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Por que uma boa relação entre professor e aluno pode fazer a diferença na Educação?

por Ricardo Falzetta
07/02/2017 08:51

O professor precisa de condições adequadas para exercer sua função. Além de uma
infraestrutura básica, ele deve combinar sua metodologia ao perfil da turma e,
consequentemente, dos alunos, atendendo às suas necessidades específicas. Entretanto, nem
sempre o magnetismo do professor e o interesse de seus estudantes estão alinhados.
Um grande exemplo dessa desarmonia é que o docente brasileiro é um dos que mais
tempo de aula utiliza para sanar problemas relacionados à convivência em classe, amargando,
assim, difíceis relações interpessoais com os estudantes. Tal diagnóstico aparece em estudos
como a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS), da Organização par a
Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), e da Conselho de Classe, da Fundação
Lemann, datados de 2013 e 2015, respectivamente.
Segundo as pesquisas, os conflitos não apenas são um fator deteriorante para a saúde
do docente, mas também impedem a escola de cumprir sua missão: que todos os alunos
aprendam.
Situações desse tipo significam, para os professores experientes, repetir a frustração de
ter de lidar com uma aparentemente insolúvel indisciplina. Já para os professores iniciantes,
trazem o medo de não se fazer ouvir e a ansiedade de não ter sido preparado para a realidade
da escola.
As duas pesquisas revelam, além da sobrecarga dos docentes, uma provável omissão
das instituições na criação de um planejamento transversal que trabalhe as relações
interpessoais - o que pode ocorrer, por exemplo, por meio de campanhas de boa convivência e
valorização das diferenças no ambiente escolar.
Ainda que um trabalho institucional seja feito, os professores invariavelmente terão de
lidar com alguns problemas de convivência em classe. Porém, tais circunstâncias não

precisam tomar a dimensão de conflitos crônicos que impeçam ou impactem negativamente a
aprendizagem da turma.
É preciso que os professores se apropriem de conhecimentos que muitas vezes lhe são
negados na formação inicial. É por isso que um grupo de pesquisadoras da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp) tem trabalhado a temática da convivência na escola,
investigando caminhos para solucionar questões que afligem docentes e alunos.
Segundo elas, é preciso entender que os termos “indisciplina” e “transgressão” têm
assumido diversas interpretações ao longo do tempo. Isto é: nem sempre uma turma agitada,
onde os alunos falam muito, por exemplo, será uma turma indisciplinada. Da mesma maneira,
um aluno ordeiro e quieto não é garantia de bom desempenho. Portanto, é preciso derrubar os
estereótipos que exaltam a ordem acrítica e o silêncio apático.
Para que o desrespeito saia da aula, o debate democrático e o diálogo têm de entrar.
Ouvir os estudantes, seus sonhos e projetos de vida deve ser uma iniciativa constante,
incorporada ao projeto político pedagógico da escola - ou seja, além das “dinâmicas quebra-
gelo” do início de ano letivo.
Os especialistas apontam que estimular o comportamento autônomo e a reflexão ética
é o caminho para solucionar os conflitos de maneira mais harmônica, pois em vez da punição,
essas ações valorizam a internalização do respeito ao próximo. Conhecer os estudantes e suas
realidades socioeconômicas também é fundamental. Atividades de escuta e conhecimento
mútuo entre alunos e docentes contribuem para que haja menos conflitos e,
consequentemente, mais tempo dedicado à aprendizagem.
Uma boa opção para se inteirar dessas ideias é o livro “100 perguntas que vão dar o
que falar”, do movimento Todos Pela Educação, que traz a escuta no centro das atitudes em
prol da melhoria da Educação. A publicação é direcionada a pais com filhos em idade escolar
mas tem, desde 2014, encontrado uso também na sala de aula. Questões como “O que você
mais gosta na escola?”, “Qual profissão você acha legal?” ou “O que te faz feliz?” servem
como um disparadores de diálogos. O livro pede que as respostas sejam registradas e, por
isso, o material pode ser arquivado e utilizado para traçar atividades pedagógicas.
Perguntar não faz mal e não tem contraindicação. Os professores precisam aproveitar o início
do ano letivo para traçar situações de diálogo e criar uma base de confiança e autonomia com
os alunos, especialmente os adolescentes e jovens. Dessa maneira, o desperdício de tempo
com conflitos pode ser evitado, potencializando, assim, a aprendizagem.

Fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/todos-pela-educacao/post/por-que-uma-boa-relacao-entre-professor-e-
aluno-pode-fazer-diferenca-na-educacao.html

