You are on page 1of 8

UFPB - Centro de Ciências Jurídicas - Ano 1 - Nº 3 - Maio de 2010 - Venda Proibida

NARCOTRÁFICO: MUTABILIDADE E INÉRCIA SOCIAL


As raízes do narcotráfico encontram-se nos grandes pólos consumidores. Não adianta controlar a produção dentro dos países
menos desenvolvidos, principalmente fazendo uso de força policial, se não há uma preocupação social e a droga é liberada para
determinados fins dentro dos países desenvolvidos. O narcotráfico existe dentro dos ideais capitalistas mais inescrupulosos,
assim a adaptação aos diferentes espaços e realidades é uma das características mais aterrorizadoras desse tipo de crime orga-
nizado. Resta saber: até quando ficaremos inertes?

ALINE CHIANCA DANTAS*


No último dia 31 de maio, foi transmitida
uma reportagem sobre a evolução do narcotrá-
fico na Colômbia, notícia aparentemente co-
mum no cenário internacional, que versava
sobre a relação entre a produção e o consumo
da droga em dois pólos com características
distintas, América Latina (em geral, produtora)
e América do Norte (grande consumidora). A
Colômbia é o país com maior produção de
coca da América do Sul, e grande parte se
transforma em cocaína, a qual se destina aos
EUA e Europa, predominantemente. O noticiá-
rio revelava o atual uso de submarinos, com
condições internas péssimas para os tripulan-
tes, que são capazes de carregar droga da
Colômbia para os EUA em troca de grandes
somas em dinheiro (“O piloto pode ganhar até
cinqüenta mil reais”). A característica dessa que há com a própria história da América Lati- semelhante ao de uma empresa internacional,
nova modalidade de transporte é a dificuldade na, da América do Norte e da Europa, no que pratica uma divisão muito aprofundada de
de controle por parte dos policiais, visto que tange ao narcotráfico, será versado aqui sobre tarefas, dispõe de estruturas hermeticamente
nem aviões nem radares são eficientes para as rotas internacionais do narcotráfico dentro fechadas, concebidas de maneira metódica e
percebê-los. Ademais, mostrou-se que antes do Ocidente e, posteriormente, deve-se enxer- duradoura, e procura obter lucros tão elevados
eram usados simples barcos, posteriormente, gar as conseqüências disso para o continente quanto possível cometendo infrações e partici-
aviões e, agora, são utilizados submarinos que africano. pando da economia legal. Para isso, a organi-
ainda não ficam totalmente submersos, mas À luz de Jean Ziegler (2003), em seu livro zação recorre à violência, à intimidação, e
que dificilmente são detectados. “Os Senhores do Crime”, e da notícia referen- tenta exercer sua influência na política e na
Será que devemos ficar inertes a essa reali- dada, podemos sentir que o narcotráfico se economia. Ela apresenta, geralmente, uma
dade? Hoje são submarinos carregando droga, transformou no estágio máximo do próprio estrutura fortemente hierarquizada e dispõe de
e o que será do amanhã? Em torno do fato sistema capitalista. Mas por quê? Justamente mecanismos eficazes para impor suas regras
ocorrido e dos demais já conhecidos é que se em virtude das características do crime organi- internas. Seus protagonistas, além disso, po-
desenrola esse texto, com intuito de estimular zado, hodiernamente, o qual consegue intervir dem ser facilmente substituídos. (ZIEGLER,
os cidadãos do mundo a desenvolverem critici- nas mais diversas searas dentro do Estado, Jean. p.55)
dade no tocante às relações internas e exter- cooptando as massas a seu favor, através dos Acrescentamos ainda uma característica
nas de seus respectivos países. É evidente poderes de convencimento e carismático e da bastante interessante do crime organizado: é
que um dos grandes problemas da sociedade própria força, além da estrutura hierarquizada que ele se estrutura de forma não planejada,
atual é não se surpreender e, muito menos, e extremamente fortalecida pelo fator econômi- simplesmente; todas as organizações com
reagir a determinados fatos, incorporando-os co. esse modelo no cenário internacional formam
como padrões normais de comportamento. Dessa forma, o crime organizado pode ser uma rede que é o próprio crime organizado
Assim, analisando a relação entre Colômbia entendido, segundo explicita o Fundo Nacional internacional.
e Estados Unidos, e percebendo a conexão Suíço de Pesquisa Científica, como aquele em É pertinente nos indagarmos por qual motivo
que uma organização, cujo funcionamento é o crime organizado conseguiu atingir o poderio
que tem hoje. Muito tem a ver com o próprio
sistema democrático, que fornece, muitas
Nesta edição vezes, não apenas liberdade para as mais
diversas manifestações, mas abertura em
3 | Sociedade, conhecimento e práxis | O Coletivo Desentoca e o “mito do tatu” demasia. Daí surgirem as críticas no sentido
4 | Espaço Discente | Muçulmanos no exército de Israel de que democracia em excesso pode ser ne-
gativo para a sociedade. Junto a isso, vemos o
5 | Espaço Discente | Atividade de Inteligência: constitucionalidade e direitos humanos sistema capitalista incentivando a busca do
6 | Espaço Discente | Direito autoral e jornalismo na Internet lucro das maneiras mais perversas possíveis e
o afastamento do Estado do seio social devido
7 | Espaço Docente | Anistia, memória e verdade, por José Maurício de Lima ao liberalismo. Então, o crime que, inicialmen-
8 | Cinefilia! | “Correndo com tesouras” e a barreira do insano, por Carlos Nazareno te, não possuía uma verdadeira organização,
8 | Por dentro da UFPB | EJA Consultoria - Empresa júnior do curso de Administra- vai se estruturando, formando verdadeiras
máfias dentro do mundo globalizado sem uma
ção da UFPB repressão penal eficaz.
Continua na página 2 >>
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 2
E o Direito, onde fica? Ele não tem o condão óbvio, organizações distintas, visto que esta essa análise final sobre a África deve-se reme-
de cercear as liberdades e resolver os conflitos última é literalmente interpretada por muitos ter à história dela e lá perceber que, não obs-
atendendo aos fins sociais? Tem, claro, porém como uma organização internacional terrorista, tante houvesse conflitos étnicos, países deses-
como podemos controlar algo que, na maioria enquanto as outras duas, embora cometam truturados ou até mesmo falidos, nunca houve
dos casos, nem se sabe como se estrutura, é violência, ainda não conquistaram o patamar de tráfico ou produção intensos de narcóticos. Por
mutável, atua no âmbito transnacional e, ainda, repulsão que as FARC possuem no mundo. No que isso vem ocorrendo agora? É por conta da
não possui um conceito absoluto? Ademais, há entanto, aproximam-se por serem organizações forte militarização que Europa e EUA vêm esta-
outro problema, ilustrado no livro “Repressão que apareceram em contextos muito semelhan- belecendo nas fronteiras com os países latino-
penal e crime organizado (2009)” (TOLEDO; tes, ou seja, locais onde há muita desigualdade, americanos, e da tentativa destes de buscar
LANFREDI; SOUZA; SILVA), que é o fato de o injustiça e pobreza, permitindo o aliciamento da saídas alternativas como a África Ocidental
Direito ser um sistema fechado em si mesmo e, população por meio do convencimento, carisma para continuarem abastecendo os mercados
embora ele diminua a liberdade individual ou e de uma causa comum. O povo cria até uma consumidores. Dessa maneira, esse continente,
coletiva, também oferece garantias para que identidade e um relacionamento mais amigável já permeado por diversos problemas, vem en-
esta seja mantida, ou seja, o Direito é parado- com esses grupos do que com o próprio Estado frentando outro, pois tem se tornado local de
xal, cabendo, através do princípio da proporcio- que lhe é omisso. passagem da droga da América Latina para a
nalidade, a resolução desse tipo de conflito. No tocante à Europa e América do Norte, Europa.
Além disso, esses mesmos autores questionam visualizamos dois ambientes em que há grande Portanto, de tudo que tentei expor até aqui
que a existência do Direito só se dá pela conti- consumo de drogas, embora isso também ocor- espero que reflitamos um pouco sobre o que
nuidade da criminalidade e a necessidade de ra em outras regiões. A riqueza e o poderio podemos fazer para mudar essa realidade da
repressão. O Direito existe porque há risco ou dessas fazem com que a demanda de narcóti- criminalidade organizada. A saída encontra-se
crime efetivado. cos seja elevada e interesse outras áreas a na pressão política que nós, cidadãos esclareci-
Após esse momento conceitual, partimos produzir e transportar esses produtos ilícitos. dos, podemos fazer diante do Estado para que
para uma análise prática, através do caso con- Ademais, atualmente, a forte repressão e fisca- ele melhor se posicione dentro do cenário inter-
creto e das características das regiões ociden- lização do tráfico dentro destes continentes no e internacional. Ademais, é imprescindível
tais acima detalhadas. Sobre a América Lati- dificultam a produção de droga neles, contudo, uma maior cooperação dos países com intuito
na, o que percebemos são características for- incentivam a rota internacional de narcóticos, de conter esses organismos sanguessugas das
tes de desigualdade social e pobreza, e, sem como se pode notar do caso dos submarinos fraquezas estatais. Por fim, quero só deixar a
dúvida, esses são pontos determinantes para que saem da Colômbia em direção aos EUA. crítica no sentido de que essa cooperação não
levar à existência dentro desses países de Devem ainda ser ressaltados dois pontos aqui. deve acontecer com objetivos de dominação de
grupos inicialmente desorganizados, mas que Primeiro, o grande empecilho do combate ao uns Estados sobre outros, visto que, em situa-
se organizam e formam associações crimino- narcotráfico nos EUA é a exacerbada autonomi- ções como essas, os criminosos internacionais
sas. Estas conquistam dentro da sociedade, a que os seus estados membros possuem, se aproveitam das insatisfações populares e da
através de determinados poderes, maior espa- impedindo uma centralidade de decisões e falta de um Estado forte para invadi-lo e domi-
ço e legitimidade para atuar. legislações. Segundo, a existência de drogas ná-lo, perpetuando ciclicamente o narcotráfico.
Muito tem a ver com o afastamento do Esta- tidas como medicinais (maconha, por exemplo) É pela manutenção das crises e das profundas
do da sociedade, por meio do modelo neolibe- na Europa e nos EUA torna-se outro fator de raízes que o narcotráfico permanece tão forte
ral, permitindo que essas organizações consi- peso que vai de encontro às barreiras impostas na realidade contemporânea.
gam dominar diversos setores, inclusive o eco- ao tráfico.
nômico, ficando extremamente fortes. Devemos Por fim, trataremos do narcotráfico na África
rememorar determinadas organizações e seu como uma conseqüência do mesmo no locus * Aluna dos cursos de Direito (3º ano -
poderio nesse sentido, como o Primeiro Co- Ocidental, aqui dividido em América Norte, tarde)/UFPB e Relações Internacionais
mando da Capital e o Comando Vermelho, no cujos principais representantes são os EUA, (UEPB)
Brasil, e as FARC na Colômbia. Sendo, por Europa e América Latina. Para se entender alinechiancadantas@gmail.com

