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Teoria das estruturas e materiais

da construção civil

Núbia dos Santos Saad Ferreira

Maria Cláudia Freitas Salomão

Vanessa Rosa Pereira Fidelis
© 2013 by Universidade de Uberaba

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser
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Universidade de Uberaba
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Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE

Ferreira, Núbia dos Santos Saad

F413t Teoria das estruturas e materiais da construção civil, volume 1 / Núbia dos
Santos Saad Ferreira, Maria Cláudia Freitas Salomão, Vanessa Rosa Pereira
Fidelis – Uberaba – Universidade de Uberaba, 2013.
412 p.:

ISBN 978-85-7777-432-6

1. Teoria das estruturas. 2. Concreto armado. I. Salomão,
Maria Cláudia Freitas. II. Fidelis, Vanessa Rosa Pereira. III. Universidade de
Uberaba. IV. Título.
CDD 624.171
Sobre os autores
Núbia dos Santos Saad Ferreira

PhD em Engenharia de Estruturas pela Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Doutora em Engenharia de Estruturas pela
Universidade Federal de Uberlândia – FEMEC-UFU. Mestra em
Engenharia de Estruturas, pela Universidade de São Paulo (EESC/
USP). Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de
Uberlândia (FECIV/UFU). Pesquisadora no Laboratório de Estruturas
Prof. J.E.T.Reis, da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEMEC/
UFU), desenvolvendo pós-doutoramento em confiabilidade estrutural
e ministrando aulas de Estruturas em laboratório, para o Curso de
Graduação em Engenharia Aeronáutica.

Maria Cláudia Freitas Salomão

Mestra em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Uberlândia
(UFU). Graduada em Engenharia Civil por esta Universidade e, também,
pelo Institut National des Sciences Appliquées de Strasbourg (França).
Desenvolve projeto de doutorado sobre mitigação de eflorescências em
argamassas na Universidade de Brasília (UnB).

Vanessa Rosa Pereira Fidelis

Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Uberlândia
(UFU). Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Federal de
Uberlândia (UFU). Docente na Universidade de Uberaba (Uniube) das
disciplinas de Materiais de Construção Civil e Tecnologia da Construção
Civil. Consultora em sistemas de Gestão da Qualidade segundo as
normas ISO 9000 e SiAC.
Sumário

Capítulo 1 Concreto de Alto Desempenho – CAD................................. 1
1.1 Introdução ao Concreto de Alto Desempenho − CAD..............................................3
1.1.1 Classificação do CAD......................................................................................7
1.1.2 Características básicas do CAD......................................................................8
1.1.3 Locais de aplicação do CAD..........................................................................10
1.1.4 Exemplos de aplicação do CAD no Brasil.....................................................11
1.1.5 Resultados esperados com o uso do CAD....................................................11
1.2 Materiais constituintes do CAD...............................................................................13
1.2.1 Cimento Portland..................................................................................................13
1.2.2 Agregado miúdo.............................................................................................15
1.2.3 Agregado graúdo............................................................................................16
1.2.4 Água de amassamento..................................................................................17
1.2.5 Adição mineral................................................................................................17
1.2.6 Aditivo plastificante.........................................................................................19
1.3 Dosagem de Concretos de Alto Desempenho........................................................21
1.3.1 Cálculo da dosagem pelo método ABCP......................................................23
1.3.2 Cálculo da dosagem pelo método MEHTA & AITCIN (1990b)......................35
1.4 Produção do Concreto de Alto Desempenho..........................................................44
1.5 Propriedades no estado endurecido.......................................................................52
1.6 Viabilidade econômica no uso do CAD...................................................................54

Capítulo 2 Durabilidade das estruturas de concreto e concretos
especiais............................................................................. 69
2.1 Durabilidade das estruturas de concreto.................................................................71
2.2 Durabilidade de estruturas de concreto armado.....................................................72
2.3 Mecanismos de transporte de fluidos na matriz do concreto..................................77
2.4 Mecanismos de deterioração das estruturas de concreto armado.........................81
2.4.1 Causas físicas de deterioração do concreto.................................................82
2.4.2 Causas químicas de deterioração do concreto.............................................90
2.4.3 Causas de deterioração da armadura...........................................................98
2.5 Durabilidade das estruturas de concretos especiais.............................................101
2.6 Concreto colorido ..................................................................................................102
2.6.1 Aplicações do concreto colorido..................................................................104
2.7 Concreto branco....................................................................................................106
2.7.1 Aplicações do concreto branco....................................................................109
2.8 Concreto com utilização de resíduos....................................................................109
2.8.1 Utilização dos resíduos na construção civil................................................. 111
2.8.2 Dificuldades encontradas para o emprego dos resíduos em concretos.....112
2.8.3 Utilização do concreto com agregados reciclados......................................114
2.9 Concreto com fibras...............................................................................................115
2.9.1 Tipos de fibras disponíveis...........................................................................116
2.9.2 Aplicações do concreto com fibras..............................................................119
2.10 Concreto Projetado..............................................................................................120
2.11 Concreto compactado a rolo................................................................................123
2.11.1 Concreto Compactado com rolo para pavimentos....................................123
2.11.2 Concreto Compactado com Rolo para Barragens.....................................123
2.11.3 Aplicações do CCR....................................................................................124
2.12 Concreto massa...................................................................................................125
2.12.1 Aplicação do concreto massa....................................................................127
2.13 Concreto estrutural leve.......................................................................................128
2.13.1 Aplicações do concreto com agregados leves..........................................130
2.14 Concreto pesado..................................................................................................131
2.14.1 Aplicações do concreto com agregados pesados.....................................133
2.15 Concreto autoadensável......................................................................................133
2.15.1 Aplicações do concreto autoadensável.....................................................134
2.16 Concreto de alto desempenho............................................................................135

Capítulo 3 Estruturas planas: fundamentações e vigas isostáticas... 141
3.1 Elementos estruturais ...........................................................................................144
3.1.1 Classificação geométrica.............................................................................144
3.1.2 Classificação segundo a mecânica das estruturas.....................................145
3.2 Projeto estrutural....................................................................................................146
3.2.1 Análise da construção..................................................................................146
3.2.2 Análise da estrutura.....................................................................................147
3.2.3 Nós e barras ................................................................................................152
3.2.4 Grandezas fundamentais.............................................................................153
3.2.5 Condições de equilíbrio................................................................................154
3.2.6 Graus de liberdade.......................................................................................165
3.2.7 Superposição de efeitos..............................................................................175
3.3 Esforços solicitantes..............................................................................................176
3.3.1 Força normal ( N )........................................................................................177
3.3.2 Força cortante ( V )......................................................................................177
3.3.3 Momento fletor ( M ).....................................................................................179
3.3.4 Momento torçor ( T ).....................................................................................179
3.3.5 Relações diferenciais para os esforços solicitantes....................................180
3.4 Vigas isostáticas....................................................................................................182
3.5 Vigas gerber ou vigas articuladas..........................................................................184

Capítulo 4 Deformações em estruturas isostáticas............................ 251
4.1 Deslocamentos de corpos rígidos.........................................................................253
4.1.1 Polo absoluto................................................................................................254
4.1.2 Polo relativo..................................................................................................254
4.1.3 Propriedades das cadeias cinemáticas.......................................................255
4.1.4 Problemas de aplicação resolvidos – Parte I..............................................262
4.2 Princípios dos trabalhos virtuais (P.T.V) aplicados a corpos rígidos.....................271
4.2.1 Trabalho realizado por alguns tipos de cargas............................................272
4.3 Utilização do P.T.V. para cálculo de reações de apoio e esforços seccionais......273
4.3.1 Problemas de aplicação resolvidos – Parte II.............................................275
4.4 Utilização do P.T.V. para cálculo de deslocamentos.............................................285
4.4.1 Deslocamentos provenientes de recalques de apoio..................................287
4.4.2 Deslocamentos provenientes de variações de comprimentos de barras...287
4.4.3 Deslocamentos gerados por variação de temperatura...............................288
4.4.4 Deslocamentos gerados por cargas aplicadas na estrutura.......................290
4.4.5 Problemas de aplicação resolvidos – Parte III............................................293

Capítulo 5 Lajes maciças de edifícios – cálculo, dimensionamento
e detalhamento.................................................................. 313
5.1 Generalidades........................................................................................................316
5.2 Tipos de lajes.........................................................................................................317
5.2.1 Quanto à constituição..................................................................................317
5.2.2 Quanto aos apoios.......................................................................................318
5.2.3 Quanto aos esforços....................................................................................320
5.2.4 Quanto à situação no painel estrutural........................................................322
5.3 Comportamento estrutural.....................................................................................322
5.4 Análises para escolha do tipo de laje....................................................................323
5.4.1 Lajes maciças comuns.................................................................................323
5.4.2 Lajes maciças tipo cogumelo.......................................................................324
5.4.3 Lajes nervuradas em duas direções............................................................324
5.4.4 Lajes nervuradas em uma direção..............................................................325
5.5 Geometria da seção transversal das lajes............................................................325
5.5.1 Lajes maciças...............................................................................................326
5.5.2 Lajes nervuradas e mistas...........................................................................326
5.6 Restrições normativas para a geometria...............................................................327
5.6.1 Espessura mínima.......................................................................................327
5.6.2 Parâmetros internos das lajes nervuradas e mistas...................................327
5.7 Vãos das lajes........................................................................................................328
5.8 Condições de apoio das lajes................................................................................330
5.9 Carregamento das lajes de edifícios.....................................................................334
5.9.1 Ações permanentes mais comuns...............................................................339
5.9.2 Ações variáveis normais..............................................................................350
5.9.3 Ações variáveis normais complementares..................................................351
5.10 Cálculo dos esforços em lajes maciças isoladas................................................352
5.10.1 Cálculo de lajes armadas em uma direção...............................................353
5.10.2 Cálculo de lajes armadas em duas direções.............................................353
5.10.3 Cálculo das reações de apoio de lajes utilizando o processo das áreas..359
5.10.4 Cálculo das reações de apoio para alguns casos ....................................359
5.11 Cálculo dos esforços em lajes maciças contínuas..............................................364
5.11.1 Cálculo de lajes armadas em uma direção................................................364
5.11.2 Cálculo de lajes armadas em duas direções.............................................367
5.12 Armaduras em lajes maciças...............................................................................369
5.12.1 Cálculo da armadura (A)............................................................................369
5.12.2 Detalhamento da armadura.......................................................................370
5.12.3 Dispensa de verificação da flecha.............................................................385
5.13 Verificação da deformação em lajes maciças (flecha)........................................383
5.13.1 Cálculo da flecha........................................................................................383
5.13.2 Verificação da flecha Cálculo da flecha.....................................................385
5.13.3 Dispensa de verificação da flecha Cálculo da flecha................................385
Apresentação
Prezado(a) aluno(a).

Você está recebendo um novo livro do seu curso de Engenharia civil,
na modalidade a distância, cujo título é Teoria das estruturas e
materiais da construção civil. Nele, você encontrará cinco capítulos,
especialmente escritos para ajudá-lo(a) na construção do conhecimento
necessário à sua formação profissional.

O primeiro capítulo se ocupa do concreto de alto desempenho, referido
ao longo do livro através da sigla CAD. Além do histórico desse tipo de
concreto, você conhecerá as suas características principais, que o tornam
diferente dos concretos convencionais (CC). Como o que se pretende é
dar-lhe a orientação necessária na aplicação de tecnologias dos materiais
de construção, é importante que você aprenda uma metodologia de
dosagem de concreto de alto desempenho, dentre outras existentes,
utilizando materiais regionais, tendo oportunidade de colocá-la em prática
em laboratório. Tudo isto respaldado no conhecimento e respeito às
normas brasileiras de ensaio e de especificações.

O segundo capítulo trata da durabilidade das estruturas de concreto
e concretos especiais. Optamos por dividi-lo em duas partes, como
indicado pelo título. A primeira parte compreende desde a especificação
do concreto, ainda na fase de projeto, até o seu uso na edificação.
Complementa este estudo o conhecimento dos principais mecanismos de
degradação das estruturas de concreto. Na segunda parte, você estudará
as características dos principais tipos de concretos especiais.
X UNIUBE

“Estruturas planas: fundamentações e vigas isostáticas” é o título do
terceiro capítulo. Este capítulo visa transmitir-lhe os conhecimentos
indispensáveis sobre cálculo e dimensionamento das estruturas
construtivas. Como futuro engenheiro civil, você deverá adquirir aptidão
para identificar, classificar, calcular e analisar parâmetros referentes
a uma estrutura, qualquer que seja ela, por exemplo, uma ponte, um
edifício, uma cobertura, uma torre, dentre outras. O estudo desenvolvido
neste capítulo irá prepará-lo(a) para quando for estudar estruturas de
concreto, de aço e de madeiras, nas próximas etapas de seu curso.

O quarto capítulo, intitulado “Deformações em estruturas isostáticas”, é
uma extensão do anterior, na medida em que visa prepará-lo(a) para a
aquisição de uma competência necessária ao cálculo e dimensionamento
estruturais, qual seja, o conhecimento das deformações estruturais que
podem ocorrer numa construção. Para tanto, você aprenderá a calcular
esses deslocamentos em estruturas isostáticas, utilizando o Princípio dos
Trabalhos Virtuais (P.T.V.), que é uma importante ferramenta do cálculo
estrutural.

No quinto e último capítulo, você estudará um assunto mais específico:
as lajes maciças de edifícios, ou seja, aquelas constituídas de concreto
armado, no que concerne ao cálculo, ao dimensionamento e ao
detalhamento das mesmas. Conhecerá as características das lajes
maciças, os procedimentos para o cálculo, considerando a situação
estrutural e as prescrições normativas para seu dimensionamento.
Complementando o estudo teórico, ser-lhe-ão propostos alguns
problemas de aplicação e resolvidos com a sua participação.

Nós, os autores, estamos cientes de que não esgotamos os assuntos
abordados no livro, mas lançamos as bases para que você, com sua
curiosidade e interesse, sinta-se motivado a buscar o aprofundamento
indispensável que normalmente se faz não só ao longo da vida
UNIUBE XI

acadêmica, mas também e, principalmente, durante o exercício
profissional, fortalecendo-se cada vez mais para o enfrentamento
seguro das situações que encontrará em sua vida profissional. É o que
esperamos e desejamos.

Bons estudos!
Capítulo Concreto de Alto
1 Desempenho – CAD

Vanessa Rosa Pereira Fidelis
Maria Cláudia Freitas Salomão

Introdução
No presente capítulo, você conhecerá quando surgiu o concreto
e os principais locais onde o CAD foi aplicado no Brasil. Serão
apresentadas as principais características do CAD e de todos
os materiais constituintes, diferenciando-o dos concretos
convencionais (CC).

Você terá acesso a uma metodologia de dosagem de concreto
de alto desempenho, dentre as várias metodologias existentes,
e, assim, terá a oportunidade de fazer a dosagem de um CAD
com materiais regionais. Posteriormente, através de ensaios de
laboratório, você poderá conhecer as principais características da
mistura no estado fresco e estado endurecido.

A finalidade deste trabalho é orientar você, futuro engenheiro civil,
na aplicação de tecnologias dos materiais de construção. Com
este intuito, serão realizados, no laboratório, diversos ensaios
normalizados, visando o estudo experimental de dosagem do
concreto de alto desempenho.

Nessa perspectiva, este capítulo apresenta, pela ordem prevista
de realização, os diversos assuntos / ensaios programados,
indicando as respectivas normas brasileiras tanto de ensaio quanto
de especificações.
2 UNIUBE

Objetivos
Ao final do estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:

• reconhecer os componentes do concreto de alto desempenho;
• apontar a necessidade de utilização do concreto de alto
desempenho;
• identificar as principais características dos constituintes do
concreto de alto desempenho;
• apresentar as principais características do concreto de alto
desempenho;
• calcular a dosagem de um concreto de alto desempenho;
• definir a quantidade de materiais constituintes do concreto de
alto desempenho por metro cúbico;
• identificar as propriedades do concreto de alto desempenho
no estado fresco;
• identificar as propriedades do concreto de alto desempenho
no estado endurecido;
• aplicar o concreto de alto desempenho no desenvolvimento
de projetos estruturais de concreto armado (CA) ou concreto
protendido (CP).

Esquema
1.1 Introdução ao Concreto de Alto Desempenho – CAD
1.1.1 Classificação do CAD
1.1.2 Características básicas do CAD
1.1.3 Locais de aplicação do CAD
1.1.4 Exemplos de aplicação do CAD no Brasil
1.1.5 Resultados esperados com o uso do CAD
1.2 Materiais constituintes do CAD
1.2.1 Cimento Portland
1.2.2 Agregado miúdo
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1.2.3 Agregado graúdo
1.2.4 Água de amassamento
1.2.5 Adição mineral
1.2.6 Aditivo plastificante
1.3 Dosagem de Concretos de Alto Desempenho
1.3.1 Cálculo da dosagem pelo método ABCP
1.3.2 Cálculo da dosagem pelo método MEHTA & AITCIN
(1990b)
1.4 Produção do Concreto de Alto Desempenho
1.5 Propriedades no estado endurecido
1.6 Viabilidade econômica no uso do CAD

1.1 Introdução ao Concreto de Alto Desempenho − CAD

O concreto permaneceu, por mais de um século, como uma mistura de
cimento, areia, pedra e água. Nas últimas décadas, com o avanço no
desenvolvimento de aditivos e adições, o concreto passou a contar com
a melhoria da resistência, da compacidade e da trabalhabilidade.

Segundo Mendes et al (2007), desde os anos 50, muitas obras foram
realizadas com concretos de alta resistência, no entanto, nesta
época, ainda não havia significativa preocupação com a durabilidade
das estruturas construídas com esse material. O Concreto de Alto
Desempenho (CAD) começou a ser estudado há cerca de 40 anos,
porém, somente há vinte anos que a utilização dessa tecnologia foi
viabilizada técnica e economicamente para uso em algumas obras.

Devido às suas características de alta resistência e durabilidade, o
CAD está gradualmente substituindo o concreto de resistência normal,
principalmente em estruturas expostas a ambientes agressivos.

Já em 1997, publicou-se a evolução da substituição das estruturas de aço
por estruturas de concreto em edifícios com mais de 220m nos Estados
4 UNIUBE

Unidos, no período de 1969 a 1993. Nesse período, passou-se de 20%
de opção pela estrutura de concreto armado, conforme apresentado na
Figura 1.

Figura 1: Evolução do emprego de estruturas de concreto na construção de edifícios
altos nos EUA (mais de 220m).
Fonte: Adaptado de CAD (1997).

O Concreto de Alto Desempenho ainda é muito associado ao concreto
de alta resistência. Entretanto, o CAD agrega à alta resistência o
desempenho, a durabilidade e aumento de vida útil, previstos na NBR
6118 (2003).

Em janeiro de 2004, a revista Téchne publicou uma matéria sobre o
Concreto de Alta Resistência para demonstrar o avanço dos estudos e a
importância do CAD para a Engenharia.

Vejamos, a seguir, alguns trechos importantes da referida matéria:
O concreto de alto desempenho já é uma realidade
no Brasil e o emprego de concretos com resistências
maiores que as usuais - de 40 a 50 MPa – tem se
difundido muito nos últimos anos. As empresas de
concreto pré-misturado, bem como os centros de
pesquisa, estão capacitados a obter esses concretos
UNIUBE 5

usados principalmente em estruturas de edifícios,
pontes e pré-moldados, reduzindo a seção de
pilares e cargas nas fundações e aumentando a
durabilidade. No entanto, ultrapassar a barreira dos
100 MPa com um concreto dosado em central e
aplicado em uma estrutura real, com vantagens
econômicas e técnicas foi, por muito tempo, um
sonho a ser realizado pela engenharia nacional.

Esse foi o grande desafio que motivou construtores,
consultores, calculistas, empreendedores e fornecedo-
res de concreto a, no final de 2001, desenvolverem um
concreto resistente e durável, capaz de romper a barrei-
ra dos 100 MPa em obra. A realidade foi muito além
dessa resistência, e levou o Brasil ao recorde mundial,
com o uso do concreto colorido de alto desempenho fck
115 MPa, com resistência média de 125 MPa e máxima
de 149,5 aos 28 dias, e 155,5 MPa aos 63 dias.
A história da engenharia brasileira apresenta obras
pioneiras e grandes recordes em estruturas de
concreto, entre os quais podem ser citados o Edifício A
Noite, no Rio de Janeiro (1928), com recorde mundial
em altura de 103 m. Em São Paulo, podem ser citados
o Edifício Martinelli com 106 m, de 1929, e o Edifício
Itália, de 1959, com 168 m de altura. Outro recorde
alcançado pelo Brasil foi o de maior vão livre em laje
reta com o Masp (Museu de Arte de São Paulo), obra
pioneira de concreto de alto desempenho (fck igual a 45
MPa) em 1968. No Edifício Cenu (Centro Empresarial
Nações Unidas), o recorde foi de bombeamento
do concreto com uma só bomba a uma altura de
aproximadamente 158 m, e o de maior volume de CAD
já empregado em uma obra no Brasil - fck 50 MPa -
considerado relativamente alto para os padrões até
então empregados no País, com resistência média, aos
28 dias, de 60 MPa.
e-Tower
O e-Tower é um edifício comercial com 162 m de altura
(do piso do 4º subsolo à cobertura), localizado na Vila
Olímpia em São Paulo, em construção pela Tecnum.
O desafio seguinte foi a produção do CAD colorido. A
dosagem e o estudo de laboratório foram desenvolvidos
em conjunto pelo consultor de concreto e sua equipe e
a empresa responsável pelo fornecimento do concreto.
6 UNIUBE

O CAD como solução
O CAD foi a solução técnico-econômica apresentada
à Tecnum para o edifício e-Tower, em decorrência da
necessidade de se reduzir as dimensões dos pilares
da fachada Norte que apresentavam elevada carga
nos subsolos. O estudo inicial previa uma seção
resistente da ordem de 0,80 m2, algo em torno de 90
x 90 cm. Isto, para o fck, resistência característica à
compressão de 40 MPa adotada para todo o edifício (já
considerado um fck alto para os padrões brasileiros).
Mas a arquitetura solicitava que as dimensões máximas
desses elementos estruturais não ultrapassassem 60
x 70 cm. Para tanto, aumentou-se o fck do concreto
para 80 MPa, e todo o cálculo estrutural foi refeito pela
equipe do calculista estrutural Ricardo França. A figura 5
apresenta a solução adotada (fck 80 MPa) comparada a
um pilar com fck 40 MPa.
O que condicionou o emprego do CAD, além da elevada
durabilidade, foi a distância necessária entre pilares
para permitir o encaixe de duas vagas médias: no
mínimo 4,2 m, sendo o mais aconselhável 4,40 m - na
cidade de São Paulo, o Código de Obras estabelece
que a vaga média deve ter no mínimo 2,10 m de largura.
Além disso, para não prejudicar a circulação dos veículos
nem desrespeitar o projeto aprovado na Prefeitura, os
pilares deveriam facear o corredor de forma alinhada e a
maior dimensão estar limitada a 70 cm.
O emprego do CAD de 80 MPa (fck de projeto)
cumpriria com folga esses requisitos e ainda traria
benefícios extras à estrutura, tais como durabilidade,
aumento da vida útil e maior módulo de elasticidade,
além de ter a maior resistência à compressão
característica já empregada em obra, 80 MPa, com
resultados de fck de 115 MPa. Tal fato levou ao maior
módulo de elasticidade já empregado em uma obra:
47,9 GPa, pelo que se tem notícias na literatura
internacional.

Como já vimos, CAD significa Concreto de Alto Desempenho e é assim
chamado, pois é um concreto especial que associa a alta resistência à
compressão, à melhoria do desempenho, durabilidade e aumento da vida
útil em relação aos concretos convencionais.
UNIUBE 7

O CAD é um concreto com características especiais de desempenho,
as quais não poderiam ser obtidas apenas utilizando-se dos materiais
convencionais de produção do concreto.

1.1.1 Classificação do CAD

Segundo padrões normativos brasileiros, entende-se que o CAD deve
ter, no mínimo, 50 MPa (NBR 8953:2009) de resistência à compressão
e demais propriedades exigidas pela obra, de acordo com os fins aos
quais a obra se destina.

De acordo com a classificação proposta por Amaral (CAD, ABCP, 1997),
o CAD pode ser dividido em quatro categorias de resistência, conforme
apresentado no Quadro 1.

Quadro 1: Classificação dos Concretos de Alto Desempenho
Resistência à compressão Equipamentos de produção Materiais

Cimento Portland
Baixa < 25MPa Canteiro comum Areia
Agregado comum

Cimento Portland
Areia
Centrais com bom controle
Média 25-50MPa Agregado comum
tecnológico
Superfluidificante (ver item 2)
Com ou sem adição

Cimento Portland
Areia
Centrais com rigoroso
Alta 50-90MPa Agregado selecionado
controle tecnológico
Superfluidificante
Sílica ativa (ver item 2)

Cimento Portland
Areia ou bauxita calcinada
Fábricas de pré-fabricados
Ultra Alta > 90MPa Agregado de bauxita calcinada
e instalações especiais
Superfluidificante
Sílica ativa

Fonte: CAD, 1997.
8 UNIUBE

SAIBA MAIS

BAUXITA CALCINADA
A rocha bauxita compõe-se de uma mistura impura de minerais de
alumínio. Esses minerais são conhecidos como oxi-hidróxidos de alumínio
e suas proporções na rocha variam muito entre os depósitos, bem como
o tipo e a quantidade das impurezas do minério. A maioria das bauxitas,
economicamente aproveitáveis, possui um conteúdo de alumina (Al2O3)
entre 50 e 55% e o teor mínimo para que ela seja aproveitável é da ordem
de 30% (ANJOS E SILVA, 1983).

Quando a bauxita é calcinada, os constituintes mais voláteis são liberados,
restando uma mistura cujo teor de Al2O3 permanece entre 80 e 90%. (SAMPAIO
et al, 2005).

1.1.2 Características básicas do CAD

1.1.2.1 Resistência

O Concreto de Alto Desempenho possui alta resistência à compressão
em todas as idades, alcançada com a combinação dos constituintes da
mistura.

1.1.2.2 Compacidade

Devido à sua melhor estrutura granulométrica e menor porosidade
esperada na produção, o CAD apresenta-se mais compacto no estado
endurecido.

1.1.2.3 Impermeabilidade

Com uma estrutura mais compacta, o CAD torna-se menos permeável que
o concreto comum. Enquanto que em um concreto comum a porosidade
UNIUBE 9

é de 25 a 30%, no CAD, esse valor cai para 5% (ABCP, 1997). Segundo
os autores, para validação dessa característica, a cura do concreto deve
ser bem feita e iniciada assim que a superfície apresente condições de
ser molhada.

SAIBA MAIS

CURA
Procedimento destinado a promover a hidratação do cimento. Durante o
processo de cura, o concreto ganha resistência.
A cura pode ser realizada de diversas formas, logo após a concretagem e
assim que a estrutura apresente condições. Dentre estas formas têm-se: cura
úmida por aspersão de água, submersão e recobrimento e cura química.

1.1.2.4 Durabilidade

Ainda, devido à característica de maior compacidade, pode-se afirmar
que o CAD é mais durável que os concretos comuns. O CAD apresenta-
se com menor quantidade de fissuras, e, por isso, dificulta o acesso de
agentes agressivos externos.

1.1.2.5 Trabalhabilidade

Com o uso de aditivos superplastificantes, o concreto torna-se bastante
trabalhável.

RELEMBRANDO

Trabalhabilidade
A trabalhabilidade do concreto é influenciada pela consistência que
apresenta, ou seja, quanto mais trabalhável o concreto se apresentar, maior
é a consistência.
A consistência do concreto é medida pelo abatimento do tronco de cone ou
também chamado de slump test. (NBR NM 67:1998).
10 UNIUBE

Assim, para ser considerado um Concreto de Alto Desempenho, o
concreto deve:

• apresentar a necessidade de uso de aditivos superplastificantes
(SP), responsáveis pela trabalhabilidade;
• fazer uso de adições minerais ao cimento, como a sílica ativa e a
argila calcinada;
• possuir baixa relação água/aglomerante;
• alcançar alta resistência nas primeiras idades;
• ter baixa porosidade;
• exigir um consumo mais alto de aglomerante (cimento+adições);
• requerer um baixo consumo de água;
• utilizar agregados de boa qualidade;
• ser de fácil lançamento.

1.1.3 Locais de aplicação do CAD

O Concreto de Alto Desempenho já é utilizado em substituição aos
concretos convencionais, mesmo em projetos que não exigem grandes
resistências, mas que se tornem mais duráveis. Embora, o alto custo
de produção desse concreto, ele ainda é o mais utilizado em grandes
construções como:

• edifícios altos;
• plataformas submarinas;
• pontes e viadutos;
• pisos industriais;
• pavimento rígido de rodovias e outros.
UNIUBE 11

1.1.4 Exemplos de aplicação do CAD no Brasil

No Brasil, o uso de CAD torna-se cada vez mais comum. Percebe-se
que o concreto convencional já é substituído com êxito em grandes
construções.

A seguir, poderemos conhecer algumas obras no Brasil que foram
executadas com CAD.

• Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Rio de Janeiro, com
fck igual a 50 MPa;
• Museu de Arte de São Paulo, com 50 MPa;
• Centro Empresarial das Nações Unidas, em São Paulo, com pilares
de 60 MPa;
• Edifício e-Tower, com 42 andares, e entre os mais altos do país,
situado na Vila Olímpia em São Paulo. Atingiu resistência média de
125MPa em 5 pilares de 7 pavimentos;
• Edifício Banco de Tokyo, em Salvador (BA), tendo atingido 60 MPa;
• Pavimentos rígidos, como os da ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro,
e outros.

1.1.5 Resultados esperados com o uso do CAD

Em edifícios altos, consegue-se reduzir áreas e volumes das peças
dos andares mais baixos, proporcionando aumento da área útil. O CAD
possibilita também o reaproveitamento e a rápida reutilização de formas,
menor taxa de armaduras, além do aumento da velocidade da construção
em altura, oriunda da desforma rápida, proveniente do ganho rápido de
resistência, podendo antecipar o carregamento das peças em menores
idades. Portanto, com a utilização do Concreto de Alto Desempenho,
espera-se:
12 UNIUBE

na fase de projeto:

• redução de cargas de fundação;
• estruturas mais esbeltas com redução de seção de pilares, maiores
vãos, aumento da área útil das edificações;
• grande utilização em estruturas pré-moldadas para pontes, tais como
vigas protendidas dentre outros;

na fase de execução da obra:

• maior velocidade de execução;
• facilidade de lançamento (autoadensável);
• redução do cronograma com o aumento da resistência nas primeiras
idades e outros;

no fase de uso do empreendimento executado:

• aumento da durabilidade;
• aumento da vida útil;
• capacidade de fornecer melhor resistência ao desgaste;
• melhor resistência a ataques químicos;
• baixa permeabilidade, dentre outros.

Após a utilização do CAD na construção do e-Tower, o estudo
comparativo com um concreto de 25MPa demonstrou os seguintes
resultados, validando as expectativas para concretos de alto desempenho
(Téchne, 2004):

• altas resistências à compressão, tanto a baixas idades quanto a
idades avançadas;
• carbonatação reduzidíssima e baixo coeficiente de difusão de
cloretos, levando a um aumento na vida útil da estrutura;
• reduzidíssima permeabilidade a gradientes de pressão de água e de
gases;
• reduzido risco de corrosão de armaduras;
UNIUBE 13

• elevado módulo de elasticidade, ou seja, pequenas deformações;
• ausência de exsudação;
• ausência de segregação no lançamento e adensamento;
• facilidade de execução;
• redução das cargas nas fundações;
• redução da seção dos pilares do subsolo. Como consequência,
tem-se uma redução do volume de concreto empregado, de formas
e armaduras e, ainda, diminuição de mão de obra. Na obra do
e-Tower, o ganho foi de 16 vagas de estacionamento nos subsolos,
o que representa, aproximadamente, US$ 80 mil, pois cada vaga de
estacionamento foi avaliada em US$ 5 mil.

1.2 Materiais constituintes do CAD

1.2.1 Cimento Portland

Conforme você já estudou, o cimento é um aglomerante hidráulico.
Isto quer dizer que endurece em contato com a água, posteriormente
formando um produto resistente à água.

Podemos afirmar que para a produção do CAD, podem-se utilizar todos
os tipos de cimento Portland. A seguir, exemplificamos três tipos de
cimento para a produção do CAD.

Exemplos:

• Cimento Portland CP II E 32;
• Cimento Portland CP III 40;
• Cimento Portland CPV.
14 UNIUBE

RELEMBRANDO

Tipos de Cimento
Os tipos de cimento são:
• Comum
Composição (% em massa)
Tipo de Clínquer Escória
Material Material Norma
cimento Sigla granulada
+ pozolânico carbonático Brasileira
Portland de alto-forno
(sigla Z) (sigla F)
Gesso (sigla E)

CP I 100 –
NBR
Comum
5732
CP I-S 99-95 1-5

• Composto
Composição (% em massa)
Tipo de
Clínquer Escória Material Material Norma
cimento Sigla
+ granulada de pozolânico carbonático Brasileira
Portland
Gesso alto-forno (sigla E) (sigla Z) (sigla F)

CP II-E 94-56 6-34 – 0-10
NBR
Composto CP II-Z 94-76 – 6-14 0-10
11578
CP II-F 94-90 – – 6-10

• Alto Forno e Pozolânicos

Composição (% em massa)
Tipo de
Clínquer Escória Norma
cimento Sigla Material Material
+ granulada de Brasileira
Portland pozolânico carbonático
Gesso alto-Forno

Alto-Forno CP III 65-25 35-70 – 0-5 NBR 5735

Pozolânico CP IV 85-45 – 15-50 0-5 NBR 5736
UNIUBE 15

• Alta Resistência Inicial

Composição (% em massa)
Tipo de cimento Clínquer Norma
Sigla Material
Portland + Brasileira
carbonático
gesso

Alta Resistência Inicial CP V-ARI 100-95 0-5 NBR 5733

1.2.2 Agregado miúdo

Comparando-se com os demais materiais, a escolha do agregado miúdo
não é de grande importância para a obtenção de alta resistência no
concreto.

Os mesmos cuidados com o agregado miúdo, na produção de concreto
convencional (CC), também, tornam-se essenciais na produção do CAD.
Deve-se preocupar principalmente com as impurezas orgânicas e argilas
no agregado.

Segundo a NBR 7211 (1983), as quantidades de substâncias nocivas não
devem exceder os limites máximos em porcentagem do peso do material:

(a) Torrões de argila e partículas friáveis, determinados de acordo com
a NBR 7218:
• em concreto cuja aparência é importante --------------------------- 1,0;
• em concreto submetido a desgaste superficial --------------------- 2,0;
• nos demais concretos ----------------------------------------------------- 3,0.

(b) Material pulverulento, determinado de acordo com a NBR 7219 -------- 1,0;

(c) Materiais carbonosos, determinados de acordo com ASTM C 123:
• em concreto cuja aparência é importante ----------------------------- 0,5
• nos demais concretos ------------------------------------------------------ 1,0.
16 UNIUBE

Agregados miúdos de origem natural, como areias, são ideais para uso
em CAD, devido à sua forma arredondada e textura suave (FREITAS
JR, 2005).

A seguir, na Tabela 1, apresentam-se os limites de distribuição granulo-
métrica do agregado miúdo, segundo a NBR 7211(1983).

Tabela 1: Limites granulométricos de agregado miúdo.

Porcentagem, em peso, retida acumulada
Peneira na peneira ABNT, para a:
ABNT Zona 1 Zona 2 Zona 3 Zona 4
(muito fina) (fina) (média) (grossa)
9,5 mm 0 0 0 0
6,3 mm 0a3 0a7 0a7 0a7
4,8 mm 0a5 0 a 10 0 a 11 0 a 12
2,4 mm 0a5 0 a 15 0 a 25 5 a 40
1,2 mm 0 a 10 0 a 25 10 a 45 30 a 70
0,6 mm 0 a 20 21 a 40 41 a 65 66 a 85
0,3 mm 50 a 85 60 a 88 70 a 92 80 a 95
0,15 mm 85 a 100 90 a 100 90 a 100 90 a 100
Fonte: NBR (7211:1983).

1.2.3 Agregado graúdo

O agregado graúdo é mais importante à medida que a exigência pela
resistência à compressão aumenta. A dimensão máxima característica
dos grãos deve ser a menor na opção para o uso no CAD.

Agregados graúdos originários de pedras britadas são melhores para
a produção do CAD. Para os critérios de pureza, utiliza-se do mesmo
procedimento adotado para os agregados miúdos. No método Mehta
& Aitcin (1990b), os autores definem a dimensão do agregado graúdo
entre 10 e 15 mm.
UNIUBE 17

A seguir, na Tabela 2, apresentam-se os limites de distribuição
granulométrica do agregado graúdo, segundo a NBR 7211 (1983). A
coluna “graduação” indica o tipo de agregado.

Tabela 2: Limites granulométricos de agregado graúdo

Gradua- Porcentagem retida acumulada, em peso, nas peneiras de abertura nominal, em
ção mm, de:

152 76 64 50 38 32 25 19 12,5 9,5 6,3 4,8 2,4

80- 95-
0 - - - - - - - - 0 0-10 -
100 100
80- 92- 95-
1 - - - - - - 0 0-10 - -
100 100 100
75- 90- 95-
2 - - - - - 0 0-25 - - -
100 100 100
75- 87- 95-
3 - - - 0 0-30 - - - - -
100 100 100

75- 90- 95-
4 - 0 0-30 - - - - - - -
100 100 100

5 - - - - - - - - - - - - -

Fonte: NBR (7211:1983).

1.2.4 Água de amassamento

A NBR 12654 (1992) estabelece que a água deve ser isenta de teores
prejudiciais de substâncias estranhas.

A água de uso em concretos de alta resistência deve seguir os mesmos
requisitos aplicáveis para concretos convencionais. A água deve ser
potável e advinda da rede de abastecimento público (NBR 6118:2003).

1.2.5 Adição mineral

A adição mineral preenche os vazios entre os grãos maiores, propiciando
uma estrutura mais compacta e proporcionando o melhor empacotamento
18 UNIUBE

das partículas de cimento, aumentando a resistência e durabilidade do
concreto.

Segundo Mehta e Monteiro (1994), é muito difícil se obter concretos com
resistências à compressão superiores a 59MPa aos 56 dias, sem o uso
de sílica ativa.

Nesse capítulo, optou-se pela sílica ativa como adição. A base da
composição sílica ativa é o dióxido de silício (SiO2). A sílica ativa é um
pó fino de cor cinza clara, parecido com o cimento. Entretanto, a sua
granulometria assemelha-se à fumaça de cigarro.

Enquanto a finura do cimento fica entre 30 e 100 mícrons, a sílica
ativa possui microgrãos da ordem de 0,5mícrons. Assim, as partículas
introduzem-se nos espaços entre os grãos de cimento, reduzindo o espaço
disponível para a água e atuando como pontos de nucleação de produtos
de hidratação, conforme demonstrado a seguir (Elkem, 2001, p1):

As principais contribuições da sílica ativa no concreto são:
• resistências mecânicas elevadas;
• ausência de segregação e exsudação;
• baixa permeabilidade;
UNIUBE 19

• melhor resistência em meios agressivos;
• maior durabilidade.

RELEMBRANDO

Segregação
A separação dos agregados da pasta de cimento é definida como
segregação. Este fato prejudica a aderência da pasta aos agregados e à
armadura.

Exsudação
Normalmente, uma camada de água se formará nas superfícies horizontais
de um concreto convencional devido à acomodação dos compostos do
concreto no estado fresco, pressionando a água para a superfície. Após
a secagem, forma-se uma película frágil e quebradiça na superfície do
concreto. Este fenômeno é conhecido como exsudação.

1.2.6 Aditivo plastificante

A redução na quantidade de água aumenta a resistência do concreto,
mas reduz a trabalhabilidade. Assim, os concretos de alto desempenho
são produzidos com aditivos superplastificantes, que permitem
reduzir a quantidade de água mantendo e até mesmo melhorando a
trabalhabilidade.

Os aditivos são produtos que adicionados (em pequena quantidade) a
concretos de cimento Portland, modificam algumas de suas propriedades,
no sentido de melhor adequá-las a determinadas condições. (NBR
11768:1992).

Segundo a NBR 11768 (1992), os tipos de aditivo são:
(a) tipo P – aditivo plastificante;
20 UNIUBE

(b) tipo R – aditivo retardador;
(c) tipo A – aditivo acelerador;
(d) tipo PR – aditivo plastificante retardador;
(e) tipo PA – aditivo plastificante acelerador;
(f) tipo IAR – aditivo incorporador de ar;
(g) tipo SP – aditivo superplastificante;
(h) tipo SPR – aditivo superplastificante retardador;
(i) tipo SPA – aditivo superplastificante acelerador.

Os aditivos químicos geralmente utilizados em CAD são os redutores de
água dos tipos plastificante e, principalmente, superplastificante, também
chamados de superfluidificantes.

O uso destes aditivos possibilita a diminuição da relação água/cimento,
sem que haja perda na consistência, permitindo a obtenção de misturas
trabalháveis, o que provoca um aumento na resistência e na durabilidade.

Veja o significado
• Aditivo redutor de água plastificante – Produto que aumenta o índice
de consistência (IC) do concreto, mantida a quantidade de água
de amassamento, ou que possibilita a redução de, no mínimo, 6%
da quantidade de água de amassamento para produzir um concreto
com determinada consistência (NBR 11768:1992).

• Aditivo superplastificante ou superfluididificante – Produto que
aumenta o índice de consistência do concreto, mantida a
quantidade de água de amassamento, ou que possibilita a redução
de, no mínimo, 12% da quantidade de água de amassamento,
para produzir um concreto com determinada consistência (NBR
11768:1992).
UNIUBE 21

A quantidade ideal de aditivo é obtida em laboratório e vem definida nas
embalagens dos aditivos (normalmente entre 0,5 a 2,5% da massa de
cimento ou aglomerante).

CURIOSIDADE

Em concretos convencionais, a relação a/c é, em geral, superior a 0,50.

IMPORTANTE!

Quanto menor a Relação a/c:
• MAIOR a resistência do concreto;
• MENOR a quantidade de água no concreto;
• MENOR o índice de consistência do concreto verificado no slump test;
• MENOR a trabalhabilidade e mais difícil de realizar a homogeneidade
da mistura.

O aditivo químico entra para compensar a falta de água sem ocasionar
perda da RESISTÊNCIA do concreto.

1.3 Dosagem de Concretos de Alto Desempenho

Em geral, utiliza-se de 5 a 15 litros de superplastificante para a
substituição de 45 a 75 litros de água por m3 de concreto, o que
corresponde a 30% do total da mistura. A sílica ativa é essencial acima
dos 55 MPa. Ainda, a adição fica em torno de 8%, podendo chegar até
15% (ABCP, 1997). Veja a Figura 2:
22 UNIUBE

Figura 2: Consumo de cimento por metro cúbico de concreto.
Fonte: Adaptado de ABCP (1997).

As proporções usuais dos diversos tipos de materiais para a produção
de 1m3 de concreto estão em média dentro dos seguintes limites (ABCP,
1997):

• cimento – entre 450Kg e 600Kg;
• agregado miúdo – 600Kg e 500Kg;
• agregado graúdo – 1100Kg e 1000Kg;
• relação a/c – 0,2 e 0,4;
• superplastificante – 0,3% a 2%;
• sílica ativa – 7% a 15%.

Eventualmente, utiliza-se aditivo retardador de pega até 0,5%.

RELEMBRANDO

Aditivo RETARDADOR
O aditivo retardador é o produto que aumenta os tempos de início e fim de
pega do concreto.
UNIUBE 23

Segundo Mendes (2005), produzir concreto com métodos específicos
apresenta um consumo de cimento significativamente menor que a
dosagem por métodos convencionais. Ademais, os métodos específicos
para o CAD são mais simplificados e partem de pressupostos já
analisados, devendo ser escolhido o método mais adequado às
condições técnicas disponíveis.

Dentre estes, está o método do IPT/EPUSP modificado (CREMONINI
et al., 2001); o método Mehta/Aïtcin (Mehta e Aïtcin, 1990b) e o método
Aïtcin (AÏTCIN, 2000). O primeiro é o mais adequado à realidade brasileira
e objetiva um menor consumo de cimento. O segundo é utilizado para
concretos de 60 a 120 MPa e bastante simplificado e, por fim, o terceiro
método é utilizado para concretos de 40 a 160 MPa.

Neste capítulo, apresentaremos o método ABCP adaptado para a
produção do CAD e, dentre os métodos específicos, optamos pela
escolha do método do Mehta & Aitcin (1990b), por apresentar uma forma
mais simplificada de definição dos valores para os materiais constituintes.

1.3.1 Cálculo da dosagem pelo método ABCP

Todo o cálculo da dosagem pelo método apresentado pela ABCP foi
extraído do material Concreto de Alto Desempenho, publicado pela
Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), no ano de 1999, e
distribuído gratuitamente pela Associação.

A resistência à compressão média de dosagem é calculada da mesma
forma que os concretos convencionais pela seguinte equação:

f cm ,d = f ck + 1, 65 × sc ,d

Segundo o método, para 28 dias de idade, e desde que não se disponha
de resultados anteriores desse concreto, o desvio padrão de dosagem
deve ser estimado e adotado. Esse coeficiente, que representa a
24 UNIUBE

variabilidade do processo de produção do concreto, pode ser diferente
dos valores preconizados pela NBR 12655, que são 4,0; 5,5 e 7,0MPa.

A variabilidade da resistência do CAD é muito influenciada pela
variabilidade da resistência do cimento. Pode-se expressar a variabilidade
da resistência do concreto como dependente, principalmente, da
variabilidade da resistência do cimento e da relação água/cimento do
concreto através de modelos específicos.

Equação para estimativa de desvio padrão de CAD:

k1 × vcc2 k1 × ln 2 k2 × sa2/ c
s =+
2
c 2×a / c 2×a / c
+ se2
k2 k2

sc – desvio padrão da resistência do concreto em MPa;
vcc – coeficiente de variação da resistência normal do cimento em
MPa/MPa;

sa / c – desvio padrão da reação água/cimento no concreto em Kg/
Kg;

se – desvio padrão das operações de ensaio no concreto em MPa;
a / c – desvio padrão da resistência do concreto em MPa;
k1 e k2 – constantes da equação de Abrams que dependem do
cimento e da idade de ensaio considerada.

Por facilidade de previsão de desvio padrão mais provável de
produção real e em grandes volumes comerciais de um concreto
CAD com resistência acima de 40MPa, recomenda-se adotar
o desvio padrão como sendo equivalente a 10% da resistência
característica que se deseja.

Posteriormente, com a produção do concreto tendo entrado em regime,
UNIUBE 25

esse valor adotado inicialmente pode e deve ser corrigido, de forma a
refletir a variabilidade efetiva daquela produção.

1.3.1.1 Dosagem do concreto

Dentre os vários métodos de dosagem de concretos de alto desempenho,
pode ser conveniente empregar aquele que se utiliza do diagrama de
dosagem para corrigir o traço inicial, sem necessidade de novos estudos
laboratoriais ou de campo.

Devido aos elevados consumos de aglomerantes, os CAD, em geral,
são bombeáveis com facilidade e apresentam grande coesão e pouca
exsudação. Devido à grande coesão proporcionada pela sílica ativa,
recomenda-se trabalhar com abatimento do tronco de cone, de pelo
menos 120mm.

RELEMBRANDO

Abatimento do tronco de cone

O abatimento do tronco de cone (Figura 3) é um método para determinar a
consistência do concreto fresco por meio da medida de seu assentamento
em laboratório e obra.

Figura 3: Ensaio de consistência
do concreto fresco.

O procedimento para a realização do ensaio está descrito na NBR NM 67
(1996).
26 UNIUBE

Um exemplo típico de um estudo de dosagem pode ser o exemplificado
a seguir, em que se apresenta uma família de concretos de elevada
resistência com abatimento do tronco de cone de 120 20mm.

EXEMPLIFICANDO!

Exemplo de estudo de dosagem de CAD

Estudo de dosagem de concreto de resistência característica à compressão
aos 28 dias de idade de 50 MPa, sem sílica ativa e com consistência medida
pelo abatimento do tronco de cone de 120 20mm.

Materiais

Neste estudo, foram utilizados os materiais caracterizados e identificados
a seguir:
• Aglomerante

Como aglomerante hidráulico único foi utilizado o cimento Portland composto
(CP II E 40), conforme NBR 11578 (1991) e resultados dos ensaios de
caracterização físico-mecânica e química.

• Agregados

Como agregados, foram utilizados areia proveniente de cava, média
quartzosa de Itaporanga, areia artificial de britagem de calcário e pedra
britada granítica n.1 de Dmáx ≤ 19mm , atendendo à NBR 7211 (1983),
conforme resultados de ensaios de caracterização.

• Aditivos

Foram utilizados os produtos comerciais identificados como Aditivo
Plastificante e Aditivo Superplastificante, ambos de uso corrente pela
Empresa de Serviços de Concretagem e com bom comportamento
comprovado em centenas de m3 de concreto.
UNIUBE 27

• Água de amassamento

Foi utilizada água potável proveniente do abastecimento da Sabesp para
São Paulo/SP.

• Requisitos

Os concretos foram dosados visando atender aos seguintes requisitos:

• Resistência característica à compressão aos 28 dias:

De acordo com o projeto estrutural, f ck ≥ 50 MPa .
Para atender à exigência de projeto, é necessário dosar o concreto para
uma resistência média de:

f cm ,d = f ck + 1, 65 × sc ,d

em que o desvio padrão provável será admitido como de 6 MPa, a favor da
segurança, pois a NBR 6118 e a NBR 12655 da ABNT permitem, no caso
de dosagem dos materiais em massa e com umidade controlada, adotar
um desvio padrão de até 4,0 MPa, o que é muito baixo no caso dos CAD.
Portanto, deve-se adotar neste caso, f ck ≥ 60 MPa .

• Trabalhabilidade do concreto fresco:

Conforme entendimentos mantidos com os engenheiros da obra, o concreto
para pilares do andar tipo, que será transportado por grua e caçamba e
adensado energicamente, poderá ter consistência, quando fresco, medida
pelo abatimento do tronco de cone (NBR NM 67, 1996) de 120 ± 20 mm.

Para atender ao espaçamento entre armaduras, ficou estabelecido que a
dimensão máxima característica do agregado graúdo deverá ser de 19 mm.

Para atender ao preenchimento dos espaços e fazer frente ao chamado
“efeito parede”, que atrai a pasta e a argamassa para todas as superfícies
de contato, e considerando a elevada densidade de armadura da maioria
28 UNIUBE

dos pilares, ficou decidido utilizar um concreto bem argamassado, com teor
de argamassa seca de 57%, bem acima dos 49% mínimos necessários que
seriam ideais apenas para assegurar um concreto compacto em grandes
volumes sem armadura.

• Outras propriedades:

Sem dúvida, é desejável que esse concreto apresente pouca retração de
secagem, módulo de elasticidade aos 28 dias acima de 33 GPa, reduzida
carbonatação, e outras propriedades que não foram consideradas prioritárias
e que serão “avaliadas” indiretamente, com base na experiência e na
bibliografia especializada.

Vejamos, agora, um experimento:

A metodologia utilizada neste estudo contemplou as seguintes variáveis:

• Variáveis independentes
Proporção cimento/agregado total, em massa seca (8 traços):
1:2,5 | 1:2,8 | 1:3,3 | 1:3,8 → concretos com plastificante;
1:2,8 | 1:3,3 | 1:3,8 | 1:4,3 → concretos com superplastificante.
- Teor de argamassa seca → 57% em massa;
- Abatimento do tronco de cone, consistência → 120 20 mm;
- Aditivo plastificante → 0,3%;
- Aditivo superplastificante → 0,7%;
- Areia média natural/total de areia → 57% em massa.

• Variáveis intervenientes

- Relação água/cimento;
- Teor de argamassa aprisionado;
UNIUBE 29

- Massa específica do concreto adensado;
- Consumo de cimento.

• Variáveis dependentes
- Resistência à compressão axial aos 7d, 28d, 63d, 91d. Ensaio segundo
os métodos NBR 5738 e NBR 5739, sendo dois corpos de prova por
idade.

- Módulo de elasticidade tangente ou inicial a 0,4 fc, aos 3d, 7d e 28d.
Ensaio segundo os métodos NBR 5738 (2003) e NBR 8522 (2008), sendo
três corpos de prova por idade.

SAIBA MAIS

Módulo de elasticidade

O módulo de elasticidade do concreto é um dos parâmetros utilizados
nos cálculos estruturais, que relaciona a tensão aplicada à deformação
instantânea obtida, conforme a NBR 8522 (Concreto − Determinação do
Módulo de Deformação Estática e Diagrama Tensão x Deformação − Método
de Ensaio).

O módulo permite ter uma melhor noção do comportamento da estrutura
com relação à desforma ou a outras características desejadas do concreto.

É bom lembrar que um concreto com alta resistência à compressão, nem
sempre é um concreto pouco deformável (PORTAL DO CONCRETO, 2010).

Resultados Obtidos

• Concreto Fresco
30 UNIUBE

Observe a Tabela 3:

Tabela 3: Resultados do concreto no estado fresco

Características
Com superplastificante Com plastificante
dos concretos

Traço, Kg/Kg 1:2,8 1:3,3 1:3,8 1:4,3 1:2,5 1:2,8 1:3,3 1:3,8

Massa específica Kg/m3 2426 2408 2426 2426 2419 2419 2446 2453

Consumo de
586 515 466 423 632 585 524 473
cimento, Kg/m3

Consumo de água, Kg/m3 200 195 190 182 206 196 194 185

Relação a/c, Kg/Kg 0,34 0,38 0,41 0,43 0,33 0,34 0,37 0,39

Ar aprisionado, % 1,0 1,6 1,0 1,3 1,1 1,5 0,3 0,4

Fonte: ABCP (1999). 

