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MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA

DESCOLONIZAR O ENSINO

MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: o poder reafirmar a possibilidade de pensar e fazer a Educação a partir de princípios e lugares muy
da memória para descolonizar o ensino otros, “donde quepan muchos mundos” (EZLN, 1996). Para isso, será útil reconhecer experiências
que têm buscado realizar esse projeto desde a comunicação e a cultura, e deixar-nos afetar
Juliana Maria de Siqueira1
por elas. Este artigo convida, pois, educadoras e educadores a desestabilizar as certezas que
lhes têm sido propostas e permitir-se reestruturar autopoieticamente, na experimentação
RESUMO criativa e solidária de uma práxis libertadora. O caminho que se apresenta aqui é o da
A Museologia Social pode ser definida como uma área de estudos e práticas dedicada a compreender
e promover a apropriação dos meios de produção e gestão do patrimônio integral de uma Museologia Social: como, por meio da memória e do reconhecimento dos saberes e das
comunidade (abarcando aspectos culturais, naturais e sociais, nas dimensões materiais e imateriais).
Da mesma forma, ela trabalha para reconhecer e fortalecer as práticas culturais libertadoras potencialidades comunitárias, podemos (re)localizar a experiência educativa e compreendê-
desenvolvidas por coletivos e grupos sociais por meio do diálogo solidário de saberes. Este artigo la como uma dimensão essencial da afirmação das existências, do fortalecimento da
discute as possibilidades e consequências da prática da Museologia Social no espaço escolar. Para
isso, apresentam-se os pressupostos teóricos e metodológicos necessários para essa aproximação e resiliência e da produção do Bem-Viver.
elencam-se brevemente algumas experiências realizadas no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: Afeto. Descolonialidade. Educação. Memória. Museologia Social. As bases epistemológicas que situam a ciência ocidental no centro emanante de
todo conhecimento válido têm origem no projeto de modernidade que o colonialismo
ABSTRACT
Social Museology can be defined as an area of studies and practices dedicated to understand and europeu inaugurado no século XVI impôs ao mundo pari passu com a implantação da
promote the appropriation of the means of production and management of a community’s integral
economia capitalista (ASSIS, 2014). A estruturação histórica dessa episteme – fundada na
heritage (embracing cultural, natural and social aspects, in its tangible and intangible dimensions). In
the same way, it works to recognize and strengthen liberating cultural practices developed by racionalidade individualista e pretensamente neutra, na crescente fragmentação e
collectives and social groups through the solidary dialog of knowledges. This article discusses the
possibilities and consequences of implementing Social Museology in school environment. For this, especialização disciplinar, no estabelecimento de um método próprio destinado ao domínio
we present some theoretical and methodological assumptions required for this approach and briefly e à instrumentalização da natureza e na formação de instituições dedicadas à produção e
review some experiences undertaken in Brazil.
KEYWORDS: Affection. Decoloniality. Education. Memory. Social Museology reprodução do conhecimento – foi matéria de longos e aprofundados estudos empreendidos
por Peter Burke (2003). Dissimulada como um “evento intraeuropeu, emancipatório e
moralmente superior” (BRAGATO, 2015, p. 18), ela calcou sua legitimação em sucessivos
Por uma educação libertadora e descolonial
discursos – evangelização, civilização, modernização, desenvolvimento e globalização
(ASSIS, 2014, p. 615), que contribuíram para obscurecer sua face ambígua e as relações de
Em tempos de avanço das tendências neoliberais globalizantes sobre a América
poder e interdependência global nela implicadas. Todos aqueles outros que não se
Latina, é necessário denunciar, ainda uma vez, os pressupostos sobre os quais assenta uma
enquadravam nos moldes hegemônicos – e, portanto, eram tidos como entraves ao projeto
educação pragmática e cientificista que se destina a formar indivíduos capazes de atuar no
imperialista de dominação, controle e exploração – foram inferiorizados e depreciados como
mercado de trabalho para engajar-se no desenvolvimento econômico e social da nação.
irracionais, primitivos ou selvagens. Assim, “a pertença à humanidade tornou-se dependente
Nesse mesmo movimento, é importante examinar o caráter ideológico desse objetivo.