Editorial
Um projeto que amadurece êxito em seus objetivos, não obstante ma-
nobras que intentam mitigar seu âmbito de
O leitor já deve ter folheado este jornal incidência; no mês de março, publicamos
com olhos de curiosidade. Aquilo que é um artigo que fundamentava e defendia a
novo costuma nos encantar na sua forma, adoção feita por casais homossexuais: no Uma iniciativa do grupo OBSERVATÓRIO DO CCJ

embora muitas vezes não carregue consigo mês seguinte, o STJ autorizava a primeira
mudanças substanciais. Foi essa a receita adoção do tipo, criando um precedente Editores

que nos orientou nesta fase do projeto CCJ para a efetivação dos direitos à igualdade e Alysson Guerra
diversidade. Andrezza Melo
EM AÇÃO: dar um aspecto diferenciado à Ariadne Costa
estrutura do tablóide, preservando, contu- Nesta edição, o leitor terá em mãos um Caroline Carvalho
do, a proposta de transmissão de conteúdo instigante artigo acerca da chamada Daniella Memória
“justiça de transição”, escrito pelo respeita- Douglas Pinheiro
político-jurídico sob uma orientação crítica; Magno Duran
em outras palavras, desmistificar o Direito, do professor José Maurício de Lima, da Manuela Braga
(re)analisar a política e imprimir um as- UnB, com considerações sobre a recente Sarah Marques
Yure Tenno
pecto de diferenciação do senso comum decisão do STF que inviabilizou a punição
teórico do qual habitualmente nos utiliza- dos torturadores e assassinos atuantes na Apoio editorial
mos para encarar os problemas que inte- época da ditadura militar. Também, interes- Carlos Nazareno
gram nossa realidade. santes escritos discentes sobre temas que
Revisão textual
Quem vem acompanhando nosso traba- vão desde a análise do crime organizado
no cenário internacional, passando por um Andrezza Melo
lho desde a primeira edição deve ter visto
elucidadas muitas discussões que habitam estudo acerca da atividade de inteligência Diagramação
o dia-a-dia das decisões políticas e de segurança pública, até a crítica à exces- Sérgio Sombra
(atreladas a elas) do mundo do Direito. siva “razão de pedir ao Judiciário”.
Este jornal está sendo construído por Finalização
Assim o foi com o 3º Programa Nacional de
todos vocês. É preciso que o espaço públi- Douglas Pinheiro
Direitos Humanos (PNDH-3), que sofreu
recentes e significantes alterações por in- co de diálogo tão sonhado para o CCJ se Contato
fluência das forças sociais conservadoras - concretize enfim. jornalccjemacao@gmail.com
conforme já havíamos alertado; o projeto
Por Douglas Pinheiro Este jornal é uma produção independente. Todo o
de lei da Campanha “Ficha Limpa”, tema seu conteúdo é de responsabilidade dos seus idea-
da última edição, parece estar logrando Em nome do OBSERVATÓRIO DO CCJ lizadores.
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 3

