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Luiz Marques

CAPITALISMO E
COLAPSO AMBIENTAL

EDITORA unncnnn

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Em vigor na Brasil a partir dc 2009.
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NLMSC Marques. Luiz.
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::alapso " '/ Luíz " ._ -C ,' SP-.Ediromda Unicamp,
201 S.

1. Capitalismo. 2. Ecologia. 3. Dexmmmento. 4. Abastcclmmto d: água. S. Impacto
ambiental. l. Título.
CDD 330.122
301.3!
3317513
628.1
¡snN 978-857168-1274-1 3517

Índices para ratálago sistemático:

l. Capíulismo 330.122
2. Enología 301.31
3. Desmatamento 3317513
4. Abastecimento de Água 628.1
S. Impacto ambiental 363.7

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AGRADECIMENTOS

Ao longo dos anos de sua pesquisa e redação, este livro beneñciou-se de
múltiplas contribuições de amigos e colegas e é chegado o momento prazeroso
de registrar minha gratidão. Alcir Pécora, Alfredo NastarLArmando Boito,
Breno Raigorodsky, Carlos Marigo, Carlos Spilak, Célio BÉrmann, Claudia
Valladão de Mattos. Daniela Cabrera. Edgardo Pires Ferreira, Fernando Cha-
ves, Francisco Achcar, Francisco Foot Hardrnan. Henrique Lian, Jose' Arthur
Giannotti, José Pedro de Oliveira CostaJosé Roberto Nociti Filho, Leandro
Karnal, Lia Zatz, Luciano Migliaccio, Maristela Gaudio, Martha Gambini,
Martino Lo Bue, Mauro de Almeida, Nádia Farage. Néri de Barros Almeida,
Paula Cox Rolim, Pérsio Arida, Ricardo Abramovay, Roberto do Carmo, Ruy
Fausto. Stela Goldensteín e Wiliam Daghlian nutriram-me com estimulantes
conversas sobre os mais diversos aspectos das crises ambientais de nossos dias.
Alguns deles tiveram a generosa disponibilidade de ler em momentos diversos
de sua redação partes do manuscrito, enriquecendo-o com críticas importantes
e sugestões. Muito deste livro amadureceu nas tardes de domingo passadas na
companhia de Chico Achcar, amigo querido e exemplo de sempre. Armando
deu-me muito de seu tempo e de seu conhecimento na discussão crítica da
noção de Estado-Corporação. Foot leu e rclcu com empenho a Introdução e
nossa sintonia tem para mim um valor incalculável. Roberto do Carmo leu o
capítulo 7, sobre demografia, e influiu de modo substancial em seu conteúdo.
A ele devo a oportunidade de propor o conteúdo do capitulo S, sobre a regres-
são ao carvão, num seminário do Núcleo de Estudos Populacionais (Nepo) da
Unicamp. A Ruy Fausto devo a possibilidade de publicar uma versão inicial
desse capitulo na sua bela revista Pêvereira. Num seminário sobre vegetarianismo

12
A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL

Os ll capitulos precedentes procuraram oferecer uma visão panorâmica
das crises ambientais cuja dinâmica nos impele cm direção a _um colapso am-
biental. É nesse panorama, e a partir dele. que se abre a seglbnda parte deste
livro. Trata-se de desenvolver suas duas teses centrais, enuncíadas na Introdu-
ção e que aqui convém recapítular. Primeira tese: a ilusão de que o capitalismo
pode se tomar ambientalmente “sustentável” é a mais extraviadora do pensa-
mento politico, social e econômico contemporâneo. Segunda tese: essa primeira

ilusão nutre-se de uma segunda e de uma terceira. A segunda ilusão, discutida
no capítulo 13, é a crença tenaz - razoável outrora, mas hoje definitivamente
falaciosa - de que quanto mais excedente material e energético formos capazes
de produzir, mais segura (e feliz) será nossa existência. Essas duas ilusões ali-
cerçam-se numa terceira, objeto do capítulo 14, a ilusão anrropocêntrica.
Que o capitalismo não seja capaz de reverter a tendência a um colapso
ambiental global - tese de que se ocupa o presente capítulo -, eis algo que não
deveria ser considerado urna tese, mas um dado elementar de realidade, tal sua
evidência. admitida mesmo por um prócer do capitalismo global como Pascal
Lamy. Numa entrevista de 2007, o ex-diretor-geral do Credit Lyonnais e ex-
diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMS) afirmal:

O capitalismo não pode nos satisfazer. [...] Um só exemplo: se não se põe vigo-
rosamente em causa a dinâmica do capitalismo, você acredita que chegaremos a con-
trolar as mudanças climáticas? [...] Você tem, de resto, eventos que demonstram o
aspecto dificilmente sustentável do modelo: sejam os extravios intrínsecos como a

preferia-se um veredito semelhante: "As mudanças climáticas são o resultado do maior fracasso do mercado que o mundo já viu". Se alguém não nutre mais ilusões acerca da compatibilidadeentre capitalismo e qualquer conceito de sustentabilidade. Esse crescimento explosivo do tráfego marítimo ocorreu sobretudo nas rotas comerciais asiáticas (mares da China e Oceano Índico) e. um aumento não superior a 2°C nas tempe- raturas médias do planeta até 2100] é desmantelar (to :but down) toda a eco- nomia global". o tráfego tem um impacto direto na atmosfera. a taxas :na . que renunciou após o fracasso da 15' Convenção das Partes (COP 15) em Copenhague. segundo dados reportados porjean Pierre Ter- trais. Diplomata versado nos meandros das negociações climáticas internacionais e afeito profissionalmente ao peso das palavras. segundo secretário permanente do Tesouro de Sua Majes- tade. além disso. Entre 1992 e 2012. enquanto a população mundial aumentou 77%". ex-seeretárío-exe- cutivo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climá- ticas (UNFCCC). Essa declaração resume o teor deste capítulo. o emprego de matérias-primas no mundo. consultor de um banco modelar como o HSBC e professor da London School of Economics e do College de France'. por exemplo. já economista-chefe e vice-presidente sénior do Banco Mundial. ele declarou sem ambages em 2013. sendo que o maior aumento foi observado no Oceano Índico e nos Mares da China. em 2009. o mais evidente sendo o aquecimento globaL Nesse mesmo ano de 2007. pre- sidente da British Academy. este é Yvo de Boer. no aumento do dióxido de nitrogênio troposférico no Oceano Índico. A sentença não provinha de um “alarmistaÍ mas de Sir Nicholas Stern. Entre 1963 e 1995. sejam fenômenos que o capitalismo e seu sistema de valorização não permitem tratar. a intensidade e a aceleração da globalização estrutural da economia revelam-se também através deste que talvez o mais eloqucnte indice de sua insusten tabilidade ambientaP: A análise do trafego de navios mostra que este quadruplicou entre 1992 e 2012. Embora concentrado principalmente ao longo de determinadas rotas. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL crise dos rubprimer. numa entrevista concedida a Bloomberg Business: "A única maneira de que um acordo em 2015 possa ga- rantir um objetivo de 2°C [isto é. aumentou 141%. o que reflete as mudanças no comércio mundial.

Um adágio famoso de Gramsci dita que "a história ensina. (2) criar as condições para um acordo mundial ambicioso e equitativo a ser firmado na COP 21. ensina. vem-se tentando im- plantar marcos regulatórios. (3) eliminar os subsídios as energias fósseis: (4) taxar as emissões de CO1 no âmbito de uma grande reforma fiscal: re- duzir substancialmente os custos dos investimentos em infraestrutura de baixo carbono. que atinge um aumento de 10% tão somente em 2011. dito de outro modo: uma economia funcionando no âmbito de tais marcos seria ainda capitalista? Pode- «se colocar uma pergunta bcm mais modesta. e é indubiravel que se dese- nhou desde então um arcabouço de leis teoricamente protetoras do meio am- biente. (10) acelerar a saída das termelétricas movidas a carvão. A pergunta que se impõe em tais circunstâncias é: o capitalismo pode Funcionar nesses marcos? Ou. Essa quadru- plicação do tráfego marítimo no espaço de uma única geração. a partir de um nível de tráfego já altíssimo nos anos 1980 e com tudo o que ela supõe de des- truição acrescida dos recursos e equilíbrios ambientais. (8) deter o desmatamento global das florestas pri- márias até 2030. Para minimizar a degradação crescente do sistema Terra em decorrência desse crescimento e dessa globalização do capitalismo. Desde o segundo pós-guerra. já. que o capitalismo e' incompatível com a adoção dessas dez medidas. mas não tem alunos”. e uma aceleração sucessiva no segundo decênio. A história. as legislações nacionais e os organismos multilaterais vêm tentando implantar marcos mi- nimos de contenção da destrutividade econômica. e a primeira parte deste livro apre- senta inúmeros exemplos desse ensinamento. que. avançada na Introdução: seria ainda capitalista uma economia capaz de funcionar no quadro das dez medidas propugnadas pelo relatório preparado por Nicholas Stern e Felipe Calderón Better Growth Better Climate?” Essas dez medidas são: (1) levar em considera- ção o impacto do aquecimento global em rodas as decisões econômicas estra- tégicas. a degradação do sistema . (6) multiplicar por ao menos três as despesas em pesquisa c em de- senvolvimento das tecnologias de baixo carbono até meados dos anos 2020: (7) priorizar a conectividade e a compacidade como formas preferenciais de desenvolvimento urbano. em todo o caso. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL crescentes: 60% no período 1992 e 2002. (9) restaurar ao menos 500 milhões de hectares de florestas e solos agricultáveis degradados. A realidade. malgrado essas leis. em 2015. é talvez o mais inequi- voco sintoma de ultrapassagem da resiliência da biosfera. contudo.

Pelo contrario. (3) como mostra a manutenção dos subsídios de centenas de bilhões de dó- lares para a indústria de combustiveis fósseis. portanto. (4) malgrado os esforços diplomáticas. dez aspectos da insustentabilidade ambiental do capitalismo: (1) o capitalismo não leva em consideração o impacto do aquecimento global em suas decisões económicas estratégicas. as corporações da madeira e do agronegócio permanecem desmatando a taxas elevadissimas no Brasil e no mundo todo. do cimento. o capitalismo não pode i prescindir dos subsídios às energias fósseis. os solos continuam a ser degradados a uma velocidade suicida e continuarão a sê-Io enquanto permanecerem os dois paradigmas em que se Funda o agronegócio: uma agricultura tóxico-in- tensiva de commodities e uma alimentação baseada no carnívorismo. (10) como mostrou o capítulo S. (7) o inchaço e o caos urbano aumentam com o crescimento da indústria au- tomobilística. . o documento da COP 20 em Lima em dezembro de 2014. Essa é a lição inso- ñsmavel da história e das projeções a curto e médio prazo do capitalismo. (8) como mostrou o capítulo 1. estamos no momento regredindo ao carvão... CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL Terra. Cada uma delas mostra. não estamos acelerando a saida das termelé- tricas movidas a carvão. não há no horizonte expectativa de que se taxem globalmente as emissões antrópicas de gases de efeito estufa: (S) como mostrou o capitulo 4. (6) e as despesas em pesquisa em desenvolvimento das tecnologias de baixo carbono não estão aumentando e muito menos se triplieando. Essas dez propostas “terapêuticas” de Nicholas Stern e Felipe Calderón evidenciam que o contrário do que propugnam está acontecendo. (2) como mostrou. da agricultura intensiva etc. (9) como mostrou o capitulo 2. mais uma vez. de energias fósseis. medida por qualquer parâmetro. não se têm reduzido os custos dos investi- mentos em infraestrutura de baixo carbono. respectivamente. o capitalismo não cria as condições para um acordo mundial ambicioso e equitativo a ser firmado na COP 21. está se acelerando. em 2015.

Desde Adam Smith7. não serão aqui sequer aventadas como uma vía para a sustentabilidade.. A ILUSÃO Dl UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL Mas evocar a história e as evidências não sería decisivo. ou ao menos desacelerar. Mais que a lição da história. j. o Estado e a sociedade civil. mas por marcos negociados entre as empresas. Este capitulo analisa as duas impossibilídades lógicas de implantação de marcos regulatórios capazes de conter. argumentariam talvez Nicholas Stern e Felipe Calderón. a tendência ao colapso. no âmbito do sistema econômico capitalista: (l) a autocontenção dos agentes econômicos induzida pela presença de me- canismos emanando do próprio mercado. não estão e não podem estar na agenda do Capitalismo global.se por isto se entende alguma forma de auto- contenção visando não ultrapassar os limites da sustentabilidade .1 O mercado capitalista não é homeostático A ideia de autorregulação . contudo.não se aplica ao capitalismo. traço deñnidor do capitalismo. cumpre mais uma vez recordar que as burocraeias socialistas do século XX. a ideia de que o capitalismo se autorregula tem. valor de postulado. próprio das dinâmicas de otimização da estabilidade interna de um organismo ou sistema. Os marcos regula- tórios com os quais ele sonha nunca estiveram. (Z) a regulaçãoinduzida não apenas por mecanismos de mercado. que pode demonstrar a inexequibilidade desse documento. ainda hoje aceito por diversos estudiosos. é a lição da lógica da acumulação. Um exemplo do uso dessa analogia entre os mecanismos de funcionamento do mercado capitalista e do organismo encontra-se em Eduardo Giannetti": .. pode mudar. 12. Antes de analisar essas duas possibilidades.. por se terem mostrado ainda mais ambientalmente destrutivas que as sociedades capitalistas. sendo justamente essa possibilidade a razão de ser de seu documento. já que o capitalismo. Não o rege o princípio da homeostase.

