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Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel, seus desafios : Passa Pa...

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Sábado, 25 de Set de 2010

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Os apoiadores acadêmicos dos movimentos
sociais: seu papel, seus desafios
21 de Setembro de 2010
Categoria: Destaques

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A motivação para escrever estas linhas tem a ver com um esforço de reflexão em torno de
questões que preocupam muitos daqueles que, desejosos de contribuir para a construção de uma
sociedade justa, aproximam-se de protagonistas de movimentos emancipatórios com a intenção
de com estes colaborar ou de exercer um protagonismo em sentido forte. Por Marcelo Lopes de
Souza [*]

Por dentro e por fora é uma série de artigos de debate sobre as lutas e os movimentos
sociais, da iniciativa conjunta de Paulo Arantes e do coletivo Passa Palavra. Série
aberta a um amplo leque de colaboradores individuais, convidados ou espontâneos,
mais ou menos empenhados (ou ex-empenhados) nas lutas concretas, que ajude a
aprofundar diagnósticos sobre a sociedade que vivemos, a cruzar experiências, a abrir
caminhos - e cujos critérios seletivos serão apenas a relevância e a qualidade dos
textos propostos.

“Horizontalidade” e “verticalidade”, coletivos e coordenações

As reflexões a seguir têm como referência concreta mais imediata o movimento dos sem-teto do
Rio de Janeiro. Tenho, desde 2005, colaborado com as ocupações de sem-teto do Centro e da

http://passapalavra.info/?p=29280 25/9/2010

considerados. A variante “por coordenação” é mais “vertical”. trata-se. porém. dirigentes). adquirindo o direito de tomar parte e decidir nas reuniões do coletivo. passam a residir na própria ocupação. essas ocupações. traz a marca de um compromisso com modos de organização “horizontais”. em especial. seus desafios : Passa Pa. [1] Ao escrever estas linhas. Não há. como o dos sem- terra (e. fica ainda muito mais nítido quando se considera a organização da qual o MTST basicamente se originou: o MST. [2] Por fim. E foi justamente essa característica que. tanto direta quanto indiretamente (neste último caso. tempos atrás. mas também a transformá-lo). hierárquica. cativando igualmente os jovens que trabalham comigo e cooperam com o movimento.info/?p=29280 25/9/2010 . em si. pois a “horizontalidade” está longe de ser uma regra no movimento. coordenações.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. não hierárquicos e autogestionários. não raro. de algum modo. a organização Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/MST). desde o início. do qual os apoiadores. sendo mencionados ocasionalmente ao longo do texto. também foram. outros movimentos sociais. No seu âmbito. outras realidades sócio-espaciais nas quais se fazem presentes outros padrões organizacionais e organizações do mesmo movimento. nesses espaços. aqui. mas de modo estreito. quanto a isso. as decisões são tomadas pelo coletivo (no caso do movimento dos sem-teto. levando em conta a escala nacional. em alguns casos. Mesmo com todas as limitações que podem ser observadas. essa distinção não se aplica somente a esse movimento. via de regra. de um fato notável. A exceção são aqueles poucos apoiadores que. em alguns casos. ou seja. a assembleia de moradores). que é perceptível no caso do MTST. como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). colaboram como assessores ou algo semelhante. complementarmente. não fazem parte. Já a variante “por coletivo” é mais “horizontal”. por alguma razão. Eu e Eduardo Tomazine Teixeira distinguimos. indivíduos com vínculos acadêmicos tendem. O padrão organizacional que caracteriza. ocupando posições como “coordenadores” (ou seja. entidade que atua sobretudo na metrópole de São Paulo. a diluir-se no núcleo do movimento. Isso. ou mesmo. http://passapalavra. [3] Todavia. no que se refere ao movimento dos sem-teto. o integram. com graus de consistência variáveis. tenho em mente. podendo ser útil para a tarefa de caracterizar também outros. em especial com as ocupações Quilombo das Guerreiras e Chiquinha Gonzaga. ao menos por um certo tempo. Page 2 of 17 Zona Portuária daquela cidade... treinando e incentivando os jovens universitários que trabalham comigo na Universidade Federal do Rio de Janeiro a buscar não somente compreender o mundo. me cativou. duas formas de organização bem diferentes: a variante “por coordenação” e a variante “por coletivo”.