SOCIEDADE, CONHECIMENTO E PRÁXIS


Em 2008, alguns estudantes que compunham a gestão “Pegue o Bonde”
2007/2008, do DATAB, e outros que tinham afinidade política, constituíram o
Coletivo Desentoca, um grupo de estudantes que queria discutir um Direito
que não só justificasse a si ou ao ordenamento jurídico, mas que buscasse a
O mito do tatu melhoria das condições de vida da sociedade, escutando os necessitados e
Era um mundo perfeito Lá fora era colorido
excluídos; que queria vincular sua atividade a esse Direito engajado; e que
Aquele que eu vivia E tudo se movimentava queria, também, discutir como os diversos profissionais já fazem isso atual-
Não tinha tristeza no peito E aquilo que eu lia antes mente, para não bancarmos os inventores da roda.
Incômodo algum eu sentia. Aqui fora não bastava. Os motivos que nos levaram a formar um Coletivo estudantil dissociado de
qualquer entidade são vários, dentre eles podemos citar: por nos sentirmos
Um gigante Vade Mecum Eu precisava entender inconformados com a apatia estudantil presenciada na universidade, refletida
Era a minha moradia Como aquilo funcionava no desinteresse geral por tudo o que não se transformasse em dinheiro ou
Situado na biblioteca Dessa dinâmica social prazer sensorial; por não concordarmos com as supostas “soluções” dadas
Da Faculdade da Apatia. O Vade Mecum não tratava! pelo Direito aos conflitos sociais; e por acreditarmos que o compromisso
social e político do grupo deveria persistir independentemente da Universida-
Lá dentro tinha de tudo Pulei pra fora da toca de e das pautas estudantis.
Precisava de mais nada Um tatu a se libertar! O Judiciário, contraditoriamente, tem insistido em ser inimigo da população
“Carreira, dinheiro, canudo” Descobri que pra ver de verdade pobre quando esta se organiza para lutar por suas necessidades básicas.
Eu já sairia formada. Era preciso DESENTOCAR.
Essa persistência em colocar o direito à propriedade acima do direito à vida,
A Teoria era Pura Hoje estou redescobrindo
em não adequar suas estruturas aos direitos coletivos, nas repetidas senten-
A lei era muito clara Quem sou e o que quero ser ças dos juízes permeadas por uma visão patriarcalista, coloca em cheque a
E eu decorava com bravura O meu casco está mais forte tão prezada imparcialidade.
Aquilo que ela mandava. Pra poder me defender E o que a gente tem a ver com isso?
Sobre esse ponto, o Coletivo Desentoca tem uma posição firmada. Enten-
Eu não tinha contato externo E você, meu caro amigo? demos que não devemos adotar a postura medíocre (de qualidade média,
E não me movimentava Já parou pra perceber? comum; mediano) assumida por muitos grupos estudantis de conformarem-
A única coisa que eu via Se o que está ao seu redor se com o discurso do senso comum que naturaliza os problemas advindos
Era a sombra de cada palavra. Está te impedindo de VER? de construções sociais, tornando-os fatalidades impossíveis de serem des-
construídas e reconstruídas através da luta social. No Judiciário não é dife-
Até que um dia eu vi uma porta Está REALMENTE olhando? rente.
Se abrindo no meu telhado Ou passa despercebido? Diante da inquietude dessa questão, reunimo-nos semanalmente para
As páginas todas voando Saia dessa velha toca discutir que ações podemos tomar para sermos coerentes com a nossa posi-
Ficou tudo iluminado E venha enxergar comigo!
ção política, e que textos podem nos ajudar a refletir sobre a nossa prática.
Eu fui dar uma olhada
Qualquer estudante pode participar das reuniões, os requisitos são não ter
Não acreditava no que via ______________________ perdido a capacidade de se indignar com as violências e injustiças no mundo
A sombra de cada palavra e estar aberto a discutir suas ideias e escutar as do outro. Nossas reuniões
Era apenas fantasia Por Clarissa Cecília são nas sextas-feiras, das 12h às 14h.
Participe! Entre em contato: coletivodesentoca@hotmail.com

INFORME CCJ EM AÇÃO

Jornal CCJ em Ação e grupo de pesquisa promovem indo de forma muito tardia”, disse José Maurício, referindo-se ao fato
palestra sobre Justiça de Transição de, 30 anos após a concessão da anistia, o País ainda não ter promovi-
do uma investigação séria e densa acerca dos acontecimentos pós-64.
A comunidade acadêmica Após espaço para perguntas, houve sorteio dos livros “O caso dos
compareceu à sala de denunciantes Invejosos”, de Dimitri Dimoulis, e “Direitos Humanos,
vídeo do Centro de Ciên- Direitos Sociais e Justiça”, de José Eduardo Faria (org.).
cias Jurídicas (Campus José Maurício escreve para esta edição do jornal.
João Pessoa), no dia 28
do mês de abril, para
assistir à palestra “Justiça
de Transição”, proferida
pelo professor, advogado
e mestrando em Filosofia
pela UnB (Universidade
de Brasília) José Maurício
de Lima. O evento foi
promovido a partir de uma
parceria entre o jornal CCJ em Ação e o grupo de pesquisa “Política
Judicial e Acesso Racional à Justiça”, coordenado pelo professor Gus-
tavo Rabay Guerra.
Naquele mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal julgava a ADPF
153, que dispunha acerca da interpretação da Lei da Anistia (6.683/79),
matéria intimamente ligada ao tema da palestra. A decisão era acom-
panhada em tempo real via Twitter.
Num ambiente que propiciou uma conversa aberta entre o palestran-
te e o público, o professor José Maurício expôs conceitos fundamentais
acerca da chamada justiça de transição e buscou evidenciar a sua
importância no contexto de amadurecimento das democracias recém-
saídas de regimes ditatoriais. Tomando a África do Sul como paradig-
ma, o palestrante alertou para o fato de que a justiça transicional, além
de pacificar a mudança entre regimes de governo, viabiliza a preserva-
ção da história de um povo, aclara acontecimentos dos “tempos som-
brios” e intenta evitar que fatos lamentáveis se repitam.
“Precisamos, efetivamente, constituir a ‘comissão da verdade’ no
Brasil. É o que falta à nossa justiça de transição. Isso está se constitu-
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 4