Isso porque a força fundamental que impele o mercado a funcionar não a lei de oferta e procura. ele se derequilibm. todo organismo cessa de crescer e passa à fase em que prevalecem adaptações conservativas. o que redunda em recuperação do equilibrio ou. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL [O mercado] tem uma lógica de funcionamento dotada de surpreendentes pro- priedades do ponto de vista de eficiência produtiva e alocariva. isso não se deve a uma suposta virtude homeos- tática do mercado. portanto. Desde a ideia de meio interno (milieu intérieur) de Claude Bernard”. Desde os anos 1970. desde que Walter Cannon desenvolveu a noção de homeostase. Contrariamente ao organismo. Ainda que dependa do meio externo. Esse fenômeno não ocorre no mercado capitalista. A manutenção dessa estabilidade eficiente do meio interno em suas constantes trocas com o meio externo é o que orienta a atividade de todo organismo. Ivan Illich notava quem: . que opera no âmbito da produção de mercadorias e é. direcionadas para a sobrevivência. de sua própria identidade. É um sistema homeos- tático regido por_feedback negativo. o mecanismo básico de Funcionamento do mercado capitalista não apenas não funciona por_feedback negativo. A analogia entre o funcionamento do mercado e o de um sistema homeostático é um equívoco. Se a era do crescimento capitalista chegou ou está chegando ao fim. por definição. em suma. isto é. se o mer- cado capitalista não cresce. todas as energias de um organismo são em última instân- cia centripetas. ainda que seja. mas é mesmo oposto ao mecanismo da homeostase dos organismos. busca voltar ao equilibrio. o infinito. a qual opera no âmbito 'da circulação de mercadorias. por definição. o qual e impelído por forças Centrífugas (impostas pela acumulação de capital) em direção a um crescimento ilimitado. sn- bemos que toda inHuência perturbadora (déficits ou excessos) do equilíbrio das funções vitais em um organismo ou sistema orgânico desencadeia nele atividades rcgulatórias e compensatórias que tendem a neutralizá-la. Toda vez que o sistema torna-se perturbado. mas a algo que lhe é completamente externo e estranho: os limites físicos de resiliência da biosfera. um sistema “aberto”. de um novo equilibrio (alostase). mas a lei da acumulação de capital. a segurança e o reforço de sua própria centralidade e estabilidade. expansiva. O tamanho ideal do mercado capitalista é. Eis o segundo erro de atribuir ao mercado os atributos da homeostase: atin- gida sua escala ideal. Ora. mais precisamente.

qualquer que seja seu custo ambiental. ele é organizado em vista de um crescimento indefinido e da criação ilimitada de novas necessidades . No capitalismo. enquanto os combustiveis fósseis forem disponíveis a preços que garantam uma margem de lucro. pelo não uso das Horestas. Qualquer aluno do curso basico de microeçonomia deveria J saber disso. o mercado não precifica adequadamente. André Lara Resende e' taxativo": Em relação à questão dos limites físicos do planeta. se aceitas. correto: "O sistema de preços. A única prcciñeação operada pelo mercado é a da relação entre custos econô- micos e taxa de lucro. o capitalismo fará uso deles. entrar em vigor em. se os homens podem mudar. de tal modo.que se tornam rapidamente obrigatórias no quadro industrial. Digamos a mesma coisa nos termos de Nicholas Gcorgescu-Roegen: “O dominio dos fenômenos que a ecologia abrange é mais amplo que o domínio coberto pela ciência econômica”. oferece outra demonstração da falácia de atribuir aos mecanismos de mercado o poder dc induzir espontaneamente a redução das emissões de gases de efeito estufa. Da mesma maneira. e portanto a economia. o equilibrio humano é susceptível de se modificar em função de parâ- metros Hexíveís. Seu preço caiu de 27 euros a tonelada em 2008 a menos de S euros em 2014. a disponibilidade de água doce acessível e não poluida. o potencial biológico do solo e os serviços pres- tados à biosfera. As medidas propostas em 2014 pela Comissão Europeia para revitalizar esse mer- cado devem. A Redução Certificada de Emissões (RCE). A ILUSÃD DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL Aberto. a serem negociados no mercado internacional. ao contrário. que "a economia devera ser absorvida pela ecologia". Assim. o . entretanto. tem uma falha grave: não da os sinais corretos em relação ao uso dos recursos ambientais”. os moribundos "creditos de carbono” suscitadas pelo Pro- tocolo de Kyoto. por exemplo. Outro argumento de Giannetti no mesmo ensaio é. afirma esse estudioso. confiar no sistema de preços de mercado não faz sentido. A esse respeito. não obstante todos os seus méritos e propriedades sur- preendentes. por exemplo. masfinitos. eles o fazem no interior de Ao contrário. mas conti- nua a explorar e a consumir esses recursos como se fossem gratuitos e infinitos... da destruição do meio ambiente provocada pela ação humana. a dinâmica do sistema industrial funda sua instabilidade: certos limites. 2021”.

a cada momento. todo detentor de certa soma de dinheiro deve CSCOlhCIi no mercado. se tiverem poder para tanto. Nada permite afirmar que se encontre nos círculos empresariais menos senso moral que em qualquer outro meio da so- ciedade civil. o religioso. A faculdade de subordinar as metas econômicas ao imperativo ambiental não pertence. por exemplo. O problema de fundo é que. por exemplo. 12. há que partir de uma trívialidade: o dinheiro perde poder aquisitivo por causa da inflação e tem taxas variáveis de poder de compra ou de rentabilidade por causa das oportunidades desiguais oferecidas pelo mercado. quanto para o investidor que escolhe as operações ou os fundos mais promissores. portanto. as melhores opções de troca. se não tiverem. seus dirigentes nãapqdem se permitir subordinar suas metas empresariais ao imperativo ambiental. Para evitar sua depreciação ou seu emprego em con'- dições desvantajosas.: que resulta num ordenamento hie- rárquico do mundo incompatível com sua concepção ecológica. como um subsistema do sistema econômico. por mais que eventualmente de- sejem aprimorar a conduta ética de suas corporações. Isso é válido tanto* i para o trabalhador que procura trocar seu salário pelo maior número possível de bens. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL meio físico e' concebido como matéria-prima. O capitalismo é insustentável não porque os controladores das corporações sejam inescrupulosos. Há aqui uma inversão da taxi. renunciar a um investimento potencialmente lucrativo por causa de seu impacto ambiental. Se a British Petroleum. reorientarão seus investimentos para outras corporações ou mesmo outros setores da economia que apresentem melhores possibilidades de remuneração de seu dinheiro. Para demonstrar essa impossibilidade. ou. os investidores terão duas alter- nativas: substituirão o responsável por essa decisão "verde". Em face dessa elementar realidade do mercado. A79 . as corporações devem apresentar vantagens comparativas a seus investidores e acionistas atuais ou futuros em relação a outras oportunidades de investimento. acionistas e diretores-executivos das corporações sejam pessoas desprovidas de senso moral. o artístico ou o esportivo. as coordenadas mentais do capitalismo. o universitário.2 Milton Friedman c a moral corporativa Nada há aqui de um juízo moral. Seria absurdo supor que os proprietários. o sindical.

ele se sentirá satisfeito e não se preocupam com o que vier sucessivamente a ocorrer com a mercadoria e seus compradores. penso eu. perda de competitividade ou autolímitações do lucro no curto prazo”. O mesmo se aplica aos efeitos naturais das mesmas ações. sacrifícios de oportunidades de investimento. pois este implica.. Em 1876. ele e um empregado dos acionistas. no ca ita- lísmo. Aqui. Ela explica por que as corporações não podem se autorregular em função de variáveis outras que a maximização do lucro. Como tal. apenas o mais imediato resultado deve ser levado em consideração. Por mais alta que pareça sua posição. ao se deixar guiar por interesses ambientais. tinha o direito de adotar medidas ambientalistas susceptíveis de afastar a BP de seu lucro ótimo. Esse passo poderia ser subscrito por Milton Friedman (1912-2006). Ela del-inc como. Friedman qualifica justamente como imoralidade qualquer iniciativa de um dirigente de corporação que vise atenuar impactos ambientais.. isto é. A [LUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL No capitalismo. Indagado em 2004 sobre seJohn Browne. imoral. Friedrich Engels escrevials: . tem uma responsabilidade moral muito forte em relação a eles. Dado que capitalistas engajam-se na produção e no comércio em busca de lucro imediato. no mais das vezes. Ele pode fazer isso com seu próprio dinheiro. A resP osta de Friedman é irretocavelmente ló ica. Se. Prémio Nobel de Economia em 1976. mas com seus . tanto os que ofertam quanto os que captam recursos finan- ceiros subordinam-se a essa implacável racionalidade. críticos e defensores do capitalismo concordam. se tal iniciativa implicar diminuição dos lucros. “res onsabílídade moral' siEnifica o com romisso das instâncias diri- gentes de uma corporação não com a sustentabilidade ambiental. Elas possuem uma margem mínima de manobra para adotar o que Seev Hirsch chama de Enlightenedscfintmrt. ele dirigir a corporação de maneira a obter resultados menos efetivos para seus acionistas. estará sendo. segundo o 772a Economist. professor da Chicago School of Economics e. autointeresse iluminista de longo prazo. En- quanto um industrial ou um comerciante obtiver o lucro usual an-¡bicionado ao ven- der ou comprar uma mercadoria. aumento de custos.na . Friedman respondeu": Não. conselheiro de Ronald Reagan. “o mais inHuente economista da segunda metade do século XX”. então presidente da British Petroleum.

um sistema “aberto”. Se a era do crescimento capitalista chegou ou está chegando ao Em. isto e'. por definição. sa- bemos que toda influência perturbadora (déficits ou excessos) do equilíbrio das funções vitais em um organismo ou sistema orgânico desencadeia nele atividades regulatórias e compensatórias que tendem a neutralizá-la. A analogia entre o funcionamento do mercado e o de um sistema homeostático é um equívoco. :e amer- cado capitalista não cresce. o mecanismo básico de funcionamento do mercado capitalista não apenas não funciona por_feedback negativo. Esse fenômeno não ocorre no mercado capitalista. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL [O mercado] tem uma lógica de funcionamento dotada de surpreendentes pro- priedades do ponto de vista de eficiência produtiva e alocativa. mas é mesmo oposto ao mecanismo da homeostase dos organismos. Isso porque a força fundamental que impele o mercado a funcionar não é a lei de oferta e procura. Toda vez que o sistema torna-se perturbado. expansiva. ele se derequilibm. mais precisamente. desde que Walter Cannon desenvolveu a noção de homeostase. Ivan Illich notava quem: . A manutenção dessa estabilidade eficiente do meio interno em suas constantes trocas com o meio externo é o que orienta a atividade de todo organismo. que opera no âmbito da produção de mercadorias e é. Contrariamente aa organismo. de um novo equilibrio (alostase). mas a algo que lhe é completamente externo e estranho: os limites fisicos de resiliência da biosfera. isso não se deve a uma suposta virtude homeos- tática do mercado. O tamanho ideal do mercado capitalista é. o qual é impelido por forças Centrífugas (impostas pela acumulação de capital) em direção a um crescimento ilimitado. ainda que seja. o infinito. de sua própria identidade. É um sistema homens- tático regido por _feedback negativo. busca voltar ao equilibrio. Ora. direcionadas para a sobrevivência. portanto. o que redunda em recuperação do equilíbrio ou. todo organismo cessa de crescer e passa à fase em que prevalecem adaptações conservativas. por definição. a segurança e o reforço de sua própria centralidade e estabilidade. mas a lei da acumulação de capital. Eis o segundo erro de atribuir ao mercado os atributos da homeostase: atin- gida sua escala ideal. Desde os anos 1970. Desde a ideia de meio interno (milieu intérieur) de Claude Bernard9. todas as energias de um organismo são em última instân- cia centripetas. em suma. a qual opera no âmbito-da circulação de mercadorias. Ainda que dependa do meio externo.

A ILUSÂO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL Aberto. tem uma falha grave: não dá os sinais corretos em relação ao uso dos recursos ambicntaif”. se aceitas. enquanto os combustiveis fósseis forem disponíveis a preços que garantam uma margem de lucro. 2021”. por exemplo. Outro argumento de Giannetti no mesmo ensaio é. correto: “O sistema de preços. oferece outra demonstração da falácia de atribuir aos mecanismos de mercado o poder de induzir espontaneamente a redução das emissões de gases de efeito estufa. o .que se tornam rapidamente obrigatórias no quadro industrial. ao contrário. mas conti- nua a explorar e a consumir esses recursos como se fossem gratuitos e infinitos. por exemplo. As medidas propostas em 2014 pela Comissão Europeia para revitalizar esse mer- cado devem. o equilíbrio humano é susceptível de se modificar em função de parâ- metros flexíveis. No capitalismo. o mercado não preciñca adequadamente. entrar em vigor em. Digamos a mesma coisa nos termos de Nicholas Georgescu-Roegen: "O dominio dos fenômenos que a ecologia abrange é mais amplo que o domínio coberto pela ciência econômica” “. e portanto à economia. a dinâmica do sistema industrial funda sua instabilidade: ele é organizado em vista de um crescimento indefinido e da criação ilimitada de novas necessidades . Ao contrário. André Lara Resende é taxativo": Em relação à questão dos limites físicos do planeta. Da mesma maneira. A Redução Certificada de Emissões (RCE). afirma esse estudioso. A única preciñcação operada pelo mercado é a da relação entre custos econó- micos c taxa de lucro. de tal modo. os moribundos “créditos de carbono" suscitado: pelo Pro- tocolo de Kyoto. Seu preço caiu de 27 euros a tonelada em 2008 a menos de S euros em 2014. mas finitos. não obstante todos os seus méritos e propriedades sur- preendentes. que "a economía deverá ser absorvida pela ecologia". pelo não uso das florestas. Assim. A esse respeito. se os homens podem mudar. qualquer que seja seu custo ambiental. a serem negociados no mercado internacional. a disponibilidade de água doce acessível e não poluída. o potencial biológico do solo e os serviços pres- tados à biosfera. conñar no sistema de preços de mercado não faz sentido. o capitalismo fará uso deles. entretanto. eles o fazem no interior de certos limites. Qualquer aluno do curso básico de mícroeçonomia deveria 'O saber disso. da destruição do meio ambiente provocada pela ação humana...

os investidores terão duas alter- nativas: substituirão o responsável por essa decisão 'verdeÍ se tiverem poder para tanto. Nada permite aHrmar que se encontre nos círculos empresariais menos senso moral que em qualquer outro meio da so- ciedade civil. portanto. O problema de Fundo é que. reorientarão seus investimentos para outras corporações ou mesmo outros setores da economia que apresentem melhores possibilidades de remuneração de seu dinheiro. as melhores opções de troca. por mais que eventualmente de- sejem aprimorar a conduta ética de suas corporações. se não tiverem.E COLAPSO AMBIENTAL meio fisico é concebido como matéria-prima. Em face dessa elementar realidade do mercado. às coordenadas mentais do capitalismo. o religioso. o artistico ou o esportivo. acionistas e diretores-executivos das corporações sejam pessoas desprovidas de senso moral. Para evitar sua depreciação ou seu emprego em con- dições desvantajosas. CAPITALISMO . a cada momento. ou. seus dirigentes nãopqdem se permitir subordínar suas metas empresariais ao imperativo ambiental. por exemplo. como um subsistema do sistema econômico. as corporações devem apresentar vantagens comparativas a seus investidores e acionistas atuais ou futuros em relação a outras oportunidades de investimento. quanto para o investidor que escolhe as operações ou os fundos mais promissores.2 Milton Friedman e a moral corporativa Nada há aqui de um juízo moral. Para demonstrar essa impossibilidade. por exemplo. A faculdade de subordinar as metas económicas ao imperativo ambiental não pertence. Seria absurdo supor que os proprietários. todo detentor de certa soma de dinheiro deve escolhe no mercado. O capitalismo é insustentável não porque os controladores das corporações sejam inescrupulosos. Há aqui uma inversão da taxi: que resulta num ordenamento hie- rárquico do mundo incompatível com sua concepção ecológica. A79 . o sindical. ha que partir de uma trivialídade: o dinheiro perde poder aquisitivo por causa da inflação e tem taxas variáveis de poder de compra ou de rentabilidade por causa das oportunidades desiguais oferecidas pelo mercado. renunciar a um investimento potencialmente lucrativo por causa de seu impacto asnbiental. o universitário. 12. Se a British Petroleum. Isso é válido tanto para o trabalhador que procura trocar seu salário pelo maior número possível de bens.

