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V SEMANA DE ANTROPOLOGIA E ARQUEOLOGIA

DIÁLOGOS INTERDICIPLINARES
(UFMG)

O SERTANEJO CONTRA O ESTADO
A política das imagens em Canudos e Deus e o Diabo na Terra do Sol

Kauã Vasconcelos1

PALAVRAS-CHAVE: Sertão; Cinema; Literatura; Sociedade
Contra o Estado.

RESUMO: Em Cabra Marcado Para Morrer (1984), de Eduardo
Coutinho, Abraão, um dos filhos de Elizabeth Teixeira e João
Pedro Teixeira – fundador e líder da liga camponesa de Sapé -,
pede que o cineasta coloque no filme seu protesto: “Quero que o
filme registre esse nosso repúdio a quaisquer sistemas de governo
(...) nenhum presta para o pobre”, sua mãe reforça: “nenhum”. A
imagem do sertanejo em composição com seu ambiente (o sertão)
sempre representou, dentro de um imaginário nacional, a falta, a
miséria e a hostilidade. Programas de governo que visam o
“combate” à seca vão contra os movimentos locais que buscam
conviver com a mesma. No presente texto pretendo esboçar a
reconstrução da imagem do sertanejo – desde sua aparição como
“o forte” em Euclides da Cunha, ao marco do cinema nacional em
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha.
Converter a ideia de “falta” em oposição, como o fez Pierre
Clastres ao se referir as sociedades “selvagens” como sociedades
contra o estado, e não sem estado.

1
Estudante de graduação em Ciências Sociais pela PUC-Rio. E-mail: kauamonde@gmail.com

Todas as fações políticas esqueceram de Elizabeth Teixeira. arbitrários. te garanto. Abraão: Nenhum presta para o pobre. se o filme não registrar esse meu protesto. Todos são rústicos. Eduardo Coutinho: Eu Registro tudo que os membros da família quiserem falar. não menos importante. “Abraão: Todos os regimes são iguais. Simplesmente por que não tinha poder. desde que a pessoa não tenha proteção política. Está aqui a revolta do filho mais velho! Agora. minha atração fulminante pela obra de Pierre Clastres – uma espécie de amor de juventude. poderia propor algum tipo de reflexão antropológica por via deles. estão livres para falar. Elizabeth Teixeira: Nenhum” Cabra Marcado Para Morrer. 1984 Introdução A ideia desse texto surgiu da convergência de três interesses: primeiro. Por fim. Eduardo Coutinho: Estará registrado. o impacto inicial com a obra de Glauber Rocha. nesse caso específico com Deus e o Diabo na Terra do Sol. depois. meu fascínio pelo caso de Canudos. desta forma. essa verdade que falta a capacidade intelectual expressiva do coração de minha mãe. O que pretendo aqui é apenas uma experiência de . violentos... Independente das camadas e das situações econômicas. Abraão: Mas eu quero que o filme registre esse nosso repúdio a quaisquer sistemas de governo. em dado momento acreditei que esses três interesses convergiam para o mesmo centro gravitacional e que. essa minha veemência.