silencia sobre os critérios para concedê-la. O Projeto de Lei. No Inciso II. portanto. a certificação é conferida por uma banca de “professores notáveis” da rede estadual. seriam seus potenciais estudantes? A formação de professores oferecida por instituições reconhecidas por seu mérito acadêmico e científico exige que os alunos não apenas dominem os conteúdos específicos de . contudo. em tese. Propõe a certificação de conhecimento para professores da educação básica. não consiste em atalho a qualquer processo de formação. “Notório saber” na educação desonera o Estado de sua responsabilidade A estratégia coloca em sala de aula professores sem a qualificação adequada e ataca os cursos de formação docente Ana Archangelo 6 de fevereiro de 2017 O “notório saber” é medida de caráter excepcional para reconhecimento público de conhecimento e erudição. em qualquer área do conhecimento. O Artigo 1º do PL prevê que a certificação pode ser feita por dois caminhos. escolhida pelo Dirigente de Ensino de cada região. apenas o previsto no problemático Inciso I do Artigo 1º. A que serve esse silêncio? Como certificar o “notório saber”? Mediante prova de conhecimentos específicos? Ou prova didática. Em sua origem. qual seria o interesse de uma Instituição de Ensino Superior em fornecer o certificado de “notório saber” àqueles que. e para qualquer nível de ensino. subverte por completo seu sentido original. contudo. Não fosse inviável pela ordem de grandeza dos números relativos ao sistema de ensino paulista. Nele prevê-se que a certificação será feita por Instituições de Ensino Superior. que comprove competência pedagógica? Prova de títulos? Por meio de quais critérios o postulante deverá ser avaliado? Mais ainda. Sua finalidade precípua é reduzir o déficit de professores da rede estadual de ensino. O Projeto de Lei 839/2016. ampliando o contingente de profissionais “habilitados” a assumir a árdua e relevante tarefa de formar nossos jovens. poderíamos dizer que tal inciso guarda o mérito de alguma elegância. Viável. valendo-se da Medida Provisória 746/2016.

em especial em algumas áreas do conhecimento. Filosofia e História. Em uma formação sólida. supervisionado e problematizador com a realidade educacional. em outros. Didática. O Estado se desincumbe da responsabilidade pelo déficit de professores. é o que exige a Deliberação 111/2012 (126/2014). A curto prazo e a um só tempo. Ciências Sociais. e de inúmeras medidas tomadas para desvalorizar a carreira docente. isenta o Estado de sua responsabilidade com as políticas de formação de professores e de valorização da carreira docente. sociais. culturais. tenham o contato qualificado.uma área de conhecimento. a quem as licenciaturas seriam atrativas? A médio prazo. em prol de medidas paliativas. Políticas Educacionais e. Ana Archangelo é professora da Faculdade de Educação da Unicamp e Presidente da Comissão Permanente de Formação de Professores da Unicamp (CPFP) . com a sala de aula. a prática não está desarticulada da compreensão profunda dos processos históricos. inclusive. portanto. por meio das quais se expressa um profundo descaso para com a formação de professores e com a educação das crianças e jovens em nosso país. e que decorre da negligência para com a educação pública. Nesse cenário. desaconselhável. Metodologia de Ensino. que é real. editada pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Nossa história recente tem nos mostrado que quando a educação é compreendida como privilégio para poucos ou como mercadoria de baixa qualidade para muitos. as distorções são inúmeras. com a prática pedagógica. em alguns casos. Isso. mas transitem entre conhecimentos de Psicologia. Mais uma vez assistimos a uma dinâmica que lança mão da negação dos reais determinantes do problema que o Projeto de Lei diz pretender solucionar. coloca em sala de aula professores sem a qualificação adequada e ataca os cursos de formação de professores comprometidos com a melhoria da qualidade da educação básica. e os danos. A adoção do “notório saber” para a Educação Básica é nociva a curto e a médio prazos e. sérios. psicológicos constitutivos dos sujeitos- aprendizes. e não como direito social. Esses cursos concorrerão com a formação técnica e a possibilidade posterior de certificação de notório saber para a docência. fundamentalmente. das instituições e da sociedade.

principalmente. Também prevê a flexibilização do currículo.em parte da rede.no mínimo sete horas por dia . de maneira gradativa. Agora só falta o presidente Michel Temer (PMDB) assinar . entretanto. Não há previsão para que isso aconteça. A reforma do ensino médio tramitava em forma de projeto de lei elaborado por uma comissão especial de deputados desde 2013. restando apenas ao Congresso confirmá-las ou rejeitá-las. A ideia é que . A maneira como o processo foi conduzido. Mendonça Filho. principalmente.Fonte:http://www. ou seja. A justificativa do ministro da Educação. num processo gradual O Senado confirmou na quarta-feira (8) o texto da Medida Provisória que institui a reforma nacional do ensino médio. O governo Temer. As MPs entram em vigor assim que são publicadas. têm efeito imediato. A reforma quer implementar o ensino integral . é de que há uma “necessidade urgente de mudar a arquitetura legal desta etapa da educação básica” motivada. pelos maus resultados dos estudantes no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).e não há chance de isso não acontecer.cartaeducacao. pelos Estados. que ainda irá julgar a questão. motivou duas ações de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. decidiu acelerar o processo via MP editada em setembro de 2016. Temer classificou a reforma como um "instrumento fundamental para a melhoria do ensino" no país. sem diálogo com a sociedade e os envolvidos.com.br/artigo/notorio-saber-na-educacao-desonera-o-estado-de-sua- responsabilidade/ Quais os desafios na implantação da reforma do ensino médio nas escolas Tatiana Dias 10 Fev 2017 (atualizado 11/Fev 13h40) Projeto editado por Medida Provisória e confirmado pelo Congresso será executado.