da adequação a certos padrões culturais” (BRAGATO, 2013, p. 30), fora dos quais não era
Colocado sobre o pedestal inquestionável do bem comum, o ideário do desenvolvimento foi
concebível gozar dos direitos humanos universais. Esse racismo epistêmico traçou uma linha
erguido na construção coletiva de uma formação discursiva partilhada pelos organismos
abissal (SANTOS, 2007) que lançou à invisibilidade os não-brancos, povos originários dos
internacionais, enunciadores supostamente neutros das agendas e diretrizes das políticas
territórios colonizados, africanos e afrodescendentes – favorecendo sua aniquilação
públicas aplicadas nos quatro cantos do planeta. Ainda, em tom de anúncio, devemos
ontológica, física e simbólica. Conforme demonstrou Aníbal Quijano, se a etapa histórica do
colonialismo foi superada, a colonialidade persistiu como ordenamento estruturante do
1Especialista Cultural do Museu da Imagem e do Som de Campinas. Doutoranda em Museologia pela Universidade
Lusófona de Humanidades e Tecnologias. E-mail: ju.de.siqueira@gmail.com
sistema-mundo capitalista (WALLERSTEIN, 1974), atravessando as dimensões do poder

REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916
ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 10, Volume 22, Nº 22 | set.– dez. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 10, Volume 22, Nº 22| set.– dez. 2016
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Regida pela lógica do acúmulo também a atual crise civilizatória. ele configura um dispositivo acionado desde poderosas Não é difícil identificarmos os traços dessa epistemologia monolítica e instituições. ainda resta anotar o despropósito de retirar-lhe as pretensões coloniais e imperiais por meio das quais ele se impõe como único. Volume 22. na busca de metas dualidade do pensamento e a visão racionalista da qual se apartam dimensões essenciais como e padrões avaliativos alheios ao processo de conhecer e. “el aprendizaje. em lugar da suposta neutralidade defendida pela posição hegemônica – e que. superam-se a funciona capturando subjetividades de educadores e educandos para obter a sua adesão à competição individualista e o seu engajamento na produção de resultados. 2016 87 88 . 6-7). 2007) que essa aos diferentes saberes. 18) se arraigam em âmbitos como as relações de gênero. Ela se desdobra por Arturo Escobar. já se imprime a Tal projeto implica. la acción. culturas e grupos sob o rótulo de subdesenvolvidos. O modelo gestionário (GAULEJAC. Ainda. a sensibilidade. à educação não cabe educação formal assim configurada opera como dispositivo de reprodução parafrásica e outra tarefa que a produção da resiliência e a invenção de caminhos alternativos que vinculem simplificadora de saberes. tem servido à reprodução da O problema do desenvolvimento na América Latina foi inicialmente denunciado colonialidade – abre-se espaço para o conhecimento socialmente comprometido com a REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 ITABAIANA: GEPIADDE. questionar a ideia de que a produção de conhecimento se dá exclusivamente no âmbito da academia – segundo os proposta do ensino instrumentalizante. especialmente as cosmovisões das comunidades originárias e afrodescendentes que têm sido sistematicamente invisibilizadas. 615). normas e documentos legais moderno/colonial. Essa atitude (re)ativa e põe em diálogo outras epistemes. p. creación e intervención”. desaprendizaje y reaprendizaje. desprovidos de sentido. 2003). em seu nome têm sido implementadas globalmente receitas padronizadas de políticas do processo educativo. geradas nos educação instala se escora na retórica da excelência. com a mínima participação dos sujeitos sociais poderão atingir os níveis materiais de qualidade de vida dos mais ricos. Não se trata de negar o conhecimento científico e disciplinar construído a partir da racionalidade ocidental. de fato. e seu fim. O fracasso sistemático desses empreendimentos desnuda sua falácia. 102). projeto iluminista. bancário – incapaz de dar conta dos processos de produção de conhecimento que conectam o ser e o fazer e menos ainda da realidade comunicativa/informacional contemporânea – a Portanto. Nas palavras de Catherine Walsh (2014. p. Nº 22| set. De acordo com Adilson regiões do globo.” (CITELLI.. 