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Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 3

Pavimentos de Baixo Custo
para Vias Urbanas

4 Douglas F. Villibor e outros

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 5

Pavimentos de Baixo Custo
para Vias Urbanas
Bases Alternativas com Solos Lateríticos

Gestão de Manutenção de Vias Urbanas

Douglas Fadul Villibor

Job Shuji Nogami

José Roberto Cincerre

Paulo Roberto Miranda Serra

Alexandre Zuppolini Neto

2ª Edição - Ampliada – 2009

625.br .com. Pavimentação urbana 625. CDD . São Paulo: Arte & Ciência.CEP 01329-010 Tel. fotocópia. sem permissão expressa do editor.625. gravação ou qualquer meio de reprodução. 4.: il. Villibor. Pavimentação urbana. 91 – Morro dos Ingleses São Paulo – SP .2ª edição . Pavimentação: Vias urbanas: Tecnologia alternativa 625. 2.8/157) Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas Douglas Fadul Villibor.Pavimentação alternativa. 23cm Bibliografia Obra coletiva ISBN . I.8 2..] -.. Villibor e outros © 2007 by Autores Direção Geral Henrique Villibor Flory Supervisão Geral de Editoração Benedita Aparecida Camargo Coordenação Editorial Rodrigo Silva Rojas Diagramação Rodrigo Silva Rojas Capa Wesley Silva Revisão Ortográfica Gelson da Costa Revisão Técnica Odilson Coimbra Fernandes e Débora Nogueira Targas Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Acácio José Santa Rosa (CRB . 3. 2009. 196 p.Aspectos econômicos..8 .6 Douglas F.11 Índices para catálogo sistemático 1. Todos os direitos desta edição.85 3.Tecnologia do uso . seja ela eletrônica ou mecânica. Bases de Solos lateríticos .Emprego de solos lateríticos. 5. Pavimentos flexíveis: Emprego de base de solos lateríticos 625.388. [et al.Pavimentação urbana.978-85-61165-29-1 1.arteciencia.85 .85 4. em língua portuguesa. Cidades e bairros . Pavimentos flexíveis .11 Proibida toda e qualquer reprodução desta edição por qualquer meio ou forma. Douglas Fadul. Pavimentos: Construção: Aspectos econômicos 388. reservados à Editora Arte & Ciência Editora Arte & Ciência Rua dos Franceses.: (011) 3258-3153 Na internet: http://www. Pavimentação .

......... Considerações sobre solos tropicais ............... Estudos geotécnicos......................Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 7 Índice Capítulo 1 Introdução ................1.......3..15 Capítulo 3 Considerações sobre Solos Tropicais e Conceito de Pavimentos de Baixo Custo .................2........ Aplicações práticas da Metodologia MCT ........................................................ 25 4...... Apresentação da metodologia MCT ...................................... 45 5............3........................ 19 3...2.. 26 4............... Imprimaduras asfálticas e revestimentos betuminosos .1........ Conceito de pavimentos de baixo custo ... 19 3.... 87 ................................... Apresentação da metodologia MCT . 23 3......................................................... 37 Capítulo 5 Tecnologia do Uso de Solos Lateríticos em Pavimentação ................. 45 5..................................1................................ 25 4............ Aplicações da metodologia MCT em bases de pavimentos ...........................11 Capítulo 2 Pavimentação Urbana: Histórico e Aspecto de seu Desenvolvimento ..2...................... 23 Capítulo 4 Metodologia MCT e suas Aplicações Práticas ...3..... Considerações para a utilização de Pavimentos com Solos Lateríticos ............. 54 5............

......1........... Dimensionamento de pavimentos de baixo custo............................. 103 6............................................. 168 8.............4 Segmentos Experimentais ........ 167 8.................................. 103 6........2 Perguntas e respostas ............................................... 191 Sobre os Autores ..................................................................... 115 Capítulo 7 Fundamentos para o Uso de Bases Alternativas .... Pavimentos de baixo custo ............................................................................ 187 Referências Bibliográficas ..1 Introdução ......................... 119 7......................2 Conceitos sobre Gerência de Pavimentos........................5 Considerações Finais ....................... 170 8..........................3 Plano de Gestão de Manutenção de Pavimentos Urbanos ..........8 Douglas F..... 182 8.............. 119 Capítulo 8 Gestão de Manutenção de Vias Urbanas ......................... 167 8.. 195 ....2................................................................................. Villibor e outros Capítulo 6 Dimensionamento e Estudo Econômico de Pavimentos de Baixo Custo ................................................... 119 7.1 Introdução .

São enfocados assuntos ligados ao desenvolvimento de uma tecnologia nacional. específica para solos lateríticos em ambientes tropicais. um dos precursores da pavimentação de baixo custo com solos tropicais. professores das referidas escolas e engenheiros do DER – SP. Foi suprimido o capítulo 7 original e foram feitas diversas atualizações com novas ilustrações e alguns exemplos. por mais de duas décadas. Por suas relevantes contribuições ao desenvolvimento dos pavimentos de baixo custo.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 9 Prefácio Este livro é uma reprodução de parte do trabalho técnico “Pavimentos com Solos Lateríticos e Gestão de Manutenção de Vias Urbanas”. bem como publicações apresentadas em diversos congressos e seminários pelos autores. do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado de São Paulo (DER-SP) e das Escolas de Engenharia Politécnica e de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). ambos são homenageados neste livro. os estudos de muitos colegas. do já falecido. Engº Fernando Custódio Correia. e suas . e do Engº Salvador de Almeida. apresentado na 10ª Reunião Anual de Pavimentação Urbana da ABPv (Uberlândia – 2000). Foram fundamentais. O avançado estágio atual dos estudos de solos tropicais para pavimentação só foi possível devido ao apoio institucional e permanente. um dos autores do trabalho técnico referido. Para a sua concepção foram utilizados conceitos do livro “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos”. Esta versão não teve a participação do Engº Mauro Beligni. foi inserido um novo capítulo. de autoria dos Professores Doutores Job Shuji Nogami e Douglas Fadul Villibor (1995). Em especial. Além disso. fundamental para um melhor entendimento do assunto. ainda.

também.10 Douglas F. Villibor e outros aplicações práticas. Portanto. este trabalho tem como objetivo principal difundir. . Outro objetivo é. a Metodologia MCT (Miniatura Compactada Tropical) em substituição às metodologias tradicionais de classificação de solos e escolha de materiais para uso em pavimentação. apresentar os procedimentos construtivos e de controle tecnológico de bases executadas com solos lateríticos. de uma maneira simplificada.

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 11
Capítulo 1

Capítulo 1
Introdução

O déficit de pavimentos urbanos é grande em quase todas as cidades
brasileiras abrangendo desde vias principais de cidades de grande porte, até
vias de circulação de distritos e conjuntos habitacionais. Citam-se no Estado
de São Paulo, cidades altamente desenvolvidas como a cidade de São Paulo,
com déficit de aproximadamente 20 milhões de m2, e o município de Guarulhos
que, mesmo já tendo uma rede pavimentada de 2,7 milhões de m2, ainda
necessita executar, pelo menos, mais 30% (800 mil m2).

Em outras regiões do país, a situação, quanto ao déficit de pavimentos
urbanos, é ainda mais grave. Isso demonstra, portanto, a necessidade e a
importância do desenvolvimento de uma tecnologia de pavimentação que
minimize os custos de implantação de pavimentos urbanos.

A abordagem tradicional da pavimentação, acrescida das considerações
mais recentes quanto à fadiga, tem se mostrado viável para execução dos
pavimentos das vias de maior tráfego. Já para ruas de pequena intensidade de
tráfego, como em conjuntos habitacionais, pequenas comunidades e bairros
periféricos, a pavimentação tradicional pode, em muitos casos, ter um custo
que a torna inviável. Em contraposição uma pavimentação alternativa, com
o uso, por exemplo, de solos lateríticos, ou seja, pavimento de baixo custo
com estrutura que admita ser reforçada no futuro, representa uma proposta
muito interessante.

O emprego da tecnologia de solos lateríticos em pavimentos urbanos,
em regiões com ocorrência destes solos, vem crescendo nas últimas duas
décadas, preponderantemente, para vias de tráfego de muito leve a médio.

12 Douglas F. Villibor e outros

O interesse pelo emprego desse tipo de solo, nos últimos anos, na
pavimentação urbana se deve, principalmente, ao seu baixo custo em relação
aos materiais convencionalmente empregados e, também, à ocorrência de
solos lateríticos em grande escala no território brasileiro.

A grande maioria dos municípios de pequeno e médio porte executa
pavimentos urbanos segundo a sua experiência, usando pequenas empresas,
com poucos recursos para um controle tecnológico adequado e com algumas
limitações quanto à execução de pavimentos diferenciados.

As cidades de grande porte adotam conceitos, quanto ao dimensionamento
e emprego de materiais, baseados em procedimentos tradicionais similares
aos adotados em organismos rodoviários nacionais que, por sua vez, são
fundamentados em normas de organismos internacionais, principalmente em
normas americanas, como ASTM e AASHTO (American Society for Testing and
Materials; American Association of State Highway and Transportation Officials).

Segundo os princípios de dimensionamento de pavimentos norte
americanos e europeus, as camadas da superestrutura do pavimento são
executadas, quase que exclusivamente, com materiais pétreos devido
à escassez de solos apropriados e às condições climáticas adversas —
congelamento no inverno e descongelamento na primavera — mantendo o
subleito com umidade superior à obtida em ensaios laboratoriais.

Naqueles locais, a adoção de materiais pétreos artificiais ou naturais, com
um controle rigoroso quanto ao limite de liquidez e índice de plasticidade dos
finos (material que passa na peneira de abertura 0,42 mm), é justificada pela
necessidade de garantir uma drenagem adequada do pavimento durante o degelo
e para absorver a expansibilidade da água, durante o congelamento no inverno.

No Brasil foram utilizados, até o final da década de 70, critérios similares
aos desenvolvidos para países de clima frio e temperado, quanto aos
procedimentos de estudo de materiais e dimensionamento de pavimentos. Os
pavimentos assim projetados e executados, apesar de viáveis tecnicamente na
maioria dos casos, podem acarretar custos mais elevados quando comparados
com os não convencionais, que empregam camadas de solos lateríticos.

Portanto, o desenvolvimento de pavimentos regionalizados e com
tecnologia nacional, é de suma importância, devido à grande extensão

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 13
Capítulo 1

territorial, aos diferentes tipos de solos que ocorrem no país, às condições
climáticas típicas de ambientes tropicais, ao grande déficit de pavimentos a
serem implantados e, principalmente, à falta de recursos financeiros.

O objetivo desta obra é fornecer subsídios para o estudo de solos e
materiais para a execução das diversas camadas de pavimentos de baixo
custo com o emprego de solos lateríticos, incluindo técnicas construtivas
das camadas de reforço, sub-base, base e revestimento.

Para o estudo dos solos do subleito e camadas da estrutura do
pavimento, serão adotados critérios de escolha e dosagem de acordo com
a metodologia MCT, desenvolvida especialmente para solos tropicais.

O dimensionamento da estrutura de pavimentos alternativos com o
uso de solos lateríticos será baseado no método da Prefeitura Municipal de
São Paulo (PMSP) para tráfego de muito leve a médio.

Neste trabalho serão abordados os seguintes assuntos:

- Pa v i m e n t a ç ã o U r b a n a : H i s t ó r i c o e A s p e c t o s d o s e u
Desenvolvimento.

- Considerações sobre Solos Tropicais e Conceito de Pavimentos de
Baixo Custo.

- Metodologia MCT e suas Aplicações Práticas.

- Tecnologia do Uso de Solos Lateríticos em Pavimentação.

- Dimensionamento e Estudo Econômico de Pavimentos de Baixo
Custo.

- Fundamentos para o Uso de Bases Alternativas.

Villibor e outros .14 Douglas F.

normalmente. A preferência pelo uso de procedimentos para a escolha de materiais e de dimensionamento de pavimentos baseados em experiências internacionais é grande no Brasil. principalmente por falta de condições de adaptação tecnológica. demonstrando grande resistência à inovações. os pavimentos são construídos por pequenas empresas que têm poucas condições de . Além dessa resistência à inovação. conceitos baseados principalmente em normas de organismos rodoviários norte-americanos. resistência ao uso de outros materiais para a execução de bases. visto que as escolas de engenharia adotam. Nos municípios de pequeno e médio porte. algumas prefeituras têm contratos previamente feitos com fornecedores de pedra britada e oferecem. conseqüentemente.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 15 Capítulo 2 Capítulo 2 Pavimentação Urbana: Histórico e Aspectos do seu Desenvolvimento O emprego da tecnologia de pavimentos alternativos em municípios de pequeno e médio porte. as prefeituras vêm sempre executando pavimentos de um determinado tipo. De maneira geral. com determinada técnica construtiva. em seus cursos. praticamente não se generalizou nas últimas décadas pelo fato de muitas das prefeituras não disporem de serviços de engenharia eficientes e das técnicas não convencionais serem pouco difundidas em âmbito nacional.

em função de alguns interesses econômicos. se adotadas para vias urbanas em clima tropical. por parte dos usuários e moradores. em geral. bases de solo- . Além do mencionado anteriormente. ou macadame seco. não se utilizam adequadamente. porém. recursos naturais disponíveis. entretanto. Outro fato a ser considerado é o medo de reação contrária. Levando-se em consideração a extensão do território brasileiro. Este fato pode estar associado à comodidade do uso de materiais pétreos. a qualidade dos serviços fica restrita à experiência e ao zelo do encarregado da obra na condução dos serviços. O emprego de materiais pétreos é. Como solução alternativa foram empregadas. porque eles poderiam ter a falsa impressão que os serviços não serão de boa qualidade. o controle tecnológico das obras é mais eficiente. rolar e completar o pavimento com pedra e asfalto. e macadame betuminoso para travamento da superfície. quando do emprego de outros materiais para a execução de pavimentos. das diferentes condições ambientais e do tipo de solo do subleito. Em centros urbanos maiores. uma solução onerosa para vias urbanas de tráfego muito leve ou leve. Villibor e outros adaptação à inovações tecnológicas em termos de processo construtivo e executam os pavimentos segundo sua experiência. não são engenheiros. As estruturas de pavimentos utilizadas em países de clima frio e temperado. constroem compactando o subleito. aplicando uma camada de pedra. deve-se lembrar que é sempre mais fácil a justificativa do emprego de materiais cujo desempenho é garantido por normas e recomendações internacionais. uma bica corrida. tais como solos lateríticos para camadas de pavimentos. durante algumas décadas. Uma prática corrente consiste em jogar pedra britada sobre o subleito.16 Douglas F. Já outras prefeituras com tecnologia mais apurada. torna-se imprescindível a utilização de materiais locais. Em muitos casos. o grande déficit de pavimentos e a pouca disponibilidade de material pétreo em algumas regiões. seriam superdimensionadas em função do menor tráfego atuante. Verifica-se que a qualidade dos serviços fica restrita ao maior ou menor cuidado quanto à escolha dos materiais. ao processo executivo e às condições de recebimento e controle dos serviços que normalmente são efetuados por profissionais que.

No início da década de 70. levou à adoção daqueles materiais para bases de pavimentos. que já se encontra implantada em vários órgãos rodoviários e prefeituras. O programa de estradas vicinais do DER/SP permitiu a observação in situ do desempenho destes pavimentos. levaram à busca de novas alternativas visando a uma considerável redução nos custos dos pavimentos. e tratamentos superficiais.0 cm. muito freqüentes em grande parte do interior do Estado de São Paulo. O melhor aproveitamento de solos locais em pavimentação aconteceu no Estado de São Paulo nos anos 50. foram utilizados revestimentos delgados do tipo macadame betuminoso selado. denominados Solos Arenosos Finos Lateríticos (SAFL). Sobre a camada de base executada com solos locais. A falta de recursos financeiros associada à necessidade de implantação rápida e em grande escala de rodovias e pavimentos urbanos. As técnicas empregadas foram aprimoradas com o passar do tempo e resultaram na atual metodologia MCT. na espessura de 4. são solos arenosos lateríticos de granulação fina. Esta observação estimulou o emprego de solos locais para as camadas de reforço. no final da década de 60. O comportamento altamente satisfatório destes pavimentos. sendo executados gradativamente segmentos experimentais em rodovias e. para a realidade econômica brasileira. Ao longo de alguns anos forneceu dados tecnológicos importantes para o desenvolvimento de uma tecnologia voltada para o emprego de solos tropicais. O desempenho do pavimento em vias urbanas tem sido plenamente satisfatório. . em vias urbanas. apesar de envolver materiais e espessuras considerados inadequados pelos procedimentos tradicionais.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 17 Capítulo 2 cimento que são de elevado custo. Os solos locais utilizados para bases de pavimentos. diante do bom desempenho de bases executadas com solos locais. por meio de um programa de estradas vicinais desenvolvido pelo DER/SP. reduzindo consideravelmente os custos de implantação. quando foram constatados valores de capacidade de suporte (CBR) extremamente elevados para variedades argilo-arenosas e argilas. utilizando-se ensaios convencionais. do subleito e sub-base. houve um incremento no emprego da tecnologia de pavimentação de baixo custo.

mais de 50 cidades paulistas e algumas cidades de outros Estados (Bahia. têm utilizado esta tecnologia de pavimentação urbana de baixo custo. Mato Grosso do Sul e Acre). Villibor e outros Atualmente. construídos com bases de solos lateríticos. em todo o território nacional. Estima- se em mais de 15 milhões de metros quadrados de pavimentos urbanos e em aproximadamente 20 mil quilômetros de rodovias vicinais. A figura 1 apresenta a malha viária e os principais centros urbanos no Estado de São Paulo.18 Douglas F. que utilizam pavimentos com bases de SAFL. Goiás. FIGURA 1: Malha Viária e os principais Centros Urbanos do Estado de São Paulo com Pavimentos Utilizando Bases de SAFL. . Paraná.

A figura 2 ilustra um perfil esquemático da ocorrência destes tipos de solos. Os seguintes solos são encontrados em regiões tropicais: lateríticos. saprolíticos e transportados.1 Considerações Sobre Solos Tropicais Os solos das regiões tropicais apresentam uma série de peculiaridades decorrentes das condições ambientais sendo. os tipos genéticos de solos encontrados em regiões tropicais. portanto. ou seja. FIGURA 2: Perfil Esquemático de Ocorrência de Solos em Ambiente Tropical . necessário se conceituar os solos de Peculiaridades Tropicais.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 19 Capítulo 3 Capítulo 3 Considerações sobre Solos Tropicais e Conceito de Pavimentos de Baixo Custo 3.

a estrutura da rocha que lhe deu origem. Os solos saprolíticos (sapro. motoescavotransportadora etc. também. constituídos de grãos separáveis por processos mecânicos e hidráulicos. insolação. Estes minerais conferem aos solos de comportamento laterítico coloração típica: vermelho.20 Douglas F. aqueles que apresentam propriedades peculiares e de comportamento. de fácil dispersão em água. Dentre os solos tropicais destacam-se duas grandes classes: os solos lateríticos e os solos saprolíticos. em aterros. Geralmente. de maneira nítida. típicos das partes bem drenadas das regiões tropicais úmidas. marrom e alaranjado. geadas) e mantêm. do latim: tijolo) são solos superficiais. os materiais constituintes da parte superficial da crosta terrestre e que não se enquadram na condição de solo. barragens de terra. são considerados rochas. e que podem ser escavados com equipamentos comuns de terraplenagem (pá carregadeira. São genuinamente residuais. por processo denominado laterização. são denominados de solos tropicais em decorrência da atuação de processo geológico e/ou pedológico típicos das regiões tropicais úmidas. resultantes de uma transformação da parte superior do subsolo pela atuação do intemperismo. o enriquecimento no solo de óxidos hidratados de ferro e/ou alumínio e a permanência da caulinita como argilo-mineral predominante e quase sempre exclusivo. Villibor e outros 3. Os solos lateríticos (later. mesmo que isso contrarie as conceituações adotadas em geologia e em pedologia. as mais importantes do ponto de vista tecnológico.1. do grego: podre) são aqueles que resultam da decomposição e/ou desagregação in situ da rocha matriz pela ação das intempéries (chuvas. isto é. isto é. . Dentro da classificação dos solos. O solo pode. derivam de uma rocha matriz. Terá estrutura artificial quando transportado e/ou compactado mecanicamente.). Várias peculiaridades associam-se ao processo de laterização sendo.1 Conceituação dos Solos Encontrados em Regiões Tropicais Solos são materiais naturais não consolidados. apresentar-se como estrutura natural ou artificial. reforços do subleito de pavimentos etc. amarelo. e as partículas que o constituem permanecem no mesmo lugar em que se encontravam em estado pétreo.

na superfície do terreno. Uma feição muito comum no horizonte superficial. eventualmente. As figuras 3 e 4 ilustram a ocorrência de solos lateríticos e saprolíticos. São designados também de solos residuais jovens. de outro tipo de solo) aparecendo. somente por causa de obras executadas pelo homem ou erosões. maduros. delimitando o horizonte laterítico do saprolítico. a parte subjacente à camada de solo superficial laterítico (ou.5 m).Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 21 Capítulo 3 Os solos saprolíticos constituem. portanto. com Camada Laterítica Sobrejacente a uma Camada Saprolítica de Origem Sedimentar. Micro-estrutura do Solo Laterítico Solo Saprolítico Micro-estrutura do Solo Saprolítico FIGURA 3: Corte Rodoviário. com as Correspondentes Microfábricas . em contraste com os solos superficiais lateríticos. Estes solos são mais heterogêneos e constituídos por uma mineralogia complexa contendo minerais ainda em fase de decomposição. ou no seu limite. é a presença de uma linha de seixos de espessuras variáveis (desde alguns centímetros até 1.

22 Douglas F. SOLOS ARENOSOS DE COMPORTAMENTO LATERÍTICO SOLOS ARGILOSOS DE COMPORTAMENTO LATERÍTICO FIGURA 5: Ocorrência de Solos de Comportamento Laterítico no Território Brasileiro . Villibor e outros FIGURA 4: Perfil de Solo Saprolítico de Folhelho A figura 4 ilustra a ocorrência de um perfil de Solo Saprolítico em um corte rodoviário.

Utiliza revestimento betuminoso esbelto do tipo tratamento superficial ou concreto betuminoso usinado a quente. conforme indicado na figura 5. é a sua ocorrência em área próxima às obras e condições ambientais adequadas.Rodoviário. no máximo.Utiliza bases constituídas de solos locais in natura. essa condição ocorre em regiões de quase todos os estados brasileiros. com espessura de. com no máximo 30% de veículos comerciais. quando: .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 23 Capítulo 3 3. de acordo com a classificação de vias apresentada no Capítulo 6. 3. no entanto. ou com misturas com agregados. com VDM inferior a 1500 veículos. macadame hidráulico ou macadame betuminoso. .É dimensionado para atender os tráfegos: . ou em misturas. solo-cimento. Segundo dados geológicos.Urbano. com custos substancialmente inferiores às bases convencionais tais como: brita graduada.3 Considerações para a Utilização de Pavimentos com Solos Lateríticos A condição para o uso de solos lateríticos de granulação fina como material para bases in natura. de muito leve a leve.0 cm. . pedológicos e climáticos disponíveis. . segundo Köppen: . 3.2 Conceito de Pavimentos de Baixo Custo Um pavimento é considerado do tipo Baixo Custo. e com N < 5 x 106 solicitações do eixo simples padrão de 80 kN -> sistema SI. já implantadas em alguns sub- trechos de rodovias paulistas. A grande maioria dos pavimentos executados com bases de solos lateríticos apresenta comportamento altamente satisfatório e localizam-se em regiões com os seguintes tipos climáticos. Nos pavimentos rodoviários há experiências com volumes superiores ao máximo especificado. o uso dessas bases para rodovias de tráfego pesado somente poderá ser recomendado a partir dos resultados das pistas experimentais (faixas adicionais).

Para o emprego de solos lateríticos em pavimentos urbanos.Obrigatoriedade de execução de guias e sarjetas. para evitar infiltração d’água por trás das guias e sarjetas.Cwa (quente com inverno seco). evitando o acúmulo de água em pontos baixos. .24 Douglas F. pelo menos. Nesse caso. tanto o projeto geométrico quanto o de drenagem devem atender às características técnicas apresentadas a seguir: . . A precipitação pluviométrica anual nestas regiões situa-se entre 1000 e 1800 mm. .Perfil longitudinal com declividade mínima de 1% e máxima de 8%.Aw (tropical com inverno seco). .Execução de um sistema eficiente de captação de águas pluviais e servidas. . . com temperatura média anual superior a 20 º C. Exigência de execução do passeio.Cwb (temperado com inverno seco). Villibor e outros .Execução de drenagem profunda para rebaixamento do lençol freático a. na pavimentação de vias da cidade de Rio Branco . o pavimento acha-se confinado por guias e sarjetas e com revestimento constituído por concreto betuminoso usinado a quente executado sobre uma camada de proteção anticravamento de tratamento superficial simples. preferencialmente com revestimento em concreto.50 m em relação à cota final de terraplenagem (CFT). Algumas vias urbanas foram executadas com sucesso em regiões de clima equatorial com volume anual de chuvas superior a 2000 mm. 1. por exemplo. .Seção transversal com declividade entre 3 a 4%.AC. .

Outro exemplo são os solos do grupo A-4 com comportamento laterítico. ou um péssimo subleito. utilizados com sucesso em bases de pavimentos.1 Considerações Iniciais A metodologia tradicional apresenta uma série de limitações e deficiências para o estudo do uso de solos na pavimentação. caso saprolítico (baixa capacidade de suporte elevada resiliência e elevada expansão). os solos que se classificam no grupo A-7-5. caso laterítico. podem se comportar como um ótimo subleito. Assim.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 25 Capítulo 4 Capítulo 4 Metodologia MCT e Suas Aplicações Práticas 4. A classificação de solos HRB-AASHTO é a mais utilizada no meio rodoviário. Estas classificações consideram fundamentais a granulometria. o limite de liquidez (LL) e o índice de plasticidade (IP). desde os aspectos de classificação geotécnicas de solos até os critérios de escolha e dosagem de materiais para o emprego em bases. Em contrapartida. eles . quando adequadamente compactados. porém classifica e hierarquiza os solos tropicais de maneira inapropriada. Na condição ótima de compactação da energia normal. Duas classificações tradicionais têm sido mais usadas para obras viárias: a HRB (Highway Research Board) – AASHTO (também adotada pela ASTM) e a USCS (“Unified Soil Classification System”). ocorrem freqüentemente muitos solos saprolíticos do mesmo grupo. que constituem péssimos subleitos.

26 Douglas F. quase que integralmente na peneira de 0. deve-se principalmente aos seguintes fatores: . A mesma baseia-se numa série de ensaios e procedimentos cujos resultados reproduzem as condições reais de camadas compactadas de solos tropicais. quando saprolíticos e podem atingir valores de CBR superior a 30% (na mesma condição de compactação) e superior a 80% na energia intermediária. de propriedades diversas. 4. quando usadas em pavimentos. entre outras.Constatação experimental do bom desempenho de bases constituídas por solos lateríticos de granulação fina e por solo agregado com grande porcentagem de finos (passando. quando empregadas em solos de ambientes tropicais. de corpos de prova de dimensões reduzidas (corpos de prova com 50 mm de diâmetro) em solos tropicais compactados. específica para solos compactados tropicais. . Esta Metodologia abrange dois grupos de ensaios a saber: . . Nogami e Villibor desenvolveram uma metodologia designada MCT. de “residuais”.Mini-CBR e associados. as dificuldades e deficiências apontadas no uso das classificações tradicionais desenvolvidas para solos de clima frio e temperado. Tendo em vista. nos ensaios. através das propriedades geotécnicas que espelham o comportamento in situ dessas camadas. desenvolvida por Nogami e Villibor a partir da década de 70. Villibor e outros podem apresentar um valor de CBR da ordem de 3%. apesar de serem considerados inapropriados para base de pavimentos pelas sistemáticas tradicionais.42 mm de abertura).Limitações dos procedimentos tradicionais para caracterizar e classificar os solos com base na granulometria e limites físicos (LL e IP). A metodologia.2 Apresentação da Metodologia MCT A designação MCT (Miniatura Compactado Tropical) é proveniente da utilização. inadequadamente designados em outros países.Mini-MCV e associados. . Tais índices são incapazes e insuficientes para distinguir os principais tipos de solos tropicais. conhecidos como lateríticos e saprolíticos. quando lateríticos.

contração. as demais propriedades são obtidas na Massa Específica Aparente sua máxima (MEASmax) para vários teores de umidade (variação da energia de compactação). Os ensaios Mini-MCV e associados fornecem parâmetros para a determinação dos coeficientes c’ e e’ que. METODOLOGIA MCT GRUPO DE ENSAIOS GRUPO DE ENSAIOS GRUPO DE ENSAIOS Mini-CBR e Mini-MCV e Ensaios As s ociados As s ociados in situ ENSAIO DE ENSAIO DE COMPACTAÇÃO COMPACTAÇÃO Mini-CBR Mini-CBR Mini-MCV com Controle de Mini-P roctor Mini-MCV Penetrômetro Convencional Umidade ENSAIO DE PERDA DE MASSA POR IMERSÃO ENSAIOS ASSOCIADOS Capacidade de Suporte Mini-CBR. tais como: capacidade de suporte (Mini-CBR). por sua vez. permitem a classificação dos solos de acordo com a metodologia MCT. permeabilidade. pode-se obter as características dos solos apropriados para bases de pavimentos. infiltrabilidade. Com relação ao grupo de ensaios Mini-MCV e associados. Expansão. etc. Contração Infiltrabilidade. O fluxograma 1 ilustra os diferentes grupos de ensaios da Metodologia MCT.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 27 Capítulo 4 A partir dos ensaios de Mini-CBR e associados. expansão. com exceção do ensaio de perda de massa por imersão. As propriedades obtidas com uso do grupo de ensaios Mini-CBR e associados são determinadas em corpos de prova compactados com energia constante (normal ou intermediária). Geralmente após a compactação dos corpos de prova. para vários teores de umidade. Permeabilidade Penetração de Imprimadura FLUXOGRAMA 01: Grupos de Ensaios da Metodologia MCT . determina-se uma série de propriedades. além de permitirem a determinação de todas as propriedades referidas nos ensaios Mini-CBR e associados.

a partir delas pode-se determinar o valor dos Mini-MCV de cada uma das curvas.Método Mini-Proctor: Designado comumente de Mini-Proctor. até se conseguir um aumento sensível de MEAS para vários teores de umidade. .2. Essas curvas são denominadas de curvas de deformabilidade ou de Mini-MCV. utilizado na classificação geotécnica MCT. Com esse procedimento. determinam-se o teor ótimo de umidade e a MEASmax do material. pois. utiliza uma aparelhagem de dimensões reduzidas podendo ser efetuado por dois métodos distintos de compactação. Com a curva de deformabilidade correspondente ao Mini-MCV igual a 10. as características e procedimentos do ensaio e suas aplicações práticas: . compactar uma série de corpos de prova com diferentes teores de umidade. por Nogami e Villibor em 1980 e denominado de Mini- MCV. Foi baseado no método proposto por Parsons em 1976. Consiste na aplicação de energias crescentes. em que se procura fixar uma determinada energia de compactação e. obtém-se o coeficiente c’. intermediária ou modificada). A figura 6 ilustra o equipamento. obtendo-se uma família de curvas de compactação.1 Ensaio de Compactação O ensaio de compactação é um dos principais ensaios da Metodologia MCT pois. a partir de seus parâmetros básicos (umidade ótima e massa específica aparente seca máxima). O ensaio de compactação integrante da sistemática MCT.Método Mini-MCV: Este ensaio foi desenvolvido para estudos de solos tropicais em dimensões reduzidas. O ensaio também pode ser utilizado no controle da compactação e na previsão da erodibilidade.28 Douglas F. com essa energia (normal. moldam-se corpos de prova para a determinação de outras propriedades geotécnicas da Metodologia MCT. Villibor e outros 4. conhecido como ensaio MCV (Moisture Condition Value). .

sub-bases. “intermediária” ou “modificada”. . O ensaio pode ser realizado com ou sem imersão e sobrecarga e. bases e acostamentos. emprega-se energia de compactação “normal”.2. dependendo da finalidade para a qual o solo estudado será utilizado.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 29 Capítulo 4 FIGURA 6: Ensaio de Compactação 4. O ensaio Mini-CBRic com imersão (i) e sobrecarga (c) é realizado para se estudar o comportamento de solos do subleito ou solos de aterros.2 Ensaio de Capacidade de Suporte Mini-CBR Esse ensaio. gera resultados que possibilitam o dimensionamento de pavimentos e a escolha de solos para reforço do subleito. aliado aos ensaios de expansão e contração.

O emprego da energia intermediária se deve ao fato de que. realiza-se o ensaio sem sobrecarga e sem imersão. Villibor e outros Quando do estudo da capacidade de suporte de solos para bases. pois bases de pavimentos econômicos não recebem camadas espessas de revestimento. melhor é o solo. em torno de 20%. ocorre uma laminação da parte superficial da camada de base para alguns tipos de solos. O que demonstra ser desnecessária a execução do ensaio Mini-CBR em condições imersas. Quanto maior for a RIS. Medidas do teor de umidade de bases em serviços por vários anos têm revelado que a condição não imersa é a mais representativa. Estudos revelam que mais de 95% das bases analisadas apresentam umidade de trabalho (umidade de equilíbrio) inferior. sendo mais evidenciado em solos arenosos finos. definido pela relação Mini-CBRis/Mini-CBRhm para corpos de prova moldados na energia intermediária. ou seja. trabalham sem sobrecarga. A metodologia MCT contempla também um coeficiente empírico denominado relação RIS. O ensaio Mini-CBR apresenta uma dispersão menor de valores de capacidade de suporte em relação ao ensaio convencional. pois serve como indício do comportamento laterítico ou não do solo. quando adotada a energia modificada. à umidade ótima de compactação quando de sua execução.30 Douglas F. . as características e procedimentos do Ensaio de Capacidade de Suporte Mini-CBR e suas aplicações práticas. Essa relação foi incorporada à Metodologia MCT. havendo uma menor variação de suporte em contato com a água. A relação RIS indica o quanto o solo perde de suporte após um longo período de exposição à água. A figura 7 ilustra o equipamento.

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 31 Capítulo 4 FIGURA 7: Ensaio de Capacidade de Suporte – Mini-CBR O suporte Mini-CBR de camadas de solos compactados pode ser aferido. in situ. Os resultados in situ apresentam valores de capacidade de suporte superiores aos obtidos nos corpos de prova moldados na umidade ótima em laboratório. . trabalham numa umidade inferior à umidade ótima de compactação. através do penectrômetro sulafricano e/ou da utilização de equipamentos portáteis acoplados a veículos (prensa Mini-CBR). Isso reforça a constatação de que as bases e camadas do substrato. em ambientes tropicais.

com soquete Mini-CBR.32 Douglas F. hierarquizando os solos para diversos usos em pavimentação. Villibor e outros A figura 8 ilustra o equipamento para a determinação da capacidade de suporte in situ.3 Ensaio de Expansão Esse ensaio tem como objetivo principal o conhecimento dos valores de expansão dos argilo-minerais constituintes dos solos finos. 4. conhecido como penetrômetro. FIGURA 8: Penetrômetro com Soquete Mini-CBR para Determinação da Capacidade de Suporte In Situ.2. . A figura 9 ilustra o equipamento para a medição da expansão.

