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CADERNO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS – PROFESSOR BATISTA NEVES

CARLOS RIBEIRO REIS JUNIOR

PROGRAMA - BIBLIOGRAFIA:
1- TEORIA GERAL - TEORIA GERAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS, DIMOULIS E
MARTINS; LIVRO DE SARLET
2- DIREITOS FUNDAMENTAIS EM ESPÉSCIE – CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL,
SARLET MARINONI E MITIDIERO; ANDRÉ CARVALHO RAMOS
3- AÇÕES CONSTITUCIONAIS – SARLET, MARIONI E MITIDIERO; AÇÕES
CONSTITUCIONAIS, FREDDIE DIDIER

1- DIREITOS FUNDAMENTAIS
1.1- TERMINOLOGIA
1.1.1- DIREITOS HUMANOS
1.1.2- LIBERDADES PÚBLICAS
1.1.3- DIREITOS INDIVIDUAIS
1.1.3.1- A DIVISÃO ADOTTADA PELA CF - DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS
DIREITOS FUNDAMENTAIS SOCIAIS
DIREITO FUNDAMENTAL À
NACIONALIDADE
DIREITOS FUNDAMENTAIS POLÍTICOS
DIREITOS FUNDAMENTAIS DO
CONTRIBUINTE (LIMITAÇÕES
CONTITUCIONAIS AO PODER DE
TRIBUTAR)
1.1.4- DIREITOS
2- HISTORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
2.1- REQUISITOS: A) INDIVÍDUO
B) ESTADO
C) CONSTITUIÇÃO
2.2 GERAÇÕES/ DIMENSÕES – DESENVOLVIMENTO DA IDEIA E NOMENCLATURA
2.2.1- AS GERAÇÕES/ DIMENSÕES – HÁ MAIS DE 3?
2.2.2 AS DIFERENÇAS ENTRE A HISTÓRIA CONTADA E A HISTÓRIA VIVIDA –
ANÁLISE CRÍTICA

1- Direitos fundamentais

são um fenômeno recente na história de humanidade. tal como os concebemos. Ao adotar o nome “Direitos fundamentais” estamos trabalhando numa perspectiva de direitos constitucionais internos. Os direitos fundamentais não ficam restrito aos artigos 5º. A Constituição trata de direitos individuais coletivos no seu artigo 5º. A concentração de poder sem limites acabava possibilitando arbitrariedades por parte dos governantes e. eles estão espalhados pela Constituição.1. A doutrina francesa tradicional tratava da temática como liberdades públicas. Do ponto de vista doutrinário os Direitos fundamentais individuais não se referem aos direitos fundamentais como um todo. o ser humano não existia como indivíduo. seguindo uma mesma ordem. No mundo antigo.1. também. seus diretos: o Estado. com isso surge a necessidade de se criarem Constituições limitando o poder estatal e garantindo direitos fundamentais. No Brasil. não havia o homem enquanto indivíduo e nem como portador de direitos fundamentais. §4 fala-se em direitos fundamentais individuais como limites ao poder de reforma. a necessidade de haver um ente que garanta a autonomia desses indivíduos. o que dá a falsa ideia que estes direitos surgiram em todos os locais do mesmo modo. de estar integrado aos destinos de determinada comunidade. Há também direitos fundamentais ligados à ideia de nacionalidade. por equívoco de interpretação. Quando se fala em Direitos Civis. que havia existência individual. Dimitri e Leonardo Martins mostra que os direitos fundamentais. assim só estaríamos estudando parte dos direitos fundamentais. Todo direito em alguma medida é individual. Há. mas não seu todo. Ao escolher pela terminologia direitos fundamentais também está se dizendo que existem diretos que não são fundamentais.60.150 e subsequentes). A liberdade para os modernos significa ter autonomia.. Os direitos fundamentais são divididos em gerações. por conseguinte o não respeito ao indivíduo. profissão e destino. no artigo 60. Os direitos fundamentais sociais são caracterizado não por sua estrutura. mas a atual já utiliza as terminologias fundamentais e humanos. mas por sua finalidade: intervir para modificar a sociedade.História dos Direitos fundamentais Há uma tendência na História de estender o passado para além de onde ele deve ir. mas existem direitos que só são individuais. devendo ser adotada a terminologia Direitos Humanos. 2. Terminologia: O Direito Constitucional brasileiro convencionou utilizar a expressão direitos humanos em uma acepção filosófica jus naturalista e numa perspectiva transnacional. Eles surgiram a partir da satisfação de três requisitos: indivíduo. que havia o direito de escolher sua própria religião. mas se tratando do art. Enquanto não havia autonomia. Embora essa seja a convenção predominante no nosso direito. O Estado vai eliminando as fontes tradicionais de criação do direitos e concentrando esse poder. §4 é necessário reconhecer a interpretação extensiva já adotada pelo STF que entende protegidos os direitos fundamentais como um todo. com a reforma e a contrarreforma que o ser humano começou a perceber que sua existência não deveria ser para a coletividade. esse acordo não é isento de crítica. No Brasil. os direitos pertenciam a certos grupos. a liberdade para os antigos era um poder de participar. não caberia chamar o nosso objeto de estudo de liberdades públicas pois ele está associado aos direitos fundamentais de primeira geração. Foi somente com o renascimento. não podemos ter esses direitos como sinônimo dos direitos fundamentais. acha-se que os direitos civis não englobam os direitos políticos. O artigo 60 da Constituição protege os direitos individuais. Por um equívoco redacional. André de Carvalho Ramos utiliza Direitos humanos e afirma que se há uma escolha do Brasil que decide aceitar os pactos internacionais de direitos humanos não há porque fazer essa divisão.Gerações/ dimensões dos direitos fundamentais . que são parte dos direitos fundamentais. expressão adotada nos EUA. 3. Estado e Constituição. direitos fundamentais políticos e outros direitos fundamentais que são do contribuinte ( pessoa física ou jurídica que se sujeita a uma relação de imposição tributária ao Estado – Art.