penso eu. estará sendo. Elas possuem urna margem mínima de manobra para adota: o que Seev Hirsch chama de Enlígbtened rcffinterest. Friedman respondeu": Não. ao se deixar guiar por interesses ambientais. aumento de custos. Ela explica por que as corporações não podem se autorregular em função de variáveis outras que a maximização do lucro. O mesmo se aplica aos efeitos naturais das mesmas ações. mas com seus . então presidente da British Petroleum. perda de competitividade ou autolimitações do lucro no curto prazo”. Como ral. Ele pode fazer isso com seu próprio dinheiro. autointeresse iluminista de longo prazo. Se.. "o mais inHuente economista da segunda metade do século XX". Dado que capitalistas engajam-se na produção e no comércio em busca de lucro imediato. lndagado em 2004 sobre sejohn Browne. professor da Chicago School of Economics e. tinha o direito de adotar medidas ambientalistas susceptíveis de afastar a BP de seu lucro ótimo. "responsabilidade moral” significa o compromisso das instâncias diri- gentes de uma corporação não corn a sustentabilidade ambiental. no mais das vezes. sacrifícios de oportunidades de investimento. tanto os que ofertam quanto os que captam recursos finan- ceiros subordinam-se a essa implacável racionalidade. conselheiro de Ronald Reagan. segundo o 777a Economist. Friedrich Engels escrevia'°: . Em 1876. Prêmio Nobel de Economia em 1976. Por mais alta que pareça sua posição. no capita- lismo. imoral. ele dirigir a corporação de maneira a obter resultados menos efetivos para seus acionistas. tem uma responsabilidade moral muito forte em relação a eles. apenas o mais imediato resultado deve ser levado em consideração. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL No capitalismo. A resposta de Friedman é irretocavelmente lógica. Friedman qualifica justamente como imoralidade qualquer iniciativa de um dirigente de corporação que vise atenuar impactos ambientais. ele é um empregado dos acionistas.. Aqui. isto é. Ela define como. pois este implica. ele se sentirá satisfeito e não se preocupará com o que vier sucessivamente a ocorrer com a mercadoria e seus compradores. críticos e defensores do capitalismo concordam. Esse passo poderia ser subscrito por Milton Friedman (1912-2006). se tal iniciativa implicar diminuição dos lucros. En- quanto um industrial ou um comerciante obtiver o lucro usual ambicionado ao ven- der ou comprar uma mercadoria.

795 gigatoneladas de carbono das reservas de carvão. para manterem altos os preços de suas ações e. as corporações precisam queimar as 2. vale dizer. .- sidade apresentam um dilema. honrarem seus contratos e seus compromissos com seus acionistas. puras peças de publicidade. uma dirigente da PepsiCo desistiu em 2010 de tornar seus produtos minimamente mais saudáveis. para manter uma chance de 66% de que o aquecimento global não ultrapasse 2°C até 2100 (em relação às temperaturas médias pré-industriais). diria Friedman. já que não diferem de fato das carteiras convencionais de investimento. Assim. Isso significa que.Corpo- rações que vivem da venda desses combustiveis”. de cujo conselho editorial Friedman foi membro”. Para serem entidades morais (no sentido friedmaniano). assim. quase cinco vezes mais que nosso orçamento de carbono até 2050. diretor do Canadian Youth Climate Coalition e coassinada por mais ARO . Eis o mais decisivo exemplo da impossibilidade de conciliar a razão de ser do capitalismo com o meio ambiente. Elas são ilustradas por outro caso analisado pela revista 111a em uma reportagem de 2012 sobre os níveis globais crescentesdc obesidade: "Para as corporações de alimentos e bebidas. mantido esse patamar de emissões. escrita por Cameron Fenton. Frederic Ghys e Hanna l-Iinkkanen mostraram por que “Investimentos Socialmente Responsáveis” (SRI na sigla em inglês) são. as taxas atuais de obe. Segundo o IPCC. novas emissões atmosféricas antrópi- cas de CO¡ não poderiam ultrapassar S65 gigaroneladas até 2050.nas decisões de investimento em nome dos clientes que não as tivessem expressa- mente requisirado”7'°. E com razão. Essa lógica e essa concepção de responsabilidade moral fora-mde- fendidas pela New Individualirt Review. secretária-executiva da UNFCCC. esgota- remos nosso orçamento de carbono por volta de 2030. como o admitem os próprios bancos. pois “os acionistas começaram a se revoltar”'9. As corporações têm para com seus acionistas um dever de fazer dinheiro”. por eles citado: "o banco transgrcdiria sua função financeira como um administrador de ativos ao incluir considerações ambientais e sociais. petróleo e gás detidas por elas e pelos Estados. Como alirma a carta aberta a Christiana Figueres. isto é. narra o artigo. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL acionistas. Segundo um expert ern investimentos finan- ceiros. jálquc estes depositaram seus recursos e confiança na PepsiCo porque esta lhes prometia a melhor expectativa de retorno disponível nomercado. sendo que apenas em 2013 emitimos 36 Gt de COI-eq e beiramos 40 Gt emitidas 'de COI-eq em 2014.

o teor do best seller de Ray Anderson Conkrsions a RadicalIndustrialist (2009). Convém antes. seja em termos de imagem de marca. bem ao contrário de diminuir a competitividade da empresa. então sair na frente. a ILUSÃO n¡ UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL de 160 personalidades e ONGs: "O preço das ações [das corporações] depende da exploração dessas reservas. dar a palavra não já aos liberais puros e duros.3 Seis aspectos da impossibilidade de um capitalismo sustentável Essa lógica da impossibilidade de um capitalismo sustentável comprova-se concretamente em numerosos aspectos do modus operandi do capitalismo. ou ainda o documento 777a Business Casefor Sustainability. pôr-se na vanguarda de processos econômicos de menor impacto e risco ambiental. mas se potenciariam reciprocamente. e a segurança ambiental (e outras) nos processos produtivos. Espero não subestimar a literatura sobre o binômio negócios e sustentabilidade ao dizer que essa se limita a elaborar variações em torno desse tema. garantirá um diferencial de rentabilidade em relação à taxa média de lucro. como Milton Friedman. acerca do “impacto da cultura corporativa de sustentabilidade sobre o comportamento corporativo e o desempenho". Tal é. ou do estudo de Robert Eccles. com di- versos “estudos de caso” sobre a relação direta entre sustentabilidade e lucrati- vidade. Salvo engano. produzido pelo International Finance Corporation. afirmando que sustentabilidade ambiental e aumento de lucros seriam não apenas compativeis. da Harvard School ofBusiness. por exemplo. contudo. mas aos que creem que o capitalismo nada tem a temer da regulação ambiental. Ioannis Ioannou e George Serafeim (201 I). Se isso é verdade. pois é um processo gerador de valor. aumenta-a. Muitos deles recusam a defensiva e põeái-se na ofensiva. para ficar em três tipos diferentes da literatura a respeito”. Isolemos seis aspectos dessa impossibilidade. seja em termos de gestão de risco. O plano de negócio delas é incompatível com nossa sobrevivência"? 12. seja enfim em termos de resultados financeiros efetivos. Há um número . do Banco Mundial (2012). os advogados dessa tese têm predileção pela seguinte linha de argumentação: adotar soluções inovativas para aumentar a eficiencia da relação insumo/ produto ou produto/ lixo.

de maior pres- são sobre os ecossistemas inclusive por produto. já que o número de produtos não cessa de aumentar em escala global num mercado igualmente globalizado e num modo de produção que perderia sua razão de ser se não se concebesse como uma máquina de autoexpansão. e recentemente também deixou de ocorrer com o ferro e com a bauxita. mesmo que relativo. Mas ela não a diminui em termos absolutos. o mecanismo conhecido como “paradoxo de levam” ou como "efeito rebote” (rebound cjêct) descreve como o aumento da demanda por energia ou por recursos naturais sempre tende a compensar o ganho de ecoeñciéncia da inovação tecnológica. Prestam com esse trabalho. contudo. Segundo José Eli da Veiga. a Fundação . É certo que a maior eficiência numa ou em várias fases do processo produtivo permite diminuir essa pressão por produto ou por unidade do PIB. Além disso. reciclagem. isto é. É por certo positiva a ação de instituições e fundações empresariais que advogam uma economia "ecoeficientê e circular. ainda que a eficiência energética por produto te- nha se duplicado ou mesmo ttiplicado desde 1950. Assim. "nos casos do cobre e do níquel. reutilização e refabricação. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL crescente de economistas e de ONGs empenhados em estimular as empresas n adotar esse credo. a esperança de que a ecoeñciência das tecnologias e dos processos produ- tivos nos paises de industrialização madura permita o milagre do aumento da produção e do consumo corn menor pressão ou ao menos sem aumento corre- lativo da pressão sobre os ecossistemas”. A extração desses quatro metais primários tem aumentado mais que a produção global de mercadorias”25. Há mesmo casos de um ocasional "descolamento inverso". naturalmente. baseada em engenharia reversa. limitados pelos seis aspectos da impossibilidade de um capitalismo ambientalmente susten- tável que dão titulo a esta seção e que se trata agora de enunciar. 1. Entre elas contam-se o Conselho Em- presarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). nem é possível constatar descolamento. isto é. "DcscolamentoÍ economia “ecoeñcíente” e circular Na panóplia de argumentos cultivados pelos que creem num capitalismo tendencialmente sustentável destaca-se a ideia de descolamento (decaupling). Seus êxitos são. esse ganho é anulado pela expansão da produção numa proporção maior que o ganho de ecoefíciência. um enorme serviço à sociedade e às próprias empresas.

achamos ser o bastante fazer diferentemente as coisas. que lançou no encontro de Davos de janeiro de 2014 o terceiro volume da série Towards a CiradarEcanamy”. fato minuciosamente analisado por Nicholas Georgescu-Roegen desde os anos 1970": Parece que. com a reciclagem. A lei da pirâmide de recursos de Heinberg Por mais que algumas empresas tentem diminuir seus custos de produção e operacionais através de iniciativas "verdes". e tanto menos uma economia global prisioneira do paradigma da expansão. cada grau na redução do indice de poluição se traduz por um custo que aumenta mais rapidamente ainda do que para a reciclagem. Uma economia baseada na reciclagem e na reutilização pressuporia. A [LUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL Avina” e o projeto Maimtream da Ellen McArtl-iur Foundation. Uma quarta condição de possibilidade da reciclagem e da economia circular seria uma lc- gislação que banisse a adição de aditivos aos produtos sem prévio teste de t0- xicidade. posto que sob proteção de confidencialidade comercial”. entretanto. e suas partes de plástico não o podem por comerem retardadorcs de chamas. para eliminar a poluição. (3) redeñnição do sistema de montagem e combi- nação dos materiais no processo produtivo. Sabemos. Nenhuma economia. a escassez crescente de certos in- . mais de 90% de todo o lixo produzido no atual sistema econômico ocorre nos estágios anteriores ao consumo final. segunda lei da termodinâmica. a universalização da engenharia reversa. apenas 50% de um computador pode ser reciclado. fechada e em bloco. também como visto no ca- pítulo 3. Além disso. Isso signiñcaria uma inversão de sentido na tendência atual a uma tecnologia de “caixa-preta”. Como visto no capitulo 3. prática hoje livre de controle público. protegida. Averdade e que. portanto. 2. Mesmo que pudéssemos nos furtar à entropia ou minimizar-la. que não há economia circular. de modo a facilitar sua separação pós-consumo'. Além disso. vale dizer: (l) substituição de todo o patrimônio do design industrial acumulado. o formato e a dinâmica atual da economia global são causas práticas suficientes para invia- bilizar quaisquer projetos de economia circular. (2) substituição ou radical adaptação do maqui- nário fabril internacional. pode furtar-se à. a eliminação da poluição não é gratuita em termos energéticos.

a razão de retorno de energia petrolífera a partir da energia investida para obté-la. Eu- troñzação. em breve. O extrato abaixo é a porção que se pode extrair com mais dificuldade e mais custo e com piores impactos ambientais"? Exemplos dessa lei abundam nas paginas anteriores. o exemplo do Eroei (energy returned on energy inuested). gera reações mais destrutivas. item 9. com seus conhecidos impactos sobre o próprio solo e sobre as águas (vide capitulo 9. hipóxia e anóxia). (4) a especialização genética das plantas no Eco de otimizar sua produtividade torna-as mais vulneráveis a agentes patogênicos. Para cada um desses dossiês. item 3. item 3. Tome-se. a escassez . os quais. Elas não podem. de modo mais geral. de fato. sempre implicando intensificação do impacto ambiental. areias beruminosas.2. As alternativas encontradas para compensara escassez de petró- leo convencional .5. num efeito de bola de neve (vide capitulo 3. no subsolo marítimo (vide capitulo 3. petróleo de xisto. bem descrita por Richard Heinberg em seu livro Peak Everything: I/Wking Up to the Century MDecline:: “A pedra do ápice [da pirâ- mide] representa a porção dos recursos que se pode extrair facilmente e a baixo custo. Recordem-se outros quatro exemplos cruciais: (1) a escassez de recursos hídricos. abordado no capítulo 4. favorecendo poços mais profundos e projetos faraônicos de engenharia. o que implica maior depen- dência de agrotóxicos. e portanto hidtelétricos. O Eroei declina também em outros setores cruciais da atividade econômica. interferem negativa- mente nos próprios recursos hídricos e nos equilíbrios ecossistêmicos (vide capítulos 2 e 10). Terras-raras). (3) o pico das reservas chinesas de terras-raras leva à disseminação de sua exploração e de seu impacto ambiental em diversos paises e. J CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL sumos e a necessidade de garantir seu fornecimento em grande escala e a custos baixos neutralizam esses esforços.8. se subtrair à lei dl pirâmide de recursos. investimentos cada vez maiores de energia em geral são requeridos para os mesmos retornos ou para aumentos diminutos deles.perfuração em zonas remotas e em santuários de biodiver- sidade. na maioria dos casos.lançam mão de tecnologias mais destrutivas e de maior risco que as empregadas na situação anterior de abundância e maior acessibilidade. pesticidas industriais). A lei da pirâmide de recursos de Heinberg pode ser enuncíada de outra forma igualmente canônica: no capitalismo. coque de petróleo e regressão ao carvão . (2) o empobrecimento da biomassa nos solos provoca avan- ços sobre as Horestas e o uso mais intenso de fertilizantes.