Comece-se com o seguinte: quem são os “apoiadores acadêmicos”? “Apoio” é como vem sendo chamado.. especialmente. de “apoiadores acadêmicos” diz respeito. o sítio Passa Palavra abordou. O que dizer. ou seja. tais como tensões e atritos desnecessários. especialmente no Rio de Janeiro. de modo contundente. políticos e éticos desse papel é uma tarefa que deve ser permanente. os apoiadores acadêmicos tendem a formar. no caso dos sem-teto. diretamente. seus desafios : Passa Pa. somente. por trabalhadores informais. um protagonismo em sentido forte. de também exercer. de suas organizações). ao se burocratizarem. antes.info/?p=29280 25/9/2010 .Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. por diversas razões. sobretudo as organizações de tipo já originariamente mais ou menos “vertical”. tornam-se ainda mais hierárquicas. porém. geralmente. É sobre os problemas reais e potenciais dessa forma de organização que vou. no meu entendimento. me debruçar. http://passapalavra. as quais. por pessoas com vínculos com a “academia”. pode-se precisar.. neste texto. das formas de organização mais “horizontais”? Elas também apresentam fragilidades e correm diversos riscos. lembradas apenas secundariamente. com as universidades (alunos de graduação e pós-graduação e professores/pesquisadores). e principalmente na última seção. O “apoio” não precisa ser constituído. a assim chamada “classe média”). ao menos na atual conjuntura histórica. com o movimento dos sem-teto. nas páginas a seguir. aproximam-se de protagonistas de movimentos emancipatórios com a intenção de com estes colaborar ou. eles próprios. Em recente texto coletivo. o problema da burocratização dos movimentos sociais (ou. com a finalidade de estabelecer uma comparação. em geral muito diferente de sua própria classe social de origem (que é. no âmbito da “variante por coletivo”. Porém. Refletir sobre o próprio papel e sobre os limites e condicionantes intelectuais. “Mapeando” os apoiadores Alguns termos e expressões precisam ser esclarecidos. desejosos de contribuir para a construção de uma sociedade justa. até mesmo. via de regra ex- moradores de favelas ou ex-moradores de rua). a parte principal do apoio ao movimento dos sem-teto (e seguramente isso também se aplica a outros movimentos). [4] No entanto.) A motivação para escrever estas linhas tem a ver com um esforço de reflexão em torno de questões que preocupam muitos daqueles que. (As experiências da “variante por coordenação” do movimento dos sem-teto e mesmo de outros movimentos sociais serão. mal-entendidos e a reprodução de certos vícios. inclusive para que sejam evitados alguns problemas. nos parágrafos a seguir. os quais vão além da burocratização. o alvo principal do referido trabalho foram. à maneira como determinados agentes interagem com pessoas que pertencem a uma base social (formada. Page 3 of 17 Aquilo que está sendo chamado. o conjunto das pessoas que colabora.

No entanto. camponeses. podem colaborar como auxiliadores mais ou menos externos (assessorando e acompanhando a realização de algumas atividades). manifestos. http://passapalavra. sejam estudantes ou profissionais formados. mas também podem integrar a própria organização. colaboração na preparação de atividades culturais e educativas diversas (grupos teatrais. mesmo tendo uma formação universitária e dispondo de conhecimentos variados. etc. Eles passam. etc. muitas vezes. O grupo de apoio participa. inclusive. a ser. eles próprios. auxílio na constituição e ampliação de uma rede de solidariedade (para conseguir ajuda na divulgação de incidentes de repressão policial. pessoas da “classe média” com formação universitária. e nem mesmo em primeiro lugar por causa disso. claro: são importantes apenas na comparação com o típico tratamento dispensado pelos órgãos de repressão aos pobres). etc. o que em outras épocas se chamava de “agentes externos”. blocos carnavalescos. arquitetônico. “grupo de apoio quotidiano”. apenas mediadores. o grupo de apoio quotidiano é mais presente e. sob a forma de “coordenadores” (ou seja. historiográfico. o “apoio” é constituído pelo que já foi denominado “grupo de apoio” [5] ou. aqui. pertenciam a alguma instituição (partidos.. mesmo sem pertencer à mesma base social dos protagonistas originários. pedagógico. que podem ser muito úteis para incrementar a força e a eficácia do movimento social.). O engajamento do grupo de apoio quotidiano abrange tarefas variadas: ajuda na elaboração de documentos (projetos para solicitar verbas.. blogs e sítios na Internet).). oficinas.info/?p=29280 25/9/2010 . auxílio em situações-limite. Page 4 of 17 Em sentido forte. grupos de alfabetização). Igreja Católica) que. ajuda na preparação de materiais de divulgação (documentários. [6] Em princípio. buscava tutelar o movimento. nessa condição. Alguns dos integrantes do grupo de apoio quotidiano tornam-se e podem ser considerados. gozam de certos “privilégios” e “imunidades” (muito relativos. não se faz presente somente por conta desse acervo de conhecimentos. por vias diferentes em comparação com as organizações e padrões mais autogestionários. em vez de apenas colaborar com os ativistas de um movimento. panfletos.). Em tais circunstâncias. por isso. “dirigentes”). nos quais indivíduos de “classe média”. No caso da “variante por coordenação” do movimento dos sem-teto (e do padrão organizativo de alguns outros movimentos também). O referencial espaço-temporal tem. no caso da “variante por coletivo”. também protagonistas. da resistência contra despejos à divulgação de eventos. ativistas. mesmo vindo de uma base social diferente da dos protagonistas originários (sem-teto ou. como estudantes e professores universitários. uma função definidora: o grupo de apoio quotidiano. Além disso. de inúmeras atividades que fazem parte do quotidiano dos sujeitos e espaços do movimento: da organização de festas a mutirões de limpeza e melhoramentos. de tipo científico e acadêmico-erudito (jurídico. tornam-se. assim. como prefiro. geográfico. seus desafios : Passa Pa. não raro. protagonistas. no caso de outros movimentos sociais. auxílio na formação de ativistas (organizando seminários. o grupo de apoio quotidiano é. ao mesmo tempo menos “invasivo” e “dirigista” que os “agentes externos”. os agentes externos eram. como enfrentamentos com a polícia.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. em geral intensamente. na obtenção de víveres e outros bens materiais e na realização de um sem- número de outras atividades específicas). em outros casos.