• Concreto Endurecido
Observe a Tabela 4:

Tabela 4: Resultados do concreto no estado endurecido
Características
idade Com superplastificante Com plastificante
dos concretos

Traço, Kg/Kg – 1:2,8 1:3,3 1:3,8 1:4,3 1:2,5 1:2,8 1:3,3 1:3,8

7d 50,2 40,5 38,8 35,6 52,0 47,0 42,7 41,6

Resistência à 28d 60,1 55,3 51,6 49,7 64,6 61,1 56,9 53,8
compressão
axial (MPa) 63d 65,2 60,4 56,2 54,4 69,7 65,9 62,0 58,0

91d 66,8 61,8 57,6 56,0 71,1 67,5 63,6 60,0

3d 26,6 27,0 29,1 26,1 34,1 33,1 31,9 30,1
Módulo de
elasticidade 7d 25,9 26,9 26,3 28,4 34,2 33,4 30,3 29,7
(GPa)
28d 39,2 32,6 31,6 31,0 35,2 32,6 31,8 31,6

Fonte: ABCP (1999).
UNIUBE 31

Análise dos resultados
• Diagrama de dosagem
Este estudo experimental foi realizado visando obter o traço em
conformidade com os conceitos e metodologia apresentados por Helene
(1993), com base na resistência à compressão especificada no projeto
estrutural.

Com os resultados obtidos, foi construído o diagrama de dosagem dos
concretos, conforme apresentado nas figuras 4, 5 e 6, que representam
os modelos clássicos de Abrams, Lyse e Molinari, respectivamente.

Na Figura 4, vemos a lei de ABRAMS. Segundo essa lei, para o concreto
endurecido, a resistência do concreto é função da relação a/c.

Correlaciona-se a resistência à compressão do concreto com a relação
a/c em massa para concretos adequadamente curados de acordo com
a equação:
k1
fc =
k2 a / c
Em que:
f c → resistência à compressão (MPa);
k1 e k2 → constantes que dependem do material usado;
a / c → relação água-cimento em massa.

Para cada tipo de cimento, uma curva é estabelecida experimentalmente
e sem considerar o tipo de agregado da mistura.
32 UNIUBE

Figura 4: LEI DE ABRAMS – Correspondência entre relação a/c e resistência à
compressão do concreto aos 28 dias de idade, obtida a partir do modelo de Abrams, 1918.
Fonte: Adaptado de ABCP (1999).

Na Figura 5, temos a Lei de Lyse, segundo essa lei para o concreto
fresco, a consistência do concreto, medida pelo abatimento do tronco
de cone, é função da relação água/materiais secos e é independente do
traço seco.

Correlaciona a relação água-cimento (a/c) com o traço (l:m) através da
equação:

m = k3 + k 4 × ( a / c )

Em que:
m → é a relação água-cimento em massa.
k3 e k4 → são constantes que dependem dos materiais utilizados para
uma determinada trabalhabilidade.
UNIUBE 33

Figura 5: LEI DE LYSE – Correspondência entre relação a/c e teor de agregados em
relação ao cimento, em massa, obtida a partir do modelo de Lyse, 1932.
Fonte: Adaptado de ABCP (1999).

Na Figura 6, temos a lei de Molinari; segundo essa lei, para o consumo
de cimento, o consumo de cimento de um concreto correlaciona-se com
o valor do traço seco (m) através de uma curva, conforme equação:

1000
C=
+ K 6 × m)
( K 5 1000
CC = 1000
C = ( K + K × m)
Em que:( K55 + K66 × m)
CC →k6é o consumo de cimento (Kg/m3);
k 5 e
kk55eekk66 → são constantes que dependem dos materiais utilizados para
a dosagem.
34 UNIUBE

Figura 6: Correspondência entre o consumo de cimento e teor de agregados em relação
ao cimento, em massa, relação obtida a partir do modelo de Molinari, década de 60/70.
Fonte: Adaptado de CAD (1999).

Como se pode observar na figura de lei de Lyse (Figura 5), os resultados
experimentais ajuntaram-se bem aos modelos clássicos, de tal forma que,
a partir desses gráficos de comportamento, conhecidos por diagrama
de dosagem, foi possível obter um traço do concreto que atenda aos
requisitos de projeto e produção.

Observa-se que, tanto o concreto com superplastificante, quanto o
concreto com plastificante, atendem bem aos requisitos de dosagem.
Visando maior simplificação do processo de produção, aumento da
produtividade e outras vantagens, optou-se por escolher o concreto sem
a sílica ativa e sem superplastificante, porém com plastificante, pois
assim também é possível reduzir o consumo, com benefícios técnicos e
econômicos.

Entrando-se com 60 MPa na figura de lei de Abrams (Figura 4), obtém-se
relação a/c de 0,35, que, por sua vez, implica no teor de agregados
UNIUBE 35

de 3,10 e consumo de cimento de 550 Kg/m3, conforme figura de lei
de Molinari (Figura 6). Sabendo-se que o teor de argamassa seca foi
constante igual a 57%, obtém-se o seguinte traço ou composição de
materiais por m3:

Cimento → 550Kg/m3

Areia média seca → 418Kg/m3
Areia artificial seca → 319Kg/m3

Brita 1 → 968Kg/m3

Água → 193l/m3

Aditivo plastificante → 0,3% da massa de cimento.

Esse concreto, que doravante se denominará concreto escolhido, deverá ter
uma massa específica elevada, da ordem de 2400Kg/m3, a ser confirmada
em campo com a determinação da massa específica adensada.

Considera-se que, do ponto de vista da durabilidade, ponderadas as
condições de exposição e a geometria da estrutura, com cobrimentos de
3 cm, esse concreto atenderá plenamente. Portanto, para a durabilidade
não haverá problemas, podendo-se esperar uma vida útil de 150 anos
sem manutenção alguma nas regiões protegidas das intempéries,
revestidas e secas.

1.3.2 Cálculo da dosagem pelo método MEHTA & AITCIN

Metha e Aitcin (1990b) propuseram um procedimento simplificado de
dosagem aplicável para concretos de peso normal com valores de
resistência à compressão entre 60MPa e 120MPa. O método é adequado
para agregados graúdos, tendo um tamanho máximo entre 10mm e
36 UNIUBE

15mm, ou seja, a pedra britada nº 0 será a escolhida nesse trabalho. E,
finalmente, consideram-se valores de abatimento entre 200mm e 250mm.

Para os autores, o valor ótimo sugerido para o volume do agregado é
65% do volume do concreto de alto desempenho.

1.3.2.1 Procedimentos do cálculo da dosagem

• Passo 1: determinação da resistência
Uma tabela lista cinco níveis de concreto com resistência à compressão
média aos 28 dias variando de 65 a 120MPa. Observe a Tabela 5:

Tabela 5: Resistências à compressão média previstas

Resistência Resistência Média prevista (MPa)
A 65
B 75
C 90
D 105
E 120

Fonte: Metha & Aitcin (1990).

• Passo 2: teor de água
O tamanho máximo de agregado graúdo e os valores do abatimento não
são aqui considerados para selecionar o teor de água. São considerados
apenas aqueles de tamanhos máximos entre 10mm e 15mm, cujo
abatimento desejado (200mm a 250mm) pode ser conseguido pelo
controle da dosagem do superplastificante. O teor de água é especificado
para os diferentes níveis de resistência. Observe a Tabela 6:
UNIUBE 37

Tabela 6: Resistências à compressão média e consumos máximos de água utilizados

Resistência Média Consumo máximo
Resistência
prevista (MPa) de água (Kg/m³)
A 65 175
B 75 160
C 90 145
D 105 135
E 120 120
Fonte: Metha & Aitcin (1990).

• Passo 3: escolha do aglomerante

O volume de pasta aglomerante é adotado como 35% do volume total
do concreto. Os volumes de teor de ar (aprisionado ou incorporado) e
da água de mistura são subtraídos do volume total da pasta de cimento
para calcular o volume remanescente do aglomerante. O aglomerante é
então adotado como uma das três seguintes combinações:

Opção 1: 100% de cimento Portland para ser usado quando absoluta-
mente necessário;

Opção 2: 75% de cimento Portland e 25% de cinza volante ou escória
de alto forno em volume;

Opção 3: 75% de cimento Portland, 15% de cinza volante e 10% de sílica
ativa em volume;

A Tabela 7 relaciona os volumes de cada fração de aglomerante para
cada nível de resistência.
38 UNIUBE

Tabela 7: Volumes para 0,35m3 e pasta

Total de material
Resistência Água (m³) Ar (m³) CP + AS (m³)
cimentício (m³)

A 0,175 0,02 0,1550 0,1381 + 0,0169

B 0,160 0,02 0,1700 0,1515 + 0,0185

C 0,145 0,02 0,1850 0,1649 + 0,0201

D 0,135 0,02 0,1950 0,1738 + 0,0212

E 0,120 0,02 0,2100 0,1871 + 0,0229

CP – Cimento Portland e AS – sílica ativa

Fonte: Metha & Aitcin (1990).

• Passo 4: escolha do teor de agregado
O volume total de agregado é igual a 65% do volume do concreto.
Para os níveis de resistência A, B, C, D e E, as relações do volume
do agregado miúdo para o graúdo estão sugeridas como 2,00:3,00;
1,95:3,05; 1,90:3,10; 1,85:3;15 e 1,80:3,20, respectivamente (Tabela 8).

Tabela 8: Relação entre os agregados miúdos e graúdos conforme a resistência

Nível de Resistência Relação volumétrica dos agregados miúdos: graúdos

A 2,00 : 3,00
B 1,95 : 3,05
C 1,90 : 3,10
D 1,85 : 3,15
E 1,80 : 3,20
Fonte: Metha & Aitcin (1990).

• Passo 5: cálculo da massa da mistura
As massas por unidade de volume do concreto podem ser calculadas,
usando-se os volumes das frações do concreto e os valores da massa
específica de cada um dos constituintes do concreto. Os valores usuais
UNIUBE 39

da massa específica do cimento Portland, cinza volante tipo C, escória de
alto forno e sílica ativa são 3,14, 2,5, 2,9 e 2,1, respectivamente. Aqueles
da areia natural silicosa, do cascalho de peso normal ou da pedra britada,
podem ser tomados como sendo 2,65 e 2,70, respectivamente. A Tabela
9 relaciona as proporções do traço calculadas para cada tipo de concreto
e nível de resistência sugeridos neste método.

Tabela 9: Consumos dos materiais para os lotes preliminares, considerando os agregados no
estado saturado com superfície seca

Total Agregado Agregado Peso
CP SA Relação
Resistência Água graúdo miúdo total
(Kg) (Kg) a/a
(Kg) (Kg) (Kg) (Kg)

A 434 38 175 1041 689 2376 0,37

B 476 41 160 1059 672 2407 0,31

C 518 45 145 1076 655 2438 0,26

D 546 47 135 1093 637 2458 0,23

E 587 51 120 1111 620 2489 0,19

Fonte: Metha & Aitcin (1990b).
40 UNIUBE

• Passo 6: teor de superplastificante
Para a primeira mistura experimental, recomenda-se usar 1% de sólidos
do superplastificante em relação à massa de aglomerante. A massa e o
volume da solução de superplastificante são então calculados, levando-
-se em conta a percentagem de sólidos na solução e a massa específica
do superplastificante.

• Passo 7: ajuste da umidade
O volume de água incluído no superplastificante é calculado e subtraído
da quantidade inicial de água de mistura. De modo semelhante, a massa
de agregado e a de água são ajustadas de acordo com as condições de
umidade.

• Passo 8: ajuste da mistura experimental
Devido às muitas suposições que foram feitas na dosagem, geralmente
a primeira mistura experimental terá que ser ajustada para atingir
a trabalhabilidade desejada e os critérios de resistência. O tipo de
agregado, as proporções de areia no agregado, o tipo e a dosagem
do superplastificante, o tipo e a combinação dos materiais cimentícios
suplementares e o teor de ar do concreto, podem ser ajustados numa
série de misturas experimentais para otimizar a dosagem.

AGORA É A SUA VEZ

Dosagem de um CAD
Considere uma resistência aos 28 dias de 65 MPa e siga os passos segundo
o método de dosagem apresentado anteriormente.
UNIUBE 41

• Passo 1: determinação da resistência

Tabela 10: Resistência à compressão prevista de 65 MPa

Resistência Média Consumo máximo
Resistência
prevista (MPa) de água (Kg/m³)
A 65 175
B 75 160
C 90 145
D 105 135
E 120 120

• Passo 2: teor de água
Para a resistência média definida, o consumo máximo de água é de 175
Kg/m3.

Tabela 11: Resistência, resistência média prevista e consumo máximo de água

Resistência média Consumo máximo
Resistência
prevista (MPa) de água (Kg/m³)
A 65 175
B 75 160
C 90 145
D 105 135
E 120 120

• Passo 3: escolha do aglomerante
O volume da pasta de aglomerante é 35% da mistura do concreto e é
determinado conforme resistência definida anteriormente.
Observe a Tabela 12:
42 UNIUBE

Tabela 12: Resistência e volume

Total de material
Resistência Água (m³) Ar (m³) CP + AS (m³)
cimentício (m³)

A 0,175 0,02 0,1550 0,1381 + 0,0169

B 0,160 0,02 0,1700 0,1515 + 0,0185

C 0,145 0,02 0,1850 0,1649 + 0,0201

D 0,135 0,02 0,1950 0,1738 + 0,0212

E 0,120 0,02 0,2100 0,1871 + 0,0229

CP – Cimento Portland e AS – Sílica Ativa

• Passo 4: escolha do teor de agregado
O volume total de agregado é igual a 65% do volume do concreto
e definido na Tabela 13 a seguir, conforme resistência definida
anteriormente.

Tabela 13: Nível de resistência e relação volumétrica dos agregados miúdos: graúdos

Nível de Resistência Relação volumétrica dos agregados miúdos: graúdos

A 2,00 : 3,00
B 1,95 : 3,05
C 1,90 : 3,10
D 1,85 : 3,15
E 1,80 : 3,20

• Passo 5: cálculo da massa da mistura
A massa dos constituintes da mistura é definida para cada tipo de
concreto e resistência adotados. Observe a Figura 14:
UNIUBE 43

Tabela 14: Tipo de concreto e resistência
Total Agregado Agregado Peso
CP SA Relação
Resistência Água graúdo miúdo total
(Kg) (Kg) a/a
(Kg) (Kg) (Kg) (Kg)
A 434 38 175 1041 689 2376 0,37

B 476 41 160 1059 672 2407 0,31

C 518 45 145 1076 655 2438 0,26

D 546 47 135 1093 637 2458 0,23

E 587 51 120 1111 620 2489 0,19

• Passo 6: teor de superplastificante
Anota-se o consumo de aglomerantes da mistura conforme cálculo do
passo 5.

Para esse exemplo, o consumo de aglomerantes da mistura é de 472 Kg/
m3, ou seja, 434 Kg de cimento Portland + 38 Kg de sílica ativa.

Assim, considerando-se 1% de aditivo superplastificante, serão
necessários 4,72 Kg de aditivo superplastificante por metro cúbico de
concreto.

Para um aditivo de naftaleno de densidade de 1,2 g/cm3 e 40% de
sólidos, tem-se:
• 1,2 g/cm3 = 1200 Kg/m3 – para cada metro cúbico de aditivo, tem-se
1200 Kg;
• para 4,72Kg de aditivo, tem-se 0,00393 m3;
• para 0,00393 m3, têm-se 3,93 litros de aditivo por metro cúbico;
• para 4,72 Kg de aditivo, têm-se 1,888 Kg de sólidos (referentes à
40% da especificação informada);
• 1,888 Kg de sólidos correspondem a 0,4% em relação aos 472 Kg
de aglomerante da mistura, portanto, abaixo de 1% requerido para
o método.
44 UNIUBE

DICAS

Conversão de unidades
1 g/cm3 = 1000 Kg/m3
1m3 = 1000 litros

• Passo 7: ajuste da umidade
Para o aditivo – para esse capítulo, não será considerada a quantidade
de água constante no aditivo para fins de ajuste da umidade da mistura.

Para o agregado – se houver uma umidade de 5% no agregado miúdo,
faz-se o seguinte ajuste:
• para os 689 Kg de agregado miúdo, deve-se acrescentar 5% de
massa, resultando 725,26 Kg de agregado miúdo – 689 / 0,95 =
725,26 Kg ou 725 Kg (arredondado);
• dos 725,26 Kg, deve-se retirar 5% correspondentes ao peso da
água, resultando 36,26 Kg – 725,26 x 0,05 = 36,26 Kg.

Ajustes a serem realizados para 1 m3 de concreto:
– massa calculada de agregado miúdo – 689 Kg;
– massa ajustada de agregado miúdo para 5% de umidade encontrada – 725 Kg;
– massa de água encontrada – 175 Kg;
– massa ajustada de água – 175 - 36,26 = 138,74 Kg ou 139 Kg
(arredondado).

• Passo 8: ajuste da mistura experimental
Após a dosagem e durante a mistura, devem-se fazer os ajustes para
alcançar a consistência desejada, e, posteriormente, realizar os ensaios
para verificar o atendimento às solicitações de projeto.
UNIUBE 45

Resultado final: quantidade de materiais obtida para 1 m3 de
concreto de alto desempenho.

Observe a Tabela 15:

Tabela 15: Mistura ajustada

Total Agregado Agregado Peso
CP SA Relação
Resistência Água graúdo miúdo total
(Kg) (Kg) a/a
(Kg) (Kg) (Kg) (Kg)

A 434 38 139 1041 725 2377 0,37

*Aditivo químico de naftaleno – 3,93 litros.

1.4 Produção do Concreto de Alto Desempenho

• Especificação/Projeto
Definir a resistência à compressão do concreto não é suficiente quando
se trata de um concreto de alto desempenho.

Para a produção do CAD, primeiramente, o projetista deve especificar de
forma detalhada o concreto que pretende receber. Os detalhes de todos
os constituintes do CAD devem ser especificados.

• Estudo da dosagem
De posse de todas as informações de projeto, o engenheiro realiza o
estudo da dosagem do concreto utilizando métodos específicos e mais
adequados aos materiais disponíveis e controles realizados.

A seguir, na Figura 7, apresenta-se o esquema de produção do CAD e
todas as suas fases.
46 UNIUBE

Controle
tecnológico

Controle
tecnológico

Figura 7: Produção do concreto de alto desempenho.

Ressaltamos que há controle tecnológico na seleção de material/
dosagem e no lançamento.

• Seleção do material

Os materiais devem ser controlados e selecionados conforme
especificações de projeto. Como visto anteriormente, os materiais para
UNIUBE 47

a produção do CAD são: (a) Cimento Portland; (b) Agregado Miúdo;
(c) Agregado Graúdo; (d) Água; (e) Adições (Sílica Ativa); (f) Aditivos
superplastificantes; (g) Aditivo retardador (dispensável).

• Mistura

A mistura acontece conforme padrões de qualidade exigidos para cada
tipo de concreto. Para a produção do CAD, espera-se a escolha de
centrais com rigoroso controle tecnológico, conforme foi apresentado no
Quadro 1.

• Transporte e aditivo

O concreto deve ser transportado de forma adequada, evitando a
segregação. O acréscimo do superplastificante deve ser realizado no
equipamento misturador minutos antes da aplicação de concreto.

• Controle tecnológico

(a) Abatimento de tronco de cone

Antes mesmo do lançamento, deve-se proceder com os controles do
CAD, sendo, no mínimo, a realização do ensaio de abatimento de tronco
de cone e moldagem de corpos-de-prova para ensaios de resistência à
compressão, no mínimo, em duas idades.

As propriedades do estado fresco são as que asseguram a obtenção de
mistura de fácil transporte, lançamento e adensamento, sem segregação,
e que depois do endurecimento, apresenta-se homogênea, com o mínimo
de vazios.

A execução de obras em CAD facilita a concretagem devido à maior
trabalhabilidade da mistura, criando os também chamados de concreto
48 UNIUBE

autoadensáveis. A Figura 8 apresenta o lançamento de um concreto
autoadensável, dosado em central, sendo descarregado do caminhão-
betoneira diretamente na fundação profunda.

Figura 8: Concreto autoadensável lançado em estacas.

Segundo Fonseca Jr (2007), o concreto autoadensável não precisa ser
adensado por meio mecânico, ou seja, não são utilizados vibradores,
necessários no concreto convencional. Com isso, há ganho na diminuição
da mão de obra necessária no lançamento e adensamento do concreto
e maior rapidez na liberação do caminhão betoneira.

Para o mesmo autor, em relação ao concreto convencional, a principal
mudança quanto ao controle está no modo de avaliar o concreto ainda
no estado fresco. No lugar do ensaio de abatimento por tronco de cone,
utiliza-se a placa de espalhamento, que é uma variação desse ensaio,
mantendo-se o tronco de cone. Desta forma, mede-se o espalhamento
do concreto na placa e não o adensamento, que é a altura do cone.

A facilidade de execução deste ensaio o consagrou como a principal
forma de controle no recebimento do concreto na obra. Embora limitado,
expressa a trabalhabilidade do concreto através do parâmetro definido
como abatimento do tronco de cone ou slump test.
UNIUBE 49

O ensaio é executado de acordo com parâmetros definidos na NBR NM
67 (1996), conforme a seguir:

(a) coleta-se a amostra de concreto depois de descarregar 0,5 m³ de
concreto do caminhão, em volume aproximado de 30 litros;

(b) coloca-se o cone sobre a placa metálica bem nivelada e apoiam-se
os pés sobre as abas inferiores do cone; preenche-se o cone em três
(3) camadas iguais e aplica-se 25 golpes uniformemente distribuídos em
cada camada;

(c) adensa-se a camada junto à base, de forma que a haste de socamento
penetre em toda a espessura. No adensamento das camadas restantes,
a haste deve penetrar até ser atingida a camada inferior adjacente;

(d) após a compactação da última camada, retira-se o excesso de
concreto e alisa-se a superfície com uma régua metálica;

(e) retira-se o cone, içando-o com cuidado na direção vertical;

(f) coloca-se a haste sobre o cone invertido e mede-se a distância entre
a parte inferior da haste e o ponto médio do concreto, expressando o
resultado em milímetros.

O acerto da água no caminhão-betoneira deve ser efetuado de maneira
a corrigir o abatimento de todo o volume transportado, garantindo-se a
homogeneidade da mistura logo após a adição de água complementar. O
concreto deve ser agitado na velocidade de mistura, durante pelo menos
60 segundos. Observe a Figura 9:
50 UNIUBE

Figura 9: Medida do abatimento.
Fonte: Adaptado de NBR (NM 67:1996).

RELEMBRANDO

Lembre-se...
Não adivinhe o índice de abatimento do concreto. Apesar da experiência,
tanto do motorista do caminhão-betoneira, quanto do fiscal que recebe
o concreto na obra, o ensaio de abatimento do tronco de cone deve ser
realizado, utilizando-o como um instrumento de recebimento do concreto;
não se deve adicionar água após o início da concretagem. Isto altera as
propriedades do concreto e anula as garantias estabelecidas em contrato.

Observe a Figura 10:

Figura 10: Ensaio de abatimento de tronco de cone.
Fonte: Acervo EAD-Uniube.
UNIUBE 51

(b) Moldagem de corpos-de-prova

Ainda no estado fresco, conforme NBR 5738 (2003), são moldados
corpos de prova para ensaio de resistência à compressão nas idades
determinadas.

Segundo a norma, o concreto deve ser colocado no molde, com o
emprego de concha, em camadas de alturas aproximadamente iguais,
conforme as Tabelas 16 e 17.

Tabela 16: Número de camadas para moldagem dos corpos-de-prova (a)

Número de
Tipo de Dimensão Número de
Tipo de adensamento golpes por
molde básica d (mm) camadas
camada
100 2 15
Manual 150 4 30
250 5 75
Cilíndrico 100 1
Vibratório (penetração
150 2
da agulha até –
250 3
200 mm)
450 5
Fonte: Adaptado de NBR 5738 (2003).

Tabela 17: Número de camadas para moldagem dos corpos-de-prova (b)

Tipo de Tipo de Dimensão Número de Número de golpes
molde adensamento básica d (mm) camadas por camada

150 2 17 golpes a cada
Prismático Manual
250 3 10000 mm2 de área

150 1
Vibratório 250 2 –
450 3
Fonte: Adaptado de NBR 5738 (2003).
52 UNIUBE

No processo de moldagem dos corpos de prova: (a) antes do
adensamento de cada camada, o concreto deve ser uniformemente
distribuído dentro da forma; (b) a última camada deve sobrepassar
ligeiramente o topo do molde, para facilitar o respaldo; (c) a moldagem
dos corpos-de-prova não deve sofrer interrupções.

O ensaio deve executado de acordo com parâmetros da NBR 5738
(2003), conforme a seguir:

(a) no adensamento de cada camada, devem ser aplicados golpes
de socamento, uniformemente distribuídos em toda a seção
transversal do molde, conforme Tabela 8;

(b) no adensamento de cada camada, a haste de socamento não deve
penetrar na camada já adensada;

(c) se a haste de socamento criar vazios na massa do concreto,
deve-se bater levemente na face externa do molde até o
fechamento deste;

(d) quando o abatimento do tronco de cone for superior a 180 mm, a
moldagem deve ser feita com a metade das camadas indicadas na
Tabela 8.

(c) Cura

Assim como no concreto comum, a cura deve ser realizada logo que a
estrutura apresente condições de ser molhada.

Conforme vimos, a cura é um procedimento destinado a promover a
hidratação do cimento, e, durante o processo de cura, o concreto ganha
resistência.
UNIUBE 53

A cura pode ser realizada de diversas formas, logo após a concretagem.
Dentre estas formas, tem-se: cura úmida por aspersão de água (conforme
Figura 11), submersão e recobrimento e cura química.

Figura 11: Cura úmida de laje de concreto.

1.5 Propriedades no estado endurecido

No estado endurecido do concreto, são realizados testes para verificação
da qualidade do concreto aplicado. Dentre estes, está o clássico ensaio
de Resistência à compressão (NBR 5739:2007). Ademais, para um
controle mais apurado que o concreto convencional, pode-se realizar
ainda o ensaio de resistência à tração por compressão diametral (NBR
7222:1994).

• Resistência à compressão
Conforme visto, os corpos-de-prova serão moldados de acordo com NBR
5738 (2003).
54 UNIUBE

A NBR 5739 (2007) prescreve o método de ensaio de compressão de
corpos-de-prova cilíndricos. Segundo a norma, os corpos-de-prova
devem ser rompidos à compressão em uma dada idade especificada,
com as tolerâncias de tempo descritas na Tabela 18. Em se tratando de
corpos de prova moldados de acordo com a NBR 5738 (2003), a idade
deve ser contada a partir do momento em que o cimento é posto em
contato com a água de mistura.

Tabela 18: Tolerância de tempo para o ensaio de compressão em função da data de ruptura
Idade de ensaio Tolerância permitida
24 h ±
± 30
30 min
min ou
ou 2,1%
2,1%
± 30
± 30 min ou 2,1%
ou 2,1%
22 hhminou 2,8%
3d ±
± 30
30 2 h ou
min
ou
min 2,8%
ou
2,8%
ou 2,1%
2,1%
± 62 h ou 3, 2,8%
6%
±
± 6 2 h ou 3, 6%
2,8%
7d ± 66220hhhououou3,
3,
3,
6%
2,8%
6%
0%
±
± 6 20
20h houou 3,
3,
3, 0%
6%
28 d
6
± 36 h h
20 minouou
h ouou3, 0%
3, 6%
0%
2,5%
±
± 36
36 20
20 min
hh ou
min ou ou
3,
ou
3, 2,5%
0%
2,5%
0%
± 36 22 ddmin
ou 2,5%
ou2%
2,
60 d ±
± 36
36 2 d ou
min
ou
min 2,
ou
2,
ou2%
2,5%
2%
2,5%
± 2 d ou 2, 2%
± 2 d ou
± 2 d ou 2, 2% 2, 2%
90 d

A resistência à compressão deve ser obtida, dividindo-se a carga da
ruptura pela área da seção transversal do corpo de prova, devendo o
resultado ser expresso com aproximação de 0,1 MPa.

– resistência à compressão (MPa)

– carga máxima obtida no ensaio

– área da seção transversal do corpo de prova
UNIUBE 55

• Resistência à tração por compressão diametral
A NBR 7222 (1994) prescreve o método para determinação da resistência
à tração por compressão diametral de corpos-de-prova cilíndricos de
argamassa e concreto (Figura 12).

Figura 12: Disposição e formato do corpo de prova.

A resistência é definida pela equação a seguir:

– resistência à tração por compressão diametral, expressa em MPa,
com aproximação de 0,05 MPa;

– carga máxima obtida no ensaio (kN);

– diâmetro do corpo de prova (mm);

– altura do corpo de prova (mm);

1.6 Viabilidade econômica no uso do CAD

Segundo Amaral (CAD, 1997), a economia da utilização do CAD acontece
no concreto, na estrutura, nas fundações e no edifício.
56 UNIUBE

(a) No concreto:
o volume total de concreto de alto desempenho consumido é menor,
compensando diferenças de custos acrescidos em decorrência do uso
de aditivos e adições. O detalhamento destes está descrito na seção 2
deste capítulo.

(b) Na estrutura:
com estruturas mais esbeltas, constata-se a redução, não apenas do volume
de concreto, mas da área de formas e consumo de aço da estrutura, de
acordo com o exemplificado na ilustração apresentada na Figura 13.

Figura 13: Redução dos pilares da estrutura.
Fonte: adaptado de ABCP (1997).

(c) Nas fundações:
com a redução da estrutura e, consequentemente, do peso próprio,
ocorre também a redução de cargas transferidas para as fundações,
conforme esquema demonstrado na Figura 14.

< volume de concreto = < peso da estrutura = < carga na fundação
= fundação + econômica
UNIUBE 57

Observe a Figura 14:

Figura 14: Menor volume de concreto, menor peso da estrutura.
Fonte: Adaptado de ABCP, 1997.

(d) No edifício:
para a construção acabada e em uso, espera-se:
• aumento da área útil devido ao emprego de vãos maiores, conforme
demonstrado no esquema da Figura 15; e,
• redução dos custos de manutenção pelo aumento da impermeabilidade
e compacidade da estrutura.

Figura 15: Redução do número de pilares com a utilização do CAD.
Fonte: Adaptado de ABCP (1997).
58 UNIUBE

Como vimos, os concretos de alto desempenho são autoadensáveis,
assim, de acordo com o apresentado por Fonseca Jr (2007), com a
ausência de vibradores, há diminuição de ruído e menos desgaste nas
formas. Por isso, o importante no momento de decidir pelo concreto
autoadensável seria realizar uma análise sistêmica de todo o processo
(mão de obra, armadura, cimbramento e forma) e não apenas comparar o
preço dos dois tipos de concreto. A utilização do concreto autoadensável
elimina a probabilidade de aparecimento das famosas "bicheiras", o que
certamente eliminará a necessidade de intervenções por esta patologia,
garantindo a durabilidade da estrutura de concreto.

Destarte, para a determinação da viabilidade econômica na definição do
uso do CAD, é necessário considerar o conjunto projeto-obra-ocupação
para, posteriormente, fazer os cálculos do custo para cada item do
conjunto.

Assim, a Figura 16 sintetiza o tripé da viabilidade na utilização do CAD
nos empreendimentos:

Figura 16: Tripé de viabilidade na utilização do CAD.
UNIUBE 59

EXEMPLIFICANDO!

Para a obra de um edifício alto no centro de uma metrópole, é preciso
considerar:

(a) projeto – redução da dimensão das peças e peso próprio da estrutura,
com consequente redução de carga na fundação e outros;

(b) obra – menor área de formas; maior rapidez na desforma; redução do
cronograma de obra e outros;

(c) ocupação/empreendimento executado – mais quantidade de vagas
de garagem; menor custo de manutenção e outros.

A seguir, faz-se o cálculo do custo de:

(a) aço, incluindo corte, dobra e montagem;

(b) fôrmas, incluindo escoramento, montagem e desmontagem;

(c) concreto, incluindo lançamento, adensamento e cura;

AGORA É A SUA VEZ

Viabilidade do uso do CAD

A seguir, são apresentadas duas (2) obras nas quais se deseja estudar
a viabilidade econômica da substituição do concreto convencional pelo
concreto de alto desempenho.

De posse dos custos unitários dos serviços que envolvem a superestrutura
de concreto, é possível verificar a viabilidade financeira para a substituição
do CC pelo CAD nas duas obras.
60 UNIUBE

OBRA 1

Dados gerais:

• concretagem de pilares;
• volume total de concreto: 500 m3;
• custo das formas e escoramentos: R$ 20,00/m²;
• custo da armação: R$ 6,30/Kg;
• custo da mão de obra e mobilização do canteiro empregados nos
serviços de superestrutura (forma/escoramento e concretagem): R$
15 000,00 /mês.
Projeto de estrutura em Concreto Armado Convencional (CC)

• Seção de concreto: 15x30 cm – 6.000 m2;
• Taxa de aço: 2100 Kg;
• Concreto (fck 25MPa): R$ 205,00 / m3;
• Velocidade de Construção: 50 m3 /mês.
Projeto de estrutura em Concreto de Alto Desempenho (CAD)

• Seção de concreto: 15x30 cm – 6.000 m2;
• Taxa de aço: 1810 Kg;
• Concreto (fck 50MPa): R$ 250,00 / m3;
• Velocidade de Construção: 75 m3 /mês;
Calculando a viabilidade do uso do CAD para a OBRA 1

Custos do Concreto Convencional (CC)

(a) Aço – 41.000 x R$ 6,30 = R$ 258.300,00;
(b) Fôrma – 6.000 x R$ 20,00 = R$ 120.000,00;
(c) Concreto – 500 x R$ 205,00 = R$ 102.500,00;
(d) Mão de obra e demais custos fixos – 10 meses x R$ 15.000,00 = R$
150.000,00.
UNIUBE 61

Custo Total – R$ 630.800,00
Custos do Concreto de Alto Desempenho (CAD)
(a) Aço – 35.400 x R$ 6,30 = R$ 223.020,00;
(b) Fôrma – 6.000 x R$ 20,00 = R$ 120.000,00;
(c) Concreto – 500 x R$ 250,00 = R$ 125.000,00;
(d) Mão de obra e demais custos fixos – 6,7 meses x R$ 15.000,00 = R$
100.500,00.

Custo Total – R$ 568.520,00
Para a obra 1, o CAD torna-se viável com uma redução de custo da
ordem de 10%.

OBRA 2
Dados gerais:

• concretagem de pilares;
• custo das formas e escoramentos: R$ 20,00/m²;
• custo da armação: R$ 6,30/Kg;
• volume total de concreto: 350 m3 (CAD) e 408 m3 (CC);
• custo da mão de obra e mobilização do canteiro empregada nos
serviços de superestrutura (forma/escoramento e concretagem): R$
15.000,00 /mês.
Projeto de estrutura em Concreto Armado Convencional (CC)

• Seção de concreto: 35x35 cm – 4800 m2;
• Taxa de aço: 32.640 Kg;
• Concreto (fck 25MPa): R$ 205,00 / m3;
• Velocidade de Construção: 50 m3/mês.
Projeto de estrutura em Concreto de Alto Desempenho (CAD)

• Seção de concreto: 30x30 cm – 4.180 m2;
• Taxa de aço: 28.400 Kg;
62 UNIUBE

• Concreto (fck 50MPa): R$ 315,00 / m3;
• Velocidade de Construção: 55 m3/mês.

Calculando a viabilidade do uso do CAD para a OBRA 2
Custos do Concreto Convencional (CC)

(a) Aço – 32.640 x R$ 6,30 = R$ 205.632,00;
(b) Fôrma – 4.800 x R$ 20,00 = R$ 96.000,00;
(c) Concreto – 408 x R$ 205,00 = R$ 83.640,00;
(d) Mão de obra e demais custos fixos – 8,2 meses x R$ 15.000,00 = R$
123.000,00.

Custo Total – R$ 508.272,00.
Custos do Concreto de Alto Desempenho (CAD)

(a) Aço – 28.400 x R$ 6,30 = R$ 178.920,00;
(b) Fôrma – 4.180 x R$ 20,00 = R$ 83.600,00;
(c) Concreto – 350 x R$ 315,00 = R$ 110.250,00;
(d) Mão de obra e demais custos fixos – 6,4 meses x R$ 15.000,00 = R$
96.000,00.

Custo Total – R$ 468.770,00.
Para a obra 2, o CAD torna-se viável com uma redução de custo da
ordem de 8%.

Resumo

O capítulo estudado apresentou as características e dosagem do
concreto de alto desempenho. Vimos que o CAD é uma alternativa que
gera maior durabilidade e melhores custos e desempenho do conjunto
projeto-obra-ocupação das estruturas de concreto armado. Assim,
pudemos, ao longo do estudo, perceber e enumerar as vantagens do
UNIUBE 63

emprego do Concreto de Alto Desempenho nas estruturas de concreto
armado (ABCP, 1997), que são:

• maior trabalhabilidade (autoadensável);
• menor volume de concreto;
• menor área de formas;
• menores taxas de aço;
• maior rapidez na desforma;
• menos reparos e tratamentos superficiais;
• mais esbeltez dos pilares;
• maior área útil dos pavimentos;
• maior leveza da estrutura;
• redução das cargas de fundação;
• melhor aspecto para o concreto aparente;
• menos manutenção;
• maior área útil.

A seguir, e, para finalizar, apresentam-se de forma esquemática, as
diferenças básicas do projeto de um mesmo edifício executado com CC
e CAD.

(a) Comparativo de planta baixa do edifício (Figura 17).
64 UNIUBE

Figura 17: Planta de formas da estrutura de um edifício.
Fonte: Adaptado de ABCP (1997).

(b) Comparativo da perspectiva de toda a estrutura do edifício (Figura 18).

Figura 18: Perspectiva da estrutura de um edifício.
Fonte: ABCP (1997).
UNIUBE 65

(c) Comparativo das vagas de garagem do edifício (Figura 19).

Figura 19: Garagem de edifício.
Fonte: Adaptado de ABCP (1997).

Atividades

Atividade 1

Responda às perguntas a seguir:

a) O que é um CAD?

b) Qual a diferença de um CAD para um concreto convencional?

Atividade 2

Você foi contratado para desenvolver o projeto estrutural de um luxuoso
hotel na região central do Rio de Janeiro. Diante disso, cite cinco (5)
motivos que possam ser determinantes para a viabilidade da utilização
do CAD.
66 UNIUBE

Atividade 3

Com base no estudo do CAD, faça a dosagem de um concreto 90MPa
pelo método Mehta & Aiticin (1990b) considerando-se: (a) aditivo químico
com densidade de 1,12g/cm3, quantidade de sólidos da ordem de 42% e
consumo de 1%; (b) agregado miúdo com umidade de 4,5%.

Atividade 4

Faça a leitura do texto: Pilares com fc 125 MPa: recorde mundial em
concreto de alto desempenho colorido, no seguinte endereço:
<http://www.basf-cc.com.br/PT/informacao/projetos/proj_comerciais/
Pages/ETower2.aspx>

Responda:
a) Por que o concreto utilizado no e-Tower tornou-se um marco para o
Brasil?

b) Quais as principais vantagens decorrentes da utilização desse
concreto?

Referências

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Paulo – Editora Pini, 2000.

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Paulo, PINI.

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Concreto de Alto Desempenho - NUTAL/USP versão 1.0, São Paulo.
CD-Rom.
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no Brasil – processo Bayer para produção de alumina e os processos
eletrolíticos para a produção de alumínio. In: As usinas brasileiras de
metalurgia extrativa dos metais não-ferrosos, ABM, São Paulo, 1983.
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ABCP, IBRACON, IBTS, ABESC. Concreto de Alto
Desempenho Versão 1.0 – 1º CD- ROM, 1997.

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Desempenho Versão I – 2º CD- ROM, 1999.

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Procedimento para moldagem e cura de corpos-de-prova. Rio de Janeiro, 2003.
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_______. NBR 6118: Projeto e Execução de Obras de
Concreto Armado. Rio de Janeiro, 2003.

_______. NBR 8522: Concretos Concreto - Determinação do módulo
estático de elasticidade à compressão. Rio de Janeiro, 2008.

_______. NBR 8953: Concreto para fins estruturais - Classificação pela massa
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Capítulo
Durabilidade das
estruturas de concreto
2
e concretos especiais

Maria Cláudia Freitas Salomão
Vanessa Rosa Pereira Fidelis

Introdução
Organizamos esse capítulo em duas partes: durabilidade das
estruturas de concreto armado e concretos especiais.

Em relação à durabilidade das estruturas de concreto armado,
estudaremos da especificação do concreto, na fase de projeto,
até o uso na edificação. Além disso, conheceremos os principais
mecanismos de degradação das estruturas de concreto.

Para os concretos especiais, conheceremos as características dos
principais tipos de concretos especiais. 

Como o concreto é um material amplamente utilizado na
construção civil, torna-se imprescindível para você, futuro
Engenheiro, o conhecimento dos tipos de concreto existentes e
seu comportamento quando aplicado na construção.

Objetivos
Ao final do estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de:

• explicar a importância da durabilidade das estruturas de
concreto;
72 UNIUBE

• explicar os principais mecanismos de degradação do
concreto;
• identificar os tipos de concretos especiais;
• apontar a necessidade de utilização dos concretos especiais;
• demonstrar a diferença entre o concreto convencional e os
concretos especiais do projeto para uso na construção.

Esquema
2.1 Durabilidade das estruturas de concreto
2.2 Durabilidade de estruturas de concreto armado
2.3 Mecanismos de transporte de fluidos na matriz do concreto
2.4 Mecanismos de deterioração das estruturas de concreto
armado
2.4.1 Causas físicas de deterioração do concreto
2.4.2 Causas químicas de deterioração do concreto
2.4.3 Causas de deterioração da armadura
2.5 Durabilidade das estruturas de concretos especiais
2.6 Concreto colorido
2.6.1 Aplicações do concreto colorido
2.7 Concreto branco
2.7.1 Aplicações do concreto branco
2.8 Concreto com utilização de resíduos
2.8.1 Utilização dos resíduos na construção civil
2.8.2 Dificuldades encontradas para o emprego dos resíduos
em concretos
2.8.3 Utilização do concreto com agregados reciclados
2.9 Concreto com fibras
2.9.1 Tipos de fibras disponíveis
2.9.2 Aplicações do concreto com fibras
2.10 Concreto projetado
2.11 Concreto compactado a rolo
2.11.1 Concreto compactado com rolo para pavimentos
UNIUBE 73

2.11.2 Concreto Compactado com Rolo para Barragens
2.11.3 Aplicações do CCR
2.12 Concreto massa
2.13 Concreto estrutural leve
2.14 Concreto pesado
2.15 Concreto autoadensável
2.16 Concreto de alto desempenho

2.1 Durabilidade das estruturas de concreto

Durante muito tempo, o concreto foi considerado um material
extremamente durável. A durabilidade das estruturas era um conceito
subjetivo e considerado inerente às estruturas de concreto.

As observações sobre a durabilidade eram baseadas em obras muito antigas
ainda em bom estado de conservação. Na cidade de Paris, por exemplo,
é possível conhecer o primeiro edifício construído com concreto armado.
A construção é de 1901, e o projeto foi feito pelo engenheiro François
Hennebique, o “inventor” do concreto armado. Mesmo na cidade de São
Paulo, é possível visitar edifícios, como o Edifício Martinelli, construído em
1925, e que ainda se encontra em bom estado de conservação.

O conjunto de alterações feitas no cimento a partir da década de 70,
aliado aos erros de projeto, erros de execução e falta de manutenção
preventiva contribuíram para o grande número de estruturas deterioradas
precocemente. Essas constatações demonstraram que as exigências
e recomendações das principais normas de projeto e execução de
estruturas de concreto vigentes na década de 80 eram insuficientes.

A necessidade de se aprimorar o conhecimento dos mecanismos de
deterioração do concreto e de introduzir o conceito de vida útil das estruturas
de concreto levou a uma série de estudos nacionais e internacionais.
74 UNIUBE

O meio técnico, dispondo do conhecimento suficiente para projetar, especificar
e construir estruturas duráveis editou os textos das normas existentes. No
Brasil, a NBR 6118:2003 - Projeto de estruturas de concreto – Procedimento
e a NBR 14931:2004 – Execução de estruturas de concreto – Procedimento,
estabelecem requisitos para o projeto e execução de estruturas duráveis.

2.2 Durabilidade de estruturas de concreto armado

Mas, como uma estrutura de concreto armado pode ser mais
durável?

A durabilidade das estruturas é uma questão intimamente ligada à qualidade
dos projetos e execução das estruturas.

Podemos afirmar que uma estrutura foi projetada para ser mais durável que a
outra quando, além das dimensões e posicionamento das peças constantes
no projeto, o concreto foi especificado conforme condições de utilização
previstas, a fim de atender ao tempo de vida útil esperado.

Vejamos um exemplo:

Se uma estrutura foi projetada, como uma ponte de travessia em um mar, ela
está em condições de exposição diferentes de uma estrutura projetada para
um viaduto. A primeira conta com fenômenos como erosão, ação da maresia
e colisão de embarcações na estrutura de concreto, enquanto que o viaduto
conta com a poluição e possível impactos de veículos automotores.

RELEMBRANDO

Relação água/cimento
É um número adimensional definido pela quantidade de água no concreto,
dividida pela quantidade de cimento. Quanto menor a relação água/cimento,
maior a resistência do concreto.
UNIUBE 75

Classe do concreto
É a resistência à compressão, ou fck requerido em projeto e expressos em
MPa (Mega Pascal).

Para padronizar as informações ao projetista para elaboração do
projeto, a NBR 6118:2003 traz especificações que definem as classes
de agressividade a que as estruturas de concreto armado estarão
submetidas (Tabela 1).

Tabela 1: Classes de agressividade ambiental

Classe de Classificação geral Risco de
agressividade Agressividade do tipo de ambiente deterioração
ambiental para efeito de projeto da estrutura
Rural
I Fraca Insignificante
Submersa
II Moderada Urbana 1), 2) Pequeno
Marinha 1)
III Forte Grande
Industrial 1), 2)
Industrial 1), 3)
IV Muito forte Elevado
Respingo de maré

1) Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda
(um nível acima) para ambientes internos secos (salas, dormitórios, banheiros,
cozinhas e áreas de serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais
ou ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura).
2) Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (um nível acima) em:
obras em regiões de clima seco, com umidade relativa do ar menor ou igual a 65%,
partes da estrutura protegidas de chuvas em ambientes predominantemente secos,
ou regiões onde chove raramente.
3) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, bran-
queamento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias
químicas.

Fonte: NBR 6118:2003.
76 UNIUBE

Em seguida, é apresentada, na NBR 6118:2003, a correspondência entre
a classe de agressividade e a qualidade do concreto, definindo a relação
água/cimento máxima e a classe mínima exigida, conforme Tabela 2.

Tabela 2: Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto

Classe de agressividade
Concreto Tipo
I II III IV
Relação água/cimento CA ≤ 0,65 ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,45

em massa CP ≤ 0,60 ≤ 0,55 ≤ 0,50 ≤ 0,45

Classe de concreto CA ≥ C20 ≥ C25 ≥ C30 ≥ C40
(ABNT NBR 8953) CP ≥ C25 ≥ C30 ≥ C35 ≥ C40

NOTAS
1 O concreto empregado na execução das estruturas deve cumprir com os requisitos
estabelecidos na ABNT NBR 12655.
2 CA corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto armado.
3 CP corresponde a componentes e elementos estruturais de concreto protendido.

Fonte: NBR 6118:2003.

Entretanto, não basta apenas projetar a estrutura de modo a alcançar
os objetivos planejados, se a execução não for minuciosamente
controlada. Para isso, todo o processo executivo deve ser planejado
e acompanhado para garantir os resultados esperados. Exemplo: (a)
verificar o posicionamento das formas; (b) verificar o posicionamento das
armaduras antes da concretagem; (c) realizar o correto recebimento do
concreto usinado; (d) acompanhar o correto adensamento do concreto
durante a aplicação.

Durante a execução, a utilização de fôrmas e espaçadores, o
adensamento correto e a cura do concreto, norteados pela NBR
14931:2004 – Execução de estruturas de concreto – Procedimentos
também ajudam a garantir a qualidade/durabilidade do concreto. Ao final
UNIUBE 77

do processo, é necessário que o concreto seja denso, bem curado,
resistente, de baixa permeabilidade e que não apresente fissuras
excessivas.

Portanto, as estruturas de concreto devem ser projetadas e construídas
de modo que, sob as influências ambientais previstas, mantenham bom
desempenho e boa aparência durante um período de tempo sem exigir
altos custos de manutenção e reparo.

O que é vida útil de uma estrutura de concreto?

O período de tempo, durante o qual o concreto deve manter suas
características e propriedades, é conhecido como vida útil. A NBR 6118
(2003) conceitua vida útil como o período de tempo durante o qual
se mantêm as características das estruturas de concreto, desde que
atendidos os requisitos de uso e manutenção prescritos pelo projetista
e pelo construtor, conforme os itens 7.8 e 25.4 da referida norma, bem
como de execução dos reparos necessários decorrentes de danos
acidentais.

A extensão da vida útil desejada varia com o tipo e importância da
estrutura (permanente, temporária, obras de arte etc.). Cabe ao projetista
em conjunto com o proprietário definirem a vida útil da estrutura e ao
projetista, em conjunto com o engenheiro de execução, especificar e
garantir as medidas necessárias para assegurar que ela seja atingida.
(NBR 6118, 2003)

AGORA É A SUA VEZ

Quais critérios devem ser analisados quando o projetista e o proprietário da
obra definem a vida útil da estrutura? Converse com seus colegas sobre isso.
78 UNIUBE

Os aspectos principais associados à durabilidade e garantia da vida
útil do concreto são: o ambiente em que o concreto está inserido e a
estrutura do concreto.

De fato, o concreto é uma estrutura porosa e, por isso, permite a
passagem para o seu interior de fluidos diversos que podem deteriorar
seus componentes. Para que o aço e o concreto atuem em conjunto
durante o período de vida útil da estrutura, algumas necessidades são
impostas em relação à qualidade do concreto. A resistência nominal do
concreto, a relação água-cimento bem como o cobrimento adequado da
armadura são parâmetros que devem ser escolhidos de acordo com o
ambiente e vida útil da edificação.

RELEMBRANDO

Cobrimento da armadura
É a distância entre a face do concreto e o aço utilizado para a armação
da peça da estrutura. A NBR 6118 (2003) define as distâncias mínimas
conforme a classe de agressividade ambiental a que estão submetidas
(Tabela 3).

Tabela 3: Correspondência entre classe de agressividade ambiental e cobrimento nominal
Classe de agressividade
Componente I II III IV 3)
Tipo de estrutura
ou elemento Cobrimento nominal
mm
Laje 2) 20 25 35 45
Concreto armado
Viga/Pilar 25 30 40 50
Concreto 1)
Todos 30 35 45 55
protendido

1)
Cobrimento nominal da armadura passiva que envolve a bainha ou os fios, cabos
e cordoalhas, sempre superior ao especificado para o elemento de concreto armado,
devido aos riscos de corrosão fragilizante sob tensão.
UNIUBE 79

2)
Para a face superior das lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de
contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassas
de revestimento a acabamento, tais como pisos de elevado desempenho, pisos
cerâmicos, pisos asfálticos e outros tantos, as exigências desta tabela podem ser
substituídas por 7.47.5, respeitado um cobrimento nominal ≥ 15mm.s.
3)
Nas faces inferiores de lajes e vigas de reservatórios, estações de tratamento
de água e esgoto, condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em
ambientes química e intensamente agressivos à armadura deve ter cobrimento
nominal ≥ 45 mm

Fonte: NBR 6118 (2003).

As condições ambientais (ações químicas e físicas) às quais a estrutura
de concreto é exposta podem resultar em efeitos não incluídos entre as
ações e cargas previstas no projeto estrutural. Por isso, a agressividade
do ambiente influencia na durabilidade do concreto. Estruturas expostas a
atmosferas marinhas, por exemplo, tendem a apresentar mais patologias
do que as que se encontram em ambiente rural.

Segundo Mehta e Monteiro (1994), como um resultado de interações
ambientais, a microestrutura e, consequentemente, as propriedades dos
materiais mudam com o passar do tempo. Admite-se que um material
atingiu o fim da sua vida útil quando as suas propriedades, sob dadas
condições de uso, deterioram a tal ponto que a continuação do uso deste
material é considerada como insegura ou antieconômica.

2.3 Mecanismos de transporte de fluidos na matriz do concreto

Para entender como o concreto se deteriora em diferentes ambientes, é
preciso conhecer não só o grau de agressividade do ambiente, mas também
a própria matriz porosa do concreto e sua interação com esse ambiente.
80 UNIUBE

Em geral, os agentes agressivos – como sais, bases e ácidos – se
encontram no ambiente em estado líquido ou gasoso. O ingresso desses
fluidos no concreto se dá através dos poros da pasta de cimento ou por
fissuras e dependem da concentração das substâncias agressivas, das
condições ambientais – como a temperatura e a umidade – e da estrutura
e dimensão dos poros e microfissuras.

A estrutura porosa tem especial importância no transporte de substâncias
agressivas, pois poros interconectados são os que permitem a passagem
de agentes agressivos para o interior do concreto.

Esse transporte de substâncias é regido por diferentes mecanismos físico-
químicos. Os principais mecanismos de transporte são: a permeabilidade,
a difusão, a absorção capilar e a migração.

A permeabilidade (Figura 1) é definida como a propriedade que governa
a taxa de fluxo de um fluido para o interior de um sólido poroso. A
permeabilidade do concreto é afetada pela conectividade, distribuição e
tamanho dos seus poros.

Figura 1: Representação da permeabilidade.
UNIUBE 81

A permeabilidade diminui com o aumento do consumo de cimento e com
o grau de hidratação da pasta. Por sua vez, à medida que se reduz a
relação a/c, vai se obtendo estruturas cada vez mais compactas, com
poros capilares mais “estreitos”.

A difusão (Figura 2) é a transferência de íons na solução dos poros desde
as regiões com altas concentrações até regiões de baixas concentrações
da substância que difunde.

Figura 2: Representação da absorção capilar.

Para que ocorra a difusão iônica é necessário que o concreto contenha
certo teor de umidade mínimo que permita a movimentação do íon.
Assim, quando os íons encontram em seu caminho uma região seca, a
difusão é interrompida.

A absorção capilar (Figura 3) é o transporte de líquidos nos poros do
concreto devido à tensão superficial agindo nos poros capilares.
82 UNIUBE

Figura 3: Representação da absorção capilar.

Ela está relacionada não só com a estrutura dos poros, mas também
com as características do líquido, tais como viscosidade, densidade e
tensão superficial, e também das características do sólido poroso como
raio, tortuosidade e a continuidade dos poros, além da energia superficial.