pode dificultar a implementação da reforma. “Participando.” “Na educação não se toma decisão por MP. Na prática. mudanças no setor educacional são discutidas de forma ampla e aprofundada . “Não dá para fazer uma reforma sem discussão porque senão ela não pega. responsáveis por essa etapa do ensino. disse ao Nexo Ricardo Falzetta. começarem a fazer efeito para os estudantes. E isso demanda mais tempo”. apesar de já estar valendo desde setembro de 2016. dizem que a maneira como o processo foi conduzido . Eles terão apenas algumas disciplinas obrigatórias: matemática. as pessoas se tornam co-autoras e vão se apropriando da política. Essa discussão aproxima a comunidade escolar do tema e faz com que eventuais dificuldades na implementação sejam solucionadas ainda na fase de projeto. E a implementação caminha de forma mais suave. diz Antonio Gomes Batista. filosofia e sociologia. gerente de conteúdo do Movimento Todos pela Educação. Cultura e Ação Comunitária). artes. Até lá. pelos Estados. linguagens e formação técnica e profissional .a serem escolhidos pelos alunos. no entanto. Os desafios práticos para a implementação Ela depende da comunidade escolar Tradicionalmente. As duas últimas estavam de fora do texto anterior. Estados e direções regionais de ensino buscarão a melhor forma de fazê-lo. coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação. português. A expectativa é de que as mudanças previstas pela reforma estejam em funcionamento a partir de 2019. as mudanças têm de acontecer de uma forma mais pensada e planejada.sem debate prévio com o setor educacional . É uma área muito complexa. de fato. será implementada de forma gradual. humanas. Especialistas em educação consultados pelo Nexo. mas acabaram incluídas na votação do texto no Congresso.a própria reforma já vinha sendo debatida desde 2013 no projeto de lei na Câmara. educação física. a reforma. há gargalos e questões que só aparecerão quando as mudanças.os estudantes façam as disciplinas básicas e possam adaptar o currículo à área que pretendem seguir ou têm mais afinidade. Para os especialistas. Faz parte do processo de implementação a participação dos envolvidos no processo”.ciências da natureza. Michel Temer diz que o modelo aproximará "a escola do setor produtivo". “Não há representação . pois depende dos professores e educadores que desconhecem a política. uma decisão tomada de forma vertical é mais difícil de ser implementada. Além disso. O restante do currículo será organizado em “itinerários formativos” .

A expectativa é de que o governo apresente a nova versão da base. ou seja.que já estão com os cofres esgotados. no entanto. muito menos professores”. Mas ninguém sabe. Não se sabe. coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. o que ela conterá. “A tendência dessa reforma concreta é que a implementação da educação em tempo integral se dê apenas quando tiver suporte do governo federal”. Cerca de 25% dos jovens de 17 anos que deveriam estar no terceiro ano do ensino médio estão fora da escola. próspero. A base só vem depois Segundo a reforma. Mas o que é a “base”? Na prática. critica Antonio Gomes Batista. “O sistema atual é o mais injusto do mundo. diz Daniel Cara. 60% do currículo escolar será das disciplinas da base. “Primeiro o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) irá se adequar e em seguida deve haver uma reação em cadeia que adeque os demais vestibulares”. O problema é que haverá um aumento considerável nos gastos para os Estados . diz Antonio Gomes Batista. “Tudo leva a crer que o Enem será modificado”.estudantil que apoie a reforma do ensino médio. o nível de debate sempre foi muito restrito”. ao certo. “Imagina fazer em 7 horas o que se faz muito mal em quase 5 horas. diz Daniel Cara. econômica e socialmente se houver uma .o que não foi detalhado na reforma. a Base Nacional Comum Curricular. ela ainda não foi definida. Só haverá um país justo. O Ensino Fundamental e o Enem Os currículos do Ensino Fundamental e dos exames de ingresso no ensino superior terão de ser adaptados para o novo ensino médio. Em discussão no Ministério da Educação. diz Cara. a maior carga horária pressupõe um bom projeto pedagógico . Ensino integral A reforma prevê que parte das escolas terá ensino integral. decidirá quais são as disciplinas obrigatórias para os estudantes no país. um milhão de jovens. Suas versões anteriores foram discutidas levando em conta o modelo tradicional do ensino médio e não o reformado. “Durante todo o processo. pensada para a reforma. até o meio do ano de 2017. Não é simples a agenda da educação integral”. Além disso. como serão feitas essas mudanças. disse ao Nexo Daniel Cara. A relação entre a reforma e a desigualdade O governo defende que a expansão da rede integral será feita como combate à desigualdade.

