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LITERATURA

NORTE-AMERICANA
Anderson Soares Gomes

2009

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SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

G612L

Gomes, Anderson Soares
Literatura norte-americana / Anderson Soares Gomes. – Curitiba, PR: IESDE
Brasil, 2009.
216 p.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-0383-9

1. Literatura americana - História e crítica. 2. Literatura americana - Aspectos
sociais. 3. Literatura e história - Estados Unidos. 4. Estados Unidos - História. 5. Cul-
tura - Estados Unidos. I. Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino. II. Título.

09-2430 CDD: 810.9
CDU: 821.111(73).09

Capa: IESDE Brasil S.A.
Imagem da capa: Júpiter Images

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Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Ba- charel em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).Anderson Soares Gomes Doutor em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- Rio). .

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............................................................................................................................................................... 69 Walt Whitman: a busca por uma voz norte-americana.................. 76 .................................................................. 14 A literatura colonial: o puritanismo e o Great Awakening........................................ 18 O período revolucionário......................................................................................................................................................................................................... 29 Os “Pais Fundadores”...................... 59 A poesia romântica................................... 11 A chegada do Mayflower......................................................................................... 12 O estabelecimento das treze colônias.............................................. 37 A prosa romântica....................................................................................... 52 A inspiração gótica................................................................ 47 O ideal romântico e a construção da identidade norte-americana.......... 29 Os conflitos com a Inglaterra e a luta pela independência................................................................................................... 73 Emily Dickinson: a poesia de cunho metafísico.............................................................................................Sumário Literatura colonial e a América puritana....................................................................................................................... 33 Os textos revolucionários........... 47 O transcendentalismo... 69 A poesia de Edgar Allan Poe....

..................116 A prosa norte-americana na 1........................................................................... Eliot & Ezra Pound: trilhando caminhos modernos...............104 Uma voz nacional: Mark Twain......................................................................................................................................................... 90 Consequências do conflito: textos literários de temática da Guerra Civil..........................................................107 O Naturalismo...................... Scott Fitzgerald e a Jazz Age.................................................ª metade do século XX.....147 T........................................S......................151 Elizabeth Bishop e sua relação com o Brasil.........ª metade do século XX..............103 As mudanças socioeconômicas.......................................112 Henry James: a literatura entre os Estados Unidos e a Europa........................................................................133 John Steinbeck e a Grande Depressão..........158 .............................A Guerra Civil e a literatura correspondente............147 Robert Frost: a natureza como poesia................................................136 A poesia norte-americana na 1..............126 Ernest Hemingway e a precisão da escrita...........................125 F........................................................................................................................................................................... 87 A escravidão e os textos abolicionistas.............................130 William Faulkner e a tradição sulista................................................................................................................................................. 87 Diferenças entre o norte e o sul dos EUA.................................... 95 O Realismo norte-americano........................................................................

....... Salinger e New Journalism..........................................................................190 Abordagens para o ensino da literatura norte-americana...............O teatro e as vertentes da prosa norte- -americana na 2...........168 A ascensão da literatura afro-americana...............................................................167 O teatro de Arthur Miller e Tennessee Williams......................................................................................194 Gabarito....189 A obra literária como produto de um momento histórico...205 Referências.................................................................................174 Inovações na prosa: J...........................D..................ª metade do século XX..................................213 ...........................................178 Possibilidades de ensino de literatura norte-americana no ensino médio..............................

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a música e o teatro. trata- remos da ascensão de novos estilos literários que se tornaram essenciais para o reconhecimento da escrita norte-americana como uma das mais representativas da contemporaneidade. no século XX. É na literatura norte-americana que podemos aquilatar a quase totalidade do proces- so histórico cultural dos Estados Unidos. para assim se traçar um panorama do “homem norte-americano” – seus valores. vamos estudar como se deu a consolidação dos Estados Unidos através da literatura. socialmente e artisticamente) de colônia inglesa à maior potência mundial. Assim. Tal desenvolvimento pode ser visto especialmente através de sua literatura. Que este trabalho sirva de inspiração e estímulo para que futuros profissionais da área de Letras possam. suas ideologias. onde a cultura norte-americana se encontra prati- camente onipresente nas formas de expressão ocidentais. Veremos neste trabalho a criação de um ideal para a América através da literatura. Por fim. suas formas de expressão e sua visão de mundo. A partir de seus principais textos (fic- cionais ou não) e do pensamento de seus autores mais significativos.Apresentação No mundo contemporâneo. o Romantismo e o Realismo. é cada vez mais im- portante investigar as maneiras através das quais os Estados Unidos se desenvol- veram (historicamente. percorrer os sinuosos – porém enriquecedores – caminhos traçados pelos principais nomes da literatura produzida nos Estados Unidos. Este material. portanto. seus principais nomes e textos. O presente trabalho também abordará como a literatura dos Estados Unidos se relaciona com outras formas de representação artísticas. começando com a saída dos peregrinos da Inglaterra e seu estabelecimento nas treze colônias. como o cinema. Dessa forma. de forma crítica e complexa. se propõe como um estudo das mais relevantes obras literárias produzidas nos Estados Unidos numa perspectiva histórico-social. será possível estabelecer uma ampla perspectiva das mu- danças e do desenvolvimento da cultura norte-americana. Analisaremos então o processo de independência norte-america- no. Anderson Soares Gomes . é possível compreender como a identidade norte-americana foi sendo construída através dos séculos. passando pelo período da Guerra Civil.