ele pretendia fazer um paralelo entre os direitos fundamentais e aquilo que os franceses pensaram num primeiro momento da revolução. às ideias da revolução francesa. Outro motivo que torna ruim esta classificação é. essas críticas quanto à terminologia e à quantidade de dimensões são superficiais. de nenhum país do ocidente. Esta classificação também não explica porque alguns direitos aparecem em algumas gerações. ao invés. como a brasileira (completar. o que muda vai ser qual desses aspectos prevalece em cada direito. naquele determinado momento histórico. para outros se refere a todo o texto constitucional formal. O problema é: a Constituição dá conta sozinha de tratar de todos os direitos fundamentais. afirma que a terminologia geração. pelo menos dois aspectos: abstenção e ações positivas (deveres de prestação). concreta. A classificação parte de um ponto verdadeiro: a constatação de que direitos fundamentais possuem estruturas diferentes e que apareceram em momentos históricos diferentes. e foram esses direitos que permitiram um avanço da primeira para a segunda fase do Constitucionalismo. afirmados na primeira geração e universalizados em um intervalo entre a primeira e a segunda geração.Norberto Bobbio difundiu o conceito de gerações num livro chamado A era dos Direitos. escolhe quais direitos são fundamentais para aquele povo.. 4. mas sim em seu final. . Para uns. O professor André Ramos Tavares. O segundo problema dessa classificação está no fata de que. uma tentativa de lidar com a nossa realidade. a ausência de uma categoria de direitos políticos. Essa classificação não corresponde à história real. mas se modificou com o Constitucionalismo social. o que acontece com os direitos fundamentais não é isso. Com isso.1. reaparecem na parte da Constituição que estrutura a ordem econômica. Um direito é fundamental porque o seu conteúdo é fundamental. porém. as gerações se superpõem. obedecer uma função social. sendo que os direitos fundamentais se desenvolveram de modos e em épocas diferentes em cada local. Bonavides vêm propor a existência de uma quarta dimensão de direitos fundamentais. no sentido formal? Outro problema é: se temos uma Constituição extensa. Na verdade.Direitos Fundamentais 4. como os dos povos indígenas que não estão presentes no início da Constituição. todo e qualquer direito fundamental comporta/ exige. Vários direitos fundamentais. Existem direitos fundamentais.Em sentido Formal Um direito é fundamental porque um ordenamento o define como tal. possuem diferenças significativas. Bloco de Constitucionalidade se refere à tudo aquilo que vale como Constituição em sentido formal em determinado ordenamento ainda que lá não esteja. juntamente com o tempo histórico em que surgiram. O principal erro da teoria de Vasar é colocar toda a dinâmica histórica dentro de um mesmo patamar. com a nossa Constituição analítica. Em estados que adotam Constituições rígidas. há pontos negativos nesta classificação. Neste livro ele apresenta ideias de um pensador do Direito da Tchecoslováquia chamado Karel Vasar. a doutrina brasileira propõe a adoção do nome dimensões. Existem direitos que são predominantemente de abstenção que não apareceram no Constitucionalismo liberal e existem direitos predominantemente de prestação que não aparecem no Constitucionalismo social. a exemplo do direito de propriedade que já aparecia na primeira geração. devendo a partir daí.. No Brasil. traz a ideia de substituição: uma geração vem para substituir a outra. A Constituição de 88 traz os direitos fundamentais no início da Constituição e isso reflete uma decisão política que pretende mostrar que o estado existe para servir ao povo e não o oposto. o catálogo de direitos fundamentais se refere aos direitos presente do artigo 5º ao artigo 18. Esse auto teve a ideia de associar os direitos fundamentais. o Poder Constituinte ao se manifestar. Porém. outros autores seguem a mesma linha e propõem outras dimensões. principalmente os sociais. mas se modificam em outras. Nessa classificação é trazida a noção de que todos os direitos fundamentais não possuem a mesma estrutura.) Sarlet fala de catálogo de direitos fundamentais.