eventualmente. sempre ou quase sempre. contudo. em um país como o Brasil. Entre os integrantes do apoio acadêmico. Alguns desses integrantes da rede de solidariedade podem ser colaboradores mais ou menos permanentes. por assim dizer. simpatia. o dos sem-terra e outros – bastando. acima de tudo. no fundo. constituindo uma espécie de “retaguarda” – integrada por indivíduos que não podem ou não desejam ter uma participação propriamente quotidiana –. Provavelmente. sem. acampamentos e assentamentos de sem-terra. “posses” do hip- hop…). Page 5 of 17 operários…). destacam-se. são simpatizantes que.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel.. e destes para os professores/pesquisadores. “redimir-se” de suas origens de classe. além de dividirem com estes últimos várias tarefas e responsabilidades. se fazerem constantemente presentes no quotidiano espaço-temporal do mesmo (ocupações de sem-teto. um número significativo de jovens estudantes anseia por “fazer algo prático” visando a contribuir para diminuir a injustiça social. solidariedade. em níveis variados de comprometimento e com uma regularidade também variável. como o dos sem-teto. acima de tudo por curiosidade. Já outros integrantes da rede de solidariedade são colaboradores eventuais. alguns desses jovens (assim como também uns tantos apoiadores já não jovens) buscam. a uma mescla variável de razões emocionais (indignação. apoiadores também são aqueles que. com tendência a um afunilamento à medida que se passa destes para os estudantes de pós-graduação. no universo dos apoiadores. com seu engajamento. inclusive. por parte da “classe média” vinculada às universidades. por um interesse preponderante de tipo instrumental. Contudo. majoritariamente da “classe média”. os jovens estudantes universitários de graduação. voltado para a realização de um trabalho acadêmico. que seja intelectualmente estimulante e eticamente gratificante). que se construam circunstâncias favoráveis (como a existência. enquanto que o grupo de apoio quotidiano constitui. de ser “vertical” e hierárquica – e menos dialógica do que alguns deles mesmos talvez gostariam que fosse. São. http://passapalavra. contribuindo para recrutar outros membros da rede e mesmo do grupo de apoio quotidiano. numericamente (de longe!).. integram uma rede de solidariedade ao movimento. ou até mesmo se oferecem espontaneamente para tanto. com isso preenchendo um requisito acadêmico formal. mas por conta da própria natureza do padrão organizacional. a um só tempo. sentem-se atraídos por movimentos sociais emancipatórios. talvez em meio a um desejo de realizar um trabalho acadêmico (monografia de conclusão de curso.info/?p=29280 25/9/2010 . e a inserção em redes de solidariedade já existentes que facilitem e viabilizem o recrutamento de apoiadores). a relação deles com os protagonistas originários corre o risco. “academicamente interessante” e “socialmente útil”. O tipo de motivação não é irrelevante. a busca por colaborar. já que uma curiosidade descompromissada e uma aproximação motivada. ao seu alcance. para isso. em outros casos. se deve. dissertação de mestrado ou tese de doutorado) que seja. uma “linha de frente”. concordam em colaborar de alguma maneira. Por isso. Oriundos. Em todo o caso. Em sentido mais amplo. apoiadores em sentido amplo. de organizações de movimentos.) e racionais (do desejo de contribuir para que a própria cidade e o país em que se vive se tornem menos hostis e ameaçadores à vontade de elaborar um trabalho. seus desafios : Passa Pa. etc. por força não de fatores apenas culturais. pode estar na raiz de alguns problemas latentes ou manifestos. talvez a aproximação inicial se deva.

no mundo moderno. Felizmente. (Em conjunturas favoráveis e ascendentes. por razões instrumentais…) Alguns riscos e desafios Aquilo que se vem chamando. as primeiras lutas terão sido uma escola que deixará marcas para sempre. esses são os imprescindíveis. nesse caso. aqueles que poderiam ser chamados de “rebeldes com data de validade” – isso quando. sem nem sequer se despedir ou dar qualquer retorno. Porém. http://passapalavra.. competitividade.. já não se acham. compreende. desde o começo. Page 6 of 17 Alguns dos jovens apoiadores acadêmicos poderão vincular-se apenas por pouco tempo às lutas de uma base social da qual se aproximam. por alguma razão. após um tempo de convivência e interação. São muito comuns as histórias de jovens estudantes universitários (ou pesquisadores mais velhos e experientes) que se aproximam dos protagonistas de movimentos e. há aqueles que lutam toda a vida. Esse tempo pode ser o tempo… de elaboração de seu trabalho acadêmico. fica muito mais fácil encontrar pesquisadores interessados nos movimentos. sem tornar-se um “idiota privado”). neste texto. Com isso. porém.info/?p=29280 25/9/2010 . São. é mais raro existirem energias de revolta e sentimentos de indignação suficientemente importantes que os levem a constituir parte do universo de apoiadores. e por isso são bons. ao falar-se. “somem”. a desconfiança da base social dos movimentos tende. amiúde. bastante contaminados pelo oportunismo que é constantemente alimentado pelo imaginário capitalista (embebido este em valores como individualismo. Cada vez mais. no fundo. sem regredir para “cuidar do próprio jardim” (ou seja. dificultando a aproximação. afastam-se de um movimento específico e aproximam-se de outro. mesmo quando. em parte. e são melhores ainda.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Entre os professores universitários. Há aqueles que lutam muitos dias. durante o qual colheram dados e informações. a pequena burguesia em seu sentido correto (pequenos proprietários de meios de produção que empregam apenas uns poucos assalariados) e profissionais liberais que prestam serviços e não empregam mão-de-obra assalariada de terceiros. Para esses. em primeiro lugar. muitas vezes motivados. de “classe média”. hipocrisia e cinismo…). de “classe média”. ou até por toda a vida. terão sido uma socialização que lhes incutirá a convicção e o desejo de continuar participando. é da classe “burocrática” ou dos “gestores” [8] que se trata. ainda que com origem de classe ou grupo bem diferente da base social em questão). “desaparecem”. São eles o “imprescindíveis”. socializados ou ressocializados como burocratas. já incluídos (desde o começo ou por ascensão) na “classe média” (e. no futuro. Há aqueles que lutam anos. Muitos podem permanecer vinculados às lutas sociais emancipatórias por anos e anos. a crescer. Ou mesmo o tempo que transcorre até arrefecer sua indignação cívica e seu fervor por mudanças sócio-espaciais. por seu papel efetivo e também por sua mentalidade [7]). compreensivelmente. e por isso são muito bons. de possíveis colaboradores consistentes (e até de protagonistas em potencial. nem todos se comportam como “vampiros” de movimentos. no sentido do poema de Brecht “Os que lutam”: Há aqueles que lutam um dia. seus desafios : Passa Pa. especialmente em conjunturas de refluxo de movimentos.

