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Kò l^ll^l

Presented to the

LIBRAR Y o/ í/ie
UNIVERSITY OF TORONTO
by

Professor

Ralph G. Stanton

FLORILÉGIO
DA

ou

COLLECÇAO DAS MAIS >OTAVr:iS COMPOSítOrS
DOS POETAS BRAZTLEIROS FALECIDOS,
CO.XTEXDO AS BIOGRAPHIAS
DE MUITOS DELLES,

TtDO PRECEDIDO DE UM

ENSAIO HISTÓRICO SOBKE AS LF/ITU AS
XO BRAZIL.

TOMO II.

LIS130A
>A lAfPXOSA. >ACIO>AL.

ISoO.

ADYEUTEXCIA.

Jljlpesar dos bons desejos que nos anima-
vam ao emprehender esta publicação, viu-se ella
mais de uma vez delida e empatada. E agora
qne, dej)ois de quatro annos uo prelo, a damos
por concluída, vexàmo-nos de enconlrar-lhe
tantas falias e imjierfeições. Chegámos a ter
medo de a deixar ea não ver na resolu-
correr,
ção arlútraria de a guardar um tanto de amor
próprio, talvez o juiblico não tivesse a obra
com seus defeitos, pelo uieuos agora. Miis não
devemos sustentar caprichos venham embora
:

as censuras, que ahi vai o livro.
Convém, porém, taber-se que, quando era Gns
de 1846 entregámos á imprensa os primeiros
materiaes para elie estávamos empregado na
,

legação imperial em Liíboa, d'onde pouco de-
pois tivemos que sair para outro destino. An-
tolhou-se-nos fácil a continuação da impressão
naquella ciclade, com a coidição de que se nos
mandaria uma Várias des-
|)rova i^efo correio.
sas provas foram revistas em jornadas n'uma
estalagem, e sabe Deus cumo. Outras vezes
chegavam com recommendação de que deviam

Quanto á orlhographia. aduptando-os em todas as palavras. desculpa pelas irregularidades. como fizemos com ls qualorze primeiros. o leitor estrangeiro. Estas difficuldades. e era necessá- rio sempre vèl-as com demasiada precipilaçào. Madrid. 11 de Outubro de 1850. pois. : lendo que fazer uso dos accentos. sabemos que a muitos parecerá estranha màs. esperando merecei a em allençào ao serviço que em todo o caso fazemos. sobre tudo.XCIA. de Farnhagen. não podíamos deixar de ser cuherentes.IV ADVERTíi. A. r. devoher-se pelo mesmo correio. e aos bons dese- jos que nos animam. nos ol)rigaram a abandonar o pensa- mento de proseguir com a redacção das bio- graplúas de lodos os poetas. em que a sua presença possa auxi- liar. Pedimos. e o desejo de terminar a obra. e pelas emendas que vão era notas e erratas. .

IGNACIO JOSÉ DE ALVARENGA PEIXOTO. .

org/details/florilegiopoesia02varn . Digitized by the Internet Archive in 2009 with funding from University of Toronto http://www.archive.

que em reconheci- mento não [jerdiam occasião de o exalçar. amigo de José Ba.** regi- mento auxiliar da campanha do Rio Verde. » Assim é que o mesmo Pombal dcjiois de o despachar primeiro juiz de fora de Cintra o elevou depois a ouvidor de uma comarca em Minas com a patente de coronel do 1. que njuitos l. que foi publicado com o mesmo poema") nào devia ser menos estimado por Pombal. do qual ora nos vamos occuj)ar.-cessiàade eíii <le stia alta cuidar du Brazil. lírna- cio José de Alvarenga Peixoto.-«ilio (a cujo Vrvguay comj)oz um Soneto encomiástico. a quem tanto louvor pródiga na ode a N3o OS heroes qae o gume ensanguenlado. As suas composições ])octicas já antes o ha- viam recommendado para árcade ullraraurino . veio elle também a ser grande protector dos brazileiros.«iaziieiros talen- e pois tosos haviam sempre em Purtugal correspondido á sua confiança. porém até h<»je nã<> nos tem sido possível Hr- . Um delles. IGNACIO JOSÉ DE ALVARENGA PEIXOTO O j)olífica iMaiquez de Punibal tiuha coiiheciíJo a n-.

e de f i7er protestos pela lealdade de seus votos : Vai ardente deiejo. Grande Augusta. pe- netrou-se tanto desta idea que com o vigor da convicção traçou uma ode em que convida a Rainha Maria I.<». e que irovernou aquella província desde \71ii até 1783. * Cheirando ao Brazil o nosso poeta. a quem talvez nào seria estra- nho o pensamento de Pombrd de esiabeiecer na America a cabe<. é lealdade. ao depois Conde de Cavalleiros. E com todo o seu enthusiasmo nào se esquece de prevenil-a contra as naturaes rivalidades da antiga metró- pole.a do império portuguez. mas deisà- niol-3 em pendência.urcste c o :iulor da Pespostn de Nize á^despedida de Filcno por Cláudio. magis- trado e raililar. E bem di^no é de ler-se o patriótico canto genea- thliaco qne compoz em 19 estancias ao filho desse Goveriia-ior. Rodriáo José de Menezes. Em Minas é natural que cotueçasse a conviver com ClnuJio e Gonzaga além disso \emos que : se dava com D. e as- senhorear-se da America luda. . e coUocando-a no Florilégio e na composição. a passar-se ao Brazil. nuo afliançaiiios de todo que seja eila obra de Alvarenga Pci\oio'. Sào dignos de perdão crimei d'amor. * Em lodo o caso F.'tiã JL0Í5ÍÍ [•«. era oque le\ava como pastor. cidir cdiii certeza se <j íicuni' (ie Eiíitatc P/te- nicio. Entra buiuilhndo na real Libboa Sem ser sentido do invejoso Tejo Da America o furor Perdoai.

Além disso parcoe que havia estado em Portugal e que era autor .'uppondo que nào tivera nella parte. visto que já não é necessário o disfarce. e uSo do Rio. Luiz da Cunha de Me- nezes. Do no- me Dirceu. amigo de Gonzaga.ar. faz-se nellas raeuçào como amigo do autor também se faz . Caríus mineira! lhes podémo» hoje cbarr. lào fortemente satyrisado nas Cartas Chilenas. referencia a um chimico. etc. e de sobre ella meditar. Mé Minas e Villa Rica entram no ver?o eom o mesmo metro de Chile e Santiago. • obra ésla cuja composição cremos nào seria estranha ao mesmo Alvarenga Peixoto. recommendado por seus escriptos. antes ha toda a probabilidade pelo contrário dl' que como oa mais mineiros tomasse parte activa contra os abusos deste Governador. ALVARENGA PKIXOTO ô<ío Igual aniisade nTiu com o travou" do certo successor deste último. é que chegámos a descubrir que se referia a nni governador de Minas. o maicar a época e a])0ntar a pessoa do satyiisado fanfarrão. . que talvez seria o Maciel. De- via ser pessoa versada na jurisprudência. como a principio imaginamos. e a um velho jurista.ão variada e grande facilidade de metrificar. já nSo olTerecia tanta difliculdade. ainda . pastoril de Gonzaga. Esta ultima circnmstancia parece deduzir-se dos dois se- guintes versos de uma ej)islola que precede as * Só depois de ler muitas vezet esta composição. —A crítica litteraria s(> por si poderá resolver qual dos difficilmente lilleratos que estavam em Minas seria propria- mente o autor das taes cartas satyricas. que conservou o mando até 178B e . de que adiante faremos menção. Dado este passo. de instrucç.

que vemos nas obra^ aulhenliras de Alva- renga Peixoto. preferimos collocal-os onde vão. conservando-lhes o pseiidonynio Critillo por escrúpulo. quem sabe se. ' Devendo dar trechos dessas Carias Chilenas nesta collecção de poesias brazileiras.serio para * <• Refocilar a lassa humanidade. « Dois poetas havia então era Minas em quem se davam todas estas condições :o de que ora nos occupâmos.-os repetições de mau gosto. quereria também o aiitor snir-se do .pi. e Cláudio cuja aíTeiçao por Gonzaga fizemos sentir na sua biografia. A sa- tjTa de que tratámos é inferior ás obras que conhecemos de um e outro no eslylo ha re. etc. visto que as laes cartas não deviam ser impressas. e da lyra enlhusiasta de Alvarenga Peixoto.õíiG rLOlíILEGlo Cartas. Com tudo além de que ás vezes dorme o próprio Homero. e o amor a certas comparações verbi grada da raça dos homens com a dos IcOes. a qual no geral do esfylo parnce ser de Gonzaga : Que teus escriptos de nma idade a outra « Passarão sempre do esplendor cingidos. comecem a abalar-nos favor de que .i í. : dundâncias e nos ver. e ás vezes expressões menos decorosas que desdizem da alma maviosa de Ciaudio. e já nào jiarece o mesmo. » O certo é que as laes Cartas Chilenas são o corpo de delicto do orgiilhoío Cunha de Me- nezes at) passo que u desgoverno deste foi .i cllc o tal Critillo. se bem que a analogia no uso de algumas frases como Augusto por Soberano. .

seu cunhado Freire de Andrade. e mal sabia se seguiria o caso da fabula que no seu successor enconlrariam alguns o seu ílagello ! No tempo de Menezes tinha-so dilo : Qne a humanidade emfim desaggravada '. na qual elle f^sfaria á frente do seu regimento. julgava encontrar em Minas recursos bastantes para suster-se o . . vendo ensejo favo- rável de realisar as suas ideas de forraar-se um governo no Brazil. : que voltava de estudar em França onde vira os princípios da revolução. propoz as providencias que se deviam adoptar para crear partido e para resistir á guerra. . commandanle da infanteria. Queixava-se o novo de Cu- nha de Menezes. . n A chegada de Barbacena correu a notícia de que ia elle forçar o pagamento de setecen- tas arrobas d'oiro. ALVARENGA PEIXOTO. e o nosso poeta Alvarenga Peixoto. que desafrouxa Tintos de fresco gotejado sangue. Os Estados Unidos haviam sido felizes con- tra a metrópole o chimico Josá Alves Maciel. deixou se convencer. 3G7 talvez a origem ua primeira fermentaçrio em Minas que levou o povo á conspiração que de- pois se descobriu. por teu braço Os ferros foltará. que Minas devia á coroa segundo a capitação Em vários círculos se tratou da impossibilidade de se annuir a taes ordens. enthusiasraoii-se improvisou : logo a bandeira |)ara o novo estado e. e o direito natural lembrou logo os recursos que havia para a resistência.< Das injúrias que soíFre .

Mas. como succede tantas vezes. Os reos foramapanhados e jtilfrados. alguns cons- piradores converlerem-se era denunciantes. Sae o préstito sinistro e ao chegar á . entre outrus a Alvarenga Peixoto de\endo além disso 6car infamada . forca é justiçado primeiro o reo que os juizes deram como mais culpado. . sua geração. carrasco espera O a victima immediata. A Alvarenga Peixoto destina-se o desrredo perpétuo para o presídio d'Ambaca nos sertões d' Africa l E lá para Angola onde pouco o levaram tempo viveu ! Nem ao menos cobrem Infeliz ! teus ossos terra cívilisada. dão ] Perdão se propaga pelas turbas apinha- ! das ! Era um decreto d'amnislia da Rainha Ma- ria I. Mas em logar desta junto ao patíbulo lê-se um papel e o grilo de Per. Segue-se uma excellente eataslrophe dramá- tica. Era 1192 chegou ao Rio a sentença que con- demnava á morte. já que os não pôde cobrir a terra da pátria ! .568 FLORILÉGIO. JoSo d'El-rei.comrautando aos outros a pena de morte. confiscados seus bens e posta sua cabeça em pelourinho em S.

Se o Tejo ao Minho e ao Doiro Lhe aponta um rei em bronze eternizado. E seja vosso tudo quanto temos. Pára nós só queremos Os pobres dons da simples natureza. 3<j9 Ode. Fidelíssima augusta. Mostre-lhe a filha eternizada era oiro. contra os ceos erguidos. ! Em que do novo mundo a ])arte inteira Acclame o nome augusto de Maria. ALVAKENGA PEIXOTO. São do primeiro Affunso conhecidos. o oiro. Veja-it! tremular uma bandfira. a fina pedraria Que escondo destas serras a riqueza. Desentranhe riquíssimo thesoiro Do cofre americano a mão robusta . Ah chegue o feliz dia. Não oíTuscani do sol os resplandores. . íló esta voz na America se escute. e vestiremos Barbaras pennas de diversas cores. Do throno os resplaudores Façam a nossa glória. Real real primeira. liivisiveis vapores Da baixa terra. Os padrões erigidos A fé real nos peitos lusitanos. Sirva á real grandeza A prata. A nós americanos Toca levar pela razão mais justa Do throno a fé aos derradeiros annos.

Vem ])vr o termo á nossa desventura.370 FLOiULEGIO. Não temaes dos Pi-í^arros a fereza. E os seus favores sobre nós derrama. Já era vosso o mundo novo inteiro. A augusta portugueza Conquista corações. Se o Rio de Janeiro Só a glória de ver-vos merecesse. Os galeões pezados de Acapulco. Ficavam incluídas As terras. Eu fico que estendesse Do Cabo ao mar pacifico as medidas. chegai contentes. As cascas enroladas Os aromas. Mas nós de amor sugeilos Proniplos vos offertamos á conquista Bárbaros braços. Das serras da Araucana Desçam nações confusas difTerenles A a mão da soberana. em todos ama O soberano autor da natureza. Por seus filhos vos chama. . que vos foram consagradas. e constantes peitos. Nem dos seu? companheiros insolentes. E p<ir fora da Havana as recolhesse. vir beijar Chegai. Poderão mais que as serras prateadas. Roinj)aiu o instável sulco Do pacífico mar na face pia nu. Apenas por Vespucio conhecidas. e os indicos efl'eilos.

Têm prendido o leão por muitas vezes. Entra humilha Jo na real Lisboa. Chora. Sem ser sentido do invejoso Tejo : Aos pés augustos voa.. vinde descançada. Vinde. tens a acção vencida. grande augusta é lealdade. que vos adora. Perdoo a majestade.A PEIXOTO Pode a 'Fartaria jírega A luz gozar da nissiana aurora . e faze que a mãi compadecida. De que servem dois erandes Vasconcelliis r Vinde a ser coroada Sobre a America toda. Cunha. iMais do Téj(» não temas o rigor. \l V AHKM. Tens triumphado. . Km quanto o inundo novo sacrifica A lijiolar propicia ílivindade : . Dos saudosiis filhos se condoa. MelUis. Ficando enternecida. Castros. real Honrar os vossos mares por dois mezes. Vai.niàos seguras. E a nós esta fortuna não nos chega ?" senhora. Alnieidss Silvas. que j)roleíta Jurar nas vossas mãos a lei sagrada. ardente desejo. Fiai os reaes sellos A. Noronhas e Menezes. Vinde ver o Brazil. São dignos de {)erdão crimes de amor. Da America o furor Perdoai.

O piiucipe sagrado No pão de pedra. r. que o faz ver de lauta altura Ambos os mundos seus ambos os mares. Espalhada nos bárbaros desertos. A honra de mandal-os. "Veja a triforme garra Qiiebrar-llie aos pés Neptuno furioso. eternamente guza. O Índio o pé bateu. . E de repente desappareceu. Que vem a tributar-lhes ol)edientes. Que cerca o seu império magestoso : Honrando nos altares A mào. Conservada por vós firme e segura. Tremeu a terra. que domina a barra Em colossal estátua levantado. vi raios. ouvi trovões. que serviram vassallos. Que é impossível quasi ennumeral-os.s jiela xoz do ministério : E os povos diíTerentes.72 ILOlilLEG-O. Pedem ao neto glorioso teu Que adoram rei. Eterna j)az. . Que o irritado Sudoeste esbarra . E veja glíjrioso Vastíssima extens^ào de imraensos mares. N'uni e n'oulro heraispherio Tu \es os teus augustos descendentes Dar as Ici. E a fé mais santa e j)ura. Sombra illustre e famosa Do grande fundador do luso império.

Bem que venha a semente a terra estranha.^ual fòn. Já produz fructos do melhor da Europa. O que o estio em umas terras ganha.s Se é patrício este ramo dos Meuozes ? . Nem do forte leào fora de Hespanha^ A fereza nos filhos degenera . E vosso sangue. o que produzio no norte. Rodrigo B. que esta lerra ensopa. : . Nunca mais recordeis os males vossus .irljaros Qlhos destas brenhas (Juras.a írera. Quando produz. com i. Revulvam-se no horror das sepulturas Dos primeiros avós os frios ossos Os heroes das mais alias cataduras Principiam a ser patricios nossos . Nas outras vence a fresca primavera.VARt.NGv PL. a virtude e a fortaleza De altos e antigos troncos portugueze. A raça dos heroes da mesma sorte. Ao nascimento do filho do Governador D. Produz no sul.aOIO. Rómulo por ventura foi romano ? E Ruma u quem deveu tanta grandeza ! O grande Henrique era lusitano? Quem deu princípio á glória portugueza ? Qne importa que José americano Traga a honra.

Dirá José. Para mostrar do nosso heroe na bocca Como em grandezas tanto horror se troca Aquellas serras. alentos ao meu verso. . Tem as ricas entranhas todas cheias De prata e oiro e ])edras preciosas Aquellas brutas escalvadas serras Fazem as pazes. E que o bastàó do pae cora gIo'ria herdado No pulso invicto pendurado tenha. Qual esperaes que seja o seu agrado r Vós experimentareis como se empenha Em louvar estas serras e estes ares. Em ^enenar gostoso os pátrios lares. dao calor ás guerras. Dará novo?. Negros e extensos bosques tão fechados. oh quanto são formosas ! Elias conservam nas occultas veias A força das potencias magestosas . Quão diíTerente é para quem ama Os ternos laços do seu pátrio berço ! O pastor loiro. Que enchem de horror a vista delicada. Em soberbos palácios levantados Desde os primeiros annus empregatia. . E do agreste paiz habitadores Bárbaros homens de diversas cores. Esses partidos morros e escalvados. Do seio de delicias tão diverso. Isto que Europa barbaria chama. Que até ao mesmo sol negam a entrada. S74 FLORILÉGIO. Quando algum dia permittir o fudo Que el!e o mando real moderar venha. na aparência feias. que meu peito inflama.

E Lisboa de Europa maravilha. Sào os que em edifícios respeitados Repartem raios ])clos crespos mares. Cuja riqueza a todo o mundo assusta. Porque aterrou a fera de erimanto. Barbara terra. que empunha na mão justa Do au2:uslo José a heróica filha. Que occnpaoi qnasi a reiriào dos ares. tendo sempre armados Da pesada alavanca o duro malho Os fortes braços feiloá ao trabalho. que a antiçruidade acciama. pôde tanto O grande heri.^ Ou inda o macedonico guerreiro. IA coroa d'oiro.' Ou esse a quem da tuba grega o canto Fez digno de immortal eterna fama . Esses homens de vaiios accidentes Pardos e pretos. Que soube subjugar o mundo inteiro ? . São obras feitas desses lenhos duros. que na lesta brilha. Por ventura. Venceu a hydra com o ferro e chamma. Os coriíUhios palácios levantados. Ras?am as serras. Aojj penosos serviços costumados : Elles mudam aos rios as correntes. jónicos altares. tintos e tostados São os escravos duros e valentes.NGA PLiXOlO. ALVMíK. Dóricos templos. Filhos desses sertões feiíiS e escuros. senhores. õY Aquelies morros negros e fechados. E o f ceptro. Nossa rainha soberana aug:ijsta. mas abencada. Esías lerras a fazem respeitada.e.

filho amado. dizei. . Porque foste por mim regenerado Nas puras fontes de primeira graça : Deves o nascimento ao {)ai honrado. armadas grossas: Procurar o metal. Bem que um throno real teu berço enlaça. De amor em ternas lagrimas desfeito Esías vozes tirou do amante peito. Se o justo e o útil pode tào somente Ser acerfado fim das acções nossas. A tempo que chegava o velho honrado. O breve instante em que ficou calado. E destes homens o cansado estudo : Sào dignas de attençào. Mas eu de Christo te alistei na praça : Estas màos por favor de um Deus superno Te restaurarão do poder do inferno. Quaes se em})reg:am. E já o nosso heroe nos braços tendo. Filho. mais dignamenít As forças destes ou as forças vossas ? Mandam a destruir a humana gente Terriveis legiões. que assim te falo. Que o povo reverente vem benzendo Do grande Pedro com o poder sagrado . Foi sempre uma cora outra disputada Com fins correspondentes aos intentos. .•"7G FLORILÉGIO.* niovimenlos. ia dixendo . Eu só pondero. qne ossa força armada Debaixo de acertado. Que bate a forma da terrestre esfera Apesar de uma vida a mais austera. que acode a tudo. Istoque tem co'a força disparada Contra todo o poder dos «^lementos.

Assim confio o teu destino seja Servindo a pátria e augmentando o estudo.!. ALVABK. Spíruindo sempre de teu pai os passos. Zelando a honra da romana igreja. Pt<r onde quer que o teu destino sigas.seus" (lisví-los desde arpielle instai. Assim contente acabarei meus dias. sertões. Acabou de falar o honrado velho. torna a meus braços. Tu honrarás as minhas cinzas frias. Ouviu o nosso heroe o seu conselho Novos projectos sobre 03 seus formamlo. morros e serras Vfileroso. Já R. promoveu tudo. (Jom lagrimas as vuzes misturando . Permilta o ceo. filho Permitia o ceo. E quantos virara seu sereno rosto Lhe obedeceram por amor e por gosto. Sào . Que file pisou por todas estas terras Matos. rios. Augmentar os thesoiros da reinante. que a governar prosigas. Exemplo illustre de teus pais herdado .is paternaes fadigas Não receioque encontres embaraços. diligente Do serviço real. Já nos paizes do Pori valente.NGA PEIXOTO. Propagar as doutrinas do evangelho. que eu felizmente veja Quanto espero de ti desempenhado. Sentiram todos sua mào prudente Seoípre debaixo de acertado estudo. Honrando ala:um. Ir aos patrícios seus civilisando. incansável. . 577 Amado meu.is bosques do bruto Bulicudo.

Até os tempos. Trazei-me. . Das minas d'oiro Rico thesoiro PAra os pintor. Nos longos fios Dos seus cabeKos. Retrato de Aiiarila. Em que nos torne o século doirado Dos tempos de Rodrigo e de Maria . A minha Anarda Vou retratar. Tudo careço Para a pintar. Trazei-me. Se a tanto a arte Poder chegar. amores. Feliz goveriK). Quanto vos peço. que o destino encerra De governar José a pátria Irrra.378 FLORILKGIO. queira o ceo sagrado Que eu chegue a ver esse ditoso dia. amore>. Ternos disvellos Vao-se enredar. Século. que seiá sempre lemi)rado Nos instantes de gosto e de alegria.

auu. De ura diadema Diíno lo2-ar? Trazei-mc. Subtis pincéis. Para a pintar. A' um doce aceno Settas a molhos Dos brandos olhos Se '. Fieis ensaios Para os pintar . amores. amore*. Trazei-rao.re. Da silva idalia Jasmins de Itália Pára a pintar. A3 mais viçosas Flores vistosas Pílra o pintar Qiicra ha que a testa Não ame e tema. Qne de mil peitos Saheni triíimphar. Trazei-me. amores. VLA^\RE^'GA PEIXOTO No rosto a iiiade Da primavera. Do sol 09 raios. Na sna esphera Se vè brilhar.era voar.s. A frenteadornam Arcos perfeitos. Justos niveis. Trazei-me.

amures As mais mimosas Pudicas rezas Para as pintar Os meigos risos Com cracas novas Nas lindas covas Vho-íp aJMijtar. Nas conchas claras Pérolas raras Para os piíilar.380 FLORILÉGIO" Nas lisas faces Se \ô a aurora. Trazei-wK'. As soml>ras breves Para os pintar. Va^fos desejos Da bocca as brazas As frágeis azas Deixam queimar. Trazei-me. Quando colora A terra e o mar. Trazei-me. amores Coraes subidos. . Robins polidos Pára as pintar. amores. Enlr'alvos dentes Postos em ála Suave fala Perfuma o ar. amores Os i)inceis leves. Trazei-nie.

que fervem. pintar. Do peito as ondas . Toda se apura Em St. Trarei me. amores. Jaspe a mã<is cheias. Màos cristalinas. Que dcces laços. De finas veias Para o. As assucenas. Trazei-me amores. A delicada. Gentil cintura. ALVARENGA PEIXOTO O collo. Anciãs. Limões nevados Para o pintar. Proiuellem dar.iii(% amoreí. Globos gelados. So ellas servem Pára a pintar. atlanle De taes assombrué. São tempestade*. Roliços braços. Trazei-me. amores. estreitar. . Onde iis vontades Vào iiaiifrajíar. Das uiais pequenas Para as pintar. Airosos hombros Corre a formar Trazei.

Vés delirados Ferindo a terra. ILORILEGÍO. Meninos. Qnem faz sábios é o pensar. * Conselhos a seut fílLoi. amoreji. É preciso ponderar.sjiirito E o mais. Porte de deosa nobre. Que sempre se ha de enganar De caras a corações A muitas legoas que andar. * Cusla-nos a crer que sejam de Alvarenga Peiíoto L-intC estas sextilhas como . Vedes. eu vou díctar As regras do bem viver . as suas Podeis pintar. Ninguém soletre feições. E. qn^encobre Fino atentai Só vós. Neste tormentoso mar D'ondas de contradicções. Trazei-me. Que a liçào não faz saber.) . As seitas proiiiptas De duras pontas Pára os pintar. .n poesia que se srt. amores. As almas guerra Vem declarar. Que as graças nuas . Não basta somente ler.uc (05a/i/io.

Procurai capote roto Ptí de baniu de ura brilhar. que ratos velhos Nào ha modo de os caçar : Não batam ferros vermelhos. Que só vivem de escutar. As conversas. I\íanda a prudência ferrar. Que os males por si virSo. e as intrigas Servem de precipitar. Qne as paredes têm ouvidos. calcular. ^'*^^ ALVARK-NGA PEIXOTO. E lambera podem falia r Ha bixinhos escondidos. Não vos deixeíes enganar Por amigos. nem amigas Rapazes e raparigas N^o sabem mais. Que dizem. Se é tempo de professar De taful o quarto voto. E antes que ronque o trovíio. : . Sem ninguém os procurar. que asnear .is regras dt. . Qiie seja sábio piloto N. Deixem um pouco esfriar. Quem quer males evitar Evite-lhe a occasiàu. Sempre vos deveis guiar Pelos anlig(js conselhos. A p pi içai ao conversar Todos os cinco sentidos.

Mais havia que dizer. deixa-se estar. ! 3o4 FLORlLtGiO. Que \ós deveis estudar. E pôde quem conta os coui s. Quem fala.? e o rei não brincar. Com Deu. ariíTolinas do azar : Taes as fúbulas. Deveis-%'os acautelar Em jo2:os de paro e túpo. Amar por muito temer Màs temer por muito aruar. E quem sabe discorrer Pode o reslo adivinhar. de Esopo. Se \us mandarem chauiar Para ver uma funcção. Respondei gempre que não.-. Mil pontos accrescentar Fica um rebanho de tontos Sem nenhum adivinhar. Santo temor de oíTender A quem se deve adorar Até aqui pode bastar. . Que tendes era que cuidar : Assim se enlende o rifão Quem está bem. E servir e obedecer. Mâs eu tenho que fazer. Promptos em passar o copo Na. . Não me jiosso demorar. Sem pôr virgulas nem pontos. escreve no ar.

Pendente ao tiracol de branco arminho Concavo dente de animal marinho As preciosas armas lhe guardava .n<. . rra quanto ao doce accenlo . As hásteas d'oiro. que nos traz o dia. alvai<k. Era recamadas palies de sahiras Rubins. topázios transparentes. Era thesoiro e juntamente aljava. em que não mande a morte. Que o indio valeroso altivo e forte Não manda seta. Zona de pennas de vistosas cores Guarnecida de bárbaros lavores. No peito eni grandes letras de diamante O nome da augustissima imperante. ditosa e socegada sésla ? Eu vi o Pão de Assucar levantar-se E no meio das ondas transformar-se Na figura íle iiui indio o mais gentil. mas as pennas pretas . De folhetas e pérolas pendentes. Finos fhrystais. No cocar. De inteiriço coral novo instrumento As mãos lho occupn. De pontas de diamante eram as selas. Representando só todo o Brazil. ! I Vi tudo quanto pode a natureza. oh que assombro oh que riqueza . 38í> o Sonho. Oh que sonho ! oh que sonho eu live n'esta Feliz.a pi-iixoro. e diamantes e saphiras. Em campo de esmeralda escurecia A linda estrella.

que afinava. a morte Nem é morte. E a fortuna desigual. Qu'a quem morrer sabe. Ao famoso vice-rei. Sirvo á grandeza real. Sirvo á glória da imperante. qae jurei. Insultando o fado e a sorte. Das sauiiusas j)alhetas.38G FLORILÉGIO. Sou vassallo e sou leal. Ao illustre general. . Fiel constante. Aos elysios descerei Fiel sempre a Portugal. As bandeiras. nem < mal. Pindnro americano assim cantava. Como lai.

.

Me vem acompanhando Por mais me atormentar ! Faria o esquecimento Menor o meu tormento : Mas quando é. quantas Agora despertando. que é tormento ingrato Deixar teu flno trato : Mâs quando é. que tu viste Um triste Respirar ! Quantas memórias. De tanto mal. por Claudi Aiíeus. e tanto AUívio é só o pranto : Mâs quando é. Sei. FLORILÉGIO. E nesta despedida Se não se acaba a vida. . Ídolo amado. Adens . que tú \ iste Ura triste Respirar ' . É só por mais penar. Despedida de Fileno a Nize. que o meu destino Me leva peregrino A nào te ver jamais. que tu viste Um triste Respirar ! Tu eu me ausento ficas .

STE. Se foges peregrino. quantas Do somno despertando. 364. Por me nào ver jamais. Acciísas teu destino . Que abrande o meu tormento : E tu. Enlre martirio tanto Eu me desfiz em pranto : E tu. KLRF. Partiste A respirar ! • Veja a nota da pag. Fileuo amado. 539 Resposta de Niie a Fileno. Visle-me. : Foi esta a despedida. falso. Qne toda a rainha vida Me ha de fazer penar. Prosa a teu doce trato : E tu. que assim me viste. Partiste A respirar ! Dizias eu me ausento. que assim me viste. Por não me atormentar ! Não ha esquecimento. que assim me uste. — Esta resposta segne na» quatro segnintes pajjinas impares.por Eureite Fenício. e a despedida de Cláudio nas pazes . * Em vão. Te vou acompanhando. ingrato. Partiste A respirar ! Oh quantas vezes.

! Sentado junto ao rio Me lembro. que tu viste Um triste Respirar. Aqui entre desvelos. Que n'alma impressa está. Daquella feliz hora. Que triste eu tinha estado. Os sítios estou vendo. Aonde amor tecendo Seu doce enredo está Aqui me occorre a fonte. Alli me lembra o monte Mâs quando é. que tu viste Um triste Respirar ! . Ao ver teu rosto irado ! Mâs quando é. Me pede amantes zelos A cansa de meu mal. Girando esta montanha. fiel pastora. : 390 FLORILÉGIO. de Lizarda. que tu viste Uni triste Respirar ! De Filis. Alegre o seu semblante Se muda a cada instante : Mâs quando é.

Nize. e na montanha. Me podem já dar zelos. fiel pastora. Só teu cruel semblante Me lembra a cada instante E tu. Partiste A respirar Ao som do manso rio. que assim me viste. Saudosa hoje eslou vendo O engano. Que foram teus desvelos. Nem já me fazem mal. nem Lizarda. que tecendo A minha idéa está. Chorando a toda a hora A tua ausência está. ! : EUKF. Partiste A respirar I . Baixei coratigo á fonle. Partiste A Respirar ! Nem Filis. AíBicta neste estado Accuso o ceo irado : E tu.STE. Subi comtigo ao monte : E tu. 391 No prado. (jue assim me visle. que assim me viste.

. Amante nos teuft braços. Quem sabe. que tu viste Um triste Respirar ! . Um ramo me prepara . se outros laços. É tersempre o receio. que tu viste Um triste Respirar ! O mais. que tu viste Um triste Respirar Tudo isto na memória (Oh barbara crueldade!) A força da saudade Amor me pinta já. De que outro amado enleio Teu j)eito encontrará. ! Mâs quaudo é. Rendido desfaleço De tanta dor no excesso : Mâs quando é. Talvez por me agradar Anarda alli se agasta : Dalizo aqui se afFasta : Mas quando é. que auermenta a mágoa. ! : 392 ILORILRGÍO Aqui colhendo flores Mimosa a nimfa cara.

como a saudade Me nào tem morta já. Já nào quer agradar. Partiste A respirar . Já a^ora não prepara . que assim me viste Partiste A respirar ! Crescendo a rainha mágoa. Chorando em tal excesso : E tu. te Que vezes nos meus braços Eu te formei os laços E tu. Conservo na memória A tua crueldade . 5o. que assim me viste. Se augmenta o meu receio . Mas ah ! que desfaleço. que assim me viste. Nem sei. ! ! . Fileno as bellas flores A Nize amada e cara. Comigo amor se agasta O meu pastor se affasta : E tu. Partiste A respirar. Que entregue a novo enleio Talvez encontrará.

Verás. Ah lerabra-te. Pur onde «juer. que tu viste Um triste Respirar Lá desde o meu desterro . que em rueii retiro Só gemo. Desta aliiiíi. Qne já te soube amar. cpie tu viste Um triste Respirar . Verás era meu tormento Perpétuo o sentimento. !! ! l-i. só suspiro : Mas quando é. De meu querido enleio O nome hào de escutar. que le adora. ([iie gires. Mas quando é. que tu viste Um triste Respirar As ninfas.OKJLLÍlK). que esta corrente Te vem fazer presente A anciã de meu mal. pastora. que se escondera Lá dentro do seu seio. No bem desta lembrança alma alcança Allivio a : Mus quando é. Verás.

qne ausente gires De Nize. Que mais te saiba amar. Ve bem. Ao Som desta corrente. Partiste A respirar ! Aqui posta eiu desterro. (pie asfini me viste. Nào has de achar pastora. E nem esta lembrança Sequer minha alma alcança : E tu. (pie assim me viste. S9ií Por mais. HLRESTE. que te adora. Semi)re terei presente A causa de meu mal. Pois leu fin?ido enieio Nào querem escutar.ite A respirar i Ale de mini se escondení As ninfas no seu seio. E tu nesse retiro Desprezas meu suspiro : E tu. Partiste A respirar J . Parii. a que tormento Me obrijra o sentimento : E tu. (jiie assim me viste.

Minha alma o vingará. pastora. Ah! Deva-le meu pranlo Em tão falai delirio. que tu visle Um triste Respirar Terás em minha pena. Se em ti não á constância. »! ZQtí FLORILÉGIO. que tu visle Um triste Respirar l . ah bello emprego . que tu viste Um triste Respirar E se por fim. Terás. . ! Não leraas eu socégo : : Mâs quando é. Com passo vigilante. A minha sombra errante. Sem nunca te deixar. Mereça um mal sem cura Lograr esta ventura : Mas quando é. que o ceo se abrande Aos ais de uma ância grande: Mâs quando é. Duvidas de minha ância. Farei. Q\ie pagues meu marlyrio Em premio de amor tal.

Por todo o campo errante. Partiste A respirar Verás na minha pe. que se abrande. Vendo rigor tào grande : E tu.. Partiste A respirar ! . Zombando de lua ância. De quem não lera socêgo . Que sempre vigilante. Da falta de constância Em ti me vingará. que o meu pranto Passou a ser delirio : Pois raeu cruel martyrio Chega a extremo tal. Mas como ha de ter cura. Partiste A respirar ! Talvez outra pastora. que assim me viste. que assim uie viste.' E tu.ia. ah louco emprêji . Mal feito. ! EL K ESTE. Jamais te hei de deixar. E tu. 39: Conheço. que assim me viste. Quem nasce sem ventura? E lu.

no livre arbítrio Dos pobres camaristas repartirem Bilhetes de convite pelas damas. Em quanto. Amigo. Repetidos por boccas de mulatos . ah! In não pode. Escreve-se ao senado extensa carta Em ar de raagestade.598 í'L01U!J:GI0 * Excerplos das Cartas Cliilenas Desciipção dumas íeotns eui Villa Rica. Que aos festejos reaes prescreve a norma. Em quanto os taberneiros ajuntavam Immenso cabedal em ptjucos annos. E nella se lhe ordena que prepare Ao gosto das Hespanhas.» Pezar o desc(jncérto desta carta. bravos toiros. abundantes mina»» d'oiro . . Era quanto nào souberes a lei própria. • Veja pag 3(Jí>. Ordena-se também que nos theatros Os três mais bellos dramas se estropiem. Chegou á nossa Chile a doce aova De que real infante recebera Bem diírna do seu leito casta esposa. Quer que ás expensas do senado e povo Arda em grandes festins a terra toda. em phrase moira. Dorotheu. Dorotheu. a nossa Chile Em toda a parte tinha a flor da terra Extensas. Dorotheu. E para bera fartar os seus desejos. Nho esquecem emfim as cavalhadas Só fica. Reveste-se o bachá de jrenio alegre.

Mas nunca quando ligam os seus braços. prezado amigo. Applicar-se podendo a coisas santas : Ordena providente. cavalhadas. . E vendo que estas rendas se gastavam Em toiros. que feliz fora ! Esta vasta conquista. (piando ligam Os braços dos mais homens <|ue elles mandam. e comédias.beiíiterem nas tabernas fedurentus Outros mais sortimentos. Só julgam que os decretos dos augustos Tem força de decretos. Nãu Ihfs ha de apnrovar tão irrandes gastos. a cachaça. se os seus chefes Com as leis dos raonarchas se ajustaram / Mas alguns não presumem ser vassallos. E sobre as prataleiras poucos frascos : Em quanto emfim as negras f/iiitandciras A custa dos amigos aó trajavam Vermelhas capas. ricas saias : Então. Ah meu bom Dorolheu. que a virtude presa . o neíjro fumo. de calões cobertas. e jxmdera Que o severo juiz que as contas toma. Chegaram tacs despezas á notícia Do rei prudente. Com esta sábia lei replica o corpo Dos pobres senadores. em qualquer festa Tirava liberal o bom senado Dos cofres chapeados grossas barras. E só façam cantar nos templos os hymnos Com que se dão aos ceos as justas graças. que os senados Nos dias era que devem mostrar gosto Pelas reaes fortunas se moderem. que luio fossem Os queijos. De galacés e tissus.

.: 4 00 FLOKLEGR). Acompanha ao pregão luzida tropa De velhos senadores : estes trajam A modo cortezão. Mette entre os duros braços a cabeça. Trocando as varas em chicote e relho. Os outros sabichOes. e alli -je assenta. que a causa indagam Discorrem. fugiu prudente. Dorotheu. chapéos de plumas Capas com bandas de vistosas sedas. saltando aos ares. que o senado lhe devia . E faz em dois pedaços sella e rédea . Da sorte. E em quanto entende que o senado zela Mais as leis que o seu gosto. não descança Aos tristes senadores não responde. Mandam-se apregoar as grandes festas. todos correm Com rosto de alegria ao santo templo: Celebra o velho bispo a grande missa . E dá. mil corcovos Assim o irado chefe não atura O freio desta lei espuma e brama. Uns dizem. se preparem Para serem os guardas dos forçados. Mâs manda-lhes dizer que a não fazerem Os pomposos festejos. Porém o sábio chefe não lhe assiste Debaixo do espaldar ao lado esquerdo. Chega emfim. . que o bravo potro Quando a sella recebe a vez primeira. O dia do festejo . Dorolheu. Em quanto nSo sacode a sella fora. o dia suspirado. Por não ver assentados os padrecos Na Capella maior acima delle. Pára a tribuna sobe.

E da parte direita toma assento. Mâs eu com estes votos não concordo. ora amarellu fica . Acabou-se a funcção o nosso chefe : A casa com o bispo se recolhe. E por baixo dos braços o sustentam : Então com mais alento o corpo move. Poderá diividar-se se devia O bispo ler a mitra na cabeça.íar-lenente. Que passa pelo meio das fileiras. E julgo affoilo. E duas vezes por subir forceja. e tendo posto O seu chapéo em cima da cadeira. Só n'uma funcção destas se conhece Quem tem andado terras. onde habitam Despidas dos abusos. sábias gentes. Acodem alguns padres respeitosos. o velho bispo atraz caminha Em ar de quem se teme da desfeita : Cora passos vagarosos chega á sege. que a razão foi esta : Porque estando patente. . sem que abaixe A emproada cabeça qual mandante. 401 Erguer no ()resbyterio docel branco. e o seu talento. O bispo. E sem poder soltar uma palavra. Encaixa na estribeira o pé cançado. Dá o terceiro arranco. A nobreza da terra os acompanha Até que montem a doirada sege. Chega junto á sege. Vai passando por todos. Em honra de elle ser lu. o chefe mostra O seu desembaraço. o salto vence . á se^e sot)e. CRITILLO. Ora \ermelho. meu Dorotheu. Aqui.

que se atreva A pôr na sua se^e ao seu prelado Da parle da bolça. E não pode hombrear com (]iiem desceiíd" De um bravo palagdo. estás mui ginja. que foi ha j»ouco frade. Os nossos próprios becas tem cabello . Amigo. Dorotheu. Em outro tempo. Nas mãos os seus chapeos agora. Traziam cabelleira grande. .40a FLORILÉGIO. Os grandes sem vão á missa. . Do nosso Fanfarrão ao lado esquerdo. amigo. amigo. Agora dirás tu que bruto é esse? Pode haver nm tal homem. que sem disputa Lá nos tempos de Adão já era -rande. os homens sérios Na rua não andavam sem florete. Eu tal não creio. Que os costumes se mudam c'os tempos. Acabou-se esta moda. florete Com a chibata na mão. Ninguém antigamente se sentava Senão grave nas cadeiras. chapeo fincado. e branca. Na forma em que ])asseiam os caixeiros. Que guardavam á risca os nossos velhos. Já lá vão os rançosos formulários. e Agora as mesmas damas atravessam As pernas sobre as pernas N'oulro tempo Ninguém se retirava dos amigos. a paridade. Pois corre. o nosso chefe Vindica os seus direitos: vê que o bispo É um grande. Dorotheii. Sem que dissesse. Se os antigos fidalgos sempre davam O seu direito lado a qualquer padre. direito. — adeus — agora é moda Sahirmos dos congressos em segredo .

Pedindo que lhe dispa os fatos velhos? Pois eis-aqui. Trazem os pagens as comj)ridas lanças De fitas adornadas. o nosso chefe Não quer perder de estar casquilho e teso No erguido camarote um breve instante. Quando já no castello de madeira As j)eças fuzilavam signal certo . logo aos outro*. Dorotheu. porque sejam . no largo curro Caretas não brincavam. De que o nosso heroe e o velho bispo No adornado palanque se assentavam : Agora dirás tu. Entra na praça a grande cometiva. (|uando juntos A benção vão pedir-lhe. CBITILLO. amigo. Que logo de manhã á niãi persegue. Não ha quem o cortejo não receba Em ar civil e grato só o chefe : O corpo da cadeira não levanta Não aljaixa a cabeça qual o donv> . Seguem-se os cavalleiros. 403 Ainda. que cortejam Primeiro ao bruto chefe. Enfeites com que lustram néscias damas. tu nunca viste Uma creança a quem a mài prometle Leval-a a ver de tarde alguma festa. é forte pressa ! Os chefes nos Iheatros enlram sempre As horas de correr-se acima o panno . Amigo Dorotheu. nem se viam Nos razos camarotes altas popas. Chegam-se emfim as horas do festejo. vem á dextra Os formosos ginetes arreados. Dividindo as fileiras pelos lados. Dos miseros escravos.