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mesmo que de forma subconsciente e intrínseca. Se o fato de se intitular “América” acaba gerando uma insatisfação por parte de seus vizinhos da América Central e da América do Sul. no entanto. no plural.Literatura colonial e a América puritana Refletir sobre as expressões literárias da cultura norte-americana é. as situações extremas a que esses primeiros colonos foram submetidos (doenças. já que Portugal e Espanha tomam para si a maior parte do ter- ritório. É claro. fome) puseram fim a esse primeiro esboço de uma colônia de domínio inglês na América. Apesar de existirem evidências de que o território da América do Norte já havia sido visitado pelos vikings no século IX. a “rainha virgem”). A Inglaterra a princípio ocupa um papel secundário na ocupação da América. em homenagem à rainha Elizabeth I. ataques de nativos. é apenas com Cristóvão Colombo. prenunciam uma natureza múltipla e variada. há uma tentativa real de colonização da América do Norte por parte dos ingleses. a Inglaterra concentra-se na exploração e investigação do território do Novo Mundo. roubando ouro e prata de navios espanhóis e portugueses. Os Estados Unidos da América são um país que já em seu nome. Inicialmente. Porém. não há como negar que os Estados Unidos acabaram criando um novo significa- do para o termo “América”. da liberdade individual e da oportunidade. seu povo e sua identidade foi construída através da união de objetivos comuns e superação de diferenças. indicador que a for- mação de seu território. que a Europa finalmente descobre o novo continente. e seus cidadãos como americanos. . que nem sempre foi assim. Primeiramente com John Cabot e depois com Walter Raleigh (que nomeia a região a que chega de Virgínia. ou “USA” em inglês). refletir sobre a própria natureza do nome do país que lhe deu origem. Posteriormente. os Estados Unidos também têm por hábito referirem-se a si próprios como “América”. Uma das poucas nações do mundo reconhecida por uma sigla (EUA. os ingleses se dedicam à pirataria. em 1492. contudo. que ultrapassa os limites geográficos: a Amé- rica é a terra da democracia.

na Virgínia em 1607. A chegada do Mayflower O primeiro povoado inglês de caráter permanente na América do Norte foi Jamestown (assim chamado em homenagem ao rei James I). são diferentes daquelas usadas durante o reinado de Elizabeth I. John Smith.Literatura Norte-Americana Com outro monarca no poder (James I). tinham autorização da Coroa para explorar as terras do Novo Mundo. no entanto. Domínio público. através de seus textos e sua fabulosa biografia. num esquema pré-capitalista. Assim. definiu o perfil dos primeiros colonos americanos: aventureiro. Ao invés de nobres desbravadores. os ingleses finalmente al- cançam o sucesso em seu processo de colonização e uma nova fase começa para a América do Norte. A estratégia e a natureza desta nova empreitada. John Smith foi um capitão inglês que. um dos mais importantes personagens da história colonial norte-americana. esses novos colonizadores eram representantes de empresas inglesas que. Jamestown tem outro significado muito especial: um dos colonos do povoado foi John Smith (1580-1631). Patrocinado pela Virginia Company of London. des- 12 . a Inglaterra tenta novamente implan- tar uma colônia na América.

alimentando um desejo de retornar à América até o momento de sua morte. Na Inglaterra. a filha de Powhatan. O livro relata como Smith foi capturado por índios li- derados pelo chefe índio Powhatan e feito prisioneiro. Diz-se que lá viveu infeliz. de forma mitológica. a possibilidade de união e prosperidade entre povos tão diferentes nesse Novo Mundo. É com esse trabalho que Smith consolida a visão da América como o lugar da riqueza abundante. eventos e personagens de natureza quase mítica. mas também como artifício para tornar o novo continente um lugar atraente para prováveis novos exploradores. Smith cria cenários. já que havia enorme interesse em atrair mais e mais colonos ingleses para o novo con- tinente). Pouco antes de ser morto pelos indígenas. o crescimento das cidades com o êxodo rural estava criando um excedente de mão de obra que não interessava à Coroa. não há como negar que o possível amor entre o capitão inglês e a princesa indígena representou. que servem de fundação não só para a literatura. A partir daí é construída uma narrativa que indica uma história de amor entre os dois. serve não só como re- gistro de sua permanência na colônia. O trabalho mais significativo de Smith é The General History of Virginia. dos prazeres e da liberdade individual. essa produção de literatura propagandista não foi a única razão para a ida de ingleses para a América. no entanto. Também é em The General History of Virginia que John Smith conta uma das mais famosas narrativas da história norte-americana: sua aventura romântica com a índia Pocahontas. Pocahontas. expres- são que até hoje ecoa na mente daqueles que buscam nos Estados Unidos um horizonte para um futuro de prosperidade. por mais que a história de John Smith e Pocahontas seja questio- nada por historiadores. Esta obra. já que a princesa indígena se torna responsável por um maior contato entre sua tribo e os ingleses. Essa his- tória de amor. mas também para a identidade norte-americana. Contudo. aceitando a fé cristã. Literatura colonial e a América puritana temido e promotor das belezas e das promessas do Novo Mundo. Órfãos e pessoas muito pobres (indo trabalhar em condições de semiescravidão) 13 . e que muito da narrativa de The General History of Virginia seja vista como ficção. Atualmente. Os textos de John Smith sobre essa nova terra repleta de riquezas e oportu- nidades em muito serviam para criar expectativas em futuros colonos. da vida selvagem. Em sua pro- dução textual sobre a América (de cunho notadamente propagandista. escrita quando Smith já havia retornado à Europa. se coloca entre Smith e os índios e salva o capitão inglês da morte. não tem um final feliz: Pocahontas se casa com outro homem – um agricultor inglês – e vai para a Inglaterra. A América de John Smith é a “terra de oportunidades”.

