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A EVOLUÇÃO ECONÔMICA NO BRASIL

Vinícius Montgomery de Miranda.
E-mail: professormontgomery@yahoo.com.br

Edna da Silva Pereira
E-mail: ednalimapa@gmail.com

Juliana de Fátima Silva
E-mail: jufs18@yahoo.com.br

Késia Ferreira
E-mail: kesia.ferreira@hotmail.com

RESUMO
Este artigo objetiva discutir a formação econômica brasileira, estabelecendo uma análise histórica dos
principais fatores que contribuíram para o desenvolvimento. O estudo de uma conjuntura político-
econômica contida no período entre Brasil colônia até a implantação do Plano de Metas, permite identificar
as fontes de crescimento da economia brasileira, o comportamento do mercado, a influência das decisões
políticas, bem como barreiras comerciais e dificuldades encontradas. Através de estudos bibliográficos e
de artigos científicos relacionados com o tema explorado, desenvolve-se uma visão simples e realista dos
fatos e comportamentos econômicos.

Palavras-chave: industrialização, crescimento econômico, investimento estrangeiro, exportação,
bens de capital, controle cambial.

INTRODUÇÃO

Ao longo do século XX, a economia do Brasil cresceu e se transformou. Marcado por
mudanças estruturais importantes, o país viveu a transição de uma economia agroexportadora, com
uma alta dependência de poucos produtos primários em sua pauta de exportações, para uma
economia industrializada, em um espaço de tempo relativamente curto, fato que desperta o empenho
em identificar as condições que favoreceram essa transformação.
Para compreender a formação histórica do ambiente econômico brasileiro, é necessário
analisar os fatores que determinaram à evolução da economia, assim como os mecanismos adotados
na manutenção do crescimento. Assim, pode-se identificar quais momentos foram decisivos na
história econômica, estabelecendo os principais fatores que influenciaram a economia entre o período
do Brasil Colônia até o período conhecido como Milagre Econômico.
Através da análise da formação econômica brasileira, é possível entender os ciclos da
economia e seus modelos de desenvolvimento, identificando qual foi o papel do Estado e dos demais
agentes econômicos frente ao processo de industrialização e desenvolvimento. É importante
identificar quais os principais problemas econômicos bem como as medidas adotadas e seus
resultados.
A fim de discutir as mudanças econômicas experimentadas pela economia brasileira ao longo
de sua história, este trabalho está segmentado em quatro partes. Na primeira parte, discorre-se sobre
o Brasil colonial e sua economia basicamente extrativista. Em um segundo momento, descrevem-se
as transformações decorrentes da industrialização. Na terceira parte do trabalho, é analisado um
período importante da evolução econômica do Brasil: o Plano de Metas (1956-1960) do governo JK.
Para finalizar o trabalho, faz-se uma análise do Milagre Econômico (1968-1973), período de
crescimento econômico espetacular, ocorrido durante a ditadura militar.