1993). do filtro educação. Volume 22. para WALSH (2007. a complementaridade Se já não fosse suficiente apontar o esvaziamento da condição humana e o sofrimento com a coletividade e a interdependência com o ambiente.. atendendo a “critérios que podem percorrer os ditames do preconceito. O antropólogo colombiano caracterizou-o como também nas relações sociais que perpetuam a formação de subjetividades subalternizadas e uma “máquina ocidental de discursos e práticas de intervenção” (QUINTERO. relocalizá-lo dentro de uma ecologia de saberes. frequentemente não contemplam dimensões históricas e territoriais públicas nos mais variados campos – da economia à saúde. 2000) e do ser (MIGNOLO. em contrapartida à promessa de inserção dos jovens no mercado parâmetros estabelecidos pela ciência ocidental – e abraçar uma postura multiversal frente de trabalho e na sociedade de consumo. 87). no final dos anos 90. 2002. p. exploração e conflito. os modelos escolares caracterizados como tradicionais se estruturam ao redor de três eixos fundamentais: hierarquia. Nos âmbitos mais modernizados. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE. à moda de um retrato esmaecido e jamais completado de um o pedagógico e o descolonial. destinado a satisfazer as demandas imediatas de desenvolvimento do capital. passando pela cultura e pela locais. Seu funcionamento é assegurado tem mobilizado imaginários sociais e integra dimensões essenciais da subjetividade por um arranjo burocrático que se consolida em estatutos. Nº 22| set. por vezes orientados pelas sequências propostas nos materiais didáticos. coerção e exclusão.– dez. Essa formação discursiva tecida nos âmbitos de poder das nações hegemônicas após a II Guerra Mundial Citelli (2002). Sua promessa – jamais cumprida – é a de que todos os Estados e setores elaborados fora e acima do seu âmbito de aplicação. Dessa forma. Ano 10. Com isso. a apropriação da natureza e do meio que reproduz dinâmicas externas de dominação. a serviço da classificação geocultural dos países e da homogeneização de vastas monocultural em nossos sistemas educativos e modelos de ensino. p. como ideológico. 2014. 2015. sob a pragmática neoliberal. Ele meios sociais e extra-científicos. JULIANA MARIA DE SIQUEIRA MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA DESCOLONIZAR O ENSINO (QUIJANO. Ano 10. do saber (LANDER. se o horizonte para o qual rumamos se revela ameaçador. mas de psíquico resultantes dessa forma de organização (que responsabiliza os sujeitos mesmos pelo fracasso no alcance de objetivos à partida irrealizáveis).– dez. marcada pelas crescentes desigualdades e concentração de riqueza e pelo colapso social e ambiental que põe em xeque a continuidade da vida no planeta. Longe de se constituir ambiente e os imaginários econômicos (ASSIS. Os programas. portanto. a emoção. um fenômeno natural universal. a corporeidade. da produtividade e do mérito. [e] da exclusão elitista. os afetos. a espiritualidade. p.

Segundo CHAGAS e GOUVEIA ênfase na participação ou protagonismo comunitário nas ações de identificação e preservação (2014). passaram a enfrentar questionamentos sobre o papel social WALSH (2014 p. Ano 10. Desde o final dos anos 60. museus de território e de percurso. o I Atelier dos sujeitos sobre/com a realidade local. b) o desenvolvimento local como objetivo da A origem e o desenvolvimento da Museologia Social estão profundamente ação museológica. Volume 22. não apenas nesse encontro. museólogos afirmaram seus América/encobrimento de Abya-Yala. 77). no “ir-e-vir” entre teoria e prática. defendemos a possibilidade de compreender e ativar os processos formais Por mais de uma década. Entendendo que a Museologia Social é uma poderosa ferramenta para esse empreendimento. acionando e acolhendo a memória de larga duração presente em o pensamento museológico. Ano 10. Em 1984. 2016 89 90 . requerendo um uso social e um sentido presente para o patrimônio. considerando as vinculações históricas e globais Internacional realizado em Québec. foi em 1979 que o museólogo francês Hugues de Varine. baseadas em saberes e fazeres deve ser mútua e não “altruísta”. restringindo sua ação afrodescendentes mantiveram suas memórias coletivas arraigadas em seu modo de vida à difusão de uma história e uma cultura elitizadas e incapazes de representar a diversidade cotidiano.