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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS - CEJURPS.
CURSO DE DIREITO

RESPONSABILIDADE PENAL POR ERRO MÉDICO

BIANCA ANELISE DEBIAZI

Itajaí, junho de 2008.

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS - CEJURPS
CURSO DE DIREITO

RESPONSABILIDADE PENAL POR ERRO MÉDICO

BIANCA ANELISE DEBIAZI

Monografia submetida à Universidade
do Vale do Itajaí – UNIVALI, como
requisito parcial à obtenção do grau de
Bacharel em Direito.

Orientador: Professor Mdo. Fabiano Oldoni

Itajaí, junho de 2008.

pela compreensão. Aos amigos. para que eu chegasse ao meu objetivo. primeiramente. AGRADECIMENTO A Deus. de uma maneira ou de outra. Ao professor Fabiano Oldoni. pessoas também fundamentais à minha educação. pelo apoio nas horas difíceis. passando por mais uma das grandes etapas da vida. Lu. A vocês. aqueles a quem eu tenho como irmãos. A pessoa que não saiu do meu lado. os verdadeiros amigos. A todas as pessoas que me ajudaram. e que por um motivo ou outro me fizeram chegar até aqui. Aos meus pais. durante as inúmeras horas que passei na elaboração desse trabalho. em detrimento às vezes de suas próprias vontades. que soube me indicar idéias e caminhos diferentes. pelo sorriso sincero. todo o meu amor. carinho e amor a mim dedicados. que me deu a oportunidade de estar aqui hoje. incentivaram. meu orientador. amo você! . Aos meus irmãos e irmãs. os dias de festa e o auxílio ao longo desses anos. Pela chance que me proporcionaram de estar aqui hoje.

com muito amor. irmãos e sobrinhos. enfim. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a meus pais. . E em memória. à minha sobrinha Samanta. a toda minha família. quem me ensinou que nossa capacidade de amar é ilimitada. Aos meus amigos e a meu namorado.

(Sócrates) .A vida sem reflexão não merece ser vivida.

BIANCA ANELISE DEBIAZI Graduando . isentando a Universidade do Vale do Itajaí. para todos os fins de direito. Itajaí. a coordenação do Curso de Direito. que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico conferido ao presente trabalho. TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE Declaro. 9 de junho de 2008. a Banca Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do mesmo.

elaborada pelo graduando Bianca Anelise Debiazi. Antônio Augusto Lapa Coordenação da Monografia . Itajaí. 9 de junho de 2008. MSc. PÁGINA DE APROVAÇÃO A presente monografia de conclusão do Curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. sob o título A responsabilidade Penal do Médico.0 ] (nove ). Fabiano Oldoni (Presidente e Orientador). Professor Mdo. Fabiano Oldoni Orientador e Presidente da Banca Prof. foi submetida em 9 (nove) de junho de 2008 à banca examinadora composta pelos seguintes professores: Mdo. e Edgar Peter Josef Kohn (Examinador) e aprovada com a nota [ 9.

Página UNIVALI Universidade do Vale do Itajaí V. Tiragem % Por cento . Volume § Parágrafo TIR. ROL DE ABREVIATURAS E SIGLAS ART. Artigo CP/ Código Penal Brasileiro de 2002 CDC Código de Defesa do consumidor DF Distrito Federal ED Edição MDO Mestrando MG Minas Gerais N° Número OAB/SC Ordem dos Advogados do Brasil – Santa Catarina P.

negligentemente deixada ao alcance de uma criança ou do motorista que. mas nem por isso constitui modalidade mais grave do que aquela . não previsto nem querido. Direito Penal Geral. p. deixando de observar o cuidado necessário.257. Direito Penal: Parte Geral I. Saraiva. 3 mas deveria e poderia tê-lo previsto e evitado . e excepcionalmente previsto e querido. ter evitado . ROL DE CATEGORIAS Culpa: Diz-se crime culposo quando o agente. 2 NORONHA. p.. Flávio Augusto Monteiro de. Florianópolis: Editora: OAB/SC.151. São Paulo: Saraiva 1979. distraído. 2004. Magalhães. Direito Penal. Avizinha-se bastante do dolo 2 eventual. 17ª ed. que o agente não chega a prever a possibilidade de um acidente com danos pessoais.. 1 BARROS. o sujeito ativo prevê o resultado. 3ª ed. com a atenção 1 devida. não percebe a placa sinalizadora e causa um acidente. 2004. 3 LEAL. p. porém. realiza conduta que produz resultado. mas previsível. Culpa Consciente: Na culpa consciente ou com previsão (culpa “ex lascívia”). E. João José. É de se admitir. parte geral: v.) a culpa inconsciente se caracteriza pela falta de cuidado que leva a um resultado não previsto. nestes dois casos. espera que não se efetive. que podia.1 4ª ed. São Paulo. É o caso do possuidor da arma. Culpa Inconsciente: (. 230. .

O Erro Médico: responsabilidade penal. Manual de Direito Penal.. o agente atua querendo como certa a realização de um determinado tipo penal. 1996.35.1. Assim. que deve corresponder plenamente ao 5 fato desejado pelo agente . Florianópolis: Editora: OAB/SC. p. 4 MIRABETE.1991. 6 LEAL. considera como seriamente provável que sua conduta poderá realizar o 6 tipo penal previsto e concorda com sua possibilidade . A vontade é querer alguma coisa e o dolo é a vontade dirigida à realização do tipo penal. 11. João José. p.Dolo: Toda ação consciente é dirigida pela consciência do que se quer e pela decisão de querer realizá-la. Erro: O erro leva o agente a não alcançar a representação real do fato. 5 LEAL. p. Direito Penal Geral. Dolo Direto: (. p. Direito Penal Geral.. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Newton.Julio Fabbrini.. 242. 140. 7 PACHECO.ed. representação essa em suas características objetivas que o põe em conformidade com o tipo 7 legal como ato contrário ao dever perante a ordem de Direito . 3ª ed. pela vontade.) no dolo direto ou determinado. Dolo Eventual: O dolo eventual ocorre quando o agente. embora não desejando diretamente o resultado. . ou seja. 3ª ed. 2004. São Paulo: Editora Atlas. 2004. pode-se definir o dolo 4 como a consciência e a vontade na realização da conduta típica . v. João José. 243. Florianópolis: Editora: OAB/SC.

Erro Médico:

Erro médico é a conduta profissional inadequada que supõe uma inobservância

técnica, capaz de produzir um dano à vida ou à saúde de outrem, caracterizada
8
por imperícia, imprudência ou negligência .

Imperícia:

A imperícia é a “imprudência qualificada”, a culpa profissional. A imperícia

consiste, sobretudo na inaptidão técnica, na ausência de conhecimentos para a
9
prática de um ato ou a omissão de providencia que se fazia necessária .

Imprudência:

Imprudência é agir com descautela, falta de atenção, afoiteza, insesatez,

descuido e a pratica de um ato perigoso sem os devidos cuidados, isto é, a falta
10
de precaução que o ato exige .

Negligência:

No sentido do Código, ela é inação, inércia e passividade. Decorre de inatividade

material (corpórea) ou subjetiva (psíquica). Reduz-se a um comportamento

negativo. Negligente é quem, podendo e devendo agir de determinado modo, por

indolência ou preguiça mental, não age ou comporta-se de modo diverso. A

negligência implica omissão de precauções e cuidados tidos como necessários,
11
sem os quais devem ser previstos danos .

8
GOMES, J. C. M.; FRANÇA, G. V. Erro médico: um enfoque sobre sua origem e
conseqüências. Montes Claros (MG): Unimontes, 1999, p.25.
9
PACHECO, Newton. O Erro Médico: responsabilidade penal. Porto Alegre: Livraria do
Advogado,1991. p. 65.
10
GOMES, José Eduardo Cerqueira. Responsabilidade das Condutas Médicas. 2. ed. Brasília:
OAB Editora, 2006. p 30.
11
PACHECO, Newton. O erro médico: responsabilidade penal. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 1991. p.53.

Obrigação de Meio:

Obrigação de meios é a que vincula o profissional à aplicação diligente de todos

os recursos disponíveis para a melhor condução possível do caso clinico que será

alvo de seus préstimos. O médico não fica adstrito a um resultado final, mas tem

de envidar todos os esforços e utilizar-se dos aparatos técnicos que estiverem
12
razoavelmente ao seu alcance .

Obrigação de Resultado:

Na obrigação de resultado, a prestação de serviço tem um fim definido: se não

houver o resultado esperado, há inadimplência e o devedor assume o ônus por
13
não satisfazer a obrigação prometida .

Prestação Médica:

O contrato de prestação de serviços médicos (nele incluídos o dentário e

veterinário) é de meios, ou seja, de empenho profissional. Essa regra sofre

exceção quando se trata de Medicina Plástica, de cunho apenas estético e
14
voluntário, cujo contrato passa a ser misto, ou seja, de meios e de resultados .

Responsabilidade:

A responsabilidade é a obrigação de reparar um dano, seja por decorrer de uma

culpa ou de uma outra circunstância legal que a justifique como a culpa
15
presumida, ou por uma circunstância meramente objetiva .

12
MATIELO, Fabrício Zamprogna. Responsabilidade civil do médico. Porto Alegre: Sagra
Luuzzatto, 2001, p.56.
13
FRANÇA, G.V. Direito médico. 7.ª ed., São Paulo: BYK, 2001. p.45.
14
SEBASTIÃO, Jurandir. Responsabilidade médica civil, criminal e ética: legislação positiva
aplicável. Belo horizonte: Del Rey, 1988.p.29.
15
LOPES, Serpa. Curso de Direito Civil. 2ª ed. Freitas Bastos, 1962. p. 188 e 189.

Responsabilidade Penal Objetiva:

Responsabilidade penal objetiva significa aplicação de pena sem dolo ou culpa,

com fundamento na simples causalidade objetiva. O sujeito, segundo esse

princípio, responde pelo crime tão-só em face da realização da conduta. O dolo e

a culpa são presumidos pelo legislador. É inadmissível no estado atual do Direito

Penal brasileiro, que se fundamenta na teoria da culpabilidade, incompatível com
16
presunções legais .

Responsabilidade Penal Subjetiva:

Entende-se que responsabilidade subjetiva e resultado causado dolosa ou

culposamente são noções que caminham juntas. Não se aceita aqui qualquer

teoria como a do versari in re illicita, já que somente é responsável aquele que por

ato seu dá causa a um resultado ao menos imaginável. Acidentes ou “defeitos” na

cadeia causal de uma ação – não imputáveis a título de culpa – estão fora da
17
responsabilização subjetiva .

16
JESUS, Damásio E. Código Penal Anotado. 17ª ed. São Paulo, Saraiva. 2006. p. 82.
17
CHAMON JUNIOR, Lúcio Antônio. Responsabilidade penal e embriaguez. Belo Horizonte:
Mandamentos, 2003. p.107.

.......... 6 1......1........... 26 1..................................................3RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA E SUBJETIVA...............1........................2 DO DOLO EVENTUAL..........................................................2........................2.................................. 12 1......................5 DA RESPONSABILIDADE PENAL POR CONDUTA CULPOSA............................................................ 4 1........................................................................... 24 1.........3......1RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA...5................................................................... 19 1.... EVOLUÇÃO HISTÓRICA........................1DA VINGANÇA PRIVADA.........................................2RESPONSABILIDADE PENAL SUBJETIVA........2 Da Culpa Consciente ..........................................................2DA VINGANÇA DIVINA...........................................................................1.........................................1 DA CULPA INCONSCIENTE ........................4............5DIREITO PENAL NO BRASIL........2A RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL.....3 1.........................................1DA RESPONSABILIDADE CIVIL... SUMÁRIO RESUMO....................5..............4PERÍODO HUMANITÁRIO................................................... 10 1.....................4....................... 20 1......................................XV INTRODUÇÃO................................................ 23 1................................................................................................2DA RESPONSABILIDADE PENAL...................3DA VINGANÇA PÚBLICA......................................29 .. 9 1........................... 28 1...................................................... 16 1..1.........................................1 DA RESPONSABILIDADE PENAL.12 1............................... 14 1.3 1..........................4 DA RESPONSABILIDADE PENAL POR CONDUTA DOLOSA...... 16 1..........................................1 DO DOLO DIRETO .................................................. ..............3......................1................... 7 1.................................

................................9..............9 JURISPRUDÊNCIAS SELECIONADAS..........................................68 1.............................4CONCEITO DE ERRO MÉDICO.....3....................................................................... 80 3..............32 1.............82 1....................................2 PROCESSOS MÉDICOS................42 1.................4 PESQUISA REALIZADA PELO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA...............1OBRIGAÇÃO DE MEIO.................................................................................7DA OBRIGAÇÃO DA PRESTAÇÃO MÉDICA......... 71 3..........................................................2OBRIGAÇÃO DE RESULTADO.........................39 1..........................................DO ERRO MÉDICO E DO PROFISSIONAL MÉDICO..........9.......................... 54 1......9..........................................................36 1................................................................... 68 1....9...............92 REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS........................9....3.................................6DA PRESTAÇÃO MÉDICA TÍPICA................................97 ...4DESTAQUES DA IMPRENSA.......................... 46 1...................8DA RESPONSABILIDADE PENAL DO MÉDICO..............................................................54 1....................................................1MORTE NA CIRURGIA....................... 82 1.3 CARACTERÍSTICAS DOS MÉDICOS ...............................4UM GUIA PARA ESCONDER O ERRO....... 85 1.........................................2O ERRO MÉDICO POR CONDUTA CULPOSA ..................................................................................................9.......9....31 1.....................1O ERRO MÉDICO POR CONDUTA DOLOSA ................... 78 3........3...................................................................................... 90 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................... 49 DA RESPONSABILIDADE PENAL POR ERRO MÉDICO – UMA ANÁLISE ESTATÍSTICA E JURISPRUDENCIAL... 89 1............................................................. 83 1..2MÉDICOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA PODEM IR A JÚRI.....1FALTOU UM EXAME...........................7..... 77 3..........................5DO PROFISSIONAL MÉDICO........... 86 1.....................................2UBERLÂNDIA: JUSTIÇA RECEBE DENÚNCIA DO MPF CONTRA MÉDICOS DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS.............................9.............................3ERRO DE GINECOLOGISTA............ ...............................7......

o médico. a análise que interessa ao estudo em foco. chamados de erros médicos. sendo esta última. na esfera penal. fala-se em dolo (quando o agente quis o resultado ou o esperava) e na culpa (quando o agente não quer o resultado. . Atos estes. uma obrigação de meio ou de resultado para com seu paciente. podendo ser responsabilizado tanto na esfera administrativa. deve ter consciência e responsabilidade diante da sua ação. Portanto. responde por seus crimes ou atos cometidos. RESUMO O presente trabalho tem por objetivo analisar o erro médico e sua responsabilidade penal. visto que o mesmo tem em suas mãos o bem mais precioso do ser humano: a vida. Assim. Tendo assim. ao fazer uso da sua profissão. no momento em que este profissional habilitado para tal atividade. usa de meios ilícitos ou incertos para o exercício da sua profissão. mas assume o risco de produzi-lo). como na civil ou penal. aonde o profissional médico. Neste contexto. acaba incorrendo em erro.

.

. casos concretos de erro médico e a responsabilização em que os profissionais da medicina sofreram. Abordou-se. Bem como jurisprudências sobre o assunto. versando sobre a responsabilidade penal por erro médico. assim como a prestação médica típica e as obrigações que o mesmo incorre. além da caracterização das condutas dolosa e culposa. principia-se. também. também. quando este. conforme regulamento da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. O seu objetivo é explicitar a responsabilidade penal do médico. evidencia-se o crime doloso e culposo que pode ser imputado ao médico. No Capítulo 3. INTRODUÇÃO A presente Monografia tem como objeto a responsabilidade penal por erro médico. uma alusão aos tipos de responsabilidade dentro do ordenamento penal. abordando a história da responsabilidade penal. produzir uma monografia para obtenção do título de bacharel em Direito. assim como os tipos de delito que este pode cometer. citando exemplos. sendo elas de meio ou de resultado. no Capítulo 1. Faz-se. acaba incorrendo em erro. ou até levando-o à morte. sem cautela. assim como processos julgados. ou seja. bem como sua diferença com a responsabilidade civil. Esta pesquisa tem como objetivo institucional. algumas estatísticas feitas em vários lugares do país sobre os erros médicos. trata-se do erro médico. do profissional médico. prejudicando a vida de um inocente. No Capítulo 2. seus elementos e características. Para tanto.

foram acionadas as Técnicas. na Fase de Tratamento de Dados o Método Cartesiano.  A responsabilidade por erro médico é de natureza culposa. e. da Categoria. o Relatório dos Resultados expresso na presente Monografia é composto na base lógica Indutiva. na Fase de Investigação foi utilizado o Método Indutivo. 2 O presente Relatório de Pesquisa se encerra com as Considerações Finais. . do Referente. Nas diversas fases da Pesquisa. Para a presente monografia foram levantadas as seguintes hipóteses:  O médico pode ser responsabilizado penalmente por conduta dolosa e culposa. nas quais são apresentados pontos conclusivos destacados. seguidos da estimulação à continuidade dos estudos e das reflexões sobre A Responsabilidade Penal por Erro Médico. do Conceito Operacional e da Pesquisa Bibliográfica. Quanto à Metodologia empregada. registra-se que.

onde as penas tinham fortes inclinações religiosas. Tanto na história quanto na pré-história. . sentiu a necessidade de punir aquele que tivesse agredido algum interesse de seus membros. o estrangeiro. adorados na época. e muitas vezes relacionadas aos deuses. que consistia na sua proscrição da tribo. p. assim que passou a viver em grupo. Parte Geral I. punia-se com a perda da paz. 1958. costumes. os humanos eram compostos por grupos e não por indivíduos isolados. Ao primeiro. e. EVOLUÇÃO HISTÓRICA A história do Direito Penal surgiu com o homem. e também de punir o estranho que tivesse colocado contra algum valor individual ou coletivo. Ney Moura. mas sempre no sentido de buscar a paz em sociedade. ao segundo. Direito Penal. apesar de não haver um sistema de princípios regendo estes tempos. condutas. São Paulo: Saraiva. A maneira de punir os crimes era de forma rudimentar e violenta e se fundamentava na vida social do grupo. punia-se com a vingança de sangue. E juntamente com esses grupos formavam-se as normas. onde nos tempos primitivos já existiam crimes e castigos. 49. CAPÍTULO 1 DA RESPONSABILIDADE PENAL 1. 18 TELES. 18 TELES define os tempos primitivos do Direito Penal da seguinte forma: O homem primitivo.

a questão do indivíduo contra outro. NORONHA coloca com grande propriedade o entendimento acerca da pena naquela época: A pena. nem mesmo com sua justiça. a vingança divina.34. nada mais foi que vingativa. 2001. Vários doutrinadores definem as várias fases da pena em: a vingança privada. 4 19 Assim entende MIRABETE : Nos grupos sociais dessa era. Direito Penal. em sua origem. São Paulo: Atlas. não havendo preocupação com a proporção. criaram-se séries de proibições (religiosas. a vingança do próprio indivíduo. 19 MIRABETE. a seca e todos os fenômenos naturais maléficos eram tidos como resultantes das forças divinas (“totem”) encolerizadas pela prática de fatos que exigiam reparação. o revide à agressão sofrida devia ser fatal. Parte Geral I. p. 17ª ed. sociais e políticas). A evolução da chamada vingança penal. com a vingança feita pelas próprias mãos. dominada pelos instintos. um ao lado do outro.28. Magalhães. que não obedecidas.1. e indivíduo contra grupo. Julio Fabbrini. acarretavam castigo. p. envoltos em ambiente mágico (vedas) e religioso.17ª ed. São Paulo: Saraiva. ou seja. pois é mais que compreensível que naquela criatura. 1.1Da Vingança Privada Verifica-se nessa fase. se deu em etapas. a vingança pública e o período humanitário. ou seja. surgindo um e desaparecendo o outro. 1979. Deu-se na forma concomitante. a peste. . 20 NORONHA. Manual de Direito Penal. as quais não aconteceram sistematicamente. Para aplacar a ira dos deuses. 20 Seguindo a mesma corrente. E. conhecidas por “tabu”.

