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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

CASA CIVIL

DIREITO AGRÁRIO –
Ager significa campo produtivo, fazenda.
Direito agrário é o ramo do direito que regula as atividades produtivas na
terra, das relações do homem com a terra. Envolve o direito privado –
contratos – e direito público – desapropriação para reforma agrária.
No Brasil o Direito Agrário ganha espaço como ciência a partir da Emenda
Constitucional 10/64 (que dá competência para União legislar sobre a terra).
E, seguida surgiu o Estatuto da Terra (Lei n.º 4504/64), que nasce com a
finalidade de fazer a Reforma Agrária e estabelecer políticas públicas de
colonização e ocupação e uso do solo.
Apesar da maioria dos institutos do Direito Agrário serem oriundos de outros
ramos do direito, existem particularidades que garantem autonomia ao
direito agrário.
O Estado interfere no campo a fim de garantir o interesse da sociedade, pois
é do campo que vem o alimento e que afeta as relações comerciais.
Revolução verde é o nome dado à busca pelo melhoramento de sementes,
em maior escala, para produzir em quantidades cada vez maiores.
Nas relações que envolvem o campo, predomina o interesse público.
O Estatuto da Terra foi o primeiro dispositivo a tratar da ‘função social da
propriedade’. A questão social tem duas vertentes, a da reforma agrária e a
do trabalhador do campo.
O objetivo das políticas públicas no âmbito do direito agrário é a melhoria
do nível de vida do homem rural e o aumento da produtividade.
Existe um conflito entre o direito agrário e os interesses econômicos das
classes produtoras.
Conceito de Direito Agrário
Segundo Paulo Torminn Borges:
“É o conjunto de normas jurídicas que visam disciplinar as relações do
homem com a terra, tendo em vista o progresso social e econômico do
rurícola e o enriquecimento da comunidade.”
Segundo Fernando Pereira Sodero:
“É o conjunto de princípios e normas, de direito público e de direito privado,
que visa disciplinar as relações emergentes da atividade rural, com base na
função social da terra.”
Ambos os conceitos trabalham com a perspectiva da função social da
propriedade.
A noção de atividade agrária é questão central necessária para
compreender o direito agrário. O direito agrário não envolve exclusivamente
o espaço rural; pode haver outras atividades que integrem a atividade rural.
A legislação brasileira não define ‘atividade agrária’, traz somente
exemplos.
O Decreto n.º 72.106/73 cria o Sistema Nacional de Cadastro Rural.
FONTES DO DIREITO AGRÁRIO
A primeira fonte do Direito Agrário é a Constituição Federal, em que traz, no
art. 5º, a função social da propriedade como direito fundamental. Os artigos
184 ao 191 tratam da política agrária.
CF88 – Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:

em termos de leis ordinárias. Autonomia – não vai ser atividade agrária se o ato independe do cultivo. a jurisprudência. São ainda fontes do Direito Agrário. princípios não tinham valor de norma. porque o direito agrário nasce com o sentido de promover programas que beneficiem o produtor. São ideias abstratas. a Lei de Reforma Agrária (Lei 8. os costumes. Relevância / prevalência – não vai ser agrária se a venda ou a transformação forem mais relevantes do que a produção. PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO . Esses critérios são autônomos. Acessoriedade – atividade será agrária se for complementar à atividade. Teoria da Acessoriedade – Vivanco Cria diferentes critérios para permitir distinguir a atividade agrária da industrial e comercial. não dizer o que deve ser feito no caso concreto. PRINCÍPIOS DO DIREITO AGRÁRIO INTRODUÇÃO Princípios dão a ideia de origem. São eles: 1. Foi a primeira teoria a surgir. 6. A partir dos princípios surgiam as regras. incluídos seus riscos. ATIVIDADE AGRÁRIA São três as teorias clássicas que tratam da atividade agrária. Essa teoria é a que melhor se enquadrou ao direito brasileiro. 3. 