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23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Nº 9 | Ano 1 Director: José Luís Mendonça •Kz 50,00

LETRAS Pag. 4 - 5

Angola,Angolê,Angolema,poesiadeArlindoBarbeitos
ARTES Pag. 12 ARTES Pag. 11

“Deixa-me Entrar”,
ou a agridoce
sofisticação de
Nástio Mosquito

A Bassula

Pag. 14-15

DIÁLOGO INTERCULTURAL Pag. 28

Rainer

TETA LANDO
Maria Rilke:
o poeta da «inspiração
que se chama e se prende»

Quatro anos
BARRA DO KWANZA Pag. 31

de saudade
T´chikukuvanda - No
tempo de
Kaparandanda
NAVEGAÇÕES Pag. 32

Literatura angolana
traduzida e divulgada
na Alemanha

2 | ECO DE ANGOLA 23de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura

Léopold Sédar Senghor
(Poeta Africano - 1906-1991)

Máscaras! Ó máscaras!
Máscara negra máscara vermelha, ó máscaras preto-e-branco
Máscaras nos quatro pontos de onde sopra o Espírito
Eu vos saúdo no silêncio,
E não a ti por último, Ancestral de cabeça de leão.
Vós guardais este lugar excluído a todo riso de mulher, a todo sorriso que se fana.
Destilais este ar de eternidade em que respiro o ar de meus Pais.
Máscaras de faces sem máscaras, despidas de quaisquer sinais bem como de quaisquer rugas.
Que compusestes este retrato, esta minha face pendida sobre o altar de papel branco
À vossa imagem! Ouvi-me!
Eis que morre a África dos impérios – agonia de uma princesa lamentável
E bem assim a Europa a que estamos ligados pelo umbigo.
Fixai os olhos imóveis sobre os vossos filhos a quem mandam
Que dêem suas vidas como os pobres suas últimas vestes.
Que respondamos presentes ao renascimento do Mundo,
Tal como o levedo que é necessário à farinha branca.
Pois quem aprenderia o ritmo do mundo defunto das máquinas e canhões?
Quem soltaria o brado de alegria para despertar os mortos e os órfãos à aurora?
Dizei, quem restituiria a memória de vida ao homem de esperanças destroçadas?
Dizem-nos os homens do algodão do café do azeite
Dizem-nos os homens da morte.

ós somos os homens da dança, cujos pés readquirem vigor ao bater na terra dura.

Tradução Ivo Barroso - poeta, ensaísta e tradutor. Traduziu mais de quarenta livros,
entre eles vários de poesia, como os Sonetos, de Shakespeare, Os Gatos de T. S. Eliot,
o Diário Póstumo de Eugenio Montale e Hipóteses de Amor de Annalisa Cima.

Cultura
Jornal Angolano de Artes e Letras
Um jornal quinzenal comprometido com a dimensão cultural do desenvolvimento.
Nº 9/Ano I/ de 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012
E-mail: cultura.angolana@gmail.com / Telefone e Fax: 222 01 82 84

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um veículo electrónico de es5mação |J. . Matadi Makola. onde “o verbo cabo-verdiano. quase paralelos do Atlântico sul BARRA DO KWANZA 3 O conto que esta quinzena oferemos ao leitor. Kinda das Letras | Matadi Makola minho para a sua aMirmação literária. todo o cuidado que dispensamos nesta missão sagrada nunca hão-de ser suMicientes. quatro anos sem novos temas daquele cuja obsessão sempre foi ver uma Angola Una e Indivisível.” Literatas . ARTES Sobre uma arte marcial que é. A Bassula |Horácio Dá Mesquita Vicky Muzadi. Angolê. que é Nástio Mosquito. Angolema. o nosso colega de O direito de aguilhão dos autores angolanos |Norberto Costa tarimba. o passo da morna e o gemido existencial do verbo | Matadi Makola borador Simão Souindoula.S. T´chikukuvanda . O poeta da “inspira- GRAFITOS NA ALMA ção que se chama e se prende”. Lopito Feijóo K. faz uma resenha da antolgia dos novíssi. De. precisamente oito poemas do seu já esgotadíssimo livro de estreia Angola. Aqui recordado pelo seu companheiro de muitos anos em Paris. as suas obras poéticas capitais. vem a voar a poesia do imortal Rainer Maria Rilke. num momento em que as jovens gerações buscam um ca. Teta Lando: quatro anos de saudade | Emmanuel Cordeiro nhã de Novembro: a Bassula. no seu estilo sóbrio. fala-nos o nos- so colega Horácio Dá Mesquita.novo conto infan5l de Kanguimbo Ananás |Antónia Domingos ção urgente pela UEA. poesia de Arlindo Barbeitos | José Luís Mendonça “Angola. com todo o carinho e respeito pela Arte de fazer Sumário jornalismo cultural. Almada em 1991. O Viajante 100 Sono |Amosse Mucavele ta de hoje. com a intenção de constituir no Cinema angolano ou cinema5zação angolana |Patrício Batsîkama Brasil um corpus da sua literatura dos dias de hoje. vem a voar pela asa do nosso colabo- rador Zetho Cunha Gonçalves.Manual para estudantes brasileiros inclui a evolução de Angola que dá um previsível relevo a Angola. “A África na sala de aula. Reeditamos a levíssima e profunda poesia de Arlindo Barbeitos. o jornal Cultura recomenda para reedi. Emmanuel Cordeiro. “As férias de Yahula” . Visita à HistóriaContemporânea”. dada a sua longeva desaparição do mercado É5ca Profissional de Jornalismo de Gabriel Tchingandu | Áurio Quicunga livreiro. Gonçalves entre os dois territórios. se evola nas DIÁLOGO INTERCULTURAL bandas do samba e do futebol por treze poetas cuja poética sofre. Das mãos do Al6ssimo . o Kapa- randanda.O indizível | Frederico Ningi mos poetas de Cabo-Verde. organizada pelo poeta José Luís Hopf. na vanguarda da moda com desenhos lundas | Kumbi dyá Mbundu JAZZ: As Sombras e a Luz – Exposição Fotográfica de Rosa Reis | Jerónimo Belo 2 De outras paragens. e publicada no ano passado por Ricardo Ri. a você cabe descobrir esse mistério de um nome que até hoje ficou na boca do povo. Teta Lando. o destaque vai também para o poeta.Cultura | 23de Julho a 5 de Agosto de 2012 ECO DE ANGOLA | 3 José Luís Mendonça Missão sagrada 1 A grande notícia cultural que trazemos para você nesta edi- ção não está escrita. toda a atenção. que todas as quinzenas leva- mos às suas mãos. A imagís5ca das ilhas. É Literatura angolana traduzida e divulgada na Alemanha dessa exigência de progresso. por se ter revelado como “O céu é o limite” . Esta novidade é aqui disecada pelo nosso cola. uma Angola recons5tuída na costa do pacifico | Simão Souindoula a consistência históricadas múltiplas relações.No tempo de Kaparandanda. da mais alta carga torrencial da emoção das dez ilhas. que nasce de ver a Angola futuris. Vê-se de longe. mas bem ilus. Será a Grécia o berço da Filosofia? | João N’gola Trindade so. autor de Os Sonetos a Orfeu e das Elegias de A crí5ca social de Dog Murras e a minha crí5ca linguís5ca |Luciano Canhanga Duíno. No capítulo das Artes. Para si. um povo reunido debaixo da mes- ECO DE ANGOLA ma bandeira da Paz e da Harmonia. Angolê. faz parte do currículo das uni. O tema de capa é a saudade que nos deixou o autor da canção ‘Reu- nir’.A. no seu entender “conMirma O Choco. obra essa que. ao mesmo tempo.Conferência sobre Língua Portuguesa “algo de inteiramente diferente no panorama da literatura africana em Londres | Kumbi dyá Mbundu de expressão portuguesa”. ou a agridoce sofis5cação de Nás5o Mosquito | José Luís Mendonça trado pelo seu traço límpido como lágrima de chuvisco numa ma. A obra. que bebemos a força e o estímulo par servi-lo com Eró5ca Africana | Lopito Feijóo mais amor e sentido de dever. “Deixa-me Entrar”. Um livro que. conto (Kimbolagoa) | NAVEGAÇÕES le não adiantamos o enredo. Estamos cientes de que o nosso leitor é exigente. mantidas Rainer Maria Rilke: o poeta da «inspiração que se chama e se prende» | Zetho C. tem por tí- tulo “T´chikukuvanda . Ainda nessa secção de Diálogo Intercultural. quando nos aproxima- mos deste objecto de Culto. Angolema”. caro leitor. Uma avaliação da Reforma Educa5va em Angola |Adérito Manuel fer C. e que LETRAS emerge com uma nova obra discoMilmográMica “Deixa-me Entrar”. manifestação de aproximação cultural entre as comunidades da Ilha. Missão Sagrada | José Luís Mendonça co e cameraman de oceanos terrestres. músi. seculares. História de África . | Simão Souindoula versidades do Brasil.No tempo de Kaparandanda”. no sublimado momento de elevação.

dada a sua longe- lhes-á.” Bar- portuguesa. há a inJluência da poesia cam um caminho para a sua europeu. das pedrinhas das pedras do guerreiro rés uma galinha há tempo morto e que lagartos azuis iam a quatro patas quem diria uma galinha só que bosta de elefante não eram pedras . evidentemente. (. mas tu- mas afastou-se dos habituais sendei. (.) O poeta leu muitos poetas chinesa. em edição de 1975. de re- ros da poesia africana de expressão forma. e menos com o conteúdo. de referência estético-formal e ideológica. Angolema Poesia de Arlindo Barbeitos José Luís Mendonça A voz de Arlindo Barbeitos. devido ao “seu universo.. como ele próprio diz. num momento em te: “eu não sou um poeta europeu. Temos africanos e achou que estava correcto. nólogo.. e então aí há muitas. va desaparição do mercado Na introdução à obra. formas culturais africanas alienação. considerada pelo editor Sá da Costa como “algo de inteira- mente diferente no panorama da lite- ratura africana de expressão portu- guesa”. a concentração e den- sidade do verso. Angolê. e muito mais do que se ajude a exprimir aquilo que não é nada possa pensar. Mas esta é a esperança.4 | LETRAS 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura Angola. beitos tentou. o poeta Arlin- do Barbeitos aJirma peremptoriamen. no interior. Servir- pela UEA. Inte. embora se saiba que é quase que recordo do meu passado.” POEMAS 1 e que guerrilheiros antigos iam pisar a sua mina Almas de feiticeiros desaparecidos quem diria 5 repousam de noite nas copas de árvores antigas que o professor cismando não era surdo camarada e que os alunos não iam falar a sua língua a lenha molhou-se nuvens brancas quem diria os fósforos acabaram-se pássaros nocturnos que a moça do Muié e que inda agora era virgem logo já o não é o chima está Jicando frio o hóspede de sandálias de pacaça quem diria aproxima-se do fogo e adormece que inda agora hoje era ontem vem amanheceu almas de feiticeiros desaparecidos só pássaros de vento repousam de noite nas copas de árvores antigas 3 voando sem rota árvore sem sombra não temem a chuva 2 mulher sem sexo amanheceu vento sem poeira quem diria cão sem rabo 6 que inda agora hoje era ontem no dorso e que cacos ao longe não iam ser olhos de bicho 4 do escaravelho bizarro quem diria em meio das ruínas das ruínas o escudo intacto que patos-bravos mergulhando não eram jaca. apareceu. pri- a'irmação literária. e da minha proJissão de et- livreiro. da poesia japonesa. e às vezes saindo mesmo cá nização. o seu grande respeito pela palavra”. morosa. num cero tipo que as jovens gerações bus- posso aprender muita coisa que me de construção. a via livre da sua expressão.. a força do estilo. É um livro que recomendamos para reedição urgente pela UEA. para fora. ANGO- LEMA’ e logo exerceu nos leitores um fascínio desmedido. ferência estético-formal e terrâneas. num momento em que as jo- mos para reedição urgente vens gerações buscam um caminho para a sua aJirmação literária. dada a sua É um livro que recomenda- longeva desaparição do mercado li- vreiro.) São inJluências sub. Mas também muito maior que ressa-me ler a poesia europeia porque a inJluência portuguesa.. eu vivi impossível. Servir- sentia os mesmos anseios que eles. há sub. ANGOLÊ. evidentemente. do isto tem a ver precisamente com a lhes-á. no volume ‘ANGOLA. aqui uma certa aneira artesanal. “criar “uma poesia que tende à harmo- jacentes. no sentido de um terminar da ideológica. de modelar a palavra.

). Rlexões sobre diferentes fases da História de quele "movimento". 1991. em Ikolo e Bengo.I. Cedo blicou-se em Luanda. em 2008 em lim Ocidental. Na capital. principiada em Luanda e prosseguida em ar- Interrompeu. O Rio . onde per. pela Edi- para Luanda. militante do Movimento Anti-Colonialista por Rim em 1998. agora em Ber. fre.E. regressou ao país e foi colocado nholas. De 1961 a 1963. Identidade em Angola. portuguesas. Cidadão. integrado no Protocolo da Presi. mente em Lisboa e em Luanda. A sua como quadro do C. respectiva- Em 1964. angolanas.I.Estó- ropeu e mundial. em Setembro de 1975.Angola/Portugal:des identi- No princípio de 1973. Wolfgang Goethe Universi. pu- Portugal para ingressar na Universidade. 2012. na Angola . Seguiu. chegou a vez de Fiapos de Sonho.). como intérprete de alemão do Dr. présentations de soi et d'autrui. rias do Regresso. em ver- quentou o antigo colégio das Beiras e depois o são um tanto modiRicada da edição em portu- Liceu Salvador Correia. em grou nas Rileiras do MPLA. ainda em forma transRigurada de metáfora poética. tado. cia. para Frankfurt/Main.R (Centro de Instrução Re.E.da luta de libertação. Todos estes livros. aparece o en- taet. italianas.) e ali se tornou N'Zoji. luta contra o colonialismo português. em 1958. as estórias curtas de. de poesia. do desconseguimento se- trabalhou como operário braçal naquele gran.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 LETRAS | 5 ARLINDO BARBEITOS nasceu a 24 de De. Em 1961. tores Angolanos (U. traba- lhou. a for. escapou para Paris. Então. 2007. A 10 de Dezembro de 1975.A. dissertação doutural veio à luz. nesse mesmo ano. brasileiras espa- Em 1971.E. em francês . Numero- 1968. já de volta à Alemanha. dência da República Popular de Angola. De França. vés do U. em versão ori- volucionária) nas zonas libertadas do Moxico. que demorou mais de 6 anos. francesas. alemãs. espelham. etc. tora Kilombe-Lombe. ginal. saída na Holanda em 1974 . eu. começou o tratamento de uma Paris. Em 2005. De imediato. Angolema. Em 1985.. Es- maneceu até o Vordiplom (bachelerato) . Em 1979. Agostinho Neto. quivos portugueses. guinte e da guerra cívil. provido de autorização tés coloniales équivoques. por dois anos. Angolê. da independên- Rep.A. da revolução. gias. o livro de poemas Ango- se converteu em membro da antiga Casa dos la. onde se inte. A tradução para o portu- mação e a actividade docente em Berlim e veio guês foi publicada em Luanda. Leveza do Luar Crescente. iniciou o estudo de Sociologia. na J.A. Federal da Alemanha. 7 Uala Catete Quinga oh terra quente Cunga de beiços de imbondeiro Guimbe e barbas de milho Quindambiri e Uanga-Zanga quantos Rilhos não esmagaste só pra ver ente teus Rinos dedos de algodão o comboio de Malanje chegar houve gente que veio mesmo Catete do Tar oh terra quente de beiços de imbondeiro e barbas de milho 8 só para ver o comboio de Malanje chegar houve gente que veio mesmo de Calumbunze Mazozo Capolo . Historicité des re- superior. para guês-alemão. partiu. em Lisboa foi editado o Na (M. saio de RilosoRia política.C. Fez estudos dos escritores-fundadores da União dos Escri- primários em Catete e Luanda. veio a público Estudantes do Império (C. divulga. re- Setembro de 1961. tornou-se um zembro de 1940. encetou uma sos poemas seus surgiram em diversas antolo- formação em Antropologia. A Sociedade Civil. tuberculose e de outras sequelas de ferimentos Esta tese resultou de uma longa e complexa adquiridos em combate em que participou na investigação. já sob o mando da. atra- de centro económico e Rinanceiro alemão.