33. atingindo não só o ofensor. ação agressiva real. p. clãs e tribos. dos parentes e até do grupo social (tribo). 23 TELES. Nesta fase ainda não existia um Estado. 3ª ed. Vicente de Paula Rodrigues. ocorria a reação da vítima. p. mas apenas famílias. na medida em que veio 21 MAGGIO. 23 No mesmo rumo observa TELES : Além de fazer a justiça pelas próprias mãos. Verdadeira vingança de sangue tratava-se da lei do mais forte. nos grupos mais primitivos. de um membro de outra tribo. Parte Geral I. 22 E deste modo explana BRUNO : Fala-se comumente da vingança privada como de uma forma de reação que se tenha manifestado desde as origens. . 1958. 2002. Ney Moura. as penas não guardavam nenhuma proporção com o delito que visavam a responder. Direito Penal. dente por dente – surge na história da humanidade como limitação da vingança privada. cujo interesse individual se colocava acima de tudo. p. uma exercendo sobre outro ato vingativo contra ação agressiva a qualquer dos seus membros. Rio de Janeiro: Forense. 22 BRUNO. 1967. com nível muito baixo ainda de organização social. 5 21 MAGGIO define a fase da vingança privada da seguinte forma: “Cometido um crime. A vingança foi um fato geral entre as tribos. foi um avanço. Aníbal. Direito Penal: Parte geral. Apesar de hoje acharmos um absurdo. que agiam sem proporção à ofensa. como limitação da reação à ofensa: O talião – olho por olho. 30. como também todo seu grupo”. ou assim suposta de acordo com idéias mágicas dominantes nos grupos arcaicos. Direito Penal. E arremata explicando o surgimento do talião.50.

. ou oferenda. Vicente de Paula Rodrigues. Onde o castigo tinha grande relação com a grandeza dos deuses ofendidos. Direito Penal. até então inexistente. que: Com a evolução social.p.2Da Vingança Divina Baseado no princípio da divindade ofendida pelo crime surge a fase da vingança. nascendo assim. p.31. olho por olho. MIRABETE explica a vingança privada. Parte Geral. pois a vingança não era mais arbitrária e usada de forma desproporcional. MAGGIO explica: Devido à influência da religião na vida dos povos antigos. 1. O castigo. revestido de grande caráter religioso. Adotado no Código de Hamurábi (Babilônia). 25 MAGGIO. por delegação divina era aplicado 24 MIRABETE. para evitar a dizimação das tribos. o Direito Penal impregnou-se de sentido místico. no Êxodo (povo hebraico) e na Lei das XII Tábuas (Roma). Julio Fabbrini. 24 Neste sentido. já que se devia reprimir o crime para satisfação dos deuses pela ofensa praticada no grupo social. 1996. foi ele um grande avanço na história do Direito Penal por reduzir a abrangência da ação punitiva. Manual de Direito Penal. Esta fase foi de grande importância social. o castigo. que limita a reação à ofensa a um mal idêntico ao praticado (sangue por sangue. 6 estabelecer certa proporcionalidade entre o delito e a pena. surge o talião (de talis = tal). 2002. 25 Sobre esta matéria. dente por dente). 36.1.

Onde em princípio. 1996. 36. já que se devia reprimir o crime como satisfação aos deuses pela ofensa praticada no grupo social. 7 pelos sacerdotes que infligiam penas severas. 27 Sobre esta nova fase na Grécia. sendo sobreposto e interpretado pelos sacerdotes. Direito Penal. visando especialmente à intimidação. ao lado da rigidez do castigo. seus filósofos e pensadores haveriam de influir na concepção do crime e da pena. o mais importante era a estabilidade do Estado. o criador e protetor do universo. ou oferenda. por delegação divina era aplicado pelos sacerdotes que infligiam penas severa. o Direito Penal se caracterizava de forma teocrática. visando especialmente a intimidação. Julio Fabbrini. 1946. 27 NORONHA. ou seja. 26 MIRABETE.3Da Vingança Pública Nesta fase. A idéia de culpabilidade. p. Manual de Direito Penal. Dele provinha o poder dos reis e em seu nome se procedia ao julgamento do litígio e à imposição do castigo. p. Todavia.1. NORONHA . a princípio. 1. cruéis e desumanas. 30. cruéis e desumanas. 26 Assim ilustra MIRABETE sobre a influência religiosa: O Direito Penal impregnou-se de sentido místico desde seus primórdios. O direito e o poder emanavam de Júpiter. ensina: Na Grécia. severa e cruel. Magalhães. Deste modo. a sociedade estava num estágio mais organizado. . O castigo. e através da pena. E. o crime e a pena inspiravam-se ainda no sentido religioso. visava-se a intimidação. a segurança do príncipe ou soberano.

Dividem-se os delitos em crimina pública (segurança da cidade. advertindo- os de não delinqüirem. com maior organização social. p. visando maior estabilidade do Estado. após firmar-se no terreno filosófico e ético. na Grécia. o objetivo era a segurança do príncipe ou do soberano. As sanções são mitigadas. Manual de Direito Penal. e do qual era intérprete e mandatário. através da pena ainda severa e cruel. Pode-se observar que em Roma também ocorreram as 28 mesmas imposições de vingança. em regra. Já com PLATÃO. se antevê a pena como meio de defesa social. 2002. Como relata MIRABETE : Em Roma. 28 MIRABETE. o Estado justificava a proteção ao soberano que. por exemplo. parricidium). deveria apresentar-se no campo jurídico. 31. Seguiu-se a eles a criação dos crimina extraordinária (entre as outras duas categorias). nas Leis. 37. pública. Julio Fabbrini. 8 através do livre arbítrio de ARISTÓTELES. . Ainda sob influência religiosa. governava em nome de Zeus. Direito Penal. por meio do talião e da composição. 1996. substituída pelo exílio e pela deportação (interdictio acquae et igni). cuja finalidade básica era a intimidação. Direito e Religião separam-se. ou crimes majestatis. bem como da vingança divina na época da realeza. com a aplicação da Lei das XII Tábuas. O mesmo ocorreu em Roma. pela intimidação – com seu rigor – aos outros. Vicente de Paula Rodrigues. a pena torna-se. e é praticamente abolida a pena de morte. segue MAGGIO : Nesta fase. reprimidas por particulares). 29 No mesmo rumo. e delicta privata (infrações consideradas menos graves. p. Finalmente. evoluindo-se das fases da vingança. 29 MAGGIO.

chamada de Dei Delitti e delle Pene. e de uma maneira considerada vai evoluindo. São Paulo: Saraiva. a menor das penas aplicáveis. e a pena como conseqüência. em Milão. agir e punir os atos ilícitos ocorridos..1999. necessária. pois só assim se 30 TELES. no ano de 1764. refletindo também no Direito Penal. o Direito Penal vai tomando suas formas. bem assim como exemplo para toda a comunidade. conforme relata TELES . Deve ser ainda necessária. p. 31 COSTA JÚNIOR. para que se evidencie o nexo entre o crime.1. COSTA JÚNIOR afirma 31 que : Ao finalizar sua pequena-grande obra.. a pena deve ser prontamente imposta. 1958. e aponta para que a pena seja aplicada apenas para que o delinqüente não volte a delinqüir. com suas idéias constituíram o iluminismo. . como causa. p. Esta 30 com grande repercussão. (. Esta mudança começa com a publicação da obra escrita por BECCARIA. a atrocidade das penas. escreve que a pena para que não constitua um ato de violência contra o cidadão. Direito Penal: Parte Geral I.4Período Humanitário No século XVII pensadores europeus. deve ser essencialmente pública. proporcional ao delito e determinada pela lei. Paulo José da.. 55. na consciência comum da necessidade de modificações.) obra na qual combate com vigor o uso da tortura. 6ª ed. Referindo-se à obra de Beccaria. Pública porque os processos não podem ser clandestinos e só ao Estado incumbe fazer justiça. Ney Moura. 1.14. Direito Penal – Curso Completo. a pena de morte. juntamente com a sociedade e sua maneira de pensar. 9 Assim. pronta.

segundo NORONHA : “defesa do indivíduo contra as leis e a Justiça daqueles tempos. que se notabilizaram. não colaboraram em nada na atual legislação. Sebastião (até 1603). Assim. conforme ensina 33 MIRABETE . onde aos poucos surgem leis aderindo à obra de BECCARIA. E. a vingança coletiva e o talião. O crime era confundido com o pecado e com a ofensa moral. 1. . pelas atrocidades. Julio Fabbrini. 1946. pelo arbítrio e servilismo aos fortes e poderosos”. Direito Penal. 34. 33 MIRABETE. 1 justifica infligir a alguém um sofrimento. e os indígenas que aqui viviam. inicia-se o período humanitário. p. Por derradeiro. Magalhães. para as Ordenações Filipinas. estiveram em vigor no Brasil as Ordenações Afonsinas (até 1512) e Manuelinas (até 1569). feiticeiros e benzedores. No período colonial. apóstatas. o Direito Penal surgiu após 1500. 32 É essência da obra. esta. a pena deve ser determinada por lei: nullum crimen. aquelas. 1996.5Direito Penal no Brasil Aos povos nativos existentes no Brasil antes de 1500 ainda encontravam-se na fase da vingança privada. Passou-se.1. No Brasil. Manual de Direito Penal. p 42-43. que refletiam o direito penal dos tempos medievais. substituídas estas últimas pelo Código de D. onde o Direito baseava-se muito nos costumes. punindo-se severamente os hereges. então. e. nulla poena sine lege. 32 NORONHA.

culminando com a abolição da escravatura e a proclamação da república. Com sua origem citada 35 por MIRABETE : Teve o código origem em projeto de Alcântara Machado. já se procurava elaborar um novo código. em 1° de janeiro de 1942 entrou em vigor o Código Penal que ainda é a legislação penal fundamental. em que se aceitam os postulados das escolas Clássica e Positiva. 62. a consideração a respeito da personalidade do criminoso. 35 MIRABETE. somente em 1830 surge o 34 Código Criminal do Império. Manual de Direito Penal. . 1 Com a independência surge a Constituição de 1824 com princípios importantes para o Direito Penal. que ocorrem em momento em que. Porém. 1996. p. 1958. após diversas modificações na legislação vigente. 2003. conforme assinala 36 COSTA JUNIOR são: “A adoção do dualismo. p 43. o que de melhor havia nas legislações modernas de orientação liberal. Heitor. Código este que. segundo TELES . Ney Moura. explicando este momento: As mudanças que se seguiram ao advento do Código Criminal. p 23. 36 COSTA JUNIOR. em especial nos códigos italiano e suíço. Os princípios básicos do Código Penal. Nárcelio de Queiroz e Roberto Lira. em nosso país. RT 555/459. culpabilidade-pena e periculosidade-medida de segurança. Julio Fabbrini. Vieira Braga. Aspectos da “parte geral” do anteprojeto do código penal. submetido ao trabalho de uma comissão revisora composta de Nelson Hungria. porém. É uma legislação eclética. era apresentado e convertido em lei pelo Decreto n° 847. em 11 de outubro de 1890. aproveitando-se em regra geral. a aceitação excepcional da responsabilidade objetiva”. foram enormes. sendo alvo de duras criticas e modificado inúmeras vezes. I Direito Penal: Parte Geral I. 34 TELES.

As alterações mais significativas introduzidas pela Lei n° 37 7. melhorando-o significativamente. O vocábulo “responsabilidade” é originário do 37 LEAL. forma: (. Portanto. 3ª ed. o mesmo não chegou a entrar em vigor. instituição do sistema do dia-multa. na hipótese dos crimes omissivos impróprios (art. reconhecimento do erro sobre a ilicitude do fato como causa de excludente da culpabilidade (art. § 1°).13. 85. Direito Penal Geral. somente é aplicável ao inimputável por doença mental (arts.209 de 1984.1985.. pela nova lei. p. Florianópolis: OAB/SC. 1 Após. Cit. caput). 1. 2004. adoção das penas restritivas de direitos. para calculo da pena pecuniária (art. uma delas foi a Lei n° 7.49 a 52) e.2A RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL 1.01. 96 a 99).21. no caso de medida de segurança que. Assim.209/84. conforme cita LEAL .1Da Responsabilidade Civil Grandes são as dificuldades que a doutrina enfrenta para conceituar responsabilidade civil..2. porém. 43 a 48). a extinção do sistema do duplo binário. com valores vinculados ao do salário mínimo. . finalmente. 16).) arrependimento posterior como causa de redução da pena (art. com vigência desde 13. em 1969. esta nova norma penal renova toda a parte geral do Código Penal. definição dos casos em que a omissão pode ser causa relevante. foi feito um projeto para reforma do Código Penal de 1940. foi promulgado um novo Código Penal. João José. como substitutivas da pena privativa de liberdade de curta duração (arts.

indicando o fato de ter alguém constituído. ou por uma circunstância meramente objetiva. 7: responsabilidade civil. 2004. mas: Repartição de prejuízos causados. DINIZ . p. Curso de Direito Civil Brasileiro. . ao defini-la. 18ª ed. 2 ed. de sorte que a responsabilidade. Alguns autores se baseiam. p. Paris. v. 1936. Èvolutions et actualités. onde reina o risco criado. como JOSSERAND . 39 JOSSERAND. seja por decorrer de uma culpa ou de uma outra circunstância legal que a justifique como a culpa presumida. a vêem sob um aspecto mais extenso. 1962.00 garantidor de algo. Sirey. p. 40 Diante dessas divergências doutrinárias. onde triunfa a culpa. Serpa. 2004. equilíbrio de direitos e interesses. na concepção moderna. 188 e 189. 40 LOPES. 41 Sobre o conceito de responsabilidade civil. Maria Helena. esclarece e coloca seu entendimento a respeito do tema: 38 DINIZ. Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva. Maria Helena. Freitas Bastos. Curso de Direito Civil Brasileiro. comporta dois pólos: o objetivo. 39-40. observa LOPES que: A responsabilidade é a obrigação de reparar um dano. É o caso de PIRSON e VILLÉ38 citado por Maria Helena Diniz: “Conceituam a responsabilidade como obrigação imposta pelas normas à pessoas no sentido de responder pelas conseqüências prejudiciais de suas ações. p. 41 DINIZ. na culpa. 29 e 49. e o subjetivo. 1 verbo latino respondere.” 39 Outros autores. não vislumbrando nela uma simples tese de culpabilidade. 39-40.

São Paulo: Saraiva. 1. por pessoa por quem ela responde por alguma coisa a ela pertence ou simples imposição legal. apenas a pessoa humana era considerada como sujeito ativo de um crime. a justiça criminal apreciava e condenava seres humanos e animais como causadores de violações penais. JESUS explicita que: A personalidade jurídica. de. por conseguinte. somente existe por determinação da lei e dentro dos limites por esta fixados. 1 A responsabilidade civil é a aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiros.2.2Da Responsabilidade Penal Até o final da Idade Média. p. Faltam- lhe os requisitos psíquicos da imputabilidade. 1999. 168. ao contrário. 42 JESUS. Direito Penal. É uma ficção legal. 23ª ed.. 1. Posteriormente a esse período. Quem por ela atua são seus membros diretores. Não tem consciência e vontade próprias. seus representantes. em razão de ato por ela mesma praticado. Assim não tem capacidade penal e. Damásio E. 42 E em relação à personalidade jurídica. não pode cometer crimes. Com base nessas considerações pode-se dizer que a responsabilidade civil é a obrigação de alguém reparar dano moral ou patrimonial causado a terceiro. Estes sim são penalmente responsáveis pelos crimes cometidos em nome dela. . v.

. p.). p 122. São Paulo: Saraiva. cit. 9ª ed. 2004. CAPEZ coloca com grande propriedade. a conduta do homem. Manual de Direito Penal. executar atos de conotação típica. 43 Neste âmbito. subtrai etc. como também o participe que colabora de alguma forma na conduta típica. pode-se alegar que. 45 MIRABETE. LEAL explica sobre a responsabilidade criminal da pessoa física: Na verdade.. sem.. do ponto de vista ético jurídico. mas que de alguma forma. 185. preventiva e de recuperação social do delinqüente. 145. quem tem responsabilidade penal tem de responder pelo ato cometido. 1 Portanto. Direito Penal Geral. p. não permitia conceber um Direito Penal que não fosse para julgar e reprimir. o nome do 43 LEAL. cominado a uma pena. que envolve todo o pensamento punitivo contemporâneo e o compromisso com a teoria eclética. o principio da culpa moral. subjetiva ou objetivamente. volume 1: parte geral. 2001. que atribui à pena criminal funções retributiva. 44 Seguindo a mesma corrente. o Direito fixa os parâmetros e o modo de se responsabilizar alguém por seus atos. Fernando. O conceito abrange não só aquele que pratica o núcleo da figura típica (quem mata. Julio Fabbrini. João José. Diante disso. contribui para a ação criminosa. isolada ou conjuntamente com outros autores. contudo. Curso de Direito Penal. conforme a situação processual ou o aspecto pelo qual é examinado. 45 No mesmo assunto segue MIRABETE : O sujeito ativo do crime pode receber.) é a pessoa humana que pratica a figura típica descrita na lei. 44 CAPEZ. 2005. o entendimento a cerca do sujeito que responde penalmente: (.

sentenciado. p. Essas pessoas dão origem aos crimes próprios. reconhecendo a consciência e a vontade como referência. recluso. 47 Assim ressaltam Zaffaroni e Pierangeli que: 46 MAGGIO. 1. ou seja. denunciado.3RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA E SUBJETIVA 1. aquele que só pode ser cometido por uma determinada categoria de pessoas. réu. contradizendo assim a doutrina do Direito Penal que estabelece a responsabilidade pessoal e a culpabilidade. Vicente de Paula Rodrigues. 102.. 14. 2002. Onde a lei determina que o agente responda pela conseqüência apesar de agir sem dolo ou culpa.) os sujeitos ativos são chamados de pessoas qualificadas. II. desde os tempos mais antigos até os atuais. 46 E assim esclarece MAGGIO : (. pois só ele tem a capacidade de querer.3. condenado. Portanto. Parte Geral. 1 agente (arts. afirma-se que o homem é quem concebe o crime. indiciado. 15 do CP).1Responsabilidade Penal Objetiva A responsabilidade penal objetiva é um dos dois tipos de responsabilidade penal. pois pressupõe no agente uma particular condição ou qualidade pessoal. Direito Penal. detento (nas normas processuais) e criminoso ou delinqüente (como objeto das ciências penais).. acusado. .

