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Brasília, 18 a 22 de agosto de 2008 Nº 516

Data (páginas internas): 27 de agosto de 2008
Este Informativo, elaborado a partir de notas tomadas nas sessões de julgamento
das Turmas e do Plenário, contém resumos não-oficiais de decisões proferidas pelo
Tribunal. A fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo das decisões, embora seja
uma das metas perseguidas neste trabalho, somente poderá ser aferida após a sua
publicação no Diário da Justiça.
SUMÁRIO
Plenário
ADC e Vedação ao Nepotismo - 3
Ação Trabalhista: Contratação de Servidores Temporários e Competência - 2
Parcelamento de Multas de Trânsito e Vício Formal
Repercussão Geral
Repercussão Geral: Benefício de Prestação Continuada e Requisitos para a Concessão
Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes - 1
Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes - 2
Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes - 3
Repercussão Geral: Contratação Temporária e Competência da Justiça Comum - 1
Repercussão Geral: Contratação Temporária e Competência da Justiça Comum - 2
1ª Turma
HC: Impetração em favor de Pessoa Jurídica e Não Conhecimento - 1
HC: Impetração em favor de Pessoa Jurídica e Não Conhecimento - 2
Trancamento de Ação Penal e Inépcia da Inicial - 3
Dosimetria: Tráfico de Drogas e Natureza do Entorpecente
Comutação de Pena a Beneficiado com Livramento Condicional
2ª Turma
Descaminho e Princípio da Insignificância
Repercussão Geral
Clipping do DJ
Transcrições
Crime Organizado - Vedação Legal de Liberdade Provisória - Inconstitucionalidade -
Convenção de Palermo - Prisão Cautelar - Requisitos (HC 94404 MC/ SP)
Inovações Legislativas

PLENÁRIO
ADC e Vedação ao Nepotismo - 3
O Tribunal julgou procedente pedido formulado em ação declaratória de constitucionalidade
proposta pela Associação dos Magistrados do Brasil - AMB para declarar a constitucionalidade da
Resolução 7/2005, do Conselho Nacional de Justiça – CNJ — que veda o exercício de cargos, empregos e
funções por parentes, cônjuges e companheiros de magistrados e de servidores investidos em cargos de
direção e assessoramento, no âmbito do Poder Judiciário —, e emprestar interpretação conforme a
Constituição a fim de deduzir a função de chefia do substantivo “direção”, constante dos incisos II, III, IV
e V do art. 2º da aludida norma — v. Informativo 416. Inicialmente, o Tribunal acolheu questão de ordem
suscitada pelo Min. Marco Aurélio no sentido de fazer constar a rejeição da preliminar de inadequação da
ação declaratória, por ele sustentada, no julgamento da cautelar — ao fundamento de que não se trataria
de questionamento de um ato normativo abstrato do CNJ — e em relação à qual restara vencido. No
mérito, entendeu-se que a Resolução 7/2005 está em sintonia com os princípios constantes do art. 37, em
especial os da impessoalidade, da eficiência, da igualdade e da moralidade, que são dotados de eficácia
imediata, não havendo que se falar em ofensa à liberdade de nomeação e exoneração dos cargos em

Vencidos. 328. Cármen Lúcia. rel. Inicialmente. visto que as restrições por ela impostas são as mesmas previstas na CF. ADI 3444/RS (DJU de 3. na qual referendada cautelar que suspendeu liminarmente toda e qualquer interpretação dada ao inciso I do art. vedam a prática do nepotismo. ADI 2432/RN (DJU de 26.CTB. (Rcl-4489) Parcelamento de Multas de Trânsito e Vício Formal Por entender usurpada a competência privativa da União para legislar sobre trânsito (CF.2008.738/2004. limitando-se a exercer as competências que lhe foram constitucionalmente reservadas. a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico- administrativo.comissão e funções de confiança. V. para.2008). e. ADI 2814/SC (DJU de 5. ADI 2644/PR (DJU de 29. Marco Aurélio. ADI 2432 MC/RN (DJU de 21. e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria. reputá-la desnecessária.2003). (ADC-12) Ação Trabalhista: Contratação de Servidores Temporários e Competência . e se pretende a aplicação da Consolidação das Leis do Trabalho . ainda. para aplicação dos parágrafos do art. ADI 3196/ES. em que se discute a validade de contratações celebradas sem prévia aprovação em concurso público — v. art. Carlos Britto. Min.99). em face do disposto no art. que cria a possibilidade de parcelamento.2008. 20. ADC 12/DF. de débitos decorrentes de multas por infrações ao Código de Trânsito Brasileiro .8. rel.6. XI). ADI 2582/RS (DJU de 6. e se reportava ao voto por ele proferido no julgamento do RE 573202/AM.11. parágrafo único. (ADI-3196) REPERCUSSÃO GERAL Repercussão Geral: Benefício de Prestação Continuada e Requisitos para Concessão Na linha do que decidido no AI 715423 QO/RS (j. por ofensa ao art.11. 21.6. nem o princípio federativo. Cezar Peluso. Rcl 4489 AgR/PA. da CF. acolheu questão de ordem suscitada pelo Min. § 1 o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhá-los ao Supremo Tribunal Federal.8. Gilmar Mendes.8. 543-B.2 Em conclusão.4. em até 5 vezes. observado o disposto neste artigo. para deslocar para a Justiça Comum ações em trâmite na Justiça do Trabalho. porquanto o CNJ não usurpou o campo de atuação do Poder Legislativo. não estar a resolução examinada a violar nem o princípio da separação dos Poderes. ADI 2101/MS (DJU de 5. por maioria. 203. em recurso extraordinário. extraídas dos citados princípios. Marco Aurélio que julgava improcedente o pleito.2001). Precedentes citados: ADI 2064 MC/MS (DJU de 5. por maioria. do qual relator. em que se alega a nulidade delas.2008. nas quais se sustenta a validade das mesmas. e a conseqüente submissão dos casos a direitos típicos de uma relação trabalhista.2006).2003).8.2006). Min.CLT. com fundamento no art. no ponto relativo à interpretação conforme.2. que inclua. rel.8. a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem. os Ministros Menezes Direito e Marco Aurélio. ao Tribunal de origem. 21. julgou procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Governador do Estado do Espírito Santo para declarar a inconstitucionalidade da Lei estadual 7.PA. Vencido o Min.2008). esclareceu-se tratar-se de ações classificadas em dois grupos: 1) as relativas a contratações temporárias realizadas antes da CF/88. para os fins do art. deu provimento a agravo regimental e julgou procedente reclamação ajuizada pelo Município de São Miguel do Guamá . a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Min. Vencidos os Ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski que salientaram a necessidade de se adotar ótica que fortalecesse a Federação e levaram em conta o argumento de que a verbas provenientes do parcelamento ingressaram nos próprios cofres estaduais para julgar improcedente o pleito. a seguir relatado. o Tribunal. 11. 2) as concernentes a contratações temporárias feitas depois da CF/88.8. 543-B do CPC (“Art. na competência da Justiça do Trabalho. também.2003).10. CF — cuja repercussão geral já foi reconhecida (RE 567985/MT. Informativo 471. ”) determinar a devolução dos autos. e. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. tendo em conta que o recurso extraordinário trata de tema — requisitos para a concessão de benefício de prestação continuada a necessitado. rel. o Tribunal. orig. do RISTF (“Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Entendeu-se caracterizada a afronta à decisão proferida pelo Supremo na ADI 3395 MC/DF (DJU de 10. as quais. a apreciação de causas que sejam instauradas entre o Poder Público e seus servidores.12. 543-B do Código de Processo Civil. 37.2005).2001). sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da . o Tribunal. 114 da CF.2003). DJE de 11. ao que decidido pelo Plenário no julgamento do CC 7134/RS (DJU de 15. por maioria. II. na redação dada pela EC 45/2004. p/ o acórdão Min. Afirmou-se. 22.9.

implicaria mitigar os efeitos dos postulados da supremacia. que. inicialmente. ou parente. respectivamente. além dos princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade. em maior detalhe. unidade e harmonização da Carta Magna. fixou balizas de natureza cogente para coibir quaisquer práticas. ao Judiciário exercer o controle dos atos que transgridam os valores fundantes do texto constitucional.1 O Tribunal deu parcial provimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte que reputara constitucional e legal a nomeação de parentes de vereador e Vice-Prefeito do Município de Água Nova. que. tendo em conta a expressiva densidade axiológica e a elevada carga normativa que encerram os princípios contidos no caput do art. dos Estados. Min. embora a Resolução 7/2007 do CNJ seja restrita ao âmbito do Judiciário. que as restrições impostas à atuação do administrador público pelo princípio da moralidade e demais postulados do art. considerando hígida. haja vista que os princípios constitucionais. Ricardo Lewandowski.”). companheiro. Cezar Peluso. nos termos do Regimento Interno. Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais. de alguma forma. Ressaltou-se. e fazendo distinção entre cargo estritamente administrativo e cargo político. cassar ou reformar. colateral ou por afinidade. Acrescentou-se que o legislador constituinte originário. inclusive. chefia ou assessoramento. ademais.3 O Tribunal aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante 13 nestes termos: “A nomeação de cônjuge. de Secretário Municipal de Saúde e de motorista. § 5 o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros. ainda. Assim. 37. RE 579951/RN. em linha reta. (RE-579951) Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes . até o 3º grau. permitindo. para o exercício de cargo em comissão ou de confiança. aspectos dessa restrição que são próprios a atuação dos órgãos jurisdicionais. da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica. pois decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37. da CF. na análise da repercussão geral. concluiu-se que a proibição do nepotismo independe de norma secundária que obste formalmente essa conduta. como a nomeação de parentes para cargos em comissão ou de confiança. especialmente a partir do advento da EC 1/98. RE 540410 QO/RS. RE 579951/RN. que admitir que apenas ao Legislativo ou ao Executivo fosse dado exaurir. rel. Ricardo Lewandowski. Marco Aurélio que rejeitava a questão de ordem por não aplicar o art. daquela unidade federativa. Min. 37 da CF são auto-aplicáveis. 20. e o derivado. 20.2008. consubstanciam regras jurídicas de caráter prescritivo. caput. por parte dos administradores públicos. investido em cargo de direção. independentemente da esfera de poder ou do nível político-administrativo da Federação em que atue. § 2o Negada a existência de repercussão geral.2008. a nomeação do Secretário Municipal de Saúde. Vencido o Min. Min. Frisou-se. se necessário. 20. que não configuram meras recomendações de caráter moral ou ético. Asseverou-se. poderá o Supremo Tribunal Federal. 543-B a recursos interpostos antes da regulamentação do instituto da repercussão geral. rel. declarou-se nulo o ato de nomeação do motorista. mediante ato formal. entretanto. o da moralidade e o da impessoalidade exigem que o agente público paute sua conduta por padrões éticos que têm por fim último alcançar a consecução do bem comum. de função gratificada na Administração Pública direta e indireta. portanto. em conseqüência. buscassem finalidade diversa do interesse público. dentre eles. Ressaltou-se que o fato de haver diversos atos normativos no plano federal que vedam o nepotismo não significaria que somente leis em sentido formal ou outros diplomas regulamentares fossem aptos para coibir essa prática. os recursos sobrestados considerar-se-ão automaticamente não admitidos. para o exercício dos cargos. pode ser cobrada por via judicial. ou.Corte. em qualquer dos Poderes da União. liminarmente. segundo uma interpretação equivocada dos incisos II e V do art. sendo sempre dotados de eficácia. . da CF/88 estabelece que a Administração Pública é regida por princípios destinados a resguardar o interesse público na tutela dos bens da coletividade. subvertendo-se a hierarquia entre esta e a ordem jurídica em geral. rel. § 4 o Mantida a decisão e admitido o recurso. por trazerem em si carga de normatividade apta a produzir efeitos jurídicos. Considerou-se que a referida nomeação de parentes ofende. 37 da CF. das Turmas e de outros órgãos. (RE-540410) Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes . 37 da CF. sendo que.8. caput. que poderão declará-los prejudicados ou retratar-se. o acórdão contrário à orientação firmada.2008. a vedação do nepotismo se estende aos demais Poderes. (RE-579951) Repercussão Geral: Vedação ao Nepotismo e Aplicação aos Três Poderes .8. haja vista a inapetência daqueles para o trabalho e seu completo despreparo para o exercício das funções que alegadamente exercem. todo o conteúdo dos princípios constitucionais em questão.2 Aduziu-se que art. os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais. hierarquicamente superiores às demais e positivamente vinculantes. tendo aquela norma apenas disciplinado.8. Com base nessas razões. cuja materialização. o princípio da eficiência. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário.

