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AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DA TORTA DE DENDÊ PARA SUPLEMENTAÇÃO DE RUMINANTES

NA AMAZÔNIA ORIENTAL

Dayana Alves da Costa*
José de Brito Lourenço Júnior**
Geane Dias Gonçalves Ferreira***
Núbia de Fátima Alves dos Santos****
Alexandre Rossetto Garcia*****
Edwana Mara Moreira Monteiro******

RESUMO

O trabalho foi realizado na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, Pará, com o objetivo de
avaliar a influência da adição da torta de dendê (Elaeis guineensis) como alternativa para suplementação
alimentar de ruminantes, em períodos críticos de produção de forragem na Amazônia Oriental. Foram
determinadas as características nutricionais da torta de dendê, durante 21 dias, com 16 ovinos, em
gaiolas metabólicas individuais, distribuídas em delineamento inteiramente casualizado (quatro
tratamentos e quatro repetições), onde os tratamentos (T1, T2, T3 e T4) continham quicuio-da-amazônia
(Brachiaria humidicola) e níveis crescentes de 10%, 20%, 30% e 40% de inclusão de torta de dendê.
Os consumos de matéria seca, em g/dia e % do peso vivo, foram de 666,6 e 2,5; 686,9 e 2,4; 649,4 e
2,4; e 540,9 e 2,0, de matéria orgânica 706,5; 710,8; 708,1 e 632,3 g/dia, e de proteína bruta 37,3;
42,9; 58,7 e 56,4 g/dia. O consumo de FDN, em g/dia, foi de 584,7; 583,5; 565,2; 527,0. Os coeficientes
de digestibilidade da matéria seca foram de 50,3; 47,8; 52,2; e 55,2%, da matéria orgânica de 50,8;
49,6; 53,5; e 56,3% e de proteína bruta de 48,0; 38,7; 66,8; 69,4%, em T1, T2, T3 e T4, respectivamente.
A torta de dendê possui potencial produtivo, com elevada disponibilidade de matéria seca e bom
valor nutritivo, em níveis em torno de 30%, e possibilita maior consumo e digestibilidade de matéria
seca, matéria orgânica, proteína bruta, com suprimento adequado de energia.

Palavras–chave: Consumo Voluntário. Digestibilidade. Suplementação Alimentar.

*
Zootecnista; Doutoranda em Zootecnia/UFMG Belo Horizonte/MG. E-mail: dayanazoo@yahoo.com.br
**
Engenheiro Agrônomo; Doutor em Ciências Biológicas/Biologia Ambiental. Professor do Doutorado em Ciências
Agrárias/Agroecossistemas da Amazônia da UFRA/Embrapa e em Ciência Animal da UFPA/Embrapa/UFRA. Belém/PA.
E-mail: lourenco@amazon.com.br
***
Zootecnista; Doutora em Zootecnia; Professora Adjunta da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Recife/PE.
E-mail: geane@uag.ufrpe.br
****
Engenheira Agrônoma; Doutoranda em Ciências Agrárias da UFRA/Embrapa. Bolsista da CAPES. Belém/PA.
E-mail: nubiasaint@yahoo.com.br
*****
Médico Veterinário; Doutor em Reprodução Animal; Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental e Professor do
Doutorado/Mestrado em Ciência Animal da UFPA/Embrapa/UFRA. Belém/PA. E-mail: argarcia@cpatu.embrapa.br
******
Zootecnista; Doutoranda em Ciências Agrárias da UFRA/Embrapa. Bolsista do CNPq. Belém/PA.
E-mail: edmara6@yahoo.com.br

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 4, n. 8, jan./jun. 2009. 83

NUTRITIONAL EVALUATION OF PALM KEMEL CAKE FOR SUPPLEMENTATION OF
RUMINANTS IN THE EASTERN AMAZON

ABSTRACT

The study was carried out at the Embrapa Eastern Amazon, in Belem, Para State, Brazil, with the
objective of evaluate the influence in addition palm kernel cake (Elaeis guineensis) as alternative feed
supplementation of ruminants, in the critical periods of forage production of in the Eastern Amazon.
The nutritional characteristics of palm kernel cake was determined during twenty one days, using
sixteen sheep, in individual metabolic cage, distributed in a completely randomized experimental
design, with 4 treatments and 4 replications. The experimental rations (T1, T2, T3 and T4) contained
Brachiaria humidicola and palm kernel cake, at four levels (10%, 20%, 30% and 40%). The consumption
of dry matter (g/day) and % of live weight were 666.6 and 2.5; 686.9 and 2.4; 649.4 and 2.4; e 540.9
and 2.0, of organic matter 706.5; 710.8; 708.1 and 632.3 g/day, and of crude protein 37.3; 42.9; 58.7
and 56.4 g/day. The neutral detergent fiber consumption in g/day, were 584.7; 583.5; 565.2 and 527.0.
The coefficients of digestibility were 50.3; 47.8; 52.3; and 55.2%, in dry matter basis, and 50.8; 49.6;
53.5; and 56.3%, in organic matter basis, and the crude protein contents were 48.0; 38.7; 66.8; 69.4%,
in T1, T2, T3 and T4, respectively. The palm kernel cake shows good feeding potential, with high dry
matter and good nutritional value, mainly at the level of 30%, and allows greater consumption and
digestibility of dry matter, organic matter, crude protein, with adequate supplement of energy.

Keywords: Voluntary Consumption. Digestibility. Alimentary Supplementation.