4. conservativa. processadora. A atividade vai ser agrária quando trabalhar a terra para produzir vida. para produzir frutos destinados ao consumo humano. Teoria da Agrariedade – Carrozza É considerada agrária a atividade que está sujeita às atividades do campo. Depois. Teoria Agrobiológica – Carrera Faz uma associação entre vida e terra. A primeira vista. alicerce. Os critérios são usados para enquadrar uma atividade como agrária. transportadora.651/12). tem-se o Código Florestal (Lei 12. são amplas. com formas genéricas.629/93). e essa teoria traz a perspectiva dos riscos da atividade do campo. XXIII – a propriedade atenderá sua função social. o Estatuto da Terra (Lei 4. Conexas: manufatureira. que eram as produtoras de efeitos jurídicos. mas orientam a aplicação da norma.  Acessórias: extrativa (extrair do meio vegetal) ou capturativa (extrair do meio animal). Normalidade – atividade cotidiana. Tradicionalmente. Só vai ser agrária a atividade cujo ciclo está sujeito às intempéries da natureza. não precisam ser somados. não produziam efeitos. Vivanco propõe ainda uma classificação para as atividades agrárias:  Próprias: produtiva. 2. são valorativas (consagram uma ideia de valor). 5. do dia a dia do produtor. Necessidade – qualquer atividade imprescindível para o cultivo e/ou criação.XXII – é garantido o direito de propriedade. mas é bastante restrita. preservativa. ou seja. Ruralidade – atividade típica do meio rural. a doutrina e os tratados internacionais.504/64). Essa posição é interessante.

FUNÇÃO SOCIAL DO IMÓVEL RURAL NA CF88 A CF88 dedicou um capitulo para essa questão. entre a função social da propriedade e o princípio da produtividade. mas além disso. independente do tamanho. XXII e XXIII (direito de propriedade e função social da propriedade). um conflito de princípios. III – relações de trabalho adequadas. ou seja. estabelece que são critérios para o cumprimento da função social da propriedade. O art. Laranjeira a) Aumento da produtividade b) Justiça social (evitar concentração de terras. Sodero e Torminn Borges O princípio fundamental do direito agrário é a função social da propriedade. d) Proteção à propriedade familiar camponesa. O art. Torminn Borges traz ainda o combate dos mercenários da terra (grilagem). ou a pequena e média propriedade e a propriedade produtiva não podem ser desapropriadas.A criação de princípios do direito agrário visam sempre a criação de políticas públicas. independentemente do seu cumprimento (cumprimento da função social da propriedade)? PESQUISAR JURISPRUDENCIA DIVERGENTE. Existe diferenças entre autores no que tange aos princípios do direito agrário. é um jogo de forças. c) Privatização das terras nacionais (colonização. que regulamenta a reforma agrária. 186 diz o que é a função social da propriedade para os fins da constituição. II – utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente. que são cumulativos: I – aproveitamento racional e adequado. IV – favorecer o bem estar dos proprietários e trabalhadores. e) Dimensionamento eficaz das áreas exploráveis (reflete no Código Florestal). mas na prática isso não ocorre. Jacques Audier Princípio da cooperação e a organização profissional como meio para vencer as barreiras que afetam a vida no campo. a questão ambiental e a trabalhista. que aglutina todos os anteriores. QUESTÃO: a função social da propriedade deve ser cumprida por todas as propriedades. Esse artigo criou uma antinomia. deveriam delinear a política agrária. Os princípios do direito agrário enquanto ciência. uso de mecanismos como reforma agrária). estabelece os requisitos. povoamento do campo). está prevista no art. g) Fortalecimento da empresa agrária. h) Proteção à propriedade consorcial indígena. f) Estímulo ao cooperativismo. formulação de programas de incentivo. 185 estabelece vedação à reforma agrária para a pequena e média propriedade e para as propriedades produtivas. 5º. Os três primeiros princípios estão presentes no Estatuto da Terra. Artigo Revista Âmbito Jurídico: “A desapropriação por descumprimento da função socioambiental da propriedade: pratica administrativa e avanços jurisprudenciais” (Renata Almeida D’Ávila) IMÓVEL RURAL . A lei 8629/93. O art. 184 começa o capítulo III – Da Política Fundiária e Agrícola.

