.. B.. lesbians. Torres. J-P. Pereira. Salvador: EDUFBA. D. Hierarchical linear models: Psychology.. Preconceito Haslam. 77-94.. Portuguese Journal prejudice. R. Hierarchical grouping to optimize an objective Psychology and law on gay rights. 1(2-3). D.. Personality and Social Sears. 563-579. & Ernst. emotions to ingroups and outgroups. Hewstone (Ed. 6(1). 73-82 . & Hewstone. Sheldon. Oxford: Blackwell. 25(1). A. W. E. 471-485. 12(1). Vaes. Psychology. J. & Meertens. A. (2002). reasoning (pp.. N. B. V. Journal of Experimental Social Psychology. 1(2). Journal of Homosexuality. 113-127. R. Em M. P. From infra-humanization Hegarty. Em M. C. S.. 4(2). D. European Journal of Social science: Belief in ontological realism as objectification. Vala. (1999).