Amazônia: Ci. & Desenv., Belém, v. 4, n. 8, jan./jun. 2009. 84

disponibilizam alimentos de bom valor na alimentação de ruminantes. posteriormente. As agroindústrias no Pará sustentabilidade é a alimentação. ruminantes nessa região é a baixa alcançar o homem. com disponibilidade de forragem Carvalho (1992) destaca a quantidade reduzida. desenvolvida em sistemas de produção que determinação do valor nutritivo. ser principais componentes da produção. nos períodos críticos de produção de RODRIGUES FILHO et al. os composição química. torna-se necessário conhecer o seu valor nutritivo. tendo em vista que a demanda nutricional não é Dentre os fatores para a escolha de um atendida. que (1992) alerta para o risco da contaminação permitem produção de forrageiras de boa química e biológica a que estão sujeitos. armazenagem e principais fatores que influencia na sua comercialização. Buschinelli de energia radiante e chuvas abundantes. as condições são subprodutos agrícolas.. & Desenv. alimentar adequado.. pois um dos sistemas de conservação. vem sendo aplicação de métodos de tratamento. na época seca do ano./jun. aumentar a produtividade animal (LOURENÇO condicionamento e armazenagem. 2001). n. os custos oscilam entre na formulação de rações balanceadas. A sua JÚNIOR et al. um dos principais contaminação pode atingir a cadeia alimentar. 2001). carne como para leite. com o 30% e 60%. 2009. proximidade entre fonte produtora importância a utilização de inovações e local de consumo. torna-se de fundamental disponível. características tecnológicas. nutritivo e baixo custo (MARTINS et al. o que depende do tipo de objetivo de elevar o padrão produtivo dos exploração. há necessidade de estudos para intensivos e alternativos de produção. 2000. pelo suprimento minimizar os gastos. Com gado utilizada de forma correta como ingrediente leiteiro. estiagem. 85 . posteriormente. Portanto.. Entretanto. tanto para desenvolvimento. 4. principalmente.1 INTRODUÇÃO Na Amazônia. tais como resíduos e Amazônia Oriental. Entretanto. rentabilidade da pecuária tradicional. Amazônia: Ci... 8. digestibilidade e custos com alimentação representam um dos consumo voluntário. através da Na criação intensiva de ruminantes. viabilidade como alimento para ruminantes requer trabalhos de pesquisa e A produção de ruminantes. v. Uma têm disponibilizado resíduos. 2004). jan. no período de subproduto para alimentação de ruminantes. forragem. principalmente. com objetivo principal de nutricionais. Essa qualidade. que viabilizar a inclusão dessa fonte alternativa. entraves nos sistemas de criação de inicialmente pelos animais e. além de precisam ser melhorados. representam formas de favoráveis à produção animal. Belém. por exemplo. Para tanto. basicamente. associado ao uso de sistemas Assim. Alimentos alternativos e de baixo sistemas de criação de ruminantes na valor comercial. dentre os quais estratégia que pode ser utilizada para elevar se destaca a torta de dendê (RODRIGUES a economia dessa atividade é o manejo FILHO et al. visando a caracterização. para. custos de transporte.

descanso. 30% e 40%). energia bruta (EB) e resíduo mineral fixo (RMF). C e D. Belém. jan. Após o corte. extrato gaiola. Foram utilizados 16 de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia ovinos machos. O experimento foi realizado (18. 8. O subproduto do dendê foi obtido por (Brachiaria humidicola) foi colhido em piquete extração mecânica. Os alimentos armazenado em local fresco e arejado. em Belém. no início e final do período de “Senador Álvaro Adolpho”.. em função do peso Foram realizadas análises para vivo. fibra em madeira. 2009. com quatro repetições por tratamento. e as análises realizadas no Laboratório da primeira refeição. durante foram fornecidos aos animais duas vezes ao dia. gramínea quicuio-da-amazônia ( Brachiaria os animais foram vermifugados e realizado o corte humidicola). e alimento fornecido. em indústria de Santo manejado com sete dias de ocupação e 35 de Antônio do Tauá. Fonte: dados da pesquisa. 20%. Anteriormente. o período experimental.14 dias de adaptação e e consumo foram utilizadas quatro dietas sete dias para determinação do consumo experimentais. com intervalo entre Amazônia: Ci. 4. O resíduo foi estocado em sacos e e misturada com a torta de dendê.2 MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi realizado no Laboratório Foram realizadas pesagens dos animais. Os animais (UFRA). celulose (CEL).08. em percentagem da MS. etéreo (EE). & Desenv. O quicuio-da-amazônia no período da manhã e tarde. e 24 kg. A composição química das dietas e limpeza dos cascos e depois mantidos em experimentais. PA (1º 28´ S e 48º 27´ W). v. mestiços Santa Inês. proteína bruta (PB). a gramínea foi triturada Pará.2005). matéria em gaiolas metabólicas individuais de orgânica (MO). se na Tabela 1. através da coleta das amostras do torta de dendê (10%. encontra- gaiolas metabólicas. n. dispostos lateralmente. sobras e fezes. em 21 dias . Tabela 1. foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado. 86 . lignina (LIG). antes Oriental. fibra em detergente bebedouros. providas de comedouros e detergente neutro (FDN).07 e Para o ensaio de digestibilidade aparente 7. B. em cada ácido (FDA)./jun. da Universidade Federal Rural da Amazônia com oito meses de idade. determinações da matéria seca (MS). castrados. até o final do experimento. a cerca de 50 km de Belém. de Nutrição Animal/Unidade de Pesquisa Animal pela manhã. da Embrapa Amazônia adaptação e no final do experimento.Composição das dietas experimentais expressa em % da matéria seca total. formuladas e distribuídas nos voluntário e coeficientes de digestibilidade tratamentos A. com níveis crescentes da aparente.

