Capítulo 10

COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE
VETORES

Neste capítulo aprofundaremos alguns dos conceitos e teoremas já estudados nos capítulos
anteriores, com acréscimos importantes nas aplicações. Para uma melhor compreensão dos
tópicos que trataremos, recomendamos conhecimentos básicos de Álgebra Linear.

10.1 Introdução

Neste parágrafo apresentaremos os conceitos mais utilizados nos capítulos anteriores, do ponto
de vista da Álgebra Vetorial. Todos estes resultados são, essencialmente, exercícios de deriva-
das e da regra da cadeia. Para detalhes, veja [VC].

Considere ∇ o operador definido nos capítulos anteriores, em coordenadas retangulares:

∂ ~ ∂ ~ ∂ ~
∇= i+ j+ k,
∂x ∂y ∂z

onde {~i, ~j, ~k} é a base canônica de R3 . De forma análoga, define-se para o R2 .

Dos capítulos anteriores, sabemos que o operador ∇ possui uma um caráter tanto vetorial
como diferencial, isto é, o operador atua sobre campos de vetores e funções diferenciávéis. No
que segue do capítulo, todas as funções e campos de vetores serão definidos num conjunto
aberto do R3 ou do R2 e pelo menos devem possuir as primeira derivadas parciais, definidas

221

222 CAPÍTULO 10. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES

no conjunto aberto. Então, temos:

∂f ~ ∂f ~ ∂f ~
∇f = grad(f ) = i+ j+ k,
∂x ∂y ∂z

∂F1 ∂F2 ∂F3
∇ · F = div F = + + ,
∂x ∂y ∂z

~i ~j ~k

.

.

.

.

.

      ∂ ∂ ∂ .

= ∂F3 − ∂F2 ~i + ∂F1 − ∂F3 ~j + ∂F2 − ∂F1 ~k. .

.

∇ × F = rot F = .

.

.

∂x ∂y ∂z .

.

∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y .

F1 F2 F3 .

De fato. 4. ∇ · (f F ) = f ∇ · F + ∇ f · F . F e G campos de vetores e α e β constantes. O operador ∇ é linear.    As provas destas identidades são essencialmente execícios de derivadas. ∇ · (α F + β G) = α ∇ · F + β ∇ · G e ∇ × (α F + β G) = α ∇ × F + β ∇ × G. ∇ f g = g ∇ f + f ∇g. F e G campos de vetores definidos no aberto U ⊂ R3 . ∇ × (f F ) = f ∇ × F + ∇ f × F = f ∇ × F − F × ∇ f . sejam f e g funções. Segue diretamente das definições: Proposição 10. então: ∇ (α f + β g) = α ∇ f + β ∇ g.  2. Sejam f uma função real. vejamos a identidade 2. de fato.: ∂   ∂   ∂   ∇ · (f F ) = f F1 + f F2 + f F3 ∂x ∂y ∂z   ∂F1 ∂F2 ∂F3 ∂f ∂f ∂f =f + + + F1 + F2 + F3 ∂x ∂y ∂z ∂x ∂y ∂z = f ∇ ·F + ∇f ·F . 3.1. então: 1. ∇ · F × G = ∇ × F · G − ∇ · G · F .

INTRODUÇÃO 223 A identidade 3: .1.10.

~i ~j ~k .

.

.

.

.

.

∂ ∂ ∂ .

∇ × (f F ) = .

.

.

.

∂x ∂y ∂z .

.

.

f F1 f F2 f F3 .

∇ · (f ∇g) = f ∆g + ∇f · ∇g.2. A equação diferencial parcial: ∆f = h. definida no aberto U ⊂ R3 . 2. é chamada equação de Poisson. então: 1. De forma análoga. dependendo das condições de contorno.  O operador de Laplace é fundamental na Teoría do Potencial. e no caso em que h = 0 é dita equação de Laplace. Seja f uma função de classe C 2 . definamos o seguinte operador linear que possui características semelhantes às do anterior. as soluções da equação de Laplace são chamadas funções harmônicas. em coordenadas retangula- res: ∂2f ∂2f ∂2f ∆ f = ∇2 f = ∇ · ∇ f = + + . Sejam f e g funções de classe C 2 definidas num aberto U ⊂ Rn . 3. Proposição 10. . ∇ · (g∇f ) = g ∆f + ∇g · ∇f . Análogamente para n = 2. ∆ f g = f ∆ g + g ∆ f + 2 ∇f · ∇g. Em particular  ∆ f 2 = 2 f ∆ f + 2 k∇f k2 . então. A equação de Poisson e a equação de Laplace possuem soluções únicas. O operador de Laplace ou laplaciano.       ∂(f F3 ) ∂(f F2 ) ~ ∂(f F1 ) ∂(f F3 ) ~ ∂(f F2 ) ∂(f F1 ) ~ = − i+ − j+ − k ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y        ∂F3 ∂F2 ~ ∂F1 ∂F3 ~ ∂F2 ∂F1 ~ =f − i+ − j+ − k + ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y       ∂f ∂f ~ ∂f ∂f ~ ∂f ∂f ~ + F3 − F2 i + F1 − F3 j + F2 − F1 k ∂y ∂z ∂z ∂x ∂x ∂y = f ∇ × F + ∇ f × F. ∂x2 ∂y 2 ∂z 2 isto é: ∆f = div grad(f ). denotado e definido por: ∆ = ∇2 = ∇ · ∇.

z) = p é harmônica. z) = x~i + y ~j + z ~k. y. F3 ) um campo de vetores de classe C 2 . Proposição 10. Sejam f e g funções reais.2. y. logo: ∆ F (x.3. De fato: x2 + y2 + z2 ∂2f 2 x2 − y 2 − z 2   ∂ x 2 = − = . ∆ F1 = 2 (x2 + y 2 ). ∆ F2 = 2 (y 2 + z 2 ) e ∆ F3 = 2 (x2 + z 2 ). z) = a x + b y + c z é claramente harmônica. z) = 0. Seja F = (F1 . [1] Considere o vetor posição F (x.   . 1 [2] A função f (x. então. F e G campos de vetores de classe C 2 definidos no aberto U ⊂ R3 . [1] A função f (x.224 CAPÍTULO 10. z) = x2 y 2 ~i + y 2 z 2 ~j + x2 z 2 ~k. y. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES Exemplo 10. y. ∆ f (x. [2] Considere o campo de vetores F (x. z) = 2 (x2 + y 2 )~i + 2 (y 2 + z 2 )~j + 2 (x2 + z 2 ) ~k. 2. ∂z 2 ∂z (x2 + y 2 + z 2 )3/2 (x2 + y 2 + z 2 )5/2 logo. y. denotamos e definimos: ∆F = ∆F1 ~i + ∆F2 ~j + ∆F3 ~k. y. ∇ · (f ∇ g − g ∇ f ) = f ∆g − g ∆f . então: 1. y. Claramente ∆ F (x. Exemplo 10. ∂x ∂x (x2 + y 2 + z 2 )3/2 (x2 + y 2 + z 2 )5/2 ∂2f −x2 + 2 y 2 − z 2   ∂ y = − = e ∂y 2 ∂y (x2 + y 2 + z 2 )3/2 (x2 + y 2 + z 2 )5/2 ∂2f −x2 − y 2 + 2 z 2   ∂ z = − = . Determine ∆ F . F2 . z) = 0.1. ∇ × ∇ × F = ∇ ∇ · F − ∆ F .

