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A APRENDIZAGEM DE GEOMETRIA POR MEIO DE JOGOS MATEMÁTICOS

Shirlene Aparecida Sonni Pupio
Professora da Rede Pública do Estado do Paraná
Professora do Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE
sspupio@yahoo.com.br

Dra. Ana Márcia Fernandes Tucci de Carvalho
Departamento de Matemática – UEL
peresbi@yahoo.com.br

Resumo

Diante de todos os obstáculos apresentados nas relações do ensino
contemporâneo, faz-se necessário adotar recursos e metodologias que facilitem a
captação do aprendizado. Nesse sentido, os jogos matemáticos se manifestam
como um instrumento relevante para tal intento. Trata-se de uma maneira
diferenciada para o aluno apreender os postulados matemáticos, sedimentando de
maneira sólida e eficaz seus conhecimentos. Permite, ainda, a concentração, a
organização e desenvolvimento de senso crítico, a socialização e o aperfeiçoamento
de raciocínio lógico. Do ponto de vista didático, utilizar jogos possibilita o
desenvolvimento de aulas com maior índice de interesse por parte dos alunos, por
serem mais agradáveis e atrativas, como demonstrado no corpus deste trabalho, o
qual foi realizado em uma escola pública do Estado do Paraná, desenvolvido com
alunos cursando o oitavo ano do Ensino Fundamental.

Palavras-chaves: Jogos Matemáticos. Geometria. Ensino Fundamental. Raciocínio
Lógico.

1 Introdução

É notório que os professores estão enfrentando desafios cada vez
maiores com o intuito de trabalhar os conteúdos vinculados aos conhecimentos
específicos com os aluno, principalmente por meio da utilização de métodos
tradicionais, não seria diferente no caso específico da disciplina de Matemática.
Resta, então, aos professores procurarem despertar nos alunos o gosto pelos
estudos, buscando alternativas que possibilitem o acesso ao conhecimento de forma
abrangente, o que quase sempre é bastante difícil, uma vez que os professores
competem diretamente com muitos atrativos, num mundo globalizado e cada vez
mais eletrônico e computadorizado.
As dificuldades enfrentadas pelos professores atingem de forma
direta o professor da disciplina de matemática, uma vez que o apropriamento de
suas técnicas para compreensão de seu conteúdo exige disciplina (método) e

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como discutiremos a seguir. ambos em âmbito nacional. neste contexto. buscar novos caminhos. encontrar diferentes alternativas para tarefas variadas. refletir. é preciso inovar.concentração. como maneira não apenas de motivar o interesse dos estudantes. uma vez que possibilitam que os alunos passem a questionar. abriu-se espaço para a implementação dessa nova metodologia de ensino. Os professores têm à disposição um documento oficial que são os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) para o Ensino Fundamental e Médio. mas também como método para trabalhar conteúdos específicos torna-se um recurso eficaz e prazeroso. Este projeto contribuiu para o desenvolvimento do nosso educando e desenvolveu vários conceitos matemáticos de uma forma criativa e significativa e. os jogos matemáticos em uma turma de alunos de uma escola da rede pública. proporcionou atitudes positivas em relação ao seu aprendizado. possibilidades visando uma nova maneira de indicar o saber. sendo atrativos. ou seja. instigantes. possibilitando uma aprendizagem mais efetiva. estabelecer novas relações. ainda. incessantemente. o professor de matemática procura. é per si um instrumento de ensino. ampliam a visão do nosso aluno. que 721 . Sendo que se pode destacar a utilização. percebe-se que as aulas tradicionais não apresentam grandes resultados. considerando as dificuldades apresentadas pelos alunos da 7ᵃ série (8° ano) frente aos conteúdos trabalhos no tópico de Geometria como conteúdo disciplinar específico. 2 Utilização de Jogos para o aprendizado de Matemática O ensino de matemática tem passado por mudanças. por meio de diferentes metodologias. Portanto. De acordo com as avaliações do SAEB e/ou do Pisa. Assim. A utilização desse mecanismo não tem por finalidade apenas a descontração. introduzir jogos matemáticos educativos em sala de aula. pois não atingem os mínimos índices. Neste sentido. onde os conteúdos pertinentes às séries são trabalhados e elaborados. sair da mesmice. dos jogos matemáticos. Dessa forma. uma vez que possuem características que capturam o aluno aprendiz na realização das tarefas. os conhecimentos matemáticos e o desempenho dos alunos no Ensino Fundamental está abaixo do desejado. levantar hipóteses.