Dois coros Applaudem o successcj.404 FLORILÉGIO. as ventas abre. Os clarins. Feitas as cortezias do costume Os destros cavalleirus íralopeam Em círculos vistosos pelocampo . soam trompas. Desfaz com mao igual o ferro. Logo se formam em diversos corpos A maneira das tropas. E bate com as mãos na dura terra : Os dous mantenedores já se avançara- Aqui. No ligeiro cavallo a espora bate. e se aliram Redondas alcancias. prezado amigo. malhados tigres. S«jara os ataballes e fagotes. curtas cannas. e logo Qutí le\a uma argolinha a rédea toma. E faz que o bruto j)are. De que o destro inimigo defende se Com fazel-as no ar em dous pedaços Ao fogo das j)islolas se desfazem Nos postos as cabeças umas ficam . Enlào vaidoso Guiado de um padrinho ao chefe leva . Os homens peito a peito e braço a braço Jogam-se encontroadas. os boés e mais as fraulas. aqui nào lufam Como nos espectáculos romanos Com formosos leões. Ajudados de Deus no seu trabalho. enchendo os ares De grata melodia. Airoso cavalleiro ao bombro encosta A lança no princípio da carreira. O fogoso ginetes. que apresentam Sanguioosas batalhas . Dos ferros traspassadas. outras voam Sacodidas das pontas das espadas.

manda melter-lh As garroxas de foiro. Manda-lhe soltar os cães. O bruto chefe Acceila a ofTerla em ar de raagestade. Agora sahe um toiro que é prudente. .niLLO. sem fugir espera : Acena-lhe o capinha. Os caretas lhe dào mil apupadas : Um lhe pega no rabo e o segura . Agora sabe iim toiro levantado Que ao raáo capinha. a-riida lança. Que o nosso chefe ordena te recolham Sem fazeres mais sorte. e te reserva Para ao curro sahires. recua elle E atira com as mãos ao ar a terra. sem discurso e sem concerto. O deixa passear por largo espaço. De novo raspa o chão. Meu esperto boisinho em paz se fica. Manda á praça Sem rejrra. e logo investe. quando forem Do Senhor do Bomfira as grandes festas. Lá vai o máo capinha pelos ares Lá se estende na arêa. e se autrmentam Do chefe as parvoices. Acena-lhe o capinha novamente . Outro intenta montal-o e o grande chefe . . Á maneira dos amos quando tomam As coisas que lhe dào os seus criados. que primeiro . Principiam os toiros. CP. 40i> o siíínal iUi victúria que segura Na dextra. Se o capinha o procura logo foge. e o bravo toiro Lhe dá com o focinho ura par de tombos Nem deixa de pisal-o em quanto o néscio Nào segue o meio de fingir-se morto.

E ao ver-se solitário. Se gastam muitos dias. Com estes máos festejos que aborrecem. Nos dextros dedos do capinha estalam. e padecem Crianças inuocentes. Já o povo Se cança de a. o bruto cliefe Nos trata por insultos. que proveito Tirastes em gastar em frias festas Imraenso cabedal.406 FLOKILEGIO. Depois de rastigar-\os. mais ingratos. se esconda E lance na fogueira as varas torpe^^ .ssistir na triste praça . Soberbo e louco chefe. Que a pelle rompam do ligeiro briilu. e tu podes Com rosto enxuto ver tamanhos males r Embora sacrifica ao próprio gosto As fortunas dos povos que governas : Virá dia em que mão robusta e santa. que o bom senado Devia consumir em coisas santas ! Suspiram pobres amas.

THOMAZ ANTÓNIO GONZAGA .

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insuCBcienfe a tal respeito o que consta da Uni- versidade de Coimbra. de que temos conhecimento. Em 176ti parece que concluiu cora as formaturas seus estudos universitários. depois de fegiiir cargos de magistratura na Bahia e Per- nambuco . senaos. Ignorámos as épocas era que successiva- mente serviu nessas três cidades se as conheces- . é o haver-se elle matriculado em Coimbra como esludanle da faculdade de leis.M. THOMAZ ANTÓNIO GONZAGA.** d'oiituljro de 1763. . no dia I. próprias declarações. Também íi<'s nào cabe diWida (jue iiào di . buscariamos onde se achava em 1747 a certidão de baplismo de seu mencionado filho Thomaz. segundo suas em 1747.iZ Antuaio Gonzaga. a qnal só nos dará o verdadeiro desen- gano acerca de sua terra natal sendo para nós . X Ho. Joào Bernardes Gonzaga seu pai. O primeiro facto biográfico incontroverso <lo poeta Gonzaga. aos dezeseis annos de idade. foi despachado desembargador do Porto. viu a luz. raais conhecido pelo nome de Dirceu.

-5ÍO SLOIULKGIO. virtudes tanto o recommendaram que chegou-se a crer que os mineiros o proclamariam chefe d'uma conspiração que premeditaram. e depois a origem dos flagellos de que foi viclima. pois ?e lembra. e vendo-se mui outro . Com effeito se por imi lado lhe appareceu a sua Marilia (D. o que lhe promoveu a prisão e degredo era Africa. e se ao mesmo tempo encontrou no fiel Glauceste (Cláudio) um araigo como raras vezes ha na terra depois as suas . alheio a aíTeiçoes amorosas. »»que nào sabemos se essa estada deve ter tido legar em companhia de seus pais antes de ir a Coimbra. Maria Joaquina Dorothea de Seixas) que o inspirou a ponto de o tornar immortal. Parece que o nosso poeta viveu ao princípio em Villa Rica. . o que elle celebra quando já apaixonado por Marilia. Minas a jjriíueira província do Brazil onde vi- veu . ou se era algum primeiro posto da carreira da magistratura depois de formar-se. diz : -da Bahia Onde pastei a flor da minba idade". onde falleceu como veremos. e nem se esquece das j)alnieirns e d^is dois bairros em que era a Partida a grã cidade. ignoramos em que anno. » Mas é tão vaga para nós a expressão de «flor da idade. foi Gonzaga na Capital de Minas encontrar primeiro os estimules amorosos que o crearam poeta erótico. Despachado ouvidor de Villa Rica.

Leio excessos mal aureitos.s de conhecer Marília S<'us versos alegre Ali repetia : mas esses versos seriam j)rovavelmenle aquelies que depois engeitou para nào deverem fazer j)arle da sua lyrica sesrundo nns manifesta : . 411 Acaso são estes Os sitios formosos Aonde passav.ts . Aqui leio justas qaeixas Contra a ventura formadas. em questão a pátria daquella que era para elle a fonte de toda a poesia : « Tu torniosa Marília ja fizeste Com léus olbos ditosas as campinas Do turvo Ribeirão em que nasceste. L por ver de que tratavam Um por um a todos lia. A meus diversos amores. THOMAZ AMOMO GONZAGA.. De quantos versos melhores Eu compuz na tenra idad<.\'uma noite socegado Velhos papeis revolvia. Eram cópias emendadas. » É verdade que Dirceu confepsá que já anle. Os annus gostosos ' A que o captivou era uma beila mineira cu- jas feições: e predicados elle eternisou em seus versos nem quiz que a posterioridade pozesse . Dntcs promessas qaehrad.

que importa. Não roubas a minha glória? Disse amor. Pastor atrevido. amor. de me dares A minha Alarilia bella. Vendo sem-razSes tamanhas Eu exclamo transportado : Que finesas tão maljeitas ! Que tempo tão mal passado ! Junto pois n'urD grande monte Os soltos papeis.412 FLORILÉGIO. e crimina O meu intento acertado : Queres tfueimar esses versos? Dize. e mil se calla. Se a chamma. Etsas Lyras não te Joram Inspiradas por Cupido ? Achas que de taes amores Não deve existir memoria? Sepultando esses triunfos. Noi seus hombros a mão pondo. amor. . ê tua? Apenas amor me escuta Manda que os lance nas braxas . Então vpjo que o deus cégo Com semblante carngado Assim me fala.relíquias não fiquem. Que a estes papeis destrua . Os intento pôr no fogo. E ergue a chamma c"o vento. que os ratga. Que não são em honra delia? O que importa. Se he tua esta mão. e logo. Com um semblante sereno Assim á queixa respondo: Depois. Devo guardar umas Lyras. Porqui. Que formou batendo as azas. que os queima.

Ruscalla.* Parte a única que não é estranha ao romance é a seguinte. na de 182i. Foi traduzida em francci pelo Sr.' que te reimprimiu na edição nunesianna de 1802. 1827 e 1840. na de 1846 do Rio d« Janeiro. De todas as lyras dessa chamada 3.' parle. THOMAZ ANTÓNIO GONZAGA. bem como na de 1 851) da Bahia. nào deixaremos para outra occasião.* parte. que nos dá o desfeixo delle pela despedida do poeta. Posteriormente como o público entrou a ler por menos completas es^at edições." ver em 1800 uma parle 5. MonglíTí e em ilali. e 1828 de Nune» . 4l3 E aqui nos occorre nma idea. — Nenhuma obra em portuguez a não ser o Camões ten» lido mais edições neste século. que diz á sua Marilia que vai (como succedeu) morrer no desterro sem a tornar a ver. mas do numero das que elle diz ter en- feitado." e 2.-inno com lodo o esmero pel» Sr. e que são estranhas ao romancç amoroso de Mariliu e Dirceu.. a que presidia um ra- loavel escrúpulo. * A edição Original de BulbSe* publi<'ada aos ca- dernos continha só a 1. — As edi- ções da imprensa régia de 1 8 t 2 e da larerdina de I 8 1 1 e ( (t 1 B dirigidas pOr críticos eonspicuos não conlém a tal 5. E mui possivel qne a maior parte das lyras que se publicaram com o lilulo de 3. — A' 2. na de 1827 da régia. . qne se bera pertença mais á crítica litleraria do que á bio- •írafia. que entre ellas haja várias legitimamente compostas por Gon- zaga.* Parte de suas poesias. e os bons crí- ticos tem regeifado era varias edições * como espúrias. — é possivel.* parte. dizemos. começaiam os editores a publicar sem- pre a 3. que se encontra nas edições de Rollanè de 1820." scjac- cresctnlou pela 1. nas de 182. o que julgámos que seguiu Serva na Bahia em i813.

. . Ausente dé ti. E a pena que então senti. Marilia. . Ausente de ti. 1 . „0» doces. Por deisar os pátrios lare»^ Não me fere o sentimento . . _ . Me está dizendo a desgraça. Que farei ' irei morrer A mão do fado invejoso Vae quebrando em mil pedoçot. i • -.it4 1-LORILEGIO t>< . Porém suspiro. que o meu amor r!ste fini liavia de ter. Pela desgraça firmada . suaves laços. Ausente de ti. Marilin. Que farei . Aden». Mil penas estou sentindo Dentro n'alma e por negaça .v. Vil desterro vo» soffrer. Justos ceos não sei dizer» I Ausente de ti.Com que amor nos quiz prender „„ Ausente de ti.„-. Intimaiem-me eu ouvi . • ^ Qutm motiva a minha dor. Que farei irei morrer- ' Que vá para louges terras.' M| • Leu-sc-nie em fim a sentem. Que farei? irei morrer. ' ' ^Mas sim ver. Marília^ Que fsrei? irei morrer. . . e lamento Por tào cedo te perder Ausente de ti^ Marilia.' irei morrer- N'3o são as horas que perco. Que farei ' irei morrer. Marília adorada. Marilia.. Marilia. Que nunca mais fliei de ver.

. (^h. Marília. mas quasi sem ciúmes.." com .i » b(--!iir. 4Io Da desgraçaa lei fatal Pôde de li scparar-me t Mas nunca d'alma lirnr-me A glória de te querer. — niscências (h) cantor de Teos ^ e mais poetas de sua escola. cora todas as competentes declarações. s a II. í-Ic. >i E uma nova hisloria de uma paixão araorosa que seguia áeu caminho natural. « De Ilido quanto se cria Ou nos mares Ou na terra.yqá((>(>)t oç/<tt£. <'!'• «• i.i a 3»! roni .. * Compaie-se da 1. Ausente de li.^ part».ualiiii!-U' . sele odes anacreonticas era que o poeta leliz com a sua estrella rende graças ao deus do amor por lhe haver concedido o bera de mais valia. Hei de amar-le até morrer. com a de '\iucreonte que começa. a lyra 8. Ha por ahi remi. esiieranças. requebros. 2o fièy Kiyitç rà Oií^r-ç.i r rom Ayí. IHOMA/ ANTÓNIO G()NZAG\.. Aos felizes amores ile Dirceu o cmisagrada a primeira parte da obra lyrica suo trinta e .

Estamos profundamente convencidos de que Gonzaga foimartyr da prognosticada sedição. A leitura attenta desta pode fami- liarisar-nos mais com os sentimentos do poeta na prisão do que o faria talvez uma aulo-bio- gratia escripta depois.*iQ FLORILÉGIO. e que até era a ella inteiramente alheio. e que Gonzaga era a pessoa indigitada para chefe do novo estado independente. Gonzaga despachado desembargador para a Bahia. achara-se consignadas nos seus versos da 2. Assim o acabámos de executar. Assim o protestou bem solcmnemenle aos juizes. Daqui por diante até partir para o degredo todas as penas. e tal é a commoção de que nos sentimos ainda possuidos que nos treme a mão ao escrever estas linhas. foi informado que se tratava na pro- víncia de seu mando de uma conspiração. O capitão general de Minas. Outro taiilonào succede na segunda parte que por um successo extraordinário vai dar originalidade ás composições do poeta. Alvarenga Peixoto. e com . no número dos qiiaes entrava talvez a prévia união á sua cara Marilia. Visconde de Bar- bacena.'*^ parte.^ parte. E por tal forma temos esta convicção que ora mesmo não ousamos dar um pas-so sem primeiro correr de novo os olhos pelas 38 lyras da ^. quando Cláu- dio. e outros. Foi então Gon- zaga preso e posto em segredo. todas as queixas do amante infeliz. quando uma occorrencia extraordinária veio interromper sua felicidade. cuidava dos preparativos da partida.

e finezas Formava. Em que estas vis algemas. Mas púdc aiuda vir um claro dia. E ffue c de apreço dino- . : . c não a Jorça. não foi só uma. cioj é certo Que eu aspirara a ser de um sceptro O dono Mas este grande império. As forças. E certo. . Só eram minhas nrmas os soluços. c do mosquete o» tiros .ua A venenosa espadn. E não puníveis erros. que ré parece. á sua Marília. iasolente calúmDÍa depravada Erguen-se contra mim. que soffreo os ferros? Infames impostores mos lançaram. m em prisõis de alivio cheias. THOMAZ ANTÓNIO tíONZAG \ 4t7 lodo o vigor d 'alma o protesta nos seus verso* a si mesmo. esta mão. ! Que. Ah nào foi uma vez. tninha Marilia. Não has de ter horror. . ó minha bella. n'um coração divino leis. que são do Estado.minha amrida. Soho fite ergueo o gosto. Moveo a sábia pluma. De tocar pnlso. : Deu que è mais. Os rogos. que se oppunham. desvelos. Esta mão. Vaidoso então direi Eu sou monarca. e os suspiros. vibron da Iiop. ! — çamol-o u A. u Outra vez na lyra seguinte. Tinha em leu peito o ihtono. em defesa dos bens. Nos tens mimosos braços. os meãs guerreiros : Não tioba no meu campo estranhas tropas : Que amor não quer parceiros. não batiam Da grossa peça. De cuidados. estes laços Se mud. que eu firmava. eao mundo Ou.

Eu a vou procurar. Balança n'uma mão. e nestes outros Tu Marilia. Uma alma. lyra mais ferlil d'arguraentos d(.Miinles versos : Embora contra mini raivoso esgrima Da vil ralúmaia a cortadora espada .ir esta lyra disjieuíumo-noi de a repetir no corpo do FlorUcgin .i!. * Eu vejo aquella deosa. Dá porém terminante prova de sua não cum- plicidade a lyra da mosma 2. Traz nos olhos a venda. : 418 FLORILÉGIO.. e assim lhe falo : * Publicando neste io}. abrir-lhe o peito Co'as armas invencíveis da innocencia. na outra espada O vêl-a não me causa \\m leve al)allo Mas antes atrevido. sim. se ouvires Que ante o teu rosto aíliclo O meu Dome se ultraja Co supposto delicio Dize severa assim em meu abono t Não toma as armas contra um sceptro justo Alma digna de um throno. Reparemos ainda uos se.. Não se receia a nada.'<Mis eróticas. panir-lhe a insolência. qual eu tenho. Aslréa pelos sábios nomeada . Pizar-lhe o negro collo. Eu hei de.^ parle.. defensa que ú<i m.

Faço que a não entendo. Qiie comigo concorre no altentado ? O americano povo ! O povo mais fiel. Que estas acções obrou é outro novo : ? E pode haver direito. Punha-me a vista teza. Mostrava a deosa não me onvir com gosto . Lá derrama o sangue brazileiro se . . que te mova A suppor-nos culpados. Enrugava o severo e acceso rosto : Não suspendo comludo no que digo.- Não é aquelle mesmo. e assim prosigo. supre Das roubadas famiiias o dinheiro. dize. 419 Qual é o povo. A honra. TH(). lyranna. dos francezes . Acahou-se. Eu \ejo nas histórias Rendido Pernambuco aos hoUandezes . Em quanto assim falava. Quando em nosso favor conspira a i)rova ? . Sem o menor receio. Eu vejo saqueada Esta illustre cidade. .>iAZ ANTÓNIO GONZAGA. e mais honrado ! Tira as ])raças das mãos do injusto dono. Aqui não basla. Elle mesmo as subraette De novo á sujeição do luso throno. o zelo deste luso povo .

A quem se convidasse não havia . a vida. Ir«se-hiam buscar sócios Na Colónia também. a cem soldados? Ama a gente assisada A honra. Para delle zombar a moça gente. . Por um anno sequer. Ou por seu nascimento ou seu lhesoiro. Não linha pobre somma. A prudência é tratal-o por demente . Podem manter na guerra. 420 FLORILÉGIO Ha em Minas um homem. sem respeito e louco E quando a commissão lhe confiasse. ou Jove. . Que ponha uma acção destas Nas mãos d' um pobre. ou esmola lhe mandasse? Nos limites de Minas. Onde as potencias vão erguer bandeira i O mesmo autor do insulto Mais a do que a terror me move riso. Ou prendel-o. o cabedal tão pouco. ou na Bahia ? Está voltada a corte brazileira Na terra dos suissos. . Que aos outros mover possa A força de respeito. Podia-se fazer Neptuno. e enlregal-o. Que por paga. Deu-lhe nesta loucura. á força d 'oiro ? Os bens de quantos julgas rebelados.

Com as armas de fora. atleude . que sou tão pouco experto Que um bem tao contingente Me obrigasse a perder um bem já certo ? Não sou aquelle mesmo. Ainda nada ouviste Do que respeita a mim. E tinha qae offertar-me Um pequeno. E quero que se evite Toda a razão do ináulto e todo o meio? Não sabes quanto apresso Os vagaro>os dias da partida? Que a fortuna risonha. Um extenso suspiro aos ares solta . se houvesse. A mais formosos campos me convida? Não me unira. : THOMAZ AN'TO:?flO GONZAGA. abatido. aos vis traidores Daqui nem oiro quero . . Que a extincção do debito pedia I Já viste levantado Quem á sombra da paz alegre ria ? Um direito arriscado eu busco e feio. 421 Aqui. ! . e novo Estado. aqui a deosa. E sem palavra dar as costas volta : Tu te irritas Lhe digo quem te offende. Repete outro suspiro. Co' as suas próprias armas consternado ! Achas lambem. socega. Quero levar somente os meus amores.

Far-me-hiam os rebeldes primeiro No império. Eu gastasse comtigo mais est' hora. minha Marília. que se erguia A custa do seu sangue e seu dinheiro? Aqui. O caracter do amante de Marilia manifesta- se em muitas de suas composições quando preso. aqui de lodo A deusa se perturba. vai-te embora : Melhor. Nem tenho as instrucções d' um bom soldaíio.IÍGIO. Eu. Não recebi no emprego. . srin respeito e louco. que segundo o mesmo Gonzaga não era digno de outro castigo mais que o ser declarado em alienação. ó cega. e mais se altera . Ah ! vai-te. então lhe digo. nào tenho Um grosso cal)e(lal dos pais herdado . Note-se que atribue a infames impostores as algemas q^e lhe lançaram que julgava ultraje . Morde o seu próprio beiço . e a convicção que linha de que essa morte era uma nova palma de martyrio que Jamais mur- charia. O sílio deixa. por impossivel e condemnava de inépcia se fosse entregar seus destinos ao Tiradenics pobre. o ser laxado de cúmplice na sedição que tinha . E admirável a nobre audácia com que se resigna até a sofTrcr uma injusta morte. nada mais espera.42 2 FLOKII.

. . uiorrem. J^ a clara luz dos olbos iC batén . Bem como vivem. . •xfAlgiima vez lhe assalta uma idéa tremenda. dade além de solTrer pelos j)adecimeulos de seu Qlho. A lagrima sentida já lhe corre. e que mais que a morte o deixa atormentar.. e basta. cruzas. Tu formosa Marília. pára fins octuitos Em tão tyranno mal me não soccorrem Verás então que os sábios. Lembra-. A . bem o sabes : Um coração. SC os justos céos.^ítava talvez sua alma de contínuo pairando entre as esperanças de ^'ozar Marília e a mortf' : Dircéu te deixa 6 bélla. suspira e morre. Onde tu mesma cabes. O sangue já não gyra pela véa . THOMAZ ANTONiO GU. Seus pulsos já não batem..se que seu velho pai sabe da sua sorti'que soíTre cora cila ])erautc a socie- . A par deste i)ensamento sublime vejamos na seguinte estrofe luíriíbre como nessa hora e. Eu tenbo uni coração maior que o muudo. Frio suor já banha Seu rosto descorado.NZAG Na ianocencia nie fundo Mas não iTioirerauí outros Que (lávani honra ao mundo 1 O tormento minha alma não recuses A quem sábio runipriu as leis sagrada Servem Je sólio aí. Já para a convulsão. De padecer cansado.

Tornarei a ver-te minha : Que felii consolação ! Não ha de tudo mudar-se. ima- gina um futuro mais tranquillo. lembrando-nos de que o . verá o mundo . é o processo E a lei que nos conderana. que co- nhece a biografia do poeta. Maii me dará do que en tinha. Parece que vejo a bour» Marilia toda enlutada A face dum pai rugoza N'ain mar de pranto banhada. em que a sua Marilia possa vir a contar a seus filhinhos as aventuras e prisões de seu pobre pai o triste Dirceu. ás vezes abraçado cora a esperança. A nós parece-uos haver demasiado rigor em tal modo de julgar. ver o modo como este. Por outro lado enternece o leitor.434 FLORILÉGIO. Nào respira menos confiança. » porém sim quando roga á sua Marilia nào pragueje ao seu accusador Barbacena por que diz ríío é o julgador. aquella estrophe com que conclue outra lyra : Qual ea sou. ^ Só a minha torte não Sua resignação ás vezes é tão grande que tem por alguns sido julgada menos sincera : nào tanto quando christàmente diz a £ beijo a f anta mão que asiim me guia .

pelas perguntas vagas que lhe fazia o magis- trado Torres. passou á cadêa do Rio. Que tanto inflamm» A mente. sim como poeta que se votara a legar á j)osteridade um padrão de seu nome e da belleza da sua Marilia. . do mesmo modo que Tasso e Patrarcha haviam grangeado fama. 42 » maior número das lyras da íJ ^ parle foram ainda compostas em Villa-Rica. nem das aulhorida- des que tomavam parle em sua accusação Talvez só quando com seus trinta e tantos co- réos. não como amante. o peito Do leu pattor. e ahi com})areceu pe- rante a alçada é que soube todo o teor da ac- cusaçào. Depois da mencionada transferencia sua pri- meira composição é talvez a lyra (34) com mais visos de epistola. na certeza de que ella lhe fera firme na ausência. THOMAZ AWTOMO GONZAGA. não podia ler uma idéa de Ioda a culpa que lhe impunha. afamando para sempre Clorinda e Laura : llat »e ao» vindoiros Teu nome pais a E sú por yraca Do deus de amor. quando Gonza- ga. era uma jornada de mais de um mez. A constância de Dirceu é mais notável. accusando o recebimento da caria em que Marilia lhe aconselha siga o seu destino. pois não faltam exemplos d'aman- tes extremosos .

Com o nome de Marilia ^íão nie viess». ter coches e thesoiíos Que morrem com os annos. E as tranças bellas. Qual seria o leu pezar ' ^^ A fôrç. . Qual seria.-» da dor cedera. Gonzaga linha uma alma nobre. » E para essa iriúria pu^lera eslava persuadi- do de que '< Só podem conservar um nome illustrc Os versos ou a história. « E melhor ser lembrado Por quantos hào de vir sábios humanos. Em vão terias Essas eslrellas. Que ter arcos. De mil idéas funestas. Que o ceu le deo Se em doce verso ?íào as caQtasse O bom Dirceu. Extremoso e compassivo. 426 FLORILÉGIO. » Cora esta idéa fixa Gonzafra nàu se occupa senão da sua Marilia. animar- . Sc o menino deos vendado. — Até na prisão se linha impostíj o dever de escrever cada dia em honra delia algum canto • Se me viras com tens olhos Xesta masmorra metido. E cuidados comjiatido. que pensava mais na glória immortal que nas vaidades do mundo. E nem estaria vivo. ó minha bella.

. de pranto : Em obsequio de Marília f^uitecer leu doce canio. Já basta. PCe-Sfc nameza a toalha. Vem-me á memória que nellas Vi janella teu rosto á : Pieclino na mão a face. Fazes bem : terá Marília Drsgoito sobre desgosto Qual enfermo c'o remédio. Me afflijo. não tenho.nnt. Em que o sol jáse tem posto .Tr. Marília. Diz-me Cupido Marília : E Nã<f estima este cabello? S'e o deixas perder de lodo. E entro de novo a chorar. Deixo a cama ao romper d'alva O meio (lia lem dado. THOMAZ ANTÓNIO GONZAGA. Vou logo o cabello atar. Cupido: Jd basta. Não se ha de enfadar ao vê-lo ' Suspiro. Dirceu. . E eu pensativo passeio : De todo o comer esfria Sem nelle poder tocar. Diz-mc. Pendem . £1» entendo que a matar-le . Diz amor. Mas eu sempre vou <-.is fontes dos olho . Nem para de mim cuidar. Vem um taboleiro entrando De vários manjares cheio. £ o cabello ainda fluctua Pelas costas desgrenhado. pego no pente. te tens proposto. Chegam as horas. mas vou jantar. Xão tenáo valor.

. iuia candóa . Quem não tem de amor a graça . Se eu.-42» FLORILÉGIO. penando só a lembrança de Ma- rilia lhe podia suavisar seus males. a masmorra Inda mais triste. EUe dii. Canta o gallo a vez terceira . nem mais posso Uma só palavra dar. Diz>me Cupido São horas : De escrever-se o que está feito : Do azeite e da fumnça Uma nova tinta ageito. Como pode a taes cuidadoí Resistir. qae penna finge. Sem que chegue o leve somno. e promessas Para elle me acompanhar. Nem mais canto. que vivo á sombra delia. Que hei-de ver Marilia em lonho Não respondo uma palavra. Fica. Marília. Sempre triste a suspirar? Em quanto livre e feliz 5Ó Marilia lhe vinha ao pensamento . A dura cama componho. Apago a triste eandêa. e mais féa. Vemo forçado accender-me A Telha. ó minha bella. Tomo o pão. qnc em dormir ciiidp. Inda rivo desta sorte. Vou as lyras copiar. Eu digo a amor. que fico Sem deitar-me a noite inteira : Faço mimos. me logo deitar. £ vou.

pena commutada em dez annos de de- iíredo para Moçambique. tiças dos fez-se hypocondriaco. Deixou de o calor que soífria não era fysico. . . Algum tempo depois sentia que a cabeça lhe abrazava. . . Mas . — frustradas. era o de ir morrer em vil desterro. demas o espirito ia mal a peor. deixou este poeta o solo brazileiro para ir cumprir seu des- tino. Quando não de tinha accessos furor ou de ternura obedecia em tudo á mulher que o tratara na doença. na última lyra que compôz. trazer chapéo. E louco terminou seus dias em 1809 quem fora capaz de compor e de legar ao mundo a j)reciosa lyrica intitulada Marília de Dirceu. que segtmdo elle mesmo dizia. A alçada creada no Rio condemnou Gon- zaga a degredo prepétuo para as Pedras d'An- goche . . — Lembravam-lhe suas antigas esperanças de amor e de glória. THOMAZ ANTÓNIO GONZAGA. Mas de contínuo lhe vinham á mente as injus- homens. Em Moçambique quiz dedicar-se á advocacia. . Os soccorros da medicina restituiram- Ihe a saúde do corpo . Em fins de setembro de 1793. . Foi acomet- tido de uma febre violenta de que esteve á morle.

Em quanio revolver os meus con»ultu> Tu me farás gostosa companhia. I Til não verás. E decidir os pleitos. E já brilharem os graneles de oiro No fundo da batêa. . Li-iulo os factos da sábia mestra história. Ou íjos cercos dos rios caudalosos. Não verás derrubar os virgens raaltos Queimar as capoeiras ainda novas : Servir de adubo á terra a fértil cinza : Lançar os grãos nas covas. Marília. Não verás separar ao hábil nogrcj Do pezado esmeril a grossa areia. Verás em cima da espaçosa meza Altos volumes de enredados feitos. Ver-me-has folhear os grandes livros. Ou da minada serra. e a rica terra. cera caplivoh Tirarem o cascalho. Não \erás enrolar negros pacotes Das sêccas folhas do cheiroso fumo : Nem espremer entre as dentadas rodas Da doce cana o sumo. FLORILÉGIO Lyras. E os cantos da poesia.

Lerás em voz a imagem bella. pinta.Iarilia. . Que concurso. Se afasle delia . Ah. meus amores. pinta A minha bella ! E em nada a cópia. THOMAZ AMÓNIO GONZAGA. meu caro Glauceste . pinta. pinta A minha bella ! E era nada a cópia Se afaste delia. Ah. Se encontrares louvada uma bellesa. E ferindo as cordas de oiro. Pega na lyra sonora. (pie lhe (iostosfj tornarei a ler de novo O cansado processo. II. Mostra aos rústicos ])astores A formosura celeste De Marilia. ?. meu Glauceste.'ilIa Eli vendo dás o justo apreço. Pega. nao lhe invejes a ventura. Que tens quem leve á mais remota ida< A tua formosura. Que concurso tào ditoso ! Tu és digno de cantares O seu semblante divino : E o leu canto sonoroso Também do seu rosto é dino.

Para pintares. Pinta chusmas de amorinhos Pelos seus fios trepando . |)inta A minha bella ! E em nada a cópia íSe afaste delia. Ah. Uns tecendo cordas delles. Entre as flores tens o cravo.i52 FLOHILEGIO. pinta A minha bel la ! E em nada a cópia Se afaste delia. pinta. Glauceste. pinta. . Fez o iyrio. Os seus beiços graciosos. Pára pintares ao vivo As tfuas faces mimosas. Outros com elles brincando. Entre as pedras a granada. pinta. pinta A minha bella I E em nada a cópia Se afaste delia. Ah. A discreta natureza Que providencia não teve ! Creou no jardim as rosas. Ah. E para os olhfis formos<'S. e fez a neve. A estrella da madrugada. A pintar as negras tranças Peço que mais te disveiles.

minha bella ! E em nada a cópia Se afaste delia. seus pés. pinta A minha bella ! E em nada a cópia Se afasle delia. mais a graça. Ao monte e valle eusinando O nome. TH031AZ ANTÓNIO GONZAUA. E as mesmas plantas calcadas Brotando viçosas flores. Os quando passeani. . Ma! retratares do rosto Quanto julgares preciso. Piula o garbo de seu rosto Com expressões delicadas . NSo déá a cópia por feita. e do riso A modéstia. passa. pinta. pinta A rainha bella ! E em nada a cópia Se afaste delia. Ah. Ah. Piula mais. Pinta da vista. Ah ! pinta. E em doce pranto desfeito. pinta A. Pisando ternos amores . pinta. Pasáa a outros dotes. ÍJm terno amante beijando Suas douradas cadeas . presado amigo. que tem no peito.

E lança na miséria a quem conhece Para que serve o oiro. Entrega as grossas chaves de um thesoiro. Sim me queixo de que má cega seja : Cega. Nem suspendas o leu canto. Marília. E porque errar deseja. A quem nào tem virtudes. . nem se anima. Ainda se despenha muitas vezes. e aos que vera pergunta. nem talentos. pinta A minha beila ! E em nada a cópia Se afaste delia. faz de um sceptro dono : Cria n'uni pobre lierco uma alma digna De se . Ah. Jnda que. nem apalpa. pastor. Que se banha em pranlo o rosto Que os oiitios choram de inveja. Aquelle. que nem pergunta. A quem gastar não sabe. pinta. a quem fez cego a naturesa. E chora Dirceu de gòslo. se veja Que a miuha bocca suspira. Ella.sentar n'um Ihrono. Co bordão palpa. FLORILÉGIO. E dois remédios junta ! De ser cega a fortuna eu nào me queixo .

que uma roda move. a Que atraz do vicio em liberdade corra . Alegre-se o perverso com as ditas Co seu merecimento o virtuoso : Parpcer desiraçado. A 5?ábia mào de Jove. os destinos. que não vemos A que fins nos conduz por estes modos. ó minha bella. Por torcidas estradas. É muito mais honroso. E s<'> a ucculla mào da Providencia. Se sabes do meu tormento. . essa deosa. a infame deixa. 45. qiiera fere. Í^Ieusonoro passarinho. Eu honro as leis do império. que esla queixa Co'íi Sijlida rasào se nào coaduna . A quem rouba. Nós é que somos céíos. iQue os sabius fiuL^em. Màs ali ! minha Marília. ella me oi)primfí Nesta vil masmorra. Como me queixo da furíuna tanto. Se sei não ha furtuna? Os fados. . E buscas dar-me. Um doce contentamento. cantando. THOMAZ ANTOMO GONZAGA. ruins veredas Caminha ao Ijcm de todos.

a terceira Tem um palácio defronte. Erjue o corpo. Sobe á serra. do seu talhe. Eu te dou os sinaes todos Do seu gesto. Tomade Minas a estrada. e modos. da sala. aonde assiste A niinlia Marília bella. Passa uma formosa ponle. Passa a segunda. Sol)rancelhas arqueadas. Negros e finos cabellos. Descansa n'um tronco delia. O seu semblante é redondo. Eu te dou em que me faças Muito maior beneficio. l")as suas feições. e segue Sempre firme a Villa Rica. ¥. Carnes de neve formada». Ah niiO cantes. Para bem a conheceres. Entra nesta grande terra. os ares rompe. e se cansares. mais uuo ! cantes. Elle tem ao pé da porta T'ma rasgada jauella. ISa nova. Procura o Porto da Eslrella. . qne fica isrreja Ao direito lado. Se me queres ser propício .•Í5G FLORILÉGIO.

a que vires. Se o ceo se cobre de nuvens E se assopra o vento irado. Aonde. Marília. penando. que sou quem le mando. N'uraa palavra. Muo tem forças. Quem não tem uma belieza. TH0MA2 ANTÓNIO GONZAGA A bocca risonba e breve. Suas faces côr de rosa. Até que naufraga e corre A diacri(. Nesta sombria masmorra. que não tem leme. Encosto na mão o rosto. . Grossa nau. Chega enlão ao sen ouvido. Sc o vasto mar se encapelU E na rocha em flor rebenta. Que vivo nesta masmorra. Em que ponha o seu cuidado. Ãlâs sem alívio.. vivo. Em vão suslentar-se intenta .ào da tormenta. Entre todas mais formosa. que resistam Ao impulso do seu fado. Ah qiie imagens tão funestas ! Mc finge o pesar activo. Dize. Fico ás vezes pensativo.

que a névoa espalha Apenas a terra aquenta. Já. Marilia. já me parece. Os teus meigos. !N'nm mar de pranto banhada. vejo os potros. Qual. Ura frio suor me cobre. E a farailia consternada. A tua face rosada. toda enlutada: A face de um pai rugosa. vivos olhos. que o ceo limpa. Os teus dentes crystallinos. ííào o descubro. A tua bocca engraçada. Que a negra noite afugenta. Vem-me entSo ao pensamento A tua testa nevada. Parece que vejo a honra. . Quero voltar os meus olhos Para ouiro diverso lado . Qual o sol. Vejo as cruzes. a estrella d'alva. La«sam-se os membros. Que nas mãos da morte expiro. Os amigos macilentos. Vejo n'uma grande praça Um Iheatro levantado . Vejo o alfanje afiado. Ou qual íris. Quando se vê na tormenta . suspiro . deliro. meu bem. Busco alívio ás minhas anciãs. Marília.438 FLORILÉGIO.

Sube a viva cor ao rosto. Marília. Restauro as forças perdidas. Assim. Gjrra o ganírue pela vca. e demência : Faz de novo o seu officio A razào e a prudência i E íirmo esperanças doces Sobre a cândida innocencia. IHOMAZ AMOMO GONZAGA. E bate o pulso composto : • Ve. Marília. desterro Triste illiiSHO. o quanto pode íjonlra os meus males teu rosto. .

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DOMINGOS CALDAS BAHBOZA. .

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tão pouco encontraria nellas grande castigo . passar-se ao Reino.-íe dislingnia entre seus collegas pela grande facilidade «lue linha de rimar. começava a desmandar- se em invectivas de mau gosto. ou. J'^oiico anles da supprcssão dos Jesuilas frequentava as aulas delles. que até agora tem sido. calumuiada. ou exaggerada. Entretanto vol- tando ao Rio quando a Colónia foi occupada l)elos Hespanhoes em 1762. . que . com quem passar vida alegre e folgada. apenas a conseguiu. por correcção. e o destacaram para a Colónia do Sacramento. onde veio a ad- quirir certa celebridade. lhe sentaram praça de soldado. Esse joven. DOxMINGOS CALDAS BARBOZA. com auxilio de seu pai. tal voz innocentemenle. cerlo pardinho travesso. quando. que . Se bem que nào fossem as armas a voca- ção do bisonho militar. i)or quanto seu génio social e prazenteiro prompto lhe grangearia amigos entre os novos camaradas. resolveu. quanto a nós. no Rio de Janeiro. Traiamos de Domingos Barbosa Caldas. aproveitou a oc- casiào para sollicitar sua baixa de serviço e. vendo-se applaudido em seus primeiros ensaios. nesse tempo a Ceuta ou a Gibraltar crArae- rica.

O pai de Caldas Barboza. também brazileiro. Rara vez encontraremos Caldas Barboza em composições repassado de melancolia. segundo elle nos dá a entender..vtreino se bem que alguma vez tratasse de . Más honro a sua memória. N'outra occasião refere-se o meísmo Caldas á íua triste e longa história e á lealdade de seu pai que contada. atenuar : Desde o triste nascimento Fundara minhas razões Se fora aqui meu intento Ir desculpar gerações: K tenho em conhecimento Que não houve dois Adões. : ^^^ FLORILÉGIO. de quem adiante nos occupareraos. era de Portugal Fillio de bonrado colono Q'em soberba e curva quilha Dos vcnlos ao desabono Foi ao novo mundo e ilha SoíTrer o perpétuo somno. o que nos faz crer que antes era a lembrança do mesmo berço que lhe inspirava esses versos sombrios. Cita- remos em primeiro logar as quadras: . fazia a glória d'am- bo? : p accrescenta : Hcrdei-lhe a infelicidade. parece que o aíRigia por *. Sua mài era uma negra escrava de seu pai : 4sía circumstancia do nascimento . sem .«uas que nos faie do seu berço. que elle apregoava no rosto. diz elle. convém não confundir cora o sublime o bibiico poeta Sousa Caldas.

Ao aLrir dos frouxos oihoi Vi o dia escurecer. e d.da terra ao» ceos alçado Veio empecer-lhc a alegre louçania.is trislissimas quadras A mortal melancolia. Foi preságio da tristeza. Bafejou-nie a triste vida. Pois assim o qnix nieu fado Clióro a minha desventura. ^^^s margens do claro Lima Eu me vi orfâo primeiro. Caldas Barboza achava-se cm Via n na do Minho quando recebeu a noticia fatal da morte de Reu pai. dos sentidos improvises. !)Pin conio aquella : Desgraçado desde o berço Serei té á sepultura. Furemos aimia mençào dos sonelos.sua imraediata indigência : Assim de remoto clima Deixei do sul o cruzeiro. que equivalia para elle ao annún- cio de . Ao som da lyra u ctiorar. "Vi do norte a cslrella cm cini» De muito maior luzeiro. princi- ])alnionledo que diz Negro vapo>. Serei triste até morrer. -'íiJ Rodeou feia trÍÂleza _ Meu berço logo ao nascer. o dia derrndriro. Serei triste até morrer. . E então da fortuna opima V. DOjíLNGOS tALDAS BARUOZA.

que de dia Gratamente me escutou. a quem amparou por toda a vida e tào grato . I ! Felizmenle para o infeliz órfão ao faltar. encontrou um Mecenas. e cujo assumpto foi uma real caçada de lebres. que á custa delia ia canhar talvez a protecção do monarcha. O Regedor das Justiças José de Vasconcellos e Souza (irmão do conhecido Vice-rei do Bra- zil). José em 1775. Diiranle essa residência em Viauna foi que elle compoz á Tempestade aquella ode : O torvo inverno sôbrc pardas nuven> Caminha á foz do socegado Lima. . se não falecesse este logo depois : Quem diria Quando o grande rei me honrou E da fácil poesia Acradar-se assim mostiou . ao depois Conde de Pombeiro. que nem merece o nome de poema.-\o mesmo rei D. E a real protecção pia Franquear-me começou. Que Ião pouco viviria.-5-5(5 TLORILEGIO. presenciada pelo autor. que foi sen arrimo e amparo. . José dedicou Caldas a Lebreida. frouxa composição era 50 oitavas rimadas. foi o novo jírotector que appareceu a Caldas Barboza.lhe tal Augusto. Por orcasiào da inauguração da eslálua equestre d'ElRei D. Que de noite. foi Caldas Barboza ura dos que appareceram a festejar essa soleranidade com suas composições poéti- cas.

em Que- luz. Além disso iulroduziu-o em toda a boa socie- dade da Corte. apezar da prohibiçào que recebeu a maior parte das suas composições. onja esliraa o protegido depois soube captar. nospicto- rescos jiasseios de Cintra. ja j)ela facilidade de seus im- provisos cantados ao som da viola. e depois de casar-se nos seus aposentos da Bemposta senão . íóra as canlijas. gr. Todos os sitios mencionados ficaram em seus versos commemcrados sendo para lastimar que . em Btllas. sociedatle onde nào se achava o ftdo Caldas com sua viola não se julgava completa. í*3lribiiho . sobre tudo das parti- •las du campo. DOMINGOS CALDAS BaKííOZA. nos cansados banhos do mar. E«sa protecção nao se limitou a dar-lhe cama e meza primeiro no palácio de seu irmào I) Marquez de Castello Melhor. acções. em Bemfica. «) autor figura nelles geralmente mais como truão do que como poeta v. já por sua alma aCfectuosa e inoffensiva. arranjou-ihe ura beneficio. do mesmo Conde Regedor e de sua boa familia. tem por objecto perpetuar as virtudes. Nas aristocráticas reuniões das Caldas. Este acolhimento foi lai que a pre- áença do Caldas tornou-se quasi uma necessi- dade de todas as fefclas. que o fez ordenar. anniversarios natalícios. que nào creava inimigos. 44 7 este lhe ficou que. no seguinte . nem era accessivel a intrigas. ásimilhança de um lyrico grego ou de um trovador da idade média. e o logar de capellão da Casa da Supplicaçào. etc.

erque essa abnegação de\ia de ser calculada. as murmurações da Corte do Prado e do Escurial mostra . Nelles olhava este só ao eíTeito do momento. 5>S3 rLOllíLEGiO. comparar-se as inspi- rações do nosso improvisador aos caprichos do pintor Goya. O seu moleque sou cu. quanto a nós. Além de que a mesma falta premeditada de amor próprio era uma qualidade a favor dos improvisos de Caldas. em abono do nosso Irovadur cuíuj)re di- lilíiá 7. Ai eco Ella é minha yáya. Encontrareis ahi muitos desa- mas a travez dessa irregu- liuhos. laridade e pobreza de vestuários descubrircis muita vez inspirações originaes. mas ir vivendo descançado como fez de-. Esle a rir reduzia a quadros. gcnio raâs é na eiccução incompleto e ás vo- : . incompletos parecem absurdos por que não se deram á imprensa as circumstancias que os acompanharam. é a do amor próprio: tinha a Consciência do pouco valimento de gua cor n'um paiz onde ella era um máu preconceito : preferiu pois jiassar por bobo. por ventura. pois o bom Tuleulino. ser o primeiro a Ciicarnecer de si aituia á custa de sua digni- dade. que na sociedade a paixão mais prejudicial nella mais cominum. Caldas Barboza conheceu. que depois se copiavam em razes. e faltas d'arte. nào á rima e perfeição . surprehendia os moles e glosava-os segundo se lhe apresentavam a tal ponto que alguns por . que a elle no caracter o no eslillo ás vezes se assemelha. Podiam.