não incluindo dipolos de cargas ligadas no material.1. Seja W ⊂ R3 uma regão tal que ∂W = S nas hipóteses do teorema de Gauss. obtemos a segunda identidade de Green. Primeira Identidade de Green: ZZ ZZZ f ∇ g · ~n dS = (f ∆g + ∇ f · ∇ g) dx dy dz. então 1. apresentaremos as chamadas Identidades de Green. também chamada de indu- ção magnética. De fato: ZZZ ZZZ ∇ · (f ∇g) dx dy dz = (f ∆g + ∇f · ∇g) dx dy dz. S W De fato. da proposição 10. S W 2. Segunda Identidade de Green: ZZ ZZZ (f ∇ g − g ∇ f ) · ~n dS = (f ∆g − g ∆f ) dx dy dz. Sejam f e g funções de classe C 2 e ~n o vetor normal exterior a W . . da proposição 10. As Equações de Maxwell As equações de Maxwell são um sistema de equações que descrevem todos os fenômenos ele- tromagnéticos clássicos (não quânticos) e suas interações com a matéria: ∇ · D = ρv Lei de Gauss ∇·B =0 Lei de Gauss para o magnetismo ∂B ∇×E =− Lei de indução de Faraday ∂t ∂D ∇×H =J + Lei de Ampère .Maxwell.2. de 2. INTRODUÇÃO 225 10. W W aplicando o teorema de Gauss: ZZZ ZZ ∇ · (f ∇g) dx dy dz = (f ∇g) · ~n dS.1 Aplicações Identidades de Green Como primeira aplicação.10.2 e aplicando o teorema de Gauss. ∂t onde: ρv é a densidade volumétrica de carga elétrica (unidade SI: coulomb por metro cúbico). B é a densidade superficial de fluxo magnético (unidade SI: tesla).1. W S Subtraido 1. a primeira identidade de Green sai de 1.

2 Mudanças de Coordenadas Como estudamos nos capítulos anteriores. Muitas vezes os fenômenos estudados apresentam. Caso não haja presença de correntes ou cargas elétricas. Também apresentaremos as respectivas mudanças de base no es- paço vetorial R3 . H é a intensidade de campo magnético (unidade SI: ampère por metro) J é a densidade superficial de corrente elétrica (unidade SI: ampère por metro quadrado) Como o vácuo é um meio linear. simetrias. temos (exercício) que o operador ∇ e a derivada em relação a t. B é o campo magnético e c a velocidade da luz no vácuo (em cgs). 10. c ∂t onde E é o campo elétrico. . por exemplo. E é a intensidade de campo elétrico (unidade SI: volt por metro). O linguagem e os conceitos que utilizaremos neste parágrafo são da Álgebra Linear básica. As mudanças para R2 ficam para exercício. as quais não são claras em coorde- nadas cartesianas. ∂t c ∂t2 Por outro lado.3. comutam: ∂ ∂B ∇×B =∇× . ∂t ∂t De (5).226 CAPÍTULO 10. temos: 1 ∂2E ∆E = . homogêneo e isotrópico (desprezando pequenas não-linearidades devido a efeitos quânticos). (6) e identidade 2. da proposição 10. c ∂t Derivando (3) em relação a t: ∂ 1 ∂2E (6) ∇×B = . a utilização das coordenadas cartesianas nem sem- pre são as mais adequadas para descrever algumas situações geométricas. Veja [VM]. De (4) temos:  1 ∂B (5) ∇× ∇×E =− ∇× . Neste parágrafo apresentaremos sistemas de coordenadas mais gerais que os estudados anteriormente. obtêm-se as equações de Maxwell no vácuo: (1) ∇·B =0 (2) ∇·E =0 1 ∂E (3) ∇×B = c ∂t 1 ∂B (4) ∇×E =− . c2 ∂t2 Esta é a equação da onda para o campo elétrico. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES D é o campo elétrico de deslocamento ou densidade superficial de campo elétrico (unidade SI: coulomb por metro quadrado).

w) y = y(u. e~w } é dada por: 1 ∂R 1 ∂R 1 ∂R e~u = . podemos resolver o sistema (10.1 Bases Se fazemos v e w constantes . z)  w = w(x.1) de forma única para u. ~j. onde os vetores da base são os vetores tangentes unitários ás curvas coordenadas. y. v. e~v .1) representa a equação paramétrica de uma curva coordenada.10. hu ∂u hv ∂v hw ∂w onde: . De fato. z). v. y. então o sistema (10. ~k} a base canônica de R3 e denotemos o vetor posição por: R(u. De forma análoga. w)~j + z(u. v. Note que estas curvas são regulares. obtemos 3 curvas coordenadas. v. MUDANÇAS DE COORDENADAS 227 Em geral. z) v = v(x. v.2. w) ~k.1)  z = z(u. v. w) e vice-versa. e~w }. y. w) = x(u. e~v .  Logo. v e w em função de de x.1). a cada ponto (x. O sistema de coordenadas induzido pelas curvas coordenadas formam um sistema com uma nova base ortonormal {e~u . w) (10. dadas uma mudança de coordenadas:  x  = x(u. y. e~v = e e~w = .2. fazendo constantes as outras variáveis do sistema (10. z) corresponde um único (u. w). v. localmente. w)~i + y(u. isto é:  u  = u(x. então a base {e~u . seja {~i. v.  tal que a matriz jacobiana é não singular. y e z. 10.

.

.

.

.

.

.

∂R .

.

∂R .

.

∂R .

hu = .

.

.

. hv = .

.

