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Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR

UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS

Anais Eletrônicos - N⁰ 01-2014.
ISSN:

São Cristóvão, de 09 a 12 de abril de 2014. Página 1

Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR
UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS

Anais Eletrônicos – 2014
Título:
Anais Eletrônicos – IV Colóquio do GPCIR: “Outros – Biografia e sujeitos
históricos”

ISSN:
Organizadores:
Antonio Lindvaldo Sousa (Coordenação Geral)
Claudefranklin Monteiro Santos (Coordenação Adjunto)
Ane Luíse Silva Mecenas (UNISINOS/ UNIT/ membro do GPCIR)
Magno Francisco de Jesus Santos (UFF/ Faculdade Pio X/ membro do GPCIR)
Vladimir José Dantas (Faculdade Pio X/membro do GPCIR)
Thiago Fragata (Museu Histórico de Sergipe/ membro do GPCIR)
Aquilino José de Brito Neto (UFS/ membro do GPCIR)
Andreza Silva Mattos (UFS/ membro do GPCIR)
Leonardo Matos Feitoza (UFS/ membro do GPCIR)
Priscilla Araujo Guarino Silveira (UFS/ membro do GPCIR)
André Sá (membro do GPCIR)
Eduardo Augusto Santos Silva (UFS/ membro do GPCIR)
Josineide Luciano Almeida Santos (membro do GPCIR)
Rosana Oliveira Silva (membro do GPCIR)
Tamires dos Anjos Oliveira (membro do GPCIR)
Raquel de Fátima Parmegiani (UFAL)
Monica Liz Miranda (UFVJM)
Severino Vicente da Silva (UFPE)

Edição: 1
Ano da Edição: 2014
Local de Edição: São Cristóvão-SE

São Cristóvão, de 09 a 12 de abril de 2014. Página 2

Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR
UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS

Tipo de Suporte: Internet
Editora: UFS

Organização dos Anais Eletrônicos:
Antônio Lindvaldo Sousa
Andreza Silva Mattos
Claudefranklin Monteiro Santos
Priscilla Araujo Guarino Silveira

Revisão:
Andreza Silva Mattos
Leonardo Matos Feitoza

Diagramação:
Andreza Silva Mattos
Eduardo Augusto Santos Silva

Capa:
Eduardo Augusto Santos Silva

Arte-finalização:
Andreza Silva Mattos
Priscilla Araujo Guarino Silveira

Monitores
Jandison Moura da Silva
Jessica Messias dos Santos
Denilza Viana de Almeida
Victor Menezes Galdino Silva
Mislene Batista Santos
Barbara Barbosa dos Santos
Nerita Carvalho Figueredo
Ernânia Santana Santos

São Cristóvão, de 09 a 12 de abril de 2014. Página 3

Identidades e Religiosidades (GPCIR/DHI/Cnpq/UFS) APOIO Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PROEX/UFS) Programa de Pós-Graduação em História (PROHIS/UFS) Departamento de História (DHI/UFS) Museu Palácio Olímpio Campos Museu Histórico de Sergipe São Cristóvão. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS REALIZAÇÃO Grupo de Pesquisa Culturas. de 09 a 12 de abril de 2014. Página 4 .

Universidade Federal de Sergipe.].com. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE Colóquio do Grupo de Pesquisa Culturas.. organizadores: Antonio Lindvaldo Sousa .blogspot. Identidade e Religiosidades (4 : 2014. [et al. – São Cristóvão : Universidade Federal de Sergipe. Título.br/> ISSN 1. de 09 a 12 de abril de 2014. 3. 4. História – Fontes. 2014. II. 123 p.. CDU 93/94 São Cristóvão. Disponível em: <http://coloquiogpcir2014. Sergipe – Historiografia. Grupo de Pesquisa Culturas. 2. Antonio Lindvaldo. Sousa. Sergipe – História. II. Identidades e Religiosidades : Editora UFS. Biografia. Página 5 . São Cristóvão. il. SE . : São Cristóvão. SE) Anais eletrônicos [recurso eletrônico] / IV Colóquio do C719a GPCIR : outros – biografias e sujeitos históricos : 09 a 12 de abril de 2014.

a dama e o Perfume”: Um Cabaré na sociedade açucareira (1950. O “tempo da fábrica” em São Cristóvão: apontamentos da pesquisa 67 José Thiago da Silva Filho 13. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS SUMÁRIO I . O Indivíduo na Historiografia: Antônio Alves no desenvolvimento da Atalaia 23 Velha através da memória Aquilino José de Brito Neto 04. de 09 a 12 de abril de 2014. 25 1970) Barbara Barbosa dos Santos 05. um Patrimônio em Agonia” 77 Josineide Luciano Almeida Santos São Cristóvão.PROGRAMAÇÃO 09 III – SIMPÓSIOS TEMÁTICOS LIVRES: RESUMOS E TEXTOS 12 COMPLETOS 01. "Os engenhos. Página 6 . A Disputa de Limites entre Sergipe e Bahia pela Região de Paripiranga/BA 14 (1904-1914) Antunes Santana Reis 03. Compreensão do Desenvolver da Pesquisa Sobre os Escravos em São Cristóvão 57 José Daniel Rito dos Santos e Ane Luise Silva Mecenas 11. “Uma capital em processo de secularização”: Aracaju às vésperas do Concílio 41 Vaticano II Eduardo Augusto Santos Silva 08. Simão Dias: De um vaqueiro a uma cidade. A Oposição dos Cristãos Novos na Sociedade Açucareira na Primeira Visitação 42 do Santo Ofício à América Portuguesa Ernania Santana Santos 09. “História Cruzada” – Orlando Dantas entre a Usina e a Imprensa 26 Carla Darlem Silva dos Reis 06.APRESENTAÇÃO 08 II .As 27 Representações do Missionário Frei Damião de Bozzano em Bomquim/SE (1972- 1974) Degenal de Jesus Da Silva e Maria Edeilde de Jesus Santos 07. O ciclo do couro e as origens do 51 município de Simão Dias no século XVI e XVII Jessica Messias dos Santos 10. Teias de “falsos enganos”: artifícios de soldados mamelucos pela mão de obra 13 indígena no sertão da Bahia colonial (1584-1592) Andreza Silva Mattos 02. Nos Trilhos de Deus: Aconselhar os Fiéis e Corrigir Práticas Oficiosas . “História e Memória: Casa da Fazenda Iolanda. Flagrando a Vida: trajetória da vida intelectual e profissional da Professora Lígia 58 Pina José Genivaldo Martires 12.

Epifânio Dória e a República das Letras em Sergipe 106 Ronaldo José Ferreira Alves Santos 21. “Peregrinação ao derredor de mim mesmo”: A construção de uma memória 97 pessoal por Luís da Câmara Cascudo Raquel Silva Maciel 20. Um Pássaro fora do Ninho: Tentativa de debate historiográfico em torno da 79 passagem de Inglês de Sousa pela Província de Sergipe Leonardo Matos Feitoza 16. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 14. O elo Genético: Análise das Anomalias de Desenvolvimento e dos pontos 81 epigenéticos em esqueletos Humanos Pré-históricos e a Possível Relação de Parentesco Madson de Souza Fontes e Olívia Alexandre de Carvalho 18. Página 7 . de 09 a 12 de abril de 2014. 116 1921) Tatiane Oliveira da Cunha São Cristóvão. História Comparada: A escravidão no Nordeste Colonial brasileiro segundo o 80 livro didático de História do Ensino Fundamental Liliane Vieira Nunes 17. Representação do Negro na Ótica do Clero Colonizador 89 Manoel Ribeiro Andrade 19. A trajetória do missionário Capuchinho João Evangelista Monte Marciano (1843. “Pós Abolição da Escravatura em Sergipe e as Memórias de Rosalvo Vieira dos 78 Santos” Kéfus Ibrahim Santana Cardoso 15.

denominado “Escrevendo em nome da fé e diante das vicissitudes históricas. Identidades e Religiosidades. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS APRESENTAÇÃO Este evento é realizado pelo Grupo de Pesquisa Culturas. sendo realizado de dois em dois anos.. Página 8 . Realizamos o mesmo como parte das discussões teóricas vinculadas ao projeto de extensão: “MASSAPÊ: memórias. Sua programação está totalmente voltada para debater as atitudes dos sujeitos na história de Sergipe e em outras localidades do Brasil.. lotado no departamento de História da UFS. engenhos e comunidades da microrregião da Cotinguiba em Sergipe” e do projeto Imprensa Cristã. de 09 a 12 de abril de 2014. Estarão presentes pesquisadores de várias localidades do nosso imenso país. São Cristóvão. A temática de 2014 é “sujeitos e história” e terá como título “OUTROS: Biografia e sujeitos na História”.”: Imprensa cristã e artigos de cristãos nos jornais laicos sergipanos.

Dia 22/05 .Prof ª. Noite .Prof. .(Quinta) Manhã . Angelo Adriano Faria de Assis (Universidade de Viçosa) .Conferência de Abertura – Sujeitos e biografia: notas teórico-metodológicas .Tatiane de Oliveira Cunha (GPCIR). . .(Quarta) Manhã .Lançamento do livro “100 Poemas para uma Pessoa Só” (Diego Vinícius).Aracaju-SE). Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Programação Dia 21/05 . . .Conferencista: Prof. Msc.: Antônio Lindvaldo Sousa). Página 9 .Credenciamento (a partir das 17 horas). Dr. Dr.Sessão de Comunicações (14h às 18h) Noite .Atividade Cultural. .18 horas .Aracaju-SE). de 09 a 12 de abril de 2014.Atividade Cultural.Local: Museu Palácio Olímpio Campos (Centro .Prof.Local: Museu Palácio Olímpio Campos (Centro .19 horas .Prof ª. . José Paulino da Silva (UFS). Ane Luíse Silva Mecenas (UNIT) – Coordenação. Jérri Roberto Marin (UFMS).Mesa Redonda 1: Os Outros e as Releituras dos Outros.Minicursos (8h às 12h) Tarde . .Relançamento do livro “O Pulso de Clio” (Org. Msc. Dr.Minicursos (8h às 12h) Tarde . Local: Auditório da Didática V São Cristóvão. .

Noite 19 horas .Minicursos (8h às 12h) Tarde .Leonardo Matos Feitoza Local: Auditório da Didática VI .Carla Darlem Reis . .Lançamento de livro “Temas de História e Educação Católica em Sergipe” (Org.Josevânia Souza de Jesus Fonseca .: Raylane Navarro e Claudefranklin Monteiro). memórias e história oral. Claudefranklin Monteiro Santos (UFS). São Cristóvão. .Prof.Prof.Aquilino José de Brito Neto .14 horas . Página 10 . Dr. .Mesa Redonda 3: A Igreja e os Outros.Atividade Cultural.Atividade Cultural. Robson Dias de Assis (UFS) . outros e conflitos. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Dia 23/05 . Magno Francisco de Jesus Santos (PIO X) .Mesa Redonda 2: Os sujeitos e a pesquisa na pós-graduação (Mestrandos PROHIS-UFS) 1º CICLO – Sujeitos. Msc.Priscilla Araújo Guarino Silveira 2º CICLO – Sujeitos.(Sexta) Manhã . .Andreza Silva Mattos . . de 09 a 12 de abril de 2014.Prof. . Esp.Prof. Thiago Fragata (MHS) – Coordenação. Msc.

Atividade Cultural.Profª. .Local: Museu Histórico de Sergipe (São Cristóvão-SE) São Cristóvão.Coordenação: Profª.Profª. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Local: Auditório da Didática V Dia 24/05 .Prof. Maria Sônia Santos Carvalho. . Dr. . Eduardo Augusto Santos Silva (GPCIR/UFS). . . . .Prof. . Verônica Maria Menezes Nunes (UFS). de 09 a 12 de abril de 2014. Antonio Lindvaldo Sousa (UFS). Página 11 .Mesa Redonda 4: A Imprensa Cristã e os Outros. Dr. Msc. Priscilla Araujo Guarino Silveira (GPCIR/UFS).Prof. Uziel (UFS).(Sábado) .9 horas .

de 09 a 12 de abril de 2014. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS São Cristóvão. Página 12 .

Jesuítas. Serão as fontes inquisitoriais. contra as aldeias de Aperipê e Surubi. oriundas da Primeira Visitação do Santo Ofício à Bahia. obterem a confiança dos gentios nos sertões por onde andaram. em 1575. os engenhos passaram a intensificar o uso da mão de obra indígena. Entre essas expedições. Na expedição de Gonçalo Álvares. em 1591. São Cristóvão. E para tal. com isso. Gentios. destacamos a liderada por Gonçalo Álvares – homem experiente que também lutou com o Governador Luíz de Brito. Sertão Colonial. Página 13 . que nos permitirão alcançar a inteligibilidade desse espaço múltiplo que foi o sertão colonial. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 01. TEIAS DE “FALSOS ENGANOS”: ARTIFÍCIOS DE SOLDADOS MAMELUCOS PELA MÃO DE OBRA INDÍGENA NO SERTÃO DA BAHIA COLONIAL (1584-1592) Andreza Silva Mattos Resumo: Com o crescimento da produção açucareira no Recôncavo baiano. apresentando-nos a outros soldados com os quais compartilhou relações sócioculturais. estava Simão Roiz – sujeito que guiará as nuances dessa pesquisa. na década de 1580. no sertão do rio Real. Palavras-chave: Soldados mamelucos. de 09 a 12 de abril de 2014. Nossas ponderações serão norteadas por Nobert Elias por meio do qual iremos compreender a rede de sociabilidades de Simão Roiz a fim de que possamos refletir acerca dos artifícios utilizados pelos soldados mamelucos para denegrir a imagem dos jesuítas e. expedições foram enviadas ao sertão da Bahia colonial com o objetivo de “descer os gentios” para os engenhos.

Foi nesse ano que o Governador desse Estado. deveria ser anexado a Sergipe. Josino Menezes. de 09 a 12 de abril de 2014. e levada a Câmara Federal dos Deputados em 1891. no último capítulo de sua obra História de Sergipe. Palavras-chave: João de Mattos. Por isso. tem como objetivo analisar os conflitos e confrontos entre sergipanos e baianos criados em torno da Obra Sergipe e Bahia (Questão de Limites) escrita pelo sergipano Padre João de Mattos Freire de Carvalho (1826-1946). Bahia. Limites. Sergipe. Essa temática perpassou vários setores da sociedade sergipana. Apoiamo-nos nas reflexões Edward Thompson na defesa que os sujeitos históricos devem ser entendidos a partir de suas experiências culturais. onde atuava como pároco. com o discurso pronunciado a Assembleia Legislativa. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 02. com o objetivo de tornar novamente sergipana a região de Patrocínio do Coité (Atual Paripiranga-BA). A DISPUTA DE LIMITES ENTRE SERGIPE E BAHIA PELA REGIÃO DE PARIPIRANGA/BA (1904-1914) Antunes Santana Reis Resumo: O presente trabalho aborda a discussão de limites entre os Estados de Sergipe e Bahia em relação à Cidade de Patrocínio do Coité (atual Paripiranga/BA). Mas foi a partir de 1904 que essa temática ganhou maior importância entre os intelectuais sergipanos. A discussão de limites entre os Estados de Sergipe e Bahia foi levantada por Felisbelo Freire. onde os conflitos e confrontos em que se envolvem corroboram na formação de uma identidade que levam os sujeitos a defenderem seu grupo e tomar consciência de seu papel no mesmo. convocou toda a elite política e intelectual sergipana a defender os limites históricos do Estado com a Bahia. Esse defendeu que a Cidade baiana de Patrocínio do Coité. com o engajamento de intelectuais como professores. advogados e jornalistas. sobretudo na região Ocidental. Página 14 . Brandão (1973) em a “Introdução ao estudo da Historiografia Sergipana” coloca que o Governo do Estado entregou a defesa dos seus limites a intelectuais que levantaram documentação e produziram várias obras São Cristóvão.

Vejamos algumas considerações: É tempo já de nos levantarmos do atrazo e da decadência em que jazemos.Aos habitantes de Patrocínio do Coité”. que levam os sujeitos a defenderem seu grupo e tomar consciência de seu papel no mesmo. de 09 a 12 de abril de 2014. Sua ObraSergipe e Bahia (Questão de Limites) desencadeou conflitos e confrontos em relação a temática de limites entre Sergipe e Bahia devido sua proposta de anexar ao Estado de Sergipe a região de Patrocínio do Coité. no qual observamos o apoio que este recebeu por parte dos sergipanos para entendermos os conflitos e confrontos travados entre sergipanos e baianos. Página 15 . está a Obra Sergipe e Bahia (Questão de Limites) escrita por João de Mattos Freire de Carvalho. Dentre essas. Esse Padre e intelectual sergipano nasceu em Simão Dias – SE. Os conflitos corroboram na formação de uma identidade cultural. tornando-se Padre e doutor em direito canônico. um folheto intitulado: “Limites. No apêndice da Obra de Mattos podemos perceber o repúdio e a reação baiana em relação a sua defesa de transferir o termo de Patrocínio do Coité para Sergipe. atual Paripiranga-Ba. mas. vai São Cristóvão. Para entendermos os conflitos e confrontos gerados em torno dessa discussão. até 1915 quando comissões dos dois Estados firmaram acordo de limites ao visitarem a região em litígio. sim. É importante ressaltar que não pretendemos abranger a discussão entre todos os estudiosos envolvidos nessa temática de limites geográficos. o qual nos mostra que os sujeitos históricos devem ser entendidos a partir de suas “experiências culturais”. que longe de augmentar. recorremos a Edward Thompson. Antes mesmo de publicar seu trabalho. O presente artigo vem analisar a discussão de limites entre os Estados de Sergipe e Bahia proposta por Mattos. o seu fazer social.nos limitaremos ao período em que Mattosparticipou da discussão e das negociações políticas pela região de Patrocínio do Coité. deu-nos uma existência civil. quando ele já espalhava por Patrocínio do Coité sua defesa. O ukasebahiano de 1871. por isso pode desenvolver seus estudos no Colégio Pio Latino Americano e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Sua vida foi marcada pela atuação como pároco por 47 anos na Cidade de Patrocínio do Coité. Por isso limitamos nossa pesquisa ao recorte temporal que vai de 1904. e pertencia a uma das famílias mais ricas dessa região. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS historiográficas. Mattos distribuiu entre seus paroquianos.

. 61-62) Percebemos que Mattos tenta convencer os seus paroquianos a se voltarem contra a Bahia. Vejamos um trecho do artigo publicado no Jornal Diário da Bahia em 20 de novembro de 1904: O povo desta Villa legitimamente representado pelo seu intendente e camara municipal vem perante v. a nossa sorte tem-nos arrastado ao desamor a Bahia. p. Mattos não conseguiu o apoio necessário entre os baianos para que isso pudesse acontecer. 1905. assim como sendo mudado para Sergipe. Liderados pelo intendente do Coité. ex. continuando o Coité a occuparo mesmo recanto dessacaza pátria em que está nem eu nem Sergipe nos enojaremos por isso. 68). Joaquim de Mattos Carregosa. (MATTOS. e nos alente e nos proteja com seus recursos e cuidados. Mesmo com todo seu esforço na elaboração de seu livro no intuito de conseguir a mudança do termo de Patrocínio do Coité para o Estado de Sergipe. sob o título Limites – Aos habitantes do Coité – no qual algum sergipano abusando de nossa confiança. que nos ampare no nosso crescimento. escreve: E si somos todos amigos e irmãos debaixo do mesmo teto – a bellaPatria Brasileira. de 09 a 12 de abril de 2014. a São Cristóvão. aquele desvello e adeantamento que nunca lhes há de chegar da madrasta e longiqua Bahia. e comenta como o Coité se desenvolveria bem mais rápido se pertencesse a Sergipe. colocando este como um sergipano que abusava da confiança recebida nas terras baianas. partindo principalmente da elite política. Para isso. (MATTOS. Porém. ex. Embora ele encontrasse alguns adeptos entre os coiteenses. prodigalisando-nos elementos e meios de desenvolvimento e vigor ao nosso organismo social. Página 16 . Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS cada vez mais se enlanguecendo com pronunciada rapidez. escreveram ao Governador do Estado da Bahia expressando o desacordo as idéias de Mattos e pedindo que sua posição se tornasse pública. (Diário da Bahia. Mattos revidou tais opiniões e ao final de seu livroe critica os coiteenses argumentando quais motivos existentes para se orgulharem de serem baianos. então é que terá a honra e os cômodos do filho pródigo ao reentrar no lar paterno e seus habitantes terão satisfação de encontrar aquella paz e felicidade. e que a justiça se encarregaria de devolver a Sergipe o que era seu de direito e. 1905. p. o repúdio as suas idéias foi imediato. Porém. protestar contra a publicação de um folheto que junto envia a v. ele relata o abandono do governo baiano em relação a essa região. 1904) Vemos que as autoridades do Coité não pouparam críticas à posição de Mattos. que encaminhe os nossos primeiros passos na trilha do progresso e da civilisação. por fim. Em logar de termos na Bahia uma mãe pátria desvellada. emitiu conceitos e opiniões favoráveis a antiga idéia da passagem ou anexação deste município à Sergipe como pretendem os habitantes daquele Estado.

Enquanto nada era resolvido se estendia pela região de Patrocínio do Coité. como relata o trecho do telegrama enviado pelo governador da Bahia ao Presidente de Sergipe em 21 de outubro de 1913: Exmo. General Presidente Sergipe – Aracajú – Auctoridades jurídicas e policiaes. do qual Mattos foi sócio. em 1912. Essa promessa. Braz do Amaral para pesquisar em arquivos portugueses e nacionais documentos que pudessem esclarecer seus limites em relação aos Estados vizinhos. porém. Essa pesquisa auxiliou os baianos na negociação de seus limites com os sergipanos. São Cristóvão. assim como agentes do Thesouro em Patrocínio do Coité. nomeando professores e autoridade policial. não foi cumprida pelos sergipanos. o Governador José de Siqueira Menezes garantiu que os sergipanos iriam conquistar a sua área de direito por meio da diplomacia e decisão do Governo Federal. 72). p. e parecia que finalmente resolveria essa questão centenária. O medo de confrontos armados era diário nessa região em litígio.correspondente. comunicam-me alarmantes notícias da próxima invasão do território deste Estado por forças de polícia de Sergipe. o historiador e geógrafo Dr. em resposta as movimentações sergipanas. (SEABRA Apud AMARAL. 1916. e preocupado com a conservação de seu território. de 09 a 12 de abril de 2014. Sergipe ganhava força pela união de seus intelectuais junto ao Governador do Estado José Siqueira de Menezes pela defesa de seus limites. Esses ocuparam áreas baianas no município de Patrocínio do Coité. novas obras e conflitos surgiram em torno dos limites de Sergipe com a Bahia envolvendo a disputa pela região do Coité. Em resposta ao telegrama enviado pelo governador da Bahia. com a fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. no qual pedia a revisão dos limites do Estado em relação à Bahia. Ex. a gravidade de taes boatos para a população tão distantes de sua capital. boatos e temores de invasão sergipana a mão-armada nessas áreas. Em 1913 a discussão de limites entre os Estados de Sergipe e Bahia chegou pelasegunda vez a Câmara de deputados da República. Compreende V. O Deputado Federal Moreira Guimarães apresentou um Projeto de Lei em 13 de novembro de 1913. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS partir de 1912. convocou. O Governo baiano. Página 17 . Firmou-se então um acordo entre os governos dos dois Estados em que ambos criariam comissões para definição desses limites.

] Ainda tenho a informar-vos que diversas pessoas conceituadas do Coité me comunicaram ter o Vigário da Freguezia. sendo que. pois esta não vinha fazer barulho e sim tomar Coité que pertencia a Sergipe [. Raphael Montalvão: Também não andou bem avisado o Sr.] (VALVERDE Apud AMARAL. A reação contrária aos seus argumentos foi imediata por parte dos intelectuais e políticos sergipanos como escreveu Prado Sampaio: Ao nosso ver. p 126.) São Cristóvão. Amaral apresentou documentos defendendo a posse da Bahia sobre o Coité e outras áreas em litígio.. 78) Para os sergipanos os documentos apresentados por Braz do Amaral não garantiam a posse de Patrocínio do Coité a Bahia. (SAMPAIO.. pois os sergipanos não possuíam documentos ao seu favor. mas foi ignorado por Braz.. em uma de suas domingas do mez de outubro p. Em resposta a essas afirmações de Braz escreveu o prefeito de Anápolis (Simão Dias). 1914. 1916. como refutação basta recomendar a leitura da História de Sergipe de Felisbelo Freire e a obra do Doutor Padre João de Mattos intitulada Sergipe e Bahia (Questão de Limites). Página 18 . 1914. feito uma prática ao povo aconselhando que não temessem uma grande força vindo de Sergipe.. falta de documentos remotos. Julio de Lima Valverde em 4 de novembro de 1913. p. p. Os documentos reunidos pelos sergipanos tinham datas mais antigas. Braz do Amaral no IHGSE. o direito de Sergipe continua incontestável sobre a zona litigiosa mesmo em face do uti possidetis que milita em nosso favor há mais de trinta anos em relação á antiga Malhada Vermelha. de 09 a 12 de abril de 2014. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Diante desses conflitos Mattos continuou ao lado de seu Sergipe. como relata o Agente Fiscal do Norte da Bahia. Porém. em um telegrama ao Governador do Estado: [. As discussões sobre os limites de Sergipe com a Bahia em relação a Patrocínio do Coité ganharam ainda mais força após a Conferência realizada pelo baiano Dr. (MONTALVÃO. percebemos em nossa pesquisa a ausência de outros documentos que demonstrem o seu envolvimento nessa fase de conflitos. findo. Este ao voltar a Salvador divulgava na imprensa que a questão estava resolvida. não obstante. João de Mattos. na ocasião da missa conventual. Braz do Amaral dizendo que não possuímos documentos que firmem os nossos direitos. 79-80) Mesmo sofrendo críticas em sua Paróquia por concordar que o Coité deveria pertencer a Sergipe. Mattos se envolveu novamente nessa questão.

p. fizeram com que continuassem firmes no propósito de pertencerem ao solo baiano. São Cristóvão. A experiência dessa população vivendo como baianos. mesmo que lá tivesse ido abraçar os nossos patrícios. sua obra é referência na argumentação sergipana na defesa de seus limites. (AMARAL. os avanços não foram significativos para Sergipe. os Coiteenses possivelmente continuaram firmes nesse desejo durante a negociação entre os dois Estados. mesmo que muitas vezes desamparados em suas necessidades pelo governo. Esses conflitos eram sustentados pela defesa da identidade de cada Estado. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Como podemos ver. E assim visitaram a região de Anápolis (Simão Dias) e Patrocínio do Coité (Paripiranga) percorrendo suas áreas limítrofes. além de comprovantes de pagamentos de impostos dessa população a Bahia. 133) Assim como negaram apoio ao desejo de Mattos em mudar o termo de Patrocínio do Coité para o Estado de Sergipe. documentos como da solicitação de uma escola por parte dos coiteenses ao Governo da Bahia em 1869. em nome de V. juntamente com os intendentes das duas Cidades. De ambos os lados não se aceitavam o que o outro pesquisava. conforme se ler na discussão da intelectualidade baiana. 1916. as áreas visitadas já estavam a um bom tempo sob o domínio da Bahia. J. As negociações continuaram até o ano de 1915 quando o Governador do Estado da Bahia enviou o Dr. Do ponto de vista de Amaral os coiteenses estiveram a favor dos interesses baianos por que também já tinham constituído sua identidade baiana e demonstrava sua opção de alinhamento a Bahia. Aos habitantes do Coité e aos seus magistrados prometi. Página 19 . Seabra em 1º de fevereiro de 1915 após passar pelo Coité: Visitei o Coité no dia 26 e recebi naquellebello e ridente torrão bahiano demonstrações de consideração e respeito tão grandes como se fosse V. Tantos os intelectuais baianos como os sergipanos mergulhados na identidade de cadaEstado emitiam opiniões a seu próprio favor. pois. Braz do Amaral novamente a Sergipe para que junto com as autoridades baianas visitassem as áreas em litígio e assim entrassem em um acordo para resolver a questão. Ex. embora Mattos não esteja atuando diretamente nesses conflitos. toda a segurança de que serão respeitados as leias que garantem o nosso direito. Uma das fontes dessa argumentação é o telegrama enviado ao Governador J. Porém. Amaral tinha na defesa de seus argumentos. Os sergipanos defenderam os seus limites históricos em favor deumaidentidade. de 09 a 12 de abril de 2014. Ex.

Página 20 . Braz do Amaral não é um parvenu. (Jornal o Paladino. percebemos o quanto a Bahia se mobilizou nas negociações com Sergipe para não perder a região de Patrocínio do Coité. CONSIDERAÇÕES FINAIS Através dos documentos analisados conhecemos os conflitos e confrontos travados entre sergipanos e baianos pela região de Patrocínio do Coité. o Jornal O Paladino muitos anos após a discussão de limites. como em Patrocínio do Coité. não só este município como em muitos outros. as agruras Moraes que curtiu. compreendemos que esses foram sustentados em defesa das experiências culturais dos que estavam envolvidos. por esse ter defendido os seus interesses. como demonstra. Com isso percebemos mais uma vez o quanto a população coiteense esteve sempre firme ao desejo de continuar pertencendo a esse Estado. Felizmente. ao defendê-lo de críticas políticas noticiadas em um jornal de Salvador: O nome do dr. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS A imprensa baiana aponta que a população do Coité criou grande admiração por Braz do Amaral. as populações sabem que juízo formular tangente à actualmente campanha. Além disso. Com base na análise de documentos baianos presentes na Obra Limites da Bahia de Braz do Amaral. esse escreveuem apoio ao grupo político e intelectualde Sergipe a qual fazia parte. bem sabemos ao que se expoz o eminente homem público. onde se temia invasões violentas. Portanto. foram tão comuns os conflitos e confrontos entre sergipanos e baianos nas áreas de litígio.entre os sergipanos Mattos ganhou forte apoio na sua defesa de transferir Patrocínio do Coité para o Estado de Sergipe. E assim. por exemplo. sobretudo. 28 de maio de 1922) O Jornal Paripiranguense demonstra a sua gratidão e admiração pelo Deputado Braz do Amaral em razão da defesa desse na conservação do município como parte do Estado da Bahia. de um adventício nesta zona. podemos observar como os jornais dessa região São Cristóvão. de 09 a 12 de abril de 2014. Para que alguns dos municípios desta região permanecessem bahianos e outros não sofressem mutilação. Percebemos o quanto a obra de João de Mattos desencadeou essa discussão. Porém o mesmo não aconteceu entre os baianos. Através dos documentos analisados percebemos o quanto a elite intelectual e política baiana criticaram essa idéia e lutaram pela conservação de seu território.

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expressavam o desejo da população em pertencer a esse Estado, mesmo estando tão distantes
da capital e muitas vezes desamparados pelo Governo.
Os intelectuais e políticos se mobilizaram na defesa de seus próprios Estados, seja
diretamente nas negociações, na pesquisa de documentos históricos e na produção de livros
sobre o tema em discussão. Ambos, imersos em sua experiência cultural, estavam em torno de
sua identidade, defendendo os interesses de seu Estado, é nessa condição de identidade que se
pode explicar a persistência nessa discussão, pois foi em torno de suas experiências culturais e
vicissitudes históricas que ambos, defenderam os seus interesses.

REFERÊNCIAS
FONTES
ABREU, Francisco de Paula; AMARAL, Braz do. Jornal O Paladino. Patrocínio do Coité,
28 de maio de 1922, Ano IV. N. 26. p. 2.
AMARAL, Braz do. Limites do Estado da Bahia. Salvador: Imprensa oficial do Estado,
1916.
CARVALHO, João de Mattos Freire de. Sergipe e Bahia (Questão de Limites). Aracaju,
Empresa D` “O Estado de Sergipe”. 1905.
FREIRE, Felisbelo de Oliveira. História de Sergipe. Aracaju: Editora Voz, 1977. 2. edição.
GUIMARÃES, Moreira. Discurso pronunciado sobre os limites de Sergipe, na sessão de 13
de novembro de 1913, na câmara federal. In__ Revista do IHGSE nº 2,vol. I, Ano 1913. p.
95-105.
MENEZES, Josino. Limites entre os Estados de Sergipe e Bahia (discurso apresentado a
Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe). Aracaju: Empresa D` “O Estado de
Sergipe”, 1904.
MONTALVÃO, Raphael. Bahia – Sergipe: A questão de limites. In__ Revista do IHGSE nº
4,Fascículo II - vol. II, Ano 1914. p. 116-127.
SAMPAIO, Prado. Questão de Limites: Bahia – Sergipe. In__ Revista do IHGSE nº 3,
Fascículo I -vol. II, Ano 1914 116. p. 77-78.