ou seja. A lei 4504/64 (Estatuto da Terra) define o que é imóvel rural para fins de reforma agrária (art. quando fala do ITR.Área contínua: é uma questão de uso conforme as possibilidades física e legal. É uma fração mínima de terra.Destinação . com destinação agrária. PROPRIEDADE FAMILIAR É o mínimo de terra necessário que seja viável economicamente.Prédio rústico: imóvel com benfeitorias e construções. o STF no julgamento do RE 938508/MG-1983.° 5868/72 (Sistema Nacional do Cadastro Rural) tentou conciliar o Estatuto da Terra com o CTN e disse. Empresa Rural Dentro do critério 'extensão' é necessário definir a medida de área aproveitável (mínima e máxima). O Estatuto da Terra usa o critério da destinação. que se destina à exploração extrativa agrícola. Propriedade familiar 2. O CTN (Lei n. Latifúndio 4. garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico. 6° da Lei n. 1.hortigranjeiro . Minifúndio 3. sob no argumento de que a CF67 recepcionou o CTN e o Decreto 57-66.Na definição de imóvel rural/agrário. será agrário. . Existe um duplo critério: * para fins tributários: localização e destinação * para fins agrários: destinação. baseada em dois critérios – extensão e utilização. determinou a inconstitucionalidade do art. de Faria Caderno de Direito Agrário 5 Classificação do Imóvel Rural O Estatuto da Terra traz a seguinte classificação. climática e o tipo de produção. Entretanto. qualquer que seja sua localização. Outro critério é a destinação – se o imóvel estiver sendo usado para finalidade agrária. O Código Civil 2002 trabalha a com o critério da localização. qual é o mínimo necessário para produzir. Essa fração é denominada módulo rural. 1. 4°): " prédio rústico. Características do Imóvel Rural O Estatuto da Terra e a Lei 8629/93 dizem o mesmo à respeito de imóvel rural: . O INCRA dividiu o país em 242 regiões e sub regiões. para fins de incidência do ITR deve-se entender como rural o imóvel que tenha destinação rural. geológica. é imóvel rural. para identificar se a propriedade é rural/agrária. 29.° 5868/72. pecuáriaou agroindustrial". e que Lei Ordinária não revoga nem altera Lei Complementar. É entendida como a área trabalha da pessoal e diretamente por uma família com ajuda eventual de terceiros. como Lei Complementar. e criou 5 categorias de produção. que regulamenta o ITR. Marlize F.lavoura permanente . 6° que. no art. ocorre uma sobreposição de critérios para caracterizar o instituto. A Lei n. de área contínua. O que define um "módulo" é a situação geográfica.° 5172/66). no art. Um critério é o da localização – se está na zona rural. que são: . altera o entendimento sobre imóvel rural. Existe uma dificuldade em conceituar “imóvel rural”.