e armazenadas (-2ºC). levadas para estufa. Em material fornecido foram coletadas. proteína bruta (CDPB). com livre acesso à água e à mistura ingredientes da dieta e fezes foram amostrados mineral. A percentagem de carboidratos totais temperatura da água. FDA. os cadinhos et al. até peso constante. PB.. foram identificados. jan. MO e RMF dos alimentos..as refeições de oito horas. por pelo método sequencial descrito por Van Soest quatro horas. (1992): CHOT = 100 – (%PB + %EE bomba. A EB se as quantidades de matéria mineral. 87 . 1970). fibra em adiabático de Parr). A pré-secagem do alimento foi feita em animais. por 60 minutos.. em digestão a quente. eram pesadas em cadinhos./jun. através de circuito elétrico.. consumo de extrato etéreo amostra eleva temperatura da água na qual a (CEE) e carboidratos totais (CCHOT) foram obtidos bomba está imersa. (1991) e as determinações de PB pelo contendo as cinzas eram pesados.. as fezes e as sobras do moagem em peneira com crivo de 1 mm. 18. que determina a proteína bruta (CPB). que sofreu = quantidade do nutriente consumido. 8. para cada o consumo de 1. todos os ad libitum. CEL e LIG da MS foram colocados em mufla (600°C). Belém. em duplicata. fibra em detergente neutro queima de fusível. As amostras foram detergente ácido (CDFDA). em condições adiabáticas (CHOT) foi determinada pela equação descrita por e. liberando faísca elétrica. pesadas e seguida. v. fibra em detergente ácido (CFDA). FDA de gases. MO. A ingestão de MS foi Para as análises químicas. As quantidades fornecidas dos de forma representativa. 1995). fazendo-se correções para a energia + %Cinzas).61 g de sódio Amazônia: Ci. A combustão da energia bruta (CEB). 4. para posterior realização das retiradas subamostras para análise laboratorial análises. A energia bruta da amostra de acordo com as recomendações de Silva e Leão foi determinada medindo-se a elevação da (1979).5% a 2% do peso vivo dos amostra. os cadinhos da análise (ASSOCIATION. Em Os teores de MS. (CFDN). (2002). 2009. com 30 g de lauril sulfato de excretado. NCON aproximadamente 1 g da amostra. as amostras foram armazenadas em acondicionadas em sacos de plástico e recipientes de plástico. utilizou-se de digestibilidade aparente do nutriente. Foram utilizadas amostras de 1 g. usada bomba calorimétrica (calorímetro fibra em detergente neutro (CDFDN). que (HARRIS. A FDN. & Desenv. pela diferença entre os pesos. Silva et al. em contato com a amostra. Os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca (CDMS). conhecendo-se o equivalente hidrométrico da Sniffen et al. Após resfriamento. e as determinações alimentos foram determinadas considerando-se químicas realizadas. e EB adotou-se a fórmula: CDAN (%) = [(NCON - NEXC)/ NCOM] x100.. novamente pesadas. e NEXC = quantidade do nutriente detergente neutro. à temperatura de 105°C. onde: CDAN = coeficiente Para a determinação da FDN. com base na MS. O consumo da matéria seca (CMS). seguida. em gramas. 10 ml de etileno glicol.. 1995). devidamente fechados. sódio. Para os cálculos dos coeficientes de liberada pela oxidação do fusível e produção digestibilidade aparente da MS. Posteriormente. A MO foi foi determinada segundo as recomendações de obtida pela diferença entre MS e RMF. FDN. obtendo-se a sobras e fezes foram determinados de acordo quantidade de MS. n. determinando- método Kjeldahl (ASSOCIATION. energia bruta (CDAEB) colocadas em recipiente próprio com 25 a 30 foram determinados pelo método de coleta total atmosferas de oxigênio e a combustão feita de fezes. com a Association of Official Analytical Chemists Na determinação do RMF. Durante o período estufa de ventilação forçada a 60±5°C e a experimental (sete dias). em solução gramas. Na determinação da energia bruta foi matéria orgânica (CDMO).

