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Histórias Paralelas: O V Postulado

Revista Brasileira de HistóriadedaEuclides e o -Axioma
Matemática Vol. 5 noda Escolha - setembro/2005 ) - pág. 5-17
9 (abril/2005
Publicação Oficial da Sociedade Brasileira de História da Matemática
ISSN 1519-955X

HISTÓRIAS PARALELAS: O V POSTULADO DE EUCLIDES E O AXIOMA DA ESCOLHA

Irineu Bicudo
Unesp – Rio Claro - Brasil

(aceito para publicação em dezembro de 2004)

Resumo

Inspirado nas “Vidas (Paralelas)” de Plutarco, mostramos como o V Postulado de Euclides
e o Axioma da Escolha têm histórias absolutamente paralelas.

Palavras-chave: Definição, Demonstração, Termos Primitivos, Termos Derivados,
Postulado (Axioma), V Postulado, Axioma da Escolha.

Abstract

Taking the lead from Plutarch’s “(Parallel) Lives”, we show that the V Postulate and the
Axiom of Choice have absolutely parallel histories.

Keywords: Definition, Proof, Postulate (Axiom), The V Postulate, The Axiom of Choice.

1. Inspiração
Plutarco, um escritor grego do primeiro século de nossa era, misto de historiador,
cronista e filósofo, escreveu várias obras notáveis, mas a que lhe fez, definitivamente, o
nome foi a intitulada“VIDAS PARALELAS”, em que coteja, aos pares, um personagem
grego com um romano de feito semelhante. Por exemplo, Demóstenes, o maior orador
grego, tem a vida tratada paralelamente à de Cícero, o maior orador romano. Espelhando-
me nesse modelo, parece-me possível tratar, paralelamente, certos pares de tópicos
matemáticos. Elegemos, como primeiro par, para essa tarefa, o V Postulado de Euclides e o
Axioma da Escolha.

RBHM, Vol. 5, no 9, p. 5-17, 2005 5

tentando evitar ambigüidades. Mais uma vez. da matemática como uma ciência dedutiva é-nos fornecido pelos Elementos de Euclides. coleção. definimos o conceito de “grupo”. Nosso conhecimento da história inicial da geometria grega depende de notícias espalhadas em escritores antigos. quando faz matemática. podemos afirmar que essa visão da matemática constitui um legado da antiga Grécia às posteriores civilizações. como conjunto. 2005 . Análogo procedimento é proposto no caso da demonstração: tomar. Há duas possibilidades de ruptura do impasse. demonstrar uma proposição significa argumentar a favor de sua veracidade. Com uma ligeira pitada de sal. por procedimentos logicamente válidos. que possam ocorrer. e demonstrar. CONCEITOS DERIVADOS. Irineu Bicudo 2. algumas proposições (referentes às noções não definidas . não chegou até nós . escrita por Eudemo de Rhodes. então? Fixemos o caso da definição. Os conceitos que assume sem definição são chamados CONCEITOS PRIMITIVOS. O que vêm a ser tais operações? Definir um conceito significa explicá-lo em termos de outros conceitos já anteriormente definidos. todas as outras proposições. Atendendo ao preceito que comanda: “Primeiro as primeiras coisa”. oferece uma solução diferente: aceitar. muitas das quais provieram de um trabalho que. que acabamos de descrever. TEOREMAS. Elementos. todos as demais noções de sua teoria. de elemento unidade e de inverso de um elemento. As proposições acolhidas sem demonstração dizem-se AXIOMAS. sem definição. a da circularidade: define-se um conceito em termos de um outro e. e definir. Ele define os objetos matemáticos de sua teoria e demonstra as propriedades desses objetos. que nos dará a conhecer nas exposições de seu trabalho. Introdução Separando tudo o que não seja essencial. anteriormente. em termos do primeiro. no 9. este outro. poder- se-ia “definir” conjunto como coleção. explicando-o em termos dos conceitos de operação binária. de outras proposições. a cadeia ascendente de explicações e de argumentações. deixando de lado o acidental. de interesse para seus propósitos. verificando que essa proposição decorre.diz-se. DEFINIR e DEMONSTRAR. às vezes. São elas. sem demonstração. e todos os demais. Como. a partir dessas. está preocupado com duas operações do espírito. provindo da Grécia. não é possível definir tudo nem provar tudo. agrupamento. Assim. cuja veracidade fora. a partir deles. Os Elementos de Euclides O exemplo mais bem acabado. infelizmente. 5. Desse modo. De modo análogo. tragado pelo apetite voraz do tempo. e agrupamento. respectivamente. as outras. A primeira é a (falsa) solução oferecida pelos dicionários. Vol. alguns conceitos. de associatividade. O que fazer. 3. Boa 6 RBHM. 5-17. que essas proposições seriam as definições implícitas daquelas noções). como conjunto. provada. comecemos pelo título da obra. interrompe-se em algum ponto. um dos principais discípulos de Aristóteles.a História da Geometria. axiomas e teoremas. p. coleção. a arquitetura de uma teoria matemática compõe-se desses elementos: conceitos primitivos e conceitos derivados. pelas limitações humanas. Como o matemático quer a precisão máxima. agrupamento. um matemático.