Mas não obriga. em geral. são os alunos que já têm melhores condições socioeconômicas que conseguem estudar em escolas integrais.com. por exemplo. declarou o ministro da Educação ao defender a expansão do ensino integral. as escolas a ofertarem todas as áreas. O governo defende o aumento da carga horária para os estudantes . diz Falzetta. como escolas técnicas. Os alunos que ficam em determinada região não vão ter?”. “É uma coisa boa em tese. no entanto. a mudança no currículo e a implantação do ensino integral têm potencial de agravarem a desigualdade social no país. que contribui para a desigualdade estrutural. garante mais tempo de estudo”. diz Antonio Gomes Batista. A implantação dos itinerários formativos.e já aprovou uma portaria para incentivar a implantação de mais escolas com ensino médio em tempo integral. de fato. Para os dois especialistas. O problema. reproduzida na escola. Os mais pobres ficam com o ensino parcial . que garantem melhores resultados. sistemas com mais condições financeiras poderão investir em infraestrutura mais cara. “Vivemos em um país extremamente desigual e as redes têm condições completamente diferentes. Nada disso foi discutido”. Assim. O texto da reforma diz que “os sistemas de ensino poderão compor os seus currículos com base em mais de uma área”. questiona. A oferta dos itinerários pode se tornar desigual conforme a capacidade de cada uma”.educação fortalecida”. Fonte: https://www.nexojornal.porque. A implantação do ensino integral em parte da rede provoca o mesmo questionamento. quer permitir que os estudantes escolham as áreas a que eles querem se dedicar. “Pode ser que você não tenha condição de ter isso em todos os Estados. “Há uma desigualdade de base.br/expresso/2017/02/10/Quais-os-desafios-na-implanta %C3%A7%C3%A3o-da-reforma-do-ensino-m%C3%A9dio-nas-escolas . segundo ele. por exemplo. também precisam trabalhar. diz Batista.

O processo de mudança é longo e a expectativa é que comece a chegar nas escolas em 2020. professores e entidades querem participar da reforma do ensino médio 12/02/2017 14h00 Brasília Mariana Tokarnia . A maior parte das escolas define projetos de forma alheia à comunidade escolar. um ambiente escolar adequado no que diz respeito à infraestrutura. a valorização dos professores. Definida. a BNCC encontra-se em discussão no Ministério da Educação (MEC). a BNCC terá que ser aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). precisa de um bom projeto político-pedagógico. incluísse professores e alunos na . as ações em cada escola para colocar em prática a nova estrutura. que vai delimitar o conteúdo mínimo que os estudantes tem direito de aprender em todas as escolas. a definição dos currículos em âmbito estadual . Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. que nortearão.Repórter da Agência Brasil Aprovada a reforma do ensino médio. Atualmente. Daria mais resultado se revissem o processo de gestão da escola. o país deverá definir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Estes são os primeiros passos para colocar em prática uma reformulação da etapa de ensino que concentra os piores indicadores educacionais. definindo também novos projetos político-pedagógicos. As escolas terão que se adequar ao novo modelo. Isso não funciona. Depois. Daniel Cara. "Para funcionar. professores e movimentos sociais querem fazer parte das definições e demandam maior participação. começa uma nova etapa.Estudantes. Aproveitar a energia que surgiu nesse processo e fazer com que esse processo faça sentido. entre outras questões. uma reforma do ensino médio deve levar em consideração a comunidade escolar. Como integrantes do sistema.a serem elaborados com base na BNCC e aprovados nos respectivos Conselhos Estaduais de Educação. estudantes.

em São José dos Pinhais (PR). Heleno Araújo. No ano passado. "Ter estudado em escola pública me fez compreender a educação como ferramenta que pode mudar o mundo. As instituições de ensino também terão que se adequar na formação de professores para o novo modelo de ensino médio. A Campanha é uma rede que reúne mais de 200 entidades civis voltadas para educação. Precisamos mudar a ferramenta. que sempre estudou na rede pública. "A suposta boa perspectiva que é a extensão da carga horária para a educação em tempo integral. está em risco porque os governos não têm recursos para aumentar a carga horária e o novo regime fiscal [definido pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto. em conjunto com outros movimentos educacionais. que passa o que estudantes precisam decorar para o Enem". questões de gênero. Ela deseja uma escola mais próxima da realidade. Camila. "Esses assuntos têm que ser debatidos com mais seriedade na escola". Camila. "A reforma foi completamente açodada e isso gerou um texto de difícil aplicabilidade".que restringe os gastos do governo pelos próximos 20 anos . Escola mais próxima à realidade Os estudantes também querem maior participação. A UBES. Camila Lanes. o fato de a reforma ter sido feita por meio de medida provisória e de o debate ter sido acelerado pelo tempo de tramitação da matéria. Na avaliação de Cara. diz que já viu professores chorarem em sala de aula por falta de pagamento. destaca a . sancionada como Emenda Constitucional 95] não permite que o apoio do governo federal seja consistente". diz a presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). acrescenta. diz. Professores Para os professores e demais trabalhadores em educação. violência. que estudava até o ano passado no Colégio Estadual Costa Viana. compreendem o que é uma escola pública". que trate de questões como gravidez precoce. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). prepara um documento com uma proposta de reformulação do ensino para entregar ao governo e ao Congresso Nacional. "Os estudantes estão mais politizados e têm mais consciência.levaram à várias manifestações e ocupações de mais de 1 mil escolas e universidades.discussão". prejudicou a elaboração de um texto que fosse mais exequível. participou da ocupação da escola. suicídio. drogas. diz. ideia que em tese pode ser positiva. não precisamos de escola que reproduz preconceitos. a demanda é por melhores condições de trabalho e melhor formação. tanto a reforma do ensino médio quanto a PEC do Teto .

