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27/07/2015 Psicologia: Reflexão e Crítica ­ Family configuration and adolescents​

 psychological well­being

 

    

Psicologia: Reflexão e Crítica Services on Demand
On­line version ISSN 1678­7153
Article
Psicol. Reflex. Crit. vol.12 n.1 Porto Alegre  1999
Article in xml format
http://dx.doi.org/10.1590/S0102­79721999000100010 
Article references

Configuração familiar e o bem­estar How to cite this article

psicológico dos adolescentes Curriculum ScienTI

Automatic translation
Adriana Wagner1,2
Luciane de S. Ribeiro3 Send this article by e­mail
Adriane X. Arteche 4 Indicators
Ellen A. Bornholdt4
Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Cited by SciELO

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A busca do bem­estar é o motor do desenvolvimento humano. É visando More
estar bem que o homem luta para atingir seus ideais. O desenvolvimento
desta capacidade está diretamente ligada com as experiências mais More
precoces do sujeito em sua família. Sendo assim, este trabalho investigou
em que medida a configuração familiar contribui para o bem­estar dos Permalink
adolescentes. A amostra utilizada foi de 391 adolescentes de ambos os
sexos, entre 12 e 17 anos, sendo 196 provenientes de famílias originais e
195 de famílias reconstituídas. Utilizou­se o instrumento Escala Goldberg de Bem­Estar (1978)­GHQ, subdividida
em 12 itens. A maioria dos adolescentes (81%) apresentou um nível de bem­estar geral entre bom a muito
bom, sendo que não houve diferença significativa entre adolescentes de famílias originais e reconstituídas. 
Palavras­chaves: Família; bem­estar; adolescente

Family configuration and adolescents’ psychological well­being

Abstract 
The search for welfare is the motor to human development. It is the search for well­being that makes
humankind struggle for its ideals. The development of this capacity is closely related to the early experiences
that one has in his/her family. Thus, this study investigated to what extent the family configuration contributes
to the adolescents well­being. The sample had 391 adolescents, of which 196 were from intact families and 195
from remarried families. Goldberg’s (1978) General Health Questionnaire (GHQ) was used, subdivided into 12
items. Results showed that most adolescents (81%) presented a general well­being level ranging from good to
very good. There was no significant difference between adolescents from intact and remarried families. 
Keywords: Family; well­being; adolescence.

 

 

Nem sempre a vida transcorre de maneira ideal e corresponde aos desejos de bem­estar. A busca do equilíbrio
entre o desejado e o possível é o que movimenta e desenvolve a capacidade de superar situações e manter­se
saudável.

O desenvolvimento desta capacidade está intimamente relacionado às experiências mais precoces que se tem
no seio da família. Ela é parte fundamental na construção da saúde emocional de seus membros, tendo como
função básica a proteção de seus filhos (Osório, 1992; Koening & Bayer, em Gomes, 1987). Exercer a função de

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102­79721999000100010&script=sci_arttext 1/7