são reunidos muito cuidadosamente.Histórias Paralelas: O V Postulado de Euclides e o Axioma da Escolha parte do hoje sabemos foi-nos preservada por Proclus. dividido em duas partes. Proclus escreveu comentários a vários diálogos de Platão e. É na segunda parte dele que encontramos uma explicação para o titulo da obra de Euclides. dos teoremas. que adicionou muito ao que tinha sido feito antes. e a partir dos quais nos chega a solução das dificuldades deles. No início de nossa era. conhecido como o Sumário de Eudemo ou o Catálogo dos Geômetras. Pois. e toda palavra é formada desses e todo discurso. arranjou muito do que Eudoxo descobrira. Hipócrates é o primeiro escritor de Elementos. com efeito. mesmo isso. Daqueles cujos nomes chegaram até nós. além disso. outros são determinados fora da qualidade desses. 5. os estudantes e dar regras para construção e determinação das figuras cósmicas < isto é. e generalizou muitas proposições particulares. e completou muito do que tinha sido começado por Teeteto. No passo. assim. é hábito chamar uns elementos. substituiu demonstrações ambíguas de seus predecessores por provas irrefutáveis. e seu discípulo foi Leon. dos Elementos > é este.D. no 9. o nome do ensino e o do elemento.” Ainda. ditos os livros aritméticos.” Os ELEMENTOS de Euclides são um tratado em treze capítulos ou Livros. o escopo < deste livro. p. outros elementares. tanto quanto ao número como quanto ao valor das proposições demonstradas. como eram chamados. vindos à frente de toda a geometria e tendo razão de princípio em relação aos seguintes.” O Catálogo conclui-se com Euclides. Hipócrates de Chios. que o termo que serve de título à mais importante obra de Euclides tem um sentido técnico: são certos teoremas principais. Os Livros I-VI dão conta da geometria plana e os Livros XI-XIII. Elementos. instruir sobre os elementos. até o final da Idade Média. o modo tradicional de filosofar e de ensinar era o dos comentários às obras dos mestres precedentes.” Pouco mais adiante. “Theudius de Magnésia parece ter-se distinguido em matemática. teriam que definição? Então. Bem. e Teodoro de Cyrene tornaram-se famosos em geometria. ainda. isto é.” Vemos. tanto se manifestando através de todos quanto fornecendo demonstração de muitas propriedades. “Neocleides sucedeu a Leodamas. então. que encontrou a quadratura da lúnula. fornece nossa ciência da história mencionada. procuremos alguma coisa também acerca do título. 2005 7 . são aqueles dos quais a teoria chega ao conhecimento dos outros. são alguns teoremas. porque fez um excelente arranjo dos Elementos. bem como em outros ramos da filosofia. os quais. um Comentário ao Livro I do Elementos de Euclides. então conhecida. Vol. Por outro lado. pois. que. denominamos elementos. 5-17. um filósofo neoplatônico do século V A. então. em relação à ciência toda. em outro ponto do mesmo Prólogo esclarece que Euclides não foi o primeiro a coletar Elementos. Os Livros VII-IX. os poliedros regulares >. do que deriva também o ensino. expõem a teoria dos números – RBHM. o que agora nos interessa. O Prólogo desse Comentário. Traduzo a passagem em que isso se dá: “Por um lado. como são os primeiro princípios e os mais simples e indivisíveis da linguagem escrita. Leon também compôs Elementos. assim mencionado: “coletou os Elementos. lemos: “Depois desses. Proclus. aos quais aplicamos o nome de elementos. dos quais decorrem muitos outros. e que reúne boa parte da matemática elementar grega. da geometria no espaço ou estereometria.

