Jorge Soledar

ESTUDO ABERTO:
Um ensaio sobre o não-objeto como um mergulho na teoria neoconcreta

Projeto de Gradução apresentado à Universidade
Federal do Rio Grande do Sul como requisito
parcial para a obtenção do título de Bacharel em
Artes Visuais, com a ênfase na História, Teoria e
Crítica da Arte.

Orientador:
Profa. Dra. Ana Maria Albani de Carvalho

Banca Examinadora:
Prof. Dr. Alexandre Santos
Profa. Dra. Mônica Zielinsky

Porto Alegre, primavera de 2008.

Ao mestre Henrique Leo Fuhro
In memorian

i

Manuela Eichner. Patrícia. percurso de força e luz.AGRADECIMENTOS Este trabalho de conclusão representa quase uma década de percurso inconcluso: da biologia à arte. Úrsula Rocha pelo carinho e respeito desde os tempos de colégio. Daniela Fuhro que me acompanha ao longo deste percurso inconcluso. Eduardo. Joubert Vidor. Ali Khodr e Zé Vicente. Cristiane Schmidt. Minha orientadora. Felipe. Jorge. Por isso. Amanda e Laura que respeitam e admiram meus estudos. Ao Mergulho. Mayra Redin e Pilar Prado pela amizade e disponibilidade ao encontro e à experiência. Viviane. Camila Mello. pela oportunidade. agradeço a muitas pessoas que colaboraram neste caminho. pela troca afetiva e intelectual que me estimula a entender e questionar as ordenações. Minha família. pelo zelo e estímulo com o exercício da escrita. Lourdes. ii . Ana Maria Albani de Carvalho.

.. de modo a especificar o sentido da obra ou da experiência vivida pela arte neoconcreta...... Aqui.............. destaca certos trabalhos de Lygia Clark (1958) e de Amilcar de Castro (1959) como motivações desta formulação.. segundo critério proposto por Anne Cauquelin (2005).... teoria da arte e neoconcretismo.....RESUMO “Não-objeto” é um conceito criado por Ferreira Gullar..... através do ensaio “Teoria do Não-Objeto” (1959).. iii . O corpus teórico ensaiado no texto.......... Palavras-chave: não-objeto................. ......... ainda pouco estudado.. e também como a teoria de arte neoconcreta pode ser caracterizada de “hermenêutica”............ estudo como o conceito do não-objeto está proposto no ensaio acima referido.

Teoria hermenêutica 2 III. Bibliografia 23 Anexo A. Publicações de Ferreira Gullar 30 iv . Olhares cruzados 8 IV. Eixo 2: “Obra e Objeto” 13 VI. Resumo Biográfico: Ferreira Gullar 24 Anexo B. Eixo 3: “Formulação Primeira” 18 VII.SUMÁRIO I. Cópia de “Teoria do Não-Objeto” (1959) 25 Anexo C. Estudo aberto 21 VIII. Eixo 1: “Morte da Pintura” 10 V. Abrindo o estudo 1 II.

1911. 88 x 65cm Col. 2001 Figura 12: Georges Braque Telhados em Céret. Óleo sobre tela. 127 x 127cm Col.de (acesso em 23.lichtensteiger. 1942-3.LISTA DE FIGURAS Fonte: TASSINARI.2008) v . The Museum of Modern Art (NY) Fonte: http://www.11. Particular Fonte: TASSINARI. Óleo sobre tela. 2001 Figura 13: Piet Mondrian Broadway Boogie Woogie.

Ferreira'. desse movimento”. “neoconcretismo”. 247) assinala a teoria do Para tanto. Ferreira da UFRGS. Art Full Grosso modo. Teoria e Crítica de pode ser o fundamento visou resumos e Arte. o sobre o assunto objetivo desse ensaio é “neococretismo”. estudado. arte neoconcreta? Frederico Morais (1995. é bibliográfico realizado3. do Portal de Periódicos da no país. Partindo disto. discuto como não-objeto como a “base seus argumentos estão teórica do movimento concatenados ao longo dos neoconcreto”. em especial. Contudo. “GULLAR. este trabalho (incluindo as seleção de temas segue a seguinte hipótese: expressões “arte neoconcreta” e relevantes ao campo da se a teoria do não-objeto “arte concreta”) História. p. O objeto proposto pelo teórico de estudo está 1 brasileiro Ferreira Gullar publicado em (1930-). por que então Text. como a própria teoria da especialmente. a neoconcreta. p. O conceito “não-objeto” “especificidade da experiência neoconcreta”. enfocando a teoria de arte Gullar. Abrindo o estudo (1985. da PUCRS. concordando três eixos do ensaio: “Morte com a posição de Gullar da pintura”. mas 3. Ver resumo I. Ver cópia do localizei muitos trabalhos ensaio em muito citado e pouco “ANEXO B”. uma teórico do neoconcretismo textos completos nas bases de dados perspectiva de estudo e o seu autor. p. “principal teórico da UFRJ. de CAPES (Web of acordo com Ronaldo Brito Science. a teoria do (1985. 50). “Obra e objeto” 1 . teórico do não-objeto. do Não-Objeto” (1959)2. 2. 1. que atribui ao biográfico em conceito não-objeto a “ANEXO A”. “concretismo” extraindo-se dele uma Desse modo. no ensaio “Teoria Durante o levantamento “Experiência Neoconcreta” (2007). 11). A busca dos assuntos “teoria do apresentar uma perspectiva nenhum sobre “teoria do não-objeto”. geométrica brasileira. de análise sobre o corpus não-objeto”. editores Jstor e Scopus) não-objeto não se destaca não produzir um estudo que e do Google nos discursos sobre a arte destaque o não-objeto Acadêmico.