.

e hw = .

.

.

. ∂u .

∂v .

∂w .

hv e hw são ditas fator de escala da base {e~u . Não é difícil ver que {e~u . [1] Coordenadas cartesianas. As quantidades hu . No caso em que a base é {~i. Exemplo 10. e~v . y.3. temos: R(x. ~k}. Veja o exemplo [2]. e~w } é uma base ortonormal de R3 . e~v . A análise anterior ainda continua válida se em vez de aplicada à descrição de R3 a utilizamos para introduzir um sistema de coordenadas numa superfície. z) = x~i + y ~j + z ~k. . ~j. e~w } em relação à base canônica de R3 .

e~φ = cos(φ) cos(θ)~i + cos(φ) sen(θ)~j − sen(φ) ~k. Logo.228 CAPÍTULO 10. φ) = (a + r sen(φ)) sen(θ)  w(r. Considere a parametrização do toro:  u(r. ∂φ Então. ∂θ ∂R = r cos(φ) cos(θ)~i + r cos(φ) sen(θ)~j − r sen(φ) ~k. φ) = a + r sen(φ) cos(θ)~i + a + r sen(φ) sen(θ)~j + r cos(φ) ~k.  onde 0 ≤ r ≤ a. .     k a r φ j θ i Figura 10. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES onde hx = hy = hw = 1. e~y = ~j e e~z = ~k. θ. θ. φ)  = (a + r sen(φ)) cos(θ) v(r. θ. temos: R(r. hθ = a + r sen(φ) e hφ = r e a base do sistema é: e~r = sen(φ) cos(θ)~i + sen(φ) sen(θ)~j + cos(φ) ~k. ∂r ∂R = −(a + r sen(φ)) sen(θ)~i + (a + r sen(φ)) cos(θ)~j.1: Coordenadas no toro Logo: ∂R = sen(φ) cos(θ)~i + sen(φ) sen(θ)~j + cos(φ) ~k. 0 ≤ θ < 2 π e 0 ≤ φ ≤ π. θ. hr = 1. e~θ = −sen(θ)~i + cos(θ)~j. [2] Coordenadas toroidais. e~x = ~i. φ) = r cos(φ).

10. v. w) e Fw = F3 (u. e~v .3 Operador Nabla numa Base Arbitrária Os operadores definidos anteriormente dependem do sistema de coordenadas escolhido. ~k cos(φ) 0 −sen(φ) e~φ Figura 10. Fv = F2 (u. um campo de vetores na base {e~u . na base ortonormal {e~u . e~w }.3. isto é. temos: Gradiente 1 ∂f 1 ∂f 1 ∂f ∇f = e~u + e~v + e~w hu ∂u hv ∂v hw ∂w Laplaciano        1 ∂ hv hw ∂f ∂ hu hw ∂f ∂ hu hv ∂f ∆f = + + . F2 . w) tal que F = (F1 . Fw ). v. hu hv hw ∂u hu ∂u ∂v hv ∂v ∂w hw ∂w Seja F = (Fu . w). v. onde Fu = F1 (u. e~v . e~φ cos(θ) cos(φ) sen(θ) cos(φ) −sen(φ) ~k A transformação inversa é:    ~i cos(θ) sen(φ) −sen(θ) cos(θ) cos(φ)   e~r ~    j  = sen(θ) sen(φ) cos(θ) sen(θ) cos(φ)  e~θ . F3 ).2: O toro com seu sistema de coordenadas 10. De fato. Fv . OPERADOR NABLA NUMA BASE ARBITRÁRIA 229 Equivalentemente:    e~r   cos(θ) sen(φ) sen(θ) sen(φ) cos(φ)  ~i  e~θ  =  −sen(θ) ~  cos(θ) 0   j . e~w } .

230 CAPÍTULO 10. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES Divergência   1 ∂   ∂   ∂   ∇·F = hv hw Fu + hu hw Fv + hu hv Fw hu hv hw ∂u ∂v ∂w Rotacional .

hu e~u hv e~v hw e~w .

.

.

.

.

.

.

1 .

∂ .

∂ ∂ .

∇×F = .

. v. = A(u. w) e~u + B(u. v. w) e~v + C(u. v. w) e~w .

hu hv hw .

.

∂u ∂v ∂w .

.

.

.

.

.

h F h F h F .

. z) = u v  z(u. [1] Coordenadas cilíndricas parabólicas. continua irrotacional em qualquer sistema de coordenadas. u u v v w w onde:   1 ∂   ∂   A(u. hu hv ∂u ∂v Estes operadores são invariantes por mudanças de coordenadas. w) = hu Fu − hw Fw . v. um campo de vetores irrotacional em coordenadas retangulares. v. v. Determine a divergência e o rotacional de F . z) = v e~u + u e~v + v e~z .4. v.  onde u. em que o resultado ao aplicar o operador. v. z ∈ R. z) = z. (b) O gradiente. sempre é o mesmo. (c) Seja F (u. isto é. z) = 2   y(u. hu hw ∂w ∂u   1 ∂   ∂   C(u. w) = hw Fw − hv Fv . a divergência e o rotacional neste sistema de coordenadas. o laplaciano. Determine: (a) A nova base. w) = hv Fv − hu Fu . v. v. Considere a seguinte parametrização: u2 − v 2    x(u. Exemplo 10. hv hw ∂v ∂w   1 ∂   ∂   B(u. Por exemplo. em qualquer tipo de coordenadas. v.

.

.

y. ∂(x. z) .

(a) Note que .

.

.

v. Consideremos: ∂(u. z) . = u2 + v 2 6= 0 se u ou v são não nulos.

2 .  2 u − v2 ~  R(u. z) = i + u v ~j + z ~k. v.

e~z 0 0 1 ~k A transformação inversa é:   ~i  u −v 0   e~u ~  1 v u 0 e~v . temos: 1 ∂f 1 ∂f ∂f ~ ∇f = √ e~u + √ e~v + k u2 + v 2 ∂u u2 + v 2 ∂v ∂z  2 ∂2f ∂2f  1 ∂ f ∆f = 2 + + u + v 2 ∂u2 ∂v 2 ∂z 2   1 ∂ p 2  ∂ p 2  ∂  2 2  ∇·F = 2 2 u + v Fu + 2 u + v Fv + (u + v ) Fz u + v 2 ∂u ∂v ∂z    1 2 2 ∂Fu ∂Fv ∂Fz = 2 u Fu + v Fv + (u + v ) + + 2 (u + v ) 3/2 ∂u ∂v ∂z .     e~u = √ e~v = √ u2+v 2 2 u +v 2 Equivalentemente:    e~u   u v 0  ~i e~v  = −v u 0 ~   j . Logo. j = ~k hu 0 0 1 e~z (b) Logo na nova base. OPERADOR NABLA NUMA BASE ARBITRÁRIA 231 logo: ∂R = u~i + v ~j ∂u ∂R = −v ~i + u~j ∂v ∂R ~ = k.3. e~z } definida por: 1 1 u~i + v ~j . ∂z √ Por outro lado temos que hu = hv = u2 + v 2 e hz = 1.10. obtemos uma nova base ortonormal {e~u . − v ~i + u~j e e~w = ~k. e~v .

