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Coleção Biblioteconomia e

Gestão de Unidades de Informação
Série Didáticos - n. 1

Fundamentos de
Biblioteconomia e
Ciência da Informação

Mariza Russo

Rio de Janeiro, 2010

© Mariza Russo/E-papers Serviços Editoriais Ltda., 2010.
Todos os direitos reservados a Mariza Russo/E-papers Serviços Editoriais Ltda.
É proibida a reprodução ou transmissão desta obra, ou parte dela, por qualquer
meio, sem a prévia autorização dos editores.
Impresso no Brasil.

ISBN 978-85-7650-262-3

Projeto gráfico, diagramação e arte-final de capa
Livia Krykhtine

Concepção da capa
Claudio Reis de Brito, Cristiane Pereira Gabril, Maria da Conceição Ferreira
Messias e Maria Terezinha Mercadante A. Cheve (graduandos do curso de
Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação da Universidade Federal
do Rio de Janeiro).

Revisão
Helô Castro

Esta publicação encontra-se à venda no site da
E-papers Serviços Editoriais.
http://www.e-papers.com.br
E-papers Serviços Editoriais Ltda.
Rua Mariz e Barros, 72, sala 202
Praça da Bandeira – Rio de Janeiro
CEP: 20.270-006
Rio de Janeiro – Brasil

Russo, Mariza.
Fundamentos em Biblioteconomia e Ciência da Informação/
Mariza Russo. - Rio de Janeiro : E-papers Serviços Editoriais, 2010.
178 p. : il. ; 21 cm. – (Coleção Biblioteconomia e Gestão de
Unidades de Informação. Série Didáticos ; n. 1)
Bibliografia ao final dos capítulos.
Inclui glossário de termos.
ISBN: 978-85-7650-262-3
1. Biblioteconomia. 2. Ciência da Informação. I. Série. II. Título.

Sumário

5 Apresentação

9 Introdução

UNIDADE 1
14 Dado x informação x conhecimento

22 O conhecimento e o processo de comunicação

30 O ciclo da informação

UNIDADE 2
36 A Biblioteconomia e suas relações com a Arquivologia, a
Museologia e a Documentação como áreas afins

43 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas
e interdisciplinaridade

58 História da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no
Brasil

71 Influências do uso da Informática e sua aplicabilidade na
Biblioteconomia e na Ciência da Informação

UNIDADE 3
88 A formação profissional do bibliotecário: ensino de
graduação e de pós-graduação

101 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor 119 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão UNIDADE 4 134 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições 145 Legislação da profissão 152 O código de ética profissional 157 Considerações finais 160 Glossário .

da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). ainda. decidiu-se optar pela utiliza- ção de duas tecnologias emergentes – a edição eletrônica e a im- pressão sob demanda – que estão sendo aplicadas. ministrada pela autora. O objetivo principal desta iniciativa é apresentar – em um só vo- lume – textos relevantes para embasar a disciplina Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação (FB&CI). Em função destas facilidades. de caráter estritamente didático. para facilitar não só a atualização das obras. mas também para diminuir problemas que ocorriam com a logística de distribuição. os diferentes tópicos da disciplina FB&CI – passará por atualizações anuais. cada uma delas abordando. ao final de cada uma de suas partes. Devido a esta particularidade. no Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG). ao longo do texto. Este trabalho apresenta. esta publicação – que está di- vidida em quatro Unidades. quando de sua pri- meira tiragem esgotada. que são: a) cerca de 80 notas de Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 5 . manutenção dos estoques dentre outras. e referen- ciadas. outras duas contribuições de grande utilidade para os leitores. modernamen- te. Apresentação Esta obra. separa- damente. Um dos interesses em lançar esta publicação reside no fato de que muitas obras nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação são publicadas e não reeditadas. se constitui em uma compilação de temas abordados em várias outras obras editadas na área de Biblio- teconomia e Ciência da Informação. frutos dos estudos e discussões realizadas a cada edição da disciplina no CBG. as quais são devidamente citadas.

ainda.referência. 6 Apresentação . com a finalidade de trazer para alunos e professores oportunidades de ampliar seus conhe- cimentos. exem- plificando alguns pontos ou acrescentando dados atualizados a outros. divulgar resultados de seus trabalhos e de suas pes- quisas etc. 1. esta Coleção pretende servir como canal de comunicação dinâmico. na primeira vez em que são menciona- dos. planejada pela equipe de criação do CBG. nas áreas de Biblioteconomia. da Coleção Biblioteconomia e Ges- tão de Unidades de Informação. que contém. Ciência da Informação e Gestão de Unidades de Informação. que foram adicionadas às abordagens teóricas. dados biográficos das persona- lidades ilustres citadas1. desde a concepção do curso. Com isso. os termos incluídos neste glossário estão edita- dos em versalete nos respectivos textos. assim. ainda. contribuindo. para proporcionar maior visibilidade das mesmas para a sociedade. b) um glossário com a conceituação de termos utilizados nos textos apresentados. ressaltar que esta obra se constitui no primei- ro número da Série Didáticos. Para facilitar sua identificação. a fim de complementar as informações para os leitores. Cabe.

“Comece fazendo o que é necessário depois o que é
possível, e de repente você estará fazendo o impos-
sível” (São Francisco de Assis).

Introdução2

O interesse na criação de um curso de Biblioteconomia, na UFRJ,
vem desde a inauguração da Biblioteca Central da Universida-
de, em 1950, quando se pensou em construir um prédio de oito
andares – que abrigasse esta Biblioteca – cujo último piso seria
dedicado ao curso de Biblioteconomia.
Este projeto baseava-se na visão vanguardista da primeira
diretora da Biblioteca Central – a bibliotecária LYDIA DE QUEIROZ
SAMBAQUI – que vislumbrava a relevância de uma grande proximi-
dade entre as bibliotecas da Universidade e o curso de formação
em Biblioteconomia, que permitiria uma troca de experiências,
beneficiando ambas as partes.
Apesar dos entraves, ao longo dos anos, esta ideia foi se se-
dimentando, culminando com a iniciativa, em 2000, da então
coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação (SiBI/
UFRJ), Mariza Russo, de criação de um grupo de trabalho, cons-
tituído por bibliotecários da Universidade, para retomar essa dis-
cussão. A tarefa visava a atender – com a implementação de mais
um curso de Biblioteconomia no Rio de Janeiro – às demandas
atuais da sociedade, em relação à formação de um novo perfil
para o principal profissional que atua com a informação.
Em outubro de 2001, foi instituída oficialmente uma comis-
são de trabalho – composta por 11 bibliotecários, mestres e es-
pecialistas na área de Biblioteconomia, Ciência da Informação e
outras afins, para desenvolver a proposta político-pedagógica do
curso.

2. Decidiu-se apresentar como introdução desta obra um histórico da criação do
Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG), na UFRJ,
com a finalidade de deixar registrado este empreendimento, que se caracterizou
como um “sonho” de inúmeros bibliotecários que passaram pela Universidade.

Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 9

o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). Esta comissão convidou docentes – mestres ou doutores da UFRJ e de outras instituições externas renomadas – para asses- soramento em questões inerentes à elaboração da proposta e ao processo de implantação deste novo curso. a Escola Po- litécnica (Poli). a grade curricular do curso foi planejada com um enfo- que diferencial das demais oferecidas pelos 38 cursos existentes. como diretores de bibliotecas universitárias – um dos segmentos de grande relevância no cenário de bibliotecas do país –. que constituem seu prin- cipal ativo. de Tecnologia da Informação e de Gestão. da UFRJ. na medida em que os bibliotecários do AMBIENTE 21 precisam estar capacitados para administrar todos os recursos que integram as UNIDADES DE INFORMAÇÃO – quer financeiros. ati- vidades estas que contribuíram para a consolidação da proposta. informacionais. o Instituto de Eco- nomia (IE). oficialmente. que se agregaram mais tarde para contribuir com suas experiências. tecnológicos. além da Facc – a Escola de Belas Artes (EBA). Fundamentando-se na experiência dos integrantes dessa comissão. Esta proposta também apresentou um outro dado inovador. a Faculdade de Letras (FL). esta comissão. às instâncias competentes da UFRJ. no Brasil. cursos e outros eventos. O projeto desta grade contemplou as áreas de Biblioteconomia. emitida pelo magnífico Reitor da UFRJ. foram realizadas gestões que envolveram atividades de capacitação. designou. A Portaria no 2. bem como as pessoas. visto que desenhou sua grade com um caráter interdisciplinar. Com a finalidade de aprimoramento da equipe que formava a comissão. envolvendo nove Unidades da UFRJ. em virtude do seu foco na área de gestão. ainda acrescida de outros técnicos. o 10 Introdução . materiais. foi escolhida para abrigar o CBG.325. a Escola de Comunicação (ECO). participação em palestras. professor ALOÍSIO TEIXEIRA. à época. encaminhada em novem- bro de 2003. Todas essas ações resultaram no documento intitulado “Pro- posta político-pedagógica para o Curso de Biblioteconomia e Ges- tão de Unidades de Informação (CBG)”. de 7 de outubro de 2003. A Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (Facc). para fins de análise e aprovação.

p. de 19/07/2005. para am- pliar a formação dos integrantes da comissão. de 15/07/2005. a colaboração do Nutes. Cotta de Mello – Coordenadora do SiBI/UFRJ Elaine Baptista de Mattos Paula – SiBI/UFRJ Ilce Gonçalves Millet Cavalcanti – Ibict/MCT Jane Maria Medeiros – CCJE/UFRJ Maria Cristina Paiva – IPPMG/UFRJ Maria das Graças Freitas Souza Filho – IMA/UFRJ Maria Irene da Fonseca e Sá – NCE/UFRJ Maria José Veloso da Costa Santos – MN/UFRJ Maria Luzia Andrade Di Giorgi – SiBI/UFRJ Myriam Lafayette de Sá Linden – SiBI/UFRJ Patrícia Rosas – IDT/UFRJ Vânia Lisbôa da Silveira Guedes – EQ/UFRJ Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 11 . CARLOS LESSA. também. com o apoio da Pró-reitoria de Gradua- ção. ainda. conforme edi- tal no 35. Em 29 de junho de 2005. prestando concurso vestibular. da decania do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE). para ser incorporado ao rol de cursos de graduação oferecidos pela UFRJ. na área de Educação. o Curso foi aprovado pelo Conselho de Ensino de Graduação (CEG) e. o Instituto de Psicologia e o Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (Nutes) – as quais iriam participar da grade das disciplinas curriculares. seção 3. Contou-se.Instituto de Matemática (IM). por ter customi- zado e oferecido duas disciplinas. que não mediu esforços para garantir as condições para sua efetivação. Aloísio Teixeira. Destaca-se. publicado no Diário Oficial da União (DOU). em 14 de julho pelo Conselho Universitário (Consuni).  Comissão de Implantação do Curso Mariza Russo – Coordenadora – Reitoria/UFRJ Eliana Taborda Garcia Santos – SiBI/UFRJ Paula Maria A. 35-37. tendo o projeto recebido toda a aco- lhida na gestão do prof. O incentivo institucional ao Curso começou a ser expresso na reitoria do prof. A 1ª turma do Curso foi programada para ingressar no 2º semestre de 2006. para levar a termo o empreendimento. da direção da Facc e da coordenação do SiBI.

Eduardo Mach – EQ/UFRJ Profa Vânia Hermes Araújo – Hermes Consultoria 12 Introdução . Assessoria Profa Aracéli Cristina de Sousa Ferreira – Facc/UFRJ Profa Clotilde Ramona Paez – Facc/UFRJ Profa Denise de Lima Fleck – Coppead/UFRJ Prof.

UNIDADE 1

Dado x informação x conhecimento3

“É por várias razões que defendo uma abordagem
ecológica para o gerenciamento da informação.
Para começar, é difícil definir informação. Tome-se
a velha distinção entre dado, informação e conhe-
cimento. Resisto em fazer essa distinção, porque
ela é nitidamente imprecisa” (Thomas H. Daven-
port, 1998).

A conceituação dos termos DADO, INFORMAÇÃO e CONHECIMENTO me-
rece grande reflexão dos estudiosos das áreas de Bibliotecono-
mia e Ciência da Informação, visto que seus significados não são
tão distintos e, por vezes, se confundem pela proximidade de sua
aplicação em um determinado contexto. Eles formam, ainda, um
sistema hierárquico de difícil delimitação, pois algumas vezes, o
que é um dado para um indivíduo pode ser informação ou conhe-
cimento para outro. Além disso, estes termos se constituem em
elementos básicos do processo de comunicação e da tomada de
decisões nas organizações e, ainda, são imprescindíveis para fun-
damentar as discussões de outros tópicos das referidas áreas.
O termo dado aparece com mais frequência na literatura das
áreas de Ciência da Informação e de Informática, do que na de
Biblioteconomia.
Dentre suas definições, destaca-se a de Miranda, como “um
conjunto de registros qualitativos ou quantitativos, conhecido,
que organizado, agrupado, categorizado e padronizado adequa-
damente transforma-se em informação” (1999, p.285).

3. Texto baseado em diversos documentos sobre o tema, principalmente em: VA-
LENTIM, Marta Lígia Pomim. Inteligência competitiva em organizações: dado,
informação e conhecimento. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação,
v.3, n.4, ago. 2002.

14 Dado x informação x conhecimento

Para Davenport (1998, p.19), dados são elementos brutos,
sem significado, desvinculados da realidade; correspondem a
“observações sobre o estado do mundo”, são símbolos e imagens
que não dissipam nossas incertezas.
Setzer (2001) define dado como “uma abstração formal que
pode ser representada e transformada por um computador”, ou
seja, como uma sequência de símbolos quantificados ou quan-
tificáveis. Para o autor, um texto é um dado, na medida em que
as letras são símbolos quantificados. Também são dados: fotos,
figuras, sons gravados e animação, pois todos podem ser quan-
tificados.
Os dados podem ser totalmente descritos por meio de repre-
sentações formais, estruturais. Por serem quantificados ou quan-
tificáveis, eles podem ser armazenados em um computador e pro-
cessados por ele, o que é feito por meio de programas.
Dados incluem os itens que representam fatos, textos, grá-
ficos, imagens estáticas, sons, segmentos de vídeo analógicos ou
digitais etc.
Em suma, dados são sinais que não foram processados, cor-
relacionados, integrados, avaliados ou interpretados de qualquer
forma, e, por sua vez, representam a matéria-prima a ser utilizada
na produção de informações.
O termo informação, conceituado por vários autores, encon-
tra na visão de Wurman (1995) a ideia de que o mesmo só pode
ser aplicado àquilo que leva à compreensão.
Miranda (1999, p.285) conceitua informação como sendo
“dados organizados de modo significativo, sendo subsídio útil à
tomada de decisão”.
Para Drucker, informações são dados com significado; “são
dados dotados de relevância e propósito” (DRUCKER 1988 apud
DAVENPORT, 1998, p.18).
Informações são dados contextualizados, que visam a forne-
cer uma solução para determinada situação de decisão (LUSSA-
TO, 1991).
Com base nos autores mencionados, conclui-se que a infor-
mação pode ser entendida como dados processados e contextua-
lizados, mas para Sveiby (1998), contrariamente, a informação é
considerada como “desprovida de significado e de pouco valor”.

Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 15

Já para Malhotra (1993 apud ANGELONI.4 Segue-se um outro exemplo.br/iatros/Saber. para uma pessoa que não conhece chinês isso é um conjunto de puros dados. A frase “Paris é uma cidade fascinante” é um exem- plo de informação – desde que seja lida ou ouvida por alguém que conheça Paris. Considerando que todas essas colunas estão escritas em chinês.vademecum.htm 16 Dado x informação x conhecimento . O título da coluna 2 esclarece que esta coluna tem o nome dos meses em que a temperatura fica na média do ano nessas cidades. O título da coluna 1 esclarece que esta coluna tem nomes de cidades na China. que está na mente de alguém. representando algo significativo para essa pessoa.com. representando algo significativo para uma pessoa”. pode ser armazenada em um com- putador. “in- formação é uma abstração informal. FONTE: http://www. FONTE: SETZER. desde que “Paris” signifique para essa pessoa a capital da França e “fascinante” tenha a qualidade usual e intuitiva as- sociada com essa palavra. 2003). Porém. ela representa “a matéria-prima para se obter conhecimento”. o que é armazenado na máquina não é a informa- ção. O texto a seguir é usado para ilustrar a ideia de que infor- mação é uma abstração informal. que pode definir um pouco mais esses conceitos: Imagine uma tabela com três colunas e títulos es- clarecendo o significado de cada coluna e que te- nha várias linhas. 2001. que está na mente de al- guém. 4. como na frase sobre Paris. porém para uma pessoa que conhece chinês isso é uma tabela contendo in- formações. conhecido como “Alegoria de Searle”.5 Com base nestes conceitos. mas a sua representação em forma de dados. Machado (2002) afirma que. 5. Se a representação da informação for feita por meio de da- dos. O título da coluna 3 esclarece que ela informa a temperatura média em graus ocorrida no ano anterior.

por exem- plo. usada na área de Informática. sua relevância e sua importância” (DAVENPORT. possivelmente combinando- as de forma a gerar mais conhecimento. assim como os anteriores. a expressão “processamento da informação”. de algo que foi experimentado. através da frase “eu visitei Paris. O conhecimento pode então ser considerado como a infor- mação processada pelos indivíduos. distorce e usa a informação de acordo com suas características pessoais. vivenciado.” Setzer (2001) caracteriza conhecimento como uma abstra- ção interior. então. Também não depende apenas de uma interpretação pessoal. ou seja. como a informação. apresenta diversas conotações. O termo conhecimento. p. de acordo com seus modelos mentais (Id. está estritamente relacionado com a percepção do mesmo. Para isso é necessário reduzi-la a dados. logo eu a conheço” (fazendo menção ao exemplo apresentado).) é valiosa precisamente porque alguém deu à in- formação um contexto. Desta forma. por alguém. Desmistifica-se. Parte da diferença entre estes conceitos reside no fato de um ser humano poder estar consciente de seu próprio conhecimento. pois não é possível processar informação diretamente em um computador. Para Davenport (1998. (1995. pois requer uma vivên- cia do objeto do conhecimento.. uma interpretação”. que codifica. ser definido como sendo “infor- mações que foram analisadas e avaliadas sobre a sua confiabilida- de. 1998). está no âmbito puramente subje- tivo do homem. citado por Gonçalves. não pode ser desvinculado do indivíduo. Merton. o conhecimento não pode ser descrito. p. 311) ressalta que o conceito de conhecimento possui um sentido mais complexo que o de informação: “Conhecer é um processo de compreender e in- ternalizar as informações recebidas. dessa forma. Sendo assim. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 17 . Conhecimento pode. pessoal. o que se descreve é a informação. Davenport apresenta uma diferenciação entre dado.). um significado.. “conhecimento é a informação mais valiosa (. informa- ção e conhecimento (Quadro 1). decodifica. sendo capaz de descrevê-lo em termos de informação.19).

na prática. mente humana. com valor significativo atribuído ou agregado a ele e com um sentido natural e lógico para quem usa esta informação. síntese. que define seu sentido e relevância. útil. De difícil captura em má- máquinas. 1998.. FONTE: DAVENPORT. organizacional ou qualquer outra forma de realidade. de a mediação humana difícil transferência. Requer unidade de De difícil estruturação. mas ainda não é conhe- 18 Dado x informação x conhecimento . Informação valiosa da sobre o estado do mundo. que tomado isoladamente não transmite nenhum conhecimento. Informações são dados contextua- lizados e com um sentido determinado. quinas. O dado é entendido como um elemento da informação. não contém um significado claro. informação e conhecimento. Esta distinção fica mais complicada quando se tenta identificar os limites de cada um dos conceitos e se percebe que os três são intimamente interligados. Facilmente estruturado. pode ser chamada de conhecimento. além de servir como conexão entre os dados brutos e o conhecimento que se pode eventualmente obter”.18. Facilmente transferível. p. Quantificado com frequência. análise. pois para eles “informação. Exige necessariamente Frequentemente tácito. Dados se tornam informações quando são organiza- dos de acordo com preferências e colocados em um contexto. Já. ou seja. tratado. psicológico. é um termo que envolve os três. a informação é todo o dado trabalhado. números ou dígitos. social. vância e propósito. ção ao significado. Facilmente obtido por Exige consenso em rela. Quando a informação é trabalhada por pessoas e pelos recur- sos computacionais. Não é uma tarefa fácil distinguir. Quadro 1 – Dado X Informação X Conhecimento Dado Informação Conhecimento Simples observações Dados dotados de rele. possibilitando a geração de cenários. Davenport (1998) dá maior ênfase ao termo informação. um conjunto de letras. simula- ções e oportunidades. Em seu estudo.. Inclui reflexão. São representações do mundo – quer seja físico. o que vem a ser dado. Magalhães (2002) salienta a diferença entre os conceitos como: dados são afirmações sobre a realidade ou sobre outros dados. contexto.

cimento. Informação se transforma em conhecimento quando há
uma interação humana capaz de absorvê-la e relacioná-la com
outros conhecimentos, fazendo com que seja internalizada, trans-
formando-a em parte de um sistema de crenças próprio. Conhe-
cimento é a máxima utilização de informação e dados acoplados
ao potencial das pessoas, suas competências, ideias, intuições,
compromissos e motivações.
O processo de construção de conhecimento científico envolve
os dados, os quais representam a “matéria-prima” bruta, a partir
dos quais as operações lógicas criam informações e, finalmente,
estas últimas são interpretadas para gerar conhecimento. É o que
está resumido na Figura 1.

Figura 1 – Processo de Construção do Conhecimento Científico

FONTE: http://www.vademecum.com.br/iatros/Saber.htm

O conhecimento é frequentemente dividido em duas cate-
gorias: 
CONHECIMENTO EXPLÍCITO: é o conhecimento que está registrado
em livros, revistas, artigos, documentos de um modo geral.
Este conhecimento é fácil de articular, manipular e transmitir. 
CONHECIMENTO TÁCITO: é o conhecimento que existe na cabeça
das pessoas, acumulado em função da experiência que cada
uma adquiriu ao longo de sua vida.

O conhecimento tácito é o mais valioso e o mais difícil de
capturar e transmitir. Há até quem afirme que o conhecimento
explícito pode ser facilmente confundido com informação pura e
simples, e que somente o conhecimento tácito representa o ver-
dadeiro conhecimento.
Estudos indicaram que a melhor forma de transmitir conhe-
cimento tácito é pelo contato direto entre as pessoas, por meio de
interações e da convivência, e da comunicação oral, cara a cara.

Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 19

O problema com o conhecimento tácito é que, por estar vin-
culado diretamente a pessoas, é difícil de ser absorvido por uma
organização inteira. Frequentemente, representantes de organi-
zações que lidam com informação falam em seus discursos que
seus funcionários são o seu maior ativo. O que eles querem dizer é
que a maior riqueza de suas instituições é o conhecimento tácito,
traduzido em ideias, julgamentos, talentos individuais e coletivos,
relacionamentos, perspectivas e conceitos, conhecimento armaze-
nado na mente das pessoas ou inserido em produtos, serviços e
sistemas. Esse conhecimento é que faz com que as organizações
se diferenciem umas das outras e se destaquem no mercado com-
petitivo do Ambiente 21.

Referências
ANGELONI, M. T. Elementos intervenientes na tomada de decisão. Ciên-
cia da Informação, Brasília, DF, v. 32, n. 1, jan./abr. 2003.
DAVENPORT, T. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não bas-
ta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998.
GONÇALVES, M. A. Os papéis do gerente e a qualidade da informação
gerencial. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 19., 1995,
João Pessoa. Anais... Rio de Janeiro, 1995. v. 1, p. 309-325.
LUSSATO, B. La théorie de l´empreinte. Paris: ESF, 1991.
MACHADO, F. B. Limitações e deficiências no uso da informação para
tomada de decisões, Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo,
v. 9, n. 2, abr./jun. 2002.
MAGALHÃES, J. A. P. de. Um framework multiagentes para busca e fle-
xibilização de classificação de documentos. 2002. Dissertação. (Mestrado
em Informática). PUC-Rio, Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: http://
www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0024128-02. Acesso em:
17 fev. 2008.
MIRANDA, R. C. da R. O uso da informação na formulação de ações es-
tratégicas pelas empresas. Ciência da Informação, Brasília, DF, v. 28, n. 3,
p. 284-290, set./dez. 1999.
SETZER, V. W. Dado, informação, conhecimento e competência. In:
. Os meios eletrônicos e a educação: uma visão alternativa. São

20 Dado x informação x conhecimento

Paulo: Escrituras, 2001. (Coleção Ensaios Transversais, v. 10). Disponível
em: www.ime.usp.br/~vwsetzer. Acesso em: 5 ago. 2006.
SVEIBY, K. E. A nova riqueza das organizações: gerenciando e avaliando
patrimônios de conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Inteligência competitiva em organiza-
ções: dado, informação e conhecimento. DataGramaZero – Revista de
Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v.3, n.4, ago. 2002.
WURMAN, R. S. Ansiedade de informação: como transformar informação
em compreensão. 5. ed. São Paulo: Cultura Editores, 1995.

Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 21

consequentemente.32. DF. entre o que se diz e o que os outros ouvem. Brasília. entre o que as pessoas ouvem e o que entendem. sendo o conheci- mento a informação dotada de valor. informações e conheci- mentos de significados não é um processo tão simples como pa- rece. no de: ANGELO- NI. Pereira e Fonseca (1997) e Davenport (1998) entendem como relevantes para amenizar as distorções no pro- cesso de comunicação:  existem diferenças entre o que se quer dizer e o que realmen- te se diz. Características individuais. jan. n. entre o que lembram e retransmitem. v.1. Para Angeloni (2003). dotar dados. A autora pondera sobre a visão de Davenport (1988). 6. Angeloni (Id. Elementos intervenientes na tomada de decisão. acarretando muitas vezes distorções individuais que poderão ocasionar problemas no processo de comunicação. informação e conheci- mento é de fundamental importância para entender o PROCESSO DE COMUNICAÇÃO. de que uma das características da informação consiste na dificuldade de sua transferência com absoluta fidelidade. 22 O conhecimento e o processo de comunicação . entre o que enten- dem e lembram. Ciência da Informação. No seu estudo. O conhecimento e o processo de comunicação6 “Uma pessoa para compreender tem de se transfor- mar” (Antoine de Saint-Exupéry). Maria Terezinha. 2003. interferem na codificação/decodificação desses elementos./abr. Elaborado com base em diversos documentos. a trans- missão é ainda mais difícil.) ainda ressalta as considerações que Lago (2001?). principalmente. e. A distinção entre os conceitos de dado. que formam o modelo mental de cada pessoa.

é con- tingente. p. as pessoas só escutam aquilo que querem e como querem. por- que o nosso modo de viver nos induz a um estreita- mento perceptivo e a uma visão de mundo restrita e fragmentada e que as necessidades das pessoas em relação à informação mudam constantemente porque a percepção. a autora conclui que. as informações e os conhecimentos. O exemplo. no processo de codificação/decodifi- cação. decodificação e distorção na transformação do dado em informação e da informação em conhecimento. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 23 . zero quilômetro. Sempre que quisermos apreender mais informa- ções do contexto em que estamos inseridos. de acordo com suas próprias experiências. 226) que afirmam que: A apreensão da informação é uma função cognitiva superior que se processa no âmbito da linguagem. informações que procuram. temos que ampliar as nossas habilidades perceptivas. conversível. Com isso.  existem informações que os indivíduos não percebem e não veem. informações que veem e não usam. Diferentes pessoas diante de um mesmo fato ten- dem a interpretá-lo de acordo com seus modelos mentais. além de ser individual. último tipo. Angeloni (Id. totalmente destruído em um acidente. neste processo. informações que veem e não entendem ou não decodificam. a seguir. mas sim a aceitação de que.  o estado de espírito e o humor das pessoas podem afetar a maneira como as mesmas lidam com a informação. informações que veem e não ligam. o maior desa- fio não é o de obter os dados. informações que adivinham. paradigmas e pré- julgamentos.) destaca a opinião de Pereira e Fonseca (1997. ilustra a interferência das pessoas na codificação. as distorções ocorrem e que se deve estar atento a este fato para procurar amenizá-las. que as levam a percebê-lo de forma dife- rente: um carro BMW.

Segundo Ferreira (2008). 2003. deco- dificado e distorcido da seguinte maneira: algumas pessoas serão levadas a decodificar as informações baseadas em seus valores materiais: “Logo um carro tão caro! Será que ele está segurado?” Enquanto ou- tras pessoas.7 Autores de renome na área de administração. 2003. Nonaka e Takeuchi (1997). in- formação e conhecimento estão estritamente relacionados com sua utilidade no processo decisório e ligados ao conceito de CO- MUNICAÇÃO. Este fato pode ser codificado. são unânimes em apontar que os conceitos de dado. em grupos sociais em particular. informações e conhecimentos são transmitidos de um emissor para um receptor. no qual o motorista bateu em uma árvore centenária derrubando-a. com valores humanos mais aguçados. 7. 24 O conhecimento e o processo de comunicação . Stewart (1998) e Sveiby (1998). como Daven- port (1998). desde a Antiguidade (Figura 2). Figura 2 – Processo de Comunicação de Aristóteles FONTE: BONINI. O processo de comunicação – seja na sociedade como um todo. o ato da comunicação corresponde ao processo de emissão. terão seu foco no ser humano: “Será que o acidente resultou em feridos?” Outras pessoas com interes- ses ecológicos ainda terão suas atenções voltadas ao destino da árvore centenária: “Logo nesta árvore! Não poderia ter sido em uma outra BMW?”. transmissão e recepção de mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados. FONTE: ANGELONI. Angeloni (2003) descreve o processo de comunicação como uma sequência de acontecimentos no qual dados. assim como na interação entre dois indivíduos – sofre influência do modelo proposto por Aristóteles.

Para Luongo Medina (1991). A combinação destes formatos dá origem aos diferentes tipos de mídias como o livro.). o filme. Este processo. sons etc. que recebe a mensagem e um CANAL. por telefone etc. dificultando o processo de comunicação (como preconceitos. ocorre em um contexto social – o meio am- biente – o qual está sujeito a BARREIRAS. como o registro da informação/mensagem feito geralmente em linguagem natural – escrita ou falada. denominado por Vickery (1973) como TRANS- FERÊNCIA DA INFORMAÇÃO. entre outros. chats). O canal pode se configurar em uma conversa pessoal (face a face. o qual pode sofrer influências que o le- vem a reter ou a distorcer a mensagem. Figura 3 – Processo de Comunicação FONTE: Adaptado de LUONGO MEDINA. imagens visuais. O canal consiste no meio de transporte da mensagem do emissor para o receptor. em um registro impresso (enviado pelo correio). a questão da barreira que se constitui em um fator que dificul- ta o tráfego da informação entre emissor e receptor. que por sua vez interferem diretamente no seu fluxo. motivação. processador da informação. gravura) ou em um registro eletrônico (e-mail. a fotografia. a revista. O autor também destaca. que envia a MENSAGEM. Este é o que recebe a informação. por onde a mensagem – ou a informação – é veiculada (Fi- gura 3). em uma manifestação artística (pintura. O modelo de Aristóteles influenciou o que Luongo Medina (1991) discute em seu estudo e que se baseia em um EMISSOR. Tais barrei- ras podem se apresentar como: incapacidade das pessoas ao se Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 25 .) ainda focaliza a MÍDIA. 1991. autoridade etc.). no processo de comunicação. é o indivíduo que emite a mensagem que espera ser recebida por outro – o receptor. o disco. um RECEPTOR. o emissor tem o papel social de gerador. Neste processo. escultura. Luongo Medina (Id.

quando da criação desta ciência. O modelo de Shannon e Weaver (1962) – em uma visão sim- plista – se constitui de um processo em que o emissor comunica uma mensagem ao receptor. das religiões etc. relutância em divulgar dados. simbologias. portanto. linguagem especia- lizada de grupos de trabalho. idiomas diferentes. de arte. receptor. tendo servido. 2005). ainda. a transferência da informação. SINAL. Os conceitos de emissor. Weaver. Shannon e W.com. CÓDIGO. Figura 4 – Processo de Comunicação de Shannon e Weaver FONTE: http://www. Este modelo – também conhecido como “teoria da informação” – foi concebido como um modelo matemático de transmissão de sinais elétricos – um conjunto de informações quantificáveis que transi- tava de um lugar para outro.br/oratoria/oratoria020. Esses dois cientistas introduziram. para influen- ciar a explicação teórica da Ciência da Informação.htm Para Ferreira (2008). por C. 26 O conhecimento e o processo de comunicação . ainda. Um dos modelos de comunicação mais influentes é o que foi desenvolvido. o conceito de RUÍ- DO – que se constitui em uma fonte de interferência – ou seja. dos esportes. em 1949. CODIFICAÇÃO. Estas barreiras podem difi- cultar o processo de comunicação e. são derivados deste modelo e utilizados em muitos estudos sobre o processo de comunicação (Figura 4). em tudo aquilo que possa atrapalhar o entendimento da informação a ser transmitida (FIGUEIREDO. E.expressarem. ruído é qualquer fonte de erro ou de perda de fidelidade na transmissão e recepção de mensagens.ceismael. DECODIFICAÇÃO. na década de 1960.

Nunes (1973) ressalta a especificação de David C.  Canal – meio empregado para a comunicação. com suas diferenças de inter- pretação (codificação e decodificação). uma matéria” (ESCARPIT. então. Por outro lado.  Mensagem – o que é transmitido.) para explicar o significado e a importância dos ingredientes acima. medida da comunicação. 2004). Joe sente que Mary é a moça que deve levar ao piquenique. Suponha que seja a manhã de sexta-feira. um mecanismo. utilizados para apresentar uma situação comum de comu- nicação: Duas pessoas conversando. é um dos meios que o homem utiliza para conseguir esta integração.  Estilo – forma. e que a informação é um produto. na medida em que este sofre influências do homem. que ocorrem de forma tão comum neste processo. Com base na análise do modelo de Shannon e Weaver. que se incorreu em um engano conceitual ao se considerar análogos os conceitos de informação da teoria matemática da transmissão de sinais elétri- cos e o do processo de comunicação humana. uma substância.  Por que – motivo ou objetivo da comunicação. a sociedade em que se vive hoje exige que o homem se integre ao dinamismo de seu cotidiano. tais como:  Quem – transmissor da comunicação. Um exemplo – também criado por Berlo – é citado por Nunes (Id. 11) enuncia seu conceito de comunicação como “o processo intermediário que permite a troca de informações en- tre as pessoas”. Resolve con- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 27 . Le Coadic (2004) ressalta.. sob pena de se tornar um marginal. O processo de comunicação humana. p. no entanto. Frente a toda esta discussão.  Com quem – receptor da comunicação. De repente. Berlo so- bre os ingredientes do processo de comunicação. 1990 apud LE COADIC. Joe e Mary encontram-se no café local. Le Coadic (Id. o autor apresenta as conclusões de Escarpit de que “a comunicação é um ato. um processo. podendo até ser hostilizado. Há um piquenique marcado para do- mingo à tarde.

In: CONGRESSO VIRTUAL DE COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL. Referências ANGELONI. T.1. A. domingo?” A mensagem é transmitida por ondas sonoras. 1998. Revista de Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada. 2003. Elementos intervenientes na tomada de decisão. E. neste tópico. jan. Ed. B. 19. vidá-la. de H. São Paulo. J. 2008. O mecanismo auditivo de Mary é o decodificador. DAVENPORT. pois. p. para que Mary a receba. DF. Seu sistema nervoso central ordena ao seu mecanismo vocal que cons- trua uma mensagem para exprimir o objetivo. servindo como codificador. decodifica-a em impulso nervoso e a remete ao sistema nervoso central. pronto para agir como fonte de comunicação – tem o objetivo de fazer com que Mary concorde em acompanhá-lo no domingo. Ela ouve a mensagem de Joe./abr. de. FERREIRA. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não basta para o sucesso na era da informação. A importância da comunicação interna nas organi- zações. 1. São Paulo: Futura. M. Brasília. n. através do ar. Ciên- cia da Informação. que responde a men- sagem. Revisado conforme Acordo Or- tográfico. Aurélio: o dicionário da língua portuguesa. v. O mecanismo vocal. FIGUEIREDO. v. O desafio consiste em buscar amenizar as distorções que ocorrem nesse processo para que este obtenha o êxito esperado na comunicação. 28 O conhecimento e o processo de comunicação . Joe está. pode-se concluir que no processo de comunicação torna-se importante buscar a apre- ensão da informação e que para isso as pessoas devem procurar ampliar suas habilidades perceptivas. T. Joe precisa criar uma mensagem. A. n. É este o canal. Especial.Vínculo de comunicação e gênero textual: noções conflitan- tes. H. quer ir comigo ao pi- quenique. para se situar de maneira correta dentro do ambiente informacional. pro- duz esta mensagem: “Mary. 2003. Rio de Janeiro: Positivo. BONINI. 65-89. Com base no que se viu.32.