Segundo o MEC. Fred Amâncio. No fim do ano passado. O documento repudia a iniciativa do governo federal de promover. o presidente do Consed. diz.ebc. A reforma traz a questão prejudicial que é o notório saber”. Rodrigo Janot. diz que cada ente definirá como serão as discussões. Maria Helena Guimarães. Fonte: http://agenciabrasil. “O curso de complementação da formação quase nunca é oferecido. quase 40% dos professores de escolas públicas não têm formação adequada. mas que a tendência é incluir toda a comunidade escolar nas próximas decisões. por meio de medida provisória. Mendonça Filho. defendeu a urgência de uma reforma como justificativa para a edição de uma MP e ressaltou que a questão é discutida há anos.importância da formação e ressalta que atualmente muitos professores não são formados na área que lecionam. uma reforma sem debate ou consulta à sociedade.com. passa a ser permitido que professores sem diploma específico possam dar aulas no ensino técnico e profissional.br/educacao/noticia/2017-02/estudantes-professores-e- entidades-querem-participar-da-reforma-do-ensino . Pelo texto da reforma do ensino médio. A CNTE e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) divulgaram um manifesto contra a MP do Ensino Médio. Nos estados. A secretária executiva do MEC. enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual afirma que a medida provisória de reforma do ensino médio é inconstitucional. disse que a MP prevê a flexibilização do ensino médio com o objetivo de torná-lo mais atraente para o jovem. o procurador-geral da República. O ministro da Educação.

não deve chegar imediatamente a todas as escolas. teremos até 2020 para iniciar o processo. As escolas. Parte da formação (40%) será voltado para a ênfase escolhida e o restante do tempo. A BNCC do ensino médio será definida pelo MEC e encaminhada para a aprovação do Conselho Nacional de Educação (CNE). elemento fundamental para a implementação da reforma ainda está em discussão no Ministério da Educação (MEC). definida pela Base Nacional Comum Curricular. diz. A reforma do ensino médio define que as escolas devem passar a oferecer opções de itinerários formativos para os estudantes.Repórter da Agência Brasil Aprovada nessa quarta-feira (8). Eles deverão optar por uma formação com ênfase em linguagens. matemática. acredita que a reforma deve ser implementada em 2020 porque não há tempo hábil. A previsão é dos estados e das escolas particulares. poderia começar a vigorar em 2019. para a formação comum.Reforma do ensino médio poderá entrar em vigor apenas em 2020. "Se isso ocorrer no segundo semestre. Começa agora uma etapa de discussão nos estados de como se dará a implementação". A diretora da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep). Os estados devem começar a implementar o novo modelo no segundo ano letivo subsequente à data de publicação da BNCC. Amábile Pacios. sobretudo para o setor público se adequar. caso aprovada no primeiro semestre. Isso pode ser antecipado para o primeiro ano. ciências da natureza. a reforma do ensino médio poderá ser implementada apenas em 2020 e ainda assim. dizem estados 12/02/2017 11h03 Brasília Mariana Tokarnia . precisam ter os projetos político- . desde que com antecedência mínima de 180 dias entre a publicação da Base Nacional e o início do ano letivo – ou seja. para depois retornar à pasta para homologação. "Quem entra nos holofotes agora é a Base. de várias definições. o início da implantação da reforma é atrelado à Base". Isso porque a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). segundo ela. ciências humanas ou formação técnica. Claro que vai depender de grande discussão.

o ensino médio tem 8. a implementação da MP recairá principalmente sobre os estados. “Será um desafio para os estados. a maioria já está adequada à nova regra. A ajuda. a rede particular também terá que se adequar. a maioria em escolas públicas (87%) da rede estadual (80%). Em termos de implementação cada estado poderá definir a melhor forma de ofertar os itinerários formativos. diz Amâncio. ou seja. para o ensino médio. "O setor [privado] é mais ágil na mudanças. Isso impacta no tempo de implementação da reforma. Uma das possibilidades é que um conjunto de escolas próximas ofertem cada uma um itinerário e atenda também os estudantes das demais. Cada estado vai depender das suas contas. para ofertar educação em tempo integral. que seria por até quatro anos. Uma delas é o Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral oferece. O governo federal já anunciou duas principais linhas de auxílio aos estados. Ao todo. Outra linha é o MedioTec destinado a ofertar formação técnica e profissional a estudantes do ensino médio. segundo ele. Já nas escolas particulares.1 milhões de matrículas. uma vez que vários estados enfrentam crises e endividamento. mais da metade dos estados ainda têm a carga horária de 4h. De qualquer maneira. “Sabemos que a reforma tem um impacto [no orçamento]. Segundo Amâncio. As escolas particulares estudam parcerias entre si. que define as normas e as propostas a serem implementadas. segundo Amábile. Fred Amâncio. O financiamento será um dos grandes entraves. foi prorrogada para dez anos. Atualmente. A reforma se estende a todas as escolas. Mudanças A reforma do ensino médio define ainda que as escolas devem ampliar a carga horária para 5 horas diárias . não é questão apenas de vontade”. Nessa . Segundo o presidente do Consed. isso fará com que a ênfase em ensino técnico seja a primeira a entrar em vigor nas escolas.atualmente a obrigação é 4 horas diárias .em cinco anos. A intenção é que progressivamente ampliem a carga horária para 7 horas diárias. ou seja. mas no final depende da secretaria de educação.pedagógicos encaminhados às secretarias de educação para começarem a implementar as mudanças. cada um vai ter que fazer o seu planejamento”. diz. serão ofertadas 82 mil vagas. R$ 2 mil a mais por aluno por ano para ajudar os estados. vamos fazer a melhor proposta e prestar o melhor serviço".