principal- no Unido. O segundo objectivo. Minorias Étnicas. Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlan. em 32. nado e concomitante ao primeiro. falou do escritor José Luís Mendonça.” . cultivar o espírito. e organizada por Luísa Ribeiro.Quimbaya A participação de estudantes do ção. isto é. O projecto. Lon. (dos 10 aos 14 anos). centrado no conceito de para crianças. é en- periências com a comunidade escolar. leitura da língua portuguesa. bibliotecas manuais de turma (BMT). Smith Square. nos centros escola- mais alto que a voz dos oito intelectuais presentação da União dos Escritores res do país. ção sobre o projecto de sua iniciativa corajar a produção e a difusão de livros Com o apoio da Comissão Euro. relacio- convidados para partilhar as suas ex. au- Conferência sobre Língua Portuguesa aberta pelo embaixador de Angola no mentar o nível cultural do cidadão e "O céu é o Limite". da do Norte.6 | LETRAS 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura União dos Escritores Angolanos apresenta obras na Conferência “O Céu é o Limite” em Londres Reportagem de Kumbi dyá Mbundu Fotos . em re. alínea c) do Artigo 17 da Convenção so- Consultora e Especialista em Educa. iniciado em Luanda a 2 de Abril de bre os Direitos da Criança. Miguel Neto. aprimorar a capacidade de redacção e sentação da Comissão Europeia no Rei. Português e 1998. aBirmou o escritor. ti- ensino primário e secundário Línguas Estrangeiras. conforme estipulado na peia. realizada na repre. Contou também com a participação mente entre as camadas mais jovens dres. a conferência nha como objectivo “incentivar o gosto da zona escolar de Lambeth na "O céu é o Limite" foi solenemente pela leitura. no passado dia 21 de Junho. Angolanos (UEA) que fez uma prelec. “Ler é Crescer”.

divulgar. al- projectos voltados para a Associação da Mulher Emigrante. tradutor e es. “As If Living Was Like tugueses. escritor ro do Instituto de Educação. Angeliki Petritis. da Língua Portuguesa. com os fundos recebidos de uma he. contaram-se rias de Wyvil e de Vauxhall. e Maria Manuela Aguiar. Mendonça. versidade de Londres. os gas). A conferência teve como jornalismo junto da BBC de Londres. pela Uni. pela Comis. presença de escritores e especialis. e contou com a pre- sença de escritores e espe- cialistas em educação e co- municação. de Cássia do Carmo.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 LETRAS | 7 Mendonça entrega livros à organizadora do encontro José Rodrigues dos Santos com os estudantes José Rodrigues dos Santos. também da Uni. promo- ver e incentivar estudos e professor da Universidade Nova de moção e o melhor conhecimento da colas participantes e à biblioteca da Lisboa. principal- mente no seio das crianças a viver nos países não lusó- fonos. ses não lusófonos. e “The Two Friends” (As Duas Ami- são Europeia. dos e projectos voltados para a pro. pelas mãos do escritor José Luís rança familiar. e os mais novos das escolas primá- pois dedicou o seu tempo a falar so. brasilei. e contou com a inglês. entra- bre a sua experiência de formação em entre os palestrantes. Portuguesa. Rogério Miguel Puga. Ronaldo Mota. do das e pontos de vista sobre os temas foi muito aplaudido pelas crianças Goldsmith College. That” (antologia do conto angolano) promoção e o melhor co- nhecimento da Língua critor. . a saber. principalmente Comissão Europeia em Londres. gus tótulos de obras traduzidas para ram os outros dois especialistas por. no seio das crianças a viver nos paí. ram a cantar em coro. alunos apresentaram as suas dúvi- e jornalista. tas em educação e comunicação. deixou de presente às es- objectivo divulgar. A conferência teve como objectivo A União dos Escritores Angolanos. Daniel Hahn. representou Portugal e versidade de Londres e Ana Souza. fo. Após cada grupo de palestras. promover e incentivar estu.

A seu “fantástico – imaginário”). Na Aldeia Es. pratica o aldeia e a sua deJiciência infantil são comércio. o campo perança. com os alimentos. longo do conto “Ah como a natureza Kanguimbu Ananaz iliba o campo nos invade. tros ilustres escritores da literatura so é Jluente e marcado por aliterações: infantil como Charles Perrault. mãe da jovem Yahula. O “Calpe” é sinal da dinâmica da vi. Luís-Jacob e Guilher- agarra”. a cólera e o VIH. reco- duz um efeito simples e encantador. psicóloga As personagens Tchimuku. portanto. rios. Mate- ciosa afectividade. Encontramos um mundo ser mato. A de Língua Portuguesa. “Olha abelha mãos Grimm. Tchi- *Antónia Manuela Miguelito Domingos e escritora. Educação para a Cidadania. do Meio. pumu. na Faculdade de Regresso de Kambongue”. (esses destacam- “Não vou agarrar ela ferra”. para quem escre- é essencial no sentimento de expressão veu: “o Campo é saúde. A pureza do campo de Cesário Verde. Não sendo rica. o trabalho coopera. o celebre autor mundial da literatura A retórica destinada a crianças pro. diversi- a sua ideologia: os valores da antigui. um enorme que ela decorreu: o Namibe. ensejo convencional para os alunos teis e auditivas). ou- com uma sintaxe própria. podemos descrever zagem activas. ficadas e socializadoras. os meninos tem a da. trabalhando dade clássica. “Eu me lembro”. em Luanda. sobretudo. esta obra um real através das sensações (visuais tác. Mama Kamané. certamente não do seu estereótipo depreciativo de haveria vida“. Yahula. infantil. Sem ela. se por terem feito a sua recolha “in lo- garra ela canta”.” “Eu me lembro”. a gra. tudo vem do campo. suas personagens são modestos cam- ção nítida de sensibilidade deJinida e poneses e lenhadores. mente o princípio de aprendizagem. terário do conto traduz a captação do constituindo. a peda- revelada: a função emotiva. co” no folclore de todos os povos. malária. o seu discur. os in. Nas al- insistência temporal na sexta-feira e a deias. mática. o sarampo. Tecnológica e Ambiental. Nisto se aproxima muito as lavras e Luanda. poética e gogia infantil concretiza mais ampla- moralista da linguagem no discurso li. o ta. significativas. com a interdisciplinaridade: Estudo a crença pela religião. “Olha ci. Tchi- é doutoranda no Curso de Literatura be. possui en- símbolos de um passado modesto nas tretanto uma riqueza imaterial: no origens. e que representa toda a bagagem do interjeições de admiração “Ahmm”. realizarem experiências de aprendi- lar e cantar”. . em vez de reis e rainhas. filho de um sapateiro. as noite do luar. “Não vou agarrar ela ferra”. delicadeza em observar a validade tureza. a “bucólica”. a beleza da na. “O Avô Portuguesa: Investigação e Ensino. lheu os seus contos nas aldeias. 4lores. ça”. a sua serenidade e os seus dos produtos expostos no estabeleci- exemplos de vida são assumidos ao mento comercial. “O rança. tudo isto exalta a sensa. A arena. Também Hans Cristian Andersen. a né. a Cidade doen- imagística de árvores.8 | LETRAS 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura “As Férias de Yahula” Novo conto infantil de Kanguimbo Ananás Antónia Domingos * K anguimbu Ananaz. Letras da Universidade de Coimbra. aldeia sem sinal televisivo. Logo. O conto “AS primeira. ”fazer o senhor galo fa. “Soba Kangueia e Palavra”. me-Carlos Grimm. os Ir- “Olha abelha agarra”. a Mamã kama- inspira-a em toda a sua obra. a higiene. Língua Portuguesa. é autora de várias obras nina e Kanina fruem da alegria na Al- publicadas: “Seios do Deserto”. Física e Moral. nasceu no Nami. FÉRIAS DE YAHULA” é a sua quinta mas com uma grande jovialidade e li- obra. a prevenção das doenças como: a Educação Religiosa. Luanda 14 de Julho de 2012 como um eco da sua infância. seu estabelecimento há um cuidado no. assim. e cantam na noite de luar. “Olha cigarra ela can. bem-estar. a harmonia. sectos – o pirilampo. pelo contrário. O contexto da sua obra nasceu vre da poluição sonora. transportado até ao cotidia. no campo há ligado à sua infância e aos espaços em euforia e. deia Imbondeiro e na Aldeia Espe- Especialização em Literaturas Africanas Sabalo”. tivo. as praias.

e mais “quando o di. tratamento e divulgação formativa. “é bom que essas ciais da Universidade Agostinho Neto das fontes (o princípio do contraditó. preocupação da vida interior. revelações ou factos Sobre o autor vulgação. se cela da editora Mayamba. mas deve ser uma nós mesmos. com certeza. de que. foi o que mas estes com que alguns jornalistas e motivou o docente universitário Ga. ções como estas que o autor não se in- portância de se encarar com serieda. quer pelo obra literária “Ética ProOissional de contexto como pela circuntância. no dia 14 de Junho. ouvindo sempre as partes en. Esta obra vem. p.AVerdadeinfor- cia de casos contínuos lesivos à mora.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 LETRAS | 9 Ética Profissional de Jornalismo de Gabriel Tchingandu O jornalismo tem como vocação máxima o progresso do país Áurio Quicunga A ética e a deontologia. o surgimento de novos órgãos de co. porque se não o no acto do lançamento da obra. editora.AJustiçaeHonraInfor- nómeno que requer uma intervenção mesmo “aqui não se deve criticar fula. com o foco centrado na captação de Como reza o primeiro artigo do Códi.S) ção Social da Faculdade de Ciências mente:Fundamentoseparadigmasde nuaremos a ter problemas. o editor Arlindo em Comunicação Social Institucional municação e adesão às novas tecnolo. por ser um oOí. virtude. provo- ca jornalística em Angola. ness da verdade». E o autor adianta duo que o produz. ao Jornalismo”. vocação estão na área de formação a serem sé- litécnico kangonjo de Angola (ISKA). com a chan. ção. (Tchingandu. realmente “exigir” uma postura infor- bliograOia nacional no ramo das ciên. .nomeada. comunicólogos se deparam aquando briel Tchingandu. é sempre portador Cruz (Itália). saber do dia-a-dia. questionam-se Kunyonga. simbolicamente. quererá o autor. de ajudar. “que. Filmagem. Sociais e estiveram igualmente pre- pios fundamentais para o sentes o decano da Faculdade de Ciên- exercício de um jornalismo cias Sociais. proOissão jornalística. com a nossa presentes a necessidade daqueles que igualmente no Instituto Superior Po- está a fazer jornalismo ou propaganda prestação. foi de dar brir e fotografar muitos outros e dife- Gabriel Tchingandu é natural de nião deve Oicar bem clara perante o pú. car reOlexões através de frases usadas éticadeJornalismo. questões: “Como posso ser moral- ciais. por mais pela Universidade Ponti4ícia de Santa gias. que foi Olivro. A distinção entre notícia e opi. O objectivo da elaboração desta em que o “jornalista procura desco- volvidas. Fotogra4ia e terminado assunto de esfera pública rer fazer o bem. 22) mentos. (Tchingandu. se alguém Isabel defendeu que o livro. assim defendeu Tchingandu pessoal”. por audiovisuais. compromisso fundamental é com a ver. arrematou. cientíOico que seja. que não deve ser só uma questão do coisas agora tenham que ser feitas por por três anos. rios e empenhados. segundo Tchingandu. que foi apresentado na debaterem-se com esta espécie de sala 205 da Faculdade de Ciências So. o factos com rigor e exactidão e interpre. o bom nome. princí. mente íntegro na minha proOissão. 2012. Casimiro. Huambo. por razões meramente económicas poder exercido hoje pela imagem nos tá-los com honestidade. obra. ruinar a vida desta pessoa. responsável da Mayamba mados dos quais os jornalistas angola. nos meandros dos média. te”. do Isabel. que segura uma câmara fotográOica. saco vazio não Oica em pé”. as cadeiras de Retórica e Argumenta- to. e despertar na ralizada e promíscua?” São indaga- classe jornalística e académica a im. alguns jornalistas. em muitos casos. tal informação”. 10). bém nesta área”. a audiência e/ou leitores o que é publicado não passa de uma dade. diminuem drástica ou paulatinamen. numa sociedade desmo- cias da Comunicação. a trazer a lume a do exercer da proOissão.eestá faculdade é uma agência de aquisição chefe do Departamento de Comunica. e que. análise. truir a nossa ciência. na colecção ganho uma miséria?”. “A existên. paradig- tícias de interesse público.OutrasvirtudesJornalísticas. Ética e Deontologia. Social. séria de carácter deontológico en. O seu trabalho pauta-se pela com. nalizarmos e a aOirmarmo-nos tam. p. a verdade se ca. vontade. ou ainda serinformado. no nem sicrano”. certamente. 2012. dado que o seu acaba perdendo credibilidade e.ALiberdadedeinformarede lidade de se fazer o jornalismo é um fe. aprovado em “uma empresa mediática que manipu. um contributo ao bom exercício da rentes pontos da mesma realidade. Talvez reforçando a ideia de go Deontológico (CD). *Escritor e finalista do curso de Comunicação Soial (F. 2012. porque estamos a cons. dos factos susceptíveis de gerarem no.queteveopreâmbulodeSiona forem. E lembrou a todos os ciais da UAN. mativa. ou o que de qualquer coisa da cultura do indiví. de as questões ligadas à ética na práti. a saber “Utilitarista. Faculdade de Letras e Ciências So- a apuração dos factos e confrontação ela fez durante anos. actualmente lecciona rio). fazendo durante anos e. divididoemcincocapítulos. a nos internacio. tais como “o mativa. que facilitam a interatividade e maltratar isso ou desprezar. la” ao que o autor denomina de «busi. Londuimbali. eventos. para melhor compreender e difundir Numa fase em que o país cresce com cio que toca com a honra. O jornalis.contacom113páginas. Comunicação e Opinião Pública na Faculdade de Ciências So- ou o que o torna de carácter privado? mo tem como vocação máxima. p. há dois anos lecciona “O jornalista deve ter em atenção se rer o progresso do país. E deixa claro que imagens. com tudo aquilo que uma pessoa foi No lançamento. quienta em esboçar. conseguinte. ademais: pode-se A obra vem enriquecer a pouca bi. Foi docente da extinta dinâmica na elaboração das matérias. quando é que se está diante de de. Traz estampada na capa uma mão quanto (auto)regulação dos media…” nheiro fala mais alto. Licenciado blico” (Tchingandu.C. e o cuidado a ter no discernimen. pri. obra quatro paradigmas de ética in- lha. Victor Kajibanga e Arlin- objectivo com precisão e verdade. pensar que a universidade ou apresentada por Supriano Dembe. ponta do Iceberg daqueles aconteci- provação dos factos e a sua correcta di. conti. política”. de diploma e não de conquista. pode ar. Dialéctico e Antropológico”. nos e dos demais paises do mundo se Tchingandu apresenta-nos nesta têm confrontado diariamente na reco. mativa ética. jornalistas: “O jornalista deve relatar os jornalísticas e normas deontológicas deixar evidente. que “uma imagem vale por mil pala- 2004 pelas organizações angolanas de la a informação ou abusa das técnicas vras”. 19).

en- herói e. 1981 na Rádio Macau. sobre a arte e a ciência.10 | KINDA DAS LETRAS 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura “A Literatura se alimenta de Literatura. coloridas. com 169 páginas. dos nas trincheiras da Flandres e conta-nos a paixão impossível entre um oYicial português e uma bela francesa. é o segundo rebento Brasil e Dubai. este romance do escritor português chega às kindas das livrarias de Luanda na sua 26º edição. pp 199. Beckett.” Eis o primeiro “golpe” parágrafo ta desde os 17 anos de idade. “Clan- aleatório de lugares. Lançado no Cefojor pela carreira feita em Angola. em plástico. tecido. Moçambique. Nobel de Literatura de 1969. para se virar como jornalista”. com mo escrever diferente em jornalismo. ao faze-lo. mancista. José Rodrigues dos Santos nas- “Madame” Antoni Libera. O livro que vem. professor da Universidade Nova de Lisboa. Com prefácio de Pepetela. 426 pp. “Antes do Quarto”. Caracterizado pela tradutora como um romance em que se reYlectem as aspirações metaliterárias do autor. É crítico literário. prefaciado por Siona Casimiro e apresentado ca. “Dois anos de Vida” chega às kin- mércio. Escreveu também “A Saúde do Mor- metamorfose das cidades e suas consequências. está dividido em três partes e traz também anexos sobre o Acordo de Ética — Angola. nesta edição portuguesa o livro chega às kindas das livrarias de Luanda pela Civilização Editora. o romance “A Filha do Capi. “A Cidade e as Duas Órfãs Malditas” e “Um que o escritor e jornalista Luís Fernando tão simplesmente inti. 169 pp. chega às kindas das livrarias com 199 páginas. de certa forma. Civilização Editora “Madame é um romance de rara beleza literária sobre um riquecido com citações de Shakespeare. É jornalis- a química ainda conhece mal. chumbo. “A Filha do Capitão” José Rodrigues dos Santos. Uíge. Para além de ro- guesa na primeira guerra mundial. Racine. 634 pp. Sebastião Marques Panzo é jornalista há quinze anos. Há lojas muito antigas cheias de mercadorias do tempo das das livrarias de Luanda. membro da União de Escritores da primeira crónica desta fotograYia impressionista com Yina sá. “COMO ESCREVER DIFERENTE? – Dicas para se virar como jornalista” Sebastião Marques. sobre Deus e a condi- ção humana. trabalha como jornalista. município do Muxa- por Manuel Muanza. momentos. Tho- adolescente polaco em busca de maturidade e Madame. gesso. China. ceu em 1964 na cidade de Beira. província do Bengo. Yibra. na Varsóvia comunista do Yinal dos anos Este é o primeiro romance de Antoni Libera. novo. Zimbabwe e Estados Unidos da Améri- Mayamba Editora. ano de Vida”. Mayamba Editora “Em Luanda. entre outros eruditos da literatura. esta é uma narrativa sobre a ami- zade. trampolim to”. traquitanas que se mandam vir à força da Tailândia. ironia elegante e sem reserva. nutrir o suporte bibliográYico na área jornalística. professora de francês. e prefaciado por Teresa Fernandes Swiatkiewicz. Ninguém pode chegar a escritor se não foi um grande leitor” Luandino Vieira “Dois anos de Vida” Luís Fernando. já depois de ter passado pelo Uíge. Antoni descreve ao pormenor e de forma inesquecível os ceu em 1949 e concluiu os seus estudos na Universidade de Var- rasgos. mas também sobre a vida e a morte. vidro e mais uma inYinidade de outras matérias que Luís Fernando nasceu em 1961 em Tomessa. cidade onde nasceu e vive. terra natal do autor. Nasceu em1974 na localidade de Posse. barro. Mayamba Editora Já está à disposição do leitor as respostas às perguntas de co.” Traduzido kett. Angolanos (UEA) desde 2009. sobre o acaso e o destino”. “João Kyomba em Nova Iorque”. tradutor. “Noventa Palavras” é o seu pri- tira. de uma incursão proYícua de Luís Fernando sem Yim previsível. a sua mas Mann. “COMO ESCREVER DIFERENTE? – Dicas luando (Nambuangongo). tenho a sorte de morar numa zona de muito co. “Madame” é en- . proYissão que abraçou em tão” narra-nos a inesquecível aventura de um punhado de solda. Publicado em 2004. Hölderlin. Gradiva “Passado durante a odisseia trágica da participação portu. Lei de Imprensa. tulou por “Dois anos de Vida”. do jornalista Sebastião Marques. Doutorado em ciências da Comunicação e. O escritor nas- 60. verdades permeáveis sobre a meiro livro e data de 1999. Este. agora. Có- digo de Ética e Deontologia ProYissional do Jornalista e Estatuto do Jornalista. as fantasias e as descobertas do seu jovem e exuberante sóvia. Mais do que uma simples história de amor. opiniões e estados de emoção a destinos no Paraíso”. constrói uma caracterização espantosamente cenador e estudante dedicado da obra do Irlandês Samuel Bec- subtil de um espírito livre numa cultura repressora.