ESPAÇO DISCENTE

MUÇULMANOS NO EXÉRCITO DE ISRAEL*


ALYSSON GUERRA E MAGNO DURAN* trabalho, mesmo sabendo que são conside- Roi Cohen é mais um
rados traidores pela comunidade árabe jovem israelense de 18
Alguns conceitos políticos, como povo, muçulmana. anos. Atualmente, ele
soberania e nação, parecem bastante abs- Muçulmanos que se alistam acabam per-
vive em Ramat Gan,
tratos para o brasileiro médio. Afinal, em um manecendo no exército, por falta de empre-
país que há muito tempo não participa de go. Empregadores muçulmanos os vêem próximo da metrópole de
uma guerra declarada contra a sua sobera- como traidores, e os judeus preferem dar Tel Aviv, a segunda
nia e que externamente atua como pacifica- empregos para outros judeus. Alguns solda- maior cidade de Israel.
dor de conflitos entre países tradicionalmen- dos muçulmanos escondem as suas fardas Roi cursa o último ano
te exaltados, não há como exigir dos que para não serem hostilizados por suas pró- do ensino médio e pre-
aqui vivem um nacionalismo hollywoodiano. prias comunidades.
tende fazer faculdade de
Israel é um exemplo de nacionalismo A palavra "etnia" é derivada do gre-
sentido na pele. Com conflitos que ultrapas- go ethnos, significando "povo". Esse termo Psicologia, mas não
sam os limites geopolíticos, a Terra Santa é era tipicamente utilizado para se referir a antes de servir ao exér-
reduto de uma guerra que se confunde com povos não-gregos, ou "estrangeiros". O cito. Assim como a maio-
a história da humanidade, que nem com a Estado de Israel é composto por várias etni- ria dos seus compatrio-
criação de um possível Estado da Palestina as, no sentido de grupos sociais com afini- tas, ele acredita que o serviço militar não é apenas
demonstraria indícios de paz. dades lingüísticas, religiosas, uma obrigação, mas também uma honra para cada
Israel é um Estado sempre “Não é um histórico-culturais, e até genéticas
cidadão israelense. Em sua família, seu pai, sua mãe,
preparado para a guerra. O servi- contrassenso – apesar de existir grande número
ço militar para homens é por um muçulmanos de línguas multi-étnicas e etnias e um irmão mais velho já serviram às Forças Arma-
período de três anos. Após este multilíngues. das de Israel (IDF – Israel Defense Forces): dentro de
período, cada um é indicado para lutarem pelo Devemos evitar a expressão três meses será a vez do próprio Roi. Ele concedeu
uma unidade de reserva, na qual Estado de Is- “raça”, que, compreendendo ape- uma breve entrevista ao CCJ EM AÇÃO:
servirá por um período que varia nas fatores morfológicos, possui
entre 30 e 60 dias por ano até os
rael, ainda uma conotação extremamente CCJ - Há como pensar no governo de Israel sem
40 anos de idade, e que pode ser que por ra- preconceituosa, apesar de alguns pensar na religião?
prorrogado, dependendo da ne- zões diversas países, como os EUA, pensarem
Roi - Embora eu possa pensar sobre o governo de
cessidade. O serviço militar é
também obrigatório para as mu-
do nacionalis- de modo diferente.
Nação, do latim natio, Israel sem mencionar religião, eu não posso pensar o
lheres por um período de dois mo” de natus (nascido), é a reunião de Estado de Israel sem religião. Nosso país foi criado
anos. Após este biênio, elas ser- pessoas, geralmente da mesma como um santuário para o povo judeu, onde nós po-
vem na reserva uma vez por ano, até os 24 etnia, que se mantêm unidos pelos hábitos, deríamos viver em liberdade e sem medo ou opres-
anos de idade. tradições, religião, língua e consciência são de outros povos. Sem o Judaísmo, o Estado de
O exército de Israel aceita imigrantes de nacional. Mas o elemento dominante é o Israel perde a sua essência – um Estado para os
diversas etnias, aos quais são oferecidos vínculo que une estes indivíduos, determi- judeus.
cursos rápidos de hebraico e inglês para nando entre eles a convicção de um “querer CCJ - O que você acha dos muçulmanos?
operar as máquinas. Ele não publica estatís- viver” coletivo. Desta forma, a ideia de na-
ticas sobre o exato número de não-judeus ção não se macula por esta se encontrar Roi - Sendo bem honesto, eu não gosto do povo
alistados, mas há um crescimento da partici- fracionada entre vários Estados, ou porque mulçumano. Embora eu não tenha nada contra sua
pação de cristãos, dru- várias nações se uniram para a formação de religião ou cultura, eu não gosto deles usarem a religi-
sos, circassianos e beduínos no fronte de um Estado. ão como um pretexto para odiar o mundo ocidental,
batalha. Neste Estado de Israel, constituído por pregar contra o meu povo, e forçar suas crenças e
O serviço militar é uma tradição em mui- vários povos de nacionalidades distintas, religião contra o resto do mundo. Eu não gosto deles
tas vilas beduínas, especialmente aquelas submetidos a um poder público soberano no pois eles me vêem como um inimigo, e baseiam sua
localizadas no norte de Israel. Há centenas intuito da promoção do bem comum dos existência em destruir os judeus e a nossa cultura. Eu
de muçulmanos beduínos que servem no seus membros, não é um contrassenso acredito que nem todos os muçulmanos são assim,
exército de Israel, ou IDF (Israel Defense muçulmanos lutarem pelo mesmo, ainda entretanto, muitos deles são, e isso me deixa bastan-
Force). que por razões diversas do nacionalismo. te desconfiado em relação a eles e aos árabes. Po-
Mesmo defendendo a soberania do Esta- A Terra Santa, marco de três religiões rém, se um muçulmano me provar que é alguém
do em que vivem, a ideia de muçulmanos fundamentais na história da humanidade, é confiável, racional e amigável, eu colocarei nossas
lutarem contra palestinos por um país predo- uma bela aula de Ciência Política ao ar livre. diferenças de lado, mas apenas para aquela pessoa.
minantemente judeu não é bem vista pelos CCJ - Como você pode descrever as relações
outros discípulos de Allah. entre o povo israelense e o exército de Israel?
* Alunos do 3º ano (tarde)
Muitos beduínos se alistam em busca de magnoduran@gmail.com
melhores possibilidades de educação e de Roi - A maioria do povo israelense exibe muita honra
alyssonsg@msn.com
e estima a respeito das Forças Armadas de Israel
(IDF - Israel Defense Forces). Grande parte dos adul-
tos já serviu ao exército, enquanto que quase todos
os jovens planejam servir. A IDF é vista como a guar-
diã de Israel, é algo que nos mantêm longe da aniqui-
lação. Ter um papel importante no exército, sendo um
soldado, piloto ou um oficial da inteligência, é consi-
derado uma grande honra.
CCJ - O que você acha de um país como o Brasil,
onde judeus e muçulmanos podem viver juntos?
Roi - Eu acredito que viver num país onde judeus,
muçulmanos, cristãos e povos de outras religiões
possam viver juntos é ótimo, e eu gostaria que Israel
pudesse ser assim. Infelizmente, por culpa do conflito,
é algo impossível no momento. ■

* Este artigo não tem qualquer pretensão de estabelecer juízo de valor acerca dos recentes acontecimentos envolvendo o Estado de Israel e a ONG Free Gaza de
ajuda humanitária, atacada pelo exército daquele país. Sua produção se deu anteriormente ao ocorrido.
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 5