em 3 g da amostra. para contato do ácido com repetições. determinando-se. em nível de 5% de probabilidade. de 2 a 3 cm de altura. MO método empregado no processo de e RMF. na decahidratado e 4. casualizado.8 sulfúrico concentrado. 36. Eij = Erro experimental de peso.81 g de borato de sódio que antecede a queima em mufla. e colocados em mufla. de seguida. após a queima na mufla. Os dados observados foram de celulose foi obtida pela diferença. Belém. MS. com a fibra. multiplicando-se por 6.2%./jun. durante 60 minutos. por litro.2%. As variações na percentagem de inclusão da torta. A solução era formada por 28. com maior teor de pela qualidade do fruto industrializado. apenas pela proteína em análise. n. em função dos níveis respectivamente. O extrato etéreo foi obtido pela extração.5% e 39. os cadinhos foram filtrados. Nesse aspecto. por cadinho filtrante. e depois de filtradas e secas. A diferença A proteína bruta foi determinada através entre os pesos forneceu as quantidades de FDN. A determinação do nitrogênio solução detergente ácido utilizada na digestão total baseia-se na digestão da amostra com ácido das amostras. Os resultados foram interpretados todas as partículas da amostra.EDTA dihidratado. da torta. v. por três onde Yij = Variável de resposta. de peso determinado. o dietas. Em de Duncan. 8. por sucção. a vácuo. com quatro tratamentos e quatro em forma de pasta. Em seguida. As captada em um ácido diluído. adicionaram-se 30 ml de H2SO4 a Os dados foram analisados em 72%. em níveis de 10%. estatisticamente. o nitrogênio. amostras sofreram digestão. Os as quantidades de extrato etéreo calculadas pela cadinhos. pesadas e calculadas as quantidades de fibra em detergente ácido. e “Klason”. por titulação. no passo System (SAS. 88 . 1989).. Um bastão de vidro delineamento experimental inteiramente foi usado para misturar o conteúdo e o ácido. seguindo um tratamento ml de ácido sulfúrico concentrado e 20 g de com álcali concentrado e destilação da amônia. por análise de variância e teste essa operação foi repetida duas vezes. Na determinação dessa fração os procedimentos obtendo-se a percentagem de nitrogênio na diferiram das determinações de FDN. na perda analisados no aplicativo Statistical Analysis de peso da fibra em detergente ácido. horas. 3 e 4. pelo método “Klason”. além da idade de corte de MS das dietas podem ter sido influenciadas da Brachiaria humidicola. 2009. aumentou o teor de MS das dietas (JALALUDIN. com água. bandeja de vidro. das dietas experimentais.6. finalmente. 2. A inclusão beneficiamento e período de armazenamento de torta de dendê. cetiltrimetilbrometo de amônio por litro. com ácido sulfúrico. a 500ºC. devido ao seu estádio vegetativo. 4. 34. determinação da lignina. Toda fração solúvel da amostra foi em detergente ácido.25.55 de fosfato de sódio anidro.7%. Adotou-se o método lignina recebida em um becker. a 72% p/p. com A lignina foi determinada a partir da fibra éter etílico. Os resíduos foram filtrados em cadinhos de vidro e secos em estufa a 100°C. em 32. foram colocados em diferença entre o peso final e original dos beckers. O teor de lignina foi calculado pela perda Ti = Efeito de tratamento. & Desenv. até a sua inclusão na formulação das 30% e 40%. m = Média geral. A quantidade e i = 1. acordo com o modelo matemático Yij = m+Ti+Eij. Amazônia: Ci. 20%. jan. 1996). teor de MS aumentou. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 2 estão os teores da MS. durante quatro horas. Após uma hora. do nitrogênio total.

elevou-se o teor de PB (Tabela 3). em função do nível crescente da torta de dendê nas dietas experimentais. a na Tabela 3. PB e carboidratos da torta de dendê na alimentação de caprinos. não diferem estatisticamente (Duncan 0.. reduz dendê nas dietas. totais (CHOT) das dietas podem ser observados Segundo Rodrigues Filho et al. 2009. Esses resultados com 10% e 20% do subproduto apresentaram foram semelhantes aos encontrados em amostras níveis inferiores a 7%. 89 . além de aumentar (2002). Nota: Médias seguidas da mesma letra. 8. na horizontal. 1996). Os teores de EE. As médias de EE nos tratamentos proporção de casca presente no resíduo varia não diferiram. apesar da elevação de seus conforme o processo de beneficiamento da níveis. não diferem estatisticamente (Duncan 0.Tabela 2 . energia bruta (EB). (2001). EB. Nota: Médias seguidas da mesma letra.05).1572%).1355%). em maiores níveis.1495%).05) entre os tratamentos 10% e 20% e entre Observa-se que os teores de PB nas dietas os tratamentos 30% e 40%.. Tabela 3 . Paraense (RODRIGUES FILHO et al. proteína bruta (PB) e carboidratos totais (CHOT) em função do nível crescente da torta de dendê nas dietas experimentais. & Desenv. n. Com o aumento dos níveis da torta de Mesorregiões Metropolitana de Belém e Nordeste dendê. entretanto. Fonte: dados da pesquisa./jun. não houve diferença significativa (P > 0. v. matéria orgânica (MO) e resíduo mineral fixo (RMF).05). com a inclusão crescente da torta de amêndoa e. em dois níveis (15% e 30%) de inclusão o de fibra bruta (FB) (0. PB semelhantes aos registrados por Carvalho et al (0. Esses resultados foram linearmente os teores de EE (0. em indústrias das não haja decréscimo no consumo voluntário e Amazônia: Ci.Teores de extrato etéreo (EE). Fonte: dados da pesquisa. jan. Belém. 4. na horizontal.Teores da matéria seca (MS). teor mínimo para que da fibra da polpa do dendê.1278%) e NDT (0.