o sistema escravagista manteve os recursos humanos subdesenvolvidos. O cultivo do produto no Brasil não desapareceu. plantio de fumo. mesmo com custo de produção 30% inferior ao das plantações inglesas no Caribe. cacau e também o cultivo de produtos que alimentavam a população costeira em expansão. O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL NO PERÍODO COLONIAL Durante o século XVI. apesar de seu enorme território. Esses animais eram utilizados para o transporte do ouro até o porto no Rio de Janeiro. também não eram em grande número. . região conhecida como Zona da Mata. consequentemente aumentando com regularidade o volume exportado do produto. num primeiro momento com a exploração e retirada do pau-brasil. o Brasil não era considerado importante por Portugal. depois se desenvolvendo a economia açucareira. 2008 p. A mineração desencadeou outras atividades para o suprimento na região. Sendo que. para controlar o contrabando. as jazidas tornaram-se economicamente inviáveis. iniciou-se o cultivo do primeiro produto realmente importante para a exportação e crescimento econômico brasileiro: o açúcar. além de não se sujeitarem a trabalhar com disciplina. impedindo sua produção na colônia. Neste local houve a concentração de instituições financeiras. Portugal finalmente reconhecendo a importância do território conquistado. Algumas terras foram redirecionadas para agricultura de subsistência. (FABER et al. essa atividade de exportação entrou em declínio devido ao excesso de oferta do produto no mercado internacional. Sua extração era rudimentar. tais como: a produção agrícola no estado de São Paulo. apenas diminuiu. como a mula. O pau-brasil foi o primeiro produto de exportação do Brasil colonial. importantes casas comerciais. o manejo da agricultura não evoluiu. Devido à imensa extensão de terra. Em meados do século XVIII. Diferente da produção de cana-de-açúcar. 1996). Grande parte era do tipo de aluvião. No final do século XVIII. dentre outros serviços. mais tarde foram utilizados para o transporte do café. estabelece o monopólio de produtos manufaturados fornecidos pela metrópole. a forma de cultivo permaneceu primitiva e arcaica. porém.2) Ele foi introduzido inicialmente no litoral do nordeste. O Brasil era habitado por índios nômades. 1996). a distribuição de riqueza gerada ficou extremamente concentrada e os lucros decorrentes dessa atividade foram aplicados em bens de consumo importados. as linhas gerais da política eram formuladas na Europa. como infraestrutura e melhores técnicas de plantio (BAER. Começa-se a cobrança de um quinto do ouro extraído. Em Salvador foi instalado um governador-geral para administrar a colônia. tornando-se uma área de monocultura. No início do século XVI. No início de sua colonização. o governo português transfere seu centro administrativo de Salvador para a cidade do Rio de Janeiro. pois. Os donatários vendiam as terras a colonos. chegando ao fim o ciclo do ouro (BAER. inicia um maior controle administrativo sobre a colônia Brasil. que. formados por fazendeiros. Outra parte permanece em Minas Gerais investindo seus esforços nas atividades agrícolas de subsistência. mantendo assim. algodão. denominadas capitanias. e sua aplicação e interpretação eram realizadas pelos governadores e conselhos municipais. o legado da exportação deste produto foi negativo. o local facilitava a saída do produto para a Europa e também a entrada de mão-de-obra escrava da África. cujo objetivo era povoar o território. o Brasil tornou-se o principal exportador de açúcar do mundo. praticando uma atividade essencialmente comercial. podendo ser empregada em pequena escala. e também a criação de animais de carga. alterando o centro de atividade econômica da colônia para o local. foram dizimados pelas doenças trazidas pelos portugueses colonizadores. proprietários de grandes áreas rurais e dos primeiros engenhos de açúcar. Apesar do ciclo da cana-de-açúcar ter sido lucrativo para alguns agentes econômicos. pois. A ocupação portuguesa se deu através da exploração de matéria prima tropical. Portugal então proíbe as navegações particulares. migrantes de todo o país foram para a região. vinda de várias regiões no Sul. Propositalmente a infraestrutura no transporte era mantida arcaica. (BAER. Parte da população transfere-se para o Planalto Central e para o Sul concentrando-se em atividades agrícolas e de criação de gado. No início do século XVII. não criando povoados e não se fixando como produto de exportação. A Europa utilizava a casca da árvore como matéria-prima para corante. Com a descoberta de ouro no estado de Minas Gerais em 1690. o comércio interno estagnado. 1996). Porém. a mineração resultava em uma menor concentração de renda. o cultivo do açúcar se expandiu rapidamente na região. o Brasil foi dividido em áreas. Além de excelentes condições de cultivo. ao invés de investidos nas próprias fazendas. Deu-se início aos primeiros grupos bancários privados e a um desenvolvimento no setor artesanal.

