Inacabado
Egoísta
Indefeso
Competitivo
Dependente
TENDÊNCIA SOCIÁVEL TENDÊNCIA INSOCIÁVEL
SOCIABILIDADE INSOCIÁVEL
na medida em que este é. no entanto. in 'Ideia de um História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita' . inclinação que é contudo acompanhada de uma repulsa geral a entrar em sociedade. Entendo aqui por antagonismo a insociável sociabilidade dos homens. no final de contas. ou seja. » Emmanuel Kant. Emmanuel Kant-Filósofo alemão -1724-1804 A Insociável Sociabilidade dos Homens «O meio que a natureza utiliza para levar a bom termo o desenvolvimento de todas as suas disposições é o seu antagonismo no interior da sociedade. a sua inclinação para entrar em sociedade. a causa de uma organização regular dessa sociedade. que ameaça constantemente desagregá-la.
Ninguém é absolutamente autossuficiente. ensinam-nos a falar. distinto de todo e qualquer outro) não implica que cada um seja uma realidade fechada em si mesma. a lidar com as coisas. encaminhados em direção à nossa singularidade humana. Pais. como se esta relação fosse o resultado de uma decisão. A dimensão social da nossa vida é inegável a tal ponto que podemos perguntar se somos verdadeiramente seres humanos antes e independentemente da relação social. Não faz sentido imaginar que primeiro existimos e depois entramos em relação com os outros. como se a relação com os outros fosse um aspeto secundário da existência de cada um de nós. . isto é. a escrever. Não nos realizamos — não nos tornamos nós mesmos — simplesmente por nós mesmos. professores.. de uma disposição nossa. etc. traçam-nos o caminho.Indivíduo e Sociedade Ser humano é ser um indivíduo. transmitem- nos valores e ideias que contribuem para o desenvolvimento das nossas potencialidades. uma existência concreta que não se confunde com nenhuma outra. Esta “unicidade” (cada ser humano é único. Temos de ser educados.
A insociabilidade define-se pela afirmação de um egoísmo radical. [Vivemos em sociedade (sociabilidade) de modo insociável = sociabilidade insociável] A sociabilidade caracteriza-se como tendência para a associação. pela vontade de querer fazer tudo a seu gosto. . Os seres humanos são “insociavelmente sociáveis”. de acordo com os seus interesses. a tendência do ser humano é mais a de competir com os outros do que viver em harmonia com eles.Como é viver em sociedade? O que predomina nas relações entre os seres humanos? Para Kant. para a cooperação.
a procura de determinados estatutos e honras faz-se no seio da sociedade. A natureza fez-nos competitivos. A par da tendência para integrar a sociedade há. egoístas. fomenta o espírito de competição. a autogovernarmo-nos. isto é. portanto. Kant sublinha o papel da insociabilidade. para melhor desenvolvermos as nossas capacidades latentes. A resistência que cada qual opõe aos outros. de os “suportar”. . Por mais independentes que queiramos ser. ao termos de viver com os outros. sem o qual tudo estagna. transformando-nos assim em seres que. a vontade de dominar e de não ser dominado. Ao falar da “sociabilidade insociável” dos humanos. A nossa afirmação é sempre não um ato isolado. somos forçados a disciplinar os nossos instintos individualistas. A discórdia é o motor da história. opondo resistência aos outros e procurando afirmar-nos. a vontade de se tornar independente da vontade dos outros. a tornarmo-nos pessoas civilizadas. mas a ultrapassagem do outro em capacidade e aquisições. a tendência para desintegrá-la. A doçura e a concórdia nas relações humanas transformariam o ser humano num animal doméstico satisfeito com o que teme com o que lhe dão. nada se desenvolve.
mas também justiça ou retidão na ação do Estado. . A vida social nutre-se dessas duas forças contrárias (a sociabilidade e a insociabilidade) que nunca devem anular-se uma à outra: é um equilíbrio instável. O conjunto de leis mediante as quais o Estado visa organizar e regular a vida social constitui o Direito. pela vontade de supremacia. A questão que imediatamente se coloca é esta: como manter e assegurar este equilíbrio? As relações entre os seres humanos são marcadas pelo antagonismo. por uma espécie de “instinto” competitivo. Para que as divergências não degenerem em anarquia selvagem exige-se um poder soberano capaz de regular e disciplinar a vida social. O equilíbrio social exige por seu lado que não haja somente legalidade. pela oposição. A esse poder dá-se o nome de Estado.