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PRADO, Ivo do. A Capitania de Sergipe e suas Ouvidorias. Rio de Janeiro: Papelaria
Brasil, 1919.

BIBLIOGRAFIA
BRANDÃO, José Calasans da Silva. Introdução ao estudo da Historiografia Sergipana.
Trabalho apresentado ao V Simpósio de História do nordeste, Aracaju: agosto de 1973.
SOUSA, Antônio Lindvaldo. Temas Para História de Sergipe II. São Cristóvão, CESAD,
2010.
THOMPSON, Edward P. A Formação da Classe Operária. Vol. 1. Rio de Janeiro: Editora
Paz e Terra, 1987. p. 9-14.

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03. O INDIVÍDUO NA HISTORIOGRAFIA: ANTÔNIO ALVES NO
DESENVOLVIMENTO DA ATALAIA VELHA ATRAVÉS DA MEMÓRIA

Aquilino José de Brito Neto

Resumo:

A Atalaia-velha é um bairro de Aracaju, Estado de Sergipe, conhecido principalmente
pela sua praia. Era uma antiga colônia de pescadores e já pertenceu como povoado ao
município de São Cristovão, tendo um acesso por terra para Aracaju bastante difícil,
principalmente pela falta de pontes e estradas que ligassem um ao outro.

O tempo seguia num ritmo lento, comparado ao atual, num ambiente pacato e ao som
das marulhas. A pesca e o roçado eram as principais formas de subsistência dos moradores da
Atalaia. Entre os meses de dezembro a fevereiro, tornava-se o local preferido de muitas
famílias sergipanas, que iam desfrutar do verão no banho de mar mais agradável da cidade.
Um pouco das lembranças que ainda se mantêm frescas em algumas pessoas que viveram em
tal época neste lugar e que nunca perderam seus laços de afetividade com o mesmo, embora
diversas transformações urbanas tenham descaracterizado o “cenário” compreendido entre as
cinco primeiras décadas do século 20.

Diante disso, propomos estudar as memórias de cinco indivíduos acerca do bairro
Atalaia-velha em Aracaju, percebendo o significado que o mesmo possuiu na formação da
identidade dessas pessoas. Para Pollack (1992), “a memória é um elemento constituinte do
sentimento de identidade”. Dessa forma, nos comprometemos a analisar o desenvolvimento
do bairro através desses habitantes, percebendo como um pequeno lugarejo foi se ampliando,
e ao mesmo tempo, como muitas das tradições culturais ali desenvolvidas foram
paulatinamente reduzidas e atualmente, lembradas por poucos.

Podemos observar também, nesta localidade através das memórias daqueles que
viveram e conviveram num passado diferente do atual momento, seu cotidiano, seus costumes

São Cristóvão, de 09 a 12 de abril de 2014. Página 23

os costumes”. de 09 a 12 de abril de 2014. Portanto. “é na vida cotidiana que acontecem as verdadeiras criações. os valores. Como “fio condutor” da nossa narrativa. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS e sua cultura. Seu nome era Antônio Alves dos Santos. São Cristóvão. as ideias. a História Oral será a constituição metodológica para o desenvolvimento desse trabalho. já que ele foi um dos precursores e fundadores do antigo povoado Barreta. um homem que ainda vive nas memórias dos antigos moradores da região. Antônio Alves dos Santos. Para Lefebvre (1991). Palavras-chave: Memória. inserimos um indivíduo da historiografia sergipana muito pouco conhecido. Página 24 . mas fundamental para compreendermos a localidade. cotidiano. atualmente Atalaia Velha. Atalaia-velha.

ela nos revela a sua dupla jornada. Página 25 . Quando solta o facão do corte da cana. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 04. Entre várias entrevistas realizadas por membros do projeto se destaca a de Maria Hora. "OS ENGENHOS. através de pesquisas em arquivos e jornais. Maria lança mão de seus perfumes e arranjos e segue para o seu segundo emprego no cabaré da cidade.abolição da escravatura. órfã vai encontrar para sobreviver num sociedade pos. A DAMA E O PERFUME”: UM CABARÉ NA SOCIEDADE AÇUCAREIRA (1950-1970) Barbara Barbosa dos Santos Resumo: Este trabalho esta sendo desenvolvido a partir de pesquisas do Projeto Massapê (PIBIX/UFS 2014) que tem como objetivo o resgate de memórias de trabalhadores dos engenhos localizados na microrregião da cotinguiba. Rosário do Catete. Palavras-chaves: Engenhos. Mulher. Pedras e Vassouras. como também entrevistas de história oral com pessoas que trabalharam ou são filhos e netos de trabalhadores de engenhos portanto herdeiras desse passado. de 09 a 12 de abril de 2014. São Cristóvão. A partir dessa dupla jornada de dona Maria Hora podemos identificar a vida noturna da sociedade açucareira na cidade supracitada como também os vários meios que uma mulher negra. uma senhora de 80 anos que para além da vida de trabalhadora braçal dos engenhos Caraíbas. Cabaré .

que ia de encontro com as suas origens. como Paulo Brandão e de ex-jornalistas que conviveram com ele. Durante a adolescência desgarrou-se dos latifúndios de seu pai para buscar o conhecimento na Universidade de Pernambuco. em Sergipe. foram utilizados depoimentos de parentes. de 09 a 12 de abril de 2014. os editoriais assinados por “Seu Orlando”. Ao retornar para Sergipe funda o jornal Gazeta Socialista. Além disso. Orlando Dantas nasceu na cidade de Capela. também nos fornecem vasto material para analisar quem foi Orlando Dantas. “HISTÓRIA CRUZADA” – ORLANDO DANTAS ENTRE A USINA E A IMPRENSA Carla Darlem Silva dos Reis Resumo: Filho de um usineiro e político. Inicialmente optou por Engenharia. São Cristóvão. pois o seu instinto em conhecer e compreender a sociedade o fez trilhar o caminho da Sociologia. Manoel Côrrea Dantas. Palavras-chave: Imprensa – Biografia – Sergipe – Política. pois no reduto jornalístico pregava a reforma agrária e as mudanças sociais para as classes mais baixas. a exemplo de Luiz Antonio Barreto. Página 26 . do Jornal Gazeta Socialista que em 1953 passou a ser chamado de Gazeta de Sergipe. mas logo desistiu. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 05. Essa comunicação pretende discutir a contraditória trajetória de Orlando Dantas. para isso. no ano de 1900.

lugar em que fica guardadas os acontecimentos que mais importam ou que marcam a vida das pessoas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 06. Através de fontes orais construímos um pedaço daquele cosmo. Representações.que passou por Boquim no Estado de Sergipe nos idos do segundo semestre entre os anos de 1972 e 1974. surgem diversas crendices e manifestações religiosas tendo como inspiração a matriz .UFS. de locomoção entre tantas outras coisas.Frei Damião de Bozzano . de assistência médica. berço de um povo sofredor que enxergar na religiosidade à ajuda que tanto almejavam. a solução de tais problemas não estariam aqui. Laura de Mello e. 3 Cf. as graças vindouras. tirar das manifestações religiosas o que eles esperam que não terão neste século. 2 Graduada em História pela Faculdade José Augusto Vieira . 1997. celeiro em que se misturam o que queremos guardar com as lembranças que queremos esquecer.FJAV.Pio X. mas. e. como alguns o chamavam. mecanismo seletivo. algo em que possam se segurar. NOS TRILHOS DE DEUS: ACONSELHAR OS FIÉIS E CORRIGIR PRÁTICAS OFICIOSAS . e. empreendeu a divulgar às Santas Missões pelo nordeste. fez pós-graduação em História do Brasil pela Faculdade Pio Décimo . Ronaldo. Indivíduos que destacam-se no cenário religioso brasileiro já não é novidade. de 09 a 12 de abril de 2014. Religiosidade. Lugar propício. A história desde o Brasil colônia3 ao século XX é banhada por um fé que foge ao emanado pelas autoridades de Roma. 2009. desejosas por mostrar o seu lado da história.UFS. aluna especial do mestrado em História da Universidade Federal de Sergipe . vê no campo religioso um meio por excelência.AS REPRESENTAÇÕES DO MISSIONÁRIO FREI DAMIÃO DE BOZZANO EM BOQUIM/SE (1972-1974) Degenal de Jesus da Silva1 Maria Edeilde de Jesus Santos2 Resumo A memória. Santas Missões. mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe .Pio X. afinal. mas as vozes estão aí. imperfeito admitamos. Página 27 . no porvir. Neste contexto. Trópico dos Pecados: moral.o catolicismo romano. São Cristóvão. VAINFAS. "Padim Ciço Romão". O nordestino ante as dificuldades ambientais. O artigo descreve à vida e representações de um missionário .FJAV. Palavras-chave: Catolicismo. SOUZA. por compaixão. que minguariam. sexualidade e inquisição no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras. O Diabo e a Terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil Colonial. 1 Graduado em História pela Faculdade José Augusto Vieira . ou pelo menos. fez pós-graduação em História do Brasil pela Faculdade Pio Décimo .

Demonstrou.5 Este é um dos objetivos das Santas Missões compreendidos por Frei Damião: moralizar o povo e esclarecer. Frei Damião de Bozzano. 5 ed. gosto pelos estudos religiosos. para trazer uma mensagem de civilidade ("as boas novas"). 2004. nasceu no dia 5 de novembro de 1898. o missionário. a diferença entre a "verdadeira igreja" e as demais."Os Progressos da Divisão do Trabalho Religioso e o Progresso de Moralização e de Sistematização das Prática e Crenças Religiosas". Aos 19 anos. p. O Frei. e em muitos casos. A nossa personagem. p. In:______. bem como a seus valores e a seus interesses próprios de grupo letrado. 4 BOURDIEU. no campo religioso: o corpo de sacerdotes diretamente com a racionalização da religião e deriva o principio de sua legitimidade de uma teologia erigida em dogma cuja validade e perpetuação ele garante. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Para que o catolicismo romano ganhasse autonomia frente aos obstáculos do protestantismo e das intempéries dos fiéis e desvios de condutas dos clérigos. Pierre. 5 Idem. filho dos camponeses Félix Giannotti e Maria Giannotti. de 09 a 12 de abril de 2014. lugarejos cujas casas estariam bem distantes umas das outras com um forte numero de analfabetos. São Cristóvão. O seu maior obstáculo seria a grande dimensão territorial do nordeste. Gênese e Estrutura do Campo Religioso. na adolescência. tende a substituir a sistematicidade objetiva das mitologias pela coerência intencional das teologias. São Paulo: Ed. Sua pretensão era colocar o povo nordestino nos trilhos de Deus: aconselhar os fiéis e corrigir práticas oficiosas. justaposta no mesmo espaço urbano. a marcha da igreja fez-se acompanhar por um processo de sistematização e de moralização das práticas e das representações religiosas. Perspectiva. e até por filosofias. a um séquito católico.38. em Bolzano na região do Ádige no norte da Itália. ou pela necessidade de conferir os ritos ou mitos tornados obscuros um sentido mais ajustados a normas éticas e à visão do mundo dos destinatários de sua prédica. o trabalho de exegese que lhe é imposto pelo confronto ou pelo conflito de tradições mítico-rituais diferentes. O seu nome de batismo era Pio Giannotti. seus estudos seriam interrompidos para servir a um propósito diferente da "missão religiosa": a guerra. veio de terras longínquas. Com o surgimento da Primeira Guerra Mundial. Página 28 .4 Para Pierre Bourdieu.37. Aos 12 anos ingressou na escola Seráfica de Camigliano.

São Paulo: Martins Fontes. "os quais está em contato. não creditava a sí.em Recife. Milagres cuja manifestação e resultado. Os fiéis ansiava por ver a manifestação do sagrado. Nos idos de 1921 à 1925 frequentou as aulas da Universidade Gregoriana de Roma.7 O Frade acabou sendo incorporado ao panteão de seres admirados . Obra de Deus respondia Damião. mal dominava a língua portuguesa. filosofia e teologia dogmática. Sua imagem ficou tão próxima de outro individuo daquela região - 6 Cf.momentos esses. iam assistir aos sermões do frei em busca dos milagres. veio para o Brasil. fixando residência no convento de São Felix . direito. patrologia. mas a Deus. O sagrado e o profano: a essência das religiões. As Formas Elementares de Vida Religiosa: o sistema totêmico na Austrália. Paulinas. Suas primeiras pregações foram em Recife no convento da Penha. – São Paulo. ele não negava. 7 DURKEIM. Ed. Giannotti largou o exercito e reiniciou os estudos religiosos . pois. que deixaram lembranças fortes na mente da nossa personagem. tinha que decorar os seus sermões. difícil de não usufrui os benefícios que isso lhe traziam e de se desprender de tal imagem. 1989. dos traços distintivos do seu temperamento físico e moral". Pereira Neto. Mas os fiéis despreocupados com a estética da língua mátria. Com o fim dos acirramentos provocados pela primeira grande guerra.pelo menos por alguns . construímos sujeitos colocando-lhe representações ao sabor das possibilidades e necessidades do momento. ELIADE. Os nordestinos não demorariam muito em reconhecer aquele que seria aclamado como Frei Damião ( por muitos. é ordenado sacerdote na Igreja São João de Latrão. de 09 a 12 de abril de 2014. Quase oito anos depois de ser ordenado (17 de maio de 1931). Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Giannotti foi convocado para lutar nas trincheiras contra a Iugoslávia . entretanto. considerado como santo). Em 25 de agosto de 1923. Frei Damião.:_________. Não demoraria muito até que o frade pisasse em solo brasileiro. por isso. mas o fato é que sua vida era considerada um instrumento para que os milagres acontecessem .o seminário.300. Lá teve lições de teologia. São Cristóvão. Diplomou-se em direito canônico. No Convento de São Felix chegavam muitas cartas relatando curas.da ordem dos capuchinhos . In.. p.Tradução. Página 29 . do seu caráter. milagres e bênçãos recebidas.do nordeste. Émile. revisão José Joaquim.isso ficou implícito em suas falas e.6 Por mais que quisesse se afastar das representações (a margem de suas intenções) construídas em torno de si. 1992. " A Noção de Espíritos e de Deuses". da sua fisionomia. Mircea. eclesiologia. "cada povo representa seus heróis históricos ou lendários de determinada maneira variável segundo os tempos".

8 Frei Damião não nutria amores com os afazeres da parte administrativa. amigos. Era um frade caminhante. alcançar almas de forma simples que os fiéis entendessem. Era um homem de ação. preferiu ir para o meio do povo. ANDRADE. Péricles. "Caminhando com Frei Damião no Sertão Nordestino: uma experiência Missionária".] Frei Damião nunca foi um vigário de paróquia. Aqueles que se 8 DA CRUZ. sua figura foi eleita como sucessor de "Padim Ciço" ou. os batizados eram realizados. tinha a duração de alguns dias. " [.João Everton. São Cristóvão: Editora da UFS/Fundação Oviêdo Teixeira. as missões tinha o objetivo de limpar as impurezas existentes na "comunidade dos fiéis".htm.9 Assim. solteiros e toda sorte de pessoas chegavam para vê-lo.que o frade foi assimilado em alguns casos à imagem de seu antecessor. em pé de igualdade. Nunca fez uma pastoral como se faz hoje.. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Padim Ciço . embora versado em letras. O comercio local lucrava com sua chegada. daí que sempre esteve isento do peso administrativo de uma Paróquia. além de proteger-se do avanço do protestantismo e outros credos. e em outros. Para o Frei. Frei Damião! Valhei-me. O auge das santas missões era a conversão da população à vida sacramental. Nelas aconselhava-se e corrigia-se a falta cometida pelos fiéis: os casamentos religiosos aconteciam. as pessoas afluíam até onde ele estivesse para os mais diversos intentos: toca-lhe. Acessado em 26/11/2010. meu Padim Ciço!”. ou. elas eram de extrema necessidade para o livramento das almas: “livrá-los do Demônio. as confissões ministradas etc. Ele ajudou a disseminar as santas missões pelo nordeste. assistir aos sermões. sendo chamado por "Meu Padim Ciço Romão". andante ". que queria afastá- los da Igreja e fazê-los abraçar outro credo”.brasilescola. vizinhos. São Cristóvão. 10 Cf. Sua estadia numa região era seguida por aumento nas vendas de comida e de objetos religiosos - ou considerados como tal. Sob o Olhar Diligente do Pastor: a Igreja Católica em Sergipe.com/religiao/caminhando-com-frei-damiao-no- sertao-nordestino. Por onde passava o frade atrai multidões: casais de namorados. Seu sucesso era medido pela quantidade de sujeitos que aceitavam às práticas que conduziam até o céu. crianças.http://meuartigo. 2010. nômade. a igreja tinha que direcionar as ovelhas desgarradas.. em momentos de aflição de habitantes do nordeste.In:_________. A cidade transformava-se. a espera de um milagre ou simplesmente por curiosidade.10 As Santas missões realizadas pelo nordeste. Página 30 . como demonstra esta frase: “Valhei-me. de 09 a 12 de abril de 2014. 9 Idem. rotineira da igreja.

geralmente. onde os devotos acompanhavam fervorosamente. Anualmente acontece a Festa da Padroeira da cidade. como Festas Juninas. Durante toda essa época a cidade se organizava para a festividade. Natal e Ano Novo. conduzindo a imagem da padroeira. Durante o ano. pelas ruas. para ver o cortejo passar com o andor da santa. grande parte da população costumava participar dessa manifestação religiosa que acontecia todo ano na cidade. que constituem em novenas. “eram o momento alto da religiosidade popular. onde existia o espírito receptivo nas pessoas que procuravam interiorizar a palavra de Deus na sua essência”. Memórias Sobre Frei Damião em Boquim/Se . Contudo. recebendo vários visitantes para mostrar o produto da casa. A laranja na segunda metade do século XX. eram atendidas as preces. culminando com missa festiva. outros ficava em frente das casas olhando a procissão que passava. Portanto. onde as comunidades se juntavam para demonstrar sua fé. onde os fiéis prestam lhe homenagem. no mês de novembro. Página 31 . a cidade de Boquim viveu momentos de satisfação com a vinda de Frei Damião para Boquim. a população se organizava para os movimentos da igreja. muitos devotos acompanhavam a procissão. Mas a festa de destaque na cidade era a tradicional “Festa da Laranja”. Para os fiéis essas manifestações religiosas. a ansiedade dos fiéis era grande pelas ruas da cidade. se fossem favorecido pela divindade. As demonstrações de fé durante a procissão eram vistas pela população nas ruas. missas e procissão.as Santas Missões na terra da laranja Durante os anos de 1972 e 1974. onde por vários anos se destacou devido o cultivo dela na cidade. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS deixasse ser conduzido nos trilhos de Deus encontrariam as bênçãos e graças no mundo vindouro. naquele momento mesmo. de 09 a 12 de abril de 2014. onde tomava grande parte da massa dos fiéis. se São Cristóvão. várias pessoas vinham dos arredores da cidade para participar da procissão. onde todos participam com grande devoção. Mas o povo também tem o costume de participarem de outras festas. respeito e entusiasmo diante das manifestações religiosas realizadas na cidade.

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caracterizar como uma fase muito importante tanto para a cidade quanto para o município, em
função da citricultura, que era bastante comercializada pela população e os visitantes.

Devido a divulgação da festa da laranja, muitas pessoas só vinham para prestigiar os
shows que ocorria durante a festa, a cidade mantinham a tradição de realizada os festejos a 42
anos em datas móveis durante quatro dias. Conhecida nacionalmente, a festa faz parte do
calendário cultural da cidade. Com base econômica forte, Boquim, chegou a ser um dos
maiores produtores de laranjas do país.

Mediante ao desenvolvimento na agricultura, o comércio local foi um dos mais
importantes dos municípios. A cidade mantinha duas grandes pensões nessas épocas de
festividades. A sede do município chegou a ter o maior cinema da região, que passava filmes
de 35 mm e tinha capacidade para 300 espectadores, onde a população participava de várias
sessões aos finais de semana. Mas hoje a população não desfruta mais dessa cultural local, por
motivo pessoal o proprietário desativou o cinema e hoje no local está uma igreja evangélica.
Também a Associação Cultural passou a ser uma espécie de academia e escola de capoeira, a
tão famosa lavandeira da fonte da mata foi desativada e hoje a estrutura foi mudada para
melhor locomoção da população.

Nesse período o povo de Boquim contava com variável área de lazer, como a
Associação Cultural e Recreativa Boquinense, onde a população tinha o hábito de fazer baile
e se divertirem muito, também tem na cidade a famosa Fonte da Mata, onde inspirou o nosso
poeta maior da cidade, o famoso Hermes Fontes. Lá na fonte da Mata também existia uma
grande lavandeira, onde muitas vezes os moradores iam lavar suas roupas, vislumbrando a
visão daquela riqueza que temos em nosso município. Durante muito tempo, a população
carente da cidade saia de suas casas para lavar suas roupas, lavavam por encomendadas.

Na segunda metade do século XIX, surgem as missões populares pelo sertão
nordestino, onde os freis saíram de cidade em cidade pregando os seus sermões e ministrando
a palavra de Deus para os fiéis. Diante da notícia dessas missões pelo sertão, o pároco da
cidade trouxe frei Damião para pregar a Santa Missão em Boquim. A população da cidade
ficou eufórica, quando o padre anunciou, numa missa, sobre a presença do frei na cidade. A

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chegada dele, foi motivo de festa, satisfação e fé, os fiéis receberam o frei com alegria e
cantos.

Com a notícia da chegada do frei, os fiéis ficaram aglomerados nas ruas da cidade
aguardando os missionários chegar. Eles por várias horas ficaram em frente ao colégio Santa
Teresinha, em frente à matriz da igreja para aguardar o frei sair do colégio e em seguida
acompanhá-lo até a matriz.

A partir de várias entrevistas realizadas é possível perceber a devoção dos fiéis com
frei Damião. No momento da chegada do frei na cidade os devotos reuniam-se na frente da
igreja aguardando os missionários aparecerem com devoção e em total demonstração de fé.
Durante sua permanência na cidade, muitos acreditavam que o mesmo operava milagres.
Devido essa notícia, várias pessoas ficavam na espera dos missionários para poderem receber
às bênçãos.
Vale ressaltar que a Santas Missões foram ministradas pelo frei Damião, apesar de,
mesmo falando baixinho, os devotos demonstravam bastante satisfação nas missas - por ser ”
um frade respeitado e amado pelo povo, pregador do evangelho e zeloso pela doutrina”.
Segundo Maria Almeida: “as vezes, em nome desse zelo, até feria as pessoas por causa de
algo que não aceitava , era 'Santo e rígido'.Quando o frei chegou na cidade, as pessoas
rezavam, assistiam as palestras, mas cada palestra tinha o horário detalhando pelo o
missionário.” Tinha horário específico paras as crianças, para os jovens, outro para as
senhoras e outro horário para os homens, após a celebração dos sermões, os fiéis faziam suas
confissões, comungavam da ceia eucarística, participavam das procissões matinais de
penitência, rezava para Nossa Senhora e ouviam a pregação do evangelho. "Era momento de
muita paz durante as pregações do frei".11
Os enfermos iam ao encontro de Damião para obterem a restauração da saúde. havia
aqueles que não conseguiam se aproximar do missionário na igreja, em um gesto de
compaixão e imitação do exemplo de Jesus, o clérigo saia de onde estava para acudir os
despossuídos de saúde.

11
ALMEIDA, Maria. Entrevista concedida no dia 07 de novembro de 2010.

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Durante a permanência dele na cidade, muitas pessoas viam frei Damião como um
santo, a exemplo de Dona Aliete Menezes que comentou: “Quando vi o frei pela primeira
vez", ela pensou, "será que ele vai aguentar caminhar, mas quando ele botava o pé na estrada,
eram os anjos que levavam ele. Porque menino novo, ele xotava viu, não conseguia
acompanhar ele”12. Quando o frei estava na cidade, a população se aglomerava em frente à
igreja para participar das novenas, vinham vários fiéis das comunidades, a praça ficava
pequena diante de tanta demonstração de fé.

Sua presença na cidade trouxe vários fiéis a conversão, muitos aproveitaram o
momento da manifestação religiosa, para expressar sua devoção e fé diante do frei. A santa
missão teve a função de converter o pecador a religiosidade cristã, aqueles devotos que
estavam afastados da igreja, começaram a participar da missa e ouvir as pregações. No
decorrer das Santa Missões, os devotos aproveitavam o momento pra confessar os seus
pecados e “receber Jesus na Eucaristia”13. Para Dona Josefa Meneses a cidade naqueles dias
passava por uma atmosfera mística. Ela alega ter visto a Santas Missões como momentos de
graças, onde o povo “participava com fé e amor, pois sabia que era uma verdadeira catequese
e evangelização de todos”14.

Em outro momento, Dona Maria Antônia salienta, naquela época as santas Missões
“eram consideradas como momento de conversão, de perdão, arrependimento dos pecados e
preparação para a viagem definitiva até Deus”15. Portanto, quando o frei chegou à cidade, os
próprios fiéis eram que organizavam tudo, arrumavam o palanque diante da igreja, para às
novenas e as missas. Nessas santas missões muitas vezes faziam novenas nas casas dos fiéis,
como cita Dona Maria Antônia Dias. A mesma comenta que as novenas que existiam naquela
época eram “a novena de Santo Antônio com dona Eulina e a Novena de São João Batista
com dona Argemina”16. Durante as novenas, as festas sempre foram animadas e com muita

12
Ibidem.
13
MENEZES, Josefa Miguel de. Entrevista concedida no dia 17 de outubro de 2010.
14
Idem.
15
ANDRADE, Maria Antônia Dias. Entrevista concedida no dia 23 de novembro de 2010.
16
Idem

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o frei perguntou: 'o que eu queria'. ele botou a mão na cabeça ai depois fez o sinal da cruz na testa dele. eu respondia a ele:' queria que ele rezasse na cabeça do meu filho'. vai além. quando tive ela andei morrendo. Maria Caetana da. de 09 a 12 de abril de 2014. mesmo morando em povoado. ela atravessou na barriga e ainda tinha que ter em casa.já fiquei com medo. passei muito mal. nunca mas vai acontecer isso. pois considera o frei como “representante de Cristo que chegava a Boquim para ensinar as verdades esquecidas pelo povo”17. O menino ficava batendo com a cabeça direto. foi a última vez. e problema na cabeça dele graças a Deus não tem. foi quando teve uma santa Missão na cidade. os próprios fiéis comentam que foi ele quem concebeu. pelas 17 ANDRADE. depois deu um tapinha na costa e disse que nunca mais você vai bater sua cabecinha. e fui explicando a ele a situação né. Entrevista concedida no dia 24 de agosto de 2010. houve alguns milagres que foram atribuídos a ele. depois disso. Uma das entrevistadas. hoje está formado. ai mandaram a ambulância para me buscar e na hora que a ambulância chegou. só ele sabe o que rezou né. eu consegui trazer ele até o frei Damião. foi quando eu entrei com ele no braço e sentei. São Cristóvão. comentou: Recebi uma benção do frei Damião: o filho tinha um problema de saúde muito sério. Quando cheguei com ele na casa do padre João Batista. o frei estava recebendo umas pessoas e conversando com elas. como podemos constatar: Segundo dona Josefa Durval. Houve outros relatos de milagres atribuídos à santa missão de frei Damião. depois foi que mandaram a ambulância para me buscar. muito sério mesmo. ai quando fiquei eu sair de gravidez de Teresinha . mas quase que morria. Cada missa feita pelo frei à igreja lotava de fiéis para ouvir seus sermões. A veneração chegou a tal nível que muitos devotos o viam como santo operador de milagres. foi quando ele colocou a mão na cabeça dele e rezou lá uma oração né. frei Damião salvou ela e uma criança que esperava: Quando estava esperando Raimunda. Entrevista concedida no dia 23 de novembro de 2010. Nesse tempo tudo era muito 18difícil. Dona Antônia. a população mantinha um espírito de oração e penitência esperando os missionários. dona Caetana da Silva. Ai. ele tem uma memória excelente. ele estudou. um desses milagres. ai a menina nasceu atravessada. eu recebi essa graças através da minha fé. 18 SILVA. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS gente. diante da palavra de Deus. ficou passando a mão na cabeça dele. porque morava na fazenda dos pilões. e com isso começava a sangrar. ele não tinha condição de estudar. Página 35 .Maria Antônia Dias. Devido a Frei Damião ser comparado a um santo.

ai eu fiquei mangando até do padre. A quantidade de quantos pessoas regularizou-se. ai minha madrinha Lurdes troxe eu para frei Damião benzer. na expectativa da escuta da palavra de Deus”21. "porque o sacerdote tem a missão de permanecer sempre na paróquia. São Cristóvão. Ai madrinha Lurdes morava pertinho.ficamos com mais fé. Oxé de Raimunda quase morro e de Teresinha é que vou ter assim ligeiro.20 Ao retornar à igreja várias mulheres devotas se abraçavam diante de todos. mas foi dito certo. ai deu uma dor 5 hora da manhã. 21 Idem. na minha barriga. o missionário disse quando eu 3 dor a menina ia nascer. por onde passava pregava sempre a palavra de Deus e deixavam todos bastante satisfeitos com o seu sermão. ao mesmo tempo que sua devoção cresceu mais diante do frei Damião19. olhe não tenha medo quando você dê 3 dores. No tocante ao sermão de frei Damião. Diante desse fato muitos fiéis acreditavam no poder que frei Damião tinha. nas 3 a menina nasceu. a mesma coisa que ele disse oxé quando interou um 1 mês eu tive ela.A mesma coisa que ele disse. 20 MENEZES. Nessa época. perante a igreja. doida e doida. Entrevista concedida no dia 24 de outubro de 2010. de 09 a 12 de abril de 2014. não consta no livro de tombo 19 DURVAL. Como ele era considerado servo de Deus. ai eu disse oxé ele deve está broco. ai madrinha Lurdes troxe eu para frei Damião benzer. batizados. Ai troxe eu levou lá aonde tava frei Damião. ainda mora né. quando eu dê 3 dor a menina nasce. mas a casa de Padre João era pegada com a de madrinha Lurdes. as pessoas vinham de longe só para se confessar com ele. como qualquer sacerdote. ai agora mora perto do convento das freiras.houve vários casamentos. pregando missão de cidade em cidade aonde o espírito santo lhe manda- se". mas vinham só para ficar perto dele. deu 1 depois deu 2. Outros nem entendiam “o que ele falava. ai se a gente já tinha fé nele . ai disse. Dona Maria Senhora de Menezes via o frei como: "Apóstolo de Deus" . ai ele rezou na minha cabeça. ai eu disse a madrinha Lurdes. e pediam perdão a Deus pelos seus pecados. Página 36 . muitos fiéis que moravam juntos aproveitaram a presença do frei na cidade para se casarem . Maria Senhora Miguel de Menezes. Entrevista concedida no dia 15 de outubro de 2010.já tinha mas de 9 meses e eu fiquei doida. crismas e comunhões. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS minhas contas . diante das palavras de Deus. Portanto devido a fé que a fiel teve. evangelizando. Josefa Santos. ai eu fui ele ficou hospedado na casa de Padre João. celebrando a santa missa e o frei Damião era um frei missionário. ai tinha uma santa missão. ela disse. vai ser assim mesmo. fez com que salvasse sua vida e de sua filha. a menina nasce.