√ .

u2 + v 2 e~ √u2 + v 2 e~ .

.

u v ~k .

.

.

.

.

.

1 .

∂ ∂ ∂ .

.

∇×F = 2 2 .

u + v .

.

∂u ∂v ∂z .

.

.

√ √ .

.

.

.

u2 + v 2 Fu u2 + v 2 Fv Fz .

z) e~z . z) e~u + B(u. v. v. = A(u. z) e~v + C(u. . v.

Fv = u e Fz = v. z) = √ [u Fv − v Fu + − .232 CAPÍTULO 10. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES onde: 1 ∂Fz ∂Fv A(u. v. v. u2 + v 2 u2 + v 2 ∂u ∂v (c) Como Fu = v. ∂z u + v ∂u 2 2   1 1   ∂Fv ∂Fu  C(u. z) = √ − . u2 + v 2 ∂v ∂z ∂Fu 1 ∂Fz B(u. z) = −√ . v. temos: 2uv ∇·F = (u2 + v 2 )3/2 .

√ .

u2 + v 2 e~ √u2 + v 2 e~ .

.

u v ~k .

.

.

.

u2 − v 2 .

.

1 .

∂ ∂ ∂ .

.

1 ∇×F = 2 2 .

u +v . = √ ~ e u + e~z .

.

∂u ∂v ∂z .

.

u2 + v 2 (u2 + v 2 )3/2 .

√ √ .

.

.

.

v u2 + v 2 u u2 + v 2 v .

então: (2 r sen(φ) + a) Fr ∂Fr r ∂Fθ ∂Fφ ∇·F = + + + r cos(φ) Fφ + hθ . Fφ ). r hθ ∂r ∂r hθ ∂θ 2 ∂φ r ∂φ2 Denotemos por F = (Fr . e~φ = cos(φ) cos(θ)~i + cos(φ) sen(θ)~j − sen(φ) ~k. ∂r hθ ∂θ r ∂φ ∂2f r ∂2f hθ ∂ 2 f   1 ∂f ∂f ∆f = (R + 2 r sen(φ)) + r hθ 2 + + cos(φ) + . [2] Determine o gradiente. Lembremos que hr = 1. Fθ . Logo: ∂f 1 ∂f 1 ∂f ∇f = e~r + e~θ + e~φ . e a divergência em coordenadas toroidais. r hθ ∂r hθ ∂θ ∂φ . o laplaciano. e~θ = −sen(θ)~i + cos(θ)~j. hθ = a + r sen(φ) e hφ = r e a base do sistema é: e~r = sen(φ) cos(θ)~i + sen(φ) sen(θ)~j + cos(φ) ~k.

+∞)} Utilizando as coordenandas cilíndricas {r.  p ou. θ. suas coordenadas cilíndricas são (r.  z = z. θ. explicitamante r = x2 + y 2 . onde (r. θ) são as coordenadas polares da projeção de P no plano xy e são definidas por:  x = r cos(θ). z} obtemos que o vetor posição em R3 é dado por: R(r. y. z) é um ponto no espaço xyz. θ. Se x = y = 0. z)/r > 0. e~θ . θ0 < θ < θ0 + 2π.10. obtemos uma nova base ortonormal {e~r .  2π + arctg  x π 3π Se x = 0. ∂z Por outro lado temos que hr = hz = 1 e hθ = r. então θ = quando y > 0 e θ = quando y < 0. θ. logo: ∂R = cos(θ)~i + sen(θ)~j ∂r ∂R = −r sen(θ)~i + r cos(θ)~j ∂θ ∂R ~ = k. 2 2 Esta transformação é injetiva no seguinte subconjunto: {(r. e~z } definida por: = cos(θ)~i + sen(θ)~j  e~r  e~θ = −sen(θ)~i + cos(θ)~j = ~k.  e~z  Equivalentemente:      e~r cos(θ) sen(θ) 0  ~i e~θ  = −sen(θ) cos(θ) 0 ~   j . Se P = (x. z) = r cos(θ)~i + r sen(θ)~j + z ~k. y > 0. z = z e:  y  arctg se x.  xy  se x > 0. z). logo.  y = r sen(θ). θ não é definido. z ∈ (−∞.4 Operador Nabla em Coordenadas Cilíndricas Considere a mudança de coordenadas cilíndricas. y < 0. OPERADOR NABLA EM COORDENADAS CILÍNDRICAS 233 10. e~z 0 0 1 ~k . x y    θ = π + arctg se x < 0.4.

10. r Da mudança de coordenadas cilíndricas. . e~z } de R3 . [1] Escreva em coordenadas cilíndricas o vetor posição. z) = y ~i + x~j + p ~k. y. y. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES A transformação inversa é:    ~i cos(θ) −sen(θ) 0   e~r ~    j  = sen(θ) cos(θ) 0 e~θ . utilizando a mudança coordenadas cilíndricas. z) = r sen(θ) cos(θ) a~r − sen(θ) a~θ + r cos(θ) sen(θ) a~r + cos(θ) a~θ + r cos2 (θ) ~k     = 2 rsen(θ) cos(θ) a~r + r (cos2 (θ) − sen2 (θ)) a~θ + r cos2 (θ) ~k. e~θ . θ. ∂r r ∂θ ∂z onde as derivadas são calculadas em (r. z) = a~r = 2 2 i+ 2 j. então: ∂ 1 ∂ ∂ ∇= e~r + e~θ + e~z . θ. temos: F (r. z) = x~i+y ~j+z ~k.     1 [2] Seja o campo de vetores F (r. r 2 = x2 + y 2 e a~r = cos(θ)~i + sen(θ)~j. sen(θ) = . θ. z). z} é dado por: ∂f 1 ∂f ∂f ∇ f (r. então: r r 1 x ~ y ~ F (x. temos: F (r.5. θ. z) = a~r . Escreva F em coordenadas retangulares. ∂r r ∂θ ∂z O Gradiente O gradiente de f em coordenadas cilíndricas {r. z) = r cos(θ) cos(θ) a~r − sen(θ) a~θ + r sen(θ) sen(θ) a~r + cos(θ) a~θ + z ~k = r a~r + z ~k. θ.234 CAPÍTULO 10. y. r x +y x + y2 x 2 [3] Seja F (x.1 Operadores Considere a base {e~r . z) = e~r + e~θ + e~z . θ. Escreva F em coordenadas cilíndricas x + y2 2 Utilizando a mudança de coordenadas cilíndricas. ~k 0 0 1 e~z Exemplo 10.4. O vetor posição em coordenadas retangulares é F (x. temos: x y cos(θ) = .

