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Pe.

Gabriele Amorth

Novos Relatos de um
Exorcista
Copyright © Palavra & Prece Editora Ltda., 2011.
Edição brasileira autorizada por intermédio da Agência Literária
Eulama. Título original: Nuovi Racconti di un Esorcista.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser
utilizada ou reproduzida sem a expressa autorização da editora.

Fundação Biblioteca Nacional
Depósito legal na Biblioteca Nacional,
o
conforme Decreto n 1.825, de dezembro de 1907.

Coordenação editorial
Júlio César Porfírio

Tradução
Ana Paula Bertolini

Revisão e diagramação
Equipe Palavra & Prece

Capa
Execução: Claudio Braghini Jr.
Imagem: Dreamstime

Impressão
Escolas Profissionais Salesianas

ISBN: 978-85-7763-063-9

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação
(CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Amorth, Gabriele
Novos relatos de um exorcista / Gabriele Amorth. – São Paulo : Palavra & Prece, 2012.

Título original: Nuovi racconti di un esorcista.

ISBN 978-85-7763-063-9

1. Exorcismo 2. Possessão diabólica I. Título.

11-14861 CDD-235.4

Índices para catálogo sistemático:
1. Prática dos exorcismos : Teologia dogmática cristã 235.4

PALAVRA & PRECE EDITORA LTDA.
Parque Domingos Luiz, 505, Jardim São Paulo, Cep 02043-081, São Paulo, SP
Tel./Fax: (11) 2978.7253
E-mail: editora@palavraeprece.com.br / Site: www.palavraeprece.com.br
Sumário

Introdução.............................................................................................. 7
Lembrando o padre Cândido Amantini ................................................... 9
Procura-se exorcista ............................................................................. 11
Testemunhos ................................................................................... 17
Carta ao meu bispo ..................................................................... 17
O parecer de um conhecido teólogo francês ................................ 20
Um freio à invasão dos médicos charlatões................................. 22
Cristo contra Satanás............................................................................ 23
Testemunho ..................................................................................... 29
Quem é Satanás? Quem são os demônios? .................................. 29
“Em meu nome expulsareis os demônios” ............................................ 33
Testemunhos ................................................................................... 39
Só um exorcista podia ajudar-me ................................................ 39
Encontrei o caminho certo .......................................................... 43
Satanás em ação ................................................................................... 45
Testemunhos ................................................................................... 50
Paulo VI fala-nos de Satanás ...................................................... 50
Influência nefasta de certas músicas ........................................... 56
Como reconhecer as presenças maléficas ............................................. 59
Testemunhos ................................................................................... 65
Uma comunidade religiosa muito empenhada ............................. 65
Sou enfermeira em psiquiatria .................................................... 67
Exorcismos e orações de libertação ...................................................... 71
Testemunhos ...................................................................................77
Alguns episódios de libertação ....................................................77
Um bispo promove as orações de libertação ............................... 83
Algumas causas e consequências das presenças maléficas .................... 87
Testemunhos ................................................................................... 96
Um caso de malefício .................................................................. 96

Novos relatos de um Exorcista 5
A oração dos pentecostais .................................................................... 99
Um caso não resolvido .................................................................. 100
Dificuldades e problemas em aberto ................................................... 103
Testemunhos ................................................................................. 111
Um exorcismo em equipe .......................................................... 111
Calma e silêncio totais: Ângelo Battisti ..................................... 114
Uma estranha visita .................................................................. 118
Infestações ......................................................................................... 121
Testemunhos ................................................................................. 128
Primeiro o médium, depois o exorcista ..................................... 128
Da infestação à possessão......................................................... 131
Perguntas e respostas ......................................................................... 135
Exorcistas e Magos ........................................................................ 135
Problemas de Doutrina ................................................................... 138
Perguntas variadas e sintomas particulares ..................................... 141
Falemos de Satanás ........................................................................ 143
Meios de Libertação ...................................................................... 146
A mulher inimiga de Satanás ...............................................................151
Conclusão .......................................................................................... 159
Orações de libertação do espírito do mal ............................................ 161
Adendo à edição brasileira ................................................................. 165
Invocar a João Paulo II é efetivo contra o diabo ............................. 165