ESPAÇO DISCENTE

ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA: CONSTITUCIONALIDADE E


DIREITOS HUMANOS
SUANA GUARANI DE MELO* necessário para o caso, ou seja, uma boa
estrutura física e humana, aliada a uma equi-
Nos últimos anos foi tema de discussões a pe coesa, razão pela qual as chances de erros
credibilidade do serviço prestado pelas gerên- são mínimas. Com esse conjunto, dificilmente
cias de inteligência em todo o país. A proposta não se logra êxito na prisão dos envolvidos,
desse texto é apresentar algumas informações não olvidando que os inexpressíveis insuces-
acerca da atividade de Inteligência de Segu- sos, referentes à porcentagem acima, resulta-
rança Pública desempenhada pelas institui- ram de falhas humanas dos próprios policiais,
ções policiais, ressaltando seus aspectos por algum tipo de desobediência ao plano
constitucionais e apresentando a sua estreita operacional, previamente definido.
relação com a doutrina dos direitos humanos, O mais importante, e foco deste texto, é
outro tema também em alta. trazer a informação de que o investigado, ao
A atividade de Inteligência de Segurança ser preso, não esboça qualquer reação, por-
Pública consiste no exercício permanente e que se vê diante de uma situação completa-
sistemático de ações especializadas para a mente sob o controle da Polícia. Com isso, as
produção e salvaguarda de conhecimentos munições que seriam utilizadas, em caso de
necessários para prever, prevenir e reprimir necessidade, convertem-se em economia para
quaisquer delitos, ou aqueles relativos a te- os cofres públicos ou em material para o trei-
mas de interesse da Segurança Pública, numa namento e aperfeiçoamento dos próprios poli-
atitude proativa e não somente reativa. Ela é ciais. Ademais, a violência legítima e que po-
constituída como um serviço à causa pública, deria ser empregada pelos policiais contra os
submetida aos princípios constitucionais da telefônicas (conduta não compatível com a indivíduos apresenta-se desnecessária, pois é
moralidade, da impessoalidade, da eficiência e Atividade de Inteligência), devendo, então, fato que as pessoas presas nesses tipos de
da legalidade, em especial, tendo em vista a atuar a fiscalização para coibir essas práticas operações não se insurgem.
observância da ética, dos direitos e garantias em desconformidade com os direitos que tute- O desenvolvimento da Atividade de Inteli-
individuais e sociais e do Estado Democrático. lam a privacidade da vida íntima. gência de Segurança Pública representa, por
A atividade de Inteligência tem Pela Lei 9.296, não será admitida conseguinte, avanço em prol da diminuição da
como propósito atuar com cienti- “Se não há legalida- a interceptação se não houver violência policial, do número de vítimas e de
ficidade, com eficiência e de de no ato, a finalida- indícios razoáveis de autoria ou homicídios decorrentes de operações mal-
forma direcionada, a partir de participação em infração penal, organizadas e mal-estruturadas, consequente-
informações cujo propósito é de passa pela bisbi- assim como quando a prova pu- mente mal sucedidas, situações que só geram
desarticular crimes que envol- lhotice da vida de der ser feita por outros meios gastos e que, na maioria das vezes, poderiam
vam principalmente terrorismo, outrem, infringindo disponíveis e se o fato investiga- ser evitadas. A Segurança Pública, conforme
tráfico de entorpecentes, lava- do constituir infração penal puni- a Constituição Federal de 1988, é dever do
gem de dinheiro, crimes contra o direitos e garantias da, no máximo, com pena de Estado e direito e responsabilidade de todos,
sistema financeiro nacional, con- fundamentais” detenção. devendo ser exercida para a preservação da
tra a ordem econômica e tributá- Toda a Atividade de Inteligência é ordem pública e da incolumidade das pessoas
ria, contra a administração pública (desde que desempenhada com sigilo, e os procedimen- e do patrimônio. Além disso, é fundamento do
punidos com reclusão), roubo, extorsão sim- tos advindos dessa atividade correrão sob Estado de Direito a dignidade da pessoa hu-
ples, extorsão mediante sequestro, sequestro segredo de justiça, almejando que o assunto mana, característica inerente aos humanos
e cárcere privado, homicídio doloso, crimes não se dissemine para pessoas interessadas, independente de sua origem, cor, raça, sexo,
decorrente de organizações criminosas, entre frustrando as pretensões da investigação. idade. Também de acordo com a Declaração
outros. Tudo isso consoante o anteprojeto de Inclusive, o Decreto Federal 4.553/2002 dis- Universal dos Direitos Humanos, todos/as têm
Lei sobre Interceptação Telefônica. põe que todo aquele que tiver conhecimento direito à vida, à liberdade e à segurança pes-
Para que a execução de uma operação que de assuntos sigilosos ficará sujeito às sanções soal. Por tudo isso, precisamos pôr em prática
trabalha com o serviço de Inteligência obtenha administrativas, civis e penais esses fundamentos, utilizando a
êxito, é preciso que a autoridade policial, me- decorrentes de eventual divulga- “O desenvolvimento violência legítima de forma pro-
diante investigação criminal, diante de fatos ção, e que qualquer pessoa que da Atividade de Inte- gressiva com vistas a combater o
relevantes, represente perante a autoridade tomar conhecimento de docu- aumento da criminalidade e não
judiciária pela quebra do sigilo telefônico, obje- mento sigiloso fica, automatica-
ligência de Seguran- vitimar inocentes.
tivando realizar a interceptação telefônica. mente, responsável pela preser- ça Pública represen- Destarte, percebemos que há
Vale salientar que o Ministério Público é igual- vação de seu sigilo. ta avanço em prol da estreita relação entre a atuação
mente legitimado para propor pedido de inter- Mas o que toda essa atividade eficiente e legal da atividade de
ceptação telefônica na investigação criminal tem a ver com os Direitos Huma- diminuição da vio- Inteligência de Segurança Públi-
ou processual penal, conforme Lei de Inter- nos? A experiência obtida a partir lência policial” ca, com observância ao texto
ceptação 9.296/1996, enquanto o Juiz poderá do trabalho desenvolvido junto à constitucional e, igualmente, aos
fazê-lo de ofício. A Interceptação Telefônica Gerência de Inteligência da Polícia Civil do direitos humanos, reforçando que com investi-
consiste na monitoração de comunicações Estado da Paraíba possibilitou a reflexão a mentos não só nos setores de inteligência
telefônicas, mediante autorização judicial, o respeito do seguinte dado: de aproximada- policial em todo o país, poderemos multiplicar
que reveste o ato de legalidade, para fins de mente 122 operações desencadeadas durante os sucessos dessas ações, assegurando os
investigação criminal ou instrução processual os anos de 2007 e 2008, pela referida Gerên- direitos de todos/as indistintamente, com o
penal. Isso é completamente diferente do cia, constatamos que em 120 delas, cerca de propósito de praticar a justiça com promoção
‘grampo telefônico’, que é essa monitoração, 99%, não houve sequer um disparo de arma de uma cultura de paz.
sem a devida autorização judicial, portanto de fogo, nem foi preciso utilizar violência para
ilegal, e que vem sendo realizado por alguns a contenção das pessoas investigadas. Como
grupos que operam com espionagem. Se não já foi mencionado, é um serviço que atua de
há legalidade no ato, a finalidade passa, pois, maneira direcionada, eliminando as chances
pela bisbilhotice da vida de outrem, infringindo de reação por parte dos investigados. A ope- * Escrivã da Polícia Civil do Estado da Paraíba,
direitos e garantias fundamentais concernen- ração só é desencadeada quando conta com graduada em Direito pelo Centro Universitário de
tes à inviolabilidade da intimidade, da vida informações, com o equipamento adequado João Pessoa/UNIPÊ e Especialista em Segurança
Pública e Direitos Humanos pela UFPB
privada das pessoas, e de suas comunicações para a situação e com o pessoal capacitado e
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 6