23 ANDRADE. sua imagem como apostolo de cristo se torna mais evidente quando os fiéis começam a comentar dos poderes miraculosos do frei Damião em expulsar os Demônios. por devoção. Diante dos fatos. só 22 Isso aparece nos depoimentos de dona Maria Antônia Dias Andrade. Josefa Miguel de. assim como ventos maléficos. uma manhã uma menina passou por ele.23 Seguindo nessa linha de pensamento. Entrevista concedida no dia 15 de outubro de 2010. Aliete Miguel de Menezes e Josefa Miguel de Menezes. Na maioria das vezes que isso acontecia. dona Maria Senhora acrescenta: “eu acredito. São Cristóvão. Narra-nos Dona Maria Elder sobre um episódio: Houve um episódio que aconteceu na feira. fé e oração. que fala: ”Não só frei Damião como tantos outros sacerdotes. ele só virou o rosto por cima do ombro e disse Deus te abençoe ai a menina caiu. Entrevista concedida no dia 15 de outubro de 2010. Entrevista concedida no dia 23 de novembro de 2010. Lembrando que. fazem parte do arsenal cultural dos nordestinos. de 09 a 12 de abril de 2014. as pessoas sofriam as consequências dos atos no mesmo instante. A menina caiu mesmo durinha lá. boa parte da população acreditava que Damião expulsava demônios. Maria Oliveira de Almeida. os discípulos (como está no evangelhos) tinham o poder de curar (feito que já era-lhe atribuído). Maria Antônia Dias. uma dessas fiéis é a senhora Josefa Miguel de Menezes. 24 MENEZES. pelo poder que ele recebeu de Deus. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS da paróquia. e chamou de corcunda. alguns fiéis comentam sobre isso. Maria Senhora Miguel de. e expulsar os demônios. 22 Sobre esse fato Dona Maria Antônia comenta: ”Claro. Não só frei Damião como qualquer padre de 'boa vida' pode expulsar demônios". 25 MENEZES. Página 37 . era fração de minutos. Mas uma coisa era certa: frei Damião jamais gostava que alguém lhe faltasse com respeito. só existe o registro afirmando que a população esperava o momento da chegada do frei para se casarem. quando o padre é ordenado. lobisomens e outros mais. Esta entidade. ele tem uma coisa diferente da gente”25. ele recebe um poder diferente dos católicos fiéis como nós. porque o senhor Jesus deu poder a todo o sacerdote e ao discípulo de expulsar os demônios”24. Contudo.

Maria Elder do Espírito. As crenças supersticiosas e o mistério alimentaram as lembranças e construíram um imaginário rico e diversificado. Diante disso. santos e demônios conviviam na naqueles dias de Santas Missões. Tiveram outros fatos que as pessoas presenciaram. agora o porquê também não sei. A fé também vivenciada sobre a sociedade constrói grupos e separam tantos outros e carrega os sonhos e as perspectivas para dias melhores. Considerações Finais As práticas devocionais estão estritamente ligadas ao campo religioso brasileiro. denotamos que cada indivíduo possui sua particularidade de entender a presença do frade em Boquim. Cada trama apresentada pelos entrevistados exibiu um modo de ser. se ele possui alguma coisa nós não ficamos sabendo26. Para além desta devoção comum. a padroeira e a frei Damião. Tudo foi visto e guardado nas memórias individuais de mulheres e homens que viviam na cidade no alvorecer daquela década. Mais do que isso. Essa artigo discutiu a preparação e repercussão das duas santas missões que o capuchinho mais popular realizou na Terra da Laranja. Na crença popular do povo de Boquim. a população sempre comentava sobre o episódio ocorrido na cidade. Essas memórias se tornaram em bem coletivo. pois as expressões de religiosidade revelam as diferentes visões de mundo. 26 SANTO. mas mesmo assim ninguém nunca descobriu sobre essa proteção que o frei tinha que na maioria das vezes as pessoas eram castigadas sem ao menos ele tocá-las. Entrevista concedida no dia 30 de outubro de 2010. A fé é condição inerente aos seres humanos. São Cristóvão. mas não quiseram comentá-los. Tudo foi acompanhado pelo olhar atento das beatas que o acompanharam nos dias impetuosos. de 09 a 12 de abril de 2014. se ele também possuía além da religiosidade . desejos da sociedade. Página 38 . viver e perceber o missionário Damião. os sonhos. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS levantou quando ele foi lá e botou a mão na menina.

p. sexualidade e inquisição no Brasil. Sob o Olhar Diligente do Pastor: a Igreja Católica em Sergipe. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. São Paulo: Contexto. 5 ed. 2001. Josefa Miguel de. VAINFAS. O Sagrado e o Profano: a essência das Religiões. Perspectiva. In: O profano é sagrado na Bahia: imagens e representações da cultura popular. "Caminhando com Frei Damião no Sertão Nordestino: uma experiênciaMissionária".org/culturapopular/artigos/culturapopular.. O Diabo e a Terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil Colonial. Maria Elder do Espírito. BOURDIEU. Ronaldo.htm. Fontes Orais Consultadas ALMEIDA.http://meuartigo. Trópico dos Pecados: moral. " A Noção de Espíritos e de Deuses". Péricles. DURKEIM. Disponível em: http://oolhodahistoria. Entrevista concedida no dia 15 de outubro de 2010 SANTO. SOUZA. MEIHER. Maria. Cultura popular: reflexões sobre um conceito complexo. Acessado em 26/11/2010. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Bibliografia ANDRADE. CRUZ. revisão José Joaquim. Aliete Miguel de. FRESSATO. de 09 a 12 de abril de 2014. como pensar. São Paulo: Companhia das Letras. Entrevista concedida no dia 17 de outubro de 2010 MENEZES. João Everton da .pdf. 1997.:_________. 2004. São Paulo: Ed.In:_________. Paulinas. José Carlos Sebe Bom. Émile. Soleni Biscouto. Entrevista concedida no dia 07 de novembro de 2010 ANDRADE. 2009.Tradução. In. A Economia das Trocas Simbólicas. Laura de Mello e. Maria Antônia Dias. São Cristóvão: Editora da UFS/Fundação Oviêdo Teixeira. São Paulo: Martins Fontes. Mircea. Entrevista concedida no dia 30 de outubro de 2010. Página 39 . Pierre. As Formas Elementares de Vida Religiosa: o sistema totêmico na Austrália. Acessado em 18-08- 2010. São Cristóvão. – São Paulo. 2010. MENEZES. Pereira Neto. Entrevista concedida no dia 23 de novembro de 2010.300.com/religiao/caminha ndo-com-frei-damiao-no-sertao-nordestino. ELIADE. 2007.brasilescola. História oral: como fazer. 1989.

SILVA. Josefa Durval. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS SANTOS.58 São Cristóvão.p. Maria Caetana Da. 1972. Livro de tombo da Igreja Matriz Senhora Santana. de 09 a 12 de abril de 2014. Entrevista concedida no dia 24 de outubro de 2010. Página 40 . Entrevista concedida no dia 24 de agosto de 2010.

Página 41 . Em seguida. em Aracaju. Por fim. Aracaju. principalmente. no Brasil e favoreceram a secularização dos costumes religiosos de tradição católica. Observamos através de leituras de Eric Hobsbawm como o surgimento e as crescentes inovações tecnológicas. somamos as discussões mencionadas com uma análise da sociedade aracajuana baseada nas contribuições de Ibarê Dantas e de pesquisas no periódico oficial da Arquidiocese de Aracaju “A Cruzada”. Secularização. notamos que durante os anos 1950 novos costumes se desenvolveram. de 09 a 12 de abril de 2014. São Cristóvão. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 07. especificamente. progressivamente. Palavras-chave (quatro): Igreja Católica. verificando a realidade brasileira a partir de Riolando Azzi. que incentivou a sexualidade a ganhar uma dimensão diferente da cristã. Vimos como o desenvolvimento dessa orientação secular motivou a Igreja Católica a iniciar o Concílio Ecumênico Vaticano II em 1962 a fim de dialogar com a modernidade. “UMA CAPITAL EM PROCESSO DE SECULARIZAÇÃO”: ARACAJU ÀS VÉSPERAS DO CONCÍLIO VATICANO II Eduardo Augusto Santos Silva Resumo: O presente artigo traz uma reflexão acerca de como os impactos da “modernidade” durante a primeira metade do século XX contribuíram para uma secularização da moral cristão-judaica na sociedade ocidental. nos meios comunicação de massa contribuíram para a mudança nos hábitos cotidianos tradicionais do mundo ocidental. como a importação de ritmos musicais estrangeiros e a expansão das opções de lazer noturno. Concílio Vaticano II.

Essa primeira visitação. INTRODUÇÃO Na primeira visitação do Santo Ofício à América portuguesa. A POSIÇÃO DOS CRISTÃOS NOVOS NA SOCIEDADE AÇUCAREIRA NA PRIMEIRA VISITAÇÃO DO SANTO OFÍCIO À AMÉRICA PORTUGUESA Ernania Santana Santos 27 Resumo: Durante o século XVI. tendo suas atividades finalizadas em setembro de 1993. Palavras-chave: Inquisição. onde viviam com uma relativa liberdade para praticar sua antiga fé judaica. sendo significativa o seu desempenho no setor econômico. Aos nove dias do mês de junho de 1591. o licenciado Heitor Furtado de Mendonça. Entre setembro de 1593 e fevereiro de 1595 foi à vez da capitania de Pernambuco. era o braço secular do santo ofício. As razões dessa primeira visitação são divergentes por parte da historiografia que estuda o tema. Cristãos-novos. não obstante. Como sabemos. principalmente no que diz respeito às práticas religiosas de seus habitantes. quando a incipiente colônia ainda findava o primeiro século de sua colonização. Página 42 . São Cristóvão. integrante do Grupo de pesquisa Diáspora Atlântica Sefardita. onde nunca houve a fixação do mesmo. já se percebia a presença de um grande número de cristãos-novos que aqui habitavam e desempenhavam algumas funções na administração. cinquenta anos de sua existência até sua chegada ao Brasil. o tribunal da inquisição fora criado em Portugal no ano de 1536. tendo. portanto. Francisco de Souza. na 27 Graduada em história pela Universidade Federal de Sergipe – UFS. Itamaracá e Paraíba. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 08. Mas. através da documentação produzida nos permitiu conhecer diversos aspectos do cotidiano colonial. tendo como principal atividade econômica a produção do açúcar. Sociedade. de 09 a 12 de abril de 2014. não demorou muito e logo passaram a conviver com a sombra que teimava em atormentá-los e persegui-los. aportou na Bahia em companhia do governador geral. os cristãos-novos desempenharam papel importante na composição da sociedade açucareira. dando início à primeira visitação do santo ofício à América portuguesa. Aos vinte e nove dias do mês de julho de 1591 deram início as confissões da capitania da Bahia e recôncavo baiano. D. enquanto alguns estudiosos atribuem somente ao aspecto econômico. Perseguição. bem como na economia colonial local.

sodomitas. São Cristóvão. fantasias. somar esforço no sentido de homogeneizar a humanidade inviável. Nesse momento da primeira visitação do braço secular. o nordeste açucareiro apresentava uma realidade diversa. atividades econômicas. outros preferem apostar na necessidade de homogeneização e manutenção do catolicismo. "os cristãos novos. dando-se a sentença e executando. trazer a fé católica os idólatras e infiéis da colônia a fim de se povoar e aproveitar a dita terra. bem como. aspirações. haja vista que traz a luz um rico quadro das ideias. por parte da igreja católica. já se encontravam desde a colonização um grande número de Cristãos novos bem estruturados no que diz respeito as suas atividades econômicas. 1992: 33). (NOVINSKY. caracterizando assim o aspecto religioso. busca priorizar a posição social dos cristãos novos na colônia. bem como da sociedade da época. composta por elementos católicos. devido a discrepâncias inatas”. de 09 a 12 de abril de 2014. entre senhores e escravos etc. Página 43 . blasfemos. de compreender como eles foram perseguidos e considerados tão subversivos. negros. e heterogênea. das relações de convivência entre cristãos velhos e novos. naquela conjuntura. Contudo a ênfase do nosso estudo aqui. a ponto de serem acusados de difundir no meio cristão suas crenças em detrimento da ordem eclesiástica estabelecida. indígenas e judaicos que mesclaram na colônia criando uma religião sincrética e intrinsecamente colonial. plural. De nada adiantará a conversão. (SOUZA. foram acusados de ser diferentes na conduta e no caráter. A análise da documentação nos permite a partir das confissões e denunciações dos inquiridos e confidentes traçar um quadro rico em informações e nós permitimos ter um retrato do Brasil naquele primeiro século de colonização. Para Novinsky. “Cabia a ação do Santo Ofício. sentimentos. na medida em que terça um panorama das variadas condições sociais dos colonos. da alimentação. 1986: 71). enquanto que outros especialistas consideraram todos os aspectos citados acima como preponderantes para a realização da mesma. dos modos de viver e de falar. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS medida em que aqui. falsários. como antes deles os judeus. o cristão-novo continuava marcado pelas características associadas aos judeus . das diferentes culturas. hereges. punindo os transgressores.

Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS A religião exercia sobre os homens do século XVI. atribuindo como o único objetivo da empreitada do santo ofício a perseguição aos conversos. 1986: 61). (NOVINSKY. a autora acredita ter se concentrado a ação inquisitorial no nordeste açucareiro. (LOPEZ. na medida em que afirma. Naturalmente ela se refere ao processo de diáspora dos cristãos-novos para a colônia. a partir da documentação relativa à visitação do santo ofício. e que à tona se revestia de caráter religioso. São Cristóvão. de 09 a 12 de abril de 2014. bem como pelos primeiros viajantes. que causaram a perda de algumas vidas e dispersão de muitas. período em que compreende nosso estudo. da qual era impossível escapar. e consequentemente na regeneração da fé. o lugar de degredo do século XVI que já começa a tornar-se uma terra de promissão”. nesses relatos muitas vezes os padres se mostraram descrentes com o queriam. Esses antagonismos foram apresentados por alguns padres jesuítas. até porque confiscava os bens dos convertidos e. Considerando a concepção de Anita Novinsky destacada na exposição. que se deu de maneira gradativa no princípio desse mesmo século. diziam ainda que a colônia era por excelência o lugar do pecado. o desconhecido. lá rigorosa perseguição. Como bem nota Luiz Roberto Lopez. uma influência. “o mundo novo. 1993: 132). “as razões que trouxeram para a Bahia os visitadores e comissários do santo ofício da inquisição.5 “muitos colonizadores eram cristãos-novos. foram as mesmas que impulsionaram a perseguição em Portugal: desequilíbrio econômico profundo. Essas fontes davam conta de registrar a vida pecaminosa e desregrada da gente que vivia no nordeste brasileiro. E completa ainda a autora. Desde o primeiro século da colonização a colônia apresentava duas faces uma detratora e uma edenizadora.” Esta exerceu. e se intensificou na sua segunda metade. ao mesmo tempo profunda e opressora. por registrar uma forte presença de cristãos-novos nessa localização. Página 44 . 1992: 65). UM PROBLEMA DA HISTORIOGRAFIA Para Anita Novinsky. (SOUZA. sujeitos aos já conhecidos preconceitos raciais e religiosos e foragidos da intolerância inquisitorial da metrópole. por isto não raro forjava acusações. que paulatinamente se generalizava. a visitação se deve ao aspecto econômico. A autora Laura de Mello cita a carta do padre Azpilcueta Navarro enviada à metrópole relatando a situação na colônia.

Essa concepção de Mello. ele considere o aspecto econômico proposto por Anita Novinsky. “não se pense que a visitação ao Brasil possuía o objetivo fundamental ou exclusivo de perseguir os cristãos-novos abrigados no trópico”. de 09 a 12 de abril de 2014. a presença de cristãos novos que viviam na colônia e enviavam açúcar brasileiro entre outros produtos para Hamburgo. faz um diálogo com Anita Novinsky. De acordo com Lopez. e consequentemente de possíveis judaizantes. haja vista. São Cristóvão. Essa concepção não é uníssona. chocou-se com certas situações intransponíveis como. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Ainda de acordo com Anita Novinsky. não obstante. más. a flexibilidade dos jesuítas. no Brasil. e diverge com a visão de Vainfas. Para José Antônio Gonçalves de Mello. e de agora em diante se lançaria ao ultramar. prefere acrescentar outros motivos. atribuí outros motivos para a visitação. não são conhecidas as razões que motivaram a vinda da inquisição ao Brasil. a mestiçagem. (NOVINSKY. motivadas pelas necessidades da catequese. 1997: 8). “a inquisição foi um instrumento de uniformização religiosa e de hegemonia política. entretanto. Página 45 . o sincretismo religioso. sobre essa proposição. entretanto. provocando inesperadas fusões entre o catolicismo e os ritos primitivos.” Em suma as resistências implícitas da colônia não deixaram de ser as marcas históricas de sua originalidade inicial. uma grande parcela de cristãos-novos. como por exemplo. que já apareciam nos registros da documentação analisada. a um programa de estratégia do tribunal da inquisição. que não descarta esse ponto. coloca Vainfas. que apesar de não apontar com precisão quais foram as razões. (VAINFAS. pode sugerir que tivesse alguma relação com o fato de existir nas duas capitanias. como ela ocorreu nos dois principais núcleos açucareiro. desde do final do século XVI. que no diálogo com Ronaldo Vainfas. comprovando dessa forma uma posição de destaque no comércio. que até aquele momento tinha se concentrado na metrópole. 1970: 2). (MELLO. 1992: 88).

Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS OS CRISTÃOS-NOVOS E SUAS FUNÇÕES NA COLÔNIA A partir das denúncias relatadas também foi possível perceber um retrato do Brasil colonial. Página 46 . A colônia portuguesa permitia. Contudo. mas rapidamente tornaram-se agentes financeiros. fornecendo capital para a realização de safras e para a compra de escravos. (NOVINSKY.” Na primeira é denunciado por Maria Roiz. indo ao engenho da cidade buscar São Cristóvão. espécie de engenheiro de produção – rendeiro de engenho. Que a produção canavieira fora de suma importância no cotidiano desses colonizadores. no que diz respeito a mais importante atividade econômica no período dessa visitação. contudo. Desse modo. observou-se uma predominância para os cristãos-novos que se denominavam lavradores. aos que dispunham de recursos em moeda corrente. cristão-novo. arcaicos. vultosos lucros. Pero Nunes. “A fé mostrava por isso mesmo. não se pode negar. A despeito da funções desempenhadas pelos cristãos-novos na colônia. 1992: 40). que ouviu dizer do dito seu marido que Pero Nunes. cristã velha. contornos tradicionais. rendeiro do engenho Del Rei. de 09 a 12 de abril de 2014. (SOUZA. inicialmente empenharam-se no comércio. e etc. mestre de açúcar – era o mais especializado dos trabalhadores. convém analisar melhor essa afirmação nos casos de denúncias de blasfêmia que se seguem. como se fosse uma espécie de contrato do tipo “toma lá-da-cá". adquirindo açúcar e vendendo na Europa com grandes lucros. atraiu os cristãos-novos perseguidos pela inquisição. em que algumas vezes o açúcar foi comparado a um “Deus” pelos blasfemadores. 1986: 109). como: mercadores que em alguns casos ascenderam à condição de proprietário de engenho. que compreende também os cristãos-novos como partícipes desse processo. a documentação pesquisada mostra uma diversidade de ofícios. onde a demanda de bens materiais e de vantagens concretas assumia grande importância. que impossibilitados de desenvolverem seus negócios na metrópole. aparece em duas denúncias de blasfêmias por comparar o açúcar a “Deus.

”Contraditoriamente. se em dias diferentes. o fato é que esse tipo de blasfêmia semelhante aparece também dirigida como desacato à N. podemos citar os casos de Branca de Leão. que estando um mestre de açúcar enformando o açúcar nas formas. quanto nas confissões. poucos anos. assim o tratais.” chamando Deus ao açúcar. Quanto à periodicidade em que os fatos mencionados pelas testemunhas ocorreram. mas. “este é o vosso Deus. cristão velho. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS o açúcar ou dízimo de Deus. costa deste Brasil. bem como. Senhora também a encorparia naquela forma. disse pois. ou ainda. se o primeiro em que a blasfêmia é dirigida a Jesus. ou ainda. também cristão-novo não identificado. tanto nas denunciações. que fora denunciado por Antônio Dias. e que se refere ao mesmo engenho da cidade. na segunda denuncia feita por Fernão Ribeiro de Souza. alguns meses. padre da companhia de Jesus. Página 47 . a denúncia aparece da seguinte maneira: indo uma vez ao engenho da cidade e vendo o açúcar que estava apartado para o dízimo de Deus. que ouviu dizer segundo sua lembrança ao dito padre Brás Lourenço em São Vicente. não se percebe um predomínio ou maior incidência de um período em detrimento de outro. disse que se ali estivesse N. chegando ao ponto de uma mesma denúncia. não dá para atestar em que momento foram ocorrido. como por exemplo. as denúncias são dirigidas a indivíduos já falecidos há alguns anos. e são raros os depoimentos baseados em fatos objetivos. se os dois são verdadeiros. o que se observa é que os fatos remontam a períodos variados como: um dia. aparecer de forma diferente na boca de outros acusadores. Como podemos perceber. A maior parte dos denunciantes repetia acusações “por ouvir dizer” e não por eles próprios testemunhado. nesse sentido predominavam as informações provenientes de diz-que-diz e murmurações. se no mesmo dia. Até mesmo em alguns casos. ou no segundo quando dirigida a Deus. Senhora. Não é fácil entender pelos autos do processo. “olhai onde está Jesus Cristo. disse vendo estar de baixo da pilheira. muitos anos atrás. as denúncias se caracterizavam principalmente pela imprecisão dos fatos para quem as fazia. a mais citada em toda a São Cristóvão. qual dos dois casos apontados é o verdadeiro. de 09 a 12 de abril de 2014. estar no chão mascabado e preto. cometida por um mestre de açúcar.

CONCLUSÃO O judeu converso. a principal ferramenta da investigação foi o interrogatório. Com certeza a maioria não frequentou escola alguma e para os poucos que sabiam ler e escrever. também negava a divindade de cristo e descria da imaculada conceição. (NOVINSKY. todos cristãos-novos defuntos. assinava pela testemunha o notário do santo ofício Manuel Francisco. Outro dado importante do ponto de vista do aspecto social. e a confissão . preservou da herança tradicional os preceitos e sentimentos básicos que serviriam de fundamentação para as suas respostas e mesmo estando fora do alcance da ortodoxia de la halajá judaica preservou inconscientemente a aversão hereditária ao culto das imagens. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS documentação. pai de Branca de Leão e Pero Nunes. à comunhão. convertido em católico. 1992: 37. a feitiçaria. isto é. O que a inquisição exigia dos seus confitentes era que trouxessem todas as suas culpas na memória para fazer delas uma inteira e verdadeira confissão. é que na maioria dos casos de denúncias. quando publicou seu monitório. como a sodomia. documento em que constava a lista dos delitos a serem confessados ou denunciados ao Tribunal. como era de praxe ao final de cada testemunho. em 1536. Outros crimes foram encontrados nos autos. Desde o ano de fundação da inquisição portuguesa. pelo tipo de caligrafia deixada no papel. mas foram as blasfêmias heréticas que se constituíram no foco principal da ação do Tribunal lusitano. o denunciante era convidado a assinar sua confissão ou sua denúncia. mestre Afonso. Página 48 . que causou temor e trauma à maior parte dos inquiridos. de 09 a 12 de abril de 2014. da santíssima trindade e esperavam a vinda do Messias verdadeiro. percebe-se a dificuldade com que faziam. e como muitas vezes não sabia assinar. a bigamia. a ser considerado refletido a partir da observação feita na documentação no período dessa visitação. os chamados cristãos-novos. dizendo a verdade pura para São Cristóvão. fato que possibilitou a preferência em punir os convertidos ao cristianismo que eram acusados de judaizar.40).

Luiz Roberto de Barros. chegando a provocar ruptura nas relações entre cristãos-novos e cristãos velhos. parentes. Jacques. acho que são iguais aos nossos braços. consequentemente fruto das suas inquirições e investigações impelindo as pessoas a fazerem delações que jogavam as pessoas umas contras as outras. MOTT. SCHMITT. pernas e não devem ser adoradas ou reverenciadas. esquadrinhá-la mesmo. na sua totalidade foram classificadas como anti-cristãs. Carlo. de 09 a 12 de abril de 2014. LOPEZ. A civilização do açúcar: séculos XVI a XVIII. A inquisição em Sergipe: do século XVI ao XIX. Porto Alegre: Mercado aberto. 2010. L.Bauru. Jean-Claude. e a negação da virgindade de Maria tanto difundida por Manuel de Paredes. GUINZBURG. Bahia: inquisição e sociedade [online]. mas. criando preconceitos nunca antes ocorridos. mão ou perna. História da Inquisição. Os testemunhos se seguiam. Vera Lúcia Amaral. são como qualquer braço. 11a ed. Dicionário temático do ocidente medieval. tendo como principal blasfemador Pero Nunes. Quantos às denuncias atribuídas aos cristãos-novos. 294p. desvendando assim as intenções mais ocultas.scielo. Salvador: EDUFBA. MOTT.org>. São Paulo: Edusc. os desacatos ao crucifixo. BIBLIOGRAFIA: FERLINI.1994. essa primeira visitação tenha provocado desentendimentos entre os amigos. e sim Deus. que nunca acreditara em suas próprias afirmações heréticas. LE GOFF. 2006. cabeças. Luiz Roberto. Para esses não era preciso venerar suas relíquias ou imagens: “Quanto às relíquias dos santos. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS que sua alma pudesse ser salva. São Cristóvão. Página 49 . ISBN 978-85-232-0580-5. 1989. São Paulo: Companhia das Letras. São Paulo:Brasiliense." Por fim.1993. repetido frequentemente por Branca Leão. vizinhos. O queijo e os vermes: o cotidiano e as idéias de um moleiro perseguido pela inquisição. cabeça. não se deve adorar as imagens. com maior incidência de três tipos específicos: a negação da divindade de Cristo. e o mais aconselhado era se apresentar ao inquisidor e admitir sua culpa. Aracaju: Sercore Artes Gráficas. Available from SciELO Books <http://books. A cada confissão repetiam como era de praxe aquele tribunal que deveria examinar melhor sua consciência. ao mesmo tempo declarar. 1998.

pt/ViewerForm. Disponível em: http://digitarq.Acesso em: 24 de dezembro de 2012. 172. F. Anita. SIQUEIRA. PIERONI. Laura de Mello e. 1993. Confissões da Bahia: santo ofício da inquisição de Lisboa. Ed. Rio. Ronaldo.ci. Livro 5 das ordenações Filipinas. São Paulo: Ática. 1992. p. A Inquisição Portuguesa e a Sociedade colonial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 1970. A Sociedade Medieval Portuguesa. 1997. Universidade Federal de Pernambuco. A. VAINFAS. 9a reimpressão. 2003. J. Briguiet. Org. Disponível em: http://www1. Geraldo. 1986. SOUZA. 1978. 2a ed. Prefácio de Capistrano de Abreu. Recife. Primeira Visitação do Santo Ofício às Partes do Brasil: Confissões de Pernambuco 1593- 1595. de 09 a 12 de abril de 2014.aspx?id=2318685.uc. OLIVEIRA. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS NOVINSKY. Livro das denunciações do santo ofício ao Brasil por Heitor Furtado de Mendonça. São Cristóvão. 1o. Gonsalves de Mello. ed. Marques. Página 50 . O diabo e a terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial.pt/ihti/proj/filipinas l5p. 4a. FONTES IMPRESSAS: Primeira Visitação do Santo Ofício às Partes do Brasil pelo Licenciado Heitor Furtado de Mendonça: Confissões da Bahia 1591-1592. 1981. Ronaldo Vainfas. São Paulo: Perspectiva. São Paulo: Companhia das Letras. Acesso em: 10 de dezembro de 2012. São Paulo: Companhia das Letras.. Banidos: A inquisição e a lista dos cristãos novos condenados a viver no Brasil.dgarq.gov. Livraria Sá da Costa. Sonia. Cristãos novos na Bahia: a Inquisição no Brasil. Lisboa.

O CICLO DO COURO E AS ORIGENS DO MUNICÍPIO DE SIMÃO DIAS NO SÉCULO XVI E XVII Jessica Messias dos Santos28 Resumo: Várias versões de um personagem que marcou a origem do município de Simão Dias. pois não contavam de fato com o domínio real. de 09 a 12 de abril de 2014. Neste artigo irá conhecer o contexto histórico antes e no decorrer do surgimento desse personagem emblemático que mesmo sendo vaqueiro ou o proprietário de terras e gado sua origem está vinculada com a sociedade do Couro. Palavras-chave: Sesmaria – Invasão holandesa – Simão Dias – Identificação Para entender melhor as versões que circundam sobre a figura do emblemático Simão Dias. Sua existência chegou a ser questionada devido a discordâncias de versões e Simão Dias passou a se chamar Anápolis. As terras entre o rio Real e o São Francisco pertencia ao governo luso-espanhol. principalmente por parte de Luiz de Brito governador da capitania da Bahia. com isso os Filipes tiveram participação direta nas decisões sobre a conquista de Sergipe Del Rey. São Cristóvão. o governo luso-espanhol juntamente com o governo baiano organizou a “guerra justa” para conquistar de forma violenta esse território. entretanto sua participação histórica na contribuição para formação desse município é tão relevante que o município voltou a levar seu nome. primeira atividade econômica das terras de Sergipe Del Rey. SIMÃO DIAS: DE UM VAQUEIRO A UMA CIDADE. Dr. Na época da colonização de Sergipe. Após a tentativa frustrada de catequizar os indígenas que habitavam as terras de Sergipe Del Rey e como havia interesse em dominar esse espaço. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 09. Claudefranklin Monteiro Dos Santos. é preciso se situar no contexto histórico anterior ao seu surgimento. entretanto estavam vulneráveis a invasores. 28 Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe. Página 51 . Orientada pelo Prof. Portugal estava dominado pela Espanha através da união Ibérica. Estes dois reinos formavam a coroa luso-espanhola.

sobretudo peixe. na sua tentativa de conquista do território sergipano. ali se refugiaram em fins do século XVI. no qual os navios neerlandeses traziam para os portos portugueses não só mercadorias do norte da Europa – trigos. com o que iniciaram a sua navegação rumo às colônias ultramarinas ibéricas. a capitania da Bahia estava responsável pela capitania de Sergipe Del Rey com isso também foram distribuídas Sesmarias para os que lutaram na guerra contra os índios. açúcar e madeiras do Brasil. 1596. antes da união daquele à coroa espanhola. ingrediente essencial às indústrias do pescado e dos laticínios. Entretanto. especiarias e drogas do oriente e da África. como podemos observar nessa citação abaixo: Portugal e Países Baixos. Antes da união Ibéria. embargos mais ou menos prolongados em portos de Portugal. Os primeiros habitantes das terras que mais tarde seria o município de Simão Dias foram índios remanescentes da tribo dos Tapuia. integrante da missão do jesuíta Gaspar Lourenço. (Fonte: http://www. metais e manufaturas diversas – como produtos da sua própria indústria. tonara-se de tal modo indispensável para a economia portuguesa a navegação dos holandeses. O principal criador de gado era o baiano Garcia D’Àvila que estimulou o governador Luiz de Brito na luta armada contra os tupinambá. ocasionando interrupções temporárias do comércio e consequente escassez dos gêneros que ali iam buscar. Entretanto Espanha e Holanda não se davam muito bem. governador da Bahia. mas a maioria dos índios revoltosos e não se renderam. que os Reis da Espanha cederam aos protestos dos mercadores e à São Cristóvão. Ao ser aquele país envolvido na luta entre a Espanha e os “rebeldes” holandeses em 1580. Gerando um prejuízo tanto para Portugal quanto para os países baixos.gov. vinhos. manteiga e queijo. Tal ato forçou os holandeses a procurar o abastecimento de sal nas ilhas de Cabo Verde. mantinham largo comércio. sobretudo do sal. madeira. Página 52 .php?codmun=280710) Após a guerra justa. mas também para pequenas lavouras. Por mais de uma vez (1585. E com isso durante o Governo luso-espanhol Portugal estava proibido de comercializar com a Holanda. de torna-viagem carregavam o sal grosso de Setúbal. Portugal tinha um lanço econômico muito forte com a Holanda que era responsável pela comercialização de todo açúcar produzido por Portugal. de 09 a 12 de abril de 2014. que para fugir à perseguição da expedição de Luis de Brito. e a partir daí.ibge. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Era considerada justa.br/cidadesat/painel/painel.1599) navios neerlandeses sofreram por ordem dos Filipes. estabelecendo-se nas florestas do Caiçá. O maior interesse desses sesmeiros era para a criação do gado. é fundado o primeiro esteio de dominação do governo São Cristovão. esta negociação era-lhe de vital importância. pois já tinha sido tentado dominar o território de forma pacífica através da catequização com o jesuíta Gaspar Lourenço.