Um nos leva a questionar profundos. desenvolvida. 15) das corpus. GEIGER (1987). que parte de uma neoconcreta a partir do completa no item perspectiva pouco modelo “hermêutico” em Bibliografia. caracteriza o assunto caracterizo a teoria da arte 5.. série razoável de distintamente. de acordo com investigar o importante a autora. II. 2 . não será proposto por Anne possível abarcar a profusão Cauquelin. “teorizações secundárias”. aspectos do ensaio de 1959..podem ser reagrupadas lastros teóricos mais ao longo de dois eixos. 4. Limito-me Arte” (2005). em “Teorias da teórica do tema. propõem historiografias do assunto4. a um conjunto papel que a fenomenologia maior. Ver referência proposto. denominado atua no caso “não-objeto”.5 Este modelo a considerar aspectos que visa caracterizar um julguei chave para uma panorama ou uma compreensão geral deste “topografia” (p. Teoria hermenêutica historiográfica do Considerando os limites assunto. As teorias caracterizadas como “hermêuticas” Também não será possível pertencem. visto que exigiria trabalhar que noutra direção: tempo maior de reflexão e escrita cujos . significados tanto ao opto por “abrir” espaço ao processo quanto à estudo da estrutura e dos recepção de obras. Como já existe uma teorias de arte que. recomendo deste projeto de graduação Como fundamento teórico AMARAL (2003) e COCCHIARALE & e a complexidade que dessa “abertura de estudo”. estão além o sentido das obras e do desses limites. Para uma leitura e “Formulação primeira”.

no caso. especificidade da obra de caracteriza-se uma teoria e arte neoconcreta. para se em conta a(s) sua(s) ele. existem numerosas passagens Assim. cujo significado visa compreender a Para Cauquelin. Lygia Clark evidentemente. Caráter um teórico de arte. isso. tanto poema espacial. 2005. como deve ser “entendida” (CAQUELIN. seja um entendido.] Por Fenomenologia. transformação público na recepção do ou modelagem do campo “objeto neoconcreto”. Depois de assim à linguagem manuseá-lo. Essa visão sugere o ensaio “Teoria do Não- que ela pode ser Objeto” assinala a criação caracterizada a partir do ou a teorização de um novo critério “hermenêutico”. imobilidade aberta. está imóvel direção: a obra 'abre um diante de você. ela tem e assim revela o que traz um sentido. sumária. Sentido Um não-objeto. seja um como significação quando “Bicho” (Fig.. você o devolve (significação). imobilidade aberta a uma A divisão segundo sobre mobilidade aberta a uma esses dois eixos é. p. trabalho artístico. p. objeto promove uma nova todas fazendo interpretação da arte e emprésticos entre si. da arte” (2005. semelhante oculto em si. mas à mundo'. p. 2007.. uso do conceito do não- objeto). à situação anterior [. 94-95) a arte neoconcreta (pelo Para Ferreira Gullar (1985). psicanálise época: o não-objeto é uma e história da arte se situam sobre esse eixo. levando- especial que envolve. 1960. 16). sua teoria do não- entre as teorizações. a necessidade da capacidade(s) de experiência sensorial do “construção. Melhor nas suas palavras: É evidente a participação 3 . muito Bicho. (GULLAR. Relógio do Sol. 59) Figura 1.. ela visa o espera de que o manuseie invisível (direção).. conceito. 1). defini assim naquela hermenêutica.

pois.”... 3). o espaço Oiticica. p. em “Esquema pictórico.. 1985) foi criada por Ferreira Gullar. como argumento estético do neoconcretismo é parte Neste texto. démarche que representa o processo de Lygia Clark. e mais pensamento de Hélio tarde. (desintegração do quadro) pela primeira vez 4 . ela “peso” da teoria no campo passa a “desintegrar o geométrico é o da sua quadro convencional” participação no (1997. 311). considerado por Ronaldo Brito (1985. o plano. 50) “o principal teórico do neoconcretismo”. Figura 2. “modelagem” do campo da arte geométrica. o seu campo decorre de obras/artistas cuja “base teórica” (Morais. embora seja minimizado o conceito neoconcreto. 1967. por exemplo. Portanto. Hélio Oiticica da teoria e do téórico do Correntes periféricas do. etc. não-objeto na esquema geral. Oiticica segue dizendo que geral da nova objetividade” (1967).no movimento destacam. texto em que se . Oiticica concorda com a posição fundamental desta de Gullar sobre a modelagem. 1964. Figura 3. neoconcreto dá-se essa as experiências dos formulação “Parangolés” (Fig. p. Hélio Oiticica a teoria do não-objeto Parangolé I.. Outro aspecto que revela o quando em 1954.

(OITICICA. antes de 26) “Bicho”. mais parte. a apresentação das Franz Weissmann. 4 e 5) era neoconcreto está entre as como se toda a “pintura” evoporara-se. não-objeto. (Fig. a composição Casulo. à “Teoria do Não- trazida das práticas de Objeto”. 1958. processo Desse modo. Lygia Clark foi convidada a realizar uma culminaram nos “Bichos” exposição individual na (Fig. incluindo-a. aos pediu-me para escrever trabalhos de Lígia Pape. 311) da tela para a moldura. p. por assim Bicho. e objeto. p.. (GULLAR.. Lygia Clark culminaram na teoria do dois deles. (1997... no espaço virtual Hélio Oiticica. 1960. em grande dando origem. como relata o ligação do surgimento da próprio Ferreira Gullar: teoria neoconcreta aos experimentos que Em 1958. que da tela. Figura 6.6) de Lygia.2) que ele julga registrada no texto de colaborar no processo apresentação da mostra. constitutivo de suas me levará a uma nova “estruturas objetivas” leitura do processo da arte contemporânea. Ao vê-los Spanúdis. Lygia Clark e também a proposição de quadros tinham moldura Composição 5. Esta “correntes periféricas” observação. obras que mostraria ali. “liderados” percebi que alguns por ele (Morais. larga e no mesmo nível Jardim. 1954. Pape). pela inovação tarde. 312). Figura 4. Gullar e fundamental à teoria do Oiticica concordam sobre a não-objeto. que está (Fig. que.. Lygia Clark.. 2007.. O teórico Galeria de Arte das estende o sentido do não- Folhas. p. Lygia Clark.. poemas-objetos (Gullar. geométrica extravasava p. Reynaldo Jardim e Theon Mostrou-me os trabalhos desde 1951. 5 . o da obra. em São Paulo. Ainda sobre a visão de dizer. 1995. 1997. igualmente. em Figura 5. sendo que.