Quanto mais elevada for a tensão superficial no interior dos poros, maior
será a ascensão capilar, e quando os líquidos são altamente viscosos
torna-se maior a dificuldade de penetração destes nos poros do concreto.

A migração (Figura 4) é o fenômeno de transporte de íons no eletrólito
devido à ação do campo elétrico que atua como força motriz. Esta
diferença de potencial é, normalmente, originada pelo campo elétrico
gerado por células de corrosão eletroquímica. Assim, a movimentação
iônica por migração pode permitir o fluxo de íons na direção das regiões
anódicas onde ocorre a corrosão, fazendo com que esta se intensifique.
UNIUBE 83

Figura 4: Representação da permeabilidade.

Os parâmetros que mais influenciam a migração são a concentração
iônica na fase líquida ou gasosa e a temperatura.

2.4 Mecanismos de deterioração das estruturas de concreto
armado

Os mecanismos de deterioração dos concretos podem ser divididos
em dois grupos segundo a sua origem: degradação de origem física e
degradação de origem química.

As principais degradações de origem física são: deterioração por
desgaste superficial, deterioração por cristalização de sais nos poros,
deterioração por ação do congelamento e deterioração pela ação do fogo.

As principais degradações de origem química são a deterioração por
ação dos sais, a formação de eflorescências, o ataque por sulfato e a
reação álcali-agregado.

Além dos mecanismos citados, no estudo da durabilidade do concreto
armado, será estudada a ação da corrosão da armadura.
84 UNIUBE

2.4.1 Causas físicas de deterioração do concreto

2.4.1.1 Deterioração por desgaste superficial − Abrasão

A deterioração por abrasão refere-se ao atrito seco proveniente do tráfego
de pessoas, veículos, ou até mesmo pela ação do vento. A abrasão
provoca a perda gradual e continuada da argamassa superficial e de
agregados em uma área limitada. Esse mecanismo, bastante comum
nos pavimentos, prejudica o desempenho da estrutura afetada quanto à
sua funcionalidade.

A qualidade da camada superficial de concreto é fator determinante para
a resistência ao desgaste por abrasão. Deve-se, portanto, aumentar a
resistência da superfície por meio do emprego de uma pasta de cimento
e de um agregado que permitam resistir às solicitações de desgaste.

Os agregados têm uma grande contribuição para a resistência à abrasão
do piso, sendo a sua dureza a principal característica para a melhoria do
seu desempenho. Para concretos que utilizam os mesmos agregados,
a sua resistência à abrasão tem relação direta com a dureza da pasta
de cimento.

Para se aumentar a resistência do concreto à abrasão, é possível se
fazer uma redução no fator água/cimento e utilizar adições plastificantes
ao concreto ou, ainda, impermeabilizantes que dificultem a penetração de
líquidos na superfície do material. Também existe a aplicação de soluções
endurecedoras de superfície, tornando o material mais resistente ao atrito.
Segundo Mehta e Monteiro (1994), comumente são utilizadas soluções
endurecedoras, como o fluossilicato de magnésio e zinco ou silicato de
sódio, que reagem com o hidróxido de cálcio da pasta formando produtos
insolúveis que funcionam como selantes nos poros superficiais.
UNIUBE 85

Temos, então, que quanto maior a dureza e menor a porosidade da pasta
de cimento, maior será a sua resistência do concreto à abrasão. Para se
obter essas características, deve-se adotar a redução da relação água /
cimento, e realizar adições que promovam diminuição da porosidade e
aumento da dureza na superfície.

EXEMPLIFICANDO!

A abrasão do concreto pode ser verificada em pisos de garagens feitos
em concreto.

Observe os estacionamentos de estabelecimentos comerciais de sua cidade
(shopping centers, lojas, supermercados etc.). O concreto da faixa por onde
passam os veículos estará bem mais desgastado que aquele das vagas de
estacionamento.

2.4.1.2 Deterioração por desgaste superficial – Erosão

Quando um fluido em movimento, ar ou água, contendo partículas
em suspensão, atua sobre uma superfície, as ações de colisão,
escorregamento ou rolagem das partículas transportadas por esse fluido
contra a superfície do material, provocam desgaste nessa superfície.
Apesar de também ser uma forma de desgaste superficial, devido à sua
característica de transporte de partículas através de um fluido, esse
fenômeno é denominado de erosão.

Além da porosidade da superfície do concreto, a intensidade da
erosão pode ser mais ou menos severa, dependendo de fatores como
quantidade, tamanho, forma, dureza e velocidade das partículas que
estão sendo transportadas pelo fluido.
86 UNIUBE

O mecanismo de desgaste da erosão possui os mesmos princípios da
abrasão. Logo, para obtenção de uma boa resistência à erosão em
superfícies de concreto, devem ser utilizados agregados com alta dureza
e concreto de boa qualidade, principalmente na superfície de contato com
o fluido. A superfície deve ser o menos porosa possível, a fim de diminuir
as resistências ao movimento do fluido, e o material deve ter passado
por um processo de cura adequada, antes de ser exposto ao ambiente
agressivo.

EXEMPLIFICANDO!

A erosão do concreto é comum em pilares de pontes mais antigas (quando
não havia o cuidado com a dosagem e durabilidade do concreto).
A água do rio/mar contém partículas que colidem com a superfície do pilar
causando o desgaste do mesmo.

2.4.1.3 Deterioração por desgaste superficial − Cavitação

A cavitação é um fenômeno observado em águas correntes devido
à formação de bolhas em regiões de reduzida pressão de vapor. À
medida que as bolhas de vapor entram em uma região de pressão mais
elevada, elas implodem com grande impacto, causando severas erosões
localizadas.

As estruturas de concreto sujeitas à cavitação são aquelas que estão em
contato com fluxo de água com elevada velocidade, como vertedouros,
condutos forçados, dentre outros. Apesar de também estar relacionada ao
desgaste por transporte de um fluido, a cavitação provoca um desgaste
irregular da superfície do material, dando-lhe uma aparência irregular e
corroída, conforme está representado na figura seguinte, muito diferente
das superfícies desgastadas de forma regular pela erosão de sólidos em
suspensão.
UNIUBE 87

A eliminação das causas da cavitação pode ter um custo elevado. Em
alguns casos, torna-se mais viável o reparo das regiões danificadas. No
entanto, algumas medidas como evitar mudanças abruptas de declividade
e/ou desalinhamentos na superfície contribuem para diminuir os efeitos
desse tipo de desgaste. Também pode-se citar a utilização de concretos
de elevada resistência, empregando agregados de maior dureza.

PESQUISANDO NA WEB

Pesquise na Web (ou em livros) imagens de estruturas danificadas pela
cavitação.

Compartilhe os resultados de sua pesquisa com seus colegas e tutor(a).

2.4.1.4 Deterioração por cristalização de sais nos poros

Os sais podem atuar através de uma ação física, induzindo tensões
internas e fissuração. Essa ação se dá pela cristalização de sais no
interior dos poros capilares do concreto, devido à evaporação da água,
e pela sua posterior re-hidratação, com um ciclo de umedecimento,
ocupando um volume maior que o existente para acomodá-lo.

É um fenômeno observado quando os materiais estão expostos a
sais hidratáveis com sulfato de sódio (Na2SO4) e carbonato de sódio
(Na2CO3). Quando em contato com a umidade, esses sais passam por
um processo de hidratação, com consequente expansão, o que provoca
uma deterioração progressiva da superfície do concreto.

Os concretos sujeitos à ação física da cristalização dos sais são aqueles que
apresentam grande porosidade, ou seja, com elevada relação água/cimento,
e que estejam em contato com soluções de alta concentração salina.
88 UNIUBE

2.4.1.5 Deterioração por ação do congelamento

Por se tratar de um material poroso, com água naturalmente contida em
sua estrutura, seja ela na forma de água livre, quimicamente combinada
ou água adsorvida, o concreto sofre um processo de deterioração quando
submetido às baixas temperaturas com consequente ciclo de degelo.

RELEMBRANDO

Água livre
Água presente nos vazios maiores que 50 Å. Também chamada de água
capilar.

Água quimicamente combinada
Água que é parte integrante da estrutura de vários produtos hidratados
do cimento. Esta água não é perdida na secagem; é liberada quando os
produtos hidratados são decompostos por aquecimento.

Água adsorvida
Água próxima à superfície do sólido, sob a influência de forças de atração.
A perda de água adsorvida é principalmente responsável pela retração da
pasta na secagem.

As causas da deterioração do concreto endurecido pela ação do
congelamento podem ser relacionadas à complexa microestrutura do
material formada por uma rede de capilares interligados e às condições
específicas do meio ambiente que permitem o congelamento da água
nas estações frias do ano.

A deterioração devido a ciclos de gelo/degelo nos materiais cimentícios
se dá na forma de fissuração e destacamento do concreto superficial
exposto ao congelamento e degelo, na presença de umidade e produtos
químicos para degelo.
UNIUBE 89

Uma teoria apresentada por Litvan apud Mehta e Monteiro (1994) mostra
que quanto mais rígida estiver a água contida nos vazios da pasta de
cimento, mais difícil é que ela se congele. Dessa forma, a água adsorvida
no gel e a água interlamelar apresentarão pontos de congelamento em
temperaturas inferiores ao da água dos vazios capilares.

O problema de congelamento da água nos poros do concreto está
relacionado à quantidade de grandes poros existentes na pasta de
cimento, uma vez que a água que tende a se congelar se encontra
nesses grandes poros. A água livre nos poros da pasta de cimento pode
estar nos vazios capilares, adsorvida nos poros de gel ou ainda, na forma
de água interlamelar. Essa última forma de água, retida nas lamelas do
silicato hidratado de cálcio é a que se encontra mais rigidamente retida.

Como foi dito anteriormente, a quantidade de água livre presente na
pasta de cimento é um fator importante na degradação por congelamento.
Assim, o fator água/cimento e o grau de hidratação da pasta são
aspectos importantes na resistência ao congelamento. Segundo Mehta
e Monteiro (1994), em geral, quanto maior a relação água/cimento para
um dado grau de hidratação, ou quanto menor o grau de hidratação para
uma determinada relação água/cimento, maior será o volume de poros
formado na pasta.

A quantidade de ar incorporado na pasta e o número de vazios que esse
ar incorporado forma também auxiliam no combate aos efeitos nocivos
do congelamento. Se o ar incorporado produzir um grande número de
vazios na pasta de cimento, esses vazios podem funcionar como um
caminho de escape para a água que se dilata ao congelar, diminuindo a
pressão hidráulica nos poros da pasta e a formação de fissuras devido
às tensões que se formam nesses vazios.
90 UNIUBE

Se a formação de gelo se iniciar nos vazios da pasta, os cristais de gelo
que se formam não exercem pressão nas paredes desse poro. Nesses
casos, há ainda um fator do gelo formado no vazio que atrai a água
que se encontra nos capilares, criando um fluxo na direção do vazio e
diminuindo a pressão nos poros capilares.

Outro fator que influencia a resistência do concreto aos ciclos de gelo/
degelo é a utilização de sais de degelo, muito comuns para se dissolver
o gelo em pavimentos de países de clima frio. Segundo Mehta e Monteiro
(1994), a resistência do concreto ao congelamento é significativamente
menor sob a influência combinada de congelação e sais de degelo.

É possível, então, observar que os dois parâmetros mais importantes,
para proteger as estruturas de materiais cimentícios dos danos dos ciclos
de gelo/degelo, é a relação água/cimento que deve ser baixa, a fim de se
gerar a menor quantidade de água livre nos poros capilares, e o volume
de vazios gerado pelo ar incorporado ao concreto, que pode produzir
fronteiras de escape para a água que se expande no congelamento.

2.4.1.6 Deterioração por ação do fogo

Embora os materiais de matriz cimentícia não sejam combustíveis como
as madeiras e os materiais poliméricos, a ação do fogo nesses compostos
provoca danos ao material, como formação de fissuras e lascamento
nas estruturas de concreto. De um modo geral, os danos provocados
pela exposição a altas temperaturas nos materiais cimentícios estão
relacionados à evaporação da água de hidratação dos compostos na
pasta de cimento ou ainda, da água livre presente nos vasos capilares
das estruturas de concreto.
UNIUBE 91

No caso de concretos, segundo Metha e Monteiro (1994), diversos
fatores influenciam na resposta à ação do fogo, como permeabilidade do
concreto, tamanho do elemento, tipo de agregado e taxa de aumento da
temperatura. Todos esses fatores interagem simultaneamente, e tornam
bastante complexos os estudos da ação do fogo sobre as estruturas
de concreto, pois tanto a pasta de cimento quanto os agregados se
decompõem com o calor.

Nos concretos e argamassas, a água é responsável pela hidratação do
cimento e a consequente formação dos compostos resistentes através
de reações químicas. No entanto, ainda há uma parte da água que fica
adsorvida ao gel da pasta de cimento e, também, água livre capilar.

Durante a exposição ao fogo, toda a água presente na pasta de
cimento tende a se evaporar, dependendo do tempo de exposição e
da intensidade do aumento de temperatura. Quando submetido a
temperaturas por volta de 700 a 800 °C, o concreto é capaz de conservar
uma resistência suficiente por períodos razoavelmente longos, permitindo
operações de resgate e reduzindo o risco de colapso estrutural no caso
de incêndios (Metha e Monteiro, 1994).

Conforme descreve Bauer (2000), para temperaturas entre 200 e 300
°C, toda a água capilar já se evaporou, a temperatura crítica do concreto
quanto exposto ao fogo é da ordem de 350 °C, quando inicia-se a
formação de fissuras superficiais.

Em concretos de alta resistência, a baixa permeabilidade dificulta a saída
do vapor de água gerado, elevando a pressão próxima às superfícies.
Nesses casos, se existir grande quantidade de água evaporável, pode
surgir o lascamento superficial, devido ao aumento da pressão de vapor
no interior do concreto se dar numa taxa maior que o alívio de pressão
pela dispersão do vapor na atmosfera. Esse fenômeno de lascamento
das estruturas de concreto é denominado de spalling.
92 UNIUBE

Apesar da ação do fogo sobre os materiais de matriz cimentícia ser um
tipo de degradação física, o aumento da temperatura pode provocar
também alterações na composição química da pasta de cimento. Lima
et al (2004) salienta que as altas temperaturas provocam transformações
químicas importantes dos componentes do concreto endurecido, e que o
efeito combinado dessas transformações com o aumento da tensões nos
poros do concreto devido à evaporação da água, pode produzir perdas
significativas da capacidade portante.

Na ação do fogo em materiais cimentícios e sua degradação, há ainda
outro fator a ser considerado: a forma como se extinguem os incêndios.
O jato de água que é lançado sobre o material provoca nele um choque
térmico, e a re-hidratação do Ca(OH)2 se dá com inchamento do concreto
provocando grande fissuramento.

Conforme descrito anteriormente, os mecanismos de degradação
dos materiais cimentícios pela ação do fogo, ainda que inicialmente,
estejam relacionados ao fenômeno físico de aumento da temperatura e
evaporação da água, não ocorrem separadamente de transformações
químicas nos componentes da pasta de cimento.

No caso de concreto, um material polifásico, com zonas de transição
entre a pasta de cimento e agregados, e possibilidade de se utilizar
diferentes materiais na mistura, temos ainda um campo mais complexo
das alterações que podem ocorrer por variação de temperatura, devido a
expansões por transformações químicas ou dilatações diferenciais entre
os agregados e a pasta de cimento.

2.4.2 Causas químicas de deterioração do concreto

A deterioração dos materiais cimentícios pode ocorrer por diversos
mecanismos químicos que variam de acordo com o meio ao qual o
material está exposto. Segundo o Comitê 201, do American Concrete
UNIUBE 93

Institute –ACI, dentre os mecanismos de deterioração do concreto que
afetam a matriz cimentícia estão: o ataque ácido, o ataque de sulfatos, a
lixiviação e a carbonatação.

Segundo Val (2007), os efeitos de soluções agressivas podem ser
classificados da seguinte forma:

Tipo I – lixiviação do hidróxido de cálcio;
Tipo II – reações entre soluções e compostos que podem ser lixiviados
do concreto;
Tipo III – reações resultando na cristalização de compostos secundários,
gerando forças de expansão e desagregação do concreto;
Tipo IV – cristalização de sais das soluções de ataque, causando
desagregação do concreto;
Tipo V – corrosão das armaduras.

A seguir, serão detalhadas as formas de degradação química e as
consequências de cada tipo de ataque à estrutura do cimento.

2.4.2.1 Ataque ácido

O crescimento das atividades urbanas e industriais nos últimos 30 anos
contribuiu para a disseminação das fontes produtoras de ácido em
contato com estruturas feitas com o uso de cimento. Entre as substâncias
ácidas que atacam severamente as estruturas, destacam-se as soluções
minerais, como os ácidos sulfúrico, nítrico, clorídrico e fosfórico e
orgânicas, como o ácido lático e acético.

PESQUISANDO

Quais as indústrias e atividades humanas mais geradoras de resíduo ácido?
94 UNIUBE

A ação de soluções ácidas acontece pela conversão dos compostos de
cálcio em sais de cálcio formados a partir do ácido agressor (ZIVICA
e BAJZA, 2001). Em geral, os cimentos Portland não oferecem boa
resistência aos ácidos; contudo, há uma tolerância a alguns ácidos mais
fracos, especialmente se a exposição for eventual (LIMA et al, 2007).

A velocidade e intensidade de degradação dependem da solubilidade e
concentração do ácido e da duração do contato, e acarreta reações do
tipo II em praticamente todos os compostos do cimento Portland (VAL,
2007).

RELEMBRANDO

Compostos do cimento hidratado

• Silicato de cálcio Hidratado (CSH) – 50-60% volume de sólidos
• Hidróxido de Cálcio – 20-25% volume de sólidos
• Sulfoaluminato de Cálcio – 15-20% volume de sólidos
• Grãos de clínquer não hidratados

O hidróxido de cálcio presente na pasta de cimento endurecida confere
a essa pasta um caráter extremamente básico, com pH superior a 13
(VAL, 2007). Assim, além da reação entre os compostos do cimento e os
ácidos, o próprio pH da solução acarreta uma deterioração do concreto
na medida em que ocorre uma queda progressiva do seu pH devido
à reação entre a solução ácida e o Ca(OH)2, tendo como produtos da
reação sal mais água.

Como resultado do ataque ácido, o sistema poroso do cimento endurecido
é destruído. Os compostos de cálcio formados são solúveis em água e
podem ser facilmente lixiviados, resultando em perda da capacidade de
ligação entre os constituintes da pasta.
UNIUBE 95

2.4.2.2 Ataque de Sulfatos

O ataque por sulfatos é caracterizado pela reação entre o íon sulfato e
os compostos hidratados do cimento. Os sulfatos (de cálcio, de sódio,
de potássio e de magnésio) são encontrados em solos ou em águas
poluídas.

Os sulfatos em solução aquosa formam o ácido sulfúrico e este, como os
ácidos descritos anteriormente, reage primeiramente com o hidróxido de
cálcio do cimento, equação 1, formando o sulfato de cálcio.

Como o material continua submetido ao ataque do H2SO4, os outros
componentes do cimento vão sendo decompostos e lixiviados. O sulfato
de cálcio formado na reação inicial reage com o aluminato de cálcio
formando o sulfoaluminato de cálcio (etringita), reação do tipo III, que,
com a cristalização, pode causar expansão do material e sua fissuração
(VAL, 2007).

A etringita formada é denominada secundária para se diferenciar da
etringita formada na fase inicial da hidratação do concreto. As moléculas
de água incorporadas para a formação desse composto são responsáveis
pelo aumento de volume do produto formado.

Este aumento de volume conduz a fissuras e a perdas de resistência e
durabilidade da pasta de cimento. A diminuição do pH devido à lixiviação
dos componentes alcalinos do cimento também é um agravante para a
deterioração do material.

Segundo Val (2007), a escolha adequada do tipo de cimento utilizado,
além de redução da penetração da solução para o interior do elemento, é
a forma encontrada para se reduzir o impacto do ataque. Para estruturas
96 UNIUBE

sujeitas ao ácido sulfúrico, deve-se usar cimento com teor de aluminato
tricálcico inferior a 8%, por apresentar taxa de C3A de, aproximadamente,
4%, sendo também recomendável fazer uso de cimento aluminoso ou de
cimento com adição de escória de alto-forno ou de pozolana.

2.4.2.3 Lixiviação

A lixiviação ocorre por ação de águas puras, carbônicas agressivas e
ácidas que dissolvem e carreiam os compostos hidratados da pasta de
cimento (LIMA et al , 2007).

Águas puras têm habilidade de dissolver alguns compostos hidratados
da pasta de cimento, principalmente o hidróxido de cálcio e o C-S-H. A
lixiviação desses íons das soluções dos poros para a superfície acontece
devido aos processos de dissolução e difusão (GLASSER et al, 2008).

A lixiviação provoca um contínuo decréscimo da concentração de cálcio
e hidróxido da região não afetada para a zona exposta do material. Isto
causa a difusão dos íons de cálcio e hidróxido da solução aquosa nos
poros do cimento para a solução agressiva e, consequentemente, diminui
a concentração de cálcio nos poros.

Este fenômeno afeta as estruturas em contato direto ou prolongado com
águas puras ou ácidas como barragens e redes de abastecimento de
água. Segundo Lima et al (2007), o sintoma básico desse fenômeno é
uma superfície sem a pasta superficial, com eflorescências de carbonato,
com elevada retenção de fuligem e com risco de aumentar a quantidade
de fungos e bactérias. Como resultado, observa-se também uma
diminuição do pH do extrato aquoso dos poros superficiais da pasta,
além do crescimento da porosidade e permeabilidade.

As eflorescências são identificadas como manchas brancas na
superfície das estruturas de concreto.
UNIUBE 97

O uso de materiais cimentícios complementares combinados com a cura
adequada do cimento diminui a permeabilidade do concreto e modificam
a cinética da reação reduzindo o transporte do cálcio (GLASSER et al,
2008).

2.4.2.4 Carbonatação

Em condições normais de exposição, o CO2 atmosférico penetra no
concreto, reage com o Ca(OH)2, diminuindo o pH de 13,5 para valores
abaixo de 10 (PAPADAKIS, VAYENAS, FARDIS, 1991). A equação 2 é a
equação geral da carbonatação e pode ser descrita por três etapas (DA
SILVA, 1998).

Ca(OH) 2 +CO 2 → CaCO 3 + H 2 O (equação 2)
CO 2 + H 2 O → H 2 CO 3 (equação 3)
2H 2 CO 3 +Ca(OH) 2 → Ca(HCO 3 ) 2 +2H 2 O (equação 4)
Ca(HCO 3 ) 2 +Ca(OH) 2 → 2CaCO 3 +2H 2 O (equação 5)

Na primeira etapa (equação 3), o gás carbônico atmosférico é dissolvido
na água intersticial do concreto formando o ácido carbônico.

Na segunda etapa (equação 4), o ácido carbônico reage com o hidróxido
de cálcio originando bicarbonato de cálcio e água.

Na equação 5, a terceira da carbonatação, o bicarbonato de cálcio e
o hidróxido de cálcio dão origem, em uma reação de dupla troca, a
carbonato de cálcio e água.

Dessa forma, divide-se o processo da carbonatação em duas etapas:
a molhada e a seca. A etapa molhada é o ataque químico do ácido
carbônico aos cristais instáveis de hidróxido de cálcio. Já a etapa seca
consiste no transporte de água saturada com hidróxido de cálcio até as
98 UNIUBE

zonas de menor pressão onde a água evapora e o carbonato de cálcio
precipita.

A velocidade de carbonatação decresce com o tempo, pois os carbonatos
formados tendem a depositar-se nos poros da pasta, obturando-os.

Sob essa nova alcalinidade, a proteção da armadura é destruída e, em
presença de umidade e oxigênio, dá-se início à corrosão mas, estando
em condições atmosféricas normais, a carbonatação não é prejudicial à
matriz cimentícia .

No entanto, quando as condições de exposição de materiais cimentícios
se diferem das condições normais descritas anteriormente, o processo
carbonatação se torna um mecanismo de degradação da pasta de
cimento.

Durante o armazenamento geológico do gás carbônico em poços de
petróleo, por exemplo, o CO2 se encontra em estado supercrítico, ou seja,
acima de sua temperatura crítica e pressão crítica.

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

Armazenamento geológico do gás carbônico
O armazenamento geológico consiste na injecção, após captura do CO2, na
sua forma condensada numa formação rochosa subterrânea. As principais
opções são:
• jazidas de petróleo e gás: as formações rochosas que retêm ou que já
retiveram fluidos (como as jazidas de petróleo e gás) são candidatos
potenciais para o armazenamento;
• formações salinas: à semelhança das jazidas de petróleo e gás, é
possível também injectar CO2 em jazidas salmoura;
• camadas de carvão inexploradas: é possível a injecção em camadas
de carvão que não venham a ser exploradas, dependendo sempre da
sua permeabilidade.
UNIUBE 99

Caso queira ler o texto na íntegra, acesse:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclo_do_carbono>

O CO2 em estado supercrítico apresenta relativamente alta densidade,
baixa viscosidade e baixa tensão superficial, apresentando um grande
potencial para penetrar nos pequenos poros da pasta de cimento,
aumentando a sua reatividade e acelerando, assim, as reações normais
de carbonatação na pasta endurecida.

A degradação da pasta de cimento por CO2 supercrítico se caracteriza,
então, pela dissolução dos compostos hidratados do cimento. De
maneira mais detalhada, na presença de excessiva quantidade de CO2,
o carbonato de cálcio é convertido em bicarbonato de cálcio, que pode
migrar para fora da matriz da pasta. O bicarbonato de cálcio dissolvido
pode reagir com o hidróxido de cálcio formando carbonato de cálcio e
água.

A liberação de água pode dissolver mais bicarbonato de cálcio, resultando
na lixiviação, aumento da porosidade e permeabilidade e decréscimo na
resistência à compressão (COSTA et al, 2008).

Logo que o Ca(OH)2 é totalmente consumido, o CaCO3 inicia a sua
dissolução na forma de bicarbonato com um grande decréscimo do
pH da solução dos poros. Devido a isto, o C-S-H e os componentes
anidros (fases C3S ou C2S) remanescentes no cimento se dissociam na
forma sílica amorfa , com características de elevada porosidade e baixa
resistência mecânica (KUTCHKO et al., 2007 apud COSTA et al, 2008).

2.4.2.5 Reação álcali-agregado

As reações álcali-agregado (RAA) são reações químicas envolvendo
íons alcalinos do cimento Portland (NaOH e KOH) e certos constituintes
100 UNIUBE

mineralógicos dos agregados. Esse tipo de reação ocorre com agregados
compostos de sílica amorfa ou carbonatos.

Essa reação se manifesta pela expansão e fissuração do concreto,
devido à reação da sílica (ou carbonato) com os álcalis do concreto,
gerando um gel que, na presença de água, é expansivo.

PESQUISANDO NA WEB

A reação álcali-agregado proporcionou diversas pesquisas no Brasil. Muitas
barragens brasileiras apresentaram problemas de deterioração devido
à  RAA.
Pesquise trabalhos acadêmicos ou estudos de caso que relatam a incidência
de RAA em barragens.
Não se esqueça de compartilhar com seus colegas e seu tutor os resultados
de sua pesquisa e suas observações.

2.4.3 Causas de deterioração da armadura

A corrosão das armaduras é uma reação entre o metal e o ambiente no
qual ele se encontra. Esse processo deteriora gradativamente o metal e
implica na perda de seção das barras e formação de produto expansivo
no interior do concreto ao redor das armaduras.

Assim, a corrosão tem, como consequência, uma diminuição da seção
de armadura e fissuração do concreto. Eventualmente, podem surgir
manchas avermelhadas produzidas pelos óxidos de ferro. As fissuras
ocorrem porque os produtos da corrosão ocupam espaço maior que o
aço original.

As causas são variadas, entre as quais destacam-se a insuficiência ou
má qualidade do concreto do recobrimento da armadura e o contato com
íons cloretos.
UNIUBE 101

Mas, como funciona o processo de corrosão?

A corrosão da armadura se dá pela formação de pilhas eletroquímicas
no interior do concreto. Essas pilhas são formadas por uma região
onde ocorre a reação de oxidação, chamada de região anódica, e uma
segunda região onde ocorre a redução do oxigênio, região catódica.

No ânodo são liberados íons de ferro e elétrons. No cátodo, esses
elétrons são utilizados na redução do oxigênio formando as hidroxilas.
As hidroxilas se combinam com os íons de ferro formando hidróxidos
expansivos.

Reação anódica
Fe ⇔ Fe+2 + 2e-

Reações catódicas: 

O2 + 2H2O + 4e- ⇔ 4OH-
2H+ + 2e- ⇔H2

Os produtos da corrosão produzem esforços no concreto gerando fissuras
ao longo do comprimento das barras. As aberturas vão aumentando com
o decorrer do processo corrosivo e a corrosão pode levar ao lascamento
da camada superficial de concreto, perda de aderência entre aço e
concreto e redução da seção transversal da armadura.

2.4.3.1 A influência do cobrimento da armadura na corrosão das
armaduras

O cimento hidratado possui um pH de aproximadamente 13. Este pH
protege o aço contra a corrosão. Porém, como explicado anteriormente, o
hidróxido de cálcio do concreto reage com o gás carbônico da atmosfera,
102 UNIUBE

reduzindo para 10 o pH da massa do concreto, tornando possível a
corrosão da armadura.

O tempo que a carbonatação leva para atingir a profundidade onde
se encontra o aço depende, mantidas todas as demais condições
constantes, da espessura do recobrimento e de sua permeabilidade. Esta
pode ser associada à resistência mecânica do concreto (que depende do
fator água/cimento) e ao grau de compactação.

Dobrando a espessura do recobrimento, multiplica-se por quatro o
período de tempo que a carbonatação levará para atingir a armadura.

O crescimento do fator água/cimento provoca uma elevação exponencial
na velocidade de carbonatação do concreto. A profundidade de
carbonatação de concretos com mesma idade, feitos com fator água/
cimento 0,5, podem ser 1/3 da observada em concretos com fator água/
cimento 0,8.

2.4.3.2 A influência dos íons cloretos na corrosão das armaduras

Os íons cloretos são altamente agressivos para as estruturas de concreto
armado, pois são capazes de destruir a camada passivadora do aço,
mesmo em ambientes com alta alcalinidade. Os cloretos podem estar
presentes na água de amassamento e, eventualmente, nos agregados.
Em regiões próximas ao mar ou em atmosferas industriais, só cloretos
penetram no concreto durante a fase de uso.

Quando o concreto já se encontra no estado endurecido, o ingresso de
íons cloretos na estrutura acontece somente quando este está dissolvido
em água. Isto é explicado pelo fato das dimensões dos cristais de cloretos
serem usualmente muito maiores que as dimensões da rede de poros do
concreto, impossibilitando a sua entrada.
UNIUBE 103

Uma vez dissolvidos, os cloretos infiltram-se no concreto através de
mecanismos de penetração de água e transporte de íons, como: absorção
(ou sucção capilar), migração de íons, difusão de íons e permeabilidade.

Não há corrosão em concretos secos (ausência de eletrólito) e tampouco
em concreto totalmente saturado, devido não haver suficiente acesso de
oxigênio. Em tais condições, só haverá dissolução do aço da armadura,
se houver intensidade de corrente suficiente para realizar a eletrólise
da água gerando, assim, oxigênio extra, pois sempre existe água no
concreto e, geralmente, em quantitativo suficiente para atuar como
eletrólito, mormente quando este está em presença de climas úmidos.

2.5 Durabilidade das estruturas de concretos especiais

O cimento é hoje o segundo material mais consumido no mundo, em
primeiro lugar se encontra a água. Desde sua descoberta pelo inglês
Aspdin, até o uso atual em concretos, o processo de fabricação do
cimento, bem como os métodos de utilização do material, evoluem
significativamente.

Segundo Campos (2006), a partir da década de 70, os cimentos
passaram por alterações radicais em suas características. Nessa época,
surgem as adições nos concretos e o aumento da finura do material.
Tais modificações levaram a resultados muito favoráveis à resistência
mecânica da mistura.

Naturalmente, a evolução dos cimentos ampliou as possibilidades de
utilização do concreto. Além de ser empregado como material resistente
para vencer grandes vãos e grandes alturas, o custo, a estética, a
durabilidade e a maneira como esse concreto será executado passam a
ter maior importância na sua escolha (dosagem).
104 UNIUBE

Isso quer dizer que o concreto hoje deve atender a critérios específicos
de cada tipo de obra, justificando as pesquisas e o estudo dos “concretos
especiais”.

Se o concreto convencional é a mistura de cimento (aglomerante), areia
(agregado miúdo), brita (agregado graúdo) e água, os concretos especiais
são a otimização dessa mistura buscando melhorar características
específicas do material.

Esses concretos podem ser produzidos introduzindo na mistura
convencional aditivos ou adições que modifiquem alguma propriedade
do material. Alguns concretos ditos especiais melhoram as suas
características no estado fresco, como facilidade de lançamento e
adensamento.

Outros são dosados para modificar as características do concreto no
estado endurecido, tais como a resistência mecânica ou o peso próprio
(massa específica). Existem ainda concretos especiais que foram
“criados” a partir de uma necessidade puramente arquitetônica (estética).

A seguir, serão apresentados alguns concretos com finalidades e
características específicas.

2.6 Concreto colorido

O concreto já mostrou ser um material versátil usado em diversas obras
arquitetônicas com os mais variados contornos. Além de ter sua textura
e forma valorizada, o concreto pode agregar maior valor estético à
edificação por meio da adição de pigmentos.

O uso de pigmentos em pavimentos ou elementos estruturais aparentes
dispensa a aplicação de revestimentos, podendo trazer economia,
agilidade e menor exigência de manutenção à obra.
UNIUBE 105

No Quadro 1, são apresentados os principais tipos de pigmentos e sua
composição química.

Quadro 1: Pigmentos utilizados no concreto colorido

Cor Componente Fórmula

Vermelho Óxido de ferro α - Fe 2 O 3
Amarelo Óxido de ferro α - FeOOH
Preto Óxido de ferro Fe 3 O 4
Mistura de α
Marrom Óxido de ferro Fe2O3 , α – FeOOH e / ou Fe3O4

Verde Óxido de cromo Cr2 O 3
Azul Óxido de cobalto Co (Al, Cr)2 O 4

Fonte: Adaptado de Bayferrox (2010).

De uma forma resumida, um pigmento é um produto que não é solúvel
ao meio em que é aplicado, desta forma pode ser utilizado em concretos
e argamassas, sem serem lavados pela água das chuvas.

Os pigmentos podem ser de origem orgânica ou inorgânica. Os
inorgânicos são mais recomendados por apresentar menor quantidade
de finos e maior durabilidade. O tipo adequado de pigmentos inorgânicos
a ser utilizado na construção civil deve ser resistente à:

• intempéries;
• alcalinidade;
• variações de pH;
• variações de temperatura;
• lixiviação por água.

Desta forma, o uso de óxidos, principalmente os de Ferro, Cobalto e Cromo,
é o meio mais adequado para a coloração de itens na construção civil.
106 UNIUBE

Durante a fabricação de peças, utilizando concreto colorido, é necessário
tomar certos cuidados para garantir a qualidade do elemento. Um dos
grandes problemas que podem ocorrer é diferença de tons em uma
mesma peça.

Embora qualquer cimento possa ser utilizado para a confecção de
concreto colorido, deve-se evitar o uso de marcas diferentes de cimento
na concretagem de um mesmo componente, pois podem apresentar
tonalidades distintas em função do seu processo produtivo. Deve-se,
ainda, realizar o adensamento cautelosamente para evitar que possíveis
juntas sejam feitas em cores diferentes.

Em termos de patologia, a eflorescência é uma das principais ameaças
ao concreto colorido, já que o fenômeno pode comprometer bastante a
estética da superfície. Em muitos casos, a alternativa é o uso de aditivos
inibidores de eflorescência. Outro recurso é o desgaste da peça para
a retirada da nata superficial com aditivos retardadores e jato de areia.

2.6.1 Aplicações do concreto colorido

a) Argamassas:

• de rejuntamento;
• de revestimento;
• projetada;
• de assentamento.

b) Artefatos:

• piso de concreto intertravado;
• piso de concreto colorido integral;
UNIUBE 107

• telhas de concreto;
• telhas de amianto;
• blocos de concreto;
• blocos de solo-cimento;
• painéis de revestimento pré-moldados;
• peças especiais: elementos vazados, pré-fabricados de concreto,
bancos de concreto, guias de concreto.

c) Concreto:

• dosado em central concreteira;
• estampado;
• asfáltico;
• pré-moldados.

Exemplos de aplicação dos concretos coloridos:

Em Curitiba-PR, uma escola descobriu que o concreto pode ser utilizado
também com fins pedagógicos. Em uma área de 145 m², o pavimento
se transformou em um mapa-múndi, com blocos intertravados. O projeto
resultou em um equipamento para atividades educacionais para crianças.
Assim, blocos com dupla camada, resistência superior a 35 MPa e 6
cm de espessura compõem o painel. Oito diferentes cores fazem a
caracterização dos continentes e oceanos e, para tornar os tons mais
vivos e definidos, foi utilizado cimento branco.

Excluindo a pavimentação, os exemplos mais recentes de aplicação
desse tipo de recurso são empreendimentos que prezam pela
diferenciação arquitetônica, como o Hotel Unique, em São Paulo. No
local, uma mesma parede possui cores diferentes (vermelho e grafite)
nos lados interno e externo, resultantes da aplicação de concreto jateado
colorido.
108 UNIUBE

CURIOSIDADE

Em 2010, o IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto), lançou um concurso
entre os estudantes de Engenharia Civil para testar a habilidade dos
competidores na produção do concreto colorido.

O 1º HPCC – High Performance Color Concrete – tem como objetivo
moldar um corpo-de-prova com concreto de alto desempenho colorido, com
dimensões preestabelecidas, que seja capaz de atingir altas resistências à
compressão.

Que tal participar da próxima edição do concurso? Saiba mais em:
<http://www.ibracon.org.br>.

2.7 Concreto branco

Em sintonia com a versatilidade atualmente exigida das estruturas, o
concreto branco é, juntamente com o concreto colorido, uma solução
contra a “monotonia” cinza do concreto convencional. Dentro desta
nova exigência do mercado, é que o cimento branco estrutural acabou
ganhando força.

O emprego do concreto branco se justifica, portanto, nas obras estruturais
por motivos estéticos, podendo-se eliminar o revestimento, bem como
trabalhar com texturas e pigmentos. No entanto, a definição de um traço
para a produção de concretos brancos gera uma série de considerações
que devem ser analisadas.

A começar pela própria produção do cimento branco, a presença de
Fe2O3, Manganês (Mn), Cromo (Cr) e Titânio (Ti) é indesejável, pois afetam
UNIUBE 109

a cor da mistura final. Essa seleção especial de matéria-prima encarece
o processo de fabricação do cimento branco.

Em relação às características químicas, tanto o cimento Portland
cinza, quanto o branco, são constituídos basicamente pelos mesmos
compostos.

RELEMBRANDO

Composto do cimento
As matérias-primas básicas do cimento (a argila e o calcário) quando
calcinadas (submetidas a altas temperaturas) dão origem aos seguintes
compostos:
• silicato tricálcico – C3S – também chamado de alita;
• silicato bicálcico – C2S – também chamado de belita;
• aluminato tricálcico – C3A – também chamado de aluminato;
• ferro aluminato tetracálcico – C4AF – também chamado de ferrita.

Existem no mercado dois tipos de cimento Portland branco: o estrutural
e o não estrutural. O estrutural é usado em estruturas de projetos
arquitetônicos, e possui as classes de resistência 25, 32 e 40 MPa.
O não estrutural é utilizado para rejuntamento de ladrilhos cerâmicos,
argamassas entre outras com funções não estruturais.

A natureza do agregado e sua granulometria também são características
que afetam a mistura do concreto de concreto branco. Deve-se
preferencialmente selecionar e caracterizar adequadamente os
agregados a empregar, estabelecendo um controle de aceitação rígido,
com vistas a reduzir os riscos de alterações na homogeneidade da
mistura e, principalmente, na aparência do produto final.
110 UNIUBE

Para facilitar o controle da aparência superficial do concreto, deve-se
optar por agregados mais claros. Dados os altos volumes e custos de
transporte, as possibilidades de escolha de agregado são influenciadas
pela localização da região de produção do concreto. Em cada região
do Brasil, a escolha do agregado adequado deverá ser efetuada
analisando a disponibilidade de materiais e as exigências de acabamento
estabelecidas para a obra.

Em resumo, para a produção do concreto branco, os materiais utilizados
devem ser escolhidos com especial cuidado quanto à tonalidade e
limpeza.

Economicamente, analisando o custo dos materiais, o concreto branco é
mais caro que os concretos convencionais. O preço unitário do cimento
branco é similar ao do cimento cinza, porém a necessidade de se utilizar
agregados selecionados pode acarretar maiores gastos associados à
sua produção e transporte.

Em troca deste maior custo, se ganha a possibilidade de manipular a
cor do material. Isto permite ganhos de natureza estética e favorece a
utilização do material em situações onde se possa fazer uso da cor para
sinalização ou para delimitação de áreas.

Embora as estruturas de concreto branco exijam cuidados adicionais
que geram custos, a superfície final das peças tem uma qualidade tão
boa que evita retrabalhos, remendos ou necessidade de revestimentos
ou pintura.

Desta forma, o maior custo inicial pode ser parcialmente compensado
pela dispensa de atividades de acabamento e redução das atividades
de manutenção.
UNIUBE 111

2.7.1 Aplicações do concreto branco

No ano de 2002, em São Paulo, foi executado um condomínio totalmente
em concreto de cimento branco. Nesta obra, decidiu-se pela exposição
do agregado branco por meio de jato de areia, o que mudou o resultado
estético.

EXEMPLIFICANDO!

O projeto do Museu Iberê Camargo, na cidade de Porto Alegre, combina
forma e cor, dando origem a um volume que se molda à encosta do morro
onde se localiza o museu.

Caso tenha curiosidade, acesse o site do museu Iberê Camargo e confira:
<http://www.iberecamargo.org.br>.

A primeira grande obra pública do país a adotar o concreto branco foi a
ponte Irineu Bornhausen, reinaugurada em 2004, na cidade de Brusque.
O projeto substituiu a antiga ponte, por uma estrutura estaiada, com vão
livre maior. A nova estrutura tem 90 metros de extensão por 14 metros
de largura, e vão livre de 60 metros.

Para a construção desta ponte foram consumidas 5 mil toneladas de
concreto branco, atingindo resistência de 50 MPa. O concreto branco foi
escolhido por agregar novas qualidades à obra, levando em conta a sua
beleza estética.

2.8 Concreto com utilização de resíduos

A indústria da construção civil é uma grande geradora de resíduo. Apesar
dos esforços para a redução da geração de entulhos através da implantação
112 UNIUBE

de programas de qualidade e otimização do uso dos materiais de
construção civil, as atividades da engenharia civil ainda geram muito
entulho.

A utilização desses resíduos pela própria indústria da construção civil é
uma solução viável para reduzir a disposição desse material em aterros.
Esta solução vem se tornando cada vez mais importante e diversas
pesquisas referentes ao assunto estão sendo desenvolvidas para se
conhecer e melhorar o comportamento dos materiais de construção feitos
a partir de resíduos.

Segundo a Resolução 307, do CONAMA (Conselho Nacional do Meio
Ambiente), os resíduos de construção civil são: “os provenientes de
construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção
civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais
como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais,
resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa,
gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação
elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliças ou
metralha”.

A Resolução 307, de 5 de julho de 2002, do CONAMA – Conselho
Nacional do Meio Ambiente, classifica os resíduos da construção civil da
seguinte forma:

a) Classe A
São os resíduos reutilizáveis ou recicláveis com agregados, tais como:

a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação
e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes
de terraplenagem;

b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações:
componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de
revestimento etc.), argamassa e concreto;
UNIUBE 113

c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-
moldadas em concreto (blocos, tubos, meio-fios etc.)
produzidas nos canteiros de obra.

b) Classe B
São os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como:
plástico, papel/ papelão, metais, vidros e outros.

c) Classe C
São os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou
aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/
recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso.

d) Classe D
São os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais
como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados
oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas,
instalações industriais e outros.

2.8.1 Utilização dos resíduos na construção civil

O resíduo proveniente da construção civil pode ser adicionado aos
concretos e argamassas de cimento Portland de várias maneiras, a
seguir apresentadas:

• como agregado miúdo para argamassa;
• como agregado miúdo para concreto;
• como agregado graúdo para concreto.

O entulho processado pelas usinas de reciclagem se utilizado como
agregado para o concreto não estrutural, a partir da substituição dos
agregados convencionais (brita e areia), apresenta as seguintes
vantagens:
114 UNIUBE

• utilização de todos os componentes minerais do entulho (tijolos,
argamassas, materiais cerâmicos, areias, pedras etc.), sem a
necessidade de separação de nenhum deles;
• economia de energia no processo de moagem do resíduo (em
relação à sua utilização em argamassa), uma vez que, usando-o no
concreto, parte do material permanece com granulometria graúda;
• possibilidade de utilização de uma maior parcela do entulho
produzido, como o proveniente de demolições e de pequenas obras
que não suportam o investimento em equipamentos de moagem/
trituração.

2.8.2 Dificuldades encontradas para o emprego dos resíduos em
concretos

Apesar da existência de normas técnicas no Brasil (ABNT, 2004) que
regulamentam o emprego dos agregados de resíduos de construção
e demolição (RCD) reciclados em concretos, existem diversas
especificidades que tornam difícil essa utilização.

a) Triagem do RCD

As normas técnicas que discutem o emprego de agregados de
RCD reciclados em concretos estruturais exigem que estes sejam
constituídos quase que exclusivamente do resíduo de concreto. Na
prática, só é possível a obtenção de agregados de RCD reciclados
constituídos de concreto com o uso de demolição seletiva que separa,
na origem, o concreto dos demais resíduos minerais de classe A das
demais classes.

No Brasil, mesmo com a aplicação integral da resolução 307 do
CONAMA, será difícil a obtenção de agregados reciclados que
atendam a essa exigência, uma vez que essa resolução não prevê
a segregação entre as diferentes frações dos resíduos minerais da
classe A, misturando os resíduos de concreto e de alvenaria.
UNIUBE 115

b) Variabilidade dos agregados de RCD

As normas de agregados reciclados propõem a classificação dos
agregados gerados nos seguintes tipos: agregados de concreto,
alvenaria e misto, com o objetivo de reduzir a variabilidade das
propriedades, entre os diferentes lotes, facilitando o emprego dos
agregados de concreto na produção de novos concretos.

No entanto, embora exista uma melhora na homogeneidade dos
agregados, ela não é suficiente, uma vez que existem concretos com
propriedades muito distintas que, processados, vão gerar agregados
reciclados bastante diferentes.

c) Insuficiência dos métodos de controle de qualidade

As normas para uso de agregados graúdos de RCD reciclados em
concretos impõem limites máximos de presença de outras fases
minerais que não o concreto, tais como argamassa, cerâmica
vermelha etc., e controlam valores mínimos da massa específica
aparente média ou máximos de absorção de água. Esses valores
não permitem estabelecer uma relação clara entre as propriedades
dos agregados de RCD reciclados e as propriedades mecânicas dos
concretos produzidos.

A determinação do teor das diferentes fases minerais presentes nos
agregados, prevista nas normas, é realizada por catação manual,
baseada em inspeção visual. Esse método é trabalhoso, demorado,
caro e sujeito a erro por desatenção ou fadiga.
116 UNIUBE

d) Necessidade de controle no processamento do RCD mineral

A reciclagem da fração mineral do RCD é um processo de tratamento
de minérios constituído pela sequência de operações unitárias, com
o objetivo de, a partir de uma matéria-prima de composição variável,
produzir um concentrado com qualidade física e química adequada à
sua utilização pela indústria de transformação (metalúrgica, química,
cerâmica vidreira, concreto, pavimentação etc.)

As variações na forma de processamento influenciam não somente
a remoção de frações indesejáveis no processo – como fração não
mineral, gesso, vidro e outros – mas também em aspectos críticos,
como teor de finos.

2.8.3 Utilização do concreto com agregados reciclados

Nações tecnologicamente desenvolvidas, como Estados Unidos, Holanda,
Japão, Bélgica, França e Alemanha, entre outras, têm pesquisado o
assunto intensamente visando padronizar os procedimentos adotados
para obtenção dos agregados, atendendo, desta forma, limites que
permitem atingir um padrão mínimo de qualidade.

A Comunidade Europeia, em especial, já executou, desde 1998, um
número considerável de obras em concreto obtido a partir de agregados
reciclados de concreto e de alvenaria.

No Brasil, a massa de resíduos de construção dos últimos anos, tem
obrigado as administrações municipais de maior porte a adotar algum tipo
de solução. O município de Belo Horizonte, cidades do interior paulista,
assim como Londrina, no Paraná, têm recorrido à reciclagem como forma
de equacionar seus problemas.
UNIUBE 117

O material reciclado vem demonstrando bom desempenho quando
utilizado em obras urbanas. Com a implantação de usinas de reciclagem,
é possível obter custos vantajosos para a utilização desses resíduos em
concretos para:
• base de pavimentos;
• produção de artefatos pré-moldados em concreto (guias, sarjetas,
tubos de concreto).

PESQUISANDO NA WEB

Você pode saber mais sobre a utilização de resíduos na construção civil
acessando o site do Programa de Tecnologia de Habitação – HABITARE:
<www.habitare.org.br>
No site, é possível acessar a Coleção Habitare, cujo volume 4 é dedicado à
utilização de resíduos na construção habitacional.

2.9 Concreto com fibras

O concreto é um material que apresenta limitações quanto ao uso
estrutural. Sem o uso de armaduras, o concreto tem baixa resistência à
tração devido à sua natureza frágil.

RELEMBRANDO

Material frágil
Um material frágil é aquele que se rompe com pequena ou nenhuma
deformação.
Ex.: cerâmicas e concretos.

Para minimizar as restrições estruturais do concreto, utiliza-se comumente
o aço. O aço, em conjunto com o concreto, forma o material composto
“concreto armado”, que apresenta maior resistência à tração.
118 UNIUBE

Outra forma de melhorar o desempenho do concreto é através da adição
de fibras durante o processo de mistura.

O Concreto Reforçado com Fibras é uma mistura de cimento Portland,
agregados e fibras descontínuas misturadas. As fibras são elementos de
reduzida seção transversal e comprimento padrão.

As fibras melhoram as propriedades do concreto endurecido, pois
reduzem a velocidade de propagação das fissuras. Isso decorre do
fato de as fibras estarem distribuídas de forma aleatória no material,
funcionando como barreiras em diferentes direções. O concreto passa a
ter um comportamento “não frágil”, melhorando a capacidade resistente
da estrutura após a fissuração.

O papel das fibras é o de atravessar as fissuras, que se formam no
concreto, seja quando sob a ação de cargas externas ou quando sujeito
à mudanças na temperatura ou na umidade do meio ambiente.

Os mais diversos materiais podem ser utilizados para a fabricação das
fibras: aço, vidro, náilon, carbono, sisal etc. Algumas dessas fibras têm
módulo de elasticidade maior que o do concreto, outras têm módulo de
elasticidade menor que o do concreto.

A eficiência do concreto reforçado com fibras depende da escolha e
dosagem do material utilizado como reforço. Cada tipo de fibra tem
resistência e módulo de elasticidade específico e, portanto, apresentam
comportamento mecânico específico. Além disso, na dosagem do
concreto, deve haver compatibilidade dimensional entre os agregados
(dimensão máxima) e as fibras (comprimento).

2.9.1 Tipos de fibras disponíveis

Fibras Naturais – Exemplos: bambu, juta, malva, coco, piaçava, sisal,
linho, celulose e cana de açúcar.
UNIUBE 119

Apesar de algumas destas fibras atingirem grandes resistências e módulo
de elasticidade, a durabilidade dos concretos dosados com fibras vegetais
constitui-se em um grande problema. Por serem materiais naturais, a
exposição destas fibras a ambientes úmidos e alcalinos é responsável
por sua rápida deterioração.

CURIOSIDADE

As fibras naturais são utilizadas na construção civil há muito tempo.

A taipa de mão, ou pau a pique, é uma técnica antiga de construção em que
as paredes são armadas com madeira ou bambu e preenchidas com barro
e fibra.

A matéria-prima consiste em trama de madeira ou bambu, cipó ou outro
material para amarrar a trama, solo local, água e fibra vegetal, como capim
ou palha.

É utilizada para erguer parede estrutural ou como vedação.

Fibras Poliméricas – Os polímeros, dependendo de sua estrutura
química, apresentam comportamentos diferentes.

Dos diferentes tipos de fibras que fazem parte deste grupo, podem ser
destacadas as fibras de polipropileno, polietileno, poliéster e poliamida
(nylon).

As fibras de polipropileno são constituídas de um tipo de material
polimérico denominado termoplástico. Este material adquire uma
consistência plástica com o aumento da temperatura. Possuem grande
flexibilidade e tenacidade em função de sua constituição.
120 UNIUBE

O reforço de fibras de polipropileno tem, entre as suas funções, a de
controlar a fissuração causada por mudanças de volume em matrizes de
concreto. São utilizadas principalmente em pisos industriais.

As fibras de polietileno apresentam baixo módulo de elasticidade e,
assim como as de polipropileno, são fracamente aderidas à matriz
cimentante e possuem alta resistência ao ataque dos álcalis. Podem
ser encontradas no mercado sob a forma de monofilamentos picados ou
malhas contínuas.

O poliéster é um polímero que apresenta valores altos de densidade,
rigidez e resistência, conferindo tais características às fibras feitas
deste material. Estas fibras possuem aspecto muito similar às fibras de
polipropileno e podem ser utilizadas para as mesmas aplicações.

As fibras de poliamida geralmente possuem baixas resistência e rigidez,
dado que suas moléculas são espiraladas e dobradas. Contudo, se
estas moléculas forem esticadas e reforçadas durante o processo de
manufatura, altas resistências e módulos de elasticidade podem ser
alcançados.

Fibras Minerais – A família das fibras minerais é composta por fibras de
carbono, vidro e amianto.