e parte para itinerários formativos. Às vésperas da apresentação.1 milhões de matrículas. atualmente em discussão no Ministério da Educação (MEC). Atualmente.ebc. Algumas estão mais adiantadas e pretendem começar a colocar o modelo em prática em 2018.semana foi feito um workshop em Brasília para os secretários estaduais. a maioria em escolas públicas (87%) da rede estadual (80%). Fonte: http://agenciabrasil. ciências da natureza. como São Paulo. a Agência Brasil conversou com alguns dos secretários sobre as mudanças previstas na MP e sobre como estão se organizando para implementá-las. ciências humanas. a crise financeira implica que o estado tome "uma fase de cada vez". e formação técnica e profissional.com. a implementação da MP recairá principalmente sobre os estados.no encontro do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). o ensino médio tem 8. progressivamente. relator da Medida Provisória (MP) 746/2016. Entre as principais alterações que constam na MP estão a ampliação da jornada escolar das atuais quatro horas obrigatórias por dia para sete horas. que serão escolhidos pelos estudantes. A MP define cinco itinerários: linguagens. o senador Pedro Chaves (PSC-MS).Repórter da Agência Brasil Nesta semana. deverá apresentar seu parecer à comissão mista que analisa a medida no Congresso Nacional. apenas português e matemática serão obrigatórios nos três anos do ensino médio. Quanto à estrutura curricular. matemática. As realidades são diferentes em cada unidade da Federação. Com a flexibilização.br/educacao/noticia/2017-02/reforma-do-ensino-medio- podera-entrar-em-vigor-apenas-em-2020-dizem-estados Veja como os estados pretendem implementar a MP do Ensino Médio 28/11/2016 07h46 Brasília Mariana Tokarnia . . Para o Rio de Janeiro. que estabelece a reforma do ensino médio. encerrado sexta-feira (25) em Brasília. A expectativa é que o programa comece a funcionar no segundo semestre. ou seja. a MP estabelece que parte do ensino médio seja voltada para os conteúdos que serão definidos na Base Nacional Comum Curricular.

educadores e estudantes. no entanto. que elegerão representantes para discussões nas regionais de ensino. A MP sofre resistência no país por parte de professores. as discussões ainda estão em curso. diz a representante da Subsecretaria de Infraestrutura da Secretaria de Educação. socializamos melhor o dinheiro investido no centro de formação. Os debates serão levados às escolas. que promovem atos. onde metodologias de ensino semelhantes já são aplicadas. Segundo o secretário de Educação. que a MP será aplicada e que o estado tem escolas de referência. Para os secretários. Quanto à oferta de ensino técnico. com todas as vagas que lhe são reservadas. os mesmos questionamentos. greves e ocupações em diversos estados. Rio de Janeiro Diante de uma grave crise financeira. diz. na medida em que você o coloca à disposição do maior número de alunos. Quando planejamos esse desenho. "É importante que tenhamos um ensino médio que contemple as possibilidades de o aluno ser protagonista do processo e poder optar de acordo com a sua área. uma das propostas é colocar à disposição dos estudantes os cursos oferecidos nas escolas técnicas que já existem e serão construídas no DF e ampliar a oferta para além dos estudantes que fazem o ensino médio nesses locais. escolas que concentrem um ou alguns dos itinerários formativos e que os estudantes tenham escolas mais ou menos próximas umas das outras. Júlio Gregório. Ela afirma. integrando a educação". ou seja. ao Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral para o ensino médio. Julia Sant'anna. com várias possibilidades para que possam escolher. . Existe um orçamento. Isso deverá facilitar a ampliação para a rede. "Todos os estados estão com a mesma dificuldade. "Esse desenho de articulação permite inclusive a otimização do orçamento. pelo qual o MEC oferece R$ 2 mil a mais por aluno por ano para ajudar os estados. o desafio é também promover o diálogo com os diversos setores da educação. sua aptidão". existe uma arrecadação. isso tem que ser adaptado". o estado do Rio de Janeiro se prepara para aderir gradualmente ao novo modelo. As escolas técnicas são mais caras. O estado aderiu integralmente. atendendo às escolas próximas. explica. Distrito Federal Uma das possibilidades de implementação da MP discutida no Distrito Federal é o modelo de escolas vocacionadas.