e http://passapalavra. Page 7 of 17 A “burocracia”. caso contrário. que deve ser evitado a todo custo. ajudam a impulsionar os processos. utilizar-se de seu “capital simbólico” e de sua posição para tornar-se “ativistas chapa- branca”. em se contribuir para descaracterizar o papel dos protagonistas (que podem. seus desafios : Passa Pa. na qual inexistem líderes e hierarquias formais. material e culturalmente. cooptando pessoas que se destacam como líderes espontâneos de um movimento social. etc. espacial. pode-se dizer. conforme já foi dito parágrafos atrás: fazem parte do movimento. em particular a “variante por coletivo”. da base social na qual tiveram origem). aqueles que vêm sendo chamados. a força social do movimento será tutelada e dirigida. Há um risco. reside. assimila e coopta os mais talentosos integrantes das classes trabalhadoras (camponeses e. ao mesmo tempo. como é sabido. Tendo em mente o movimento dos sem-teto.. correspondem a esse tipo de protagonista – que são os protagonistas por excelência. afastando-se. são indivíduos que têm uma origem social diversa. caso se deixem seduzir e corromper. assalariados urbanos de baixa renda).info/?p=29280 25/9/2010 . de “moradores destacados”. mesmo em situações como na “variante por coletivo” do movimento dos sem-teto. podem ser considerados como um “dentro-fora”.. Um dos papéis mais nefastos que apoiadores acadêmicos poderiam desempenhar (conscientemente ou não. Outra limitação – e outro lembrete – é que os apoiadores não podem tentar substituir os protagonistas da base social com a qual colaboram. Se os apoiadores se fizerem presentes de modo ativo e realmente produtivo e constante. alcançar cargos em ONGs ou no Estado. de que os apoiadores acadêmicos se comportem como burocratas/gestores “alternativos” ou protoburocratas/protogestores “alternativos”.. por algumas pessoas. precisamente. sobretudo.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. para além da já descrita situação de “vampirismo”. pouco importa).

o qual se arrogava o privilégio (perante os jovens arquitetos de esquerda que tentavam atuar no local e com ele “competiam”. e assim segue. ser incorporado por colaboradores os mais diversos. É uma situação de diálogo e parceria. também. de elaboração de vídeos. porém. não chegam a confundir-se inteiramente. no limite. a riqueza e o realismo das descrições empíricas. e onde amiúde busca o seu mestrado. por exemplo. de esforços de elaboração teórica – marxistas ou libertários. igualmente o privilégio. Para tanto.). etc. O “saber acadêmico” pode e deve ser valorizado. muito menos. neste ponto. Como mostra. entre eles o próprio Carlos Nelson) de “entender de povo”… Um caso interessante de “discurso competente” é o do técnico de ONG que reclama para si. precisa ser complementada. porque conheço os problemas do povo”. E isso exige consciência da delicadeza e dos desafios envolvidos na construção de um papel. em competição com a universidade (de onde ele. não só aumenta a eficácia potencial das estratégias e táticas. mesmo http://passapalavra. mas também. de uma identidade próprios junto ao movimento ou no interior do movimento. a curiosas e acirradas disputas entre as próprias ONGs. entrelaçam-se e fecundam-se mutuamente. Aumenta. porém. conhecimentos oriundos. se superem. O “discurso competente” envenena e dificulta (e. Um exemplo interessante de “discurso competente” é. O modelo do “discurso competente” pode ser reproduzido. explícita ou tacitamente. o do padre que atuava na favela de Brás de Pina nos anos 60 – mencionado por Carlos Nelson Ferreira dos Santos em um brilhante livro sobre ativismos urbanos no Rio de Janeiro [10] –. Em meio à práxis.) trazidos pelos apoiadores acadêmicos (integrantes do grupo de apoio quotidiano ou da rede de solidariedade) podem ser muito úteis e mesmo cruciais. simbólica e materialmente. por meio de livros e processos de socialização política. Entretanto. das previsões (cenários) e das formulações e generalizações teóricas. de informática. sejam conhecimentos técnicos e artesanais. igualmente. inclusive. a todo o custo. aliás. Page 8 of 17 que se aproximam de um grupo social oprimido com o qual. jurista. do lado dos apoiadores acadêmicos. de “entender de povo”. diferentes saberes. vários militantes da própria base social oprimida frequentemente já têm. Apoiadores acadêmicos demasiadamente ciosos de seu “conhecimento do povo” podem acabar cultivando um narcisismo e uma arrogância que. etc. Ou seja: nem sempre os apoiadores acadêmicos serão os primeiros a atuar como portadores de saberes de tipo acadêmico. por líderes de organizações de ativistas: “eu posso falar porque nasci aqui. de ser combatido. doutorado e futuro emprego…). devido à sua participação em “projetos sociais”. (Aliás. por exemplo. porque moro aqui. a base de sensibilidade humana que deve estar embutida em todo conhecimento crítico e anti-heterônomo. E pode. A crítica de Marilena Chauí. diga-se de passagem. sem se confundir completamente (não devido a diferenças quanto aos portadores. o filme “Quanto vale ou é por quilo?”. impede) o diálogo e a parceria. é necessário que se enfrentem e relativizem (e. se origina. No entanto. especificamente anti-racistas ou feministas. tratado como símbolo de um status superior. arquitetônicos. não existe apenas o “discurso competente” do acadêmico enquanto tal (pesquisador. manifestando-se insidiosamente. no estilo “esse pobre é meu!”… No entanto... zombeteiramente. Os conhecimentos (jurídicos. mas sim por possuírem finalidades e lógicas distintas).info/?p=29280 25/9/2010 .) Os saberes da própria base social oprimida – sejam eles saberes empíricos e tradicionais (“saber local”). geográficos. marceneiro ou camponês. serão aqueles que aparecerão como os portadores mais diretos. por sua posição de classe e papel social. Com isso. dos diagnósticos. seus desafios : Passa Pa. mas jamais superestimado e. sejam conhecimentos teóricos adquiridos de modo em geral autodidata – devem e podem ser integrados com os saberes acadêmicos. [11] isso pode dar origem.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. que pode gerar uma sinergia política e intelectual. na medida do possível. historiográficos. não são nem infalíveis (colossal ilusão!) nem intrinsecamente mais importantes que os conhecimentos técnicos de um pedreiro. em benefício de ambas as partes. precisamente. um tipo parecido de “discurso competente” pode transbordar do âmbito da Igreja (e dos partidos) e das ONGs e ser “contrabandeado” para dentro dos próprios movimentos sociais. professor. O “discurso competente” (para usar a expressão de Marilena Chauí [9]) tem. ao menos em parte) certas assimetrias ao longo de uma práxis protagonizada por indivíduos de classes e grupos diferentes que cooperam entre si.