As fibras de carbono têm diâmetros variando na ordem de 5 a 10 μm
e são formadas por agrupamentos que chegam a conter até 20.000
filamentos. Estas fibras podem ser divididas em duas categorias
principais: fibras de alta resistência e fibras de alta rigidez. As fibras de
alta resistência possuem resistência à tração de, aproximadamente, 2,4
GPa e módulo de elasticidade de 240 GPa, enquanto as fibras de alta
rigidez apresentam resistência à tração da ordem de 2,1 GPa e módulo
de elasticidade de 420 GPa.
UNIUBE 121

As fibras de vidro são geralmente confeccionadas na forma de “cachos”,
ou seja, fios compostos de centenas de filamentos individuais e
justapostos. O diâmetro destes filamentos individuais é da ordem de 10
μm.

As fibras de amianto apresentam ótimas características mecânicas, se
comparadas às demais fibras disponíveis no mercado, com resistência
à tração média da ordem de 1 GPa e módulos de elasticidade em torno
de 160 GPa.

Entretanto, sua utilização na construção civil é proibida porque esta fibra
libera partículas muito pequenas que danificam os alvéolos pulmonares,
se aspiradas pelo homem.

Fibras Metálicas – Dentre a família das fibras metálicas, as mais comuns
são as fibras de aço. Seu formato pode ser bastante variável, com o
objetivo de aumentar a aderência com a matriz cimentante.

O concreto reforçado com fibras de aço vem sendo utilizado com sucesso
em pavimentos e concreto projetado. O sucesso deste nestas aplicações
se deve à sua boa capacidade de absorção de energia durante a ruptura
ou, em outras palavras, à sua tenacidade.

O principal papel das fibras no concreto reforçado com fibras de aço é
agir como ponte de transferência de tensões através das fissuras.

2.9.2 Aplicações do concreto com fibras

O concreto reforçado com fibras pode ser utilizado em diversos tipos
de obras, destacando-se o reforço de base de fundações superficiais,
reforço de pavimentos industriais e concreto projetado para revestimento
de túneis e taludes.
122 UNIUBE

2.9.2.1 Concreto para Pavimentos

No Brasil, o uso de fibras em pavimentos industriais já é muito popular.
Algumas vantagens tecnológicas do uso de fibras de aço em pavimentos:

• elimina a etapa de colocação das telas metálicas;
• economia de espaço na obra, pois não é necessário estocar a
armadura;
• facilidade de execução de juntas de dilatação;
• maior facilidade de acesso ao local da concretagem, podendo-se,
em alguns casos, atingir o local de lançamento do concreto com o
próprio caminhão betoneira.

2.9.2.2 Concreto Projetado para Túneis

O concreto projetado, reforçado com fibras de aço, é um dos recentes
desenvolvimentos alcançados para a execução do revestimento de
túneis. Ele apresenta uma série de vantagens quando comparado ao
reforço da tela metálica, dentre elas a velocidade de execução e a
possibilidade de se aplicar o concreto projetado imediatamente após a
escavação.

As fibras podem ainda ser empregadas nos concretos pré-moldados
utilizados para o revestimento de túneis. Nesse caso, o uso das fibras
de aço aceleram o processo de produção, eliminando (ou diminuindo) a
etapa de montagem das armaduras.

2.10 Concreto Projetado

Concreto projetado é um concreto transportado por tubulações e
projetado a alta velocidade sobre uma superfície. Os concretos e
argamassas projetados apresentam grande versatilidade; no entanto,
UNIUBE 123

ele é mais indicado para os casos onde a colocação de fôrmas seja
muito trabalhosa e em obras que necessitem de grande velocidade de
execução, tais como contenção de taludes, reparos e reforços estruturais,
impermeabilizações, túneis e outras obras subterrâneas.

As principais vantagens do concreto projetado em relação ao concreto
aplicado de forma convencional são:

• baixa relação água/cimento;
• alta resistência e rápido ganho de resistência;
• alta resistência e baixa permeabilidade;
• melhor aderência a um substrato adequadamente preparado;
• aplicação rápida e econômica de grandes volumes;
• redução ou eliminação do custo de formas;
• facilidade de acesso a áreas restritas.

Os concretos projetados são classificados de acordo com o seu processo
de produção: por via seca ou por via úmida. Esta classificação dá-se em
virtude do processo de projeção influenciar intensamente as propriedades
do material, tais como resistência mecânica, reflexão de material
projetado, formação de poeira e desplacamento.

Os processos de projeção diferenciam-se pelo local de adição da água
à mistura. Na projeção por via seca, a água é adicionada somente no
bico de projeção, através de um anel umidificador. Já, no processo por
via úmida, a água é misturada aos agregados e ao cimento antes de a
mistura ser introduzida na máquina de projeção.

Os componentes básicos do equipamento para a projeção de concretos e
argamassas são: máquina de projeção (bomba ou canhão), compressor
de ar, misturador (betoneira), bomba de água, mangueiras e bico de
projeção. O equipamento pode dispor ainda de alimentador e dosador
de aditivos.
124 UNIUBE

A execução de estruturas em concreto projetado pode apresentar quatro
defeitos bastante comuns: laminação, oclusão de material refletido, efeito
de “sombra” e alterações na superfície do produto final. Tais defeitos
reduzem a resistência mecânica do material, bem como sua durabilidade.

A laminação corresponde à formação de camadas com características
diferentes, resultando num produto final anisotrópico e de durabilidade
reduzida. Esse defeito pode ser decorrente do próprio modo de
jateamento do material, da utilização de mão de obra pouco qualificada
ou supervisão inadequada e da mistura incorreta dos materiais secos.

A oclusão de material decorre da reflexão: os agregados refletidos, ao
invés de se precipitarem no chão, aderem-se às barras da armadura,
às fôrmas e aos cantos. Ao se projetar sobre as superfícies onde
este material está aderido, eles se incorporam à camada de concreto
projetado, formando um material poroso e com carência de finos. Tais
regiões apresentam então baixa resistência e alta permeabilidade.
Estas falhas devem ser removidas preferencialmente antes do seu
endurecimento.

O efeito de “sombra” está relacionado à projeção sobre armaduras. Uma
projeção inadequada, decorrente de uma distância de projeção incorreta
ou o uso excessivo de aditivos aceleradores, provoca a formação de
vazios atrás das barras da armadura. Isto é essencialmente perigoso,
pois facilita a exposição do aço a agentes agressivos, que podem
provocar sua corrosão. O efeito de “sombra” é mais intenso em projeções
sobre barras de maior diâmetro.

Um quarto defeito que pode surgir em peças moldadas em concreto
projetado é a existência de imperfeições superficiais.
UNIUBE 125

2.11 Concreto compactado a rolo

2.11.1 Concreto compactado com rolo para pavimentos

Trata-se de um concreto de consistência seca, aplicado por espalhamento
manual ou mecânico (espalhador, motoniveladora ou pá carregadeira)
e compactado com rolo vibratório liso, equipamentos usuais de
pavimentação.

O concreto compactado com rolo (CCR) é empregado em sub-base
de concreto para a construção de pavimentos rígidos de estradas de
rodagem.

2.11.2 Concreto Compactado com rolo para Barragens

Devido à sua consistência seca possibilita que camadas de concreto
possam ser lançadas imediatamente após o adensamento da camada
anterior, gerando rapidez e economia na construção.

Em projetos e construções de barragens de concreto, é reconhecida
a importância da elevação da temperatura do concreto devido ao
calor de hidratação e à subsequente retração e fissuração que ocorre
no resfriamento. A fissuração de origem térmica pode ser uma das
responsáveis pelo comprometimento da estanqueidade e estabilidade
estrutural da barragem.

O desenvolvimento desta metodologia é resultante da necessidade de
se projetar barragens de concreto que possam ser construídas de forma
mais rápida e econômica, em relação àquelas construídas pelos métodos
convencionais, mantendo-se os requisitos de projeto como integridade,
estanqueidade, durabilidade.
126 UNIUBE

A utilização do concreto compactado com rolo mostra-se vantajosa por
diversas razões:

• baixo consumo de cimento, pois pode ser usado concreto muito mais
magro;
• custo com fôrmas é menor devido ao método de lançamento das
camadas;
• o aumento de temperatura é pequeno, o que torna desnecessário o
uso de tubos de resfriamento;
• custo de transporte é pequeno, pois utiliza caminhões basculantes;
• rapidez na construção.

2.11.3 Aplicações do CCR

No Brasil, a primeira aplicação do concreto compactado com rolo foi
efetuada em 1976 para a construção de piso nas instalações industriais
do canteiro de obras da barragem de Itaipu.

A primeira obra inteiramente de CCR projetada e construída na América
Latina foi a barragem para irrigação de Saco de Nova Olinda, Paraíba,
em 1986. A obra necessitou de 138.000 m³ de concreto, concluída em
110 dias.

Em 1996, a barragem da Derivação do Rio Jordão, no estado do Paraná,
foi concluída com altura máxima de 95 m e 570.000 m³ de CCR, a mais
alta deste tipo no Brasil.

Também foi concluída, em 1998, a barragem da Usina Hidrelétrica de
Salto Caxias, com 67 m de altura e 945.000 m³ de concreto, a de maior
volume de CCR do país. Em ambas, foram colocados instrumentos que
permitissem o acompanhamento e avaliação de seu comportamento
durante a construção e ao longo da sua operação.
UNIUBE 127

A tecnologia do concreto compactado com rolo tem sido empregada
na construção de barragens ao redor do mundo, tanto em locais com
clima ártico como tropical, sujeitos às variações sazonais de temperatura
correspondentes.

2.12 Concreto massa

O concreto massa é definido como um grande volume de concreto com
dimensões largas. Em geral, é utilizado em estruturas de grande volume,
como por exemplo, viga, pilar, estaca, comporta ou barragem. Devido a
esse grande volume, o concreto massa necessita de cuidados especiais
para combater a geração de calor e posterior mudança de volume.

Devido ao calor de hidratação e à subsequente retração e fissuração do
concreto, é importante na utilização do concreto massa exigir um controle
da temperatura do concreto.
Esse controle ajuda a evitar o surgimento de fissuras que possam
danificar a estrutura, ocasionando, inclusive, a ruptura de estruturas
consolidadas.

A utilização do concreto massa requer ainda cuidados com as variações
ambientais, as alturas de camadas de concretagem, as velocidades e
temperaturas de lançamento e o espaçamento das juntas de contração
entre blocos da barragem.

Duas práticas de construção são usadas no controle do aumento
da temperatura em estruturas de concreto de grande volume:
a pré-refrigeração ou pré-resfriamento e a pós-refrigeração ou
pós-resfriamento.

A pré-refrigeração consiste na refrigeração dos agregados graúdos, uso
de água gelada e gelo na fabricação do concreto. De modo geral, quanto
128 UNIUBE

mais baixa a temperatura do concreto ao passar da fase plástica para a
fase elástica, menor a tendência de fissuração.

A pós-refrigeração é efetuada pela passagem de água gelada ou ar frio
em tubulações deixadas embutidas no concreto. O primeiro maior uso
da pós-refrigeração do concreto em obra foi na construção da barragem
de Hoover, nos anos 30. A pós-refrigeração teve como objetivo contrair
os pilares de concreto que compunham a barragem a um volume
estável, além de controlar o aumento de temperatura. O resfriamento foi
conseguido com a circulação de água fria em tubos de aço com paredes
finas mergulhados no concreto.

É possível utilizar todos os tipos de cimentos para a produção dos
concretos massa de barragens. No entanto, em virtude da evolução das
temperaturas do material, os cimentos devem ser submetidos a uma
série de ensaios físico-químicos, incluindo a determinação do calor de
hidratação e dos álcalis solúveis em água.

Segundo a ABCP, os cimentos Portland do tipo pozolânico (CP IV) e os
cimentos de escória de alto forno (CP III) apresentam menor calor de
hidratação, sendo preferíveis para a produção do concreto massa.

Cimentos Portland, que contêm relativamente mais C3A (aluminato
tricálcico) e C3S (silicato tricálcico) apresentam maior calor de hidratação
do que os cimentos mais grossos, com menos C3S e C3A (MEHTA e
MONTEIRO, 1994).

O cronograma executivo e o planejamento da produção, transporte,
lançamento e adensamento do concreto são fatores de extrema
importância com relação à dosagem, uma vez que influem na escolha
das características do concreto massa.
UNIUBE 129

2.12.1 Aplicação do concreto massa

A primeira das grandes barragens do mundo, Hoover, inaugurada na era
das Barragens, utilizou cimento Portland ASTM Tipo IV, de baixo calor de
hidratação (consumo de cimento de 233 kg/m³). A barragem de Hoover
(1935), nos Estados Unidos, possui 2,4 milhões de metros cúbicos de
concreto e foi pós-resfriado pela circulação de água gelada através de
tubos embutidos.

As primeiras utilizações de concreto massa convencional em barragens
brasileiras datam do início do século XX, quando várias barragens do tipo
gravidade destinadas tanto ao abastecimento de água quanto à geração
de energia elétrica, foram construídas.

Situada no rio Paraná, a usina hidrelétrica Ilha Solteira é composta de
estruturas de concreto e barragens de terra e terra-enrocamento. Iniciada
em maio de 1965, a construção de Ilha Solteira representou um grande
desafio para seus empreendedores, dados os inúmeros problemas
operacionais e tecnológicos determinados pelo projeto e pelas dimensões
da obra.

PESQUISANDO

Barragens de concreto
Até esse ponto do capítulo, já foram apresentados os tipos de concretos
mais utilizados em barragens:
• concreto compactado com rolo;
• concreto massa.

Pesquise, na internet e em livros, quais dessas alternativas foram utilizadas
em duas grandes usinas hidrelétricas brasileiras:
• UHE Jirau;
• UHE Santo Antônio.
130 UNIUBE

2.13 Concreto estrutural leve

O concreto estrutural leve é produzido com a utilização de agregados
leves junto à matriz cimentícia. O emprego de agregados leves ocasiona
mudanças significativas nas propriedades dos concretos, como
trabalhabilidade, resistência mecânica, módulo de deformação, retração
e fluência, além da redução da espessura da zona de transição entre o
agregado e a matriz de cimento.

Os concretos estruturais leves são caracterizados pela redução da massa
específica, consequência da substituição de parte dos materiais sólidos
por ar. Os concretos leves estruturais podem conter somente agregado
leve ou uma combinação de agregados leves e normais.

Os agregados leves utilizados na produção desse tipo de concreto podem
ser classificados em naturais ou artificiais.

Os naturais são obtidos por meio da extração direta em jazidas, seguida
de classificação granulométrica. A pedra-pome e as rochas ígneas
vulcânicas (pumicita, escória ou tufo) são exemplos de agregados leves
naturais.

Os agregados leves artificiais são obtidos em processos industriais, como
a sinterização e o forno rotativo. Como exemplo, têm-se argilas, folhelhos,
escórias expandidas, ardósia, diatomita, vermiculita, escória de alto forno
e cinza volante.

A argila expandida é amplamente utilizada na fabricação de concretos.
Esse é o produto obtido por aquecimento de alguns tipos de argila na
temperatura em torno de 1200 °C.
UNIUBE 131

O concreto leve estrutural pode ser aplicado nos mais diferentes setores
da construção civil, como, por exemplo, nos sistemas construtivos
pré-fabricados, plataformas marítimas flutuantes, pontes e edificações
de múltiplos andares.

A ampla utilização dos concretos leves deve-se, além da redução da
massa específica do concreto, à redução dos esforços na estrutura
das edificações, à economia com fôrmas e cimbramento, bem como à
diminuição dos custos com transporte e montagens com construções
pré-fabricadas.

Como é possível produzir concreto estrutural, utilizando agregado
leve e de baixa resistência?

Para compreender como é possível produzir materiais resistentes com
agregados de relativas baixas resistências, é importante entender
a interação entre os agregados e a matriz de pasta de cimento, e as
concentrações de tensão que se desenvolvem com agregados comuns.

Os agregados de massa específica normal são muito mais rígidos
e fortes do que a mistura da pasta de cimento, resultando que altas
concentrações de tensões ocorrem na interface da pasta de cimento com
o agregado, onde o material é mais fraco.

O concreto leve de alta resistência completamente curado contém
partículas de agregado com uma rigidez quase comparável à rigidez da
matriz da pasta de cimento. Além disso, esses agregados possuem uma
melhor ligação entre a superfície e a matriz da pasta de cimento.

Esta melhor ligação e a falta de concentração de tensão possibilitam o
bom desempenho do concreto leve como um material estrutural.
132 UNIUBE

2.13.1 Aplicações do concreto com agregados leves

As primeiras indicações da aplicação dos concretos com agregados leves
datam, aproximadamente, 3000 anos (1100 a.C), quando construtores
pré-colombianos (atual México) utilizaram uma mistura de pedra pome
com um ligante à base de cinzas vulcânicas e cal para a construção de
elementos estruturais.

Os concretos com agregados leves também foram utilizados pelos
romanos, com a intenção de reduzir as cargas nas estruturas,
combinando aglomerante à base de cal e rochas vulcânicas. Uma
das principais construções com concreto leve da época romana foi a
reconstrução do Panteão de Roma.

O início da utilização de concretos de cimento Portland com agregados
leves ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, com a construção de
embarcações com concreto leve, utilizando xisto expandido. A resistência
à compressão apresentou valores acima de 30 MPa e massa específica
em torno de 1700 kg/m³.

Em plataformas marítimas flutuantes, o concreto leve proporciona
melhoria das características de flutuação durante o transporte e a
utilização. A plataforma petrolífera South Arne, construída em 1999, na
Dinamarca, de massa específica de 1850 kg/m³, representa um exemplo
de aplicação do concreto leve.

A utilização dos concretos leves na construção de pontes possibilita a
redução das dimensões dos elementos estruturais e torna possível o
aumento dos vãos entre os pilares. Para estruturas moldadas in loco, a
redução dos custos atinge até 15% do valor da obra.

A construção do tabuleiro da ponte São Francisco-Oakland Bay, em 1936,
resultou na economia de 3 milhões de dólares de aço. Outro exemplo de
UNIUBE 133

aplicação, trata-se da ponte Stovset, construída em 1997, na Noruega,
com vão de 220 m.

A aplicação dos concretos leves em construção de lajes nos edifícios de
múltiplos andares moldados in loco reduzem o peso próprio da estrutura
e aumenta a proteção da propagação de incêndio entre os andares.
O edifício Library Tower, nos EUA, com altura de 310 m, apresentou
resistência à compressão de 28 MPa.

No Brasil, dentre as aplicações do concreto estrutural leve, está o
pavilhão de exposições do Anhembi, em São Paulo.

2.14 Concreto pesado

Os concretos pesados são produzidos com o uso de agregados pesados
naturais. Enquanto que a massa específica dos concretos normais varia
de 2300 a 2500 kg/m³, a massa específica dos concretos com agregados
pesados está na faixa de 3360 a 3840 kg/m³.

O concreto pesado é normalmente usado para blindagem nas usinas
nucleares, nas unidades médicas e nas instalações de testes de pesquisa
atômica, pois possui características necessárias para blindar os raios X
e os raios gama.

Outros materiais podem ser utilizados com esta finalidade, mas o
concreto é normalmente o mais econômico. Além disso, o concreto
pesado tem propriedades mecânicas satisfatórias e tem relativamente
baixo custo de manutenção.

Paredes maciças de concreto convencional também podem ser utilizadas
com a finalidade de blindagem. Entretanto, o uso de concreto pesado
reduz a espessura da blindagem ampliando o espaço útil. (MEHTA e
MONTEIRO, 1994).
134 UNIUBE

Os agregados graúdos mais comuns utilizados para a confecção dos
concretos pesados são citados na Tabela 2. Dentre eles, destacam-se a
barita, a magnetita e a hematita.

Tabela 2: Composição e massa específica de agregados pesados

Composição Massa específica Massa
Tipo de agregado química do do mineral unitária
mineral principal puro (kg/m³) típica (kg/m³)

Waterita BaCO3 4290 2320

Barita BaSO4 4500 2560

Magnetita Fe3O4 5170 2720

Hematita Fe2O3 4900 – 5300 3040

Lepidocrocita
Óxido de ferro
Geotita hidratado contendo 3400 – 4000 2240
de 8 a 12% de água
Limonita

Ilmenita FeTiO3 4720 2560

Fosfetos de ferro Fe3P, Fe2P, FeP 5700 – 6500 3680

Agregados de aço Fe 7800 4480

Fonte: Mehta e Monteiro (1994).

Devido ao elevado peso específico das partículas de agregado, deve-se
ter cuidados especiais na dosagem da mistura. Para isso, é desejável
que tanto o agregado miúdo quanto o agregado graúdo sejam produzidos
com rochas e minerais de alta massa específica, fatores que diminuem
a segregação do concreto.

A forma e a textura áspera das partículas dos agregados britados
conferem ao concreto pesado a característica de ser mais áspero. Para
corrigir esse problema, é costume usar areia fina em maior proporção do
que no concreto convencional e um teor de cimento superior a 360 kg/m³.
UNIUBE 135

2.14.1 Aplicações do concreto com agregados pesados

A primeira usina nuclear brasileira, Angra 1, opera desde 1985. Essa
usina é capaz de gerar energia suficiente para suprir uma capital como
Vitória ou Florianópolis, com 1 milhão de habitantes. A usina nuclear
Angra 1 é um exemplo de aplicação do concreto pesado.

2.15 Concreto autoadensável

O concreto autoadensável (CAA) é um concreto fluido caracterizado pela
facilidade de ser aplicado nas fôrmas sob ação exclusiva de seu peso
próprio, sem a necessidade de adensamento do material, garantindo o
preenchimento de todos os espaços vazios de maneira uniforme.

O concreto autoadensável é obtido com a introdução de adições e
aditivos químicos superplastificantes ao concreto, que proporcionam
maior facilidade de bombeamento, excelente homogeneidade.

Devido à capacidade de se autocompactar, esse material permite a
concretagem em regiões com grande densidade de armaduras, onde o
uso de vibrador é difícil, acabando com o risco de exposição do aço e
consequente deterioração da estrutura.

Outra característica importante do concreto autoadensável é o fato de ser
produzido nas mesmas centrais e com os mesmos materiais empregados
na produção do concreto convencional: brita, areia, cimento, adições e
aditivos.

O aditivo denominado de superplastificante é o componente responsável
pela elevada fluidez da mistura. Devido à sua capacidade de redução
de água, o concreto se torna mais adequado para ser aplicado em áreas
com pequena acessibilidade ou com alta densidade de armadura.
136 UNIUBE

O CAA também tem sido bastante utilizado em fôrmas com grande
densidade de armadura, fundações executadas por hélice contínua, lajes
de pequena espessura e elementos pré-fabricados.

2.15.1 Aplicações do concreto autoadensável

O concreto autoadensável foi desenvolvido no Japão, por volta de 1983.
Foi nesse país que, em 1997, ocorreu uma das maiores aplicações do
CAA com a concretagem das ancoragens de concreto da ponte Akashi-
Kaikyo.

A ponte metálica, inaugurada em 1998, com 1991 metros de vão livre,
consumiu nas ancoragens 290.000 m³ de concreto autoadensável. O
aumento na velocidade de execução e a dispensa de adensamento foram
motivos importantes para a utilização de CAA nesta obra. Nos dois blocos
de ancoragem, utilizaram-se 500.000 m³ de CAA, tendo alcançado um
rendimento de aplicação de 1900 m³ / dia. O uso do CAA proporcionou
uma diminuição no prazo de entrega da obra em, aproximadamente, três
meses.

No Brasil, a utilização do CAA em estruturas de concreto de edifícios
de múltiplos pavimentos vem permitindo acelerar o cronograma das
obras. Obras públicas e comerciais também estão utilizando o CAA para
resolver problemas de cronograma e logística.

Na Linha 4 – Amarela, do Metrô de São Paulo, por exemplo, foi utilizado
o CAA para a concretagem da laje de fundo dos poços Norte e Sul da
estação da Luz. Cerca de 8 mil m³ de concreto foram necessários para
preencher a peça de mais de 2 mil m² de área de superfície e cerca de
3,5 m de altura.

Em 2006, o Shopping Flamboyant, na cidade de Goiânia, passou por
obras de ampliação. O concreto autoadensável foi escolhido para proporcionar
UNIUBE 137

maior velocidade na execução das lajes da nova estrutura, além de
ser utilizado no reforço de algumas fundações e pilares de concreto já
existentes.

2.16 Concreto de alto desempenho

O concreto de alto desempenho (CAD) caracteriza-se por apresentar
maiores resistências mecânicas, ser mais durável com relação aos
ataques de agentes agressivos do ambiente e é mais trabalhável em obra
do que o concreto convencional. Apresenta ainda menores despesas com
manutenção e reparos.

Quanto à sua dosagem, o CAD se diferencia do concreto convencional
por apresentar o consumo de cimento elevado, baixa relação a/c,
utilização de aditivos químicos redutores de água e adições minerais.

A utilização mais comum é nos pilares de edificações, em que geralmente
são obtidas reduções de áreas e volumes das peças estruturais, as quais
proporcionam ampliação da área útil das edificações, maior liberdade
arquitetônica, agilidade na construção em altura, maior reaproveitamento
de fôrmas, redução da quantidade de fôrmas, armação e concreto, menor
encurtamento axial etc.

Outras aplicações do CAD são:

• edifícios em concreto − por reduzir tempo de execução, aumentar
a área útil, tornar a estrutura mais durável e proporcionar uma
economia em torno de 20%;
• pontes e viadutos − permite maiores vãos, rapidez de execução e
aumento da vida útil, além de economia;
• soleiras de vertedouros de usinas hidrelétricas − devido à sua boa
resistência à abrasão;
138 UNIUBE

• pisos industriais − indicado por ter alta resistência à abrasão bem
como a ataques químicos;
• obras marítimas − por se tratar de um material com permeabilidade
próxima de zero, é fortemente indicado o seu uso em ambientes
agressivos;
• recuperação de estruturas − pela sua grande aderência a superfícies
de concreto, dispensando a utilização de epóxi para união das
superfícies;
• peças pré-moldadas − seu uso impõe agilidade à produção;
• concreto projetado − elimina o problema da reflexão no concreto
projetado.

IMPORTANTE!

Concretos especiais
Para cada tipo de obra de engenharia civil, é possível escolher e utilizar um
concreto que atenda às necessidades específicas de cada utilização.

São exemplos de concretos especiais estudados neste capítulo:

• concreto colorido;
• concreto branco;
• concreto com utilização de resíduos;
• concreto com fibras;
• concreto projetado;
• concreto compactado com rolo;
• concreto massa;
• concreto leve;
• concreto pesado;
• concreto autoadensável;
• concreto de alto desempenho.
UNIUBE 139

Resumo

Neste capítulo, discorremos sobre a durabilidade das estruturas de
concreto armado, bem como, a especificação do concreto, na fase de
projeto até o uso da edificação. Além disso, mostramos os principais
mecanismos de degradação das estruturas de concreto. E, em relação
aos concretos especiais, vimos características dos principais tipos.

No texto, é possível perceber, ainda, que o concreto é um material
amplamente utilizado na construção civil, por isso é imprescindível para
você, futuro Engenheiro, o conhecimento dos tipos de concreto existentes
e seu comportamento quando aplicado na construção.

Atividades

Atividade 1

Descreva por que a durabilidade de uma estrutura está relacionada aos
materiais e à execução da estrutura.

Atividade 2

Descreva por que o excesso de água pode ser considerado um dos
principais agentes agressivos do concreto.

Atividade 3

Descreva as vantagens de se utilizar fibras de aço em pavimentos de
concreto.
140 UNIUBE

Atividade 4

De maneira simplificada, descreva como é produzido o concreto
autoadensável.

Atividade 5

Descreva quais as principais vantagens do concreto compactado a rolo
utilizado em barragens.

Referências

ABNT– ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 – Projeto
e execução de obras de concreto armado - Procedimento. Rio de Janeiro, Brasil.
2003.

______. NBR 14931 – Execução de estruturas de concreto - Procedimento.
Rio de Janeiro, Brasil. 2004.

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ZIVICA, V. Acidic attack of cement based materials _ a review. Part 3. Principle
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Volume 18, Issue 9, Pages 683-688. Novembro, 2004.
Capítulo
Estruturas planas:
fundamentações e
3
vigas isostáticas

Núbia dos Santos Saad Ferreira

Introdução
Este capítulo tem como principal objetivo despertar você para o
que se encontra ao seu redor, no que diz respeito à estrutura,
instigando sua curiosidade e seu interesse ao que seja
interveniente à área de estruturas.

Nessa perspectiva, adquirirá a aptidão para identificar, classificar,
calcular e analisar parâmetros referentes a uma estrutura. E,
por falar nisso, você sabe o que são estruturas? Estruturas são
sistemas físicos capazes de receber e transmitir esforços como,
por exemplo, pontes, edifícios, coberturas, torres etc.

Segundo Soriano e Lima (2006), um dos principais objetivos
da análise de estruturas é relacionar as ações externas
atuantes com os resultados de suas atuações na estrutura
(deslocamentos, reações de apoio, esforço normal, momento
fletor, força cortante), buscando identificar eventuais deficiências
de comportamento do material constituinte e/ou de comportamento
da estrutura.

Para as análises, realizadas mediante cálculo estrutural, são feitas
idealizações simplificadoras, que modelam as situações ocorridas
na prática, cujos resultados devem expressar ocorrências próximas
144 UNIUBE

ao que ocorre na estrutura real. E existem duas situações de
cálculo: concepção ou dimensionamento de uma estrutura, que
é projetada para ser construída e verificação de uma estrutura,
em que se estuda o comportamento de uma estrutura já existente.

É importante que você saiba que: uma simples tábua biapoiada
em suas extremidades é uma estrutura, de um único elemento
estrutural – uma única barra (conceitos que você verá adiante) e,
obviamente, uma estrutura pode ser constituída por dezenas e até
centenas de barras, como a estrutura de uma grande cobertura
de ginásio esportivo.

Na análise de estruturas, por simplificação, na maioria dos casos,
considera-se o comportamento estrutural como o de uma estrutura
plana ou de várias estruturas planas que se compõem de forma
tridimensional, ao serem unidas umas às outras. Porém, na
realidade, todas as estruturas são tridimensionais.

Neste capítulo, serão tratadas as vigas biapoiadas e as vigas do
tipo gerber ou articuladas, constituídas por duas ou mais barras,
com apresentação de métodos e processos de determinação de
esforços solicitantes e de reações de apoio.

Sabemos que eficientes programas computacionais são,
atualmente, disponíveis e indispensáveis aos escritórios de
projetos, para a análise automatizada de estruturas. Todavia,
não é recomendável a sua utilização por alguém que não tenha
capacidade de avaliação crítica dos resultados obtidos, com
análise de sua coerência. Nessa perspectiva, estudar teoria das
estruturas o preparará para aprender sobre estruturas de concreto
armado, de aço e de madeiras, que estão previstas nas etapas
seguintes de sua formação enquanto Engenheiro Civil.
UNIUBE 145

Conto com sua postura proativa! No decorrer do seu estudo e
aprendizado, observe, seja curioso, questione-se, pesquise!

Objetivos
Espera-se que, ao final dos estudos propostos, você esteja apto a:

• identificar e classificar elementos estruturais, bem como suas
condições de extremidade (condições de contorno, de apoio);
• compreender como um projeto estrutural é concebido para
que as cargas atuantes em uma estrutura cheguem até a
fundação;
• identificar barras e nós de uma estrutura e avaliar sua situação
global, em termos de estabilidade e deslocabilidade;
• aplicar as equações de equilíbrio para resolver uma estrutura,
obtendo as reações de apoio e os esforços atuantes nos
elementos estruturais, analisando resultados;
• traçar diagramas de esforços de vigas isostáticas simples e
do tipo gerber ou articuladas.

Esquema

3.1 Elementos estruturais
3.1.1 Classificação geométrica
3.1.2 Classificação segundo a mecânica das estruturas
3.2 Projeto estrutural
3.2.1 Análise da construção
3.2.2 Análise da estrutura
3.2.3 Nós e barras
3.2.4 Grandezas fundamentais
3.2.5 Condições de equilíbrio
3.2.6 Graus de liberdade
3.2.7 Superposição de efeitos
146 UNIUBE

3.3 Esforços Solicitantes
3.3.1 Força normal (N)
3.3.2 Força cortante (V)
3.3.3 Momento fletor (M)
3.3.4 Momento torçor (T)
3.3.5 Relações diferenciais para os esforços solicitantes
3.4. Vigas isostáticas
3.5. Vigas gerber ou vigas articuladas

3.1 Elementos estruturais

A estrutura de uma construção consiste no conjunto das partes
resistentes. A estrutura deve garantir a segurança contra estados nos
quais a construção deixa de cumprir suas finalidades como, por exemplo,
nos quais ocorrem deformações excessivas ou colapso da estrutura.

Em virtude da complexidade das construções, uma estrutura requer
o emprego de diferentes tipos de peças estruturais, adequadamente
combinadas para a formação do conjunto resistente.

O ponto de partida do projeto estrutural de uma construção consiste na
idealização de um arranjo estrutural. Para isto, é necessário conhecer o
comportamento de cada uma das partes da estrutura.

Os elementos que compõem uma estrutura devem ter suas funções
compatíveis com os esforços solicitantes e com o projeto arquitetônico.
A seguir, estão apresentadas as classificações dos elementos estruturais.

3.1.1 Classificação geométrica

É feita a partir da comparação da ordem de grandeza das três dimensões
características dos elementos estruturais (Figura 1):
UNIUBE 147

Figura 1: Representação esquemática de alguns tipos de elementos estruturais.

Na Figura 1, temos:

a) Lineares de seção delgada:
b (espessura da seção) << h (altura da seção) << 
(comprimento da peça);

b) Lineares de seção não delgada:
b (espessura da seção) ≅ h (altura da seção) << 
(comprimento da peça);

c) Bidimensionais: apresentam duas dimensões da mesma ordem
de grandeza (maior dimensão ≤ 10 vezes a menor dimensão) e
bem maiores que a terceira dimensão;

d) Tridimensionais: apresentam três dimensões da mesma ordem
de grandeza.

3.1.2 Classificação segundo a mecânica das estruturas

Os elementos estruturais são classificados em barras, elementos
laminares (placas, chapas ou cascas) e blocos.

Observando os exemplos da Figura 1, têm-se, segundo a Mecânica das
Estruturas:
148 UNIUBE

a) e b) Barras: possuem uma dimensão predominante (ex.: pilares,
vigas etc.);

c) Laminares planas: placas: ações perpendiculares ao plano
(ex.: lajes);
hapas: ações contidas no seu plano (ex.:
vigas-parede);

curvas: cascas (ex.: coberturas e reservatórios);

d) Blocos: possuem três dimensões de mesma ordem de grandeza
(ex.: blocos de fundação, sapatas etc.).

Os critérios de classificação decorrem do fato de que a cada um dos
tipos de peças estruturais corresponde um método de cálculo específico.

3.2 Projeto estrutural

A execução de um projeto estrutural é determinada por fases consecutivas
na sua elaboração. Estas fases estão organizadas em duas análises:
Análise da construção e Análise da estrutura.

3.2.1 Análise da construção

Para a concepção de um determinado projeto estrutural é necessária
uma análise de vários fatores que correlacionam estrutura e construção.
Os principais fatores são:

• tipo da construção – quanto à futura utilização da edificação
(habitacional, industrial, comercial, hospitalar etc.) e quanto ao
padrão da construção (popular, médio, luxo etc.);
• meio externo – este poderá influir no tipo de estrutura, através da
existência de agentes atmosféricos, agentes agressivos e também
o tipo de estrutura das construções vizinhas;
UNIUBE 149

• materiais a serem utilizados – os materiais de construção que
serão utilizados na obra podem influir no carregamento da estrutura.
Por exemplo, as alvenarias podem ser de tijolos maciços ou de tijolos
vazados;
• elementos estruturais – é necessário que se defina a existência
ou não de outros elementos como participantes da estrutura. Ex.:
uma parede de alvenaria (alvenaria estrutural) pode funcionar como
apoio de lajes, participando, assim, como elemento estrutural;
• aspectos estéticos – a estética definida pelo projeto arquitetônico
determina fatores para a escolha adequada da estrutura. Como
exemplo, cita-se a existência de algumas peças estruturais
aparentes.

3.2.2 Análise da estrutura

Devido à complexidade do comportamento da estrutura tridimensional,
normalmente são feitas simplificações que facilitam os cálculos.
De modo geral, a maneira mais simples de chegar a uma concepção
estrutural de uma construção é analisar as cargas que nela atuarão.

As simplificações, a concepção, a determinação dos elementos
e a vinculação são os fatores que constituem a análise da estrutura.

3.2.2.1 Simplificação da estrutura

Se a construção for composta de blocos independentes, a primeira
simplificação a ser processada consiste em se adotarem estruturas
independentes para cada bloco.

Cada caso requer um estudo específico e minucioso para que se tenha
o maior número possível de simplificações na estrutura.
150 UNIUBE

3.2.2.2 Concepção estrutural

A concepção estrutural de um edifício deve considerar não apenas os
fatores técnicos, mas também os fatores econômicos e arquitetônicos.

Esta etapa do projeto estrutural constitui-se na marca registrada do
engenheiro de estruturas, na qual ele terá que demonstrar sua visão
espacial, sua criatividade, sua capacidade de produzir um projeto o mais
seguro, econômico e exequível.

Definem-se daí os melhores profissionais, pois as etapas seguintes são
de caráter essencialmente matemático.

Na concepção estrutural, é conveniente considerar as cargas como
distribuídas em superfície, em linha ou concentradas. As cargas
distribuídas em superfície são suportadas por elementos laminares
(placas, cascas etc.). As cargas distribuídas em linha ou cargas
concentradas são suportadas, geralmente, por peças lineares (barras).

De um modo geral, as estruturas correntes são formadas por placas
e barras. As placas (denominadas lajes) têm limitação quanto à
espessura, tornando-se necessária a sua subdivisão em painéis
menores cujas áreas variam muito com a necessidade particular de
cada caso.

Para a subdivisão das placas e para os seus apoios, são utilizadas as
barras (normalmente horizontais) denominadas vigas, que além das
cargas provenientes das lajes, recebem outras cargas distribuídas em
linha como, por exemplo, as paredes de alvenaria.

As barras horizontais (vigas) podem receber também cargas
concentradas servindo de apoio para outras barras horizontais ou
verticais.

As vigas se apoiam em barras verticais (pilares ou colunas), cujo
carregamento é normalmente concentrado e paralelo ao seu eixo
longitudinal.
UNIUBE 151

Ao se conceber a estrutura, procura-se adotar pilares nos cruzamentos de
vigas, evitando-se a ação de cargas concentradas nas vigas.

Normalmente, as paredes de alvenaria se apoiam nas vigas. Entretanto,
pode-se ter paredes de alvenaria apoiando-se sobre lajes (cargas
distribuídas em linha). Basicamente, as ações verticais que atuam nas
lajes dos vários andares de um edifício são transferidas para as vigas que,
por sua vez, distribuem-nas para os pilares.

Os pilares têm a finalidade de receber as ações das vigas dos vários
andares e distribuí-las às fundações.

Na Figura 2, está representada uma perspectiva de parte de um edifício, da
qual se podem observar os diversos elementos estruturais que constituem
a estrutura.

Figura 2: Elementos estruturais de um edifício.
Fonte: Adaptada de Macgregor (1992).
152 UNIUBE

A Figura 3 evidencia as armaduras em alguns destes elementos para
uma residência:

Figura 3: Detalhes das armaduras de algumas peças estruturais.
Fonte: Adaptada de Macgregor (1992).

A idealização do arranjo estrutural está intimamente associada às ações
presentes no edifício, já que o objetivo básico do sistema estrutural é
coletá-las e controlar-lhes o fluxo, conforme está ilustrado nas figuras 4 e 5.
UNIUBE 153

Figura 4: Representação esquemática do fluxo de cargas de uma
edificação.

Observe, agora, a Figura 5:

Figura 5: Representação esquemática do fluxo de cargas de uma edificação.

De uma forma geral, o carregamento dos elementos estruturais é obtido
com as seguintes composições:

Lajes:

• cargas permanentes: peso próprio da laje + peso das
pavimentações + peso do revestimento do teto + peso dos
enchimentos + peso do telhado + peso das paredes;
154 UNIUBE

• cargas variáveis: depende do tipo de uso da edificação;
• vigas: peso próprio + reações de apoio das lajes + peso de
alvenarias + ação concentrada de viga apoiada em viga;
• pilares: peso próprio + reações das vigas.

3.2.3 Nós e barras

Para o cálculo de estruturas lineares (constituídas por barras) identificam-
se dois elementos essenciais, que são as barras e os nós.

Lembre-se de que a barra é um elemento estrutural que tem
uma dimensão preponderante em relação às demais!

Com a hipótese das seções transversais de barra permanecerem
planas após a sua deformação, quando sob ações externas a barra é
idealizada para efeito de análise pelo lugar geométrico dos centroides
de suas seções transversais. Este é o eixo geométrico representado
por um segmento de reta ou de curva, dito elemento unidimensional.
Considera-se que as seções transversais sejam perpendiculares a esse
eixo (SORIANO e LIMA, 2006).

Além disso, como os apoios são idealizados como pontuais, a estrutura
fica modelada como um conjunto de elementos unidimensionais ligados
entre si em pontos e em apoios discretos.

Por simplicidade, a representação unidimensional de barra é
também denominada barra e qualquer de seus pontos, denominada
seção transversal (SORIANO e LIMA , 2006).

O nó corresponde a qualquer ponto da estrutura, ou seja, situado em
qualquer posição ao longo do comprimento de uma barra.
UNIUBE 155

Porém, os nós que mais se utilizam são os nós de extremidades de
barras e os nós correspondentes a apoios, conforme esquematizado na
Figura 6.

Figura 6: Visualização de nós e barras em um esquema estrutural.

3.2.4 Grandezas fundamentais

Para qualquer estudo estrutural, há que se valer de dois elementos
vetoriais essenciais que são a força e o momento. Tais grandezas são
explicadas a seguir.

3.2.4.1 Força

Genericamente, força é toda ação exercida sobre um corpo capaz de
modificar, quer seu estado de repouso, quer o de movimento.

Segundo Süssekind (1975), a noção de força é das mais intuitivas
possíveis: realizada através de esforço muscular sobre um corpo; uma
locomotiva exerce força sobre os vagões que são rebocados; uma mola
exerce força quando está fixa em uma extremidade e é esticada. Em todos
os casos, tem-se contato, mas também podem ocorrer forças de ação
a distância, como de gravitação (peso próprio), magnéticas, elétricas. É
comum denominar forças que atuam em uma estrutura de cargas.
156 UNIUBE

Para a determinação de uma força, (supostamente concentrada em
um único ponto do corpo), é necessário conhecer: a sua intensidade
(módulo), a direção e o sentido de sua ação e, ainda, o local no qual ela é
aplicada no corpo (ponto de aplicação). A força é uma grandeza vetorial.

3.2.4.2 Momento

De acordo com Ribbeler (2008), o momento de uma força em relação
a um ponto ou eixo fornece uma medida da tendência desta força de
provocar a rotação de um corpo em torno do ponto ou do eixo.

O momento é um vetor obtido pelo produto vetorial de um vetor força e
um vetor distância:

→ → → → → →
M = F x d ou M = F d sen (θ )

em que θ é o ângulo entre o vetor força e o vetor distância.

Em termos práticos, para se calcular o momento de uma força em relação
a um determinado ponto, faz-se o produto do módulo desta força com
a distância perpendicular à linha de atuação da mesma, até o ponto
considerado.

Os exemplos de cálculo constantes neste capítulo lhe permitirão
percepção e entendimento destes conceitos.

3.2.5 Condições de equilíbrio

Considere um corpo livre (isolado, livre para se movimentar em qualquer
direção e sentido), sob a ação de um conjunto de forças e momentos. O
movimento que seria provocado por algumas daquelas forças pode ser
neutralizado pela ação de outras, de tal maneira que, considerando-se
UNIUBE 157

todas as forças do sistema, o efeito final sobre o corpo seja nulo, com
relação ao movimento.

Um corpo nessas condições é dito corpo em equilíbrio e um
sistema de forças e momentos que se neutralizam, é denominado
sistema equilibrado.

Destaca-se que todo corpo analisado em estruturas é denominado
corpo rígido, que pode ser considerado constituído pela combi-
nação de um grande número de partículas no qual todas elas per-
manecem a uma distância fixa uma das outras, tanto antes como
após a aplicação de uma carga. Sendo assim, as propriedades do
material de que é constituído o corpo rígido não precisam ser leva-
das em consideração, pois não variam. A hipótese de corpo rígido é
adequada e conveniente, tendo em vista que as deformações reais
que ocorrem em estruturas são relativamente pequenas (RIBBE-
LER, 2008).

3.2.5.1 Equações de Equilíbrio da Estática

Um corpo está em equilíbrio quando se tem o somatório de forças
que atuam neste corpo, ao longo de cada uma das direções x, y,
z igual a zero e o mesmo ocorrendo, com relação aos momentos.
Tais situações de equilíbrio se representam da seguinte forma,
denominadas Equações de Equilíbrio da Estática:



∑F
x =0 

∑M x =0
 ∑F
y =0  ∑M y =0
 
 ∑F
z =0  ∑M z =0
158 UNIUBE

No caso de estruturas planas, a condição de equilíbrio se resume às
forças decompostas em x e em y e aos momentos fletores provocados
por forças contidas no plano, que são momentos segundo o eixo z.
Assim, para estruturas planas, as Equações de Equilíbrio são:



∑F = 0
x

 ∑F = 0
y

 ∑M = 0z

Na Figura 7, tem-se a convenção de sentidos positivos para o sistema
de eixos cartesianos no espaço, que será utilizado neste capítulo de
estudos.

Figura 7: Orientação dos eixos
ortogonais no espaço, que definem
as direções x, y e z.

Quando as equações de equilíbrio da estática são suficientes para
determinar as reações de apoio e os esforços em todas as seções
transversais das barras constituintes da estrutura (forças normal e
cortante, momentos fletor e torçor), tem-se uma Estrutura Isostática.

3.2.5.2 Vinculações

As vinculações representam os pontos de ligação entre os elementos da
estrutura. Podem ser externas ou internas.
UNIUBE 159

No caso de concreto armado, a armadura (aço) é a principal responsável
pela união entre peças. No caso de estruturas de madeira, têm-se os
elementos de ligação constituídos por pregos, parafusos, chapas
metálicas, adesivos (colas estruturais) e no caso de estruturas de aço,
utilizam-se da solda, chapas ou parafusos, por exemplo.

PARADA PARA REFLEXÃO

Entenda o seguinte: a estrutura precisa se apoiar para que não “saia do
lugar” e consiga transmitir as cargas que recebe até os elementos de
fundação e, por fim, o solo.

Quando se pensa em um elemento ou uma estrutura se apoiando em algo,
aí se projetam as vinculações externas ou apoios da estrutura.

Agora pense, por exemplo, na união entre duas barras de uma estrutura de
cobertura, em aço ou madeira, entre uma viga e um pilar de concreto, entre
uma laje e uma viga de concreto. Nestes casos, as peças são unidas pelo
que se denominam vinculações internas.

Tanto para vinculações externas como internas, são definidas as
formas simbológicas de representação, essenciais ao projeto estrutural,
correspondentes às diversas possibilidades de vinculações, que ora
impedem as translações, ora as rotações, e ora ambos os movimentos,
sendo estes analisados nas diferentes direções possíveis de sua
ocorrência ou impedimento.

Vinculações externas ou apoios da estrutura

Sua função é de restringir os graus de liberdade (possibilidades de
movimento de translação e/ou rotação) das estruturas, causando, com
isso, reações nas direções dos movimentos impedidos, tanto de translação
160 UNIUBE

como de rotação. Os vínculos de um sistema estrutural diferenciam-se,
essencialmente, pelo número de movimentos que impedem.

Como no plano são possíveis apenas três tipos de movimento (duas
translações e uma rotação) serão considerados apenas três tipos de
vínculos.

a) Vínculo do 1º gênero

É o que impede apenas um movimento, sendo também denominado
apoio móvel. Este vínculo aplica ao corpo uma reação de apoio na
direção do movimento impedido (Figura 8).

.... superfície
mais utilizada
lisa
(a) representações do apoio móvel para uma barra (b) reação de apoio

Figura 8: Diferentes maneiras de se representar o vínculo do primeiro gênero.

b) Vínculo do 2º gênero

É o que impede dois movimentos, sendo também denominado apoio
fixo. Este vínculo aplica ao corpo duas reações que se manifestam
segundo as direções dos movimentos impedidos (Figura 9).

(a) representações do apoio fixo para uma barra (b) reações de apoio
Figura 9: Diferentes maneiras de se representar o vínculo do segundo gênero.
UNIUBE 161

c) Vínculo do 3º gênero

É o que impede os três movimentos, sendo também denominado
engaste fixo. As três reações de apoio apresentam os movimentos
impedidos (Figura 10).

(a) representações do engaste fixo para uma barra (b) reações de apoio

Figura 10: Diferentes maneiras de se representar o vínculo do terceiro gênero.

O engaste móvel não é um tipo de apoio comum na prática da engenharia
civil. Contudo, este pode surgir como uma representação resultante de
simplificações provenientes da simetria das estruturas, necessária ao
cálculo estrutural, por exemplo, de sistemas com elevado número de
barras, que exijam grande esforço computacional.

Em alguns casos, a estrutura pode ser reduzida à metade e em outros,
até a um quarto do sistema original, que tenha centenas de barras
dispostas no espaço tridimensional e que o calculista possa inserir nos
locais onde foram interrompidas as barras, os vínculos correspondentes
aos movimentos que naquela posição sejam impedidos.

O engaste móvel apresenta possibilidade de translação (mobilidade)
em uma direção, seja ela ao longo do eixo da barra (Figura 11-a) ou
perpendicular ao eixo da barra (Figura 11-b).
162 UNIUBE

(a) mobilidade ao longo do eixo da barra (b) mobilidade perpendicular ao eixo da barra

Figura 11: Representações do vínculo engaste móvel.

Veja que, na Figura 11, você se deparou com outra maneira de
representar um vínculo. Ao longo do curso de Teoria das Estruturas, você
se familiarizará com tais formas de representação.

Os segmentos de reta (barrinhas) informam que existe impedimento
ao longo da direção em que estão representados e se forem duplos,
impedem também o giro naquela posição. Por exemplo, analise a Figura
11-a:
• as barrinhas indicam que o movimento é impedido perpendicularmente
ao eixo da barra;
• são representadas duas barrinhas e não uma, para dizer que elas
impedem também o giro. Observe que, caso fosse representada
apenas uma barrinha, o giro não seria impedido.
• neste caso, é livre a translação ao longo do eixo da peça.

Vinculações internas

São as formas de união (ligação, conexão) entre as partes de uma
estrutura (barras, chapas etc.). Representam as vinculações dos nós,
ou seja, a forma de transmissão de esforços entre as barras ou de
deslocamentos relativos entre as barras.

a) Articulação ou rótula (rotação relativa)

Possibilidade de rotação (giro) relativo entre as partes da estrutura, Figura
12. Este vínculo interno é de muita utilidade em estruturas.
UNIUBE 163

(a) barras na mesma direção b) barras em direções diferentes

Figura 12: Representação do vínculo articulação ou rótula entre duas barras.

Na rótula, as barras podem girar, mas não podem transladar em nenhuma
direção, ou seja, das três possibilidades de movimento (deslocamento
vertical, horizontal e giro), tem-se a liberdade apenas do giro.

Faça aqui a análise da representação de vínculo por circunferências e
segmentos de reta. As duas barrinhas inclinadas indicam que ocorre
impedimento de translação em ambas as direções (horizontal e vertical,
em x e em y, perpendicular ou ao longo do eixo da barra) e elas formam
um triângulo e não são paralelas, para dizer que o giro não é impedido.
Se fossem paralelas, o giro seria impedido. A ideia que se transmite é a
de uma balança, livre para girar, mas impedida de transladar.

b) Continuidade

A continuidade entre dois elementos estruturais corresponde ao vínculo
que impede os três movimentos no plano (deslocamento vertical,
horizontal e giro).

Como o próprio nome diz, trata-se da continuidade ocorrida entre duas
partes, sem que haja possibilidade de rotação relativa ou de translação
relativa entre dois elementos estruturais (Figura 13).

Figura 13: Diferentes maneiras de representação da continuidade entre duas barras.
164 UNIUBE

É como se o mesmo elemento fosse contínuo, no mesmo alinhamento
ou em direções diferentes (pense em uma barra dobrada), não sofrendo
interrupção estrutural.

Na prática, havendo necessidade, o engenheiro calculista projeta
maneiras de se executar uma ligação contínua entre dois elementos
diferentes, baseando-se nas prescrições normatizadas, em função
do material estrutural utilizado. Tal continuidade é realizada através
de conectores como barras de aço embutidas no concreto, chapas
parafusadas nas peças de madeira ou soldadas nos elementos de aço,
adesivos utilizados em emendas dentadas de peças de madeira.

PARADA PARA REFLEXÃO

Faça aqui a análise da representação de vínculo por circunferências e
segmentos de reta. Perceba que as barras paralelas impedem o giro e
a terceira barra na diagonal indica que ocorre impedimento de qualquer
deslocamento, ou seja, impede qualquer translação (vertical e horizontal,
em x e em y etc.).

c) Translação relativa

As duas situações mais frequentes de vínculo interno são as já
mencionadas: articulação (ou rótula) e continuidade. Porém, entre duas
barras, também pode haver liberdade de apenas uma translação, dentre
os três movimentos que ali podem ocorrer (giro, translação ao longo do
eixo da barra, translação perpendicular ao eixo da barra).

Uma das translações que pode ocorrer é a perpendicular ao eixo da
barra, cuja representação está mostrada na Figura 14. Perceba que estas
duas barras não podem ser transladadas ao longo de seus eixos, e nem
giradas entre si. Podem apenas se movimentar perpendicularmente em
relação aos seus eixos.
UNIUBE 165

Veja que o vínculo da Figura 14 possui duas barras paralelas, ou seja,
o giro é impedido, bem como a translação na direção delas, ou seja, ao
longo do eixo das barras. Neste caso, apenas a translação perpendicular
ao eixo das barras é livre.

Figura 14: Representação do vínculo que permite deslocamento
perpendicular ao eixo da barra.

Outra possibilidade de translação relativa entre duas barras ocorre
ao longo do eixo das barras, cuja representação está mostrada na
Figura 15. Perceba que estas duas barras não podem ser transladadas
perpendicularmente aos seus eixos, e nem giradas entre si. Podem
apenas se movimentar na direção dos seus eixos.

Figura 15: Representação do vínculo que permite deslocamento na
direção do eixo da barra.