z) = (Fr . z} é dada por: . θ. z). θ. θ. θ. z) = r Fr + + . O Rotacional O rotacional de F em coordenadas cilíndricas {r. Fz ) e as derivadas são calculadas em (r. θ. θ. θ. Fθ . z).10. r ∂r r ∂θ ∂z onde F (r. z} é dado por: ∂2f 1 ∂f 1 ∂2f ∂2f ∆f (r. θ. ∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ 2 ∂z 2 onde as derivadas são calculadas em (r. z} é dada por: 1 ∂   1 ∂Fθ ∂Fz ∇ · F (r. z) = + + + . OPERADOR NABLA EM COORDENADAS CILÍNDRICAS 235 A Divergência A divergência de F em coordenadas cilíndricas {r. O Laplaciano O Laplaciano de f em coordenadas cilíndricas {r.4.

.

.

e~ r e~ .

r θ ~k .

.

.

.

.

.

1 .

∂ .

∂ ∂ .

.

∇×F = .

r .

∂r ∂θ ∂z .

.

.

.

.

.

.

Fr Fθ Fz .

      1 ∂Fz ∂Fθ ∂Fr ∂Fz 1 ∂   ∂Fr = − e~r + − e~θ + r Fθ − e~z . θ. Determine o gradiente e o laplaciano de f em coordenadas cilíndricas: Passando a coordenadas cilíndricas: f (r. θ. θ. Fθ . Exemplo 10. θ. z) = + + + = 6. θ. y. z). θ. então: ∂f 1 ∂f ∂f ∇ f (r. [1] Seja f (x. z) = x2 + y 2 + z 2 . z) = r 2 + z 2 . ∂r 2 r ∂r r 2 ∂θ 2 ∂z 2 1 [2] Considere o campo de vetores F (r. z) = (Fr .6. Fz ) e as derivadas são calculadas em (r. z) = e~r + 2 e~θ + z 2 e~z . z) = e~r + e~θ + e~z = 2 r e~r + 2 z e~z ∂r r ∂θ ∂z ∂2f 1 ∂f 1 ∂2f ∂2f ∆f (r. . Determine a divergência e o r rotacional de F . r ∂θ ∂z ∂z ∂r r ∂r ∂θ onde F (r.

temos: r2 1 ∂   1 ∂Fθ ∂Fz 1 ∇ · F (r. Fθ = e Fz = z 2 .236 CAPÍTULO 10. z) = r Fr + + = + 2z r ∂r r ∂θ ∂z r . COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES 1 Como Fr = 1. θ.

.

.

.

e~r r e~θ ~k .

.

.

.

.

.

1 .

.

∂ ∂ ∂ .

.

2 ∇×F = .

= − 3 ~k. r .

∂r ∂θ ∂z .

.

r .

.

r −2 z2 .

.

.

.

φ) = ρ cos(θ) sen(φ)~i + ρ sen(θ) sen(φ)~j + ρ cos(φ) ~k. 0 ≤ θ < 2 π e 0 ≤ φ ≤ π. 0. 0) e φ é o ângulo formado pelo eixo positivo dos z e o segmento de reta que liga P à origem:  x = ρ sen(φ) cos(θ)  y = ρ sen(φ) sen(θ)  z = ρ cos(φ). Suas coordenadas esféricas são (ρ. φ} obtemos que o vetor posição em R3 é dado por: R(ρ. θ. e~φ cos(θ) cos(φ) sen(θ) cos(φ) −sen(φ) ~k . φ) onde ρ é a distância do ponto P à origem. e~φ } definida por: ~ ~ ~  e~ρ = cos(θ) sen(φ) i + sen(θ) sen(φ) j + cos(φ) k  e~θ = −sen(θ)~i + cos(θ)~j e~φ = cos(θ) cos(φ)~i + sen(θ) cos(φ)~j − sen(φ) ~k. θ é o ângulo formado pelo eixo positivo dos x e o segmento de reta que liga (0. y. 0) a (x.5 Operador Nabla em Coordenadas Esféricas Considere a mudança de coordenadas esféricas.  p onde ρ = x2 + y 2 + z 2 > 0. hθ = ρ sen(φ) e hφ = ρ. e~θ . 1 10. o que define uma região no espaço ρθφ. θ. logo: ∂R = cos(θ) sen(φ)~i + sen(θ) sen(φ)~j + cos(φ) ~k ∂ρ ∂R = −ρ sen(θ) sen(φ)~i + ρ cos(θ) sen(φ)~j ∂θ ∂R = ρ cos(θ) cos(φ)~i + ρ sen(θ) cos(φ)~j − ρ sen(φ) ~k ∂φ Por outro lado. logo. Utilizando as coordenadas esféricas {ρ. hρ = 1. obtemos uma nova base ortogonal {e~ρ . Seja P = (x. z) um ponto no espaço xyz. θ.   Equivalentemente:    e~ρ   cos(θ) sen(φ) sen(θ) sen(φ) cos(φ)  ~i  e~θ  =  −sen(θ) ~  cos(θ) 0   j . y.