Determinou a tática da “terra arrasada”. O conde de Bagnoli. proprietário de gado das terras da atual Itabaiana. Isso veio acontecer poucos anos após a criação da companhia das índias ocidentais. e novamente o comercio luso-holandês fora proibido. contra os holandeses. a missão de Esconder seu rebanho das tropas holandesas nas matas à margem do Rio Caiçá. para onde pouco a pouco foram afluindo novos colonizadores. pois foram expulsos e seguiram para Pernambuco (1630) “Mas em 1937. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS ameaça de fome que se esboçava no país.marcelodomingos. (Fonte:http://www.br/cidadesat/painel/painel. No entanto o português Brás Rebelo. Começaram pela Bahia (1624) onde ficaram apenas um ano.237-238) Quando acabou a trégua de doze anos reiniciou-se a guerra entre Espanha e Holanda. que ainda conservavam a herança da catequese de Gaspar Lourenço. dando assim início ao povoado. Os comerciantes holandeses que dependiam do açúcar brasileiro ameaçaram tomar o Brasil. (MELLO.com. Em meados do século XVII.php?codmun=280710) São Cristóvão. Ordenou então que seu vaqueiro Simão Dias construísse currais nas florestas do Caicá. e foi durante esse período que se intensificou o interesse da Holanda pelos gêneros levados do Brasil. de 09 a 12 de abril de 2014. Onde formaria uma povoação com juntamente com os outros vaqueiros e suas famílias e mais tarde essa mata se tornaria uma vila. quando as forças invasoras de Maurício de Nassau transpuseram o rio São Francisco. ameaçando Itabaiana.html) É no período da invasão holandesa em Sergipe que surge a versão mais divulgada sobre Simão Dias. Simão Dias pode estabelecer-se no Caicá. o português Brás Rebelo achou conveniente retirar seus rebanhos daquela zona.br/sergipe3. matar o gado que não conseguisse ser transportado e destruir a cidade para não deixar nenhum beneficio para os holandeses. não quis adotar essa tática e ordena ao seu vaqueiro Simão Dias.gov. empresa holandesa responsável pelo comercio do açúcar. com a assinatura da Trégua dos doze anos (1609-21) entre a Espanha e os Países Baixos.” (Fonte: http://www. 1989: p. o comércio luso-holandês reiniciou-se sem empecilhos. Não sendo hostilizado pelos indígenas. oficial napolitano comandante da tropa hispano-luso- brasileira. os holandeses resolveram invadir Sergipe interessados em se apoderar dos criatórios de gado e das povoações.ibge. que consistia em conduzir os rebanhos para as margens do Rio Real. Página 53 .

Na terceira e ultima. junto ao Caipe. em distintas sesmarias. dá a destinação de criatório de gado. Cristovão Dias e Agostinho da Costa” (FREIRE. nas terras devolutas da Itabaiana. Com o território desmembrado do município de Lagarto. mandando-as para o rio Real. Em 15 de março de 1850 a freguesia de Sant’Ana de Simão Dias foi elevada a categoria de município pela resolução provincial nº264. junto ao rio Pitanga. um comércio forte e a estrada de ferro que ligava a vila a Aracaju (estrada que nunca foi concluída) Mas além desses “Simões Dias” retratados até agora. há ainda um Simão Dias Francês relatado pelo professor Marcelo Domingos de Souza em texto publicado no site da prefeitura municipal de Simão Dias. morador da capitania. na Tabanhananam. segundo o códice existente no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. O decreto nº 43 de 8 de maio de 1890. ele se diz morador há dois anos. requeridas em 16 de agosto de 1599. juntamente com Cristovão Dias e Agostinho da Costa. o requerimento de “três léguas de terra em quadro”. 1977: p. nas proximidades de São Cristovão. Página 54 .322). próximo ao rio Vaza-barris em sua foz. Na primeira sesmaria requerida Simão Dias diz ser casado. como colono dos primeiros tempos da ocupação do território de Sergipe aparece três vezes. São Cristóvão. a Bagnoulo. Como confirma o historiador sergipano Felisbelo Freire em seu livro A História de Sergipe. em 2 de janeiro de 1602. entretanto não se sabe se é o mesmo Simão Dias ou se apenas são homens diferentes embora tenham o mesmo nome e sobrenome. Confirmando que “os terrenos onde está edificada hoje (1891) a vila de Simão Dias foram doados a Simão Dias fontes. já tinha aparecido antes desse ocorrido pedindo sesmarias por ter lutado com a tropa de Cristovão de Barros na guerra justa contra os índios fato que se encontra nos registros do códice do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. o que indica a sua presença na tropa de Cristovão de Barros. mas parece ser o mesmo Simão Dias fontes citado por Freire. O nome de Simão Dias. A sede do município recebeu foros de cidade pelo decreto nº51 de 12 de junho de 1890 (Fonte: IBGE) assinado pelo então presidente de estado Felisbelo Freire sob argumentos de que a vila possuía uma grande população. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Entretanto. No segundo requerimento. e queria fazer roças para seus mantimentos. Gado do qual cede 105 cabeças. Simão Dias Fontes. o nome Simão Dias. de 09 a 12 de abril de 2014. e finalmente em 27 de fevereiro de 1607. criou a comarca de Simão Dias. entretanto com sobrenomes diferentes.

favorecido pela determinação do governo federal. afirmando que Simão Dias Fontes recebeu essas terras como sesmaria. que havia doado apenas as terras para a construção de uma capela em homenagem a Senhora Sant’Ana. Simão Dias: Tradição e história: centenário de sua emancipação política. a Anápolis sergipana teve que modificar o nome. Luis Antonio. Página 55 . Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS E foi por existirem algumas confusões entre tantos Simões que o padre João de Matos Carvalho publicou uma obra intitulada “Matas de Simão Dias” com o interesse de enfraquecer a tese de Felisbelo Freire de que as terras do município teriam sido provenientes de sesmarias doadas a Simão Dias. coibindo a existência de dois municípios com o mesma denominação. Apesar de a versão histórica ser comprovada documentalmente. Por isso queria que o município se passasse a se chamar Anápolis em homenagem a Ana Francisca de Menezes. afirmando que as essas terras tinha sido doação da senhora Ana Francisca Menezes sua ancestral e esposa do Comendador Sebastião da Fonseca Andrade. a procissão movimenta todo o município é o momento em que todos os povoados e bairros se reúnem em frente à matriz de Sant’Ana para agradecer por ela sempre abençoar essa terra e mesmo quem não é católico se encanta ao ver uma tradição ser mantida por várias gerações. Sendo que até hoje a população preserva algumas características da “sociedade do couro” como nas festas do Carreiro no povoado Barnabé ou mesmo na festa do Vaqueiro que acontece em alguns povoados e também na sede do município. Aracaju: Pesquise. REFERÊNCIAS BARRETO. de 09 a 12 de abril de 2014. Após muitas controvérsias e reações o nome Simão Dias foi reestabelecido pelo decreto lei nº 533 de 7 de dezembro de 1944. do presidente Getulio Vargas que aprovou o plano do IBGE. Também é preservada a fé por Senhora Santana que no mês de Julho no dia 27. o Barão de Santa Rosa. E como existia um município goiano com o mesmo nome. e mais antigo. a existência da figura de Simão Dias como um vaqueiro vindo de Itabaiana é a que é divulgada e aceita pelos simãodienses que se identificam com a figura do vaqueiro. Conseguindo o seu feito com a lei nº 621 de 25 de outubro de 1912 mudou o nome de Simão Dias para Anápolis desvalorizando assim a figura do vaqueiro e enaltecendo a sua ancestral. Montalvão Publicidade [1990] São Cristóvão.

Aracaju. 2ª Ed. DOMINGOS. Recife. CESAD. Gonçalves de. Disponível em <http://www. Clodomir. História de Sergipe. J. 1989. Temas de História de Sergipe II. 2ed. MELLO.Fragmentos de sua história. de 09 a 12 de abril de 2014. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS DÉDA. 19 (Alagoas e Sergipe). Tomo I Época Colonial do descobrimento à expansão territorial. Andrade. 1920. Antônio Lindvaldo. v. SILVA. 2010. 2008. São Cristovão: Universidade Federal de Sergipe.gov. IBGE. Felisbelo. São Cristóvão.marcelodomingos. Página 56 . FREIRE.html> Acesso em 24 Mar. Sergipe colonial Disponível em: <http://www. Aracaju: gráfica J. 1959.br/indicecolonial. 2013.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo. A. IBGE. Simão Dias . 1997.com. Rio de Janeiro: IBGE. Marcelo.php?codmun=2 80710 >Acesso em 20 mar. SOUSA. Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. José de Carvalho. Petrópolis: Vozes/Aracaju: Governo do Estado de Sergipe.ibge. Álbum de Sergipe. 2013. O domínio holandês na Bahia e no Nordeste.

Cativos. Palavras-chave: São Cristóvão. COMPREENSÃO DO DESENVOLVER DA PESQUISA SOBRE OS ESCRAVOS EM SÃO CRISTÓVÃO José Daniel Rito dos Santos Ane Luise Silva Mecenas Resumo: O Presente trabalho tem como objetivo discutir as práticas de compadrios e de sociabilidades na freguesia de São Cristóvão num período longo em que se estende de 1850 a 1910. há ainda uma grande carência de pesquisas sobre o tema que tratem de preencher as lacunas que ainda se fazem presentes. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 10. Página 57 . de 09 a 12 de abril de 2014. O levantamento de dados será realizado na Igreja Nossa Senhora da Vitória. nota-se uma busca pela compreensão na relação entre os cativos já que eles eram bruscamente afastados de suas famílias e levados a uma convivência sobre condições truculentas com um aglomerado de indivíduos de costumes e tradições exóticas vindos das mais diversas regiões da África. Esses encontram nos compadrios e casamentos formas de constituir famílias e de convivências que possibilitou a sociabilização com os que estavam na mesma situação e que posteriormente implicou na construção de atitudes que possibilitaram reivindicações frente às condições de trabalho e inferioridade social e gerou uma hostilidade na convivência entre senhor e escravo. Como em determinado período da história sergipana a economia se deu à base do trabalho escravo nos engenhos de açúcar e demais atividades propícias. Entre os estudos executados acerca da escravidão (principalmente no sul do Brasil) e que servirão de embasamento para a realização deste. São Cristóvão. matriz da primeira capital sergipana e tem como um dos requisitos a preservação das fontes documentais. Compadrios. sociabilidade. através da digitalização das mesmas. e assim se justifica esse trabalho que traz na íntegra a produção da historiografia escravista sergipana na transição que vai da segunda metade do século XIX até os primeiros anos do XX.

Em relação a sua vida profissional lecionou em diversos colégios de Aracaju. Atheneu e no Colégio de Aplicação da UFS. imutável. História Cultural. que sofre constantes transformações no tempo. Fez o curso superior em História e Geografia na FaculdadeCatólica de Filosofia de Sergipe. Escola Nossa Senhora de Lourdes e Escola Normal. Calçada no relativismo defende a ideia de que toda realidade social é culturalmente construída. agora é uma construção cultural. Maria Lígia Madureira Pina. do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe São Cristóvão. passando a se dedicar as suas obras literárias e nas atividades da Academia Sergipana de Letras. Pois. Nesta instituição de ensino desenvolveu uma série de atividades e materiais didáticos com o propósito de dinamizar as aulas de história. “(. 2009:75) O estudo de trajetória de vidas de professoras no inicio do século XX é um objeto de estudo relativamente novo nos grupos de pesquisas da História de Educação. que exerceu o magistério duranteas décadas de 50 a 90 do século XX. FLAGRANDO A VIDA: TRAJETÓRIA DA VIDA INTELECTUAL E PROFISSIONAL DA PROFESSORA LÍGIA PINA José Genivaldo Martires (*) Resumo: O presente estudo tem o objetivo de estudar a trajetória da vida intelectual e profissional da Profª Lígia Pina. Em 1991 encerrou as suas atividades pedagógicas.) o que antes era fixo. Magistério. tais * ( ) Prof. Utilizamos a técnica de história de vida realizada por meio de depoimentos da biografada. estudou nos colégios: Frei Santa Cecilia. de 09 a 12 de abril de 2014. dentre eles: Escola Normal. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem o objetivo de estudar a trajetória de vida intelectual e profissional da Professora e Literata.” (SANTOS. na cidade de Aracaju.. Esse trabalho está em consonância com os pressupostos teóricos – metodológicos da nova História Cultural. Lígia Pina nasceu em 1928. Palavras Chaves: Escola Normal.. Colégio de Aplicação. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 11. Página 58 .

jornais e a produção bibliográfica da biografada. lá de Santo Amara das Brotas. (MariaLígia Madureira Pina.) Para a elaboração deste trabalho utilizamos como fontes: os depoimentos. Dona Alexandrina trabalhava na fábrica de tecidos Confiança e o Sr. Toda a família. entrevista em 06/01/2004). em busca de uma melhor oportunidade de vida..]. através de uma série de entrevistas realizadas com a Professora Lígia Pina. meus bisavós e meus avós eram todos de láde Santo Amaro das Brotas. profissionalização e a própria luta feminina no Brasil. Utilizamos a técnica denominada História de vida que: “Se definecomo o relato de um narrador sobre sua experiência através do tempo. A esse respeito: A escolarização feminina possui historicamente. sou filha de Affonso Pinna e Alexandrina Maria Pina. no dia 30 de setembro de 1928. em geral ela significa. De acordo com a biografada: Eu nasci em Aracaju. o meu pai com 13anos e minha mãe com 9 anos de idade. (QUEIROZ. no bairro industrial. eram diversos preconceitos e as justificativas para a restrição da possibilidade de ampliaçãode estudos após o ensino secundário (FREITAS. [. Casaram-se e tiveram 03 filhos. migraram para a Aracajuna primeira década do século XX. Foi a terceira filha do casal Affonso Pina e Alexandrina Madureira Pina. Affonso Pina em uma fábrica de calçados. um sentido mais ampliado do que a mera transmissão de conteúdos. Não é por acaso que o acesso ao ensino superior no Brasil pelas mulheres foi uma luta de várias gerações. nas culturas escolares. Lígia Pina São Cristóvão. 2009:08. Estes. Página 59 . os dois mais velhos morreram crianças e então eu era a mais nova. Aqui se conheceram. provenientes da região do Vale do Cotinguiba.. de do exercício da cidadania.ª. no bairro industrial. tentando reconstruir os acontecimentos que vivenciou e transmitir as experiências que adquiriu”. 29 Título do primeiro livro de poesias da Prof. principalmente nas primeiras décadas do século XX. da cidade de Santo Amaro das Brotas. Ela menina tinha 14 anos e ele era 11 anos mais velho. 1991:07) FLAGRANDO A VIDA29 Maria Lígia Madureira Pina nasceu em Aracaju. um passa a mais na emancipação e na conquista da autonomia. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS pesquisasconcentram suas atençõesna história da escolarização. namoraram 10 anos. de 09 a 12 de abril de 2014. Os meus pais vieram morar aqui (Aracaju).

em 1933. que depois de muito tempo é considerado moderno. como todas as crianças da sua época. no Recife.segundo a Professora Lígia Pina. os recitais de poesiasque realizava com os seus alunos. C. Carlota para a alfabetização. era a cartilha Ler Brincando. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS A sua infância transcorreu normalmente. Alexandrina. porém com uma grande preocupação dos seus pais em relação a sua “fragilidade”no tocante a sua saúde.(MariaLígia Madureira Pina. D. semi-internas e externas” (NUNES. fez a matricula no Colégio Nossa Senhora de Lourdes. A prof. mas não conhecia uma letra. incentivando-os a redigir e. difíceis de apreender. Quais são as letrinhas? Já sei A. administrado pelas Irmãs da Congregação Sacramentinas "Fundado em 1903 em Aracaju pelas religiosas Irmãs Sacramentinas com sede em Valence (França).). mães e donas de Casa. de 09 a 12 de abril de 2014. Mudança de endereço e. D. as “verdadeiras” esposas. B. Em virtude de problemas de saúde de D. Pedra Calazans. Página 60 . Entretanto. eram confiadas para a educação. Havia aquelas lições chatas. esse zelo e preocupação demonstravam o receio de perdê-la. funcionário público. Formar. também merecem destaque as dramatizações. segunda a mesma.. 2008:364). Ela dizia mais que letra é essa? Eu não sabia. administrado e ministrado pela Professora Carlota: A escola na época não era pra se distrair. O São Cristóvão. O colégio feminino era considerado de Elite. Então ela falou para o meu pai comprar uma cartilha. Além do método aplicado por D. E. não era jardim de infância. eu fui aprender a ler com o método. com base numa educação disciplinar. onde as filhas dos senhores de engenhos e/ou senhores de gados do interior. também mudança no ambiente escolar. Com cinco anos de idade. nesse momento estava iniciando o seu processo de literata e escritora. entrevista em 06/01/2004. a família mudou-se para a Av. vizinho ao Grupo Escolar Manoel Luiz.. Carlota ensinou na Bahia. o interesse para o magistério tem as suas origens nesse período em que estudou no Colégio Frei Santa Cecília. nasceu o desejo de frequentar a escola do bairro e. Com 11 anos de idade o seu pai.ª marcava daqui até aqui. O ABC que era de letras grandes que eu sabia todo de cor. haja vista as mortes prematuras dos outros dois irmãos. aceitava alunas internas. Nessa cartilha eu aprendi através de palavras e de frases.

Página 61 . As primeiras noções de Francês com a irmã Dolores. desenvolvi ali também o gosto pela História e a Geografia. entrevista em 06/01/2004).. de 09 a 12 de abril de 2014. inclusive o Francês. meninas que naquela época moravam no que era o 18 do forte (50 anos atrás). geralmente de classe média pra cima. Com esse 3º ano com ela passei muito bem e depois fui ao 4a ano com a Irmã Maria Carmelita. mas fiz o 4° ano com boas notas. A Escola Normal era diferente eram todas as classes sociais e na maior parte as meninas de poderaquisitivo inferior. A Irmã Maria Dolores era muito nacionalista (paulista não é). bairro América e eu tive muitas colegas que moravam no Siqueira Campos. Inconfidência Mineira. Sª. Industrial. a praia 13 de julho eram casebres de pescadores. era muito raro umamenina pobre estudar noNª Sª de Lourdes. (Maria Lígia Madureira Pina. Bugio. já não era uma pessoa assim. Não tinha a mesma didática da Irmã Maria Dolores. na escola estavam reunidas as maiores "cabeças pensantes do Estado”. como ela nos ensinava a recitar as poesias em Português e em Francês. éum jeito. e cita como exemplo as aulas da Profª Júlia Teles que a incentivara nas suas poesias e nos seus contos. era uma vivência democrática. fazendeiros que moravam no interior einternavam as meninas e as externas. ela nos ensinou de tudo. Muitoexigente. Lígia Pina estudou neste período com osprofessores (as): Cecinha Melo.ela fazia teatro daslições de História Independência. entrevista em 06/01/2004). A professora Lígia Pina recordando esse período escolar no Colégio Nossa Senhora de Lourdes nos afirma: Entrei lá no Nossa Senhora de Lourdes no 3° ano primário com a irmã Dolores que era uma Freira paulista da cidade de Araraquara e era uma professora extraordinária. segundo a mesma. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Colégio Nossa Senhora de Lourdes funcionou até 1973. (Maria Lígia Madureira Pina. ela nos transmitia muita noção de patriotismo e nacionalidade. Aos 13 anos de idade Lígia Pina ingressou no Instituto de Educação Rui Barbosa. internato e externato. Os anos em que Lígia Pina passou na Escola Normal ainda estão presentes na sua memória. Na Escola Normal era a escola onde predominava a democracia entre as alunas que frequentavam os dois colégios. Bairro América.. No internato as filhas dos senhores de engenhos. O Colégio Nª. era salinas naquela época. Padre São Cristóvão. antiga Escola Normal. de Lourdes era de elite. era diferente: cada pessoa é uma pessoa. porque nãopodia pagar.

ser independente. José Silvério Leite Fontes. se formar. funcionava ànoite no prédio do Colégio Nossa Senhora de Lourdes. através das aulas particulares ministradas aos filhos de pessoas que detinham poder econômicona cidade de Aracaju. os motivos que levavam as moças a ingressar e concluir o curso normal estavam associados a processos de ascensão social. ter o seu emprego. Luciano Cabral Duarte. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Domingos Fonseca. entrevista em06/01/2004). localizada na Rua Campos 177. A atividade do magistério foi surgindo aos poucos. por parte da mulher. Fe1tre Bezerra. criada em 1951. Ele era um homem muito esclarecido para a sua época. A Faculdade Católica de Filosofia. porque o melhor marido do mundo é o emprego. E então ele dizia tem que estudar e. obter uma independência financeira. em 1968 foi incorporada à Universidade Federal de Sergipe. à pressão da família e à oportunidade de. em 1954. corroborando assim com o estudo realizado por Freitas (2003) sobre as representações de ex-normalista de 1920 a 1950. fez alguns cursos como: Puericultura. Nocaso de Lígia Pina. Júlia Teles. patrocinado pela Secretaria de Estado da Saúde e o de Treinamento de Serviço Social. Página 62 . não pode precisar de ninguém e quando eu morrer como é que vai ser? Vai ficar na dependência dos outros? Não. (MariaLígia Madureira Pina. de 09 a 12 de abril de 2014. Outro fato marcante das lembranças do cotidiano escolar de Lígia Pina no Instituto Rui Barbosa foi o desejo de ascensão social e econômico por meio da profissionalização do magistério. Severino São Cristóvão. Lígia Pina concluiu o seu curso Normal. mas não assumiu de imediato o magistério. dentre outros. Em relação à sua formação acadêmica e pedagógica na Faculdade Católica de Filosofia de SergipeLígia Pina destacou as contribuições dos seguintes professores: Gonçalo Rollemberg. Após esses cursos foi trabalhar no comércio na condição de secretária da firma Cabral Machado e Companhia. pois: Ele exigia que eu estudasse e dizia sempre assim: você estuda pra se formar ter o seu emprego. você tem que estudar. prestou vestibular para o curso História e Geografia na FaculdadeCatólicade Filosofia de Sergipe. Em seguida começou a ensinar em colégios particulares e. no inicio dos anos 50 do século XX. Primeiramente. a busca de uma independência financeira era algo bem presente e incentivado pelo seu pai. Em 1948. D. Em 1958 foi transferida para a sua sede própria. onde hoje funciona o IPES (Instituto de Previdência do Estado de Sergipe). onde permaneceu por três anos.

Nesses colégios a Professora Lígia Pina lecionou as disciplinas de Geografia e História e disciplinas pedagógicas no curso Normal no Colégio Nossa Senhora de Lourdes e Instituto Rui Barbosa. ao gabinete do Reitor como órgão suplementar. Colégio Tiradentes de 1961 a 1963. posteriormente. presidida por D. Seu objetivo principal era de servir como campo de estágio das licenciaturas da Faculdade Católicade Filosofia. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Uchoa.Em 1968 o Colégio de Aplicação foi incorporado àrecém-criadaUniversidade Federal de Sergipe. Porque na época se fazia exame de seleção. Luciano por motivos de viagem. o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe de 1967 a 1991. Outro diferencial era o número de São Cristóvão. O curso teve a duração de 1955 a 1958 e a solenidade de colação de grau só ocorreu em 1959 em razãoda ausência de D. eram de alta classe social e econômica que tinham o nível de conhecimento muito maior. O antigo Ginásio de Aplicação. Luciano Cabral Duarte. Vinculado inicialmente ao Departamento de Educação e. Entre eles: Colégio Nossa Senhora de Lourdes de 1958 a 1971. Colégio Dom José Thomas de 1963 a 1965. Colégio Atheneu Sergipense de 1958 a 1983. dentre outros. Página 63 . Por último. de 09 a 12 de abril de 2014. iremos nos deter na análise do período em que a ProfessoraLígia Pina exerceu o magistério no Colégio da Universidade Federal de Sergipe. para lecionar algumas disciplinas. Cabral Machado. No dia primeiro de março de 1967 a professora Lígia Pina iniciou suas atividades pedagógicas no Colégio de Aplicação contribuindo para o seu desenvolvimento pedagógico e literário. A Professora Lígia Pina destacou com elementos diferenciais do Colégio de Aplicação em relação aos demais Colégios que lecionou as seguintes características: O diferencial no início era justamente o nível dos alunos que nós recebíamos. Colégio Simeão Sobral de 1960 a 1962. Josefina Leite. em 30 de junho de 1959. Antes mesmo de concluir o curso superior Lígia Pina fora convidada por Severino Uchoa. públicos e privados. Dentre os colégios citados. Diretor na época da Escola Normal. De acordo com Lígia Pina foi uma solenidade muito simples ocorrida na própria Faculdade. A professora Lígia Pina exerceu o magistério em diversos Colégios em Aracaju. Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus de 1968 a 1970.CODAPfoi criado pela Sociedade Sergipana de Cultura. hoje denominado de Colégio de Aplicação .

Alémdos textos para teatro escreveu e aplicou em sala de aula um livro didático: "Tudo isto é o Brasil" que.). quais as disciplinas. foram várias peças de teatro escritas entre elas: “As Grandes Navegações”. “Os Caminhos da Filosofia”. enquanto nos outros (..ª Lígia Pina esse humanismo foi fruto da educação que recebeu dos seus pais. júri simulados. se era uma disciplina só.). Eu acho que a situação do mundo atual é assim por que a homem esqueceu o próprio homem. A corrente de pensamento que norteou a prática pedagógica da Professora LígiaPina foidefinida por ela como: Eu sou uma humanista por excelência e uma liberal por excelência. “O Ponto Ômega”. então o professor tinha que se auto-avaliar (. a exemplo de D. são hoje coisas muito novas. No decorrer da sua trajetória pedagógica no Colégio de Aplicação. “O 1º e o 2º Recital de Poesias Sergipanas”. Fazia-se reunião para avaliar o desempenho do aluno. De acordo a Prof. jona1 falado. da influência do seu tio Lourival Pinaque a incentivava nas leituras e de alguns professores que lecionaram naFaculdade de Filosofia de Sergipe. Esses textos eram elaborados pela Professora Lígia Pina que ensaiava com os seus alunos para as apresentações... todo mundo já sabia qual o aluno que estava fraco. entrevista em 04/02/2004). porque cada série tinha 30 alunos e no máximo 35. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS alunos. então. mas não foi.(MariaLígia Madureira Pina. até a presente data não obteve apoio e/ou recursos financeiros para sua edição. essas coisas que hoje - como falei na vez passada . O Codap agente tinha a possibilidade de aplicar técnicas. São Cristóvão. acabou com o humanismo. O desenvolvimento tecnológico e cientifico que devia ser importante entre os homens. mas que eu fazia há trinta anos atrás.. entrevista em 04/02/2004) Esse humanismo foi marcante na formação acadêmica ena sua prática escolar. Luciano.(MariaLígia Madureira Pina.estão como estudos integrados das disciplinas. nós podíamos trabalhar bem melhor no Codap. fazer teatro. “Patrícios e Plebeus”. e em quantas disciplinas. Página 64 . de 09 a 12 de abril de 2014.

observamos o desenvolvimento da sua veia literária e. O estudo biográfico das pessoas em vida tem esse caráter de não ser conclusivo e de possibilitar novas trajetórias e novos olhares. guardaremos com muito carinho o semblante sorridente da Professora Pina. estudos. as contribuições acadêmicas da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. acreditando no potencial humano para a resolução dos problemas. crônicas e peças teatrais com objetivo de: despertar ao interesse e a atenção dos alunos pela disciplina de História. Anamaria Gonçalves Bueno. (Coleção: Educação é História). poesias. consciente das nossas limitações. no cotidiano da sala de aula que percebemos o encontro entre a Professora e a Literata Pina. livros e exaltando a vida.2003. da Academia Literária da Vida. estruturado em começo. Ao objetivarmos o estudo sob a ótica da trajetória intelectual e do exercício do magistério da Professora Lígia Pina foi notóriaas contribuições: dos seus pais. a formação democrática e humanista da Escola Normal e. bem como favorecer um intercâmbio entre os conteúdos históricos com as ciências afins a exemplo da Geografia e da literatura. Desta forma. Página 65 . por último. _________Para que(m) contar a História das Mulheres professoras/literatas São Cristóvão. crônicas. realizando as suas pesquisas. Conselho Estadual de Cultura. resumos. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS CONSIDERAÇÕES FINAIS Diferentemente de um estudo biográfico de uma pessoa "post-mortem”. especificamente. São Cristóvão: Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação/NPGED. o seu vigor em continuar participando da Academia Sergipana de Letras. de 09 a 12 de abril de 2014. Com a pretensão de não concluirmos e. Vestidas de Azul e Branco: um estudo sobre as representações de ex-norrnalistas (1920-1950). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FREITAS. meio e fim. Esse encontro foi decorrente da necessidade de elaborar textos. a sua preocupação com o mundo que nos cerca. o nosso estudo não se encerra por aqui. Foi no exercício do magistério. a formação moral e religiosa do Colégio Nossa Senhora de Lourdes.

João Pessoa: Editora Universitária da UFPB. Aracaju: SEGRASE. (s/d) ______Flagrando a Vida. Aracaju: SEGRASE. NUNES. Maria Isaura Pereira de. QUEIROZ. Julita Ribeiro: reflexões sobre as lições das coisas (1921-1022) in:Educação e Educadores na Paraíba do século XX. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS paraibanas? In: Educação e Educadores na Paraíba do século XX. A Mulher na História. São Paulo: T. 75-90. PINA. Página 66 . Aracaju: Gráfica Popular. p. Erinalda Lopes dos e NUNES.O Satélite Espião. A. 1983. 2009. São Cristóvão: Editora UFS. ______. Maria Thetis. 2009. p. Queiroz Editor.1991. Maria Madureira.7-14. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB. 2008. Variações sobre a técnica de gravador no registro da informação viva. de 09 a 12 de abril de 2014. 1998. São Cristóvão. Maria Vera da Silva. 2ª ed. História da Educação em Sergipe. Fontes orais: Maria Lígia Madureira Pina – depoimentos concedidos ao entrevistador José Genivaldo Martires nos dias 06/01/2004 e 04/02/2004. SANTOS.

sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). com o titulo “O surgimento da indústria e do operário em São Cristóvão”. a beira rio plantadas. de 09 a 12 de abril de 2014. obras e eventos consolidou na segunda metade do século XX. econômica e social. do que foi a experiência cidade fabril em contraposição a cidade turística que o discurso político. por último sua praça São Francisco recebeu o título de Patrimônio da Humanidade concedido pela UNESCO em 1º de agosto de 2010. Página 67 .O progresso chegou há muitos anos com duas fabricas de tecidos que se acomodaram na baixada. (A Tarde. Antonio Lindvaldo Souza. Sua metodologia pautou-se: a) na análise da monografia que José Lúcio Batista Silva defendeu em 2002 sobre o tema. ainda parcial. Em razão disso foi declarada Monumento Histórico em 1938. O que muita gente desconhece é que no decorrer do século XX 30 Especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).fábrica – biografia . temos um quadro ampliado.Pedro Amado APRESENTAÇÃO “1968 . teve o centro histórico reconhecido em 1967 como bem de valor e preservação. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 12. dando trabalho honesto e remunerado a milhares de braços”. b) na acareação do estudo acadêmico com as informações coletadas em livros e nos jornais da hemeroteca do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). Dr. Apesar de tantos méritos acumulados a “quarta cidade mais antiga do Brasil” se acha num processo lento de vir-a-ser pólo de turismo. Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Orientador: Prof. São Cristóvão. Diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS/SECULT). O “TEMPO DA FÁBRICA” EM SÃO CRISTÓVÃO: APONTAMENTOS DA PESQUISA José Thiago da Silva Filho30 Resumo: A pesquisa trata da experiência de cidade têxtil que São Cristóvão vivenciou por quase 70 anos no século XX e que marcou profundamente o patrimônio cultural do seu povo e a configuração política. Como resultado. vinculado a programas. 5/6/1968) São Cristóvão possui um belo conjunto arquitetônico colonial. PALAVRAS-CHAVES: São Cristóvão .