2. O ensaio visa a gerar informações relativas ao estado e ao comportamento de um pavimento após o período de cura ou secagem.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 33 Capítulo 4 FIGURA 9: Ensaio de Expansão 4. A figura 10 ilustra a aparelhagem. intencional ou não. as características e procedimentos do ensaio e suas aplicações práticas.4 Ensaio de Contração O objetivo deste ensaio é verificar a contração. durante a fase construtiva e vida útil do pavimento. . com o intuito de se evitar a propagação e reflexão de trincas na camada de revestimento.

34 Douglas F. Villibor e outros FIGURA 10: Ensaio de Contração 4.2. para dimensionar sua largura. evitando assim a ocorrência de deformação.5 Ensaio de Infiltrabilidade O ensaio tem como objetivo medir a velocidade e a quantidade de água que penetra em camadas de solo (bases). quando chove durante a fase de execução e/ou operação da rodovia. Estima aproximadamente quanto uma frente de umidade pode caminhar para dentro do pavimento a partir de uma valeta lateral não revestida e/ou através de locais de concentração e acúmulo d’água próximos ao acostamento. O ensaio serve como balizamento para se determinar a distância em que se deve encontrar a rodeira externa da pista em relação à borda do acostamento. .

priorizando os solos para uso em camadas de base de pavimentos. as características e aplicações dos resultados. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 35 Capítulo 4 A figura 11 ilustra a aparelhagem. FIGURA 11: Ensaio de Infiltrabilidade.6 Ensaio de Permeabilidade É utilizado para cálculos de escoamento de água em meio saturado. A figura 12 ilustra a aparelhagem e as características do ensaio.2. 4.

A figura 13 ilustra a aparelhagem. . 4. sendo empregado para o cálculo do coeficiente e’.36 Douglas F.7 Ensaio de Perda de Massa por Imersão em Água Desenvolvido para distinguir os solos tropicais com comportamento laterítico daqueles com comportamento não laterítico. características de ensaio e aplicações dos resultados. Villibor e outros FIGURA 12: Ensaio de Permeabilidade. É também utilizado para classificar os solos tropicais (Classificação MCT).2.

. 4. . Propriedades geotécnicas. serão enfocados no capítulo 5. . dosagem de misturas e imprimaduras asfálticas. . Critérios de escolha e priorização de solos para bases. Dosagem de imprimaduras asfálticas. Neste item serão abordadas a classificação e as propriedades geotécnicas dos solos lateríticos. Os critérios de escolha e priorização de solos para bases. Dosagem de misturas com solos lateríticos. Classificação dos solos. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 37 Capítulo 4 FIGURA 13: Ensaio de Perda de Massa por Imersão em Água.3 Aplicações Práticas da Metodologia MCT As principais aplicações desta metodologia são: .

.Solos de comportamento não laterítico (saprolítico). .LG’ .NA – areias. como acontece no caso das classificações geotécnicas tradicionais. Para se classificar os solos lateríticos e saprolíticos. utiliza-se o gráfico da figura 14. segundo a classificação MCT. através da Metodologia MCT. Separa os solos tropicais em duas grandes classes: os de comportamento laterítico e os de comportamento não laterítico. sendo subdivididos em 4 grupos: . o limite de liquidez e o índice de plasticidade. . sendo subdivididos em 3 grupos: . podem pertencer aos seguintes grupos: . . siltes e misturas de areias e siltes com predominância de grão de quartzo e/ou mica.areia laterítica quartzosa. Essa classificação não utiliza a granulometria.solo arenoso laterítico. no qual a linha tracejada separa os solos de comportamento laterítico dos de comportamento não laterítico.solo siltoso não laterítico.NA’. não laterítico. Os solos lateríticos e saprolíticos.solo argiloso não laterítico. designados pela letra L.38 Douglas F. .solo argiloso laterítico.1 Classificação dos Solos com uso da Metodologia MCT A classificação dos solos com uso da Metodologia MCT foi desenvolvida especialmente para o estudo de solos tropicais e baseada em propriedades mecânicas e hídricas obtidas de corpos de prova compactados de dimensões reduzidas. designados pela letra N.misturas de areias quartzosas com finos de comportamento não laterítico (solo arenoso).NS’.3. Villibor e outros 4.LA . . .NG’.LA’ .Solos de comportamento laterítico.

5 situam-se diversos tipos de solos. Esse ensaio é de massa constante.5) caracteriza as argilas e solos argilosos. O coeficiente c’. como areias siltosas.0 e 1. argilas arenosas e argilas siltosas. consiste na aplicação de energias crescentes (produzidas pelo aumento do número de golpes do soquete compactador) até que se atinja um valor máximo de densidade. denominado de coeficiente de deformabilidade. para a classificação de solos.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 39 Capítulo 4 FIGURA 14: Classificação MCT O gráfico foi elaborado a partir do conhecimento dos coeficientes c’ (eixo das abscissas) e e’ (eixo das ordenadas). é obtido por meio do coeficiente angular da parte retilínea da curva de deformabilidade que mais se aproxima do valor Mini-MCV igual a 10. O ensaio Mini-MCV. um c’ elevado (acima de 1. No intervalo entre 1. O coeficiente c’. . ou seja. Os resultados obtidos também podem ser utilizados no controle da compactação e na previsão da erodibilidade.0) caracterizam as areias e os siltes não plásticos ou pouco coesivos. é obtido com o ensaio Mini-MCV. como já comentado. Este coeficiente indica a argilosidade do solo. fixada em 200 g de material. areias argilosas. enquanto valores baixos (abaixo de 1.

a Metodologia MCT é utilizada para diversas aplicações práticas e. para a definição do universo do subleito para efeito de dimensionamento de um pavimento. .2 Propriedades Geotécnicas dos Solos A Metodologia MCT apresenta uma série de ensaios que medem as propriedades mecânicas e hídricas dos solos. para efeito de dosagem. 4. expansão. correspondente a 12 golpes do ensaio de Mini-MCV) e da perda de massa por imersão Pi (porcentagem da massa desagregada em relação à massa total do ensaio quando submetida à imersão em água).Estudo de erodibilidade dos solos com os ensaios de Mini-MCV e perda de suporte por imersão. etc. contração.00 mm. por meio de determinações em corpos de prova de dimensões reduzidas. Villibor e outros O coeficiente e’ é calculado a partir do coeficiente d’ (inclinação da parte retilínea do ramo seco da curva de compactação. emprega-se um elenco de ensaios: . 1995. ou seja.3.Obtenção do suporte Mini-CBR. relação RIS e sorção.Obtenção do suporte Mini-CBR e expansão. para cada uma dessas aplicações. no máximo 5% de grãos retidos na peneira de abertura de 2. por exemplo: mistura de argila laterítica com areia (ALA) para emprego como base de pavimento. . .40 Douglas F.Estudo de solos para a utilização como bases de pavimentos. Os ensaios preconizados pela Metodologia MCT são utilizados para diversas finalidades: . Portanto. quando o subleito é constituído por solos finos. expresso pela expressão: Detalhes dos procedimentos de cálculo dos coeficientes c’ e e’. e ensaios associados. encontram-se no livro “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos” de Nogami e Villibor.

Exs uda çã o de As fa lto na S upe rfície do P a vime nto .. 0.. sem sobrecarga .........De formaçã o da Bas e Expansão Aume nto de Volume com Teor de Umidade . são os seguintes: .Cre s cime nto das P a ne la s Permeabilidade P e rcolação da Água .De formaçã o da Base na Época de Construção Ra zã o: Mini -CBR na de vido à s Chuva s Diminuiçã o da Capacidade com Aumento Umida de de Molda gem / ... < 0..... Contração . para que bases executadas com solos lateríticos apresentem comportamento satisfatório. ENSAIO E PROPRIEDADES FÍSICAS PROVÁVEIS DEFEITOS DETERMINAÇÕES ASSOCIADAS ... 10-2 a 10-4 cm / min1/2 Nota: Intervalos de Propriedades Geotécnicas obtidos na Energia Intermediária do Mini-Proctor.Es corre game nto da Cama da de Rola me nto P e ne tra çã o da Imprima dura Be tuminos o P e ne tra do .Trinca s de Reflexão na Ca pa . $ 40% .. Perda de suporte por imersão ..De formaçã o Exce s s iva na Borda do Pavimento da Umida de Mini-CBR Após Ime rs ã o de vido a P e ne traçã o Lateral da Água .........Ruptura do P a vime nto .Trinca s da Ca pa ...........Ruptura do P a vime nto . # 50% .Entra da Excessiva D’á gua na Bas e e S uble ito ..De formaçã o Exce s s iva Gra u de Compactação do Material em ......Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 41 Capítulo 4 Os intervalos das propriedades mecânicas e hídricas admissíveis......Amolecime nto da Borda Umida de e Qua ntida de de Água Associada Ca pila r D’á gua . Coeficiente de sorção .1 a 0. A tabela 1 ilustra as propriedades geotécnicas associadas com as propriedades físicas de camadas acabadas e seus principais problemas e defeitos construtivos..De s a gre ga çã o pe lo Trâ ns ito de S e rviço Contra çã o Contra çã o da Base .Nã o Dre na nte ...De formaçã o Exce s s iva Mini-CBR in s itu Ca pa cida de (Re a l) de S uporte ...Mini-CBR sem imersão .5 % ..Amolecime nto da P a rte S upe rior da Base na Época de Cons truçã o de vido à s Chuva s Ve locida de de Penetração da Frente de Coe ficie nte de S ucçã o ..Ruptura do P a vime nto em Ca pa s P e rme á ve is TABELA 1: Ensaios e Determinações da Metodologia MCT e Propriedades Físicas Associadas..Ruptura do Pavimento ......De formaçã o Exce s s iva Mini-CBR Ca pa cida de de S uporte (P re vis ã o) ..... Expansão.3% .....La me las Compactaçã o Relação a Umida de Ótima ....Trincame ntos Exce ss ivos Espessura e Quantidade de Material .Dre nabilidade Lenta e Problemas Construtivos a P e ne traçã o de ssa Frente As s ocia dos . ..

Isto acontece.52 1. sobretudo nos solos saprolíticos ricos em siltes caoliníticos e/ou micáceos.1 0.5 15.8 0. Alguns solos tropicais saprolíticos que apresentam baixo LL e baixo IP. Má x.76 1. Villibor e outros A tabela 2 ilustra valores das propriedades geotécnicas de sete solos de comportamento laterítico e de sete solos de comportamento não laterítico (saprolítico).1 -6.00 1.0 30.2 23.0 -1.36 0.8 12.27 0.94 1.7 -6.7 -2.5 -5.5 -2. (dentro dos limites tradicionais anteriormente referidos) expandem-se bastante quando compactados nas condições exigidas pelas normas rodoviárias e imersos em água. Apa r.63 1.8 1.0 26.0 S e m ime rs ã o Mini-CBR 20 17 43 26 26 15 20 10 15 17 22 12 13 11 (S I) Com ime rs ã o (%) (1) 19 12 41 20 22 2 17 6 13 1 17 2 11 3 (CI) (CI) / (S I) 95 70 95 77 85 17 85 60 87 6 77 15 85 24 Expa ns ã o (%) 0.00 1.0 24.1 0.0 0.92 1.96 1.1 2.2 -5.0 . As amostras foram numeradas com número ímpar.77 2.84 0.5 -2.2 1.7 -6.5 0.0 Permeabilidade (Log k (cm/s )) -0.7 -6.5 -7.1 -2.55 1.80 1.1 -2.3 0.1 6.0 22.3 0.6 -5.80 1.1 -7.68 1.9 17.66 0.2 Infiltra çã o (Logs(cm / min)) -2.4 -5.5 1.49 1.70 1.4 -6.8 0.5 -2.58 1.35 0.30 1. quando de natureza laterítica.(g/cm 3 ) 2.3 6.5 9.2 0.2 0.81 0.0 23.1 0.1 0.42 Douglas F.60 1.0 18.0 -2.2 0.80 1. Os valores das propriedades geotécnicas de alguns solos determinados com o emprego dos ensaios da Metodologia MCT revelaram a inaplicabilidade dos limites estipulados pelas classificações tradicionais de: 25% para o limite de liquidez (LL) e 6% para o Índice de Plasticidade (IP).1 1.31 2.81 0.1 0.4 6.0 12.41 1.93 1. Amos tra Nº 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 Grupo MCT LA NA LA’ NA’ LA’ NS ’ LG’ NS ’ LG’ NS ’ LG’ NS ’ LG’ NG’ Coe ficie nte s c’ 0.1 2.4 -6.1 -1.59 1.10 1. e com número par.79 1.82 1.4 -2.5 0.05 2.7 -4.02 1.02 1.1 -2. quando de natureza saprolítica.0 30.2 -1.5 Contra çã o (%) 0.70 e Índice pa ra d’ 66 10 66 13 80 8 65 6 67 11 25 7 30 1 Classificação e’ 1.50 0. para o caso de solos e condições ambientais tropicais.0 -2.80 0.70 1.2 0.63 MCT P i (%) 196 280 75 50 50 260 50 260 20 280 00 300 15 250 Massa Es p.42 Umida de Ótima –Ho (%) 10.5 5.

respectivamente de classificação A-4 e A-6.00 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 P e ne ira s de 0. Esse fato mostra que a classificação tradicional não é adequada para diferenciar solos tropicais de um mesmo grupo. Portanto. como é o exemplo dos solos lateríticos e saprolíticos. quando apresentam formações genéticas distintas. .42 98 55 73 96 99 92 95 100 99 99 99 100 99 100 Abe rtura e m Milíme tros 0. Pela análise da tabela 2 constata-se que pares de solos de um mesmo grupo da classificação HRB apresentam valores das propriedades mecânicas e hídricas bastante diferentes entre si. 05 e 07 da tabela 2. 06 (NS’). quando o esperado seria apresentarem propriedades similares. 07 (LG’) e 08 (NS’). quando aplicada no Brasil. são usados em bases de SAFL mesmo com IP e LL bem superiores aos recomendados para essa camada (IP ≤ 6% e LL ≤ 25%). com valores de propriedades diferentes entre eles e compatíveis com seu real comportamento. quando usados como camada de base e para outras finalidades rodoviárias. acham- se em grupos diferentes ou seja: 05 (LA’).075 21 16 22 33 57 58 54 84 79 98 85 94 88 95 % de Argila – Φ (mm)<0. demonstram essas diferenças com solos de um mesmo grupo. Por exemplo.002 18 4 14 10 18 4 25 10 56 18 49 16 65 50 Limite de Liquide z (%) NP NP 26 25 30 32 38 38 45 46 54 56 83 88 Índice de P la s ticida de (%) NP NP 11 11 9 10 14 14 17 19 24 26 46 50 Índice de Grupo 0 0 0 0 4 5 5 10 11 13 16 18 20 20 HRB A-2-4 A-2-4 A-26 A-26 A-4 A-4 A-6 A-6 A-7-6 A-7-6 A-7-5 A-7-5 A-7-5 A-7-5 Classificação US CS SM SM SC SC CL CL CL CL ML ML MH MH MH CH TABELA 2: Principais Características Mecânicas e Hídricas dos Solos Lateríticos e Saprolíticos. Muitos solos de comportamento laterítico. os pares de amostras 05 e 06 e 07 e 08. 03. a classificação MCT tem uma abrangência mais ampla e mais realística. em relação à classificação tradicional ainda em uso.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 43 Capítulo 4 % que Pa s s a . similares aos das amostras 01. Já os mesmos pares de solos. quando classificados pela MCT. 2.

44 Douglas F. Villibor e outros .

bem como aplicações da Metodologia MCT para o estudo de bases de pavimentos de baixo custo.1 Estudos Geotécnicos O estudo para a obtenção das características geotécnicas dos solos do subleito e de jazidas para o emprego como camadas de reforço do subleito. sub-bases e bases. 5. abrange as atividades ilustradas no fluxograma 2: ni i i i i i m i i i n im n m m n i i ni n i n i n imin i m i ni m ni m m i i i ni Fluxograma 2: Atividades Envolvidas nos Estudos Geotécnicos .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 45 Capítulo 5 Capítulo 5 Tecnologia do Uso de Solos Lateríticos em Pavimentação Neste capítulo serão enfocados os estudos geotécnicos dos materiais do subleito e de jazidas para uso em camadas de reforço do subleito.

. mas são retidos na de 2 mm de abertura nominal. NA – Areia Não Laterítica.LA’ – Solo Arenoso Laterítico. e apresentar a seguinte nomenclatura: . .LA – Areia Laterítica. .Classe de Comportamento Não Laterítico: designada pelo prefixo “N”. .Fração Solo: grãos minerais que passam na peneira de 2 mm de abertura nominal.LG’ – Solo Argiloso Laterítico. Villibor e outros A nomenclatura para identificação dos materiais no perfil dos solos será feita de acordo com o exposto a seguir. NS’ – Solo Siltoso Não Laterítico. NA’ – Solo Arenoso Não Laterítico.54” da Prefeitura Municipal de São Paulo. . subdividida nos seguintes grupos: . A fração deverá ser classificada de acordo com a “Classificação de Solos Tropicais segundo a Metodologia MCT – ME. Designação das frações dos Materiais .Classe de Comportamento Laterítico: designada pelo prefixo “L”. . NG’ – Solo Argiloso Não Laterítico. . As propriedades típicas dos diversos grupos de solos da Metodologia MCT são apresentadas na figura 14 e detalhadas na tabela 3.46 Douglas F.Fração Pedregulho: grãos minerais que passam na peneira de 38 mm. . subdividida nos seguintes grupos: .

S olos de Comportame nto "Nã o La te rítico" “La te rítico” NA NA’ NS ’ NG’ LA LA’ LG’ Grupos Are ia s Are nos os S iltos os Argilos os Are ia s Are nos os Argilos os . S u p o rte (2) a s em a Alto a Alto Alto Alto Mé dio 4-12 Muito ime rs ã o Mé dio Alto Alto (%) Ba ix o <4 P e rda de Alta > 70 S uporte Mé dia por Mé dia 40-70 a Ba ixa Alta Alta Ba ixa Ba ixa Ba ixa ime rs ã o Ba ixa (%) Ba ixa <40 Expa ns ã o Alta >3 Alta a Ba ixa Ba ixa Alta Ba ixa Ba ixa Ba ixa (%) (2) Mé dia 0.: areia não laterítica com pedregulho. o material será designado simplesmente de solo. k=caulinita (2) Corpos de prova compactados na umidade ótima (hot). Ex.: Pedregulho com solo siltoso não laterítico.a rgila s Gra nulome.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 47 Capítulo 5 P ro p rie d a d e s Típic a s dos Solos dos grupos da classificação MCT L.a rgila s (Mine ra is ) (1) s iltos as pouca . TABELA 3: Propriedades Típicas dos Solos dos Grupos da MCT Designação dos Materiais .a rgila s a re nos a s .Quanto à Predominância das Frações: quando não houver fração retida na peneira de 2 mm.a re ia s .5 – 3 Mé dia Contra çã o Ba ixa a Ba ixa a Alta a Ba ixa a Mé dia a (%) (2) Ba ixa < 0. Alta > (-3) da de Mé dia (-3) a ( -5) Mé dia a Mé dia a Ba ixa a Mé dia a Ba ixa Ba ixa Ba ixa Alta Ba ixa Mé dia Ba ixa log (K (cm/s )) Ba ixa < (-6) Ip (%) LI (%) P la s tici- Alta > 30 > 70 Ba ixa Mé dia Mé dia MP Ba ixa Mé dia da de Mé dia 7 – 30 30 – 70 a a a Alta a a a Mé dia MP MP ba ixa Mé dia Alta Ba ixa <7 < 30 (1) q=quartzo. Muito a lto > 30 Alto CBR Alto 12-30 Alto Mé dio Ca p .Pedregulho: quando a fração retida na peneira de 2mm for maior que 50%. .a re ia s . a nomenclatura deverá ser acompanhada de indicação “com pedregulho”.s ilte s a re nos a s . m=micas.S olos de Comportame nto Cla s s es N. a palavra “pedregulho” deve preceder a classificação do solo.areias .s ilte s a rgila a re nos a s e a rgilos os s iltos as Mini.s ilte s .m) .Solo com Pedregulho: quando a fração retida na peneira de 2mm estiver compreendida entre 10% e 50%. .5 Mé dia Ba ixa Mé dia Mé dia Mé dia Mé dia Alta P e rme a bili.a re ia s com a rgilos a s .a re ia s s iltos as (k.a re ia s . com sobrecarga padrão quando pertinente.a rgila s . Ex.a rgila s tria s Típica s . . . energia normal.a rgila s a rgilos a s a re nos os .

5.Com mica: quando for observada a presença de mica.Quanto à Presença de Constituintes Especiais: . Villibor e outros .1. a partir de serviços de campo e laboratório. com mica. geológicos e geotécnicos.Com matéria orgânica: quando for observada a presença de matéria orgânica. Esses serviços são complementados por serviços de escritório. Com as informações disponíveis em mapas pedológicos. indicações dos universos de solos para subleito e plano de exploração para jazidas.: solo siltoso não laterítico. deverá ser anotada a indicação “com matéria orgânica”.: solo argiloso não laterítico. que abrangem a elaboração de perfis geotécnicos com as características dos solos.1 Estudos Geotécnicos dos Solos do Subleito Os estudos dos solos do subleito objetivam a obtenção dos parâmetros geotécnicos do subleito. . 5.48 Douglas F.Condições topográficas e aspectos ligados à drenagem superficial e profunda das vias em questão. Ex. mediante o uso de procedimentos práticos e de equipamentos de fácil manuseio. deverá ser anotada a indicação “com mica”.1. Ex. com comprovada experiência na área. .1 Serviços de Campo e Laboratório Os serviços de campo e laboratório envolvem o reconhecimento preliminar de campo. para a obtenção das seguintes informações básicas: .Existência ou não de revestimento primário nas vias. a amostragem sistemática e ensaios geotécnicos. é feita uma vistoria in situ por profissionais especializados. .1. Os estudos preliminares de campo desempenham papel importante pelo fato de possibilitarem a obtenção de alguns parâmetros de maneira expedita. com matéria orgânica.

A amostragem das camadas representativas do revestimento primário e do subleito. serão executadas com auxílio de equipamentos manuais (trado-espiral. no caso de ocorrência de solos imprestáveis (solos atípicos) sujeitos à remoção. macroestrutura e cor etc. para simples identificação táctil-visual dos materiais encontrados.Identificação expedita. será feita conforme descrito a seguir.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 49 Capítulo 5 . essa área de material impróprio deve ser delimitada e o projeto deverá dar um tratamento adequado a ela. traçado do perfil geotécnico do subleito e anotação da cota do nível d’água (se constatado). no seu estado atual. . Os furos e sondagens deverão ser locados com base nas informações obtidas no reconhecimento preliminar de campo. para a verificação da mineralogia e granulometria dos solos. visando à obtenção de suas características geotécnicas.). A profundidade das sondagens. As sondagens que servirão para reconhecimento (análise táctil-visual). A coleta de amostras será no primeiro metro abaixo do greide de fundação do pavimento e deverá ser representativa das camadas encontradas. táctil-visual. Nesse caso. a cada 25 metros. A amostragem da via para fins geotécnicos será feita através de furos de sondagens com espaçamento máximo. o subleito sem presença de material pétreo lançado. coleta de amostras. cavadeira. entre dois furos consecutivos no sentido longitudinal. serão programadas as fases de amostragem sistemática e ensaios geotécnicos. A partir dessas informações e da identificação genética do material. entende-se como subleito natural. pá etc.50 metro ou mais. de 75 metros. devendo-se fazer furos intermediários.Subleito Natural Para esse procedimento. em relação ao greide de fundação do pavimento será de 1. . do subleito e das jazidas.

50 Douglas F. prever a possibilidade de utilização de algumas camadas em suas condições locais.Subleito com Camada de Revestimento Primário Quando as vias existentes apresentarem camada de revestimento primário em espessura superior a 10 cm. deverão ser coletadas amostras. poderão ser ensaiadas em uma única amostra representativa do horizonte. . tanto in situ quanto em laboratório. e moldado em laboratório.Características Geotécnicas: . incluindo a cor de cada camada.2 Serviços de Escritório Os serviços de escritório orientam a elaboração de documentos geotécnicos do projeto.Massa específica aparente seca máxima.Teor de umidade ótima. escória ou entulho de boa qualidade.Índice de suporte in situ.00 metro abaixo do greide de fundação do pavimento. as amostras representativas dessas duas camadas. Villibor e outros . . da camada de revestimento primário e das camadas do subleito até a profundidade de 1.50 m.Granulometria.1. com materiais pétreos. em porcentagem superior a 30% em peso (material retido na peneira de 2. Com esses dados o projetista poderá pré-definir o greide de implantação do pavimento e. A programação dos ensaios geotécnicos. 5.00 metro abaixo do greide de fundação do pavimento. separadamente. serão feitos para avaliar os materiais entre 0 e 1. se identificadas como iguais (táctil-visual e granulometricamente). .Classificação MCT da fração do solo que passa na peneira de 2. constando de plantas e perfis e deverão conter estas informações: .00 mm. portanto.Identificação táctil-visual.1. . já descritos anteriormente. . . em duas camadas de aproximadamente 0.00 mm). Os ensaios geotécnicos. No caso dos ensaios laboratoriais. será baseada em informações obtidas no reconhecimento preliminar de campo e no levantamento topográfico (plani-altimétrico cadastral).

A figura 15 ilustra um perfil geotécnico do subleito de uma via urbana. U3: Solos com 8% # CBR ou Mini-CBR < 12%. pertencentes aos grupos NS’ e NG’. . deverão ser locados furos de sondagem e amostrados seus solos em. LA) devem ser estudados isoladamente. U2: Solos com 4% # CBR ou Mini-CBR < 8%. pertencentes aos grupos LA’ e LG’. segundo um dos critérios: .Indicações dos Universos de Solos Os universos serão definidos. Opcionalmente poderá ser utilizada a classificação MCT. Mini-CBR ou CBR. e com Mini-CBR $ 8%. com Expansão # 2%: U1: Solos com CBR ou Mini-CBR < 4%. e com Mini-CBR # 8%. para efeito de dimensionamento. Os demais grupos da classificação MCT (NA’. 3 locais.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 51 Capítulo 5 . recomendadas para estudos geotécnicos em vias urbanas. para a determinação dos universos de solos: UL: Solos Lateríticos. A distância entre os furos de sondagem. no mínimo. é de 25 m.Por meio de intervalos de Índice de Suporte. UN: Solos Saprolíticos. Caso um quarteirão tenha menos que 75 m. U4: Solos com CBR ou Mini-CBR $ 12%. NA.

Ensaios geotécnicos. .Serviços de escritório. . sub-base e base. nos dois sentidos. reforço do subleito.1 Serviços de Campo e Laboratório (Amostragem Sistemática e Ensaios Geotécnicos) O estudo geotécnico de jazidas para o uso em aterro.1. de 30 metros. em função da área de empréstimo. Villibor e outros FIGURA 15: Perfil Geotécnico do Subleito de uma Via Urbana 5.1. . havendo apenas pequenas adaptações referentes a: . desde que a malha estudada permita a caracterização adequada dos materiais ocorrentes. será feito por métodos convencionais. conforme ilustrado na figura 16. 5. A dimensão poderá ser aumentada até 50 metros.2.2 Estudos Geotécnicos de Jazidas Os estudos para a obtenção das características geotécnicas dos solos de jazidas (áreas de empréstimos) são semelhantes aos dos solos do subleito.52 Douglas F. com uma rede de poços de investigação espaçados.Amostragem sistemática.

0 m até a cota final de exploração (ver figura 16). . Caso contrário.Compactação Mini-Proctor na Energia Normal. O ensaio Mini-CBR é empregado somente quando o material apresentar granulometria com 95% passando na peneira com malha de abertura nominal de 2.5 m até 2.Suporte CBR ou Mini-CBR.0 m e de 2.Classificação MCT. e expansão. Constarão do estudo geotécnico. .00 mm.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 53 Capítulo 5 FIGURA 16: Perfil Geotécnico de uma Jazida As amostras deverão ser coletadas em dois níveis de profundidade. .Teor de umidade. . que serão submetidas aos seguintes ensaios: . de 0. no mínimo. ou seja. 09 amostras representativas de cada camada do perfil de solo encontrado. .Análise granulométrica em 50% das amostras. utiliza-se o CBR convencional. ou em furos alternados.

capacidade de suporte CBR ou Mini-CBR.1 Considerações Iniciais No território brasileiro existem vastas áreas cobertas por espesso manto de solos arenosos finos. . Os seguintes tipos de bases para pavimentos serão enfocados: .54 Douglas F. massa específica aparente seca máxima etc. Muitos desses solos são jazidas naturais de solo arenoso fino laterítico (SAFL) apropriados para o emprego em bases de pavimentos.Bases de Solo Argiloso Laterítico e Areia (ALA). além dos dados relativos à análise granulométrica.Bases de Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL).Bases de Argila Laterítica.1 Bases de Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL) 5.2. Devem conter as informações indicadas na Figura 16. Villibor e outros 5.Bases de Solo Laterítico e Agregado de Granulometria Descontínua (SLAD).2 Serviços de Escritório Os serviços de escritório constam de elaboração de plantas. teor de umidade. classificação MCT.2 Aplicações da Metodologia MCT em Bases de Pavimentos A Metodologia MCT permitiu o desenvolvimento de novos tipos de bases para pavimentos constituídas por solos tropicais considerados impróprios pelos critérios tradicionais desenvolvidos para climas frios e temperados.1. Os materiais empregados em bases de pavimentos rodoviários e urbanos. .2. perfis e plano de exploração.2.1. . . para baixo volume de tráfego. 5. 5. podem ser solos lateríticos finos in natura ou misturas desses com agregados naturais ou britados. O solos da parte superficial desse manto apresentam características próprias devido à atuação de processos pedológicos específicos designados genericamente de laterização.

Há grande ocorrência destes solos também nos Estados do Paraná. apesar de possuírem outras características consideradas não muito favoráveis pelos procedimentos tradicionais de classificação dos solos. devem absorver os esforços provenientes da construção do revestimento. Há solos arenosos finos lateríticos para emprego em bases de pavimentos em 50% do Estado de São Paulo. 8. Goiás. . de 1950 até 1975. especificado para a camada. eventualmente pela sub-base. Para o caso do uso de solo arenoso fino laterítico em bases de pavimentos. Pelo fato de os solos constituintes dessas camadas se encontrarem confinados pela base e. não havia grande preocupação por parte do meio técnico quanto ao trincamento ou mesmo quanto à qualidade do acabamento da superfície dessas camadas. o uso rotineiro de bases de solo arenoso fino laterítico ocorreu após 1975. expresso em termos de CBR. já foram executados aproximadamente 12. quando foram utilizados em camadas de reforço do subleito. outras características são decisivas para o seu sucesso.300 km de rodovias vicinais com bases de solo arenoso fino laterítico.000 km apenas no Estado de São Paulo. Desses. Entretanto a primeira utilização de solos lateríticos de granulação fina (argilosos ou arenosos) em camadas de pavimentos no Estado de São Paulo ocorreu ainda na década de 50. Até a presente data. limitava-se à obtenção de um grau de compactação que garantia um suporte. esses solos in natura só eram usados em pavimentação como camadas de reforço do subleito ou sub-bases. pois tais camadas praticamente não são confinadas. Mato Grosso. e recebem sobre si apenas um revestimento betuminoso esbelto. Esse procedimento foi adotado diante do elevado valor de capacidade de suporte CBR apresentado por esses solos. com espessura máxima de 3. Para controle da qualidade dos subleitos e das sub-bases.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 55 Capítulo 5 No Estado de São Paulo. Portanto. apresentar boa aderência à camada de revestimento.0 cm. suportar os esforços verticais e horizontais provenientes do tráfego e resistir à ação das intempéries. já foram construídos mais de 12 milhões de m2 de bases de SAFL em todo o território nacional. Bahia e Minas Gerais. Mesmo assim. Em termos de vias urbanas.

56 Douglas F.1. . ser do tipo LA. na espessura de 15. Essas especificações impõem as seguintes condições para o emprego desses solos como base de pavimento: .0 cm 120 LA’ Iba té 87 Ma ca da me Be tuminos o 80 LA’ TABELA 4: Cidades com Pavimentos de Bases de SAFL 5.2.Os solos devem pertencer à classe de solos de comportamento laterítico de acordo com a classificação MCT.0 cm CBUQ com la te rita 300 LA’ – LG’ Rio Brilha nte – MS 82 TS D 200 LA’ – LG’ Ara ra qua ra 82 Ma ca da me Be tuminos o 400 LA’ – LG’ P re s ide nte P rude nte 82 TS D 1.0 cm.1.0 cm 65 LA Lins 86 TS S + CBUQ 3. ou seja. LA´ ou LG´. bem como área construída com SAFL e grupo MCT desses solos. 5% retidos nessa peneira. ano de execução. no máximo.3 Especificações dos SAFL para Bases de Pavimentos As especificações do solo arenoso fino laterítico são fundamentadas em determinações de suas propriedades mecânicas e hídricas.500 LA’ Álva re s Ma cha do 82 TS D 300 LA’ Ros a na 82 TS D 200 LA’ Ara ça tuba 84 TS D 400 LA’ P re s ide nte P rude nte 84 TS D 200 LA’ Novo Horizonte 86 TS T 50 LA’ – LG’ Ba rra Bonita 86 TS S + CBUQ 3.Composição granulométrica do solo tal que. 100% seja constituído por grãos que passem integralmente na peneira de abertura de 2.2. .2 Pavimentos Urbanos com Base de Solo Arenoso Fino Laterítico Na tabela 4 estão relacionadas as principais cidades onde já foram executadas bases de SAFL.00 mm ou que possua uma porcentagem de grãos de. Villibor e outros 5. ANO CAMADA DE ROLAMENTO ÁREA CLASSIFICAÇÃO CIDADE (in íc io d e 2 ES P ES S URA (1000m ) MCT e xe c u ç ã o ) Rio Bra nco – AC 80 TS S + 4.