47 ZAFFARONI. além de uma conduta diversa. a exigência da culpabilidade significava a necessária presença do dolo e da culpa. Lúcio Antônio. existissem ou não as condições de punibilidade. sobre aquele que praticara o ato. que prende o fato como efeito ao homem como a sua causa. 48 BRUNO. introduzido no dolo. a pena. o dano. por si. 49 CHAMON JUNIOR. incidiria a responsabilidade objetiva em que o nullum crimen sine culpa estaria violado. 1 Quando o princípio da culpabilidade expandiu-se. tem-se o posicionamento de 48 BRUNO : Bastava a relação de causalidade física.. que. Esta era fundada na pura causação material do resultado. objetivamente. Manual de Direito Penal Brasileiro: parte geral. 1997. além dos outros elementos da culpabilidade naquele período. 525. p. portanto.106. A culpabilidade dependia de uma conduta no mínimo culposa e a existência da ilicitude do ato. . José Henrique. Mas caso fosse aplicada. 24. Eugenio Raúl.) é o resultado. para determinar a responsabilidade. CHAMON 49 JUNIOR esclarece e coloca seu entendimento a respeito do tema: (. Aníbal. Quanto aos tempos remotos. A culpa e o dolo não eram indispensáveis para que o sujeito fosse responsabilizado. Belo Horizonte: Mandamentos. A pena recaía então. Responsabilidade penal e embriaguez. estava-se sob a regência da teoria psicológico-normativa da culpabilidade. São Paulo: Revista dos Tribunais.p. Direito Penal: Parte geral. não ocorrendo. 1967.. gerava a responsabilidade. Assim. 2003. fosse voluntário ou não. p. Não havendo essas figuras não existiria culpabilidade. PIERANGELI. A sanidade ou normalidade mental também não influía para a formação do dever de responder. Sobre o que interessava neste período histórico.

com fundamento na simples causalidade objetiva. . Saraiva. 2006. Código Penal Anotado. Uma delas é a teoria chamada de versari in re 51 illicita. Desse modo. p. O sujeito. 82. 17ª ed. É inadmissível no estado atual do Direito Penal brasileiro. 51 TOLEDO. ou por ser um inimputável. Damásio E. sujeito a responder por algum acontecimento posterior que tivesse ligação com a conduta ilícita. Princípios Básicos de Direito Penal. 50 Em relação à responsabilidade objetiva. Se todos os fatores somam. estaria. São Paulo. falar em responsabilidade objetiva é incriminar alguém em razão de ato realizado sem culpa ou dolo. p. quem desempenhasse um ato ilícito. 1999. ou. 5ª ed. incompatível com presunções legais. a partir daquele instante. 307. responde pelo crime tão-só em face da realização da conduta. com o passar dos tempos. É inegável que a responsabilidade objetiva. mas nítido é o caráter objetivo na apenação. se imputável. O dolo e a culpa são presumidos pelo legislador. 50 JESUS. que se fundamenta na teoria da culpabilidade. Francisco de Assis. São Paulo: Saraiva. 1 Assim. sofreu variações. segundo esse princípio. quando ausente a culpabilidade. JESUS nos explica: Responsabilidade penal objetiva significa aplicação de pena sem dolo ou culpa. TOLEDO leciona que essa edificação teórica teve procedência no Direito Canônico e cujo brocardo “qui in re illicita versatur tenetur etiam pro casu” significaria “uma responsabilização objetiva a partir do momento em que aquele que se envolve com um evento ilícito é também responsável pelo resultado fortuito que dele possa advir”.

Acidentes ou “defeitos” na cadeia causal de uma ação – não imputáveis a titulo de culpa – estão fora da responsabilização subjetiva. de que depende a existência do crime.13°: O resultado. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. p. Assim. Lúcio Antônio. num primeiro plano. Não se aceita aqui qualquer teoria como a do versari in re illicita. 1984. no nosso ordenamento jurídico penal a culpa ou dolo devem existir. o Código Penal atual não aceita a responsabilidade penal objetiva.2Responsabilidade Penal Subjetiva No direito penal pátrio. A responsabilidade civil. Rio de Janeiro: Forense. que assim disciplina: Art. portanto. o que fica claro no artigo 13 do referido estatuto. o que caracteriza.55. a idéia de uma condição individual.107. 2003. 52 Neste norte CHAMON JUNIOR explana: Entende-se que responsabilidade subjetiva e resultado causado dolosa ou culposamente são noções que caminham juntas. somente é imputável a quem lhe deu causa. intrapsíquica. 1 1. 53 PANASCO explica sobre a responsabilidade subjetiva: A responsabilidade evoca. Wanderby Lacerda. 53 PANASCO. . que venha a corresponder ao ato ilícito e em resposta 52 CHAMON JUNIOR. já que somente é responsável aquele que por ato seu dá causa a um resultado ao menos imaginável.3. subjetiva. Toda ação ou omissão. p. portanto a responsabilidade subjetiva. Responsabilidade penal e embriaguez. penal e ética dos médicos.

Diz-se o crime: 54 PANASCO. patrimonial ou moral. 55 DIAS. 18. penal e ética dos médicos. Editora Forense. A responsabilidade civil. Clausula de não indenizar. 1955. a responsabilidade foi se tornando cada vez mais subjetiva. mostrando condições tais inerentes aos fatos e inerradicáveis deles. inciso I.) na elaboração da responsabilidade. Com a evolução dos tempos.119. o Código Penal eleva o “princípio da culpabilidade”. DIAS comenta que “para nos interarmos da noção de culpa cumpre partir da concepção do fato violador de uma obrigação (dever) 55 preexistente”. Rio de Janeiro. que na analise mais extensa não pode se perceber senão um fator “súbito. Wanderby Lacerda.. também há situações que se contrapõe a todo subjetivismo. p. 1. p. Nessa mesma idéia. em seu artigo 18.55. Jose Aguiar. obriga ao agente da ocorrência lesiva. Assim é que o Código Penal. imprevisto e fortuito”.4 DA RESPONSABILIDADE PENAL POR CONDUTA DOLOSA A conduta do agente infrator pode ser praticada mediante dolo ou culpa. ou seja. 54 E completa : (. Deste modo. trás a previsão da conduta dolosa: Art. respectivamente. 1984. imperícia ou negligência. 2 um dano. em seu artigo 13. onde os fatos originados por força maior e caso fortuito estão eliminados da esfera da responsabilização. .. a necessidade de suportar o ônus que desencadeou. com consciência da ilicitude ou por imprudência.

Ou seja. apud BATTAGLINI. quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. 56 Assim ensina BETTIOL : “(. João José..2. parte geral. porque o termo se ajusta tantos aos crimes de ação e de evento. da conduta. Direito Penal. no entanto. Revista dos Tribunais. encontra-se conectado à conduta e evento. ao invés de resultado. citado por BATTAGLINI nota que: “O objeto do dolo não pode ser senão o fato constitutivo do crime objetivamente considerado. não abrangendo assim a ação ou omissão. Giuseppe. 1958. 57 bastando.) é melhor usar a respeito do dolo o termo ‘fato’. assim. Parte Geral I. São Paulo. 240. independentemente de suas relações com a lei penal”. São Paulo. Giulio. 1964. Direito Penal. p. O conceito de dolo. 58 GRANDI. Direito Penal Geral. a consciência e a vontade. . Ney Moura. Alguns doutrinadores excluem a conduta da ilicitude. GRANDI.. 2 I .101. Saraiva. v. 57 TELES. onde a vontade está dirigida para a concretização do resultado típico. deslocou o dolo do campo da culpabilidade. atribuindo-lhe a condição de elemento do tipo penal 56 BETTIOL. Neste sentido de que a consciência da ilicitude pertence a 58 culpabilidade. formado pelas teorias da vontade e do consentimento. do resultado e do nexo da causa e efeito que deve existir entre a conduta e o resultado”. 1997. 2004. dolo é a vontade da pessoa humana de realizar tal conduta. 222. p. 258. 7ª ed. quanto aos crimes de simples ação ou omissão”. p. Como ressalta TELES : “O elemento intelectual do dolo é a consciência do fato. p. Direito Penal. 59 LEAL faz o seguinte comentário: A doutrina moderna.doloso. 59 LEAL.

Esse resultado é a meta. a qual o CP adota. Assim. 2 e criando o conceito de dolo natural. como um dos elementos necessários à formulação do juízo de reprovação.) para agir com dolo. .. Manual de Direito Penal. 144. 1979 p. o dolo pertence à ação final típica. A vontade é querer alguma coisa e o dolo é a vontade dirigida à realização do tipo penal. Costuma dizer-se. 62 MIRABETE. A partir desse entendimento.. segue MIRABETE : Toda ação consciente é dirigida pela consciência do que se quer e pela decisão de querer realizá-la. constituindo seu aspecto subjetivo.) para os adeptos da corrente finalista. E. Fernando. ou seja.. pode-se definir o dolo como a consciência e a vontade na realização da conduta típica. Portanto. Julio Fabbrini. pois cada qual pertence a estruturas diversas. por isso. 60 CAPEZ. segue CAPEZ : (. ao passo que a consciência da ilicitude pertence à estrutura da culpabilidade. 62 No mesmo rumo. não basta que o evento tenha sido previsto pelo indivíduo. Parte Geral I. Magalhães. abreviando o conceito. de um dolo desprovido da consciência da antijuricidade do fato. Curso de Direito Penal. o dolo pode ser definido como a vontade e consciência de realizar os elementos objetivos do tipo penal. ou seja. 61 NORONHA esclarece e coloca seu entendimento a respeito do tema: (. 2005 p.. p 140. 61 NORONHA.198. que o dolo é a vontade de executar um fato que a lei tem como crime. 60 No mesmo rumo. o fim que o sujeito ativo busca com sua atividade consciente dirigida. 2001. pela vontade. o dolo e a potencial consciência da ilicitude são elementos que não se fundem em um só. é mister seja querido. Direito Penal.

202. 2004. que deve corresponder plenamente ao fato desejado pelo agente”. 18. 2005. p. além da conduta da ilicitude. . o agente atua querendo como certa a realização de um determinado tipo penal. José Frederico Marques. Saraiva.) no dolo direto ou determinado. Fernando. João José.. p. 242. Assim.4. explica: 63 CAPEZ. Fernando. 222. 63 Sobre o tema. 66 CAPEZ. Curso de Direito Penal. o agente visa produzir um evento certo. 2005. 1.) é a vontade de realizar a conduta e produzir o resultado (teoria da vontade). Ocorre quando o agente quer diretamente o resultado”.1 4ª ed.1 Do Dolo Direto O Código Penal previu o dolo direto na expressão “quis o resultado” (art. onde o indivíduo sabe que sua conduta é ilícita. 1ª parte). citado por CAPEZ . Direito Penal Geral. parte geral: v. Flávio Augusto Monteiro de. 64 Destarte leciona BARROS que “no dolo direto de primeiro grau. Sua vontade se fixa numa só direção”. São Paulo. Este é chamado de dolo normativo.202. 65 Sobre o dolo direto LEAL tem o seguinte parecer: “(. 2004. 2 A conduta dolosa tem como elementos estruturais a consciência do fato e a vontade de alcançar o resultado. caracteriza-se o dolo direto pela vontade do agente de obter um resultado preciso. CAPEZ explica que: “(.. Curso de Direito Penal. I. 64 BARROS. Direito Penal. 66 Além do que. 65 LEAL.. p. p..

69 No mesmo rumo. O objetivo por ele representado e a direção da vontade se coadunam com o resultado do fato praticado. 2 Diz-se direto o dolo quando o resultado no mundo exterior corresponde perfeitamente à intenção e à vontade do agente.4. João José. 112. BARROS : 67 MAGGIO. inciso I. p. 243. p.p. onde o indivíduo tem a intenção de realizar um evento certo. embora não desejando diretamente o resultado. parte geral: v. 69 BARROS. 67 Como observa MAGGIO : “Dolo eventual – é aquele em que o agente não deseja diretamente o resultado. 222-223. preciso. compreendido pela expressão “assumiu o risco de produzi-lo”. 1.1 4ª ed. ensina LEAL : O dolo eventual ocorre quando o agente. Direito Penal. Vicente de Paula Rodrigues. determinado. que o dolo é indireto porque o indivíduo não se conduz a um resultado certo. 2002. Direito Penal Geral.2 Do Dolo Eventual O dolo eventual está na 2ª parte do inciso I do artigo 18 do CP. . 68 Deste modo. Direito Penal. Flávio Augusto Monteiro de. art. 2004. considera como seriamente provável que sua conduta poderá realizar o tipo penal previsto e concorda com sua possibilidade. O dolo eventual é uma espécie do dolo indireto. O dolo direto é a forma mais comum. Saraiva. diz-se assim. mas assume o risco de produzi-lo (CP. segunda parte)”. 68 LEAL. São Paulo.18. 2004. Parte Geral.

Direito Penal: Parte geral. mas só como possível. E arremata explicando a diferença entre dolo direto e 72 indeterminado : Com vontade de alcançar o resultado.) em que o agente não deseja o resultado previsto. Direito Penal. igualmente.. 1958. 1958. se ele eventualmente acontecer. assume. É quando o agente.73. mas assume o risco de produzi-lo. e o resultado não é representado como certo. p 223. que nem sempre é ilícito. Parte Geral I. Mas o agente prefere que ele ocorra. Ele prevê a hipótese de produzir o resultado e mesmo assim realiza a conduta. 2 No dolo eventual. assumindo e aceitando o risco de produzi-lo. dolo eventual para TELES é o momento: (. Sua vontade não se dirige ao resultado. mesmo não querendo o resultado. . Ney Moura. 1967. aceita o risco de sua produção. Ney Moura. 70 BRUNO. Aníbal. p. 70 Esclarece ainda BRUNO que: No eventual a vontade do agente não se dirige propriamente ao resultado. a desistir da conduta. ou apenas aceitando-o a conduta é dolosa. 72 TELES. nenhuma diferença faz ter sido o dolo direto ou indeterminado. Direito Penal. mas se este acontecer será aceito pelo agente. p 223. 71 Neste sentido. o agente não quer propriamente o resultado. no que diz respeito à verificação da correspondência entre o fato natural e o tipo legal do crime. Parte Geral I. 71 TELES.. o fato é doloso. Assim. mas apenas ao ato inicial. mas o aceita.

o conteúdo do dolo não é preciso. p. parte geral. ter evitado. previsto no tipo penal. mas o crime culposo. vinculando a culpa aos crimes em que a conduta causa um resultado nocivo. se arrisca em concretizá-lo. com a atenção devida. segundo os doutrinadores é 73 bastante divergente. 2004. 230. 18. que podia. 73 BARROS. Diz-se o crime: II – culposo. realiza conduta que produz resultado. Direito Penal. O que caracteriza este tipo penal é a involuntariedade do resultado ocorrido. 1. 2 O dolo eventual é a forma onde o indivíduo tem a intenção de realizar um evento.5 DA RESPONSABILIDADE PENAL POR CONDUTA CULPOSA O crime culposo está previsto no artigo 18. Flávio Augusto Monteiro de. O Código Penal não define a culpa. quando o agente deu causa ao resultado por imprudência negligencia ou imperícia. A conceituação de culpa. ou seja. . deixando de observar o cuidado necessário. inciso II do Código Penal. BARROS propõe a seguinte definição: Diz-se crime culposo quando o agente. Ou seja. não previsto nem querido. dispondo que: Art. mas previsível. e na dúvida a respeito de um dos elementos do tipo. quando o indivíduo causa o resultado sem intenção de produzi-lo. e excepcionalmente previsto e querido.

nas circunstâncias. não está descrita. p. 77 CAPEZ. 75 LEAL. numa situação em que ele pode prever a causação de um resultado danoso.. causadora de um resultado ilícito involuntário e que. Direito Penal. que ele não deseja. entretanto. 2 74 TELES delibera sobre a culpa da seguinte forma: A culpa. LEAL conceitua o crime culposo como: (.139. Curso de Direito Penal. por ser mais técnica e precisa. supôs levianamente que não se realizaria. por exemplo. a falta de cuidado do agente. com seu comportamento. 253. em inescusável erro de fato. e às vezes nem prevê. ou. 74 TELES.) deixando de empregar a atenção ou diligência de que era capaz em face das circunstâncias. 77 CAPEZ faz o seguinte comentário: A culpa. portanto. 76 NORONHA. a nosso ver. nem especificada.) o crime culposo consiste na conduta violadora do dever de cuidar (comportamento negligente ou imprudente). militando. bem como quando quis o resultado. pois seria mesmo impossível. além de evitar confusões desnecessárias. Ney Moura. p 225. mas apenas prevista genericamente no tipo. .. não previu o caráter delituoso de sua ação ou o resultado desta. nem aceita. 2004. produz. tendo-o previsto. o agente comete um crime culposo quando: (.206. Parte Geral I. Fernando. expressão que preferimos. 1958. em sentido estrito. ou negligência. era previsível ou deveria ter sido previsto ou evitado.. 2005. 76 Para NORONHA . Direito Penal. Magalhães. é. João José. mas que. Isso se deve ao fato da absoluta impossibilidade de o legislador antever todas as formas de realização culposa. p. p. Parte Geral I. 1979. 75 Deste modo. Direito Penal Geral. E..

151. deixar criança brincar com fio elétrico etc. teria naquelas mesmas circunstâncias. p.).1 Da Culpa Inconsciente A culpa inconsciente ocorre quando o indivíduo age culposamente. Direito Penal. 79 Esclarece NORONHA que: 78 LEAL.. ultrapassar em local proibido.) a culpa inconsciente se caracteriza pela falta de cuidado que leva a um resultado não previsto. 79 NORONHA. 2004. que o agente não chega a prever a possibilidade de um acidente com danos pessoais. . É inimaginável de quantos modos diferentes a culpa pode apresentar-se na produção do resultado morte (atropelar por excesso de velocidade.. p. 78 LEAL assim define a culpa inconsciente: (. E. nem prevê que sua conduta será negligente. 2 tentar elencar todas as maneiras de se matar alguém culposamente. que negligência em sua obrigação normal de cuidado e acaba trazendo um dano a um bem jurídico. mas deveria e poderia tê-lo previsto e evitado. disparar inadvertidamente arma carregada.5. Parte Geral I. João José. não percebe a placa sinalizadora e causa um acidente. onde este não deseja o resultado causado. O crime culposo. É de se admitir. na qual é feito uma comparação entre a conduta realizada pelo agente e aquela que uma pessoa de cautela normal. É o caso do possuidor da arma. deste modo. nestes dois casos. Direito Penal Geral. 257. 1979. negligentemente deixada ao alcance de uma criança ou do motorista que. 1. é a infração do indivíduo descuidado. Magalhães. distraído.