Quintilhas nos dei- xou que têm muito da natural graça e singe* leasa das de Sá de Miranda coni[)OZ muitos . e até disparates semsabores v. que nos deixou. li. só a poesia. accompanhadas do írtn retraio. No didáctico possuimos delle. mas lambem a melodia do accom- panhamento da voz e da viola. tape. A maior parle correm impres- sas em dois volumes. Andam por quasi duzentas as laes cantigas. Men bem mal com eii está Geules de bem pegou nelle Tape. .^ edição foi feita . DOMINGOS CALDAS SORBOZA. 'i49 zes grosseiro. e a docilidade daquelle que não se mostrava jamais esquivo em fazer-se agradável. e pôde dizer-se que se ensaiou em todo o género de poesia. Caldas lambera nào quer saber de correcções nos seus estribilhos admille tri- : vialidades. em rimas emparelhadas. sem se lembrar de dar desconto ao trovador. gr. uma recopilação da história sagrada. e por renlura chegou a condemnar o gosto poético da sociedade que as apreciava. que se via muila vez obrigado só por comprazer a glosar sem inspiração e aos ouvintes que nào applaudiam . Muila gente se admira de que essas cantigas livcsiíera tão grande acolhimento. tipe. cuja 2. sonetos. Mas Caldas Barboza não deve ser só ava- liado pelas suas cantigas nem são ellas que : lhe dão a coroa de poela. que fizeram cora que al- guém o nomeasse por autor de cantiguinbas com seus ai lé lé. e outras quejandas.

LGIO. Procurava quanto podia o trato dos poetas. que na ode encomiástica ao Conde de Pombeiro consagra as seguintes expressões HO «eu amigo Caldas : . Alem disso fazemos men- ção do canto em verso sol lo. aos qnaes rendia muitos serviços. mas demasiado pobremente. e é obra que ainda hoje podia servir nas escolas para Cfs meninos relerem na memória o mais imiiorlaníe da Escriptiira. Compoz lambem Caldas neste jío- nero duas epistolas a Arminda acercada metri- ficação. em 1703. Caldas Barboza era para com os seus colle- írassuperior a lodo sentimento de inveja ou de rivalidade. se conservam ciuasi lodos o? Dell. O Jardim da canrào . da traducção da ode 1.i exemplares alçados e em papel. na livraria da Casa de Caslello Melhor era Lisboa. procurava cccasiuo favorável para o fa- zer com dignidade. Era íim as suas poesias lhe mereceram entrada na Arcádia de Roma cora u nome de Lereno Selinunlino. fazendo valer suas rdaçòes cortezàs. Foi assim que uma vez se aproveitou de certo an- niversario para recommendar ao seu Mecenas entre outros poetas a Elmiro (José Agoslinht» de Macedo).'"^ de Horácio.s preceitos ex|)õe com clareza.'"^ Deshonlieres á Snr. etc.4 HO FLORll. CMJi.'^ que queria ser poetisa. e da carta de M. e de modo que cada qual se apresenlasse lofro a pedir com o direito ad- quirido por seu comprovado merecimento. Qual enxame de nbellias sussurrando. E lonçe de os recoramendar luimilhando-os ao seu vali- mento.

! tu 0$ accesos rubins. Ah tu de Vasconcellos hoje o dia I Natal na lyra. Aos astros leva. onde nasceste. na doce melodia. toco co'a frente O convexo d abobeda azulada Do astro refulgente.ls Que A))ollo eiiasta ile froadosa rnma . iprovi M. que te dera Apollo. -í^^ Eia sublime. ao ceo sagrado Eu nie sinto levar. Ea sigo e o vôo rápido qu'ergaeste : Do ninho americano. sonoroso Caldas. DOMINGOS CALDAS BiEBOZA. Còrle famosa. Mâs versos urdes de immortal belleza. Eia anima o meu canto. qae avistando honraste. Que ponhas nos altares coasagradoí. Leva a glória da ínclita UIvssea Na impiovisa. Nem esses lenhos nos sertões cortados. Ah não trazes o metal luzente. Qne sobre um lenho intrépido sulcaste. Que em torno cinge a ínclita Ulisses. Q'2 mirr. Lá vejo a praia. ao mundo possa encher d espanto. Sdc o seu repentino altivo canto. Nem aromas fumantes. Que offerta o rico lúcido Oriente. A quem Neptuno cede o sceptro undoso. os diamantes. lá descubro a arèa. . Lá vão pelo horizonte As ameas do muro magestnso. e face illuminada.n rulilante cbatnnia^ Com que a volúvel fantasia escaldas. Quando o cruzeiro lacido encaraste. O fogo que respiía Nos versos leas co. donde mora Astrea. Já vejo o disco. Na qual eleva a torreada frente. Vejo o plano estensissimo encrespado. Sublime voz da simples natureza. Quando as aréas húmidas beijaste. E de um a outro pollo.

e assombros Lá lhe levantam busto consagrado. Eu confundido. É verdade que nesla ode. sonoroso Caldas. pordm tu sobejas. • N5o perdoou Bocage a José Agostinho esta circum- ttaocia ca arau<j[« satjra com que o zurziu: .Af>2 FLCBILEGiO. Elles louvem conitigo o nstal dia. e das gemes todas. e applaudido Seja dos povos.nUe bandos de cisnes sonorosos. Louvado. Cinge-le a ells. 3Tâs se outros vates ínclitos desejas. Que cbeios de praier c de alegria Lhe augurem para sempre dilatados Séculos pelos ceos abençoados. Fundido do metal puro. Tão remontados voos não alcanço. Pois do Parnaso as faldas Deisas. e sobes. iy Apollo gaste o coche e gaste as rodai. qusl mesquinho ^nfO. E bebem dos undosos Rios. e liriíhante. Entre pasmos. Desprega as áureas magestosas pennas. A empresa é grande. Que versos posta urdir aUi-sonani*s. qu'os diamacles. Já a par de um bisavô. qu' o vacilante Reino susteve nos nervosos jombios Pelíi Palria infeliz sacrificado. Que nas isnieneas ondas se merguliiani. qne no Parnaso inda borbuLbam. Tens Oí cisnes qu'o fulvo Tejo aninha. <>ue tantas vezes seja repetido. Qae rouca tornem esta lyra minha. as nians3es serenas. cujo esljlo ele- vado não condiz com o assumpto. Outros já pulem os penhascos broncos. 3Iai« sublimes qu'o oiro. F. E já dos bosque» desaireigam troncos. pan-ce que Elmiro • tinha mais em vista inculcar sons v(j03 que dizer o que sentia.

os amorosos troncos Mover (que assombro \) vejo ao som divino. amável Caldas. e que a sonora Lyra tomando. e sobre lodos EurindoNonacriense.blanie Como que opprovas o pensar d Eurindo 7 Sei que o mal te aborrece. que cm papagaio Transformaste depois. cujo seguinte trecho nào podemos deixar de transcrever pois nos revela o amável caractf^r . Tu ris. cevando £lmiio. í>OiIL\GOS CALDAS BAnBOZA. alarve almoço. Nole-ae pOrém que papagaio se cbamava Lereno « si próprio : IVão é do Tumise um cysne Que vai soltar doce canto : Brazileiro papagaio DarrímOdo a voz levanto. que te enojas D^ tão comprida arenga. Que um coração te ha dado o Ser Supremo Onde mil dotes cand. hannoaico ao Lcreno. £ c' o meneio Lereno amado ' Dos prcspicazes olhos do Een. Os claros nomes. 3Iàs vejo. nierUos sublimes. àó'S Cuamasle grande. havendo impadn Com lavertial cbanfana. de Lereno : Unicamente As virtudes pacificas me aprazem. A expcnsss do coitado orang-otango. Mais sinceros. Ouc uma serpe engordou.dos se acolhem. que Ic afina Apollo. ?q bem que menos eslrontlo- 30S. O bem te enleia. Ao fusio trovador. Da illustrc esposa virtuosa c belh. Vás nçlla eleraitar do grão Pombciro. . sào osque lhe fazem Belmiro elogios Translagano (Belchior Curvo Semedo) Corydon Neptunino. Da fresca Delias.

Bera conhecido e o epigramraa que compoz quando certo intri- gante lhe fui dizer que se queixara Lereno dessa sua péssima qualidade : Dizem que Fábio Beltrão Eui Bocage ferra o denie. quanto Negro peru na alrura ao branco cvsnc. Chegou a ser íntimo de Bocage màs este poeta . como a de Lereno. viu este ainda em vida hostilisado e enxovalhado por invejosos da re- putação exaggerada que o público lhe creára. apezar de jcnipre leal e consequenle cora seus amigos. sem mereci- mento o que por força devia succeder a quem . E a quem melhor de Anacreonie fulo Cabe o nome. sacrificava o? seus amigos ao ])razer de exerci- tar sua innata maledicência. pois tanto o fulo C. Ora é forte admiração Ver nm cão morder na gente ^ Além de ingratidões similhantes. Este resentiraento de vários árcades contempo- râneos ainda dominava Filinto quando no des- terro se incommodava de que applaudissem em Portugal Os versinbos anões a anãs Nerina» Do canlarino Caldas a quem parvos Poem a alcunha de Anacieoiile luso. que sào (Ju- ras de soíTrer a uma alma cândida e ingénua.-os. Porém Caldrts Barboza.nldas Imita Anacreonie em ver. teve por vezes o dissabor de nao se ver corresi)ondido. -5.^4 FLOUILEGIO. e em parle contradiclorio. Este juizo parece-ncs apaixonado. O que é se-m dúvida é que mui- tas composições de Lereno sào.

Caldas Barboza nascera nu mar.^ niuila vez compunha só por obsequio. que a posteridade a\aliará no juilo termo que lhe cabe. a 11. . Màs algumas poesias ha suas que s5o bastantes para que os lilteratos o tratem com consideração. Depois de ser de- positado seu corpo n'uma capella que tem os Condes de Pombeiro dentro de um bosque no seu palácio da Bemposta. e sem inspiração.nia íSnr. Domingos Caldas Barboza terminou seus dias quasi ao mesmo tempo que o precedente século. d'A. que affirmam que elle era filho do Brazil. Màs o próprio Cabias diz que. em cujo liv. 277 está lavrado o seu assento de óbito. Segundo informações que obtivera o defunto cónego Januário. não eslu- (lava. pois como elle diz singelamente : "Versos me virnin fazer Por innalo e doce loui." V. Agostinho. quando nasceu. D03ILNG0S CALDAS BARBOZA. '5o. sabia menos. Falleceu a 9 de Novembro de J800 de uma rápida enfermidade que apenas lhe permittiu j)rover-se dos sacramentos. fui enterrado na igreja parochial dos Anjos. e tudo devia á natureza . vindo sua mài d' Africa para o Rio de Janeiro. quando creança mui va- lida do nosso poeta. Por cima da infeliz choça Grulha agoureira »e ouviu. embora se deva confessar (jue profundava pouco. do íjual devemos uma certidão á bondade da Ex. Esta informação cairia só por si diante das pessoas da familiii de seu protector e do de J.

. qii(í tanto se occupou do Brazil. da malugueia. A assucar nos sabe. E os chulos lunduns da JSluinhá&inhu e do Charopim. : : -4. .16 FLORILÉGIO. do quingomhó. Não abandonemos pois ao oceano cosmopo- lita a nacionalidade do bom fulo Caldas. . (iá Mais conlinuamente esfá elle a confessar que : é brazileiro. que lhe úíi o seu amigo Bocage. em que se lembra úa cuia. diz tratando do Príncipe do Brazil E mais meu do qtie teu. úoangú. o que a entender que nascera em lerra. Tem muita doçura. é inda herdeiro. do mel do tan- que etc. e pelo seu génio nem se lhe importaria de apropriar- se o epiteto de orang-otang. Descrevendo a ATbano em ver- sos sólios certas festas de Queluz. Màs é príncipe já da pátria minha. Do throno portnpue?. etc. charaando-se até papagaio. E quem não conhece aquelles seus versos Nóslá no Brazil A nossa ternura.

risonhos. arma. Desafogo do Estro vàraenle Já faligado de forçar Â-ferroUiadas porias do futuro . íO qúe o tempo por íSurffir vejo o phantasraa do possível. faz perder teu nome em minha boeca. . o agita E aqui me prende o sangue. Faz q'em turno de mira ledos Voem alegres lisongeiros sonhos T .. E o echo o triste som ia alongando : Nao sei semais me assusta a infeliz troca. ÍQ'ora se apouca. pelo ar soava. Já na terra baquêa o corpo lasso. Ah quer de mim fugir minha ! ! tiraido eu clamava. várias fendas ICancado de espreitar por vir-me lem guardado . Armania. que vai calando as vejas. : DOMINGOS CALDAS BARBOZA. falhando o passo. ali alma aínua . e as dormideiras Espremeu nos meus olhos assustados : Cerram-se frouxamente á Inz do dia. Armania. Só arma. Q'arranjando a rcNÒlla i)hanlasia. Que Mas graças a Morfèo co'a plúmbea \ara O meu corpo tocou. Outra vez a Morfêo as graças rendo. agiganta. E afracando-me os pés. e ora se jSlnto o pavor. Eos soluços a rouca voz cortando.

Vivificas volúveis esperanças: Qual me mostra a abundância bera de perío. e vai subindo A'sombra do alto Ihrono.^'ííJ FLORILÉGIO. Não é longo o caminho. Já quasi eatrava as portas da fortuna. Mas se Armania me deixa. Lá vejo os bens. q'o escuda. já me ouvia. Na sonhada phanlastica figura? Armania. visle-me risonho. Para aqui vou errado. Q'inclinando-se meiga. Armania. ella me alçava. ali lrt'peço. Que tu a elle mesmo me guiavas. Pareceu-me que o templo seu me abria. Ao ver o lindo rosto da ventura. eu não acerto. Ah seja embora assim. É q'eu vi a fortuna. Q'á sua protecção tu me entregavas. (^'a poderoza mão ella estendia. nunca exausto. \ Q'a mao estende. ' Qual me faz ver q'o meu merecimento (Quanto se alegra esla alma com tal vista) Cresce de dia em dia. é perto. Vem com elles em ])Iacida mistura. Eis súbito se ergueu vapor espesso . as portas vejo abertas. o altar. Aos raios que fulmina a ardente inveja. e sobre mim entorna j O seu torcido cofre. sempre assim seja. Por entre a nuvem adiante opposta. mas fui sonho. . O templo eu vejo. que pára mim pedias. Quem avalia a confusão q'eu tive. E que de onde eu jazia.

ÂliO Armania. e mulheres.BOZA. larga bocca ! Não tem. E eu vi a mais de cem cair nos laços. Desasocegam homens. que monstro De orelhas azininas. Armania. e não se sabe aonde. Ora poisava em ariçada? tranças Ora se ve a furto em olhos bello? Semeando esperanças. Librado sobre as azas O deus de amor eu vi gyrar Ires dias : Desce ao Campo da Luz entra nas casas Com elle as inquietas alegrias Os traveços prazeres. assim se avança. Que duo j)or triste fruclo horríveis zelos Ora era peito se esconde. O rouco ladradordas três gargantas. Dão-se arriscados passos. E ali existe. não tem mais hórridos latidos. : DOMINGOS CALDAS BAP. Cruel maledicência. O' triste sorte do infeliz Lereno ! Os amores de feira. Subtis laços estende. T» . Nem algum ha que ali seguro ande. e \eude. Vomita em mim o infernal veneno. Ali pertende amor ter lucro grande. No logar em que o povo compra. acode-me .

Turba iramensa a seguia . E que tantos captiva Por entre as ruas de baeta. lenços mil galantes. Várias plumas bonitas. Pendem d'um lado matizadas fitas. Destra belleza ufana passeava. E o> grosseiros bonecos d 'assobios. A seus grillwies já presos Vi muitos corações em vão accesos. Cora que o destro caixeirc^ Faz do que pouco vai muito dinheiro. Com estudados gestos captivava. E nunca se rendia. Ura acha o seu agoiro : E numero infinito Poupa era curto letreiro um longo escripto. que \ende aog fios Graciosa tarasca. e encarnadas charamelas. e lona Faz rabear a escrava comitiva. Bardadas coifas. Martezia que de livre assim blasona. De preparada concha a ura lado alvejam Pequenos corações com letras d'oiro. E vai ao torpe bando Desgraçados rivaes accrescenlando. De um araphibio animal malhada casca Dera os subtis anneis. E os molhos de perpetuas araarellas. anneis extravagantes. Lindas caixas. que se desejam.460 FLORÍLEGIO. . E as aziíes. íiPra-se ali expressões.

Basta ella chegar-se O pobre vendedor se torna rico : Qual virtude eu couheço * Uo que a ella lhe agrada sobe preço. Qual leva por oíTrenda graciosa Um coração bera feito. O que se lê nos lindos olhos delia : E já Cupido. ^'^^ DOMINGOS CAÍDAS UAUBOZA. e frouxa bateria Não pode inda rendá-la E é falso amor. Mas não zombes. Vãos i)eraltas lá vao em competência. Fria isenção lerriveis leis lhe dicla. defronte eu fico . que pouco tarda A vingança d'araor. irado Tem digno vencimeato destinado. A (juem tnaizenção não acobarda Teme o teu vencedor. Marlezia lá vai a recoslar-se J. Qual oíTertarlhe a fita primorosa. amor de zombaria. . . Que acceita por decência . mas espera A que de Acrizio a prole já rendera. Eesla belleza invicta Bem livre canta o próprio vencimento . cruel. Mil seitas despontaste.í Em certo mostrador. e ficou rindo. Tão íragil como o que lhe esconde « peito. As magras bolsas dão o último aleulo. Esta volante. E astuta resistindo Os deixou ir cJiorando.

Lembrando o conto que vos dou d'exemplo. E nelle contenplai o que eu contemplo. em fim venceste Já IMarlezia delira. Venceste. Ao seu vil interesse é despresado Mas alviçaras.462 FLORILÉGIO. E para o outro anno. A cruel já suspira. Incautos moços. então retine O som das algibeiras Não tarda que Martezia não se incline As vozes lizongeiras De oiro sempre suave. Ninguém fiar se queira Em achadicos corações da feira. Que ao peito sem virtude é própria chave. . Desce o moço Frondelio. conhecei o engano. estás vingado. Fogosos brutos entre espuma envoltos Duro freio raivosos mastigando Param aonde os araorinhos soltos Os virtuosos corações tentando Escreviam altentos A lista de futuros cazamentos. amor. astuto amor. Nao fazem todos o que fez só este.

Boas festas Eis-iue a vossos pés prustrado. Mas temo uma má ventura. Que tudo o meu me baralha. que o de oiterta e seiè. Lembro mais. Felizes annos conteis. vós salieis. De cumpridas profecias: Tenho fé nas que fazeis. Me seja o de oitenta e sele Melhor. Dai-rae a beijar essa mão Capaz de mudar meu fado. E cruel talvez procura Erabrulhar-me na mortalha. Tristes bens da sepultura. Eufeitada do prazer. »**- í>0. Este o tempo. Por ésla occasiào. que estou nos dia« Dos donativos dos reis. E que em j)iedoza iulenrão Me tem beneficiado. • Ao Arcebispo InqulsiJur. . Pedir aos céus me compete.>iIiNGOS CALDAS BA14B0ZA. que podeis. por ésla Eu vos venho apparecer Hoje coiD cara de festa. Qu'ei5tre esperanças me resla . E fazei vós.

e orai por mim. Q'eu só tenho mirra.. Porque haverá fraudulento. ^^^ FLORILÉGIO. E pois qne o Senhor vos poz Onde me valhais assim : Vá um ajuste entre nos : Orai vós.' Agora vou-me a mudar De cantar para comer. que não ter nada É não ter merecimento. Se isto crime pode ser . Dai-rae vós algum conforto. Fazei possa oíTertar oiro. Marcai mais curta ésla meta : Q'ás vezes pondero absorto. Me tirasse de aflição : E era quanto inda lenho dente* Me desse da Igreja o pao. e incenso. . Q'afirme. Que já Camões o poeta Foi feliz depois de morto : Quizera que a real mão. Fora o meu crime cantar. E mais que o próprio sustento Vai-me a honra interessada. . A comer para rezar. Boas festas vos agoiro E ao Mistério a que eu pertenço. Que faz felizes as gentes. Não quero ser mais extenso. E eu rezarei por \ós.

Qual diz que aos céus vos pediu. E eu Irago do meu tezouro Coizas. í6í> Aos annos da condessa de Pombeiro. : DOMINGOS CALDAS BARHOZA. : E que do céo vos julgou. Q'ahi vedes prazenteiros. E se eu mesmo testiraunho. Hoje é dia de oblação. e verdadeiros. Q'expressôes de agradecido Não são de lançar-se fora. Trago palavras. Apenas vos descobriu . e ouro. Senhora. . Pedaços de gratidão. Pois as que o céu vos doou. Os que vos servem comraigo. Q'oiTerlar-vos : não duvido. Parabeníí de cunho antigo Singelos. Graças iguais nunca viu. Mas disto não venho mal . Ralhe o Mundo muito embora. Q'ante vos ser grato vai Da com o cunho gratidão Trago muito cabedal- Trago dos meus companheiros. que já raras são : Valem mais que praia.

Qual vem nosso coração. Gentes de todas as cores. Que traz agradecimento Por cambio de gratidão . Qual vos viu enlre as man! ilhas. E mostra que as repartis Pelos filhos. Qual vos trouxe nos braços. nào : Veja o vosso entendimento.486 FLORILLUIO. Quanto \êáes tudo é vosso. era belleza. E logo. E pueris desembaraços. Mais. e discrição. De vozes de toda a idade. pelas filhas. Reparai bem no alvoroço De mim. Tra?o entre tantos louvores Com o toque da verdade Agradecidos clamores. Mas aqui não pareis. diz : Que podieis dar partilhas. e de todos estes : Reparai no aceio nosso : Pára tanto vós nos destes. e mais aparecendo Formozura. Por todos se uota então Quanto mais fieis crescendo Ia crescendo a razSo . E qual pelas andadeiras Vos teve em primeiros passos : Qual conta as graças primeiras.

qual convinha. Dos outros disse até>qui . Qual podia se expessava. Inda nas faxas honraste Minha rude cantilena : Já quando então me escutaste. A cujo esplendor fugia Minha feia má ventura. Roguei ao céo. í67 Tomemos um tom mais alto : Convém á honra do dia . : DOMIXGOS CALDAS BABBOZA. Dando em signal de alegria Ale nos versos meu salto. Sempre ao som da minha avena Piedosos olhos voltaste. Saiba o Mundo que eu uão falto. Agora de mira direi Que logo quando vos vi Desde então presagiei Cumpriu-se o qne eu anlevi. Desse aos outros grandes mais Almas. A minha uzada amargura Diminuir-se eu sentia : Cuidei que era a formosura. como a que elle tinha. . Balia o meu coração. Elle me dizia então : Qu'em vossos dias estava Dos meus a consolação. Quando na desgraça minha José estancou meus ais.

E os netos dos vossos netos Recebam vossa benção. Eis ?ua alraa á vossa unida Já nos dào dignos pedaços. Posía a tào justa união. Segura em doces affectos. Que nào sois só para mim Sois obem de muita gente. Quando vai raeu voto arden-te Vi-e\oando ao céo assim : Sabe o Deos Omnipotente. Nega-nie o céo cabedais. que não se esquece Do que dos vossos lhe vem. Pede comigo também Q'é seu o mesmo interessa. não dezejo mais. Qual seja a razão não sei Porém como vós vivais . FLOItILEGIO. ^5. Mais nada ao céo pedirei: Vivei. Ouveo céo Dieii3 gritos lassos Foi a rainha voz ouvida : Teceu estes doces laços. . . E medita o que carece. Portugal. Res])eitar do tempo a mão.

um dia. Sede arrimo e dai a mão Aos que como eu envelhecem. Achaste-os quando nascestes. Já serviam vosso pai. Que vos obrigue importuna A ser de outros a desgraça : Ah ! sede a nossa fortuna ! Sede dos servos que crescem Amparo e consolação . deveis escutar Estes meus conselhos sérios. E quando froxos e lassos. Para a vossa companhia NSo podermos já dar passos. que honra merecem. Que vos trouxemos nos braços . Lerabre-vos. Succedem outros a estes. E n'alma os deveis gravar: E mais qtie ganhar Impérios O gabe-los governar. Nunca a discórdia desuna Nações. que a amisade enlaça.niento dirigido ao primogénito da diia condessa. DOMINGOS CALDAS BABB07A. Senhor. Honrai-os. Sei que pouca perda vai. Frap. senhor. Porém um pouco notai.

E não é para perder Uma servidão de herança. E qu'a memória O haja de honrar Tens os modelos. senhor. Pois que o céu assim disj. Ljia ao dilo prinioge Deixa qu'a lyra Nas mãos eu tome . Guardai em vossa lembrança O que é digno de reter. Os dignos pais Te hão de guiar.us A obrigação nos reparte : Vivei. E do mundo em qualquer parle Nós morreremos pur vós. Não busques mais. : FLORILÉGIO. para nós . E qu'o teu nome Possa cantar : Vai-te ensaiando Desde pequeno A ouvir Lereno Por li clamar : Se ura nome queres Digno de glória. Que merece confiança . .

Qiros Vasconcelos Suo de imitar Deixam-le a glória Castellos-Brancos Caminhos francos Para trilhar Diser podia Pasmosas cousas. Cunhas. Graças aos céus. Corréds. . Que dos teiisSotisas Ha que contar : Se eu chamo os seculuà Por testimiinhas. Tua memória Tens que fartar : Illuslre Aonio. Se eu fosse próprio Para ensinar-te.DA!Í BARROZÀ Vai bem quem scpfue Destes modelos. Ouves louvar.4I. Quando tu leres A lusa história. Vai d'aguia o Qlho O sol buscar. : : DOMINGOS C. Bem pouco d 'arfe Tinha q'usar Basta mostrar-le Dos teus o trilho. Podes dos teus Lições tomar.

O céu vigie Na tua idade. Vou talvez di-<er-te um mal. A honra tenho De a annunciar. Vozes qu'o expliquem bem : Mâs eu. Que só portugueses tem. Eu me levanlo. Ouço alto canto Teu norae alçar : Para escreve-lo. Que soffres e nao conheces. Sábias Camenas Vão preparar. Qu'off'recer venho. : FLORILÉGIO. Já sobre o Pindr. nào quero Illudir vos?a grandesa : Saudade — é norae qu'explica Triste mal da naluresa. . Dirào uns qu'é sentimento. Qae é sandade' — (Fragmento) Pois saber o qu'é saudad^^ Gentil 0'Neiie careces. senhora. E qu'importa falte aos outros. K esta verdade Verás chegar Nos pobres versos. Doiradas peunas.

Por exemplo — dividida Da tua cara metade. Nem só humanos obriga. Nenhuma coisa resiste : Obriga a lagrimas tristes. DOMINGOS CALDAS BARBOZA. Do amado separada. Se a cara leoa prendem. Tristemente acompanhada. Punge e fere uma alma terna. Isso. Ouve o saudoso gorgeio Da amorosa philoraella. Os campos corre bramindo. . A madeixa sacudindo. Quantas vezes te enterneces Co'a triste saudade delia : O áureo collo entumecendo. Que se nutre de esperança» No sensível coração De lembranças e desejos. Sempre esta paixão é triste E a seu íntimo tormento. sanhudo leão. Inda a brutos animaes. : . Obriga a seniidos ais. Em meio de mil praseres.0'Neile. Filha (la cruel ausência È essa terna paixão. Tenra esposa que lhe falta Chama em seu saudoso grito : Bravo. Toda essa falta que sentes. é qu'é saudade. Arrullando o pombo aíllicto.

E vê do amigo saudoso Qual seja a honrada memória : Também de fido animal. qu'onde quer qu'appareces Causas amor e amisade. qira memória tens cheia De mil successos antigos. O tempo o torna mais forte . Traz esles males amor. Te lembre a célebre história. Se conta que de saudades. .474 FLORILÉGIO. Escusas qu'eu te reconte. Junto ao sepulcro morreu. saudosos amigos. senhora já sabes. Terás dado (oh não duvido!) ! Motivo a muita saudade. Quando o qu'esíima não vè. Do teu Augusto Ricardo. Tu. Basta. E em lhe faltando a esperança. Que seu bom senhor perdeu. Porém a doce amisade Nào deixa de ter também A doença da saudade. É de temer este mal. Tu. Bem dejjressa é mal de morte. : Qu'em fim saudade só é O sentimento que um soffre. Tristes.

Qtie fiz eu á naturesa. DOMINGOS CALDAS BAKBOZA A Melancoli Pastoras nuo me chameis Pára vossa companhia. Que onde eu vou comigo levo A mortal melancolia. Que a meus dias agoirava A mortal melancolia. Que era triste còr se marcava A mortal melancolia. A fortuna eu que faria. Logo ao dia de eu nascer. Para inspirar-me tam cedo A mortal melancolia ! De alcírria ouço eu falar. Coube-me por triste sorte Eclipsada estrelía impía. Por cima da infeliz choça Gralha agoireira se ouvia. No meu innocente rosto Quem o notava bem via. Màs nào sei que é alegria : Nunca me deixou sabe-lo A mortal melancolia- . Veio bafejar-me o berço A mortal melancolia. Nesse mesmo infausto dia. Que em meus dias sempre influe A mortal melancolia.

FLORILÉGIO. Se os seus bens me mostra a sorte MÓ£tra-m'os por zombaria . Triste o outro principia : Marca as horas. E occulto no fundo d'alma A mortal melancolia. E despertei abraçando A mortal melaucolia. Que é uma peste que lavra A mortal melancolia. Fui abranger as ventura? Que o sonho me ofierecia. Se um anno triste se acaba. dias. Sou forçado a alegre canto. Pára disfarçar comvosco A mortal melancolia. Porque para mim só guarda A mortal melancolia. A mortal melaucolia. mezes.' . Se um praser se me dirige. Occulla força o desvia : Só de mim se nào sej)ara A mortal melancolia . Obrigo a que a bocca ria. Enxugoo pranto nos olhos. Sonhei que uma augusta raTiO Venturoso me fazia : Foi sonho — e fica em verdade A mortal melancolia. Nãoquero com os meus pesares Funestar a companhia . Faço esforços de alegria.

E nunca leve alegria : Viícu — e morreu nos braç-. -57T Eila me vai consumindo De hora a hora.s I^a mortal melancolia ! . tlia a dia . O saníiue vai-se gelando. Ali mesmo hei de ler n'alma A mortal melancolia. Sinlo-me ir desfidecendo Dd mortal melancolia. Lereno alegrou os outros. Inda quando o frio corpo Se envolver na terra fria. DOJUXGOS CALDAS BARBOZA. Sobre a minha sepultura Que escrevessem eu queria. Um epitáfio em Iriurapho Da mortal melancolia. O coração se me esfria : Fica em paz Arménia — eu morro Da mortal melancolia. Ha de corroer meus ossos A mortal melancolia. Se acaso dura a tristesa Dos numes na companhia.

Já dali loca a marchar Os adeuses sSo apressa. Vai as armas aprestar: Am«jr tem praseres doces. tau. Um lhes dá trabalho honroso. Tan. lan. . Ouço o rufo dos tambores. Com que os males temperar . etc. lan. Aniur ajuslou com Marle Víios mancebos alislar. . Vai passando o regimento E as meninas a acenar Vào as armas perfiladas. Mal se pôde a furto olhar Tan. tan. : FLORILÉGIO. zabumba Bella vida militar : Defender o rei e a pátria. Não ha tempo de esperar : Tan. ele. E depois rir e folgar. Toca Marte á generala. etc. Oufros os faz rir e zombar : Tan. Zabuaiba. .

Vera quartilho. etc. etc. Màs saudades a fartar : Tan. Toca era fim a emborrachar . Lá Aào brindes a virar . ou a ganhar : Tau. Pouco j)ào e i)ouca roupa. Pouco leva que pesar . í?» A mochila que vai fofa.)n. A cidade que é de lona. etc. clc . : : DOMIÃGOS CALDAS BARCOZA. Param. A cabeça bambaleia. Vai a tropa descançar : Tan. Vejo apressa levantar. etc. Vigilantes sentinelas Vejo alerta passear : Quera vem lá quem í vai ! faça alto l Sempre alerta ouço grifar : Tan. Vejo alegres camaradas Os baralhos apromj)tar . Ali (luço ressonar 'T. E co'a pública saúde Vai tenção particular Tan. topam sujo cobre A perder. vai canada. Põem-se as armas era sarilho. Dá-se um beijo na borracha. etc.

lá vão braços. E cabeças pelo ar : Tan. .. Ouço o bum. etc. Vem bandeiras arrastando. ele. Oá contrários fazem cara. Já fusila a artilharia. Uma brigada em coliimnas. pega ás armas. Lá vào pernas. Abatalha está ganhada Vào o campo saquear . Vejo espadas lampejar . Toca a morrer e a malar : Tan. Dobra a marcha e avançar : Tau. Venhaa nós — viva quem vence! Quem morreu deixa-lo estar. etc. Toca era fim a retirar Tan. Corre o qne vigia o campo Vem perigo anniiuciar Pega ás armas. : 48<^> FLORILÉGIO. ele. bum bnm das peças. Sinto as bailas sibilar Nuvens já d'espesso fíjmo VSo a luz do sol turbar : Tan. Marcha a outra a obliquar. etc. E da pátria no regaço Os heroes vem descançar : Tan. ele. .

Que affrontou sempre os perigos Gentil dama ha de escutar S'estiraou guardar a vida . 4« Os que salvara da peleija Vem a amor as graças dar . Vem mait. ele. etc. Torna a posse ao seu logar Tan. etc. Tem despachos qne esperar : Tau. mostra o petto. rico de esperanças. Os olhos que viram tristes Vem agora consolar : A saudade se esvoaça. Mas o tempo sarou tudo. . . : ^ DOMINGOS CALDAS BARDOZA. Despe a veste. Um merecimento novo Tem de novo a apresentar. Quer sisuras procurar . Tan. etc. eic. vem visinhos Boa vinda festejar E da bocea gloriosa Grandes cousas escufar : Tan. E em signal da sua gloria Juntam flores ao cocar Tan. Nem signal se pode achar : Tan. E só para lh'a entregar . etc. : . Vem família.

etc. nestes. 4 82 FLOÍliLEGIO. ISho é certo o seu amar íroplumados sempre á marcha Att' amam a marchar Tan. Ha de ter a fita verde De uma ordem militar: Soldo em dobro por Ires mese? Que a senhora ha de gastar : Tan. Temo que possa Pintai -os 1)6 m. ttc. Doa lindos olhos A lux tão viva. Não tens nas face« Jasmins e rosa. Quero Lucinda Bem relratar-te. Nào credes. meninas. Se acaso a arle Tanto puder. Finos cal>ellos Em trança grossa. : . Cur expressiva Ts-unca eu darei. Côr mais graciosa Nas faces ten». Relrfilos. .

'I'3o linda bocca íiraciosa e breve. u * . Se o gentil corpo Quero imitar-te. IVIàs cobres tanto Que nào se vè. Causas ás gentes Doce prazer. São de amor settas Que ferem l)em. Xinguem a teve Nem pode ter. E ha quem ser queira. Tanta doçura Cópia niio tem. Risos e graças Nào lem pintura. Deixa a pintura Beija-lhe os pés. DOMINGOS CALDAS BARBOZA. Vem por entre elles Vozes discretas. Desmaia a aríe Tu l)em o ves. Pobre Lereno Vê que íí loucura. Quando tu mostras Os alvos dentes. Guardas no seio De amor o encanto. Assim trijrueira Como tu és. iZ\ Todas t'a invejani.

É a das rosas Com os jasmins. Neste retrato Se acaso eu minto. Outra nenhuma Tem còr assim. Mais preso q'eu Ninguém está. Quantos alcança Vai enlaçar.484 FLORILÉGIO. Não é tão hella A luz do sol. Que nào tem nada Que conhecer. A côr das faces Lindas fonnosas. A lua dos olhos Nunca se eclipsa. É porque pinto Menos do qu'és. Amor nos fios Da loura trança. Ali atiça Seu fogo amor. Não digo o nome Da minha amada. Com tanta graça Nào ha ninguém. .

4 3ó Guarda na bocca As mais graciosas Perlas preciosas Entre rubins. Os pés mimosos Com graças tantas. E essa mesma Que é o meu bem. Que voz tao rica Se fórraa ali E cofre rico O niveo peito. Do mais perfeito Mais puro amor. Que como ella 'Sdo ha ninguém. Sào tenras plantas São pés de flor. Guard'a rainh'alma Que eu la fui pôr. . Se acaso virem A ninfa bella. ! DOMINGOS CALDAS BARB02A. Eu vou beijar-lh'os Seja o que for.

Negro vapor da terra aos céus alçad'». e do Cocyío Soltou a inveja as viperinas tranças. 1] bem que pelas musas embalado. Que enche meus pobres dias de amargura : Mágoas. O lúcido caminho achou turbado. desgostos. nocturnas aves agoiraram Eite funesto. FLORILÉGIO. Tocou-rae o berço a muo cruel e dura Da cega e inconstante Potestade. Nasceu ao mundo mais ura desgraçadu . Màs esqueceu á minha má ventura. Nente dia fatal — infausto dia. Une esta nodosa vida estende e tia Pára males que ainda não chegaram. Soaetos Negras. marcara minha idacie. que as desgraças bafejííram : Qnanto ha de mau. Tirar-me o refrigério da amisade. malfadado dia ! Dia em que a triste idade principia De um triste. já teu fado esta\a etcripto. Cioto e Láchesis inipía. Serão teu maior bem vãs esperanças! .) para iMeliiomene é que nascia : Quando afunesta aurora resurgia. Veio empecer-lhe a alegre louçania : Três veses troa o céu. S<. Soou da parte esquerda um rouco grilo : Ah! nasceste infeliz — e em vão te caoca-! l>ereno. em duros nós ataram Átropos.

PADRE AMÓNIO PEREIRA DE SOUSA CALDAS. .

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Sendo de compleição mui débil na ida- de de oito annos. apenas em resumo. * O Cónego Januário «la C. já em suas composições poéticas. seu pai que era um com- merciante da mesma cidade o mandou a Lis- boa recommendado ao cuidado de um tio. nada poupou para lh'a cultivar. começando a distinguir-se já nas aulas do cur- so de direito. 11. T. B Rev.PADRE ANTÓNIO TEREIRA DE SOUSA CALDAS. havendo qneni diga que por niaeon. António Pereira de Sousa Caldas nasceu no Rio de Janeiro no dia 24 de Novembro de 1762. onde. do Rio de Jancirn. conhecendo nelle decidi- da \ocaçào ás ietlras. modelo dos ecclesiaslicos e honra do púlpito. e quanto baste a fazer co- nhecer o poela e o individuo. 12G. do ínst. ja nas palestras cora seus colle- gas. p. foija escripla por iim orador igualmente illus- tre * e por isso nesta collecção a daremos . . Mandou-o. pois. nego- ciante abastado. a Coimbra. A EioGRAPHiA doále jllustrc cidadão. foi apa- nhado pelos do Santo OíTicio. que. Hist.

como talvez ahi lhe fizessem nascer a voca- ção para a vida ecclesiastica que depois abra- çou. filho. apezar de ser um espelho do seu ca- racter. se e no Pa7naso Lusitanc. Reraellido {«âra Lisboa. quando pela entrada dos Franca- zes regressou ao Brazil. ao menos aourlla . não se demorou ahi ninito :pois quiz ir vf. foi a Roma tomar ordens. que áe lhe oflerecia. transferido pára o convento de Rilhafoles. descre\e elle em uma carta de prosa e verso a seu amigo Joào de Deus Pires Fer- reira. pelo que nao a repro- duzimos. foi por ordem do Governo e a empenho de seu tio. Voltado a Lisboa depois de tomar ordens em Roma. A pequena ode ao Creador ao entrar o estreito é digna do primeiro de nossos i>oelas sagrados. Saindo do convento fez uma peqnena viagem a França indo recommendado cm Paris ao . onde concluiu com dis- tincçào sua formatura em direito.r sua pátria e sua mài. Estava outra vez era Lisboa.4 90 rLOIULKGIC. — Regressando a Lisboa seguiu á Uni- versidade de Coimbra. que acha impressa entre suas obras. Regeitando a carreira da magistratura. embaixador de Portugal o Marquez de Pombal. Aqui começa ^•erdadeiramente a melhor épo- ca da vida do Padre Caldas. a finséle ser ahi cathequisado por seis mezes. Os Ri! ha fui islã* desempenharam de tal modo a sua missão. donde nunca mais saiu. que nào só ganharam a aífeiçao do joven cathequis- ta. A viagem que então fez pelo mediterrâneo até Génova.

Suas poesias sagradas e profanas. que deixou para corrigir e publicar ao General Stockler. Débil de constituição e applicado mais do que ('sta lhe permitlia. também poeta. e foi enterrado no convento de Santo António da mesma cidade.s primeiras. ÍVIâs poucb lhe duraram seus dias de glória. o Padre Cal- das era sempre o pregador procurado. tem mais nomeada por aquelias que por estas por isso mesmo que sua vcca- . Publicaram-?e em Paris em 102]. e algumas cartas em prosa no gôito das de Monlesquieu. Todos os domingos se api- nhava o melhor da cidade para o ouvir no íeraplo de Sanla Rita. hcmeni probo e 9smoler. . e em 18. e palenteou seus talenlos oratórios. com mui importantes notas e comentos de Stockler. 491 cm que adquiriu mais glória. que começou a publicar o Instituto do Rio de Janeiro. SaiSA CiLDAS. çào n fez occupar-se mais da. das quaes apenas se sabe o paradeiro.t6 se deram á luz era Coimbra dois to- milos em que nào se contém as traducções. acabou desta vida acs 2 de Março de 1814. Nas cccasiões mais solemnes da côrie. Foi bom amigo. na? feslas maiores das outras igrejas. cujo i)ulpito elle esco- lhera por eslar junto da pia onde fura feiio chrislão. Outras obras deixou.

que as primeiras Cauções nella entoara e o vil engano. E a pálida tristeza Em leu rosto esparzida desfigura De Deus. Cuidando ser do mundo era fim banido. . que Qzesle tudo brada ? . que empunho. . Tua antiga grandeza De todo se eclipsou a paz doirada. Ao bomem selvagem. Eu a cuco dictando Versos jamais ou\idos: reis da terra. que te creou. a imagem pura. Na cilhara. Dos céus desce brilhando A altiva independência. . Ó homem. A liberdade cora ferros se vê preza. O «)rro deshumano. as màos grosseiras Nào pôzcantor profano . a cujo lado Ergue a razão o sceptro sublimado.OKlLEGlO. Emj)restou-m'a a verdade.-592 ri. Sua face escondeu espavorido. Tremei á visla do que ali se encerra.

E os hombros nào curvava Do déspota ao aceno enfurecido. E as trémulas entranhas apertar-me. que lhes tem feito. A natureza simples e constante. Que á luz esconde a tua lon^a idade. 4 93 Que monlão de cadéas vejo alçadas Cora o nome brilhanle De leis. se levanta Uma voz que me espanta. Qne inda a terra nSo linha conhecido . que o loiro Apollo Risonho alumiava. O céus ! que immenso espaço Nos separa daquelles doces annos Da vida primitiva dos humanos ! Salve diafeliz. Indiscreto abalar sobre o Ireraeiído : Altar do calvo tempo. SOCSA CALDAS. Da dor o austero braço Sinto no alBicto peito carregar-me. Km breves regras^ escreveu no peito Dcs humanos as leis. ao bem dos homens consagradas. O teu firme alicerce eu não pertendo. Quando da natureza sobre o coUo Sem temor a innocencia repousava. Cora penna de diamante. Sociedade santa. E aponta o denso véu da antiguidade.

cum as vozes suas N'um peito livre não acceude o lume. Saiu do centro escuro Da terra a desgrenhada enfermidade. Se aperta em laço duro. Qnando nuvem mesquinha De desordens seus raios eclipsando. E os míseros huraauos lacerando. Em \ão bramindo espume. . Este dia alongar por glória tinha. as campinas ^ai lalando. E centra o tempo de furor armado.mas de graça e de valor vestido O homem natural não leme a dura Feia mào da ventura: No rosto a liberdade traz pintada J)e seus sérios prazeres rodeada. unida á crueldade. cego amor.is : O paiidu ciúme. Qne tile indo apoz a doce natureza Da fanlazia os erros nada preza. Estcudendo. Fiiho da ira. Que augusta imagem de explendor subido Anle mim se figura ! Nu . E os braços com que. A noiíe foi do averiio a fronte alçando.^Oi FLOÍULEGÍC. Desponta. as seitas tu. Dos iér vidos Ethonies debruçado Nos ares se sustinha.