num vínculo trabalhista.2008 ). em votação majoritária. a recorrida ajuizou reclamação trabalhista. quer considerada a qualificação como impetrante. para tanto. mas que. na espécie.2000). (RE-573202) PRIMEIRA TURMA HC: Impetração em favor de Pessoa Jurídica e Não Conhecimento . não haveria como. na competência da Justiça do Trabalho. deliberou quanto à exclusão da pessoa jurídica do presente writ. Por fim. ao argumento de que os pacientes teriam sido responsabilizados duplamente pelos mesmos fatos. ademais. Aplicou-se a orientação fixada pelo Supremo em vários precedentes no sentido de que compete à Justiça Comum estadual processar e julgar causas instauradas entre a Administração Pública e seus servidores submetidos ao regime especial disciplinado por lei local editada antes da CF/88 com fundamento no art. de natureza tipicamente administrativa. com todas as conseqüências que isso acarreta.2008). na qual pleiteia o reconhecimento de vínculo trabalhista e as verbas dele decorrentes. de temporário para indeterminado.”. Min. de habeas corpus em que os impetrantes-pacientes. ainda. esse vínculo teria se transmudado automaticamente num vínculo celetista.1 A pessoa jurídica não pode figurar como paciente de habeas corpus. RE 102358/MG (DJU de 28. 21. em 15. a inexistência de prova da ação reputada delituosa e a falta de individualização das condutas atribuídas aos diretores.TST que entendera ser competente a Justiça do Trabalho para julgar pretensão deduzida pela recorrida. nessas circunstâncias. . da Lei 9. Aduziu-se que a prorrogação do contrato. reputava ser da Justiça do Trabalho a competência para dirimir o conflito de interesses. rel. que suspendera os efeitos da EC 19/98 para retornar ao regime jurídico único.do Distrito Federal e dos Municípios. A edição do verbete ocorreu após o julgamento do recurso extraordinário acima relatado. 54.2006).2008). Com base nesse entendimento. Sustentavam.605/98.674/84. ADC 12 MC/DF (DJU de 1º. no caso. em desfavor da empresa e dos sócios que a compõem. pessoas físicas e empresa. Repercussão Geral: Contratação Temporária e Competência da Justiça Comum . por falta de justa causa. Asseverou-se que esse entendimento foi reafirmado em inúmeros precedentes.9. objeto que essa medida visa proteger. quer como paciente. (RE-573202) Repercussão Geral: Contratação Temporária e Competência da Justiça Comum . na qual referendada cautelar que suspendeu liminarmente toda e qualquer interpretação conferida ao inciso I do art. viola a Constituição Federal. o trancamento de ação penal instaurada.8. deu provimento a recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal Superior do Trabalho . em que se opera a mudança do prazo de vigência deste. evocando.89). 106 da CF/67. no sistema jurídico-administrativo brasileiro constitucionalmente posto. asseverou-se que a prorrogação indevida no contrato de trabalho de servidor temporário não transmuda esse vínculo original. Marco Aurélio que afirmava que a competência seria definida pela causa de pedir e pelo pedido. a ocorrência de bis in idem.3. pois jamais estará em jogo a sua liberdade de ir e vir.674/84).1 O Tribunal.3. V.3. pelo Estado do Amazonas. Na espécie. também. o que afirmado no julgamento da Rcl 5381/AM (DJE 8. a recorrida ajuizara uma reclamação trabalhista. RE 136179/DF (DJU de 2.3.2008). depois da decisão proferida na ADI 2135 MC/DF (DJE de 7. a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico-administrativo. já sob a égide da vigente Carta Magna. Enfatizou- se. preliminarmente.95). RE 573202/AM. compreendido o ajuste mediante designações recíprocas.2006).9. RE 579951/RN (j. RE 215819/RS (DJU de 28. na redação que lhe conferiu a EC 1/69. que várias decisões vêm sendo prolatadas no sentido de que o processamento de litígio entre servidores temporários e a Administração Pública perante a Justiça do Trabalho afronta a decisão do Pleno na ADI 3395 MC/DF (DJU de 10. § 2º. seja ela expressa ou tácita. 21. RE 367638/AM (DJU de 28. RE 573202/AM. no sentido de que.96). uma vez que já integralmente cumprido termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Estadual.11. MS 23780/MA (DJU de 3.3. a Turma. Min. CJ 6829/SP (j.8. e.2003). em 20.8. a apreciação de causas que sejam instauradas entre o Poder Público e seus servidores. Ricardo Lewandowski.2006).99). por suposta infração do art. admitida como professora. por maioria.8.2008. Precedentes citados: ADI 1521/RS (DJU de 17. Rcl 4903 AgR/SE (DJE de 8. pleiteavam. comportar esse tipo de contratação pelo regime da CLT. Vencido o Min. ao fundamento de que teria sido contratada pelo regime especial da Lei 1. pode até ensejar nulidade ou caracterizar ato de improbidade.2008. tendo em conta que. que inclua. 114 da CF. Outros precedentes citados: RE 130540/DF (DJU de 18. Alegavam. a partir do princípio da realidade.2 Mencionou-se. a existência do vínculo empregatício. Ricardo Lewandowski. rel.8.84).5.8. na redação dada pela EC 45/2004. Tratava-se. sob o regime de contratação temporária prevista em lei local (Lei 1. em decorrência das prorrogações sucessivas desse contrato.8. mas não alterar a natureza jurídica do vínculo.

12) e tivera sua pena redimensionada para 4 anos. aplicou-se jurisprudência do STF no sentido de que. decisão ou condenação imposta na ação penal. ante o caráter transfronteiriço do rio em que supostamente lançados resíduos poluentes. em tese. rel. quer sob o ângulo da interdição da atividade desenvolvida. Entendeu-se que. HC 92921/BA. como a quantidade e a qualidade. Min. A impetração sustentava que a natureza do entorpecente não poderia ser invocada para a majoração da pena. as espécies de substâncias entorpecentes constituem elementares do tipo. cogitar de sua liberdade de ir e vir. Mantivera. cuidando-se de delitos ambientais. No caso. indeferiu habeas corpus em que requerida a exclusão de circunstância judicial reputada inidônea para elevar a pena-base acima do mínimo legal. Min. de modo que o habeas corpus. são circunstâncias judiciais que podem justificar a exasperação da pena-base para além do mínimo legal e que. Relativamente à alegada dupla persecução pelos mesmos fatos. dado o seu alto grau de dependência física e psíquica. art. Ricardo Lewandowski. Por fim. deveria ser diferenciada da apreensão da mesma quantidade de outras substâncias capazes de configurar o crime. ao individualizar a pena a ser aplicada. alegando ausência de elementos concretos aptos a legitimá-la. refletiria diretamente na liberdade destas últimas —. que. Por fim. por maioria. o aumento decorrente da natureza da substância apreendida. rejeitou-se afirmação do Tribunal de origem de que o parquet estadual seria absolutamente incompetente para propor a ação penal ou para convalidar eventual medida despenalizadora. cocaína. Quanto à denúncia. registrou-se que. porquanto não configurada situação excepcional autorizadora. a majoração não se amparara somente na circunstância de a cocaína deter maior potencial lesivo. Asseverou-se que a preservação do meio ambiente está inserida no âmbito da competência comum. não há inépcia da inicial acusatória pela ausência de indicação individualizada da conduta de cada indiciado. Ricardo Lewandowski.3 Em seguida. considerou-se não ser possível decretar o trancamento da ação penal. art.2008. a qual enseja o envolvimento de pessoa natural. Vencido o Min. e outra. quando combinadas. consoante fora afirmado pelo STJ.2008. Inicialmente. na espécie. HC 92921/BA. afetando os princípios da legalidade e da segurança jurídica. afirmou-se que a quantidade e a espécie de entorpecente traficado. sobretudo se levado em conta que a reprimenda cominada ao delito varia de 3 a 15 anos de reclusão. (HC-92921) HC: Impetração em favor de Pessoa Jurídica e Não Conhecimento . HC 92921/BA. Salientando a doutrina desta Corte quanto ao habeas corpus.2008. no que tange à falta de individualização das condutas dos dirigentes. Min. Vencido. Ricardo Lewandowski que concedia a ordem para reduzir a pena-base ao patamar mínimo por considerar que a majoração da pena com fundamento na natureza da substância entorpecente ampliaria demais a discricionariedade do juiz. o paciente fora condenado à pena de 5 anos e 4 meses de reclusão por tráfico ilícito de entorpecente (Lei 6. rel. dado o seu caráter eminentemente liberatório. que discute a viabilidade do prosseguimento da ação. o termo de ajustamento de conduta não pode consubstanciar salvo-conduto para que empresa potencialmente poluente deixe de ser fiscalizada e responsabilizada na hipótese de reiteração da atividade ilícita. enfatizando-se a apreensão de 14 g de cocaína. e que cabe ao juiz conjugá-las a outros fatores. quer sob o da multa ou da perda de bens. (HC-94655) . 19.8.8.605/98. no ponto. 3º. mas não quanto ao cerceio da liberdade de locomoção. conjuntamente. aduziu-se que. em crimes societários. que excluíra a circunstância de o réu utilizar-se de sua residência para comercializar drogas. em razão de sua maior nocividade à saúde pública.2008. parágrafo único) — em que pessoas jurídicas e naturais farão. Ricardo Lewandowski. 41 do CPP. sendo suficiente que os acusados sejam de algum modo responsáveis pela condução da sociedade sob a qual foram praticados os delitos. rel. embora sucinta. aduziu-se que não haveria que se falar em desproporcionalidade no aumento da pena-base em 1 ano de reclusão. pelo STJ. Ademais. rel. houve a indicação de fatos concretos para que fosse efetuado o acréscimo da pena do paciente. 19.2 Enfatizou-se possibilidade de apenação da pessoa jurídica relativamente a crimes contra o meio ambiente.368/76. 19. HC 94655/MS. mediante recurso. salientou-se que. contudo. No mérito. (HC-92921) Trancamento de Ação Penal e Inépcia da Inicial . parte do pólo passivo da ação penal. Min. embora tipificadas por fontes heterônomas que complementam a norma penal em branco. Cármen Lúcia. indeferiu-se a ordem. em idêntico regime prisional. pela via do habeas corpus. não impede o exercício da ampla defesa e está em conformidade com o disposto no art. Ricardo Lewandowski. 19. relator.8. conhecia do writ também em relação à pessoa jurídica. o Min.8. entendeu-se que uma coisa seria o interesse jurídico da empresa em atacar. (HC-92921) Dosimetria: Tráfico de Drogas e Natureza do Entorpecente A Turma. na hipótese. tendo em conta a dupla imputação como sistema legalmente imposto (Lei 9. situação que. Nesse sentido.