STEWART. LE COADIC. Rio de Janeiro.com. 1997.2.. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. O estilo na comunicação. A. 1997. 2008. Disser- tação. São Paulo: Makron Books. A. G.. J. 2006. Information systems. A.. Geração. Universidade Federal do Rio de Janeiro. 1998. Disponível em: http://www. 1973. C. C. University of Illinois Press.br/cgi-rh/bamco/db. (Mestrado em Ciência da Informação). A nova riqueza das organizações: gerenciando e avaliando patrimônios de conhecimento. fluxo e uso da informação em ocupações de agências de turismo do Rio de Janeiro: estudo preliminar. Rio de Janeiro: Campus. Rio de Janeiro: Campus. 2005. A Ciência da Informação. Rio de Janeiro: Agir. VICKERY. P. 2. LAGO. NONAKA. 2001?. R.br/2convicomco municacaointernaEmanuel. FONSECA. H.matrix. Acesso em: 5 ago. 2004. Acesso em: 21 mar. B. G. NUNES. DF: Briquet de Lemos/Livros. 1998. London: Butterworths. Urbana-Champaign. TAKEUCHI. 1973.rh. L.pl.. SVEIBY. W. Comunicação: uma perspectiva abrangente.com. E. B.htm. 1991. Ill. I. ed. PEREIRA. Faces da decisão: as mudanças de paradigmas e o poder da decisão. Capital intelectual: a nova vantagem competitiva das em- presas. Disponí- vel em: http://www. K. LUONGO MEDINA. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 29 . 1991. Brasília. Rio de Janeiro: Campus.. jul.contexto. T. SHANNON. The mathematical theory of communication. J. M. Escola de Comunicação. WEAVER. M. M. Y. 1962.

quando o homem buscava se comunicar por meio dos desenhos nas cavernas (pinturas rupestres). na Mesopotâmia. com a comunicação escrita. Este processo – semelhante ao de um sistema econômico – apoia a representação do CICLO DA INFORMAÇÃO de Le Coadic (Figura 5). O advento da escrita – desenvolvida pelos sumérios. com a finalidade de produzir. por Gutenberg. O ciclo da informação “O próximo ciclo de riquezas será o ciclo da infor- mação” (Jean Paul Getty). instalando mais expressivamente o CAOS DO- CUMENTÁRIO. é classificado em impresso ou eletrônico. em qualquer tipo de suporte. no Egito. rádio ou televisão. (escrita cuneiforme). no Séc.000 a. por seu tipo de suporte.C. A informação para Le Coadic (2004) é entendida como um conhe- cimento registrado em forma escrita (impressa ou digital). com o crescimento das invenções e das revistas científicas. XV. levando ao surgimento de estudos sobre as formas de armazenamento e de recuperação de informações relevantes para o homem. sendo o DOCUMENTO o objeto maior portador da informação. o exemplo mais banal de informação é a notícia veiculada por um jornal. O documento. distribuir e consumir informações de seu interesse. Para o autor. No mundo do pós-guerra. oral ou audiovisual. Nesse contexto. 30 O ciclo da informação . deu origem à comunicação escrita. ocorre o fenômeno conhecido como EX- PLOSÃO DA INFORMAÇÃO. Esse fenômeno teve como uma de suas consequências a multiplicação da informação. o homem procura – cada vez mais – administrar o fluxo da informação.. que foi difundida com a invenção da im- prensa. por volta de 3. O processo de comunicação existe desde a pré-história.

O segundo processo – o de comunicação – corresponde à ati- vidade de disseminação da informação. comunicação e uso da informação se sucedem e se alimentam reciprocamente. este é um processo dinâmico – não possui início e nem fim – e está sempre se autoalimentando através dos proces- sos interativos e intercâmbios comunicativos que envolvem as ne- cessidades de produção. chega-se à seleção das informações. registro. que pode ser de caráter textual. Como se vê. O terceiro processo do ciclo – o uso – compreende a assimi- lação da informação. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 31 . Figura 5 – Ciclo da Informação FONTE: Adaptado de LE COADIC. artistas ou outros tipos de pessoas que geram infor- mações. dando origem a um novo ciclo. Para Tristão. que vai permitir nova produção de informa- ção. aquisição. em qualquer um dos campos do saber. Segundo o autor. quer seja de forma oral. professores. visual. o ciclo da informação é entendido como um processo de transferência de informação e se constitui das seguintes etapas: produção. no espaço virtual. organização. Fachin e Alarcon (2004). sonoro ou tridimensional. Por fim. Esses elementos em ação caracterizam um ciclo informacional. escrita ou. que se constitui na utilização de filtros para recuperar e atender às necessidades de informação da sociedade. Nesse processo é preciso se ter em mente dois fatores indispensáveis: a fidedignidade e a re- levância da informação. insere-se o registro da informação. transmissão e uso da informação. Ainda neste processo. disseminação e assimilação da informação. A construção ou produção da informação refere-se à criação de informações por diferentes atores da sociedade: cientistas. ainda. os três processos – construção. 2004.

uma vez transformada. A informação pode ser conduzi- da de diversas formas. a maneira como o sujeito reelabora in- telectualmente a informação a partir da sua visão de mundo. Esta reelaboração é realizada pelo sujeito. No entanto. televisão. O conhecimento consiste em uma abstração pessoal de acordo com suas experiências. etc. às ideias. jornal. tanto pelo sujeito emissor quanto pelo receptor. pelo rádio. e assim sucessivamente. chega ao receptor. A interlocu- ção desempenha papel preponderante na definição e uso dos signos. p. e este por sua vez a transforma em conhecimento. isto se chama interlocução. esta pode ser interpretada e. Mediados por pessoas na comu- nicação face a face. Esta. computador. telefones. às noções que este compartilha com os demais mem- bros em sociedade: as representações sociais. sons ou animação. Semensatto e Binotto (2006) explicam dessa forma o ciclo da informação: toda informação é gerada por um sujeito e trans- mitida por um canal até chegar a um destino. formando a partir daí uma nova ideia. a um receptor. a partir daí. é repassada para outras pessoas que fazem uso e geram uma nova informação que é transmitida a outros sujeitos. imagens. para eles. Isto é. 11) que apresenta a co- municação como um processo intermediário que permite a troca de informações entre as pessoas. que a tomam como conhecimento e mudam o seu pensamento. o qual – por 32 O ciclo da informação . a mensagem que é transmitida. através de textos. Os autores citam Le Coadic (2004. Esses autores convergem para a assertiva de que o ciclo da informação conduz à produção do conhecimento. adquirir novo sentido. ela é a forma de comunicação entre os sujeitos. dá forma aos pensamentos. formando um ciclo. Ao utilizar a informação. o sujeito que faz uso da informação absorve o conteúdo e modifica o seu estado de pensamento. isto é. A informação faz parte do contexto subjetivo da ação do sujeito receptor e este faz uso conforme as suas necessidades. Esta dinâmica interativa dissemina e gera novas informações. Quando uma men- sagem é enviada. Morigi. o sujeito produz conhecimento.

contribuem para o desenvolvi- mento do conhecimento do homem.sapereaudare. a seguir. O Quadro 2. um dos principais objetivos do Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 33 . sem aplicação de método e sem se haver refletido sobre algo” (BABINI.Conhecimento Popular Filosófico gioso (Teológico) Científico Valorativo Valorativo Valorativo Real Reflexivo Racional Inspiracional Contingente Assistemático Sistemático Sistemático Sistemático Verificável Não Verificável Não Verificável Verificável Falível Infalível Infalível Falível Inexato Exato Exato Aproximadamente Exato FONTE: http://www. estes tipos de conhecimento se encontram interdependentemente ligados ao processo de comu- nicação e. experiências casuais. obtendo conclusões sobre a “razão de ser das coisas”.html O CONHECIMENTO POPULAR. Como exemplo. O homem. Quadro 2 – Tipos de Conhecimento Conhecimento Conhecimento Conhecimento Reli. 1957 apud MATOS.com/antropologia/texto02. superficial. também conhecido como CONHECIMEN- TO EMPÍRICO. “É o saber que preenche a vida diária e que se possui sem o haver procurado. também. re- flexivo. assis- temático e acrítico. corrente e espontâneo de conhecer.sua vez – pode ser classificado em vários tipos. apropria-se de ex- periências próprias e alheias acumuladas no decorrer do tempo. relaciona uma outra tipologia de co- nhecimento definida pelo autor. subjetivo. Segundo o autor. é o modo comum. É o conhecimento gerado para resolver problemas co- muns. que se adquire no trato direto com as coisas e os seres humanos em que as informações são assimiladas por tradição. portanto. Constitui a maior parte do conhecimento de um ser humano. É. que busca os princípios que tornam possível o próprio saber. 2001). Segundo Oliveira (2005). ingênuas. ciente de suas ações e do seu contexto. Alves (2000) denomina este tipo de conhecimento de SEN- SO COMUM. O CONHECIMENTO FILOSÓFICO é um conhecimento mais geral. conforme salienta Matos (2001). por sua vez. sensitivo. tem-se o fato de o homem buscar abrigo nas cavernas.

o conhecimento científico tem as fases de construção. LE COADIC. da UFMG.1. Ciclo e fluxo informacio- nal nas festas comunitárias.). v. TRISTÃO.n. p. DF.. Informação e Sociedade. permite demons- tração e provas e leva à verificação dos resultados. o qual conduz à descoberta. A. n. p. G. de consciência de limites. O CONHECIMENTO CIENTÍFICO é um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos. MORIGI. 2004. que como um ciclo vão se retroalimentando.. D. SEMENSATTO. Esse tipo de conhecimento é o que constitui no maior foco das áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. de (Coord. DF: Briquet de Lemos/Livros. FACHIN. BINOTTO. resulta da investigação científica e da utilização do MÉTODO CIENTÍFICO. 2. OLIVEIRA. Acesso em: 5 ago. São Paulo: Edições Loyola. Y. 2006. ALARCON. A Ciência da Informação. Disponível em: http://www. Este conhe- cimento procura conhecer além do fenômeno. maio/ ago. Belo Horizonte: Ed.: s. 2000.com/antropologia/texto02. 2001. 2004. B. V. 2. v. J. Ciência da Informação. ed. exige autoridade divina e é um conhecimento sistemático do mundo que acredita possuir a verdade sobre as questões fundamentais do homem (Id. O. E.]. 2006. 33.. 161-171. n. R. 2. S. M. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e a suas regras. João Pessoa. 2005.l. Referências ALVES. Conhecimento.. O CONHECIMENTO RELIGIOSO é um conhecimento sistemático. S. 34 O ciclo da informação . comunicação e uso. suas causas e as leis que o regem.16. Brasília.) Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação.html. que se apoia em uma fé ou crença. E. organizados e passíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino. ed. Sistema de classi- ficação facetada e tesauros: instrumentos para organização do conheci- mento. de crítica da ciência e da cultura. Assim como o processo de comunicação definido por Le Coa- dic (2004).conhecimento filosófico é a investigação dos pressupostos. [S. 247-258. MATOS. M. sapereaudare. Brasília. levando à sua propagação.

UNIDADE 2 .

na bibliote- ca. a Museologia e a Documentação como áreas afins8 “Sempre imaginei que o paraíso será uma espécie de biblioteca” (Jorge Luis Borges). está imersa em um campo de pesquisas que se relaciona a documentos impressos e a bibliotecas. arma- zenados e guardados com o fim de preservação patrimonial. em um suporte espacial-temporal (impresso. A Ciência da Informação. Briquet de Lemos/Livros. As primeiras disciplinas que atuavam no campo da infor- mação eram: a BIBLIOTECONOMIA. Fundamentado. sinal elétrico. fazem parte do que se chama de “Indústria da Informação”. no museu. e outras que se uniram a elas. Segundo Pinheiro (2002).. em um conceito res- trito. oral ou audiovisual. 36 A Biblioteconomia e suas relações . ed. 2. utilizou um elemento central – a informação – sem a qual a viabilidade desses processos fica comprometida. 2004). O homem – desde os tempos mais remotos – sempre procurou meios de entender. Le Coadic (2004) apre- senta um conceito mais amplo. em forma escrita (impressa ou digital). Para tanto. como áreas afins . Y. e a peça. a informação. O ponto comum entre elas é que atribuíam muito mais valor ao suporte do que à informação em si mesma. DF. principalmente. A Biblioteconomia e suas relações com a Arquivologia. Brasília. 8. a MUSEOLOGIA e a DOCUMENTAÇÃO (LE COADIC. a ARQUIVOLOGIA. 2004.. foram por muito tempo recolhidos. onda sonora etc). Estas disciplinas. definindo a informação como um conhecimento registrado. preservar e ampliar a sua memória e suas possibilidades de se comunicar. O livro. em: LE COADIC. atualmente.

gestão. conservação).A Biblioteconomia Segundo Le Coadic (2004). no Egito. edifícios etc. pes- soal. classificação. o termo “biblioteconomia” se consti- tui da união de duas palavras – biblioteca e economia – esta no sentido de organização. sons. que fun- daram bibliotecas – como a famosa BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA – na foz do Rio Nilo. materializadas em estantes. como por sua origem: imagens. sa- las. contabilidade. tomou Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 37 . mas também informações em tempo real. instalações. acesso ao acervo. infraestrutura) e c) nos leitores – os usuários (direitos e deveres. Este bibliotecário – erudito e BIBLIÓFILO – dominou a profissão até o início do Séc. Para o autor. Para Le Coadic (Id. empréstimos). quando começaram a se desenvolver as tendências democráticas. Os primeiros bibliotecários eram homens eruditos. b) na própria biblioteca como instituição organizada (regulamento. vei- culadas por redes de comunicação. fun- damentada na filosofia de educação como direito de todos. porque abrigam não somente as obras armazenadas ao longo dos anos. Estas organizações podem ser chamadas de Unidades de Informação. a Biblioteconomia como área do conhe- cimento tem seu foco inicial: a) nos acervos de livros (formação. A evolução da Biblioteconomia tem se caracterizado por duas orientações principais: passando da erudição para o serviço ao público. com a valorização das práticas iguali- tárias. textos. XIX. catalogação. tem-se que a Biblioteconomia compreende as regras de organização de livros ou outros documentos em caixas. tanto por seus suportes. no Séc.). as bibliotecas tradicionais – que conservavam apenas livros – foram sucedidas por organizações – que podem ter outra nomenclatura – e que reúnem acervos dos mais diversifica- dos. Com a propagação das bibliotecas públicas. administração. Eles se ocupavam em reunir e classificar todo o conhecimento registrado em forma documental. desenvolvimento. XIX. Fonseca (2007) apresenta outra composição morfológica do termo: Biblion = livros + theca = caixa + nomos = regra Ampliando-se esta definição morfológica.

na Filadélfia. A ARQUIVÍSTICA do Séc. Atualmente denominadas International Federation of Library Associations and Institutions (Ifla) e Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Cientis- tas da Informação (Febab). A Arquivologia A Arquivologia nasce no Séc. foram criadas instituições. a difusão e a conservação de arquivos (COUTURE. é então: o conjunto de princípios e métodos que regem a criação. XX. em 1876.. uma disciplina no sentido pleno do termo. a descrição. A conceituação da área. respectivamente. a classificação. na medida em que compreende um con- junto de organismos. em 1927. 1998). Na França. Desde então.. como a International Federation of Library Associations (Ifla). a aquisição. do saber e da memória das pessoas físicas e morais (DELMAS. com caráter fortemente histo- ricista. em nível in- ternacional e nacional. a Biblioteconomia é considerada como uma área do conhecimento. 1990 apud JARDIM. o termo “Archivistique” surge nos anos de 1930. Este marco levou a Biblioteconomia a trilhar caminhos dife- rentes. 38 A Biblioteconomia e suas relações . 1998). 1992 apud JARDIM. dos interesses. sob uma perspectiva francesa. Contribuindo para a consolidação da área. 9. nos Estados Unidos. 1980). Esta mudança de orientação – da erudição ao serviço ao público – manifestou-se claramente.9 em 1959. operações técnicas e princípios que dão aos documentos a utilização máxima. que não têm cessado de se diversificar.corpo o ideal de serviço para a comunidade. XIX. e a Federação Brasileira de Associa- ções de Bibliotecários (Febab). como áreas afins . ao ser fundada a American Library Associa- tion (ALA). apon- ta que a Arquivologia é a ciência que estuda os princípios e os procedimentos metodológicos empregados na conservação dos documentos de arquivos. permitindo assegurar a preservação dos direitos. impondo-se ao termo “Archivologie”. em benefício da humanidade (SHERA.

já disponibilizam seus acervos eletronicamente. à classificação. Sua mis- são é transmitir conhecimentos e desenvolver ações culturais por meio de seus acervos. Assim como as bibliotecas e os arquivos. Chamada por Le Coadic (2004) de Museoconomia. desenvolvimento. haja vista a frequência em massa de estudantes e turistas e. à conservação e à exposição de peças de valor histórico. Estes conceitos são legitimados no Brasil também pela Associação dos Arquivistas Brasileiros. con- servação e exposição para cientistas e público em geral). O profissional que atua nos museus – o museólogo – dedica- se à organização. infraestrutura) e c) nos visitantes – os usuários (direitos e deveres. Os arquivos. organização. preservação e utilização dos arquivos. antes praticamente inacessíveis. pois estão abertos à visitação do pú- blico em geral. a lógica da rentabilidade ao se cobrar ingressos para entrada em seus espaços. e esta como a reunião de princípios e técnicas a se- rem observados na produção. ainda. instalações. como analogia à junção dos termos museu e economia. proporcionando aos usuários de qualquer parte do mundo o acesso a documentos históricos. A Museologia10 É definida como a área do conhecimento que se ocupa da orga- nização dos museus. contabilidade. acesso às coleções). guarda. O Dicionário de Termos Arquivísticos do Arquivo Nacional (1992) distingue os dois termos: Arquivologia é definida como a disciplina que tem por objeto o conhecimento dos arquivos e de Arquivística. artístico. os museus hoje têm uma atuação mais arrojada. Tem seu foco: a) nas coleções de objetos e reservas técnicas (formação. 10. influenciados pelas tecnologias de informação. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 39 . deixando de lado a primazia aos cientistas e à guarda patrimonial do acervo. cultural e científico. b) no próprio museu como instituição organizada (regulamento. pes- soal. do pessoal e do público. classificação.

Outro fato relevante foi a criação. A Documentação A partir do crescimento incalculável da informação. a peça de arquivo. Otlet e La Fontaine planejaram criar uma BIBLIOTECA UNIVER- SAL. a qual não reuniria acervos. o disco. Esta classificação oferecia a possibilidade de tratar diferentes tipos de documentos. várias tentativas foram efetuadas para realizar um CONTROLE BIBLIOGRÁFICO UNIVERSAL. Com isso.. Este conceito de documento vem unir – em uma abordagem mais abrangente 11.. assim como todos os produtos do conhecimento gerados no mundo. surgiu a CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL (CDU). mas sim referências de como encontrar produtos de interesse. do conceito de documento – que se estendeu do livro para a revista. deflagrada em toda a Europa e nos Estados Unidos. eventualmente. em movimento. as visitas aos museus se expandi- ram para o plano virtual e a grande maioria dos museus já dispo- nibiliza suas coleções on-line. utilizando para isso as técnicas fundamentais da Biblioteconomia. como áreas afins . localização e obtenção (CAMPELLO. o jornal. no final do Séc. e de outros interes- sados. 40 A Biblioteconomia e suas relações . a ser adotado na indexação dos documentos. 2006). em Bruxelas.11 A iniciativa mais importante coube a dois advogados belgas – PAUL OTLET e HENRI LA FONTAINE – que se preocupavam em poder levar ao conhecimento de todos os cientistas. causado pela Revolução Industrial. a literatura científica. que passou a desenvolver ferramentas para registrar. cuja 1ª edição foi publicada em 1905. e até a outras amostras e espécimes. além dos livros e de outros produtos impressos. com três dimensões e. de forma sistemática e padronizada. também por Paul Otlet. a estampa. a fotografia. Para coordenar tais atividades foi fundado – em 12 de setem- bro de 1895 – o Instituto Internacional de Bibliografia (IIB). objetivando sua identificação. a música. o filme. XIX. as referências dos documentos. a medalha. Um dos primeiros objetivos do IIB era o de desenvolver um sistema de classificação único. Com o advento da Internet. Pressupõe um domínio completo sobre os materiais que registram o conhe- cimento.

que visava fornecer meios de controle para os novos tipos de supor- te do conhecimento. Com a obra de Otlet. em 2005. foi materializada com a criação do MUNDANEUM. constituindo-se em um verdadeiro repertório mundial do conhecimento. também. A esse conjunto de técnicas. Outra grande contribuição da Documentação foi a publicação do TRAITÉ DE DOCUMENTATION.– entidades até então separadas. chamou-se Documentação. visando à sua recuperação pela humanidade. foi instituído. sendo o órgão máximo da área. a importância da organização da informação. que perma- nece atuante até os dias de hoje. descre- vê-los e resumi-los. o IIB foi transformado – em 1931 – em Instituto Internacional de Documentação (IID). nessa obra. todos poderiam ler textos. em 1914. a biblioteca e o museu (BRIET. ainda. Desde 1986. em Haia. 1998). um novo con- junto de técnicas para organizar. amplia- dos e limitados ao assunto desejado. que ressal- tou – entre outras coisas – a identificação dos novos suportes da informação como portadores de memória e. Diante desses novos conceitos. 11 milhões de fichas cata- lográficas. analisar os documentos. se denomina Federação Internacional de Informação e de Documentação (FID). por Paul Otlet. técnicas essas diferentes das usadas na Biblio- teconomia tradicional. O trabalho de Otlet e La Fontaine deixou como legado a cria- ção de novos conceitos como o de documento e de BIBLIOGRAFIA. ainda. projetado em Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 41 . De uma distância. e. em 1910. a Classificação Decimal Universal.. Este organismo – em 1938 – passou a se chamar Federação Internacional de Documentação (FID). que chegou a reunir. em 1934. em virtude do suporte físico – o arquivo. Apesar da criação da Biblioteca Universal de Otlet e La Fon- taine não ter sido implementada. tendo completado 110 anos de criação. a seguinte previsão sobre o acesso ao conhecimento registrado: Tudo no universo e tudo do homem poderia ser re- gistrado na distância em que foi produzido.. da forma como foi idealizada. 1953 apud JARDIM. Paul Otlet apresenta.

2002. uma tela individual. Univer- sitária. SHERA. do Séc. qualquer pes- soa sentada em sua cadeira poderia ser capaz de contemplar a criação. Hagar Espanha (Org. Brasília. 2007. Introdução ao controle bibliográfico. n. V. Y. apud WRIGHT. Referências CAMPELLO.info/internet/o_antepassado_esquecido_ paul_o. 1992.3.. 390-391. 27. A Ciência da Informação. João Pessoa: Ed. O campo da Ciência da Informação: gênese. Dessa forma. Gênese da Ciência da Informação: os sinais enun- ciadores da nova área. de (Coord. O antepassado esquecido: Paul Otlet. 42 A Biblioteconomia e suas relações . Ciência da Informação. da UFMG. 1934. o Mundaneum. 2. Brasília. PINHEIRO. 2. R. OLIVEIRA. H. p.extralibris. 19??. WRIGHT. S. 61-86. Disponível em: http://tecnologica. M. Miriam A. M. A produção de conhecimento arquivístico: perspectivas internacionais e o caso brasileiro (1990-1995).html. Rio de Janei- ro: Arquivo Nacional. 2006. J. 2004.). JARDIM. In: AQUINO. ed. ed.).ed. como áreas afins . B. 90-105. Brasília. Sobre biblioteconomia. 19??). DF. 2007. LE COADIC.C. esta previsão de Otlet pode reunir sob um único objetivo – o acesso ao conhecimento – a Biblioteca de Alexandria. DF: Briquet de Lemos/Livros. XX. 1980. 2005.. Brasília. p. DF: Briquet de Lemos/Livros. L. Acesso em: 26 mar. documentação e ciência da infor- mação. do Séc. Ciência da informação ou in- formática? Rio de Janeiro: Calunga. Alex. III a. conexões e especificidades. N. v. DF: Briquet de Lemos/Livros. Belo Horizonte: Ed. Sob a ótica de uma linha de tempo. XIX e a Internet do Séc. DICIONÁRIO de termos arquivísticos do Arquivo Nacional. como um todo ou em certas partes (OTLET.. Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. E. 1998. 2. In: GOMES. J. FONSECA. p. Introdução à Biblioteconomia. da.

em 288 a. da UFMG. instituída por Ptolomeu I. no fi- nal do Séc. um importante aspecto histórico do desenvolvimento da Ciência da Informação nos Estados Unidos e em outros lugares. Tem-se notícia que seu acervo chegou a alcançar 700 mil rolos de 12. foi orga- nizada sob decisiva influência de Aristóteles. Ciência da Informação e Biblio- teconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. de (Coord. Possuía 10 grandes salas de investigação e leitura. salas de dissecações e observatório astronômico. Principais Bibliotecas A Biblioteca de Alexandria. uma das mais importantes bibliotecas da Antiguidade. XX” (Boy Rayward). 2002). como a criação das bibliotecas que mais se destacaram na história da humanidade. Fundamentado em OLIVEIRA. M. 2005.C. horto. zoológico. XIX. na segunda metade do Séc.. Belo Horizonte: Ed. A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade12 “A aventura bibliográfica iniciada na Bélgica. Esta biblioteca foi criada com a finalidade de reunir e classi- ficar todos os conhecimentos registrados em forma documental. vários jardins. A Biblioteconomia – como uma das mais antigas disciplinas que se ocupa do acesso à informação e de sua transmissão para os povos futuros – apresenta grandes marcos. pode muito bem ser considerada. em retrospecto. tendo como modelo o clássico GYMNASIUM (CHASSOT.). Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 43 .

Esse complexo foi devastado em diferentes momentos. ain- da. cabe destacar as bibliotecas da Idade Média. instalados em 11 níveis distintos. na qual os persas arrasaram totalmente Alexandria (CHASSOT. dos quais. em função da classificação internacional. sete estão acima da superfície e quatro subterrâneos. laboratórios de restauração e um moderno planetário construído pela França. quando socializado. A coleção – com ca- pacidade para abrigar oito milhões de itens – está distribuída por temas. de códices – apresentados em folhas de pergaminho – passam por uma grande evolução.) e termina com uma guerra. por meio de acesso local ou virtual (Id.). no Oriente.000 m2. Em 1990. sob a liderança da Universidade de Ale- xandria. No ano de 1974. dos quais 37. no Ocidente. em 2002. também 44 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade . de fenômenos naturais (incêndios) e. inseridas nos conventos e nos mosteiros. a Ciência e a Cultura (Unesco) – para construção de uma nova biblioteca. devido ao medo de que o saber. em 1995. O custo total da obra girou em torno de US$ 220 milhões e. desencadeou-se um projeto internacional – apoiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação. cujos acervos eram constituídos de coleções de tijolos de argila.405m2. no ano de 619. os demais se destinam a um Centro Cultural. e o surgimento da Imprensa. de rolos de papiros. Sua destruição começa com o pri- meiro grande incêndio (47 a.000m2 são exclusivos para a biblioteca. foi assinada a Declaração de Assuã para a recuperação da instituição e. influenciadas por grandes invenções como a manufatura do papel. um Mu- seu Arqueológico. foi colocada a primeira pedra da imponen- te construção. Na biblioteca. o que poderia equivaler de 100 a 125 mil livros impressos de hoje.C. a nova biblioteca foi inaugurada. Cerca de dois mil leitores podem usar simultaneamente as salas. dotados de refrigera- ção e modernos equipamentos tecnológicos. além de outros serviços técnicos (Id. inserida em um imponente complexo com uma área total de 84. há uma grande sala de leitura com cerca de 20. um Museu de Ciências. dimi- nuísse o poder dos déspotas. 2002). em função de guerras. Com foco no cenário cristão. As bibliotecas da Antiguidade. um Museu de Manuscritos – com mais de oito mil documentos de grande valor –.).papiro.

que simboliza o bibliotecário pedindo silêncio na biblioteca. cujo acesso era restrito ao clero e a alguns nobres. Esse gesto tem origem nos sinais trocados entre os monges copistas. Uma das características das “bibliothecas modernas” é a acessibilidade dos livros ao público. em Ferrara. Como retratada no romance O nome da Rosa. ilustrar.14 Exemplos dessas bibliotecas são a dos Estes.conhecidas como BIBLIOTECAS MONÁSTICAS. Battles (2003) descreve com primor a magia desse cenário: Reunidos aos milhões. monacais ou conven- tuais. que tinham que obedecer às ordens de silêncio. Por volta de 1500. na qual a própria construção foi realizada – como verdadeiros labirintos – de forma a dificultar o acesso às obras desejadas. a dos Médici. e mesmo a Biblioteca do Vaticano. mais uma vez com o objetivo de registrar todo o conhecimento gerado no mundo. estabelecidas nos mosteiros. Uma curiosidade – que até hoje marca a história da Biblioteconomia – é a do “dedo em riste”. ela. havia mais 13. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 45 . fundada em 1450. possivelmente. pelo Papa Nicolau V. XVI. As palavras de Bill Gates descrevem muito bem esse fato histórico: Antes de Gutenberg. mas como objetos físicos do mundo. lidos e esquecidos. advém das bibliotecas monásticas. na Inglaterra. para ler. traduzir e copiar todo e qualquer manuscrito que chegas- se ao seu poder. os livros de uma biblioteca vão ga- nhando uma vida própria. os copistas refugiavam-se no SCRIPTORIUM. principalmente com o advento da imprensa – considerado como o primeiro grande momento de impacto para a informação – acompanha o surgimento de grandes bibliotecas universitárias. No Renascimento. como a de Oxford. surge um novo tipo de biblioteca. consti- tuído pelas coleções particulares dos humanistas. O Séc. em Florença. não exatamente como textos.13 Nessas instituições. empilhados. por Humberto Eco (2009). puídos. havia uns 30 mil livros em todo continente europeu. a biblioteca dos mosteiros medievais se apresenta como um lugar quase inacessível. 14. a maioria Bíblias ou co- mentários bíblicos. as quais podem ser consideradas como precursoras das bibliotecas modernas.

XVII. destinado a apoiar a organização de bibliotecas: “Advis pour dresser une bibliothèque”. a qual possuía em seu acervo coleções de manuscritos magníficas. e o da Columbia University. em 1876. quem se achava fora da elite eclesiástica teve acesso à informação escrita. no Séc. fato que ocorreu a partir da criação dos primeiros cursos da área. da ALA. As bibliotecas nacionais começam a surgir no Séc. outro grande marco da Biblioteconomia é a criação da BIBLIOTECA DO CONGRESSO. 46 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade .. por Filipe V. Nos Estados Unidos. antes mesmo que ela se constituísse em área do conhecimen- to. 1995. mas é no Séc. levando ao surgimento das bi- bliotecas públicas. fundada em Madrid. que se tornou um dos personagens mais importantes na área. duas vezes destruída pelo fogo e depois reconstruída. a da igualdade entre os homens. XXI. fazendo com que as grandes bibliotecas particulares fossem abertas para consulta do povo. assim como de primeiras impressões valiosas. como a Biblioteca Nacional Espanhola. a publicação do primeiro periódico científico especializado – Library Journal – e do primeiro código de classificação. 19-20). como uma de suas bandeiras. conhecido como “CLASSI- FICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY (CDD)”... na França. A Revolução Francesa também se constitui em um evento importante para a área de Biblioteconomia visto que levanta. (GA- TES. de 9 milhões de livros. como a criação. Pode ser comparada. Este último curso foi criado por MELVIL DEWEY.. à Biblioteca de Alexandria. Estes se constituem em grandes marcos da Biblioteconomia. pelo seu objetivo de reunir todas as in- formações sobre o conhecimento produzido no mundo. em 1821. em 1800. em 1627. escrito por Gabriel Naudé. com a Biblioteca Nacional de Berlim. p. em 1887. Pela primeira vez. por suas inúmeras contribuições. sobre tudo quanto é assun- to. XVIII que são cria- das as grandes bibliotecas nacionais. nos Estados Unidos. como o da Ècole Nationale des Chartes. Outro fato relevante para a área de Biblioteconomia foi a publicação do primeiro livro. em 1712.

Parece ser mais pertinente o conceito de Buonocore (1963). fundamentando-se nos campos da Sociologia e da Educação. o pessoal. XXI. 2005). a segunda. a Biblioteconomia se subdividia em duas subáreas: a técni- ca e a administrativa. Para o autor. a biblioteca é considerada como o foco principal da área e é entendida como uma organização so- cial. o regulamento. Esse conceito é complementado por Targino (2006). organizacionais e 15. o uso. com a maior eficácia e o menor esforço possível. os recursos financeiros. tudo isso para que a biblioteca pudesse atender aos seus usuários com eficiência. aquisi- ção. tendo como foco a Biblioteca em si mesma (OLIVEIRA. que compreende propriedades materiais. organização e administração de bibliotecas. com o local. além da seleção. a classificação e a ordenação das obras nas bibliotecas. organização e disseminação de publicações sob diferentes suportes físicos. a catalogação. a aquisição.Conceituação de Biblioteconomia Um dos primeiros conceitos de Biblioteconomia é emitido pela ALA. os fins específicos das bibliotecas. o termo paradigma quer dizer “um modelo ou padrão de ciência que é compartilhado por uma determinada comunidade”. que define a Biblioteconomia como a área que se destina ao estu- do dos princípios racionais para realizar. Para Thomas Kuhn (1975). definindo-a como uma área voltada para a aplicação prática de princípios e normas à criação. a arquitetura. autores como Francis Miksa apontaram como PARADIGMA da Biblioteconomia a visão da biblio- teca como uma instituição social. Paradigma15 da Biblioteconomia Com base nesse paradigma. como: a área do conhecimento que se ocupa com a orga- nização e a administração das bibliotecas e outras unidades de informação. à luz do Séc. o mobiliá- rio. Com base nesses conceitos. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 47 . A primeira preocupava-se com a seleção.

para isso. Oliveira (2005) aponta que o paradigma da Biblioteconomia que considera a biblioteca como instituição social se apoia em seu papel de “fio condutor” entre os indivíduos e o conhecimento que eles necessitam. A autora ressalta que a aceitação deste paradigma é prejudi- cada por duas grandes questões: a primeira refere-se à preocupa- ção primária com o armazenamento e a conservação dos acervos. Sob esse prisma. no me- nor tempo possível – apontaram para a necessidade de criação de uma nova área do conhecimento que priorizasse o atendimento ao usuário em suas necessidades informacionais. as quais servem para definir suas funções em uma estrutura social. As discussões a respeito dessa fragilidade no paradigma da área de Biblioteconomia – aliadas às necessidades cada vez mais prementes dos usuários. Para se compatibilizar com o cunho social da área. organi- zação. 48 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade . são desenvolvidas atividades de aquisição. em obter informações relevantes. tais como. a função mais importante da biblioteca é possibilitar o uso de sua coleção de documentos a um dado públi- co e. Dentro das propriedades materiais encontram-se as coleções dos documentos e os equipamentos especializados. e as propriedades intelectuais referem-se aos sistemas. o sistema de classificação. os quais deveriam se constituir no foco principal das atividades realizadas. surge a CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. nesse contexto. as proprieda- des organizacionais referem-se às medidas administrativas e de pessoal. considerando o suporte do documento mais importante do que o seu conteúdo.intelectuais. A segunda questão relaciona-se com a valoriza- ção secundária ao atendimento aos usuários. as regras de catalogação e as políticas de seleção. utilizando- se técnicas apropriadas e pessoal qualificado. tratamento e disseminação desses documentos. estes deveriam fazer parte integrante das discussões relativas ao planejamento e ava- liação de todos os produtos e serviços oferecidos.

de que as revistas científicas – que começaram a ser editadas em meados do Séc. que ocorre logo após a Segunda Guerra Mundial. que começaram a surgir em meio ao boom in- formacional presente após a Segunda Guerra Mundial. em 2009. que totaliza.17 Esse cenário traz o foco. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 49 . mais uma vez. O inte- resse dos países mais desenvolvidos pelas atividades de ciência e tecnologia. o número de 1.issn. 17. retra- tando a expansão das revistas científicas. que ocasionou um aumento considerável na ge- ração e nas buscas de conhecimentos. para a preocupação de Otlet e La Fontaine de fazer com que esses documentos pudes- sem estar acessíveis a todos os interessados.A Ciência da Informação (C. Essa previsão foi confirmada pelo cadastro do sistema do International Standard Serial Number (ISSN). explicado por Saracevic (1996) como um problema social que teve seu início com o desenvolvimento das ciências e hoje se estende para todas as atividades humanas.000 de títulos. Como pode ser visto no gráfico. a seguir.773 registros de periódicos. A primeira. dá origem ao fenômeno que foi denominado. XVII – chegariam no Séc.489. ilustra a explosão da informação. de explosão da infor- mação. O gráfico. www. XXI ao número de 1. pelo desenvolvimento de novos conceitos – como o de documento.I. ou Explosão Bibliográfica.831 registros novos. por VANNEVAR BUSH. também. por exemplo – e novas instituições na área – como o IIB – IID – FID. foi realizada uma previsão. em 1994.000. Também conhecida como Explosão Informacional. A influência da Recuperação da Informação é percebida a partir da criação dos sistemas automatizados de recuperação de informações. tendo sofrido grandes in- fluências da Documentação e da RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO.) Segundo Oliveira (2005) a Ciência da Informação tem sua gê- nese no cenário da revolução científica e técnica. 16.org. Só no ano de 2009 foram cadastrados 75.16 Esse fenômeno foi.