3% Contra çã o 0. Quando da construção de bases de SAFL constatou-se que alguns solos apresentavam uma série de problemas construtivos. dividiram-se os solos de comportamento laterítico em 4 grupos de solos.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 57 Capítulo 5 . A curva granulométrica destes solos é descontínua e eles devem apresentar uma granulometria que se enquadre na faixa indicada na figura 17.149 45 a 90 0.075 20 a 50 FIGURA 17: Faixa Granulométrica Recomendada para Bases de SAFL P ROP RIEDADES INTERVALOS DE VALORES Mini-CBR s e m ime rs ã o ≥ 40% RIS = 100 x Mini -CBR IS / Mini-CBR hm ≤ 50% Expa ns ã o s e m s obre ca rga pa drã o ≤ 0.1 a 0.00 100 0. localizados em áreas distintas do gráfico da classificação MCT. quando compactados na Energia Intermediária do Mini-Proctor. conforme ilustrado na figura 18.5% Coeficiente de S orçã o 10-2 a 10 -4 (cm/min1/2) TABELA 5: Valores Recomendados para Bases de SAFL. PENEIRA (mm) PORCENTAGEM QUE PASSA (%) 2.Os solos devem apresentar propriedades mecânicas e hídricas dentro dos intervalos indicados na tabela 5. A partir disso. .42 85 a 100 0. servindo portanto esta faixa como orientação para o emprego desses solos como bases de pavimento. enquanto outros não.

58 Douglas F.1.2.4 Técnica Construtiva A tabela 6 ilustra o Procedimento Construtivo e de Controle de Bases de SAFL e a figura 19 mostra seus detalhes construtivos. 5. . Villibor e outros FIGURA 18: Áreas no Gráfico da Classificação MCT dos SAFL utilizados em Bases de Pavimentos Para os solos de cada uma das áreas da figura 18 foram estudados detalhes da técnica construtiva mais adequada a fim de evitar qualquer defeito construtivo e minimizar o custo de construção.

cortando a . TABELA 6: Procedimento Construtivo e Controle Tecnológico da Base de SAFL .Iniciar a compactação com rolo de pneu.Colocar o solo e pulverizá-lo na faixa de umidade de projeto. efetuar o acabamento final da base com a motoniveladora. . compactação (hot ± 2%) . 6 passadas e se necessário.Colocar o solo e pulverizá-lo. 0.0 cm. 3. por secagem.Não patrolar o solo para o ajuste de espessura da base durante o processo de umidade na fase de compactação.5 cm e a máxima de 17. efetuar o acabamento com a motoniveladora.Granulometria: peneiras campo for ≥ ao de projeto. por secagem.Verificação do teor de . Recomendações gerais: 1. deixando a camada solta (colchão) na faixa de umidade de projeto.Contra çã o rolo de pneu ou dar no máximo 1 passada com o rolo vibratório liso. 8 passadas e complementá-la. cortando numa espessura de 2 cm e também cortando as laterais.Deixar a base perder umidade. porém dando a rolagem final com o rolo de pneu. Controle do Solo complementá-la com rolo vibratório corrugado.Preferencialmente não patrolar o solo para o ajuste de espessura da base durante o processo de compactação.75 mm .Acabamento final da base: após irrigá-la. 0.Mini-CBR hm numa espessura de 2 cm e também cortando as laterais. . . Espessura mínima da base é de 12. num período de 48 a 60 horas ou até a ocorrência de trincas com largura de 2 mm.Iniciar a compactação com rolo pé de carneiro pata longa.Verificação do grau de .150 e 0. se necessário. dando no máximo 3 passadas. a cada 100 m . . Executar a rolagem final com . A imprimação da base deve ser precedida de uma leve irrigação. Controle da Base a cada 40 m PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO SOLOS DAS ÁREAS III E IV .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 59 Capítulo 5 CONTROLE DO SOLO PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO SOLOS DAS ÁREAS I E II E DA BAS E . 2.Após irrigá-la.Deixar a base perder umidade. que deverá terminar quando o grau de compactação de . compactação ≥ 100% da . num período de 48 a 60 horas ou até a ocorrência de trincas com largura de 2 mm.42. energia intermediária dando no máximo 1 passada com rolo liso vibratório. A uniformização do teor de umidade do colchão de solo para compactação deverá ser efetuada no final da tarde e sua compactação deverá ser executada no período da manhã.

Villibor e outros Abertura de Caixa e Melhoria do Subleito Lançamento da Camada Compactação da Base Processo de Cura da Base Preparação para Imprimadura Imprimadura da Base FIGURA 19: Detalhes Construtivos de Bases de SAFL .60 Douglas F.

principalmente sob ação do tráfego de construção. exceto em locais onde o lençol freático se encontra a menos de 1.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 61 Capítulo 5 5.Pequenas deformações nas rodeiras. geralmente entre 20 e 60 (1/100 mm).Excelente capacidade de receber compactação (solos das áreas I e II). quando da utilização de solos pertencentes às áreas III e IV. .0 m de profundidade e/ou em pontos de percolação de águas superficiais. alcançando facilmente o grau correspondente a 100% da MEASmax relativa à “energia intermediária”.Dificuldade de aceitar compactação. que conduz à formação de placas da ordem de 30 x 30 cm. Problemas de erodibilidade . . As peculiaridades mencionadas são relativas principalmente às áreas I e II da figura 18. .Baixa contração por secagem ao ar nos solos da área II resultando em placas de dimensões aproximadas de 50 x 50 cm na base.Pequenas deflexões.Propensão para formação de “lamelas” na construção.1. .Dificuldade no acabamento da base. .Baixíssima incidência de ruptura da base. .Satisfatória receptividade à imprimadura. . .5 Peculiaridades sobre o Comportamento de Pavimentos com Base de SAFL Algumas peculiaridades observadas durante a vida de serviço dos pavimentos executados com bases de solo arenoso fino laterítico são: . sem trincamento do revestimento. porém.Superfície e borda da base muito susceptíveis ao amolecimento por absorção excessiva de umidade.Superfície e borda pouco susceptíveis ao amolecimento por umedecimento. . O grau de compactação atinge valores entre 93 e 97% da MEASmax relativa à “energia intermediária”.2. consideradas ideais como padrão de trincamento. Os solos da área I apresentam contração média a elevada. Entretanto. observa-se o seguinte: .Facilidade no acabamento da base e baixo desgaste superficial sob a ação do trânsito de serviço. cabe ressaltar que. . proporcionando uma boa aderência da camada de rolamento à base.

Villibor e outros nas bordas quando sujeitas à ação d’água em segmentos onde não existem guias e sarjetas e/ou proteção lateral. Estão indicados nos fluxogramas 3 e 4 respectivamente.1. 5.62 Douglas F.2. CAUSA OCORRÊNCIA EVOLUÇÃO SERVIÇO Desagregração ou PROCESSO EXECUTIVO DA BASE Lamela Soltura do Construtiva Revestimento Solo Deformação Reparo da Inapropriado Excessiva da Base Base Recalque Trincamento do Deficiência de da Revestimento Drenagem Base Deficiência de Correção do Compactação Revestimento FLUXOGRAMA 3: Evolução dos Defeitos em Função do Processo Construtivo da Base CAUSA OCORRÊNCIA EVOLUÇÃO SERVIÇO Exsudação de Correção da Material Betuminoso Exsudação Imprimadura Exsudação por BASE-REVESTIMENTO em Base Úmida Cravamento INTERFACE Cravamento do Agregado Escorregamento do Revestimento Remendo do Falta de Revestimento Imprimadura Buraco ou Imprimadura sobre Panela Superfície com Pó Lamela Desagregação ou Repardo da Construtiva Soltura do Base Revestimento FLUXOGRAMA 4: Evolução dos Defeitos em Função da Interface Base / Revestimento .6 Considerações sobre Defeitos no Pavimento devido às Deficiências da Técnica Construtiva Os principais defeitos incidentes em pavimentos com bases de SAFL decorrem de algumas deficiências no processo executivo e da interface base/ revestimento.

levando conseqüentemente a recalques e deformações excessivas. essas misturas são caracterizadas pela natureza laterítica de seu componente argiloso.2. Portanto. deverá ser acrescentado solo argiloso laterítico. e de supercompactação superficial da camada. ou seja. que não confere a coesão necessária na superfície da base. ou seja.Falta de imprimadura impermeabilizante ou taxa insuficiente.2. que não apresentam características adequadas para seu emprego como bases de pavimentos. esses solos. . número de repetições do eixo padrão de 80 kN de até 107. quando do acabamento. No entanto. em caso de ocorrência de solos argilosos lateríticos (LG’) nas proximidades da obra. 5. Se houver presença de areia laterítica (LA). que passa na peneira 0. com baixa capacidade de suporte. acarretando cravamento do agregado do revestimento na base. mais incidente em solos pouco coesivos.Escolha inadequada do solo.2 Bases de Misturas de Solo Argiloso Laterítico e Areia (ALA) 5. poderão fornecer materiais adequados com comportamento semelhante ao de um solo arenoso fino laterítico. As misturas de argilas lateríticas com areia (ALA) são recomendadas para uso em camadas de sub-bases de vias submetidas a tráfego pesado.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 63 Capítulo 5 Dentre as ocorrências mencionadas. quando misturados entre si ou com areias. . e pelo uso de areia laterítica (LA) ou areia de cava ou lavada de rio. os defeitos que mais afetam a vida de um pavimento com base de SAFL são: . ou utilização de solos não coesivos ocasionando escorregamentos do revestimento.1 Considerações Iniciais Em muitas regiões do território brasileiro existem solos lateríticos finos in natura. estes devem ser corrigidos com o acréscimo de areia laterítica quartzosa e/ou areia lavada de rio. Quando . por exemplo.2. Dois tipos de misturas podem ser efetuadas para a utilização desses materiais como base de pavimentos.Lamelas superficiais: decorrentes de pequenos aterros para acerto de greide.075 mm (nº 200).

para que possam ser considerados apropriados para camadas de base e sub-base: .Suporte Mini-CBR na Energia Normal.e s p.0 cm 300 LG’ + a re ia la va da TABELA 7: Cidades com Pavimentos de Bases de ALA 5.e s p.0 cm. 3. segundo valores indicados a seguir: . 3.2.e s p.Deve pertencer à classe “L” (solo de comportamento laterítico) e grupo LG´ (argilas lateríticas) da classificação MCT. bem como área construída com argila laterítica e areia e grupo MCT destes solos. sem imersão $ 12%. 2. são indicadas para vias de tráfego leve.64 Douglas F.2.e s p.5 cm 20 LG’ + a re ia de ca va J AÚ – S P 82 TS S + CBUQ . 3.2.Solo Argiloso: .e s p. 5. ano de execução.0 cm 200 LG’ + a re ia la va da DES CALVADO – S P 82 TS T . com um N máximo de 105. 2. quando compactado na energia normal.3 Especificações dos Componentes e da Mistura de Argila Laterítica com Areia (ALA) para Bases de Pavimentos Os componentes da mistura do tipo ALA devem atender as seguintes características.5 cm + CBUQ . ANO ÁREA CLASSIFICAÇÃO CIDADE (início de CAMADA DE ROLAMENTO 2 ESPESSURA (1000m ) MCT execução) J ACAREZINHO – P R 78 TS T . . Villibor e outros utilizadas em camadas de bases.e s p.5 cm 20 LG’ + LA 1º DE MAIO – P R 78 TS D .5 cm 100 LG’ + LA ITÚ – S P 97 TS S + CBUQ . 1. . na espessura de 15.2.e s p.2 Pavimentos Urbanos com Base de Argila Laterítica com Areia (ALA) A tabela 7 ilustra algumas cidades onde já foram executadas bases de ALA.0 cm 150 LG’ + a re ia de ca va RINCAO – S P 84 TS T .Deve apresentar propriedades mecânicas e hídricas. 3.

descritas a seguir: . segundo a classificação MCT. devem possuir propriedades dentro dos intervalos da tabela 8 e granulometria descontínua com graduação que se enquadre na faixa indicada na figura 20.RIS ou razão do Mini-CBR imerso para o Mini-CBR na umidade de moldagem $ 50%. PENEIRA (mm) PORCENTAGEM QUE PASSA (%) 2. .420 85 a 100 0.Devem pertencer à classe de solos de comportamento laterítico.Areia: .075 20 a 50 FIGURA 20: Faixa Granulométrica Recomendada para Bases de ALA.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 65 Capítulo 5 .Deve pertencer aos grupos LA (areia laterítica quartzosa) e NA (areia não laterítica). . porém isenta de mica. quando compactadas.As misturas do tipo ALA. . As misturas do tipo ALA devem atender as especificações baseadas na classificação MCT e em determinações das propriedades mecânicas e hídricas.000 100 0.149 40 a 90 0. sem sobrecarga padrão # 1 %. .Expansão.

4 Projeto de Dosagem O projeto de dosagem deve englobar um estudo geotécnico dos componentes da mistura (argila laterítica e areia) e uma verificação dos resultados obtidos em 3 amostras quanto ao atendimento dos requisitos indicados nas especificações.2. tanto dos componentes. deve-se proceder à composição das misturas envolvendo amostras representativas de argilas .66 Douglas F.2.4% Coe ficie nte de Infiltra çã o 10-2 a 10 -4 cm/min1/2 10-2 a 10 -4 cm/min1/2 TABELA 8: Intervalos Admissíveis das Propriedades da Mistura ALA As misturas do tipo ALA devem se situar na área indicada no gráfico da classificação MCT.3 % ≤ 0.5% 0. s e m s obre ca rga pa drã o ≤ 0.1% a 0. Caso os resultados atendam às especificações.2 % Contra çã o 0. quanto da mistura de argilas lateríticas e areia. conforme ilustrado na figura 21.2% a 0. FIGURA 21: Área desejável no Gráfico da Classificação MCT de ALA para Bases de Pavimentos 5. Villibor e outros P ROP RIEDADES CONDIÇÃO NECES S ÁRIA CONDIÇÃO DES EJ ÁVEL Mini-CBR s e m ime rs ã o ≥ 40% ≥ 50% RIS = 100 x Mini -CBR i / Mini-CBR hm ≥ 50% ≥ 50% Expa ns ã o.

conforme figura 21. 5. A porcentagem de areia utilizada nas dosagens de laboratório deve variar de 20. com pá carregadeira. não devendo ser inferior a 20%. no processo de mistura em campo.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 67 Capítulo 5 lateríticas com areia laterítica.2. proceder à sua classificação e verificar sua posição no gráfico da classificação MCT. Detalhes construtivos de bases de ALA são mostrados na figura 24. ou areia de cava ou lavada de rio.5 Técnica Construtiva A tabela 9 apresenta o Procedimento Construtivo e de Controle de Bases de Misturas do Tipo ALA com a adição de areia no solo argiloso laterítico in situ.2. e transportada para a aplicação na via conforme indicado nas figuras 22 e 23. preferencialmente. compor mais 9 (nove) amostras de argila laterítica com areia e submetê-las aos ensaios propostos. em porcentagens de peso. 30. A mistura deverá situar- se. 40 e 50%. por motivos de custos de execução. Isto permitirá a obtenção de valores estatísticos das propriedades das misturas. porém com a menor porcentagem possível de areia. na área de condição desejável. FIGURA 22: Jazida de Argila com Depósito de Areia Lavada para Mistura . Após a mistura. por questões práticas. Definidas as frações de cada componente da mistura. A mistura do tipo ALA também pode ser feita na jazida.

. Executar a compactação final com 1 passada do rolo pneumático ou liso. .150 e 0.75mm .Contração pé-de-carneiro vibratório.Misturar as duas camadas e proceder a sua pulverização com grade de .42. Colocar o colchão na umidade de projeto.Iniciar a compactação com rolo pé-de-carneiro .Deixar a base perder a umidade por um período de 48 a 60 hora ou intermediária) até a ocorrência de trincas com largura de ± 2 mm. . pata longa. Controle da Base a c a d a 40 m . em torno de 6 . efetuar acabamento com motoniveladora cortando numa espessura de 2cm.Teor de Umidade (hot ± 2%) Re come ndações gerais: São já indicadas pa ra ba s e de S AFL TABELA 9: Procedimento Construtivo e Controle Tecnológico da Base de ALA . CONTROLE DA MISTURA E DA BASE PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO DA MISTURA DA ÁREA I Controle da Mistura . se necessário. Villibor e outros FIGURA 23 : Misturação de Argila e Areia com Pá Carregadeira.Preferencialmente não patrolar o solo para ajuste de espessura da base durante o processo de compactação que deverá terminar quando o grau de compactação de projeto for alcançado. .68 Douglas F.Granulometria: peneiras disco e pulvimixer.Após irrigá-la. após espalhar a a cada 100 m areia sobre o colchão de argila na proporção de projeto. 0. 0.Mini-CBR hm passadas e.Gra u de compa cta çã o (≥ 100% da energia .Lançar e executar a conformação do colchão de argila. complementá-la com o no máximo 3 passadas de .

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 69 Capítulo 5 Trincamento da Argila Compactada sem Adição de Lançamento de Areia para Mistura c/ a Argila Areia Processo de Mistura ALA (Grade de Disco) Compactação da Base Início da Cura p/ Secagem c/ Trincamento Incipiente Imprimadura da Base FIGURA 24: Detalhes Construtivos de Bases de ALA .

3 Bases de Solo Laterítico e Agregado de Granulometria Descontínua (SLAD) 5.Melhor aderência da camada de rolamento à base executada com misturas de solo agregado.2.6. Seus finos.2. . Quanto à sua graduação. as misturas podem apresentar uma granulometria contínua ou descontínua.2. segundo a classificação MCT. devem apresentar comportamento laterítico. descritas no item 5.3.2. apresentam elevada porcentagem de grãos retidos na peneira de abertura de 2. lateritas concrecionadas e/ou quartzitos com baixa porcentagem de material passando na peneira de abertura de 0. Os agregados podem ser artificiais (pedra britada ou escória de alto forno) ou naturais (pedregulho de cava. por motivos econômicos.075 mm). Villibor e outros 5.1.2. .1 Considerações Iniciais As misturas de solo agregado são consideradas de granulação grossa. 5.70 Douglas F.2.7 Considerações sobre Defeitos no Pavimento Devido às Deficiências da Técnica Construtiva As considerações sobre os defeitos provenientes de deficiências da técnica construtiva da camada de base constituída por argila laterítica com areia (ALA). são similares às das bases de SAFL. ou seja. Normalmente utiliza-se mistura de solo agregado de granulometria descontínua (menor porcentagem de brita). pelos seguintes motivos: .00 mm.Facilidade de execução. fração que passa na peneira de 2. quando a jazida se encontra próxima à obra e o custo do material não for elevado. 5.00 mm.6 Peculiaridades sobre o Comportamento de Pavimentos com Base de ALA As peculiaridades observadas no comportamento dos pavimentos com bases de misturas do tipo ALA são similares às verificadas nos pavimentos com base de solo arenoso fino laterítico SAFL.2. Deve-se sempre optar por misturas de solos e agregados naturais de granulometria contínua.

tanto ao atrito interno. porém quando compactadas na energia modificada. Já no caso de o solo laterítico situar-se nas áreas I e II e a sua direita. Isso conduz. geralmente da ordem de 80% da umidade ótima. . O comportamento das misturas de solo agregado está. a bases de elevada capacidade de suporte real e baixa permeabilidade. pelos finos lateríticos. quanto à coesão de suas partículas. cuja resistência após compactada. a base terá um comportamento notadamente granular não coesivo. relacionado com a alta qualidade de seus finos de comportamento laterítico e com a baixa umidade de equilíbrio de trabalho dessas bases. a teoria proposta para o estudo de bases de granulometria descontínua é consubstanciada no estudo detalhado de seus finos. No entanto. As bases executadas com as misturas acima têm as seguintes características: Misturas Granulares Pouco ou Não Coesivas significam bases com pequena susceptibilidade à segregação do solo e da brita no processo de execução. deve-se sobretudo ao ângulo de atrito interno entre as partículas. com a Metodologia MCT. principalmente para misturas de solo agregado de granulometria descontínua. cuja resistência deve-se. sem dúvida. O ângulo de atrito destas misturas é garantido pelos agregados. mesmo quando a mistura é compactada na energia intermediária. Quando a mistura tem em sua constituição solos lateríticos situados nas áreas III e IV da figura 18. Além do mencionado.Fácil obtenção de uma elevada capacidade de suporte. perda de umidade quando da compactação excessiva e baixa coesão. a base terá comportamento de um material granular coesivo. Essas misturas apresentam elevada permeabilidade e capacidade de suporte. misturas de solo agregado de granulometria descontínua também têm sido utilizadas com sucesso. A teoria clássica das misturas de granulometria contínua é baseada na distribuição de esforços pelo contato grão a grão (atrito) e baixa coesão. permeabilidade elevada. apresentam elevada penetração da imprimadura impermeabilizante na camada superficial da base. Portanto. nos trópicos. e das características dos agregados. porém com custos superiores quando comparadas com as de granulometria descontínua.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 71 Capítulo 5 . nenhuma contração por secagem ao ar. a coesão. devido à pequena presença de finos.

facilitando sua aderência à camada de rolamento. ainda.15 cm S olo Brita De s contínuo TS D + S e la nte Mirassol 86 80 LA 12 cm 1.5 cm S olo Brita De s contínuo TS S + 3. o agregado e a mistura deverão satisfazer os seguintes requisitos: . bem como área construída com solo laterítico agregado e grupo MCT destes solos. baixa permeabilidade. 5. o solo.0 cm 400 LA’ 12 . Podem apresentar contração por secagem ao ar. Para uma mistura ser considerada apropriada para o uso em bases. acrescido de agregado natural ou britado. excelente capacidade de receber compactação alcançando com facilidade o grau de compactação de 95% do Proctor Modificado.0 cm CBUQ 5.2.0 cm. Apresentam. nas espessuras entre 12.5 cm S olo Brita De s contínuo TS D + S e la nte Uchoa 86 20 LA’ 12 cm 1. ANO CAMADA DE CLASSIFICAÇÃO TIPO DE BASE ÁREA CIDADE (in íc io d e ROLAMENTO 2 ESPESSURA (1000m ) MCT e xe c u ç ã o ) ES P ES S URA Ma ca da me S olo Brita De s contínuo Be tuminos o Ribeirão Preto 75 300 LA’ – LG’ 15 cm S e la do – 5.3. pequena perda de umidade na compactação e elevada coesão. Villibor e outros Misturas Coesivas são bases com elevada susceptibilidade à segregação do solo e da brita no processo de execução.0 cm Itu 96 600 LG’ 15 cm CBUQ TABELA 10: Cidades com Pavimentos de Bases de SLAD 5.2 Pavimentos Urbanos Executados com Base de Solo Laterítico e Agregado A tabela 10 ilustra algumas cidades nas quais já foram executadas bases de SLAD.72 Douglas F.2.3 Especificações do Solo Laterítico Agregado (SLAD) para Bases de Pavimentos As misturas descontínuas de SLAD são recomendadas para tráfego variando de leve a médio e são caracterizadas pelo uso de solo laterítico.0 e 15.0 cm S olo Brita De s c ontínuo Araraquara 78 CBUQ 4.3. ano de execução.

.. devem possuir propriedades mecânicas e hídricas dentro dos intervalos da tabela 11.................. além de granulometria descontínua com graduação que se enquadre na faixa indicada na figura 25..Ris = 100 x Mini-CBRi / Mini-CBRhm ............ compactadas....................... $ 40% . s e m s obre ca rga pa drã o ≤ 0......... sem imersão...........Solo Laterítico: Pertencer à classe “L” (solo de comportamento laterítico) dos grupos LA..... $ 50% ................Mistura Solo Agregado: As misturas de solo agregado devem atender as especificações baseadas na classificação MCT e. dentro dos intervalos mencionados a seguir: ................................... da classificação MCT e apresentar as propriedades mecânicas e hídricas.....5% TABELA 11: Intervalos Admissíveis das Propriedades da Mistura SLAD .Expansão sem sobrecarga padrão .............. TRÁFEGO P ROP RIEDADES LEVE N < 10 5 MÉDIO 10 5 ≤ N < 10 6 CBR na e ne rgia modifica da ≥ 50% ≥ 80% Expa ns ã o. # 60% ................... LA’ e LG’...Contração .....5% ≤ 0...Agregado: Os agregados devem apresentar as seguintes características: .. # 2% .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 73 Capítulo 5 ...........Porcentagem em peso na mistura .Desgaste por abrasão Los Angeles ..... quando compactados na energia intermediária............ # 100% ...... # 1% ... $ 20% ..Suporte Mini-CBR na energia intermediária..Granulometria do material passando na peneira de 25 mm .........

conforme ilustrado na figura 26. em uma das áreas do gráfico da Classificação MCT. FIGURA 26: Áreas no Gráfico da Classificação MCT dos SLAD Utilizados em Bases de Pavimentos . Villibor e outros FIGURA 25: Faixa Granulométrica Recomendada para Bases de SLAD A mistura deverá ser dosada de forma que a parte fina se enquadre preferencialmente.74 Douglas F.

3. . em outros.Compactar com rolo de pneus de pressão variável. . com irrigação e aguardar a sua penetração no solo a c a d a 200 m brita.Contra çã o .Abrasão Los Angeles PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO SOLOS DA ÁREA 02 (BASE COM ELEVADA COESÃO) Controle da Base . o solo previamente umedecido Controle do Solo ou seco com a brita em proporções definidas em projeto. irrigação da camada para acerto de umidade. a caçamba da pá-carregadeira deverá ser utilizada como unidade de medida. .Expa ns ã o vibratório corrugado até atingir o grau de compactação de projeto.Granulometria da Mistura . o solo previamente umedecido ou seco com a brita em proporções definidas em projeto.Mini-CBR i .Expa ns ã o . para terminar a compactação da camada poderá ser empregado rolo . Controle da Mistura . dependendo da necessidade. se necessário. Em alguns locais pode ocorrer uma maior concentração de brita. PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO SOLOS DA ÁREA 01 DA MIS TURA E DA BAS E (BASE COM BAIXA COESÃO) .Descarregar a mistura no local da aplicação em montes que deverão ser espalhados para a conformação do colchão de solo-brita a ser compactado.Misturar em usina ou com pá carregadeira.Teor de Umidade de . em volume. uma maior concentração de solo. as notadamente pouco coesivas.Entrar com rolo pneumático e/ou vibratório liso para completar a compactação.Ajustar a umidade de projeto com grade de discos e irrigadeira.Se necessário. A Tabela 12 apresenta o Procedimento Construtivo e de Controle Tecnológico e a figura 27 mostra detalhes construtivos de bases de SLAD. CONTROLE DO S OLO.S uporte CBR .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 75 Capítulo 5 5.Iniciar a compactação com o rolo vibratório corrugado de 4 a 6 passadas.Descarregar a mistura no local da aplicação em montes que deverão ser espalhados para a conformação do colchão de solo-brita a ser compactado. No caso de mistura a cada 50 m em jazida.4 Técnica Construtiva Entre as misturas de solo-agregado. proceder o reacerto da camada com a motoniveladora e completar a compactação com rolo de pneus até atingir entre 3 e 5 passadas. . a fim de que se atinja o grau de compactação de projeto. . esperar a penetração da umidade na base e reacertar a camada pré-compactada com motoniveladora. TABELA 12: Procedimento Construtivo e Controle Tecnológico da Base de SLAD . a caçamba da pá-carregadeira deverá ser utilizada como unidade de medida. se necessário. (≥ 97% da e ne rgia modificada) .Efetuar. . . experiência realizada na execução de 400 Km demonstrou não haver prejuízo significativo aos serviços. em volume.Grau de Compactação . se necessário.Ajustar a umidade de projeto com grade de discos e irrigadeira se necessário. Compa cta çã o (hot ± 2%) . No caso de mistura em jazida.2. 4 passadas. são menos suscetíveis à segregação que as mais coesivas.Misturar em usina ou com pá carregadeira.Ajustar a umidade. a c a d a 200 m . No entanto.

Villibor e outros Mistura de Solo e Pedra Britada para SLAD Mistura de Solo e Pedregulho para SLAD Compactação da Base Imprimadura da Base Textura do SLAD c/ Agregado Britado Textura do SLAD c/ Agregado de Pedregulho FIGURA 27: Detalhes Construtivos de Bases de SLAD e aspecto de sua superfície. .76 Douglas F.

2. em locais isolados e é explicado pelo excesso de umidade na camada de solo-brita.2.Ausência de escorregamento do revestimento: devido ao elevado atrito entre a interface da base imprimada e o revestimento. 5. . mesmo com elevada energia de compactação. CAUSA OCORRÊNCIA EVOLUÇÃO SERVIÇO Reaterro Desagregação ou Superfície Soltura do Revestimento Solo-Agregado Deformação Reparo da BASE Inapropriado Excessiva da Base Base Recalque Trincamento do Deficiência da Revestimento de Drenagem Base Desagregação do Revestimento Deficiência Remendo do de Compactação Revestimento FLUXOGRAMA 5: Evolução dos Defeitos . . onde o nível d’água se encontra a pequena profundidade. . .5 Peculiaridades de Comportamento do Pavimento As peculiaridades de comportamento dos pavimentos observados com base de SLAD são: .3.Trincamento no revestimento: este defeito ocorre muito esporadicamente. mesmo em curvas fechadas.Pequena deflexão: os valores de deflexões situam-se entre 20 a 60/100 mm. .6 Considerações sobre Defeitos no Pavimento Devido às Deficiências do Processo Executivo Os principais defeitos incidentes nas bases de SLAD estão ilustrados no fluxograma 5.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 77 Capítulo 5 5.Condição hidrológica da base: as determinações dos teores de umidade. especialmente em solos bastante coesivos.Ausência de lamelas na base: o fato de a mistura conter elevada porcentagem de agregado britado tem facilitado a técnica construtiva uma vez que.3. a não ser em pontos isolados. efetuadas na base.Ausência de ruptura de bases: não foi constatada nenhuma ruptura desse tipo. não ocorrem “lamelas” causadas por supercompactação ou na fase de acabamento da mistura. têm revelado valores abaixo da umidade ótima de compactação correspondente à energia de referência adotada.

os defeitos que mais afetam a vida de um pavimento com base de SLAD são: . ou solos sem nenhuma coesão que podem acarretar escorregamento do revestimento. a não ser em certas regiões. onde predominam os tipos arenosos finos. na cidade de Ilha Bela. sendo os tipos argilosos mais freqüentes. No Plano de Pavimentação de 1958 do DER/SP. A pavimentação urbana com o emprego de bases de argila laterítica se desenvolveu a partir de um diagnóstico errôneo de uma jazida. executado no inicio da década de 50. A partir de meados da década de 80 a construção de trechos experimentais com uso de argilas lateríticas foi retomada nos Estados de São Paulo e Paraná.4. como por exemplo. Um dos primeiros trechos experimentais com base de argila laterítica foi o acesso norte de Campinas à Via Anhangüera (SP-330).2. .4 Bases de Argila Laterítica 5. que deveria ser de solo arenoso fino laterítico. principalmente nas zonas periféricas de crescimento urbano mais recente. . 5. é de extrema importância a utilização de argilas lateríticas em bases de pavimentos de baixo custo.78 Douglas F. Neste trecho utilizou-se o “envelopamento” da base com pintura betuminosa. Diante do exposto. com uso de argilas lateríticas. gerando uma camada de pequena espessura sem aderência ao corpo da camada de base. decorrentes de pequenos reaterros quando do acabamento da base.1 Considerações Iniciais Nas regiões tropicais úmidas ocorrem espessas camadas de solos lateríticos arenosos e argilosos. sub-bases e reforços do subleito foram executados em grande escala.Escolha inadequada do solo. com baixa capacidade de suporte e presença de finos expansivos (que levam a recalques e deformações excessivas do pavimento). Villibor e outros Devido às ocorrências mencionadas. Por exemplo.2. no noroeste do Estado de São Paulo.Ocorrências de ondulações e desagregações do revestimento.

. nos períodos chuvosos. era a reflexão das trincas da camada de base para o revestimento fazendo com que. com a finalidade de minimizar a eventual propagação das trincas. da jazida utilizada para a execução da camada. o produto dali extraído apresentava contração superior a 2. com abertura de trincas de 3.0 a 4. . acrescida da execução de um revestimento tipo macadame betuminoso selado. pela Metodologia MCT. as seguintes soluções poderiam ser executadas: . o solo utilizado era na verdade.0 mm. No caso do pavimento de Ilha Bela. A primeira providência técnica tomada para diagnosticar o elevado grau de trincamento da base foi o ensaio. Devido ao fenômeno.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 79 Capítulo 5 Naquela ocasião. recém construída. O ensaio demonstrou que a jazida não se enquadrava na especificação de um solo para o emprego em bases de solo arenoso fino laterítico (SAFL) pois.5% e CBR superior a 40% na umidade ótima. Para se enquadrar como SAFL. deveria apresentar contração inferior a 0. mistura da argila laterítica com areia e execução de uma mistura do tipo argila laterítica e areia (ALA). observou-se que a base. inferior a 20%. entre outros problemas. contraiu em demasia resultando em um trincamento em blocos de 15 cm x 15 cm. Portanto.Preenchimento das trincas com areia fina através de varredura da superfície da base. A grande preocupação. instabilizando essas camadas. uma argila de comportamento laterítico (LG’). a água percolasse para as camadas inferiores através da infiltração pelas trincas.5% e CBR na umidade de moldagem para a energia intermediária. A segunda solução foi adotada. na espessura de 4. a empresa executante não procedeu à aplicação de um revestimento betuminoso sobre a base extremamente trincada. além do baixo suporte.0 cm.Remoção de toda a camada de base. segundo a classificação MCT.

. . para o desenvolvimento de trincas. em seguida. com cerca de 2.0 cm). As primeiras experiências sistemáticas com o uso de bases de argila laterítica na cidade de Jaú ocorreram em 1986. com base de argila laterítica. e execução de camada de rolamento com macadame betuminoso selado. com espessura aproximada de 0. por caminhão basculante.Imprimação com CM-30.42 mm. Villibor e outros Para a recuperação da base trincada foram tomadas as seguintes providências: .Distribuição. por revestimento com tratamento superficial betuminoso na espessura de 2. posterior fechamento das trincas com areia fina e aplicação de revestimento de macadame betuminoso relativamente espesso (aproximadamente 5.5 cm.80 Douglas F. de bloqueio sobre a superfície da base. caracterizadas pela instrução de Projeto PMSP/92 anterior ao atual IP-02 de classificação de vias.5 cm de espessura. por pavimento de baixo custo para tráfego leve. A tecnologia foi estendida para a cidade de Jaú. Esse tipo de projeto foi executado em vias de tráfego de “muito leve” a “leve”. . Varrição. o procedimento que envolve a secagem da camada argilosa compactada. A calafetação das trincas de contração da base com areia fina foi substituída pelo . retirando a fração superior a 0. no interior de São Paulo. o pavimento mais adotado. Atualmente. após a secagem da superfície irrigada.Peneiramento da areia para preenchimento das trincas. em Jaú. A partir de 1988. de montes eqüidistantes de areia e espalhamento da areia seca com a finalidade de preencher as trincas.Irrigação da superfície de toda a base. macadame hidráulico e betuminoso. iniciou-se a substituição do macadame betuminoso com capa selante. com o intuito de substituir as bases convencionais de brita graduada simples. fazendo com que parte da água infiltrasse nas trincas preenchidas com areia seca.5 cm e um revestimento de mistura betuminosa usinada a quente. é constituído por: camada betuminosa aberta. removendo todo o excesso de areia na superfície das placas trincadas.Repetição do procedimento do primeiro item. de toda a superfície. . Adotou-se. inicialmente. carreando a areia para o fundo.

