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EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA PRESIDENTE DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL

PATRUS ANANIAS DE SOUSA, casado, Advogado e Deputado Federal
por Minas Gerais, integrante da bancada do Partido dos Trabalhadores - PT, portador do
RG nº M-889.329/MG, inscrito no CPF sob o n.º 174.864.406-87, com endereço na
Câmara dos Deputados, Anexo IV, Gabinete 720, Brasília/DF, CEP: 70.160-900, e-mail:
dep.patrusananias@camara.leg.br, tel: 61-3215-5720, por seu advogado que esta
subscreve, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no
art. 5º, LXIX, CR, impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA

o que faz em razão das condutas praticadas pelo PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
pelo PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, pelo PRESIDENTE DA
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA DA
CÂMARA DOS DEPUTADOS e pelo PRESIDENTE DA COMISSÃO
ESPECIAL. O Presidente da República poderá ser notificado na ADVOCACIA-
GERAL DA UNIÃO, com endereço no Setor de Autarquias Sul - Quadra 3 - Lote 5/6,
Ed. Multi Brasil Corporate – 13º andar - Brasília-DF - CEP 70.070-030. As demais
autoridades poderão ser notificadas na Câmara dos Deputados - Praça dos 3 Poderes,
Brasília - DF, CEP: 70160-900, em razão dos argumentos de fato e de direito a seguir
expostos.

I - DOS FATOS

Em 05/12/2016, o Presidente Michel Temer, na qualidade de Chefe do
Poder Executivo, encaminhou ao Poder Legislativo a Proposta de Emenda Constitucional
nº 287/2016, também chamada de “PEC da Previdência”, que altera substancialmente os
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artigos 37, 40, 109, 149, 195, 201 e 203 da Constituição da República.

Dois dias após, a PEC foi recebida na Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania da Câmara dos Deputados - CCJC, e designado o Deputado Federal Alceu
Moreira (PMDB-RS) como relator. Este, no dia 08/12/2016, apresentou parecer sobre a
admissibilidade da PEC, nos seguintes termos:

“Examinando seu conteúdo, vemos que não há qualquer atentado à
forma federativa de Estado; ao voto direto, universal e periódico; à
separação dos poderes e aos direitos e garantias individuais. Foram,
portanto, respeitadas as cláusulas pétreas expressas no art. 60, § 4º da
Constituição Federal.
Particularmente quanto à tutela dos direitos e garantias individuais (CF,
art. 60, § 4º, IV), cumpre destacar a marcada preocupação da proposta
em preservar os direitos adquiridos e proteger as expectativas de direitos
dos segurados, estabelecendo um amplo conjunto de regras de transição.
Como afirma o Ministro da Fazenda na justificação, “a proposta de
Emenda não afeta os benefícios já concedidos e os segurados que,
mesmo não estando em gozo de 13 benefícios previdenciários, já
preencheram os requisitos com base nas regras atuais e anteriores,
podendo requerê-los a qualquer momento, inclusive após a publicação da
presente Emenda. No mesmo sentido, estão previstas amplas e
protetivas normas de transição, as quais serão aplicáveis sempre para
homens que tenham 50 anos ou mais, e mulheres que tenham 45 anos ou
mais, na data da promulgação da Emenda, em todos os casos. Assim, as
expectativas dos segurados com idades mais avanças são consideradas na
proposta da Emenda”. Dentre as inúmeras disposições protetoras
contidas no texto em análise, os arts. 5º, 14 e 18 se destacam como os
principais dispositivos que veiculam essas normas de garantia dirigidas,
respectivamente, aos servidores públicos e ao Regime Geral da
Previdência Social.
De outra parte, a proposta mostra-se consentânea com os princípios
constitucionais da reserva do possível e da proteção do mínimo
existencial, conforme desenvolvidos pela jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal (STF) a partir de disposições como os arts. 1º, III, e 3º,
III da Constituição Cidadã. Com efeito, o quadro demográfico brasileiro
atual, marcado pelo envelhecimento populacional, pela queda na taxa de
fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida, impõe uma severa
carga sobre o sistema público de seguridade social, pondo em causa a
aptidão do Estado de prover direitos básicos da população, notadamente
os previstos no art. 194 da Constituição Federal. A proposta em exame
tem o mérito de efetuar ajustes que permitem atender à capacidade
financeira do Estado, respeitando-se a continuidade de uma atividade
pública essencial, ao mesmo tempo que buscam ao máximo preservar o
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“mínimo existencial” – esse “complexo de prerrogativas cuja
concretização revela-se capaz de garantir condições adequadas de
existência digna, em ordem a assegurar, à pessoa, acesso efetivo ao
direito geral de liberdade e, também, a prestações positivas originárias do
Estado, viabilizadoras da plena fruição de direitos sociais básicos” (STF,
ARE 639.337 AgR, Min. Celso de Mello, 23/08/2011). O equilíbrio
entre esses dois importantes valores constitucionais é, portanto, o
resultado obtido.
Não estão em vigor quaisquer das limitações circunstanciais à tramitação
das propostas de emenda à Constituição expressas no § 1º do art. 60 da
Constituição Federal, a saber: intervenção federal, estado de defesa ou
estado de sítio. O País vive hoje um quadro de completa normalidade
institucional e democracia florescente.
Não há vício de inconstitucionalidade formal ou material na proposta,
bem como foram atendidos os pressupostos constitucionais e
regimentais para sua apresentação e apreciação. Finalmente, quanto à
redação e técnica legislativa, cabe apontar que a proposta emprega ora a
data de sua promulgação, ora a data de sua publicação como termo
inicial de seus efeitos. Há também incongruências nas remissões feitas
por alguns artigos a outros dispositivos da PEC, o que pode prejudicar
seriamente a compreensão do sentido do texto. Essas contradições,
entretanto, serão melhor sanadas por ocasião do debate do mérito, na
Comissão Especial de que trata o art. 202, § 2º do Regimento Interno da
Câmara dos Deputados. Diante do exposto, manifestamo-nos pela
admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição nº 287, de 2016.”