6 Novos relatos de um Exorcista
Introdução

Não saberia dizer, de modo algum, por que o meu livro anterior, Um
Exorcista Conta-nos, alcançou tamanho sucesso, um acontecimento certamente
inesperado e bem superior ao seu valor. Pensei em uma frase do livro dos
Provérbios: “Sermo opportunus est optimus”, as palavras mais oportunas são
as ditas no tempo certo (cf. Pr 15,23). Era este o assunto que devia ser tratado
naquela ocasião. Eu senti a sua urgência, a sua necessidade. Não posso
esconder a minha satisfação, não só pela rápida difusão do livro, mas também
por ter visto muitas coisas começarem a mudar.
Uma vez que o assunto é de grande interesse para sacerdotes e leigos, pensei
ser útil dar continuidade ao tema em um livro. Creio que, com ele, estou pres-
tando um serviço e ficarei muito contente se outros exorcistas ou pessoas do
mundo católico fizerem o mesmo, dando sua contribuição escrita.
No que diz respeito aos Novos Relatos de um Exorcista, num primeiro momento
pensava me limitar a um livro contendo episódios comentados. Depois, vi a neces-
sidade de desenvolver melhor, vários assuntos, sobre os quais não foi possível um
maior aprofundamento no primeiro livro, para não fazer dele uma “obra pesada”. A
base do conteúdo continua sendo a minha experiência pessoal, orientada pelo padre
Cândido Amantini. Mas também pude contar com a experiência de outros
exorcistas, das suas sugestões, de muitos episódios acontecidos com eles, a quem
agradeço a colaboração que me foi dada.
Os episódios foram apresentados como apêndice, no final de cada capítulo,
mas permaneceram fundamentais pelo exemplo deixado. Escolhi os fatos que
me pareceram mais significativos. Trata-se de episódios recentes e, por vezes,
ainda em desenvolvimento; relatei apenas situações reais, mesmo que para isso

Novos relatos de um Exorcista 7
tenha trocado nomes e alguns detalhes para preservar a privacidade das
pessoas envolvidas.
Peço ao Senhor que abençoe também esta obra; desejo que tenha boa
propa-gação, se for útil à glória de Deus e ao bem das almas.
Padre Gabriele Amorth

8 Novos relatos de um Exorcista
Lembrando o padre
Cândido Amantini

Também nesta obra, sinto o dever de recordar o meu mestre, padre
Cândido Amantini, que o Senhor chamou para Si no dia 22 de setembro de
1992. Era dia de São Cândido, seu padroeiro. Aos confrades, que desde a
manhã permanece-ram à sua cabeceira para lhe dar os parabéns, disse
simplesmente: “Eu pedi a São Cândido que neste dia me desse um
presente”. Ele sofria muito; era evidente que o seu pedido fora escutado.
Nascido em Bagnolo de Santa Flora (Grosseto, Itália) no ano de 1914,
padre Cândido unia santidade de vida, sabedoria e equilíbrio interior a uma
cultura vastíssima (ensinou Sagrada Escritura e teologia moral); por isso,
era muito pro-curado como confessor e diretor espiritual. Sobre ele, o Padre
Pio disse: “É ver-dadeiramente um sacerdote segundo o Coração de Deus”.
A atividade que mais o distinguiu durante trinta e seis anos foi a de
exorcista da diocese de Roma. Acorriam a ele pessoas de toda a Itália e do
estrangeiro; recebia setenta a oitenta pessoas, todas as manhãs. Sempre
paciente, sempre sorridente oferecia, frequentemente, sugestões que se
revelavam verdadeira-mente inspiradas.
Expressou o seu grande amor a Nossa Senhora em um livro publicado em 1971,
O Mistério de Maria. Mas a oração feita todas as noites e o ministério absorviam-
no inteiramente, pois não tinha tempo para escrever. Em 1990, tive a impressão de
que a sua saúde fraquejava. Temi que ficasse perdido todo o patri-mônio da sua
experiência como exorcista que, com tanta paciência, tinha procu-rado me
transmitir. Escrevi Um Exorcista Conta-nos, o mais rápido que pude e fiz

Novos relatos de um Exorcista 9
o possível para que a editora o publicasse ainda em sua vida, pois receava
que ele não pudesse lê-lo e corrigi-lo.
Partiu para receber o prêmio de sua vida, na véspera da publicação deste
segundo livro, Novos Relatos de Um Exorcista, para o qual também contribuiu
e que lhe sou muito grato, enquanto invoco a sua presença no Céu.

Padre Gabriele Amorth

10 Novos relatos de um Exorcista
Procura-se exorcista

Quando, em junho de 1986, o cardeal Hugo Poletti me colocou ao lado
do padre Cândido Amantini para ajudá-lo no ministério de exorcista, foi
aberto um mundo novo, completamente desconhecido para mim. Não pense
que as impressões principais tenham sido dadas pelos casos mais graves,
pelos fenô-menos estranhos, em que somente se acredita vendo. Para um
exorcista novo, a impressão mais forte e mais duradoura é a de estar em
contato com um mundo de pessoas que sofrem, mais na alma do que no
corpo; um mundo de pessoas que se aproximam do sacerdote com confiança
e disponibilidade, necessitadas de ajuda e de conselho.
Na maioria dos casos, o dever do exorcista é confortar e iluminar para tirar
falsos medos ou comportamentos errados (como o recurso a magos, cartoman-
tes e similares); é reaproximar as almas de Deus, levando-as a retomarem, com
regularidade, uma vida de fé, de oração, de frequência à Missa e aos
sacramentos, além de abraçarem decidida e decisivamente a Palavra de Deus.
No meu já longo ministério sacerdotal, eu nunca havia tido tantas ocasiões para
reaproximar do Senhor, da Igreja, tantos indivíduos e famílias inteiras. A
maioria não precisa de exorcismos, mas de uma sincera conversão.
Depois, fui descobrindo que hoje é grande e crescente a necessidade de
exor-cistas. Porém, descobri também o quão inadequada é a resposta e a
preparação dos homens da Igreja, no mundo católico. São estes os dois
aspectos sobre os quais vou falar neste primeiro capítulo.
Mas, antes, tenho que ressaltar um outro fato, extremamente significativo
para mim que, de repente, abriu a minha consciência neste campo, proporcio-
nando-me a possibilidade de, não somente, contatos a nível nacional.
No final de setembro de 1990, foi publicado na Itália, o meu livro Um Exorcista
Conta-nos. Não pensava que poderia ser uma bomba. Passados poucos