Página 68 . especialmente sobre Felix Pereira de Azevedo e Othoniel Amado. José Lúcio mostra que a implantação da empresa têxtil Sam Christovam. De qualquer sorte faltava uma incursão na memória da fase fabril. A propósito. ele mostra que a vila operária seguia os mesmos São Cristóvão. Ele fornece dados biográficos sobre os fundadores. 10 anos antes. Aliás. Além de identificar origem dos operários.. Pedro Arcanjo de Santana. autor nomina os principais sócios e trata do desempenho fabril nos primeiros 20 anos de atividades. A. de Salvador. de José Lúcio Batista Silva. Durante muito tempo falar de progresso era olhar para cidade baixa. Apesar de toda sua importância não existe uma herança da fábrica ou esta é imperceptível a nova geração. econômica e cultural da ex-capital. ele defende que a falência da então capital começou em 1845 com desmembramento da freguesia de Itaporanga. dando trabalho honesto e remunerado a milhares de braços”. ou seja. política. Ambas tiveram uma grande influencia na vida social. retomou o crescimento econômico. a beira rio plantadas. sinônimo de progresso. é basicamente disso que trata a monografia “O surgimento da indústria e do operário em São Cristovão”. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS nem sempre falar de progresso aqui significava o turismo e as diversas possibilidades de aproveitamento do antigo e belo conjunto arquitetônico localizado no centro histórico. político e social da cidade em decadência desde a Mudança da Capital em 1855. (1914/1980) e Companhia Industrial São Gonçalo (1941/1969). onde o jornalista Junot Silveira comenta sobre a cidade onde passou parte de sua infância: “o progresso chegou há muitos anos com duas fabricas de tecidos que se acomodaram na baixada. a gerar centenas de empregos e uma posição de destaque na economia sergipana. Assim como coloca a implantação da unidade fabril sergipana. dentro do contexto nacional. junto com recém instalada linha férrea. São elas: Fabrica Sam Christovam S. portanto. o pesquisador entrevistou ex-operários (Antonio Lucrécio Santos. João Batista da Rocha. transcrevo uma matéria do jornal A Tarde. localizada em São Cristovão. Na sua narrativa acerca da implantação da fábrica Sam Christovam S. Maria Eurizina de Oliveira da Silva) para saber do processo de produção e moradia. A fase fabril de São Cristóvão foi representada pelas fábricas. em 1914. de 09 a 12 de abril de 2014. edição de 5 de junho de 1968. na cidade alta. A.

em Sergipe. Por último. de 09 a 12 de abril de 2014. com loja na rua D’Aurora. opositor. 8/11/1908) Figura como 1º. n. (Correio de Aracaju. esclarece que dentro do processo de negociação com grevistas e pleito de apoio junto do Governo do Estado. Othoniel atuou como representante comercial de produtos diversos. 43. assim como Felix Pereira de Azevedo. 65. o deputado Pedro Amado. 27/8/1908) Em 1913. Página 69 . Pedro Amado. era guarda livros quando foi nomeado agente da Companhia Pernambucana de Navegação. (Diário da Manhã. no corpo de sócios. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS princípios de controle observados em outras indústrias. O fato marca a chegada do seu irmão. em 30 de agosto. faleceu nos primeiros anos de funcionamento da fabrica. Tal expediente garantiu apoio de força militar que garantiu sua propriedade e impôs o fim do ato grevista. Até a breve participação nos quadros da empresa. numa cobrança endereçada a Secretaria do Tesouro sobre pagamento de passagens de praças. n. (Diário da Manhã. 12/07/1913) Era único agente-depositário do Lumbricida Vegetal Antunes fabricado na Capital Federal. (Folha de Sergipe. Desvela ainda que a primeira greve deflagrada pelos operários em 1935 não reivindicava melhores condições de trabalho e salários mas protestar por conta da contaminação da água empreendida pelo encarregado Penn Collidgs Menhinick. Em 1913 ainda negocia produtos musicais. 11/06/1908) Avisa que mudou escritório de Comissões e Consignações para rua da Aurora. Seu nome figura na folha de produtos e serviços da praça aracajuana para contato de venda de zonophones. convocando sócios para eleger novo Conselho Fiscal e Mesa Diretora. (Correio de Aracaju. 31. Secretario do Club Esperanto. IRMÃOS AMADO: CONSTRUINDO BIOGRÁFIAS Othoniel Amado. com escritório na rua Laranjeiras n. 30/11/1911) São Cristóvão. aparece como agente da Companhia de Navegação do Baixo São Francisco. assumiu bancada situacionista. Em 30 de maio de 1908.

nesta repartição” em atividade no momento Rastreando informações nos jornais foi possível juntar dados biográficos que respaldam conclusões de José Lúcio a respeito da origem do capital empregado na fundação da Fábrica Sam Christovam S. Dos tantos empecilhos encontrados pelos empresários para Inaugurar o empreendimento responsável pelo renascimento econômico da ex-capital. Pedro Amado ‘‘terminou brilhantemente curso de odontologia na academia de Medicina do Rio de Janeiro. de seus agentes. 28/11/1911. 5. de 17 de dezembro de 1911 que concedia isenção de impostos as fabricas ou empresas fundadas no município. (Diário da Manhã. No entanto. 85. imagine a luta travada entre os agrupamentos das 2 fabricas para contar com o apoio ou coptar a gestão municipal nas décadas de 1940. 15. Independente das suas atividades clínicas de 1914. . n. Página 70 . o fato é que a isenção e/ou sonegação de impostos pelo que pudemos constatar foi uma constante a prejudicar a saúde financeira do município. Os negociantes Othoniel Amado e Pedro Montalvão Amado tiveram “proihibida. 13/10/1910) ISENÇÃO & BENFEITORIAS Segue dados sobre primeiras notícias da empresa que motivou José Lúcio Batista Silva a elaborar seu estudo. 2) O cirurgião dentista instalou Clínica Odontológica na capital sergipana. a entrada. 5/2/1914) Os irmãos amado tinham firmas abertas na Junta Comercial. de 09 a 12 de abril de 2014. revogando lei N. por outro lado. A. o Conselho justificou que lei não cumpriu tramite legal e desconsiderou prescrições da lei orgânica do município. Independente das intrigas geradas pela iniciativa. (O Estado de Sergipe. enfim.obtendo plenamente com distincção’’. Detalhe: ao gestor aliado cabia por um lado minimizar/colaborar com sonegação da fábrica e. Se a benfeitoria do coreto parece um favor. taxar e expor na imprensa as São Cristóvão. (Diário da Manhã. mantinha sob a razão social Amado e Cia um armazém de moveis na rua Japaratuba. um foi pauta da sessão do Conselho Municipal. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS No ano de 1911. n. a inserção da fábrica na vida política sancristovense é que determinava a intensidade do ônus. 1950 e 1960. granjeavam representações de produtos e serviços de outros Estados e pelo menos uma vez contrariaram a Recebedoria Estadual. de 15 de janeiro de 1914. rua Itabaiana. a influência dos astutos empresários.

(Sergipe-Jornal. Se dados oficiais não batem. dezembro de 1916. reiteramos: questão fiscal ou sonegação promovida pela fábrica indistintamente espera um outro estudo. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS dívidas da empresa concorrente. Lourival Baptista. E esses vereadores. solenidade com benção das maquinas (4/2/1914). é preciso considerar que o valor do imposto sobre tear era calculado de acordo com a quantidade declarada pelo proprietário. Página 71 . não permitindo químicas de verbas nem transações outras que venham a onerar os cofres públicos. No geral. Curioso é o valor do capital que informa: superior a mil contos de réis. para decorar prédio da prefeitura comprado em 1916. José Lúcio Batista Silva questiona a necessidade de investigar a origem do capital. estão dispostos a vigiar e fiscalizar seriamente os negócios do município. o ex- intendente Antonio Gonsalves Barroso. como poder político representado na Camara de Vereadores. Acervo da Prefeitura Municipal de São Cristovão) Diante do caso. (Carta de Antonio Gonsalves Barroso ao intendente Messias do Prado Alvares Pereira. contraiu na “Amado & Cia da praça de Aracaju o débito da quantia de 436$000”.. ano em que o médico das fabricas galgou posto de prefeito: As coisas em São Cristovão não andam lá muito boas. Citemos um exemplo para ilustrar. Correspondência Recebida e Expedida (1915/1920). O novel prefeito. esta relação licenciosa entre setor privado e poder público agravou-se. AUTO-ESTIMA & O VALOR DA FÁBRICA O discurso do aumento da auto-estima do povo sancristovense consoante a experiência fabril é um espécie de ópio consumido e patrocinado por 3 porta-vozes: bairristas como Serafim Santiago. por exemplo. José Lúcio é mais exato: oito mil contos de réis. candidatos do universo fabril como Deoclécio Vieira e Lourival Baptista. conflitava com o representante patronal escudado no Executivo. caso do número de teares da empresa. 5/5/1951) Vê-se pelo exposto que força dos operários sindicalizados. SANTIAGO apresenta mais datas inaugurais: inicio da escavação do alicerce (14/8/1912). Dr. de 5 de maio de 1951.. de 09 a 12 de abril de 2014. transcrito do Sergipe-Jornal. (não São Cristóvão. empresários como Pedro Amado. apezar de médico das duas fabricas ali existentes. ao que se informa. A “química” das verbas condenada em 1951 era praticada nos primeiros anos da implantação da empresa. conta com a oposição dos operários que formam a maioria na Camara de Vereadores.

pretendem mandar construir. Página 72 . Pasme. Christovam. era obsoleto. sahido de Liverpool a 21 do corrente 2. PROCEDÊNCIA DO MAQUINÁRIO Respaldado no caso da fabrica Sergipe-Industrial fundada em 1884. e o nosso Estado contará mais esse elemento de progresso. junto ao São Cristóvão. 94 anos. mas no Brasil desde o século XIX. 1998:20) Assim foram as duas vilas operárias de São Cristóvão. Vejamos o que diz o Diário da Manhã. anexando moradia ao complexo fabril.Acabam de embarcar no vapor inglez Matador da Harrison Line.. José Lúcio afirma que maquinário da Sam Christovam anunciado como moderno e abençoado na manhã do dia 14 de fevereiro de 1914. 28/9/1912) VILA OPERÁRIA & LITERATURA José Lúcio recorre ao depoimento de Pedro Arcanjo de Santana. 1987:87) e/ou o enriquecimento meteórico dos sócios.266 volumes de ferragens e maquinismos para a Empreza Industrial Sam Christovam. (CORREIA. de 09 a 12 de abril de 2014. As vilas operárias e os núcleos fabris eram comuns nas industriais desde o século XVIII. É o primeiro carregamento de material que a empreza vai receber. de 28 de setembro de 1912: Empreza Industrial Sam Christovam . Dentro de poucos mezes a tradicional cidade de Sam Christovam verá funcionar a nova fábrica. (Diário da Manhã. de activos capitalistas da nossa praça. cujo edifício já está em construcção. publicado num jornal aracajuano: Os activos industriaes que compõem a firma Andrade. A seguir destaque villa operaria christovense. Junte-se a tudo isto a comentada questão fiscal e o vasto território da cidade que virou área de produção de lenha e coco. para tratar da origem da vila operária e da vigilância sofrida pelos moradores por parte dos agentes patronais. e que chegará por todo o mez de outubro. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS satisfeito com explicação encontrada em “História Econômica de Sergipe” (PASSUS SUBRINHO. que décadas depois foi incorporado ao patrimônio dos Amado. tinha um século de “atraso tecnológico”. para exploração de uma fábrica de tecidos em S. Telma de Barros Correia distingue vila operária de núcleo fabril. constituindo este uma tentativa de cidade fabril enquanto aquela uma fórmula patronal de controlar a vida privada dos operários. Chaves e C. Em sua obra “Pedra: plano e cotidiano operário no sertão”.

Página 73 . chalés. cine fabril. que José do Sacramento publicou em 1980. já tendo para isso se entendido com competente engenheiro Dr. com armazém. triste cidade parada que devia apaixonar os seus olhos e o seu espírito cansado de paisagens e de aventuras (.. que Jorge Amado publicou em 1933. Serão construídas cerca de 300 casas para operários. lazer.. zona cacaueira. tão mal remunerado quasi sempre. (A Tarde. ainda que não mais existam o formato original. um salão para sessões cinematographicas. de 09 a 12 de abril de 2014. é obrigado a trabalhar na empresa sob a vontade de um tio herdeiro dos negócios da família. 4/10/1913) Conforme detalha José Lúcio. filho do proprietário da fábrica de São Cristóvão. indo ganhar a vida no sul da Bahia. descreve Jorge Amado: Acho que meu pai montara a fábrica em São Cristóvão devido à decadência da cidade. O Encontro com o outro. Heraclito Lima. jovem foi demitido e deserdado. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS local do grande estabelecimento industrial. à sua paz e ao seu sossego. Com a morte repentina do genitor. Dois romances de cunho social lançam dados sobre as idiossincrasias de residir numa vila operária em São Cristóvão. Pedro Amado. uma villa operária.) A fábrica era um São Cristóvão. A terceira vila e quarta possuíam quintais maiores. (Diário da Manhã. 11/7/1993) Cacau narra a aventura de Sergipano. um armazém para venda de mercadorias. foram construídas a avenida da frente e uma outra por trás deixando os minúsculos quintais como ponto de intersecção. vida privada. dança e diversões outras e um chalé para a administração. pertinente lançar um fato silenciado nas suas biografias. Antes de considerar a obra amadiana. razão pela qual evitavam comparecer as mesmas solenidades e/ou semeavam tabu sobre o assunto. que começou o trabalho com actividade na confecção da planta. seu parentesco com o proprietário da Fábrica Sam Cristovam. Sobre as impressões da vila. etc. fato que gerava constrangimento a ambos. Louvamos a idéa dos illustres capitalistas que com tal procedimento procuram melhorar a situação do nosso operariado. Por defender uma jovem do assédio do tio-patrão. A partir deles é possível perceber regras. morador de um sobrado antigo do centro histórico localizado na Praça São Francisco. punições e mesmo uma linha divisória entre cidade e fábrica. É possível desenhar hoje o complexo desenhado pelo engenheiro Heráclito Lima. São eles: Cacau.

(…) Saindo da fábrica atravessava-se uma pinguela sobre um ribeiro e chegava-se à vila Cu com Bunda./ Operário negro. pelo lado da linha férrea. na fábrica nova. O nome do sabotador que ocasionou greve atípica deflagrada em 1935 após colocar grande quantidade de cloro na água qual se serviam os operários era Penn Collidgs Menhinick a retaliação do operário e inimigos o batizam de “penis”. Jorge Amado nos apresenta a expressão “Cu com bunda” como se apelidava 2 fileiras de casas da vila. antes de mudar para o Rio de Janeiro para cuidar da saúde. Houvesse o que houvesse. Se José Lúcio revela a definição da expressão “ossado” aplicada ao operário punido com não remuneração pela sua atividade laboral. 1996: 7-10) Do pitoresco. aquele filho da puta idiota/ E se tornou irmão de Manoel Ferreira. de 09 a 12 de abril de 2014. o que não era raro. inclusive de questões judiciais: Dois soldados passavam pela frente do campo. ela revela detalhes da vida operaria a partir da experiência de Roberto. Daí o nome pitoresco que lhe haviam posto. moradia de quase todos os operários. na ex-capital lembrada apenas pelo seu potencial turístico inquestionável. no qual os fundos das casas se encontravam. igualmente um outro (Otto) foi cantado em versos e escárnio: “São Cristovão. temos casos a destacar. a polícia não tinha ordens para poder ultrapassar a linha do trem. Setecentos operários. em eterna construção”. personagem principal. daí por diante ocorrências São Cristóvão. onde o alemão Otto tornou-se Ota/ E esbravejou contra Hitler. se o culpado ultrapassasse a linha do trem. Acerca dos apelidos impingidos nos estrangeiros que atuavam nas chefias como agentes patronais. (MELO. que somente ganharia força com o processo irreversível da falência da fábrica. 1989:56) Quanto à obra de José Sacramento que mescla ficção e autobiografia. (AMADO. (SACRAMENTO. Os mais fracos não iam e casavam e tinham legiões de filhas. como era denominada fábrica São Gonçalo. dois casos merecem destaque. Página 74 . Um grande retângulo. dizendo que “trabalhar em fiação só pra mulher”. podia até zombar da polícia. dos quais quinhentas e tantas mulheres. Os homens emigravam. pois. 1983:19) O TEMPO DA FÁBRICA: CONSIDERAÇÃO FINAL “Tempo da fábrica”. Nem mesmo no caso de crime. O ocaso do tempo da fábrica dá-se no início da década de 1970. que substituíam as avós e as mães quando já incapazes abandonavam o serviço. Um detalhe que chama atenção é a linha do trem imposta pelos patrões da Fabrica São Gonçalo como fronteira separando fabrica e cidade. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS caixão branco cheio de ruídos e de vida. é assim que boa parte da comunidade sancristovense trata o período findo em 1980.

ano III. p. 30/11/1911. Página 75 . Aracaju. 547. 30. 1989.. Aracaju. São Paulo: Papirus Editora. O Estado de Sergipe. JORNAIS A Tarde. n. 3. 13/10/1910. O Encontro com o outro. 850. PASSUS SUBRINHO. SACRAMENTO. 688. 164. Aracaju. 2002. ano XVIII.. José Thiago da. Folha de Sergipe. N 230. 27/8/1908. Monografia (Graduação em História . Aracaju: UFS. o tempo da fábrica permanece. José Lúcio Batista. p. 1. Curitiba. Aracaju. 1. 1. n. De cidade operária a polo turístico?. 108. Diário da Manhã. In: __. 19. n. p. 1996. Diário da Manhã. Ou seja. 12/7/1913. 132. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS adversas irão alarmar sindicatos. 3. p. MELO. Independente disso. ano III. p. p. Ano III. p. p. Correio de Aracaju. 2. p. p. Aracaju. p.Telma de Barros. 50ª ed. 4/10/1913. Recordando São Cristovão. FONTES DE PESQUISA BIBLIOGRAFIA AMADO. CORREIA. ano I. 28/11/1911. hábitos. Rio de Janeiro: Record. sociedade. n. N. Diário da Manha. Diário da Manhã. 2. Folha de Sergipe. de 09 a 12 de abril de 2014. Salvador. n. 1987. A Tarde. São Cristóvão. ano III. n. O Surgimento da Indústria e do Operário Têxtil em São Cristóvão: (1912-1935). 28/9/1912. 87. ano XII. Luiz. Cacau: romance. ano I. imprensa. São Cristóvão. 2. assim como é difícil datarmos o fim do tempo da fábrica: quando as máquinas pararam ou foi decretada falência ou trabalhadores receberam indenização? Também é difícil pontuar sua inauguração - quando foi iniciado/concluído prédio. Aracaju. p. Ano III. SILVA FILHO. Aracaju. 11/06/1908. Josué Modesto. 2. Diário da Manhã. 1. p. 31/5/1908. 256. 5/6/1968 Correio de Aracaju. Diário da Manhã. p. José. A Porta da Frente. p. 2. 5/2/1914. proprietários. 1983. n. chegaram máquinas ou iniciou produção? – Para José Lúcio o que inaugura a empresa é a formalidade do registro na Junta Comercial no ano de 1914. p. lembranças de pelo menos 7 em cada 10 adultos. a fábrica e seu tempo permanecem na memória. Aracaju. Pedra: plano e cotidiano operário no sertão. 1998. Aracaju. 8/11/1908. Aracaju. 3347. No entanto. n. 12/1/1913. 2002. Diário da Manhã. p. História Econômica de Sergipe (1850-1930). Aracaju: Segrase. ano XVIII. 56. 11/7/1993. 237-238. Salvador. ano IV. Jorge. jun. SILVA. 206. Aracaju.Universidade Federal de Sergipe). Cinform Municípios. n. 7-15. p. 20. 757. Aracaju.

n. ano XII. 3/11/1910. 3425. p. Aracaju. 4. São Cristóvão. Acervo da Prefeitura Municipal de São Cristovão. Correspondência Recebida e Expedida (1915/1920). MANUSCRITO Carta de Antonio Gonsalves Barroso ao intendente Messias do Prado Alvares Pereira. 5/5/1951. 3. Aracaju. p.668. Sergipe-Jornal. de 09 a 12 de abril de 2014. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS O Estado de Sergipe. dezembro de 1916. 12. n. Página 76 .

e no mundo. cientistas. discutir. São Cristóvão. a partir dos anos 50. insistência para solicitar auxilio para restaurar o “ lugar de memória chamado de Fazenda Iolanda”. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 13. como funcionavam as festividades e comemorações que aconteciamnos lugares da memória nas lembranças da mesma a emoção como relata cada recordação e descreve sua constante. entre outros profissionais. as leis. Em entrevista concedida em Aracaju no dia 60 de abril de 2011. de 09 a 12 de abril de 2014. através de cartas encaminhas a pessoas importantes no contexto abordado e ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). UM PATRIMÔNIO EM AGONIA" Josineide Luciano Almeida Santos Resumo: O presente trabalho intitulado Casa da Fazenda Iolanda um Patrimônio em Agonia faz um breve panorama da história e memória e o uso da história oral e sua evolução no Brasil. legislações que salvaguarda os bens patrimoniais tombados. o primeiro faremos um apanhado histórico do lugar. a relevância de restauração e preservação do bem. Patrimonial. Por fim de procuramos entender a relação das memórias da senhora Ruth Rollemberg Fonseca Mandarino. interrupta. Preservação. restauração mais específica. Palavras chaves: Memórias. Observamos que esta pesquisa está divida em três capítulos. que é formado pela capela e Residência Jesuítica e como ao longo dos anos foram sendo danificados pela erosão e falta de manutenção. e ao mesmo tempo. Restauração. com base nessas cartas escritas pela proprietária da fazenda. Outros entrevistados também relatam as reais condições do conjunto de valor histórico e arquitetônico datado do século XIX. Após isso abordaremos e conceituaremos o termo tombamento e descreveremos as implicações referentes aos bens públicos e os de propriedade privada. da influência e utilização dos historiadores. Página 77 . "HISTÓRIA E MEMÓRIA: CASA DA FAZENDA IOLANDA. 28 de março de 2012 a senhora supracitada revelou quais foram as condições que encontrou o casarão e a igreja quando chegou na localidade para ali residir. a luz de uma discussão teórica sobre patrimônio material e uma discussão historiográfica. O mesmo buscou verificar e analisar a fazenda Tejupeba ou Iolanda como modelo de construção jesuíta. salientando seu valor histórico e patrimonial bem como trazendo a memória às lembranças de pessoas que viveram em tempos em que havia funcionalidade no casarão e igreja. a luz da legislação e da história. deixar um registro de uma personagem histórica em questão que estava no anonimato.

nas memórias do entrevistado. não dava para suprir as necessidades básicas. do GPCIR. engenho e reação. no período de pós abolição da escravatura em Sergipe. eram muito difíceis. suscitavam algumas ações inusitadas. onde a estadia e a alimentação eram oferecidas sem tantas dificuldades. Em entrevista concedida ao Projeto Massapê: Memórias. O “salário” pago ao trabalhador. Maria Madalena. tornavam sujeitos em suas vicissitudes históricas no seu mundo e para o seu mundo. como comer e beber. Como sobreviver? Como educar seus filhos? Palavras-chaves: Memórias. somadas a algumas atitudes individualizadas de D. ganhando o animal que havia “morrido”. para poderem usufruir do fato. pós escravidão. Uma delas foi abater um dos animais de seus patrões. aproximadamente os anos de 1890. Maria Madalena. revelou quais foram condições de sobrevivência de sua avó materna. Página 78 . Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 14. às escondidas e fingir tal feito como morte natural. Maria Madalena e de outros trabalhadores que viviam em mesma situação. “PÓS ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM SERGIPE E AS MEMÓRIAS DE ROSALVO VIEIRA DOS SANTOS” Kéfus Ibrahim Santana Cardoso Resumo: Rolsalvo Vieira dos Santos. As condições de sobrevivência dos ex escravos. setenta e nove anos de idade. segundo D. homens e mulhres. da Universidade Federal de Sergipe. Engenhos e Comunidades da Microrregião do Contiguiba. morador da cidade de Rosário do Catete – SE. Entretanto. declarou ser neto de escravos. realizada em vinte e nove de março de dois mim e quatorze. D. de 09 a 12 de abril de 2014. Ex escravos. a mesma enxergava a forma de sobrevivência deste período escravocrático numa forma mais positiva. Os problemas de sobrevivência desta época. para servir de alimentação. ex escrava. São Cristóvão.

críticos literários. Brasil. comumente nominado Inglês de Sousa. poeta. jurista e político afeito as inovações de seu tempo. principalmente contra o padre de Aracaju. A historiografia sergipana nos possibilita ainda analisar as minucias dos conflitos ideológicos. Identidade e Religiosidades”. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 15. Página 79 . e sua passagem pela Província de Sergipe entre 1881 e 1882. Palavras-chave: História. a pesquisa foi realizada a partir do filtro da produção nacional e local – historiadores. um porta-voz de uma cultura liberal. filósofos e uma ampla bibliografia relacionada. Inglês de Souza. políticos e partidários que Inglês de Sousa envolve-se nas terras sergipanas. quando esteve à frente da administração provincial. São Cristóvão. Como todo trabalho é um recorte. bacharel. de 09 a 12 de abril de 2014. esclarecida e ilustrada. Membro do Grupo de Pesquisa “Culturas. Olímpio de Sousa Campos. Sergipe. 31 Mestrando em História pela Universidade Federal de Sergipe. Reconhecido pelos críticos literários e biógrafos como intelectual de primeira ordem. UM PÁSSARO FORA DO NINHO: TENTATIVA DE DEBATE HISTORIOGRÁFICO EM TORNO DA PASSAGEM DE INGLÊS DE SOUSA PELA PROVÍNCIA DE SERGIPE Leonardo Matos Feitoza31 Resumo: O presente trabalho é a tentativa de promover um debate historiográfico em torno das principais produções brasileiras e sergipanas que desvelam o mundo de pertencimento de Herculano Marcos Inglês de Sousa. que tinha o positivismo como lente para compreender o mundo. biógrafos. romancista. Historiografia.

HISTÓRIA COMPARADA: A ESCRAVIDÃO NO NORDESTE COLONIAL BRASILEIRO SEGUNDO O LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA DO ENSINO FUNDAMENTAL Liliane Vieira Nunes Resumo: Este artigo faz uma breve analise comparativa do livro didático de história do 7° ano. Escravidão. em sua primeira e terceira edição.639/03. no intuito de averiguar a existência de uma nova abordagem histórica dentro das perspectivas de ações afirmativas. elaborados pós Lei 10. Nordeste Colonial. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 16. O capitulo escolhido para ser explanado em ambos refere-se ao Nordeste Colonial precisamente ao conteúdo destinado ao funcionamento da vida nos engenhos. Livros didáticos São Cristóvão. enfatizando os castigos físicos aplicados aos escravos negros. ambos manuais integrantes de uma mesma coleção da Editora Moderna denominada Projeto Araribá História. no que concerne a escravidão como um dos traços mais marcantes da vida colonial na América Portuguesa. de 09 a 12 de abril de 2014. Palavras-chave: Ensino de História. Página 80 .

Com base na descrição e interpretação do posicionamento do indivíduo dentro da sepultura. São Cristóvão. seu grupo etário entre outros. Também foram aplicados métodos bioantropológicos para descrever e interpretar os eventos fúnebres que ocorreram antes. enquanto associada ao pensamento antropológico. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 17.Bioarqueologia – Paleogenética . sobretudo nas últimas décadas à reconstituição das sociedades pretéritas. Professora Adjunta do Departamento de Arqueologia da UFS. Página 81 . durante e depois do sepultamento. O ELO GENÉTICO: ANÁLISE DAS ANOMALIAS DE DESENVOLVIMENTO E DOS PONTOS EPIGENÉTICOS EM ESQUELETOS HUMANOS PRÉ-HISTÓRICOS E A POSSÍVEL RELAÇÃO DE PARENTESCO Madson De Souza Fontes32 Olívia Alexandre de Carvalho33 RESUMO Neste trabalho serão apresentados resultados das análises realizadas sobre sepulturas de indivíduos adultos e não adultos do sítio São José II. Alagoas. de 09 a 12 de abril de 2014. Palavras Chave: Caracteres Discretos . 33 Doutora em Bioantropologia pela Universidade de Genebra. seu acompanhamento funerário. tem-se debruçado. situado no município de Delmiro Gouveia.Paleoantropologia INTRODUÇÃO A Arqueologia. fomentar que estudos sejam realizados embasados na ideia de que o contexto funerário pré-histórico é portador de identidades que estão representadas na materialidade das estruturas funerárias. enfatizando os aspectos da estrutura e organização social. O enfoque principal deste estudo está na análise dos caracteres discretos e a identificação do grau de parentesco entre os indivíduos. seja do próprio indivíduo. foi possível sustentar a hipótese inicial deste trabalho. E. subsistência e estilo de vida (BINFORD e 32 Mestrando PROARQ/UFS. seja por meio de objetos e formas comuns.

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BINFORD, 1968; LEROI-GOURHAN e BREZILLON, 1972; JOCHIM, 1976, CLARKE,
1977; YELLEN 1977; NEVES, 1980).

A utilização das técnicas analíticas das ciências naturais tem fornecido à Arqueologia um
arcabouço relevante para uma interpretação contextual cada vez mais consistente e
estruturalmente fundamentada. A análise dos caracteres bióticos e abióticos constitui a base
elementar de uma ramificação da Arqueologia, denominada Bioarqueologia.

Em suma, os estudos bioarqueológicos têm permitido cada vez mais inferir tanto no
comportamento social como em fatores bioculturais, por meio de análises realizadas em
vestígios arqueológicos de caráter orgânico e inorgânico.

A Antropologia Biológica pré-histórica, por sua vez, só recentemente começou a contribuir de
forma sistêmica para a recuperação de padrões de comportamento nas sociedades humanas.
Tradicionalmente a Antropologia Biológica ateve-se à tipologia e classificação do aspecto
físico do homem (NEVES, 1984).

Este estudo possibilitará a identificação de possíveis elos de consanguinidade entre os
indivíduos do sítio arqueológico São José II. O estudo será embasado na análise dos
caracteres discretos e das anomalias de desenvolvimento, ambos relacionados diretamente a
questões genéticas.

O conceito de genética está interligado ao estudo da hereditariedade e de tudo o que esteja
correlacionado com a mesma (SILVA, 2002). O conceito também faz referência àquilo que
pertence ou que é relativo à gênese ou origem das coisas. Como tal, a genética analisa a forma
como a hereditariedade biológica é transmitida de uma geração para a seguinte, e como é
efetuado o desenvolvimento das características que controlam os respectivos processos.

A aplicação dos estudos genéticos em contexto arqueológico possibilitou a criação de um
novo seguimento neste tipo de pesquisa, a Paleogenética. E, tem sido de interesse dos
pesquisadores deste ramo, desde o início do século XIX o estudo de caracteres fenotípicos

São Cristóvão, de 09 a 12 de abril de 2014. Página 82

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para aferir as relações biológicas entre populações, bem como a sua movimentação e mistura
com outros grupos (SILVA, 2002).