A criação da igreja anglicana coloca diferentes grupos religiosos em conflito com a Coroa inglesa. A colonização inglesa na América do Norte. esses peregrinos – assim chamados porque acentua sua natureza religiosa – são os pastores. mas também uma fuga da situação econômico-social predatória em que se encontravam as classes menos favorecidas. Exercer sua fé na Inglaterra se tornava cada vez mais difícil. Outro fator importantíssimo para a ida de ingleses para o novo continente foi a perseguição religiosa. a Amé- rica do Sul e até mesmo algumas partes da América do Norte. A ida de ingleses para a América não era apenas uma busca por melhor qualidade de vida. sendo pu- níveis até mesmo com a pena de morte. em especial os pu- ritanos. e que tinham como base os textos de Calvino escritos durante a Reforma Protes- tante. em Massachusetts. Em 1620 chega ao porto de Plymouth. como a Flórida) fossem vistas como grandes áreas de extração de riquezas para serem enviadas para a Europa. professores e empreendedores responsáveis pelo su- cesso da colonização na América do Norte. O estabelecimento das treze colônias É preciso fazer uma importante distinção aqui no que concerne à colonização ibérica (Portugal e Espanha) e à colonização inglesa. conhecidos historicamente como Pilgrim Fathers (Pais Peregrinos) serão responsáveis por formar a primeira fase da identidade norte-americana e seus ensinamentos permanecem no imaginário dos Estados Unidos até hoje. o que fazia com que as regiões sob o seu controle (a América Central. assim chamados porque acreditavam numa igreja mais simples e pura. Ao mesmo tempo buscando a concretização de sua fé e um despertar de um novo ideal de sociedade.Literatura Norte-Americana também partiam em direção ao Novo Mundo. Depois de uma tentativa fracassada de estabelecimento na Holanda. os seguidores do puritanismo partem então para o Novo Mundo. tem o anglicanismo como sua religião oficial. um novo começo para a história e para sua religião. Esses colonos. Portugueses e espanhóis tinham um modelo de conquista do novo território claramente mais explorató- rio. desde o reinado de Henrique VIII. por outro lado. tinha 14 . já que aqueles que não praticavam a religião anglicana passaram a ser perseguidos. o Mayflower – navio inglês que traz o primeiro grupo de “peregrinos” para o novo continente. A Inglaterra. Esses peregrinos chegam à America determinados a fazer da América a “Terra Prometida”.

Roger Williams. Os inver- nos eram bem rigorosos na região e vários colonos morriam de frio e de fome. fugindo da perseguição religiosa. buscando melhor con- dição econômica ou simplesmente em busca de um novo começo numa terra inexplorada. em 1630. Essa diversidade religiosa. No entanto. eram adeptas de outras religiões: em 1633. já que não havia um suporte do Estado como na colonização ibérica (a viagem era feita por companhias particu- lares) e não haviam riquezas abundantes facilmente encontráveis. o caráter exploratório da ocupação da terra se intensifica. é fundado na colônia de Maryland um povoado seguidor do catolicismo. Já nas colônias inglesas. ao contrário do que poderia imaginar. William Penn funda na Pennsylvania uma colônia onde a população segue os preceitos da doutrina Quaker. O início da colonização por parte dos peregrinos foi bastante difícil. porém. Ele parte em exílio e funda uma nova colônia – Rhode Island. Além do mais. existia a necessidade de criação de cidades (como o Rio de Janeiro ou a Cidade do México) e a miscigenação dos povos em muito contri- buiu para a criação de uma nova identidade nacional. A terra é conquistada para se morar nela. em muito contribuiu para a necessidade de tolerância entre os territórios e a aceitação das 15 . Outras regiões. o embrião dos Estados Unidos se expande: mais e mais colo- nos chegam à América. o povoamento da região foi especialmente difícil. mesmo para extrair o ouro. Mesmo entre os protestantes calvinistas existiam diferenças que levaram à expansão do território. a prata ou pau-brasil. as pessoas que chegavam àquela terra pouco conhecida estavam em busca de um novo recomeço. ocorre uma imensa imigração puritana que consolida de vez o protestantismo de Calvino por quase todo o território. Apenas anos depois. em 1681. com a expansão para o oeste americano e com a descoberta de ouro e petróleo. Nas regiões controladas por portugueses e espanhóis. pode-se dizer que esses diferentes modelos de colonização não eram em sua totalidade apenas de exploração ou apenas de povoamento. especialmente porque a partir da chegada do Mayflower. Na Baía de Massachusetts. Mesmo assim. Literatura colonial e a América puritana como objetivo central o povoamento daquela região. os variados conflitos com os nativos indígenas ainda era um fator extra de perigo que os colonos tinham de lidar. era um puritano em desa- cordo com a íntima ligação entre a esfera política (o Estado) e a esfera religiosa (o puritanismo) existente na região de Massachusetts. por exemplo. longe das problemáticas religiosas que tanto sofriam no velho continente.