então: ∂ 1 ∂ 1 ∂ ∇= e~ρ + e~θ + e~φ .5. temos: F (ρ. φ) = e~ρ + e~θ + e~φ .7. φ} é dado por: 1 ∂  2  1 ∂Fθ 1 ∂   ∇ · F (ρ. φ) = (Fr . ρ sen(φ) Da mudança de coordenadas esféricas. ∂ρ ρ sen(φ) ∂θ ρ ∂φ onde as derivadas são calculadas em (ρ. temos: x y cos(θ) = . θ. θ.10. θ. θ.1 Operadores Considere a base {e~ρ . ∂ρ ρ sen(φ) ∂θ ρ ∂φ O Gradiente O gradiente de f em coordenadas esféricas {ρ. φ) . x2 + y 2 = ρ2 sen2 (φ) e b~θ = −sen(θ)~i + cos(θ)~j. θ. φ) = ρ b~ρ . Escreva F em coordenadas retangulares. θ. θ. então: ρ sen(φ) ρ sen(φ) 1 y ~ x ~ F (x. O vetor posição em coordenadas retangulares é F (x. OPERADOR NABLA EM COORDENADAS ESFÉRICAS 237 A transformação inversa é:    ~i cos(θ) sen(φ) −sen(θ) cos(θ) cos(φ)   e~ρ ~    j  = sen(θ) sen(φ) cos(θ) sen(θ) cos(φ)  e~θ . utilizando a mudança de coordenadas esféricas . y. θ. ~k cos(φ) 0 −sen(φ) e~φ Exemplo 10. ρ sen(φ) x +y x + y2 10. θ. y. z) = x~i+y ~j+z ~k. z) = b~θ = − 2 2 i+ 2 j. φ) = b~θ . Fθ . [1] Escreva em coordenas esféricas o vetor posição. sen(θ) = .5. ρ ∂ρ ρ sen(θ) ∂θ ρ sen(θ) ∂φ onde F (ρ. e~φ } de R3 . φ} é dado por: ∂f 1 ∂f 1 ∂f ∇ f (ρ. φ) A Divergência A divergência de F em coordenadas esféricas {ρ. e~θ . Fφ ) e as derivadas são calculadas em (ρ. 1 [2] Seja o campo de vetores F (ρ. φ) = 2 ρ Fρ + + sen(φ) Fφ .

COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES O Laplaciano O Laplaciano de f em coordenadas esféricas {ρ. ∂ρ2 ρ ∂ρ ρ2 ∂φ2 ρ2 ∂φ ρ2 sen2 (φ) ∂θ 2 onde as derivadas são calculadas em (ρ. θ. φ} é dado por: ∂2f 2 ∂f 1 ∂2f cotg(θ) ∂f 1 ∂2f ∆f (ρ. φ} é dado por: . θ. φ) = + + + + . θ.238 CAPÍTULO 10. θ. φ) O Rotacional O rotacional de F em coordenadas esféricas {ρ.

b~ρ ρ sen(φ) b~θ ρ b~φ .

.

.

.

.

.

.

.

.

1 .

∂ ∂ ∂ .

∇×F = 2 .

.

ρ sen(φ) .

∂ρ .

∂θ ∂φ .

.

.

.

.

.

.

Fρ ρ sen(φ) Fθ ρ Fφ .

φ) b~φ . θ. φ) Exemplo 10. então: ∂f ∇ f (ρ.8. θ. θ. θ. θ. Determine o gradiente e o laplaciano de f em coordenadas esféricas. θ. φ) = 2 + = 6. θ. θ. z) = x2 + y 2 + z 2 . φ) = ρ2 e~ρ + ρ cos(θ) e~θ + ρ sen(θ) e~φ . θ. . φ) b~ρ + B(ρ. Determine a divergência e o rotacional de F . y. φ) b~θ + C(ρ. φ) = − ρ Fφ ρ ∂φ ∂ρ   1 ∂   ∂Fρ C(ρ. = A(ρ. θ. tal que:   1 ∂   ∂   A(ρ. φ) = ρ sen(φ) Fθ − ρ sen(φ) ∂ρ ∂θ onde F (ρ. φ) = 2 ρ Fφ − ρ sen(φ) Fθ ρ sen(φ) ∂θ ∂φ   1 ∂Fρ ∂   B(ρ. p [1] Seja f (x. φ) = (Fr . Fφ ) e as derivadas são calculadas em (ρ. φ) = ρ2 . φ) = e~ρ = 2 ρ e~ρ ∂ρ ∂2f 2 ∂f ∆f (ρ. Passando a coordenadas esféricas: f (ρ. ∂ρ ρ ∂ρ [2] Considere o campo de vetores F (ρ. Fθ . θ. θ.

CAMPOS DE VETORES SOLEINOIDAIS 239 Como Fρ = ρ2 .6. θ. então: ∂ 2 Fφ     1 ∂ 2 1 ∂ 1 ∇ · F (ρ. φ) = 2 ρ Fρ + sen(θ) Fθ + ρ ∂ρ ρ sen(θ) ∂θ ρ sen(θ) ∂φ2 = 4 ρ + cos(2 θ) cosec(θ) . Fθ = ρ cos(θ) e Fφ = ρ sen(θ).10.

.

.

.

e~ρ ρ sen(φ) e~θ ρ e~φ .

.

.

.

.

.

1 .

∂ ∂ ∂ .

∇×F = 2 .

.

ρ sen(φ) .

.

∂ρ ∂θ ∂φ .

.

.

.

.

2 2 .

.

ρ ρ sen(φ) cos(θ) ρ sen(θ) .

Por exemplo. . Não solenoidal e rotacional se: div F 6= 0 e rot F 6= 0.6. campos elétri- cos num meio com cargas com um campo magnético que varia no tempo. dado F um campo de vetores de classe C 1 podemos ter: 1.1 Introdução Lembremos que um campo de vetores de classe C 1 é soleinoidal se sua divergência é nula. 3. Não solenoidal e irrotacional se: div F 6= 0 e rot F = 0. 2. Solenoidal e rotacional se: div F = 0 e rot F 6= 0. por exemplo. como. isto é: ∇ · F = 0. por exemplo. Os campos de vetores soleinoidais e/ou irrotacionais desempenham um papel fundamental em algumas áreas aplicadas.6 Campos de Vetores Soleinoidais 10. por exemplo. como. por exemplo. campos eletrostá- ticos numa região sem cargas. Nos seguintes parágrafos apresentaremos uma caracterização dos campos soleinoidais seme- lhante à caracterização dos campos irrotacionais. como. Solenoidal e irrotacional se: div F = 0 e rot F = 0. campos magnéticos estáticos num condutor com corrente. como. campos eletrostáticos numa regão com cargas. = 2 cos(θ) b~ρ − 2 sen(θ) b~θ + 2 cos(θ) b~φ 10. 4.

