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As obras infatis de Monteiro Lobato tem sido vista como referência em

literatura infantil brasileira. Com o intuito de provocar uma ideologia
progressista no seu público alvo, as crianças, além de abordar
problemas de seu circulo etário, como a formação moral e relações
familiares, entretanto ao elaborar suas obras não emprega apenas os
recursos moralizantes da época, como os valores absolutos e eternos,
a boa educação acima dos ímpetos infantis, mas dispõe de um
realismo pragmatico, expondo a verdadeira moralidade dos
acontecimentos e dos heróis da história mundial, tratando-os como
seres humanos que apresentam atos de bondade e maldade,
esperteza e ignorância.

Em seus livros o autor ultiliza-se, além de personagens reais, como a
avó, a cozinheira, a neta e o neto, para transmitir os valores da época,
também inclui personagens fantásticos; a boneca que evoluiu para
gentinha e o boneco de sabugo de milho, o intelectual da fazenda.
Estes últimos, principalmente a boneca, por ser uma personagem não-
humana, é espontânea e livre de moralidades, assim exprime todos os
seus sentimentos com sinceridade e age sem temor as regras.

Neste pequeno ensaio será analisada a obra "A reforma da natureza"
(1941), nele será abordada o moralismo do autor e suas diferenças ao
do senso comum da época e a criação das personagens e seu papel na
literatura infantil de Monteiro Lobato.

No livro "A reforma da natureza" os moradores do Sítio do Pica Pau
Amarelo foram convidados a uma Conferência Mundial para apaziguar
a guerra e levar a paz aos países. Já no início podemos ver marcas da
ideologia de Lobato; a origem das mazelas do mundo vinda da
natureza humana, seu egoísmo e ganância é o que alimenta as guerras
e misérias, quando os governantes não conseguem se resolver, porque
cada um quer o poder para si.

solucionem o problema das guerras. Apesar de sempre muito compreensiva. Depois de toda a reforma. tirando- lhe a moral para que coubesse na realidade dela."-Meus senhores. O espírito crítico que Monteiro desejava criar vinha também. o autor propõe que dona Benta e Tia Nastácia. mas . Deste modo o adulto não desconsidera a astúcia da criança. demonstrando a independência e a amoralidade da boneca. impulsionada por uma fabula que prova. é chegada a hora do regresso dos moradores. fraternidade e moralidade. guia- os pelos caminhos prevenindo-lhes as consequencias e perigos.. além de aceitar as boas intenções e argumentar de forma muito clara e coerente a necessidade de não interferir tão bruscamente na natureza. Dona Benta é a primeira a se pronunciar. Emília. Assim Emília.. a paz não sai porque somos todos aqui representantes de países e cada um de nós puxa a brasa para a sua sardinha (. ela repreende a boneca. em meio a sua reforma. começa a sua reforma. fica pasma com as mudanças de Emília. justamente. do desacordo das crianças para com as fábulas. as governantes do Sítio do Pica Pau Amarelo. a boneca de pano transformada em gente. demonstrando que apesar de avó complacente ainda caracteriza-se como adulto-autoridade. mas por ser mais experiente. já que essas personagens possuem experiência e transmissoras de conhecimento. Enquanto os moradores viajam. visto que há milênios ela vem sendo aperfeiçoada. que não via a hora de ver-se livre dos outros. mesmo que não seja os pais. o desastre em rearranjar a natureza. além de modifica-la.)" Para que os princípios fossem respeitados. relata a modificação da fábula que lhe deu a idéia da reforma. elas tinham a possibilidade de criticar a moral ou as atitudes das personagens e discutirem entre si a aceitação ou rejeição da narrativa. detentoras do bom senso. porém é muito sutil e extremamente cuidadosa. da justiça.