Novos relatos de um Exorcista 11
dias, encontrei um sacerdote com cerca de cinquenta anos; ele veio ao meu
encontro só para dizer: “Li o seu livro de uma só vez. Garanto que tudo o que o
senhor escreveu, da primeira à última linha, são coisas que, nunca, ninguém
havia me dito”. Depois, recebi uma série de cartas muito agradáveis, porque
eram bastante qualificadas, da parte de exorcistas: todos afirmavam aprovação
incondicional ao meu livro. E começou uma longa série de discussões e entre-
vistas: na televisão, na rádio, em quase todas as grandes revistas, sobretudo
leigas. Em 1991, a Rádio Maria, ouvida em toda a Itália, dedicou uma série de
transmissões ao meu livro, de 12 de fevereiro a 24 de setembro, muito bem
orientada pelo padre Lívio. Será inútil dizer que foi esse o caminho mais eficaz
de divulgação do livro e das ideias nele contidas. Acrescento uma grande quan-
tidade de conferências, cartas e encontros que me permitiram fazer conhecidos,
cada vez mais e melhor, os dois temas que também aqui desejo expor ao leitor,
embora de maneira mais resumida.
Em primeiro lugar, por que hoje há uma procura tão grande de exorcistas?
Poderemos dizer que o demônio está mais livre no nosso tempo do que no pas-
sado? Poderemos dizer que aumentaram os casos de possessão diabólica e de
outros malefícios menores? Também tenho feito a mim mesmo, continuamente,
estas perguntas e a minha resposta é decididamente afirmativa. O racionalismo,
o ateísmo pregado às massas e à corrupção que emanam do mundo consumista
ocidental, determinaram um pavoroso decréscimo de fé. E é matemático que,
quando a fé diminui, cresce a superstição.
Depois, hoje, o crescimento da superstição é alimentado por muitos fatores:
cinema, televisão, rádio, jornais e revistas tornaram-se, regularmente, veículos não
só de pornografia, mas também de magia, de espiritismo, de ocultismo e de ritos
orientais. Além disso, certas concentrações de massa, fitas gravadas, discotecas,
difundem mensagens subliminares, rock satânico e outras coisas do gênero. As
consequências mais estrondosas foram trazidas à luz do dia pela polí-cia, quando
certos excessos levaram ao crime. Em todos os jornais do Ocidente, a seção mais
lida é o horóscopo. Na Itália, a legislação sobre o aborto e o aumento do consumo
de droga são duas chagas muitas vezes ligadas a males satânicos. No dia 30 de
outubro de 1991, a terceira seção penal do Supremo Tribunal Adminis-trativo
Italiano emitiu uma sentença declarando que a atividade dos quiromantes é uma
fonte lícita de lucro, sujeita aos impostos sobre os rendimentos, como a grafologia,
a astrologia e as atividades paranormais.

12 Novos relatos de um Exorcista
A conclusão é que os italianos que recorrem a magos, bruxos, quiromantes,
cartomantes... são mais de doze milhões. Não é fácil fazer estatísticas, mas esse
dado, que parece o mais provável, surgiu num congresso sobre magia, novas
religiões e esoterismo, na Itália. Acrescentemos a difusão das seitas satânicas e
digamos também que a população não encontra nenhuma defesa, nem da parte
do Estado (transcrevemos no apêndice o parecer de um médico), nem por parte
dos homens da Igreja.
Eu gostaria que esses doze milhões de italianos se voltassem para os sacerdotes,
ao invés de procurarem os magos. Mas, em primeiro lugar, a sua fé está reduzida
ao mínimo. Segundo um inquérito do ISPES [instituto que busca melhorias, por
exemplo, na qualidade profissional e no ambiente, na segurança e na higiene],
promovido pelas revistas Família Cristã e Jesus, só 34% dos italianos acredita na
existência do demônio. A revista Vita Pastorale publicou, em janeiro de 1992, um
artigo interessante do estudioso Armando Pavese, em que se diz, entre outras
coisas, que os operadores do oculto seriam mais de cem mil e que se apresentam
como verdadeiros profissionais, de experiência comprovada; ora, os sacerdotes são
menos de trinta e oito mil e, neste campo, são autênticos analfabetos.
No apêndice deste capítulo, apresentarei um exemplo do calvário que os
fiéis atravessam para encontrar um exorcista; e como também é difícil ser
escutado com o mínimo de compreensão que a caridade cristã pede! Mas
aqui encon-tramo-nos perante uma ignorância não justificável, sobre a qual
desejo deter-me uns momentos. É o segundo assunto deste capítulo.
Há algumas décadas – não sei bem quantas – o exorcismo foi quase extinto no
mundo católico, ao contrário do que vem acontecendo com algumas confissões da
reforma protestante. Julgo que não ofendo os bispos, se constatar um dado de fato:
a quase totalidade do episcopado católico nunca fez exorcismos e nunca assistiu a
exorcismos. Por isso, torna-se ainda mais difícil acreditar em fenômenos que nem
nós, exorcistas, acreditaríamos, se nunca os tivéssemos visto.
É verdade que a Sagrada Escritura é muito clara neste terreno; é a prática
e o ensino de toda a história eclesiástica; há as disposições do Direito
Canônico. Mas, contra a prática do passado e contra o ensino da Igreja,
levantou-se o muro do não exercício do exorcismo (falo em teoria, porque,
na prática, sempre houve alguns exorcistas). E, contra os ensinamentos da
Bíblia, tem sido erguido o muro do silêncio ou, pior ainda, a interpretação
errada por parte de certos teólogos e de certos estudiosos.