o que estimula o planejamento das ações.] Esse interesse natural pelo jogo já é concebido no senso comum.. pelo fato de o aluno já se sentir estimulado pela proposta de uma atividade com jogos e estar durante todo o jogo envolvido na ação. pois permitem que estes sejam apresentados de modo atrativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução e busca de soluções.” A aquisição de conhecimento matemático pode ser construída por meio dos jogos. e ainda que “a palavra jugar (do latim iocari) significa fazer algo com o espírito de alegria e com a intenção de se divertir ou de se entreter. Uma das maiores dificuldades da inserção de jogos em sala de aula é o despreparo dos professores. conforme coloca ORTIZ (2005. é necessário o processo de intervenção pedagógica a fim de que o jogo possa a ser útil à aprendizagem. participando. os jogos matemáticos. 7) descrevem que “jogo provém de locus. É necessário fazer mais do que simplesmente jogar um determinado jogo.22) O jogo tem acompanhado o ser humano desde sua existência. isto garante a aprendizagem. rapidez. p. passatempo”. graça. conforme salienta CAWAHISA E PAVANELLO 722 . PEREIRA e CARVALHO (2007. p. 9) “O jogo está intimamente ligado à espécie humana. que significa brincadeira. mas para que ocorra o aprendizado o professor deverá estar atento. Complementando a ideia. Propiciam a simulação de situações-problemas que exigem soluções vivas e imediatas. Entretanto. principalmente para os adolescentes e adultos. por isso desperta a sua atenção e interesse. jogando. A atividade lúdica é tão antiga quanto a humanidade”.. p. diversão. ao seu preparo teórico e prático. (PCN. Os Parâmetros Curriculares Nacionais enfatizam a importância de outras metodologias entre elas. GRANDO (2004. apontando: Os jogos constituem uma forma interessante de propor problemas. 1998. O interesse está garantido pelo prazer que esta atividade lúdica proporciona. entretanto.orienta sobre a prática pedagógica e a utilização de novas alternativas que possibilitem a melhoria da aprendizagem. alguns professores acreditam que. p. frivolidade. 24-25) salienta que [.

simetria e a distinção entre raio e diâmetro fossem abordados. Possuindo ainda uma sala de apoio e uma sala de recurso com o intuito de melhorar o aprendizado. por meio dos jogos o professor é capaz de despertar o interesse dos alunos pela Matemática e levá-lo à aprendizagem. como defendem Cawahisa e Pavanello (2010) ao afirmar que “Um aspecto fundamental da utilização dos jogos nas aulas de Matemática se encontra nas possibilidades que este recurso oferece para aproximar a criança do conhecimento científico [. este último.1 RESTA UM O RESTA UM é um jogo composto de um tabuleiro com 33 cavidades e 32 peças para ocupar as cavidades. p. propriedades da soma dos ângulos internos dos quadriláteros. construído pelos próprios alunos em sala. com detalhamento. Discutiremos a seguir a aplicação de cada um dos jogos. a equipe pedagógica e professores na reunião pedagógica em julho de 2011.]”. sendo manhã. de forma relativamente breve. área e perímetro dos triângulos. de um colégio pertencente ao Núcleo Regional de Apucarana/ PR. bem como classificação dos triângulos quanto aos lados e quanto aos ângulos..(2010. organização e principalmente o raciocínio lógico. 122) “O conhecimento restrito que as docentes demonstram sobre os jogos e sua utilização em sala de aula de matemática impede até que esse jogar se torne um instrumento para o desenvolvimento integral do aluno”. o Sudoku e também o Traverse. O projeto foi apresentado à direção. por causa da limitação de espaço. disciplina. contendo aproximadamente 700 alunos e com funcionamento nos três períodos. tarde e noite. A aplicação dos jogos do Resta Um e do Sudoku trabalhou a concentração. Já o Traverse permitiu que os conteúdos matemáticos de medidas de comprimento. O objetivo do jogo é obter ao final a configuração 723 .. Os jogos trabalhados foram o Resta Um. quadriláteros e circunferência. Todavia. 3. 3 Descrição e análise das Implementações dos JOGOS O referido trabalho foi desenvolvido na 7ᵃ série.