em cada uma delas. "Não é uma mudança fácil. será intensificar os debates". vai condicionar o tempo [de implantação em toda a rede]. medidas que em outros estados já foram implementadas". Em Maceió é mais fácil de reter recursos humanos". "Isso está sendo discutido em função da realidade. a partir da aprovação. em 2007. Fred Amâncio. mas é um passo. junto com o Rio Grande do Norte. mas é claro que a MP vai implicar todo um redesenho da rede. Atualmente. segundo o secretário de Educação. os estudantes ficam mais tempo na escola e têm atividades no contraturno. São Paulo O estado de São Paulo se prepara para iniciar as mudanças na rede a partir de 2018. junto com São Paulo. zona da mata. é exequível". segundo o secretário adjunto de Educação. no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O estado tem 13 gerências regionais e. na última divulgação. "Nosso desafio daqui para a frente. de cada região.8 em 2015. "Temos que mapear a carência de profissionais em determinadas regiões do alto sertão alagoano. o estado teve o segundo pior resultado. Pernambuco Pernambuco é tido como referência pelo Ministério da Educação na implantação do tempo integral no ensino médio. médio sertão. segundo o secretário de Educação. "Como essa implantação vai evoluir. Luciano Barbosa. Amâncio atribui ao tempo integral o fato de o ensino médio do estado ter saído da 21ª posição. 43% das escolas funcionam com uma jornada de sete horas por dia. há uma discussão técnica sobre a melhor adequação da rede de nível de médio à MP. diz. "Nós iniciamos esse processo. diz Barbosa. talvez mais rapidamente. Alagoas Alagoas discute como implementar as mudanças em um estado de distintas realidades. Com um Ideb de 2. depois outro passo. Algumas experiências que temos em tempo integral talvez tenham facilitado esse processo em Pernambuco. diz Julia. observa. em 2015. ou seja. Francisco Carbonari. que mede a qualidade da educação por meio de avaliações em português e matemática. vai redesenhar a estrutura da escola". precisamos implementar. e ter alcançado o topo do ranking. "O Rio de Janeiro está aderindo com 100% do que pode aderir. vamos dando passos conforme for caminhando a arrecadação". "Temos uma dívida muito grande com educação. Se a implantação for bem .

não dá para colocar o aluno no centro da discussão e não contemplar os sonhos e as vontadades dele".sucedida. Algemiro Ferreira. como o restante do país. Até lá. A partir de 2017. qual itinerário formativo pretendem seguir em cada escola e. "Talvez São Paulo seja percentualmente o estado que mais sofre com queda de arrecadação. mas é o caminho que eu defendo. a secretaria oferece. a intenção é ampliar essa oferta para cinco horas por dia. que precisam de investimento mínimo. diz o secretário de Educação. as formações dos professores são focadas no trabalho por disciplinas". a secretaria pretende começar ofertando o que falta às escolas que já têm mais recursos. Sobre a expansão do modelo definido para toda a rede. informações suficientes para dar essa resposta". afirma. o estado deverá amadurecer um modelo para tirar a MP do papel. o principal deles é romper com o esquema estrutural das disciplinas para trabalhar com componentes curriculares. em 2014. com laboratório. de acordo com a demanda. Elza Marina Moretto. que é onde ela cai mais significativamente. diz Carbonari. de quadras de esporte. Ele lembra que o estado passa por dificuldades financeiras. o estado ainda não tem previsão. as coisas ficarão mais difíceis". Amazonas Um dos modelos que o Amazonas examina é perguntar para os estudantes o que eles querem cursar. A intenção do estado é acabar com as disciplinas. Não é uma coisa simples e demanda um trabalho grande porque temos uma cultura institucionalizada de trabalho por disciplina. se houver algum problema na implantação. neste momento. Existem questões que a conjuntura vai definir e a gente não tem. O secretário defende que a reforma seja feita gradativamente. por um processo de revisão do currículo e. "Não se consegue fazer um reordenamento de uma vez só". para já fazê-lo em 2017. As que precisam de adequação maior. a intenção . Santa Catarina Santa Catarina passou recentemente. "Selecionaremos as escolas com quadras. as coisas ficarão mais fáceis. "Não é simples. e que isso também freia a implementação em curto período de tempo. "Temos alguns modelos. principalmente por questões financeiras. gradativamente vamos estruturando". a partir daí. O estado é um dos que oferecem ensino de quatro horas em parte da rede. de acordo com a secretário adjunta de Educação. Quanto à infraestrutura.

é conciliar as mudanças recentes com a MP. a MP é sempre uma coisa meio antipática. foi construída com base na democracia". 25% da rede têm acesso ao ensino técnico. Elza acrescenta que a questão financeira deverá pesar na implementação.com. "Temos a tradição de base curricular de Santa Catarina. médio e longo prazo vai ter que ser pensado".br/educacao/noticia/2016-11/veja-como-os-estados- pretendem-implementar-mp-do-ensino-medio . Não dá para fazer toda essa inovação com o dinheiro que temos.ebc. afirma. mudança curricular. Fonte: http://agenciabrasil. "A gente sabe que para fazer tudo isso tem que ter financiamento. segundo Elza. Se tivesse se constituído por um projeto de lei. No estado. infraestrutura. coisa que a curto. mas a proposta continua avançando. Vai requerer contratação de professor. Mudam as equipes gestoras. o que favorece a implantação da reforma. sempre verticalizada. a coisa tinha ganhado outro caminho. O principal desafio agora é "apaziguar a rede do ponto de vista de como estão interpretando a reforma do ensino médio. As pessoas estão se perdendo na discussão de que é uma MP e não estão discutindo tanto o conteúdo da medida".