aplicabilidade imediata (as normas contem em si mesma tudo o que é necessário para a sua aplicação) As normas de eficácia limitada só o é quanto a efeitos positivos. crê que os animais não possuem direitos fundamentais que os direitos que dizemos ser conferidos a eles na verdade são direitos conferidos aos humanos para protegê-los. devemos nos afastar do antropocentrismo e se afasta do biocentrismo (animal rights). É uma consequência da supremacia dos DF diante dos outros direitos.2. intransferível. A nossa Constituição não traz todos os direitos fundamentais e por isso se adota a clausula de abertura material. indisponível. c) Seres não humanos: São os animais e da pós-humanidades (robôs). não todos. mas isto não é verdade. Uma pessoa jurídica. mas os compatíveis com sua situação. Essa característica é apresentada como . porém. Por exemplo: todos possuem o direito de impetrar um habeas corpus. Essa clausula quer dizer que se um direito fundamental decorrente dos princípios ou do regime da república federativa não estiver expresso no texto constitucional ele deve ser reconhecido como tal. não são todos que possuam o direito de trabalhar no país. 5. reconhecer a impossibilidade de sua supressão ( os direitos fundamentais podem ser alterados para aumentar a proteção existente a esse direito).???????? c) Caráter Absoluto: A todos se impõe estes direitos.Em sentido material A proximidade com a dignidade de pessoa humana torna o direito fundamental em sentido material. no caput do artigo 5º. mas é evidente que o estrangeiro não residente também possui direitos fundamentais. e esta faria com que estes tivessem direitos a alguns direitos fundamentais. Para estes autores. Os direitos fundamentais valem para todo e qualquer integrante da humanidade. A Constituição. No sentido subjetivo tem a ver com as pessoas para quem os direitos fundamentas valem. irrenunciável. Agora. possuem direitos fundamentais. 4. b) Pessoas Jurídicas: Também possuem direitos fundamentais. por exemplo.´ d) Indisponibilidade ou irrenunciabilidade: Um direito fundamental é caracterizado desde o início com inalienável. Na RFB os portugueses que requererem ao Ministério da Justiça possuem os mesmos direitos de um cidadão brasileiro.Característica dos direitos fundamentais a) Historicidade b) Universalidade: No sentido objetivo da palavra significa dizer que os direitos fundamentais são fundamentais porque abrangem todos os seres humanos. tem a ver também com território de aplicação. a maior parte da doutrina. mas somente os que são compatíveis com sua natureza jurídica. Se referindo aos animais. Porém.Titularidade dos diretos fundamentais Quem tem ou pode ter direitos fundamentais? É muito comum pensar que esses direitos são somente para os cidadãos.Ao reconhecer um direito fundamental em sentido formal resultarão algumas consequências: o ordenamento vai conferir a esse direito supremacia normativa ( do ponto de vista normativo ele passará a ser superior a qualquer outro direito que não seja fundamental). esse caráter absoluto só vale quando um direito fundamental colide com outro não fundamental. fala em conferir direitos fundamentais e brasileiros e estrangeiros residentes no país. quanto a efeitos negativos ele sempre terá força impeditiva. a) Pessoas físicas = São titulares de direitos fundamentais e podem ter direitos políticos. 6. não possui direito à liberdade de locomoção pois não possui natureza móvel. os estrangeiros. para alguns autores possuem uma dignidade própria à sua condição de animais. por exemplo.