Ney Moura. p 234. não o admite. Parte Geral I. A culpa inconsciente então. e o fez sem a consciência de que poderia causar o resultado. nas modalidades de imprudência. não obstante. 80 TELES. não representou o resultado que era. É a chamada culpa “ex ignorantia”. direção de veículo com velocidade inadequada etc. Por isso agiu. voluntariamente. porque não realizou a previsão. por deficiência de atenção. Manual de Direito Penal . p 150. plenamente. não o prevê. São os casos comuns de crimes culposos: manejo de arma. É previsível. 1. 2 (. mas ele. 80 Deste modo. Não há no agente o conhecimento efetivo do perigo que sua conduta provoca para o bem jurídico alheio. 1958.2 Da Culpa Consciente Ocorre quando o sujeito prevê o resultado. não o deseja e nem o aceita. mas o agente não o calculou.5.. Foi negligente porque não representou o resultado. TELES explica sobre a culpa inconsciente: Ocorre quando o sujeito não realiza a previsão do resultado.. 2001. é a culpa comum. Com efeito. sua conduta é culposa. O fato era previsível. Julio Fabbrini. sem verificar previamente se está carregada. dando causa ao resultado. previsível. .) o resultado previsível não é previsto pelo agente. se ele eventualmente acontecer. negligência e imperícia. mas ele não teve consciência de que o resultado ocorreria. 81 MIRABETE observa que: A culpa inconsciente existe quando o agente não prevê o resultado que é previsível. 81 MIRABETE. Direito Penal. e impulsiona. a conduta.

esclarece e coloca seu entendimento a respeito do tema: (. Há no agente a representação da possibilidade do resultado. Ney Moura.210. 2005.p. espera que não se efetive. . 85 Assim elucida MIRABETE : A culpa consciente ocorre quando o agente prevê o resultado. não acontecerá nenhum resultado lesivo. Curso de Direito Penal. mas nem por isso constitui modalidade mais grave do que aquela. Avizinha-se bastante do dolo eventual. apesar da possibilidade de que o resultado ocorra. mas espera. 84 NORONHA. E. Julio Fabbrini. mas ele o afasta por entender que o evitará. Manual de Direito Penal . Fernando. Magalhães. segue NORONHA : Na culpa consciente ou com previsão (culpa “ex lascívia”). porém. por entender que a evitará e que sua habilidade impedirá o evento lesivo previsto. CAPEZ .. p. mas confia sinceramente que poderá evitá-lo ou que ele não ocorrerá. 3 82 Sobre a culpa consciente.. 82 CAPEZ. Parte Geral I. Há no agente a representação da possibilidade do resultado. 1958. 84 No mesmo rumo. 83 TELES.151. que não ocorrerá. Parte Geral I .1979. embora não o aceite. p 150. 85 MIRABETE. 2001. 83 TELES ensina que: Às vezes o sujeito realiza a previsão do resultado. p 234. o sujeito ativo prevê o resultado. Direito Penal.) é aquela em que o agente prevê o resultado. mas ele a afasta de pronto. Direito Penal. sinceramente. agindo com a convicção plena de que.

quando o agente presume o resultado. diagnósticos e receitas eram dadas sem contestação alguma. Assim. verificamos que os meios para diferenciarmos as modalidades de culpa são um pouco imprecisos. uma relação médico-paciente. 3 Desse modo. por que acredita incorretamente na sua competência ou nas circunstâncias. Uma questão especial e de grande complexidade é o crime culposo nos casos médicos. cujo objeto de estudo será. foi criada. . configurando assim. Assim. é necessário diferenciar a culpa do erro. no segundo capítulo conseguir-se-á ter uma visão mais ampla deste assunto. o erro médico. com base na confiança. mas crê que o mesmo não vai advir. Porém. Pois os eventos característicos de uma. CAPÍTULO 2 DO ERRO MÉDICO E DO PROFISSIONAL MÉDICO Desde os primórdios. as três modalidades juntas. ocorre a culpa consciente. onde condutas. podem ocorrer junto com de outra. quando o ser humano começou a usar técnicas e curas para seus semelhantes.

inicialmente será conceituado o erro. 3 Com o passar dos tempos e com a mudança no Código do Consumidor. Tais erros cometidos ocasionam ao profissional médico várias punições. para. no direito do consumidor e no código de ética médica. Com isso a lei brasileira prevê reparação do dano e punição penal. mas no direito civil. assim como é responsável por seus deveres éticos e jurídicos que resultam do exercício de sua profissão. Assim. sendo elas administrativas. No Brasil não existem estatísticas palpáveis. com a obrigação de preservá-la.4CONCEITO DE ERRO MÉDICO O erro é da natureza humana. cometidos por profissionais com grande responsabilidade e sem o mínimo de ética profissional. posteriormente. mas são inúmeros os erros cometidos todos os anos em nossos hospitais e clínicas. se de meio ou de resultado. a relação confiável abalou. Este profissional médico tem controle sobre a vida humana. bem como as formas de responsabilidade pelo ato médico. assim. 1. erros estes. . fazendo-se. uma incursão não só no direito penal. ser analisada a conduta médica. além de penalidades civis e administrativas concernentes ao Conselho Regional de Medicina. causando ao paciente danos gravíssimos e muitos até irreversíveis. alguma falha no exercício da profissão. para a saúde do paciente. e em relação aos médicos. é de algum insucesso. civis e penais.

pecado. engano... imprudência ou negligência.I. 88 Para FÁVERO erro médico significa: Erro médico é o resultado da conduta profissional inadequada que supõe uma inobservância técnica. incorreção. Porto Alegre: Livraria do Advogado. capaz de produzir dano à vida ou agravo à saúde de outrem. entre o valor exato de uma grandeza e o seu valor calculado. 3 Para conceituar com propriedade o erro médico. .A – Rio de Janeiro. Erro do médico sugere qualquer desvio do médico das normas de conduta dentro ou fora da medicina. Não há erro médico sem dano ou agravo à saúde de terceiros. p. juízo falso. O Erro Médico: responsabilidade penal. desacerto. mediante imperícia. F. - relativo: relação entre o erro absoluto e o valor exato. S. representação essa em suas características objetivas que o põe em conformidade com o tipo legal como ato contrário ao dever perante a ordem de Direito.) verificar que errou. 86 Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa Ilustrado . 87 De tal modo. desvio do bom caminho. em valor absoluto. . Newton. cair num. Isso é definitivo. PACHECO define o erro no âmbito penal da seguinte forma: O erro leva o agente a não alcançar a representação real do fato. desregramento. falta.1991. onde. (ant. 1930.35.absoluto (Mat.: ser vitima de erro. Bibliotheca Scientífica Brasileiro. 88 FÁVERO. 65. é conveniente consultar a definição de “erro” em um dicionário. 87 PACHECO.m.): diferença. p. 2000. segundo 86 AURÉLIO significa: ERRO – s. com dado ou sem ele.Supervisionado por Aurélio Buarque de Holanda com assistência de José Batista da Luz – 19ª edição – 25ª tiragem – Editora Civilização Brasileira S. Deontologia médica e medicina profissional. – Ato ou efeito de errar.

imprudência ou negligência. na atividade médica o profissional cairá em erro quando não adotar medida necessária à circunstância em que se depara. Portanto. ocorre aquela espécie de culpabilidade. É evidente que.25. tanto em um caso como no outro. La colpa Nella Teor. Vol. quando existe um erro que podia ser evitado. mas caso fortuito. o erro deve ser vencível. Hidelgard Taggesell. 16-22. ou. mas produz um evento que é vedado.. Erro médico: à luz da jurisprudência comentada. . 5.69. por erro. G. 90 GOMES e FRANÇA também citam a culpa como base para o erro médico: Erro médico é a conduta profissional inadequada que supõe uma inobservância técnica. Montes Claros (MG): Unimontes. embora dirigindo sua ação a um resultado interdito. Francisco. caracterizada por imperícia. 91 Assim abrange GIOSTRI : 89 ALIMENA. 3ª tiragem. porque ignorava as condições reais em que agia. V. quando. p. Gener. p. 90 GOMES. FRANÇA. pois do contrário não haveria culpa. apud Nelson Hungria Comentários ao Código Penal. J. Curitiba: Juruá. 1999. Atuando com culpa. Portanto. Editora Forense. 2ª ed. acreditava.. bem como não usar as técnicas precisas ou ainda os cuidados indispensáveis. capaz de produzir um dano à vida ou à saúde de outrem. M. Erro médico: um enfoque sobre sua origem e conseqüências. 2006. São Paulo. poder produzi-lo. Del Reato. C. p. 5ª edição. aquela relação psíquica que se chama culpa. 3 89 No mesmo assunto. isto é. ALIMENA sustenta o erro como fundamento da culpa: A culpa é uma atitude involuntária que se apresenta quando o agente dirige sua ação a um resultado licito. 91 GIOSTRI.

Responsabilidade civil do médico & Erro de diagnóstico.. quando resultado de uma ação ou omissão do médico. 92 Sobre este mesmo ponto.) deve estar claro que se entende por erro médico a falha no exercício da profissão. do que advém um mau resultado ou um resultado adverso. bem como as lesões produzidas deliberadamente pelo médico para tratar um mal maior. É o mau resultado ou resultado adverso decorrente da ação ou da omissão do médico. Entretanto. ser entendido como uma falha no exercício da profissão. O Manual de Orientação Ética Disciplinar do Conselho 93 Federal de Medicina define o erro médico como sendo : (. Excluem-se as limitações impostas pela própria natureza da doença. 112. o foi por erro culposo. Observa-se que todos os casos de erro médico julgados nos Conselhos de Medicina ou na Justiça. efetivando-se através da ação ou da omissão do profissional. 2003.. com resultado diverso do pretendido. Brasília. p. 2ª tir.: 1993.F. por inobservância de conduta técnica. incidir um dano ao 92 SCHAEFER.. então. Curitiba: Juruá. decorrente de ação ou omissão do médico ou demais profissionais da sua equipe. Desafios éticos. Assim. . p. 61. Coordenação de José Eberienos Assad. em que o médico foi condenado. estando o profissional no pleno exercício de suas faculdades mentais... D. 93 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. 3 Erro médico pode. Fernanda. o erro médico é aquele que resulta de um ato doloso ou culposo e entendido como desacerto no exercício do seu ofício. SCHAEFER conceitua erro médico: (. 1ª Ed.) a falha do médico no exercício da profissão.

2001. Criminal e Ética. . 90. o Código de Ética Médica. Jamais utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou moral. administrativa e a criminal. O médico enquanto prestador de serviços é enquadrado no conceito legal de fornecedor. casuisticamente analisada. encontrando-se. Neste sentido. 3 paciente. enfrentando-as e aproveitando todas as suas experiências adquiridas e vividas até então. sendo de meios. contido no CDC. sujeito às normas ali prescritas. p. Ed. 6° . as quais necessita ir além.O médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana. Responsabilidade Médica: Civil. este deverá ser responsabilizado e punido. Esta punição pode ter três conseqüências distintas: a punição civil. A obrigação conseqüente da prestação de serviços médicos. caracteriza-se como sendo uma obrigação de cautelas e de 94 empenho . Jurandir. de modo que este profissional enfrenta circunstâncias novas todos os dias. in verbis: Art.5DO PROFISSIONAL MÉDICO A aptidão de um profissional médico evidencia-se pela habilidade em exercer os seus atos com responsabilidade. portanto. 1. contendo e seu artigo 6° o principal motivo para esta profissão. atuando sempre em benefício do paciente. para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra a sua dignidade e integridade. e de acordo com o avanço científico. verbis: 94 SEBASTIÃO. Del Rey: Belo Horizonte. juntamente com o nexo de causalidade. encontramos o principal instituto legal para o exercício da medicina.

o médico presta serviços para a saúde do ser humano. nacional ou estrangeira. Responsabilidade médica civil. que desenvolvem atividades de produção. só decorrera ação civil para reparação patrimonial se houver dano físico ou moral do paciente. Ed. por infração prevista no Código de Ética Médica. automaticamente. . que estabelece as normas de conduta deste profissional. bem como os entes despersonalizados. O CDC trata da relação entre consumidores e fornecedores. cumprindo ao Órgão de Cúpula (Conselho Federal de Medicina. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. à reparação civil ou incurso de algum delito penal. construção. a condenação do médico pelo Órgão de Classe. pública ou privada. com direitos e deveres. Del Rey: Belo Horizonte. grande precaução incide sobre este.Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. O médico também possui um dispositivo legal que o ampara e o fiscaliza. algo com um valor inestimável. criminal e ética: legislação positiva aplicável. criação. montagem. especialmente porque é exigido pelo CDC que o prestador execute seu trabalho de modo cristalino com o consumidor.30. por competência delegada) estabelecer e alterar de acordo com a tecnologia e seus avanços. sendo este o Código de Ética Médica. 95 Sobre tal tema. 1968. não significa que estará obrigado. p. Jurandir. SEBASTIÃO explica: Ao contrário dos efeitos da condenação criminal pela justiça. E só terá inicio a ação penal pública se o fato tipificar algum delito. 95 SEBASTIÃO. exportação. Uma coisa nada tem a ver com a outra. 3º . importação. transformação. 3 Art. Neste sentido.

na maioria das vezes com casos patológicos cuja afecção tem seus próprios riscos de evolução. isto é. p. devem ser apurados mediante a verificação de culpa ou dano. Pelo fato de tratar o doente. Diante deste contexto. à cura. na forma legalmente prescrita. muitas delas desconhecidas. lábil . doutrina GIOSTRI : O facultativo trabalha dentro de um contexto biológico – portanto. compatíveis com os recursos locais. 97 MACHADO. 96 GIOSTRI. citado por Machado : Na relação entre o médico e o doente. . aquele tem a seu cargo uma obrigação de diligência ou de meios. o médico assume a obrigação de dar a este um tratamento adequado. Erro médico: à luz da jurisprudência comentada. os atos danosos em que a prestação médica resultam. um tratamento conforme os dados atuais da ciência.. Hildegard Taggesell. quanto à morte ou a seqüelas de maior ou menor gravidade. 3 Porém uma característica ressaltante. in Revista dos Tribunais. 96 Neste âmbito. Paulo Affonso Leme: A Responsabilidade Médica Perante a Justiça. 23.tratando. 2006. podendo levar tanto à melhora satisfatória. e não uma obrigação determinada ou de resultado. Conseqüentemente. é que o profissional médico que trabalha com um sistema de grandes variáveis. sujeitando-se aos riscos do corpo humano. de que possa dispor e com as condições específicas e pessoais do próprio cliente. 72. temos o ensinamento de Lafayette 97 Pondé. p. 494/245.

determinando assim. Provada a culpa do profissional com relação aos cuidados dispensados ao doente. É ao paciente. será o seu bom senso. onde leva em conta o fornecimento que o devedor deveria fazer ao 98 FRADERA. p. 3 Não podemos esquecer do estrito cumprimento do dever legal que o médico. O artigo 58 do Código de Ética Médica determina ser vedado ao médico: “Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em caso de urgência. v. Quando a conduta do profissional médico é inadequada para com seus pacientes. ou. Sobre este 98 tema FRADERA leciona: A consideração da natureza da responsabilidade médica como contratual não tem como efeito tornar presumível a culpa. A Responsabilidade Civil dos Médicos. Porto Alegre. por parte do profissional. se for o caso. sua conduta. 1. Ajuris: Revista da Associação dos Juizes do Rio Grande do Sul. tem para com as pessoas. será aquele constrangido à reparação do dano causado. como profissional da saúde. Por força deste dispositivo.6DA PRESTAÇÃO MÉDICA TÍPICA A prestação tem seu significado amparado ao Direito Romano. este será responsabilizado pelo dano causado. além do domínio da sua profissão.55. Vera Maria Jacob de. quando não haja outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo”. .123. podemos observar que o que determinará um bom profissional. a seus familiares que incumbe demonstrar a inexecução da obrigação.

. enquanto HARTMANN entende que se deveria eliminar a idéia de prestação. este conceito não é em todo correto. Havendo quem entenda que a prestação não é objeto da obrigação: 100 o objeto seria o seu conteúdo .48. detalha MOREIRA 99 ALVES : “É tradicionalmente considerado como sendo a prestação. esse acordo pode 99 MOREIRA ALVES. a prestação tem algumas 101 circunstâncias relevantes. de meios e de resultados. Porém. no exercício médico. Responsabilidade civil do médico. fazer e não-fazer. Porto Alegre: Sagra Luuzzatto. um fazer ou um não fazer algo”. de empenho profissional. Referindo-se tanto com a prestação de dar. Essa regra sofre exceção quando se trata de Medicina Plástica. Criminal e Ética. 102 Para MATIELO esta relação tem um princípio: O marco inicial da relação médico/paciente é o próprio instante de implementação do contrato. v. 2001. subsistindo apenas enquanto ela não se realiza. et. II. para existir. 4 credor. de cunho apenas estético e voluntário. p. Em relação ao objeto da obrigação. Responsabilidade Médica: Civil. Direito Romano. objetos de uma obrigação.29. Loc. p. substituindo-a pela de finalidade ou escopo. ou seja. Fabrício Zamprogna. cujo conteúdo pode se traduzir em um dar. 1972. independentemente de qualquer escopo. Sendo estes. 100 “Informa MOREIRA ALVES que para SAVIGNY o objeto da obrigação encontrar-se-ia no ato que o devedor deveria realizar. cujo contrato passa a ser misto. 102 MATIELO. para alguns doutrinadores.20.” 101 SEBASTIÃO. 2001. op. Assim. ou seja. que tem lugar quando um solicita e o outro aceita prestar os serviços profissionais. José Carlos. enquanto aquelas necessitam. de uma finalidade. cit. porquanto o que distinguiria a obrigação dos direitos reais seria o fato de que estes existem. p. Jurandir. como discursa SEBASTIÃO : O contrato de prestação de serviços médicos (nele incluídos o dentário e veterinário) é de meios. Rio de Janeiro: Forense.

Responsabilidade Ética – Penal e Civil do Médico. Brasília. Léo Meyer. p. a diferença em relação aos outros tipos de contrato. percebe-se algumas circunstâncias que dão motivos para que a prática médica não tenha possibilidade de ter as mesmas aplicações jurídicas que outras profissões. p. DF:Livraria e Editora Brasília Jurídica. Responsabilidade das Condutas Médicas. No exercício da profissão médica. ou seja. também participa e é responsável pelo bom desempenho do tratamento. pessoalmente ou de qualquer modo suscetível de prova. Se recusa segui-la não pode o médico ser responsabilizado. 1997. inconsciente. salvo em casos especiais de risco de vida. 2. 2006. ou quando. José Eduardo Cerqueira. 4 ser feito pelas mais variadas formas.13. Assim. sendo o de conselho. podendo a mesma ser voluntária ou não. o profissional médico possui três deveres básicos. mesmo obedecendo a prescrição médica. Brasília: OAB Editora. ed. 104 GOMES. é a situação de que o contratante. Dentro do contrato médico. o paciente. 27. começando pelo dever de conselho: 103 COUTINHO. o de cuidado e o de abstenção. tanto verbalmente como por escrito. seja por telefone. . 103 Neste contexto. É involuntária quando incapaz de tomar decisões. COUTINHO explica os dois tipos de participação: É voluntária quando exerce seu direito de seguir ou não a prescrição médica. 104 Sobre o tema GOMES explica sobre cada um. por carta. seu organismo não responde à medicação ou intervenção executada.

Dicionário Básico latino-português Florianópolis: UFSC. 27. a obrigação contratual resulta em responsabilidade. José Eduardo Cerqueira. alguma questão pendente. com sentido de vínculo entre duas pessoas para se resolver alguma lide. atar. 1991. 105 Seguindo com o dever de cuidado : O médico infringe o dever de cuidado quando desatende ao chamado do doente ou negligencia as visitas.154. 106 E por final. Cf. advém o dever de indenizar a pessoa lesada. amarrar. enfaixar. 106 GOMES.7DA OBRIGAÇÃO DA PRESTAÇÃO MÉDICA 107 O vocábulo obrigação é proveniente do latim. sobre o dever de abstenção : Ao médico cabe. Segundo artigo 186 do Código Civil de 2002. .p. Ligo – verbo transitivo: ligar. ainda. 2006. em caso de excesso de trabalho. assim. Responsabilidade das Condutas Médicas. de obligatio . 1. 4 Infração ao dever de conselho ocorre quando o médico não instrui o cliente ou pessoa de que este dependa a respeito dos cuidados e preocupações requeridas no tratamento do paciente. 2006. para. que diz: 105 GOMES. uma vez que pode ser substituído por um colega. Neste sentido.28 107 Obligatio – donde ob. o dever de se abster de utilizar instrumentos perigosos para a incolumidade física do paciente sem dominar completamente a técnica. quando a obrigação não corresponde ao contratado. Da junção das duas palavras adveio obligo – verbo transitivo: ligar. onde liga alguém basicamente a outrem. p. p. Responsabilidade das Condutas Médicas. diante de. de maneira a evitar danos provenientes do manejo. obrigar. preposição: por causa de. por. BUSSARELLO. José Eduardo Cerqueira. Raulino. atar.