Com Kerkring, em 1670, iniciaram-se os estudos de variabilidade anatomo-morfológica no
crânio, sendo então os caracteres discretos tidos como anomalias (SILVA, 2002). Tal
manteve-se até meados do século XX, quando estes caracteres foram estudados em ratos por
Grüneberg, originando a sua utilização em estudos genéticos e a noção da quasi-continuidade
destes traços morfológicos (SILVA, 2002). Após este estudo, seguiu-se a aplicação à
avaliação de distância biológica em populações humanas. Ainda assim, este conhecimento foi
questionado pela investigação, que põe em causa o determinismo genético de algumas
características (SILVA, 2002).

Os caracteres não-métricos são uma solução que apresenta vantagens, nomeadamente a
aplicação em fragmentos ósseos, a menor correlação entre os diversos caracteres, a pouca
relevância de fatores exógenos ou biológicos, como o sexo ou a idade (SILVA, 2002).

Por fim, a Arqueologia com sua essência interdisciplinar, tem buscado fontes de informação e
metodologias em outras ramificações das ciências para complementar com dados a
interpretação sobre o comportamento das sociedades por meio da materialidade.

METODOLOGIA

Esta pesquisa possui caráter quantitativo e qualitativo. Neste sentido, ambas foram utilizadas
para definir ou aferir respostas e conclusões para os objetivos estabelecidos neste estudo. O
material selecionadoconsistu em 31 esqueletos humanos, entre indivíduos adultos e não
adultos, pertencentes ao sítio arqueológico São José II, localizado no município de Delmiro
Gouveia, no Estado de Alagoas. O mesmo sítio possui datações entre 3500±110 BP (BETA-
86739) a 4140±90 BP (BETA-86740) (CARVALHO, 2007).

Parte do material encontra-se exumado e acondicionado no Laboratório de Bioarqueologia da
Universidade Federal de Sergipe, já uma outra parte ainda está articulada e acondicionada em
envoltórios de gesso, na reserva técnica do Museu de Arqueologia de Xingó.

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Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR
UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS

A COLETA DE DADOS

A coleta de dados deu-se por meio de análises osteológicas macroscópicas realizada tanto no
Laboratório de Bioarqueologia da Universidade Federal de Sergipe, quanto na reserva técnica
do Museu de Arqueologia de Xingó, da mesma instituição de ensino.

Para tal, foram utilizadas fichas específicas elaboradas pelo autor deste projeto embasado em
Saunders (1978) e Hauser e Destefano (1989), buscando adaptar-se ao estado de conservação
do material osteológico e obter o máximo de informações possíveis. Também utilizou-se o
recurso de captação de imagem fotográfica das peças osteológicas. Permitindo que uma
análiseposteriori das imagens em laboratório.

A análise dos caracteres discretos nos indivíduos que não foram exumados daram-se pela
observação dos mesmos sem a necessidade de exumação dos restos ósseos, apenas a
evidenciação do esqueleto. Para os que já foram exumados uma análise macroscópica sobre
os fragmentos osteológicos foi executada em laboratório.

Para a construção de um perfil bioarqueológicoutilizou-se os dados já existentes em trabalhos
publicados sobre o sítio São José II como Carvalho (2007) e Castro (2009), contendo
informações sobre as variáveis sexo, idade à morte, estatura e número mínimo de indivíduos
(NMI) por sepultura.

Quanto à documentação de possíveis enxovais funerários associados aos sepultamentos foram
realizadas a partir de fichas apropriadas para catalogar este tipo de cultura material. Fora
também verificado o posicionamento do corpo dentro da sepultura, possibilitando comparar se
de acordo com o grau de consanguinidade entre os indivíduos há alguma representatividade
na forma de posicionamento do corpo dentro do espaço sepulcral.

A análise do posicionamento do corpo pode ser averiguado através de registro fotográfico
para os indivíduos já exumados e análise in loco para os indivíduos que ainda possuem seu

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RESULTADOS E DICUSSÃO No sítio São José II foram analisadas as tipologias de 28 estruturas funerárias. acidez. PUBLICAÇÃO DOS RESULTADOS Serão publicados por meio de artigos científicos em revistas especializadas e apresentados tanto oralmente. entre adultos e não adultos. de 09 a 12 de abril de 2014. De um modo geral. Totalizando 28 enterramentos e 31 indivíduos. presente apenas 1 enterramento triplo (com 3 indivíduos em uma mesma estrutura funerária). As peças ósseas apresentaram fraturas. resultantes de fatores mecânicos. comportando a este trabalho uma interpretação tanto a partir da ótica biológica. fissuras e esfoliações. umidade. 1968. os enterramentos não apresentaram uma boa conservação do material osteológico. quanto em forma de banner em eventos acadêmicos os resultados obtidos e a interpretações sobre os dados coletados nesta investigação. De forma análoga foi investigada a presença ou ausência de cultura material ou restos faunísticos associados aos sepultamentos. 1971). BINFORD. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS posicionamento preservado em envoltórios de gesso. visando contribuir com a promulgação do conhecimento científico no âmbito da Paleogenética. A ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Esta etapa consistiu na tabulação dos dados coletados. permitindo assim. São Cristóvão. bioerosões e bioturbações. a realização de uma análise comparativa dos dados epigenéticos entre os indivíduos da mesma população. quanto da ótica cultural representada na materialidade (BINFORD e BINFORD. estando todos os restos esqueléticos incompletos. Página 85 . utilizado como parte da metodologia de salvamento pela equipe do PAX (Projeto de Arqueologia de Xingó). e correlacionar à possibilidade de existência ou não de laços consanguíneos entre eles. 1 duplo (com 2 indivíduos em uma mesma estrutura funerária) e 26 inumações simples (com apenas 1 individuo em um sepultamento).

2000). não são esclarecedoras. tais como a alimentação. adolescentes. o fato de haver uma predominância no número de enterramentos de não adultos neste sítio. Há muitas outras explicações etiológicas que foram sendo dadas para o surgimento de torusmandibular. Entretanto. por falta de informação e outras amostras comparativas. SCHEUER & BLACK. ou desenvolvimento morfológico que ainda não é definido nos ossos de uma criança. porém não são confiáveis. o que poderá estar relacionado com o facto de se aproximarem geneticamente. Ainda assim. há indícios que stress oclusal possa ser a causa na maioria dos casos. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Foram identificadas no sítio São José II inumações de indivíduos pertencentes a todos os grupos etários: crianças. não houve a possibilidade de identificar em crianças. identifica-se um padrão claro de proximidade com amostras de origem europeia. Porém. já o diferencia dos demais sítios por não ser algo recorrente em escavações arqueológicas. de 09 a 12 de abril de 2014. Os resultados da análise do enxoval funerário mostraram apenas em alguns casos a pouca recorrência de restos faunísticos e conchas bivalves associados aos sepultamentos (figura 11). pelo seu grau de eficiência e acurácia. particularmente no que toca a foraminamentales. adultos e idosos. Para este tipo de determinação o mais indicado seria a análise de DNA. A única fonte de comparação para os tubérculos genii(cuja relevância no ponto de vista biológico é manifestamente incerta) aproxima-se do padrão encontrado na presente amostra. As frequências identificadas nos caracteres morfológicos mandibulares da presente amostra. Apesar de hoje se considerar a origem genética do toruscomo a mais provável. trata-se de uma variável só possível de análise em indivíduos adultos (UBELAKER. como não adultos. mas deve ser interpretado cautelosamente. segundo Silva (2002). Página 86 . a associação com forte desgaste dentário. A presença de toda a São Cristóvão. ou insuficiência vitamínica. Quanto à variável sexo. Este tipo de material compondo o enxoval funerário já pôde ser evidenciado em contextos funerários pré-históricos envolvendo tanto indivíduos adultos. sublinhado por ponte mielohióidee torus mandibular. pois está relacionada à morfologia. existem métodos métricos possíveis para diagnose sexual em indivíduos não adultos. 1989.

R. Chicago. M. foi já associada à presença de torusmandibular. R. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS dentição mandibular. J. A (ed) Approaches to ten Social Dimensions of Mortuary Practices. de fato. In. 1971. Pernambuco: Universidade Federal de Pernambuco. mas também a diluir as oportunidades para a confusão deste carácter odontológico com o protostylid. A cúspide 7trouxe ainda ao presente autor uma conclusão acidental. L. São Cristóvão. 1968. Tese de Doutorado. se vier a confirmar) e demonstrar o real fenótipo a considerar nas avaliações de distâncias biológicas. com objetivo de procurar a a gênese dentária e contribuir para o diagnóstico de alterações morfológicas/patológicas nas mandíbulas. R. V. BROWN. L. Página 87 . de 09 a 12 de abril de 2014. Mortuary Practices Their Study and Their Potential. Tal permite questionar se a expressão “1a” deste carácter anatómico dos molares não deverá ser considerada positiva.. quando se verifica o grau “1a”). impõe-se caracterizar as populações mundiais no que respeita ao MMPT. bem como o surgimento relativamente precoce dos caninos. ou ainda a desconsideração deste último. BINFORD. por aparente incorreção na caracterização no sistema ASUDAS. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BINFORD.Aldine Press. 2009. S. C. permitiu encontrar uma significância estatística muito inferior na distinção entre sexos e lados.New Perspectives in Archeology. Marcadores de identidades coletivas no contexto funerário pré-histórico no Nordeste do Brasil. CONCLUSÃO Quanto aos restantes caracteres observados. de forma a contribuir para a caracterização biológica das populações. Os trabalhos futuros devem privilegiar as análises radiológicas. habitualmente considerada presente a C7. CFCH. BINFORD. A inicial consideração do grau ASUDAS “1a” da cúspide 7na análise estatística (entretanto corrigida por não ser. Memoir of the Society for American Archaeology 25: 6-29. CASTRO. dado trazer congruência às amostras (se tal.

2002. Mercury Series. 32. M. D. BLACK. Dossier 81: National Museum of Man. 1989. Paris. Dissertação para a obtenção do grau de Doutor em Antropologia apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. A. SILVA. A. Washington D. excavation. A. A.. G. W. A. S. analysis and interpretation. M. 1976. LEROI-GOURHAN. Schweizerbart‟scheVerlagsbuchhandlung. 1972. YELLEN. 6:47-62. SCHEUER. Academic Press. SAUNDERS. Incidência e distribuição das osteoartrites em grupos coletores do litoral do Paraná: uma abordagem osteobiográfica. W. 2000. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS CLARKE. Fouilles de Pinceventessaid’interpretation d’un habitat megdalénien. Human skeleton remains. 1977. São Cristóvão. E. Página 88 . Academic Press. 1977. C. Academic Press. NEVE. S. G.Epigenetic Variants of the Human Skull. J. SpatialArcheology. Análise dos Moluscos do Sambaqui do Buracão. 1978. Clio (SérieArqueológica). New York.CNRS. D. Stuttgart. Antropologia funerária e paleobiologia das populações portuguesas (litorais) do Neolítico final-Calcolítico. HAUSER. London. Archeological Approaches to the Present. UBELAKER.. F.: Taraxacum Press. L. JOCHIM.The development and distribution of discontinous morphological variation of human infracranial skeleton. 1984. BREZILLON. 2 ed.. Developmental Juvenile Osteology. NEVES. H. 1980. DE STEFANO. M. [Nãopublicado]. 1989. de 09 a 12 de abril de 2014. Hunter-Gatherer subsistence and settlement: pre dictive model. New York: Academic Press. London. Ciência e Cultura.

os negros de Guiné . Identidades e Religiosidades (GPCIR/CNPq/UFS). Palavras-chave: América Portuguesa. nascido em 1517. 36 Inaciano. em fins do século XVI. vindo a faleceu em 1625. com destaque para o de Reitor do Colégio Baiano. Desembarcou no Brasil em 1583 e por aqui viveu 42 anos. nascido em 1550. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 18. identificando o lugar do homem africano . pode ser localizado no tecido social das tramas da América Portuguesa e suas citações podem ser agrupadas de acordo com suas especificidades de aparição. Ocupou vários cargos importantes na Companhia de Jesus. Página 89 . na Bahia. Buscar-se-á aqui perscrutar sobre as representações do negro na ótica de religiosos jesuítas como Padre Manoel da Nóbrega (1517-1570)35 e Padre Fernão Cardim (1550-1625)36. de 09 a 12 de abril de 2014. 1. através do estudo de cartas e textos dos inacianos e da produção teórica sobre o assunto. na América Portuguesa. Aluno especial do Programa de Pós-Graduação em História (PROHIST/UFS) e integrante do Grupo de Pesquisa Culturas. evidenciando que apesar de o ter colocado em segundo plano. Negros de Guiné. Foi um dos primeiros inacianos a desembarcar no Brasil. o homem africano. REPRESENTAÇÕES DO NEGRO NA ÓTICA DO CLERO COLONIZADOR Manoel Ribeiro Andrade34 Resumo: Este texto analisa as menções sobre os negros de Guiné nos escritos de Padre Manoel da Nóbrega e Padre Fernão Cardim. em 1549. cargo mais alto existente na Companhia na São Cristóvão. 2010: 22). em fins do século XVI. chegou no grupo dos primeiros religiosos que aqui aportaram em companhia do governador-geral Tomé de Sousa. Reitor do Colégio do Rio de Janeiro e Provincial. falecendo em 1570 no Rio de Janeiro (PESSOA. INTRODUÇÃO Este trabalho pretende analisar os discursos do clero colonizador. Padre Manoel da Nóbrega. especialista em História do Brasil (Pio Décimo) e em Gestão de Políticas Públicas com Foco em Gênero e Raça (UFS). 35 Jesuíta. no cenário da América Portuguesa. Busca identificar o lugar destes personagens nos primeiros escritos coloniais. Viveu no Brasil por 21 anos. Padre Fernão Cardim. Reflete sobre as representações do escravo negro na literatura historiográfica e na sociedade colonial. procurando identificá-lo no cenário e nas tramas da América 34 Graduado em História (FJAV).nos primeiros escritos coloniais.

Para tanto. analisamos as aparições do homem africano nos textos selecionados. Oliveira (1997: 72-73) empreendeu uma nova perspectiva para análise das procedências e dos etnônimos atribuídos aos escravos africanos trazidos para o Brasil. ano de 83 [1583] ou Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica. mas também por populações africanas e mestiças que se dedicavam às diferentes tarefas de captura. Detém-se. Cristóvão de Gouvêa às partes do Brasil. apenas. NEGROS DE GUINÉ NA ÓTICA DO CLERO COLONIZADOR Antes mesmo de discutir sobre o objeto se faz necessário defini-lo para melhor compreendê-lo. Página 90 . se prender a um estudo exaustivo de cada autor. As três obras foram produzidas isoladamente e somente em 1925 foram reunidas em uma única edição. Aqui. escrivães das feitorias e encarregados desta função. Do princípio e origem dos índios e Informação da missão do P. fez-se um diálogo com as categorias de Pessoa (2010) tentando enquadrar as menções referentes aos negros de Guiné em uma realidade mais próxima à dos ideais da colonização religiosa. São Cristóvão. A grande contribuição dela reside na compreensão de que as fontes sobre as procedências dos africanos estiveram sujeitas às variações das terminologias utilizadas na rede do tráfico português. composta por administradores. Escreveu Do clima e terra do Brasil. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Portuguesa. contudo. Assim. 2010: 23). quem eram os negros de Guiné no início da colonização? Ao interpretar a bibliografia que discute os ciclos do tráfico37. manutenção. adotamos o seu primeiro eixo de referência: negros de Guiné como auxílio régio lusitano à causa evangélica e encontramos dentro dos demais eixos apresentados um novo: negros de Guiné como paciente das ações missionárias da América Portuguesa. 37 Sobre esta perspectiva indico a leitura de Vianna Filho (2008). as menções encontradas num grupo seletivo de textos e não necessariamente nos informantes ou em toda a sua produção. Perguntas como qual o lugar do homem africano na literatura dos religiosos colonizadores? Quais papéis eles desempenharam nas tramas da América Portuguesa? E quais representações estes assumiam na visão destes religiosos? Fomentaram esta pesquisa e nos conduziram a formação de um entendimento sobre a temática. de 09 a 12 de abril de 2014. vendo-os como realidades necessárias para a catequização e também como finalidade desta. América Portuguesa. como o título de Tratados da terra e gente do Brasil (PESSOA. 2. vigilância e transporte dos cativos. O estudo discute sobre os textos dos personagens citados sem.

1997: 39-40). Segundo os estudos de Pessoa (2005: 27) fica evidente a presença do homem africano nos primeiros escritos coloniais. colocando-o sempre em segundo plano para se evidenciar os protagonistas do cenário escravocrata da América Meridional. nos discursos de clérigos e letrados do período. o termo teria um sentido semelhante a um imenso porto onde eram embarcados milhares de cativos para se tornarem escravos no outro lado do Atlântico (OLIVEIRA. mais “do que um registro de procedência. as menções dirigidas a ele nunca se apresentaram como núcleo do tema discutido.e como parte dos cabedais necessários para os desbravadores brancos que se aventuravam na empreitada colonizadora da América (PESSOA.quanto mão de obra escrava . são passíveis de ser agrupados numa série em virtude de São Cristóvão. E na Colônia Brasil. Página 91 . Angola e Minas foram expressões extremamente genéricas de composições específicas No dizer dela. estas expressões queriam significar a condição de escravo na linguagem corrente da época”. de 09 a 12 de abril de 2014. Neste sentido. negro de Guiné e gentio da Guiné foram às primeiras designações utilizadas para marcar a origem dos escravos chegados à Bahia no século XVI. como quaisquer outros desse tipo. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Concluindo que os termos Guiné. são arbitrários e somente se sustentam na ideia de que esses escritos. 2010: 21-22). faz-se necessário isolar as circunstâncias em que o negro aparece. mesmo pertencendo a religiosos distintos. Havia inclusive uma certa preferência do Negro de Guiné ao Negro da Terra. os quais. valendo-se do discurso de que o africano estaria mais familiarizado com as tarefas da colonização que o indígena. Mesmo assim. figuravam sempre em segundo plano na realidade colonial da América Portuguesa. de onde vinham os escravos”. tomando como ponto de partida as regularidades de suas aparições e as circunstâncias das menções específicas apresentadas. Sabe-se que durante o século XVI os escritos coloniais pouco se referiram ao negro como tema principal. quantitativo . afirma o historiador. Para tanto. é perfeitamente possível demarcar e mapear sua presença. Todavia. as consideradas verdadeiras grandezas do Brasil: a terra e o índio. “seu uso se firmara para designar toda a costa da África. Aqui. partindo-se das referências ao elemento negro africano nos textos referidos. o homem africano fora apresentado comumentemente com certa precisão valorizado por um aspecto exótico. em cortes temáticos.

escrevendo da Bahia. Simão Rodrigues. (que digo). me dizem que mandam mais escravos a esta terra. além dos que a casa tem (NOBREGA. porém fazendo novos recortes e associações. O primeiro deles é enfatizado como auxílio régio lusitano à causa evangélica na América Portuguesa. podia vir logo provisão para mais três ou quatro. grifo nosso). partiremos para a análise dos eixos de menções ao homem africano. de escolher os temas. meninos e mais escravos de Guiné a Bahia. realidades estas intimamente relacionadas a colonização religiosa. Estudaremos as representações do negro na ótica do clero colonizador como auxílio régio lusitano à causa evangélica e como paciente das ações missionárias da América Portuguesa. suas primeiras referências remontam aos escritos de Padre Manoel da Nóbrega dirigida a El-Rei D. 1931: 126. Página 92 . porque a terra é tão fértil que facilmente se manterão e vestirão muitos meninos. São Cristóvão. No ano seguinte. Nesta carta Nóbrega requisita escravos de Guiné aconselhando o monarca português a investir na infraestrutura das acomodações dos religiosos para garantir um melhor desempenho da causa missionária: mande ao Governador que faça casas para os meninos. de Guiné. e para nós não é necessário nada. porque a terra é tal que um só morador é poderoso a manter a um de nós (NOBREGA. si assim fôr. percorreremos os mesmos caminhos que o historiador para analisar o lugar dos negros de Guiné nos primeiros escritos coloniais. 1931: 130. Estabelecida às circunstâncias. Guiados por tal sistemática. rei de Portugal. em 5 de julho de 1552. dentre estes cita a carência de escravos de Guiné. si tiverem alguns escravos que façam roças de mantimentos e algodoaes. das conveniências de El-Rei favorecer a Companhia de Jesus com certos benefícios. de 09 a 12 de abril de 2014. Si El-rei favorecer a este e lhe fizer egreja e casas. o referido religioso informa ao Padre Provincial de Portugal. porque as que têm são feitas por nossas mãos e são de pouca duração e mande dar alguns escravos de Guiné á casa para fazerem mantimentos. de definir os conceitos. e mandar dar os escravos. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS certas regularidades enunciativas: mesma maneira de abordar o objeto. A carta faz menção à necessidade de se enviar padres. grifo nosso). datada de 14 de setembro de 1551 (Olinda-PE). João III.

Nóbrega informa como se daria a logística de utilização da mão de obra dos negros de Guiné pelos padres da Companhia de Jesus: “Depois que vieram os escravos d'El-Rei. entre eles os oito negros de Guiné. numa outra passagem. doentes e Tristes” (NOBREGA. Neste o jesuíta ao descrever as diligências do padre Rodrigo de Freitas em visita a Companhia de Jesus na Bahia. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Ainda em 1552. Nóbrega narra a respeito dos acordos entre os colonizadores e os índios pacificados. O segundo eixo de menções ao negro nos primeiros escritos coloniais. dirigindo-se ao Governador Geral do Brasil Tomé de Sousa. tomaram os Padres fiados por dous annos três escravos. mas os do Pera açú muitos delles não quizeram paz nem dar os escravos. Na mesma carta. p. no Tratado Descritivo da Terra e Gente do Brasil de 1583. diz respeito ao homem africano quanto paciente das ações missionárias na América Portuguesa. de S. 1931. Os de Tapariqua obedeceram. Em carta datada de 5 de julho de 1559. embora estejam fora do eixo trabalhado. adotado aqui. mais especificamente na terceira parte. Thomé. O primeiro registro deste fato encontra-se nas narrativas epistolar de uma viagem e missão jesuítica. Página 93 . faz-se pertinente apresentá-las. no qual estes ofereciam ajuda à captura de um grupo de índios bravos. acusados de assaltarem a roça de um certo André Gavião: “onde estavam oito negros de Guiné. e os negros de Guiné fugiram e esconderam-se pelos matos e por isso escaparam. de Guiné a esta terra. apresenta-nos uma pré-noção do lugar do homem africano nas narrativas religiosas dos primeiros escritos coloniais: São Cristóvão. 215). Os índios pacificados se prontificaram a auxiliar na emboscada ao gentio na roça de André Galvão e dessa empreitada resultou algumas dezenas de mortos. dando fiadores a isso. grifo nosso). Depois sendo requeridos com paz e com restituirem o barco e os escravos (NOBREGA. o religioso descreve sobre as revoltas indígenas. numa outra carta destinada ao Padre Mestre Simão Rodrigues. e acaba-se o tempo agora cedo”(NOBREGA. nos relatos do Padre Fernão Cardim. 1931: 138). com ferramenta que levava. antes tomaram um barco de Pero Gonçalves. Padre Manoel da Nóbrega menciona-os ainda em outras citações. apresentando-nos dados sobre hábitos e costumes dos indígenas da América Portuguesa. de 09 a 12 de abril de 2014. 1931: 211.

de que se seguiu grande edificação para toda a terra”(CARDIM. e negros da Guiné achão piolhos. Nesta mesma. 1925: 300. denuncia os prenúncios da pedagogia de catequização. e de indios da terra. prégando-lhes e ensinando-lhes a doutrina. não faltão baratas. 1925. baptisaram-se muitos indios e escravos de Guiné. casando-os. de cujas resoluções se seguiu grande fructo e augmento da christandade depois que chegamos ao Brasil (CARDIM. Cardim cita o figurante negro nas narrativas da evangelização jesuítica na Província de Pernambuco de forma semelhante. afora as que fazia um padre. grifo nosso). porém. nem piolhos. entre os índios. pregam e confessam “e com os índios. mas que são importantes.” Diz que nas missões “fez-se grande frueto. e por todas chegariam a duzentas. principalmente nos casamentos e baptismos dos indios e escravos de Guiné. algumas trinta pessoas. e ouviram grande cópia de confissões. e negros de Guiné se faz muito frueto: dos portuguezes são mui amados e todos lhes têm grande respeito. Os dias de pregação e festas de ordinário havia muitas confissões e communhões. e os padres ficaram com maior luz para se poderem haver em semelhantes casos (CARDIM. baptismos e casamentos dos indios e escravos de Guiné. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS O padre visitador tratou por vezes com alguns prelados e letrados casos de muita importância sobre os captiveiros. ouvindo confissões geraes. Ainda sobre as bem sucedidas missões da Companhia de Jesus. de 09 a 12 de abril de 2014. O inaciano Fernão Cardim também faz outras menções referindo aos negros de Guiné. 1925. São Cristóvão. baptisando-os. As menções de Cardim vão mais além. afóra o grande frueto que um padre lingua fazia com os indios e escravos de Guiné. No colégio. e outras de muito serviço de Nosso Senhor. Página 94 . descrevendo o sucesso de suas atividades missionárias e dos seus irmãos de ordem na província da Bahia. p. e por seu meio faz Nosso Senhor muito” (CARDIM. Referindo-se ao negro da seguinte forma: fez fazer um compêndio das principaes duvidas que por cá occorrem. e pulgas há poucas. 1925: 319. de que se seguiu grande frueto. que não se enquadram neste eixo de menção. 1925: 300. Confessávamos os portuguezes. Nesta terra estão bem empregados. 330). lingua de escravos de Guiné. p. grifo nosso). porem. 335). ali “dia havia em que commungavam. e em' tudo se colheu copioso frueto. Discorrendo sobre as qualidades de se viver no Brasil relata que “não se dão nella persobejos. o informante afirmou que ensinam a ler e escrever. grifo nosso). com grande edificação de todos (CARDIM. e muitos se casaram em lei de graça.

” (CARDIM. Fernão. Página 95 . moscas. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www. NOBREGA. Em outras duas menções.brasiliana. 1925: 320). vésperas. é possível localizá-lo quanto integrante dos cabedais necessário para o empreendimento religioso e como paciente destas ações religiosas. Tratados da terra e gente do Brasil. vigário geral provisor. no tecido social correspondente aos fins do séculos XVI.usp. e três ou quatro mil escravos de Guiné. cabido de conegos. participando de ações religiosas como batismos e casamentos. Leite & Cia: 1925.br/bbd/handle/1918/02119000> Acesso em: 26 out. estas realidades estão implícitas nos textos dos inacianos Padre Manoel da Nóbrega e Padre Fernão Cardim. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do caminho percorrido fica evidente as negligências cometidas ao homem africano na literatura colonial. e duzentos escravos de Guiné e da terra (CARDIM. na Narrativa Epistolar de Uma Viagem e Missão Jesuítica. 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARDIM. na descrição da Bahia ao rei: “terá a cidade com seu termo passante de tres 4 mil vizinhos portuguezes. o religioso fez referencia ao escravo africano quanto contingente populacional.usp. e mosquitos de tantas castas.Rio de Janeiro: Officina Industrial Graphica: 1931. de 09 a 12 de abril de 2014. Todavia. 2010. e tão cruéis.Cartas do Brasil : 1549-1560. oito mil índios christãos. respectivamente. 2010. tem seuí. de ordinário ha seis. 1925: 288) e especificamente do recôncavo: Em cada um delles. Padre Manuel da. e ao menos sessenta escravos. mas os mais delles têm cento. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS traças. e peçonhentos” (CARDIM. mesmo lhe identificando quase sempre como personagem secundário e figurante nas menções dos clérigos e letrados do Brasil.brasiliana. Os negros de Guiné eram solicitados como bens imprescindíveis para o desempenho da causa evangélica e por muitas das vezes tornava-se finalidade deste empreendimento. São Cristóvão. Rio de Janeiro : J. 1925: 108).br/bbd/handle/1918/00381610#page/2/mode/1up> Acesso em: 26 out. oito e mais fogos de brancos. etc. que se requerem para o serviço ordinário.

Revista de História [13]. de 09 a 12 de abril de 2014. Salvador: EDUFBA: Fundação Gregório de Matos. jul. Luis. Saeculum .ufba.br/pdf/afroasia_n19_20_p37. 19/20. ed. Disponível em: <http://www.afroasia. VIANNA FILHO. Quem eram os “Negros da Guiné”? A origem os africanos na Bahia. 4ª. Disponível em: <http://www. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS OLIVEIRA. 2008.pdf> Acesso em: 17 jun. Página 96 .cchla. 2010. 2005. O escravo negro nos primeiros escritos coloniais (1551 – 1627). Maria Inês de. 1997. O negro na Bahia: (um ensaio clássico sobre a escravidão). São Cristóvão. Afro-Ásia. João Pessoa. Raimundo Agnelo Soares./dez. 2010.ufpb.pdf> Acesso em: 26 out. PESSOA.br/saeculum/saeculum13_art02_pessoa.

(2007) e de trabalhos sobre os escritos autobiográficos desse pesquisador potiguar como os de Margarida de Souza Neves (2002-04). Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 19. problematizara concepção de memória que o intelectual apresenta nesses escritos memorialísticos e de que modo essa se relaciona com seu projeto de escrita de si. de 09 a 12 de abril de 2014. São Cristóvão. Autobiografia. Palavras-chave: Câmara Cascudo. Página 97 . Memória. "PEREGRINAÇÃO AO DERREDOR DE MIM MESMO": A CONSTRUÇÃO DE UMA MEMÓRIA PESSOAL POR LUÍS DA CÂMARA CASCUDO Raquel Silva Maciel* Resumo: O artigo se refere a um estudo em torno da trajetória pessoal e intelectual de Luís da Câmara Cascudo. Acreditando que uma análise biográfica pode ser realizada tanto a partir das obras produzidas sobre um indivíduo quanto se originando de uma investigação de seus escritos autobiográficos buscamos tecer considerações acerca do processo de criação de uma memória pessoal empreendido por Cascudo.com Orientadora: Profa. “Pequeno Manual do doente aprendiz”(1969). E-mail: reginacgn@gmail. Regina Coelli Gomes Nascimento. Nessa segunda etapa buscamos analisar os seguintes escritos autobiográficos: “O tempo e eu” (1968). História.“Na ronda do Tempo”(1970) e “Ontem: imaginações e notas de um professor provinciano”.(1972). Dra. Para isso se faz necessária a relação dessa problemática com ensaios já realizados acerca do conceito de memória como o de Durval Muniz de Albuquerque Jr. Os textos escolhidos foram produzidos ao final de sua vida e têm como objetivos evocar recordações pessoais e sintetizar suas ideias acerca de seu objeto de estudo. Em um trabalho anterior buscamos investigar a imagem que algumas obras biográficas produziram para esse escritor e de que forma o seu percurso pelo campo das letras foi em diversos momentos influenciado por sua vida pessoal.com. a cultura popular. E-mail: quequelpb@hotmail. * Graduanda da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Bolsista do Programa de Educação Tutorial do curso de História (PET/História-UFCG).

