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Amenorréia

Amenorréia é a ausência de menstruação por no mínimo três ciclos, ou quando a
primeira menstruação (menarca) não surge.
Classificada em:
 Amenorréia primária: ausência de menstruação aos 14 anos associada à
falha no desenvolvimento sexual (características secundárias) ou ausência de
menstruação aos 16 anos, mesmo com o desenvolvimento sexual normal.
 Amenorréia secundária: ausência de menstruação por seis meses ou pelo
período equivalente a três ciclos.

É fisiológica na infância, pós-menopausa, gestação ou puerpério, e no primeiro ou
segundo mês pós-aborto (após esse período pode ser considerada patológica).
Conceitos:
- Atraso menstrual é a ausência de menstruação por período inferior a três meses.
- Amenorréia é a falta da menarca ou da menstruação por período superior a três
ciclos ou seis meses.
- Hipomenorréia é a diminuição do fluxo menstrual ou da duração.
- Oligomenorréia é a diminuição na freqüência das menstruações (>35 dias).
- Criptomenorréia é a menstruação que não se exterioriza (agenesia do colo, septo
transverso).

As causas são estudadas por compartimentos:
 Compartimento I são desordens do trato de saída do fluxo menstrual

 Compartimento II são desordens ovarianas

 Compartimento III envolve desordens hipofisárias

 Compartimento IV envolve desordens hipotalâmicas

Investigação > Anamnese detalhada!
Investigação de Amenorréia Secundária
Ø Todo caso de amenorréia secundária deve começar a ser investigado
pela exclusão de gravidez!

e nos casos de não regressão há indicação de cirurgia transesfenoidal. distinguindo causas hipergonadotrópicas (↑FSH) das hipogonadotrópicas (↓FSH). Outras: gestação.Coleta-se amostra de sangue para verificar os níveis de LH eFSH. sono. *Positivo quando há >LH e/ou FSH – sugere defeito hipotalâmico Investigação de Amenorréias Primárias . Neste caso houve Anovulação. . *Teste de progesterona é – quando não há o sangramento. Ø Teste da Progesterona: avalia o status estrogênico e o trato genital (compartimento I).Ø Depois dosagem de prolactina e TSH (simples e baixo custo).Administra-se acetato de medroxiprogesterona 10mg/dia por 5 dias OU progesterona micronizada oral 300mg/dia por 5 dias. sendo assim suspeita-se de obstrução do trato genital. etc. *Teste + é quando ocorre o sangramento. ausência de estrógenos circulantes(produção deficiente) ou endométrio não responsivo. (Bromocriptina e Cabergolina) *Macroadenomas – inicialmente o tratamento é clínico com os agonistas de dopamina. e administra-se 100mg de GnRH. endométrio responsivo e trato genital íntegro.Dosagens elevadas de FSH (>20U/L) indicam integridade do eixo hipotálamo- hipofisário e produção inadequada dos hormônios ovarianos – hipogonadismo hipergonadotrófico. . *Teste de progesterona é + quando há o sangramento 2 a 7 dias após o término do esquema. III ou IV. estresse. benzodiazepínicos.TSH: pode detectar hipotireoidismo subclínico (TSH ↑ e T4 normal) . *Microadenomas – são tumores <10cm e que o tratamento clínico para os casos que envolvem amenorréia é feito com agonista dopaminérgico. . e assim se exclui as causas uterovaginais *Teste – representa alteração do compartimento I (trato genital) Ø Dosagem do FSH: faz o diagnóstico diferencial entre as desordens do compartimento II. . para determinar origem da disfunção (hipotálamo ou hipófise) .25mg/dia ou estradiol 2mg/dia por 21 dias. com associação de progesterona nos últimos cinco dias. Ø Teste do estrogênio: baseado na administração de estrogênios combinados 1.Prolactina: geralmente está associada a uso de fármacos(antagonistas da dopamina. .Dosagens baixas de FSH (<5U/L) indica que não está ocorrendo produção ovariana por ausência de estímulo central – hipogonadismo hipogonadotrófico. etc) ou de adenomas produtores de prolactina. lactação. com posterior avaliação. . significando presença de estrógenos circulantes. coito. pois a dopamina inibe a síntese de prolactina.RNM e TC para rastreio de tumores do SNC (níveis baixos ou normais de gonadotrofinas) Ø Teste do GnRH: Utilizado nos casos de hipogonadismo hipogonadotrófico.Este exame avalia a resposta endometrial e a viabilidade do trato de saída.