1977. 88. v.. 1990. na prestação de um serviço onde existe a obrigação. Aquele que. 110 VARELA. o comportamento positivo ou negativo a que o devedor se encontra adstrito e que serve à satisfação dos interesses do credor”. Ao garantir que o objeto da obrigação é a prestação. Além da prestação positiva e negativa.4. 109 MONTEIRO.55. 22. Washington de Barros. Direito das Obrigações. Antunes. caso a obrigação não seja efetuada corretamente. negligência ou imprudência. VARELA nos explica o que seria a prestação fungível e a não fungível: 108 FARIA. Ed. ainda que exclusivamente moral. . positiva ou negativa. fica evidente que.1. FARIA explica que “é. Curso de Direito Civil. São Paulo: Saraiva. comete ato ilícito. Rio de Janeiro: Forense.9. por ação ou omissão voluntária.) a relação jurídica. 1. 4 Art. p. Jorge Leite Areias Ribeiro de. quando esta não é satisfeita. Portanto. v. Coimbra: almedina. numa palavra. 108 Assim.. estabelecida entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal e econômica. v. 110 Destarte. devida pelo primeiro ao segundo. Direito das Obrigações. 1988. Direito das obrigações. alguns doutrinadores classificam a prestação em fungíveis e não fungíveis. resulta em danos e conseqüentemente em indenização. violar direito e causar dano a outrem. p. de caráter transitório. p. garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio. observa-se a 109 definição de MONTEIRO que diz: (. diante de inúmeras conceituações. 186.

fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável. 4 (. Maria Helena. ou de alguém conosco juridicamente relacionado. DINIZ cita in verbis Clovis Beviláqua. sem citar a questão da responsabilidade do 112 devedor inadimplente. 1999. que. por pessoa diferente do devedor. obrigação de meio e obrigação de resultado. Na década vinte. em função de seu objeto ou conteúdo. que nos constrange a dar. ou até onde o direito admite. Curso de Direito Civil Brasileiro. ou em virtude de lei. p. René Demogue. Brasília: Brasília Jurídica. 1985.2. Entretanto. Teoria Geral das obrigações. V.30.. . um jurista francês. p. por ato nosso. 2 ed. a saber. enquanto a prestação não fungível seria aquela cuja realização só poderia ser levada a cabo pelo devedor. E conclui – quando se convencionar que a obrigação será executada pessoalmente pelo devedor. Paulo Luiz Neto. Em relação a exercício da Medicina. Direito das Obrigações. mesmo 111 que de modo satisfatório.25. já que pesam aqui as aptidões técnicas ou outras qualidades que lhe são inerentes. 112 DINIZ. se executada por terceiro. LÔBO explica: As obrigações de fazer envolvem ação humana até o limite que o ser humano pode física e psiquicamente atingir. adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão. em proveito de alguém. entendendo ser a definição mais completa: Obrigação é a relação transitória de direito. São Paulo: Saraiva.. em uma obrigação de fazer com prestação não fungível. dispôs as obrigações em duas categorias.) fungível seria a prestação que poderia ser efetuada mesmo contra a vontade do credor. não esta o credor obrigado a aceita-la. 111 LÔBO.

cumpre ao médico empenhar-se. Responsabilidade médica civil. em relação à natureza do contrato médico. 4 Sobre o conteúdo obrigacional da prestação médica. p. Erro médico: à luz da jurisprudência comentada. com o objetivo de curar o paciente. com vista a que este alcance a cura ou a melhora de sua patologia ou. criminal e ética: legislação positiva aplicável. quanto necessário e possível. aceitas pelo conselho profissional como adequadas ao fim proposto. 114 SEBASTIÃO. 68. na maioria das vezes positivo (ação que se efetiva por um tratamento ou cirurgia).30. .) é possível inferir que sua prestação está representada por sua própria atividade. cita-se o disposto no Código de Ética Médica. para o bom resultado da prática médica. e que lhe diminua o bem-estar. por um comportamento. entende-se que obrigação é uma relação entre duas pessoas. Isso importa obrigação de utilização de todas as técnicas disponíveis. 113 GIOSTRI entende que: (... para satisfazer o interesse do credor/paciente. 1968. 114 SEBASTIÃO esclarece: Sendo o exercício da atividade profissional um contrato tácito ou expresso de meios. elimine ou atenue algum defeito ou algo que ele julgue antiestético. onde a obrigação é um direito do outro nos cobrar o que é devido. Assim. acerca do tema: É vedado ao médico: 113 GIOSTRI. ainda. p. O médico tem a obrigação de explanar ao paciente a sistemática do tratamento a ser usado. Por conseguinte. 2006. onde uma se compromete com a outra. Hildegard Taggesell. Conseqüentemente. Jurandir.

responsabilizado por seu ato. 2001. . no momento que o médico age sem consentimento de seu paciente. 1. portanto. O médico não fica adstrito a um resultado final. . 116 MATIELO. se fosse ele jungido a um resultado específico. Sendo.7. 46: Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal. Fabrício Zamprogna. Fabrício Zamprogna. 115 Sobre este assunto. o agente se preocupa em empregar meios específicos para obtenção de um resultado.56. p. pois. p. Assim.1Obrigação de Meio Na obrigação de meio. fatalmente estaria derrubada até mesmo a teoria da contratualidade nas relações médico/paciente.56. 116 E ainda complementa dizendo que : A existência de obrigação de meios é a única solução que pode justificar a liberdade de atuação do profissional da saúde. acaba incorrendo em erro. MATIELO discorre: Obrigação de meios é a que vincula o profissional à aplicação diligente de todos os recursos disponíveis para a melhor condução possível do caso clinico que será alvo de seus préstimos. Responsabilidade civil do médico. 4 Art. sem se vincular a aquele resultado. 115 MATIELO. salvo iminente perigo de vida. 2001. Responsabilidade civil do médico. mas tem de envidar todos os esforços e utilizar-se dos aparatos técnicos que estiverem razoavelmente ao seu alcance.

p. 2006. 117 GOMES conceitua que: A obrigação de meio é aquela que é satisfeita simplesmente com a aplicação de forma diligente da técnica adequada ao caso. p. mas sem que lhe seja exigido alcançar um resultado positivo esperado. 120 GIOSTRI. contudo.27. 2006. Tomo XLV. 667. p. a atuação na forma de obrigação de meios. 118 GOMES. p. Responsabilidade das Condutas Médicas. Madrid: abr/jun. 1992. José Eduardo Cerqueira.. Erro médico: à luz da jurisprudência comentada. 2006. José Eduardo Cerqueira. LOBATO GOMEZ. 120 Sobre o mesmo tema. 119 ESPANHA. no entendimento de Lobato Gomes. Contribuicion al studio de la distincion entre lãs obligaciones de médicos y lãs obligaciones de resultado. Fascículo II. 118 E ainda completa : Em sua maioria. Entretanto. ter o dever de alcançar o resultado. 4 Assim sendo. J. Anuário de Derecho Civil. . entre outros em que consiste no dever de aplicar todo o conhecimento mais atual sobre o assunto tratado. como para os ginecologistas. GIOSTRI compreende que: 117 GOMES. Ministério de Justicia. Anuário de Derecho Civil. Miguel. Responsabilidade das Condutas Médicas. sem. e sim com as técnicas utilizadas para o tratamento naquele instante. pois sua preocupação não é com o resultado final. bem como agir com a máxima cautela exigível de um bom profissional. servindo-se de meio humanos e técnicos necessários a produzir o 119 resultado que o credor espera”.128. “o resultado previsto não poderá ser alcançado. os clínicos gerais. os cardiologistas. caracteriza uma maior liberdade para o profissional médico. se o devedor não atuar com uma determinada conduta. Hildegard Taggesell.27. é aplicada a obrigação de meio.

e obrigações de meio e de resultado: As constantes mudanças nas atividades dos profissionais liberais. só os elementos da culpa. Ou seja. o melhor resultado possível. a saber: Nas obrigações de meio. 4 No campo médico. do CDC. O que se quer dizer é que de uma conduta diligente pode advir um mau resultado. no momento em que0 este estava em perigo ou precisando de seus cuidados. 121 VIEIRA. todo o esforço que o médico teve para com seu paciente.com. entende-se que este profissional não está obrigado a curar seu paciente. Disponível em http://www. lhe assegure a cura. está alijado a uma obrigação de meio. Responsabilidade dos profissionais liberais (médicos). Direito Net. nos termos do § 4°. Deste modo. no campo da responsabilidade. Caso em que não poderá lhe ser exigido tipo algum de ressarcimento. 2008. bem como não haver conseqüência negativa de uma conduta negligente. do artigo 14. entendemos por obrigação de meio. imperita ou imprudente. para ele. . 7 jun. no caso dos médicos. imperícia. 2005. mas não necessariamente. não existindo compromisso de qualquer natureza com a obtenção de um resultado específico. que passa a incorrer em responsabilidade. Nesta.direitonet. baseado na responsabilidade subjetiva. 121 VIEIRA considera a obrigação de meio uma prestação não atingida. mas a obter.br/ artigos/x/18/72/1872 Acesso em 21 abr. será ele responsabilizado. caso seja identificada qualquer conduta culposa do profissional no exercício do seu trabalho. É o princípio da culpa. o profissional está obrigado a empenhar todos os esforços possíveis para a prestação de determinados serviços. Isto significa dizer que. imprudência e negligência podem não criar responsabilidade se não adveio – por intermédio de nenhum deles – um mau resultado para o paciente. Marcio.

GIOSTRI esclarece que: De modo gera as obrigações de resultado tem como meta a obtenção de um resultado predeterminado e pactuado adredemente.144. o agente se obriga a realizar um determinado ato. p. Erro médico: à luz da jurisprudência comentada. 1988. a simples verificação material do inadimplemento seria razão bastante e suficiente para determinar a responsabilidade do devedor. Curso de Direito Civil. 2006. o que – se não efetivado – põe o devedor em responsabilidade. de acordo com o CDC. o serviço deve ser prestado com precisão no padrão em que se é esperado. não se tendo aquela por adimplida se não for atingido o resultado avençado. Hildegard Taggesell. 123 MONTEIRO. apenas. 123 Todavia. Assim.7. p. Washington de Barros.2Obrigação de Resultado Na obrigação de resultado. para se chegar a um resultado preciso. responde pelos vícios de qualidade por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou ordem publicitária”. . Monteiro explana que: (. 4 1. de acordo com o que ordena o artigo 20 do CDC: "o fornecedor de serviços.53. evidenciar que o resultado esperado não fora atingido. para pleitear uma indenização bastaria. Portanto. Direito das Obrigações.) é exigido um resultado útil para o credor. 122 Sobre o assunto.. Clarividente é que. salvo que se prove q interferência de caso fortuito ou força maior. Portanto. exonerando-se o agente de sua responsabilidade somente pela 122 GIOSTRI..

que é aquela pela qual o profissional assume dever especifico e certo de atingir o objetivo. 5 ocorrência de caso fortuito ou força maior. 2001. 125 MATIELO. como o pagamento de dívidas em dinheiro e aqueles casos mencionados em lei e. p. As obrigações de resultado podem distinguir-se em duas 124 classes de obrigações. devedor. GISOTRI nos explica cada uma delas: As primeiras – as ordinárias – dizem respeito às coisas infungíveis. . Nessa 124 GIOSTRI. a obrigação de restituir a coisa guardada ou arrendada. Nela se inserem as coisas fungíveis. Erro médico: à luz da jurisprudência comentada. Fabrício Zamprogna. aqueles que. a obrigação dos hoteleiros pelos pertences de seus hospedes e a dos transportadores frente às coisas e pessoas transportadas. alterariam a garantia absoluta da qual goza aquele. 145. 125 No contexto médico. em razão do princípio da autonomia da vontade. sendo elas as ordinárias e as absolutas. E tais excludentes. nem a força maior. descumprindo o contrato ante a singela falta de consecução da finalidade almejada. p. Responsabilidade civil do médico. MATIELO toma sua posição explanando: Algumas formas de atuação médica produzem obrigação de resultado. o que se exemplifica com a obrigação de dar coisas genéricas. podendo-se mencionar entre elas a obrigação de entregar a coisa vendida. As segundas – as absolutas – beneficiam de tal maneira o credor que nem o caso fortuito. caberiam a ele. Hildegard Taggesell. tenham as partes excluído o caso fortuito e a força maior como causa de exoneração de responsabilidade. 2006. o ônus de prová-las. ainda.59.

.direitonet. Marcio. . motivo pelo qual o consumidor se sente estimulado a pagar o preço correspondente. no campo da responsabilidade. 126 FRANÇA explana que: Na obrigação de resultado. 128 GOMES. 126 FRANÇA. a prestação de serviço tem um fim definido: se não houver o resultado esperado. 7. 128 No mesmo sentido GOMES elucida: “a obrigação de fim é aquela que só será satisfeita se for alcançado o resultado esperado. p. Desta forma. importa o resultado final. 7 jun. No contexto em que a obrigação de resultado exige um 127 maior esforço por parte do profissional médico. 127 VIEIRA. caso contrário será considerado inadimplemento contratual”. no caso dos médicos. Vieira nos esclarece: Nesta modalidade de obrigações. 2006. na eventualidade de não ter sido obtido o que havia sido prometido. o médico vende o seu serviço. Responsabilidade dos profissionais liberais (médicos). caberá ao profissional liberal (médico) ressarcir o consumidor.br/ artigos/x/18/72/1872 Acesso em 21 abr. Direito Net. 2005. São Paulo: BYK. 27. José Eduardo Cerqueira. há inadimplência e o devedor assume o ônus por não satisfazer a obrigação prometida. 5 espécie de vínculo.V. Responsabilidade das Condutas Médicas. Disponível em http://www. pois o eventual vício na realização do serviço decorreu de falha somente imputável ao fornecedor.ª ed.45. Direito médico. 2001. G. 2008. e obrigações de meio e de resultado: As constantes mudanças nas atividades dos profissionais liberais. sem olhos para os meios aplicados para alcançar o desiderato a que se propôs o facultativo ao estabelecer a relação contratual. prometendo a execução de um resultado final específico. da avaliação sobre o futuro ou até mesmo decorrente de má-apreciação de fatores externos a específica realização do serviço. Tal falha pode provir da ordem técnica. p.com.

5

129
CALADO dá uma noção das causas de responsabilidade

que a obrigação de resultado imputa ao profissional médico:

(...) o profissional médico assume com o paciente um
compromisso com o resultado, restando inadimplente com sua
obrigação acaso o procedimento não saia como o esperado. Esta
é uma obrigação que o médico não pode assumir, pois ao médico
não é dado prever todas as situações possíveis, vez que, além
dos riscos inerentes dos procedimentos, existem ainda as causas
externas sobre as quais o médico jamais terá o controle. E querer
comprometer-se de tal maneira com o paciente e tentar atribuir
para si qualidade divina, o que não corresponde à realidade,
podendo o mesmo vir a ser responsabilizado.

130,
Conforme ensinamento de MARQUES a boa-fé do

profissional médico é um arquétipo, que expressa:

(...) uma atuação ‘refletida’, uma atuação refletindo, pensando no
outro, no parceiro contratual, respeitando-o, respeitando seus
interesses legítimos, suas expectativas razoáveis, seus direitos,
agindo com lealdade, sem abuso, sem obstrução, sem causar
lesão ou desvantagem excessiva.

A prática da medicina como obrigação de resultado

comumente se aplica a medicina plástica, possuindo cunho estético e de
131
reparação. Neste sentido, SEBASTIÃO ilustra:

129
CALADO, Vinicius de Negreiros. Culpa médica: considerações. Jus Navegandi, Nov. 2004.
Disponível em http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6222. Acesso em 22 abr. 2008.
130
MARQUES, Cláudia Lima. A Abusividade nos Contratos de Seguro-Saúde e de Assistência
Médica no Brasil, in Revista da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, V.22,
número 64, p. 55.
131
SEBASTIÃO, Jurandir. Responsabilidade médica civil, criminal e ética: legislação positiva
aplicável. 1968. p.31.

5

Na cirurgia eminentemente reparadora, o contrato é comum
(apenas de meios), enquanto que na cirurgia simplesmente
estética, o contrato é misto, ou seja, de meios e de resultados. Por
isso, se o médico ou o dentista não atingir o resultado desejado
pelo paciente, o preço dos serviços inicialmente contratado
poderá ser revisto. Se da tentativa de melhoria estética resultarem
danos outros, o médico será responsabilizado materialmente,
inclusive com indenização moral, se o dano tiver essa natureza.

132
Sobre o mesmo assunto, VIEIRA nos ensina:

Esta modalidade de obrigação é atribuída, na Medicina, também,
ao cirurgião plástico, que, se por hipótese, esse profissional
prometer e feitura de um novo formato de nariz ao paciente,
valendo-se, inclusive, de modernas técnicas de demonstração
gráfica computadorizada, estará obrigado a concluir, executar, o
serviço exatamente nos moldes do que foi pactuado, sob pena de
responsabilidade sem culpa.

Assim, passa-se, no terceiro capítulo, a examinar a
responsabilidade penal por erro médico, através de uma incursão em estatísticas
e processos-crimes.

132
VIEIRA, Marcio. Responsabilidade dos profissionais liberais (médicos), e obrigações de
meio e de resultado: As constantes mudanças nas atividades dos profissionais liberais, no caso
dos médicos, no campo da responsabilidade. Direito Net, 7 jun. 2005. Disponível em
http://www.direitonet.com.br/ artigos/x/18/72/1872 Acesso em 21 abr. 2008.

5

DA RESPONSABILIDADE PENAL POR ERRO MÉDICO – UMA
ANÁLISE ESTATÍSTICA E JURISPRUDENCIAL

O presente capítulo terá por objetivo analisar a

responsabilidade penal do médico, bem como o erro cometido por este

profissional a partir de decisões judiciais, onde será feito uma divisão entre os

erros médicos dolosos, seja dolo direto ou eventual e os erros culposos, seja

culpa consciente ou inconsciente.

A seguir, será feito uma amostragem estatística dos erros

médicos e uma análise dos erros mais comuns praticados neste ramo da saúde.

1.8DA RESPONSABILIDADE PENAL DO MÉDICO

A ação penal contra o médico é de interesse do Estado,

sendo instigado pela sociedade, representado pelo Promotor de Justiça,

componente do Ministério Público, sendo, deste modo obrigatória a sua

ou seja. 5 instauração. gerando assim a chamada responsabilidade médica. A responsabilidade criminal aplica sanções para os agentes. . Responsabilidade das Condutas Médicas. já que se trata de ação penal pública incondicionada. GOMES comenta: Dentre os crimes previstos na legislação penal brasileira que podem ser cometidos pelos médicos durante a atuação da medicina. distinguindo a responsabilidade civil 134 da penal : A responsabilidade civil independe da criminal. 134 GOMES. alguém poderá ser isentado de responsabilidade no civil e condenado no criminal. previstos na legislação penal brasileira. legais ou éticos cometidos no exercício de suas atividades. p. E ainda complementa. e vice-versa. a omissão de notificação de doença. a violação de segredo profissional. 42. Mas. 43. a lesão corporal. José Eduardo Cerqueira. O médico em sua profissão. a respeito da existência do fato danoso e a quem cabe a autoria do mesmo. crimes estes. Em relação aos crimes que podem ser imputados aos 133 médicos. José Eduardo Cerqueira. responde por seus erros. tais como lesão corporal grave e gravíssima e homicídio. não poderá ser mais questionado. os crimes que derivam deste erro. quando essas questões já foram decididas no juízo criminal. variando conforme o bem jurídico lesado e o grau de culpa. Responsabilidade das Condutas Médicas. O médico responde por seus crimes tanto de forma dolosa quanto culposa. entre outros. 2006. no juízo cível. 2006. p. 133 GOMES. podemos citar o homicídio.

na qual o agente não quer o resultado nem assume o risco de produzi-lo. 63. J. 1996. Editeurs. 28. 136 ROJAS . Psiquiatria y Medicina Legal. 137 PACHECO. quando se julga a responsabilidade do médico enquanto pessoa física. 1979. p. 137 PACHECO enfatiza que incide a responsabilidade “quando ocorre uma ação ou omissão. n° 3. p.C. imprudência ou imperícia. Nério. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 5 135 A responsabilidade médica.651. a responsabilidade penal do médico segue uma teoria: Na doutrina penal. Como já demonstrado. 138 MAGALHAES. 4) um dano e em 5) a relação causal entre o ato e o dano. mas para que se configure a responsabilidade são indispensáveis cinco elementos: 1) o agente. p. faltas que podem originar uma dupla ação – civil e penal”. tendo. Alexander. 1946. dado origem a um resultado atípico e indesejado por negligência. p.1991. Editora: Masson et Cie. o Código Penal preceitua a responsabilidade penal através destes elementos: 135 LACASSAGNE. Responsabilidade Médica. 70. 138 Para MAGALHAES . Newton. 3) a ausência de dolo. decorrente de um ato específico do seu exercício profissional que viola um dispositivo de ordem penal”. A responsabilidade penal do médico. Paris. O Erro Médico: responsabilidade penal. . Buenos Aires. tem prevalecido a teoria subjetiva da culpa. por sua vez. Revista Argentina de Neurologia. 136 ROJAS. Preeis de Médicine Légale. no entanto. sustenta que: O médico é responsável pelos erros que cometeu. 2) o ato profissional. conforme LACASSAGNE consiste na “a obrigação para os médicos de sofrer as conseqüências de faltas por eles cometidas no exercício da arte. São Paulo: Saraiva. 12ª edição.