entretanto Dona Benta aceita o pedido da boneca. que é muito menos compreensiva com os amoralismos do que a própria avó. primeiramente preocupa-se em deixar a boneca sozinha no Sítio. Emília. Trata-se de uma criança socializada. na visão do autor isso não contribuia para o progresso da nação. como ela mesma diz em uma passagem da obra: "-Agora sim-ia dizendo Emília. do argumento científico!" A boneca também é o ideal de criança.sempre levando em conta seus pontos de vista. só quando necessário. Ao voltar a menina novamente repreende as ações da personagem maravilhosa e se aborrece com as novidades. a favor da boa educação. Também contém traços do feminino no século XX. Mas com aquele "Vá!" do começo. e por isso vou desmanchar o que fiz. pois não se contém. Comigo é ali na batata da convicção. A menina Lúcia. toma para si as responsabilidades para com Emília e quer um comportamente de boa educação perante a sociedade. muito cuidadosa e meiga. que me convenceu. repreende-a dizendo que Emília irá aprontar. muito criativa e imaginativa. ou Narizinho. uma criança que distancia-se das convenções sociais apenas em determinados momentos.agora ela deu uma razão boa. igual a ela. é muito teimosa e curiosa. inventa soluções e só leva em consideração represálias que tenham uma arguntação muito apurada. . contudo representa o impulso reprimido na criança. não! Vá o Hitler. Vá o Mussolini. pois na época eram todas adultizadas e padronizadas. visto que é muito astuta e não aceita ordens. apenas Emília ia contra as convenções e se impunha de forma a criar circunstâncias que cultivavam a criatividade. apesar das crianças do sítio serem muito curiosas. a coisa não ia. clara. diferente da amiguinha de pano. é tida como a criança verdadeira.

alertando perigo apenas quando ele existe. não como Emília. porém não seguem os moralismos sem ter certeza se ele é.. trazendo-os para a realidade. desmontando assim a idealização da criança ou do adulto.Assim como a prima Narizinho. Também demonstra a sua maturidade em seu diálogo rebuscado e muito bem aplicado. assim como Emília. Lobato queria que as crianças criassem uma geração de adultos que respeitavam as opiniões das crianças.)" Todos os personagens são passíveis de erros. como crianças educadas. sua imaginação e seus pontos de vista. pois é da infância que se cria um pensamento crítico e é com . se se reproduzissem seria um enorme transtorno para as gentes! (. Ele e sua prima agem de forma muito semelhante..respondeu Visconde . mas com traços masculino. um boneco de sabugo de milho prodígio. apesar de não ser sempre cegamente obediente. Pedrinho também é uma criança socializada. Outra característica que o faz sábio é a sua consciência sobre as consequências. Na segunda parte do livro.Elas andarão por aí pelo mundo. em um adulto responsável. ele é transformado pelo autor. e por fim se extinguirão. maravilhoso. intelectual. "-Agora é isso mesmo. porque não podem reproduzir-se. tem um senso crítico apurado. Oh. está sempre se aventurando e criando soluções para tudo. a assustar ignorantes. de fraquezas e tristezas. realmente importante ou se só serve como arma de submissão infantil. O Visconde é um personagem. um ser que age com bastante vigor e é curioso. Ao seguir as crianças em suas aventuras. pois assim tira a responsabilidade da perfeição infantil inalcançavel. Assim como no Sítio do Pica Pau Amarelo. Visconde de Sabugosa conta a Emília sobre seus aprendizados na Europa e ele e Emília fazem experimentos com pequenos bichos que crescem em demasia. que as previne dos perigos. mas age segundo as convenções.

" Outro ponto é a maneira como Emília imagina o mundo reformado e como ele realmente fica ou a transformação dos pequenos insetos em monstros. acaba sempre produzindo mais males que bens. Viu que isso de reformar as tontas. como fazem certos governos. . não desfazendo. Apesar de defender a criança espontanea. apenas a propagação da educação poderia levar a nação ao progresso. há uma grande moralidade sobre as obras e uma critica sutil aos governos. pois sabia que contra a natureza rude. como por exemplo. eis que o narrador fala: "E assim terminou a aventura emiliana da Reforma da Natureza. entretanto o autor além de fazer uma literatura crítica ainda e dentro desta. tratando o assunto com racionalidade. A teoria versus a prática.pensamento crítico que se reforma toda uma nação. O realismo lobatiano aparece muito claramente nas consequências das atitudes de Emília. Emília aprendeu a planejar muito a fundo qualquer mudança nas coisas por menor que fosse. fez uma literatura tecno-científica. quando. das idéias malucas da boneca. porém algumas criações são aceitas por Dona Benta. repleta de informações teoricas e muito claras. ao terminar de colocar tudo de volta ao seu lugar. Os ideais de Lobato em fazer uma literatura cuja a mentalidade do público alvo fosse modificada quase o destruiu. completamente. Lobato também queria fazer uma reforma na educação. A realidade das coisas vistas algum tempo depois desapontam a menina. assim como Emília. do homem.

São Paulo. Brasiliense. Monteiro. 1979. O Universo Ideológico da Obra Infantil de Monteiro Lobato. Marília.BIBLIOGRAFIA LOBATO. Unesp. Elisangela da Silva. . VASCONCELLOS. A Reforma da Natureza. 1982 SANTOS. Traço Editora. Monteiro Lobato e suas seis personagens em busca da nação. 2008. Zilda Maria Carvalho.