18. na procura de uma solução para o problema da explosão da informação. contendo informações que poderiam ser recupe- radas posteriormente.18 Processos de coleta. armazenamento e transmissão de informações. Apesar de a Memex não ter sido criada. “duplicando os processos mentais artificialmente” e. por- tanto. utilizando técnicas como a mecanização e a micro- filmagem. propõe a criação de uma máquina que nomeou de MEMEX. as ideias de Bush deram origem a inúmeras discussões sobre o assunto. 50 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade . Vannevar Bush. proporcionariam o armazenamento de livros e outros documentos. O invento teria a capacidade de associar ideias. mais tarde culminando na invenção dos computadores. um respeitado cientista do Mas- sachussets Institute of Technology (MIT). Gráfico 1 Em 1945. Memex = Memory Extension. apoiaria na tarefa de tornar mais acessível um acervo cres- cente de conhecimento. que durante a guerra havia ocupado o cargo de chefe do esforço científico america- no.

a C. foi definida como: a ciência que investiga as propriedades e o compor- tamento da informação. em uma reunião do Georgia Institute of Technology. Nascida. essa teoria não se importava com o conteúdo ou a finalidade da informação. sen- do os profissionais que se dedicaram a essas tarefas designados com esse título. Também conhecida como Teoria Matemática da Comunicação.. Meadows (1991) indica um outro evento importante: a descrição da TEORIA MATEMÁTICA DA INFORMAÇÃO.I. em 1958. disseminação e recuperação da informação (BUSH.I. 19. formalmente. Borko (1968) reitera a definição de Shera. no Reino Unido. foi a criação do Institute of Information Scientists (IIS).o qual se tornou uma ferramenta indispensável para organização. em 1962. Os cientistas da informação se distinguiam dos cientistas de laboratórios. apontando que essa abordagem relaciona-se com a tarefa de produção. na medida em que os primeiros se constituíam em profissionais de várias disciplinas que se dedicavam às atividades de organizar e suprir de informações seus colegas cientistas de laboratórios. esses dois engenheiros de rádio e telefonia. entendendo o processo de comunicação como a transmissão de uma mensagem entre uma fonte (emissor) e um destino (receptor). I. Porém. as forças que governam o fluxo da informação e os meios de processamento da informação para acessibilidade e usabilidade ótimas (SHERA. Como mencionado antes. coleta. que deu origem ao termo “cientistas da informação”.19 por Claude Shannon e War- ren Weaver. na década de 1940. 1995). O surgimento desse termo que pode ser atribuído devido ao cresci- mento das pesquisas especializadas nas indústrias modernas. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 51 . 1977 apud BRAGA. 1945). utilizando um canal. Outro marco no desenvolvimento da área de C. es- tabeleceram uma analogia com a transmissão de sinais elétricos por meio de canais mecânicos de comunicação. Ainda com o objetivo de explicar o desenvolvimento da C. considerando-a como somente aqueles símbolos que são incertos para o receptor.

do uso e das necessidades de informação. A consolidação da C. ao armazenamento. Outro fato relevante para a área. à interpretação. à transferência. institucional ou individual. à coleta.I. usando como base a premissa da ciência como instituição social dinâmica. que se constitui na prin- cipal sociedade científica da área. à recu- peração. transfor- mação e utilização da informação. Saracevic (1996) redefiniu a C. que a partir de 1976 passa a se denominar INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA (Ibict). da revista Ciência da Informação. com a implantação do curso de mestrado em C. no contexto social.I. passa a se denominar Journal of the American Society for Information Sience (Jasis). Nesse mesmo prisma. em 1980.I.I.I. entende a C. com vínculo ao CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO (CNPq). no país. dessa forma. 52 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade . Targino (2006). como decorrência da Biblioteconomia e da Documentação. órgão federal de financiamento à pesquisa no Brasil. da ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO & BIBLIOTECONOMIA (Ancib).. No Brasil. a todo o ciclo informacional. Refere-se. é expresso. contínua e cumulativa. quando o American Documen- tation Institute (ADI) muda seu nome para American Society for Information Science (Asis) e o periódico editado por aquela insti- tuição. foi introduzida no início da década de 1970. como um campo dedicado a questões científicas e à prática profissional voltadas para os pro- blemas de comunicação do conhecimento [.] entre seres huma- nos.. interpretação.organização. pelo INSTITUTO BRASILEIRO DE BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO (IBBD). a C. definindo-a como: o conjunto de conhecimentos relativos à origem. à trans- formação e à utilização da informação. transmissão. à organização. intitulado American Documentation. foi a publicação.I. o reconhecimento da área de C. formalmente. diretamente associada às atividades acadêmicas do curso de mestrado.. armazenagem.. Em meados da década de 1960. a partir de 1972. no Brasil. se dá com a criação.

6. a Matemática. a Linguística.1. a área de C.22 a Museolo- gia23 e a Comunicação. seu fluxo e sua utilização. 22.08. 6.25 20. a Lógica. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 53 . a Sociologia.9. 6.03.00.20 é uma das áreas incluí- das na subdivisão Ciências Sociais Aplicadas..00. 25.07.00. o Direito.21 a Arquivologia. passagens de uma teo- ria para outra.00.I. de modo que haja um enri- quecimento mútuo”. Por ex: Lógica de Boole. a Política.02. Faria (1981) nomeia as contribuições de algumas áreas à C. com a qual colaboram entre si várias disciplinas como a Psi- cologia. 6. ressaltando o caráter evolutivo das ciências e o seu estado de permanente ebulição. 23.00.I. como uma das novas interdiscipli- nas. a Estatística. fazendo parte dessa mesma divisão a Biblioteconomia.07.3.I.8.  Os princípios da Lógica relacionam-se com os processos utili- zados pela C.24 A interdisciplinaridade da C. p. 24.09. como:  Os princípios matemáticos têm possibilitado a formulação de teorias dentro da C.00. Esse conceito é complementado por Targino (2006. “a interdisciplinaridade traduz-se por uma colaboração entre diversas disciplinas. 21. Inserida no esquema de classificação das áreas do conheci- mento adotado pelo CNPq.07. utilizada nos levantamentos bibliométricos.00. Para Le Coadic (2004). para investigação das propriedades e do com- portamento da informação. 97). as Telecomunicações e outras.I. 6.I.8. a Economia. Le Coadic considera a C.I. pois o conhecimento científico subentende transformações. a Informática. a Comunicação.00. quando afirma que: a interdisciplinaridade é que fundamenta o avan- ço das ciências.

Comple- mentando essa afirmação. têm como base as análises e leis bibliométricas.I. a C. no que diz respeito aos padrões de comunicação e transmissão da infor- mação.I. como um conjun- to de ideias relativas ao processo que envolve o movimento da informação em um sistema de comunicação humana.I.I. de um modo geral. Porém. desde a produção do conhecimento científico até sua representação. Oliveira (2005) discute um outro paradigma para a área. na visão de Sambaqui (1978). que surgiu no período de 1940 e 1950. isso poderia ser explicado pelo fato de que as primeiras teo- rias da C.. com os estudos das proprie- dades do sistema de transmissão de sinais em termos matemáti- 54 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade . ela se relaciona mais intimamente com a Bibliotecono- mia.I.  As inovações tecnológicas no campo da computação têm tra- zido inúmeras vantagens para a C.  Os princípios da Psicologia relacionam-se com as pesquisas no campo dos estudos de comportamento dos usuários. disseminação e recuperação de informações. Faria comenta ainda que. Paradigmas da Ciência da Informação Oliveira (2005) entende o paradigma da C. nas questões de armaze- namento. que se constitui em um paradigma que pode ser considerado como o precursor para a área de C. A Linguística e suas propriedades estão muito relacionadas com as pesquisas de terminologia e análise semântica.  A Comunicação apresenta um vínculo com a C.I. trazido à luz pela Documentação. como os estudos de vocabulário e indexação. está re- lacionada com todas as disciplinas. organização e distribuição pelos canais formais de comunicação científica. Robredo (2003) apresenta um novo modelo informacional.  As técnicas e os métodos utilizados na Administração têm servido de base para a organização e o gerenciamento dos centros de informação. Ele nasce da mudança de foco do suporte dos documentos para a atenção dada aos seus conteúdos e se transporta daí para a informação em si.

. o evento foi importante na medida em que fez reforçar a ideia de que a informação flui dentro de um sistema e.cos. de Shannon e Weaver. Outra contribuição do paradigma C. pode ser com- provada na medida em que essas mudanças reorganizaram as possibilidades de armazenamento. INCERTEZA. um canal – pelo qual passa a informação – e um ponto de destino (receptor). disseminação e. ressaltam suas fragilidades.I. não atendeu às demandas teóricas da C.: a questão da interdisciplinaridade com várias disciplinas. elaborado para comunicação entre máquinas.I. com possibilidade de codificação e deco- dificação para fins de retroalimentação. surgem os conceitos de ENTROPIA. também. esta teoria consiste em um ponto de origem (emissor). as críticas de sustentação desse paradigma para a C.I. No entanto. com isso. apontado por Oliveira (2005) consistiu na percepção da necessidade de se definir clara- mente o caráter da informação com que os profissionais da área se preocupavam. REDUNDÂNCIA e RETROALIMENTAÇÃO. A influência dos avanços tecnológicos na C. Esta estrutura teria sido aplicada como modelo principalmente para estudar o fluxo da informação e a recuperação de documentos. desde que esse mode- lo de comunicação... sendo indispensável uma seleção para verificar as que interessam particularmente a cada indiví- duo. tem suscitado inúmeros estudos para ana- lisar estes pontos de interseção e os benefícios que podem advir dessas ligações.I. pode-se considerar as refle- xões de Saracevic (1996) em relação à área de C. principal- mente. uma vez que ao se tra- tar de pessoas o receptor é submetido a um fluxo de mensagens que chegam de todos os lados. No entanto. inserido na teoria matemática da comunicação.I. Como já visto. A interface com outras disciplinas – já comentada anterior- mente – mostrando a relação mais estreita da área com uma ou com outra disciplina. considerados de grande relevância para o estu- do do atendimento às necessidades dos usuários. de utilização de diferentes recursos para recuperação da Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 55 . Como paradigma mais recente. a sua forte ligação com a tecnologia da informação e a sua participação ativa na evo- lução da sociedade da informação.

São Paulo: Planeta do Brasil. Jan. devem voltar seus esforços para que os conteúdos por eles disseminados sejam utilizados cada vez mais a serviço da sociedade. 56 A Biblioteconomia e a Ciência da Informação: paradigmas e interdisciplinaridade . na qual a Biblioteconomia gerou a Bibliografia.I. que por sua vez gerou a Ciência da Informação. Information science: what is it? American Documentation. 2005) – encontra na C. A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO – definida como a etapa do desen- volvimento da sociedade que se caracteriza pela abundância da informação organizada (OLIVEIRA. acima de tudo. n. G. Ciência da Informação. 2003. contribuindo para permitir o acesso igualitário ao conhecimento para todos os homens. A conturbada história das bibliotecas. Referências BATTLES. utilizando para tal a genealogia bíblica. 1968.informação. Os estudiosos dessas áreas – bibliotecários. fazendo com que uma das finalidades preconizadas na conceituação preliminar da área – usabilidade e acessibilidade ótimas – seja concretizada. esta gerou a Documentação. v. Se a paráfrase retrata ou não a verdadeira gênese das áreas nomeadas. Da Biblioteconomia à Ciência da Informação Sambaqui (1978) apresentou uma reflexão muito pertinente so- bre a interface entre as áreas dedicadas à informação. BRAGA. DF. Brasília. cientistas da informação. a oportunidade de prover a otimização do processamento e da transmissão da informação. H. 5 p.1. Ciência da Informação: breves reflexões em três tempos. de- vem desempenhar papéis cada vez mais próximos da informação e mais distantes do suporte do livro ou do documento e. BORKO. M. o que se apreende é que a relevância maior da interrelação dessas disciplinas repousa no fato de que todas – cada uma com as suas especificidades – têm a finalidade de facilitar o acesso ao volume cada vez mais crescente da pro- dução de conhecimento no mundo. M.24. Informação. documentalistas. 1995.

1. Ciência da Infor- mação. C. O que é a Ciência da Informação. São Paulo: Perspectiva. 2005. Acesso em 23 set.BUONOCORE. O nome da rosa. B. M. T. Y. FARIA. J. 1. das Letras. v. V. In:______.). 1975. de Q. Revista do Núcleo de Documentação. Teresina: Ed. 1. The Atlantic Monthly. A interdisciplinaridade da Ciência da Informação como área de pesquisa. M. 2004. 2003. de (Coord. Science de l’information. Química Nova na Escola. 2002. das G. MEADOWS. v. Pers- pectivas em Ciência da Informação. da UFPI.9-13. A Ciência da Informação. n. 1978. A. ECO. 2. evolução e relações. v. 1996. n. n. A estrutura das revoluções científicas. 1991. n. Brasília./jun. da UFMG. SAMBAQUI. 1981. Rio de Janeiro. 41-62. 51-60. jan. T. São Paulo: Cia.theatlantic. SARACEVIC. TARGINO. 2009. 1. J. A estrada do futuro. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 57 . BUSH. jan. CHASSOT. 7-19. LE COADIC. S. Diccionario de Bibliotecologia. DF: Thesaurus. Belo Horizonte. nov. de S. Biblioteca Alexandrina: a Fênix ressuscitada. OLIVEIRA. As we may think. ROBREDO. 1995. 16. M. KUHN. Niterói. 1963. 2006.com/doc/194507/bush. Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. ed. v. 2006. Santa Fé: Castellvi. GATES. 7. Brises.Olhares e fragmentos: cotidiano da Bi- blioteconomia e da Ciência da Informação. p. Rio de Janeiro: Record. DF: Briquet de Lemos/Livros. Belo Horizonte: Ed. Ciência da Informação: origem. U. 16. D. 1. p. Brasília. Da Biblioteconomia à Informática. Disponível em: http://www. Da Ciência da Informação revisitada aos sistemas humanos de informação. 1. July 1945. n./fev. L. p. p.

a Biblioteconomia é uma área que surge antes da Ciência da Informação. no ano seguinte. Baseado em documento extraído do Portal do Conselho Federal de Biblioteco- nomia (CFB) www. oficial.cfb. fazendo-se à custa da Real Fazenda toda a despesa conducente ao arranjamento e manutenção do referido estabe- lecimento” (Decreto de 29 de outubro de 1810 – D. Brasília. 58 História da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no Brasil . Esta bi- blioteca tem sua origem na Biblioteca Real d’Ajuda. é facultada a consulta aos estudiosos que obti- 26. que foi trazi- da pela Corte Real de Portugal. Franciscanos e Jesuítas. e os marcos da história dessas disciplinas no Brasil são bem distintos. ao se refugiar na sua colônia mais próspera. Sua fundação. Cronologicamente. só ocorre em 1810.br e. sofrendo influências tam- bém bastante diferenciadas. No entanto. em 1808. A Biblioteconomia no Brasil26 A Biblioteconomia no Brasil começa a se fazer presente quando são fundadas as primeiras bibliotecas no País. na con- cepção de alguns autores. 2000. João VI). A. na obra de Castro. História da Biblio- teconomia brasileira: perspectiva histórica. oriundas das or- dens religiosas dos Beneditinos. ainda. o marco fundador deste campo do conhecimen- to. C. As áreas da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. História da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no Brasil “Que se erija e acomode a minha Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática.org. DF: Thesaurus. apresentam interseções muito marcan- tes. no País. é atribuído à criação da Biblioteca Nacional.

e a da Escola Politécnica. oficializou a criação do pri- meiro Curso de Biblioteconomia do Brasil. só passou a exis- tir. surgem outras bibliotecas: a do Colégio Mackenzie. O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) considera que a Biblioteconomia. na Biblioteca Nacional. em 1886. foi a primeira escola criada no mundo para a formação de pessoal para as bibliotecas. muito mais do que formar pessoal para atuar em qualquer tipo de bi- blioteca (Id. podiam ser consideradas como bibliotecas apenas a do Convento das Carmelitas e a do bispo D. ainda. a preocupação existente à época era com a necessidade de resolver questões in- ternas (pessoal não capacitado à frente dessas bibliotecas). 2000). totalmente. a Biblioteca Nacional passou por várias mudanças.nham consentimento régio e. a re- alização de concursos públicos para preenchimento de cargos. em 1814.27 CAPISTRANO DE ABREU28 considera este concurso o marco inicial da formação profissional em Biblio- teconomia no Brasil (FONSECA. Enquanto no Rio de Janeiro a constituição do campo da Bi- blioteconomia esteve atrelada à trajetória da Biblioteca Nacional.). primeiro também da 27. No final do Séc. em 1879 e. Francisco Manoel da Ressurreição. o primeiro não religioso para dirigi-la. Em São Paulo. quando MANUEL CÍCERO PEREGRINO DA SILVA. em São Paulo. João Capistrano Honório de Abreu obteve o 1° lugar neste concurso. diretor da Biblioteca Nacional. é aberta. Esses concursos foram realizados. até o Séc. que. desde 1824. no Brasil. principalmente de bibliotecários. como área do conhecimento. Sua administração fica a cargo de religiosos – como na maioria das bibliotecas brasileiras do período colonial – e só em 1846 é nomeado um Doutor em Medicina. como já apresentado. XVIII. à população. ela sofre influência da biblioteca escolar do Colégio Mackenzie. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 59 . é criada a primeira Biblioteca Pública Oficial de São Paulo (CAS- TRO. em 1894. das quais se destacam a criação de um regulamento. Na gestão de BENJAMIN FRANKLIN RAMIZ GALVÃO (1870-1882). de Paris. Tanto em um estado como no outro. 1957). XIX. Somente em 1825. O termo bibliotecário já estava sendo usado. seguindo os modelos da École Nationale des Chartes. a partir de 1911. 28.

d) a criação de um serviço nacional de catalogação cooperativa: SERVIÇO DE INTERCÂMBIO DE CATALOGAÇÃO (SIC). no atual curso da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). na América Latina. 2009). A década de 1940 se constitui em um cenário de desenvolvi- mento das modernas técnicas biblioteconômicas. a exemplo do existente na Biblioteca do Con- gresso Americano (PORTAL DO CONSELHO. c) a oportunidade de aperfeiçoamento de técnicos brasileiros nas universidades americanas e. sendo depois incorporada à Escola de Sociologia e Política da mesma cidade. Até o início da década de 1930. com a abertura de concur- sos especializados.. e os profissionais aí forma- dos. que fun- cionou inicialmente junto ao Departamento de Cultura de São Paulo. especialmente nas Universidades Federais. pelo Dasp. contando com profissionais escritores. em geral. de um Curso de Atualização Profissional. foi criado pelo Conselho de Mulheres da Argentina. ao retornarem aos seus Estados. é criada – por RUBENS BORBA DE MORAES – a primeira escola de Biblioteconomia. mi- nistrado no Colégio Mackenzie. historiadores. 60 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil . os quais criaram novos postos de trabalho na área.29 Esse curso começou a funcionar somente em 1915. 29. em 1903. pessoas cultas.América do Sul e 3º no mundo. seguindo a orientação estritamente americana – influenciada pelo 1º curso dos Estados Unidos – da Columbia University – mais voltada para as técnicas biblioteconômicas. Con- tribuíram para esse fato: a) a atuação do Departamento Admi- nistrativo do Serviço Público (Dasp). Fundamentado no Curso Elementar de Biblioteconomia. a Biblioteconomia brasileira sofre a influência do modelo humanista da École Nationale des Chartes. b) a reforma da Biblioteca Nacional. “Análises de los informes sobre el estado actual de la profesión bibliotecária” aponta que o primeiro curso.. começaram a criar novas oportunidades de ensino de Biblioteconomia. na própria Biblioteca Nacional. O documento mencionado por Castro (2000). li- teratos. em 1936. em 1979. O surgimento de novos cursos no País se dá a partir da or- ganização. na Escola recém-criada. fato não considerado pela maioria de autores da área. que concorreu para a elevação do nível de conhecimento dos futuros profissionais.. por Borba de Moraes. no Brasil. onde conti- nuou durante anos até se transformar.

quase sempre de dois em dois anos. este Congresso tem se realizado. em São Paulo. regularmente. e a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCOLAS DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO (ABEBD). se apresentou como um outro aconteci- mento relevante para a área de Biblioteconomia. O XXIII CBBD ocorreu em Bonito (MS). Outro órgão relevante. em 1951. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 61 . contavam com bibliotecários para apoiar essas consultas (ARRUDA. alguns deles que se transformaram em cursos permanentes. e o “Primeiro Congresso Brasileiro de Biblioteconomia”. em 1953. É então implantado no Brasil. Ainda sob forte influência americana. o conceito de “Bibliothecas Modernas”.30 realizado em Recife. principalmente. por meio da promoção da Febab e de outras instituições parceiras. em 1962. sob a denomi- nação atual de Congresso Brasileiro de Biblioteconomia. em cidades diferentes do país. com a “Confe- rência sobre o Desenvolvimento dos Serviços de Bibliotecas Pú- blicas na América Latina”. em julho de 2009. Desde então. suas estantes eram abertas para consulta. nesse período. a cada edição. O surgimento das entidades de classe no País. promovido pela Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro. o “Primeiro Congresso de Bibliotecas do Distrito Fede- ral”. nas décadas de 1950 e 1960. A criação do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documen- tação (IBBD). em 1965. apresentavam instalações amplas e confortá- veis e com iluminação natural. depois incorporados a universidades. os primeiros eventos da área começaram a ocorrer na década de 1950. instituições como a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (Febab). Esses eventos foram realizados com o objetivo de reunir pro- fissionais bibliotecários de todo o Brasil para trocar experiências e deram ensejo à criação de inúmeras bibliotecas nos órgãos pú- 30. Foram fun- dadas. promovida pela Unesco. foi marcante para a Biblioteconomia. Documentação e Ciência da Informação (CBBD). por meio da promoção de cursos regula- res. as quais podiam ser frequentadas livremente por qualquer cidadão. a Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal (ABDF). em 1954. criado em 1937 – o INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO (INL) –. disponibilizavam catálogos para apoiar as consultas aos acervos e. 1928). em 1954. em 1959. também contribuiu muito para a difusão das téc- nicas biblioteconômicas.

quando este retornou a Pernambuco.725. 32.32 o que desencadeou o processo de regulamentação da profissão. o da Faculdade de Biblioteconomia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp). depois. Parecer n° 326/62. mes- mo com esse número significativo de profissionais. especialmente federais. também. sua oficialização só ocorreu em 1966.084/62. como é o caso das bibliotecas escolares e o das bibliotecas públicas. surge o Curso de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). inscritos nos 15 Conselhos Regionais de Biblioteconomia. incentivando o aumento de candi- datos aos Cursos de Biblioteconomia. distribuídos por todo o País. O primeiro curso de Biblioteconomia do Nordeste foi fundado pelo bibliotecá- rio EDSON NERY DA FONSECA. sendo representada por cerca de 30. de 30/06/1962 e. com persistência e coragem. o Decreto n° 56. No entanto.blicos. e em 1950. Também em 1962 foi criado o Conselho Federal de Bibliote- conomia (CFB). 62 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil . Foi promulgada a Lei n° 4. resguardando-o para os bibliotecários de formação. Os diferentes cursos de Biblioteconomia no país começam a surgir a partir de 1942. de 18/08/1965. órgão responsável pela fiscalização do exercício profissional. em 1945. que. Dados de 2009 apontam que a classe bibliotecária já se en- contra consolidada em todo o país. de autoria do conselheiro Josué Montello. já existiam no Brasil 14 cursos na área. pela instituição do Primeiro Currículo Mínimo para os cursos de Biblioteconomia. depois de terminar sua formação. como LAURA GARCIA MORENO RUSSO. fato que ocorreu em virtude de esforços de bibliotecárias. em 1947. há vários anos. de- pois. surge o da Escola de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). em 16 de novembro de 1962. A década de 1960 é relevante. vi- nham trabalhando em prol da regulamentação da profissão. ainda existem postos de trabalho que não são ocupados por bibliotecários. nos quais se reconhece a atuação de leigos.000 bibliotecários. 31. com o da Escola de Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal da Bahia (UFBA).31 Em 1965. no curso da Biblioteca Nacional.

2002 Estabelecimento das Diretrizes Curriculares do Curso de Biblio- teconomia. do Curso de Biblioteconomia e Documentação/UFPR e da Escola de Biblioteconomia da UFMG. Curso de Graduação em EaD. dirigida por Rubens Borba de Moraes (orientação estritamente americana). 2010 Previsão de oferta do 1º. 1915 Início do funcionamento do curso. diretor da Biblioteca Na- cional (BN). Currículo Mínimo. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 63 . 1982 Estabelecimento do 2º. inicialmente no década de Departamento de Cultura de São Paulo. da UFRJ. no Brasil. a Coordenação de Aperfeiço- amento de Pessoal de Nível Superior (Capes). cria o primeiro Curso de Biblioteconomia do Brasil. então. FONTE: Adaptado de SÁ. da Escola de Bibliote- conomia e Documentação/UFRGS. por meio da Uni- versidade Aberta do Brasil (UAB) e com a parceria do CFB. Criação do Conselho Federal de Biblioteconomia e do 1º. na BN. Currí- culo Mínimo do Curso de Biblioteconomia. da Faculdade de Biblioteconomia/PUCCamp. literatos. e depois na Escola Livre 1930 de Sociologia e Política da mesma cidade. Profissionais eram ilustres personalidades: escrito- 1930 res. 2005 Aprovação do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação. pessoas cultas em geral. 2009 Oferta de 39 cursos de Biblioteconomia no país. para ser oferecido na modalidade à distância.084/62). A partir da Criação da primeira Escola de Biblioteconomia. cujo início está previsto ainda em 2010. a seguir. 1954 Realização do 1º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia (Reci- fe/PE). Até o início Fase humanista calcada no modelo da École Nationale des Char- da década de tes (França). apresenta uma síntese des- ses acontecimentos. 1962 Regulamentação da profissão (Lei nº 4. está desenhando a proposta pedagógica de um curso de graduação em Biblioteconomia. Visando modificar esse cenário. formando bibliotecá- rios para o Serviço Público Federal. historiadores. Marcos da Biblioteconomia Fatos marcantes da área de Biblioteconomia foram levantados por vários autores. O Quadro 3. 1965 Criação da Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e Documentação (ABEBD). 1940-1950 Criação da Escola de Biblioteconomia e Documentação/UFBA. Quadro 3 – Principais Fatos da Área de Biblioteconomia Cronologia Principais Fatos 1911 Manuel Cícero Peregrino da Silva. SARDENBERG (2005). FONSECA.

35. As primeiras sociedades científicas surgiram na Itália. Entidades detentoras do papel de incentivar a pesquisa científica e de facilitar a comunicação e a discussão de resultados de pesquisas (ANDRADE. Porém. Matemá- tica e Documentação. que serviram de base para a compilação das bibliografias nacionais especializadas. Exemplos dessas bibliografias são as de: Física. fundado em 1954. O campo da C. 33. OLIVEIRA. tem como um dos pilares a criação do IBBD.). 64 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil . em 1660. para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas no País (Id. Desde então. de suas instituições de ensino e pesquisa e. em 1603.33 e a disponibilização do “Catálogo Coletivo Na- cional (CCN)”. 2005). 34. ain- da. que desde então se configura em um instrumento relevante de apoio à recuperação de informações. criada em Londres. por possuir pessoal qualificado para conduzir suas atividades (ANDRADE. com vínculo ao CNPq. esses cursos vêm formando mestres e doutores. Em se tratando do ensino na área de Biblioteconomia.I. A sociedade científica e a C. por ter sido responsável pelos primeiros cursos de pós-graduação lato sensu (1955) e stricto sen- su (1970). a sociedade acadêmica mais conhecida é a Royal Society. o IBBD empreendeu várias iniciati- vas.34 de seus canais de comunicação. como a Academia dei Lincei.I. Com essa orientação. em 1954. fortalecendo cada vez mais a área no Brasil. 2005). OLIVEIRA. no Brasil. Estes órgãos sofreram forte influência da Unesco. que neste período incentivava o crescimento científico nos países em desenvolvimento (ANDRADE. Química. 2005). Botânica. como a American Society for Information Science and Technology (Asist).A Ciência da Informação no Brasil A história da Ciência da Informação (C. A consolidação de um campo do conhecimento pode ser avaliada pela análise das suas sociedades científicas. dentre elas a realização de pesquisas bibliográficas. o IBBD teve também um papel relevante. possui em sua organização sociedades cien- tíficas35 renomadas.).I. OLIVEIRA.

a área conta com outra entidade cien- tífica – a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO (Abecin). que se constitui em um evento no qual os pesquisadores apresentam e discutem seus trabalhos de pesquisas concluídas ou em andamento. aproximadamente.I. em junho de 1989. tem como um de seus objetivos a promoção do desenvolvimento da pesquisa. A publicação regular de periódicos científicos é outra característi- ca de consolidação de uma área acadêmica (ANDRADE. 30 títulos de periódicos médicos e científicos. No final desse século.I. com objetivos diferen- tes. ocorre um salto 36. ministrados no país. o registro dos dados meteorológicos e a citação das primeiras decisões das cortes civil e religiosa.36 Em nível de graduação. na França – o Journal de Savants – e na Inglaterra – o Philosophical Transactions of The Royal Society. Essa Associação congrega os cursos de Biblioteconomia. O segundo se dedicava somente ao registro de experimentos científicos em todas as áreas. é a Associação Nacional de Pesquisa e Pós- graduação em Ciência da Informação e Biblioteconomia (Ancib). quando sai de cenário a ABEBD. em 2001. A Ancib realiza. periodicamente. O primeiro se voltava para o registro de informações sobre os livros publicados na Europa. a Ancib organizou o X Enancib. Criada. Os primeiros periódicos científicos surgiram. porém. a comunicação entre os cientistas já se tornava mais fácil. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 65 . na Paraíba. que surge. do intercâmbio e da cooperação entre seus associados. na cidade de João Pessoa. ano em que foi comemorado o aniversário de 10 anos de sua cria- ção. No Brasil. O periódico científico e a C. pois já existiam. Em 2009. a descrição de invenções. o Encontro Nacional de Pes- quisa em Ciência da Informação (Enancib). relatados em car- tas à sociedade por cientistas europeus. em 1665. a sociedade científica que congrega os pesquisa- dores da área de C. OLIVEI- RA. 2005). Arquivo- logia e Ciência da Informação. Este veículo se constitui no meio formal mais eficaz utilizado para a comunicação dos resultados das pesquisas cien- tíficas. Em 1800.

em meio eletrônico. porém. As vantagens desse tipo de publicação são inúmeras. na área de C. Quadro 4 – Acesso Eletrônico aos Periódicos nas Áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação Título Ano Editor Ciência da InformaçãoA 1972 Ibict Perspectivas em Ciência da InformaçãoB 1972 UFMG Revista de Biblioteconomia de BrasíliaC 1973 ABDF/UnB 66 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil . com a finalidade de se constituir em um veículo de divulgação e desen- volvimento da informação no Brasil. Cada uma dessas sociedades passou a publicar seus próprios periódicos. atingiu-se o boom somente em meados do Séc.. Nesse período ficou evidenciada a proliferação de sociedades fundadas na Inglaterra. XX.000 perió- dicos sendo publicados.I. Na segunda metade da década de 1990. só começou na década de 1970. destacando-se: a) maior facilidade no gerenciamento da edição. prática que está se difundindo em todas as áreas do conhecimento. várias outras começaram a ser publicadas. com mais de 1. qual seja a de poder ser consultado antes mesmo de sua edição impressa. A partir daí.I. XIX e início do Séc. no Brasil. Posteriormente. b) agilidade no acesso à informação. começam a surgir os periódicos editados. a seguir. fazendo com que as áreas científicas se consolidassem como campos de estudo. a partir de 1972. em decor- rência da especialização da Ciência. ex- clusivamente. Essa revista foi criada pelo IBBD. entre os pares. O Quadro 4. A edição de revistas técnicas. que contribuíram para acelerar a divulgação dos resultados das pesquisas. muitas delas vinculadas aos cursos de pós-graduação. e o periódico científico desponta com um novo supor- te – o eletrônico – vindo atender a uma demanda cada vez mais exigente dos usuários. possibilitando buscas simples e complexas no conteúdo das revis- tas. c) barateamento dos custos da edição. com a revista Ciência da Informa- ção. ocorre uma revolu- ção nos veículos de comunicação com o uso de uma tecnologia emergente. relaciona periódicos eletrônicos das áreas de Biblioteconomia e C.para 700 títulos. e para disseminá-las para um público mais amplo.

Disponibilizada em: http://polaris.br/index.php/pci/index C. Disponibiliza texto integral em: http://revista.php/rbbd E.ufrgs.ufmg. Disponibilizada em: http://inseer.ibict. Disponibiliza texto integral de 1973 a 2001 em: http://164. Disponibiliza resumo e palavras-chave até 2003 e.edu. Q. Título anterior: Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. Título Ano Editor Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documenta.php/racb L. Interrompida em 2001. Disponibiliza texto integral em: http://revista. Disponibiliza texto integral em: http://www.ibict.periodicos.25/portalnesp/ojs-2.br/ojs/index.br/~gtbib/site/ T.php/informacao/index J. Disponibiliza texto integral em: http://www.bjis.ufpb.1.uel. que o fato desses periódicos estarem dis- ponibilizados eletronicamente contribui para acelerar o acesso às informações neles veiculadas e. de Bibl.br/pcionline/index. Título anterior: Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG.php/ies I. Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias.org.nce. H.br/index.ufsc.php/ciinf B. Interrompida de 1993- 1998. 2006 Ibict blioteconomia – PBCIBQ Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da 2008 Ancib InformaçãoR RevIU – Revista Informação e UniversidadeS 2009 CBBUT FONTE: Autoria própria Notas: A.ibict.php P. Disponibiliza texto integral em:http://revistas.1.seer. disponibiliza texto integral em: http://www.php/biblos F.122.ies.php/tpbci S. a partir de 2006 apresenta versão eletrônica http://www.br/index.puc-campinas. Disponibiliza texto integral em: http://www. M.br/ojs2/index. 2003 Sist.unesp.org. 1989 UFRGS/Fabico mia e Comunicação G Informação e Sociedade: EstudosH 1991 UFPB Informação & InformaçãoI 1996 UEL Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Bibliotecono.ufrj. Número zero disponibilizado em:http://www.br/index.bc.unicamp. Disponibilizada em: http://www.php/RBB D.org. G.br/ancib/index.php/eb K.br/transinfo/index. ainda. Instituto de Adaptação e Inserção na Sociedade da Informação.acbsc. também Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 67 .1/index.br/ N. da formaçãoO Unicamp BJIS – Brazilian Journal of Information ScienceP 2006 Unesp Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Bi. a partir de 2004. Título anterior: Revista de Biblioteconomia & Comunicação. consequentemente.php (interrompida em 2007). Conclui-se. Associação Catarinense de Bibliotecários.41.febab. O.br/seer/ojs/index. Disponibilizada em: http://dgz. Disponibiliza texto integral em: http://www.seer. 1996 UFSC mia e Ciência da InformaçãoJ Revista ACB: Biblioteconomia em Santa CatarinaK 1996 ACBL M DataGramaZero 1999 IAISIN Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da In.siglinux. texto integral em: http:// www.eci.php/pbcib R.br/revistas/uel/index.php/EmQuestao (desde 2003). Disponibilizada em: http://revista. 1973 Febab ção: Nova SérieD Revista BiblosE 1985 FURG TransinformaçãoF 1989 PUCCamp Em Questão: Revista da Faculdade de Bibliotecono.br/rbbd/ojs-2. php(desde 2002).1/ index.br/pbcib/index.br/pt/index.furg.

as ferramentas tecnológicas proporcionaram um grande impulso à área. o usuário passa a ser ele mesmo o mediador na escolha de documentos. Para Mueller (1985). B1. controle e recuperação de informação fora dos muros das bibliotecas.I. B3. no Brasil. No entanto. em virtude principalmente da questão do tempo despendido no acesso às informações rele- vantes ou pertinentes aos interesses desses usuários. B5 e C. Os periódicos científicos são classificados na Base Qualis em: A1. sem estoques de informação em suporte físico. A2. Segundo Barreto (1999). visto que 12 desses 16 periódicos (mais de 70%) estão classificados na Base Qualis. caracterizou o fenômeno conhecido como a “biblioteca sem paredes. Outro dado importante é o reconhecimento da relevância científica dos mesmos. B2 (2 periódicos). apre- sentou grandes e rápidos progressos resultantes de influências de fatores internos e externos à biblioteca.I. B4. a área da Biblioteconomia. da Capes. inseridos nos extratos B1 (2 periódicos). transformando-se no gerente de suas necessidades de informação. B3 (4 periódicos). B4 (3 periódicos) e B5 (1 periódico). Como se pode constatar pelas informações contidas no Quadro 4.37 O futuro da Biblioteconomia e da C. 68 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil . 2002). Outro fator que Mueller ressalta (1985) é o que diz respeito ao entendimento da profissão e à formação do profissional.promove o desenvolvimento do conhecimento nas áreas de Bi- blioteconomia e C. Para a autora uma questão fundamental se apresenta: “Qual a definição do profissional bibliotecário que se quer formar para o Brasil de hoje e do futuro?” 37. B2. modificando até a necessidade de se frequentar fisicamente as bibliotecas. de acordo com os critérios de avaliação determinados pela Capes. a capacidade de o bibliotecário atuar como me- diador entre o usuário e as suas necessidades de informação não pode ser relegada ao segundo plano. chamada de BIBLIOTECA VIRTUAL” (MARTINS. Um destes fatores – o tecnológico – que proporcionou opor- tunidades de acesso.

o que deixa de preparar os futuros profissionais para as atividades de gestão de todos os recursos existentes nas unidades de informação – não só os informacionais – tarefa que cada vez mais vem sendo demandada em sua atuação. cabe mencionar a reflexão de Mueller (1985) de que a responsabilidade da formação do profissional não pode estar atrelada somente à graduação. a sociedade poderá reconhecê-los como agentes sociais e culturais. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 69 . Diante desse contexto. inserindo disciplinas voltadas para o fomen- to à leitura e para a promoção cultural na grade curricular obri- gatória dos cursos. Também os cursos de pós-graduação precisam intensificar parcerias. na oferta de cursos de especiali- zação a fim de complementar a formação dos profissionais. que irão fortalecer a consolidação das duas áreas no cenário informacional brasileiro. constatou-se que na maioria deles prevalece a oferta de disciplinas que focalizam as técnicas biblioteconômicas. tanto na formação de mestres e doutores para assumir postos nos cursos de graduação. encontram ainda muitos de- safios pela frente. que as duas áreas. então. faz-se também necessária a ênfase na formação desses profissionais no campo humanístico. Quando da preparação da proposta pedagógica do Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG). com isso. interessado no acesso à informação. em detri- mento de uma formação que contemple também as técnicas ge- renciais. apesar de todos os pon- tos favoráveis que foram descritos. Conclui-se. da UFRJ. no que diz respeito à questão da sensibilização das instituições que trabalham com informação a respeito das habilidades do seu corpo de profissionais no geren- ciamento das unidades de informação. Para isso. à educação e à cultura. Por outro lado. principalmente. ao se analisar os currículos dos 38 cursos existentes no Brasil. os órgãos de classe vêm conclamando um reconhecimento do bibliotecário como agente social. Deve-se buscar a sensibilização das Universidades. O enlace das duas áreas – Biblioteconomia e Ciência da In- formação – será muito benéfico. como na preparação de pesquisadores. para suprir as demandas de treinamentos oriundas de profissionais já graduados.

de (Org.14.cfb. A.br. O. Correio Paulistano. de. de. 95-124. p.5. ARRUDA. 2. p. São Luís: EDUFMA. R. OLIVEIRA. E. A. C. 1957. O Ensino de Biblioteconomia no Brasil. In: OLIVEIRA. C. Disponível em: http://www. dez. M. L. de. v. 2000. A. 2009. mar. 3-15. FONSECA. In: CASTRO. P. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his- tórica. 2005. DF. S. Os destinos da Ciência da Informação: entre o cristal e a chama. SÁ./jun. Belo Horizonte: Ed.).Referências ANDRADE. Ciência da Informação. Ciência da Informação e Bibliote- conomia: novos conteúdos e espaços de atuação. MARTINS. número zero. L. PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Brasília. A Ciência da Informação no Bra- sil. N. Rio de Janeiro: Conselho Regional de Biblioteconomia (CRB-7). B. DF: Thesaurus. 1999. Bibliotecas: os enormes resultados obtidos na América do Norte. Sobre o perfil dos bibliotecários do Estado do Rio de Janeiro e sua inserção no merca- do de trabalho. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação. M. jan. 45-60. SARDENBERG.. Acesso em: 2 out. FONSECA. O profissional da informação e o processo de me- diação de leitura.) Ciência da Informação e Biblioteconomia: múltiplos discursos.. M. n. 2002. Marlene de (Coord. n. Brasília. p. BARRETO. 2005.1985. E. N. da UFMG. N.1) 70 História da Biblioteconomiae da Ciência da Informação no Brasil . (Coleção CRB-7. São Paulo. B. A. da. MUELLER. CASTRO.1. C. Desenvolvimento da Biblioteconomia e da Bibliogra- fia do Brasil. R. v. 20 maio. Revista do Livro. 1928. de S. M. da. v.