ESPAÇO DISCENTE

DIREITO AUTORAL E JORNALISMO NA INTERNET


CAROLINE CARVALHO* cada disciplina. Porém, o valor a ser cobrado patrimônio cultural, e também no caso em que
levará em conta os direitos autorais e editoriais, há mudanças de suporte, ou seja, quando o
Grandes debates estão sendo travados para
além dos custos de impressão da seleção dos dono do CD copia suas músicas para o iPod ou
se discutir de que forma devem ser equilibrados
conteúdos. Essa reprodução só poderá se reali- MP3. Sendo assim, o MinC propõe a criação de
o acesso à informação e ao conhecimento e os
zar nos pontos de venda filiados e homologados uma entidade responsável pela arrecadação de
direitos previstos por lei aos autores de obras
pela própria ABDR. No entanto, essa medida direitos no país, o IBDAC (Instituto Brasileiro do
literárias. O Projeto de Lei do Senado nº 131
não basta, pois mesmo assim o estudante conti- Direito Autoral). Essa medida visa a uma maior
visa à alteração do inciso II do art. 46 da lei
nuará com altos custos para a aquisição do intervenção do Estado em funções regulatórias
9.610, de 19 de fevereiro de 1998. A lei citada
conteúdo bibliográfico. do setor e propõe a unificação dos registros de
prevê que "não constitui ofensa ao direito auto-
A lei 5988/73, que vigorou até 1988 e regula- autoria em um único órgão, além de torná-lo
ral a reprodução, em um só exemplar de peque-
va os direitos autorais, atestava não constituir mais acessível por meio digital.
nos trechos, para uso privado do copista, desde
ofensa aos direitos do autor a reprodução de Alguns especialistas em direito autoral tam-
que feita por este, sem intuito de lucro". Porém,
qualquer obra, desde que para uso pessoal, bém defendem um maior rigor no tocante aos
o termo "pequenos trechos" tem levado a inter-
sem fins lucrativos. Poderemos, assim, conside- conteúdos distribuídos na internet. Segundo o
pretações equivocadas e muitas contradições,
rar a lei de 1998 um retrocesso no tocante à advogado Sydney Sanches, que participou do
tanto por parte dos copistas, quanto das pró-
livre promoção do conhecimento. O coordena- seminário "Cultura Sustentável", promovido pelo
prias entidades responsáveis pelo seu controle
dor da Consumers International (entidade inde- Senado Federal, é necessário que encontremos
e pela defesa dos direitos autorais.
pendente que visa o respeito às preocupações uma forma de aliar a preservação dos interes-
A alteração desse inciso tem por objetivo,
dos consumidores), o australiano Jeremy Mal- ses do criador das obras com o amplo acesso
segundo afirma o autor do PL, o senador Valdir
colm, afirma que o resultado de uma lei tão pela população. O mesmo defende que as mes-
Raupp, "assegurar o espírito da Lei do Direito
restritiva é a pirataria. Essa mesma organização mas normas aplicadas aos outros meios de
Autoral, limitando o que pode ser copiado de
divulgou dados que confirmam que a América comunicação devem valer também para o ambi-
um livro; por outro, busca assegurar o direito de
Latina é o pior continente em lei de direitos ente eletrônico. Ou seja, deve-se haver uma
acesso à informação e ao conhecimento, por
autorais, em que o Brasil ocupa a 7º posição no maior fiscalização sobre os conteúdos disponi-
parte dos estudantes". O mesmo também afir-
ranking dos países mais restritivos dos mes- bilizados na internet, para que se faça valer o
ma que tal medida irá impedir abuso por parte
mos. espírito da Lei de Direito Autoral.
da ABDR (Associação Brasileira de Direitos
O Ministério da Cultura também vem se mobi- Não podemos, no entanto, deixar de questio-
Reprográficos), ao passo que tem buscado a
lizando quanto a esse assunto, lançando um nar os valores abusivos cobrados pelas agên-
Justiça para coibir a cópia de trechos de livros
projeto de reforma da lei. Esse projeto visa à cias reguladoras desses direitos. Vemos em tais
nas instituições de ensino superior.
harmonização dos princípios e normas relativos medidas algumas soluções para esse impasse,
A entidade defensora dos direitos autorais, a
à livre iniciativa, à defesa da concorrência e à mas não em sua completude. Enquanto o Esta-
própria ABDR, afirma que esse termo "não se
defesa do consumidor. Além disso, pretende do, ente que deve ser responsável pela promo-
refere à extensão da reprodução, mas sim ao
garantir e atender “às finalidades de estimular a ção da cultura ampla e irrestrita, não se posicio-
conteúdo reproduzido". Mas de que forma de-
criação artística e a diversidade cultural, e ga- nar e fazer valer os direitos do cidadão, tais
terminar o conteúdo passível ou não de repro-
rantir a liberdade de expressão e o acesso à medidas resultarão em mero joguete político,
dução? Essa é a grande pergunta que vem
cultura, à educação, à informação e ao conheci- que mais uma vez visa a garantir o direito dos
sendo debatida entre os especialistas e os de-
mento, harmonizando-se os interesses dos setores privados em detrimento de uma ampla
fensores do acesso irrestrito ao conhecimento.
titulares de direitos autorais e os da sociedade”. maioria da população, sedenta de conhecimen-
Como uma possível solução a esse impasse,
Essas mudanças prevêem um maior alarga- to.
a ABDR criou o projeto "Pasta do professor",
mento das restrições feitas pelos direitos auto-
que permite às editoras disponibilizarem os
rais, tais como a permissão de cópia privada,
conteúdos de forma fracionada e que os profes-
tanto para a promoção do acesso ao conheci- * Aluna do 1º Período 2010.1 (manhã)
sores criem pastas-do-professor virtuais, onde carolinepc.carvalho@gmail.com
mento, quanto para fins de preservação do
estará disponível o conteúdo bibliográfico de