Entendeu-se não ser admissível que uma conduta fosse irrelevante no âmbito administrativo e não o fosse para o Direito Penal. não há impedimento decorrente do mencionado decreto. HC 94654/RS. 19. rel.033/2004. 2º do referido decreto e que a omissão contida em tal diploma.00 (dez mil reais) instituído pela Lei 11. Joaquim Barbosa. quando falharem os outros meios de proteção e não forem suficientes as tutelas estabelecidas nos demais ramos do Direito.072/90.437/75.00 (dez mil reais).”]. comutação e dá outras providências —. em decorrência do fato de haver iludido impostos devidos pela importação de mercadorias. de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10.000. No caso.500.2008. Cármen Lúcia. concluiu-se que a interpretação a ser dada ao citado Decreto 5.033/2004 [“Art. (HC-94654) SEGUNDA TURMA Descaminho e Princípio da Insignificância Por ausência de justa causa.000. de qualquer menção a possível continuidade delitiva ou acúmulo de débitos que conduzisse à superação do valor mínimo previsto na Lei 10.2008 —— 92 R E PE R C U S S Ã O G E R AL DJE de 22 de agosto de 2008 REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. que só deve atuar quando extremamente necessário para a tutela do bem jurídico protegido. por reputar a conduta do paciente materialmente típica. (HC-92438) Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos Pleno 20.8. no acórdão impugnado. 20. HC 92438/PR. a Turma deferiu habeas corpus para determinar o trancamento de ação penal instaurada contra acusado pela suposta prática do crime de descaminho (CP. ou não. relativamente a esses reeducandos. devendo essa falta ser interpretada no sentido de. Min. § 1o Os autos de execução a que se refere este artigo serão reativados quando os valores dos débitos ultrapassarem os limites indicados.DECLARAÇÃO NA ORIGEM. negara aplicação ao princípio da insignificância ao fundamento de que deveria ser mantido o parâmetro de R$ 2. não possui repercussão geral controvérsia sobre a harmonia. não haver impedimento para a comutação pretendida. 334).8.2008 —— 2ª Turma 19. os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados. reforçaria a tese de silêncio eloqüente. 567.522/2002.2008.994-RS RELATOR: MIN.522/2002) e não o novo limite de R$ 10. Enfatizou-se que. com a redação dada pela Lei 11. art.8. pois as condenações impostas ao paciente se referem a fatos ocorridos antes da edição da Lei 8. estaria vedada a sua outorga àqueles que estivessem em livramento condicional. considerado o princípio da legalidade estrita. Min. quanto ao tratamento a ser conferido aos condenados à pena privativa de liberdade que obtiveram livramento condicional até determinada data.2008 465 1ª Turma 19. Assim. 559.Comutação de Pena a Beneficiado com Livramento Condicional A Turma deferiu habeas corpus contra acórdão do STJ que cassara benefício de comutação da pena ao fundamento de que. tendo em conta as peculiaridades do caso.AUSÊNCIA DE RECEPÇÃO PELA CARTA DE 1988 . MARCO AURÉLIO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS . da delegação contemplada no artigo 3º do Decreto-Lei nº 1. na espécie. Ordem concedida para restabelecer a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.60 (cinco mil cento e dezoito reais e sessenta centavos). Serão arquivados. mediante requerimento do Procurador da Fazenda Nacional.RESSARCIMENTO - ARTIGO 3º DO DECRETO-LEI Nº 1. com a Carta da República.8.437/75 .SELO DE CONTROLE DO IMPOSTO .295/2004 — que concede indulto condicional. na ausência de disposição expressa no Decreto 5.00 (dois mil e quinhentos reais) para ajuizamento de execuções fiscais (Lei 10. Na dicção da ilustrada maioria. Ademais. rel. 19. os quais totalizariam o montante de R$ 5. o TRF da 4ª Região. REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. Inicialmente. que deferira a comutação da pena.8.118.295/2004 é a de que a comutação de pena não é vedada àqueles que estão em livramento condicional. considerou-se que o paciente preencheu todos os requisitos exigidos para a comutação da pena previstos no art. sem baixa na distribuição. salientou-se o caráter vinculado do requerimento do Procurador da Fazenda para fins de arquivamento de execuções fiscais e a inexistência.935-SC .

TRATAMENTO DIFERENCIADO EM RELAÇÃO ÀS INDÚSTRIAS. 62.032/1995). § 3º c/c o art. MEDIDA PROVISÓRIA E SUA CONVERSÃO EM LEI. Execução. com a devida urgência. consubstanciando mera inovação na sua redação. Aplicabilidade no âmbito dos juizados especiais. Aditamento ao pedido inicial. CAUT. a adoção de medidas singulares e extraordinárias. Decisões Publicadas: 5 CLIPPING DO DJ 22 de agosto de 2008 ADI N. E 61. e que dessa forma requerem. II. 4. dispondo sobre as matérias reservadas a essa iniciativa privativa. 7. 7. § 3º) recebem densificação normativa da Constituição. do Estado do Rio Grande do Norte. O Supremo Tribunal Federal deve exercer sua função precípua de fiscalização da constitucionalidade das leis e dos atos normativos quando houver um tema ou uma controvérsia constitucional suscitada em abstrato. Existência de repercussão geral. I. Ao contrário do que ocorre em relação aos requisitos de relevância e urgência (art. MENEZES DIREITO EMENTA DIREITO PENAL. A lei de conversão não convalida os vícios existentes na medida provisória. 3. A leitura atenta e a análise interpretativa do texto e da exposição de motivos da MP n° 405/2007 demonstram que os créditos abertos são destinados a prover despesas correntes. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. O artigo 61. Limites constitucionais à atividade legislativa excepcional do Poder Executivo na edição de medidas provisórias. Extensão do precedente aos casos com trânsito em julgado. Inexistência de obstáculo processual ao prosseguimento do julgamento. 1. § 3º c/c o art. REVISÃO DE JURISPRUDÊNCIA. dada a relevância da questão versada. “comoção interna” e “calamidade pública” constituem vetores para a interpretação/aplicação do art. DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. que se submetem a uma ampla margem de discricionariedade por parte do Presidente da República.1/6 DA PENA. * noticiado no Informativo 509 MED. MENEZES DIREITO EMENTA TRIBUTÁRIO.068-PR RELATORA: MIN. LEI N. da Constituição. independente do caráter geral ou específico. § 1º. que não estão qualificadas pela imprevisibilidade ou . Além dos requisitos de relevância e urgência (art.INTEGRAÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA. “comoção interna” e “calamidade pública” são conceitos que representam realidades ou situações fáticas de extrema gravidade e de conseqüências imprevisíveis para a ordem pública e a paz social. PROGRESSÃO DE REGIME EM CRIME HEDIONDO COMETIDO ANTES DA LEI Nº 11. entre os quais o pertinente ao processo legislativo. do artigo 15 da Lei nº 7. Ação direta julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade da Lei n. § 1º. Pensão por morte (Lei nº 9. impõe a obrigatória observância de vários princípios. EROS GRAU EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. O ato impugnado diz respeito a servidores públicos estaduais — concessão de anistia a faltas funcionais. 62).658/2008. sem alteração substancial. ELLEN GRACIE Processo Civil. 167. Os conteúdos semânticos das expressões “guerra”. 579.2007.DESCONTOS . inciso I.000. 16 DE JANEIRO DE 1. alínea “d”. 585. 62.594-RN RELATOR: MIN. ou não. 1.997. inciso I. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade.000.740-RJ RELATOR: MIN. EM ADI N. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS E COFINS. 167. CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS ORÇAMENTÁRIAS.BASE DE CÁLCULO . Coisa julgada (artigo 5º. da Constituição Federal). parágrafo único do CPC). DEDUÇÕES FIXADAS EM LEI PARA AS REVENDEDORAS DE VEÍCULOS USADOS. Precedentes. Precedentes. da Constituição do Brasil foi alterado pela EC 19/98. 62). A iniciativa de leis que dispõem sobre regime jurídico de servidores públicos é reservada ao Chefe do Poder Executivo. “Guerra”.997. caput —. LIMITES CONSTITUCIONAIS À ATIVIDADE LEGISLATIVA EXCEPCIONAL DO PODER EXECUTIVO NA EDIÇÃO DE MEDIDAS PROVISÓRIAS PARA ABERTURA DE CRÉDITO EXTRAORDINÁRIO. Conversão da medida provisória na Lei n° 11. O legislador estadual não pode usurpar a iniciativa legislativa do Chefe do Executivo. REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. os requisitos de imprevisibilidade e urgência (art. 2. ISONOMIA TRIBUTÁRIA. § 1º. Possibilidade de submissão das normas orçamentárias ao controle abstrato de constitucionalidade. 586. BASE DE CÁLCULO. VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 37. III. 16 de janeiro de 1. REQUISITO TEMPORAL . Interpretação do art. A Constituição do Brasil. Decisão do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL EM RE N. Medida Provisória n° 405. XXXVI. ao conferir aos Estados-membros a capacidade de auto-organização e de autogoverno — artigo 25. § 1º. concreto ou abstrato de seu objeto. Inexigibilidade do título executivo judicial (artigo 741. a Constituição exige que a abertura do crédito extraordinário seja feita apenas para atender a despesas imprevisíveis e urgentes.464/07. CAPUT E INCISO II.167-AC RELATOR: MIN. inciso II. GILMAR MENDES EMENTA: Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade. CONCESSÃO DE ANISTIA ÀS FALTAS PRATICADAS POR SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS. 167. 4.798/89. Precedentes.12. alínea “d”. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. alínea “c”. Abertura de crédito extraordinário. A modificação não foi todavia substancial. da Constituição. MARCO AURÉLIO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS . DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. de 18.RELATOR: MIN.048-DF RELATOR: MIN. REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.

do Estatuto do Estrangeiro. A transmissão da Nota Verbal por via diplomática basta para conferir-lhe autenticidade. desde que.114-REPÚBLICA DO CHILE RELATORA: MIN. Pretensão de alteração do teor decisório. DO CÓDIGO PENAL. no Brasil. 4.104-REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E DA IRLANDA DO NORTE RELATOR: MIN. RECURSO. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. nos termos do voto da Relatora. DECL. DENÚNCIA OFERECIDA PELA SUPOSTA PRÁTICA DO CRIME PREVISTO NO ART.648-SP RELATORA: MIN. III . § 1º.955-RJ RELATORA: MIN. Inteligência do art. 207.A aplicação do princípio da insignificância de modo a tornar a conduta atípica depende de que esta seja a tal ponto despicienda que não seja razoável a imposição da sanção. DA LEI N. Precedentes. 91. nem sempre deixam vestígios materiais. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: INQUÉRITO. 1. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DO EXTRADITANDO. 2. HC N.251-DF RELATOR: MIN. obrigatoriamente. do Código Penal. HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA OS COSTUMES. alínea g. Embargos rejeitados. sendo dispensável a tradução por profissional juramentado.Ordem denegada. do Estado estrangeiro requerente. Inq N. ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. 2. CEZAR PELUSO EMENTAS: 1. Assente a jurisprudência deste Supremo Tribunal no sentido de que o modelo que rege. PROVA PERICIAL. Inviabilidade do Recurso em Sentido Estrito: a configuração do crime de dispensa irregular de licitação exige a demonstração da efetiva intenção de burlar o procedimento licitatório. A despeito da perícia inicial haver sido realizada apenas por um profissional nomeado ad hoc pela autoridade policial. MOEDA FALSA. Comutação prévia assegurada. O destinatário do disposto no art. em grau mínimo. JULGAMENTO DO FEITO NO ESTADO EM QUE SE ENCONTRA. ocorrida em 22 de abril de 2008. V . ATENDIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS. art. assim. II. 1. viabilizando-se. porém. Dada a incidência do princípio tempus regit actum. ambos do Código Penal. 167. 24.Os limites da culpabilidade e a proporcionalidade na aplicação da pena foram observados pelo julgador monocrático. II. a que incumbe exigir. Constituição da República. Suspensão da vigência da Lei n° 11. 1. CÁRMEN LÚCIA EMENTA: EXTRADIÇÃO. . devendo o feito prosseguir perante essa Corte na fase em que se encontrava: Precedentes. EXTRADIÇÃO. a aplicação do disposto no art. 3. e Lei n. 8. pois a fé pública a que o Título X da Parte Especial do CP se refere foi vulnerada. ORDEM DENEGADA. antes da diplomação do parlamentar. 93. como requisito para entrega do extraditando. do Código de Processo Penal. 1. Embargos de declaração. 85. ou seja. Pena. EXTRADIÇÃO DEFERIDA. DENEGAÇÃO. * noticiado no Informativo 514 HC N. NULIDADE DA SENTENÇA. A edição da MP n° 405/2007 configurou um patente desvirtuamento dos parâmetros constitucionais que permitem a edição de medidas provisórias para a abertura de créditos extraordinários. Inc. Extradição deferida. 289. que substituiu a privação da liberdade pela restrição de direitos. II . 3. obscuridade ou contradição do ato embargado. a realização do exame de corpo de delito indireto. HABEAS CORPUS. a contaminar a sentença e o acórdão que concluíram no sentido da condenação do paciente. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. 1. Inadmissibilidade. * noticiado no Informativo 506 EMB. art. 167) revela-se legítimo. obscuridade ou contradição. Efeito secundário e automático do deferimento do pedido.Estatuto do Estrangeiro. REMESSA DOS AUTOS A ESTE SUPREMO TRIBUNAL.pela urgência. 4. não se viabilize a realização do exame direto. a disciplina normativa da extradição passiva não autoriza a revisão de aspectos formais concernentes à regularidade dos atos de persecução penal praticados no Estado requerente. o exercício da defesa.666/93. 2. a entrega do súdito ao Estado requerente fica a critério discricionário do Presidente da República. DESVALOR DA AÇÃO E DO RESULTADO. 6. por não mais subsistirem vestígios sensíveis do fato delituoso.815/80 . MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. é o Poder Executivo. X. ART. O exame de corpo de delito indireto. que toca ao Poder Executivo. Inexistência de omissão. 91. IV . se deferida. Recurso ao qual se nega provimento. A questão de direito argüida neste habeas corpus corresponde à possível nulidade da perícia realizada na pretensa vítima dos crimes previstos nos arts. DEZ NOTAS DE PEQUENO VALOR. RICARDO LEWANDOWSKI EMENTA: PENAL. Nos crimes contra a liberdade sexual cometidos mediante grave ameaça ou com violência presumida.815/80. IV. Passiva. RECURSO EM SENTIDO ESTRITO NÃO PROVIDO. Detração do tempo cumprido como prisão preventiva no Brasil. 3. o tipo exige apenas que estes bens sejam colocados em risco. salvo quando a modificação figure conseqüência inarredável da sanação de vício de omissão. deixa-se de constituir o título jurídico sem o qual o Presidente da República não pode efetivar a extradição. quando praticadas nessas circunstâncias (com violência moral ou com violência ficta). 2. 2.658/2008. I .Em relação à credibilidade da moeda e do sistema financeiro. o exame de corpo de delito direto. art. atentou-se para a realização da perícia com base no art. fundado em prova testemunhal idônea e/ou em outros meios de prova consistentes (CPP. NA Ext N. são válidos todos os atos processuais praticados na origem. AQUIVAMENTO DA DENÚNCIA NA ORIGEM. I. da Lei nº 6. INC. Ext. na espécie. O Supremo Tribunal limita-se a analisar a legalidade e a procedência do pedido de extradição (Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. art. Embargos declaratórios não se prestam a modificar capítulo decisório. 102. IMPOSSIBILIDADE DE QUANTIFICAÇÃO ECONÔMICA DA FÉ PÚBLICA EFETIVAMENTE LESIONADA. § 1º. 83): indeferido o pedido. para a imposição da reprimenda. 213 e 214. Ademais sequer cabe discutir eventual vício na Nota Verbal se os documentos que a acompanham contêm narração dos fatos que deram origem à persecução criminal no Estado requerente. Exigência. cabível. o que não se demonstrou na espécie vertente. Prisão perpétua. DESNECESSIDADE DE DANO EFETIVO AO BEM SUPRA-INDIVIDUAL. INAPLICABILIDADE. PERÍCIA INDIRETA. 289. N.Mostra-se. porque tais infrações penais. todavia. o compromisso de efetivar a detração penal. não se exige. desde a sua publicação.