3 Especificações da Argila Laterítica para Bases de Pavimentos Justifica-se a utilização de argilas lateríticas em bases de pavimentos. e corte da superfície da base após o período de cura. Além disso. A extensão total de ruas pavimentadas.Classe “L” (comportamento laterítico) e grupo LG’ (argilas lateríticas) da classificação MCT. quando não há possibilidade econômica de misturá-las com areia e/ou pedra britada.0 cm 500 LG’ Cra va me nto + 5. quando compactadas na .0 cm Ma ca da me Araraquara 80 300 LG’ Be tuminos o S e la do Ilha Bela 82 5. na espessura de 15.4.0 cm.000 m2.Propriedades mecânicas e hídricas dentro dos intervalos indicados na tabela 15. bem como área construída com argila laterítica e grupo MCT destes solos.0 cm Ma ca da me Be tuminos oS e la do 100 LG’ TABELA 13: Cidades com Pavimentos de Bases de Argila Laterítica 5.2. As argilas lateríticas devem apresentar as características: . ANO CAMADA DE ROLAMENTO ÁREA CLASSIFICAÇÃO CIDADE (in íc io d e 2 ES P ES S URA (1000m ) MCT e xe c u ç ã o ) Cra va me nto + 5.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 81 Capítulo 5 enchimento. ela somente podem ser usadas em bases de trechos com tráfego muito leve.0 cm Ma ca da me Ribeirão Preto 75 500 LG’ Be tuminos o S e la do Jaú 80 P é de Mole que + CBUQ 3. com material remanescente do processo de umedecimento. . ano de execução.2. na cidade. 5. caracterizado por N ≤ 104 solicitações do eixo simples padrão de 80 kN. praticamente só de carros.2 Pavimentos Urbanos com Base de Argila Laterítica A tabela 13 ilustra algumas cidades em que já foram executadas bases de Argila Laterítica.4. com base de argila laterítica atinge mais de 500.

FIGURA 28: Área no Gráfico da Classificação MCT das Argilas Lateríticas Utilizadas em Bases de Pavimentos P ROP RIEDADES CONDIÇÃO NECES S ÁRIA CONDIÇÃO DES EJ ÁVEL S uporte Mini-CBR ≥ 12% ≥ 20% RIS ≥ 50% ≥ 70% Expa ns ã o ≤ 0. e granulometria com graduação que se enquadre nas faixas indicadas na tabela 14. P ENEIRA (mm) P ORCENTAGEM QUE P AS S A (%) 2.Situar-se na área do gráfico indicada na figura 28.3% Contra çã o ≤ 4% ≤ 2% TABELA 15: Valores Recomendados para Bases de Argila Laterítica Algumas peculiaridades das argilas lateríticas utilizadas na pavimentação de vias urbanas da cidade de Jaú são: .Massa específica aparente seca máxima relativamente elevada.000 100 0. em parte devido à presença de minerais de elevada massa específica real. .5% ≤ 0. sobretudo óxidos de ferro anidros e hidratados. .075 90 a 60 Tabela 14: Faixa Granulométrica Utilizada para Bases de Argila Laterítica.420 100 a 75 0.82 Douglas F.150 95 a 70 0. Villibor e outros Energia Normal do Mini-Proctor.

Contra çã o ou vibratório. É desejável que a camada de revestimento seja executada em um período não superior a 30 horas após o corte. diluída em 40% de água. Sem esse intenso umedecimento.4.Sobre a base imprimada é executada uma camada betuminosa de bloqueio. . Quando.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 83 Capítulo 5 . formando um "cascão duro".Gra nulome tria : pe ne ira s .0 a 1. A camada não tem finalidade estrutural.Verificação do grau de posterior corte de acabamento da mesma.0 a 6.A camada de base. desenvolvendo trincas . norma l . da ordem de 22 a 25 cm.150 e 0. na taxa de 1. pata longa estático . deverá ficar exposta ao ar e ao sol por um período superior a 48 horas para perder cerca de 30 a 40 % do teor de umidade de compactação.Mini-CBR hm na e ne rgia faixa de 16 a 24%. por causa de seu fácil destacamento e descolamento do corpo da base.Após a cura e o desenvolvimento das trincas. composta por pedra britada de granulometria fina e CAP-20. com a finalidade de calafetação das trincas de grande abertura. e ne rgia norma l .0 mm e formando conseqüentemente placas quadrangulares de compa cta çã o ≥ 100% da 15 cm x 15 cm. devido à elevada resistência da camada após a compa cta çã o (hot ± 2%) compactação e cura por secagem.Após a compactação.2. distribuído com vibroacabadora e compactado com rolo de pneus e rolo liso leve TABELA 16: Procedimento Construtivo e Controle Tecnológico da Base de Argila Laterítica . a fim de se obter uma camada final compactada de 15 cm. Como camada de rolamento emprega-se um revestimento betuminoso usinado a quente. para aproveitar a umidade ainda existente na superfície da base. estando geralmente na . onde é descarregada em montes ao longo do trecho a pavimentar. muito prejudiciais. a espessura da base deverá ser superior à de projeto. 5. com espessura de 2. é praticamente impossível se executar umidade na fase de um corte de pequena espessura. numa espessura Controle do Solo homogênea. deve ser executada apenas uma imprimadura ligante com uso de emulsão asfáltica de ruptura rápida. para que na fase de acabamento se evitem locais com complementação de pequenas espessuras. mas sim de interligação entre a base e a camada de rolamento.5 cm. . Controle da Base a cada 40 m .Sobre a base imprimada não se permite o tráfego. .75 mm irrigadeira.5 cm. .O colchão de solo solto é distribuído com a motoniveladora. denominada "pé de moleque".4 Técnica Construtiva CONTROLE DO SOLO PROCEDIMENTO CONSTRUTIVO E DA BASE .Transporte em caminhões basculantes da argila laterítica ao local de aplicação. As umidades ótimas de compactação são elevadas. .O acabamento deverá ser executado exclusivamente em corte. a base deverá ser umedecida para . Essas complementações acarretam "lamelas" superficiais. no processo de distribuição do colchão de solo.Verificação do grau de com abertura de 3. relativamente elevada. A tabela 16 apresenta o Procedimento Construtivo e Controle Tecnológico e a figura 29 mostra detalhes construtivos de bases de Argila Laterítica. Essa secagem leva a uma intensa contração da base.42. .Perda de massa por imersão em água (Pi) na umidade ótima.4 l/m². 0. de 0. . a camada superior ficar a cada 100 m compactada pela ação dos pneus da motoniveladora.A compactação é efetuada integralmente com rolo pé de carneiro. deve- se escarificar a parte superficial com os dentes da patrol para de destorroar o solo.A homogeneização da umidade é obtida pela ação combinada de grade de disco e 0.Logo após o corte. O corte é executado com motoniveladora com lâmina bem afiada. depois de compactada.

Villibor e outros Preparo da Camada Compactação Umedecimento para Corte Base em Processo de Corte CBUQ sobre Camada Anti-Cravamento Reflexão de Trinca no Revestimento FIGURA 29: Detalhes Construtivos de Bases de Argila Laterítica .84 Douglas F.

a brita funciona como alongador de massa. observa-se uma propagação imediata das trincas da base. As águas provenientes de chuvas infiltram pelas trincas.2. percolando para as camadas inferiores. genericamente. A camada de argila laterítica compactada apresenta trincamento. procedeu- se inicialmente ao preenchimento das trincas com areia e. Essas argilas pertencem. formando blocos de solo de pequenas dimensões. predominantemente. espaçando mais o trincamento em blocos e reduzindo a abertura das trincas. Desenvolvem-se em condições bem drenadas em clima tropical úmido e apresentam. ou de um tratamento superficial.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 85 Capítulo 5 5. Além desses cuidados. por terra roxa. Para a obtenção de bases de argila laterítica com continuidade. com argila. caso não apresentassem trincas verticais. tais bases funcionariam adequadamente para vias de tráfego leve.4. deve-se executar uma camada esbelta de bloqueio com a finalidade de proteger a superfície da base assim como evitar a propagação das eventuais trincas restantes do processo de enchimento. apresentam valores de suporte elevados e baixa permeabilidade. No entanto os blocos da base (lajotas de solo de forma cúbica) fora da área das trincas. O tamanho dos blocos e a intensidade de ocorrência dos mesmos. ficando a camada de rolamento trincada e com sua superfície similar à da base. Outra forma de se reduzir substancialmente o trincamento excessivo de camadas constituídas por argilas lateríticas é a mistura de solo argiloso e brita. a peculiaridade de conter sempre apreciável porcentagem de substâncias derivadas de rochas cristalinas básicas (principalmente basaltos e diabásios). . resultando em defeitos que inviabilizam esses tipos de bases. tanto na direção vertical quanto horizontal. com grande ocorrência na região Centro-Sul do Brasil. Nesse caso. mais recentemente. são determinados pela dosagem da argila laterítica com a brita.5 Peculiaridades de Comportamento do Pavimento O comportamento de pavimentos de baixo custo com bases de argila laterítica está ligado às peculiaridades geotécnicas e de ocorrência das argilas lateríticas utilizadas. No caso da execução de uma camada de revestimento de concreto betuminoso usinado a quente. Portanto. à classe pedológica Latossolo roxo e são conhecidas. ainda.

a solução pode apresentar o seguinte problema: na secagem da superfície. entre elas. sendo empregados para vias de tráfego leve (vias periféricas. CAUSA OCORRÊNCIA EVOLUÇÃO SERVIÇO Lamela Desagregação ou Construtiva Soltura do Revestimento Solo Deformação Reparo da Inapropriado Excessiva da Base Base Recalque Trincamento do Deficiência de da Revestimento Drenagem BASE Base Deficiência de Compatação Remendo/Correção Revestimento Trincamento por Reflexão de Contração do Solo Trincas Interface Escorregamento do Ondulação do Deficiente Revestimento Revestimento FLUXOGRAMA 06: Evolução dos Defeitos Dentre as ocorrências mencionadas.0 cm. que vem sendo aplicada. apresentam um comportamento altamente satisfatório. as pedras cravadas. é a saturação da parte superficial da camada de solo argiloso e posterior cravamento de agregado britado (pedra nº 4) com rolo liso estático. No entanto. Essas soluções já foram empregadas com sucesso em diversas vias urbanas de algumas cidades.86 Douglas F. com o intuito de travar os agregados cravados. em Araraquara.4. mesmo com pequeno tráfego de ônibus). com espessura mínima de 5. assim executados. deve-se utilizar como revestimento uma camada de macadame betuminoso selado. os defeitos que mais afetam a vida de um pavimento com base de argila laterítica são: . por causa da retração do solo. Jaú. Os pavimentos.2.6 Considerações sobre Defeitos no Pavimento Devido às Deficiências do Processo Executivo Os principais defeitos incidentes nas bases de argila laterítica estão ilustrados no fluxograma 6. Villibor e outros Outra técnica. Ribeirão Preto. podem perder seu travamento. 5. Viradouro. Nesse caso.

Formação de lamelas por supercompactação. por exemplo. o desempenho de um pavimento de base de solo arenoso fino laterítico pode ser.3. .Aumento das condições de impermeabilização. com conseqüente reflexão de trincas no revestimento betuminoso.3 Imprimaduras Asfálticas e Revestimentos Betuminosos 5. A partir dessas constatações alguns programas de pesquisas.3. eventualmente. infiltrar-se pelo revestimento. resultando em desagregação ou soltura do revestimento. por ser o tipo mais adequado de camada de revestimento para esses pavimentos. São objetivos da impermeabilização. dificultando a penetração de água que possa. foram realizados com o intuito de verificar. A observação sistemática de trechos. 5. com a imprimadura asfáltica sobre bases de solos lateríticos: .Aumento da coesão da parte superficial da base.1.1 Considerações Iniciais A maioria dos pavimentos de baixo custo no Estado de São Paulo foi construída com camada de rolamento em tratamentos superficiais invertidos duplos ou triplos. em especial imprimaduras asfálticas em bases de solo arenoso fino laterítico. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 87 Capítulo 5 . . Antes da abordagem dos revestimentos betuminosos para pavimentos de baixo custo. serão tecidos alguns comentários sobre a impermeabilização das bases. . mostrou que alguns dos defeitos que ocorriam nesses pavimentos tinham como causa principal a imprimadura.1 Imprimaduras Asfálticas 5. quão afetado pela quantidade inadequada de imprimadura asfáltica.Trincamento excessivo por contração do solo. durante e após a construção.Melhoria das condições de aderência da base ao revestimento. tanto em campo quanto em laboratório.

onde verificou-se.Reduzida penetração da imprimadura. a que taxa deve ser aplicado e quais são as condições ótimas para a sua aplicação. o descolamento da camada de rolamento. As imprimaduras. da ordem de 1 a 2 mm. Nesse caso. . ocasionado pela falta de aderência na interface base-revestimento e/ou pelo cravamento do agregado da capa na superfície da base.Penetração excessiva da imprimadura.3. . atingindo cerca de 15 mm na camada de base. em uma extensão aproximada de 1000m. que interferiam no desempenho do pavimento: . causando rupturas superficiais. formando uma superfície betuminosa excessivamente espessa na superfície e. exsudação do ligante na superfície da camada de rolamento. o cravamento acontece devido ao aparecimento de uma crosta frágil na superfície da base. resistiram adequadamente aos esforços de cravamento dos agregados da camada de rolamento na base e não produziram exsudações no revestimento. sugere-se o seguinte critério para a fixação do tipo e da taxa de material asfáltico a ser utilizado na imprimadura: . que apresentam resultados satisfatórios são caracterizadas por: . em alguns pontos localizados.1.Espessuras de penetração do material betuminoso da ordem de 4 a 10 mm. 5. As imprimaduras nessas condições.88 Douglas F. Nas observações efetuadas nos trechos testes. muitas vezes.2 Recomendações para Dosagem do Tipo e Taxa de Material Betuminoso A partir dos resultados de laboratório e dos trechos experimentais. foram identificadas algumas características da imprimadura asfáltica.Película residual do material betuminoso na superfície da base com espessura não excessiva. associadas à sua penetração na base. Villibor e outros Outra finalidade desses programas foi a elaboração de um procedimento de ensaio que permite escolher que tipo de material asfáltico é indicado para a imprimação de determinado solo. de cor preta acastanhada.

Ensaiar o solo em questão com CM-30. desde o tipo de material betuminoso aplicado até a umidade existente no momento de imprimação.1.2 l/m2.0 à 1. notou-se uma inflexão da curva de penetração da imprimadura versus teor de umidade.7 para 1. próxima à umidade . pode ser executada com asfaltos diluídos dos tipos CM-30 ou CM-70. a penetração da imprimadura sofre um acréscimo da ordem de 55% (passando de 5. no P-EB-651.2 mm). na taxa de 1. utilizar CM-30. . aplicado à temperatura de 30º C. reensaiar o solo. porém utilizando CM-70. Por isso.8 à 1. se aplicado à mesma taxa. conforme observado nos ensaios laboratoriais e em campo. na taxa de 0.Traçar a curva “penetração da imprimadura versus teor de umidade” e determinar a penetração no teor de umidade correspondente à hot – 2%. .3. como já foi visto. traçar o gráfico “penetração da imprimadura versus teor de umidade”. determinar a penetração da imprimadura no teor de umidade correspondente à hot e proceder à fixação da taxa conforme item anterior. Sendo o CM-70 mais viscoso que o CM-30.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 89 Capítulo 5 . quando da utilização de CM-70.0 l/m2. Se a penetração obtida no item anterior estiver entre 4 e 10 mm. porém.Influência do Tipo e da Taxa de Material Betuminoso Aplicado A imprimadura. . aplicado à temperatura de 30º C. viscosidade Saybolt-Furol entre 80 e 100 s.2 l/m2.2 l/m2.3 para 8. cujas características são oficializadas pela ABNT.Nos casos em que a penetração da imprimadura for superior a 10 mm. é importante a análise de cada um desses fatores. 5.Se a penetração obtida no item anterior for inferior a 4 mm. Com os resultados. à taxa de 1. . Variando-se a taxa de aplicação de 0. utilizar CM-30 para a imprimação.3 Considerações sobre a Influência dos Diversos Parâmetros nos Serviços de Impermeabilização de Bases A impermeabilização das bases é afetada por diversos fatores. .Influência do Teor de Umidade de Compactação Em todos os solos ensaiados. sua penetração na superfície da base é menor. a temperatura deve estar em torno de 40º C.

mesmo que o corpo de prova seja deixado secar ao ar.Influência da Densidade Aparente Seca A penetração da imprimadura. . . verifica-se a formação de uma camada espessa de asfalto residual na superfície dos corpos de prova. Um solo que possui pequena porcentagem de fração argila (em torno de 18%.Influência do Tipo de Solo Os solos arenosos finos lateríticos. ou seja. do que a apresentada pelo solo mais argiloso (penetração de 2. apresentou nos ensaios laboratoriais realizados. . penetração maior (8. a partir da umidade ótima.90 Douglas F. para uma mesma energia de compactação.Influência da Irrigação Prévia Obteve-se maior penetração da imprimadura nos corpos de prova ensaiados que foram levemente umedecidos antes da aplicação do material asfáltico.2 mm) no teor de umidade igual à umidade ótima –2%. indicando que não há. .3 mm). praticamente. a penetração da imprimadura cai para níveis bastante reduzidos. sempre que o corpo de prova é moldado em um teor de umidade superior à ótima (independente da energia utilizada). um solo mais arenoso. Villibor e outros ótima. apresentam um ponto de máxima penetração da imprimadura. podem apresentar comportamento diferente quanto à penetração da imprimadura. Porém. nota-se um aumento acentuado da penetração. Já no ramo úmido. que se situa em torno de 50 a 70% da umidade ótima. . acima da qual a penetração se mantém em níveis baixos (inferiores a 1 mm). À medida que se diminui a umidade. dependendo da quantidade de argila em sua constituição.Influência da Umidade na Ocasião da Imprimação Os resultados dos ensaios laboratoriais. tanto para a energia normal quanto para a intermediária. por 24 horas. penetração da imprimadura. varia inversamente com a densidade no ramo seco da curva de compactação. por exemplo).

Após a secagem da base. . a fim de evitar a saturação da base e promover uma penetração adequada da imprimadura. . com taxa de irrigação em torno de 0. observa-se uma maior penetração no caso da menor energia de compactação. sobretudo pela demora da cura (aproximadamente 72 horas. permitindo o início da execução da camada de rolamento praticamente de imediato. na taxa de 1. executa-se apenas uma imprimadura ligante.Eliminar toda e qualquer partícula solta na superfície da base.Evitar a superposição de faixas de irrigação na fase de compactação. para evitar a formação de lamelas e material solto na superfície da base o que.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 91 Capítulo 5 Para diferentes densidades e um mesmo teor de umidade (diferentes energias de compactação). as emulsões asfálticas têm sido utilizadas pela sua praticidade de aplicação. com o emprego de emulsão asfáltica de ruptura rápida.8 l/m2. diluída em 40% de água. a operação de compactação da base deverá iniciar com 1 a 2% acima da umidade ótima para que. no final do processo. com varredura e/ou jato de ar comprimido. .4 l/m2. Sobre a base imprimida não se permite o tráfego. .Face à grande perda de umidade constatada em campo.3. . 5.1.1.5 Recomendações para a Execução da Imprimadura Além da escolha do tipo de impermeabilização e da sua dosagem (taxa de imprimadura). ela deverá ser irrigada levemente. devido a baixa penetração do ligante na base) e custo mais elevado. provocará escorregamentos do revestimento. a umidade esteja em torno da ótima de compactação. é necessário seguir as recomendações construtivas indicadas a seguir para que a imprimadura cumpra sua função adequadamente: .5 a 0.O acabamento da base deverá ocorrer sempre em corte. O emprego de asfaltos diluídos não tem sido recomendado. Em contrapartida.0 a 1. 5.3.4 Imprimaduras Asfálticas em Bases de Argila La-- terítica Sobre bases de argila laterítica.

3.Excesso de material betuminoso. .Penetração deficiente da imprimadura. inibe a penetração do ligante betuminoso na base e gera uma interface sem aderência e pouco coesiva.92 Douglas F.1. Isso provoca superfícies pouco coesivas. os defeitos que mais afetam a vida de um pavimento com base de solo laterítico são: . Excesso de Material Betuminoso Superfície Rica em Correção da Material Betuminoso Exsudação Imprimadura em Base Exsudação por Úmida Cravamento (TS)* Cravamento do Agregado do Tratamento Superficial (TS) Falta de Imprimadura Escorregamento do Revestimento Remendo do Revestimento Imprimadura sobre Buraco ou Superfície com Pó Panela Reparo da Base Lamela Construtiva Desagregação ou Soltura do Revestimento FLUXOGRAMA 7: Evolução dos Defeitos Devido à Imprimadura Deficiente Dentre as ocorrências mencionadas. decorrentes de falha no processo executivo das imprimaduras asfálticas. 5. principalmente em bases com teor de umidade elevado e constituídas por solos coesivos. .6 Considerações sobre Defeitos no Pavimento Devido às Deficiências do Processo Executivo da Imprimadura Os principais defeitos incidentes na interface base-revestimento. Isso gera uma superfície com excesso de ligante e provoca escorregamentos e/ou exsudação do ligante no revestimento. .Aplicação de imprimadura sobre superfície com excesso de pó. estão ilustrados no fluxograma 7. Villibor e outros A imprimadura nunca deverá ser executada com o solo saturado por chuva ou eventual excesso de irrigação. resultando em baixa penetração do ligante betuminoso.

Processo Manual Imprimadura com Barra Espargidora Imprimadura sobre Superfície Úmida Imprimadura sobre Superfície com Pó Penetração Adequada da Imprimadura Imprimadura Excessiva sobre Base Trincada FIGURA 30: Detalhes da Aplicação de Imprimaduras Asfálticas. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 93 Capítulo 5 Detalhes da aplicação de imprimaduras asfálticas se encontram na figura 30.

duras e duráveis. proteger a base das intempéries e evitar a ação abrasiva dos pneus dos veículos. cascalho ou seixo rolado britado.3. necessariamente.0 cm.2.Agregados Pode-se utilizar pedra-britada. . A abrasão Los Angeles não deverá ser superior a 40% e a porcentagem de grãos defeituosos deverá ser inferior a 25%.1 Considerações Iniciais Uma das características peculiares na execução de pavimentos de baixo custo é a utilização de camada de rolamento de pequena espessura.Graduação Uma graduação utilizada com sucesso em tratamentos superficiais duplos invertidos.0 a 3. Esse material deve ser constituído por partículas limpas.2. . o tipo RR-2C em estado natural. seguem as especificações de serviço do DER/SP. do tipo CAP-7 (preferencialmente) ou CAP-20 e. ou modificado por polímeros. no caso de emulsões asfálticas. está indicada na tabela 17.Ligante Betuminoso Deverá ser utilizado cimento asfáltico de petróleo. em diversos trechos no Estado de São Paulo e Paraná. geralmente de 1.2 Tratamentos Superficiais (TS) .2 Revestimentos Betuminosos 5. ou emulsão asfáltica RR-2C. Villibor e outros 5. com o uso de cimento asfáltico de petróleo.3. 5. e a adoção de tratamento superficial duplo ou triplo invertido. função estrutural. mas sim a função de proporcionar segurança e conforto aos usuários. . A camada de rolamento em pavimentos de baixo custo não tem.3. Os processos executivos de revestimentos betuminosos dos tipos tratamento superficial e concreto betuminoso usinado a quente.94 Douglas F.

quanto para o miúdo.760 0 .10 0. Ele permite. se for o caso. para agregados com índice de forma adequado e para agregado britado de basalto ou diabásio.Dosagem da Taxa de Agregados A dosagem da taxa de agregados.Dosagem da Taxa de Material Betuminoso A taxa de material betuminoso poderá ser obtida com o método de dosagem de Hanson. deverá ser ajustada no campo. Geralmente. medindo-se o volume dos mesmos.520 40 .133xEmin em l/m2 .100 2. a obtenção correta da taxa de ligante betuminoso e produz revestimentos de alta qualidade. para tratamentos superficiais duplos.75 100 4. em uma bandeja metálica de área conhecida e.15 75 . tanto para o graúdo. para que não haja sobreposição ou falta de agregados. posteriormente. a fim de obter a dosagem definitiva.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 95 Capítulo 5 PENEIRAS PORCENTAGEM EM PESO (m m) AGREGADO GRAÚDO AGREGADO MIÚDO 19. pode ser obtida colocando os agregados ombro a ombro.380 0-5 0 .100 100 - 12. A taxa de agregado é obtida multiplicando-se por 1. A taxa de ligante betuminoso pode ser obtida com a seguinte fórmula: Taxa CAP = 0.100 - 9. acrescido de 15%.700 90 . tem-se: • 1º Aplicação Agregado Graúdo – 12 a 13 l/m2 • 2º Aplicação Agregado Miúdo – 5 a 6 l/m2 A dosagem obtida em laboratório deverá ser aferida no primeiro segmento em que for executado o tratamento superficial e.074 0-2 0-2 TABELA 17: Graduação para Tratamentos Superficiais Duplos . .15 o quociente do volume de agregados na área da bandeja.

15 . em mm. variações na dosagem e na técnica construtiva.67) x 1. por permitir uma maior taxa de aplicação do ligante. portanto. conforto e segurança. É necessário. a taxa obtida deverá ser corrigida da seguinte forma: Taxa RR – 2C = (Taxa CAP/0. Para a rolagem da primeira camada de agregado. Tendo em vista tal dificuldade.1 l/m2 Essas quantidades são orientativas e as taxas corretas devem ser obtidas com a dosagem referida para o uso de ligante CAP. pode apresentar um comportamento inadequado quanto aos aspectos de vida útil.96 Douglas F. um equipamento espargidor em condições ideais de funcionamento. O tratamento superficial não deve ser executado durante os dias de chuva. se não houver uma série de cuidados construtivos. é recomendado o emprego de rolo pneumático de pressão variável. O controle tecnológico de sua execução deverá ser seguido com rigor. no mínimo. pois. Villibor e outros onde: Emin é a espessura média. para agregados com índice de forma adequado e para agregados britados de basalto ou diabásio. em especial nos duplos.9 l/m2 • 2º Aplicação – 1. a homogeneidade e a taxa de aplicação de ligante (CAP). podem acarretar danos no pavimento em curto período de uso. são de suma importância. Nos tratamentos superficiais. tem-se obtido as seguintes taxas de aplicação de material betuminoso: • 1º Aplicação – 0. inclusive com capa selante. com a finalidade de não danificar em demasia a superfície da base constituída por solos lateríticos.Considerações Sobre a Técnica Construtiva Uma camada de revestimento. . No caso de se utilizar emulsão RR – 2C. apesar de bem dosada. da menor dimensão do agregado da camada que recobrirá o ligante. o uso de tratamentos superficiais com emulsão RR-2C tem sido bastante recomendado. 100 agregados escolhidos aleatoriamente. Geralmente. A dimensão pode ser medida com paquímetro em.

e rolo tandem de 5 a 8 toneladas.29 40 13 9 . similar aos utilizados em tratamentos superficiais. composta exclusivamente por agregados de granulometria fina (pedrisco) e ligante betuminoso. Apresenta as seguintes características: .Textura com aspecto do doce “pé-de-moleque”. O pré-misturado denominado “Pé de Moleque” é espalhado sobre a base imprimada com o distribuidor de agregados rebocável (“spreader”). em uma camada de cerca de 0.4 % TABELA 18: Características Tecnológicas da Camada de Bloqueio “Pé-de-Moleque” .Elevado índice de vazios. GRANULOMETRIA DA CAMADA BETUMINOS A DE BLOQUEIO P ENEIRA Nº CURVA FAIXA DE TRABALHO 3/8” 100 100 4 55 50 .8 a 4. .3 Camada Betuminosa Pré-Misturada de Bloqueio: “Pé-de-Moleque” (PM) A camada de bloqueio executada sobre bases de argila laterítica é constituída por uma camada betuminosa pré-misturada usinada. de interligação entre a base e a camada de rolamento.5 cm de espessura e compactado com rolo de pneus de pressão variável. a quente ou a frio.Baixo teor de betume. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 97 Capítulo 5 5.3. daí a denominação. Essa camada não tem finalidade estrutural mas.17 80 6 3-9 200 4 2-6 P orce nta ge m de Liga nte Re come nda da : 3. além de inibir a propagação de trincas da base para o revestimento. .2.60 10 25 21 .Granulometria aberta. As características da mistura betuminosa “Pé-de-Moleque” acham-se na tabela 18.

As características desta mistura acham-se na tabela 19.98 Douglas F. deve-se tomar cuidados especiais na execução das juntas e no acabamento das sarjetas....Elevado teor de betume.3 % Estabilidade Marshall: ... 500 a 800 kg Fluência: ....... ...... A técnica construtiva dessa camada segue os critérios tradicionais.Camada compactada com textura superficial praticamente impermeável e elevada resistência à deformação.5 cm......19 200 7 5-9 Va lore s P rá ticos Re come nda dos pa ra a Ca ma da : Porcenagem de Ligante: ...............3....90 10 55 51 ..4 Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) Atualmente tem-se usado como camada de rolamento em pavimentos de baixo custo.12 a 16 (1/100”) TABELA 19: Características Tecnológicas da Camada de Revestimento Betuminoso .. revestimento betuminoso usinado a quente.... com espessura de cerca de 2.......... Antes da aplicação de um concreto betuminoso (CBUQ) sobre bases de SAFL.....59 40 27 23 – 31 80 16 13 ............ GRANULOMETRIA DA CAMADA DE CONCRETO BETUMINOSO P ENEIRA Nº CURVA FAIXA DE TRABALHO 3/8” 100 100 4 85 80 . 5..... A aplicação de CBUQ deverá ser efetuada com vibroacabadora..... ........ Villibor e outros 5...... com rolo de pneus e rolo tandem liso leve...7 a 6....... a compactação..... ALA e de Argila Laterítica.. O revestimento betuminoso usinado a quente apresenta as seguintes peculiaridades: ...... com o objetivo de melhorar a interface base/revestimento.. no entanto....Facilidade na execução de camadas delgadas...... de apenas 2..2.......... é recomendável a execução de uma camada anticravamento ou de bloqueio (TS ou Pé-de-Moleque).5 cm..

em concreto betuminoso usinado a quente. Camada Anticravamento (TSS) Execução de Tratamento Superficial Duplo Execução de Tratamento Superficial Duplo Execução de TSD .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 99 Capítulo 5 Detalhes do processo executivo da camada de revestimento. se encontram na figura 31.Processo Manual Revestimento de CBUQ CBUQ sobre Camada Anti-Cravamento FIGURA 31: Detalhes do Processo Executivo da Camada de Revestimento Betuminoso .

tais como: .Processos executivos inadequados. deficiência de dosagem e aplicação etc. . . provenientes da interface base-revestimento e do processo executivo. acarretando soltura e/ou escorregamento do revestimento ou mesmo corrugações. Villibor e outros 5. se encontram na figura 32.Interface base-revestimento deficiente por excesso ou falta de imprimadura asfáltica e ausência de camada anticravamento.100 Douglas F.3.2. superposição de agregados. CAUSA OCORRÊNCIA EVOLUÇÃO SERVIÇO Desagregação do Revestimento Reparo da Falta de Base Adesividade Desgaste do Falha de Revestimento Buraco ou Bico (TS) Panela REVESTIMENTO Oxidação do Correção do Ligante Revestimento Soltura do Revestimento Excesso de Ligante Exsudação de Material Escorregamento Betuminoso do Revestimento Correção da Exsudação Interface Superposição de Corrugação do Deficiente Agregado Revestimento Excesso de Agregado (TS) FLUXOGRAMA 8: Evolução dos Defeitos Dentre as ocorrências mencionadas. os defeitos que mais afetam a vida de um revestimento sobre bases de solos lateríticos são: .5 Considerações sobre Defeitos no Pavimento Devido às Deficiências do Processo Executivo do revestimento Os principais defeitos incidentes em revestimentos betuminosos esbeltos executados sobre bases de solos lateríticos estão ilustrados no fluxograma 8. . Detalhes dos defeitos.Tratamentos Superficiais: falha de bico. escolha inadequada de materiais etc.Concreto Betuminoso: oxidação do ligante por falha no processo de usinagem.

TSD Reflexão de Trincas Exsudação .Base SAFL Desagregação do Revestimento .TSD FIGURA 32: Detalhes dos Defeitos no Pavimento .TSD Desagregação do Revestimento .TSD Panela .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 101 Capítulo 5 Falha de Bico .

Villibor e outros .102 Douglas F.

1 Dimensionamento de Pavimentos de Baixo Custo 6. Paraná. especialmente nos Estados de São Paulo.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 103 Capítulo 6 Capítulo 6 Dimensionamento e Estudo Econômico dos Pavimentos de Baixo Custo 6. ou seja. adotado pelo DNER.1. O presente dimensionamento visa à utilização de solos lateríticos finos ou concrecionados locais. reduzindo. geralmente o Método de Dimensionamento da Prefeitura Municipal de São Paulo IP-04/2004 (para tráfego de leve e médio. as distâncias de transporte.1 Introdução Diante da necessidade de execução de pavimentos econômicos. vias locais e coletoras secundárias).1. 6.2 Métodos de Dimensionamento Para o dimensionamento das estruturas dos pavimentos utiliza-se em função do tipo de tráfego atuante na via. Bahia. foram desenvolvidas novas alternativas para a execução de pavimentos flexíveis e introduzidos novos conceitos e materiais. utilizados e especificados. Esses pavimentos foram denominados pavimentos econômicos ou de baixo custo. consideravelmente. e no método . O procedimento baseia-se no método de projeto de pavimento flexível de 1966 do Engº Murilo Lopes de Souza. portanto materiais existentes na região. Mato Grosso do Sul e Goiás. além de aproveitar melhor o solo do subleito natural como integrante da estrutura do pavimento.

para as quais é previsto o tráfego de caminhão e ônibus. utilizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo. observando-se um provável aumento de demanda em função do desenvolvimento da região. secundárias e locais. com função predominante de via coletora secundária.7 x 10 5 V1 via local residencial Leve 10 100 a 400 4 a 20 a 10 5 com passagem 1. com base nos critérios do modelo PAVIURB. caracterizada por um número “N” típico de 105 solicitações do eixo simples padrão (80kN) para o período de 10 anos. porém com o uso do ábaco de dimensionamento proposto originalmente pelo Corpo de Engenheiros do Exército Americano (USACE).1.4 x 10 5 V2 via coletora Médio 10 401 a 1500 21 a 100 a 5 x 10 5 secundária 6.Vias Coletoras Secundárias: Tráfego médio. VOLUME INICIAL DA TIP O FAIXA MAIS VIDA DE FUNÇÃO TRÁFEGO CARREGADA N N DE PROJETO PREDOMINANTE PREVISTO CARACTERÍSTICO VIA (ANOS ) VEÍCULO CAMINHÕES LEVE E ÔNIBUS (Via Secundária) 4 2. e na IP-02 da PMSP. ruas de características essencialmente residenciais. Villibor e outros do DER/SP (Projeto de Pavimentação .4 x 10 (Via Principal) 5 1.3 Tráfego Considera-se. caracterizada por um número “N” típico de 5 x 105 solicitações do eixo simples padrão de (80kN) para o período de projeto de 10 anos. . por faixa de tráfego. ruas de características residenciais. na faixa de tráfego mais solicitada. para efeito de dimensionamento de novos pavimentos. entre 4 (quatro) a 20 (vinte) por dia. 6. a classificação de vias em: principais.8 x 10 TABELA 20: Classificação das Vias e Parâmetros de Tráfego . conforme descrito a seguir e ilustrado na tabela 20.104 Douglas F.IP-DE-P00/001)). para as quais é prevista a passagem de caminhões ou ônibus em um número entre 21 (vinte e um) e 100 (cem) por dia.Vias Locais Residenciais: Tráfego leve. .