(Coord. São Paulo: Polis. As bibliotecas – ou outras unidades de informação – têm. duas finalidades principais: a) atender às necessidades dos seus usuários e b) procurar facilitar o acesso. 2005. para que o homem pudesse efetuar os 38. Antecedentes Os primeiros computadores surgiram entre 1940 e 1950. Baseado em: BARSOTTI. É a tecnologia disponível que determina como os serviços de biblioteca serão no futuro” (Luiz Fernando Sayão – CIN/CNEN). Belo Horizonte: Ed.). A Informática na Biblioteconomia e na Documen- tação. do pro- gesso natural dos tempos. Influências do uso da Informática e sua aplicabilidade na Biblioteconomia e na Ciência da Informação38 “Desde a década de 1960 o desenvolvimen- to tecnológico vem em ritmo crescente mol- dando as bibliotecas e os serviços de informa- ção. M. 1990 e em OLIVEIRA. Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 71 . A multiplicidade e a grande quantidade de informações geradas no mundo atual requerem dessas instituições a adoção de novas técnicas para se atingir os objetivos apontados acima. à informação por eles solicitada. R. da UFMG. A INFORMÁTICA tem sido uma disciplina fundamental na evolução das áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. basi- camente. de forma rá- pida e ótima. principalmente pelo emprego das cha- madas TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICs).

uma empresa para distribuir essa máquina. Além do peso. III a. apesar de a população ter aumentado em mais de 10 milhões de pessoas. então. outros inventos foram realizados como o de Herman Hollerith. ten- do sido chamado de Electronic Numerical Integrator Analyzer and Computer (Eniac). Vários outros auxiliares foram sendo inventados.39 Foi construído com o objetivo de acelerar cálculos de artilharia. interessado em agilizar o resultado do censo norte-americano de 1880.cálculos de seu interesse. 1990). Devido a limitações tecnológicas e à morte de Babba- ge. Hollerith criou um cartão perfurado para ler os dados dos questionários respondidos por cada pessoa. da University of Pennsylvania. da empresa que viria a tornar-se a International Business Machine (IBM). 39. que o homem fazia com os próprios dedos. o tempo do resultado do censo de 1890 foi reduzido para um terço do gasto no censo anterior. O Eniac foi construído pelos professores John Eckert e John Mauchly. evoluíram para a criação de auxiliares mecânicos para apoiá-los na solução das necessidades que surgiam. pesava 30 toneladas. por sua vez. da More School of Electrical Engineering. Desses auxiliares. ocupava 1. Essa máquina estava projetada para conter elementos como: Entrada. Hollerith funda. Com esta invenção. o matemático inglês Char- les Babbage projeta a primeira calculadora automática.000 vál- vulas eletrônicas. que dá origem à criação. onde o furo no cartão significava SIM e a ausência de perfuração queria dizer NÃO. O primeiro computador eletrônico foi criado em 1946. o projeto não foi concretizado (BARSOTI. A partir desses estudos. Pro- cessamento e Saída. pode-se destacar o ábaco – que alguns au- tores datam da Séc. contro- lada por programas – a Máquina Analítica. Esses cartões. – atribuindo sua invenção ora aos chineses ora aos babilônios. do espaço e dos componentes em número excessivo. até que por volta de 1833. Sua operação seria governada por cartões perfurados. Memória.C.400 m2 de superfície. em 1924. 72 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . Os cálculos mais elementares. que levou sete anos para ser finalizado. seriam lidos por uma máquina também inventada por Hollerith. a manutenção do Eniac era muito dispendiosa e sua programação era pouco flexível. utilizava milhares de quilômetros de fios e 18.

Robredo (1989) apresentou previsão de grande mudança nas instalações físicas das biblio- tecas. quando inúmeros cientistas se dedicaram a estudar meios de solucionar o problema do acesso ao conhecimento. A aplicação da Informática na Biblioteconomia é mais mar- cante a partir do fenômeno da Explosão da Informação. essa influência tornou-se cada vez mais marcante. Todo o ciclo da informação – geração. O emprego do computador – máquina recém-criada à época – foi utilizado para tratar e re- cuperar os dados de maneira sistemática. o processamen- to. a divulgação e a recuperação da informação. os computadores foram passando por gran- des evoluções – denominadas gerações – até os dias de hoje. as quais deveriam apresentar diferenças substanciais. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 73 . a Informática assume o papel de uma ferramenta importante para agilizar a aquisição. classificação. a maioria das tarefas desenvolvidas – em quase todas as profissões – recebe in- fluência da Informática. Com o passar dos anos. XXI. As atividades de ca- talogação. mais leves e algumas já não necessitam de fios para processar seus programas (wireless network connection). Na questão do armazenamento. o que diminuiria a necessidade de ampliação constante de espaço nes- sas unidades. visto que esta máquina permitia a manipulação de grande massa de dados. difusão e uso – foi influenciado pelas iniciativas da Informática. Aplicações da Informática Na sociedade informatizada presente no Séc. assim como os processos de armazenamento e recuperação da informação contida nos dife- rentes suportes informacionais. No caso específico da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Depois do Eniac. na medida em que inúmeros itens – antes arquivados no formato impresso – teriam seu acesso facilitado por meio eletrônico. quando as máquinas utilizadas para processamento de dados são cada vez menores. não de- vendo ser considerada como uma ameaça e sim como uma nova oportunidade para promoção do melhor atendimento às necessi- dades dos usuários. dispensam hoje uma série de eta- pas desenvolvidas antes da utilização dos computadores. indexação.

Um dos primeiros sistemas automatizados de recuperação da informação – o UNITERM – foi criado por Mortimer Taube. em uma coleção de documentos. Sistemas de recuperação de informação Com a evolução da Informática.). entendendo a recuperação da in- formação como a busca. 1995). começaram a surgir iniciativas de pro- jetos cooperativos entre bibliotecas para acesso a documentos. em 1951. como também os sistemas. consistindo na indexação de documentos de uma coleção. Para ele. em 1967. como “recuperação da informação”. por termos únicos. as atividades desenvolvidas no âmbito da recuperação da informação fizeram surgir os sistemas automatizados de recuperação da informação. conceituou a recupe- ração da informação como uma ação que consiste em encontrar a informação desejada em um armazém de informações ou base de dados.). citado por Oliveira (2005). como a Online Computer Library Center (OCLC). para identificar aqueles que satisfazem uma determinada necessidade de informação e os sistemas de recuperação da informação são os sistemas criados para facilitar essa busca. denomi- nado por Mooers. Nesta mesma década. são criadas as redes de informação. catalogação cooperativa. compartilhamento de dados. comutação bibliográfica etc. Com a aplicação dos sistemas com- putadorizados a esses projetos. Surge. Id. essa atividade consistia em reunir os aspectos intelec- tuais da descrição da informação e suas especificidades para a busca. daí. Meadows. desenvolvimento de padrões co- muns em atividades biblioteconômicas. técnicas ou equipamentos em- pregados para o desempenho da operação (SARACEVIC. citados por Oliveira (Id. a primeira dessas redes de catalogação cooperativa (OLIVEIRA. nas décadas de 1970 e 1980. 74 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . a preocupação com um outro fenômeno. em 1953. Outra abordagem para o termo é dada por Lancaster e War- ner. retirados do título ou do resumo desses docu- mentos.

com o fim de apoiar os pesquisadores no desenvolvimento de seus trabalhos científicos.W. mais ainda. a Internet é utilizada para promover o acesso a informações contidas em bases de dados. recuperando o texto integral dos trabalhos de interesse dos usuários. para garantia de recuperação de informações relevantes. 40. Na década de 1990. Wilson Company. as décadas de 1980 e 1990 trazem novidades. que popularizou a Internet fora dos meios acadêmicos e de pesquisa. Além do surgimento dos microcomputadores. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 75 . a qual é conhecida como “a tecnologia das tecnologias da informação”. surgindo depois as bases de dados disponibilizadas na Web. nos suportes de infor- mação com a introdução dos CD-ROMs como forma de armaze- nar dados e promover a recuperação dos mesmos e. nos Estados Unidos.. Essas iniciativas impulsionam a criação de mecanismos de busca. No Brasil. Como exem- plos. com o Ibict promovendo o acesso às bases de dados americanas Orbit e Dialog e à base de dados francesa Questel. Em 1973. com alta tecno- logia. a distin- ção entre sistemas e redes de informação muitas vezes não é mui- to clara. Em 1991. nos Estados Unidos. Vint Cerf – considerado “o pai da Internet” – apresenta em um congresso a ideia básica da Internet. também. Dentre outros sistemas automatizados utilizados para recu- peração de informações destacam-se. com a utilização crescente da INTERNET40 pelas Universidades.41 como as do Institute for Scientific Information (ISI). o On- line Retrieval of Bibliographic Information Time Shared (Orbit) e o Dialog. os sistemas de recuperação da informação come- çam a ser utilizados na década de 1970. da Ovid Technologies Inc. Tim Berners-Lee cria a World Wide Web – www – como a plataforma gráfica e interativa. As REDES DE INFORMAÇÃO Nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. que na década de 1960 contribuíram para facilitar as pes- quisas de documentos. 41. da H. são encontradas as bases de dados da SilverPlatter. mas um ponto que não deixa dúvidas é que as redes reú- nem pessoas e organizações para o intercâmbio de informações. na condução de suas pesquisas.

transforma- implantação se na Rede Bibliodata da catalogação e. coletivo em uso até os dias de ções Seriadas hoje. só uma dessas redes encontra-se desativada. Os tipos mais comuns de redes de informação são aqueles que visam o compartilhamento de dados.ao mesmo tempo em que contribuem para a organização de pro- dutos e a operacionalização de serviços que sem a participação mútua não seriam possíveis (TOMAÉL. a partir de 2005. 76 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . Intercâmbio de cooperativa Catalogação CCN – Catálogo IBBD 1954 Formação de Absorvida pelo Ibict. um catálogo na década de 1970. As primeiras redes de informação. o desenvolvimento de padrões comuns e a comutação bibliográfica entre bibliotecas e centros de informação. grama de de cópias de transforma-se no Co- Comutação documentos mut Online Bibliográfica FONTE: Adaptado de TOMÁEL (2009) Como pode ser visto. Comut – Pro. fortalecendo e em Ciências da ampliando o fluxo de Saúde informação na área. Ibict 1980 Fornecimento A partir de 1997. Coletivo Nacio. na análise do Quadro 5. Dados obtidos de outubro a dezembro de 2009 nos sites das redes. Bireme – Rede Opas 1973 Serviço de Contribui para o Brasileira de Indexação e desenvolvimento da Informações Resumos saúde. no Brasil. nal de Publica. 2005). cooperativa no está sob a responsabi- Brasil lidade do Ibict. Responsável Criação SIC – Serviço de Dasp 1942 Catalogação Desativada em 1973. são apre- sentadas no Quadro 5. Projeto Calco FGV 1973 Projeto para Em 1982. são apresentadas infor- mações relevantes sobre as que ainda estão ativas e sobre outras recém-criadas para apoiar a pesquisa no Brasil:42 42. A seguir. para que os objetivos pretendidos sejam mais bem alcançados. É importante observar que a configura- ção dessas redes deve ser formalizada por meio de acordos de cooperação. Quadro 5 – Primeiras Redes de Informação no Brasil Redes Órgão Data de Função Obs.

ibict. de- vido ao crescimento constante de novos títulos e acrescido do inter-relacionamento entre as áreas do conhecimento. Em 1978. o CCN arrolava 58. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 77 . até sua automa- ção em 1968. em um catálogo convencional em fichas. De 1970 a 1978. o CCN pode ser definido como uma rede cooperativa de unidades de informação localizadas no Brasil com o objetivo de reunir. Catálogo Coletivo Nacional (CCN) (http://www. possibilita a oti- mização dos recursos disponíveis nas Bibliotecas e serviços de do- cumentação que participam da rede. foi de- senvolvido o novo sistema em Oracle. permitindo o intercâmbio entre bibliotecas.1. Nesse contexto. foi promovido o acesso em linha ao CCN. optou- se pela divulgação do CCN em microfichas reunindo todas as áreas.br/secao. prestando informações sobre os acervos das bibliotecas do País in loco. é criado o Catálogo em CD-ROM. Ciências Agrícolas e Veterinárias. por meio da Internet. distribuídos em 584 bibliotecas do país. Em outubro de 2009. por meio do sistema de comutação bibliográ- fica. o acesso passa a ser feito via www e em 1999. Em 1994. em 1954. as informações sobre publicações periódicas técnico- científicas registradas em centenas de catálogos distribuídos nas diversas bibliotecas brasileiras.460 títulos de periódicos. em um único catálogo de aces- so público. A partir de 1998.php?cat=CCN) Criado. por telefone ou correspondência. o CCN passa a interagir diretamente com o Sistema Comut. o sistema automatizado possibilitou a di- vulgação impressa do CCN por grandes áreas do conhecimento: Ciências Exatas e Tecnologia. constituiu-se. foi implementado o acesso ao Sistema via Rede Nacional de Pacotes (Renpac) e. utilizando-se o aplicativo Telnet. Em 1986.43 43. Sob a coordenação do Ibict. em 1993. Em 1997. Ciências da Saúde e Ciências Sociais e Humanas. pelo então IBBD.

sem a inter- mediação de uma Biblioteca Solicitante. o que agiliza o tempo do atendimento. pelo Ministério da Educação. De 1980 a 1996. basta se cadas- trar no site do Programa e adquirir bônus Comut. Em novembro de 2009. O sistema opera. todos os procedimentos operacionais e administrativos eram feitos de forma manual. Mediante portaria interministerial. com as “Bibliotecas Solicitantes”. também. também. O Comut permite a obtenção de cópias de documentos téc- nico-científicos (artigos de periódicos.2. o Comut tem a finalidade de dotar o País de um mecanis- mo eficiente de acesso à informação.000 usuários como pessoa física. a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ibict.ibict.44 44. 78 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . Para prestar esse serviço o Comut atua por meio de uma rede de 394 biblio- tecas.300 instituições brasileiras de ensino e pesquisa solicitam cópias de documentos através do Comut. Para isso. A partir de 1997. exclusivamente. estão cadastrados no Sistema Comut cerca de 54. a usuários individuais. para fins acadêmicos e de pesquisa. humanos e tecnológicos adequados para o atendimento às solicitações de seus usuários. que são aquelas com re- cursos bibliográficos. foi introduzido o Comut Online. Permite também cópias de documentos que estão disponíveis em bibliotecas do exterior (com as quais o Pro- grama estabelece contratos de serviços). Cerca de 2. Comutação Bibliográfica (Comut) (http://www. por meio de for- mulários impressos remetidos por correio. teses. que podem pedir có- pias de documentos por solicitação dos seus usuários. que permite o pedido do documento via Internet. por meio da Co- ordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Ca- pes). anais de congressos etc. denominadas “Bibliotecas Base”. passou a ser integrado posteriormente pela Secretaria de Educação Superior (Sesu).php?cat=Comut) Criado em 1980. que po- dem fazer seus pedidos como usuários solicitantes. O Programa atende.) adquiridos e armazenados de forma cooperativa nas biblio- tecas pertencentes às principais instituições universitárias e de pesquisa do Brasil. respeitando-se rigorosamente a Lei de Direitos Autorais.br/secao.

Portugal e Timor Leste. em CD (31ª ed.46 4. Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) (http://regional. de 2009) contém mais de 1. hoje a rede é formada pelo acervo de 29 instituições coo- perantes. o aperfeiçoamento dos serviços de documentação e informação das instituições participantes e o compartilhamento dos recursos empregados. que emitia as fichas e etiquetas relativas a este acervo. Esse projeto visava à constitui- ção de um cadastro das obras dos acervos das bibliotecas da FGV. Seu catálogo mais recente.br/bibliodata/) A Rede Bibliodata é uma experiência nacional pioneira na cria- ção de uma rede de catalogação cooperativa. Tem a missão de contribuir para o desenvolvimento da área da saúde fortalecendo e ampliando o fluxo de informação nesse âmbito. 45.45 iniciado na década de 1970. em co- laboração com o Ministério da Saúde. – set. Com suas raízes no Projeto Calco. 3. que visa a difusão dos acervos bibliográficos do País. sua absorção pelo Ibict está sendo imple- mentada.000 registros bibliográficos. 46.800. Calco = Catalogação Legível por Computador.bvsalud. estabelecido no Brasil. África.org/local/Site/bireme/homepage. até 2005 foi coordenada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e. Apresenta-se como uma rede resultante da ação cooperativa de 31 países da América Latina e do Caribe.htm) A Bireme é um centro especializado da Organização Pan-Ameri- cana da Saúde (Opas). Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 79 . o Ministério da Educação. Mé- xico. desde 1967. Espanha. Rede Bibliodata (http://www8. Cabe informar que o CCN é o principal instrumento de apoio do Comut. desde então.fgv. a Secretaria do Estado de São Paulo e a Universidade Federal de São Paulo.

Com a viabilização da publicação eletrônica de documentos. do Consór- cio Brasileiro de Teses e Dissertações. o qual resultou. em parceria com as instituições brasileiras de ensino e pesquisa − possibilita que a comunidade brasileira de C&T publi- que eletronicamente as teses e dissertações produzidas no país e no exterior. implantado pelo Ibict. em 1995. o Ibict consti- tuiu um grupo de estudo para analisar questões tecnológicas e de conteúdo relacionadas com a publicação de teses e dissertações na Internet.969 teses/dissertações publicadas. com cerca de 121 mil registros. e também estimula o registro e a publicação de teses e dissertações em meio eletrônico. contando com 134. desde 1982. que se constitui em uma ferramenta indis- pensável para a pesquisa na referida área. que levou à criação. A BDTD iniciou com um sistema cooperativo. a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dis- sertações (BDTD) reúne os sistemas de informação de teses e dissertações existentes em instituições de ensino e pesquisa bra- sileiras. Em dezembro de 2009. dando maior visibilidade à produção científica nacional. hoje. em uma só base de dados. Disponibiliza a Bibliote- ca Virtual em Saúde. em um projeto-piloto. Este projeto − iniciativa inovado- ra do Ibict. Produz a base de dados denominada Literatura Latino-Ame- ricana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs). 5. em janeiro de 2001. referências bibliográficas de teses e dissertações provenientes de 17 instituições de ensino superior. Seguindo essa tendência. Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) (http://bdtd.ibict.47 A base contava. o portal do BDTD registra 92 instituições parceiras. em abril de 2005. formado por instituições 47. 80 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . diversas instituições nacionais e internacionais iniciaram ações para a disponibilização em rede dos textos completos desse tipo de documento.br/) Anteriormente denominada Biblioteca Digital de Teses Brasilei- ras (BDTD). a qual cobre a literatura médica da região. o qual integrava. à época. em dezembro do mesmo ano.

Inclui. sendo o acesso realizado a partir de qualquer 48.  instituições de pesquisa com pós-graduação avaliada pela Capes. Portal da Capes (http://www.de ensino e pesquisa que cooperam com o Instituto. também.  instituições públicas de ensino superior estaduais e munici- pais com pós-graduação avaliada pela Capes e. alunos e funcionários de 311 insti- tuições de ensino e de pesquisa.br/) Professores.48 em todo o País.  instituições privadas de ensino superior com pelo menos um doutorado com avaliação trienal 5 (cinco) ou superior pela Capes. Outras instituições podem aderir ao Portal na categoria de “pagantes”. Dados de dezembro de 2009 fornecidos pela Capes. Essas instituições foram selecionadas con- siderando-se a missão da Capes de promover a elevação da qua- lidade do ensino superior por meio do fomento à pós-graduação. e a 130 bases de dados referenciais (com referências e resumos de documentos) em to- das as áreas do conhecimento.522 revistas nacionais e estrangeiras. 6. As seguintes categorias são determinantes para as instituições se- rem incluídas no acesso ao Portal de Periódicos da Capes:  instituições federais de ensino superior. têm acesso à produção intelectual mundial atualizada mediante este serviço oferecido pela Capes. uma seleção de importantes fontes de informações acadêmicas com acesso gra- tuito na Internet. O uso do Portal é livre e gratuito para os usuários das institui- ções participantes. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 81 . pesquisadores. integrando as duas iniciativas – a de registro bibliográfico e a de publicação eletrônica de teses e dissertações – que passou a ser o principal alimentador da BDTD.periodicos. com acesso restrito às coleções contratadas. O Portal oferece acesso aos textos completos de artigos de 22.gov.capes.

49. artísticas e científicas. também pretende contribuir para o desenvol- vimento da educação e da cultura. recursos. em formato de som.br/) Sob a responsabilidade do MEC. com vistas a partilharem competências. foi criado – em novembro de 2004 – o PORTAL DOMÍNIO PÚBLICO. ligados através das tecnologias de informação. em qualidade.gov. Em 2009. 7. a preservação e o compartilhamento de conhecimentos.dominiopublico. A noção de “domínio público” se apoia.000 obras literárias. sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literá- rias. arrola mais de 135. Esse portal propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime. texto. artísticas e científicas. Por outro lado. de pesquisa e de graduação do País. que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal. Portal Domínio Público (www. vídeo e áudio já em domínio público49 e a obras que tenham a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais. pode-se inferir que os exemplos ci- tados corroboram o conceito de Matos (1997). produtividade e competitividade. O portal vem favorecendo o crescimento das atividades dos programas de pós-graduação. assim como para aprimorar a construção da consciência social. que define redes virtuais como “uma rede (temporária) de organismos indepen- dentes. pois se encontra em permanente desenvolvimento.terminal ligado à Internet localizado nas instituições ou por elas autorizado (acesso remoto). na questão de que as obras de responsabilidade de autores com mais de 70 anos de morto devem ter seu acesso liberado para a sociedade. legalmente. custos e os espaços de in- tervenção de cada um”. 82 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . a integração. da cidadania e da democracia no Brasil. com um acervo de cerca de 500 obras. Concluindo esse tópico. colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores uma biblioteca virtual que se constitui em um ambiente que permite a coleta.

materiais.. nos dias de hoje. na medida em que a tecnologia se aprimora. com a utilização dos grandes computadores (AVALIAÇÃO. as primeiras iniciativas de informatização das bi- bliotecas se fundamentaram em softwares desenvolvidos. amplamente utilizados nos sis- temas de gerenciamento de bibliotecas. ampliam-se as fontes de informação. Nesse sentido. humanos. O grande potencial existente no contexto das redes se refere ao fato de que a informação não se encontra mais centralizada. que proporcionaram o acesso a equipamentos e softwares cada vez mais avançados. na déca- da de 1970. desenvolvido pela Unesco. Estes sistemas ajudam a controlar as atividades de registro. Atualmente o Microisis é distribuído pela Bireme. Por outro lado. pelas próprias instituições a que estavam vinculadas. entre outros. o seu poder de circulação é muito maior e dinâmico e a tecnologia trabalha justamente em prol dessa disseminação. sendo os mais relevantes os de origem internacional. também. a grande maioria das bibliotecas – de todos os tipos e tamanhos – contam com sistemas informatizados de gerenciamento de seus serviços. como o VTLS e o Aleph. ou seja. 2002). com as mudanças na política de Informá- tica. o custo desses sistemas vem diminuindo. Sistemas de Gerenciamento de Serviços de Bibliotecas Os computadores são. No Brasil.. começaram a ser desenvolvidos os sis- temas de informatização nacionais e. a partir de 1985. tratamento e recuperação dos itens dos acervos das diferentes unidades de informação. A partir de 1993.50 Ao final da década de 1980. ou com base no software Microisis. 50. sendo o Ibict o seu distribuidor oficial. tecnológicos) e outros fatores de interesses internos. A extensão dessa informatização varia de acordo com os recur- sos disponíveis (financeiros. o seu detentor não é mais uma única pessoa. surgem outros sistemas de infor- matização. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 83 .. Os estudos sobre automação dos serviços de bibliotecas – como eram denominados – remontam à década de 1960.

Informações Gerenciais. Um novo modelo. que se constitui em uma oportunidade de democratização do aces- so à informação bibliográfica. Circulação. Os Sistemas de Gerenciamento de Serviços de Bibliotecas apresentam funções básicas. Catalogação. Na escolha de um software. tais como: Aquisição. especificando- se as empresas que os comercializam: Software Empresa Aleph Ex Libris Argonauta Data Coop Informa Modo Novo MicroIsis Bireme Ortodocs Potiron Pergamum PUC-PR Thesaurus Via Ápia Informática Virtua VTLS América Esses sistemas apoiam a construção dos catálogos informati- zados das instituições. ao analisar a situação da automação nas bibliotecas universitárias identificou como os maiores benefícios trazidos pela implantação desses sistemas a rapidez. Publi- cações Seriadas. os usuários desses sistemas estão organi- zando redes de usuários. é preciso que os gestores nor- teiem suas preferências. tamanho da coleção. em se tratando de software para informatiza- ção das coleções das bibliotecas é o conhecido como “software livre”. são listados alguns desses sistemas. visando os benefícios que esse sistema irá trazer para a unidade. que consiste em um projeto concebido em parceria 84 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . A seguir. infraestrutura tecnológica. como a Rede de Usuários do Pergamum. Atualmente. características do software. a agilidade e a eficiência no atendimento às necessidades informacionais dos usuários. em termos de: missão da instituição. Um exemplo desse tipo de iniciativa é o BIBLIVRE. fidedignidade do fabricante etc. Figueiredo (1992). Catálogo em Linha de Acesso Público (Opac). com a finalidade de otimizar as atividades desenvolvidas. que proporcionam a recuperação das infor- mações dos seus acervos.

está sendo implantado em todas as bibliotecas públicas do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). como também a redu- ção e a racionalização de espaços de armazenamento. O software. da Coppe/UFRJ. Esta ferramenta tem por finalidade promover não só a organização da documentação e o aumento da agilidade nos processos de transmissão da informação. que está na sua versão 2. guarda e difusão de documentos – a Gestão Eletrônica de Docu- mentos (GED). XX e início do Séc. principalmente. GESTÃO ELETRÔNICA DE DOCUMENTOS (GED) No final do Séc.pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional e pelo Programa de Engenharia Elétrica. XXI. recomenda-se. está sendo muito utilizada pelas empresas e se constitui em um novo campo de trabalho para o profissional bibliotecário. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 85 . para aqueles profissionais que não tiveram oportunidade de lidar com as tecnologias emergentes durante seus cursos de graduação e pós-graduação. tratamento. principal- mente para aqueles que lidam diretamente com as tecnologias de informação. portanto. começam a ser utilizadas ferramentas voltadas ao novo conceito de geração.2. Mudanças substanciais estão ocorrendo nas relações de tra- balho e nas formas de condução das tarefas diante desse cenário tecnológico e faz-se necessário garantir meios de acesso às infor- mações digitais para as futuras gerações. como também na sua aplicação nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. uma contínua atualização. que estão em constante evolução. A Informática e a atividade dos profissionais A aplicação da Informática nas diferentes atividades profissionais vem se constituindo em um grande desafio. Para os bibliotecá- rios. não só no que diz respeito ao domínio das ferramentas de Informática. A educação permanente deve ser uma meta presente para todos os profissionais.

J. Londrina . 2.br Acesso em: 10 out. v. 1992. M. Belo Horizonte: Ed. São Paulo: Polis. 2009.). 1-2. Serviços de referência e informação./dez.fgv. FIGUEIREDO. M. 86 Influências do uso da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação . Disponível em: www. 157-167. Disponível em: www. São Paulo: Polis. R. 120-130. SARACEVIC. p. n. p.php. 2009. v. T. DF. n. 1989. M. 1997. MATOS.ibict. In: ______. rev.br Acesso em: 10 out.bibliodata. Ciência da Informação. TOMAÉL. 1990. N. C. 2002. Disponível em: www. Interdisciplinarity nature of Information Science.bireme. e ampl.1. v.br Acesso em: 10 out. São Paulo: Polis.dominiopublico. 1995. Universidade Nova de Lisboa. ed.1/2. de. PORTAL DO CENTRO LATINO-AMERICANO E DO CARIBE DE INFOR- MAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE (Bireme). p. OLIVEIRA. A Informática na Biblioteconomia e na Documentação.24.36-41.capes.org. 2009.10.Referências AVALIAÇÃO de softwares para bibliotecas e arquivos./jun. Brasília. Marlene de (Coord. I. Disponível em: www. Redes de Informação: o ponto de contato dos serviços e unidades de informação no Brasil. L. PORTAL DO INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA (Ibict). jan. ROBREDO. PORTAL DOMÍNIO PÚBLICO. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documen- tação. São Paulo. Disponível em: http:// www. BARSOTTI. 22. 2005.br/php/index. PORTAL DA COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR (Capes). n. Organizações virtuais. 2005. Acesso em: 17 dez. Informação e Informação. PORTAL DA REDE BIBLIODATA. 2009. Entrevista. da UFMG. jan.org. Ciência da Informação e Biblioteco- nomia: novos conteúdos e espaços de atuação. br Acesso em: 10 out. O impacto da automação no serviço de refe- rência/informação. 2009. Lisboa: mimeo.

UNIDADE 3 .