Pedro I num sistema de monarquia. ficou difícil a importação de bens de capital. torna-se claro que o Brasil voltará ao patamar de colônia. borracha e fumo. 1996). cerveja. sendo elas de diversos ramos: artigos de couro. cacau. conforme o tópico seguinte. afetando diretamente o Brasil e seus vizinhos latino-americanos. As condições excepcionais que oferecia o Brasil para essa cultura valeram aos empresários brasileiros a oportunidade de controlar três quartas partes da oferta mundial desse produto. A capacidade produtiva do Brasil aumentou nos oito anos que antecederam a Primeira Guerra Mundial. Porém. vidro. o continente Europeu e os EUA reduziram os seus consumos drasticamente. No Brasil a industrialização iniciou-se tardiamente a partir da década de 1840. No final desse século o centro econômico transferiu-se para São Paulo. fica como regente. . o Brasil possuía 64 fábricas e oficinas. fundado em maio de 1931. onde se deu o acesso ao porto de Santos. cientistas e técnicos são trazidos da Europa como consultores. 1985. a cidade do Rio de Janeiro torna-se a capital do império português. Cresce a produção do algodão cujo cultivo foi melhorado por investimento do estado de São Paulo em pesquisas. Com a crise de 1929. Em 1808. Em consequência surgem as primeiras empresas têxteis. Devido à Grande Depressão. A partir daí o Estado incentiva a produção. que exerciam forte influência nas questões sociais e políticas. Em meados do século XIX foi construída a ferrovia. devido às políticas de portas abertas adotadas pelo governo. (BUSANELLO et al. açúcar. O café tornou-se o principal item de exportação na quarta década do século XIX. as técnicas praticadas no plantio eram rudimentares. em 1894. que toma a atitude de comprar todo o café e destruí-lo na maioria. Pressionado pelo descontentamento da população. que operou como banco emissor e comercial até 1829. sendo responsáveis por 57% da produção industrial em 1907 e 64% em 1919 (BAER. Várias tentativas na produção de manufaturados pela economia local não foram bem sucedidas. auxiliando e intensificando as atividades comerciais e financeiras no período. O INÍCIO DA INDUSTRIALIZAÇÃO Com o objetivo principal de aumentar a receita tributária. têxteis. O Brasil conseguiu importar bens de capital durante a Segunda Guerra. com a vinda da família real. juntamente com a economia cafeeira. fornecendo isenção de taxas na importação de maquinário e matéria-prima. exportava café. a Grã-Bretanha tornou-se o centro industrial do mundo. a evolução produtiva nessa época foi muito modesta. em 1822 o regente declara a independência do país. destaca que na década de 1821-30 o café foi responsável por 19% do total de exportações do país e em 1891 esta margem aumentou para 63%. 2007 p. De 1822 a 1889 o país foi governado por D. Logo. ocorrendo uma diversificação nos produtos industrializados. Enormes fazendas eram administradas pelos próprios fazendeiros.7) Para proteção do setor. com mão de obra escrava. O Brasil. 178) Porém. responsável por 71% das exportações. Isso ocasionou novamente a concentração de renda. o café. Seus produtos manufaturados passaram a ser trocados por matérias-primas e alimentos dos países periféricos. O porto de Santos. 1996). Apesar disso. Pedro I. com a paralisação da navegação após o início da guerra. O rei retorna à Portugal em 1821 e D. algodão. (FURTADO. torna-se o mais importante centro exportador de café do mundo (BAER. isto é. teve seu preço médio reduzido a um terço abaixo dos preços praticados em 1925-29. que facilitava a importação de manufaturados de melhor qualidade da Europa. p. o governo aumenta suas tarifas de importação em aproximadamente 30% no ano de 1844. Durante o século XIX. importava os bens industrializados e exportava essencialmente a sua produção agrícola. No ano de 1852. sabão. Na década de 1920 surgiram pequenas siderúrgicas. Em consequência houve investimento na infraestrutura da nova sede do governo. Instituições educacionais são criadas. vestuário. fundição. fundamentais para o aumento da produtividade. construindo sua primeira grande siderúrgica em Volta Redonda. empresas de bens de capital e o início da produção de cimento. seu filho. A economia do Brasil do século XX era uma economia primária exportadora. O primeiro período de desenvolvimento industrial no Brasil foi dominado por indústrias leves. como um deles. cria-se o Conselho Nacional do Café. Pedro II até 1840. seguido por seu sucessor D. dentre outros. Neste mesmo século houve a criação do primeiro Banco do Brasil.