a fração mínima de parcelamento prevista para as capitais dos Estados. b) o módulo correspondente às culturas permanentes para os demais municípios situados nas zonas típicas A. Não se aplica o disposto no caput deste artigo aos parcelamentos de imóveis em dimensão inferior à do módulo. §3º. de Faria Caderno de Direito Agrário 6 IE INCRA n. nenhum imóvel rural poderá ser desmembrado ou dividido em área de tamanho inferior à do módulo calculado para o imóvel ou da fração mínima de parcelamento fixado no §1º deste artigo. 65 da Lei 4504. Os herdeiros ou os legatários. não se poderão dividir imóveis em áreas inferiores às da dimensão do módulo de propriedade rural.° 5868/72) A fração mínima de parcelamento foi introduzida pela Lei 5868/72. cujos beneficiários sejam agricultores que não possuam outro imóvel rural ou urbano. §2º. o Instituto Brasileiro da Reforma Agrária poderá prover no sentido de o requerente ou requerentes obterem financiamentos que lhes facultem o numerário para indenizar os demais condôminos. Em caso de sucessão causa mortis e nas partilhas judiciais ou amigáveis. nas regiões A. Introdução da fração mínima de parcelamento (Lei n.) O art. 8º. a qualquer título. de 30 de novembro de 1964. no todo ou em parte. O coeficiente equivale a 1 módulo.. O imóvel rural não é divisível em áreas de dimensão inferior à constitutiva do módulo de propriedade rural. A fração mínima de parcelamento será: a) o módulo correspondente à exploração hortigranjeiro das respectivas zonas típicas. fixada pelo órgão fundiário federal. §4º. Em Instrução Especial aprovada pelo Ministério da Agricultura. Ficam estendidas a Fração Mínima de Parcelamento – FMP correspondente ao módulo de exploração hortigranjeira das respectivas zonas típicas. o que for menor. quando promovidos pelo Poder Público. . No caso de um ou mais herdeiros ou legatários desejar explorar as terras assim havidas. 65. conforme área e produção.florestal Existem no Brasil hoje 1216 módulos rurais. o INCRA poderá estender a outros Municípios. Lei 4504/64 . com área entre 2ha e 120ha.lavoura temporária . §1º.º 50. para os Municípios das capitais dos Estados. de acordo com o parágrafo 2º do artigo 8º da Lei 5868.. c) o módulo correspondente à pecuária para os demais municípios situados na zona típica D. §2º. de 26 de agosto de 1997 – Art. de 12 de dezembro de 1972. prevalecendo a de menor área. na forma do art.. 2º. Essa lei trabalha com a noção de módulo rural mas introduz a proibição da divisão ou desmembramento em area inferior ao módulo rural ou à área da fração mínima de parcelamento.Art. 15/08/2016 Lei 5868/72 – Art. B e C. aos municípios classificados nas Zonas Típicas de Módulo B e C. O financiamento referido no parágrafo anterior só poderá ser concedido mediante prova de que o requerente não possui recursos para adquirir o respectivo lote.pecuária . não poderão dividi-los em outros de menor dimensão ao módulo de propriedade rural. Marlize F. 2º da IE 50/97 estendeu a Fração Mínima de Parcelamento da capital para o interior. Cálculo da quantidade de módulo rurais em uma propriedade É a área útil aproveitável dividida pelo coeficiente que é definido pelo INCRA. Para fins de transmissão. B e C. cujas condições demográficas e sócio-econômicas o aconselhem. (. que adquirirem por sucessão o domínio de imóveis rurais. em programas oficiais de apoio à atividade agrícola familiar. prevista para as capitais dos Estados. §5º. §1º.