80%. Amazônia: Ci. com elevação apresentados os teores de lignina e celulose das da torta nas dietas experimentais. onde a 73. parecem estar relacionados as dietas. Tabela 5 . em função do nível crescente da torta de dendê nas dietas experimentais.50%. & Desenv.05). 2009. os teores da FDN foram superiores a 70%.05). 18.3%. Verifica-se que houve aumento nos teores foram semelhantes. No entanto. 1. nos quatro tratamentos. Nota: Médias seguidas da mesma letra. 8.39% e 20. 9. à medida que a torta de dendê foi indicando que a inclusão crescente de torta de adicionada à dieta. com variação de 81%. na ordem de dietas experimentais. os tratamentos T1 e T4. jan.. pode influenciar experimentais estão na Tabela 5. respectivamente. Fonte: dados da pesquisa. Tabela 4 .55%. 33. tratamentos T1 e T4. v.56%. (2001). não diferem estatisticamente (Duncan 0.28%./jun. cujo valor encontrado para o T2 foi com o teor de MS das dietas experimentais. Essas frações no consumo e na digestibilidade da matéria seca. na horizontal.Teores de lignina e celulose em função do nível crescente da torta de dendê nas dietas experimentais.Teores da fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido (FDA). Vasanthalakshmi e Krishna (1995a). Belém. não diferem estatisticamente (Duncan 0. entre dendê não afetou as frações fibrosas. Com relação à celulose verifica-se que os teores elevados da FDN. o teor de MS e FDN. índice Os teores da FDN e FDA das dietas que. na horizontal. WERNWLI. n.20%. 90 . para os ruminantes (OJEDA. segundo Van Soest (1975). 1990). o semelhante ao observado por Rodrigues Filho et que pode ser explicado pela alta correlação entre al. 38.na digestibilidade da matéria seca de 87. Notou.2% e 82.00%. nos foram observadas oscilações nos valores entre tratamentos T1 e T2. Em todas as dietas estudadas. 4. Os resultados encontrados no presente composição química da torta de dendê trabalho estão próximos aos obtidos por apresentou 14. Nota: Médias seguidas da mesma letra. de lignina. Na Tabela 4 são se redução nos teores de CHOT. Fonte: dados da pesquisa.

o que resultou em elevação do teor da FDN e lignina nas dietas ou menor tempo disponível para a digestão pelos a outros fatores que possam estar relacionados microorganismos. (2001). O CMS do presente trabalho foi 20%./jun. observaram que. ruminal. mas aumento do CMS é a relação com a fibra efetiva.. em relação aos demais elevado CMS observado pode ser decorrente tratamentos. RMF. foram superior ao registrado por Ferreira (2002). permite maior Os CMS. pode ter favorecido o CMS com 40% de inclusão da torta de dendê. na horizontal. matéria seca (CMS) e de matéria orgânica FDA. a digestibilidade. g de MS/kg0.Consumos da dieta experimental. Belém. que um dos prováveis fatores que influenciaram. ao estudar com a palatabilidade do alimento. reduz a digestibilidade dos nutrientes. CMS foi observado para os animais alimentados provenientes da torta. Os valores dos consumos de observados na Tabela 6.05). em função da maior taxa redução no CMS pode estar relacionada com a de passagem pelo rúmen. v. Dessa Apesar das dietas experimentais forma.75/dia elevado teor de fibra. 91 . em g/kg0. em g de MS/dia. inferiores aos valores registrados por quando avaliou a utilização do subproduto do Vasanthalakshmi e Krishna (1995a). Tabela 6 . crescentes (0%. 8. o tratamento T4 apresentou coeficiente possuírem teores de FDN semelhantes. em geral. % do PV. FDN. com níveis caju na alimentação de ovinos.75/dia consumo. & Desenv. FB.4. Nota: Médias seguidas da mesma letra. CEL e LIG. % do PV/dia. trato gastrintestinal. A (média de 2. não influenciou no aumento do CMS. 24.0) das dietas com 10%. Os mesmos autores consideraram do alto nível de lignina nas dietas. os que controlam o CMS. 4. caracterizando-a pelo seu (CMO). jan. A adição da torta de dendê proporcionou Também. em Amazônia: Ci. Segundo dietas com ausência de forragens. 2009. as quais o elevado consumo da fibra do subproduto como possuíam maior densidade específica. Bava et al. em razão do rápido esvaziamento (26. em g/dia. 5%. na alimentação Mertens (1992). EE. 10% e 15%). coeficientes de digestibilidade aparente foram menores que nas dietas com forragem. lignina e baixo (peso metabólico) e g de MO/dia podem ser valor de EE. 30% e 40% de torta de dendê. o de digestibilidade superior. a FDN é um dos principais fatores de cabras.1.7 e 21. o que pode ter provocado aumento na MS das dietas experimentais. 24. aumenta a taxa de passagem da digesta pelo negativamente.3% do PV). g de MS/kg0. não diferem estatisticamente (Duncan 0. Fonte: dados da pesquisa. para a PB. n.75/dia e g de MO/dia. porém. cinza. O menor pois o elevado conteúdo de partículas reduzidas. neste trabalho.respectivamente.