Novos relatos de um Exorcista 13
O clero em geral deveria ser mais instruído sobre este assunto, estudando
três partes da teologia.
A teologia dogmática , quando fala de Deus criador, deveria tratar
também da existência dos anjos, da existência dos demônios e de tudo que a
Bíblia e o ensino da Igreja nos dizem a respeito.
A teologia espiritual trata não somente da atividade ordinária do
demônio (as tentações), mas também da sua atividade extraordinária, que
compreende todos os malefícios, até chegar à possessão diabólica. Ensinam
também os remédios, inclusive os exorcismos. Veja, por exemplo, os
conhecidíssimos tratados, ainda válidos, de Tanquerey e de Royo Marin. A
falta de estudo da teologia espiritual, que se prolonga já há muitos decênios,
causou também uma grande perda da direção espiritual, propriamente dita.
A teologia moral deveria ensinar também, sobre todos os pecados contra
o pri-meiro Mandamento, entre os quais está o da superstição; deveria
iluminar os fiéis sobre aquilo que está conforme a vontade de Deus e sobre
o que lhe é contrário, como a magia, a necromancia etc.
A Bíblia é muito clara sobre este aspecto e usa palavras duríssimas contra esses
pecados. Pense também na lista apresentada pelo Deuteronômio, em que tais prá-ticas
são severamente condenadas: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo
seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao
feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o
Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas
abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações” (Dt
18,10-12). Hoje, há muitos moralistas que não sabem distinguir o bem do mal;
já não ensinam o que é pecado mortal e o que não é; por isso, os fiéis nunca
mais ouviram falar de tais proibições. Basta ler os últimos dicionários de
1
teologia moral, no tópico superstição: já não se encontra nada esclarecido.
Perguntei a muitos sacerdotes, de várias idades, se e como se aprofundaram nestes
assuntos, nos três tratados de teologia que nomeei; responderam-me que nunca tinham
ouvido falar destas coisas. Para preencher tão grave lacuna, é pre-ciso reformular os
programas de estudo nos seminários e nas universidades católicas.
Ao desleixo nos estudos e à falta de experiência direta, deve-se acrescentar a
difusão de erros doutrinais, ensinados diretamente por certos teólogos e por

1
Quem desejar conhecer mais sobre uma definição mais precisa deve ao menos consultar o
dicionário da Ed. Studium, de 1961, preparado por Roberti-Palazzini; você encontrará os seguintes
vocábulos bem definidos: superstição, adivinhação, idolatria, magia, prática supersticiosa...