isto é. de magnitudes incomensuráveis com dadas magnitudes. (1) Definições (1-23) : Conceitos básicos são descritos ou definidos. até hoje usada. faça os ângulos interiores e do mesmo lado menores do que dois retos.E todos os ângulos retos serem iguais entre si. p. Quanto aos postulados. (4) Proposições 1-26 A: Fundamentos da geometria plana sem o uso de paralelas 27-32 B: A teoria das linhas paralelas.” 8 RBHM.Fique postulado a partir de todo ponto até todo ponto traçar uma linha reta. de que há uma infinidade de números primos ( IX. em comprimento.” Há 115 proposições no Livro X. em algumas edições. estando no mesmo plano.E descrever um círculo com todo centro e raio . no 9. 5-17. com o lado. apareçam as Proposições 116 e 117.20 ). por exemplo. 2. encontrando duas retas. (2) Postulados (1-5). o Livro X propõe-se classificar tipos de irracionais. encontrarem-se. Irineu Bicudo encontramos aí.E. caso uma reta. A composição global desse Livro pode ser descrita como segue ( cf. Euclides define retas paralelas do seguinte modo. 4. em nenhuma das duas (direções).” ) Dada essa perspectiva dos ELEMENTOS. 5. Benno Artmann. 2005 .E prolongar uma reta limitada continuamente em uma reta. Euclid-The Creation of Mathematics ). diz o texto: “1. sendo que esta última demonstra a irracionalidade da 2 ( Proposição X 117= Apêndice 27: “ Seja-nos proposto mostrar que nas figuras quadradas o diâmetro é incomensurável. fixemo-nos no Livro I. dizendo: “ Euclides investiga toda variedade possível de linha que pode ser representada [ na álgebra moderna ] por  a  b    a e b representando duas linhas comensuráveis. (3) Noções Comuns (1-6). Segundo Morris Kline ( Mathematical Thought from Ancient to modern Times ). 3. Definição 23 Retas paralelas são aquelas que. uma a outra. naquele lado em que estão os menores do que dois retos. ângulos em um triângulo 33-45 C: A teoria dos paralelogramos e suas áreas 46-48 D: O teorema de Pitágoras. 5. Augustus De Morgan descreve o conteúdo geral desse livro. embora. Vol. prolongadas as duas retas ilimitadamente. a demonstração. Finalmente. e prolongadas ilimitadamente em cada direção não se encontram.

natureza dos elementos). hoje em dia. pois. apresentado o primeiro ator de nossa história: o Quinto Postulado de Euclides. entendemos o conceito geral que resulta de M. que denotaremos por M . a noção de conjunto bem ordenado é elevada também à máxima importância. pois mais do que aquele está para a geometria euclidiana. do modo enunciado. mais abreviadamente. 2005 9 . de algum modo.” Euclides: “Linha é comprimento sem largura.” Cantor: Todo conjunto ordenado M tem um tipo de ordem. no 9. o conceito de número ordinal é de importância máxima na teoria estabelecida por Cantor. por meio da nossa faculdade ativa de pensamento. compararmos três “definições” de conceitos fundamentais. os ordinais e os cardinais finitos. a teoria dos números naturais. que são. Essa teoria engendrada por Cantor é. largura) anteriormente. um tipo determinado. RBHM. a respeito da representação de uma função f na forma de uma série trigonométrica. Em uma seqüência de artigos. como uma definição.Histórias Paralelas: O V Postulado de Euclides e o Axioma da Escolha 4. o nome consagrado. surge do conjunto M. se somente abstrairmos a natureza dos elementos m. Nenhuma seria. a que estende. pensamento. Por isso. a teoria dos conjuntos. Georg Cantor será.” Euclides: “Superfície é (aquilo) que tem somente comprimento e largura.C. ao final de nosso século XIX. Penso ser interessante. por M . comprimento. Assim. e retivermos a ordem de precedência entre eles. está este para a teoria dos conjuntos. faculdade ativa do pensamento. para a geometria e para a teoria dos conjuntos. dadas por Euclides e por Cantor. A Teoria dos Conjuntos de Cantor Está. agora.” Cantor: “Chamamos pelo nome “potência” ou “número cardinal” de M o conceito geral que. Como Euclides foi. há um paralelismo perfeito entre essas tentativas: procuram explicar os conceitos. ao mesmo tempo. a partir de 1870. aceita. no que vimos. para puxar o segundo fio da urdidura dessa história. uma teoria matemática do infinito. apelando a termos não esclarecidos (parte. uma das mais notáveis criações do espírito humano.” Como vemos. passo a passo. ou. o invocado. em essência. E um número ordinal é o tipo de ordem associado a um conjunto bem ordenado. p. Eis como Cantor define os conceitos relacionados à ordem. Esses objetos são chamados os elementos de M.” Cantor: “Por um conjunto entendemos qualquer coleção em um todo M de objetos determinados e separados. 5. como uma disciplina matemática. Pulemos do século III a. quando fazemos abstração da natureza de seus vários elementos m e da ordem em que eles são dados. a teoria dos números ordinais e cardinais infinitos. 5-17. Cantor forjou. respectivamente. neste ponto. o número cardinal ou potência de M. De qualquer maneira. ou mesmo a conceitos não matemáticos (intuição. Vol. de nossa intuição ou nosso pensamento. Euclides: “Ponto é (aquilo) de que nada é parte. Denotamos o resultado desse duplo ato de abstração. m.