Francisco Cascudo. que através das recordações pessoais e de terceiros. foi um dos que se beneficiou desse prestígio social.A construção de redes de influências com autoridades locais permitiu que a família de Cascudo. constrói a sua trajetória pessoal e intelectual. no final de sua vida.] um instrumento da divindade para preservar da morte definitiva o que pode permanecer vivo pelas artes da memória” (BETI.. afirma que se trata de uma “[. 39 O “sobrenome” Cascudo refere-se a devoção ao Partido Conservador que o avô paterno de Luís da Câmara.. tornando-se um comerciante na capital norte-rio-grandense (GOMES. Ele estaria “(. conquistando o cargo de chefe de polícia no interior do Rio Grande do Norte. sendo posteriormente transferido para Natal. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Em 1968. Caminho esse que é percorrido em todos os escritos memorialísticos desse escritor potiguar. de 09 a 12 de abril de 2014.. Inicialmente. cidade onde Câmara Cascudo nasceu em 30 de dezembro de 1898. Página 98 .. fato relevante se considerarmos que naquele períododificilmente um intelectual produzia fora do eixo Rio-São Paulo38.2004:11). que jamais cedeu ao canto de sereias que o instavam a trocar as margens do Potengi pelos grandes centros (. Luís da Câmara Cascudo ao classificar uma de suas obras autobiográficas intitulada“O tempo e eu”.] (CASCUDO.39assim como a de tantos outros indivíduos desse contexto. É proveniente de uma família da aristocracia norte-rio-grandense. mesmo após a crise do modelo de família patriarcal..se faz necessário apresentaro sujeito de nosso ensaio. O pai desse intelectual. Nesse artigo problematizaremos a relação de Cascudo com o campo da memória. utilizando-a como “[.]peregrinação ao derredor de mim mesmo [. O poder aquisitivo que sua família possuía possibilitou que desde cedo Cascudo enveredasse pelo mundo das letras. (1968) São Cristóvão. partindo de uma análise da concepção que ele possuía desse conceito e comoele acabou por. Cf CASCUDO. construindo uma memória pessoal.) arraigado nas dunas de sua cidade Natal. 2009). Aspecto interessante se considerarmos a importância que ele adquiriu nacionalmente e internacionalmente através de seus escritos. Antônio Justino de Oliveira.pudessem usufruir de benefícios como a manutenção de bens e a concessão de empregos públicos. como os escritos biográficos apontam.1968:15)... Em 1900 é exonerado da Guarda Nacional. tendo contato ainda criança com obras raras e importadas 38 Câmara Cascudo. possuía.Luís da Câmara Cascudonasceue desenvolveu sua carreira na cidade de Natal no Rio Grande do Norte..... composta por fazendeiros e integrantes do Partido Conservador.)” (NEVES:2002:65). se considerava um provinciano por excelência.

2011: 10). a cultura popular. de 09 a 12 de abril de 2014. temos aquelas obras dedicadas a personagens da monarquia portuguesa. aonde conviveu de 1910 a 1913 com os sujeitos. Suas publicações iriam se referir também à produção de biografias e crônicas relacionadas a velhas figuras daquela região. falas. O texto fazia parte de um coluna intitulada Bric-à-Brac. e a elaboração de inúmeras obras.)” (COSTA. sendo essas últimas o objeto de estudo desse trabalho. Tanto por essa influência paterna quanto por ter sido desde pequeno privado do convívio com outras crianças e das brincadeiras ao ar-livre. marcado pelo contato com o ambiente sertanejo.2009:194). políticos e fazendeiros. Página 99 . gestos e práticas culturais desse espaço.) limitações de seu corpo pela doença – não correr. A influência do seu pai determinou também o início de sua carreira intelectual em 1918. A sua produção foi voltada para a confecção de artigos. voltava-se para a leitura de revistas. histórico e memorialístico. como os intitulados Conde d’Eu e OMarquês de Olinda e seu tempo. quando ao invés de brincar como as outras crianças. periódico que foi fundado pelo Coronel Francisco Cascudo em oposição aos oficiais Diário de Natal e A República. sua ambientação com a leitura e escrita é apresentada como indissociável de sua infância. entre elas“Vaqueiros e Cantadores”(1922) e “Viajando o Sertão”(1939) que evidenciam o período de vivência desse pesquisador no Sertão de estados como a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Entre essas produções temos as de cunho folclorista. já que a partir desse ano ele começou a publicação de crônicas no jornal A Imprensa. reflete a concepção tradicional de história que Cascudo em determinado momento São Cristóvão.) a partir da figura de erudito. do homem voltado para os livros e as letras desde a infância. devido às “(..Esse período... A partir disso.. influenciou a escolha de seu objeto de pesquisa. Essas possibilitaram a formação de uma carreira intelectual extensa que o levaram a um reconhecimento no plano nacional e internacional. crônicas. andar descalço. de álbuns de gravuras e de viagens (. Além desses sujeitos. como homens da elite letrada. saltar.. Assim. subir em árvores – levaram-no a uma vida reclusa” (GOMES. A escrita de obras destinadas a exaltação de grandes líderes e acontecimentos históricos. na qual Câmara Cascudo tecia críticas literárias a autores nacionais e internacionais. verificamos que a imagem desse sujeito é construída “(. pisar na areia. contos e obras que no total ultrapassam cento e cinquenta.. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS que eram adquiridas pelo seu pai.

personagens e acontecimentos. sempre carregada por grupos vivos. CfNEVES (2007)..) Cascudo publica. “Pequeno Manual do doente aprendiz: notas e imaginações”. Assim. Um exame mais detido de algumas de suas numerosas publicações desse período parece apontar para a possibilidade de vê-lo. Se a História para esse erudito era um meio de rememorar fatos dignos de serem lembrados. os materiais. nesse momento. porém ele é apontado como um dos que abrigou em sua residência sujeitos perseguidos pelos militares. vulnerável a todos os usos e manipulações. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS possuía40. de 09 a 12 de abril de 2014. e.. 2011:11) de modo que futuros historiadores encontrassem nos escritos de Cascudo o seu ponto de partida. Memória essa que é “[. 43 Para Pierre Nora. ele operou uma “[. Fato que evidencia a construção pelo próprio Câmara Cascudo de seu lugar de memória43. 1993:09). susceptível a longas latências e de repentinas revitalizações” (NORA. como as concepções de Heródoto. os lugares de memórianão são produtos espontâneos.] escrita da história interessada e endereçada ao futuro” (COSTA.. Porém. já que não há só uma escola teórica que ele siga. Nas décadas de 1960 e 1970 “(.. como sempre. ela está em permanente evolução. mas sim construções sociais. a simpatia que possuía pelos ideais fascistas e a não oposição ao Golpe Militar de 64. respaldado na autoridadeintelectual que já possuía no Brasil e em outros países. até a moderna” (COSTA: 2011:02). por volta da década de 1970.] a vida.] mesclou concepções de história que vão desde a Antiguidade Clássica. nesse sentido. inconsciente de suas deformações sucessivas.. ele “[. Esse acreditava que os documentos forneceriam aos historiadores o suficiente para conhecer o passado e revivê-lo. às voltas com algo muito próximo a um balanço de vida”(NEVES. 42 Entre os silenciamentos nas autobiografias produzidas por Câmara Cascudo podemos citar seu apoio ao movimento Integralista. Esse historiador francês elenca três tipos de lugares de memória. aberta à dialética da lembrança e do esquecimento. Página 100 . suas autobiografias também apresentam uma seleção do que deve ser esquecido e o que deve ser evocado.. Em suas obras históricas temos abordagens de diferentes perspectivas. muito e sobre os mais variados temas. mesmo concebendo essas fontes como espaços neutros e puros. Esse escrevia 40 Não se pode afirmar que Cascudo possuía apenas uma visão histórica tradicionalista. 41 São escritos de memórias de Cascudo: “O tempo e eu”. São Cristóvão. Cascudo já com 70 anos opera a construção de seus escritos memorialísticos41 através de omissões. funcionais e simbólicos. O sentimento anticomunista é apontado como o principal motivo para a não objeção de Cascudo a ditadura. “Na ronda do Tempo” e “Ontem: imaginações e notas de um professor provinciano”... 2004:09). silenciamentos42 e seleções de materiais.

ou seja. na influência e participação ativa que estes tiveram com o narrador Cascudo.] a fixar o conteúdo e a forma de nossas recordações. Memória coletiva que também está presente em suas obras autobiográficas. garantir sua própria marca autoral na fixação de sua trajetória como homem e intelectual e revestir com sua própria autoridade de etnógrafo nesses anos já respeitado nacional e internacionalmente na versão que dá de si mesmo (BETI: 2001:05-06). de ser digno de evocação pela posteridade. Uma vida cercada de muitas outras vidas” (ALVES... fato que encontramos em obras como “O tempo e eu”(1968) aonde cria “[. 2007:204). Página 101 . Verificamos como o movimento que Cascudo inicia a partir da década de 1960 de recordar sua vida pessoal. a sua variante individual que se refere a recordações individuais que só são pessoais “[.. Esse movimento poderia suscitar um desejo em Cascudo de não ser esquecido. já que na medida em que busca criar através de suas obras uma identidade para o povo brasileiro ele acaba por desenhar uma memória coletiva para esse país. Temos em seus escritos autobiográficos o cruzamento dessa memória coletiva com uma dimensão mais particular da memória. Sendo essa produção uma evidênciada tentativa de construção de uma memória coletiva para o Brasil.. de 09 a 12 de abril de 2014.] suas memórias para que estas tivessem sua assinatura e o peso de sua autoridade intelectual. como se assim fosse possível preservar sua imagem do atrito do tempo. de permanecer vivo...2011:41).] à medida que ele se localizou num ponto em que foi possível ser atravessado por correntes de pensamento coletivo que formou uma configuração de maior complexidade para desvendar suas origens para a maioria das pessoas” São Cristóvão. Considerando que a memória coletiva se refere para além de uma simples junção de memórias individuais. que acreditam nelas e nos responsabilizam por minúcias de que não nos recordávamos” (ALBUQUERQUE JR.] um “Eu” espelhado nos outros. de ser como os “grandes homens” de seus escritos históricos. através da confecção de obras que sintetizam o seu pensamento acerca da cultura popular... portanto os constrói a partir de como gostaria de ser visto e lembrado. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS [. O momento que Cascudo escreve suas memórias é um período no qual ele já tinha grande reconhecimento por sua trajetória intelectual.. sendo a que nos ajuda “[. já que para Durval Muniz (2007) essa é construída a partir de outros indivíduos. é acompanhado também de uma tentativa de rememorar o seu percurso intelectual.

devido ao espaço ocupado por esse em determinado momento de sua trajetória. Página 102 . podemos afirmar que a memória individual é singular a um indivíduo. de 09 a 12 de abril de 2014.. agora tornada a de Cascudo” (ALVES. Câmara Cascudo constrói nesses escritos uma memória que é “(. que é fundamentalmente um registro preservado eternamente já que “(. para ele a memória mesmo com suas limitações é uma cópia de determinado acontecimento. fazem chegar à consciência sensações ou imagens já vividas que aparecem como rasgões num tecido negro.. 2012:08). enquanto sujeito e objeto da reflexão que ele tece em torno de sua própria vida”(OLIVEIRA.não reconhece na memóriaum processo seletivo e intencionado. raízes de determinados fenômenos. Câmara Cascudo acredita que as recordações de determinados fenômenos guardados na memória seriam evocados através da chamada “reminiscência”...) (ALBUQUERQUE JR. Para ele.2011:42). uma construção dele” (OLIVEIRA.. para ele. Cascudo assim como não vislumbra que uma fonte histórica seja construída.) constrói sua própria subjetividade articulando-se. sendo essa para Durval Muniz (2007) o [.. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS (ALBUQUERQUE JR. 2012: 02). A memória funcionaria como uma espécie de arquivo. 2012: 05)..2007:204).Desse modo. Estes signos provocam a evocação. forjada e inventada. ao elaborar uma narrativa de si ele acaba evocando outros personagens que reafirmam a representação que Cascudo deseja criar de si. simultaneamente.) consolidada entre episódios pessoais e pela narrativa sobre os outros. Pelo contrário. por exemplo. o passado surge no presente com força viva e violenta. mesmo aquela parcela não percebida pelo sujeito é conservada na biologia de seu próprio ser.. 2007:201) . (. um arquivo concebido como um registro mesmo que um tanto limitado de um acontecimento. Neste sentido. de uma violência tão grande que só suportamos por momentos (.) O passado ressoa no presente.. permitindo que os sujeitos reconheçam as origens.. ao invés de.Desse modo. São Cristóvão. Desta maneira ele “(.] nível em que a “memória individual” é violentada por choques provenientes de signos sensíveis. pois.) as informações sobre o passado nunca desaparecem..) funciona como um traço do passado... apesar de evidenciar sua limitação... Portanto.” (OLIVEIRA.. É individual porque os sujeitos são impactados de diferentes formas pelos elementos que compõem a memória coletiva. a memória “(.

que Câmara Cascudo traz nesses escritos elementos de sua vida que realçam traços da personalidade que criou para si em vida e que continuou sendo monumentalizada após a sua morte bem como evoca sujeitos que auxiliam em tal processo. tal como o oficio do historiador não o é. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS A reminiscência.ele a faz de maneira seletiva e almejando determinado fim... Página 103 .. 2004: 11) e não um arquivo humano com capacidade infinita como acreditava Cascudo. o pensamento de Cascudo acerca da autenticidade das memórias se referisse a sua concepção positivista dos documentos históricos. essa evocação de sensações e imagens passadas que invadem violentamente o nosso presente. além disso. mas pode ser que se devia também a uma tentativa de envolver os seus escritos memorialísticos com o “manto da verdade”. sujeitas a constantes deslocamentos” (ALBUQUERQUE JR.] unidades e totalidades homogêneas e não como a multiplicidade. É por isso.. estando essa ligada a ideia de falsidade que colocaria em risco a autenticidade de nossas lembranças. É possível perceber através da análise dos escritos memorialísticos desse escritor potiguar a intencionalidade de evocar em tais obras autobiográficas acontecimentos.. a verdade integral tal como Cascudo pensou. Talvez. Essência que no caso de Cascudo sugere um desejo de evidenciar para a posteridade o que há de mais fundamental em seu espírito.seria para o nosso intelectual potiguar a única forma fiel de acesso a essa memória arquivista... A concepção de que as memórias correspondem a uma “história oficial”. também não é um processo isento de intencionalidades. A partir do exposto podemos verificar como as recordações presentes nos escritos aqui analisados buscam.. relações e sujeitos que para ele são dignos de evocação. 2007:200).” (ALBUQUERQUE JR. bem como de silenciar momentos obscuros de sua trajetória. incorre no erro de considerá-las como “[. assim como outras memórias. já que todas as demais seriam frutos da “imaginação”.] preservar a ideia de uma essência que atravessa os tempos.] memória é seletiva e todo escrito memorialístico é expressivo pelo que formula e pelo que silencia” (NEVES. Nesses escritos deve-se escavar São Cristóvão. de 09 a 12 de abril de 2014. 2007: 207). “[. já que ao evocar e escrever suas memórias. respaldando as suas evocações de um valor de autoridade. confirmando a imagem que constrói de si. A“[.

Bauru: Edusc. Valdeci Feliciano.. Artes e Ofícios de um “Provinciano Incurável”.) fará sua casa com o material que juntamos do presente” (NEVES apud CASCUDO. Disponível em: http://www.. Página 104 .. Revista do Programa de Estudos Pós Graduados em História e do São Cristóvão. desnaturalizá-lo” (ALBUQUERQUE JR.n. os sujeitos com quem mantém diálogo e que respaldam a sua produção e a finalidade que tais escritos possuíam endereçados a posteridade que “(. GOMES. fev. à escolha pela confecção de tais obras naquele momento. deve-se problematizar desde a seleção dos fatos ali evocados.. Natal: Imprensa Universitária. Pequeno Manual do Doente Aprendiz.. É preciso desformar o mundo. desdefini-lo. de 2014.cadernocrh. 2011. 1968. Ramonildes Alves. Durval Muniz de. BETI.historiaecultura.Natal. Luís da Câmara. Imprensa Universitária. de 2014. mas sim as intencionalidades com que esse mesmo indivíduo produziu tal memória.)” deve-se não só “(.br/viewarticle.php?id=629 acessado em 25 de fev. Imprensa Universitária./jun. Ontem: imaginações e notas de um professor provinciano.2007:92). Ensaios de teoria da história. 1970. __________. Referências: ALBUQUERQUE JR.. A memória presente nesses escritos apesar de já estar incrustada deve ser utilizada pelos historiadores como uma forma de desestabilizar o que é posto ali. O Tempo e os outros: Cascudo entre labirintos da memória. 2007. Natal.org/resources/anais/14/1299272352_ARQUIVO_ArtigoANPUH.Luís da Câmara Cascudo. História: a arte de inventar o passado.) a memória já petrificada. Disponível em:http://www. Laços matrimoniais. Margarida de Souza. mas desidentificá-lo. Bruno Balbino Aires da. É necessário que o historiador perceba em tais escritos não simples recordações de um sujeito próximo ao fim da vida. 1972.anpuh... Disponível em: http://www. Revista Imburana – revista do Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses/UFRN. 1969. amarras tradicionais: a família como autoconstituição em Câmara Cascudo. 3. O tempo e eu (confidências e preposições).ufba. mas fazê-lo perder-se.Revista Projeto História. CASCUDO. __________.snh2011. ALVES.ht m acesso em 10 de mar.Natal. de 09 a 12 de abril de 2014. COSTA. desinventando e desinvestindo memórias grandiosas e heroicas (.) definir e se apropriar do objeto. NEVES. pdf acesso em 10 de mar.. GOMES. Mariana Giardini. historiador. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS “(. Na Ronda do Tempo.pro. Alexandre.. de 2014. Câmara Cascudo no solo sagrado da memória. dementando e desmentindo as verdades estabelecidas sobre os fatos e feitos. desacontecê-lo.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/icascudoroteiros. não é só identificar o sujeito. __________.2002:79). Imprensa Universitária.

pdf acesso em 27 de abr. Disponível em: http://www. NEVES.historiaecultura. No. de 09 a 12 de abril de 2014.pdf acesso em 27 de abr. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Departamento de História da PUC-SP. 24 Artes da História & outras linguagens. Margarida de Souza.br/VIsimposio/anais/Felipe%20Souza%20Leao%20de%20Olivei ra. Disponível em: http://nucleodememoria.br/modernosdescobrimentos/desc/cascudo/preludioefuga. “As profundas camadas da memória”: Memória e subjetividade no livro O tempo e eu de Luís da Câmara Cascudo.vrac. Lugares de Memória na PUC-Rio. Junho de 2002. OLIVEIRA.pucsp. NORA. São Paulo: PUC-SP.Disponível em: http://www.puc-rio. Entre a memória e a História.com. de 2014. de 2014.br/projetohistoria/downloads/revista/PHistoria10. NEVES. 65 a 86. Margarida de Souza. Página 105 .pdf acesso em 27 de abr. Pierre. Felipe Souza Leão de. São Cristóvão. Literatura: Prelúdio e fuga do real.br/site/lugaresmargarida. de 2014. pp.pro. de 2014. Disponível em: http://gthistoriacultural.htm acesso em 27 de abr.

Intelligentsia Sergipana. um indivíduo autodidata.na pesquisa histórica e em outros âmbitos da sociedade possibilitou alcançar 44 Historiador e Arqueólogo. e assim perceber que era possível através do exercício da atividade intelectual e das práticas de legitimação vigentes na República das Letras. PALAVRAS-CHAVE: Biografia. reconhecendo a importância do seu trabalho e do seu papel enquanto intelectual. República das Letras. concomitante à pesquisa nas fontes documentais e bibliográficas que permitiu apresentar o panorama da atuação do biografado nas mais diversas instituições culturais de Sergipe e compreender a sua trajetória inserida no contexto histórico. membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Memória e Patrimônio Sergipano – GEMPS/CNPq/UFS. Durante a República das Letras havia práticas de legitimação que condicionava a ascensão social e intelectual dos indivíduos.jfas@hotmail. na historiografia sergipana. que compreendeu o período de 1889 a 1930. INTRODUÇÃO A trajetória de Epifânio Dória na vida intelectual tem início no período denominado República das Letras em Sergipe. e a contribuição de Epifânio Dóriana difusão cultural. Página 106 . que o legitimou como membro da Intelligentsia Sergipana. O objetivo geral deste trabalho é mostrar a atuação de Epifânio Dória nas mais diversas instituições de Sergipe. EPIFÂNIO DÓRIA E A REPÚBLICA DAS LETRAS EM SERGIP Ronaldo Alves44 Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar através da biografia de Epifânio Dória. Epifânio Dória. de 09 a 12 de abril de 2014. E-mail: ronaldo. utilizamos o método biográfico que conduziu a construção escrita. apenas alfabetizado ser reconhecido e legitimado na intelligentsia sergipana. alguns aspectos da sua trajetória de vida no campo intelectual sergipano durante a República das Letras. Esse período foi o marco das mudanças que ocorreram no campo intelectual e institucional sergipano. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 20. social e intelectual de sua época.com São Cristóvão. Para tal análise. nessa época ocorreu o surgimento de inúmeras instituições culturais que agremiou vários intelectuais e os legitimavam.

Cf. – Rio de Janeiro: Pongetti. Aurélio Buarque de Holanda. inscrever. todavia. p. e graphein. Arivaldo Silveira. este último acontecimento estampou como contexto histórico na sua vida. DiccionárioBio-Bibliográphico Sergipano. Página 107 . FERREIRA. bios. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS este reconhecimento no meio intelectual sergipano.1889.] o debate sobre o papel do indivíduo e da biografia. p. “[. p. nos dias de hoje”(BORGES.. 72. produzidas por aportes literários. significa escrever. 1925. FONTES. CFP SENAI de Artes Gráficas Henrique d’Ávila Bertaso. significa vida.1888. e da Proclamação da República efetivada em 15. p. Armindo. São Cristóvão. Ed. a preocupação com os fatos sociais relegou a importância do indivíduo na História. políticos e militares. Miniaurélio: O Minidicionário da Língua Portuguesa. Figuras e Fatos de Sergipe.Atualmente muitos intelectuais sergipanos são esquecidos no tempo. 45 Cf. 206). transformando-lhe em autodidata47.. 46 Foi Capitão da Guarda Nacional e próspero fazendeiro e criador de gado da região de Campos. – Porto Alegre: Ed. o sentido etimológico da palavra biografia atesta de fato a sua origem no mundo grego. Cf. 2006. de 09 a 12 de abril de 2014. realizado nesse século. 6ª. juntamente com as suas obras e o seu legado. 155. – Curitiba: Positivo. sem auxílio de professores. Do mundo grego em diante o uso das biografias em várias épocas contribuiu para aprimorar os paradigmas biográficos. O contexto histórico do Brasil e de Sergipe tramitava em torno do processo de Abolição consumado em 13. na Fazenda Barro Caído em 07 de Abril de 1884. o que possibilitou uma melhor compreensão e utilização da biografia no mundo contemporâneo.23 47 Autodidata: Que ou quem aprendeu ou aprende por si. atual cidade de Tobias Barreto. e sob a vigência da História Nacional favoreceu a produção de inúmeras biografias de heróis.05. a biografia através dos séculos esteve sempre ligada às práticas humanas. Dessa forma. Epifânio da Fonseca Dória e Menezes45 nasceu no município de Campos. GUARANÁ. TRAÇOS BIOGRÁFICOS A trajetória da biografia no mundo ocidental tem origem no mundo grego antigo. assim a biografia de Epifânio Dória nós faz refletir sobre a sua contribuição intelectual e cultural para Sergipe. sem que para isso obtivesse a formação secundária e a superior. ainda se prolonga no debate atual. Filho de José Narciso Chaves de Menezes46 e de Josefa da Fonseca Dória e Menezes teve a vida marcada por momentos que delinearam a sua formação intelectual e profissional. 1992.11. 2004. No século XIX sob a influência do positivismo.

Na busca pelo funcionalismo público foi nomeado em 1907adjunto do promotor da comarca de Maruim49. quando ao deixar o comércio em 1905. Coleção Epifânio Dória.24). A boa condição financeira de seus pais proporcionou-lhe estudar na escola particular do professor Irênio Vital de Souza. foi nomeado amanuense50 da Biblioteca Pública. s. a vontade de aprender e os primeiros cantos de amor fizeram com que fundasse naquela vila o Clube Literário Progressista. Livro para Impressão de Visitas. Atos do Governo. que foi seu patrão no comércio de Boquim. no ano de 1905 fundou o Clube Literário Progressista em Boquim. em seguida com o professor José Rodrigues da Silva. 1908.não obteve êxito essa tentativa. p. Estabeleceu-se no comércio da Bahia e sem sucesso retornou em 1907 eassumiu na Vila de Boquim o cargo de 2º suplente do juiz municipal. 49 Nomeado Adjunto de Promotor Público da Comarca de Maruim. p. o qual se mudou com os seus pais ainda criança. APES. abriu um internato para o ensino primário. Em 1898 prosseguiu o ensino primário na Vila de Campos. logo. APES. Página 108 . São Cristóvão. de 09 a 12 de abril de 2014. e obteve as primeiras letras. Em virtude da grande seca ocorrida em 1898 sua vida tomou outros rumos. Acto nº 66 de 20 de 1 Maio de 1908.330. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Sua trajetória de vida48teve início no povoado Poço Verde. Após se destacar pela organização do arquivo da Secretaria de Governo ocupou o cargo de 48 Cf. Teve aulas com o professor Josué do Rosário Montalvão. mas para isso precisou trabalhar muitocedo no comércio de um parente.d.em seguida foi secretário da Intendência Municipal na administração do Major Leonides de Carvalho Fontes (1901-1905). 1992. Cx 05. APES. O Major Leonides figurou como um mecenas ao lhe oferecer oportunidade de crescimento e confiar no seu potencial. No ano de 1899abandonou os estudos e foi trabalhar no comércio da Vila de Boquim e permaneceu até o ano de 1906. 337. e demonstrou o seu interesse pelas letras. Acto nº 210 de 26 1 de Junho de 1907. o contato com os livros o despertou. sem receber provento algum a fim de completar os estudos.1-2. 1907 50 Nomeado Amanuense da 2ª Seção da Secretaria de Governo.] Labutava todo dia no armazém fedorento a fumo-de- rolo e cachaça e á noite discorria sobre os romances que lia (FONTES. Seu autodidatismo delineou a sua formação. assim: A sede da leitura.. o qual mantinha uma pequena biblioteca.. Fundo: G V. Em sua passagem por esse município organizou o arquivo e a biblioteca do Gabinete de Leitura de Maruim. E ainda sobrava tempo para organizar uma banda musical [. Atos do Governo. Fundo G V.

participou de diversas instituições culturais e movimentos da sociedade. GUARANÁ. Em 08 de Junho de 1976 em Aracaju. cit.7 e 8 Abr. p. Na política ocupou os cargos de Secretário da Justiça e Negócios do Interior. Aracaju. 61. Viação e Obras Públicas (1935-1941). v. p. intelectual e educacional de Sergipe. Foi a partir da biblioteca e do seu contato com os livros que Epifânio Dória se projetou intelectualmente. 53 Cf. APES. João Florêncio da Silva e o civil pelo Juiz da 2ª Vara. Atos do Governo.8 São Cristóvão. p. da Agricultura e Indústria. principalmente nas primeiras décadas do século XX em que a atenção de alguns governantes se dirigia para o âmbito cultural. José Garcez Dória e Maria Lúcia Garcez Dória.Jornal da Cidade. como o exemplo de um pequeno homem que se fez grande. 1974. n. Quase um Século: Epifânio Dória – Tributo ao Mérito. Op. INSTITUIÇÕES CULTURAIS DE SERGIPE A República das Letras preconizou o progresso intelectual no Estado de Sergipe. Teve presença marcante na Liga Sergipense Contra o Analfabetismo (1916) e na Loja Maçônica Cotinguiba (1920). dessa união nasceram três filhos: Iracema Garcez Dória. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS bibliotecário51 até chegar ao cargo de diretor pela Lei nº 639 de 7 de Outubro de 1913 que dava nova organização a biblioteca. desposou Nair Garcez54e constituiu família. ao qual prestou grandes serviços. 52 Sua entrada no IHGSE é confirmada pela Ata de Reunião do dia 08/10/1912 citando-o como sócio. daFazenda.Atuou no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE)52 o qualdesenvolveu valoroso trabalho até os últimos dias de sua vida. 1912/1913. de 09 a 12 de abril de 2014. João Antônio de Oliveira” GARCEZ. inclusive criava o cargo de diretor. Foi Deputado Classista (1935) e em movimentos sociais participou da Cruzada do Mil Réis Ouro (1930).Aracaju. José Augusto. da Campanha do Livro Combatente e da Sociedade Beneficente dos Funcionários Públicos do Estado de Sergipe (1940) entre outros. 51 Nomeado Bibliotecário da Biblioteca Pública do Estado de Sergipe.330. Ver Actas das Sessões do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Página 109 . Acto nº 117 de 1 21 de Outubro de 1908. Fundo G V. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. além de outras instituições. Dr. Na Academia Sergipana de Letras (ASL) participou da fundação e ocupou a cadeira de número 40 que pertenceu a Baltazar Góes53. 45 54 “Consorcia-se com senhorita Nair Garcez aos 24 de Abril de 1914. pelo Pe. 1908. em ato religioso celebrado na Catedral de Aracaju. 1. pois exercia o papel de difusora cultural e alcançava avários segmentos da sociedade. aos 92 anos faleceu deixando um grande legado e contribuição intelectual e cultural para o Brasil e para Sergipe. 1. Nesse contexto a Biblioteca Pública exerceu forte influência no processo cultural. Na vida privada.

Correio de Sergipe. 2006. (Mimeografado). n. Ainda no campo dos serviços prestado a biblioteca. o que possibilitaria a difusão da cultura para a sociedade por meio das bibliotecasatravés da troca de informação e através do contato com os livros formaria uma sociedade banhada pela luz do saber. 1984. em 7 de Setembro de 1909. 56 Mensagem apresentada á Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe. Para zelar e cuidar da biblioteca nomeou Epifânio Dória para o cargo de amanuense. Actas das Sessões do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. p. A biblioteca sob a direção de Epifânio Dória passou por uma total organização. Manoel Baptista Itajahy. 1909. em virtude dessa duplicidade foi alterada para “IHGSE” a São Cristóvão. de 9 de novembro de 1915. p.Aracaju. o trabalho desenvolvido na organização desse órgão e a sua competência.074. 2004. Fundado em 06 de Agosto de 191258 por iniciativa de Florentino Menezes. Pedrinho.em 1916. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS No início da Repúblicadurante o governo de Guilherme de Souza Campos55. Epifânio Dória contribuiu para as bibliotecas públicas do Brasil ao idealizar o projeto de gratuidade da franquia postal destinado às bibliotecas públicas do país57. 58 Cf. BARRETO.DANTAS. Em Sergipe a fundação do IHGS60 representou uma nova fase não só no campo 55 Foi Desembargador e governou Sergipe no período de 24/10/1905 a 10/08/1906 e 28/08/1906 a 24/10/1908. p. possibilitou sua ascensão ao cargo de bibliotecário. 59 Reconhecido como utilidade pública pela lei Estadual nº 694. Página 110 . p. v. de 19 de fevereiro de 1920.Aracaju. o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe59 surgia em meio ao movimento de automação científica e intelectual durante a República das Letras. Memórias de Sergipe: Personalidades Sergipanas. asigla utilizada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe desde a sua fundação foi “IHGS”. 4 Jun. considerado de utilidade continental pela Resolução nº 58.a preocupação com a cultura do Estado permitiu reorganizar a Biblioteca Pública que funcionava no Palácio do Governo56 e “que estava um tanto relegada” (DANTAS. pelo Vice-Presidente do Estado Dr. Luiz Antônio. 60 Retificando. História de Sergipe: República (1889-200). 32). 57 Cf. além de se transformar em um grande espaço de sociabilidade. Cf. 10. Aracaju. a sua fundação personificou as ideias preconizadas pela produção da ciência que no início do século XX floresciam no Brasil através das instituições científicas. de 09 a 12 de abril de 2014. do Congresso Americano de Bibliografia e História. 1912/1913. Cf. de Buenos Aires. frequentada por inúmeros intelectuais que se estabeleciam na República elevando a biblioteca ao status de localde saber e ideias. 1. – Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Ibarê. e reconhecido de utilidade pública pelo Decreto federal nº 14. 2004. Instituições Culturais de Sergipe. De forma tardia em relação ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838) e a outros institutos do Brasil. na 2ª Sessão Ordinária da 9ª Legislatura. 5-7. SANTOS. Aracaju: TypographiaCommercial. 13-15. e mais tarde ao de diretor. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. 1. que coincidia com o Instituto Histórico de Santos.

de 09 a 12 de abril de 2014. Epifânio Dória empreendeu todos seus esforços para que nesse sodalício a pedra fundamental fosse lançada. Aracaju: Governo de Sergipe – FUNDESC. trabalhos históricos. literários e científicos produzidos pelos membros. Fundada em 01 de Abril de 191966a Hora Literária se inseria no rol de instituições que surgiu em Sergipe na República da Letras. FREITAS. enveredado pelo caminho da biografia trazia em seus escritos informações importantes sobre personalidades que serviam de exemplos para formação da identidade cultural sergipana. 31. A primeira marca deixada por Epifânio Dória na Revista do IHGSE64 ilustrou o seu perfil intelectual. Cf. José Calazans Brandão da. 66 Sobre a fundação da Hora Literária e da Academia Sergipana de Letras. Epifânio Dória discursou como presidente do sodalício (l937–1939) e o seu empenho o levara a presidência e a muitos outros cargos.1. p. Aracaju: n. através dos exemplos de vida dos biografados. 1940. 3. a sua evolução no campo literário permitiu a organização e partir do ano de 2007. 183-205 . Cf. Aracaju: V. p. p. Relatório Anual de 2007. No sodalício de 1927 a1935 sob a presidência de Francisco Carneiro Nobre de Lacerda o instituto passou por uma fase de árduo trabalho para a construção da sede própria. 1915. n. p. 1992. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS da ciência e da intelectualidade como também para a historiografia sergipana61tornando-se conhecido entre a intelectualidade como a Casa de Sergipe62. 17. 62 Cf. Dr. 1. FREITAS. p. 61 SILVA. Estatutos do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Itamar. Segundo os Estatutos do IHGSE63 foi facultada a criação de uma revista de circulação trimensal que informaria as atas aprovadas nas sessões. n. p. 65 Cf. subsídios para a sua biographia. Na inauguração da nova sede em 02 de abril de 1939. 282. José Ibarê Costa. Magalhães. 64 DÓRIA.Aracaju e outros temas sergipanos. Aracaju. Página 111 . A Escrita da História na Casa de Sergipe – 1913/1999. bem como os discursos pronunciados durante as reuniões. 41-42. 1912/1913. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Op.Nessa gestãocomo tesoureiro. DANTAS. Panorama Intelectual de Sergipe. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. No mais o hábito de fazer biografias estava no auge durante a formação do IHGSE65uma herança do IHGB que permeou por muitos anos a escrita da história na Casa de Sergipe. CARNEIRO. 37. Epifânio.6. 2002. cit. e assim marcar a administração de Nobre de Lacerda com efetivação deste grande empreendimento que foi a inauguração da sede. – Aracaju: Coleção Nordestina: Editora UFS. 2002. São Cristóvão. sua vida no Instituto foi bastante representativa na história da Casa de Sergipe. 63 Cf. 1-5. o quadro social. 2008. v. Aracaju: Imprensa Oficial. Pelino Nobre.