O próximo tópico analisa o Plano de Metas. elevando os padrões de consumo de certas classes sociais.e beneficiaram a industrialização no Brasil. Os pontos de estrangulamento eram removidos e impedia-se o aparecimento de novos. inicia-se uma busca pela produção interna de bens de capital. o presidente manteve permanentemente no ar o apelo do desenvolvimento. por meio da geração de emprego. onde os setores de bens de consumo duráveis ocuparam o lugar dos bens de consumo leve. De 1946-53. transportes. e em alguns setores estas foram inclusive superadas”. O Plano contava com o auxílio de comissões setoriais que administravam e criavam os incentivos necessários para atingir as metas. desestimulou a agricultura. Inicia-se então o processo de substituição das importações no Brasil que foi importante e necessário para a implementação do Plano de Metas no governo de JK. (SOROMENHA.” O controle de câmbio passou por várias fases. contra 34% da indústria têxtil. que utilizado em conjunto com a desvalorização da moeda geravam o declínio da importação. materiais elétricos e comunicações 417%. Havia também os chamados pontos de germinação. 380) “O cumprimento das metas estabelecidas foi bastante satisfatório. (GREMAUD et al. com a oferta de infraestrutura e de bens intermediários para os novos setores. 2000. . 2002) Percebe-se que houve uma mudança no direcionamento da produção industrial. mantendo a taxa de crescimento do país. como isenções fiscais e garantias de mercado. o governo investiu nas empresas estatais. O Plano selecionou cinco áreas principais: energia. De acordo com Gremaud et al (2002. 12) Dessa forma. O PLANO DE METAS O processo de evolução da indústria brasileira foi estimulado pelo Plano de Metas. emanado de seus programas de metas. e incentivos à introdução dos setores de consumo duráveis e de capital (GREMAUD et al. O Plano. Buscando a conciliação dos interesses dos empresários. uma política de reserva de mercado e a concessão de avais para a obtenção de empréstimos externos. A rápida industrialização foi obtida principalmente a partir de 1958. a fim de criar incentivos para a vinda de capital estrangeiro. que dispunha de uma demanda originada da concentração de renda. a construção de uma estrutura industrial sólida no país. Para a realização das metas. indústrias básicas. houve um crescimento na produção industrial de materiais de transporte de 711%. 54% do setor de alimentos e 15% referente a bebidas. com ênfase nas três primeiras (BIELCHOWSKY. cuja finalidade. um das fases de destaque do desenvolvimento econômico brasileiro. p. o Geia – Grupo Executivo da Indústria Automobilística. além do estrangulamento externo. 2004). O Plano de Metas pode ser dividido em três pontos principais: investimentos em infraestrutura. buscava. Este período caracterizou-se também pelo pior desempenho da agricultura. em vista dos efeitos interindustriais que gera por bens intermediários e. p. com a formação de demandas derivadas que acarretavam novos investimentos. Esses programas foram organizados pelo BNDE – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico . Foram concedidos incentivos ao capital estrangeiro. o Brasil foi o primeiro país a adotar o controle de câmbio. Principalmente nos anos 50. principalmente nos setores de transporte – centrado do setor rodoviário devido ao objetivo de introduzir o setor automobilístico – e energia elétrica. ofereceu crédito com juros baixos ou até mesmo negativos e carência longa por meio do Banco do Brasil e do BNDE. condizente com o objetivo do plano. que atraíram muitas multinacionais para o país. Para notar as mudanças ocasionadas pelo Plano de Metas. sobre os bens de consumo leves. e devido ao processo de substituição de importações. pode-se verificar que entre os anos de 1955 e 1962. p. esse instrumento foi utilizado para criação de um complexo industrial. Na América Latina. era modernizar o Brasil. dos militares e dos assalariados urbanos. Segundo Baer (1996. dotando-o de indústrias de base e de bens de consumo duráveis. dos políticos. estímulo ao aumento de produção de bens intermediários. 68) “O controle do câmbio foi uma das ferramentas básicas para a industrialização do país. A viabilização do projeto dependia da readequação da infraestrutura e da extinção dos pontos de estrangulamento existentes. alimentação e educação. Observaram-se profundas mudanças estruturais de base produtiva acompanhadas do rápido crescimento econômico do período. desenvolvido pelo presidente Juscelino Kubitschek. considerado o auge da industrialização. como por exemplo. onde foi criado um sistema de licenciamento. basicamente o governo controlava quais produtos podiam ser importados. 2002). que foram objeto de planos específicos.