O Decreto 62. 65 (e consequentemente do art. 65. do Estatuto da Terra. 8º. Exceções a Fração Mínima de Parcelamento O art. LATIFÚNDIO Está disciplinado no art. do Estatuto da Terra (Lei 4504/64). Pelo Estatuto da Terra. O latifúndio é passível de desapropriação. mas é inexplorado ou explorado de modo deficiente ou inadequado. do Estatuto da Terra. MINIFÚNDIO Está previsto no art. a propriedade familiar equivale a um módulo rural. o de Fração Mínima de Parcelamento. 4º. Marlize F. módulo rural. do Estatuto da Terra e o art. V. entretanto. entre outros conceitos. trabalham com a lógica de proibir o parcelamento voluntário da terra. IV. PEQUENA PROPRIEDADE Está definida no art. 65.serviços comunitários na zona rural . pública ou privada. Outras classificações do imóvel rural A Constituição Federal e a Lei 8629/93 (Lei da Reforma Agrária) trabalham com outra classificação de imóvel rural: 1. Vai haver casos.504/68. Propriedade produtiva 1. a criação de linhas de crédito rural para aquisição da propriedade. que regulamenta o art.estabelecimento comercial .desmembramento decorrente de desapropriação por necessidade/utilidade. 4º da Lei 8629/93. Se o imóvel rural se enquadrar nas exigências legais de modo a configurar empresa rural.estabelecimento industrial . É aquela que tem área entre 1 até 4 módulos fiscais. dentro das condições possíveis e conforme critérios fixados na lei. Restringir o menor tamanho divisível tem a finalidade de evitar áreas tão pequenas que não sejam capazes de sustentar uma família. Enfim.§6º. independente da vontade do proprietário. devendo ser levado em conta o conceito de FMP. que explore economicamente e racionalmente o imóvel rural. 2. 8º da Lei 5868/72. O fundamento é que a terra tem que ser autossustentável. As políticas para evitar o surgimento de minifúndios incluem. Pequena propriedade 2. ficará isento de desapropriação para fins de reforma agrária. 2º critério) o imóvel que não excede o limite. 3. que a terra vai ser dividida. da Lei 5868/72) para fins de: . é o imóvel rural de área e possibilidades econômicas inferiores à propriedade familiar. Média propriedade 3. 4º. . de Faria Caderno de Direito Agrário 7 5. Nenhum imóvel rural adquirido na forma do §5º deste artigo poderá ser desmembrado ou dividido. EMPRESA RURAL Conceito do Estatuto da Terra que vai ser definida como atividade ou empreendimento agrário que pode ser desenvolvido por pessoa física ou jurídica. determina que não se aplicam as vedações do art. Existem dois critérios para identificar um latifúndio: 1º critério) é o imóvel que exceda a dimensão máxima de 600 vezes o módulo médio da propriedade rural ou 600 vezes a área média das propriedades da região.

Está no Estatuto da Terra. É usado no cálculo do ITR. Módulo fiscal – para classificação da propriedade rural. Foi criado como uma medida de tributação. É o imóvel que é explorado econômica e racionalmente. e com grau de eficiência igual ou superior a 100% da capacidade de produção. * Século XX – nos idos dos anos 60 ocorre a revolução verde. PROPRIEDADE PRODUTIVA É definida no art. 22/08/2016 LIMITAÇÕES À AQUISIÇÃO E ARRENDAMENTO DE IMÓVEL RURAL POR ESTRANGEIROS A Lei 5709/71 é o marco legal para definir os limites que os estrangeiros têm para aquisição de terras. Quem recebia uma sesmaria tinha o dever de colonizar e produzir naquele pedaço de terra. com grau de utilização igual ou maior a 80% da sua área útil. É a lei ainda em vigor. cana de açúcar. Marcos históricos dessa resolução: * Brasil Colônia – Sesmarias – terras não ocupadas pertenciam à coroa. MÉDIA PROPRIEDADE É o imóvel com área entre 4 e 15 módulos fiscais. APLICAÇÃO DOS CONCEITOS HOJE. que é o uso da tecnologia para maximizar a produção (dentro da lógica de exportação).965/74 é que regulamenta a lei. O campo assume um caráter de setor empresarial. 3. Mercantilização da terra. E o Decreto 74. 6º da Lei 8629/93. * Século XIX – formação dos impérios – nacionalização e consolidação do território (relativo as terras que estavam sob disputa com outros países). nos artigos 49 e 50. O módulo fiscal é fixado para cada município. NA PRATICA: Módulo rural – para calcular a FMP e para o enquadramento sindical. Cada município tem um módulo fiscal como base de cálculo. estabelecendo a relação entre a extensão da área e a produtividade. de Faria Caderno de Direito Agrário 8 . reorganização do trabalho e da produção. A lei 9393/96. A vocação brasileira era a exportação de café. Módulo Fiscal É uma criação de 1979.2. expresso em ha. charque. Marlize F. mudou o critério de cálculo do ITR.