a escrever esta resenha num en. Do qual se pórter. comecei uma aven. os Nascido há 31 anos na Caála. mado. um copo generoso de bém falam). e o guitar. tas de fotos e desenhos. lo contra os beijos atómicos da vida? quito. a Biennale di Venezia de 2007.M.praticamente Que o digam os convivas que.” barretes à moda russa. Lá ao fundo. observava. A EXPO tura pelas artes plásticas e perfor.E. sente-se uma espiral de tivo vagabundo com preocupações energizava o corpo de quem. bombo frito. muito “Deixa-me Entrar” ou a agridoce sofisticação de Nástio Mosquito José Luís Mendonça O Actor Principal zine semanal e em seguida como re..oNástioMosquito. Zurara. quasetodasasextravagânciassãoper.)A presença de trabalho terra.depoisdePicasso. chamava-se "Abortion". velope vazio (de um buludo que kau- simseapresentaaopúblicodoséculo O Público lei na zunga. ó Nástio Mos- dasoQisticação?Claroqueé. tudo. e conQirmaram que a aventura tinha va.. sobretudo as um emprego na Televisão Pública de condo. a um Durão Barroso ali exposto com chamado! Mas. cas. ber. noite da passada quinta-feira. The Night Fly.nãoé umcultornato de Julho. realizado . que Neste mundo somos formas xia qualquer. ou quem é? É cabelo afro. na Ouéaquelasduascriançasaliapró. se queres mesmo sa. Assim: ORG. que ilustravam o 1º Congresso Ex- Angola como realizador de um maga. peran. à saída do Benfica por “Deixa-me entrar” nesse ritmo sub- XXI. com a tua voz calibrada de água e pe- reverente. A Música Nástio da Silva Mosquito!” Quemas. E.. eu acreditei e nunca O Homem nunca deixou o instinto ondas e se funde com o sal eterno) mais parei. as montagens surrealis- comaperformance(depoisconsegui) quissângua.S. (. pectáculo “Deixa-me Entrar”. globo. pessoa normal o que é. o es. bonés e altos do Europeu? Sim.A.. nesse meio.” Eu. ças raspadas. Ou é eu a poemar?: dra. tiveram o privilégio de rece. zação da África Submetida ao Merca- O. mil kwanzas)? merso de inQinitas tonalidades acústi- edepoisdoSurrealismo. Saco. pode inferir uma (das inúmeras) lei- “Creio que me podes chamar DZZZZ. Fly. em Luanda. que te. três para casa) e outros kitutes da em Paris. desde rastas a cabe. ve como acto e actor principal o pró. Cucumber Slice. um dia qualquer no fundo do mar. kapuka ou vinho. a cantar temas nascidos do estímu. Huanos de todos os géneros. de âmbar e dongo. ou não? Que o diga Dzzzzura que eu reconhecerei o teu lido a pena. “Deixa-me entrar” onde não fui cha- mitidasnaArte. Nasty. prio Nástio Mosquito. por en.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 ARTES | 11 “ ” M e u n o m e é e u . meu na mais antiga feira de arte do do mais simples ao mais sofisticado tura. to. ou mi. ninguém quer ser inQinito e todos que- O primeiro poema que musicou tre a janela onde o rosto se encaixava.Sobretudoinovador. ali sentado no chão de espuma? seguido de um eu já te avisei. económico-Qinanceiras!” sobre uma mesa. das cavernas: o de colector de frutos prio. Que o digam (pois as imagens tam- projectosondeafotograQiasemisturava dos da mão. Nás. e prometo que eu. a minha mãe chama-me. chapéus. e o de caçador de imagens.A. e como coadju.SM.e os convivas segurando entre os de. = Organi- Gavião. te as amabilíssimas assistentes.. Entretanto em nome pró. vantes um massagista chinês. instrumentos tocam talvez numa galá- tio confessa que decidiu ser “um cria. deitado de uma fome de quem fomos luz e penumbras multidimensionais. e p r o m e to q u e n u n c a v o s vou mentir. com fundo agridoce de tambarino.umtempoonde. iam mances. sempre “Meu nome é eu. rem permanecer até ao inQinito. jinguba torrada.E. me Entrar”. dia 12 ximasdavozguturaldoNástioMosqui. na dimensão das nossas almas. (inspirado no 0inal do DVD “Deixa- dois ou três amigos.acimade ber nas suas almas cacimbadas. no ano de 2011. Eles disseram rista de serviço. pé de moleque (eu comi dois e levei traordinário ORG. BeijinhonoRaboprimeiro. quando o Nástio entra nas que estava Qixe. muito. intruso que és.umartistair.. Zura. e extravagante. António nunca vos vou mentir. “Cantei-o a o DVD “Deixa-me Entrar”..

mas sempre com consciência e racionalidade. Mas era acima de tudo um ser humano com grande sentido de família. e m P a ri s É certo que era um grande artista. . tornaste mais bela a nossa época e digo-to com as emoções ao rubro. o contrário surpreender-nos-ia. E m m a n ue l C o rd e i ro . uma vedeta a tempo inteiro.12 | ARTES 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura TETA LANDO Quatro anos de saudade Pelas tuas obras e criações.

para a aquisição de direitos so- angolano adulado por todos. Os nossos mortos vão compreender então Assim. os angolanos guardarão por contigo. mas sem. acompanhado Quantas estão mesmo na origem da para dedicar a Lemba na circunstância pelo seu governo. a Esperemos que os jovens. Eis porque me apetece vai ter marimba de Malange do Complexo Desportivo de Cidadela. a que sofria debilitado irremediavel. através dos média na. o seu contributo para o de Alberto António TETA LANDO em progresso cultural nacional do nosso Paris. dizer hoje: «Pelas tuas obras e cria. exemplo matéria para reLlexão e para sistência. em Paris N a manhã do dia 14 de Julho de Bem como a sua incontornável ge- 2008. toda a Nação terá um a esperança vai voltar para além de tudo o que ele pôde dar pensamento amigo e fraterno para e eles vão compreender então ao país. de dar. pecíLicos. e mesmo as nossas crianças vão gostar Lim de os dotar de boas condições so. tanto lhes tinha dado em vida. que dava sem con. o con- avó Ximinha até vai chorar ra a sua família. porquê que morreram a)inal Alberto Teta Lando muito tempo na memória. a mais bela homenagem leza. e digo-to com as emoções ao rubro. para encontrar a harmonia onde os restos tinham sido expostos ções. no seu lar os seus antigos camaradas. visionário e sempre te . podem testemunhar que. amigos e nossas mentes. Era esse um dos sonhos des. montanhas de prendas e de guloseimas Domingo vou fazer um funji Prova do amor que manifestavam pa. vamos ter uma só voz Lissões.. porquê que morreram a)inal que nos unia. É certo que era um grande artista. mas também para to. Todos recorda. E de Julho de 2012. ele dava-se a si próprio. não apenas pa. tornaste mais bela a nossa época para um último adeus do público. vamos )icar entre nos nha declarado que “o desaparecimen. Relembro que ele passava o tempo a A sombra da mulemba vai ser a sala mos as palavras pronunciadas solene. silhueta e a voz melodiosa do nosso mente a sua resistência. o modo como poderia assegurar uma As nossas mulheres vão deixar de chorar base social sólida para os artistas. mente pelo Presidente da República tar a ponto de dar o que lhe fazia falta. cial pelas suas acções. e isto para se submeter aos tratamentos porque era um homem honrado. vamos esquecer a guerra nalidades angolanas. Não voltaria com vida ao seu país Ainda que hoje em dia o nosso país natal. o que lhe proporcionava um gran- Os nossos velhos vão gostar altura. Os atributos que lhe eram na sanzala. de novo. E tinha o dom de saber uni-la. . na.” Na assembleia. Autor-compositor e intérprete país. este mensageiro da paz social. oferecer a amizade. Vai ter hungo e quissanje fortemente aplaudida nas instalações sas memórias. a nham sinais de grutas de Ali-Babá. os menos jovens. tendo a doença prolongada de esteja dotado de artistas talentosos. este ciais para os seus pares que queriam grande homem tinha ido para França viver digna e decentemente. de todas as con. ao seu vamos ter uma só voz tistas-compositores que tivessem tempo. adequados para a doença que o consu- Reunir mia. muitos dos seus próximos na ria. A família era para ele tão importan- A sombra da mulemba vai ser a sala Generoso. Esta notícia TETA LANDO ressoam sempre nas abalou não só os familiares. enchiam os olhos e o coração das crian- como fazia aquele velho ra com este digno Lilho do país que ças e adultos que ele amava. em particu. que podemos oferecer-te. José Eduardo dos Santos. desaparecia era alguém muito espe. Essa era a melhor maneira melhor avançar nos seus domínios es- de poder ajudar os outros. amigos Domingo vou fazer um funji os fãs. que encontrava nela a fonte da ener- levou a votos junto dos deputados da gia. trário surpreender-nos-ia. lhe nossa reconstrução? Sei que todas es- prestou uma homenagem nacional tas riquezas Licarão gravadas nas nos. fundos votos. Aliás. tal larmente generoso no dom da sabedo- como eu. pre com consciência e racionalidade. na sanzala. Pois o Artista que tal perda. nunca recuperaremos de como fazia aquele velho ceu com essa perda. tudo o que pudesse ser justo vamos )icar entre nós da terra completado 35 anos de carreira ou aos para o bem dos outros. quantas recordações nos deixou? Eu vou fazer um semba no momento em que. a sua genti. aproveito o momento para salien- mava conhecimento do falecimento tar. ele tinha reLlectido muito sobre LANDO. São estes os meus mais pro. atento. mas foi todo o país que estreme. próximos. de de prazer. Lembro por nos ver todos juntos conversar da a Nação angolana que ele tanto com saudade as festas de família que ele ela vai chorar amou e procurou imortalizar nas suas tão cuidadosamente preparava e que ti- ela vai gostar belíssimas canções. encontrem neste vão sorrir ciais e materiais para a sua auto-sub. E era particu- no meu funji de domingo que atingissem os 60 anos.» Vamos falar de terra Diante de um espaço cheio de perso.como o deve ser para todos nós - na Sanzala. com grande sentido de família. Ao dedicar-lhe esta pági- cionais. o Presidente da República ti. de Angola. próprios fazem-nos falta para sempre. Muitos de nós. no meu funji de domingo to Lísico de TETA LANDO constitui Mas era acima de tudo um ser humano Avó Marica vai gostar uma perda irreparável. reu- Vamos falar de terra Assembleia Nacional Angolana uma ni-la e orientá-la. escolhi este dia para lhe eles vão nos aplaudir prestar homenagem e manifestar a Volvidos estão 4 anos! Neste dia 14 vão nos aplaudir sim minha amizade fraterna e patriótica. uma vedeta a tempo inteiro. nerosidade. bem-estar. sinceridade e humildade. Em do meu funji de domingo intensidade era tão grande que muitos particular as festas de Lim de ano onde não conseguiram conter as lágrimas. na sanzala. E quando se tratava vamos esquecer a guerra Lei que concedia uma pensão aos ar.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 ARTES | 13 Emmanuel Cordeiro. Assim era o nosso TETA de nos ver todos juntos conversar Paris. em nome da amizade sincera te grande artista de coração grande. nas suas carreiras. o povo angolano to..

Samb-Kamuxiba. uma pratica corrente dos >ilhos da rede circunscrita ao Mussulo. SIUDYALA DISSUCA DIKUATAKUMACO KIBWA KABULUMUCA TOLODIBILULA . Um dos últimos mestres foi António Joaquim (Cabetula) que nasceu a 20 de Agosto de 1920 na Ilha do Cabo em Luanda e faleceu aos 84 anos na Mussenda (Boavista). ainda se podia localizar vestígios e alguns vetera- nos desta pratica ritual. passando pela Ilha do Cabo ate ao Cacuaco (Kakwaku) cujos “cérebros e exímios bassulistas eram os da Ilha do Cabo actual Ilha de Luanda”. local que já não existe.14 | ARTES Cultura A Bassula 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Horácio Dá Mesquita A bordar este tema é falar de um passado não muito distante. com tertúlias bastante mufete. aproximadamente. este mestre da Bassula e outros Axiluandas e Bessanganas mais novos exempli>icaram um sem número de kibwas (quedas) e kapangas (chaves). com muitos con- tos fantásticos de factos que se passaram ao longo de muitas décadas deste jogo acrobático e tradicional da co- munidade do litoral de Luanda. Porque há vinte anos. Corimba (Kolimba). deixando um legado que nos dias de hoje foi substituído por hábitos importados. maruvo e vinho. Em vida.

os contendores tinham de demonstrar a Rebita. o novo genro era testa. os trajes peculiares dos ho- as suas técnicas e habilidades. a buas de barril) e navalhas. como ro sogro ou tio da noiva. gar uma multa em quantidade de be. deve-se à colaboração dos funcionários e direcção do KIBWA KAPANGA GONDOKUVUTULAWAMI Museu Nacional de Antropologia. na cerimónia ces. gradualmente alguns aspectos mais do com a Bassula de Kissoco pelo futu. que perpetuar a cultura para usufruto e corresponde ao ditado popular “a ri. de fraternidade Grande. . juntando-se familiares. da sua principal actividade. a pesca. A transformação da Bassula num mente entre os pescadores da Samba desporto de amizade. alvo de evocações e de pre- Em algumas famílias. usando mens e mulheres em diferentes cir- por vezes artefactos como aduelas (tá. sabendo que o resultado do forte aCluxo de elementos seu carácter era apenas recreativo. pessoas pessoal. gerações. Apesar de a aculturação ser um pro- bidas e alguns quitutes) e a simulação cesso inevitável. vados. que apesar da manutenção tiva. no fundo.: este trabalho. sobretudo das vindouras e em a aprendizagem desta “arte marcial” a sua coesão social”. a verdadeira luta desportiva e recrea. diluiu e estatizou ração dos funcioná- defesa pessoal em caso de conClitos a Bassula. pode ser reactivado e realiza- da mesma origem linhageira para for. deve-se à colabo- riam de enfrentar na vida social e na mica sócio-cultural. como as técnicas e manu- A Bassula de Jinvunda era violenta e seamento dos instrumentos de pesca. desenvolvido para determinados desaCios que te. próprio da dinâ. Obs. da Ilha do Cabo e da Samba e de preparação Císica para a defesa Pequena que eram. ciedade Axiluanda. amigos. em 1990. desenvolvido em 1990. onde os pescadores eram preparados elementos exógenos na cultura e so. exuberância da Bessa Ngana. contemplação das gerações presen- UANGUIBANA KIBWA UANGUIBANA KIBWA Obs. rios e direcção do com os rivais ou vizinhos. metido ao esquecimento pela não Museu Nacional de A Bassula de Kissoco (amizade) era transmissão dos seus valores às novas Antropologia.: este trabalho.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 ARTES | 15 O verão era o período propício para queza e a alegria do homem africano é tes. A Bassula realizava-se particular. a cultura Axiluanda tem perdido de casamento. assim A Bassula de Carnaval eram lutas de como as cerimónias de transcendên- bairros. o encanto. signiCicativos da sua identidade. os valores da cultura da derrota. pessoas de conCiança e praticando-se associada a crenças em torno do mar e em ocasiões reservadas. Hoje o aCluxo de particular dos futuros Axiluandas. cunstâncias e momentos. de Luanda. do periodicamente como forma de talecer a amizade e a fraternidade. o exógenos e da miscigenação cultural genro Cingia não ser bom lutador para que caracterizam hoje os povos da Ilha não faltar ao respeito (passível de pa. à Kianda. os conClitos eram violentos cia dos defuntos (óbitos e ritos de viu- quando grupos rivais se cruzassem vez) mantêm-se e devem ser preser- pela cidade. um desporto de amizade re. Axiluanda.

participou no em Atenas. meiro desNile (salão) de moda da Vicky Muzadi junta às casas que África Central. André Jeman. cujo objetivo foi o de constrói para o público vestir. formou-se desde o Ninal de 2005. Camarões e Vicky Catarina Muzadi realizou o Angola. retoques Ninais (petite-main) e aca. área que domina patrocinadas pelo dista. a quitecto. Nicou ciente das di. pública Centro-africana. mente convidada para importantes do. Tendo-se instalando em Luanda. o construtor que dese. em Junho deste ano. que Associação dos Criadores da África concebe a ideia num design original. Alphadi do Ni- depois vem o costureiro fazer o cor. pautado pela simpli. Vicky Muzadi cidade do desenho lunda-tchokwe. Ministério da Cultura do Gabão e de- nha o corte e determina o tipo de signers de renome africanos. E Sow Ardo do Senegal. ger. na escola ESMOD Moda Luanda e no Angola Fashion VELOUDAKIS (1988). Central para além de actividades na Aproxima-se deste desenho a mo. inicia o pri- bamentos. procede-se aos outros. O estilo cionais. Foi sucessiva- moderno. Há um ar. Nasci. muito original. o estilista. Cole materiais (tecidos) adequados. No seio da Associação. Grécia. estrutura.16| ARTES 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura Vicky Muzadi na vanguarda da moda com desenhos lundas Kumbi dyá Mbundu A roupa de vestir constrói-se Niculdades em tender os estilistas e como uma casa. eventos em alguns países como Re. designers. incentivar o intercâmbio en- que a deNine é um misto de design tre artistas da região. da a 26 de Março de 1970. mate. seu país. Por Nim. no 24 anos no Gabão. como a ráNia. assimétrico. ou seja. . seu primeiro desNile em 1992. Por isso criou em 1998. dos Camarões e te e o molde. Tendo vivido Week 2011 e. promover e divulgar os trajes tradi- riais da terra. LABO ETHNIK de Paris.

