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Retrospectiva Canal 2015: opções de matéria-prima para
produção de biodiesel

O sebo de origem animal, proveniente principalmente da pecuária e da pesca, está sendo utilizado como matéria-
prima para a produção de biodiesel. Ao invés de descartar todo esse produto, como se fazia anteriormente, agora
ele é reaproveitado. De acordo com o superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil
(Aprobio), Julio Cesar Minelli, tem sido notável a produção de biodiesel a partir de resíduos animais no Brasil. “Há
produção principalmente a partir do sebo bovino. Sua participação na curva de matérias-primas do biodiesel tem
subido a cada ano, ainda que seja percebida uma pequena queda em percentual nos anos de 2010 e 2014.

Em 2013, mais de 520 mil toneladas de sebo foram convertidas em biodiesel, chegando a mais de 610 mil
toneladas no ano de 2014”, destaca. Trata-se de um aumento de 17%, que acompanhou o crescimento da
produção e do consumo de biodiesel no País.

Já a utilização da gordura de frango para esse fim ainda é inexpressiva. “Essa gordura representa 0,1% do
biodiesel produzido nos Estados da região Centro- Oeste, ou 0,04% no Sul, as duas regiões maiores produtoras do
biocombustível no País. Também há a de porco, com percentuais diminutos pois, assim como a de frango, possui
como destino principal a produção de rações para animais domésticos, que garantem um maior valor agregado”,
afirma o superintendente.

De acordo com o boletim mensal do biodiesel da ANP de fevereiro, o Sudeste foi campeão de utilização de gordura
bovina como matéria-prima utilizada na produção de biodiesel, num total de 60,85%. Já com relação à gordura de
porco, quem utilizou mais foi a Região Sul, com 1,43%, que também apresentou o maior percentual relacionado à
gordura de frango: 0,04%.

Características

A oportunidade de utilização das gorduras animais na produção de biodiesel é interessante, tanto por representar
uma fonte de matéria-prima alternativa, quanto por dar destino a um resíduo considerado passivo ambiental.
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sendo a mais empregada o sebo bovino. esclarece Minelli. comprometendo a queima eficiente do combustível. ocasiona o entupimento de bicos injetores. “Além de agregar valor à cadeia da carne bovina. solidificam-se mais facilmente. o biodiesel produzido supera com grande folga a exigência de estabilidade à oxidação e possui maior número de cetanos. Matérias-primas Julio Cesar Minelli aponta que. o destaque de Minelli fica para o uso de um sebo bovino de menor qualidade. sendo que parte dessas empresas também fornece para a produção de biodiesel. O teste feito para verificar a propriedade de fluxo a frio no biodiesel é o ensaio de ponto de entupimento de filtro a frio. o que se traduz em mais uma forma de o uso do biodiesel reduzir a poluição ambiental. Itânia Soares. “Só de óleo reutilizado de cozinha. durante o inverno. na prática. por sua vez. Óleo de peixe 2/3 . por outro lado. esclarece a pesquisadora. das matérias-primas mais utilizadas para a produção de biodiesel se destaca a soja. Mesmo que 100% da gordura animal fosse transformada em biodiesel. não somente do ar – durante a combustão –. No caso da gordura suína e de frango. Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “O biodiesel de soja apresenta cerca de 13% de saturados contra 43% da gordura suína. seja pela alta acidez. A pesquisadora explica que os ésteres de cadeias saturadas são menos suscetíveis a degradação por oxidação que os ésteres insaturados mas. seu emprego na fabricação de biodiesel contribui para que seja dado um uso ambientalmente correto a essa matéria-prima.Da mesma forma que o biodiesel obtido do óleo de soja. há que se atentar para essa composição que irá refletir em algumas propriedades do biodiesel”. ele indica que uma mistura contendo 50% de sebo bovino no óleo de soja seria segura para a região Sul do Brasil.” Por outro lado. Essa característica. O que normalmente se faz é utilizar a matéria-prima de origem animal em mistura com o óleo de soja.” Com o novo mercado. que dilui esses saturados”. mais de 32 milhões de litros foram empregados no ano passado para processar biodiesel. com 20. seu uso é mais para a cadeia alimentar animal. o que demanda das usinas um aumento do uso de insumos. mas a do solo e leitos de rios na sua produção. aumenta o custo da usina na produção do biodiesel e reduz seu poder de competitividade na hora de ofertar os lotes nos leilões de venda da ANP. melhorando ainda mais a performance de combustão. Ainda não publicado. com 74. 47% da gordura bovina e 28% da gordura de frango. na forma de ração. Recentemente foi apresentado pela Embrapa Agroenergia um trabalho sobre a utilização da gordura bovina juntamente com óleo de soja na produção de biodiesel.3%. Imagine esse óleo todo em córregos e cursos d’água?” Já com relação às dificuldades.5% de sebo bovino. quando o sebo é de boa qualidade. sendo por vezes enterrada e gerando contaminação do solo. o biodiesel obtido de gordura animal apresenta um maior teor de saturados. a indústria da reciclagem animal se desenvolveu e conta com aproximadamente 125 unidades industriais. No entanto. o obtido de gorduras animais também é constituído de ésteres que derivam de ácidos graxos de cadeias saturadas e insaturadas. Nos demais meses e demais regiões do País seria seguro utilizar uma mistura contendo 62.8% no ano passado. ressalta a pesquisadora da Embrapa Agroenergia. contaminação ou umidade elevada. Ele afirma que a produção com o sebo bovino é a mais viável economicamente. que antes chegava a ser um rejeito e nem sempre tinha a melhor destinação. seguida da gordura animal. O ensaio indica a que temperatura o combustível começa a solidificar. Por isso uma parcela mínima destas matérias-primas é utilizada nas usinas de biodiesel. Entre as vantagens desse tipo de produção. ela seria responsável por cerca de 40% do biocombustível processado. “Sendo assim. Minelli destaca o reaproveitamento do que antes era refugo da indústria frigorífica. “Isso. para que o biodiesel produzido atenda às especificações da Agência Nacional do Petróleo.