Mas. 4. em tese. Mas qualquer que seja a metodo- logia (e a se supor que o valor da natureza seja redutivel a um preço de mercado). essas regras do jogo mais "verdes". as relações de força entre as corporações e os Estados tornaram-se muito desiguais. pois tais regras incidiriam negativamente sobre os custos das próprias empresas estataisáã sobre a renta- bilidade de suas participações acionárias nas empresas privadas. com frequência.a de uma pressão da sociedade sobre o Estado capaz de produzir algum avanço legislativo -. intitulado Natural Capital a¡ Rir/c. o resultado é o mesmo: é impossivel para as corporações internalizar seu custo ambiental. portanto. nem interesse. 7h: top 100 externalitíe: ofbusiness. Na melhor das hipóteses . Regras do jogo Uma empresa não pode arcar sozinha. 3. mas conseguirão retardar por anos sua implantação ou torna-la tão gradual. menor que o valor econômico do patrimônio da biosfera destruído por essa atividade”. CAPITALISMO SUSTENTÁVEL crescente de recursos naturais redunda em agravamento do impacto ambiental da atividade econômica.4. Hoje. como se verá no próximo irem deste capitulo (12. que estas acabarão sendo incapazes de deter o agravamento das crises ambientais. A regulação por um mecanismo misto). a médio prazo. as associações representativas das corporações aca- barão por aceitar. o Estado não tem mais força para impor regras que as corporações considerem como susceptíveis de diminuir suas margens de lucro. que esta se gene- ralize. com custos adicionais significativos de uma iniciativa "verdeÍ É preciso. mostra que": . o que só possivel através de uma legislação que a imponha como uma nova regra do jogo. Um relatório elaborado para o The Economics ofEcosystems and Biodiversity (Teeb). A impossibilidade de internalizar o custo ambiental Uma impossibilidade especifica para as corporações de se subordínarem ao imperativo ambiental e' a impossibilidade de “internalizar” os custos dos danos ambientais crescentes que elas “socializami Multiplicam›se hoje as metodolo- gias de precificação do patrimônio natural. Nem força. pois o valor total gerado por sua atividade é. É A ILUSÃO m.

monravam em 2009 a 7. sobretudo as ativas nos setores de combustiveis fósseis. uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral. a redução no período dc 1990/2008 seria de 34% para 3%. o que equivalia nesse ano a 13% do PIB global.. poderia o agronegócio brasileiro intemalizar os custos da devastação da vedges tação do Cerrado e da Floresta Amazônica. diretor do Pnuma. e ainda assim se manter rentável? A pergunta é retórica. e no Brasil. De faro. _ O mesmo vale para as Contabilidades nacionais. No que se refere à publicidade. hi- drelétricas. o valor do patrimônio natural degradado c não contabilizado (ou externalizado) pela corporações. especifica o estudo. Não por outra razão. só a inclusão dos custos na saúde gerados pela má qualidade da agua significaria cem bilhões de dólares anuais. madeira. S.] o crescimento do PIB da Índia em S0 anos cairia da média de 2. sobretudo. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL os custos não preciñcados do capital natural (unpriced natural capita¡ costs). esta última.3196. Investimentos em lobbizs e em publicidade A nocividade ambiental das corporações. com 400 companhias de diferentes tamanhos. mostrou que “para 91% das empresas. mineração. de Minas Gerais. se fossem incluidos na contabilidade nacional _os custos ambientais": [. da degradação dos solos e recursos hídricos e da diminuição da biodiversidade. na China. Entre os setores mais impactantes. se incluidas perdas de "capital natural". o que está por trás da preocupação com a susten- ln/ . a in- dústria do petróleo dos EUA tríplicou seus investimentos desde 2004 nos Iobbüs”. para ele e para o Estado-Corpo¡ ração que dele depende e com ele está associado.. em torno de 5. colocar esses custos na conta a ser paga pela sociedade presente e futura. tão incontornável. estão o carvão e a pecuáe ria. aço.8% do produto bruto. fertilizantes. petroquimica. a. o que supõe manrê-los conceitual- n mente fora da esfera do cálculo econômico.96% ao ano para 0. cimento e defesa. O relatório conclui que nenhum setor regional de alto impacto gera lucros suficientes para cobrir seus impactos ambientais.3 trilhões de dólares. na América do Sul e no Sudeste Asiático. É necessario. agronegócio. portanto. Conforme reporta Achim Steiner. que a única alternativa para esses setores é neutralizar a pressão popular e le- gislativa. pesticidas. investindo em lobbíes e em publicidade.

Fora da Universidade. desde que respeitando as regras do jogo. em fevereiro de 2015. o que signiñca engajar-se em competição livre e aberta sem engano ou fraude. entre tantos casos. Essa carteira de investimentos évariada. então ocupada por George W. Ela começa pela intimidação c pela censura na midia ou através de pressões dos governos. atualizada em 2012. nas palavras da Academia de Ciências dos Estados Unidos. inclusive por causa de seu prestigioso vinculo com o Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics. apenas 14% responderam “sentirem- -se aptos a compartilhar uma preocupação sobre saúde pública e segurança ou uma ameaça ao meio ambiente sem medo de retaliação ou censura por parte de seu departamento ou agéncif”. o clamoroso caso do desrnascaramento de Wei- -Hock (Willie) Soon. ou Michael Mann. em relação ao "taco de bot/cry" (vide capitulo 6)”. em especial pela Southern Company Services. prática que vitimou. De quatro mil cientistas canadenses entrevistados por Mark Frary numa pesquisa publicada em 2014 no Index on Cemarrbáo. por exemplo. as corporações promovem think tank. 6. Em 2006. dos EUA e do Canadá. James Hansen denunciou uma tentativa da Casa Branca. as corporações ñ- nanciam e monitoram as pesquisas universitárias”. Investimentos em censura e em desinformação . na desmoralização de cien- tistas pelos “mercadores de dúvidas'. Não se pode aqui não Mílton Friedman36: retornar ao statement liberal e não complexado de Há uma e apenas uma responsabilidade social dos negócios: usar seus recursos e engajar-se em atividades concebidas para aumentar seus lucros. o poster child dos negacionistas. De 20% data também uma instrução do governo do Canadá. Bush. uma empresa geradora de energia por termelétricas movidas a carvão". Além disso. como o demonstrou mais uma vez. proibindo cientis- tas federais de falar à imprensa sem a mediação de uma assessoria de imprensa. "uma . foram secretamente financiadas e mesmo previamente aprovadas por corporações.: cujo objetivo é fomentar. Ben Santer. e sobretudo. em relação ao relatório de 1995 do IPCC. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL tabilidade é o benefício para a imagem da empresa”. Suas publicações. As corporações investem também. de censura-lo”. cujo objetivo precípuo era contestar o caráter antropogênico das mudanças climáticas.

as diferenças. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL ação organizada e deliberada para induzir o debate público em erro e distorcer a representação da opinião pública sobre as mudanças climáticas". Whitney Ball. informa o jornal 779a Guardian. da Drexel University. com uma média anual de US$ 64 milhões em patrocínios iden- tificávcis por fundações. se houver. em Filadélfia. há. Mas quando se trata de questões ambientais. identificando nessas instituições o que ele chama de um "contramovimento das mudanças climáticas" (climate change counter-ma- uement ou CCCM). tenderá a ver muitas diferenças em relação aos conservadores no que se refere a questões como defesa. por exemplo]. uma documentada tendência em ocultar as Fon- tes de financiamento das organizações de CCCM por meio de doações diretas [de pessoas físicas]. Brulle chega a cifras mais precisas e expressivas? Essas 91 organizações de CCCM têm uma receita anual de pouco mais de US$ 900 milhões. Nada mais coerente. não são tão pronunciadas. presidente da Donors Trust and the Donors Capital Fund. uma empresa que canaliza doações de ao menos um milhão de dólares para esses grupos. imigração. Ao analisar a documentação disponivel (relatórios de cor- porações e documentos Fiscais) entre 2003 e 2010. drogas. salvo . como o Tm Party. guerra etc. Robert Brulle. Além disso. Investimentos para se furtar às pressões cientificas e sociopolí- ticas por sustentabilidade estão diretamente vinculados a rentabilidade de seu negócio. A esmagadora maioria desse patrocínio provém de funda- ções conservadoras. Uma centena desses thin/e tan/es norte-americanos recebeu em tomo de 120 milhões de dó- lares entre 2002 e 2010. em lobbier. explicou ao jornal britânico o quanto a questão ambiental é uma bandeira uniñcadora do' espectro ideológico da direita norte-americanaü: Se você olha para os libertarians [termo que designa nos EUA a extrema direita. traçou um mapa de 91 ONGs - e associações profissionais ativamente negacionistas e de suas vias de financia- ' mento por 140 Fundações. Ao somarmos o que as corporações investem na mídia. em pesqui- sas monitoradas e em desinformação chegaremos a cifras provavelmente muito mais vultosas que as que as corporações investem em sustentabilidade. ao passo que investimentos em sustentabilidade não implicam.

condição imprescindível de toda negociação efetiva. será. Até o presente momento. ela poderia impulsionar o capita- lismo em direção à sustentabilidade. contrariar: (l) a expectativa de ganho de seus acionistas. a qual. de um lado. Examinemos o perfil de cada uma das três partes nessa mesa de negociações. aumehxiega rentabilidade. como o IPCC. . a uma autossuperaçáo. haja vista a incipiência de plataformas institucionais de organização que representem esse ideário. enunciada no inicio deste capitulo: a sustentabilidade obtida por marcos regulatórios negociados entre o Estado. justamente por isso. Como se discutirá na Conclusão. fazendo-os acei- tar dividendos diminuídos por causa de escrúpulos com externalidades. na Introdução (item 2). a sociedade civil e as corporações. agora. que. Vimos. insustentável. A sociedade civil não se mostra por enquanto disponivel para liderar um debate nacional e internacional sobre a questão ambiental. › 12. está cada vez menos apto a liderar essas nego- ciações. As corporações podem reservar recursos para iniciativas "vercÊrEcTfazemcom grande senso de pro- paganda. sua autonomia polí- tica e financeira em relação ao poder das corporações pequena e que.4 A regulação por um mecanismo misto Examinemos. entre outros. Podem. quando sob forte exposição à mídia. Mesmo os setores scnsibilizados por essa questão veem-se pouco municiados para agir na cena politica. isto é. (2) a lógica do aumento de sua atividade. efetivamente ñsealizada pelos poderes públicos. cedo ou tarde. a segunda impossibilidade lógica de um capitalismo sustentável. seria muito menos destrutiva que a que hoje prevalece. . pelas ONGs e pelas grandes instituições de cooperação cientifica internacional. O Estado. as preocupações e reivindicações da sociedade civil não denotam preocupação maior com a degradação da biosfera. de seu lado. urna atividade econômica regulamentada por uma adequada legislação ecológica. Tocamos aqui o punctus dolem de toda a problemática discutida neste capitulo: a impos- sibilidade dessa segunda via advém da falta de paridade de poderes entre as partes. o UICN. Sem dúvida. adotar atitudes ambien- talmente “virtuosas”. de outro. sob pena de autonega- ção. 4%): UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL em casos excepcionais. Mas definitivamente não podem.

CAPKTALISMO E COLAPSO AMBIENTAL seus interesses vêm-se confundindo com os da rede corporativa.139 trilhão de dólares“. Desde setembro de 2008. Não se pretende com isso fazer tabula rasa das diferenças entre os partidos e coalizões que participam do quadro político-eleitoral. o essencial dos recursos financeiros dos EUA e da Europa tem sido alocado para socorrer o sistema bancario e "acalmar os mercados". Ao invés de regulamentar a atividade financeira. a quantia de 1. no que parece despontar como uma verdadeira transformação de sua identidade histórica em direção a um novo tipo de Estado. nem desconhecer as especificidades das situações políticas de cada pais. de julho de 201 1. Segundo um relatório sobre conHito de interesses requerido ao GAO pelo senador Bernard Sanders. Assim. 0 Estado e o sistema_jínanceíro O mais recente indício de que o Estado está perdendo seu poder e sua iden- tidade é sua reação à crise financeira desencadeada em 2007-2008. entre l* de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010. parecem hoje remotas as chances de que este possa conduzi-las ao leito de urna atividade de baixo impacto aanbiental. credor e devedor das corporações: o Estado-Corporação. Ann . sócio. A adrenalina da crise levou os bancos a assumir mais que nunca o controle do Estado e a tomar de assalto seus recursos. Conforme demonstra o documento Report to Congressianal/Iddressees. o Estado lançou-se na mais abrangente operação de sauvetage dos bancos. do Government Accounta- bility OH-lce (GAO) dos EUA. e por ele publicado em 12 de junho de 201245: Durante a crise financeira. através de diversos "programas emergenciais a bancos com problemas de liquidez” (emergency programs and other assistance provided directly to institutionskcíng liquidiq rmzins). o Federal Reserve Bank (FED) havia emprestado. ao menos 18 antigos ou atuais diretores dos Federal Reserve Banks [os Bancos Centrais dos estados norte-americanos] trabalharam em bancos privados e corporações que coletivamente receberam mais de quatro trilhões de empréstimos do Federal Reserve. Pretende-se apenas añrmar que as coalizões políticas que se revezam no comando do Estado veem hoje muitíssimo diminuldos sua capacidade e seu interesse de fazer pre- ' vaIecer os imperativos ambientais em detrimento dos interesses imediatos das corporações. ainda quando afloram divergências entre as corporações e o Estado.

entre Churchill e Cameron.7 trilhões de dólares“. da perda de valores e principios e de seu apego venal às benesses do Estado. Tornou-se um lugar-comum a comparação entre os es- tadistas de ontem e seus sucessores. e de mais 17 bancos em julho de 2012 (além de outros 7 na Holanda). mas tão dificil salvar a biosfera. na forma e empréstimos overnight (not term-adjustcd transactíons). entre De Gasperi e Berlusconi etc. entre Adenauer e Merkel.115 trilhões de dólares. Roosevelt e Obama. sempre desvantajosa para os últimos: entre De Gaulle e Hollande. A questão colocada por Monbiot tem uma resposta inequívoca: porque salvar os bancos e as demais corporações tornou-se uma função precípua dos Estados. A ILUSÃO D UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL Até março de 2009. segundo infor ções reveladas pelo jornal Bloomberg. mesmo os bancos mais ricos da Europa não podem gerir sozinhos suas perdas e estrate- gicamente não poderão sobreviver sem a rede de segurança do Estado“.. entre 1° de dezembro de 200 e 21 de julho de 2010. Mas seria absurdo supor que as sociedades perderam a capacidade de produzir tem- peramentos à altura dos grandes esradistas que lideraram as democracias oci- dentais em momentos críticos de sua história. que traem seus perfis ideológicos e descumprem as promessas que motivaram suas vitórias eleitorais. O que se perdeu foi a força do Estado como o lugar por excelência do poder e da representação politica. Conforme mostra a tabela 8 do documento Report t Congrmional Addresses: do GAO. entre Franklin D. Por que é tão fácil salvar os bancos. pergun- tava-se George Monbiot. 21 bancos norte-americanos e europeus mobilizaram re sos em transações provenientes de programas emergenciais do FED. . no valor agregado e 16. Os eleitores queixam-se da crescente corrupção dos partidos. o Federal Reserve comprometem com o istema financeiro norte-americano ga- rantias e limites de crédito no valor de . da deslealdade ou falta de liderança de seus chefes de Estado. um jornalista do 771a Guardian”. Queixam-se também da incompe- tência gerencial. Segundo uma ava- liação de sete bancos da Alemanha pela agência Moody's em junho de 2012. Obsolescência do estadista Não há mais lugar no Estado para a clássica ñgura do estadista. acima citado.