nesse mês. garantindo sua subsistência. . acredito podermos repensar a imagem do sertanejo e propor interessantes questões para a antropologia política. Ao final. índios. as forças 2 Como foi colocado por Eduardo Viveiros de Castro em seu artigo ‘Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio’ Mana vol. na quarta tentativa de destituir dos habitantes seu território. Conselheiro peregrinava pelo sertão e angariava seguidores: pobres. na região do sertão baiano. mas de experimentar uma imaginação. famintos. ex-escravos. Para tal. o exército brasileiro iniciou diversas campanhas na tentativa de dissolver o Arraial de Belo Monte que havia se instalado na antiga fazenda de Canudos. os sertanejos que ali ocupavam eram refratários quanto àimplementação da república e seus impostos (em ocasião anterior foram detidos pelo exército por pregarem contra o pagamento dos mesmos). 1996. entre novembro de 1896 e abril de 1897. literário e acadêmico. Era justamente essa independência do Estado dentro daquilo que ele proclamava seu território que levou o exército ao combate com os sertanejos de Canudos. Construíam suas residências. procurarei traçar conexões entre essas perspectivas tomando certa liberdade. Que a imagem disseminada do habitante do semiárido brasileiro ressurja desse encontro dotada de potencialidade política. toda sorte de miseráveis daquela região no final do século XIX.2 no. Vindos de toda parte. Esses resistiram bravamente durante três campanhas. A ideia é traçar um esboço onde uma imagem do sertanejo contamine-se ao contato com a teoria clastriana.pensamento e um exercício de ficção antropológica 2 : não se trata de imaginar uma experiência.2 Rio de Janeiro Oct. Os que viviam em Canudos produziam em benefício da própria comunidade. Em 1896. 3 A perspectiva de Canudos aqui abordada é referente à obra de Euclides da Cunha e os desdobramentos de sua obra no imaginário popular. I A guerra de Canudos é vista como um dos primeiros movimentos contra o Estado brasileiro – no início da 1ª República (1889) – e um dos primeiros acontecimentos com grande repercussão na mídia nacional emergente3. cultivavam o que comiam. esse grupo fora liderado pelo ex-professor e pregador Antônio Conselheiro.

6 Ler a crítica no próprio artigo de Clastres (‘A sociedade Contra o Estado’). o encontra primeiramente na constituição do próprio Estado na Europa (usando a França como exemplo). e as migrações no intuito de alcançar a “Terra sem mal”. Sua mulher.armadas deixou para trás diversos corpos (homens. opera uma máquina de guerra contra os avanços 4 Do Etnocídio. crianças) e o sonho do Arraial de Belo Monte tem seu fim. Conselheiro. no interior desses povos. os “profetas da selva”. passiveis de leituras mais críticas6. Por muito tempo taxado como contrarrevolucionário monarquista e fanático religioso. terra sem o Estado -. a 8ª representa a campanha de Canudos. de um movimento de migração para a chamada “terra sem mal”5 – que o autor lê como a terra sem o Um. em uma leitura mais generosa via Clastres. Clastres fala sobre os profetas tupi-guarani. 2010. publicada em seu livro “Terra sem Mal . A emergência do Estado acontece de forma violenta aos que não cederem ao seu projeto homogeneizador. com o julgamento dos oficiais alemães do Nazismo) do etnocídio: ao contrário do extermínio direto do Outro. é responsável por uma pesquisa minuciosa sobre esse movimento. É somente por ser etnocída dentro de si – reduzindo o outro ao mesmo – que o ocidente o é com os outros povos. In Arqueologia da Violência. buscando a origem do movimento etnocida do ocidente. usavam da palavra para libertar seu povo (em crescente aumento demográfico. Das 18 estrelas do brasão da PM paulista hoje. mulheres. Hélène Clastres. de 1978. São Paulo. Clastres. onde ele chama atenção para a possibilidade da emergência de um “Estado do verbo” – colocando os perigos provenientes do poder que os profetas tupi-guarani exerciam sobre aqueles que os seguiam. crítica igualmente aplicável ao poder que Antônio Conselheiro exercia em Canudos. Em Sociedade Contra o Estado. Clastres aponta uma possível emergência do Estado entre os Tupi Guarani e o surgimento. O movimento messiânico que Clastres observa entre os “Tupi” também pode ser observado em Antônio Conselheiro em Canudos. II Em seu texto Do Etnocídio. Cosac Nayf. o que Clastres aponta como algo que pode abalar – mas não necessariamente destruir – essas sociedades).o Profetismo Tupi- guarani”. Clastres diferencia o genocídio (que tem sua origem jurídica em Nuremberg. . os Karai. página 56. em Arqueologia da Violência. o etnocídio promovia a “destruição sistemática dos modos de vida e pensamento de povos diferentes daqueles que apreendem essa destruição”4. a primeira república mostrou isso a Canudos. 5 Em “A Sociedade Contra o Estado”.