II – culposo.. pois ao realizar uma cirurgia. Acesso em 15 de maio de 2008. mas também da lugar ao dolo quando ocorre ato ilícito pelo profissional médico: Podemos dizer até que o dolo é inerente a esta profissão. 140 JESUS. Falta. O resultado era previsível. É necessário que o sujeito não tenha previsto o resultado.com/artigos/sociais/direito/o-erro-medico-e-culposo-ou- doloso-?-1642/artigo/. Direito Penal. Em relação à culpa em sentido estrito. um procedimento inadequado pode levar o médico ao resultado negativo. v.ed.artigos. um corte em local errado. e que é de seu conhecimento.1. quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. negligência ou imperícia.com. mas não foi previsto pelo sujeito. quando o agente deu causa ao resultado por imprudência. uma veia ou uma artéria lesada. Maio 2008. 19. mas do dolo (salvo a exceção que veremos) [nota do autor: a exceção é a culpa consciente]. 139 PARENTONI entende ser o erro médico um crime culposo. Ele paga o preço por desempenhar sua tarefa. . 139 PARENTONI. Damásio E. tem-se o 140 ensinamento de JESUS : O agente não pretende praticar um crime nem sequer expor interesses jurídicos de terceiros a perigo de dano. não estamos no terreno da culpa.. Disponível em http://www.) Outro elemento é a ausência de previsão.. p. São Paulo: Saraiva. Se o previu. 1995. mas que é perfeitamente possível de acontecer. 5 Art. 18 – Diz-se o crime: I – doloso. Roberto Bartolomei.256. por exemplo. O Erro Médico é Culposo ou Doloso? Artigos. (. assumindo o risco de produzir um resultado negativo que ele não deseja. porém com o dever de diligência exigido pela norma.

La responsabilité médicale. 1977. Rio de Janeiro. 141 A respeito do tema. confiando na correção da conduta técnica dos mesmos.296. Antônio Evaristo de: Aspectos da Responsabilidade Penal do Médico. 143 PENNEY. J. dificilmente dolosa por parte do médico. verifica-se que. a culpa em sentido estrito é involuntária. n. 4. que na maioria das vezes o erro médico ocorre por conduta culposa. 142 LIMA. 143 PENNEY ensina: 141 MORAIS FILHO. in Revista da Faculdade de Direito da UERJ. a conduta e a culpa de cada um são analisadas e punidas isoladamente. 5 Assim. Paris: Ed.23 . 1996. Ao contrário. toda intervenção cirúrgica importa em lesão corporal. com assento no denominado princípio da confiança. p. Mas tal lesão não será ilícita se praticada pelo profissional no exercício regular do direito de exercer a medicina. 142 LIMA observa que: A rigor. ensina Morais Filho : O entendimento dominante curva-se diante do principio de que a responsabilidade penal é pessoal e intransferível. 424-426. em regra. Em relação ao erro ocorrido na atividade médica. Gilberto Baumann de: Culpabilidade do Médico e a "lex artis". caracterizada estará a ilicitude se a lesão não estiver abrangida nos casos aconselhados pela arte médica. p. aos quais delegou a realização de parte das atividades. ao contrário do dolo. Em seu artigo "a culpabilidade do médico e a lex artis". não respondendo o médico. Quando o dano é praticado por equipe médica. p. Observa-se assim. in Revista dos Tribunais. 695/422. pelos erros cometidos por colegas ou auxiliares. Sirey.

imprudência e imperícia. 145 Neste contexto. É de ordem pessoal quando ele age em descumprimento dos deveres de conduta. De ordem estrutural quando. ou seja. de ordem estrutural ou de ordem circunstancial. JÁ. Esta a dificuldade quando não apreciado o comportamento ético do médico”. Léo Meyer. 36. por falta de meios ou de condições de trabalho. negligência ou imperícia. penal e ética dos médicos. e conseqüentes à negligência. Assim.132. sobre o mesmo tema. deverá ser avaliado até onde. pericialmente. negligência. 144 Entretanto. diferenciando-se do erro médico. A responsabilidade civil. Buenos Aires: Lerner Editores Associados. leciona: Considerado o fato culposo. Responsabilidade Ética – Penal e Civil do Médico. sua conduta incidiu numa imprudência. 1984. fica evidente que a responsabilidade penal do médico está relacionada à culpa. que obriga o profissional a responder por prejuízos causados a terceiros.p. chega a produzir um dano ao paciente. 145 COUTINHO. 1997. 146 PANASCO. E de ordem circunstancial quando causa resultado inesperado em virtude de suas condições físicas e emocionais. imperícia ou imprudência. imperícia ou imprudência. daí decorrendo a imputação penal. . Responsabilidad profissional de los médicos. Wanderby Lacerda. p. ou das 144 RIÚ. 5 O erro de responsabilidade do médico pode ser de ordem pessoal.56. COUTINHO esclarece que “a culpa é caracterizada pela negligência. 1981. cometidos no exercício da profissão. escusável. p. RIÚ explica: Na responsabilidade penal o médico é o instituto jurídico cuja existência está vinculada ao princípio basilar do direito. 146 PANASCO .

das cautelas especificas no exercício de uma arte. p. Imperito é o cirurgião que. Uma é imprevisão ativa (culpa in committendo). Comentários ao Código Penal. Tanto na imprudência quanto na negligencia. enquanto a imprudência tem caráter militante ou comissivo. inaptidão grosseira no avaliar as conseqüências lesivas do próprio ato. 2004. por despreparo pratico ou insuficiência de conhecimentos técnicos. apenas faz referencias ao Art. de seu lado. 147 VANNINI. Ottorino – Apud Nelson Hungria. insuficiência. 18. negligência e imperícia não são mais do que sutis distinções nominais de uma situação culposa substancialmente idêntica. não é mais do que uma forma especial de imprudência ou de negligência: é a inobservância. . imprudência e imperícia. outra é a imprevisão passiva (culpa in omittendo). embora rotuladas no âmbito da responsabilidade médica. A imperícia. não permitem ao médico nenhum privilégio ou prerrogativa. isto é. mas. a torpidez. que o elucida com as expressões negligência.188. Editora Forense. inciso II. pinça o pneumogástrico ao paciente ou corta-lhe um vaso sangüíneo de grosso calibre. Vol. oficio ou profissão. 5ª edição. 6 condições onde interfere a falibilidade humana. pouco versado em anatomia topográfica. 5. omissão. 147 Assim entende VANNINI : Imprudência. O Código Penal Brasileiro. há inobservância das cautelas aconselhadas pela experiência comum em relação a prática de certos atos ou emprego de certas coisas. a negligência é o desleixo. não faz uma definição ao delito culposo. a inação. Como qualquer cidadão terá que provar a inexistência da culpabilidade a fim de se exonerar dos compromissos legais. Estas sanções jurídicas.

ela é inação. falta de precaução. indolência. O Erro Médico: responsabilidade penal. em caso de transferência por ele ordenada ou a pedido dos responsáveis. temos: abandonar paciente sob seus cuidados. o médico que. pelo menos. sem os quais devem ser previstos danos. desatenção. 2006. descuido. p. falta de cuidado. 149 GOMES. conceitua negligência como: Negligência é desídia. Decorre de inatividade material (corpórea) ou subjetiva (psíquica). E mais. é um não-fazer. 150 E ainda nos dá alguns exemplos : Como exemplo de condutas médicas negligentes. 150 GOMES. podendo e devendo agir de determinado modo. não atender chamados de urgência. 6 Deste modo. ausência de reflexão necessária. 29. cabe verificar sobre os significados das expressões negligência. 2006. inércia e passividade. Reduz- se a um comportamento negativo. 149 GOMES por sua vez. Responsabilidade das Condutas Médicas. Sendo estas condutas penais que vão caracterizar a culpa e consequentemente a responsabilidade penal do profissional médico. imprudência e imperícia. de cercá-la de 148 PACHECO. não age ou comporta-se de modo diverso. Negligente é quem.53. . deixa de aconselhar ou. PACHECO diz: No sentido do Código. p. 29. 1991. É uma omissão da prática do ato que poderia evitar o resultado danoso. José Eduardo Cerqueira. desleixo. José Eduardo Cerqueira. A negligência implica omissão de precauções e cuidados tidos como necessários. ou seja. preguiça psíquica. Responsabilidade das Condutas Médicas. realizar exame clinico superficial. Newton. por indolência ou preguiça mental. p. 148 Em relação à negligência. torpidez. desprezo.

É abrangente de outras sinonímias. 1991. penal e ética dos médicos. Cabe na sua conceituação a idéia de “inação. 153 PACHECO. O Erro Médico: responsabilidade penal. Newton. p. 153 PACHECO doutrina: 151 PANASCO. Sobre o tema. 151 PANASCO afirma que: O estudo da negligência torna-se. A responsabilidade civil. É forma de culpa “in omittendo”. Assim. desobrigação consciente ou inconsciente do labor profissional. 6 todos os cuidados.61. tem plena condição técnica da especialidade. comete uma imprudência. inércia. o sofrimento do paciente. na imprudência vamos encontrar uma forma ativa – culpa “in committendo”. penal e ética dos médicos. o autor ainda elucida a diferença sutil entre 152 negligência e imprudência : Enquanto admitimos na negligência uma forma negativa ou passiva de atendimento. p. . 1984. 1984. talvez por excesso de confiança. Precipitado. Wanderby Lacerda.79. desatenção. nesta circunstância. Trata-se de defeito comissivo que contrafaz os critérios da conduta profissional. mas agindo através de uma conduta abusiva vai preencher as características de uma falta. como o descuido. Wanderby Lacerda. dentro do possível.60. passividade”. métodos e equipamentos disponíveis para minorar. difícil de se delimitar da imprudência. A responsabilidade civil. p. na prática. E neste sentido. decorrente da omissão. desconsiderando os mais comezinhos princípios de cautela. 152 PANASCO. O profissional. verificamos que a imprudência difere da negligência onde as atitudes do profissional médico ficam prejudicadas.

afoiteza. antes de qualquer outro. citado por DIAS . a desatualização. Fazendo parte do seu cotejo encontramos a inabilidade. O atendimento médico motiva dentro desta forma uma imperícia. 30. 79. o exercício ilegal da medicina produz uma imprudência. p. A responsabilidade civil. Em relação à imperícia. estabelece-se no exercício profissional. sem justificativas plausíveis. A imprudência tem seu conceito ligado. a falta de precaução que o ato exige. o desconhecimento. p. 1984. 2006. 156 PANASCO. . A responsabilidade civil. Portanto. p. É a afoiteza do ato.. define-a como sendo “. descuido e a prática de um ato perigoso sem os devidos cuidados. são incriminados os profissionais da medicina que por falta de experiência ou conhecimento cometem faltas. Editora Forense. Responsabilidade das Condutas Médicas. usa de meios perigosos sem a devida cautela que o caso requer. 6 A imprudência tem forma ativa. Rio de Janeiro. 155 GOMES por sua vez ampara que: Imprudência é agir com descautela. falta de atenção. 4ª ed. Conclui-se assim que. 155 GOMES. 154 SAVATIER. Sobre o 156 assunto PANASCO doutrina: Para todo mister há normas estipuladas e obrigações ligadas a um mínimo de conhecimento que particularizam uma situação. Wanderby Lacerda. o profissional imprudente. José Eduardo Cerqueira. o desprezo dos cuidados que deveriam ser tomados no agir. 266. 154 DIAS. penal e ética dos médicos. permitindo ao profissional o atendimento necessário.. insesatez. Jose Aguiar. ao da temeridade. Trata-se de um agir sem a cautela necessária. isto é. o ato positivo cujas conseqüências ilícitas o agente pode prever”.

159 GOMES.1991. Assim. O Erro Médico: responsabilidade penal. O Erro Médico: responsabilidade penal. 6 157 PACHECO entende que: A imperícia é a “imprudência qualificada”. Newton. . inabilidade. imprudência e imperícia se assemelham ao dolo eventual. sobretudo na inaptidão técnica. 157 PACHECO. A imperícia consiste. As situações de negligência. Responsabilidade das Condutas Médicas. 158 E complementa : Na imperícia também há uma falta de diligência que impediu o agente de adquirir a aptidão necessária ao exercício da sua atividade. a culpa profissional. GOMES explica “que imperícia é a falta de conhecimento. sem a técnica apropriada para tal situação. José Eduardo Cerqueira. verifica-se que a imperícia médica nada mais é que ato do profissional médico sem o devido preparo. 159 Entretanto.p 65. p. na ausência de conhecimentos para a prática de um ato ou a omissão de providência que se fazia necessária. 158 PACHECO. Nisto já há um sinal de desatenção pelo bem alheio. ignorância. Newton. falta de aptidão técnica. 2006. que se confirma pelo fato de o agente realizar atos da profissão para os quais não tem aptidão e não prever o resultado danoso que daí pode advir.p 65.1991. mas a diferença é notória. visto que o profissional médico só irá agir com dolo quando usar seus conhecimentos para prejudicar um paciente. teórica ou prática no desempenho de uma atividade profissional”. 30.

a pena é aumentada de um terço. arte ou oficio. assim. negligência e imperícia”. penal e ética dos médicos. mas o que as diferenciam daquele é a falta de vontade deste resultado danoso. . Newton. Assim. PANASCO observa: “O médico pode responder por homicídio culposo. se aproximam muito de um quase dolo eventual. Para isso. Os agentes determinantes da espécie serão a imprudência.p. 121. não procura diminuir as conseqüências do seu ato. ou foge para evitar prisão em flagrante. imperícia ou negligência. Wanderby Lacerda. verifica- se. 1984. de 1 (um) a 3 (três) anos. quando o profissional médico incide em erro culposo. Em relação às sanções que o médico pode incorrer.140. 161 PANASCO. cada caso é analisado isoladamente. o que preceitua no Código Penal Brasileiro: O homicídio culposo aufere as seguintes normas: Art. ou se o agente deixa de prestar socorro à vitima. incorrendo o médico apenas nas sanções previstas no crime culposo. por imprudência. O Erro Médico: responsabilidade penal. A responsabilidade civil.p 70. 161 Neste contexto. PACHECO elucida: Temos situações que. § 4° No homicídio culposo. no âmbito cirúrgico. 160 PACHECO. se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão. 6 160 Sobre o assunto. este é responsabilizado penalmente por parte do Estado. principalmente. Matar alguém: § 3° Se o homicídio é culposo: pena – detenção.1991.

p. Direito Penal. a atenção ou a diligência ordinária ou especial a que estava obrigado em face das circunstâncias. como sob o fisiológico ou mental. 164 PACHECO.1991. E. 121. § 4°. aumenta-se a pena de um terço. O Erro Médico: responsabilidade penal. se ocorre qualquer das hipóteses do art. homicídio culposo significa: Diz-se o homicídio culposo quando o agente causa a morte de alguém por ter omitido a cautela. 1991. 164 Sobre o mesmo tema. . de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. p. Magalhães. que tenha havido um 162 PACHECO. O Erro Médico: responsabilidade penal. Newton. que esta ação tenha sido praticada por um médico no exercício de sua atividade.83. 76. mas também a ofensa à regularidade funcional do organismo humano. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: § 6° Se a lesão é culposa: pena – detenção. tanto sob o ponto de vista anatômico. 163 NORONHA. A lesão corporal é caracterizada desta forma: Art. 6 162 Para PACHECO . sendo-lhe exigível na situação concreta em que se encontrava um comportamento atento e cauteloso. 129. necessitamos dos seguintes elementos: uma ação.p. Newton. § 7° No caso de lesão culposa. 163 NORONHA conceitua a lesão corporal como: Lesão corporal é não apenas a ofensa anatômica ou ao corpo. PACHECO explica: Para termos a tipicidade de um crime de lesões corporais culposas em um erro médico. que desta ação tenha ocorrido um evento (uma lesão corporal). 1946. 59.

quando se tem notícia da sua existência entre médicos. 1984. É de presumir que. e triplicada. Assim PANASCO ensina: O socorro tem implicação humana e não só profissional. O profissional médico incorre em vários outros crimes. não só 165 especifico do profissional médico. penal e ética dos médicos. o médico tem agravada a sua ilicitude quando se propõe tal comportamento. mas que para o presente estudo não encontram interesse maior. nesses casos. como o charlatanismo. Wanderby Lacerda. 135. alguns destes bastante comuns. A omissão de socorro trata-se de um crime comum. A responsabilidade civil.p. profundamente. e o elemento subjetivo (culpa) previsível. 198. segredo profissional. a criança abandonada ou extraviada. exercício ilegal da medicina. o socorro da autoridade pública: pena – detenção. a sensibilidade ética. sem risco pessoal. como referenda o estatuto penal e fere. se resulta a morte. ou não pedir. estabelecidas às conexões causais. tratamento arbitrário. se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave. . Parágrafo único: a pena é aumentada de metade. Deixar de prestar assistência. ou multa. 165 PANASCO. ou pessoa inválida ou ferida. E em relação à omissão de socorro preceitua-se: Art. de 1 (um) a 6 (seis) meses. ao desamparo ou em grave e iminente perigo. quando possível fazê-lo. 6 nexo causal entre aquela e este. entre outros.

9 JURISPRUDÊNCIAS SELECIONADAS Visando ter uma idéia mais clara a respeito do que está sendo decidido em relação ao erro médico e suas conseqüências. já citado anteriormente. Comete o crime de falsidade documental o médico que. os tribunais vêm decidindo da seguinte forma: 1. Acesso em 15 abr. Des. Assim.mg. tudo com o objetivo de inserir registros que antes faltavam em relação aos procedimentos que não poderia ter deixado de observar quando do tratamento ministrado ao paciente e. tentando ocultar as falhas e erros médicos no caso. 20 abr. . 2004.gov. 2008. depois do óbito do paciente. Relator: Sergio Braga. busca as papeletas e registros de procedimentos para complementar os dados ali lançados. A respeito do erro médico. Disponível em http://www. Indeferimento as preliminares. 166 BELO HORIZONTE. dias depois. PROVA . 6 1.9. conforme o entendimento do Tribunal de Justiça do 166 Estado de Minas Gerais . foram escolhidas algumas das decisões dos tribunais brasileiros. Edelberto Santiago.tj.br.1O Erro Médico por Conduta Dolosa O crime doloso no erro médico está expresso no inciso I. falsidade documental por parte do profissional médico é um crime de conduta dolosa: FALSIDADE DOCUMENTAL . com isso. do artigo 18 do Código Penal. CONDENAÇÃO. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.