de modo que nenhum elemento.isso que denominaremos Princípio da Boa Ordem. isto é. 5-17. como diz o próprio Cantor. com sua ordem habitual). digamos. às vezes. Então. 5. o tipo de ordem. m1. em posto. no 9. os números racionais. o Axioma da Escolha. existirá um conjunto C (subconjunto da união de F). se. p. fazermos. intuitivamente falando. como uma de suas preocupações era fornecer uma fundamentação para a aritmética. uma década mais tarde. Era o tipo que ele cunhou de boa ordem. com alguma outra ordem (por exemplo. Ernst Zermelo. seguindo uma sugestão de Erhart Schmidt. existirá uma função f. 2005 . de tal modo que: (i) Existe em F um elemento f1 que é o menor em posto. dois a dois disjuntos. com a linguagem atual da matemática. que “todo conjunto pode ser bem ordenado. e m2. então m1 será de posto menor do que m3. a partir de um menor f1. se seus elementos f ascenderem em uma sucessão determinada. Vol. (ii) Se F´ for uma parte qualquer de F e se F tiver um ou mais elementos de postos maiores do que todos os elementos de F´. O que.” Um dos maiores feitos de Cantor foi dar-se conta da variedade de ordens que poderiam ser impostas a um conjunto infinito. m1. de quaisquer dois elementos m1 e m2. for de posto menor do que m2. esse Axioma passou do uso inconsciente feito. o Axioma da Escolha. Foi para obter a demonstração desse Princípio que. Assim. ao uso consciente. o conceito de conjunto bem ordenado. todo conjunto deveria ser bem ordenado. um tem o menor e o outro o maior posto. Mas. e de modo que. o Axioma preconiza é a possibilidade de. m2. Irineu Bicudo (1) “Chamamos um conjunto M simplesmente ordenado se uma ordem de precedência determinada governar seus elementos m.Uma tal função f é chamada uma função de escolha para F. não foi aceito pelos matemáticos da época. é fundamental para a teoria dos conjuntos. Um tal conjunto C é denominado um conjunto de seleção ou de escolha para F. como uma lei válida do pensamento. em qualquer quantidade. pela primeira vez. e m3. f(S)  S . mesmo que. Cantor propôs. em 1883. dois a dois disjuntos. de uma vez.” No entanto. tanto de números finitos quanto de transfinitos. escolhermos um membro em cada um desses conjuntos.” (2) “Chamamos um conjunto simplesmente ordenado F bem ordenado. tal que. formulou.e. e. para cada S  F. da maneira usual. até então. entre f´ e F ocorrerá em F´. dados conjuntos não vazios e dois a dois disjuntos. que estendesse aquela dos números naturais. de posto menor do que m3. em 1904. então existirá um elemento f´ de F que segue imediatamente depois da totalidade F´. aparecesse. Cantor ainda procurava demonstrá-lo. inicialmente. Desse modo. com domínio F.de três elementos. uma infinidade de 10 RBHM. deveria ser especificado. como a aritmética era uma teoria geral. Primeira Versão: Se F for uma coleção de conjuntos não vazios. de modo que. cuja intersecção com cada membro de F seja um conjunto unitário. Formulemos. Segunda Versão: Se F for uma coleção de conjuntos não vazios.

servido à matemática clássica ou à lógica. Math. uma coleção infinita de pares (iguais) de meias. uma relação RBHM. É claro que. exista. a uma classe. p. Peano (Démonstration de l’integralité des équations différentielles ordinaires. Math. tem cardinalidade maior ou igual à cardinalidade de F. teríamos um outro conjunto seleção para F.210): “Entretanto. de 1890.” Em 1902. uma em que podemos ter um critério de escolha. Supõe ele que. (2) 35. Annalen. Segunda Situação: Seja F. embora negativa. previamente. dois a dois disjuntos) S i . para sua segunda demonstração daquele teorema (Neuer Beweis für die Wohlordnung. concernente a uma demonstração de existência para um sistema de equações diferenciais ordinárias. em 1904. agora. em que escreve (p. É claro que. os membros de F são conjuntos (não vazios. Vol. isto é. Instituto Lombardo di Sc. Rendic. formados pelos pés direito e esquerdo de um par de botas. pela qual se faça corresponder. a toda classe de um certo sistema. de G. como noticiamos acima. para este caso. pelo menos. sem consciência de usar um procedimento que não tinha. não técnicas. Bertrand Russell imaginou duas situações engenhosas. pela qual. Convém observarmos que Zermelo enuncia o Axioma de um modo diferente daquele dado acima. 2005 11 . Math. Zermelo formulou explicitamente o Princípio da Escolha e usou-o como a base de sua primeira demonstração do Teorema da Boa Ordem (Beweis. Então. um indivíduo dessa classe. os critérios usados na situação anterior não mais funcionam. se possuirmos um critério. observou que sua demonstração dependia da possibilidade de selecionar um único elemento em cada membro de F. Um critério de escolha poderia ser tomar o pé direito de cada par. estabelecemos aqui uma lei determinada. Aqui. Annalen 65. Beppo Levi (Intorno alla teoria degli aggregati. R. sob hipóteses convenientes. ao Axioma esteja em um artigo. a outra em que não possuímos um tal critério (a menos que admitamos algum absolutamente artificial). (Convém notar que o Axioma da Escolha postula a existência de pelo menos um conjunto seleção e não a de um único). 5-17. 5. 514- 516). não teremos necessidade de apelar para o Axioma. a primeira alusão. dada uma classe . no 9. conforme frisam Fraenkel e Bar-Hillel (p. 37. dois a dois disjuntos. De fato. 182-228). É verdade que Cantor (e outros) aplicaram o princípio em questão antes de que tivessem surgido a menção de Peano e a observação de Levi. como não se pode aplicar infinitas vezes uma lei arbitrária. um critério “natural” de escolha. se tomássemos os pés esquerdos dos pares.57). Annalen 59. dass jede Menge wohlgeordnet werden kann. não há. Mas. um indivíduo dessa mesma classe. uma regra para as escolhas. fizeram-no inadvertidamente. e Lettere. 107-128). Disso. lidando com a afirmação que a união de uma coleção F de conjuntos não vazios. Primeira Situação: Suponhamos uma coleção infinita de pares de botas. associa-se. e também. em 1908. Presumivelmente.863-868).Histórias Paralelas: O V Postulado de Euclides e o Axioma da Escolha escolhas. obteríamos um conjunto seleção C para F-o conjunto dos pés direitos dos pares de botas. Este é usado na ausência daquela.