Posteriormente, na madrugada do dia 15/12/2016, em uma sessão
conturbada, após a rejeição de vários pedidos de retirada de pauta, a CCJC da Câmara dos
Deputados aprovou o parecer supracitado, admitindo a proposta.
O texto foi encaminhado para a Comissão Especial, criada em 9/2/17.
Contudo, verificou-se que a PEC nº 287/2016 não foi instruída com o prévio estudo
atuarial, com desrespeito a formalidade processual legislativa estabelecida nos artigos 40 e
201 da Constituição da República de 1988.
Senhores Ministros, em razão do vício formal aqui apontado, já no âmbito
da CCJC, o Impetrante foi alijado de informações necessárias ao exercício do mandato;
indispensáveis à análise da razoabilidade, proporcionalidade e constitucionalidade das
propostas restritivas de direitos fundamentais da classe trabalhadora, apresentadas à
Câmara dos Deputados por meio da PEC nº 287/2016.

Tampouco os Deputados que compõem a Comissão Especial, criada para a
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emitir parecer sobre o mérito das proposições contidas na PEC nº 287/2016, terão
condições de avaliá-la e votar a matéria.

O Impetrante integra a Comissão de Constituição de Constituição e Justiça
e de Cidadania da Câmara dos Deputados e votou pela rejeição da PEC Nº 287/2016.

Por essa razão, tornou-se necessário provocar a tutela desse Supremo
Tribunal Federal, para determinar a correção do vício formal que maculou o processo
legislativo em seu nascedouro.

II – DO ATO ILEGAL E ABUSIVO

Da Nulidade do Processo Legislativo

A proposta altera os arts. 37, 40, 109, 149, 167, 195, 201 e 203 da
Constituição, para dispor sobre a Seguridade Social, estabelecer regras de transição e dar
outras providências, modificando profundamente o Regime Geral e o Regime Próprio de
Previdência Social. Ao texto da emenda foi anexada a EMI nº 140/2016 MF.

Ao contrário do mero aperfeiçoamento das regras existentes, trata-se de
alteração substancial do Sistema de Seguridade, com agravamento das condições para o
gozo de aposentadorias e pensões, e de drásticas reduções em benefícios assistenciais;
direitos fundamentais necessários à efetividade da cidadania e que estão sendo violados
em seu núcleo essencial, daí a razão pela qual as formalidades para o protocolo e
tramitação se mostram imprescindíveis.

Entre as formalidades exigidas para o adequado processo legislativo está o
prévio estudo atuarial, que confirme a necessidade das modificações propostas, a pretexto
de preservar o equilíbrio dos regimes e da própria Seguridade Social e do Regime Próprio.
Esse documento não acompanhou a exposição de motivos anexa à PEC 287/2016 (EMI
nº 140/2016 MF).
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A mencionada PEC cria critérios para a aposentação desconectados com a
realidade brasileira, tais como a exigência de elevada idade e excessivo tempo de
contribuição para o gozo de aposentadoria integral, em razão das desigualdades regionais
do país; a redução da proteção conferida aos trabalhadores expostos a agentes nocivos à
saúde, professores e rurícolas; e a concessão de pensão por morte e de benefício
assistencial com valor inferior ao salário mínimo.