Na determinação do suporte do subleito. 30cm. reforços de pavimentos antigos ou de aproveitamento do leito existente. executada com solo selecionado com CBR $ CBR estatístico do subleito em questão. na espessura indicada no projeto.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 105 Capítulo 6 No presente método de dimensionamento. . deverá ser feita sua substituição por solo com suporte $ 10% e expansão # 2%. . A moldagem dos corpos de prova deverá ser feita com a energia de compactação correspondente.Para subleitos com solos que apresentam expansão superior a 2% e suporte CBR < 2%. . poderá ser realizada in situ.No caso de ocorrência de subleito com suporte < 2%. deverá ser considerado o valor do suporte do solo de empréstimo. em ambos os casos o solo selecionado apresente CBR $ 10% e expansão < 2%. em função do suporte (CBR ou Mini-CBR) como representativo de suas camadas. a saber: . no mínimo.Nos casos em que as sondagens indicarem a necessidade de substituição do subleito. . deverá ser feita a substituição do solo do subleito por uma camada de.1. e em locais em que o valor do CBRsl for inferior a 30% do valor do CBR estatístico. .No caso de vias com guias e sarjetas. . emprega-se o Ensaio Normal de Compactação de Solos ou o Ensaio Mini-MCV. considera-se que a carga máxima legal no Brasil é de 10 toneladas por eixo simples de rodagem dupla (100 kN/ESRD) 6. Recomenda-se que.A espessura do pavimento a ser construído sobre o subleito será calculada de acordo com o presente procedimento. a determinação do suporte do subleito (CBR ou Mini-CBR).4 Considerações sobre o Subleito A fim de orientar o projeto do pavimento são apresentadas algumas considerações sobre o subleito.

Tráfego Para efeito de dimensionamento da estrutura do pavimento. HSL. será fixada de acordo com o ábaco da figura 33. a espessura total básica do pavimento. em termos de material granular. Villibor e outros 6.Tráfego Leve: “N” típico = 105 solicitações .106 Douglas F.1.5 Dimensionamento da Estrutura do Pavimento .Espessura Total do Pavimento Definido o tipo de tráfego do pavimento e determinado o suporte representativo do subleito. o tráfego será caracterizado conforme indicado a seguir: . :::.

::                                      .

   .

.-. com espessura mínima (R) apresentada na tabela 21.1'5 #6!8) 6'  9: FIGURA 33: Ábaco de Dimensionamento .Tipo e Espessura da Camada de Rolamento O revestimento betuminoso será constituído por uma camada de Pré-Misturado a Quente (PMQ) ou Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ)./)0  )1//2#34'5 6) /7) /. !"# $ !%&'() *'"' +  .

... da sub-base e do reforço do subleito... (2) R x KR + B x KB + hSB x KSB + hREF x KREF $ HSL . (3) em que: KR..... Mini-CBRREF e Mini-CBRSL... seus coeficientes de equivalência estrutural e suas capacidades de suporte.. e fixada a espessura do revestimento (R). ou seja: da base.... sub-base (hSB) e do reforço do subleito (hREF) são obtidas pela resolução sucessiva das seguintes inequações: R x KR + B x KB $ HSB .... em termos de material granular. .. sub-base e do reforço do subleito.... KSB.. do Manual de Normas do DER/SP (seção 6. procede-se ao dimensionamento das espessuras das demais camadas.....5 TABELA 21: Espessuras Mínimas de Revestimento Pode-se aceitar revestimentos de macadame betuminoso com capa selante ou tratamento superficial triplo.......................... desde que as condições topográficas assim o permitam (rampas # 6 %).Espessura das Demais Camadas Uma vez determinada a espessura total do pavimento (HSL).. As espessuras da base (B).. traduzidas pelos respectivos valores de CBR ou Mini-CBR.. conforme exigências para as diversas camadas.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 107 Capítulo 6 TRÁFEGO TIP O DE REVES TIMENTO ES P ES S URA (c m ) P MQ 4............. (1) R x KR + B x KB + hSB x KSB $ HREF ...... em função de dificuldades executivas com rampas superiores a 6%..... KB. ..... CBRREF e CBRSL ou Mini-CBRSB. HSB... levando em conta os materiais disponíveis para cada uma delas. respectivamente...0 Le ve CBUQ 3... especialmente.04) e ábaco de dimensionamento IP-04. KREF representam os coeficientes estruturais do revestimento da base... A restrição aplica-se..... para materiais com valores de CBRSB... HREF e HSL representam espessuras fornecidas pelo gráfico do Anexo IV...

0 ≥ 15.0 −Estabilizadas Granulometricamente ≥ 80 ≤ 0. ESPESSURA (%) (%) (c m ) Reforço do −Solos Selecionados CBR REF > CBR SL ≤ 2.0 ≥ 15.0 −Argila Laterítica ≥ 12 ≤ 0.5 ≥ 15. CARACTERÍSTICAS CAMADAS TIPO CBR EXP . a critério do projetista.5 ≥ 15.5 ≥ 15.3 ≥ 15. sub-base e base utilizadas em pavimentos de baixo custo.108 Douglas F.0 Subleito −Estabilizadas Granulometricamente ≥ 30 ≤ 1.0 (Tráfego Médio) TABELA 22: Características das Camadas de Pavimentos de Baixo Custo . com suas espessuras mínimas e características de capacidade de suporte e expansão recomendadas. ou não. com exceção das camadas executadas com macadame hidráulico e/ou betuminoso.5 ≥ 10.0 Bases −Solo Laterita Agregado (SLAD) ≥ 50 ≤ 0.0 (Tráfego Leve) −Solo Laterita Agregado (SLAD) ≥ 80 ≤ 0. FIGURA 34: Esquema Elucidativo .Espessuras Mínimas e Materiais Recomendados para as Diversas Camadas do Pavimento A tabela 22 ilustra os diferentes tipos de camadas de reforço do subleito. A figura 34 ilustra um esquema elucidativo de uma estrutura de pavimento.0% ≥ 15. Villibor e outros A estrutura do pavimento deverá conter.0 −Solos Lateríticos in natura ≥ 40 ≤ 0. a sub-base.0 S ub-Bases −Solos Lateríticos ≥ 20 ≤ 1.

00 Base ou Revestimento de P ré-Misturado a Quente.20 Paralelepípedos 1.5 MPa 1. entre 2.Coeficientes de Equivalência Estrutural O coeficiente de equivalência estrutural de um material é definido como a relação entre as espessuras de uma base granular e de uma camada de material considerado que apresente o mesmo comportamento.40 Ba s e de S olo-Cime nto. menor que 2. CAMADA DO PAVIMENTO COEFICIENTE ESTRUTURAL (K) Base ou Revestimento de Concre to Be tuminos o 2. e ntre 2. apresenta comportamento igual ao de uma camada de 15 cm de base granular.00 TABELA 23: Coeficientes de Equivalência Estrutural Os coeficientes estruturais da sub-base granular e do reforço do subleito serão obtidos com as expressões: CBRSB CBRREF K SB = e K REF = CBRSL CBRSL . com coeficiente de equivalência estrutural igual a 1.1 e 2. com resistência à compressão aos 7 dias. com resistência à compressão aos 7 dias. com resistência à compressão aos sete dias.00 Base ou Revestimento de Concre to Ma gro / Pobre Rola do 2.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 109 Capítulo 6 .20 Base de Solo melhorado c/ cimento.00 S ub-Ba s e s Gra nula re s ou Es ta bilizadas com Aditivos Va riá ve l Re forço do Subleito Va riá ve l Ba s e de S olo-Cimento ou Brita com Cimento. são adotados os coeficientes de equivalência estrutural apresentados na tabela 23.5 MP a Base de BGTC.40 Base ou Revestimento Be tuminos o por Pe ne tra çã o 1.5.70 superior a 4.80 Base ou Revestimento de P ré-Misturado a Frio. de Graduação Densa/BINDER 1. com re s is tê ncia à compre s s ã o a os 7 dia s .8 e 4. Considera-se que uma camada de 10 centímetros de um material. de Graduação Densa 1.8 MP a 1. Macadame Hidráulico e Estabilizada Granulometricamente 1.1 MPa 1.00 Ca ma da de Is ola me nto ou Bloque io 1.00 Areia 1.00 Base de Brita Graduada. Para as camadas de pavimentos executadas de acordo com as instruções de execução da PMSP. 1.

abaulamento e rejuntamento dos paralelepípedos.75 2.82 2.95 1. .2 a 1.94 1. Dessas expressões. deverá ser considerado como se fosse igual a 30%.5 0. Quando pavimentos antigos.97 1.7 0.8 0.78 2.4 0.8 0.80 2.86 2.1 0.88 ≥ 3. forem beneficiados com revestimentos betuminosos.6 0.0 1.99 2. o valor do coeficiente de equivalência estrutural do pavimento existente.90 1. poderá variar de 1.83 2.6 Exemplos de Dimensionamento pelo IP-04 da PMSP/2004 EXEMPLO APLICATIVO Nº 01 Dimensionar o pavimento para uma via de tráfego leve. Mesmo que o CBR do reforço ou da sub-base seja superior a 30%.4 0.1.3 0.76 2.0 0. CBR REF e CBR SL são os suportes da sub-base. RELAÇÃO DE CBR K RELAÇÃO DE CBR K 1.9 0. sabendo-se que o subleito apresenta um CBRSL = 7%.7 0.110 Douglas F.2 0.96 1.5 0.9 0.2 0.8.72 2.85 2.1 0. resultam os coeficientes estruturais. em função das relações CBRSB/CBRSL e CBRREF/CBRSL. apresentados na tabela 24.98 1.91 1. em função do comportamento.3 0.6 0.00 TABELA 24: Coeficientes Estruturais em Função das Relações de CBR 6. Villibor e outros em que: CBR SB. reforço e subleito.92 1. de paralelepípedos. dispondo-se de material para reforço com CBRREF = 14%. para efeito de cálculo das relações anteriormente descritas.

atendendo. constituída de macadame hidráulico (M.0. Cálculo da espessura de reforço: Para CBRSL = 7% obtém-se com o ábaco da Figura 33: HSL = 33 cm Substituindo-se os valores na inequação (3): R x KR + B x KS + HREF x KREF ≥ HSL (3) .0 cm de macadame betuminoso (HMB = 5. portanto. A base será de tipo mista.0 cm e coeficiente estrutural kr = 1. Para CBRREF = 14% obtém-se pelo ábaco da Figura 33: HREF = 19 cm HREF = B x KB + R x KR 19 = B x KB + R x KR = B x 1 + 35 x 1.7 cm. H.) e macadame betuminoso (M.2 e 7 cm de espessura de macadame hidráulico (HMH = 7.0 cm > 12.8 B = 12. com a espessura mínima de 5.).0 cm).0 cm) com coeficiente estrutural HMH = 1.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 111 Capítulo 6 SOLUÇÃO TEÓRICA O revestimento será de pré-misturado a quente com espessura de 3. o valor mínimo.00 = 13. com coeficiente estrutural KMB = 1. B.7 cm Utilizando-se de uma base mista.2 + 7 x x 1. obtém-se a espessura de material granular para a base: B = KMB x HMB x HMH x HMH B = 5 x 1.8.

0 cm Macadame Hidráulico 7. Q.5 cm Macadame Betuminoso 5. Villibor e outros Em que: CBRREF K REF = = = 0.0 cm Reforço do Subleito (CBR = 11% ) 16.0 cm Obtem-se a espessura da camada de reforço (HREF): HREF = 15.2 + 7 x 1. sabendo-se que o subleito apresenta um CBRSL = 4% e que se dispõe de dois materiais para reforço com as seguintes características: Mistura solo-brita com CBRREF1 = 15% Solo selecionado argila vermelha com CBRREF2 = 8% CBR SL = 7% .00) + H REF x 0.7 cm Adota-se como HREF = 16 cm.87 ≥ 33. Portanto a estrutura proposta será: CAMADA ES P ES S URA P .8 + (5 x 1. 3. M.112 Douglas F.0 cm Subleito CBR = 7% EXEMPLO APLICATIVO Nº 2 Dimensionar a estrutura do pavimento para uma via de tráfego leve.87 CBRSL 3.5 x 1.

determina-se a espessura total do pavimento HSL: R x KR + B x KB + HREF1 x KREF1 + HREF2 ≥ H SL (3) Em que: R. respectivamente. respectivamente. base. as espessuras do revestimento. k REF1 e k REF2 são. Para CBR REF1 = 15% obtém-se pelo ábaco da figura 33: HREF1 = 18 cm . reforço superior e reforço inferior. respectivamente.8 e a base adotada será mista. obtêm-se os valores das espessuras das camadas de reforço HREF1 e H REF2. DIMENSIONAMENTO DO PAVIMENTO O revestimento será de pré-misturado a quente com espessura de 3cm com KR = 1. de macadame betuminoso (MB) e macadame hidráulico (MH). B. KB. KR. R x KR + B x KB ≥ H REF1 (1) R x KR + B x KB ≥ H REF2 (2) Da mesma forma. HREF1 e HREF2 são.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 113 Capítulo 6 SOLUÇÃO TEÓRICA Será adotado um reforço do subleito composto dos dois materiais disponíveis CBRREF K REF = K REF = = CBRREF CBRREF K REF = K REF = = CBRSL Em que: Com o ábaco da figura 33 e com os valores da capacidade de suporte das camadas de reforço CBRREF1 e CBRREF2. os coeficientes estruturais das referidas camadas.

6 cm em material granular Usando a espessura de 5 cm de macadame betuminoso (HMB) e sendo seu coeficiente estrutural KMB = 1.87 ≥ 48.2.8 + 13 x 1 + 13 x 0. obtém-se com o ábaco da figura 34: HSL = 48 cm Substituindo-se na inequação (3): 3 x 1.0 cm Substituindo-se na inequação (2): 3 x 1. Villibor e outros Substituindo-se os dados na inequação (1): R x KR + B x KB ≥ H REF1 (1) 3 x 1. com coeficiente estrutural KMH = 1: B = 12.6 HMH ≥ 6. utiliza-se a equação (2): R x KR + B x KB + HREF1 x KREF1 ≥ HREF2 (2) Para CBR REF2 = 8%.6 cm Adotando HMH = 7 cm: B = 6 + 7 = 13 cm em material granular Para a obtenção da espessura do reforço HREF1.0 cm Adota-se HREF2 = 22 cm .85 + HREF2 x 0.114 Douglas F. obtém-se com o ábaco da Figura 33: H REF2 = 29. tem-se a seguinte espessura do macadame hidráulico (HMH).6 .2 + HMH x 1 HMH ≥ 12.6 ≤ HMB x KMB + HMH x KMH 12.0 Adota-se HREF1 = 13 cm Para a obtenção da espessura do reforço H REF2 utiliza-se a equação (3): R x K R + B x KB + H REF1 x k REF1 + H REF2 x k REF2 ≥ H SL Para CBRBL = 4%.85 ≥ 29.8 + B x 1 ≥ 18 cm 6B ≥ 12.8 + 13 x 1 + HREF1 x 0.6 ≤ 5 x 1.

.Melhoria e preparo do subleito.) 7 cm Reforço do Subleito de Solo-Brita 13 cm CBR = 15% Reforço do Subleito de Argila Vermelha 22 cm CBR = 8% Subleito com CBR BL = 4% 6. M.Abertura de caixa. na espessura de 15. Macadame Betuminoso (MB) ou Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). .) 5 cm Macadame Hidráulico (M. de pavimentos alternativos com custos inferiores aos tradicionalmente empregados. . utilizando-se bases convencionais constituídas por materiais pétreos e bases de solos lateríticos in natura e/ou misturas com agregados.Camada de base. a estrutura proposta será: CAMADA ES P ES S URA Pré-misturado a Quente (P.) 3 cm Macadame Betuminoso (M.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 115 Capítulo 6 Portanto. Tratamento Superficial Triplo (TST). H.Imprimadura impermeabilizante.Transporte do reforço numa distância de 5 km.Execução de uma camada de reforço do subleito. consideraram-se os seguintes itens: . com solo selecionado. .0 cm. Para o estudo econômico de implantação de diversos tipos de pavimentos. por parte de algumas prefeituras. .Revestimento asfáltico. podendo ser Tratamento Superficial Duplo (TSD). .2 Pavimentos de Baixo Custo O grande déficit de pavimentos urbanos e a falta de recursos financeiros levaram à adoção. .0 cm. na espessura de 15. B. Q.

69 Brita Gra d u a d a S im p le s CONVENCIONAIS 8.06 13.19 10.60 S AFL 2.31 7.96 12.11 7.31 7.16 6. CUSTO TOTAL DO PAVIMENTO POR METRO QUADRADO (US $ /m²) P re ço Unitário TP U DER/S P De z.62 10.36 10.71 5.36 TABELA 26: Incidência do Custo do Revestimento nos Custos de Pavimentação .116 Douglas F. com bases convencionais e bases de solos lateríticos.67 16. pode-se verificar que o revestimento tem custo relativamente elevado na composição de preço do pavimento chegando.56 14.28 15.67 13.97 10.88 ALA 25% ALTERNATIVAS 2. constam os custos para a implantação dos diferentes tipos de pavimentos.40 Brita Gra d u a d a S im p le s 28% 44% 64% 92% 8.87 9.71 5.72 (US $/m²) S AFL 98% 154% 221% 321% 2.53 7. CUS TO DO REVES TIMENTO/(CUS TO DA BAS E + INFRAES TRUTURA) (%) REVES TIMENTOS (US $/m²) TS D TST MB CBUQ (e =2c m ) (e =3c m ) (e =4c m ) (e =3.137 REVESTIMENTOS (US $/m²) TS D TST MB CBUQ BAS ES (e =2c m ) (e =3c m ) (e =4c m ) (e =3.72 (US $/m 2) Ma c a d a m e Hid rá u lic o 7.5c m ) INFRAES TRUTURAS 2.88 5.47 11.08 S o lo -Cim e n to 8% 7.71 10.5c m ) INFRAES TRUTURAS 2. Va lor do Dola r na Mesma data = R$2.37 3.40 4.37 3.25 6.59 8. Villibor e outros Na tabela 25. a superar o custo de execução das camadas de reforço do subleito e base./2006.97 S LAD 50% 4.72 12. para alguns tipos de pavimento. e os diversos tipos de revestimentos asfálticos e seus respectivos custos.12 NOTAS : 1) Espessuras Bases e Reforços do SubLeito = 15 cm 2) Distância de Transporte da Base e do Reforço = 5 km 3) Os preços da s bases inclue m o preparo do Subleito e o Transporte TABELA 25: Composição de Custos de Diferentes Tipos de Pavimentos Com valores constantes nas tabelas 25 e 26.25 9.33 11.77 6.

RELAÇÃO DO CUS TO P ARA DIVERS OS REVES TIMENTOS TS D TST MB CBUQ REVES TIMENTOS (e =2c m ) (e =3c m ) (e =4c m ) (e =3. . HIDRÁULICO / S AFL 2. Para revestimentos mais nobres e espessos. Portanto. é extremamente interessante e vantajosa para Prefeituras de pequeno porte.71 5.55 TABELA 27: Relação entre Custos de Pavimentos com Bases de SAFL e Macadame Hidráulico Observa-se que o custo de implantação de um pavimento convencional com base de macadame hidráulico e TSD é mais do que o dobro do custo de um pavimento alternativo com base de SAFL e TSD. a diferença de custos também é bastante significativa.37 3.17 1.31 7.5c m ) 2.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 117 Capítulo 6 A tabela 27 ilustra um estudo comparativo de custos entre pavimentos convencional (base de macadame hidráulico) e alternativo (base de solo arenoso fino laterítico). pois possibilita a execução praticamente do dobro da área pavimentada com os mesmos recursos financeiros. se ocorrer a substituição de bases convencionais por bases com solos lateríticos.91 1.72 1. com os mesmos tipos de bases mencionadas anteriormente.72 MAC. a adoção de pavimentos com solos lateríticos para vias de tráfego muito leve.

118 Douglas F. Villibor e outros .

Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL) .Utilizar bases de solo laterítico-agregado dos tipos: SAFL in natura. a saber: . ou com mistura de brita (SLAD). por meio da discussão de questões pertinentes. Solo Argiloso Laterítico e Areia (ALA) .2 Perguntas e Respostas 1ª Questão: O que é “pavimento de baixo custo”? Segundo Nogami e Villibor. os conceitos fundamentais que norteiam o uso adequado das bases para os pavimentos de baixo custo. cujos custos de execução são substancialmente menores do que . 7. Solo Laterítico e Agregado de Granulometria Descontínua (SLAD) .1 Introdução Neste capítulo será enfocado. o uso de bases alternativas executadas com materiais que contêm fração significativa de solos finos lateríticos. os pavimentos de baixo custo são caracterizados por: . especificamente.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 119 Capítulo 7 Capítulo 7 Fundamentos para o Uso de Bases Alternativas 7. Argila Laterítica Em seu desenvolvimento serão apresentados. ou com mistura de areia (ALA).

Villibor e outros as convencionais.Possui menos de 10% de fração retida na peneira de 2.5cm.120 Douglas F. de tipo médio com Nt # 106 solicitações do eixo simples padrão de 80kN e. . FIGURA 35 . predominantemente. Analisando a seção recomendada. tecnologicamente. . . para pavimento urbano. com espessura limitada a 3 cm.Considerar um tráfego rodoviário.Seção Transversal Recomendada (sem escala). A figura 35 exemplifica uma seção transversal típica de um pavimento urbano de baixo custo com base de SAFL ou ALA.00 mm (nº 10). verifica-se que é aconselhável que o revestimento superponha a sarjeta em 5. no máximo.3. constituída. leve e médio caracterizados no item 6. solo-cimento etc .Utilizar revestimento betuminoso como tratamento superficial. a base deve ser finalizada no nível da borda da sarjeta. de grãos de quartzo. tais como: brita graduada. tabela 20. como Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL) aquele que satisfaz as seguintes condições: . 2ª Questão: Quais as conceituações adotadas para Solo Arenoso Fino Laterítico e Solo Argiloso Fino Laterítico? Conceitua-se. ou CBUQ ultra esbelto com espessura inferior a 2.075 mm (nº 200). macadame hidráulico. tráfego dos tipos muito leve. Para ter um acabamento perfeito.1. Isso auxilia a compactação.0 cm.Possui mais de 50% de fração retida na peneira de 0. para não haver infiltrações na base.

ainda. o que pode ocasionar confusões conceituais.005mm) caracterizada por conter elevada porcentagem de óxidos e hidróxidos de Fe e Al contendo como argilo-mineral quase exclusivo. como Solo Argiloso Fino Laterítico aquele que satisfaz as seguintes condições: . Concreções Lateríticas (popularmente designados de Canga. Tapiocanga.Pertence à classe de solos de comportamento laterítico e a um dos grupos LA. a ocorrência de solo laterítico argiloso.00 mm (nº 10). é designado pela sigla ALA e pode ser usado como material para execução das bases de ALA. além do quartzo. LA’ e LG’.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 121 Capítulo 7 .Pertence à classe de solos de comportamento laterítico e ao grupo LG’ da Classificação Geotécnica MCT. também.075 mm (nº 200) que pode conter. constituídos de elevada porcentagem de fração retida na peneira de 2. Pelo exame de mapas geológicos e pedológicos disponíveis verifica-se. quando misturado com areia e devidamente dosado. tecnologicamente. 3ª Questão: Onde ocorrem os solos lateríticos no Brasil? Levando em consideração os mapas geológicos e pedológicos para determinar a área provável de ocorrência de SAFL. estima-se que ocorra em 57% do seu território e que muitas dessas ocorrências podem ser utilizadas para execução de bases de pavimentos de baixo custo. a potencialidade de ocorrência do SAFL e de solos argilosos em . Esses materiais foram designados de Solos Lateríticos nas normas do DNER/DNIT. Piçarra etc).Possui menos de 50% de fração retida na peneira de 0.00 mm. . no caso do Estado de São Paulo. a caolinita. óxidos e hidróxidos de Fe. Tanto os solos lateríticos arenosos como argilosos têm a fração argila ( <0. também é grande. Conceitua-se.Possui menos de 10% de fração retida na peneira de 2. Al e Ti. . o qual. da Classificação Geotécnica MCT (DER/SP ME 60-91 e DNIT-CLA-259/96 ). No Estado de São Paulo. Houve a necessidade de apresentar no meio técnico brasileiro as designações e conceituações acima descritas para evitar que os Solos Laterítico Fino fossem confundidos com os Pedregulhos Lateríticos ou Cascalhos Lateríticos ou.

a figura 1 (Capítulo 2) ilustra.4 Bahia 700 0.2 x 10 6 Tabela 28: Dados Aproximados da Extensão e da Área com Base de SAFL no Brasil (2005).5 Mato Grosso do Sul 1200 0.6 Distrito Federal . Com o. Villibor e outros áreas fora do Estado de São Paulo. Goiás.8 (Brasília ) Goiás 600 0.8 Paraná 1800 2. a localização das vicinais e das cidades que possuem pavimentos com base SAFL. Esses solos são adequados para o uso promissor de bases de solo-agregado fino e SAFL in natura ou em misturas (ALA). O mapa da figura 5 (Capítulo 3) ilustra as ocorrências de solos de comportamento laterítico argiloso (AL) e as áreas de solos arenosos lateríticos (SAFL) que podem ser usadas para base de SAFL ou de mistura tipo ALA. no mapa do Estado de São Paulo. Particularmente. tais como na Bahia. verifica-se a grande área de ocorrência de solos de comportamento laterítico (cerca de 85% da área total do país). 4ª Questão: Qual a extensão das rodovias e das áreas de vias urbanas de pavimentos de baixo custo com uso de SAFL? A tabela 28 indica a extensão e a área desses pavimentos executados até 2005. 0. 0. Mato Grosso. Mato Grosso do Sul. P AVIMENTOS P AVIMENTOS ES TADOS RODOVIÁRIOS URBANOS [km ] [m 2 ] x 10 6 Acre .3 São Paulo 8000 6. entre outros. .122 Douglas F.8 TOTAIS 12300 12. Paraná.

Tráfego: O tráfego preconizado deve abranger os tipos leve e médio. O termo agregado é utilizado para designar todo material resistente e inerte retido na peneira de 0.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 123 Capítulo 7 5ª Questão: Qual a conceituação de bases de solo-agregado fino? A terminologia adotada neste livro é aquela apresentada na Tropicals’85. seja ele natural (areia) ou resultante da britagem de pedra. em cuja constituição há. solos-agregados natural e artificial. segundo Köppen: . . Temperatura: média anual acima de 20º C. obrigatoriamente. . além de agregados.Cwa – quente com inverno seco.Clima: As características climáticas da região devem atender: Tipo Climático. devem ser atendidos os requisitos abaixo para garantir o sucesso do pavimento: . .00mm). devidamente compactada. Essa conceituação engloba as bases dos tipos SAFL (Solo Arenoso Fino Laterítico) e ALA (mistura Argila Laterítica e Areia).Aw – tropical com inverno seco. a presença da argila laterítica em sua parte fina (que passa na fração 0.2. 6ª Questão: Quais os tipos de tráfego e características climáticas em que as bases de solo agregado fino (SAFL e ALA) podem ser usadas? Além da escolha criteriosa de solos SAFL e mistura tipo ALA para bases e sua execução adequada.1 e 5. para a qual as bases constituídas de solo-agregado fino são conceituadas como mistura natural ou artificial que. . A parte fina da mistura é a fração que passa por essa mesma peneira (#0.2. cujo histórico e desenvolvimento acham-se apresentados no Capítulo 5. da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos (ABMs). gera bases granulares finas (50% de agregado retido na peneira de 0.075 mm e 100% passando na peneira de 2. respectivamente.Cwb – temperado com inverno seco. item 5.2 sendo.075mm).075 mm) e deve ter característica laterítica (argila laterítica).075 mm de abertura. devendo atender os limites especificados na questão 1.

Deve pertencer à classe de solos de comportamento laterítico da Classificação Geotécnica MCT (grupos LA. visando ao seu aproveitamento como jazidas de SAFL para bases? As ocorrências naturais de SAFL (vide jazidas das figuras 37 e 38). retida na mesma.2. quando compactado na energia intermediária do Mini-Proctor e na umidade ótima (Hot).Ter granulometria que permita a aplicação da Metodologia MCT. item 5.2 a saber: .2. valores das propriedades mecânicas e hídricas. apresentarem os requisitos indicados nos itens 5. isto é. uma porcentagem máxima de 10%. e 5.800 mm e tipos subúmido e úmido. LA’ e LG’).3 O critério para a verificação do comportamento laterítico. assim como das propriedades dos solos para uso em bases é.000 a 1. .3 ALA – Tabela 8.1.2. Villibor e outros Condições Hídricas: precipitação pluviométrica anual média de 1. 8ª Questão: Quais são as peculiaridades. . além das condições climáticas e de tráfego recomendadas para esses tipos de base.2.00 mm de abertura ou ter.Apresentar. . potencialmente interessantes das ocorrências naturais. indicadas a saber: SAFL – Tabela 5. item 5. apresentam uma série de peculiaridades: .2.124 Douglas F. tecnológico. cortes etc. aproveitáveis para pavimentação de baixo custo. deve passar integralmente na peneira de 2. A camada vegetal pode ser usada como material orgânico para o plantio de vegetação destinada à proteção de aterros. de pequena espessura (inferior a 1 m). 7ª Questão: Quando um SAFL e uma mistura ALA são apropriados para uso em bases de pavimentos? Quando. essencialmente.Localizam-se junto à superfície do terreno e são capeadas com uma camada de terra vegetal.1.

00 mm. As figuras 37 e 38 (10ª Questão) ilustram duas ocorrências de jazidas da SAFL. . 9ª Questão: Qual o critério de dosagem de uma mistura ALA? Pelo fato de a granulometria. há necessidade de se usar procedimentos laboratoriais para a identificação desses solos. Nas variedades mais arenosas do tipo SAFL identificadas pela presença dos inconfundíveis grãos de areia de quartzo (no SAFL) e ausência freqüente de camadas bem delimitadas ou anisotropias aparentes (acamamento. o limite de liquidez e o índice de plasticidade não serem os fatores mais importantes para a escolha de solos-agregados em que entram componentes peculiares das regiões tropicais. com altura explorável de aproximadamente 6 metros. amarelo e suas combinações) e existência de trincas e torrões bem desenvolvidos.As condições de drenagem são geralmente excelentes. integralmente. grandes espessuras (acima de 5 m) e se estende por centenas de metros quadrados. freqüentemente. Isso constitui uma exigência necessária para a evolução pedológica do seu comportamento. com as unidades pedológicas constantes de mapas publicados no Brasil. Excepcionalmente. não se pode utilizar os critérios tradicionais de dosagem de solos-agregados. também pode ser o próprio corte da rodovia. xistosidades. na designação antiga). marrom. mosqueamento etc). Grande parte dos solos SAFL utilizados são de textura média. pois se caracterizam pela sua cor (vermelho. limitando a solos- agregados os que passam. Villibor e Serra (1987) propuseram uma metodologia para a finalidade considerada. uma arenosa e outra argilosa. Predominam ocorrências pertencentes ao grande grupo latossolo e argisolo (podzólico ou pozolizado.Correlação. quando ocorrem partes expostas. Para a finalidade.Facilmente identificáveis pelo exame visual-táctil expedito. Objetivando solucionar esse problema. na peneira de 2. Nogami.A camada aproveitável atinge. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 125 Capítulo 7 . geralmente muito boa. recomenda-se utilizar o seguinte roteiro: . . ou cuja fração nela retida corresponda a uma porcentagem considerada desprezível.

10ª Questão: Qual a relação entre o Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL) e Argila Laterítica Areia (ALA) e a Técnica Construtiva das suas bases? . Caso seja LG’.2. pela metodologia MCT. aos ensaios da metodologia MCT e verificar se atendem os requisitos do item 5. misturá-lo com areia (ou solo LA) nas porcentagens de 20. 30 e 40%. apresentam curvas granulométricas descontínuas que não se enquadram nas Especificações das Bases Estabilizadas Granulometricamente do DNER. No entanto. deve-se considerar. geralmente. outros fatores que interferem no custo global da base. segundo a classificação MCT c) Submeter as misturas estudadas e que foram selecionadas. b) Classificar pela metodologia MCT as três misturas e lançá-las no gráfico classificatório da MCT. FIGURA 36 – Áreas satisfatórias e recomendadas para os solos agregados. sempre que possível.126 Douglas F. na escolha final da mistura. As misturas ALA. Escolher. menor custo de exploração das jazidas e menor custo de transporte. escolher a mistura ALA que se enquadra na condição desejável da tabela 8. as misturas que se localizam no interior da área hachurada da figura 36.2. em peso de areia. Villibor e outros a) Classificar o solo a ser usado.3 d) Critério de dosagem: sempre que possível. a saber: facilidade de execução.