para aquisição de imóveis por pessoa natural de até três módulos de exploração indefinida (MEI). 2. De 1994 a 2008. havia também a questão de controle migratório e de colonização e a discussão sobre qual o modelo agrícola e fundiário desejado. As restrições estabelecidas nesta Lei não se aplicam aos casos de sucessão legítima. sob a alegação de que não havia sido recepcionado pela CF88. que será designada como Faixa de Fronteira. Se enquadra nas regras desta Lei a pessoa jurídica nacional cujo capital seja. Lei 5709/71 – Art.em caso de pessoa jurídica. o MEI é de 10ha. 7º. A faixa de fronteira é definida na Lei n. Lei 6634/79 – Art. a pessoa jurídica brasileira da qual participem. A soma das áreas pertencentes a pessoas estrangeiras não pode exceder ¼ da área municipal. Fica. O controle estatal não se aplica nas seguintes condições: . Hoje. estrangeiro. todavia. Dentro do teto de 25%. deve ser sede no Brasil e autorização para funcionar. Qualquer outro caso. O controle estatal relativo a faixa de fronteira e área de segurança nacional é feito pelo Conselho de Segurança Nacional. um parecer da Advocacia Geral da União (AGU) suspendeu os efeitos do §1º. ou seja. 1º. no art.º 6634/79.ser a primeira aquisição. A lei 5709/71 nasce no auge da ditadura militar. . paralela à linha divisória terrestre do território nacional. Quanto à área do município: a. Acima de 100 MEI com autorização do Congresso Nacional. sujeita ao regime estabelecido por esta Lei. . Além disso. 1º. 1º da Lei 5709/71 estabelece as condições para aquisição de terras por estrangeiros: . O módulo de exploração indefinida (MEI) é uma medida de área definida pelo INCRA para aquisição de imóvel rural por estrangeiros.ser pessoa natural. . art.não ser faixa de fronteira ou área de segurança nacional. 23. É considerada área indispensável à Segurança Nacional a faixa interna de 150km (cento e cinquenta quilômetros) de largura. ressalvado o disposto no art. b. com autorização do INCRA. 25% é o limite máximo. Condições das pessoas estrangeiras para adquirir terras no Brasil O art. Pessoa natural: de 3 a 50 MEI (limite máximo) b. em uma linha paralela à linha divisória de fronteira. pessoas da mesma nacionalidade não poderão ter mais de 40% da área apropriável. . Quanto à área máxima por pessoa: a. 1º. o parecer que devolveu eficácia a este §1º é o CGU/AGU n. §2º .º1/2008. Existem ainda limitações para a aquisição: 1. e é de 150Km de distancia.de 1 a 100 MEI.A proteção do território através da limitação tinha como principal mote a soberania nacional. residente no Brasil. Em Pelotas. Pessoa jurídica: segue a Lei 8629/93. O estrangeiro residente no país e a pessoa jurídica estrangeira autorizada a funcionar no Brasil só poderão adquirir imóvel rural na forma prevista nesta Lei. depende do INCRA ou do Conselho de Segurança Nacional. §1º. a qualquer título. em sua maior parte. §2º. pessoas estrangeiras físicas ou jurídicas que tenham a maioria do seu capital social ou residam ou tenham sede no Exterior.