Quando se escrever a história das Miguel Zénon é um saxofonista de artes plásticas em Angola. Nesse cenário de intimida- da ao companheiro de muitas e lon. onde pontua o notável “noite americana”. é um eixo duto do Jazz. cas. Sala Luanda. 6 no e do instrumento de sopro e ouvi- de Agosto de 1957 . combo. todo o Jazz. Se o Jazz fosse só Miguel Zenón dernista que cai de cima ou sobe Quartet. no âm. dios. A galeria Humbihumbi que criou e No entanto. Imagens como es. Em imagens fotográfi. membro de uma geração pioneira Claro que ele toca de uma forma que fez uma revelação militante. tas de Rosa Reis sabem do olhar mo. imagens que de entradas livres. moderna. Entretanto. Por. à frente de um Quarte- periências de limite. Miguel Zenón . alatinados. o espanto dos Maianga. organização no espaço de um Será um evento de portas abertas. em Luanda. É sabido que os boppers são que. com o som.. o jazz vive na to de luxo. sorvido. e sobre Rosa Reis. que vem demonstrando Amaral será um nome decisivo no a insuspeitada vitalidade do "Be- capítulo da divulgação e crítica. sons. amerín- plásticas. depois de Viteix. Tirso Porto Rico.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 ARTES | 17 JAZZ: As Sombras e a Luz – Exposição Fotográfica de Rosa Reis fotograia jazzy: uma arte de circunstância De 23 de Julho a 10 de Agosto (Segunda a Sexta-Feira) Centro Cultural Português – Luanda Jerónimo Belo A exposição de Rosa Reis. no branco e preto de todas as ex. desde sempre extraordinários exe- mente o mais persistente e activo cutantes e Zenón não é excepção. 13 de Junho de 2002). foi segura. Zenón é um pro- crifício e empenhamento.Luanda... na mos a toada ausente. Miguel Zenón vai apresentar-se aqui fica a opinião de Maria do Car. mas usam. aqui e ali. nos dias 20 (sexta) e 21 mo Serén: ". evoluído do "Bop". no Hotel Trópico. onde o foco de luz pianista venezuelano Luis Perdomo. nos últimos 50 anos. de. tragédia. os momentos suspensos da foto- gas sessões de divulgação do Jazz grafia edificam quimeras do huma- entre nós: Tirso Amaral (Lubango.". mais que um produto manteve até à morte com tanto sa. um "neo-bop" com sabo- apaixonada e continuada das artes res do Caribe. que se fez central do seu longo currículo. bop". do fotógrafo-predador inventa os Hans Glawischnig ( contrabaixo) e palcos minuciosamente definidos Henry Cole ( bateria) completam o pela iluminação. o bito da 28ª edição de "Jazz no calor expressionismo duro do esforço e da da Noite" é respeitosamente dedica. fluxo domado.. não necessitam de legenda. (sábado) de Julho. já seria um mundo.

na não procura culpada… por isso. ma- crentes(?). como também é co. de Murras) pela rica criação musical que vendedores de banha de cobra. Por aquilo que conheço do Dog E o Pastor Murras aFirma que “Vim Murras. não deixo de fazer-lhe o me- com determinadas conFissões religio. deixa os ndengue dar o show… também de pé. em primeira ins. Você sujaste quem vai despejar da”. ra o cuidado a ter em conta ante o surgi. enfoca questões como a or. “Os de Starlete estacionam à es. no ensino formal. ria salutar que o nosso Murras Power Ela é usada. cal. Ela é usada.Xé meu amigo. das) pagam dízimos em Dólares. Os de Toyota Starlet pagam dízimos atendendo a audiência que ele tem de .Você já morreste só que ainda não Murras Power. por isso. de aprender um “bom português”. kota. lo. também com bastante lisura gramati- mas também educativa. julgo que todas essas broncas te- Só vai entrar quem me pagar bem… nham sido propositadas. tua hora já che- mas também educativa. para que despertemos as mentes e Este exercício visa. porco não foge fare- na publicidade e noutros querda e sentam-se também à esquer. zes. que andam a pé. todos desejosos facilitam a aprendizagem e (que usam Jeeps de grandes cilindra. o Murras deixa de observar a con- valores fundamentais que devem nor.18 | ARTES 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura A crítica social de Dog Murras e a minha crítica linguística Luciano Canhanga A música é um dos meios que em Kwanzas e os que estão à direita kandengues a kotas. no nosso país. “São os pobres”. cabeça reage… A música é um dos meios dem de estacionamento e de acesso . linguagem repleta de metáfora mas não só para exercer a função lúdica EFicaz no seu olhar e na sua crítica. Murras Power desperta os incautos pa.Se acredita. vão nos transmitisse a sábia crítica numa na publicidade e noutros domínios limpar o templo do Senhor”.Você tem fogo juadice e muita aos assentos numa suposta igreja em pressa. crença no além. Fica calma. recido reparo. Os de Carrão (Jeep) estacionam à água? Você ganha lá juízo e aguenta domínios não só para direita e obedecem à mesma ordem teu prejuízo… exercer a função lúdica dentro do templo. melhoremos o nosso “linguajar”. faz uma crítica social ao que se passa Porém. . se- retenção de conhecimentos. cedo ou tarde vai que facilitam a aprendi- que ele é “o Pastor Murras” e vai dando chegar tua factura… zagem e retenção de co- receitas para cada um dos problemas . se tocaste porque a jibóia mesmo sem nhecido. Entretanto. sen. com quem já falei várias ve- cobrar vossa entrada lá nos Céus. no ensino formal. quando na busca de ri- sas mais taxadas ao dízimo do que aos ma. cordância verbal nas estrofes que se tear o homem em sociedade justa e à seguem. tância. felicitar o Murtala Bravo (Dog mento. cada vez mais. que lhe são apresentados pelos aFlitos rada mas se se amarraste no lixo. ao passo que os que . .A boa cabra come onde está amar- nhecimentos. chegaram a pé são acomodados (?) gou. do que os pobres.

o assunto tem que as- tores. em respeito. sem exigido uma avultada quantia por ca. em geral. com quem o jovem ar. às suas criações e que cada uma delas olhar a meios para atingir os seus Rins dosmaisdiversossectoresdanossaso. já que o Rinado músico não dei. mente. Y. Yuri da ra também deveriam ter dos privados Finalmente. autorização dos intérpretes ou dos hipótese”. etc. ceira muitos criadores. encontrando meios Barros. com danos morais e discurso fundador da formulação dou. devida compensação. outra excepção e sempre com a prévia Em tempos. Ringem. têm em pagar os direitos devidos aos pregos e rendimentos familiares ime- de Carlos Burity. nada nobres e inconfessáveis. não pode "icar in. na passada segun- piritual angolano”. não grupo-alvo da sua pertinente epístola: reitos intramuros.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 GRAFITOS NA ALMA | 19 O direito de aguilhão dos autores angolanos Norberto Costa Ponto prévio: Não contávamos vol. o que conRigura muitos usuários. uma pa- porque. trabalho artístico e criativo. o intelectual. nem conformado. pecuniários atinentes ao autor e/ou trinária da Política Cultural Nacional polémica actual. que exploram a sua criação artística) a sumir total prioridade na gestão quo- assunto. cuja “alma” têm procurado cantar apanhado de chofre em meio a uma fé e uma rematada negligência e uma ção que se ocupa do dossier é a SADIA. cobrança dos direitos devidos aos au- dos direitos autorais continua na or. acautelado sempre com a autorização discotecas. Luzia Patrício ao . segundo consta. dada a indigên. antes votados tecto e jornalista guineense João de prévia dos visados. da Cunha deveria limitar-se tando que “deveria ser instituído um riqueza espiritual condensada no respeito pelos direitos autorais dos ao seu vasto reportório. tou a música de Man Ré. trariamente a muitos músicos e ban. uma leitora do “JA”. Assim.avelhamakadosdireitos que é incompatível com esse tipo de instituições do Estado os protegem e propósitos. ral. acrescen. arqui. telectual dos criadores angolanos. pelo que julgamos tos e se organizasse inclusivamente familiares directos. nomeadamente a tar ao assunto tão cedo . pelo antigo director da ex. a herdeira é a lavra haverá a dizer em relação à SA- mãe. David Zé. ceramis. deiro autor da letra e muitas das vezes juntos dos autores ou seus represen. dústria cultural em que se escora o lú- alheias. do foco de qualquer bairro Popular. Urbano de Castro e criam pode ser legalmente protegido. mais do que nunca. Yuri da Cunha é tostão. con.como lia e conseguiu o seu “agreement”. que sendo um músico de créditos Rir. os nomes dos com. já músico fez anteriormente a este mem. Outros tantos desconhecimento da legislação apli. escritores. que deveria ser cas. contra os milhares ainda que não seja a contento. nos. ciedade. Quanto a este último músico Ela insiste que “muitos deles não sa. ainda tão. guido na primeira aproximação que o mas é urgente esclarecê-los sobre o tores ou seus legítimos herdeiros. nas mais varia- nove faixas musicais do falecido Artur de dólares que obtêm das vendas dos organismo legalmente responsável das pistas das sete partidas do mundo. Richa técnica dos seus CD. A polémica estalou porque um discos e dvds produzidos a partir da pela gestão colectiva dos referidos di. no fundo. imorredoiro Rilão do imaginário que músicos. senão real- dos anos 80 lançou no Hotel Mundial. e herdeiros legítimos. Yuri da Cunha proteger as criações e os direitos que refrões. nossos criadores devem sentir que as que enroupados sob os mais torpes Naverdade. pintores. que desde em Rinais rais. a preser. Neste particular. sem que para tal tenham me. televisões. e quiçá inventores. Nestes termos. nascido em “Santana e pedido na Igre. públicos e privados. Alertava. debates sobre o assunto”.” tidiana da agenda da gestão da vida merosapreciadoresdaarte. segun. Entretanto. sendo a Riel depositária a ir. numa palavra. “a mulher tem lidade circundante. autores pelo consumo das suas músi. No fundo. no bro do famoso “trio da saudade”. positores. – do São Paulo(?) ou violados de forma contumaz por di- cio-cultural angolana. a valorização da cional. vação da originalidade de Artur Nu. mesmos moldes do que provocou a que se divulgassem mais esses direi. preocupada com a mentação antiga. nos primórdios da independência na. a quem é tributada Finalmente.quersejamcriadores. em questão. sendo isso verdadeiro. matéria da defesa da propriedade in- do argumenta em sua defesa. Nunes.escri. bem como da relutância que bém garante o retorno do investimen- rem nos seus CDs. defendida no também projecta um novo disco nos têm”. controvérsia vã. buates. sendo certo que a in- Intérpretes há que cantam músicas das que cantam as músicas de outros longe de ser cumprido. sendo o sentar fora de portas. incluindo a instru. DIA que se deve empenhar mais na xou Rilhos. longe e de perto. para além da geração de em- positores. pintores. cumprirem com as suas obrigações seiam nos últimos tempos. recido o consentimento dos criadores tre nós. nem sequer citam os compositores na cável. por ter feito um disco com gravosa omissão. tas e teatristas. pois pedindo violações como a protagoni- dizia Bestujev Lada. o que revela uma manifesta má Actualmente. sem dar cavaco a quem quer dos autores angolanos. então. tal desiderato parece cultural do país. e retratar pelo país adentro e repre- polémica. a todas as luzes. como fez questão de sublinhar co. importa destacar que o à mendicidade). que reinterpre- diferente. diatos (tirando potencial. para proverem-se a si e aos seus entes ta as musicas dos autores que compu. nem sequer desembolsam um tantes legais. gestão colectiva dos direitos dos dis- mã mais velha de Artur Nunes. por exemplo. nas rádios. o disco Angola Ritmo. contrariamente ao tem dos organismos estatais (e já ago.” neense Tabanka Jazz. artistas plásticos. músicos. da indigência material e Rinan- com o concurso do empresário. também passa pelo respeito devido ao res culturais e investigadores sociais. observando ainda que ”era bom seja em Angola. inclui além de si. na classe dos músicos. quando não dos usuários na matéria não os iliba de experiencias na matéria não escas- te seu CD de estreia. então editado em pagam uma módica quantia ao verda. de sou da intenção.nomeadamenteartistas. dico e a fruição do prazer estético tam- de e a honestidade intelectual de cita. Santa tintos autores angolanos. com a rea. sobretudo Portugal. apostados em divulgar a realidade só. “Temos numerosos criadores no país. im- dem do dia. que reza o mentideiro local. libertando-se assim. vel – o direito moral. Uma rara excepção é o caso uma grave violação dos direitos mo. sem doautorcontinuaamobilizaraatenção silêncio do barulho. bem como o desconhecimento queridos. A nossa moradora do direito de aguilhão dos seus autores. escrito- tista negociou a empreitada musical res. Mas.juristasedemaisinteressadosno Cunha consultou previamente a famí. a pretensa homenagem. Esta é uma ques. um dos criadores e de todos os angola- Mais recentemente. incontornável.a velha maka parece que tal feito tenha sido conse. Os exemplos abundam e as serem as músicas por si incluídas nes. respectivos direitos dos compositores A história parece ter-se recomposto. sejam com- Manuel Nunes. em ge- (seu) mais recente rebento discográRi. a institui. o os artistas. que só atrapalha o do Neves Bendinha? – refere que “Os versos piratas em terra Rirme. não deverá passar ao largo do mados. inclusive a sua vertente inaliená. lamentando que não se pas. sem que tenham a hombrida. bem que há mecanismos legais para muito jeito”. herdeiros. onde ci. incluindo pesquisado. A bem de cada tinta revista “África Notícias”. artistas. papel da propriedade intelectual. como reza um dos seus A muito sonhada proRissionalização ja de Santo António”. Bem haja! Amén!!! parente próximo de Artur Nunes teria inspiração criativa de outrem. em todo inspirado em letras do “es. que muitos deles desconhecem que o que zada pelo agrupamento musical gui- sentido mais moral. as mais das vezes. que para tanto sejam acautelados os da música cantada por Yuri da Cunha. “Yuri da Cunha canta Artur Nunes”. restauranrtes. nes. da feira (3/6/12). to feito. cia da cultura dos direitos do autor en. salvo uma ou prémio para criadores e inventores. em Angola. chegou a colocar-se essa enforma a arte e cultura angolanas.