O potencial vetorial de um campo não é único.4. Se F é um campo de vetores solenoidal. ∂y ∂z x0 ∂x ∂y ∂z sabendo que ∇ · F = 0 e integrando em relação a x. A2 . y. Proposição 10. ∂y ∂z ∂y ∂z . Seja F = (F1 . y. z). z) − F1 (x0 . temos: ∂A3 ∂A2 ∂h3 ∂h2 − = F1 (x. z) + − . para qualquer ψ de classe C 2 O problema reciproco da existência do potencial vetorial de um campo de vetores é verdadeiro. Notemos que este campo é solenoidal: div F = ∇ · (∇ × A) = div rot A = 0. É o que assegura a próxima proposição. que existe φ de classe C 2 tal que: F = −∇ φ e a função φ é o potencial do campo F . A3 ). De fato:  ∇ × A + ∇ ψ = ∇ × A + ∇ × ∇ ψ = ∇ × A. temos: Z x ∂A3 ∂A2 ∂F1 ∂h3 ∂h2 − = dx + − . A3 = F2 dx + h3 (y. isto é ∇ · F = 0. então F = ∇ × A é equivalente a  ∂A3 ∂A2   − = F1 ∂y ∂z         ∂A1 ∂A3  − = F2    ∂z ∂x    ∂A2 ∂A1   − = F3 . COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES 10. F2 .   ∂x ∂y  Como não temos unicidade do potencial.240 CAPÍTULO 10. Definimos e denotamos o potencial vetorial A do campo F por: F = ∇ × A. Integrando o sistema anterior: Z x Z x A2 = F3 dx + h2 (y. F3 ) e A = (A1 . Considere A1 = 0 (outras escolhas podem ser feitas).6. faremos uma escolha arbitrária para apresentar o potencial vetorial. z).2 Potenciais Vetoriais Sabemos que dado um campo de vetores F de classe C 1 tal que rot(F ) = ~0 isto significa. então existe um potencial vetorial A de F . x0 x0 onde h2 e h3 são funções arbitrárias independentes de x. Da primeira equação do sistema.

Determine. y0 x0 2 2 Logo: y 2 − x2 ~ A= k. y0 x0 Logo: A = 2 y z (x − x0 )~j + y cos(x) + y 2 (x − x0 ) − y0 cos(x0 ) ~k. Exemplo 10. Calculemos a divergência de F : ∇ · F = −sen(x) + sen(x) − 2 y + 2 y = 0. 2 onde consideramos x0 = y0 = 0. y. z) = y ~i + x~j. o campo é solenoidal. y. z) dy − F2 (x. CAMPOS DE VETORES SOLEINOIDAIS 241 Z y Como h2 e h3 são funções arbitrárias. escolhemos h2 = 0 e h3 = F1 (x0 . z) dx Zxy0 Z x A3 = F1 (x0 . [2] F (x. y0 x0 As funções arbitrárias h2 e h3 não são únicas. enão: Z x A2 = 2 y z dx = 2 y z (x − x0 ) Zx0y Z x A3 = cos(x0 ) dy − (y sen(x) − y 2 ) dx = y cos(x) + y 2 (x − x0 ) − y0 cos(x0 ). se: [1] F (x.9. z) = cos(x)~i + (y sen(x) − y 2 )~j + 2 y z ~k. y. Façamos A1 = 0. então: A2 = 0 y x y 2 − x2 y02 − x20 Z Z A3 = y dy − x dx = − . Façamos A1 = 0. Calculemos a divergência de F : ∇ · F = 0. se existir o potencial vetorial de F . o campo é solenoidal. z) dx. z) dy e temos: y0 Z x A2 = F3 (x.  . y. Claramente a estas coordenadas podem ser somadas constantes ou gradientes sem afetar o campo definido.10.6. y. y.

então: (1) ∇ · H = 0 em W (2) ∇×H =0 em W (3) H · ~n = 0 em ∂W. 2. Considere H = F − G. onde ~n é o vetor normal unitário da ∂W . o teorema a seguir nos permite expressar um campo por duas quantidades conhecidas.242 CAPÍTULO 10. pois é comum conhecer a divergência e o rotacional de um campo. De (2) temos que existe ψ tal que H = −∇ψ. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES 10. ∇ · F = 0 ZZ 3.7 Teorema de Helmholtz A seguir apresentaremos uma versão simplificada de um teorema muito utilizados na Teoria do Eletromagnetismo. Logo.3 Caracterização dos Campos Soleinoidais O seguinte teorema é análogo ao da caracterização dos campos conservativos via o conceito de irrotacionalidade. 10. . Primeiramente vejamos o seguinte lema: Lema 10. S Observe que 1 ⇔ 2.1. por exemplo. F dS = 0 para toda superfície tal ∂S = ∅ e S ⊂ W . suponha que existem F e G campos de vetores tais que: ∇ · F = ∇ · G em W ∇ × F = ∇ × G em W F · ~n = G · ~n em ∂W.6. A recíproca que falta fica como exercício de pesquisa para os alunos. Seja F um campo de vetores de classe C 1 definido num conjunto aberto. do teorema de Gauss segue que 2 ⇒ 3. São equivalentes: 1. definidos em uma região W ⊂ R3 . F = ∇ × A.1. o campo elétrico. Teorema 10. sendo especificada sua componente norma a ∂W . De fato. logo de (1) segue que: 0 = ∇ · H − ∇ · ∇ψ = −∆ψ. Todo campo de vetores é univocamente determinado por sua divergência e seu rotacional.