14 Novos relatos de um Exorcista
certos estudiosos da Bíblia; erros que põem sérias dúvidas sobre a existência
do demônio e ainda mais sobre a atividade; erros que se apresentam como
“interpre-tações atualizadas”, chegando a negar as próprias libertações do
demônio opera-das por Cristo, considerando-as simples curas. Contra tais
erros, ergueu-se com clareza a voz da autoridade eclesiástica, em um
documento sobre demonologia, publicado no L’Osservatore Romano [jornal
que circula no Vaticano] de 26 de junho de 1975, e, depois inserido nos
documentos oficiais da Santa Sé. 2 Trans-crevi os trechos mais salientes em
Um Exorcista Conta-nos, mas o fruto desta tríplice causa são:
– Falta de estudo e de pregação.
– Nenhuma prática de exorcismos.
– Erros doutrinais.
Isso nos explica, pelo menos em parte, por que razão o nosso povo se volta
para os magos, como já vimos, e explica-nos a atitude incrédula dos
eclesiásticos. Não me canso de repetir: trata-se de uma situação objetiva, em
parte sem culpa, na qual se encontra hoje parte do nosso clero. Dos estudos
aprendidos nos semi-nários, muitos deles não receberam formação sobre a
existência de Satanás, sobre a sua ação, sobre os modos de combatê-lo, sobre as
causas pelas quais se pode cair em malefícios; e isso porque nos cursos
teológicos não aprofundam o neces-sário dos ensinamentos da teologia
dogmática, da teologia espiritual, da teologia moral, como já mostramos.
Os sacerdotes, na sua maioria, nunca fizeram nem assistiram a exorcismos e,
frequentemente, até são influenciados por certas correntes de estudiosos de
teologia e da Bíblia, que já não seguem a sã doutrina da Igreja sobre a existência e
da ação do demônio, porque a consideram superada e digna da Idade Média.
Eis o motivo pelo qual as pessoas já não encontram nos homens da
Igreja, nem ensinamento, nem compreensão, nem ajuda nem simplesmente
quem as escute. E, então, buscam os magos.
Também resultaram estatísticas significativas e estrondosas em relação aos
teólogos italianos. Falo de estatísticas enormes porque, em suma, chega-se a esta
conclusão: um terço dos teólogos acredita na teoria, mas não na sua ação prática e
recusa-se a tê-la junto à sua ação pastoral. Nestas condições, resta bem pouco
espaço para aqueles que acreditam e agem em conformidade; os que são exceção,
têm de agir contra a corrente, sendo frequentemente zombados e ridicularizados
pelos outros. Para chegar a estas conclusões baseei-me em estatísticas obtidas na

2
Documento Fede Cristiana e Demonologia (Fé Cristã e Demonologia): EV 5/1347-1393.

Novos relatos de um Exorcista 15
Alemanha (então, Ocidental), em 1974 e também publicadas na revista Conci-
lium (1975, 3, p. 112). Acrescento ainda as estatísticas publicadas em Diavoli,
3
demoni, possessioni. São dados que correspondem a muitos artigos de
teólogos e ao meu conhecimento direto. Em apêndice, publico os motivos pelos
quais um dos mais conhecidos teólogos franceses discorda de muitos outros.
As estatísticas referidas dizem respeito aos teólogos; mas a sua influência
sobre a mentalidade corrente do clero é evidente. Não se fizeram estatísticas
direta-mente sobre os sacerdotes, mas creio que os resultados seriam muito
semelhantes; certamente, o comportamento prático deixa-o supor.
Alguns ficaram admirados ou escandalizados porque, no meu livro Um
Exorcista Conta-nos, transcrevi as respostas de alguns bispos, mesmo recomen-
dando que não se fosse generalizado ao clero, porque onde há exorcista há, evi-
dentemente, bispos sensíveis a esses problemas. Repito algumas respostas mais
correntes: “Por princípio, não nomeio exorcistas”; “Só acredito na parapsicolo-
gia”; “Gostaria de saber quem colocou essas imbecilidades na cabeça de
vocês”. Tenho exorcizado um jovenzinho que o seu bispo recusou: recusou vê-
lo, recusou nomear um exorcista e acusou os pais que insistiam para ser
ajudados: “Vocês dois é que estão endemoninhados!”.
Nos meus encontros com os bispos, encontrei muita cordialidade,
embora, depois não tenha encontrado adesão prática. E, no entanto, nunca
perdi o desca-ramento típico do estudante universitário. Disse a um bispo:
– O senhor é sucessor dos Apóstolos por nomeação. Depende de si sê-lo
por imitação, e, se não faz exorcismos, não age como eles agiram.
Com outro fui ainda mais incisivo:
– Ponha um cartaz no portão da cúria episcopal com esta inscrição:
“Nesta diocese não se fazem exorcismos porque não se crê nas promessas
do Senhor para que, em Seu nome, possamos expulsar os demônios. Quem
quiser exorcismos que se volte para os anglicanos ou pentecostais ou
batistas, que acreditam nas Palavras do Senhor e fazem exorcismos”.
“Vou pensar no seu problema”, foi a promessa que obtive. No capítulo
seguinte, proponho algumas dicas que julgo poderem provocar que este
assunto seja repensado.

3
K. Lehmann, Diavoli, demoni Possessioni (Diabo, demônios, possessões), Queriniana, Brescia
1983, p. 27 e 115.

16 Novos relatos de um Exorcista
Testemunhos
Carta ao meu bispo
Entre muitas cartas de recriminação, preferi publicar uma de
agradecimento. É de um pai de família que narra os sofrimentos da mulher:
quinze anos de mar-tírio que, em grande parte, poderia ter sido evitado se os
sacerdotes acreditassem nas palavras de Cristo e nos poderes que lhes foram
conferidos. Reflita especial-mente sobre as interrogações finais.