e indica que. no tratamento de 40% (3. em trabalho foram inferiores aos observados por ovinos. em cabras Granadina maracujá e casca do café. provavelmente. Esse resultado pode lactantes. O CPB nos tratamentos T3 e T4 foram trabalho com ovinos. v. Belém. registrou aumento linear superiores. em energético. n. et al. em kcal/dia. 2009. jan.Consumos de proteína bruta (CPB) e extrato etéreo (CEE).4 kcal/dia) e 30% (3. com requeridas por esses animais.4 g/dia) até o nível de 15% de substituição na dieta. níveis diferentes do resíduo da casca de café. Portanto. somente a dieta fornecida. o CPB necessário para estudaram a substituição do milho e do farelo que ovinos com peso médio de 20 a 30 kg atinjam de soja.05). como fonte de alimento exclusivo. (1998). alimentação de cabras. não diferem estatisticamente (Duncan 0. em kcal/dia. que Segundo o NRC (1985). (2005). 8. quando comparados aos valores para o CEE. com diferentes subprodutos do abacaxi. percentual de EE na dieta oferecida. de dendê na alimentação de cabras Saanen. até 30%. Rodrigues et al. exceto no nível de 10%. e energia bruta (CEB). diferentes percentuais de óleos. com elevado consumo experimentais. não atende as exigências Os CEB alcançaram níveis máximos.858.413. & Desenv. 92 . à palatabilidade ou a rações para ovinos. no tratamento com acréscimo de 40% na dieta Na Tabela 7 estão apresentados os valores de total.9 kcal/dia) de torta. decrescendo para A torta de dendê elevou os CEE. Fonte: dados da pesquisa. em devido./jun.. Amazônia: Ci. na horizontal.substituição da torta de coco pela de dendê. Esse resultado é semelhante ao relatado consumo da proteína bruta (CPB). em g/dia. e de energia bruta (CEB). O CMO (689. em g/dia. foi inferior ao observado por Townsend et al. com dietas compostas por 50% de ser justificado pelo maior teor e CMS. ao encontrado por Solaiman et al.8 kcal/ os níveis de inclusão. Tabela 7 . inclusão de 20% (3. em todos menor nível. com teores de PB mais elevados na torta de dendê. dia). o que representa decréscimos de 13% e Essa diferença não pode ser explicada pelo 17%. 4. (2003). respectivamente. em ovinos deslanados alimentados com Foi observada redução no CMO (g/dia). Nota: Médias seguidas da mesma letra. e semelhantes em relação a outros resíduos da agroindústria. Esses autores recomendam agentes antinutricionais. quando incluiu 30% de torta etéreo (CEE). Os CEE determinados neste observados por Lousada Jr. pois não esse subproduto pode ser adequadamente houve diferenças nessa variável entre as dietas incluído na dieta. extrato por Silva (2003).993. além dos forragem e 50% de ração concentrada. (2002). (2002). pelo caroço de algodão. na ganho de 250 g/dia é de 168 g/dia. Sampelayo et al.

como a diferença na dia. evidenciando-se farelo de cacau. pode-se inferir que o menor tratamentos T2 e T3. v. essa diferença pode g/dia. animais a consumirem menor quantidade do alimento. Portanto. Nota-se. indicando consumo de subprodutos da indústria de caju.2% do PV.0 g/dia. Os CFDN. (2002). Neste estudo. Foram observados maiores CFDA para os concentração de FDA. 4. Valores celular. que variaram entre da torta. que Santa Inês. presença de sílica. Dessa forma. quando nutriente. com redução de consumo. & Desenv. foram superiores aos com 40% de torta de dendê. 8. 93 . fatores nutritivo. 2009. como o nível de apresentar diferenças na composição e no valor torta de dendê na dieta foi elevado. Portanto. o CFDN. Nota: Médias seguidas da mesma letra. os quais foram superiores ao tratamento 584. negativamente. na horizontal. em g/dia. em dietas com níveis de 0% e 30% de ser atribuída à natureza da fibra.3%) refletiram-se em baixo CFDA.5 que a variação no CFDN parece ser influenciada g/dia.8% e 1. Embora possuam determinados por Pires et al.0 semelhanças quanto à origem.102 g/dia a 1. n. considera apenas o teor de FDN. de 530. na alimentação de ovinos que o conceito preconizado pelo NRC (1985). podem ter influenciado os em ovinos. então. afetar o consumo desse observados por Souza et al. em g/ (seletividade).. Fonte: dados da pesquisa. Belém. as quais podem alterar a digestibilidade e. ao avaliar o pequenas partículas cristalizadas. foi Os CFDN foram semelhantes nos influenciado. o CFDA foi superior ao como a palatabilidade e a presença de encontrado por Ferreira (2002). pois nutrientes semelhantes podem 0.288 g/dia) foram consequentemente. avaliaram ovinos recebendo diferentes níveis de Amazônia: Ci. (2004). em média de 205./jun. não diferem estatisticamente (Duncan 0.5 g/dia. 20% e 30% de inclusão do CMS.1 g/dia a 547. não pode ser aplicado para as dietas estudadas. superiores (1. referentes ao consumo da fibra em detergente fato que pode ser explicado pela preferência dos ácido (CFDA). fibra em detergente neutro (CFDN) e carboidratos totais (CCHOT).6 g/dia e 527. em g/dia. pela diminuição tratamentos com 10%. As diferenças no CFDA podem estar O CFDN neste trabalho foi superior ao associadas às variações na constituição do proposto por Van Soest (1994). Os maiores teores de lignina CFDA é devido a seletividade dos animais.05). na inclusão de pelas proporções de cada componente da parede 40% da torta de dendê na dieta. jan. Os CCHOT variaram de 649. que está entre subproduto. Na Tabela 8 são encontrados os resultados na dieta (14. da fibra em detergente neutro animais por determinadas frações da dieta (CFDN) e dos carboidratos totais (CCHOT). em g/dia. Tabela 8 . como ocorreu no T4.Consumos da fibra em detergente ácido (CFDA).