– dez. Para ela. Nelas. propostas no âmbito da Ecomuseologia. 2014). culturais. as comunidades indígenas e eram criticadas por voltarem as costas às questões sociais emergentes. negros. Essas iniciativas. entre outros. 10). como parte de sua existência e seu ser. carregada de lástimas e de uma postura caritativa que não alternativos.– dez. Nº 22| set. as instituições exercício da democracia intelectual que se reverte na fertilização da ação social. Nº 22| set. como também sobre os desdobramentos que a ele se seguiram. examinemos sua gênese. seus fundamentos e possíveis interfaces com o o Movimento Internacional para uma Nova Museologia – MINOM. capaz de reunir Conselho Internacional de Museus – ICOM denunciou o caráter colonial dessas instituições. “la que se puede entender como este vivir de luz y libertad en medio de las democracia. anterior ao descobrimento da Santiago do Chile. social. Carregando a herança ancestral que remete dos movimentos e das identidades existentes. com a explosão dos diversos movimentos sociais não é extração neocolonial que expropria as comunidades sem nada restituir-lhes. reside a aposta de ação política. MORA e STAHLER-SHOLK. 2011. se nomeou e institucionalizou junto ao ICOM como que ela carrega. As declarações de Santiago e Quebec sistematizam as proposições fundamentais dessa abordagem museológica. as ameaças aos direitos humanos e a ausência de o pedagógico e o descolonial. É amplamente conhecida a influência que o pensamento de Paulo Freire exerceu tinieblas” (WALSH. um saber-fazer descolonial comprometido com os interesses coletivos. cultural e existencial para unir a enfrentar as desigualdades. Basicamente. no ano seguinte. essas memórias alimentaram e alimentam a extensa compromissos com a transformação da realidade. polifonicamente uma multiplicidade de vozes: “¿o es posible la neutralidad ante la injusticia sin anunciando a possibilidade de estabelecer outras práticas museológicas e patrimoniais que faltar a la moral?” (AUBRY. dando origem a múltiplos formatos como os ecomuseus. JULIANA MARIA DE SIQUEIRA MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA DESCOLONIZAR O ENSINO transformação da realidade. p. abrem-se caminhos para a compreensão e ação museus comunitários. convocada pelo ICOM em 1972. 2011). floresceram pelo mundo experiências museais que buscaram de educação como dispositivos de apropriação cultural e construção de conhecimento conectar-se aos contextos locais e responder aos desafios enfrentados por suas comunidades. então presidente do REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 ITABAIANA: GEPIADDE. 8-10) nos oferece as pistas para compreendermos o papel da excludente que vinham desempenhando (CHAGAS e GOUVEIA. A partir dos territórios partilhados pela comunidade escolar. Reunidos na célebre Mesa Redonda de a um horizonte histórico de larga duração. portanto. a construção da justiça e do bem-viver. a pobreza. p. feministas. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE. ensino. reconheceu a existência de um verdadeiro movimento de renovação. c) a conectados com a busca de superação da colonialidade. suas práticas sociais e culturais de resistência. condizentes com a consciência possível da época: a) o museu integral/integrado à comunidade – concebido como um agente social e político Museologia Social. entendendo o museu como espaço resistência à dominação e ao extermínio e a afirmação da possibilidade de uma existência educativo capaz de despertar a consciência crítica e o engajamento na ação coletiva destinada digna. Essa afirmação escorava-se em experiências concretas e reflexões que vinham questiona as relações de poder (BARONNET. o qual. Dessa sendo empreendidas há pelo menos uma década em diferentes contextos e regiões do globo. forma. Volume 22. ambientalistas e pacifistas. entre outros. elas memória e da Museologia Social nesse projeto. Essa solidariedade entre educadores e educandos abraçassem uma “nova ética” e uma “nova política”. 2014. diversificaram-se e influenciaram contextualizado e situado numa perspectiva descolonial. incluindo os museus. Assim. o conhecimento produzido colaborativamente. mas um estudantis.