segundo consta da sentença. FUNDAMENTOS CAUTELARES. avocação do procedimento pelo paciente que. A sentença apreciou estritamente os fatos narrados na denúncia quanto ao concurso de agentes verificado entre os funcionários públicos (incluindo o paciente) e o particular na entrega espúria da quantidade de títulos da dívida agrária ao suposto proprietário de imóvel rural. PROCEDIMENTO EXPROPRIATÓRIO. 2. 312. art. autoriza. as circunstâncias e as conseqüências do crime perpetrado. tendo relação com a entrega de mais de cinqüenta e cinco mil títulos da dívida agrária. 2. ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. A denúncia expressamente acentua a existência de conluio entre todos os denunciados (inclusive o paciente) para que resultasse desfecho de liberação dos títulos da dívida agrária. 1. PERICULUM LIBERTATIS DEMONSTRADO POR OCASIÃO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. notadamente na ação de competência originária do Supremo Tribunal Federal. 7. Para a configuração do peculato-furto o agente não detém a posse da coisa (valor. por indução. b) a não-caracterização do crime de peculato-furto (e sim eventualmente advocacia administrativa). tendo em vista tratar-se de pressuposto recursal draconiano e desproporcional. ESPECIALIZAÇÃO DE COMPETÊNCIA (RATIONE MATERIAE). da Constituição Federal. CP. na realidade. entre eles o paciente. ART. durante a instrução criminal. 5. A prisão preventiva. da liderança exercida pelo paciente. 10. HC N. 6. pode-se extrair que. CONDENAÇÃO FUNDADA EM PROVAS COLIGIDAS DURANTE A INSTRUÇÃO CRIMINAL. é inviável o revolvimento de fatos e provas no writ. I). Impossibilidade de se declarar deserta a apelação. 3. aplicando-se o disposto nos arts. 90. 321). A interposição e o juízo de admissibilidade do recurso de apelação não podem estar condicionados à efetivação do recolhimento do réu à prisão. 4. PECULATO-FURTO. mas sua qualidade de funcionário público propicia facilidade para a ocorrência da subtração devido ao trânsito que mantém no órgão público em que atua ou desempenha suas funções. Da narração contida na denúncia. Os requerimentos de expedição de passaporte. ATIPICIDADE DA CONDUTA. Descabe acolher a pretensão de trancamento da ação penal por suposta inexistência de narração de conduta delituosa ou por motivo de atipicidade da conduta. ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. e ainda a comprovação. cogitar de possível desclassificação da conduta do paciente para o tipo penal da advocacia administrativa (CP. especialmente em se referindo a juízo de constatação de fatos. diversamente do que normalmente ocorria em procedimentos visando possível desapropriação de imóveis rurais para fins de reforma agrária. A sentença cumpriu rigorosamente o disposto no art. 59).625/93.024-RN RELATORA: MIN. Há quatro teses jurídicas desenvolvidas na petição inicial deste habeas corpus: a) a atipicidade do fato imputado ao paciente. RESOLUÇÃO DE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. POSTULADO DO JUIZ NATURAL. 29 e 30. § 1º. Paciente que possui contatos no exterior. 6. Ademais. Clara narração de atos concretos relacionados à retirada de quantidade significativa de títulos da dívida agrária através de expedientes administrativos verificados no âmbito do procedimento administrativo de expropriação. 2. ORDEM CONCEDIDA. o que demonstra a probabilidade de sua fuga. 4. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: HABEAS CORPUS. independentemente do cumprimento do mandado de prisão preventiva. desse modo. 9. 32. 1. 8. HC N. o que se revela inadmissível em sede de habeas corpus. A denúncia apresenta um conjunto de fatos conhecidos e provados que. utilizando-se de pistas de pouso clandestinas. houve desconsideração de recomendações técnicas que visavam esclarecer a real localização do imóvel. analisando detidamente as circunstâncias judiciais previstas no art. 93. Ordem concedida apenas para fins de impedir que a apelação do paciente seja julgada deserta. que estava no comando da ação criminosa e dos valores utilizados na empreitada criminosa. além de requerer a correição parcial (Lei n° 8. A sentença condenatória tem base nas provas colhidas durante a instrução criminal. trouxe fundamentos concretos que justificam a custódia cautelar do paciente. decretada por ocasião da sentença condenatória. LEGITIMIDADE DO DECRETO PRISIONAL. 3. com base nos elementos existentes nesse writ. 1. Extensão aos co-réus. 11. concluir-se pela existência de relação de causalidade material entre as condutas dos denunciados. DENEGAÇÃO. HABEAS CORPUS. .866-MA RELATOR: MIN. IMPOSSIBILIDADE. mantido o decreto de prisão preventiva. 86. que haja reavaliação dos elementos probatórios que foram produzidos durante a instrução criminal. a saber. do Código Penal. sendo que o paciente e mais dois denunciados eram funcionários públicos que atuaram efetivamente no bojo do procedimento com a realização de atos fundamentais para que ocorresse a subtração dos títulos da União Federal. O juiz de direito não está adstrito às conclusões do laudo pericial. eis que a ação constitucional não pode servir para mascarar conhecimento e julgamento de pretensão que na realidade somente poderia ser deduzida via recurso extraordinário.717-DF RELATORA: MIN. 7. inciso IX.5. MANTIDO O DECRETO PRISIONAL. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO. 5. sendo impossível acatar o pedido de absolvição por falta de provas. Reconhece-se ao Ministério Público a faculdade de impetrar habeas corpus e mandado de segurança. IMPOSSIBILIDADE DO AMPLO REVOLVIMENTO DE FATOS E PROVAS NA VIA DO HABEAS CORPUS. Habeas corpus denegado. PRISÃO PREVENTIVA. d) a nulidade da sentença por exasperação da pena-base. Observo que o juiz sentenciante considerou duas circunstâncias judiciais desfavoráveis ao paciente (CP. Descabe. EXIGÊNCIA DO RECOLHIMENTO À PRISÃO PARA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE APELAÇÃO. 91. especialmente na Colômbia e na Ilha de Cabo Verde. Habeas corpus denegado. conferem legitimidade ao decreto de prisão preventiva. exarou dois pareceres que foram utilizados para fins de ser editado o decreto expropriatório e ser lavrada escritura pública de desapropriação amigável com o pagamento do valor da indenização em títulos da dívida agrária. ESCRITURA PÚBLICA DE DESAPROPRIAÇÃO AMIGÁVEL. do Código Penal. art. HABEAS CORPUS. na prática do crime de tráfico internacional de entorpecentes. c) a falta de correlação entre o fato imputado ao paciente e o fato pelo qual ele foi condenado. especialmente no que diz respeito ao perigo concreto de fuga. Alegação de possível violação do princípio do juiz natural em razão da resolução baixada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte. HC N. a posse de duas aeronaves de pequeno porte empregadas. art. 6. dinheiro ou outro bem móvel) em razão do cargo que ocupa. 59. Os impetrantes pretendem.