Do sábio tornam a morada dura. sol E nas ondas. Eu Aejc o molle ioaino susurrando Dos olhos pendurar-se Do fruxo caraíba que. mas cruel. Que. Nos valles já sombria. encostando C>3 membros sobre a relva. paramentada Com as roupas do vicio ou na ditosa . sem íurbar-se. Apenas apparece . . ^-^ Severo volteando As azas denegridas. ? Eu techamo. ! Qual o astro do dia. Depois que a luz brilhante e creadora. SOrSA CALDA?:. Que nas altas montanhas se demora. Dize . assim me prende O homem natural. na morada Do crime furiosa. de espectros cingiudo a vil figura. . Cabana virtuosa Do selvagem grosseiro ? . . uào lhe pinta O nnblado fulnro em negra tinta De males mil o bando. aonde . de Thetis entre o$ braços. 6 philosopho responde. . . . onde habitas ? . Entregar-se de amor aos doces laços. Polida. e o estro accende. ó razào. Ovê levantar-se.

que combalem. De fresdobrado bronze tinha o peito Aquelie ímpio tyranno. . e o lindo canto as vestes Das musas se trocou em triste pranto. Té que bramando mil troxões se ouviram As nuvens entre raios decepando. Que nos roubou o primitivo estado. Do seio seu lançando Os cruéis erros. Ao ver deste mortal a louca empreza. e a torrente impía Dos vícios. E desde então só rudes Engenhos cantara o feliz malvado.493 FLORILÉGIO. enriig-ando o torvo aspeito. Do meu e ífw o grito deshumano Fez soar em seu damno : Tremeu a socegada natureza. Que primeiro. noite e dia. Cobriram-se as virtudes Com da noite. Negros vapores pelo ar se viram Longo tempo cruzando.

Prazeres suavissimos. !Nào foram.hes espantasse o somno. as lyras de oiro De Orpheo e de Araphion. E o8 indómitos tigres amansando. Provar aao poderiam. que os leões bravos. puro amor. Apoz elles correram. Embora finjam mentirosos vates. As cidades fundaram. Que as torcidas raizes desprendendo As arvores annosas. despir podeste Da estúpida bruteza a humana espécie. SOUSA CALDAS. 4 97 Sobre o aocor. verde-negros bosques. . caro Sousa. Sem li insociáveis viviriam. Nas escarpadas serras. As fugitivas horas passariam. . Os singelos prazeres da amizade. que os penedos. Em languido lethargo submergidos. embrenhados Ou nos sombrios. Tu. Té que o pungente estímulo da fome l. só dados Aos peitos generosos e sensíveis. Em pasmada tristeza. Só tu soubeste unir em firmes laços Os dispersos humanos. só tu.

De educar cidadãos. as gentis Lycores. Em vuo. Ermo de novo. As sciencias. Tingindo as juvenis. No seio da i^aiorancia inda jazeram . O gôslo de abraçar a cara esposa. ! Víra-se em bre\e co'o volver dos annos. bellas' F. Ternos agrados. carinhosos gestos. . As Mareias. Tc que do seio da fecunda terra Outros homens brolasseni. Qne inerte e fróxo a nada se atrevera Um peito enregelado. engraçadas bôccas. mimosas faces De pudibundas rosas.UIvSo dos vivos olhos fnsilaram Accesos raios. Doe risos e das graças rodeada. Coitados uào sentiram. Nada mover os peitos poderia Dos animados troncos. Flores que tu só colGes. nutrir virtudes. meigos sorrisos •íoltariara. Vénus com farta mão nào derramara Era seus rústicos leitos brandas flores. com que audaz fulminam Rebeldes esqnivanças. Suas vermelhas. l^e se ver renascer nos doces Qlhos. as artes sepultadas. Anhelantes suspiros. brandas queixas. o povoado uumdo.4ya FLOIilLEGIO.

Depois de ouvir nas hórridas batalha?. . que se arroja Com brio denodado a expor a vida. Troando a furiosa arlilheria. Que a vida nos sustentau). O niisero cultor. 4 99 Ah cre-me. Nossos males adoça. prompto esquece As jiassadas fadigas. súmenle ! A vasla natureza viviGca : Amor nossos prazeres lodos gera. Arrastrando cançado os cavos bronzes Nas pesadas carreias . . Sousa. . por frias serras. Que amor lhe promettêra. que em vào pedem Vingança. ou piedade. Pelos ares silvar os férreos globos Que a morte envolta levam Depois de ver os rápidos ginetes Atropelando os fulminados corpos Dus caídos guerreiros. O sddado animoso. Entre os braços da timida donzella. Em defensa da pátria ameaçada De inimigas phalanges Depois de haver solTrido longas marchas Por áridos sertões. amor. SOUSA CALDAS. os horrores Da guerra sanguinosa. que industrioso Do fértil seio da benigna terra Faz abrolhar os preciosos frutos. amor.

Apenas desenvolve o denso manlo Sobre a face da terra a noite amiga. [que saudosa Ao encontro lhe sae. Se o repouso procura aos lassos membros Na rústica morada. a vida humana Seria insupjiortavel. Que o casto aaior no coração lhe entorna. 6 Sousa. Lhe estende os tenros braços. e o caro filho.KOO FLORILÉGIO. largando da mãi o doce peito. sem amor. Se vé que. Onde a razão os bens o os males pesa. Ou no frígido janeiro. Vendo a fiel consorte. . Assim. Eui ternura suavíssima desfeito. na fiel balança. Contente já de sua humilde sorte Beradiz a Providencia. já suffra Eiu quanto o arado rege. os finos sopros. Coni que lhe tolhe os calejados dedos O gelado nordeste . Que.

SOUSA CALDAS. que tudo impera j Os abysmos do nada estremeceram E ao Deus grande e clemente Os possíveis tremendo obedeceram : Atónito levanta a escura frente O cahos rodeado De confusão e horror inda a belleza : Com pincel variado Não ornava a recente natureza. curva foice reluzindo . >íOI A creação. . Outras vezes ao longe desferindo. Fez retumbar a voz. . E a mádida terra Deixa respirar. As ondas dormiam Que a face cobriam Do cahos horrendo. Vida vai cobrando O languido mar : Do vasto Oceano No seio se encerra . Ao leve soprar De um zeQro brando. Tranquillas jazendo. Em torno de si mesmo a agitava Quando o Numen potente A cujo aceno o lempo audaz nascera. umas vezes meneava. Já do lempo voraz se divisava A férrea. Despiedado.

Mostrou formoso o seu soberbo assento De graças e esplendor se revestia O m ages toso dia . Fulgentes eslrellas Nos céus resjilandecenr Na terra verdecem Mil arvores bellas. Dos feros leões.aOi FLORILÉGIO. O sol rompeu nos ares. trisle sentimento Magoa o rosto lindo Da noite descontente. A lua os céus e terras alumia. A resplandeceu. iiiz Que em denigridas sombras se involvia. e o Qrmaraento. Sôl)re nuvens o sceptro reclinando. Que a ausência de Phebo luminoso Assim terna annuncia: Emlanto desferindo Escassa luz em throno tenebroso. As aves revoam : Nos ares entoam Sunoras cançòps. Quando cheio de pompa o luzimenlo. dardejando De animante calor celestes raios. Nas azas sustidas. Flnlernecido. . Os monte* erguidos Os valles retumbam Ao som dos rugidos.

Gravada mostra n'alma a augusta imagem Do Senhor adorável Que o iramenso universo senhorea : De sua pura carne se teceram As meigas graças. . Das entranhas do nada surge o hcnwíni : Eis apparece e a cândida belleza . ^^^ Ó terra ! ó céus ! 6 muda natureza ! Trasbordai de alegria Iriumphante . que novo encanto Eu vejo ! lhe dizia . Tu és o men prazer. SOLSA CALDAS. Terna e delicada. Enredo de Flora : Assim é mimosa E linda a mulher E o homem se go^a Em se lhe render. E todo o extenso mundo. Seu raagesloso porte Soberano do mundo o patentea. deixar pouco julgava. que no rosto amável. Apenas a diviza transportado. Da mulher carinhosa. Com suave doçura resplandecem. Por ella só. e arrebatado Em delirio amoroso. Qual rosa engraçadf Qne zeGro adoia. Mil vezes em seus braços a apertava. O sisudo semblante lhe ennobrece.

O animal que á fera ímpia morte soubera sujeitar-se. St>í FLORILÉGIO Qual grila entre as feras Leào rugidor. . Animada ao calor do sol ardente: Tudo cm vida fervendo parecia. Fecundo recebera Virtude de crescer. Que fizera raiar a noite e o dia. Entào o Creador arrebatarlo Em divino prazer. e traslnzia Em toda parte o braço omnipotente. infinito. Da frígida semente Outra vez novo ser se produzia. a voz do Deus iraraenso e justo. Olhou dos céus o livro sublimado Que com as suas mãos havia escriplo. almo. : . multiplicar-se. E assim falou Ouvi cheios de susto. : Morlaes. O mundo era creado. Derramando em torno Gélido terror Tal se mostra o homem Sobre toda a terra Tudo rende e aterra Em arte e valor.

acceila âleu mandamento : Traze á memória. . Rendido. E me oCferlares Santo temor . inefável. Minha presença Ao peito puro Eu mostrarei. ' SOUSA CALDAS. Por mim o juro. ^^-^ Os céus entoam Minha grandeza. Que o firmamento Por ti criei . Grande. Que o mar e a lerra. Homem. Os seres todos Jiinlos pregoara. Alto poder. Pur vários modo?. respeita . Se me adorares Com vivo amor. E recompensa Tua serei. A minha glória. Do eterno ser O incomparável. E o que ella encerra Tudo te dei.

E em vào gemendo. Nos abysmos do nada inexcrutaveis Vai de todo afogar minha existência ? E outro o meu destino. . Me chamarás. Da morte fera A mào severa Tu sentirás . E sem respeito O profanares.a. congelando os froxos membros. Mâs se quebrares O meu preceito. Ah não queiras cortar minha esperam. . . onde a amisade De geus dedos gravou o terno toque. Tu cuidas que a mão fria Da morte. Porque choras. No averno horrendo. ''Or> FLOÍIILEGIO. Que «oberaua rege o corpo inerte. . A icamortãlidads da alrnu.rae anima. ! E de dor embeber minha alegria. Fileno ? Enxuga o pranto Que rega o teu semblante. outra a promessa Do esjiirito que) em mim vive e . A horrenda sepultura Conter não pode a luz brilhante e pura.

«07 NSo descobres em ti um sentimento Sublime e grandioso. Eu vôo por elle elle só pode : iVIinha alma. . a raào estendf. SOCSA CALDAS. Ah meu Fileno. Em que raia a feliz eternidade? Um Deus de amor m'inOarama . Em li deve existir eu niio te engano: Til me dizes que existe. doce amigo. Olha. o justo goza Do seu Deus a presença magestosa ! Desperta. ! Como é duce a lembrança Dessa vida immortal era que.. 6 morte Que te detém ? Teu cruel braço Esforça. que parece Tua vida estender além da morte ? Altenta. . E avibinhar-me Do summo Bem. e vem. . De lodo saciar este desejo : Me torna saboroso O cálix que tu julgas amargoso. . Vera. sequiosa do infinito. examina. . . Fileno. banhado De inefável prazer.. E já no peito meu mal cabe a chamraa Uue duceraenle o coração me abraza. . Equeres que eu preGra Humanos passatempos ao momento. Já transpassar-me. escuta bem. . por piedade. . .

A minha aperta nao le assuste o ve-Ia : De mortal frio já passada e languida. Amarga este momento eu nào t'o nego. Adoçar o meu último momento. : Meu amante Fileno a voz já presa : Sinto faltar-me o sangue . É da araisade a teia delicada. ! u08 FLORILÉGIO. Nas veias congelar-se pelo rosto . Quanto deste instante Adoças o horror . Tu me mostras a fuice inexorável. Que aspiro a gozar. immortalidade — vem. Me cae frio suor . ó morte. Ocoração desmaia. a luz mal posso Das trevas distinguir e sufTocado . Se a virtude a teceu Era fim. Mais durável que a vida. Suave esperança De sorte melhor. O meu peito afflicto Enche de valor. Vem. 6 grande. Ó Nume infinito. Sublime pensamento.

caros amigos. Bramindo espume A maldade cruel e desgrenhada . Oito annos aj)enas eu contava. . Sim. Entre ferros. Fazem fugir o refalsado engano Qi. E mais tyranna sorte adivinhando Em lagrimas o pai e a mãi deixava. pobreza. Â immorlalidade da alma.e em \ão forceja. Morda-se embora. S0US. em frágil lenho e demandando Novos climas.4 CALDAS. ó céus que dor que iniqua sorte ! ! ! O começo da mais risonha idade. pois não pode irada Extinguir da razào o vivo lume. Crede. aos céus erguendo Os algemados braços. A velhice cruel. enfermidade Eu vejo. (]ue abrasada Caiu do sopro do Supremo Nume. Quaado á furia do mar. e o iyranno Vício no throno com o pé batendo. O justo sobre a terra. eu sou mortal. 800 Sonetos. abandonando A vida. Desde enlào á tristeza começava O tenro peito a ir acostumando . da pátria me aumentava. Para poiípar-me descarrega o corte. (ó dura morte !) Que faz temer tào triste mocidade. para ver gemendo Da verdade o sisudo desengano. não consnme Do tempo estragador a foice ervada Éáta viva faisca.

Tremei. Do escondem a belleza. e pesada Saraiva que no ar estava presa. Sobre negros trovões surge sentada. Tu descoras lambem. O monarcha feliz e poderoso. Em cruel fúria contra nós accesa.o 10 FLORILÉGIO. Na presenoa de orna grande trovoada. A mão. beijas duvidoso. : Do seu Deus ao aceno convocada. athco vaidoso. que negas. Agora perde a cor de medo cheio. Que o vil orgulho abriga no seu seio. . humanos toda a natureza. rosto seu Medonha escuridade acompanhada De abrazadores raios. E menos cego sem achar esteio.

CARLOS .FKEl FRANCISCO DE S.

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que ao entrar deste século foi nomeado professor de eloquência sagrada. e como religioso professo deci- didas provas de sentimentos religiosos e condn- cla exemplar. que fez a sorte Do aurífero Brazil o ceniro e a corte. entrou desde losro no convento de S. ti Presado berço meu. FRi:i FRANCISCO DE S. quan- do. Francisco de S. deslinando-se á religião. e quando ao Rio chegou a corte. seguindo seus professou quando estudos. Carlos.TS ribeiras do plácido Janeiro. leve idade. . o escolheram para pregador . CARLOS. Boaventura de Macacú e. Como pregador se deslinguiii tanto. Nasceu este poeta sagrado no Rio de Janei- ro era Agosto de 1763 no seu próprio poema : se lembra elle de sua pátria : N. dando como noviço mostras de grande talento. jLjl lttteratura brazileim conta também uma epopêa sagrada. Tem por assumpto a as- sumpção da Virgem pelos anjos considerada na cidade de Epheso tem por auctor ura religio- : so franciscano reformado da província da Con- ceiçào do Brazil. » Contava apenas treze annos de idade. Fr.

quanto a nós. foi imjíresso em 1819. pela espotaneidade de seus versos. Nao é como pregador que agora • > temos que considerar: sua voz forte e clara. só advertiu demasiado tarde que causavam ex- cessiva monotonia. li lêa. nome é conhecido no Brazií apenas ha quem . . Assim. e que além disso eslava já bastante tratado. e delles raros ciíeíraram a imprimir-se. 5ija íi^'ura nobre. mas nào concorre talvez monos a na- tureza das rimas parcadas que infelizmente . A Assumpção^ em oilo cantos. sua eloquência fácil. furam dotes que o fizeram considerar o primeiro pregador do Rio. Nào iemos nenhum de seus sermões. ado])tou o poeta. e que. des imagens cheio de episódios variados e . Concorre pára isso talvez o julgar-se a obra niyslica. como ella mesmo diz. íla casa real. mas a facilidade de sua eloquência confirmamos pela fluidez. Não que o poema se tornasse popular em Portugal nem sequer o .oi4 FLORILÉGIO. e por tanto mais ascética que amena. ás quaes o auctor leve o feliz pensamento de dar um justo logar no seu paraíso terreal. viveza de suas imagens e colorido de suas pinturas. e ao mesmo tempo expres- siva. para ainda sair-se delle seu auclor com tanta glória. fecunda e accomrao- dada aos assumptos. Parece incrível como o poeta crea- «lur soube ferlili?ar com seu génio ura assum- jjto que não o é. é nra poema que ganhará muito se alguma vez chega a ser traduzido pois é repleto de gran- . descripções das bellezas americanas. no poema que o fará immortal.

Seu retrato se \ê em uma eslan)|>a do frootispicio tio poema. Carlos falleceu no Rio de Janeiro a 6 de Maio de J829. CARLOS. . Siií Fr. e jaz no convento de Santo António. S. Francisco de S. q»ie tem aberto na mão. of- ferecendo á Virgem de joelhos este.

que ali morre. outros bosques. além das ilhas. N"um braço do oceano. Outros céu?. debaixo esíando Do semicapro peixe. Inda mais vejo ali. é tudo enigma. Companhia com tochas mil accesas Parece celebrar suas grandezas. Tudo sombras escuras. que é patente Méfa meridional do sol ardente. Dizei-nos. flores nos matizes Diversas. nobre archanjo. novos ares. torreada Do bronze e revelins a augusta entrada. o que isto intima. " Alem dos Qiáres vejo. Que pela praça vai a generosa Deipara em triumpho e populosa . AU! que immenso paiz ! que mara\ ilhas! Vejo um novo hemispherio." O vasto continente que aíTigura . se nào me engana Era painel tào escuro a mente humana. das que vi nos meus paizes. e tão densas Que as azas da razão me tem suspensas. outros mares. Pulquerrinia cidade logo occorre De nobres edifícios . Pára mim é mjsterio. Peio longo da costa demrindando As regiões austraes.Sie FLORILÉGIO. Aves estranhas.

CARLOS. Por ti um grau de glória soberana Recebe. Aplanadas dos golfos as passagens Novos meios se abriram. Os seus feitos Com os teus confrontados são defeitos. nesta árdua empreza Tornaste a abrir a porta ú nafureza : E obrigaste a adorar do mundo a gente. e mais se exalça espécie humana. Que cythara tào doce. mil vantagens Aos tratos mercantis. Como de novo. É iim grande paiz quasi dezerto : No trato ao mundo anfigo inda encoberto. As" proezas do grego e do troiano . Nem a fabula desse tão ufano Pelos doze trabalhos. ou uma aranha A vis!a do gigante. Ou antes um pigmeu. E o orbe inteiro nova face toma. a mào do Omnipotente. pregões] dos seus louvores. Nova serie de cousas eis que assoma. e os bons talentos Dicfaram-se de luzes e de inventos. ou da montanha. Novo invento subtil do engenho sábio. Rasgado o véu dos sec'los que a escondera. Ó Ligure immortal. Tocaste a meta da terráquea esfera. . Mas em fim jíor um génio denodado Será das densas trcAas arrancado Co'o soccorro da agulha e do astrolábio. SI7 (Diz o niincio do Eíerno) ésla gravura. . Então do Creador no\os primores Resjx'enderara. S. ou que profundo Engenho poderia neste rauntlo Uma parte cantar de lua glória ! Não mais nuo mais blasono a antiga história.

que a lionra assim o ensina. que discórdia já tecera Entre as deusas do Olympo no monte Ida. Abrilhanta o ananaz. sanzona a pêra. E o caixo. já vencida. como uma e outra zona apanha. Os três reinos aqui. Em minas. Tão ubérrimos sSo e tão prestantes . Que não resolve a sábia subtileza. No jardim das Hespérides nascida. Acham-se ricas pedrarias finas. em competência . Em Gíii. IMelhor tornado neste clima alheio. mostrada em parle a naturesa. que de Rhodes gera o seio. Oiro. E o pomo. É lamauho o paiz. . Ali vegetam várias alimárias. tíiovasto o solo. prata e mil drogas peregrinas. que a opulência. que o mundo velho envia . que o velho miindo jamais cria. animaes e vegetantes. Màs coQÍerisa. Que fez Dardania era cinzas reduzida Os dons da Ceres loira.y«» >LORILEGiO. Produz Lieu. Vários troncos e frutas flores várias. Que quatido o seu saber mais patenlea. Porque. atalanta. E bazes suo da humana subsistência. E o mais. Pára onde mais pendeu a natureza. dos affoilos Luzitanos. ciescendo a idéa. Que se estende de um polo a outro polo. Por quem foste. Que aprendeste os seçrcdos e a doutrina Dos bravos. Dtílie nos cresce o amor. J^srora lu lhe expões toda a riquesa . e a fructa d'oiro estranha. Qiie [jrimeiros tracaram-te os teus planos. Cria rudo.

croceo. grão thesoiro De mais alto valor. Que parece oulra raça. Além das farináceas e das raízes. ! s. fontes de saúde. Tecer ignoram mas as suas telias . cores bellas. Ferieis de vida. EncoQtram-se lambem Iribus errantes Nos bosques que entre si belligerantes . a nova Ipecacuanha Do velho Dioscorides e. Rica mina por certo. E o lustre vão de pedrarias finas . plantas em succcs e virtude. Carlos. ou de lodo. roxo e de encarnado. que a tão sobido Grau de horror chega humano embrutecido Pintam o roslo seu mal encarnado De \erde. Que 03 povos fazem fartos e felizes.^tranha. Antrojiophagos são. Do nume de Epidauro prendas dignas. que arêas igualava. A \ida passam era contínuas festas De crápulas e danças inhoneslas. São as plumas dos aves. Da cupaiba o óleo precioso. que a prata e oiro. Que direi desse reino vegetante Eai dilatar a %'ida tão prestante ? Aqui colheita salutar descobre O fármaco. Quando o próvido Hebreu amontoava Neiles o grão. em vigílias úteis nobre. . Vivem de singular e estranho povo. A palmachrisli. kí^ Co os celeiros Eíypcios na afluência. E por fugir á vespa o corpo todo De resinas agrestes. germe novo. Que vence a dor e o golpe mais p'rigoso Hervas.

Será de um povo excelso. Outras irão beber sua not)reza Nos tratos mercantis. Aquellas do. io de Janeiro. que tiverem por vaidade. que assim qiiiz a sorte. por alçar maças estranha?. ser sua corte. banhas.s Timanles o extremoso Pincel com estro imitará fogoso. aos bronzes alma. Gravaram do rigor de impostos novos Os dynaslas cruéis a terra e o? povos Egypcios. o empório frequentado. o logar mais venturoso. Alçarão outras no porvir da idade Os trofeus. Pode as frotas conter de lodo o mundo. ó Nilo. Será pelo seu porto desmarcado A feira do oiro. Pois dos Lusos Brazilicos um dia O centro deve ser da monarchia. rica. Muitas serão mais destras no compasso. Será nobre colónia. D-'ir ás outras a lei : eis desta a sorte. Que as linha.^2 FLORILÉGIO. mais Ínclitas columnas. germe airoso Lá da Lysia.s mede do celeste espaço. Que lu. Tal que se preza De ver nas suas scenas e tribunas. Fecunda em geniosa. A cidade.ida. Maior brazão. forle. que ali vedes traç. Umas nas artes levarão a palma De aos mármores dar \ida. . Amplissimo ao commercio pois profundo . E qne a mente vos traz tao occiípada. transpondo o leito. Mus cuidar de seu rei.

(Além das obras d'arte) por defesa. S. Se os delirios da và mythologia Na terra inda vagassem . Volumes colossaes.^nle . Hoje busca o viajor o immenso lago De Mexis. Do seio. trovões e raios. e só topa um campo vago. Que. sempre armado De face negra e torva . Que tanto ali gemeu por tempo tanlo. Vedes na fuz aquelle. corpos enormes. Mil braços a gastar. das nuvens. e mais se o c'ròa Neve. Que deu-lhe a providente naturesa. gastar mil annos. gigante. CARLOS. no mar os rastros Atreiido ameaça o pego e os astros. pois. E se restam taes obraa peregrinas. e só ruínas. Que intentou etcalar um céu brilliíinte. que não erguerão nunca humanos. dir-se-ía : Que era um desses Alóidas. co'a frente no céu. que apparece Pontagudo e escarpado ? Pois parece. E as deusas por acinte lá da allura Lhe enxovalham de neve a catadura. • Fosse superstição ou só vaidade Da fama dilatar por longa idade : É certo que o sentiu o povo santo. Por brazões da primeva architectura. pôs natura. Sào sobejos do tempo. onde a ír'. pelo contrário. Na derrocada penha transformado Nubigena membrudo . com que atroa. Aqui. Que das deusas do Olympo namorado Foi no mar por audaz preci|)ilado. Cylindros de granito desconformes Massas.

Então. Que deviam parar. tanta firmeza. Ji22 FLORILÉGIO. de sonoras fonles. vendo o mar. O Brazil. Por uma e outra parte ao céu subindo V3o mil rochas e i)icos. Que abraçar-se com elle não recusa. Nem de pennas multicolor textura . do Ganabara. de Alfeo que o rio Faz por baixo do mar longo desvio Té Ortygia. Deuses parecem ser da naturesa. era que se acharam. loco pararam Nas formas e extenções. Que. Ossos da grande mài. em demanda de Arethusa. Que aíTiguram exércitos cerrados De mil negros tipheos petrificados. Prompto aviza e previne-se o perig-o. e d^enlào Aendo Os secMos renascer e irem morrendo. Por tanta duração. seus fraclos e pássaros. abastecida De grossas matas. alé o horisonle Mal que espreita surgir lenho inimigo. despenhando-se de alpestres montes. tua cultura. Tal a fabula diz. verá tua ventura : O sec'lo d'oiro teu. que ao ar saíram Na vez da creacào e mal que ouviram . Ao resto sobresae co'a fronte erguida Dos órgãos a montanha. Vem engrossar o lago da agoa amara Do grão Netheroy. . Brazil. Pelas largas espadoas penduradas Não te verão mais seitas aguçadas. Esconde. que existindo Desde o berço do mundo.

Debalde o Cairaan se pinte enorme De rojo a luas plantas. Correu-se o panno á sctna roçagante. . S. Vós lambem. de teus ])rados. A cruz. Desenho do primor. que gera o frio Em lodosos paúes soplemphliio rio. O áureo cambucá. que em plumagens Da filha de Thaumante sois imagens Vós sereis celebrabos. grossas araras. obra de custo Adornará teu vulto baço e adusto. Sceptro na mão terás. que no peilo A côr formosa traz. donde santa resplandeça Cmo raios de rubis a cruz erguida . qual o informe Do Ichnéumon rival. Que Daphne já trouxera nos cabellos. auriflammanle. Mais doces hão de ser porque cantados . Em crespos fios d'oiro rico e bellos : A iraponga nivea. frucla que unida Nasce á casca da rama a denegrida : Jaboticaba doce. Dos tilyros serão na agreste avena. O psitaco loquaz. Os loiros canindez de plumas raras : O tronibudo tucano. que bem vinga Nas frescas várzeas da Piratininga. Os fruclos de teus bosques. Nas silvas resoando a cantilena. CARLOS. que nos montes Arremeda em tinir sórdidos bronles . que é lua crença querida. que girando Liados jardins no ce'u andais pintando. : Esteilifero palio. 'S2Õ Tens braços cingirá. e na cabeça Coroa. 6 alados. tua cintura. daquelle geilo.

da maneira Que qualquer julgará ser a primeira. Onde lu. Os róseos colhereiros. de roxo e d'oiro. E outras muitas. ]V'um rico e ferfilissimo terreno. que o murice escurece. A primeira cidade o navegante Saudará do mar. ninho imporlarte: Que no cume de um monte se sublima . e também verdes. Com que a praia de Tyro se ennobrece . Da latitude austral no grau trezeno. Rubras cores rccedem tão sobejas. que grão Ihesoiro Tem na gorja de azul. em fira. Que tu. Também colónias mil serão fundadas De praças e lugares : affamadas Por nobreza e commercio . que alturas tanlo estima. que peunas trajam sendo velhos De escarlate. rei dos jardins. invejas.S2 4 FLORILÉGIO. Os cerúleos sahís. o cravo. E a luas margens ama. Províncias do Brazil. E o thiê. Qual o da águia. O raro carajoá. o preço perdes. esmeralda. Que beatifica os goylacaces prados De sons angélicos. e as agoas liba O sereno e austrino Paraíba. Mâs quando as salsas conxas do mar pascera. que são diversas No canto e formas. se bem que negros nascem. de mil trinados. que algum dia Serás o Soteropole Bahia . pelo ar dispersas. e os vermelhos Guarás. Mãi de nobres colónias.

Do porto seus baixeis empavezados Iruo cortando niáres empolados O paiz demandar fronteiro a este. para mil pomares. Esgalhos de ura só tronco derivados. proliGca em fruclos gloriosa. Assim arvore exótica estimável. Assira raalrona illuslre. ou logar for esbulhado. Que lendo além dos mares a esperança. Em vào o leào fero das Astúrias Castigar jure btlgicas injurias. Todo o ardil será vão. S23 É daqui que tu. aquella em grego estrago. com q'as Dunas se ennobrecem. . S. Ao resto do paiz. Por onde corre o Zaire. Inútil lenlativa vão reforço ! Só Olinda arrostar pôde a tanto esforço. Subindo ura pouco mais. Cujos trofeus. cidades isoladas. inexgotavel De si reparte garfos a milhares Para mil hortas. Tomas o berço e o fundador primeiro. grave e annosa V^. inclyto Janeiro. CARLOS. Cera filhos dos seus filhos desposados. verào Olinda Surgir daa ondas marcial e linda . Nào será pelas hostes conservado. Tyro e Carthago : Esta em Ausonio. Nào soffre o instante mal menor tardança. Conservando no seio em seu proveito O oiro das nações como tem feito : Antes de se abrazar. Que restou singular. (Prosegue o archanjo) e Amphitrile em meio. sopra o leste. Se algum porto. todo o bloqueio. como engrenhadas Matas tiver.

noras maníias. qnadro imitante . . Mais acima a cidade se descobre Em nào humilde. que fecundas criam : A vista do Amazonas. em cópia nobre lares Do arminho veeretal. E dos Brazís corrido não gozara. como agora arêa . Viuva de legitimos senhores No jugo e nos grilhões de usurpodores. Vendo extranhos paizes. Bem sobre a foz de um rio. Por último a cidade nobre impera. que contaes couzas tamanhas. Maranhão. Análogo rival. Ó nautas. da casca ardenle. o26 FLORILÉGIO. Colónia que o Gaulez sagaz fundara. Lyzia bella. és excellenle. que no mundo E capitão das agoas sem segundo. Que D'outro um rio vistes lâo profundo. O Rheno. que já perdas da aurora E hydaspicos mares houve outr'ora O Tybre. Dizei ao morador do velho mundo. Quando do Ebro seguia a infausta eslrella A priaceza do Tejo. Cora que tu. Cora o nome. O Tejo. Que no seu vasto seio uma ilha aponta Que três vezes cincoenta milhas conta. que nos giros. cujas margens se gloriam Do roxo néctar. reprezentam Quaes ramos sobre os troncos qu'os sustenlam. Linha equinocial na hydrographia. onde o verbo á luz viera. Trofeus volvia. Lhe imprima dextra mTio nobre energia. Más lá por onde a noite iguala o dia. Paiz quasi ao desdém até que um dia . que rodêa.

montes escabrozo?. do abnnrlaute. acre e pungente . E a salutar cortiça da canela. fresco e certo.trasladadas : Aqui vantagens taes e deste geito . Eem poderiam. o sândalo cheiroso . iMais proficuo o Brazil. ser transplantadas Estas substancias todas . O rauscado. A cânfora. Quem ouzúra afTrontar golfos lào altos. De que as aves recebera grào tributo. cuja campanha O Tamandatay cercando banha. O áloes. Com que tu. CARLOS. cuja fonte era éden mora. cuja amêndoa cria a massa Da potagera balsâmica. »27 Do cheiroso terreno. E aquelle. de mais respeito. E o Ganges. antevermis precioso. Expondo o i)eito u tantos sobresaltos ? Quem ver quizera a horrenda catadura Do gigante. odoriferanle fructo. A negra pipereira. Rios transpondo..i A illustre povoação de Paulicea . Cujos alumnos fortes e briozos. S. os bosques senhnre. o cravo ardente . rumo mais perto ? Voltando ao Austro. Aqui as plantações tão lindas crescem Do extremo Chim. Dos immortaes nas mezas só brindado. Que o Indo rega. Taprobana. que passa Em delicias o néctar delicado. Aprazível logar. morador da aurora. ao ])resenle rocha dura . Por mar mais social. pois. Tendo aqui lastro prompto. . és rica e bella. que indígenas parecem : A estomacal raiz.

a terra pega Do metal. Por quem a antiga Grécia esquecera De Chipre. Atropos insnllando e os sens perigos Sem rotina segura. Tudo quanto de Ophir se tem falado E de riquezas d'oiro exaggerado . De panlheras e serpes assaltados. E do indígena bruto . Nimca tamanhas. Em vão se aggrave contra mim Luculo. Chio. Aquelles que furando o peito duro De triplicado bronze. Que hào de tentar os inclytos Paulistas Conlijua a ésla terra. Samos e Cilhera. . . o mar escuro De Helle na aventureira faia arando Voltam de Colcos ledos. erafim cançados Darão com terras pingues e abundantes Das veias d'oiro ricas e diamantes. Descendo a costa um pouco ao mcio-dia A Ilha Linda se verá que um dia Nomeada será florente e culta Da illustre martyr que o Sinai sepulta. Emfira nas margens de um soberbo lio. sem abrigos. tão exuberantes Cópias de metaes finos e diamantes Em cofres eclipsaram chapeados Da riqueza os heroes nem celebrados : Senhores foram já de tanto preço. transportando D'oiro a là nào disputem as conquistas.ií2 8 FLORILÉGIO. Átalo em Pergamo. E se nada exaggero ou dissimulo. Em grau aqui se encontra tão subejo. que a fortuna a muitos nega. e na Lydia Cresso. Que pode terminar qualquer desejo.

ora de silvas prriçada.elos lares e nas ruas Hyuinos mil.-. Ninho de serpes. de mentes peregrina». e é neste infcjit-. 5Iàs se algum contradita quanto allego Venham vin^'ar-le as musas do Mondcgw. Quasi lérniiiiu auslral do senhorio Luso em gentis e deleitosos pradus . o que é louvor. Tu abundas de artmas e rezinas. goarâu j. onde a arte imjiera. a Igreja da Glória no Rio de jauí j A bella estatua. Eila fará subir á clara esfera Em seu nome trofeus. Já mostra que será da vencedora Do Erebo a cidade grào cultora. Que já em teu nome oslcnla? tua glória . Ficará Portalejíre. e cançóe. Que o mérito exaliar jamais recusa. Que mereceu aqui distincto assento. Dos dnns da flava Ceres lourcjadoà . que com bello arranjo Sobre áureos serafins (prosegue o archanjo) E levada entre a turma. Tu ergurste soberba os teus pavêzes Contra o Belga e o Tamo-o muitas voze. Nãu Aedcs acolá como apartada C<iliiia.. plácida guarida . K tu. E. Cultos á Virgem. CAltLCS. E é por esta razào. inclyta villa da Vicloria. que niníUPtn lh'o loair. Nào prnses que de ti se esquece a musa. cnjo nnme Natura deu-lhe.s em glórias suas. í. que abrazada l^e amor. S. laudes Ibe ren ie em voz alçada .

De palmas e arvoredo aliastecidas. -De feras? Será enlào no cume er^niila Ca«a á Virgem. Marcha a pompa dos nobres e senhores. que ali tem um adro. Eis que contente Vem ao templo oíTerlar com fé que espanta. Este dia. Que ostentará por timbre de memória. com typos d'oiro Transmitiam teus annaes até o vindoiro. Situação risonha. Mils no risco primor da architeclnra. Oh que novo fulgor Oh que serena ! ! ! Luz innunda e abrilhanta a rica scena ! De piedade inuzitado exemplo Eu vejo. o ostro e os seus primores.6SO FLOIilí. Trofeu. que inda será. Brilha o oiro. Sobre lagedos de granito em quadro Descança a baze. sobranceira Ao mar. A nova Iinjteralriz dos céus |»la!ilH:« . Celebrarão a volta deste dia Neila os povos com fogos de alegria. medíocre na alliira.KGiO. Por marmóreas escadas a subida Conduz ao alto e ao pórtico da ermida. O titulo pomposo desta glória. Brazil. qual ergue frandoso Plátano a verdejante copa ingenie Sobre a vergonlea dcbil. Entre todos levanta o raagesloso Collo o Príncipe. Dos lados peitoris . eu vejo neste augusto templo. da piedade Do trato mercantil desla cidade. entre a vaidosa cordilheira De rochas e de serras mil erguidas. descanço e meio Dos olhos pastearam seu recreio.

inda assustados Dos euros e escarcéus encapellados. trazidos Da devoção. Reboraba pelo espaço do oceano Em crebras explosões rouco Vulcano. Aqui nautas virão cumprir o vot(>.én erguidas Festejam brônzeas boccas relangidas. na riqueza e ilhislre í:eMl<> . Virão também romipetas. ^. Carlos. iBem podéra esta praça ser chamada !A cidade da Virgem bera como ella . . fauslo logar. Tu (juc já foras inclylo e florente ís^as artes. que inda algum dia Vobre assento serás da monarchia . Enlre as grympas da torre ao <. e no longe os arredores Vào repetindo os ercos d' s clamores. por quem linha recebido. de oITertas opprimidos jAssim que por tal fé. ^ Bragarilina. das vistas mil fagueiras. i Civilisação da Capilai do Brazil. sobe o odor aos ares Descança a linda ofíerta nos aliares. Dicando agradecido Áqiiella. Trazendo em hombros o velacho roto : Co'a roupa mal enxuta. A vária côr purpúrea das bandeiras Nutre os olhos. Clama o povo. Arde a panchaia. Era fim tudo é festivo e prazenteiro Nas venturosas ribas do Janeiro. Sobem votos de amor ao céu propício Porque ria de cima ao natalício. jÈ cidade de Deus risonha e bella. E tu. tão extremada.

• Com leltras de njt)reza a aite de Apellcs. Nova fMf-a de hemes.'3do reino phyíico arla'adu3 Seus segredos. Verás briihir as arles. Madeiros de fabtíco primorosos. Ver. óleos preciosas. Feudos te paearào das ficas lèas Oas plagas orienlaes. E outras mil raridades descobertas. l>o ávido tutor o desvalido.!S cnruj eas. Kenaácer do leu ício prole illustre. Respeitado o inztl dos Praxitelles. mais importantes. florescendo Novos inventos máquinas nascendo : : O premio honrado do talento e zelo.'alhàes. Innocente pupillo protegido. A orfA lacrimoí-a consolada. com grande lustre. Keduzidas a classe e a regras certas. .» tioi»? esrlarcciílus.iíf Kii«:i!l.. Prenhes de rico j)ês. £ este o premio a honrar com merece-lo. ''-'Z Fl. Thesoiros a meu ver. té-li uào revelados.s costumes. verás.'!ebiil«'S. Xivacs dos M-i. que cada arn»-. Tantas rezinas. Que a li lio ccii estài) iiper. Verás sobcrbis Olhas <!o oceano. Verás das santas leis ao duce abrigo Da donzella o Ihesoiro sem perigo. Cascas de tintas. do que leiís brilhantes. d.ORILl t.'i a^ura u. V^erás. A viuva de insultos resguardada. Do que teu oiro. l)ravos guerreir' s Dos |iero«s da narào filhos c herdeiro». entào. massas e perfumes Que ora desprezam barbarí. ri\acs d"s Ci-iuia'.».

. Qwii f. O templo venerando. .tiao lospeilar a jialria cara. Verás do santo cnito a lei sa..:rad. O sanio sacerdócio irreprehensivcl. dado ao Dews immoiiso. a ser preciso. Tornando-a por seus feilos grande e clara. Ao C('ii snbir sagrado.seus arcanos — . Quando as virlíjdes u'um legar imperam. Por niàos mais puras. Verás . 55 33 t^ne faiiiO Ff^nascer as lusns liimaò. niàs ah ! não quer o céu (pi'a humanos Eu revele inda mais os . aos flns da lorra. S. CA 15 LOS. Levando. o altar terrível.. o foiro e a giu rra A ilha mais longiqiia. Que todos estes bens em fim se esperam. puro incenso.-i No último explendor depositada.

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MAXOEL JOAQUIM RIBEIRO.

OUTROS DESTE SECILO

MANOEL JOAQUIM RIBEIRO. *

Ao coude JiiS' SarzeJas

A
Quando
SOMBRA de um alio freix'
o sol cresla as boninas,
Almeno a sésla passava
Em uina selva de Minas.
Seu gado junto de nm riu
Que raansanienle corria,
Por entre frescos arbustos
Ura brincava, outro dormia.

• Nenhumas noticias poi.-.uinios Jèsle j>oela, niais
que, sendo professor rc^io de philosophia em I\Iiaas,
mnndoii ao publico, debaixo dos auspícios do ex-gO%er-
nador daqnella província Bernar<lo José de Lorena, conde
de Sarzed.-it, as suas Obras PoelicaS; as quaes seitnpri-
iniram em 130o na impressão rOgia em Lisboa em um
tomo de lOÍ) paginas de 8.". De al{;umas delias se vO.
que O poeta já cOahccia as lyras de Dirccu, que al-nma
vfZ quiz imitai.

^** FLOUILEGÍO.
Pélas folhinhas dos ramos
Brandos zéfiros trepavam,
E suaves dormideiras
Sobre o paslor espalhavam.
Morfeu, que escondido eslava
Enlre o geu cabello loiro,
Pouco e pouco lhe estendia,
As suas algemas de oiro.
Té que sobre a relva molle
Na dextra mão encostado,
Uma aura doce o prendeu
Em qne ficou sepultado.
Ledos sonhos voadores
Junto ao rosto lhe adejaram,
E lindus painéis brilhantes
Na idéa lho pintaram.
Entào sua fanlazia
Batendo as azas de (i)'4o,
A bella por quem stis|Mri
Presente lhe trouxe logo,
Elle viu a sua Jonia
Ir após do manso gado,
Duas brancas ovelhinhas
I<evando junto a seu lado.
"Estas ovelhas, que esliun:»^
Como estimo o claro dia,
São para o meu doce Almeno,
A pastora assim dizia.
«Eli lhe apanho a branda relva
Pela minha j)ropria mão,
Desça nçam no meu rega<;o.
Da mitn sem])re jiiulo cslão

i•R0Ffc;^SOU UIBEIRO.
..-
ftlil me leni dito,
vezes já
Quando está no meu casal,
Que ama e respeita era extremo,
Ao nosso maioral.
As virtudes e as graças,

Ornaram tanto a Lorena,
Que me é tào grato, dizia.
Como a lua face amena.
"Estas ovelhas, que imitam
A alvura da branca neve,
Talvez, qu'em signa de afieclo l

O meu Almeno lhe leve.
•í De várias, cheirosas tlores
Uma capelía virente,
Ali guardo preparada.
Pára lhe ell;^ ornar a fronte.
« Tomara que já crescesse !U
Os medronhos rubinsados,
E os roxos muscatej^
Eslives.-;em sasonados.
« Estes seslinhos de jiinco*».
Que ornam j)inlados amores,
Almeno os levara cheios
Todos cobertos de flores.
Eu bem sei que nada valem
í:

Nossos rústicos presentes,
Màs sua alma bem conhece,
Que SHo brindes innocenteí.
.'£
Se dar-lhe lodo o meu galo
O meu Almeno quizera,
Como dou estas ovelhas
De boamente Ih "o dera.

.

»i» rLor.ii.EGío.

S'eu vira, que o uv;u Aliucno-
u
Deixava de ser pastor,
E que ti' umas ricas minas
Dominava, era o senlsor. . . ,

" Qu'era cinlados cofres tinha
Guardadas pedras brilhantes,
Braçados de barras de oiro,
Mios cheias de diamantes, . . .

Tudo, Almeno, lii lhe dera?,
ti

Qu'eu sei o leu coraçào ;

Mas que ha de ser, s'iiKla tens
De pastor a condição.
a Pelo aíTeclo que te truarda
Esta alma de qiie es senhor.
Vai, meu Almeno, vai dar-lhe
-As prendas do meu amor.
a Dá lhe as brancas (Velhinhas,
Dá-llie a capella taml)cm. , .

IMàs, que menino gentil
Para a<iui andando vem ?

» As loiras, compridas tranças,
De rosas traz ennastradas,
Nas suas faces de ne\e
Vem as papoilas pintadas.
ít Lá no hombro lhe diviso
Áurea aljava, estar pendente :

Acaso será cupido ?
Esse deus (]ue fere a gente ?

"Que fazes aqui menino,
'1 Tio só por entre estas Irenhas r

Não temes que de hirtas feras
Tu j>a>tu a ser lhe venhas ?»