Fundamentado. Foi preciso promover uma radical transfor- mação neste cenário para que essa área se expandisse. jan. 2000 e em MUELLER. 3-15. 88 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduação e de pós-graduação .1985. era procurado por in- divíduos estudiosos. por sua vez. C. A Biblioteconomia como área de atuação. Brasília. que quanto maior número de itens reunisse mais aumentava de valor. por muito tempo. amantes das letras e de livros. A. P. Como consequência desta mu- dança. de. tais como: o aumento da produção do livro impresso. S. teve como lócus principal a biblioteca. O advento da Revolução Industrial faz surgir outros fatos que influenciam a área de Biblioteconomia. p. a proliferação das sociedades científicas e o crescimento dos perió- 51. História da Biblio- teconomia brasileira: perspectiva histórica. nessa área. M. as novas descobertas científicas./jun. O exercício da profissão. o desenvolvimento do conhecimento. uma nova tendência se instala – o interesse em facilitar o acesso – fazendo crescer as oportunidades de pesquisa e.1. em CASTRO. historiadores – quase sempre pessoas muito cultas – que trabalhavam com dois grandes objetivos “guardar com zelo o acervo” e “preservá-lo para o futuro”. O Ensino de Biblioteconomia no Brasil. A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduação e de pós-graduação51 “Escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um só dia de sua vida” (Confúcio). v.14. Brasília. voltando- se para mercados diferenciados. principalmente. DF: Thesaurus. n. a qual era vista sob uma ótica estática –“de um depósito”– mais interessada no armazenamento de seu acervo. DF. Ciência da Informação.

a saber. os de pós-graduação stricto sensu – mestrado e doutorado – formam os docentes e os pesquisadores na área. Mota e Oliveira (2005) apontam que. no Brasil. do período de 1879 a 1929. e os títulos de mestre e doutor são obtidos em programas de pós-graduação stricto sensu. conservar. precisam estar organizadas em comunidades e suas relações devem ser estabelecidas por con- tatos diretos (por meio das pesquisas) e indiretos (por meio das publicações). Essas pessoas. sob a responsabilidade da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. na Europa e nos Estados Unidos (GUIMARÃES. acompanhadas por práticas que as com- provem e que possua uma infraestrutura científica fundamentada em sociedades científicas. segundo Bunge (1980). Diante desta nova era. a função dos profissionais da área deve contemplar as atividades de “reunir. ela ocorre em nível de gradua- ção. o que exige da sua formação o foco nas competências para atingir tais objetivos. orde- nar e distribuir informação”. canais de comunicação. os cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação são oferecidos em três níveis. e em nível de pós-graduação.dicos científicos. com ênfase na de Ciência da Informação. pessoal qualificado. pós-graduação lato sensu (especiali- zação) e pós-graduação stricto sensu. principalmente. seguindo a influência francesa. no Brasil. graduação. Os cursos de graduação possibilitam ao aluno a formação básica e a iniciação na prática da pesquisa. A formação de pessoal qualificado representa um grande fa- tor para o desenvolvimento de uma área. a segunda. em vá- rias áreas. nos países latino-americanos. O título de bibliotecário é obtido em cursos de graduação. é apresentada por Fonseca citado por Mueller (1985) como dividida em três fases distintas: a primeira. 2004). A evolução do ensino profissional de Biblioteconomia. de 1929 a Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 89 . Em se tratando da for- mação na área de Biblioteconomia. A Biblioteconomia como área científica Alguns indicadores são considerados como indispensáveis para que uma área seja considerada científica: que ela tenha desen- volvido teorias próprias. instituições de ensino e pesquisa e.

oficialmente. totalmente. Pode-se. Iconografia e Cartografia e. com a implantação do primeiro currículo mínimo oficial. O início da formação em Biblioteconomia. e a quinta. ainda. desde a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Paleografia e Diplomática. No primei- ro ano. contava com quatro disciplinas: Bibliogra- fia – que se subdividia em Administração de Bibliotecas e Cataloga- ção. 90 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação . seguindo o modelo francês para a formação de pessoal para as bibliotecas. em São Paulo. Cabe ressaltar que com essa reforma o curso não mais se destinava somente aos funcionários da BN. que ca- racterizou uma reformulação nos programas de ensino. aberta. seguindo os modelos americanos. em 1911. As direções que se sucederam na administração da BN come- çaram a demonstrar preocupação com a falta de pessoal qualifica- do e em número insuficiente para desenvolver todas as atividades requeridas (CASTRO. no segundo ano. nas próprias dependências da Biblioteca Nacional. que corresponde ao período que se seguiu à implementação do segundo currículo mínimo. que – como já apresentado na Unidade 2 – foi fundada. sob a gerência do diretor da instituição. com as disciplinas Bibliografia. a terceira. apro- vado pelo Conselho Federal de Educação (CFE). consti- tuída pela década de 1970. ainda. Paleografia e Diplomática. que trouxe a flexibilização do currículo dos cursos no Brasil. em 1982. em 1810 e. segue de perto a criação da Biblioteca Nacional (BN).1962. em função do crescimento dos cursos na área. Este curso foi interrompido em 1923 e reiniciado em 1931. Esta mudança do curso. com ênfase na atuação do Colégio Mackenzie. com a duração de dois anos. em 1996. de 1962 em diante. Com o objetivo de sanar as dificuldades existentes na Biblio- teca. 2000). Iconografia e Numismática. em relação à qualificação de pessoal. foi criado o curso de Biblioteconomia. O currículo da primeira turma do curso. à população em 1814. incluir uma nova fase a essa última classificação. o currículo contava com as disciplinas: História Literária. que só iniciou em 1915. contemplava a predominân- cia da cultura geral em detrimento das técnicas. Mueller (1985) acrescenta mais duas fases a essa classificação: a quarta. no Brasil. apesar da predominância destes. na formação do bibliotecário.

entre outras. trazidos por bibliotecários brasileiros que se especializaram nos Estados Unidos. em 1940. antes dessa reforma. abriu novas oportunidades na área. o curso da Prefeitura Municipal é descontinuado. um curso de Biblioteconomia. Esta iniciativa. mi- nistrando as disciplinas Catalogação. seguida da reforma do curso da Biblioteca Nacio- nal. de Belo Horizonte e do Paraná. Classificação. Como já mencionado. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 91 . o ensino na BN incorpora os aspectos técnicos america- nos. criado no Colégio Mackenzie. Cabe ressaltar que o Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp) criou. no final da década de 1920. Mais uma reforma ocorre na BN. por Rubens Borba de Moraes. como já apresentado na Unidade 2. o qual funcionou até a reformulação no curso da BN. Referência e Organização de Bibliotecas – encerra suas atividades quando é criado. Castro (2000) ressalta que outro aspecto relevante da refor- ma do curso da BN foi que o Curso de Biblioteconomia passou a se denominar Cursos da Biblioteca Nacional (CBN). compreen- 52. 1985). que apresentou o pre- domínio dos aspectos técnicos sobre os de natureza humanista. um novo curso na Escola Livre de Socio- logia Política (ELSP52). com o Curso Elementar de Biblioteco- nomia. no ensino da Biblioteconomia. da Bahia. com subvenção da Rockefeller Foundation. ao regressarem a seus estados. reorganizam antigas bibliotecas. o Curso de Biblioteconomia do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Pau- lo. Em 1939. Esse curso – que já focalizava as técnicas biblioteconômicas. a qual projetou mudanças significativas no Curso de Biblioteconomia. no Rio de Janeiro. em 1944. Rubens Borba de Moraes foi um dos fundadores da ELSP. ambos adotaram o modelo americano. com duração de seis meses – incluindo as mesmas disciplinas do curso da ELSP – destinado a capacitar os ocupantes de cargos públicos de bibliotecário e bibliotecário auxiliar. é aquela em que foi implantado no Brasil o modelo pragmático de ensino de Biblioteconomia. em 1944. e. podem ser ci- tadas as Escolas de Biblioteconomia. A segunda fase. distinguida por Fonseca (MUELLER. principalmente. dão origem a novos cursos de Biblioteconomia no País. Com esta reforma. Candidatos de outros estados receberam bolsas de estudos para estudar em São Paulo. em 1936. sendo criado. criam novas e. Como exemplos.

apontada por Fonseca. sendo de responsabilidade das escolas a determinação das disciplinas relacionadas aos mes- mos. Estampas e Documentos. Essa estrutura curricular – homologada pela Portaria do Mi- nistério da Educação (MEC). de 4 de dezembro de 1962 – insti- tuía que todos os cursos de graduação deveriam seguir o modelo nacional.). que for- mava o pessoal para administrar. que tinha o objetivo de formar bibliotecários auxiliares. 326/CFE/62. pela expansão no número de cursos de Biblioteconomia e na bus- ca – pelos bibliotecários – de um reconhecimento da profissão como de nível superior. os Cursos Avulsos que davam oportunidades aos profissionais se especializarem. assim como promoveram oportunidades de discussão dos rumos da profissão e do ensino praticado para a formação dos profissionais. na ótica de Mueller (1985). que deram início às atividades colabo- rativas. vai de 1962 em diante. aprova- do pelo Conselho Federal de Educação (CFE) por meio de Parecer no. começaram a se realizar eventos com a finalidade de reunir bibliotecários de todo o território nacional. Este modelo – baseado no modelo americano introduzido pela Escola Livre de Sociologia Política. A década de 1950 caracteriza-se. podem ser citados os cursos de Conservação e Restauração de Livros. organizar e dirigir os serviços técnicos inerentes às bibliotecas. 92 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação . com a implantação do primeiro currículo mínimo oficial. não permitia mudanças nestes conteúdos. com a duração de um ano. inviabilizando modificações rápidas na estrutura curricular.dendo três níveis distintos: o Curso Fundamental de Biblioteco- nomia. que – sob a orientação de bibliotecários – poderiam executar alguns serviços técnicos. por meio da atualização de seus conhecimentos sobre Biblioteconomia. Como exemplos. o Curso Superior de Biblioteconomia. denominado “Currículo Mínimo”. na medida em que o sistema educacional brasileiro era muito burocrático. na década de 1940 – esta- belecia as matérias e seus conteúdos. bus- cando também promover a padronização dos serviços de bibliote- cas. de Iconografia e de Paleografia. no trabalho de Mueller (Id. A terceira fase do ensino da Biblioteconomia. Para conseguir tal intento. também com a duração de um ano. Porém.

Por ocasião do VI CBBD. realizado em Belo Horizonte. em 1980. Outra recomendação do VI CBBD foi a criação do Encontro Nacional dos Estu- dantes de Biblioteconomia e Documentação (ENEBD). no Rio de Janeiro. 3° – É obrigatória a observância dos artigos 1° e 2° a par- tir do ano letivo de 1963. Bibliografia e Refe- rência. dos quais seis em cidades do interior. em 2009. em meados da década de 1960. História da Arte. fórum de discussão e apre- sentação de trabalhos. Introdu- ção aos Estudos Históricos e Sociais. Entre 1970 e 1977. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 93 . “planejar o desenvolvimento da formação biblio- teconômica”.  Art. De autoria do Conselheiro Josué Montello. Outro fato relevante que ocorreu. em 1971. 2° – A duração do curso será de três anos letivos. De acordo com levantamento realizado por Souza (2009). Evolução do Pensamen- to Filosófico e Científico. História da Literatura. a Secretaria do 53. esse instrumento apresentava:  Art. até que. a ABEBD se pronunciou favoravelmente à necessidade de uma revisão do currículo mínimo vigente para o Curso de Biblio- teconomia. nos quais foram discutidas questões relativas à atualização dos currículos. Este ato teve como consequência imediata a elevação da pro- fissão à categoria de “profissão de nível superior”. em 1965. em suas questões organizativas – apresentava como uma de suas finalidades em seu estatuto. tendo sido realizada. Esta entidade – que se propunha a congregar as escolas de Biblioteconomia e Docu- mentação do Brasil. que vem se realizando regularmente desde então. 1° – O currículo mínimo do curso de Biblioteconomia compreenderá as seguintes matérias: História do Livro e das Bibliotecas.53 Por toda a década de 1970. realizado em São Paulo. Organização e Administração de Bibliotecas: Catalogação e Classificação. Paleografia. oito cursos foram criados no País.  Art. a sua 32ª edição. datado de 14 de janeiro de 1967. foi a criação da ABEBD. Documentação. foram realizados inúmeros en- contros da ABEBD. por recomendação emanada do V CBBD. já tinham sido criados no país 10 cursos de Biblioteconomia e por toda a década de 1960 surgiram mais nove cursos.

que revo- gou toda a legislação anterior relativa aos cursos de graduação. onde a flexibilidade. no estabelecimento de seus currículos. e em sete anos. 94 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação . e denominado de “Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação”. 54. 2009). Resolução 08/1982. os profissionais da área de Biblioteconomia iniciaram debates sobre as diretrizes formuladas na LDB. Administração de Bibliotecas (SOUZA. aprovado em 14 de julho de 2005. que deveriam ser integralizadas em quatro anos. sancionada em 20 de dezembro de 1996. no máximo. Formação e Desenvolvimento de Coleções. no mínimo. foi planejado com o propósito de formar bibliotecários gestores.Ensino Superior (Sesu/MEC) organizou um Grupo de Trabalho – MEC/ABEBD – o qual apresentou. Políticos e Econômicos do Brasil Contemporâneo. em janeiro de 1981. prevalecendo sua localização na região Sudeste (51%). em 2009. 1985). Em 1982. Aspectos Sociais. Língua Portuguesa. foi aprovado o Segundo Currículo Mínimo. Os 39 cursos existentes. Métodos e Técnicas de Pesquisa. Matérias Instrumentais: Ló- gica. seguem essas dire- trizes. A partir da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB). no País. Desses cursos. aptos a atuar no Ambiente 21. apresentando como resultado um documento denominado “Diretrizes Curriculares para os Cur- sos de Biblioteconomia”. Produção dos Registros do Conhecimento.394.54 cuja principal modificação foi o estabelecimento da duração mínima do curso em 2. o da UFRJ. 72% estão vinculados a instituições públicas e 28% a instituições priva- das. e Matérias de Formação Profissional: In- formação Aplicada à Biblioteconomia. estando muito mais dire- cionado aos anseios da sociedade brasileira. Con- trole Bibliográfico dos Registros do Conhecimento. Lei No 9. ao CFE uma proposta de reformulação do Currículo Mínimo dos cursos de Biblioteconomia (MUELLER. a celeridade e a autonomia são palavras de ordem. Disseminação da Informação. História da Cultura. Este currículo estabelecia matérias de Fundamentação Geral: Comunicação. Um dos mais novos cursos da área. Língua Estrangeira Moderna. que flexibilizou a estrutura curricular dos cursos formadores de bibliotecários. de 1° de setembro de 1982.500 h/aula.

o CDC foi ministrado com mandato universitário. O ensino da Ciência da Informação A criação do IBBD. também. para padronização das nomenclaturas dos cursos de graduação.I. por meio de convênio com a UFRJ. Cabe ressaltar que. em 1954. em 1970. A partir de 1964. mais tarde foi aberto a outros graduados de cursos superiores. com o objetivo de cobrir lacunas dos cursos de Biblioteconomia. tem grande importância para a for- mação dos profissionais da área de Biblioteconomia no Brasil. dirigido – ini- cialmente – a bibliotecários. foi a criação dos cursos de pós-graduação lato sensu. a classe acadêmica discordou desse posicionamento. foram treinados inúmeros bibliotecários brasileiros e. pelo IBBD/Ibict. Cabe lembrar que a Biblioteca Nacional também oferecia cur- sos de capacitação para profissionais já formados. buscando formar um profissional mais dinâmico e competitivo que. Apesar de um movimento do MEC. a oferta do Curso de Documenta- ção Científica (CDC). as estruturas dos cursos es- tão mais voltadas para o acesso à informação. pelo IBBD. atenda às necessidades do usuário do Séc. durante 40 anos. apresentando argumentos que visavam garantir a flexibilidade conquistada anteriormente. sem interrup- ção. foi criado. sob esse aspecto. em nível de mestrado. em meados de 2009. neste cenário. com grande projeção internacional. tendo sido essa instituição a pioneira na oferta dos mesmos. XXI. principalmente. a capacitar os profissionais graduados. ou de es- pecialização. especiali- zando-os em determinado assunto ou tema. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 95 .. também pelo 55. bibliotecários da América Latina.. atualmente. Ressalta-se. Salienta-se que os cursos de especialização destinam-se. Segundo Barreto (2007) este curso foi oferecido. 1995). O primeiro curso de pós-graduação stricto sensu na área de C. Uma ação relevante empreendida pelo Instituto. capacitando-os para trabalhar com a documentação científica e técnica. até o final da década de 196055 (CHRISTOVÃO. a partir de 1956. primeiro enfoque da C. desde a década de 1950. no Brasil. de fato.I. Com este curso.

Ainda segundo a autora. em 1976. a partir de 2008. que logo se transformou em Ibict. o convênio foi firmado com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e. A partir do curso do IBBD/Ibict. o da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.I. comportamento e fluxo da informação”. e o mes- trado em Biblioteconomia e Documentação. Unidade da UFRJ à qual está vinculado o curso de graduação em Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG). em nível 56. como o da Universidade Federal de Minas Gerais. 96 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação . o Ibict retoma sua parceria com a UFRJ. destacaram-se Frederick Wilfrid Lancaster e Tefko Saracevic.56 No decorrer da década de 1970 e da seguinte. 2009). conta com oito programas de pós- graduação e. também em 1976. estabelecendo convênio com a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (Facc). Esse curso manteve con- vênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 2000. a maioria em Biblioteconomia. foram sen- do formados docentes/pesquisadores brasileiros. o curso recém-criado não se confi- gurava como uma especialização para graduados em um único campo do conhecimento. Estes cursos depois mudaram suas denomina- ções. na orientação de dissertações e no estabelecimento de linhas de pesquisa. no País. os quais foram substituindo o pessoal estrangeiro. Atualmente. o mestrado do Ibict. outros cursos de mestrado foram criados. da Escola de Co- municação. no ensino.IBBD. (SOUZA. a princípio.I. aberto a qualquer tipo de graduado que tivesse como foco de es- tudo “a compreensão das propriedades. No período de 2003 a 2007. não dispunha em seus quadros de profissionais com a titulação exigida para exercer a docência neste nível. em 1978. da Universidade de Brasília. De acordo com Christovão (1995). que também exerceram papel de orientadores para a formação de alguns docentes brasileiros. tendo sido esse problema contornado por meio de convite a alguns especia- listas da Inglaterra e dos Estados Unidos para ministrar as disci- plinas da área de concentração do curso. mas sim como um curso interdisciplinar. vinculando-se à área de C. da Universidade de São Paulo (ECA/USP). ainda se faz presente em outros dois programas: no Programa de Pós-graduação em Comunicação. Dentre os docentes estrangeiros. a área de C.

desde 1992. B. um programa de pós-graduação em Memória Social. Existe. desde 1998 e doutorado a partir de 2005. Como pode ser visto. em nível de doutorado. desde 1995. em nível de mestrado. sob a responsabilidade da Unirio. Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação (Área de Concentração: Comunicação e Informação). desde 1972 e. o cor- po de professores/pesquisadores ainda está aquém da demanda desses programas. com área de concentração em Estudos Interdisciplinares em Ciência da Informação. 2009. com cur- so de mestrado. ainda. e no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação. Notas: A. O MEC está promovendo modificações nesse cenário. ofe- recidos na área de C. também no âmbito da graduação. houve um crescimento relevante na quantidade de programas de pós-graduação. Quadro 6 – Programas de Pós-graduação em Ciência da Informação no Brasil Nível Início Vinculação Mestrado 1970 Ibict Doutorado 1992 A Mestrado 1972 USP Doutorado 1980 Mestrado 1976 UFMG Doutorado 1997 Mestrado 1976 PUCCamp Mestrado 1978 UFPB Mestrado 1978 UnB Doutorado 1992 Mestrado 1995 UFRGSB Doutorado 2000 Mestrado 1998 Unesp Mestrado 1998 UFBA Mestrado 1998 Unirio Doutorado 2005 Mestrado 2003 UFSC Mestrado 2008 UFF FONTE: Adaptado de SOUZA.de mestrado.I. por meio de uma das ações do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Ex- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 97 . entretanto. da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (Linha de Pesquisa em Biblioteconomia/Informação). O Quadro 6 discrimina os programas de pós-graduação.

na medida em que.ufrj. para se aten- der às demandas da sociedade atual. para que a sinergia advinda desse vínculo incida positivamente nos membros da 57. pode-se concluir que as áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Autores das respectivas áreas levantam. como a da tecnologia da Educação a Distância (EaD). fornecendo à sociedade profissionais do mais alto nível. no sentido de facilitar o acesso mais rápido aos conteúdos dos cursos. O Reuni tem como objetivo maior criar condições para ampliação de acesso e permanência na graduação com melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais. a fim de que tenham maior visibilidade e maior reconhecimento pela sociedade. especialmente no período noturno (Fonte: http://www. uma delas é a redução das taxas de evasão. pelo Decreto nº 6. pois eles têm um papel fundamental na consolidação de uma área do conhecimento. então.  o estreitamento da parceria entre a área de Biblioteconomia e as demais áreas que lidam diretamente com o tratamento e uso da informação deverá ser estimulado. a seu ver.096 de 24 de abril de 2007. apesar de todos os pontos favoráveis que foram descritos. o cientista social Darcy Ribeiro já expressou sua avaliação positiva sobre os cursos de pós-graduação no Brasil. Desde o final da década de 1970. 98 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação . encontram ainda muitos obstáculos pela frente.br).  práticas educacionais mais modernas deverão ser mais utili- zadas. culminando no desenvolvimento da ciência. Reflexões sobre a situação atual Diante do cenário apresentado.57 desenvolvido pelo Ministério. O programa estabelece ainda diversas diretrizes. da cultura e da pesquisa. além da formação e treinamento profis- sional. alguns pontos para reflexão sobre este assunto:  os currículos dos cursos – acompanhando a flexibilidade vi- gente – deverão ser analisados. esta nova infraestrutura de ensino propiciaria a instrução científica e humanista. ocupação de vagas ociosas e aumento de ingresso. continuamente. e também atingir um maior número de estudan- tes nesse país de dimensões continentais.pansão das Universidades Federais (Reuni).

Vencer mais este desafio garantirá espaço social e profissional para os bibliotecários se inserirem na Sociedade da Informação. mudou seu curso para Gestão da Infor- mação. estão a Universidade Federal de Minas Gerais. a fim de que estes se sintam inseridos em uma verdadeira sociedade da informação. o que se espera ser resolvido com a implementação do curso de EaD na área. CFB deverá promover a capacitação de pessoas para atuar como bibliotecário nas mais longínquas cidades do interior brasileiro. O Conselho Federal de Biblioteconomia indeferiu o pedido de registro profis- sional de bibliotecário para os formandos deste curso. que exige uma competência profissional ampla e que demanda um profissional capaz de fornecer a informação certa. Influenciadas por estas e outras demandas. a imensidão do Brasil e as disparidades regionais evocam a necessidade de se formar profissionais para atender às realidades diferenciadas do País. no momento certo e a um custo que justi- fique seu uso. Entretanto. na medida em que não os considera capacitados para o exercício da profissão de bibliotecário. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 99 . ao cliente certo. muito se discute se essa modificação não é ape- nas na nomenclatura. Como já men- cionado. mas o es- forço deve ser bem acentuado em função das mudanças radicais que se tem enfrentado. Dentre elas. esta iniciativa do MEC. A Universidade Federal do Paraná. oferecendo oportuni- 58. em 2010. sociedade brasileira. a Pontifícia Universidade Católica de Minas Ge- rais. XXI. das associações de ensino e dos órgãos de classe. algumas escolas de Biblioteconomia modificaram seus currículos. as quais não formam mais bibliotecários e sim bacharéis em Ciência da Informação. e a Universidade Federal de São Carlos. a Univer- sidade de São Paulo (Campus Ribeirão Preto). a Pontifícia Universidade Católica de Campinas.58 No entanto. por sua vez. e se está privilegiando a verdadeira prepa- ração dos profissionais para atuação na sociedade do Séc. A formação desta postura profissional – pró-ativa e criativa – é objeto de reflexões dos docentes nas escolas de Bibliotecono- mia. da fonte certa. Capes/UAB. mudando a de- nominação de seus cursos de graduação em Biblioteconomia para Ciência da Informação.

T. v. Brasília. Formação e atuação profissional. de.1985. n. das bibliotecas públicas. 2004. ed. rev. da UFSC. 2..14. DF. Ciência da Informação. 24. das C. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his- tórica.) Profissional da informação: o espaço de trabalho. CHRISTOVÃO. CASTRO. n. jan. os quais provavelmente não teriam possibilidade de frequentar os cursos oferecidos nas ca- pitais. M. MUELLER. São Pau- lo: EDUSP.). S. Brasília. 2005. de. Profissionais da informação: desafios e perspecti- vas para a sua formação. 2009. GUIMARÃES. da UFMG. P. Ciência e desenvolvimento. 1980. DF.1. G. DF: Thesaurus. 3-15. L. 2000. A. M. de. A Ciência da Informação no contexto da pós-gradua- ção do Ibict.1./jun. C. O Ensino de Biblioteconomia no Brasil.dades de formação a inúmeros leigos que se encontram à frente. S. M. Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação. J. Referências BUNGE. Belo Horizonte: Ed. H. R. P. 100 A formação profissional do bibliotecário: ensino de graduaçãoe de pós-graduação . O ensino da Biblioteconomia no contexto brasileiro: Século XX. F. MOTA. DF: Thesaurus. Brasília. v. In: BAPTISTA. Florianópolis: Ed. MUELLER. OLIVEIRA. Brasília. Ciência da Informação. principalmente. p. M. de. S. 1995. (Coord.. C. SOUZA. M. F. In: OLIVEIRA. Belo Horizonte: Itatiaia. A. (Org.

várias associações profissionais foram se estruturando. citado por Souza (2001) apresenta. com base em estudos de Wilensky. até se consolidarem e obterem o reconhecimento na sociedade. a crescente produção de conhecimentos cien- tíficos e tecnológicos. Pelewski. a organização científica do trabalho: de evolução da atividade humana. XIX. que dá margem à criação de cursos para esse fim. então. na formação de novos profissionais. nos diversos campos do conhecimento. O perfil do profissional e o bibliotecário gestor “Ninguém pode construir uma reputação com base no que ainda vai fazer” (Henry Ford). que constatou que alguns eventos são presentes em todas as profissões:  As pessoas exercem determinado trabalho e passam a se de- dicar a ele em tempo integral. A partir do Séc. pos- sibilitou o desaparecimento de algumas atividades e o surgimento de outras. Muel- ler (2004) analisa a rota de uma profissão. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 101 . um treinamento mais formal. As profissões também passam por uma série de eventos. Este fenômeno implica. de um saber prático para um conhecimento teórico. diretamente. que passa de um estágio de ocu- pação para um estágio de profissão. dessa forma. esses cursos vinculam-se a de- partamentos universitários. fazendo com que surgisse a percepção de que era necessária a formulação e a transmissão teóricas sobre os conhe- cimentos nas áreas específicas.  Faz-se necessário. Por outro lado.  Para obter status acadêmico.

 Há um aumento no rigor da fiscalização. XIX. de formação fortemente hu- manista. ligado à cultura e às artes – aspecto que norteou a criação do primeiro curso de Biblioteconomia do país – o da Biblioteca Nacional. uma associação profissional que edita revis- tas. Russo (2000). fixou alguns períodos históricos relevan- tes.  1980  o bibliotecário como agente cultural. visando estabelecer normas de conduta internas (entre os pares) e externas (para com a sociedade). uma nova terminologia. forma-se um corpo docente que é determinante para a construção dos conhecimentos na área. também. quando Melvil Dewey criou a ALA e o Library Journal.  1970  o bibliotecário pesquisador. XX.  1990  o PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO. por esta trajetória. bus- cando sua identidade profissional. e foram então fundados os primeiros cursos na área. A Biblioteconomia passou. do Séc. um novo pro- fissional diante da reformulação curricular dos cursos de Bi- blioteconomia. realiza eventos e congrega professores e profissionais graduados. fundamentando-se em Guimarães (1997). que influenciaram e modificaram sua atuação:  1911  o bibliotecário erudito.  Surge. 102 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor . Com os cursos universitários. estudando a trajetória da profissão dos biblio- tecários no Brasil. que concebia um profissional de formação mais abrangente.  1930  o bibliotecário de formação técnica. como se pode verificar pelas ações realizadas nos Estados Unidos. para verificar se profissionais não habilitados para aquela área estão pratican- do as atividades concernentes à profissão. ligado a ativida- des de tratamento e organização de documentos – que inspi- rou os primeiros cursos de São Paulo. no transcorrer do Séc. in- fluenciado pelo reconhecimento oficial da profissão como de nível superior e a criação dos órgãos de classe.  1960  o bibliotecário ligado às entidades profissionais. atuante nos cursos de pós-graduação e acompanhando o surgimento dos primeiros periódicos científicos na área. então.  A profissão publica um Código de Ética.

a sociedade passa a valorizar a informação. de tal modo. às demandas mencionadas.  2000  os bibliotecários autônomos. considerando-a como insumo básico para seu desen- volvimento. Por sua vez. Esse cenário faz com que estes profissionais se ocupem muito mais com a aquisi- ção de conhecimentos especializados. arquitetos e gestores da infor- mação) no ambiente flexível das organizações. veiculada e disseminada. Nomenclaturas do profissional Para muitos autores. em variados contextos e com o uso das TICs. exigindo respostas cada vez mais precisas e em tempo muito mais curto. o uso das TICs causaram grande impacto em sua organização e funcionamento. dentre os quais Mota e Oliveira (2005). recuperar e disseminar informações. e que busquem se capacitar no manejo das TICs para fazer frente às tarefas de organizar. essa influência repercutiu na formação e na atuação dos bibliotecários. Pode-se dizer que a utilização do termo “Profissional da In- formação” – sendo usado como sinônimo de bibliotecário – co- meça a despontar na área de Biblioteconomia quando se faz pre- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 103 . como já mencionado em capí- tulo anterior. envolvendo o trabalho com documentos e/ou informação. Santos (2002) descreve com clareza essa percepção ao declarar: Ao pensarmos que hoje o contorno da economia é definido pela quantidade de informação possuí- da. juntamente com as tecnologias dispo- níveis. no caso parti- cular das bibliotecas. pro- cessar. que demanda informações mais específicas. formados para atuar como consultores (analistas. podemos identificar a informação como matéria-prima do mundo con- temporâneo. a cada nova tecnologia de informação criada ocorrem alterações nas rotinas das atividades em que estão envolvidas. Paralelamente. para atender. na medida em que estes profis- sionais passaram a se deparar com um novo tipo de usuário. eficien- temente.

A coleta realizada por Almeida Júnior (2000) resultou em 83 nomenclaturas propostas em textos escritos ou em palestras proferidas na área. dentre elas. Essa discussão – sobre a nomenclatura de bibliotecário versus “profissional da informação” e sobre as suas atribuições – há mui- to tempo já se fazia presente em encontros da classe e na literatu- ra que se produzia. apresentado por Shera (1980. os delegados reunidos definiram cinco ca- tegorias de pessoal para a área de informação: os bibliotecários. é seguido do comentário de que mesmo sem se pronunciar sobre a validade dessa classificação. também. foi muito benéfica. com vistas a garantir o espaço da Biblio- teconomia como área fundamental para o acesso à informação. p. os bibliotecários especializados. e as agendas das associações profissionais e de ensino. Nesse evento o especialista em Ciência da Informa- ção é definido como uma pessoa que estuda e desenvolve a ciência do armazenamento e recuperação da informação. deixando para trás o foco na organi- zação das coleções. que idealiza novos métodos para abordar o problema da informação e que se interessa pela informação por si mesma. podem ser destacadas: 104 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor . as quais são sugeridas para designar o perfil mais atual do bibliotecário. os analistas de publicações técnicas e os especialistas em Ciência da Informação. Já em 1962. os bibliotecários científicos. pois fez com que a grande maioria dos bibliotecários incorporasse em suas ro- tinas esse novo paradigma. neste sentido. na Conferência realizada no Georgia Institute of Technology. sobre a formação de especialistas em Ciência da Informação. A movimentação. que muitas ações deveriam ser conduzidas pelas escolas e pelos órgãos de classe. Eles percebiam. influenciando até os órgãos governamentais.sente – tanto na literatura quanto em discussões em eventos – a preocupação crescente com o redimensionamento de identidade desses profissionais. que se viam impulsionados a adaptar suas atividades ao ambiente das novas tecnologias. 96). nos EUA. Este relato. ele discordava de que essas catego- rias fossem inteiramente distintas e que as mesmas se excluíssem mutuamente.

a Federação publicou a Resolução de Tokyo. ges- tão. coleta. o homem vive a revo- lução da informação – também chamada de revolução do conhe- cimento – iniciada com o surgimento dos computadores pessoais. cibertecário. 18-109). conservação e utilização da informação. no seu sentido mais amplo compreende: produção. depois. proporcionaram um grande aumento na propagação das informações (HISTÓRIA. a revolução agrícola veio modificar esse panorama: o deslocamento humano – com a domesticação dos animais – foi facilitado e. p. relativamente baratos. 2000. 1996). sina- lizando dessa forma a possibilidade de abertura do campo profissional para atividades além do ciclo documentário (SANTOS. Muitos anos depois. assinaram o documento Resolución de Tokyo criando a Alianza Estratégica de las Organizaciones Internacionales no Gubernamentales en Información para servir me- jor a la Comunidad Mundial. consultor de informação etc. por ocasião do centenário da FID. para fazer parte dessa discussão. Depois dessas duas grandes revoluções. A FID. distribuição. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 105 . es- pecialista da informação.. a troca de conhecimentos começou a se acelerar. provedor de informação.. Representantes de organizações não governamentais na área de Biblioteco- nomia e afins. Sociedade da informação Os homens pré-históricos viviam da caça de animais selvagens e da coleta de plantas e frutas fornecidas pela natureza. uma nova revolução surpreende o mundo – a revolução industrial – que com as invenções das máquinas a vapor e. reunidos em Tóquio. em 1995. nesse perío- do. a troca de experiências entre eles era incrivelmente lenta.59 que destaca que: o setor da informação. com isso. um grupo de trabalho para estudo da nomenclatura do profissio- nal da informação.. criou. do telégrafo e do telefone. e o surgimento das redes de comunicação 59.analista da informação. Como resul- tado do trabalho desse estudo. gestor da informação. 2005). estabelecendo que o objetivo comum dos profissio- nais envolvidos com informação é servir à sociedade (SANTOS. O grupo foi designado como Special Interest Group/Modern Information Professional (SIG/MIP). em 1992.

pelo economista Fritz Machlup. na medida em que detectou que os trabalhadores de diferentes ramos ocupacionais vinham se distanciando do lado físico de suas tarefas e se envolvendo cada vez mais com atividades baseadas na capacidade intelectual. O autor denominou o conjunto de dados levantados como os da “indús- tria do conhecimento”. em 1962.6% e. sobre economia da informação – analisando os custos das atividades de informação – que serviu de base para fortalecimento do termo Sociedade da Informação. trazendo uma nova onda de transforma- ções. tais como o crescimento exponencial da literatura científica. Castro e Ribeiro (1997. 21). Araújo e Dias (2005) relatam a pesquisa desenvolvida. a partir do Séc. e a sua relação com o sistema de Pesquisa & Desenvolvimento. chegando até a modificar o comportamento das popu- lações economicamente ativas. aponta a respeito do papel que a informação ocupa como o principal elemento de produção. ao refletirem sobre a realidade da inserção do país na Sociedade 60. em seu trabalho “A pro- dução e a distribuição de conhecimentos nos Estados Unidos”. o setor de conhecimento iria representar a metade do Produto Interno Bruto (PIB). na educação. corroborando o que Massuda (1982). Outro trabalho relevante consiste na pesquisa de Marc Porat. em 1962.60 observando a comparação custo-benefício do sistema de patentes. tendo sido anunciada por vários fatos. o acesso à informação para os países em de- senvolvimento e subdesenvolvidos apresenta inúmeros proble- mas. Seus trabalhos influenciaram outros estu- diosos. em 1970. O impacto dessas mudanças é sentido no trabalho. era de 31. 106 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor . que envolve a vida da sociedade contemporânea. XIX. o que realmente ocorreu. É neste contexto que está se desenvolvendo a Sociedade da Informação. Por outro lado. a taxa seria de 42. No caso específico do Brasil. 1991). se acrescida dos estudantes de tempo integral. que previu que. Uma delas é que a força de trabalho comprometida com as atividades de produção de conhecimento.globais como a Internet. nos Estados Unidos.8%. como Peter Drucker. em 1977. no entrete- nimento. dos Estados Unidos. cuja finalidade era estudar a livre competição na sociedade norte- americana. Machlup levantou algumas estatísticas. que pressupõe o manuseio de informações (CIANCONI. e a explosão bibliográfica após a Segunda Guerra Mundial. p.

Barreto (2000) apresenta sua visão sobre como deve ser a Sociedade da Informação no Brasil. de questionamentos e acelera- das mudanças. na maioria localizados nas grandes capitais. podendo elevar o país a um patamar mais competitivo no mercado internacional. 1996). em dezembro de 1999. comuni- cação e informação. Nesse ambiente informacional. O Programa Sociedade da Informação. que lançou mão de outras estratégias para atingir os mesmos objetivos. cotidianamente. Diante disso. com isso. educacionais e culturais. mas serviu como base para se fomentar a discussão so- bre o papel que a organização e a disseminação da informação desempenham nas atividades econômicas do País. generalizarmos que estamos numa sociedade da informação.da Informação apontam que o que existe são Núcleos Sociais de Informação. na qualidade de vida dos seus cidadãos e nos seus projetos culturais. no momento. regionais. está inserida uma biblioteca não mais como um sim- ples repositório de acervos e sim como ponto de acesso a um univer- so ampliado de fontes internas e externas (MIRANDA. centros e institutos de pesquisa. sendo seus benefícios utilizados. definindo-a como uma so- ciedade em que as condições de acesso a serviços e à informação sejam cada vez mais amplas para toda a população. pelos cidadãos. constituídos pelas universidades. com vistas a garantir sua aplicação pela so- ciedade. apresentava como objetivos o fomento à utilização maciça de serviços de computação. Esse programa não teve continuidade no governo seguin- te. não nos permite. A sociedade da informação e o bibliotecário A partir da criação dos cursos de pós-graduação. os autores afirmam que: a sociedade brasileira. tornando-a capaz de atuar nesse novo ambiente e. provavelmente. caracterizada historicamen- te por alarmantes índices de desigualdades sociais. a literatura estrangeira das áreas de Biblioteconomia e Ci- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 107 . lançado pelo governo brasileiro. na década de 1970.

os bibliotecários deverão viabilizar o acesso às fontes de informação. desenvolvida pela USP.  Organizar a informação para uso – em função do paradigma da biblioteca como instituição social. pode-se citar a Rede Brasileira de Bibliotecas na Área de Psicologia (ReBAP).  Conectar-se em redes e participar de consórcios – visando o compartilhamento de recursos e a ampliação do acesso à informação para seus usuários. segundo dados de novembro de 2009. esta deverá se constituir em um organismo mediador entre os indivíduos e os conheci- mentos que eles precisam. normalização. que vêm dinamizando os serviços e produtos informacionais na área de Psicologia. se não viesse acompanhada de ações mais pontuais em relação à formação dos graduandos da área e. em qualquer tipo de suporte.61 61. Refletindo sobre a função do bibliotecário na Sociedade da Informação. Vários autores se propõem a sugerir mudanças pelas quais devem passar esses profissionais e uma delas recai na alteração da nomenclatura de bibliotecário para “profissional da informa- ção” – já mencionada anteriormente – o que por si só não leva- ria a nenhum resultado positivo.  Preservar a informação – a partir do pressuposto que os con- teúdos informacionais estarão sempre sendo produzidos. assim como participar de projetos coope- rativos. utilização de padrões. protocolos.ência da Informação começa a veicular o termo Sociedade da In- formação e muitos trabalhos apresentam reflexões sobre o papel do bibliotecário nesse contexto. fazendo com que esta se torne cada vez mais visível no meio acadêmico. da qual fazem parte. Tarapanoff (2000) apresentou algumas ações que estariam contempladas no Programa Sociedade da Informação. consórcio que reúne 89 bibliotecas das três universidades es- 108 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor . assim como para qualquer tipo de indivíduo. Sobre os consórcios. com isso. metadados para garantir seu acesso futuro. 159 bibliotecas. indexação. caberá aos bibliotecários a responsabilidade de localização. a fim de racionalizar recursos e otimizar resultados nas suas tarefas regulares. Como exemplos dessas redes. relacionando-as com as habilidades necessárias ao bibliotecário para seu pleno desenvolvimento. à busca de capacitação e educação continuada dos que já se encontram no mercado de trabalho. um exemplo é o Cruesp/Bibliotecas. também. os bibliotecários deverão se organizar em redes.

o bibliotecário deve sair da posição de apoio e de intermediador de informações para a de criador e consumidor das mesmas. de indicadores. os bibliotecários deverão proporcionar a prestação de serviços para os indiví- duos e para a sociedade. hoje é mais conhecida como competência em informação. de percentuais. 62. como análise de informações. Essa atividade. divulgação de notícias recentes.  Valorizar o conceito econômico da informação – a escassez de recursos é uma realidade em todas as unidades de infor- mação e os bibliotecários deverão saber quando e quanto co- brar por serviços de informação. 2000). produzindo co- nhecimentos e assumindo papéis mais pró-ativos (TARAPA- NOFF. entre outras ações. Unesp e Unicamp). que já foi chamada de alfabetização informacional. preparação de gráficos.  Criar. desenvolvendo um papel de educador nesse ambiente. com a finalidade de integrar e otimizar seus recursos financeiros e informacionais. inovando na criação de serviços e produtos de informação mais sofisticados.  Socializar a informação – como as bibliotecas se constituem em organizações sociais sem fins lucrativos. taduais paulistas (USP.  Educar para a utilização da informação62 – a sensibilização para o uso da informação deve se constituir em um objetivo constante da biblioteca e os bibliotecários deverão procurar se educar e educar seus usuários a utilizar as fontes de infor- mação. quer sejam de forma tangível (im- pressos) ou intangível (eletrônicos). agregar valor – significa imprimir aos produtos e serviços uma diferenciação que os torne in- dispensáveis aos usuários. por meio das redes disponíveis. a fim de transformar as informa- ções em conhecimento para seus usuários. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 109 .  Trabalhar a informação. Ser empreendedor – a nova sociedade irá cada vez mais pro- por desafios aos profissionais de todas as áreas e os biblio- tecários deverão desenvolver habilidades de filtrar – na rede de informações extensa que se descortina à sua frente – as informações relevantes. pesquisar e consumir informação – com objetivo de melhor tecer a sua rede de informações.