de um endividamento que se tornou crônico após os anos 1980. 29 têm dívidas acima de 80% de seu PIB e nada menos que 15 delas têm dividas acima de 100% de seu PIB. o BCE empresta aos bancos a taxas de 1% a 1. 0 en dividamen to dos Estado: As corporações controlam o Estado através. assim. ao deslocar para os anônimos conselhos administrativos das corporações as decisões estratégicas para cujo financiamento e execução os Estados e seus re# cursos são acionados. cada vez mais mes- tres da arte gestieulatória. obtendo em garantia . Islândia.e várias economias da Europa (Itália.na . Das 153 nações arroladas pelo FMI ou pelo CIA World Faetboolt”. Portugal e a Grécia. os mandatos populares são cada vez mais luga- res de rítualizaçáo espetacular do poder e seus dignarários. Ela está em nossos dias criticamente ameaçada. A Europa reage a esse endividamento através de um círculo vicioso: (1) proibido por seus estatutos e pelo Tratado de Lisboa de comprar titulos da dívida pública diretamente dos Estados insolventes. com um principal equivalente a mais de 173% de seu PIB). CAPITALISMO 1'. O sentido do termo “representação” exercida pelos” mandatários do voto popular entende-se. junto com o endividamento crônico dos Estados nacionais. Irlanda. em sua acepção pantomlmica.5%. ai incluidas as maiores economias do mundo . a ideia em suma de representação política. de modo a melho- rar os balanços desses bancos e evitar a próxima crise bancária sistêmica. Ao dcstcrritorializax o poder. sobretudo. pedra angular da tradição democrática nascida em Atenas e ampliada pelo sufrágio universal na Idade Contemporânea. acarretando. Incapazes de ditar con# duras e limites às corporações. uma progressiva trans- formação do sentido histórico de seu poder politico. 64 têm hoje dívidas públicas superiores a 50% de seu PIB. Além disso. continua obviamente a única forma legi- tima de exercício de poder pelo Estado e deve ser sempre mais aprofundada. COLAPSO AMBIENTAL Ameupzs a' tradição democrática da politica A ideia de que os governantes são titulares provisórios de um mandato outorgado pelos governados. o Banco Central Europeu (BCE) deve compra-los dos bancos no mercado secundário.os Estados Unidos e oJapão . Bélgica. a globalização do capitalismo está. cada vez mais.

. Esse diktat levou a Grécia a vender a ilhãde Oxia no Mar _Iônico (a 20 quilômetros de Íraca. O mesmo tipo de alienação do patrimônio civilizacíonal do Mediterrâneo suscitou os dolorosas balanços propostos por Salvattore Settis e Silvia DelYOrso em 2002. dirigente da União Democrata-Cristã. territorial e cultural da Europa meclíterrâneaé con- siderado pouco mais que massa falida pelos credores. o emir do Catar. A cvasãojítcal A depauperação dos Estados-Corporações advém. através da cus- tódia e da conservação dessa memória. completando-se o circulo vicioso num nivel mais elevado. O patrimônio natural. o Estado. (4) os bancos podem assim continuar a financiar os Estados. Se- . “Os insolventes devem vender tudo o que têm para pagar os credores". os Estados (S) sa« criñcam seus investimentos e seus serviços públicos ao imperativo da diminuí- ção do déficit orçamentário e da divida pública. Em 2000. A ILUSÁO DE UM CAPITALKSMO SUSTENTÁVEL títulos “podres” ou de alto risco dos Estadosw. natural. Outrora. estão a venda”. Para conseguir saldar suas dividas. já que o Estado é mal avaliado pelas agências de rating. garantia aos cidadãos a fruição de seu patrimônio e o culto de seus monumentos. que a arrematou por irrisórios cinco milhões de euros.. acima de tudo. Ele era o liame entre as gerações. um artigo publicado no jornal Líbération cstimava em aproxi- madamente seis trilhões de euros os recursos desviados para 65 paraísos fiscais. mesmo quando não vende simplesmente esse patrimônio. o que (7) empurra os Estados para a inadimplência. A austeridade (6) debílira a economia e faz diminuir a arrecadação. e era propulsor. (2) assim recapitalizados. o Estado-Corporação desnatura-o. como Dolicha. os bancos emprestam dinheiro “novo” aos Estados inadimplentes para que estes (3) evitem o deyízulte paguem os credores. territorial ou cultural. com uma progressão de 12% ao ano nos três anos anteriores (1997-1999). através da pesquisa. o partido que dirige a coalizão de Angela Merkel na Alemanha. declarou Joseph Schlarmann. da atualizapia crítica do sentido histórico desse patrimônio”. a juros mais elevados. da evasão fiscal. Outras das seis mil ilhas gregas. ao concebe-lo como um insumo do turismo a ser gerido segundo os imperativos de lucratividade dessa indústria. Hoje. desta feita sobre a abdicação das responsabilidades do Estado italiano em relação à pro- digíosa memória cultural dessa nação”.) ao xeque Hamad bin Khalifa al-Thani. através dos museus e do sistema educacional.

] Conside- ramos esses números conservadores. outro círculo vicioso.8 trilhões de dólares mantidos @fi/nora lsto. equivalem a um terço dos ativos globais”. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL gundo um relatório preparado em julho de 2. assim. o complexo . E como se não bastasse esse círculo vicioso... Esses juros (3) põem os Estados ainda mais à mercê dos credores. os Estados tornam-se seus devedores crônicos. os grandes projetos de mineração e de energia. de bancos públicos de "desenvolvimento" e de isenções fiscais .012 pelos economistas da Tax justica Network (TJN)“: ao menos 21 trilhões de dólares de riqueza financeira não declarada estavam em propriedade de indivíduos em paraísos fiscais ao final de 2010. afirmava que “S596 do comércio internacional ou 35% dos fluxos financeiros transitam por paraísos fiscais"? Gabriel Zucman. os investidores e as grandes fortunas: (l) desviam parte ponderável dos impos- tos devidos para paraísos Fiscais e. Apenas entre 2007 e 2009..através do erário público. iates e outros ativos não financeiros possuídos em estruturas o share. aproximadamente seis trilhões de dólares foram transferidos para paraísos fiscais”. Pode haver na realidade 32 trilhões de dólares em ativos financeiros mantidos qftbort por indivíduos de alta renda segundo nosso relatório Ike Prices of 0175/1021 Revisited [. (4) fomenta a ideologia segundo a qual a social-democracia e' inviável posto que geradora de Estados Leviatãs. através dos bancos que captam esses recursos nos paraísos fiscais. Instala-se. enfim. pois dizem respeito apenas à riqueza Hnaneeira t excluem o patrimônio imobiliário. estima enfim que os Estados perdem por ano 190 bilhões de dólares em evasões fiscais”. [. da London School of Economics. um especialista do tema. parte da arrecadação do Estado é orientada para subsidiar ou financiar . complementar ao acima descrito: as corporações. (2) emprestam aos Estados a taxas de juros de alta renta- bilidade. gigantescos e perdulários. Em um documento anterior. Essa soma e' equivalente ao tamanho das economias dos Estados Unidos e do Japão somadas. num tempo em que os governos de todo o mundo estão morrendo por Falta de recursos. o que. os economistas do TJN afirmam que "os ativos mantidos mfibore.. Em 2008.] O_ número de super-ricos globais que acumularam essa fortuna de 21 trilhões de dólares é menor que 10 milhões de pessoas. ao abrigo de taxação efetiva. a indústria automobilística. Deles.o agronegócio. menos de 100 mil pessoas no mundo todo possuem 9. De credores dejure das corporações. Edouard Chambost.

as emissões continuaram a se acelerar”. Entre 1750 e 2008. que esforço de regulamentação ambiental esperar ainda dos Estados? Estima-se que em 1750 havia dois trilhões de toneladas de CO¡ na atmosfera. subsídiadas em 312 bilhões de dólares em 2009. A ILUSÁO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL militar-industrial e outros ramos de alta concentração de capital corporativo e de mortífero impacto ambiental. A metade das giga- toneladas emitidas nos últimos dois séculos e meio foi lançada após meados dos anos 1980. O documento final da Rio+20 nem sequer menciona essa declaração do G20 em 2009. com especial ênfase para a indústria de combustiveis fósseis. Mesmo após 1992. em 470 bilhões em 2010 c em 775 bilhões a 1 trilhão de dólares em 2012”. quando as finanças públicas haviam sido destroçadas. fenômenos iniciados na era Reagan-Thatcher. A degradação atual só e' comparável à conjuntura do ñnal da Segunda Grande Guerra Mundial.5 trilhão de toneladas de Coz-eq. ACH . mas se empenharam em politicas econômicas que contribuiram para sua aceleração. sendo que um trilhão de toneladas dessas emissões acrescidas está ainda hoje na atmosfera (o testo foi dissolvido nos oceanos ou absorvido pelo solo. isso não impediu seu aumento entre 2009 e 2012. da Convenção-Quadro das Nações Uni- das sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC). os homens acrescentaram à atmosfera cerca de 1. pelos Estados que participaram da ECO-92. que a degradação da biosfera elimina a perspectiva de um novo ciclo de crescimento econômico como o que carac- terizou os anos 1947-1973”. pelas plantas e bactérias). quando os dirigentes politicos já haviam sido reíteradamente advertidos pelos cientistas sobre os efeitos potencialmente catasttóñcos dessas emissões sobre a vida no planetaé'. O que esperar dos Estados? à» Nesse contexto. só podiam levar a uma crescente piora da relação divida pública/ PIB e a uma degradação da autonomia financeira dos Estados. quando da criação. A sonegação encotajada pela desregulamentação financeira e a regressão fiscal. Os Estados não apenas não agiram no sentido de frea-las. Mas ambos os documentos foram assinados pelos mesmos governantes. A diferença. porém. embora em 2009 a reunião do G20 tenha declarado que os subsldios à indústria do petróleo (bem como às de carvão e gás) seriam eliminados a "mé- dio prazo”. Assim.

tais como os recursos para a fabricação de tanques dc guerra Abrams. Os lobbies da indústria de armamentos civis e militares mantêm seu controle sobre o Congresso.é sentida em cada cidade. Sua influência total . _Ia Dwight Eisenhower alertava. do complexo industrial- militar. mesmo espiritual . cuja sobrevivência Financeira depende das receitas auferidas pela exportação de petróleo e gás? Ou dos Es- tados da Índia e da China. seu orçamento de "defesa" superou 600 bilhões de dólares em 2013. cada governo estadual. já que a frota existente de 2.400 unidades tem em média apenas três anos“. teste e produção de armas nucleares e planeja gastar um trilhão de dólares em “defesa” nuclear até 203054. Diante dessa engrenagem. que aprova verbas inclusive não requeridas pelas forças armadas. um dos mais poluentes e ambientalmente insusten-_ taveis do mundo. não obstante seus impactos cada vez mais brutais sobre suas populações e seus ecos- sistemas? O que esperar de um Estado como o norte-americano. Para sustentar o complexo corporativo industrial-militar do país. deliberada ou não. prisioneiros da engrenagem do crescimento. Nos conselhos governamentais. que o exército declara não desejar. por exemplo. Temos que compreender suas graves implicações. desenvolvi» mento.econômica. do Estado russo. recursos e meios de subsistência estão envolvidos nisso. em 2014 a administração Obama gastou mais que nunca em pesquisa. Nosso labor. cada escritório do governo federal. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL O que esperar. como o esta a própria estrutura de nossa sociedade. cuja dívida era de 16 trilhões de dólares em dezembro de 2012.1 trilhões em fevereiro de 2015 e deve ser de 22 trilhões em dezembro de 2018?” Enquanto o Comitê Nobel justificava em 2009 sua outorga do Prêmio Nobel da Paz ao presidente Obama por sua "visão de um mundo livre de armas nucleares". em seu célebre último discurso à nação em 196155: Essa conjunção de um imenso ertablisbment militar e uma grande indústria de armas é algo novo na experiência norte-americana. mantendo-se como o terceiro irem do orçamento nacional. politica. precisamos evitar a aquisição de uma indevida influência. superou 18. ate' que ponto o governo norte-americano pode aplicar as tímídas políticas preconizadas por sua própria Agência de Proteção Ambiental (EPA)? AOÁ . O que Eísenhower chamava em 1961 de complexo industrial-militar (military -industrial complex) apoderou-se completamente dos EUA e hoje mais co- nhecido pela siga Micc (military-industrial-congrmional complex).

de diversas formas em todas as latitudes do capitalismo global. o Micc adquire no país a forma mais tipica de uma sim- biose entre o Estado. primeiramente. a resposta é fun- damentalmente negativa. das 100 maiores economias mundiais.5 Plutosfera: O maior nivel de desigualdade da história humana Que o poder das corporações seja maior que o dos Estados. “responde mais ao cuidado de preser- var certos setores da atividade econômica que a objetivos ambientais"? Pode- -se esperar. por exemplo.4 trilhões de dólares. O Estado-Corpora- ção brasileiro protcgerá os ecossistemas do país contra essa rede corporativa? Ao contrário. o equivalente então a 11% do PIB global. o agronegócio. Em 2000. Embora o Centre International de Recherche sur le Cancer (Cite) repita desde 1988 que o diesel e' cancerigeno. 12. a mineração. em suma. de modo que a França é hoje o país com o maior percentual de veiculos movidos a diesel do mundo (61%)“. se a Walmart fosse um pais. eis algo que se mostra cruamente quando se comparam suas receitas com os PIBs nacionais". devedores e credores? Não obstante tímidos avanços. o governo francês continuou a subvencipnar os motores a diesel (e continua a subvencionar alguns modelos). Ele a protege por todds os meios disponiveis. Se o número de PIBs nacionais levados em consideração for 150. sócios. 59% deles são corporações. hoje. com o apoio das duas maiores coalizões partidárias do pais. orçamentários. beneficiárias dessa simbiose. mesmo quando o componente militar da sigla de menor relevância. fiscais e de financiamento público. a Petroquímica. o petróleo. atingindo em 2010 o valor equivalente a 38 bilhões de dólares e em 2013 o equivalente a 36. que. A própria Cour de Comptes (o Tribunal de Contas Francês) critica sua política fiscal. Em 2009. sua receita equivaleria ao 25° PIB do mundo. essas 44 maiores corporações do mundo tinham receitas da ordem de 6. 44 eram corpo- rações.1 bilhões de dólares (em dólares de 2011)”. Pensemos. em termos legisla- tivos. . as grandes empreiteiras e o capital financeiro. em suas palavras. na força de corporações isoladas. Em 2013. dos Estados-Corporações que imponham controles am- bientais eficientes às grandes corporações das quais são. No Brasil. Nesse ano. ao mesmo tempo. Ainda assim. A ¡LUIÁO un uu CAPITAMSMO SUSTENTÁVEL O Miec existe. o cimento. o orçamento militar foi o quinto orçamento que mais cresceu na última década.