Observe que o vínculo da Figura 15 possui duas barras paralelas, ou
seja, o giro é impedido, bem como a translação na direção delas, ou seja,
perpendicularmente ao eixo das barras. Neste caso, apenas a translação
ao longo do eixo das barras é livre.

PARADA PARA REFLEXÃO

Veja quantos símbolos você está aprendendo sobre vinculações externas
(apoios) e internas em estruturas!

Reflita: como estes vínculos são executados na prática? Será que teremos
aquela esfera, ou mesmo um rolete real, nos apoios móveis? Será que
teremos aquele triângulo fixo executado, no caso de apoio fixo? Será que
entre duas peças articuladas entre si existirá algo que gire como uma
dobradiça, ou como uma trena dobrável, evidenciando a rótula?
166 UNIUBE

Bem, desde já, é necessário você saber que, primeiramente, para cada
material estrutural que se esteja utilizando (por exemplo, concreto armado,
aço, madeira), o texto normatizado recomenda a execução das ligações para
que, na prática, tenham o comportamento que fora projetado: impedimento
a translações e/ou rotações.

No caso do concreto armado, isso está relacionado com a disposição, bitola
e quantidade de armadura imersa na massa de concreto. Em estruturas de
madeiras, têm-se, usualmente, os parafusos, e em estruturas de aço, a solda
ou chapas parafusadas, em uso corrente.

Exemplificando, entre duas peças de madeira, por exemplo, a norma
prescreve que dois ou três parafusos representam uma articulação, e acima
de quatro, continuidade. Em estruturas de concreto, sendo a armadura
embutida (escondida, não aparente), uma união entre pilar e viga, por
exemplo, pode ter sido executada como apoio fixo ou engaste. Externamente
as duas situações são idênticas, e o projeto estrutural informa, em função
da dobradura das barras de aço, que tipo de apoio se tem.

Em um projeto estrutural, são feitas algumas simplificações, utilizadas
no cálculo (como, por exemplo, considerar que as estruturas são planas,
sendo que, na realidade, são tridimensionais, como já comentamos).

Com relação às vinculações, são realizadas simplificações, mas que,
por serem próximas do real, são adotadas, sem prejuízo estrutural.
Entretanto, se fossem modeladas mais próximas do que ocorre na
prática, resultariam em projetos mais econômicos.

Por exemplo: duas barras de treliça, na prática, podem ser uma peça
contínua, mas que no projeto foram consideradas duas barras articuladas.

Outro exemplo: uma conexão, na prática, não é nem rótula e nem
engaste, mas no projeto é considerada rótula, mas na prática, ela absorve
UNIUBE 167

alguma parcela de momento fletor (não como um engaste que absorve
todo o momento fletor que ali ocorre).

Muito já se tem pesquisado em nível de mestrado e doutorado, por
exemplo, e na medida em que se obtêm resultados consistentes e
validados, as normas vão sendo reeditadas, adequando-se o necessário.

3.2.5.3 Diagrama de corpo livre

De acordo com Ribbeler (2008), para uma aplicação bem-sucedida
das equações de equilíbrio de um corpo, é necessária uma completa
especificação de todas as forças externas conhecidas (como cargas que
atuam) e desconhecidas (como reações de apoio relativas a vínculos –
incógnitas do problema) que atuam no corpo. E a melhor maneira de
se fazer isso é construindo o diagrama de corpo livre para este corpo.

O diagrama de corpo livre é um esboço da forma do corpo, representado
de maneira isolada (ou livre) dos demais elementos estruturais vizinhos.
Neste esboço, é necessário mostrar todas as forças e momentos que as
vizinhanças exercem sobre o corpo para que esses efeitos sejam levados
em consideração quando as equações de equilíbrio forem aplicadas.

Acrescenta-se que a representação correta do corpo livre é primordial na
resolução de problemas estruturais.

3.2.6 Graus de liberdade

Denominam-se graus de liberdade de uma estrutura, ao número de
possibilidades de movimento dessa estrutura.

De acordo com Süssekind (1975), uma translação no espaço pode ser
expressa por seus componentes segundo três eixos ortogonais entre si
168 UNIUBE

(x, y e z) e uma rotação, de forma semelhante, sob três rotações, em
torno de cada um desses eixos. Portanto, uma estrutura no espaço possui
um total de seis graus de liberdade (três translações e três rotações).

Para estruturas planas, resumem-se a três graus de liberdade (duas
translações e uma rotação). Os graus de liberdade precisam ser
restringidos, de modo a se evitar qualquer tendência de movimento da
estrutura, a fim de possibilitar seu equilíbrio. Esta restrição é dada pelos
apoios (vínculos) que devem impedir as diversas tendências possíveis
de movimento, através do aparecimento de reações destes apoios sobre
a estrutura, nas direções dos movimentos que eles impedem, isto é, dos
graus de liberdade que eles restringem.

Essas reações de apoio (vínculos, incógnitas a serem calculadas) se
oporão às cargas aplicadas à estrutura, formando este conjunto de
cargas e reações, um sistema de forças em equilíbrio.

Para efeito de cálculo, os graus de liberdade podem ser estáticos ou
cinemáticos. E, assim, respectivamente, são chamados de Graus de
Estaticidade e Graus de Deslocabilidade.

3.2.6.1 Grau de estaticidade

O grau de estaticidade, designado por g, é o numero que quantifica a
condição estática de uma estrutura, pela análise de seus movimentos.
Pode-se dizer que g representa o balanço entre o número de incógnitas
(vínculos) e o número de equações da estática.

Em uma estrutura plana constituída de m barras, tem-se que cada uma
apresenta 3 movimentos: 2 translações e 1 rotação. Assim, para cada
barra pode-se escrever 3 equações da estática ( ∑ Fx = 0 , ∑
Fy = 0 e
∑ M z = 0 ), que são as 3 equações de equilíbrio para estruturas planas.
Logo, o total de equações é 3m.
UNIUBE 169

Para garantir a estabilidade da estrutura têm-se os apoios (vínculos
externos) e os vínculos internos, os quais representam as incógnitas do
problema. Enfim, a possibilidade de movimento de uma estrutura será
igual à diferença entre o número de deslocamentos possíveis e o número
de vínculos associados ao conjunto. Então:

g = 3 ⋅ m − Ve − Vi

sendo: Ve os vínculos externos (apoios) e Vi os vínculos internos.

Quanto ao grau de estaticidade, as estruturas podem ser classificadas em:

g = 0  estrutura isostática (pode ser estável). É aquela em que a
determinação dos esforços solicitantes pode ser feita recorrendo-se
apenas às leis da estática ( ∑ Fx = 0 , ∑
Fy = 0 e ∑ M z = 0 );

g < 0  estrutura hiperestática (estável). Neste caso, o número de
vínculos é maior que o necessário para garantir o equilíbrio da estrutura.
A determinação dos esforços solicitantes não pode ser feita utilizando
apenas as equações de equilíbrio da estática;

g > 0  estrutura hipostática (instável). A estrutura é instável. Não
consegue absorver cargas, a não ser sob determinadas solicitações, mas
sempre em equilíbrio instável.

Uma forma de entender as situações de equilíbrio de um corpo, seja ele
estável ou instável, que são as situações que interessam ao engenheiro
calculista, faz-se a analogia de uma esfera posicionada conforme ilustra
a Figura 16, cujo movimento da mesma a leva às seguintes situações:
em equilíbrio estável, ela volta para o lugar inicial; em equilíbrio instável,
170 UNIUBE

ela se afasta cada vez mais de onde se encontrava e, para a situação
de equilíbrio indiferente, para onde se movimentar a esfera, ali ela fica.

Observe a Figura 16:

Figura 16: Percepção dos tipos de equilíbrio, por analogia ao movimento de uma esfera.

O engenheiro calculista projeta uma estrutura para que fique na situação
estável, sempre.

Exemplos:

g = 3(1) - 3 - 0 = 0 g = 3(2) - 4 - 3 = -1

Notas importantes:

• a expressão g = 3 m − Ve − Vi pode, em alguns casos, não apresentar
fidelidade quando a estrutura corresponder a casos especiais.
Portanto, deve ser utilizada apenas para obter um indicativo
numérico com relação ao grau de estaticidade. Assim, sempre é
necessário fazer uma análise do comportamento global da estrutura,
em especial da posição dos vínculos. Você entenderá bem isso, nos
exemplos de aplicação que estão adiante;

• se “m” for considerado como chapa, a equação de g indicará o grau
de estaticidade externo. Para conhecer o grau de estaticidade global
UNIUBE 171

(externo + interno), basta considerar “m” como sendo o número de
barras ou número de chapas abertas (Figura 17).

Figura 17: Representação dos tipos de chapas para análise dos graus de liberdade.

Na medida da resolução de exercícios (em aplicações contidas neste
capítulo), você aprenderá como calcular o grau de estaticidade. Todavia,
é interessante realizar, neste momento, uma síntese da quantidade de
vínculos internos e externos correspondentes a cada caso estudado para
estruturas planas, o que está apresentado na Quadro 1.

Quadro 1: Tipos de vínculos externos e internos e quantidade de movimentos impedidos

Quantidade de
Tipo de Vínculo Externo Denominação Vínculos
(restrições, incógnitas)

01 vínculo
apoio móvel (uma força vertical,
horizontal ou inclinada)

02 vínculos
apoio fixo (duas forças
perpendiculares)

03 vínculos
(duas forças
engaste fixo
perpendiculares e um
momento fletor)
172 UNIUBE

02 vínculos
(momento fletor e força
perpendicular ao eixo da
engaste móvel barra
ou
momento fletor e força
paralela ao eixo da barra)
Quantidade de
Tipo de Vínculo Interno Denominação Vínculos
(restrições, incógnitas)

02 vínculos
articulação ou
(duas forças
rótula
perpendiculares)

03 vínculos
(duas forças
continuidade
perpendiculares e momento
fletor)
02 vínculos
(momento fletor e força
paralela ao eixo da barra
translação
ou
relativa momento fletor e força
perpendicular ao eixo da
barra)

É importante você saber quantos vínculos internos ocorrem na união
de mais de duas barras no mesmo nó. Na Figura 18, estão ilustradas
algumas possibilidades.

Figura 18: Algumas possibilidades de vinculações internas para uniões com mais de
duas barras.
UNIUBE 173

Duas barras contínuas possuem três vínculos e, caso sejam três barras
contínuas, para cada duas, contam-se três vínculos. A análise é feita
assim: tomam-se duas barras e contam-se três vínculos, destas duas
com a terceira, ocorrem mais três, totalizando seis. Das três barras com
uma quarta barra, ter-se-ão mais três vínculos, totalizando nove. E, assim
por diante.

Da mesma maneira, é feita a contagem para barras articuladas entre si,
trocando o três por dois, no tocante aos vínculos explicados no parágrafo
anterior.

E, ainda, tem-se a seguinte situação: pode ocorrer que você tenha em
um mesmo nó barras que sejam contínuas e que sejam articuladas.
A contagem dos vínculos é semelhante às situações já explicadas,
somando-se três na continuidade e dois na articulação ou rótula.

Retorne à Figura 18 e acompanhe o raciocínio utilizado na contagem
dos vínculos totais internos contidos nas uniões que ocorrem em cada
nó exemplificado:

• situação (a):
Na união das barras 1 e 2 têm-se 3 vínculos, e da união dessas com
a barra 3, têm-se mais 3 vínculos, totalizando 6 vínculos internos:
Vi = 3 + 3 = 6;

• situação (b):
Na união das barras 1 e 2 têm-se 2 vínculos, e da união dessas com
a barra 3, têm-se mais 2 vínculos, totalizando 4 vínculos internos:
Vi = 2 + 2 = 4;

• situação (c):
Na união das barras 1 e 3 têm-se 3 vínculos; e da união dessas com
a barra 2, têm-se mais 2 vínculos, totalizando 5 vínculos internos:
Vi = 3 + 2 = 5;
174 UNIUBE

• situação (d):
Na união das barras 1 e 2 têm-se 3 vínculos; e da união dessas com
a barra 3, têm-se mais 2 vínculos, totalizando 5 vínculos internos:
Vi = 3 + 2 = 5;

• situação (e):
Na união das barras 1 e 2 têm-se 2 vínculos; da união dessas com
a barra 3, têm-se mais 2 vínculos, e da união dessas com a barra
4, têm-se mais 2 vínculos, totalizando 6 vínculos internos: Vi = 2 +
2 + 2 = 6;

• situação (f):
Na união das barras 2 e 3 têm-se 3 vínculos; da união dessas com a
barra 4, têm-se mais 3 vínculos, totalizando 6, e dessas três barras
com a barra 1, têm-se mais 2: Vi = 3 + 3 + 2 = 8;

• situação (g):
Na união das barras 2 e 4 têm-se 3 vínculos; da união dessas com a
barra 1, têm-se mais 2 vínculos, totalizando 5, e dessas três barras
com a barra 3, têm-se mais 2: Vi = 3 + 2 + 2 = 7.

Obviamente, a ordem utilizada na contagem independe para se obter a
quantidade total de vínculos internos.

AGORA É A SUA VEZ

Faça o exercício de somar os vínculos com sequências diferentes das
apresentadas (após você entender bem o que está sendo apresentado),
para verificar que o resultado será o mesmo.

3.2.6.2 Grau de deslocabilidade

Número que quantifica as possibilidades de deslocamentos dos nós
da estrutura, admitindo suas partes deformáveis, sob determinado
carregamento.
UNIUBE 175

Aplicação: no Processo dos Deslocamentos (ferramenta empregada
para o cálculo de esforços e deslocamentos em estruturas hiperestáticas,
que será estudado em Teoria das Estruturas II).

Seja a estrutura ilustrada pela Figura 19, solicitada por um dado
carregamento (Figura 19-a) que a confere uma situação deformada
(Figura 19-b):

(a) estrutura carregada (b) estrutura deformada

Figura 19: Visualização das deslocabilidades em uma estrutura carregada.

A estrutura apresenta três deslocabilidades em cada nó. Mas, considerar
três deslocabilidades em cada nó implica em aumento dos cálculos
na determinação dos esforços e deslocamentos. Isto só é adequado
quando se faz uso de computadores. Manualmente, visando simplificar
os cálculos, consideram-se as barras inextensíveis axialmente e
transversalmente, ou seja, não se deformam por força normal ou cortante.

Esta simplificação baseia-se na constatação de que os deslocamentos
dos nós da estrutura são basicamente produzidos pela rotação das
barras, sendo praticamente desprezíveis, em proporção, à parcela devido
aos esforços normais e cortantes.

Assim, consideram-se apenas as deformações devido ao momento fletor
no cálculo das deslocabilidades da estrutura. Visando facilitar o estudo
do grau de deslocabilidade, costuma-se separá-lo em deslocabilidade
interna e externa.
176 UNIUBE

Deslocabilidade Interna (di): possibilidade de rotação dos nós internos.

Cada nó possui uma possibilidade de rotação, exceto os nós de apoios
engastados e articulados e os nós intermediários articulados (rotulados).
Para encontrar di, rotulam-se todos os nós, desprezam-se os balanços
e contam-se os nós internos restantes. Caso cheguem duas ou mais
barras em um apoio, de forma contínua, ali também será contada uma
deslocabilidade interna!

Deslocabilidade Externa (de): possibilidade de translação dos nós
considerando toda a estrutura com os nós rotulados.

Para se calcular de, rotulam-se todos os nós, desprezam-se os balanços
e faz-se:

d e = 2 n − b − Ve

em que:

• n : número de nós (todos os nós da estrutura rotulada e com
balanços desprezados);
• b: número de barras (todas as barras, exceto os balanços);

• Ve : número de vínculos externos (considerando todos os nós
rotulados – observe que, por exemplo, apoio fixo continua com um
vínculo, pois já é rotulado; apoio fixo, idem, com dois vínculos; e o
engaste, quando articulado, deixa de possuir três vínculos e passa
a ter apenas dois – acompanhe aplicações resolvidas adiante).

Classificação quanto ao grau de deslocabilidade:

d e = 0  estrutura indeslocável externamente;

d e > 0  estrutura deslocável externamente (deve-se introduzir
vínculos para torná-la indeslocável);

d e < 0  estrutura superindeslocável externamente (pode-se
retirar vínculos e mantê-la indeslocável).
UNIUBE 177

3.2.7 Superposição de efeitos

Segundo Soriano e Lima (2006), as estruturas podem ter comportamento
físico linear e não linear, e comportamento geométrico linear e não
linear.

Diz-se comportamento físico linear quando os materiais constituintes
das barras da estrutura possuem diagrama tensão-deformação linear, ou
seja, obedecem à Lei de Hooke, conforme ilustra a Figura 20.

Figura 20: Gráfico tensão x deformação para corpos
que obedecem à Lei de Hooke.

Diz-se comportamento geométrico linear quando as equações de
equilíbrio podem ser escritas com aproximações julgadas aceitáveis,
considerando-se a configuração não deformada da estrutura, que é
anterior à situação de cálculo, na qual as ações externas estão atuando e
deformando a estrutura. Trata-se de análise de pequenos deslocamentos
em que a tangente do ângulo de rotação é tomada igual ao próprio ângulo
em radiano, por ser este bem pequeno.

Tendo comportamento linear físico e geométrico, é válido o Princípio de
Superposição de Efeitos, o que significa que se pode transformar um
carregamento na soma de vários carregamentos aplicados na estrutura,
como é ilustrado na Figura 21, para um exemplo de viga biapoiada com
duas forças externas aplicadas.
178 UNIUBE

Figura 21: Ilustração do Princípio da Superposição de Efeitos.

3.3 Esforços solicitantes

Um corpo solicitado por um carregamento externo terá nos seus pontos
de apoio, reações que o mantêm em equilíbrio.

Seccionando o corpo em uma posição qualquer, têm-se nesta seção
os efeitos estáticos (esforços seccionais: N – força normal, V – força
cortante, M – momento fletor) que a parte retirada provoca na parte
restante, os quais mantêm a parte restante, com suas cargas e suas
reações, em equilíbrio, Figura 22.

(a) corpo sólido carregado (b) esforços em uma seção
transversal

Figura 22: Esquema de um corpo seccionado para visualização dos esforços solicitantes.

A esses efeitos estáticos, chamamos esforços, os quais abrangem
noções de força e momento. No caso de estruturas planas, têm-se a
força normal (N), a força cortante ou de cisalhamento (V) e o momento
fletor (M).
UNIUBE 179

De uma forma explícita e redundante, falamos em esforços internos ou
inerentes, os quais se manifestam entre elementos adjacentes de um
corpo. Assim, em uma estrutura plana seccionada, para que esta se
mantenha em equilíbrio existem nela esforços solicitantes como: força
normal, força cortante e momento fletor.

Sendo que os esforços resultantes do equilíbrio, em seções adjacentes
possuem mesma intensidade, direção e sentidos opostos.

3.3.1 Força normal ( N )

Atua na direção perpendicular à seção transversal da barra, ou seja, na
direção do eixo da barra. Caso a barra seja curva, atua tangenciando
seu eixo, em cada seção.

A força normal (ou esforço normal) é positiva caso tracione a seção
transversal, ou seja, tem sentido saindo da seção transversal. E é
negativa, caso comprima a seção transversal, ou seja, tem sentido
entrando na seção transversal. Diz-se, respectivamente, normal de tração
e normal de compressão (Figura 23).

(a) normal de tração (b) normal de compressão

Figura 23: Convenção de sinais para o esforço normal.

3.3.2 Força cortante ( V )

Atua na direção perpendicular ao eixo da barra, ou perpendicular à
tangente, se a barra for curva. A convenção de sinais do esforço cortante
está associada à posição em que esta força se encontra em relação ao
restante do elemento seccionado, se à esquerda ou à direita (Figura 24).
180 UNIUBE

V(+): +
D E D E
E D
(a) sentidos positivos do cortante

V(-): -
D E D E
E D

(b) sentidos negativos do cortante
Figura 24: Convenção de sinais para o esforço cortante.

Uma maneira fácil de gravar os sentidos é pensar no giro horário de
duas forças (que correspondem aos cortantes positivos) e ao giro
anti-horário de duas forças (que correspondem aos cortantes negativos).
Em cada situação, têm-se as posições: Esquerda (E) e Direita (D), que
correspondem à mesma posição do cortante, com relação ao restante
do elemento estrutural seccionado.

Você também pode pensar assim: o esforço cortante positivo é aquele
que “provoca giro no sentido horário”, ou seja, quando posicionado à
esquerda, for de baixo para cima. Você, aluno, deve encontrar a melhor
maneira de gravar os sinais do cortante. Obviamente, basta entender
um dos dois sinais, o positivo, por exemplo, pois estando com sentido
contrário, o esforço cortante será negativo.

Você fixará melhor tais convenções quando forem realizados exemplos
de cálculo neste capítulo. Faça suas anotações e confira o aprendizado
quando do acompanhamento das aplicações resolvidas que lhe serão
apresentadas adiante.
UNIUBE 181

3.3.3 Momento fletor ( M )

É o momento que atua perpendicularmente ao plano que contém o
elemento estrutural e sua convenção de sinais está relacionada à região
do elemento estrutural que sofre tração, quando o elemento estrutural
é fletido.

Por exemplo, na Figura 25, tem-se uma viga cuja ação externa produz
a deformação que confere à mesma, tração (simbolizada pelo sinal +)
em sua região inferior (ocorre tração embaixo). Neste caso, diz-se que o
momento é positivo. Se ocorrer tração em cima, o momento fletor será
negativo.

(a) viga carregada (b) deformação com tração embaixo (c) momento fletor positivo

Figura 25: Convenção de sinais para o momento fletor.

3.3.4 Momento torçor ( T )

Como o próprio nome diz, é o que provoca giro da barra, ao longo do
seu próprio eixo, ou seja, faz com que a peça torça, em movimento
similar ao de um parafuso. A convenção de sinais é a seguinte: o torçor
é positivo quando seu vetor representativo tem sentido entrando na seção
transversal, Figura 26.

Figura 26: Convenção de sinais para o momento torçor.
182 UNIUBE

3.3.5 Relações diferenciais para os esforços solicitantes

Seja um elemento diferencial dx retirado da estrutura, como ilustrado na
Figura 27.

Figura 27: Consideração de elemento diferencial de uma viga para análise dos
esforços solicitantes.

Aplicando-se as condições de equilíbrio para estruturas planas, tem-se:

1. ∑M B =0

dx
M + Vdx − qdx − M − dM =
0
2

0

Vdx − dM =
0

dM
V = (I)
dx

2. ∑F y =0
UNIUBE 183

V − V − dV − qdx =
0
−dV =
qdx

dV
= −q (II)
dx
d2M
De (I) e (II), tem-se: = −q (III)
dx2

Analisando-se as equações (I) e (II) pode-se avaliar a forma do diagrama
de M e V nos diversos carregamentos da estrutura, como será feito, a
seguir, para o caso de carregamento uniformemente distribuído.

Integrando-se a equação (II), tem-se:

dV
= −q
dx

∫ dV = −∫ qdx
V=−qx + C1 (equação de uma reta)  Para “q” constante ao longo de x

Integrando-se a equação (I) resulta:

∫ dM = ∫ Vdx
M= ∫ ( −qx + C ) dx
1

x2
M = −q + C 1x + C 2 (equação de uma parábola)  em que C1 e
2
C2 são constantes de integração.

Resumindo, têm-se, para diversos carregamentos em trechos de um elemento
(Figura 28) as previsões de formatos dos diagramas de esforço cortante e
momento fletor (Quadro 2).
184 UNIUBE

Figura 28: Representação dos tipos de cargas
que podem atuar em uma viga.

Observe o Quadro 2:

Quadro 2: Relação entre tipo de carga com diagramas de esforço normal e cortante

Forma do Diagrama
Tipo de Carga
V M

q = 0 (trechos II e III) Constante Linear

q = constante (trecho I) Linear Parábola do 2º grau

q1 = ax + b (trecho IV) Parábola do 2º grau Parábola do 3º grau

3.4 Vigas isostáticas

Neste capítulo, serão estudadas as vigas isostáticas simples (apresenta
dois apoios ou um engaste – Figura 29) e as vigas isostáticas articuladas,
ou vigas gerber, que apresentam uma ou mais articulações ao longo do
seu comprimento (Figura 30).
UNIUBE 185

Figura 29: Exemplos de vigas isostáticas simples.

Observe, a seguir, a Figura 30:

Observe, a seguir, a Figura 30:

(a) com uma articulação (b) com duas articulações

Figura 30: Exemplos de vigas isostáticas articuladas (vigas Gerber).

Na Figura 31, são apresentadas algumas possibilidades de
carregamentos em vigas biapoiadas e cujos cálculos serão contemplados
nos exercícios de aplicação. Acrescenta-se que também serão
consideradas vigas isostáticas com outras condições de apoio (como
engastada e livre), que estarão contempladas em aplicações e/ou
exercícios propostos.
186 UNIUBE

Figura 31: Algumas situações de carregamento em vigas biapoiadas.

3.5 Vigas gerber ou vigas articuladas

As vigas gerber são vigas isostáticas contínuas com mais de dois apoios,
porém, com um número suficiente de rótulas (ou articulações) que
garanta a sua isostaticidade.
UNIUBE 187

Pode-se citar como vantagem das vigas gerber com relação às vigas
contínuas, que as primeiras não são sensíveis a recalques de apoios e
possuem a facilidade de cálculo das estruturas isostáticas.

Sua aplicação mais comum é em estruturas de pontes onde o terreno é
sensível a recalques, visto que estes deslocamentos nas vigas gerber
não introduzem esforços na estrutura.

Uma viga com três apoios sem ser articulada, ou interrompida, quebrada
(Figura 32-a), quando recalca (deslocamento vertical para baixo) em um
nó, tal deslocamento produz esforços no restante da estrutura. Entretanto,
em estruturas articuladas (Figura 32-b), pode ocorrer deslocamento e
solicitação em apenas um trecho da viga, sem ser este efeito propagado
ao restante da estrutura, ou, se provocar deslocamento no restante da
estrutura, não produzem o aparecimento de esforços nesse.

(a) viga isostática não articulada (b) viga isostática articulada (gerber)

Figura 32. Esquema para visualização de recalque em viga contínua e viga articulada (gerber).

Outra aplicação para vigas gerber ocorre em estruturas pré-moldadas,
como ilustra a Figura 33 a seguir:

Figura 33: Exemplificação de viga gerber com elementos pré-moldados.
188 UNIUBE

As vigas gerber se comportam como ilustrado na Figura 34, ou seja, os
trechos entre duas articulações (ou entre uma articulação e um apoio –
vide aplicações, a seguir) se apoiam no restante da estrutura, transferindo
para estes, forças correspondentes às reações de apoio. Tais trechos são
sempre isostáticos.

Figura 34: Visualização da transferência de cargas e esforços em uma viga gerber.

Observando-se a Figura 34, tem-se que o trecho BC descarrega nos
trechos AB e CD. Portanto, para resolver esta viga Gerber procede-se
da seguinte maneira:

1° Passo) Calcula-se o trecho BC (obtenção das reações de apoio RB e
RC e dos esforços solicitantes);

2° Passo) Calculam-se os trechos AB e CD considerando as reações de
apoio do trecho BC como cargas concentradas.
UNIUBE 189

EXEMPLIFICANDO!

(1ª APLICAÇÃO) Para cada estrutura esboçada a seguir, determine:

1. Grau de Estaticidade (g);
2. Grau de Deslocabilidade Interna (di);
3. Grau de Deslocabilidade Externa (de).

g = 3m – Ve – Vi = 3.4 – (1+1+1+3) –
(3+3+3) = - 3 : 3x hiperestática
di = 2 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.4 – 3 – (1+1+1+2)
(a) = 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.3 – (2+1+1) –
(3+2)
= 0 : isostática
di = 1 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)
(b)
de = 2n – b – Ve = 2.4 – 3 – (2+1+1)
= 1 : 1x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.5 – (1+1+2+2) –
(6+6)
= - 3 : 3x hiperestática
di = 2 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.6 – 5 – (1+1+2+2)
= 1 : 1x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(c) balanços)
190 UNIUBE

g = 3m – Ve – Vi = 3.5 – (2+2+3+3) –
(6+6)
= - 7 : 7x hiperestática
di = 2 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.6 – 5 – (2+2+2+2)
(d) = -1 : 1x superindeslocável
externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.2 – (3+3) – (2)
= - 2 : 2x hiperestática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.3 – 2 – 4
= 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(e)
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.5 – (2+2) –
(6+6+2)
= - 3 : 3x hiperestática
di = 2 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.5 – 5 – 4
= 1 : 1x indeslocável externamente
(f) (articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.4 – (2+2+3) –
(6+3)
= - 4 : 4x hiperestática

di = 2 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.5 – 4 – 6
= 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(g) balanços)
UNIUBE 191

g = 3m – Ve – Vi = 3.4 – (2+2+3) –
(4+2)
= - 1 : 1x hiperestática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.5 – 4 – 6
= 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(h) balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.11 – (2+2+2+2+1)
– (6+6+3+9+9) = - 9 : 9x
hiperestática

di = 4 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.9 – 9 –
(2+2+2+2+1)
(i) = 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.10 – (3+2)
– (3+3+6+6+9+6+3) = - 11 : 11x
hiperestática

di = 7 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.8 – 10 – 4
= 2 : 2x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(j)
balanços)
192 UNIUBE

g = 3m – Ve – Vi = 3.4 – (3) – (2+2+4)
= 1 : 1x hipostática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.4 – 4 – 2
= 2 : deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(k)
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.11 – (2+2) –
(2+5+5+5+2+4+4+4) = - 2 : 2x
hiperestática
di = 3 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.8 – 11 – 4
(l) = 1 : 1x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.7 – (3+3+3) –
(2+3+5+3+2) = - 3 : 3x hiperestática
di = 3 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.8 – 7 – 6
= 3 : 3x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
(m)

g = 3m – Ve – Vi = 3.10 – (2+3+3+2)
– (3+6+3+3+3+6+3) = - 7 : 7x
hiperestática

di = 7 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.11 – 10 –
(2+2+2+2)
(n) = 4 : 4x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
UNIUBE 193

g = 3m – Ve – Vi = 3.8 – (3+3+3) –
(3+3+6+6+6) = - 9 : 9x hiperestática
di = 5 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.8 – 8 – (2+2+2)
= 2 : 2x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
(o)

g = 3m – Ve – Vi = 3.18 – (2+3+3+2) –
(3+6+3+6+9+6+9+12+9+3+3) = - 25 :
25x hiperestática

di = 11 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.13 – 18 –
(2+2+2+2)
= 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
(p)

g = 3m – Ve – Vi = 3.10 – (3+3+3)
– (3+6+3+6+6+6) = - 9 : 9x
hiperestática

di = 5 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.9 – 10 – (2+2+2)
= 2 : 2x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
(q)
194 UNIUBE

g = 3m – Ve – Vi = 3.15 – (3+3+3) –
(3+6+3+6+9+6+6+9+6) = - 18 : 18x
hiperestática

di = 9 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.12 – 15 – (2+2+2)
= 3 : 3x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

(r)
g = 3m – Ve – Vi = 3.29 – (3+3) –
(4+4+8+6+6+6+4+6+4+6+6+6+8+4+4)
= - 1 : 1x hiperestática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.17 – 29 – (2+2)
= 1 : 1x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(s) balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.11 – (3) –
(2+4+4+2+4+4+4+2) = 4 : 4x
hipostática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.9 – 11 – 2
(t) = 5 : 5x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.11 – (2+1) –
(2+4+6+6+4+6+2) = 0 : isostática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.7 – 11 – (2+1)
= 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(u)
balanços)
UNIUBE 195

g = 3m – Ve – Vi = 3.13 – (3) –
(4+2+4+6+4+8+4+2) = 2 : 2x
hipostática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.9 – 13 – 2
= 3 : 3x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
(v)

g = 3m – Ve – Vi = 3.11 – (2+1)
– (2+4+4+4+4+4+4+2) = 2 : 2x
hipostática
di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.8 – 11 – (2+1)
(w) = 2 : 2x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
g = 3m – Ve – Vi = 3.9 – (2+2) –
(6+4+4+6+2) = 1 : 1x hipostática

di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

de = 2n – b – Ve = 2.7 – 9 – (2+2)
= 1 : 1x deslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(x) balanços)

g = 3m – Ve – Vi = 3.8 – (2+2) –
(4+4+6+6)
= 0 : isostática

di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)
detalhe

de = 2n – b – Ve = 2.6 – 8 – (2+2)
= 0 : indeslocável externamente
(articulo todos os nós e desprezo
(y) balanços)
196 UNIUBE

g = 3m – Ve – Vi = 3.10 – (2+2)
– (4+4+8+8+2+2) = - 2 : 2x
hiperestática

di = 0 (desprezo balanços e conto os nós
contínuos entre duas ou mais barras)

detalhe de = 2n – b – Ve = 2.6 – 10 – (2+2)
= - 2: 2x superindeslocável
externamente
(articulo todos os nós e desprezo
balanços)
(z)

(2ª APLICAÇÃO) Para cada esquema de viga dada a seguir (desenho
sem escala), trace os diagramas de momento fletor e de esforço cortante,
considerando:

L = 5 m, q = 2 kN/m, P = 12 kN, a = 2 m, α = 20o.
UNIUBE 197
198 UNIUBE

RESOLUÇÃO:

Situação (a):

Antes de se resolver qualquer estrutura submetida a um determinado
carregamento, é necessário efetuar o cálculo de suas reações de apoio,
que são as incógnitas do problema.

Neste capítulo, são estudadas as vigas isostáticas cujo grau
de estaticidade é zero. Apenas para confirmar isso, façamos:
g = 3 ⋅ m − Ve − Vi = 3 ⋅ 1 − (2 + 1) − 0 = 0 . Perceba que, como se tem
apenas uma barra, não existem vínculos internos, pois não há ligação
(conexão, união) entre barras.

Também são estudadas estruturas que estejam em equilíbrio, qualquer
que seja o sistema, plano ou tridimensional, isostático ou hiperestático
(nunca hipostático, pois isso significa que o sistema é instável e pode se
deslocar), valerão as equações de equilíbrio da estática.

As reações de apoio em uma estrutura são obtidas através das equações
de equilíbrio (somatório de forças e de momentos em relação a qualquer
ponto da estrutura sempre será nulo). Ressalta-se que para cada
situação, será analisado em qual ponto se estará fazendo somatório
UNIUBE 199

de momento fletor, para se obter determinada reação de apoio, mas
pode acontecer em alguns casos que bastam apenas as equações de
equilíbrio relativas às forças. Enfim, você adquirirá noções estruturais na
medida da resolução de exercícios.

Para a viga em questão, faz-se:

Para o traçado do diagrama de momento fletor, recomenda-se proceder
conforme explicado a seguir.

Primeiramente, obtêm-se os valores correspondentes a cada apoio, ponto
de carga concentrada, ponto de união entre barras, ou de mudança do
tipo de carga aplicada. No exemplo, têm-se os pontos A, B e C, para a
obtenção do momento fletor:

M A = MB = 0

(Pois se referem a rótulas que não absorvem momento fletor, ou seja,
nelas, o momento fletor é sempre nulo.)
P⋅b Pab
MC = ⋅a =
L L
200 UNIUBE

Ocorre tração embaixo, pois perceba que o momento em C foi calculado
com todas as cargas e reações de apoio que estão à esquerda de C,
que, no caso, é apenas a reação de apoio em A, cuja flexão no ponto C
ocorre tracionando a viga embaixo. Neste caso, de acordo com a notação
de sinais aprendida, tal momento é positivo – traciona embaixo. Na
verdade, o que se faz para se calcular um determinado esforço seccional,
é cortar a estrutura naquela seção e fazer a contabilidade de todas as
possíveis ocorrências do esforço desejado, à esquerda da seção ou
à direita da seção. Isso porque, como visto neste capítulo, para estar
em equilíbrio, o que se tem de um lado da estrutura seccionada deve
ser exatamente ao do restante dela, seccionada. Tais comentários são
feitos minuciosamente neste início e depois, obviamente, não serão mais
necessários, ao longo da resolução de outros exercícios.

O traçado do diagrama de momento fletor é feito com representação dos
seus valores onde ocorre tração: se ocorre tração embaixo, o diagrama
é desenhado abaixo do eixo da viga e se ocorre tração em cima, tem-se
o contrário.

Traça-se o eixo da viga, e posicionam-se os nós de interesse (neste
caso, A, B e C) que limitam os trechos do diagrama. Indica-se o nome
Diagrama de Momentos Fletores, e as unidades de força e distância.
Marcam-se os valores dos momentos, sempre perpendiculares ao eixo
do elemento estrutura em análise.

Neste exemplo, o momento em C vale: Pab/L = (12kN)(2m)(3m)/(5m) =
14,4 kN.m e os momentos em A e B são nulos:

C DMF [kN, m]
A B

14,4
UNIUBE 201

Da análise diferencial contida neste capítulo, vista no item 3.5, quando
no trecho de viga não se tem carga, ou seja, quando q = 0, o diagrama
de esforço cortante V (que é obtido pela integral de q) é um número real
constante, e o diagrama de momento fletor M (que é obtido pela integral
de V) é uma reta.

Isso significa que neste exemplo, para o traçado do diagrama de
momento fletor, basta unir os valores de momentos das extremidades
de cada trecho (que não possui carga, ou seja, q = 0).

O diagrama de momento fletor é sempre desenhado do lado onde
ocorre tração, em cima ou embaixo da viga e, conforme convenção já
vista, quando ocorre tração embaixo, o sinal do momento é positivo.

Outra forma de traçar diagrama de momento fletor é obter a equação
deste esforço, em função de x e calcular tal momento para os pontos
necessários ao traçado do mesmo.

Como já mencionado, o esforço cortante em trechos sem carga é
constante. Vejamos neste exemplo, que é simples, mas para o qual está
se fazendo a análise bem detalhada para traçado do diagrama de esforço
normal e cortante, o que será guia-base para as demais aplicações
contidas neste capítulo.
202 UNIUBE

Uma das formas de se obter o valor do esforço cortante em uma seção
é analisar o que ocorre em termos de cargas perpendiculares ao eixo do
elemento estrutural, até aquela seção, caminhando-se da esquerda para
a direita ou da direita para a esquerda.

Por exemplo, para a viga em questão, tem-se, como diagrama de corpo
livre (o eixo da viga no qual atuam cargas e reações de apoio), que nos
permitirá fazer a análise do cortante em qualquer seção transversal deste
elemento estrutural:

Caminhando da esquerda para a direita, teremos, para a seção A, uma
força vertical para cima, de 3,2 kN, como resultante de todas as que
atuam à esquerda desta seção, e conforme o item 7.2 deste capítulo, o
cortante à esquerda de uma seção é positivo se orientado para cima, ou
seja, neste caso V = + 7,2 kN.

Em qualquer seção do trecho AC, a resultante de forças pela esquerda
também será de 7,2 kN orientada para cima, ou seja, para este trecho,
o cortante é positivo e vale: V = + 7,2 kN.
UNIUBE 203

Para o traçado do diagrama de cortante, desenham-se acima do eixo da
peça valores positivos deste esforço e abaixo, valores negativos:

Prosseguindo, em uma seção logo após o ponto C, caminhando-se da
esquerda para a direita, teremos como resultante de forças:

Neste caso, o cortante à esquerda da seção é para baixo, ou seja, pela
convenção de sinais, é negativo. E no diagrama de corpo livre observa-
se que, em qualquer seção do trecho CB da viga, a resultante de forças à
esquerda também será de - 4,8, ou seja, neste trecho, tal esforço é constante:

Perceba o que uma carga concentrada produz em um diagrama de
esforço cortante: um salto no mesmo!

Veja que na seção C, tem-se um degrau cujo valor total equivale à carga
concentrada de 12 kN. Constata-se que nessas seções, o que ocorre
de um lado e do outro não é a mesma força de cisalhamento (cortante),
mas sim dois valores que produzem, localmente, uma força resultante
concentrada, a partir da soma do cortante à esquerda e à direita, que são
desnivelados por ocasião desta força concentrada atuante.
204 UNIUBE

Portanto, no traçado de diagramas de esforços cortantes, há que se
verificar sempre a existência desses saltos que correspondem às cargas
concentradas aplicadas no elemento estrutural. É uma maneira de se
conferir se o traçado está correto.

Situação (b):

Neste caso, a viga é constituída por apenas uma barra (um tramo), no
qual a carga é constante e não ocorre mudança do tipo de carga, por
exemplo, com alguma carga concentrada, ou algum trecho sem carga,
ou seja, os pontos primeiramente plotados são A e B, cujos momentos
são nulos:
UNIUBE 205

Do item 3.2 contido neste capítulo, sabe-se que, quando o carregamento
é uniformemente distribuído no trecho da viga, o cortante é uma reta e o
momento fletor, uma parábola do segundo grau. Portanto, entre A e B,
o diagrama será parabólico; a união desses valores de momentos (nulo
para ambas as seções) será através de uma linha parabólica do segundo
grau. Resta saber se a concavidade é para cima ou para baixo, o que
será definido calculando-se o valor do momento no meio do vão AB (2,5
m), se tracionando em cima ou embaixo:

qL L L L qL2
M meio = ⋅ −q⋅ ⋅ ⇒ M meio =
2 2 2 4 8

qL2 2 ⋅ 52
= =
M meio = 6, 25 kN ⋅ m
8 8

Perceba que a tração ocorre embaixo da viga e, como o diagrama de
momento fletor é desenhado do lado da tração, teremos uma parábola
assim representada:

β

Esse resultado pode ser utilizado em qualquer outra situação na qual se
tenha um trecho com carregamento uniformemente distribuído:

qL2
8

Tal medida, no diagrama, é feita sempre perpendicular ao eixo do
elemento estrutural. Em outras aplicações será visto como representar
este valor, quando os momentos nos extremos são diferentes de zero.
206 UNIUBE

Enfim, fica para você, aluno, a partir deste exemplo, o valor fixo
para momento fletor no meio de trechos com carga
uniformemente distribuída, que em muito facilita o traçado de
diagramas deste esforço.

Nesse caso, os momentos fletores dos extremos dos trechos, ou seja,
referentes aos pontos A e B são nulos, mas podem ocorrer valores
nessas extremidades, que sejam diferentes de zero. Em qualquer caso,
a parábola do segundo grau possuirá uma curvatura central igual a
qL2/8, medida a partir da linha que une os valores de momentos nas
seções extremas do trecho de viga que se esteja considerando, no meio
do seu comprimento. A seguir, são feitas outras representações, para
comparação com a obtida nessa situação (b).

Para o traçado do esforço cortante, raciocínio e procedimento análogos à
situação (a) serão utilizados, lembrando que, aqui, o diagrama será uma
reta (linear) como já comentado:
UNIUBE 207

Caminhando-se da esquerda, na seção A, tem-se: V = + 5 kN, pois está
orientado para cima.

Entre A e B, não se tem nenhuma carga concentrada que possa produzir
degrau no diagrama (como na situação a – veja comentário realizado
naquela). Por isso, o diagrama é contínuo, bastando se obter os cortantes
em A e em B e unir tais valores por uma reta.

Ainda, caminhando pela esquerda, o cortante em B será:

Sendo para baixo, à esquerda da seção pela convenção de sinais do
esforço cortante, tem-se: V = - 5 kN. Portanto, o traçado do diagrama de
esforço cortante para essa viga fica:

Para finalizar esta situação (b) é importante fazer-se aqui o seguinte
comentário: no diagrama de momento fletor, tem-se a seção mediana do
trecho AB com o maior momento fletor atuante. Para esta seção, o valor
do esforço normal é zero. Isso é explicado pelas relações diferenciais
apresentadas para esforços solicitantes, no item 7.5 deste capítulo.
208 UNIUBE

Sabe-se que, quando se deseja encontrar o valor máximo de uma função,
pelo cálculo diferencial, encontra-se a derivada primeira desta função e
iguala-se o resultado a zero. Isso significa encontrar pontos onde a reta
tangente à curva da função é horizontal, o que corresponde, para uma
parábola do segundo grau, ao ponto correspondente ao seu vértice.

Pois bem, em nosso estudo, temos que o esforço cortante é obtido
pela primeira derivada do momento fletor, ou seja, onde o momento for
máximo, ali corresponderá à sua primeira derivada nula, ou seja, ao valor
zero para o esforço cortante.

Resumindo, sempre que uma seção tiver momento máximo em
um trecho da viga, para a curva correspondente a este esforço
(parábola do segundo grau, do terceiro grau etc.) nesta mesma
seção, o cortante será nulo, em vice-versa.

As situações (a) e (b) são básicas a todo o estudo e, doravante, não mais
será necessária tanta explicação pormenorizada, pois se reportará ao
que já fora aqui comentado. Caberá a você prosseguir, apenas se estiver
consolidado o que até aqui lhe foi apresentado.

Situação (c):

É análoga à situação (b), porém com a viga inclinada. Veja no que
interferirá esta inclinação da viga.
UNIUBE 209

Perceba que se trata de um caso semelhante ao da situação (b), porém,
para um vão inclinado, de valor:

L L 5m
=
cos α ⇒ Linclinado
= = = 5,32 m
Linclinado cos α cos 20o

Considerando-se o eixo x como o da viga e y, perpendicular a x, tem-se:

L q⋅L
∑M A = 0 ⇒ RB ⋅ L = q ⋅ L ⋅
2
⇒ =
RB = 5,32 kN
2
q⋅L q⋅L
∑F y = 0 ⇒ RA + RB = q ⋅ L ⇒ RA = q ⋅ L −
2
⇒ =
R A = 5,32 kN
2

Conforme o já comentado na situação (b), são traçados os diagramas
de M e V:

qL2 2 ⋅ (5,32) 2
= =
M meio = 7, 08 kN ⋅ m
8 8
210 UNIUBE

Situação (d):

É análoga à situação (c), porém havendo necessidade de decompor o
carregamento perpendicularmente ao eixo da viga, para que se obtenham
os esforços cortantes (perpendiculares ao eixo da viga) e momentos
fletores (produzidos por forças perpendiculares ao eixo da viga com seus
respectivos braços de alavanca).

Sendo a mesma viga, tem-se já calculado do item anterior, o valor do
vão inclinado: 5,32 m.

Para que se obtenha o valor da carga distribuída perpendicular ao eixo da
peça, é conveniente encontrar a resultante da carga atuante e decompô-
UNIUBE 211

la perpendicularmente a esse eixo, para depois transformá-la novamente
em carga uniformemente distribuída, bastando dividir tal componente
concentrada pelo vão inclinado de 5,32 m.

A resultante valerá: 2 kN/m x 5 m = 10 kN:

A componente desta carga concentrada, perpendicular ao eixo da barra
é calculada como: 10 x cos20o = 9,40 kN.

Para retornar à situação de carga uniformemente distribuída, divide-se
este valor pelo vão inclinado: q’ = 9,40 / 5,32 = 1,77 kN/m.

A partir daí, o cálculo é similar ao da situação (c), para o traçado dos
diagramas de momento fletor e esforço cortante atuantes na viga
inclinada:
212 UNIUBE

qL2 1,88 ⋅ (5,32) 2
=
M meio = = 6, 65 kN ⋅ m
8 8

É interessante constatar que o valor do momento máximo é o mesmo
encontrado para a situação de carga uniformemente distribuída ao
longo da viga horizontal (situação b), ou seja, estando a viga inclinada,
2
o momento máximo qL pode ser calculado com os valores de: carga
8
uniformemente distribuída na vertical e o vão da viga inclinada projetado
na horizontal.

Situação (e):

É análoga à situação (c), porém havendo necessidade de decompor o
carregamento perpendicularmente ao eixo da viga.
UNIUBE 213

Para que se obtenha o valor da carga distribuída perpendicular ao eixo da
peça, é conveniente encontrar a resultante da carga atuante e decompô-
-la perpendicularmente a esse eixo, para depois transformá-la novamente
em carga uniformemente distribuída, bastando dividir tal componente
concentrada pelo vão inclinado de 5,32 m.

Só que aqui, a resultante não será calculada sobre o vão de 5 metros,
mas sobre o inclinado, ou seja: 2 kN/m x 5,32 m = 10,64 kN

A componente desta carga concentrada, perpendicular ao eixo da barra
é calculada como: 10,64 x cos20o = 10 kN.

Para retornar à situação de carga uniformemente distribuída, divide-se
este valor pelo vão inclinado: q’ = 10 / 5,32 = 1,88 kN/m.

A partir daí, o cálculo é similar ao da situação (c), para o traçado dos
diagramas de momento fletor e esforço cortante atuantes na viga
inclinada:
214 UNIUBE

Acrescenta-se que, tanto para a determinação de esforço
cortante como de momento fletor, você pode optar por caminhar
da esquerda para a direita, como o contrário. Faça o exercício
de verificar alguma resposta, invertendo o sentido do
caminhamento. Isso é válido para se realizar conferência de
resultados obtidos nos cálculos estruturais.

Situação (f):

Neste caso, tem-se um carregamento distribuído linearmente. Para
se calcularem as reações de apoio, será considerada a resultante
do carregamento, obtida através da área triangular: (2x5)/2 = 5 kN,
aplicada no C.G. (centro de gravidade) do triângulo, ou seja, a um terço
do comprimento, medido a partir do ponto B: 5/3 = 1,67 m.

L 2 q ⋅ L 2⋅5
∑M A =0 ⇒ RB ⋅ L =q ⋅ ⋅ L ⇒
2 3
=
RB = = 3,33 kN
3 3
UNIUBE 215

q⋅L q⋅L q ⋅ L 2⋅5
∑F y = 0 ⇒ RA + RB = q ⋅ L ⇒ RA =
2

3
⇒ =
R A = = 1, 67 kN
6 6

Conforme previsão apresentada nas relações diferenciais para cálculo de
esforços, quando se tem um carregamento linear em um trecho de viga, o
diagrama de cortante será uma parábola do segundo grau, e do momento
fletor, uma parábola do terceiro grau. Para o traçado do diagrama de
momentos fletores, são obtidos os valores nos extremos dos trechos:

A B DMF [kN, m]

Entre A e B, o diagrama será através de uma linha parabólica do terceiro
grau. Resta saber se a concavidade é para cima ou para baixo, o que
216 UNIUBE

será definido calculando-se o valor do momento no meio do vão AB (2,5
m), se tracionando em cima ou embaixo.

Ao se calcular o momento fletor no meio do vão, considera-se a carga
triangular até esta posição, cujo valor corresponde à metade da carga de
todo o vão (2 kN/m), ou seja, vale q’ = 1 kN/m. Com esta carga, calcula-se
a carga concentrada equivalente, até o meio do vão: (1 x 2,5)/2 = 1,25
kN, que atua no C.G. desse triângulo de carga, ou seja, a 2/3 do apoio
A: (2/3) x 2,5 = 1,67 m.

Perceba que a tração ocorre embaixo da viga e, como o diagrama de
momento fletor é desenhado do lado da tração, teremos uma parábola
assim representada:
UNIUBE 217

Daqui, pode-se assumir para qualquer outra situação em que se tenha
um trecho com carregamento linearmente distribuído, o valor fixo de:

qL2
16
para valores de momento no meio deste trecho. Tal medida, no diagrama,
é feita sempre perpendicular ao eixo do elemento estrutural. Em outras
aplicações, será visto como representar este valor, quando os momentos
nos extremos são diferentes de zero. Pelo fato de o carregamento não
ser uniforme, com a carga concentrando mais sobre o apoio B, ter-se-á a
curva da parábola do terceiro grau não simétrica, ou seja, mais encurvada
à direita. Adiante será feito o estudo analítico em função de x, para se
obter a localização e valor do máximo momento fletor.

Para o traçado do esforço cortante, sabe-se que a curva será uma
parábola do segundo grau, unindo os valores extremos do cortante,
já que no meio do trecho não ocorre nenhuma carga concentrada que
confira descontinuidade com degrau, no diagrama desse esforço.
218 UNIUBE

Valor do cortante no meio da viga:

Pela convenção de sinais, o cortante à esquerda da viga é positivo
(+1,67), pois está orientado para cima, e o cortante à direita (-3,33),
negativo, pois está orientado para cima

Portanto, o traçado do diagrama de esforço cortante para essa viga fica:

Sabendo-se que se trata de uma parábola do segundo grau, resta unir
tais valores por uma curva com concavidade voltada para baixo, tendo
em vista o valor no meio da viga.
UNIUBE 219

Visualizando os dois diagramas, de momento fletor e de cortante, você
constata o que já se comentou aqui, quanto à posição de momento
máximo. Na seção em que ocorre tal momento, o cortante é nulo, porque
o cortante corresponde à primeira derivada da função momento fletor,
e é sabido que no ponto máximo de uma função curva, sua primeira
derivada (inclinação da reta tangente à curva) é nula (como aprendido
em conceitos de cálculo diferencial).

Quando se deseja conhecer a localização desta seção de máximo
momento e, consequentemente, de cortante zero, é necessário
equacionar o momento em função de x (já se sabe que tal função
será uma parábola do terceiro grau), encontrar sua primeira derivada
que corresponderá ao cortante (que será uma parábola do segundo
grau). Ao se igualar o cortante a zero, obtém-se a posição x desejada,
e substituindo este valor na expressão do momento, encontra-se o
momento máximo desejado. Este cálculo é apresentado, a seguir.

Primeiramente, define-se uma orientação para o eixo x, por exemplo,
com origem no ponto A e orientação positiva para a direita.
220 UNIUBE

Em uma posição genérica x (seção S qualquer), a partir do apoio A,
tem-se um trecho triangular de carga que necessita ser definido em
função dos dados de carregamento, comprimento de barra e distância x.

Fazendo a proporção de triângulos semelhantes (original de carga q = 2
kN/m e o hachurado de carga q'), tem-se o valor de q' definido:

q L 2 5
= ⇒ = ⇒ q ' =0, 4 ⋅ x
q' x q' x

A resultante da carga triangular é aplicada no C.G. do triângulo
hachurado, que dista dois terços do apoio A.

Com isso, escreve-se a expressão do momento fletor, para a seção S,
em função da variável (distância) x, que é válida para qualquer seção da
viga. Caminhando-se da esquerda para a direita (poderia ser o contrário,
mas aqui é mais direto se fazer assim), tem-se:

q '⋅ x x 0, 4x ⋅ x x
M(x)= +1, 67 ⋅ x − ⋅ = 1, 67 ⋅ x − ⋅ = 1, 67 ⋅ x − 0, 067 ⋅ x 3
2 3 2 3
Conferindo os valores nos pontos: A, B e seção média, com o estudo
realizado, tem-se:

M A (x = 0) = 1, 67 ⋅ 0 − 0, 067 ⋅ 03 = 0 ⇒ ok !