Nesta lógica da visão. as suas origens senhora respondeu na Barra do gem – eh! eu agora não como mais ba. sajustada na realidade angolana bre a Reforma Educativa em Angola nho e será proveitoso. la o indizível – o que não podemos evi. Nem tar. A essa hora a noite. ser da tensão alta. lo. porque con.. repetidas. Como investigação leitura que Uizemos de artigos sobre a fase experimental da implementação problema da inadaptação de alguns implica recursos e não nos parece que monodocência publicados em jornais. no âmbito do nosso exercício sos previstos se disponibilizem. dou. ver com as próprias línguas e não são grande. . ouviu a voz de uma senhora. lhe pareceu ser do Lubango e constitua uma capa muito geral. neutraliza o reservatório de imagens E assim. não é concomitante te. nestes domínios. ler feliz e assinar o seu texto do con- discurso social com base num diálogo amigo concentrado. produz aproxi. o que- tábuas de cálculos e reguladora de ca. deiro desafio à hegemonia. sua companheira quarto do Hotel Fénix – Tuela. pois o indizível não se ouve. as grandezas acompanha e apoia. (Isaac Paxe). gumas questões da Reforma. outro aborda o ca da actual REA. E ainda Marc ros. mesmo tura dos vários tipo de leitores. entre as Gostaríamos de fazer parte de uma de cidadania. existe «inte.De entre os passagei. preferimos. um faz mo. nava.. O quase a chegar!.. Oko!. desde a cidade municipal amigo terminava. etc. simultaneamente. Aka!. superior está melhor agora. equipa de investigadores cujo propó- ciamento do Senhor Ministro da Edu. pectos exteriores se diversiUicam e po- dos os dias. Ele... sentenciou o se na escuta e constrói um código ao meu amigo.” Em É ela. compara. acessibilidades. amigo ao seu querido amigo – a se. fundem opinião com análise objectiva sito fosse fazer uma avaliação cientíUi- cação no Espaço Público da TPA e pela tivamente ao que funcionou antes da dos factos (Filipe Zau). se no plano cultural. sem pintinhas!.. haja qualquer projecto público neste haver algumas diUiculdades e. que. no quem dita as regras reais da casa. Reforma educativa em Angola Adérito Manuel P or se tratar de um assunto do-se num estudo cuja metodologia matéria. O bendito Suku Yetu de to. dem. é discursiva. que viu. ciente. critica aqueles que não têm sido ob. A sua hegemonia situa. somos levados não explicou. im. (Durkeim). a ordenadora de números. o meu Stephane Sarkany. formaçõesexpressivas auto-suUicien- ponderável. embora tenha reconhecido provação. Neto) e.. funcionam também tendências hege. Compõe-se de sis- sente e se apodera e se transforma. Todavia. de escrevi- Literatura’. assim. inclusive entrar em conUlito. O por base o discurso social. afinal pagam !?. Afinal aqui se go de manhã – comia sempre uma ou racção generalizada» e acrescenta que.a ponte é assim!. de conformidade com o seu amigo. devia–se ao (os meios de comunicação social. dizia: “podemos descrever o Uma avaliação da mentos cada vez mas numerosos. tradiscurso. gar a Luanda pela primeira vez. o discurso social. riu que o Subsistema de Ensino não quais a monodocência. (REA). ouvindo tudo . contribui par reuniUicar o campo de lei. e as. para passar na pon- mais bananas. de de Marc Angenot e Regine Robin: são Benguela a Luanda e vice-versa. neste Jornal. basean. a outra conUidenciou a sua companheira de via. tanto se serem mais delicadas e as vezes mais esta interacção discursiva. não têm nada a Kwanza. o meu co. vamente ou por alusão. nas tes. entre outros docentes e acções que estão a ser leva. caracte- quem viaja. E o meu marido me dava a descompartimentação através da es. A natureza é para os olhos de de lugares-comuns efémeros. como acima dizia o meu Enquanto a sua cara metade resso- salmente larga a massa. na mesa de leitu. como o afasta e o substitui. qual os locutores se referem expressi- do. È res é que comandam tudo. da REA porque tinha.. escritas. mas que não são impermeá. quando o marido é que trabalha e men. Segundo o colarização e da formação extra-escolar com uma classe ou grupo.. mente às consciências individuais» paga? Os “carro”. Deve mónicas. problemas... queria che. Tomando facto de. pelo Angenot: “Embora o discurso social sotaque. não sei como vai ser!. é nana. e o rio também. na obra ‘Teoria da mações. tudo é possível. um verda- comentário do meu amigo. lhe opõe após o ter tornado cons- sensíveis – as mulheres na vida dos la. por últi. entrecruza. A eUicácia deste discurso imprime- viagens. de viagem. motivados pelo pronun. bate tuc-tuc e bate muito. nhora do Lubango. sim agora estamos aonde?.) estrato social. por parte do Ministério da Educação O primeiro fez uma avaliação positi.20 |GRAFITOS NA ALMA | Cultura Das mãos do Altíssimo 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 O indizível ESCREVILENDO Frederico Ningi Durante a viagem de autocarro. os seus ra. um elevado índice de re. sentido. o receptáculo de segredos e rísticos de uma constelação espaço- de maravilhas indescritíveis das mãos temporal da sociedade global cujos as- do Altíssimo. às duas horas da matina. estamos ração.. rido amigo do meu amigo: o discurso dências que tocam o universo que se social é o que se diz. hegemó- construindo para si uma Uísica e uma nicos de vestígios de outros sistemas de química de ambiências que sempre se valores herdados do passado e de de- consolidam no corpus do divino. polémico ou não conforme. mostrou-se convencido um retrato histórico sobre as REA e cência foi implementada de forma de- a escrever algumas linhas so. que lemos em jornais. veis. o que não Uluxo do discurso hegemónico contro.. inferidos de modelos linguísticos. superar as deUiciências da monodo. Refe. asseverou: “como Bakhtine defen. ou com um existe um contradiscurso. que esse processo está no bom cami. antes pelo contrário. mitem distinguir subconjuntos onde ou os seus corolários. caso os recur. Eu gostava muito. discurso social funciona «exterior. o meu rasgos de uma torrente de palavras pro- querido amigo Uicou maravilhado com o nunciadas. jectivos na avaliação que fazem de al. temas de valores enunciados. porque quando como. um que considera que a monodo- sempre actual. das a cabo no Namibe no sentido de em particular e o Executivo em geral va da REA. Relativamente aos artigos sobre a cência (Agostinho S. ouvidas. antes pelo contrário . a mulher é ou de expressividade dos escritores. aspectos exteriores diversiUicados per. da grossa .. ansiosa. silenciosamente observan.” E o do Lobito.

terior sistema. sobre a REA com previsão Minanceira. gordar as estatísticas e diMicultar o en. em primeiro lugar. se cantilização do Sistema de Ensino e danças curriculares e dos conteúdos reunidos os recursos humanos. desde que sejam especialis- dio ou pré-universitário não foi um be. estão preparadas para as leccionar. ção e enquadramento dos professo. Pode haver. É muito fácil dizer que ra que os nossos Milhos tenham uma ções frequentes das aulas. ter sequer uma nota positiva no pre. o aumento da quali. Kz. em que os problemas da educa. (previram-se até 35 estudantes sem não dominam suMicientemente opera. São duas áreas que O diagnóstico de 1985 colaridade e existirem classes em que equivocar as pessoas. não havia escola de qualidade. Havia necessidade da actual tiam-se socialmente mais valorizados projecto muito mais bem direcciona- das em virtude do Acordo de Bicesse. actualmente em algumas instituições concretizar). lonialistas. entanto. REA? Às vezes. cadeiras de educação musical e de alguns níveis. porque. reclamam que só ser um factor chave para uma educa. competências porque os estudantes e necessariamente. Ainda va. serve para en. no contas à vida. donadas. assistiu-se bre as suas fases. tenham sido feitos com propósitos co- que se formou depois deste período. Minan. Não podemos andar com saudosis- to diferente do actual período que vi. as escolas mos ao extremo de. monodocência. como é óbvio. não se pode pensar num desen. instituições de Ensino com possibili. a mer. Isto só o efeito. Em função disso.). a REA será mais eMi- ra atender a migração forçada. sino de qualidade. em condições de se adaptar às mu. Dizer que estamos melhor. dadas as mudanças ocorri. vel que isto venha a promover menos O aumento do salário não implica. até mos de outras épocas que. se mobilizem e estejam conscientes data. ção. nenhum ob. Os testes de admissão em que temos vel. introduzidos. É possí. desde que continuam mal equipadas em termos mais de mil candidatos. INE e no Magistério Primário esteja necessidade de se implementar a ac. çamos que há alguns aspectos positi- zado pelos princípios do mercado. biblio- veriMica na geração que começou os tivo e de outras entidades nacionais e muito mais animadores. do relativamente ao actual. há pelo menos dois problemas cru- dades. gogicamente e com uma dimensão vos como algumas modiMicações curri- pois algumas funções do Estado foram sistência perante um projecto que en. colocar no centro das preocupações a outros factores por enumerar. texto político. a participação dos ISCEDs e do INIDE. em termos de educação. tual REA enquanto não estivessem ciente e eMicaz se. só por. Têm pouca literacia e de realizar um estudo cientíMico sobre maioria da geração pós-independên. estavam longe dos actuais salá. não nos pa. 1991. Ainda não conversamos com um cinco mil) de salário mínimo ainda é que têm os seus Milhos a estudar nas ção da Democracia representativa). para que todos os actores seus estudos primários a partir dessa internacionais. volta do ano 2000. propomos que investiga- três níveis até a 8ª classe e o máximo mos a tempo de rectiMicar o que está estado a participar nas instituições de dores interessados em fenómenos an- de 4 anos para completar o ensino mé. diz quem não conhece suMicientemen. para a fase experimental da REA por canismos de recrutamento. EnMim. teúdos programáticos. Finalmente. surgiu para aumentar o seu nada pou. a educação parecia ser um Até 1991. mente tenha sido um avanço. soas que dão aulas neste nível e não tema de Educação foi feito num con. Chega. humana considerável. económico e social mui. O Executivo nacionais e internacionais. não parecem clara a política de recrutamento e res ou outras pessoas com quem lida- ção marxista começaram a ser aban. 35.000. ensino superior demonstram que a golanos. devia ter sido feito autodidactismo ou por meio de uma já está mesmo partido. de preferência que tenha cia estudou. um novo estudo com uma equipa in. Achamos irrealista a tão propalada Proposta &inal do quão necessário será trabalhar pa- ção se agudizaram como as paralisa. professores está desenhado para o an- que condicionará o nosso futuro. alguém que tenha sido formado no Do nosso ponto de vista. não dizem claramente em docentes que não fazem o mínimo pa. REA? como formadores do “homem-novo”. do. o docente que esteja satisfeito com a pouco para o custo de vida em Luan. provavelmente dantes de há 10 anos atrás. a corrup. ainda que vemos. Fazemos parte de uma geração classes de exame. falta de salas correspondentes pa. processo. de laboratórios. os pais se vão preocupar mais com as dade de vida. Alguns vão dando cartas haver recursos disponíveis para o ções básicas de matemática. Para tal. ção que exige quadros competentes tual REA é negativo. promoção dos docentes e esse pode mos são vítimas dos nossos actos. pensamos. . aumentar os anos de es. com o retorno ao con. infelizmente. estar suMicientemente informados so. em termos de divisão e quanto país. A implementação da REA não teve cada ano os nossos estudantes estão tas sérios. ra merecer tal valor. Não podemos retornar a nando insuMiciente e. monodocência porque algumas pes- O diagnóstico de 1985 do nosso Sis. É possível. devido investimento. O nosso sistema de formação de relação a uma dimensão da vida social nóstico dos anos 80. o professor passou a ser desvalori. que a taxa de aprovados é mais alta. errado como se está a fazer no Nami. Muitos docentes.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 GRAFITOS NA ALMA | 21 apresentar o nosso ponto de vista com achamos que o tão mencionado diag. deve apresentar um projecto credível tenham sido alunos aplicados e não te. Foi nesse Sistema que a suMiciente diagnóstico demográMico cada vez piores. formem uma equipa capaz problema. embora se deva reconhecer que há tisfeitas com os resultados da actual e. do século passa. ciais para o Iº Ciclo: a introdução das volvimento humano sem educação.00 (trinta e mos que se perguntasse às pessoas nosso Sistema Político (com a introdu. em termos numéricos. é o que se devido a outras prioridades do Execu. parecia estar insuMicientemente te a realidade do nosso Sistema de En. pensam ser ambicioso. num teste com que se estenda até 2015. Em função disso. é educação Mísica. nham caído nos vícios que surgiram formáticas porque ainda não se fez o sente ano lectivo! Se aplicado a estu. como outros Na altura da implementação da dades de se superarem por meio do algo que já foi retirado porque o copo proMissionais. o mesmo dos equipamentos (desde o número to. bibliotecas e salas in. Continua pouco problemas quando os nossos familia- ideológicas do então Estado com voca. en. actualizado quando se decidiu passar sino (pelo menos de Luanda) e os me. teste talvez oferecesse resultados de salas de aulas. Não são muitos culares e de conteúdos introduzidos. só sentimos na pele os Mlito armado. rece que introduzir mais classes em res. Gostaría- que afectaram de forma signiMicativa o Actualmente. laboratórios. Assim. de tidades do Ministério da Educação os estudantes que estão nas nossas Não nos adianta chorar sobre o leite modo que o salário nominal se foi tor. tal como já expri. escolas públicas deste país se estão sa- surgimento da economia de mercado REA: não se sentem como parte do da. sendo transferidas para o mercado. embora reconhe- no. cientiMicamente vocacionados peda. etc. mas sen. miram neste Jornal várias personali. dos recursos humanos necessários e depois de 1991. promo. O pior que se tem vis. muitas das construções que este processo melhorou os con. O balanço geral que fazemos da ac- a uma degradação do Sistema de Ensi. viu-se obrigado a fazer REA. melhorá-lo o máximo possí- O subsistema de Ensino com os seus terdisciplinar para o efeito. derramado. rios. co trabalho. na maioria. julgamos ter sido uma aventura para a os estudantes transitam automatica. ainda que se recorra a ceiros e materiais mínimos para o digniMicação dos docentes. a actual REA. tecas. formação básica de Mim-de-semana. seminários de qualiMicação. estrutura dos níveis. um problema de informação ou de re.

que a ilosoia vem da Grécia. o seu vocabulário espanta pela matemáticos gregos foram estudan- existência dos termos transponíveis tes (mal) sucedidos no Egipto antigo. temática. Paulus. cerca de Com aquilo que precede compreen. Ago. a resposta seria aYirma.138). terminadas questões. zação egípcia. e Aristófa- oriundo de várias outros cantos (Ín. para a estrutura YilosóYica (Coelho. vol. onde se refu. Se ele vivesse no nosso tempo on- mas também o caso de várias outras de a tecnologia prova que as pirâmi- sociedades. Obenga publicou Les O que se pode dizer dos temas Bantu (1985) onde expõe as estrutu. (i) deus do ilustram a Grécia como um “rotunda” no local de origem (onde deriva.16). (Diop. na perspectiva eurocêntrica. cia. dia” parece-nos sátira inicialmente na não reYlectiam? (ii) se o povo grego é (ii) deus do conhecimento e chamado posição teosóYica do faraó. “a palavra ilosoia buscou a sua reYlexão factor da existência de uma origem na teosoYia/civilização egíp- FilosoYia? Ou. “Centro de saber”. Yia nasceu na Grécia: uma leitura euro- to de que quem dá o nome exerce cer. mas – talvez – porque nantes? E a ser assim. as palavras são oriundas da Índia e dos séculos X antes do Cristo. quais seriam? os próprios pré-socráticos teriam si- Etimologicamente: ilo [Philo]: eu do oriundos do Egipto” (p. mas va. é seando nas escritas de Cheikh Anta claro que todas as populações do Diop. que na Grécia. a própria real e a sua preservação (o que era mos manter três fundamentais: (i) se. a colonização do mundo parte da Eu- ga. Conclusão Começamos a nossa dissertação losoYia e de toda a ciência (Mondin. e A palavra ilosoia é de origem gre. não só por causa da elevada civili- soYia). concluiu que. a giaram os sapientes egípcios depois fados são exógenos e endógenos. da decadência do século V antes de demos concluir que a FilosoYia não te- tarem culturas europeias como seus Cristo. É o caso da Grécia antiga. pois o mundo inteiro hoje Os tragidiógrafos. tituição populacional da Grécia anti- ra. serão precisos outras condicio. Alias. será que a FilosoYia se construi de astúcia). Ora. Aliás. la Grécia. ora a Europa foi “colonizada” pe- própria “ciência” venha da Grécia? Es. aliás amor era “Eros” Yilho de Vénus (deusa onde se cruzaram todas as culturas a palavra). Grécia”. cuja História. temas abordados por Platão. tal como Nietzsche dirá. ponto de os povos colonizados adop. Possíveis respostas No seu manuscrito P. po- com propósito de exercício YilosóYico. Eleia era a actual Itá. estava “envolvida na escuri- “Circuitos de debate”. amo/amor. partindo da cons- mundo reYlectiam a sua maneira. entre os termos endógenos ou exógenos. 16). co – de progresso. etc.) será o Gregos são oriundos de diferentes pó- nhecimento geral (a FilosoYia teve ori. intimamente ligada à geometria/ma- nantes (à sua maneira). Hegel apresentava a sua ideia sobre mento. talvez teria ele o tempo de rever as 2010).. pode se dizer – dade abordam temas relacionados ropa. rá nascido apenas na Grécia: o próprio Fundamentos modelos. zeram já na actual Grécia? (iii) serão mento era Zeus ou ainda. I. suas teses (hoje tidas como racistas.22 |GRAFITOS NA ALMA | Cultura Será a Grécia 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 o berço da Filosofia? João N’gola Trindade Introdução apresenta a Grécia como o berço da Fi. Para construir o conhecimen. Tróia). Será motivo suYiciente para que a ropeia como “válida”. Cur. ms:141). mas com a dialéctica herdada dos sa. ram que de facto “devemos tudo à Zenão de Eleia (490-430 aC. porém. sacerdotes egípcios. A dialéctica era uma arte dos ram as suas formas de reYlectir em de- oriunda da Grécia? Na verdade. dado que os se de uma pergunta que parte dum co. para explicar possíveis progenitores da palavra Yi- a origem da YilosoYia? losoYia. 16ª edição. “Ate. facto de Sócrates não fugir da prisão . e os dramaturgos gregos na antigui. os tragicómicos termo tem Yiliações no Egipto antigo. Nessa senda. Porque sublinhamos verdade muito pientes egípcios: “Ptolomeu acorren. des são obra duma perfeita astrologia plo. “Rei tiva. Aliás. palavra ilosoia tem raiz egípcia: (i) próprio dos faraós). dão negra da noite” (Boubakar. consome a civilização capitalista eu. a inexistência de um passado históri- to é preciso prévios suportes e insti. gem na Grécia). Aqui expressamos ta autoridade sobre o “nomeado”. a pergunta seria: será uma mera ga. trata. para se falar dela (Filo. p. Atena. falar de “Escola”. Cheikh Anta Diop mos. da terra/amor) e (ii) deus do conheci. não resolve uma série China seria maioritariamente egípcio Édipo” ilustra o sacriYício pelo sangue de sub-perguntas colaterais. especiYica- os problemas Yilosofados na Grécia mente.138). Toth (leia ßof) ou ainda Sobek (deus nes apresentou obras-primas que dia). de desenvolvimen- tuições preliminares. 2005). trário do covarde Páris (Guerra de Visto que os povos do mundo tive- com uma pergunta: será a FilosoYia so de Filosoia. O Filosoia. faz parte das virtudes egípcias. as egípcias são as mais prová- veis (Batsikama. que a História da ção egípcia (Batsikama. “Círculos”. manuscrito. Daí que se diga que a Filoso- sa probabilidade parte de pressupos. mas e sobre. e. Batsikama. trou isso muito bem no caso de wolof desusadas e caducas). Soia [sophia]: conheci. para ele. limitada? O vocabulário grego no qual tado” é uma história popular egípcia as nossas considerações. e pretendemos aqui a que a colonização europeia espalhou lia e os “ventos de Lybis”. Contudo. Aris- ras cognoscitivas compatíveis com tóteles e outros? Dos quarenta e cinco aquilo que o Ocidente criou. e que os primeiros grandes tudo. T. antigas. O género “comé- rá que outras populações do mundo deusa do amor chama-se Ísis/Lisa. 2009: liês”. ou será que os gregos o Yi. Os Ambundu por exem. não só têm todos essas condicio. p. los juntos das suas culturas originais.. Na Grécia. tendo em conta que os temas Yiloso- abordar sistematicamente a questão a sua civilização em todo planeta. ao con. ba- Em relação a primeira pergunta. Estamos aqui a to – dos povos africanos. (Cheikh Anta Diop). Platão. Visto fundador. dezassete são presentes na civiliza- de-se. Os Yilósofos da Luz conYirma. com uma verdade muito limitada – com a sua “nova” sociedade grega. cêntrica por rever. abordados por Sócrates.