não há apenas uma grande colônia sob domínio de uma nação europeia. os Es- tados Unidos se expandem e então seu território se estabelece no que é chama- do de “treze colônias”. cada cidadão tinha o direito de exercer sua liberdade religiosa sem correr o risco de sofrer perseguição e discriminação – exatamente a razão primordial da saída desses peregrinos da Europa. O que existe é uma extensa região que consiste em treze colônias distintas. cada uma com suas peculiaridades e características – fator que em muito vai influenciar a história e a literatura dos Estados Unidos até hoje. Temática Cartografia. diferentemente do que aconte- ceu com outras regiões (como o Brasil. Com a chegada de mais e mais colonos e a criação de novos territórios. daí a necessidade de evitar o mesmo erro que os ingleses.Literatura Norte-Americana diferenças religiosas. por exemplo). 16 . Assim. É interessante notar que.

deixando outras partes da sociedade à margem do progresso norte-americano. que posteriormente serviriam como base para o sur- gimento da native-american literature (literatura nativa-americana). está o fato de os colonos ingleses não terem interesse em catequizar os nativos. sigla que signi- fica White-anglo-saxon-protestant (branco-anglo-saxão-protestante). como ocorreu no Brasil por exem- plo. Os índios eram sempre mantidos à distância. enquanto descreve a si mesmo sempre envolto em termos cristãos. levando em consideração não só o período histórico. e o contato com eles era feito apenas no que se relacionava à troca ou compra de mercadorias. Embora a chegada dos “Pais Peregrinos” tenha dado um impulso desenvol- vimentista à América do Norte. Esse estilo narrativo é ainda mais notório no episódio em que é salvo da morte por Pocahontas. Em The General History of Virginia. existiam outros grupos também responsáveis pela criação dos Estados Unidos – através de uma cultura. Quando se deu a expansão para o oeste norte-americano. Várias das 17 . com o extermínio de milhares de indígenas. enfatizando a natureza pagã e violenta dos nativos. Como o próprio nome já indica. a relação entre nativos e colonizadores alcançou seu ponto mais conflituoso. Felizmente. é importante que a leitura de textos que tratem do encontro entre colonizadores e indígenas sempre seja feita com um olhar crítico. Dentre as várias razões para isso. Membros desse grupo acabaram constituindo a parte mais rica e representativa do país. Portanto. boa parte da cultura indígena foi preservada. Essa parte da população é o que se costumou chamar de WASP. O conhecimento que temos hoje da sociedade e da cultura do índio nativo norte-americano passa inevitavelmente pelo olhar que o homem branco lançou sobre ele assim que chegou à América. especialmente atra- vés da ficção mantida inicialmente através da tradição oral (histórias passadas de geração em geração). como se Smith fosse uma espécie de “novo salvador” posto em calvário. Essa visão do indígena como selvagem por muito perdurou no imaginário nor- te-americano. John Smith fala dos índios utilizando termos como “bárbaros” e “selvagens”. Talvez o mais importante desses grupos seja o dos índios norte- -americanos. mas também os interesses envolvidos. atualmente chamados de Native-Americans (Nativos-Americanos). Literatura colonial e a América puritana Mas nem só de colonos europeus e puritanos consistiam os Estados Unidos. um estilo de vida e uma visão de mundo bem distinta daquela apresentada pelos puritanos vindos da Inglaterra. eles eram nativos da terra e já se encontravam no território da América do Norte bem antes da chegada dos primeiros coloni- zadores europeus.