709. por estrangeiro.se faixa de fronteira (150km distante da linha demarcatória) ou zona de segurança nacional.área máxima que pode ser comprada: 50 MEI (Módulo de Exploração Indefinida). Compete ao Congresso Nacional autorizar tanto a aquisição ou o arrendamento além dos limites de área e percentual fixados na Lei 5. Art.área acima de 20 MEI é necessário apresentar projeto de utilização da área. Qualquer propriedade acima de 20 MEI deve ter projeto de exploração. . . 23. V. precisa de autorização do Congresso Nacional.área até 100 MEI com autorização do INCRA. 2) Onde? . sob o assentimento do Conselho Nacional de Segurança. . seguindo as limitações da lei. da Lei 6634/79 vedava. §2º. . como aquisição ou arrendamento. posse ou qualquer outro direito real sobre imóvel em faixa de fronteira. . Essa vedação restringia o fornecimento de crédito por instituições financeiras internacionais (a maioria dos bancos privados são de capital estrangeiro). . de domínio. . se for faixa de fronteira ou zona de segurança nacional. de 7 de outubro de 1971. 40% é apropriável por pessoas da mesma nacionalidade.sendo empresa nacional. Ônus reais sobre imóveis em faixa de fronteira O art. * fora da faixa de fronteira e zona de segurança nacional. de área superior a 100 (cem) módulos de exploração indefinida. por pessoa jurídica estrangeira. . com autorização do INCRA e/ou Conselho Nacional de Segurança. .PJ sempre precisa de autorização.sendo estrangeira. seguindo as limitações da lei. qualquer transação com imóvel rural que pudesse implicar na obtenção. * área até 3 MEI. e portanto não precisa de autorização para pessoa natural: * na 1ª aquisição. * casado com brasileiro(a) ou com filho brasileiro. 2º.em um município: * o limite da zona rural apropriável por estrangeiros é de 25% do território rural. .não incide controle estatal. com todas as informações do estrangeiro.área acima de 100 MEI.não se aplicam tais restrições para: * imóvel recebido por herança. . bem como autorização do INCRA. Revisão: 1) Quem pode comprar terra no Brasil? a) PESSOA NATURAL: . mas com capital majoritariamente estrangeiro. b) PESSOA JURÍDICA: .pessoas naturais não residentes não podem comprar.Lei 8629/93. * destes 25%.acima de 3 MEI precisa de autorização do INCRA ou do Conselho Nacional de Segurança. A forma de aquisição da propriedade é somente através de escritura pública. ou sócios estrangeiros residentes fora do Brasil. .residente no Brasil. tiver autorização para funcionar no Brasil.

2º. a modificação. que determinou ser competência da União. a hipótese de constituição de direito real de garantia em favor de instituição financeira. da posse. tanto urbano quanto rurais. 2º. b) colonização e loteamento rurais. que não prevê indenização). observada legislação pertinente em cada caso. bem como a de recebimento de imóvel em liquidação de empréstimo de que trata o inciso II do art. prorrogável por mais duas vezes (art. Se o ato da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional for denegatório ou implicar modificação ou cassação de atos anteriores. justa e em dinheiro (diferentemente da expropriação. em cada caso. devendo vende-lo em até um ano. por estrangeiro. V para constituição de direito real de garantia em favor de instituição financeira 2) instituição financeira internacional tem autorização para receber imóvel rural em liquidação de operação de credito. mediante indenização previa. II – construção de pontes. 6º. Essa lei continua sendo aplicada. da decisão caberá recurso ao Presidente da República.Esse dispositivo foi alterado pela Lei 13. Lei 6634/79. estradas internacionais e campos de pouso. para fins de interesse social. V – transações com imóvel rural. que impliquem obtenção. a cassação das concessões ou autorizações serão formalizados em ato da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional. convênios ou contratos para a solução de problemas de interesse rural. será vedada. IV – instalação de empresas que se dedicarem às seguintes atividades: a) pesquisa. A União. A responsabilidade pela desapropriação é da União. lavra. os Estados. Art. salvo aqueles de imediata aplicação na construção civil. o Distrito Federal e os Municípios poderão unir seus esforços. de 31 de dezembro de 1964. Art. REFORMA AGRÁRIA E DESAPROPRIAÇÃO PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA A lei 4132/62 (Lei da desapropriação por interesse social) autorizou os entes federativos a fazer a desapropriação de imóveis. na Faixa de Fronteira. mas as informações relativas a avaliação de propriedades passiveis de desapropriação pode ser delegada aos Estados e Municípios. II. de domínio. Salvo com assentimento prévio do Conselho de Segurança Nacional. assim relacionadas em decreto do Poder Executivo. 35. III – estabelecimento ou exploração de indústrias que interessem à Segurança Nacional. ou de qualquer direito real sobre o imóvel. criando exceções: 1) não se aplica a vedação do art. que inseriu o §4º no art. a qualquer título. Excetua-se o disposto no inciso V. Os pedidos de assentimento prévio serão instruídos com o parecer do órgão federal controlador da atividade. 4504/64. em pessoa jurídica que seja titular de direito real sobre imóvel rural. Desapropriação é a retirada coerciva da propriedade. §3º. fazer desapropriação para fins de reforma agrária. assim classificadas no Código de Mineração. §2º. §4º.097/15. §1º.595. principalmente os relacionados . de estrangeiro. O assentimento prévio. 35 da Lei 4. pessoa natural ou jurídica. VI – participação. exploração e aproveitamento de recursos minerais. através do Instituto Nacional para Colonização (atual INCRA – Instituto Nacional para Colonização e Reforma Agrária). mediante acordos. mas os dispositivos relativos a desapropriação para distribuir terras por meio de colônias e cooperativas agrícolas foram revogados com a publicação do Estatuto da Terra. 2º da Lei 6634/79. aberturas de vias de transporte e instalação de meios de comunicação destinados à exploração de serviços de radiodifusão de sons ou radiodifusão de sons e imagens. da Lei 4595/64 – Lei do Sistema Financeiro Nacional). a prática de atos referentes a: I – alienação e concessão de terras públicas. Lei.