III e IV e. que pode ser natural (pedregulho de cava ou laterita concrecionada) ou artificial (pedra britada). II. Um dos critérios de dosagem para a obtenção da mistura final é realizado através de três tentativas. 45 e 50%. LA’ ou LG’. Cada uma dessas misturas deve ser submetida aos requisitos estabelecidos no subitem . Para obter essa informação deve-se: localizar os diversos solos potencialmente interessantes. FIGURA 37 . Caso sejam disponíveis várias fontes igualmente interessantes para a execução das bases.2. DER/SP). recomenda-se escolher aquela(s) que apresente(m) menores problemas construtivos.1.Aspecto de uma jazida de SAFL do Tipo IV – Arenosa (LA). plotá-los no Gráfico da Classificação MCT para obter os tipos I. Essa mistura é conceituada.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 127 Capítulo 7 Para a execução das bases referidas deve-se utilizar jazidas que permitam garantir uma maior homogeneidade do solo a ser utilizado na execução da base. também. com diâmetro máximo inferior a 25mm. em relação ao peso total.4. 11º Questão: Qual o critério de dosagem de uma mistura para base descontínua de Solo Laterítico e Agregado (natural ou britado) SLAD? A base designada como SLAD é constituída por uma mistura de solo laterítico e agregado graúdo. e a segunda Areno-Argilosa (LG’). como solo agregado graúdo e apresenta uma granulometria descontínua que não se enquadra nas Especificações das Bases Estabilizadas Granulometricamente tradicionais (DNER. da Classificação Geotécnica MCT. em seguida. I – Argilosa (LG’).Aspecto de uma jazida de SAFL do Tipo FIGURA 38 . com porcentagens variáveis da fração do agregado em 40. conforme descritos no item 5. que ligam a relação entre as bases e a sua técnica construtiva. sendo a primeira Arenosa (LA). O SAFL ou o ALA deve pertencer a um dos grupos seguintes: LA. As figuras 37 e 38 ilustram jazidas de SAFL dos Tipos IV e I. verificar os requisitos indicados na figura 18.

Villibor e outros 5. especialmente em determinados solos das áreas III e IV e. pois pode provocar a formação de corrugações e lamelas. geralmente. que não permitem. Nesses casos. podendo levar ao aparecimento de lamelas. em lugar de melhoria. seguir até que não haja mais penetração das “patas” do equipamento e completar com rolo de pneus (ou corrugado vibratório). recomenda-se que sejam feitos segmentos experimentais para determinar a densidade a ser especificada. preferencialmente. a camada inferior da base fica com uma densidade relativamente baixa. na impossibilidade. e o acabamento. é desaconselhável mais que duas coberturas.2. 12ª Questão: Quais os cuidados para fazer a compactação e acabamento das bases de SAFL e ALA? A compactação deve ser iniciada. Para compensar e obter uma densidade média. com liso vibratório.128 Douglas F. em lugar do 100% do Proctor intermediário original. para evitar a tendência de formação de lamelas. Dentre as misturas aceitáveis deverá ser adotada. preferencialmente. como solução mais econômica. . provocado pelo uso excessivo dos equipamentos de compactação. se necessário. com o rolo “pé de carneiro de patas longas”. A tentativa de obter a densidade especificada produzirá uma camada lamelada e estruturalmente fraca. Quando isso ocorrer e as bases forem de SAFL ou ALA. a compactação deverá ser executada somente com rolo pneumático de pressão variável (SP 12. Nas bases de SAFL ou ALA há certos materiais. Porém. na pista. Não deve ser permitido o uso de rolos de “patas curtas” porque. a compactação deve ser conduzida até atingir uma densidade limite. dentro das especificações. em menor escala. Ainda.3. nos da área II. deverão ser feitos. A insistência na compactação desses materiais. caia para 95% ou até 92%. o executor tentará obter uma densidade alta na parte superior da base. com rolo de pneus de pressão variável ou. somente são recomendados os rolos compactadores com patas de superfície plana. A complementação do grau de compactação.000 ou similar). quando se começa com ele a compactação. principalmente os de tipo II e IV. para muitos solos da área IV. aquela de menor porcentagem de agregado. leva a prejuízos. acima da qual apareceriam as lamelas na superfície da base. Não é raro que a especificação.3. a obtenção da densidade preconizada pelo laboratório.

porque esse material ficaria com uma ligação frágil com o corpo da base. vindo a desprender-se com o tráfego. tanto quanto possível. Nas bordas. do seu estado de compactação e do material utilizado na imprimação. O material cortado deverá ser posto fora da pista. em uma espessura (profundidade) que varia em função das diversas características intrínsecas do solo.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 129 Capítulo 7 Deverá ser tomado especial cuidado com a compactação das bordas do pavimento que. quais sejam: . a penetração da água que porventura se infiltre pelo revestimento. nesses pavimentos. isenta de irregularidades. com motoniveladora. levando ao aparecimento de defeitos. muitos dos aspectos serão novamente apresentados e melhor detalhados nessa questão.Proporcionar aderência entre a base e o revestimento. 13ª Questão: Quais funções. técnicas construtivas e o critério de dosagem (tipo e taxa) uma imprimadura impermeabilizante deve atender para ser usada sobre bases de SAFL e ALA? Esse assunto foi desenvolvido no item 5. . mas.3. . por sua grande importância no comportamento dessas bases. em muitos casos. logo após um ligeiro umedecimento. O acabamento da base deverá ser feito exclusivamente em corte. A imprimadura asfáltica. tem funções bem definidas. formando lamelas ou lâminas finas de material. são negligenciadas. a) Funções da imprimadura asfáltica impermeabilizante: A imprimadura consiste na aplicação de uma camada contínua de material asfáltico diluído (CM-30 ou CM-70) sobre a superfície da base concluída. O preenchimento das falhas (ou complementação da espessura) é proibido. quando não houver sarjeta. que tem por objetivo permitir a penetração da imprimadura na superfície da base. A lâmina da motoniveladora deverá estar em perfeitas condições de fio e de desgaste.Impermeabilizar a base evitando. a base deverá ser cortada a 45º e imprimada também nesse corte.

c) Recomendações sobre a técnica construtiva As recomendações construtivas mais importantes ligadas à imprimação são: .8 a 1. b) Critério de dosagem da imprimadura impermeabilizante (tipo e taxa) É possível. 2) Penetração entre 4 e 10 mm: asfalto diluído CM-30 e temperatura de aplicação 30ºC. no mínimo. Com a evaporação do solvente.2 l/m2.Taxa e tipo de material betuminoso: com a espessura da penetração média. ao formar nela um solo betume. irrigá-la levemente com 0. Villibor e outros . infiltra na base e permite que a parte residual (betume).0 a 1. 9 furos executados com talhadeira na superfície.0 a 1. utilizar asfalto diluído CM-70 com viscosidade Saybolt-Furol de 80 a 100s obtida a 40ºC.0 l/m2 .Bases com solo tipo III ou IV taxa: 1. além de proporcionar uma ligação adequada com o revestimento asfáltico. conforme as etapas a seguir: .Esperar a imprimadura curar por 48 horas e medir sua espessura de penetração na base através de.130 Douglas F.8 l/m2. na taxa de 1.8 a 1. 3) Nos casos em que a penetração for superior a 10 mm.4 l/m2. a superfície da base fica impregnada de betume (produzindo um “solo betume”) e permanece impermeabilizada o quanto possível. . tem-se que atender às seguintes recomendações: 1) Penetração inferior a 4 mm: asfalto diluído CM-30 e temperatura de aplicação 30ºC.Bases com solo tipo I ou II taxa: 0. efetuar a imprimação com asfalto diluído CM-30. .Após 15 minutos. com uma das taxas indicadas abaixo: . . . na taxa de 0. experimentalmente. penetre convenientemente na sua superfície.Utilizar asfalto diluído CM-30 ou CM-70 (asfalto diluído com querosene) o qual.Após a secagem da base. por apresentar baixa viscosidade. em uma temperatura entre os limites de 30 e 50°C. dosar o tipo e taxa da imprimadura sobre um segmento da ordem de 100 m.Aumentar a coesão da porção superficial da base.0 l/m 2 . obtida no campo.

durante a rolagem dos agregados. A Preencher Trincas Revestimento Agregados Impermeabilizar B Solo Betume Solo Betume Base Penetração ideal da Sub-Base Imprimadura de 5 a 8mm Base Sub-Leito Figura 39 . Impermeabilização da Base e Penetração. tanto quanto possível. abaixo da ótima.Para que o fenômeno ocorra. O umedecimento. . além disso. Somente após essas etapas é que se deve imprimar a base com a taxa e o tipo de imprimadura indicados em projeto. do Agregado da Primeira Camada do Tratamento. indicadas a seguir: . causado pela infiltração da água. não deve danificar a superfície da base pela ruptura frágil de sua superfície.A imprimadura deve permitir a formação de um “solo betume” pela penetração do asfalto na camada superficial (cerca de 1cm) da base para impermeabilizá-la. Devem ser seguidas as recomendações construtivas adicionais. iniciar a compactação da base com a umidade ótima e. seu final. deve penetrar e preencher. em seguida.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 131 Capítulo 7 . .0 l/m2. especialmente quando se tratar de tratamento. a impermeabilização da base. A execução da camada de rolamento. no Solo-Betume. .Após esse procedimento deve-se realizar uma irrigação leve com taxa de água entre 0. as trincas de contração da camada da base.Face à possibilidade da grande perda de umidade (constatada no campo).Formação do “Solo-Betume”.5 e 1. uma varredura enérgica (vassouras rotativas e/ou jatos de ar comprimido). conseqüentemente. com o objetivo de eliminar toda a poeira e material solto em sua superfície. facilita a conveniente penetração da imprimadura e. A figura 39 ilustra esse processo. é necessário que a imprimação da base seja precedida de uma secagem prévia e.

fatalmente. toda a camada de revestimento betuminoso. antes do período das chuvas. como o descolamento do revestimento. com a utilização de asfalto diluído CM-30 ou CM-70 (asfalto diluído com querosene) o qual. através de varredura e/ou jato de ar comprimido.Evitar a superposição de faixas de irrigação na fase de compactação. Logo após a imprimação com emulsão. provocaria escorregamento. novamente. Com a evaporação do solvente.8 a 1. Villibor e outros . bases de SAFL foram imprimadas com aquele ligante. Na ocasião. . 14ª Questão: O que ocorre quando se imprime uma base de SAFL com emulsão betuminosa? A imprimação deverá ser efetuada. além de proporcionar uma ligação adequada para tratamentos superficiais que vier a receber. . onde. Entre os insucessos com o uso da imprimação com RR-1C ressalta-se o ocorrido. a base deverá ser irrigada. para evitar a formação de lamelas e impregnação com a imprimadura o que.Após a secagem. Para a surpresa dos executores. recomendada em projeto. por exemplo. com taxa em torno de 0. impermeabilizada tanto quanto possível. A imprimadura nunca deverá ser executada com o solo saturado por chuva ou eventual excesso de irrigação. Após o ocorrido. no primeiro período chuvoso de uso do pavimento. obrigatoriamente. por apresentar baixa viscosidade. . após a execução. os autores deste livro foram consultados e prescreveram para a correção: retirar a camada de revestimento existente. apenas ocorrência de pequenos defeitos. toda a camada de rolamento se desprendeu da base. imprimar com CM-30 e executar. foi executada. levemente. a fim de evitar sua saturação. assim.0 l/m². a camada de revestimento com tratamento superficial. . infiltra na superfície da base e permite que a parte residual (betume) penetre convenientemente nela. pela emulsão RR-1C.132 Douglas F. substituiu-se a imprimação com CM-30. por desconhecimento técnico dos executantes. dar novo acabamento na base.Eliminar toda e qualquer partícula solta na superfície da base.Fazer acabamento da base sempre em corte. Observou- se. a superfície da base permanece impregnada de betume (produzindo um “solo betume”) e fica. em uma cidade do Estado de São Paulo.

. aplicar cimento na base à taxa de 8% em volume. espessuras e materiais recomendados para locais onde sejam disponíveis solos lateríticos.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 133 Capítulo 7 15ª Questão: Quais são as estruturas típicas para pavimentos de baixo custo com base de solo-agregado (SAFL. Determina-se somente a espessura do reforço do subleito. Tabela 20. POSIÇÃO SAFL OU MISTURA ALA NO GRÁFICO DE CLASSIFICAÇÃO MCT TRÁFEGO* LG’ e LA’ ÁREAS I e II LA e LA’ ÁREAS III e IV V1 P e ne tra çã o dupla e imprima dura Seções idênticas às das áreas I e II com um V2 m acréscimo: N a té Nas faixas de 1m de largura 10 5 junto às sarjetas. *** N o ca s o de trá fe go s upe rior a10 6 (mé dio) s uge re-s e o us o pre fe re ncia l de S LAD s e m anticravamento. geralmente de mesma origem ou até da mesma jazida do material da base. A espessura da base não é “dimensionada” mas fixada. FIGURA 40 – Pavimentos Urbanos para as Regiões de Solos Lateríticos. como o mesmo material do restante da base i i i * Classificação das vias. ** hr .04 do Manual de Norma s e/ou PMSP-MD-01. s e çã o 6. são mostrados na figura 40. 1m i i V 3: CBUQ ou TST + selante N Imprimadura + camada típico: anticavamento 5x10 5 m Solo-cimento ou solo-brita com cimento. que é também executado com solo laterítico. Essas recomendações baseiam-se na experiência acumulada e desempenho observado nos pavimentos construídos. ALA e SLAD)? As estruturas típicas. espessura do reforço do subleito calculada segundo método de dimensionamento do DER -S P .

deixando livre o betume e provocando exudação. O sucesso dessa técnica pode ser comprovado na cidade de Araraquara(SP).134 Douglas F. sobre a imprimadura. 2º Caso . os dos tipos III e IV conduzem a bases pouco coesivas podendo resultar. para um tráfego com N > 5x106 solicitações do eixo padrão. ocorre a penetração do agregado do revestimento na base. Villibor e outros 16ª Questão: Quando se usa a Camada de Proteção (antitravamento) sobre uma base de SAFL ou ALA? A camada antitravamento consiste na aplicação.Revestimento de Tratamento Superficial (TS): Os solos dos tipos I e II. consequentemente.Camada de Revestimento Usinado Tipo CBUQ ou PMQ: Nestes revestimentos. Quando isso acontece. em uma superfície muito frágil. o revestimento se solta e o agregado penetra base adentro. devido aos esforços horizontais do tráfego e à fraca ligação da interface base-revestimento. Dois casos podem ser considerados. pode ocorrer o escorregamento dos mesmos sobre a base. onde podem ser vistos (figura 41) pavimentos urbanos executados sobre base de SAFL. Outra situação. se a camada antitravamento não for executada. . antes da execução da camada sobrejacente. A execução da mesma tem-se mostrado muito eficaz para evitar tal penetração. Em especial. de um tratamento superficial simples invertido (TSS). o agregado da primeira camada do revestimento (TSS) rompe a superfície da base. conforme o tipo de revestimento a ser utilizado: 1º Caso . Os pavimentos são usados há mais de 20 anos. ocorre quando o tráfego excede alguns limites. mesmo após a imprimadura. utilizando tratamento superficial simples (camada antitravamento) e posterior recobrimento de CBUQ. para os solos dos tipos III e IV. quando não existe camada de proteção. da Classificação Geotécnica MCT. cresce muito a probabilidade da ocorrência do escorregamento. em que a camada considerada é necessária. conduzem a bases coesivas. logo durante a sua rolagem. A experiência atual mostra que.

Aspectos de Pavimentos com Base de SAFL.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 135 Capítulo 7 FIGURA 41 . é indispensável para o sucesso do pavimento. Pavimento com Base de SAFL. FIGURA 42 . Camada Antitravamento e Recobrimento de CBUQ.Trecho Araraquara a Gavião Peixoto. objetivando garantir a aplicação adequada de materiais. bem como o uso de procedimentos construtivos apropriados. em vários trechos de estradas onde se previa N > 5x106 solicitações. Camada Antitravamento e Revestimento de CBUQ (Araraquara/SP) Também. após mais de 20 anos de uso. o uso desta técnica resulta em um excelente comportamento. Para . como mostra a figura 41. 17ª Questão: Como deve ser executado o controle tecnológico das bases de SAFL e ALA? O acompanhamento tecnológico da execução.

a serem confrontados com os valores especificados no projeto. eixo. 18ª Questão: O que explica o bom comportamento das bases que. in situ.Determinação do teor de umidade. em sua constituição. em corpos de prova correspondentes à massa específica aparente seca máxima e umidade ótima da energia intermediária (ou de outra energia fixada após trechos experimentais). ALA ou SLAD)? . Para a finalidade em vista. .Determinação da massa específica aparente úmida.Contração axial. recomenda-se a execução do seguinte programa de ensaios: . para solos com propriedades conhecidas e/ou rodovias de trânsito relativamente leve. podendo ser utilizada. 40 m de pista. . e do respectivo teor de umidade com espaçamento de.Ensaios da metodologia MCT.Determinação. . . a cada 40m. das seguintes propriedades: . Os valores máximos e mínimos de amostragem. têm pelo menos uma fração de solo laterítico fino (SAFL. no máximo.Classificação MCT. por exemplo. com o uso das fórmulas adotadas pelo DNER e pelo DER/SP. devem ser calculados de acordo com os critérios adotados no controle estatístico de materiais. por uma equipe treinada adequadamente.Mini-CBR com imersão e expansão. em amostras com espaçamento máximo de 200 m. borda esquerda.136 Douglas F.Mini-CBR sem imersão. em pontos obedecendo à ordem: borda direita. . a alternativa seguinte: . é necessário executar uma quantidade mínima de ensaios. imediatamente antes da compactação. Villibor e outros isso. Resultados satisfatórios têm sido obtidos.

ou com pequena fração retida na peneira de 2.Baixa expansibilidade pelo contato com a água livre.Características mecânicas e hídricas dos solos lateríticos finos que entram na constituição de todas as bases mencionadas (comportamento peculiar dos finos lateríticos). . a ocorrência do amolecimento de toda a estrutura da base. ALA e SLAD Essas bases são constituídas por solos de granulometria descontínua (predominantemente sem. Quando compactadas na Massa Específica Aparente Seca Máxima (MEASmáx) da energia modificada. revestidas com tratamentos asfálticos superficiais duplos ou triplos esbeltos (1 a 3 cm). a maior preocupação dos responsáveis pela sua construção era a possibilidade de que. que permitem aproveitar as peculiaridades do ambiente tropical úmido. em especial. da ordem de 0. a) Características Mecânicas e Hídricas dos Finos Lateríticos das Bases de SAFL. o que causaria sua ruptura.1%. os defeitos esperados não ocorreram. . e com fração grossa na SLAD) e índices tradicionais (LL e IP) fora dos limites fixados pelas especificações tradicionais para bases. sendo. com o CBR (ou o Mini-CBR) às vezes ultrapassando 100% (valor esse considerado prerrogativa das bases de brita). Os principais fatores que contribuíram para isso foram: . O tempo mostrou que tal preocupação não era necessária pois.Elevada capacidade de suporte. além do esperado.00 mm no caso de SAFL e ALA. apresentam as seguintes características: . freqüentemente superior a 200 MPa (2000 kg/cm2). . predominantemente. quando obtidas da retroanálise de deformadas (vide L. tanto em amostras compactadas em laboratório quanto no campo e. mesmo. durante o período chuvoso.Projeto e técnica construtiva específicos desses pavimentos. no início do uso das bases citadas. . Os pavimentos tiveram um comportamento excepcional. 1998). Alvarez Neto e outros. tendo alguns ultrapassado 30 anos de bom desempenho.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 137 Capítulo 7 Em meados de 1972. apresentassem defeitos.Elevado módulo de resiliência.

os grãos são muito pequenos (da ordem de milionésimo de mm).laterítica . funcionam. revestidas com tratamentos superficiais e/ou pré-misturados esbeltos. várias camadas de solo saprolítico (resultante da ação das intempéries sobre a rocha. A figura 3 do Capítulo 3 mostra o perfil de um corte rodoviário em que ocorrem. grãos de areia e. Quando ensaiados pela sistemática MCT. nitidamente. . correspondente a um argilo-mineral da família das smectitas (ou da montmorillonita). cristais em forma de folhas associadas. que se caracteriza pela sua elevada expansibilidade na presença da água livre.percebe-se. uma camada de solo fino laterítico e. das duas camadas em consideração. em relação à do Proctor Intermediário. b) Projeto e Técnica Construtiva Específicos Os pavimentos construídos com as referidas bases.138 Douglas F. peculiares às rochas sedimentares. Villibor e outros Essas características das bases compactadas são resultantes das peculiaridades mineralógicas e microfábricas inerentes aos solos finos (fração que passa na peneira de 2. durante prolongado tempo. Quando ensaiados pela sistemática MCT. mesmo por técnicos não especializados.00 mm) conhecidos como lateríticos (na linguagem geotécnica) e que. constituídos externamente por óxidos e hidróxidos de Fe e Al que. estes solos pertencem à classe de comportamento laterítico (Solos L). quando secos. durante sua formação. herdando ainda macrofábricas da rocha matriz que. preenchendo os vazios intergranulares. uma forma erosiva característica desta parte do corte.saprolítica . na superfície natural do terreno. no talude. geralmente. Pela análise das microfábricas. foram submetidos a processos pedogenéticos de laterização . levam-nas a trabalharem com uma umidade de equilíbrio baixa. subjacente. na parte: . Este tipo de solo saprolítico gera. . entre 70 e 80% da umidade ótima. formando uma fábrica conhecida como “pipoca” ou “esponja”. no caso. Por exemplo. como um cimento natural e se coalecem. além de serem pouco expansivos em contacto com a água. o que dá um aspecto de bucho de vaca. esses solos pertencem à classe de comportamento não laterítico. ( Solos N). pode-se notar diferenças facilmente perceptíveis. é formada por camadas plano-paralelas).

como sob a forma de vapor. comparativamente às bases tradicionais. o que favorece a subida do vapor d’água. Tal gradiente térmico. tanto sob a forma de vapor. .Projeto e técnicas construtivas apropriadas.Condições climáticas típicas das regiões tropicais úmidas. enquanto a temperatura no subleito mantém-se próxima de 25ºC. por si só. sobretudo. ao longo do tempo.Gradiente térmico predominante nas regiões tropicais. FIGURA 43 – Fatores que Alteram a Umidade de Equilíbrio em Bases de SAFL. ocasiona o movimento descendente da água. Ao anoitecer e durante a noite. . comparado com aquele que aparece durante um dia ensolarado. geralmente ocorre inversão do gradiente.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 139 Capítulo 7 Isso. tanto de dia como de noite. A figura 43 ilustra a movimentação de água no pavimento e vizinhança. tanto sob a forma líquida. onde o pavimento é aquecido intensamente durante o dia. Porém esse gradiente é muito menor. em uma rodovia (no caso de via urbana. quando o revestimento é de pequena espessura). Isso leva a uma umidade de equilíbrio baixa. cabe ressaltar: . sem apresentarem maiores problemas. e se estabelece um gradiente caracterizado pela alta temperatura no revestimento betuminoso e no topo da base (que chega atingir 60º C. Contribuem para essa umidade de equilíbrio: . Dos fatores naturais. leva as bases a aumentarem o seu suporte inicial e a resistirem adequadamente ao tráfego. não ocorrem as infiltrações laterais d´água). quanto sob a líquida.

na camada subjacente de reforço do subleito ou do subleito compactado. com taxa apropriada.140 Douglas F. podendo a água subir para a base e provocar a formação de gelo. havendo necessidade de utilizar. . Villibor e outros Em climas frios e temperados frios. O fato indica uma coesão adequada do solo e garante um comportamento satisfatório da base em serviço. sucessivamente. tanto sob a forma líquida quanto sob a vapor.Escolha apropriada do solo laterítico fino in natura. no caso das bases de ALA e SAFL. nos quais ocorrem a precipitação da água sob a forma de neve. naqueles climas. e dosagem das misturas ALA e SLAD com características lateríticas de sua fração fina similares às do SAFL. sendo muito freqüente casos em que elas aparecem a mais de 10m de profundidade. A presença de camadas aqüíferas e lençol freático. . a capacidade de suporte e módulo de resiliência nas condições saturadas ou muito próximas dessa condição. conforme as especificações próprias para esses tipos de base.Imprimadura betuminosa apropriada das faces superior e lateral da base. Evidentemente. a movimentação da água sob a forma líquida é inversa. no caso de SAFL. uma série de compactadores apropriados para evitar a formação de lamelas e estruturas anisotrópicas plano- paralelas. as mais importantes são: .Outro fator favorável é a posição do lençol freático e das camadas aqüíferas. ocasionando a embebição da base. raramente ocorre a menos de 3m. para que o gradiente térmico seja efetivo na redução do teor de umidade da base de pavimentos de revestimento betuminoso delgado. e ter viscosidade que permita uma penetração entre os intervalos de 3 e 6 mm de espessura. . . Ela deve ser distribuída. e um aumento benéfico da penetração na superfície da base. A secagem também permite uma movimentação descendente da água. mas. o que provoca o trincamento e um aumento irreversível da sua capacidade de suporte. é indispensável uma série de condições das quais.Compactação apropriada da base. . o que explica a necessidade de se considerar. nunca. não só em termos de massa específica aparente seca máxima e teor de umidade de compactação mas também quanto à sua estrutura. Esse gelo derrete durante a primavera.Secagem ou cura da base.

obrigatoriamente.5m abaixo do nível do subleito e para eliminar o efeito da migração de água causada pelo gradiente térmico. É recomendável que a primeira etapa comece por um tratamento superficial (de preferência do tipo penetração invertida) e uso de um ligante adequadamente escolhido. existentes nas regiões em que ocorrem os solos arenosos finos lateríticos. com largura mínima de 1. há necessidade da construção de drenos interceptantes para aqüíferos permanentes ou periódicos (aparecem somente na estação chuvosa) e drenos para rebaixamento do lençol freático. disponíveis para a sua construção. executar as guias. sobretudo solos. pela ASTM e AASHTO). a profundidades superiores a 5 metros (freqüentemente atingem mais de 10 m). devidamente compactado. o qual deve estar a. . a fim de evitar. foram fundamentados em solos e condições ambientais de climas temperados a frios. no mínimo. ao máximo.Revestimento flexível com textura o mais impermeável possível. Geralmente as condições ambientais.Acostamento sempre presente. imprimado e revestido. são excepcionalmente favoráveis quanto à posição do lençol freático: prevalecem. sarjetas e calçadas. geralmente adotados nos organismos rodoviários brasileiros. 19ª Questão: Por que não se recomenda o uso de critérios tradicionais para o estudo dos solos para bases de SAFL.Drenos apropriados para evitar a influência do lençol freático. .20 m. concretos asfálticos do tipo fechado e flexível. para recapeamento.No caso de pavimentos urbanos. a penetração da água pela superfície do pavimento. ou granulometricamente (também designado de Solo- Agregado. ALA e SLAD? Os critérios tradicionais para o estudo de bases estabilizadas mecânicamente. Conforme o caso. constituído de solo de baixos coeficientes de sorção e de permeabilidade. além de tratamento. . 1. Em etapas posteriores.Natureza peculiar dos materiais. Dois aspectos principais devem ser considerados no projeto de bases de pavimentos nas regiões tropicais: . pode-se usar. . lençol freático e camadas aqüíferas.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 141 Capítulo 7 .

que.Natureza peculiar do ambiente em que as bases e sub-bases de pavimentos ficam sujeitas ao clima tropical úmido. mesmo após essas correções. Por outro lado. ALA e SLAD.142 Douglas F.Relativa pobreza de materiais granulares naturais que satisfaçam integralmente às especificações tradicionais. entre outras propriedades. de várias granulometrias. 20ª Questão: Quais são as peculiaridades do comportamento dos pavimentos com bases de SAFL. ou das misturas de solos-agregados. muitos solos lateríticos que não atendem aos critérios tradicionais de granulometria e de propriedades índices podem ser apropriados para bases. Villibor e outros . freqüentemente. Quando a escolha dos solos. . Fracassos freqüentes ligados a esse mau desempenho acontecem. após um período de mais de 20 anos de exaustivos estudos de laboratório e de campo com solos lateríticos e saprolíticos. Verificou-se que esses fracassos estavam ligados a baixos valores de suporte e do módulo de resiliência. quando o solo contém elevada porcentagem de macrocristais de caulinita e micas. por possuírem elevado CBR. várias dificuldades ocorrem.Necessidade de onerosas correções na granulometria e nos índices plásticos dos solos. sobretudo. conforme os conceitos expressos no livro “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos” (1995) e em muitos outros trabalhos técnicos dos autores sobre a tecnologia do uso das bases de SAFL. para uso nas regiões tropicais é elaborada com base em critérios desenvolvidos para regiões de climas temperados e frios. destacando-se: . nos solos tropicais típicos designados de saprolíticos. Foram essas dificuldades que levaram os autores deste livro. baixa expansão e elevado módulo de resiliência. a propor a Sistemática MCT que abandona os critérios tradicionais. Esses minerais têm sido encontrados. ALA e SLAD? As principais peculiaridades do comportamento destes pavimentos são: . muitas vezes não apresentam bom desempenho como base de pavimentos.

A figura 46 ilustra a base de SAFL em uma faixa adicional experimental da Washington Luiz. Figura 44: Engº Fernando Custódio Verificando o Comportamento da Base de SAFL na Faixa Adicional Experimental da Washington Luiz.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 143 Capítulo 7 . que durante 7 anos foi submetida a um elevado número de solicitações de veículos pesados. com expulsão lateral de solo. constatada no campo e em laboratório. Essa ruptura é caracterizada pela excessiva deformação da superfície da base. Após esse período. salvo em locais onde o nível d’água está a menos de 1 m de profundidade. recoberta de uma camada de binder (6cm) e uma de rolamento (4cm). a Washington Luiz foi recapeada. ambas de CBUQ. com os resultados do ensaio de suporte (CBR. Visualmente. mostrando a inexistência de qualquer nível de deformação transversal nas rodeiras e ausência de trincas no revestimento. mostrando elevados suporte e módulo de resiliência. duplicada e a faixa adicional experimental transformada em acostamento.Ausência de ruptura na base: A ruptura na base não tem ocorrido a não ser em casos especiais. Mini-CBR) e da determinação dos módulos de resiliência conforme a Tese de Doutoramento de Villibor (1981). verifica-se na figura 46 o comportamento excepcional dessa base que permaneceu íntegra e sem deformações. . Esse fato confirma a elevada capacidade de suporte da base de SAFL. Nogami e Villibor (1995). Observe-se que a régua metálica acha-se perfeitamente nivelada sobre a camada de rolamento. mesmo com essa condição extrema de tráfego.

tanto ao esmagamento quanto à ação das intempéries. também. A reflexão dessas trincas em blocos (TB). na superfície da pista.Contribuição estrutural da base: As “bacias” (ou linhas de influência) obtidas com uso da viga Benkelman têm acusado. . geralmente. com espessura inferior a 2 cm.Baixa deflexão e elevados raios de curvatura: Os valores das deflexões. . situam-se entre 20 a 60 x 0. com certa freqüência.Ausência de saturação (de água) na base: As determinações da umidade efetuadas. .Trincas de contração: O desenvolvimento de trincas nas bases referidas é uma constante que tem sido observada desde a fase de execução e resulta na formação de “blocos”. Os raios de curvatura da bacia deflectométrica. formas que indicam. considerando que a camada de revestimento betuminoso usado é. o que mostra o bom comportamento dessa base em relação as camadas de brita. têm sido relativamente elevados para uma base aparentemente homogênea. nas variedades menos coesivas das bases em questão. entretanto.01 mm quando se usa carga de 80kN por eixo. só excepcionalmente. as “panelas” têm um desenvolvimento bastante rápido. obtidos com a viga Benkelman.Evolução de “panelas”: Em alguns trechos. obtidos em bases de SAFL. teoricamente. . geralmente. para tratamento superficial. Os níveis deflectométricos. deslocamento do ponto de máxima deformação). provisoriamente. Os desvios padrão das deflexões. Outra peculiaridade de muitas “bacias”. Villibor e outros . tem ocorrido com maior freqüência nos acostamentos e. um módulo de elasticidade maior das camadas superficiais (valor da relação de módulos: de 2 a 5). No caso de SAFL e ALA. têm sido relativamente baixos. pelo uso de agregado. correspondente à energia intermediária. do revestimento ou. são superiores a R ≥150m. contendo fragmentos pouco resistentes. Atribui-se. o trincamento das mesmas é bem mais intenso do que nas bases de SLAD. na superfície do tratamento superficial. essa peculiaridade ao efeito do trincamento da base e às variações do teor de umidade.144 Douglas F. Isso é causado por falhas na execução da imprimadura. do tipo tratamento superficial. é a de apresentarem formas semelhantes às dos pavimentos com base de solo-cimento (irregularidades de curvatura. devido à ação do tráfego. . revelam que os valores do teor de umidade na base têm-se mantido abaixo da ótima de compactação.

sendo essa uma das vantagens desse tipo de base. . como é exigido na tecnologia do uso das bases de SAFL e ALA. não há ocorrência desse tipo de defeito. nos trechos em cortes. resultante da operação de preparo do subleito. devidas ao excesso de ligante betuminoso e recalques diferenciais. Valores da tensão superiores a 50 centibares são constatados com freqüência. sobretudo. porém. têm sido executadas com recapeamento ou. No caso do SLAD. Os referidos recalques são observados.0 cm. as intervenções em seu revestimento. onde não se utilizou reforço do subleito e a base restante é de cerca de 15. mas a várias outras causas. de grande raio de curvatura e pequena amplitude. em relação ao SAFL e ALA no caso de solos pouco coesivos. com maior freqüência. atribuíveis à deficiências no subleito.ET-DE-P00/001). . colapsível à saturação decorrente. ou tratamento superficial adicional. Na região de ocorrência de SAFL. o solo natural do subleito é. Em parte. valores próximos a zero nunca foram encontrados. Somente ocorre esse defeito quando o solo das bases é do grupo LA e não se executa a camada anticravamento (de tratamento simples). Nos pavimentos com base de SAFL.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 145 Capítulo 7 Esse fato tem sido confirmado pela determinação da tensão de sucção da base. por causa da interface base-revestimento que se apresenta extremamente rugosa devido à existência de agregados em sua superfície. freqüentemente. da deficiência de drenagem superficial. que foi executado segundo a instrução de “Melhoria e Preparo do Subleito ” (DER-SP .Defeitos Construtivos e de Projeto: Alguns defeitos constatados nos pavimentos com base de SAFL não estão ligados à natureza do solo. mesmo nos casos em que o revestimento era bastante delgado (≤ 15 mm). a peculiaridade está ligada à irreversibilidade do teor de umidade dos solos lateríticos após secagem. quando ele é de tratamento superficial. com o uso de tensiômetros de aplicação direta. destacando-se pequenas ondulações na camada de revestimento betuminoso. devido ao término da sua vida. . rejuvenescimento com aplicação de lama asfáltica.Escorregamentos do revestimento betuminoso: Em solos atendendo às especificações já preconizadas para SAFL e ALA não foram constatados escorregamentos do revestimento betuminoso sobre a base.