renegavam a doutrina do catolicis- mo e do anglicanismo. as duas religiões predominantes da Inglaterra. Mesmo dentro de sua própria religião. Diferentes tribos também possuem diferentes histórias de criação do mundo e do universo. Vários pu- ritanos chegaram a ser torturados e até mesmo enforcados por exercer a sua fé. os puritanos muito sofreram com a perseguição religiosa. não merecedores do termo cidadão. da política ao lazer. já que como adeptos do protestantismo calvinista. cuja presença na América se fazia atra- vés da escravidão. É o puritanismo que molda a vivência dos cidadãos dos Estados Unidos e serve de impulso para os primeiros textos escritos em solo norte-americano. É através dos ideais norte-americanos que os primeiros peregrinos constroem não só escolas. Na Europa. Os Esta- dos Unidos são mais do que um novo lar para esses colonos – são uma região onde eles finalmente poderão construir a “nova Canaã” bíblica. para lá buscar algodão. como a Gênese da tribo Blackfeet. Outro grupo cuja importância é crescente nesse período inicial da coloniza- ção dos Estados Unidos é o dos negros. portanto. tabaco e outros produtos. mas até lá os negros viviam em condições degradantes de servidão. permanecem sempre à margem da sociedade branca e protestante. todavia.Literatura Norte-Americana obras da literatura indígena norte-americana têm origem anônima. A literatura colonial: o puritanismo e o Great Awakening O puritanismo é a força motriz da sociedade norte-americana. já que não eram considerados capazes das mesmas atividades sociais e intelectuais que os brancos e. Esses grupos. Sociedade esta cuja mais importante característica é a pre- sença da crença religiosa puritana em todas as esferas. igrejas e universidades: eles constroem também uma ideia da América. capturavam os escravos e os deixavam nas colônias americanas. Isso se dava porque. que espalha por todas as treze colônias seu estilo de vida e seus ideais de sociedade. e misturam mitos de criação de heróis com a própria história da sociedade nativa. Eles vinham trazidos por navios ingleses que partiam para a África. existiam diferenças nas formas com que as pessoas deveriam seguir os ensinamentos da Bíblia. A escravidão na América durou até 1861. diferen- 18 . já que eles acre- ditam ser as pessoas escolhidas por Deus para concretizar um reino de prosperi- dade na terra seguindo fielmente às leis cristãs.

Além disso. seus meios de subsistência e conforto. fazendo com que formas de entendimento distintas surjam de mesmos textos religiosos. aqueles que vão para o céu e aqueles que vão para o inferno. onde os homens viveriam seguindo as leis bíblicas. a ideia de que o pecado original manchou toda a existência humana. entretanto. produzindo. e por isso o homem era na- turalmente corrupto e sujeito à maldade. Os puritanos construíram seus vilarejos e depois suas cidades acreditando que assim estariam realizando. Um dos mais vergonhosos momentos da história dos Estados Unidos. Essas crenças calvinistas estiveram presentes em diversos estágios da coloni- zação dos Estados Unidos. Tal comunhão entre religião e governo foi crucial para que um episódio como o dos julgamentos das bruxas no vilarejo de Salem fosse permitido. Existiam leis. dentro do movimento puritano surgem dife- rentes segmentos como os amish e os quakers. o puritanismo admite leituras pessoais e individuais da Bíblia. a série de julgamentos e execuções de dezenas de colonos por bruxaria ocorridos em 19 . que possuem uma outra visão de como as lições das parábolas da Bíblia devem ser incorporadas no seu cotidiano. Para o catolicismo. desde o princípio dos tempos. existe uma visão subjacente de que o trabalho é punição. estavam presentes na maior parte da sociedade puritana. O puritanismo também acredita que o bom cristão é aquele que vive bem com os frutos do trabalho. por exemplo. através do trabalho e da prosperidade. Já a vida puritana se concentra nas provas terrenas da benção de Deus. através de seu esforço e seus méritos. dentre eles. Literatura colonial e a América puritana temente do catolicismo (em que predomina uma interpretação dos textos bíblicos e se deve respeitar a palavra do Papa). o catolicismo se volta mais para o mundo após a morte. Os puritanos também acreditavam que o sacrifício de Jesus acabou por garantir o perdão de Deus. e de que a riqueza carrega em si um estigma negativo. através de seu trabalho. que obrigavam as pes- soas a irem à igreja. espe- cialmente ao considerarmos como a influência religiosa se fez tão presente no período colonial das Américas. É interessante comparar e contrastar os dogmas puritanos e católicos. Assim. ou que puniam adúlteros. o próprio governo tinha o dever de fazer as pessoas obedecerem à vontade divina. uma culpa. De forma geral. Assim sendo. em que Deus julga-nos pelos atos que tivemos em vida. Alguns preceitos religiosos estabelecidos por Calvino. mas esse perdão não é estendido a todos os homens – só alguns eleitos o ganhariam. é clara no puritanismo a ideia de que Deus escolhe. o desejo de Deus de criar um novo paraíso.