por isso.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Compatibilizar o óbvio princípio acadêmico básico . É imprescindível.. sempre. não permitindo que o adjetivo (“engajada”) sabote e mesmo desmoralize o substantivo (“pesquisa”). enfatize-se. Os apoiadores acadêmicos de movimentos emancipatórios precisam.) que para solapá-la. seus desafios : Passa Pa. trai. usual na academia. Caso contrário. vale a pena sublinhar a relevância e a dificuldade do desafio de se compatibilizar três exigências: honestidade intelectual. indignar-se perante uma realidade que se entende como injusta e contribuir para modificá-la – não é uma tarefa trivial. Não é o caso.qual seja. E colaborarão. ainda que sua atuação se dê contra esses gestores e o sistema que operam. e mais: não raro. O que tornaria os técnicos e cientistas a serviço do Estado e do capital privado intelectualmente mais honrados e respeitáveis que os http://passapalavra. tendo em mente as situações típicas de pesquisa (se bem que os apoiadores acadêmicos não precisam estar. Por fim. aplicada para desqualificar com o mesmo empenho a qualidade científica dos que colocam o seu saber a serviço do Estado (como funcionários de carreira ou consultores eventuais) ou do capital privado (como assalariados fixos ou consultores esporádicos). de duvidar. precisamente. envolvidos com pesquisas!). etc. Page 9 of 17 que não percebam. política e culturalmente. desperdiçando a chance de novas alianças e recrutamentos. sim. como recheio psicológico e discursivo de esforços (conscientes ou inconscientes. uma carga axiológica conservadora. serão uma fraude e uma contradição ambulante. especialmente quando se tenta guardar a diferença entre a pesquisa engajada e o panfletarismo vulgar. visando a elucidar a realidade . antes para reforçar a sociedade heterônoma (contaminando e viciando os movimentos com valores pequeno-burgueses. comumente. no longo prazo e no geral. deixar-se “ressocializar” em um ambiente de cooperação e “horizontalidade” que diminua as vaidades e os sentimentos de competição. têm muito a ver com a arrogância dos gestores “tecnocráticos” típicos. pouco importa) de autolegitimação. a aquisição e a geração de conhecimento novo. mas mesmo daqueles vinculados a uma pesquisa-ação em sentido estrito [12] ou a outras situações em que os apoiadores acadêmicos sejam. da “cientificidade” e da honestidade intelectual não somente do pesquisador que colabora com organizações de movimentos sociais. uma forte incoerência.com o princípio ético-político fundamental de qualquer pesquisa social que se pretenda engajada – isto é. porque a facilidade com que se coloca sob suspeição aquele que coloca o seu saber a serviço de uma organização de um movimento social e da causa de um movimento não é. a priori. publicização dos resultados e lealdade para com os protagonistas com os quais interagimos.. eles próprios. em vez de gerar novas vaidades e novos tipos de competição e de… “discurso competente”. também protagonistas! A apologia convencional de valores como “imparcialidade” e “neutralidade”.info/?p=29280 25/9/2010 . em nome da coerência. Incoerência. se esforçar ao máximo para não emular e reproduzir o ethos burocrático/gestorial.