cumulativamente. essas corporações são controladas. « cem nas mãos de empresas do próprio núcleo..org da Cornell Uni- versity Library. Glattfelder e Stefano Battiston.. Uma subespécie emergente do Homo sapiens: Os UHNWI A concentração de tanto poder econômico nas mãos de uma casta numeri- camente insignificante é sem precedentes na história humana. maior que o PIB da Áustria (394 bilhões em 2012)”. Em 2011 tão somente as 20 maiores corporações somaram receitas superiores a 4 trilhões de dólares. 2014) tiveram um lucro de 3 trilhões e uma receita de 38 trilhões de dólares. três permane. 147 conglomerados controlavam aproximadamente 40% do valor monetário de 43 mil corporações multinacionais". As duas mil maiores corporações do mundo (Forbes. Em outras palavras. A totalidade dos ativos do banco ultrapassou então l trilhão de dólares". Como afirmam os três pesquisadores do ETH de Zurique75: Este núcleo é muito pequeno. o quarto maior do mundo. De fato. por uma rede de conglomerados dominada por uma casta inatingivel pelas pressões dos gover- nantes e das sociedades. valor bem superior ao PIB da Alemanha. confortada por outra pesquisa publicada no arXiz/. Esses 147 conglomerados ocupam o núcleo pouco visível e inexpugnável de um poder tentacular. CAPITALISMO B COLAPSO AMBIENTAL sua receita foi de 460 bilhões de dólares. trata-se de um grupo estreitamente interligado de corporações que. Segundo os cálculos de um estudo publicado por Frances Moore LappéJoseph Collins e Peter Rosset (1998). Conjuguemos ÁOR . elas próprias. a receita do banco Goldman Sachs foi de 46 bilhões de dólares. Em 2007. Mas muito mais importante que o poder de uma corporação isolada o poder da rede corporativa. [. mais de 60% do PIB mundial. As decisões dessa casta definem os destinos da econo- mia mundial. sendo que cada um de seus membros têm em média vínculos com outros vinte membros. É o que mostra a pesquisa de Stefania VitaiiJames B. Em 2007. uma quantia superior ao PIB de mais de cem países. a cada quatro propriedades de empresas. da Eidgenõssischc Tcchnische Hochschule (ETH) de Zu- rique. possui a maioria das ações de cada urna delas. "40 mil corporações controlam 2/3 de todo o comércio mundial de bens e serviços e a maior parte delas está nas mãos de alguns poucos conglomerados”.] Ele e' também muito densamente interconec- tado. Disso resulta que.

7 trilhões de dólares). A Forbes Magazine de 2013 lista 1. no topo da pirâmide do CréditSuisse. Do alto dessa nanopirâmide.700 mals de 50 milhões de dólares 33.7 trilhões de dólares. . aumentaram 796 em 2014 em relação ao ano anterior (64% dos UHNWI encontram-se na América do Norte e na Europa e 22% na Ásia77). detentores em 31 de dezem- bro dc 2013 de 3. Fuentes-Niue 8: Galasso (2014. já rapidamente apresentados no item l da Introdução. com o auxilio de uma lupa fornecida por duas listagens: a da Forbes Magazine e a do BloombcrgBillto- naim' Index. correspondentes a 0.900 mais de 100 milhões de dólares 3.7 trilhões de dólares. 3).7% de adultos ou 32 milhões de indivíduos possuem 41% da riqueza mundial (98. Penetremos nesse vértice da pirâmide dos ativos globais.7 bilhões de dólares 300 mals de 12 bilhões de dólares a5 mals de 20 bllhôes de dólares Fontes: 772: Crldit Suisse Global I/Vealth Report 2013. Essas 300 pessoas ficaram ainda mais ricas ao longo de 2013.100 mals de 500 milhões de dólares 1.004196 da humanidade adulta. PVeakb-X and UBS I/Vorld Ultra PVmlrb Rtpnrt 2014. situada no ápice da pirâ- mide do Crédit Suisse. o terceiro PIB do mundo. há 211. Subamos agora ao estrato mais elevado desse clube dos UHNWI. 0. montante equivalente ao PIB do Japão.426 indivíduos detentores de 5. acrescentando aos seus ativos líquidos (net worth) mais 524 bilhões de dólares.4 trilhões de dólares. Como visto na Introdução. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL os dados da pirâmide do Credit Suisse. de resto. cujos ativos somam 29. Oxfam International Working/or tbefrw (2014) e Oxfam International PVealt/:r: Having italland wanting more (2015). O Bloomberg Billionaires Index ocupa-se de uma lista ainda mais exclusiva: os 300 indivíduos mais ricos do mundo. com os do PVealtb-Xand UBS World Ultra Mall!? Report 2014 e com dois relatórios da Oxfam InternationaW. p. Nesse grupo de 32 milhões de ricos (com ativos superiores a 1 milhão de dólares).426 mals de 3.275 de multimilionários os - bxgb-net-wortb individuals (UHNWI) -. ativos que. é possível contemplar o quadro geral da desigualdade humana na fase atual do capitalismo: Número de UI-INWI Ativos possuídos por cada UHNWI 98.

e avalizadas pela - maioria dos formadores de opinião para beneficiar as estratégias de negócios dessa casta. Se essa tendência continuar. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL Esses 85 indivíduos mais ricos do planeta _possuem em conjunto. de modo que 80% da humanidade adulta divide apenas 5. Citigroup. A concen- tração desses ativos prossegue a um ritmo vertiginosa. Na Rússia atual. Sete dentre as maiores holding: ñnanceiras dos EUA (JP Morgan Chase. o que corresponde a70. segundo a Oxfam (2014). avaliada em 78. esse 1% mais rico deterá mais riqueza que os 99% res- tantes da humanidade adulta. Wells Fargo. Mais ainda que econômica e política. associadas por uma trama múltipla de in- teresses ao patrimônio dos Estados e à sua alta tecnoburocracia. o 1% mais rico da humanidade adulta possuia 48% da riqueza mundial. a metade mais pobre da humanidade. mais de 1. Ela controla as ações desses 147 con- glomerados. tudo o que os mais poderosos governantes na história das sociedades pre-capitalistas jamais puderam conce- . Os 20% mais ricos da humanidade adulta possuíam a quase totalidade desses 52% da riqueza rnun. Goldman Sachs.00496 da espécie humana conhecido pela sigla UHNWI .o 0. controlam cerca de 40% do valor monetário de 43 mil corporações multinacionais.dona do planeta. Essa subespecie em vias de emergir .5 bilhões de dólares (Bloomberg). Outra Forma de perceber essa concentração extrema de riqueza é examinar as grandes holding: Financeiras internacionais. transversalidade e pene› tração.5% da riqueza mundial.1% de todos os ativos Hnanceiros do país”. ao mesmo tempo capilar e tentacular. e maior que o PIB de 66% dos paises do mundo. por sua vez. _› dial. sua dominação é ideológica. Metlife e Morgan Stanley) detêm mais dedez trilhões de dólares de ativos consolidados. com sua fatia de riqueza ultrapassando 50% da riqueza mundial em 2016. Seu poder econômico e politico e' maior que o dos detentores de um mandato popular nos Estados nacionais. o que equivale a riqueza detida' por 3. A fortuna de Bill Gates. O relatório de 2015 da Oxfam afirma que: Em 2014. que. Seu poder ultrapassa ern escala. deixando apenas 52% dessa riqueza para 99% dos adultos do planeta. alcance. Bank of America. 110 pessoas detêm 35% da riqueza do país".5 bilhões de pessoas.7 trilhão de dólares. pois as políticas econômicas são formuladas .

A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL ber ou tiveram razão para desejar”. Mas o capitalismo afigura-se como um sistema socioeconômico ambiental- mente insustentável também no entender daqueles para os quais Marx não uma referência central. filósofos telstas como Hansjonas. de André Gorz ajohn Bellamy Foster. Lcmbremos apenas os nomes de econo- mistas maiores. a maioria das aná- lises do problema ambiental está menos preocupada ern salvar o planeta ou a vida ou a humanidade. o sistema que está. lançaram as bases da percepção de que a acumulação capitalista está esgotando os estoques de recursos minerais. incompatíveis com os da conservação dos parâmetros bioHsicos graças aos quais nosso planeta ainda se mantém propício à vida. _Iacques Ellul e Bernard . A fonte dessa crise sem paralelos e a sociedade capitalista na qual vivemos.6 “O decrescimento não é o simétrico do crescimento” Desde os anos 1960. Alguns estudiosos marxistas. ?be ecological rg# Capi- talism? war on the Earth (2011). Todas as ações dessa plutosfera orientam- -se por um único lema: defender e aumentar seu patrimônio. na raiz de nossos problemas ambientais. Richard York e Michael Lõwy.um metabolismo que e' a base da vida. provocando rupturas múltiplas nos ecossis- temas c colapsando a biodiversidade. Brett Clark e Richard York cscrcvemal: Um fosso profundo abriu-se na relação metabólica entre os seres humanos e a natureza . Brett Clark. Seus interesses são. hldricos e biológicos do planeta. não têm dificuldade em perceber que a situação histórica atual caracteriza-se essen- cialmente pelo antagonismo entre o capitalismo e a conservação da biosfera. Na abertura de um livro emblemático dessa posição. ironicamente. pertencentes a duas gerações. Fred Magdoff'. Boulding e Nicholas Georgescu-Roegen. Duas gerações de pensadores pioneiros. como Kenneth E. nascidos entre o início do século c o período entregucrras. ela própria. portanto. geógrafos como René Dumont”. que ern salvar o capitalismo.]ohn Bellas-ny Foster. a evidência dessa incompatibilidade tem sido reconhe- cida por especialistas de diversas disciplinas e pertenças ideológicas. um filósofo central do pensamento ecológico como Michel Serres. 12.

é uma tendência inexorável. Lembrem-se aqui autores das mais diversas competências como Cornelis Cas- toriadis. sem a compreensão adequada dos quais ela pareceria absurda. as taxas de crescimento estão se desacelerando. talvez a única efetiva para uma sociedade viável". Naomi Klein. A Fénix que virou galinha). em outros. Na maior parte dos países. o crescimento negativo já é a nova normalidade do capitalismo. Bruno Clémentin. oscilam em tomo de zero. bem longe de ser uma opção. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL Charbonneau. avoluma-se em nossos dias a biblioteca de estudos sobre as crises socioambientais. Richard Heinberg. Justamente porque estamos esgotando os recursos minerais. Dmitry Orlov. como mostrou Gail Tverberg (veja-se a Introdução. que congrega implícita ou ex- plicitamente os nomes acima citados. Serge Iatouche. estudos cujo denominador comum é a percepção de que o imperativo do crescimento econômico ameaça crescentemente a manutenção de uma sociedade organizada. portanto. o transporte e a queima desses combustiveis só levarão a mais emis- sões de gases de efeito estufa. Annie Leonard. A ideia de um decrescimento administrado. Embora a descoberta recente de fontes alternativas de petróleo e gás possa dar um último fôlego ao crescimento. a extração. Jean-Pierre Dupuy” e Hervé Kempf. irem 7. Inspirada nos escritos desses pensadores que conñguraram o pensamento critico-ecológico da segunda metade do século XX. O primeiro pressuposto é que o decrescimento econômico. que intitula seu livro: Paurmuver laplanéte.cartaz du capitalismfs. Vittorio Hõsle. Edgar MorínJean- -Pierre Tertrais. a mais poluição e a mais desequilíbrios ambientais e. as taxas de crescimento da econo- mia global já estão declinando em relação à média do período 1945-1973. e em outros ainda. . Paul e Ann Ehrlích. e porque estamos desestabilizando as coordenadas ambientais que prevaleccram no Holoceno. Conscientes de que a ilusão desenvolvimentista esta conduzindo a falência os serviços presta . Aric McBay. biólogos como Rachel Carson. um psicanalista como Félix Guattari”. Ela se assenta sobre dois pressupostos. ou um polímata e ecologista (de formação cristã) como Ivan Illích. hídricos e biológicos do planeta. a um decrescimento inevitável ainda mais dramático num próximo futuro. Os poucos países que ainda apresentam taxas elevadas de crescimento são vitimas de estrangulamentos ambientais que imporão em breve também cstrangulamentos econômicos. Nafeez Mosaddek Ahmed”. Derrickjensen. afigura-se hoje como a proposta mais consequente. Vincent Clieynet.