5. sobre que se baseia essa geometria. está o ponto nevrálgico da diferença entre os quatros primeiros e o V Postulado. Bertrand Russell (On some difficulties in the theory of transfinite numbers and order types. Em 1908. duas subclasses terem o mesmo representante. Do mesmo modo. Irineu Bicudo (um-muitos) R. deveriam ser abstraídos da experiência. Desde seu aparecimento.. Vol. Annalen.. o Organon. aí. muitas feitas por matemáticos de altíssimo calibre. Por isso. o terceiro 12 RBHM. Conquanto dê uma clara idéia do que entende por um postulado. necessária à validade do seu sistema de geometria como um todo.porque resulta que aqueles que raciocinam assim estão provando A por meio dele mesmo. Soc. que nos parece tão óbvia. resta- nos traçar-lhes as vidas paralelas.. muito menos. Vidas Paralelas: o V Postulado e o Axioma da Escolha Aristóteles. Sir Thomas Heath tem por natural inferir que os cinco postulados tenham sido formulados pelo próprio Euclides. quando consideramos as inúmeras tentativas frustradas de provar o Postulado. acima mencionado. 16. a menos que existam paralelas. então x será um membro de . Não exige qualquer esforço a aceitação dos dois primeiros como abstração de nossa experiência no traçado de retas. sábio de curiosidade insaciável. e. Proc.. 29-53) formulou o axioma em sua forma “multiplicativa” própria. cujo codomínio consista nas subclasses existentes de  e que seja tal que. o sistematizador incansável. E. como foi hábito fazê-lo até o século XIX. há. Em 1906. Essa mácula foi eliminada com o estabelecimento desse célebre Postulado. as que supõem estar construindo linhas paralelas: pois falham no ver que estão admitindo fatos impossíveis de demonstrar. 65. p. Por que essa proposição. restrita a uma coleção F de membros disjuntos. p. Por conta desse historiador da matemática e erudito helenista. de fato. Untersuchungen über die Grundlagen der Mengenlehre I. 5-17. os postulados. o V Postulado foi atacado como tal. Desse modo. Uma relação desse tipo seleciona um representante de cada classe. 261-281. não fornece qualquer exemplo extraído da geometria. freqüentemente. entre outras coisas. pois. ainda. um dos tratados constituintes do Organon. (2) 4. Desse ponto de vista. meramente dizem que uma particular coisa é. é claro que acontecerá. o Axioma da Escolha. o espaço físico que nos circunda e suas propriedades. Math. resulta que aqueles que raciocinam assim.”). Honra e glória a Euclides. 110) mostrou como a formulação geral pode ser obtida da forma multiplicativa por meio dos outros axiomas (cf. 65a 4). Zermelo (Neuer Beweis für die Wohlordnung. indemonstrável naquele contexto. estabelece em sua obra lógica . Isso é o que aquelas pessoas fazem. uma indicação mais positiva da originalidade de Euclides na concepção do V Postulado. em uma passagem do livro Analytica Priora (II. também Zermelo. foi tão controversa? Consideremos. mais tarde. se x estiver na relação R com . 5. era. fazendo uso de régua. 2005 . se ela é . sabemo-lo. que freqüentou todos os ramos do conhecimento. Euclides enunciaria nos ELEMENTOS. no 9. não há como deixar de admirar aquele que vislumbrou que uma tal hipótese.. de fato. e. É que Aristóteles. menciona aqueles que. descreva. os fundamentos de uma ciência dedutiva.) Conhecido. costumeiramente chamada euclidiana. o grande filósofo. que a geometria. alude a alguma petitio principii envolvida na teoria das paralelas corrente em seu tempo ( “. assim. of London Math. o segundo ator de nossa história.