Maria Thétis. Clotildes Farias de. 73 APES. “O Imparcial” em Maruim. Presidiu ainda. 1919. “O Estado de Sergipe”. Epifânio Dória deixaria sua marca na Loja Maçônica Cotinguiba ao organizar todo o arquivo e a biblioteca da maçonaria. de 09 a 12 de abril de 2014. 1921. da LBA (Legião Brasileira de Assistência) na Comissão Executiva de Sergipe. Por uma Pátria de Luz. SOUSA. V. Foi elevado ao Grau de Mestre72em 21 de Junho de 1920. Epifânio Dória: Efemérides Sergipanas. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Colaborou em diversos jornais como: “A Razão” em Estância. 18. 2009. Pedido de eliminação do quadro da Loja Maçônica Cotinguiba por Epifânio Dória. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS fundação da Academia Sergipana de Letras em 01 de Junho de 1929. – Rio de Janeiro: Paz e Terra. “Diário da Manhã”. p. da Comissão do Folclore em Sergipe entre outras participações. Diploma do Grau de Cavaleiro da Rosa Cruz 7. 70 Cf. J. Coleção Epifânio Dória. Ana Maria Fonseca. “A Idéia” de Pão de Açúcar. “Folha de Sergipe”. V. São Cristóvão. Iniciado na maçonaria em 08 de Maio de 192071seguiu o juramento baseado na tríade Maçônica: Liberdade. Participou da fundação do Rotary Clube de Sergipe. no “Jornal do Povo” e no “Sergipe Jornal” onde publicava as Efemérides Sergipanas70. NUNES. além de fundar a Cadeira de nº 40 que tem como Patrono Baltazar de Góes. 1984. n. 294-296 69 Cf. nas Alagoas. 18. Coleção Epifânio Dória. Universidade Federal de Sergipe. a Liga Sergipense Contra o Analfabetismo67 idealizada no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe68 no dia 24 de Setembro de 1916. V. O convite do presidente José Augusto da Rocha Lima em 08 de Maio de 1929 a Epifânio Dória por seu mérito e benefício em prol das letras em Sergipe o levou a condição de sócio fundador e Secretário Geral no biênio de 1931 a1933. 2.Aracaju: Ed. Coleção EpifânioDória. Assim. Doc 11 V. Dissertação (Mestrado em educação). Igualdade e Fraternidade. 1920. Aracaju: Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Sergipe: Universidade Federal de Sergipe. atendendo as mudanças na área educacional preconizada pela República69 nas primeiras décadas do século XX com o objetivo de erradicar o analfabetismo no Estado. V. Página 112 . ao Grau de Cavaleiro da Rosa Cruz73em 15 de Abril de 1921 e ao Grau de Cavaleiro Kadosch da Águia 67 Cf. V. “O Democrata”. 1. História da Educação em Sergipe. durante a Campanha do Livro do Combatente na década de 40. 68 Relatório de 1916 a 1917. 71 APES. 8. 18. MEDINA. 4. Doc7. Diploma do Grau de Mestre. 1945 72 APES. 2004. São Cristóvão. “Gazeta da Tarde”. bem como outros serviços prestados enquanto maçom. Doc4. Andrade. Espírito e Energia: a Campanha da Liga Sergipense contra o Analfabetismo (1916-1950).

V. representam a construção da vida de indivíduos a partir da sua relação e contexto o qual ele está ou esteve inserido.] dos homens no tempo” (BLOCH. CONSIDERAÇÕES FINAIS A repercussão do seu trabalho foi também reconhecida em outros Estados e no decorrer da sua vida participou de inúmeras instituições como sócio fundador. Assim. de 09 a 12 de abril de 2014. Correio de Sergipe. 1937. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. É através das marcas deixadas pelo homem ao longo de sua existência que podemos reconstruir sua história no tempo e no espaço. por meio de sua atuação na sociedade. p. e conhecer não apenas parte da sua vida. 4 Jun. n. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Branca e Negra74em 02 de Abril de 1937. 26. 2006. Coleção Epifânio Dória. p. com pouco volume do capital social e econômico em uma sociedade regida por uma elite intelectual. Luiz Antônio. Epifânio. São Cristóvão. V. 21. Veneráveis da Loja Cotinguiba. Aracaju. A formação do IHGSE foi amplamente composta por membros da elite e da intelligentsia sergipanacomposta por bacharéis coronéis e acadêmicos. 18. Mas Epifânio Dória a partir de suas relações sociais adquiridas pelo seu trabalho na biblioteca soube tecer as redes que lhe conduziram ao prestígio intelectual. Sua atuação na Maçonaria originou a biografia de todos os Veneráveis da Loja Maçônica Cotinguiba75desde sua fundação no século XIX ao início do século XXtornando-se uma valorosa fonte para os estudos sobre a Maçonaria em Sergipe. 75 DÓRIA. prática comum na República das Letrasque legitimava e reconhecia o indivíduo entre seus pares. efetivo e correspondente pelo Brasil e exterior. Memórias de Sergipe: Personalidades Sergipanas.. 74 APES.. Página 113 . as biografias representam muito mais do que contar ou narrar uma história e trajetória de vida. 1961. bem como nas diversas instituições culturais de Sergipe. Pois. mas a história de uma época. Assim.No IHGSE e nas várias instituições em que participou Epifânio Dória deixou sua contribuição intelectual e no exercício dessa atividade adquiriu o capital intelectual e cultural. 55). 2001. Diploma do Grau de Cavaleiro Kadosch da Águia Branca e Negra 30.a história é a “Ciência dos homens [. pensar num autodidata. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO. alfabetizado. 127-165. é algo contraditório. Doc 08.

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tinha como missão levar a mensagem da Igreja de Roma a povos distantes. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS 21. entrou para o noviciado em Cíngoli.. São Cristóvão. Frei Nicolau de San Giovanni. em 20 de outubro de 1843. mudou-se para Viterbo (no Estado Pontifício) onde prosseguiu com seus estudos. Frei João Evangelista Giuliani de Monte Marciano foi um desses sujeitos históricos que saiu da Itália com esse objetivo. se preparando e conhecendo melhor a realidade brasileira. A TRAJETÓRIA DO MISSIONÁRIO CAPUCHINHO JOÃO EVANGELISTA MONTE MARCIANO (1843-1921) Tatiane Oliveira da Cunha∗ RESUMO Foram muitos os missionários da Ordem Capuchinha que vieram para o Brasil na segunda metade do século XIX. Saiu de Malta em 26 de agosto de 1872 e chegou à Bahia em 12 de outubro daquele ano. Em 23 de junho de 1860. principalmente. de 09 a 12 de abril de 2014. missões itinerantes. Província de Ancona. Seis anos depois.com. especialista em Ciências da Religião e graduada em História (UFS) e integrante do GPCIR. Frei João Evangelista Giuliani de Monte Marciano nasceu na cidade de Monte Marciano. com a aproximação das tropas a Roma mudou-se novamente. na prática cotidiana era compreendida e adaptada pelos participantes das missões itinerantes de acordo com a sua realidade.. para desenvolver seus trabalhos na Bahia. Por cerca de um ano trabalhou no hospício da Piedade. com a missão de levar a mensagem da Igreja de Roma aos povos distantes. Nos seus 37 anos ∗ Mestre em História Social (UFBA). foi designado pelo Ministro Geral da Ordem. interrompeu os estudos e atrasou sua ordenação sacerdotal para alistar-se obrigatoriamente no exército. Mas. para enfim iniciar a pregação nas missões. dessa vez para Malta. em terras brasileiras é o objetivo desse trabalho. Mostra ainda que sua mensagem. Passados apenas dois anos da sua ordenação. aos 27 anos de idade (REGNI. onde terminou seus estudos. embora rica de estratégias persuasivas. Em 1866 participou da guerra pela unificação da Itália.”: Capuchinhos na “cruzada civilizatória” em Sergipe (1874-1901). missionário da Ordem Capuchinha. Frei João Evangelista. tatianehistoria@yahoo. em Salvador. na Itália. Palavras-chave: Capuchinho. sendo ordenado Sacerdote em 1870. Fugindo da guerra. Sergipe. Este artigo é parte dos resultados apresentados na dissertação “Práticas e prédicas em nome de Cristo. Apresentar sua trajetória. Página 116 . João Evangelista. 1991:84).

de 09 a 12 de abril de 2014. visto que. pois. a multiplicidade dos espaços e dos tempos. notadamente. No mês de abril realizou sua segunda missão na Freguesia da Barra do Rio das Contas. Frei Paulo de Casanova realizou sua primeira missão na Freguesia de Nossa Senhora d’Abadia. a exemplo de rastros. dos séculos XIX e XX. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS de trabalho itinerante realizou cerca de 197 missões e 48 retiros. 1989:174-175). Em novembro de 1873. que distingue um indivíduo de outros numa mesma sociedade. por Ginsburg como guia para compreender as relações sociais (GINZBURG. destacando aspectos relevantes das missões. “ao acompanhar o fio de um destino particular – de um homem. no mês de novembro. por ele ter deixado um caderno de memórias com 105 páginas. em que registrou sua trajetória de 1873 a 1910. Realizaram 210 casamentos.800 76 AHNSP – Caderno de Memórias de Frei João Evangelista de Monte Marciano. a meada das relações nas quais ele se inscreve” (REVEL. em Salvador. Página 117 . 1. com 67 anos de idade e com a saúde bastante abalada. Houve ainda a limpeza de um tanque. verificamos no Arquivo Histórico Nossa Senhora da Piedade – Frades Menores Capuchinhos da BA/SE (AHNSP) vasto acervo documental. em 12 de abril de 1921. Conforme Carlo Ginzburg o historiador deve assemelhar-se ao caçador.000 comunhões e 2. Jacques Revel também identificou o nome como “uma bússola preciosa”. Caixa Ca – 17. O nome. primeiramente. 2.500 crismas. Essa documentação nos permitiu identificar a vinda de muitos deles a Sergipe. com frei João Evangelista. em companhia do missionário frei Paulo de Casanova. é utilizado metodologicamente.400 confissões. Ainda em 1874. 1. onde continuou trabalhando até a sua morte. na Freguesia do Lagarto. São Cristóvão. Em janeiro de 1875 estavam na Freguesia da Vila de Nossa Senhora dos Campos onde obtiveram como resultado 140 casamentos. a escolha pelo individual não deve ser contraditória ao social. Em dezembro partiram para Freguesia do Geru/Se. para chegar a sua presa. que nos serviu de “guia”. na Bahia. A população construiu um tanque. a partir de 1874. 1998:21). principalmente. O relato que segue trata da atividade missionária de frei João Evangelista tomando por base o Caderno de Memórias deixado pelo próprio missionário. Nossa escolha se deu. que se utiliza das pistas deixadas pelo animal. em companhia do Prefeito da Ordem na Bahia. recolhe-se ao hospício da Piedade. A partir de 1910. com ele. de um grupo de homens – e. 76 Embora poucos trabalhos tratem da atuação capuchinha em Sergipe. Em 1874 iniciou com um retiro espiritual no Convento das religiosas do Desterro. Trata-se de uma abordagem diferente. realizou sua primeira missão na Província de Sergipe.

775 foram crismadas. Coité. de Oliveira e São Vicente. De volta a Salvador realizou dois retiros espirituais.850 confissões. Em setembro do mesmo ano realizou missão nas freguesias de Bom Jardim. É importante destacar ainda a construção de um tanque pelos participantes. Freguesia do Passo.700 crismas. Riachão da Jacobina e Saúde. pregando mais um retiro espiritual no Recolhimento dos Humildes. na freguesia de Santo Antonio das Queimadas e na cidade de Vila Nova. Em 1878. volta a Sergipe. tendo realizado missões em Feira de Santana. Ali foram realizados 180 casamentos. Continuou sua labuta evangelizadora na cidade de Santo Amaro. Em seguida. Em 1880. Em outubro seguiu para a freguesia de Bom Jardim no litoral da Bahia onde coordenou as obras da reedificação da igreja matriz. Em 1885 pregou missões em: Jaguarary. capela filial de Urubú. na Vila de Bom Conselho. freguesia do Riachão da Jacobina. Mamonas. na Serraria e na Divina Pastora. Página 118 . Mundo Novo. na Casa de Prisão com Trabalho da Bahia e pregou um retiro em Santo Amaro (MARCIANO:5-13). pregou sete retiros espirituais. de 09 a 12 de abril de 2014. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS comunhões e 1.800 pessoas comungaram e 1. Em 1884 realizou missões no povoado São José.400 receberam a comunhão e 2. em Santo Amaro. missionou em Capela de Santa Luzia. Em janeiro de 1876 estavam em Capela/Se onde obtiveram como resultado: 156 uniram-se em matrimônio. de Serra Preta e em Santo Antonio de Argum. na cidade de Caetité. dentre outras atividades. Após suas primeiras missões em Sergipe retornou a Bahia. sambista e cachaceiro” (MARCIANO:1-3). nas São Cristóvão. Em 1881 realizou missões em Sipó. A primeira missão dessa temporada foi realizada na Vila de Riachuelo. 3. povoado da Lagoa Clara. freguesia do Campo Formosa. ambas capelas filiais de Entre Rios.127 crismas.321 receberam o sacramento da confirmação (MARCIANO:3-5). Mais uma vez reuniu grande número de participantes das quais 98 se uniram em matrimônio. em Caçulé. São José de Tapororoca. Monte do Fogo. Missionou nas freguesias de Monte Alegre. filial da freguesia de Gameleira. Baixa Grande. Realizou missões na freguesia da Giboia e em Itaparica. novamente com o Frei Paulo de Casanova. freguesias do Bomfim. realizou missão no povoado de São Bento de Tubatá. Vila de Urubú e em Brejinho Grande. 1. na cidade de Jacobina e na freguesia de Gavião. freguesia da Igreja Nova. Em novembro de 1875. Em dezembro estavam eles na Vila de Itabaiana/Se. freguesia de Umburanos. em meados de 1877. na freguesia do Tanquinho e em 1879. 2. Frei João Evangelista começou o ano de 1883 pregando em Camição. Em 1882 realizou missões nas freguesias do Bom Jardim e de Bom Jesus das Meiras. 2. O frei adjetivou o povo de “duro. Pregou ainda o retiro espiritual no Convento das Freiras do Desterro. freguesia de São João Amaro.

No dia três de julho. que é dedicado a Maria. O frei mencionou que nesta missão conseguiu derrotar o protestantismo. povoado da Casa de Telha. onde realizou uma missão itinerante. de 09 a 12 de abril de 2014. entre os dias 17 a 29 do mesmo mês. Frei João Evangelista iniciou o ano de 1887 na cidade de Capela e em mutirão foram abertas duas fontes. o Governo promulgou a Lei nº 67 que tratava da construção de um hospício em São Cristóvão concluído em 1850 (REGNI. Em dezembro o missionário realizou missão na freguesia de Nossa Senhora das Dores com a construção de um tanque (MARCIANO:25-27). 78 Os capuchinhos combatiam os protestantes nas missões. Conforme Seixas os protestantes também discordavam dos métodos capuchinhos de evangelização criticando-os no jornal evangélico (SEIXAS. pregou na festa do Corpo de Deus. Preparou a festa de Nossa Senhora da Assunção.79 Sua chegada a Pernambuco coincidiu com a festa de 77 O trabalho do frei Cândido de Taggia nas missões em Sergipe levou as autoridades a convidarem os capuchinhos a se fixarem em seu território. Em 1841. 2010:344). Além disso. devido ao seu trabalho missionário no combate aos protestantes (REGNI. Frei João Evangelista continuou a pregar na freguesia do Riachão durante todo o mês de outubro. Pregou durante toda a quaresma. Viajou em seguida para o povoado Samba. No dia três de maio partiu para a cidade de Lagarto onde pregou durante todo esse mês.78 Em fevereiro do mesmo ano realizou nova missão na Vila de Itabaiana. Encerrada a missão o frei permaneceu em Itabaiana até quinze de agosto. na cidade de Condenba e no povoado Lage (MARCIANO:13-25). Em setembro retornou a Lagarto para pregar na novena de Nossa Senhora da Piedade. com a missão de dirigir o Hospício de São Cristóvão77 e realizar missões na Província. Trabalharam diversas pessoas na limpeza e no aumento do tanque da Santa Cruz. frei João Evangelista estava em Samba. 1988: 419-421). Sob a coordenação do missionário foi construído um cemitério e levantou-se um Cruzeiro na praça. Em 15 de agosto frei João Evangelista deixou Itabaiana com destino a Pernambuco. Página 119 . na freguesia do Coité. por determinação do Comissário frei Fideles de Avoba. Durante a quaresma fez diversas pregações aos fiéis de São Cristóvão. No início de 1886 frei João Evangelista veio para Sergipe. Nessa localidade pregou durante vinte e quatro dias e organizou a construção de um tanque que foi batizado com o nome do frei. tendo nesse período ajudado a levantar um Cruzeiro na Serra de Itabaiana e reparos na capela e na igreja matriz. 1991:80). capela da freguesia do Riachão. na festa de São João e na festa do Ilustríssimo Coração de Jesus. povoado Curralinho. tendo retornado a São Cristóvão em 17 de agosto. 79 A saída de frei João Evangelista de Sergipe provocou a reação do clero e da população que fizeram abaixo- assinados pedindo sua volta. sob o protesto do povo de Sergipe. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS freguesias de Macahubas e São Sebastião do Caetité. São Cristóvão.

na freguesia de Cannabrava e no povoado Bonito. capela filial de Itabaianinha. Giboia. na freguesia de Tanquinho. 76 batizados e 949 crismas. De volta a Pernambuco realizou retiros e pregou na Colônia Isabel por 15 dias. Em Alagoas realizou uma missão em Muricy. Ainda em 1893 realizou missão nas seguintes localidades da Bahia: Tartaruga. 1. realizou novas missões na Vila do Barracão. Em janeiro de 1893.900 confissões. no povoado de Assunção e na Vila de Macahubas. “Derrotou-se o protestantismo. e calculou-se o povo em 12. Em 1889 e 1890 realizou missões nas seguintes localidades pernambucanas: freguesia de Maranguape. frei João estava em Lagarto/Se onde celebrou 155 casamentos. Em seguida veio para Sergipe e realizou uma missão no Geru. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS Nossa Senhora da Penha. na Vila de Jeremoabo e na Vila de Bom Conselho. no povoado do Caculé. Página 120 . Na ocasião foi aberto um tanque. 1. Freguesia do Riacho de Santa Anna. entretanto.”.600 crismas e 79 batizados. Passou quase quatro meses com sua família. No dia 13 de abril de 1888. frei João Evangelista deixou Pernambuco com destino a sua terra natal. de 14 a 22 de fevereiro onde se limpou um tanque e foi construído um cruzeiro.900 confissões. Condenba. Realizou-se 174 casamentos. Em 7 de abril de 1891 retornou a Salvador e pregou missão na Prisão com Trabalho da Bahia. de volta a Sergipe. Em dezembro. retornando a Pernambuco no dia 10 de setembro. Os fiéis carregaram pedras e areia para o conserto da igreja. no povoado das Mercês. Realizou missão nas seguintes localidades pernambucanas: Catuama.000 pessoas. Em 1894 missionou em: freguesia de Santa Anna de Lustoça. missionou em Laranjeiras. Em seguida missionou em Coité. missionou em Campo do Brito. Vila de Juciape. De volta ao território baiano. São João de Alípio e no povoado de Santa Rosa. em julho de 1891 (MARCIANO:31-38). por não ter obtido recursos do Presidente daquela Província resolveu voltar a Pernambuco. Novamente em Sergipe. de 09 a 12 de abril de 2014. no período de 26 de setembro a 25 de outubro. Em seguida. na Vila de Brotas de Macahubas. na cidade de Caetité. Chegou a Monte Marciano em 29 de maio daquele ano. freguesias de São Vicente e da Fuga (MARCIANO:28-31). cidades de Bezerros e de Itambé. que não estava bem de saúde. 465$000 para auxiliar na construção de um hospital (MARCIANO:38-45). acompanhado do frei Venâncio de Ferrara. 1. tendo chegado ao destino em 16 de outubro. foi ao Ceará para trabalhar junto aos flagelados da seca. carregaram-se pedras e arrecadaram Rs. Em 1892 realizou missão na Cepa Forte. realizada no dia cinco de setembro. em maio de 1890. Seu objetivo era visitar sua mãe. no povoado Beija-Flor. Vila de Nossa Senhora Oliveira do Brejinho. na freguesia de Conceição d’Almeida e na Prisão com trabalho da Bahia. em Fundão e Barra do Mendes. Em 14 de novembro de 1894 estava mais uma vez em Sergipe na freguesia São Cristóvão. na Fortaleza. freguesias de São Vicente e Bonito. na Bahia.

Página 121 . mas já em janeiro de 1896. 1. na cidade de Monte Alegre. “Avançou-se o velho hospício por ameaçar ruínas. No dia nove de dezembro iniciou-se uma missão na freguesia de Japaratuba onde “aplaniou-se o terreno em redor da Igreja. egoísta. de 09 a 12 de abril de 2014. Foram arrecadados Rs. capela filial da freguesia de Itabaianinha que durou até dia vinte. e agenciou-se Rs. Ainda em janeiro missionou no povoado Malhador.]”. Durante doze dias de missão realizou-se 127 casamentos. capela filial da freguesia de Riachuelo. mas uns cachaceiros vieram da Itabaiana”. começando pela cidade de Riachuelo. na Vargem Grande. 1. agora na cidade de Propriá/Se onde “agenciou-se Rs. prosumptuoso. Frei João Evangelista escreveu o seguinte comentário sobre o povo: “ignorante. povoado de Santa Luzia. para a missão na freguesia de Pacatuba. 905$000 para dar continuidade aos trabalhos da nova matriz. 41 São Cristóvão. do Gavião. 8000$000 para o concerto do cemitério”. No dia quatro de fevereiro o frei iniciou uma missão em Itaporanga (MARCIANO:45-56). de 20 a 30 de novembro. Em Dezembro.572 crismas. No dia 13 de maio daquele ano frei João Evangelista e frei Caetano de San Leo começaram uma missão no povoado de Canudos com o objetivo de dissolver o povoado que tinha como líder o beato conhecido como Antônio Conselheiro. frei João Evangelista parte para outra missão. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS de Boquim. A próxima missão se deu na Vila de Nossa Senhora das Dores/Se. dia onze começou a pregar no povoado do Geru. agenciou-se Rs. e do Riachão de Utinga. onde foram realizados 51 casamentos. Condenba. capela filial da freguesia do Riachão/Se o frei João pregou nova missão. 51 batismos. Em novembro voltou a Sergipe. Em janeiro de 1897 voltou a Sergipe. de São Sebastião do Caetité.080 crismas. na Vila Christina.200 confissões e 1. e nas freguesias do Rio Fundo. Em 1895 pregou ainda: na Prisão com trabalho da Bahia. beberrão [. da Saúde da Jacobina. 661$000 para o restauro da mesma Igreja”.. indiferente. freguesias do Sauve e do Barracão (MARCIANO:61-67). 1:266$200 para a obra da capella” (MARCIANO:56- 61). Seguiram-se as missões de Bom Jardim. Com o fracasso da missão foram pregar na freguesia do Cumbe. em novembro. 300$000 para o concerto da capela. De acordo com o missionário o “povo era bom. Como em outras missões. 52 batizados e 1. capela filial da freguesia de Santo Antonio de Jesus e na cidade d’Aveia. Na sequência. Em janeiro de 1895. freguesias do Bom Jesus dos Meiras. Ao final do evento foi aberto um tanque e arrecadou-se Rs. nesta também houve desavenças com protestantes.. povoado Bom Jesus. Em 1896 realizou missões nas seguintes localidades baianas: Barra da Estiva. Nessa missão foram realizados 158 casamentos. Retornou a Sergipe. desordeiro.300 confissões. no povoado Samba.

387 crismas. Em fevereiro foi a vez de Itabaiana/Se. de 09 a 12 de abril de 2014. egoísta.400 confissões e 1. freguesia de São Sebastião do Caetité. No ano de 1898 missionou nas seguintes localidades baianas: Vila Velha do Rio das Contas. capela de São Roque e Coqueiro (MARCIANO:67-78). Com a saúde cada vez mais debilitada. Em missão na Vila de São Paulo/Se. o povo comportou-se bem e calculou-se em 13. a policia cometerrão desatinos no ultimo dia da missão. até 1921. Vila d’ Umburanas. 60 batizados. onde foram evangelizados cerca de quatorze mil pessoas. de coração mesquinho”. Nessa missão “o povo comportou-se mal. Ainda em Sergipe realizou missão na freguesia do Siriry onde cerca de oito mil pessoas participaram da missão. em janeiro de 1898 o povo trabalhou na construção do novo cemitério. Essa foi a última missão realizada pelo frei João Evangelista em território sergipano (MARCIANO:82-83). sendo que depois de 1907 realizou apenas um retiro em 1910 e se fechou no hospício da Piedade. Em julho de 1900 missionou na freguesia do Riachão de Casanova/Ba (MARCIANO:79-80). com a missão da freguesia de Divina Pastora. realizando trabalhos que exigiam menos esforços. 987 confissões e 1. O povo carregou muita pedra para construção dos corredores da Capela de Nossa Senhora do Rosário. povoado Caculé. em Sergipe. e calculou-se o povo em 9. A partir de maio de 1901 voltou para a Bahia e continuou missionando. Foram 39 missões e sete retiros espirituais em localidades baianas até 1907. O povo foi denominado como “indiferente. cachaceiro. denominada bica da missão e um cemitério. Em janeiro de 1901 após missionar na Vila do Patrocínio do Coité partiu para a cidade de Lagarto. e ladrão”. Página 122 . Segundo frei João Evangelista “derrotou-se o protestantismo.637 crismas. Essa missão teve uma participação estimada de doze mil pessoas.000. Muitas pessoas carregaram pedras para construção de um cemitério. no povoado de Pedra Molle o frei João denominou o povo de “jogador. São Cristóvão.000 pessoas”. De 15 a 24 de janeiro. Em missão carregaram pedra para a construção da nova capela. no acto mesmo do sermão do encerramento”. Em janeiro de 1900 retornou a Sergipe. ano de sua morte (MARCIANO:86-103). Tudo correo bem”. como as confissões. Durante dez dias foram realizados 87 casamentos. Em seguida realizou nova missão na cidade de Laranjeiras/Se. onde foi construído um tanque. 1. “Abriu-se um magnífico açude. foi diminuindo seus trabalhos externos. ocioso. Em fevereiro partiu para nova missão na Vila de Campos/Se. No final do mês no povoado de Jaboatão construíram uma fonte de água potável. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS batizados. Em dezembro partiu para Campo do Brito/Se. De acordo com frei João Evangelista ocorreram perturbações da ordem.

as pessoas também aprendiam com os capuchinhos. “jogador”. Nesse sentido. em contato com a população. “cachaceiro”. por isso. os sujeitos. as práticas e as prédicas serviam de “estratégias” utilizadas pelos missionários para evangelizar as localidades mais distantes da Igreja Católica. “desordeiro”. montados a cavalo ou a jumento. em contrapartida. enfrentou as péssimas condições das estradas e outras dificuldades de transporte e de comunicação. Gabriel de Cagli. na Bahia e Sergipe. Suas memórias revelaram a vida cansativa que levavam ao percorrerem durante o século XIX muitas localidades distantes da sede oficial dos capuchinhos que ficava em Salvador. um espaço entre a norma e o vivido. Frei João Evangelista foi descrito por seus contemporâneos como um missionário autoritário. a precariedade da maioria das localidades que ofereciam péssimas condições de vida aos seus habitantes. como afirmou Roger Chartier. ou até mesmo a pé. “egoísta”. Em determinadas localidades além de criticar os vícios da bebedeira e da jogatina. “ignorante”. seu caderno reflete o seu trabalho com as muitas missões e retiros. Nas suas andanças o missionário participava cotidianamente do universo cultural da população visitada. “ladrão” também reflete o caráter sincero daquilo que ele enquanto missionário acreditava que deveria combater. compreendemos que os participantes das missões usaram da adaptação e da invenção no seu dia-a-dia de necessidades “apropriando-se” das missões itinerantes de “mil outras maneiras”. de 09 a 12 de abril de 2014. percorreram diversas localidades do Nordeste Brasileiro. no combate ao protestantismo. viviam na prática diversas experiências que ultrapassavam essas “estratégias”. Anais Eletrônicos do IV Colóquio do GPCIR UFS/GPCIR/CNPq/PROHIS O trabalho apostólico de frei João Evangelista foi amplo e na companhia de Paulo de Casanova. assim como afirmou Michel de Certeau. responsável e com muita disposição para evangelizar em meio às adversidades da época. Partindo do princípio atribuído por Chartier de que toda recepção também inventa e distorce. havia. Em certo sentido. Página 123 . esses homens. Frei João. o Hospício da Piedade e em Sergipe o Hospício de São Cristóvão. nessa tessitura em que se cruzavam os sujeitos. Os comentários sobre a população é uma evidência de que a maioria das pessoas visitadas não estavam seguindo os ensinamentos da Igreja Católica como o missionário desejava. também combateu o protestantismo. São Cristóvão. principalmente. Embora os capuchinhos desejassem que as pessoas seguissem todos os seus ensinamentos. Mas. assim como outros missionários dessa época. principalmente. A maneira como se referia ao povo denominando-o de: “ocioso”. Caetano de San Leo e outros. não são meros consumidores passivos e agem selecionando e fazendo novas combinações. na prática.

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