 muitas vezes. paulatinamente. 1995). de forma geral. Costa & Féres­Carneiro. prejudicado devido à falta de compreensão e problemas de comunicação com os pais (Günther. Sarriera. a percepção que o adolescente tem do relacionamento parental também se encontra associada a um melhor ou pior nível de bem­estar. 1992). a figura de um pai ausente. Considerando­se as pesquisas que têm enfatizado a importância da família no desenvolvimento saudável de seus membros. propiciar um ambiente favorecedor de bem­estar (Minuchin. influências das diversas situações que o indivíduo vivencia na sua família. alguns estudos apontam para um fator importante que pode tornar mais complexas as relações familiares em núcleos recasados: a entrada de novos membros na família (madrasta. a competência ou saúde da família. Bons níveis de saúde familiar. 1988). poder­se­ia perguntar como e quem é esta família facilitadora de saúde? Com a vertiginosa transformação da configuração e funcionamento da família que vem acontecendo nas três últimas décadas. exige dos membros da família uma adaptação às mudanças de relacionamento. & McKenry. como um momento de crise (Costa. No caso do novo par do subsistema conjugal. O potencial de saúde centra­se na possibilidade que o sistema familiar tem de encontrar alternativas para a solução dos seus problemas e conseguir conter os efeitos destrutivos destes (Féres­Carneiro. 1992; Eccles. mas sim às relações que se estabelecem entre os seus membros (Grossman & Rowat. problemas comportamentais e conflitos a adolescentes oriundos de núcleos reconstituídos (Carlson & Lewis. fatores como o desempenho de papéis específicos e a delimitação do papel de autoridade nas figuras parentais são fundamentais para um funcionamento familiar saudável e bem­estar de seus membros (Féres­Carneiro. o conceito de família e provocado um processo de assimilação e construção de novos valores. Entretanto. http://www. Newman. de forma satisfatória. Contudo. quanto mais confortável o jovem sentir­se no núcleo familiar. Pesquisas indicam que os adolescentes que percebem o relacionamento dos pais como conflituoso. Pesquisas sugerem que relacionamentos seguros e estáveis com os pais são importantes para a saúde mental do adolescente (Raja. 1996; Wagner. 1992) ou reconstituídas (Harpprecht & Streck. Entretanto. Falcke. o novo parceiro(a).br/scielo. a falta de suporte da família para as necessidades do adolescente será tão ou mais prejudicial para o bem­estar destes quanto a presença do conflito conjugal (Grossman & Rowat. encontram­se descritos na literatura. Em outra dimensão. não é aquela com ausência de conflitos. Sendo assim. & Silva. 1995). Com o distanciamento do modelo nuclear/original. constata­se que os aspectos relacionados ao bem­estar psicológico do adolescente sofrem. Os filhos adolescentes. Wagner & Bandeira. e de forma preponderante. padrasto. 1996. o que exigirá reestruturação e delimitação dos papéis de cada membro (Bray & Harvey. A coexistência de diferentes arranjos familiares num mesmo contexto tem modificado. tais como as famílias recasadas (Carter & McGoldrick. um padrasto pode substituir.27/07/2015 Psicologia: Reflexão e Crítica ­ Family configuration and adolescents​  psychological well­being proteção é. 1992). é importante ressaltar que uma família facilitadora do crescimento emocional e promotora de saúde. por exemplo. Esse processo de transição se caracteriza. independe desta ser fruto de um primeiro casamento ou de um recasamento. recasada (pai + esposa / madrasta + filhos; mãe + esposo / padrasto + filhos). principalmente. a maioria das pesquisas não tenham encontrado associação entre a configuração familiar e dificuldades na família. cada vez mais fazem parte da nossa realidade diferentes arranjos. papéis e estrutura familiar. até o estabelecimento de alianças e uma relação de companheirismo e amizade (Wagner. apesar do incremento da complexidade das relações familiares. 1995). 1991; Carter & McGoldrick. de forma abundante. 1991; Costa & Féres­Carneiro. 1995; Bray & Harvey. a boa comunicação com o padrasto ou a madrasta tem se encontrado associada a bons níveis de bem­estar dos seus enteados adolescentes (Collins. de raiva e hostilidade. A partir destes supostos. 1997). pode gerar dificuldades de relacionamento na família. na maioria das vezes. muitas vezes. o processo de reestruturação da família reconstituída não será necessariamente desencadeador de conflitos. filhos de madrasta ou padrasto). pode­se verificar que as dificuldades de funcionamento familiar não estão. as mudanças dos padrões de funcionamento entre os seus membros. necessariamente. encontram­se associados a núcleos que favorecem tanto a expressão de agressividade. 1995; Penso. Entre as várias e importantes adaptações que ocorrem neste processo. tendem a ter um pior nível de bem­estar. Neste sentido. principalmente. 1992). do pai ou da mãe. O bem­estar dos adolescentes fica. McGee. A partir desta perspectiva. vivenciarão desde situações de oposição e extrema rivalidade. mais ele dedicará seu tempo `a família e procurará a estabilidade emocional que internamente ainda não alcançou (Atwater. frente a este novo membro. 1982). 1994). Estas mudanças podem ser observadas. na transição do modelo nuclear/intacto (pai+mãe+filhos) para a família descasada (mãe+filhos ou pai+filhos) e. Desde esta perspectiva. & Stanton. 1993). 1966; Minuchin. alguns trabalhos associam baixos níveis de bem­estar. ternura e afeto. 1997). Embora. No caso dos núcleos reconstituídos. 1996). Pesquisas indicam que esta passagem de um modelo a outro. posteriormente. associadas à sua composição. Sarriera. & Silva. quanto de carinho.scielo.php?pid=S0102­79721999000100010&script=sci_arttext 2/7 . Assim. invariavelmente. 1995). estudiosos do tema (Haley. 1974) também indicam a importância do diálogo na convivência familiar. A plasticidade das relações no núcleo familiar pode gerar uma infinidade de recursos promotores de saúde. Em muitas ocasiões. Falcke. assim como às demandas do mundo externo.