evidentemente. Uma primeira razão é. com base em regras http://passapalavra. Tatiana Tramontani Ramos e Amanda Cavaliere Lima – que têm. que os pesquisadores precisam tornar públicos os seus resultados. podemos e precisamos ser seletivos. no sentido de uma entidade institucional. com o objetivo de persuadir os outros) e abertura para um debate público não podem ser simplesmente eliminados pelo imperativo de respeito e lealdade para com os parceiros. de sua parte. para que não possam prejudicar os movimentos. Rafael Gonçalves de Almeida. seus desafios : Passa . Page 10 of 17 estudantes e colegas que decidem colaborar com os oprimidos.info/?p=29280 25/9/2010 . equivale. a propósito. via de regra. recrutamento de novos ativistas e. como evitar divulgar reflexões e informações que sirvam para alimentar as estratégias de controle conduzidas pelos “burocratas”/“gestores” e evitar ser manipulado pelo mercado da informação. por outro lado. [2] Um rápido esclarecimento conceitual: tanto ativistas quanto autores de textos acadêmicos têm utilizado a expressão “movimento social” de maneira. entre outras coisas. granjear solidariedade… No entanto. Não questiono. romper com o isolamento. Glauco Bruce Rodrigues. por isso mesmo. negociação com o aparelho de Estado (sendo. portanto. jamais. ser levantadas. resiste e se revolta. Mas há outras razões. existem no interior dos movimentos. o veículo de viabilização ou aceleração da cooptação e do “amansamento” da base social). Mais amplamente. indo das mais quotidianas. Marianna Fernandes Moreira e Amanda Cavaliere Lima. fazendo-a confundir-se com as organizações que. insatisfeita com a sua posição e/ou com aquilo que identifica como os rumos e as tendências da sociedade em questão. desejo expressar a minha gratidão pela companhia inspiradora de Eduardo Tomazine Teixeira. sem os quais talvez este texto jamais tivesse sido escrito. indiscriminada. mas tampouco podem. Matheus da Silveira Grandi. Matheus da Silveira Grandi. Marianna Fernandes Moreira. no sentido de conceder entrevistas para órgãos de comunicação de massa. ter alguma utilidade para a luta do movimento: divulgar uma imagem alternativa e antiestigmatizante. Notas [*] Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. por assim dizer. Rafael Gonçalves de Almeida. as quais. se sobrepor a ele. No entanto. Uma organização.. [1] Jovens esses – notadamente Eduardo Tomazine Teixeira. e a João Bernardo pelo estímulo para publicá-lo. Tatiana Tramontani Ramos e Eduardo Tomazine Teixeira por seus comentários sobre uma primeira versão deste texto. muitos cuidados precisam ser tomados e muitas ressalvas podem. muitas vezes. Para exemplificar concretamente: “falar com a imprensa capitalista”. individualisticamente mais preocupados com a própria carreira que com as necessidades dos protagonistas. Os imperativos de honestidade intelectual (que significa: não escamotear dados e informações e distorcer propositadamente a realidade. para que sejam debatidos e criticados. e podemos e devemos evitar a ingenuidade. dando origem as contestações e insurgências as mais diversificadas. e não com os opressores?… Dois pesos e duas medidas. e em hipótese alguma. Em suma: é necessário cuidar para que a inocência e/ou a vaidade. eventualmente. institucionalizadas e planejadas. a um grupo de indivíduos que. produzido importantes reflexões e levantado diversas questões sobre as conquistas e os problemas do movimento dos sem-teto do Rio de Janeiro em seus trabalhos acadêmicos. eventualmente. estruturam os processos de formulação e explicitação de demandas. Agradecimentos Gostaria de agradecer a Matheus da Silveira Grandi. táticas e informais às mais programáticas.. sejam isoladas e ultrapassadas. a da preservação da privacidade (e até da segurança física) daqueles com os quais conversamos e convivemos. pode. Rafael Gonçalves de Almeida. ou mesmo a irresponsabilidade de certos apoiadores acadêmicos.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Um movimento social é um processo de “movimentação” de uma parte da sociedade. a qual. a esse respeito.