Positivo fala a favor de hipotálamo .. o problema se encontra no trato de saída (útero/vagina) .Se negativo.São analisadas de acordo com a presença ou ausência dos caracteres sexuais secundários. . Realiza-se o Teste de Estrogênio . falha da terapia de supressão com progesterona(negativo). Situações! .Os pulsos de GnRH recebem influência de opióides endógenos. Obs: fatores psíquicos. desnutrição.. Ach e peptídeo intestinal vasoativo. 2.. Realiza-se o Teste da Progesterona .Negativo fala a favor de hipófise Amenorréias Hipotalâmicas Estas ocorrem quando a diminuição dos pulsos de GnRH é grande..Achados: níveis normais de prolactina. inibindo-o e alterando o ciclo menstrual. 3. e as catecolaminas. FSH e LH altos – disgenesia gonádica 2. melatonina e GABA.Se positivo ocorreu anovulação . fazendo parte do hipogonadismo hipogonadotrófico. com ação estimulatória. Propedêutica COM caracteres sexuais secundários 1. .Se positivo (eixo hipotálamo-hipófise-ovário). . Realiza-se a Dosagem de FSH Amenorréias SEM caracteres sexuais secundários ↓ 1. com ação inibitória. exercícios apresentam influência sobre os pulsos de GnRH.Se negativo.A maioria das amenorréias secundárias possui origem hipotalâmica. resposta normal ao estímulo de estrogênio e progesterona (positivos). Rx de sela túrcica normal. doenças crônicas. FSH e LH baixos – teste de GnRH .Deve-se excluir causas hipofisárias .

5. Comum em maratonistas. Pseudociese (gravidez psicológica) 3. esteróides adrenais e endorfinas. 1. 2. Exercícios físicos – rotina exaustiva de atividade física leva a irregularidade menstrual. Morgani-Stewart-Morel e Síndrome de Froechilich 7. estresse e liberação de endorfinas. esclerose múltipla. Estados de grande tensão – o estresse acarreta alterações cortiço- hipotalâmicas que se manifestam por distúrbios no mecanismo de retroalimentação. metildopa provocam amenorréia pelo aumento dos níveis de prolactina. Outras drogas como metoclopramida. etc) . infantilismo sexual e anosmia ou hiposmia (diminuição da olfação). peso crítico (percentual de gordura muito diminuído). bailarinas.Outras síndromes: Lawrence-Moon-Biedl (amenorréia primária. Drogas – androgênios etranqüilizantes por exemplo são capazes de levar à amenorréia também por feedback negativo. polidactilia e braquidactilia). baixa estatura. essas mulheres apresentam gonadotrofinas e hormônios tireoidianos em níveis reduzidos e níveis elevados de prolactina. Doenças degenerativas ou inflamatórias (meningite. Tumores Amenorréias Hipofisárias 1. retardo mental. gasto energético.A supressão do GnRH se deve a alterações de neurotransmissores. Distúrbios alimentares (bulimia e anorexia nervosa) – a supressão de GnRH é atribuída a alterações pssíquicas 4. . Tumores – são os mais freqüentes nas causas de amenorréia hipofisária 2.Síndrome de Kallman é causada por uma falha na migração de células neuronais olfatórias e das células produtoras de GnRH. Amenorréia pós-pílular – os anticoncepcionais orais podem levam à amenorréia por um feedback negativo. encefalite. testosterona. GH. Na mulher consiste em amenorréia primária (secreção deficiente de GnRH). Os níveis de gonadotrofinas são baixos. Neuropatias . Respondem à administração de GnRH exógeno. 9. Geralmente não persiste por mais de 6 meses 8. . Atraso constitucional da puberdade (amenorréia primária – e causa mais comum de puberdade tardia) 6. os ovários pequenos. ACTH.