Mas algumas redes no Rio já estão no rumo proposto e bem próximas do que prega a nova lei. necessariamente. Além do conteúdo tradicional. Nela. participam de atividades escolares de 8h às 20h. . sancionada na semana passada pelo presidente Michel Temer. os alunos podem escolher quais matérias eletivas querem cursar. Na segunda série do ensino médio. Nesse caso. eles se debruçam sobre o conteúdo tradicional e. de 8h às 16h. em Jacarepaguá.A maioria das escolas brasileiras tem muito o que trabalhar para conseguir se adequar às medidas instituídas pela reforma do ensino médio. criação e produção de moda. podem escolher entre cinco “cursos”: mídia. produção cultural. Escolas no Rio já têm modelo próximo ao da reforma do ensino médio Horário integral. conteúdos diversificados e autonomia dos alunos são algumas das características das instituições por Paula Ferreira 20/02/2017 4:30 / Atualizado 20/02/2017 6:20 RIO. o chamado “currículo hackeado” é uma parte da grade feita pelos estudantes. em 2008. há matérias diversificadas e os alunos têm mais autonomia sobre sua vida escolar. selecionadas de acordo com suas preferências. 160 horas de qualificação profissional. no restante. Na primeira parte do tempo. A Escola Sesc de Ensino Médio. os estudantes devem cumprir. — Trabalhamos com uma perspectiva de muita liberdade na construção do nosso projeto pedagógico. têm aulas eletivas. meio ambiente e robótica. na Zona Oeste do Rio. a partir de uma gama de opções que vai desde o aprofundamento nas áreas tradicionais do conhecimento. ioga. desenvolve um modelo diferenciado desde a sua criação. até disciplinas como dança. lazer. entre outras. Também temos um número de horas de aula muito superior ao que é demandado. Os estudantes. então não sofreremos restrições com a reforma — afirma a diretora Claudia Fadel. Nessas instituições a quantidade de horas de atividade escolar é maior. que também residem na escola.

de acordo com as preferências de cada um. deve ser concluída até o fim deste ano — os 40% restantes serão destinados aos itinerários formativos. Ciências Humanas. apenas a 1ª série do ensino médio. além das disciplinas tradicionais. para que possamos entender a linguagem que falam. apresentamos as eletivas e eles escolhem as que podem participar. a reforma fixa uma meta intermediária para que. que oferecerão conteúdos mais específicos relacionados às quatro áreas do conhecimento (Ciências da Natureza. as mudanças serão maiores. Para ajudar a compor a grade. uma vez que haverá ainda mais flexibilidade na composição do currículo. CONSELHEIROS AJUDAM A MONTAR GRADE Em direção parecida está a Escola Eleva. No colégio Mopi. — Os alunos têm que ter protagonismo. Antes disso. Recém-inaugurada. uma espécie de tutor que orienta os alunos durante a estruturação dos horários. na 1ª e na 2ª série do ensino médio os alunos têm atividades de 7h às 17h10 (com uma hora de interrupção) durante quatro dias na semana. eles podem escolher três eletivas — explica o diretor da Eleva. Zona Sul da cidade. Linguagens e Matemática) e à educação profissional. em um prazo de cinco anos. os estudantes da Eleva contarão com uma figura que também existe na Escola Sesc de Ensino Médio: o conselheiro. de 8h às 16h. Por ano. mas ainda assim. Amaral Cunha. que tem unidades na Tijuca (Zona Norte) e na Barra (Zona Oeste). Outro eixo central da nova lei determina que 60% da carga horária seja destinada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — que. no entanto. outras que são obrigatórias na escola (mas não são determinações do MEC. ou seja. por enquanto. como cidadania global) e as eletivas (direito é uma delas). que 25% das matrículas da educação básica estejam na modalidade de ensino integral até 2024. as adaptações da Eleva à reforma serão bem menores que em outras escolas. a instituição em Botafogo. Durante as aulas. que não é a nossa — acredita Claudia. os estudantes têm. menos impactantes que em escolas que seguem o modelo tradicional. Segundo Cunha. de acordo com o Ministério da Educação (MEC). — No início do ano. A lei que reforma o ensino médio estabelece que o número de horas aumente progressivamente até alcançar o que é estabelecido pelo Plano Nacional de Educação (PNE). porque a instituição já tem cerca de 30% do currículo composto por matérias diversificadas. todas as escolas brasileiras de ensino médio ofereçam cinco horas diárias de atividades escolares. acrescentando que o conselheiro será fundamental quando a reforma entrar em vigor. Lá. oferece. Para os estudantes da 3ª .

No que diz respeito à formação profissional. Fonte: http://oglobo. A diferença é que os estudantes devem passar por todos eles. transmitido por broadcast. só podem escolher a ordem. A parte diversificada compõe 10% da carga horária. reescrito ou redistribuído sem autorização. ainda precisaremos desenvolver — conta Hélcio Alvim.com/sociedade/educacao/escolas-no-rio- ja-tem-modelo-proximo-ao-da-reforma-do-ensino-medio-20946599#ixzz4ZGl74Qdx © 1996 . Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.série o horário é cumprido nos cinco dias. Este material não pode ser publicado.globo. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo. coordenador pedagógico de ensino médio do Mopi. Então precisaremos ampliar nosso currículo nesse ponto.globo. haverá uma ampliação. Com a reforma.2017. — A lei diz que 40% da carga horária deve ser diversificada.A.com/sociedade/educacao/escolas-no-rio-ja-tem-modelo-proximo- ao-da-reforma-do-ensino-medio-20946599 . Eles também já têm núcleos diversificados centrados nas quatro áreas do conhecimento.