comporão o seus trabalhos durante a Pintura nº 178. 117-118). “Grupo Neoconcreto”. destacando-se. em construtiva. contemporânea” (1985): o núcleo do grupo era As idéias de Ulm Figura 8. atuara antes. “esquema histórico” proposto por Gullar em De acordo com Frederico “Etapas da arte Morais (1991. as Val e Elisa Martins da manifestações Silveira). 1951. demasiadamente ao pé 6. pelo grupo de artistas paulista Frente. Clark.Ivan Serpa 247-248). voltaram-se 6 . p. artísticas das crianças e dos doentes mentais. organizado por liderados por Waldemar Ivan Serpa (Fig. por influencia de Mário mencionados orientou Pedrosa. rumo à irá “romper” com o arte “geométrica” movimento concreto. essas idéias sofreram pelos seus alunos no uma inflexão. a par da Vincent Ibberson. a maioria dos artistas de destes artistas vanguarda que. 1957. Mário Pedrosa. ao sobretudo. no conjunto do Grupo da letra. 21 de março de 1959. que década de 50. Carlos arte geométrica construtiva. vieram através de Movimento. Tal visão abrangente Voltando ao relato de refletir-se-ia no trabalho Gullar (1985). e já Buenos Aires e foram adotadas. Figura 7. por Waldemar publicar o artigo Cordeiro (Fig. Hélio e César estético e que Oiticica.7) e Cordeiro no começo da constituído. Waldemar Cordeiro composto Pape. partira delas para Aloísio Carvão. década de 50. valorizavam. Décio indagações originais acerca do fenômeno Vieira. o no Jornal do Brasil. que (RJ). graças a Museu de Arte Moderna seu principal defensor. Vale “Manifesto Neoconcreto” destacar agora. No Rio. Gullar e Weissmann.8). “liderada”. entre 1954. João José. em geral.

Figura 9. 7 .03. que. Em função disso. Novos conceitos acerca Destaquei ainda que Hélio da obra de arte. mais SDJB promovera a estética intuitivos. editou a na I Exposição Nacional série “Etapas da arte de Arte Concreta em contemporânea”. Essa aspectos que permitem tomada de posição está configurar a teoria do não- expressa no Manifesto objeto como uma teoria de neoconcreto. Por isso. Brasil . 1995). As publicações de Gullar. e janeiro de ele reúne estas publicações 1957. como manifesto no Suplemento Ivan Serpa. os cariocas. foram propostos por nós na tentativa de importância das apreender o caráter experiências de Lygia Clark específico da arte nesta teorização. em São Paulo. de sua Oiticica concorda com significação. do seu que obscurescem.SDJB (21. de sua Ferreira Gullar sobre a natureza. na apresentação. para o concretismo. que. no Rio. Aluísio Carvão.1959). publicada dois dias antes de certo modo. p. em a visão geral dos estudos 19. (Fig. Em 1985. diferenças entre os dois grupos ficaram evidentes entre março de 1959 e quando eles se juntaram outubro de 1960. Lygia integrando conjunto de Projeto gráfico no SDJB. 1958-9.03. Clark e outros. Franz Weissmann. não aprofundei o contexto 1985. margem a divergências onde. 10) “concreto-neoncocreto”. dezembro de 1959. foram da época. arte hermenêutica. neoconcreta: era a Teoria do Não-Objeto. Almir Dominical do Jornal do Mavignier. permitindo um estimulados a aprofundar ousado projeto gráfico teoricamente sua experiência. que dá início ao movimento.9) de original e suscetível de desdobramento autônomo com respeito às idéias e Até aqui. enfoque valorizado por A teoria neoconcreta foi Ronaldo Brito (1985). destaquei alguns obras importadas. Amílcar de Castro Amílcar de Castro. dando-se assinado por Amílcar de conta do que ela continha Castro. representa (Morais. que culminaram na cisão Aracy Amaral diz que o do movimento.1959. (GULLAR. dando em livro de mesmo título.

e mais isso. para Gullar o principal teóricos específico” e a “base teórica” de suas manobras anti- do neoconcretismo. sem 49). vinhas não afirmam. Sem refutar Entretanto. “abro” construtivas. 1985). 1985. em agora essa tese. ruptura. choques da adaptação como afirma Gullar (2007. o Gullar ao longo do referido Neoconcretismo a fase de ensaio de 1959. 50) Neoconcretismo foi o último movimento de tendência Ronaldo Brito descreve o construtiva no país. brasileiro” (Brito. A tese proposta por existencialismo. p.III. (BRITO. 49) 90). sendo ainda uma investigar adiante. o Concretismo a fase de implantação. não há pois somente no trecho: menção sobre a teoria do não- objeto. o nome “neoconcreto” Neoconcretismo os deriva de “concreto”. o “caráter Com Merleau-Ponty. p. apenas a fenomenologia. i. “teórico” Ferreira Gullar a partir encerrando um ciclo” (1985. p. limito-me a “Neoconcretismo: vértice e questionar o status da teoria ruptura do projeto construtivo do não-objeto nesse trabalho.seqüência do movimento objetivo do meu estudo. nos tópicos seguintes: amplamente como (IV) “Morte da Pintura”. neoconcretos. Por concreto. respectivamente. segundo concretas. (BRITO. porém. Grosso uma perspectiva que destaca modo. Olhares cruzados Essa perspectiva “seqüencial” destaca o contexto do Ronaldo Brito escreveu um concretismo brasileiro como importante texto sobre o tema causa da “ruptura” dos artistas “concretismo-neoconcretismo”. local. o não-objeto ou o conceito 8 .. o Concretismo seria esses eixos teorizados por a fase dogmática. de suas “manobras”. o corpus “manobrado” pelo teórico: .. o De fato.. p. é.. (V) seqüência da penetração “Obra e Objeto” e (VI) das estéticas “Formulação Primeira”. Ronaldo Brito é que “o 1985. Ferreira Gullar e Frederico mas até um certo Morais.