1. e o Ministério Público tem legitimidade para impetrar habeas corpus quando envolvido o princípio do juiz natural (HC 84. Contudo.02. rel. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. daí a relativa independência. b) ausência de justa causa para a deflagração da ação penal com base na imputação de possível prática do crime do art. eis que depende da integração dos critérios preestabelecidos na Constituição. admite que haja alteração da competência dos órgãos do Poder Judiciário por deliberação do tribunal de justiça. inciso LVI. * noticiado no Informativo 512 RHC N. A questão controvertida consiste na possível existência de prova ilícita (“denúncia anônima” e prova colhida sem observância da garantia da inviolabilidade do domicílio). nas leis e nos regimentos internos dos tribunais. 5. inclusive no campo da execução da pena. d. INDEPENDÊNCIA DAS INSTÂNCIAS. parágrafo único. 1. Estando em curso suspensão condicional do processo penal. houve propositura de ação de impugnação de mandato eletivo em face do paciente e de outras pessoas. Min. desastre.195. pelo mesmo fato. Eros Grau. 5. 1ª Turma. mas constitucionalmente excepcionada quando houver flagrante delito. 96. no primeiro momento. ALEGAÇÃO DE PROVA ILÍCITA E DE VIOLAÇÃO AO DOMICÍLIO.056. não seria possível acolher a tese segundo a qual o art. pelo mesmo fato. Logo. Legitimidade e validade do processo que se originou de investigações baseadas. RECURSO EM HABEAS CORPUS.1996). ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. considerado ilícito civil.2004). ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. Habeas corpus denegado. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELO STJ. ainda. IMPROVIMENTO. da LEP (Lei de Execução Penal). arts. 3. o que contaminaria o processo que resultou na sua condenação. fundamentalmente. 6. No mérito.3.110-RJ RELATORA: MIN. 86. ainda que em Justiça diversa. inclusive em setores distintos do universo jurídico. o que se mostra inviável em sede de habeas corpus. na espécie. O tema envolve a relativa independência das instâncias (civil e criminal).103. Obviamente que o Tribunal Superior Eleitoral não formulou juízo de recebimento da denúncia. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. 5°. duas questões centrais: a) nulidade do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral por julgar matéria diversa daquela que foi objeto da impetração do habeas corpus. Outras questões levantadas nas razões recursais envolvem o revolver de substrato fático-probatório. Recurso não conhecido. o disposto no art. 2. Aceitação. DJ 06. um comportamento pode ser. Não há qualquer óbice a que. 1. A legitimidade do Ministério Público para impetrar habeas corpus tem fundamento na incumbência da defesa da ordem jurídica e dos interesses individuais indisponíveis (HC 84. 91. CONFIGURAÇÃO. No caso concreto. é possível que de um mesmo fato (aí incluída a conduta humana) possa decorrer efeitos jurídicos diversos. ESTADO DE FLAGRÂNCIA. eis que houve simples alteração promovida administrativamente. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DJ 13. II. 91.082-RS RELATORA: MIN. 49. * noticiado no Informativo 514 HC N. não sendo matéria desconhecida no Direito brasileiro. a inviabilizar o conhecimento do recurso interposto. O recurso ordinário em habeas corpus apresenta. RHC N. 4.09. De acordo com o sistema jurídico brasileiro. Benefício não revogado. O mérito envolve a interpretação da norma constitucional que atribui aos tribunais de justiça propor ao Poder Legislativo respectivo. por determinação judicial. HABEAS CORPUS. NULIDADE DO PROCESSO. 49. 3. eis que a matéria somente foi analisada no tópico da fundamentação do julgamento de habeas corpus impetrado pelo próprio recorrente. DJ 04. Instauração de nova ação penal na Justiça castrense. 2. Voto vencido. for o caso de prestar socorro. com base nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade.2005). Inadmissibilidade. do Código Eleitoral. não incidindo. 299. 4.110-SP RELATORA: MIN. Suspensão condicional do processo. Min. P/ O ACÓRDÃO: MIN. porque é matéria que se insere no âmbito da organização judiciária dos Tribunais. 5. Garantia da inviolabilidade do domicílio é a regra. Pleno. da LEP. seja estabelecida idêntica sanção. O Poder Judiciário tem competência para dispor sobre especialização de varas. não pode. A tese do habeas corpus consistiu na necessidade de se reinterpretar o parágrafo único. da Constituição Federal. para considerar que a mera tentativa de fuga não poderia ser considerada falta grave. de natureza especializada. Elementos indiciários acerca da prática de ilícito penal.08. 7. mas também pode repercutir em apenas uma das instâncias. MATÉRIA ELEITORAL. O tema referente à organização judiciária não se encontra restrito ao campo de incidência exclusiva da lei. INEXISTÊNCIA. simultaneamente. penal e administrativo. em relação ao paciente. Não houve emprego ou utilização de provas obtidas por meios ilícitos no âmbito do processo instaurado contra o recorrente. a alteração da organização e divisão judiciárias (CF. do art. rel. RHC N. em razão de critérios de política legislativa. 1ª Turma. II. de “denúncia anônima” dando conta de possíveis práticas ilícitas relacionadas ao tráfico de substância entorpecente. 6. Nas próprias razões do recurso ordinário em habeas corpus há nítida argumentação que associa a falta de justa causa para a deflagração da ação penal à narração dos fatos. a e d. Recurso ordinário em habeas corpus improvido. ou. e 169). AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO E AÇÃO PENAL. às hipóteses de consumação ou tentativa de determinados ilícitos. da Constituição Federal. Sidney Sanches. Entendeu-se não haver flagrante forjado o resultante de diligências policiais após denúncia anônima sobre tráfico de entorpecentes (HC 74. 4. ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. a argumentação desenvolvida no recurso ordinário em habeas corpus foi diversa daquela apresentada por ocasião da impetração do writ no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Crime militar. ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. A leitura interpretativa do disposto nos arts. 2. constitucionalmente admitida. FALTA GRAVE. Somente haveria . 3. 4. CEZAR PELUSO EMENTA: AÇÃO PENAL. d. I. em consonância com os limites orçamentários. Preclusão consumada. visando a uma melhor prestação da tutela jurisdicional. CRIME PERMANENTE. sendo que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo considerou o acervo probatório insuficiente para demonstração inequívoca dos fatos afirmados. rel. HC concedido. outro ser instaurado. Min. sob pena de supressão de instância. 91. deveria ser interpretado à luz dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. desde que não haja impacto orçamentário. 96.505-PR REL. tal como realizada na denúncia. Causa processada perante a Justiça estadual. Marco Aurélio.

incumbindo-lhe confrontar o princípio da especialidade da lei penal militar. consta dos autos. 3. preso em flagrante dentro da unidade militar portando. o error in procedendo deverá ser corrigido pelo Tribunal de Justiça.12. a ausência de periculosidade social da ação. 11. 593. rel. Recurso ordinário improvido. ÀS PRERROGATIVAS JURÍDICAS QUE COMPÕEM O PRÓPRIO ESTATUTO CONSTITUCIONAL DO DIREITO DE DEFESA. 593.562/SP.89. ART.248-SP RELATORA: MIN. DECISÃO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. O Superior Tribunal Militar não cogitou da aplicação da Lei n. rel. A questão central. do Código de Processo Penal.11. sem obedecer parâmetros respaldados nos elementos de prova constantes dos autos. ELLEN GRACIE DIREITO PROCESSUAL PENAL. 6. Min. A soberania dos veredictos do tribunal do júri não é absoluta. 93. O fundamento do voto do relator da apelação foi exatamente o de que o julgamento pelo corpo dos jurados se realizou de modo arbitrário. 7. não alcançando os usuários. 5.954/SP. III. 3. IMPROVIMENTO. em prol da saúde. a improcedência do pedido deduzido na ação de impugnação de mandato eletivo se relaciona à responsabilidade administrativo-eleitoral e. com o princípio da dignidade da pessoa humana.721/RJ. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. EM CONSEQÜÊNCIA. AOS INSTRUMENTOS PROCESSUAIS DE TUTELA DA LIBERDADE. A Lei n. indispensáveis ao regular funcionamento de qualquer instituição militar. sem antecedentes criminais. HC 68. 2. 8. No caso em tela. PELO PODER PÚBLICO.Vedação Legal de Liberdade Provisória . 6. Acórdãos Publicados: 220 TRANSCRIÇÕES Com a finalidade de proporcionar aos leitores do INFORMATIVO STF uma compreensão mais aprofundada do pensamento do Tribunal. Não obstante. 5. Nota-se. representa importante medida que visa impedir o arbítrio. consequentemente. CONDIÇÃO JURÍDICA QUE NÃO O DESQUALIFICA COMO SUJEITO DE DIREITOS E TITULAR DE GARANTIAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS.343/2006.96. Punição severa e exemplar deve ser reservada aos traficantes. EROS GRAU EMENTA: HABEAS CORPUS. vigoroso. Min. Ilmar Galvão. rel. DJ 05.658/SP. Min. VEDAÇÃO LEGAL ABSOLUTA. DJ 06. 4. harmonizando-se com a natureza essencialmente democrática da própria instituição do júri. 8. entre eles o paciente. CELSO DE MELLO EMENTA: “HABEAS CORPUS”. como sucedâneo de revisão criminal. apenas a lavratura de termo circunstanciado. art.343/2006 — possibilita a recuperação do civil que praticou a mesma conduta. 8. o que evidencia a relativa independência das instâncias (Código Civil. não se tratando de denúncia inepta. tal como disciplina o art. Min. de competência do órgão de 2º grau do Poder Judiciário (da justiça federal ou das justiças estaduais). rel. 6. a indicação da localização de notas fiscais referentes à venda de combustíveis ao recorrente. 7. entre outros). HC 74. A mínima ofensividade da conduta. Exclusão das fileiras do Exército: punição suficiente para que restem preservadas a disciplina e hierarquia militares. tendo relação com a possível prática de atos de corrupção eleitoral. Carlos Velloso. em mudar a visão que se tem em relação aos usuários de drogas. cabe a esta Corte fazê-lo. HC 82.96. III DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O habeas corpus não pode ser utilizado. RESPEITO. Condenação por posse e uso de entorpecentes. PENAL MILITAR.524-DF RELATOR: MIN. O sistema recursal relativo às decisões tomadas pelo tribunal do júri é perfeitamente compatível com a norma constitucional que assegura a soberania dos veredictos (HC 66. 11. Paciente jovem.Inconstitucionalidade . III. ESTRANGEIRO NÃO DOMICILIADO NO BRASIL. nos termos do art. concluir-se pela existência de relação de causalidade material entre as condutas dos denunciados. disciplina e hierarquia militares. HC N.impossibilidade de questionamento em outra instância caso o juízo criminal houvesse deliberado categoricamente a respeito da inexistência do fato ou acerca da negativa de autoria (ou participação). Prevê. RTJ 139:891. pequena quantidade de entorpecentes. rel. em regra. Moreira Alves. em lugar de apenar — Lei n. se equipara à idéia de responsabilidade civil.03. submetendo-se ao controle do juízo ad quem. o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica constituem os requisitos de ordem objetiva autorizadores da aplicação do princípio da insignificância. RECURSO EM HABEAS CORPUS.03). III). óbice à aplicação da nova Lei de Drogas. 1. como princípio fundamental (art. A estes devem ser oferecidas políticas sociais eficientes para recuperá-los do vício. do Estado. diz respeito à possível violação à garantia da soberania dos veredictos do tribunal do júri no julgamento do recurso de apelação da acusação. que portanto. Recurso ordinário improvido. 7. militar. do Código de Processo Penal. APLICAÇÃO NO ÂMBITO DA JUSTIÇA MILITAR. divulgamos neste espaço trechos de decisões que tenham despertado ou possam despertar de modo especial o interesse da comunidade jurídica. a demonstrar a incorreção da tese levantada no habeas corpus impetrado. Crime Organizado . b. RHC N. neste recurso ordinário. autoriza. seja formal ou materialmente. 1. SOBERANIA DOS VEREDICTOS DO TRIBUNAL DO JÚRI. PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. Esta Corte tem considerado não haver afronta à norma constitucional que assegura a soberania dos veredictos do tribunal do júri no julgamento pelo tribunal ad quem que anula a decisão do júri sob o fundamento de que ela se deu de modo contrário à prova dos autos (HC 73. contra ele. Preocupação.Convenção de Palermo - Prisão Cautelar – Requisitos (Transcrições) HC 94404 MC/SP* RELATOR: MIN. DJ 14. APELAÇÃO. Paciente. USO DE SUBSTÂNCIA ENTORPECENTE. Há justa causa para a deflagração e prosseguimento da ação penal contra o recorrente. d. 4. DJ 21. Caso os jurados alcancem uma conclusão manifestamente contrária à prova produzida durante a instrução criminal e. 2. a indicar que as pessoas foram beneficiadas com o pagamento de combustíveis adquiridos por ele. A denúncia apresenta um conjunto de fatos conhecidos e provados que. Maurício Correa. por indução. EM . Min. 94. com futuro comprometido por condenação penal militar quando há lei que. O juízo de cassação da decisão do tribunal do júri. 935). 1º. 1º.050/MS. inclusive. Não-aplicação do princípio da insignificância. arrolado na Constituição do Brasil de modo destacado. 11.05. para uso próprio.343/2006 — nova Lei de Drogas — veda a prisão do usuário. PLENITUDE DE ACESSO. Celso de Mello. incisivo.