Segundo a apresentação do Sr. Marcelo Abi-Ramia Caetano, titular da
Secretaria de Previdência, em entrevista oficial coletiva, a reforma foi embasada no
“aumento da expectativa de vida da população” e na “fragilidade financeira” do sistema.

Não obstante a complexidade do objeto, o governo pretende aprovar a
proposta a “toque de caixa”, sem o necessário debate e sem que apresentados estudos
técnicos que comprovem a existência do suposto déficit atuarial; condição formal para
aferir a constitucionalidade das alterações apresentadas para os Regimes Próprio e Geral,
contidas na PEC 287/2016; com flagrante inobservância às disposições dos artigos 1º, 40
e 201 da Constituição Federal de 1988, e artigo 1º da Lei 9.717, de 1998.

Na sequência, o Presidente da Câmara dos Deputados se omitiu quando
não devolveu o projeto ao Poder Executivo, dada a ausência de requisitos essenciais à
tramitação. O Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da
Câmara dos Deputados, por sua vez, conduziu a sessão que deliberou pela admissibilidade
da PEC nº 287/2016, com flagrante violação às regras mencionadas e ao princípio
democrático, porque foi criado um ambiente voltado apenas à formação de maiorias.
Observa-se a mesma conduta por parte do Presidente da Comissão Especial.

Muito embora o Presidente da Câmara tivesse o dever-poder para anular
atos de órgãos da Câmara dos Deputados, deu continuidade a processo legislativo viciado,
porque não instruído com documento essencial à análise da razoabilidade,
proporcionalidade e constitucionalidade das severas alterações contidas na PEC nº
287/2016. Consequentemente, todos os demais atos subsequentes são inválidos.
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Nesse ponto reside o âmago do direito líquido e certo do Imperante,
que se viu alijado do Poder conferido nas urnas pelo Povo brasileiro, para exercer
o controle preventivo de constitucionalidade, na condição de integrante da
Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.

Os artigos 40 e 201 da Constituição estabelecem que o Regime Próprio de
Previdência Social - RPPS e o Regime Geral de Previdência Social - RGPS observem
critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. Assim sendo, a mudança na
definição de requisitos como idade mínima, tempo de contribuição e de carências, bem
como os critérios de cálculo e reajuste de benefícios, deveriam estar justificadas em estudo
atuarial prévio.

Para o Regime Próprio, a exigência de estudo atuarial foi estabelecida no
artigo 1º da Lei 9.717, de 1998. Causa estranheza a dificuldade do governo para
apresentar o estudo que fundamentou o encaminhamento da PEC nº 287/2016,
considerando a exigência de “avaliação atuarial inicial e em cada balanço utilizando-se
parâmetros gerais, para a organização e revisão do plano de custeio e de
benefícios/serviços”.

Não se trata de mera orientação administrativa. O estudo atuarial é requisito
formal para a regularidade das condições previdenciárias em qualquer regime,
especialmente em se tratando de alteração constitucional.

O Ministro Marco Aurélio 1 foi muito claro quando invocou a dupla via
estabelecida pelo artigo 195, § 5º, da Constituição da República:

“[...] à regra segundo a qual nenhum benefício da seguridade
social poderá ser criado, majorado, ou estendido sem a correspondente
fonte de custeio total, correspondente à relativa exigibilidade de causa
eficiente para a majoração, sob pena de esta última discrepar do móvel que
lhe é próprio, ligado ao equilíbrio atuarial entre contribuições e benefícios,
implicando, aí sim, um adicional sobre a renda do trabalhador.”

1
STF. ADIN 790-4/DF. Pleno. Relator: Ministro Marco Aurélio. 26 de fevereiro de 1993. DJ 23.04.1993. p. 6918.
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As leis do RGPS e do RPPS estabelecem determinado “plano de custeio”
para um certo “plano de benefícios”, devendo haver entre eles estrita correlação de modo
que o sistema permaneça equilibrado atuarialmente no longo prazo.

Sucedeu que a PEC nº 287/2016 propôs profundas alterações nas regras de
elegibilidade e formas de cálculo dos benefícios, no RGPS e no RPPS sem, contudo,
demonstrar matematicamente o desequilíbrio do sistema de seguridade que fundamentaria
a redução da cobertura e o maior rigor dos critérios para o gozo de benefícios.