PliOFLSSOR UiBEllK). »H
u NSo temo. amor lho
. . . tornou :

Nas armas que vês comigo.
De quem qiiizer offender-nie
Kii trago prompto o caslij^o.
« Minha mài que em Chipre mora,
Como tu, formosa e bel la,
Te manda por mim dizer,
Que Lorena é cousa delia.
<í Junto ás aras qu'el]a occi:pa
Do prazer no templo ameno,
Prata, oiro, diamantes,
QuVUa tem, diias a Almeu!»,
«Que Lorena tem uma alma
De régio sangue animada,
K que de humildes j)astorcs
Estima o amor, mais nadn.
<í Essas brancas ovelhinhas,
Que |)âra Almeno destinas,
Vénus manda que as não leve
Ao maioral de Minas.
" De te ti a [Tecto extremoso,
Que as guarde sempre em penhor.
Dir-lhe-has, pastora, de qu'ésta
Foi a vontaile de amor. ^
E logo as azas batendo
Nos leves ares subia.
Em Almeno gritava
tanto
Vendo que amor lhe fugia.
«Suspende, Jonia adorada,
Suspende, dotem amor. ..."
E ucsfe bradar afliiclo
•Acorda o pobre pa;?tor.

activo e forte. Que fará omeu bem. desde a hora denegrida Da noFsa despedida. mais as campinas Das áureas. Olha a iini e a oiilro iailo^ Mede a solitária selva. Neste sonho. Depois conlar-lhe os passos Que já dei. Aperta-la em meus braços. E apenas ve seu rebanho Pastando na branda relva. ricas Minas ! Inda o pranto. Kem dormindo. . que ardente as faces rega Verterá por Aulindo ? Inda estará sentindo Aqiielle vivo golpe. Os meus lindos amores. Depois que os resplandureí? Dos seus olhos deixei. Conheceu Alraeno que. que a idéu Lho pintava verdadeiro.-S^2 FLOUILElilO. Que quasi a pôs á morte? Ah ! (piem i)od€ra agora nieigo e terno. a minha Joiíia. ha gosto inleirof.

Quando d'agreste. sim. ó Jonia ir ver. minha Jonia bella.saudade. que . . Quando nas mágoas e transportes meuá Te dei o último adeus. chamava. Quando nos longos. Entrei no mar salgado. i>^3 Oir-lc-ia. espaçosos mattos Por onde caminhava. distante. Jonia. Não sentiu a minha alma terna e amante. Senti da dor o effeilo. dir-te ia o como Trespassado o meu peito. E nas velas sopramlo o vento frio. Per ti. Miidia (pierida. Ah ! sC no:« voos' do veloz desejo Podéra. Pelas pedras descia. meu bem. doce bem. Coulando áquellas feras e uvesinhas As tristes penas minhas. Té chegar. ! . PROFESSOR RIBEIRO. meu l^era. Cheguei era fim ao Rio. Que tinha que dizcr-lc ! Do tpie ausente soffri. . á suspirada. Que mágoa. Que ardente sol batia. despenhada serra. De ti. e em curvo barco Por negros governado.to. Agradável calçada. ó mitdia cara ! Que cousas nào contara ? . Quando ú Eslrella cheguei. Aoentrar na cidade.

o que eu disfrucl» Xão tem mais a que asjiirar. Quem diafrucla. acomj)anhas No?so gôslu singular. em que fluctua Èilii alma — que é só tua. amor. EnlSo quanto hei soffrido te coníarei Distante do teu roslo : As penas. Junto de um freivo capado Com minha Jonia adoraria. que me leva errante Longe de ti. Quem disfrucla. Virá lem{)0 em que deixe inda juntar-ut E felizmente amar-nos.«44 FLUliiLEiilO- I*oréii) a sorle. E a mágoa devorante. ó bella ! Se ag^ora me alropella. o desgosto. o (jue eu disín^tif Não lem mais a que aspirar. . Só tu.ar. Sobre a relva matizada Doces horas vou |>asr. Não vem ali bravas feras Dessas alpestres montanhas.

Nuo tem mais a que aspirar.lBESilo. Nem desgosto chega a entrar. Ali. Não tem mais a que aspirar. PUOFESSOU r. o que eu di>frurto. (J^uino quem vai murmurando Do que nos vè praticar. Quem disfriicla. Quem disfructa. Quem disfrucla. o que eu disfrucfn. Nào tem mais a que aspirar. Cantam ternos passarinhos Nos altos ramos pousados. o que eu disfriícto. . Se escuta o susnrro brando. de um manso regato. As nascem rosas oui turno Da minha Jonia furmosa . Quanilu me deixa amorosa Nos seus braços recostar. Quem disfrucla. o que eu disfrncto. Nào tem mais a que aspirar. Qnem disfrucla. Niio tem mais a que aspirar. E com suaves trinados Vem nosso gosto augraentar. Quando pego n'alva niào Onde a brancura admira. «ómenle Aos prazeres consagrailo. o que eu disfrurl»». -i^' NuqiioUe sítio. NSo entra inluimano fado. Só o favoniu respira Naquelle ameno logar.

Quando estou com minha amada.40 FLORILÉGIO.». . Suas lindas. Assim em mim. Quem disfriicla. Os nossos gostos intensos Vem alegres contemplar. Aqui nesla balça escura.'.«!enle dos . Quem disfrucla.e nào tenlio a que aspirar. Nunca se chegue a acabar. Mai. Permitia amor que esta dita. ó dores ! Quem i)óde viver alegre Au. Logo Cobertas de pejo Mostram a còr de nacár. como nella.'íeus amores. Bando de genlís amores. Da Irislesa imagem feia. S'eii lhe expresso aliíum doseju. ai. o (jue eu disfriiclo. Nào tem mais a que aspirar. Lembranças de um bem rpie adoro Vou revolver na idéa. alvas faces.o que eu disfrurl. Ai. Qu'eu góso e mais Jonia bella. Não tem mais a que aspirar. Nas brancas azas suípensos.

ai. ! . ! . 6 dores Quera pode viver alegre Ausente dos seus amores.Até de vós tenho medo. em raminho.SSOR BIBllllío. y> dores ! Quem pode viver alegre Ausente úos seus ainoris. ai. Ai. Alegre por ver defronte A sua amada no ninho. 6 dores ! Quem pude vi\er alegre Ajisente dos seus amores. Kii. r'R(iFF. Ai. i^l' A terna rolla suspira Quando não vé o consorte: Eu longe tia minha Jonia Siipporlo anciãs de morte. ai. J nu leis queixas formando Da minha pouca \entura. sem ler socêgo. Anda a sabiá cantando De raminho. . Ando por ésfa espessura. ai. ó dores ! Quem pode viver alegre Ausente dos seus amores. . Brutas penhas se me ouvires Algum amante segredo. Ai. . Ó penhas nào sei se o diga. porém. Ai.

. Tu. Qiial será o feliz dia Que vos veja satisfeitas. ó dores ! Eu morro de saudades Se nào vpjo aos meus amores. Sú eu. ai.. ó dores Quem pode viver aleirre Ausente dos sfus anutres. ! ! 1 LORlLIiGIO. (j dore? Quem pode viver alegre Ausente dos seus araoreg. ai. beijo suave. infeliz. ó dores ! Quem pode viver alegre Ausente dos seus amores. Ai. liiiideiro. Folliinlías. Doces. . Ai. . ai. ai. nuo posso Ver a quem nesta alma mora. O mais vil irentre os bichinhos Ve e logra o bem que adora. ninguém mais o sabe. Ai. Ai. friianlai «ileiício. que visle A(iiiell<. amantes promessas Pela minha Jonia feitas. tristes Deixai-me morrer: infeliz Nào é justo lenha vida Quem seu l»em não p(')de ver. Deixai-nie lembrança^. iíó vós.

». [)relos cal)ellns Onde amor anda enredado. Canla o soldado na guerra . Amor a tudo avassalla. Sobre a borda do saveiro.oFK^son KicLrr. Ninguém d-Hc vive isento : Alguém lia que suffre o cala . E a última vez que a vira. Ora geme. ^Nunca lhe esquecendo a terra. Dds mais eu não sou distinclo .o J4«J Caiila o paslor namorado Da pastora os olhos iiellos. Canla o terno pescador O» grilhões do capti\eiro. ora suspira. Bemdizendo o deiis d'amor Por se ver prisioneiro. Eu lambem dentro em mim sinto Jgnal férvida paixão. a tudo iguala. Os longos. Sua linda. Do meu bem a perfeição Mil vezes na idéa pinto. Pnrém o 8CU fogo lento 'I'ii<lo mina. . Canla-lhe o ruslo nevad. pr. ao sora da lyra.

Que faz o farpão doirado. No inciillo niunle ao serrano. ó morte. A lodos fere o vendado : Niniriiem se isenta do daaiiio. Entre as amanles quadrilhas Tu o vais pilhar. A vista de uma captiva Chora nos ferros d' amor. Achilles com peito de aro E sensivel á ternura : Do rei Latino no paro O leucro heroe. De Carthago o vencedor Também sente a chamma acliv. rLOKlLf. Ao rei ni) Ihrono smiado. Màs depois segue outro norte . f)or veninra D'amor nào caiu no laço ? Alexandre oslenla forte Não ver de Dário as filhas.GIO. Quem levou Helena a Trnyar Deu a Lucrécia o jiunlial ? Quem urdiu a vil tramóia Com que no Uracuay faial Morreu a gentil Lindoia r Quem a Cleópatra envia Do Ihrono ao cahos profundo t Jycva Dido árampa fria ? Quem afíamada no mundo Fez a liisilana OsiUiia i . Perdido todo o valur.

tudo cnlaea. IVlàs nào é envenenada : E setta que. Junia. Sempre foi por mira beijada. Talvez seja por que inveje Eu ser feliz era amar-le. . Pt-rdido o mircio furor. l'KOFKSS(íK RIBtlUO. Jonia. . Mudaram seus duros portes. .. . A natureza o protege : Quem censura nesta parlf. com ternura. Se nquelies guerreiros forles. idaliu nume. Jonia. S'é erro. . Senliram doces lrans|»orlcs. Que querem de mim qu'eu faea Vpndcj teu ro»lo divino? Tudo. . Me faz sentir igual clianima : O seu amor me disvela . Tu jiòes era lodos os peitos Teu aclive. a ininha Jonia belía. Tudo prende o deus menino A vista da tua graça. Só Ui és. Venturoso aqiielle que ama S'é correspondido delia. Se no dominio de auKír. No meu corarão cravada Tem amor a setla dura. adorar-le. A causa dcsiles eíTeilus : Ninjrueru livre se presiiiue . ardente lume.

. . S'em Florença aos pátrios grilo? Sacrifica Laura a fama. . Da sagrada virtude acompanhado As rédeas toma o inclyto Lorena : A nuvem do ao criminoso terror Entre as brenhas persegue e nas campina: Té que vindo a sens pés é venturoso : í'om go\erno feliz de aceòes lào dinas. Fale o mundo o que quizer. íleme a maldade no grilhão pezado Victima digna da mais dura pena: A sábia dextra. Hei de araar-te. Melhora sua sorte o desditoso. Se aos mesmos padres ruiiscri|>lt'i A gentil Vir^Miii. L< nge afu-enta todo o monstro irado. Té agora ninguém ainda Resistiu ao seu poder. A paz nos baixa da jiisliça ao lado. Aa rédeas toma o inclyto Lorena. Sem lemer da crise os ditos. O deus Pafio assim o quer. Jouia linda . . Exiilla ale^Mc a afortunada Minas.i inflamma . que o castigo ordena.

em fim. . : PROFESSOR RIBEIRO. Tornar-se em trevas tudo o que alumia. bem como a neve fria. Qu'eu deixar de sentir no terno peito =0 golpe que me fere da saudade. E ser por natureza o gelo quente Mais j!Ó(le o mar deixar de ser movente. Deixar o fogo de queimar o efTeito : Mais pode. E a mesma terra ser re«i)landecente : Mais (ode o mun'1o em nada ser desfeito. E de ser rocha a bruta penedia. Mai. K com a noite misturar-se o dia : Ser a calma. ser sombra a claridade.í pode O sol deixar de ser luzeule. A matéria perder a ^ra\ idade.

.

-oh — titulo de Oòtas Poéticas — (impressão rcjji. trinta e duas quadras e quatro decinias. são ns no- ticia» que temos de Joaquim José Lisboa. consagrou a Wellington uma ode. * Quasi Ião escassas. LogO depois (impressão régia Jou- tro intitulado — — A Protecção dos Inglezes com um so- neto. publicando poesias patrióticas.são dos frnncfzes em Portugal. INHA Marília. —Em líllO. eu nau Brazil uma pintura. — Em lc$Oli (typograpliia de Simão Tbaddeu Ferreira) publicou uma ode ao Silveira e um soneto á guerra. intitulado Oeí- eiiprào curiosa. «Iferes ilo He- giroenio regular de Villa Rica de crinas. — Ei. declarou- le com o maior enthusiasmo contra estes. como do precedente. . Do M. - SliAQUlM JOSÉ LISBOA Destripção curioia. fatju De suhlirae archileclura. Em 1 o<)4 pu- blicou o seu inleresiante Tolhcto. .-. 1111 dialogo e quatro decimas.i 1811 (impressão régia) também com o titulo de Obra^ Poéticas. cm 8. Cunio a que tem Portugal.T) impri miu dois sonetos e uma ode aO bispo do Algarve. Com a inv. etc. um ionclo. que oflc- icciu ao novo corjio conimbricense. em que pinta a sua província nas qua- dras que adiante transcrevemos.".

Deii-Ihe l)()S<iues. como são. Tão benigna a natureza Neste paiz nos costuma. . Todo o anuo ha primavera : Fosse agosto ou fosse abril.kf. Ornam aos campos e aos maU-o- Engraçadas. Os dules que a natureza Lhe deu cum mão liljeral. Sendo. De profícuos vegelaes. As arvores no Brazil. seiras. Que descem d'allos oiteiros. Campos nativos lhe diii. minha Marília. regailus.. Não me lembro que seccassem. Nutrem numtrosos gados. Purém muito mais sadio. frígidos ribeiros.6 FLORILÉGIO. pobre disciifsi». Com diíTerença nas cores. No íeilio e em tudo o mais. Porque o inverno é menos frio. Sem precisão de pastor. E fez ftcuihlas as terras. Seu clima é o mesmo (pie cale. Menos calmoso o verão. 1'inlo coiu (íuinpouca riile e som btllez-í. malti-s. Que gozamos sempre d' uma Deliciosa estação. Os campos. Serpeando regam tudo Claros. E d'fntre rochedos nascem. tenras flores.

Que poucos conhecem cá. UíU 90 alfjiM'ire ile millio. angá. Marmellada e inoricí. baco-parí. cocos. Cabaciíilias amarella. azedinha. Temos nas nossas monlanhaí Ilida nas qiie são mais brnlas. ambú. Os joazes excellentes. Temos a fnicla de conde. A* liananas. T. Temos o maudapusá.s. Nós lemos a gabiroba. A líilveslre sapocaia. Temo}< manga e jatobá. O aralicum. Ananás e outras bellas Frnclas «Io mesmo p»iz . Cambocá. a mangaba. F.(Ia China.imas. limões. O nigado genipapo. Temos ata. temos posto em latadas Mimoso maracujá. AlFRUES LISKU. jambo. Cuco espinho. Na fértil terra planl^ílo. os mamões. A guaiaba. Saborosíssimas fruclas. Goniniixamas deliradas . jaca. A boa jaboticaba. o bem cajn. O saboroso arasá. Dá (liizonlos ao cançadn. Falidico íiírricullor. Pitanga.

Gerzelim.. guarirobas. De que se fazem jambés. Temos raiz de mandioc». Batatas doces. Temos os jocotiipés. o amendoim. São fartas as nossas ferraí?- De palmitos. andús. O inhame assei vajado. . tutus. Temos quibebes.<!. Coroa cheiroso. Temos o caraelé Carajú.. fazendo ura mingau com ovos-. Faz uma idade excellenlf. Mangaritos redondinhos. E temos o doce aipim. Da qual se faz tapioca. cará barbado. A junca. Usam muilo aquelles povos. Temos o cará mimoso. Temos a cangica grossa. Produz um lempo feliz. taiebas. bohôs. bolos d'arròí. E bolos de carimans. Orapronobi.lLKUIO. I?to jiirilo au íeniu doGiH Da fiel. Quasi todas as manhas. Marilia. Quiabos e carurus. Abarás e manauês. })razilia gente. Destes bolinhos. PirSo. I FOr. caragé?. Moquecas e quingombòs. quitutes.

A Giquilinhonlia é um. Vismho da Paraíba. Va estação de vários mezes. Ha sitios em que é mais largo. ií'»9 Também fazemos em lompo Do milho verde o corá. E o rio Prelo qne eslá Visinho ao Arasuahí. Que dão pasto para os gados. Rio do Sono. Quo passa por Sabará. Se os não chegares a ver. é O que passa em S. Marília. Abaelhé. Que em vários silios se trata Pêlo rio Paracatú. Pés de miileque e cuscús. Temos o rio das Contas. Basta dizer. Mojangués o vatapá. Temos o rio das Velhas. Temos o Paraibuna. Que a distancia de trea milhas. . que ha lá mais ricos. Porém maior. que esles. lobos e viados. qne tem ilhas. K lemos a Parnaíba. AIPeRES LISBOA. E o rio Perauasú. Os rios. Anta. eu le vou dizer. Romão. Que nutrem porcos montezes. Ao menos sabes quaes são. Temos o rio da Prata. São tão fecundas de fructo?.

Romão. E perlo de Macaúbas. Que um rio Inhacica. E temos no Serro frio O Inhahi e a Paraúna. Rio Jabolicatubas. temos o . O rio Doce lá temos. V.'Vndaiá. Temos o rio das Mtjrles. E a Paracatú onde está. Nào ha quem delle se queixe. Morada de chuva e frios. Temos o rio das Guardas. E por manso nào fax mal. Nascem alguns sete rios. Sonulento faz seu giro. AJéra do Capivarí. O Fanado é em Minap Nuvas. De S. Rio Manso e rio Duna. Porém neste ninguém perde. Pedro o Ribeirão. nem cabedal. E ha outro Tijjicosú : Rio Eí«uro em Paracatú. Que corre tranquillo e mudo. Orocuia em S. Torno ao Serro e mostrarei. O prudente rio Verde. Nem vida. Do alto monie do Ilambé. Ha no Serro o rio Pardo. Que está contíguo Gentio. . o Burraxudo. E riquíssimo de peixe. ha. O da Arêa.y<>íí FLORILÉGIO.

E ambos nos formos embora. observar Outras muitas producções. N*algun3 sitios do sertão. Vamos.. O qual se chama o Pará. No Brazil te mostrarei. No sen cazulo. Junto á Comarca do Serro. Verás negros orubús. (Juanto acpii te pinto agora. algodàu. E extrahe-se da terra sal. Por onde em soldado andei. Daquelies vastos sertões. Barro pata loiça. rio K o rio de Pelanquí. Temos o rio dos Tiros. O Goquitahí. Se eu comtigo for feliz. Verás cantar seriemas. D'uma cor assucarada. Mesmo em cima do seu cume. cal. Se faz extrahir da terra Excellente pedra hnme. Tu verás naquelles campos Grande número de emas. ALFKKLS LISDOA. Marília. Da meema côr temos lá. Ha certo monte. Bem como a ganga de cá. E no Itacambirosú. Marília. . Que tem era si prata e ferro. Ha salitre em al»undancia. Junto ú diamantina serra.

OEILEGIO. Que tem palmo. que nao voa. ou mais de bico. Que são assas chocalheiras Em todo o nosso sertão. Tem bico de ferro e aço. . E verás oulra perdiz. Verás os pombos astutos. Gordo. A branca garça formosa. O diflerente pavão. E verás roxos nhambiís Verás nm pássaro lindo. Verás ave. Sem correr um longo espaço. E ouvirás a pomba triste. DiíTerenle codorniz. as mexeriqueiras. Verás encarnada arara. cinzento niactico. . (pie nunca viilc. Cujo canto é muito bello Porque explica — bcfn te . O seu nome é tuiuiú: Tu verás rolinha azul. K outras mais. Verás ave que diz — lico — E verás o arasarí. o jacu. O nocturno curiangú. Outra azul. O tristonho jaború. »<>2 FI. . Oizendo que só ficou. O jacutinga. vi — Grande tucano verás. Todo de peito amarello. Verás nas nossas lagoas Colhereira côr de rosa.

. Os m assar icos.'o'a família emais ninguém. Curicáca e sabiá. E o pequeno beija-flor. ALFERKí» LISBOA. E de mui ias qualidades. o pato. marrecas. Marília. Verás socó-boi. Que imita ao melro de cá. Só no canto. Verás catingnente gnacliu^ Abrir um leque amarello.>. Tu \erás sabiá-sica. Nos lagos do campo «ju mall-. em Salvaterra Das aves na casa entrei. Narcejas. E com vagar observei O feitio dos falcOe. Anda co'as oiilras canlaiulu Mesmo assim — fogo pagou — Oí papagaios verás. Nos mesmos sitios em qne Ás vezes anda o mutiim. . Verás o Çíinario bello. aiiiim Eu. Verás negra caraúna. Til verás o Joào de Barras A sua casa arranjar. i><>5 Verás rolinha cinzenta. não na cor. Onde deve morar elle <. Que airosanjenle |)asseandu. zabelc. E outras variedades D'aves e feras também. carriça. A juriti.

Temos ave uo Brazil. Que atarraca a ferradura. Haja sol ou haja chuva. Que viuva se appellida. Que na verdade Ognra. E sào muito parecidos Com os iiussos gaviões. . O minhoto. Traz capello e diz — viuva — Nos lugares os mais sombrios Coramum mente é onde a?sisle. l'or mil differenles modos. ISÍarilia. ave rasteira. Unhas e dedos coaipridos. E nos pântanos habita. E o seu 110 me — saracura — . Pois faz o mesmo estridor. Todos nós nos enganámos. Ot)ser\a-se sempre triste. Temos o pássaro que ejílua. Sou próprio nome é — corrixo . — . Tudos tem bico re\AUt). Temos o jaó mimoso. Que á perdiz de eá imita. Com um pássaro pequeno. Uma ave pequena temos. se viajámos. Ao qual chamam ferrador — Com lào grande força bale. Que ao galeirào se figura. A saborosa capoeira. Porque elle arremeda a todus. Anda de luto vestida. 364 FLORI LF.GÍO.

Outro chamado virá . Que o cruel lobo traidor. Ha dnas que sào pirí<adas. E sào pássaros pcfincnos : Serão |)uuco mais ou meu )S Do lainaiiho d' um cochicho. É parda a sosuarana. Ha nellas diversas cores. E das suas condições. e temos lobts. Quando se ouvem de manliã. Porém mais destra em ci liadas. I^á é viado campeiro. Porém todas sào maiores. Qualro qualidades d'(jnoa3 Nós temos. Siipersliciosas velhas. Propensos a fazer ruul)ns. Naqucllas maltas espessas Ha ferozes animaes. Tem encontros aniarell<íí. Das que benzem do quebranto. Ha onlro que é catingueiro. E (» tiirre de negra còr. Vm le dun dclles signac?. as Annunciam maus agoiros. Escondera-se ouvindo o canlo D'ave chamada caumhã. Pois sào d() i^ado os ladroes Entre estas diversas onças. Ao (]iie cá be chama L^amo. E dizem a oulras laes Que caumhàs e os bizoiros.

ha pereás. E ha também pelo sertão A grande suçuapara. ha papaiucl. De negras mesclas ura ijalo. Temos animal felpudo. Ha outra onça pequena. Camaleão e talij. Temos menor que o saguim. Temos o caitalú. Que raras vezes se vc. Porém o porco é da plania O peior perseguidor. tiois Um merim. Ha rapusx. Ha paca. Temos tamanduás. O írambá e a capivara. Também faz mil prejuízos- O astuto macaco. Que em quanto dá só dois passoá Pode um homem dar trcs mil. . que foge ao dia. a anta . Que é do tamanho d'um cão. o queixada. Ijaudeira. e ha cotia. Ha mocós. nervosos braços. De curtos. E ha do campo e do raalto. Ha quatís. o saguim. Chamado malacaiá. O liririca. Gorilicáca e tiiú. Os qnaes deixam destroçada A plania ao a/^riciilfor. Um tal caximguemgueié. outro Temos o mono.306 i-LUKlLEGlO.

Pois (lelle o nome nos vetn Da prijfiiii^a do Brazil. Mâs mesmo nos nossos matluii. Sào dos incultos sertões Os próprios liaLitadores. Nos nossos campos amenfs. Oe peixes de (jualidades. Marilia. É amphibia . ALFEBES LlSBOi. Nos nossos rios. e o seu nonii* É — o /fraude sucvriiu — O cascavel venenoso É a que faz maior mal . Que tão máu coslmiie teiu. Também. Ha muitas variedades. A gereráca coral. Màs estes contrários nosáus Nilo 'stSo nas povoações. Que em Portn<ral nunca vi . . E certo que em Portugal Ha lobos. lá temos Cobras muito venenosas. Marília. E por isso assas damnosas A tudo quanto é vivente. Temos contra estes venenos O antídoto excellente. Pois também da mesma sorte Siío aquelles malfeitores. mas nào na corto. Lá temos cobra que engole Um viado. E o lemivel surúcucú. tendo fome . í»ti7 Maldito este bicho sej:i.

Enlranliam-se pelos matlos. E como elles sejam açei?. Temos a corumatá. A corovina. O cascudo nào é máii. Teaios a peripUinga. Os escravos prelos lá. Benignas as terras nossas. Ou que não fizessem rossas. brincam.ssem. Fogem. cará. E com industrias e tretas. bagre. Seduzem algumas pretas. Com promessas de casar. que mais rijo seja. E miiitií mel que ha tambetu Vem de noite aos arraiaes. o mandí. doirado. E como criara e plantam. . A Iraira. De nada têem precisão. batatas. Piranha. O pacú asselvíijailo. Descobrem naquellas maltas Carajií.ttilO. . Que no veio d'agoa alvej:^ E bem. A piabanha. sào salteadores. iíííS FLOlUl. Diverlem-se. o piáii. E nossos contrários sào. cantam. Piampára e lambari. Mas inda que nada cria. A escamosa matrinxam. Mil sihestres fructos tem. o sorubí. Quando dão com maus senhore?.

ao qual Dão o nome de cacique. São peiores do que os lobos.«ás timoratos. a quem obedecem. preso e nú. Não tem casas. Nào t^em rei. O que não são caiapós. Ora ahi vem o pobre preto Entre cordas. Suo os caiapós traidores. E o seu reino acaba assim. E ha lambera nos nossos maltoí. Os indkts daquelles matto». Maconís e bororós. D(j capliveiro ?e es(inecem. Andam nús na calma e frio. Peiores que as cobras são. Vào-lhe os bacalhaus ao c. . A outros chamam chavanles. i^C» Elegera logo rainha. ]wTém respeitam Entre um maioral.si Que traz um penacho. . A uns chamam bolicudo?. Vivem da caça e dos roubos. Eis que a notícia se espalha Do crime e do desacato. E destroem tudo erafim. . Tora a rir. não fabricam. Purém as. Cahem-lhe os capilàes do matlo. loca a roubar. Por outro nome — o çentio. E rei. . ALFERES LISBOA. Do tempo nào se lhes dão. Que são no valor constantes.

Ha capaxó. . Do vento iiào se reserva. Logo que a gentia pare. Marilia. Os boticudoâ. /issim vive e se conserva. Se gigantes ha\er podem. Mette-se toda no rio. Deixa explicar-te. Quaes sào daquelles paizes As virtuosas raízes. este os rege . E óleos medicinaes. Ha i)urís e ha croalos. machacalís. o qual é Sempre opposlo aos raalalís. O panháme e o mariquita Giram por diversos mattos. Esle us coninianda. Quamlo uns com oulros guerreiam. pensando que os protege. A e. FLORILÉGIO. Marilia. Teem beiço e nariz furado E nelle teem pendurado (Jrnnde pedaço de páu. E o tenro íillio também. Assim nutre e se mantém. . Monaxós. Fiara delle o seu degpiqiie. Estes os gigantes s3o. Haja calma ou haja frio. E.<te mesmo bolicudo Duo o nome de emboré. Este banho é-lhe saudável. Teem fòri^as e coração inexorável e mán.

Também é muito excellenie A bulua nova. Diz a gente mais antiga Que melhor. O páu terra. Congonha. Fumo bravo e fedegoso. O óleo de copaíba. A herva S. P. E remédio especial. Temos a lingoa de vacca. Que é d'nma folha comprida. . a chapada. o geribão. Temos o si pó de chumbo. Se me deres altençào.ira que remédios suo Os seguintes vegetaes. caroba. arruda. A qual posta sobre a frida. A casca d'anta. Obarbasco. Pára dores de barriga. Pára o galico é a salsa Remédio ha raMilo approvado. que ellas. nuo lia. E applica-se ao constipado Raiz de cara piá.mta Maria. E depois te contarei. Nào ha outra a ella igual. A vassourinha miúda. Remédio dos beiços sào. Tem virtude superior. ALFERES LISBOA. Quente e posta sobre a dor. E o vellame precioso. a biquiba. Temos figueira terreste. e as fniclas deste.

FLORI LEGIa. É purgante e é vomitório. Que é uma espécie de resina. Nós temos mamona branca. Qi. Quando nos doe a eabe(. O nhambú. Que se appHca por esguicho Aos que senlera corrujíção. A capeba é Cordeal. Dá um bolao amarello. alio coqueiro J^roduz o iioáso serlào. Posta em parchos junto aoB ollios. Cujo nome é bem notório. . O faz sarar de repente. Dá cortiça.M. Barbatimão para banhos E a experiência nos ensina. herva do bicho.e contra a lebre malina. E arpielle sueco excelleule. Trapoiíaba.a. Virtuosa epiquaquanha. Corpolenlo. Mas d'um cheiro especial. E a podridão lhe dcslroe. Sua virtude dejiressa Prompto ailívio nos vai dar. Do Brazil lodo em geral. . Omesmo dente o maslif. Temos al)ol)'ra do malf<». Que é remédio muito bcllo PAra o dente que nos doe. c lá Ibe t]Tio O nome «le borilí. herva rasteira. Temos ahnecÍ2:a fina.

Anda. K verás outras pedrinhas. Os pingos d'agoa cascudos. Lá verás também granadas. IC verás mil raridades No interior do crislal. Vem ver de tudo a exlracção. Vera ver a extracção do oiro. Todas éslas produccòes. feitio Silvesirc friicla lá t» mus. E lhe chamámos pequi. De Portugal o thesoiro. no Brazil . Verás taml)em fal)ricar Alvo. Marília. ^ Os engenhos de pillar. os brilhan. Marilia. ALl-tUlíS LISBUA. Verás roxas amalislas. macio nlirodrio.es. Que sào azues por signal. Vem ver fabricar o assucar. Más além destas ha mil. Pingos d'outras qualidades . Producçòes de alegres \istas. Ha. Verás exlrahir da terra As safiras. **T5 Do úu romã. A grizolita amarella. . A esmeralda verde e bella. Verás o igneo topázio. <iuc com mai^i vagar direi. Os rtibins. vamos ver. (. os diamantes.'hamadas agoas marinhas. A qual Cozida comeniijs.

oiro. praia. fructas. E o mais que aqui se retrata. Nada tem tanto vafor.ôTi FLOIUKEGIO. peixes. Que nelle moras e vives. Ou dos nossos corações. D' um sincero coração. No logar mais precioso Das brazilias regiões. Como a fiel proilucçao. E o seu império faria. . Eu te posso segurar. Ir ver na nossa amisadc O mais itujoceato amor. Marília. . <Jne te adora sempre mais. Se o real regente augusto Fosse honrar nosso paiz. Adoram no céu a Deus. Màs se elle não quer piedoso.?á nasceu pára te amar. E que as agoas. E adoram na terra o rei. Só posso affiraiar-le íigi^ra Que os fiéiá palricios meus. (Jheio d 'ai ta magestade. Curapre-te ag-ora. De indizíveis caliedaes. Faria ao povo feliz. De dar sempre preferencia A um coração como o meu. Pára te servir nasceu. A grata correspondência. Um throno se lhe ergueria. caaii» Pedras.

gozar-Hoj! D'iini paiz qno julgam bravo. Vamos. Que bem pode o bom escravo Servir de longe ao senhor. . Marília. ALFKRES LISBOA.

.

Sebastião T^avier Bo- Ifílho. morgado de Assentiz. Januarioj. V>AN(. A estas suas relações deveu o não ser envolvido nas perseguições do célebre Manique. Bocage. ahi se matriculou. A pelle quasi rota sôl)re os ossos . Tberesa Claudia d'Almeida. ' António Mendes Bordallo ncsceu no Rio de Janeiro em 24 de Outubro de 17o0. fornianJo-ío em direito canónico em 1771. e D. cem '6G enuos de idade. e Almeida (depois barãoj.\DA a vista. em que se fez eminente. e outros. com todos os preparatórios para a Universidade. Fran- cisco IMendes Bordallo (nascido em Portugal. e com os homens mais distinctos em stitncias e lilteraiara com Stockler. A I). <jue naquelle tempo eram orua- mentos do foro portugucz. e Gover- nador do Castello de S. — Foram seus pais. Falleceu (m Lisboa a 1 7 de Fevereiro de 1800. Perdido o grSo soccorro dos humanos A santa paciência. como José de Seabra. e Martinbo de Mtllo e Castro. e seu irmão Lucas de Seaura. c desembargador Vellozo. nascida no Brazil. Saturnino (ambos igualmente brazileirosj Bar- boza e Araújo. Velu de 1 U annos de idade para Portugal. Teve relações íntimas com as pessoas mai» notáveis de Lisboa. Lis. Foi casado com D. Anna Maria AI- variis e Astúrias. sendo O seu nome citado a par do de Silveira du Motta. e os brazileiros Sousa Cal- das. João d' Almeida. o rosto niacilenlo. ANTÓNIO MFADES BORDALLO. .— Em boa principiou a praticar a advocacia.

doce cuidado ! Fixos os tristes. Á fonte dos meus males : fates livros f | Desde os primeiros. que o vulgo desconhece. Ás esferas subiu. na enleiada fantasia. Paixão. Arranco mil suspiros — que funestas Idéas. Almeida illuslre. Onde achei a rasão. innocentes annos.. Na crise mais cruel da infeliz sanha. no iramenso espaço Viu os astros girar da natureza . O buido punhal que loca o peito Suspendem.olS FLORILÉGIO. se confundem. Os gemidos suíToca. qual o furioso Que perdeu a rasão na violenta. se espedaça. das virtudes A mais bella me empresta a sua heróica Constância inalterável. Penetrou atrevida. sem que possa Formar um só discurso ! O pranto se desprende a dor immensa . Se chocam. que nrentregam No seio traçador da vil miséria. Accuso os fados — corro delirante . absorta. nos célebres escriplos. Os mesmos que ra'opprimem. me desviam . Se morde. d'onde a mÍDh'alm» Maravilhada. Os arcanos. macerados olhos Nos sublimes.

Com clles entre os braços subiria Oá lúgubres degraus do cadafalso. Os immorlaes cantores ? O furor se mitiga. se refinam mais pezares Os gregos. S79 Os livros onde lia moral pura Condemnam de Catão o sanjue. a morte. - Neste de afflicçòes duro combate Se exaltam. barbara deidade A sentença revoca Me apresenta ? Do bravo Achilles. do piedoso Eneas. A misera. aprende A ter alma sensível — ! O primeiro logar que se oITerece Aos olhos mal enxutos. nlío te espantes Da súbita mudança. E diria ao tyranno : — Vil. infeliz bibliotheca Condemno ao fogo. os romanos já nuo vivera Pura honrar os talentos. (juebrantados. miserandos casos Do genitor do Paris- . Se fosse acaso capital delicto A lição de taes livros. : MENDES BORDÁLLO. Sou forçado a viver. caro Almeida . juro inconsiderado OíTertar nos altares da ignorância Frequentes sacrifícios. Narra os desastres. a ser ludibrio Dos homens que me ultrajam. Porém que injusta.

Então a menle como absorta pára. antiga glória. o património . RecelDeste os brasões. que denodados Investem do cadete o louro campo. reinvidica Do poder do fatal esquecimento A lusa. O fértil génio. Brindemos. de despresos. . Tu. a companhia Dos guerreiros tafues. A casa de jogo. nào forças o teu rosto. de enrolhimenlo. . Para ouvir do ministro inaccessi\el Ura desabrido logo — — Que á cusía de fadiíras. que nSo viste o pavoroso aspecto Da faminta pobreza . Chapelain. Que cheio de afflicção. que em herança dos avós preclaros. Que encarara mil azares. sólidos talentos Ancioso cultiva. Nào buscas o padrinho que te insulta : Que nào és reputado pelos grandes Animal de outra espécie. Cora aquelles combina os meus siicceásos Que remédio eflacaz para os aíílictos Achar damnos maiores ! Tu. Nào ensaias. são FLORILÉGIO.

.a. Más ah ! que a scena muda ! horror. Morào endiabrado. Do que pulgas em maio. Jú flucli. Chapelain. 331 Que iaípurla que o cruel. mais qiiatorzes. e talvez peça armisticio O medroso banqueiro. Oá fados nào se forçam. Mudaram nossa surte. oitos. Alem da paciência novo esforço. Fujamos. Co'a scioncia de Euciiilos. : MKNDES DOHDAI. filho das musas Mais trezes.O. já vacilla. Que imporia que o cadete inexorável Embote nossas armas ! Nao affrouxa a constância. vni casamento. mostra o dado. qual Santelmo Ao náufrago marinho.I. É igual a desgraçatudo cede! Ao bravo campeão. nào se abrandam Imprelcrivel é sua carreira : Embora filosofe o sábio Motia. i m pirolo. sete». novo aproxe Tu e eu dirigimos pela esquerda : Eis que a dama ajiparece. uma paz. carnagem O valete nos mostra ! os teus suspiros Só servem de aggravar males tamanhos. nada nos resla. surdo deslinu Desprese do Morào o? ais. Foiçamos com os dados. Aimuncia a derrota. os votos .

S82 FLOBILEGIO.
É preciso ceder, mudar de esgrima,
Unamos nossas armas contra as adens,
Que a par do lombo, em torno da chouriça,
Pacíficas descançara.

Ali em batalhão todos unidos,
Qual Cezar de Pompeu ferindo as tropas,
Arremessemos amoladas facas,
Os garfos empunhemos.
Então o bom Faustino, mais affoito
Do que Annibal em Cannas, vai fendendo '

Os fartos peitos da perdiz cevada,
Com o durasio trigo.

Entào o Bernardino espaventando,
As trigueiras bochechas Baccho invoca,
Invectiva o Duarte, narra os casos
Do desertor de Boston.
A táctica de beber rubro faleruo,
Qu'os copos transbordando em grossa esj)uma,
Alegra os corações, eleva as almas.
Fará grandes conquistas.

Ou praguejem, ou nao os maldizentes,
Ésla nova invenção de colher louros:
E certo que riremos do cadete,
Sem perder uin só chavo.

)

MliNDES BOUDALLO. áíít

Sályra aos nbusos da Magistratura.

(Fragmenio d'tirna epistola a Martinho de Mello e Caitro.

Que devo, pois, temer ?

Os tristes zoilos, campeões da inveja,
Que podem re.«ponder Que se enfureçam,
?

Que Mjmitem negruras, que me insultem,
Porque Pegas despréso e leio Horácio !

Porque digo e direi nas grandes praças,
Com seguro semblante, que a origem,
A fonte inexbaurivel das trapaças
Com que Mevio retém injustamente
Do aíílicto Lélio o pingue património ;

Que o plausivel pretexto com que Silvio,
Juiz iniquo, digno da calceta.
Só porque no processo falta acaso
Uma insignificante palavrinha,
Dá ao direito asjierrima tortura ;

E o que é mais torpe (tu crerásapenas !)
Prefere Acursio á Ordenação do Reino !

Sào esse da ignorância monumentos.
Livros sem melhodo, sem nenhum critério,
Que prohibem o mesmo que aconselham ! — . .

Porém um sal)io professor antigo
De calúmnias, de meios odiosos ;

Hábil consulto, que de cór ?abía.
Folha por fdha, Sanches e Molina.

:

ÍÍ84 FLORILÉGIO.

Me falou desta sorte ha poucos dias
— «Rapaz som Uno, falto de expericnci;K
Francez da moda, louco remalado :

Queres reformas, ama? novidades,
Sem pczar suas tristes consequências ? !

De bons e maus advogados,
três mil
D'oulros tantos fiéis e requerentes,
De mais de cinco mil procuradores,
Que vivem nesta corte, do que chamas
Ladroeiras, caliimnias e trapaças,
Dize, reformador, o que seria ?
Mette o teu modernismo n'alííibeira,
Os (eus e meus avós assim viveram,
Esses costumes, que detestas tanto,
Teem o sêllo da prisca anliguidade... » —

:

JOAQUIM JOSÉ DA SILVA.

Jmei a ingrata a mais btlla.
Que o mundo todo em si tem
Eu morri sempre por cila,
Ella mmca me qniz bem.

Q
Que jogava
^UANDo eu era mais rapaz,
o meu pião,
Andava o Centurião
Dando a todos solta e az.
Nesse tempo aos sabiás
Armava a minha esparrella ;

Comia caldo em panella
Por ter os pratos quebrados ;

E até por mal de peccados.
Amei a ingrata a mais bella.

* A respeito díjle versejador confessârrios ter escassez
omplcta de notícias biograpbicas. Era çapaleiro no Rio.

ÍÍ86 FLORILÉGIO.

Depois de mais alguns mezes
Tá por baixo de sobcapa,
Pelas calçadas da Lapa
Pernoitava muitas vezes.
Não bastaram os arnezes,
Que herdei de Malusalem ;

Só sei que querendo bem
Me achei como Antão no ermo,
E o mais galante estafermo,
Que o mundo todo em si tem.

Com os annos, com a idade,
Na festa e seu oitavario,
Só, em passo imaginário,
Andava pela cidade.
Se é mentira, se é verdade,
Diga-o a minha mazella,
Que não sendo bagatella
Bem mostra de cabo a rabo,
Que por artes do diabo
Eu morri sempre por ella.

Depois de velho e caduco,
Já cheio de barbas brancas,
Eu bispei-a dando ás trancas
Nos sertões de Pernambuco.
Ali trabalho e trabuco
Por lhe abrandar o desdém .

Mas o mau modo que tem,
Procedido da vil prole,
Faz crer que nem a pão inul'^
Ella nunca me quiz bc/n.

;

ÇâPÀlEIRO SILVA. SB?

Ao pê do tnonte Sião
Ha um pé de cajurú^
Onde
O almirante BaUlo.

Despregou Maliisalem
Duzentos annos de vida,
Por não ver na amante lida
O gosto que o lamba tem.
O juiz de Santarém
Quasi estala de paixão :

Das montanhas do Japão
Ungil-o veiu o seu cura,
Mas desceu-lhc a quebradura
Ao pé do monte Sião

Sem dar accôrdo de si
Na dura terra prostrado,
Acndiu-lhe o deus vendado,
Com a funda de David.
Uns daqui, outros dali
Já chegam do Calundu
Levado de belsebú
Confirma o bom Juvenal,
Que na nussa cathedral
Ha um pé de cajurú.

:

FLORILÉGIO.

Ésta mentira tamanha
Que soou no Oriente,
Fez abortar de repente
A imperatriz de Allemanha.
Veiu a parteira de Hespauha
Montada n'um baiacu
Faz-se a guerra no Peru
Por se saber que Mavorte
Vende a gadanha da morte,
Onde. .

No romano capitólio
Todas estas tradições
Se dão a ler ás nações
N'ura grosso livro de folio.
Sentado, então, no seu sólio
Sem ter alguma attenção,
Deu tremendo caxação,
No temi)o dos três Filippes,
Em sua filha Floripes
O almirante Haldo.

Por não achar barco promplo Em falsete ou contraponto O tempo passa do estio O mestre inverno cora frio Manda accender o pharol. . Atraz da Porta Oliomana Se conserva um bacamarte. . Com que Pedro Malasarte Defende a Cúria romana. Esta nossa athmosphera O seu ambiente altera. çapateíro silva Alminhas do purgatório. Pois vê de ré-mi-fa-sol Q\ie estais fia beira do rio. No passar do Helesponto. Que estais ?ia beira do rio. Virai-vos da outra banda Que ros dá o sol nas costas. Nas margens do Guadiana Dá Castella o reportório : Um tal frade frei Greçorio Nas ventas do seu nariz Tem um letreiro que diz : Alminhas do purgatório.

. Raia agora a lua cheia.!90 FLORILÉGIO. Depois do çeral diluvio. Porque no tempo das agoas Innunda mais o Daniibio. Inda nos ficaram mágoas. Renasce o mal de Loanda Na cidade de Guiné . Qualquer átomo ou eílluvio Sempre fede que tresanda . Se quereis tomar caffé. Virai'VOS da outra batida. Junto da Palma Idumea Estão as cousas dispostas Pára evitar as propostas Em que estão sobre a vindima : Ponde a barriga p'ra cima Qiíe vos dá o sol nas costas. A nova faz seu eclipse: É galante parvoíce Deitar-se a gente sem cêa.

