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Coeficientes de recalque horizontal e vertical do solo.

Mário César Alexandre Júnior.04/12/2012Excelente (138 Avaliações)15684 visualizações

Aplica-se às versões: EBv5, EBv5Gold, EBv6, EBv6Gold, EBv7, EBv7Gold, PMv7, PMv7G, PMv8, PMv8G

Assunto

Como obter os coeficientes de recalque vertical e horizontal do solo?

Artigo
Esse artigo tem como função demonstrar algumas possibilidades para auxiliar na adequada determinação
dos coeficientes de recalque vertical e horizontal utilizados pelo eberick para o dimensionamento de
fundações em base elástica, como fundações em radier, sapata corrida, tubulões e, exemplificar a sua
importância no comportamento da estrutura.

O modelo do coeficiente de recalque vertical e horizontal originalmente proposto por Winkler em 1867,
utilizado para definir o comportamento do solo, caracteriza o solo como uma série de molas elásticas lineares
desconectadas, de tal modo que as deformações ocorrem somente onde o carregamento existe.

No modelo de Winkler, é assumido que a pressão p e o deslocamento d de cada ponto estão relacionados por
um módulo de reação (modulos of subgrade reaction) ou coeficiente de recalque (horizontal ou vertical),
denominado kh e kv.

Portanto, no caso das molas usadas no modelo discretizado dos tubulões e estacas têm-se em cada nó a
relação:

P = Kv . d

Onde:

P é a tensão aplicada

d é o deslocamento

Kv é o coeficiente de recalque ou de reação vertical que pode ter como unidade kgf/cm3 ou tf/m3 etc.

O método mais indicado para a obtenção dos coeficientes de recalque vertical e horizontal do solo é através
de ensaios efetuados com o solo disponível, como por exemplo o ensaio de placa. Através desse ensaio
obtem-se valores que poderão ser utilizados para simular, com maior confiabilidade, o comportamento da
estrutura

Na falta desse ensaios, ou mesmo para a confirmação da ordem de grandeza esperada para a resistência dos
solos, podem ser utilizadas tabelas de valores típicos ou correlações empíricas.

COEFICIENTES DE REAÇÃO VERTICAL, Kv

USO DE TABELAS Uma tabela que pode ser utilizada para a obtenção do coeficiente de recalque vertical é a de Béton-Kalender (1962). Valores de E0 e E Na ausência de ensaios apropriados pode-se adotar para o valor E 0 (Módulo Endométrico) e E (Módulo de Elasticidade). em m². Onde E0 – Módulo edométrico do solo. f – Coeficiente adimensional. É importante lembrar que o valor Kv não é uma constante. em solos submetidos à tensões inferiores a 10kg/cm² os valores indicados por Cestelli Guidi. tais como forma e dimensões da fundação. em t/m². mas que depende de uma série de fatores. é a utilização da fórmula indicada por Rausch em 1959. tipo de construção e ainda das flutuações de carregamento. Fonte: Béton – Kalender (1962) Outra possibilidade. que depende da superfície da fundação.4. ainda. tomado com o valor de 0. . F – Superficie da fundação.

Fonte: Cestelli Guidi CORRELAÇÃO EMPÍRICA Uma possibilidade de obtenção do coeficiente de reação vertical é a correlação empírica com a tensão admissível. utiliza-se o número médio de golpes aplicando a seguinte fórmula s = 0.20 * SPTMédio (kgf/m²) A partir dos valores de tensão média admissível é possível obter o valor de Kv por correlação. que pode ser obtida através do ensaio de SPT. utilizando a tabela abaixo: . Para obter a tensão média admissível a partir desse ensaio.

Fonte: Safe. também. Kh Pode-se. Para a obtenção do coeficiente de recalque horizontal pode se . obter o valor do coeficiente de reação horizontal (Kh) e partir do coeficiente de Poisson obter o coeficiente de reação vertical Kv. Morrison (1993) COEFICIENTES DE REAÇÃO HORIZONTAL.

pode-se obter o valor de kn (coeficiente de recalque vertical).utilizar o método recomendado por Teng [1962]. a partir da seguinte relação: Kh = Kn* onde: Kn . tendo encontrado o valor de kh.coeficiente de Poisson Como valores indicativos têm-se: . a partir das correlações empíricas dadas por Terzaghi [1955]: Para solos arenosos: Valores de k1 para solos arenosos (em kgf/cm3) Para solos argilosos: Valores de k1 para solos argilosos (em kgf/cm3) Onde: z = profundidade da fundação (em metro) B = largura ou diâmetro da estaca ou tubulão (em metro) De acordo com esta metodologia.coeficiente de recalque vertical n .

Os coeficientes padrão do programa são valores apenas didáticos e não devem ser utilizados em projetos estruturais.29 = 2155 tf/m³. No primeiro modelo serão utilizados os valores calculados nesse artigo para a areia fofa. convertendo as unidades.80) = 0.2 (kgf/cm³) Z = 2. No Eberick os valores são informados em tf/m³. que os valores obtidos são diferentes da configuração padrão do programa.5 metros B = 80 centímetros = 0. K1 = 0. portanto. pode-se isolar kv.80 m Kh = 0. Existem ainda diversas outras maneiras de se obter os coeficientes de recalque vertical e horizontal.29. Observa-se. Neste exemplo. Exemplo numérico Utilizaremos como exemplo para a determinação dos coeficientes de recalque vertical e horizontal a formulação indicada por Teng [1962]. A fundação utilizada será do tipo tubulão com diâmetro de 80 centímetros e comprimento total de 250 centímetros. obtendo-se: Kv = Kh/n Considerando -se n = 0. com areia fofa seca.5/0.Os procedimentos indicados acima são alguns exemplos de metodologia para a obtenção dos parâmetros do solo. Kh = 625tf/m³. assim. o solo utilizado será um solo do tipo arenoso. pois tem-se um solo arenoso. tem-se: kV = 625/0. Utilizando a relação Kh = Kv *n. Para solos arenosos: Kh = k1 * z/B. utilizaremos uma mesma estrutura com duas configurações diferentes para os coeficientes de recalque. tais como os métodos advindos dos ensaios do solo. chega-se ao valor de 625 tf/m³.2 * (2.625 (kgf/cm³). Para verificar a influência dos coeficientes no comportamento da estrutura. conforme indicado abaixo: .

cm³ = 2500 tf/m³ n = 0.No segundo modelo será considerado um solo do tipo argila dura. 8) = 2.2*(10/0. A estrutura a ser utilizada para essa comparação será o modelo indicado abaixo: . Kh = 0.40 Kv = 2500/0. obtendo-se os seguintes valores para os coeficientes.40 = 6250.5 kgf.

carregamentos. Após processar a estrutura clicamos sobre o botão “Resultados” e verificamos que para o modelo com o solo do tipo areia fofa chegou-se ao seguinte resultado: .Nos dois modelos foi utilizada a mesma configuração de ações. sendo que a única diferença entre os dois arquivos é a configuração dos parâmetros do solo. seções e vinculações.

Já para o modelo utilizando o solo do tipo argila dura obteve-se o seguinte resultado: .

visando sempre a criação de um modelo que se aproxime das condições reais da obra. a necessidade da adequação desses valores em cada projeto. portanto. . que mesmo em um projeto relativamente pequeno e com boa simetria obtiveram-se diferenças significativas em relação ao deslocamento horizontal da estrutura. portanto.Verifica-se. Fica clara.