de Castoriadis. Rio de Janeiro. seu status social.info/?p=23461. seus desafios : Passa . o artigo “Universidades: Burocratização. já mencionado na nota 1. sindicatos. interagem visando ao atingimento de determinados objetivos. Afrontamento 2003) e Economia dos conflitos sociais (São Paulo. http://passapalavra. http://passapalavra.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Editora Moderna. também é muito difícil dar exemplos de movimentos sociais importantes abrigando ou gravitando em torno de uma única organização. geração de conhecimentos e planejamento essenciais ao capitalismo. Movimentos urbanos no Rio de Janeiro. 1: As relações de produção na Rússia (Porto. também. acionistas de empresas). [10] Carlos Nelson Ferreira dos Santos.. em duas partes. dirigido por Vladimir Seixas. 1987).info/?p=9098). mercantilização e mediocridade”. Zahar. como. o termo “movimento” em seu próprio nome. [3] Cf. “Fincando bandeiras. Marx crítico de Marx (Porto. nº 9 [= número temático Ativismos sociais e espaço urbano].info/?p=27717). Expressão Popular. [8] Cornelius Castoriadis e João Bernardo denominaram. 1983) e A experiência do movimento operário (São Paulo. e. [5] Por Rafael Gonçalves de Almeida.info/?p=23469). mas sim assalariados (ainda que possam ser. Passa Palavra. Assim como dificilmente há movimentos sociais sem organizações. 29-66. cada uma. no Rio de Janeiro (http://passapalavra. Page 11 of 17 livremente acertadas (autogestão) ou impostas de cima para baixo (estrutura piramidal). Capital. 1981. por exemplo. sobre esse tipo de situação-limite o texto coletivo publicado no Passa Palavra. dando a entender que ela seria o próprio movimento.ª edição). envolvidos com atividades de direção. no sentido usual. proprietários dos meios de produção. ao mesmo tempo. de “burocracia” e “gestores” basicamente a mesma classe social. [6] Vide. rivalizam entre si e carregam. “Entre o fogo e a panela: Movimentos sociais e burocratização” (22 de agosto de 2010. Vértice. a propósito desse assunto. Ver. 1979). Brasiliense. 1982. sobre a repressão sofrida durante o despejo da ocupação Guerreiros do 234. 2007. [9] Vide “O discurso competente”. seu local de moradia e seu papel na esfera da produção. Marcelo Lopes de Souza e Eduardo Tomazine Teixeira. Uma tal metonímia possui uma função ideológica – a de valorizar uma dada organização. Brasiliense. in: Cultura e democracia: O discurso competente e outras falas. o filme “Atrás da porta”. publicado. [11] Trata-se de um filme brasileiro de 2005. Tomar uma organização pelo próprio movimento é tomar a parte pelo todo. no sítio Passa Palavra [primeira parte: 16 de maio de 2010. Afrontamento.. além de servir para valorizar a palavra “movimento” e omitir termos suspeitos ou antipáticos. diversos ensaios contidos nas coletâneas A sociedade burocrática – vol. vol. São Paulo.info/?p=29280 25/9/2010 . 2. 6. por exemplo. Cidades. “organização” –. é agravar o divisionismo e a fragmentação. da minha autoria. segunda parte: [23 de maio de 2010. http://passapalavra. dirigido por Sérgio Bianchi. seja nas empresas privadas.ª ed. gestores (São Paulo. pp. Socialismo ou barbárie: O conteúdo do socialismo (São Paulo. Labirintos do fascismo (Porto. ver. no interior do mesmo movimento social. formada por assalariados de médio e alto (ou altíssimo) nível de remuneração. http://passapalavra. eventualmente. de João Bernardo. justamente. seja no Estado. gestão. [7] Ver. 3. [4] Cf. em 2009. ressignificando o espaço: Territórios e ‘lugares’ do movimento dos sem-teto”. um dos apoiadores acadêmicos das ocupações de sem-teto da Zona Portuária do Rio de Janeiro. respectivamente. 1985).. Tais agentes econômicos se diferenciam dos trabalhadores em sentido próprio por seu padrão de remuneração. de 2009. Afrontamento 1977). e uma possível decorrência da multiplicação de entidades que. distinguem-se da burguesia pelo fato de não serem.

. seus desafios" 1. dentre outros. Albers e Rothko partiram de uma ideia plástica semelhante. é uma experiência que vale.Laboratório de Comunicação e Recursos Contra-Hegemônicos de Livre Circulação” . Page 12 of 17 [12] Consulte-se. seus desafios : Passa . a pena de ser conhecida - inclusive pela contribuição que hoje eles apresentam e constrõem coletivamente para os movimentos autônomos populares da Argentina. Cortez. Grande abraço.que pode ser conferido no sítio aqui assinalado. Manolo em 22 de Setembro de 2010 06:05 Se é assim. Abraços. e muito. Rothko usou manchas coloridas não http://passapalavra.com. sobre a “pesquisa-ação”.e ao coletivo que compartilha e acompanha as reflexões aqui desenvolvidas . Victor em 23 de Setembro de 2010 00:22 Fiquei encafifado com as imagens utilizadas ao longo do artigo (Albers e Rothko. recomendo isto aqui (basta clicar para ver).http://iconoclasistas..ar/ Não vou ficar aqui apresentado o trabalho deles . é a do grupo argentino (acadêmico e não- acadêmico) “Iconoclasistas . Albers usou cores homogéneas e linhas geométricas. pediria um comentário do autor ou do pessoal do Passa Palavra sobre o porquê dessa seleção. 1.ª edição. Gostaria de parabenizar ao autor . Com instrumentais e conceitos como o “Mapeo Colectivo” e “Cosmovision Rebelde”. Uma contribuição que pode ser assinalada. de Michel Thiollent. não?). 14. 1.pela coragem de enfrentar um tema que questiona. profundamente. Metodologia da pesquisa-ação (São Paulo. 1. Ilustrações: telas de Joseph Albers e Mark Rothko.info/?p=29280 25/9/2010 . o senso-comum da relação entre acadêmicos e movimentos sociais. Xavier em 21 de Setembro de 2010 20:54 Olá. no sentido compartilhar experiências outras que não simplesmente reproduzem tal relação nefasta. 2005). mas trataram-na de maneira muito diferente.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Passa Palavra em 23 de Setembro de 2010 01:09 Caro Victor A escolha das ilustrações deste artigo foi da exclusiva responsabilidade do Passa Palavra. Se possível. quadrados ou rectângulos dentro de outros quadrados ou rectângulos. Etiquetas: DEBATES_Por_Dentro_E_Por_Fora Comentários 5 Comentários on "Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel.