como uma abstração. passo a passo.Histórias Paralelas: O V Postulado de Euclides e o Axioma da Escolha representa nossa experiência com a utilização de um compasso. pela experiência. Sem ele. O Axioma da Escolha é. a partir da Proposição 29 do Livro I dos ELEMENTOS. Alguns textos matemáticos assinalam. que o supusesse. ainda. E. o Postulado foi atacado como tal. “linhas assíntotas” quer dizer “linhas que não se encontram”) O V Postulado afirma que isso não acontece com duas linhas retas. desde o começo. Além de observações. 5-17. não era intuitivamente claro. 2005 13 . O V Postulado é diferente. O Axioma garante a existência de um conjunto seleção (ou. ser bem menos complicada. saber se as retas se encontrarão ou não. Depois de enunciar o V Postulado. no 9. para descartar o Axioma. um filósofo do quinto século de nossa era. o mais fundamental para a matemática atual. de algum modo. equivalentemente. Desse modo. sendo necessários para a demonstração tanto muitas definições quanto muitos teoremas. uma porcentagem elevadíssima dos teoremas dessa matemática não poderiam ser demonstrados. Proclus anota: “É necessário apagar isso completamente dos postulados.por exemplo. por certo. e os ângulos interiores do mesmo lado iguais a dois retos. da matemática grega. ao menos. A crítica a ser feita aqui. para todos os efeitos da experiência. comportando muitas dificuldades. Podemos estender os segmentos mais e mais. porém não eternamente. de uma função de escolha). como Proclus é o porta-voz de um passado de séculos. o ângulo exterior igual ao ângulo interior e oposto. o trabalho de Proclus contém. sobre tudo o que é tratado naquele Livro dos ELEMENTOS. como já dissemos. soando como uma conquista quando se pode exibir uma demonstração que não o use. graças ao qual conhecemos quase tudo o que sabemos a respeito da história da matemática grega. p. uma vez que a experiência só nos permite traçar segmentos. Euclides parece que. é derivado da nossa experiência com medidas de ângulo e com a constatação de que.” Também o Axioma da Escolha só é empregado quando estritamente necessário. Vol.21-26). também Euclides mostrou como um teorema” (191. uma hipérbole e sua assíntota (aliás. só o fazendo na impossibilidade de evitá-lo. compreendendo o caráter pouco intuitivo de seu Postulado. o embasamento para a teoria das paralelas. é seu efeito apenas existencial e não construtivo. os lados não comuns estarão sobre uma reta. como é o caso de uma curva e de sua assíntota . um longo Prólogo. e foram feitas tentativas de prová-lo a RBHM. 5. e um dos últimos chefes da Escola Neoplatônica. pois é um teorema. Além do que. entre muitas outras obras. a recíproca. cujo enunciado é o seguinte: “Uma linha reta. mesmo no caso de a demonstração alternativa. o que. Situação análoga enfrentou o Axioma da Escolha. propôs-se resolver. a qual tem papel importantíssimo na geometria. se dois ângulos retos quaisquer forem adjacentes. caindo sobre retas paralelas. por excelência. escreveu um “Comentário do Livro I dos ELEMENTOS de Euclides”. em grego. retarda-lhe a aplicação. o enunciado daqueles teoremas cuja demonstração seja levada a cabo com o auxílio do Axioma. Proclus. vemos que. como vimos. mas. faz os ângulos alternos iguais entre si. Talvez o quarto postulado seja o menos imediato. em duas partes. porém não fornece o meio de construí-lo O V Postulado proporciona. as quais também Ptolomeu. isto é. em um livro. pois não podemos. possivelmente. sabemos que duas linhas podem se aproximar ilimitadamente sem nunca se encontrarem. a parte ímpar.