A CADELA E SÍLVIO SANTOS Pessoa. Na peça inicial, o autor afirmava que, jurisdicionais que se manifestam de vários mo-
na condição de brasileiro pobre que era, sentia- dos a fim de oferecer meios adequados a cada
se humilhado ao ver o apresentador esbanjando caso, entre os quais destaco a autocomposição,
RAYSSA BARRETO MAIA* riqueza ao lançar aviõezinhos de dinheiro. O a arbitragem e a mediação.
autor requereu um milhão de Contudo, para que essas
Há quase um mês foi veiculado um quadro no reais (em barras de ouro, alternativas surtam algum
programa “Fantástico" intitulado O Conciliador, que valem mais que dinhei- efeito, alguém tem que ceder
em que Max Gehringer acompanhava negocia- ro). ou, ao menos, estar disposto
ções feitas por conciliadores profissionais a fim Os dois casos, embora a compartilhar o ônus da
de divulgar formas de desafogamento das vias diferentes quanto ao objeto, solução com seu oponente –
judiciais. Um dos casos daquela vez tratava da guardam semelhança subje- o que não acontece na maio-
disputa pela guarda de uma cadelinha bem tiva: o bom senso das par- ria dos casos.
simpática - o mesmo não se poderia dizer de tes. Em tempos de revisão O cerne da questão está em
suas pretensas donas. Várias soluções foram democrática muito se fala de um elemento bastante apon-
ofertadas às duas senhoras, desde a guarda acesso à justiça sob a ótica tado como caminho para a
compartilhada até visitas periódicas de quem da prestação da assistência salvação social: a educação.
não ficasse com a posse final. Mas nenhuma judiciária às classes menos Enquanto as pessoas não
delas satisfez as duas vizinhas que, mais do favorecidas, da atuação dos adquirirem espírito de coleti-
que a disputa pelo animal, queriam aporrinhar- advogados, promotores, vidade e gentileza, não há
se mutuamente pela eternidade na falta do que procuradores, juízes e ministros, e das formas como se ver soluções mais diplomáticas quan-
fazer. alternativas de resolução de conflitos. Entretan- do da colisão de interesses. Por ora, ficaria
O resultado não poderia ser outro: a adversá- to, quase nada se diz sobre o desempenho das satisfeita se, além da legitimidade das partes,
ria que havia perdido a cadelinha fechou o qua- partes, sujeitos dos sagrados conflitos: nosso do interesse de agir e da possibilidade jurídica
dro ameaçando a outra litigante ao jurar que iria ganha-pão de cada dia. do pedido, o bom senso integrasse uma das
processá-la e retirar tudo o que lhe pertencia. Há quase 70 MILHÕES de processos con- condições para a validade da ação até que a
Tenho pena mesmo é do Juiz destinado a resol- gestionando o Poder Judiciário, de acordo política da boa vizinhança viesse a reger as
ver tal despautério. com os dados publicados pelo CNJ em ja- relações sociais.
Em outro caso curioso, temos o brilhantismo neiro de 2009, e, deles, cerca de 60% não
criativo de um senhor que moveu ação também terão seu desfecho no mesmo ano em que
de indenização por danos morais contra Senor foram instaurados. Como soluções ao desafo- * Aluna do 4º ano (tarde)
Abravanel, vulgo Silvio Santos, aqui em João gamento do Judiciário, surgem os equivalentes rayssa_bm_@hotmail.com
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 7

ESPAÇO DOCENTE - Prof. José Maurício de Lima*

ANISTIA, MEMÓRIA E VERDADE


A Lei de Anistia (Lei nº são, o PNDH3 contempla um dos
6.683/1979), proposta pelo último tópicos previstos no rol de provi-
presidente militar, foi um passo dências que podem ser adotados
decisivo para a redemocratização na denominada justiça de transi-
brasileira. A lei anistiou os brasi- ção visando resgatar a memória e
leiros que tiveram os direitos e a verdade. O movimento que en-
garantias cassados durante a campa essa idéia visa o aprimora-
ditadura sob argumento de terem mento do Estado Democrático
cometido crimes políticos. Ao Brasileiro, com a instituição da
mesmo tempo a norma benefi- Comissão Nacional da Verdade,
ciou os agentes do Estado acusa- que se coaduna com a proposta
dos de torturas e mortes de opo- contida no PNDH3 no sentido de
sitores ao regime militar implanta- se promover uma criteriosa apura-
do em 1964, por considerar tais ção dos crimes cometidos durante
atos crimes conexos. o regime.
Depois de mais de 30 anos, o Com o objetivo de elaborar o ante-
país se vê novamente enredado projeto de lei que institui a Comis-
nos debates sobre a revisão da Lei de são Nacional da Verdade, foi instituído,
Anistia, notadamente no que diz respeito
“A criação da Comissão no âmbito da Secretaria de Direitos Hu-
à possibilidade de punição dos responsá- da Verdade surge como manos do Ministério da Justiça, um grupo
veis pelos atos de violência praticados de trabalho encarregado de realizar estu-
em nome do Estado durante o regime uma auspiciosa dos preliminares, tendo como ponto de
militar. É nesse ponto que reside toda a possibilidade de resgatar partida toda documentação produzida
polêmica sobre a sua eventual revisão. desde o projeto Brasil, Nunca Mais. Tam-
Dois fatos relevantes reacenderam o a história” bém serão ouvidos especialistas estran-
debate: o ajuizamento no Supremo Tribu- geiros em processos de reconciliação
nal Federal (STF), pelo Conselho Federal A polêmica colocava de um lado os nacional e funcionamento dessas comis-
da OAB, da Ação de Descumprimento de defensores do regime, propugnando pelo sões.
Preceito Fundamental 153 (ADPF 153); e esquecimento puro e simples desses A Comissão da Verdade sul-africana
o decreto assinado pelo presidente Lula, eventos; de outro, aqueles que queriam a pode ser citada como experiência bem
em dezembro de 2009, aprovando o 3º punição dos responsáveis pelas mortes, sucedida nesse campo. Mais próximos da
Programa Nacional de Direitos Humanos tortura e desaparecimentos. realidade brasileira podem ser menciona-
(PNDH). O STF rejeitou, por sete votos a dois, o dos os casos da Argentina e do Chile, em
Ambas as iniciativas se fundamentam pedido da OAB. Com esse resultado os que também se realizaram esclarecimen-
na afronta aos direitos naturais da pessoa funcionários estatais envolvidos nesses tos de fatos semelhantes aos que ocorre-
e dos seus familiares, na imprescritibilida- crimes contra os Direitos Humanos bene- ram no Brasil.
de de crimes de tortura e na responsabili- ficiaram-se da Lei da Anistia, mediante Se a Lei de Anistia permitiu iniciar o
dade por desaparecimento de ativistas uma interpretação política que foi dada a processo de consolidação do Estado de
políticos. Argumentam ainda que a impu- esse texto. Direito no Brasil, sendo na época o que
nidade dos crimes do passado alimenta a Contudo, ainda resta uma possibilidade era possível realizar sem colocar em ris-
continuidade das violações dos direitos do assunto ser examinado na Corte Inte- co o funcionamento normal das institui-
humanos. ramericana de Direitos Humanos. É que ções democráticas, a criação da Comis-
A ADPF 153, julgada no dia 29 de abril em audiência pública, ante representan- são da Verdade surge como uma auspi-
de 2010, pedia que o STF interpretasse o tes das vítimas e autoridades brasileiras, ciosa possibilidade de resgatar a história.
§ 1º do art. 1º da referida lei em face da a Corte julgará o caso Gomes Lund, mais São ações possíveis dentro da denomi-
ordem constitucional inaugurada com a conhecido como "Guerrilha do Araguaia", nada justiça de transição recomendadas
Carta de 1988. Com efeito, pretendia a sobre detenção arbitrária, tortura, assas- pelo Conselho de Segurança da ONU,
exclusão da expressão “crimes comuns sinato e desaparecimento de pelo menos como conjunto de abordagens, mecanis-
praticados pelos agentes da repressão 70 pessoas durante operações das For- mos (judiciais e não-judiciais) para en-
contra opositores políticos, durante o ças Armadas entre 1972 e 1975 com o frentar o legado de violência em massa
regime militar”. Em resumo, questionava objetivo de destruir um movimento arma- do passado. Além disso, visa a atribuir
a concessão da anistia para todos os do de resistência à ditadura. responsabilidades, exigir a efetividade do
crimes, inclusive a tortura, no período da Nessa oportunidade, a Corte Interame- direito à memória e à verdade, fortalecer
ditadura militar, defendendo uma interpre- ricana analisará a Lei de Anistia, conside- as instituições com valores democráticos
tação mais clara quanto ao que foi consi- rada pelas vítimas o principal obstáculo e garantir a não repetição das atrocida-
derado como perdão aos crimes conexos para a investigação, e realizará o esclare- des.
"de qualquer natureza" quando relaciona- cimento dos fatos e o julgamento das
dos aos crimes políticos ou praticados violações dos Direitos Humanos e crimes
por motivação política. O grupo de juris- contra a humanidade cometidos durante
tas que subscreve a proposta, encabeça- o regime militar brasileiro, segundo infor-
do por Fábio Konder Comparato, defendi- ma a organização.
a que, tal como se apresenta, o dispositi- No âmbito interno, existe ainda uma * José Maurício é advogado e mes-
vo não se coaduna com a Constituição iniciativa contida no PNDH que merece trando em Filosofia pela Universidade
vigente. ser acompanhada. Em sua terceira revi- de Brasília (UnB).
CCJ em Ação · Ano 1 · Nº 3 Página 8