para maiores esclarecimentos. 5 veículos comerciais por dia. para que essa não venha a se soltar por causa dos esforços horizontais impostos pela ação do tráfego. 1995) e “Pavimentação de Baixo Custo com Solos Lateríticos” (Nogami e Villibor. Fortes. 22ª Questão: Solos arenosos pouco coesivos. em bases de pavimentos de baixo custo? Sim. A tecnologia de escolha deste tipo de solo ainda não está normalizada. a leitura de “Características e Desempenho de Segmentos com Base de Argila Laterítica. também.0 cm. Os procedimentos de execução são extremamente particularizados e não serão discutidos neste livro. é necessário que exista uma ligação perfeita entre a base e sua camada de rolamento. 1995). Cuiabá” (Villibor. Normalmente. Este tipo de base foi utilizado em alguns subtrechos rodoviários no Estado de São Paulo. estão em uso desde 1980 e apresentam comportamento satisfatório. porém somente para tráfego muito leve. que não satisfazem as condições adotadas para bases de SAFL. no máximo.” Anais ABPv. 29ª Reunião Anual. Entretanto. estas bases são executadas com solos mais coesivos e designadas como “bases de argila laterítica”. no trecho 1º de Maio a Sertanópolis.146 Douglas F. Anais ABPv. com predominância de veículos de passeio e com. Nogami. Tonato. em uma extensão de 20 km. Recomenda-se. Porque esses revestimentos. .5 a 3. geralmente. no Estado do Paraná. Estes pavimentos são altamente econômicos. com mais de 3 milhões de m2 implantados. com elevados valores de CBR. Um exemplo marcante do uso de bases de argila laterítica compactada é encontrado nos pavimentos urbanos executados nas regiões de Jaú e Ribeirão Preto (SP). como no acesso à Usina Zanin (Araraquara). “Pavimentação Urbana de Baixo Custo com Base de Argila Laterítica. os critérios são bastante diferenciados dos utilizados para a escolha dos SAFL. podem ser usados para base de pavimentos? Os pavimentos com base de SAFL são revestidos por camada de rolamento esbelta com espessura na faixa de 1. Villibor e outros 21ª Questão: Podem ser usados solos argilosos finos lateríticos. são constituídos de tratamento superficial invertido. 24ª Reunião Anual – Belém (Villibor e Nogami. 1990). na cidade de Viradouro e.

não propiciam uma aderência adequada da camada de rolamento. provavelmente durante a execução do seu revestimento. pela ação do tráfego e. desde que não ocorram chuvas. padrão de 2 a 3 mm de largura e placas na superfície com dimensões da ordem de 20 x 30 cm. abaixo do revestimento. porém ainda aceitável. na superfície da base. origina-se a ruptura da superfície. visível na superfície da base.1 e 0. através do ensaio de contração da MCT. Por exemplo. Já nos solos que apresentam coesão. a superfície da base “estilhaçará”. Em laboratório essa coesão é correlacionada com o ensaio de contração. pela ligação perfeita da interface base-revestimento. mesmo em rampas fortes . é necessário que o SAFL tenha coesão caracterizada. Nesse caso. por exemplo. O padrão de trincamento é caracterizado pela largura das trincas e pelas dimensões das placas. coesão média da base. a superfície também deverá receber uma imprimadura impermeabilizante adequada. indica bases coesivas. integrante da metodologia MCT e o solo compactado deverá apresentar valores de contração entre 0. geralmente. Outro diagnóstico de solos extremamente arenosos e com baixa ou nenhuma coesão é obtido após a base ser imprimada e com a ocorrência de uma penetração da imprimadura.0 a 2. gerando o pó escuro referido.2 a 0.5%. formando um pó escuro (solo+betume). depois de curada. ou quando ele estiver em serviço. após três dias da conclusão de sua execução. Na prática. o solo arenoso fino apresentará uma coesão satisfatória. há aderência perfeita entre a camada de rolamento e a base.0 cm. da ordem de 1. possuem coesão baixa e. bases com largura da trinca inferior a 1.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 147 Capítulo 7 Para que o problema não aconteça. responsável. No entanto. Além da coesão. a constatação da coesão do material pode ser inferida com auxílio do padrão de trincamento. como a camada superficial da base não tem uma deformação compatível com o esforço.8 cm.0 mm e placas de metro em metro. Nesse caso. A explicação para o problema é que há o cravamento do agregado do revestimento na superfície da base. por isso. Nesse caso. gerará uma interface base revestimento resistente e seu revestimento não se soltará com os esforços provocados pelo tráfego. padrão de 1 a 2 mm e placas de 40 x 40 cm. esse fenômeno não ocorre e a penetração da imprimadura é de 0.

todas as características mecânicas e hídricas do solo. Villibor e outros com inclinações da ordem de 8%. também pavimentada. Essa crença levou a muitos insucessos. alguns projetistas julgavam que o importante era o solo apresentar um elevado valor de CBR e usavam. pode haver um aumento excessivo no teor de umidade da borda da pista do pavimento. Atualmente. no período chuvoso.20 metro de cada lado da pista. para a base. ALA ou SLAD)? Sim. sobre bases de SAFL. cujas propriedades mais . Não há escorregamento da camada de rolamento quando o solo apresenta coesão adequada. 23ª Questão: O acostamento é essencial nos pavimentos rodoviários com base de solo agregado com finos lateríticos (SAFL. escolhidos pelo seu alto índice de suporte. os solos extremamente arenosos e pouco argilosos. uma faixa de proteção de 1. no mínimo. devido aos escorregamentos do revestimento sobre a base. pois devem ser analisadas. o critério de escolha de solos para bases não privilegia somente o valor de suporte. é necessário ter acostamentos pavimentados ou. além disso. pouco coesivas.148 Douglas F. também. No início do uso das bases de SAFL. segundo os critérios de escolha de solos para bases de SAFL. Figura 45 – Deslocamento e Escorregamento do Revestimento Betuminoso em Bases de SAFL Pouco Coesivas. O aumento é explicado pelo fenômeno da infiltrabilidade. do tipo LA. que trata da movimentação da água em meios não saturados. A figura 45 mostra o escorregamento de camadas de revestimento (seguido de descolamento). As bases de SAFL podem ser muito erodíveis em sua borda e.

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 149
Capítulo 7

importantes são dadas pelo coeficiente de sorção e pela velocidade da frente de
umidade que conduz a água para as rodeiras do pavimento.

A observação de vários trechos já executados mostrou ser imprescindível
a existência do acostamento, ou faixa de proteção mínima de 1,20m de cada
lado, para evitar deformações indesejáveis nas rodeiras da rodovia e conduzir,
assim, a um comportamento adequado durante a vida de projeto.

Quando, por motivos econômicos, forem executadas em ambos os
lados da borda da pista as faixas de proteção, elas deverão ser estabilizadas
com cimento ou outro aditivo adequado para dar maior resistência à erosão
por água livre, aumentar o confinamento das bordas da base e diminuir a
sorção pelas bordas do pavimento.

As Figuras 45 e 46 ilustram dois trechos: um sem acostamento, com
drenagem deficiente, apresentando deformação no rodeiro externo e, outro,
com acostamento e drenagem apropriada.

Figura 45 – Trecho de Pavimento de Baixo Custo com Base de

SAFL, Sem Acostamento e com Má Drenagem.

Figura 46 - Trecho de Pavimento de Baixo Custo com Base de

SAFL, com Acostamento e Boa Drenagem.

24ª Questão: O que explica o bom comportamento dos pavimentos de baixo
custo com bases de SAFL, ALA e SLAD revestidas com Tratamentos Superficiais?

150 Douglas F. Villibor e outros

O bom comportamento dos pavimentos é conseqüência da interação
das contribuições das bases e dos tratamentos superficiais.

Contribuição das Bases: quando as bases forem executadas com
solos, ou misturas de solo agregado que satisfazem as especificações
prescritas no corpo deste livro e os acostamentos (ou as faixas de proteção)
foram adequados, o bom comportamento das bases é conseqüência.

Contribuição do Tratamento Superficial: o uso desse tipo de
revestimento apresenta um comportamento altamente satisfatório,
porque:

- Não aparece o fenômeno do escorregamento entre o revestimento e
a base, pois a ligação destas duas camadas por meio da imprimadura
impermeabilizante e de um pequeno cravamento (do agregado do
revestimento na base) cria condições para uma aderência perfeita
entre essas camadas.

- Não aparece o fenômeno da fadiga, provocado pelas tensões de
tração geradas pelas cargas repetitivas de tráfego, pois, nesse tipo
de revestimento, somente são geradas tensões de compressão.

25ª Questão: Qual o período de vida das bases e dos revestimentos
(constituídos de tratamentos superficiais) em pavimentos executados com
bases de solo agregado com finos lateríticos?

Até o presente, pode-se afirmar, com segurança, que tais bases têm
um período de vida superior a 25 anos e nada indica que o limite não possa
superar os 30 anos.

A experiência mostra que a durabilidade da camada de revestimento
betuminoso, constituído de tratamento superficial, pode ser estimada com
segurança, em 8 (oito) anos para os tratamentos duplos e em 10 (dez) anos
para tratamentos triplos, quando bem executados. Todavia, às vezes, o
tratamento triplo é mal executado em decorrência, sobretudo, de inadequado
entrosamento entre suas camadas constituintes.

26ª Questão: Quando usar Solo Laterítico Agregado Descontínuo
(SLAD) ou Solo Arenoso Fino Laterítico (SAFL)?

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 151
Capítulo 7

Nas bases de SLAD os grãos maiores (graúdos) da mistura da fração
retida na peneira de 2mm, acham-se disseminados na massa da fração fina
que passa, geralmente não ocorrendo contato entre seus grãos. Em função
disso, não há contato entre os grãos graúdos e não é formado, portanto,
um arcabouço estrutural entre eles.

Nessas bases, é obrigatório que o solo da fração fina apresente,
após a compactação, características mecânicas e hídricas nos intervalos
recomendados, similares aos das bases de SAFL in natura. Portanto, o
comportamento dos dois tipos de base (SLAD e SAFL) está intimamente
ligado ao comportamento laterítico da fração de silte + argila que passa
na peneira de 0,075mm, o qual condiciona a resistência inicial das bases
e a manutenção da estabilidade das mesmas, ao longo do tempo, quando
submetidas às solicitações das cargas repetitivas do tráfego e às condições
ambientais mais adversas.

Surge a pergunta básica: Quando se usa uma base de SLAD, que é,
de maior custo, em relação à de SAFL?

As bem definidas vantagens do uso das bases de SLAD são as
seguintes:

a-) Pelo elevado suporte das bases de SLAD, bem superior ao das
bases de SAFL, deve-se usá-las sempre que o tráfego for elevado
(caracterizado por N ≥ 5 x 106 solicitações).
Nelas, há possibilidade de se compactar a mistura no campo com
energia elevada, por exemplo do Proctor Modificado, sem causar
supercompactação.
Já as bases de SAFL, geralmente, só podem ser compactadas
adequadamente na energia do Proctor Intermediário, para evitar
a ocorrência de lamelas construtivas por supercompactação,
produzindo bases com menor suporte do que as de SLAD.
A figura 47 mostra uma base de SLAD com revestimento de CBUQ
esbelto (3cm).

Além disso. do SLAD. Isso resulta numa estrutura. Detalhe da Camada de Rolamento sobre a Base. c-) O processo executivo da base de SLAD é mais fácil do que o da base de SAFL. pode-se usar rolo vibratório liso. a presença do agregado na massa dificulta a formação de lamelas construtivas durante o processo de compactação. . Villibor e outros Figura 47 – SLAD com SAFL do Grupo LA’ sem Contato entre os Grãos Maiores que se Acham Disseminados na Massa do SAFL. os blocos da estrutura da base de SLAD. ou seja. mais travada quanto à movimentação de seus blocos estruturais. A figura 48 ilustra uma mistura in situ. b-) A presença do agregado graúdo na mistura funciona como um “alongador de massa” das bases. assim como as trincas entre os blocos das primeiras são menores do que as da segunda. são maiores do que os das bases de SAFL. formados devido às trincas de contração. para a execução da base de SLAD. de agregado de quartizio e SAFL. sem muitos problemas.152 Douglas F. Na execução do acabamento da primeira.

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 153
Capítulo 7

Figura 48: Processo de Mistura de um Agregado Graúdo de Quartizio com um SAFL do Grupo LA’, Cor

Vermelha, em um Trecho Rodoviário.

d-) Devido à ocorrência de agregados graúdos na superfície da base, a
qualidade da interface revestimento/base de SLAD é superior àquela
da base de SAFL, em especial para solos dos tipos III e IV.
Não há necessidade, portanto, da execução da camada de tratamento
superficial anticravamento, antes da execução do revestimento das
bases de SLAD. Pode-se usar, diretamente, camada de rolamento
de CBUQ sobre a base de SLAD, qualquer que seja o solo laterítico
fino usado na constituição da mistura.

e-) No caso de vias urbanas de tráfego médio, a vantagem da base
de SLAD é que, por apresentar uma boa aderência revestimento/
base, não ocorrem escorregamentos do revestimento, mesmo para
tráfego de ônibus. Já no caso de tráfego muito leve a leve, pode-se
usar base de SAFL, com os cuidados que sua tecnologia exige.

27ª Questão: Quais defeitos têm ocorrido no revestimento de
tratamento superficial utilizado em pavimentos com base de SAFL, ALA e
SLAD? Quais os motivos de sua ocorrência?

154 Douglas F. Villibor e outros

Os defeitos que têm ocorrido no revestimento de tratamento superficial
sobre base de SAFL, ALA e SLAD são, muitas vezes, inerentes ao próprio tipo
do revestimento, mas alguns tipos de defeito associam-se à própria base.
Nesta resposta serão considerados os defeitos no tratamento mais ligados
às peculiaridades das bases de SAFL, a saber:

a) Ondulações na Camada de Rolamento, devido às “Lamelas” na Base

As lamelas de uma base de SAFL e ALA podem ser provocadas por três
fatores diferentes, isoladamente ou em conjunto:

a.1) Superposição de uma camada de pequena espessura (< 5,0
cm), sobre outra já compactada. Isso pode ocorrer na fase de acabamento
quando, depois de cortar a base, verifica-se que há locais onde falta
material. Não podem ser preenchidos com solo porque, fatalmente, causarão
defeitos. O acabamento da base deve, obrigatoriamente, ser em corte e,
durante a compactação, deve-se evitar o acerto de camadas finas com
motoniveladora.

a.2) Uso excessivo de equipamentos vibratórios na compactação,
ocasionando supercompactação superficial com quebra da estrutura da base,
caracterizada pela sua laminação (lamelas de 2 a 5 cm de espessura).

a.3) Excesso de compactação, mesmo sem equipamento vibratório.

No caso de uma base de SLAD, a ocorrência de lamelas somente é
causada pelo apresentado no item a.1), pois, tendo em vista a fração graúda
constituinte dessa mistura, os itens a.2) e a.3) geralmente não ocorrem.

b) Exsudação de Asfalto na Camada de Rolamento

A exsudação ou o aparecimento de material betuminoso, sem o
respectivo agregado, na superfície da camada de tratamento superficial,
pode ocorrer por diversos motivos, dentre os quais destacam-se:

b.1) Taxa excessiva de betume na execução da imprimadura ou do
revestimento.

b.2) Execução do tratamento superficial sobre:

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 155
Capítulo 7

- Imprimadura mal “curada”, e/ou logo após chuvas, sem esperar a
secagem completa.
- Imprimadura aplicada sobre a base úmida, isto é, que não secou
suficientemente.

b.3) Penetração do agregado do revestimento na base, com
deslocamento do material betuminoso, juntamente com algum solo da
base, para a superfície. Esse tipo de exsudação é provocado pelo tráfego,
em função da sua intensidade. A possibilidade dessa ocorrência deve levar
à especificação e execução da camada anticravamento. Os solos dos tipos
II e IV são mais suscetíveis a esse problema.

No caso de bases de SLAD, pode ocorrer o exposto em b.1) e b.2); não
ocorre o apresentado em b.3) por causa da maior resistência da interface base-
revestimento e da existência de agregados da base que afloram em sua superfície
não permitindo, assim, o cravamento do agregado do revestimento.

c) Escorregamentos

Considerando que o revestimento foi bem dosado e executado, esse
defeito está ligado, predominantemente, à ocorrência de lamelas na parte
superficial da base. Essas lamelas, sob a ação do tráfego, ocasionam ondulações
no revestimento, provocando seu trincamento e posterior escorregamento.
Isso provoca a formação de panelas, cuja evolução pode ser extremamente
rápida nos solos dos tipos III e IV, para o caso de ALA e SAFL.

Os procedimentos para evitar os defeitos apontados acima são:

- Compactação adequada das camadas da base e dos
acostamentos.
- Perfil longitudinal com declividade mínima de 1% nos cortes e
raspagens.
-Seção transversal adequada, incluindo a execução da plataforma
com acostamento, corte imprimado a 45º e o plantio de grama
imediatamente após a construção.
- Especificação e execução da camada anticravamento e de capa de
rolamento adequada ao tipo de tráfego.

Nos pavimentos cuja base é de SLAD, somente haverá escorregamento
se houver lamelas construtivas.

pela “cimentação” dos grãos de quartzo da areia (inerte) pelo ligante de argila laterítica (coesivo). quando compactado. produzindo trincas verticais e horizontais e criando uma base com estrutura em blocos. que lembra um arenito natural cimentado por argila. sua imprimadura impermeabilizante não pode ser desassociada da sua estrutura. a serem utilizadas em pavimentos.5% .Processo final de deterioração. para garantir a coesão do solo compactado e evitar trincamento excessivo.Fatores determinantes da deterioração. Villibor e outros 28ª Questão: Quais os aspectos relevantes para a deterioração estrutural das bases de SAFL.156 Douglas F. a qual está umedecida pela água que é necessária para obter o teor de umidade de compactação. ALA e SLAD. A base é coesiva. no ensaio de Contração da Sistemática MCT. a) Considerações sobre a Estrutura e Funcionamento da Base No caso das bases de SAFL. ou a fração do solo laterítico da mistura do SLAD. . Essa cimentação é resultante de uma coesão .SAFL. ALA e SLAD? É oportuno analisar e tecer considerações sobre a deterioração estrutural desse tipo de base. a ser usado na execução da base apresente.Sub-base ou Base de Solo Arenoso Fino de Comportamento Laterítico . ela é fundamental para o sucesso do comportamento desses pavimentos. A compactação força o contato dos grãos de quartzo com a argila laterítica.1%#Ct#0. . em parte. 0. Para um melhor entendimento serão enfocados os seguintes aspectos: . Além disso o solo deverá. O processo de secagem da base gera esforços de tração (criados pelas tensões capilares) que protegem a camada. Isso é conseguido exigindo que o solo laterítico constituinte do SAFL e ALA. Após a execução da base ocorre o trincamento explicado. porque essa deterioração é pouco conhecida no meio técnico e distinta da deterioração das bases granulares e de solo cimento. satisfazer às exigências das Normas de Pavimentação do DER-SP ET-DE-P00/015 . pois. pelas peculiaridades destes tipos de base.Considerações sobre a Estrutura e Funcionamento da Base.

. aliado a outros fatores ainda não claramente definidos.Base de SAFL (Cor Vermelho Escuro) Trincada por “Cura ao Ar” que Será Imprimada e Revestida. Figura 49 .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 157 Capítulo 7 diferente da química (não há reações) e ocorre pelo binômio compactação- capilaridade. Figura 50 . O processo de cura por secagem da base. exigido pelas normas. sem revestimento e a figura 50. A figura 49 ilustra uma base trincada.Trincamento de uma Base Curada de SAFL (Cor Amarelo Tijolo) sem Revestimento. uma base em processo de trincamento. define todo o sistema inicial de seu trincamento. em um Pátio de Estacionamento. mesmo quando há aumento eventual no teor de umidade da base em relação ao teor após secagem. Os blocos apresentam dimensões irreversíveis. em local plano.

juntamente com o solo. não trincaram por fadiga. Todavia. há ocorrência do solo betume nos finos lateríticos entre os grãos maiores. tem-se verificado a ocorrência de fadiga no revestimento. preenchidas tanto quanto possível com betume. . apesar de serem coesivas. executada com aplicação de ligante CM-30 ou CM-70.Trincas. preencha as trincas existentes. Nessas bases. também se verificou que o comportamento delas é bem diferente do comportamento . Em conclusão. b) Fatores determinantes da deterioração Uma das grandes surpresas constatadas na avaliação do comportamento dos pavimentos com esses tipos de bases foi o fato de que. que chegam à superfície. após 10 anos de uso. sobra o betume que . conforme será discutido a seguir. não ocorre o fenômeno de “bombeamento”. que chegam à base. veda as trincas e forma um “solo betume” na parte superior da base. Além disso. estruturalmente as bases de SAFL. Os esforços das cargas do tráfego. também. A viscosidade do ligante permite que ele penetre na superfície da base e. Após a evaporação da parte volátil do ligante. ALA e SLAD apresentam as seguintes características: .Formadas em blocos. Villibor e outros A estrutura da base é complementada pela imprimadura impermeabilizante. .Parte superficial constituída de um solo betume (de 3mm a 12mm) no caso de SAFL e ALA e. mesmo em trechos com mais de 30 anos de uso e submetidos a N ≤ 5 x 106 solicitações do eixo padrão. são parcialmente absorvidos pelos seus blocos coesivos. O restante é transmitido à camada inferior pela estrutura da base que é constituída por aqueles blocos e pelo atrito existente entre eles. no caso do SLAD. nem fadiga semelhante à que aparece nas bases de solo-cimento.158 Douglas F. em função do tipo de trincamento e das características do solo constituinte.

Retrincamento da Base e do Revestimento por deformação permanente. Devido a isso o ligante vai perdendo sua ductilidade e seu poder de aglutinar os agregados. graças ao seu elevado módulo de resiliência. Com utilização de emulsão. A figura 51 ilustra um revestimento nas condições referidas. Após 10 ou 12 anos de uso. mais intensamente nos períodos chuvosos. pode-se afirmar que nenhuma dessas bases é tão resistente à tração como uma base de solo-cimento. são: .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 159 Capítulo 7 das bases granulares. por ocorrer somente compressão. porém. Nesta fase ocorre um grande percentual da oxidação.Os principais fatores.Para tratamento com Cimento Asfáltico de Petróleo. devido à baixa temperatura atingida.Ocorrência de Panelas. não há oxidação do ligante durante a execução do revestimento. pelo binômio carga-água.1) Ocorrência de Panelas O primeiro revestimento dessas bases. Com a evolução da tecnologia para emulsões modificadas com polímeros. entretanto essa oxidação ocorre durante toda a vida útil da camada de rolamento. que continua durante toda vida útil do revestimento. o processo tem início durante a execução. as quais se instabilizam pelo desgaste e/ou quebra dos grãos maiores. o revestimento torna- se tão rígido que tem início um processo de desprendimento dos agregados constituintes. . além de outros fatores . sempre é constituído de tratamentos superficiais duplos ou triplos. nos quais. b. não aparecerá trincamento por fadiga enquanto o revestimento mantiver características adequadas de deformabilidade. os principais constituintes deste tipo de base. são mais coesivas do que muitas bases granulares. A oxidação do ligante do revestimento resulta de um efeito combinado do oxigênio do ar e da luz solar. cuja interação leva à deterioração dessas bases. Posto isso. atualmente dispõe-se de uma ótima solução para aumentar a vida . devido ao aquecimento do ligante. Esse desprendimento ocorre pela ação das cargas do tráfego e. .

a oxidação do ligante pode chegar a 70 %. . complementado com uma camada de CBUQ. portanto. caso a temperatura de usinagem ultrapasse o valor recomendado em Normas. Isso aumenta a sensibilidade do revestimento ao trincamento por fadiga e causa uma incidência crescente de áreas trincadas em pequenos blocos. Para minimizar o problema. pois. ocorrerá uma oxidação severa do ligante e. a água que infiltra pelas trincas vai amolecer o material da interface revestimento-base. Isso acontece mesmo que o revestimento tenha sido executado satisfazendo as tolerâncias exigidas pelas Normas. Pode-se. retardar a oxidação do ligante e o conseqüente aparecimento das primeiras panelas no mesmo. nas regiões das rodeiras e nos locais onde o teor de asfalto foi menor durante a execução. deve ser exigido um controle rigoroso de temperaturas durante a execução da mistura. continuando durante toda a sua vida útil. propiciando que as rodas dos veículos arranquem agregados e/ou pedaços do revestimento. pelo fato da temperatura ser muito elevada durante o processo de usinagem. Em revestimentos nas condições acima. Villibor e outros útil desse tipo de revestimento. resultando na formação de panelas. em apenas quatro ou cinco anos de uso. com Desgaste Severo e com Desprendimento de Agregados.160 Douglas F. com Início da Formação de Panelas. como conseqüência. será iniciado um processo de fadiga prematura que provocará trincamento intenso no revestimento e desprendimento de agregados. Quando a camada de rolamento for constituída de revestimento inicial de tratamento. Após 12 Anos de Uso. Figura 51 – Revestimento com o Ligante Altamente Oxidado.

Figura 53 . com desprendimento de agregado Figura 52 . reconstituindo o revestimento pois. a intensidade e incidência das panelas. Após 15 Anos de Uso.Pavimento com Revestimento Oxidado e Desprendimento de Agregados. . na presença de água. (A) Trecho de pavimento com revestimento oxidado e desprendimento de agregados (B) Detalhe de revestimento oxidado. expõe a base à ação das rodas dos veículos e propícia. As Figuras 52 e 53 mostram trechos de pavimentos.Acesso a Viradouro-SP. com Revestimento Triplo Invertido Oxidado. o início da formação de panelas na base. As panelas devem ser tapadas. após o desgaste da camada superficial de solo-betume formada pela imprimadura. mas Sem Problemas Estruturais na Base.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 161 Capítulo 7 A existência de panelas no revestimento. que apresentam revestimento oxidado e com início do fenômeno da formação de panelas. O crescimento destas panelas depende da sensibilidade do solo da base quanto à erodibilidade e ao amolecimento. caso não haja atuação adequada. com Pequenas Panelas. com base de SAFL. aumentam exponencialmente. tanto no revestimento como na base. durante a conservação de rotina do trecho.

162 Douglas F. Villibor e outros

b.2) Retrincamento da Base e do Revestimento, por Deformação
Permanente: A ocorrência de deformações, nas camadas inferiores da
base é responsável pelo aparecimento de deformações permanentes na
superfície do pavimento, em especial nas rodeiras. Quando tais deformações
são de nível muito elevado (flechas superiores a 2,5 cm), podem causar
um retrincamento, tanto da base como do revestimento, apesar da grande
acomodabilidade de ambos.

Como o tratamento superficial é extremamente flexível e possui uma
elevada acomodabilidade, a deformação permanente das camadas inferiores
da base em níveis baixos (< 1 cm), é acompanhada por ela e, também, pelo
revestimento, sem maiores problemas.

c) Processo final de deterioração: Apesar da possível ocorrência do
“Retrincamento da Base e do Revestimento, por Deformação Permanente”,
ela não é representativa. Portanto, pode-se afirmar que a deterioração das
bases consideradas, com revestimento inicial de tratamento superficial é,
quase que exclusivamente, devida à ocorrência de panelas e à sua elevada
velocidade de crescimento que, “caminhando” de cima para baixo, vão
destruindo a base.

A formação de panelas é intensa em sub-trechos que apresentam
desgaste e/ou desprendimento (devido à oxidação do betume) de porções
do revestimento. Isso expõe a base à ação das intempéries e do tráfego.

A figura 54 ilustra, esquematicamente, o fenômeno da deterioração
de uma base de SAFL.

Figura 54 – Fenômeno da Deterioração de uma Base de SAFL, ALA ou SLAD.

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 163
Capítulo 7

O fenômeno da evolução das panelas pode ser descrito como:
- No início, após a exposição da base, a evolução é lenta pois o solo
betume, proveniente da imprimadura, tem resistência à abrasão
causada pelas rodas dos veículos.
- Após o desgaste do solo betume a evolução é acelerada,
principalmente no período chuvoso, pois as rodas dos veículos vão
retirando o solo das partes saturadas e amolecidas da superfície
exposta da base, no interior das panelas.

A figura 55 ilustra local com ocorrência de desgaste, no revestimento
e no solo betume, e com início de formação de panelas na base, mas sem
problemas estruturais.

FIGURA 55 - Desgaste no Revestimento e no Solo Betume, e Inicio da

Formação de Panelas na Base de SAFL, (12 anos de uso). O Mesmo

Fenômeno Ocorre com Bases de ALA ou SLAD.

O crescimento das panelas é muito variável, de trecho para trecho, pois
depende diretamente do tipo de solo da base ou da fração de solo laterítico
das misturas ALA e SLAD (os mais erodíveis e arenosos são mais sensíveis
ao fenômeno) e é acelerado em função do tempo de uso do pavimento, em
especial quando se aproxima o fim da vida útil do revestimento.

Essa afirmativa é confirmada, na prática, pelo fato de o pavimento
não apresentar ruptura de sua base em locais onde aparecem panelas em
grande número. A explicação de tal comportamento é simples: a baixíssima
permeabilidade da base impede a entrada de água, pelas panelas, em volume
que comprometeria o seu suporte.

164 Douglas F. Villibor e outros

Medidas realizadas mostraram que, em áreas circunjacentes às panelas, o
teor de umidade da base ainda é inferior ao teor de umidade de compactação,
mesmo em períodos chuvosos. Essa característica mantém sempre alta a
capacidade de suporte de uma base de SAFL.

A figura 56 mostra um trecho com altíssima ocorrência de tapa-
buracos, provenientes de panelas alcançando a base de SAFL, e o
revestimento chegando ao fim da sua vida útil, por ter seu ligante
intensamente oxidado.

Figura 56 – Trecho com Altíssima Ocorrência de Tapa-Buracos e Ligante do

Revestimento Oxidado.

A figura 57 ilustra sub-trecho com elevada incidência de panelas (>10%
da área) formadas a partir do desgaste do revestimento (de cima para
baixo), pela ausência da conservação de rotina, e revestimento no estágio
final da sua vida útil. Nesta situação é aconselhável a reconstrução da base
e do revestimento.

Figura 57 - Trecho em Estágio Falimentar, Após 15 Anos de Uso.

Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 165 Capítulo 7 A figura 58 ilustra sub-trecho recuperado. Figura 58 . .Aspecto de um Trecho com Base de SAFL Recapeado com CBUQ Esbelto sobre Tratamento Superficial.

166 Douglas F. Villibor e outros .

na cidade de São Paulo. A falta de uma política de conservação tem levado a malha viária das cidades de médio e grande porte no Estado de São Paulo a uma situação caótica. Em cidades de médio e grande porte. consubstanciados em serviços de tapa-buraco. resultando conseqüentemente no aparecimento intenso de trincas. por exemplo. devido a quase que total ausência de manutenção preventiva. acelerando ainda mais o processo de deterioração da malha viária.000 buracos em um ano. evoluindo para panelas e ruptura em alguns pontos localizados da rede.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 167 Capítulo 8 Capítulo 8 Gestão de Manutenção de Vias Urbanas Esse capítulo foi desenvolvido pelos engenheiros: Douglas Fadul Villibor Job Shuji Nogami Mauro Beligni José Roberto Cincerre 8.1. Estes fatos contribuem para um aumento substancial nos serviços emergenciais de conservação. a manutenção adequada de vias públicas é muito complexa em função de: . Introdução A grande preocupação dos técnicos que militam na área de conservação de vias urbanas é o alto nível de deterioração da mesma. Estes defeitos são gerados pelo envelhecimento da rede como também pela grande quantidade de valas abertas e remendos mal executados pelas concessionárias de serviços públicos. chegando ao ponto de ser necessário a reparação de mais de 800.

de um Plano de Gestão de Manutenção de Vias Urbanas. O principal objetivo da gerência de pavimentos é obter respostas corretas e eficientes a perguntas do tipo “o que”. implantação de pavimentos novos. por parte dos autores deste trabalho. muitas vezes superior a 30 anos. Para desenvolver este trabalho serão enfocados os seguintes aspectos: − Conceitos sobre Gerência de Pavimento.168 Douglas F. − Falta de recursos financeiros para um eficiente serviço de manutenção de vias e − Inexistência de Plano de Gerência de Pavimentos. como anéis periféricos circulares. “onde” e “como”. Essa complexidade associada aos seguintes fatores: − Idade elevada dos pavimentos urbanos. projeto. − Sistemática atual. “quando”. levou ao desenvolvimento. praticamente somente de serviços de tapa- buraco. Conceitos sobre Gerência de Pavimento Entende-se por sistema de gerência de pavimentos o encadeamento de atividades que abrangem o planejamento. − Alteração freqüente da classe funcional das vias e − Número insuficiente de vias expressas e rotas de fluxo exclusivas para tráfego pesado.2. manutenção e conservação da rede existente. referentes as várias atividades relacionadas com o pavimento. − Falta de intervenções em serviços de rejuvenescimento e recapeamento em pavimentos em processo de deterioração e recuperação pesada nos pavimentos degradados. − Plano de Gestão de Manutenção de Pavimentos Urbanos. 8. . Villibor e outros − Tráfego elevado devido a ineficiência dos transportes coletivos. − Segmentos Experimentais e − Considerações Finais.

que envolvem os serviços de pavimentação e ainda determinar as necessidades futuras da rede.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 169 Capítulo 8 Para uma adequada gerência de pavimentos rodoviários ou urbanos existem diversos Sistemas de Gerência de Pavimentos (SGP) para diversos níveis de atuação. uma das mais importantes é a avaliação das condições superficiais do pavimento. que é conhecida como Gráfico de Desempenho de um Pavimento. − informações de drenagem e do subleito. A Figura 59. ilustra a evolução dos defeitos e o momento oportuno de intervenção para que os custos sejam reduzidos. A avaliação das condições superficiais é usualmente apresentada em forma de um índice de serventia do pavimento. Portanto torna-se necessário. No caso de um Sistema de Gerência de Manutenção Viária são necessárias algumas informações para a análise e comparação de soluções alternativas. A evolução dos defeitos dos pavimentos ocorre de maneira gradativa até um determinado estágio. dentre outras: − estrutura do pavimento existente e tipo de tráfego. o pavimento sofre uma degradação acelerada. O SGP é uma ferramenta que pode ser utilizada pelos tomadores de decisão para analisar os custos e benefícios de várias alternativas viáveis. etc. que espelham diretamente as condições funcionais e subjetivamente as estruturais. que atribui conceitos quanto à intensidade e ao grau de severidade dos defeitos superficiais. . o conhecimento do momento oportuno de intervenção para se reestabelecer a serventia a níveis aceitáveis em termos de segurança e conforto aos usuários. − condições superficiais do pavimento. Das informações necessárias para um Sistema de Gerência de Manutenção Viária. levando à ruína de toda a sua estrutura em um curto intervalo de tempo. Um SGP deve dispor além de mecanismos de análise das condições do pavimento. de modelos de avaliação de prioridades e de otimização da rede. a partir do qual.

não é um Sistema de Gerência de Pavimentos e sim um plano para manter em níveis aceitáveis a serventia dos pavimentos. associada a um grande número de valas . Villibor e outros ÍN D IC E D E S E R V E N T IA (P S I) X V ID A D E S E R V IÇ O ≈ 75% da Vida de Serviço ≈ 75% da Vida de Serviço (Β) ≈ 12. balizados no índice de serventia urbano proposto.1.0 25% da Vida de Serviço FIGURA 59 . Melhoria dos Serviços Emergenciais de Tapa-Buraco A idade avançada dos pavimentos urbanos.5 12. − adoção de novas soluções de recuperação através de novos procedimentos construtivos e materiais. priorizando os serviços a serem realizados. através de uma nova sistemática e adoção de novos materiais.0 9. Plano de Gestão de Manutenção de Pavimentos Urbanos O Plano de Gestão de Manutenção Viária aqui proposto. Os objetivos do Plano de Gestão são: − melhoria dos serviços emergenciais de tapa-buraco.3.5% da Vida de Serviço 0.3. 8. − introdução de uma metodologia de avaliação de pavimentos urbanos.170 Douglas F. com elevado trincamento e oxidação do ligante betuminoso.Gráfico de Desempenho de um Pavimento 8. associados à nova metodologia de avaliação e − equacionamento dos recursos financeiros.0 10.