M B (x = L = 5m) = 1, 667 ⋅ 5 − 0, 0667 ⋅ 53 = 0 ⇒ ok !

Nesta conta, você não encontra exatamente zero, devido às
aproximações dos números decimais e, por isso, utilizam-se
mais casas decimais aqui, para que você veja que, de fato, o
resultado é nulo. Aqui se faz apenas uma conferência, porque
em todo apoio rotulado, sempre o momento fletor é nulo e você
não precisa calcular, ok?
UNIUBE 221

M meio (x = L / 2 = 2,5m) = 1, 67 ⋅ 2,5 − 0, 067 ⋅ ( 2,5 ) = 3,13 kN ⇒ ok !
3

(Esse resultado coincide com o já obtido, da relação qL2/16, vista
anteriormente)
Agora, resta a você obter o valor e posição do momento máximo, o que
é feito derivando-se a função M(x) e igualando-a a zero:

M (x)= 1, 67 ⋅ x − 0, 067 ⋅ x 3

M '(x) =1, 67 − 0, 201 ⋅ x 2

M '(x) = 0 ⇒ 1, 67 − 0, 201 ⋅ x 2 = 0 ⇒ x = 2,88 m

O valor de x obtido representa a posição medida a partir do apoio A, em
que ocorre o momento máximo e o cortante nulo. Resta, agora, calcular
o valor deste momento máximo. Basta substituir x em M(x):

M (x =2,88 m) =1, 67 ⋅ (2,88) − 0, 067 ⋅ (2,88)3 =3, 21 kNm

Portanto, os diagramas completos desses esforços serão os mesmos
já obtidos, com inserção da posição e valor do máximo momento, onde
também ocorre o cortante nulo:
222 UNIUBE

Para finalizar, façamos mais uma análise: a equação da parábola
correspondente ao gráfico do esforço cortante é obtida com primeira
derivada de M(x), como feito anteriormente:

V(x) =M '(x) =1, 67 − 0, 201 ⋅ x 2

Perceba que se trata de uma parábola com coeficiente “a” (ax2 + bx
+ c) negativo (-0,201) que indica sua concavidade voltada para baixo,
coerente com o diagrama de cortante obtido.

Enfim, havendo necessidade de se conhecer o máximo momento fletor
que ocorre em uma seção de carregamento triangular, é necessário fazer
o estudo em função da variável x.

Situação (g):

É análoga à situação (f), porém, é conveniente caminhar-se da direita
para a esquerda, pela facilidade de se analisar trechos triangulares, pois
UNIUBE 223

a partir da esquerda, tem-se trechos trapezoidais, quando se considera
um pedaço do carregamento.

Concentra-se a carga triangular para se calcularem as reações de apoio:

L 2 q ⋅ L 2⋅5
∑M B =0 ⇒ RA ⋅ L =q ⋅
2 3
=
⋅ L ⇒ R A = = 3,33 kN
3 3

q⋅L q⋅L q ⋅ L 2⋅5
∑F y = 0 ⇒ RA + RB = q ⋅ L ⇒ RB =
2

3
⇒=
RB = = 1, 67 kN
6 6

Semelhante à situação (f), calcula-se o momento fletor no meio do vão AB.
224 UNIUBE

qL  L  1 q L  1 L  qL2
M meio = ⋅  − ⋅ ⋅  ⋅  ⇒ M meio =
6  2  2 2 23 2  16
qL2 2 ⋅ 52
= =
M meio = 3,13 kN ⋅ m
16 16

Para o traçado do esforço cortante, sabe-se que a curva será uma
parábola do segundo grau, unindo os valores extremos do cortante,
já que no meio do trecho não ocorre nenhuma carga concentrada que
confira descontinuidade com degrau, no diagrama desse esforço.

Semelhante ao realizado na situação (f), definem-se os sinais dos
cortantes nas seções A e B são, de acordo com a convenção apresentada
neste capítulo.
UNIUBE 225

O cortante à esquerda da viga é positivo (+3,33), pois está orientado
para cima, e o cortante à direita (-1,67), negativo, pois está orientado
para baixo.

E o cortante no meio do vão é obtido da direita para a esquerda:

Ou seja, plotado abaixo do eixo da viga, porque é negativo, diferente
da situação com o triângulo invertido (carregamento linear crescente).
Portanto, o diagrama de esforço cortante pode ser traçado:
226 UNIUBE

Sabendo-se que se trata de uma parábola do segundo grau, resta unir
tais valores por uma curva com concavidade voltada para cima, coerente
com os três valores obtidos.

Obtenção do valor e posição do momento máximo:

Em uma posição genérica x (seção S qualquer), a partir do apoio B,
tem-se um trecho triangular de carga que necessita ser definido em
função dos dados de carregamento, comprimento de barra e distância x.

Fazendo a proporção de triângulos semelhantes (original de carga q = 2
kN/m e o hachurado de carga q’), tem-se o valor de q’ definido:

q L 2 5
= ⇒ = ⇒ q ' =0, 4 ⋅ x
q' x q' x
UNIUBE 227

A resultante da carga triangular é aplicada no C.G. do triângulo
hachurado, que dista dois terços do apoio B. Com isso, escreve-se a
expressão do momento fletor, para a seção S, em função da variável
(distância) x, que é válida para qualquer seção da viga. Caminhando-se
da direita para a esquerda (poderia ser o contrário, mas aqui é mais direto
se fazer assim), tem-se:

q '⋅ x x 0, 4x ⋅ x x
M(x)= +1, 67 ⋅ x − ⋅ = 1, 67 ⋅ x − ⋅ = 1, 67 ⋅ x − 0, 067 ⋅ x 3
2 3 2 3

Conferindo os valores nos pontos: A, B e seção média, com o estudo
realizado, tem-se:

M A (x = 0) = 1, 67 ⋅ 0 − 0, 067 ⋅ 03 = 0 ⇒ ok !

M B (x = L = 5m) = 1, 667 ⋅ 5 − 0, 0667 ⋅ 53 = 0 ⇒ ok !

Nessa conta, você não encontra exatamente zero, devido às
aproximações dos números decimais e, por isso, utilizam-se
mais casas decimais aqui, para que você veja que, de fato, o
resultado é nulo. Aqui, faz-se apenas uma conferência, porque
em todo apoio rotulado, sempre o momento fletor é nulo e você
não precisa calcular, ok?

M meio (x = L / 2 = 2,5m) = 1, 67 ⋅ 2,5 − 0, 067 ⋅ ( 2,5 ) = 3,13 kN ⇒ ok !
3

(Esse resultado coincide com o já obtido, da relação qL2/16, vista
anteriormente)
228 UNIUBE

Agora, resta-nos obter o valor e posição do momento máximo, o que é
feito derivando-se a função M(x) e igualando-a a zero:

M (x)= 1, 67 ⋅ x − 0, 067 ⋅ x 3 ;
M '(x) =1, 67 − 0, 201 ⋅ x 2 ;
M '(x) = 0 ⇒ 1, 67 − 0, 201 ⋅ x 2 = 0 ⇒ x = 2,88 m ;

O valor de x obtido representa a posição medida a partir do apoio B, em
que ocorre o momento máximo e o cortante nulo. Resta, agora, calcular
o valor deste momento máximo. Basta substituir x em M(x):

M (x =2,88 m) =1, 67 ⋅ (2,88) − 0, 067 ⋅ (2,88)3 =3, 21 kNm

Portanto, os diagramas completos desses esforços serão os mesmos
já obtidos, com inserção da posição e valor do máximo momento, onde
também ocorre o cortante nulo:
UNIUBE 229

Para finalizar, façamos mais uma análise: a equação da parábola
correspondente ao gráfico do esforço cortante é obtida com primeira
derivada de M(x), como feito anteriormente:

V(x) =M '(x) =1, 67 − 0, 201 ⋅ x 2

Todavia, perceba que se trata de uma parábola com coeficiente “a” (ax2 +
bx + c) negativo (-0,201) que indica sua concavidade voltada para baixo,
sendo que o diagrama é uma parábola voltada para cima. Pergunta-se:
por quê?

A razão é a seguinte: a orientação do eixo x é para a esquerda. Por
isso, o coeficiente parabólico “a” (ax2 + bx + c) tem sinal inverso de
quando o eixo x é o convencional, utilizado nas deduções de cálculo
diferencial e integral. Na verdade, a concavidade é para baixo ou para
cima, dependente da orientação do eixo x. Veja os desenhos, a seguir,
com a visualização convencional das coordenadas cartesianas x e
y e invertida. Em ambos os casos, os coeficientes “a” são positivos,
vinculados à orientação do eixo x.
y = ax2 + bx + c
com “a” positivo

y = ax2 + bx + c
com “a” positivo

Enfim, o diagrama está correto e a equação de V(x) com coeficiente “a”
negativo, totalmente coerente com o desenho.

(3ª APLICAÇÃO) Trace os diagramas de momento fletor e esforço cortante para
cada viga esquematizada, a seguir (desenho sem escala).
230 UNIUBE

RESOLUÇÃO:

Viga (a):
UNIUBE 231

∑F H =0 ⇒ HB =0;

∑M B = 0 ⇒ VD ⋅ 6 + 1 ⋅ 3 ⋅1,5 = 8 ⋅ 4 + 1 ⋅ 6 ⋅ 3 ⇒ VD = 7,58 kN ;

∑F V = 0 ⇒ VB + VD = 3 + 8 + 1 ⋅ 9 ⇒ VB = 12, 42 kN .

Antes de prosseguir nos cálculos, determine de quantas barras é
constituída essa viga. Tal elemento é formado por três barras, que são
definidas a cada mudança de carga e/ou de apoio: AB, BC e CD.

Para o traçado dos diagramas, tanto de momento fletor como de esforço
cortante, primeiramente, você obtém os momentos que solicitam as
seções transversais da viga correspondentes aos extremos das barras.

Lembre-se de que o momento fletor é positivo quando traciona a
viga embaixo!

MA = 0 MD = 0

2
M C ( pela direita=
) 7,58 ⋅ 2 − 1 ⋅ 2 ⋅ ⇒ M=
C 13,16 kNm
2
3
M B ( pela esquerda ) =−1 ⋅ 3 ⋅ ⇒ M B =− 4,5 kNm
2
232 UNIUBE

Tendo obtido e plotado os momentos fletores nos nós de extremidade
das barras, o próximo passo é unir tais valores por segmentos retos
que, nesse exemplo, serão tracejados, pois os trechos contêm cargas
uniformemente distribuídas (com momento qL2/8 medido a partir da linha
tracejada, no meio de cada trecho).

Caso algum trecho não tivesse carga, bastaria considerar tais segmentos
em linha cheia e já estaria pronto o diagrama.

Para o traçado do diagrama de esforço cortante, caminha-se na viga,
da esquerda para a direita ou vice-versa, fazendo o balanço das forças
(cargas e reações de apoio, até a seção considerada). Lembre-se de que
UNIUBE 233

as seções de interesse correspondem aos apoios ou quando ocorre
mudança no tipo de carga.

Da esquerda para a direita, ter-se-á (lembre-se de que à esquerda, o
cortante é positivo se tiver sentido para cima):
234 UNIUBE

Viga (c):

Cálculo dos momentos fletores atuantes nas extremidades das barras:
MA = 0 MC = 0
M B pela direita =− 6 ⋅ 2 ⇒ M B =−12, 0 kNm

Cálculo das “flechas” qL2/16 para o trecho que possui carga linear:
qL2 3 ⋅ 52
Trecho AB ⇒ = =4, 7 kNm
16 16

O diagrama de esforço cortante será uma parábola do segundo grau no
trecho AB e sua concavidade será voltada para cima, conforme exercício
realizado neste capítulo, pois o triângulo possui sua altura no apoio da
esquerda. Se fosse o contrário, a altura do mesmo estaria sobre o apoio
da direita. Mas, caso você não se recorde dessa peculiaridade, basta que
encontre o valor do cortante no meio do trecho, e plote a curva, que será
voltada para cima ou para baixo.
UNIUBE 235

Traçado do diagrama de esforço cortante, caminhando-se da esquerda
para a direita:

(4ª APLICAÇÃO) Para cada viga esquematizada a seguir (desenho sem
escala), pede-se obter a posição e o valor do máximo momento fletor que a
solicita no vão central.

a)
5 kN/m
1 kN
4 kN
2 kN/m

A B C D

2,0 8,0 m 2,0
236 UNIUBE

Para se obter o maior momento fletor, bem como a seção onde ocorre,
é necessário encontrar a expressão M(x) no trecho desejado, para
qualquer seção S.

Para a viga em questão, a obtenção da função M(x) no trecho BC, a partir
da direita, por exemplo, requer o valor da reação de apoio vertical em C:

3⋅8  1 
∑M B = 0 ⇒ VC ⋅ 8 + 4 ⋅ 2 = 2 ⋅10 ⋅ 5 + ⋅  ⋅ 8  + 1 ⋅ 8 ⇒ VC = 16,50 kN
2 3 

Portanto, encontra-se M(x), caminhando-se da direita para a esquerda –
poderia ser o contrário:

x 0,375 ⋅ x ⋅ x x
M ( x) =−2 ⋅ 2 ⋅ (1 + x) + 16,50 ⋅ x − 1 ⋅ x − 2 ⋅ x ⋅ − ⋅
2 2 3
UNIUBE 237

A carga q’ é obtida fazendo-se:

3 q'
= ⇒ q' = 0,375 ⋅ x
8 x

M ( x) =
−0, 0625 x 3 − x 2 + 11,5 x − 4

Obviamente, -14,66 m está fora do trecho BC, sendo a posição do
máximo momento fletor, igual a 4,13 m medida a partir do apoio C. Resta,
agora, calcular o valor do momento máximo:

Viga (b):

1⋅ 6  1 
∑M B = 0 ⇒ VC ⋅ 6 + 2,5 ⋅ 2 ⋅1= 1,5 ⋅ 8 ⋅ 4 + ⋅  ⋅ 6  + 6 ⋅ 8 ⇒ VC = 16,17 kN
2 3 

Portanto, encontra-se M(x), caminhando-se da direita para a esquerda:

x 0,167 ⋅ x ⋅ x x
M ( x) =−1,5 ⋅ 2 ⋅ (1 + x) − 6 ⋅ (2 + x) + 16,17 ⋅ x − 1,5 ⋅ x ⋅ − ⋅
2 2 3
238 UNIUBE

A carga q' é obtida fazendo-se:

1 q'
= ⇒ q ' = 0,167 ⋅ x
6 x
M ( x) =−0, 0278 ⋅ x 3 − 0, 75 ⋅ x 2 + 7,17 ⋅ x − 15

 x ' = −21,91 m
M '( x) =−0, 0834 ⋅ x 2 − 1,5 ⋅ x + 7,17 =0 ⇒ 
 x " = 3,92 m
Portanto, tem-se:
−0, 0278 ⋅ ( 3,92 ) − 0, 75 ⋅ ( 3,92 ) + 7,17 ⋅ ( 3,92 ) − 15 =
3 2
M (x =
3,92 m) = −0, 09 kNm

Constata-se, com esse resultado, que o máximo momento fletor que
ocorre no trecho considerado é negativo, ou seja, não ocorre momento
positivo neste trecho, indicando que a tração acontece apenas em cima,
em BC.

Ou seja, a parábola do momento fletor não intercepta o eixo da viga, no
traçado do DMF, no trecho considerado.

(5ª APLICAÇÃO) Dadas as vigas do tipo gerber esquematizadas, a
seguir, (desenho sem escala), pede-se traçar os diagramas de momento
fletor e de esforço cortante para cada uma.
UNIUBE 239

Uma viga Gerber é calculada separando-se suas partes contidas entre
duas articulações ou entre uma articulação e um apoio (podendo este
estar ou não na extremidade de uma barra). Cada parte retirada da
estrutura é calculada separadamente e, após os cálculos, são levadas
para a estrutura restante as forças de reação (incógnitas) obtidas nas
interrupções entre as partes, que são feitas nas articulações.
240 UNIUBE

Neste exemplo, a viga será dividida em duas partes:

Trecho DE:

5
∑M E = 0 ⇒ RD ⋅ 5 = 5 ⋅ 5 ⋅
2
⇒ RD = 12,5 kN

∑F V =0 ⇒ RD + VE =5 ⋅ 5 ⇒ VE =12,5 kN

Trecho ABCD:

∑M A =0 ⇒ VC ⋅ 6 =20 ⋅ 3 + 5 ⋅ 5 ⋅ (3 + 2,5) + 12,5 ⋅ 8 ⇒ VC =49,58 kN

∑F V = 0 ⇒ VA + VC = 20 + 12,5 + 5 ⋅ 5 ⇒ VA = 7,92 kN

Tendo sido obtidas as forças reativas entre as partes “recortadas”, bem
com as reações de apoio em cada uma delas, prossegue-se com a
plotagem dos diagramas de momento fletor e esforço cortante para cada
parte, mas que são desenhadas conjuntamente, na linha que representa
o eixo da viga.

Doravante, não serão tão detalhados os cálculos, tendo em vista que você,
tendo estudado com afinco o que se transcorreu até aqui, estará apto a tanto.
UNIUBE 241

Havendo carga concentrada nas articulações, escolhe-se qualquer uma
das partes para que fique com a mesma.
242 UNIUBE

Viga (c):
UNIUBE 243

O cálculo desta viga é feito na seguinte ordem: tramo CDE, ABC, EFG
e GHIJ.

Trecho CDE:

∑M C = 0 ⇒ 4 RE = 5 ⋅ 2 + 2 ⋅ 4 ⋅ 2 ⇒ RE = 6,5 tf

∑F V = 0 ⇒ RC + RE = 5 + 2 ⋅ 4 ⇒ RC = 6,5 tf
M D= 6,5 ⋅ 2 − 2 ⋅ 2 ⋅1 ⇒ M D= 9 tf ⋅ m
qL2 2 ⋅ 22
CD e DE ⇒ = = 1 tf ⋅ m
8 8
Trecho ABC:

5
∑M = A 0 ⇒ 5VB= 6,5 ⋅ 7 + 10 ⋅ 2,5 + 4 ⋅ 6 + 5 ⋅
3
⇒ VB= 20,57 tf

∑ FV = 0 ⇒ VA + 20,57= 6,5 + 5 + 10 + 4 ⇒ VA = 4,93 tf
M B =−6,5 ⋅ 2 − 4 ⋅1 =17 tfm
qL2 qL2 2 ⋅ 52 2 ⋅ 52
AB ⇒ + = + = 9,38 tfm
8 16 8 16
qL2 2 ⋅ 22
BC ⇒ = =1 tfm
8 8

Trecho EFG:

∑M = 0 F ⇒ 4 RG + 6,5 ⋅ 2 = 3 ⋅ 4 + 2 ⋅ 6 ⋅1 ⇒ RG = 2, 75 tf

∑F = 0
V ⇒ VF + 2, 75= 6,5 + 3 + 2 ⋅ 6 ⇒ VF = 18, 75 tf
M F =−6,5 ⋅ 2 − 2 ⋅ 2 ⋅1 ⇒ M F =17 tfm
qL2 2 ⋅ 22
EF ⇒ = =1 tfm
8 8
qL2 2 ⋅ 42
FG ⇒ = = 4 tfm
8 8
244 UNIUBE

Trecho GHIJ:

∑M H = 0 ⇒ 6VI + 2, 75 ⋅ 2 = 2 ⋅ 8 + 2 ⋅10 ⋅ 3 ⇒ VI = 11, 75 kN

∑F = V 0 ⇒ VH + 11, 75= 2, 75 + 2 + 2 ⋅10 ⇒ VH = 13 kN
M I =−2 ⋅ 2 − 2 ⋅ 2 ⋅1 ⇒ M I =−8 kNm
M H =−2, 75 ⋅ 2 − 2 ⋅ 2 ⋅1 ⇒ M H =−9,5 kNm

qL2 2 ⋅ 22
GH e IJ ⇒ = = 1 kNm
8 8
qL2 2 ⋅ 62
HI ⇒ = =9 tfm
8 8
UNIUBE 245

Resumo

Neste capítulo, você aprendeu que um corpo deve estar em equilíbrio e
que as estruturas possuem graus de liberdade que são combatidos por
vínculos projetados para este fim, e assegurem a estabilidade da mesma.

Você compreendeu que, internamente, um elemento estrutural é
solicitado por forças e momentos, denominados esforços e cujos valores
são obtidos para qualquer seção transversal do mesmo. Porém, antes
de se calcularem, é necessário que sejam encontradas as incógnitas de
um problema, ou seja, a partir de cargas que atuam e dos vínculos que
estabilizam uma estrutura, é possível calcular as reações de apoio que
esses vínculos imprimem na estrutura.

As vigas isostáticas (simples e gerber) foram aqui o foco essencial do
estudo, e você constatou que esta segunda viga é constituída por trechos
também isostáticos que podem ser analisados separadamente, como
vigas independentes e cujos resultados compõem o comportamento
estrutural global da viga constituída por vários trechos articulados entre si.

Você aprendeu a simbologia dos vínculos que, na prática, ocorrem
em função dos conectores possíveis de serem executados para unir
as peças em concreto armado, aço, madeiras, por exemplo. São feitas
algumas simplificações para o cálculo, como a análise de estruturas
planas que, na verdade, são tridimensionais, ou ao se considerar uma
rótula (articulação) perfeita, sendo que, na realidade, ali há alguma
absorção de momento fletor. O cálculo mais próximo da realidade
pode ser modelado computacionalmente, por meio de softwares para
fins de cálculo estrutural, mas todos os calculistas que se valem dos
pacotes computacionais devem possuir a base teórica, o estudo que lhe
permita maturidade e sensibilidade para saber avaliar a consistência dos
resultados obtidos de forma automatizada.
246 UNIUBE

Espera-se que você, ao chegar até aqui, tenha se usufruído, da melhor
maneira, dos meios e processos apresentados neste capítulo, para o seu
aprendizado do conteúdo em questão, adquirindo as competências aqui
comentadas, na medida do cumprimento de cada conteúdo.

Atividades

Você, caro aluno, deverá ter a consciência de que neste importante
estudo de sua formação em Engenharia, não basta apenas a leitura!!
É imprescindível que você faça suas próprias anotações e se preocupe
em raciocinar e se questionar sempre, fazendo as paradas necessárias
ao longo do seu estudo, para que você possa prosseguir, tendo vencido
os degraus na medida em que os vai escalando. Não pule nenhum
deles, mas suba cada um, com atenção e seguindo as recomendações
propostas ao longo do capítulo!

Atividade 1

Faça um resumo sobre o conteúdo estudado. Lembre-se de que é
importante destacar todos os termos novos que você estuda neste
capítulo. Agora, faça o mesmo, para os problemas de aplicação
resolvidos, apresentando uma resolução sintética para cada um deles.

Atividade 2

Apresente a classificação completa dos elementos estruturais, segundo
suas dimensões. Nesta resposta, diferencie: placa, chapa e casca.

Atividade 3

O que é um corpo rígido? Quando ele está equilibrado?
UNIUBE 247

Atividade 4

Quais são os tipos de vinculações externas que existem em estruturas?
Responda, representando, esquematicamente, todas as possibilidades
estudadas. Para que servem os vínculos externos em uma estrutura?

Atividade 5

Quais são os tipos de vinculações internas que existem em estruturas?
Responda, representando, esquematicamente, todas as possibilidades
estudadas. Para que servem os vínculos internos em uma estrutura?

Atividade 6

O que são graus de liberdade – responda considerando uma estrutura
plana. Quais são os tipos de graus de liberdade? Explique sobre cada
um, resumidamente.

Atividade 7

Para cada estrutura esboçada a seguir, determine:

a) Grau de Estaticidade (g);

b) Grau de Deslocabilidade Interna (di);

c) Grau de Deslocabilidade Externa (de).
248 UNIUBE
UNIUBE 249
250 UNIUBE

Atividade 8

Calcule o esforço cortante e o momento fletor que solicitam a seção S da
viga, a seguir, (desenho sem escala), situada no meio do vão CD.

Informe onde ocorre tração, nesta seção, devida ao momento fletor
obtido: se na parte superior ou inferior e, também, o sentido do esforço
cortante.
UNIUBE 251

Atividade 9

Pede-se traçar o diagrama de esforço cortante para a viga esquematizada
a seguir (desenho sem escala), indicando o valor desse cortante na seção
posicionada no meio do vão central BC.

Atividade 10

Para a viga gerber esquematizada, a seguir (desenho sem escala),
pede-se traçar os diagramas de momento fletor e de esforço cortante.
252 UNIUBE

Referências
RIBBELER, R.C. Estática – Mecânica para Engenharia. 10. ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2008. 540p.

MACGREGOR, J.G. Reinforced Concrete – Mechanics & Design. 2. ed. New
Jersey: Prentice-Hall, 1992. 848p.

SORIANO, H.L.; LIMA, S.S. Análise de Estruturas – Método das Forças e Método
dos Deslocamentos. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2006.
308p.

SÜSSEKIND, J.C. Curso de Análise Estrutural – Estruturas Isostáticas, V.1, Porto
Alegre: Editora Globo, 1975. 328p.
Capítulo
Deformações em
estruturas isostáticas
4

Núbia dos Santos Saad Ferreira

Introdução
Caro aluno.

Segundo Soriano e Lima (2006), um dos principais objetivos da
análise de estruturas é relacionar as ações externas atuantes com
os resultados de suas atuações na estrutura (deslocamentos,
reações de apoio, esforços seccionais etc.), buscando identificar
eventuais deficiências de comportamento do material constituinte
e/ou de comportamento da estrutura.

Aqui, você aprenderá sobre uma importante ferramenta do cálculo
estrutural, que é o Princípio dos Trabalhos Virtuais (P.T.V.), para
o cálculo de reações de apoio, esforços seccionais e, sobretudo,
para a determinação de deslocamentos.

Os textos normativos prescrevem limites para deslocamentos em
estruturas, em função dos seus arranjos, condições de apoio e
material estrutural e, aqui, você aprenderá como, por intermédio
do P.T.V., tais deslocamentos podem ser calculados, em estruturas
isostáticas. Tal estudo será desenvolvido em função da causa que
leva uma estrutura a se deslocar (recalques de apoios, variações
térmicas, carregamentos, variações de comprimentos de barras).
254 UNIUBE

Nessa perspectiva, este capítulo é um importante passo em sua
graduação, na aquisição das competências necessárias ao cálculo
e dimensionamento estruturais, que necessitam do conhecimento
das deformações estruturais que são limitadas por prescrições
normativas.

Lembre-se de que, para obter bom êxito ao final do estudo, é
fundamental estudar o conteúdo teórico na sequência apresentada,
seguindo todos os passos e recomendações nela contidos, para
as verificações de aprendizagem. Também, serão apresentados
problemas de aplicação resolvidos, que consolidarão o estudo
teórico, e lhe permitirão visualizar, na prática, os conceitos
aprendidos.

Fique atento aos prazos! Planeje seus estudos de forma
sistemática e continuada! Nunca deixe para estudar em última
hora! Permita-se um aprendizado de qualidade, essencial ao seu
bom êxito!

Objetivos
Espera-se que, ao final dos estudos propostos, você seja capaz de:

• transformar uma estrutura isostática em uma hipostática –
cadeia cinemática;
• identificar cadeias cinemáticas e analisar suas possibilidades
de deslocamentos;
• compreender as deformações que ocorrem na seção
transversal de um elemento estrutural, em função do esforço
que a solicita;
• aplicar o princípio dos trabalhos virtuais para obtenção de
reações de apoio e de esforços em estruturas isostáticas,
analisando resultados obtidos;
UNIUBE 255

• aplicar o princípio dos trabalhos virtuais para a obtenção de
deslocamentos em estruturas, analisando resultados obtidos.

Esquema

4.1 Deslocamentos de corpos rígidos
4.1.1 Polo absoluto
4.1.2 Polo relativo
4.1.3 Propriedades das cadeias cinemáticas
4.1.4 Problemas de aplicação resolvidos – Parte I
4.2 Princípio dos trabalhos virtuais (P.T.V.) aplicado a corpos
rígidos
4.2.1 Trabalho realizado por alguns tipos de cargas
4.3 Utilização do P.T.V. para cálculo de reações de apoio e
esforços seccionais
4.3.1 Problemas de aplicação resolvidos – Parte II
4.4 Utilização do P.T.V. para cálculo de deslocamentos
4.4.1 Deslocamentos provenientes de recalques de apoio
4.4.2 Deslocamentos provenientes de variações de
comprimentos de barras
4.4.3 Deslocamentos gerados por variação de temperatura
4.4.4 Deslocamentos gerados por cargas aplicadas na
estrutura
4.4.5 Problemas de aplicação resolvidos – Parte III

4.1 Deslocamentos de corpos rígidos

Corpo rígido é todo elemento estrutural sem liberdade de
movimento interno e sem deslocamento relativo entre suas partes.
Serão estudados deslocamentos de corpos rígidos, que são
considerados infinitesimais, o que permite utilizar as simplificações
trigonométricas usuais.
256 UNIUBE

Serão tratados os casos de estruturas com apenas um grau de
liberdade, ou seja, com apenas uma possibilidade de movimento,
que se denominam hipostáticas.

Esse conjunto de elementos com possibilidades de movimento é
denominado por CADEIA CINEMÁTICA. O conhecimento destes
movimentos possui a sua aplicação na determinação de esforços
utilizando o P.T.V. (Princípio dos Trabalhos Virtuais).

Para este estudo, é necessário conhecer algumas propriedades e
características das cadeias cinemáticas.

4.1.1 Polo absoluto

É um ponto em relação à chapa (estrutura plana constituída por barras
interligadas de forma contínua, que pode ser constituída por uma ou
mais barras) em torno do qual ocorrem todos os movimentos (rotação e
translação).

É o centro instantâneo de rotação para deslocamentos infinitesimais.
Cada chapa de uma cadeia cinemática possui um polo absoluto que pode
ou não estar contido na chapa.

4.1.2 Polo relativo

É um ponto em torno do qual duas chapas apresentam o mesmo
deslocamento de translação (Figura 1):

Figura 1: Visualização de um polo relativo
O12 entre duas chapas articuladas.
UNIUBE 257

Sabe-se que esta estrutura é uma vez hipostática, constituindo, de fato,
uma cadeia cinemática, com possibilidade de movimento:

g = 3m – Ve – Vi = 3.2 – (2+1) – (2) = 1 x hipostática

4.1.3 Propriedades das cadeias cinemáticas

(1ª Propriedade) Os deslocamentos (translações) de um ponto qualquer
de uma chapa são sempre perpendiculares ao segmento de reta que une
este ponto e o polo absoluto da chapa.

Na Figura 2, é representada esta primeira propriedade. Tem-se o nó A,
contido na chapa AO, cujo polo absoluto é O, ou seja, ela gira em torno
do ponto O.

Figura 2: Visualização da translação de um nó da chapa.

O nó A, bem como qualquer nó da chapa, quando ela se movimenta,
desloca-se perpendicularmente à sua posição original, e a nova posição
do nó é denominada por A’. A posição original da chapa é a linha contínua
e a posição deslocada, a linha tracejada.

A distância entre o polo absoluto e o ponto que se está analisando, é
denominado por r e o deslocamento deste ponto é definido por v. A chapa
gira em torno do seu polo absoluto por uma rotação denominada w. Podem-se
258 UNIUBE

relacionar essas três medidas por relações trigonométricas referentes
ao triângulo retângulo que foi constituído, como apresentado a seguir.

v
tg w =
r
Pelo fato de serem pequenos os deslocamentos e os ângulos dos
giros, pode-se utilizar a seguinte simplificação tg w ≅ w, pois é
sabido que, para pequenos ângulos medidos em radianos, seu
valor coincide com o valor de sua tangente. Com isso, escreve-se:

v v
tg w = ⇒ w= ⇒ v= w ⋅ r
r r

(2ª Propriedade): os deslocamentos (translações) de um ponto da
chapa podem ser calculados para qualquer posição de interesse,
em função do giro w da chapa.

Aqui serão deduzidos os deslocamentos horizontal e vertical de um
ponto da chapa, que serão utilizados neste capítulo, para aplicação
do Princípio dos Trabalhos Virtuais.

O deslocamento real AA’ de um nó da chapa (v) pode ser
decomposto em dois deslocamentos perpendiculares entre si (v’
e v”), obtido por projeções nos eixos horizontal e vertical de (v),
conforme Figura 3.
UNIUBE 259

Figura 3: Decomposições horizontal e vertical do deslocamento v e do
comprimento r da chapa.

Tais projeções podem ser obtidas em função das projeções da distância
r, também nesses eixos, e do giro w, o que será apresentado nas
formulações seguintes. Neste cálculo, será utilizado o ângulo θ formado
entre o eixo OA e a horizontal.

v
Sabe-se que: v =w ⋅ r ⇒ w=
r
Têm-se as relações trigonométricas em seno e cosseno do ângulo θ:

r' v' r' v' v v'
cos θ = e cos θ = ⇒ = ⇒ = = w ⇒ v =' w ⋅ r '
r v r v r r'

r" v" r " v" v v" r " v" v v"
cos θ = e cos θ = ⇒ = ⇒ = v "= = w ⋅ r "⇒ =
= w⇒ ⇒ = w
r v r v r r" r v r r"

Portanto, para se obter o deslocamento do nó A da chapa, em qualquer
direção, multiplica-se o giro w da chapa pela projeção de r perpendicular
à direção relacionada a tal deslocamento. Isso está ilustrado na Figura
4, para o caso em análise, que são os deslocamentos vertical (Elástica
Vertical) e horizontal (Elástica Horizontal) do nó A.
260 UNIUBE

Figura 4: Visualização das translações vertical e horizontal do nó A.

(3ª Propriedade) O polo relativo entre duas chapas é definido como o
ponto de encontro (intersecção) entre os eixos que definem os vínculos
de forças existentes na união das duas. Na Figura 5, têm-se dois
exemplos que mostram:

a) duas chapas articuladas (rotuladas) entre si, estando esta
rótula em suas extremidades. Sabe-se que na articulação têm-se
impedidos os movimentos de translação entre as chapas que ali
se conectam. A interseção de tais vínculos corresponde ao ponto
denominado polo relativo O12 entre as chapas, ou seja, um ponto
tal que elas giram entre si, mas não podem ter deslocamentos
relativos entre si, ou seja, movem-se juntos com relação à
translação;

b) duas chapas articuladas (rotuladas) entre si, não estando esta
rótula em qualquer posição no plano. A mesma situação de (a)
ocorre, definindo-se a posição do polo relativo O12 através da
interseção dos vínculos de translação que ocorrem entre as duas
chapas interligadas.
UNIUBE 261

Figura 5: Obtenção do polo relativo entre duas chapas articuladas entre si.

Caro aluno, para que você confirme a situação de uma vez hipostática
que está sendo considerada no estudo em questão, calcule o grau de
estaticidade da estrutura esboçada pela Figura 5-a:

g = 3m – Ve – Vi = 3.4 – (2+1) – (3+3+2) = 1 x hipostática

É importante destacar que você pode considerar cada chapa dobrada
como um elemento que possua três graus de liberdade, ou seja, em vez
de contar quatro barras para o cálculo do grau de estaticidade, poderá
contar duas chapas. Os resultados serão os mesmos, obviamente.

g = 3m – Ve – Vi = 3.2 – (2+1) – (2) = 1 x hipostática

(4ª Propriedade) O polo relativo entre duas chapas está sempre alinhado
com o polo absoluto de cada uma delas.
262 UNIUBE

Havendo duas chapas (1) e (2) interligadas, tem-se que os pontos
referentes aos polos absolutos e relativos destas chapas: O1, O2 e O12
estão no mesmo alinhamento, ou seja, existe uma reta que passa por
esses três pontos, no plano das chapas, Figura 6.

Figura 6: Exemplos de definição de polos existentes entre chapas que se
interligam no plano.

Da Figura 6, temos os seguintes comentários:

a) a chapa (1) gira em torno do apoio fixo. Por isso, tem-se
neste ponto, o polo absoluto O1. Pode-se dizer que todo apoio
fixo que esteja contido em uma chapa, é seu polo absoluto. A
união articulada entre as duas chapas constitui o polo relativo
O12. Sabe-se que estarão alinhados os polos O1, O2 e O12, ou
seja, o lugar geométrico de O2 será na reta que une O1 e O12.
UNIUBE 263

Já a chapa (2) está apoiada em apoio móvel e tal apoio contém
um vínculo vertical. Com isso, sabe-se que o polo absoluto
da chapa (2) estará no alinhamento deste vínculo. Portanto,
obtém-se O2, por meio das intersecções das duas retas que
devem contê-lo;

b) as chapas (1) e (3), estando sobre apoios fixos, têm nestes
pontos, seus polos absolutos definidos. A união articulada
entre (1) e (2) constitui o polo relativo O12, e entre (2) e (3)
o polo relativo O23. Portanto, resta a você obter O2 que será
encontrado pela intersecção de duas retas que o contenham, a
saber: alinhamento com O1 e O12 e alinhamento com O3 e O23.

Calculando-se o grau de estaticidade da estrutura esboçada pela Figura
6-b, tem-se:

g = 3m – Ve – Vi = 3.3 – (2+2) – (2+2) = 1 x hipostática

(5ª Propriedade) Se uma chapa possui polo absoluto indeterminável, ou
seja, no infinito, então todos os pontos desta chapa apresentam somente
translação, com rotação nula. Na Figura 7, tem-se a representação desta
situação, na qual não se consegue obter O2, pois o encontro de duas
retas paralelas ocorre no infinito, o que significa que O2 se encontra no
infinito, ou seja, a chapa (2) não gira em torno de nenhum ponto, apenas
translada. Em Figura 7-b visualizam-se os deslocamentos das chapas.
264 UNIUBE

Figura 7: Exemplo de situação em que o polo absoluto de
uma chapa é indeterminado.

4.1.4 Problemas de aplicação resolvidos – Parte I

(1ª APLICAÇÃO) Pede-se determinar as posições deslocadas das
chapas que constituem a cadeia cinemática esquematizada a seguir
(desenho sem escala), dada a rotação horária w da chapa (1). Valha-se
das elásticas vertical e horizontal para tal representação.
UNIUBE 265

RESOLUÇÃO:

Primeiramente, definem-se as barras e os polos absolutos e relativos,
para a cadeia cinemática em análise que, como já calculado aqui, é uma
vez hipostática, como todas as que serão estudadas neste capítulo:

Antes de desenhar as elásticas vertical e horizontal, é importante que
você visualize os deslocamentos da estrutura, sem projetar, a partir do
giro dado, que é uma rotação horária w da chapa (1):

Para a obtenção das elásticas, a partir das quais é possível se obter
o deslocamento para qualquer ponto pertencente à estrutura, são
projetados nos eixos destas, os polos absolutos das três chapas:
266 UNIUBE

Perceba que, na projeção da estrutura para a representação dos
deslocamentos horizontais, ou seja, na elástica horizontal, tem-se
um trecho pontilhado, o que significa que ali não se tem projeção da
estrutura, mas é necessário ser desenhado para se projetar o polo
absoluto da chapa (2).

Atente, também, que na elástica horizontal, os polos absolutos das
chapas (1) e (3) coincidem. Isso ocorre porque tais polos estão no mesmo
alinhamento horizontal.

O próximo passo é visualizar as linhas de projeção dos polos relativos
nas elásticas traçadas, e definir as distâncias desconhecidas que se têm,
pelo fato de O2 estar fora da estrutura. Necessita-se calcular x e y, e isso
será feito empregando-se semelhança de triângulos. Acompanhe com
atenção os cálculos que se seguem.
UNIUBE 267

y 5 y 5
= ; = = 1 ⇒ ∴ x = 0,86 m (3 − x = 2,14 m) e y = 2,14 m
x 2 3− x 5

Agora, prossegue-se com o traçado das elásticas. E o ponto de partida é
o giro horário da chapa (1). Portanto, em torno de O1, nas duas elásticas,
representa-se o giro desta chapa, na extensão da mesma, ou seja, de
O1 até O12:

Dando continuidade, traçam-se as elásticas da chapa (2), a partir de O12,
passando por O2, e indo até O23. Com isso, representa-se o giro da chapa (2) e
se descobre que o mesmo é anti-horário.
268 UNIUBE

Observe que na elástica horizontal, ao se unir O2 com O12 até o limite da
chapa (2) que é o ponto O23, obteve-se a mesma posição entre O12 e O23,
ou seja, de uma extremidade à outra, a chapa (2) apresenta o mesmo
deslocamento horizontal, para a direita. A linha elástica é pontilhada
porque a projeção da chapa (2) na elástica horizontal ocorre apenas em
um ponto. A linha pontilhada corresponde a um trecho da elástica em que
não se tem projeção da estrutura.

Observe que, para ambas as elásticas, faz-se a projeção de cada chapa.
Compare das projeções das chapas (1) e (2) e verifique se você entendeu
tudo para, então, prosseguir.

Finalmente, traçam-se as elásticas da chapa (3), a partir da posição já
encontrada para um ponto conhecido da chapa, que é seu polo relativo.
Para isso, une-se O3 a O23, e constata-se que os giros das chapas (1) e
(3) são iguais.

Tendo sido traçadas as elásticas, agora restam os cálculos dos giros
de todas as chapas, em função do giro dado w para a chapa (1), e os
cálculos dos deslocamentos desconhecidos principais, que se referem
aos nós referentes aos polos relativos. A partir de tais informações, é
possível se obter o deslocamento de qualquer outro nó pertencente à
estrutura, por meio da expressão genérica que você aprendeu: v = w ⋅ r .
UNIUBE 269

Para facilitar o entendimento, denominamos os deslocamentos dos polos
relativos com as letras v1, v2 e v3 indicadas no desenho a seguir.

v = w ⋅ r ⇒ v1 = w1 ⋅ 2 = 2 w
v=
w ⋅ r ⇒ v1 =⋅
w2 0,86 ⇒ 2 w =⋅
w2 0,86 ⇒ w2 =
2,3w
v =⋅
w r ⇒ v2 = ( 2,3w ) ⋅ 2,14 ⇒ v2 =
w2 ⋅ 2,14 ⇒ v2 = 5w
v =w ⋅ r ⇒ v3 =w1 ⋅ 5 ⇒ v3 =5w
v =w ⋅ r ⇒ v3 =w3 ⋅ 5 ⇒ 5w =5w3 ⇒ w3 =w

Finalmente, representam-se nas elásticas todos os valores encontrados:
270 UNIUBE

Concluindo, nesta aplicação, sabendo-se o valor real do giro da chapa
(1), têm-se todas as elásticas da cadeia cinemática definidas, em função
desse valor.

(2ª APLICAÇÃO) Sendo dado o deslocamento vertical do ponto P (∆
para baixo), determine as posições deslocadas das chapas da estrutura
esquematizada a seguir (desenho sem escala), por meio do traçado das
elásticas vertical e horizontal

RESOLUÇÃO:

Primeiramente, definem-se as barras e os polos absolutos e relativos,
para a cadeia cinemática em análise (obs.: será utilizada a abreviatura
L.G. para a expressão lugar geométrico), da qual é importante você obter
o grau de estaticidade:

g = 3m – Ve – Vi = 3.2 – (2+1) – (2) = 1 x hipostática
UNIUBE 271

Procede-se ao traçado das elásticas, na ordem:

1. locam-se os polos absolutos;
2. representam-se os alinhamentos dos polos relativos;
3. aplica-se o deslocamento dado;
4. a partir do deslocamento dado, vão-se unindo os nós deslocados aos
polos absolutos de cada chapa, na elástica vertical (pois foi dado um
deslocamento vertical);
5. traça-se a elástica horizontal, a partir dos giros conhecidos com a
elástica vertical;
6. calculam-se os giros e deslocamentos principais que definem as
elásticas.

Com isso, obtém-se o que se segue.
272 UNIUBE

Antes de efetuar os cálculos, analise o que ocorreu com a elástica
horizontal da chapa (1). Ao se representar o giro da chapa (1), percebeu-
se que a mesma fica toda projetada em um só ponto, que é o próprio polo
absoluto que tem deslocamento nulo, pois é um ponto fixo, por definição.
Com isso, conclui-se que nenhum ponto dessa chapa se desloca na
horizontal. Por isso, sua elástica horizontal é pontilhada (poderia ser
tracejada, em desenho feito à mão, ok?).

Finalmente, calculam-se as incógnitas intervenientes:

v= w ⋅ r ⇒ ∆= w1 ⋅ 2 ⇒ w1 = 0,5∆

v= w ⋅ r ⇒ ∆= w2 ⋅ 3 ⇒ w2 = 0,33∆

v=w ⋅ r ⇒ v1 =w2 ⋅ 2 ⇒ v1 =( 0,33∆ ) ⋅ 2 ⇒ v1 =0, 66∆
UNIUBE 273

4.2 Princípios dos trabalhos virtuais (P.T.V) aplicados a
corpos rígidos

O enunciado clássico e geral do PRINCÍPIO DOS TRABALHOS
VIRTUAIS - PTV diz:

Para uma estrutura qualquer à qual se impõem deslocamentos e/ou
deformações virtuais, compatíveis com as vinculações internas e
externas, pode-se afirmar que o trabalho realizado pelas CARGAS
EXTERNAS nos seus respectivos deslocamentos é igual ao
trabalho realizado pelos ESFORÇOS INTERNOS nas respectivas
deformações dos elementos.

Em especial, tratando-se de corpos rígidos (sem deformação interna),
resulta:

Text = Tint

Como Tint = 0, para os corpos rígidos, pois não ocorrem deformações
internas nos elementos, tem-se que: Text = 0.

Seja um corpo rígido em equilíbrio, sob a ação de diversas cargas
externas – Figura 8, em que se aplicam as equações de equilíbrio da
estática plana:
 ∑ Fx = 0

 ∑ Fy = 0

 ∑ M z = 0

Figura 8: Representação de um corpo rígido no qual atuam diversos tipos de cargas.
274 UNIUBE

4.2.1 Trabalho realizado por alguns tipos de cargas

Dependendo da natureza e da forma de aplicação da carga, tem-se o
cálculo do trabalho externo realizado por cada uma delas, para seus
respectivos deslocamentos. A seguir, apresentam-se várias situações de
cargas e seus deslocamentos, bem como as expressões utilizadas para
o cálculo do trabalho realizado por elas.

Acrescenta-se que se a carga e o deslocamento tiverem mesmo
sentido, o trabalho será positivo e, em caso contrário, negativo.

(1º Caso) Carga: resultante de forças horizontais / Deslocamento:
translação horizontal u

τ ext
= ∑ F ⋅u
x

(2º Caso) Carga: resultante de forças verticais / Deslocamento: translação
vertical v

τ ext
= ∑F y ⋅v

(3º Caso) Carga: resultante de forças verticais / Deslocamento: rotação θ

τ ext
= ∑M z ⋅θ

(4º Caso) Carga: uniformemente distribuída (q) / Deslocamento:
constante (δ)

τ ext = qδ L
q ⋅ área =
UNIUBE 275

(5º Caso) Carga: uniformemente distribuída (q) / Deslocamento: linear (δ)
L
τ ext = ∫ ( q ⋅ dx ) ⋅ a
0

a δ δx
= ⇒ a=
x L L
L
δx qδ
L
qδ L
τ ext = ∫ ( q ⋅ dx ) ⋅
0
L
= ∫
L 0
x ⋅ dx =
2

De uma maneira geral, o trabalho realizado por qualquer tipo de carga
para qualquer tipo de deslocamento pode ser calculado por intermédio
da integral do produto dessas duas funções. Tais situações estão
apresentadas, na Tabela 1 (no tópico, a seguir), referentes aos casos mais
comuns de cargas (uniformemente distribuída, linear, parabólica etc.) e
seus respectivos deslocamentos (retangular, triangular, parabólico etc.).

4.3 Utilização do P.T.V. para cálculo de reações de apoio e
esforços seccionais
Uma das aplicações do P.T.V. refere-se ao cálculo de reações de apoio
(forças reativas aplicadas na estrutura por meio dos apoios externos)
e, também, obtenção do esforço que solicita algum ponto da estrutura,
como força normal, esforço cortante e momento fletor.

O procedimento é realizado, seguindo-se os passos:

inicialmente, tem-se uma estrutura isostática (g=0) para a qual se deseja
(1o)
calcular uma reação de apoio ou um esforço seccional;
é retirado um vínculo da estrutura, referente à reação de apoio ou ao
(2o) esforço desejado, transformando-a em uma cadeia cinemática com um grau
de hipoestaticidade (g=1);
(3o) representa-se na estrutura hipostática a incógnita do problema (N, V, M, ...);
(4 )
o
é aplicado um deslocamento unitário referente ao vínculo retirado;
(5o) são desenhadas as elásticas (posições deslocadas) vertical e horizontal;
através do P.T.V. (τext = τint = 0), é calculado o valor da reação de apoio ou do
(6o)
esforço desejados.
276 UNIUBE

Observe a Tabela 1:

Tabela 1: Integrais do produto de duas funções para cargas e deslocamentos usuais.
UNIUBE 277

4.3.1 Problemas de aplicação resolvidos – Parte II

(3ª APLICAÇÃO) Calcular, utilizando o P.T.V., a reação horizontal do
apoio C, da estrutura ilustrada abaixo (desenho sem escala).

RESOLUÇÃO:

Constatando a isostaticidade da estrutura dada:

g = 3m – Ve – Vi = 3.3 – (2+1+2) – (2+2) = 0 : isostática

Primeiramente, retira-se o vínculo referente à reação desejada. Para isso,
elimina-se o apoio móvel relativo ao nó C. Na cadeia cinemática obtida,
representa-se esta reação horizontal Hc (pode ser para a esquerda ou
para a direita) que é a incógnita do problema.

Considerando-se um deslocamento unitário (∆ = 1) horizontal (pode ser
para a esquerda ou para a direita) em C, são traçadas as elásticas.
278 UNIUBE

Cálculo de y:

y+2 2
= ⇒ y = 2, 0 m
4 2

Os cálculos são iniciados no ponto C, ou seja, em O23 em que se tem
conhecido o deslocamento horizontal unitário.

Na elástica horizontal, tem-se:

Na elástica vertical, tem-se:
UNIUBE 279

Redesenhando as elásticas com os valores obtidos tem-se:

Aplicando o P.T.V.: τext = τint = 0

4 m ⋅1, 0
+50 ⋅ ( w1 ⋅1 m ) + 20 ⋅ (∆ 1 m
− Hc ⋅= = ) 0
2
4 ⋅1, 0
+50 ⋅ 0,5 + 20 ⋅ − H c ⋅1= 0 ⇒ H c= 65 kN
2

Perceba os sinais do trabalho produzido: positivo se carga e
deslocamento possuem mesmo sentido, e negativo, em caso contrário.

Doravante, você pode indicar de forma direta, apresentando nas próprias
elásticas, os valores dos deslocamentos correspondentes às cargas
concentradas e demais valores a serem obtidos das elásticas, sempre
por meio da expressão genérica: v = w ⋅ r .

Observe que o resultado obtido foi positivo, para a reação de apoio HC,
significando que o sentido inicialmente considerado (para a esquerda) está
correto. Caso esta reação fosse para a direita, o resultado teria sido negativo.
280 UNIUBE

(4ª APLICAÇÃO) Calcular, utilizando o P.T.V., a reação vertical do apoio
E, da estrutura esquematizada a seguir (desenho sem escala).

RESOLUÇÃO:

Constatando a isostaticidade da estrutura dada:

g = 3m – Ve – Vi = 3.4 – (2+2+1) – (2+2+3) = 0 : isostática

Primeiramente, retira-se o vínculo referente à reação desejada. Para isso,
elimina-se o apoio móvel relativo ao nó E. Na cadeia cinemática obtida,
representa-se esta reação horizontal VE (pode ser para cima ou para
baixo) que é a incógnita do problema.

Considerando-se um deslocamento unitário (∆ = 1) vertical (pode ser para
cima ou para baixo) em E, são traçadas as elásticas.
UNIUBE 281

Cálculo de y:

4 y
= ⇒ y = 3, 0 m
4 3

Os cálculos são iniciados no ponto D, a partir do deslocamento vertical
unitário aplicado (que pode ser para cima ou para baixo).

Na elástica vertical, tem-se:

v = w ⋅ r ⇒ ∆ = w3 ⋅ 3 ⇒ 1 = w3 ⋅ 3 ⇒ w3 = 0,33

Na elástica horizontal, tem-se:

v =⋅
w r ⇒ v2 =w3 ⋅ 3 ⇒ v2 =0,33 ⋅ 3 ⇒ v2 =
1, 0
v = w ⋅ r ⇒ v2 = w1 ⋅ 3 ⇒ 1, 0 = w1 ⋅ 4 ⇒ w1 =0, 25
v = w ⋅ r ⇒ v2 = w2 ⋅ y ⇒ 1, 0 = w2 ⋅ 3 ⇒ w2 = 0,33
282 UNIUBE

Na elástica vertical, tem-se:

v=w ⋅ r ⇒ v1 =w1 ⋅ 4 ⇒ v1 =0, 25 ⋅ 4 ⇒ v1 =
1, 0

Redesenhando as elásticas com os valores obtidos, tem-se:

Aplicando o P.T.V.: τext = τint = 0

1 ⋅1 ⋅ 3m
VE ⋅ (=
∆ 1 m ) − 10 ⋅1, 0 − = 0
2
VE − 10 − 1,5 = 0 ⇒ VE = 11,5 tf
Observe que o resultado obtido foi positivo, para a reação de apoio
VE, significando que o sentido inicialmente considerado (para cima)
está correto. Caso esta reação fosse para baixo, o resultado teria sido
negativo.
UNIUBE 283

(5ª APLICAÇÃO) Calcular, utilizando o P.T.V., o momento fletor que
solicita a seção C da viga representada a seguir (desenho sem escala).

RESOLUÇÃO:

Constatando a isostaticidade da estrutura dada:

g = 3m – Ve – Vi = 3.3 – (2+1) – (3+3) = 0 : isostática (considerando
três barras) ou

g = 3m – Ve – Vi = 3.1 – (2+1) – (0) = 0 : isostática (considerando uma chapa).

De acordo com a teoria estudada, para se calcular algum esforço, deve-se
primeiramente, transformar a estrutura em uma cadeia cinemática com
um grau de hipoestaticidade, retirando da mesma o vínculo relativo ao
esforço desejado, na seção de interesse.