^'àl Tenho tim galante chinello Com que vou a São Mattheus^ Tenho a minha fralda rota. Como é público e notório. SAPATEIRO SILVA. Se vós tendes de cambraia Camiza fina e bordada. Se com esses trastes teus De mim toda te desune.. Eu tenho a minha rendada Que vclu da Marambaia : Se de selim tendes saia. Eu só tenho os calções meus . Eu nas casas do castello. Se tendes de gorgulú Um macaquinho amarello. . Ninguém me bote quebranto. Se vós tendes um baijú Com seus babados de cliila. Com que vou a Sâo Mattheus. Semi-rubra de ourocú. Por baixo do consistório Tenho um galante chinello. Eu tenho os |)annos de Tuties. Eu lenho agora a marmila.

Nào me assusto. Se tendes de raios susto. . . Eu tenho um torto chavelho. Se a cavallo andais de trote. 392 FLORILHGIO. Se tendes çapato justo. E pões as màos nas ilhargas. Eu por baixo das ceroulas Tenlw a vwiha fralda rota vSe tendes novo capote Mais chibante do que o velho. Niuijuem me bote quíbranlo. Eu do chuo não me levanto. Eu caço da vella a escota ^ Se tendes no frasco a gota Como mestra das crioulas. nem me espanto. Eu tenho as boltas mui largas. Cora que passeio sem custo. Que me faz vezes de pote. Serei sempre pé de boi Ora ahi está como foi.

de Goyar. outro nos mares. hirsuta e negra. . Cada pulso prendia umamanilha. * Tão pouco possuimos dados pnra a sua hiographia. BAIiTHOLOMEU ANTÓNIO CORDOVIL * Sonho. Verdes cabellos de robustos troncos A frente circulavam bronzeada : Do coUo lhe pendiam por ornato Amphibios jacarés e acarapepes . segundo parece. Era rispiíla a barba. Era. Povoada de esquálidas serpentes. Quando da parte austral vejo um gigante Que um pé tinha na terra. Ia a cabeça a se esconder nos ares. Que em torno do pescoço se enrijscavam . Onde o topázio e os diamantes brilha. Que objectos me não mostra a phanlasia ? Pelos vastos espaços do universo Dilato a vista a um lado e a outro lado. ^ÔBiiE OS braços do somuo recostado.

Por mais que os meus sentidos applicasse : Eu lhe pergunto. Por cajado na mito linha um coqueiro. Altivo pizo. Até hoje aos indígenas defezas Apezar do furor. Elle o primeiro foi. Longaaljava nos hombros lhe carrega De emplumadas guarnecida. Com fama e glória. : á94 FLOKILKGIO. que pro vidente Fez explorar do meu poder a enchente . E cujo nome é este. Chega o tempo por elle decretado. a que me inclino. que hoje governa. que ha de ser eterna. . . com terror da gente. E poz os meus sertões de todo abert()S. o bom Tristão. Devo ceder á força do destino. Elle tenta primeiro os meus desertos. Em que manda que cu seja navegado : Tristão. E a base uo abysmo se enterrava. Que não pude entender o que diziam. Traz aos meus nacionaes ditosos dias. que não jias. Cuja ponta nas nuvens se occulfava. Brilhante pedraria e mais riquezas. e elle a voz erguendo Deste modo fallou com som horrendo — u Eu sou o Maranhão. soberbo rio Que nas minhas entranhas lenho e crio Tmmensa cópia de metal luzente . selías Sustenta a esquerda raào por arco um tronco De pezado madeiro extenso e bronco : O peito lhe apertava uma esmeralda Com certas lettras de rubins gravadas.

. Elle desiste da cruenta guerra. nem discorrera Cora firme actividade.'. A quem de descobrir quizera a glória. Só quando este princípio se conhece. Do meu descobrimento expõe história. inda não correra A buscar as riquezas. Communicam-se os povos mutuamente Péla troca que fazem diíTerente . Se povos que não pensam. Seus designios declara e patentêa A Francisco. As máximas e as leis introduzidas Vão pouco a pouco nas nações vencidas A operação Grmando sem excesso. Tristão conhece a força e vê a essência De uma nova e geral correspondência . Vinde abraçar o próvido trabalho. Com que assusta nas agoas e na terra . a importância desta idéa. quer que cresça Uma flrme e legal civilidade. B. á9i Ao novo navegante e viageiro Não ha de assombrar mais o canoeiro . Que com meus braços sem terror retalho. COBDOVIL. Que facií torna todo o seu progresso. que lhe oíTerlo . E. Trislào sobre a cerviz lhe põe leis novas : Eu quero obedecer aos seus accenos. Se faz indispensável o interesse. Más antes que o commercio estabeleça. Que Tristão vos offerla. A. Sem a qual não persiste a sociedade. e em breves annos Subjugados tereis os vossos damnos. Como prático e sábio. Vós geraes moradores dos terrenos. deixando as pirogas e as covas.

mordeu — a cara volta. Sobre solida base ergue o edifício De uma futura e doce sociedade. meneando A virente cabeça. São de uma precisão indispensável A nascente colónia que se forma : Tristão regra vos dá. Systema regular e reflectido Da bocca de Tristão eu tenho ouvido . Alimpa-se a athmosphera e as malinas Para longe se vão destas campinas. E sem que mais palavras eu repita. E p'ra vosso constante beneficio. Melhor firmeza e ordem achareis. No que tem Tristão aberto. . O beiço. Para o averno intrépido desterra : Com fogos novos purifica a terra. a paciência. A mutua confiança perdurável. E que fiquem depois involuntários Da oppressão e miséria tributários. De ardentes febres uma audaz cohorte. Ihesuiro. TcQipo virá que busquem infelizes As ricas produccoes dos meus paizes.-í Finalmente Tristão quebrou o império Que tinha o meu poder neste hemisfério. Do que na força e no vigor das leis. e suspirando. então. a sobriedade. Nos suaves costumes que exercita. » Aísim o monstro fala. preceito e norma . A industria. Que atacando era certa e promj)la a morte. E de novo esta voz aos ares solta : — .890 FLORILÉGIO.

Eu sigo a inclinação.» — «í Basta lhe repito ! : Não quero escutar mais as tuas vozes : Antepões a crueza íi humanidade ? »> — Perdoa. E terão os meus nol)res navegantes Outra saúde que não tinham dantes. «97 Beiíiírnos ares são siibslituidos. (pie o seu mandato evite ou torça r Quer q'os meus hombros com valor supporlem O pêzo que me im| õe. Do teu heroe conheço a illustre alma. COIÍDOVIL. Em vez das hervas más e venenosas Sibilantes serpentes |)erigosas Vão a fúria cevar n'oulros logares Distantes de meu leito e de meus ares. me responde... Intenta-me arrancar todo o thesoiro : Como posso occultar a pedra e o oiro. Não chames ao que é pura natureza : Tu louvas de Tristão d 'alma a grandeza. pelo que faz. Se cede o meu poder á sua força ? Quem ha. crueldade t. Sinto o que posso. Quer que me sulque o nauta peregrino. : B. A. só elle rumpe-me as entranhas. que o céu me inspira. e que o transportem Aos desejadtjs Qiis do sen destino . E que tome por Gm até ao mar A volla e direcção (pie me (pjcr dar. . Quer-me abater as lateraes montanhas. Digno. » . Sem que o lou\or denigra com a ira. E alimentos saudáveis produzidos. de loiro e palma : EUe.

Em quanto assim comigo conversava. E que a mão poderosa da alegria Inda trouxe a Goyaz tão bello dia. Acordo. Que nos côncavos ares retumbava . : Que vês sahir e entrar com tanto excesso. E que tanto com elle melhoraram . Alegre ora sahia. Mutuamente se estão congratulando. E que ser povo immenso tu suppunhas. Quando elle me responde — « É este o templo Da immortal gratidão esse congresso. : »98 FLORILÉGIO. ora tornava. Tomara sonhar sempre desta 8orte= . d'oiro e prata . Ao gigante pergunto o que contemplo. e n'um instante Vejo em agoa tornado o meu gigante . Voltei a face. Por ver que em beneficio dos humanos Enche Tristão o giro dos seus annos. que as azuladas cunhas Ao leu illustre protector deixaram. encrustados De laminas brilhantes. Pela elevada porta. iramenso povo. E mutuamente os parabéns se dava. a quem adornam Marmóreos balaustres. São os heroes. Porém j)âra louvar a Tristão forte. » Ouvi aeste tempo ura grande viva. E uns aos outros os parabéns se dando. deixo o templo. e vi que branquejava Ura soberbo edifício.

n. Nymphas goyanas. que este só Não é que havemoe Hoje beber Mais vinhos temos Sem confeição. CORDOVIL. enche o copo — gró. applaudi tão grande dia í E tu. Nymphas formosas. . Deita. Venham sabinos. Sim. A. Traze os doirados copos cristalinos. deita. gró. Ó lá. Que os annos de Tristão quero appiaudir. espera. Venham falemos. De côr de rosas A face ornai. . pai da alegria Vem-me influir. Vossos cabellos Com muitas flores De várias cores Hoje enastrai. !í89 Dythirambo. gró Não entornes. traze do Pheno O suave licor grato e sereno . doce Lyeu. nymphas.

bem vejo ! ! Os Satyros brincões. Pára brindar Ao bom Tristão. Que cheios de desejo. Penas e dores. E a mente levante. O curso dos seus annos Cheios não são deste furor guerreiro. obriga. oh ! quanto me consolas De mim se ausentem Rixas. Soltando aos ares vem ruidosos grilos. saqueia. Nus lusos fastos nào se leia agora Dos seus maiores a brilhante história : Cora alheias acções não condecora A sua alta memória O bomTristão delicias dos humanos. Os cnpripedes deuses que diriam? . ! 600 FLOr. Mágoas. assola e mata . Mas esperem. Rende. Qiie ferva no peito. Fatmos auriíos. Venha outro copo de Baccho eí^pumantc. Que nos campos de Marte desbarata. temores. que escuto! Vejo os trtJicos bulir Ah sim. Hoje á sua saúde Pretendu de beber mais de um almude ! Evoé Ó padre Leneu Saboé Evan Bassareu. tristezas. Néctar suave.ILLGlO.

COBDOViL.l D. Bebamos. Bebamos mais aquelle. A. E os doces licores Do bom Niclelen. Mas que chamma ligeira. Ausenle-se o mal. N*^ licor forte o cor^ç^ío . Em taras se enloraem De claro cristal. dancemos. traze depressa o Peramanca. que das ilha» INIo mandaram de mimo Do profundo oceano as verdes filha». Pois já que Tristão De paz nos encheu.nao me engano. Ao modo de iima tropa. Pplas tiimidas vèas me jralopa ? És tu. em sua companhia "Vem bistaoidas Thracias ululando. Gostosos bebamos O sumo de Oreu. Em choreas sinciunas volteando Éfelas doces cantigas modulando : Goyanos louvemos Trislao immoital. Euipine-se u botelha ioda inteira. Evoó Ó Leneu j)adre Saboé Evan Basíareu. Agitadas da rnbida ambrozía. Bromio goítuso ? Eit bera le entendo. mo nada. 601 St. Tiaze.

evoé ! O que lerei nos pés ? Eu cambaleio ? Cahindo eslou de somno : Depois que esvasiei quaíro botelhas. Agora é que me fazes tal mudança? Evoé O padre Leneu Saboé Evan Bassareu. o chão lue falta. . Parece-me que gyra a casa toda. O nariz frio.s. Retinem nos ares Mil brindes conlente. Baccho. Baccho. E julgo que esta casa está mais alia.e02 FLORILÉGIO. ó Leneu. Como o teu elixir Tào depressa. me faz dormir ? ! Agora que eu queria Cantar do bom Trislào O seu cândido génio. Irea copo». Venha um copo. E os povos ardentes De surama alegria. A profunda mode?tia. os braços estendidos. A serena clemência. O terno coração. A justa temperança. dois copos. A presaga prudência. Já niio posso suster-rae — nos ouvidos Sinto um leve susurro : O corpo treroiíhica. Rúbidas tenho e quentes as orelhas.

Que os pezares desvia. Que faz vermelha a envelhecida idade. 601 >ías aras do gosto Com férrido mosto Entoem gostosos Sem mais dilação Os annos ditosos Do terno Tristão. B. do grande Tristão tantas viitudes O povo lhe louve. CORDOTÍL. Evoé O padre Leneu Saboé Evan Bassareu. O Neiva lhe dará muitos almiides Deste espirito rubro. í . Que alegra a mocidade. Que colhe no moinho. Que o somno concilia. Evoé Ó padre Leneti Saboé Evan Bassareu Sim. A.

.

* Luir Paulino seguiu a carreira da» armas. Dfícripçâo (l'um Daufragio. Nas ondas merg:ulha Soçobrada a proa. Desarvora o mastro. Já rasgada a vela Pelos ares vôa. Clarào cor d'enxofre A vista nos cega. . Matéria inflamraada Do ar se despega. c pai do artaal viscond» da Fonie Nora. E no3 rouba o leme. e ser- viu em Portugal até genoral. Bento da França. Era filLo da Bahia. LUIZ PAULINO. D<o vento açoitado O oceano geme .

Intentam salvar-se Por entre alaridos. O ecco rebomba. O terror e o susto De nós se apodera. Nusso barco arrouiba. E qual mais ligeiro Vai perdendo a vida. Feliz o que vire Na solida terra. Umdisputa ao outro A taboa partida.60G FLORILÉGIO. Acaba a contenda. Ao longo dos márea Boiando se viu. Raio combiistivcl . O medo da morte Só era nós impera. A taboa fuíriíi. No bojo dos mares . Que negra borrasca Júmaii lhe faz guerra ! . Três vezes Neptuno Com ância implorámos Neptuno eslá surdo. Montões d'infelizes Nas ondas sorvidos. Em vão o chamámos.

da anniquilação. Eis chega a morte eterna eis morre o dia. No.. A teus pés. E ao nada a natureza vai descendo. Duas toras antes de espirar. 607 Sonelcs. Que jamais se rendeu á valentia. No momento do adeus p'r'a Eternidade. filhos. Fiel sempre serei grata esperança : Me sopra o fogo de imraorlal coragem . .. leu pagem. E as lagrimas. eu vou morrendo.. se minha dor. Mas ah tu. e com a mào myrrada Corre a vingar a affronla deste dia. por vassallagem. Arromba a campa. . Acceita-as em protesto da vingança. Mulher. Vós soia o meu cuidado.. Recebe. minha agonia. d'alma nobre qualidade. e o meu tormento. Terror humilde o rosto uào m'enGa. Eis já dos mausoléus silencio horrendo Me impede o respirar. n'um momento. ! Saudade cruel. í . passo tremendo. LLIZ PAULINO. Penetrar podem sepulchral morada. Escudo-me da sà philosophia . "Vai ser a lusa gente desarmada : Hoje rende á traição a forte espada. fundador da monarchia. Orei. qual te foi Moniz. . co'o sofTrimento Me arremessas a mares de anciedade. Eu fiel.. que a dor aos olhos lança. amigos. grande rei. . Como Calào morreu.. a voz me esfria .

.

lAs rédeas toma do cantor do Ismeno. Isuivomos Ethontes alropella.. Pedindo ao vate Argivo a lyra d'oiro. não semeio Com malhados bezerros Irigo. Guia a tua carroça luminosa Ao bipartido cume : Os cantores do Pindo que emudeçam.mbucO c Coimbra. loiro. Ao teu império os astros obedeçam. Musa canora e bella.e em • Foi um : onde e. pardo de granJe tslnito dcsling. A André Vidal de Negreiro.bucO. r«nan. Er» filbo de Pcrn. d« principioi ultra rrpubUcnnoi. Semeio nas campinas da memória Canções credoras de perpétua glória.ini-. naiuial de e teu restaurador em IGbí- JEíu (rail graças ao céu !) s'em largos campos Nào aro.tudava. .JOSÉ DA NATIVIDADE SALDANHA.

610 FLORILÉGIO.

K mais ligeiro
Do que o ribeiro, t

Que accelerado
Discorre o prado,
Serpenteando,
Vai tu levando
O teu carro á azul esfera,
Onde Febo só impera.

Fuja o profano vulgo, inepto e rude,
Pára ouvir os mysterios,
Que o alliloquo vale patenlêa,
Quando alegre bebendo a clara vêa,
Da encantadora, diva Cabalina,
Troca a vida mortal pela divina.

Oh monte ! oh monte ! ao vulgo inaccessivel,
Onde flórea ApoUo í

Quera, do Ethonte domando o bravo collo,
No teu cume fuzila brando canlo ?

Quem cinge a douta frente,
Pode aíToito dispor da humana sorte,
Dar vida ao sábio, dar ao néscio morte ?

Se o grande Homero
De Achilles fero.
Que Heitor procura,
A paixão dura
NSo arpejára.
Na lynfa amara
Desse lago celebrado
Jaaeria sepultado.

MTIMDADE SALDiMIi. í* * *

Se torvos, sopesando invicta lança,
O musa, não podemos
No campo sanguinoso de Mavoríe
Espalhar de uma vez terror e morte,
Podemos, fulminando excelsos hymnos,
Dos humanos morlaes fazer divinos.

Levemos dos heroes pernambucanos
A rutilante glória
Ao templo sacrosanto da memória :

Não deixemos em mudo esquecimento
Tantos varões famosos,
Que da inveja a pesar em toda a idade
Entregaram seu nome á eternidade.

Assim de Roma
A glória assoma.
Que do Latino
Em som divino
Relampeguêa
De graça cheia,
Quando fere a doce iyra,
Por quem Orion suspira.

Porém, ó Mufa bella, o carro volta
Aos altos Guararápes,
Nelles procura o forte brazilciro,
Tigre sedento, lobo carniceiro,
Que, dardejando a espada em dura guerra,
Faz tremer, ao seu nome, o mar e a terra.

612 PLORILEGIO.

Ante os muros de Tróia fumegantes,
Pélides furioso
Péla morte do amigo bellicoso
Mais estragos não vibra, nem ruinas ;

Nem o Aquilão fremente,
Que o pego marullioso revolvendo,
Vai montanhas de espuma ao céu erguendo.

Brava procella
Tudo atropella ;

Ao belga forte
Flumine a morle,
E o meu Negreiros
Co'os brazileiros
Augura cheio de glória
Em seus brios a victória

Por cem boccas de fogo devorante,
Vulcão impetuoso,
Vomita o bronze atroador e forte,
Por entre denso fumo a negra morte ;

E o nitridor ginete atropellado
Respira fogo em sangue niistiiraJo.

O vibrado corisco, tripartido
Péla dextra divina.
Ou súbita estalando occulla mina,
Tâo rápida não é, nem tão ligeira,
Como o nosso Camillo,
Que leva enfurecido ao mareio jogo
Fogo no coração, nos olhos fogo.

NATIVIDADI! SáLDA.NHA. ^^'

Prova, ó lyranoo,
Pernambucano
Valor preclaro :

Negreiros caro
Consegue o loiro
De heroes Ihesoiro,
Conservando a invicta espada
No teu sangue inda banhada.

Será preciso, ó musa, que sigamos
O heroe a toda a parte ?
Que ao Rio Grande vamos e á Bahia,
Onde calcou Vidal a força impía
Do tyranno hollandez, que ao seu aspeito
Sente o sangue gelar no thiro peito ?

Descancemos do claro Paraíba
Na margem abundante,
Onde brinca favonio susurrante ;

Brilhe lambera na vasta redondeza
Esta illustre cidade,
Pátria feliz do impávido Negreiros,
Terror do belga, amor dos brazileiros.

Porém em tanto
Suspende o canto ;

Do teu auriga
A dextra amiga
Confia o leme ;

O rysne teme
Que do heroe cantando a glória,
Talvez lhe manche a memória.

;

614 FLOBILBGIO.

A D. Anlonio Filippe CaDQsrâo, nalaral de Pernambuco,
e «en restaurador em Í6a4.

Dulcisono inslriimento,
Qtie de claros heroes levaste o nome
Ao alto firmamento,
Quando o cantor do Ismeno
O plectro audaz vibrava ;

Eleva agora ao templo da memória
Novo heroe, que briliiou no céu da glória.

De sacro eiilhusiasmo arrebatado
Além da humana esfera,
O argivo cisne, em melro nào ou\ido,
Celebra o combatente,
Que o bravo corredor domou valente
Ou nos pitios combates valoroso
O triumplio colheu victorioso.
So Pégaso, correndo o rasto campo
Dos nobres feitos do brazilio Marte,
Vou colher sem demora
em toda a parte,
Flores
E lecer-lhe depois em Dirce bella,
Ao brilhar do meu canto, uma capella.

;

NATlVlDáDE SALDANHA. «ii

D'entre larga espessura,
Otivindo a voz da pátria, a quem oppriíne
A tyrannia dura,
Sai Viriato forte,
Invicto lusitano,
E, clamando vingança e liberdade,
Resôa a voz na etherea imraensidade.

Qual da monte pavoroso,
Sicilia o
Que, cliammas vomitando,
Entre nuvens de fumo tudo abrasa
Qual Boreas furibundo,
Que, aberta a poria ao cárcere profundo,
Com estampido atroador soando,
Vai as altas montanhas abalando.

Tal Viriato, a pátria defendendo,
O Quirino soberbo desbarata;
E, tigre furioso.
Fere, atassalha e mata.
O império quirinal ao vêl-o geme,
De susto cheio o capitólio treme.

OCamarão potente,
índio famoso, illuslre brazileiro,
Negro Aquilão fremente,
lí, desl'arte, que busca
O báta\o em Goianna ;

E um dia inteiro em hórrida batalha,
Chovendo mortes, o inimigo espalha.

61G FLORILÉGIO.

Tanto valor nuo tem, constância tanta,
O grande heroe troiano,
Quando, montado no veloz ginete,
Pela pátria jielf^ja:
Tro\eja mortes, damnos mil troveja ;

Brilha o férreo pavez auribordado,
Açoita as ancas o cocar doirado.

Patrocolo denodado, que atrevido
Ante os muros troianos appavece,
Cedendo ao braço duro,
Succumbe, desfalece ;

E o bravo heroe, inda apesar dos annos,
Marcha na fienle dos heroes troianus.

O Scipiao famoso,
O belga era Santo Amaro derrotando,
Cinge o loiro ditoso,
Scu aspeito annuncia
A fugida ou a morte
De um lado a outro qual peluiro vôa,
Sôa a victóriaquando o bronze soa.

Mais velozes não foram na Sicília
De Pompeu os triumphos,
Que avassallou innumeras cidades,
Com deshumano estrago:
Nem do heroe, que de glória encheu Carthago,
E que, sendo o terror da invicta Roma,
Flaminio, Scipiao, Marct-Ilo doma.

NATIVIDADE SAIDANHA, G!7

Nâk) pude estar em ócio descançado
O herue, a quem Mavorfe inflarama o peilu.
No illuslre Paraíba
Ohollandez é desfeito ;
Cunhai5, onde o belga é triplicado
Vè Camarão, e o belga subjugado.

Sobre teu alto cume,
Erguido Guararape, altivo monte,
Qual fulgurante luaie
Por Jove dardejado,
Brilhar lambem o viste,
Quando lodo em furor, desfeito em ira,
Vingança e liberdade só reapira.

Quanto é grafo suster da pátria cara
A fugitiva glória !

Deste modo se alcança no futuro
Cubiçoso renome.
Que o tempo estragador jamais consome !

E credora de inveja, é feliz sorte,
J''cla jíatria acabar em doce morte.

Agora, musa minha, em Porto Calvo,
(-'ulheremos a fl.>r mais fresca e bella.
Que ha de ornar do guerreiro
A brilhante capella :

Escape de uma \cz o heroe famoso
Do cego lompo ao ferro sanguinoso.

: ;

<5 13 FLORILÉGIO.
Vibrando a lon£ra espada,
Ao lado marcha do brazilio esposo
A nobre esposa amada.
No campo
dos troianos
Camiila furiosa,
Voando sobre a grimpa da seara,
Mais triuraphos á morte não prepara.

Assoberbam o batavo nefando,
O quente sangue espuma ;

Qual belga foge, qual brazilio fere ;

Quem evita o Mavorle,
Na espada feminil encontra a morte :

Ambos assim cobertos d'alta glória
Alcançara do hollandez clara victória.

Camarão, indio Mavorle,
Brazilio
Recebe com prazer esta capella,
Que
cansagra o vale
te
Comadorna a frente
ella
E da fama loquaz no excelso templo
Aos futuros heroes dá nobre exemplo.

NATIVIDADE SALDANBA, GI9

A Henrique Dias, nalnral de Pernambuco,
e seu restaurailor em 1GI>4.

Não posso, egrégio Henrique, em larga cópia,
As lagrimas da aurora offerecer-te ;

Nem de marraor luzente
Padrões eternos contra o tempo erguer-te ;

Porém ao som do plectro, que desfiro.
Com áureo canto eternisar'le posso :

Dom de maior valia,
Que cem colurauas do opulento EGro.

Quando no clympio circo.
Não mortal, todo nuraen o argivo cisne
Da atropeliada bocca
Novos vibrava audaciosos hymnos.
Quanto a rival Corina
Raivava de escutar-lhe a voz divina !

Quanto o mesmo ginete, que a vicfória
Conseguiu ao Senhor, se encheu de glória !

Nem só de Ilio bateu neptunios muros
Oindomável Achilles,
Quando em torno correu do argivo campo,
Largo ribeiro, o sangue de Patrocolo :

Nem o velho Nestor, que honrara Pilos,
Transpoz somente á vida o curto espaço.

C20 FLORILÉGIO.
Oh ! mil vezes ditoso, o que da Ijra
Tirando sons, milagres de harmonia,
Que o Palareu inspira,
Rouba os heroes do tempo á foice impía !

Ditoso, o que n'um frio esquecimento
Nao deixa sepnllar a pátria glória !

Assim Camões divino,
Ergneu-le, ú Gama, eterno monumento.

Assim outr'ora Elpino,
Airopellando os Evos fugitivos.
Da immensa eternidade
As bifores abriu formosas portas,
Quanta d'ali rutila
Brilhante glória em Azamor e Arzila!
Viste de novo Adamastor, ferrenho
Sulcar teus mures lusitano lenho.

Qual furor divinal de mim se apossa !

Que sacro enlhusiasmo
Em grossos turbilhões me assalta á mente !

Onde me elevas, Ímpeto divino !

Oh passado! oh futuro! eu vejo tudo,
Abrem-se os peuelraes aos meus accentos !

Henrique ! lá me assoma em densa treva
Do fero belga a alta trincheira invicta !

Que clamor que se eleva !

One terror nos cercados que se excita !

O bipene cutello a P.irca aGa
No fuzilo dos elmos, das espadas ;

Troa o bronze inflammndo,
Que em chuveiros a morte despedia.

>ATITIDADE SALDANHA. <í2 1

Como debalde intentas,
Belga soberbo, le esquivar ao raio !

Como ! ... já se arremessam
Alias escadas ás trincheiras altas ;

Jú tremula a primeira
Sobre as muralhas portuguez bandeira ,

Já curvas, hollandez, com fado escasso,
Altiva fronte do africano ao braço.

Freme na estancia o beilico Mavorle,
Fulminando ruinas.
Lá Dias apparece. . . ah ! qiião azinha,
Foge ao vêl-o a batavia atrocidade,
Assim de Heitor fugia o grego imbelle,
Que as raiiralhas de Tróia aconimetlia.

Que confusão, ú musa, que alarido !

O céu se encobre de negrume horrendo !

Que estrondo nunca ouvido!
Que sangue pela terra vai correndo I

Que é isto ! . Màs
. . lá soa. . . « O belga furl?
?s'as Salinas fugir em vTio intenta ;

Henrique os atropcíla,
E a seu larjo ?e espraia a negra morte. »

Tal do horoe de Carthngo
Fugia á vista a quirinal cohorte ;

Quando em Trcsbia valente
O cônsul atrevido derrotara.
Tal fogo temeroso
Do aror cruento á garra furibunda
O arreo bando *le mimosas pomba?s :

Tanto do rif^ilor dr^rilin assusla o braço !

. Sangue e fogo no freio mastigando . . Qual sem cabeça corpo vai rolando. Dos peloiros o estrondo repelido. Que entre o remoto ])ovo brazileiro Também se criara i>eitos mais que humanos. O illustre Scipiào lá vai subindo. sem vida. Que nunca visto lume Da fulgurante espada vem saindo! Relincha o nitridor alropellado. Nas deni?as mattas o mesquinho abrigo. Lá soa . . espavorido. I-ádá costas o belga. deícancemos Um pouco a lyra d'oiro . De susio cheio. . ncni romanos. liida tremendo aj)erta a quente espada. Qual sem dono ginete Pisa e repi<^a galopando o campo. Musa ! .622 FLORILÉGIO. Que nào invejam gregos. . . no Afofado foge! Como tresúa. Qual decepado braço. E entretanto conheça o mundo todo. porém já basta. Na feia barca o sórdido Charonte ! Guararápes I abaixa o nobre cume. Como lá foge ao vêl-o nas Tabocas O batavo medroso ! Como sem côr. lá procura. .. Qual do cavallo voa. lá começa ! . navegando os morlos.

eu nSo me encano. Que os lisongeiros vates nao inspira. . .tre de Campo Francisco Rebeilo. ingrenuidade Puià açora acordando à lyra brazileira os sons arg-ivos. natural de Pernambuco. Jcj da apoliinea chamma Acceso turbilhão me desce ao peito ! Como um tropel de i(íéas majestosas A monte me confunde ! Eu vejo. No cnnlo. . . o Delio Numen. A minha mente inflamma. Filhas do céu. Vou estampar o nome De Rebello immortal na eternidade. raxào. Que aos ouvidos me entoa altivos hyronos Ó Pindaro esmorece ! ! Tu já tens um rival no amor da pátria. E o nuraen de Patara.D\NHi Ao IVlc. qne aos hcroes dá nome e vida. e «ea restaurador em 1 6a4 Brazileiros ! . de novo afujo a lyia. Tecei-me nova coroa. : NATIVIDADE SAI. .

Longe de mim a turma aborrecida. a meu lado ouvir meus hymnos . Se devemos á pátria a nossa vida. Que hoje tem de troar com sons divinos. Demos-lhe a nossa fama. Outr'ora modulara . Que nào pode escolar os sons cadente». e só no nome versos . que nos guia. Longe de mini o vulgo Loquiaberia. erguei a frenie. Manes de Henrique. deixa de parle A arrufadiça Uiina. Vera. Vai ter comvoírco seu quinhão na glória. . e não de Elpino. Que roubou vosso nome mãos do Lellics. Teve parle comvosco nos perigos. Coridon e Alfeno: Meiga pompa ululante ^ Não segue os voos da ave do tonante. Que o vale desencerra . sombras disinas.624 FLOniLEGIO. que á pátria a deram. Que á lyrica não sobe. sócios de Mevio. Demos vida aos heroes. Não de Tilinto. Vem a preslar-me a lyra. ás Exultai novo lieroe vai hombrear-v(/s ! Sobre as azas da fama. manes de Negreiros. Pára escutar o cisne. Vem comigo cantar. As campas sacudi. Longe. Aonio. Ò v6?. Quaes Diniz. e que derrama Versos sem alma.

Hercules imitando. Rebello assim desfeito era chamma. brama. Emulando de Marte a valentia. nada o prende lhe . Desmorona os redutos. Treme de ouvir-lhe o brado O belga esmorecido. em ira. . Entre impios ossos caros ossos j)iza. Nada embarga os passos. Carlhago derrotou. o visle. A tK)da a parte voa. Chameja. Foi doce á pátria. Co'a espada trovejou raios de mortes. Venceu Numancia fera. Foge á vista do heroe porém aonde . audácia inspira. Pode escapar ao raio O heroe o segue. 62 8 Qual de Roma o guerreiro. cujo nome portentoso Faz de Alcides lembrar os nobres feitos. Levava no seu braço O augúrio não falível da victória. quando inerme. ? Assoberbando tudo. E. e pó coberto. horrível ao imigo : Qual Conde. NATIVIDADE SALDANHA. Provocando o inimigo. Santo Amaro. quando voava ao mareio campo. que inda joven. Tu. E que. deu leis ao mundo. E onde assoma valor. e de glória. e os campos (ala. Foge o belga medroso. Rouba a vida a um Antheu co'os rijos braços. espuma. E de sangue.

O heroe. eae floiulegio. . . a hoste se derrama. Quando Rebello forte. Mazurépe ! já voa era teu soccorro. o terrorismo á frente. Assim o antigo persa. No esquadrão numeroso confiando. Dos olhos scinlillando fogo ardente. O belga desgraçado ! Porto Calvo famoso Por três vezes te viu deixar-lhe o eam'po. Sedento do inimigo.. . tudo é nada ííovo campo de glória se offerece Ao brazileiro tigre : Sigismundo a vingar-se lhe apparece. tudo é cinza.. . Cruzam lanças. Assim nas margens ferieis do Carona A águia soberba foi lançada em terra. Tudo era pouco a saciar-lhe a fúria. entre alarido. ! Ante o brazilio raio Tudo é pó. a c\ija fama é pouco o mundo. ó Mazurépe O belga cede. A dextra o raio. Que horror ! entre fogo. Impávido assomando. ao fero Anniliul Tal em Nemea os bravos sicilianoa A Péricles se oíTerecem . Chove o bronze iiiorlifera granada . Assim Flamiuio bravo A glória de Carthago. Exulta. . Aos da Grécia guerreiros se apresenta ..!á ! .

) valor paternal em vós reviva . descendentes de heroes. Inda h( je a sombra >ua Te cerca a todo o in. comprou seu sanirue. Rompendo o peilo forte. heroes vós mesmos. porque elies do sejxilchro 'os chamem com prazer seus caros fllhas. » O jovens brazileiros. que me assimilliam. 62 7 Taparica infeliz em ti devia Cora a raorle coroar taiilas viclórias. Eis o vosso modelo . O minha e delle enxuga o pranto pátria ! : Morreu mas iiberlou-te. Peloiro penetrante. mitai-os. as. Que em vossas véas puba . ó Pernambuco! 3ei a vida por ti — fui doce a morte! Não te falia o meu braço. E co'os. olhos em li. E de novo revive no nieu canto. NATIVIDADF SALDANHA. Porém quando ch^ga ao céu da glória se A existência é pezada : Assim Turena sobre o campo expira. Pu génios inda tens.>im te brada. — «Exulta. que hal)itaes. *ois a raça de heroes não degenera. . E envolvido em troféus do seu triíimpho. . i pátria. Na campina mavórcia teve a morte.slanle. fui beber-Jhe As fumantes entranhas inda quentes.

. . Vós sereis braziJeiros Sereis pernambucanos verdadeiros. a força. «23 FLORILÉGIO. Assim em Roma o brio dos Horacios Nos recemnados filhos vegetava Assim o egrégio sangu e Em Termopilas dura derramado Antolhava em seus filhos vingadores : Tomai delles o brio. . a manha Sede sempre fiéis á pátria cara .

A estrada busco De Villa Rica.— Segundo o sr Paulo Barboza. Fabula do Morro do Ramos \c^v\h Dom Quixote No Rocinanle. . N5o busco encantos De Dulcinea. Que doze léguas Distante fica. I • Era filho de 3Iinas e poeta fecundo por natureza. Já cavalleiro Me fiz andante. Apenas raia A luz ])hebea. e em todas ellas ha — bajtante originalidade. ^lorreu cego. N'uma delias conta a naancira como fez fortuna nas Minas. * i PADRE SILVÉRIO DA PARAOPEBA. são mui- tíssimas as composições que deixou.

Figura horrenda Se me apresenta. Tostado o corpo Tinha a figura. Que ali descançam Junto á corrente. . Nem era era v5o. Aonde o conde De cava liei ros Deixou a fonte Aos passageiros. Quando os abraza A calma ardente. E a mesma Serra Subo á carreira. Só por beijar Nesle almo dia A niào piedosa D'alta Maria.i Do sol isempta. De espessa grul.«50 FLORILÉGIO. Mais de mil palmos Tinha de altura. Logo presago Meu coração Cá pal])itou-me. Ouço nm ruido Que ali me aterra. Passo a Caxoeira. Passo a ítabira. Porque chegando Ao flm da Serra.

: PADRE SILVÉRIO. K Filho da terra. Alçando ac s ares A carantonha. As mãos myrradas. Mal se apresenta Pasma o cavallo : Cheio de e. Que hoje me causam Magoai maiores . Que já boliam.«|)anlo Assim lhe falo — «Quem és. Faces clui])a(las. <i Com mia Rica Tomei amores. 60 I Os olhos fundos. Porém medonha : — Sou Ramos li »j disse. As barbas branca?. Ó monstro horrendo? n Mal lhe pergíinto Fiquei tremendo. Onde se viam Três velhos dentes. Que aos altos deuses Também fiz guerra. Depois de um pouco Estar calado. Como quem soffre Um mal pesado. Com voz caiiçada. me dize. Abrindo a bocca.

« Meus longos ossos. Elle me aterra. Maior castigo. Por meu castigo Fui transformado. <i Precipitado.682 FLORILÉGIO. Em duas jjedras Se converteram. Que se aggravaram. Tenho a Felloso Por inimigo. Logo a soberba Me castigaram. «í Agudos ferros. Fazendo sempre Contínua guerra. « Por maior pena. Que aqui jazeram. « Ella me fez O leito d'oiro. Alegre e cheio. c<Vi\ia farto. . cí Elle me estruge. Me vào rompendo Estas entraihas. E dos amores Era doce enleio. E fez-me entrega Do seu thesoiro. Neste alto morro. «Porém os deuses. Forças estranhas.

. Mâs ah ! não posso Chegar-me a ella. « Deito-lhe os olhos. Pelo destino Ou fado nosso : «Dize-lhe que hoje. O seu amante Também exulta. Votos lhe off'reço. Pois que com ellu <í Falar não posso. Qu'inda hoje adoro. Nas repuchadas Daqui lhe envio- Porém debalde ii Suspiro e choro. PADRE SILVÉRIO. uTenho defronte A minha bel la . Ou por enorme Me desconhece. Horrendos tiros. « Nos seus ouvidos Por meus suspiros. Lagrimas tristes. Nem um aceno Sequer mereço. Soam medonhos. « Entre prazeres De mim se esquece. Por essa imagem. Bem que se occulta. <t Correndo em fio.

Que do seu seio Vai na corrente. « Um padrão alto Mande erigir. Onde estas letras Faça insculpir: u.= A par de Pedro.'Q«e. = ?» . Como em j>enhor Do seu arrligo. pois. u Que desse nobre Melai luzente. Por longos annos Viva Maria. Fitl amor. Com alegria.6rt^ F1OBILEGI0. c. lhe pede.

• JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA. Estando desterrado eu Bordéus ci» lB2u ahi publicou um tomito de poesiat avulsas. e que suas grandes occupações não o inípcdiíani de votar ás musas uma parte do trmpo.ts andam dispersas. e faleceu aos O d" Abril de 135o. intiltilaado-se Américo Elysio. Da Grécia renascida altas façanhas As lagrimas te sequem.MUSA do Brazil. no Brazil e em Portugal como em geral na ?2uiopa. nas sciencias e na politica. Oulr. • O nome Ae José Bonifácio. . Dirige o canto meu. tempera a ]yra. Aqui nos limitaremos a diicr que nasten em Santoi a i 5 de Juuho de Í7G5. * Aos gregos O . cara pátria opprimem. vem inspirar-rae : Accende-me na mente estro divino De heróico assumpto digno ! Se coraigo choraste os negros males. Que a saudosa. que a sua vida comprehende a bislúria (Pum grande perioilo. é tão conheciíla nas letlras. depois da história do Brazil. primeiro de hislOiia lil- teraria de Portugal.

As bandeiras da cruz. que lagos fórroa. que á deshonra vota O feroz Moslemim. nào assustem peitos. ambição. E de helenos se presam. virgens puras. Exterminem do solo antigo e sanlo Da abandonada Grécia ? Contra algozes os miseros combatem : Contra bárbaros cruz. Gemidos mil retumbam. honra e justiça : A Europa geme — só tyrannos frios Cora laes horrores folgam. Como as gotas da chuva o sangue ensójja Árido pó de campos devastados . Carnagera. Que amam a liberdade.63(> FLORILÉGIO. lúgubre sino. As bayonetas que os servis amestram. Ura ai lhes não arranca ! . temores. Como do funeral. turcos. 6 Deus ! que os tristes filhos Da redemptora cruz. Creancinhas. E consentis. Rivalidades. E o sangue de christàos. fogo. Como martyres morrem. árabes. Se ao curvo alfange. Politica malvada a Grécia veude . Que á apostasia. se ao pelouro ardente. Farpadas inda ondeara. filho do inferno. matronas. da liberdade. amam a pátria. Sujo interesse a inerte espada prendem .

e mil culunias iam Levar artes e leis ás rudes plagas. humanidade. Ergue a cabeça. e grilo dá tremendo Pára acordar os netos. JOSÉ BONIFÁCIO. ó Grécia. 65 Perecerás. E de vingar infâmias. . que amor causara. mas cointigo Murcharão de Albion honra e renome : O sórdido egoísmo. E da Lybia e da Europa. porém a Divindade : Roborará leu braço e na memória . — cí Helenos >j ! brada: « ó vós. É já do mundo espanto ! Nào desmaies. Parnazo e Pindo : Moral. sabedoria. Egeu. Então porque sofTreis ha largos annos Estupros e adullerios? <í Foram assento e berço ás doutas musas O sagrado Helicon. Ftz vecejar a lyra. Eis os myrrados ossos já se animam De Mélciades já du campa fria . prole divina.<Se arrazastes de Tróia os altosmuros Para o crime punir. Basta de escravidão ^nào mais 'oppobrios ! É tempo de quebrar grilhão pesado. . n Ante helénicas proas se acamava Euxino. que a devora. Gravará pára exemplo os altos feitos Dos illuslres passados.

« Ah porque não sereis o que já foslts ? ! Mudou-se o vosso céu e o >osso solo ? E não são inda os mesmos estes montes.tantes Estrumavam os campos. Estes raáres e portos ? «Se Esparta ambiciosa. i« Assús sorveste já milhões de insultos. ccUni punhado de heroes então podia Tingir de sangue persa o vasto Ponto : Montões de ccjr|)os inda palp. na dextra a cspad. Eia. jurai. ser homens. Eia. Em a esquerda o koram. uu sede livres ?> ! Assim falou — calou-se. íí Depois que foste. 6 Grécia miseranda. O fratricida braço não tivessem Em seu sangue banhado. já cumpre Ser helenos.. morrei de todo.638 FLORILÉGIO. Que sois dignos de ser quaes fustes d'anles .' Barbaria prega o turco. ii E se de Conílanlino a infame prole Do fanatismo cego nào houvera Aguçado o punhal. gregos. mostrai ao mundo. . Thebas. ««Eia. Já longa escravidão |)aguu teus crimes: — O céu tem perdoado. Alhenas. nunca a Grécia Curvara o collo a Roma. De déspotas brutaes brulal escrava. ah nunca as luas ! Tremularam ufanas.

vem na lyra d'oiro ! Não cantarei horrores. A Grécia inteira brada : «Ou liberdade ou morte. ó musa. ! JOSÉ bomfacio. Proslerne-se a teus pés o Btazil todo. deslumbrado. ó tu. sem brio. E qual ligeira névoa. Escravos nadus — sem saber. O deus do mal adora. Arbitraria fortuna ! despresivel Mais que essas almas vis. Alliva musa. a sombra augusta Desapparece. musa. Nem insanos encómios proferiste De cruéis demagogos. Que os serxís amam tanto. Ambição de poder. Accenderam leu estro — a só virtude Soube inspirar louvores Na abobada do templo da memória Nunca comprados cunlcs retumbaram: Ah! vem. oh ! nunca. sacudida Pelo lufào do norle. .» Aos bahiano*. que a ti s'hurailham. Eu nem curvo o joelho. a mão que açoita. Beijem o pé que esmaga. orgulho e fausto. Que o bárbaro tapuia. que nunca incenso Queimaste em nobre altar ao despotismo.

Ou mal dormiu a sesta.'iviltar-me pode o fado : Quem a morte nao teme. pára ver se abate A virtude que odêa. Nào reduzir-me a pó. me escolhestes Pára a voz levantar a pró da pátria. com riso e mofa : Eis o meu crime todo ! . de orgulho e sanha. a quem o luso Oppriraia sem dó. roubar-me tudo. Porém em quanto me animar o peito Este sopro de vida que inda dura. bahianos. cara pátria. Inchado de poder. Amei a liberdade e a independência Da doce. se o grão-senhor carrega. despresastes Ameaças.. carinhos — desfizestes As cabalas que pérfidos urdiram. Duas vezes. Inda no men desterro. agradecido. Eu nisto só confio. E vós também. bahianos. nada teme . Embora nos degraus do excelso throno Rasteje a lesma.6 40 FLORILÉGIO. O nome da Bahia. só me alenía Do que valho a certeza. Foram baldados votos ! . Treme o visir. ! Porém nunca . Repetirei com jubilo.. Porque mal dirigiu sobrolho iroso.. Na assembléa geral más duas vezes .