 que avaliam aspectos como: felicidade. Variável Dependente Bem­estar Psicológico: Considerou­se bem­estar psicológico a soma dos sete fatores avaliados através da Escala Goldberg (1978): felicidade. (1996b): Saúde Muito Boa (12 a 18 pontos). os valores foram classificados em quatro níveis segundo Sarriera. a média dos subgrupos separadamente. Na seqüência. Instrumentos e Procedimentos Após o preenchimento de uma ficha contendo dados biodemográficos dos sujeitos da amostra. Saúde Boa (19 a 24 pontos). a escala de Goldberg foi pontuada de 1 a 4. foi­lhes solicitado que respondessem a Escala de Bem­estar de Goldberg (1978) ­ GHQ. segundo informações obtidas junto à SEC (Secretaria Estadual de Educação e Cultura). o fato de habitar em domicílio comum com padrasto ou madrasta e o tempo de recasamento dos pais. coabitando em domicílio conjugal na companhia de seus filhos do primeiro casamento no período mínimo de 6 meses (Wagner. fez­se o emparelhamento deste grupo com os jovens de Famílias Originais (FO). estado de satisfação. ansiedade e depressão e que teve sua validação feita por Sarriera. & Meza.   Resultados http://www. O procedimento de seleção da amostra iniciou­se na escolha dos adolescentes que coabitavam em Famílias Reconstituídas (FR) e. Schwarcz e Câmara (1996a). coabitando em domicílio conjugal. Falcke. realizou­se o teste estatístico do Qui­Quadrado a fim de buscar as possíveis associações entre o nível de bem­ estar dos adolescentes e as seguintes variáveis: configuração familiar. afeto positivo ou negativo. Todos os sujeitos eram estudantes de 25 escolas particulares e públicas de Porto Alegre e de nível sócio­econômico médio (critério definido pelo IBGE ­ média mensal do salário mínimo do chefe do domicílio/Censo 91). As escolas foram selecionadas por bairros. A fim de se verificar o nível de bem­estar dos adolescentes. A aplicação do instrumento foi individual e realizada na escola. tensão. Somando­se os pontos.scielo. subdividida em 12 itens. Saúde Regular (25 a 30 pontos) e Saúde Ruim (mais de 30 pontos). e. Família Reconstituída: aquela em que os pais são separados de seus primeiros cônjuges (oficial ou não oficialmente) e atualmente mantêm uma relação estável (tempo mínimo de 6 meses) com outro companheiro(a). estado de satisfação. conforme os sujeitos eram dispensados das aulas.br/scielo. ansiedade e depressão. este trabalho tem por objetivo descrever e analisar o nível de bem­estar dos adolescentes e as possíveis associações existentes com sua configuração familiar. auto­estima.   Método Participantes Trabalhou­se com uma amostra escolhida intencionalmente de acordo com os critérios: sexo. Schwarcz & Câmara. tensão.27/07/2015 Psicologia: Reflexão e Crítica ­ Family configuration and adolescents​  psychological well­being Considerando as divergências ao que se refere à associação ou não do bem­estar psicológico a diferentes configurações familiares. mantendo o sustento. posteriormente. verificou­se a média do nível de bem­estar do grupo de adolescentes em geral (FO+FR). num primeiro momento. guarda e educação dos filhos. por sexo e idade.php?pid=S0102­79721999000100010&script=sci_arttext 3/7 . Hipóteses H0: Não há diferença significativa de bem­estar psicológico entre adolescentes de famílias originais e famílias reconstituídas H1: Há diferença significativa de bem­estar psicológico entre adolescentes de famílias originais e famílias reconstituídas. posteriormente. idade (de 12 a 17 anos) e composição familiar (núcleo original ou reconstituído há mais de 6 meses). 1997). considerou­se Variáveis Independentes: Família Original: aquela em os pais mantêm o primeiro casamento. A amostra foi composta de 391 adolescentes sendo 196 de famílias originais e 195 de reconstituídas. Na realização do presente estudo. auto­estima. Definição operacional das variáveis Para fins deste estudo. afeto positivo ou negativo.