um subproduto da pecuária de corte que não conseguia colocação integral no mercado pelas graxarias e acabava transformando- se num passivo ambiental. Conforme informações da Abra. tem o número de cetano maior que o do óleo vegetal. em 2013. como o de sabão e cosméticos. Vinicius Marques Oliveira. conhecida como óleos e gorduras residuais (OGR) de peixe. O diretor executivo da Ubrabio.A Petrobras Biocombustíveis iniciou em janeiro deste ano a produção de biodiesel a partir de olho de peixe. Ainda assim é um mercado interessante”. subiram significativamente. Atualmente. assegura biodiesel com matéria-prima de qualidade. fruto do contrato de compra firmado com a Cooperativa dos Produtores do Curupati. O gerente de mercado interno da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). além de ser uma matéria de menor custo e não competir com o consumo humano. relembra Beltrão. indústria de higiene e limpeza e queima em caldeiras industriais. cerca de 50% do sebo bovino são destinados à produção de biodiesel. de um total de 1. a Petrobras Biocombustíveis considera que o uso do óleo extraído das vísceras do pescado na produção traz vantagens a ambas as partes. o preço desse material passou a ter uma forte correlação com o óleo de soja. comenta que a principal característica do sebo animal é seu poder energético. 15 toneladas por mês do produto. “No caso do biodiesel. pontua. “Desde o início do PNPB. o comportamento dos preços para gordura animal está em sintonia com o de origem vegetal.55 toneladas do OGR.4 milhão de toneladas de sebo bovino. Antes da implementação do PNPB. em média. cerca de 41% foi para o biodiesel. para uma nova destinação sustentável de parte do volume de sebo. grande parte desses tipos específicos de resíduos animais eram descartados de forma inadequada no meio ambiente. transporte e processamento dos resíduos de origem animal. o que diversifica as alternativas de matéria-prima da usina de biodiesel de Quixadá. o que significa algo entre 800 e 900 mil toneladas. “Com o biodiesel. Alto poder energético O sebo bovino tem se destacado desde o início do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) como a segunda matéria-prima mais utilizada na produção de biodiesel. os mercados consumidores de gordura animal eram a Ração animal. Para a companhia. foram incorporados: sebo bovino. fonte desta gordura. poluindo cursos d’água”. além dos mercados tradicionais. Em dezembro de 2014 foram recebidos 4.” Assim. até 2007. A expectativa da empresa é adquirir. Conforme declarou por meio de nota. Sergio Beltrão. e a matéria-prima é extraída das vísceras de peixes. o que permite combustão mais eficiente em motores diesel. Vinícius comenta que. sendo que o de origem animal é mais competitivo por não concorrer com o consumo humano. acredita que isso significa que a produção de biodiesel está contribuindo. porém o custo de aquisição. em Jaguaribara (CE). Ana Flávia Marinho-Canal-Jornal da Bioenergia 3/3 . Com o B7 há uma expectativa de que este mercado absorva 60% da produção nacional em 2015. suíno (banhas) e avícolas (gorduras diferentes de abatedouros de aves). além de a iniciativa estar alinhada ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. o óleo animal obteve uma agregação de valor interessante. condição necessária para garantir o Selo Combustível Social do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Após o advento do PNPB. A ação é realizada na usina de Quixadá (CE).