Portanto, neste exercício, a seção C será rotulada, ou seja, em vez de
ser contínua, apresentando os três vínculos (duas forças e um momento),
será articulada, apresentando dois vínculos (duas forças).

Deve-se aplicar um deslocamento unitário referente ao vínculo retirado,
ou seja, será imposto um giro unitário (θ = 1) na seção C, como será
visto no traçado das elásticas. Além disso, será representado nesta
seção o esforço desejado, que é o momento MC (cujo sentido pode ser
tracionando embaixo ou em cima da viga).
284 UNIUBE

Observa-se que, para o caso de vigas horizontais, não existe a elástica
horizontal, pois a viga possui apenas deslocamentos verticais. Traçando-
se a elástica vertical, tem-se:

Sendo o nó C a união de duas chapas: (1) e (2), o giro unitário aplicado
neste será a soma dos giros de tais chapas (w1 + w2 = 1). Caso o nó
contivesse a extremidade de apenas uma barra, essa barra teria giro
unitário (w1 = 1).

Chama-se a atenção para o fato de que o nó que foi articulado possui
um deslocamento, que não se conhece inicialmente, pois o dado inicial
é o giro unitário.

 w1 + w2 =1
 ⇒ w1 =w2 =0,5
v = w ⋅ r ⇒ v2 = w1 ⋅ 3 = w2 ⋅ 3 ⇒ w1 = w2
v=w ⋅ r ⇒ v1 =w1 ⋅ 2 ⇒ v1 =0,5 ⋅ 2 ⇒ v1 =
1, 0
v =⋅
w r ⇒ v2 =w1 ⋅ 3 ⇒ v2 =0,5 ⋅ 3 ⇒ v2 =
1,5
UNIUBE 285

Redesenhando a elástica com os valores obtidos, tem-se:

Aplicando o P.T.V.: τext = τint = 0

10 ⋅ 3 ⋅1,5 10 ⋅ 3 ⋅1,5
−20 ⋅1, 0 + + − M C ⋅ w1 − M C ⋅ w2 =
0
2 2
25 − M C ⋅ (0,5) − M C ⋅ (0,5) = 0 ⇒ M C = 25 kNm

(6ª APLICAÇÃO) Utilizando o P.T.V., calcule o momento fletor que solicita
a seção D do pórtico esquematizado a seguir (desenho sem escala).
286 UNIUBE

Conclui-se que, ao se procurarem os polos absolutos das chapas (1) e
(2), tais chapas não giram, pois tais pontos são indeterminados por se
encontrarem no infinito.

A sequência desse raciocínio é: o lugar geométrico de O2 é no
alinhamento de O3 e de O23 e no alinhamento do vínculo relacionado
ao apoio móvel no qual a chapa (2) se descarrega. Sendo tais retas
paralelas, conclui-se que O2 está no infinito e, por isso, tal chapa não
gira, apenas translada.

Quanto à chapa (1), o seu polo absoluto deverá estar no alinhamento
de O12 e O2, só que este último está no infinito e, portanto, O1 também
estará no infinito, significando que a chapa (1) também não sofre rotação,
apenas translações. Tem-se, portanto que: w1 = 0 e w2 = 0. Vendo na
estrutura os apoios dessas chapas, percebe-se que as mesmas terão
movimento de translação horizontal.

Sabe-se que no nó articulado D, a rotação unitária imposta corresponderá
à soma das rotações das duas chapas que chegam neste nó: w2 + w3 =
1. Sendo w2 = 0, conclui-se que w3 = 1.

No traçado das elásticas, será verificado que não existirá a elástica
vertical, pois, nesta, seriam projetados apenas os polos O3 e O23, pois
UNIUBE 287

para as chapas (1) e (2) não se têm os polos absolutos determinados.
Com isso, conclui-se que a chapa (3) não possui deslocamentos verticais
o que é óbvio, pois é uma barra vertical apoiada em apoio fixo que não a
permite subir ou descer, apenas girar, transladando na horizontal.

Portanto, traçando-se a elástica horizontal, a partir de w3 = 1 calculado
(que pode ser horário ou anti-horário), tem-se:

{ w2 + w3 = 0 e w2 = 0 ⇒ w3 = 1
v=
w ⋅ r ⇒ v1 =
w3 ⋅ 3 ⇒ v1 =
1 ⋅ 3 ⇒ v1 =
3, 0

Aplicando o P.T.V.: τext = τint = 0

3m ⋅ 30 ⋅ 3
− + M D ⋅ w3 = 0 ⇒ M D = 45 kNm
6

Obs.: os trabalhos das cargas concentradas e uniformemente distribuídas
são nulos, pois não existem deslocamentos em suas direções. A
expressão para o cálculo do trabalho realizado pela carga triangular sobre
a área triangular é obtida da Tabela 1.

4.4 Utilização do P.T.V. para cálculo de deslocamentos

O Princípio dos Trabalhos Virtuais também pode ser empregado para o
cálculo de deslocamentos provenientes de diversas situações:
288 UNIUBE

1. recalques de apoio;
2. variações de comprimentos de barras;
3. variação de temperatura;
4. cargas aplicadas na estrutura (concentrada, uniformemente
distribuída etc.).

Para o cálculo de deslocamentos nodais, a estrutura não será
transformada em uma cadeia cinemática, como o foi para se encontrar
reações de apoio e esforços seccionais.

O P.T.V. para o qual se tem τext = τint será utilizado, considerando-se duas
estruturas para a análise, denominadas:

1. estado de deslocamento – estrutura dada com: recalques
de apoio, variações de comprimentos das barras, variação de
temperatura e cargas aplicadas;
2. estado de carregamento – estrutura com uma carga aplicada
relacionada ao deslocamento que se deseja: F = 1 (para se
conhecer algum deslocamento de translação) ou M = 1 (para se
conhecer algum giro).

O P.T.V. é assim aplicado (vide Figura 8):

1. deseja-se conhecer o deslocamento real δ (que pode ser
relacionado à translação ou ao giro) que ocorre em uma estrutura
dada, sob uma das situações (recalque, carga etc.). Este é
denominado Estado de deslocamento;
2. aplica-se na estrutura uma força unitária F = 1 (força virtual) na
direção de δ (no caso do giro, aplica-se M = 1). Este é denominado
Estado de carregamento;
3. equaciona-se:
τ ext= τ int ⇒ F ⋅ =
δ esforços int ernos virtuais × deslocamentos int ernos reais

δ = esforços int ernos virtuais × deslocamentos int ernos reais
UNIUBE 289

Observe a Figura 9:

Figura 9: Esquema da aplicação do P.T.V. para cálculo de deslocamentos.

4.4.1 Deslocamentos provenientes de recalques de apoio

Para estruturas isostáticas, a existência de recalques de apoio não
introduz esforços internos e, consequentemente, deformações, ou seja,
os deslocamentos internos reais são nulos. Desta forma, não haverá
trabalho interno, ou seja:

τext = τint = 0

Nessa situação de recalque, ao se calcular o trabalho externo, além da
força unitária virtual multiplicada pelo deslocamento real desejado,
haverá a reação de apoio virtual que esta força unitária causa,
multiplicada pelo recalque real.

Vide exemplo de cálculo na (7ª APLICAÇÃO) no item 11. Problemas de
Aplicação Resolvidos – Parte III.

4.4.2 Deslocamentos provenientes de variações de comprimentos
de barras

O PTV permite o cálculo de deslocamentos em estruturas cujas barras
sofreram variações de comprimentos causadas, por exemplo, por defeitos
de fabricação.
290 UNIUBE

Considerando-se a aplicação para o caso de treliça, o deslocamento
é resultado da multiplicação das forças normais em cada barra pela
correspondente variação de comprimento, pois:

m
τ ext = 1⋅ δ e τ int = ∑ N ⋅∆
i =1
i i

m
τ ext τ int
= δ
⇒= ∑ N ⋅∆
i =1
i i

Ou seja, o deslocamento nodal é obtido pela expressão:

m
=δ ∑ N ⋅∆
i =1
i i

Portanto, nessa situação de variação de comprimentos de barras,
tem-se como trabalho externo o produto da carga unitária virtual pelo
deslocamento real desejado δ (que pode ser de translação ou rotação).

E o trabalho interno é obtido pelo somatório dos esforços normais
virtuais (Ni) que surgem pela aplicação da carga unitária virtual pelas
respectivas variações de comprimento reais (∆i).

Vide exemplo na (8ª APLICAÇÃO) no item Problemas de Aplicação
Resolvidos – Parte III.

4.4.3 Deslocamentos gerados por variação de temperatura

Uma barra de comprimento L submetida a uma variação de temperatura
∆T, tendo coeficiente de dilatação térmica linear α, sofrerá uma variação
de comprimento ∆L dada por:
∆L = α ⋅ ∆T ⋅ L
UNIUBE 291

As deformações causadas pela variação de temperatura podem ser
lineares ou angulares.

Supondo um elemento estrutural (por exemplo, com altura da seção
transversal igual a h) de comprimento infinitesimal dx submetido a uma
variação de temperatura diferente para cada uma de suas faces (∆T1 e
∆T2), tem-se suas deformações ocasionadas por esta variação térmica,
apresentadas na Figura 9 e equacionadas em seguida.

Figura 9: Visualização das deformações ocorridas
em um trecho de viga sob variação térmica.

δ1= α ⋅ ∆T1 ⋅ dx
∆L = α ⋅ ∆T ⋅ L ⇒ 
δ 2= α ⋅ ∆T2 ⋅ dx

=du
δ1 + δ 2
=
(α ⋅ ∆T1 ⋅ dx ) + (α ⋅ ∆T=
2 ⋅ dx ) α ( ∆T1 + ∆T2 ) dx
2 2 2

=du
δ 2 − δ1
=
(α ⋅ ∆T2 ⋅ dx ) − (α ⋅ ∆T=
1 ⋅ dx ) α ( ∆T2 − ∆T1 ) dx
h h h
Observe a Figura 10:

Figura 10: Visualização dos esforços
no trecho infinitesimal da viga sob variação térmica.
292 UNIUBE

Dessa forma, têm-se, pelo PTV, que τext = τint , sendo:

- o trabalho externo (τext) realizado pela carga unitária virtual
imposta ao nó cujo deslocamento real necessita ser obtido:

τ ext = 1⋅ δ

- os trabalhos internos (τint) realizados pelos esforços virtuais
que surgem na estrutura, pela aplicação da carga virtual unitária
(NC e MC: índice c devido ao Estado de Carregamento Virtual).
Seu valor é obtido pelo somatório de tais esforços virtuais pelos
correspondentes deslocamentos térmicos reais:

α ( ∆T1 + ∆T2 ) α ( ∆T2 − ∆T1 )
τ int=
est
∫N C ⋅ du + ∫M
est
C ⋅ dφ=
2 ∫
est
N C ⋅ dx +
h ∫ M C ⋅ dx
est

Igualando-se τext = τint, tem-se que o deslocamento é obtido pela
expressão:
α ( ∆T1 + ∆T2 ) α ( ∆T2 − ∆T1 )
δ= ∫N
est
C ⋅ du + ∫M
est
C ⋅ dφ=
2 ∫
est
N C ⋅ dx +
h ∫ M C ⋅ dx
est

Vide exemplo na (9ª APLICAÇÃO) no item Problemas de
Aplicação Resolvidos – Parte III.

4.4.4 Deslocamentos gerados por cargas aplicadas na estrutura

Esta situação é a mais comum, pois qualquer estrutura está submetida a
alguma carga, no mínimo, proveniente do seu próprio peso.

Genericamente, a expressão que fornece o deslocamento é igual a já
conhecida e aplicada aos demais casos:

τext = 1 ⋅ δ

=
τint ∫ N du + ∫ M dφ + ∫ V dv
est
c
est
c
est
c
UNIUBE 293

Ou seja, o deslocamento nodal é obtido pela expressão:

=δ ∫ N du + ∫ M dφ + ∫ V dv
est
c
est
c
est
c

em que:
dφ : deformação angular da seção transversal;
du : deformação axial da seção transversal;
dv : deformação transversal da seção transversal.

As deformações diferenciais dϕ, du e dv podem ser visualizadas na
Figura 11 e é necessário que sejam escritas em função do diferencial dx
relacionado ao comprimento da viga, bem como em função de cada um
dos esforços a eles correspondentes. Isso pode ser demonstrado pela
Teoria da Elasticidade, e aqui será apresentada a obtenção da expressão
de du, como apresentado, na Figura 11, a seguir.

Figura 11: Visualização das deformações diferenciais que ocorrem
na seção transversal da viga.

• Deformação infinitesimal du devida ao esforço normal N:

N ∆L du N
Lei de Hooke ⇒ σ= E ⋅ ε ⇒
LeideHooke = E⋅ = E⋅ ⇒ du= dx
A L dx EA
De forma análoga, obtém-se:

M
Deformação infinitesimal dϕ devida ao momento fletor M: dφ = dx .
EI
294 UNIUBE

kV
Deformação infinitesimal dv devida ao esforço cortante V: dv = dx .
GA
Lembre-se, de Resistência dos Materiais, que:

E : módulo de elasticidade longitudinal do material de que é
composta a viga;
G : módulo de elasticidade transversal do material de que é
composta a viga;
k : coeficiente de forma da seção transversal da viga.

Substituindo du , dϕ e dv na expressão de δ obtém-se:

N c .N M c .M kVc .V
=δ ∫ EA
est
dx + ∫ EI
est
dx + ∫ GA dx
est

Considerando os casos usuais de estruturas, o componente de
deslocamento devido à força cortante é desprezível.

Para os casos de pórticos onde existem barras com M, N e V, considera-
se apenas a componente associada ao momento fletor, que é largamente
preponderante com relação à deformação, que os demais esforços.
Portanto, a expressão inicial para vigas e pórticos, normalmente resume-se a:

N c .N
δ =∫ dx
est
EA

Em barras onde exista apenas esforço axial, logicamente será
considerada apenas a parcela relacionada com a força normal. Este é o
caso das treliças para as quais, tem-se apenas:
UNIUBE 295

N c .N
δ =∫ dx
est
EA

E, ainda, sendo as forças normais constantes para cada barra, a integral
pode ser transformada em um somatório, cujo contador é a quantidade
de barras da treliça:

m
N ci .N i
δ =∑ Li
i =1 Ei Ai

Vide exemplo na (10ª e 11ª APLICAÇÕES) no item 11. Problemas de
Aplicação Resolvidos – Parte III.

4.4.5 Problemas de aplicação resolvidos – Parte III

(7ª APLICAÇÃO) Utilizando o P.T.V., calcule o deslocamento vertical do
nó A, por ocasião do recalque de 1,5 cm (vertical e para baixo) ocorrido
no apoio D da estrutura a seguir (desenho sem escala).
296 UNIUBE

RESOLUÇÃO:

Para o cálculo do deslocamento vertical real do nó A, será aplicada uma
força vertical unitária em A para baixo (poderia ser para cima). Esta
força virtual gerará reação de apoio (VD) virtual no apoio E cujo trabalho
externo é calculado pelo produto desta pelo recalque respectivo. Assim,
é equacionado o trabalho externo.

No caso de recalque, não ocorrem esforços, deslocamentos ou
deformações internas para o caso de estruturas isostáticas. Por isso, o
trabalho interno será nulo e embaixo. Desta forma, equaciona-se:

τext = τint ⇒ F ⋅ δ + VD ⋅ recalque = 0

Estado de Deslocamento (REAL):

Estado de Carregamento (VIRTUAL):
UNIUBE 297

Pelas equações de equilíbrio e estudo de pórticos planos, calculam-se
as reações de apoio virtuais, geradas na estrutura a partir da aplicação
da força unitária virtual no ponto A.

∑M = 0 ⇒ 5⋅ H = 0 ⇒ H = 0
B(embaixo) D D

∑ F =0 ⇒ H =H =0
H C D

∑ M =0 ⇒ 8 ⋅ V =⋅
C 1 10 ⇒ V =
D 1, 25 D

∑F =
V 0 ⇒ V + V =⇒ 1 C V =
1 − 1, 25 =
D −0, 25
C

O sinal negativo encontrado para VC indica que essa reação de apoio é
para baixo.

Portanto, tem-se:

τext
= τint ⇒ F ⋅ δ A + VD ⋅ recalque
= 0 ⇒ 1 ⋅ δ A − 1, 25 ⋅1,5
= 0 ⇒ δ=
A 1,88 cm

(8ª APLICAÇÃO) Utilizando o P.T.V., calcule o deslocamento vertical do
nó B para a treliça esquematizada a seguir (desenho sem escala), que foi
construída com as barras AB, BD e BC tendo comprimentos de 5 mm, 6
mm e 8 mm, respectivamente, maiores que os comprimentos projetados.
298 UNIUBE

RESOLUÇÃO:

Estado de Deslocamento (REAL):

Estado de Carregamento (VIRTUAL):

O cálculo dos esforços normais que solicitam as barras de uma treliça
pode ser realizado por equilíbrio de forças na horizontal e na vertical para
cada nó.

Nesse exemplo, são três os normais necessários, para o Estado de
Carregamento, tendo em vista que apenas três barras apresentam
variação de seus comprimentos.

Fazendo o equilíbrio do nó B, tem-se:
UNIUBE 299

 1,5 
=α arctg
=   26,56
o

 3 
∑F x =0 ⇒ N BA ⋅ COS ( α ) =N BD ⋅ COS ( α ) ⇒ N BA =N BD
1
∑ F=y 0 ⇒ N BA ⋅ sen ( α ) + N BD ⋅ sen ( α ) + 1= 0 ⇒ N BA= N BD=
2 ⋅ senα
= −1,12 kN

O sinal negativo encontrado significa que os esforços normais possuem
sentido diferente do esboçado, ou seja, são de compressão. Sendo
assim, o trabalho realizado por eles será negativo, pois as barras
correspondentes tiveram seus comprimentos aumentados. Caso fossem
de tração, o trabalho seria positivo.

Portanto, tem-se:
m
τext = τint ⇒ F ⋅ δB = ∑ N ⋅∆
i =1
i i

m
1 ⋅ δB =∑ N i ⋅ ∆ i ⇒ δB =−1,12 ⋅ 5mm − 1,12 ⋅ 6mm + 0 ⋅ 8mm ⇒ δ B =−12,3 mm
i =1

O sinal negativo obtido para o deslocamento vertical do nó B indica que
é contrário ao sentido indicado no Estado de Deslocamento, ou seja, por
ocasião das variações de comprimentos das barras; tal nó apresenta um
deslocamento vertical, para cima, de 12,3 mm.

(9ª APLICAÇÃO) Utilizando o P.T.V., calcule o deslocamento vertical
do nó A para a viga esquematizada a seguir (desenho sem escala),
que apresenta as variações de temperatura indicadas, tanto em sua parte
superior como em sua parte inferior. Dado: coeficiente de dilatação térmica
300 UNIUBE

linear do material da viga: α= 1, 0 ×10−5 o C−1 e altura da seção transversal
da viga: 0,35 m.

Na situação com variação de temperatura, tem-se como trabalho externo
a força concentrada unitária virtual multiplicada pelo deslocamento real
que se deseja calcular.

E os trabalhos internos serão obtidos através das formulações vistas para
a situação em apreço, em que os esforços virtuais que surgem na viga
a partir da carga unitária virtual são multiplicados pelos deslocamentos
reais oriundos das variações térmicas.
UNIUBE 301

Isso é assim expresso:

α ( ∆T1 + ∆T2 ) α ( ∆T2 − ∆T1 )
=δA
2 ∫ C
est
N ⋅ dx +
h ∫ M C ⋅ dx
est

No caso desta viga, não existem esforços normais no Estado de
Carregamento e, por isso, tal expressão se reduz para:

α ( ∆T2 − ∆T1 )
=δA
h ∫est M C ⋅ dx
Resta, então, obter o diagrama de momentos fletores para o Estado de
Carregamento.

No trecho CD, não se tem carga alguma, e os momentos fletores tanto
em C como em D são nulos. Por isso, o DMF nesse trecho não existe.

Já no trecho ABC, ao se caminhar da esquerda para a direita, obtém-se
o momento em B:

MB = 1 x 2m = 2

O momento em A é nulo, pois é extremidade de balanço sem momento
concentrado e em C também é nulo, pois se trata de uma articulação.
302 UNIUBE

Portanto, o DMF é obtido unindo-se o valor obtido em B com os valores
nulos de A e C:

α ( ∆T2 − ∆T1 )
δA
h ∫ M C ⋅ dx
est

1, 0 ×10−5 ( −30 − 10 )  6 ⋅ ( −2 ) 
δ=
A ⋅  ⇒ δ=
A 6,86 ×10−3 m ≅ 7 mm
0,35  2 

Atente-se pela integral do momento no comprimento ABC. A integral de
uma função é a área sob a curva da mesma, que, no caso, refere-se a
um triângulo. A altura do triângulo é negativa, porque o momento fletor
utilizado nas deduções tracionava a viga embaixo e, neste exemplo, ele
traciona em cima. Como a convenção é sempre esta: tração embaixo
positiva e tração em cima negativa, basta que considere esta notação
para o sinal do momento fletor.

Outra observação é com relação às variações de temperatura ∆T1 e ∆T2.
Pelo fato de ter sido considerada a variação ∆T2 para a parte inferior
da viga, nas deduções, quando da resolução de algum exercício, você
deverá assumir também esta convenção.

(10ª APLICAÇÃO) Utilizando o P.T.V., calcule o deslocamento vertical do
nó 3 da treliça, esquematizada a seguir (desenho sem escala). Dados:
módulo de elasticidade longitudinal e área da seção transversal das
barras: =E 2,1×105 kN / cm 2 e A = 4 cm 2 .
UNIUBE 303
304 UNIUBE

Estado de Carregamento (VIRTUAL):

Viu-se na teoria que, quando se trata de uma treliça na qual são aplicadas
cargas, o deslocamento em um nó é obtido pela seguinte expressão:
m
N ci .N i
δ =∑ Li
i =1 Ei Ai
Nessas aplicações, você necessita entender bem a razão dessas
expressões! Quando das resoluções dos exercícios posteriores, pode-se
fazer direto, empregando as expressões de δ. Mas, é imprescindível que
você tenha o entendimento teórico.

Como foi feito nas demais aplicações, entenda que o P.T.V. no caso
de treliças é assim aplicado: aplica-se uma carga unitária virtual (F =
1) no nó e na direção do deslocamento real desejado (δ). O produto
destas duas grandezas constituirá o trabalho externo que será igualado
ao trabalho interno.
UNIUBE 305

O trabalho interno será obtido pelo produto dos esforços normais
virtuais que surgem nas barras por ocasião da aplicação da carga
virtual unitária, no Estado de Carregamento (Nc) pelos respectivos
deslocamentos reais dessas barras, oriundos das cargas dadas
(equacionados pela Lei de Hooke em função de E, A, L e N).

Portanto, para se conhecer o deslocamento vertical do nó 3 da treliça
dada, que possui E e a A iguais para todas as barras, utiliza-se:

11
N ci .N i 1 11
δ=
3 ∑ E
i 1= A
L=
i
EA
⋅ ∑ N ci .N i ⋅ Li
i 1
i i

Ou seja, restam os cálculos dos comprimentos das onze barras da treliça
e dos respectivos esforços normais que atuam em cada barra, para cada
um dos Estados, de Deslocamento (N) e de Carregamento (Nc).

RELEMBRANDO

Uma das formas de se calcular esforços normais em barras de treliças é
fazendo o equilíbrio de forças horizontais e verticais em cada um deles. Para
esta aplicação, tais valores estão mostrados na tabela a seguir.

N
L Nc
Barra (Est. de Nc.N.L
(m) (Est. de Carreg.)
Desloc.)
1-2 1,5 -19,5 - 0,5 14,62
1-3 2,0 -6,0 - 0,66 7,92
1-4 2,5 7,5 0,83 15,56
3-4 1,5 -15,0 -1,0 22,50
3-5 2,0 -6,0 - 0,66 7,92
4-5 2,5 17,5 0,83 36,31
4-6 2,0 0 0 0
5-6 1,5 -25,5 -0,5 19,12
4-7 2,83 0 0 0
6-7 2,0 -25,5 -0,5 25,50
2-4 2,0 8,0 0 0
Σ: 149,45
306 UNIUBE

Tem-se, também, os valores das reações de apoio calculadas para cada

Estado de:
Deslocamento: V2 = 19,5 kN V7 = 25,5 kN H2 = 8,0 kN
Carregamento: V2 = 0,5 kN V7 = 0,5 kN H2 = 0 kN

Portanto, o deslocamento no nó 3 será:

1
δ=
3 = 1, 78 ×10−4 m ≅ 0, 2 mm
⋅149, 45
2,1×10 ⋅ 4
5

(11ª APLICAÇÃO) Utilizando o P.T.V., calcule o deslocamento vertical
do ponto B para a viga esquematizada a seguir (desenho sem escala).
Dados: E ⋅ I= 3, 0 ×104 kN ⋅ m 2 .
UNIUBE 307

Estado de Carregamento (VIRTUAL):

Esta última aplicação contempla o caso em que se tem uma viga ou um
pórtico carregados. Neste caso, os deslocamentos provenientes dos
esforços cortantes e normais são desprezíveis perante os decorrentes
dos momentos fletores. Portanto, sabe-se que, neste caso, a expressão
para o cálculo de deslocamento resume-se a:

M c .M
δ =∫ dx
est
EI

Apenas para se fixar a teoria, tal expressão diz o seguinte: o trabalho
externo realizado pela força unitária virtual (F = 1) através do produto
dessa pelo deslocamento real desejado (δ) é igual ao trabalho interno
realizado pelos momentos fletores virtuais (Mc) decorrentes do Estado
de Carregamento, ou seja, da atuação da força virtual unitária aplicada,
calculados pelo produto desses pelos respectivos deslocamentos
reais advindos das cargas que estão aplicadas na estrutura. Tais
deslocamentos reais são deduzidos a partir dos momentos fletores reais
M bem como de E e I (módulo de elasticidade longitudinal e inércia da
seção transversal).
308 UNIUBE

Neste exercício, a expressão para a obtenção do deslocamento do nó
B é:

1
=δB ∫ M c .M ⋅ dx
EI est

Restam, portanto, os traçados dos diagramas de fletores referentes aos
dois estados, cujos produtos indicados na integral são obtidos através
da Tabela 1 constante neste capítulo.

RELEMBRANDO

Para se obter os diagramas de momentos fletores, primeiramente, calculam-
se as reações de apoio, por meio das equações de equilíbrio da estática
(momento em algum ponto igual a zero, somatório de forças horizontais e
verticais igual a zero).

A partir disso, obtêm-se os valores dos momentos fletores em cada
nó, e unem-se seus valores por linha cheia ou por linha tracejada,
caso se tenha carga uniformemente distribuída (com “flecha” no meio
do diagrama de qL2/8), ou caso se tenha carga linearmente distribuída
(com “flecha” no meio do diagrama de qL2/16). Lembrou-se? Portanto,
aqui serão apresentados os resultados de tais cálculos e o traçado dos
diagramas, para que seja aplicado o P.T.V. e calculado o deslocamento
desejado do nó B.
UNIUBE 309
310 UNIUBE

Faz-se, em seguida, o produto dos diagramas em cada trecho, por meio
das expressões constantes na Tabela 1 deste capítulo, observando-se
que, caso o diagrama esteja abaixo do eixo da viga, o momento fletor
é positivo e caso contrário, negativo. Percebe-se que, nesta aplicação,
todos os momentos são positivos, o que implica que todos os trabalhos
calculados serão também positivos.

Antes de prosseguir, detalham-se as áreas a serem multiplicadas em
cada caso, para depois você acompanhar os cálculos:

TRECHO AB: triângulo x triângulo

TRECHO BC: trapézio x trapézio + setor parabólico x trapézio

TRECHO CD: triângulo x triângulo + setor parabólico x triângulo

Observe que, caso o diagrama seja constituído por mais de uma figura
geométrica, o mesmo será dividido em dois, por exemplo. A partir dessas
correlações de áreas, escrevem-se as multiplicações das mesmas, com
base na Tabela 1 – vide a mesma.

1 1  5 ⋅ 2,5 ⋅ 66, 25 2
=δB ∫ M=
c .M ⋅ dx  + 66, 25 ( 2 ⋅ 2,5 + 1,5 ) + 78, 75 ( 2,5 + ( 2 ⋅1,5 ) )  +
EI est EI  3 6

2 3 ⋅1,5 ⋅ 78, 75 3 ⋅1,5 ⋅ 7,875 
+ ⋅ 3,5 ( 2,5 + 1,5 )  + + =
3 3 3 
703, 23 703, 23
δ=
B = ⇒ δ=
B 2,34 ×10−2 m ≅ 2,3 cm
EI 30000
UNIUBE 311

Atividades

Atividade 1

Utilizando o P.T.V., obtenha o valor do momento fletor que solicita a seção S,
para a viga esquematizada a seguir (desenho sem escala) informando se este
traciona a viga em cima ou embaixo.

Atividade 2

Utilizando o P.T.V., obtenha o valor da reação de apoio vertical no ponto B, para
a viga esquematizada a seguir (desenho sem escala).

Atividade 3

Utilizando o P.T.V., obtenha o valor do momento fletor que solicita a
seção S, para o pórtico esquematizado a seguir (desenho sem escala)
informando se ocorre tração embaixo ou em cima, nesta seção.
312 UNIUBE

Atividade 4

Calcular, utilizando o P.T.V., o deslocamento vertical do nó B da estrutura
esquematizada a seguir (desenho sem escala), sendo EI = 16800 kN.m2.

Atividade 5

Calcular, utilizando o P.T.V., o deslocamento vertical do nó C do pórtico
esquematizado a seguir (desenho sem escala), sendo EI = 19400 kN.m2.
UNIUBE 313

Resumo
Prezado aluno, neste capítulo, vimos sobre os fundamentos e aplicações
de um importante princípio físico-mecânico utilizado em cálculos
estruturais, para obtenção de deslocamentos, esforços e reações de
apoio. Trata-se do Princípio dos Trabalhos Virtuais – P.T.V.

Além disso, você pôde perceber como, tendo uma estrutura isostática,
torná-la uma vez hipostática (cadeia cinemática com um movimento livre)
para, a partir disso, traçar suas elásticas vertical e horizontal. A partir das
elásticas, pôde, ainda, entender como equacionar os trabalhos realizados
pelas cargas externas e pela incógnita desejada (reação de apoio ou
esforço seccional) para, finalmente, obter tal incógnita.

Por outro lado, estando uma estrutura isostática em uma das seguintes
situações: sob a atuação de cargas externas, com recalques de apoio,
sob variações térmicas ou de comprimentos de barras, vimos como
conceber uma estrutura virtual, para cada caso desses, e equacionar
os trabalhos, em busca de deslocamentos ocorridos em nós estruturais.
314 UNIUBE

Nessa perspectiva, esperamos que você tenha usufruído, da melhor
maneira, dos meios e processos apresentados neste capítulo, para o
aprendizado acerca das deformações ocorridas em estruturas isostáticas.

Referências

HIBBELER, R.C. Estática–mecânica para engenharia. 10. ed. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2008. 540p.

SORIANO, H.L.; LIMA, S.S. Análise de estruturas – método
das forças e método dos deslocamentos. 2. ed. Rio de
Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2006. 308p.

SÜSSEKIND, J.C. Curso de análise estrutural – deformações em estruturas,
método das forças. 10. ed. V. 2, Porto Alegre: Editora Globo, 1993. 310p.
Capítulo Lajes maciças de edifícios
5 – cálculo, dimensionamento
e detalhamento

Núbia dos Santos Saad Ferreira

Introdução
Neste capítulo, você aprenderá sobre os cálculos e limitações
de flechas, e sobre a representação gráfica das armaduras no
concreto, ou seja, o detalhamento da armadura.

Aqui, o material estrutural é o concreto armado. Portanto, todo o
estudo relacionado ao dimensionamento e ao detalhamento está
fundamentado na norma brasileira NBR 6118:2003 – Projeto de
Estruturas de Concreto − Procedimento (ABNT, 2003).

O estudo deste capítulo lhe permitirá conhecer sobre o cálculo, o
dimensionamento e o detalhamento de lajes maciças utilizadas
em edificações, constituídas de concreto armado.

Ser-lhe-ão apresentados: as características das lajes maciças, as
considerações de carregamento normatizadas, os procedimentos
para o cálculo (em função de sua situação estrutural, tanto no
que se refere às condições de apoio dos seus bordos, como
com relação à disposição da armadura: lajes armadas em uma
direção ou em duas direções) e as prescrições normativas para
seu dimensionamento.
316 UNIUBE

Serão, também, propostos e resolvidos alguns problemas de
aplicação. Tais resoluções consolidam o estudo teórico e permitem
a você visualizar na prática, os conceitos aprendidos.

Lembre-se que para que você obtenha um bom êxito nestes
estudos e atinja os objetivos descritos a seguir, é fundamental
dedicar-se ao conteúdo, na sequência apresentada, seguindo
todos os passos e recomendações propostos.

Objetivos

Prezado aluno, espera-se que, ao final dos estudos propostos, você
seja capaz de:

• aplicar conhecimentos matemáticos, científicos e tecnológicos
em problemas de engenharia, envolvendo estruturas de concreto
armado;
• calcular, dimensionar e detalhar lajes maciças de concreto armado,
conforme recomendações da norma brasileira NBR 6118:2003
(ABNT, 2003).

Esquema

5.1 Generalidades
5.2 Tipos de lajes
5.2.1 Quanto à constituição
5.2.2 Quanto aos apoios
5.2.3 Quanto aos esforços
5.2.4 Quanto à situação no painel estrutural
5.3 Comportamento estrutural
5.4 Análises para escolha do tipo de laje
5.4.1 Lajes maciças comuns
5.4.2 Lajes maciças tipo cogumelo
5.4.3 Lajes nervuradas em duas direções
UNIUBE 317

5.4.4 Lajes nervuradas em uma direção
5.5 Geometria da seção transversal das lajes
5.5.1 Lajes maciças
5.5.2 Lajes nervuradas e mistas
5.6 Restrições normativas para a geometria
5.6.1 Espessura mínima
5.6.2 Parâmetros Internos das lajes nervuradas e mistas
5.7 Vãos das lajes
5.7.1 Problema de aplicação resolvido
5.8 Condições de apoio das lajes
5.9 Carregamento das lajes de edifícios
5.9.1 Ações permanentes mais comuns
5.9.2 Ações variáveis normais
5.9.3 Ações variáveis normais complementares
5.10 Cálculo dos esforços em lajes maciças isoladas
5.10.1 Cálculo de lajes armadas em uma direção
5.10.2 Cálculo de lajes armadas em duas direções
5.10.3 Cálculo das reações de apoio de lajes utilizando o
processo das aéreas
5.10.4 Cálculo das reações de apoio para alguns casos
5.11 Cálculo dos esforços em lajes maciças contínuas
5.11.1 Cálculo de lajes armadas em uma direção
5.11.2 Cálculo de lajes armadas em duas direções
5.12 Armaduras em lajes maciças
5.12.1 Cálculo da armadura (As)
5.12.2 Detalhamento da armadura
5.13 Verificação da deformação em lajes maciças (flecha)
5.13.1 Cálculo da flecha
5.13.2 Verificação da flecha
5.13.3 Dispensa de verificação da flecha
318 UNIUBE

5.1 Generalidades

Este capítulo abrange o carregamento, o cálculo dos esforços, o
dimensionamento e o detalhamento de lajes maciças para edifícios,
com base na NBR 6118:2003 - Projeto de Estruturas de Concreto –
Procedimento (ABNT, 2003).

Os esforços são calculados em regime elástico, por meio de métodos
simplificados ou por processos originados da Teoria da Elasticidade. O
dimensionamento é feito no estado limite último.

As lajes de edifícios são responsáveis por receber as ações verticais
permanentes e acidentais atuantes nos pavimentos e coberturas,
podendo ser lajes maciças ou nervuradas, moldadas no local ou
pré-fabricadas (Figura 1).

Figura 1: Esquema de tipos de lajes de edifícios.

Lajes especiais como as “steel deck” e as protendidas também são
utilizadas. A escolha do tipo de laje a ser empregada na edificação
depende de fatores técnicos e econômicos, como disponibilidade de
materiais, mão de obra, custo com cimbramento etc. (FERREIRA e
CUNHA (2008).
UNIUBE 319

5.2 Tipos de lajes

As lajes podem ser classificadas como apresentado a seguir.

5.2.1 Quanto à constituição

5.2.1.1 Lajes maciças

São constituídas somente por concreto armado ou protendido (Figura 2).

Figura 2: Esquema de laje maciça com vista
em corte.

5.2.1.2 Lajes nervuradas

São constituídas por concreto armado ou protendido (Figura 3) em
conjunto com materiais inertes (aqueles que não apresentam resistência
mínima à compressão fixada pelas normas técnicas), que podem ser:

• blocos cerâmicos;
• caixas de madeira ou de isopor;
• tubos de papelão.

Figura 3: Esquema de laje nervurada com vista em corte.
320 UNIUBE

5.2.1.3 Lajes mistas

São constituídas por concreto armado ou protendido em conjunto com
material resistente aos esforços de compressão oriundos da flexão.
Podem ser citados:

• blocos cerâmicos ou sílico-calcáreos;
• blocos de concreto simples ou armado, normal ou leve.

Nas lajes nervuradas e mistas, a resistência na zona de tração é garantida
por nervuras executadas em uma ou em duas direções ortogonais, entre
as quais podem ser colocados materiais complementares mais leves e
de menor preço do que o concreto, que garantem que as superfícies da
laje sejam planas (FERREIRA e CUNHA, 2008).

5.2.2 Quanto aos apoios

Os apoios situados nos bordos das lajes podem ser classificados de
diferentes formas, sendo as mais relevantes as relacionadas a seguir.

5.2.2.1 Distribuição no espaço

Em relação à distribuição física no espaço, as lajes podem apresentar
dois tipos de apoios ao longo de seus bordos:

• apoio contínuo – quando a laje se apoia em vigas ou paredes;
• apoios descontínuos ou pontuais – quando a laje se apoia em
pilares.

Se não houver nenhum tipo de apoio ao longo de um bordo, este será
um bordo livre.
UNIUBE 321

Têm-se as seguintes possibilidades (Figura 4):

Figura 4: Representação dos apoios de lajes.

a) lajes com apoios contínuos em todo o contorno;

b) lajes com apoios contínuos em três bordos e um bordo livre;

c) lajes com dois bordos livres paralelos e dois bordos com apoios
contínuos (viga-placa);

d) lajes com dois bordos livres adjacentes (balanço superposto) e
dois bordos adjacentes contínuos e engastados;

e) lajes com três bordos livres e um bordo contínuo e engastado (lajes
em balanço);

f) lajes com apoios pontuais (lajes cogumelo).

5.2.2.2 Imobilidade

Em relação ao tipo de imobilidade que o apoio proporciona à laje, os
apoios podem ser:

• apoio simples – quando o giro é livre;
• apoio engastado – quando o giro é impedido;
• apoio de continuidade da laje – quando o impedimento de giro
entre as lajes não é provocado pelo apoio.
322 UNIUBE

A Figura 5 ilustra algumas condições de apoio de lajes.

(b) lajes 1, 2 e 3 apoiadas sobre vigas, sendo a laje 1 contínua
com a laje 2, e esta continua com a laje 3.
Figura 5: Exemplos de apoios de lajes.

5.2.3 Quanto aos esforços

De acordo com a geometria da superfície plana, ou seja, da proporção entre
os comprimentos de seus bordos (), as lajes podem ter comportamento
característico de uma placa ou podem apresentar comportamento
intermediário entre a situação de uma placa e de uma barra.

Tem-se, de acordo com a armadura que é inserida no concreto:

• lajes armadas em cruz:  maior ≤ 2· menor

• lajes armadas em uma direção:  maior > 2· menor
UNIUBE 323

EXEMPLIFICANDO!

Veja, a seguir, a atividade resolvida.

Classificar as lajes a seguir quanto à forma de armação:

Verificando a relação entre o maior vão da laje e o menor, teremos:

 maior 3,50
L1 = = 1,17 < 2 . A laje L1 é armada em uma direção.
 menor 3,00
 maior 3,50
L2 = = 1,17 < 2 . A laje L2 é armada em cruz.
 menor 3,00
 maior 5,40
L3 = = 2 . A laje L3 é armada em cruz.
 menor 2,70
324 UNIUBE

5.2.4 Quanto à situação no painel estrutural

Neste caso, as lajes podem apresentar dois grupos:

• lajes isoladas;
• lajes contínuas.

No primeiro grupo, a laje não apresenta nenhuma ligação (continuidade)
com outro elemento estrutural, principalmente outra laje.

No segundo caso, a laje está intimamente ligada à(s) outra(s) laje(s). A
Figura 6 ilustra essas situações.

Figura 6: Representação de um painel de lajes.

5.3 Comportamento estrutural

O comportamento da laje como placa significa que, sendo solicitada
por uma carga qualquer, surgem em sua superfície deformações e
solicitações em todas as direções do plano principal, originadas do local
de aplicação da carga (FERREIRA e CUNHA, 2008).

Este comportamento é comumente associado ao chamado “efeito pedra
no lago”, característico das lajes maciças armadas em cruz e das lajes
nervuradas ou mistas com nervuras em duas direções.
UNIUBE 325

Os métodos de cálculo mais comuns utilizados para estas lajes
simplificam este comportamento, considerando as deformações e
solicitações segundo apenas duas direções ortogonais, paralelas aos
bordos da laje, ou segundo a direção das nervuras.

Nas lajes armadas em uma direção, a propagação dos efeitos da carga
aplicada não se dá ao longo de toda a sua extensão maior, mas sim fica
restrita apenas a uma região.

5.4 Análises para escolha do tipo de laje

A escolha de um tipo de laje mais adequado para uma determinada
estrutura constitui-se numa etapa do projeto estrutural onde não
existem regras ou parâmetros fixos, ou seja, cada estrutura apresenta
características próprias que vão induzir o projetista a selecionar a
alternativa mais adequada na solução de seu problema.

Entretanto, existem particularidades de cada tipo de laje que podem servir
de orientação na escolha do tipo a ser utilizado. Algumas indicações são
dadas a seguir.

5.4.1 Lajes maciças comuns

Esse tipo de laje é de amplo conhecimento técnico e de execução
tradicional em todo o mundo. Isto é bastante importante, pois o seu
cálculo e execução são corriqueiros na construção civil.

Em estruturas que apresentem painéis de lajes semelhantes, recomenda-
se a utilização de telas soldadas, o que agiliza, substancialmente, o
processo construtivo.
326 UNIUBE

Como desvantagens em relação a outros tipos de lajes, citam-se a
sua limitação de uso para grandes vãos (sensibilidade acentuada aos
efeitos de flexão) e o consumo maior de fôrmas quando de sua execução
(FERREIRA e CUNHA, 2008).

5.4.2 Lajes maciças tipo cogumelo

As lajes maciças com apoios pontuais (em pilares) apresentam como
vantagem sobre os demais tipos de lajes o fato da inexistência de vigas
sob seus bordos. Trata-se de uma economia considerável de consumo
global de fôrmas e de tempo de execução.

Entretanto, as lajes cogumelo são adequadas apenas nos casos de lajes
de planta regular (retangular) e, preferencialmente, suportando cargas
distribuídas em superfície (e perpendiculares ao seu plano médio).

Como desvantagens em comparação com outros tipos de lajes citam-se
um consumo maior de armaduras e o elevado peso próprio. Essas
comparações, entretanto, devem ser feitas analisando-se a estrutura
como um todo, e não apenas as lajes. Neste sentido, a ausência de
vigamento é uma vantagem das lajes cogumelo.

5.4.3 Lajes nervuradas em duas direções

As lajes nervuradas surgiram em consequência da necessidade de se
utilizarem estruturas mais ousadas, para vencerem grandes vãos, em
substituição às lajes maciças. Isto porque, quanto maior é o vão da laje,
maior deve ser sua altura (maior inércia) para combater as solicitações
e principalmente as deformações (flechas) que ocorrem na laje.
UNIUBE 327

As lajes nervuradas em duas direções possibilitam o aumento da inércia
sem aumentar o consumo de concreto, pois este é substituído em parte
por materiais inertes mais leves e de menor preço.

Como desvantagens em relação às lajes maciças, as lajes nervuradas
exigem, de um modo geral, um acompanhamento técnico permanente na
fase de pré-concretagem, onde ocorrem com muita frequência, quebras
e deslocamentos do material complementar e das armaduras.

5.4.4 Lajes nervuradas em uma direção

A grande vantagem deste tipo de laje é a economia no consumo de
fôrmas, uma vez que não há necessidade de se assoalhar toda a sua
área. As desvantagens em relação aos outros tipos de lajes decorrem
do fato de que, sendo nervuradas em uma só direção, não há o
comportamento clássico de uma placa.

Assim, suas solicitações e deformações podem ser maiores do que em
outros casos. Desse fato decorre também, que os apoios das nervuras
são mais exigidos, pois receberão a carga da laje dividida apenas
em duas partes, ficando os outros dois lados (paralelos às nervuras)
praticamente sem solicitação.

5.5 Geometria da seção transversal das lajes

As lajes são calculadas considerando-se que o plano principal é
composto por um conjunto de faixas adjacentes de largura unitária,
dispostas paralelamente às suas direções principais.
328 UNIUBE

5.5.1 Lajes maciças

Tanto para as lajes ditas armadas em cruz como para as lajes armadas
em uma direção, a seção transversal das faixas a ser utilizada no cálculo
será como o esquema na Figura 7:

• largura unitária: bw = 1,0 m = 100 cm;
• espessura ou altura: h.

Figura 7: Esquema da seção transversal considerada para lajes maciças.

5.5.2 Lajes nervuradas e mistas

Além da faixa de largura unitária bw, as lajes nervuradas e as lajes mistas
apresentam, ainda, conforme a Figura 8:

• largura das nervuras: bwn;
• distância livre entre as nervuras: b2;
• espessura da mesa ou capeamento: hf.

Figura 8: Esquema da seção transversal de lajes nervuradas.
UNIUBE 329

5.6 Restrições normativas para a geometria

A NBR 6118:2003 (ABNT, 2003) e a NBR 6119:1978 (ABNT, 1978)
estabelecem restrições em relação aos parâmetros que definem a seção
transversal das lajes.

5.6.1 Espessura mínima

A espessura h das lajes não deve ser menor que:
• lajes de cobertura não em balanço: 5 cm;
• lajes de piso e lajes em balanço: 7 cm;
• lajes destinadas à passagem de veículos: 12 cm.

Em lajes tipo cogumelo calculadas como pórticos múltiplos, esses limites
devem ser elevados, respectivamente, para 12 cm, 15 cm e 15 cm.

5.6.2 Parâmetros internos das lajes nervuradas e mistas

Têm-se as seguintes restrições de valores dos parâmetros internos de
tais lajes:

• valor máximo da distância livre entre as nervuras:
• nervurada: b2 = 100 cm ; mista: b2 = 50 cm;
• espessura mínima das nervuras:
• nervurada: bwn = 4 cm ; mista: bwn = 4 cm ou 1% vão teórico;
• espessura mínima da mesa: hf = 4 cm ou hf = b2/15.
330 UNIUBE

5.7 Vãos das lajes

O cálculo das lajes é feito segundo duas direções principais paralelas aos
seus bordos, decorrendo daí que as lajes terão dois vãos a serem utilizados
no cálculo dos esforços atuantes.

Seguindo-se a orientação cartesiana, os vãos teóricos serão denominados
de x e y. Os valores destes vãos serão iguais às distâncias entre os eixos dos
apoios segundo as direções consideradas, como esquematizado na Figura 9.

Figura 9: Vãos teóricos de uma laje.

Porém, de acordo com os textos normativos, é permitida a redução dos vãos
teóricos das lajes. Ou seja, não é necessária a adoção de valores maiores que:

• em laje isolada, o vão livre acrescido da espessura h da laje no meio
do vão (ver Figura 10);

Figura 10: Valor mínimo permitido para o vão teórico de laje isolada.
UNIUBE 331

• no caso de vão extremo de laje contínua, o vão livre acrescido da semi-
largura do apoio interno e da semiespessura da laje no meio do vão;
• em lajes em balanço, o vão teórico é o comprimento da extremidade
até o centro do apoio, não sendo necessário considerar valores
superiores ao comprimento livre acrescido da metade da espessura
da laje junto ao apoio, conforme Figura 11.

Figura 11: Valor mínimo permitido para o vão teórico de laje em balanço.

EXEMPLIFICANDO!

Veja, a seguir, a atividade resolvida.

Considerando os painéis de Lajes a seguir, determinar os vãos teóricos
de cada laje.
Resolução

Indicado

1= 3,70 + 0,075 + 0,10 ∴ 1= 3,875m
 2= 4,00 + 0,10 + 0,10 ∴  2= 4,20m

Permitido
1= 3,70 + 0,08 + 0,08 ∴ 1= 3,86m
 2= 4,00 + 0,08 + 0,08 ∴  2= 4,16m
332 UNIUBE

Indicado
1= 3,00 + 0,10 + 0,10 ∴ 1= 3,20m
 2= 3,70 + 0,10 + 0,10 ∴  2= 3,90m
 3= 5,00 + 0,10 + 0,10 ∴  2= 5,20m

Permitido
1= 3,00 + 0,10 + 0,08 ∴ 1= 3,18m
 2= 3,70 + 0,08 + 0,10 ∴  2= 3,88m
 3= 5,00 + 0,10 + 0,10 ∴  2= 5,20m

Indicado
1= 2,50 + 0,15 ∴ 1= 2,65m

Permitido
1= 2,50 + 0,06 ∴ 1= 2,56m

5.8 Condições de apoio da lajes

Uma das dificuldades básicas daqueles que não possuem experiência
profissional no cálculo das estruturas de concreto, consiste na definição
das condições de apoio das lajes, em um determinado painel.

Essa dificuldade é decorrência da inexistência de regras definidas para a
fixação das condições de apoio, e também porque cada projeto estrutural
apresenta suas peculiaridades.

Como orientação geral, existem certos procedimentos que, se aliados a
uma boa dose de bom senso, conduzirão a boas soluções estruturais.
UNIUBE 333

Estes são apresentados a seguir, com relação à análise das condições
de engastamento.

Têm-se as seguintes análises para engastamento (continuidade) entre
lajes:

• o engastamento de uma laje com outra adjacente ocorre quando
ambas estão niveladas e têm a mesma espessura, como ilustrado
pela Figura 12.

Figura 12: Representação da continuidade entre
lajes adjacentes, com mesma espessura.

• havendo diferença significativa de espessura, considera-se apenas
o engastamento da laje de menor espessura na laje de maior
espessura, como mostrado na Figura 13:

Figura 13: Condições de apoio de duas lajes com espessuras
diferentes.

• quando duas lajes adjacentes apresentam comprimentos muito
diferentes, a definição da condição de engastamento depende de
uma análise da rigidez.
Como exemplo, no caso da Figura 14, poder-se-ia considerar que L2 está
engastada em L1 e que L1 não está engastada em L2.
334 UNIUBE

Figura 14: Representação de duas lajes adjacentes com comprimentos muito diferentes.

• o engastamento entre lajes niveladas ocorre quando a extensão
comum entre elas for maior ou igual a 2/3 do vão paralelo ao lado
adjacente, para cada laje, como ilustra a Figura 15.

Figura 15: Condição de engastamento entre duas lajes adjacentes com uma
extensão c em comum.

Entretanto, se a extensão comum for de uma laje com duas ou mais lajes
de mesmo nível, a verificação dos 2/3 passa a ser relativa ao painel de
lajes, conforme mostra a Figura 16.
UNIUBE 335

Figura 16: Condição de engastamento de uma laje com um painel de lajes.

• o engastamento entre laje e viga de apoio (Figura 17) só deve ser
considerado quando se tratar de uma laje em balanço, sem laje adjacente.

Figura 17: Laje em balanço engastada em uma viga

EXEMPLIFICANDO!

Veja, a seguir, a atividade resolvida.
Determinar o tipo de apoio para cada laje sabendo que estão todas no
mesmo nível e todas têm a mesma espessura (as medidas apresentadas
na figura são os vãos teóricos das lajes).

Resolução

A laje L1 tem um vão paralelo à continuidade com a laje L2 de 4,30m e a
parte continua é de 2,70m. Para que seja considerado engastamento entre
336 UNIUBE

elas, é necessário que a parte contínua seja maior ou igual a 2/3 de 4,30m.

2
.4,30 = 2,86m
3

Como a parte contínua é igual a 2,70m < 2,86m (exigidos), teremos a
configuração a seguir para a laje L1.

A laje L2 tem continuidade total com as lajes L1 e L3, portanto ela é
engastada em ambas.

A laje L3 tem continuidade de 2,70m com a laje L2 em um vão de 3,50m.
Para que se considere o engaste, a parte contínua deverá ser maior ou igual
a 2/3 de 3,50m.

2
.3,50 = 2,33m
3

Como a parte contínua é igual a 2,70m > 2,33m (exigidos), teremos a
configuração a seguir para a laje L3.

5.9 Carregamento das lajes de edifícios

A determinação dos carregamentos últimos e de utilização (ou de serviço)
atuantes nas lajes de edifícios compreende duas etapas correspondentes
à identificação e à quantificação das cargas que compõem esses
carregamentos.
UNIUBE 337

A identificação das cargas que atuam nas lajes depende do tipo de
construção e do tipo de uso da mesma. Nos itens seguintes estão
relacionados os tipos de cargas mais comuns atuantes nas lajes de
edifícios.

A quantificação das cargas está vinculada aos valores fixados pela NBR
6120:1980 – Cargas para o cálculo de estruturas de edificações
(ABNT, 1982).

EXEMPLIFICANDO!

Veja, a seguir, a atividade resolvida.

As lajes a seguir têm as medidas teóricas apresentadas. Calcular a carga
total em cada uma delas considerando os dados a seguir.

Paredes: 2,80m de altura, 0,15m de espessura, construídas com tijolos de cerâmica.
Lajes de concreto armado com 10cm de espessura.
Argamassa de nivelamento: Cimento + cal + areia, espessura de 3cm.
Argamassa de revestimento: Cimento + cal + areia, espessura 1,5cm.
Argamassa de assentamento do piso cerâmico: Cimento+ cal + areia 1,5cm
O piso dos consultórios é de madeira assentados com cola.
Os pisos da sala, hall e banheiros são de cerâmica de 1,5cm de espessura.