com/2010/11/jogo- resta-um. os alunos foram incentivados para que se concentrassem para fazer as jogadas e não desanimassem caso não obtivessem o resultado esperado. p. fazer diferente nem sempre é sinônimo de fazer errado.] para jogar bem RESTA UM é necessário desenvolver a capacidade de concentração e perseverança”. sempre atento aos erros e acertos do seu colega. 724 . enquanto um jogava o outro observava. seus formatos e suas regras.. visando encontrar as regularidades existentes.. Esse trabalho favorece o exercício da observação como condição parar dominar melhor a estrutura do jogo. O jogo termina quando nenhuma peça disponível no tabuleiro puder ser pulada ou quando restar apenas uma. a origem.blogspot. os alunos receberam o jogo.html) Conforme coloca Macedo et al (2000) que “ [. Os alunos receberam as informações sobre o jogo RESTA UM em folha digitada que possibilitava aos alunos conhecerem a teoria. Figura 04 – Tabuleiro do Resta Um (http://gervasio010. é uma atividade muito rica. Em duplas. Além disso. que não é um adversário. mas apenas um jogador que apresenta uma situação que propicia o exercício da antecipação e do planejamento como condições para o jogador ter um bom desempenho. 83): Comparar os diferentes resultados e constatar semelhanças e diferenças entre diversas soluções de um mesmo desafio.do tabuleiro ficando apenas uma das peças sobre o mesmo ou o menor número de peças. Em outras palavras. por isso. como coloca Macedo et al (2000. convida os jogadores a perceber que sequências diferentes podem igualmente significar sucesso na solução do problema.

de maneira geral. no tamanho da grade. Foto 01 – Alunos jogando Resta Um (acervo pessoal) 3. concentração e observação aguçadas.16). Após descobrirem alguma estratégia. se mostrassem animados e interessados. p. alguns outros fechavam (bloqueavam) futuras jogadas obrigando o adversário a terminar com muitas pedras.2SUDOKU O SUDOKU é um jogo composto pó um cartão com 81 quadrados dispostos em uma grade 9x9. supostamente o 725 . aumentando ou diminuindo o grau de dificuldade do jogo. nas formas. não podendo ocorrer repetição desses números em nenhuma linha. eles ficavam ansiosos para jogarem novamente e tentarem mudar a jogada. O SUDOKU é um jogo solitário. Conforme indica o editorial da Revista do Professor de Matemática (2006. o número de peças que sobrava era reduzido. pois. utilizando os algarismos compreendidos de 1 a 9. O objetivo do jogo é preencher todos o tabuleiro de 81 quadradinhos. coluna ou quadradinho 3X3. Há controvérsias sobre a invenção deste jogo. Embora tenhamos utilizado esta versão ‘clássica’ do SUDOKU. o qual exige raciocínio lógico. Toda esta participação fez com que os alunos. alguns alunos perceberam a necessidade de estudar as jogadas. No desenvolver do jogo os alunos começaram a perceber que se jogassem de ‘determinada maneira’. há atualmente outra variações. sendo que cada grade é subdividida em 09 grades menores de 3x3. nos objetivos.