04).23 37 19  40 20.9 195 100 http://www.7 18 9.1% (31) possuem um nível de bem­ estar entre muito bom e bom. considerando os jovens de família reconstituída. que a amostra estudada possui um bom nível de saúde.81.6 72 36. 72.4 29 14.27/07/2015 Psicologia: Reflexão e Crítica ­ Family configuration and adolescents​  psychological well­being Níveis de bem­estar Considerando­se a amostra em geral. Não existe diferença significativa nos níveis de bem­estar entre os adolescentes que coabitam com suas madrastas e aqueles que coabitam no mesmo domicílio de seus padrastos.2 34 17. A maioria dos adolescentes possui um nível de bem­estar de bom a muito bom (81%). Da mesma forma. assim. uma vez que.br/scielo. e F. Todos os jovens. Níveis de bem­estar dos adolescentes de família reconstituída e o tempo de recasamento dos pais Tempo de Recasamento 6 meses a 6 anos 6 a 10 anos mais de dez anos  % Nível de bem­estar f % f % f % Muito bom 14 7. Resultados sobre os níveis de bem­estar dos adolescentes de F.4 25 12.5 Bom 26 13. pode­ se observar que existe associação entre estas variáveis (X2 =16.5 Regular/ruim ­ ­ 19 9.   Níveis de bem­estar e coabitação com padrasto/madrasta Com relação a variável "morar com padrasto" ou "morar com a madrasta".R. Pode­se constatar. 83.3 30 15. Tabela 1. com um p=0. cujos pais estavam recasados de seis meses a seis anos. verificou­se que esta não se associa ao bem­estar psicológico dos adolescentes. Já dos 155 jovens que pertenciam a núcleos familiares reconstituídos há mais de seis anos.     Figura 1. dos 43 adolescentes que vivem com suas madrastas. enquanto que 19% dos jovens possui um nível de bem­estar entre regular e ruim. embora a maioria tenha se mantido na faixa situada entre muito bom e bom (60.575. Níveis de bem­estar e diferentes configurações familiares A partir do resultado do teste estatístico Qui­quadrado.8 81 41. pode­se constatar que não existe diferença significativa entre o nível de bem­estar dos adolescentes de família original e de famílias reconstituídas.5%; 118 jovens) como pode­se observar na Tabela 1. reportaram um nível de bem­estar entre bom e muito bom.scielo.O.5 83 42.147). confirmando­se H0. dos 149 adolescentes que vivem com seus padrastos.php?pid=S0102­79721999000100010&script=sci_arttext 4/7 .9% (125) possuem um nível de bem­estar entre muito bom e bom. 37 (19%) apresentaram um nível de bem­estar entre Regular/Ruim (p=0.9 77 39. Nível de bem­estar e Tempo de Recasamento dos Pais Buscando­se verificar a relação entre o tempo de recasamento e o nível de bem­estar dos adolescentes. a média do bem­estar dos adolescentes foi de 20.