Síndrome de Sheehan – esta síndrome resulta de necrose hipofisária secundária à isquemia local. e neste caso não ocorre hipogonadismo pois a produção estrogênica é normal. Disgenesia Gonodal é a principal causa de amenorréia primária e geralmente está associada à Síndrome de Turner – ovários em fita. cirurgias. vagina e trompas presentes mas infantilizados. É causada por uma assincronia entre a secreção de gonadotrofinas e estrogênio. Esses pacientes apresentam risco aumentado de osteoporose. Assim não ocorre o feedback negativo. mamilos excessivamente separados.ocorre nos indivíduos com fenótipo feminino e que possuem gônadas em fita. E o setor gonadotrófico é o mais acometido. pescoço alado. que pode ocorrer função do espasmo das artérias pituitárias. nem inibina. Síndrome de Sela Vazia – é um defeito congênito em que a hipófise encontra- se deslocada. no choque hipovolêmico no parto. 4. 5. caracteres sexuais secundários não evidenciados. que provoca insucesso na maturação folicular e ovulação 2. Causas: 1. Amenorréias Gonodais Nestes casos a produção de estrogênio pelos ovários é insuficiente ou ausente para a ocorrência da ovulação e da estimulação endometrial. pernas curtas. e pode ser adquirida (irradiação pélvica. Tumores ovarianos com atividade endócrina . 3. > Disgenesia gonodal pura . útero. quimioterapia. processos infecciosos. Falência ovariana precoce é quando ocorre falência ovariana antes dos 40 anos de idade. Síndrome de Simmonds – mesma etiologia da síndrome de Sheehan. 3. anormalidades cardiovasculares. Anovulação Crônica significa falhas repetidas da ovulação.Outras alterações: retardo do crescimento. infantilismo sexual. Mas há uma alteração nos mecanismos de feedback do eixo hipotálamo-hipófise- ovariano. Síndrome de Savage (rara) é determinada pela resistência ou ausência dos receptores ovarianos à ação das gonadotrofinas. mas não apresenta relação com o parto. que não produzem hormônios esteróides. e há o aumento das concentrações de gonadotrofinas (hipogonadismo hipogonadotrófico). Há níveis elevados de FSH. 5. provocando assim amenorréia secundária associada a ausência de lactação. implantação baixa dos cabelos e das orelhas. . tumores) ou idiopática. 4. rins em ferradura/alterações renais.

2. 5. . 4. . Hermafroditismo verdadeiro (muito raro) 3. Hiperplasia supra-renal congênita provoca uma incapacidade de produção de enzima totalmente funcionante. Insensibilidade incompleta aos androgênios. aumento compensatório dos níveis de FSH e acúmulo dos precursores da enzima afetada na corrente sanguínea. que provoca: diminuição da produção de cortisol. 6. Deficiência de 5-alfa-redutase (XY) – esta enzima converte testosterona em diidrotestosterona que é responsável pela exteriorização da genitália externa Amenorréias Úterovaginais 1. Síndrome de Morris – é a insensibilidade periférica a androgênios em indivíduos 46XY.É a principal causa de genitália ambígua nos fetos femininos. Malformações dos ductos de Muller – esses ductos originam a genitália interna feminina. Malformações associadas à amenorréia podem corresponder à agenesia ou hipoplasia uterina ou a causas obstrutivas como septo vaginal transverso e imperfuração himenal. 6. Síndrome de Asherman / Atrofia do endométrio / Tuberculose genital.