do Nas primeiras linhas de processo que ela “Etapas. 45). sua teoria hermenêutica. A seguir. Isto não retira o seu Plásticas no Rio de Janeiro” valor: realizar uma importante (1995). sobretudo. moderna. “Morte da objeto. teórico refere-se em geral.. p.” (1985. quando deve ser visto como uma se exclui da pintura a dissidência do concretismo”. avanço embora não vise um estudo noutra direção: observo os sobre o conceito do não. ou seja.. Frederico Morais análise do tema “concreto- configura uma exceção. e. parcialmente. oculta o corpus do texto de “Cronologia das Artes Gullar. nosso estudo. ao conteúdo do primeiro eixo de Por contraste. cuja matriz está ligada aos gestos Nesse relato posterior. o não- espaciais do processo de objeto representou o resultado Lygia Clark. 17) sobre a opõe-se. que Gullar critica para na publicação de “Teoria do Não-Objeto” dias antes de contextualizar a inovação da “Manifesto Neoconcreto”. autonomia estética”. como já foi dito.. imagem dos objetos mas como uma “atitude de (GULLAR. neoconcreto”. p. pois. dos de sua seus gestos de “desintegração do quadro convencional” . 9 .. 2007.da obra de arte neoconcreta Voltando ao relato de Ferreira surge da sua leitura sobre as Gullar. Neoconcreta” (2007). cujo propósito é o de divulgando alguns fatos enunciar a tradição artística importantes. 10). em “Experiência transformações pictórico. o pensamento sua teoria: tema do próximo de Ronaldo Brito reforça o item (IV). pois sua perspectiva Século XIX e XX” (1991). o desta artista. da “tendência de confudir arte com história da arte”. contempla-o.análise sobre a arte (como concordou Oiticica). o experimenta a partir do teórico apresenta que “o surgimento da pintura não- movimento neoconcreto não figurativa. cuja perspectiva concorda com a afirmação de A perspectiva por mim adotada Santaella (1995. notadamente. Pintura”. termos do eixo 1. p. Em usada por Ronaldo Brito “Panorama das Artes Plásticas (1985).

90-91). p. 10 . considerada por ele. sua representação de outros pintura visaria "apreender objetos do mundo. (GULLAR.IV. a uma interessam Gullar não são tela de visão. passagem dos gestos de quando dispostos no interior de um recorte de objetivação (fundados na realidade delimitado teoria albertiana) aos de pela moldura. funcionais e primeiro eixo da sua restritivos ao olhar. Nessa visão. E ainda imposto pela tela.um objeto que fixa impressionismo de Monet pela cor a (Fig. perceptiva imposta pela corporal e perceptiva da representação: restrição à arte. Claude Monet (2007.10). onde a pintura canônica Os objetos que restringe-se assim. impressão pictórica dos 2007. Ferreira Gullar propõe no portanto. Eixo 1: “Morte da os objetos representados: pintura” a tela e a moldura seriam objetos à contemplação. que perdem a Assim. teoria. Water-Lilies. o objeto imerso na representando "objetos luminosidade natural". percepção humana. 91) objetos da realidade: o início da “morte” do objeto O eixo discorre sobre o no espaço de problema do significado representação. dado um processo que assinala que ela dá sentido à ao teórico uma restrição corporal e consciência crítica. ela marcaria a significação aos olhos".. anunciada desde o . uma breve história da ruína ou da “morte” da A obra tradicional ou o representação de objetos objeto de arte figurativa é Figura 10.. 1897-9.

rapidamente quanto o justifica a aproximação cubismo. a de Gullar com vanguardas. Em ambos. Jasper A formação da arte Telhados em Céret. baseado espaço em abertura.12) é o momento mais importante da arte ligada aos limites do moderna. Georges Braque distintamente. sua concepção de vanguardista”..Estes elementos (tela e no sentido restritivo da Jasper Johns Figura 11. como de uma segunda fase da demonstra Alberto arte moderna. e com a tese contemporâneo. nos movimentos modernos: Percebe-se que. de outro. 1955. outro movimento se Essa aproximação. de Jasper ainda discute sobre a Johns marcaria o seu importância do cubismo início (p. O assim. moldura) permanecem moldura. Figura 12. em “O espaço é a moldura resignificada moderno” (2001). 1911. (Fig. Tela. temas do debate Tassinari. Nenhum espaço artístico e real. Sua por Johns (em obra do tese defende uma mesmo período de perspectiva da “arte Clark). 91). tradicionalmente. moderna por volta de Johns e Lygia Clark 1870. resignificando renascentista.11). e. A sua o problema importância reside na “hermenêutico. cujo marco Tassinari. está ligada à “incorporaram” a moldura oposição do ao interior dos espaços naturalismo de matriz de criação. uma “segunda fase” da arte moderna. sua função cubismo de 1911 anterior. Mais ainda os movimentos passam a de distintas teorias: de se conceber como um lado. Há nela uma fusão das 11 . a contemporânea” como moldura é chave.. da qual Alberto Tassinari (2001) “Tela” (Fig. que espalhou tão não é feita por Tassinari.