Equivalents of the Axiom of Choice. Annalen. apesar de seu aparecimento tardio. Vol. que foi introduzido há mais de dois mil anos” (pp.” (p. North-Holland.Y. quando os matemáticos começaram. do Teorema da Boa Ordem levou-os a desenvolver sua filosofia construtivista da matemática e a tornarem-se. and History”. como afirma Proclus. 95 (1926). em que se acham assinaladas mais de duzentas proposições equivalentes ao Axioma da Escolha. Émile Borel e Henri Lebesgue.19631. tenham- no usado implicitamente em suas próprias pesquisas. a estudar coleções infinitas de conjuntos. se prevalecessem as mais severas críticas construtivistas ao Axioma. (. 1958): “o axioma da escolha é. de modo contundente: “É uma ironia histórica que muitos matemáticos. Borel e Lebesgue. todos equivalentes ao Axioma. 161-190) que o Axioma da Escolha de Zermelo era o axioma “mais atacado. & Y. Isso ocorreu. Development. em 1904. Math. nos vários ramos da matemática. no 9. 55-56). como o fizeram sobre o Axioma da Escolha... com aqueles que estavam seguindo a teoria dos conjuntos de Cantor ou procurando aplicá-la à análise real. na França. de “muitos teoremas”. secundado apenas pelo axioma das paralelas de Euclides. intolerantes para com métodos não construtivos. Ao que. No entanto. Para ilustração. Abraham Fraenkel acrescentou (Fraenkel.. Hermann & Jean Rubin. p.” Ainda Moore observa (pp. Bar-Hillel. North-Holland. como o Axioma (da Escolha). 1982). A. o mais interessante e.Conforme assevera Gregory H. Foundations of Set Theory. assim como os esforços para livrar a matemática do Axioma da Escolha mostraram-se apenas férteis em desvendar. Irineu Bicudo partir dos outros postulados e.é claro que derivados dos outros postulados. De fato.” As tentativas de demonstração do V Postulado fizeram conhecidas. que posteriormente se opuseram ao Axioma da Escolha. o Axioma resume as mudanças fundamentais – matemáticas.. a matemática estaria reduzida a uma coleção de algoritmos. Na virada do século XX. mais tarde.. para um caso e para o outro. tomaremos como exemplos algumas dessas proposições. principalmente. a noção de uma função real arbitrária e hipóteses não construtivas – tipificou as pesquisas de Baire.). diferiram tão veementemente sobre uma das premissas centrais.ou de eliminá-lo pela adoção de alguma outra definição de paralelas. muitas proposições equivalentes a ele. Essa ambivalência metodológica – defrontando a teoria dos conjuntos de Cantor. uma disciplina conhecida pela certeza de suas conclusões.Its Origens. seriamente. à comunidade científica.178). revelavam uma certa ambivalência concernente aos métodos permitidos em matemática. desde tempos remotos. O Axioma da Escolha. crescentemente.) quando infinitas escolhas arbitrárias ocorriam no trabalho de matemáticos como Borel. (Mas) a demonstração de Zermelo. A própria natureza da matemática moderna seria alterada e. desde o início teve contestado seu papel como um dos princípios fundamentais da matemática. provavelmente. 5-17. igualmente. N. filosóficas e psicológicas – ocorridas.64-65).. um grande número de resultados. Springer-Verlag. Existe mesmo um livro – (Rubin. Amsterdam. a matemática hoje seria muito diferente.. em seu Prólogo: “ Raramente os praticantes da matemática. Amsterdam. sem o Axioma. Moore ( “Zermelo’s Axiom of Choice. David Hilbert escreveu uma vez ( “Über das Unendliche”. o mais discutido axioma da matemática. 14 RBHM. 5. tais analistas incluíam René Baire. 19852). 2005 . na literatura matemática. até o presente. (.

(E3´) Por um ponto exterior a uma reta pode-se traçar uma e uma só paralela à dita reta. pois o III Postulado estabelece a existência de circunferências semelhantes. a outra. (Nas geometrias não-euclidianas. Vol. Análoga é a forma dada ao Postulado por C. p. Essa afirmação equivale a dizer que o lugar geométrico dos pontos eqüidistantes de uma reta (de um mesmo lado dela) é outra reta. e parece natural na seqüência postular a existência de semelhança também para outras figuras geométricas. atribuída ao matemático inglês John Playfair (1748-1818). é a forma dada por J. porém de grande importância. quando se prolongam suficientemente as duas retas. deixa aberta a possibilidade de existência de retas assintóticas. tomado no interior de um ângulo. Diferentemente. o V Postulado pode tomar a seguinte forma: (E1) Duas retas paralelas são eqüidistantes. pois o tamanho de um triângulo fica determinado por seus ângulos). que Proclus considerava evidente e atribui a Aristóteles. M. a saber. Clavius (1537-1612): (E2) Se três pontos estiverem de um mesmo lado de uma reta e eqüidistantes dela. p.). que a distância entre dois pontos de duas retas que se cortam pode tornar-se tão grande quanto se queira. Se tal caso for explicitamente eliminado.M. Wallis (1616- 1703): (E5) Dado um triângulo qualquer. os três pontos pertencerão a uma mesma reta. 19611.H. já o apontava Proclus. de perto. A forma (E3´) é uma das mais comumente usadas e é. Ou seja. pode-se traçar sempre uma reta que encontre os dois lados do ângulo. Saccheri (1667-1733) e seguida depois por J. (E3´´) Duas retas (distintas) paralelas a uma terceira são sempre paralelas entre si. Do mesmo tipo. RBHM. a definição de retas paralelas dada por Euclides. EUDEBA-Editorial Universitaria de Buenos Aires. Wallis afirma que sua forma para o V Postulado é a mais próxima do pensamento de Euclides. no 9. necessariamente. o Postulado equivale a: (E3) Se uma reta encontrar uma de duas paralelas. Como mencionamos anteriormente. Ainda. mais bem posterior. é a forma dada por A. 19632.Legendre: (E6) A soma dos ângulos internos de um triângulo é igual a dois retos. Ou. se dois triângulos tiverem seus ângulos iguais serão congruentes. a existência de triângulos semelhantes é característica da geometria de Euclides. existirá sempre um semelhante de magnitude arbitrária. 5-17.Lambert (1728-1777) e por A . aqui. Legendre (1752- 1833): (E4) Por um ponto qualquer.10 e ssq. Equivalência obtida pelo jesuíta G. em geral. A partir de um resultado.Histórias Paralelas: O V Postulado de Euclides e o Axioma da Escolha (1) V Postulado Seguiremos. encontrará. 5. 2005 15 . os passos de Luis Santaló (Geometrías no Euclidianas.