“Vossa Excelência, permito-me escrever-lhe depois de um programa de
televi-são, sobre os problemas de depressão nas suas várias formas. Segundo
um espe-cialista, existem três tipos de remédios capazes de curar esta doença:
os medi-cinais (tranquilizantes, soníferos etc.); o choque-elétrico (impulsos
elétricos); a psicoterapia (psiquiatria, psicologia e psicanálise).
Um dos médicos entrevistados citou o caso de uma mulher internada no
hos-pital de Sant’Ana (‘podia tratar-se da minha mulher’). Explicava que
nenhum médico deste mundo teria como curá-la. Ela dizia que tinha perdido
a sua alma e já não conseguia encontrar a paz. O psiquiatra concluía: Trata-
se de um caso de depressão, em que o doente acredita que está condenado.
A Igreja fala de diabo, mas é apenas melancolia.
Em nenhum momento, os médicos pensaram em contatar um sacerdote.
Por quê? Ouvindo aquela transmissão, fiquei surpreendido com a ignorância
dos médicos que se passam por especialistas de doenças depressivas. E
perguntei a mim mesmo: o que os psiquiatras fazem por estas pessoas? É
possível que o caso vivido pela minha mulher não seja o único. Talvez
outras pessoas, acamadas em hospitais psiquiátricos, pudessem ser curadas,
como ela foi. Ou será que a Igreja considera a possessão diabólica uma tara?
Contudo, encontramos casos de pos-sessão no Evangelho.
Depois de numerosas conversas com sacerdotes ou com religiosas, pude
verifi-car que preferem ignorar a existência de Satanás. O que se ensina
num seminário, para que os sacerdotes sejam tão ignorantes neste campo?
Ultimamente, uma madre superiora, que conhecia muito bem a minha mulher e
que a ajudou, ao longo de vários anos durante a sua doença, fez-me perguntas
sobre esta renovação de vida. É preciso sublinhar que, naquele período, a minha
mulher era considerada uma doente mental. Falei-lhe de um sacerdote exorcista

Novos relatos de um Exorcista 17
que tive a graça de encontrar; também lhe falei de Satanás e dos seus
poderes. No fim da conversa, a religiosa exclamou: ‘Então, sempre foi
verdade que o diabo existe! Os nossos capelões nunca falam disso’.
Não falo de teorias. São testemunhos de um caso real, o da minha
mulher, que vi torturada durante quinze anos. Teve uma vida normal até os
dez anos de idade. Todo o mal começou num determinado período. A avó
levava para casa um oculista que invocava certos espíritos e, através deles,
conversava com os falecidos da família. A minha mulher, ainda menina,
presenciava as sessões. Foi a partir daí que o seu equilíbrio começou a ficar
perturbado. Seus pais, que não sabiam nada do que acontecia na casa da
avó, viram o seu comportamento mudar: tornou-se agressiva, agitada etc.
Algum tempo depois, foi atingida de tal modo por mal-estar, que chegava
a perder a consciência. Os médicos não descobriam causa alguma, não
encontra-vam nenhuma doença; para eles era um caso sem solução. Fugiu
algumas vezes de casa e, em vão, foi atendida por psicólogos e psiquiatras:
nunca encontraram nada, até porque ela vivia num clima familiar sereno,
rodeada de todo o afeto dos familiares.
Nosso casamento aconteceu em 1976. Os primeiros anos do nosso matrimô-nio
foram bastante serenos. Só três anos depois é que voltou a sentir-se mal, que
chegou a perder a consciência. Os especialistas consultados, não encontrando
nenhum mal específico, insistiam em prescrever tranquilizantes. Depois, a minha
mulher começou a ter grandes problemas de fé. Já não queria ir à Igreja, nem
mesmo rezar. Quando eu a acompanhava à Igreja, tornava-se fria, com um único
desejo: sair de lá o mais depressa possível. Isso a deprimia completamente (fora
sempre muito praticante); sentia-se culpada, mas não compreendia de quê.
Muitas vezes, foi falar com sacerdotes, para expor o seu drama, mas nunca foi
compreendida. Ouvia sempre palavras genéricas: São coisas que acontecem...
todos podem ter dúvidas... é preciso rezar. Mas o seu tormento era, precisamente, o
de sentir uma repugnância invencível pela oração! Assim permanecia cada vez
mais deprimida, chorava continuamente. Os médicos aumentavam as doses de
tranquilizantes e soníferos, cujo único efeito era intoxicá-la.
Também começou a beber álcool em grande quantidade, logo ela que
sempre teve grande repugnância pela bebida. E o estranho é que não percebia
que bebia. Neste período, tentou diversas vezes o suicídio: engolindo caixas de
comprimi-dos, cortando os pulsos etc. Foi sempre salva in extremis!