p. 2006. que em japonês significa “os dígitos devem permanecer únicos”. para que eles confeccionassem o SUDOKU padrão. discutiram muito acerca de qual algarismo poderia ou não ser colocado em cada posição e porque poderia ou não ser colocado. segundo NINA (2007. continua sendo publicado diariamente. a professora apresentou um quadro de alumínio com um Sudoku com medidas de 55 cm x 55 cm e as peças (números) foram fixadas com imã (conforme foto). 726 . criada por um arquiteto aposentado de 74 anos de idade Howard Garns que era construtor independente de puzzles. Copiaram a disposição numérica proposta pela professora na placa de alumínio e iniciaram as atividades. por meio de questionamentos realizados pela professora. Para iniciar as atividades com os alunos. A popularização do jogo. com alguns aperfeiçoamentos no nível de dificuldades. 16).2) somente ocorreu em 1984. (Revista do Professor de Matemática. por meio desta placa foi possível Foto 04 – Quadro de SUDOKU (acervo pessoal) Foi entregue aos alunos papel quadriculado. Dois anos após sua implementação. Os alunos se interessaram em jogar. quando uma grande empresa japonesa percebeu o potencial do mesmo. tornou-se popular entre o povo japonês. o SUDOKU não emplacou até que um juiz neozelandês aposentado de Hong Kong. ao realizar estudos com os quadrados mágicos. em pouco tempo entenderam e começaram a colocar os números. em uma revista americana. para o The New York Times. o SUDOKU surgiu no final dos anos 1970. No entanto. convenceu o jornal Times de Londres a publicá-lo. imputando o nome SUDOKU. p. alguns apresentavam maior facilidade.SUDOKU foi inventado por Leonhard Euler (1707-1783) no século XVIII. No ocidente. o que ocorreu em novembro de 2004. Desde então. pois apresentam características semelhantes entre si.

bem como. a princípio. há um diferencial na utilização dos jogos como estratégia metodologia. Foto 05 – Aluno preenchendo o SUDOKU (acervo pessoal) 727 . Ou seja. Vale a pena destacar um fato ocorrido na sala de aula na qual foi implementado o projeto. foi até a professora mostrar a sua cartela e fazer alguns questionamentos. estabeleceu-se uma competição acirrada entre os estudantes! Com a intervenção. que pela primeira vez. que era aluno da própria professora PDE no ano de sua reprovação. os outros dois SUDOKU da aula em questão. que também foram resolvidos. Notório foi a efetiva participação de todos e ainda o auxílio/colcaboração entre eles. Havia nessa sala um único aluno repetente. levantou da sua carteira. permitindo-se a sensibilização de alunos. Um dos alunos da turma que sempre demonstrou facilidade e interesse nas aulas. porque a maioria dos outros havia entendido e estava preenchendo as cartelas. ‘mais desmotivados’. de fato. até se irritou!. Foi preciso a intervenção da professora pedindo calma e solicitando aos estudantes que tinham entendido as regras que auxiliassem os colegas. não conseguia entender o processo do jogo. existe a possibilidade de obter uma participação mais efetiva dos estudantes. A maioria da turma realizou as atividades propostas. que. muito perguntou. deram continuidade as suas jogadas. questionou. mostrando uns aos outros as possibilidades para se completarem as cartelas. Essa situação demonstrou à professora que valia apena trabalhar de maneira diferenciada.

dois losangos (de lado 2 cm) e dois triângulos equiláteros (de lado 3 cm). Cada conjunto de peças é composto por dois círculos (de raio 1 cm). O jogo TRAVERSE é composto por um tabuleiro quadrado – podendo ser confeccionado. 7) SILVA E KODAMA (2004) apresentam o TRAVERSE sem muita informação sobre sua origem ou a sua história. 2004. com 30 cm de lado e subdividido em 100 quadradinhos de 3 cm de lado – 4 conjuntos de peças de cores distintas – confeccionadas em papel cartão. dois quadrados (de lado 2 cm). qual seja. Conforme figura abaixo: Figura 09 – Tabuleiro do TRAVERSE – (SILVA E KODAMA. em cartolina americana. atravessar de um lado ao outro a extensão do tabuleiro. Podemos dizer que o a palavra TRAVERSE corresponde ao movimento que as peças do tabuleiro devem realizar. 728 . 2004). sabe-se que seus direitos autorais pertencem à Glacier Games Company (EUA. por exemplo. de acordo com o formato da peça e o posicionamento das mesmas no tabuleiro.3 TRAVERSE Após as atividades com o RESTA UM e o SUDOKU iniciou-se o trabalho efetivo com o TRAVERSE (Silva e Kodama. 1991) e no Brasil é comercializado pela UNICEF. Esta movimentação das peças atende à regras específicas. p.3.