Valles e serras. altas mattas. e de mil flores Roubar aromas. ! Nào verei mais a viração suave Parar o aerio voo. . para sempre acabe. Oh paiz sem igual. rios. Nem seu pai a criança. Mas nào monstros o vedam. Pára crear prodígios ! . Lá me ia formando a fantasia Projectos mil para vencer vil ceio. Justiça. . Nunca aspirei a flagellar humanos . e brincar travessa Co'o trémulo raminho. De estranha emulação acceso o peito. que ennobrecem Dos homens a existência. Nunca mais vos verei Sonhei outr'ora ! Poderia entre vós morrer contente . paiz mimoso ! ! Se habitassem em ti sabedoria. Pois faltou á justiça. Se para o libertar do eterno olvido Forem precisos crimes Morrerei no desterro em terra estranha. í>4 1 Cingida a fronte de sanguentos loiros. ! . JOSÉ BOMFACIO. altivo brio. Meu nome acabe. Que no Brazil só vis escravos medram : Pára mim o Brazil nào é mais pátria. Horror jamais inspirará meu nome : Nunca a viuva ha de pedir-me o esposo.

Galiicana donzella lacrimosa. Se mostrava ás nações. lingas. É já cadáver de cnieis harpias. Jardins. De malfazejas fúrias ! Como. que escurece Fino coral nas cores. Aquelle que gigante inda no berço.. no berço meanio. Vénus I Ante mim se apresenta? Riso meigo Banha lhe a linda bocca. jiiscosos lagus. umbrosas alamedas. E pingues campos. Que o Brazil inclemente. 6 Deus qne portento! a Urania. Ás minhas cinzas um buraco nega. Frescas grutas enluo. . Doces vi?í5es. fugi ! Ferinas almas Querem que em França um desterrado morra! Já vejo o génio da certeira morte Ir afiando a foice.6 42 FLORILÉGIO. Do meu pobre sepulcliro a tosca lousa Só cobrirá de flores. Talvez tempo virá (iu'in{la pranlêe Por mim com dor pungeate ! Exulta. velha Europa. por fado im{)io. Trajando roupas lucluosas. ingrato ou fraco. o novo império. Obra j)rima do céu. sempre verdes prad( s Um novo edeii fariam.. Niio será mais o leu rival activo Emcommercio e marinha. vergéis. .

(tOs teus bahianos. Em que ha de naufrajrar. nobres e briosos. Co'os berros da borrasca iião se assusta Nem como a folha do alanio fremente Treme á face dus males. íi O constante varão que ama a virtude. JOSÉ BONIFÁCIO. Serão nervos do estado 1 M Qual a palmeira que domina ufana Os altos topes d. 643 — «Eu consultei os fados que não mentem» Aísim rae fala a piedosa deusa. Em França. justiça. para a palria. -•> . amigo. M Em vão de paixões vis cruzados ramos Tentarão impedir do sol os raios : A luz vai ])enctrando a copa opaca. e a liberdade Metleu no solo esciavo. paz. <iEscapaste a cachopos mil occultos. Foi leu desterro um porto. Tal bem presto ha de ser no mundo novo O Brazil bera fadado. «Das trevas surgirá sereno dia Pára li. como até-gora. Tanto aulico perverso. salvar o império: Por elles lil>erdade. uHa de emfim essa gente generosa As trevas dissipar. Gratos serão a quem lhes deu soccorro Contra o bárbaro luso.i floresta espessa. O chão brotará flores. .

. A Baccho brindemos. Jamais humilhados Ao vil despotismo. Em bródio festivo Mil copos retinam. Calou-se. : (i44 FLORILÉGIO. Brindemos a Amor Embora aos corcundas Se dobre o furor. Pois longe nos vê . Em torno espalham mil sabeus perfumes. Consócios amados. A Baccho brindemos. etc. então — voou e as soltas tranças . Em jubilo vivo Juremos constantes De ser como d'ante8 A pátria fiéis. A Baccho brindemos. Vasam dos ares rosas. No meio do abysmo Fiquemos em ])é. etc. E os zéfiros. Se a pátria affligida Por nós clama e lida. Que a nós nào nos minam Remorsos cruéis. Cantigas bacchicas. as azas adejando.

Vereis vossos lares. ctc A nau combatida Da tormenta dura. Que a pátria adorada Veremos vingada Do bando servil. Já qnasi sumida. A Baccho brindemos. ! :! JOSÉ BONIFÁCIO. Sem mais soçobrar. Furores atura Do rábido mar. unidog Em santa amiaade Salve. Os vi? inimigos Só colhem vergonha . A Baccho brindemos. ó liberdade E viva o Brazil Sim. etc. Gíi Gritemos. Resurge. . e boiando Lá vai velejando. E negra peçonha Distiliam em vão. A Baccho brindemos. Tão tristes azares Jamais voltarão. amigos. cessem gemidos. etc. Bem prestes.

Ninguém por l)Í5onbo Se esqueça brindar : Moafa ligeira Tomemos agora : Amigos. Iremos contentes Com peitos ardentes Por ella a morrer. Co'os copos alçados De novo juremos Que amigos seremos. A Baccho brindemos. Já bebo — e bebei. A Baccho brindemos. FLORILÉGIO. clc A Yenus fagueira. etc. A Baccho risonho. Patrícios honrados. vào fora Tristeza e pezar. . . : . Se a palria nos cliaraa. etc. C4t.i palria nos nma Amal-íi síibenios Por ella estivemos O sangue a verter. A Baccho brindemos. Aos ternos meus braços Em miiluos abraços A !inir-vos correi. . Se .

° da 2.aá. na lícv. p. vos alimentem Meus terníssimos suí-piros. x\. do Injtituto do Rio. JManda amor. FRViVCISCO VILLELLA BARBOZA.e faleceu no dia de Selcnibio Je ly4(>. nasceu em 20 dt Novembro de 17G9. Temei suspiros Abrazadores. 50^. * Ljrá*." serie. m. MARQUEZ DE PARANAGUÁ. i 1 — Veja-se a sua biogra- phia pelo Ex. Camliilo Baplisia dOHveira. • Francisio Villclla Barl)ota. Mas se quereis Malar ardores.""^ Sr.irquez de Paraná }. 2. T. . que mansas vibrais As azas neste» retiros.LRAS.

Alegres sons. e os meus gemidos. Pois amor pode em vós tanto. Recebei compadecidos Meus suspiros. . Mas se quereis Puros cristaes.6Í8 FLORILÉGIO. que vos despertem Os meus ais. Manda amor. Prantos de amor Não recebais. Auras. Mas se causar Não quereis dor. Reeatos. Amor vos dê Frescura amena. Onda serena. Eccoí. Nào repitais Queixas de amor. Manda amor. eccos e regatos. que nestes rochedos. Ha muito estais escondidos. que ides correndo Tão pobres de vossas agoas. e pranto. que vos augmentera O meu pranto. e as minhas mágoas. ais.

Não julguei que de amor fossem . ó belia. PARANAGUÁ tí-Sa Vi8te-me. Mais essa Gelia persista : Já sou leu. e acabou Gelia. . E no leu estava. então. amor julguei Existir no peito delia. que o procurava Tào fora de seu logar ! Não que n'alma receis. e ésla conquista Quem te pode disputar ? Sim. Este em Gelia estar cuidava : Cego. Foi-se o encanto. Se Phebo chega a raiar. Mas alGm em ti o achei. pois. e gemeste. Anarda. ele. Mâs eu que lambem gemia Os teus ais attribuia A dó de me ver penar. Que a mais bella é o seu altar. Assim perde o brilho Delia.. Aoarda. Não receis.. ..

Nos teus olhos quaes dois astro» Marco as horas preciosas. e anellatios. Não receis. De cor de ébano. Não fazem tndo cegar ? O sol. Pois se denso nevoeiro Gyra nelles do ciiirae. ele. Em que os teus vejo nadar? Não receis. Por brilhante causa zelos. meu que aos mais astros bera. Fujo ao trepido negrume Vou-rae no porto ancorar. Em que as vagas amorosas Meu baixel deve sulcar. Teem a languida doçura. ele. Se os seus olhos são travessos. Não receis. . E mostram d'alraa a ternura. Certa expressão singular? Quando amorosos se volvem. Também tem loiros cabellos. Como os teus se vêem brilhar. Não faltam certos acenos. E ardentes como os de Vénus. Se ella tem longos cabellos. ete. Dize os tens não são doirados.060 FLORILÉGIO.

etc. meu bem. Se tem o seio espaçoso. Quaes estrellas no alvejar? Não receis. Já batidas e cançadas. Veem-se as rosas rebentar? Tu não vês como já murchos No seu rosto os jasmins pendem. Se é mimosa a face sua. meu bem. . Que a tempo sabes soltar- Não receis. Onde as vontades naufragam. Por ventura tão jucundo Vê-se o coral rubicundo Como na tua rasgar ? A tua bocca. ao contrário Empoladas ondas vagam. Não vês como os teus recendem. f PARANAGUÁ. etc. No teu. É de pérolas thesoiro : Tuas palavras são oiro. Que ardentes se vão banhar Não receis. etc. Se ella tem a bocca breve. 63 Se o seu rosto é bem lalbado. Tem acaso a cor da tua. As ondas nelle espraiadas. Dormem como em morto mar.

6o2 FLORILÉGIO. . E tens lu que recear ? iVào ten?. Tenho-le feilo a pintura . Não receis. Seus movimenlos. etc Se por acaso inda á Gt-lia Alguma homenagem cabe. Anarda. Breve a mão. o j)é escasso. Vejo-te as graças cercar. Não receis. sem movimentos. etc. Sem alma. Assim ao barro formoso. ele. Se danças. Sinto de amor as cadeias . Era fim. ou se passeias. de Gelia No que loca a formosura. seu passo. Tantas graças realçar? Nào receis. É de néscio. além de mais bella Uma alma em tudo completa Que sabe nobre e discreta. que nào sabe O que é digno de se amar. Teem teu garbo regular? Ah ! se lu nos teus me preiídes. Se os seus braços sao roliços. Mil profanos rendimentos Vè-se o mundo tributar.

Nos céus róia o trovão. (Mela antiga do sol. E de teus cristais bebe a onda pura. E sobre o verde dos macios valles Desdobrar a cheirosa bordadura. pátrio Rio. si:rnal No pressuroso carro Phebo a toma: Dali volta com elle alegre e rindo. PARANAGUÁ A Primavera. E do septentrião alaga as plagas) Se acolhe a deusa com as graças todas: Màs apenas viçosa a amendoeira Dá de acordar ás nuas plantas. Que do primeiro raez tomaste o nome. Pasce o sidéreo Capro o verde esmalte. cái^o diluvio. Ali nào murcha a rosa ali os troncos : De flores sempre novas se ataviam. centro hoje de otitro. Quão doce é vél-a então com raão curiosa Toucar a densa coma do arvoredo. Em que arte e mimo despendera Flora ! . Ali (em quanto as negras tempestades Sobre as azas de Boreas carrancudo Arripiam do inverno a hirsuta grenha. Lá onde em tuas margens. Cujo lúcido império abrange os pólos) Com providenle mão a natureza Oasylo preparou da primavera.

Que veste de relva As vossas campinas. e o nobre assumpto Com a lyra nas màos. os plátanos florescem Cora seu hálito doce perfumados. que a natureza estudas e amas. Andrada^ escuta o canto ser-te-hão gratos : Os sons da pátria musa. . E os valles matiza De soltas boninas. aurora do anno.6S4 FLORILÉGIO. Com pudibundo riso se franqueiam Ao pranto creador da madre aurora. sem ordem. E no peito a virtude. abrindo os lábios. na bocca os hymnos. que comtemplal-a Pode longe da corte estrepitosa. ella te acena. QuSo doce é vêl-a do sanhudo inverno Triumphante correr em róseo carro Os tapizados campos Vào ante! ella Os capripedes satyros dançando : Fazem-lhe corte as graças prazenteiras : Namorados de vêl-a os bosques cantam : Os arbustos. E convida pára os flóreos valles te A saudar as matutinas graças Da formosa estaçuo. ó pastoras. E se apraz de trocar os áureos tectos Pelos Verdes dóceis da umbrosa selva ' Das symetricas praças abhorrido. Cantai. E tu. E os virgíneos botões. A deusa da selva. Venturoso o mortal. Corre estas veigas plácidas.

homens vulgares. labitadas da franca orvalhado )as Qores pelo cálice néctar gosta )o trauquiUo prazer o se adornado de virentes fulhas C ^o curvo ramo amadurece o oiro . de o quadro Com pincel immortal reforma . pois. pérolas se toucam. então nos lábios. E mui longe de vós. Que alma nova dás ao mundo Tua vinda. Que do primeiro sol doirara |E o fulgido Orit^nle ass^s^i^^rizonte ! Com acceso y^yl. E as montanhas de ^^«^' se nos raes do éden os jardins Pf murchou a culpa Que a innocencia enflorou. o mel se ostenta! -Mas que augusto espectáculo pnmogenia. A fragrância nas mãos. Não de teus camarins. Teu jucundo Riso alegra a terra e ar. : ! PARANAGUÁ. mortal vaidoso. . De restos sempre preciosos cujos anno a anno. esmaltados Pára quem sôbre os valles cheiro a rosa. Saudosa a natureza. estação linda. e os campos a . lhe deixa encetado sem crime. singeleza.r vistosas galas esmeralda rraj'am'^os céus . |Nào tem côr a tulipa. ociosas Pára ornar as paredes : No sancluario está da natureza. Eis das mocas titàes a o berço. ou Salve.

Rejeitando o tojo bravo. Tenros prados tosa a ovelha : Vai o favo Loira abelha Fabricando a susurrar. Já co'os sóccos quebra a neve O corado lavrador : Já se atreve Sem pavor A seus campos visitar. Descrevendo Torto rejo. Sob o jugo os bois mettendo Canta a amor mas sem apego . Já não muge o trovão rouco Nas profundas cavidades : Nem tão pouco Tempestades ""*" " costa ouço roncar. Já dos Ígneos horizontes Desce á teira alraa scentelba : Sobre as fontes Já se espelha O verdejante pomar.6S6 FLORILÉGIO. Que ha de breve semear. .

que fazes volver a roda ingente Da carbunclea carroça luminosa. E igualmente nos dás a luz e as trevas. Mas que fogo divino. Foste de adoração o digno objecto Das profanas nações. Que o celeste Arco em chuvas lhe vera dar. me esperta o sangue ? Quão formosa manha coroa os montes ! Espargindo oiro e lírios se annuncia O rei dos astros. Que alma nova dás ao mundo ! Tua vinda. fonte de luz. Tu. pois. que te incensaram ? . e bemfazejo. Onde as quatro estações gyram perennes. Sentado no teu sólio de diamantes. Os meus hymnos protege. que ar mais puro Me inflamma o coração. Salve. «Íí7 Cobre povo de irsil flures Todo o valle. Como alegre surge Em pompa conduzindo a primavera ! Soa nos bosques emplumada orchestra: Ardem aromas sobre o aliar de Flora : E adora ao alvoroçada a terra sol ! ó tu. agora que alto Lá do animal laniirero celeste Ambos os pólos vêa equidistantes. estação linda. Princípio omniparente. PARANAGUÁ. Traja as cores. e monte agreste ". alma do mundo. Teu jucundo Riso alegra a terra e ar.

Gratidão lhes dictou cânticos sacros Levantaram-te altar teus beneficies. E os fruclos louçãos Nos ramos colora. Recebendo de li alento e vida. Com graças remoça. . a que dera Nome a gentil moça. Depois ledo mora Co'os lumes irmãos. Ao formoso peso Da Agenoria filha. viventes. Que próvido lume Reparte entre os entes : E o frouxo embrião Na madre profunda Anima e fecunda Da térrea extensão. pois. O lúcido nume. Já no árctico pólo Com jasmins e oiro Do celeste toiro Orna o fulvo collo : Que submisso humilha.UiiB FLORILÉGIO. E a terra. Louvai. E folga na sphera. Em amor acceso.

Engolfada era taes lidas não receia A paz da natureza ver turbada . avulta. amor a encanta. : Do inverno fugitivo auslro juntando Os dispersos destroços. Quando do occaso súbito negrume Surge e sobre o horizonte a névoa poisa. a reforça : Cresce. 6 39 Pára copeia elles Da tenra donzella A côr dd tez bella. Que o pejo afogueia. té seus furores . enleia sombras : Entre o mirtho cheiroso o arroio escuta. Aqui tece grinaldas . A amizade a entretém. Com diversos painéis vestido o templo Seguida dos favonios innocentes Desce do phebeo carro. lá sem ordem Labyrinthos enreda. e voa. as azas estende. : Quanto me agmda ver estes combates ! Tudo é bello nos céus. E cerrado esquadrão de feias nuvens : Cobre parle dos céus feroz ameaça: Disputar do heraispherio a posse á deusa. Da creadora estaçào varia o ornato. Inda entre elles reluz da deusa a imagem . e a par co'a deusa Em floridos vergéis passeia e brinca. Ai dos encantos a^nsl Quem os defende? Dá signal o trovão começa a lucta. Mas a tarde de primores rica eis Em mimoscora a manhã rivalizando. E em cochins de verdura afaga os somnos. ! ! PARANAGUÁ.

Que o seio rasga da assombrosa treva. Como é mimosa enlào a natureza Co'a bocca em riso. Os ledos pastores De tantos Encantos.6G0 FLORILÉGIO. E ricos primores. e as faces orvalhadas ! Tal a donzela. O sol lhe doira a pompa : as flores se erguem Adornadas de líquidos diamantes. que altonilas nos bosques Pela densa ramagem se esconderam. . Era sen auxílio Phebo acode prompto : Ardente tella rápido dardeja. e a densa. que travesso amante Era amorosos brincos magoara : Chora. e se ri. Venceu a deusa emíira. Dissipa-se a tormenta: as nuvens fogem. De enfeitar-lhe a coroa cubiçosas: E das aves. Das frautas nos sons Com hyranos Divinos Descantam os dons. a paz. Dando em tributo aljôfares á terra. e a luz resurge. Celebrando a victoria. e alegre entre queixosa Lhe embebe na alma divinaes delicias : De pavuneas plumagens guarnecido íris levanta o arco do triumpho. Harmonioso bando os ares cruza.

Que escutas. ó noite. E nocturnos festins tecendo encantos. Quando do mundo na mimosa infância As prescriptas carreiras ensaiando. E doce luz a escuridão prateia. Eis no theatro da noite a scena posta. Que da quadra gentil sois ornamento ! Nos festejos co'a terra o céu compete. Ás grutas Ensinas loquazes. 66: E lu. Eu vos saúdo. ecco. Em áureo e vasto círculo os planetas Formam attentos nítido cortejo. Do centro pende do soberbo tecto Argênteo liistre. as phrases. Nella o primevo impulso receberam. Augusta sombra a natureza in\olve. Nas azas então Os ventos Atlenfos Si:s]ieDsos estào. que illuraina a scena. Do ethereo pavilhão se estende o panno Bordado da mais rica pedraria. amor celebra. enião. PARANAGUÁ. . ó lua. E fulgores disjjula a noite ao dia. ó ostros. Seus mysterios. A formosa estação reconhecidos. Porém já lança languido sorriso Phebo sobre os outeiros empinados.

sagrada. As perfumadas azas estendendo. Ventos mais doces sobre as crespas vagas. Veneranda memoria. Ora levando ás sequiosas plantas A amiga geração nas férteis azas. E os pintados heroes da erguida poppa. borrifando os deuses. no campo flores. : : «62 FLOIilLEGIO. Também bordado De seus fulgores São estrellas no céu. Sobre as verdes searas se derramam. E ao voto ardente e saudosa esposa Prósperos sopram. que cantando Entre os dedos de neve o fuso volve. Quaes se repartem do oceano o império Quaes se dividem as amenas várzeas.. e. Suaves virações. aquelles cruzam Os undosos dislriclos socegados . Que ao brilho ameno Fazem ciúmes Do verde prado.«tes se divertem. Pela abobada azul promplos rodaram. anciã. . Que repelem fiéis á voz do Eterno ! Fervem mil lumeí No céu sereno. Ora brincando co'os anneis dispersos Da loura camponeza. Brincôes favonios.

. Dos mares toma Zephyro o mando. E proveitoso despender da vida Em melhor lida o seu melhor Ihesoiro . illustre Andrada. E Africo altivo. Que euro excessivo. Inda singelas. que guardavam. Então desperta Gyra a ambição. : PARANAGUÁ. Firmes dando-se as mãos as artes bellas. G6S Neptuno brando As vagas doma. Oh como vão Por via incerta Gravidas quilhas. Das mais e filhas Sempre choradas. ingrata idade nossa. Exerci lavara Nas salgadas campanhas. Das recentes esposas detestadas í Já a novos portos A frota aborda : A industria acorda Nos génios mortos : E ao mutuo bem Correndo vera. Porém quem como tu. Ha que assim possa sempre estudioso. Na malfadada.

ameaçando. O tempo. caprichosa sorte. Salve. que despiu cuidados. lyra Ora regendo os lusitanos choros. ó sagaz talento ! Cada elemento svibmettendo a normas. E a pátria afamam por trabalhos nobres. Baixam as faias das frondosas serras. Fiel história põe a salvo os que amam. e ruge Eólo. o fado. Industria cava as preciosas minas : Cria oflicinas pertinaz trabalho : Retine o malho. As artes formas. que nos traz ventura. E de Semeie guia o filho as danças. Porém importe para o bem de tudo Primeiro o estudo. Donde sonoros alvos cysnes voam. Que em vuo pragueja vendo a luz phebea. E a extranhas terras levam úteis seres. geração humana! Riqueza mana das proficuas artes. Que o mundo atroam com eterno brado. Sempre aísira lides. Que não descobres. e dás leis aos usos. e a inveja. range a lima. e muge a lavareda ondeando. Em vSo reclusos seus the. Astros luzentes sois da lusa sphera : Vá de era em era vossa fama e glória. Formosa e pura só a dá sapiência Á consiencia. assembléa de varões sapientes. Na de oiro ora altos sons tangendo.<i64 FLORILÉGIO. Prendendo as tranças pampinosas vides. De quando em quando geme a selva e ás praias .soiros tinha Com mao mesquinha a natureza ignava. Que mal repartes. Pomona e Ceres orna a mui Cybele . .

Cante embebido na lição celeste A mâo que veste á primavera as flores. Lê. Quando o sábio o campo eslnda. Por seu doirado codÍ2:o instruído. tarda para ser ditoso. Que a natureza tem lào rica ornado. Quem cuidadoso alli não bubca abrigo Onde o perigo da ambiçào salvando. E ledas cantam-lhe as aves. Nas puras manhas suaves. PARAxNAGCÁ. Era quanto o somno j)rofundo Cerca o leito do ocioso. E á aurora as galas de gentis primores. . Quando á cidade de enlre ardis fugindo. No palácio da viqueza Não habita a sã ventura : Só a encontra o que a procura No seio da natureza. E brincar no leito hervoso Vê as sombras buliçosas. Nas longas tardes calmosas O abriga doce! frondoso. E ao pastor rude a conQou em guarda. Andradn ditoso. livres Al i guarida foi achar verdade. Muito. E contemplando a universal belleza. . pois. No seio lindo a recatou virtude. Rouxinol o saúda. 66» Por prados estendendo a vida. No grande li\ro do mundo. i)ois.

. Depois no nocturno véu Em caracteres brilhantes Lêem os seus olhos errantes As maravilhas do céu.OCÇ FLORILÉGIO. Quando o sol doirando os montes Lhes dá o último sorriso. Logo enlevado o divido ro'os olhos nos horizontes.

N. Quando Mimas. saturnea prole. o Olynipo e o Otrys. os braços malernaes. Tingiu de sangue as aguas. arrancada Dos mares no furor de guerra irapía. com que Marte Vingou de Jove a injúria em morte acerba. E o tenro infante compafisivo acolhe. o Nicteroy. novos mares . Lamenlando-se Atlântida. Surgiram novas terras. CÓNEGO J. Ferido pelo ferro. nascido apenas. pálida temendo Trisulcos raios. que dos Phlegros campos O mundo sobre os pólos abalara. Ouviu seu pranto o rei do argênteo lago. DA CUNHA BARBOZA. Jazia Nicteroy. seu pai. gigante enorme. Que ao céu com mão soberba arremessara A ílammigera Lemnos. No choque horrível. apertava Ao peito o filho. qu'inda accesos via. salpicando De seu cérebro o Ossa.

e crrultos jazem No grande coração. a raiva. e manilhas d'oiro e gemas Os musculosos braços lhe o-uarnecem. que árduas feras doma. brenhas. Aperta o venire nú. Nas faces brilha mocidade imberbe. altivo joven Cocar plumoso. e o brio Da ilhistre gerarão fcr\endo o sangue Nas veias da tilanea. topázios loiros. Inda mádida e nova. reveste a cinta Fraldão tecido de vistosas pentias. polido. Nos olhos lem-se os vividos intentos. cabos. qu'a injúria abafa. ornado de amathyslas . Cresceu co'idade a força. ilhas. O esbelto collo três gorgeiras prendem D'oiro e prata. Nepluno aponta á plaga rica e vasta Do sepulchro do sol er. indMgnorada Dos homens e do mundo aqui se abriga : A estirpe illustre em Mimas profligada Que o justo e paternal intento herdara. occulta prole. Similha o cobre Incido. Mosqueada pelle um liracollo fúrma. abate e arranca. Que troncos mil escacha. . E a cor que as linge. Diamantino fulgor cuntrasla o brilho De esmeraldas. Que a rica zona marchetando enfeitam. . Cinge a frente ao robusto. Negra coma lhe desce aos ventos solta Repartida vestindo os largos hombros .2ruidH ha pouco. Reforça o braço. rubins. Que de Mimas herdara. 6G8 ILOEILrCIO. Cobriram reinos. por que o sol as cresta. Mudando o assento ás rochas alterosas. .

syderio throno. o^ dragões. Justiça e força os ânimos lhe accendem. cem Mamoths. e Marte accusa . do ihesoiro occuito Nas entranhas da terra intacta e nova. Nicteroy daqui tira hervadas settas. Quãdo as brenhas perltisfra. Nem perde a \ do . 669 De que pende em carcaz cavado dente De monstro horrendo pelo mar gerado. Tortuosa marcha Nicleroy lhes sulca Por onde correm placidus os campos. De branca espuma as margens alagando. de qu'expellida Fora por Jove de Saturno a prole. Em que o feudo Neptuno acceita e guarda. Dispondo aos céus o ataque occuito e forte Trezentos Megalerios. e dá-se á empreza. . brancas. Surgem co'as aguas. Empunha a dextra mão robusto tronco Dos ramos mal despido é esta a clava. Luzentes pedras e oiro. e as serpes. Depois que em negras flrmes penedias Tropeçando furiosos sMndignaram. arenosas praias. Já pretende vingar a infausta morte Que ainda Phiegra eterniza. Mais prompto do que em Lema o fero Alcides. e o bosque. qu'abri]hanlam As curvas. . Grato a Neptuno pressuroso entorna Dos altos montes rios caudalosos. Que pujantes ao mar tributos levam . Cauteloso se apresta. ista Herança paternal. Em que ás feras certeiro a morte envia. e o prado. CÓNEGO BAREOZA. Que abate os tigres.

Da empreza a glória. Lá quando o sol nos mares mergulhava . rochedos. e monstros De horrendo e torpe aspecto d'ali surgem : Escarpados rochedos. D'onde avultam mil Íngremes castellos Subindo de uma. d'onde espreita De Jove o ciúme. em qu'as ondas Rebentando furiosas o ar atroam. qu'encorpora Promontórios formando. aballando Pedras. Possantes botareos.670 FLORILÉGIO. que os céus roçando afifrontam. Contente Nicteroy o ensejo aguarda . Vedando ao bosque emaranhado a entrada. Recortados penedos lhes guarnecem Mil cabeços. e meditand® Na syderea conquista. e de Mavorte as iras. Altas serras do norte ao sul prolonga Sobre as nuvens erguendo-se azidadas . rios. De espaço a espaço o reino dividindo. Que habitam brônzeos jacarés. Aqui se affundara lagos. troncos. negras pedras. valles. Mugindo horriveis. Silvam negras giboias corpulentas. vestindo os muros. De guerreiros merlões. rabalçando Estofas. e de outra parte ás nuvens. que retousara Nas horriveis cavernas. Novas rochas ao mar d'aqui se ajuntam. Urram tigres furiosos. Domados por seu braço ao mar arrastam Ingentes. que a mão robusta Do soberbo gigante ás serras dera: Fechadas selvas cobrem amplos valles. devanea. revolvendo as costas. negras aguas somnolentas. o enleva.

Mordendo as rochas urra e se debate. qu'en tornam Borbotões d'atro sangue espumeo e quente. e a força. E largo tem ao longe ressoando. Tomba d'altas montanhas despenhado. Inda a lança. De Marte o aspecto horrível se lhe antolha Scintillando guerreiro. Baquea o grSo colosso. pedras arrastando. arqueja e treme. Encravados no iraigo o intento e os olhos. queima. a Marte o assesta. Mas a vida lhe foge. irado e forte. Atalha o céu a estólida ousadia . e deste a raiva observa Prudente os golpes calculando e os tiros. enorme estrada abriram. Que ao corpo enorme. Arde o peito em furor é fogo. Eis súbito clarão do ethereo ajsento As nuvens rasga rápido e estrondoso Brama Jove iracundo. Ao baque horrível tremem terra e mares. Corrido já de Capro o reino em circ'lo Ás brenhas prompto o joven se encaminha. o sangue empana De IMiraas qu'á vingança o filho excita. Penedo grave arranca. qne enrislra. e devorando assoma . . Daquelle a força. e a raiva. . D'aqui vaidoso a vista aos céiís erguendo Dos astros raarca a lúcida phalange. Que em breve disparar pretende ousado. e chamma. Varado o peito e o curaçào. os braços retorcendo. sacudindo Da rubra dextra o raio accêso e prompto. 671 Os seus fogosos rápidos Ethontes. . Frondosos troncos. Firmando os pés. CÓNEGO BARBOZA. Que abraza.

Tritão ligeiro á flor das aguas nada. e chora) . desgrenhada. Vingar paterna injúria fui seu crime. hoje acaba. Convulsa move os pa?sos. Eis carpindo-se Atlântida commove Do equoreo reino o lindo coro á mágoa. Nereidas. qu'arrojava Segura a dextra morla ind'horrorisa. eis. Que entaliam terra e pedras. Recobrando o direito ao í-cep!ro avito. Neptuno. que escudas. que lhe troncam Amiudados suspiros . altivo presumindo Privar do throno a Júpiter suj)rein0. Ioda o grande penedo. Medonho e fero o aspecto aos céus voltado. e sobre um campo De um raio jaz ferido A estirpe augusta ! Do pai dos Deoses.. Nicteroy insepulto. Transida e bella os oliios lhe retratam Ternura maternal. misturando Com pranto amargo as vozes. qu'enche e occupa Do feio bosque ao mar estenso espaço. Ao crime excede a pena. expira No forte surprehendido illustre joven. Voltando á praia o rosto observa e admira Fulgurando d'instante a instante a serra. que o ])eito nutre. Que a chamma cresta. Glauco. Pôde Encelado aos céus arremessar-se Com força e raiva. Eis de Jove o rancor (exclama.G7 2 FLOEILEGIO. . Tethis. Nos fundos vítreos paços apavoram Amphitrite. Horrendo corpo ressupino avista. Perdida a cur das faces. se nao vales A mal fadada Atlântida. e negro sangue escorre.

qu'atlestam força c brio Do opprimido gigante. a fraca voz IÍi'embarga. Inarrima. Nicteroy de Saturno e prole. . Mercúrio. S CO. poderam Soberbos guerrear na empreza nífuilos Conturbaram. é sangue . mudando a face á lerra. Marte. Mas inda sobem do Etna inflammado Fumo e chammas. Recresce o pranto. *]UK'm ?»?'i? If^bios morrem. . Palias. e já crocitem perto Em bandos mil carnívoros abutres. astros. mares. a empreza. . Montanlias. e greta as torres De seus corpos erguidas eternizam Dos Titães a memória. e aflliclos vertem Oá lindos olhos htgrimas que supprem Confuaos termos.^ Olho. . e a estirpe. Vs màos supplice estende. E a tanto subiram de Jove as iras ? Dá que a fama o celebre. converteram Dos ímpios era castigo. DD . que o futuro esconde aos homens De ingente monstro horrífico esqueleto . estes A graves montes sotopostos vivem. inglório o roubará do mundo á fama ? Raivosas feras já talvez devorem Seu corpo exangue. E o nome seu a morte ao Lethes dando. deuses Baixou dos céus terrífica vingança. 67 Ty|iheU) Adaniastur. inda tremendo Em Rhódope. dá Neptuno. rios. ilhas Que leves sobre as nuvens revoavam Do fundo averno aquelles bramam .NEGO BAEBOZA. Branquejando os seus ossos talvez moelrem Em dius. penhas.

pois : Neptuno attende A mãi de Nicteroy. a fama De um filho. um justo apreço é dado. que a vingar seu pai s'erguêra . Mostrar que abrigo heroe. onlào Neptuno. eulão Neptuno surge Na argêntea concha. formosa e mesta . e não consente Que sobre a terra acabe o nome. Foi de Mimas herança a força e o brio.«'-S FLORILÉGIO. e meigo abiacH A lastimosa Atlântida. branca névoa. que apontara Ao terrífico Marte. Melite. Daqui vaidosos. de heroes nascido. que suspende e enluta A marítima corte. que viva eternizado 4' No mundo o filho teu. » De Phebo a luz doirava a serra e as brenhas. Kscamosos delphins dalli so ostentam. qu'alva espuma cobre. O pranto enxuga. em Lemnos. rompendo Morno silencio. qu'outr'ora fora Por mim da morte injusta occullo e salvo. Vivirá Nicteroy. lembrado e eterno Na serra. negros phocas nadam. Mimas vive lembrado em Pblegra. Suspira. sim. Spio.— « É justo » exclama ! : É justo. e rocha. Ternura maternal te afí"oita. No dorso sobre as ondas levantando Cymodoce. e eu quero Do morto filho a glória eternisando. que Hyppocarapos tiraiu Os crespos mares. e valle. . Castiga Jove um crime. que descia Ao verde prado. Nisea . Dos picos mais erguidos dissipando Nocturna. A um justo pranto. aplainando e abrindo Ruidosa marcha. em fúria accêso.

: Qu'em cem rios banhar-se Thetys manda.0 BARBOZA. K\'i)oe ligeiro á túmida corrente O peito largo e ccrulu. qu'as solta aos mares Glauco. D. No extenso mar. Que ferve. CO. acerbo pranto a face e o peito . dividiíido a espuma. rochas. banhando Era novo. então. De espaço a espaço avislam-se os penedo. aperta. Phorco. montes. brenhas. e ao sol murchando. E ao hirto corpo. Porqu'este só faltava.\L(.^- Derrocados por Júpiter tonante. em grossas ondas Descendo as aguas rápidas enfiam A estreita foz. Desmaia a linda Atlântida. . Defrontam já co'a praia. A gala perde. Oh virtude d'um Deus oh força oh pasmo ! ! ! Desfaz-se o grão cadáver prompto em agua. que a aflagava. . que a Marte se assestara. . alegre. E qu'inda ao mar voltada as nuvens busca Em confuso marulho. Neptuno as mãos lhe toma. iaclina-se irapellida Do brando vento ao sopro. o campo e serra . beija. Ao novo mar garganta nova se abre. muge.1 liirsula grenha verdes aleas dcpcem. salta. a vista alonga . Ferindo a costa o válido tridente. Junto á rocha. (|u'a (juebra. avulta e açoita Os valles. selvas. Palemon e os Trilões em turmas seguem. que o verde campo alaga. »i7S Que em tòiuo as aguas assoprando espiii^^eui Dos ares sobre as nymphas Glauco. Forçando as aguas. salta. que orvalhada Nos jardins se aprazia. Qual flor nocturna e bella.

Do qa'esse. Divina inspiração na mente eu sinto. Vigor mais nobre e santo me arrebata. a face e os olho». Atlântida. Das novas aguas mago influxo tenho. — ««Eis divino furor m'irapelle e agita. esquálida goteja Salg:ada lympha d'entre os limos prenhes. escutai meu canto . que a rocha fraldejando affaga. eterno o nome. co'a sinistra rema. Do peito alegres vozes desprendendo. exulta. Ind'alto pasmo os ânimos enleva. (Os olhos. exclama. por virtude occulla. Quando Glauco o silencio rompe. Troveje em vão Mavorle sobre a serra. Nereidas. que a fama Do morto filho teu sublima a glória. em que Scylla encantos via Raivoso cinme em Circe despertando. Celeste fogo os ossos me percorre. FLOHILKGIO. eu veju De par em par abertas aos meus olhos As férreas portas d' um porvir distante. que d'Anlhedon me arrancara De occultas hervas. Exulta.) A barba negra. Igualando-se ao mar soberbo o lago Na foz. E eterno o lago faz. Ramoso tronco de coral na dextra Levanta aos ares. Que o trespasso d'Atlantida te/minara. Assombrando-lhe a testa. ti7t. E já murmura plácida a corrente. Já sou prophela e deus — eu vejo. que lh'escondem D'atro peixe escamosa cauda e longa. . Pairando sobre as ondas. Deuses.

Da vingança o furor.) Lobriga Marte a lúcida grandeza. (A cruz. Domada a fúria aos euros. Do verde lago cm meio. Que do imigo o recinto abrilhantando. Rompera quilhas soberbas negros mares. Lá cresce a grà cidade. eu ouço : O alegre som dos vivas com qu'arvora Sobre as praias Cabral a cruz e as quinas. 6 pedra. qu'alta glória espera. Eis súbita procella o fado excita. em torre erguida. que á plaga dá virtude e nome Nome. D'aurora ao berço impávidos proejam. e ao loage Do novo rio a barra assignalando Nicteroy lembrarás aos céus e ao mundo. qu'alto feito attesla : Immortal ficarás. : CONKGO BâRBOZA. Da viclória o valor lhe abate e a fama Eis prompto Alectrion. se o fado é contra? Mem de Sá daqui surge. No grão rochedo. Brilhantes feitos surgem. Nos céus pregada a vista. Propicia e rija os lenhos empuchando A nova plaga e occulta eu ouço. mandado espreita. lusos fortes. é fogo e raio : Desmantella-se a torre. refulgindo Das urnas. e as mãos no leme. o gallo escapa. M Mjsterio novo e grande eu vejo e admiro -. Pasmosa marcha endereçando afoitas . a terra e as brenhas mas que pode . qu'alr'ambição trocando. O mar. qu'á dextra o rio apertam Desta abra ingente. qu'inda o fado aos homens veda. vive Nos penedos. 677 Em vào raivoso empregue a lança e a força. que nas a^uas .

que o teu nome aclara. a força. Cunbas duros ! Tu pacato Rolim activo Almeida. D'altos raoníes as fraldas borda. o commercio. afama. A mesma ingente glória. tudo A um lustre. que o seu grémio adornam ! Nem só Roma verá Sulpicios nobres. . De eterna pompa as arvoros se arream. illustra e marca As auriverdes. Comprando a grã cidade a peso d'oiro. que prosperam Sem perder a virtude. qu'assignala De Rómulo o sepulchro. Da pátria e da nação o amor floresce Do margens. e as praias D'um joven bravo e santo o nome acceita. Aqui se ostenta próvida a natura. Incansáveis Andrades. ! Que mais amplo puder regendo elevas A cultura. Aqui do inverno a rispida melena Não sacode a saraiva. nicteroicas aguas. Ah são lusos rio sobre as I D'anligo tronco ramos. Que de Breno a ambição e a espada aggravara. « Oh com'avulta!em glória! oh como a illuslrani Do seu governo as rédeas manejando. Thesoiros novos d'alto preço abrindo No florido matiz do campo e selva. e o brio. Quaes nunca o horto hesperido guardara. Sem perder o de rio ao lago imposto . Oh conravulta em glória! ohcomoaillustram <« Heróicos filhos.67» FLORILÉGIO. a neve e o gelo. Do famoso gigante retratada. as armas. Pomos e flores de seus ramos pendem.

Das negras raàos d'horrenda tempestade Ura dia. Tu guerreiro Noronha as rédeas tomas. CÓNEGO BARKOZA tí7 9 Nem cede cus zelo iini Vasconcellus ilextru. E o fado aponta um século ditoso. que o céu plantara outr'ora No heróico solo em que troveja a guerra. Aqui medra e floresce em força em glória Esse tronco. Dias mais bello. Salve. qu'eterniza a glória Da florente cidade. . virtude e génio. e as arles acolhendo. qu'hoje occulto admiras.s no provir s'antolham. o dia feliz! ditoso dia. Que o vício espanca. Qu'escoltam sempre lúcidas virtudes . que do mundo a sorte muda. Eis amplo assento e base d'aureo thrcno. Anima o génio. De virtudes sublimes que ama o sábio. esteio adorno rei. Prudente. Um mais nobre Jason mais sábio escapa. Oh como avulta em glória Ah novos fastos ! 1 Do filho teu. Perdendo o nome. firme.Um sábio admiro Do da pátria amigo. Ura Castro eu vejo Melancólico e forte. ao Rio inveja Colchos. Em qu'a Elisia disputa a fama o Rio. Já d'entre as raàos d'um Pelias. qu'empolgava Nova lolcos no Tejo astuto e forte. e proseguindo ostentas Saber profundo. Que mais ampla carreira no oronio 'íbrindo. Atlântida enobrecem No mundo o lago. amor. Portugal seu nome Na lembrança dos bons fulgura e vive. . Do tronco da Nação thezoiro excelso . O justo abraça. Varíío mais digno d'aurea fama surge .

Luminoso cruzeiro ao sul refulge. desmaio. o invicto. Castros. Epóca illuslre assignalando aos povos No vasto e rico império. Auspicio igual aqui respeita o Rio . e ao Ganges davam Terror. e a força ? Fulgura o céu d'Ourique. qu'ura throno funda Sem dos evos temer o estrago. Que uiij i)rincipe esforçado assenta e firma. Gamas. qu'ergues sábio. D'alta noite rompendo o véu nubloso.' É este o Tejo r E este o luso heroe. Que só natura esmalta agora e veste? Revive AíTonso acaso . Vejo \im rei acclamar-se oh pasmo oh glória ! !. Vejo as quinas. Eternizam-te o nome a história a fama. qu'ao Indo. cresce o esforço Que o novo reino portuguez eleva. e bella.». . Reflecte a luz nas armas luzitanas. Salve. agora dando Do novo reino brazileiro o indicio. Serão d 'Ourique ôs campos estas margens. Cerrados esquadrões desmaiam fogem Eclipsadas as Luas. Que o céu protege. A paz do globo próxima asseguras. e a terra admira e acclam. Ferindo o escudo e as armas mil guerreiros Lú saúdam monarca AíTonso. santa. floreando ovantes Das náiis dos Albuquerques. No velho miínJo o esforço dispertando. Sublimadas na esphera. Em qii'hoje o fado o teu poder mMnculca.«80 * FLORILÉGIO. a cruz se adora D'igneos raios verlida. Do novo Reino a glória eternizando. qne abrilhantas Com jrsto sceptro e c'rôa a plaga e o lago. príncipe excelso.

Já d'ura príncipe heróico aos braços chega. E o céu que os liga d'hymineu co'os laços. Nem me occulta o futuro ou fado arcanos. . u Vejo a glória esmaltando a Estirpe augusta Do régio brigantino e excelso tronco Nova estrella enriquece o céu do Rio. em grato auspicio. Despontam mais brilhantes novos dias. 6 par ditoso Exulta.T3 faces brincam risos. bella Como a gema engastada em oiro ou prata. Em reciproco amor. G8i Cingindo a c'iôa e a purpura. acato e admiro ! Ternura conjugal o afaga. o mundo. au sexto João. e os Amores Em torno brincam. tão formosa. e afama. Perdurável grandeza ao Rio augura. é Vénus. Do mar desponta. qu'escapa Aos frouxos olhos d' indagar cançados. . sobre o berço Adejam votos do Brazil. Do lago teu nas margens brilha. do mundo . <í Ao grande. Tào como a d'alva. Penhor augusto vejo. N. Nicteroy. um throno. ó plaga ! ! Que o céu de bênçãos enriquece e assalta ! Clarão de eterna glória os evos doira. Que a cruz defende. Marcando a cruz a duração. que udurnaiu Eternos brilhos de virtude avita. CÓNEGO BARBOZA. Erguendo as vistas respeitoso acata : ísicleroy. do Danúbio a seguem . Que a mente em santo fogo ardendo anceam . e cresce. que n'esta plaga Primeiro ao régio throno sobe. o abraça . um reino. Prospera. e um sábio escora.