18 Novos relatos de um Exorcista
Foi decidido que fosse internada para se desintoxicar do álcool, pois chegou a
ter uma concentração de 3,8 g da droga no sangue. O médico-assistente estava
espantado: não encontrou nenhum mal físico e, ao falar com ela, não encontrou
nenhum sintoma de uma alcoolizada. Mandou-a para a psiquiatria. Lá, a minha
mulher falava só dos seus problemas de fé e o especialista limitou-se a aumentar a
dose de tranquilizantes: transformou-a numa droga sem reações nem memória.
Já não sabendo o que fazer, recorri a um médium. A minha mulher teve algu-
mas melhoras imediatamente, seguidas de recaídas. Compreendi que tinha entrado
por um caminho errado. Então chegou ao fim a documentação do processo para a
adoção de um menino, no qual havíamos dado entrada, uma vez que a minha
mulher era estéril. Foi-nos confiada uma criança de três meses. Ficamos repletos de
alegria, com a esperança de que os nossos problemas tivessem sido resolvidos.
Mas o mal-estar regressou, ainda com mais força e vários sintomas: perda da
vista, gritava com todos, passou a se comunicar como uma surda-muda, por vezes
lançava gritos horríveis. Também tentou nos matar, o menino e eu, com uma
espingarda; tentou se atirar da janela. Saía de carro e desaparecia durante horas;
Deus sabe por onde andava! De noite, levantava-se e corria pelas ruas; tinha visões
diabólicas. Uma vez, encontrei-a na banheira, com a cabeça dentro da água, des-
maiada; tive que fazer respiração artificial nela. Outra vez, sofreu um acidente de
automóvel: não se recordava de nada, nem sequer de ter saído de carro. Eu tinha,
com frequência, que deixar o meu trabalho e correr para casa; era terrível!
E, no entanto, eu intuía que, se ela tivesse encontrado a fé, se tivesse
podido rezar, as coisas teriam corrido melhor. Mas ela não conseguia isso e
reagia muito mal à presença de um sacerdote. Comecei a ficar desesperado.
A minha mulher já não podia ficar sozinha em casa, tampouco cuidar do
nosso filho. Via à minha frente um futuro muito escuro.
Um sacerdote, caso raríssimo, disse-me que minha mulher podia ter uma
presença maléfica. Por acaso, soube que em Portugal havia duas mulheres que
curavam esse mal. Contra o parecer dos médicos e dos parentes, fui até lá. Aque-
las duas mulheres rezaram sobre a minha mulher e sentenciaram que se tratava de
possessão diabólica. O resultado daquelas orações foi incrível: pela primeira vez,
depois de tantos anos, a minha mulher dormiu uma noite inteira, um sono calmo e
repousado, sem nenhum medicamento. Sentia-se bem. Eu não acreditava nos meus
olhos quando a vi guiar o carro com segurança, na viagem de volta.
Tinham nos indicado algumas orações para rezar e, durante alguns dias, tudo
parecia ter voltado à normalidade. Mas, depois, o mal recomeçou. Com a ajuda

Novos relatos de um Exorcista 19
de um sacerdote, contatei finalmente um sacerdote exorcista. Estava cheio
de trabalho e marcou-nos uma entrevista para dali dois meses. Não vou
descrever as orações feitas durante os exorcismos e as péssimas reações da
minha mulher; mas, no fim de cada exorcismo, sentia-se de novo ela
mesma, plenamente curada. A cada recaída, o exorcista nos recebia
imediatamente e ensinou-nos como devía-mos nos defender de Satanás.
Os ataques tornaram-se cada vez menos frequentes. A minha mulher
reencon-trou o sorriso, a alegria de viver, de rezar, de tratar do nosso filho e
de retornar às boas amizades. Agora, é outra pessoa.
Gostaria de chamar a atenção para o fato de que o tal exorcista é auxiliado
por uma pessoa que tem o carisma de descobrir os objetos infestados
(falaremos disso no outro capítulo). Veio à minha casa e encontrou três. Creio
que o mal atingiu a minha mulher quando a avó invocou os espíritos na
presença dela: é perigosíssimo e as pessoas deveriam ser informadas disso. Será
possível que tantos sacerdotes consultados não soubessem nada destas coisas?
Nunca agradecerei o suficiente àquele exorcista! E que tremendos quinze
anos antes de chegar até ele! Parece estranho em um mundo onde o homem
já cami-nhou na Lua, em que se desenvolva um mundo de informática, de
eletrônica e de robótica, não se saiba nada de uma realidade, cuja existência
conhecemos há, pelo menos, dois mil anos.
Será justo deixar as pessoas sofrerem as penas do inferno, só porque já
não se quer acreditar na realidade das possessões diabólicas? Eu pergunto: a
Igreja forma um número suficiente de sacerdotes exorcistas? E todos os
outros sacerdotes são, ao menos, instruídos sobre estas verdades do
Evangelho? Será realmente necessá-rio que as pessoas se voltem para uma
massa de charlatões que se aproveitam do sofrimento para enriquecer?
Peço desculpa por este desabafo, mas creio que é necessário realçar uma
rea-lidade que tem sido votada ao esquecimento. E agradeço-lhe, ao bispo
por ter nomeado aquele exorcista que resolveu o nosso caso.”