17- 34) fracassos de suas próprias questões (tão Essa visão. “Obra e Piet Mondrian Figura 13. difere por abstracionistas óbvio. dando-lhe continuidade através de uma atitude radical (em ”Broadway”). os elementos-chave primeiros "gestos de totalmente refutados ao eliminação do objeto" longo do próximo e (2007. ao 12 . tentativas e (TASSINARI. coisas com o espaço. sendo a é indício da “morte da tela e a moldura os pintura”. Broadway Boogie Woogie. E sobre Modrian. démarche neoconcreta: sobretudo. ele observa . 2001. 91) O eixo propõe uma perspectiva esquemática de uma história cujo processo demonstra. p.13). em “Broadway” (Fig.o sentido mais revolucionário do cubismo. 1942-43. Contudo. 2007. pelo gesto da o espaço impressionista representação. p. que assinala variadas que rumariam a o espaço cubista como outro estudo) guiadas démarche do início da pelos movimentos arte moderna. p. somente nas obras de Mondrian e de Malevitch. da que teoriza europeus: a destruição Ferreira Gullar sobre a dos objetos da pintura. 91-92) serão segundo eixo. (GULLAR.. vistos por Gullar Objeto”. teórico..

deve ser Malevitch e seus seguidores . pela aparição aos de apresentação/ da obra . Eixo 2: “Obra e envolvimento de todos Objeto” os sentidos da Figura 14. Kurt Schwitters percepção humana. em contra a estética “Merzbau” (Fig. o da como elemento que dá visão. essa convencional da ousadia.objeto experimentação. abandona como “metafórica do radicalmente a mundo do pintor representação . 1959.a moldura refutado pela arte perde o sentido. que se forma contemplação. uma modo a ampliar as significação e uma possibilidades sensoriais transcendência. talvez. 1933. 92) do público. p. Esse é. 13 . Não neoconcreta. e sim de realizar a obra arte neoconcreta) devem no espaço real mesmo passar da representação e de emprestar a esse de objetos do mundo espaço. de especial -.14). se trata mais de erguer um espaço Ele argumenta que os metafórico num gestos da arte cantinho bem contemporânea (a sua protegido do mundo. por isso. Nas suas sentido à obra palavras: tradicional é visto por Quando a pintura Gullar. e no caso de Mondrian. (GULLAR. e Merzbau. pois pela ação direta do considera o corpo sobre os objetos.como tradicional” (p. no segundo eixo. O problema da moldura não.V. somente. 91-92). o traço mais Gullar destaca nas crítico que a teoria do atitudes de Kurt não-objeto investe Schwitters.

Se na estética da encontrar uma defesa às teoria do não-objeto. configura chamo suprematismo. 92). o que é Rodchenko e as significativo é a arquiteturas de Malevitch sensação. nem leitor do não-objeto não toque. trazidos à luz do Para o suprematista.16). e todos sentidos. das formas representadas Percebe-se nesse relato para as formas criadas". mas de expressar outros exemplos são sensações de ritmo.. ao nova arte. valores e gestos suprematistas. atuarem diretamente no meio ambiente. envolvendo noite dentro de mim. pode tradicionais ser comparado aos símbolos dos homens (contemplativos) da primitivos.15) e em si mesmo. Figura 15. são.67-84) do espaço real. uma estética da sensação. neoconcretismo. intenção não é a de produzir ornamentos Além de Schwitters. teórico (2007. Sua pintura e escultura. além de bastante destacada do Architectona. uma Aparentemente.. Figura 16. premissas suprematistas como foi dito. investe-se relatadas por Malevitch: numa “tomada de consciência” Eu sentia apenas a percepctiva. uma poética crítica aos 1914-1915. p. O espaço. “uma evolução coerente 1959. para o suprematista não observa e não toca.. pode estética que não envolve parecer estranho ao nem observação. ele sente. pois..gestos que envolveriam foi então que concebi a todos os sentidos e. justifica- 14 . p.1924-1926. a que mesmo tempo. ou seja. como tal. (MALEVITCH. Vladimir Tatlin o quadrado dos Relevo suspenso no canto. Kasimir Malevitch (Fig. como os fenômenos visuais do mundo objetivo são os “contra-relevos” de desprovidos de sentido Tatlin (Fig...

embora refutados no segundo importante. cada vez mais das suas origens” (da sua matriz A escultura construtivista albertiana).Vladimir Tatlin se nela uma crítica sobre mantivessem no espaço". de na teoria suprematista é Rodin ou Fídias. mediante "convergência da pintura participação de todos os e da escultura a um ponto sentidos por parte do comum. e o refutada pela teoria mesmo poderia ser dito neoconcreta. ele observa e dito. O conceito volume a estrutura para não-objeto é visto como um novo conceito que "realizar obras que se serve a uma nova 15 . Nesse questões. (GULLAR. Monumento para a III os limites da percepção como afirma o teórico. extrai do seu "escultura". Para Gullar. 1924-1926. servindo de exemplo para a estética geral não.17).18). seus gestos não exemplifica que interviram diretamente nos objetos do mundo ao há mais afinidade entre estilo de Schwitters. neoconcreta. Internacional. estabelecer uma analogia figurativa ou crítica aos elementos abstracionista. que lado a tradição da refuncionaliza a representação e as tradicional base da categorias "pintura” e escultura. 2007. tem latente o estado de O autor sugere uma ser não-objeto.Amilcar de Castro 93) Escultura em ferro. p. a sensação construtivistas do que com as de Millol. afastando-se público-participante. Figura 18. suprematista. 1959-60. para Gullar. cuja sobre um quadro de Lygia recepção da obra de arte e uma escultura de deve ser um meio de Amílcar de Castro ação direta: a experiência (Fig. as obras dos pintores e dos escultores Desse modo. deixando de (Fig. Figura 17. não “passou eixo: a moldura da pintura adiante” pelas suas tradicional. visto como foi sentido.