] Não há nada pior que uma sociedade do crescimento sem crescimento. A ideia de decrescimento nos marcos do capitalismo foi justa- mente deñnida porjohn Bellamy Foster como um teorema de impossibilidade". antes de mais nada. Essa al- [. O que o clima necessita para que se evite o colapso é uma contração no um dos recurso:pela humanidade. da necessidade de um decresci- mento administrado é proposta por Naomi Klein-Pl: Nosso sistema econômico e nosso sistema planetário estão agora em guerra. uma redgíniçáo qualitativa dos objetivos elo sistema econômico. vetorizados e orientados para a diminuição de impactos ambientais (infraestrutura sanitária. fundamentalmente político"? O decrescimento. Eis o segtmdo pressuposto: o decrescimento administrado é essencialmente anticapitalista.).. como insiste o mesmo autors": é o projeto de construir uma alternativa a sociedade do crescimento. em geral. incluindo a vida humana. o que nosso modelo econômico exige para evitar o colapso é expansão sem peias. Urna percepção similar. crescimento econômico imprescindível à transição para energias e transportes de menor impacto ambiental. que devem passar a ser a adequação das sociedades huma- nas aos limites da biosfera e dos recursos naturais...] ternatíva nada tem a ver com a recessão e a crise [. transporte público etc. r-rvs . os partidários do decrescimento percebem que um decrescimento administrado seria a única forma de evitar um colapso ambiental. Ele advoga. Ou. Serge Latouche explicita o líame entre decrescimento e superação do capitalismo: “O movimento do decresci- mento é revolucionário e anticapitalista (e até antiutilitarista). e igualmente lapidar. abandono do uso de lenha. mais precisamente. [.] O decreseimento não é o simétrico do crescimento. Um mal-entendido tenaz deve definitivamente ser dissipado: o decrescimento administrado não é uma simples proposta de redução quantitativa do PIB”. como é óbvio.. Essa adequação implica. investimentos em areas e paises carentes de infraestrutura básica e. e seu programa. o qual será tanto mais brutal e mortífero quanto mais prorelado. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL dos pela bíosfera aos seus integrantes. nossa economia está em guerra com muitas formas de vida na Terra... Apenas um desse conjunto de regras pode ser mudado e não e' as leis da natureza. jamais de um crescimento pelo crescimento. Mas se trata de iniiestimentos loca- lizados.

dos reservatórios de matérias-primas e de objetos não econômicos. Essa ideia de que a produção e o consumo são coisas más. Por contraste. o consumo e a produção são vistos positi- vamente. ao invés de boas.o que importa e' minimizar o througbput. Na economy. Boul- ding. a extensão.tpercman economy o que está primariamente em jogo é a manutenção do estoque. é estranha aos economistas. avançadas antes do surgimento dos conceitos de sustentabilidade e decrescimento: (1) a tese desenvolvida por Nicholas Georgescu-Rocgen. numa taxa qualquer. na qual Boulding mostra que. algo evidentemente antagônico à visão capitalista do processo econômico: A diferença entre os dois tipos de economía torna-se mais clara na atitude em relação ao consumo. . CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL A mais aguda formulação da incompatibilidade entre capitalismo e susten- tabilidade provém das teses de dois economistas. para a economía' capitalista. menor produção e con- sumo) e claramente um ganho. sendo a outra parte expelida (output) para os reservatórios de poluição. mas a natureza. em 1971. então a taxa de transferência (tbrougbput) uma medida ao menos plausível do sucesso de uma economia. A medida essencial de sucesso dessa economia não e a pro- dução e o consumo. desenvolvida em 1966 em 772o Economics Coming Spacesbip Earth”. e o sucesso de uma economia é medido pela taxa de transferência (tbroughput) operada a partir dos "fatores de produção”. isto é. o que significa minimizar tanto a produção quanto o consumo. na rpueman economy. Retornaremos a essa última tese no próximo capítulo. Na . e qualquer mudança tecnológica que resulte na manutenção de um dado estoque total com uma menor taxa de transferência (isto é. e afortiori por uma economia fundada no paradigma da expansão. O Produto Nacional Bruto (PNB) é uma medida aproximada dessa transferência total. uma parte da qual é extraída. aí incluido o estado dos corpos e mentes humanos inseridos no sistema. da geração de entropia pela atividade econômica. a taxa de transfey rência de matérias-primas em produto e em poluição operada no sistema eco- nômico. Se houver infinitos reservatórios a partir dos quais se possa obter material e em direção aos quais se possam lançar efluentes. a qualidade e a complexidade do estoque total de capital. e (2) a tese da necessidade de superar uma economia aberta (a economy) em direção a uma economia fechada (spateman economy) de Kenneth E. a produção e o consumo são vistos como um bem. e é de fato entendida como algo a ser minimizado ao invés de maxímizado. ao passo que na - economia para a qual deveriamos rumar a economia fechada ou spacemao¡ economy . Por ora basta citar uma passagem central desse texto. a taxa de transferência (througbput) é em hipótese alguma um desideramm.

É tal o poder hipnótico desse mantra. o relatório menciona. Etpour cause. que mesmo os mais preparados estudiosos dos vínculos entre crise ambiental e atividade econômica apegam-se ao oximoro de um “capitalismo sustentável". um dado e não um pro- blema. formulado há mais de 20 anos. Reconhece-los hoje não já como “possiveis” mas como inevitáveis obrigaria esses economistas a rever o pressuposto em que se assenta seu saber. o de que o meio ambiente é apenas um fator de produção relativamente abundante e em equilíbrio. e a inviabilidade da experiência socialista do seculo XX não implica ípsqfzcto a viabilidade do capitalismo. rupturas comerciais e possíveis gargalos devidos ao uso insustentável dos recursos naturais e serviços prestados pelo meio ambiente. na teoria econômica. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL Não apenas através das teses de Georgescu-Roegen e Boulding. mas nem por isso aceita em suas conse- quências de uma economia baseada na reprodução ampliada do capital em um meio ambiente limitado ocupa. posição equivalente às impossibilidades fundamentais na física”. os fatores que está ignorando nessa projeção”: Na realidade. O planeta em que vivem os economistas da OCDE ainda é aquele reino encan- tado no qual as projeções econômicas podiam-se permitir ignorar os "possiveis gargalos” ambientais. demonstra-se a insusrentabilidade constitutiva do capitalismo. mas também pelo teorema da impossibilidade de Herman Daly. as- segura que "o cenário de longo prazo Fornece uma visão relativamente benigna da economia global". Mas para que esse cenário se mostre benigna.óbvia. qual seja. publicado sob a responsabilidade de seu secretário-geral. para as projeções econômicas. mas ao mantra da ausência de al- ternativas a ele. numerosos outros Fatores [além da eventualidade de um período prolongado de demanda deficiente] são também ignorados. inclusive a possibilidade de default: desordenados dos débitos. Ele añrma que a impossibilidade . no final da Introdução. portanto. O relatório de 2012 da OCDE intitulado Looking to 2060: Longvtenn global growtbpraspects. Conclusão O que retarda urna mais ampla acolhida a esse conjunto de reflexões não se deve a argumentos em favor do capitalismo. . Mas o pensamento humano não é binário.

antes de mais nada. pois o mercado é capaz. Recai. assim. sobre os ombros da sociedade civil a tarefa imensa de confronta-las. 25/11/20¡ 5. É ainda uma incógnita se será capaz de se atri: buir essa tarefa. renunciar ao fascínio do consumismo e à antiquissima constante psicológica: mais excedente mais segurança. Tal não é mais o caso. no qual o Estado e a sociedade civil tivessem peso suficiente para contrabalançar as forças cegas do mercado. Brown (1988. mas é preciso. 6 Ci'. Samiha Shafy Bemhard Zand. pp. conceber também . pode-se considerar que sua teoria do equilibrio dinâmico de mercado opere com use conceito . 2 Cf. A. o que pressupõe. não mais dis- poriam de força para tanto. Cl. porque os Estados-Corporações em fase de emergência não têm interesse em confrontar as corporações e. que se refere “à fe de Adam Smith nas propriedades homeosrãticns de uma economia dc mercado perfeitamente competitiva”. S CF.1 0 mercado capitalista não e' bomeostdtico Embora o conceito de homoosrase seja muito posterior a Adam Smith. Stem 6( Calderón (2014. 12. 6/XiI/2007 (em rede). o capitalismo não é um sistema socioeconômico ambientalmente sustentável. Tournadre (l7/Xl/2014). TG'. "a 'mão invisivel' de Adam Smith nunca é a que paga a conta"? O capitalismo talvez pudesse se aproximar da sustentabilidade se sua regu- lação fosse conduzida por um mecanismo misto. matéria do próximo capítulo. Corno bem resume a fórmula de Kim Stanley Robinson. Pascal Lamy em Ciallengn. se o tivessem. p. Bernard. se o estabelecimento de marcos regulatórios capazes de trazê-lo de volta àsustentabilidade forem deixados ao encargo do mercado. 117). de otimizar a relação custo/ benefício na alocação de recursos. A ilusão de um capitalismo sustentável l Cf. Benjamin. mas não sua conservação. na melhor das hipóteses. Spiegel Online International. CE Tertrais (2006. 8 CE Giannetti (2013. S9). "Sternz Climate Chang: a 'market failure". Inmducrinn Mud: de Lx milícia: cxpárimmtal: (l 865): 'A ciencia antiga pode conce- ber apenas o meio externo. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL Em resumo.manda leme. "Warming world: is capi- talism destroying our planet". Ci'. p. 3 Citado por Alexanderlung. 29/Xi/ 2014. p. Horand Knaup. 52-54). 70). por exemplo. Notas 12. para fundar a ciência biológica experimental. Veja-se.

Canguilhem. p. 2003. 2013. 507. Natan!! Capital Risk. Giannetu' (2013. p. M. 2 À/Íilton e moral corporativa 15 CÍ. p. 34 Cf. W120) 3. 1045-10 S). 32 Cf.pdf>. 13 Cf. 20 "Searching for Socially l¡ r 'l' Inwstments. por exemplo (httpz//wwwyoutubecom/watch?v=E2HFbjGQyZ86zÍe¡ture== relaned>. S. p. p. Daniel M. pp.S51). 3. i9 CE "Food for thought". A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL um meio interno. 9o). 25 Cf. . 87). 24 Cíjõstrom & Óstblom (2010.S45-l. Paris. 35 Cf. de um lado. 12. 18 Fundada por Ralph Raica. "Comple idade. p. Tmnsnaxiomrl Corporativa. 'Un plan de sauvetege pour le marché carbone eurupéenÍ LM. pp. pp. "The Par( Played by Labóur ln the Transition from Ape to Man" (1876). pp. IFC. Trucost. til como proposto. iS/Xll/ 2012. 2012 (ambos em rede).Ellen Mautrthnr Foundzríon. 72). Geargescu-Roegen (1979/1012. 2011. Lucas Rossi. 91. . O estudo foi elebotado por encomend do The Eeonomi ofE. entre outros. Georgescu-Rnegen (1979/ 2012. 94). Friedrich Engels. "No discurso é mais fácil'. O mesmo dossiê sobre obesidade foi publicado em portugués pela revista Capim¡ de ZGIXII/ZOIZ. Tb: '-' off. Uma publíagia da . 10 CF. in ' J' ' ' andErrmprireeinvex-wnçóes disponiveis no YouTube. OPCHSCCICISJJIS. Étuder ¡Hmoire ztdePbiloropbie de: suma (1968). urgência do outro".abtea. Exame. "Circular economy oEers busincsl transformation and 31m of savings".com. 16 Cí. OESP. "Making globalization mor-AR'. vol. 2011. Centre for Responsible Politics. l. Mission Isnpossihleí'. “Ecological Cív" 'zationÍ Montbb' Review. p. " " J' 'J CF. Volume 3 Aceeleraring the . 2. Berman B: Adrian KnoepHí. p. 30 Cñ Heínberg (2007). La Convivialite (1973 e 1975). Ao escrever a Introdução do reprlnt dessa revista em 198 l. 62.pp. 14 CF. Novaes. 451-580. Oeuvres camplém. 17 Citado po: MngdoEBL Bellamy Faster (2011. TG. com dedos do Senate 05a: of Public Records <http://wwvmopensecreuorg/lobby/indusdiennphp?id:1301&year=2009›. 1983. Veiga (7. No editorial do primeiro número. Vrin. declaram-se sua crença progxamãtiea: 'na livre empresa privada e na imposif de limites estrito: ao poder do governo". 15/VI/20¡ 2. Ionnnou B( ° feim (201 l). por Pavan Sulrhclewncf. Jo Conñno. 12. p. a revista New ladiuldualist Review.3 Seis aspectos da impossibilidade de um capitalismo sustentável 23 Ci'.013. Z/Vll/ZOIS. 21 Estimativa proposta pela Carbon Tracker lninkrioe dmupz//wwvnzcarbontraekenorg/news/elimaee-traekers- climate-maths-ñnds-ics-way-to-cop18?> 22 A cam pode ser consultada em rede. l!. 1000 <https/lwww. Eccles. 14s. I. Fu' 'i'm J 'ÍNm *Revieun ' J” '_ " LibertyPrsts. citado por Fred Madgdoñ'.rule-up amssglobd supply (heim. 24/1/2014. Resende (2013. :tem: and Biodiversity (Teeb). 29 Cf. 28 Cí. Paris. 33 Citado por W. ix-xiv. 26/1/2014. 85. Laurence Caramel. TG'. 87-93. 171a Business Case/br Sustainabiliy. 1l CF. and "' '. 20. p. 31 Sobre o conceito e a mensuração do valor económico da natureza. 77x tap exmmlities ofbusiness. Fayard. 26 Cf. Friedman declarou que seus nrtigos "yGHIISBCCCÂII atuais e relevantes'. 97). 'Arbeseos Mag-rare to Environmental Guru: the morphing of Stephan Sclunlehelny".l›r/Danberrnaneng. _. Creio ter sido o primeiro exprimir duramente essa ideia". 12 Cí. l98l. S/III/ZIJH. Citado por G. Ajournul ofClarsiul Liberal ?bought foi publicada entre 1961-1968. ?be Economist. "Théorie et technique de Yexpérimentation chez Claude Bernard". Hirsch. - 27 Towards :b: Cireularicmwnry.

