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Sílvio Ávila

Caminhos

iluminados

Se a cana-de-açúcar figura entre

as culturas mais antigas do planeta, é verdade também que a idade não lhe tirou o vigor de continuar se expan- dindo. Mais do que isso, a gramínea al- cançou o século 21 como alternativa importante para a demanda mundial por energia limpa. Esse fator não só ajuda a garantir o futuro da atividade como aponta caminhos que precisam ser desbravados ainda mais. Nesse sen- tido, muitas pesquisas tendem a evoluir, inclusive agregando outras matérias- primas à produção de etanol, e o Brasil seguirá fazendo escola mundo afora. A experiência e o conhecimento adquiridos no setor são levados por técnicos e empresários a outras na- ções interessadas em usufruir das vantagens de produzir etanol da ca- na-de-açúcar. O País conquistou uma posição tão singular que se encontra sem concorrentes na comercialização internacional do combustível. Amostra da força do Brasil está na capacidade industrial. A cada ano novas usinas entram em operação — mais de 20 acionaram máquinas em 2009, período marcado também pela

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formação da segunda maior compa- nhia mundial de energia renovável a partir da cana, a LDC-SEV, fruto da união entre LDC Bioenergia e Sante- lisa Vale. Outras fusões podem estar a caminho e, independente do resultado de negociações, é certo que a evolu- ção não vai parar. E nem pode, pois a demanda continuará em alta. Para fornecer a matéria-prima ne- cessária, a expansão das terras cultiva- das não é a única possibilidade. A tec- nologia avança para permitir a obten- ção de mais produto em um mesmo espaço e novas cultivares chegam aos canavicultores com esse intuito. São elas que ajudarão a desbravar novos territórios de plantio canavieiro apon- tados no tão esperado Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar, divulgado em 2009 pelo governo fe- deral. Mais do que visar à expansão do plantio, o estudo aponta como seguir esse caminho de maneira sustentável e sem agredir áreas de conservação. E quando se pensava que apagão elétrico era coisa do passado, um novo episódio trouxe a discussão à tona. Diante dos debates sobre

como reforçar a produção nacional, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank, atentou para o potencial de geração de energia desperdiçado atualmente. Em artigo publicado na imprensa, o dirigente aponta que to- das as 434 usinas sucroalcooleiras do

País são autossuficientes em energia e

apenas 20% comercializam o exceden- te, principalmente por falta de leilões

regulares e específicos para essa fonte

e por problemas de conexão.

Além de permitir a geração des- centralizada e próxima dos centros de consumo, a estimativa é de que, se fosse aproveitado todo o potencial de biomassa dos canaviais, seria possível exportar à rede elétrica 10.000 MW médios até a safra 2017/18, volume equivalente a uma usina do porte de Itaipu, no Paraná. Essa proposta é mais um exemplo de que, com o passar dos anos, a canavicultura só ganha impor- tância e extrapola as finalidades agrí- colas para se posicionar como peça- chave do setor energético, tanto bra- sileiro como mundial. É sinal de que os

desafios estão longe de terminar.