O parecer de um conhecido teólogo francês
Creio que no pós- Concílio, talvez por reação aos impedimentos exagerados do
passado, os teólogos afirmaram coisas, muitas vezes, de maneira absolutamente
inoportuna, indicando como ouro puro aquilo que, quando muito, poderiam ser
meras hipóteses de estudo. Não há dúvida de que contribuímos para a debandada e
a confusão. Certamente, não pretendo generalizar: a obra de muitos deles foi

20 Novos relatos de um Exorcista
preciosa, quando souberam permanecer no meu próprio âmbito, sem
pretender invadir um magistério oficial que não lhes compete. Considero
útil referir o pensa-mento de um dos mais conhecidos teólogos franceses,
Henri de Lubac, com quem concordei inúmeras vezes.
“No início de dezembro de 1968, recusei me associar a uma declaração,
lan-çada pelos teólogos do grupo da revista Concilium, que me pareceu
absoluta-mente inconveniente e demagógica; e, além do mais, sem objeto:
na realidade, estes teólogos gozavam de toda a liberdade de expressão e
procuravam impor, de fato, a sua ditadura.
Eis o meu texto:
– Sempre fui contra manifestações através da imprensa. Apela-se a uma
opinião, na maioria das vezes, incompetente, que fascina facilmente e que,
em grande parte, não é cristã. Mais do que uma vez pude verificar os
inconvenientes de tal processo.
– No contexto atual, o procedimento parece-me duplamente inoportuno:
- Corre-se o risco de aumentar a perturbação e a agitação que
atualmente são sinal de degradação e não de vitalidade;
- As possibilidades que ainda restam, de uma verdadeira renovação na
Igreja, dependem de uma consciência mantida ou restabelecida da uni-
dade católica, que se afirma nos fatos. Antes de invocar, para si
próprios, liberdade e garantias suplementares, mesmo que legítimas, os
teólogos têm o dever, nas circunstâncias atuais, de defender e promover
esta uni-dade. Isso faz parte, em primeiro lugar, do seu dever de pregar a
Palavra opportune et importune. De outra maneira, procedendo de modo
unilate-ral, entram no círculo das reivindicações.
– Para expressar todo o meu pensamento: demasiados fatos mostram que a
pluralidade das escolas teológicas está hoje, realmente ameaçada por todo o
tipo de pressão, de propaganda, de intimidações e de exclusivismos que não são
pro-venientes da autoridade legítima. Ao ver tudo o que se faz, fui me
convencendo de que a liberdade de ação do Magistério na Igreja é incomodada
mais seriamente do que a liberdade de expressão dos teólogos que a reclamam.
Por fim, uma pergunta: antes de recorrer a tal modalidade de declaração
cole-tiva e de manifesto, estes teólogos propuseram às instâncias
competentes, com a deferência e a liberdade requeridas, um plano de
reforma ou de reorganização sobre os pontos a que dão tanta importância?”
(Fonte: 30 Giorni, julho de 1990, p. 48)

Novos relatos de um Exorcista 21
Um freio à invasão dos médicos charlatões
Com este título, o professor Silvio Garattini, diretor do Instituto Mário
Negri, publicou no Corriere Medico, em novembro de 1991, um
comunicado lacônico e esclarecedor. Os exorcistas também estão de acordo
com os médicos em quere-rem desmascarar os charlatões.

“O charlatanismo no campo médico nunca foi crescente e ousado como
ulti-mamente. Basta ligar a televisão para encontrar – e não somente nas
televi-sões abertas – algum mago, paranormal-terapeuta, parapsicólogo ou
curador, falando de doenças e do melhor modo de curá-las.
O atrevimento destes indivíduos não tem limites: com exceção do tumor –
ao menos até agora –, tudo está ao alcance das faculdades terapêuticas deles:
das tromboses às artrites, do diabetes à dor ciática. Com incrível cara-de-pau,
respon-dem às perguntas de complacentes entrevistadores ou de telespectadores
através do telefone, muitas vezes conduzidos; e, tudo isso, sem que nunca
apareça, em parte alguma, a informação de que se trata de publicidade paga.
Para se precaver contra eventuais contestações, a presença de um médico, que
está sempre de acordo, tende a tranquilizar as audiências sobre a legitimidade das
intervenções. A lista dos resultados continua na publicidade dos jornais e das
revistas, integradas pela promoção de um longo repertório de produtos que vai
desde os remédios para emagrecer a base de alimentos naturais, às hidromassa-
gens, às ervas, aos numerosos preparados anticelulite e contra a calvície.
Se este martelar publicitário aumenta, certamente é porque muitos caem na
esparrela, com todas as consequências, resultando: despesas inúteis, mas, sobre-
tudo o risco de perder tempo e o de não ser tratado quando, pelo contrário, a
medicina oficial poderia fazer alguma coisa. Quem tiver um mínimo de bom senso,
pode perguntar a si mesmo se lhe será lícito continuar a enganar o próximo.
E o que faz o nosso Ministério da Saúde? Alguma vez já se ouviu a sua
voz? Não deveria procurar defender os cidadãos? E a Ordem dos Médicos
da Itália? Não poderia expulsar da sua lista os médicos que se prestam a
intervenções que vão contra as regras da boa prática da medicina? São
perguntas que há muito tempo esperam uma resposta; mas, talvez, não seja
popular tomar uma decisão voltada ao interesse da saúde pública!”.

22 Novos relatos de um Exorcista
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Combatentes de São Miguel Arcanjo

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