CHARGE

Correndo Com Tesouras (Running


With Scissors)
A polêmica e a ousadi-
a no que diz respeito
aos assuntos “família”,
“relacionamentos” e
“sexualidade” são
retratadas com máxi-
ma naturalidade por
Ryan Murphy, criador
do extraordinário Nip/
Tuck, vencedor do
Globo de Ouro em
2005 como melhor
seriado dramático.
“Correndo Com Tesou-
ras” (Running With
Scissors), dirigido por
Murphy em 2006, com um elenco ímpar, revela,
de igual sorte, temas polêmicos e ousados, ao
retratar a infância e a adolescência de Augusten
Burroughs (interpretado por Joseph Cross), filho
de pais negligentes (Annete Benning, uma poetisa
POR DENTRO DA UFPB fracassada, e Alec Baldwin, um alcoólico).
Após o fracasso do casamento de seus pais,
EJA Consultoria - Curso de pressos em papel reciclado e o Augusten é “abandonado” na residência de um
Administração da UFPB projeto Buscar Sorrisos, que promo- psiquiatra (Brian Cox), o qual vive com sua espo-
ve visitas a orfanatos, vem se con- sa (Jill Clayburgh), uma gata chamada Freud e
MANUELA BRAGA* solidando. Ela também realiza even- suas duas filhas (Evan Rachel Wood e Gwyneth
tos voltados para a universidade, Paltrow). Une-se a essa família, ainda, um filho
como palestras, mini-cursos e visi- “adotivo” interpretado por Joseph Fiennes, o qual
A EJA Consultoria é a empresa
tas técnicas a empresas da região. foi expulso da residência.
júnior do Curso de Administração da
Em 2009, a EJA ganhou o Prêmio Comportamentos surreais de pessoas de faixas
UFPB. É formada pelos graduandos etárias diversas são tratados com tamanha natu-
em administração, com o apoio de Paraibano da Qualidade Nível I.
Essa é uma premiação tradicional ralidade que podemos nos enxergar um pouco em
professores orientadores. Ela tem cada um dos personagens. Sei que não é comum
19 anos no mercado, prestando do mercado paraibano e a EJA
competiu e ganhou lado a lado com se alimentar de ração para cães, tomar Valium
consultoria organizacional como: habitualmente, ter uma sala de masturbação,
Pesquisa de Mercado, Planejamen- empresas de respaldo, como a
Paraí Informática. apresentar uma personalidade constipada, reunir
to Estratégico, Plano de Marketing, a família para observar fezes em um vaso sanitá-
Mapeamento de Processos, além Como atua desde 1991, a EJA
rio, realizar um ritual fúnebre para enterro de um
de serviços customizados. É uma tem certa tradição. Empresas impor-
animal de estimação e brincar com aparelhos de
associação civil sem fins lucrativos.tantes no mercado são clientes da
choque-elétrico, mas, afinal, quem é normal?
Sua intenção, ao atuar no mercado, EJA Consultoria, como a AMBEV, a Percebemos, em verdade, pessoas extrema-
é amadurecer os alunos de adminis- Vit Gold, a CLIM Maternidade e mente oprimidas e temerosas de encarar situa-
tração, prepará-los para o mercado, Água Rabelo. Muitos empresários e ções novas, com uma intensa vontade de extrava-
assim como desenvolver as empre- executivos que atuam no mercado sar de alguma forma. Quem não teve vontade de
sas da região, aumentando a quali- hoje já foram membros da EJA. quebrar algo ou simplesmente de gritar bem alto
dade e criando mais empregos. O Dessa forma, é possível dizer que para que o mundo todo escutasse? É nesse con-
foco está na produção de conheci- ela produz profissionais capacita- texto, ao som do clássico setentista “Year Of The
mento. A EJA possibilita que os dos, que desenvolvem e qualificam Cat”, de Al Stewart (1977), que vislumbramos um
estudantes apliquem o conhecimen- o mercado. “extravaso coletivo” em uma cena que considero
to ministrado em sala de aula na A verdade é que uma entidade dentre as melhores de toda a história do cinema.
resolução dos problemas do dia-a- dessa natureza só traz benefícios. Diante da obra, extrai-se que a atenção e o
dia de qualquer empresa, como Os alunos de administração têm a cuidado na educação enquanto imposição de
chance de se tornarem profissionais regras e limites, principalmente na infância, de-
falta de empregados qualificados ou
antes mesmo de saírem da universi- monstra importância inarredável para a formação
concorrência. Não existe preocupa-
dade. As consultorias prestadas de um indivíduo desprovido de demasiados pro-
ção com um retorno financeiro. Os
ajudam a melhorar o mercado parai- blemas psicológicos. Porém, nunca é tarde para
preços das consultorias cobrem os perceber a ausência disso, erguer a cabeça, co-
custos e despesas da empresa, bano por um preço mais baixo, mas
ainda sim com qualidade. E a UFPB nectar-se com seu subconsciente, caminhar, com
incluído aí o montante investido na perseverança, para a construção de um futuro
continuação e no crescimento da ganha, pois uma empresa júnior
atuante enriquece o curso e melho- grandiosamente promissor e enfrentar situações
mesma (marketing, capacitação dos novas com coragem, a despeito das mais diver-
membros). Mesmo assim, os preços ra a nota do MEC.
sas insanidades vivenciadas.
cobrados são consideravelmente Destaco as primorosas atuações de Annete
menores que os do mercado, cerca Contato com a EJA Consultoria:
Benning e Jill Clayburgh, ambas dignas de Oscar.
de 60%. (83) 8610-8264
Incompreensível a ausência de reconhecimento
A responsabilidade sócio- atendimento@ejaconsultoria.com.br de um filme tão valioso.
ambiental está sempre em pauta. A www.ejaconsultoria.com.br
EJA foi a primeira, dentro da univer-
sidade, a implementar coleta seleti- Carlos Nazareno é estudante de
va. Todos os documentos são im- * Aluna do 3º ano (tarde)
manuelabraaga@gmail.com Licenciatura em Artes Visuais (UFPB)
carlos--nazareno@hotmail.com