contra tal acusado. à igualdade entre as partes perante o juiz natural e à garantia de imparcialidade do magistrado processante. Essa Convenção multilateral dispõe. A SUBORDINAÇÃO HIERÁRQUICO-NORMATIVA.2004. artigo 11). NA SUPOSTA OFENSA À CREDIBILIDADE DAS INSTITUIÇÕES. Min. de 12. INADMISSIBILIDADE DA INVOCAÇÃO DO ART. que cada Estado Parte adotará. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: ADI 3. mesmo ao réu estrangeiro sem domicílio no Brasil. da cláusula constitucional do “due process”.090/SP).016/SP. invocou. que o ilustre magistrado federal de primeira instância.05.g.a condição jurídica de não-nacional do Brasil e a circunstância de esse mesmo réu estrangeiro não possuir domicílio em nosso país não legitimam a adoção. 7º). DE ÂMBITO GLOBAL.034.112/DF (ESTATUTO DO DESARMAMENTO. passo a examinar o pedido de medida cautelar ora formulado nesta sede processual. ainda. JURISPRUDÊNCIA (STF).º 5015. as prerrogativas de ordem jurídica e as garantias de índole constitucional que o ordenamento positivo brasileiro confere e assegura a qualquer pessoa que sofra persecução penal instaurada pelo Estado. . mesmo aquele sem domicílio no Brasil. de molde que o pedido deve ser deferido. Nesse contexto. o direito de ver respeitadas. 7º da Lei nº 9.º 231. Superior Tribunal de Justiça. pelo Poder Público. 11 DA CONVENÇÃO DE PALERMO COMO SUPORTE DE LEGITIMAÇÃO E REFORÇO DO ART. CONVENÇÃO INCORPORADA AO ORDENAMENTO POSITIVO INTERNO BRASILEIRO (DECRETO Nº 5. “INTER ALIA”). e promulgada pelo Decreto n. ainda que não domiciliado no Brasil. “quando considerarem a possibilidade de uma libertação antecipada” (n. tal como assinalei na decisão por mim proferida no exame de pedido de medida cautelar formulado no HC 94. pois . DO “DUE PROCESS OF LAW”. desde logo. eis que esse remédio constitucional . cuja intangibilidade há de ser preservada pelos magistrados e Tribunais deste país. à observância e ao integral respeito. pelo Poder Público. fls. por parte do Estado. DESTINADO A PROMOVER A COOPERAÇÃO PARA PREVENIR E REPRIMIR.2003. veda a liberdade provisória ‘aos agentes que tenham tido intensa e efetiva participação na organização criminosa’. sendo aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo n. mesmo o não domiciliado no Brasil. independentemente da condição jurídica resultante de sua origem nacional.RTJ 177/485-488 . 4). que o fato de o paciente ostentar a condição jurídica de estrangeiro e de não possuir domicílio no Brasil não lhe inibe. CELSO DE MELLO) Cabe advertir.015/2004. a Convenção de Palermo (designação dada à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional) foi incorporada ao ordenamento positivo interno brasileiro pelo Decreto nº 5. em causa própria. bem assim os direitos básicos que resultam do postulado do devido processo legal. inclusive aquele que não possui domicílio em território brasileiro. para justificar a medida excepcional da prisão cautelar ora questionada. desse modo. que o súdito estrangeiro. 207): “O artigo 7º da Lei n. que a promulgou e lhe conferiu executoriedade e vigência no plano doméstico. eundi ultro citroque”). a ação de ‘habeas corpus’. O SIGNIFICADO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.” (grifei) Como se sabe. ENTENDIMENTO DE AUTORIZADO MAGISTÉRIO DOUTRINÁRIO (LUIZ FLÁVIO GOMES. ART.RT 312/363).03. Rel. v. 21). ambulandi. OFENSA AOS POSTULADOS CONSTITUCIONAIS DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. DECISÃO: Trata-se de “habeas corpus”. de qualquer tratamento arbitrário ou discriminatório. QUANDO FUNDADA NA GRAVIDADE OBJETIVA DO DELITO.034/95 (Apenso 01. TRATADO MULTILATERAL.por qualificar-se como verdadeira ação popular . como o mandado de segurança ou. de projeção e aplicabilidade globais. na decisão até agora mantida pelas instâncias judiciárias que denegaram a ordem de “habeas corpus”. CELSO DE MELLO. “em conformidade com seu direito interno. e tendo na devida conta os direitos da defesa”. 2008. VISTO SOB A PERSPECTIVA DA “PROIBIÇÃO DO EXCESSO”: FATOR DE CONTENÇÃO E CONFORMAÇÃO DA PRÓPRIA ATIVIDADE NORMATIVA DO ESTADO.” (RTJ 164/193-194. destinado a “promover a cooperação para prevenir e combater mais eficazmente a criminalidade organizada transnacional”. À AUTORIDADE DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. das prerrogativas que compõem e dão significado à cláusula do devido processo legal. que o súdito estrangeiro. de 03 de maio de 1995 (acerca das ações praticadas por organizações criminosas).º 9. ALBERTO SILVA FRANCO. REVESTIDO DE ALTÍSSIMO SIGNIFICADO. DOS TRATADOS INTERNACIONAIS QUE NÃO VERSEM MATÉRIA DE DIREITOS HUMANOS. com pedido de medida liminar. medidas apropriadas para que as autoridades competentes tenham presente a gravidade das infrações nela previstas. Registro. tem direito público subjetivo. A MACRODELINQÜÊNCIA E AS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS DE CARÁTER TRANSNACIONAL. PRECEDENTES. no ano de 2000. NO CLAMOR PÚBLICO E NA SUPOSIÇÃO DE QUE O RÉU POSSA INTERFERIR NAS PROVAS. O fato irrecusável é um só: o súdito estrangeiro. DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E DA PROPORCIONALIDADE. a preservação da integridade do seu direito de ir. que também o estrangeiro. na linha do magistério jurisprudencial desta Suprema Corte (RDA 55/192 – RF 192/122) e dos Tribunais em geral (RDA 59/326 . em seu Artigo 11. INVIABILIDADE DE SUA DECRETAÇÃO. DA CONCESSÃO DE LIBERDADE PROVISÓRIA. especialmente por este Supremo Tribunal Federal. aprovado sob a égide das Nações Unidas (RODRIGO CARNEIRO GOMES. Rel. por tais razões. que. Isso significa. por necessário. tem plena legitimidade para impetrar os remédios constitucionais. notadamente. ao Judiciário. Registro. DOUTRINA. ROBERTO DELMANTO JUNIOR. CARÁTER APRIORÍSTICO. CARÁTER EXTRAORDINÁRIO DA PRIVAÇÃO CAUTELAR DA LIBERDADE INDIVIDUAL. à garantia do contraditório. notadamente as prerrogativas inerentes à garantia da ampla defesa. assume. CONVENÇÃO DE PALERMO (CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL). SOB PENA DE OFENSA AO “STATUS LIBERTATIS” DAQUELE QUE A SOFRE. na esteira das orientações da Convenção ONU contra o Crime Organizado Transnacional (adotada em Nova Iorque. o “habeas corpus”: “. LEI DO CRIME ORGANIZADO (ART. só por si.pode ser utilizado por qualquer pessoa. a condição indisponível de sujeito de direitos e titular de garantias. em sede de outra ação de “habeas corpus”. NÃO SE DECRETA PRISÃO CAUTELAR. DE MODO MAIS EFICAZ. Min. Por reconhecer. Trata-se de relevantíssimo instrumento jurídico. o que se contém no art. inicialmente. o acesso aos instrumentos processuais de tutela da liberdade nem lhe subtrai. impetrado contra decisão emanada da Quinta Turma do E. o dever de assegurar. denegou o “writ” constitucional (HC 100.É inquestionável o direito de súditos estrangeiros ajuizarem.como reiteradamente tem proclamado esta Suprema Corte (RTJ 134/56-58 . vir e permanecer (“jus manendi. Del Rey).015/2004). GERALDO PRADO E WILLIAM DOUGLAS. INCONSTITUCIONALIDADE. tem direito a todas as prerrogativas básicas que lhe asseguram a preservação do “status libertatis” e a observância. sempre.RTJ 185/393-394. impõe-se. como qualquer pessoa exposta a atos de persecução penal. 7º DA LEI DO CRIME ORGANIZADO. SEM QUE HAJA REAL NECESSIDADE DE SUA EFETIVAÇÃO. nas hipóteses de persecução penal.) . portanto. “O Crime Organizado na Visão da Convenção de Palermo”. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. de 29.

RICARDO LEWANDOWSKI. apoiada no reconhecimento que confere irrestrita precedência hierárquica à Constituição da República sobre as convenções internacionais em geral (ressalvadas as hipóteses excepcionais previstas nos §§ 2º e 3º do art. 2. a evidente inconstitucionalidade do art. a lição de ROBERTO DELMANTO JUNIOR (“As modalidades de prisão provisória e seu prazo de duração”. se assim for o desejo do Poder Legislativo. É importante assinalar. pela Lei nº 10. com inteira correção e absoluto rigor acadêmico. a proibição do excesso.034/95. torna evidente que cláusulas inscritas nos textos de tratados internacionais que imponham a compulsória adoção. 87/91. p. ao Estado. dentre outros princípios consagrados pela Constituição da República. a concessão da liberdade provisória “aos agentes que tenham tido intensa e efetiva participação na organização criminosa”. Diversa não é. que também vislumbram. em sua Exposição de Motivos. 21 estabelecia que “Os crimes previstos nos arts. ex. por necessário e relevante.. quando Ministro das Relações Exteriores.034/95) proíbe. formal ou materialmente.. ou que vedem. acerca da compatibilidade de algumas cláusulas sobre entrada em vigor de tratados e a prática constitucional brasileira em matéria de atos internacionais (. 5ª ed.112/DF.. afronta “a dignidade humana” e viola “o princípio da proibição do excesso”. que os tratados internacionais (a Convenção de Palermo. 489/500. CELSO DE MELLO) Desse modo. fls. item n. 2001. a eventual aprovação integral da Convenção. além de lesar os postulados do “due process of law” e da presunção de .grifei) Daí a advertência . analisado este na dimensão que impõe. (Estatuto do Desarmamento). que estas se sujeitam. com apoio nele. p. expõe. 5º da própria Lei Fundamental). 21 da Lei nº 10. Min.. Mostra-se importante ter presente. a meu ver infundadas. vale enfatizar. no momento da ratificação. 142/150. pelo Estado brasileiro . no sentido de que. com a presunção de inocência e a garantia do “due process”. RT).Insusceptibilidade de liberdade provisória quanto aos delitos elencados nos arts. estão hierarquicamente subordinados à autoridade da Constituição da República. 4.. com inteira razão. “c”. que adverte. A observação que venho de fazer. apoiando-se em magistério de outro eminente autor (ALBERTO SILVA FRANCO. ao julgar a ADI 3. Min. RT). Rel. 2ª ed. Inconstitucionalidade reconhecida. justificar-se um decreto judicial de privação cautelar da liberdade individual (Apenso 01. alguma reserva ou declaração interpretativa. no caso.que cumpre não ignorar . neste ponto. Dúvidas. a necessária subordinação hierárquica dos atos internacionais à ordem normativa fundada na Constituição da República: “Infelizmente. Essa mesma orientação é perfilhada por GERALDO PRADO e WILLIAM DOUGLAS (“Comentários à Lei contra o Crime Organizado”. 7º da Lei nº 9. como a qualquer lei. que cada Estado Parte estabelecerá meios adequados para que “as condições a que estão sujeitas as decisões de aguardar julgamento em liberdade” não impeçam a presença do réu “em todo o processo penal ulterior” (n. que. na linha da jurisprudência prevalecente no Supremo Tribunal Federal. o texto da Carta Política. 3). que o referido art. a concessão de liberdade provisória.) V . resultante da ofensa ao postulado da presunção de inocência e do desrespeito ao princípio da proporcionalidade. tratando-se de convenções internacionais que não veiculem cláusulas de salvaguarda pertinentes aos direitos humanos. que a vedação legal em abstrato da concessão da liberdade provisória transgride “o princípio da presunção de inocência”. nunca poderia ser tomada como postergatória de normas constitucionais. Daí não ser apropriado invocar-se o art. 7º da Lei do Crime Organizado. em face dos princípios da presunção de inocência e da obrigatoriedade de fundamentação dos mandados de prisão pela autoridade judiciária competente. 2ª ed. incorporados ao sistema de direito positivo interno. de modo abstrato e “a priori”. p. 1997. p. da validade e da eficácia. o vício nulificador da inconstitucionalidade. em caráter imperativo.de PONTES DE MIRANDA (“Comentários à Constituição de 1967 com a Emenda nº 1 de 1969”. no art. nos planos da existência. advertindo. transgredirem. os tratados ou convenções internacionais estão hierarquicamente subordinados à autoridade normativa da Constituição da República.826/2003. que não versem. 16.) retardaram sua submissão ao referendo do Congresso Nacional.034/95 para. A vedação apriorística de concessão de liberdade provisória é repelida pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. surgidas no seio do próprio Executivo. item n. já que no Brasil não se tem admitido que os tratados internacionais se sobreponham à Constituição.No sistema jurídico brasileiro. declarou a inconstitucionalidade do art. “Também ao tratado. “Crimes Hediondos”.” (grifei) O eminente penalista LUIZ FLÁVIO GOMES. Renovar). com conteúdo material virtualmente idêntico. de modo irrefutável. 171/178. em obra escrita com Raúl Cervini (“Crime Organizado”. 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória” (grifei). Não foi por outro motivo que o eminente Professor CELSO LAFER. 46 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (ainda em curso de tramitação perante o Congresso Nacional) -. se exige ser constitucional” (grifei). Esse impedimento é tanto mais injustificado quando se considera a possibilidade de fazer-se. no ponto. de 19/05/92. Essa regra legal veio a ser reproduzida. por autoridades judiciárias nacionais. 3. ao Congresso Nacional. 17 e 18. não podem prevalecer em nosso sistema de direito positivo. 1995. que se mostra inconstitucional a proibição abstrata.prescrevendo. nenhum valor jurídico terão os tratados internacionais..não obstante o polêmico art. item n. à superioridade jurídica da Constituição. de medidas de privação cautelar da liberdade individual. e no que concerne à hierarquia das fontes. em cuja elaboração participaram brilhantes especialistas nacionais. Seja como for. 7º da Lei nº 9. da concessão da liberdade provisória. 35. Seção I. 1974.00. . está assim ementada: “(. como na espécie..241 . Foi por tal razão que o Plenário do Supremo Tribunal Federal. Del Rey).. e com referência específica ao art. 207). com absoluta correção. de modo incondicional. entendeu conveniente enfatizar. 7º da Lei do Crime Organizado. independentemente da gravidade objetiva do delito.). que a considera incompatível. dentre outros princípios constitucionais que informam e compõem o estatuto jurídico daqueles que sofrem persecução penal instaurada pelo Estado. ao propor à Presidência da República o encaminhamento. Rel. 2005. Em conseqüência.826/2003. sob pena de gravíssima ofensa à garantia constitucional da presunção de inocência. p. na matéria. 9. pelo Congresso Nacional. 7º da Lei do Crime Organizado (Lei nº 9. 16. cujo art. RT). em decisão que. matéria concernente aos direitos humanos.480-MC/DF. O exercício do treaty-making power. ainda. 2ª ed. está sujeito à necessária observância das limitações jurídicas impostas pelo texto constitucional. tomo IV/146. mesmo sem qualquer reserva. item n. o Brasil até hoje não ratificou a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados.”(ADI 1. em lei. do texto da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. pois tal vedação. visto que o texto magno não autoriza a prisão ‘ex lege’. como resulta claro de decisão emanada do Plenário desta Suprema Corte: “SUBORDINAÇÃO NORMATIVA DOS TRATADOS INTERNACIONAIS À CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.” (Diário do Congresso Nacional. p.