III É justamente de política e religião – ou. que está localizada a obra de Glauber Rocha. segundo minha opinião. Olhar de outra forma. com seu Cinema Novo (e de muitos outros grandes diretores tais como Ruy Guerra. levando aqueles desassistidos até o “lugar santo” (como diziam os habitantes de Canudos) onde pudessem viver com dignidade. Quando coloco Deus e o Diabo em perspectiva com Canudos. proclamava pelo que realizaria em tela 7 . 7 Ver os manifestos de Glauber Rocha “Eztetyka da Fome” de 1965 e “Eztetyka do Sonho” de 1971. Deus e o Diabo na Terra do Sol é a proclamação de uma razão outra. A experiência como máquina política. Glauber talvez tenha. no sentido de ser anti- etnocida. seus filmes o fazem próximo daqueles retirados de cena em suas particularidades e potências. Leon Hirszman e Nelson Pereira dos Santos). E seria interessante me delongar mais em fazer essa ligação parece mais persuasiva. que permite a entrada na política e na revolução tudo aquilo que. Sua antropologia. como política de resistência. De certo seu cinema era “contra o Estado”. condenava ao obscurantismo. E mesmo que seus devaneios e arroubos ufanistas (via exército) nos coloquem um pé atrás por cautela. era ao mesmo tempo ativamente política contra uma outra experiência homogeneizadora que avançava para todos os lados. por exemplo. nesse combate voraz ao rendimento covarde. a referência é direta. mas este esboço é apenas para despertar questões e fazer pensar. Usa a palavra profética. Pois afinal. . Não tenho dúvida que essa sua antropologia possui uma verve clastriana forte. religiosa. segundo um racionalismo europeu/norte americano – ferrenhamente combatido pelo diretor -. captado parte de um pensamento que há muito ia sendo retirado do campo da sensibilidade intelectual e política. A antropologia do cinema de Glauber reside. já que com seus manifestos.predatórios do Estado. Dito e feito. para nos colocarmos melhor – da possibilidade da religião enquanto política. uma busca por essa outra experiência. ao “curvar-se” diante de uma narrativa consensual que padronizava os sentidos (e que continuaria a consolidar-se até hoje) e que não daria conta da complexa experiência do sertanejo do semiárido. de ser multiplicador. estamos falando aqui de necessitar que as pessoas pensem e acompanhar esse pensamento.

frente a uma realidade política que ia no caminho oposto. Colocar esses personagens em cena – o cangaceiro. o mercenário. O encanto da tecnologia é o poder que os processos técnicos têm de lançar uma fascinação sobre nós. Colocar desta forma nos faz pensar. a imagem projetada nessas duas narrativas.Sabemos que o movimento de Antônio Conselheiro está na obra de Glauber – quando coloco estes em ressonância com a teoria clastriana “contra o Estado”. que não quer ser associado ao movimento ‘revolucionário’ que fez parte em 60). quero com isso defender que. Os trabalhadores. Paraíba. o líder dos trabalhadores rurais. encerra seu projeto de 64 sobre os trabalhadores de Sapé. da perspectiva dessas pessoas a política é toda uma outra coisa (e nos interessa muito mais pensar a política de outra forma do que pensar a recusa desses sujeitos como apolítica). Cabra Marcado Para Morrer. Trouxe a fala de Abraão no início pela potência que ela possui em dizer muito mais do que eu poderia explicar nesse texto. ler o sertanejo. é o consenso. Nas gravações recentes. que na época se viam tendo de resistir aos grandes proprietários de terra. 8 “O poder dos objetos de arte provém dos processos técnicos que eles personificam objetivamente: a tecnologia do encanto é fundada no encanto da tecnologia. “Nenhum tipo de governo presta”. Uma espécie de “fala do nativo” em arquivo. hoje querem ser deixados em paz (como mostra um dos entrevistados. pode ser interessante. o místico. Que efeitos o aparecimento desses personagens causa? Os Experimentos interrompidos em 64. o filme de Eduardo Coutinho. é notório o desgosto de muitos deles em ter se associado as campanhas de esquerda que percorram o país. se opondo aquela imagem consagrada do sertão como escassez e do sertanejo como homem bruto lutando pela sobrevivência. de modo que vemos o mundo real de forma encantada” in “Tecnologia do encanto e o encanto da tecnologia”. 2005. a líder dos trabalhadores rurais – desloca nossa percepção da política. Não se associando a nenhum tipo de movimento. são um esboço dessa resposta. registrada pelo encanto da tecnologia (no sentido que Alfred Gell atribui a este aparato 8 ). são desarticulados após o golpe de 64. associados aos ‘revolucionários’ que ali chegam na década de 60. .