... porque a perplexidade leva à reflexão. Jean-Paul Sartre. seus desafios : Passa .Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Parece-nos um bom sinal que as ilustrações deixem os leitores perplexos.info/?p=29493 e meditarem e ouvirem as entrevistas em áudio. Page 13 of 17 homogéneas e de contornos imprecisos. o artigo discorre acerca de dois tipos distintos de actuação prática por parte de pessoas pertencentes às mesmas entidades académicas. a nossa própria passividade seria uma forma de acção.info/?p=29280 25/9/2010 . A situação relatada num artigo ajuda a entender o enquadramento teórico efectuado pelo outro artigo. http://passapalavra. João Bernardo em 24 de Setembro de 2010 17:23 Aconselho todos os que lerem este excelente artigo a lerem também http://passapalavra. Ora. filósofo francês (1905-1980). Nome (*obrigatório) Email (*obrigatório . 1.. Em ambos os casos. tanto sobre o texto como sobre as imagens. Jean-Paul Sartre Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra.não será exibido) Site Comente! 5 6 Enviar Comentário! • Citando. existem duas maneiras de conceber o mesmo elemento de partida. no artigo como nas ilustrações.

. seus desafios : Passa .info/?p=29280 25/9/2010 . Passa Palavra Leia outros Flagrantes Delitos • O Anzol (26) http://passapalavra. e em ambas fora apanhado pela polícia norte-americana.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel.. Page 14 of 17 • Agir é preciso! (clique na imagem) • Flagrantes Delitos Lutar pela vida «Então o seu irmão vai tentar de novo ir para os Estados Unidos?» Por duas vezes o homem procurara atravessar clandestinamente a fronteira do México. «Não». explicou-me o irmão. «Ele desistiu. Agora candidatou- se a vereador».

16h. sábados. Page 15 of 17 • Ver e Ouvir Florianópolis: fotos dos atos da semana e do lançamento do documentário «Impasse» Como montar uma Rádio Livre? Vídeo flagra truculência de policiais da UPP contra os moradores do Cantagalo Debate: Arte... na Biblioteca-Museu da República e da Resistência • de 21 SET a 27 OUT.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Comunicação e Política Agressão racista da polícia no Monte da Caparica Vila Rubi Luta Veja e ouça outros "Em Directo" • Eventos Comunique-nos os eventos que deseja anunciar para passapalavra@passapalavra. BR São Paulo http://passapalavra.info/?p=29280 25/9/2010 . 15h. BR São Paulo Ay Carmela! mostra de vídeos & debate • 25 SET. PT Lisboa Casa da Achada: programação de Setembro de 2010 • de 4 SET a 1 OUT. BR São Paulo ‘Capitu Desterrada’. peça da Sociedade Baderna de Teatro • 25 SET. PT Porto Auditório do Grupo Musical de Miragaia: ciclo de cinema «África já ali» • 18 SET. seus desafios : Passa . PT Lisboa Casa da Achada: cinema ao ar livre • 01 a 30 SET. Imagens e movimentos sociais em Portugal no século XX» • 05 JUL a 27 SET.info • 27 MAR a 27 NOV. PT Lisboa Conferências: “A extrema-esquerda maoísta na fase final do Estado Novo”. 15 h. PT Porto Serralves: «As Fúrias.

de Costa Gavras • 26 SET. das 10h às 14h. BR Rio Claro/SP Cineclube Barricadas . 19h.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. Para um apanhado dos eventos de um dado mês clique aqui abaixo na etiqueta ("tag") desse mês. MEX Ciudad de México Primer Encuentro Internacional de Pedagogías para la Liberación (EIPL) Para mais informações sobre cada evento clique no respectivo link. PT Lisboa Casa da Achada: comemorações do 1º aniversário • 01 OUT. BR São Paulo Ay Carmela! debate com o pesquisador Rodrigo Archangelo • 06 OUT.info/?p=29280 25/9/2010 . seus desafios : Passa .. • Etiquetas África_do_Sul Anarquismo Arte Artes_plásticas Bairros_e_cidades Bolívia CALENDÁRIOS_PASSADOS Calendário_NOVEMBRO_2010 Capitalismo Censura Cesare_Battisti China Cinema Cuba DEBATES_Por_Dentro_E_Por_Fora Desporto/esporte DOSSIÊS_TEMÁTICOS Ecologia Economia Eleições Ensino ESPECIAL_1º_de_maio Exército_e_guerra Extrema_direita Extrema_esquerda Governos_nacionais_e_internacionais Greves Juventude Literatura Mídia/comunicação_social Música Marxismo Migrantes Nacionalismo Ocupações Outras_lutas Planejamento_regional Racismo Reflexões Reino Unido Religião Repressão_e_liberdades Saúde Sexos Sexualidade Socialismo Teatro Trabalho_e_sindicatos Transportes Vigilância http://passapalavra. 15 h.. Page 16 of 17 Cine Bijou: «O Desaparecido». BR Rio de Janeiro UFRJ: Primeiro Colóquio «Território Autônomo» • 18 a 21 NOV. 18h30.Filme: Crise é o nosso negócio • 26 e 27 OUT. BR São Paulo Ay Carmela! mini-feira de produtos do MST • de 29 SET a 5 OUT. BR São Paulo Debate Cedem/Unesp: Nelson Werneck Sodré e a «História Militar do Brasil» • 02 OUT. BR São Paulo Ay Carmela! almoço dominical • 26 SET.

info/?p=29280 25/9/2010 . · Log in http://passapalavra.. desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel. seus desafios : Passa .. Page 17 of 17 • Ligações Sugeridas Ligações Sugeridas • Atualizações Setembro 2010 S T Q Q S S D 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 « Ago • Estatísticas Visitas hoje --- (c) Copyleft: É livre a reprodução para fins não comerciais.