Resolução
a) Laje L1 – Cálculo da carga permanente

kN kN
Peso próprio = 25 .0,10m = 2,50
3
m m2
338 UNIUBE

kN kN
Argamassa de nivelamento = 19 .0,03m = 0,57
3
m m2

Argamassa de assentamento (Cola cujo peso é desprezível)

kN kN
Piso = 10 .0,015m = 0,15
3
m m2
kN kN
Argamassa de revestimento = 19 .0,03m = 0,57
3
m m2

Parede: como a laje é armada em cruz, calculamos o peso total da parede
e dividimos pela área total da laje.

kN
13 .0,15m.2,80m.4,00m
m3 = 0,728
kN
5,00m.6,00m m2

Somados os valores descritos anteriormente teremos a carga permanente
atuante na laje L1

kN
gk = 2,50 + 0,57 + 0,15 + 0,57 + 0,728 = 4,518
m2
Cálculo da carga acidental (variável normal). As cargas acidentais são
especificadas por normas; caso não consigamos encontrar na tabela da
ABNT, devemos adaptar.
kN
Consideraremos, neste caso, o valor de qk = 2,00 .
m2

A carga total na laje é a soma da carga permanente com a carga acidental.

kN kN kN
q = 4,638 + 2,00 = 6,638
2 2
m m m2

b) Laje L2 – Cálculo da carga permanente

kN kN
Peso próprio = 25 .0,10m = 2,50
3
m m2
UNIUBE 339

kN kN
Argamassa de nivelamento = 19 .0,03m = 0,57
3
m m2
kN kN
Argamassa de assentamento = 21 .0,015m = 0,315
3
m m2
kN kN
Piso = 18 .0,015m = 0,27
3
m m2
kN kN
Argamassa de revestimento = 19 .0,03m = 0,57
3
m m2

Parede: como a laje é armada em uma direção, a carga da parede paralela
ao menor vão será distribuída em uma faixa de acordo com o estudado no
item “13.1.5 Paredes sobre Lajes”, e a perpendicular ao menor vão será
calculada como carga concentrada.

Seguindo o modo prático de distribuição para a faixa de influência da parede, temos:

Fpar 13 × 0,15 × 2,8 × 2,60 kN
∆=
p = = 4,2
a. x 0,5 × 2,60 × 2,60 m2

Assim, na faixa de influência da parede, teremos a seguinte carga
permanente para a laje L2.
kN
gk = 2,50 + 0,57 + 0,315 + 0,27 + 0,57 + 4,2 = 8,425
m2

kN kN kN
A carga total será =
qk 8, 425 + 2 = 10, 425
2 2
m m m2

Para a faixa que não tem a influência da parede, a carga total será igual a
340 UNIUBE

13 × 0,15 × 2,70 × 1
=∆p = 2,025kN para uma faixa de um metro.
2,60

Considerando agora a faixa onde a parede será considerada concentrada.
Carga da parede:

13 × 0,15 × 2,70 × 1
=∆p = 2,025kN para uma faixa de um metro.
2,60

E teremos os esquemas de cálculo a seguir.

c) Laje L3– Cálculo da carga permanente

Considerando que a laje para sala de espera é uma sala de uso geral então
a sua carga acidental é 2kN/m2. A carga total atuante na laje L3 será a
kN
mesma da L2 sem a presença da carga das paredes, ou seja, 6,225 .
m2
UNIUBE 341

5.9.1 Ações permanentes mais comuns

Nos edifícios, as ações permanentes de maior ocorrência nas lajes são:

• peso próprio da laje;
• peso dos revestimentos de piso (pavimentações) e de teto;
• peso das paredes;
• peso dos enchimentos;
• peso dos telhados.

Identificadas quais destas (e outras possíveis) cargas que atuam
nas lajes, o somatório de seus valores totalizará o valor das cargas
permanentes que comporão os carregamentos normais último e de
utilização.

5.9.1.1 Peso próprio das lajes maciças

Nas lajes maciças, o peso próprio é uma carga distribuída na superfície,
com valor dado por:

sendo:

• pp = peso próprio da laje maciça;
• γCA = peso específico do concreto armado, que de acordo com a
Tabela 1, da NBR 6120:1980 (ABNT, 1980) vale 25 kN/m3 ≅ 2500
kgf/m3;
• h = espessura da laje.

Como ainda não foi feito o dimensionamento da laje, é necessário
realizar-se uma estimativa da espessura h para o cálculo do peso próprio.
Nesta situação, além de se levar em conta os valores mínimos de h, fixados
342 UNIUBE

pela NBR 6118:2003 (ABNT, 2003), o projetista utilizará sua experiência
para uma estimativa mais próxima possível do valor definitivo, que será
obtido após o dimensionamento.

Nos casos comuns, a espessura h varia de 7 cm a 10 cm para as lajes
maciças de piso, e de 5 cm a 8 cm para as lajes de forro.

5.9.1.2 Pavimentações

Em geral, a pavimentação sobre uma laje de piso é constituída de três
camadas:

• Argamassa de nivelamento (ou de regularização)

Esta argamassa, geralmente de cal, cimento e areia (ou similares), tem
por finalidade dar nivelamento à superfície superior da laje, que quase
sempre apresenta irregularidades ou saliências após a concretagem.

Utiliza-se também esta argamassa para “dar caimento” ou escoamento
em pisos laváveis (sanitários, cozinhas, áreas de serviço, varandas etc.).

Nas duas situações, é muito difícil precisar a espessura desta camada
regularizadora. Na prática, tem-se observado uma variação de 2 a 5 cm
de espessura.

• Argamassa de assentamento

O tipo e a espessura da argamassa de assentamento são definidos em
função do tipo do revestimento do piso.

Quando o revestimento for constituído de ladrilhos, lajotas cerâmicas,
mármore, granito e ardósia, a argamassa é geralmente constituída de
cimento e areia.
UNIUBE 343

Para ladrilhos e lajotas cerâmicas, utiliza-se normalmente argamassa
com espessura média de 1,5 cm, e para revestimentos de pedra, a
espessura da argamassa deve ser, no mínimo, igual a do revestimento.

Para os revestimentos de madeira (tacos, assoalhos etc.) e de borracha
sintética, a argamassa de assentamento tem, no máximo, 0,5 cm, sendo
constituída de colas, piches etc.

• Revestimento de piso propriamente dito

Os revestimentos cerâmicos apresentam em média espessura de 1,0
cm, e os revestimentos de pedra, espessura de 2,0 cm. Os revestimentos
de madeira normalmente possuem espessura entre 1,0 e 1,5 cm. Já os
revestimentos sintéticos não atingem 0,5 cm.

Através de seu memorial descritivo de acabamentos, o projeto
arquitetônico determinará os materiais que serão utilizados na construção,
com suas especificidades.

• Revestimentos de tetos

Os tetos apresentam acabamentos aplicados diretamente sobre suas
superfícies ou têm revestimentos popularmente conhecidos por “forros
falsos”.

No primeiro caso, o revestimento é constituído por uma argamassa de
gesso, placas ou ripas de madeira ou por um chapisco (cimento e areia)
precedendo uma camada de reboco (cal, cimento e areia). A espessura
do revestimento varia de 1,0 a 2,0 cm.

Os forros falsos, geralmente suportados por tirantes fixados na laje, são
constituídos de placas de gesso (estas são utilizadas para cobrir tubulações
344 UNIUBE

de esgoto em banheiros, por exemplo, e têm espessura média de 2 cm),
de acrílico etc., ou de um ripado de madeira.

• Exemplo de Cálculo

Segue, como exemplo, o cálculo da carga permanente característica (gk)
de uma laje de cozinha do pavimento tipo de um edifício, (ver Figura 18)
considerando-se (ver Tabela 1):

• espessura da laje de 7 cm;
• piso em lajota cerâmica;
• teto revestido com argamassa.

Observação: não há alvenaria se apoiando na laje.

Figura 18: Pavimentações de uma laje de cozinha.

Observe a Tabela 1 a seguir:

Tabela 1: Cálculo do carregamento permanente para o exemplo

Peso
Espessura específico Carga
Material
(m) (γ) (kN/m2)
(kN/m3)
Laje concreto armado 0,07 25 1,75
Argamassa de nivelamento cim + cal + areia 0,03 19 0,57
Argamassa de assentamento cim + areia 0,015 21 0,315
Piso lajota cerâmica 0,015 18 0,27
Argamassa de revestimento cim + cal + areia 0,010 19 0,19

Carga permanente total (gk) 3,10
UNIUBE 345

5.9.1.2 Enchimentos

Os rebaixos nas lajes são geralmente preenchidos com tijolos cerâmicos,
escórias de construção (γ ≅ 10 kN/m3), ou qualquer outro material de
baixo custo e baixo peso específico, conforme Figura 19.

Figura 19: Detalhe do enchimento de uma laje.

A espessura do enchimento está diretamente ligada ao valor do rebaixo
(geralmente de 25 a 30 cm). Esta carga também é distribuída em toda
a superfície da laje.

Vale ressaltar que, atualmente, as lajes rebaixadas são pouco utilizadas,
sendo substituídas por forros falsos.

5.9.1.3 Telhados

A avaliação das cargas dos telhados depende do tipo da estrutura de
cobertura e do tipo de telha empregados.

Os tipos mais comuns são:
• telhas cerâmicas coloniais com tesouras de madeira;
• telhas cerâmicas francesas com tesouras de madeira;
• telhas de fibrocimento com tesouras de madeira;
• telhas de fibrocimento sobre pontaletes;
• telhas tipo canalete de fibrocimento sobre vigas de madeira;
• telhas de alumínio sobre estrutura metálica ou de madeira;
• telhas autoportantes (dispensam estrutura de apoio).
346 UNIUBE

Quando a estrutura é constituída de tesouras metálicas ou de madeira,
o apoio destas é geralmente situado nas suas extremidades, ou seja,
sobre pilares ou vigas.

Em valores médios, pode-se considerar as seguintes cargas para os
telhados (kN/m2):

• 1,20 a 1,60 → telhas cerâmicas coloniais;
• 1,00 a 1,20 → telhas francesas;
• 0,20 a 0,40 → telhas de fibrocimento;
• 0,10 a 0,20 → telhas de alumínio.

5.9.1.4 Paredes sobre lajes maciças

As paredes comuns de alvenaria são constituídas por dois tipos de
materiais: tijolos e argamassas de assentamento e de revestimento
(Figura 20).

As características dos tijolos e a largura das paredes são definidas nos
projetos arquitetônicos. A carga total de uma parede será obtida pela
expressão apresentada a seguir.

Fpar = γ elemento ⋅ eparede ⋅ Lparede ⋅ Hparede

Em que:

• γelemento = peso específico, em kN/m3, extraído da NBR 6120:1980
(ABNT, 1980), em que são considerados todos os materiais (reboco,
argamassa de assentamento etc.) que compõem a parede acabada;
• eparede, Lparede e Hparede = espessura, comprimento e altura da parede
(Figura 20).
UNIUBE 347

Observação:

• As aberturas nas paredes, como vãos de esquadrias, por exemplo,
podem ou não ser consideradas nos cálculos, dependendo da
segurança desejada e da ordem de grandeza das aberturas.

Figura 20: Representação esquemática de uma parede de alvenaria.

Quando submetidas a cargas distribuídas em linha, as lajes maciças
apresentam comportamento diferente quando são armadas em cruz ou
armadas em uma direção.

• Lajes Armadas em Duas Direções

Para laje armada em duas direções, a carga produz esforços e
deformações ao longo de toda a sua superfície.

Assim, com boa aproximação de resultados, pode-se considerar que a
carga da parede está distribuída em toda a superfície, por unidade de
área, como mostra a expressão a seguir.

Fpar
par =
x ⋅ y
348 UNIUBE

• Lajes Armadas em Uma Direção

Nas lajes armadas em uma direção, o efeito “pedra no lago” não ocorre,
e a carga da parede afeta apenas uma região da laje. Têm-se duas
situações:

[ 1a ] Lajes armadas em uma direção com parede paralela a x

Esta situação está representada pela Figura 21, onde existe uma região
(Região B) de extensão a afetada pela carga de parede. Fora desta faixa,
os efeitos provocados pela carga da parede podem ser desprezados
(Regiões A).

Figura 21: Parede apoiada em laje armada em uma
direção, paralelamente à direção da armadura.

O cálculo dos esforços e o dimensionamento da laje são feitos para as
regiões A e B, com os seguintes carregamentos:

REGIÃO A

p (A) = p
UNIUBE 349

sendo:

p = carregamento da laje, distribuído em superfície, sem carga de
parede (p = g + q).

REGIÃO B

p (B) = p + ∆ p

sendo:

• p = carregamento da laje na Região A;

Fpar
∆p = = carga distribuída em superfície na Região B, decorrente
a ⋅ x

da parede.

Observação:

• No cálculo de ∆p, se o comprimento da parede (Lparede) for menor
que o vão x, utiliza-se esse, em vez de x.

A largura da Região B está definida pela NBR 6118:2003 (ABNT, 2003)
nos itens 3.3.2.4 e 3.3.2.5, em que são apresentados valores diferentes
para o cálculo dos momentos nos apoios, dos momentos positivos e dos
esforços cortantes.

Admite-se que cargas concentradas e distribuídas linearmente, quando
aplicadas diretamente sobre a superfície da laje, se distribuam a 45º até o
plano médio da laje (item 3.3.2.4 da NBR 6118), conforme esquematizado
na Figura 22, onde se têm:

• h = espessura da laje;
• Bp = largura da parede;
350 UNIUBE

• b = largura de propagação da carga, medida no plano médio em uma laje.

Figura 22: Vista em corte da propagação da carga
de parede na laje.

Os valores de a são:

2 ⋅ a1 ⋅ ( − a1 )  b
• a = b + ⋅ 1−  → para momentos positivos;
  
a1 ⋅ (2 ⋅  − a1 )  b
• a = b + ⋅ 1−  → para momentos negativos;
  
 b
• a = b + a1 ⋅  1 −  → para esforços cortantes;
 

 b
• a = b + 1,5 ⋅ a 1 ⋅  1 −  → para momentos fletores em lajes em balanço;
 
 b
• a = b + 0,5.a 1 ⋅  1 −  → para esforços cortantes em lajes em balanço;
 

sendo a1 a distância do centro da carga ao apoio para cujo lado está a
seção que se analisa.

De modo prático, pode-se adotar para a largura a os seguintes valores,
quando do cálculo dos momentos:
UNIUBE 351

• a = 0,5 . x → quando x < 1,0 m ou x > 2,0 m;
• a = 1,0 m → quando 1,0 m ≤ x ≤ 2,0 m.

[ 2a ] Lajes armadas em uma direção com parede perpendicular
a x

A Figura 23 mostra a vista em planta de uma parede perpendicular às
armaduras principais de uma laje armada em uma direção, da qual se
têm os seguintes parâmetros:
• x → vão principal da laje (menor vão);
• y → extensão da região A + extensão da região B = comprimento
da parede;
• a1 e a2 → posição da parede em relação a x .

Figura 23: Parede apoiada em laje armada em uma direção,
perpendicularmente à direção da armadura.

O cálculo dos esforços e o dimensionamento da laje são feitos para as
regiões A e B, com os seguintes carregamentos:

REGIÃO A

É o trecho da laje onde podem ser desprezados os efeitos provocados
pela presença da parede. A faixa de largura unitária (bw = 1 m) será como
representado pela Figura 24, em que:
352 UNIUBE

• p = carregamento distribuído em toda a superfície da laje (p = g + q).

Figura 24: Representação da faixa
de largura unitária referente à Região A.

REGIÃO B

É a região da laje que recebe influência da parede. A faixa de largura
unitária será (bw = 1 m) como esquematizado pela Figura 25, na qual:

• p = carregamento distribuído em toda a superfície da laje (p = g + q);
• F = carga devida à parede:

Fpar
F= ⋅ bw
Lp

Figura 25: Representação da faixa de
largura unitária referente à Região B.

5.9.2 Ações variáveis normais

São decorrentes do uso previsto da edificação (peso das pessoas, de
móveis, veículos etc.).
UNIUBE 353

As ações variáveis normais, com seus valores característicos mínimos
estão relacionadas na Tabela 2, da NBR 6120:1980 (NBR 6120).

5.9.3 Ações variáveis normais complementares

São classificadas de acordo com o uso da laje, como descrito a seguir.

5.9.3.1 Lajes de piso de balcões, sacadas e varandas

Ao longo dos parapeitos e balcões, devem ser consideradas aplicadas
(Figura 26):

• uma carga horizontal de 0,8 kN/m na altura do corrimão;
• uma carga vertical mínima de 2,0 kN/m.

Figura 26: Composição do carregamento de lajes de piso de balcões, sacadas e
varandas.

5.9.3.2 Lajes de forro em balanço

É usual considerar uma carga vertical de 0,50 kN/m aplicada na
extremidade das lajes em balanço, sem acesso a pessoas, como
mostrado na Figura 27.

Figura 27: Composição do carregamento de lajes de forro em balanço.
354 UNIUBE

5.9.3.3 Lajes de piso para carregamentos especiais

Nos casos de arquivos, depósitos de materiais, máquinas leves, caixas-fortes
etc., não é necessária uma verificação mais exata destes carregamentos,
desde que seja feito um acréscimo de 3,0 kN/m2 no valor de qk.

Resumindo, o carregamento total de uma laje é constituído (de forma
geral) por:

CARGAS PERMANENTES

( peso próprio da laje + peso das pavimentações + peso do
revestimento
do teto + peso dos enchimentos + peso do telhado + peso das
paredes )

+
CARGAS VARIÁVEIS

(depende do uso da edificação)

Ou seja, para lajes de edificações comuns, tem-se:

pk = gk (permanente) + qk (variável) → carregamento característico

5.10 Cálculo dos esforços em lajes maciças isoladas

Em qualquer caso, os esforços são determinados por faixas de largura
unitária. As lajes armadas em uma direção são calculadas como vigas
(barras) e as lajes armadas em duas direções são calculadas como
placas.
UNIUBE 355

5.10.1 Cálculo de lajes armadas em uma direção

Têm-se quatro casos possíveis de lajes armadas em uma direção, em
função das condições de apoio de seus bordos.

A Tabela A do Anexo A, ao final do Capítulo apresenta as formulações
para o cálculo dos esforços dessas lajes, onde x é o menor vão
(denominado vão principal) e y é maior que o dobro de x.

5.10.2 Cálculo de lajes armadas em duas direções

Serão apresentados os seguintes processos de cálculo:

• Teoria das Grelhas;
• Processo simplificado de Marcus;
• Teoria da Elasticidade.

5.10.2.1 Teoria das grelhas

A Teoria das Grelhas para a determinação das cargas nas lajes armadas
em cruz consiste em dividir a carga p (por m2) em duas partes px e py,
sendo uma para cada direção, de modo que se tenha:

p = px + py

A laje deve resistir aos esforços que se desenvolvem nas duas direções
sob a ação das cargas px e py.

Para a determinação das partes ou quinhões de carga px e py, a Teoria
das Grelhas admite que as faixas sejam independentes entre si, e que
356 UNIUBE

os quinhões sejam constantes para cada ponto da laje, em cada direção
(Figura 28).

Para o cálculo de px e py tomam-se duas faixas centrais e se igualam às
flechas no ponto central, calculadas para duas direções.

Figura 28: Representação dos quinhões de carga
utilizados pela Teoria das Grelhas.

Têm-se os casos mostrados na Figura 29, nos quais o vão x é o que
contém o maior número de engastes e, em caso de igualdade, x é o
menor vão.

Figura 29: Representação dos tipos de lajes em função das condições de apoio.

Na Figura 30, está apresentado o esquema estático relativo a cada um
desses seis tipos de arranjos de lajes, em função de suas condições de
apoio.
UNIUBE 357

Figura 30: Esquema estático dos seis tipos de lajes (Teoria das Grelhas).
358 UNIUBE

Na Tabela 2, estão apresentadas as formulações dos momentos máximos
e das flechas no meio dos vãos para as possíveis condições de apoio.

Tabela 2: Valores dos momentos fletores máximos e das flechas no meio dos vãos (medianas)

Momentos fletores
Vigas de vão =  Flechas medianas
máximos

p 4
Na direção x, tem-se a flecha genérica: fx = c x x x .
E
I
p  4
Na direção y, tem-se a flecha genérica: fy = c y y y .
E
I

Sendo fx = fy, tem-se, genericamente:
p
 cy   y 
4
4
px4
x p y  y 
 px = py    px = k x ⋅ p
 ou, ainda, 
cx = cy ⇒  c x   x   p = p − p = (1 − k ) ⋅ p
E
I E
I  
 y x x
 px + py = p

Os valores de px e de py podem ser determinados através de um
parâmetro kx, definido para os seis casos, em função de λ = y/ x,
conforme é dado na Tabela 3.
UNIUBE 359

Tabela 3: Valores do parâmetro kx em função de λ, para os seis tipos de lajes

CASO 1 λ4 CASO 3 λ4 CASO 5 2λ4
kx = kx = kx =
λ4 + 1 λ4 + 1 2λ4 + 1

5λ4 5λ4 λ4
kx = kx = kx =
CASO 2 5λ4 + 2 CASO 4 CASO 6
5λ4 + 1 λ4 + 1

5.10.2.2 Processo simplificado de Marcus

Em sua primeira teoria, Marcus assimilou as lajes isoladas a um tecido
de malhas retangulares, chegando a fórmulas teóricas muito complexas
fora, portanto, do domínio da prática.

Marcus partiu da integração das equações de derivadas parciais
fornecidas pela Teoria da Elasticidade e empregou o método das
diferenças finitas. Posteriormente, Marcus estabeleceu uma segunda
teoria aproximada, mais prática, e que é mais precisa do que a Teoria das
Grelhas. Esta teoria fornece resultados mais econômicos e com pouco
dispêndio de tempo.

O processo de Marcus foi difundido no mundo inteiro, sendo muito
utilizado até o surgimento das tabelas baseadas na Teoria da Elasticidade.

As tabelas de Marcus contemplam seis casos para as lajes (conforme
Figura 29), sendo o vão x é o que contém o maior número de engastes
e, em caso de igualdade, x é o menor vão.

Para se utilizarem as tabelas de Marcus, basta calcular o parâmetro
λ = y/ x e extrair da tabela referente ao tipo de laje em análise, os
parâmetros necessários para o cálculo dos esforços e das reações de apoio:
360 UNIUBE

Com λ → tabela ( ROCHA, 1978) → obtém-se: mx, my, nx, ny, kx e
calcula-se:

p ⋅  2x p ⋅  2y
momentos máximos positivos: Mx = My =
mx my

p ⋅  2x p ⋅  2y
momentos máximos negativos: Xx = − Xy = −
nx ny

• px = kx · p e py = (1 - kx) · p

5.10.2.3 Teoria da elasticidade

As tabelas referentes a este processo de cálculo de lajes foram
confeccionadas com base na Teoria Matemática da Elasticidade, com a
aplicação da Teoria das Placas. Tais tabelas oferecem resultados mais
precisos do que os resultados obtidos com a Teoria de Marcus e, além
disso, possibilitam o cálculo das flechas.

Para se utilizarem as tabelas da Teoria da Elasticidade, basta calcular
o parâmetro λ = y/ x e extrair da tabela (consulte Anexo B, ao final do
capítulo) referente ao tipo de laje em análise, os parâmetros necessários
para o cálculo dos esforços, das reações de apoio, dos esforços cortantes
máximos e da flecha no meio da laje.

• Observação para cálculo de lajes armadas em cruz

Caso a laje tenha formato irregular, seu cálculo é feito considerando uma
laje retangular equivalente, ou seja, de mesma área e mesma relação λ
= y/ x, como mostra a Figura 31.

Para calcular 'x e 'y basta
resolver o sistema:

'y · 'x = A (área)
'y / 'x = y / x = λ

Figura 31: Simplificação de lajes irregulares armadas em cruz com formato irregular.
UNIUBE 361

5.10.3 Cálculo das reações de apoio de lajes utilizando o processo
das áreas

Para efeito de pré-dimensionamento ou para o cálculo de lajes de pontes,
a NBR 6118:2003 (ABNT, 2003) permite a utilização do Processo das
Áreas, também conhecido por Método de Ruptura, para o cálculo das
reações de apoio das lajes.

O processo considera a estrutura na ruptura e o cálculo é feito em regime
elástico.

Em lajes retangulares sujeitas a cargas distribuídas, a configuração de
ruptura é, aproximadamente, como a esquematizada na Figura 32, em
que se têm os ângulos das linhas de ruptura definidos em função das
condições de apoio dos bordos:

• dois bordos adjacentes apoiados ou engastados: θ = 45º;
• um bordo apoiado e outro engastado: θapoio = 30º e θengaste = 60º;
• bordo livre: θ = 0º.

Figura 32: Linhas de ruptura da laje em função
das condições de apoio de seus bordos.

5.10.4 Cálculo das reações de apoio para alguns casos

A seguir, são apresentadas as formulações utilizadas para se calcularem
as reações de apoio para alguns tipos de condições de apoios das lajes.
362 UNIUBE
UNIUBE 363

EXEMPLIFICANDO!

Veja, a seguir, algumas atividades resolvidas.

1. Calcular os esforços atuantes na laje L1 do exercício resolvido
sobre Carregamento das Lajes de Edifícios.

Resolução

Usaremos os três métodos propostos (Teoria das grelhas, Processo
Aproximado de Marcus, Teoria da Elasticidade) e faremos uma
comparação com os resultados obtidos.

Vamos lembrar que, para o cálculo das lajes contínuas, nós isolamos as
mesmas e depois equilibramos os momentos de continuidade entre elas.

a) Cálculo dos esforços na laje L1
Teoria das grelhas.

3 5 Os valores obtidos são
=
R x1 .5,56=
× 5 10,425kN =
R x2 .5,56=
× 5 17,375kN referentes a uma faixa de
8 8 1metro considerada no
centro da laje.
5,56 × 52 5,56 × 52
=Mx = 9,78kNm =X x = 17,375kNm
14,22 8
1
R y1= R y2= .1,07 × 6= 3,21kN
2
1,07 × 62
=My = 4,815kN
8
364 UNIUBE

Cálculo dos esforços da laje L1 pelo processo de Marcus.

y 6
Com a relação λ= = = 1,2 entramos na tabela de Marcus e
x 5
determinamos os coeficientes para o cálculo dos momentos.

mx = 18,53 my = 42,63 nx = 9,54

6,638 × 52
=Mx = 8,95kNm
18,53
6,638 × 52
=My = 3,90kNm
42,63
6,638 × 52
=Xx = 17,40kNm
9,54

Cálculo dos esforços da laje L1 pela teoria da elasticidade.

y 6
Com a relação λ= = = 1,2 , entramos na tabela B (laje tipo 2) e
x 5
retiramos as constantes para o cálculo dos momentos na laje.

= =
c xm 0,0409 =
c ym 0,0199 =
c y max 0,0205 =
c ex 0,0979 c xy 0,0418
= =
k xa 0,260 =
k xe 0,466 k y 0,138

Lembrando de que os valores de k são usados para os cálculos das
reações nos apoios e engastes.

Mx = 0,0409 × 6,638 × 52 = 6,79kNm R xa = 0,260 × 6,638 × 5 = 8,63kN
My
max
= 0,0205 × 6,638 × 52 = 3,41kNm R xe = 0,466 × 6,638 × 5 = 15,47kN

X x =Mex =0,0975 × 6,638 × 52 =16,18kNm R y =0,138 × 6,638 × 6 =5,50kN

M= 52 7,11kNm
xy 0,0428 × 6,638 × =

Usando a teoria da elasticidade, além dos momentos calculados pelo
processo de Marcus, temos ainda os valores do momento volvente e
das reações nos apoios.
UNIUBE 365

Tabela Comparativa dos Resultados Obtidos

Processo de Teoria da
Teoria das Grelhas
Marcus Elasticidade

Mx 9,780 8,95 6,790
My 4,815 3,90 3,410
Xx = Mex 17,375 17,40 16,180
Mxy Não calcula Não calcula 7,110
Rax 10,425 10,425 8,630
Rex 17,375 17,375 15,470
Ry 9,780 9,780 5,500

Comparando os resultados, observamos que Marcus, em relação à grelha,
tem uma pequena diminuição nos momentos positivos e os demais valores
não sofrem nenhuma alteração.

Já a Teoria da elasticidade traz uma redução considerável em relação
aos outros dois e ainda traz o valor do momento volvente que deverá ser
combatido por armadura nos cantos (apoio x apoio) das lajes evitando
fissuras indevidas nas estruturas.

Os esforços nas demais lajes serão calculados usando apenas a teoria da
elasticidade e também serão calculados apenas os momentos vistos que
as reações servirão para fazermos os carregamentos dos apoios das lajes
que é assunto para outra etapa.

b) Cálculo dos esforços na laje L2
Trecho sem a influência das paredes:

q x 2 6,225 × 2,62
=
Mx = = 5,26kNm
8 8

Trecho com a influência da parede paralela ao menor vão:
366 UNIUBE

Trecho com a influência da parede normal ao menor vão:

6,225 × 1,302
Mx = 9,105 × 1,30 − = 6,58kNm
2

Trecho com a influência das duas:

10,425 × 1,302
Mx= 14,565 × 1,30 − = 10,126kNm
2

c) Cálculo dos esforços na laje L3

5.11 Cálculo dos esforços em lajes maciças contínuas

A seguir será visto como se calculam lajes maciças contínuas
(continuidade existente com outras lajes adjacentes) armadas em
uma direção e em duas direções.

5.11.1 Cálculo de lajes armadas em uma direção

Nas lajes contínuas armadas em uma direção, os momentos se
distribuem ao longo das mesmas, como se fossem vigas de largura
unitária (1 m), conforme mostrado na Figura 33.
UNIUBE 367

A determinação da distribuição dos momentos é feita com o cálculo
estático de uma viga contínua.

Para as lajes, porém, é suficiente conhecer os valores máximos dos
momentos nos vãos e nos apoios.

Figura 33: Representação estática de lajes contínuas armadas em uma direção.

A NBR 6118:2003 (ABNT, 2003) prescreve o cálculo para esta situação,
de forma simplificada, para a seguinte condição:

• quando a carga for uniformemente distribuída e os vãos forem todos
iguais, ou se o menor vão for maior ou igual a 80% do maior vão, os
momentos (negativos e positivos) poderão ser calculados por:

p ⋅ 2
M=
β

sendo o parâmetro β definido para ligação entre laje e viga com
mísula ou não, como apresentado na Tabela 4 e na Figura 34.
368 UNIUBE

Tabela 4: Valores do parâmetro β para as diversas situações de lajes

SITUAÇÃO DA LAJE β

PARA MOMENTOS NEGATIVOS com mísulas demais casos

1) havendo mais de 2 tramos

apoio interno dos tramos extremos –8 –9

demais apoios intermediários –9 – 10

2) havendo 2 tramos

apoio intermediário –7 –8

PARA MOMENTOS POSITIVOS com mísulas demais casos

tramos extremos + 12 + 11

tramos intermediários + 18 + 15

Observe a Figura 34:

Figura 34: Exemplos de utilização do parâmetro β.

Observações:

• para o cálculo dos momentos negativos (sobre os apoios), o valor
de  é a média dos vãos adjacentes ao apoio considerado;
• não serão considerados momentos positivos menores do que
aqueles que se obteriam se houvesse engastamento perfeito nas
extremidades dos referidos vãos.
UNIUBE 369

5.11.2 Cálculo de lajes armadas em duas direções

O método mais utilizado consiste nos seguintes procedimentos (como
esquematizado na Figura 35):

1º) calculam-se os esforços nas lajes, considerando-as isoladas;
2º) faz-se o balanceamento dos momentos negativos → obtém-
se Xf;
3º) faz-se a correção (∆M) dos momentos positivos em função
dos momentos negativos.

Figura 35: Representação do balanceamento da compensação de momentos em lajes
contínuas armadas em duas direções.

Tendo-se calculado o momento Xf, faz-se a correção dos momentos
positivos Mx e My para cada laje, devido às alterações dos momentos
negativos. O procedimento é o seguinte:

1. calcula-se: ∆X = Xf – Xi;
2. tendo-se ∆X, calculam-se ∆Mx e ∆My (alterações dos momentos
positivos). Estes valores são obtidos através de tabelas
elaboradas para o cálculo de lajes solicitadas por momentos
370 UNIUBE

fletores em um de seus bordos (Tabela G, do Anexo B). Para
a utilização destas tabelas, procede-se da seguinte maneira:

• o vão x é sempre o vão perpendicular ao bordo onde está aplicado
o momento;
• a partir de y/x, ou x/y extrai-se da tabela os parâmetros γx e γy, e
com estes coeficientes calculam-se as alterações dos momentos
positivos nas lajes (Figura 36):

∆ Mx = γ x . ∆ X
∆ My = γ y . ∆ X

Portanto:

Mx f = Mx i + ∆M (x ou y)
My f = My i + ∆M (y ou x)

Obs.: pode ocorrer que x definido no cálculo de ∆M não coincida com
o x definido para o cálculo da laje isolada. Isto está representado pelas
duas expressões anteriores.

Figura 36: Esquema da laje com
exemplo de ∆X em um bordo.

• Observação:

Quando existirem várias lajes contínuas entre si, faz-se a correção dos
momentos positivos tantas vezes quanto necessário, conforme mostra
a Figura 37.
UNIUBE 371

Neste caso, têm-se
as correções:

∆X (x) = ∆X2 + ∆X5
∆X (y) = ∆X3 + ∆X4

Figura 37: Esquema de compensação de momentos de laje contínua com mais
de uma laje.

5.12 Armaduras em lajes maciças

Apresentam-se as prescrições normativas relativas ao cálculo e
detalhamento da armadura para lajes maciças, com base na NBR
6118:2003 – Projeto de Estruturas de Concreto (ABNT, 2003).

5.12.1 Cálculo da armadura(As)

O cálculo da armadura necessária para a laje resistir aos esforços de
flexão normal simples já foi estudado anteriormente. O procedimento é
o seguinte:

• Calcula-se k em função de M, d, bw (1m) e fck:

d
k=
Mk
b w ⋅ fck

• com o valor de k, extrai-se da Tabela A do Anexo C o valor de α;
• calcula-se As (cm2/m) em função de M, α e d:
372 UNIUBE

M
As =
α⋅d

• com As, adota-se a armadura com o auxílio da Tabela B e da
Tabela C, do Anexo C, ao final do capítulo.

Observação:

• O momento M pode ser Mx ou My (positivo), X (negativo) ou Mxy
(denominado momento volvente, que significa momento de flexão
inclinado que ocorre a 45º com x e y).

5.12.2 Detalhamento da armadura

A seguir, apresentam-se prescrições normatizadas para se fazer a
representação detalhada da armadura relativa a determinado elemento
estrutural de concreto armado.

Você perceberá que as restrições são relacionadas a espaçamentos,
dimensões e quantidades. Prossiga, com bastante atenção!

5.12.2.1 Disposições gerais

O texto normativo da NBR 6118:2003 (ABNT, 2003) estabelece as
seguintes limitações, para as armaduras de lajes maciças:

Diâmetro máximo das barras de aço: φ máximo = h/10
• Armadura longitudinal (positiva ou negativa) resistente mínima:

As mín = 0,0015 · bw · h , com bw = 100 cm.
UNIUBE 373

• Quantidade mínima de barras das armaduras longitudinais
resistentes:

3 barras / m de laje → 3 φ /m

• Armadura longitudinal no apoio:

Pelo menos, metade do número de barras das armaduras resistentes
longitudinais positivas deve ser levada até os apoios.

• Armadura de distribuição:

É disposta na direção onde não há armadura em lajes armadas em uma
direção. Servem para absorver possíveis esforços que ocorrem naquela
direção e que não foram considerados no cálculo.

Além disso, servem para amarrar a armadura principal, impedindo-a de
deslocar horizontalmente.

Na Figura 38, é apresentado um exemplo de posicionamento da
armadura de distribuição. Sua área vale:

Figura 38: Armadura de distribuição em
uma laje armada em uma direção.
374 UNIUBE

• Ancoragem:
Todas as barras das armaduras resistentes devem ter, em suas
extremidades, um comprimento adicional, denominado comprimento de
ancoragem (b), de modo a ancorá-las, convenientemente, na massa de
concreto.

Para as lajes, pode-se considerar este valor como dez vezes o diâmetro
da armadura:

b = 10 φ

5.12.2.2 Posicionamento das armaduras

As barras das armaduras resistentes longitudinais devem ter o
posicionamento conforme representado na Figura 39 na qual se mostra,
em planta, o exemplo de um painel de lajes com o esquema detalhado
de suas armaduras.

O objetivo é oferecer, a você, uma primeira noção sobre o detalhamento
das armaduras em lajes.

Figura 39: Detalhamento das armaduras de um painel de lajes.
UNIUBE 375

• Legenda para a Figura 39:

• L1 → laje armada em cruz, contínua com L2 e L3;
• L2 → laje armada em cruz, contínua com L1 e L3;
• L3 → laje armada em uma direção, contínua com L1 e L2;
• L4 → laje em balanço, contínua com L3;
• N1 - armadura resistente ao momento volvente Mxy (momento de
flexão inclinado que ocorre a 45º com x e y) atuante em L1;
• N2 – armadura resistente positiva (Mx) de L1;
• N3 – armadura resistente positiva (My) de L1;
• N4 – armadura resistente positiva (Mx) de L2;
• N5 – armadura resistente positiva (My) de L2;
• N6 – armadura resistente negativa, de continuidade (Xf) entre L1 e L2;
• N7 – armadura negativa para combater a fissuração disposta em
todo o contorno do painel de lajes, onde estas estejam apoiadas
em vigas;
• N8 – armadura resistente negativa, de continuidade (Xf) entre L1 e L3;
• N9 – armadura resistente negativa, de continuidade (Xf) entre L2 e L3;
• N10 – armadura de distribuição em L3;
• N11 – armadura resistente positiva de L3;
• N12 – armadura resistente negativa, de continuidade (Xf) entre L4 e L3;
• a1 – região onde atua Xf entre as lajes 1 e 2;
• a2 – região onde atua Xf entre as lajes 1 e 3;
• a3 – região onde atua Xf entre as lajes 2 e 3;
• a4 – região onde atua Xf entre as lajes 4 e 3;
• a5 – região onde atua Mxy (momento volvente) na laje 1.

Observações:

• as armaduras são designadas pela letra N, seguida de um índice
numérico, sendo as barras numeradas da esquerda para a direita
e de cima para baixo. Aquelas que possuírem mesma bitola,
comprimento e dobras, recebem o mesmo número;
376 UNIUBE

• quando houver cruzamento de armaduras negativas, pode-se
considerar duas situações:

1. para pequenos carregamentos (edifícios comuns): deve
permanecer a armadura de maior área, interrompendo-se a outra;
2. para grandes carregamentos: as armaduras devem ser
superpostas.

Tem-se, na Figura 40, um exemplo do procedimento da situação a). As
áreas de armaduras foram adotadas apenas para exemplificar este caso.

Outro procedimento que pode ser adotado para o cruzamento das
armaduras negativas é de que estas sempre devem ser superpostas,
interrompendo-se apenas as armaduras de amarração.

O critério a ser adotado deve levar em consideração a densidade de
armaduras na região do cruzamento, para efeito da concretagem.

Figura 40: Exemplo de cruzamento de armaduras negativas.
UNIUBE 377

5.12.2.3 Comprimento das barras

Aqui são apresentadas as recomendações prescritas na NBR 6118:2003
(ABNT, 2003) relacionadas ao comprimento das barras de aço imersas
na massa de concreto.

( I ) Armaduras Positivas

• Lajes Armadas em duas Direções :

Na prática, as armaduras longitudinais inferiores (positivas) têm barras
estendidas de apoio a apoio. Neste caso, os comprimentos de ancoragem
já estão considerados.

É conveniente dobrar as extremidades das barras (dobra = hlaje – 2 cm)
para que estas não se desloquem, quando da concretagem da laje.

A Figura 41 mostra estes detalhes para as armaduras positivas das lajes
1 e 2 do painel mostrado da Figura 39.

Figura 41: Detalhamento das armaduras positivas.

Pode-se, também, alternar as armaduras positivas, já que a norma exige que
pelo menos metade das barras deve ser levada até os apoios (Figura 42).
378 UNIUBE

Figura 42: Detalhamento de armadura positiva alternada, sendo 1 o menor vão da laje,
com a ancoragem incluída.

• Lajes Armadas em uma Direção :

O comprimento das barras é determinado a partir do traçado do diagrama
de momento fletor.

( II ) Armaduras Negativas

• Lajes Armadas em Duas Direções:

- Lajes apoiadas em vigas de extremidade (vigas do contorno do
painel de lajes):

Adota-se uma armadura negativa para limitar a abertura de fissuras.
Para este fim, pode-se utilizar a armadura de distribuição citada
anteriormente.

O comprimento e a dobra são mostrados na Figura 43.

Figura 43: Detalhe da armadura negativa de combate à fissuração.

- Lajes contínuas com outras lajes:

Adota-se o comprimento 0,25·1, sendo 1 o maior dos menores vãos das
duas lajes contínuas.
UNIUBE 379

Para se obter o comprimento total da armadura negativa, acrescenta-se o
comprimento de ancoragem (10.φ) e a dobra nas extremidades das barras
(hlaje subtraída de 2 cm: hlaje – 2 cm), como apresentado na Figura 44.

Figura 44: Comprimento total da armadura negativa de continuidade
entre lajes.

Observações:

• pode-se alternar a armadura negativa, o que é vantajoso, pois se
reduzem os comprimentos das barras e, consequentemente, o
volume de aço utilizado;
• o procedimento consiste em reduzir de a/2 o comprimento das
barras, alternadamente (uma à direita e outra à esquerda);
• feito isso, acrescenta-se em cada extremidade da barra o
comprimento de ancoragem e a dobra (Figura 45).

Figura 45: Procedimento para alternar a armadura negativa
380 UNIUBE

• Lajes Armadas em uma Direção :

– Lajes sobre vigas de contorno: mesmas condições das lajes
armadas em duas direções.

– Laje contínua com outras lajes: determinar através do traçado do
diagrama de momento fletor.

( III ) Armaduras para Lajes em Balanço

Para lajes em balanço, o comprimento da armadura negativa é o dobro
do vão principal (x) dessa laje – ver Laje L4 da Figura 39.

A Figura 46 mostra um detalhamento de lajes em balanço. Deve-se
observar que na região da quina existem trechos com armaduras
diferentes.

Embora as lajes em balanço não apresentem momentos positivos,
recomenda-se a utilização de uma armadura positiva de distribuição nas
duas direções, a fim de combater o eventual aparecimento de esforços,
quando da retirada do escoramento das fôrmas da laje.

Figura 46: Detalhamento da armadura de lajes em balanço.
UNIUBE 381

( IV ) Armaduras para Momento Volvente

O momento volvente (Mxy) aparece nos cantos das lajes formados por
bordos apoiado/apoiado ou apoiado/livre.

Nas direções paralelas à bissetriz (45º), surgem os momentos negativos
e nas direções perpendiculares à bissetriz (135º), surgem os momentos
positivos.

Para os momentos negativos, a armadura é disposta em duas direções
ortogonais na face superior da laje, conforme mostrado na Figura 47.

Figura 47: Representação da armadura de combate ao momento
volvente.

Para os momentos positivos, pode-se considerar que a armadura positiva
já existente na face inferior da laje (relativa a Mx ou My) é suficiente.

As tabelas apresentadas no Anexo B (Tabelas A até F), ao final deste
capítulo, fornecem os parâmetros apenas para os casos em que os
valores dos momentos volventes são significativos.

( V ) Detalhe de Montagem da Armadura Negativa

A fim de se impedir que a armadura resistente negativa se desloque
horizontalmente e verticalmente, utilizam-se armadura de amarração
e peças de plástico, denominadas aranhas ou caranguejos, como
mostrado na Figura 48.
382 UNIUBE

Figura 48: Detalhe de montagem da armadura negativa.

5.12.2.4 Espaçamento das Armaduras (s)

O espaçamento máximo permitido entre as barras das armaduras, de
acordo com a NBR 6118:2003 (ABNT, 2003), está resumido na Tabela 5.

Tabela 5: Espaçamento máximo entre as barras das armaduras de lajes

Espaçamento Máximo
Tipo de Solicitação Tipo de Armadura
Smáx(cm)
Xf negativa (superior) 20 (*)

Mprincipal (relativa a x) positiva (principal) 20 (*)

Msecundária (relativa a y) positiva (secundária) 33

Mxy de canto 33
- de distribuição 33

5.12.2.5 Proteção da armadura (cobrimento)

De acordo com o item 6.3.3.1, da NBR 6118:2003 (ABNT, 2003), qualquer
barra da armadura (resistente, de distribuição, de montagem etc.) deve
ter cobrimento ( c ) de concreto maior ou igual ao diâmetro ( φ ) da
armadura, sendo, no mínimo, igual a:

• para concreto revestido com argamassa de espessura mínima de 1 cm

• em lajes do interior de edifícios: c = 0,5 cm;
• em lajes ao ar livre: c = 1,5 cm.
UNIUBE 383

• para concreto aparente

• em lajes do interior de edifícios: c = 2,0 cm;
• em lajes ao ar livre: c = 2,5 cm.

EXEMPLIFICANDO!

Exercício resolvido para determinar e detalhar as armaduras para as
lajes da atividade sobre carregamento das lajes de edifícios.

Vamos calcular as armaduras para os momentos obtidos pela teoria
da elasticidade, pois, estando dentro de uma segurança, trarão uma
certa economia ao diminuir um pouco as armaduras.

A área de armadura para cada momento é dada pela fórmula
M d
=
AS =
e α f(k)
= k
αd Mk
b w .fck

Se usarmos d em cm, M em kgfxm e b em m, podemos lançar mão
das tabelas do Professor Aderson Moreira da Rocha (ROCHA, 1978)
que já trazem os fck embutidos nelas.

8,5
=k = 0,328 ; este valor nos permite tirar o valor de α = 34,70
679
1
(pegamos o primeiro abaixo para não fazer interpolação) e a área de

679 cm2
aço
= será A S = 2,32 , que deverá ser atendida
34,37 × 8,50 m

com φ6,0 c / 12 (diâmetro de 6,0mm a cada 12cm)

Procedendo da mesma forma para os demais momentos teremos os
resultados da tabela a seguir. Vamos nos lembrar que a armadura mínima
permitida em laje é A smin = 0.0015b w .h = 0,0015x100x10 = 1,50cm2/m
384 UNIUBE
UNIUBE 385

5.13 Verificação da deformação em lajes maciças (flecha)

Este assunto é baseado no item 4.2.3 da NBR 6118:2003 (ABNT, 2003).
Em projetos estruturais, especial atenção deve ser dada à verificação da
possibilidade de ser atingido o estado de deformação excessiva.

No cálculo das deformações, deverão ser levadas em conta a retração
e a deformação lenta do concreto simples.

5.13.1 Cálculo da flecha

O módulo de deformação longitudinal do concreto simples Ec pode ser
considerado como 90% do módulo dado na origem Ec0 (ver item 8.2.5
da norma supracitada):

E c = 0,9·E c0 , em que E c0 = 6600 f cj ( MPa ) , sendo: f cj =f ck +3,5MPa

• Lajes armadas em duas direções:

O valor da flecha inicial f0 é determinado através das tabelas da
Teoria da Elasticidade (Tabelas de A até F, do Anexo B), para cada
tipo de laje (1 a 6), em função do parâmetro tabelado ω.

• Lajes armadas em uma direção:

Para lajes armadas em um direção e para lajes em balanço, o valor
de f0 é dado pelas fórmulas da Tabela 6, apresentada a seguir.

Observação:

• As cargas utilizadas para o cálculo das flechas são as
correspondentes aos valores característicos, pois o coeficiente de
majoração das cargas para estados limites de utilização vale 1,0.
386 UNIUBE

Veja a Tabela 6:

Tabela 6: Fórmulas para o cálculo da flecha inicial para lajes armadas em uma direção e para
laje em balanço, em função das condições de extremidade

Após a determinação da flecha inicial f0, deve-se calcular a flecha
final f∞, decorrido um tempo de uso da estrutura. Este valor pode
ser considerado para lajes como o dobro da flecha f0:

f∞ = 2 · fo
UNIUBE 387

5.13.2 Verificação da flecha

O valor da flecha final deverá ser menor ou igual ao valor limite permitido
pela norma:

• as flechas medidas a partir do plano que contém os apoios, quando
atuarem todas as ações, não devem ultrapassar 1/300 do vão
teórico da laje e 1/150 para lajes em balanço;

• os deslocamentos causados apenas pelas cargas acidentais
não serão superiores a 1/500 do vão teórico e 1/250 para lajes em
balanço.

5.13.3 Dispensa de verificação da flecha

A norma permite a dispensa da verificação da flecha nas lajes, quando:


d ≥
ψ2 ⋅ ψ3

sendo  o menor vão da laje.

O valor de ψ3 depende do tipo do aço utilizado (Tabela 7):

Tabela 7: Valores de ψ3 em função da tensão da armadura

Tensão de cálculo da
ψ3
armadura (σsd) em MPa
215 35
280 33
350 30
435 25
520 20
Fonte: Ferreira e Cunha (2008).
388 UNIUBE

O valor de ψ2 é dado para lajes armadas em uma ou em duas direções, em
função das condições de apoio de seus bordos, conforme as Tabelas 8 e 9.

Tabela 8: Valores de ψ2 para lajes armadas em uma direção

Condições de apoio ψ2

biapoiada 1,0
contínua com outra laje 1,2
biengastada 1,7
em balanço 0,5

Fonte: Ferreira e Cunha (2008).

Tabela 9: Valores de ψ2 para lajes armadas em duas direções

Fonte: Ferreira e Cunha (2008).
UNIUBE 389

Na Tabela 9, para cada tipo de laje, têm-se dois números que significam:

• número superior: valor de ψ2 para x / y = 1;

• número inferior: valor de ψ2 para x / y = 2.

Caso se tenha 1 < x / y < 2 , obtém-se ψ2 por interpolação.

Resumo

Neste capítulo, discorremos sobre as características, cálculos,
dimensionamentos e verificações de lajes maciças de edifícios, executadas
em concreto armado, com base na NBR 6118:2003 (ABNT, 2003).

Sendo assim, apresentamos as características das lajes maciças, as
considerações de carregamento normatizadas, os procedimentos para
o cálculo (em função de sua situação estrutural, tanto no que se refere
às condições de apoio dos seus bordos, como com relação à disposição
da armadura: lajes armadas em uma direção ou em duas direções) e as
prescrições normativas para seu dimensionamento.

Por meio dos detalhes presentes no conteúdo, mostramos que o
calculista deve ter muita atenção ao contemplar todas as prescrições
normativas com relação a lajes maciças, constituídas pelo material
estrutural concreto armado.

Atividades

Aplique seus conhecimentos sobre lajes no pavimento de lajes
maciças da figura a seguir. Calcule os esforços e as armaduras, faça
o detalhamento e o levantamento da quantidade de aço gasto para a
execução da estrutura.
390 UNIUBE

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 – Projeto de
Estruturas de Concreto - Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2003. 170p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6119 –
Cálculo e Execução de Lajes Mistas. Rio de Janeiro: ABNT, 1978. 5p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1980). NBR 6120 – Cargas
para o Cálculo de Estruturas de Edificações. Rio de Janeiro, ABNT. 6p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1982). NBR 6120:1980
– Cargas para o cálculo de estruturas de edificações Disponível em: <http://
www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=6581>. Acesso em 23 maio, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (1996).
NBR 7480 – Barras e fios de aço destinados a armaduras
para concreto armado. Rio de Janeiro, ABNT. 15p.

FERREIRA, N.S.S.; CUNHA, J. Introdução às Estruturas de
Concreto Armado – Notas de Aula, Faculdade de Engenharia
Civil, Universidade Federal de Uberlândia, 2008. 153p.

ROCHA, A.M. (1978). Novo curso prático de concreto armado. 16. ed. Rio de
Janeiro, Científica. v.1. 460p.
UNIUBE 391

SÜSSEKIND, J.C. Curso de Concreto. 4. ed. Rio de Janeiro: Globo, v.1, 1985. 376p.

Anexo(s)

ANEXO A – Cálculo de lajes macias armadas em uma direção

Tabela A: Esforços atuantes em lajes maciças armadas em uma direção com carga
uniformemente distribuída

Fonte: Adaptado de Süssekind (1985).
392 UNIUBE

ANEXO B – Cálculo de lajes maciças armadas em duas direções

Nas tabelas deste anexo, temos as formulações e os parâmetros
relacionados ao cálculo de lajes maciças armadas em duas direções,
solicitadas por carga uniformemente distribuída.

Os valores são obtidos através da Teoria da Elasticidade, para as seis
condições de extremidade (apoios nos bordos) das lajes.

A seguir, temos os significados dos parâmetros relativos a tais tabelas.

Nomenclatura utilizada nas Tabelas

• x = vão que possui maior número de engastamentos e, em caso
de igualdade, o menor vão;
• q = carga uniformemente distribuída na laje;
• f = flecha máxima na laje;
• h = altura total da laje;
• E = módulo de elasticidade do concreto simples;
• Mxm e Mym = momentos fletores no meio da laje relativos aos vãos
x e y;
• Mymáx = momento fletor máximo na direção y;
• Mex e Mey = momentos fletores no meio dos engastes, relativos aos
vãos x e y;
• Mex máx e Mey máx = momentos fletores máximos nos engastes,
relativos aos vãos x e y;
• Mxr = momento na direção x, no meio do bordo livre;
• Mexr = momento de engastamento na direção x, na extremidade do
bordo livre;
• Mxy = momento volvente que aparecerá nos cantos simplesmente
apoiados;
• Rx e Ry = reações de apoio nos bordos relativos a x e y,
respectivamente;
• Qx0 e Qy0 = cortantes máximos.
UNIUBE 393
394 UNIUBE
UNIUBE 395
396 UNIUBE

Tabela G: Parâmetros relacionados ao cálculo de lajes maciças armadas em duas direções
(com momento aplicado nos bordos) pela Teoria da Elasticidade

Fonte: Adaptado de Süssekind (1995).
UNIUBE 397

ANEXO C – Armadura em lajes maciças

Tabela A: Dados para cálculo da armadura de lajes maciças
398 UNIUBE

Tabela B: Área da seção transversal de armadura por metro de largura (cm2/m)

Fonte: Adaptado da ABNT (1996).
UNIUBE 399

Tabela C: Área da seção transversal de armadura (cm2)

Fonte: Adaptado da ABNT (1996).