possam ser encontrados. logo cunhando os indígenas de "preguiçosos"). Goldman 2009) Se aos povos indígenas o mito etnológico da subsistência do selvagem como alguém que vive somente para se alimentar e sobreviver (controvérsia que a própria crítica etnocentrica não conseguiu sustentar. em diferentes contextos. acredito serem os próprios mecanismos que. não para assegurarem o domínio da natureza (isso só vale para o nosso mundo e seu insano projeto cartesiano cujas consequências ecológicas mal começamos a medir). de diferentes formas. retirando o mecanismo de um dado contexto e o colocando em outro por pura especulação. Longe de uma operação de malabarismo teórico. contrário a esse discurso. envolvendo uma resistência pragmática em colaborar para o sucesso dos mecanismos de centralização do poder e uma recusa prática em aceitar a introjeção de mecanismos de hierarquização"9 (pg. algo semelhante ocorre entre o sertanejo e a seca. ou Uma antropologia contra o Estado” in Mais Alguma Antropologia. Um discurso galgado na inferioridade técnica do selvagem (ou do sertanejo que não possui meios para superar o "problema da seca") - sabíamos que. IV O que Pierre Clastres nos diria dos sertanejos? Tomando sua teoria política e retirando do caso particular da etnologia. 2016. mas de garantir um meio natural adaptado e relativo às suas necessidades. Argumenta o antropólogo Marcio Goldman : "Não há nenhuma razão para imaginar que os mecanismos "contra-Estado" isolados por Clastres nas sociedades indígenas ameríndias tenham sua existência limitada a este ou a algum "tipo" de sociedade. este talvez seja o primeiro passo para obtermos alguma resposta. 94 – 95. Trata-se de processos micropolíticos muito vivos mesmo nos sistemas políticos ocidentais. Clastres argumentou: "Se entendermos por técnica o conjunto dos processos de que movem os homens. então não mais podemos falar em inferioridade 9 “Pierre Clastres. colocando a impossibilidade de vida no sertão. .

hierarquicamente . burocráticos. certamente alguns homens são mais homens que outros (e isso não é nem de perto um elogio. Nosso modelo de mundo deu origem àquilo que tornará esse próprio modelo inviável. como diria Donna Haraway.não é só imprudente. como vimos à cima. o que um olhar do campo poderia nos propor hoje? O antropólogo Mauro de Almeida. Construindo cisternas de coleta de chuva para os períodos de estiagem. impositivamente.que. Colocando em perspectiva contrária aquela em que seguimos nos modernizando rumo a um mundo de metrópoles. muito pelo contrário). durante muito tempo.outros autores devem emergir. transposição do São Francisco -. Conclusão Rompemos o último círculo.antrópicamente. Uma armadilha que capturava a diversidade de coletivos em reciprocidade com a terra para dentro das grandes narrativas. Clastres 1974) É sobre técnica que estão falando os agricultores experimentadores (como se autodeclaram) do semiárido da Paraíba. uma nova política (não aquela dos nossos "responsáveis"11) deve ser posta em prática. . Clastres já havia nos alertado . acreditam que a seca não é algo a ser combatida. no entanto. 2013. a forma com que lidamos com o que chamamos de natureza e paisagem .funcionou. “Stay with the trouble”. 2003. 203. Frente ao desastre ecológico . aponta que. tem outros projetos . 11 “Responsáveis” aparece aqui no sentido que Isabelle Stengers deu aos representantes oficiais. Hoje. pondo em marcha o progresso da civilização ocidental. Lá estavam eles. a categoria onde se encontravam aqueles que. O Estado. 12 “Narrativas Agrárias e a Morte do Campesinato”. entre a 10 “A Socieadade Contra o Estado” in Sociedade Contra o Estado. a sociedade agrária . o campesinato. como arma política 12 . coorporativos dos Estados nacionais em seu livro “No Tempo das Catástrofes”. resistindo a esse inexorável movimento rumo à modernidade.Belo Monte (aqui a hidrelétrica e não o arraial). 1998. Se o Antropoceno é a época do homem. permaneciam nos campos. ou seja. mas também destrutiva. mas algo com o que se convive. técnica das sociedades primitivas: elas demonstram uma capacidade de satisfazer suas necessidades pelo menos igual àquela de que se orgulha a sociedade industrial e técnica"10 (pg.