. o indivíduo usa do dolo. 04 abr. para obter vantagem própria.gov.br. em face à peculiaridade do caso. O sigilo profissional é um dos deveres dos profissionais da medicina. O aborto provocado pelo profissional médico é reconhecido como crime doloso. se vislumbre a existência de justa causa a autorizá-la. segundo alguns entendimentos. é um dos deveres do profissional. A quebra de sigilo profissional. Relator: Antonio Armando dos Anjos. 2008. Neste norte. Ordem denegada. elencado no art. entende o Tribunal de Justiça do Estado de 167 Minas Gerais que: “HABEAS CORPUS“ . 2006. sobre tal assunto. 2008. Acesso em 23 abr. 168 BELO HORIZONTE.ORDEM DENEGADA.mg. Disponível em http://www. Acesso em 30 abr. Tirando proveito de terceiro.br. 6 Neste caso. além de ser crime. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.tj.mg. este não comete crime. sendo este um elemento subjetivo para o crime. que no caso é ocultação de seus erros.tj.QUEBRA DE SIGILO PROFISSIONAL - EXIBIÇÃO JUDICIAL DE PRONTUÁRIO MÉDICO DETERMINADA PELO JUÍZO PARA INSTRUIR AÇÃO DE ANULAÇÃO DE TESTAMENTO. temos o entendimento do Tribunal de 168 Justiça do Estado de Minas Gerais : 167 BELO HORIZONTE. no caso em tela. A quebra de sigilo pode ser imposta ao prudente arbítrio do juízo quando.CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO . Disponível em http://www. Relator: Paulo Cezar Dias.gov. com caráter abusivo de sua conduta. 154 do Código penal. SOB PENA DE PROCESSO POR CRIME DE DESOBEDIÊNCIA . 08 ago. Rejeitada as preliminares e provimento negado. comportando relativo elastério. o paciente. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. 2008. porém em caso determinação judicial. O sigilo profissional não tem caráter absoluto.

do CPP. ainda que o médico faça opção por procedimento pouco recomendável para o caso.gob. eis 169 MACAPÁ. condena o réu pela prática de lesão qualificada de natureza grave. Sobre a lesão corporal. no caso em tela não restou comprovado o dolo na conduta do agente.IMPRONÚNCIA . região do corpo humano em que. 7 PROCESSUAL PENAL . onde o médico comete aborto sem consentimento da gestante. apoiando-se em laudo pericial. a sua impronúncia. Preliminares rejeitadas. Crime citado no art.tjap.AUSÊNCIA DE DOLO . nos termos do art. . Tribunal de Justiça do Estado do Amapá. 1992. máxime se os experts. 2) No âmbito do processo penal. descreveram satisfatoriamente a localização da ofensa física e informaram que a vítima foi submetida a cirurgia de emergência no baixo abdômen. desde que para beneficiá-lo. para justificarem a conclusão médico- legal. tem-se decisão do Tribunal de 169 Justiça do Estado do Amapá : LESÃO (CORPORAL GRAVE (PERIGO DE VIDA) - REFORMATIO IN MELLIUS . 16 jun. Disponível em http://www.1) Correta a sentença que. 1. denunciado por crime de aborto provocado sem o consentimento da gestante.. Diante da ausência do elemento subjetivo do dolo específico na conduta do agente.. é possível a reforma da sentença em ponto não focalizado pelo réu recorrente.Acesso em 23 abr. (.ABORTO PROVOCADO . não há elementos para se afirmar que agiu dolosamente. 409. reconhecendo que desta resultou perigo de vida. por abrigar órgãos excretores. Relator: Mário gurtvev. 2008. com intenção de provocar o aborto da gestante e a morte do feto.LAUDO ASSINADO POR UM ÚNICO PERITO .br . impondo-se.) 3. tais intervenções se tornam mais delicadas e representam indiscutível perigo letal. Recursos desprovidos. 125 do Código Penal Brasileiro.POSSIBILIDADE.ERRÔNEA APLICAÇÃO DA PENA - PRESCRIÇÃO .

7

que o princípio tantum devolutum quantum appellatum é de
inspiração civilista. 3) As penas mínimas e máximas previstas no
parag. 1º, do art. 129 (CP) são aplicáveis na hipótese de lesão
corporal de natureza grave. Logo, constitui erro flagrante e
indiscutível considerar a mesma qualificadora como agravante,
para exasperar a pena base fixada, se a qualificação se inspira
apenas em um dos incisos do mencionado parágrafo. Sentença
reformada, nesta parte. 4) A pronúncia, mesmo quando
desclassificado o crime, deve ser considerada como marco
interruptor da prescrição.

Neste caso, houve lesão corporal grave por parte do

profissional médico.

1.9.2O Erro Médico por Conduta Culposa

O crime culposo no erro médico está expresso no inciso II,

do artigo 18 do Código Penal, já citado anteriormente.

Sobre o tema, temos o entendimento do Superior Tribunal
170
de Justiça do estado do Paraná :

MÉDICO. RESPONSABILIDADE PENAL. Homicídio culposo.
Denúncia que descreve a morte de paciente, sob cuidados
médicos, resultante de imprudência e imperícia na ministração de
drogas contra-indicadas para pessoas com histórico de
sensibilidade. Crime em tese. Alegação de ausência de prova da
materialidade do delito, através de exame pericial idôneo.
Improcedência dessa alegação, já que cumpriu-se a exigência do
170
CURITIBA. Superior Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Recurso de Habeas Corpus a
que se nega provimento. Relator: Min. Assis Toledo, 28 out. 1992. Disponível em
http://www.tj.pr.gov.br Acesso em 15 maio 2008.

7

art. 158 do CPP e, embora não conclusivo, admite o laudo oficial,
como uma das possíveis causas da morte, o emprego de drogas,
com o objetivo de tratamento, conforme registro no prontuário
medico. Outras provas ou perícias complementares podem ser
ainda produzidas no curso da instrução.

Neste caso, restou comprovada a culpa do médico, visto

que, sem os cuidados necessários, prescreveu medicamentos sem cautela, vindo

a causar a morte do paciente, culposamente.

Verificamos também, no Tribunal de Justiça do Estado de
171
Minas Gerais , mais uma sentença em relação ao homicídio culposo:

HOMICÍDIO CULPOSO - SOFRIMENTO FETAL - MORTE DO
RECÉM-NASCIDO - FALTA DE OBSERVÂNCIA AO DEVER
OBJETIVO DE CUIDADO - NEGLIGÊNCIA CARACTERIZADA -
NEXO DE CAUSALIDADE ENTRE A CONDUTA DO MÉDICO E
O RESULTADO - PATOLOGIA PREEXISTENTE -
INOCORRÊNCIA - RESPONSABILIDADE CRIMINAL DA
ATENDENTE DE ENFERMAGEM INCONFIGURADA -
ABSOLVIÇÃO - REFORMA PARCIAL DO DECISUM -
PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. O obstetra em plantão,
responsável pelo internamento da parturiente, ausentando-se por
toda a noite do hospital, negligenciando o monitoramento das
condições materno-fetais e desatendendo às cautelas exigíveis à
situação da paciente primípara, obesa, com a bolsa rota, perda de
líquido amniótico, em início de trabalho de parto, cega, com prazo
gestacional a termo, e sem contrações uterinas, violando o dever
objetivo de cuidado. O atendimento médico que faltou à gestante
por mais ou menos dezoito horas, para conter ou reduzir o risco

171
BELO HORIZONTE. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Provimento parcial do
recurso. Relator: Maria Celeste Porto. 24 jul. 2007. Disponível em http://www.tj.mg.gov.br. Acesso
em 23 abr. 2008.

7

de sofrimento da mesma e do neonato facilmente previsível,
evidencia que se tivesse sido pronta e adequadamente prestado,
as condições vitais da criança não teriam evoluído negativamente
e seria o óbito evitado. Daí, flagrante a relação de causalidade
entre a conduta negligente do apelante e a morte do recém-
nascido por insuficiência respiratória, resultante de aspiração de
mecônio. Os exercentes de atividades de enfermagem que não
possuem formação específica, cumprem tarefas elementares,
sendo-lhes vedada a assistência direta ao paciente.Ao profissional
de enfermagem, de qualquer categoria, é vedado aceitar, praticar,
cumprir ou executar prescrições medicamentosas/terapêuticas de
qualquer profissional de saúde, através de rádio, telefonia ou
meios eletrônicos, em que não conste a assinatura dos mesmos.
Inconcebível transferir-se a responsabilidade à apelante, mera
atendente de enfermagem, que não recebeu do médico qualquer
orientação, a não-constatação do estado clínico da gestante.
Elementar que a verificação da piora progressiva do quadro
clínico da paciente dependia da avaliação de fatores diversos que
demandavam conhecimentos médicos específicos e, por óbvio, a
presença do médico.

Outro caso relacionado ao homicídio culposo, onde o

médico, sem a devida cautela, deixou de atender a gestante. Existência do

homicídio culposo comprovada.

O homicídio culposo caracteriza-se principalmente por

imperícia ou negligência do profissional médico, neste contexto apresentamos o
172
entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais :

HOMICÍDIO CULPOSO - ERRO MÉDICO - IMPERÍCIA E
NEGLIGÊNCIA - PACIENTE COM FORTES DORES NO PEITO
172
BELO HORIZONTE. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Provimento aceito.
Relator: Willian Silvestrini. 28 jun. 2006. Disponível em http://www.tj.mg.gov.br. Acesso em 30 abr.
2008.

121. do CP. O erro de diagnóstico provocado pela omissão de procedimentos recomendados ante os sintomas exibidos pelo paciente. Configurado o homicídio culposo qualificado.IDADE DE RISCO PARA INSUFICIÊNCIA CORONARIANA - NECESSIDADE DE EXAMES COMPLEMENTARES ANTES DA ALTA MÉDICA . Disponível em http://www. 12 jun. O crime médico.IRRESIGNAÇÃO DEFENSIVA . DO CP. §§ 3º e 4º. DIAGNÓSTICO INCORRETO - INOBSERVÂNCIA DE REGRA TÉCNICA DE PROFISSÃO - CONDENAÇÃO NAS IRAS DO ART. ocorrido pela falta de cuidados e cautela com os procedimentos corretos.gov.PEDIDO ABSOLUTÓRIO POR AUSÊNCIA DE PROVA . §§ 3º e 4º. onde o profissional cometeu o crime de erro de diagnóstico. 121. verificamos o entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Minas 173 Gerais : PENAL . 7 ESQUERDO E DORMÊNCIA NO BRAÇO ESQUERDO . pessoa com quase 60 anos.INVIABILIDADE - PROVA ROBUSTA . . §§ 3º e 4º e não pelo delito de omissão de socorro (artigo 135. 2007. nos termos do art. Provimento negado. NEGLIGÊNCIA CARACTERIZADA - DESCLASSIFICAÇÃO PARA OMISSÃO DE SOCORRO - IMPOSSIBILIDADE . idade de risco para insuficiência coronariana. Acesso em 30 abr. Relator: Pedro Vergara.MÉDICO PEDIATRA - CONDENAÇÃO .RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. do CP) o médico que. que só pode ser excluída da cadeia causal se houver prova plena de que o agente procurou seguir todas as regras elementares da Medicina sem aumentar o risco permitido pela situação em que se encontrava o paciente.mg.br.HOMICÍDIO CULPOSO . Assim. Responde pelo delito previsto no artigo 121. acarreta responsabilidade médica. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. 2008. normalmente é de difícil caracterização.tj. 173 BELO HORIZONTE.

7 estando de plantão e. mas negligentemente deixa de comparecer ao hospital. medicação. bem como as precauções necessárias a situações cotidianamente apresentadas. sendo previsível a morte do paciente e o mesmo omitiu sua presença. negligente. neste caso. quando deveria estar no seu local de trabalho. de sobreaviso em sua residência é acionado. 174 O diagrama abaixo exibe a estatística do grau de apreensão com o tema para 465 profissionais abordados a esmo nas ruas da cidade e nas diversas instituições de saúde. não usando dos métodos adequados. 174 Fonte de Dados: Vade Mecum Consultoria 2000/2001. vindo a administrar medicação ao paciente sendo. 3. foi usada uma escala subjetiva de preocupação variando de 1 ("Não") até 4 ("Muito"). . Médico deixou de prestar auxílio ao paciente. ministrando. Para tanto.3 ESTATÍSTICAS SOBRE O ERRO MÉDICO O erro médico acontecerá sempre que o profissional incorrer em erro. por telefone.

3. torna-se relevante a questão de quem costuma ser a maior fonte de erros nesse processo. 3. enfermeiros. O diagrama abaixo expõe a idéia dos médicos entrevistados com relação 175 a tal fato . Um atendimento de saúde envolve toda uma equipe composta por um ou mais médicos e também outros profissionais. em tese. a média geral foi de 3. O 176 gráfico a seguir mostra como os médicos se posicionam com relação a este assunto. atendentes e outros. . Na escala de 1 a 4. 176 Fonte de Dados: Vade Mecum Consultoria 2000/2001.3. tais como paramédicos. 7 Um pouco além da metade dos profissionais médicos assumiram que se incomodam "Muito" com a possibilidade de erro e mais de três quartos disseram preocupar-se "Razoavelmente" ou mais.1 Causas do Erro Médico Existem vários fatores que podem ocorrer para a causa de um erro médico. sugerindo um nível admiravelmente alto. 175 Fonte de Dados: Vade Mecum Consultoria 2000/2001. podendo-se supor que alguns podem ser mais importantes que outros. Assim sendo.

6 %.3.3%). 7 Mais da metade dos entrevistados afirmou que a responsabilidade pelo erro habitualmente é do próprio médico. 43. das mesmas ocorreram nos últimos sete anos da pesquisa. Sendo que 252 processos disciplinares abertos./2000. 283 denúncias (49%) foram recebidas nos últimos anos da pesquisa (1994 a 1996) e 429 (74.9%). ficando os hospitais com o segundo lugar. MS/DATAUS. no intuito de identificar o perfil de médico infrator. dez. foram levantados dados a partir de março de 1958 a dezembro de 1996. 3. junto ao Estado.2 Processos Médicos Em relação aos processos médicos. . É importante ressaltar que. ou seja. sendo esta uma pesquisa realizada pelo CREMESC (Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina). com 750 médicos envolvidos. Com 322 médicos envolvidos (42. 177 Fonte: SAI/SUS e SAI/SUS. 177 Verificou-se : Foram feitas 577 denúncias.

3. 162 processos foram julgados. 35% eram pacientes. 26% médicos. 9% pelo Poder Judiciário. 105 condenados e 103 absolvidos. Sobre a condenação. o Conselho Federal de Medicina. a Associação Médica Brasileira e o Ministério da Saúde realizaram no ano de 1995 uma análise que identificou as características dos médicos (183.052 à época) que atuam no Brasil.3 Características dos médicos Através da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). resumidamente 178 foram : Tipo de Atividade: 178 MACHADO. a Federação Nacional dos Médicos. Em relação aos denunciantes. 8% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 7% de Direções de Clínicas e comissões de ética dos hospitais e 5% de outras entidades. 494/245. os médicos envolvidos foram condenados. Pode-se observar que. A Responsabilidade Médica Perante a Justiça. 2005 . Os principais dados obtidos na análise. foi significativo. Paulo Affonso Leme. com 208 médicos envolvidos. 10% por ex ofício. vem aumentando. 7 Deste modo. percebe-se que as denúncias junto aos órgãos de classe. o numero de médicos condenados. destes. onde pelo menos metade dos processos julgados. in Revista dos Tribunais.3.

1% participam de convênios médicos 48.5% Pediatria 11.4% mais de três atividades Especialidade Principal: 13.2% Anestesiologia Domicílio/Residência 65% vivem nas capitais (24% da população brasileira) 76% vivem no interior (76% da população brasileira) .8% Ginecologia-obstetrícia 8. 7 69.7% trabalham no setor público 59.5% Cirurgia Geral 5.0 % Medicina Interna 5.9% trabalham em regime de plantão Número de Atividades Profissionais Médicas: 75.7% têm consultórios 79.6% até três atividades 24.3% trabalham no setor privado 74.

Dina. . demonstrada em uma reportagem na Revista Veja. 03 mar. as organizações de vítimas de erros médicos do Rio de Janeiro e de São Paulo têm 3100 processos na Justiça.5% têm opinião otimista quanto ao futuro profissional 179 3. São Paulo. 1999.5% são pessimistas em relação ao futuro da profissão 18.html Acesso em 17. Prestes. Jose. caracteriza a Obstetrícia e Ginecologia. Edward.3.br/030399/p_080. Quando os médicos erram. com a especialidade que mais sofre processos. Cristine. Disponível em: http://www. 179 Duarte.4 Pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina Outra pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina.abril. No Brasil.com. 8 Expectativa Profissional 81. maio 2008. Revista Veja.

Hoje. Devido às mudanças ocorridas na sociedade brasileira. Errar é humano. . e que os médicos têm o dever de cautela para com os mesmos.000 profissionais formados todo ano pelas 85 escolas de medicina do país. mas este profissional está lidando com a vida do ser humano. Dos 9. o número de processos contra profissionais da medicina vem aumentando. 8 O que ajuda para o aumento do erro e a negligência são a má formação dos médicos e as condições de trabalho na maioria dos hospitais. Pois eram profissionais vistos como livres de cometer erros. apenas 60% conseguem vaga para fazer residência. os pacientes estão mais conscientes dos seus direitos.

1Faltou um exame Durante uma consulta pré-natal. "Foram dois erros grosseiros seguidos". apresentou sinais de eritroblastose fetal.4DESTAQUES DA IMPRENSA 180 1. Prestes.com.abril. uma doença que acomete recém-nascidos cujos pais têm incompatibilidade sanguínea. Disponível em: http://www. "Não cabia a mim duvidar dela". com 2 anos e meio. na Maternidade Otaviano Neves.html Acesso em 17 maio 2008. perguntou à professora de educação física Soraia Magalhães qual era seu tipo de sangue. mas a equipe da maternidade levou dois dias para identificar o problema e tomar a atitude indicada: substituir todo o sangue do garoto. acusa a mãe do garoto. 03 mar. Henrique não fala nem anda e tem o desenvolvimento retardado. Dina. O médico não se preocupou em checar a informação mediante um exame de laboratório. diz o médico. O resultado foi desastroso. A doença já tinha provocado uma lesão no cérebro. Hoje. Quando Henrique nasceu. Revista Veja. Era tarde. Vaintraub se defende dizendo que a culpa pela informação errada sobre o tipo sanguíneo foi de Soraia. O hospital afirma que não tomou as providências a tempo porque trabalhava com uma informação errada. Ela respondeu Rh positivo.9. O obstetra e a maternidade respondem a processos na Justiça. Cristine. São Paulo. Jose. o médico Marco Túlio Vaintraub. Soraia tinha Rh negativo. 180 Duarte. de Belo Horizonte. Edward. Quando os médicos erram. 1999.br/030399/p_080. 8 3. .