Nesse ponto, o estudo atuarial mostra-se indispensável ao pleno exercício
do mandato e à análise da PEC nº 287/2016, na medida em que a aferição da
razoabilidade, proporcionalidade e constitucionalidade da proposta somente poderia ser
aferida caso o processo legislativo contenha o estudo atuarial.

Ao não instruir a PEC nº 287/2016 com o estudo atuarial próprio, o Poder
Executivo apresentou proposta constitucionalmente inválida, com o que se manteve
conivente o Presidente da Câmara dos Deputados e o Presidente da Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.

O pretenso (e não equacionado) desequilíbrio atuarial do sistema
previdenciário é apenas afirmado na EMI nº 140/2016 MF, de 05/12/201613, item 1,
anexada à PEC nº 287/2016, por meio da qual o Exmº Ministro de Estado da Fazenda
faz alusão à necessidade de buscar o equilíbrio do sistema no longo prazo, bem como
apresenta proposta de reforma previdenciária ao Presidente da República, nos seguintes
termos:

1. [...] A realização de tais alterações se mostra indispensável e
urgente, para que possam ser implantadas de forma gradual e garantam o
equilíbrio e a sustentabilidade do sistema para as presentes e futuras
gerações. Como uma das razões da PEC apontadas pelo Ministério da
Fazenda, por sua Secretaria de Previdência, é a “fragilidade financeira” do
sistema, caber-lhe-ia apresentar os estudos atuariais que tenham apurado o
alardeado déficit atuarial e que, ao mesmo tempo, tenham lastreado as
propostas de alteração do sistema previdenciário contidas na PEC nº
287/2016.
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Assim, considerando que a Previdência (e a Seguridade Social) é
patrimônio público intangível da sociedade brasileira, e que nenhum benefício
previdenciário poderá ser criado, majorado ou ampliado sem a correspondente fonte de
custeio total, também é de se concluir que nenhum benefício previdenciário poderá ser
extinto, diminuído ou ter as suas regras de elegibilidade e forma de cálculo agravadas em
desfavor dos segurados do RGPS e dos RPPS sem que embasado em estudos que
apontem desequilíbrio e, ao mesmo tempo, fundamentem a proposição dos gravames.

Verifica-se a nulidade do processo legislativo de tramitação da PEC nº
287/2016, ab initio, ante a ausência do indispensável estudo de equilíbrio financeiro e do
estudo atuarial, o que acarretou sério prejuízo ao exercício do mandato e,
consequentemente, ao exercício do Poder conferido nas urnas pelo Povo brasileiro, tanto
no controle preventivo de constitucionalidade como na aferição da pertinência e
razoabilidade das proposições, no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania – CCJC e também no âmbito da Comissão Especial, constituída para a análise
de mérito.

Aliás, o governo imprime celeridade ao processo legislativo com o
propósito de formar maioria, à custa de cargos e participações no governo. Por mais esse
motivo o processo é nulo, porque desvirtuado o ambiente de discussão e de reflexão
sobre as proposições. Aliás, trata-se de fato público e notório, divulgado em rede
nacional pelo Ministro de Estado da Casa Civil, em evento realizado em São Paulo,
oportunidade na qual explicou como o atual governo constrói maiorias no Congresso
Nacional.

Nem sempre a formação de maiorias reflete uma decisão democrática. A
maioria configura apenas critério racional para legitimar o exercício do Poder. No entanto,
esse mesmo Poder também deve ser submetido ao controle das minorias, pois “o verdadeiro
democrata persegue a verdade, ainda que sustentada por apenas um homem.” i

Essa prática subverte o sistema, pois os parlamentares (Deputados) são
eleitos pelo voto popular para representar e defender os interesses do POVO. Não para
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aprovar as proposições governamentais, em uma barganha de alianças, transformando a
política em balcão de comércio partidário, e o voto do parlamentar em mercadoria 2.

O próprio governo admitiu a subversão do processo deliberativo no
Congresso Nacional! A toda evidência, essa atuação contraria o interesse público, pois
configura interferência indevida no exercício do mandato, em um processo onde se
constatam sérios prejuízos à democracia e à representação popular.

Também por essa razão, o processo legislativo aplicado à PEC nº 287/2017
é NULO!

III - DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO

Caso aprovada, a PEC nº 287/2016 reduzirá substancialmente a cobertura
do sistema de Seguridade Social. Por essa razão, o tema reclama um amplo e irrestrito
debate, não apenas em Plenário e nas Comissões, mas principalmente com a população
brasileira. Não basta encaminhar a proposta para votação, é crucial que os parlamentares
tenham a real possibilidade de verificar a veracidade e razoabilidade das justificativas, e
estejam abertos para compreender as efetivas consequências advindas das propostas.

A respeito, o art. 201 da Constituição é claro quando estabelece que o
equilíbrio (financeiro e atuarial) deve ser preservado, trazendo, com isso, parâmetros
mínimos para a apreciação da proposta:

Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de
regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória,
observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: [...]

Coerente com o dispositivo transcrito, o art. 40 dispõe que o equilíbrio,
financeiro e atuarial, deve ser observado no regime próprio de previdência, in verbis:

2
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/02/padilha-admite-escolha-de-ministros-em-troca-de-
votos-no-congresso.html
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Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e
fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e
solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos
servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.

É fundamental que os estudos elaborados para a “preservação” do
equilíbrio financeiro e atuarial instruam projetos de Lei ou Propostas de Emendas à
Constituição, que tenham por objeto a alteração do regime jurídico previdenciário (e da
Seguridade Social).

Assim, importante expor que o equilíbrio financeiro pode ser visto como
uma forma de balancear o quanto é arrecadado e o quanto é despendido em benefícios e
serviços previdenciários, ao passo que o equilíbrio atuarial se refere “à relação entre o total
das contribuições que determinado segurado faz para a previdência, considerando a contribuição de seu
empregador, com as despesas de seu futuro benefício”.

O professor e Mestre em direito previdenciário Fábio Zambitte Ibrahim 3
elucida que:
“Sucintamente, pode-se entender o equilíbrio financeiro como o saldo
zero ou positivo do encontro entre receitas e despesas do sistema. Seria,
pois, a manutenção do adequado funcionamento do sistema no
momento atual e futuro, com o cumprimento de todas as obrigações
pecuniárias, decorrentes de pagamentos de benefícios previdenciários.
Para tanto, o administrador do sistema previdenciário deve preocupar-se
com a garantia da arrecadação, evitando, de toda forma, flutuações
danosas ao equilíbrio de contas. Já o equilíbrio atuarial diz respeito à
estabilização de massa, isto é, ao controle e prevenção de variações
graves no perfil da clientela, como, por exemplo, grandes variações no
universo de segurados ou amplas reduções de remuneração, as quais
trazem desequilíbrio ao sistema inicialmente projetado.”

Em outras palavras, o estudo atuarial objetiva garantir a sustentabilidade do
sistema previdenciário.
De tão importantes, a Suprema Corte já reconheceu o equilíbrio financeiro

3
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. 15. ed. rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro:
Impetus, 2010.
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e atuarial como princípios constitucionais. Confira-se:

AGRAVOS REGIMENTAIS NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO
MUNICIPAL. REGIME PREVIDENCIÁRIO PRÓPRIO.
BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS CUSTEADOS PELO ERÁRIO
MUNICIPAL. PERÍODO ANTERIOR AO REGIME
CONTRIBUTIVO DA EMENDA CONSTITUCIONAL 20/98.
EXCLUSÃO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. FIXAÇÃO. 1. O regime
previdenciário do servidor público, com o advento da EC nº 20/98,
tornou-se eminentemente contributivo, que erigiu o equilíbrio
financeiro e atuarial à condição de princípio básico do sistema. 2.
In casu, trata-se de execução de contribuições previdenciárias relativas ao
período de agosto de 1993 a agosto de 1995, antes, portanto, da
instituição do regime previdenciário de cuja natureza se poderia deduzir a
obrigatoriedade de contribuição dos servidores segurados. 3. É cediço
que: a) o sistema previdenciário próprio exclui a aplicabilidade do regime
geral, quando instituída pelo Município a contribuição dos segurados; b)
o parágrafo único do art. 149 da Constituição (redação originária) previa
uma faculdade de instituição de contribuição previdenciária dos
servidores, e não uma imposição aos entes federados. (Precedente: ADI
2.024, Rel. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 22/06/07). 4. Agravo
regimental interposto pelo Município de Paranavaí. Fixação do ônus da
sucumbência. 4.1. A Fazenda Púbica, quando vencida, não impede a
aplicação do disposto no artigo 20, § 4º, combinado com o § 3º, alíneas
“a”, “b” e “c”, do Código de Processo Civil, fixando-se os ônus da
sucumbência com base no valor da causa. 5. In casu, o Juízo Federal de
Primeira Instância condenou a municipalidade no pagamento do ônus da
sucumbência no montante de R$ 300,00 (trezentos reais), em face do
valor dado à causa – R$ 2.000,00 (dois mil reais) – tendo em conta o
disposto no artigo 20, § 4º, do Código de Processo Civil 6. Desprovejo o
agravo regimental interposto pelo INSS e dou provimento ao agravo
regimental formalizado pela municipalidade, quanto à fixação do ônus da
sucumbência. (STF, RE 590714, Relator: Min Luiz Fux, julgado em
25/06/2013).