4) afirma que “o que faz uma organização crescer é a capa- cidade de seus profissionais de gerenciar produtos e serviços”. Funaro (1997. vê-se que o que se espera dos biblio- tecários. inserindo-se. invariavelmente. sobretudo porque precisam assimilar novos conhecimentos. O primeiro dos cinco grupos a que se refere a LA recai sobre o desenvolvimen- to de habilidades analíticas e gerenciais a serem aplicadas na aqui- sição e na organização de recursos e na promoção das unidades de informação. utilizando essa classificação como critério para credenciar cursos. profissionalismo e códigos de conduta. identificou conteú- dos desejáveis para compor a formação do bibliotecário. Dentre esses conteúdos. as quais venham contemplar o ensino de teorias e a vivência de práticas gerenciais. comportamento e motivação humanos. percebe-se que os bibliotecá- rios. marke- ting. tendo para isso que vencer alguns desafios. O bibliotecário gestor O emprego de técnicas administrativas começou a merecer aten- ção dos bibliotecários em meados da década de 1950. que poderão ser transpostos com o aprimoramento contínuo e a atualização constante. A Library Association (LA). é o gerenciamento eficiente dos recursos inseridos nas unidades de informação. Por sua vez. A partir dessas constatações. administração financeira. 1996). análise e solução de problemas. para se ade- quarem às mudanças que estão e que estarão sempre ocorrendo na sua área de atuação. nos Estados 110 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor . se veem pressionados pela necessidade de refletir sobre o seu fazer. p. administração de recursos humanos. a satisfação do usuário da bibliote- ca como ponto de partida para a ação gerencial. para poder executar as tarefas que lhes são exigidas. Frente a essas reflexões. planejamento e tomada de decisões (SANTOS. os cursos de formação desses profissionais de- verão incorporar disciplinas complementares. da Inglaterra. na sociedade da informação. para administrar todos os tipos de recursos existentes nas unida- des de informação. podem ser citados: modelos organizacionais. Reforçando a necessidade de se estabelecer a dinamização e um novo enfoque para a área de Biblioteconomia.

Outro trabalho citado por Oliveira (Id. assegurando o acesso à infor- mação a um segmento maior dessa comunidade. XX – tópicos mais complexos como cus- tos. quando a biblioteca passou a ser conhecida como um re- curso comunitário (BARBALHO et al. Oliveira (2000) elaborou um levantamento sobre a impor- tância das habilidades gerenciais na formação dos bibliotecários. 199-?).) desenvolveu uma pesquisa. Com base nesse levantamento a respeito do estado da arte sobre o tema. autor que aponta que os bibliotecários na era da informação precisam assumir o papel de líderes.Unidos. cujo universo foi constituído por 63 diretores de unidades de informação. nessa época impregnado pelas questões relativas à organização. essas unidades têm que se valer de práticas administrativas para lidar com a escassez de recursos e a manutenção do atendi- mento eficaz. liderança. Atuar diante desses temas se configura em um grande desafio para a administração das unidades de infor- mação. gestão de coleções virtuais. quase sempre disponibilizadas em suportes impressos. O autor citou Rooks.. Uma outra afirmação que Oli- veira (Id. qualidade nos serviços. Mesmo sendo consideradas instituições sem fins lucrati- vos.) apresenta é a de Gessesse. eficácia e eficiência organizacional. orçamentos. para preparar seu pessoal e sua comunidade de usuários para conviver com esta “nova era”. O ambiente informacional. procurando identificar correlações entre aspectos de trabalho e 63. disseminação e uso da informa- ção. tomada de decisão. dentre outros. recomendando estudos de técnicas como planejamento estratégico e marketing. Bibliotecas que contam com apenas um profissional bibliotecário em seus qua- dros. Oliveira (Id. inclui – a partir do final do Séc. do Estado de São Paulo. que identificou o perfil de 67 diretores de bibliotecas “one-person-library”.63 Esses profissionais indicaram as tarefas administrativas como sendo a primeira da lista das ta- refas que realizam regularmente. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionários.) foi o realizado por Pitt. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 111 . o qual argumenta que o sucesso dos dire- tores de bibliotecas depende muito mais de suas habilidades ge- renciais do que de um conhecimento aprofundado em Bibliote- conomia.

aspectos gerenciais relevantes na administração das unidades de
informação.
A pesquisa demonstrou, entre outros resultados, que os ge-
rentes das unidades de informação necessitam desenvolver com-
petências gerenciais para que sua função de líderes seja realizada
com êxito, aliando a isso a habilidade de lidar com ambiguidade
e atuar com flexibilidade e criatividade.

As bibliotecas e a administração
Na tentativa de atender a essa recomendação, apresentam-se al-
guns fundamentos teóricos da Administração Científica, sob a óti-
ca da racionalização do trabalho no mundo da produção, para de-
pois compará-los com a administração das bibliotecas. Este exer-
cício serviu para se estabelecer analogias com as atividades da
biblioteca e do bibliotecário, ao longo dos diferentes períodos.
Ao estudar as diversas fases pelas quais passa a Administra-
ção Científica, Valle (2005) discrimina quatro fases distintas:
A primeira geração de racionalização da produção foi funda-
mentada em Frederick Winslow Taylor (1856-1915)64 e em seus
sucessores – clássicos da Engenharia de Produção – que queriam
substituir o modelo gerencial então existente por um outro – me-
canicista – que julgavam mais adequado.
Os empresários da época pregavam que a melhor organiza-
ção do trabalho era aquela que refletia a maneira de ver as coisas
pelo lado dos proprietários e gerentes, tidos como indivíduos su-
periores, inclusive moralmente.
A segunda geração de racionalização da produção surge no
final dos anos 1920 e início dos anos 1930, ressaltando a impor-
tância central das relações entre empregadores e empregados e
a necessidade de tratá-las segundo o enfoque da Psicologia, dis-
ciplina que nascia naquela ocasião. Pensava-se que a melhoria
das condições de trabalho traria maior produtividade, o que não
ocorreu. Nessa ocasião, a Psicologia começava a tomar vulto nos
Estados Unidos e vislumbrou-se a possibilidade de se ter acesso a

64. Taylor fundou a chamada Escola de Administração Científica, preocupada em
aumentar a eficiência da indústria por meio da racionalização do trabalho ope-
rário.

112 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor

uma área desconhecida do ser humano – o inconsciente. Nascia,
assim, a Escola das Relações Humanas, defendida por Mary Parker
Follet (1868-1933) que pregava que qualquer gerência teria que
compreender as pessoas, os grupos e a comunidade onde estava
situada a empresa. Essa gerência deveria propiciar a integração
das pessoas e coordenar suas atividades.
A terceira geração de racionalização da produção introduziu
o modelo japonês, sendo caracterizada pela preocupação com o
Controle da Qualidade.
Na primeira geração, esse controle realizado pelas empresas
estava mais voltado para a qualidade do trabalho dos empregados
do que para a qualidade de seus próprios produtos. Dava-se ên-
fase ao controle dos resultados quantitativos dos sistemas produ-
tivos, a partir da capacidade das pessoas em atender aos padrões
de trabalho estabelecidos.
Com relação às áreas administrativas, os japoneses deram o
adequado tratamento às relações interpessoais e à educação para
a qualidade; além de incorporarem mais conceitos da teoria com-
portamental, desenvolveram técnicas para realizar o desdobra-
mento da função qualidade e valorizaram o trabalho em equipe.
Hoje, generaliza-se a promoção por desempenho e o recrutamen-
to em outras empresas. O aperfeiçoamento contínuo e a formação
profissional interna dependem da estabilidade dos trabalhadores,
porque significam acumulação de conhecimentos específicos à
empresa.
Na década de 1980, surgem novas demandas externas para
os gerentes de produção – a exigência, pelos consumidores, de
novos padrões de qualidade e a incorporação de um mínimo cui-
dado com a preservação do meio ambiente, por influência do mo-
vimento social em prol da Ecologia (condições de trabalho versus
qualidade versus meio ambiente).
Surge, então, a quarta geração no mundo do trabalho, vol-
tada para a racionalização do conhecimento em busca da ação
comunicativa.
Segundo Valle (2005), as grandes transformações ocorridas
no Mundo da Produção tiveram origem fora das fábricas, foram
provenientes do universo social, ou seja, do Mundo da Vida. Os
espaços do trabalho, da economia, da administração etc., fazem

Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 113

parte do Sistema, no qual o dinheiro e o poder são os principais
elementos. O Mundo da Vida é representado pelo espaço da cul-
tura, das artes, da educação, da família etc., onde as ações dos
sujeitos são coordenadas pela linguagem e

a diversificação das relações sociais no Mundo da
Produção é cada vez maior e, consequentemente,
[maior] o aumento da complexidade da tomada de
decisão nas empresas. Cada vez mais, os tomadores
de decisão não se restringem apenas aos proprietá-
rios e aos gestores. Clientes, fornecedores, órgãos
técnicos etc., demonstram um peso crescente nas
decisões no Mundo da Produção e as empresas vêm
sendo pressionadas a demonstrar seu comprometi-
mento com o meio ambiente, com a ética e com o
desenvolvimento social (VALLE, 2005, p.69).

Dentro dessa perspectiva, as organizações têm buscado uma
cadeia de produção mais flexível para se adaptar rapidamente às
mudanças tecnológicas, de mercado etc., procuram, também, re-
crutar trabalhadores mais qualificados e capazes de tomar micro-
decisões. O desenvolvimento de competências, nesse sentido, é
fundamental para o compartilhamento e para o desenvolvimento
de conhecimentos.
Por muito tempo, a administração das bibliotecas seguiu uma
linha compatível com a da primeira geração descrita por Valle
(Id.), comparadas com as fábricas da era Ford, onde as tarefas de
tratamento da informação passavam de um setor a outro, sendo o
bibliotecário visto como um especialista naquele setor, a maioria
não se envolvendo com o ambiente em geral e nem com o produ-
to final do seu trabalho.65
Como na história da Administração Científica, a biblioteca
passa pelas demais gerações de racionalização do trabalho, com a
preocupação dos estudos de usuários e com a aplicação dos círcu-
los de qualidade, para avaliação de seu desempenho.

65. Nessa época, costumava-se estudar o tratamento técnico dos itens de uma
biblioteca com base no modelo denominado de “cadeia do livro”, compatível com
as ideias do Fordismo. Seguindo este modelo, o livro passava de um setor para
o outro, sem que o bibliotecário – especialista em determinada tarefa – tivesse
conhecimento da tarefa do outro.

114 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor

principalmente. os quais atuam como gestores. bem como interagir com pessoas se utilizando de motivação e da comunicação. comandar. esses profissionais deverão dispor de conhecimen- tos técnicos e administrativos que lhes permitam manter diretrizes e liderança em suas atividades gerenciais. Barbalho e outras (199-?) entendem que para a biblioteca se tornar um ambiente de transformação. liderar. habilidade de comunicação. XXI. Autores que estudaram o perfil desse profissional apontam que ele pressupõe um novo padrão de referência. preocupada com o desenvolvimento de competências dos bibliotecários. vê-se que a inserção do biblio- tecário na Sociedade da Informação e. Isso evidencia a necessida- de do gestor em agir criativamente frente ao cenário que deverá conhecer. estabele- cer planos e políticas etc. Para isso. Sua função requer permanentemente a tomada de decisões no que se refere a estabelecer objetivos e or- ganizar recursos para atingi-los. como o acesso à informação como direito do cidadão e. faz-se necessário que este profissional acompanhe o estágio de desenvolvimento da sociedade. no que diz respeito aos avanços tecnológicos e às questões de natureza política. engajamento em atividades de pesquisa. neste mundo do trabalho. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 115 . habilidades intelec- tuais. que se capacite como um bibliotecário gestor em relação a todos os recursos que integram uma unidade de informação. boa formação em nível de gra- duação aliada à busca por reunir conhecimento interdisciplinar. que envolve preparação básica sólida. o gerente deve ter a capacidade de pesquisar. não é tarefa impossível. o que corresponde a organizar. entretanto. ou seja. e se autoavaliar. planejar. traçar metas. pode-se dizer que a biblioteca se encontra na quarta geração da racionalização do trabalho. além de atitude ética. prever. habilidades gerenciais. coordenar e controlar todas as atividades ligadas a essa unidade de informação. ser avaliado por outros. Assim como no Mundo da Produção. Diante de toda essa exposição. as atividades das bibliotecas são organizadas visando atender às ex- pectativas dos atores do Mundo da Vida – seus usuários. de modo a ter condições de criar alternativas im- pactantes com os recursos que possui. portanto. especialização. No Séc.

Russo (2000). como as de liderança e de empreendedorismo. XXI as disputas de mercado estarão mais acirradas e só os mais preparados poderão competir em condições de conseguir um posto de destaque na Sociedade da Informação. a fim de poder adequar melhor os produtos e serviços às necessidades de seus usuários. A respeito das competências profissionais. listam uma série de quesitos necessá- rios para o bom desempenho do bibliotecário. em seu estudo sobre o perfil do profissional da informação nas bibliotecas universitárias. a saber: estar com- prometido com a excelência da prestação de serviços. 116 O perfil do profissional e o bibliotecário gestor . tanto em nível de especialização. pois a aprendizagem permanente é fundamental. tanto no que se refere a conhecimentos. por falta de atualização. minimizando os custos dos investimentos. quanto ao acompa- nhamento das inovações tecnológicas. que são e serão cada vez mais necessárias. aceitar de- safios e oportunidades de crescimento dentro e fora das unidades de informação. visto que essa deverá ser a saída para se aumentar o grau de satisfação dos usuários. pois no Séc. ser flexível e positivo nesses tempos de mudança contínua.  As facilidades com os computadores e seus aplicativos devem ser dominadas. Marshall e outros. deve ser outro objetivo dos profissionais. citado por Santos (2000). apresenta algumas recomendações que permanecem válidas.  A capacitação em técnicas gerenciais deve se constituir em um objetivo constante.  O ingresso em cursos de pós-graduação. para atuar corretamente diante das necessidades de tomada de decisão. servindo como pontos de reflexão para os atuais profissionais da área:  Deve ser dada grande ênfase à educação continuada. ser líder. sob pena de se cair na autoexclusão profissional. como de mestrado e de doutorado. saber trabalhar em equipes. os bibliotecários devem priorizar – por toda a sua trajetória pro- fissional – a formação de habilidades e conhecimentos para o desempenho das tarefas gerenciais nas unidades de informação.  A participação em redes deve ser estimulada. hoje. Conclui-se que para se transformar em um gerente efetivo.

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Não basta mais que o trabalhador saiba “fazer”. Com esse objetivo. A economia globalizada. caracterizado por aceleradas e intensas mudanças e inovações no campo científico e tecnológico. desde a década de 1970. Exemplos desses estudos são os de Polke et al. quase todos vi- sando promover maior adequação dos currículos dos cursos exis- tentes ao mercado de trabalho. muitos estudos sobre o mercado de tra- balho do bibliotecário vêm sendo realizados. O mundo do Séc. 2000). com a finalidade de analisar esse mercado em vários estados brasileiros. de Suaiden (1981). A área de Biblioteconomia e seus profissionais. XXI. de Robredo et al. que passa por uma boa formação geral e uma grande base tecnológica. de Nastri (1990) e de Modesto (1997). fato que veio influenciar fortemente as políticas de educação e formação dos profissionais (BANDEIRA. (1977). Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 119 . Mas nunca cami- nhar para trás” (Abraham Lincoln). as inovações tecnológicas.). a fim de enfrentarem as ameaças e aproveitarem as oportunidades que lhes forem apresentadas. que levaram à criação do espaço virtual. O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão “Podemos caminhar sem pressa. estão atentos a esse am- biente externo. os sofis- ticados meios de comunicação. é pre- ciso também “conhecer” e acima de tudo “saber aprender” (Id. afetou diretamente o processo de trabalho e as profissões. que também foram afetados por essas transformações. exigem dos trabalhadores um novo olhar para sua qualifi- cação. de Botelho e Corte (1987). OHIRA. (1984). no Brasil.

As escolas de Biblioteconomia. Muitos deles são realizados pelas Escolas de Biblioteconomia ou pelos órgãos de classe para que os cursos venham formar. para que se conheçam as expectati- vas dos empregadores em relação aos profissionais que desejam admitir em suas organizações. quando esses profis- sionais já se ocupavam com a preservação dos registros informa- tivos. no Brasil. Este tipo de pesquisa concorre. Os primeiros bibliotecários a atuarem. Bandeira e Ohira (2000) relacionam outras pesquisas. ou capacitar profissionais já formados. também. com o in- tuito de promover a absorção plena desses profissionais. exigem um novo modelo de formação acadêmica. ainda. a fim de compatibilizarem as condições do mer- cado de trabalho do bibliotecário com a sua formação. na forma de tabuletas de argila. com vistas a permitir sua inclusão mais adequada no mercado de trabalho. historicamente. junto com a Real Bi- blioteca d’Ajuda. Pode-se citar. atreladas às crescentes exigências dos empregadores por profissionais capazes de propor soluções rápidas e eficien- tes para problemas cada vez mais imprevisíveis. instadas pela sociedade e pe- las entidades de classe. foram os que vieram com a Família Real Portuguesa. que analisou o perfil pro- fissional dos bibliotecários empregados na cidade de São Paulo. O mercado de trabalho dos bibliotecários. rolos de pergaminho ou folhas de papiro. como a realizada por Souza e Nastri (1996). acompanhado pela de Souza (1996). Além desses estudos. sobre o mercado de trabalho no interior do Estado de São Paulo. que demanda o estabelecimento de uma sintonia entre o ensino e as demandas desse mercado de trabalho. O mercado de trabalho e o ensino de Biblioteconomia As observações sobre as transformações que envolvem o mercado de trabalho. que focalizou a questão da qualificação da mão de obra na sociedade da infor- mação e seus efeitos sobre o mercado de trabalho. têm buscado a renovação dos currículos dos seus cursos. que mais tarde deu origem à BN: o frei Gregório 120 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão . se encontra delimitado desde a Antiguidade. o trabalho de Marengo (1996).

o cargo de bibliotecário só começa a ter maior conhe- cimento quando são realizados os primeiros concursos para suprir postos na BN. enfatizando-se. neste contexto. então. é comemorado na data de seu aniversário: 12 de março.67 No entanto. incipiente na época. em Salvador. respectivamente. do primeiro trabalho na área de Biblioteconomia. este mercado foi se ampliando e diferenciando suas opções. A partir dessa data. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 121 . entre compradores e ven- dedores de trabalho. coube o primeiro lugar ao historiador Capistrano de Abreu. 67. Conceituação de mercado de trabalho O mercado de trabalho pode ser definido como o conjunto de relações existentes. estes voltaram para Por- tugal. e. em 1821 e 1822. para Stumpf (1987). como sendo de nível superior. quando da criação do curso de Biblioteconomia. depois. Tem-se notícia. na França – que catalogou por autor e matéria todos os livros da biblioteca iniciada com o acervo do Padre Manuel da Nóbrega. Por esse e outros motivos. em 1879. Para o autor. de fato. representado pelas instituições de Serviço Público. o bibliotecário passa. com a tese sobre a Classificação Decimal de Dewey. e a promulgação da Lei 4. a quantidade de traba- 66. em dado momento. o profissional começa a ser absorvido pelo mercado de trabalho. que se transformou na Biblioteca do Colégio dos Jesuítas. Bahia. Manuel Bastos Tigre. sendo.José Viegas e o padre Joaquim Dâmaso. oferecido pela BN. já no concurso de 1915. principalmente. Com o reconhecimento da profissão. que rege a profissão.084. no Brasil. o Dia do Bibliotecário. rea- lizado pelo Irmão Antonio da Costa – bibliotecário nascido em Lion. a oferta se constitui na quantidade de força de trabalho ou mão de obra que se apresenta disponível em um de- terminado período de tempo e a procura. reconhecido como primeiro bibliotecário aprovado por concurso no Brasil. dois elemen- tos: a oferta e a procura (KRUEL. passa em primeiro lugar para bibliotecário do Museu Nacional. 2006). mas o mesmo não foi chamado de biblio- tecário e sim de “oficial de biblioteca”. a ser identificado como elemento integrante da força de tra- balho somente no início do Séc. XX. de 30 de junho de 1962. no Rio de Janeiro. na década de 1960.66 Porém.

está dispo- nível.lho que. uma profissão existe porque há uma necessidade social a ser atendida e. seja pelo tipo de organiza- ção. no decorrer deste mesmo período de tempo. que realizaram estudos sobre o mercado do profissional do interior paulista. que se viram envolvidos com a pres- tação de serviços de informação (BAPTISTA. Souza (1987) acrescenta ainda as desigualdades de condições das bibliotecas brasileiras e as diferentes condições de trabalho dos bibliotecários que atuam neste mercado. Na visão de Cunha (1977). de âmbito nacional. os cursos de gradua- ção em Biblioteconomia apresentaram muitas limitações: os cur- 122 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão . Essa problemática de “disputa” de mercado de trabalho en- tre o bibliotecário e outros profissionais é entendida por Souza e Nastri (1996) como resultado da inexistência de uma política bi- bliotecária séria e efetiva. Corroborando com esse argumento. seja pela divisão do trabalho. As profundas mudanças que ocorreram na sociedade. em nível nacional. A década de 1990 foi marcada por fenômenos que afetaram bastante as características do mercado do bibliotecário. Mercados de trabalho refletem sempre o contexto econômico e social em que se inserem e o mercado de trabalho do bibliotecá- rio não poderia ser diferente. viabilizando. ou para a qual se necessita de força de trabalho por uma determinada remuneração. tradicionalmente muito ligado à instituição fí- sica da biblioteca e ao tratamento de coleções de documentos impressos. provocaram o surgimento de novos postos de trabalho que passaram a ser desempenhados por dife- rentes tipos de profissionais. que a profissão se tornasse conhecida e valorizada pelo público. para assim poder legitimar a atuação dos bibliotecários para com a popula- ção. muitas delas provocadas pelas TICs. Para Souza e Nastri (1996). social e cultural. assim. 1998). Uma saída para esta situação seria uma ação. que trouxesse mais visibilidade às suas funções. ou pelo fenômeno da globalização econômica. que contasse com a participação de profissionais da área e da sociedade. a sociedade devolve à profissão o seu reconhecimento pelo preenchimento de tal lacuna e isto se pode dar pela elevação do seu status ou do nível salarial. ao constatar esta neces- sidade.

algumas pesquisas sobre mercado de trabalho do bibliotecário. Em todos estes estudos. consequentemente. o nível dos alunos que ingressavam nos cursos de graduação era cada vez mais baixo. Tarapanoff argumenta e observa que a sociedade está cada vez mais dependente da infor- mação. ocorreram mudanças que trouxeram amplas consequências nos ambientes social e econômico. descritas por Baptista e Mueller (2005). ainda era dada muita ênfase aos aspectos técnicos da profissão. assim como o interesse pelo curso. pesquisa. Em relação às oportunidades profissionais. cultura e lazer. a autora aponta que. que pro- curou identificar o perfil do profissional da informação. Outra pesquisa enfatizada é a de Tarapanoff (1997). na medida em que se capacitar. realizadas na década de 1990. continuamente. con- cluindo que as mudanças e tendências observadas nesse mercado devem resultar em novos conceitos de uso da informação e que o bibliotecário se constituirá em um profissional imprescindível. planejamento e política. nesse setor. entendendo que isso poderá contribuir para uma abertura do mercado de trabalho do bibliotecário e para o reconhecimento do papel das bibliotecas e. educação. tecnologia da informação. os professores careciam de atualização.rículos ainda não refletiam um consenso quanto ao profissional que desejavam formar. que pesquisou o mercado de trabalho do Rio de Janeiro. frente às novas tecnologias. a partir da década de 1990. nas estratégias. comunicação e informação. o mercado de trabalho descrito era composto por diversos tipos de organizações. Conclui o estudo apontando que essa ampliação de perspectivas só se concretizará se esse profissional conseguir adequar-se às no- vas demandas. compre- endendo serviços de documentação. tendo em vis- ta a reformulação do currículo de Biblioteconomia de 1980. para este profissional. mostraram a diversidade de postos de trabalho. Nesse estudo. por meio de respostas a questionários aplica- dos a pessoas que atuavam no serviço Comut. na estrutura e na gerência das unidades de informação. destaca-se o de Maranhão (1994). oferecido pelo Ibict. que atuavam em Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 123 . desse profissional. para se ajustar aos novos paradigmas em relação a serviços e conceitos de informação. Dentre esses estudos.

1992). como moradia. 124 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão . visualizam um mercado futuro onde seriam imprescindíveis habilidades gerenciais. 1985 apud MEN- DONÇA. despreparado para enfrentar desafios tais como os provocados pela evolução da tecnologia e pela crescente globalização. em capítulo anterior. devem se pautar nas análises efetuadas e incorporar em seus programas conteúdos adequados para alterar estas situações. procura a obtenção de qualificações que o diferencie dentre os profissionais a serem absorvidos pelo mercado. ao mesmo tempo. que se caracteriza pela necessidade de inovar. pois o aluno não está apenas interessado no status universi- tário. educação. atividades como a formação do hábito de leitura e a disseminação de informações utilitárias. responsáveis pela capacitação de seus forman- dos. emprego. desde o final da década de 1980 ocorre uma efetiva discussão sobre a eficiência e a adequa- ção das estruturas curriculares dos cursos de graduação. esses autores identifi- caram o bibliotecário típico como um profissional que investia pouco em sua própria atualização.áreas variadas.68 Com base nesses estudos. constata-se que os cursos de forma- ção profissional. Empreendedor – tipo de comportamento encontrado em indivíduos. As preocupações com essa qualificação precisam ir além da capacitação para os novos papéis trazidos pela tecnologia. direitos civis etc. con- vertendo um produto/serviço antigo em algo novo (DRUCKER. Análises mais recentes sobre a atuação profissional e o mer- cado de trabalho. as responsabilidades sociais – consideradas inerentes à missão do bibliotecário – não podem ser descuidadas pelos cursos de forma- ção profissional. para isso. Como visto. capacidade para tomada de decisões. de desenvolver uma nova ordem. considerando que este também se modi- ficou. negociação e comunicação – habilidades típicas de um empreendedor. Mas. que ajudam na solução dos problemas do dia a dia. que consideraram cenários de restrições eco- nômicas crescentes. A conscientização sobre a importância do papel desse profissional na sociedade deve ser vista como meta priori- tária dos programas educacionais. finanças domésticas. nestas discussões estão incluídas reflexões sobre o perfil do aluno que procura a universidade. devem se constituir em ações com as quais o bibliotecá- 68.

os representantes do mercado devem buscar es- clarecimentos sobre que profissionais estão habilitados para exer- cer as tarefas que têm interesse em desenvolver. por muitas vezes irreais. existe o mercado que apresenta de- mandas. A sintonia entre o ensino do profissional e o seu mercado de trabalho é uma meta constante a ser buscada. que estão definindo suas escolhas para ingressar nos cursos de graduação. de acordo com a profissão escolhida.rio deve se envolver para demarcar a importância de sua atuação como agente social. a fim de melhor direcionar as escolhas desse público. cerca de 12. que apresenta como funções principais a geração de novos conheci- mentos e a formação de profissionais qualificados para atender não só às demandas de mercado. deve orientar os futuros profissionais frente à realidade do mercado profissional. A monitoração do mercado de trabalho tem então duplo objetivo: o contínuo aprimoramento dos cursos para a adequação da profissão às exigências desse mercado e a capacitação para atuação profissional sob o ponto de vista das responsabilidades sociais da profissão. por meio de palestras. e que não contribuem para uma possível solução da questão e que demonstram quase sempre um desconhecimento das funções e dos objetivos da aprendizagem de nível superior. divulgação de material impresso etc. Do outro lado. No ano de 2009. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 125 . de um lado encontra-se a universidade. Nessa relação. planejando as atividades. o ensino e os currículos de seus cursos de acordo com os objetivos e necessidades da coletividade. os quais têm reunido estudantes de nível médio. faz-se necessário que ambas as partes se mobilizem para procurar atingir seus objetivos: a uni- versidade deve procurar se integrar diretamente à comunidade. desde 2004. mas também para interagir no meio social visando promover o desenvolvimento integral da co- munidade. Além disso.000 jovens participaram do evento. das escolas do Estado. 69. mesmo sabendo que essa interação é de difícil materialização. Exemplo de iniciativa dessa natureza pode ser visto com os eventos que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vem realizando.. Esse tipo de evento tem o objetivo de levar aos jovens as informa- ções sobre os cursos que a Universidade oferece.69 Por sua vez. sob o nome de “Conhecendo a UFRJ”. Para melhorar essa situação.

o Programa Mobilizador das Bibliotecas Escolares. Dentre eles. no país. As bibliotecas escolares constituem outro segmento do pri- meiro grupo e vêm atuando. com problemas estruturais sérios. pessoal de apoio. também. uma delas é que com a ausência de boas bibliotecas escolares no sistema educacional brasileiro. Essas distorções se refletem diretamente na sociedade que não reconhece o valor da biblioteca pública. que deveriam se constituir em um mercado bastante consolidado. a biblioteca pública acaba preenchendo essa lacuna. segmentando-o em três grandes grupos: mercado informacio- nal tradicional. mercado informacional existente não ocupado. fazendo com que a sociedade – sem saber que formação tem o profissional que está fazendo esse atendimento – deprecie a imagem do bibliotecário. o Conselho Federal de Biblioteconomia lançou. pode-se citar: professores afastados da sala de aula por pro- blemas de saúde e. 126 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão . destacam-se a falta de interesse político nes- se segmento. constatado pelos baixos salários aplicados pelo go- verno aos profissionais que atuam nessas unidades. como as bibliotecas públicas. várias distorções ocorrem neste segmento. o problema de pessoas não capacita- das70 ocuparem os espaços dos bibliotecários. faxineiras etc. O primeiro grupo – mercado informacional tradicional – é representado por segmentos bastante conhecidos pelos profissio- nais e pela sociedade. Como exemplo. ainda. A biblioteca escolar enfrenta. em 2009. Outra distorção grave é a da colocação de leigos à frente desses postos de trabalho. entendendo que qualquer pessoa possa desempenhar as funções exigidas nesse seg- mento. muitas vezes não apro- veitando os benefícios que essas instituições oferecem. Como resposta a esses problemas. mercado informacional – tendências. o que resulta em um desvio no desempenho de serviços inerentes às suas finalidades. para resgatar a im- 70. com a finalidade de que sejam desenvol- vidas ações. No entanto. por total ignorância dos repre- sentantes dos poderes públicos sobre as reais atividades que devem ser desenvolvidas nessas unidades de informação. em todo o território nacional. pela prestação de serviço inadequada.Segmentação do mercado de trabalho do bibliotecário Valentim (2000) identifica o mercado de trabalho do bibliotecá- rio. como merendeiras.

Diferentemente. um número con- siderável de profissionais. nos grandes centros urbanos. igualmente. nos centros urbanos. O segundo grupo – mercados informacionais existentes e não ocupados – tem como exemplo grande parte das bibliotecas esco- lares e públicas. além de contarem com quadro de pessoal mais elevado do que as empresas. de lazer e entretenimento. Esta instabilidade demonstra a pouca importância que os empresários dão aos serviços informacionais. onde é maior a demanda por seus serviços. afetando diretamente acervos e pessoal.portância desse segmento para a sociedade e para os próprios bibliotecários. possuindo quase sempre em sua estrutura uma biblioteca. atuando em parceria com a área de Museologia. que apesar de se constituírem em um mercado tradicional. Os arquivos e museus também fazem parte deste segmento. também. As bibliotecas universitárias também se constituem em um mercado consolidado. No caso das empresas. qualquer turbulência financeira repercute nas verbas destinadas às suas bibliotecas. porém. com grande quantidade de profissionais. correspondem também a espaços não ocupados. cabe mencionar que esse segmento passa por avaliações constantes do MEC. As bibliotecas especializadas – entendidas por Valentim (2000) como as bibliotecas dos institutos de pesquisas e das empresas públicas ou privadas – também se constituem em um mercado consolidado que reúne. Não empregam muitos pro- fissionais e se concentram. mas empregam um pequeno número de bibliotecários e se concen- tram. tendo conseguido atuar de forma coerente aos seus objetivos. visando ao credenciamento dos cursos ofe- recidos no país. Nessa questão. sua localização distribui-se muito mais nas regiões metropolitanas. costumam valorizar os serviços oferecidos. apesar dos problemas orçamentários de suas instituições. e Teatro. visto Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 127 . com as áreas de Cinema. buscando investir mais e mais recursos nas suas bibliotecas. fazendo com que os dirigentes invistam recursos regulares na sua manutenção e atualização. os institutos de pesquisas. Os centros culturais – uma espécie de biblioteca pública mo- derna – têm uma proposta diferente da biblioteca pública tra- dicional. oferecendo ao público atividades culturais. também.

mas são em pequeno número. fiscalizam o exercício da profis- são de bibliotecário. as Livrarias Saraiva e Siciliano têm se colocado na vanguarda desse mercado. mas muito pouco ocupados por bibliotecários.71 Outros exemplos desse grupo são as editoras e as livrarias. Exemplos de profissionais bibliotecários que desempe- nham papéis mais arrojados neste tipo de mercado existem.73 71. dirigida por bibliotecá- rios. processar e disseminar as informações contidas em seus sites. em número de 15 no país. No seu estudo. existem oportunidades de ocupação nos seus setores de informática. que se caracterizam como mercados existentes. punindo os leigos que estiverem exercendo as funções privativas desse profissional. No Brasil. que já está sendo ofertado aos bibliotecários. os bancos e bases de dados eletrônicos. que é uma espécie de bibliotecário de referência. Esse é um segmento do mercado que se encontra em franco crescimen- to. de forma eficiente e eficaz. bem como na recuperação dessas coleções para a clientela. oferecendo-lhe obras de interesse real e/ou potencial. mas esta ainda é uma posição muito acanhada. 73. com a criação da figura do “consultor literário”. que podem atuar nas primeiras em- pregando seus conhecimentos de normalização e de editoração científica e. profissional autônomo ou mesmo profissional terceirizado. o qual pode atuar junto ao cliente. Nessa situação. nas últimas. assim como os empregadores responsáveis pelo exercício ilegal. 72. Os Conselhos Regionais. de planejamento estratégico. prestando serviços 128 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão .72 É importante ressaltar que o emprego de bibliotecários nas empresas privadas pode ocorrer mesmo que elas não possuam uma biblioteca estruturada. pois os bibliotecários são capacitados para organizar. no tema de desenvolvimento de coleções. uma vez que estas tarefas são inerentes à sua formação. a qual além de atuar como cooperativa de profissionais. pode ser citada a empresa Datacoop. Também se apresentam como segmentos de mercado não ocupado os provedores de Internet.que em sua maioria são preenchidos por profissionais não biblio- tecários. pois os bibliotecários poderão suprir os demais membros desses setores com informações relevantes para que as empresas tenham maior competitividade em seus negócios. ou outros. Valentim (2000) ainda aponta que nesse se- gundo grupo pode-se perceber um crescimento na atuação do bibliotecário como consultor.

Porto Alegre. mas não por força de uma lei que lhes dá reserva de mercado. De acordo com Valentim (2000). O terceiro grupo apresentado no estudo citado – mercado informacional: tendências – pode ser entendido como um merca- do potencial para o bibliotecário. que vai exigir do mesmo uma atuação muito mais ousada. B. OHIRA. P. mais voltado para o futuro. por esse motivo. fazendo com que esse profissional se disponha a trabalhar em qualquer posto de trabalho que se ocupe com a criação. as- sim como estar disponível para a atuação voluntária nos órgãos de classe. para atuar nesse novo nicho de mercado. ter espírito empreende- dor. são pontos considerados indispensáveis para que os biblio- tecários possam ser absorvidos pelo mercado de trabalho que se apresenta com perspectivas cada vez mais desafiadoras no campo da geração.. disseminação e uso da informação. Referências BANDEIRA. 2000.. devendo buscar capacitação con- tínua. atuante. Quem é o bibliotecário no Estado de Santa Catarina: mercado de trabalho. ousado. com qualidade e competência. L. G. Acreditar na importância e no valor social da profissão. pró-ativo e. M.. Anais. integrador. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 129 . 19. o bibliotecário deve procurar ser mais observador. dinâmico. Perspectivas para o bibliotecário Um fato que se configura como relevante no contexto atual do mercado de trabalho dos bibliotecários é que eles estão cientes de que outros profissionais estão ocupando seus postos – não só no ambiente prospectivo como até mesmo no convencional – e que. o gerenciamento e o uso da informação. e sim porque esse mercado valoriza sua capacidade e competência no desempenho das atividades que lhes são confiadas. desenvolveu e comercializa o software gerenciador de ser- viços de biblioteca “Argonauta”. uma vez que o cenário é mutante e dinâmico. organização. devem lutar pela reversão desta situação. principalmente. flexível. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTE- CONOMIA E DOCUMENTAÇÃO. [CD-ROM] de consultoria na área.