porém isso não corresponde à realidade. pertencente a todos os direitos fundamentais. quando esse conceito se tornou fraco.Status negativus: Situação que eu tenho o direito de exigir do Estado que não interfira em minha vida. elas são de duas espécies: institucionais privadas – protegem formações sociais pré-estatais como família. Viera de Andrade lembra que essa divisão entre direitos e garantias é uma divisão falsa pois nos faz crer que as garantias tornam o direito mais importante. porém a indisponibilidade do direito de ter direitos é uma característica de todos os direitos e não só dos direitos fundamentais. imposições. condutas que devem ser tomadas por conta de uma imposição constitucional. essa categoria é tão importante quanto a dos direitos fundamentais. institucionais públicas – criadas pela constituição para proteger todos os direitos fundamentais. na verdade. por um motivo político. Karl Schmidt propôs a existência de garantias.Status activus: Status correspondente ao direito de participação política – activae civitatis. normas que garantem a efetivação de direitos fundamentais.Status positivus: Corresponde ao direito de exigir do Estado determinados comportamentos. e) Vinculação aos poderes públicos: O Estado é obrigado a cumprir os direitos fundamentais em todos os seus poderes. sem as quais. de qualquer direito. desligados. Apesar de sua importância. De qualquer forma. Os poderes públicos devem encontrar uma maneira de aplicas os direitos fundamentais. mas também a participação do processo de tomadas de decisões públicas. porém há deveres fundamentais que são independentes. Na verdade. 7. Proteção do indivíduo frente ao estado. os direitos fundamentais são impossíveis de serem exercidos. Os deveres fundamentais são obrigações. dentre eles o dever de criminalização de alguns comportamentos. Ele disse que quando protege a liberdade de manifestação de pensamento está protegendo não a liberdade de um indivíduo . há poucos estudos sobre os deveres fundamentais. O tribunal decidiu a favor do direito de liberdade de manifestação. e o é. as garantias são tão importantes quanto os direitos fundamentais. . Se uma decisão importante será tomada devem ser ouvidos os interessados (status activus processualis) 9. Desde a Constituição de 1891 fala-se no Brasil não apenas de direitos fundamentais. Existem deveres fundamentais também para o Estado. casamento. O caso Luth : Julgamento do Tribunal Constitucional Federal alemão onde se identificou que os direitos fundamentais também possuem uma dimensão objetiva. que não existem na constituição em correspondência a qualquer direito específico (ex: o dever de prestar serviço militar). Se eu falo de direito fundamental eu falo de dever fundamental também. 8. Essa característica foi adotada. . uma situação de total sujeição do indivíduo perante o Estado. ambos estão no mesmo patamar hierárquico. maternidade. mas também de garantias como uma categoria que se iguala à primeira. etc.A teoria dos 4 status – Jelliner Foi pensada no início do século XX . .Garantias e deveres fundamentais No direito brasileiro é tradicional a lembrança de que as garantias são tão importantes quantos os direitos fundamentais. Como consequência teremos uma aplicabilidade imediata. se queria dizer que o povo possuía direitos inatos e quem nem se eles quisessem poderiam dispor deles. ainda assim.A dupla dimensão dos direitos fundamentais Os direitos fundamentais existem numa perspectiva subjetiva e numa objetiva. *Haberle defende que no mundo de hoje não é necessário apenas garantir direitos políticos.Status subjectiones: Corresponde a um dever fundamental. a doutrina começou a dizer que essa indisponibilidade/irrenunciabilidade se refere a possuir os direitos e não aos direitos em si ( há o direito de ter direito à propriedade).

. mas além disso ele protege o valor.sozinho. como algo válido para toda a ordem jurídica. mas sim como um valor. dos entes privados. O direito fundamental possui uma força irradiante que se propaga por todo o ordenamento jurídico.Eficácia dos direito fundamentais nas relações privadas Konrad Hesse. na década de 70 afirmou que naquela época o principais atentados aos direitos fundamentais não vinham mais do Estado. mas sim. 10. ele envolve a proteção de alguém que possui esse direito.