Os coeficientes de digestibilidade digestão dos carboidratos tem sido o mais da matéria seca (CDMS) e da matéria orgânica relatado. soja). n. Belém. 2009. com níveis observados (28. foi de apenas 5. PEIXOTO. & Desenv. no T4. energético de vários subprodutos (milho. nos houve alterações no CCHOT. T2 e T3 foram semelhantes. et ruminais.7%.4 a 78. estão dentro da Garambois (1985) e Cerda et al. o que foi tratamentos.5%). com subprodutos do processamento de frutas e enquanto o T2 o menor CDMS (47.05). (CDMO) estão na Tabela 9. carboidratos na dieta influenciou o CCHOT./jun. É importante salientar que o teor do teor de PB (8.6%).8%). podem obtidos por esse autor foram inferiores aos justificar o maior CDMS. pois. Os valores de CDMO (50. e ao dendê. indicando o CDMO nitrogênio ligado à fração fibrosa e pelos baixos como forma eficiente de avaliação energética teores de PB (RODRIGUES. Fonte: dados da pesquisa..0% a 83.2%). As semelhanças no CCHOT. 1990).2 (REIS et CDMS.3%) estão próximos aos Os valores do CDMS das dietas. O decréscimo no CDMS das dietas pode al. em Considerando-se que o percentual de razão da seleção do volumoso.casca de café na alimentação. O T4 apresentou maior CDMS (55. encontrados no T4. ao concentrado. O maior observaram percentuais de 28. os valores elevados de PB. em relação aos demais FDN na dieta não influenciou no CDMS. o teor de PB encontrados neste trabalho. T2 e T3. pois no T2. Amazônia: Ci. (2002). 94 . não diferem estatisticamente (Duncan 0. na horizontal. O teor de lignina no T1 (7.0%) por Reyne e crescentes de torta de dendê. caracterizado pelos elevados teores de FDN e de abacaxi. jan.5%) foi observado por Silva (2003). Os CCHOT nos A redução na concentração dos tratamentos T1. quando analisaram o valor ser atribuído ao baixo valor nutritivo do volumoso. acerola. menores para 40% tratamento T1. Por sua vez.8% a 56. em razão do dos teores de EE. Nota: Médias seguidas da mesma letra. (1995). pode estar associado ao melhor al. em cabras inferior ao do T3 (13. a redução da tratamentos. Os teores mais cacau ou torta de dendê. 2000). em faixa de CDMS mencionada por outros autores subprodutos do processamento de frutas. 4. Tabela 9 . dentre os efeitos dos elevado consumo da torta de dendê nos demais lipídios na fermentação ruminal. no entanto não alimentadas com diferentes níveis de farelo de diferiram nos valores do CDMS. v. 8. em detrimento carboidratos na MS consumido foram diferentes.Médias dos coeficientes de digestibilidade da matéria seca (CDMS) e da matéria orgânica (CDMO). O menor consumo no T4 esteve em função coeficiente de digestibilidade. dos alimentos para ruminantes. podem estar relacionadas e maiores para 10% de inclusão da torta de à redução dos carboidratos não fibrosos. por deficiência de O CDMO apresentou comportamento compostos nitrogenados para os microrganismos similar ao CDMS observado por Rocha Jr. o que pode ter limitado a digestão dos nutrientes..

5%) da torta de dendê. Os menores CDPB.9 g/dia). apresentaram teores de PB de apenas 5. et al. determinado na torta de dendê. enquanto detergente neutro. cujos de obtenção.0% e Nos tratamentos T1 e T2 houve maior 5. o CDPB tende a em vista que.Médias do coeficiente de digestibilidade da proteína bruta (CDPB) e energia bruta (CDEB).3 g/dia e 42. 95 . devem-se ao teor de estar relacionados aos maiores teores de PB digestibilidade da fibra insolúvel em (7. Essa influência dendê (Tabela 11). Tabela 10 . de organização. jan. respectivamente. não observaram diferenças 70. Destaca-se que digestibilidade da fração fibrosa. porém superiores aos dos T1 e T2.. foi inferior ao reportado no presente trabalho. DUMONT et al. Como pode ser observado na Tabela 10. Neste os níveis de torta de dendê fossem aumentados trabalho. por Vasanthalakshmi e Krishna (1995b). 1985). no coeficiente de digestibilidade da MS. a torta acumulava-se no fundo do cocho. (1996). pelas diferenças físicas de densidade e de O fato dos CDPB não terem sido tamanho. 60% e 100%) na dieta os quais observaram variações de 19./jun. com os menores CDPB. (2005). 2009. 4. O CDPB. além da própria estrutura e forma (37.0% e 38. MO e PB. Esperava-se redução nos valores de valores foram de 48.. em comparação redução na digestibilidade da MS. quando os animais reviravam o aumentar com o teor de PB no alimento. que elevou o coeficiente de variação.5% a de ovinos deslanados.. Belém. facilitando a preensão seletiva das fecal. não diferem estatisticamente (Duncan 0. A digestibilidade da FDN pode foi maior para os tratamentos T1 e T2. concentrados (0%. em de frutas (GÖHL. com consequente os valores do CDPB estão baixos. tendo Lousada Jr.8% relacionadas à origem do subproduto e método e 69. o provavelmente em função das diferenças T3 e T4 apresentaram CDPB semelhantes (66. que o T1 e T2. com subprodutos desidratados do processamento em substituição ao farelo de trigo. & Desenv. Os maiores CDPB dos T3 e T4 podem possivelmente. na horizontal.9% e 8. 8.05). v. alimento.0%. De acordo com consumo de FDN. Fonte: dados da pesquisa. O CDFDN foi diminuindo a eficiência dos testes de maior com a adição de 20% e 30% da torta de comparação entre as médias.7%. semelhante às observações de Silva et semelhantes deve-se à proteína metabólica al. os coeficientes estão dentro da faixa na dieta. em ser alterada pelo conteúdo dos componentes da virtude do menor consumo de PB observado parede celular. Amazônia: Ci.4%). que trabalharam Filho et al. Nota: Médias seguidas da mesma letra. porções mais nutritivas da dieta. 30%. ao avaliarem a torta de dendê. proveniente da gramínea. 1973. (1999). à medida que aos elevados teores de PB nos subprodutos. n. Rodrigues mencionada por outros autores.7%. fato que não foi verificado.