2. composta por dois caminhões. propõe-se: − Introdução de novos materiais asfálticos (pré-misturado a frio e a quente com ligantes betuminosos modificados por polímeros). Entretanto. − Utilização de emulsões modificadas por polímeros para a pintura de ligação e − Treinamento de pessoal. envolvendo: .1. 8. um caminhão basculante. Portanto. O primeiro é encarregado pelo transporte de funcionários e ferramentas (com o uso de um compressor e rompedores para o requadramento e limpeza dos buracos) e o segundo. os serviços de tapa- buraco devem ser encarados como uma das principais prioridades. através de cursos de reciclagem e aprimoramento técnico.3. reparadas inadequadamente.2. projetamos. no caso de vias urbanas. visando a execução de remendos de qualidade com alta durabilidade. que apresentam tráfego de fluxo contínuo de veículos e altas velocidades. Considerações Iniciais Tradicionalmente. através de palestras para a aplicação de novos materiais e procedimentos construtivos. consegue-se destinar parte dos recursos financeiros. Atingindo-se tal meta. na maioria das vias urbanas.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 171 Capítulo 8 abertas por concessionárias de serviços públicos. − Nova sistemática de contratação de equipes. para o transporte e a aplicação da massa asfáltica com uso obrigatório de rolo liso vibratório. constituída por equipe dupla. dentro do Plano de Gestão proposto. construímos e restauramos pavimentos como o fazemos para rodovias. aceleram o processo de degradação dos pavimentos urbanos. Introdução de uma Metodologia de Avaliação de Pavimentos Urbanos 8.equipe de fiscalização e controle da Secretaria das Administrações Regionais (SAR). resultando na formação de buracos. o tráfego opera com fluxo descontínuo e baixa velocidade . visando a melhoria da qualidade dos serviços e .3. para outros tipos de serviços de manutenção preventiva.equipe de execução das empreiteiras. Visando a melhoria na qualidade e eficiência no processo executivo de tapa-buracos. até então desperdiçados.

Considerando que os pavimentos urbanos mereçam um tratamento diferenciado em função do exposto. Villibor e outros operacional. resultando em valores de irregularidade longitudinal extremamente elevados e conseqüentemente em baixos índices de serventia. para o caso de ser adotada uma metodologia complexa. evitando ao máximo a manutenção corretiva ou mesmo uma restauração. Em função destas características. mesmo com certo desconforto. sugere- se a utilização de uma metodologia simplificada para o levantamento dos defeitos superficiais.172 Douglas F. Porém no caso de vias urbanas a irregularidade longitudinal deixa de ser o fator principal. Portanto ao nosso ver a reconstrução de parte dos pavimentos urbanos. etc. Como solução propõe-se uma nova filosofia de manutenção. devido as seguintes características: geometria irregular. Se utilizássemos o índice de serventia rodoviário. que a irregularidade longitudinal é o fator determinante para o cálculo do índice de serventia rodoviário. teríamos que praticamente reconstruir uma grande parte da malha viária das cidades de médio e grande porte. recomendado pela AASHTO. principalmente da condição da superfície do revestimento. devido a baixa velocidade operacional dos veículos. é inconcebível do ponto de vista prático. devido aos seguintes fatores: − problemas de treinamento do pessoal. devido ao número elevado de intervenções realizadas inadequadamente por concessionárias de serviços públicos além de outros fatores. No entanto. obtida através de um índice de serventia urbano (ISU). a preventiva. econômico e técnico. se adotado o PSI. incluindo. levando à subjetividade quando da avaliação dos defeitos superficiais e . no Plano de Gestão ora proposto. uma vez que o sistema viário acha-se em uso e ainda atendendo. para que se defina o momento mais oportuno para uma determinada intervenção. denominado de PSI (Present Serviceability Index). aos usuários. intersecções não semaforizadas. Cabe ressaltar. esta exige um conhecimento mais detalhado das condições funcional e estrutural do pavimento. semáforos. torna-se fundamental um estudo mais criterioso de novas alternativas econômicas e técnicas para a manutenção de vias urbanas. interferências de serviços públicos.

Apresentação de um Índice de Serventia Urbano (ISU) Como segundo passo para a implantação de um Plano de Gestão. obtendo-se assim uma padronização dos tipos de defeitos e severidade dos mesmos. nas diversas regionais da cidade de São Paulo. com material fotográfico detalhado. . Pode-se dizer que a catalogação de defeitos típicos de pavimentos urbanos. remendos mal executados. Visando uma catalogação dos defeitos e padronização dos inventários de levantamento de superfície foram realizadas avaliações por amostragem.3. dos defeitos de superfície mais incidentes e mais representativos. 8. padronizando-se também os inventários de levantamento de superfície.Panelas / Ondulações e . Para se minimizar o perigo da adoção de soluções de recuperação derivadas de levantamentos subjetivos. − Separar os defeitos em no máximo três categorias: . obtendo-se a seguinte radiografia: trincas de diversos graus de severidade. . foi a criação de um Índice de Serventia Urbano. etc. Apesar da grande quantidade de procedimentos de levantamento e métodos de avaliação de defeitos superficiais de pavimentos. quando do emprego de uma metodologia complexa. A seguir apresentamos um procedimento para a obtenção do Índice de Serventia Urbano (ISU).2. os mesmos nunca serão identificados com a mesma precisão e objetividade alcançadas em outras medidas de engenharia.Remendos.Trincamento.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 173 Capítulo 8 − custos mais elevados. foram elaborados nos últimos anos em diversos países catálogos de defeitos. panelas e ondulações. é o primeiro passo para a implantação de um Plano de Gestão de Manutenção Viária. após a verificação dos defeitos mais incidentes e representativos.2.

. elaboramos uma matriz aonde os valores correspondem ao produto da severidade (S) pela área de incidência (A). são ferramentas práticas para a quantificação dos diversos defeitos. visto que cada tipo de defeito representa uma condição peculiar quanto à degradação do pavimento e ao desconforto causado aos usuários. que exprimem o grau de deterioração (G).174 Douglas F. não define a condição do pavimento. baixo risco e desconforto para os usuários. respectivamente. aonde defeitos com pequenas conseqüências para um bom desempenho funcional da via. De posse destas informações. ÁREA DE INCIDÊNCIA A1 ≤ 10 % 10 % < A2 < 50 % A3 ≥ 50 % SEVERIDADE S1 (Baixa) 1 2 3 S2 (Média) 2 4 6 S3 (Alta) 3 6 9 TABELA 31 .Severidade dos Defeitos As considerações mencionadas anteriormente. a respeito dos defeitos individuais com a freqüência de incidência e severidade dos mesmos. conforme ilustrado na Tabela 31. conforme ilustrado na Tabela 29. conforme Tabela 30. CATEGORIA ÁREA DE INCIDÊNCIA (A) A1 (Baixa) ≤ 10 % A2 (Média) 10 à 50 % A3 (Alta) ≥ 50 % TABELA 29 . pondera-se os diferentes tipos de defeitos. Portanto para a obtenção das condições reais do pavimento. CATEGORIA SEVERIDADE (S) S1 Baixa S2 Média S3 Alta TABELA 30 .Área de Incidência dos Defeitos Separar a severidade do defeito em no máximo três categorias.Matriz do Produto da Severidade pela Área de Incidência O grau de deterioração analisado isoladamente. apresentam fatores de ponderação com valores menores do que aqueles para defeitos com alto risco e desconforto. Villibor e outros − Separar a área de incidência dos defeitos em no máximo três categorias.

3. TIPOS DE DEFEITOS FATOR DE PONDERAÇÃO (F) Remendos 3 Panelas / Ondulações 2 Trincamento 5 TABELA 32 . FT e FP = Fator de ponderação para: remendos.⎢ (GR x FR + GT x FT + GP x FP )⎥ ⎣ ⎦ onde: − GR. respectivamente. com baixa severidade. GT e GP = Grau de deterioração para: remendos. trincas e panelas. com alta severidade e . Exemplo de Aplicação Considerando que uma via apresente os seguintes defeitos: − Ocorrência de panelas em 5% da área. − FR.2. respectivamente.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 175 Capítulo 8 Os fatores de ponderação para os diversos defeitos podem ser retirados da Tabela 32. ISU CONDIÇÃO DO PAVIMENTO 0 à 30 Péssimo 30 à 45 Ruim 45 à 70 Regular 70 à 80 Bom 80 à 100 Muito Bom TABELA 33 . O Índice de Serventia Urbano (ISU) é calculado através da seguinte expressão: ⎡ ⎤ IS U = 1 0 0 . Para cada intervalo do Índice de Serventia Urbano (ISU) é associada uma condição do pavimento. trincas e panelas.3.Intervalos para o ISU e respectivas Condições do Pavimento 8. − Presença de trincas em 40% da área.Fatores de Ponderação (F) O valor resultante da somatória dos diversos defeitos ponderados é denominado Índice de Serventia Urbano (ISU). conforme Tabela 33.

⎢ ( x + x + x )⎥ = 5 1 ⎣ ⎦ Para este valor de ISU. ⎡ ⎤ IS U = 1 0 0 . − Trincas. para os quais podem ser associadas diferentes tipos de intervenções. − GT = 6 para trincas e − GR = 4 para remendos.176 Douglas F. Adoção de Novas Soluções de Recuperação Associadas à Nova Metodologia de Avaliação Utilizando-se a metodologia proposta no item 7. De posse das categorias dos três tipos de defeitos e com auxílio da matriz da Tabela 28. . atribui-se os seguintes graus de deterioração dos defeitos: − GP = 1 para panelas. 8.3. obtém-se o Índice de Serventia Urbano e a condição do pavimento. categoria A2 para a incidência e S3 para a severidade. para a avaliação da condição do pavimento. Villibor e outros − Incidência de remendos em 20% da área. a saber: − Panelas. categoria A1 para a incidência e categoria S1 para a severidade. categoria A2 para a incidência e S2 para a severidade. obtém-se valores de índice de serventia urbano.2.⎢ (GR x FR + GT x FT + GP x FP )⎥ ⎣ ⎦ ⎡ ⎤ IS U = 1 0 0 . com média severidade e com o auxílio das Tabelas 26 e 27 obtém-se as categorias quanto a incidência e severidade dos defeitos.2. − Remendos.3.3. Multiplicando o grau de deterioração pelo fator de ponderação de cada tipo de defeito (Tabela 29) e realizando uma somatória. associa-se uma condição regular ao pavimento.

Este tipo de solução já é empregada com sucesso. visando a aplicação das novas soluções de recuperação propostas neste plano. como por exemplo: na Alemanha. Estados Unidos. observando-se que as notas atribuídas por mais de 90 engenheiros não divergiram muito entre si. Contudo se .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 177 Capítulo 8 Este índice já foi aferido. A decisão quanto ao serviço mais adequado (intervenção) a ser executado. quando do treinamento de engenheiros das diversas administrações regionais da cidade de São Paulo. quando da avaliação em grande escala do estado superficial das vias urbanas. França. para a maioria dos engenheiros. etc. deve ser tomada com a combinação dos seguintes fatores: − tipo de via e seu respectivo tráfego. há muitas décadas. Inglaterra. Canadá. na área rodoviária e em vias urbanas em países desenvolvidos. Como novas soluções de rejuvenescimento podemos citar as seguintes: − Micro concreto asfáltico a frio. − Pré misturado a frio e − Lamas asfálticas especiais. estão sendo introduzidas novas alternativas de manutenção. denominadas rejuvenescimento de pavimentos. ora proposto. além dos procedimentos convencionais de recuperação já utilizados. Austrália. a metodologia proposta ainda poderá sofrer alguns ajustes. Cabe ressaltar que as soluções de rejuvenescimento são propostas principalmente para vias urbanas de tráfego muito leve a médio. Cabe ressaltar que apesar de fácil aplicação e excelentes resultados obtidos. Apesar da pequena variação das notas atribuídas. a solução proposta para cada trecho avaliado foi a mesma. Durante o período de treinamento foram avaliadas diversas vias urbanas. − tipo de pavimento existente e − grau de deterioração do pavimento. No Plano de Gestão. − Micro concreto asfáltico a quente. em cada segmento analisado.

consegue-se associar a solução mais adequada utilizando-se a nova metodologia de avaliação. tais como fibras de celulose. . para que alocando-se o mínimo de recursos financeiros consiga-se elevar o nível de serventia a valores próximos da condição inicial. Esta mistura foi desenvolvida na Alemanha no final da década de 60. Com relação à mistura asfáltica Stone Matrix Asphalt (SMA) para tráfego pesado e muito pesado pode-se ressaltar que a mesma já foi utilizada com sucesso para os serviços de recapeamento do Autódromo de Interlagos em São Paulo. visto que a mesma apresenta uma estrutura mineralógica estável. As Figuras 60 e 61 ilustram a curva de desempenho do pavimento para tráfegos variando de muito leve a leve e médio a pesado. Deve-se enfatizar também que o Plano de Gestão de Manutenção.5 a 4. Devido a elevada porcentagem de agregados graúdos. as intervenções indicadas poderão ser adotados mesmo para vias de tráfego até muito pesado. Villibor e outros a via em questão. A mistura asfáltica SMA é utilizada como camada de rolamento numa espessura variando de 1. através do Índice de Serventia Urbano (ISU) e considerando o tipo de via e o tráfego incidente. Quanto ao Plano de Gestão de Manutenção Viária. sendo caracterizada por elevada resistência à deformações permanentes. mas também as soluções convencionalmente empregadas de recapeamentos e reconstrução para vias com estágio avançado de deterioração. Em um Plano de Gestão de Manutenção deve-se conhecer também o momento oportuno de intervenção.0 cm. com elevado teor de agregados graúdos e uma argamassa composta por uma porcentagem elevada de finos e de ligante betuminoso. ou seja. respectivamente e tipos de intervenções recomendadas. para reter a argamassa em torno dos agregados graúdos. ou seja. porém apenas desgaste e/ou oxidação da camada de rolamento. sob denominação de Splittmasticasphalt. não contempla somente o rejuvenescimento da superfície deteriorada dos pavimentos urbanos. ora proposto. ora proposto. não apresentar problemas estruturais e funcionais. torna-se fundamental a utilização de aditivos estabilizadores.178 Douglas F. denominada de Stone Matrix Asphalt (SMA). quando da implantação da via. Como alternativa para tráfego pesado e muito pesado propõe-se também uma nova mistura asfáltica. baixa superfície específica da mistura de agregados.

0 0 (M C A F ) D u p lo R e p e rfila g em + M C A F S im ples o u IV 4 .Soluções de Manutenção para Tráfego Muito Leve a Leve .0 0 co n fo rm e P ro jeto FIGURA 60 . US$ / m S e m Inte rve n çã o ou I 1 .0 0 co n fo rm e P ro jeto R e co nstruçã o o u R e fo rço VI 1 6 .0 0 (M C A F ) S im p les M icro C o n cre to A sfá ltico a F rio III 3 .0 0 M icro C o n cre to A sfá ltico a Q ue n te (M C A Q ) R e ca p ea m e n to C o n ve n cio na l (C B U Q ) V 8 .5 0 L a m a A sfáltica M icro C o n cre to A sfá ltico a F rio II 2 .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 179 Capítulo 8 T R Á F E G O M U IT O L E V E A L E V E – P M S P – P 0 1 I II III IV V VI T IP O CUSTO SO LUÇ ÃO PRO PO ST A 2 IN T E R V .

identificando-se a intervenção adequada e seus respectivos custos. A Tabela 34 ilustra os três tipos principais de intervenções com seus respectivos custos. Equacionamento dos Recursos Financeiros A aplicação dos recursos financeiros disponíveis deve ser definida de acordo com a faixa de serventia (intervalo do ISU) em que se encontra o pavimento.Soluções de Manutenção para Tráfego Médio a Pesado 8. . US$ / m I 00 10 0 II 00 S ≤ S III 00 I 1 00 0 00 FIGURA 61 .3.4. Villibor e outros TR ÁFEG O M IO A P E S A O – P M S P – P 0 1 I II III IV V T IP O CUSTO SO LUÇ ÃO PRO PO ST A 2 IN T E R V .180 Douglas F.

00/m FIGURA 62 .15% DA2REDE TIPO A .Situação da Malha Viária e Tipos de Intervenções Partindo-se da premissa de que o levantamento corresponda as reais condições dos pavimentos urbanos.00 TABELA 34 .35% DA2REDE U$ 16. − recuperação de 5% da malha viária ao ano. − melhorar a qualidade dos serviços de tapa-buraco. RECUPERAÇÃO PESADA RECUPERAÇÃO LEVE (RECONSTRUÇÃO OU REFORÇO) (REJUVENESCIMENTO) TIPO C .00 C) Reforço ou Reconstrução 14.00 – 20. Tomando-se como exemplo a cidade de São Paulo. propomos a adoção dos seguintes critérios para um equacionamento dos recursos financeiros: − período de recuperação total da malha viária igual a 20 anos. com conseqüente remanejamento de recursos para serviços de rejuvenescimento. conforme demonstrado na Figura 62.00 B) Recapeamento 8. conforme ilustrado na Figura 63. obtendo-se redução de investimentos nos serviços de manutenção corretiva (tapa-buraco. através de um levantamento de defeitos por amostragem no ano de 1999.00/m Extensão da Rede: 12. − destinar progressivamente recursos financeiros para os serviços de rejuvenescimento.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 181 Capítulo 8 INTERVENÇÃO CUSTO MÉDIO (U$) A) Rejuvenescimento 2.00 – 4.00/m U$ 3.50% DA2REDE Área Pav.: 120 milhões de m U$ 8. . recapeamento e recuperação pesada).500 km RECUPERAÇÃO MÉDIA (RECAPEAMENTO) 2 TIPO B . obteve-se uma radiografia da malha viária da cidade e os tipos de intervenções necessárias para sua recuperação. visando maior durabilidade dos mesmos e redução de custos.Intervenções e Respectivos Custos A distribuição dos recursos financeiros deve ser realizada em função do levantamento do estado superficial dos piores pavimentos.

conhecimento do momento mais apropriado para uma determinada intervenção preventiva e com base na porcentagem da malha viária necessitando de recapeamento e recuperação pesada. que estes recursos seriam insuficientes para os serviços de recapeamento e recuperação pesada. 8.182 Douglas F. visto que uma intervenção não realizada no momento oportuno eleva os custos finais de recuperação do pavimento em aproximadamente 5 vezes. conforme ilustrado na Figura 34.Distribuição dos Recursos Financeiros para as Manutenções Corretiva e Preventiva Com a adoção destes critérios e através de um monitoramento sistemático da malha viária. A estratégia de remanejamento de parte dos recursos financeiros para a manutenção preventiva (rejuvenescimento) é justificada. Villibor e outros RECURSOS Manutenção Corretiva Manutenção Preventiva (Rejuvenescimento) 1985 1990 2000 2010 2020 10 anos 10 anos PERÍODO EM ANOS FIGURA 63 . mesmo conscientes. De posse dos recursos financeiros destinados aos serviços de recuperação da malha viária. no início de 1999 vários segmentos experimentais alocados em duas administrações regionais na cidade de São Paulo. propõe-se dotar parte dos recursos financeiros para serviços de manutenção preventiva (rejuvenescimento).4. visando um estudo mais aprofundado do desempenho de misturas asfálticas e técnicas construtivas alternativas para serviços de rejuvenescimento de pavimentos . Segmentos Experimentais A Secretaria das Administrações Regionais executou a título de experiência. obtém-se o momento mais oportuno para uma determinada intervenção preventiva.

não contribuem substancialmente para um acréscimo da capacidade estrutural do pavimento. − Pré misturado a frio (PMF) aberto. em função da reduzida espessura. com emulsão asfáltica modificada por polímeros SBR e . − Micro concreto asfáltico a frio (MCAF) com emulsão asfáltica modificada por polímeros dos tipos SBS e SBR (estireno – butadieno – rubber). para reperfilagem. O objetivo principal deste tipo de serviço é resgatar o nível de serventia de pavimentos deteriorados a níveis aceitáveis. pela redução de umidade por pressão de vapor. O rejuvenescimento de pavimentos consiste na aplicação de uma camada esbelta a quente ou a frio. porém estes serviços. Contudo melhoram as condições funcionais do revestimento. Nos 16 segmentos experimentais construídos. − Pré misturado a frio (PMF) aberto e denso com emulsão asfáltica modificada por polímeros SBR para reperfilagem. que apresentem um volume diário médio de tráfego variando entre leve a médio. reduzindo assim a percolação d’água na estrutura do pavimento e conseqüentemente resgatando a capacidade de suporte do subleito. adotou-se as seguintes soluções de rejuvenescimento: − Micro concreto asfáltico a quente (MCAQ) com cimento asfáltico de petróleo modificado por polímeros do tipo SBS (estireno – butadieno – estireno). com emulsão asfáltica comum e micro concreto asfáltico a frio (MCAF). visando uma melhoria nas condições funcionais de pavimentos deteriorados. A filosofia dos serviços de rejuvenescimento parte da premissa que o pavimento existente acha-se consolidado com um certo valor estrutural e funcional. − Micro concreto asfáltico a frio com emulsão asfáltica modificada por polímeros do tipo SBR e fibras sintéticas de vidro. impermeabilizando a superfície. evitando assim os serviços onerosos de recapeamento.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 183 Capítulo 8 asfálticos deteriorados. diminuindo os serviços de tapa-buraco e impermeabilizando superfícies com trincamentos excessivos. como revestimento. fenômeno este que ocorre somente em países tropicais.

0 a 10.4. Durante a segunda metade dos anos 70. porém com um emprego muito mais amplo. Villibor e outros − Lama asfáltica com emulsão asfáltica modificada por polímeros do tipo SBR. Nos segmentos experimentais foram empregados MCAF com e sem fibras sintéticas e com emulsões asfálticas modificadas por polímeros dos tipos SBR e SBS.0 mm e MCAF .184 Douglas F. No Brasil o micro concreto asfáltico a frio é especificado pelo DNER- ES 320/97. 8. um novo sistema derivado da lama asfáltica. principalmente pela facilidade de aplicação em temperatura ambiente. paralelamente ao uso corrente e já consagrado das técnicas de tratamentos de superfícies tradicionais.1. em particular. exercendo uma ação de microarmadura (reticulado tridimensional) que em conjunto com os polímeros aumentam a coesão do sistema. sendo recomendado para rejuvenescimento de revestimentos asfálticos pelas seguintes características: − alta flexibilidade. a resistência à tração e ao cizalhamento. − selamento de trincas e impermeabilização do revestimento existente. recebeu a terminologia de “MICAF” (micro concreto asfáltico a frio). denominado “Micro Surfacing”. − alta durabilidade pelo intertravamento e enriquecimento da superfície em processo de oxidação e/ou desagregação pelo acréscimo de ligante betuminoso. As fibras possibilitam o emprego de misturas asfálticas com elevada porcentagem de ligante betuminoso sem que ocorra exsudação ou perda de estabilidade mecânica. Micro Concreto Asfáltico a Frio (MCAF) O desenvolvimento das emulsões asfálticas catiônicas trouxe vantagens indiscritíveis para a evolução das técnicas de tratamentos superficiais. surgiu na América do Norte. Nos segmentos experimentais foram aplicados micro concreto asfáltico a frio (MCAF) simples na espessura de 8. Na Europa.

. Porém cuidados especiais devem ser tomados no processo de usinagem. se deve a introdução dos modificadores dos cimentos asfálticos de petróleo na última década. com espessuras esbeltas (≤ 3. devido a facilidade de manuseio. em pontos estratégicos na cidade de São Paulo. No segmento experimental executado com MCAQ utilizou-se cimento asfáltico de petróleo modificado por 4% de polímeros do tipo SBS. nas faixas II e III DNER-ES 320/97 respectivamente. apresentando a camada de mistura asfáltica uma espessura média de 2.0 mm. 8.2. transporte e utilização de equipamentos e usinas de asfalto de pouca complexidade (Pug-Mill). − Disponibilidade da Secretaria das Administrações Regionais de um maior número de usinas a frio. projetar revestimentos mais esbeltos sem prejuízo das propriedades físicas e mecânicas das misturas asfálticas.5 cm. flexibilidade e retorno elástico. Sua utilização no Brasil.3. A curva granulométrica empregada foi a faixa V ES-P-12/PMSP.4. coesão.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 185 Capítulo 8 duplo na espessura média de 16. Micro Concreto Asfáltico a Quente (MCAQ) Neste trabalho denominados de micro concreto asfáltico a quente a camada de CBUQ modificada por polímeros. 8. fluência. portanto. se deve aos seguintes fatores: − Aumento da produtividade na aplicação. melhorando as propriedades reológicas dos ligantes betuminosos. pelo fato da mistura necessitar de uma temperatura mais elevada no preparo (muitas vezes superior a 180 º C) e na execução (superior a 160 º C) para se obter a viscosidade ideal para uma adequada homogeneização da mistura asfáltica e uma boa trabalhabilidade em campo. Pré Misturado a Frio (PMF) A adoção da solução com pré misturado a frio (PMF) com emulsões asfálticas modificadas por polímeros para rejuvenescimento de superfícies e/ou recuperação de pavimentos em processo de degradação.0 cm). transporte e aplicação. tais como: adesão.4. obtendo-se conseqüentemente misturas asfálticas com propriedades mecânicas superiores quando comparadas com as misturas convencionais de mesma espessura. Torna-se possível.

recalques e ondulações. Villibor e outros − Economia nos custos de transporte. aumentando a coesão inicial e a resistência mecânica. a utilização de emulsões asfálticas modificadas por polímeros propicia ainda uma notável melhora no desempenho do pré misturado a frio quando utilizado como revestimento. e está sendo introduzido visando uma melhoria das condições funcionais. − grande quantidade de buracos em pavimentos com idade elevada e oxidados e − deformações excessivas. dispensando a secagem e o aquecimento dos agregados. além de espelhar a pior condição de aplicação da mistura asfáltica. propiciando assim. reduzindo o risco de perda de materiais usinados. − Redução elevada de problemas de poluição ambiental no processo de usinagem e economia de energia. estocagem e armazenamento dos materiais. Aliada a todas as vantagens técnicas e econômicas já mencionadas. conforto e segurança. − Possibilidade de aplicação da mistura asfáltica sobre superfícies úmidas e − Possibilidade de estabilização da mistura com Cimento Portland.186 Douglas F. No PMF denso utilizou-se emulsão . a liberação da camada mais rápido para o tráfego. O serviço de reperfilagem consiste na aplicação de uma camada de pequena espessura a frio ou a quente. em função de: − elevada quantidade de valas e remendos mal executados pelas concessionárias de serviços públicos. Os segmentos experimentais de reperfilagem com PMF denso foram executados com motoniveladoras devido a praticidade e maior disponibilidade destes equipamentos nas administrações regionais. Os PMF com emulsões asfálticas modificadas por polímeros estão sendo utilizados para os seguintes tipos de intervenções no Plano de Gestão em questão: − operação tapa-buraco e − reperfilagem (acerto de superfície).

portanto as considerações apresentadas são ainda de caráter preliminar. para a elaboração de especificações de serviço e suas respectivas composições de preços. na faixa I ES-P-10/PMSP na espessura média de 3.000 m 2 de rejuvenescimento de pavimentos urbanos em processo de deterioração. As diversas alternativas de rejuvenescimento de pavimentos acham-se em fase de monitoramento desde a sua implantação.5. há mais de um ano.5 cm.5. Além das utilizações.0 cm.1. Este projeto acha-se atualmente em pauta na Prefeitura de São Paulo. as que apresentaram melhor desempenho como camada de revestimento foram: − Micro concreto asfáltico a quente com polímeros do tipo SBS. Considerações Finais 8. na espessura média de 2. Segmentos Experimentais Os segmentos experimentais foram executados para uma avaliação da relação benefício / custo entre as diversas alternativas propostas tendo como objetivo a recuperação dos pavimentos urbanos através de novos processos construtivos e materiais. Uma análise preliminar de desempenho dos 16 segmentos experimentais construídos. faixa III ES-P-10/PMSP. para serviços de reperfilagem com posterior aplicação de um micro concreto asfáltico como camada de rolamento. levaram à decisão de se executar mais 160. empregou-se o PMF aberto. Cabe ressaltar que para vias de tráfego muito leve e leve a camada de reperfilagem executada com PMF denso pode servir como camada de rolamento. 8. já mencionadas para o pré misturado a frio. .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 187 Capítulo 8 asfáltica modificada por polímeros do tipo SBR. porém sem polímeros. No PMF aberto utilizou-se emulsão asfáltica convencional RL-1C. Das alternativas de rejuvenescimento adotadas e até o momento analisadas.

188 Douglas F. devido ao uso de asfaltos modificados por polímeros que propiciam uma maior acomodabilidade e flexibilidade da mistura asfáltica. também apresentou bom comportamento. apresentando baixo índice de trincamento e rejeição de agregados e com excelente acabamento. os que apresentaram melhor desempenho foram: − os segmentos executados com polímeros do tipo SBS. Esta intervenção pode ser executada com uma espessura inferior à tradicionalmente utilizada. Com relação aos segmentos experimentais com micro concreto asfáltico a frio. retardando ainda mais a propagação de trincas e melhorando a aderência pneu / pavimento. Após um ano não se detectou o aparecimento de trincas na superfície do revestimento. A melhoria na estrutura se deve principalmente a uma recuperação das condições de suporte do subleito pela redução de umidade. seguidos dos MCAF com SBR e fibras sintéticas e − Pré misturado a frio denso com polímeros do tipo SBR. apesar do nível de deflexões iniciais ser elevado e da grande incidência de trincas com erosão de borda no pavimento existente. No caso do micro concreto asfáltico a quente. obteve-se uma correção satisfatória da geometria da via e uma redução de aproximadamente 23% nos valores de deflexão estática.0 cm. . com espessura inferior a 3. em função da formação de um reticulado tridimensional na mistura asfáltica quando do uso de fibras. o acréscimo estrutural não é muito significante. Villibor e outros − Micro concreto asfáltico a frio com polímeros do tipo SBS. Mesmo com tal redução deflectométrica. portanto mais esbelto do que as camadas de recapeamento realizadas com CBUQ. Para a aplicação de MCAF com fibras sintéticas sem recobrimento de betume é imprescindível a utilização de equipamentos (caminhões usina) com dispositivos eletrônicos de dosagem e sistema eficiente de homogeneização. através da impermeabilização da superfície do pavimento existente. − o segmento executado com polímero do tipo SBR e fibras sintéticas.

observa-se que todos os tipos de MCAF apresentam uma textura semelhante a um revestimento de CBUQ. até então. Com esta medida consegue-se elevar o índice de serventia dos pavimentos a níveis aceitáveis. recapeamentos e recuperação pesada. é um primeiro passo para a implantação de um Sistema de Gerência de Pavimentos numa cidade de grande porte. devido a uma recuperação das condições de suporte do subleito pela redução de sua umidade de equilíbrio.2.5. Este Plano é de suma importância. uma vez que a infiltração superficial é minimizada pelos serviços de rejuvenescimento da superfície do pavimento existente.Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 189 Cabe ressaltar que no caso de revestimentos esbeltos. 8. o desempenho funcional do pavimento apresenta uma melhoria substancial pela eliminação de trincas e pela obturação prévia de panelas e depressões do pavimento existente. como o micro concreto asfáltico a frio. O Plano contempla também a introdução de alternativas de manutenção preventiva. somente executava serviços de manutenção corretiva através de operações tapa-buraco. . Além do mencionado anteriormente. Plano de Gestão de Manutenção Viária O Plano de Gestão de Manutenção Viária. Quanto ao aspecto da superfície do rejuvenescimento. espera-se a médio prazo. ora proposto. Introduzindo-se a manutenção preventiva. uma redução sensível nos gastos com recapeamentos e serviços emergenciais de tapa-buraco. No entanto há uma melhoria significativa no comportamento estrutural do pavimento. objetiva e econômica. porque introduz uma metodologia de avaliação simples. Pretende-se com a implantação deste Plano destinar parte dos recursos financeiros disponíveis na Prefeitura para manutenção preventiva (rejuvenescimento) de vias públicas. como por exemplo São Paulo. o aumento no valor estrutural é praticamente insignificante. oferecendo maior segurança e conforto aos usuários. A Prefeitura de São Paulo. até então inexistente em qualquer cidade brasileira. com a utilização de novas misturas asfálticas e procedimentos construtivos.

introduzir um índice de serventia urbano (ISU). Villibor e outros O Plano proporcionará a longo prazo um equilíbrio entre os gastos com manutenção preventiva e corretiva. . em níveis inferiores aos praticados atualmente. associando-as ao ISU e equacionar os recursos financeiros disponíveis para a manutenção viária. Portanto o objetivo principal do Plano. é padronizar o procedimento de levantamento de defeitos superficiais. uniformizar as soluções alternativas para manutenção preventiva.190 Douglas F. em questão.

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194 Douglas F. Villibor e outros .

Laboratório de Engenharia e Consultoria S/C Ltda. Dr. São Paulo Rua Catequese. Dr.com.br .Pavimentos de Baixo Custo para Vias Urbanas 195 Douglas Fadul Villibor Prof.Butantã CEP 05502-020 – São Paulo – SP Tel. Diretor de produção da LENC Alexandre Zuppolini Neto Mestre pela EESC-USP . São Paulo Job Shuji Nogami Prof.Diretor Presidente da LENC Endereço dos Autores LENC – Laboratório de Engenharia e Consultoria S/C Ltda. Diretor Técnico da LENC . Aposentado pela Escola Politécnica da USP José Roberto Cincerre Engenheiro consultor da Área de Pavimentos da LENC Paulo Roberto Miranda Serra Mestre pela EESC-USP. 78 . Aposentado pela Escola de Engenharia de São Carlos da USP (EESCar-USP).: (011) 2134-7577 e-mail: lenc@lenc.

Villibor e outros .196 Douglas F.