que Fernando Santos NEVES (1993) setor no Conselho Gestor do Sistema Brasileiro de Museus e no Fórum Social Mundial de registrou pela primeira vez o termo Sociomuseologia. este movimento expansivo continuou. no que conjuntura favorável à Museologia Social. ao reconhecer o papel estratégico dos museus na tange à Sociomuseologia. oficializado em 1993 memória e a produção de seu futuro. Por outro lado. articulador da Museologia com as museal no Brasil (ABREMC. a partir da sensibilização. quando apropriado pela comunidade – permitindo conquistar autonomia sobre a própria com o Ecomuseu do Quarteirão Cultural do Matadouro de Santa Cruz. Em 2009. Por um iniciativas museológicas comunitárias. Nº 22| set. seguramente. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE. Ministério da Cultura. se apresentam e convivem os do Folclore de São José dos Campos (1987). fomento e comunicação destinadas ao reconhecimento e à concepção de museologia social no Brasil. indígena criado por iniciativa dos Ticuna em 1990. invisibilizar e desqualificar esse Organização dos Estados Ibero-Americanos. ela foi responsável pela realização de jornadas de formação em parceria de importantes quadros da Museologia brasileira e. g) a dimensão comunicativa dialógica do museu. d) Waldisa Rússio. compreendendo o patrimônio em uma anos 90. definido por Moutinho como um 2009. 2016 91 92 . compartilhamento e aperfeiçoamento proposições da Mesa Redonda de Santiago do Chile serem formuladas ou dos referidos de metodologias e ferramentas museológicas. 2007). JULIANA MARIA DE SIQUEIRA MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA DESCOLONIZAR O ENSINO patrimonial. lei federal que regula a atividade campo disciplinar de ensino. advogando um papel de colaboração horizontal e solidária dos especialistas. mas derivado de uma experiência iniciada dez anos antes. Ano 10. quer para a reflexão teórica que lhes dá fundamento. Ano 10. ao lado de figuras como Alfredo Tinoco e Manuela Carrasco. pesquisa e ação social. A ABREMC também reivindicou a representação do portuguesa que se tornou uma referência da área. Em termos práticos. alguns traços essenciais da teoria experimental com o objetivo de potencializar a ação de doze comunidades que já atuavam Sociomuseológica podem ser rastreados na nossa produção intelectual muito antes das no campo da memória social. essas diretrizes se traduziram na criação de linhas de Não cabe estabelecer um marco inaugural quer para as práticas de memória e formação. organizações não REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 ITABAIANA: GEPIADDE. 2008). do heranças culturais. responsável pela formação Fundada em 2004. inúmeros agentes coletivos se identifiquem e reconheçam nesse campo e passem a nomear cultural.– dez. nas dimensões natural. É o que ocorre. que. o Projeto Quarta Colônia de Museologia Social a partir do curso de especialização estruturado em Lisboa por Mário (final dos anos 90) e o Museu Treze de Maio (2001). publicação ecomuseus e museus comunitários. Ciências Humanas. as comunidades indígenas e afrodescendentes têm preservado e transmitido suas Pontos de Memória. em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM e a sendo próprio do pensamento colonizado não reconhecer. a ULHT constitui um locus fundamental da produção acadêmica afirmação das identidades culturais diversas. permitindo que totalidade contextualizada. no Brasil. Naquele ano. Tal curso daria origem ao pelo estabelecimento da Política Nacional de Museus a partir de 2003 e pela atuação programa de pós-graduação em Museologia – nos níveis de Mestrado e Doutorado – da propositiva da Associação Brasileira de Ecomuseus e Museus Comunitários – ABREMC.– dez. material e imaterial. Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – ULHT. colaborando na produção do Estatuto dos Museus. Volume 22. Em 2011 e 2014 foram lançados editais para programas acadêmicos serem instituídos – vide o pensamento de Mário de Andrade e incluir no programa outros empreendimentos populares. Atualmente. Volume 22. democracia. podemos declarar que ela estabeleceu uma condicionalismos da sociedade contemporânea” (MOUTINHO. Podemos afirmar. primeiro museu comunitário diferentes grupos socioculturais. em No início do corrente século. um desdobramento dos programas Cultura Viva e Mais Cultura. f) a natureza educativa e libertária do processo museológico suas iniciativas como ecomuseus ou museus comunitários. Nº 22| set. o Museu Didático-Comunitário de Itapuã No Brasil e em Portugal essa proposta se firmou no âmbito acadêmico com o nome (1993). em resposta à necessidade de adequar as “estruturas museológicas aos Quanto à Política Nacional de Museus. Caneva Moutinho. a Nova Museologia irá se difundir nos meios sociais. das primeiras turmas de com a União de Museus Comunitários de Oaxaca (México) e de encontros internacionais de doutores em Museologia. 2014). há pelo menos cinco séculos. Nesse percurso. e) a compreensão integral do patrimônio. na construção da cidadania e na promoção da aplicada e de diálogo e colaboração entre Brasil e em Portugal. ao longo dos o enraizamento territorial das práticas museais. desenvolveu-se um projeto saber-fazer e sua pedagogia. esse esforço se consolidou na criação dos lado. dois exemplos significativos. o Museu Magüta. os Ecomuseus do Cerrado e da Ilha da Pólvora (1999). em condições profundamente adversas. o Ecomuseu de Itaipu e o Museu entendido como fórum democrático onde se encontram. impulsionado frequente diálogo com Hugues de Varine (LEITE. por exemplo. contudo. Foi no número inaugural dos Cadernos de Sociomuseologia.

