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MP quer norma da PM-SP contra agressões

de policiais à imprensa em protestos
Promotoria deu prazo de 90 dias para corporação elaborar
protocolo de procedimentos. Federação identificou mais de
100 jornalistas agredidos por PMs em 2013.

Por G1 São Paulo
29/03/2017 13h12 Atualizado há 3 horas

Ato de 2016 no vão do Masp contra agressão a jornalistas (Foto: Marcelo Gonçalves/SigmaPress/Estadão Conteúdo)
O Ministério Público de São Paulo encaminhou ao Comando da Polícia Militar do
estado uma série de recomendações para garantir a proteção de profissionais de
imprensa durante protestos populares e impedir a agressão de policiais. As 11
medidas foram enviadas na semana passada devido às denúncias de agressão a
repórteres e fotógrafos durante manifestações nos últimos anos.
Dados da Federação Nacional dos Jornalistas usados pelo MP em relatório indicam
que mais de 100 jornalistas foram agredidos por policiais em 2013 durante atos

O promotor de Justiça dos Direitos Humanos e Inclusão Social Eduardo Valério. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo identificou 171 casos de violação em 2013 e 2014.populares. vamos entrar com ação judicial. explicou o Valério. O ponto fundamental [das recomendações] é proteger e garantir o trabalho deles [profissionais de imprensa] – o resto é consequência”. é preciso uma norma interna sobre atuação junto a profissionais da imprensa. Com as recomendações já enviadas à PM. um dos responsáveis por inquérito que apurou os casos de agressão no estado. sendo que 70 deles foram em São Paulo. “Se eventualmente não houver cumprimento. informou que o objetivo principal das recomendações à PM é que se crie uma norma interna que trata da atuação dos policiais junto a esses profissionais. quem pode obrigar algo é a Justiça”. A recomendação do MP é para adotar providências. a corporação tem agora o prazo de 90 dias para criar norma disciplinar. e não afastar ou impedir o trabalho dos profissionais. disse o promotor. com enfoque de que cabe à PM numa manifestação proteger a imprensa. Jornalistas levados a delegacia em 2016 depois de protesto protesto (Foto: Reprodução/TV Globo) “Considerando que a PM atua de forma militarizada. .

que ficou cego de um olho após ser atingido por bala de borracha em 2013 (Foto: Katia Passos/Divulgação) As recomendações do MP se sustentam em resolução da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que determina que profissionais de comunicação devem ser protegidos no exercício de sua profissão.Fotógrafo Sergio Silva. “O objetivo principal das manifestações de rua é exatamente de tornar pública a opinião de uma coletividade e externar seus ideais ao maior contingente possível de . sendo vedado qualquer impedimento a sua atuação. principalmente com uso da força.

 Caso jornalistas sejam convocados como testemunha sobre protesto popular. transcendendo o âmbito individual. qualquer propósito em turbar a atividade dos profissionais da imprensa e que os ferimentos por eles suportados são decorrentes do comportamento deles próprios. segundo relatório dos promotores. identificar testemunha presencial que não seja policial.  Adoção de procedimentos que impeçam policiais militares de delimitar o local de atuação dos profissionais de imprensa em protestos. negligenciando os cuidados pessoais que deveriam tomar”.  Formação continuada de policiais com treinamento sobre como agir junto à imprensa nessas ocasiões.  Adoção de providências para proibir que a PM forme cadastro com dados pessoais e informações sobre jornalistas. que sejam informados sobre tal e tratados desta forma. diz o documento enviado pelo Ministério Público à PM. explicar o ocorrido em relatório informando justificativa e autoria da ordem. . por parte da Polícia Militar. Recomendações do MP:  Criação de protocolo interno de atuação para garantir a proteção de profissionais de imprensa durante a cobertura de protestos.  Em caso de prisão ou autuação de profissional de imprensa por eventual crime durante manifestações.  Adoção de providências para proibir a destruição de conteúdo jornalístico feito por profissionais de imprensa em protestos. Ao MP.  Criação de norma interna que responsabilize policiais que tenham agredido profissionais de imprensa.  Submeter protocolos e procedimentos sugeridos pelo MP ao aval do próprio MP e da Ouvidoria da PM.  Em caso de agressão contra profissional sem prisão. pessoas. que se posicionam entre a tropa e os manifestantes. o Comando da PM de São Paulo informou que "não há.  Adoção de providências para proibir a apreensão de equipamentos de profissionais de imprensa em protestos. sendo isso viabilizado pelo trabalho dos profissionais de imprensa”. O G1 entrou em contato com a Polícia Militar de São Paulo e aguarda retorno.