M. 9. 1990. n. v. 1977. 2005. Depositado em: 2006. Porto Alegre.ibict. 2. Porto Alegre. Atuação profissional do bibliotecário: um estudo de caso. A. Brasília. et al. 1997. 875-910. de C. ARB. mercado de trabalho e comprometimento organizacional. Acesso em: 12 jun. Revista de Biblioteconomia de Brasília. 1996./dez. Bibliotecário autônomo versus institucionalizado: carrei- ra. v. Anais. 2009. 1977./abr. J./ dez. I. P. 35-50. Considerações sobre o mercado de trabalho do bibliotecário. T. Tendências observadas no mercado de trabalho dos bibliotecários e técnicos da informação nas bibliotecas especializadas do Distrito Federal e qualificações requeridas. maio/dez. A.. p. Cultura y Sociedad. jan. MUELLER. DF. p 63-89. MARENGO. G. v. Rio de Janeiro. 8. S. Brasí- lia. O Bibliotecário e o mercado de trabalho: alguns comentá- rios. 2/3. O mercado de trabalho do profissional da informação na área de Biblioteconomia na região centro-oeste. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) CNPq (Ibict)/UFRJ (ECO). 1994. v. 2. jul. A sociedade de informação e seus reflexos no mercado de trabalho. p. et al. E. M. Información. Campinas. br/archive/00000744/01/T084. Transinformação. Mercado de trabalho para o bibliotecário. B. DF. v. Brasília. A. 2. 1992. Transinformação. NASTRI. da. M.. P. 1987. n... 1977. G. In: CON- GRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO. MARANHÃO. DF. 112-143. Brasília. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) Universidade de Brasília. DF. POLKE. p.BAPTISTA. 249-284. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Universidade de Brasília. O Comportamento gerencial dos responsáveis por serviços de informação industrial no Brasil. M. n. KRUEL. CORTE. p. 12. jul. 12. R. Campinas. 1998. 2. Disponível em: dici. ROBREDO. I. Brasília. Minas Gerais. L. Mercado de trabalho do bibliotecário em Porto Ale- gre. 1984. M. Diálogo Científico. CUNHA. 46). 1998. n. n. Revista de Biblioteconomia de Brasília. BOTELHO. 130 O mercado de trabalho e as perspectivas da profissão . M. et al. v. jul. R. p. DF. n. F. São Paulo: APB. L. 5. MODESTO. Análise do mercado de trabalho do bibliotecário em Belo Horizonte. 1992. 1994. ______. 15. 139-48. S. 1. Buenos Aires./dez. 123-147. p. (Ensaios APB. M. Revista de Biblioteconomia de Brasília. Mercado de trabalho para profissional bibliotecá- rio no Estado do Rio de Janeiro. MENDONÇA. R.pdf. 2.

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UNIDADE 4 .

vinculando-se a saberes específicos pertinentes aos membros de um determinado grupo profissional. ainda. Cada profissão reúne uma série de tarefas. p. neste. Os termos profissão e ocupação.39). que define o seu papel social na sociedade e em relação a outras profissões. Para os autores. Brasília. “referem-se a atividades especializadas. Bibliote- cário: legislação e órgãos de classe. sendo suas for- ças e fraquezas estabelecidas por meio do trabalho profissional. Abott. uma dimensão ligada a normas e valores. a profissão está relacionada a uma dimen- são cognitiva. “o fenômeno central da vida profissional é 74. lutam e melhoram a si mesmos” (Antonio Gramsci). trabalham. sindicatos. segundo Cunha e Crivellarri (2004. Já a ocupação. assim como pelo Estado. menciona que o conjunto de profissões forma um sistema e. tarefas e operações que representam as obrigações atribuídas a um trabalhador. se constitui no conjunto de funções. Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições74 “Todos os homens do mundo. DF. condicio- nadas ao tipo de estratificação social e ao grau de divisão do tra- balho predominante em uma determinada sociedade”. conselhos de classe. Esse papel normalizador é cumprido pelas associações. Fundamentado em: CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA.). as profissões dividem espaços específicos. A manutenção desse espaço resulta do prestígio e do conhecimento dos membros que dele fazem parte. 2003. citado por Cunha e Crivellarri (Id. Tem. Ainda segundo Abott. 134 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições . compatíveis ao poder exercido por cada uma delas. na medida em que se unem entre si em sociedade.

realizado em Salvador. quando também se dá início ao desenvolvi- mento das modernas técnicas biblioteconômicas no país. assim como sobre a atuação de seus profissionais. Na década de 1960. pois passaram por grandes reformulações. postura praticada entre os profis- sionais. Estas entidades representaram um papel fundamental para a consolidação da área. do CFB. e. fazendo com que ele procure se ajustar a essas mudanças. por meio de seus órgãos de classe: conselhos. p. foi criado o CFB. pelas escolas responsáveis pela sua for- mação e pelo sistema de empregos. foram marcantes para a área. na medida em que impulsionaram com suas ações o conhecimento sobre a área de Bi- blioteconomia. a fim de acompanhar as demandas da profis- são e da sociedade. no final da década de 1930. a Febab foi criada com a finali- dade de congregar os bibliotecários brasileiros por meio de suas Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 135 . 2004. da ABDF.a ligação entre a profissão e o trabalho” (CUNHA. resguardando-o para os bi- bliotecários de formação. no Brasil. CRIVELLARI. A criação de entidades como o INL. são influenciadas por fatores internos e externos. Federação Brasileira de Associação de Bibliotecários (Febab) Durante o II Congresso Brasileiro de Biblioteconomia. também. ao longo dos anos. em capítulo anterior. No sistema acima mencionado. órgão responsável pela fiscalização do exercício profissional. em julho de 1950. da ABEBD. sindicatos e associações. e da Febab. a Bibliotecono- mia como profissão começa a ver nascer suas instituições a partir da década de 1930. periodicamente. Entidades nacionais na área de Biblioteconomia Como já discutido. as tarefas passam por estudos e avaliações. 42). Outro fator inerente às diferentes profissões consiste na de- fesa de seus interesses próprios. nas décadas de 1950 e 1960.

formada por profissionais de vários estados. de âmbito nacional. representar. além de uma Comissão de Bibliotecas – Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU). Desde 1966. a Febab foi reconhecida como entidade filantró- pica.593/66 e este reconhecimento é atualizado anualmente. no mês de abril.associações de classe. inte- grando as associações e instituições da área. A missão da Febab é congregar. que congrega en- tidades e pessoas físicas. Sua estrutura é assim representada:  Presidente  Vice-presidente  Secretária Geral  Primeira Secretária  Vice-presidentes Regionais: (Norte. a Febab reúne e inte- gra Associações Estaduais e Municipais de Bibliotecários. pelo Decreto Federal no 59. sem fins lucrativos. com a missão de defender e incentivar o desenvolvimento da profissão. 136 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições . eleita por um período de três anos. nacional e interna- cionalmente. Suas ações são de responsabilidade de uma Diretoria Execu- tiva. Com mais de 40 anos de existência. Documentação e Ciência da Informação. Ciência e Gestão da Informação e Ciências afins. Sudeste e Nordeste)  Comissões Permanentes: órgãos auxiliares da Diretoria junto às áreas especializadas  Observador Legislativo  Valorização Profissional  Editora  Projetos Especiais Associações de bibliotecários Uma associação de bibliotecários corresponde a uma sociedade civil sem fins lucrativos. promover e de- senvolver os profissionais brasileiros de Biblioteconomia e Docu- mentação. atuantes na área da Biblioteconomia.

são apresenta- das as finalidades da Associação Catarinense de Bibliotecários.  Colaborar com as Escolas de Biblioteconomia e áreas afins.  Organizar e promover a realização de congressos. por sua inspiração e natureza. nos assuntos de interesses da comunidade.  Representar os associados perante o Conselho Regional de Biblioteconomia. possibilitem à associação o melhor cumprimento de seus objetivos. A Figura 6 demonstra um exemplo dessa estrutura. estimulando e auxiliando a instalação de bibliotecas. A estrutura das associações de bibliotecários é definida pelos seus estatutos.  Filiar-se à organização nacional da classe e manter inter- câmbio com entidades congêneres do país e do estrangeiro. instituições e pessoas interessadas em Biblioteconomia e áreas afins.  Servir à comunidade.  Defender os interesses e apoiar as reivindicações da classe dos bibliotecários.  Promover o aprimoramento cultural e aperfeiçoamento téc- nico dos associados.  Colaborar com os poderes públicos e entidades privadas. ligados direta ou in- diretamente à Biblioteconomia. entretanto. sem fusão ou incorporação do pa- trimônio. palestras e conferências. com o objetivo de aperfeiçoar a educação e o treinamento dos aspirantes e membros da classe dos bibliotecários. seminá- rios. visando ao progresso da Biblioteconomia.  Congregar bibliotecários. como exemplo. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 137 .  Promover ou participar de empreendimentos ou atividades que.  Servir como centro de informações das atividades bibliote- conômicas. mantendo sua autonomia. para o debate de problemas bi- blioteconômicos.  Viabilizar a realização de cursos de formação e aperfeiçoa- mento de servidores de biblioteca. A missão e a estrutura das associações dos profissionais biblio- tecários podem variar.

Figura 6 – Estrutura de Associação de Classe As associações na área de Biblioteconomia. estão relacionadas no Quadro 7.br Nota: A.febab. atualmente encontra-se desativada. tendo sido fundada em 1938. Mais antiga associação profissional. 138 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições .org. vinculadas à Fe- bab. a seguir: Quadro 7 – Associações Profissionais de Bibliotecários Estado Associação Profissional Amazonas Associação Profissional de Bibliotecários de Amazonas Ceará Associação dos Bibliotecários do Ceará Distrito Federal Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal Goiás Associação Profissional dos Bibliotecários de Goiás Maranhão Associação Profissional de Bibliotecários do Maranhão Mato Grosso do Associação de Bibliotecários do Mato Grosso do Sul Sul Minas Gerais Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais Paraíba Associação Profissional de Bibliotecários da Paraíba Paraná Associação Bibliotecária do Paraná Pernambuco Associação Profissional de Bibliotecários de Pernambuco Piauí Associação de Bibliotecários do Estado do Piauí Rio Grande do Associação Profissional de Bibliotecários do Rio Grande do Norte Norte Rio Grande do Sul Associação Rio-grandense de Bibliotecários Santa Catarina Associação Catarinense de Bibliotecários São Paulo Associação Paulista de BibliotecáriosA Associação dos Bibliotecários Municipais de São Paulo Sergipe Associação Profissional dos Bibliotecários e Documentalistas de Sergipe FONTE: www.

patrimonial e financeira. o CFB exerce ações executivas. consultivas. bem como contribuir para o desenvolvimento biblioteconômico no país.084/62. supervisionar e disciplinar o exercí- cio da profissão de bibliotecário em todo o território nacional. b) da categoria formada e em formação. nos termos da Lei no 4. normativas. bacha- réis em Biblioteconomia. também. em outubro de 2009: www. com mandato trienal. todos brasileiros natos e naturalizados. o CFB realiza uma reestruturação interna.org.br Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 139 . cujos nomes serão por elas refe- rendados.cfb. O órgão central desse Sistema – o CFB – é constituído por 14 membros efetivos e três suplentes. com autonomia administrativa. jurisdição em território nacional. disciplinares e contencio- sas. eleitos nos termos legais e na forma prevista no regimento interno. Informações obtidas no Portal do CFB. as quais conduzam à construção de identidades positivas sobre o fazer da profissão no âmbito: a) da sociedade em geral. supervisoras. A composição dos membros efetivos obedece à seguinte sistemática:  Sete (7) conselheiros efetivos sorteados em Assembleia Geral de Delegados Eleitores entre representantes das Escolas de Biblioteconomia do Brasil. é uma autarquia federal dotada de personali- dade jurídica de direito público.  Sete (7) conselheiros efetivos e três suplentes eleitos por es- crutínio secreto e maioria de votos. em Assembleia Geral de Delegados Eleitores. e c) dos seus formadores. desenvol- ver ações mobilizadoras em todo o território nacional. de modo a permitir melhor desempenho de seus integrantes e. O CFB possui a seguinte estrutura organizacional:  Órgão deliberativo: Plenário 75. com sede e foro no Distrito Federal. designados pelo título de Con- selheiros Federais. como instância originária ou recursal.Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB)75 O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB). Para cumprir essa missão. passando a constituir o Sistema CFB/CRBs. Sua missão é orientar. A partir de 2007.

140 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições . em 2009. Comissão de Fiscalização Profissional e Co- missão de Licitação. impedindo e punindo as infrações à legislação vigente.. Os CRBs possuem a mesma estrutura básica do CFB. 21 da Lei 4. tendo que manter. jurisdição e sedes são designadas em resoluções es- pecíficas do CFB. Comissão de Ética Profissional.084/62 (CONSELHO. obrigatoriamente. chefes ou coordenadores de cursos de Institui- ções de Ensino Superior de Biblioteconomia e os presidentes de associações de classe são membros natos dos CRBs. Tribunal Superior de Ética Profissional e Conselhos Regionais de Bi- blioteconomia  Órgão de fiscalização financeira e administrativa: Comissão de Tomada de Contas (CTC)  Órgãos de apoio técnico:  Comissões Permanentes:  Comissão de Ética Profissional (CEP)  Comissão de Legislação e Normas (CLN)  Comissão de Licitação (CLI)  Comissão de Divulgação (CDV)  Comissões Temporárias  Consultoria:  Consultoria Jurídica (CONJUR)  Assessorias Especiais (AE)  Grupos de Trabalho (GT)  Órgãos de apoio administrativo e financeiro:  Setor Administrativo (SAD)  Setor Contábil e Financeiro (SCF) Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB) Os CRBs são autarquias federais dotadas de personalidade jurí- dica de direito público. 2003). Sua missão é fiscalizar o exercício da profissão.. respeita- das suas peculiaridades. de acordo com o disposto no Art. Os diretores. as seguintes comissões: Comissão de Tomada de Contas. Órgãos executivo-deliberativos: Diretoria Executiva. cujas siglas. O Quadro 8 apresenta os 15 CRBs que constituem o Sistema CBF/CRBs.. autonomia administrativa e financeira.

estimulando a sua organização. garan- tindo o cumprimento dos acordos coletivos. entretanto.  Participar das negociações coletivas de trabalho.  Colaborar com o poder público e o setor privado na so- lução dos problemas da categoria. Acre. são destacadas as características do Sindicato dos Bibliotecários do Rio de Janeiro (Sindib/RJ). Quadro 8 – Conselhos Regionais de Biblioteconomia (2009) Conselhos Jurisdição CRB-1 Goiás. Roraima e Rondônia CRB-12 Espírito Santo CRB-13 Maranhão CRB-14 Santa Catarina CRB-15 Paraíba e Rio Grande do NorteA FONTE: Autoria própria Nota: A. Criado por meio da Resolução nº 84. com o desmembramento do CRB-4.  Estrutura  Presidente  Vice-presidente  Secretárias  Tesoureiros  6 Suplentes Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 141 . de 31 de outubro de 2007. Mato Grosso Sul e Distrito Federal CRB-2 Pará. Sindicato de bibliotecários A missão e a estrutura dos sindicatos de bibliotecários podem va- riar. Mato Grosso. como exemplo.  Lutar pelo fortalecimento da categoria e pela consciên- cia da classe.  Missão  Defender os direitos dos bibliotecários. Amapá e Tocantins CRB-3 Ceará e Piauí CRB-4 Pernambuco e Alagoas CRB-5 Bahia e Sergipe CRB-6 Minas Gerais CRB-7 Rio de Janeiro CRB-8 São Paulo CRB-9 Paraná CRB-10 Rio Grande do Sul CRB-11 Amazonas.

tecnolo- gia.gidjrj. No Brasil.goethe. jurídico etc. organizando cursos. na Escócia.ancib. mais voltados para a formação dos profissionais.br) Entidades internacionais nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação Uma das mais relevantes entidades internacionais. www.com.  Delegados para Entidade de Grau Superior  Conselheiros Fiscais Grupos de profissionais Paralelamente às associações de classe. 76. eventos. as associações de ensino são:  Abecin – em nível de graduação (www. os profissionais consti- tuem grupos. como por exemplo: saúde.ifla.org. quase sempre definidos pelo tema de trabalho a que estão vinculados. treinamen- tos etc.org 142 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições . em suas áreas específicas. na área de Bi- blioteconomia.apcisrj. a International Federation of Library Associations and Institutions (Ifla).de) Esses grupos funcionam em uma tipologia de redes e têm como finalidades principais promover a cooperação e a capacita- ção de seus integrantes. Como exemplos desses grupos.org)  Área Jurídica – GIDJ-RJ (www.76 foi fundada em Edimburgo. no Estado do Rio de Janeiro:  Área da Saúde – APCIS/RJ (www.br)  Área Artística – Redarte (http://www. Associações de ensino As associações de ensino se constituem em outros órgãos de clas- se.br)  Ancib – em nível de pós-graduação (www. nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. abecin. apresentam-se os registrados. artes.org.

org/ (AALL) American Association of School Libra. com a informação dos sites para acesso.arlisna. http://www. http://www. Atualmente. a Ifla possui oito divisões.org/ala/mgrps/divs/ rians (AASL) aasl/index. http://www.org/ ce & Technology (ASIS&T) The American Society for Indexing (ASI) http://www. http://www.asis. Para o desenvolvimento de suas atividades. Quadro 9 – Associações de Classe Internacionais Associação URL American Association of Law Librarians http://www. seus membros e a profissão.ala. a Ifla realiza – anualmente – uma conferência.org/site/index. html American Theological Library Associa. a maioria localizada nos EUA.html tion (ATLA) Art Libraries Society of North America http://www.com/atlahome.org/ (ARLIS/NA) Association of College & Research Li. 45 seções e sete grupos de discussão.ala. Quase sempre no mês de agosto ou no início de setembro.arma.em 1927. em uma cidade diferente do mundo.77 que reúne cerca de mil delegados de várias partes do mundo para trocar experiências.org/ and Administrators (ARMA) 77. com seu escritório central em Haia. conhecer novos produtos e serviços desenvol- vidos na indústria da informação e discutir questões de interesse dos profissionais da área.600 membros. distribuídos por 150 países do mundo. a Ifla possui um Governing Board – formado por um presidente. Além de outras atividades relacionadas à área de bibliotecas.ala.asindexing. a cada ano. com a finalidade de desenvolver suas atividades em torno de três pilares: a sociedade. A Ifla congrega cerca de 1.aallnet.atla.org/ American Society for Information Scien. na Holanda.cfm American Library Association (ALA)A http://www. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 143 . por 10 membros eleitos diretamente (por correio) dentre todos os seus delegados e por nove membros eleitos indiretamente pelos Comitês Profissionais. envolvendo assun- tos de interesse da área de informação.org/ala/mgrps/divs/ braries (ACRL) acrl/index. O Quadro 9 apresenta uma lista de associações de classe in- ternacionais.cfm Association for Records Management http://www.

por Melvil Dewey.org/ Canadian Library Association (CLA) http://www. http://www.cla.ala. 2006. L. 2003. Disponível em: http://www.org. In: VALENTIM.uk/pages/default.).nfais.cfb.org/ Information Services (NFAIS) National Information Standards Organi. Essas associações internacionais.cathla. V. http://www. p. Referências CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. mation Professionals (CILIP)B aspx Library and Information Technology http://www. CUNHA.scip.br. H. assim como as nacionais. CILIP foi criada em 2002.org. M.org/ Chartered Institute of Library and Infor. cfm?Section=Home Catholic Library Association (CLA) http://www. 144 Os organismos de classe nacionais e internacionais: missão e atribuições . 2004.sla.cfm Society of Competitive Intelligence Pro. M. B.ala. é a maior e mais antiga organização do gênero no mundo inteiro. da. Bibliotecário: legislação e órgãos de classe. CRIVELLARI. PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA.arl.org/ FONTE: Autoria própria Notas: A.cfm Medical Library Association (MLA) http://www.org/home zation (NISO) Public Library Association (PLA) http://www.org/ The National Federation of Advanced http://www.ca//AM/Template. São Paulo: Polis.org/ala/mgrps/divs/ Association (LITA) lita/litahome. (Org. Brasília. O mundo do trabalho na socie- dade do conhecimento e os paradoxos das profissões da informação.org/ fessionals (SCIP) Special Libraries Association (SLA) http://www. Associação URL Association of Research Libraries (ARL) http://www. T. são as responsáveis pelo desenvolvimento dos profissionais. com mais de 64. por meio da unificação da Library Association (LA) com o Institute of Information Scientists (IIS).niso. Sua sede é atualmente em Chicago. Atuação profissional na área de informação.mlanet. e também pelo crescimento da área. http://www.org/ala/mgrps/divs/ pla/index. 39-54.000 membros. DF. Fundada em 1876.cilip. Acesso em: 2 jun. M.

Na década de 1960. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 145 .084. assim como sobre o reconhecimento da profissão – no mesmo ano de 1962 – como de nível superior. ocorreu a homologação da Lei no 4. Castro (2000) relata que Laura Russo foi a mentora da Lei no 4. Gui- marães (1996. Decorrente do ativismo político desses bibliotecários. foi publicada 78. profissionais notáveis na área trabalharam em prol da regulamentação da profissão. p. Brasília.084. Nesse sentido. a lei estabelece a reser- va de mercado. vinculando o exercício profissional à devida habilitação legal para tanto.3) assim se manifesta sobre a mesma: Ao tratar do profissional. mas a perseverança que realiza grandes coisas” (Samuel Johnson). Com base em: CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. no ano de 1962. em grande parte. DF. A Lei no 4. dispondo sobre a profissão de bibliotecário e regulamentando seu exercício. Legislação da profissão78 “Não é a força. Bibliotecário: legislação e órgãos de classe. que por suas atitudes perseverantes em prol da classe foi eleita a primeira presidente do CFB. habilitação essa oriunda de cursos superiores de Biblioteco- nomia brasileiros devidamente reconhecidos ou ainda por instituições estrangeiras desde que com revalidação de diploma no Brasil. 2003. o mérito sobre a sua aprovação. a lei houve ainda por bem resguardar direitos adqui- ridos anteriormente à sua promulgação. mas que a Febab teve. dentre os quais se destacou Lau- ra Garcia Moreno Russo. composta por 37 artigos.084. de 30 de junho de 1962. muito relevante para a Biblioteconomia bra- sileira.

ainda. que não estava compatível com o desenvolvimento da área e da profissão. Ainda por meio da ação dos profissionais. em 1965. insatisfeitos com o teor da legislação em vigor. em 02/07/1962. No período que se seguiu à promulgação dessa legislação. em 25 de junho 1998. O instrumento – composto por nove capítulos e 52 artigos – caracteriza o bibliotecário como profissional liberal. o qual deu entrada no Congresso Nacional a um projeto de lei neste sentido. o que fez com que a lei anterior (Lei no 4. es- pecificando limites de exclusividade de exercício da profissão. uma vez que se torna necessária a manutenção da Lei no 4. O resultado dessa nova lei surpreendeu a classe bibliotecária.674 – que “Dispõe sobre a profissão de bibliotecário e determina outras providências”. 79. foi homologada uma nova lei – Lei no 9. Essas discussões culminaram em uma ação do CFB. o veto ao dispositivo. dessa nova lei – que se referia à revogação da lei anterior: Impõe-se. por ter vetado a revogação das disposições em contrário. explicitando as atividades consideradas a ele inerentes. das atribuições dos bibliotecários.084/62. por exemplo.493. na parte não regu- lada pela propositura ao transformar-se em lei.. 53. p. que – depois de algumas reformulações – recebeu a numeração de PL no 3.. Essa lei ficou conhecida pelos bibliotecários como a Lei do Veto. por contrariar o interesse público. os bibliotecários brasileiros continuaram a refletir sobre os rumos da profissão e a propor a reformulação da legislação em vigor.. 1998. que regulamentou o exercício profissional. O argumento apresentado a seguir justifica o veto ao art. caso. principalmente. 146 Legislação da profissão . pois dos 53 artigos propostos 38 foram vetados. 61). que continuarão sendo regidas pelo diploma legal de 1962 (BRASIL. Presidente.084/62) continuasse em vigor. Seguiu-se a publi- cação.725. de 1993. pela quantidade de vetos apostos ao projeto79 e. do Decreto-Lei no 56.no Diário Oficial da União.

br.  Resolução CFB n° 346/88.  Decreto-Lei n° 56. de 14 de março de 1997 80. até novem- bro de 2009. Texto. O texto integral de todas as resoluções pode ser consultado em: www. (Anexo 1)  Resolução n° 153. na íntegra.725.  Lei nº 9. de 3 de agosto de 1993 Dispõe sobre a licença. executam ou exer- cem serviços ou atividades de Biblioteconomia e Documentação.  Resolução CFB n° 307/84.cfb.674. pode ser consultado em: www. perante os Conselhos Regionais de Bi- blioteconomia e dá outras providências. de 30 de junho de 1962. de empresas e instituições que prestam.  Resolução CFB n° 325/86.084. de 25 de novembro de 1988 Normaliza os processos de transferência de registro e de registro secundário de profissional.br 81. de 23 de março de 1984 Regulamenta o registro. que dispõe sobre o exercício da profissão de bibliotecário. o cancelamento e a suspensão de registro de pessoa física e jurídica. de 06 de março de 1976 Dispõe sobre o ensino de ética bibliotecária.Leis e decretos80  Lei nº 4. nos Conselhos Regionais de Bibliotecono- mia. Resoluções81  Resolução n° 6. de 30 de junho de 1962 Dispõe sobre a profissão do bibliotecário e regula seu exercício.cfb. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 147 .  Resolução CFB n° 406/93. de 26 de junho de 1998 Dispõe sobre o exercício da profissão de bibliotecário e determina outras providências. de 16 de agosto de 1965 Regulamenta a Lei nº 4.org. São aqui apresentadas algumas das 125 resoluções editadas pelo CFB.org. de 13 de julho de 1966 Dispõe sobre o juramento da profissão de Bibliotecário. de 28 de maio de 1986 Normaliza o processo de Registro Provisório de Bibliotecários nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia.  Resolução CFB n° 443/97.084. A escolha recaiu sobre as que a autora considera como mais relevantes.

42 e 62 da Resolução CFB n° 399/93. de Pessoas Físicas e Ju- rídicas e dá outras providências. sessão I.Institui o Registro de Comprovação de Aptidão para Desempenho de Atividades de Biblioteconomia (RCA). de 30 de abril de 2001 Dispõe sobre registro de profissional estrangeiro com visto tem- porário nos Conselhos Regionais de Biblioteconomia e dá outras providências. na edição de 2002.  Resolução CFB n° 42/2002. publicada no Diário Oficial da União de 24.  Resolução CFB n° 40. explicitada no documento intitulado Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). de 26 de março de 2001 Dispõe sobre o processo fiscalizatório dos Conselhos Regionais de Biblioteconomia a pessoas físicas e jurídicas. dando nova redação aos art. porém. de 22 de outubro de 2001 Dispõe sobre processo ético. atualmente em vigor. que foi organizada de acordo com a característica de “família ocupacional”.  Resolução CFB n° 54/2003.  Resolução CFB n° 34. de 28 de abril de 2003 Dispõe sobre a concessão de isenção de anuidade de profissionais com idade acima de 65 anos. arquivis- tas e museólogos eram reunidas em um mesmo grupo.  Resolução CFB n° 33. o campo de atuação dos pro- fissionais que desenvolvem tarefas na área da informação rece- beu uma definição oficial no âmbito do Ministério do Trabalho.1993. os bibliotecários passaram a integrar uma nova 148 Legislação da profissão .02. Na edição de 1994. de 11 de janeiro de 2002 Dispõe sobre o Código de Ética do Profissional Bibliotecário. penalidades aplicá- veis e demais providências. de 30 de abril de 2001 Dispõe sobre os símbolos emblemáticos do anel de grau do Bacha- rel em Biblioteconomia. ocorreu um desmembramento em relação à situação anterior: enquanto mu- seólogos e arquivistas continuaram integrando uma mesma famí- lia ocupacional. (Anexo 2)  Resolução CFB n° 35. página 2997/3000. as profissões de bibliotecários. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) Na legislação trabalhista brasileira.

foram vetadas pelo Governo. para que por meio da valorização de suas compe- tências eles possam se inserir em postos de trabalho. Assim. de forma a que os empregadores percebam a relevância das suas habilidades no exercício das tarefas inerentes ao fluxo da informação. a avaliação da legislação sobre o exercício pro- fissional seria muito pertinente. Outro dado que merece reflexão é o fato de que. No entanto. sob o nome de “profissionais da informação” (Família 2612). encon- tram-se: bibliotecários. documentalistas e analistas de informa- ção. 2004). criada para abrigar as mudanças em curso. Nesse sentido. para o qual continua se exigindo a formação em Biblioteconomia e o devido registro no Conselho Regional da jurisdição. biblioteconomista. sabe-se que o Governo mostra-se contrário à questão da reserva de merca- do para a maioria das profissões.“família”. Isso se dá porque as propostas de modificação apresen- tadas pelos seus profissionais. na maioria das vezes. gerente de informação. o mercado na área de informação está contratando as pessoas muito mais pelas competências que elas demonstram do que pela formação que apresentam. cientista da informação. gestor de informação. a fim de buscar sua compatibili- zação à nova realidade e aos avanços futuros. exigindo-se para o exercício dessas ocupações a formação em Biblioteconomia (CUNHA. A alternativa encontrada é preparar os profissionais. CRIVELLARI. consultor de informação. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 149 . conve- nientemente. tais como bibliógrafo. vê-se que a legislação brasi- leira que rege a profissão de bibliotecário não está adequada às transformações de natureza tecnológica. com vistas a essa adequação. Reflexões sobre a legislação bibliotecária Diante do que se apresentou acima. social e econômica que têm afetado de forma significante as tarefas pertinentes ao cená- rio atual. A CBO também aponta várias nomenclaturas para o bibliote- cário (Família 2612-05). Exceção se dá ao trabalho convencional em bibliotecas. retraindo com isso a ação dos pro- fissionais quanto à proposição de mudanças na legislação vigente. atuando com distinção. especialista de informação.

Bibliotecário: legislação e órgãos de classe. Mensagem n. Atuação profissional da área de informação. In: VALENTIM. M. Brasília. (Org.136. CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. Associação Paulista de Bibliotecários. (Ensaios APB. 2000. Disponível em: http://www. 2006. T.Referências BRASIL. Presidente (Cardoso: 1994-99). Brasília. p. 150 Legislação da profissão . V. PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. 2004. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his- tórica.cfb. C. L. 9. n.). Seção I. M.120. 39-54.org. São Paulo. Brasília. n. A. 1996. A.674. M. p. 58-61. J. O mundo do trabalho na Socie- dade do Conhecimento e os paradoxos das profissões de informação. CUNHA. CASTRO. DF: Thesaurus. São Paulo: Polis. 26 jun. GUIMARÃES. 32). de 25 de junho de 1998] Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. H. C. DF.. Acesso em: 2 jun. da. CRIVELLARI. DF. v. 2003.br. de. 749 [Razões dos vetos Lei n. A legislação profissional do bibliotecário. 1998.

originária do grego Amethystos. a atividade intelectual de um lado do anel.Anexo 1 – Juramento do bibliotecário  Resolução no 6. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 151 . funda- mentado na liberdade de investigação científica e na dignidade da pessoa humana”.  Emblemas – lâmpada de Aladim simboliza a perene vi- gília. passarão a ser considerados os símbolos da Biblioteconomia. Os emblemas e a cor da pedra ametista. Anexo 2 – símbolos emblemáticos do anel de grau do bacharel em Biblioteconomia  Resolução No 34. de 30 de Abril de 2001 O anel de grau do Bacharel em Biblioteconomia deverá ter as seguintes características:  Pedra ametista. simbolizando a informação. livro aberto. violeta. de 13 de julho de 1966 “Prometo tudo fazer para preservar o cunho liberal e humanista da profissão de Bibliotecário. do outro lado. de cor violeta.

O código de ética profissional “Sempre é hora de fazer o que é certo” (Martin Luther King Jr. sobre a atuação adequa- da dos bibliotecários no contexto informacional e. que a ÉTICA pressupõe a realização do conceito de consciência que abandone uma postura isolada para tomar parte do mundo. os quais influenciam a socieda- de na percepção da imagem dos profissionais da área. a relação desses profissionais com seus pares e com a comunidade externa – conhecido como comportamento ético – resulta em desdobramentos que levam ao reconhecimento da profissão pela sociedade. agir com moderação. nessa obra. Estudos sobre ética profissional estão presentes em todos os cam- pos do conhecimento. um comportamento baseado no equilíbrio. um outro filósofo – o ale- mão Hegel (1997) – afirma. valer-se da razão. Aristóteles já propunha. Muito já foi apontado. O fi- lósofo recomendava à sociedade grega – para construir uma vida harmoniosa – o seguimento dos “Dez Mandamentos da Ética”. no cenário que cerca suas atividades. fortemente influenciado pelas mudanças aceleradas que vêm ocorrendo. saber escolher. de inserir sua vida individual (eu) na vida coletiva (nós). também. em seus estudos sobre os costumes e as virtudes éticas. cultivar o amor e ser feliz (CHALITA. no Séc. valer-se do coração.). tanto do próprio ser. Apesar da distância que os separa. ser amigo. como de suas relações com o próximo. praticar as virtudes. porém ganham amplitude quando atitudes de membros desses campos tendem a interferir sobre comporta- mentos individuais ou de grupos. a saber: fazer o bem. viver a justiça. XX. 2003). 152 O código de ética profissional . Nesse ambiente.

não há troca e. que concorda que os dois conceitos possuem dimensões distintas. em 1948. No texto dessa Declaração. orientador da conduta humana. ainda. que foi aprovada pela Orga- nização das Nações Unidas (ONU). A “Declaração Universal dos Direitos do Homem”. diferenciando-a da conceituação de moral. de Hegel. ainda. na medida em que esta se encontra vinculada a um universo concreto. Para Souza (2002. na necessidade de serem aceitas e na sua influência no contexto so- cial. ainda. concentrando-se no trabalho em equipe. a partir do momento em que o homem toma consciência de seu ser com o outro”. como: ser bom ouvinte e coopera- tivo. enfatizando que se não há necessidade de outro. Ética e moral Guimarães e outros (2009) apontam a definição de ética de Cor- tina e Martinez como um saber normativo. p. mas complementares: apresentam conver- gências na busca pela definição de valores e pelo bem-estar. a opinião de Valentim. Mediante essa constatação. geo- gráfica e temporalmente delimitado. O autor sustenta que a dependência mútua do trabalho em equipe governa as transações comerciais. 17). o autor argumenta que se faz necessária a formulação de princípios que resguardem a integridade dos seres e das relações entre eles. “a ética nasce com a humanidade. que dentro dos limites dessa dependência a ausência de confiança e do compro- misso mútuo ameaça o funcionamento de qualquer empreendi- mento coletivo . Modernamente. constitui-se em um exemplo dessa iniciativa. retomando a ideia de “nós”. quanto ao modo de ação – a moral sendo mais coercitiva socialmente e a ética mais voltada para a liberda- de de escolha. se distinguem em relação aos pressupostos – a moral se atém à realidade dos costumes. Sennett (2005) pontua que a ética do traba- lho exige “aptidões delicadas”. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 153 . é enfatizada a busca permanente da igualdade e da dignidade dos seres como valores fundamentais da existência humana. enquanto a ética reflete sobre os mesmos e. O autor comenta. porém.

Laura Russo. em 1963. de natureza econômica. compõe-se de oito seções. publicado em 11 de janeiro de 2002. que dispõe sobre a carreira do biblio- tecário. princípios ou padrões socialmen- te aceitos e compartilhados. infrações disciplinares e penalidades atribuídas aos que transgredirem as normas de con- duta preconizadas. desenhou a primeira versão do Código de Ética Profissional do Bibliotecário. que foi aprovada por ocasião do IV CBBD. as quais determinariam os seus deveres em relação à comunidade em que atuam.O código de ética profissional do bibliotecário Com base nessas considerações da ética como um processo social coletivo. a Resolução no 42. a ética profissional é definida na obra acima como aquela que se atém “aos valores e ações que visam a um agir profissional correto e adequado para com a sociedade em que o profissional se insere [. artística. re- ligiosa. o código de ética profis- sional dos bibliotecários deveria consistir em um corpo de normas reguladoras de sua conduta profissional. à sua profissão e aos seus colegas. Dessa forma. sob a responsabili- dade da Febab. 99).82 82. científica. às bi- bliotecas que dirigem. org. do CFB. política.. que abordam desde os direitos e obri- gações dos profissionais até as proibições. Nesse sentido. 2009. profissional e legal. p. O texto completo da Resolução no 42/2002 encontra-se disponível em www. O conceito de valores discutido na obra de Guimarães e ou- tros (2009) que reflete normas.] (GUIMARÃES et al. passa para o âmbito do CFB. são desenvolvidos os códigos de ética profissional. apresenta a quarta versão do código de ética. que acompanham as mu- danças pelas quais passou a profissão. Partindo dessa premissa. A partir daí.cfb. moral. pode ser objeto da ética profissional. quando abordado em um determinado campo de atuação..br 154 O código de ética profissional . Em 1966.. que têm por finalidade fixar normas de conduta para as pessoas físi- cas e jurídicas que exerçam atividades profissionais em cada área específica. Na concepção de Buonocore (1976). assumindo desde então o status de lei. esse instrumento vem sendo alvo de estudos e atualizações. Esse documento.