***

CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – SERVIDORES PÚBLICOS
ESTADUAIS – MAJORAÇÃO DE PERCENTUAL – CAUSA
SUFICIENTE – AUSÊNCIA. O disposto no artigo 195, § 5º, da Carta
da República, segundo o qual “nenhum benefício ou serviço da
seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a
correspondente fonte de custeio", homenageia o equilíbrio atuarial,
revelando princípio indicador da correlação entre contribuições e
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benefícios. Ausente causa suficiente da majoração do percentual, surge
o conflito da lei que a impôs com o texto constitucional. Precedente –
Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 790/DF, de minha relatoria,
julgada em 26 de fevereiro de 1993, Diário da Justiça de 23 de abril de
1993. (STF, RE 506067, Relator: Ministro Marco Aurélio, julgado em
03/02/2015)

***

RECURSO EXTRAODINÁRIO. DIREITO PREVIDENCIÁRIO.
REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). REVISÃO
DO ATO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO. DECADÊNCIA. 1. O
direito à previdência social constitui direito fundamental e, uma vez
implementados os pressupostos de sua aquisição, não deve ser afetado
pelo decurso do tempo. Como consequência, inexiste prazo decadencial
para a concessão inicial do benefício previdenciário. 2. É legítima,
todavia, a instituição de prazo decadencial de dez anos para a
revisão de benefício já concedido, com fundamento no princípio
da segurança jurídica, no interesse em evitar a eternização dos
litígios e na busca de equilíbrio financeiro e atuarial para o sistema
previdenciário. 3. O prazo decadencial de dez anos, instituído pela
Medida Provisória 1.523, de 28.06.1997, tem como termo inicial o dia 1º
de agosto de 1997, por força de disposição nela expressamente prevista.
Tal regra incide, inclusive, sobre benefícios concedidos anteriormente,
sem que isso importe em retroatividade vedada pela Constituição. 4.
Inexiste direito adquirido a regime jurídico não sujeito a decadência. 5.
Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF, RE 626489, Relator:
Min.: Roberto Barroso, julgado em 16/10/2013).

No entanto, em que pese sua importância, a PEC 287/2016 tramita sem
que instruída com estudos do gênero. O Impetrante não teve, no âmbito da CCJC,
condições para analisar se o texto proposto é viável; tampouco a
proporcionalidade/razoabilidade das propostas e, consequentemente, se violam o núcleo
substancial de direitos fundamentais, porquanto faltam subsídios técnicos para tanto. Para
que o parlamentar possa formar seu convencimento sobre a matéria, inclusive quanto à
constitucionalidade da proposta, é imprescindível que tenha à sua disposição estudos
sobre os impactos que acarretará e as correspondentes justificativas. Caso contrário, o
Parlamentar ver-se-á alijado da plenitude do exercício de seu mandato, com sérios
prejuízos aos princípios fundamentais (inciso IV § 4º do art. 60 da CR) que informam o
Estado brasileiro: de respeito à soberania popular, cidadania, dignidade da pessoa humana
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e aos valores sociais do trabalho.

O Exmº Presidente da Câmara dos Deputados, via Ofício nº
13/SGM/P/2017, de 12/01/2017, informou que todos os documentos relativos à PEC
nº 287/2016 estão disponíveis no sítio eletrônico daquela Casa e que eventuais estudos
atuariais não juntados pelo Poder Executivo, quando da apresentação da proposição,
deveriam ser a ele solicitados, denotando, de forma expressa e evidente, que os
necessários estudos atuariais não foram apresentados pelo Governo, como justificativa
para as alterações contidas na PEC 287/2016.

Nesse diapasão, conclui-se que a Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania da Câmara dos Deputados deliberou pela admissibilidade da PEC nº 287/2016,
em seus aspectos constitucionais, sem, contudo, avaliar as informações contidas em
estudos atuariais. Para tanto, tais estudos deveriam demonstrar o desequilíbrio do sistema
de previdência social do país e, ao mesmo tempo, fundamentar a proposição dos
gravames, em um contexto de proporcionalidade e razoabilidade.