obtemos: ∆F = −∇ · F. ψ = ∇ · F e ~c = ∇ × F . sempre pode ser escrito com uma componente solenoidal e outra irrotacional. A solução desta equação é exatamente (2). r→±∞ r→±∞ r→±∞ E as integrais (1) e (2) que definem o campo F são integrais impróprias convergentes. Todo campo de vetores é univocamente de terminado por sua divergência. logo. Existe bibliografia avançada. ψ pode ser interpretado como uma fonte (densidade de carga) e ~c como circulação (densidade de corrente).10. se ∇ · G = 0. Teorema 10. logo H = 0 e F = G. A função ψ também é chamada fonte escalar e ~c fonte vetorial. Observe que −∇φ é irrotacional e rot A é solenoidal. lim R2 ~c(~r) = 0 e lim F (~r) = 0. consideramos a seguinte hipótesis adicional: lim R2 φ(~r) = 0. O teorema de Helmholtz afirma que um campo de vetores de classe C 2 junto com algumas condições de regularidade. logo. É possível provar que a solução desta equação é exatamente (1). Por outro lado ∇ × A = F + ∇φ. TEOREMA DE HELMHOLTZ 243 de (3). existe A tal que G = ∇ × A.   ψ ∆ψ + k∇ ψk dx dy dz = ψ(∇ψ) · ~n dS =⇒ W ∂W W donde k∇ ψk = 0. onde 1 ψ(r~1 ) ZZZ (1) φ= dv 4π W R 1 ~c(r~1 ) ZZZ (2) A= dv. seu rotacional. temos que: 0 = H · ~n = ∇ψ · ~n. uma equação tipo Poisson. Da primeira identidade de Green: ZZZ ZZ ZZZ 2 k∇ ψk2 dx dy dz = 0. Se ∇ × W = 0. No esboço da prova do Teorema de Helmholtz se utiliza fortemente a existência de soluções da equação de Poisson. 4π W R e R = k~r − r~1 k. sempre podemos supor que: F = −∇φ + ∇ × A. de volume finito: F = −∇φ + ∇ × A. de- finidos em uma região W ⊂ R3 . Observação 10.1. . Agora apliquemos ∇ · F = −∆ φ. que também é uma equação tipo Poisson. Caso a região seja R3 . Suponha que F = W + G tal que ∇ × W = 0 e ∇ · G = 0.7. onde se prova que as hipóteses do Teorema de Helmholtz são suficientes para obter a existência de soluções da equação de Poisson. existe φ tal que W = −∇ φ. logo: ∇ × (∇ × A) = ∇ × F + ∇ × (∇φ) =⇒ ∆A = −∇ × F.2.

pelas propriedades do produto vetorial. temos: ∂2A   ∂φ ∆A − µ ε 2 = −µ J − ∇ ∇ · A + µ ε . E + = −∇ φ. A lei de ∂D Ampère-Maxwell ∇ × H = J + pode ser reescrita: ∂t   ∂ ∂A ∇ × ∇ × A = µJ + µε − ∇φ− . ∂t ε que é a equação de onda não homogênea para o potencial elétrico. Utilizando a condição de Lorentz. ∂t Donde obtemos: ∂2φ ρv ∆φ − εµ 2 = − . não é difícil obter a equação de onda não homogênea para o vetor potencial magnético: ∂2A ∆A − µ ε = −µ J. φ é o potencial elétrico. onde A é chamado vetor potencial magnético. podemos escrever a lei de Faraday:   ∂B ∂ ∇×E =− =− ∇×A . ∂t ∂t Logo. podemos escrever:   ∂A ∇× E+ = 0. ∂t2 ∂A De forma análoga. ∂t ∂A Isto é. logo B = ∇ × A. irrotacional. . ∂t ∂t Como B = ∇ × A. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES Aplicação A equação de Maxwell sobre a divergência da densidade do fluxo magnético ∇ · B = 0 implica em que o campo magnético é soleinoidal. pelo teorema Helmholtz podemos escolher a divergência.244 CAPÍTULO 10. Esta escolha é chamada condição de Lorentz. temos: ∂t   ρv ∂A = ∇ · − ∇φ− ε ∂t ∂A ∂  = −∇ · ∇ φ − ∇ = −∆ φ − ∇·A ∂t ∂t 2 ∂ φ = −∆ φ + ε µ 2 . se escolhermos: ∂φ ∇ · A = −µ ε . aplicando a divergência a E + = −∇ φ. Como antes. ∂t Utilizando as relações que existem num meio homogêneo: D = ε E e B = µ H. ∂t ∂t Utilizando a identidade ∇ × ∇ × A = ∇ ∇ · A) − ∆A. e: ∂t ∂A E = −∇ φ − . ∂t o campo A fica definido.

z) = 2 y ~i − z ~j + 3 x ~k em coordenadas esféricas.   F (x.10. y. Sendo dado o campo de vetores F (r. Escreva o campo de vetores F (x. z) = r e~r + r e~θ . z) = − y c (x2 + y 2 ) onde c é a velocidade da luz. z) = z 2 ~i − x~j + y ~k.  F (x. y. θ. θ. 3. em coordenadas carte- sianas retangulares: (a) F (r. z) = r 2 e~θ . Escreva os seguintes campos dados em coordenadas cartesianas retangulares. y. Escreva o campo F em coordenadas cilíndricas. 6. calcule ∇ × F . z) = θ ~k. Sejam f (r. Considere o seguinte campo gravitacional no espaço gerado por uma partícula de massa M situada na origem: GM x~i + y ~j + z ~k . θ. em coor- denadas cilíndricas: (a) F (x. y. r 5. no sentido positivo do eixo dos z: 2I  ~i + x ~k .8 Exercícios 1. θ. 1 (b) F (x. Verifique que: ∇f = ∇ × F . y 2. z) = e~r . z) = . Escreva o campo em coordenadas esféricas.   x2 2 +y +z 2 x~ (c) F (x. y. Considere o campo magnético F gerado quando um fio infinito situado sobre o eixo dos z é percorrido por uma corrente I. 8. θ. θ. . z) = rcos(θ) e~r + r sen(θ) e~θ . Escreva os seguintes campos dados em coordenadas cilíndricas. z) = x~i + y ~j + z ~k . (b) F (r.8. 7. z) = i. cos(θ) 4. θ. Calcule o laplaciano de f (r. z) = − p (x2 + y 2 + z 2 )3 onde G é a constante universal de gravitação. EXERCÍCIOS 245 10. z) = ln(r) e F (r. (c) F (r. y.

em caso afirmativo. Calcule a constante c de modo que os campos admitam potencial vetorial. k 11. z) = 2 c x~i + (cos(z) − 4 y)~j − (2 z + ex ) ~k. ρ2 12. COMPLEMENTOS DE CAMPOS DE VETORES 9. em caso afirmativo. um campo elétrico gerado por uma carga elétrica Q situada na origem é dado por: kQ F (x. 13. z) = x~i − 2 y ~j + z ~k admite potencial vetorial e. y. (a) F (x. ρ onde k é a constante de Coulomb. Exprima em coordenadas esféricas a equação de transmissão de calor: = k ∆U . z) = (2 x + cos(y))~i − c y ~j + (6 z − ey ) ~k. (b) F (x. verifique que existe um campo A tal que ∇ × A = F . Determine o rotacional do campo F (ρ. calcule A. calcule-o. k constante. Em coordenadas esféricas. sendo ∂t U independente de θ e φ. y. θ.246 CAPÍTULO 10. Verifique se o campo F (x. Escreva o campo em coordenadas retangulares. z) = 2 x~i − y ~j − z ~k. y. Dado F (x. z) = 2 r~ρ . 14. y. ∂U 10. y. φ) = r~ρ . .