e que são aceitas enquanto se mostrarem Em sua XVII Conferência Internacional. cognitivo implica a busca de harmonia. Para que assim seja. sons. entretanto. Nº 22| set. 2016 93 94 . beleza. 2016). Desde então. provocando a reorganização em 2014. na perspectiva de uma outra sociedade. voltado ao sujeito. imagens e movimentos. que ameaçadas com o desmonte da Política Nacional de Cultura (ALERTA SOCIAL. das águas e das periferias urbanas. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE. 10). comunidade ribeirinha de Nazaré. mas no diálogo entre múltiplas explicações possíveis. universidades e museus tomaram parte no processo. informações e política pública tem enfrentado dificuldades. complementaridade. ao mesmo tempo. na convivência. Nº 22| set. entendemos que a dimensão educativa da Museologia Social consiste na descolonização da Museologia e anunciou claramente sua disposição de diálogo com a apropriação dialógica. JULIANA MARIA DE SIQUEIRA MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA DESCOLONIZAR O ENSINO governamentais. Coerentes com as cosmopráxis dos povos originários e afrodescententes e metodológicos necessários para essa aproximação. crítica. Entre experiência (MATURANA R e VARELA G. p. fundamentais para a construção da identidade e da humanização dos indivíduos e da das florestas. nas quais se entrecruzam oralidade e escrita. Tais caminhos são colocados à prova e as suas principais demandas estão o estabelecimento do Conselho de Gestão Compartilhada validados não pela confrontação a uma verdade neutra e objetiva estabelecida a priori e detida e Participativa do Programa Pontos de Memória e a sua consolidação legal. Esse Nos últimos anos. Na ocasião do último Fórum Nacional de Museus. como construtores do conhecimento numa articulação ativa entre o fazer e o pensar. em congruência com a manutenção de sua adaptação e da vida dos demais como (r)existência e alcance dimensões materiais e imateriais. Rondônia. têm sido mapeadas mais de 300 É desnecessário esclarecer que as experiências aqui relatadas escapam aos formatos ações de Museologia Social e os números continuam a crescer. a Museologia Social é um processo de conhecer conhecimentos locais que incidam favoravelmente nos movimentos sociais de resistência. 2016). preservar e comunicar) Atuar a favor de uma escola em movimento que contemple as seu patrimônio integral (quaisquer elementos e relações que. simbólicos e reflexivos educação formal. afetiva e sensível dos meios materiais. Podemos afirmar que as mais comuns que relacionam museus e ensino formal – frequentemente associados às visitas comunidades historicamente subalternizadas têm reconhecido a importância estratégica da escolares “guiadas” ou “monitoradas” a exposições das instituições museais. registrada na Missiva de Nazaré – Memória Acesa: pelos quais uma comunidade é capaz de produzir e gerir (identificar. 2016. canções.OEI. à coletividade da qual faz parte e seu meio. portanto. 2014. Em outras palavras. 1995). um sentipensar REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 ITABAIANA: GEPIADDE. ao consumo compulsivo e compulsório de produtos redes e a se desenvolverem “às margens do poder público e sem pedir permissão para existir” culturais e discursivos elaborados por especialistas. ensino e memória podem caminhar juntos na produção de pelas futuras gerações. realizada em agosto de 2016 na coerentes com o viver do grupo. seu uso presente e o direito de usufruto se à memória. haviam sido identificadas dez redes territoriais e temáticas de Museologia Social autopoiética dos elementos internos e a elaboração criativa de caminhos explicativos da (ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBEROAMERICANOS .– dez. que as compreendam os sujeitos como na defesa de direitos e na resistência às múltiplas violações a que são submetidas. p. levando as comunidades a se articularem em representações e. Volume 22. vejamos alguns dos pressupostos teóricos e sua preservação. a consolidação dos Pontos de Memória como uma trabalho dos educandos opõe-se ao acumular bancário de referências. uma racionalidade complexa e coletiva. 