Por outro lado. os problemas e o progresso em uma das mais importantes das treze colônias no século XVII. sua chegada na América e o posterior povoamento e desenvolvimento da colônia. Uma das figuras mais proeminentes deste período inicial foi William Bradford (1590-1657). mas também a língua inglesa e suas narrativas. os primeiros escritores dos Estados Unidos procuravam compreender e descobrir a natureza e os propósitos desse novo mundo que se apresentava a eles. o primeiro documento oficial compos- to pelos peregrinos da colônia de Plymouth. Of Plymouth Plantation é uma obra extremamente rica por dois motivos fun- damentais. É através da ex- periência puritana. Primeiramente. enquanto do ponto vista histórico. do ponto de vista literário os diários de William Bradford são um material que atestam o estilo e a linguagem de formação da literatura norte-americana. a difícil viagem. contudo. porque é o mais vívido e detalhado documento des- crevendo o cotidiano. O diário de Bradford conta a história da partida do Mayflower. pode ser bem-sucedida. não importa o seu passado ou condição social. Of Plymouth Plantation pode ser considerada como anais do período colonial. A mais importante obra de William Bradford. As colônias seriam o local onde não só a fé puritana seria testada. o que leva a um entendimento mais completo do perío- do.Literatura Norte-Americana Salem. hoje é visto como consequência dos excessos da presença puritana na administração das colônias. É através da literatura que os homens e mulheres recém-chegados a essa nova terra de oportunidades. um diário pessoal escrito entre 1620 e 1647. narrando a permanência dos colonos na região de Massachusetts. esse sentido de autodeterminação e trabalho recompensado ajudou a estabelecer ideais de independência e liberdade que os norte-america- nos consideram seus principais legados para o mundo ocidental. mas também de perigos. 20 . Massachusetts. iriam definir a América. que os Estados Unidos se formam sob a égide (amparo) do american dream (sonho americano) – em linhas gerais. com sua promessa de felicidade e recomeço. a ideia de que qualquer pessoa. Com seus textos. a outra razão para a natureza complexa dos escritos de Bradford é a mescla desse aspecto factual com os comentários e as interpretações do autor. foi Of Plymouth Plan- tation. Dessa forma. Bradford também tem uma enorme importância histórica por ser um dos ideali- zadores do chamado Mayflower Compact. Eleito governador da colônia de Massachusetts por várias vezes.

ROLAND. A mais bem sucedida nesta tarefa foi Anne Bradstreet (1612-1672). mas de toda a língua inglesa. contudo. ao final de Of Plymouth Plantation. Nascida na Inglaterra. À medida que os colonos se es- tabelecem de forma mais bem sucedida na América e novas gerações sucedem os “Pais Peregrinos”. Literatura colonial e a América puritana O subtexto dos escritos dos diários indica uma forte influência dos ideais do protestantismo calvinista. the utopian and the actual. reconhecida até hoje como um dos maiores nomes da poesia. a criação de uma estrutura comercial e lucrativa. outros autores viram a situação como uma grande oportunidade para expressar sua subjetividade e imaginação poética. em que é bem clara a distinção do que é certo e errado. can be read […] an essential legacy of the puritan imagination to the American mind. a escrita de Bradford adquire um tom de lamento e decepção. o escritor Malcolm Bradbury afirma: The puritans persist in writing for themselves a central role in the sacred drama God had designed for man to enact on the American stage. sendo guiado pela mão divina em sua longa jornada. Sobre essa nova perspectiva da vivência puritana nas treze colônias. (BRADBURY. o acúmulo de terras e a busca pelo sucesso econômico são para o autor um distanciamento do sonho de uma comunidade perfeita sob as leis de Deus. 13-14) A Nova Inglaterra (região nordeste da América do Norte) vinha então crescen- do e. the mythic and the diurnal. Como o próprio William Bradford pôde ver posteriormente. A narrativa de Bradford em muito lembra as grandes nar- rativas bíblicas. p. especialmente no que concernem aos objetivos puri- tanos para a América. não só norte-americana. Bradstreet chega acompanhada 21 . já que mais e mais as ações das novas gerações se afastam dos ideais dos primeiros puritanos que desembarcaram do Mayflower. 1992. the stage of true history. Se William Bradford tratou dessa tensão através de entradas em seu diário. O estilo e a linguagem dos escritos de Of Plymouth Plantation é aquele ca- racterístico de todas as expressões artísticas realizadas por puritanos: simples e livre de adornos. a verda- de não se mostrou de forma tão simples assim. procurava conciliar os preceitos bíblicos com o surgimento de novas formas de relacionamento em sociedade. Essa crença na unicidade dos fatos e no que é naturalmente verdadeiro é um reflexo da presença dos ensinamentos da Bíblia no raciocínio do puritanis- mo. the intentional and the accidental. com a busca da Terra Prometida pelo povo eleito. Bradford afirma que seus relatos vão atestar apenas a “simples verdade”. In that recurrent conflict between the ideal and the real. Assim. neste processo.