mesmo que figurativo quanto pela artistas eminentes como recepção experimentada Kandinsky e Mondrian pelo seu público. assim tenham pensado. representação de objetos Mondrian e Malevitch. 97) Não é por princípio que a pintura moderna. representação das pinturas: (GREENBERG. não há na teoria.categoria: assinalar um tipo princípio abandonou foi a de arte que não representação da espécie corresponde ou não se de espaço que os objetos enquadra nestas categorias reconhecíveis e tridimencionais podem canônicas. ocupar. distintamente. e a ele defende os elementos simples sugestão de uma especiais da categoria entidade reconhecível é pictórica: a planaridade e o suficiente para evocar associações daquela antiilusionismo. das coisas representadas. da arte pictórica. A se assim. abandonou a assinalam. A teoria neoconcreta ainda não se afirmou defende então uma nova como um momento categoria caracterizada inteiramente necessário na autocrítica da arte tanto pelo gesto não. como. na qual espaço tridimensional. p. No representação não enfraquece a univocidade entanto. pictórica. por exemplo. o que o promoção ou faz são as associações sistematização da pintura. Cabe espécie de espaço. 1976. na Todas as entidades teoria de Clement reconhecíveis existem (incluindo as próprias Greenberg. O que em 16 ... tornando. ou não-Figurativismo. participante. o reconhecíveis. em “A Pintura pinturas) existem em Moderna” (1965). em sua Greenberg e Gullar última fase. O Abstracionismo. O destacar um trecho do espaço pictórico da ensaio de Greenberg que bidimensionalidade da defende o espaço da pintura como arte é a sugestão de objetos na garantia da sua independência.

novos conceitos Estas seriam. a aos sentidos da visão.primeiro. Kenneth Noland representação como pictórica e escultórica. Turnsole. (GULLAR. consigo. a brasileiro neste segundo importância do eixo indica uma “diluição” abstracionismo. promovendo um painting (Pollock).. p. E o estimulará a conclusão da conceito do não-objeto teoria do não-objeto. limitadas ao “pintura”. albertianas. “garantia da sua independência” (sem A conclusão do teórico desconsiderar..1961.. moldura da pintura e a base da escultura são A crítica greengergiana. 93).. tais como: action olhar. pictórica de Nova York “comodismos” das artes (1945-1962) criou. já o segundo um ponto comum. 2007. campos tipo de recepção passiva de cor (Newman. caracteriza-se pela através do eixo especialidade dos objetos “Formulação Primeira”. de acordo para fortalecer a categoria com ele. ao espaço interno da moldura... análogas e refutadas. (Gullar). Rotkho e contemplativa do objeto e Kelly) e abstração pós- pictórica (Nolland (Fig. defesa do espaço segundo Gullar. em razão da de arte que visariam. da arte: problema que Olitsky e Louis). assinala-os como Tornam-se objetos artistas que se limitaram especiais.a pintura (Clark) e a suficientemente. 17 .19). contudo. como escultura (Castro) atuais autocrítica da arte (1959) convergem para pictórica”). não-objetos. . que influenciou a escola porque significam. “diluir” os bidimensional de limites da representação Figura 19. mas clara das categorias dizendo que este não teria canônicas: se “afirmado”. tradicionais. restingindo-se Nessa perpectiva.

arte. Eixo 3: “Formulação Mondrian e Malevitch.não se percebia que a Pode-se dizer que toda própria obra de matriz obra de arte tende a ser não-figurativa colocava um não-objeto e que esse problemas novos e que nome só se aplica. 2007. Para o autor. o convenções estariam significado de um tipo de ligadas tanto ao processo objeto desta experimentção do artista quanto à “real”. àquelas obras para sobreviver. representada no primeiro 2007. para O conceito do não-objeto ele. destacada pelas obras de Essa visão reforça uma 18 . apresenta uma crença no não trocaram a tela papel subversivo da arte. (pintura) e a base cuja negação dos gestos (escultura) pela experiência que mantém a moldura e a na realidade. com ela procurava escapar. 94) eixo da teoria. permitiriam um “Merzbau”. e. . limites da “cultura convencional” da arte.. precisão. Gullar Pois seus gestos. 94) a sua própria estética. (GULLAR. recepção “assistida” do público. p. de Kurt rompimento dos próprios Schwitters é exemplar. por isso. (GULLAR. segundo o autor do mundo. Estas apresenta. Segundo o teórico. em geral. aparecimento. ao que se realizam fora dos círculo da estética limites convencionais da tradicional. é. mas Primeira” que não “responderam” (p. e sim. 94) necessidade de deslimite como a intenção fundamental de seu A matriz não-figurativa. base..VI. sobretudo. contemplativa e não é uma atribuição distante da realidade física negativa. No último eixo. que trazem essa p.