9. o chefe do plantão e outras duas médicas que prestavam atendimento a Antônio concluíram que ele necessitava ser submetido a um cateterismo de emergência. bradicardia e hipotensão arterial com iminente risco de choque cardiogênico. 181 NÉRI.br/noticias/noti_result. Publicado em 09/06/2006.gov. Acesso em 10 maio. . não compareceu à UTI para avaliar pessoalmente o paciente e. chegou ao Hospital das Clínicas e foi imediatamente encaminhado à UTI. Por volta das 15 horas daquele 06 de setembro. veio a falecer dois dias depois em decorrência da falta de atendimento adequado. Apesar da gravidade do caso. Algumas horas depois. após realizarem exames laboratoriais que comprovaram o infarto. de 88 anos.php?id=309&dados= . apesar de estar de plantão. 2008. Médicos da Universidade Federal de Uberlândia podem ir a júri popular. internado no dia 05 de setembro de 2004. dor forte e aguda no peito. disse que não poderia realizar o procedimento porque o aparelho estava com defeito. 8 181 1. Ele apresentava grave quadro de descompensação cardíaca. Disponível em: http://www. uma das médicas telefonou ao responsável pelo cateterismo e descreveu-lhe o quadro clínico de Antônio. Maria Célia.prmg. somente no dia seguinte é que uma das médicas plantonistas anotou no prontuário que o paciente estava evoluindo para um infarto agudo do miocárdio. Mas o hemodinamicista. Disse ainda que o quadro do paciente era instável. por telefone.mpf. Antônio de Oliveira. o que impossibilitaria a realização do cateterismo.2Médicos da Universidade Federal de Uberlândia podem ir a júri. Quatro médicos do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia foram denunciados pelo Ministério Público Federal por crime de homicídio doloso praticado contra um paciente que.

A segunda desculpa . Fato é que as duas justificativas dadas pelo médico da hemodinâmica não se sustentavam na realidade. "infelizmente. pois tinham pleno conhecimento da situação de fato (evolução para infarto agudo do miocárdio) e consciência do dever de agir (realização do cateterismo de urgência). foi desmentida por documentos do próprio hospital que comprovam que. no mesmo aparelho que alegara apresentar defeitos. nos dias que antecederam a morte da vítima. praticamente abandonado em uma maca de UTI. Apesar disso. de que o aparelho estaria estragado. Antônio de Oliveira sofreu a parada cardíaca fulminante que o levou à morte". apesar de cientes da gravidade do estado de Antônio. com pressão arterial e freqüência cardíaca estabilizadas. foram realizados exames no dito aparelho e -pasme-se . às 8:35 horas. nada fizeram no sentido de transferi-lo para outro hospital ou até de chamar outro especialista para avaliá- lo. Ou seja. porém. com vontade livre e . recebido a visita de familiares (filhos e netos). bem como nos dias que se seguiram. o médico que se negara a fazer o exame comparece ao Hospital e realiza exames normalmente.de total instabilidade do quadro . A primeira delas.foi desmentida também pelos fatos: na tarde do dia 06 de setembro de 2005. e horas depois. recebendo fortíssima medicação à base de morfina para mitigar a dor insuportável que dilacerava seu peito. no dia 07 de setembro. Segundo a denúncia. ainda. depois de permanecer horas sem o adequado atendimento. o paciente morre. o paciente estava consciente e lúcido. tendo. depois de ter recebido o marcapasso. praticaram homicídio doloso.pelo mesmo médico que alegara o defeito. 8 Essa decisão foi acatada pelos outros três integrantes da equipe médica que. verbalizando. ao assim agirem. "deliberaram. O Ministério Público Federal considera que os denunciados.

03 mar. de 72 anos.br/030399/p_080. Só no dia seguinte se descobriu que o caso era muito mais grave que a versão inicial: a paciente tinha queimaduras de terceiro grau nas costas e nádegas 182 Duarte. "Quem diz que nunca cometeu um erro grave na carreira está mentindo. Foto: Antonio Milena 182 1. em setembro do ano passado. .1Morte na cirurgia Adelaide Perazzollo Balestreri. Cristine. ressalta o MPF.html Acesso em 17 maio 2008. Disponível em: http://www. que identificaria a doença e indicaria o procedimento médico mais apropriado que poderia impedir o resultado morte".abril. A expectativa do Ministério Público é que o juiz pronuncie os médicos e os leve a julgamento pelo Tribunal do Júri. Revista Veja. O juiz da 1ª Vara Federal de Uberlândia recebeu a denúncia e marcou o interrogatório dos réus para o dia 10 de julho. ginecologista e obstetra que furou a bexiga de uma paciente durante cirurgia. a família foi avisada de que tudo correra bem. Prestes. em não submeter o paciente ao tratamento adequado. consistente no rápido e preciso diagnóstico para o caso. Jose.” Pedro Paulo Monteleone. para fazer uma operação de ponte de safena com o cardiologista João Ricardo Sant'Anna. 8 consciente. Quando os médicos erram. Dina.9. o médico disse aos parentes que Adelaide apresentava uma queimadura nas costas. Algumas horas mais tarde. São Paulo.com. Quatro horas depois de iniciada a cirurgia. Edward. internou-se no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre. 1999.

alega. "Minha operação foi bem feita. 2007. Na necropsia. um enfermeiro e dois auxiliares de enfermagem vão ser julgados pelas mortes de uma paciente e de sua filha no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. Eles vão responder por homicídio doloso pela morte de mulher grávida e seu bebê.2Uberlândia: Justiça recebe denúncia do MPF contra médicos do 183 Hospital das Clínicas . Disponível em http://noticias.9. lembra Miriam Manfredini. Acesso em 10 mai. O caso está na Justiça. A denúncia do Ministério Público Federal foi recebida no dia 9 de abril pelo juiz da 2ª Vara Federal daquele município. inchada. em trabalho de parto e com fortes dores abdominais.03. pois se encontrava na 36ª 183 NÉRI. Segundo o MPF.002494-5). também foi constatada fratura de duas costelas. parecia um monstro". Uberlândia: Justiça recebe denúncia do MPF contra médicos do Hospital das Clínicas. Maria Célia.pgr.38. 2008.br/noticias-do-site/criminal/uberlandia-justica-recebe- denuncia-do-mpf-contra-medicos-do-hospital-das-clinicas-por-homicidio-doloso. . O cardiologista afirma que as queimaduras devem ter sido provocadas por um defeito no colchão térmico da sala de cirurgia. mas houve algum problema com os equipamentos". 8 e corria risco de vida. que irá decidir se pronuncia os réus e os leva a julgamento pelo Tribunal do Júri (Ação Penal nº. Publicado em 17/04/2007. Quatro médicos. 1. ela foi transferida de urgência para o HC. Atendida inicialmente na Unidade de Atendimento Integrado (UAI).gov. mas Adelaide não resistiu e morreu. Várias cirurgias de enxerto de pele foram feitas.mpf. a paciente chegou ao Hospital das Clínicas por volta de uma hora da madrugada do dia 29 de novembro de 2004. "Ela estava em carne viva.

a médica plantonista não a atendeu. Naquela madrugada. toda a equipe de plantão encontrava-se dormindo. Esta. mas nenhum deles foi visto no Pronto Socorro da Ginecologia durante todo o tempo dos fatos. receitou a aplicação do medicamento Buscopan Composto Endovenoso para as dores da paciente. também estavam de plantão no HC dois outros médicos. Dito isso. por sua vez. Pior ainda: uma das auxiliares de enfermagem encontrava-se completamente alcoolizada. segundo apurou o MPF. fato que era do inteiro conhecimento do coordenador do setor de enfermagem. delegando a função a um estudante do sexto ano do curso de Medicina. e o feto estava em posição pélvica. teria respondido: "O médico aqui sou eu e o parto vai ser normal”. comunicou a ocorrência à médica residente. que se encontrava descansando. O estudante. por volta das três da madrugada. Durante o procedimento investigatório. Apesar de cientificada da gravidade do quadro clínico da parturiente. tendo trabalhado alcoolizada por diversas vezes. não determinou a realização de quaisquer exames complementares e. 8 semana de gravidez. sem interromper seu descanso. e as pacientes que estavam na enfermaria não puderam contar com o apoio de qualquer outro profissional. embora fossem os responsáveis pelo setor e pelo desempenho profissional dos residentes e internos. à informação da paciente e de seu acompanhante de que seria necessária uma cesariana. ela afirmou que era seu costume beber antes de comparecer ao trabalho. Nem mesmo as duas auxiliares de enfermagem prestaram auxílio à paciente. . que integrava a equipe. e a uma auxiliar de enfermagem. O médico que a atendeu no UAI telefonou para a médica de plantão do HC relatando o encaminhamento. Na verdade.

eles são acusados também do delito previsto no artigo 299 do Código Penal: falsidade ideológica. por sua vez. Por essa razão. As tentativas de reanimá-la não resultaram em sucesso e às 8h05 foi constatada a morte do bebê. Falsidade ideológica . Sua mãe. ela já se encontrava em trabalho final de parto. sua freqüência cardíaca estava quase à zero. com fortes dores abdominais. caput). rapidamente. icterícia. Esta. prevaricação (artigo 319) e abandono de função (artigo 323).O MPF relata que. Os médicos ausentes ao plantão e o chefe do setor de enfermagem foram acusados de homicídio culposo (artigo 121. intenso sangramento de útero. A criança nasceu coberta de fezes. além do crime de homicídio doloso (artigo 121. percebeu a intensidade do sofrimento da paciente: àquela hora. o estudante. do Código Penal). o qual não continha qualquer registro a partir da meia noite. A bolsa havia se rompido e grande quantidade de sangue e líquido meconiado tinha sido expelido. não foram encontrados em qualquer dependência do hospital. Com quadro infeccioso crescente e generalizado. "percebendo a gravidade dos acontecimentos. . quadro anúrico. porque. hipertensão e insuficiência respiratória grave. com dilatação total. apesar de escalados para plantão no dia dos fatos. procurou desesperadamente o prontuário do setor. inseriram declaração falsa no sentido de que a paciente teria sido examinada à 1h e às 3h da manhã. no dia 1º de dezembro foi encaminhada para a UTI. com o claro propósito de se furtarem de eventual responsabilidade civil e criminal". ao acordar pela manhã. 8 Foi somente por volta das sete horas da manhã. As auxiliares de enfermagem também irão responder por homicídio culposo. permaneceu na enfermaria. e em combinação com a médica residente. em apnéia e com cianose generalizada. parágrafo 3º. vindo a falecer no dia 14 seguinte. que uma enfermeira que chegava para iniciar o plantão do dia percebeu a gravidade do caso e o comunicou a uma médica que também havia acabado de chegar.

Disponível em: http://www. provocando dores e queimaduras visíveis na coxa e na virilha. Edward. Dina. do Recife. Não deu certo e ela optou por 184 Duarte. o procurador da República Cléber Eustáquio Neves requereu o encaminhamento de cópia ao Conselho Federal de Medicina. Foram quatro sessões de tratamento nas quais a ginecologista Thereza Chrystina Elias Cardoso.” Marcos Vianna. Jose. Quando os médicos erram. Revista Veja. para que este órgão realize sindicância no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia com o objetivo de apurar o descumprimento de normas e procedimentos que regulamentam a atividade médica. 1999.abril. As tentativas da médica para corrigir o problema foram ainda mais desastrosas. Fotos: Oscar Cabral 184 1. Foi um horror". "O erro de avaliação acontece. O importante é não abandonar o paciente.9. o exercício regular de plantão e o atendimento adequado a ser dispensado a pacientes em situação de urgência e emergência. Primeiro procurou abrir a vagina da paciente com as mãos.com. Cristine. 8 Ao oferecer a denúncia. Os ferimentos causaram estreitamento e colagem do canal vaginal. errou na quantidade de ácido aplicado. queimava. Prestes. pediatra que diagnosticou otite em um caso de meningite.3Erro de ginecologista Para eliminar um vírus.html Acesso em 17 maio 2008. conta Elizabete.br/030399/p_080. . São Paulo. 03 mar. "Ardia. a técnica em agropecuária Elizabete Maria Barbosa submeteu-se a uma cauterização no útero.

autoridades oportunistas. Para dificultar a denúncia. Manual de medicina defensiva: como evitar os processos e defender-se nos litígios. em Elizabete. 9 uma cirurgia. o guia deixa claro seu objetivo. em como se precaver de processos por erro médico. imprensa sensacionalista. 185 Assinado pelo advogado MARTHA e PEREIRA . como associações de vítimas de 'erro médico'. É princípio de boa cautela consultar um advogado para ser orientado sobre a forma legal de retirar o patrimônio de nome 185 MARTHA. Recorreu e hoje é médica num hospital e no posto da prefeitura de Olinda. 1999. recusando explicações em termos leigos ou coloquiais. 1. Ao receber alta. Quando for decidido pelo médico que deve prestar depoimento perante a autoridade policial ou a promotoria. a ginecologista foi condenada a ficar sem trabalhar quatro anos e meio. . Associação Médica do Rio Grande do Sul. Luiz Augusto. de terceiro grau. Porto Alegre. Marco Antonio Bandeira.9.4Um guia para esconder o erro A Associação Médica do Rio Grande do Sul publicou um manual para guiar seus filiados. a técnica foi informada de que nunca mais teria atividade sexual. deve fazê-lo usando a linguagem mais técnica e hermética possível. Acionada pelo Ministério Público. PEREIRA. neste sentido verificamos alguns trechos alusivos do livro: Neutralizar fatores externos agressivos e preconceituosos em relação a nossa atividade. na qual o bisturi elétrico provocou novas queimaduras.

Nesses casos. Tipo quem vai viver. uma proteção ao médico que usa de atos ilícitos e criminosos para se manter na profissão ileso. . percebe-se o intuito do livro citado acima. está acuado por pacientes gananciosos. na insuficiência do número necessário de respiradores artificiais. Neste norte. Sem poder político nem união profissional. Está equivocado. O médico faz hoje parte de uma classe desprotegida. Evitar pacientes que recusam determinadas terapias por razões éticas ou religiosas. elaborado a partir do prontuário. O paciente tem direito a um relatório médico. deve ser observada a rigorosa ordem cronológica de chegada dos pacientes ao local do atendimento. sabendo que são atos prejudiciais a vida de seus pacientes. O Conselho Federal de Medicina afirma que o prontuário médico pertence ao paciente. Não importa quem tem maiores chances de sobreviver. quem vai morrer. uma barreira. para evitar o risco de perdê-lo para o paciente demandante. As precárias condições e a falta de equipamentos impõem ao médico decisões que a ele não cabe tomar. E pior. 9 próprio. ou seja. Evitar plantões de atendimento público.

ao contrario da doutrina do Direito Penal que estabelece a . Podendo ser responsabilizado tanto na esfera civil como na penal. a lei determina que o agente responda pela conseqüência apesar de agir sem dolo ou culpa. a pessoa é responsabilizada pelo dano moral ou patrimonial causado a terceiro. para uma melhor convivência entre os homens. surgiu a responsabilidade do homem. No Brasil. com as disposições. o Direito Penal surgiu por volta de 1500. Tendo o individuo responder pelos atos cometidos ou omitidos dentro do ordenamento brasileiro. Na objetiva. Juntamente com o Código Penal brasileiro. ou seja. A responsabilidade penal é dividida em objetiva e subjetiva. este foi aprimorado. No primeiro caso. Baseado em princípios e principalmente no Código Penal. O homem assim que passou a viver em grupo punia e castigava caso seu grupo tivesse alguém prejudicado e neste contexto o Direito Penal foi evoluindo e junto com ele a maneira de se punir. 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Direito Penal surgiu juntamente com o homem e com o mesmo foi evoluindo. Passando por inúmeras fases e aos poucos foi se desenvolvendo. evoluções e mudanças. e como no resto do mundo. seus atos ilícitos poderiam ser penalizados.

podendo ser responsabilizado tanto na esfera civil. podendo ser esta de meio ou de resultado. . sem ter a obrigação de curá-lo. além de seus direitos e deveres também tem obrigação para com seus pacientes. Assumindo assim. causando o dano por negligência. sendo esta chamada de responsabilidade subjetiva. devendo atuar com respeito ao ser humano. o agente quer abertamente o resultado. ou seja. que é quando o indivíduo causa o resultado sem intenção de produzi-lo. Na obrigação de meio o profissional médico fica adstrito a obter um bom resultado. quando este profissional não adota as medidas necessárias para o bom andamento do seu trabalho. Não existindo assim compromisso com o resultado final. podem os crimes ser dolosos e culposos. conseqüência de um erro seu. Porém. Neste contexto. verifica-se a responsabilidade penal do médico. devido aos erros que pode cometer. podendo até causar a morte de seu paciente. imprudência ou imperícia. Este profissional é preparado. De tal modo. sendo os primeiros crimes praticados pelo agente que tem vontade de realizar a conduta. bem como amparado por lei (Código de Ética Médica). 9 responsabilidade pessoal e a culpabilidade. administrava e penal. verifica-se que o profissional médico. o risco de produzi-lo. contendo também seus deveres para com seus pacientes. deixando de ter a atenção devida. Ao contrário dos crimes culposos. Assim. Dentro da responsabilidade penal. bem como não usa as técnicas necessárias à circunstância. este cometerá erro.

lida com integridade física e com a vida das pessoas. Hoje. devido às mudanças na sociedade. E contém crimes comuns cometidos por qualquer pessoa. sendo que. ainda questionado frente à esfera médica. Finalmente. porém. procurou-se levantar algumas questões relevantes em relação à responsabilidade penal do médico. que de uma forma ou de outra. o médico compromete-se com um resultado final. Estes são de longe a melhor . A solução. os pacientes estão mais conscientes dos seus direitos. quando tal objetivo não é alcançado. têm-se alguns crimes próprios. geralmente casos de cirurgia plástica. por seus atos. neste sucinto estudo. Dentro do Código Penal Brasileiro. Quando o profissional usa da imprudência. Quando o médico assume o risco. a boa relação com o paciente e o exercício correto da profissão médica. apesar de este crime ser por alguns doutrinadores. o profissional médico torna-se inadimplente com o seu paciente. no país. além da aplicação dos conceitos basilares do Direito Penal. negligência ou imperícia acaba cometendo um crime culposo. 9 Na obrigação de resultado. Segundo estatísticas. quer o resultado acaba incidindo em crime doloso contra a vida. os profissionais da medicina têm o dever de cautela pra com todos. a punição na esfera penal ainda é pouco empregada. crimes estes cometidos apenas por profissionais da medicina. deve ser a prevenção para os erros médicos. o número de processos contra profissionais da medicina vem crescendo significativamente. além dos outros riscos da medicina. podendo o mesmo ser responsabilizado. veterinária ou odontologia. ao ver.

o profissional médico. ambas as hipóteses restaram comprovadas. lida com a vida do ser humano. 9 saída para diminuir a repercussão de suas ações ilícitas e prejudiciais ao paciente. . sendo que o médico responde penalmente por conduta dolosa e culposa. porém. Lembrando sempre que ninguém é perfeito. bem como o erro médico é atribuído ao médico como conseqüência de uma conduta culposa. Desta forma. todos erram.

V.1 4ª ed. Direito Penal. 20 abr.gov. BATTAGLINI. BELO HORIZONTE. Disponível em http://www. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. La colpa Nella Teor. Gener. 08 ago. Acesso em 15 abr.mg. .mg. Relator: Willian Silvestrini.tj.tj. 28 jun. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Direito Penal: parte geral. 5ª edição.gov. Relator: Maria Celeste Porto. Des. Edelberto Santiago. Acesso em 30 abr. 2008. Apud Nelson Hungria “Comentários ao Código Penal”. REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS ALIMENA. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.tj.gov. Indeferimento as preliminares. Relator: Paulo Cezar Dias. 24 jul.mg. Saraiva. BELO HORIZONTE. Disponível em http://www.mg. Francisco. Flávio Augusto Monteiro de. 1964. São Paulo Saraiva. Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. parte geral: v. 5.br. 2007. Acesso em 23 abr. 2006. BELO HORIZONTE. BELO HORIZONTE. Disponível em http://www.br. Disponível em http://www. BARROS. Editora Forense.br. Provimento parcial do recurso. 2004. 2008. 2008. Acesso em 23 abr.tj. 2004. 1998. Giulio.br. Ordem denegada. Relator: Sergio Braga. 2006. 2008. Provimento aceito. São Paulo. Del Reato.gov.

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