sendo uma figura para cada aluno. sempre efetuando os cálculos envolvidos nas atividades. quanto aos lados. cada jogador ocupando um dos lados do tabuleiro. dois triângulos equiláteros verdes de 3 cm.bem como deve considerar as posições das peças do adversário. cada dupla ficou com quatro pedaços de cartolina de cores diferentes e acompanhando os passos da professora. dois losangos rosa com 2 cm de lado e 2 círculos azul com raio de 1 cm. destacando-se as regras e os recursos que seriam utilizados. construíram dois quadrados vermelhos de 2 cm x 2 cm. aos ângulos. criatividade e estratégias de ação por parte dos participantes no desenvolvimento das jogadas. Em nosso entender. um para cada aluno. a decomposição do quadrado em triângulos retângulos. a soma dos ângulos internos do quadrado e do triângulo retângulo e ainda. os ângulos reto (90°) e de 45°. Foto 07 – Exercício efetuado por aluno (acervo pessoal) Explorou-se. também em relação à figura plana ‘quadrado’. reforçando conceitos básicos. Um texto contendo todas as informações básicas sobre o jogo foi entregue aos alunos. Aproveitando a oportunidade. Com explicações no quadro negro. Num primeiro momento de confecção do jogo. O jogo termina quando um jogador conseguir chegar com suas oito peças no lado oposto do tabuleiro. 729 . foram realizadas questões referentes à simetria da figura com relação aos eixos centrais e diagonais. elem de requerer habilidade. o TRAVERSE auxilia o trabalho com os conteúdos específicos de geometria. sobraram dois quadradinhos. o seu perímetro e a sua área. já então foram reforçados os conceitos sobre o quadrado. O jogo pode ser jogado em duplas ou em quartetos.

Este momento. houve resistência dos alunos. principalmente no cálculo do ponto médio da reta de 2 cm. alguns alunos trouxeram o compasso. auxiliassem e incentivassem alguns. deixando um compasso em bom estado para cada dupla. sem ponta ou com a ponta seca estragada. Observou-se que por usarem pouco o compasso.11 – Cálculos realizados pelos alunos (acervo pessoal) 730 . Durante a confecção das peças. reclamaram. alguns nunca haviam manejado o instrumento anteriormente. desenvolviam as atividades que eram o cálculo da área e o perímetro de cada uma delas. desanimaram da atividade. o que demandou que a professora. estabelecendo-se. novamente causado pelo uso do compasso. trabalharam-se as outras figuras geométricas: triângulo. um clima de colaboração uns com os outros. mas a professora pediu que usassem o compasso assim os alunos poderiam desenvolver a habilidade de trabalhar com este instrumento. juntamente com os alunos que já tinham construído o seu losango. Os alunos apresentaram muitas dificuldades no uso do compasso. Fotos 09. no entanto. A reta poderia ter sido construída com a régua. além das dificuldades mencionadas. Faltando alguns minutos para encerrar a aula. porque sempre os alunos reclamam das aulas de matemática e. losango e o círculo. Na aula seguinte. a que apresentou maior dificuldade foi o losango. acarretou um misto de satisfação e estranheza da professora.10. enfim. que queriam continuar com a atividade e não deixar a sala de aula. ali manifestaram o desejo de continuar a atividade. Por eles estarem em duplas. o problema foi contornado. mas os mesmos encontravam-se frouxos. Os alunos colocavam uma figura por vez.