. O Estado vai no caminho contrário dessa classificação. Esse Quasímodo hercúleo.minando essa relação. um povo. o nordestino. por princípio. O pensamento nacional. Operando pela lógica que Eduardo Viveiros de Castro apontava: transformar o índio em pobre. paga seus impostos e por pagá-los terá como recompensa o auxílio do Estado. destrinchou a ideia de interesse pela terra e o tipo de desinteresse que o homem moderno constitui dentro de uma ideia de direito à propriedade . Ailton Krenak pediu para se ter cuidado com a Terra. ao contrário. realizado em 2014 no Rio de Janeiro. a negação ao Estado. é aquele cidadão que ocupa a região Nordeste do Brasil. abrir o leque dessas múltiplas narrativas das agora "populações tradicionais".cuidar. ao contrário do sertanejo. pois ele sempre o fora. Sai a marcha da história e entra a cartografia geográfica. No duplo sentido de ter cuidado . vinculada a uma unificação nacional: uma língua. enquanto "comunidade local". A recipropriedade (termo utilizado por Nodari). A ele o cidadão deve aparecer despido de suas particularidades . o pobre . vê a terra como propriedade nacional. alienado desses vínculos locais. Atores ecotécnicos com tecnologias de baixo impacto ambiental. surgem como categoria política e não mais como conceito teórico. Aquele fora da unificação é o Outro. olhar por.ou seja . Assim também o sertanejo deve se tornar. o professor de literatura Alexandre Nodari. em trabalhador. O Nordeste é o “grande Outro” nacional – como muito bem observou Rondinely Medeiros .sai o sertanejo e entra o nordestino 13 ."todos iguais perante a lei" (lei de Estado). substituindo o tempo pelo espaço.selvageria dos povos tribais e a evolução dos civilizados centros urbanos. no lugar da mudança progressiva a diversidade do contraste. é um tipo de posse sem propriedade. forte e sofrido.se recusando as soluções globais com respostas locais. ou seja. Em uma fala no encontro do departamento de filosofia da PUC-Rio. que irá salvá-lo da miséria. mão de obra barata. um território. tendo como projeto central o combate à seca. operário. A crítica das grandes narrativas colaborou para. no colóquio Os Mil Nomes de Gaia. algo muito recorrente na fala dos índios norte-americanos: dizem pertencer à terra e não pertencer a terra. como nos descreveu Euclides. Evidenciando um imperativo de mão dupla. etc. Em sua fala no colóquio de Gaia. Essa renomeação serve como arma dos excluídos contra o sonho da modernização homogênea . Esses coletivos.e o sertanejo é. 13 Como colocou Rondinely Medeiros.

assim como viver. ao Estado e a todos os "responsáveis" que procurem lhe dizer o que fazer. É assim que me parece o sertanejo. quando vier. Mas também oposto. Deus mesmo. que venha armado!" . precaução.tratar bem e também no sentido de tomar cuidado. com as astúcias. na dupla função de um imperativo constitutivo de seu ser: perigoso. Pois disse certa vez Guimarães Rosa sobre o sertão: "Sertão é uma terra de quem é forte. como fazer.

2000. Euclides da. Cosac Naify. Narrativas Agrárias e a Morte do Campesinato. Record. Arqueologia da Violência: pesquisas de antropologia política. 4 – GOLDMAN. Mauro de. 1998. Mais Alguma Antropologia. 2016. Rio de Janeiro. A Sociedade Contra o Estado. . no curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unicamp. Márcio. Ementa do curso Antropologia das Sociedades Agrárias. São Paulo. 2012. 2 – CLASTRES.ALMEIDA. Ponteio. 5 – CUNHA. Rio de Janeiro. São Paulo. 2002. Os Sertões. Pierre.Bibliografia 1 – CLASTRES. Cosac Naify. Pierre. 3 .