o que é pior. no âmbito da própria fiscalização de constitucionalidade das prescrições normativas emanadas do Poder Público. 1995. interligando-se entre si... a exigência de razoabilidade traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. em cada situação concreta. Polícia Federal. as razões que lhe deram suporte com os padrões que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou na matéria em análise.. Rel. O magistrado. portanto.. a tudo fazer para neutralizar os elementos probatórios até aqui produzidos. .... com fundamento no art. notadamente daquela que veicula... que o Poder Público. notadamente no desempenho da atividade de caráter legislativo.. reiterando práticas ilegais de forma velada.... ELLEN GRACIE. 21 do Estatuto do Desarmamento.... eis que o legislador não pode substituir-se ao juiz na aferição da existência. em sua dimensão substantiva ou material... de forma imoderada e irresponsável. LV....005118- 0/Apenso VII do IPL e fls. Rel. em texto superveniente de convenção internacional.. só por si. os fundamentos da decisão.. CELSO DE MELLO. cabe advertir que a interdição legal “in abstracto”. como a Convenção de Palermo.. sendo de notar que parte dos denunciados já tinha sido ouvida anteriormente (fls. O exame da adequação de determinado ato estatal ao princípio da proporcionalidade. Receita Federal. 7º do diploma legislativo em referência. que teriam sido consultadas para viabilizar ‘investimentos’ no país. de subversão dos fins que regem o desempenho da função estatal. que a regra legal em questão busque encontrar suporte e reforço.. que também não pode transgredir a autoridade da Constituição da República. consideradas as razões expostas... que. naquele caso. Como precedentemente enfatizado. o tema concernente ao princípio da proporcionalidade.. especialmente se se examinar o conteúdo da decisão que decretou a prisão preventiva do ora paciente. veiculam prescrições que ofendem os padrões de razoabilidade e que se revelam destituídas de causa legítima. PAULO BONAVIDES.. desse modo. neste ponto.... a prisão cautelar da pessoa sob persecução penal. Rel. “Direitos Humanos Fundamentais”. p.inclusive sobre a atividade estatal de produção normativa . 2ª ed.. Foi sob tal perspectiva que esta Corte. 1993. 4ª ed.. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. que se qualifica . 1995. Tenho por inadequada. após destacar a ampla incidência desse postulado sobre os múltiplos aspectos em que se desenvolve a atuação do Estado . autonomia e representação dentro de seu âmbito de atuação.... item n.3. no entanto. incide na mesma censura que o Plenário do Supremo Tribunal Federal estendeu ao art.inocência.. sendo irrelevante. o postulado em questão. extraindo a sua justificação dogmática de diversas cláusulas constitucionais..adverte que o princípio da proporcionalidade. atua como verdadeiro parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. que. de situação configuradora da necessidade de utilização. 3. p.. 14.ADI 1. por haver entendido.. colocando em sério risco a eficácia da ação penal. que os fundamentos em que se apóia a presente impetração revestem-se de inquestionável relevo jurídico.). emanada do ilustre magistrado federal de primeira instância.como postulado básico de contenção dos excessos do Poder Público.. tentando sempre frustrar a persecução penal de modo que a elas devem ser dispensadas atenção especial porquanto soltas continuariam seguramente a persistir na prática das atividades delitivas. fls.. itens ns. a proibição do excesso. . Min.... agora contando com o suposto assessoramento de autoridades federais.g.. 159/170. 18/19... “Curso de Direito Administrativo”. por isso mesmo.... essencial à racionalidade do Estado Democrático de Direito e imprescindível à tutela mesma das liberdades fundamentais.. no ponto em que este impõe. também se qualifica como ato estatal que transgride o princípio da proporcionalidade...... confrontando-se. até mesmo.. Rel..enquanto coeficiente de aferição da razoabilidade dos atos estatais (CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. dentro da perspectiva da extensão da teoria do desvio de poder ao plano das atividades legislativas do Estado.... tenho para mim. por mais de uma vez.Kia Joorabchian do Apenso III do IPL). ou. enquanto categoria fundamental de limitação dos excessos emanados do Estado. a invocação do art.. A jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal. sempre poderá. que o decreto de custódia cautelar achava-se adequadamente fundamentado segundo os critérios fixados pelo art. v. Isso significa.. não pode agir imoderadamente.. tem censurado a validade jurídica de atos estatais... Livraria do Advogado Editora. com o seu comportamento institucional. . Coloca-se em evidência. deu causa às sucessivas impetrações de “habeas corpus” em favor do ora paciente (Apenso 01.61. Malheiros.. ou não. pois a atividade estatal acha-se essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade. como na hipótese prevista no art. para esse efeito.063/DF. vedatória da concessão de liberdade provisória. evidenciada por fatos que dêem concreção aos requisitos previstos no art. Malheiros) . LÚCIA VALLE FIGUEIREDO. já advertiu que o Legislativo não pode atuar de maneira imoderada. bem por isso. 352/355.143/PR. 7º da Lei nº 9.. Min... o princípio da proporcionalidade visa a inibir e a neutralizar o abuso do Poder Público no exercício das funções que lhe são inerentes. 312 do CPP...81. Dentro dessa perspectiva. Como se sabe.. Ao fazê-lo.. considerados os múltiplos postulados constitucionais violados por semelhante regra legal. CELSO DE MELLO – RTJ 176/578-579. a garantia do “due process of law” (RAQUEL DENIZE STUMM.. CELSO DE MELLO . para efeito de sua aplicabilidade... Em suma... 46. ao Estado. da Carta Política. “Curso de Direito Constitucional”.. Ministério Público Federal e Justiça Federal).. Min.. Malheiros). Esse entendimento é prestigiado pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 4ª ed. p.. especialmente em sede processual penal. 204/210): “As pessoas denunciadas possuem considerável poder de decisão. Evidente o desprezo pelas autoridades constituídas e o destemor pela atuação dos órgãos estatais de controle (Banco Central do Brasil.. Eis. 1995. que.º 2006. 482/488 . Afastada a mera invocação do art. proíbe o excesso e veda o arbítrio do Poder. em juízo de sumária cognição..034/95. item n. nem formular regras legais cujo conteúdo revele deliberação absolutamente divorciada dos padrões de razoabilidade. 111/112. 56/57. “Curso de Direito Administrativo”.... mas persistiram na prática delituosa. Saraiva. gerando. “Princípio da Proporcionalidade no Direito Constitucional Brasileiro”. Vê-se. cabe examinar as outras razões expostas no ato decisório contra o qual se insurgem os autores desta ação de “habeas corpus”.. que este não dispõe de competência para legislar ilimitadamente. exteriorizando abusos inaceitáveis e institucionalizando agravos inúteis e nocivos aos direitos das pessoas (RTJ 160/140-141. decretar.. exatamente por viabilizar o controle de sua razoabilidade. Essa é a razão pela qual a doutrina. item n. p..Boris Berezovsky dos autos n... situações normativas de absoluta distorção e.. 1993. 11... a decretação da prisão cautelar do ora paciente. do instrumento de tutela cautelar penal.. 5º... presente situação de real necessidade.. inclui-se.... p. Min.... 312 do CPP e de acordo com os padrões estabelecidos pela jurisprudência desta Suprema Corte. tendo presente o requisito legitimador da cautelaridade.. em cada caso. 135/141 . 7º da Lei do Crime Organizado para justificar.. desconsiderando as limitações que incidem sobre o poder normativo do Estado. quando tal se mostrar imprescindível.. julgou (e indeferiu) o HC 89. em síntese.