co. aqueles que já são formados em gestão A exibição foi tão acolhida e im. lei. . lentos ganharão outras dimensões (ii) Empresariado cinematográ- jecta a imagem sobre uma lâmina de quer na música quer no cinema. Pinanceiros. dos local/global são escassos (o Festi. Ele pre- nos um minuto cada em Paris. Desconhecemos as suas pretensões Lumière irão lançar a projecção oPi. senciais: (i) pintura/escultura estive. Curiosamente. O conceito cine. obedecendo inicialmente há pouco aproveitamen- introduzir a fantasia no cinema. “cinema americano”… e será. entre os angolanos. No século XVIII serão desenvol. gia. é o suporte fundamental da “indústria invenção da câmara escura com len. assim tam. que se iden- rante um público cultivado e exigente. existên- esteja inicialmente em Leonardo Da. por te deveriam ser auxiliadas por espe. por exemplo. “kuduro” não seja bem aproveitado. por exemplo. cialmente nas instituições promocio- vidas ideias PilosóPicas… de maneira mos o caso do “cinema angolano”. A abastança Giambetta Della Porta realiza a concorrida através do cinema. (iii) a destes promove a concorrência. e outros “sítios comuns” dos efeito e. cidos nuns cantos) mas dos novos ta. Miguel. mento tecnológico (embora a ideia representados e sobrevalorizados os que apoiem essa modalidade. independentes ao longo da experiên- tituições académicas e institucionais cia). duzir uma especialidade de Cinema na so o combustível que levará o futuro portes Pinanceiros? Escola Média do Teatro e. e faz sentido. pro. não falar da Escola Média do Cinema. Isto implica- porta dizer que a qualidade e diversi. os ção de pintura e escultura (ou arte em te o IACAM. mas vamos tentar tiPica como um produto diferenciado A realização obrigava uma equipa dos agrupá-las em dois pontos: e referencialmente angolano. (b) traçar suportes institucionais to e intervenção de pintu- Postura evolucionista ra e escultura (ou arte da música e do teatro fazem com que o das modalidades da arte que directa- em geral) porque. rismo e a “boa-vontade” são enormes ra? Quais são suportes cientíPicos e Eu sou de opinião que se poderia intro. Audiovisuais e Multimédia. (c) Mas aci- da vida dinâmica registada em pintu. (iii) a falta de ins. cia de circuitos ligando arte e institui- vinci) ligado principalmente à ideia zavam junto com o cinema. (o Festival angolano. às orientações estatais (e tornar-se-ão to mais tarde. mente intervêm no cinema. (b) Mas. cionalidade. e. e esta ideia de Da Vinci (século XVI) com a bela música que se veriPicava no tea. mente no turismo artístico. guir/XVII) a lanterna mágica que pro. exemplo. séculos antigos (a sua requaliPicação no”. de tese. etc. jecções. Na mesma época. quer nas ou. Dentro que é tão-somente no século XIX que. por outro. tras aplicabilidades que normalmen. embora nos regozijamos da reali- cial de cerca de nove “Pilmes” de me. Com base nesses pontos. importa explicá-lo à parte. e escultura que se refere aqui não só encontrar especialistas em institui. Pico. por cultural e será um meio de globaliza- modalidades artísticas. É o ca. faltaria muito para uma Escola Supe. por um lado. Muitas coisas. ram sempre ligadas. Como registar o teatro? em “Alta Costura” universalmente ções de matriz: estúdios. os cir- so do “cinema francês”. discutir questões ligadas ao ci- “Cinema angolano”. uma formação prévia e sólida que so. mentária teatral será transformada ma de tudo. é recente e zação (anual?) de um Festival. nesses sítios engrandecerá o turismo pintura. reais. O volunta- faz? Quem representa? Quem prepa. ainda muito débil). mente. “cinema angolano” aos extremos. A pintura rodar um Pilme sobre Nzinga Mbandi. se de outros suportes para a sua fun- Kirchner inventará (já no século a se. da Fortaleza de São lado. Face a esses aspectos – embora da muito débil). por outro. a evolução da ciência. ção destes últimos. (i) Ouvi dizer que a sua insistência veio a radores de Pinanças e fazedores do ci. abordados com muitas imprecisões – explicam a existência dos ateliês. quem sabe? Convém sa- rá o caso do “cinema angolano”? mente a instituição académica (formal lientar que expresso estes pontos de É bem provável que assim seja… ou informal) possibilita. para ção “local angolano”. dade para o progresso dessa modali- O que é o cinema angolano? Quem o rior de Teatro (Dramaturgia)… para dade artística em Angola. por exemplo. Se. não há não acertar – o Instituto Angolano de nowski registarão as primeiras pro. cultural ou cinematograPia/dramatur- Com base nesses pon- pressionante que Georges Miliès (um sarial e hesitações nesse empreendi. por exemplo. sua promoção através do cinema ain. a postura evolucionista é mação adequada quer nas persona. não há instituições promocionais para o inevitavelmente tida em conta. instituições promocionais para o efei. que deve ser – perdão se irmãos germano-polacos Skadla. Artanasius não só dos clássicos (ainda desconhe. nema. ria dizer que se está a corporiPicar um dade aumentam a concorrência pe. embora nascesse vontade na costura em Angola. no caso de “Cinema nem tão pouco os actores tenham for. posterior. Embora este ponto se veriPicar ini- vidro. (ii) há uma grande cisaria: (a) criar empresários cinema- cesso foi cientíPico. Esses empresários semi-indepen- tos. por um Quando se dePine o cinema relacio. e eu considero is- artísticas? De onde se originam os su. Pilme sobre a Rainha Nzinga Mbandi cal/global são escassos Como se viu. nal a partir do qual buscarão suportes do “cinema angolano”. deverão existir institui- ra e escultura. (i) nais. “cinema italia. embora necessitar- tes. da é questão de deslocamento empre. É diPícil. distância e desconPiança entre os ope. os orçamen. A Escola Mé. como património) a rodagem de um cuitos interligados lo- acaso. especial- nado a um espaço. ções de poder Pinanceiro. há pouco aproveitamento e interven. A dentes poderão ter o apoio institucio- máquina para suas sessões de magia. artistas locais… que se internacionali. mos. O que falta então? cinema à moda angolana. gens que representam. mui. nematização angolana”. é recente e ain- bém.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 GRAFITOS NA ALMA | 23 Cinema angolano ou cinematização angolana Patrício Batsîkama Pretendo discutir sobre um tema: Vou começar com três pontos es. nema contribuiu para a desacredita. mocionais). vista de forma humilde com o propó- mas aqui vão as minhas impressões dia de Teatro ainda é embrionária… e sito de buscar a contribuição da socie- em relação à “nova geração”. escultura e teatro… como tervenções de psicólogos da arte. que me parece evidente. O su. E sempre foram tituições promocionais: mecenas. compare. a realidade em Angola? cialistas. É isso competentes – essencialmente bem (i) (a) Instituições académi. os irmãos to e. mas a tógrafos: formar pessoas ou aproveitar uma outra modalidade artística. Se parti- angolano”. o cinema sucedeu a tos imediatistas não calculam as in. são necessárias as ins- ma implica geralmente o desenvolvi. geral) porque. (ii) a indu. do órgão do Ministério da Cultura exis- depois da invenção da fotograPia. precisa de de estímulo para um trabalho cientíPi- – em apresentar coisas aceitáveis. No século a seguir. por exemplo. e pode servir formados (e não só academicamente) cas: o actor. Cinema. val angolano. parece-me normal que se fale da “ci- também as companhias de teatro. mas ções apropriadas (académicas. os circuitos interliga. Im. comparemos o caso mágico notório) solicitou a compra da mento por inexistência de mecenas. tro lançará suportes de aceitabilidade cinematográPica”.

jovens e menos jovens. A PALAVRA. tendo em conta a ne- ções. indiscutível candarinha. der e estar. Moçambique. Rode. rico Vasco Cabral ao Carlos Edmilson recitais. organizando encontros . velhos e menos velhos.. mais recente poesia visual. Do se. nossa(s) Cultura(s) as palavras cor. intalado teressante distinguir a ténue frontei- estimação dos escritores e amantes da na sede do Centro Cultural Brasil-Mo. Do herói Xanana e em razão da solidadariedade e frater- do profundo poeta Jorge Lauten. cultivando e cultuando os mais Tenrreiro e da Dona (de árida poesia) nobres propósitos artístico-literários São de Deus Lima. tantos outros que certo dia nos fize- mes de escribas angolanos tais como ram retroceder no tempo e parar nas os de Ana Paula Tavares. É importante poder e indubitavelmente. Atlântico nesta margem com os nos. ta artístico-literária. ções vindouras e do próprio porvir. mineiro e o atento Cláudio Daniel. peso e medida. Julho De 2012 é a visão democrática dos editores. do madala Craveirinha e Urge revitalizar as acções e todo do atrevido Okapi. cabe aos mais novos tístico. Luís acções brigadistas de há trinta e tal Kandjimbo. dos novos e novíssimos tempos com em benefício da História. Finalmente. Passado que está um ano de edi. anos. Lopes e sobre o multifacético Dany A geração Kuphaluxa e os seus dina- Spínola. publicadas mens de pensamento das gerações tes-. Sobre o Luís Vaz que a língua mizadores têm hoje a faixa etária e o portuguesa imortalizou e também so. de informação. principalmente. sima Noémia. resta-nos homenagear dizen- rick Nehone. na outra de Craveirinha. vosso servidor. Reencon. que souberam apren- atende pelo nome de Fernando Aguiar. Dizer. dentemente de um notório esfriamen. nismos de monta permitiu a tarimba e MENSÃO” de poesia lá do triângulo a experiência de hoje. Mas o mais interessantenela Vieira e de Rui Nogar enquanto se. Frederico Ningui. Reflectindo. David Mestre. cavele. bienais . nidade que subjaz do nosso colonial Nas suas páginas já lí sobre Baltazar passado comum. Mauro Brito.souberam e têm sabido ser agêntes aqui. Ela fere tão Através dela podemos ler e conhecer rem e percorrem. porque ambos (o jornalista e o escri- culturais entre a comunidade dos to das relações institucionais da(s) tor) trabalham talhando uma única países falantes da língua portuguesa. Muita poesia angolana “Dizer. publicações mas. a literatura e os auto. Belas. ao la- Já lí sobre os irmãos Campos e sobre a do dos madalas de ontem e de sempre. Do histó.. para além de profundas ga Dos Escritores Dos Cinco –LEC. em boa conta. Eduardo Quive. ”-. Do imortal A. para lá das cir- reUlexões críticas em torno dos nossos propós aproximar Instituições e Ho. dos utópicos sonhadores. Isto prova que indepen. ao Nelson Lineu. bem como lâmina e não raras vezes é autores. David do-lhes que com um bocadinho de Capelenguela. Neto aquele pensamento não só por via de ao promissor Capelenguela. um dos mais im. va do estreitar de relações. principalmente portuguesa e não só. se nos nossos contextos. apraz-nos reconhecer que neste cessidade de redizer as coisas servin- . ra entre a escrita jornalistica e a escri- escrita.24| DIÁLOGO INTERCULTURAL 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura Literatas Um veículo electrónico de estimação J.literário também podemos lá redinamizar as acções de Luandino encontrar. dribles conotativos da linguagem.. mais sam pela oceânica intimidade do mesmo letal.S. Fazer e Sentir a Literatura”. João Tala. apesar do dialéctico conUlito de gera- trei-me também com dois grandes ções que com respeito e sem antago- amigos. Lopito Feijóo K . alí ou acolá. cunstâncias e dos nossos circunstan- processos literários e obras.A. Amosse Mu- Importa referenciar que como pro. do-se das mais modernas tecnologias combustível que há um ano tem feito nica -de que é proprietário o movi. Ao Japone Arijuane. Sereis assim competentes herdeiros tintos cantos do mundo lusófono. com os seus temperamentos. Décio Bettencourt. sempre que possível. nos últimos Dany Wambire. donça ou Saúte que –com seus textos de qualidade. mesmo tempo. De Francisco dos. apuro grama- Abreu Paxi e alguns outros dentre os tical e vigilância redactorial podere- quais também se inclui o nome deste mos. quando se é jornalista e escritor ao A revista LITERATAS é. Patraquim. sos pensamentos e do Índico. festivais. graças a gene. Passam e perpas. Mia e mesmo de um Men- Entrevistas com escritorese poesia Já lá vão os tempos em que a Uinada Li.) Amado ao Ui. Calane. O Guido Bilharinho da “DI. vigôr dos Brigadistas e Charrueiros bre um concreto experimentalista que dos ídos de 80. fundamentalmente. literários de reUinada pena! sos e doutras realizações de cerácter ar. José Luís Mendonça.. mais rigor ortográfico. na revista pontiUicaram no. dos mais dis. nhor Jorge (por todos. das gera- entrevistas e ensaios à mistura. res angolanos têm ocupado espaço distrinçar os rasgos denotativos dos portantes meios de aprofundamento previlegiado. Da senhorís. Anúncios de concur. munição. concursos e outros quejan- dos “Contos de N’Nori”. margem. e seis meses. saibam que é útil e in- circular o mais recente veículo de alta mento literário Kuphaluxa. cretários gerais da União em Angola Na LITERATAS fala-se e escreve-se e da Associação de Escritores em sobre tudo e sobre todos. fazer e sentir literatura é o veículo semanal de circulação electró. entre os falantes da lingua çambique em Maputo. visitas (pú- losofónico Marcelo Soriano. e revitalização das relações litero. blicas e privadas). rosidade do Director Calane da “Xi.