Ora, inconcebível que uma profunda reforma na Seguridade Social, e no
Regime Próprio, ocorra sem que os princípios do equilíbrio financeiro e atuarial sejam
previamente investigados e analisados!

A negligência havida é tamanha que a própria proposta de emenda posterga
a análise financeira para depois da alteração da Constituição. Veja como a proposta trata o
tema:

Art. 1º A Constituição passa a vigorar com as seguintes alterações:
[...]
“Art. 40...
[...]
§ 23- Lei disporá sobre as regras gerais de organização e funcionamento
do regime de previdência de que trata este artigo e estabelecerá:
I - normas gerais de responsabilidade na gestão previdenciária, modelo
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de financiamento, arrecadação, gestão de recursos, benefícios,
fiscalização pela União e controle externo e social; e
II - requisitos para a sua instituição, a serem avaliados em estudo
de viabilidade administrativa, financeira e atuarial, vedada a
instituição de novo regime de previdência sem o atendimento desses
requisitos, situação na qual será aplicado o regime geral de previdência
social aos servidores do respectivo ente federativo

Consta expressamente no projeto que o Legislativo, somente após a
aprovação da PEC, editará uma Lei dispondo acerca da viabilidade administrativa,
financeira e atuarial. Logo, pretende-se alterar Constituição ao arrepio da própria
Constituição!

Avulta notar que, instado a se manifestar sobre a ausência de análise
atuarial, o Presidente da Câmara dos Deputados informou que tal estudo deve ser
solicitado ao Presidente da República. Em síntese, a Autoridade reconheceu que não
existem estudos atuariais juntados. Todavia, preferiu se omitir.

O parecer do Ministério da Fazenda, que fundamentou o encaminhamento
da PEC à Câmara, noticia a existência de estudos atuariais, mas esses estudos não
acompanharam a proposta e não estão incluídos dentre os documentos que instruem o
processo legislativo.

A República Federativa do Brasil corre sério risco de ter o pacto social
estabelecido pelo constituinte (a Seguridade Social) abruptamente alterado, com prejuízo à
plenitude do exercício do mandato conferido pelo voto popular ao Impetrante, que se viu
alijado de exercer o controle de constitucionalidade preventivo como membro da CCJC
da Câmara, ante a ausência de estudo de equilíbrio financeiro e atuarial; o que
impossibilitou a análise da proporcionalidade/razoabilidade das propostas, com foco na
preservação do núcleo substancial de direitos fundamentais titularizados pelo POVO
brasileiro (art. 7º da CR), nos termos do inciso IV § 4º do art. 60 da CR.
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A corroborar com a ausência de informações sobre o tema, registre-se que
o parecer do relator possui apenas 14 (quatorze) folhas, das quais 11,5 (onze e meia) são
meras reproduções da mensagem presidencial que acompanha a proposta de emenda,
consoante consta no voto em separado realizado pela bancada do Partido dos
Trabalhadores (“PT”).

O que se tem, na verdade, é a total falta de subsídios para que o Poder
Legislativo possa votar a matéria, levando o Impetrante, e outros tantos congressistas, a
terem sérias dúvidas acerca da real necessidade e da constitucionalidade da proposta. Isso
é temerário! As deliberações do Poder Legislativo somente têm legitimidade quando
disponibilizadas todas as informações indispensáveis ao exercício do mandato, que
possibilitem constatar a necessidade e as consequências que advirão da proposta, com
especial foco na preservação de direitos fundamentais.

Não é demais lembrar que em setembro do ano passado (2016) o Senado
Federal aprovou a PEC nº 31, de 2016, prorrogando até 2023 a permissão para que a
União utilize livremente parte de sua arrecadação destinada à seguridade social (e à
previdência) - a Desvinculação de Receitas da União (DRU); ampliando seu percentual de
20% para 30% de todos os impostos e contribuições sociais federais. E mais, criou
mecanismo semelhante para estados, Distrito Federal e municípios - a Desvinculação de
Receitas dos Estados, Distrito Federal e dos Municípios (DREM) -, ficando desvinculadas
30% das receitas relativas a impostos, taxas e multas, não aplicado às receitas destinadas à
saúde e à educação, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 2016.

Como o governo federal pode alegar déficit diante da desvinculação de
recursos da seguridade (e da previdência), destinando-os a outras finalidades (pagamento
de despesas correntes e juros da dívida pública)?