.. 243/244. também. Saraiva).. PAULO LÚCIO NOGUEIRA.943/MG. dessa especial modalidade de prisão cautelar. cabe verificar se os fundamentos subjacentes à decisão ora questionada ajustam-se. É por isso que esta Suprema Corte tem censurado decisões que fundamentam a privação cautelar da liberdade no reconhecimento de fatos que se subsumem à própria descrição abstrata dos elementos que compõem a estrutura jurídica do tipo penal: “(. prisão preventiva.e desde que concretamente ocorrente qualquer das situações referidas no art. daí resultando grave comprometimento ao princípio da liberdade (HC 89. CELSO DE MELLO).) PRISÃO PREVENTIVA .. ou não.. por magistrados e Tribunais. considerada a função cautelar que lhe é inerente. 1995.não objetiva infligir punição à pessoa que sofre a sua decretação.. Min..considerada a função exclusivamente processual que lhe é inerente . 1991.RHC 71. Saraiva. que a prisão cautelar (“carcer ad custodiam”) . CELSO DE MELLO). Não obstante o caráter extraordinário de que se reveste. pois. só por si. 9ª ed.072/90). Os elementos próprios à tipologia bem como as circunstâncias da prática delituosa não são suficientes a respaldar a prisão preventiva... o que provoca. 1945.): “A gravidade do crime imputado... Min. p... teria transgredido os critérios que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal construiu em tema de privação cautelar da liberdade individual... na linha de autorizado magistério doutrinário (JULIO FABBRINI MIRABETE.RTJ 138/216 . v.. Não se decreta a custódia cautelar pela gravidade dos eventuais atos ilícitos praticados. em pronunciamento sobre a matéria (RTJ 64/77).. em face da estrita finalidade a que se destina... ao magistério jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal no exame do instituto da prisão preventiva..NÃO TEM POR OBJETIVO INFLIGIR PUNIÇÃO ANTECIPADA AO INDICIADO OU AO RÉU..e não deve .não objetiva infligir punição àquele que sofre a sua decretação...que não deve ser confundida com a prisão penal . A prisão preventiva . quando inocorrente hipótese que possa justificá-la.g. Em liberdade. Min. Atlas.ENQUANTO MEDIDA DE NATUREZA CAUTELAR .RTJ 142/855 . que tem natureza cautelar.. a prisão preventiva pode efetivar-se.NÚCLEOS DA TIPOLOGIA . fundado em bases democráticas. que o instituto da prisão cautelar . Min. instrumento destinado a atuar “em benefício da atividade desenvolvida no processo penal” (BASILEU GARCIA. 1994.... incompatível com punições sem processo e inconciliável com condenações sem defesa prévia.A prisão preventiva não pode . um dos malsinados ‘crimes hediondos’ (Lei 8.. Rel. 376. Rel.. SEPÚLVEDA PERTENCE . fragilizando a atividade jurisdicional e a ordem pública. portanto.. NÉRI DA SILVEIRA. se assim fosse lícito entender.. prevalece o princípio da liberdade.).. com base em elementos concretos e reais que se ajustem aos pressupostos abstratos - juridicamente definidos em sede legal . v. além de continuarem na prática de tais atividades.726/DF.. a atuar em benefício da atividade estatal desenvolvida no processo penal.” (HC 83. 3..... de mera detenção cautelar pela simples repercussão dos fatos..RTJ 142/878 .. Constitui. Rel. “Comentários ao Código de Processo Penal”. antecipar-se o cumprimento de pena ainda não imposta (.. pois. É por essa razão que esta Corte. que.. tal como esta Suprema Corte tem proclamado: “A PRISÃO PREVENTIVA . ao contrário. qualquer idéia de sanção.. Esse entendimento vem sendo observado em sucessivos julgamentos proferidos no âmbito desta Corte. Rel. torna- se legítima a decretação. o Supremo Tribunal Federal tem advertido que a natureza da infração penal não se revela circunstância apta. prisão temporária. III/7.” (grifei) Parece-me que a decisão em causa. no entanto. condutas que ainda causam indignação na opinião pública com repulsa profunda. para justificar a privação cautelar do “status libertatis” daquele que sofre a persecução criminal instaurada pelo Estado.. p/ o acórdão Min.. Presente esse contexto.não se revela incompatível com o princípio constitucional da presunção de inocência (RTJ 133/280 .IMPROPRIEDADE. mas porquanto se observou cupidez e manobras. em última análise. no interesse do desenvolvimento e do resultado do processo. SEPÚLVEDA PERTENCE. do instituto da tutela cautelar penal. MARCO AURÉLIO – grifei) Essa asserção permite compreender o rigor com que o Supremo Tribunal Federal tem examinado a utilização. Min. tem acentuado. prisão decorrente da decisão de pronúncia e prisão resultante de sentença penal condenatória recorrível) . Todos os denunciados estrangeiros demonstram já de antemão não possuírem qualquer intenção de colaborar para a aplicação da lei penal. pelo Poder Judiciário. circunstância esta que desde logo coloca em grave risco a ordem pública e a credibilidade da Justiça.” (RTJ 180/262-264. sob pena de. mas destina-se.. que não inibiram. . e só se legitima .qualquer que seja a modalidade autorizada pelo ordenamento positivo (prisão em flagrante.501/GO.. p.. ainda que o delito imputado ao réu (não é o caso destes autos!) seja legalmente classificado como crime hediondo (RTJ 172/184.que não se confunde com a prisão penal (“carcer ad poenam”) .ser utilizada..autorizadores da decretação dessa modalidade de tutela cautelar penal ( RTJ 134/798. Impõe-se advertir. SEPÚLVEDA PERTENCE . grande repercussão e clamor público. 250. “Curso Completo de Processo Penal”. item n.. considerados os fundamentos nela invocados.. ao decretar a prisão preventiva do ora paciente.não pode ser utilizado com o objetivo de promover a antecipação satisfativa da pretensão punitiva do Estado. Não traduz. VICENTE GRECO FILHO.HC 68. Rel. Forense). antes reforçaram.. Todos sabemos que a privação cautelar da liberdade individual é sempre qualificada pela nota da excepcionalidade. não basta à justificação da prisão preventiva.954/PA. no sistema jurídico brasileiro.RTJ 182/601-602. Rel. Não se trata.). Min..g. Rel.. “Código de Processo Penal Interpretado”. CELSO DE MELLO) Isso significa. certamente tudo farão para inviabilizar a persecução criminal. vol. subverter-se-ia a finalidade da prisão preventiva. mas pela reiterada tentativa de lhes conferir idoneidade. Nem se diga que a gravidade em abstrato dos crimes bastaria para justificar a privação cautelar da liberdade individual do paciente. ainda nos dias atuais.. “Manual de Processo Penal”.. em ordem a impedir a subsistência dessa excepcional medida privativa da liberdade. uma vez comprovada a materialidade dos fatos delituosos e constatada a existência de meros indícios de autoria (pressupostos da prisão preventiva) . 2ª ed. p/ o acórdão Min. a prisão cautelar. pelo Poder Público. como instrumento de punição antecipada daquele a quem se imputou a prática do delito. Com efeito.RTJ 148/429 .. 312 do Código de Processo Penal (fundamentos da prisão preventiva) -. . É inquestionável que a antecipação cautelar da prisão ... p.. item n.. desde que o ato judicial que a formalize tenha fundamentação substancial. Rel. 1.

já advertiu que a repercussão social do delito e o clamor público por ele gerado não se qualificam como causas legais de justificação da prisão processual do suposto autor da infração penal. cautelarmente. só por si. Precedentes. Min.” (RTJ 137/287.precisamente por não constituir causa legal de justificação da prisão processual (CPP. Rel.deixa de ser corroborada por necessária base empírica (que necessariamente deve ser referida na decisão judicial). SEPÚLVEDA PERTENCE. até final julgamento desta ação de “habeas corpus”. a decretação da prisão cautelar do suposto autor do comportamento delituoso. LXI e LXV) . a regular instrução processual revela-se insuficiente para fundamentar o decreto de prisão cautelar. com urgência. que “a repercussão do crime ou o clamor social não são justificativas legais para a prisão preventiva. a aplicação analógica do que se contém no art.não pode ser ofendida por atos arbitrários do Poder Público. ainda. 5º. em liberdade. que os eventos que lhe foram imputados teriam provocado “grande repercussão e clamor público. Rel. a propósito desse específico aspecto. Esse entendimento constitui diretriz prevalecente no magistério jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal. do CPP. EROS GRAU . Min.420/RJ. para efeito de justificação do ato excepcional de privação cautelar da liberdade individual. Rel. Brasília.289/RS. 312) .de que o réu poderia interferir nas provas. para. não autorizam a conclusão de que a garantia da ordem pública está ameaçada. constitui. em ordem a garantir a credibilidade da Justiça. RAFAEL MAYER . presunção arbitrária que não pode legitimar a privação cautelar da liberdade individual. só por si. em atenção à gravidade do crime imputado. por mais de uma vez. Ministro CELSO DE MELLO Relator * decisão publicada no DJE de 26. nessa matéria.).00. em nosso sistema jurídico.2008 .fundada em juízo meramente conjectural (sem qualquer referência a situações concretas) . já se decidiu. 5º. até que sobrevenha sentença condenatória irrecorrível (CF. Min.O estado de comoção social e de eventual indignação popular.81. sob pena de completa e grave aniquilação do postulado fundamental da liberdade. 323. Cabe relembrar. CELSO DE MELLO . que concerne. Min. a suposição . por si sós. LVII).como parece ocorrer na espécie dos autos .097239-7) e ao Senhor Juiz da 6ª Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo (Processo nº 2006. O clamor público . que.81. A mera afirmação. Tribunal Regional Federal da 3ª Região (HC nº 2007. Rel.grifei) Por sua vez. nesta Suprema Corte.)” (RTJ 112/1115. SEPÚLVEDA PERTENCE): “O clamor social e a credibilidade das instituições. por incabível. dentre as estritamente delineadas no artigo 312 do Código de Processo Penal (. Min. qualquer que seja a natureza da infração penal que lhe tenha sido imputada. entretanto. 5º. a eficácia da decisão que decretou a prisão preventiva do ora paciente.03. ao tema da fiança criminal (RT 598/417 . 1119.61. NÉRI DA SILVEIRA . ALDIR PASSARINHO. que concerne. Min. a ponto de legitimar a manutenção da prisão cautelar do paciente enquanto aguarda novo julgamento pelo Tribunal do Júri. não pode justificar. eis que. por mais de uma vez. v. não se revela possível presumir a culpabilidade do réu. desacompanhada de indicação de fatos concretos.não se qualifica como fator de legitimação da privação cautelar da liberdade do indiciado ou do réu. Publique-se. Bem por isso. no que concerne aos pressupostos de sua decretabilidade. a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RTJ 170/612-613.grifei). do CPP. tem destacado a absoluta inidoneidade dessa particular fundamentação do ato que decreta a prisão preventiva do réu (RTJ 180/262- 264. transmitindo-se cópia da presente decisão ao Excelentíssimo Senhor Ministro-Relator do HC 100. a aplicação analógica do que se contém no art. ILMAR GALVÃO . na censura do Supremo Tribunal Federal.090/SP (Superior Tribunal de Justiça).61.HC 72. Rel. para justificar a prisão preventiva do ora paciente. Rel. 323. defiro o pedido de medida liminar. SEPÚLVEDA PERTENCE . Comunique-se. 210 - grifei). ao tema da fiança criminal. quando destituída de base empírica. art. 19 de agosto de 2008. V. tal como tem advertido. . Rel. motivado pela repercussão da prática da infração penal. exclusivamente.g. não sendo lícito pretender-se. Min.” (RTJ 193/1050. Min. art. que.. tendo presentes as razões expostas. motivado pela prática da infração penal.” (RTJ 187/933-934. Min. quando a tanto se mostrar necessária: não serve a prisão preventiva. LVII).008647-8 (6ª Vara Criminal da 1ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo). ‘ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória’ (CF.8. ilicitamente. não deve condicionar-se.que possui extração constitucional (CF. A própria jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem enfatizado que o estado de comoção social e de eventual indignação popular. se mantido em liberdade. de que o ora paciente. por incabível.RHC 64. CELSO DE MELLO) Sendo assim. a punir sem processo. Sustentou-se. Min. art. Esse entendimento já incidiu. Rel. a decretação da prisão cautelar do suposto autor do comportamento delituoso. A prisão cautelar. v.008647-8). SEPÚLVEDA PERTENCE – grifei) “A ACUSAÇÃO PENAL POR CRIME HEDIONDO NÃO JUSTIFICA A PRIVAÇÃO ARBITRÁRIA DA LIBERDADE DO RÉU.HC 71. proferida nos autos do Processo nº 2006. . que o clamor público não pode erigir-se em fator subordinante da decretação ou da preservação da prisão cautelar de qualquer réu. Rel. nem a Constituição permitiria que para isso fosse utilizada. fragilizando a atividade jurisdicional e a ordem pública” (Apenso 01. não pode justificar.g. do qual. Rel.” (RTJ 187/933-934.RTJ 175/715. Min. não sendo lícito pretender-se. sob pena de completa e grave aniquilação do postulado fundamental da liberdade.RTJ 172/159. Rel.. mesmo que se trate de pessoa acusada da suposta prática de crime hediondo. a alegação de que o paciente deveria ser mantido na prisão. poderia frustrar. à Presidência do E. Rel. acertadamente. ao clamor emergente das ruas.A prerrogativa jurídica da liberdade . neste ponto. fls. CELSO DE MELLO) Também não se reveste de idoneidade jurídica. V. nessa matéria.): “O CLAMOR PÚBLICO NÃO CONSTITUI FATOR DE LEGITIMAÇÃO DA PRIVAÇÃO CAUTELAR DA LIBERDADE. art. suspender. Min. se essa alegação .368/DF. exclusivamente.

p. civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere. 157.Súmula vinculante . Publicada no DJE.br . justificada a excepcionalidade por escrito. sob pena de responsabilidade disciplinar. IV. M. de 22/8/2008.Taxa de matrícula – Cobrança Súmula vinculante nº 12 – A cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas viola o disposto no art.Súmula vinculante . dos Santos informativo@stf. STF . da Constituição Federal. de 22/8/2008. 206.1. sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. p. Publicada no DJE.1.Universidade Pública . n. por parte do preso ou de terceiros.Algema – Uso Súmula vinculante nº 11 – Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo a integridade física própria ou alheia. Assessora responsável pelo Informativo Anna Daniela de A. n.gov. 157. INOVAÇÕES LEGISLATIVAS 18 a 22 de agosto de 2008 STF .Preso .