a repartição cartográTica trabalho obrigatório. formulação das revindica- vidão que sucedeu.aalforriaarrancada.assim de Ambuíla. do continente niger em Berlim. inde- os diferentes processos de obtenção pendentistas. em 1902. sita à História Contemporânea”. as suicidárias e nos Dembos. Humbe. Serão. bliográTicas. a Fede. impressionante. na- turalmente. das quais podemos assinalar. os efeitos irreversíveis das tráTico de escravos que. das duas Grandes Guerras na formula. primus inter revoltas como. dopaísenasuainabalávellutacontraos Costa Andrade. a severa derrota sopolítico. outras rebeliões. dentre E. esta publica. ao ter. Huambo. intitulado “A África na sala de aula. por Kwame Nkrumah. a sua visão do período pós-independência do país. na sua segunda remessa. tre kongo. no início do seculo XX. em 1917. então. hoje. no crucial ano pelo Itamaraty. A investigadora da Universida. o desregrado A pedagoga sul-americana inclui. dá um previsível relevo a Angola. que picaz pan-africanismo. seculares. Essas organizações provocarão a Fixa a síntese sobre Angola no con. da emancipação do Quadrilátero do. cerca de mentos como mapas indicativos das Tirma a consistência histórica das múl- 4000 cativos de Pinda e Angola. nos Ovambo com as suas variantes. nitidamente. cionamento. mantidas Os muleques resistiram à neoescra. Lima. resistências dos Hereros e Ovambos. registadas centenas de panha de cuamatos” de David Martins valente reconhecimento. nos quais a antiga professora volta do Amboim. de 1913 a 1917. roicamente. nacionalismoangolanonoseuprogres- Nota. em anexos. a gra. que comonassuastentativasdeconvergên- destabilizou. o Quadrilátero. “Dos jornais às armas: lução no contexto marca- de de São Paulo comprova que tropas neoCódigosNegros. tríptica. É este contexto que dará origem a ção das revindicações autonomistas. de esquerda. tiplas relações. segundo ele.he.diplomáticoemilitar. dezenadeanos. para São Tome. vários docu. A obra. por exemplo. previsível Grande Revolta Autonomis- texto da obstinada consolidação do ta. tra a expropriação das suas terras e o cunstâncias. na história recente. cia.quedesembocaránaindependência de 1962. do pela dinâmica do pers- Aponta. igualmente. Congo. Vi.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 DIÁLOGO INTERCULTURAL |25 História de África Manual para estudantes Simão Souindoula brasileiros inclui a evolução de Angola O livro da Leila Leite Hernandez.naAzania. o seu desenvolvimento proto-histórico. “Angola” …. do afro-baiano Marcelo Bittencourt. entre outras cir. no oportuno primeiro trimes- favorecida pelo contínuo enfraqueci. Esta atitude geral de contraposição social e cultural. entre os dois territórios. nos A especialista brasileira assinala cruciais meados do século XIX. foi o do tenebroso apartheid.foiconsolidada. los do Atlântico sul. só no ano de 1530. Selada num consistente bloco que a oposição liderada por Tulante Buta se estala em 674 páginas. tentativas de políticas de assimilação ou de indigenização e os inevitáveis Dos jornais às armas movimentos de resistência politica. deTinitivamente. dezenas de estruturas políticas. os dife- rentes processos de obten- segunda metade do seculo XIX. em Outubro de 1665. ligas e gré- do pela dinâmica do perspicaz pan. nos meios urbanos com a toda esta evolução no contexto marca. contra o trabalho forcado. in- A memorialista paulistana aborda teligente. os efeitos irreversíveis rios periódicos. esclavagista e colonial. na Utilizou um conjunto de fontes bi. apartheid. mento das formações políticas que Estaservirádefortealicercemoralao formam. criação de associações. quase parale. nas edições Selo Negro recorda. as ocorridas no dual instalação do sistema colonial. publicado em 1908. ções autonomistas. para o efeito. assim como o lançamento de vá- africanismo. no Bailun. “A África na sala de aula. em último tratamento do tema do seu trabalho. “A cam. e propõe. que acaba de ser republicado. quando os da PontiTícia Universidade Católica de Seles e os Bailundos se rebelaram con- São Paulo analisa. clandestinas. quase to- das liberdades e a teia do tenebroso das. mios. ocorrida no setentrião an- Ultracolonialismo português. em São Paulo. e a re- pítulos. na sua obra. tre de 1961. Angola. con- duas Grandes Guerras na envolveu. “Estórias de contratados” de A memorialista paulis- tana aborda toda esta evo- ração. . anticolonial teve a sua declinação. o animador episódio deste rela- ção das liberdades e a teia ror esclavagista. que foi golano. contra a exportação de contratados ção é repartida numa quinzena de ca. logicamente. Visita à História Contemporânea”.Háuma trajetórias da contestação angolana” brasileiras contribuíram para o desas.

Vasco Mar. Al. O peito pulsando esta dança e a música em crescendo pelo caminho da solidão. mas também de sua lingua- duziu. de literatura e arte. refere que “com essa poética Estes factores aparecem na produ- de hoje. gem. o verbo. circunscrito das ilhas. próprios desejos. ção poética. que se entregam à luta contra se. “escrita de mulher”. com a intenção de constituir no Brasil ta pela professora Maria Aparecida perfuma o local da chibatada. dade. conquistando seu próprio na Sato. revista das ilhas. porque toma consciência de que nas em razão das escolhas tanto dos só pode pensar o mundo e a si com o poetas quanto dos poemas. co aNirma no mesmo ensaio que “a mu- nizar uma antologia expõe os riscos lher-poeta se quer senhora não só de oriundos da selecção de quem a pro. a cadência longa e a louca insinuando-se à morna e ao tango. cardo Riso. Tecido como parte concreta das Ninido com a publicação de “Mirabilis: Este brado feminino já foi anterior. na aNirmação contextual e e do futebol por treze poetas cuja poé. Essa é uma ten- Entretanto. mulheres caboverdianas ao espaço boverdiana. Carlota de Fazendo recurso à igualdade do gé. não será o mundo Que doaremos ao mundo! Que a morte nos não doa e a vida doendo Se encarregue da dor que permanece na usura e no âmago das coisas! O latido distante da cadela em cio fere os ouvidos do violinista! (atrás dela seguem cães famintos…) Na sua palavra de apresentação da a entidade feminina atinge no proces- obra. por via da CONFRARIA. imbuído na sua verdade histórica. e não há terra Nirme Nos sonhos que nos assombram! No lugar da perenidade os braços E o cansaço. fazendo recurso à persuadir pelas cores da buganvília. lher se torna Niadora e tecelã de seus . geme de febre existencial mos poetas de Cabo-Verde.opassodamorna eogemidoexistencialdoverbo Antologia da Poesia Contemporânea de Cabo-Verde de Ricardo Riso Matadi Makola Com António de Névada. da mais alta carga torrencial em crioulo) que sempre aprisionou as peculiaridade da estética da poesia ca- da emoção das dez ilhas. Sobre a alma do nómada a contemporaneidade e a coetaneidade Baralham-se numa orgia caótica! Certamente. o sujeito-poético não se isola e semeia voos risonhos. Maria Hele. poesia e de. porções da morna. vozes poé- em fazer desabrochar da pluralidade ticas femininas e masculinas envere- poética actual um quadro satisfatório. Paula Vasconcelos. no sublimado momento de “cais da saudade” (“cais da sôdade”. um corpus da sua literatura dos dias Santili. seu corpo. sendo inevitáveis algumas lacu. mentos horizontais que sustentam a elevação.26 | DIÁLOGO INTERCULTURAL 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura Aimagísticadasilhas. sendo amada e. mente. na. Vera Duarte. deixa-se de. Ricardo Riso assume o cuidado so de criação. A temática desta antologia se desfaz tins. Não só em Cabo-Verde. criadora deve assentar acima dos pre. equilíbrio selectivo que a produção duzir e expressar seu erotismo e seus mada. Al. e. cintila na volú- da pelo poeta José Luís Hopffer C. a desejada sensatez na dência da poesia africana contempo- selecção dos autores é imediatamente rânea. O Nlamengo dedilhando a voz rugosa e o fado e a milonga desapaixonada. se evola nas bandas do samba de contestação da submissão femini. choca na magnéti- Poesia Contemporânea de Cabo-Ver. Surgida à base das posta superioridade masculina às mu. mergulha em uma poesia confessio. capaz de con- Filinto Elísio. satisfatoriamen. amante. trepa nas harmónicas pro- mada em 1991. Carmem Lúcia Tindo Se- da diNícil missão ao acentuar que orga. Assumindo-se daquele povo. postas à alma caboverdiana. organiza. José Luis Hopffer C. nesta Antologia da num artigo intitulado “algumas ten. Danny Spínola. crítica ao machismo caboverdiano fei. de pós-colonialistas: Referindo-se à dualidade lírica que (…) Entre o vazio e os escombros restamos nós. disfarçado na sabafo confundem-se para serem am. domínio das palavras. Neste artigo. do verbo. içado pela imagística de veias ao sol”. Oswaldo conceitos sociais e ser desvinculada destino de mulher”. Mário Lúcio Sousa. o verbo cabo-verdiano. se rebela contra a longa espera das sublimes anseios e promessas pro- quelas e ilusões herdadas da condição “mulheres-sós de Cabo-Verde”.antologia dos novíssi. nal. poeta António de Néveda. coisas. como advogada no esforço visível de Riso em Angola e Moçambique. hoje”. nero. dências da poesia cabo-verdiana de ca obstinação dos búzios. professora Cármen Lúcia Tindo Seco pia do sol. o verbo aqui expresso te deNinida nestas duas estrofes do também narrador. Agarrado às mudanças Com esta geração. ao Barros. Uma escrita que do futuro a materialização dos mais ção. elucidado pela com o vento das praias. Margarida Fontes. de qualquer tendência devota da im. autobiográNica que instaura uma sensação ambivalente do hoje. o eu-lírico rompe com a idéia do na criação de identidade como ele- tica sofre. Osório. dam pelo caminho da metapoesia e uma fotograNia do agora repleta dos buscam um novo lirismo em que a mu- agentes do seu momento. o organizador deixa subscrito no mesmo tempo. sonhos. Assentado no passado. cobra bos corpo e voz que se doam à revolu. ganha automatismo e vitali- aspirações da mirabílica (período de. publicada no ano passado por Ri. lheres caboverdianas. Dina Salústio.

com elementos otyindungu. declarado pela Organização das Na- nómica. remédio tra. que durara ques” ao castelhano. jetivo utilizado como antropónimo de raíz “angolena” e a Mãe-Pátria. duzidos no território mineiro. inPinito ções Unidas como consagrado aos no e no conjunto insular caribenho. maioritária. cação e excessiva expressão corpo. lação dos africanos na região e a sub. del kikongo”. Alfonso. singularmente sólida. O livro. Sérgio António Mosquera. nos quais Grenada”. Nos traços dos portugueses. blinhando a persistência. “muy corrupto. numa dinâmica de antonomásia gastro. adotado no continente america. criollo português”. do bantu nkulu. A Pim de fazer compreender melhor mayoria y este predomínio es repe. “Portugal fue el um glossário de mais uma centena de mens” tais como uma contribuição para a inevitável principal provedor” de escravos até 1654. as variantes do ki- do quarteto “asiento” europeu. velho. ora republicado. Ganga. una fuerte presen. ras do norte-oeste da Colômbia. romance e composições musicais). ram transferidos para as áreas aurífe- crécia. logicamente. espírito hidrogónico. dupli. Um exemplo perfeito de bantuísmo Susunga. dominante na Europa. este radical do ban. e articula-se em turalmente. do morfema bantu ng ou nga. kongo. ou de Angola ou do Congo. milhares de angolas. tros estudos de referência. Etnolinguística en la Historia Afrochocoana”. A obra “El mondongo. os ção. a evocar a in- de 1595 a 1641. no “ Virreinato de Nueva quarto capítulos principais. Numa verdadeira febre mercanti. loandas. Etnolinguís- O veredicto de Mosquera. contido na História Geral de Afri- 1620. tradi-prático afrodescendentes. do bantu nsanga. da autoria do mela- noderme. bantuísmos que sobreviveram na Angulo. é categórico. Catalina. Sérgio Mosquera utilizou. Lu. desde luego. adaptação ao castelhano e o legado re. onungu. espraia-se franceses e ingleses introduzirão. enraizado no território de “La conga”. aí. manyoma e pango. mente portugueses. 7ilho desta terra. da feitoria o autor apresenta a evolução da insta. Hay dupla negação. dos falares niger na sua zona natal. tu comum dá. o precioso ouro. aborda. como pepper. uma Angola reconstituída na costa do Pacífico Simão Souindoula A rota colombiana da escravatura “El Mondongo. a partir de 1712. ongundu. capital desta província da antiga Nova Granada. e em particular. em seguida. colar remptório. na série Ma’Mawu. aí decorrente. como meadamente. lexicais (ou de outro tipo). tica en la Historia afrochoana” é mais realidade. e em umbundu. ad. Afirma “es patente el impacto O investigador de Quibdo é pe. redundância. examinando o seu uso nas minas e su- lista. na- sobre 156 páginas. de Cabinda. benguelas. on. nos anos lados na região falaram um espanhol du. é. perante esses dados. Andrés. – dungu. cais identiPicados em alguns fragmen. instalação. dungu ou sandunga. sidual. numa edi. Vansina sobre África Equatorial e An- do Padre Pedro de Claver. tura de erudição. No fim do estudo. na continuação da intervocalidade. é atestado no proto. genetica. al terminus a quo em nyaneka – humbe. e que indica os alicerces civilizacio- vo. lo sobre a aclimatação de “los mule- O “asiento” português. dicional tecido durante o decénio 2012/2022. dos mbika. O autor chocoano insiste no capítu- cabindas e luangos. gola. . on. são todos. Bilongo ou Birongo. pela Universida- de Tecnológica del Choco “Diego Luís Cordoba”. ndungu. nais do coração do continente que fo- Juan. tos de textos literários (poesia. Esforça-se em restituir. a favor além das já citadas. E. ca. conhecidas. pimento. no nível do “Quadrilátero”. particularmente emo- cionante. os Bantu insta. em kikongo e kimbun. termo que foi. falante. a este respeito.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 DIÁLOGO INTERCULTURAL |27 O Choco. Jusepe. “van constituirse en ca. ser rência ao Reino angolano. nentes saídos da “Mundo dos Ho. bem indicati. oralmente. seriam intro. mar. dungu. bantu. Kalunga. o professor O glossário contem outros compo. aproximação entre as comunidades O autor escolheu. a sua diPícil que não tem equivalente em África. refe. O iniciador da espetacular Funda- sequente tentativa de continuum das ção privada. logicamente. consubstanciada que perdurou é o substantivo zan. monicongos. numa aber. o título da sua obra “El Mondongo…”. instituição suas respetivas línguas. conto. Realça. ya. congos e luangos. no léxico re- de foram descobertos jazigos poli-me. Ignacio. olundungu. bamba. no. o substrato antropológico angolano titivo en muchas transaciones. Monzolo. a conPiguração sidual linguístico bantu. Pluência do idioma do país da pantera tros de embarque serão Loanda e São no norte-oeste da antiga Confedera- Tome – porto de trânsito – permitira a ção Granadina. livro que acaba de ser reeditado em Bogotá. os elementos lexi. na época. tais. con7irma uma realidade. na evolução linguísti. quanto a esta apresenta e comenta. Com efeito. costa do Pacífico colombiano. entre ou- cia de negros de Angola”. a zona. Francisca. Cristina Feliciano. Mariquita. que pudemos viver sema- nas atrás. o de Jan O exemplo dos escravos ao serviço Em consequência. registara avultadas encomendas de ANTONOMÁSIA mão-de-obra escrava. E. e cujos principais cen. em Quibdo. reencontro que deve. onondungu. Muntu-Bantu.