Com extrema sensibilidade ao tratar das adversidades presentes no cotidiano do novo continente e com um tom metafísico que a permite ultrapassar a mera descrição de eventos. Then while we live. If ever man were loved by wife.Literatura Norte-Americana de seu marido ao novo continente em 1630. Bradstreet desperta interesse não só pela importância his- tórica. através deles. dotado de conside- rável conhecimento poético (era admiradora de grandes poetas ingleses como Philip Sidney e Edmund Spenser). if you can. If ever wife was happy in a man. we may live ever. ye women. não ofuscam o talento de Bradstreet. I pray. mas também pela qualidade de sua escrita. Nor ought but love from thee. reafirmando o profundo amor que tinha por seu marido. Seus poemas sobre o cotidiano e acontecimen- tos marcantes do período são sempre tocantes porque. My love is such that rivers cannot quench. The heavens reward thee manifold. Anne Bradstreet. in love let’s so persevere That when we live no more. Os trabalhos mais reconhecidos de Bradstreet. Simon. a autora dedicava-lhe grande parte de seus poemas para aplacar a dor da distância. then thee. Um dos mais famosos. esse não é um aspecto particularmente importante nos textos de Anne Bradstreet. pelo contrário. then surely we. mas que contrasta com a rigidez das regras puritanas. especialmente quando se considera o papel de submissão a que as mulheres eram relegadas. a autora reforça sua fé nos ideais divinos em busca de consolo. aborda o relacionamento do casal ligado a elementos da natureza. Embora seu pai e seu marido tives- sem fortes ligações políticas na América (ambos foram governadores da Baía de Massachusetts). Sua escrita revela um pensamento livre. Como o marido costumava ficar longe em via- gens de trabalho. 22 . give recompense. As regras rigorosas do puritanismo. Thy love is such I can no way repay. Grande parte da riqueza de seus trabalhos poéticos encon- tra-se na forma que ela escreveu sobre a atmosfera doméstica da vida puritana. To My Dear and Loving Husband. são aqueles em que a autora celebra o matrimônio como instituição. I prize thy love more than whole mines of gold Or all the riches that East doth hold. no entanto. Os poemas de Anne Bradstreet atestam de forma clara a complexidade da realidade puritana. proteção ou coragem. Compare with me. como se o próprio amor de marido e mulher fosse necessário a um equilíbrio natural das coisas: If ever two were one.

todavia. mas pela palavra. não foi nem o relato em forma de diário e nem a poesia – foi o sermão. do alto de seu púlpito. dois nomes cruciais do racionalismo inglês que. Pastor. Um olhar mais atencioso. indica que os textos de Edwards (apesar de ratificarem a doutrina puritana do homem pecador e de um Deus punitivo) também partilham muito da herança de John Locke e Isaac Newton. não foi por vontade própria que Anne Bradstreet se tornou a primeira poetisa do novo continente a ter seus trabalhos publicados. Apesar de vários historiadores afirmarem que o Great Awakening não foi um movimento organizado. O sermão atinge o ápice de sua popularidade durante o movimento chamado de Great Awakening (Grande Despertar). intelectual e teólo- go. entre outros pressu- postos. incutia o medo e a culpa nos fiéis através de exagerados sermões. Seus trabalhos desde então permaneceram cruciais para um maior en- tendimento do período colonial e para o despertar de uma sensibilidade metafí- sica que tanto influenciaria outros poetas americanos nos séculos seguintes. Uma análi- se artificial pode classificar Edwards como um estereótipo do rígido pregador puritano que. A mais popular produção literária do período puritano. com seus principais ideais sendo esquecidos ou adquirindo pouca importância. Fenômeno sociorreligioso ocorrido no século XVIII. e era lá que um dos atos mais essenciais para o homem cristão acontecia: ouvir os sermões. Uma das mais importantes figuras não só do Great Awakening mas de toda a América Colonial foi Jonathan Edwards (1703-1758). de forma caris- mática. O centro da vida puritana era a igreja. Considerando a presença das crenças e do estilo de vida puritano em todas as esferas da socie- dade. 23 . Literatura colonial e a América puritana Curiosamente. no entanto. mas para o púlpito. pastores itinerantes iam de cidade em cidade pregando. Dada a natureza do puritanis- mo. Na verda- de. ele é considerado um dos símbolos do puritanismo na América. a força da fé se revelava não por imagens. Assim. sermões que em muito exaltavam os fiéis e renovavam sua fé. o Great Awakening foi uma reação por parte de pastores e homens religiosos contra o formalismo a que o puritanismo estava sendo submetido. não há como negar que a necessidade por parte de uma nova gera- ção de pregadores foi essencial para revitalizar o puritanismo. em 1650. nada mais natural que a forma de expressão máxima da América colonial fosse a produção de textos religiosos para serem lidos nas pregações. toda a atenção da cerimônia religiosa se voltava não para um altar. acreditavam que o homem poderia trilhar o caminho da bondade. foi seu cunhado que levou os manuscritos de seus poemas para a Inglaterra e lá os teve publicados sob o título de The Tenth Muse Lately Sprung Up in America.