por me ter gentilmente transmitido esse documento. "Work ofprominent climate change dcnier was funded by energy Nzwgzl /11/2015¡ industry". jam:: Harum and the 'of Global ¡Vanning Nova Kirk.S. Revlcin. Editorial da Nature. 4a cr. Z5/Xl1/1012. GAO-l 1-696. 21/11/2015. Apenas em agosto de 2011. do Departamento do Tesouro. 3 CE Andrew C. Raymond S. Veja-se <httpz//wwucgaogov/produers/ GAO-l 1-696>. 27/ X1/ 201 1: 'O montante de dinheiro que o Banco Central dispensou [aos bancos privados] em parcelas foi uma surpresa mesmo para Gary Hr Stern. \aaexl 3 CF. da Irlanda. "Lands of the free 1'. Orice Williams Brown. but so hard to save the biosphere i".com/Pages/Bankkatingsaspx>. How Corporations Corrupt Science a: Lhe Publicb Expense”.moo- dys. cujas avaliações incorporam apoios do governo alemão e/ nu de varias regiões ou municipalidade: alemãs". 12/Vl/2012. 6/X11/2012. Não satisfeitos com essa operação de resgate. p. 47 Cf. “No strings". o Mod- dy? declara que: "No caso da Alemanha. de Portugal. a mudança atual de perspectiva em sentido negativo afeta as avaliações (ruríngs) sobre o debito a longo termo.monbior. 12. Union of Canctmed Sdentixrx. da Espanha e da 11:11h. "Report to CMIgMSSÍIIIIlÍÁÃdTCHCGJ. 4 CE David Hasemyer. Thomson Shore. Central Intelligence Agency Tb: ?Var/d Fartbool 2012. o BCE comprou 66 bilhões de euros dos banqueiros e de outros in- D vestidores. 25/11/2015. 42 Citado por Suzanne Goldenberg. 4 Cf. 12/1V/2014. 4 Em junho de 2012. 17. "No Bail-Out for the Planef: Why is it so easy :o save the banks. TG. Cemoring Science: Inside the Political Anac/e un Dr. Kuna. B. combinado com :limitada capacidad: dos bancos de absorver perdas”. U. 7. ax Bloomberg. o argumento do Moody's para justificar o socorro aos bancos com recursos públicos era “o maior risco de choques ulteriores provenientes da crise do débito na irea do euro. ou Tarp [Programa de Alívio dos Ativos em Dih- euldade). Monbiot. . os bancos apro- veitaram para comprar mais titulos podres no mercado secundário.pdf>. a 42. Tails We Lose. United States Government Accountability Office. Opportunities exist to Strengthen Policies and Processes for Man- aging Emergency Assistance'. "Jamie Dimon Is Not Alone". 49 Cf. 26. ele voltou a comprar. 'University Research. Bradeley. 3 Cí. Washington. "Billiomires Seeretly Funded Vasr Climane Denial Network”. S Entre maio de 2010 e março de 201 l.011. 29/1/1006. Veja-se <http://www.. _ 40 Cí 'Heads They Win. diretora do Financial Market: and Community Investment do GAO. Ivry¡ B. o FED [Federal Reserve Bank] compromebeu 7 trilhões e 770 bilhões de dólares até março de 2009 para resgatar o sistema Financeiro. Keoun B( P. CAPITALISMO E COLAPSO AMBIENTAL 36 Declaração publicada em 1970 noNYT Megazine e citada put John Friedman.C. 17/ 12/2011 <hrrp://w-unv. D. Mark Bowen.4 A regulaçãopor um mecanismo misto 44 Cí. sempre no mercado secundário c a um preço muito superior ao negociado nesse mercado. 15/11/2013. Inside Climate r. Mother jones. "Global V/arming and Political In- rimidation'. Suzanne Goldenberg. presidente do Federal Reserve Bank de Minne- apolis de 1985 a 2009. Oreslres s: Conway (2010/ 2012). 45 Cf.. Other 144mb. Bmlle(l9/X1/2013). o qual declarou 'não estar a par de tal magnitude'. NYT. Dumm. Se se acrescentaram a isso garantias e limites de crédito. Sold Out'. 36 bilhões de euros de titulos da divida pública da Grécia. mais da metade de tudo o que se produziu nos EUA naquele ano' (em rede). NS. Wenonah Hauter. Senator Bernard Sanders (LVL). Em ZS de julho. Veja-se <http:Í/wsvwsanderssenategov/imo/media/doc/Oá1212Din1on1sNotAlonc. V11/2011. 'Climate Expert Says Nasa Tried to Silence Him". Isso :pequena os conhecidos 700 bilhões de dólares do Troubled Asset Relief Program. "List ofcountries by public debt". sobre os depósitos ou sobre as obrigações de débito ga- rantidas a longo termo de 17 grupos bancários alemãs e de várias aubsidiarias. 518. G.com/20l 1/ 12/ l7/no-bail-out-for-the-planet/>.: ñkgmpb. Agradeço a Dra. 'Documents reveal Fingcrprints on Contrariar¡ Climate Research'. Rachaeljolley.5% de seu valor de face (valor de . 6/V1/2012. 11/2012. "Milton Friedman-was wrong about Corporate Social ResponsabilityÍ HufPurt. 2008. "Secret Fed Loans Gave Banks $ 13 Billion Undiaelosed to Congress'.

Ferguson. Entre justamente os anos de Nietzsche e o final do século XX. T. In: R. entre subventions et dangerosiré'. p. Bertrand díkrmagnac. (WMT) Stock Analysis 2013. em especial o relatório: "Global superrich has at least 321 trillion hidden in secret m havens". ¡trrorinred Press. ñdele servirem des interets privés". A declaração de Joseph Srhlatmann e citada e analisada por Mario Sergio Conti. 288-289). Richard Lardner. "Projected US nuclat Weapons spending hits 31 Tríllion.pdf› Cf. Settis (2002). Earthscan. la pollution équivaut s du tabagisme passif". Keys 6( Th. Ci'. Van Eeckhout. \JILII um Em 'Da utilidade e do dano dahistória para a vida' ('Vom Nutzen und Nachteil der Historic Für Leben"). "G20 faiJs to curb fossil fuels. IV/20l3. Conway Gt Oreskes (2014. Cí. “Quem manda no mundo". Taxjustice Network. 2014. CF. Kuznick (2012. 'lhe Institute For Food and Development Policy. Gang/btus. Penguin Press. <hrrp :// wwwxaxjusticenet/ erns/ upload/pdf/ The_Price_of_Offshore_Revisired_Presse1-_ 1 20722. but Congress insista".net/cms/fmnt_content. c pelo verbete 'Paradis ñstzlída Wikipedia.148. como ser que preserva e venen (história antiquária) e como ser que sofre e tem necessidade de libertação (história crítica).hrni›. Landrin 5( L. DailyMailutuá. 34). p.rarjustiee. Cl'. Vi1/V111/2012. Eric Toussainr. 38. ' Ci'. just five year¡ after Obamis Nobel Peace Prize". a. 72 Cl'.5 Plutosfem: O maior n/_uel de desigualdade da história humana 70 Cf. TG. revista. znos. Para avaliações entre 775 bilhões e l trilhão de dólares em 2012. Carbon Visuais <http:l/www. 69 Cf. 79. pp. 22-23. N. Cf. p. 5-23 Cf. 67 CE 'Existe sueateamento do orçamento militar brasileiro E'. Higgs. Foi também fiador dessas "utilidades" (Natan) da história a que se refere Nietzsche. 1998. 121. 11/ X/201 l. Wal-Mart Stores inc. 22/V11/20l2. 1995.suíifíâ Ci. 'Army says no to more tanks. (A0 .org/Textbase/npsum/weozol 0sum. 'A Paris. Audrey Garric.pdf›. 7391730472 Freedom Foundation. em seu projeto social-democrata. veja-se: 'No Time to Waste: 'The Urgent Need for Transparency in l-'ossil Fuel Subsidies". 4. pp. 16/X/2008. LMdB. "La BCE. Dossiê 10-. TaxjusticeNrlu/ork. 'World War li and the Militaryvlndustrial-Congressional Complex". 71 cr. 2. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL 8 de agosto de 2011 e ainda. 28. "Les moteurs diesel. p. Londres. 213 Veja-se 'O universo em expansão do mundo das ñnanças". Veja-se o "discurso de despedida a nação' (fumar/J address ra the nation) proferido em 18 de janeiro de S? 1961. @Oi Cf. World Ermgy Outlook 20/0: "Os subsídios ao consumo de combustiveis fósseis montaram a 312 S bilhões de dólares' <http z/lwwwJea.imfÍorg/external/pubs/ft/survey/so/ZOI2/res092712ls. CE S. Delrono (2002). "Adeus as ilhas'.pdf>. l/ 111/ 2013. A Financial History afrbe Mrld. Citado pelo jornal L4 Tribune. 22/ IX/ 201 4. 29/1V/20 1 3. OilCbnnge International: 'As iiguras abaixo fornecem estimativas de vários grupos de subsidio: que vão de ao menos 775 bilhões de dólares a talvez um trilhio de dólares ou mais em 2012" <htrp://priceofoiLorg/wp-contenr/uploads/ZO]2/0$/1TF$FlN. Entrevista concedida ao CADTM. 2' ed. Xadrez Verbal. Nova York. Gabriel Zucman "Taxlng across Border:: Tracking Personal Wealth and Corporate Prañtsíjaumalrzj' Economic Perspectives. não deteve apenas dejure o monopólio da violencia. Nietzsche discorre sobre os tres sentidos em que a história! necessaria para o homem que vive seu próprio tempo: como ser ativo que tem aspirações (história monumental). Stone. 23/X/2014. de 1 874. Malnight. Suhsidies rise to $470bn despite' deal to phase them out". Vide <htepd/wvrwusdebtcloelçorg/indeanhtml›. e revende-los ao BCE a 80% desse valor. 2500/1011. 16/ 1X/201 1. LM. MrIdHungn 12 Mytbr. menor sucessivamente). segunda de suas "Considerações intempesúvas' (Unzeitgnnirxe Betmchtwagen).phpíideatartádclang: l>. 12. 'lhe Influence ofthe World's Largest 100 Economic Entities". Global Trends (em rede). 70.carbonvisualscom/work/do-the-math-ruppotting-a-SSO-dot-org-tour›. o Estado.. 2B/V/2013. TaxJustice Network <http://www. . LM. FMI <littpzl/www. 73 Cí'. 2017. "Corporate Clout. The drum afManey. ALE. pp. Cf. _f Cf.

21 l. B. 7B Cl. pp. 89 Michael Lõwy. Os quatro documentos encontram-se na rede. 19. 7. Carauímigas. 8): 'Pela primeira ve¡ na história. vejam-se os ensaios reunidos nas ' tasLA Deaoimnre.510 no Reino Unido: (1. Selvtggl Br). 75 Cf. Economic Políq Review. 13 <hrrp :/ / wwwsciencenewsnryvíew/generic/ id/ 333389/ tirle/ Financial_world_dominared_by_a_ few_deep_pocltets >. "Financial world dominated by a few deep poekets”. 20). VIl/ 2017. e o i1 Congresso. Bcllamy Foster (201 l). ss cr.' mundial nomicamente ativa. p.plosone. Ehrenberg. R. . Dumont (1973. París. 1h: Erannmirt. Avraham. isto é. (11. B4 CE Ahmed (2010. In: Bourg Er Fragniete (2014. Os dois relatórios da Oxfam International são: Pñrhingfor tbefêw (2014) e Wultb: Havingitnllmd waiting more (2015). E2 Cl'. B3 Cf. segundo a ?Width-Xvid UBS World' Ultra ¡Vcdlrb Report 2014. CAPITALISMO COLAPSO AMBIENTAL 74 CF. Tipieammtr. 62. que gerou o documento Degmar/tb Declaration in Eai-calou. an cem maiores dentre elas empregavam 13. Mark Thoma. 201 l. 79 Cf.eu/degrowthconference/appel/Degrowth9620 Conferencc9620-'l620P teedings..5 milhões de pessoas.org/a. 88 Cf. [dm (2014. Guattarl (1989/2013. Kemp( (2009). "Por um novo mundo sem capitalismo".. Êln .mir rapidamente do ' a'. 77 Eis. 2S/Il/20l3. apenas 0. Glattfelder 8: S. Putin? Klepmc- mty: ?WM owns Rmsíañ Nova Yotlt. 77. B7 Além dos aurora citados. D. Cl'. p. Battisron. um UHNWI mantém relações com outros sete UHNWIs. social r cultural reorienmndo oIH' da. e zio milhões de potenciais trabalhadores. de 2010. BO O poder dessas corporações e. p. de resto. p. 9): 'Não haverá verdadeira resposta à crise ecológica a não ser em :sala pla- netária e com ncondláo de que se opere um autêntica revolução política. 'A Structunl View of U. La Drum-m¡ :Entra- pía. os representantes mais inteligentes do r ' "smo ' publicamente que estão nos levando a uma próxima catástrofe: e preciso portanto buscar como . p. Revue Mude er politique de la demoraria. 18.095 na Alemanha. p.720 no Japão: l 1. 'Band ofbrothers'.560 na America do Norte. 180. 7h: ^ Etanomistfc View. Etapas importantes na formação desse novo paradipm foram o 1 Congresso Internacional Eronomlt-De-Grnu/tbjrã elogia! Smuínability andSodal Equity. 12. 2008 (Atas em (http:/levents. inñnitanuznte desproporcional a sua função social de geração de emprego. parece compreender mal o conoeiw de dectescimenro quando afirma 'o conceito de decrescimento é um conceito quantitativo'. Simon and Shustet. P. Monthly Review. (em rede). Science News. Eidgmõssische 'lechnische Hochschule Ziirith (ETH) <htrp://www. 9o Cf. 16-20.002599S>. Resenha de Karen Dawisha. Éanlt Holding Companies". Z4/IX/Z0l 1. 132). Vimlhj. Larouche (zona/zum.1371962 Fjournalpune.S. Dupuy (2002. 14. "How To (Maybe) End Too Big to Fail'. "The Network of Global Corporate Control".mas apenas por uma drástica nñgu :eia do proprio serrana.070 na China. En- trevista concedida a Any Nabuco.rtide/info963Adoi962Fl0. 22-18/XI/ 2014. Em 2009.] É impossivel entender essas tendências a crises sem levar em consideração os contornos estruturais do mpitalismo como uma fundamental relação de produção". p. por exemplo.496 da r ' . ES Cl'. introdução): "Crises globais não podem ser solueionadas pelas costumeira¡ reformas politicas menor:: ou mesmo maiores . A forma social desse sistema global é o capitalismo neoliberal [. 91 cr..014. 2. 56-59).1 A¡ crises global: são geradas pela operação e pela estrutura do sistema global. .¡t-sudparls. Vickery. estimada pela International Labor Organizado em 3 bilhões l. 2014. "ldebens "e' "". p. 'Capitalism and Degrowth: An lmpo 'L 'líty Theorcm'. 417).pdf› ). 6 "O decrercimento não o simétrico do crescimento” 81 Veja-se também Foster. S. 76 Cí 177: CréditSuisre Gleba¡ Wêalth Report 2013: ¡Kaká-Xana! UBS War/J Ultra PVulrb Report 2014. a distribuição geográfica dos UHNWI: 69.

An Impossibility Theorem' (1990). Townsend (on-gs). Erology. 96 "The invisible hand ncvcr pick: up the check'. N. 9 (em rede): grifos meus. 1993. O eaubóí é o símbolo das pradarias ilimitada c também associado um comportamento (anuário. romântico e violento.. Vnluing the Emb. ser chamada a economia de astronauta (spacrman economy). característico das sociedades abems. 2012. ln: Conway B( Oreskcs (2014. scjacm termos de extração.pacmmn emnomj: "Por amor ao pitoresco. OECD Economic' Palley Papers. Citado por Naomi Orcskes. 95 Cf. 3. Daly 6: K. p. In: H. sou tentado chamar a economia aberta um¡ economy.. 93). MIT Press. explorador.Econnmm. Klein (2014). capítulo I. 267. por inc. p. o homem deve encontrar seu lugar num sistema cíclico ecológico 94 Cf. na qual Terra tornou-se um¡ espaçonave. 93 Eis o signíñcado das metáforas de cowboy ttanomy c de . grifos meus. sem reserva: ¡li- míradu dc nula. Ether. seja em termos de poluição. A ILUSÃO DE UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL 92 Cf. A economia estritamente fechada do futuro pode. p. Daly. “Sustainable Growth.. c na qual.. Asajohansson e! ai. Herman E. 'Looking to 2060: Long-term global growth prospcccs". . por sua vez.