pertencem os 15 poe- seu Cosmos interior. Maria Rilke viria a falecer por septicé- do esse magniWicente romance que é mia (depois de se ter picado numa ro- Os Cadernos de Malte Laurids Brigge seira). escreve o Livro das Ima. o Wilho Boris Pasternak. começando aí o seu crescente intrometer: Carrossel. baud. Leão Até ao eclodir da I Guerra Tolstoi. austríaco. Itália. porque mais que uma sim- go relacionamento amoroso.” (a acusação do roubo de duas cartas Vergers e Quatrains Valaisans são as endereçadas ao próprio Rike!). cuja inWluência se faz ainda hoje que o seu destinatário (um obscuro e sentir um pouco por todo o mundo. apenas a 27 de Janeiro de 1910 História. e conhece a escritora Lou Andreas-Salo. cuja ges- de Dezembro de 1875. onde permanecerá. vai viver breves de Histórias de Deus e o longo para a Suíça até ao Winal dos seus dias. transbordante de humanidade. Com ela ples lição sobre a criação poética. de “Paris. res e escritores. começadas em Westhoff. pedindo-lhe conse- mopolitas da Europa do seu tempo. na Primavera de que as Cartas propõem é uma lição de 1899. cerra-se na mais mas que hoje aqui se dão a público. tura” para “descobrir uma possibilida- do por uma atitude da mais vil mes. que se tornará sua mentora literá. mícias literárias. entre os quais. cedido ao poeta por Werner obra esta. Escandinávia. em Pa.28 | DIÁLOGO INTERCULTURAL 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura Rainer Maria Rilke Tradução de Zetho Cunha Gonçalves o poeta da «inspiração que se chama e se prende» R ainer Maria Rilke nasceu a 4 lumes em meados de 1910). alcançando na época um enor. para além daquilo que viria a ser Wiccionistas absolutamente funda. Tunísia e Egipto. as Wicções Com o Wim da Guerra. o se desloca à Rússia. em 1922. publicado em ria. em de Os Cadernos…. que o de Apolo. Ao livro Vergers. No ano seguinte. Arte e Literatura. le 12 mai 1906”. Paralelamente à escrita Praga. e com quem virá a manter um lon. fruto de “um trabalho intencional. então com 10 França. onde reencontra a solidão crita de um único fôlego numa noite de absoluta e a ambiência e condições ne- 1899. levará a tornar-se num dos poetas e Isto. Rilke conhece Rodin. Ainda em se concluiria. Em 1901 conhece a escultora compõe Os Sonetos a Orfeu e conclui e antiga aluna de Auguste Rodin. es. de uma submissão. séc. escritas entre 1903 e 1908. ou sejam. literários. Arcaico Torso interesse pela prática da escrita. datada de de um espanto. começada a 8 de Fevereiro de fância. num dos mais perenes monumentos ria. que. ris. e subsequente escrita deWiniti- Praga. Réquiem e Novos Poemas. vivendo tempora- gem (tão marcante para o ainda jovem riamente nalguns desses países. . Vida. Argé- anos de idade. duas obras que nos legou. em (publicado originariamente em 2 vo. uma das cidades mais cos. poema em prosa A Balada do Amor e no castelo de Muzot (um castelo do da Morte do Alferes Cristóvão Rilke. e alemã. cessárias. cidade onde passa a in. escreven. e que será a sua Wigu. va. de de trocas no domínio da sua sonori- quinhez por parte do genial escultor dade e dos seus acentos próprios. com quem se casa e de quem 1912. jovem poeta de nome Franz Kappus. Valmont. Clara as Elegias de Duíno. conhecendo então vários pinto. depois de teriosas certezas com que vivo». Na sequência dessa via. lia. lho mais proWícuo. No ano de 1895 vai viver para que havia enviado a Rilke as suas pri- Munique. numa “aven- ra tutelar até ao rompimento provoca. outras obras se vêm 1894. que lhe permitem um traba- me sucesso. seus poemas em francês. E é aí que. de quem se Em 1924 começa a escrever os torna secretário. na língua de Rim- Escorraçado e quase na misé. XII. teste. o conjunto das dez Cartas a um Jovem mentais da modernidade em língua Poeta. Rilke viaja pela Rússia. absoluta solidão. e trabalha com uma Com a saúde debilitada desde paciência obsessiva e dolorosa na ár. Rilke congrega todas as forças do Junho de 1926. segundo o próprio autor. a 29 de Dezembro de 1926. devido a uma leucemia. as suas obras poéticas tem uma Wilha. Espanha. Aí lhos) viria a dar à estampa em 1929. em tação. e em cuja Universidade estuda 1904. Rainer dua conquista da sua obra. Reinhart). na Suíça. mas da que Rilke lhe escreve. O co- poeta: «Que a minha verdadeira pátria meço da Guerra apanha-o em Muni- seja a Rússia é uma das grandes e mis. capitais. publica o primeiro poema. não como munhada na terrível carta de despedi. uma conquista”. 1923. o pintor Leónidas Pasternak e Mundial. que de imediato se transformaram mé. gens e o Livro das Horas. dirá uma breve incorporação no Exército ele em 1903).

6 é o desvio ardente Água rápida. esta noite. centro do jogo Contemplando talvez nunca mais voltar. mas diante da consciência-mãe 22 Mas nunca acontece nada toda a derradeira palavra será bela. Se lhe parecerem terrestres. minha serena conIidente.) mesclada de tanto pavor. EROS 32 por tanto silêncio tentada. na minha palma a soma das imagens terna e ousada. célebre como Carlos Magno. tão próxima da minha. Se a um deus se canta. para os vizinhos. desde a infância. ignorância da tua face. Deus. de ter amado coisas tão próximas lembra-te! Não sinto necessidade a essas ausências que nos conduzem à acção. − de antigas Ilorestas transborda dos teus olhos. Estas não são as lembranças Esta imperceptível permuta que. ele. esta mão de nada. em mim. A nossa penúltima palavra Tudo isso. e se inquiete. a não ser a um deus que se cala. recomeço. te preservam. Nela teríamos que condensar Que eu lhe ofereça ao menos o reIlexo todos os esforços de um desejo de um esmalte de Limoges. Não tarda. sobre a vereda. e minha sempre impenitente alegria hesita um segundo na concha da minha mão. debruçado sobre o livro. sequer já me pertences Estão feitas todas as minhas despedidas. Entrando em nós com seu imenso cortejo. nestes tempos de paz. Límpido e fulminante amor. Tradução de Zetho Cunha Gonçalves . Como se tornaram discretos. que nenhum travo de amargura 58 ousaria reprimir. para erguerem a dádiva! que a toalha forma por debaixo do teu pão. Oferecerás o teu alimento austero 57 para que ele por sua vez o saboreie. sem nos pertencer. de te ver aparecer. água esquecida que uma lenta ternura Eis o que me resta: cumpri-lo. os anjos! a esta impossessiva O meu. é um deus bárbaro que as panteras levemente roçam no deserto. 59 que nos faz estremecer. em seu olho redondo rejubilem. outros irão tocar este deus o seu silêncio nos restitui. 4 sem ter sequer tocado na isca. E que os meus vermelhos. foram-me formando lentamente. Mantém-te tranquilo. quem te torna dominante. se detenha maravilhado. ó candeia de estudante. descreve no meu próprio sangue. Onde se perde quando se ganha. de quem se serve.) Oh. Como reconhecer ainda I o que foi a vida tranquila? ascende e decide Ó tu. mal repara em mim. ter nascido me bastou quase ausência correndo. antes do Iim. façamos tudo para cobrir o seu rosto para viver em família num gesto desvairado e arriscado. se.) mas o seu declive 35 do lado sul permanece levemente iluminado. quotidiano. Sou eu ainda. é preciso recuar ao fundo das idades 3 para apaziguar o seu fogo indomável. em nós (é o pior) Adoraríamos ter os olhos sempre abertos És tu ainda. como o centro negro para ter visto. de repente. Mas eu regresso ainda. tanto melhor são vocês ainda quem me escuta.Cultura | 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 DIÁLOGO INTERCULTURAL |29 1 Meu coração faz cantar esta noite 15 POEMAS DE RAINER MARIA RILKE os anjos que se rememoram… Uma voz. Nenhum de nós se adianta RETRATO INTERIOR debaixo destas belas árvores de que dispomos. que te olha. Não é triste que os nossos olhos se fechem? mas tu estás. − destas linhas e destas rugas que a gente preserva tu és também o mendigo fechando sobre o vazio 2 em piedosa postura. ele quer ser tocado. que depois se escapa como de quanta conIiança os envolve (uma armadilha. 5 para um céu nas origens. para te perder um pouco menos. entre a tua exuberância à chegada e o teu (excesso à partida) estremece uma leve presença. tudo quanto se perde. duras e ávidas? o Anjo à tua mesa se decide. Candeia da noite. Ele vem tão rente a nós que nos separa Seria necessário que as mãos fossem simplese generosas apaga suavemente aquelas rugas do ser amado. Mas não é muito pior que as nossas mãos se agarrem. Ó corça: que belo interior e que leve ao lábio puro ele quer tudo iluminado. indiferença. delicadeza dos teus saltos. a quem se vai ela juntar? rei. – (talvez aí nos perdêssemos. quem se detém. e é a tua múltipla Iigura o meu coração nem um pouco é por ti desvelado. Não é terrível que os nossos dentes brilhem? II Seria necessário um charme mais discreto (E a tua candura faz desaparecer um Anjo. que corre −. que a terra distraída bebe. Tudo isto seria pelo melhor. imperador. verdes e azuis Detenhamo-nos um pouco. O que te torna presente este simples regresso liberta o meu olhar. quem quer que o leitor de vez em quando de um xale de cachemira bordado. um copo simples. Tantas partidas transforma-se na herança de um anjo pela força de um belo desejo. trazido pela extrema seria uma mísera palavra. conversemos.

11 .30 | PUBLICIDADE 23 de Julho a 5 de Agosto 2012 | Cultura 300.

tas do milho ou massambala. se os trovões eram mesmo de trovoa. se por Xmbeco: . O Havia no N´jango enormes panelas Capitão Alexandrino prendeu-o ten- com quimbombo e t´hassa para ven. garto após comer. o mesmo go. cudindo a cabeça.lagarto. os meninos com reganho Iintado. insistiu comigo. nha a caminho de Cunhangâmua.Filho de soba feito bandido por re- ro.fuga. urzela. por demais assustador. haveria que no terreiro. porque Aqueles quarenta centímetros de estava este sítio do Huambo. Vovô mandou-me meter um milon. atormen. Ka- dador e. e. podia ser não atacaria! Milongo: . muitos cestos a ilha de São Tomé. Muana-pwó: . deveria andar por perto! ram liamba pela mutopa. óleo de palma. O Iilho de Kulembe desentendeu- Em cima da lohanda soprava numa se do pai por este ser demasiado cola- insistente vontade de me ver fugir.Cultura | 23 de Julho a 5 deAgosto de 2012 BARRA DO KWANZA |31 T´chikukuvanda No tempo de Kaparandanda A quele lagarto. alcoólico. do em seguida sido desterrado para der àquela gente toda. no ano de mil oitocentos e oi- Todo este preparo de negócio não tenta e seis..remédio tradicional africano feito por um a caravana do katengue Jamba da Escondi-me por detrás dum muxito Kimbanda . sentendimento. teira junto de ribeira. . reco-reco.. a borante com os Muana-pwó. num suavemente. Dias depois soubemos por um fu- Durante dias vovô Mussungu mandou nante de nome Pinto dos Santos. normalmente redondo. Por ali acamparam perto do N´jango luco rodeado de muitas e visionárias na N´dala. katchipemba: . pelos possível assalto a ser feito pelo Kapa. atemorizavam qualquer pre. como um fole. chegou. luita e Bundionai. o bandido.semen- Naquela noite.refresco que depois de fermentado é muito O Faísca ladrou toda a noite. de permutar tecidos e álcool por mel. Costa. tocaram pu- A caravana do Katengue. parecia de bom. bandi- vanda. um bando daquele sobado. Quando o Kaluviaviri surgia nas re. t´chassa. beberam. hitas. . gu. o meu avô Mussun. desconseguia-se perceber Iizesse diarreia espalhada na direc. Kaparansdanda. não sei se por medo. cheio de ossos descarnados. perto ou. Muku: . Glossário: ali porque espreitava o atalho da bis. quando eu era candengue. peguei nu. do com os seus muitos carregadores mansinho e após ter comido o prepa. sença correu para mim. conta. também batata.. fuma- suspeições. cera. beco da n´haca do negro Sakassumbi. aonde o kaluviaviri mijou mau chei. revolta e fuga com dia-se do pescoço vermelho. da Chicala. borracha. trovões que se ouviam para os lados randanda. de matira cheios de mandioca para Isto passou-se mais ou menos. inchan. estava para acontecer algu. caravana no seu entretanto.Haka!. reco-reco. salvaguardar o negócio do Quipeio.. dar indicação dum Kuambus: . nos entretantos. danda actuava mas aquele sonho do [in “kimbolagoa”] lar qualquer repentino movimento. como tal. do bravura num corpo escamado de O medo do meu avô Mussungu po- azul eléctico. aberto dos lados e coberto de capim. preso no Sopá do Passe quando vi- zia mais de dois dias inteiros. lhe se. assim. ouvir-se o som de batuque. Iilho do soba Kulembe. para além das terras de Amepa. que susto! para logo que raiasse o dia me deslo. mais velho não dava tranquilidade a ambos nos tremíamos e. Iicaram por ali estirados ali nos próximos dias e.muito velho. quem se tem medo. comeram. danda. coconote.sukuama!. eu só estava ninguém que fosse gente. chefe vaivém de cabeça. deveria passar por kuambus.casa de adobe. pude ver o lagarto aproximar-se de Puhita. era uma mistura Katengue: . muito de um grupo de renegados.instrumentos músicais. o la- casse ao rio Cunhangâmua para ver garto borrou-se todo na direcção de se havia pegadas e gente no lodo da Benguela e. ma coisa de mau. estancou sa. tendo-se apercebido da minha pre. Só parei no xim. cozinhar na hora e. da maior.tufo de capim ou mato. mais velho que secúlo. Iicou assim conhecido. preparos de mau olhado. de faz-de- doce nas quindas. Bailundos e Luchazes a Iim ro. muito lagarto. aonde Kaparan- ma pedra arredondada sem gesticu. justiceiro. era ali que o lagarto belião entre 1974 e 1886. na tranquilidade a margem. Bienos.chefe de caravana. conIidenciou que o espirito dele.branco do puto. . por medo daquele lagarto ou para a mandioca. aonde as mulheres pisavam Kaparandanda: .. No dia seguinte dito e perfeito.Sucuama!. esten. dondezas havia azar de kazumbi por pedaço de milongo. gredou coisa ruim.um misto de feiticeiro.centro de convívio. T´chingange: . Kaparandanda. daí o de- cabeça verde.bebidas fei- da pois que. valentia..exclamações de espanto. soprou-me e riu Berrida: . vo e deu-me berrida. na excitação avançou de no. Haka!. funante. tou-lhe toda a noite. com muku.. O Iohanda: -penedo. se depois de comer aquilo. gon´ma e já enchar- malmente era composta por mais de cados de katchipemba e os demais trezentos homens. capataz. ção de poente o sinal era por demais Quimbombo. gon´ma: . assoprar e morder. de sapa que nos levava ao rio. couros e cornos de bichos. preparar kuambus feitos de farinha que o tal Kaparandanda tinha sido de milho grelada que já repousava fa. "tempos de Kaparandan- podia ser estragado pelo Kaparan. Mussungu: .. N´jango: . Muxito: .raiva. N´nhaca: . ameaçava-me num do inteiro na arte de esconder. T´chikuku. preparo de T´chingange na Iohan. da" e. marcar território.: . que dez dias antes tinha passa. humilde. T´chikukuvanda ia comer e assustar T´chikukuvanda: . que nor. de não-se-quê com gidungo para o la. lagedo. dia até não ter fundamento. num sonho ma.

vozes a apedrejar a chuva em pleno florescimento agreste do nevoeiro que de. Desor- denado. no sentido de levar ao Carmo Neto 1. Amosse Mucavele (para a Aminata) Há gritos que o tempo e as suas garras não conseguem calar. O vento do Sharaquinspira loucura é meu. com é meu.32 | NAVEGAÇÕES 23 de Julho a 5 de Agosto de 2012 | Cultura Literatura angolana traduzida e divulgada na Alemanha Parceria entre a UEA e o Goethe Institute Se o leitor aceder ao sítio na inter. . 2. empoeirada de lágrimas costuradas por uma agulha com linhas de tristezas 1 no corpo do destino incerto. O olhar pontiagudo do jovem Massai é teu. O último suspiro de alívio ampara a é teu. O secreto aspiral de quem entra e quem sai é meu. Preto o ouro que trazes no peito ros ensardinhados no machibombo. Adobe Ver- pela professora Ineke Phaf-Rhein.2012 Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável | Segunda Década Internacional dos Povos Indígenas do Mundo 2005 – 2015 Década Internacional para a acção. melho da Terra berger.2017 Segunda Década das Nações Unidas para a Erradicação da Pobreza 2010 . Sim em qual.poetenladen. esforço levado a cabo pelo consulado mento. içar esta viagem no limbo enxertado ao modus vivendi das árvores do bosque Negro o sangue com qual me embriago e da toponímia da estação que se segue. 3. Esa divulgação além fronteiras da Literatura Angolana enquadra-se no O referido sítio exibe. A Filha do General rá ler em edição bilingue (português 4. ferno e a morte . Zetho Cunha Gonçalves.2020 Década das Nações Unidas para os Desertos e a Luta contra a Desertificação. O in- net (http://www. mundo a excelência da arte de escre- O Viajante 100 Sono Erótica Africana quer poema ver dos escritores do Quadrilátero. alegre dissertação do viajante arquitetado pelo náufrago do cansaço. traduzidos e editados 5. Sónia Gomes. “Água para a Vida” 2008 . actual secretário-ge- ral da UEA. da Humboldt-Universität de Berlim.. O resto é e alemão) poemas e contos de auto.de/pi.. A viagem continua profunda e longa. 3 [O mistério oracular dos outros antepassados é nosso?] 4 No mundo do teu e do meu AMOR só a velha interrogação cuja África representa É NOSSA! LopitoFeijóo Efemérides 2012 Ano Internacional das Cooperativas |Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos 2003 – 2012 Década da Nações Unidas para a Literacia – Educação para Todos 2005 . num espaço descalço de construções verticais da felicidade que man- tém a metáfora das asas coladas na estrada cicatrizada de buracos de sangue. muito menos apagar o fogo que branda no universo deste medo que se chama morte. neste mo.htm) pode. Verde o caldo da minha esperança é teu. poesia res angolanos. Agostinho Neto. Aquoso o líquido cujo derrame safia a consternação do chicote das abelhas ensurdecedoras. 2 O cintilante diamante da pura desgraça é meu. obras dos seguintes autores: de Carmo Neto. E para melhor é teu. António Gonçalves. José Luís Mendonça. Onde o medo invade a vida privada dos passagei. tangas/einleitung-angola.