Utilizando essa estrutura clássica. no entanto. Sinners in the Hands of an Angry God ilustra um dos pontos centrais do purita- nismo (levado ao extremo pelos pastores do Great Awakening): o poder de Deus está sempre em eterno contraste com a devassidão e a maldade humana. textos para serem lidos em público. a aplicação da doutrina por parte dos fiéis. o trabalho e o recomeço. o formato clássico do sermão puritano: primeiramente há o texto. dirigido a uma congregação em Massachusetts. a lição que deve ser apreendida do texto.Literatura Norte-Americana É importante lembrar que os sermões são. i. em seu começo. constroem toda uma organização social em que a religião é ao mesmo tempo uma força motriz. i. provas ou fatos que confirmam a doutrina. Assim os Estados Unidos. As lições da era puritana permane- cem até hoje no imaginário norte-americano. aparecem os usos. mas também é a grande causadora da culpa que atormenta o homem. O sermão mais marcante de Jonathan Edwards é Sinners in the Hands of an Angry God. a passagem da Bíblia que vai servir de tópico central do trabalho escrito. Jonathan Edwards talvez tenha sido o pastor que melhor enten- deu esse propósito da pregação. mas também um agente regulador de seu desenvolvimento. pode lançar todos os pecadores às fornalhas do inferno. o autor enfatiza o caráter irado de Deus e o pecado inerente a todos os homens. é essa mesma culpa que leva o homem a buscar a redenção. é aliada ao pensamento mais racionalista de Locke. a seguir. porque nada o impede de fazer com que os homens impuros tenham o chão aberto sobre eles para que caiam nas chamas eternas infernais. em seus sermões.e. A presença dos homens no plano terreno. i.)isto é. que já nascem culpados. afirma Edwards. 24 . Essa atitude cal- vinista conservadora.e. Esses escritos de Edwards seguem. promovendo um material vastíssi- mo para que a literatura do país se tornasse uma das mais ricas e complexas do mundo.e. que o homem pode se aperfeiçoar e melhorar seus traços de caráter. Essa tensão é consequência do pecado original. Por outro lado. em sua maior parte. se dá apenas pelo prazer de Deus. Nesse texto. aparece a doutrina. (i. finalmente. Edwards se utiliza de todo um arsenal imagístico para traduzir para os fiéis o poder e a ira de Deus que. Assim. Edwards também acredita. por um mero capricho.e. a terceira parte é a das razões. já que seus textos imediatamente estabelecem com quem os ouve uma ligação emocional pouco comum em outros sermões do período. essencialmente.

1989) The wrath of God is like great waters that are dammed for the present. they increase more and more. the waters are constantly rising. are in the hands of an angry God. and raised from being dead in sin. by the mighty power of the Spirit of God upon your souls. without any promise or obligation at all. and the longer the stream is stopped. yea. it would immediately fly open. and would come upon you with omnipotent power. and made new creatures. and you are every day treasuring up more wrath. and justice bends the arrow at your heart. and the fiery floods of the fierceness and wrath of God. it is nothing but his mere pleasure that keeps you from being this 25 . and may have had religious affections. that judgment against your evil works has not been executed hitherto. and rise higher and higher. and strains the bow. that holds the waters back. when once it is let loose. all you that were never born again. and in the house of God. It is true. and if your strength were ten thousand times greater than it is. and that of an angry God. that keeps the arrow one moment from being made drunk with your blood. and waxing more and more mighty. and press hard to go forward. the floods of God’s vengeance have been withheld. The bow of God’s wrath is bent. but your guilt in the mean time is constantly increasing. and may keep up a form of religion in your families and closets. to a state of new. Thus all you that never passed under a great change of heart. sturdiest devil in hell. and before altogether unexperienced light and life. ten thousand times greater than the strength of the stoutest. However you may have reformed your life in many things. and it is nothing but the mere pleasure of God. would rush forth with inconceivable fury. that are unwilling to be stopped. it would be nothing to withstand or endure it. till an outlet is given. If God should only withdraw his hand from the flood-gate. and the arrow made ready on the string. Literatura colonial e a América puritana Texto complementar Sinners in the hands of an angry God (EDWARDS. and there is nothing but the mere pleasure of God. the more rapid and mighty is its course.

by and by you will be fully convinced of it. esse triste episódio da história dos Estados Unidos é sempre lembrado quando o país encontra-se envolto em uma atmosfera de perseguição e intolerância.cgi/jb/colonial> HYTNER. and while they were saying. este filme concentra-se no julgamento e execução de vários colo- nos na colônia de Salem no fim do século XVII.Literatura Norte-Americana moment swallowed up in everlasting destruction. were nothing but thin air and empty shadows. incluindo textos de fundação do país e biografias dos Founding Fathers. Disponível em: <http://www. Atividades 1. Como os escritos de John Smith serviram para construir uma visão particular da América no imaginário europeu? 26 . see that it was so with them. that those things on which they depended for peace and safety. 1992.americaslibrary. for destruction came suddenly upon most of them. acusados de bruxaria. Those that are gone from being in the like circumstances with you. Exemplo mais famoso dos excessos do puritanismo. Peace and safety: now they see. when they expected nothing of it. Nicholas. As Bruxas de Salem. However unconvinced you may now be of the truth of what you hear.gov/cgi-bin/page. Baseado na peça do dramaturgo Arthur Miller. Dicas de estudo O site da Biblioteca do Congresso Norte-Americano tem análises bem com- pletas e interessantes sobre o período colonial dos Estados Unidos.

Como a passagem do sermão Sinners in the Hands of an Angry God (texto complementar) ilustra a relação de Deus com os pecadores de acordo com o puritanismo? 27 . Qual a importância do puritanismo para o desenvolvimento da literatura dos EUA? 3. Literatura colonial e a América puritana 2.