Traz no sangue de heroes virtude e graça . Dos povos mor applauso obteve — exulta ! » Tremeu de novo a mar : Nei>tuno lerra e o A Glauco impõe ao ar levanta silencio. Atlântida. abysmam-se as Nereidas . Concentra a glória de Bragança e d'Austria. E a mãi de Nycteroy ao coro unida É nos mares por deusa conhecida. estreita igual fulgindo. Lamego o sceptro de seus pais lhe off'rece. que desponta a linda rosa D'enlre as flores. . O grão tridente. Nas frescas aguas do Danúbio ou Tejo. qu' esmaltam prado ou selva.682 FLORILÉGIO. Do cerrado botão romj)eu tão bella. Nunca. Nunca ao sol.

rasga ousado Engenho meu. Ganhar. Voa soberbo. quo a vejo dar aos outrtis. Já que 08 rijos boléus de má ventura. a porta me encerraram Do templo da justiça. Qual. e dá-me no remate Benigno fogo que. e uuvo alento. p'ra seus fins protege. Generoso derrama nesta empreza. ÁLVARO TEIXEIRA DE MACEDO A Fesfa de Baldo 'Canto último. si não me engano. ou vem comigo junto. no meio. a nobre dila De vêr o feito nosso percorrendo Essa terra felia que chamo pátria. ao princípio deste. caminho triumphante. ardente me infundiste. . Engenho meu. por fim. Por meio das fileiras indiscretas Daquelles que a fortuna caprichosa. Eu. que de tal senhora nào recebo iMil favores. Cega sem tacto. Até. -I3-gora maior graça.

Daquelles que applaudirem meus esforços. e attenlo escuta. A casa apparatosa do vigário. Com formas estudadas pelas salas. Observa d' uma meu Cleto Baldo. . Qual vive com a matéria a sombra delia. E estoutras que direi no seguimento. Observa Dona Clara era seu triumpho. Qual vistosa rainha de comedia. que entres comigo Na festa que em ganha teus sorrisos. Mas é tempo.684 FLORILÉGIO. Sem proveito. Meu nome. Viva sempre seguro na memória. Novos homens e coisas aprazíveis. Pretendo que meu nome. Olha benignamente. Faz nascer este amor do imaginário. vez Dando realce a tudo por seus modos. Eis a sorte feliz que tanto anhelo. Que se tornam reaes pela memória. Que lancei pelas geiras do futuro. Que vivera pela terra em tal certeza. E o maior galardão porque trabalho. em meu jieiío. ora esquecido. que o poder Ião mal afaga. leitor. sementes d'espêranras. Quaes essas que narrei p'ra teu recreio. Creando pelo mundo uoxos entes. Que nem sempre taes coisas se fizeram. Viva longo nas aras do conceito. Esta nobre missão de ser poeta. Que tâo mal coucebi suas promesâas. Eis o forte incentivo que. Talvez no coração da minha gente.

e d'outra. Em dias de alegria. definida. Concertando engraccdas seus vestidos. De tudo que seus olhos avistavam. De araras lindo bando pareciam. Aquelles que falavam pareciam Circumspectos. E quer nas vozes. mas que os anjos. devidamente. . civis e comedidos. Ou aquelles que o céu tem por morada^ Constante mostram. Ouvindo com attençào e cortezia. em maior glória. Conservando. e apresentava Certo aspecto influindo de ventura Que os humanos ostentam. quando a força do argumento Continha convicções bem pondtradas. rubra. 68» Defrontava com um bosque de mangueiras. Vários grupes ficaram reunidos. Com igual sentimento várias damas. quer nas várias cores. Cedendo. Em pequenas distancias. Se o thema contemplado era sciencia. Formosas no semblante ali vagavam. a pé firme. Mostra ao sol do Brazil as duas cores. raras vezes. D'uma face doirada. Soberbas dando ao sol as pennas de oiro. Era tudo bem posto. Ou arte rasoavel. Já no festivo solho percorriam Numerosos senhores convidados. Nos salões ao convivio dedicados. porque sempre gozam Prazer sem fel que o mundo nào conhece. Onde o pomo da índia. Louvando a bella ordem e elegância. TEIXEIRA DE MACEDO. entre si.

Seguros de agradar ao outro se. Gente. . E mil outras condemna a vil desprezo .68ÍJ FLORILÉGIO. De serem. Namorando as feições que possuíam. Bellasmodas de calças e casacas. Faziam summa glória de seus donos. Gente. Que se occupa do Estado. E apezar que nos talhes divergissem. Gente. Nirja inútil creou a Providencia. Gente que tanto fala. Vaidosa profissão de certa genlc. Dos grandes palavrões. da muita audácia. E dos reis seus discip'los de oratória ! . do que devera. era politica. Umas vezes dá c'rôa soberana. que escuta mais. Gente. Narcizos. Se o assmupto. . emíira. Gente inconstante e má que aos povos hoje. Pelos claros espelhos suspendidos. Não sei que geringonça de máu toque. E não sei duvidoso. E que Baldo pedio fosse ao festejo. e donaires de tal gente. e sentenças. . e do Governo. que até dos thronos vai fazendo Naus de viagem. que p'ra tudo é convidada. porém. pelos rostos e elegância. das rainhas fusos. e pouco escuta. Se ouvia proferir de muitos lábios. Dos ares.\o. que mais esquece. O complexo de frazes. Concordes eram todos lá comsigo. como pinte. Alguns senhores se miravam ledos. do que lembra. Que o frio matador de Echo amoroía. e mais sensíveis. sem senão.

se soubesse. recebiam Ramos verdes. Conhecer seu valor. Puros vidros Com agua inda mais pura. Que dos olhos levavam dentro d'alma. quando a morte vos alcance. sem elles. «"• Auimaes exquisilos. Tào lindas. tudo serve. Sem elles mal iriam os festejos. Oh !gente afortunada. Mil adornos de Flora. passarelas De ináu aspecto. esses homens. Ireis todos p'ra o céu. . e flores da floresta. e suaves. em toda a parle. Brando sentir. por fim. Preenchem seus togares nos banquetes. E. Que César conheceu. p'ra recreio Da gente mais cordata (jue os contempla. Que tristes dormiriam pelos bailes. hnmano e bemfazejo. Aquelles Que só nos vultos curam. não riquezas De prata burilada. e grande peso ! No entretanto gozai do largo mundo. Servem a certos fins. que é o vosso reino. e também prestam Para adubo de risos. Brilhavam. Amphibios numerosos e macacos Hirsutos e travessos. nesse tempo. e monstros sinçulares. E só delle recebem doce trato : Os brutos seus encantos nnn percebem . eu juro. que ha donzellas (De taes pares condignas totalmente). E todos teem seu préstimo. TEIXEIRA DK MaCEDO. veudo em Pharsalia. E. As flores companheiras sao do homem. tão mimosas.

e co'a pitomba. Galhos de cajueiros. Da gentil açucena morde a face. . E palmas reluzentes do alto coco. Diziam. Faziam linda trança co'a folhagem Da vermelha pitanga. Mal podem ver bellezas na matéria. Pisa os ricos tapetes de natura. Completavam o arranjo deleitavel Do campestre recinto simulado. Pára trazer dos campos a frescura Do tecto hospitaleiro que o honrava. E rompe mil capellas engraçadas. Tecidos co'a limeira. se avistavam. e por arvores da terra. Corre pélas campinas matizadas. Vergonteas de canella. Do festim os salões naquelle dia. Do Maranhão trazido áquelles lares. e Deus no peito. e do artocapo. por duas filas. e da baunilha. Estavam convertidos n'um bosquete. O ananaz soberano e aromático. Idéa natural de mestre Berto. Ramos cheirosos do araçá bravio. Por fructos. e Qores escolhidas. O rijido tapir sae das ribeiras. e da mangaba. que o Brazil também é Ásia. Sobre parras. Com que Alonso enfeitara a linda Cora.038 FLORILÉGIO Não tendo a luz do céu. Fructas de conde (cujo mel cheiroso E' nata vegetal) estavam posta?. Onde. Niveas toalhas cobriam largas mesas.

Leitão de espeto. grandes tortas. Outras fructas formosas e fragrantes. p'ra timbre final do rico apresto. Grande cópia de pratos fumegando. Era loiras frigideiras borbulhando. E. ('ujo sabor lhe vem da vida alpeslrt?. e caça peregrina. Avultava o melhor dos grandes pratos. Alvo lombo do cerdo e gorda vacca. desta arte. 689 Defronte de quadrados amarellos De suaves bananas delicadas. Várias aves. Appareceram quartos de vilella. guarnecidas. E o mais grato dessér do mundo inteiro. De mangas soberbissimas e raras. abacates. glória dos banquetes. Arroz de forno cora jardim de salsa. que o bom Filinto Em vez de trouxas d'ovos comeria. Quando Baldo. . Com viandas e molhos de appetite. Linda pêra dos trópicos felizes. acenando a mestre Borto. Empadas de palmito. Escravos apurados assentaram. verdes limai. e pratos delicados. Que de Itamaracá recebem nome. Tomavam seu logar ao pé de cestas. Com mil doces. TEÍXEIBA DE MACEDO. Trascalando os eflluvios de Pomona. Com tal disposição tudo era prompto. Pescado e camarões do manso rio. Prefaziam o quadro mais completo. Laranjas. Morenos sapotís. Sobre as mesas.

» Meslre Berto falou desta maneira: — « As sciencias. Paia si têm querido a precedência.Tni pelo. u Receio dar offensa neste trance. E no enleio cruel depreco aviso. Onde ás vezes se encontram misturados.» mesas seus a. Tangeram a entrada pura o banquete.ssontoí. as armas.^90 FLORILÉGIO. Importa que ella sempre é sobranceira. Quanto a igreja se mostra em qualquer parle. Cede tudo. Não só nos actos sérios e distinclos. e as letlras retrocedem. porém. »> Sisudo reflectiu o heroe da festa. Teria logar de honra ao pé de Clara. . De. Com as azas estendidas. á corlezia. Disputam a miúdo a primazia. que seu reino é do outro mundo. ao seu fiel representante O logar mais distincto que lhe cabe : Entregue Dona Clara ao bom vigário. — "Hoje voga o princípio de igualdade. Porém inda nos bailes e banquetes. Tnmar. Qual sublime condor. pois. E os homens arrolados em taes classes. e musicas do bosque. Sobre qual dos senhores reunidos. Os próprios diplomatas dào-lhe o passo. » Assim se fez. Pois de tudo sabendo nSo ignoram. Confessou ser incerto e vacillanle. As armas. e as riquezas. e voando. sempre elevado Por cima do que é grande cá da terra. Que o dizer. Os ricos. E todos com semblantes de alegria. e os soberbos se desviam.

que doçura. Linguagem do prazer que a possuia. Cosme contava hislórias divertidas. Olhos scintillam. Para todos olhava com sorrisos. Oh que festa ditosa era a de Baldo ! ! Que prazer. Passava-se o banquete alegremente. facas e colheres. Seu bom gosto mostrava nos cabellos. E a matrona. soberba do enfeite. deu suspiros ! Era porém o andaime bem seguro. a novidade do apparato. Allendia ao serviço das senhoras. . por vezes. Mestre Berto comia. Reinava um de bons ditos. . vestida era ricas sedas. Affavel presidindo ao seu convívio. qual Damocles. e não falava. Susurro de festim alto começa. Que o vigário. sempre alerta em seus devore?. Dona Clara. Retinem garfos. mãos soccorrem boccas. Enorme. . <jyi Applaudindo o soberbo lanço d*ôlho. tiroteio Corria o loiro vinho effervesceute. Que toque divinal lhe cala o peito? !. E ludo emfim que ali se descobria. i\ue gracejos. E Baldo. De artístico lavor tinha cravado Pelas tranças luzentes de azeviche. Conta-se que era tal o seu tamanho. cornscanle e alto pente. TEIXEÍUA DE iMACEDU. Depois de curta pausa tinem pralos. O gosto. Temendo cjue caísse.

D*um novo presidente quer-se a queda » ! — « Maldita eslrella nossa. tudo precipitam ! Cantarei o final de teu banquete. Com tropel e nitrido de ginetes. Da. Perdoa ao bom chronisla si nào pode Deixar de publicar tua derrota. Culpa tua não foi. Adeus bello prazer. a festa progredia. — «Nova rusga. E da honra. que foi urdida. Me foi dado cantar a teu contento. >» respondem muitas vozes. quando vibra O sincero louvor bem merecido. e passa ao bosque Incutindo temor nos convidados. adeus convívio.s virtudes singelas que tiveste. Glorioso escrivão. Sobresalto cruel em todos lavra. E o sexo da brandura colhe medos ! Que berreiros são estes que escutamos ? Que tiros já tão perto são aquelles ? » Perguntou altamente o bom vigário. sem par. P'ra que o rijo clarim que te dedico. Si lua alma pintei qual tu a sentes. Soando imparcial teu desconcerto Seja crido por todo. tempos revoltosos. Era quanto. clama Berto Onde iremos parar com taes mudanças? . Que tudo impedem. si o teu empenho. do teu cartório. Péla trista ousadia de partidos Em tempos duros. Os ares atravessa. Rouco volume de medonkas vozes. pois.692 FLORILÉGIO. Causada unicamente pelo fado.

6 patriotas de taverna. qual o de Truja- . áureas frigideiras. Bradando estas sentenças singulares. Que cora carne. Que deshonra p'ra vós. Vosso deus e senhor chama-se oiro — — Vosso mestre não foi César clemente. E vós. e feijão foram contentes Oh meu rico banquete adeus p'ra sempre.. Deviam têl-a feito ha quinze dias. Mestre Berto saiu sem ser mais visto Debandada geral seguiu-se logo. ! Minh'alma aqui vos fica. Não consl.. Baccho e Pomona deleitosos E vós. 6ij5 Qualquer que seja o bem que á paliia vtulia Desta rusga infernal agora em campo. Que o nosso Apollo assim ficara salvo : Eu te odeio. sereis curaido?. dono da festa. como elle. . eu levo os queixos?. leilão intacto. bosque gentil flores do campo ! ! Adeus. Fugiu airosamente pelos fundos Do amigo. ambição de baixo intento. achareis forte Petreio. Fofos pasteis. !: ! TEIXEIRA DE MACEDO. Ficareis para pasto de guilhotes.T que este hcroo. Nem Augusto sagaz. Tratou da retirada. Que vos corte a carreira fatricida ! » Adeus. escuro bosque das mangueiras. Por homens esfaimados sem fineza. E o próprio escrivão. bello peru.. Ou então adial-a p'ra mais tarde. Mâs. correndo ao mando. O Grachos de comedia. O heroe quo imitais é Catilina. vis escravos. e sem bagagem.

e sem perigos. Concordes d'esperar pela ventura De uma paz duradoura. que. Voltasse na. De dias mais serenos e seçurcs.procura ila consorte Consta só. si bem que viveram mais á larga. MM DO FLORILÉGIO . não me consta. Por mais que examinasse. Unidos foram ler á nobre villa. depois de grandes iiscoí.694 FLORlLtGlU. Que o escrivão de Goyana e Dona Ciara Procurassem jamais dar outra festa. E.

NOTAS AO FLORILÉGIO. .

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1. Ma- ria. Tào importante julgámos tal docu- raenlo. que passamos a reproduzil-o na inle- EC . Este documento. na noite da missa do gallo desse anno da boda. Ao avaliar o estado das línguas e leltras castelhanas e portuguezas na época em que se descobriu o Brazil. que contém alguns frag- mentos curiosos era prosa e verso. se pode ler cora interesse o seguinte documento. que copiá- mos em Simancas. os quaes devera augmentar era estimação (apesar do des- cuido com que parece haverem sido transcri- ptos). que floreceram no reinado do venturoso Manoel. embaixador dos reis catholicos em Portugal. quando nos lembremos que alguns delles podem ser obra dos poetas Gil Vicente e Ber- nardim Ribeiro.' da IntrcduccSi). é uma carta original de Ochoa de Ysasaga. XOTAS. quando o rei porluguez recebeu por esposa em segundas núpcias a rainha D. Nesta carta se descrevem por extenso as festas que tiveram logar no real paço de Lis- boa .

e seconfesó con fray Gar- cia de Padilla y despues comio retrayda. la Se nora Reyna oyo misa en su oratório. embora tenharaus pAra isso de ea* gfrossar de algumas paginas este tomo Ctpia de mna carta autografa de Ochoa de Ysasaga aos Ret/s Cutholicos. certos de que o leitor nos ficará por elle agradecido. El Senor Rey oyo misa en su capilla é dicieron- me que tarabien se habia confesado y á la tar- <le el Rey é la Reyna juntos fueron á capilla á oir las biesperas y acab. Muy Católicos.ola a!li se fue derecho á la sala grande de su aposentamiento que estaba muy bien atabiada y fecho un estrado grande con su doser de bro- cado encima y debajo puesta una silla rica grande com su mesa delanle y asentose alli y . de las fiestas que han pasado aqui en esta fiesla de la nativida- de nuestro Senor. as.ironse despues de no- checido. Jueves veinte y cuatro deste Diciembre bies- pera dcsla santa Gesta. ?ra. Aunque yo sere alia presto qucriendo Dios para haser relacion de las cosas de aca por menudo á V. as. porque Juaii Ortiz Ilevador desta llegará alia antes que yo. paresció que era hien dar parte á V. muy altos é muy Poderosos Principes é Seiíores el Rey é la Reyna Nues- tros Senores. y despues el Senor Rey íue com la Senora Reyna hasta su posenlamiento y dejan- d. : <>98 FLORILÉGIO.

e el Duque de Coymbra se ynco de rodillas delante dei Senor Rey y estobo asi con unas toallas en <d liombro hasta que acabo de haser collacion y en lugar de copa un caballero Uevó ai Seííoi Rey un vcrnegal de agua com unas toallas en el liombro. Desj)ues de esto á las ocho horas vinó el Senor Rey á la camará de la Senora Reyna y fueron á los maylines de la misma manera que fueron A la biesperas y el Senor Rey dejando ú la Seiíora Reyna en la tribuna decendióabajo donde estaba pueslo su sitiai con cortinas r oycron los maylines solepnemente con horga- En * . NOTAS. G99 Iraxieronle la colhicion con grande triunfo el mayordomo mayor y maestres salas que di- los sen aca veedores. y niuchos pages con platos grandes de conservas y fruta de sarlen. Despues de esto dieron collacion á lodos los caballeros é fidalgos que cstaban ai derredor dei Senor Rey de la misma ínanera que esta- ban en pie y despues dellos A Ioda Ia gente que estaba en la sala sobre que andovo grande regocijo como se suele hacer en semejantes tiempos y para segund la noche que era la ce- rimonia fué real y paresció muy bien á todos. La Seriora Reyna hizo collacion en su câ- maras y despues las damas y á la sazon la in- fanta Dona Beatris le embió cierlos platos de fruta de sarten y despues de echa la collacion la Seiíora Reyna vido que la casa no estaba adrezada como era rason para tal fiesta mando que Ii adrezasen luego y de noche colgaron los paiíos y el doser y fisieron el aparador.

La Seríora Reyna trahia una faldilla de ter- ciopelo negro con tiras de brocado y un cós de puntas de brocado pelo morado oro tirado y una delantera de lo mismo y un abito de lerciopelo carmesi de muchas perlas con unas lazadas que veslio el dia que se casóen Alcazar y una cinta de mazorcas de oro de martillo luuy rinca y linda y un colar de las esmeraldasi T en la cabeza echa la clencha y un tocadito ile oro de martillo lodo de emes muv rico v en . ia Senora Reyna oyo misa en su oratório y se comulgó é dijo la misa fray Garcia de Padilla. El Seõor Rey trahia jubon ancho de cebti carmesi á la francesa y calzas de grana y bor- ceguis blancos en soletas y una cinta de oro y una espada con su guarnicion de oro rico é iin collar de oro mediano con muchas piedras y un bonele de terciopelo doblado y en el unos joycles de diamantes y encima nna loba de bro- cado pelo negro alcarchofado abierta por lo* lados. Hoy dia de la Natividade de nuestro Senor aiiles que amanesciese. El Rey é la Reyna se fueron á misa con sus muíieres y damas entre las nueve é dies horas é iban vestidos en esta manera. 700 FLORILÉGIO. nos y charazonetas y pastores que entiaron á Ja sazon en la capilla danzando y cantando Gloria in excelsis Deo y dija laniisa dei Gallo Obispo df Fez y en acabando los pontifical ol maytines á las dos horas dcspiies de la media nochc cl Rey é la Reyna se volvieron á su aj)osentamiento.

XOTAS. Acabose la misa cerca de la una hora y des- pues el Rey e la Reyna fueron á sus aposen- tamientos cada uno por su pnrle y el Senor Rey fué en esta manera. iban con el todos los caballeros y dehmte uno con el estoque que le embio el pad'-e Santo y mas adelante los valle*- teros de maza que son aca como porteros de Câmara y comió en una quadra donde suele comer otros dias asentado en una silla de- los bajo de doser de brocado y estaban ai derre- dor todos los caballeros y sus minislrihs altos que tocaban un poço desviados.t y una cruz grande rica y cua- tro candeleros de plata y el aparejo deloshor- namentos de brocado pelo la mitra y el vacu- lo bien ricos con mucha pedreria y predico un clérigo muy bien el nascimento de nuestro Senor y el Senor Rey ofreció en laofrendadijeronme que doce ducados los seis por si y los otros seis por la Seiíora Reyna. Yban detrás diez r siete da- mas todas muy bien ataviadas y perfiladas. 701 la garganta un hilo de perlas guesas con una cruz de diamantes colgada dei y muchas axor- cas en las manos. El Senor Rey llevó á la Seiíora ReMia dcl brazo esquierdo hasta la tribuna y dejandola alli decendió abajo á su silial y dijo la misa pontifical el Obispo de Fez que dijo la dei Gallo. y estaba en el altar un retablo devoto como en I^lesi. El afjarador era mediano trajieron el manjar con trompetn»! y atabales y no comiú carne sino pescado. y el evangelio y Ia paz dieron ai Senor Rey con Cerimonii como se acoslumbra y no llevaroná la Senora Reyna. .

y que la havian traindo alii para hacer muestra "y que desde alli la habian vuelto para Castilla.qne estaba la plata muy apretada que liabiendo mucba paratres gradas la pusieron en dos jjero mucha é muy buena é muy lusida parescio á todos los que venian á verlo y menester fué habella puesto que no han puesto ninguna ves despues que ve- nieron á esta cibdad ya desian algunos que la Senora Reyna no Irahia plata y que la que se puso en AÍcazar de Sal cuando se caso era de y. La Senora Reyna ai tiempo que iba desde la capilla á comer á la cuadra baja encontro con la infanta Dona Beatriz que le vénia á ver y á dalle buenas pascuas y un page trás si con un plato grande cubierto con manjar pares- ciome que era capirotada é hisieron la una á la otra sendas reverencias bien bajas y fueron de mano á mano la Senora Reyna á la mano derecha y la Infanta á la mano izquierda y á li entrada de la puería rogabanse la una á la otra y entraron casi á la par pêro paresciome que la infanta todabia se detúbo atras un po- quito y fueronse á asentar á camita donde es- tobieron hablando y holgando basta que tra- jieron el manjar. as.702 FLORILÉGIO. El manjar de la Senora Reyna Irajieron ai aparador con trompetas y llevó las fuentes Dona Leonor de Milan y poniendolas en la mesa la infanta se levanto sobre las rodillas para servir con ellas y cslonces la Senora Reyna levantose . El aparador de la Senora Reyna estaba pues- lo muy lucidamente aur.

VS. NOt. Despnrs de ido el Senor Rey venieron la Duquesa de Breganza y Dona Felipa á dar buenas pascuas á la Senora Reyna y estobieron asi liolgindo hasta la hora das viesperas y por que elSenor Rey estaba adrezaniiose para Ia fiesta de la noche mando á los de su capilla que veniesen íi desir Ias viesperas en Ia sala de la Senora Reyna doude las dijieron cantadas solepnemente. La Seriora Rejna ?e púso en su para sitiai oir las viesperas y la Duquesa dei Breganza un poço desviada mas atras por Ia parte de- recha y mas atras todas Ias damas é mugeres. El maestre sala con los pajés trahia el manjar á la mesa y estaban todas las Damas ai. 70S iin poquito y íisiole dcl brazo é hizoie tornar á sentar f. Dps])ups de acabadas las viesperas vino Ia infanta Doría Beatriz y asentaronse ella y la Senora Revna en almóadas arrimadas á Ia Cá- . En acabando de comer vino el Senor Rey á la Câmara de la Scnora Reyna é yendose la Infanta mando despejar la Câmara y des- pues estol)ieron el Rey é la Reyna solos oyen- do musica de Rodrigo Donayre y sus com- paneros. mesa no hobo mas diferencia que en los otros dias que Lope Valdivieso hasia la salva. Dona Angela cortalia y Dofía Leonor de IMilan ser- bia con las faenles y con la copa.ràcioScamonte en el servicio de Ia .derredor y en las posíreras fuenles la Infanta no hiso ninguno mobimiento como primero y los menestriles al- tos tocaron durante la comida altamente.

Guan- do ya se acabaron de ad rezar los momos el Senor Rey hiso saber á la Senora Reyna para que se fuese y despidiendose de la infanta se fué con sus damas á la sala grande dei apo- sentamiento dei Senor Rey que estava muy llena de gente con grand eslruendo como para la fies- ta que se esperaba y fuese derecho ai estrado donde estaba un doser de brocado y debajo seis almóadas de brocado en rencle de dos en dos y asentose en cabo por la parte derecha dejando el logar bacio para el Seiior Rey ylas mugeres y las damas se asentaron desde el pie dei estrado adelante y luego comenzaron tocar los meneslrilles muy altamente y despues sa- lieron muchos momos con ynvencionescada yn- vencion con trompetas delanle como aqui será declarado. mara . la SenoraReyna á la mano derechapor Ia parte de la cabecera y la Infanta por la par- t6 ezquierda y la Duquesa un poço desviada hacial lado de la Senora Reyna y estobieron í»si hasta las ocho horas de la noche esperando Que se adrezasen los momos y las seis damas que habian de sallir á la francesa y en este tiempo venieron la marquesa de Villarreal y la muger dei o varano de alvito á dar buenas pascuas á la Senora Reyna y hablando entre otras razones le suplicaron les diese licencia para ver suas Damas porque despues que uino su altesa á cabsa delias sus maridos no hasian caso delias y el caso porque se sienten ellas es que el marques sirve á Dona Maria de Carde- nas y el varon á Dona Leonor deMillan. En cabo de la sala estaba fecho un .T04 FLORILÉGIO.

NOTAS. y diseronme que Senor Rey tenia acordado el una vez de venir y que despues ledijieron alli que raejor era venir despues con sus momos trás el huerto porque no fuera honesta para el venir alli sin la Seiíora Reyna y llegando el huerto delante de la Senora Reyna de la ma- nera que vénia parescia muy real imbencion y . 70S relraiymenlo grande con panos de donde salió un huerto de encantamiento que vénia dentro im arbol membrillo irrande miiy bien echo con muchas ramas espesas llenas de candeias ar- diendo y encima dei arbol un dragon muy es- pantable con Ires cabezas feroces y seis manos grandes y con la cola tenia rebujado todo el cuerpo dei arbol y todo el huerto estaba cu- l)ierlo ai derredor con paramentos de lienzo delgado y venian dentro seis damas Dona Leo- nor de llillan y Dona alaria de Cardenas é Dona A.«aliendo fuera las Damas Dofia Anaelaennom- .ngela é Dona Leonor Enrriques éDona Guiomar Freire é Dona Maria de Silva vesti- das á la francesa traliian en las cabezas unos chapirones de cebti carmesi como miras llenos de mucha pedreria y perlas y cadenas é otras joyas muy relusientes y encima unos velos co- mo se pintan en los paiios franceses y unas ro- pas de terciopelo negro con mangas anchas y con colas largas trepadas y con unas letras por las orillas con cebti blanco del)ajo dei tercio- pelo y en las manos unas achas pintadas de cera ardiendo y en cabo dei huerto vénia echo un asentamienlo jjrincipal con almóadas de bro- cado pregunté para quien se habia echo aquello .

ti Despues de quitandcse de alli eJ esto carro vino el Seiíor Rey con veinte Cabal- leres de los principales de sua Corte echo:-! momos con sus caratulas e cimeras con grandf eslruendo de trompetas e dieron dos bueitas por la sala danzando y despues el Seíior Rey comenzó yr ai estrado y la Senora reyna des que sentio que era el levantose y salio á reci- birle á la meytade dei estrado y juntandose <! Senor Rey quito la caratula y el bonete y cii .70G FLORILÉGIO. bre de Iodas dió un escripto á Senora Reyiia (jue desia en esta manera : íí Estando en Itiopia en niiestro huerto da- more Sagrado guardado por el Dragon usando lieaquel poder que por los Dioses nos fué otor- gado de dar remédio á todos los verdaderos amadores vino á nos Io pidir un príncipe tan fMiamorado que el so he comparacion de si mismo porque la grandeza de sua pena es ma} or que nosa sabeduria y porque en tua alte- za que he merecedor de seus amores está o remédio deles éno en nós otracemus aqui á le pidir que o quieras remediar porque á tua soy- gecion estima mays estar. que á todos seus Senrios é todos os cavalleros de sua compania eu poder de tuas damas é uoso sean soygetos é sendo coza tan nova aquela que á todas podian dar remédio o viren pidir a ty por ver una princesa de tanta escelencia ouvemos por })robeyto a perda deste poder á te pidimus que nos lo queras olorgar por que olraballo deste eamino se torne en muyto seu é noso descanso e teu servicio.

iNOTAS. Despues de esto veilleron otros cufitro c^- . T07 grand piacer reyendose hisieron sondas reve- rencias bien bajas el uno alotro ydespues fue- ron á danzar una alta y una baja y danzarón muy bien y volvieron á sentar á su estrado y Io que trahia vestido el Senor Rey era un ju- bon muy trepado y calzas negras é la derecha hasta Ia rodilla con unas barras de chaperia espesas y debajo de la rodilla donde suelen apretar las calzas dos hilos ensartados de dia- mantes é piedras que relucian mucho y zapatos de cuero negros puntiagudos e una cinta de oro de marlillo con una daga pequeiíita colga- da dei é un coilar de oro sin piedras y un sombrero francês lleno de joyeles con una ci- raera grande depluraages y el cerco delboneie doblado lleno de chaperia y joyeles que relu- cian y todos los oiros momos venian desta misma librea é muy bien atabiados cada uno segund su estado y especialmente el Duque de Coimbra trahia un collar de oro con mucha pedreria y perlas muy gruesas y la calza es- quierda muy llena de piedras y perlas de la rodilla arriba y el sombrero con sucimera con rauchos joyeles y encima dei bonete trahia dos sarlales de perlas gruesas y lo que trahia cada imo de los otros no pongo aqui porque seria prolicidade. Salvo que despues de asentados el Rey é la Reyna en su estrado cada uno dellos llegando á su dama quilo lacaralula edió cada uno á Ia suya su escripto y despues danzarón con ellas y esta misma forma tenian cada uno de todos los otros que venieron despues de esr tos.

io poderosa Senora. : 708 FLORILÉGIO. ?» Despues de esto vino una con caratnla qu»» Irahia encadenado un gigante muy grande é muy feroz y detrás dei três momos muy lusi- dos con sus caratulas y llegando delante dei estrado el que trahia el gigonte dio un escriplo á la Senora Reyna que desia asi. é m. mas magnificos principes que nunca fueran como porque en tu casa ser jun- ta toda la fermosura que sufo (sic) en el mund<i . balleros echos momos miiy lúcidos con sus ca- ratulas y uno en nombre de todos dio «n cs- cripto á la Senora leyna que decia asi "Mu. : M.»o alia é m. Reyna é m. Wimos á esíe Seran Cada un por sua dama É vimos a sin razon Que se fas a quen bea'ama E tornamos á pidir Por merced á vosa Alteza Que nos de a quen nos fiz venir Para que de prazer á tal tristeza.to alta y ecelente Reyna í'.s deseando mas faborescervos que á toilos asi por ambos .io poderoza Senora Yo soy embiado á ti dei poderozo Copido e- cual sabendo que el Rey tu marido eslá en dei terminacion de luiser guerra á sus enemigo.io escelenle.ser los mays.

muy presto seran culpadas en su muerte y el los terá per- didos." Y despues de esto cada uno de estos romeroí echaron sus ropetas y caratulas é dieron sus escriptos á las damas y danzaron con ellas. jí Las nuevas van tan crecida? Rey Santo de tu pasage Que siendo por nos sabidas Fecha la pelegrinagen Te frecemos las vidas A seguirmos tu viagen Sabe que nuestra tencion En esta guerra que tanfamas Que es servirmos las dos damas De las muy famosas Enrriquez y de Millan. >! Despues de esto venieron ocho romeros que rban á Santiago con sus bordones y conchas en unbergantin fecho artificialmente yllegando á la puerta de la sala desembarcaron y uno en nombre de todos dio un escripto ai Senor Rey qiif^ desia asi. 709 hace ser loada te ofrece para sn servicio alesi> gig-ante que por amores de ysorfele fué trahitlo á sus presiones y con su fuerza te notifica por muy cierta la victoria é te pide en salisfacciou de ta mano beneficio que mandes á las damas de estos três suyos á que mas que á todos debe por buennos amadores que sus cruezas en ellos no usen porque sino se emendon. Despues desto venieron ocho enemigos ma- linos muy feroces y trujeron cualro momo-i . NOTAS.

Despues desto venieron ocho almas con can- deias encenJidas en las manos que sinificaban la misericórdia y detrás un momo muy bien adrezado. En elynferno lemos sabido ha muito tempo que por tua vinda á estes reynos seriamos de- les ianzados fora é de todo deslruidos é agora soubemos por estes desesperadus que nos suas damas les embiaron que tinan ja nelas recibida por Senora.to poderoza Reyna Senora. •. muy liicidos con sus caratulas encadenados y im enemiíro de aquellos fuè á dar un escriplo á la Sennra reyna que desia en esta manera : c.?iO FLOIIILÍ-GÍO. é como de cosa tua non podemos aber parte foy nos mandado trazer á estes avo- sas damas é á te pidir mandes a ellas que les dea algum descanso poys por ello son mays atormentados que os otros que nos la fican. incaronse de rcdillas édisieron dos vezes á alta voz ave misericórdia ave misericórdia y luego èQ bolvieron y el momo dio á la Seiíora Reyna un escripto que desia en esta manera : " M. Vo soy uno de los três que este otro dia ])i- dimos á su Real alteza mandase á duas damas no nos tratasen tan mal y porque ya soy ofres- cido para slempre servir una de su real corte le suplico mande guardar elcosturabre que sus antepassados tobierou que era en tales fiestas no consentir á suas damas llevar guantes es- quierdos en Ia mano é agora segund he vislo . y las almas llegando delante de una dama que se Uama Doiia Leonor Enrriquez.

NOTAS. lii OS por lo conlrario y si ú tal cosa vueslra real alteza diese lu^ar los de estraiias tievras deses- perarian de tan esceiente corle. É m. Despues de eslo vino un hermilano con su l)ordon y barba grande y detrás una brena echa á manera de encantamiento donde vénia me- tido r.'° poderoza Reyna Senora. Querendo mina ventura dar fin á mina \\dii oferecioseme por enamorado en esta real corto <!e vosa alteza cnde creceo tanta mina ])ena que cuydey que pacencia á podcce resistir é fuyme aos monta nas onde me achey tan com- batiJo de cuidado que por leyxar alguna me- moria do mina tristeza é sentimento comencey de caniimr en esse encantamiento en que ve- ngo topando con cse hermitano j)er esconjura- çoes piadosas me j)idio á cabsa de mina pena respondile que me fasia asi andar á mays fer- mosa dama do mundo que estaba en la Real Corte de vosa alteza é hele mobido de piadad me dixo qise ó scguisc.^o alta é m. •' £í M. " . ?' Despues de esto vino un pa^e pequenito con caratnla y con una ropeta liena de manillas doradas y detrás dei dos caballeros con ropas rozag-antes de ^uadameci verde y d orado á la francesa con sus caratulas y el page dio un es- cripto á la Senora reyna y el traslado dei no enibio aqui porque no lo pude haver.n momo y dio un escriplo á la Senora Reyna que desia asi.io ecelente Princesa.

-v Despues de esto vino una muger muy feroza con un encantamiento fecho arteíicialmente que parescia una cueva metida en una breiia áspe- ra y venian dentro cuatro momos muy bien ataviados con sus caratulas y esta muger dan- do un escripto que trahia á la Senora Reyna lomó ima porra y quebro esle encantamento y los momos que venian dentro sollaronde é dio cada uno de ellos su escripto á sudama y dan- zaron y el escripto que dio la muger á la Se- nora Reyna desia asi Roy y Reyna y ecelente A qaen regnos non nombrados Ocultos nunca fatiados Desde el cabo de oriente Obedeceu nuevamente A quien islãs Y tesoros Encubiortos Por caminos . Despues desto vino otro momo de la miseri- córdia que vino antes disfrazado con otra ma- nera de habito con su caratula é dió ti la Se- nora Reyna un escripto que desia asi «M.s veces so ya venido delante tu real alte- za á que pido pormerced nome teno-a por so- brado en le tanto importunar por los guantes ezquierdos porque soy venido de muy lexos y á grandes peligros. : : #12 FLORILÉGIO. J3o.to poderosa Reyna Senora.

'o poderosa Senora. de osa Eu soY o marques que en esta festa \ altesanosoSenor quesdreytojuez por sortes me vosa alteza dev por servidor de vna dama de a quale per saber que yo era mays que todos dama mejor tomaron duas veces por tanto me terceyra vengo á quejar á vosa alteza que esta - me mande restituir áseu servicio vna danza. Nunca cierlos Conquistando Muchos moros Te son lodos Descubiertos Dina de mas escelencia Pues teneis merecimenlo Que se quiebre en tu presencia Contra mi consentimento Este fuerte encantamiento El cual tocando la damas De las que tengo nombradas Seran sueltas de mis llamas Abiertas y quebrantadas Sereis presiones encerradas. .^o ecelente Princesa é m.to alta e m. ''^*'* NOTAS. . Despues de acabada la fiesta dadas las »b)c<.> Despues de el Marques de Villa esto vino Real echo momo con su caratula con cuatro caratulas e ro- pajés delante lambien con sus pelas é dio un escripto á la Senora reyna que desia asi. "M.

horas cie la media noche el Seiíor Rey danz con todos los momos en una danza que d ice aca Serau ydespues subieron elRey é Ia lie na á su Camará con mucho placer é triuiif y asentaronse en la Camará y cenaron junto muy alegremenle el Senor Rey de la mism. Pag.. ?' 2..le.i. manera que estaba hecho momo y porque er. e.* Pag.-. secundo Barbuía. thealino.-loa. Nuestro Senor les de liijos de vendicion é á vueslras altezas guarde y prospere come sus reales corazones lodesean de Lisboa 25 dt Diciembre = Muy homil Servidor de V. natural. }a sábado volvierons el manjar delaearne dei.ie el aparador ycomieron am bos pescado y despues de cenar mandaron des pejar la Camará yquedaron solos para se aços tar. XVII. que bv^sa sus reales manos é pies=^Oclioa dí Ysasaga. . segundo Sismondi. II t ff. de I. as. Maltes imitou muito não s6 de Gonaora. militaram acerca de André Nunes da Silva. j i FLORILÉGIO. da Bahia.i. Os mesmos motivos que livomcs para nào Considerar as ol>ras de Rulim de M<'ura nesta collecçào. Senora reynades.

^ de Quevedo. »> :A silva de pag. la Gesta pasada Tan de cavaiieros rica Si hl hicieran laberneros No saliera mas aguada. 17 é. : 50TAS. no seu começo um verda- . na fcíla de loiros ao Príncipe de Gaites M Floris. na pag. senora Notomia.> orno de Quevedo. mesmo Quevedo.**) « No os eppanteis. seu modelo. |lõ) u Mal direito e bem gibozo. n A gátyra ao Cometa. 39 é feita sobre a 1.^^ decima da j)ag 44 é de Idl dcípropósilo. é parecida com a lelrilla de Quevedo íí Mal haya quien lo ccnsienle» E a da 65 faz lembrar a do Chiton do pag. 51. que nos justiQca o que di- zemos Da Introducçào de que Gregório ás vezes . »» (lembra o de Gongora 1 cí Mal herido y bien curado. A 2. 7i. Que me atreva este dia Con esprimida voz ccnvak-cienle » Igualmente a última decima da pag. O verso (pajj. deiro plagio da caução de Que\edo (Musa B.

O 2 soneto que se relTere á canonisaçíio de ** Santo Slanisláo terao lo hoje por apocnpho. quando já eram mortos os dois irmãos Mattos. Pag. punha ao lado de algum conceito uma sandice sem sabor. 127. 248 deve preferir-se a versão de que se afogou no cárcere com uma liga. Na pag. ÍJSO. pois que segundo nos consta tal canonisaçào só se eíTecluou no princípio do século passado. 4.» Pag. Da fabula corliímos um pe- tlaço. e a isso authorisâmos a quem a reimprima.71© FLORILLGIO. dizem outros lextoí . Éáta biographia de Cláudio necessita em al- guns logares mais correcção de eslylo que é fá- cil de fazer. onde isso vai marcado no íim da pagi- na 251. Em vez de Briarcu. outro sone- to de Cláudio. 329 e sfgulutes. do que elle deslinini para ahi. Pag. 26 J. Tomámos a liberdade de pôr antes da Fabula do Ribeirão^ na pag. com mai? cor lociíl.

para não deixar- mos de dar aos Çlhos os nomes escolhidos pelo pai mus a palavra é franceza. A composição da pag". Não seria má leiliir. e melhor se . 310) pa- rece uma epistola. 318. Conservámos o nome rondo dado por Al\a. 311 e' uma ode á paz. Cremos que nào deve estar nem de iin. O as8iimj)tu do Caranjnrií é mais próprio .t ie Dirccu ? 7/ Pag. como no castelhano antigo mas . diria rondei. nem d'oi!lro modo. enviada do* Rio a José Ba- sílio e delia se vê que o irmão deste acompa- . I Éfta primeira composição é não só feila ao 'poema Uragnay. iíj. verdadeiramente são cantigas. como Á Arte Poelica era ge- ral A do Templo de Neptuno (pag. similhanles á? dos trovadores. nhara Alvarensra. Pa-. 717 Jriario. 8. ^ renga ás suas anacreonlicas.' Pag. NOTAS. 306 e seguintes.

^ Pag. passou pára a pasr 385. O nosso fim nào foi publicar uma til)ra didáctica: foi reunir em corpo. 3G9. 386 11. ou para um romance lúítlyu rico. muitas peças e.'<y=apresentando o assumpto como nos p. Teríamos que estender nosso trabalho. senos propozeisemos a apontar as bellezas j)àra se- guirem os principiantes.718 FLORILEGÍO. para uma novella.. ou os vicios para dei- les fugirem. era muitos logares desta collecçào de poesias. Assim só se deve ler depois da pag. 453.' Bi. rece mais natural que el!e se passaria. sob o titulo = O Mairimonio de vm B s«t. Desle último modo empieheniiemos Irj lal-o.xtraviadas. e com certa ordem. 10. fi . Éíla cde faz parte da composição O So = «'io = qiie. aí HO". que começa na pagina anterior. pois são a continuação (Ia nota. I A? duze primeiras linhas desta pagina devem] achar-se no fim delln. d'. por encano.

])oderào ler uma idéa de Ioda a o eratura. ao passo que js princi|)ianle3. . com esles dois pequenos to- nossa lit- nos.Ho. qne publicamos. e dos poetas. FIM. pára que os curiosos possam iedicar-se a formar d(dlas rollec(. >'OTA' 719 companhar de aLuni* niocU^lus a resumida his- lórialilleraria do Brazil. que tem produzido Brazil. e salvar ig que ainda se possam salvar . e ue tem jjur fim indicar ao j/úblico nosgas ri- jiiezas lillerari-i?.

da Silva 585 B. 609 Padre Silvério da Paraopeba 629 J. A. Barboza.s ao Florilégio 695 . J. M. A Gonzagra . Pufj. Lisboa 555 A. IXDICE DESTE SEGL-NDO TOMO. 647 Cónego J da Cnnlia Barboza . de Andrada e Silva 635 F. T. de Macedo 683 Nola. Francisco de S. de Sousa Caldas 4o7 Fr. Bordallo 577 . J. V. T. Cordovil 593 L. de Alvarenga Peixoto 3*31 Critillo 398 T. . Paulino 605 J da Natividade Saldanha . Advertência iii I. P. Barboza 441 Padre A. Ribeiro 535 J. B. . Carlos /. C. Marquez de Paranaguá. õll I M. J.1. 667 A. 407 D. .

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