p. 2002). As principais fontes de crescimento foram: o aumento do investimento das empresas estatais. a elevação da demanda por bens de capital permitiu que este setor fosse o de maior crescimento entre 1971 e 1973. com redução gradual.399) “nessa fase. Segundo o portal FGV. enquanto a inflação estabilizava-se em torno de 15 e 20% no período. por consequência dos investimentos públicos na área. de uma inflação de demanda para uma inflação de custos. em objeção ao tratamento de choque. Os investimentos públicos. “em setembro de 1970 a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro bateu o recorde de volume de transações em toda a sua história. Já o setor de bens intermediários registrou uma taxa média de crescimento de 13. exceto a política salarial. apresentou um crescimento menor. A procedência do milagre econômico está nas reformas econômicas praticadas pelo PAEG.a. uma pressão por importações. o seu desempenho divide-se em duas fases: até 1970. há o crescimento da dívida externa e a deterioração do saldo em transações correntes. criou-se o CIP – Conselho Interministerial de Preços. causando um afrouxamento das políticas monetária. utilizando a mesma quantidade de terras para o plantio.a. É importante destacar que o crescimento se colocava também como uma necessidade para legitimar o regime militar. da massa salarial e ao crescimento das exportações de produtos agrícolas e manufaturados tradicionais. que tinha como objetivos combater a inflação e realizar reformas estruturais. (GREMAUD et al. 2002).a. fiscal e creditícia. ocasionando uma aceleração inflacionária. O período de 1968 a 1973 foi marcado por taxas de crescimento excepcionalmente elevadas. A deficiência de oferta interna causou..a. Segundo Gremaud et al (2002. e o crescimento das exportações. Este período foi o Milagre Econômico. principalmente para o produto industrial. Em 1968. 2007). precisaram ser custeados principalmente através de emissão monetária. no início do governo de Castelo Branco. Em relação ao setor de bens de capital. que adaptou a economia rumo ao crescimento e gerou uma capacidade ociosa no setor industrial (IPEA. ou seja. Aceitava-se a inflação em torno de 20 a 30%a. A inflação teve seu diagnostico alterado. 2002).1% a. A agricultura tornou-se uma fonte de demanda para a indústria. O desestímulo à agricultura e investimentos na indústria com tecnologia e capital intensivo. deu-se início o processo de modernização agrícola. a agricultura e o setor de bens de consumo leve exibiram uma atuação mais modesta. no período. ampliaram a concentração de renda.5%a. ainda incitada pela política liberal e de incentivos à . Apesar da ampliação e diversificação da matriz industrial brasileira. com relativa estabilidade de preços (GREMAUD et al. pois houve um aumento de produtividade intensiva no setor agrícola.. em efeito ao crescimento do comércio mundial. devido à grande expansão do crédito ao consumidor. resultante da recuperação financeira do setor público. a demanda por bens duráveis. e recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento (GREMAUD et al. ocasionado pela não ampliação da capacidade instalada. alterações da política externa do país e incentivos fiscais (GREMAUD et al. na ausência de uma reforma fiscal condizente com as metas. 2002. Devido ao aumento do emprego. a retomada do investimento público em infraestrutura. que permitissem o crescimento. que procurou justificar sua intervenção na necessidade de eliminar a desordem econômica e político-institucional. 2002). No setor externo. p. 398). com taxas de crescimento médio de 18. nos setores de bens de capital e de bens intermediários. O MILAGRE ECONÔMICO Após o golpe militar de 1964. conforme aumentava-se os investimentos na economia. As medidas executadas pelo Plano de Metas constituíram a base para o desempenho impressionante da economia nos anos seguintes. por meio da mecanização”. o Plano de metas aprofundou todas as contradições criadas ao longo do PSI – Programa de Substituição de Importações (GREMAUD et al. o crescimento da construção civil. O crescimento econômico e o domínio da inflação eram os objetivos principais do governo em 1967. negociando 24 milhões de cruzeiros num só dia”. órgão responsável pela política de controle de preços. foi criado o PAEG – Programa de Ação Econômica do Governo. onde os reajustes deveriam ter a aprovação prévia do governo. considerada como parte de custos. O período caracterizou-se por uma elevação média do produto acima dos 10%a.