no art. do Estatuto da Terra.) Quais imóveis podem ser objeto de reforma agrária Antigamente. mas lei que definiu a pequena e a media propriedade só foi promulgada em 1993 – a Lei 8629/93 – Lei da Reforma Agrária. convênios ou contratos multilaterais referidos neste artigo. 20. CF88). Grande propriedade: acima de 15 módulos fiscais. Para saber quantos módulos fiscais tem uma propriedade é necessário calcular a seguinte equação: Área utilizável (há) Módulo Fiscal Padrão* * verificar na tabela da IE n.G. Esses graus são definidos pelo INCRA. as vistorias e avaliações de propriedades rurais situadas no seu território. mediante convenio. Podem ainda ser objeto de desapropriação a grande propriedade improdutiva e a pequena e média propriedade improdutiva se o proprietário tiver outra propriedade rural (art. 6º. sendo 30ha de área utilizável e MF padrão de 10ha: 30/10 = 3 módulos fiscais – pequena propriedade. # 100ha. Para os efeitos da reforma agrária. são passíveis de desapropriação. Exemplos: # 100ha. . # 100ha. §1º. estabelece que é produtiva a propriedade que tiver: . Produtividade A Lei 8629/93.U. que regulamenta o ITR – Imposto Territorial Rural. poderá delegar aos Estados. (. . (grau de eficiência) igual ou superior a 100%. A Lei da Reforma Agrária define da seguinte forma: Pequena propriedade: de 1 a 4 módulos fiscais.. o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA representará a União nos acordos. A CF trouxe as expressões de ‘pequena’ e ‘média’ propriedade. bem como outras atribuições relativas à execução do Programa Nacional de Reforma Agrária. Atualmente. Para fins de tributação é aplicada a lei 9393/96. ao Distrito Federal e aos Municípios o cadastramento. A União.. 185. 186. Módulo fiscal é definido no art. que qualquer propriedade que não atenda a Função Social da Propriedade. Média propriedade: de 4 a 15 módulos fiscais. cujos requisitos constam do art. a CF88 estabelece. conforme o tipo de produção. sendo 100ha de área utilizável e MF padrão de 5ha: 100/5 = 20 módulos fiscais – grande propriedade. Hoje essa definição serve somente para saber o tamanho de uma propriedade. essa definição era dada pelo art. etc. sendo 80ha de área utilizável e MF padrão de 10ha: 80/10 = 8 módulos fiscais – média propriedade. E. calculada pela relação percentual entre a área utilizada e a ára utilizável. do INCRA. visando a implantação da Reforma Agrária e à unidade de critério na execução desta. no art. região. No caso de Pelotas é de 16ha.º 20/1980. observados os parâmetros e critérios estabelecidos nas leis e atos normativos federais. Cada município tem uma dimensão de Módulo Fiscal Padrão. 184. 50 do Estatuto da Terra.com a aplicação da presente Lei.G. (grau de utilização) igual ou superior a 80%. §2º.