lembrando que as dietas (CARVALHO et al. em ovinos alimentados com a 5% de extrato etéreo na MS podem afetar a polpa cítrica na dieta. a inclusão de 40% da Por outro lado os CDFDN encontrados no presente torta de dendê apresentou média superior aos trabalho foram superiores aos determinados por demais tratamentos.0%). 2009. Também. jan. As variações no CDFDA experimentais desses tratamentos apresentaram podem ter sido influenciadas pelo teor de lignina teores de lignina semelhantes. Além disso. testados por esses Esperava-se maior digestibilidade aparente autores. o maior teor de PB no T3 da FDA e promove redução da digestibilidade (7. na horizontal.6%. (1989) encontraram Amazônia: Ci. 2002).2%) fibra.9%) pode ter favorecido o ambiente ruminal. e Ben-Ghedalia et al.3% de caroço de algodão (5. considerado (LICITRA et al. Rodrigues e Peixoto (1990) observaram da FDN. melhorado a digestão da alimentados com subprodutos de acerola (8.4%) e abacaxi (57.com farelo de algodão na que o CDFDA não foi reduzido pela inclusão de alimentação de ovinos.. de 73. (MINSON./jun. no T3.. porém superiores aos demais tratamentos. 96 .0%). VAN SOEST.. 1991) como fator que microorganismos fibrolíticos (CARVALHO et al. além da sua própria estrutura desenvolvimento de microrganismos fibrolíticos e forma de organização.6%) e T3 nas dietas. (2001). Nota: Médias seguidas da mesma letra.6% a 81. aos citados por Ítavo et al. 8.6%).Médias do coeficiente de digestibilidade da fibra em detergente neutro (CDFDN) e fibra em detergente ácido (CDFDA). não diferem estatisticamente (Duncan 0. T2 (11. promovido por aumento da lignina. MANSON. os valores e goiaba (13. em razão do aumento da abacaxi. 25. O CDFDN foi alterado em função do digestibilidade ruminal da fibra. 1990). em ovinos alimentados com volumoso e bagaço de laranja. uma vez que ela entra na composição (13. foram inferiores digestibilidade da fibra. n.Tabela 11 . em função dos teores foram inferiores aos registrados por Henrique e de ácidos graxos. na dieta de vacas leiteiras não lactantes. visto que percentuais superiores Sampaio (2001). condições que favorecem o desenvolvimento de 1996. aos observados em subprodutos de maracujá (65. v. degradabilidade ruminal da fibra.8% de óleo).05). (2000). devido ao maior percentual de CDFDA. parece para os microrganismos ruminais. (1989) verificaram Ezequiel et al. favorecendo O CDFDN pode ser influenciado pelo conteúdo melhores condições ruminais para o da parede celular. Belém. Além da qualidade do volumoso. & Desenv.7% a 80.3%. (2005). et al. Quanto ao CDFDA. registrados por Lousada Jr. Os CDFDN ter havido efeito depressivo. Fonte: dados da pesquisa. em ovinos consequentemente. A elevação Os CDFDN foram semelhantes entre os T2 dos CDFD pode ter ocorrido devido a maior e T3. influência na baixa disponibilidade de nutrientes 2002).. De acordo com Reis et al. foram inferiores do CDFDN podem variar de 48. Keele et al. 4. Por outro lado. (2000). Os CDFDA foram superiores aos tornando-o adequado aos microrganismos e. em subproduto do FDN na MS consumida.

matéria forragem. além do provável SOEST. jan. 1994). 4 CONCLUSÕES A torta de dendê possui potencial animal.valores ao redor de 80%. A utilização da torta de dendê produtivo. proteína bruta. & Desenv.4%). principalmente em em torno de 30%. n. constituindo-se em alternativa para seca na forragem e elevação do valor nutritivo suplementação alimentar nos sistemas de da dieta. 8. AGRADECIMENTOS Ao Banco da Amazônia S/A pelo apoio financeiro concedido ao desenvolvimento da dissertação da primeira autora. elevada disponibilidade e bom valor proporcionou maior disponibilidade de matéria nutritivo. em rações ricas em efeito dos lipídeos sobre a digestibilidade. 97 . pectina e amido na alimentação de ovinos. 4. Entretanto. Belém. ocorreu em virtude da influência deletérios sobre a digestibilidade da fibra (VAN dos níveis de lignina nas dietas. para não causar efeitos provavelmente./jun. 2009. Amazônia: Ci. o que contribui para manter bons orgânica. produção de ruminantes. para ruminantes.. Níveis de inclusão da torta de dendê. possibilita maior consumo e períodos críticos de disponibilidade de digestibilidade da matéria seca. as dietas não ultrapassaram o nível máximo recomendado de lipídeos (7% a 8%) A redução do CDFDA (43. e suprimento níveis nutricionais e elevar o desempenho adequado de energia. v.

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