para que depois todos pudessem desfrutar. Acreditava-se que a concentração de renda era uma propensão lógica de um país em desenvolvimento e que precisava de uma mão de obra qualificada (GREMAUD et al. Através de estradas mantidas propositalmente obsoletas. que se estenderam entre o século XVI e XIX. o país presenciou a primeira onda de endividamento externo. As técnicas de cultivo na atividade permaneciam arcaicas. Em alguns períodos. objetivando a eliminação de problemas oriundos de uma economia marcada pela inflação. O Estado manifestou grande participação na economia. tarifas. CONCLUSÃO O Brasil inicia sua atividade econômica com o cultivo e a exportação de matérias-primas de produtos agrícolas. O volume de reservas. foi considerado um dos principais exportadores de açúcar. onde a renda deveria crescer primeiro para que depois todos pudessem usufruir. principal fonte da viabilização do crescimento durante o milagre econômico. As taxas de juros elevavam-se devido à reforma financeira (1964/1966) e pela alta demanda de crédito. imposta após a Segunda Guerra Mundial. O cultivo do açúcar e café gerava uma riqueza extremamente concentrada. A principal crítica ao período do Milagre Econômico é a concentração de renda. juros –. não havia investimento na infraestrutura das fazendas não favorecendo assim a produtividade. Além disso. 400). a renda per capita de toda a população cresceu. Conclui-se ainda que. era equivalente a mais de um ano de exportações. ao passo que o FMI recomendava que este volume fosse de três meses de importações. 2002). elevando a capacidade da poupança da economia e financiando investimentos. que unida aos recursos que permitiam o acesso ao crédito levaram à obtenção de recursos estrangeiros. 1996). Alguns fatores contribuíram para que o país permanecesse na atividade de agro exportação por um período tão longo. (GREMAUD et al. Mas além do bom desempenho do setor exportador. algodão. salário. a consolidação de um capitalismo independente e o equilíbrio na balança comercial despertaram o interesse de empresas norte americanas e dos liberais brasileiros na entrada do capital estrangeiro no país (IANNI. não fosse o elevado crescimento do valor das exportações brasileiras. em 1973. ao invés de ser revertida na produção. o Estado respondia pela maioria das decisões de investimento. 2002. o que resulta numa melhora geral. sendo estes seus produtos primários e tendo como secundários o fumo. p. Foi a chamada Teoria do Bolo. que cresceu somente após 1970. das proibições de navegações particulares. além da melhora dos termos de troca. a dívida pública interna crescia. encarada como uma estratégia para possibilitar o crescimento econômico. tendo como principais tomadores as empresas multinacionais e os bancos de investimentos estrangeiros. e pode ter influenciado na produção interna de bens de capital. tornando-se um país vulnerável a quaisquer mudanças relacionadas a eles. a renda superavitária obtida era gasta com bens de consumo de produtos manufaturados importados. A pressão por importações poderia levar à necessidade de recursos externos para cobrir o Balanço de Pagamentos. incentivos fiscais e subsídios. Porém. nesses três ciclos a atividade econômica no país era totalmente dependente da exportação de um único produto. As exportações brasileiras foram beneficiadas pelo crescimento do comércio mundial e pela política cambial e comercial. a mão de obra era escrava. Portugal obtinha forte controle sobre as atividades econômicas brasileiras. cacau. E. Apesar do aumento da concentração de renda. sem nenhuma instrução. embora os ricos tivessem melhorado mais que os pobres. ou pela captação de recursos financeiros. A situação cambial era estável. controlando os principais preços – câmbio. da isenção de qualquer instituição de ensino no . Fatores como a nova conjuntura mundial. Enquanto a entrada de capital estrangeiro era transformada em reservas. sejam elas da administração pública ou privada. A extração do ouro gerava uma menor concentração de renda.importação do Conselho de Desenvolvimento Industrial – CDI. tendo em vista o controle da base monetária através das operações de mercado aberto. cada um em sua época. ouro e café.