 pode ser incrementada pela entrada do novo membro na família. entretanto. esta classificação em 37 (19%) destes que coabitam com seus pais recasados há mais de seis anos. parece que. na maioria das vezes. tais como. pode­se pensar que. implica um processo de crise (Costa. os resultados deste trabalho sugerem a necessidade de pesquisas que explorem e descrevam estratégias familiares eficazes para uma educação suficientemente sólida de seus filhos.br/scielo. mãe. aqueles sujeitos capazes de reestruturar sua vida afetiva sejam também pais potenciadores de saúde de seus filhos. independentemente do vínculo sangüíneo. havendo ruptura do vínculo conjugal e a reconstrução deste. ainda que existam determinados tabus e mitos ao que se refere a outros arranjos familiares que fogem ao modelo original. pode contribuir para relações mais harmoniosas. proteção e responsabilidade de seus filhos. Entretanto. aparecendo. isto é. o que. Compreender a nova realidade da família de forma a buscar as diferentes possibilidades de saúde de seus membros. Os resultados corroboram os achados das pesquisas que referem a não vinculação da saúde familiar à sua configuração ou à ausência de conflito (Féres­Carneiro. assim como menor tolerância a determinadas negociações. 1992).   http://www. Este dado pode refletir a importância do relacionamento familiar. é poder garantir e favorecer o bem estar dos adolescentes. Neste caso. muitos padrastos ou madrastas também podem desempenhar de forma exitosa o papel parental. neste caso. Desta forma. independentemente de sua configuração (Féres­Carneiro. Entretanto. mantém­se inalterável a sua função de apoio. de certa forma. conseqüentemente do núcleo familiar. Pode­se observar que. 1982). No entanto. filhos coabitando em domicílio conjugal e mantendo a guarda. provavelmente. em detrimento da sua configuração. comecem a aparecer as dificuldades da relação. Ainda que a presente pesquisa não tenha tido como objetivo verificar as possíveis associações entre o vínculo conjugal e o bem­estar dos filhos. 1992). pode ter menos possibilidades de oferecer e propiciar saúde a seus filhos que um outro seio familiar mais continente e estável. com as características da amostra investigada. uma família original intacta conflituada e tensa.php?pid=S0102­79721999000100010&script=sci_arttext 5/7 . os adolescentes. independente da configuração familiar do adolescente. é na qualidade do relacionamento entre os membros da sua família que recai a maior ou menor possibilidade de bem­estar. ao que se refere a suas famílias. Ainda que nos últimos tempos tem­se deparado com importantes mudanças no que se refere à família de forma geral. os primeiros anos de (re)casamento são marcados por uma atmosfera de paixão. ao favorecimento de bem­estar (Minuchin. 1991; Costa & Féres­Carneiro.1992). têm vivenciado experiências estimuladoras de saúde emocional e geradoras de bem­estar. os resultados apontam que o fato de coabitar com um ou outro par parental (mãe/padrasto ou pai/madrasta) não se associa a possibilidade de maior ou menor bem­estar do adolescente. pois. compreensão e felicidade entre o casal. Estes dados reforçam a idéia da preponderância do desempenho do papel sobre o da figura parental. o padrasto ou a madrasta. parece contribuir para a sensação de bem­estar dos filhos. Este colorido inicial que expressa o desejo de "dar certo". provavelmente. Esta atmosfera. faz com que o nível de bem­estar dos filhos adolescentes tenha um decréscimo após os seis primeiros anos de recasamento. É importante também considerar que o processo de adaptação a um novo arranjo familiar que. a família reconstituída. com o passar do tempo. sustento e educação dos filhos. parece que a capacidade de reconstrução do vínculo conjugal e. Partindo da premissa que os filhos necessitam do suporte de seus pais para um desenvolvimento saudável. também pode ser considerada um indicador de saúde dos pais. é curioso observar que. apresentou um nível de bem­estar entre regular e ruim.04   Discussão e Conclusão Considerando­se que no núcleo familiar a função de proteção de seus membros diz respeito. neste estudo constata­se que o bem­estar dos filhos não se encontra associado ao tipo de configuração da sua família. Parece existir diferentes possibilidades de bom relacionamento e de saúde também em famílias que tenham passado por dificuldades de interação. Tanto adolescentes de núcleos originais como reconstituídos possuem o mesmo nível de bem­estar. As transformações sociais implicam na queda do mito da família harmoniosa ou perfeita. são elucidativos. principalmente. Encontrou­se que nenhum dos jovens provenientes de famílias reconstituídas há menos de seis anos. os resultados do tempo de recasamento dos pais e o nível de bem­estar dos adolescentes. meramente apoiado na manutenção do arranjo estereotipado da família original: pai. supostamente exista maior tolerância e compreensão entre o casal na tentativa de reconstrução da família. Certamente. Provavelmente. é esperado que.scielo. esta não é uma variável associada ao bem­estar psicológico de seus membros. 1995). Levando­se em consideração as associações encontradas entre o nível de bem­estar e a percepção que os adolescentes têm do relacionamento dos seus pais (Grossman & Rowat. neste caso. independentemente da transformação e evolução que a família vem passando nos últimos tempos quanto a sua configuração.27/07/2015 Psicologia: Reflexão e Crítica ­ Family configuration and adolescents​  psychological well­being X2 = 16.

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 Prédio 17 Sala 338.10.10. Rua Ramiro Barcelos.scielo.: +55 51 3308­5691 prcrev@ufrgs.br http://www. Bolsista de Aperfeiçoamento FAPERGS.br  3 Psicóloga.br/scielo.27/07/2015 Psicologia: Reflexão e Crítica ­ Family configuration and adolescents​  psychological well­being         [ Links ]     Recebido em 27.php?pid=S0102­79721999000100010&script=sci_arttext 7/7 .pucrs. 2600 ­ sala 110 90035­003 Porto Alegre RS ­ Brazil Tel.97 Revisado em 19. Porto Alegre ­ RS E­mail: wagner@music. Professora do Programa de Pós­Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Doutora em Psicologia. Ipiranga. 90619­900.  2 Endereço para correspondência: Av.01. 6681.98   1 Professora.98 Aceito em 14.  4 Estudantes de Graduação em Psicologia; Bolsista de Iniciação Científica CNPq/FAPERGS.