(2) Axioma da Escolha (E1) Todo conjunto pode ser bem ordenado. 5-17. uma subálgebra de A e a  A-B. B. Epílogo A prova. pelo menos em princípio. ainda. 6. em 1963. demonstrável a partir desses outros. como um dos princípios para a geometria. isto é. era independente dos outros. uma Geometria Não-Euclidiana. que o Axioma da Escolha é independente dos outros axiomas da teoria dos conjuntos. com os outros postulados de Euclides. com a negação do Axioma. para todo k  ao . de que as negações do V Postulado conviviam harmoniosamente. (E7) A esfera unitária no dual de um espaço vetorial normado sobre os reais tem um ponto extremo. (E6) O produto de espaços compactos é compacto na topologia produto. tendo um modelo em um conjunto de cardinalidade a o . caso não seja possível deduzir uma contradição a partir dos outros axiomas. a aceitação ou não do V Postulado. Irineu Bicudo E a interessante forma conseguida por Gauss: (E7) Existem triângulos de área tão grande quanto se queira. p. 16 RBHM. 2005 . isto é. o matemático americano Paul Cohen provou. terá também um modelo em um conjunto de cardinalidade k. (E5) Uma função será sobrejetora se e somente se for invertível à direita. sem contradições. de fato. Em 1938-1940. quando juntarmos a eles o Axioma da Escolha. assim. existirá uma subálgebra  -maximal de A. e Taurinus (1794-1874). passou a ser uma questão de escolha de que tipo de geometria interessava-nos: com o V Postulado.Então. Vol. estabelecendo. (E8) Uma fórmula. Por fim. a Geometria Euclidiana. com uma de suas negações. cuja rota fora apontada já por Gauss (1777-1855). 5. Gödel (1906-1974) mostrou que o Axioma da Escolha era consistente com os outros axiomas da teoria dos conjuntos (o sistema Bernays-Gödel). não poderia mesmo ser um teorema. contendo B e não contendo a. (E2) O produto cartesiano de um conjunto de conjuntos não vazios é não vazio. Schweikart (1780- 1859). não se poderá deduzir. uma contradição. no 9. com o Axioma da Escolha. as existências paralelas de uma teoria dos conjuntos zermeliana. (E3) Se P for um conjunto parcialmente ordenado tal que toda cadeia em P tenha limite superior. e de uma teoria não-zermeliana. não era uma conseqüência dos outros. garantia que o V Postulado. então P terá um elemento maximal. (Lema de Zorn) (E4) se A for um sistema algébrico. e definitivamente trilhada por Lobatschewsky (1793-1856) e Bolyai (1802-1860).

br RBHM. 19562. & Rubin.Development and History. Mathematical Thought from Ancient to Modern Times.: Springer. H. 5.). 1955.L. 1873. N.L.). Santaló. 2005 17 . obstáculos.Y.: Dover.Y. Cambridge: Harvard Univ. podemos quase que dizer que. E. Euclidean and Non-Euclidean Geometries . Euclid-The Creation of Mathematics. Y. H. Rubin. Russell. Bicudo. 2000. 1967. A. como dois heróis legendários. Friedlein (ed. N. 1969-1977. Non-Euclidean Geometry. II. Amsterdam: North-Holland. A. Bibliografia Artmann. 5-17. & Bar-Hillel. Geometrías no Euclidianas. Heijenoort. T. G. 1982. I. J. London: Routledge. J. Bonola.: Dover. Kline. Heath. G. M. Y. N.: Springer. 19732. L. 1999. 1995. Leipzig: Teubner. N. dificuldades.Heiberg (ed. and Influence. Hartshorne. Geometry: Euclid and Beyond. Amsterdam: North- Holland. p. N. Euclid-The Thirteen Books of The Elements. A. Greenberg. Development. B. I. In Primum Euclidis Elementorum Librum Commentarii. Fraenkel. 1999.: Springer. Press. 2001. com o passado redimido.: Freeman. Y. 1985. Euclidis ELEMENTA. Moore.Histórias Paralelas: O V Postulado de Euclides e o Axioma da Escolha Desse modo. Buenos Aires: Editorial Universitaria de Buenos Aires-EUDEBA. B. Introduction to Mathematical Philosophy. Press. Y. Y & Levy. no 9.). Natal: Editora da SBHMat. Zermelo’s Axiom of Choice-Its Origins. Irineu Bicudo Professor Titular do Departamento de Matemática Instituto de Geociências e Ciências Exatas- Unesp-Rio Claro E-mail: ibicudo@rc. Morris. N. Foundations of Set Theory.: Oxford Univ. Equivalents of the Axiom of Choice. 19632. depois de múltiplas peripécias. R. van (ed. N. From Frege to Gödel. Leipzig: Teubner. Vol.unesp. Y. Proclus. J. O Primeiro Livro dos ELEMENTOS de Euclides. o V Postulado e o Axioma da Escolha regressam à pátria matemática e vivem felizes para sempre. 1972. R.