CARDOSO. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimentismo. VASCONCELOS. G. 2004.jsp?ttCD_CHAVE=2135> acesso em 27/05/2009. 1996. ele manteve a economia estagnada até a independência em 1822. Formação econômica do Brasil. Wesley Ricardo Ribeiro. REFERÊNCIAS BAER.asp> Acesso em 21/05/2009. (Monografia de Graduação em História) – Porto Alegre . conclui-se que o Brasil desenvolveu-se economicamente principalmente pela vinda da indústria de bens de capital e pelos financiamentos estrangeiros na economia do país. A. Atlas.. Octavio. o país viveu um período de espetacular crescimento econômico. TONETO JÚNIOR.São Paulo: Editora Nobel.São Paulo: Companhia Editora Nacional.ipea. pois sua atividade econômica ainda é movida por 79% em exportações agrícolas. Luziânia – GO. . 4ª. BIELSCHOWSKY. O período de crescimento industrial iniciou-se em 1852 de forma modesta. Magno Paulo. ao contrário da agricultura. Marcos. IANNI. Jader Moreira. artigos de couro. 2008. A desvalorização da moeda e o controle de câmbio contribuíram para a queda das importações e tiveram papel fundamental na industrialização do país.br/dhbb/verbetes_htm/3388_6. Disponível em: < http://www. BUSANELLO. A produção interna de bens de capital foi valorizada. FREITAS.país e da proibição da fabricação de produtos manufaturados que vinham da metrópole. S. As primeiras fábricas e oficinas instituídas foram de produtos têxteis. Ismael. o Plano de Metas. estimulou o aumento da produção de bens intermediários e incentivou a introdução dos setores de consumo duráveis e de capital. Economia Brasileira Contemporânea. GREMAUD. FABER. Estado e Planejamento no Brasil. Processo de Substituição de Importações: uma análise do período de 1930 a 1960. Política econômica: o "milagre brasileiro" Disponível em: < http://www.fgv. Lições do "milagre" econômico brasileiro de 1968 a 1973. São Paulo.cpdoc. vestuário. P. 5 p. dentre outros. História econômica do Brasil na República Velha. FURTADO. 5ª ed. possibilitando o desenvolvimento econômico.br/003/00301009. SOUZA. Conclui-se também que o Processo de Substituição de Importações permitiu a execução de um programa desenvolvimentista jamais realizado no país.. 2002. O Milagre Econômico caracterizou-se por altas taxas de crescimento e uma inflação consideravelmente estabilizada. 1985. que viabilizaram a expansão da atividade econômica interna do país. Mais tarde. Panorama da Economia Brasileira. MORAIS. A. 248 p.RS. Ricardo. Celso. Werner. SOROMENHA. denominadas indústrias leves. S. cerveja. Rio de Janeiro: Contraponto. Ricardo Araújo T. Leandro Vieira dos Santos de. Eduardo. Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro-Oeste. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1996. Neste momento o país ainda não é considerado industrializado. 2000. FGV. SEVERO. Andrei Ângelo. M. Opinião . Faculdade Porto-Alegrense. 415 p.gov. 10 p. A importação de bens de capital durante a Segunda Guerra possibilitou a construção da siderúrgica de Volta Redonda. de. R. WOLF. São Paulo: I-Editora.. O plano priorizou os investimentos em infraestrutura e energia elétrica. Ed. sabão. A economia brasileira. 7 ed. IPEA. Edição. Ao final deste trabalho. 20 ed. juntamente com o crescimento da dívida externa. 2007. ABADIA.