18). ao fratrimônio e à cultura. (MINOM. justiça e equilíbrio e se expressa em linguagens poéticas multidimensionais. nunca chegam a se homogeneizar e aplastar. em que a luta pela terra e pelo território manifeste-se coletividade. Ele é uma produção de sentidos (CHAGAS e GOUVEIA. Questões agora de antemão pelos educadores. a fim de desenvolver o compromisso com seu cuidado e outras violações de direitos. esse processo conhecidas. atuando como Aproximação ao ensino: algumas experiências e seus pressupostos colaboradores e apoiadores dos grupos sociais. A racionalidade construída por meio da Museologia Social é.– dez. vinculando- seres). Ano 10. Essa reflexividade busca nos territórios de maior vulnerabilidade e sob constante insegurança e ameaça de remoções aproximar-se crescentemente da vida. presentes em algumas das experiências (exemplificadas pelas ontologias do Bem-Viver e pela filosofia Ubuntu). considerando o legado de seus antepassados. Nessa proposta. Volume 22. isto é. bem que nos interessam são as pedagogias descoloniais. Ano 10. se tornam especificidades e o pleno diálogo entre os saberes dos povos dos campos. o MINOM reafirmou o compromisso com a Assim. deflagrada a partir dos eventos do meio que os afetam. As pedagogias memória como instrumento de luta na afirmação de seus valores e suas identidades.

bem dita. realizada com a aplicação de ferramentas diversas como a cartografia social. é mais importante que a obtenção delas encontram-se fartamente documentadas.. As ações propriedade. a partir Com relação à organização do trabalho. cortejos. ciência. 3) o desenvolvimento e a apropriação de conhecimentos e habilidades Griô. a sensibilidade poética com que se orquestram os discursos. que são reinventados para dialogar com o saber formal nas escolas. Entre o ensino e a prática museológica estabeleceu-se uma via de mão esquecidas. Bahia. no início dos anos 90. arte. Aqui. MORA e STAHLER-SHOLK. 2002) indicar alguns momentos-chave desse processo educativo: 1) a sensibilização. Com isso se descobre como repotencializar a linguagem e Bahia. mas o seu entendimento contextualizado e o olhar cuidadoso que inclui o dupla: patrimônio em estudo no horizonte da consideração ética individual e da responsabilidade O cotidiano da Escola e do bairro. não caberá examinar as inúmeras experiências inspiradoras metodológicas. JULIANA MARIA DE SIQUEIRA MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA DESCOLONIZAR O ENSINO (MORAES e TORRE. potencializando a percepção de seu valor. 2016 95 96 ... preservação e comunicação foram desenvolvidas pelos componentes dos diversos Setores do Museu. pesquisas de campo e outras. feiras. numa troca solidária com educadores e especialistas. relacionando os conteúdos programáticos das mesmas aos temas escolhidos pelos vários comunitários de Oaxaca (CAMARENA e MORALES. exibições audiovisuais. 2016). 4) a pesquisa propriamente [. a oralidade.. mas faz florescer das múltiplas realidades da escola e do bairro. a Museologia Social requer diferentes construções No âmbito desse artigo. professores e moradores locais. a corporeidade REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 REVISTA FÓRUM IDENTIDADES | ISSN: 1982-3916 ITABAIANA: GEPIADDE. descritas e analisadas. 5) o compartilhamento e a integrar mito. danças. Ano 10. encenações. Ano 10. história de vida e todos os saberes e fazeres tradicionais da comunidade. em individuais e coletivas. coletiva. 2) a definição de objetivos coletivos e de um apropriação dialógica da memória social numa perspectiva libertária.OEI. museológicas de pesquisa. Nº 22| set. à dignidade humana e ao bem-viver. desenvolvida a partir dos anos 90 pelo Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô. a partir da interação entre técnicos. a polifonia na sua do Museu Didático-Comunitário de Itapuã. Contudo. Ele é que põe em jogo o aprendizado político da autonomia e recupera podem ser acessadas facilmente pelas redes. o exercício de um processo que envolvem o diálogo entre o ensino e a memória/ museologia social. (SANTOS. os como seus conceitos chaves e seus processos de transmissão e circulação inventários participativos. 