Proposta dessa magnitude DEVE ser adequadamente instruída e debatida,
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à luz de documentos aptos à formação do pleno convencimento dos Deputados, e sem
interferências exógenas (oferta de cargos em órgãos públicos), de modo a verem-se
respeitados os princípios da cidadania, soberania popular, dignidade da pessoa humana e
valores sociais do trabalho. Como corolário, tem-se que a deliberação da CCJC da
Câmara, bem como as tramitações e deliberações posteriores, são nulas de pleno direito,
ante o sério prejuízo à análise dos termos da PEC 287/2016, em razão da ausência de
elementos essenciais ao exercício do controle preventivo de constitucionalidade pelos
integrantes da própria CCJC, e pelo Impetrante.

IV – DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

Para que se busque a efetividade dos pedidos da inicial, é forçoso que esse
Douto Juízo conceda a tutela antecipada para que a Câmara dos Deputados suspenda
imediatamente a tramitação da proposta de emenda constitucional nº 287/2016, já que
aplicável à espécie a concessão de medida liminar, porque presentes o fumus boni iuri e
periculum in mora, que se justificam do seguinte modo:

O fumus boni iuris se caracteriza, principalmente, pela possibilidade de todo o
sistema previdenciário brasileiro ser alterado sem que os integrantes da CCJC tivessem a
passibilidade de avaliar a constitucionalidade da proposta. Atualmente, também os
integrantes da Comissão Especial não têm acesso a elementos técnicos seguros, que
possibilitem aferir os efeitos financeiros da medida, necessários a um pronunciamento de
mérito.

Sob o prisma da cognição sumária, a causa se encontra suficientemente
instruída e fundamentada, de modo que as alegações do Impetrante se afiguram
plausíveis.
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Da mesma forma, o periculum in mora também se mostra evidente. A
demanda versa sobre direito à previdência social, que será sensivelmente alterado com
sérios prejuízos aos princípios fundamentais do Estado brasileiro. Pode-se afirmar com
segurança que milhões de trabalhadores ficarão à margem do sistema de seguridade caso
aprovada a PEC nº 287/2016, que contém sérios vícios em sua formação.

A urgência também decorre do risco de aprovação da PEC 287/2016,
hipertrofiada pela celeridade impingida até aqui à tramitação, já admitida na Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, e com Comissão Especial em avançada
fase dos trabalhos.

Nesse contexto, mostra-se necessário que o Poder Judiciário intervenha
para suspender a tramitação da PEC nº 287/2016, até o julgamento final deste mandamus.
É o que se requer.

V – DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer-se que Vossa Excelência receba a petição inicial e:

1. Antecipe os efeitos da tutela, para SUSPENDER a
tramitação da proposta de emenda constitucional nº 287/2016 em
razão de vícios no processo legislativo, decorrentes da ausência de
estudos de equilíbrio financeiro e atuarial e de interferências
exógenas, notificando-se, em seguida, o polo passivo para
cumprimento da decisão;

2. Proceda à notificação das autoridades coatoras para,
querendo, prestar informações;
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3. Dê-se ciência ao órgão de representação competente; e

4. Ao final, requer a concessão da segurança para que se declare
a nulidade ab initio do processo legislativo, especialmente da
deliberação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
da Câmara dos Deputados – CCJC/CD, de 15/12/2016, que
aprovou o parecer de admissibilidade da PEC nº 287/2016, em
razão de vício insanável na formação do processo legislativo
decorrente da ausência de estudos de equilíbrio financeiro e
atuarial; fato que acarretou prejuízo ao exercício do controle
preventivo de constitucionalidade, pelo Impetrante, na qualidade de
membro da CCJC/CD, bem como ao exercício pleno do mandato
popular conferido nas urnas, observados os princípios
fundamentais do Estado brasileiro, insculpidos no art. 1º da CR.
Entende-se que o processo legislativo é NULO também em razão
das interferências exógenas descritas nesta peça, consubstanciada
na oferta de cargos públicos em troca de votos favoráveis à PEC nº
287/2016.

5. Requer que esse Juízo determine à Presidência da República o
encaminhamento dos estudos de equilíbrio financeiro e atuarial, de
modo a possibilitar o exercício pleno do mandato conferido ao
impetrante, em atenção aos princípios fundamentais do Estado
brasileiro.

Requer ainda, sob pena de nulidade, que todas as publicações sejam
expedidas em nome do advogado Bruno Rocha.
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Atribui-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para fins meramente
fiscais.

Nestes termos, pede deferimento.