Com base nessas percepções. esse termo.. este autor entende que o termo mais adequado para se discutir a conduta profissional de uma determinada classe seria DEONTOLOGIA e não ética. sendo considerada como infração ética qualquer atitude que configure uma transgressão às orientações emanadas do instrumento legal. 2003. entendendo a ética como a ciência da conduta. originado de déon. poderia se considerar que os códigos de ética dos profissionais estariam mais bem intitulados se fossem denominados de códigos de deontologia. 100). Na visão de Souza (2002). quer seja intitulado código de ética ou código de deontologia. ampliar seus salários e concorrer para auferir maior poder em termos de aplicação dos conhecimentos da área. como o estudo do ideal para o qual o homem se dirige e a deontologia representando os deveres específicos do agir humano no campo profissional. de ideias.. o grau de dificuldade das tarefas e o tempo de serviço dedicado (CONSELHO. respaldando os bibliotecários a exi- girem justa remuneração por seu trabalho. significa um conjunto de preceitos. 2002). Este termo tem sua origem no ambiente da Grécia antiga. O Código de Ética Profissional do Bibliotecário é aplicado às pessoas físicas e às pessoas jurídicas que atuam na área de Bi- blioteconomia. p. que significava dever – ou obrigação – de se construir uma vida honrada. instruções operacionais a serem seguidas pelos membros de uma categoria profissional visando garantir a uniformidade na reali- zação de um trabalho e ação do grupo como se fosse ação de um único indivíduo (SOUZA. Rache (2005) compara os dois termos acima.. Este código dispõe. Diante disso. em 1834. sobre a questão dos honorários profissionais. um elenco de determinações objetivas. entre outros assuntos. Para ele. aliado à ética profissional exis- te um conjunto de interesses que visam manter benefícios para os membros da profissão. o mais importante é que os bibliotecários percebam que o fortalecimento de sua pro- fissão está vinculado ao acompanhamento da conduta profissio- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 155 . que foi criado pelo filósofo Jeremy Bentham. com base nas respon- sabilidades por eles assumidas. No caso específico da Biblioteconomia.

C. M.. 10. F. da Sociologia. Ética e deontologia: textos para profissionais atuan- tes em bibliotecas. SENNETT. 156 O código de ética profissional . A. p. na área da informação e da atuação profissional: o olhar da Filosofia. 175-188. Os dez mandamentos da ética. p. Brasília. 2005. SOUZA. DF: Conselho Federal de Biblioteconomia. CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. 2. F. 94-129. In: GOMES. 2006. 2009. Disponível em: http://www. OLIVEIRA. BOTTENTUIT. DF. Florianópolis: Ed.br. Acesso em: 2 jun. HEGEL. R. H. ed. Rio de Janeiro: Nova Fron- teira.. et al. da UFSC. de. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina.nal apontada nesse instrumento. das C.) A ética na sociedade. ed. 9. jan. n. Brasília. Ética e deontologia: o papel das associações profissionais. A. RASCHE. de maneira individual. G. da Ciência da Informação e da formação e do exercício profissional do bibliotecário no Brasil. Referências CHALITA.org. Bibliotecário: legislação e órgãos de classe. A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. 1997. Florianópolis. G. Aspectos éticos da organização da informa- ção: abordagens teóricas acerca da questão dos valores. Petrópolis: Vozes./dez. Fenomenologia do espírito. 2005. pautando devidamente a sua atuação.cfb. F. ou no grupo a que pertence de modo a que a sociedade compreenda o valor de seu trabalho. GUIMARÃES. 2003. (Org. F. O. W. PORTAL DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA. 3. 2003. J. 2002. Rio de Janeiro: Record. M. v.

 A Unidade 2 – considerando a Biblioteconomia. mais globalizada e articulada com as necessidades intrínsecas das or- ganizações em que irão exercer suas atividades. Todo o conteúdo resultante deverá servir para a construção de repositórios individuais de conhecimentos dos alunos. Informação e Conhecimento” – teve por objetivo apresentar as diversas abordagens sobre os mesmos. os conceitos de alguns dos autores mais conceituados nas pesquisas teóricas da Biblioteco- nomia e da Ciência da Informação foi empregada não só com o intuito de reunir os estudos por eles realizados em um único vo- lume. os quais deverão utilizá-los com vistas a ampliar as suas oportunidades de inserção no mercado de trabalho. nas questões pertinentes à organização e ao acesso à informação. a Arquivolo- gia. ainda. nessa obra.  A Unidade 1 – pontuando vários conceitos sobre os termos “Dado. mas também para analisar suas ideias perante o ambiente mutante do Séc. as noções emanadas dos temas “Processo de Comu- nicação” e “Ciclo da Informação” deverão servir para que os leitores possam entender a influência desses tópicos na con- dução das atividades referentes às Unidades de Informação. a Museologia e a Documentação como áreas afins – pre- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 157 . são revelados os objetivos da au- tora quanto à divisão dos tópicos da obra. res- saltando suas semelhanças e diferenças e como o emprego desses conceitos poderá apoiar o entendimento das áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação. que por sua vez refletem a discriminação do conteúdo da disciplina ministrada no CBG. A título de contribuição final. XXI. principalmente. Nessa Unidade. Algumas contribuições expostas demonstraram que esse mercado exige do profissional uma nova visão de mundo. Considerações finais A estratégia de reunir.

também. Finalmente. conduziu a uma reflexão sobre a relevância do papel do bibliotecário como agente de mudança social. espera-se que eles possam servir para que o público-alvo dessa obra se cons- cientize da relevância das áreas em que atuam. a importância de ampliar seus conhecimen- tos sobre as técnicas gerenciais. fazendo com que eles possam assim impulsionar o reconheci- mento da profissão pela sociedade. Em relação aos eventos históricos descritos. que precisam entender que seu sucesso dependerá de seu investimento pessoal em uma boa formação e em manter um aprendizado ao longo de toda a sua vida. os exemplos de aplicação da Informática na Biblioteconomia e na Ciência da Informação mostraram como o impacto da tecnologia nas duas áreas ajudou a intensificar o seu crescimento e. Por fim. assim como dos segmentos potenciais ainda a desbravar. em função dos rumos da sociedade. também. a perceber como é imperativo para o profissional manter-se atualizado em relação aos avanços tecnológicos. Essa Unidade finaliza a obra com a reflexão sobre 158 Considerações finais . sobre os preceitos legais que regem a sua profissão. ou irão atuar. o reconhecimento do paradigma da Biblioteconomia. Ao traçar o perfil do profissional compatível com as demandas do mercado do Séc. conclamando-os a participar dos movimentos associativos. a Unidade des- taca.  A Unidade 3 dedica-se ao tópico de formação profissional do bibliotecário. tendeu destacar que a afinidade dessas disciplinas é decor- rente do elemento comum com que elas estão envolvidas: a informação.  A Unidade 4 se ocupou em apresentar os órgãos de classe e a legislação bibliotecária. XXI. Por outro lado. com a finalidade de esclarecer para cada profissional. entendendo a biblioteca como uma insti- tuição social. conduz à compreensão de que inúmeras oportunidades se descortinam para esses profissio- nais. para que eles possam reconhecer o valor da pro- fissão que escolheram e difundir esse sentimento para toda a sociedade. salientando o caráter essencial da adequação constante dos currículos dos cursos. a descrição do elenco de postos onde o bibliotecário pode atuar. as quais irão apoiá-los no gerenciamento dos recursos inseridos nas diferentes unida- des de informação.

Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 159 .83 83. A título de contribuição final para alunos e profissionais. que sintetizam as ideias da autora a respeito do elemento indispensável ao sucesso profissional: “A Educação é o mais vital de todos os recursos”. O negócio é ser pequeno. ressaltando a importân- cia desse instrumento para o sucesso da atuação desse pro- fissional. Rio de Janeiro: Zahar. a quem essa obra possa interessar. 1977. E. seguem-se as palavras de Schu- macher.. F. a ética profissional do bibliotecário. SCHUMACHER.

br. 160 Glossário . Glossário ABEBD – Associação Brasileira de Escolas de Biblioteconomia e Documentação Foi fundada em 9 de janeiro de 1967. Disponível em: http://www.org. Tem experiência na área de Economia. Ocupa o cargo de Reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sai do cenário em 2001. científicos e técnicos da Biblioteco- nomia. mantendo sua unidade na solução de seus problemas. em 2001. Acesso em: 8 dez. quando é criada a Abecin (extraído de documentos da ABEBD). Abecin – Associação Brasileira de Ensino em Ciência da Informação Entidade constituída. mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1983) e doutor pela Universidade Estadual de Campinas (1993). com ênfase em Eco- nomia do Bem-Estar Social. Apresentava como finalidades principais as de: congregar os professores das escolas de Biblioteconomia e Documentação do Brasil. em âm- bito nacional e duração ilimitada. em seu segundo mandato (2007-2011) (PLA- TAFORMA LATTES). Atualmente é Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aloísio Teixeira (1944 -) Graduado em Economia pela Faculdade de Ciências Políticas e Econô- micas do Rio de Janeiro (1978). como uma sociedade civil. 2009). com a finalidade de assegurar o deba- te sobre a formação de pessoas comprometidas com a manutenção e a ampliação de um corpo profissional atuante nos campos das práticas da Ciência da Informação. patrocinar estudos visando à re- solução de problemas econômicos. Sua missão guarda relação direta com o conjunto de interesses e visões de mundo e com o ideário de permanência des- se corpo profissional na sociedade (PORTAL da Abecin. sem intuitos econômicos. planejar o desenvolvimento da formação biblioteconômica. preconizar medidas que objetivassem a formação e aperfeiçoamento do pessoal docente. Abecin.

Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação & Biblioteconomia Sociedade civil. Luís. Pedro e D. autonomia. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 161 . foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Acesso em: 8 dez. Benjamin Franklin Ramiz Galvão (1870-1882) Historiador. no país e fora dele. CAVALCANTI. 2000). Arquivística Princípios e técnicas que devem ser seguidos na constituição. Ancib . no qual os conhecimentos científico e tecnológico se constituem em insumos básicos das organizações e onde as palavras de ordem são: flexibilidade. CA- VALCANTI. 2008). educador e médico. desenvolvimento e utilização (CUNHA.Ambiente 21 Cenário de intensas mudanças. aonde mais tarde chegou a presidente (CASTRO. CAVALCANTI. organização. inovação e competitividade. D. Foi professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e. celeridade. br . Barreiras Fatores que afetam a comunicação da informação do emissor para o re- ceptor (CUNHA. função que manteve até 1889. preceptor dos príncipes filhos da prin- cesa Isabel. como uma instância de representação científica e política importante para o debate das questões pertinentes à área de informação (PORTAL da Ancib: http://www. Arquivologia Disciplina que tem por objeto o conhecimento dos arquivos e dos prin- cípios e técnicas a serem observados na sua constituição. sem fins lucrativos. organiza- ção. desenvolvimento e utilização de arquivos (CUNHA.ancib. desde 1822. fundada em junho de 1989. Desde sua criação. tem se projetado. gerência. 2008). com a finalidade de acompanhar e estimular as atividades de ensino de pós- graduação e de pesquisa em Ciência da Informação no Brasil. 2009). 2008). Em 1928.

C. 2008).Bibliófilo O que tem amor a livros. dispo- níveis em cerca de 480 idiomas. Biblioteca de Alexandria A maior e mais célebre da Antiguidade. que chegou a reunir cerca de 15 mi- lhões de fichas. 2008). Não conteria acervos. CAVALCANTI. Biblioteca do Congresso Maior biblioteca dos Estados Unidos. colecionador de livros (CUNHA. GOMES. Possui mais de 130 milhões de itens diferentes. em 1930. 1972). 2008). que reuniria o registro de todo o conhecimento humano. 162 Glossário . Biblioteca virtual Ambiente estruturado para fornecer o acesso a um grande volume de informações através do uso de recursos de software que simulam o am- biente de uma biblioteca real na tela do computador (SOUSA. quando o presidente norte-americano John Adams assinou um Ato do Congresso transferindo a sede de governo nacional da Filadélfia para a nova capital federal. Biblioteca Universal Biblioteca de referência. Foi materializada com a construção do Mundaneum. CAVALCANTI. as quais foram criadas por eles. em fichas de 12. no iní- cio do século III a.5cm por 7. CAVALCANTI. (CUNHA. Foi inaugurada em 24 de abril de 1800.5cm. Biblioteca monástica Biblioteca vinculada a um mosteiro (CUNHA. Washington. Washington (WIKIPÉDIA). localizada na capital daquele país. Fundada por Ptolomeu I. e sim a localização dos documentos ali referenciados. idealizada por Paul Otlet e Henri La Fontaine. Bibliografia Instrumento indispensável para o controle e a divulgação do desenvol- vimento científico e tecnológico e para o seu aperfeiçoamento (ZAHER. 2008). DC.

2000). Autor de 12 livros. é destacado por ter uma biblioteca pessoal com mais de 20 mil volumes. aquisição. Desde 1978. organização e disseminação de publicações primárias sob dife- rentes suportes físicos (TARGINO. Foi eleito Reitor da Universidade Federal do Rio de Janei- ro em 2002. com especialização em História do Brasil (PLATAFORMA LATTES). Carlos Lessa (1937-) Formado em Economia pela Universidade do Brasil. 2004). Ciclo da informação A proposta original de Lancaster apresenta o modelo do ciclo da infor- mação – também conhecido como transferência da informação – focali- zando os processos de produção. Tornou-se. em 1959. Colaborou no grande Catálogo da Exposição de História do Brasil. Capistrano de Abreu (1853-1927) Historiador e jornalista. funcionário da Biblio- teca Nacional. além da seleção. da Biblioteca Nacional (CASTRO. Caos documentário Existência de um grande volume de papéis e documentos dispersos. por concurso.Biblioteconomia Área do conhecimento que se ocupa com a organização e a administra- ção das bibliotecas e outras unidades de informação. onde o que se procura não é encontrado (adaptado de BAPTISTA. 1991). Canal Meio de transporte da mensagem do emissor para o receptor no modelo de comunicação (LUONGO MEDINA. 2006). as forças que governam o fluxo da informação e os meios de Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 163 . Ciência da Informação A ciência que investiga as propriedades e o comportamento da infor- mação. 2002). é doutor em Economia. é professor titular de Economia Brasileira no Instituto de Economia da UFRJ. uso de conhecimentos e produtos (adaptado de DODEBEI. acumulação.

164 Glossário . 200 – Religião. 6 – Ciências Aplicadas-Medicina-Tecnologia. ficando vaga para futuras expansões (SANTOS. 1977 apud BRAGA. 2003). 7 – Be- las Artes. Codificação Ação de escrever uma lista de instruções que irão fazer com que o com- putador execute uma série e operações (CUNHA. 1 – Filosofia. 2008). 100 – Filosofia. Classificação Decimal de Dewey (CDD) Ferramenta de organização do conhecimento mais usada no mundo. Classificação Decimal Universal (CDU) Foi elaborada pelos advogados belgas Paul Otlet e Henri La Fontaine em 1896. CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Agência do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).processamento da informação para acessibilidade e usabilidade ótimas (SHERA. seguindo o mesmo esquema da CDD: 0 – Generalidades. 3 – Ciências Sociais. e subdivisões comuns de lugar e forma (SANTOS. 300 – Ciências Sociais. 800 – Literatura. 500 – Ciências Puras. RIBEIRO. É uma classificação que comporta 10 classes principais: 000 – Generalidades. Código Conjunto de símbolos que mediante uma convenção apresentam dados (SOUSA. A base da CDU é constituída por nove classes especiais e uma classe geral. 600 – Tecnologia. 2003). 9 – Geografia-Biografia-História. 8 – Linguística-Literatura. 5 – Ciências Puras. cuja primeira edição data de 1876. destinada ao fo- mento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos hu- manos para a pesquisa no país (SOUSA. 2008). 2008). 2 – Religião-Teologia. 700 – Belas Artes. CAVALCANTI. 400 – Linguística . 1995). tem como base a CDD e é atualizada pela Federação Internacional de Documentação (FID). de autoria do bibliotecário americano Melvil Dewey. 900 – História e Geografia. A classe 4 foi agrupada à classe 8. RIBEIRO.

medido ou comparado (SOUSA. 2008). Conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. CAVALCAN- TI. Conhecimento empírico É o conhecimento obtido ao acaso. Conhecimento filosófico É fruto do raciocínio e da reflexão humana. Conhecimento Informação aceita e assimilada pelo indivíduo que modifica seu estado cognitivo de compreensão de uma determinada realidade que o possibili- ta construir. É o conhecimento especu- lativo sobre fenômenos. 2004). 2008). ultrapassando os limites formais da ciência (BELLO. Depende da formação moral e das crenças de cada indivíduo (BELLO. 2008). após inúmeras tentativas. Conhecimento científico Conhecimento que segue um método em sua organização e que pode ser provado. ser con- firmado ou negado. Conhecimento popular ver Conhecimento empírico Conhecimento religioso Também chamado de conhecimento teológico.Comunicação Processo de transferência da informação de uma pessoa ou de um equi- pamento para outra pessoa ou outro equipamento (CUNHA. reconstruir essa realidade e agir sobre ela (SOUSA. por sua origem. 2008). ou seja. 2004). Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 165 . o conhecimento adquirido através de ações não planejadas (BELLO. Conhecimento explícito Conhecimento registrado em algum suporte de informação e que carac- teriza um saber formalizado (SOUSA. gerando conceitos subjetivos. Não pode. 2004). Busca dar sentido aos fenômenos gerais do universo.

2008). com o objetivo de reunir e disponibilizar. 166 Glossário . interpretação ou processamento por meios humanos ou automáticos (SANTOS. de forma a permitir a comunicação. que agrega convicções.Conhecimento tácito Acúmulo de saber prático sobre um determinado assunto. Deontologia Código moral das regras e procedimentos próprios a determinada cate- goria profissional (conceito atribuído por Jeremy Bentham. 1993). 2003). de forma eficiente. a estampa. Documento Suporte de informação (. crenças. a difusão e a utilização de documentos de qual- quer gênero ou natureza (SOUSA. 2008). a música. Decodificação Ato ou efeito de transformar a informação em um formato (origem) para outro formato final (destino) (CUNHA. em JAPIAS- SU. (CUNHA. CAVALCANTI.) que pode ser o livro... o disco. conceitos ou instruções. emoções e outros fatores ligados à ex- periência e à personalidade de quem o detém (CUNHA. a revista. CAVALCANTI. Controle bibliográfico universal Programa desenvolvido pela Ifla e pela Unesco. Documentação Conjunto de conhecimentos e técnicas que tem como finalidade o trata- mento. CAVALCANTI. os registros da produção intelectual editada em todos os países (SOUSA. a peça de arquivo. 2008). a organização. a fotografia. Dado Representação padronizada de fatos. o jornal. 2008). sentimentos.. 2008). RIBEIRO. MARCONDES. o filme.. a medalha. entendido como uma rede universal de controle e intercâmbio de informação bibliográfica.

Foi chefe da Biblioteca Demonstrativa Castro Alves. Consultor de entidades internacionais. gerando uma enorme quantidade de informação (CUNHA. Estagiou na biblioteca da FGV. disciplinam ou orientam o comportamento humano. Em 1962. FRANCO. valores. VILLAR. Paraíba. re- fletindo especialmente a respeito da essência das normas. foi contratado pela UnB. CA- VALCANTI. organizou e dirigiu o curso de Biblioteconomia. retornou ao Recife em 1948. Maceió etc. a Faculdade de Biblioteconomia e a Faculdade de Estudos Sociais Aplicados. num dado momento. Sob os auspícios do INL. nos cursos da Biblioteca Nacional.Edson Nery da Fonseca (1921-) Nasceu no Recife. 2009). como a Biblioteca do Congresso Americano (CASTRO. ministrou cursos in- tensivos para bibliotecários do interior de Pernambuco. Entropia Grau de desorganização em um conjunto de informações ou dados (CUNHA. onde organizou e foi professor do 1º curso de Biblioteconomia do Nordeste. Ética Parte da Filosofia responsável pela investigação dos princípios que moti- vam. bibliotecário do Dasp e diretor do Serviço de Bibliografia do IBBD. CAVALCANTI. dirigiu a reforma das bibliotecas da Faculdade de Direito e da Escola de Engenharia. 2000). 2008). Na Universidade do Recife. Explosão da informação Acúmulo da literatura técnica e científica nas várias áreas do conheci- mento. estudou Biblioteconomia de 1946 a 1947. distorcem. Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 167 . CAVALCANTI. pres- crições e exortações presentes em qualquer realidade social (HOUAISS. 2008). 2008). como professor associado. e lá dirigiu a Biblioteca Central. no Rio de Janei- ro. Emissor Um dos protagonistas do ato da comunicação: aquele que. emite uma mensagem para um (ou mais de um) receptor ou destinatário (CUNHA.

com. tendo em vista. CAVALCANTI. Henri La Fontaine (1854-1943) Jurista e homem de Estado belga. em particular. em formato digital. CAVALCANTI. sua utilização pela comunidade científica e tecnológica (SOUSA. em 1913 (Adaptado de: Encyclopedia. na Grécia antiga. a partir da transformação do IBBD. aspx?q=Henri+La+Fontaine. Ibict . no âmbito nacional e inter- nacional. e presidente do International Peace Bureau. Gymnasium Local onde os atletas faziam seus exercícios.Gestão Eletrônica de Documentos Tecnologia que facilita o armazenamento. 2008). Disponível em: http://www. incentivar e coordenar o melhor aproveitamento dos recursos bibliográficos e documentários do país. de 1907 até ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz.encyclopedia. localização e recuperação de informações estruturadas ou não. IBBD . vinculado ao Minis- tério de Ciência e Tecnologia. exerce as funções de órgão nacional para a política de informação cientifica e tecnológica (CUNHA. Incerteza Uma medida de ignorância organizacional do valor de uma variável no espaço informacional (SOUSA. durante os jogos olímpicos.Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia Criado em 1976. com o objetivo de promover a criação e o desenvolvimento dos serviços es- pecializados de bibliografia e documentação. de 27 de fevereiro de 1954. foi senador de 1894 até 1936.124. 2008).com/searchresults. 2008). Acesso em: 08 dez.Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação Criado por meio do decreto nº 35. durante todo o seu ciclo de vida (CUNHA. estimular o intercâmbio entre bibliotecas e centros de documentação. 2009). 168 Glossário . 2008).

2008). Desenvolveu-se a partir da Arpanet e atualmente liga todos os países (CUNHA. Academia Paulista de Letras. por Phi- lipe Dreyfus. criada em 1937. CAVALCANTI. 2008). Diretora da Biblioteca Mário de Andrade. realizado através de máquinas automáticas (CUNHA. o apri- moramento do livro e a melhoria dos serviços bibliotecários (extinto em 12/04/1990) (CUNHA. em 1942.Instituto Nacional do Livro Entidade federal. em 1938. graduada em Biblioteconomia pela Escola Livre de Sociologia e Política e em Direito pela Universidade de São Paulo. CAVALCANTI. para designar a ciência do tratamento racional da informa- ção. considerada como o suporte dos conhecimentos e das comunicações nos domínios técnico. CAVALCANTI. Internet Rede das redes de computadores. Foi a primeira presidente da Febab (1961/1974) e a pri- meira presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia (1966/1968) (CASTRO. INL . para estimular a produção. 2008). Lydia de Queiroz Sambaqui Paraense. graduada em Biblioteconomia pelo Curso Superior da Biblio- teca Nacional. Laura Garcia Moreno Russo Carioca. criado em 1962. Informática Termo correspondente ao francês informatique. econômico e social. Como bi- bliotecária exerceu diversos cargos públicos: Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. que utiliza um protocolo comum de comunicações (TCP/IP). em 1975. 2000). Exer- ceu diversos cargos: chefe do Serviço de Intercâmbio de Catalogação Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 169 .Informação Conjunto de dados significativos organizados de forma que facilite a ma- nipulação e o processamento dos mesmos (SOUSA. 2008). de alcance mundial. e pela Columbia University.

Mensagem É o sinal ou o conjunto de sinais ou símbolos que tem significação própria para quem o vê. professor. 170 Glossário . sente e interpreta. de modo similar aos atuais hipertextos (CUNHA. Na mesma Faculdade de Direito. CAVALCANTI.da FGV (1937/1953). Dewey fundou a American Library Association e o Library Journal (THE COLUMBIA…. em 1885. da Facul- dade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (CASTRO. em 1874. induzindo-o a novo estado de espírito ou a uma atitude não considerada (NUNES. 2008). na década de 1940. bibliotecária do Ministério da Educação e Saúde (1941/1943). 2008). Dentre os cargos que exerceu. 1973). destacam-se: bibliotecário da Faculdade de Direito de Recife. Começou a atuar como bibliotecário em 1874. registros e comunicações. estudar e participar de eventos científicos (CASTRO. recebeu o título de doutor. Realizou diversas viagens ao exterior para visitar bibliotecas. Como bi- bliotecário da New York State Library criou um novo curso de Biblioteco- nomia. diretor geral da Biblioteca Nacional. Melvil Dewey (1851-1931) Pioneiro da Biblioteconomia americana. ouve. no qual o usuário armazenaria todos os seus livros. Manuel Cícero Peregrino da Silva (1866-1956) Nascido em Recife. se formou em Direito. em 1895. em Amherst. e de 1883 até 1889 foi bibliotecário do Columbia College onde estabeleceu a primeira escola de treinamento para bibliotecas. Um homem de enorme energia. vice-presidente da FID (1959/1962). e depois reitor. responsável pelo Serviço de Bibliotecas do MEC. ocupou um pa- pel importante nos primeiros momentos da organização das bibliotecas nos Estados Unidos. criou a Classificação Decimal de Dewey. 2000). presidente do IBBD (1954/1965). de maneira que poderiam ser consultados com extrema velocidade e flexi- bilidade. Memex Equipamento imaginado por Vannevar Bush. 2000).

universalidade e mundialidade. CAVALCAN- TI. ou não. simultaneidade. o ensino com cursos semanais e quinzenais. com assembleias e comissões. educativas e sociais e tinha por princípios de orga- nização as ideias de totalidade. como jornais. abrigava atividades cientí- ficas. podem ser apresentados na seguinte ordem: definição do problema (obstáculo ou pergunta que necessita de uma solução). ci- nema. o congresso. 2008).Método científico Processo sistemático de aquisição de conhecimento que segue uma sé- rie de passos interdependentes que. bibliografia e arquivos enciclopédicos. formulação de hipótese (expli- cações para o problema). por um período de tempo. 1997). classificação e gestão dos acervos dos museus (CUNHA. voluntarie- dade. as hipóteses) (CUNHA. o termo representa as formulações teóricas que servem. revistas. rejeição ou não das hipóteses (análise dos resultados para determinar se há evidências que rejeitam. vídeo e rádio (CUNHA. para efeitos didáticos. Mundaneum Projetado pelo grande arquiteto Le Corbusier. CAVALCANTI. raciocínio dedutivo (dedução de implicações das hipóteses formuladas). 2008). 2008). documentárias. para legitimar problemas e métodos em um campo do conhecimento (CUNHA. gratuidade. Museologia Conjunto de conhecimentos científicos e técnicos aplicados à conserva- ção. CAVALCAN- TI. Reunia a pesquisa com seminário e laboratório. Kuhn. implicitamente. 2008). Mídia Designação dos meios de comunicação social. teste e experi- mentação das implicações deduzidas das hipóteses – teste de hipótese). Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 171 . coleta de dados (observação. a documentação com biblioteca. CAVAL- CANTI. Foi fechado pelo governo belga em 1934 (RAYWARD. Paradigma Segundo Thomas S.

empresário. 2008).Paul Otlet (1868-1944) Nascido em Bruxelas. Em 1907. CAVALCANTI. considerado como um dos pais da Ciência da Informação. Otlet criou a Classificação Decimal Universal. em 1910. e que ainda está localizado em Bruxelas. de Mundaneum. CAVALCANTI. geran- do valor agregado para atingir os objetivos de uma organização (CUNHA. processa e difunde informação. para abrigar as coleções e as atividades dos seus diversos organismos e institutos. que foi renomeado para União das Associações Internacionais. substituído com o advento de catálogos on-line de acesso público (Opac). para atingir os seus ideais políticos de um novo mundo que eles viram decorrer da difusão global da informação e a criação de novos tipos de organizações internacionais (WIKIPÉDIA). culminando em dois livros: Trai- té de documentation (1934) e Monde: Essai d’universalisme (1935). 172 Glossário . Profissional da informação Profissional que coleta. visionário. mediador da in- formação. Henri La Fontaine e Otlet criaram o Escritório Central de Associações Internacio- nais. um dos exemplos mais proeminentes da documentação facetada. tendo habilidades e conhecimentos para lidar com ela. Eles também criaram um grande centro internacional chamado primeiramente de Palais Mondial (World Palace) e. que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1913. sob o nome de Paul Marie Gislain Otlet. 2008). engajando ideias políticas internacionais que foram incorporados na Liga das Nações e do seu Instituto Internacio- nal de Cooperação Intelectual (precursora da Unesco). advogado e ativista da paz. mais tarde. índice de cartão usado até recentemente na maioria dos catálogos de biblioteca em todo o mundo. transmissão e processamento de dados. Processo de comunicação Produção. uma área que ele chamava de “documentação”. trans- feridos de um ponto a outro (CUNHA. trabalhando jun- tamente com o seu colega Henri La Fontaine. na sequência de uma grande conferência internacional. Otlet escreveu diversos ensaios sobre a forma de recolher e organizar o mundo do conhecimento. Otlet também foi um idealista e ativista da paz. foi responsável pela adoção na Europa do padrão americano de 3x5 polegadas. ou mensagens. foi autor.

do Centro de Informações da ONU. aquele que recebe a informação e a decodifica. Exerceu diversos cargos. é a repetição deliberada em uma men- sagem. 1951 apud OLIVEIRA. CAVALCANTI. ban- cos de dados. FRANCO. Redes de informação Rede formada por organismos de informação. geograficamente dis- persos. além de quaisquer sistemas. com a finalidade de diminuir a possibilidade de erro (CUNHA. 2008). técnicas ou máquinas empregadas para o desempenho da operação (MOOERS. em Paris. e da Biblioteca da ONU. 2009). CAVALCANTI. diretor e professor do primeiro curso de Biblio- Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 173 . tais como: arquivos. Recuperação da informação Termo que engloba os aspectos intelectuais da descrição de informações e suas especificidades para a busca. isto é. VILLAR. 2005). trans- forma os impulsos físicos (sinais) em mensagem recuperada (CUNHA. Idealizador. aquele a quem se dirige a mensagem. dentre eles o de diretor da Biblioteca Municipal de São Paulo. Na teoria da informação. 2008). graduou-se em Letras na Universidade de Gene- bra. Rubens Borba de Moraes (1899-1986) Paulista de Araraquara. Redundância Parte da mensagem que pode ser eliminada. da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.Receptor Um dos protagonistas do ato da comunicação. sem perda de dados essen- ciais. CAVALCANTI. Retroalimentação Qualquer processo por intermédio do qual uma ação é controlada pelo conhecimento do efeito de suas respostas (HOUAISS. Suíça. com o intuito de possibilitar o atendimento a maior número de usuários da informação (CUNHA. 2008). bibliotecas e centros de informação. em Nova Iorque.

CAVALCANTI. surgidas no contexto da Revolu- ção Informacional. 2005). CAVALCANTI. vinculado ao antigo Departamento Administrativo do Ser- viço Público (Dasp). a Associação Paulista de Bibliotecários (CASTRO. wikipediaa. 2008). em 1938. Sociedade da informação Etapa do desenvolvimento da sociedade que se caracteriza pela abun- dância de informação organizada (OLIVEIRA. Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) Tecnologias e métodos para comunicar.teconomia de São Paulo. Fundou a primeira associação de bibliotecários do Brasil. “Revolução Telemática” ou Terceira Revolução Indus- trial (pt. 2008). Sinal Símbolo convencional que se destina a transmitir uma informação (CUNHA. CAVALCANTI. Scriptorium Local. Ruído Dados irrelevantes obtidos na recuperação da informação por deficiência da programação ou por tratamento inadequado da informação (CUNHA. passou a ser subordinado à Fundação Getúlio Vargas (CUNHA. 174 Glossário . SIC . CAVALCANTI. em 1947. CAVALCANTI. Senso comum Conjunto de opiniões tão geralmente aceitas em época determinada que as opiniões contrárias apareçam como aberrações individuais (CUNHA. iniciado em setem- bro de 1942. 2008). 2008).org/wiki/NTICs). nos mosteiros medievais. 2008). destinado à leitura e cópia de manuscri- tos (CUNHA. 2000).Serviço de Intercâmbio de Catalogação Esforço de catalogação cooperativa de monografias.

criado por Mortimer Taube. mas também teve impactos que perduram até hoje (SANTOS. linguística. entre outras. Traité de Documentation: le Livre sur le Livre: Théorie et Pratique Publicada em 1934. desde sua geração. a obra representa a maturidade do pensamento de Paul Otlet sobre a organização e o acesso ao conhecimento. que relacio- nava em fichas. conhecido pelo seu papel político no desenvolvimento da bomba atômica e pela ideia da Memex (1945). é uma unidade que trata da informa- ção. 2008). CA- VALCANTI. desde a organização até sua difusão (base de dados. o autor define o objeto de estudo da documentação – o documento –. 2007). [19--?]) Fundamentos de Biblioteconomia e Ciência da Informação 175 . No Traité. os números corresponden- tes a itens/documentos relativos a esse termo (CUNHA.. lógica.. difusão e uso (CUNHA. centro. físico. estatística. quando confrontada com o ruído (CUNHA. psicologia. 2008). serviço ou sistema de informação. inventor e político nascido em Everett. propõe metodologias e técnicas para estudá-lo. Transferência da informação Conjunto de operações envolvidas na transmissão da informação.Teoria Matemática da Informação Estudo dos aspectos probabilísticos da transmissão de dados. Unidades de informação Conceito mais amplo de biblioteca. precursor da world wide web (REDE. constituídas pelas inter- faces com a sociologia.. passando pelo processamento. mapoteca etc. visto como um conceito pioneiro. 2005). Vannevar Bush (1890-1974) Engenheiro elétrico. telecentro. Massachusetts. sob cada termo de indexação. videoteca. CAVALCANTI. Uniterm Designa o sistema de indexação. 2008). agência. CAVALCANTI.) (adaptado de OLIVEIRA. Essa visão ampla revolucionou não só o modo de trabalhar com a informação no seu tempo. sinalizando também para a necessidade de criar algumas interdisciplinas.

ed. n. 2. 2009. DE M. D. Belo Horizonte: UFMG. maio/ago. D.Referências BAPTISTA. siglas e termos técnicos: Arquivística. G. HOUAISS. 239-248. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. v. R. G. RAYWARD. 1973. 176 Glossário . Rio de Janeiro: Objetiva. The origins of information science and the Internation- al Institute of Bibliography/International Federation for Information and Documentation (FID). Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). DF. C.1. Brasília. REDE NETSABER. 2008. L.pro.com. DF: Thesaurus. Escola de Comunica- ção. Interciência. H. J. da. 23. M. fluxo e uso da informação em ocu- pações de agências de turismo do Rio de Janeiro: estudo preliminar. 1997. Journal of the American Society for Information Science. Dicionário básico de Filosofia. Informática. CAVALCANTI. nº 4. Brasília. M. Rio de Janeiro: J. MARCONDES. de O. Disponível em: http://www.htm. de P. Melvil Dewey. 2009. p. 2004. 2005. L. F. nº 2. OLIVEIRA. de (Coord. 2008. de. BELLO. M. Informação. M.br/met01. 2004. Geração. DF: Briquet de Lemos/Livros. História da Biblioteconomia brasileira: perspectiva his- tórica. M. BRAGA. Niterói. Documentação. Rio de Janeiro. RIBEIRO. B.24.encyclopedia. C. Dicionário de Bibliotecono- mia e Arquivologia. VILLAR. 1993.. Acrônimos.aspx Acesso em: 8 dez. A.. 2009.). V. Brasília.com/topic/melvil_dewey. Ciên- cia da Informação. SANTOS. p. 6th ed.br/biografias/ver_biografia_c_3301. 1991. Ciência da Informação. 48. R. 1995. Rio de Janeiro: Agir.html. Apr.pedagogiaemfoco. CUNHA.. Biblioteconomia. 2000. G. JAPIASSU. DF. 2002. C. Acesso em: 8 dez. B. Metodologia científica. M.netsaber. NetSaberBiografias. Disponível em: http://www. M. FRANCO. O estilo na comunicação. dos. [19--?] Disponível em: http:// www. 289-300. de S. D. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Brasília. A. C. THE COLUMBIA ENCYCLOPEDIA. 2009. 2003. Ciência da Informação e Biblioteconomia: no- vos conteúdos e espaços de atuação. Do caos documentário à gerência da informação. L. Ciência da Informação: breves reflexões em três tempos. W. A. v. Acesso em: 8 dez. DODEBEI. Rio de Janeiro. 1991. CASTRO. Tesauro: linguagem de representação da memória do- cumentária. Zahar. v. São Paulo: Átomo. M. LUONGO MEDINA. Rio de Janeiro: Intertexto. NUNES. New York.

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