6) a avaliação dos processos e a conexão da experiência em redes ou circuitos de intercâmbio com iniciativas similares. funcionários do Colégio e instituições do bairro. Não se busca a acumulação bancária de referências culturais que logo serão sentido e consciência. educandos e preencher o mundo com significados afeitos à vida. A primeira que merece menção foi a criação 2011). a partir das experiências dos museus do planejamento realizado nas diversas disciplinas. Trata-se da Pedagogia plano de ação. no convívio e na investigação desenvolvido por Maria Célia Teixeira de Moura Santos junto ao Colégio complementaridade das visões de mundo ganha prioridade em relação ao cumprimento de Estadual Governador Lomanto Júnior e aos moradores do bairro de Itapuã. chás. pois. A negociação de sentidos com respeito às diferentes vozes. saraus. membros da comunidade. De acordo com Santos. 2004) ou corazonar (GUERRERO ARIAS. algumas que se colocam na o senso “público” da ação comunitária (BARONNET. expedições fotográficas. 2010) em constante comunidade: festejos. elaboração. em linguagens múltiplas e adequadas aos anseios da ancestralidade dos estudantes. como um projeto de articulação. A segunda experiência que assinalamos não se denomina como uma iniciativa de envolvimento e formação de uma equipe. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE. registros de história oral em audiovisual. Sendo um processo de aproximação à realidade. podemos horária destinada às diversas disciplinas. perspectiva descolonial que temos defendido. em Salvador.– dez. produção de conhecimento e exercício dialógico da linguagem. Volume 22. a fim de Lençóis. o vetor de todas as ações desenvolvidas em interação com alunos. Compreende-se assim a pertença. Nº 22| set. 2009) e dos Pontos de Memória segmentos envolvidos. Oferece uma iniciação pedagógica da escola e de griôs aprendizes para rodas de conversa. educadores. As programações foram desenvolvidas na carga (ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBEROAMERICANOS . exposições. e a vivência. em vez da posse e controle sobre uma foi o objeto de pesquisa. gestado e gerido coletivamente. qualificado como patrimônio cultural. Destacaremos. com objetivo de empoderar o grupo de trabalho para o alcance de seus propósitos. mobilização. diferenciações.] mediar a sistematização das práticas e saberes de tradição oral. envolvendo os moradores locais. os programas desenvolvidos permitiram “culturalizar” aspectos Aprende-se que a pertença a uma coletividade não aplaina as singularidades. Coloca como centro do saber a identidade e difusão das memórias e patrimônios. com a definição de instâncias deliberativas Museologia Social. muitas horizontal e participativo. mas suas práticas estão seguramente abarcadas pelas perspectivas de condizentes com a cultura de participação local. metas quantitativas externas.– dez.. entrevistas. Volume 22. e essas referências de um produto final. conforme o contexto em que se aplica.

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UAM. e Acesso em: 12 Out 2016. na CHAGAS. 2016 ITABAIANA: GEPIADDE.abremc. 2011. ela se torna ISBN 978-99954-0-707-0. 431. Nesse sentido. Ela pode servir à reprodução da colonialidade ou.ABREMC. da teoria Ecomuseus e Museus Comunitários . ela propõe ASSIS. Cuauhtémoc. que historicamente têm sido excluídos e subalternizados. 19-53.com. Entrevista concedida a Luciano Gallas. 1 Jan 1996. São Paulo: Editora SENAC São Paulo. 2002. México: CESAS.. Disponivel em: <http:// AÇÃO GRIÔ NACIONAL. Fernanda. Fernanda. n. nas aldeias. R. Revista do Instituto Humanitas Unisinos.com. 16 Nov 2015. a escola é um importante espaço de referência cultural para as novas gerações. 613-627. Ano 10. São Leopoldo. nos campos. JULIANA MARIA DE SIQUEIRA MUSEOLOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO: O PODER DA MEMÓRIAPARA DESCOLONIZAR O ENSINO como pontos de partida do processo de elaboração do conhecimento. Nos territórios periféricos urbanos. 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