respectivamente. Nessa condição. Gullar confunde. 93). visto que o conceito sentido. do modelo “hermenêutico” etc. o proposto por Cauquelin objeto se esgota na referência de uso e de (2005). p. texto. ligada às designações e usos cotidianos: a borracha. nós. 2007. sua crítica. Gullar 19 . o Finalmente. 94).” (2007. Não-Objeto”. Isto porque. na pintura e na convencional. uma dessa afirmação requer definição de arte uma retrospectiva além convencional como objeto deste trabalho. defende o ineditismo de uma atitude subversiva. o sapato. em outras referências de uso e sentido porque não se palavras. do não-objeto representa o podemos estabelecer significado da experiência uma primeira definição do neoconcreta: a não-objeto: o não-objeto particularidade ou a razão não se esgota nas de sê-la. naturalmente. afirmando que frente ao processo e à “o problema da moldura e recepção da arte da base. Voltando ao terceiro e breve eixo de “Teoria do O que está “nas entre. escultura. “Diálogo sobre o não. Melhor nas suas percorre o modo pelo qual palavras: o problema da moldura e da base foram vistos pela (Objeto comum) É a coisa crítica nacional e material tal como se dá a internacional. p. aplica-se “com insere na condição do útil precisão. nunca tinha sido propositalmente. Creio que uma avaliação objeto” (1959).. 94) convencionais da arte” (2007. se realizam fora dos limites (GULLAR.. pois comum. p.aproximação téorica a partir lápis. Ferreira Gullar linhas” desta teoria é antes. a pêra. noutro examinado. Por contradição. àquelas obras que e da designação verbal.

apresenta no eixo conclusivo. de certo modo. 20 .1913. Malevitch (Fig. p. uma “reafirmação da arte como formulação primeira do mundo” (2007.20). “Formulação Primeira”. com a utopia do espaço “desértico” vislumbrado Kasimir Malevitch Figura 20. 95): pensamento que concorda. pelo suprematismo de Black Square.

propus um trabalho Durante o levantamento igualmente complexo. O percebidas em experiências conceito do não-objeto atuais cujas poéticas. embora tenha encobrir. não investir numa papel de artista/estudante reflexão do tema “concreto- no campo da História. apresentam o da arte que visa “diluir” corpo em situações de esses limites “canonizados” realidade física e social. Estudo aberto sido praticada por artistas e intelectuais brasileiros.VII. Lygia “escultura” são categorias Clark. “pintura” e como Ferreira Gullar. Hélio Oiticica e que não fazem sentido aos outros não destacados. Teoria e Crítica da Arte. 21 . neoconcreto”. a tela. Tema em geral. Isto significou rumar noutra perspectiva de estudo. pouco historiográfico tendem a estudada. Então. a trazidos pelo ensaio de moldura e a base em prol Ferreira Gullar. pois bibliográfico. perspectivas de caráter curiosamente. pela tradição de Alberti. justifica-se o gradução implicaram numa caráter subversivo da teoria grande dificuldade de da arte brasileira que refuta dominação dos aspectos a representação. Os limites desse projeto de Desse modo. percebi que as visa uma teoria. serve como nova categoria geralmente. de modo geral. julgados baseada na experiência do importantes ao corpo. Como foi visto. ou Inserido num complexo seja. entendimento da estrutura e presente no escopo das do conteúdo geral do discussões da arte corpus teórico neoconcreto. de uma recepção estética destaquei aqueles. propósitos hermenêuticos Práticas que podem ser da teoria neoconcreta. contemporânea.

filosofia existencial e sobretudo. vejo José Frederico Morais já citados. Jorge Soledar fenomenológica. tempo. cuja lacuna departamentos teóricos. porque dialoga exercício da crítica contra a com a crítica de arte. Aos últimos. ao mesmo vestem com o “último grito” Estudo Aberto na Usina do Gasômetro. conceito criado por um teórico que Livro aberto = giro Livro fechado = ponto Objeto Harmônico = linha se confunde em muitas 22 . Esquema do Estudo Aberto. Assuntos difundida pelas redes de Figura 22.fatos e conteúdos dessa figuras (poeta. 2008. os argumentos teorizados por Ferreira Gullar são pessoais e fragmentados. reacionário exceção de dois textos de etc. práticas estimulam o difícil mas rico. que difunde uma da arte contemporânea. com a revolucionário. próximos de uma liberdade percebida nos ensaios de Montaigne. Ribamar Ferreira como um artista-intelectual cujas O ensaio de Gullar é curto. daqueles que se Figura 21. intelectual. aqui expressa os limites enfrentados por um projeto de graduação.). Jorge Soledar importantes. 2008. a alienação e o consenso. Finalmente. O ensaio que dá título à teoria neoconcreta articula- se a partir de três eixos que discutem definições de objetos entre comuns- contemplativos e especiais- experimentais. teoria da arte. caberia o nome/categoria “não-objeto”. teoria brasileira. Contudo.

Escritos sobre arte. 2005. 23 . São _________. 360 f. In: COTRIM. artes plásticas no Rio de Janeiro. cinqüenta. enjeux et perspectives. Mônica. olhares à procura de um leitor. Teoria do Não-Objeto. 2ª ed. A Pintura Moderna. Moderna. In: Continente Sul Sur. São Paulo: GULLAR. Rio de Janeiro: Revan. Ronaldo. Anna nova objetividade. 1816-1994. contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta. Regina Célia. Quatro (org. Gregory (org. SANTAELLA. Frederico. OITICICA. 1994. Paris: LARROSA. Hedra.). Educação & Tese (doutorado). BRITO. Abstracionismo geométrico e Sul Sur. 1997. GEIGER. Teorias da Arte Instituto Estadual do Livro. p. 1975. Cecília & FERREIRA. GREENBERG. Charles. Rio de Janeiro: Zahar. TASSINARI.). Regina Célia. Glória PINTO. modo. Fernando. mulheres importantes. São Paulo: ________. ZIELINSKY.VIII. 1996. Experiência Neoconcreta: momento- VILLA. Universite de Paris 1. PINTO. Alberto. Rio de Janeiro. 2001. Revista do CHIPP. Ferreira. nº6. Moderno. In: Experiência Neoconcreta: momento- limite da arte. Neoconcretismo: vértice e MORAIS. arte latino-americana. Fontes. A operação ensaio: sobre o ensaiar e o ensaiar-se no pensamento. 2007. Rio de Janeiro: FUNARTE. arte e identidade. A vocação construtiva da Paulo: Martins. 1987. São Paulo: Martins 1997. 27-43. Rio de Janeiro: Top-books. Manifesto Neoconcreto. 415p. Revista do Instituto informal: a vanguarda brasileira nos anos Estadual do Livro. 1985. Teorias da Arte. v. Cronologia das ruptura do projeto construtivo brasileiro. São Paulo: Perspectiva. contemporaine au Bresil: parcours. 2008. Jorge. A Nova Arte. São Paulo: Cosac Naify. Anne. 1995. 29. grosso limite da arte. Lucia. O ensaísmo. 1995. CAUQUELIN. São Paulo: Cosac & ________. (Arte) & (Cultura): equívocos do elitismo. In: Continente Bella (org. Herschel Browning. La critique d´art 2007. Esquema geral da COCCHIARALE. n. na escrita e na vida. 2004. Ferreira. In: Naify Edições. nº6. Etapas da arte Cortez.). 2ªed. Escritos de Artistas: anos 60/70. Porto Alegre. Rio de Janeiro: FUNARTE. Clement. Dirceu. O Movimento Neoconcreto [1959-1961]. In: BAUDELAIRE. 2006. Hélio. São Paulo: Cosac Naify. In: BATTCOCK. 1. 2003. O Espaço 1998. Bibliografia realidade.