731 . não deu tempo prá nada”. agitado e impaciente. irem até outros colegas. já acabou a aula?. também o “enxergar” do outro lado e inverter a figura. Assim. houve muita discussão em torno das regras. os estudantes tiveram liberdade para discussão. reiniciarem as partidas. enfim. fazerem questionamentos. que quando ouviu o sinal. muitas dúvidas foram sanadas. mesmo antes da efetivação da proposta. sobre ‘simetria’ e classificação de ângulos em triângulos. por exemplo. destaca-se a de um aluno M. muitas oportunidades de aprendizado surgiram. Além da dificuldade em trabalhar com o régua. cada dupla fez suas jogadas. a professora deixou-os muito a vontade para levantarem. muitas atividades envolvendo conteúdos de geometria plana puderam ser retomados. Foram realizadas várias atividades propostas por Silva e Kodama (2004) e algumas atividades complementares também foram exploradas nesse trabalho. disse sorrindo: “Nossa. jogar o TRAVERSE. Foto 12 – Alunos jogando TRAVERSE (acervo pessoal) Ocorreu nessa aula grande participação. principalmente nos exercícios de simetria com reta horizontal e reta oblíqua. Após o início do jogo. Pudemos detectar as dificuldades enfrentadas pelos alunos. foram problemas detectados.

foi exposto no pátio da escola. mas declararam-se extremamente felizes e satisfeitos. os alunos encontravam-se exaustos. Os alunos já sabiam da possibilidade do trabalho se encerrar com uma exposição. Muito educativo a exposição. o resultado do trabalho dos alunos. pensativo e muito desenvolvido. os jogos exige muito raciocínio. após apresentarem para todas as turmas. empolgação e a totalidade se dispôs a participar. aprendi bastante”. (05/12/2011) Aluno 2 – “O projeto do PDE da minha professora foi muito criativo. eu aprendi muito com isso”. por fidelidade aos dados coletados. Ressaltamos alguns depoimentos dos alunos participantes do projeto (aqui. é um trabalho que faz bem para a memória. Figura 03 – Atividade realizada por aluno (acervo pessoal) 3. Vale ressaltar que se mostraram também apreensivos ao expor e explicar para todo o colégio as tarefas que haviam realizado. (05/12/2011) 732 . foi um sucesso. o que causou entusiasmo. mas também foi muito difícil. juntamente com outras duas professoras PDE em projeto de educação física e ciências. No período da tarde. é um modo muito legal de aprender matemática com os jogos. não fizemos nenhuma alteração/correção nas palavras dos estudantes participantes do projeto): Aluno 1 – “O PDE é um projeto muito bom.4 A Exposição para a Escola Após o desenvolvimento de todas atividades.

Após meses de estudo e pesquisa. outros apreendidos. Foi uma experiência agradável. de maneira geral. como ressalta 733 . acessível e agradável. planejamento. as atividades desenvolvidas possibilitaram que muitos conceitos matemáticos fossem revistos. outros introduzidos. muitos conteúdos foram abordados. todos eles concordam que estes se constituem em recurso importante.] usam os jogos como recursos para promover a aprendizagem significativa dos conceitos matemáticos. para alcançar diferentes objetivos em sala de aula. Como afirmam os autores. os jogos são pouco utilizados pela insegurança e falta de preparo dos professores. 114). embora não único. ao estabelecerem que Embora diferentes autores possam ter diferentes concepções sobre “jogos nas aulas de matemática”. (05/12/2011) Os alunos. Nem percebíamos o tempo da aula de matemática passar”. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para iniciarmos estas considerações. algumas constatações como: os jogos matemáticos podem-se tornar as aulas mais dinâmicas. Aluno 3 – “O projeto da professora me deu um incentivo para usar o raciocínio lógico. os alunos manifestam grande interesse pela disciplina por este meio. Os alunos resolveram as atividades propostas com entusiasmo. apresentam dificuldades para expressarem as suas opiniões. de maneira simples. observação entre pares. pelos depoimentos acima. participação. porém. participativas e colaboram para facilitar a aprendizagem. discutidos e as dúvidas foram esclarecidas. reportamo-nos a MOURA (apud Cawahisa e Pavanello . cooperação uns com os outros. Mesmo sendo uma das tendências citadas no PCN. [. Todas as atividades estiveram imbuídas da aprendizagem do ensino da matemática. p. puderam ser observadas. 2010. principalmente nas de matemática nas séries iniciais. exigindo a preparação do professor que aplicará a atividade. existe o risco do conflito em disputas. é possível perceber o envolvimento pelos participaram desse projeto. durante todo processo.. 4.. anseios. desgostos.

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