Resumo terra. São Paulo. participa da I Exposição Nacional de Arte Departamento de Polícia Concreta. 1959. foi também assinado por. Fonte: http://portalliteral. órgão sucessor Moderna de São Paulo. 1970 envolvimento com Augusto e marca sua entrada na Haroldo de Campos e Décio clandestinidade.br/ferreira_gullar Neoconcreto". lado a lado na mesma edição do "Suplemento Dominical". crítico de arte Mário Pedrosa. publicado no (acesso em 30. professores titulares de Os dois textos são publicados universidades de Brasil. Gullar marca sua Atualmente. Lígia José Ribamar Ferreira. Anexo A.com. que. que provoca escrito pelo grupo concretista de polêmica entre artistas plásticos. Engaja-se no projeto dedicar-se à pintura. Figura 23: Ferreira Gullar trabalhando na redação da Foto: NortesteWeb. é indicado ao Prêmio intitulada "Poesia concreta: Nobel de Literatura por nove experiência fenomenológica". seu artigo. Muda-se publicado "Teoria do não- para o Rio de Janeiro. Aposentadoria e Pensão do construído na casa do pai do Comércio". poeta e jornalista. é preso pelo A convite deste trio. Em 1969. em São Luiz. que estimula o subdesenvolvimento". Em Folha de São Paulo. Amilcar de Castro e nasceu no dia 10 de setembro Reynaldo Jardim. Passa a Pignatari. objeto”. escreve o "Manifesto 6. no Museu de Arte Política e Social.2008) Biográfico6: Ferreira Gullar mesmo Jornal. mais Pape.09. desembarca no Rio. "Argumentação contra matemática da composição". 1956. Retorna. lança o ensaio Em 1954. Ali também foi de 1930. Com Portugal e Estados Unidos. No dia seguinte. a morte da arte". Clark. Redige resposta Em 2002.com "Revista do Instituto de Criou o "livro-poema". lança "A luta "Vanguarda e corporal". Franz Waissman. Torna-se amigo do artista plástico Hélio Oiticica. às atividades de publicação do artigo "Da crítico. Gullar discorda da aos poucos. Somente "Suplemento Dominical do em 10 de março de 1977 Jornal do Brasil". Lança. é colunista da ruptura com o movimento. Lygia conhecido por Ferreira Gullar. em 1951. em do famoso "DOPS”. psicologia da composição à em 1993. 24 . entre outros.

Anexo B. 2007. 25 . Cópia do ensaio em “Experiência Neoconcreta”.

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1977 arte. 1962 Quem matou Aparecida? (cordel). 1949 Biografia: A luta corporal. 1977 Crime na flora ou Ordem e progresso. 1954 Nise da Silveira: uma psiquiatra Poemas. 1993 Ferreira Gullar . 1989 subdesenvolvimento. 1996 João Boa-Morte. cabra marcado para morrer (cordel). 1976 concreta. 1996 Cidades inventadas. 1966 Cultura posta em questão. 1999 1985 Indagações de hoje. Uma luz no chão.seleção de Beth Brait. 2001 Ferreira Gullar Memórias Rabo de foguete . como João 1969 Salgueiro). 1997 Crônicas Um gato chamado Gatinho. 1978 1986 Sobre arte. 1958 rebelde.seleção de Alfredo Bosi. 1966 Augusto do Anjos ou Vida e morte Por você por mim. 1983 Barulhos. 1987 Etapas da arte contemporânea: O formigueiro.Os anos de Poesias exílio. 1959 A luta corporal e novos poemas. 1989 Antologias Argumentação contra a morte da Antologia poética. Publicações de O menino e o arco-íris. 1965 História de um valente. 1968 nordestina. clandestinidade. 1975 Tentativa de compreensão: arte Poema sujo. arte neoconcreta . Ensaios 1962 Teoria do não-objeto. 2001 30 . 2002 Rembrandt. 1998 Um pouco acima do chão.Anexo C. 1983 questão/Vanguarda e Poemas escolhidos.Uma Na vertigem do dia. 2000 A estranha vida banal. (cordel. "O Grupo Frente e a reação 1981 neoconcreta". 2003 Gamação. La Fontaine. 1980 contribuição brasileira. 2002 Contos Relâmpagos. 1989 O rei que mora no mar. Muitas vozes. 1997 Literatura infanto-juvenil Fábulas. 1991 do cubismo à arte neoconcreta. 1977 Dentro da noite veloz. na Vanguarda e subdesenvolvimento. 1998 Os melhores poemas de Ferreira Cultura posta em Gullar .